quarta-feira, 17 de junho de 2015

A Prática do Prajna Paramita.



De preferência a ser praticado de acordo com os métodos habituais do Yoga, o Prajna Paramita deve ser meditado, e a sua sabedoria apreendida pela introspecção estática. A este respeito, há que diferenciá-lo dos outros cinco, dos Seis Paramitas que devem ser observados pelo devoto, como a “Caridade Ilimitada”, Dana Paramita, a "Moralidade Ilimitada", Shila Paramita, a "Paciência Ilimitada", Kshanti Paramita, o "Esforço Ilimitado", Virya Paramita,  e a "Meditação Ilimitada", Dhyana Paramita. A "Sabedoria Ilimitada ou Transcendental", a exemplo do Nirvana e do Estado de Budha, é efetivamente um dos estados mais sublimes da mente iluminada a ser atingido com o concurso de todos os Seis Paramitas, combinado ao perfeito desempenho das práticas yogues. "Um Bodhisattva pode aprimorar-se através do Dana Paramita; porém, como há toda probabilidade de que ele venha a formar uma concepção do Dana Paramita como algo dotado de algum tipo de realidade, Svabhava, este pode vir a representar-lhe como um objeto de intelecção, Grahya. Ele pode também ter uma concepção de doador receptor coisa doada. É para contrabalançar todas essas concepções, que na verdade, são concepções errôneas, que o Prajna Paramita intervêm e estimula o Bodhisattva a tentar desenvolver um estado de espírito no qual o Dana Paramita representar-lhe-ia como desprovido de sinais, alaksana, sem qualquer existência independente por si próprio; e que, ao mesmo tempo, eliminará de sua mente qualquer concepção que se atenha aos termos do doador receptor coisa doada. Em resumo, a função do "Prajna Paramita é a de convencer o Bodhisattva de que o Dana Paramita, seja lá o que for, é em verdade informe, infundado e indistinguível do Shunyata. Serve como uma proteção para o Bodhisattva, que se elevou muito acima da média e adquiriu varias qualidades meritórias, mas ainda está sujeito a apegar-se a alguma ideia ou conceito que em si mesmo pode ser altamente correto e válido, mas sendo um apego, deve ser afastado". Daí ter sido o Prajna Paramita encarecido em detrimento de todos os outros Paramitas, a ponto de vir a ser considerado o Paramita principal, por meio do qual o homem. como num barco, alcança a Sabedoria da Outra Margem.


A VERDADE ALÉM DA DEMONSTRAÇÃO
"Somente Eu e os Budas do Universo".
- Podemos compreender estas coisas -
A Verdade além da demonstração,
A Verdade além da esfera da expressão."
Budha, "Saddharma Pundarika Sutra"


O CAMINHO DA SABEDORIA TRANSCENDENTAL:
O YOGA DO VAZIO
[saudação]
SAUDAÇÃO À CONQUISTADORA, A SABEDORIA TRANSCENDENTAL!
O título SÂNSCRITO e o título TIBETANO
Na língua da Índia "A Conquistadora, a Essência da Sabedoria Transcendental", escreve-se Bhagavati Prajna Paramita Hridaya; na língua do Tibete, Bchom ldan hdas ma She rab kyi Pha rol tu Phyin pahi Snying po. Assim ouvi: Certa vez o Conquistador, no meio da grande congregação de Shanga, composta de Bhikkhus e Bodhisattvas, no Pico do Abutre, em Raj Griha, estava sentado absorto (compenetrado, absorvido) naquele Samadhi que se chama a Profunda Iluminação. E ao mesmo tempo, o Bodhisattva, o Filho Favorito, Arya Avalokiteshvara sentou-se a meditar sobre o profundo ensinamento do Prajna Paramita, de que os Cincos Agregados são da natureza do Vazio. Nisto, inspirado pela força do Budha, o venerável Shari Putra interpelou o Bodhisattva, o Filho Favorito, Arya Avalokiteshvara, assim: "Como poderá alguém de nobre nascença, desejoso de praticar os ensinamentos profundos do Prajna Paramita, compreende-los?".
ARA A RESPOSTA DE AVALOKITESHV
Após ter sido assim interpelado, o Bodhisattva, o Filho Favorito, Arya Avalokiteshvara, retorquiu e assim disse ao filho de Shari Dvati: "Shari Putra, qualquer um nobre de nascença, filho ou filha (espiritual), desejoso de praticar os ensinamentos profundos do Prajna Paramita, compreendê-los-á do seguinte modo: "Os Cinco Agregados hão de ser compreendidos como sendo naturalmente e integralmente o Vazio". "As Formas são o Vazio, e o Vazio são as Formas; tampouco há as Formas e o Vazio em separado, ou Formas outras que não o Vazio". Do mesmo modo, a Percepção, os Sentimentos, as Formações mentais e a Consciência são o Vazio. "Assim, Shari Putra, todas as coisas são o Vazio sem características, Inatas, Incontáveis. Imaculadas, Imaculáveis, Indenes (sem prejuízo), Impreenchíveis". "Shari Putra, em assim sendo, o Vazio não tem forma alguma, percepção alguma, sentimento algum, formação alguma, consciência alguma; olho algum, ouvido algum, nariz algum, língua alguma, corpo algum, mente alguma, forma alguma, som algum, odor algum, gosto algum, tato algum, qualidade alguma". "Onde não há olho, não há desejo, e assim por diante, não há consciência do desejo". "Não há Ignorância; não há superação da Ignorância; e assim por diante, não há declínio e nem morte, não há superação do declínio e da morte". "Do mesmo modo, não há dor, não há mal, não há privação, não há Caminho, não há Sabedoria, nem alcançar ou deixar de alcançar". "Shari Putra, em assim sendo, pois nem mesmo os Bodhisattvas tem algo que alcançar, para o que se fia no Prajna Paramita, e a ele se atém, não há qualquer obscurecimento mental (da Verdade), e por conseguinte, nada que temer; e, passando muito além dos caminhos (ou doutrinas) errôneos, a este bem sucede alcançar o Nirvana". "Todos os Budhas, igualmente, que subsistem nos Três Tempos, atingiram o mais alto, o mais puro e o mais perfeito Estado de Budha subordinando-se a este Prajna Paramita".

O MANTRA DO PRAJNA-PARAMITA
"Assim sendo, o Mantra do Prajna Paramita, o Mantra da Grande Lógica7, o Mantra Eminente, o Mantra que faz igualar Aquilo que não pode ser igualado, o Mantra que mitiga toda dor, e que não sendo falso é sabido ser verdadeiro, o Mantra do Prajna-Paramita, é entoado agora:

TADYATHA GATE GATE PARAGATE PARA-SAMGATE BODHI SVA-HA.
Shari Putra, um Bodhisattva, um Filho Favorito deve compreender o Prajna Paramita desse modo."

A APROVAÇÃO DO BUDHA
Então o Conquistador saiu do Samadhi, e para o Bodhisattva, o Filho Favorito, Arya Avalokiteshvara, disse: "Muito bem. Muito bem. Muito bem".  E tendo assim expressado aprovação, [Ele acrescentou], "Assim é, ó, Nobre de nascença; assim é. Assim mesmo como mostrastes, o profundo Prajna Paramita deve ser compreendido. Os Tathagatas, também, estão satisfeitos (com isto)".  Tendo assim o Conquistador externado o Seu parecer, o filho do venerável Shari Dvati, e o Bodhisattva, o Filho Favorito, Arya Avalokiteshvara, e todas as criaturas ali congregadas, devas, homens, Asuras, Ghandharvas, e o mundo todo alegraram-se, e louvaram as palavras do Conquistador. Isto completa A Essência da Magnífica Sabedoria Transcendental.
A SUPERIORIDADE DO PRAJNA PARAMITA
"Caso um Bodhisattva praticasse incessantemente todos os (Cinco) Paramitas, Dana, Shila, Kshanti, Vírya e Dhyana, e não dominasse o sexto, ou seja, o Prajna-Paramita, ele não seria capaz de alcançar o estado do Conhecimento Absoluto". (...). Por isso, na Sinopse Transcendental, afirma-se: "Uma multidão obtusa de milhões e milhões de cegos que desconhece o caminho, jamais chegará à cidade a que demanda. Sem o Prajna, os outros Cinco Paramitas obliterados, como poderiam eles atingir o Reino de Bodhi! Se, por outro lado, houver um homem que enxergue em meio à multidão de cegos, esta alcançará, sem dúvida, o seu destino". De modo semelhante, a acumulação de outros méritos, se guiada pelo Prajna, conduz ao Conhecimento Absoluto... Agora, caso seja indagado, que restrição acarretaria o emprego de Upaya (ou Método) e Prajna (ou Sabedoria) separadamente? Qualquer Bodhisattva que recorrer a Prajna independente de Upaya estará sujeito a ser atrelado (ou encadeado) ao estado de quietude do Nirvana aspirado pelos Sravakas e não alcançará o estado do Nirvana que não é seguro. (...) No Sutra intitulado "As Questões de Akshshayamati", afirma-se: "Prajna separado de Upaya atrela-se ao Nirvana, e Upaya separado de Prajna atrela-se ao Sansara". Portanto, ambos devem estar em união (...). Novamente, a título de ilustração, assim como alguém que almeja alcançar uma certa cidade necessita de olhos para ver e pés para trilhar o caminho, assim também aquele que almeja alcançar a Cidade do Nirvana necessita dos olhos de Prajna e dos pés de Upaya. Ademais, este Prajna não foi produzido nem engendrado por si mesmo. A título de ilustração, um pequeno feixe de lenha não dará uma grande fogueira, nem arderá por muito tempo, mas uma enorme pilha de lenha dará uma enorme fogueira, que arderá por muito tempo; assim, do mesmo modo, uma pequena acumulação de méritos não basta para produzir um grande Prajna. Somente um grande acúmulo de Dana (ou Caridade) e de Shila (ou Moralidade), além dos restantes (Cinco Paramitas) produzirá um grande Prajna, consumindo todas as impurezas e obscuridades (...). A característica do Prajna é a de discernir a natureza de todas as coisas (...). O que é Prajna? É a diferenciação de todas as coisas. A Yoga Tibetana e as doutrinas Secretas. Walter Y. Evans Wentz (1878-1965). http://www.nossacasa.net/shunya/. Abraço. Davi.

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