segunda-feira, 12 de outubro de 2026

PENSAMENTO DESGOVERNADO E O LOGO INVISÍVEL. Parte V-3

Missão dos Setenta e o Lobo Invisível. PENSAMENTO DESGOVERNADO E O LOBO INVISÍVEL. Parte V-3. Vemos, portanto, claramente que, apesar de ter sido o seu Espírito limpo pelo Poder Superior, esse homem acabou atraindo de novo, para perto de si, o obsessor que o escravizava. E, para piorar a situação, o espírito impuro veio acompanhado de mais sete "lobos invisíveis". Em diversas passagens bíblicas que relatam o Cristo de Deus expulsando multidões de espíritos malignos de criaturas obsidiadas ou possessas. Encontramos esta ordem do Divino Mestre àqueles que, pelo seu poder, foram curados: "Vão, mas não pequem mais". Por quê? Porque não adianta você ficar livre o obsessor, do demônio, da alma em atraso e cair novamente nas suas garras. Repetimos: tem de manter-se em oração e vigilância constantes, de modo que se impeça a ação do espírito inferior, para que ele não volte a dominá-lo ou dominá-la: "Vigiai e orai, para que não caías em tentação", Marcos 14,38. Confiar em Jesus sempre. Confiemos em Jesus, sigamos com afinco suas palavras e seus exemplos e viveremos protegidos. Portanto, libertos da ação de espíritos de tão baixa categoria, os "lobos invisíveis", causadores, ainda desconhecidos dos grandes dramas da Terra. Não somente no âmbito particular, mas também no campo dos governos. São incentivadores das piores tramas, que resultam em guerras, mortes, fomes e doenças. Pináculo. Em lições Bíblicas, que são apresentadas na Super Rede Boa Vontade de Rádio, o saudoso irmão Zarur também nos ensina a ter a proteção de Deus, do Cristo e do Espírito Santo. Contra esse tipo de saudades malfazeja, que habitam até mesmo, como já dissemos gabinetes de governo por todo o mundo. Podemos imaginar a razão por que o planeta ainda hoje vive em grave e constante perigo. Diz Zarur: Em São Mateus vemos essa palavra - Pináculo. Lembram-se, Evangelho segundo Mateus 4,1 a 11, quando Jesus sofre a tentação no deserto? O que significa mesmo esta palavra Pináculo? Exatamente, parte elevada do Templo, onde Jesus foi desafiado por satanás. Em seguida, ele conduz o Cristo ao topo de uma montanha para contemplar a magnificência do mundo. Satanás lhe disse: "Eu te darei tudo isto se prostrado me adorares". Ora, tudo aquilo era de Jesus, que conto do vigário é esse? Então, satanás ia dar a Jesus o que era de Jesus? Onde se vê que satanás não é o que se diz por aí. Satanás é a condição humana, porque o corpo é adversário do Espírito. Quando o Espírito entra na matéria fica sujeito às tentações do mundo. Não é nenhum diabo com chifre, rabo comprido, tridente. Nada disso. É o espírito encarcerado no corpo, e o corpo é que é satanás, é a matéria. E se não houver muita Luz, o Espírito fracassa e a matéria vence. Basta ver isso: vocês acham que satanás podia prometer a Jesus o que já era dele? "Tudo isso eu te darei se prostrado me adorares". Pois, se tudo já era dele ... Jesus formou o mundo, João 1,1 a 3. Como é que satanás poderia prometer-lhe alguma coisa? A lição é a seguinte: quando o Espírito entra na matéria, passa por uma prova muito séria (...). Porque a matéria é que é satanás. Dificilmente pode ser derrotado. Só com a proteção divina. Daí a recomendação do Cristo, repetidas vezes: "Orai, vigiai, para vencerdes as tentações do mundo e da vossa matéria". Louvado seja Deus. "Governo" invisível inferior. Eis, já o sabemos pelo estudo do Apocalipse de Jesus para os simples e coração, que o governo da terra começa no céu. Por esse raciocínio, posso, de forma serena, afirmar que o mesmo ocorre com o "governo" invisível inferior, sediado no umbral. Região de sombras que cerca o planeta, que visa subjugar, sob sua tirania, povos e lideranças mundo afora. Incitando-as a toda espécie de litígio, sem que elas percebam que são escravas de inteligências manipuladoras "lobo invisível" de seu destino. Ressalto que não inspiram unicamente guerra e perigos nucleares, mas também cibernéticos, genéticos, bacteriológicos, químicos, domésticos, econômicos, políticos e de tantos outros tipos de que nem fazemos ideia. Pois suas presas desconhecem o que os "lobos invisíveis" andam armando por meio daqueles que se submetem a sua direção, no norte, no sul, no leste, no oeste, no solo do planeta, na profundidade dos mares e no espaço. A sensação de poder no orbe terráqueo é, por isso, pura ilusão. Os que pensam que tem absoluto domínio são apenas, na grande maioria, marionetes nas mãos de obsessores. Ocultos a seus olhos materiais, muito mais argutos que eles. Contudo, lembrem-se de que o poder divino é infinitamente maior. E, quando integrado no seu amor e justiça, revestimo-nos da armadura de Deus. Armadura de Deus. Epístola de Paulo apóstolo aos Efésios 6,10-20. "No demais, irmãos meus, fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder. Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do demônio. Porque não temos que lutar contra carne e sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes da maldade, nos lugares celestiais. Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mal e, havendo feito tudo, ficar firmes. Estai, pois, firmes, tendo cingido os vossos lombos com a verdade, e vestida a couraça da justiça. Calçados os pés na preparação do Evangelho da Paz. Tomando sempre o escudo da fé com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do maligno. Tomai também o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus. Orando em todo o tempo com toda a oração e súplica no Espírito e, vigiando nisso com toda a perseverança e súplica por todos os santos. E por mim, para que me seja dada, no abrir da minha boca, a palavra com confiança. Para fazer notório o mistério do Evangelho, pelo qual sou embaixador em cadeias, "isto é, mesmo quando preso". Para que possa falar dele Jesus livremente, como me cumpre fazê-lo. No terceiro volume de O Brasil e o Apocalipse (1996), argumento: Ocorre, porém, que o reino dessas entidades ignorantes está no fim: satanás está desesperado, por saber que lhe resta pouco tempo Apocalipse 12,12. Por causa disso, esses espíritos, que vivem afastados do amor de Deus, usarão todos os meios e modos para afligir as pessoas, procurando vãmente retardar a vitória do Cristo Ecumênico, o Divino Estadista no planeta. Na mídia, na Política, na Economia, na Religião, na Filosofia, na Ciência, no Esporte, na Arte etc. Aqueles  que vagueiam a serviço do mal não querem perder o seu reino nem seus subjugados elementos humanos de ligação na terra e nas regiões umbialinas (infernais) do Mundo Invisível. Visto que, por intermédio dos seres obsidiados, vêm mantendo momentaneamente seu império de ignorância sobre todas as nações. Mas, graças a Deus e para servi-lo, existem os Espíritos do Bem, as almas benditas, cuja missão é espalhar pelo mundo a bondade divina. Neles fortalecemos os nossos corações! Hosanas ao Pai Celestial! Abraço. Davi

sexta-feira, 9 de outubro de 2026

OS ANALECTOS - LIVRO XV

Confucionismo. www.https//rt.br. OS ANALECTOS – LIVRO XV. 1. O duque Ling de Wei perguntou a Confúcio sobre táticas militares. Confúcio respondeu: “De fato, já ouvir falar sobre o uso de embarcações sacrificiais, mas nunca estudei a questão do comando de tropas”. No dia seguinte, foi embora do reino. 2. Em Ch’en, quando as provisões acabaram, os seguidores [162] tinham se tornado tão fracos que nenhum deles conseguia pôr-se em pé. Tzu-lu, com indignação pintada em todo o rosto, disse: “É possível que haja momentos em que até mesmo os cavalheiros são levados a circunstâncias tão extremas?”. O Mestre disse: “Não causa nenhuma surpresa ao cavalheiro encontrar-se em circunstâncias extremas. O homem vulgar, ao encontrar-se em circunstâncias extremas, jogaria para cima qualquer escrúpulo.” 3. O Mestre disse: “Ssu, você acha que eu sou o tipo de homem que aprende muitas coisas e que depois armazena na mente cada uma dessas coisas que aprendeu?”. “Sim, acho. Não é assim?” “Não. Tenho apenas um único fio que liga todas elas.” [163] 4. O Mestre disse: “Yu, raros são aqueles que compreendem a virtude”. 5. O Mestre disse: “Se houve um governante que conseguia impor a ordem sem ter de tomar nenhuma ação, foi, talvez, Shun. Tudo o que ele precisava fazer era mostrar-se em uma postura respeitosa e olhar na direção do sul”. [164] 6. Tzu-chang perguntou sobre o progresso. O Mestre disse: “Se você tem consciência das próprias palavras e é coerente com elas, e se é determinado e reverente ao agir, então até mesmo nas terras dos bárbaros você progredirá. Mas, se falhar em ser consciencioso e coerente em relação a suas palavras ou determinado e reverente ao agir, então, mesmo na sua aldeia, como conseguiria progredir? Onde você estiver, tenha esse ideal à frente, inscreva-o na canga da sua carruagem. Apenas então você com certeza progredirá”. Tzu-chang tomou nota disso no seu cinturão. 7. O Mestre disse: “Quão correto é Shih Yü! Quando o Caminho prevalece no reino, ele é reto como uma flecha e, no entanto, quando o Caminho cai em desuso no reino, ainda assim ele tem a retidão de uma flecha. “Quão cavalheiro Ch’ü Po-yü é! Quando o Caminho prevalece no reino, ele exercita seus talentos em um cargo oficial, mas quando o Caminho cai em desuso no reino, ele deixa que o enrolem e que o guardem em algum lugar seguro”. [165] 8. O Mestre disse: “Não falar com um homem que pode se beneficiar com isso é desperdiçar o homem. Falar com um homem que é incapaz de se beneficiar com isso é desperdiçar as palavras. Um homem sábio não desperdiça nem homens nem palavras”. 9. O Mestre disse: “Em se tratando de cavalheiros determinados e homens de benevolência, ao mesmo tempo em que é inconcebível que busquem permanecer vivos sacrificando a benevolência, pode acontecer que tenham de aceitar a morte para conseguir realizar a benevolência”. 10. Tzu-kung perguntou sobre a prática da benevolência. O Mestre disse: “Um artesão que deseja praticar bem sua habilidade deve primeiro afiar seus instrumentos. Você deveria, portanto, buscar a proteção do mais distinto ministro e fazer amizade com o mais benevolente cavalheiro, esteja no reino onde estiver”. 11. Yen Yüan perguntou sobre como governar um reino. O Mestre disse: “Siga o calendário Hsia, ande em uma carruagem dos Yin e use um barrete cerimonial dos Chou, mas, quanto à música, adote o shao e o wu. [166] Bane as melodias de Cheng e mantenha homens de fala persuasiva à distância. As melodias de Cheng são insolentes, e homens de fala persuasiva são perigosos”. 12. O Mestre disse: “Aquele que não pensa em dificuldades futuras com certeza será assaltado por preocupações muito mais próximas”. 13. O Mestre disse: “Acho que devo abrir mão da esperança. Ainda estou para conhecer o homem que tenha tanta afeição pela virtude quanto pela beleza feminina”. 14. O Mestre disse: “Tsang Wen-chung não ocupou um cargo a que não tem direito? Ele sabia que Liu Hsia Hui era mais qualificado, mas mesmo assim não cedeu a ele sua posição”. [167] 15. O Mestre disse: “Uma pessoa que exige muito de si mesma e pouco dos outros ficará a salvo de críticas”. 16. O Mestre disse: “Não há nada que se fazer com um homem que está constantemente perguntando ‘O que devo fazer? O que devo fazer?’”. 17. O Mestre disse: “Trata-se de um feito bastante memorável que um grupo de homens passe o dia inteiro juntos apenas divertindo-se com mostras vãs de esperteza sem jamais tocar, durante a conversa, no assunto da moralidade!”. 18. O Mestre disse: “O cavalheiro tem a moralidade como matéria-prima e, ao observar os ritos, coloca-a em prática, ao ser modesto dá-lhe expressão e, ao ser fiel às próprias palavras, a completa. Assim é um cavalheiro, de fato!”. 19. O Mestre disse: “O cavalheiro se ressente por sua própria falta de habilidade, não pela inabilidade dos outros de o admirarem”. [168] 20. O Mestre disse: “O cavalheiro detesta não deixar um nome atrás de si quando vai embora”. 21. O Mestre disse: “Aquilo que um cavalheiro procura, ele procura dentro de si próprio; aquilo que um homem vulgar procura, ele procura nos outros”. 22. O Mestre disse: “O cavalheiro tem consciência de sua própria superioridade sem ser agressivo e junta-se a outros cavalheiros sem ser sectário”. 23. O Mestre disse: “Um cavalheiro não recomenda um homem por causa daquilo que este diz, tampouco despreza o que é dito por conta da pessoa que o fala”. 24. O Mestre disse: “Tzu-kung perguntou: existe uma palavra que possa ser um guia de conduta durante toda a vida de alguém?”. O Mestre disse: “Talvez, a palavra shu. [169] Não imponha aos outros aquilo que você não deseja para si próprio”. 25. O Mestre disse: “Quem eu alguma vez elogiei ou condenei? Se elogiei alguém, podem ter certeza de que ele tinha sido testado. Essas pessoas comuns são a pedra de toque por meio da qual as Três Dinastias foram mantidas no caminho certo”. 26. O Mestre disse: “Sou velho o suficiente para ter visto escribas a quem faltava refinamento. Aqueles que possuíam cavalos permitiam que outros os conduzissem. [170] Hoje em dia não há mais, suponho, tais casos”. 27. O Mestre disse: “A fala ardilosa arruína a virtude de uma pessoa; a falta de autocontrole em pequenas questões arruína grandes planos”. 28. O Mestre disse: “Aja com cuidado em relação a um homem que é odiado por todos. Aja com cuidado em relação a um homem que é amado por todos”. [171] 29. O Mestre disse: “O homem é capaz de ampliar o Caminho. O caminho não é capaz de ampliar o homem”. 30. O Mestre disse: “Não emendar a si próprio quando se errou é errar, de fato”. 31. O Mestre disse: “Uma vez passei todo o dia pensando, sem comer nada, e toda a noite pensando sem ir para a cama, mas descobri que nada ganhei com isso. Teria sido melhor gastar o tempo estudando”. 32. O Mestre disse: “O cavalheiro se dedica a atingir o Caminho e não a garantir comida. Vá e cultive a terra e você terminará tendo fome, é claro; estude e você terminará com um salário de oficial, é claro. O cavalheiro preocupa-se com o Caminho, não com a pobreza”. 33. O Mestre disse: “Aquilo que está ao alcance do conhecimento de um homem mas não pode ser mantido por sua benevolência é algo que ele acabará perdendo. Um homem pode ser sábio o suficiente para atingi-lo e benevolente o suficiente para mantê-lo, mas se ele não governar com dignidade, então oo povo não o respeitará. Um homem pode ser sábio o suficiente para atingi-lo, benevolente o suficiente para mantê-lo e pode governar o povo com dignidade, mas se ele não colocá-lo para trabalhar de acordo com os ritos, não terá atingido a perfeição”. [172] 34. O Mestre disse: “O cavalheiro não pode ser apreciado por pequenas coisas, mas é competente em grandes questões. Um homem vulgar não é competente em grandes questões, mas pode ser apreciado por pequenas coisas”. 35. O Mestre disse: “A benevolência é mais vital ao povo do que o fogo e a água. No caso do fogo e da água, já vi homens morrerem ao se entregarem a eles, mas nunca vi nenhum homem morrer ao se entregar à benevolência”. 36. O Mestre disse: “Quando diante de uma oportunidade de praticar a benevolência, não ceda a vez nem mesmo ao seu professor”. 37. O Mestre disse: “O cavalheiro é devotado aos seus princípios, mas não é inflexível em pequenas questões”. 38. O Mestre disse: “Ao servir o senhor, deve-se cumprir os deveres com reverência e considerar o pagamento como algo de importância secundária”. 39. O Mestre disse: “Em educação, não há distinção de pessoa para pessoa”. 40. O Mestre disse: “Não há sentido em duas pessoas que tomam caminhos diferentes se aconselharem uma com a outra”. 41. O Mestre disse: “É suficiente que as palavras utilizadas por alguém comuniquem o seu sentido”. 42. Mien, o mestre de música, [173] fez uma visita. Quando ele chegou aos degraus, o Mestre disse: “O senhor chegou aos degraus”, e quando ele chegou até o tapete, o Mestre disse: “O senhor chegou ao tapete”. Quando todos se sentaram, o Mestre disse a ele: “Este é Fulano de Tal e aquele ali é Fulano de Tal”. Depois que o mestre de música foi embora, Tzu-chang perguntou: “É esta a maneira de falar com um músico?”. O Mestre disse: “Sim. Esta é a maneira de guiar um músico”. Abraço. Davi

terça-feira, 6 de outubro de 2026

O FIM DO SER - CONCLUSÃO II. LOUVOR AOS BUDAS . CONCLUSÃO III

Budismo. Livro Vida e Doutrina de Sidarta Gautama. Por Yogi Kharishnanda. Conclusão II. O FIM DO SER. Quando no círculo do universo apareceram as formas tangíveis do Sol, da Terra e da Lua, a Verdade se movia no pó cósmico e iluminava o mundo com refulgente luz. No entanto, ainda não havia olho que a visse, nem ouvido que a ouvisse, nem espírito que pudesse compreender o seu sentido. Nem lugar nos imensos da existência onde ela pudesse residir com todo  o seu esplendor. No transcurso da evolução, as formas viventes foram desenvolvendo um após outro os sentidos de percepção. Então surgiram os pares de opostos, o Eu ou o mundo subjetivo e o Não Eu ou mundo objetivo. Assim, as sensações nascidas da percepção deram origem ao prazer com a consequente dor, e houve amigos e inimigos, ódio e amor. Mas a Verdade não pode achar neste mundo de sensações uma morada onde resido com todo o seu esplendor. Depois, apareceu no reino humano a razão que deveria refrear os instintos da personalidade e valer-se das forças da natureza como meios para alcançar os seus propósitos de aperfeiçoamento e progresso no caminho da evolução. Entretanto, surgiu o conflito, a luta entre a natureza superior, ou a superioridade armada com a força da razão, e a natureza inferior, ou a personalidade que investe com o ímpeto formidável das paixões. O homem foi lobo do próprio homem e se mataram para satisfazer vãs concupiscências sem que a Verdade pudesse encontrar nos domínios da razão um lugar onde residir com toda a sua glória. Até que apareceu o Salvador, o Buda, o Mestre dos deuses. O Buda estabeleceu a paz entre a razão e o sentimento, ensinando os povos a verem as coisas tais como são e a agirem em obediência a Verdade. Que então encontrou lugar onde residir em todo o seu esplendor. O Buda, o Bendito, o Santo, o Perfeito, Ele revelou a Verdade e estabeleceu o seu reino neste mundo. Pois não havia lugar para a Verdade no espaço infinito. Não havia, não há e nem pode haver lugar para a Verdade na sensação, nem em seus prazeres e dores. Também não havia, não há e nem pode haver lugar para a Verdade no raciocínio, porque o raciocínio é arma de dois gumes. Tanto que pode brandir o ódio como o amor. O raciocínio é o escabelo da Verdade porque sem a razão não é possível alcançá-la, porém não é a residência da Verdade. O trono da Verdade é a justiça, e o amor o seu ornamento. A justiça é a morada da Verdade. Este é o Evangelho do Buda. Esta é a revelação do iluminado. Esta é a lei do Santo. Os que aceitam a Verdade e a praticam, refugiam-se no Buda, no Dharma e no Sangha. Oh Senhor Bendito! Oh potente libertador! O senhor que nos ama, em seu nome e no senhor nos refugiamos. Refugiamo-nos na sua lei e na sua regra. Receba-nos, Oh Buda, no número de seus discípulos de hoje até o fim de nossos dias. Alivia, Oh Santo Instrutor, compassivo e amoroso, a todos os seres, aos aflitos, aos oprimidos pela dor. Ilumina os obcecados e aumenta o nosso entendimento e a nossa santidade. A Verdade é o fim e o objetivo de toda a existência. Os mundos nascem para morada da Verdade. Quem não aspira a posse da Verdade perde o propósito da vida. Bem-aventurado quem repousa na Verdade, porque todas as coisas perecerão e a Verdade permanecerá para sempre. O mundo está construído pela Verdade, porém os maus pensamentos desnaturam o estado natural das coisas e criam o erro, filho petulante da ilusão. O erro pode assumir uma variedade de formas lisonjeiras, porém, contém germes de destruição. A Verdade jamais varia. É imutável. Domina a morte. A ilusão, o erro e a mentira são abortos de Mara e tem vigoroso poder para enganar aos homens e extraviá-los do caminho da salvação. A ilusão, o erro e a mentira assemelham-se a um barco de madeira carcomida, e todos os que nele embarcarem estão condenados a naufragar. Muitos se apegam ao erro, e quando caem nas redes do egoísmo, da luxúria e dos desejos sinistros, lamentam sua infelicidade. Contudo, todo ser vivente aspira a Verdade, porque só a Verdade é capaz de curar nossos males e acalmar a nossa inquietude. A Verdade é a essência da Vida, porque a vida persiste depois da morte do corpo. A Verdade é eterna e subsistirá, embora desapareçam céus e terras. Não há no mundo várias Verdades, porque ela é uma e a mesma Verdade em todo o tempo e retidão. A Verdade nos mostra o caminho da retidão. Felizes são os que seguem esse caminho. Abraço. Davi.


Budismo. Livro Vida e Doutrina de Sidarta Gautama. Por Yogi Kharishnanda.

Conclusão III. LOUVOR AOS BUDAS

Maravilhoso e gloriosíssimo são todos os Budas
Não existem iguais no mundo
Eles nos ensinam o caminho da Vida
Saudamos sua chegada com inebriado respeito
Todos os Budas ensinam a mesma Verdade
A Verdade encaminha os extraviados

A verdade é nossa esperança e nosso sustentáculo
Recebemos felizes e agradecidos a sua luz, que nada pode extinguir
Todos os Budas são da mesma essência
A essência de todos os seres
A essência que santifica os laços entre todas as almas.
E temos fé na felicidade do supremo refúgio
AUM! Paz a todos os seres!

Abraço. Davi

sábado, 3 de outubro de 2026

A VISÃO DA FORMA DIVINA UNIVERSAL

Hinduísmo. Bhagavad gita - A Mensagem do Mestre. Capítulo XI. A VISÃO DA FORMA DIVINA UNIVERSAL. A forma divina ou personalidade de Deus consiste na soma de todas as formas e atividades, em que se manifesta o seu poder. 


1.Então dirigiu Arjuna ao Senhor Abençoado estas palavras: Os teus ensinos, ó Senhor! Com os quais te dignaste explicar-me o grande mistério do Espírito, destruíram a minha ilusão e ignorância. 2.Tu me revelaste a plena verdade a respeito da criação e destruição de todas as coisas, a respeito da tua grandeza, infinita perfeição e universal imanência. 3.Tu és, em verdade, o Senhor do Universo, como me expuseste e me convenceste. Mas, se é possível, ó meu Senhor e Mestre! Mostra-me a tua majestosa forma. 4.Se julgas que sou capaz de vê-la, faz-me ver a tua própria face e forma. O teu Eterno Eu, ó Adorado! 5.A Divindade responde: Vê, pois, ó filho da Terra, e contempla-me, que sou Um só, em milhares e milhões de diferentes e variadíssimas formas. 6.Imerge o teu olhar no reino dos deuses, anjos e arcanjos, espíritos planetários, diretores dos mundos e muitos outros seres misteriosos, com que não sonha nem a mais indômita especulação e fantasia. 7.Vê e observa o Universo inteiro, com todos os seres animados ou inamados, resumido no meu corpo. Nele encontras tudo o que desejas ver. 8.Mas não é com os teus olhos materiais que me podes ver. Para isto, abriu-te a tua visão espiritual. Olha, pois, e vê agora a minha gloriosa natureza mística! 9.Sanjaya: Tendo o Senhor dos Mundos assim dito, deu-se a conhecer ao Filho da Terra em seu supremo aspecto do Senhor Absoluto, cujo domínio abrange o Universo inteiro. 10.Neste aspecto, viu-se como muitos em um só. Com inúmeras faces e olhos e bocas, inúmeras aparências, consciências e formas. Com todo o esplendor de adornos celestes, com todas as forças de poder divino, divinamente vestido e coroado, exaltando agradabilíssimos perfumes. 11.Luminoso, radiante, maravilhoso, cheio de graça e onividente era o seu semblante. 12.Se mil sóis, ao mesmo tempo, brilhassem no firmamento, a luz deles haveria de empalidecer na presença da glória que aquele semblante irradiava em todas as direções. 13.Arjuna, viu, então, todo o Universo, variadíssimo em suas múltiplas aparências, formando uma unidade no corpo do ser Absoluto. E manifestando-se como muitíssimas partes nos corpos dos deuses. 14.Arrebatado e pasmado, e com os cabelos arrepiados, mirou e admirou essa Visão Maravilhosa. Inclinando a cabeça com reverência e devoção, juntou as mãos e dirigiu-se ao Altíssimo, dizendo: 15.Arjuna: No corpo, teu, ó Deus! Eu vejo todos os , os degraus de seres todos. Noto o Brahma, sentado em flor de loto. A seu redor os santos com os sábios.16.Inúmeros teus braços são e os olhos. Inúmeros teus peitos, tuas bocas. Eu vejo que no teu ser infinito, não há princípio, ou meio, ou fim algum. 17.Sobre a cabeça trazes a coroa, na mão o cetro e o disco segurando. Por toda a parte irradias viva luz. Tão forte que os olhos meus ofuscas. 18.És indivisível, ó Rei dos entes todos. A Lei e o coração de todo o cosmos. Tu és o alvo mais alto do saber. De todo ser que existe, a eterna fonte. 19.Não tens princípio, meio ou fim algum. É eterno o teu poder, a tua ação. Teus olhos são o claro sol e a lua. 20.Com tua luz, tu enches os espaços. O teu amor aquece os mundos todos. Todas as terras, todos os empíreos. De ti, de tua glória cheios são. 21.Porém, vendo a estupenda face tua. Os mundos tremem, fogem-te os demônios. E as multidões dos santos e dos pios. As mãos estendem, dando-te louvores. 22.Com hinos te celebram Grande Deus. Todas as multidões e classes de anjos, arcanjos, querubins e serafins. Todos os mais entes celestiais. 23.Reunindo-se em falanges numerosas. Admiram, ó Senhor a tua forma. Os mundos vendo a tua majestade. Pasmam, e em mim palpita o coração. 24. Com a cabeça tocas o alto céu. Em milhares de cores resplandeces. A tua boca aberta está, horror! E como os grandes olhos teus flamejam! 25.Teus dentes, aí! Se ouriçam e me assustam. A tua boca ao mundo lança incêndio. Que aspecto aterrador é para mim. Já perco os meus sentidos, tem piedade. 26.De Khritarashtra os filhos, e com eles a multidão dos grandes generais. O invencível Bhrishma, Drona, Karna. Dos guerreiros nossos os mais fortes. 27.Desaparecem nessa horrível boca. Da qual os aguçados dentes vejo. Aí. Muitos vejo já com membros triturados. Despedaçados são por esses dentes! 28.Como os rios, correndo ao mar enorme. Com rapidez ao alvo seu encaminham. Irresistivelmente vão lançar-se. Esses heróis em tua garganta ardente. 29.Como as moscas, à luz da vela voando. Vão perecer na chama que procuram. Assim os mundos vão se aproximando. A pessoa apressada, do seu fim. 30.Em teus lábios, Senhor, em tua garganta. Todos os mortais somem-se eu vejo. A tua luz penetra todo o mundo. E teus fogosos olhos queimam tudo. 31.Oh! Dize-me, quem és, que tão terrível aspecto tens? Perante ti me prosto. Oh! Tem piedade! Quero conhecer-te! Mas essa aparição eu não compreendo. 32. O Sublime fala: Eu sou o tempo, destruidor dos mundos. Sob essa, terrível forma aqui. Me empenho na destruição. Desta multidão de príncipes. De todos os guerreiros que aqui vês. Nenhum me escapará. Só tu os sobreviverás. 33. Levanta-te, pois, teu é o poder. Combate, tu serás o vencedor. Meu braço já abateu teus inimigos. Sê instrumento meu. Sê meu executor. 34.Derrota todos: Bhishma, Drôna, Karna. E Vayadratha com os mais heróis. Eu já os destruí, não estremeças! Coragem, e serás o vencedor. 35.Sanjaya: O heroico Arjuna, ouvindo estas palavras do Senhor dos mundos prosternado e humilhado estendeu as mãos e disse com trêmula voz: Arjuna: O mundo com razão, Senhor, se alegre. Em tua luz e tua majestade. Adoram-te com júbilo os anjos. Porém, fogem de ti os maus, os demos. 37.A ti pertence a glória, a ti somente. Ser dos seres, mais alto do que Brahma! Espírito Infinito, único, eterno. Que ao mesmo tempo o ser és e o não ser! Tu és o Deus Supremo, o Criador; Sustentador de tudo este universo. De todos os seres és a origem. Es a Verdade estável e o saber. 39. Tu és o fogo és a água, o vento, a terra. A luz, és o Senhor e o Pai dos homens. Somente a ti pertence a glória vera. A ti somente deve-se adorar. 40.Senhor, louvado sejas nas alturas. E nas profundidades dos abismos. Sem fim é teu poder e tua força. Tu és o Todo, e tudo tu sustentas. 41. Perdoa-me que, confidentemente eu te chamava: Ó Krishna, amigo meu! Perdoa-me esta leviandade. E a falta de respeito a ti devido. 42.Perdoa-me as faltas, cometidas. Talvez no gracejar em companhia, ou quando estava só, em pé, no leito. Parado ou caminhando em ignorância. 43.Ó Senhro do Universo. Pai de tudo. Ó fonte do Saber. Supremo Mestre. Não há ninguém que seja igual a ti. Tu, infinitamente poderoso! 44.Humildemente, prosto-me a teus pés. Imploro, meu Senhor, tua clemência. Oh se-me afável, como o pai ao filho. Como um amigo, ou um amante ao outro. 45.Mirando as tuas maravilhas. Me extasio, porém temor me invade. Desejo em outra forma contemplar-te. Oh! Mostra-te, bondoso, noutro aspecto. 46.Desejo ver-te, como eu antes te vi. Ver-te com a coroa, o cetro e o disco. De novo aparece-me nessa forma. Que me sugere amor, e não me espanta. 47.Disse Krishna: Por meu poder contemplaste Arjuna. Infinita e radiante a minha forma. Que em si contém dos seres o conjunto. Ninguém dos outros inda assim me viu. 48.Nem dos sagrados livros os estudos. Nem esforços mentais, nem sacrifícios. Nem boas obras, nem a penitência. me podem revelar assim aos homens. 49. Não temas, não te assustes, caro. Por teres visto esta minha forma. Liberta-se de todo o medo e vê-me. De novo, agora, em minha forma humana. 50.Sanjaya: Pronunciadas estas palavras, apareceu Krishna ao príncipe Pândava outra vez em sua forma usual, com a expressão de suprema bondade e meiguice, tranquilizando assim o atemorizado Arjina. 51.Arjuna, recuperando a tranquilidade de ânimo, exclamou: Oh! Como se acalma o meu espírito, quando me apareces em tua pacífica forma humana! 52.Respondeu Krishna: A forma em que me viste, ó príncipe! É tal, que a poucos é dada contemplá-la. Os deuses, os arcanjos e os espíritos dos mais altos céus desejam ardentemente vê-la, mas não podem encarar-me como tu me encaraste. 53.A esta visão não se chega pela leitura das Escrituras, em por voluntários martírios, nem pela distribuição de esmolas ou sacrifícios. 54.Só pelo verdadeiro amor e verdadeira devoção se pode chegar ao conhecimento do meu ser, e conhecer e ver e penetrar minha essência. 55.Quem tudo faz em meu nome, quem me reconhece como o alvo de todos os seus mais nobres esforços. Quem me adora, livre de apegos e sem odiar a ninguém, esse chegará a mim. Abraço. Davi

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

XINTOISMO. Parte IV

Xintoísmo. bushidor.com. MITOLOGIA E INFLUÊNCIA na formação da cultura e o caráter do povo japonês. Parte IV. [...]. Os avós, pelas suas próprias virtudes durante a apagada existência, e pelas propiciações que os vivos lhes tributam, no desempenho dos ritos familiares, alcançam a bem-aventurança; e os seus espíritos agradecidos pagam em afetuosa proteção os cuidados rituais que se lhes votaram, guiando os vivos nos seus passos sobre a terra, aplanando as dificuldades, encaminhando os também para a bem-aventurança esperada. Vive-se, pois, pode dizer-se, para morrer; e morre-se para viver (MORAES, 1924, p. 82-83). À família imperial cabe-lhe outros rituais como o Niinamesai, a comunicação da maioridade e assunção do título de príncipe herdeiro. O imperador deve reportar periodicamente à deusa Amaterasu, no santuário de Ise, os principais acontecimentos do país (HERBERT, 1964, p. 250).  A maioria dos casamentos são celebrados no ritual xintoísta e as cerimônias fúnebres, no budista. O jesuíta português Luís Almeida ao visitar o Japão em 1565, observou: "os japoneses rezam aos kami (divindades) pedindo longevidade, saúde, riqueza, fama e todos os outros benefícios terrenos, voltando-se, no entanto, para Hotoke (Buda) para implorar a sua salvação religiosa pessoal", característica da religiosidade desse povo que permanece ainda atualmente (YUSA, 2002, p. 17).  Poucos são os que optam por enterrar seus mortos em cemitérios xintoístas, preferindo a cremação. Enquanto o xintoísmo é otimista e está ligado a festivais, o budismo acabou assumindo o papel de oficiante dos funerais. Isso deve-se à proibição da presença de cadáveres nos santuários - local dedicado exclusivamente aos kami - e a falta de hábito de ritos funerários dos monges xintoístas - também de dedicação exclusiva aos kami - , devendo qualquer outro assunto ser tratado fora do santuário (ONO, op. cit., p. 110). A dinastia Tokugawa (1603-1867), com a perseguição aos cristãos, ordenou que os sepultamentos fossem realizados apenas por monges budistas (idem). Tida como a religião da natureza, o xintoísmo é a religião que comemora os fatos da vida, celebra e vivifica-os em rituais de renovação: a colheita, as estações do ano, os festivais, adquirindo por esse motivo o ar alegre e festivo das comemorações da comunidade, chamadas matsuri. No Xintô a vida vivida em comunhão com a vontade divina está protegida (ONO, op. cit., p. 50); por isso, o mundo é bom, uma dádiva dos deuses ao qual o homem deve responder com gratidão à sua família, a seus ancestrais e ao kami, assumindo "suas obrigações com a sociedade e contribuindo para o desenvolvimento de tudo que lhe foi confiado" (ibidem p. 103). A vida quotidiana é considerada como um serviço para o kami, isto é, o matsuri (idem). Intimamente ligado à natureza, que se renova visivelmente a cada estação,  a renovação se dá também na reconstrução dos santuários no Parque de Ise, na província. É a mais importante cerimônia do xintô que ocorre em 23 de novembro quando o imperador, como sacerdote supremo do xintô, em nome do povo japonês, partilha arroz novo e saquê branco e preto com a deusa Amaterasu. (HERBERT, 1964, p. 71) 20 .de Mie. Desde o ano 690 no reinado da imperatriz Jito (686-697) os santuários são reconstruídos a cada 20 anos, poucas vezes interrompida por guerras ou dificuldades financeiras da família imperial. (ibidem p. 28). Para essa reconstrução, chamada de sengu, são utilizadas 130 mil árvores de hinoki (cipreste japonês) de 200 anos, (ibidem p. 29) para que "a deusa do sol, Amaterasu (a divina ancestral da casa imperial) e a deusa da colheita, Toyouke, adquiram renovado vigor, garantindo a vitalidade da linha imperial e da cultura do arroz, sem os quais seria impossível a sobrevivência da nação"(LITTLETON, op. cit., p.62-63). As peças dos santuários desconstruídos são utilizadas para construção de outros santuários (idem). A última reconstrução se deu em 1993, o que indica este ano de 2013 como a próxima reconstrução (idem).  A pureza no Xintô. Para o Xintô “a vida só tem sentido e só encontra o seu verdadeiro estado na pureza, e a vida que perde a sua pureza não agrada às divindades e transforma-se assim numa vida anti xintoísta cheia de pecados, de manchas e de desgraças”(ROCHEDIEU, op. cit., p. 60). As cerimônias de início de atividade – inaugurações em geral –   festivais populares ou torneios esportivos geralmente são precedidos por ato de purificação. A purificação diz respeito não apenas ao corpo, mas também ao espírito. Para os xintoístas, a purificação é o ato cerimonial mais importante pois é o que aproxima nosso espírito do espírito puro dos deuses e para alguns é o que permite atingir a Realidade Última, porém, esta união só se dá na presença de um coração puro e claro (ROCHEDIEU, op. cit., p. 61). Para o Xintô, os ritos e a liturgia são elementos secundários diante da importância que assume a atitude de se manter claro e puro o coração (idem). Nos santuários xintoístas está disposta invariavelmente uma pia com água corrente, servida por uma concha de bambu para a higiene da boca e das mãos, antes de o fiel entrar no santuário. Purifica-se o corpo externa e internamente antes de entrar na presença dos deuses (LITTLETON, op. cit., p. 61-62). Para a purificação é preciso que ocorra: (ROCHEDIEU, op. cit., p. 97-100)- a vontade e o poder divino que purifica e- o esforço do homem que busca a purificação. A mancha atrai os maus espíritos e faz o homem dependente destes. São ritos de purificação: 1. O harai – destinado a limpar as manchas advindas do mal cometido. 2. O misogi – destinado a remover as impurezas advindas de outros males que não as de cunho moral como por exemplo, contato com coisas impurezas como o cadáver. Usa-se em geral a água como elemento purificador. Mais do que o rito de purificação, o misogi abrange “todo o processo de disciplina mental”. 3. O imi – refere-se a observância de condutas de purificação com evitar a ingestão de certos alimentos, ações e contatos com o intuito de se preservar a pureza total do culto. Neste estado de imi devem estar não apenas o oficiante, mas também os encarregado da preparação da cerimônia. É proibido ainda como atos preparatórios para o imi, ouvir música, ingestão de bebidas alcoólicas ou de alimentos que não tenham sido cozidos em fogo puro e ocupar-se de atividades que causem preocupação, fadiga ou sofrimento. Acredita-se que o homem receba avisos do descontentamento dos deuses quanto à sua conduta, devendo então empregar todos os seus esforços para recuperar seu estado normal de pureza. São faltas ou más condutas: (SIEFFERT, op. cit., p. 12) 1. O tsumi – atitude em que há vontade deliberada de praticar o mal. 2. O wazawai – é a desgraça, a provação e a calamidade, cuja ocorrência independe da vontade; 3. O kegari – a impureza, a mancha ocasionada pelos fatores já vistos. Apenas o tsumi é de inteira responsabilidade individual, havendo, entretanto, responsabilidade na conduta por negligência ou imprudência se formos abatidos por tsumi ou kegari. De fato, mesmo inconscientemente, a invasão de território proibido, de domínio do kami constitui tsumi, adverte Sieffert que, melhor esclarece o conceito de tsumi, desconsiderando o que o Ocidente geralmente traduz por pecado ou falta: é "a transgressão de certos limites nem sempre formalmente proibidos nem definidos, mas carregados de um potencial mágico perigoso devido à simples presença de um kami" (idem). Carregar no corpo ou na alma qualquer das faltas, torna-nos inapropriados para entrar nos santuários, devendo o fiel, antes, realizar a purificação da boca e das mãos com água corrente disposta na entrada chamada temizuya (ONO, op. cit., p. 34). Na época dos samurais, antes dos combates, alguns se purificavam com essa água, vertendo-a também na lâmina de suas espadas. Entre os atos que chocam a sensibilidade e que não se aplicam apenas às más ações, está o cortar a pele viva ou morta, do homem ou de animais, daí serem considerados impuros o manejo do sangue e de seres mortos,  ou ainda infligir cortes e perfurações na pele como as tatuagens ou piercings. O corpo, assim como as vestimentas, deve ser puro, sem mácula (GRIFFIS, op. cit., p. 85). Nos banhos públicos há avisos proibindo a entrada de pessoas alcoolizadas ou tatuadas. São impuros o ofício do açougueiro ou do coveiro, geralmente executados por párias. O parto, a doença, o moribundo e o doente terminal são considerados impuros. William Elliot Griffis (1843-1928) relata que no Japão antigo eram construídas cabanas para parturientes ou moribundos que eram depois queimadas, finalizadas o uso (GRIFFIS, op. cit., p. 85). Perverso costume que penalizava a parturiente e o doente, quando mais precisavam de cuidados e apoio. Esse costume permaneceu ainda em algumas regiões do Japão até 1878 (idem). Nota-se o cuidado com a limpeza em todos os lugares: nos locais públicos, nas casas, nas escolas, onde desde pequenas as crianças aprendem a cuidar da limpeza da classe e das dependências da escola. Discorrendo sobre o que via, o português Wenceslau de Moraes escreve, surpreso, observando as ruas de um Japão ainda de vida pacata: "muito limpas; são os moradores que as varrem, com escrúpulos de minúcia, cada qual na parte que fica em frente à sua casa; o ofício de varredor municipal é desconhecido no Japão" (MORAES, op. cit, p. 75). E em outro trecho: "pode-se dizer que, na habitação japonesa, o principal luxo, muitas vezes o único, é a limpeza; mas esta tão requintada, que embriaga!..." (ibidem p. 77). Ainda nos dias de hoje, curiosamente o Japão não tem varredores nem lixeiras nas ruas, mesmo nas grandes cidades como Tóquio. Sujar lugar público é desrespeitar o próximo que também utiliza o espaço. Manchar ou ferir nosso corpo, cortando, perfurando, ferindo ou ministrando-lhe drogas que desvirtuem sua natureza, isto é, tudo que nos desvie de um comportamento bom, respeitoso, contrário, segundo um teólogo xintoísta, “ao que foi desejado pelo espírito divino” – significação de nossa vida terrestre - , significa ser desrespeitoso com a divindade que em nós habita. Assim também, uma conduta que ofenda nosso próximo por palavras, ações ou pensamentos, mostra a mácula do espírito, o distanciamento do natural Caminho. O espírito ofensor está duplamente em falta: consigo e com a divindade que está abrigada no próximo. É mancha que lançamos ou permitimos que se lance sobre nós, obstando a volta ao estado natural, vale dizer, de retornarmos ao estado de bons, de retornarmos ao Caminho. Wenceslau relata-nos sua surpresa quanto à língua japonesa: Neste momento, deixemos assomar, se nos apraz, aos lábios um sorriso, como único comentário; mas sorriso benevolente, de simpatia por esta gramática japonesa, a mais cortês de todas as gramáticas conhecidas. De fato, resulta pelo menos uma vantagem evidente; na língua japonesa não existem palavras insultuosas, obscenas; o termo mais rude que um japonês pode proferir é baka, imbecil. A gramática nipônica faz-nos lembrar uma corte 23 .atarefada, meticulosa, na qual os cortesãos em chusma - substantivos, adjetivos, advérbios, verbos, posposições e todo o resto - palpitam, rodopiam incessantemente em mesuras, em cortesias, em requebros, em reverências, seguindo regras de precedência da mais complicada pragmática imaginável, ou antes inimaginável...[...] e a língua japonesa é incontestavelmente uma das mais belas línguas hoje faladas, como também uma das mais difíceis (ibidem p. 40-41). As ações do Xintô, os ritos de purificação e as ideias de mácula procuram alcançar um ideal de pureza corporal e espiritual, destacando-se o esforço ao retorno do “estado normal”, isto é, estado divino, estado de bom. Corolário natural desta concepção, para o xintoísmo não somos maus, apenas estamos mau. Estar nesse estado é estar impuro, com o coração manchado, anuviado; é afastarmo-nos da nosso verdadeiro Eu ou permitir que nos afastem. O homem não é responsável pelos males que se abatem sobre sua vida, salvo aqueles produzidos por sua voluntária conduta, mas é somente sua a responsabilidade de viver uma vida reta, honesta, ética e clara, como é o desejo dos deuses.  A Natureza e o senso estético no Xintô Se observarmos as fases de desenvolvimento por que passaram as religiões, é de indubitável conclusão o primitivismo do Xintô, a fase ainda "das ideias infantis" dessa religião como afirma Griffis (GRIFFIS, op. cit., p. 69). "Estagnado" nessa fase de desenvolvimento, a Natureza - por força da crença de que os homens, a Natureza e os deuses, provêm de um único ancestral - é objeto de profunda apreciação, respeito e inúmeros festivais por todo o país. A comunhão com o divino e com a própria Natureza se funde num único sentimento, assim descrito emocionadamente por Rochedieu: [...] o Japão sabe conservar certos lugares unicamente pela beleza, e é muitas vezes surpreendente e comovedor para o Ocidental ver nos parques grandes templos, ou simplesmente presenciar num jardim público um pai acompanhado do filho parar em silêncio ao pé de um lago, de uma pequena ponte, de uma cascata ou das flores e ter uma atitude de recolhimento porque, para o japonês, a comunhão com o divino obtém-se as mais das vezes através da união de todo o seu ser com as belezas naturais, com obras de arte selecionadas, com a harmonia  que  emana  de  um  monumento. Não é o valor ou  a grandeza da matéria  utilizada   que  cria  a  beleza,  mas  o  amor com  que  o artista se debruça  sobre  a  sua  obra,  nela  trabalhando por vezes durante anos, mas incutindo desse modo, no objeto que cinzela ou no quadro que pinta, algo da sua alma, algo de si próprio, e esse algo que procura transmitir através da obra de arte é sempre aquilo que de melhor há em si (ROCHEDIEU, op. cit., p.37). A beleza natural é fundamental para a veneração dos kami nos santuários, independentemente do kami aí cultuado. Segundo Ono, é esse refinado senso estético da beleza que enleva o homem, conduzindo-o do mundo profano ao sagrado, que o faz 24 .experienciar o viver em comunhão com "o alto e profundo mundo do divino" (ONO, op. cit., p. 97). As leis xintoístas não provêm de um deus único, dado aos homens por revelação como nas grandes religiões do Ocidente. São descobertas dentro da Natureza onipresente, encantadora e ao mesmo tempo mística que se lhe mostra. A Natureza não é hostil como na mitologia judaico-cristã que expulsa o homem do Paraíso; pelo contrário, ela existe abençoada pelos deuses e se desenvolve com harmonia e cooperação (ibidem p. 103). É, portanto, dádiva divina, presente dos deuses para os homens. Página 25. Abraço. Davi

segunda-feira, 28 de setembro de 2026

OS TRÊS ASPECTOS DO BUDA

Budismo. Livro Vida e Doutrina de Sidarta Gautama. Por Yogi Kharishnanda. Conclusão I. OS TRÊS ASPECTOS DO BUDA. Quando o Senhor Buda entrou no nirvana, os discípulos se reuniram em concílio para resolver o que deveria ser feito para manter-se pura a doutrina e não corromper com heresias. Upali, levantando-se, disse: Oh discípulos! Depois de minha morte, respeitem a lei e obedeçam a ela, que ela seja o Mestre de vocês. A lei é a lâmpada que brilha nas trevas pra iluminar o caminho. Também é uma valiosa joia para cuja aquisição não se deve poupar esforço algum. Mesmo que seja com o sacrifício da própria vida. Obedeçam à lei que eu revelei a vocês, e respeitem-na escrupulosamente como a mim próprio. Essas foram as palavras do Senhor Buda. E nessa lei que ele nos legou como riquíssima herança, temos agora o corpo visível do Tathágata. Devemos respeitá-la como sagrada, porque de nada servirá edificar pagodes para as relíquias se não conservarmos o espírito dos ensinamentos do Mestre. Em seguida, Anuruda levantou-se e disse: Irmãos devemos fixar bem em nossas mentes a ideia de que Gautama Sidarta era a forma visível da Verdade. O excelso Sakiamuni é a encarnação da Verdade que nos ensinou, dizendo que a Verdade existia antes de ele vir ao mundo e continuará a existir depois que ele entrasse no nirvana. A verdade está presente em todas as partes. É eterna. Devemos fixar bem em nossa mente que o Senhor Buda não nos ensinou uma lei circunstancial e subalterna. Daquelas que prescrevem quando o tempo altera as circunstâncias em que foram promulgadas, mas a lei imutável e eterna. A Verdade não é arbitrária nem filha das opiniões dos homens, mas pode estar oculta, e será encontrada por quem a buscar com ardor. A verdade está oculta para o cego de entendimento, mas quem possui a visão mental consegue vê-la. A verdade é a ciência do Buda, e ficará como pedra de toque para distinguir as doutrinas falsas das verdadeiras. Aprendamos, pois, a Verdade, porque a Verdade é o Buda, nosso Mestre, o Instrutor e o Senhor nosso. Vocês sem dúvida falaram bem, irmãos, sem contradição de opiniões sobre o sentido real de nossa religião, porque o Bem-aventurado em três aspectos e cada um deles de igual importância para nós. Um deles o Dharmakaya, outro o Nirmanakaya e o outro o Sambogokaya. O Buda é a Verdade excelente, eterna, presente em todas as partes e imutável. Tal é o Sambogokaya, o estado de perfeita felicidade. O Buda é o Mestre que ama todos os seres e assume a forma daqueles que ele substitui. Tal é o Nirmanakaya. O corpo em que ele se apresenta. O Buda é o dispensador bendito da religião. É o espírito do Sangha e o sentido dos mandamentos que nos deixou sua palavra sagrada. Tal é o Dharmakaya, o corpo da excelsa Lei. Se o Buda não tivesse se manifestado a nós na pessoa de Gautama Sidarta, como poderíamos possuir as tradições sagradas de sua doutrina? E se as futuras gerações não possuírem essas tradições sagradas conservadas no Sangha, como estas conhecerão o insigne Sakyamuni? Nem nós nem ninguém conheceríamos a excelsa Verdade, porque aquele que tiver aberto os olhos espirituais a descobrirá. Em seguida, os irmãos resolveram celebrar um concílio em Rajagrilha, para expor as doutrinas puras do Bem-aventurado, examinar e compilar as Escrituras Sagradas e fixar o cânone que servisse como instrução para as gerações futuras. Abraço. Davi

sábado, 26 de setembro de 2026

SANTA ÂNGELA DA CRUZ

Cruzterrasanta.com.br. Catolicismo. SANTA ÂNGELA DA CRUZ. Infância e origens humildes. Santa Ângela da Cruz nasceu em Sevilha, na Espanha, a 30 de janeiro de 1846, com o nome de Maria dos Anjos Guerrero González. Era filha de pais pobres, mas profundamente religiosos. Seu pai trabalhava como cozinheiro em um convento dos Trinitários, e sua mãe, dedicada ao lar, transmitia às filhas a simplicidade da fé. A vida da família era marcada pela escassez. As doenças, a falta de recursos e as dificuldades eram constantes. Maria dos Anjos cresceu nesse ambiente de luta pela sobrevivência, aprendendo desde cedo a valorizar a oração e a caridade, mesmo quando havia pouco para oferecer. Ainda jovem, começou a trabalhar como aprendiz em uma fábrica de sapatos. Ali, entre ruídos de ferramentas e longas jornadas, foi amadurecendo uma vida de oração silenciosa. Sentia atração pelo claustro, mas sua saúde frágil não permitiu que fosse aceita nas ordens contemplativas. Aos 19 anos tentou entrar no Carmelo, mas foi recusada por causa das limitações físicas. Pouco depois, procurou o convento das Filhas da Caridade, mas também ali não permaneceu. Esses fracassos, longe de abalar sua fé, aprofundaram seu discernimento: compreendeu que Deus lhe reservava outro caminho. A descoberta de sua missão. Orientada por seu diretor espiritual, o padre José Torres Padilla, Maria dos Anjos descobriu que sua vocação consistia em viver no meio dos pobres, não atrás das grades do convento. Era chamada a ser "monja da rua", expressão que se tornaria marca de sua espiritualidade. Assumiu a vida de penitência e oração, unindo o trabalho à contemplação. Vestiu hábito simples, dedicou-se a cuidar dos doentes, a visitar famílias necessitadas e a amparar os abandonados. Em tudo, buscava imitar a pobreza de Cristo e a humildade da Virgem Maria. Fundação da Companhia da Cruz. Em 1875, junto com três companheiras, deu início à Companhia das Irmãs da Cruz, cujo carisma era a entrega total aos pobres e enfermos, especialmente aos mais desprezados. O nome da congregação expressava o espírito de suas fundadoras: viver unidas à Cruz de Cristo, compartilhando os sofrimentos do próximo. A Companhia nasceu em extrema simplicidade. As irmãs viviam em casas pobres, partilhando a miséria dos bairros operários de Sevilha. Sem rendas nem recursos, sustentavam-se do trabalho manual e das esmolas recebidas, mas repartiam tudo com os que tinham menos. Vida de pobreza e santidade. Santa Ângela viveu sempre em espírito de extrema humildade. Evitava honras, buscava os lugares escondidos e preferia servir em silêncio. Dormia em esteira de palha, alimentava-se parcamente e trabalhava sem cessar. Mas o que impressionava era a alegria com que suportava a pobreza, vendo nela um meio de união com Cristo crucificado. Tornou-se verdadeira mãe para os pobres de Sevilha. Era conhecida como "a Madre dos desamparados". Nas ruas, nas casas humildes, nos hospitais, sua presença levava esperança e paz. Muitos a chamavam de "Santa Ângela" já em vida. Expansão da obra. A pequena semente cresceu rapidamente. Outras jovens juntaram-se às primeiras, desejosas de seguir o mesmo ideal. Novas casas foram abertas em Sevilha, Córdoba, Huelva e outras cidades da Andaluzia. A Companhia da Cruz espalhou-se pelo sul da Espanha, sempre mantendo o carisma inicial: pobreza radical, vida de oração e serviço direto aos pobres. Santa Ângela não buscava obras grandiosas. Seu objetivo era servir no silêncio, cuidando dos que sofriam em anonimato. Ainda assim, sua obra chamou a atenção de bispos, sacerdotes e leigos, que viam naquela congregação a expressão pura da caridade cristã. Os últimos anos. Os últimos anos de sua vida foram marcados por dores físicas, resultado das penitências e do desgaste do trabalho. Mesmo debilitada, continuava animando suas irmãs com palavras de humildade e confiança em Deus. Aceitava o sofrimento como participação na Cruz de Cristo. Faleceu em Sevilha, no dia 2 de março de 1932, aos 86 anos, deixando atrás de si uma obra consolidada e uma fama de santidade que se espalhou rapidamente. Seu corpo foi sepultado na Casa Mãe da Companhia da Cruz, onde até hoje repousa venerado pelos fiéis. Beatificação e canonização. O processo de beatificação foi iniciado pouco após sua morte, devido à fama de santidade. Em 1982, foi proclamada bem-aventurada pelo Papa São João Paulo II, e em 2003, canonizada pelo Papa São João Paulo II na Praça de São Pedro, diante de uma multidão de peregrinos vindos da Espanha. A Igreja a propõe como modelo de humildade e caridade, exemplo de que a santidade se encontra no serviço silencioso, no cotidiano partilhado com os pobres e na aceitação alegre da Cruz. Espiritualidade. Santa Ângela da Cruz deixou um testemunho luminoso de simplicidade evangélica. Sua espiritualidade pode ser resumida em três aspectos:

  • Amor à Cruz: via no sofrimento a escola do amor e a identificação com Cristo.
  • Pobreza radical: viveu desapegada de tudo, buscando sempre o último lugar.
  • Caridade ativa: dedicou-se de corpo e alma aos pobres e enfermos, vendo em cada um deles o próprio Cristo.
O seu exemplo recorda à Igreja que a verdadeira reforma nasce da santidade humilde, que prefere servir em silêncio a buscar glórias humanas. Iconografia. Santa Ângela da Cruz é representada em hábito simples de cor escura, com o crucifixo nas mãos ou ao peito, sinal da sua união íntima com a Paixão de Cristo. Muitas vezes aparece rodeada de pobres e crianças, refletindo a sua vida de mãe espiritual para os desamparados. Devoção e culto. A festa litúrgica de Santa Ângela da Cruz é celebrada no dia 5 de novembro. Na Espanha, sobretudo em Sevilha, sua memória é muito viva. A Companhia da Cruz continua a sua missão em várias dioceses, mantendo a fidelidade ao carisma fundacional. Milhares de fiéis recorrem à sua intercessão, pedindo graças nas necessidades espirituais e materiais. Seu testemunho continua a inspirar religiosos, sacerdotes e leigos a viverem a santidade no serviço humilde e na caridade fraterna. Oração a Santa Ângela da Cruz. "Ó Deus, que escolhestes Santa Ângela da Cruz para ser humilde serva dos pobres e testemunha do vosso amor, concedei-nos, por sua intercessão, a graça de viver desapegados dos bens terrenos, unidos à Cruz de Cristo e solícitos para com os necessitados. Fazei que, seguindo o seu exemplo, busquemos sempre o último lugar e encontremos na humildade a verdadeira grandeza. Por Cristo, nosso Senhor. Amém."