quarta-feira, 22 de abril de 2026

COMPARAÇÕES DO MINISTÉRIO TERRENO DE KRISHNA, GAUTAMA BUDA E JESUS DE NAZARÉ

 

Teosofia. Livro Isis sem Véu. Por Helena P. Blavatisky (1831-1891). COMPARAÇÕES DO MINISTÉRIO TERRENO DE KRISHNA, GAUTAMA BUDHA E JESUS DE NAZARÉ. "Esse credo não decaiu, e sua filosofia oculta, tal como a entendem agora os hindus iniciados, é exatamente a mesma há quase 10.000 anos. Mas podem nossos eruditos esperar seriamente que aqueles a revelem ao primeiro pedido, ou esperam ainda eles penetrar os mistérios da Religião Universal por seus ritos populares exotéricos (exteriores)? Nenhum brâmane ou budista ortodoxo negaria o mistério da encarnação cristã, mas eles a compreendem à sua própria maneira, e como poderiam negá-la? A pedra fundamental de seu sistema religioso são as encarnações periódicas da Divindade. Sempre que a Humanidade está prestes a cair no materialismo e na degradação moral, um Espírito Supremo se encarna na criatura selecionada para o propósito. O "Mensageiro do Superior" liga-se à dualidade da matéria e da alma, e, completando-se assim a Tríade por meio da união de sua Coroa, nasce um Salvador, que ajuda a Humanidade a retornar ao caminho da verdade e da virtude. A igreja cristã primitiva, imbuída da filosofia asiática, partilhava evidentemente da mesma crença – do contrário, jamais teria erigido em artigo de fé o segundo advento, nem inventado a fábula do Anti Cristo como uma precaução contra as possíveis encarnações futuras. Nem teria imaginado que Melquisedeque foi um Avatar de Cristo. Eles só precisariam folhear a Bhagavad Gita para descobrir Krishna ou Bhagavat dizendo a Arjuna: "Aquele que me segue está salvo pela sabedoria e pelas obras, ( ... ). Assim que a virtude declina no mundo, eu me torno manifesto para salvá-lo". Na verdade, é muito difícil não partilhar essa doutrina das encarnações periódicas. Não tem o mundo testemunhado, em raros intervalos, o advento de personagens tão grandiosos como Krishna, Sakyamuni Budha e Jesus? Como estes dois últimos caracteres, Krishna parece ter sido um ser real, deificado por sua escola em algum tempo no alvorecer da história, e inserido no quadro do venerando programa religioso. Comparai os dois Redentores, o hindu e o cristão, separados no tempo por um espaço de alguns milhares de anos, colocai entre eles Sidharta Budha, que reflete Krishna e projeta na noite do futuro a sua própria sombra luminosa, com cujos raios foram esboçadas as linhas gerais do mítico Jesus, e de cujos ensinamentos derivaram os do Christos histórico, e descobrireis que sob uma mesma capa idêntica de lenda poética viveram e respiraram três figuras humanas reais. O mérito individual de cada uma delas ressalta do mesmo colorido mítico, pois nenhum caráter indigno poderia ter sido selecionado para a deificação pelo instinto popular, tão infalível e justo quando desimpedido. O brocardo Vox populi, vos Dei outrora verdadeiro, embora falso quando aplicada à atual massa dominada pelo clero. Kapila, Orfeu, Pitágoras (570 AC495), Platão (428 AC 347), Basílides (120-145), Marcion (85-160), Amônio Sacca (175-242) e Plotino (204-270) fundaram escolas e semearam os germes de muitos e nobres pensamentos, e, ao desaparecerem, deixaram atrás de si o brilho de semideuses. Mas as três personalidades de Krishna, Gautama Budha e Jesus surgiram como deuses verdadeiros, cada qual em sua época, e legaram à humanidade três religiões edificadas na imperecível rocha dos séculos. O fato de que as três, especialmente a fé cristã, tenham sido adulteradas com o tempo, e de que a última seja quase irreconhecível, não se deve a nenhuma falha dos nobres reformadores. São os clérigos que se intitulam de cultivadores da "vinha do Senhor" que devem prestar contas à posteridade. Purificai os três sistemas da escória dos dogmas humanos, e a pura essência permanecerá a mesma. Mesmo Paulo, o grande, o honesto apóstolo, no ardor de seu entusiasmo, perverteu involuntariamente as doutrinas de Jesus, ou então seus escritos foram desfigurados depois de reconhecidos. O Talmude hebreu, o registro de um povo que, não obstante a sua apostasia do Judaísmo, sentiu-se compelido a reconhecer a grandeza de Paulo como filósofo e teólogo, diz a propósito de Aher (Paulo), no Yerushalmi, que "ele corrompeu a obra daquele homem” – ou seja, Jesus. Entretanto, antes que essa fusão seja realizada pela ciência honesta e pelas gerações futuras, lancemos uma vista de olhos ao quadro atual das três legendárias religiões. As Lendas dos Três Salvadores. (1). Krishna. Época: Incerta. A ciência europeia teme comprometer-se. Mas os cálculos bramânicos a fixam por volta de há 5.000 anos. Krishna descende de uma família real, mas é educado por pastores, é chamado de deus pastor. Seu nascimento e sua ascendência divina são mantidos em segredo de Kansa. Encarnação de Vishnu, a segunda pessoa da Trimúrti (Trindade). Krishna foi adorado em Maturã, no rio Jummna. Krishna é perseguido por Kansa, tirano de Madura, mas escapa miraculosamente. Na esperança de destruir a criança, o rei mata milhares de varões inocente. A mão de Krishna foi Devaki, uma virgem imaculada (porém que havia dado à luz oito filhos antes de Krishna). Krishna é dotado de beleza, onisciência e onipotência desde o nascimento. Produz milagres, cura os aleijados e cegos, e expulsa demônios. Lava os pés dos brâmanes, e, descendo às regiões inferiores (inferno), liberta os mortos, e retorna a Vaikuntha – o paraíso de Vishnu. Krishna era o próprio Deus Vishnu era o próprio deus Vishnuem forma humana. Krishna cria meninos de carneiros, e vice - versa. Esmaga a cabeça da serpente. Krishna é unitário. Persegue o clero, acusa-o de ambição e hipocrisia, divulga os grandes segredos do Santuário – a  Unidade de Deus e a imortalidade do nosso espírito. A tradição diz que ele caiu vítima de sua vingança. Seu discípulo favorito, Arjuna, nunca o abandona. Há tradições fidedignas segundo as quais ele morreu perto de uma árvore (ou cruz), sendo atingido no pé por uma flecha. Os eruditos mais sérios concordam em que a Cruz irlandesa, em Tuam, erigida muito antes da era cristã, é asiática. Krishna sobe ao Svarga e torna-se Nirguna. (2). Gautama buddha (563 AC 469). Época: Segunda a ciência europeia e os cálculos cingalese, há 2.540 anos. Guatama é o filho de um rei. Seus primeiros discípulos são pastores e mendigos. Segundo alguns, uma encarnação de Vishnu, segundo outros, uma encarnação de um dos Budhas, e mesmo de Adi – Budhas, a Sabedoria Suprema. As lendas budistas estão livres deste plágio, mas a lenda católica que o transforma em São Josafá mostra que seu pai, rei de Kapilavastu, matou inocentes jovens cristãos (ver a lenda dourada). A mãe de Budha foi Maya ou Mayadevi, não obstante o seu casamento, manteve-se virgem imaculada. Budha é dotado dos mesmos poderes e qualidades, e realiza prodígios semelhantes. Passa sua vida com mendigos. Pretende-se que Gautama era diferente de todos os outros Avatares, tendo todo o espírito de Budha em si, ao passo que os demais tinham apenas uma parte da divindade. Gautama esmaga a cabeça da serpente, abole o culto de Naga por fetichismo, mas, como Jesus, faz da serpente o emblema da sabedoria divina. Budha abole a idolatria, divulga os mistérios da Unidade de Deus e o Nirvana, cujo verdadeiro significado era conhecido apenas pelos sacerdotes. Perseguido e expulso do país, escapa da morte reunindo ao seu redor algumas centenas de milhares de crentes em seu Budhado. Finalmente morre, cercado por uma hoste de discípulos, com Ananda, seu primo e amado discípulo, o líder de todos eles. O Brien acredita que a Cruz irlandesa em Tuam diz respeito a Budha, mas Gautama jamais foi crucificado. Em muitos templos ele é representado sentado sob uma árvore cruciforme, que é a "Árvore da Vida". Em outra imagem, ele está sentado sobre Naga, o Raja das serpentes com uma cruz em seu peito. Budha sobe ao Nirvana. Jesus de Nazaré. Época: Supõe-se que tenha sido há 1877 anos. Lembrando que o Livro Ísis Sem Véu foi primeiramente publicado em (1875 a 1877 – então Jesus nasceu a aproximadamente 2017 anos atrás). Seu nascimento e sua ascendência real foram ocultados de Herodes, o tirano. Descende da família real de Davi. É adorado por pastores em seu nascimento, e é chamado de "Bom Pastor". Uma encarnação do Espírito Santo, portanto a segunda pessoa da Trindade, agora a terceira. Mas a Trindade, agora a terceira. Mas a trindade só foi inventada em 325 anos depois de seu nascimento. Foi a Matarea, Egito, e ai produziu os seus primeiros milagres. Jesus é perseguido por Herodes, rei da Judéia, mas escapa para o Egito guiado por um anjo. Para se assegurar de sua morte, Herodes  ordena um massacre de inocentes, e 40.000 crianças são mortas. A mãe de Jesus foi Maria, ou Miriam, casou-se com seu marido José, mas manteve-se virgem imaculada, embora tenha tido várias crianças além de Jesus. Jesus tem os mesmos dons que Budha e Krishna. Passa sua vida com pecadores e publicanos. Expulsa igualmente os demônios. A única diferença notável entre os três é que Jesus é acusado de expulsar os demônios pelo poder de Belzebu (maioral dos demônios), ao passo que os outros não. Jesus lava os pés de seus discípulos, morre, desce ao inferno, e sobe ao céu, depois de libertar os mortos. Conta-se que Jesus esmagou a cabeça da serpente, de acordo com a revelação original do Gênesis. Também transforma menino em cabritos e cabritos em meninos. Jesus rebela-se contra a antiga lei judaica, denuncia os Escribas e Fariseus, e a sinagoga por hipocrisia e intolerância dogmática. Quebra o Sabbath, e desafia a Lei. É acusado pelos judeus de divulgar os segredos do Santuário. É condenado a morrer numa cruz (uma árvore). Dos poucos discípulos que havia convertido, um o trai, um o nega, e os outros desertam por fim, exceto João, o discípulo que ele amava. Jesus, Krishna e Budha, os três salvadores, morrem sobre ou sob árvores, e estão relacionados com cruzes que simbolizam os tríplices poderes da criação. Jesus sobe ao Paraíso. Como resultado em meados do século XVIII, contavam essas três religiões com os seguintes números de seguidores: De Krishna (Bramanistas) 60.000.000. De Budha (Budista) 450.000.000. De Jesus (Cristãos) 260.000.000. Tal é o estado atual dessas três religiões (isso no final do século XIX). Cada uma das quais se reflete por sua vez em sua sucessora. Tivessem os dogmatizadores cristãos parado aqui, os resultados não teriam sido tão desastrosos, pois teria sido difícil, de fato, fazer um mau credo dos sublimes ensinamentos de Gautama, ou de Krishna com Bhagavad. Mas eles foram adiante, e acrescentaram ao puro Cristianismo primitivo as fábulas de Hércules, Orfeu e Baco. Assim como os muçulmanos não admitem que seu Alcorão se baseia no substrato da Bíblia Judaica, não confessam os cristãos que devem quase tudo às religiões hindus. Mas os hindus têm a cronologia para prová-lo. Vemos os melhores e mais eruditos de nossos escritores lutando inutilmente por mostrar que as extraordinárias semelhanças – no que se refere à identidade – entre Krishna e Cristo se devem aos espúrios Evangelhos da Infância e do de Santo Tomás de Aquino (1225-1274), fiel à política de proselitismo que caracterizou os cristãos primitivos, ao encontrar no Malabar o original do Cristo mítico em Krishna, tentou reunir os dois, e, adotando em seu "evangelho" (do qual todos os demais foram copiados) os detalhes mais importantes da história do Avatarhindu, enxertou a heresia cristã na religião primitiva de Krishna. Para quem estiver familiarizado com o espírito do Bramanismo, a ideia de os brâmanes aceitarem qualquer coisa de um estrangeiro é simplesmente ridículo. Que eles, o povo mais fanático no que respeita aos assuntos religiosos, que, durante séculos, não pôde ser compelido a adotar o mais simples dos costumes europeus, sejam suspeitos de ter introduzido em seus livros sagrados lendas não averiguadas sobre um Deus estrangeiro, eis algo tão absurdamente ilógico que é realmente uma perda de tempo tentar contraditar a ideia! Não examinaremos em profundidade as bem conhecidas semelhanças entre a forma externa do culto budista – especialmente o Lamaísmo – e o catolicismo romano, façanha pela qual pagou caro o pobre Huc – mas, tentaremos comparar os pontos mais vitais. De todos os manuscritos originais que foram traduzidos das várias línguas em que o Budismo está exposto, os mais extraordinários e interessantes são o Dhammapada, ou O caminho da virtude, de Budha, traduzido do pali pelo Coronel Rogers, e A Roda da Lei, que contém as observações de um Ministro de Estado siamês sobre a sua própria religião e as outras, traduzida por Henry Alabaster (1836-1884). A leitura de ambos os livros, e a descoberta neles de semelhanças de pensamentos e doutrina, habilitou o Dr. Inman a escrever muitas das passagens profundamente verdadeiras constantes de uma de suas últimas obras, Ancient Faiths and Modern. "Falo com sóbria sinceridade", escreve esse generoso e franco erudito, "quando digo que após quarenta anos de experiência entre aqueles que professam o Cristianismo, e aqueles que proclamam (...) mais ou menos em silêncio a sua discordância com ele, observei mais virtude e moralidade entre os últimos do que entre os primeiros (...). Conheci pessoalmente muitas pessoas pias e boas cristãs, a quem honro, admiro e talvez gostaria de imitar, mas elas merecem o elogio que assim lhes passo em consequência de seu bom senso, pois ignoram a doutrina da fé de modo quase total, e cultivam a prática das boas obras (...). A meu juízo, os cristãos mais louváveis que conheço são budistas reformados, embora provavelmente nenhum deles jamais tenha ouvido falar de Sidharta Gautama. Entre os artigos de fé e as cerimônias lamaíco – budista e católico – romanas há cinquenta e um pontos que apresentam uma semelhança perfeita e surpreendente, e quatro pontos diametralmente oposto. Como seria inútil enumerar as "semelhanças", pois o leitor pode encontrá-las cuidadosamente anotadas na obra de Inman acima citada. Citaremos apenas as quatro dessemelhanças, e deixaremos ao leitor a tarefa de tirar suas conclusões: (1). Os budistas afirmam que nada que seja contraditado pela razão pode constituir uma verdadeira doutrina de Budha. Os cristãos aceitarão qualquer absurdo, desde que promulgado pela Igreja como um artigo de fé. (2). Os budistas não adoram a mãe de Sakyamunni, embora a honrem como uma mulher santa, escolhida por suas grandes virtudes para tal tarefa. Os romanos adoram a mãe de Jesus, e lhe pedem ajuda e intercessão. O culto da Virgem enfraqueceu o de Cristo, e lançou por completo na sombra o do Todo Poderoso. (3). Os budistas não tem sacramentos. Os seguidores do papa têm sete que são: batismo, eucarística, matrimônio, crisma, reconciliação ou penitência, unção dos enfermos, ordem religiosa. (4). Os budistas não acreditam em qualquer perdão para os seus pecados, exceto depois de uma adequada punição para toda má ação, e uma compensação proporcional às partes injuriadas. Os cristãos estão certos de que, se apenas acreditam no "precioso sangue de Cristo", esse sangue oferecido por Ele para a expiação dos pecados de toda a humanidade (leia-se cristãos) reparará todos os pecados mortais. Qual dessas teologias mais se recomenda ao pesquisador sincero, eis uma questão que podemos deixar com segurança ao julgamento do leitor. Uma oferece luz, a outra trevas. Reza A roda da Lei: "Os budistas acreditam que todo ato, palavra ou pensamento tem a sua consequência, que aparecerá mais cedo ou mais tarde no atual estado, ou nalgum futuro. Os atos maus produzirão más consequências, prosperidade neste mundo, ou nascimentos no céu (...) em algum estado futuro". Essa é a justiça correta e imparcial. Essa é a ideia de um Poder Supremo que não pode falhar e que, por conseguinte, não pode ter nem ira nem misericórdia, mas deixa todas as causas, grandes ou pequenas, exercerem seus efeitos invitáveis. "Com a medida com que medirdes sereis medidos", tal sentença, nem pela expressão, nem pela implicação assinala qualquer esperança de um futuro perdão ou salvação por procuração. A crueldade e a misericórdia são sentimentos finitos. A Divindade Suprema é infinita, portanto só pode ser justa, e a justiça deve ser cega. Os pagãos antigos tinham a esse respeito concepções mais filosóficas do que os cristãos modernos, pois representam Têmis de olhos vendados. E o autor siamês da obra em pauta dá mostras novamente de pensamentos: "Um budista poderia acreditar na existência de um Deus Sublime acima de todas as qualidades e atributos, um Deus Perfeito, acima do amor e do ódio, repousando calmamente numa silente felicidade que nada pode perturbar, e de tal Deus nada de mal ele poderia falar. Não pelo desejo de agradá-lo, ou pelo medo de ofendê-lo, mas pela veneração natural. Mas ele não pode compreender um Deus com atributos humanos e na qualidade dos homens, um Deus que ama e odeia e mostra raiva, uma Divindade que, conforme a descrevem os missionários cristão, ou os maometanos, os brâmanes e os judeus, cai sob o seu padrão na categoria de um bom homem comum. Já nos temos surpreendido amiúde com as extraordinárias ideias de Deus e Sua Justiça que parecem ser honestamente defendidas pelos cristãos que cegamente confiam no clero quanto aos assuntos religiosos, e jamais em sua própria razão. Quão estranhamente ilógica é essa doutrina da Expiação. Propomos discuti-la com os cristãos do ponto de vista budista, e mostrar ao mesmo tempo por quais séries de sofismas, dirigidas para o objetivo único de apertar o jugo eclesiástico sobre o pescoço popular, sua aceitação, como um mandamento divino, foi finalmente efetuada, queremos mostrar também que ela se revelou uma das doutrinas mais perniciosas e desmoralizantes. Diz o clero: "Não importa quão enormes sejam os nossos crimes contra as leis de Deus e do homem, temos apenas que acreditar no auto sacrifício de Jesus para a salvação da humanidade, e Seu sangue lavará todas as máculas. A misericórdia divina é infinita e insondável. É impossível conceber um pecado humano tão abominável que o preço pago em adiantado para a redenção do pecado não o elimine, sendo ainda mil vezes pior. E, além disso, nunca é tarde demais para se arrepender. Mesmo que o pecador espere até o último da hora extrema, do último dia de sua vida mortal, depois de seus descoloridos lábios pronunciarem a confissão da fé, ele estará pronto para ir ao Paraíso. O bom ladrão assim o fez, e assim poderão fazê-lo outros da mesma espécie", tais são os pontos de vista da Igreja. Mas se transpusermos o estrito círculo do credo e considerarmos o universo como um todo equilibrado pelo primoroso ajustamento das partes, como se revoltará a lógica sensata, o mais fraco senso de justiça contra essa Vicária Expiação! Se o criminoso pecou apenas contra si mesmo, e causou mal apenas a si mesmo, se pelo arrependimento sincero ele puder apagar os eventos passados, não apenas da memória do homem, mas também desse registro imperecível, que nenhuma divindade, nem mesmo a Suprema das Suprema, pode fazer desaparecer, então esse dogma não seria incompreensível. Mas afirmar que alguém pode fazer mal a seu companheiro, matar, perturbar o equilíbrio da sociedade, e a ordem natural das coisas, e então, pela covardia, esperança, ou compulsão, não importa, ser esquecido por acreditar que o sangue derramado de alguém lave o outro sangue derramado, isso é ilógico e absurdo! Podem os resultados de um crime ser esquecidos ainda que o crime seja perdoado? Os efeitos de uma causa nunca se limitam ao âmbito da causa, nem podem os resultados de um crime ser confinados ao ofensor e à sua vítima. Toda boa ação, assim como a má, tem seus efeitos, que são tão palpáveis como a pedra que cai num lago de águas claras. A comparação é trivial, mas é a melhor que podemos imaginar, e portanto a empregamos. Os círculos de redemoinhos são maiores e mais rápidos, conforme seja o objeto perturbador maior ou menor, mas o menor pedregulho, ou melhor, a partícula mais fina, provoca suas ondas. E essa perturbação não é visível apenas na superfície. Abaixo, em todas as direções, para fora e para baixo, de modo invisível, gota puxa gota, até que os lados e o fundo sejam tocados pela força. Mais o ar acima da água é agitado, e essa perturbação passa, como nos dizem os físicos, de estrato a estrato no espaço para todo o sempre, um impulso é dado à matéria, e esse nunca se perde, e não pode ser retomado! Ocorre o mesmo com o crime, e com o seu oposto. A ação pode ser instantânea, os efeitos são eternos. Quando, depois de a pedra ter caído no lago, pudermos chamá-la de volta à mão, recolher as ondas, obliterar a força expandida, restaurar as ondas etéreas ao seu estado anterior de não - ser, e apagar todos os traços do ato de atirar a pedra, de modo que o registro do Tempo não possa mostrar o que aconteceu, então, então, poderemos ouvir pacientemente os cristãos defenderem a eficácia dessa Expiação. O times de Chicago - USA, publicou recentemente a lista de  algozes da primeira metade do presente ano (1877), uma longa e chocante lista de assassinos e enforcamentos. Quase todos esses assassinos receberam a consolação religiosa, e muitos anunciaram que haviam recebido o perdão de Deus através do sangue de Jesus, e que estavam indo para o Céu! Sua conversão foi efetuada na prisão. Observai quão ligeira é a balança da Justiça Cristã. Esses sanguinolentos assassinos, incitados pelos demônios da luxúria, da vingança, da cupidez, do fanatismo, ou pela mera sede brutal de sangue, mataram suas vítimas, em muitos casos, sem lhes dar o tempo para se arrependerem, ou chamarem a Jesus para lhes lavar o sangue. Morreram, talvez, em pecado, e, naturalmente, de acordo com a lógica teológica, encontraram a recompensa para as suas ofensas maiores ou menores. Mas o assassino, agarrado pela justiça humana, é aprisionado, chorado pelos sentimentalistas, confessa, pronuncia as encantadas palavras de conversão, e vai ao cadafalso uma redimida criança de Jesus! Se fosse pelo assassinato, ele não teria sido confessado, redimido, perdoado. Então, esse homem fez bem em matar, pois assim ganhou a felicidade eterna! E quanto à vítima, e sua família, seus parentes, dependentes, e amigos, não tem a Justiça nenhuma recompensa para eles? Devem eles sofrer neste mundo e no próximo, enquanto aquele que lhes fez mal se senta ao lado do "bom ladrão" do e é para sempre abençoado? Sobre essa questão, o clero também mantém um prudente silêncio". Abraço. Davi

 

 



segunda-feira, 20 de abril de 2026

TAO TE CHING - POEMA IX

Lao Tse (571 a.C. 531). Tao Te Ching O Livro que revela Deus


Por Huberto Rhoden (1893-1981)

Fazer o necessário e não o supérfluo

POEMA IX

Só se pode encher um vaso até a borda
Nem uma gota a mais
Não se pode aguça uma faca
E logo testar a sua agudeza
Não se pode acumular ouro e pedras preciosas
Sem ter lugar seguro para guardá-los
Quem é rico e estimado
Mas não conhece a sua limitação
Atrai a sua própria desgraça
Quem faz grandes coisas 
E delas não se envaidece
Esse realiza o céu em si mesmo

Explicação Filosófica:
O homem sábio deve ser equilibrado em tudo. Como o próprio universo. Cujo Uno nunca destoa do Verso. Quando o homem-ego pretende fazer mais do que o homem-eu permite. O desequilíbrio é infalível, tornando-se a infelicidade do homem. O homem deve, em tudo ser universificado, agindo de dentro para fora. Abraço. Davi

sexta-feira, 17 de abril de 2026

VEM AÍ NOVA SITUAÇÃO GEOPOLÍTICA. Parte I

Legião da Boa Vontade (LBV). Livro A Missão dos Setenta e o Lobo Invisível. Por Jose de Paiva Neto (1941-2025). VEM AÍ NOVA SITUAÇÃO GEOPOLÍTICA. Parte I. Discorrendo a respeito da alarmante atualidade da ação predatória do ser humano, influenciado sobremaneira por "lobos invisíveis" e suas consequências para a população mundial. Declarou, por intermédio do sensitivo Cristo do Novo Mandamento Chico Periotto, o Espírito doutor Bezerra de Menezes em 8 de março de 2003: Consequências históricas complexa. Poucos estão prestando atenção. Mas, se pegarmos o Apocalipse do Cristo, que o senhor tão bem entende e explica, Irmão Maior Paiva Neto. Analisando, firmado em sua pregação, e capítulo e o versículo que focalizam o Armagedom, Apocalipse 16,16 "E congregaram-nos no lugar que em hebraico se chama Armagedom". Veremos que, pouco antes do terrível acontecimento, os reis do Oriente adentram o Rio Eufrates, Apocalipse 16,12 "E o sexto anjo derramou a sua taça sobre o grande rio Eufrates. E sua água secou-se, para que se preparasse o caminho dos reis do Oriente". Não se trata de simples coincidência os fatos recentes ocorridos naquela região da mesopotâmia. As consequências são históricas, complexas. Desenvolvem-nas mesmas personalidades de outrora, pelo processo redentor da reencarnação. O rio Eufrates já secou, como anuncia o Apocalipse. Os reis do Oriente - enfrentando o poderio bélico do capitalismo desenfreado (ou sustentado por eles) - avançando numa sanguinária e abominável batalha, que resultará na guerra total. Os governantes mais lúcidos do planeta tentam bloquear o acontecimento. Porque sabem que, em seguida, virão problemas maiores. Em um primeiro instante, uma ampla devastação. Mortandade jamais vista no mundo. Depois, grandes blocos nunca imaginados a desenhar uma nova situação geopolítica na humanidade. Só a intervenção de Deus pode nos salvar. Não se esqueçam de que a questão nuclear é um grito da antecipação dos fatos tenebrosos que as criaturas não conseguem evitar por muito tempo. O mundo será sacudido e parecerá uma pequena bola de gude agitando-se pelo Espaço Sideral. Somente a intervenção de Deus,  por intermédio de Forças Mundialmente capazes de amenizar a drástica e impiedosa ação humana na Terra, influenciada pelo "lobo invisível", esfriará os resultados catastróficos. O orbe não será destruído, porque antes disso Jesus intervirá neste planeta, destaque do autor do livro. Acerca do que afirma o nobre doutor Bezerra de Meneses - antes disso Jesus intervirá neste planeta. Alziro Zarur pregando de improviso em "A última batalha de Miguel, o Arcanjo, que publiquei, em 1982, no Livro de Deus, prediz: Miguel estará presente no Armagedom Final, que se aproxima. Revelação: haverá intervenção cósmica no planeta Terra. E ela se fará por intermédio dos Espíritos dispostos e predispostos. É verdade que eles aparecerão em todas as camadas sociais. Mas vão preferir as camadas subterrâneas, principalmente no Brasil. A fim de não se desviarem das suas funções e das suas missões. As massas espirituais, em tropel, se apossarão de todas as posições. Triste fim para o mundo religioso e social! Espíritos guerreiros estarão derramados sobre carne medianizada. Cada homem dessa humanidade, vingadora terá a força de cem. Não ficará pedra sobre pedra. E, sobre esses escombros, o Cristo virá em pessoa para o juízo final. Mateus 16,27 "Porque o Filho de Deus há de vir na glória de seu Pai, com os seus anjos e, então, retribuirá a cada um conforme as suas obras". Jesus não é prisioneiro. É preciso destacar, para o perfeito entendimento do que profetiza o Irmão Zarur - saudoso proclamador da Religião de Deus, do Cristo e do Espírito Santo - que ele não se refere ao Jesus submetido as crenças. Por mais distintas e respeitáveis que sejam. Todavia, ao Cristo livre de qualquer partidarismo religioso ou ideológico. Portanto, Ele não é prisioneiro nem mesmo do cristianismo terrestre. Igualmente acerca do Pai Celestial, o sempre lembrado autor de Poemas da Era Atômica, 1949, Alziro Zarur (1914-1979). Em página pública na imprensa, intitulada "Um só Rebanho para um só Pastor" - argumentando que Deus nem é mesmo cristão. Como alguns ainda O concebem - pergunta e responde: Qual a religião de Deus? Deus é católico apostólico romano? Deus é protestante: batista, metodista, assembleiano, testemunha de Jeová etc?. Deus é judeu? Deus é muçulmano? Deus é budista? Deus é hinduísta etc?. Deus é das religiões africanas? Deus não pertence a nenhuma religião, a nenhuma igreja particular. Todas elas sim, pertencem a Deus, que não prefere uma em detrimento das outras.  Na Proclamação do Novo Mandamento de Jesus, feita por Zarur, em Campinas/SP, Brasil a 7 de setembro de 1959, ele elucida: Há tantas religiões ou igrejas quantos são os graus evolutivos das criaturas humanas, determinado pelas suas reencarnações. Claro que a Lei da Reencarnação é tão antiga quanto as criaturas de Deus. Doutrinas anteriores ao Espiritismo são reencarnacionismo, como observou Papus, ou seja, o doutor Gérard Encause (1865-1916). Doutor em Cabala, médico chefe do laboratório do Hospital Charitê de Paris-França. Diretor da revista L'Initiation, membro fundador do Grupo Independente de Estudos Esotérico. Da Ordem Martinista, da Ordem Cabalista Rosa-Cruz. Escreve ele: ... Com efeito, a Reencarnação foi ensinada como um mistério esotérico em todas as iniciações da Antiguidade. Eis uma passagem dos ensinos egípcios, 3.000 anos da vinda de Jesus, sobre a Reencarnação: "Antes de nascer, a criança viveu, a morte nada termina. A vida é uma volta. Ela passa semelhante ao dia solar que recomeça". Reencarnação: Chave para o entendimento do Apocalipse. O doutor Bezerra de Menezes, no trecho de sua mensagem psicofonica anteriormente transcrita, refere-se ao Apocalipse. Zarur, que sempre se dedicou a pregar a Palavra de Deus de forma eminentemente democrática, por sua vez, em outra publicação. Afirmou que a chave para o entendimento do Livro das Profecias Finais é, justamente, a Lei Universal da Reencarnação. De minha parte, Paiva Neto, procurei-me em explicá-lo aos simples de coração também, porquanto é o Divino Mestre quem admoesta: Mateus 11,25 "Graças Te dou, ó Pai, Senhor do Céu e da Terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e instruídos do mundo e as revelaste aos pequeninos". Faz-se necessário evidenciar que, nos dramas mundiais deste Fim dos Tempos que vivemos. O maldito "lobo invisível" marca sua nefasta presença e conduz ao precipício espiritual, moral, ético e humano quem a ele se submete. Devemos trabalhar por derrotá-lo, protegendo, enfim, nossa morada coletiva de sua ruinosa atividade neste término de ciclo apocalíptico. Sigamos, portanto, nestas páginas, aprendendo com o Cristo de Deus a vencer as artimanhas do "lobo" visível ou invisível. Intervenção Cósmica no Planeta Terra. "Miguel estará presente no Armagedom Final, que se aproxima. Revelação: haverá intervenção cósmica dos Espíritos dispostos e predispostos. (...) Não ficará pedra sobre pedra. E, sobre esses escombros, o Cristo virá em pessoa para o julgamento final". - Alziro Zarur (1914-1979). Abraço. Davi.

quarta-feira, 15 de abril de 2026

RELIGIÃO DO ISLAM. Parte XVII

Islamismo. Manual para o Novo Muçulmano. Por Jamaal Zarabozo (1961 - ). RELIGIÃO DO ISLAM. Parte XVII. No hadith do Anjo Gabriel, o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) declara, explicitamente, que se deve crer no Decreto Divino, “[tanto] em seus aspectos bons, como maus”. Ibn Qaiim destaca que por “mau” é feita uma referência aos seres humanos e não a Allah. A “maldade” é resultado das ações ignorantes, errôneas, opressivas e pecaminosas das pessoas. Não obstante, estas ações são permitidas e estabelecidas por Allah. Certamente, nenhum tipo de maldade pode ser atribuído a Allah, já que em relação a Allah, a ação é boa e cheia de sabedoria e deve ser considerada como um resultado do conhecimento e da sabedoria de Allah. Qualquer ação da natureza, em essência, é boa e não pode ter nenhuma maldade. Isso tem respaldo no hadith onde o Profeta diz: “A maldade não pode ser atribuída a Ti” (Muslim). Isso se deve a que cada ação que se realiza é o resultado de algum tipo de sabedoria e bondade e, portanto, não pode haver maldade. O próprio indivíduo pode pensar o contrário, mas, na realidade, tudo o que acontece na criação de Allah possui bondade e sabedoria. Ibn Uthaimin nos deixa um exemplo para ilustrar esta questão. Allah disse no Qur’an: “A corrupção surgiu na terra e no mar por causa do que as mãos dos humanos lucraram. E (Deus) os fará provar algo de que cometeram. Quiçá assim se abstenham disso.” (30: 41). Neste versículo, Allah expõe o surgimento da maldade (fasaad), suas causas e conseqüências. A maldade e as causas que a provocam são igualmente maléficas (sharr). Não obstante, seu objetivo é bom: que Allah lhes faça experimentar algo do que têm feito, assim regressarão ao caminho correto através do arrependimento. E assim existe uma sabedoria e um objetivo determinado no fasaad. Este objetivo e está sabedoria fazem com que toda ação seja algo bom e não puramente maldade. Por outro lado, a pura maldade consistirá em ações que não provoquem nenhum tipo de benefício ou resultado positivo. A sabedoria e o conhecimento de Allah impossibilitam a existência de ações desta natureza. Os frutos da crença correta no Decreto Divino  Quando uma pessoa se dá conta de que todas as coisas se encontram sob o controle e o decreto de Allah, liberta-se de qualquer tipo de shirk ou de entidades associadas à Allah em sua crença. Existe somente um Verdadeiro e Único Criador e Senhor desta criação. Nada ocorre senão por Sua vontade e Sua permissão. Quando este conceito está firme no coração das pessoas, também se dão conta que nada é digno e merecedor de suas orações, ninguém pode ajudá-los e em ninguém se pode amparar a não ser Ele, o Único Deus. Portanto, essas pessoas dirigirão todos seus atos de adoração ao Único, Aquele que decretou e determinou absolutamente tudo. É assim que o tauhid ar-rububiyah (monoteísmo ao Senhorio) e o tauhid aluluhiyah (monoteísmo da adoração) são corretos e completamente cumpridos mediante uma apropriada crença no qadar.  A pessoa colocará toda sua confiança em Allah. Deve prestar atenção às “causas e efeitos” externos que observa neste mundo. Sem dúvida, também deve levar em consideração que essas “causas e efeitos” não terão um desenlace a menos que Allah assim o queira. Deste modo, um crente nunca deve colocar sua confiança e dependência em suas próprias mãos ou em aspectos mundanos, como colocar a confiança nas mais daqueles que tem algum tipo de controle ou poder. Ao invés disso, deve seguir alguma causa que possa levá-lo ao fim desejado e logo, depositar sua confiança em Allah, para que este fim seja alcançado.  Ibn Uthaimin propõe que com uma correta crença no qadar, não se permite que a arrogância e a vaidade sejam introduzidas nos nossos corações. Se alguém alcança um objetivo desejado, saberá que tal finalidade só pode ser alcançada com a ajuda de Allah que, em Sua misericórdia, decretou que assim fosse. Se Allah houvesse desejado, haveria colocado muitos obstáculos em seu caminho, evitando assim que cumprisse seu objetivo. Por conseguinte, em vez de se transformarem em pessoas egocêntricas e arrogantes, que buscam apenas alcançar seus objetivos pessoais, se realmente crêem no qadar, convertem-se em pessoas muito agradecidas a Allah por todas as bênçãos que recebem.  A crença correta no qadar causa tranqüilidade e paz mental. As pessoas entendem que tudo o que ocorre depende diretamente do Decreto Divino de Allah. Além disso, todas as ações de Allah estão repletas de sabedoria. Portanto, se uma pessoa perde um ente querido ou qualquer outra coisa deste mundo, não enlouquece, não desespera e nem perde a esperança. Ao invés disso, entende que foi a vontade de Allah e que deve aceitar o acontecido. Também deve entender que tudo ocorre por uma razão. Não é algo que aconteceu fortuitamente, nem acidentalmente sem nenhuma razão aparente. Allah disse: “Não assolará desgraça alguma, quer seja à terra, quer sejam às vossas pessoas, que não esteja registrada no Livro, antes mesmo que a evidenciemos. Sabei que isso é fácil a Deus, para que vos não desespereis, pelos (prazeres) que vos foram omitidos, nem nos exulteis por aquilo com que vos agraciou, porque Deus não aprecia arrogante e jactancioso algum” (57: 22-23)  A crença no qadar dá às pessoas força e coragem. Um muçulmano sabe que Allah já registrou sua vida e proverá o seu sustento. Isso provém somente de Allah e já está decretado. Portanto, não se deve sentir temor ao se esforçar pela causa de Allah, já que o momento de sua morte já está registrado. Com respeito ao sustento e provisão, não se deve temer, uma vez que tudo provém de Allah e já está determinado. Ninguém pode privar uma pessoa do alimento diário se Allah já decretou que esta seguirá recebendo provisões e seu sustento de algum tipo de fonte. Conclusões Este capítulo nos apresentou um breve resumo sobre as crenças básicas de todo muçulmano. Cada muçulmano tem que saber no que deve crer e deve conhecer, ao menos, o essencial. Sem dúvida, a medida que seu conhecimento sobre os pilares da fé vai aumentando, sua fé também se tornará mais forte e completa. Para saber mais sobre estes artigos da fé, recomendo a série de oito livros de Umar al-Ashqar, que analisa diversos aspectos da fé, como a crença em Allah, os anjos, etc. Estes livros são publicados pela International islamic Publishing House em Riayad, Arábia Saudita e podem ser adquiridos facilmente pela internet. Os livros de Bilal Philips e de Muhammad Jibaly acerca dos aspectos da crença também são de valiosa leitura para os novos muçulmanos. Os Ritos de Adoração O Profeta Muhammad (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) disse: “O Islam está construído sobre cinco [pilares]: o testemunho de que nada é digno de adoração, exceto Allah e que Muhammad é o Mensageiro de Allah; cumprir as orações; pagar o zakat; realizar a peregrinação à Casa e jejuar durante o mês de Ramadan.” (Bukhari e Muslim). Aqui, o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) faz uma comparação do Islam a uma casa. As bases, ou pilares, da casa são cinco. Estas ações são conhecidas como os “cinco pilares do Islam”. O PRIMEIRO pilar, a declaração do testemunho de fé, foi analisado anteriormente. Portanto, este capítulo está destinado a analisar os outros quatro pilares restantes. Antes de analisar cada pilar separadamente, necessitamos fazer algumas considerações e explicações preliminares. Em primeiro lugar, todos estes rituais possuem um aspecto externo ou físico e um interno ou espiritual. Os sábios enfatizam que cada rito de adoração deve reunir duas condições para que seja aceito por Allah: (1) o rito deve ser correto e de acordo com a orientação revelada por Allah. (2) o rito deve ser realizado única e exclusivamente para agradar a Allah. Allah declara, por exemplo: “... quem espera o comparecimento ante seu Senhor que pratique o bem e não associe ninguém ao culto d’Ele.” (18: 110). Acerca deste versículo, o sábio Ibn Qaiim escreveu: “Isto faz referência a um tipo de ação que Allah aceitará. A ação deve estar em concordância com a Sunnah do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) e deve ser realizada com o intuito de buscar a complacência de Allah. Aquele que a realiza não pode, de forma alguma, cumprir com estas condições se não possui conhecimento. Se não conhece os textos narrados pelo Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) não poderá colocá-los em prática. Se não conhece a quem está adorando, não poderá atuar somente para Ele. Se não fosse pelo conhecimento, sua ação não seria aceitável. O conhecimento leva à sinceridade e à pureza e este conhecimento indica quem é o verdadeiro seguidor dos passos do Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele).” Allah requisita que Seus servos sejam puros de coração. Esta pureza que se reflete nas ações é a chave para que Allah esteja satisfeito com uma ação em particular. Allah criou a vida e a morte para que os seres humanos realizem as melhores ações. Ele não criou a humanidade para realizar infindáveis ações, mas sim para escolher e realizar as melhores. Allah disse em Seu Livro: “Bendito seja Aquele em Cujas mãos está a Soberania, e que é Onipotente; que criou a vida e a morte, para testar quem de vós melhor se comporta – porque é o Poderoso, o Indulgente” (67: 1-2). Referindo-se a este versículo, al-Fudhail Ibn Aiaadh afirmou que “melhor se comporta” se refere às obras, que elas devem ser puras e completas. Disse: “Se uma ação é sincera e pura, mas não é correta, não será aceita. Se é correta, mas não é pura, também não será aceita. Não será aceita a menos que seja pura e correta. É pura apenas se é realizada buscando agradar a Allah e é correta se concorda com a Sunnah.” Em segundo lugar, estes ritos são atos de adoração, sem dúvidas, ao mesmo tempo, exercem uma influência duradoura nos indivíduos. Por exemplo, se um muçulmano não completa a oração, esta não terá nenhum tipo de influência sobre seu comportamento ou suas ações. No hadith mencionado anteriormente, o profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) afirma que o Islam está construído sobre estes pilares ritualísticos. Isso significa que eles formam uma base, base esta que sustenta toda a vida sob o conceito de submissão somente a Allah. Página 150. O estabelecimento da oração. Abraço. Davi


segunda-feira, 13 de abril de 2026

QUAL É O SIGNIFICADO DO XIRÊ

Religião Afro-brasileira. Por Eurico Ramos. Livro Revendo o Candomblé - XI. QUAL É O SIGNIFICADO DO XIRÊ? Por que pessoas dançam e giram em sentido anti-horário, em torno do pilar central do barracão? Acredito que não adianta muito ser um babalorixá ou uma iyalorixá sem que se possua o mínimo conhecimento de algumas ciências. Pois a nossa religião não se resume exclusivamente a ebós e oferendas. Existem vários aspectos que precisam ser cuidadosamente observados. E para falarmos do significado do xirê, precisamos partir de um conceito básico, com o qual convivemos naturalmente todos os dias a terra gira. O xirê, por sua vez, é o ápice, o ponto máximo do ato litúrgico numa casa de candomblé. É a festa, e o culto à fartura, é o momento do nascimento do orixá, quando este orixá está pronto para ser apresentado ao público. Mas a tão conhecida "roda das baianas" é bem mais do que isso. Curiosamente, a roda das baianas gira no sentido anti-horário, o mesmo sentido da rotação do planeta Terra. O costume da roda das baianas foi herdado do islamismo, que muitas influências deixaram em diversas regiões da Terra. Os islâmicos caminham ao redor de um pilar central, do mesmo modo que as filhas de santo giram em torno da cumeeira da casa de candomblé. O ato de girar no sentido anti-horário também tem ligações com o islamismo, com o fato desses girarem no sentido anti-horário ao redor de um pilar em suas mesquitas. Pilar este que, para nós de Ketu - tradições africanas, é o opó, o pilar principal, situado no centro do barracão. Os islâmicos caminham ao redor de um pilar, no sentido anti-horário, exatamente como o povo do candomblé caminham e dançam ao redor do seu opó. A diferença é que no islamismo tudo é feito com muito sentimento, muita dor, enquanto no candomblé tudo é feito com outro sentido e com muita alegria. Porque estamos dançando e comemorando a vida. A cada vez que acontece um xirê, uma festa de candomblé, estamos, na verdade, contando a história da evolução do mundo de cada um dos orixás. Portanto, o xirê nada mais é do que uma narrativa psicodramática da evolução humana sobre a Terra. Os orixás vêm a este mundo narrar a evolução da raça humana, diante de toda uma plateia, sem que essa seja capaz de perceber o que está acontecendo.. Ali, nós encontramos Exu, que representa o primeiro movimento, o começo, o único da vida. Oxóssi é o caçador nômade, o homem primitivo, que caminhava nas planícies africanas buscando a caça. Ogun traz a Idade do Ferro (1200 a.C. 550), quando o homem começa a dominar os metais. Ossãe mostra o manuseio das plantas, a descoberta da medicina e o advento da cura. Oluaiê faz com que o homem se fixe à terra, sendo o advento da agricultura. Iroko mostra a fartura da terra, marcando o ciclo de plantio e de colheita. É Iroko quem determina a época de se plantar, de se colher e de dar descanso a terra. Xangó traz o advento da política, faz com que o ser humano comece a se organizar em sociedade. As danças desse orixá mostram isso de forma bem clara. Depois vêm as iabás, as orixás femininas. Ewá é a juventude, a menina que se transforma em mulher. Oxum traz o dom da maternidade, o dom da mulher de gerar novas vidas. Iansã traz a mulher descobrindo-se como ser vivente, como pessoa independente. Obá mostra o momento em que a mulher se torna capaz de trabalhar e competir com os homens em termos profissionais e sociais. Iemanjá mostra que a mulher também pode ter as mesmas características dos homens sem perder, no entanto, a feminilidade. Nanã traz o poder matriarcal. Oxalá, a suprema sabedoria, nos mostra o caminho das estrelas, a evolução do homem em sua jornada na Terra. Enfim, toda a evolução humana, em seus diversos estágios, é detalhadamente narrada durante um xirê. Todas essas danças são mostradas de forma simbólica, psicodramática, teatral, muito bonita durante uma festa de candomblé. Infelizmente, a nossa religião é linda, mas predominantemente formada por pessoas de baixa escolaridade. Sendo capazes de perceber que os orixás trazem diante de nossos olhos a história da própria humanidade. Abraço. Davi.

sexta-feira, 10 de abril de 2026

OS ANALECTOS - LIVRO VI

Confucionismo. www.rl.art.br. OS ANALECTOS – LIVRO VI. Texto de Confúcio (551a.C.479). 1. O Mestre disse: “A Yung pode ser dado o assento de frente para o sul”. 2. Chung-kung perguntou sobre Tzu-sang Po-tzu. O Mestre disse: “É sua simplicidade de estilo que o torna aceitável”. Chung-kung disse: “Ao governar o povo, não é aceitável ser exigente consigo mesmo e condescendente ao tomar medidas? Por outro lado, não é exagerar na simplicidade ser condescendente consigo mesmo, assim como ao tomar medidas?”. O Mestre disse: “Yung tem razão no que ele diz”. 3. Quando o duque Ai perguntou qual dos seus discípulos tinha sede de aprender, Confúcio respondeu: “Havia um Yen Hui que tinha sede de aprender. Ele não descarregava sua raiva em uma pessoa inocente, tampouco cometia o mesmo erro duas vezes. Infelizmente, o tempo de vida que lhe coube era curto, e ele morreu. Agora, não há ninguém. Ninguém com sede de aprender chegou ao meu conhecimento”. 4. Jan Tzu pediu grãos para dar à mãe de Tzu-hua, que estava fora em uma missão para Ch’i. O Mestre disse: “Dê-lhe um fu ”. Jan Tzu pediu mais. “Dêlhe um yü”. Jan Tzu deu-lhe cinco ping de grãos. O Mestre disse: “Ch’ih foi para Ch’i carregado por cavalos bem alimentados e usando finas peles. Sempre ouvi dizer que um cavalheiro dá para ajudar os necessitados, e não para manter os ricos em uma vida farta”. 5. Ao tornar-se seu administrador, Yüan Ssu recebeu novecentas medidas de grãos, as quais declinou. O Mestre disse: “Os grãos não podem ser úteis para ajudar as pessoas no teu vilarejo?”. 6. O Mestre disse de Chung-kung: “Se um touro nascido de gado de arado tivesse cor castanha e chifres bem formados, será que os espíritos das montanhas e dos rios o rejeitariam, mesmo que não o achássemos bom o suficiente para ser usado?”. 7. O Mestre disse: “Em seu coração, Hui pode praticar a benevolência durante três meses ininterruptos. Os outros atingem a benevolência meramente por ataques repentinos”. 8. Chi K’ang Tzu perguntou: “Chung Yu é bom o suficiente para que lhe seja oferecido um cargo oficial?”. O Mestre disse: “Yu é decidido. Que dificuldades ele poderia encontrar ao assumir um cargo?”. “Ssu é bom o suficiente para que lhe seja oferecido um cargo oficial?” “Ssu é um homem inteligente. Que dificuldades ele poderia encontrar ao assumir um cargo?” “Ch’iu é bom o suficiente para que lhe seja oferecido um cargo oficial?” “Ch’iu é um homem completo. Que dificuldades ele poderia encontrar ao assumir um cargo?” 9. A família Chi queria fazer de Min Tzu-ch’ien o administrador de Pi. Min Tzuch’ien disse: “Decline a oferta delicadamente por mim. Se alguém tornar a vir atrás de mim, estarei do outro lado do rio Wen”. 10. Po-niu estava doente. O Mestre visitou-o e, segurando sua mão através da janela, disse: “Vamos perdê-lo. Deve ser o Destino. Por que outra razão tal homem seria fulminado por tal doença? 11. O Mestre disse: “Como Hui é admirável! Morar em um pequeno casebre com uma tigela de arroz e uma concha de água por dia é uma provação que a maioria dos homens acharia intolerável, mas Hui não permite que isso atrapalhe sua alegria. Como Hui é admirável!”. 12. Jan Ch’iu disse: “Não é que eu não esteja satisfeito com o Caminho do Mestre, mas me faltam forças”. O Mestre disse: “Um homem a quem faltam forças entra em colapso ao longo do trajeto. Mas você desiste antes de começar”. 13. O Mestre disse para Tzu-hsia: “Seja um ju [67] cavalheiro, não um ju mesquinho”. 14. Tzu-y u era o governador de Wu Ch’eng. O Mestre disse: “Você fez alguma descoberta lá?”. “Há um T’an-t’ai Mieh-ming que nunca toma atalhos e que nunca esteve em meus aposentos, exceto por razões oficiais”. 15. O Mestre disse: “Meng chih Fan não era dado a vangloriar-se. Quando o exército tomou a estrada, ele ficou na retaguarda. Mas, ao adentrar o portão, ele esporeava seu cavalo, dizendo: ‘Eu não fiquei para trás por modéstia. Simplesmente, meu cavalo recusava-se a ir adiante’”. 16. O Mestre disse: “Você pode ter a beleza de Sung Chao, mas será difícil escapar ileso neste mundo se, ao mesmo tempo, não tiver a eloquência do sacerdote T’uo”. 17. O Mestre disse: “Quem é que pode sair de uma casa sem usar a porta? Por que, então, este Caminho não é seguido?”. 18. O Mestre disse: “Quando a natureza de alguém prevalece sobre a educação recebida, o resultado será uma pessoa intratável. Quando a educação prevalece sobre a natureza, o resultado será uma pessoa pedante. Apenas uma mistura bem equilibrada das duas resultará em cavalheirismo”. 19. O Mestre disse: “Um homem sobrevive graças à sua retidão. Um homem que enganar os outros sobrevive graças à sorte de ser poupado”. 20. O Mestre disse: “Gostar de algo é melhor do que meramente conhecê-lo, e encontrar alegria nesse algo é melhor do que meramente gostar dele”. 21. O Mestre disse: “Você pode explicar àqueles que estão acima da média sobre os melhores, mas não pode explicar àqueles que estão abaixo da média”. 22. Fan Ch’ih perguntou sobre a sabedoria. O Mestre disse: “Trabalhar pelas coisas às quais o povo tem direito e manter-se à distância dos deuses e dos espíritos enquanto lhes mostra reverência pode ser chamado de sabedoria”. Fan Ch’ih perguntou sobre a benevolência. O Mestre disse: “O homem benevolente colhe o benefício apenas após vencer as dificuldades. Isso pode ser chamado de benevolência”. 23. O Mestre disse: “O sábio encontra alegria na água. O benevolente encontra alegria nas montanhas. Os sábios são ativos; os benevolentes são plácidos. Os sábios são alegres; os benevolentes são longevos”. 24. O Mestre disse: “Com uma só reforma, Ch’i pode ser transformado em um Lu, e Lu, com uma só reforma, pode ser levado a atingir o Caminho”. 25. O Mestre disse: “Uma garrafa ku que não mede volume algum. Que garrafa ku estranha! Que garrafa ku estranha!”. 26. Tsai Wo perguntou: “Se a um homem benevolente fosse dito que havia outro homem benevolente no poço, iria ele, ainda assim, juntar-se ao outro?”. O Mestre disse: “Por que deveria ser esse o caso? Um cavalheiro pode ser mandado para lá, mas não pode ser atraído à armadilha. Ele pode ser enganado, mas não pode ser feito de bobo”. 27. O Mestre disse: “O cavalheiro que é muito culto, mas que é levado às coisas essenciais pelos ritos dificilmente vai se voltar contra aquilo que apoiou”. 28. O Mestre foi ver Nan Tzu. Tzu-lu não gostou. O Mestre jurou: “Se fiz algo inapropriado, que o castigo do Céu caia sobre mim! Que o castigo do Céu caia sobre mim!”. 29. O Mestre disse: “Supremo, de fato, é o Caminho do Meio como virtude moral. Tem sido raro entre o povo há muito tempo”. 30. Tzu-kung disse: “Se houvesse um homem que desse generosamente ao povo e trouxesse auxílio às multidões, o que o senhor pensaria dele? Ele poderia ser considerado benevolente?”. O Mestre disse: “Nesse caso não se trata mais de benevolência. Se é preciso descrever tal homem, sábio é, talvez, a palavra adequada. Mesmo Yao e Shun achariam difícil realizar tanto. Mas, por outro lado, um homem benevolente ajuda os outros a firmar sua atitude do mesmo modo que ele próprio deseja firmar a sua e conduz os outros a isso do mesmo modo que ele próprio deseja chegar lá. A capacidade de tomar o que está ao alcance da mão como parâmetro pode ser considerado o método da benevolência”. www.rl.art.br. Abraço. Davi.

quarta-feira, 8 de abril de 2026

KARMA SANYASA YOGA - RENÚNCIA DAS OBRAS

Hinduísmo. Livro Bhagavad Gita. A Mensagem do Mestre. Capítulo V. KARMA SANYAS YOGA - RENUNCIA DAS OBRAS. Neste capítulo se expõe como o homem exterior e terreno não pode, de própria vontade e própria força. Fazer qualquer coisa boa ou sabia. Porque todo o bem procede de Deus. Para poder-se agir sabiamente, é necessário possuir sabedoria. E quem possui sabedoria não age por si mesmo. Mas serve apenas de instrumento a Vontade Divina.


1.Então falou Arjuna, o príncipe de Pandu, a krishna, o Senhor Bem-aventurado, dizendo: Ó Senhor, ora louvas a renúncia das obras, ora a prática das obras. Dize-me, de ambas qual é a superior? Fala-me claramente, para que em mim não haja mais dúvida nem confusão. 2. O Verbo Divino: Ó Arjuna, tanto a renúncia como a prática das obras têm grande mérito. Amos, conduzem ao alvo supremo. Entretanto, é preferível a prática das obras à sua renúncia. A reta ação é muito melhor do que a inação. 3. Para não caíres em confusão, discerne bem o uso destes termos. Só se abstêm verdadeiramente, aquele que não odeia a ação, nem por se apaixona. Assim é que ele pratica a renúncia. Nada odiando e nada desejando. Quem está acima dos contrastes e conserva-se calmo e contente. Estando sempre pronto a cumprir a sua tarefa. Contudo, sem apegar-se à obra, facilmente se liberta dos vínculos da ilusão. 4. Os inexperientes que principiam a estudar a Verdade, costumam designar o conhecimento e as obras. Ou a abstenção da ação e a prática da reta ação como duas coisas diferentes. Todavia os sábios as reconhecem como uma coisa só. Pois quem tem o conhecimento, há de ter também as obras, e quem tem as obras, terá igualmente o conhecimento. 5. Ambos estes caminhos conduzem ao mesmo fim, e os que seguem um deles chegam ao mesmo ponto que os que vão pelo outro. Quem tem a reta percepção, vê que o conhecimento e a atividade ou - por outras palavras - a renúncia e a prática são uma coisa só em sua essência. 6. Abster-se a renúncia é muito difícil para quem não tem experiência das ações. Abençoado, porém é aquele que sabe harmonizar os dois caminhos. O seu espírito dirige-se ao Eterno unindo-se com Deus, entrando na paz do nirvana. 7. Quem é firme na prática da Reta Ação e, ao mesmo tempo, domina a si mesmo, subjugando a Vontade Divina os seus sentidos e desejos. Sente-se uno com tudo o que existe e não é influenciado pelas obras que pratica. 8. Ele conhece a Vida Universal e o que dela precede, e sabe que não é ele, como espírito quem age. Mas é a sua natureza que vê, cheira, sente, come, caminha e respira. 9. Em verdade, pode ele dizer: Os sentidos fazem a sua parte no mundo sensual. Deixemos agir. Eu não sou vinculado nem iludido por eles. Porque seu qual é o seu fim. 10. Quem encara suas ações como obra dos sentidos, executando-as sem apego, não é maculado pelo egoísmo. Tal a flor de lótus, que não é poluída pelas águas que a rodeiam. 11. O yogi, tendo-se libertado de todo o apego, executa as ações do corpo, da mente e do intelecto e até dos sentidos. Sempre com o fim de purificar a mente e sem qualquer motivo egoísta. 12. Vivendo em harmonia com a Natureza, tendo abandonado o desejo e a esperança da recompensa pelas ações, alcança a Paz. Ao contrário, o homem que não vive em tal harmonia e que nutre desejos de recompensa por suas ações, é perturbado, inquieto e descontente. 13. A alma do sábio que, no fundo de sua vontade renunciou a toda ação e inação própria. Não procura recompensa, habita o corpo, que é o Templo do Espírito. Conserva-se quieta sua alma em paz, sem desejo de sair e sem causar ação. Entretanto, está sempre pronta a executar a sua parte na ação quando o dever a chama. Porque, o sábio sabe que ainda que o seu corpo, essa cidade com as nove portas, se ocupa de ações, o Eu Real permanece imperturbado. 14. O Senhor do Mundo  (o Eu Real) não engendra nem a atividade, nem as ações, nem as relações entre a causa e o efeito. Em tudo isto age apenas a natureza dos seres. 15. O Senhor do Mundo não interfere nem nos pecados nem nas boas ações de ninguém. A luz da sabedoria está obscurecida pela fumaça da ignorância. O homem ilude-se com isso e pensa que a fumaça é a chama, não podendo enxergar esta atrás daquela. 16. Mas aqueles que são capazes de transpor a fumaça, percebe a clara luz do Espírito que brilha como uma infinidade de sóis, livre e sem o véu da fumaça que a esconde as vistas da maior parte dos homens. 17. Meditando sobre o Altíssimo, que é o Eu Real, unindo-se a Ele, conhecendo-o e amando-o. Passa o sábio aos estados superiores, os planos mais altos. Dos quais não volta mais para os degraus inferiores da existência. O conhecimento da Verdade consumiu todos os seus pecados e erros. Ele entra no reino da Bem-aventurança. 18. A sua vista, sendo livre da fumaça do erro e da ilusão, reconhece um Ser em tudo. Igual sentimento e respeito tem ele para com os homens eruditos, reverendos, nobres e iluminados. Como para com os pobres, ignorantes e desprezados, e até para as vacas, os elefantes e os cães. Porque, tendo vencido as ilusões, vê que as personalidades de todas as formas de vida são irreais. Comparadas com o Eu Real, de maneira que, contempladas do alto, desaparecem até as maiores distinções mundanas. Os que conservam a equanimidade, já neste mundo se unem com Brahma (Deus Criador). Poque Ele é imutável e eternamente o mesmo. 20. Não te deixes arrebatar, quando te acontece algo desagradável, nem percas o ânimo, quando tens má sorte. Levanta o teu pensamento à claridade limpa da esfera divina, imerge-te em Deus e nele vive. 21. Em delícias eternas viva a alma que em si mesma encontra a fonte da felicidade. Sendo unida com Deus e desapegada dos objetos do mundo exterior. 22. Os prazeres nascidos do contato dos sentidos externos, e a que chamam "satisfação" com Deus e desapegada dos objetos do mundo exterios. 23. Feliz  é aquele que nesta terra, ainda antes de deixa o corpo, pode resistir aos impulsos do desejo e da ira. 24. Quem em si mesmo encontra o céu, quem em si mesmo encontra a luz da iluminação. É um yogo, é um santo. A sua vida conflui com a vida de Brahma, e são-lhe abertas as portas do Nirvana. 25. Assim os Rishis, tendo-se libertado dos pecados, tendo vencido toda ideia de dualismo e separação. Vendo que sua vida é uma, que toda ela emana de Um. Sentindo que o estar bem de todos é o bem estar de cada um. Unificaram-se com o Todo e entraram no Nirvana. 26. Assim todos os  homens que seguem o seu exemplo, vivendo em humildade e na luz da fé. Controlando as ações e dominando o eu inferior aproximam-se da Divina. 27. O verdade yogi, deixando os objetos exteriores e influenciando só o seu exterior e não a sua alma. Abre as vistas interiores à Luz Eterna e une a sua respiração externa com a interna em ritmo e harmonia. 28. Todos os seus sentidos obedecem à vontade Espiritual. Todo o seu pensar tem as raízes em Deus. Nada para si deseja, nada receia. Ele não tem acesso nem ódio nem ira. Sua salvação está realizada. 29. Ele me conhece como Sou. Sabe que Me agrada o domínio de si mesmo, reconhece-Me como Senhor do Universo, e amante de todas as almas, e une-se comigo. Pois Eu sou o amparo de todos os que em Mim se refugiam. Abraço. Davi.