Judaísmo. Livro Um Guia para a Sabedoria Oculta da Cabala. Por Michael Laitman. CABALA. MITOS E VERDADES. Parte V. Cabala sua História e Pessoas Importantes. A realidade evoluiu a partir do pensamento. Adão e o anjo do segredo de Deus. Abraão e o livro da criação. Moisés e a Torá. Shimon Bar Yochat e o O Livro do Zohar. O Ari e a arvore da vida. A Cabala não fala sobre a existência física do universo. Mas o que ela diz sobre a espiritualidade tem uma parte correspondente no mundo físico. Neste capítulo, você aprenderá sobre a história da Cabala e as pessoas que contribuíram para a sua posição como uma peça-chave no drama humano. Do primeiro pensamento ao primeiro homem. A história da Cabala corresponde a história da criação. O pensamento da criação fez com que a criação acontecesse. O pensamento da criação é a chamada Root Zero ou Fase Zero. A Fase Zero gerou mais quatro fases que depois geraram o Mundo Raiz, que ainda é um mundo espiritual, não um mundo físico. Este Mundo Raiz é chamado de Adam Kadmon - o Primeiro Homem. Gerando outros quatro mundos chamados Atzilur, Beria, Yetzira e Assiya. Estes também são mundos espirituais e não físicos. Abaixo de Assiya havia um ponto negro chamado "o ponto deste mundo". Materializando-se no que você e eu chamamos de "universo". Dentro de nosso universo há uma galáxia chamada Via Láctea e nesta galáxia a um pequeno planeta chamado Terra. A evolução da Terra da larva ardente ao resfriamento marítimo. Do aparecimento de montanhas ao desmembramento da Terra em continentes continuou por muitos milhões de anos. É o paralelo físico da fase raiz espiritual. Quando a terra esfriou, começou a vida vegetativa que reinou no mundo durante vários milhões de anos. A vida na Terra continuou a evoluir, até que, em algum ponto, os primeiros animais apareceram. O último animal a evoluir, você adivinhou, foi o homem. Os seres humanos surgiram várias dezenas de milhares de anos atrás. Eles viveram como animais no princípio, se servindo de qualquer alimento que estivesse disponível. Gradualmente, os seres humanos evoluíram e se tornaram a primeira espécie a perguntar sobre a origem de sua própria existência. O nome da primeira pessoa a perguntar de onde ela veio foi Adão. Sim, aquele Adão. Esta é a razão pela qual é considerado, pelos Cabalistas, como sendo a primeira pessoa a chegar na espiritualidade. Para descobrir a fonte de sua própria existência, e a de vocês também. Se você olhar para esta curta história da evolução, notará que sempre há cinco fases antes que uma mudança maior ocorra. Os Cabalistas descrevem cinco fases, cinco mundos espirituais e cinco estágios no mundo físico, inanimado, vegetativo, animado, humano e espiritual. Adão. Adão, companheiro de Eva e residente temporário do Jardim do Éden, marca o começo da fase final da evolução, a fase espiritual. Em Cabala Adão é considerado a Fase Raiz. Por isso é chamado de Adam ha Rishon - o Primeiro Homem. Adão, foi também a primeira pessoa a escrever um livro de Cabala HaMalaach Raziel (O Anjo do Segredo de Deus), um pequeno livro que incluía alguns desenhos e tabelas. Vale mencionar que apesar dos Cabalistas atribuírem estre trabalho a Adão, não existe prova escrita que ele é realmente o autor. O nome HaMalaach Raziel vem das palavras Hebraicas Malaach (anjo), Raz (segredo), and El (Deus). Assim, HaMalaach Raziel revela a nós os segredos do Criador. A tradição Cabalista afirma que Adão escreveu The Angel of God´s Secret a mais de 5.709 anos. Adão usou alegorias e metáforas para nos contar como ele sentia que vivia em dois mundos, no terreno e no espiritual. Ele sentia a Existência Superior completamente, mas não conseguia descrever isso de maneira que possamos identificar hoje. Ele alcançou a compreensão através de seus sentimentos e assim a retratou da melhor maneira que pode. Se você pesquisar O Anjo do Segredo de Deus, fica evidente que o autor não é um incivilizado, um ignorante caçador de mamutes. Adão foi um Cabalista de um grau muito elevado que descobriu os segredos fundamentais da criação, em sua jornada espiritual. Ele estudou o Mundo Superior, onde as nossas almas vagam antes de sua descida a Terra. Quando nascemos e onde as almas regressam após a morte. Adão nos diz como estas almas irão se agrupar numa só alma. Construindo o que chamamos de "homem" do qual somos fragmentos. Você terá mais sobre como isso funciona no capítulo oito. Abraão. Abraão veio 20 gerações após Adão e foi o primeiro a conduzir estudos organizados de Cabal. Abraão passou o conhecimento e o método que ele usou para alcançar os Mundos Superior as gerações seguintes a ele. Desta forma, a Cabala foi transferida de professor a estudantes durante muitos séculos. Cada cabalista acrescentava a sua experiência única e sua personalidade a este corpo de conhecimento acumulado. Abraão vivia na Mesopotâmia, atual Iraque. Como todos os habitantes, adorava o sol, a lua, as pedras e as árvores. Mas um dia ele começou a perguntar: Como o mundo foi criado"? Porque é que tudo "gira" em torno de nós? E qual o significado da vida? Na verdade, deve haver algum significado para a vida, pensou ele, um começo, fim, causa e efeito. Deve existir uma força que coloca tudo em movimento! Abraão perguntou-se sobre essas questões e, eventualmente, através da imagem de nosso mundo. Sentiu e viu o mesmo que Adão, que viveu em dois mundos de uma só vez vez, o espiritual e o material. Sim, estas são as mesmas perguntas que trouxeram a Cabala para o foco da sociedade de hoje. Como os Cabalistas que vieram depois dele, Abraão escreveu sobre as suas descobertas. Seu livro, Sefer Yetzira (O Livro da Criação) e o próximo texto importante após HaMalaach Raziel. Ao contrário dos longos livros de Cabala. Sefer Yetzira tem apenas algumas dezenas de páginas. O propósito de Abraão ter escrito este livro não foi para ensinar como alcançar o Mundo Superior. Todavia apenas para marcar algumas das principais leis que descobriu o mundo espiritual, como se estivesse fazendo um esboço. Os Cabalistas consideram este um livro difícil de estudar corretamente porque ele foi escrito para pessoas que vieram há milhares de anos atrás. Naqueles dias, as almas das pessoas não eram tão espessas - densa, grossa - como as de hoje. Eles podiam entender o texto mesmo sendo escrito de forma sucinta. Hoje necessitamos dum texto muito mais detalhado para poder nos relacionarmos com o conteúdo. É por esta razão que Baal HaSulam escreveu seus comentários sobre O Livro Zohar e a Árvore da Vida. Quando Abraão descobriu a espiritualidade, ele imediatamente começou a divulgar o seu conhecimento. É por isso que está escrito que ele se sentava à porta de sua tenda e convidava as pessoas para entrar. Desta maneira, esses estudantes que Abraão convidava pra a sua tenda se tornaram o primeiro grupo de estudo da história da Cabala. Moisés. O nome Moshe (Moisés) vem da palavra hebraica Moshech (puxando), como em puxar para fora deste mundo. Moisés foi diferente de outros cabalistas pois, paralelamente as revelações recebidas. Foi-lhe ordenado divulgá-las por escrito e estabelecer centros de aprendizagem. Moisés tinha 70 discípulos e, Yehoshua Ben Num (Josué, o filho de Nun), foi quem lhe sucedeu. Moises fez mais do que uma pesquisa do Mundo Superior. Ele tratou da realização prática do entendimento do espiritual em nosso mundo, como o êxodo do Egito. Com a sabedoria que adquiriu das Forças Superiores, que ele recebeu de cima, Guiou o povo de Israel pra fora do exílio. Sua próxima tarefa foi a de escrever um livor com o qual qualquer pessoa pudesse "conquistar" o Mundo Superior. Com este livro, a pessoa poderia sair do Egito espiritual e parar de adorar ídolos. O sol e outros falsos deuses. A eles seria garantido a entrada ao Israel espiritual - Atzilut - um mundo de eternidade e plenitude. Moisés criou um método em seu livro. A Torah (Pentateuco), a partir da palavra Ohr (Luz). Ele contém instruções sobre como usar a luz como um meio para avançar no mundo espiritual. Todas as pessoas podem descobrir a imagem completa da criação. Elas podem alcançar o resultado desejado e atingir a meta final, se apenas puderem ler e compreender as instruções corretamente. O método de Moises, a Torah, adaptado as almas de hoje, permite a qualquer pessoa atingir o grau de espiritualidade denominado - Moisés. Rashbi. Rashbi Shimon bar Yochai. O Livro do Zohar (O Livro do Zohar), foi o próximo grande trabalho em Cabala e talvez o mais célebre deles. Foi escrito pelo Rabino Shimon Bar Yochai, o Rashbi, Por volta do ano 150 d.C. Rashbi foi um discípulo de Rabi Akiva (40 d.C.135) que ficou famoso principalmente pela sua ênfase sobre a regra: "Ama o teu próximo como a ti mesmo". Rabbi Akiva entretanto teve um destino parecido. Ele e muitos dos seus discípulos foram torturados e mortos pelos romanos. Esses se sentiam ameaçados pelos ensinamentos da Cabala. Eles esfolaram sua pele e seus ossos foram despojados com um raspador de ferro. Como a carda de hoje utilizados para limpeza de cavalos. Antes disso, uma praga matou quase todos os 24 mil alunos de Rabbi Akiva, apenas poucos restaram, entre eles estava Rabbi Shimon Bar Yochai. Cabalistas viram esta praga como resultado do seu grande egoísmo, conduzindo-os ao ódio. Este era seu professor: "ama ao teu próximo como a ti mesmo". Após a morte dos 24 mil discípulos de Rabbi Akiva, Rashbi foi autorizado Por Rabbi Akiva e Rabbi Yehuda Bem Baba para ensinar Cabala as futuras gerações como lhe havia sido ensinada. Sentiram que apenas aqueles que não caíram no ódio infundado sobreviveram e escreveram o próximo grande capítulo da Cabala. O Livro do Zohar. Na Caverna. Rashbi e quatro outros foram os únicos a sobreviver praga e a ira dos romanos que mataram seu professor. Segundo a captura e prisão Rabbi Akiva, Rashbi escapou com seu filho, Rabbi Elazar para uma caverna. Depois de treze anos, eles ouviram que os romanos não mais os procuravam e saíram da caverna. Já fora da caverna, Rashbi juntou mais oito homens, e os dez (Rashi, seu filho e os homens) foram para uma pequena caverna em Meron. Uma vila ao norte de Israel. Com a ajuda de seu filho e dos outros oito, Rabbi Shimon escreveu o pináculo dos livros da Cabala. O Livro do Zohar, para ser escondido logo após ter sido escrito. Rashbi não escreveu O Zohar ele mesmo, ele editou o livro para Rabbi Aba, que o escreveu de tal maneira que apenas aqueles que fossem merecedores seriam capazes de entendê-lo. Depois de sua escrita, quando Rabino Shimon e seus discípulos viram que a sua geração não estava pronta para o seu conteúdo. Eles o esconderam até que o tempo passasse e as pessoas estivessem prontas. Muitos proeminentes Cabalistas dizem que este tempo é o nosso tempo e, na verdade, O Zohar está mais em demanda hoje do que nunca. Reaparições anteriores. O livro foi descoberto há pouco, no entanto, puramente por acidente ele caiu nas mãos do Cabalista, Rabbi Moshe de Leon (1240-1305). Ele o manteve e o estudou em segredo. Quando ele morreu, sua esposa vendeu o livro porque ela tinha muitas despesas, já que seu marido morreu, e provavelmente não disse nada a ela sobre sua importância. Esta é a razão pela qual a redação do Zohar é muitas vezes atribuída a Moises de Leon, mesmo que o próprio Moshe de Leon a atribuía ao Rashbi. O Zohar afirma que é escrito para uma época em que a falta de pudor crescia e em que o rosto da geração era como o rosto de um cão. Quando Cabalistas proeminentes, como o Vilna Gaori (1720-1797), Baal HaSulam (1884-1954), e outros olharam para o futuro, eles declaram que a atual geração é a que O Zohar se refere. Obviamente, não se trata de nenhum elogio. Rabbi Isaac Luria (1534-1572). (O Ari). Esta etapa no desenvolvimento da Cabalá é extremamente importante pra a Cabala da nossa geração. Este é o período de "O Ari", Rabbi Issac Luria. O Ari proclamou o início de um período de abertura do estudo da Cabala as massas. Até a chegada do Ari, o método predominante de estudo foi a do Ramak (Rabbi Moshe Cordovero (1522-1570) de Safed. Era um método em que um Cabalista simplesmente experimentava o Mundo Superior, quase intuitivamente. Quando o Ari chegou a Safed - Israel, no entanto, ficou claro que os tempos tinham mudado. Próximo a 1500, o mundo estava caminhando para a Idade da ciência e da indústria. O Ari percebeu que o estudo da Cabala requeria um novo e mais sistemático modo de satisfazer os termos de uma nova e mais científica era. Nem todos concordaram de forma entusiasmada, mas o próprio Ramak, até então o Cabalista predominante de seu tempo. Abandonou o seu próprio método e sentou-se pra aprender a nova forma com o novo professor, o Ari. Muitas questões foram levantadas nesta fase, porém, o Ari, que tinha 36 anos sabia o que a geração precisava, e Ramak reconheceu isso. Um método adequado para o seu tempo. Rabbi Issac Luria nasceu em Jerusalém em 1534. Era criança quando seu pai morreu, sua mãe levou-o para o Egito, onde cresceu na casa do seu tio. Durante a sua vida no Egito, ele fez sua vida no comércio, contudo dedicou a maior parte do seu tempo pra estudar Cabalá. Diz a lenda que ele passou 7 anos em isolamento na ilha de Roda, no Nilo. Onde ele estudou o Zohar, os livros escritos pelos primeiros cabalistas, e os escritos do Ramak - Cordovelo. O Ari chegou em Safed, Israel, em 1570. Apesar de ser jovem, ele imediatamente começou a ensinar a Cabala. Por um ano e meio, seu discípulo, Rav Chaim Vital (1543-1620), colocava no papel as respostas para muitas das questões que surgiram durante seus estudos. De fato, o Ari não escreveu nada sozinho. "Os escritos do Ari" são, na realidade, as notas que Chaim Vital homem tomou enquanto estudava com seu mestre. As obras importantes do Ari incluem A Arvore da Vida, Entrada para os Portões, A Porta das Intenções, A Porta da Reencarnação. A parte única do método do Ari é a sua ordem sistemática, que foi adequada pra aproximação na época da base científica e da revolução industrial. Hoje, o seu método, chamado de "Cabala Luriânica", é o principal método de estudo da Cabala, Já que é adaptado às almas da humanidade de hoje. O Ari morreu de uma súbita doença em 1572, ainda jovem. Os escritos de Cabala derramam uma luz única sobre a história e pode-se dizer que compõem a história da Luz do Criador. Durante a maior parte deste tempo, porém, a Cabala estava escondida, estudada no escuro, longe dos olhos do público. Era um assunto privado e, para a maior parte dos casos, até mesmo secreto. Com as profecias do Zohar e o trabalho do Ari, A Cabala teve como objetivo lançar a sua luz sobre todos. o caminho em que a Cabala derrama sua luz publicamente continua com o trabalho de Rabbi Yehuda Ashlag que, como o próximo capítulo mostra, abriu o estudo da Cabala para mais pessoas como nunca antes. Em Resumo: A Criação é constituída por cinco fases de acordo com a Cabala. Adão foi o primeiro Cabalista e se fala que é o autor do livro o Anjo dos Segredos de Deus. Abraão começou o primeiro "grupo de Cabala", através do seu ensino e escreveu O Livro da Criação. Moisés é a força que nos puxa para fora do egoísmo e para dentro da espiritualidade. Ele escreveu a Thora (Pentateuco). O Livro do Zohar, o livro seminal em Cabal, previu o seu próprio ressurgimento no final dos tempos. Os Cabalista dizem que o final dos tempos é o novo tempo. O Ari criou um método científico para ensinar Cabala que é o método predominante hoje. O livro que o deixou famoso é A Arvore da Vida. Abraço. Davi
MOSAICO ESPIRITUAL
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026
RELIGIÃO DO ISLAM. Parte XIV
Islamismo. Manual para o Novo Muçulmano. Por Jamaal Zarabozo (1961 - ). RELIGÃO DO ISLAM. Parte XIV. A crença nos Livros de Allah. Crer nos Livros de Allah é o terceiro pilar de fé mencionado neste hadith. Refere-se às revelações que Allah enviou a Seus Mensageiros, como misericórdia e orientação para dirigir a humanidade ao êxito nesta vida e a felicidade na próxima. O Qur’an é a revelação final. É a palavra de Allah. Ibn Uthaimin ressalta que a crença nos Livros de Allah compreende quatro aspectos: Primeiro, deve-se crer que esses Livros foram realmente revelados por Allah. Segundo, deve-se crer especificamente nos Livros mencionados no Qur’an e na Sunnah. Trata-se do Qur’an revelado ao Profeta Muhammad (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele), a Taurah revelada ao Profeta Moisés (que a paz esteja com ele), o Injil revelado ao Profeta Jesus (que a paz esteja com ele) e o Zabur revelado ao Profeta Davi (que a paz esteja com ele). Também no Qur’an há referência às “páginas” de Abraão e Moisés. Os Livros que possuem os judeus e cristãos, e que eles chamam Torá, Evangelho e Salmos, podem conter partes daquelas revelações originais, mas não há nenhuma dúvida que foram distorcidas e modificadas. Portanto, crer na Torá de Moisés, por exemplo, não significa que um muçulmano crê nos cinco primeiros livros do antigo testamento. São dois livros diferentes, embora o último possa conter partes do que havia sido revelado na Taurah original. . Em terceiro lugar, deve-se crer em tudo o que Allah revelou, tanto no conteúdo do Qur’an como nas revelações anteriores. Quer dizer que, por exemplo, se o Qur’an diz algo, então um muçulmano deve crer naquilo. Caso recuse algo que foi dito no Livro, então haverá negado sua crença nos Livros de Allah. Allah disse: “... Credes, acaso, em uma parte do Livro e negais a outra? Aqueles que, dentre vós, que cometem, não receberão, em troca, senão aviltamento, na vida terrena e, no Dia da Ressurreição, serão submetidos ao mais severo dos castigos. E Deus não está desatento em relação a tudo quanto fazeis.” (2: 85) . Em quarto lugar, deve-se atuar segundo a revelação que não foi revogada ou substituída, quer dizer, o Qur’an. Deve-se estar satisfeito com ele e submeter-se plenamente. Ainda que a pessoa não compreenda totalmente a sabedoria por trás de um dito mandamento. Todas as revelações prévias de Allah foram revogadas pela revelação final, o Qur’an. Não há necessidade de que o muçulmano se remeta aos remanescentes de nenhuma das escrituras anteriores. Tudo o que necessita para sua orientação está contido no Qur’an e o que o clarifica, como a Sunnah do Profeta Muhammad (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele). Allah disse no Qur’an: “Em verdade, revelamos-te [Ó Muhammad] o Livro corroborante e preservador dos anteriores...” (5: 48) Sobre este versículo, Ibn Uthaimin comentou: “sobressai às escrituras prévias. Dessa maneira, não está permitido atuar segundo os ditames de nenhuma das escrituras anteriores, a menos que seja verificado e aceito pelo Qur’an”. O envio das revelações é uma das maiores bênçãos de Allah para a humanidade. Estas revelações guiam o homem à meta para a qual foi criado. É um dos muitos aspectos desta criação que ajudam o ser humano a ver e reconhecer a verdade. Sobre este ponto, Idris escreveu o seguinte: “Deus criou os homens para que fossem Seus servos. Ser servo de Deus constitui a essência do homem. Portanto, o homem não pode alcançar sua verdadeira humanidade e tranquilidade a menos que esteja à altura deste objetivo para o qual foi criado. Mas, como se pode fazê-lo? Deus, que é Misericordioso e Justo, ajuda de muitas maneiras. Deu-lhe uma natureza de bondade com inclinação a conhecer e servir ao verdadeiro Senhor. Deu-lhe uma mente que possui um sentido moral e capacidade de raciocinar. Fez de todo o universo um livro natural, cheio de sinais que guiam a pessoa que pensa em Deus. Entretanto, para fazer coisas mais específicas e obter um conhecimento mais detalhado de seu Senhor e servi-lo de uma forma mais exaustiva, Deus enviou mensagens através de Seus Profetas escolhidos entre os homens, desde a criação do ser humano. Por isso o Qur’an descreve mensagens anteriores como: orientação, luz, sinal, recordação, etc.” De fato, não somente enviou revelações à humanidade, como também enviou revelações específicas e diferentes segundo as necessidades e circunstâncias dos povos ao longo do tempo. Essa é outra expressão da grande misericórdia de Allah para com a humanidade. Este processo continuou até que foi revelado o Qur’an, que continha toda a orientação que a humanidade necessita desde os tempos do Profeta Muhammad (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) até o Dia do Juízo Final. Dado que deve cumprir a função de guia para todos os tempos até o Dia da Ressurreição, diferente das escrituras anteriores, Allah protegeu o Qur’an de toda e qualquer alteração, erro ou distorção. Allah disse: “Nós revelamos a Mensagem e somos o Seu Preservador.” (15: 9) A crença nos mensageiros O seguinte pilar da fé trata sobre a crença nos mensageiros de Allah. Um mensageiro é um ser humano que foi eleito por Allah para receber Sua revelação; aquele a quem foi encomendada a tarefa de transmitir essa revelação às outras pessoas. O primeiro dos mensageiros foi Noé (Nuh). Os mensageiros foram enviados a todas as pessoas e todos transmitiram o mesmo ensinamento fundamental: “Em verdade, enviamos para cada povo um mensageiro (com a ordem): Adorai a Deus e afastai-vos do sedutor!...” (16: 36) O último Mensageiro e Profeta foi Muhammad (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele). Allah disse: “Em verdade, Mohammad não é o pai de nenhum de vossos homens, mas sim o Mensageiro de Deus e o prostremos dos profetas; sabei que Deus é Onisciente.” (33:40) Cabe ressaltar que todos estes mensageiros e profetas foram seres humanos normais. Não possuíam nenhum tipo de atributo divino. Não tinha o conhecimento acerca do desconhecido salvo pelo que Allah os havia. Seu atributo mais elevado foi o de servos de Allah. Assim Allah os descreve no Qur’an. Certamente, com respeito ao Profeta Muhammad (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) e fazendo referência a três dos mais importantes acontecimentos de sua vida, Allah se refere a ele como Seu servo. A crença correta nos mensageiros compreende quatro aspectos: Primeiro, deve-se crer que a mensagem que todos transmitiram é a Verdade proveniente de Allah. Se uma pessoa refuta um mensageiro que esteja confirmado no Qur’an ou em um hadith autêntico, com certeza está refutando a todos os mensageiros. Allah se refere ao povo de Noé dizendo: “O povo de Noé desmentiu os Mensageiros” (26: 105). Sem dúvidas, Noé foi o primeiro mensageiro. Basicamente, isso significa que se uma pessoa rechaça um mensageiro, na realidade, está rechaçando a todos; uma vez que as mensagens são, em essência, a mesma, única e consistente. Com relação a isso, o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) disse: “Por aquele em cujas Mãos se encontra a alma de Muhammad, não existirá nenhum judeu ou cristão nesta nação que me escute e logo morra sem haver crido em minha mensagem, que não será um dos habitantes do Fogo do Inferno.” (Muslim). Este é um dos aspectos que distinguem os muçulmanos dos povos antigos. Os muçulmanos creem em todos os profetas. Com certeza, outros povos recusavam alguns, fossem os judeus recusando Jesus (que a paz esteja com ele) ou os cristãos recusando Muhammad (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele). Não possuíam nenhum tipo de fundamento para rechaçar o último profeta. Cada mensageiro se manifestou com provas e sinais muito claros. A recusa de seu povo só pode ter sido embasada na arrogância, ignorância ou hostilidade para com a verdade. - Segundo, deve-se crer em todos os mensageiros mencionados pelo nome no Qur"an e na Sunnah. Quanto aos que não são mencionados, deve-se crer neles a um nível geral, sabendo que Allah enviou muitos mensageiros – ainda que nem todos são mencionados no Qur’an ou em algum hadith. Allah declara no Qur’an: “Antes de ti, havíamos enviado mensageiros; as histórias de alguns deles te temos relatado, e há aqueles dos quais nada te relatamos...” (40:78) - Terceiro, deve-se crer em tudo que é relatado por estes mensageiros. Eles trazem a Mensagem de Allah de forma completa e adequada. Esforçam-se por transmitir esta Mensagem. Resistem em nome de Allah da forma mais incisiva. São os que mais conhecem a Allah e os melhores servos e adoradores do Senhor. Os mensageiros “foram protegidos de atribuir a Allah produtos de suas imaginações, de julgar de acordo com seus próprios desejos, de cometer pecados capitais e de agregar ou retirar coisas da religião.” - Quarto ponto, deve-se submeter, aceitar e atuar de acordo com as leis que foram ensinadas pelo Mensageiro. Allah disse no Qur’an: “Jamais enviaríamos um mensageiro que não devesse ser obedecido, com a anuência de Deus...” (4:64). Com relação ao Profeta Muhammad (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele), Allah disse: “Qual! Por teu Senhor, não crerão até que te tomem por juiz de suas dissensões e não objetem ao que tu tenhas sentenciado. Então, submeter-se-ão a ti espontaneamente.” (4: 65). O crente deve entender que lhe foram enviados mensageiros para benefício e orientação da humanidade, ou seja, isso é uma grande benção de Allah. O conhecimento que eles transmitiram é um tipo de conhecimento que vai além da compreensão do intelecto humano, já que trata de assunto do oculto. De fato, a necessidade da humanidade pela orientação é maior que a necessidade por comida ou bebida. Porque, se carecerem da orientação da Allah, ensinada pelos mensageiros, perderão o melhor deste mundo e do outro. A crença no Último Dia e na Próxima Vida “O Último Dia” é nomeado como tal, pois não haverá um novo dia após ele; as pessoas do Paraíso habitarão em suas moradas, assim como as pessoas do Inferno. Entre seus diversos nomes, encontram-se: “O Dia da Ressurreição”, “A Realidade”, “O Acontecimento”, “O Dia do Juízo” e “O Escurecedor”. Este será o dia mais importante vivenciado pela humanidade. De fato, será o dia mais sério e mais temido por todos. A nova vida das pessoas será determinada nesse dia. Marcará um novo começo para cada uma das almas. Este novo caminho poderá levar tanto à graça eterna como à condenação eterna. A crença no Último Dia implica em crer em tudo que o Qur’an ou o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) declararam acerca dos eventos que acontecerão neste Dia. Existem alguns aspectos gerais (a ressurreição, o juízo e as recompensas, o Paraíso e o Inferno) que os muçulmanos devem crer com convicção. Também existem aspectos mais particulares que o Qur’an ou o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) mencionam. Quanto mais se sabe desse Dia e seus acontecimentos, maior será o efeito que esta crença terá sobre a pessoa. Por isso, é altamente recomendado que cada muçulmano estude e aprenda sobre os acontecimentos que ocorrerão antes e durante o Dia da Ressurreição. Como se encontra registrado no sahih Muslim, antes do Dia do Juízo e da destruição da terra, Allah enviará um vento mais suave que a seda, que levará as almas de todos os indivíduos que possuam ainda um mínimo de fé no coração. Portanto, os eventos do fim da terra serão presenciados somente pelas piores pessoas, as que careçam realmente de fé. Um dos primeiros acontecimentos será o sol nascendo no oeste. Neste momento todas as pessoas afirmarão ter fé, mas será tarde e isso não lhes adiantará em nada. Logo, a trombeta soará e tudo o que se encontra sobre a terra morrerá. Allah disse: “E a trombeta soará e aqueles que estão nos céus e na terra expirarão, com exceção daqueles que Deus queira (conservar). Logo, soará pela segunda vez e, hei-lhes ressuscitados, pasmados!” (39: 68) A terra e os céus serão destruídos. Logo após um período de quarenta – não se sabe se são horas, dias ou anos – a trombeta soará pela segunda vez e as pessoas serão ressuscitadas: “E a trombeta soará, e hei-lhes que sairão dos seus sepulcros e se apressarão para o seu Senhor. Dirão: Ai de nós! Quem nos despertou do nosso repouso? (Ser-lhes-á respondido): Isto foi o que prometeu o Clemente, e os mensageiros disseram a verdade.” (36: 51-51). De acordo com Ibn Uthaimin, a crença no Último Dia abrange três aspectos. O primeiro é a crença na ressurreição - logo após o segundo soar da Trombeta, as pessoas ressuscitarão ante Allah. Encontrar-se-ão nuas, descalças e sem a circuncisão. Allah disse: Do mesmo modo que originamos a criação, reproduzi-la-emos. É porque é uma promessa que fazemos, e certamente a cumpriremos.” (21: 104). A ressurreição será no mesmo corpo que a pessoa possuía em sua vida neste mundo. Ibn Uthaimin destacou a sabedoria e a importância deste fato: “Se houvesse uma nova criação significaria que o corpo que realizou os pecados neste mundo estaria a salvo de qualquer tipo de castigo. Retornar com um novo corpo e se aquele corpo for castigado contraria toda a noção de justiça. É por isso que os argumentos contextuais e racionais indicam que a pessoa ressuscitada não é uma nova criação, mas sim o retorno da mesma.” Também ressalta que Allah possui a habilidade de recriar os corpos, inclusive após estarem desintegrados. Os seres humanos podem não ser capazes de entender como isso é possível, assim como existem muitos outros aspectos que os seres humanos não compreendem. Sem dúvida, Allah o declarou e os crentes têm a certeza de que isso é a verdade e que Allah é completamente capaz de fazê-lo. O segundo aspecto é a crença na prestação de contas ou apreciação das ações e as recompensas ou castigos por estas. Este aspecto é mencionado e destacado em diversas partes do Qur’an. Aqui colocaremos alguns exemplos: “Em verdade, o seu retorno será para Nós; e o seu cômputo Nos concerne.” (88: 25-26) “E instalaremos as balanças da justiça para o Dia da Ressurreição. Nenhuma alma será defraudada no mínimo que seja; mesmo se for do peso de um grão de mostarda, tê-lo-emos em conta. Bastamos Nós por cômputo.” (21: 47). Allah deixa muito claro que todas as ações serão analisadas no Dia do Juízo. Disse: Allah. Página 136. Abraço. Davi
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026
SANKHYA YOGA - A VERDADEIRA NATUREZA DO ESPÍRITO
Hinduísmo. Bhagavad Gita - A Mensagem do Mestre. Capítulo II. Parte I. SANKHYA YOGA - A VERDADEIRA NATUREZA DO ESPÍRITO. Neste capítulo se ensina como se pode, por meiro da meditação filosófica obter a verdadeira concepção do Universo. Isto é, o ensinamento da nulidade e instabilidade de todas as formas que existem no mundo dos fenômenos. Em contraste com o ser Eterno, e como este conhecimento nos conduz da liberdade espiritual e da imortalidade.
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026
TAO TE CHING - POEMA VII
Lao Tse (571 a.C. 531). Tao Te Ching. O Livro que Revela Deus
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026
XINTOISMO - MITOLOGIA E INFLUÊNCIA. Parte III
Xintoísmo. Bushidobr.com. MITOLOGIA E INFLUÊNCIA na formação da cultura e do carácter do povo japonês. Parte III. O conceito de michi. Derivado do Tao chinês (mesmo kanji - 道 - ), definido como "a essência de todas as virtudes,[...] o que está perto, ao alcance das mãos e que erroneamente os homens o procuram longe" (HARADA, op. cit., p. 55). Discorre Yang Chu e Hu Shi sobre o Tao: A natureza é a atividade natural, o silente fluir dos acontecimentos tradicionais, a majestosa ordem das estações e do céu; é o Tao, ou o Caminho, corporificado e exemplificado em cada fonte, rocha ou estrela; é essa impessoal, imparcial e, no entretanto, racional lei das coisas, com a qual a lei da conduta do homem tem que se conformar, caso ele deseje viver em sabedoria e paz. Esta lei das coisas é o Tao ou o caminho do universo, do mesmo modo que a lei da conduta é o Tao ou o caminho da vida; na verdade, pensa Lao-Tze, os dois Taos são um só, e a vida humana, em seus ritmos essenciais e normais, faz parte do ritmo do universo (Yang, Chu, 16, 19. Schneider, ii, 810, Hu Shih, 14 in WILHELM, R., Short story of chinese civilization, New York, 1929 apud in DURANT, 1942, p. 185-186). Confúcio falando mais diretamente sobre o Tao como conduta do homem, dizia que Caminho é a harmonia com as coisas da natureza, que provêm do Céu: Sinceridade é o Caminho do Céu; realizar a sinceridade é o Caminho do homem. Aquele que possui a sinceridade é quem, sem esforço, faz o que é certo e compreende sem necessidade do pensamento: ele é o sábio que natural e facilmente incorpora o Caminho (m. t. apud in HARADA, op. cit., p. 54). Numa cultura em que os deuses são extremamente abundantes (fala-se em 800 ou 8000 as divindades do Xintô), mas cujos desejos em relação ao homem é apenas um, o japonês o resume em apenas um conceito: “michi”, caminho ou via. Seguir a via dos deuses, é a mensagem indelével fortemente introjetada no inconsciente coletivo desse povo, o que molda seu caráter, pensamento e a vida. As artes, a cultura e os esportes de origem nipônica trazem esta mensagem: shodô (書道) é o caminho da escrita; kadô (花道)ou(華道), o caminho das flores ou dos arranjos florais também conhecido como ikebana; kadô (歌道), com outro kanji para “ka” significando poesia, é o caminho da poesia ou a arte do poeta; butsudô (仏道), o caminho dos ensinamentos budistas; sadô ou chadô (茶道), o caminho do chá ou a arte da cerimônia do chá; kendô (剣道), o caminho da espada; judô (柔道), caminho suave ou caminho da luta suave; karatê-dô (空手道), caminho da arte marcial de mãos vazias. “Michi”, caminho ou via, guarda estreita relação com o comportamento do nipônico. Embora impreciso, amplo e vago, como sói nos conceitos dessa cultura, para 15 .o japonês, “michi” não precisa ser explicitado, definido, ensinado nem imposto: é algo que lhe parece claro, sem necessidade de palavras para se conceituá-lo. É, muito possivelmente, o termo mais antigo e de mais largo significado dentro da ética e da religião na cultura japonesa, "uma inconsciente observância do Caminho" (HARADA, op. cit., p. 48). Ao homem de michi regras morais ou conjunto de mandamentos não lhe parecem necessários. Suas ações são livres e sua autoexpressão, nessa condição de natural liberdade, está mais verdadeiramente de acordo com o Caminho (ibidem p. 50). Ele entenderá com o coração e aprenderá na convivência que seguir a “via dos deuses” é seu caminho natural: é portar-se como um deus, é sentir plenamente seu deus interior, ou seja, internamente é onde está o controle moral, inato ao homem, independendo, pois, de controle externo por leis e normas. Estar no Caminho é apenas seguir sua natureza, seu impulso natural. Estar fora do Caminho constitui um insulto, significa acusar alguém de levar vida errante (HARADA, op. cit., p. 49). A natureza das coisas é determinada por leis divinas. Estar em harmonia com a Natureza é estar no Caminho (ibidem p. 50-51). "Kami nagara no michi" - ou a Via dos deuses - é apenas o estado natural das coisas, onde inexiste a ideia do certo ou errado, ou seja, a ética e a moral não entram na apreciação. Os deuses venerados e os maus espíritos são igualmente reverenciados, o que torna desimportante um enquadramento ético para esses seres. A ética ou a sua ausência, ainda que temporária, é aceita como natural aos deuses, tal qual nos humanos. Não que seja impossível apreciar sob esse ângulo - na mitologia, os principais deuses têm seus momentos de cólera ou decepção - , mas o xintoísmo não se ocupa disso, porque não tem importância, não é significante, ensina Nyozekan Hasegawa (HASEGAWA, 1939, p.10). Ao japonês como crença e prática do xintoísmo, basta-lhe estar no Caminho, ou seja, ser naturalmente si próprio. O japonês primevo era já um ser despreocupado com o enquadramento ético, era "naturalmente puro, santo e correto", afirmava Griffis (GRIFFIS, op. cit., p. 72). O japonês não se sente vigiado, não conhece punição e recompensa como mecanismos ligados às ações provenientes do seu arbítrio. Não existe a ideia de que deuses punem comportamento contrário à sua vontade e premiam os que lhes obedecem. "Recompensas e punições não são oferecidas como meio de tornar o homem bom" (HITCHCOCK, 1893, p. 503). Nesse sentido, inexiste uma pedagogia divina para a educação do homem. 16 .Muro Kiuso considera o amor como a essência do Caminho, a virtude cardeal. "[...] assim como o homem morre quando seu pulso para, então também, seu coração morre quando o princípio do amor perece. Por isso o amor pode ser chamado a vida do coração" (apud in op. cit. HARADA, p.58). Ainda com foco na naturalidade interior, Nakae-Toju identifica o Michi com "a verdade adquirida com o conhecimento de si mesmo" que provém não do mundo à nossa volta nem de livros, senão do nosso próprio interior, isto é, "da nossa alma" (idem). O conhecimento então está no nosso interior, na nossa alma divina. Para esse comentarista o Caminho é algo imanente, invisível, imperceptível, mas onipresente em nossas vidas. "É o que habita no universo, assim como a alma habita o homem". (ibidem p. 61) Seguir o caminho não é obedecer, se submeter à vontade de um ser superior; é apenas viver, ser si próprio. Tão natural como apreciar flores da cerejeira: para isso não é preciso nada, apenas o coração em sintonia com a beleza da flor, ou como dizem os zen-budistas e haicaístas, sentir seu coração, uma flor de cerejeira. (D. T. SUZUKI in FROMM, 1960, p. 13, 21). Para o homem nipônico “michi” é mais do que conceito filosófico, regra de vida ou mandamento religioso. É a própria essência da vida. Na sua obra “The Faith of Japan”, o professor Tasaku Harada, assim se expressa a esse respeito: Por michi, a via, entende-se um conceito misterioso, não formulado, e, todavia, influente, que é acompanhado de terror religioso e de solenidade. O termo michi é provavelmente o mais expressivo de todo o vocabulário japonês em matéria de ética e de religião. A princípio, e como na língua corrente, significa carreira ou caminho. Em religião e em ética, significa via, ensinamento, doutrina ou, como às vezes se traduz, princípio. (O seu equivalente chinês é tao). Na sua presença, respira-se uma atmosfera edificante. Um homem de michi é um homem de caráter, um justo, que tem princípios e convicções e que obedece à natureza da sua humanidade. Acusar alguém de se ter afastado do michi é um insulto, porque isso implica perversidade para com aquilo que existe de mais essencial no homem. Michi é uma componente recebida do Céu, é o ideal celeste que deve ser realizado na humanidade. Michi é também o modo de vida que nos é dado como ideal e que aceitamos seguir. Diz-se que o confucionismo é o michi dos sábios e dos sensatos, o budismo o michi de Buda, o xintô o michi dos kami. A moralidade é michi, a harmonia entre a vida e o ideal, e considera-se mesmo que a razão constitui a essência do michi. Mas, seja qual for o sentido em que se empregue, michi exprime uma convicção muito profunda e sincera que liga o indivíduo, de maneira solenemente impressionante, à altura e à profundidade do grande Todo. Ele implica que a essência da vida humana se liga a uma vida sobre-humana. Num poema de Michizane Sugawara, lê-se: “Se no secreto do nosso coração/ Seguirmos a via sagrada/ Os deuses certamente nos terão em sua guarda/ Mesmo que nunca lhes dirijamos nenhuma oração”. [...] kannagara representava o ideal religioso do povo, “uma obediência inconsciente à via”, que julgavam existir desde tempos imemoriais. Agir em conformidade com o curso da Natureza, sem esforço consciente, obedecendo ao impulso que nos sugere a nossa constituição, é, para o xintô, a mais elevada virtude. Esse curso da Natureza é a vontade dos 17 .deuses. A vontade dos deuses realiza-se em tudo o que age naturalmente. Encontramos aí uma extrema simplicidade, uma fé total na justeza do que é natural. Tal é o coração do michi japonês ( HARADA, op. cit., p.50 traduções de José Pinto apud in op. cit. ROCHEDIEU, p. 108-109). O santuário xintô e o culto Como vimos, nascido e cultuado no meio da natureza, os santuários são invariavelmente localizados em meio a árvores, alguns no meio de florestas, perto de montanhas ou corrente de água. É comum a veneração de árvores no Xintô. Em tempos antigos, o termo mori (floresta) era sinônimo de santuário e as árvores do entorno, chamadas de kannabi (abrigo dos deuses) (ONO, op. cit., p. 98). Diante dos santuários, sem que se compreenda nada, pode-se ser um adorador, impressionar-se com as indefectíveis árvores, o lago, o ambiente, independentemente da especificidade que sustente aquele santuário (HERBERT, 1964, p. 24). Nos santuários não se dá importância ao aspecto filosófico ou doutrinário que sustentam a fé, mas aos fatos históricos e costumes que o envolvem. Quase nada se encontra que fale sobre a natureza do kami, dos ritos e práticas do santuário (ONO, op. cit., p. 92). O estudioso Yanagita Kunio afirma que “não há nos santuários xintoístas instrução doutrinária e só se aprende o xintoísmo pela convivência e pelo exemplo”(apud in BARROS, 1988, p. 46). O santuário e seus ritos, aceitos como símbolos da fé comunitária, ao mediarem a relação do homem com os deuses, faz as instruções doutrinárias desnecessárias (ONO, op. cit., p. 11) De fato, os japoneses mais seguem os exemplos e tiram lições de conduta das personagens mitológicas do que obedecem a alguma instrução ou mandamento. Não há combate do mal com o bem. Nos seus primórdios também não havia necessidade de templo ou santuário. Como vimos, as celebrações eram feitas ao ar livre, geralmente à beira de um rio, cachoeira ou no elevado de uma colina, num espaço cercado para esse fim. Fala sobre o santuário xintô Jean Herbert: O templo xintô é uma manifestação visível e sempre eficaz da relação de consanguinidade que existe entre o indivíduo e o mundo inteiro, a humanidade, os seres vivos e não vivos, os mortos, a terra toda, os corpos celestes e os deuses, qualquer que seja o nome que se lhes dê. A pessoa que entra no templo torna-se mais ou menos consciente, inevitavelmente, desta relação íntima e, a certa altura, dá-se conta de que todos os sentimentos de ansiedade, de antagonismo, de solidão, de desânimo, desaparecem, do mesmo modo que a criança vem repousar tranquilamente nos braços da mãe. Uma sensação quase palpável de paz e de segurança invade o visitante à medida que vai avançando para o interior do recinto sagrado .... ( HERBERT, 18 .1964, p. 155-156, tradução de José Pinto apud in op. cit. ROCHEDIEU, p. 129-130). Produto desse sentimento de irmandade, o xintoísmo "é essencialmente o credo que afirma a vida", e trata muito pouco da morte e do mundo pós-morte. (LITTLETON, op. cit., p. 89). Suas cerimônias e ritos comemoram não apenas o cotidiano do indivíduo como nascimento, aniversário e casamento, mas também os da comunidade e da nação (ONO, op. cit., p. 50). Crê-se no xintoísmo que o tama (espírito) por algum tempo ainda exerça influência na vida antes de se tornar um antepassado kami (entidade elevada, deus) da família à qual pertenceu, o que dá raízes identitárias à ancestralidade da família ou do clã. (idem). Alguns se tornavam até mesmo o kami venerado por trabalhadores de sua guilda. (HEARN, 1984, p. 124) Os aprendizes eram introduzidos no trabalho e no culto ao kami de seus colegas (ibidem p.125). Havia profunda identificação entre o trabalho e o Xintô. O carpinteiro vestido como monge xintô, invocava a proteção de deuses e realizava certos ritos ao designar o local de sua obra (idem). O alfageme submetia-se a ritual religioso na confecção de sua espada: "trabalhava vestido como monge, submetia-se a ritos de purificação enquanto trabalhava para obter uma boa lâmina". Seu local de trabalho era protegido pela corda sagrada shimenawa, onde não entrava nem seus familiares e só se alimentava de comida preparada no fogo sagrado. Durante seu trabalho não falava com ninguém, nem mesmo com gente de sua família (idem). O culto extremamente simples, é feito diante de um oratório doméstico (kamidana). Crê-se que os espíritos (kami e ancestrais) protegem sua família e "não deixam de servir ao seu senhor, aos pais, à esposa e aos filhos, como quando estavam ainda em vida" (Hirata apud in BRILLANT et alii, op. cit., p. 183). O kamidana deve estar sempre limpo e imaculado. Oferecem-se geralmente pequenas porções de comida e água; é costume também oferecer coisas de que o morto gostava (ONO, op. cit., p.59). Porta-se como se o familiar venerado estivesse ainda vivo, oferecendo-lhe ou comunicando-lhe promoções, recebimento de salários, diplomas, nascimentos, casamentos e todo fato importante da família, como expressão de agradecimento (idem). Idealmente o ritual deve ser diário, mas não se lhes devotam mais do que os cumprimentos e gentilezas que fazemos quotidianamente aos nossos familiares. As crianças costumam fazer a comunicação no kamidana de suas notas escolares, antes mesmo de exibi-las aos pais (HERBERT, 1964, p. 250). Sobre o culto familiar, discorre Wenceslau: [...]os avós, pelas suas próprias virtudes durante a apagada existência, e pelas propiciações que os vivos lhes tributam, no desempenho dos ritos familiares. Abraço. Davi
quinta-feira, 29 de janeiro de 2026
SANTA RICA DE CÁSSIA - "PADROEIRA DAS CAUSAS IMPOSSÍVEIS"
Cristianismo. Pt.wikipedia.org. SANTA RICA DE CÁSSIA, O.S.A, nascida Margherita Ferri Lotti (Roccaporena, 1381 – Cássia a 22 de maio de 1457), foi uma freira agostiniana da diocese de Espoleto, Itália. Foi beatificada em 1627 e canonizada em 1900 pela Igreja Católica. Após a morte de seu marido, ela se juntou a uma pequena comunidade de freiras, que mais tarde se tornaram agostinianas, onde era conhecida tanto por praticar a mortificação da carne, quanto pela eficácia de suas orações. Vários milagres são atribuídos à sua intercessão, e ela é frequentemente retratada com uma ferida sangrando na testa, o que se entende indicar um estigma [1]. O Papa Leão XIII (1810-1903) canonizou Rita em 24 de maio de 1900. Sua festa é celebrada em 22 de maio. Na cerimônia de sua canonização, ela recebeu o título de "PADROEIRA DAS CAUSAS IMPOSSÍVEIS". Em muitos países católicos, Rita também passou a ser conhecida como padroeira das vítimas de abuso, dos casais em dificuldades matrimoniais, das viúvas e dos doentes. Seus restos mortais repousam na Basílica de Santa Rita de Cássia em Cássia, na Úmbria - Itália. Foi uma pessoa de muita fé e que salvou da peste o cunhado apenas pela oração. Seu marido foi assassinado e seus filhos desejaram vingar-se de sua morte, mas Rita disse que preferiria ver morrer seus filhos a ver "o derramar de mais sangue". História. Santa Rita de Cássia, filha de Antonio Lotti e Amata Ferri Lotti nasceu em Roccaporena em 1381, vivendo e morrendo no período da Idade Média Tardia.[2] Desde criança, a santa demonstrava seu desejo de viver uma vida em Cristo, acreditava no Amor pela Sagrada Família e, por isso, almejava constituir uma família. Seu pai, um juiz de paz, arrumou um casamento entre classes para a filha. No entanto, a moça acreditava que deveria casar por amor [3]. Conheceu no mercado um homem que salvou uma criança. Dias mais tarde o encontrou na casa de sua amiga Mancini e o reconheceu: era Paulo. Paulo também se apaixonou por ela, contudo era filho de Ferdinando Mancini — um dos cavaleiros mais ricos e poderosos da região — que gostaria que seus filhos fizessem casamentos que favorecessem os negócios da família. Ela pediu a intercessão de Jesus, que seu amor fosse possível. Esse é o primeiro milagre: Santa Rita e Paulo casaram-se, mesmo vindo de classes distintas. Do casamento entre Rita e Paulo nasceram dois filhos gêmeos: Giangia como Antonio e Paulo Maria.[4] Em outra versão, o casamento entre Rita e Paulo havia sido arranjando, segundo o costume da época, pelos seus pais, que estavam em idade avançada, a fim de zelar pelo cuidado de Rita,. Embora tivesse o desejo de tornar-se uma irmã consagrada, Rita casou-se com Paolo Mancini, Oficial Comandante da Guarnição de Collegiacone, apelidado de “fiero leone” (leão orgulhoso), em razão de seu gênio impetuoso e forte.[5] Iniciou-se assim o martírio para Rita! Entre lágrimas e dores, suportava tudo com paciência e docilidade, unindo seu calvário ao de Cristo, fugindo da murmuração e confiando em Deus. Teve uma vida conjugal difícil devido aos hábitos da nova família e ao caráter violento do marido. Com seu empenho e orações, conseguiu convertê-lo. Viveram anos como camponeses. Após a morte do marido, vítima de assassinato por traição do chefe do feudo, o pai de Paulo, Ferdinando Mancini (sogro de Santa Rita) levou os garotos para lhes ensinar a batalhar a fim de, posteriormente, vingarem a morte do pai. Na hora da batalha, foram pegos em emboscada. Com o objetivo de protegê-los, a santa os enviou para um convento distante. Contudo, as freiras abrigavam leprosos, que transmitiram sua doença aos filhos da Santa, os quais não sobreviveram. Viúva e sem os filhos, manifesta a vontade de ingressar no mosteiro das irmãs Agostinianas, que só aceitavam jovens solteiras. Ficou muito tempo refugiada na casa dos sogros. Ainda assim, começou a cuidar de doentes de lepra e a curar enfermos. Então, numa noite, Santa Rita dormia, quando ouviu uma voz chamando: Rita. Rita. Rita. Ela abriu a porta e estavam ali, Santo Agostinho (354-430), São Nicolau (270-343) e São João Batista.[6] Eles pediram que ela os seguisse e depois de andarem pelas ruas, os santos desapareceram e Rita sentiu um suave empurrão. Ela caiu em êxtase e, quando voltou a si, estava dentro do mosteiro, estando este com as portas trancadas. Então as freiras não lhe puderam negar a entrada. Rita viveu ali por quarenta anos.[7] Os estigmas em sua testa e sua saúde precária a impediram de se mudar de Cássia. No entanto, diz-se que em 1446 ela queria partir para Roma, para assistir à canonização do pregador agostiniano Nicolau de Tolentino (1245-1305), um de seus santos de devoção. A abadessa se opôs por causa da ferida purulenta em sua testa, mas ela desapareceu na véspera da peregrinação, permitindo que Rita pudesse partir. Ao retornar de Roma, porém, os estigmas reapareceram. Cinco meses antes da morte de Rita, um dia de inverno com a temperatura frígida e um manto de neve cobria tudo, uma parente lhe foi visitar e antes de ir embora perguntou à Santa se ela desejava alguma coisa, Rita respondeu que teria desejado uma rosa da sua horta. Quando voltou a Roccaporena a parente foi à horta e grande foi a sua surpresa quando viu uma belíssima rosa, a colheu e a levou a Rita [8]. Assim Santa Rita foi denominada a Santa da “Rosa” e dos impossíveis. Santa Rita antes de fechar os olhos para sempre, teve a visão de Jesus e da Virgem Maria que a convidavam no Paraíso. Uma freira viu a sua alma subir ao céu acompanhada de Anjos e contemporaneamente os sinos da igreja começaram a tocar sozinhos, enquanto um perfume suavíssimo se espalhou por todo o Mosteiro e do seu quarto viram uma luz luminosa como se fosse entrado o Sol. Era o dia 22 de maio de 1457. Veneração e Santidade. Santa Rita de Cássia foi beatificada 180 anos depois da sua subida aos céus e proclamada Santa após 453 anos da sua morte. Os três milagres necessários que levaram à sua canonização são os seguintes: o perfume agradável que emanava de seu corpo incorruptível; a cura da varíola e a repentina recuperação da visão da jovem Elizabeth Bergamini, que estava há quatro meses no convento de Cássia, pedindo a intercessão da Beata Rita; e, finalmente, a cura completa e repentina de Cosma Pellegrini em 1887, sofrendo de gastroenterite catarral crônica e uma afecção hemorroidária incurável, após ter recebido uma visão da Beata Rita em seu leito de morte [9]. O corpo de Rita, que permaneceu incorrupto ao longo dos séculos, é venerado hoje no santuário de Cascia - Itália, muitas pessoas do mundo todo visitam sua tumba. O corpo está coberto pelo hábito agostiniano costurado pelas freiras do mosteiro, a pedido da abadessa Maria Teresa Fasce (1881-1947), e colocado numa caixa no interior da capela de estilo neobizantino. Os exames médicos realizados em 1972 e 1997, confirmaram a presença, na zona frontal esquerda, de vestígios de uma lesão óssea aberta, talvez devida a osteomielite, enquanto o pé direito apresenta sinais de uma doença de que sofreu nos últimos anos da sua vida, provavelmente ciática. Tinha 1 metro e 57 cm de altura. O rosto, as mãos e os pés estão mumificados; o resto do corpo, coberto pelo hábito agostiniano, tem a forma de um esqueleto simples. O pintor francês Yves Klein havia se dedicado a ela quando criança. Em 1961, ele criou um Santuário de Santa Rita, que é colocado no Convento de Cássia.[10] No centenário da sua canonização, em 2000, o Papa João Paulo II (1920-2005) destacou as suas notáveis qualidades como mulher cristã: ''Rita representou bem o “génio feminino”, vivendo-o intensamente na maternidade, tanto física como espiritual''. Esta foi um exemplo de vida religiosa, com suas orações e suas mortificações. Ela se devotou especialmente a cuidar de irmãs doentes e a aconselhar pecadores. Por 14 anos, até sua morte, trouxe na testa um estigma, associando-se, assim, à paixão de Cristo. São-lhe atribuídos tantos e tão extraordinários milagres que é tida como "advogada das causas perdidas e a santa do impossível". É também protetora absoluta das mães e esposas que sofrem pelos maus-tratos dos maridos.[11] No Brasil, na cidade de Santa Cruz, Estado do Rio Grande do Norte, está localizada a maior estátua católica do mundo, que representa a Santa Rita de Cássia e foi inaugurada em 26 de junho de 2010. Patrocínio. Rita adquiriu a reputação, juntamente com Santa Filomena e São Judas Tadeu, de santa das causas impossíveis [12]. Ela também é padroeira da esterilidade, das vítimas de abuso, da solidão, das dificuldades do casal e do casamento, da maternidade, das viúvas, dos doentes, das doenças corporais e das feridas [13]. No século XX, um grande santuário foi construído para Rita em Cássia - Itália. O santuário e a casa onde Rita nasceu estão entre os locais de peregrinação mais ativos da Úmbria - Itália. Os agostinianos mantiveram o corpo incorrupto de Rita ao longo dos séculos, e ele é venerado hoje no santuário de Cássia [14]. Parte de seu rosto foi ligeiramente reparada com cera. Muitas pessoas visitam seu túmulo todos os anos, vindos de todo o mundo. O Santuário Nacional de Santa Rita de Cássia, na Filadélfia - USA, Pensilvânia, foi construído em 1907 e é um local popular de peregrinação e devoção. A cidade de Santa Cruz, no Rio Grande do Norte, também é uma cidade-santuário de Santa Rita de Cássia. Nessa cidade encontra-se a estátua da santa, a maior estátua católica do mundo.[15] Iconografia. Vários símbolos religiosos estão relacionados a Santa Rita. Ela é retratada segurando um espinho (um símbolo de sua penitência e estigmas) ou coroa de espinhos, segurando um grande crucifixo, geralmente com rosas. Ela também pode ter um ferimento na testa [16]. Ferida na Testa. Quando Rita tinha aproximadamente sessenta anos de idade, ela estava meditando diante de uma imagem de Cristo crucificado. De repente, uma pequena ferida apareceu em sua testa, como se um espinho da coroa que circundava a cabeça de Cristo tivesse se soltado e penetrado sua própria carne. Foi considerado um estigma parcial, e ela carregou esse sinal externo de união com Cristo até sua morte em 1457 [17]. No momento de sua morte, as irmãs do convento banharam e vestiram seu corpo para o enterro. Elas notaram que o ferimento em sua testa permanecia o mesmo, com gotas de sangue ainda refletindo a luz. Quando seu corpo foi exumado posteriormente, notou-se que o ferimento em sua testa ainda permanecia o mesmo, com a luz brilhante refletida nas gotas de sangue. Seu corpo não mostrava sinais de deterioração. Ao longo de vários anos, seu corpo foi exumado mais duas vezes. Em cada vez, seu corpo parecia o mesmo. Ela foi declarada incorruptível após a terceira exumação. Relíquias foram levadas naquela época, como é o costume na Igreja Católica em preparação para a santidade [18). Rosas. Diz-se que perto do fim de sua vida, Rita estava acamada no convento. Ao visitá-la, um primo que vinha de Roccaporena perguntou-lhe se desejava algo de sua antiga casa. Rita respondeu pedindo uma rosa do jardim. Era janeiro, e sua prima não esperava encontrar uma devido à estação. No entanto, quando sua parente foi à casa, uma única rosa desabrochando foi encontrada no jardim, e sua prima a trouxe de volta para Rita no convento [19]. Santa Rita é frequentemente retratada segurando rosas ou com rosas por perto. No dia da sua festa, igrejas e santuários dedicados a Santa Rita oferecem rosas à congregação, que são abençoadas pelo padre durante a missa [20]. Abelhas. Na igreja paroquial de Laarne, perto de Ghent - Bélgica, há uma estátua de Rita na qual várias abelhas são retratadas. Esta representação se origina da história de seu batismo quando criança. No dia seguinte ao seu batismo, sua família notou um enxame de abelhas brancas voando ao seu redor enquanto ela dormia em seu berço. No entanto, as abelhas entraram e saíram pacificamente de sua boca, a qual depositavam-lhe mel sem causar-lhe nenhum dano ou ferimento. Em vez de ficarem alarmadas por sua segurança, sua família ficou perplexa com essa visão. De acordo com Butler, isso foi interpretado como uma indicação de que a carreira da criança seria marcada pela indústria, virtude e devoção [21]. De acordo com seus devotos, as abelhas são como sinais da presença e da intercessão da santa. Na tradição espiritual, as abelhas e o mel simbolizam a 'suave transformação', um relacionamento íntimo com Deus. Em outras palavras, Deus tinha grande afeto por Rita, cuja doçura superava a do próprio mel. Em Cássia - Itália, até os dias de hoje, um grupo de abelhas brancas, que não possuem ferrão, permanece próximo ao muro da igreja e, por meio de uma pequena abertura, voa em direção ao túmulo de Rita [22]. Na Cultura Popular. O pintor francês Yves Klein (1928-1962) dedicou-lhe uma pintura quando criança. Em 1961, ele criou um ex-voto para o Santuário de Santa Rita, que fica no Convento de Cássia [23]. A cantora francesa Mireille Mathieu (1946 - ) adotou Rita como sua padroeira a conselho de sua avó paterna. Em sua autobiografia, Mathieu descreve a compra de uma vela para Rita usando seu último franco. Embora Mathieu afirme que suas orações nem sempre foram atendidas, ela testemunha que elas a inspiraram a se tornar uma mulher forte e determinada [24]. Em 1943, foi feito Rita de Cássia, um filme baseado na vida de Rita, estrelado por Elena Zareschi (1916-1999). A história de Rita aumentou em popularidade devido a um filme de 2004 intitulado Santa Rita da Cássia, filmado em Florença - Itália. O último filme alterou os fatos da infância de Rita [25]. Rita é frequentemente creditada como sendo também a padroeira não oficial do beisebol devido a uma referência feita a ela no filme The Rookie de 2002 [26][27][28]. Abraço. Davi.