Judaísmo. Livro Um Guia para a Sabedoria Oculta da Cabala. Por Muchael Laitman (1946 - ). CABALA - MITOS E VERDADE. Parte VI. Baal HaSulam. O Ponto Principal. O objetivo da Cabala. BaalHaSulam e seus comentários sobre O Zohar e os escritos do Ari. A missão de Baal HaSulam. A urgência em revelar a Cabala. A Cabala nem sempre foi tão popular como é hoje. Quando começou, era o alvo de interesse de apenas um pequeno número de pessoas, que pesquisavam o sentido de suas vidas. Estes primeiros Cabalistas continuaram a desenvolvê-la através das gerações. Adaptando-a para os novos tempos. E assim, a Cabala tornou-se mais científica, como requer nossa geração. Este capítulo apresenta a forma como os textos cabalísticos funcionam e como tem se desenvolvido ao longo dos séculos para fazer sua sabedoria mais disponível e acessível a todos. Em particular, este capítulo aborda o trabalho do mais "universal" de todos os cabalistas: Rav Yehuda Ashlag (1884-1954). Rav Ashlag afirmou claramente que o estudo da Cabala está aberto para todos. E que a Cabala pode ser divulgada, distribuída e ensinada a todos, sem qualquer consideração de idade, raça, sexo ou religião. O Objetivo da Cabala. O objetivo da Cabala é criar um método para que as pessoas se tornem espiritualmente satisfeita. Como você já sabe, Cabala significa "recepção". A finalidade da vida neste mundo é que uma pessoa alcance o mais elevado nível de espiritualidade. Segundo a Cabala, às almas voltam repetidamente a este mundo até que esta meta seja atingida. O objetivo espiritual é diferente das aspirais criativas ou intelectuais. Como descrito no capítulo IV, a busca da espiritualidade é a fase final do desenvolvimento humano. A Cabala orienta e oferece um caminho para esta satisfação espiritual. O que os Livros de Cabala Podem fazer por você, e o que Não Podem. Escritores Cabalistas descrevem suas experiências e propõe recomendações para que outros possam seguir em seu caminho. Os livros de Cabala são relatos de suas viagens no Mundo Superior. Os livros de Cabala também têm desenhos que ilustram conceitos e eventos espirituais. É importante lembrar que as formas dos desenhos não são objetivos reais. Todavia imagens utilizadas para explicar estados espirituais no que se refere ao seu relacionamento com o Criador. Mas os livros de Cabala não lhe mostram o quadro completo. Para realmente saber o que são os mundos espirituais e senti-los, você tem que experimentá-los por si próprio. Cabalistas pensam em si próprios como guias turísticos cujo trabalho é leva-lo até um lugar e deixá-lo se admirar por si próprio. Por isso os textos que foram escritos para ensinar as descrições são parciais. Apenas o que é necessário saber para a espiritualidade, por você mesmo. Estes textos "didáticos" são O Livro do Zohar do Rashbi, A Árvore da Vida do Ari e o Estudo dos Dez Sefirot do Yehuda Aslag. Raiz - de Cima para Baixo. A Cabala explica que as raízes do nosso mundo são raízes espirituais, vindo de cima e não de baixo. As raízes vêm a partir da fonte, que está acimo deste mundo. Imagine raízes crescendo a partir do exterior de uma bolha. Porque você está na bolha, a área de criação, as raízes vêm para você. Elas podem ser consideradas como cordões coloridos de festa pendurados a partir de cima. O principal objetivo desta sabedoria é possibilitar a revelação do Criador para suas criaturas, que somos nós. Cada raiz tem seu próprio ramo neste mundo, e tudo neste mundo é um ramo de alguma raiz na espiritualidade. Desta forma, os Cabalistas, "usam" neste mundo para se comunicar com a Criador. Para aprender seus caminhos, para que possam se tornar como Ele. Para evitar "uma comunicação errada" com o Criador, você precisará saber que ramo se relaciona com que raiz. A chegada do Ari e, em maior medida, a do Rav Aslag, marcou a mudança para uma nova e mais clara terminologia na Cabala. Os Cabalistas descrevem suas experiências internas e intelectuais usando metáforas e linguagem adequada para as almas de seu tempo. De tempos em tempos a linguagem torna-se não clara devido ao desenvolvimento das almas e requer novas explicações. Isto requer que sucessivos cabalistas escrevam interpretações para tornar esta viagem espiritual mais clara e mais acessível para nós. Por isso Rav Ashlag escreveu seu comentário sobre A Árvore da Vida, publicado em seu maior trabalho O Estudo dos Dez Sefirot. Os comentários do Rav Ashlag sobre A Arvore da Vida detalha os estágios, eventos e formas da criação da vida. Originalmente descritos pelo Ari. Ashlag fez uma coisa semelhante com O Livro do Zohar de Rashbi. Ele pegou o texto do Rashbi e o esclareceru em um comentário que ele chamou de HaSulam (A Escala). Por isso Rabbi Yehuda Aslag é também conhecido como Baal HaSlulam ( O Dono da Escada). O Maior Comentador. Nascido em 1884 em Varsóvia - Polônia, Baal HaSulam estudou Cabala com Rabbi Yehoshua de Porsov absolvendo a lei escrita e oral. Tornou-se um juíz e professor em Varsóvia quando tinha 19 anos. Em 1921 emigrou para Israel, então chamada Palestina, com sua família incluindo o seu primeiro filho, Baruch, que o sucederia mais tarde, esse, tornou-se o rabino de Givat Shaul em Jerusalém. Enquanto escrevia muitas outras importantes obras, tais como O Estudo das Dez Sefirot, ele também começou a escrever O Salum. Comentário sobre o Zohar em 1943. Ele terminou apenas 10 anos mais tarde, em 1953. Ele morreu no ano seguinte e foi enterrado em Jerusalém. Baal Hasulam é o único que conseguiu compor os comentários do Zohar por completo e atualizado e dos escritos do Ari. Uma vez que foram escritos primeiros. Seus livros permitem que os Cabalistas estudem textos antigos, em linguagem moderna e são ferramentas indispensáveis pra aqueles que aspiram a alcançar espiritualidade. Em seu artigo: Tempo de Agir" Baal HaSulam conta que antes das impressões gráficas existirem. Quando escribas estavam em voga, ninguém se incomodava em dobrar suas costas pra copiar um livro com euforia já que não valeira pena. O tempo gasto, os custos e as velas de cera. Com o avanço da confecção de livros, teorias e conexões da Cabala foram reforçadas pelos autores, que começaram a publicar facilmente. Com muitas pessoas tentando defini-la, uma atmosfera de frivolidade desenvolveu-se em torno da Cabala. Portanto, o objetivo de Aslag em sua redação era a de revelar o que pudesse da verdadeira essência da Cabala. Na sua Introdução ao Livro do Zohar, Ashlag diz que ele deve escrever livros de Cabala, porque cada geração tem as suas próprias necessidades e, portanto, seus próprios livros. A nossa geração, também precisa de todos os livros que possamos compreender. Uma vez que os livros do Ari foram escritos centenas de anos atrás. O Livro do Zohar escrito quase 2000 atrás, ele tomou sobre si a interpretação deles para nós. Desta forma, podemos chegar a saber o que estes antigos Cabalistas sabiam, e experimentar os mundos espirituais por nó mesmos. A Chamada para o Tempo Certo. Mas a propagação da Cabala está acontecendo hoje não apenas como o resultado do aparecimento de livros incorretos e imprecisos. Ashlag explica na sua Introdução ao Livro do Zohar, e em muitos de seus escritos, que a propagação da Cabala é um dever hoje. Ele Explica que agora é o tempo em que o Profeta Jeremias se referia quando disse: "Porte eles todos deverão Me conhecer, do menor até o maior deles". Podemos tomar o nosso tempo e deixar que isso aconteça naturalmente. Mas Aslag afirma que essa decisão irá custar-nos muito, porque seremos compelidos a evoluir na espiritualidade pela própria natureza. Ele diz que a outra opção é a de estudar o que a natureza quer de nós e fazê-lo. Isto, de acordo com Ashlag, irá não só evitar o sofrimento do qual falava, mas vai nos mostrar como receber os prazeres que o Criador quer nos dar. Cabalistas antigos chamam estas duas opções de "em seu devido tempo" ou "acelerar o tempo". Hoje, de acordo com Ashlag, já não é simplesmente uma "boa ideia" a de compartilhar o conhecimento, é o apleo da hora. Por isso, sem mais delongas vamos mergulhar no coração da sabedoria e seus conceitos. Em Resumo: A Cabala fornece um método para atingir plenitude espiritual. Rav Yehuda Ashlag é creditado por tornar textos antigos e difíceis de ler da Cabala em textos fáceis de interpretar. A Cabala evoluiu para um método de estudo sistemático e científico. A sabedoria da Cabala desaparece e reaparece quando o tempo fica maduro para a sua percepção, e agora chegou o momento. Abraço. Davi.
MOSAICO ESPIRITUAL
quarta-feira, 4 de março de 2026
segunda-feira, 2 de março de 2026
A ANIQUILAÇÃO
Budismo. Livro O Evangelho de Buda. Vida e Doutrina de Sidarta Gautama. Por Yogi Kharishnanda. A ANIQUILAÇÃO. Numa ocasião, muitos cidadãos ilustres se reuniam na Casa do Povo e elogiavam o Buda, o Dharma e o Sangha. Entre eles se encontrava Simha, general dos exércitos reais, que pertencia a seita dos Nirgranthas, que dizia consigo: "Verdadeiramente o Bhagavad deve ser o Buda, o Santo. Quero vê-lo". Simha aproximou-se de Iryaraputra, o chefe da seita e disse-lhe: "Senhor, desejo ir ver o asceta Gautama". Iryataputra respondeu-lhe: Por que você, Simha, sabe que as ações dão seus resultados. Que ver o asceta que ensina aos seus discípulos a doutrina da inação e nega as consequências das ações? Por isso não teve Simha mais tanto desejo de ir ver o Gautama. Porém, como Simha ouvisse novamente enaltecerem o Buda, o Dharma e o Shanga, seu desejo de ir ver o Bem-aventurado foi reavivado. Contudo também dessa vez Iryataputra o dissuadiu. Todavia, pela terceira vez Simha ouviu elogios a grandeza do Buda, do Dharma e do Sangha ficou pensando. Certamente o asceta Gautama deve ser o Santo Buda. Irei vê-lo mesmo sem o consentimento dos Nirgranthas. Simha foi ver o Bhagavad e disse-lhe: Senhor, ouvi dizer que o asceta Gautama nega as consequências das ações ensinando a doutrina da inação. Dizendo que as ações dos homens não recebem recompensas, porque proclama a aniquilação. Responda-me, senhor: É certo que que ensinas que a alma do homem morre e se aniquila? Peço-lhe que me esclareça se os que dizem tal coisa enganam-se ou levantam ou levantam falso testemunho? O Bem-aventurado respondeu-lhe: Em parte, ó Simha, dizem a verdade os que assim falam de mim, mas em outra erram. Ouça-me: eu ensino que não devemos pensar, falar ou agir mal. Ensino que não devemos consentir com os estados de ânimo ou com as sinistras disposições. Ensino que nossos pensamentos, palavras e ações devem ser justas e que devemos estabelecer disposição de ânimo harmônicas. Ensino, ó Simha que se tem que aniquilar os maus pensamentos, palavras e ações. E quem os anula e se livra deles de sorte que jamais rebrotem, aniquila a personalidade. Prego o aniquilamento do egoísmo, da luxúria, do ódio e do erro. Mas não prego o aniquilamento da bondade, da compaixão, do amor e da verdade. Digo que os maus pensamentos, palavras e ações são abomináveis, e que a virtude e a verdade merecem louvor. Se alguns ensinam que o nirvana é a aniquilação da alma, diga-lhes que mentem. Se alguns ensinam que o nirvana é vida separada, diga-lhes que se enganam. Porque ignoram a Verdade, não veem a luz que brilha através de suas lâmpadas partidas. Não sabem que a felicidade está fora da existência do tempo e do espaço. Simha respondeu: Resta ainda uma dúvida na minha mente. O senhor quer dissipá-la de modo que eu possa compreender o Dharma que ensina? O Senhor Buda consentiu e Simha prosseguiu: O Bhagavad, sou soldado e por ordem do rei cumpre-me o dever de respeitar a lei e de combater por ele. Se o Tathágata prega a bondade sem limites, o amor ao inimigo e a compaixão por todos que sofrem, permitirá castigo para os criminosos? Acreditarão que não é lícita a guerra para defender nossos lares, nossas mulheres, nossos filhos e nossas terras? A doutrina da renúncia prescreve que devemos deixar o malfeitor agir a seu bel prazer. Não resistir e deixar que nos roubem o que nos pertence? Acredita o Tathágata que a guerra é ilícita quando promovida por uma causa justa? Ao que Buda respondeu: O Tathagata (O Buda usa esta palavra referindo-se a si mesmo) ensina que o culpado merece o castigo, e o digno de favor deve ser favorecido. No entanto, também ensina que não se deva fazer sofrer nenhum ser vivente, mas ter o coração cheio de amor e compaixão. Esses dois ensinamentos não são contraditórios, porque quem recebe castigo pelos seus crimes não sofre por maldade do juiz. Mas sim, em consequência de sua culpa. Suas más ações lhe acarretaram o mal que lhe impõe o executor da lei. Quando um magistrado castiga, deve estar livre de todo ódio. E o criminoso condenado à morte deve considerar que o seu suplício é consequente do seu crime. Se ele compreender que o castigo lhe purificará a alma, alegrar-se-á da morte. O Tathagata ensina que é deplorável toda guerra entre os homens. Porém não condena os que guerreiam por uma causa justa. Depois de haver esgotado todos os meios para manter a paz. O causador da guerra merece execração - aversão, desprezo. O Tathagata ensina a total renúncia à personalidade, contudo não ensina que a pessoa se entregue as potestades sinistras. Deve haver luta entre a individualidade e a personalidade, pois a luta é a vida terrena. No entanto, o combatente deve abster-se lutar contra a verdade e a justiça, no interesse de sua personalidade. Aquele que luta pelo interesse egoísta de celebridade, grandeza, poder ou riqueza, não receberá recompensa. Mas o que combate pela justiça e a verdade, receberá o galardão, porque será vitorioso, mesmo que sofra alguma derrota transitória antes do triunfo final. O egoísmo não é o recipiente adequado para o êxito, porque a personalidade é frágil e pequena. Pelo contrário, a individualidade é capaz de conter as aspirações nobres de suas personalidade sucessivas. Quando uma personalidade se rompe como uma bolha de sabão. O seu conteúdo harmônico se identifica com a individualidade universal. Quem vai a guerra, ó Simha, mesmo por uma causa justa, está exposto a morrer nas mãos do inimigo, porque esse é o destino dos guerreiros. Porém, o vencedor deve pensar na relatividade das coisas humanas. Brilhante pode ser sua vitória, no entanto, a roda da fortuna pode girar e transformar a vitória em derrota. Todavia, alcançará eterna vitória se extinto o ódio em seu coração se aproximar do vencido e dizer-lhe: Vem agora, façamos as pazes e sejamos irmãos. Grande é um general vitorioso, ó Simha, porém maior é quem vence a sua personalidade. A lei da vitória sobre a personalidade não é pregada para aniquilar a alma dos homens e sim para preservá-la. O que venceu a sua personalidade está mais apto para alcançar o triunfo eterno. Do que quem continua escravo da personalidade. Lute, pois, com coragem, ó Simha. Combatendo com esforço marcial nas batalhas, todavia seja um soldado da verdade e o Tathagata o abençoará. Simha tornou: Glorioso Senhor, Senhor Gloriosíssimo. O Senhor nos revela a Verdade. Magna é a doutrina do Bendito. Certamente o Senhor é o Buda. O bem-aventurado, o Santo. É o Instrutor da humanidade, que nos ensina o caminho da libertação. Quem o seguir, terá luz no caminho. Encontrará paz e santidade. Senhor, eu me refúgio no Bhagavad, na Lei e na Ordem. Digne-se a aceitar-me por teu discípulo, até o fim de meus dias, me refugindo no Senhor. E o Bem-aventurado lhe disse: Considere antes ó Simha, o que você vai fazer. Convêm que as pessoas de sua categoria não façam nada sem uma reflexão madura. A fé de Simha aumentou, dizendo ao Bem-aventurado: Senhor, se outros Mestres conseguissem tornar-me discípulo deles. Levariam em procissão seu estandarte pela cidade de Vaisali, gritando: Sinha, o general dos exércitos do rei, já é nosso discípulo. Pela segundo vez, eu digo, ó Senhor, que me refúgio no Buda, no Dharma e na Sangha. Digne-se a receber-me por discípulo, a partir de hoje e até o fim de meus dias. Porque me refugio no Senhor. E o Buda lhe respondeu: Durante muito os Nirgranthas receberam oferendas em suas casas. É justo que doravante você não negue sua esmola a eles. Alegre e feliz, Simha replicou: Senhor, eu ouvira dizer: O asceta Gautama ensina que só a ele e aos seus discípulos deve ser dada esmola. Todavia, o Senhor me exorta a que também a dê aos Nirgranthas. Por mais esse motivo me refúgio no Buda, na Lei e na Ordem. Abraço. Davi.
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026
SANTA TERESA DE JESUS
Cristianismo. Pt.wikipedia.org. Teresa dʼÁvila, O.C.D., conhecida como SANTA TERESA DE JESUS. (Gotarrendura, 28 de março de 1515 – Alba de Tormes, 4 de outubro de 1582),[5] nascida Teresa Sánchez de Cepeda y Ahumada, foi uma freira carmelita, mística e santa católica do século XVI, importante por suas obras sobre a vida contemplativa e espiritual e por sua atuação durante a Contrarreforma. Foi também uma das reformadoras da Ordem Carmelita e é considerada cofundadora da Ordem dos Carmelitas Descalços, juntamente com São João da Cruz (1542-1591). Em 1622, quarenta anos depois de sua morte, foi canonizada pelo papa Gregório XV (1554-1623). Em 27 de setembro de 1970, Paulo VI proclamou-a uma Doutora da Igreja e reconheceu seu título de Mater Spiritualium (Mãe da Espiritualidade), em razão da contribuição que a santa proporcionou à espiritualidade católica.[6] Seus livros, inclusive uma autobiografia ("A Vida de Teresa de Jesus") e sua obra-prima, "O Castelo Interior" (em castelhano: El Castillo Interior), são parte integral da literatura renascentista espanhola e do corpus do misticismo cristão. Suas práticas meditativas estão detalhadas em outra obra importante, o "Caminho da Perfeição" (Camino de Perfección). Depois de sua morte, o culto a Santa Teresa se espalhou pela Espanha durante a década de 1620 principalmente durante o debate nacional pela escolha de um padroeiro, juntamente com Santiago Matamoros. Primeiros anos. Teresa de Cepeda y Ahumada nasceu em 1515 em Gotarrendura, uma aldeia na província de Ávila, no Reino de Castela. Seu avô paterno, Juan Sánchez, era um marrano (um converso ou descendente de judeu converso) e foi condenado pela Inquisição espanhola por ter supostamente retornado à fé judaica. Seu pai, Alonso Sánchez de Cepeda, comprou um título cavaleiro e conseguiu com sucesso ser assimilado pela sociedade católica. A mãe de Teresa, Beatriz de Ahumada y Cuevas,[7] era especialmente dedicada à missão de criar a filha como uma piedosa cristã. Teresa era fascinada por relatos sobre vidas de santos e fugiu aos sete anos com seu irmão mais novo Rodrigo para tentar conseguir seu martírio entre os mouros. Seu tio conseguiu impedi-los por sorte ao vê-los já fora das muralhas quando voltava de outra cidade.[8] A morte de Beatriz quando Teresa tinha apenas quatorze anos provocou-lhe uma tremenda tristeza que estimulou-a abraçar ainda mais a devoção à Virgem Maria como sua mãe espiritual. Porém, ela adquiriu também um interesse exagerado na leitura de ficções populares, principalmente novelas de cavalaria, e um renovado interesse em sua própria aparência.[9] Na mesma época, foi enviada como interna para uma escola de freiras agostinianas em Ávila,[10] o Convento de Nossa Senhora da Graça. Pouco depois, piorou de uma enfermidade que começara a molestá-la antes de professar seus votos e seu pai a retirou do convento. A irmã Joana Suárez acompanhou Teresa para ajudá-la. Os médicos, apesar de todos os tratamentos, deram-se por vencidos e a enfermidade, provavelmente malária, se agravou. Teresa conseguiu suportar o sofrimento, graças a um livro devocional que lhe fora dado de presente por seu tio Pedro, "O Terceiro Alfabeto Espiritual", do Padre Francisco de Osuna (1492-1541). Esta obra, seguindo o exemplo diversas outras de místicos medievais, consistia de instruções para exames de consciência, para auto concentração espiritual e contemplação interior (técnicas conhecidas no jargão místico como oratio recollectionis ou oratio mentalis). Teresa também fazia uso de outras obras ascetas como o Tractatus de oratione et meditatione de São Pedro de Alcântara, talvez muitas das obras nas quais Santo Inácio de Loyola (1491-1556) baseou seus "Exercícios Espirituais" e possivelmente os próprios "Exercícios". Teresa seguiu as instruções da obra e começou a praticar a oração mental. Finalmente, após três anos, ela recuperou a saúde e retornou diretamente para tomar o hábito no Carmelo. Teresa conta que durante sua enfermidade, ascendia do estágio mais baixo, da "oração mental", ao de "oração do silêncio" ou mesmo ao de "devoções de êxtase", que era um de união perfeita com Deus (veja abaixo). Durante este estágio final, Teresa conta que experimentava com frequência uma rica "benção de lágrimas". Conforme a distinção católica entre pecado mortal e venial foi se tornando clara para ela, passou também a compreender o terror profundo do pecado e a natureza do pecado original. Em paralelo, conscientizou-se de sua própria impotência em confrontar o pecado e certificou-se da necessidade da sujeição absoluta a Deus. O quarto - "devoção do êxtase ou arrebatamento" - é um estado passivo no qual o sentimento de estar num corpo desaparece (veja II Coríntios 12:2–3). A atividade sensorial cessa, a memória e a imaginação também são absorvidas em Deus ou são "intoxicadas". Corpo e espírito sofrem de uma dor doce e feliz, que alterna entre um tenebroso brilho, uma completa impotência e inconsciência, uma sensação de estrangulação ou, às vezes, de um voo extático tão intenso que o corpo literalmente se ergue no espaço. Estes efeitos, depois de meia-hora, são seguidos por um relaxamento completo de algumas horas num estado parecido com um desmaio, no qual todas as faculdades [mentais] desaparecem na união com Deus.[17] Em seguida, o sujeito acorda aos prantos, o clímax da experiência mística, o que produz um transe. Tradições piedosas relatam que Teresa, como São Francisco de Assis (1182-1226), foi vista levitando durante a missa mais de uma vez. Teresa é uma das mais importantes autoras sobre a oração mental e sua posição entre os autores da teologia mística é única. Em todas as suas obras sobre o tema, ela relata suas próprias experiências pessoais, que, ajudada por sua profunda perspicácia e capacidade analítica, explica de forma clara. Sua definição de "oração contemplativa" foi utilizada pelo Catecismo da Igreja Católica: "Oração contemplativa, na minha opinião, é nada mais que um compartilhamento íntimo entre amigos; significa dedicar tempo com frequência para estar sozinho com aquele que sabemos que nos ama".[20] Reconhecimentos. Teresa foi beatificada em 24 de abril de 1614 pelo Papa Paulo V (1550-1621) e canonizada em 12 de março de 1622 por Gregório XV (1554-1623). É conhecida como Santa Teresa de Jesus. Em 1617, os Tribunais de Castela, a pedido dos devotos de Teresina, declararam padroeira da Espanha e das Índias. No entanto, os jacobinos apelaram que Santa Teresa ainda não havia sido canonizada e defendiam que o patrono da Espanha era Santiago, desde tempos imemoriais e principalmente da invasão muçulmana. Por isso se tornou Co patrona. Em 1627, apenas cinco anos após a canonização, a Santa Sé reiterou o título de Co patrona. Juntamente com o Senhor Santiago El Mayor e a Imaculada Conceição (padroeira e imperatriz da Espanha e das Índias), sua celebração se tornou uma das três principais na corte hispânica. O culto de Santa Teresa foi tão forte nas Índias, que o rei Felipe IV em 1640, por carta real, foi proclamado por Copatrona da Capitania Geral do Reino da Guatemala, solicitando celebrar seu partido como um dos quatro principais (ao lado dos da Concepcion limpa, Santiago e Santa Cecília) na cidade, cabeça e coração do povo colonial da América Central. Com a transferência da Cidade, Independência e a fundação da República, Santa Teresa tornou-se Co patrona da República e Iglesia da Guatemala. Foi nomeada doutora honoris causa pela Universidade de Salamanca e posteriormente nomeada patrona dos escritores. No entanto, a Igreja Católica como instituição não reconheceu oficialmente o ensino da vida espiritual realizada por Santa Teresa de Jesus, nem seu doutorado na Igreja. Várias tentativas foram feitas nesse sentido, a última em 1923. O motivo da rejeição foi sempre o mesmo: "obstat sexus" (o sexo o impede).[21] Finalmente, em 27 de setembro de 1970,[22] Santa Teresa de Jesus tornou-se (juntamente com Santa Catarina de Siena) a primeira mulher levantada pela Igreja Católica ao status de Doutor da Igreja, sob o pontificado de Paulo VI (1897-1978).
- Além destas, há também "As Cartas (Las Cartas; Saragossa, 1671), as correspondências de Teresa, da qual restaram 342 cartas completas e fragmentos de outras 87. A prosa de Teresa é marcada de uma graça sem afetações, de esmerada ornamentação e de um encantador poder expressivo, qualidades que a colocam no primeiro escalão da literatura espanhola; Finalmente, seus raros poemas estão reunidos em "Todas as Poesias" ("Todas las poesías", Munster, 1854) e se distinguem pela ternura e pelo ritmo. O poema moderno "Vós Sois as Mãos de Cristo", embora seja amplamente atribuído a Teresa,[26][27] não aparece em suas obrasː[28]
“ | Cristo não tem atualmente sobre a terra nenhum outro corpo se não o teu; Nenhumas[b] outras mãos senão as tuas; Nenhuns[b] outros pés senão os teus... Vós sois os olhos com que a compaixão de Cristo deve olhar o mundo; Vós sois os pés com que Ele deve ir fazendo o bem, Vós sois as mãos com que Ele deve abençoar os homens de hoje... |
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026
OS ANALECTOS - LIVRO III
Confucionismo. www.rl.art.br. OS ANALECTOS – LIVRO III. Texto de Confúcio (551 a.C. 479). 1. Confúcio disse da família Chi: “Eles usam oito fileiras de dançarinas cada um para performances no jardim. Se isso pode ser tolerado, o que não pode ser tolerado?”. 2. As Três Famílias recitavam o yung quando as oferendas sacrificiais estavam sendo retiradas. O Mestre disse: Como plateia figuravam os grandes senhores. Em dignidade solene estava o imperador. Que aplicação isso pode ter nos salões das Três Famílias?” 3. O Mestre disse: “O que pode um homem fazer com os ritos se ele não é benevolente? O que pode um homem fazer com a música se ele não é benevolente”? 4. Lin Fang perguntou sobre o fundamento dos ritos. O Mestre disse: “Uma nobre pergunta, de fato! Com os ritos, é melhor pecar pela simplicidade do que pela extravagância; em matéria de luto, é melhor pecar pela tristeza do que pela formalidade”. 5. O Mestre disse: “Tribos bárbaras com seus líderes são inferiores aos reinos chineses sem líderes”. 6. A família Chi estava indo fazer sacrifícios para o monte T’ai . O Mestre disse para Jan Ch’iu: “Você não pode impedi-los?”. “Não, não posso.” O Mestre disse: “Oh! Mas quem pode imaginar que o monte T’ai desconhece os ritos assim como Lin Fang?”. 7. O Mestre disse: “Não há competição entre cavalheiros. O mais próximo disso é, talvez, no tiro com arco. No tiro com arco eles se curvam e dão lugar um para o outro quando iniciam e, ao terminarem, bebem juntos. Até mesmo a maneira com que competem é cavalheiresca”. 8. Tzu-hsia perguntou: “Seu encantador sorriso com covinhas. Seus belos olhos esgazeando, Padrões de cores em seda lisa. Qual o significado de tais linhas?”. O Mestre disse: “As cores são acrescentadas após o branco”. “E a prática dos ritos também vem depois?” O Mestre disse: “É você, Shang, quem iluminou o texto para mim. Apenas com um homem como você é possível discutir as Odes”. 9. O Mestre disse: “Posso falar sobre os ritos de Hsia, mas o reino de Ch’i não preservou evidências suficientes; posso falar sobre os ritos de Yin, mas o reino de Sung não preservou evidências suficientes. Isso é porque não há registros suficientes nem homens de erudição. Não fosse assim, eu poderia sustentar o que digo em evidências”. 10. O Mestre disse: “Não quero assistir à parte do sacrifício ti que vem depois da libação de abertura ao personificado”. 11. Alguém perguntou sobre o significado do sacrifício ti. O Mestre disse: “Não é algo que eu entenda, pois quem entender terá capacidade para gerenciar o império com tanta facilidade quanto se o tivesse aqui”, apontando para a palma da mão. 12. “Sacrifício presente” diz-se que significa “sacrifique aos deuses como se os deuses estivessem presentes.” O Mestre, entretanto, disse: “Amenos que eu participe do sacrifício, é como se eu nada tivesse sacrificado”. 13. Wang-sun Chia disse: “Melhor homenagear o fogão da cozinha Do que o canto sudoeste da casa. O que isso significa?”. O Mestre disse: “O ditado está errado. Quando você ofende o Céu, não adianta voltar suas preces para nenhum outro lugar”. 14. O Mestre disse: “A cultura de Chou resplandece, tendo o exemplo de duas dinastias anteriores. Sou a favor dos Chou”. 15. Quando o Mestre entrou no Grande Templo, ele fez perguntas sobretudo. Alguém observou: “Quem disse que o filho do homem de Tsou entendia os ritos? Quando ele entrou no Grande Templo, ele fez perguntas sobretudo””. O Mestre, ao ouvir isso, disse: “Fazer perguntas é, em si, o ritual correto”. 16. O Mestre disse: “No tiro com arco, o objetivo não reside em perfurar o alvo pela razão, que a força varia de homem a homem. Essa era a ideia na Antiguidade”. 17. Tzu-kung queria libertar a ovelha sacrificial no anúncio da lua nova. O Mestre disse: “Ssu, você está relutando em se desfazer do valor da ovelha, mas eu reluto em ver o fracasso do ritual”. 18. O Mestre disse: “Você será visto pelos outros como alguém bajulador se observar cada detalhe dos ritos ao servir o seu senhor”. 19. O duque Ting perguntou: “De que modo o governante deveria empregar o serviço dos seus ministros? Qual o modo com que um ministro deveria servir ao seu governante?”. Confúcio respondeu: “O governante deveria empregar o serviço dos seus ministros de acordo com os ritos. Um ministro deveria servir o seu governante dando o melhor de si”. 20. O Mestre disse: “No kuan chü [49] há alegria sem futilidade, e tristeza sem amargura”. 21. O duque Ai perguntou a Tsai Wo sobre o altar de sacrifício ao deus da terra. Tsai Wo respondeu: “Os Hsia usavam o pinho, os Yin usavam o cedro, e os homens de Chou usavam castanheira (li), dizendo que fazia o povo tremer (li)”. O Mestre, ouvindo a resposta, comentou: “Não se explica o que já está feito, não se discute sobre o que já foi realizado, e não se condena o que já passou”. 22. O Mestre disse: “Kuan Chung era, de fato, um vassalo de pouca capacidade”. Alguém observou: “Kuan Chung era frugal, então?”. “Kuan Chung mantinha três estabelecimentos independentes, cada um com uma equipe própria. Como poderia ele ser chamado de frugal?” “Nesse caso, Kuan Chung entendia os ritos?” “Governantes de reinos erigem anteparos de tela para seus portões; Kuan Chung também erigia tal anteparo. O governante de um reino, quando recebe o governante de outro reino, tem um suporte especial para descansar sua xícara; Kuan Chung igualmente tinha tal suporte. Se até Kuan Chung entendia os ritos, quem não os entende?” 23. O Mestre conversou sobre música com o grande musicista de Lu, dizendo: “Isso é o que se pode saber sobre música. Começa sendo tocada em uníssono. Quando flui totalmente, é harmoniosa, límpida e contínua. Desse modo chega à conclusão”. 24. O fiscal de fronteira de Yi requereu uma audiência [com Confúcio], dizendo: “Nunca me foi negada nenhuma audiência por um cavalheiro que tenha vindo aqui”. Os acompanhantes o apresentaram (a Confúcio). Quando saiu, o oficial disse: “Estão preocupados, cavalheiros, com a perda do cargo? O Império há muito não segue o Caminho. O Céu vai usar o Mestre de vocês como o badalo de um sino”. 25. O Mestre disse, sobre shao, que era perfeitamente linda e perfeitamente boa e, sobre wu, que era perfeitamente linda, mas não perfeitamente boa. 26. O Mestre disse: “O que posso achar digno de nota em um homem a quem falta tolerância quando em uma alta posição, a quem falta reverência quando realiza os ritos e a quem falta tristeza quando em luto?”. www.rl.art.br. Abraço. Davi
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026
XINTOISMO. MITOLOGIA E INFLUÊNCIA. Parte IV
Xintoísmo. bushidor.com. XINTOÍSMO. MITOLOGIA E INFLUÊNCIA na formação da cultura e o caráter do povo japonês. Parte IV. [...]. Os avós, pelas suas próprias virtudes durante a apagada existência, e pelas propiciações que os vivos lhes tributam, no desempenho dos ritos familiares, alcançam a bem-aventurança; e os seus espíritos agradecidos pagam em afetuosa proteção os cuidados rituais que se lhes votaram, guiando os vivos nos seus passos sobre a terra, aplanando as dificuldades, encaminhando os também para a bem-aventurança esperada. Vive-se, pois, pode dizer-se, para morrer; e morre-se para viver (MORAES, 1924, p. 82-83). À família imperial cabe-lhe outros rituais como o Niinamesai, a comunicação da maioridade e assunção do título de príncipe herdeiro. O imperador deve reportar periodicamente à deusa Amaterasu, no santuário de Ise, os principais acontecimentos do país (HERBERT, 1964, p. 250). A maioria dos casamentos são celebrados no ritual xintoísta e as cerimônias fúnebres, no budista. O jesuíta português Luís Almeida ao visitar o Japão em 1565, observou: "os japoneses rezam aos kami (divindades) pedindo longevidade, saúde, riqueza, fama e todos os outros benefícios terrenos, voltando-se, no entanto, para Hotoke (Buda) para implorar a sua salvação religiosa pessoal", característica da religiosidade desse povo que permanece ainda atualmente (YUSA, 2002, p. 17). Poucos são os que optam por enterrar seus mortos em cemitérios xintoístas, preferindo a cremação. Enquanto o xintoísmo é otimista e está ligado a festivais, o budismo acabou assumindo o papel de oficiante dos funerais. Isso deve-se à proibição da presença de cadáveres nos santuários - local dedicado exclusivamente aos kami - e a falta de hábito de ritos funerários dos monges xintoístas - também de dedicação exclusiva aos kami - , devendo qualquer outro assunto ser tratado fora do santuário (ONO, op. cit., p. 110). A dinastia Tokugawa (1603-1867), com a perseguição aos cristãos, ordenou que os sepultamentos fossem realizados apenas por monges budistas (idem). Tida como a religião da natureza, o xintoísmo é a religião que comemora os fatos da vida, celebra e vivifica-os em rituais de renovação: a colheita, as estações do ano, os festivais, adquirindo por esse motivo o ar alegre e festivo das comemorações da comunidade, chamadas matsuri. No Xintô a vida vivida em comunhão com a vontade divina está protegida (ONO, op. cit., p. 50); por isso, o mundo é bom, uma dádiva dos deuses ao qual o homem deve responder com gratidão à sua família, a seus ancestrais e ao kami, assumindo "suas obrigações com a sociedade e contribuindo para o desenvolvimento de tudo que lhe foi confiado" (ibidem p. 103). A vida quotidiana é considerada como um serviço para o kami, isto é, o matsuri (idem). Intimamente ligado à natureza, que se renova visivelmente a cada estação, a renovação se dá também na reconstrução dos santuários no Parque de Ise, na província. É a mais importante cerimônia do xintô que ocorre em 23 de novembro quando o imperador, como sacerdote supremo do xintô, em nome do povo japonês, partilha arroz novo e saquê branco e preto com a deusa Amaterasu. (HERBERT, 1964, p. 71) 20 .de Mie. Desde o ano 690 no reinado da imperatriz Jito (686-697) os santuários são reconstruídos a cada 20 anos, poucas vezes interrompida por guerras ou dificuldades financeiras da família imperial. (ibidem p. 28). Para essa reconstrução, chamada de sengu, são utilizadas 130 mil árvores de hinoki (cipreste japonês) de 200 anos, (ibidem p. 29) para que "a deusa do sol, Amaterasu (a divina ancestral da casa imperial) e a deusa da colheita, Toyouke, adquiram renovado vigor, garantindo a vitalidade da linha imperial e da cultura do arroz, sem os quais seria impossível a sobrevivência da nação"(LITTLETON, op. cit., p.62-63). As peças dos santuários desconstruídos são utilizadas para construção de outros santuários (idem). A última reconstrução se deu em 1993, o que indica este ano de 2013 como a próxima reconstrução (idem). A pureza no Xintô. Para o Xintô “a vida só tem sentido e só encontra o seu verdadeiro estado na pureza, e a vida que perde a sua pureza não agrada às divindades e transforma-se assim numa vida anti xintoísta cheia de pecados, de manchas e de desgraças”(ROCHEDIEU, op. cit., p. 60). As cerimônias de início de atividade – inaugurações em geral – festivais populares ou torneios esportivos geralmente são precedidos por ato de purificação. A purificação diz respeito não apenas ao corpo, mas também ao espírito. Para os xintoístas, a purificação é o ato cerimonial mais importante pois é o que aproxima nosso espírito do espírito puro dos deuses e para alguns é o que permite atingir a Realidade Última, porém, esta união só se dá na presença de um coração puro e claro (ROCHEDIEU, op. cit., p. 61). Para o Xintô, os ritos e a liturgia são elementos secundários diante da importância que assume a atitude de se manter claro e puro o coração (idem). Nos santuários xintoístas está disposta invariavelmente uma pia com água corrente, servida por uma concha de bambu para a higiene da boca e das mãos, antes de o fiel entrar no santuário. Purifica-se o corpo externa e internamente antes de entrar na presença dos deuses (LITTLETON, op. cit., p. 61-62). Para a purificação é preciso que ocorra: (ROCHEDIEU, op. cit., p. 97-100)- a vontade e o poder divino que purifica e- o esforço do homem que busca a purificação. A mancha atrai os maus espíritos e faz o homem dependente destes. São ritos de purificação: 1. O harai – destinado a limpar as manchas advindas do mal cometido. 2. O misogi – destinado a remover as impurezas advindas de outros males que não as de cunho moral como por exemplo, contato com coisas impurezas como o cadáver. Usa-se em geral a água como elemento purificador. Mais do que o rito de purificação, o misogi abrange “todo o processo de disciplina mental”. 3. O imi – refere-se a observância de condutas de purificação com evitar a ingestão de certos alimentos, ações e contatos com o intuito de se preservar a pureza total do culto. Neste estado de imi devem estar não apenas o oficiante, mas também os encarregado da preparação da cerimônia. É proibido ainda como atos preparatórios para o imi, ouvir música, ingestão de bebidas alcoólicas ou de alimentos que não tenham sido cozidos em fogo puro e ocupar-se de atividades que causem preocupação, fadiga ou sofrimento. Acredita-se que o homem receba avisos do descontentamento dos deuses quanto à sua conduta, devendo então empregar todos os seus esforços para recuperar seu estado normal de pureza. São faltas ou más condutas: (SIEFFERT, op. cit., p. 12) 1. O tsumi – atitude em que há vontade deliberada de praticar o mal. 2. O wazawai – é a desgraça, a provação e a calamidade, cuja ocorrência independe da vontade; 3. O kegari – a impureza, a mancha ocasionada pelos fatores já vistos. Apenas o tsumi é de inteira responsabilidade individual, havendo, entretanto, responsabilidade na conduta por negligência ou imprudência se formos abatidos por tsumi ou kegari. De fato, mesmo inconscientemente, a invasão de território proibido, de domínio do kami constitui tsumi, adverte Sieffert que, melhor esclarece o conceito de tsumi, desconsiderando o que o Ocidente geralmente traduz por pecado ou falta: é "a transgressão de certos limites nem sempre formalmente proibidos nem definidos, mas carregados de um potencial mágico perigoso devido à simples presença de um kami" (idem). Carregar no corpo ou na alma qualquer das faltas, torna-nos inapropriados para entrar nos santuários, devendo o fiel, antes, realizar a purificação da boca e das mãos com água corrente disposta na entrada chamada temizuya (ONO, op. cit., p. 34). Na época dos samurais, antes dos combates, alguns se purificavam com essa água, vertendo-a também na lâmina de suas espadas. Entre os atos que chocam a sensibilidade e que não se aplicam apenas às más ações, está o cortar a pele viva ou morta, do homem ou de animais, daí serem considerados impuros o manejo do sangue e de seres mortos, ou ainda infligir cortes e perfurações na pele como as tatuagens ou piercings. O corpo, assim como as vestimentas, deve ser puro, sem mácula (GRIFFIS, op. cit., p. 85). Nos banhos públicos há avisos proibindo a entrada de pessoas alcoolizadas ou tatuadas. São impuros o ofício do açougueiro ou do coveiro, geralmente executados por párias. O parto, a doença, o moribundo e o doente terminal são considerados impuros. William Elliot Griffis (1843-1928) relata que no Japão antigo eram construídas cabanas para parturientes ou moribundos que eram depois queimadas, finalizadas o uso (GRIFFIS, op. cit., p. 85). Perverso costume que penalizava a parturiente e o doente, quando mais precisavam de cuidados e apoio. Esse costume permaneceu ainda em algumas regiões do Japão até 1878 (idem). Nota-se o cuidado com a limpeza em todos os lugares: nos locais públicos, nas casas, nas escolas, onde desde pequenas as crianças aprendem a cuidar da limpeza da classe e das dependências da escola. Discorrendo sobre o que via, o português Wenceslau de Moraes escreve, surpreso, observando as ruas de um Japão ainda de vida pacata: "muito limpas; são os moradores que as varrem, com escrúpulos de minúcia, cada qual na parte que fica em frente à sua casa; o ofício de varredor municipal é desconhecido no Japão" (MORAES, op. cit, p. 75). E em outro trecho: "pode-se dizer que, na habitação japonesa, o principal luxo, muitas vezes o único, é a limpeza; mas esta tão requintada, que embriaga!..." (ibidem p. 77). Ainda nos dias de hoje, curiosamente o Japão não tem varredores nem lixeiras nas ruas, mesmo nas grandes cidades como Tóquio. Sujar lugar público é desrespeitar o próximo que também utiliza o espaço. Manchar ou ferir nosso corpo, cortando, perfurando, ferindo ou ministrando-lhe drogas que desvirtuem sua natureza, isto é, tudo que nos desvie de um comportamento bom, respeitoso, contrário, segundo um teólogo xintoísta, “ao que foi desejado pelo espírito divino” – significação de nossa vida terrestre - , significa ser desrespeitoso com a divindade que em nós habita. Assim também, uma conduta que ofenda nosso próximo por palavras, ações ou pensamentos, mostra a mácula do espírito, o distanciamento do natural Caminho. O espírito ofensor está duplamente em falta: consigo e com a divindade que está abrigada no próximo. É mancha que lançamos ou permitimos que se lance sobre nós, obstando a volta ao estado natural, vale dizer, de retornarmos ao estado de bons, de retornarmos ao Caminho. Wenceslau relata-nos sua surpresa quanto à língua japonesa: Neste momento, deixemos assomar, se nos apraz, aos lábios um sorriso, como único comentário; mas sorriso benevolente, de simpatia por esta gramática japonesa, a mais cortês de todas as gramáticas conhecidas. De fato, resulta pelo menos uma vantagem evidente; na língua japonesa não existem palavras insultuosas, obscenas; o termo mais rude que um japonês pode proferir é baka, imbecil. A gramática nipônica faz-nos lembrar uma corte 23 .atarefada, meticulosa, na qual os cortesãos em chusma - substantivos, adjetivos, advérbios, verbos, posposições e todo o resto - palpitam, rodopiam incessantemente em mesuras, em cortesias, em requebros, em reverências, seguindo regras de precedência da mais complicada pragmática imaginável, ou antes inimaginável...[...] e a língua japonesa é incontestavelmente uma das mais belas línguas hoje faladas, como também uma das mais difíceis (ibidem p. 40-41). As ações do Xintô, os ritos de purificação e as ideias de mácula procuram alcançar um ideal de pureza corporal e espiritual, destacando-se o esforço ao retorno do “estado normal”, isto é, estado divino, estado de bom. Corolário natural desta concepção, para o xintoísmo não somos maus, apenas estamos mau. Estar nesse estado é estar impuro, com o coração manchado, anuviado; é afastarmo-nos da nosso verdadeiro Eu ou permitir que nos afastem. O homem não é responsável pelos males que se abatem sobre sua vida, salvo aqueles produzidos por sua voluntária conduta, mas é somente sua a responsabilidade de viver uma vida reta, honesta, ética e clara, como é o desejo dos deuses. A Natureza e o senso estético no Xintô Se observarmos as fases de desenvolvimento por que passaram as religiões, é de indubitável conclusão o primitivismo do Xintô, a fase ainda "das ideias infantis" dessa religião como afirma Griffis (GRIFFIS, op. cit., p. 69). "Estagnado" nessa fase de desenvolvimento, a Natureza - por força da crença de que os homens, a Natureza e os deuses, provêm de um único ancestral - é objeto de profunda apreciação, respeito e inúmeros festivais por todo o país. A comunhão com o divino e com a própria Natureza se funde num único sentimento, assim descrito emocionadamente por Rochedieu: [...] o Japão sabe conservar certos lugares unicamente pela beleza, e é muitas vezes surpreendente e comovedor para o Ocidental ver nos parques grandes templos, ou simplesmente presenciar num jardim público um pai acompanhado do filho parar em silêncio ao pé de um lago, de uma pequena ponte, de uma cascata ou das flores e ter uma atitude de recolhimento porque, para o japonês, a comunhão com o divino obtém-se as mais das vezes através da união de todo o seu ser com as belezas naturais, com obras de arte selecionadas, com a harmonia que emana de um monumento. Não é o valor ou a grandeza da matéria utilizada que cria a beleza, mas o amor com que o artista debruça sobre a sua obra, nela trabalhando por vezes durante anos, mas incutindo desse modo, no objeto que cinzela ou no quadro que pinta, algo da sua alma, algo de si próprio, e esse algo que procura transmitir através da obra de arte é sempre aquilo que de melhor há em si (ROCHEDIEU, op. cit., p.37). A beleza natural é fundamental para a veneração dos kami nos santuários, independentemente do kami aí cultuado. Segundo Ono, é esse refinado senso estético da beleza que enleva o homem, conduzindo-o do mundo profano ao sagrado, que o faz 24 .experienciar o viver em comunhão com "o alto e profundo mundo do divino" (ONO, op. cit., p. 97). As leis xintoístas não provêm de um deus único, dado aos homens por revelação como nas grandes religiões do Ocidente. São descobertas dentro da Natureza onipresente, encantadora e ao mesmo tempo mística que se lhe mostra. A Natureza não é hostil como na mitologia judaico-cristã que expulsa o homem do Paraíso; pelo contrário, ela existe abençoada pelos deuses e se desenvolve com harmonia e cooperação (ibidem p. 103). É, portanto, dádiva divina, presente dos deuses para os homens. Página 25. Abraço. Davi.