Islamismo. IslamHouse.com. Manual para o Novo Muçulmano. Por Jamaal Zarabozo (1961 - ). RELIGIÃO DO ISLAM. Parte XVIII. Tudo que foi mencionado anteriormente, deixa claro que Allah se refere a algo que não é leve e nem pode ser adquirido de uma hora para outra. Trata-se do cumprimento das orações da melhor maneira possível, de acordo com a Sunnah do Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele), com a intenção devida e estando muito atento a cada passo da oração. Uma pessoa pode estabelecer parcialmente a oração. Pode, sob um prisma legal, haver realizado suas orações; mas, mesmo assim, as recompensas de Allah por estas orações podem não ser as esperadas. Como disse o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele): “Uma pessoa pode finalizar [a oração] e tudo o que seja registrado para ele, a respeito de sua oração, atinja um décimo, um nono, um oitavo, um sétimo, um sexto, um quinto, um quarto, um terço ou meio.” O significado do “estabelecimento das orações” foi explicado por ser um dos pilares do Islam. Esse pilar não consiste apenas em orar. Não consiste apenas na realização dos movimentos físicos que são realizados durante uma oração. Muito menos consiste em simplesmente orar com o coração sem nenhum tipo de movimento físico que acompanhe tal ação. Não é simplesmente orar quando seja conveniente à pessoa. Deve-se realizar cuidadosamente este pilar do Islam a melhor e mais perfeita forma. Sobre isso Nadwi escreveu: “A Salah [oração] não consiste somente numa série de movimentos físicos. Não é um rito estático ou sem vida, ou algo parecido a uma disciplina militar – onde não há voz e não interessa a vontade. É uma ação na qual os três aspectos da existência humana - físico, mental e espiritual – encontram sua máxima expressão. O corpo, a mente e o coração participam da oração com equilíbrio. Permanecer de pé, ajoelhar-se ou prostrar-se são atos que pertencem ao corpo; a recitação pertence à língua; a reflexão e a contemplação pertencem à mente e o temor, arrependimento e lamento ao coração.” Não há exagero na importância da oração no Islam. É o primeiro pilar do Islam que o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) mencionou, logo após mencionar o testemunho de fé, através do qual a pessoa se torna muçulmana. Ela foi determinada como obrigatória para todos os profetas e todos os povos. Uma vez, um homem perguntou ao Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) qual era a ação que possuía mais virtude. O Profeta respondeu que é a oração. O homem continuou repetindo a pergunta. Nas três primeiras respostas Muhammad (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) disse: “a oração”, mas, na quarta, ele disse “o esforço pela causa de Allah”. A importância da oração é embasada em muitos ditos do Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele). Por exemplo, o Profeta disse: “O primeiro assunto pelo qual o servo será julgado no Dia do Juízo será a oração. Se estiver correta, também o resto de suas ações serão corretas. Mas, se estiver incorreta, o resto de suas ações também o serão.” A importância da oração se apóia no fato de que o mais importante é a relação do servo com Allah, sem levar em consideração as ações que este praticou durante sua vida. Ou seja, sua fé (imaan), o conhecimento de Allah (taqwah), a sinceridade (ikhlaas) e a adoração a Allah (‘ibaadah) é que importam. Sua relação com Allah é demonstrada, colocada em prática, cresce e fortalece através da oração. Então, se a oração é correta e adequada, o resto das ações também será; entretanto, se a oração não é correta e nem adequada, o resto das ações não será, como bem declarou o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele). Na realidade, se a oração é realizada corretamente, recordando sinceramente Allah e buscando n’Ele o perdão, deixará uma marca permanente na pessoa que a realiza. O crente, quando termina sua oração, sente seu coração cheio pela presença de Allah. Torna-se temeroso e coloca todas as suas esperanças em Allah. E através desta experiência, não irá desejar se afastar dessa sublime posição e nem desobedecer a Allah. Allah mencionou este aspecto da oração quando disse: “Recita o que te foi revelado do Livro e observa a oração, porque a oração preserva (o homem) da obscenidade e do ilícito...” (29: 45) Nadwi descreveu este efeito da oração devidamente oferecida de maneira eloqüente: “Seu objetivo consiste em gerar no foro interno do ser humano um poder espiritual, uma luz de fé e uma consciência de Deus, tão grande, que o capacitam a enfrentar qualquer tipo de maldade e tentação com êxito. Além de mantê-lo firme nos tempos de provações e adversidade e protegê-lo da debilidade da carne e dos desejos desmedidos.” Na próxima vida o perdão e a complacência de Allah correlacionam-se com a oração. o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) disse: “Allah determinou cinco orações. Aqueles que realizam com perfeição a sua ablução, realizam suas orações nos períodos adequados, completem suas reverências e prostrações com khushu’ têm a promessa de que Allah os perdoará. E aquele que não cumprir com os requisitos não obterá a promessa de Allah. Pode ser perdoado ou castigado.” As orações são consideradas como uma forma de purificação para o ser humano, pois ele se volta e encontra com seu Senhor cinco vezes ao dia. Como foi mencionado anteriormente, esta repetida presença ante Allah deveria evitar com que as pessoas cometessem pecados durante o dia. Além disso, deveria ser um momento de arrependimento e remorso, quando a pessoa pede perdão a Allah pelos pecados cometidos. A oração, por si só, é uma boa ação que apaga algumas das más ações cometidas. Isso fica claro no seguinte hadith do Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele): “Se uma pessoa tivesse um riacho perto de sua casa e se banhasse nele cinco vezes por dia, acreditarias que houvesse algum tipo de sujeira em seu corpo?” As pessoas responderam: “Não haveria nenhum tipo de sujeira”. O Profeta de Allah então disse: “Isto é similar às cinco orações diárias. Através delas, Allah apaga os pecados.” (Bukhari e Muslim). Em outro hadith, o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) disse: “As cinco orações diárias e a oração de sexta-feira – até a próxima oração de sexta-feira, são a expiação dos pecados cometidos entre elas.” (Muslim). A importância fundamental da oração para a fé de um muçulmano se evidencia na declaração do Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele): “Para um homem, o politeísmo (shirk) e a incredulidade (kufr) se encontram no abandono da oração.” (Muslim). Em seu hadith, o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) utiliza as palavras ash-shirk e al-kufr, que se referem a algo que resulta do conhecido ou compreendido. Entende-se que o kufr afasta as pessoas do Islam. Além disso, as palavras shirk e kufr são mencionadas juntamente, o que se considera como outro sinal de que esta ação pode nos tirar do Islam. As palavras de Siddiqi que denotam a importância da oração constituem um resumo de toda esta análise. Ele escreveu: “a oração é a alma da religião. Onde não há oração, não pode haver purificação da alma. A pessoa que não ora é uma pessoa sem alma. Caso tirassem as orações deste mundo, acabaria a religião, já que é através da oração que o homem chega a conhecer Deus, obtendo, assim, um amor desinteressado pela humanidade e um sentimento interno de devoção. Deste modo, a oração é o primeiro e mais elevado e solene fenômeno e manifestação da religião.” O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) confirmou a importância da oração no Islam quando disse: “O principal é o Islam. Seu pilar é a oração. E seu ápice é o esforço pela causa de Allah.” Alguns pontos importantes sobre as leis relativas à oração Este não é o lugar apropriado para entrar em detalhes sobre as leis que regem as orações. Entretanto, devemos mencionar certos pontos fundamentais. As cinco orações diárias são obrigatórias para todos os muçulmanos adultos ou não. Obviamente, as mulheres em período menstrual ou que apresentem sangramento pós-parto não deverão oferecer suas orações até que sua situação se normalize, pois se encontram em um estado de impureza para cumprir com o rito (o que será analisado mais adiante). Estas mulheres não deverão compensar as orações perdidas. Antes de iniciar o ritual da oração, deve-se apresentar um estado de pureza física. Allah disse: “Ó fiéis, sempre que vos dispuserdes a observar a oração, lavai o rosto, as mãos e os antebraços até aos cotovelos; esfregai a cabeça com as mãos molhadas e lavai os pés até o tornozelo. O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) disse: “As orações não serão aceitas sem uma purificação prévia.” (Muslim). Desta maneira, por exemplo, se alguém praticar o ato sexual, seja através do coito ou em sonho erótico, ou se a mulher termina sua menstruação ou sangramento pós-parto, deve realizar uma ablução completa, denominada ghusl, antes de começar a oração. Outra forma de se obter o estado de purificação é o wudhu ou purificação menor, que consiste na limpeza do rosto, cabeça, braços e pés. A ablução deve se repetir antes de cada oração, se a pessoa fez alguma das necessidades fisiológicas, se teve flatulência, se dormiu profundamente ou se perdeu a consciência. Este requisito prévio da oração enfatiza o fato de que a adoração a Deus requer todo o nosso ser. Afora o ritual da oração, se, por exemplo, a pessoa quiser suplicar a Allah, não é necessário realizar as abluções. Além de estar num estado de purificação, nossa roupa e o lugar onde se realizará a oração devem estar livres de impurezas. Em outras palavras, a roupa e a área devem estar limpas de urina, excrementos, sangue e qualquer outra substância impura. Deste modo, toda a atmosfera e o sentimento dos indivíduos estarão purificados para começar a entrar neste nobre estado de oração e comunicação direta com seu Senhor. Cabe ressaltar que os horários das orações diárias são fixos. Allah disse: “... observai a devida oração, porque ela é uma obrigação, prescrita aos fiéis para ser cumprida em seu devido tempo.” (4:103). Estes horários são definidos nos seguinte hadith: “O anjo Gabriel se aproximou do Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) e disse: ‘Levanta-te e reza’. Ele realizou a oração da tarde no momento em que todos os objetos e suas respectivas sombras possuíam a mesma altura. Logo chegou a hora do crepúsculo e foi-lhe dito: ‘Levanta-te e reza’. Ele orou quando o sol havia desaparecido. Então, caiu a noite e foi-lhe dito: ‘Levanta-te e reza’. Ele rezou quando o crepúsculo já havia desaparecido. Logo veio o amanhecer e foi-lhe dito: ‘Levanta-te e reza’. Ele orou quando começava a amanhecer. Então, apareceu o dia seguinte e a oração do meio-dia e foi-lhe dito: ‘Levanta-te e reza’. Ele realizou a oração do meio-dia quando um objeto e sua sombra possuíam a mesma largura. Logo, chegou a oração da tarde e foi-lhe dito: ‘Levanta-te e reza’. Ele cumpriu com a oração da tarde quando a sombra de um objeto era o dobro da largura do mesmo. Então, veio para a oração do pôr-do-sol e este é um curto período que só ocorre uma vez ao dia. Logo veio a oração da noite, que era prestada quando já havia passado metade ou um terço da noite. Veio o amanhecer, quando havia alguma luminosidade e foi-lhe dito: ‘Levanta-te e reza’ e ele realizou a oração do amanhecer. Então foi-lhe dito: ‘Os horários [das orações] se encontram entre estas duas’ [ou seja, entre as duas ocasiões nas quais Gabriel apareceu para orar com ele].” Infelizmente, algumas vezes, os muçulmanos encontram-se muito ocupados durante o dia e, por isso, deixam todas as suas orações para a noite. Assim, elas são oferecidas todas ao mesmo tempo: a do meio-dia, da tarde, do crepúsculo e da noite. Aos revertidos é extremamente difícil combinar os horários das orações com seus horários de trabalho, além disso, às vezes, não têm a confiança suficiente para realizar suas orações na presença de outras pessoas ou solicitar um intervalo no trabalho para realizá-las. Essa prática de postergar as orações é incompatível com a Lei Islâmica. As orações devem ser realizadas no momento adequado e isso não é algo que deva ser cumprido apressadamente. Devem se esforçar na causa de Allah e descobrir uma forma de realizá-las nos horários pré-determinados. Em suma, se realmente têm que combinar duas orações, podem combinar a do meio-dia com a da tarde, durante o horário destinado à oração do meio-dia ou da tarde. Igualmente podem combinar as orações do crepúsculo e da noite e realizá-las durante o horário das orações do crepúsculo ou da noite. Nenhum outro tipo de combinação é permissível. Todos os muçulmanos devem evitar que a combinação das orações seja motivada por falta de interesse e devem se esforçar em realizá-las em seus horários adequados. Então, para que as orações sejam corretas e apropriadas devem cumprir com as seguintes condições: (1) O indivíduo deve saber o horário que o período de cada oração inicia; (2) deve apresentar um estado de purificação; (3) a vestimenta, o corpo e o lugar devem estar livres de impurezas; (4) o corpo deve estar coberto de uma maneira apropriada – o homem deve se cobrir da região que vai do umbigo aos joelhos com uma roupa que não revele o que deve estar coberto e as mulheres devem cobrir todo o seu corpo, exceto mãos e rosto; (5) o indivíduo deve estar direcionado para a qiblah, ou seja deve estar orientado na direção da Kaabah, em Makkah e (6) deve colocar a intenção apropriada no momento de realizar cada oração. É extremamente importante que o muçulmano realize as cinco orações diárias em congregação, numa mesquita. Muitas passagens do Qur’an e da Sunnah mostram a importância de se realizar as orações em congregação. Por exemplo, o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) disse: “A oração que é realizada em congregação é vinte e cinco vezes melhor que a oração realizada em seu lar ou no mercado.” Quando uma pessoa realiza a ablução de forma adequada e, então, dirige-se à mesquita apenas com o desejo de rezar, cada passo que dá o eleva espiritualmente e seus pecados são expiados. Enquanto reza os anjos oram por ele, todo o tempo em que permanece no local de oração, dizendo: “Ó Allah, tende piedade dele, ó Allah, perdoe-o, ó Allah, aceita seu arrependimento. E assim, considera-se esta pessoa em estado de oração até que entre o horário da próxima.” Na realidade, muitos sábios afirmam que realizar as cinco orações diárias em congregação é algo obrigatório para os homens. Além da óbvia importância que as orações em congregação possuem em geral, creio que, baseado na minha própria experiência, é de extrema importância que os recém convertidos congreguem o mais que possam com seus irmãos muçulmanos. Primeiramente, isso demonstra a seriedade do convertido com sua nova religião, o Islam, demonstra seu desejo por realizar os atos fundamentais de sua nova fé. Esta atitude conquistará os muçulmanos de sua comunidade e estes disporão parte do seu tempo a esse novo convertido. Segundo, é uma boa oportunidade do convertido estabelecer uma amizade com os outros muçulmanos e aprender com seus exemplos. É muito complicado mudar sua vida para uma vida realmente islâmica se esta pessoa permanece num círculo social composto por não muçulmanos. É por isso que freqüentar a mesquita abrirá as portas para que haja novos amigos muçulmanos. Terceiro, é uma excelente oportunidade para que o convertido aprenda sobre o Islam. Usualmente, nas mesquitas, encontramos pessoas que possuem uma grande sabedoria a respeito do din. O novo convertido não se sentirá só em sua busca, pois encontrará devotos muçulmanos que o ajudarão e guiarão. Está claro que estas vantagens se aplicam tanto aos homens quanto às mulheres. Portanto, a convertida também deve aproveitar esta oportunidade e tentar se integrar, participando de algumas orações em congregação na mesquita. O Qur’an é em árabe. O primeiro capítulo do Qur’an é nomeado surah al Fatiha (capítulo de abertura). Este capítulo constitui uma parte fundamental da oração e é lido em todas as orações diárias, várias vezes. É óbvio que leva algum tempo aprender, ler e memorizar este breve capítulo. PÁGINA 160. Abraço. Davi.
MOSAICO ESPIRITUAL
domingo, 10 de maio de 2026
sexta-feira, 8 de maio de 2026
JESUS - O REDENTOR DAS ALMAS HUMILDES
Legião da Boa Vontade (LBV). Livro A Missão dos Setenta e o Lobo Invisível. Por Jose de Paiva Neto (1941-2025). JESUS - O REDENTOR DAS ALMAS HUMILDES. Parte II. O Supremo Criador é quem realmente sabe o que se passa na intimidade de suas criaturas, quaisquer que sejam suas crenças ou descrenças. Por isso, precisamos a todos alertar sobre a ação ardilosa do "lobo invisível", que muito se vale da pretensão humana. Em meu livro Somos todos Profetas (1991), no subtítulo "A genialidade que Jesus aprova", escrevi: Os simples de coração constituem a genialidade que o Divino Amigo tanto deseja que ilumine o mundo. É a esse talento que Deus revela os seus segredos. Daí o benefício de se elevar constantemente o pensamento ao Cristo Ecumênico, Político Excelso, livre de sectarismos constringente ou ideias exclusivistas, portanto, o Redentor das Almas humildes. Aliás, quando exalto essa qualidade de sentimento, não me dirijo à classe social das pessoas. Até porque o "lobo invisível" espreita o homem, a mulher, o jovem e a criança de qualquer berço pra destilar suas torpezas. Como há tanto tempo inferi, existem pobres humildes e outros cheios de orgulho e rancor - infeliz comportamento, que nada traz de proveitoso a evolução das criaturas, voltando-se contra elas próprias, nesta ou na Outra Vida. A coragem é imprescindível, mas o ódio continua sendo arma voltada contra o peito de quem odeia. Quanto ao mesmo ponto de vista, existem ricos orgulhosos e rapaces e outros de uma simplicidade franciscana. Este é um mundo de paradoxos. Por isso, pregamos , há décadas, o Apocalipse de Jesus para os Simples de Coração, que se encontram em toda parte, nas várias camadas socioculturais. O Supremo Criador é quem realmente, sabe o que se passa na intimidade de suas criaturas, quaisquer que sejam suas crenças ou descrenças. Por isso, precisamos a todos alertar sobre a ação ardilosa do "lobo invisível", que muito se vale da pretensão humana. A obrigação de cada um de nós, que modestamente desejamos transmitir uma mensagem, é lançar a rede. Seguimos a proposta do Taumaturgo Celeste, que é a de nos transformarmos em pescadores de homens, mulheres, jovens, crianças e Espíritos, Almas benditas. Porque os mortos não morrem, para a sua Seara Universalista, todavia, sem jamais sermos imperiosos em nosso modo de pensar. A época do "crê ou morre" já vai longe, há muito tempo, graças a Deus! Aliás, quando brado que a Vida prossegue além do túmulo, na dimensão do Espírito, alguns podem assustar-se, talvez pelo mau hábito de associar a existência incorpórea com filmes de terror. Entretanto, o que espanta mesmo é esse fato descrito pelo nobre irmão Bezerra de Menezes (Espírito): Não são os Espíritos que assustam os homens. São os homens que atemorizam os Céus com suas belicosas armas impostas por domínios cruéis e insensatos. Temos esclarecido à sociedade que, a respeito da natural sobrevivência da Alma após o desenlace do vaso físico e da continuidade da jornada evolutiva no que denominamos Pátria Verdadeira - O Mundo Espiritual. Os habitantes do outro lado são hoje o que fomos ontem e seremos amanhã. Daí a imprescindível tarefa de promover a União consciente das Duas Humanidades. Por isso, não deixem de ler minha obra Os Mortos não Morrem! Deus livre de opressores. Deslindar a realidade espiritual às massas é a política de Deus, o Criador liberto dos feudos a que alguns ainda o querem manter subjugado, que propagamos incessantemente. A Religião do Terceiro Milênio, com muita honra, vem perpetuando o trabalho iniciado pelo próprio Cristo Ecumênico, o Divino Estadista, ao revelar ao mundo seu Mandamento Novo. Cuja extraordinária importância o Irmão Alziro Zarur (1914-1979) revelou a todos. Trata-se das mais elevadas políticas que, uma vez vivenciada, nos capacita a enfrentar qualquer obstáculo, inclusive as armadilhas lançadas pelo "lobo invisível", isto é, o espírito mau. Ensinou o bom pastor: Novo mandamento vos dou, amai-vos como Eu vos amei. Somente assim podereis ser reconhecidos como meus discípulos, se tiverdes o mesmo Amor uns pelos outros. Não há maior amor do que doar a própria vida pelos seus amigos. Porquanto, da mesma forma como o Pai me ama. Eu também vos amo. Permanecei no meu amor. Evangelho de Jesus, segundo João 13,34-35 e 15,13 e 9. Alguns, carpidos pelo excesso de ceticismo atuante, podem pensar resumir-se, o Mandamento Novo de Jesus, apenas a palavra, à maneira de William Shakespeare (1564-1616) que costumava em sua peça Hamler, criticar a inoperância de tanta gente que muito falava e pouco, ou quase nada, fazia: "Word, words, words ... (Palavras, palavras, palavras). Contudo, nas Instituições da Boa Vontade de Deus, empenhamo-nos diuturnamente em transformar palavras em atos dignos do Criador e das suas criaturas. Essa é tarefa de todos os batalhadores do Cristo, a qual o "lobo invisível" quer impedir. Mas a Deus interessa toda criatura espiritual e humana, sem distinção de fé ou mesmo na ausência dela. Antes de tudo, Ele ausculta os corações. Para os que tem "olhos de ver e ouvidos de ouvir", as barreiras entre a Terra e o Céu já caíram. Já caíram! Nós é que nos demoramos a perceber. Que possamos, então - pelo exercício da Caridade da Ordem Suprema do Pedagogo Celeste, que é Amor elevado à imensurável potência, desarmar todas as emboscadas e estratagemas dos trevosos "lobos invisíveis". Buda e a Armadilha do Senhor do Mal. É oportuno apresentar-lhes uma passagem da vida do Buda, Sidarta Gautama (563a.C.483). Assim como todos os grandes emissários que vem a Terra cumprir uma missão espiritual ordenada por Deus. O Buda convoca seus discípulos seguidores a prática do Bem e da Compaixão como forma de se libertarem e derrotarem o mal. Registra o seu discurso "A armadilha do senhor do mal. Esse é o quinto discurso do Samyatta Nikaya, que faz parte do Sutta Pittaka, o qual integra as tradicionais Escrituras Canônicas do Budismo. Em certa ocasião, o Iluminado estava em Benares - Índia, no Parque do Gamo, em Isipatana. Lá ele se dirigiu aos monges desta forma (...). "Bikkhus, monges, eu estou livre de todas as armadilhas, tanto celestiais, mundo invisível, como humanas. Vocês também estão livres de todas as armadilhas, tanto celestiais como humanas. Peregrinem pelo bem-estar de muitos, para a felicidade de todos, por compaixão pelo mundo, para o bem-estar e felicidade de devas, seres celestes e humanos (...). Então o senhor do mal foi até o Iluminado e se dirigiu a ele em versos: Você está atado por todas as armadilhas. Você está atado, pelo grande grilhão: você não me escapará, contemplativo. O Buda: Eu estou livre de todas as armadilhas tanto celestiais como humanas. Eu estou livre do grande grilhão. Você está derrotado, senhor da morte!". A visão da escada. No livro do Gênesis, de Moisés, no capítulo 28, nos versículos de 10 a 17, lemos este interessantíssimo relato sobre o sonho de Jacó. Partiu Jacó de Berseba e seguiu para Hará. Tenod chegado a certo local, ali passou a noite, pois já era sol posto. Tomou uma das pedras do lugar, fez dela seu travesseiro e se deitou pra dormir. E sonhou: Eis posta na terra uma escada, cujo topo atingia o céu. E os anjos de Deus subiam e desciam por ela. Perto dele estava o Senhor e lhe disse: Eu sou o Senhor, Deus de Abraão, teu pai, e Deus de Isaque. A terra em que agora está deitado, Eu a darei a ti e a tua descendência. A tua descendência será como o pó da terra. Estender-se-á para o Ocidente e para o Oriente, para o Norte e para o Sul. Em ti e na tua descendência serão abençoadas todas as famílias da terra. Eis que Eu estou contigo, e te guardarei por onde quer que fores, e te farei voltar a esta terra. Porque não te desampararei, até que cumpra tudo aquilo que tenho falando. Despertado Jacó do seu sono, disse: Na verdade, o Senhor está neste lugar e eu não sabia. E temendo, bradou: Quão temível é este lugar. É a Casa de Deus, a porta dos Céus. Os nossos Anjos Guardiães, esses Espíritos que sobem e descem a escada de Jacó, anseiam por nos ajudar, e muito! Entretanto, será que desejamos que eles nos acompanhem e auxiliem? É necessário que urgentemente tomemos a nossa decisão, porque eles, todo o tempo, procuram resguardar-nos dos ataques dos "lobos invisíveis". A coorte de entidades perturbadas, que, na definição do Papa Leão XIII (1810-1903), conforme vimos em sua Oração a São Miguel Arcanjo - Vagueiam pelo mundo, para a perdição das Almas. Quanto à significação dessa notável passagem de Gênesis Mosaica 28,10 a 17, leiam também, por favor, "A Abrangente Missão do Templo da Boa Vontade", nas Segundas Diretrizes da Religião de Deus, do Cristo e do Espírito Santo, volume II (1990). Ou na edição especial da revista Jesus Está Chegando - Os Quatro Pilares do Ecumenismo, número 129, junho de 2017. Diálogo com os mortos. Dos originais de meu livro Os mortos não morrem, cuja leitura e análise antecipadamente lhes recomendo, trago por oportuno, trecho do pronunciamento do Papa João Paulo II (1920-2005) em 2 de novembro de 1984, ao dirigir-se aos fiéis reunidos no Vaticano. Nele sua Santidade enfatiza que o diálogo com os mortos não deve ser interrompido: "Somos convidados a retomar com os mortos, no íntimo do coração, aquele que a morte não deve interromper (...). Com base na palavra reveladora de Cristo, o Redentor, estamos certos da imortalidade da Alma. Na realidade, a vida não se encerra no horizonte deste mundo. Proteção Celeste. Os nossos Anjos Guardiães, esses Espíritos que sobem e descem a escada de Jacó, anseiam por nos ajudar, e muito! Entretanto, será que desejamos que eles nos acompanhem e auxiliem? É necessário que urgentemente tomemos a nossa decisão, porque eles, todo o tempo, procuram resguardar-nos dos ataques do "lobo invisível". A ciência da coragem. O que significa o Natal permanente de Jesus, o Cristo Ecumênico, o Divino Estadista, que mencionei anteriormente? É a ambiência melhor para que vivamos em sociedade, Sociedade Solidária Altruística Ecumênica. Aquela que propaga o ecumenismo que se comove com a dor e, portanto, com decisão, atua para levantar os caídos. Instruindo-os e alimentando-os, a fim de que, como cidadãos, construam o próprio destino, para o que é urgente espiritualizá-los também. Nesse trabalho de esclarecimento, não nos furtamos nem mesmo do amparo ao "lobo invisível", merecedor de nossa fraterna misericórdia, jamais do nosso desdém. Trata-se de um espírito obsessor. Oremos sempre por ele. Contudo, fica aquele alerta que fizemos logo na abertura deste livro: não nos esquecermos de que o "lobo" não é vegetariano. O criador e o respeito as suas criaturas. No entanto, esse grande desiderato que exige de cada um de nós uma atitude de deferência ao Criador por meio da prática solidária entre suas criaturas. Aos que ainda Nele não acreditam - os que também respeitamos - é prudente promover os mais exalçados sentimentos, tais como a Fraternidade, a Compaixão, a Bondade, a Generosidade, a Justiça, entre outros, que todos possuímos dentro de nós mesmos, as vezes adormecidos. E aí, se não os despertarmos, se instala o problema. Busquemos, pois, condições de galgar, longe do radicalismo, crente ou ateu, os degraus do Conhecimento Divino ... ou de entender o nosso papel neste mundo. O que nos leva à prática do Bem e a concluir a nossa tarefa como gente civilizada. Senão, viveremos eternamente "batendo com a cabeça na parede". É essencial a compreensão de que a humildade é uma ciência da coragem, ao contrário da jactância, que, segundo Provérbios 16,18, constitui o último passo antes da queda. Não sem propósito, Santo Agostinho (354-430) assegurava: "Deus triunfa sobre a ruína de nossos planos". Ainda a respeito do sentido de modéstia, fiz constar em Reflexões da Alma (2003) está assertiva: Jesus ensinou a humildade, jamais a covardia. O medo paralisa o indivíduo, e Ele determinou aos seus discípulos ação. Damas e cavalheiros, guardem bem: boa ação! Estando realmente com o Protetor Divino, ovelhas de Deus, não temam o "lobo invisível". Porém, os maus atos que vocês mesmas ou vocês mesmos podem praticar. Livrem-se deles, tirando de dentro de si as pérfidas sugestões lupinas, relativo a lobo. Meritocracia sublimada. Que cabe, então, a criatura arguta realizar? Conhecer as Leis do Pai Celeste e cumpri-las, não "ao pé da letra que mata", consoante admoestava Paulo Apóstolo em II Coríntios 3,6. Todavia e sempre em Espírito e Verdade, como propunha Allan Kardec (1804-1869), e a luz do Novo Mandamento do Cristo "Amai-vos como Eu vos amei. Somente assim podereis ser reconhecidos como meus discípulos, João 13,34 e35. A Essência de Deus, na definição de Alziro Zarur. Assim, tudo encontrará seu porto seguro, no transcurso do tempo e em consonância com o merecimento de cada um, numa visão sublimada da meritocracia de Platão (427a.C.347). Nunca de acordo com os socavões da impunidade espiritual, moral e intelectual. Experimente! Não custa fazê-lo! Mas é preciso paciência e perseverança. Leibniz (1646-1716) repetia: Natura non facit saltus - A natureza não dá saltos. Porém, necessário é destacar que o tempo não cessa de transcorrer. E, na concepção de Virgílio (70a.C.19) na Eneida - a fome é má conselheira. Por isso, façamos - governos e cidadãos - nossa decisiva parte (boas ações), para que não falte a ninguém o alimento espiritual, moral e material. A humildade é, acima de tudo, corajosa. A humildade é uma ciência da coragem, ao contrário da jactância, que, segundo Provérbios 16,18, constitui o último passo antes da queda. Não sem propósito, Santo Agostinho (354-430) assegurava: Deus triunfa sobre a ruína de nossos planos. Abraço. Davi
quarta-feira, 6 de maio de 2026
UMA ESSÊNCIA, UMA LEI E UM FIM.
Budismo. Livro O Evangelho de Buda. Vida e Doutrina de Sidarta Gautama. Por Yogi Kharishnanda. UMA ESSÊNCIA, UMA LEI E UM FIM. Capítulo IV. Um dia o Tathágata, conversando com o venerável Kasyapa com o propósito de libertar sua mente da incerteza e da dúvida, disse-lhe: Todos os seres e todas as coisas são constituídas de uma mesma essência. Embora pareçam diferentes segundo as formas que tomam em consequência das influências que recebem. Como se formam, agem, e como agem são. Suponha, Kasyapa, que um oleiro fabrique vasilhas diferentes com o mesmo barro. Cada uma dessas vasilhas terá o seu destino. Pois uma servirá para arroz, outra para manteiga, outra para leite e algumas serão usadas para depósitos de impurezas. Não há diferença no barro empregado. A diferença está no modelo dado pelo oleiro, segundo os diversos usos requeridos pelas circunstâncias. Do mesmo modo, todos os seres evolucionam de acordo com uma só lei e se destinam ao mesmo fim, que é o nirvana. Se você compreende, ó Kasyapa, que todos os seres são da mesma essência e que não há mais que uma única Verdade, e vive de acordo essa compreensão, alcançará o nirvana. O Tathágata é o mesmo para todos os seres e da mesma essência que todos eles. Porém difere apenas em seu aspecto como os demais seres diferem entre si. O Tathágata dá alegria ao mundo inteiro, do mesmo modo que a nuvem derrama a chuva sobre justos e pecadores. Tem a mesma compaixão pelos grandes e pequenos, pelo sábio e pelo ignorante, pelo virtuoso e pelo pecador. A vasta nuvem carregada de água derrama chuva sobre prados, várzeas, montanhas e vales. Hortas e campos. E todos recebem a água da chuva, que é da mesma essência, e arvores, plantas e ervas que nascem. Florescem e frutificam, cada uma segundo a sua espécie e natureza. Arraigadas no mesmo solo, todas as plantas de um campo ou de uma horta recebem a mesma água que a todas vivifica. O tathágata conhece, ó Kasyapa, a lei cuja virtude é o conhecimento e cujo fim é a paz do nirvana. Ele é o mesmo para todos, todavia não se manifesta do mesmo modo a todos, mas a cada um segundo suas necessidades. Logo no começo não dá para todos a plenitude do conhecimento, porém observa a predisposição de cada um. Abraço. Davi.
segunda-feira, 4 de maio de 2026
CABALA. MITOS E VERDADES - Parte VIII
Judaísmo. Um Guia para a Sabedoria da Cabala. Por Michel Laitman. CABALA. MITOS E VERDADES. Parte VIII. Preparando o Caminho para o Homem. Pontos principais. Os cinco mundos e o mundo sem fim. A vontade do Criador em nos criar. Adão, Eva, e sua relação com o Criador. Várias pessoas, uma alma, uma correção. Esse capítulo é o coração do livro, o centro da Cabala. Aqui, focamos mais no processo do indivíduo e menos nos níveis, mundos e Partzufim. Quando você o estudar, compreenderá a essência da caminhada Cabalística em direção à espiritualidade, e como a Cabala fornece um caminho para a humanidade corrigir a si mesma para o bem de todos. Cinco mundos e nenhum real. Como mencionamos no Capítulo 7, existem cinco mundos espirituais: Adam Kadmon, Atzilut, Beria, Yetzira e Assiya. A única coisa verdadeira é o mundo de Ein Sof (Sem Fim). Também explicamos que a palavra Olam (Mundo) vem da palavra Ha'alama (ocultamento). Assim, os mundos são aspectos incompletos do Criador. O único lugar onde Ele está completamente revelado é o mundo de Ein Sof. Onde não há limitações, por isso o nome Ein Sof, sem fim à nossa percepção do Criador. Os Mundo Superior afetam os objetos nos mundos inferiores, pois todos os mundos são basicamente a mesma realidade - aquela de Ein Sof. Por exemplo, se você pensasse em fazer alguma coisa e tivesse certeza que este pensamento se realizaria. Então o seu plano seria vivenciado como se existisse em você, mesmo antes do pensamento ter sido realizado. O nosso corpo conhecesse esse processo muito bem, é por isso que o estômago produz sucos digestivos antes que a comida chegue realmente lá. Nesse sentindo, o pensamento de como é o mundo superior, que cria o mundo inferior onde ocorre a refeição. Mas, em ambos os mundos, o evento (substância) é o mesmo - a refeição. Como o nosso pensamento não é limitado, pode-se dizer que ele está no mundo de Ein Sof. O nosso corpo está num dos mundos inferiores. Lembre-se que, embora a Cabala fale dos mundos espirituais, ela usa exemplos físicos. Como comer, para explicá-los. Embora os exemplos sejam usados par entender como as coisas funcionam na espiritualidade. Não se iluda pensando que existe refeição física, como no último exemplo, na espiritualidade. No topo da escada. Anteriormente, definimos a Cabala como uma sequência de causas e consequências que descem da raiz ao ramo, e cuja finalidade é a revelação do Criador as criaturas. Mas coo os Cabalistas sabem disso? A medida que alcançam o topo da escada espiritual, eles descobrem duas coisas: que a criação é feita de um desejo puro de receber prazer e que o Criador é feito de um desejo puro de dá-lo à criação. Isso levanta outra questão: Se o único desejo do Criador é doar, de onde vem o desejo puro da criação de receber? Os Cabalistas explicam que o Criador teve que nos criar. Caso contrário, Ele não teria ninguém para doar. Este é o princípio de tudo. Igual porém oposto. Os Cabalistas chamam o desejo de "fazer o bem as criaturas" (nós) o pensamento da Criação. Se nos lembrarmos disso, será fácil aprender sabedoria da Cabala. Se eu quero doar, como o Criador, não há nada que possa me limitar. Porque você não pode "trancar" um desejo num determinado local ou tempo. É claro que nós, seres humanos, também somos ilimitados - só queremos receber, e esse desejo é tão ilimitado quanto o desejo de doar. Nesse sentido, somos iguais, porém opostos ao Criador. A nossa orientação é para receber e a Dele é para doar. Outro elemento que se torna mais claro quando compreendemos o pensamento da Criação é por que razão é preciso dar para criar. Quando queremos dar, estamos procurando exteriormente, para ver onde podemos fazer o bem. Mas quando queremos receber, nos concentramos em nós mesmos, e só queremos receber daquilo que já existe. Agora, vamos dar uma olhada nas fases da criação. Um breve relato da criação. A história da criação começou com uma raiz, uma origem (o desejo) Dele em fazer o bem â suas criações, expandindo em quatro fases. Esta é a origem da Árvore da Vida, sua raiz inicial, se assim desejarmos. Na fase 4, a criação restringiu a si mesma, realizando um Tzimtzum, rejeitando toda Luz (prazer) que o Criador quis dar. Tal ato parece contradizer o pensamento da Criação. Porém é um passo necessário para a determinação da criação como uma entidade independente do Criador. A força através da qual a criação parou de receber a Luz é um tipo muito especial de vergonha, a origem de todas as desgraças. Denominada "o pão da vergonha". Os Cabalistas explicam que a vergonha é a força mais poderosa que nos guia. Agora segure firme, porque estamos prestes a mergulhar profundamente no coração do homem: o pão da vergonha é a mãe de todas as vergonhas. É uma experiência como nunca outra neste mundo. É uma sensação de queimadura que tem apenas um nome apropriado para ela: o inferno. Mas não se preocupe, na Cabala nenhum mal vem sem a sua compensação e recompensa logo a seguir. A principal diferença entre a nossa vergonha (mundana) e o pão (espiritual) da vergonha é que. No nosso mundo ficamos envergonhados em não atingir os padrões da sociedade. Na espiritualidade ficamos envergonhados em não atingir os padrões do Criador. Imagine que você subitamente descobrisse que todo o Universo, desde o Big Bang até o final dos tempos, fosse bom, generoso e doador. Parece incrível? Agora imagine que você também descobrisse que existe apenas um elemento nele que é egoísta. Que quer se aproveitar de tudo e de todos. Pois bem, este deve ser o diabo. Agora imagine que você descobrisse que este diabo é você. O que você faria? Certamente, ninguém suportaria isso. Então, para piorar ainda mais, você descobre que o mal não está no seu corpo e sim na sua alma, nos seus desejos. De modo que mesmo você se suicide, você ainda estará no mal. Porque nenhuma arma é capaz de pôr fim a sua alma. Naturalmente, quando você descobrir isso, a última coisa que desejará é continuar a ser você mesmo. A coisa que você mais desejará é ser um doador como o Criador. E no momento que desejar isso, você conseguirá. Agora você já sabe que o Tzimtzum não é uma restrição imposta sobre você. É o resultado do seu próprio esforço em se autoconhecer. É também um acontecimento muito gratificante e prazeroso. Porque é a primeira vez que você tem a capacidade de ser realmente uma outra coisa. Você pode escolher não só entre duas opções neste mundo, mas também entre dois tipos totalmente diferentes de natureza. Quando você escolher um, os seus sentidos lhe mostrarão o nosso mundo. Quando você escolher o outro, os seus sentidos lhe mostrarão o mundo espiritual. Mas você será capaz de escolher entre eles, e até mesmo saltar de um para outro quando quiser. Apenas para o seu prazer. No capítulo 7, explicamos que os mundos, de cima para baixo, são: Adão Kadmon, Atzilut,Beria,Yetzira, e Assiya. Nós também dissemos que cada mundo é formado de cinco elementos interiores chamados Partzufim. Agora vamos falar sobre a forma como eles são feitos e como funcionam. Uma vez que a Fase 4, chamada Malchut, experimentou o pão de vergonha, sua oposição ao Criador. Ela estabeleceu uma condição diante Dele. Se você quer que eu desfrute, conceda-me a capacidade de fazer isso para o seu prazer. Não para o meu, porque eu não consigo desfrutar sendo um egoísta. Assim, o Criador deu a ela a Masach, a tela, para resistir a entrada da luz. Então, ela disse: Obrigado, agora me dê a capacidade de decidir o que receber e o que não receber. Eu sei que eu não posso receber algo e, ao mesmo tempo, ficar pensando no seu prazer. Então, vamos começar com pequenas porções da Luz. Ele também deu a ela essa capacidade. Malchut começou a receber a Luz em cinco categorias primárias. Tal como a Luz visível é feita de três cores básicas - vermelha, verde e azul - a Luz espiritual é feita de cinco Luzes básicas - Nefesh, Ruach, Neshama, Haya e Yehida. Nefesh é a menor e Yechida a maior. Tão logo Malchut recebe a capacidade de separar a Luz em cinco partes, ela começa a receber cada uma delas. Mas somente enquanto pode fazer isso pensando no Criador. Cada vez que ela recebe uma das cinco Luzes, constrói um Partzuf especial para recebê-la. Assim, ela completa a sua capacidade de sentir o Criador num certo nível, explorando as cinco luzes tanto quanto ela consegue fazê-lo sem pensar em si mesma. E, como existem cinco luzes, cada mundo espiritual contém cinco Partzufim. Agora você também compreende por que cada fase é chamada Olam (mundo), que significa ocultamento. Este é o nível no qual Malchut pode se beneficiar do prazer do Criador sem pensar em si mesmo. Naturalmente, quanto mais elevado o mundo, maior é a capacidade de Malchut em desfrutar a Luz do Criador. Esta é a grande recompensa que surge ao se atingir o mundo de Ein Sof (Sem Fim) - não há limitações a recepção dos prazeres do Criador. Os operários da construção. Os mundos espirituais têm o que poderia se chamar um mecanismo de ensino construído dentro deles. Eles podem nos ensinar de que forma devemos direcionar o nosso desejo de dar ao Criador. Apesar de funcionarem no "piloto automático", o que significa que eles se desenvolvem como um processo de causa e efeito. O princípio diretor em cada um deles é "Eu não receberei se não for para o Criador". Quando uma pessoa adentra os mundos espirituais, é isso que eles ensinam. Como pensar mais no Criador e menos em si mesmo. Nesse sentido, a relação entre os mundos e a criatura é semelhante a um grupo de trabalhadores da construção ensinando um principiante o que fazer. Eles ensinam cada tarefa demonstrando-a. Pouco a pouco, as criaturas (nós) podem começar a consertar seus desejos. Transformando sua recepção do Criador num ato de doação. Nascem Adão e Eva (e caem). No capítulo 7, dissemos que a última fase (o maior desejo) é conhecer o Pensamento da Criação. Para compreender o Pensamento da Criação, era necessário criar um Partzuf especial. Que existiria num mundo especial, onde este Partzuf poderia estudar o Pensamento da Criação por sua própria escolha. É assim que o Partzuf de Adão ha Rishon foi formado. Embora Adão ha Rishon não tenha nascido no nosso mundo físico, ele foi rapidamente trazido para cá (ou devemos dizer, caiu aqui), recebendo o nome de Adão. Após a sua missão, para ser Domeh (semelhante) ao Altíssimo, o Criador. Se vocês se estão se perguntando onde está a Eva nesta situação, ela está muito presente. Na Cabala, Adão e Eva são duas partes do mesmo Partzul. Quando os Cabalistas querem enfatizar a recepção neste Partzul, eles se referem a ela como Eva. Quando querem se concentrar na sua capacidade de dar, chamam Adão. Caindo do pecado. Adão nasceu nos mundos de Beria, Yetzira e Assiya, mas foi rapidamente elevado por eles a Atzilut, onde todos os desejos são corrigidos funcionando apenas para dar ao Criador. No mundo de Atzilut. Adão trabalhou (recebeu) com pequenos desejos, aqueles que ele tinha certeza que poderia usar altruisticamente. Com a intenção de dar ao Criador. O Criador disse que ele poderia fazer qualquer coisa, desde que não comesse da Árvore do Conhecimento do bem e do mal. Representando os desejos mais fortes, aqueles que Adão não podia usar com a intenção de dar ao Criador. Neste momento, Adão era considerado sagrado, um santo. Mas ele não tinha conhecimento dos seus próprios desejos não corrigidos. O que Adão não sabia era que ele fora colocado no Jardim do Éden e autorizado a trabalhar com seus pequenos desejos. Apenas como um exemplo de como ele deveria trabalhar com seus desejos mais grosseiros. Assim, quando eles surgiram pela primeira vez, ele não sabia como lidar com eles e pecou. Quando Adão finalmente decidiu tentar receber com a intenção de dar ao Criador, ele falhou, querendo receber para si próprio. Ele descobriu que era completamente egoísta nestes desejos. E essa vergonha fez com que ele se cobrisse. Em termos Cabalísticos, Adão descobriu que estava nu, sem a Masach (tela) para cobrir seus desejos desnudos (egoístas). Mas a espiritualidade é um mecanismo a prova de erro. Sempre que uma correção é feita, não se pode violá-la. Como consequência do erro de Adão, o Tzimtzum foi restituido, e toda a Luz saiu do Partzuf Adão ha Rishon, deixando Adão e Eva fora do Jardim do Eden. No entanto, eles não estavam totalmente sozinhos, eles tinham suas memórias (Reshimot) do estado corrigido e as Reshimot do seu egoísmo. As duas recordações, aparentemente más, são as ferramentas mais valiosas para qualquer pessoa que deseja descobrir o Criador. Corrigindo a relação que existia entre Adão e o Criador, descobrindo a sua glória. O pecado - a saída do mal. Na versão Cabalística, a história do pecado original tem algumas reviravoltas que você pode não saber. Adão recebeu ordens para não comer da Árvore do Conhecimento, de modo que não se confundisse, com desejos que não pudesse lidar. Mas a sua parte feminina, Eva, disse-lhe que se ele comesse, seria capaz de dar ainda mais ao Criador, do que se não comesse. Ela Também tinha razão, porque fazendo isso, ele estaria usando desejos ainda maiores para receber com a intenção de dar ao Criador. Mas o que Eva não sabia era que, para dar ao Criador com esses desejos poderosos. Era preciso ter uma Masach muito forte para lidar com eles. E Adão não tinha isso. Você deve esta justamente se perguntando: Porque o Criador não disse ao Adão que ele não podia lidar com esses desejos? Ele queria que o Adão falhasse? Que tipo de Criador generoso permite que sua criação sofra? Para entender por que razão o Criador fez isso ao Adão, devemos recordar o Pensamento da Criação, sendo isso que o Adão realmente queria. Para ensinar ao Adão sobre seus próprios desejos, o Criador teve que revelá-los a ele. Como podemos expor um desejo a alguém sem deixar que ele experimente o que é sentir aquele desejo? Do ponto de vista do Criador, nenhum mal foi feito pelo pecado de Adão, porque este é apenas mais um passo para ensinar a criação a receber tudo o que Ele pretende dar. O maior dom que o Criador pode nos dar é o seu Pensamento, é isso que Ele tinha para nos mostrar. Agora que temos essa memória em nossas Reshimot podemos começar a nos corrigir e aprender como receber. Pequenas moedas de ouro. O primeiro passa na correção da alma de Adão foi dividi-la em partes "digeríveis". Pequenas porções de desejos que não fossem tão difíceis de corrigir. É por isso que sua alma quebrou em nada menos que 600.000 partes. Ela continuou a quebrar e se despedaçar e hoje temos tantas partes desta alma quanto pessoas na Terra. Sim, você entendeu bem. Somos todos partes da mesma alma. Na mais adiante no livro sobre os aspectos práticos disso. A divisão ocorreu da seguinte forma. Quando todos os desejos em Adão ha Rishon tinham uma intenção comum de dar ao Criador, eles estavam unidos. Quando a intenção nos desejos foi revertida para o propósito de autossatisfação. Cada desejos se sentiu separado dos outros, e a alma comum se dividiu. Todas as almas, portanto, são extensões da alma geral de Adão ha Rishon, literalmente traduzido como "o primeiro Homem". Eis uma alegoria do Baal HaSulam que explica o princípio da divisão. Um rei precisava enviar uma grande quantidade de moedas de ouro a seu filho que vivia no exterior. Ele não tinha mensageiros a quem pudesse confiar uma grande soma. Então, ele dividiu as moedas de ouro e as envio por meio de vários mensageiros. Cada mensageiro decidiu que não valia a pena roubar um lote tão insignificante e o entregou. Quando as moedas chegaram a seu destino, foram reunidas na grande soma original. Da mesma forma, muitas almas, diariamente, podem resgatar os fragmentos após o incidente da maçã. Todas as peças se unem para completar com sucesso a tarefa original de receber toda a Luz com a intenção de dar ao Criador. A nossa função é corrigir as nossas porções individuais, as raízes (origens) das nossas próprias amas. Em Resumo: Existem cinco mundos: Adão Kadmon, Atzilut, Beria, Yetzira e Assiya. Porém o único mundo verdadeiro é Ein Sof. Os nossos desejos são tão fortes quanto os do Criador, mas as nossas intenções são opostas às Dele. Adão e Eva tiveram de ser induzidos ao Pecaso. Adão nasceu nos mundos de Beria, Yetzira e Assiya, elevou-se à Atzilut e depois caiu rapidamente no nosso mundo. Eva é parte feminina do Partzuf Adão ha Rishon. Todas as pessoas são partes da alma comum de Adão ha Rishon. Abraço. Davi.
sexta-feira, 1 de maio de 2026
ATMA SAYAMA YOGA - MEDITAÇÃO OU SUBJUGAÇÃO AO EU SEUPERIOR
Hinduísmo. Bhagavad Gita. A Mensagem do Mestre. ATMA SANYAMA YOGA - MEDITAÇÃO OU SUBJUGAÇÃO AO EU SUPERIOR. Capítulo VI. Neste capítulo se expõe como se realiza a união com o Ser Supremo, mediante a santificação interior e a meditação.
segunda-feira, 27 de abril de 2026
OS ANALECTOS - LIVRO VII
sexta-feira, 24 de abril de 2026
QUAL O SIGNIFICADO DO USO DE FOLHAS?
Religião Afro-brasileira. Por Eurico Ramos. Livro Revendo o Candomblé - IX. QUAL O SIGNIFICADO DO USO DE FOLHAS? Todas as seitas e culturas antigas apresentam uma estreita ligação com as folhas e ervas e a sua utilização é fundamental no culto aos orixás. Diziam os amigos que, ko si ewé ou sem folhas não existe orixás. As folhas representam o sangue verde do reino vegetal e são utilizados desde a iniciação até a defumação nas casas de candomblé. Cada folha, cada erva apresenta sua função específica. Cada folha, conforme sua morfologia e textura, sendo consagrada a um orixá. É importante falar sobre o aspecto científico das folhas. Nosso planeta é bombardeado por raios solares como UVA, UVB - raios ultravioletas etc. Esses raios, quando chegam a atmosfera e entram em contato como o nitrogênio, quebram este elemento e fazem com que ele perca elétrons. Transformando-se em isótopos radioativos instáveis. Aos quais chamamos de carbono 14. Esses isótopos radioativos descem às camadas mais baixas da atmosfera e são capturados pelas plantas através da fotossíntese. Conforme a morfologia de cada vegetal, formato, este reterá uma quantidade maior ou menor dos referidos isótopos. Cada orixá tem afinidade com uma certa quantidade de plantas ou ervas. Cada erva apresentará uma concentração ainda que ínfima de isótopos radioativos. Que irão incidir no comportamento e nas ondas cerebrais dos seres vivos. É importante observar com atenção a morfologia das plantas. As folhas pertencem aos orixás, mas estás só ganham axé - energia, poder e força - depois de serem cantadas e encantadas. As ervas devem ser colhidas em horários determinados, pois algumas folhas são híbridas no sentido de serem quentes ou frias, conforme a hora. Ou seja, são quentes durante o dia e frias à noite. Podendo pertencer a orixás distintos. Se forem colhidas a noite, pertencerão a um determinado orixá, se forem colhidas durante o dia pertencerão a outro. Há folhas que só devem ser colhidas durante a noite - para orixás bem frios, como Nanã, por exemplo - exceto as que são utilizadas em ebós - sacrifício, oferenda ou alimento. Algumas ervas devem ser colhidas somente de madrugada, pois sabemos que a maioria das folhas é (somente) quente, ou (somente) fria. Há que diga que só devem ser colhidas até as 6 horas da tarde. Contudo por que dizem isso? Porque dependendo do orixá a quem pertence essa folha e durante o dia a folha será quente por causa da luz do sol, essa é a grande diferença. Em princípio, podemos dizer que as folhas com formato arredondado geralmente pertencem às labás, orixás femininos. E que as ervas mais alongadas pertencem aos orixás masculinos, os oborós - exceto no que se refere a Oxalufã. Pois suas ervas são arredondadas e viçosas como as folhas das labás. O salão é arredondado e é de Oxalá. Por outro lado, há uma erva chamada colônia, que apresenta formato alongado tendo folhas compridas. Todavia, por ser extremamente perfumada é consagrada a Oxum e Yemanjá. Entretanto são poucas as exceções neste sentido. Sabemos que no candomblé utilizam-se três tipos de sangue (ejé), ou seja, o ejé dos três reinos: mineral, vegetal e animal. Do reino mineral, utilizamos o carvão mineral, o giz, a argila, a tabatinga, o quartzo, o ferro e o bronze. Do reino vegetal utilizamos as folhas, seu sumo, sua selva, às raízes e flores. Finalmente, do reino animal, o sangue, as seivas, a saliva e o suor. No caso das ervas, podemos dizer que são de vital importância para o nosso culto. Tão ou mais importante do que as outras seivas. Em determinados casos, um orixá poderá até não aceitar o ejé animal, mas o omi eró (sangue vegetal) ele sempre aceitará. O ori (cabeça) por exemplo, ante de qualquer liturgia, sempre deverá ser lavado com a seiva das ervas. Existem folhas que são indicadas para banhos, outras somente para acompanhar um ebó. Outras apenas para encanta o orixá. Também existem ervas que só podem ser utilizadas na mata, no local. Entretanto essas ervas deverão ganhar axé depois de serem cantadas e encantadas com orós (cânticos ritualísticos) em louvor a elas. Cada nação utiliza as forças ritualísticas das ervas conforme seus costumes. Nos candomblés mais ortodoxos, cada folha ou erva possui sua característica própria. Inclusive, a sua cantiga própria, que é usada para encantá-la ou ativar seu axé. Uma folha, quando não é cantada, não terá encanto. Uma folha ou erva, quando colhida, jamais deverá ser carregada sem que esteja apontada para o céu. Caso isso não seja feito, os efeitos dessa erva serão contrários ao que ela se propôs. Em outras palavras não se deve nunca carregar um maço de erva com os braços para baixo. Os ramos das folhas devem estar sempre apontados para o alto. Sempre no sentido que nascem da terra. Muitos babalossães antigos, quando tinham alguma diferença com a pessoa que iria se utilizar daquelas folhas. Fazia questão de levar essas ervas apontadas para o chão. Em alguns casos, até as arrastavam ao longo do caminho. Isso é grave e perigoso. Dessa forma, eles retiravam o axé das folhas, pois, fazendo isso, o sangue verde do reino vegetal (sumo das folhas) se esvaia. Se perdendo o axé na terra, como se para ela voltasse. Peregun arawa titun ó - Que o peregun faça com que seu corpo (sua vida) seja reto e sólido novamente. Outra erva bastante utilizada pelos membros dos cultos é a ewé Iará (folha de mamona). A ewé Iará pertence a Obaluaié sendo utilizada no Olubajé. Nela são servidas as comidas ritualísticas. Nas obrigações de 3, 7 e 14 anos, depois da "matança dos orixás" - sacrifício de animais aos orixás - remonta ao ato da caça do caçador nômade africano. Também se utiliza a ewé na cerimônia do itá. As ervas, depois de encantadas através de seus orós (cânticos ritualísticos), podem ser trituradas junto à água do poço para a prospecção do om ieró. Podem ser colocadas embaixo da eni (esteira em ioruba). Podem recobrir os ibás para esfriá-los ou para "acordar" o orixá. Ou, ainda, para acalmá-lo. Podem aninhar um ibá ori. Em determinadas nações, pilar as ervas é também um costume muito usado. A folha chamada de "são gonçalinho" pertence a Oxóssi. É muito usada nas casas da nação Ketu. Geralmente, são espalhadas no chão antes de um xiré para atrair os orixas. Esse costume, com o passar do tempo, foi assimilado por outras nações do candomblé também. Há quem use aroeira no chão do barracão - o que considero arriscado, sendo essa erva muito quente podendo "trazer briga". Usamos a aroeira apenas em ebós, para dar ânimo às pessoas. Geralmente, pessoas que estão muito tristes ou deprimidas por algum motivo, devem fazer um ebó com essa erva. Em algumas casas, usa-se aroeira para fazer a cama do assentamento dos orixás. O que também está certo. No Axé do Engenho Velho - Salvador - Bahia, usamos abre caminho. Folha de fortuna é uma folha híbrida e pode ser utilizada para todos os orixás. A panaceia é uma folha fria. Pertence às Iabás de água. Ncontramos ainda a ewé oxibatá, que é o obebé de Oxúm. Imprescindível no ritual iniciático. A negramina é de Oyá. É também uma erva muito importante e tem a propriedade de afastar espíritos desencarnados. A negramina corta feitiçarias. Além de ser também antidepressiva. Mas é uma erva muito quente, apesar de altamente perfumada. Para-raio é uma erva de Oyá. Mas seus efeitos são menos intensos. A para-raio é mais usada no omi eró, na sassanhe e no próprio Ibá de Oyá. O akokó é também uma erva de Oyá, geralmente utilizada em obrigações de tempo. Mas quando quinada (macerada) seus efeitos são contrários, o akokó guinado atrai egungun. O uso indevido das ervas pode ser muito prejudicial para quem as utiliza de forma inadequada. Esta erva é utilizada somente em orós dos 7 a 14 anos e nunca pode ser utilizada em preceitos de Iaô. Seria muito perigoso. Quanto a usar o akokó em obrigação de 3 anos, é mais perigosa ainda. Porque é uma folha estreitamente relacionada a ancestralidade. Por motivos óbvios, igualmente, não deve ser usada para ornamentação. Recomenda-se, nesses casos, utilizar outras ervas. Manjericão e folha de Ibeji. Folhas de iroko e mariwo nunca são usadas em ornamento, porque, além de ser perigoso é um desrespeito para com os orixás. Antigamente, o que se usava para ori ou para orixá não se usava em outras coisas. O uso correto das folhas é um grande segredo, pois podem-se fazer vários usos delas: remédio, feitiços, banhos, desde o uso medicinal até a magia branca pura. Hoje em dia ainda existem aqueles babalossães que conhecem o segredo das folhas, pois esse culto será diretamente relacionado ao orixá Ossãe. O correto é colher as folhas, e claro que quando não há essa possibilidade, precisamos comprá-las no mercado, o que é uma prática que já virou convenção. Hoje boa parte das casas de culto encontra-se no perímetro urbano. Mas é óbvio que tais ervas não tem o mesmo axé das folhas colhidas de forma natural. Abraço. Davi