Judaísmo. Um Guia para a Sabedoria Oculta da Cabala. Michael Laitman (1946 - ). CABALA - MITOS E VERDADES. Parte XII. Pontos Principais. Transformando a forma de aprender de quartos pouco iluminados para aulas online e gratuitas. Saiba quais livros devemos ler para o nosso progresso espiritual. Encontre o professor certo e aprenda como tirar o máximo proveito do estudo. O poder e a prática dos grupos Cabalísticos. Estudo Cabalístico online. O estudo da Cabala mudou drasticamente ao longo dos anos, e não apenas na abertura dessa sabedoria, anteriormente misteriosa e secreta para as massas. Os Cabalistas estão conectados através dos meios mais avançados de tecnologia e mídia. Como resultado, os livros, os professores e os grupos, necessários para se tirar o máximo proveito do estudo Cabalístico, são fáceis de serem encontrados hoje em dia. Atualmente, podemos ler os textos autênticos da Cabala em nossa própria casa, e no nosso próprio idioma. Podemos até mesmo encontrar um professor e um grupo virtual quando atingimos esse ponto em nosso desenvolvimento espiritual. Neste capítulo, aprenderemos a usar o estudo e vivenciar a Cabala na forma moderna, permanecendo ao mesmo tempo fiéis à sabedoria dos textos tradicionais. Todo dia é dia de portas abertas. Desde os primeiros Cabalistas (Adão e Abraão), passando pela escrita do "O Zohan" até a Idade Média (476-1453) a Cabala foi principalmente transmitida oralmente. Os Cabalistas compartilhavam suas experiências espirituais entre si, à medida que descobriam os Mundos Superiores. Ao mesmo tempo, os Cabalistas proibiram o estudo da Cabala para aqueles que não estavam preparados. Eles cuidavam de seus estudantes com cuidado, assegurando-se que estudavam da maneira apropriada, e limitando intencionalmente o seu número. Embora sustentemos que o estudo da Cabala seja aberto a todos, não dissemos quão importante é o seu estudo hoje. Para os Cabalistas, na realidade, a ampla disseminação da Sabedoria Cabalística é imperativa. Isso justifica, mais do que qualquer outra coisa, o atual e grande interesse pela Cabala. A razão pela qual a disseminação é imperativa, é que a Cabala se baseia na necessidade de todas as almas se corrigirem. Dando grande importância ao coletivo. Quanto maior o número de pessoas estudando Cabala, maior o efeito global. Quando várias pessoas estudam, a própria quantidade melhora a qualidade do estudo. Estudando à noite por meia ou uma hora é suficiente, porque milhões, se não bilhões, de outras pessoas está fazendo o mesmo. Todas elas se tornam espiritualmente conectadas, mesmo que não sintam, e a multidão tem efeito no mundo inteiro. Até mesmo minúsculas mudanças em milhares de pessoas produzem grandes mudanças positivas na sociedade como um todo, mais sobre isso falaremos adiante. Como resultado, o método atual do estudo Cabalístico dirige-se às massas, e não apenas a alguns estudantes ultradedicados que estudam de madrugada. Estudando com a intenção correta. Apenas duas coisas são necessárias para se estudar corretamente a Cabala: um desejo de melhorarmos nossa vida e encontrarmos o seu significado e uma instrução correta. A instrução correta é alcançada por três meios: Os livros corretos. O grupo correto. O instrutor correto. Uma pessoa que estuda Cabala do jeito correto, progride sem imposição. Não pode haver nenhuma coerção na espiritualidade. O objetivo do estudo é descobrir a conexão entre o estudante e o que será escrito nos livros. Essa é a razão pela qual os Cabalistas descreveram o que experimentaram e alcançaram. Não o fizeram pra transmitir o conhecimento de como a realidade é construída ou funciona como na ciência. O propósito dos textos Cabalísticos é criar uma compreensão assimilação e sensação da verdade espiritual. Se a pessoa aborda os textos pra conquistar a espiritualidade, eles se tornam uma fonte de Luz, uma força de correção. Mas se ela os abordar para conquistar conhecimento, eles darão informação, e nada mais. A medida da demanda interna determina a quantidade de força que a pessoa colhe e o ritmo da sua correção. Se a pessoa estudar da maneira correta, cruzará a barreira entre este mundo e o mundo espiritual. Ingressando num local de revelação interna. Se ela não conseguir, é um sinal de que o esforço é insuficiente em qualidade ou quantidade. Não é uma questão de quantidade de estudo, mas sim do foco das intenções do estudante. Claro que o cruzamento da barreira não ocorre da noite para o dia, mas deve ser o resultado final do estudo. Avançar na Cabala não significa evitar prazeres, de forma a não incitar o desejo na pessoa. Da mesma forma, é um erro acreditar que se formos educados e polidos alcançaremos a espiritualidade. A correção não vem da falsa pretensão de correção. Não há coerção na espiritualidade. A Cabala rejeita qualquer forma de coerção. Se experimentarmos qualquer pressão externa, regras ou regulamentos obrigatórios, é sinal de que a ação não tem como objetivo os Mundos Superiores, mas sim o ego de alguém. O estudo Cabalístico aumenta o nosso desejo pela espiritualidade, fazendo-nos preferir isto ao materialismo. Portanto, em relação a nossa espiritualidade, nós purificamos nossos desejos. Como resultado, nós fugimos ou não das coisas materiais, dependendo de nossa atração ou necessidade por elas. Sem Eremitas. A Cabala não mudou apenas no modo como escolhe quem pode ou não estudar, mas também em suas práticas. Recordando o Capítulo 5, alguns dos primeiros Cabalistas, como Rabino Shimon Bar-Yochai, foram essencialmente eremitas - pessoas sozinhas em lugar isolado de outras pessoas. Mas isso não aconteceu porque eles escolheram esse estilo de vida. Eles foram perseguidos ou proibidos de exercer a Cabala. Por exemplo, o Ari era um comerciante rico quando chegou a Safed como Cabalista. Os reis Davi e Salomão também não eram nem pobres nem ermitões, como sabemos, mas eram grandes Cabalistas. O Rav Ashlag, por exemplo, acreditou no trabalho manual. Quando chegou a Israel, vindo da Polônia, trouxe consigo máquinas para processamento de couro. Ele queria começar uma fábrica de couro, trabalhando de dia e estudando à noite. Ele também criou seus filhos desta maneira. Quando seu filho primogênito, o Baruch Ashla, que o sucedeu, alcançou 18 anos, o Rav Ashlag lhe enviou para trabalhar como operário de construção. Ele também trabalhava de dia e estudaria a noite. No entanto, há uma contradição que quem segue a Cabala enfrenta. Por um lado, a vida terrena não tem sentido, e um Cabalista sério não dá nenhuma importância a ela. Por outro lado, para a Cabala é fundamental viver dentro do corpo e senti-lo. Muitas doutrinas e religiões no mundo falam sobre a abstinência. Quanto mais a pessoa diminui os prazeres corporais, mais ela se isola, melhorando a sua espiritualidade. A Cabala sugere o contrário: deixe as coisas mundanas e terrestres como elas são, pare de implicar com seu corpo e seus hábitos. Só se preocupe com o ponto no coração. Ao invés de pensar em diminuir seus desejos, a Cabala sugere que você os deixe em paz, porque restringir desejos físicos não corrigirá sua alma. A trindade Cabalística. A correção não ocorre sem estudo. Por isso, o Criador nos enviou a Trindade Cabalística: os livros, os professores e os grupos de estudo. O restante deste capítulo descreve cada uma dessas ferramentas do estudo Cabalístico - livros, professores e grupo - e devemos trabalhar com eles. Livros: Nossos guias espirituais. A espiritualidade pode ser alcançada através do estudo dos livros corretos, ou seja, livros escritos por um verdadeiro Cabalista. Ler livros corretos é como ser conduzido por um guia de excursão num país estrangeiro. Com a ajuda do guia, o viajante fica orientado e entende melhor seu novo paradeiro. Nós precisamos de livros que sejam adaptados a nossas almas, escritos por Cabalistas mais próximos a nossa geração. Isto porque, diferentes almas descem em cada geração, e cada geração requer diferentes métodos de ensino. Há uma força especial nos livros Cabalísticos: qualquer pessoa que os estuda, sob uma orientação adequada, pode atingir o grau espiritual do autor. Os estudantes que seguem as vias expostas pelos escritores de livros autênticos da sabedoria podem se unir ao mundo espiritual. Mergulhando num texto da sabedoria, eles sobem gradualmente ao nível espiritual do autor. Sempre que lemos os trabalhos do justo, unimo-nos diretamente a eles através da Luz Circundante. Desta forma, somos iluminados e nossos vasos de recepção são purificados e preenchidos com o espírito do Criador. Vivendo neste mundo, absorvemos várias imagens e impressões. Por isso, podemos descrever o que sentimos. Mas os livros Cabalísticos descrevem experiências de uma pessoa que sente o mundo espiritual. Eles descrevem os sentimentos do escritor sobre um mundo que a maioria de nós não sente. É por isso que os livros e escritores Cabalísticos são únicos. Um professor de Cabala não é apenas uma pessoa que sente o mundo superior. Mas também uma pessoa que pode descrever emoções numa linguagem clara, para que outros possam sentir e compreender. Estudando os livros dos Cabalistas, cultivamos os sentidos que estão ausentes em nós, os que deve ser desenvolvido, a fim de sentirmos o Mundo Superior. Os textos na linguagem dos ramos. Na Cabala, há vários livros escritos com estilos e formas diferentes, e escritos por Cabalistas que alcançaram diferentes graus de realização. Por isso, é crucial que saibamos quais livros estudar. Quando um Cabalista atinge a espiritualidade, ele a sente experimentalmente, da mesma maneira como experimentamos as ocorrências e incidências deste mundo físico com nossos sentidos e sentimentos. Como os objetos no mundo espiritual são totalmente diferentes dos objetos de nosso mundo físico. É difícil para os Cabalistas acharem as palavras certas. Isso também acontece em nosso mundo. Nós nem sempre conseguimos explicar nossos sentimentos. Às vezes, acabamos usando palavras e gestos vagos. É por isso que os livros Cabalísticos são difíceis de entender. Até que tenhamos uma conexão com a espiritualidade, o que lemos são apenas palavras, sem qualquer compreensão do significado por trás delas. Lembre-se também, que a Cabala usa a linguagem dos ramos, descrita no capítulo 9. O mundo espiritual e nosso próprio mundo são paralelos. Não há um só objeto, fenômeno ou força neste mundo que não seja uma consequência do Mundo Superior. Portanto, os Cabalistas usam nomes retirados do nosso mundo para descrever objetos espirituais, pois estes objetos são as raízes do nosso mundo. Uma pessoa normal, ainda sem uma "tela espiritual", identifica-se com os livros Cabalísticos como uma espécie de conto de fadas que acontecem em nosso mundo. Mas quem já é Cabalista não fica confuso com as palavras, porque sabe exatamente de quais "ramos" elas se originam. Referindo-se em nosso mundo, a "raiz" no mundo espiritual. Livros que nos ajudam a alcançar a meta. Nem todos os livros, mesmo os autênticos, tem a mesma capacidade de nos estimular em direção ao mundo espiritual. Da mesma forma, é importante revisarmos os livros que lemos com uma abordagem cuidadosa. A Cabala acumulou várias associações em seu desenvolvimento, a maioria delas inadequadas, como descritof no Capítulo 1. Hoje, a mesma precaução se aplica aos sites de Internet. Para tornar essa tarefa fácil, os principais Cabalistas recomendam que abandonemos todos os livros Cabalísticos, exceto O Zohar, os escritos do Ari, os escritos do Baal HaSulam. Essa pode ser a melhor abordagem para o estudante de Cabala sério e persistente. Entretanto, a maioria das pessoas deve procurar livros introdutórios sobre esses escritos, como os listados no Apêndice. Este livro oferece uma introdução as fontes originais, de forma que os leitores possam fazer escolhas esclarecidas para um estudo aprofundado. Procurando o professor certo. Qual é a forma correta de estudar, e como teremos certeza que o fazemos corretamente? Aqueles que estudam corretamente trabalham em si mesmos, internamente, e são guiados por um professor. Experimentar o Criador exige um professor. O professor guia o estudante, à medida que este ascende ao nível espiritual do professor e se une a sua sabedoria e pensamentos. Na realidade, hoje em dia, um indivíduo sozinho não consegue adentrar o mundo espiritual. Isto seria como se ele começasse a desenvolver toda a física ou a química. Em seguida, desenvolvesse a tecnologia para aplicá-la. Seria semelhante a viver como um homem das cavernas, sem usar tudo aquilo que a humanidade conquistou até agora. Em outras palavras, seria um absurdo. É por isso que um principiante precisa de um professor que já tenha atingido o Mundo Superior e possa mostrar a ele como realizar cada passo em direção ao Mundo Superior. O professor acompanha o estudante até a espiritualidade. Mas este só compreenderá completamente a sua conexão com o professor depois de atingir o Mundo Superior de forma independente. União com o professor acontece nas fases preliminares, porque ambos estão no nível mundano. Mas a união com o Criador só é possível quando experimentamos o Mundo Superior. O professor é nosso líder naquela jornada. O contato e a união com um professor conduzem ao contato e a união com o Criador. Como encontramos esse professor? A Cabala tem uma resposta muito simples: Estude onde seu coração quer, onde sinta que faça parte. O professor certo não nos convence a pensar isto ou aquilo. A Cabala é uma sabedoria onde aprendemos por nossa própria vontade e livre escolha. O desenvolvimento espiritual não pode ocorrer de outra maneira. Quando nos livrarmos de persuasões, de coisas externas, de nossa educação e de tudo o que ouvimos a vida inteira. Quando sentirmos em nosso coração que encontramos um professor e o local de estudo. Lá que devemos ficar. Esse é o único teste válido, e nada mais importa. Como o Rav Baruch Ashlag disse: Critiquem e duvidem de tudo. O objetivo mais importante é nos livrarmos do pré-julgamento da educação e da opinião pública. Livrem-se de qualquer coisa estranha e tentem absorver o modo como nossa índole nos fala. Isso seria o mais verdadeiro, porque qualquer educação ou opinião externa é coerção. O grupo de estudo. Todos os grandes Cabalistas estudaram em grupos. O rabino Shimon Bar Yochai teve um grupo de estudantes, bem como o Ari. O grupo é vital para progredirmos. É a ferramenta básica da Cabala, e todos os membros são medidos conforme sua contribuição no grupo. Uma pessoa que estuda sozinha só pode usar seu próprio vaso para receber a Luz do Criador. Aqueles que estudam num grupo criam um vaso espiritual composto por todos os participantes, e todos desfrutam de sua iluminação. Da mesma forma, no mundo da alta tecnologia em que vivemos, um grupo não precisa se encontrar num local físico. Pode ser um grupo de pessoas com ideias afins que compartilhem uma meta comum, espiritual, que possam se encontrar via Internet. Tal grupo pode ser contatado neste e-mai: info@kabbalah.info (em inglês). Unindo os desejos. O grupo fornece a força. Todos têm apenas um pequeno desejo pela espiritualidade. O caminho para aumentar o desejo pela espiritualidade é através de desejos em comum. Vários estudantes juntos estimulam a Luz e fornecem um campo de força unificado, que é mais forte em sua totalidade que individualmente. Isso porque somos todos parte da mesma alma (lembra-se de Adão). Misturando as partes, recriamos o vaso coletivo e atraímos mais Luz até nós. Esta Luz afeta cada pessoa do grupo e, assim, todos os membros do grupo são corrigidos tanto individual quanto coletivamente. Um grupo é como uma parceria. Podemos cair e não ficarmos com nada do estado anterior, mas o grupo continuará existindo, mantendo nosso desejo. A nossa cota no grupo continua existindo, apensar do nosso estado atual. Deixando a luz fluir em você. O rabino Yehuda Ashlag disse que devemos pensar nos membros do grupo como se fossem grandes, espiritualmente falando. Isto nos ajudará a absorver seus poderes espirituais, quando estivermos num descenso pessoal. Isto é semelhante à lei dos vasos comunicantes, onde a água sempre flui para o local mais baixo. Se pensarmos na Luz, ou poder espiritual, como a água, então tudo que precisamos na Luz, ou poder espiritual, com a água. Então tudo que precisamos fazer é nos sentirmos inferiores a nossos amigos. A luz deles fluirá em nós e, consequentemente, mais luz fluirá sobre eles do Alto. Isso cria uma evolução contínua em todo o grupo. Embora os membros possam mudar os papéis de acordo com seus estados espirituais pessoais. A evolução do grupo é infinita, e sempre em direção a uma espiritualidade mais elevada. Como tiramos o máximo proveito do estudo em grupo? Por um meio muito simples: absorvemos do grupo o seu apreço pela meta de unir-se ao Criador. É a isso que se refere o verso "Amai ao próximo como a si mesmo". É isso o que os fazem nossos amigos. Se os escutarmos, e tivermos apreço pelos amigos do grupo, absorveremos a mensagem da grandeza do Criador, a grandeza da doação. Então, poderemos nos tornar um grupo de Cabalistas. Estudando Cabala a distância. Os Cabalistas estão a postos ... é quase como um call center dos dias de hoje. O público em geral não pode ter um professor ao seu lado, mas os professores estão disponíveis à qualquer pessoa em qualquer lugar. Comunicações avançadas conectam os grupos com os professores. Tudo se desenvolve de acordo com aquilo que é necessário para a correção final. Por isso que a comunicação se desenvolveu dessa forma. As redes sociais, o aprendizado eletrônico, a Internet rápida e barata, tudo isso torna o estudo da Cabala acessível a todos. O Baal HaSulam, o Rabino Kook, e outros grandes Cabalistas, perceberam que o ensino deve ser adequado para o mundo de hoje. A Internet oferece uma maneira ideal para se estudar Cabala. Podemos participar assistir as lições ao vivo ou baixá-las à vontade. Podemos participar de reuniões mundiais online e conferências de estudantes. Algumas vezes por ano viajar para encontros regionais de amigos, de modo a reforçar a nossa conexão com eles. Por exemplo, o site do Bnei Baruch, www.kab.info, oferece todas essas possibilidades online, sem nenhum custo. Em resumo: Atualmente, a Cabala não só está aberta, como a disseminação é mandatória. Não há qualquer coação na espiritualidade, estude onde seu coração desejar. A Trindade Cabalística é formada pelos livros corretos, o professor correto e o grupo correto. Atualmente, aprender com um grupo virtual é tão efetivo quanto aprender com um grupo físico. Abraço. Davi.
MOSAICO ESPIRITUAL
sexta-feira, 18 de setembro de 2026
terça-feira, 15 de setembro de 2026
O QUE SÃO OS EBÓS?
Religião Afro-brasileira. Por Eurico Ramos. Livro Revendo o Candomblé - XVI. O QUE SÃO OS EBÓS? O ebó é um sacrifício ou uma oferenda - condição fundamental para se resolver um problema ou para se transpor um determinado obstáculo. O ebó, o preceito, ou o sacrifício, como comumente se diz, é revelado pelo jogo de búzios quando o olhador, em frente ao consulente, detecta através do aparecimento de um odu que a pessoa está vivenciando algum tipo de problema específico. Que este problema poderá ser resolvido mediante a realização de um ebó. Para um ebó, pode ser solicitada, pelo jogo de búzios uma infinidade de elementos. Desde que estes sigam a lógica numérica do odu que se manifesta. O ebó (o sacrifício) começa desde o momento em que o indivíduo se levanta da cadeira do jogo, e começa a providenciar os elementos solicitados pelo oráculo. O ato de sair de casa, de ir ao mercado, de ir buscar uma folha, de ir buscar um animal. Já é, por si só, um sacrifício, já é uma parte do ebó. A outra parte acontece quando esses elementos são preparados na roça de candomblé e posteriormente oferecidos, ou "passados" no corpo do indivíduo, para que o problema seja sanado. A terceira parte do ebó é o resguardo, o ato de não cometer qualquer tipo de atitude que venha a ser considerada um contra axé, ou seja, uma ação capaz de neutralizar a liturgia professada. Existe uma infinidade de ebós. Todos eles têm sua origem no jogo de búzios e apresentam a seguinte particularidade: Um ebó nunca é exatamente igual a outro, porque, segundo a filosofia nagô - povos que vivem nos países africanos: Togo, Benin e Nigéria de língua iorubá - o ser humano é único, não existem cópias. Abraços. Davi
sábado, 12 de setembro de 2026
VIBHUTI YOGA - A EXCELÊNCIA DIVINA
Hinduísmo. Bhagavad Gita - A Mensagem do Mestre. Capítulo X. VIBHUTI YOGA - A EXCELÊNCIA DIVINA. Deus não é diferentes coisas, mas Tudo em tudo. Ele é a Unidade de que procedem todos os números. Ele é, em tudo, o verdadeiro fundamento e a verdadeira essência. Em si mesmo imutável, manifesta-se de variadíssimos modos, conforme os pontos. Dele não podemos dizer que seja, em si mesmo, perfeito ou imperfeito, bom ou mau, porque Ele é a Perfeição e a Bondade mesma, em todas as coisas. Ele é o mais perfeito Ser.
quarta-feira, 9 de setembro de 2026
TAO TE CHING - POEMA XV
Lao Tse (571a.C.531) Tao Te Ching
segunda-feira, 7 de setembro de 2026
RELIGIÃO DO ISLAM - CONCLUSÃO - Parte II
Islamismo. IslamHouse.com. RELIGIÃO DO ISLAM. CONCLUSÃO. Parte II. Por Jamaal Zarabozo (1961 - ). Deus nada vos proíbe, quanto àquelas que não nos combateram pela causa da religião e não vos expulsaram dos vossos lares, nem que lideis com eles com gentileza e eqüidade, porque Deus aprecia os equitativos.” (60: 8). Allah também se refere aos pais não muçulmanos dizendo: “Porém, se te constrangerem a associar-Me o que tu ignoras, não lhes obedeças; comporta-te com benevolência neste mundo, e segue a senda de quem se voltou contrito a Mim. Logo o retorno de todas vós será a Mim, e então, inteirar-vos-ei de tudo quanto tiverdes feito.” (31: 15). Está claro que o indivíduo necessita resguardar e proteger sua fé e que se os pais exercem pressão sobre um filho, este deverá impor limites estritos em alguns assuntos. De qualquer forma, esta situação deverá ser manejada da melhor maneira possível. Por natureza o muçulmano deve ser agradecido. O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) disse: “Aquele que não é agradecido com as pessoas, não é agradecido com Allah.” (Tirmidhi e Ahmad). Desta maneira, o muçulmano sempre permanecerá agradecido e cheio de um “amor natural” por seus pais não muçulmanos graças à bondade e amor que demonstraram através dos anos. Certamente, não se pode gozar de um “amor religioso” por suas ações. De um ponto de vista religioso, não podem desculpar nem aprovar que eles elejam um caminho distinto do caminho do Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele). Por isso, não se deve amá-los pela forma de vida que optaram levar. Quando há um conflito entre o amor espiritual e o religioso, o religioso tem prioridade. Como Allah disse: incredulidade à fé; aqueles, dentre vós, que os tomarem por confidentes, serão iníquos. Dize-lhes: Se vossos pais, vossos filhos, vossos irmãos, vossas esposas, vossa tribo, os bens que tenhais adquirido, o comércio, cuja estagnação temeis, e as casas nas quais residis, são-vos mais queridos do que Deus e Seu Mensageiro, bem como a luta por Sua causa, aguardai, até que Deus venha cumprir os Seus desígnios. Sabei que Ele não ilumina os depravados.” (9: 23-24). Não obstante, nenhum muçulmano pode aprovar, de maneira nenhuma, suas falsas formas de adoração. Allah conduziu o convertido à única e irrefutável verdade e desejo mais fervoroso desta pessoa deve ser que as pessoas que o cercam também enxerguem a verdade. Ao mesmo tempo em que mantém uma relação cordial com todos os que o rodeiam, o muçulmano convertido deve deixar claro que não pode aprovar, nem participar de nenhuma forma de adoração que reconheça como falsa. Por exemplo, o muçulmano não pode celebrar o Natal. A crença representada por esta celebração, o nascimento do filho de Deus e o salvador, vai de encontro às bases fundamentais do monoteísmo islâmico. O muçulmano não deve, jamais, participar desta celebração. Tampouco deve desejar que outros desfrutem dessa comemoração ou trocar presentes nessa ocasião. Ao invés disso, deve deixar que os demais realizem seus atos de adoração e celebração esclarecendo que sua participação em tais práticas comprometeria e contradiria sua nova fé. Mediante uma explicação clama e clara, é esperado que as pessoas respeitem e aceitem a decisão do convertido em permanecer afastado destas práticas religiosas que não são compatíveis com sua nova fé. Manter os laços com os pais também engloba visitá-los. Especialmente se parte da intenção da visita consiste em permitir que seus parentes tenham contato com um muçulmano e obtenham informações verdadeiras acerca do Islam, não há dúvidas que esta visita é aprovada. O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) visitou seu tio politeísta Abu Taalib quando este se encontrava doente, assim como também visitou o judeu adolescente que estava em seu leito de morte. Ele aceitava seus convites para refeições. De fato, está confirmado que o Profeta visitou Abdullah Ibn Ubai Ibn Salul em seu leito de morte, mesmo sabendo que ele era o chefe dos hipócritas e seu opositor. Obviamente existem limitações quanto ao tipo de visitas e atividades nas quais o muçulmano pode participar. Dentre as questões frequentes que surgem para os novos muçulmanos, encontra-se a de ir aos funerais de seus parentes. Segundo os relatos dos antigos sábios muçulmanos, o muçulmano deve apresentar suas condolências à família e deve estar presente nesses momentos, mas mantendo-se distante dos atos específicos do processo funerário, especialmente de qualquer tipo de ato que tenha reflexos religiosos. O principal objetivo é se manter afastado desse ato que poderia, de alguma forma, contradizer a fé islâmica. Quando o pai de Ali, Abu Taalib, morreu – como não muçulmano, o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) disse a Ali fosse e enterrasse seu pai e Ali o fez. Também existe um relato que diz que consultaram Ibn Abbas, companheiro do Profeta, sobre um muçulmano cujo pai cristão havia morrido, e ele disse: “Ele deve ir enterrá-lo”. Quando é dado os pêsames aos não muçulmanos, deve-se desejar o melhor, esperando que sejam abençoados com boas coisas e alentando-os a serem pacientes. Não está permitido que se implore o perdão por aqueles que hajam falecido fora da fé islâmica. Isso foi proibido no Qur’an. Allah disse: “É inadmissível que o Profeta e os fiéis implorem perdão para os idólatras, ainda que estes sejam seus parentes carnais, ao descobrirem que são companheiros do fogo.” (9: 113). A relação do muçulmano com seu cônjuge. O matrimonio é uma instituição muito importante no Islam. A família é o núcleo da sociedade como um todo. Se a família é constituída sobre uma base sólida, há maiores possibilidades de que a sociedade seja saudável. Assim, em geral, os mensageiros de Allah, os melhores exemplos para os seres humanos, aderiram à instituição do matrimônio. Allah disse: “Antes de ti havíamos enviado mensageiros; e lhes concedemos esposas e descendência...” (13: 38). O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) também adotou o matrimônio como sua forma de vida ao dizer: “Por Allah, de todos eu sou o que mais teme a Allah e o mais devoto; entretanto, jejuo e quebro o jejum, oro [de noite], mas também durmo e me caso com mulheres. Todo aquele que der as costas à minha sunnah não é dos meus.” (Bukhari e Muslim). O Qur’an afirma que existe um forte laço entre os homens e as mulheres. Em diversas ocasiões no Qur’an, Allah recorda os homens que todos provêm do mesmo ser humano. Este vínculo os conecta e através destes laços é que alguns direitos, de um sobre os outros, são estabelecidos. Allah declara no começo da surah an-Nissa: “Ó humanos, temei a vosso Senhor, que vos criou de um só ser, do qual criou a sua companheira e, de ambos, fez descender inumeráveis homens e mulheres. Temei a Deus, em nome do Qual exigis os vossos direitos mútuos e reverenciai os laços de parentesco, porque Deus é vosso Observador.” (4:1). Além da origem que os sexos têm em comum, Allah ressalta que o amor e o afeto que Ele instaurou nos corações dos cônjuges é um de Seus grandes sinais que atuam como presságios para todos aqueles que possuem entendimento. Quer dizer, estas pessoas analisam este aspecto da criação e recordam a grandeza da obra e do poder de Allah, a perfeição de Sua criação e a imensa misericórdia que Allah pôs neste mundo. Allah disse no Qur’an: “Entre os Seus sinais está o de haver-vos criado companheiras da vossa mesma espécie, para que com elas convivais; e colocou amor e piedade entre vós. Por certo que nisto há sinais para os sensatos.” (30:21). “Ele foi Quem vos criou de um só ser e, do mesmo, plasmou a sua companheira, para que ele convivesse com ela e, quando se uniu a ela (Eva), injetou-lhe uma leve carga que nela permaneceu; mas quando se sentiu pesada, ambos invocaram Deus, seu Senhor: Se nos agraciares com uma digna prole, contar-nos-emos entre os agradecidos.” (7:189). Assim, de acordo com o Qur’an, a relação entre um homem e uma mulher deve estar baseada no amor, misericórdia e entendimento mútuo. Allah também ordena os homens que tratem suas mulheres afetuosamente no seguinte versículo: “...E harmonizai-vos entre elas, pois se as menosprezardes, podereis estar depreciando seres que Deus dotou de muitas virtudes.” (4:19). Vou mencionar algumas palavras acerca do propósito do matrimônio no Islam. Estas palavras são necessárias já que muitas vezes as pessoas contraem matrimônio ou desejam fazê-lo sem compreender os requisitos que devem cumprir, nem o propósito do casamento. Pelo contrário, não se inteiram das diferentes responsabilidades que recaem sobre seus ombros quando contraem matrimônio. Sem dúvida, se este propósito é conhecido e as responsabilidades que o matrimônio traz são compreendidas desde o começo, a possibilidade de que o matrimônio tenha êxito será maior. A pessoa saberá o que esperar do casamento, tanto de suas responsabilidades, quanto de suas obrigações e direitos. Obviamente, o propósito do matrimônio não é simplesmente “divertir-se” ou satisfazer “as necessidades fisiológicas”. O matrimônio é muito mais que isso. Alguns objetivos são: procriar, experimentar o prazer físico lícito, amadurecer, assistir-se e apoiar-se mutuamente na realização desta vida, obter benefícios psicológicos e fisiológicos, reforçar os valores morais sociais, educar a próxima geração de tal modo que contribuam para o crescimento moral e espiritual e unir os povos e as famílias. Com quem se pode contrair matrimônio Nos versículos 22 e 24 da surah an-Nissa, Allah determinou com quais mulheres um muçulmano pode se casar. Estas categorias são muito claras. Certamente, existem algumas questões que são de extrema importância para os muçulmanos convertidos, em especial para os que habitam as terras não muçulmanas. Cabe destacar que o tema das esposas não muçulmanas já foi analisado anteriormente. Uma questão importante é acerca dos homens ou mulheres que estão para se casar e que não são castos. Existe uma diferença de opinião entre os sábios acerca da permissão ao casamento com uma mulher que já cometeu formicação. A maioria dos sábios (Malik, Shafii e Hanafi) consideram que não é recomendável, enquanto outro grupo de sábios opina que é proibido. A diferença de opinião gira em torno do entendimento do seguinte versículo: “O adúltero não poderá casar-se, senão com uma adúltera ou uma idólatra; a adúltera não poderá desposar senão um adúltero ou um idólatra. Tais uniões estão vedadas aos fiéis.” (24: 3). A maioria dos sábios declara que este versículo nos mostra que o ato do matrimônio com esta classe de mulheres é algo condenável, mas não proibido. Também se baseiam no seguinte hadith: “Um homem se aproximou do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) e disse: ‘Tenho uma esposa que amo muito, mas que não permite que eu a toque’. Ele disse: ‘Divorcia-te dela’. E o homem disse: ‘Mas não posso viver sem ela’. Respondeu: ‘Então, desfruta dela apesar [de sua deficiência]’.” Sem dúvida, muitos sábios da antiguidade declararam abertamente que está proibido casar-se com uma mulher adúltera, a menos que ela tenha se arrependido de seu ato de formicação. Esta foi a opinião de Ahmad Ibn Hanbal e outros. Esta parece ser a opinião mais sólida e correta baseada no versículo anteriormente mencionado. Quanto ao hadith que foi citado, o Imam Ahmad o considerou fraco. Assumindo que fosse autêntico, já que muitos sábios dizem que o é, não especifica se a mulher realmente cometeu algum tipo de ato sexual ilícito. Pode-se pensar que ela tenha sido promíscua ou liberal com outros homens, mas não ao ponto de cometer ato sexual ilegal. Se um homem tiver uma mulher com estas características, deve se divorciar dela já que o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) indicou isso claramente. De fato, esta é uma prova a mais que não se deve casar com uma adúltera. Pode-se analisar o fato de que, no caso do muçulmano convertido, ele deve ser muito cuidadoso com este assunto. Se uma pessoa converte ao Islam recentemente, então, deveria se casar com uma mulher que aumente sua fé e que fortaleça sua determinação na adoração correta a Allah. Obviamente, uma mulher de caráter imoral não será a opção correta para ninguém que deseje ser um verdadeiro crente, pelo contrário, pode ser perigoso, pois sua fé é nova e vulnerável. Outro assunto importante é se um muçulmano tem permissão para se casar com uma judia ou cristã. Este tem sido um tema freqüentemente debatido entre os sábios; a maioria deles permite (baseando-se no versículo 5:5), uma minoria proíbe e outra minoria aplica uma série de condições estritas a esta união. Sem entrar em detalhes acerca do debate, novamente, para o convertido, seria melhor que considerasse essa situação cuidadosamente. Sendo um novo convertido ao Islam, não deve abrir as portas à tentação e duvidar sobre sua fé. Não se espera que uma mulher não muçulmana o apóie em sua fé ou ajude a crescer espiritualmente, como faria uma muçulmana devota. Em consequência, sem dúvidas, os convertidos ao Islam deveriam evitar contrair matrimônio com uma não muçulmana. Quanto à muçulmana, convertida ou não, que se casa com um não muçulmano, al-Ghummaari escreveu: “o matrimônio entre uma mulher muçulmana e um homem não muçulmano está proibido, como se declara claramente no Qur’an, e é algo que deve ser de conhecimento geral. Se alguém crê que este tipo de matrimônio está permitido, então, essa pessoa se desviou e se tornou uma incrédula.” Em geral, o homem é a cabeça do lar, por isso, uma muçulmana contrair matrimônio com um homem não muçulmano representa um perigo muito maior para a mulher e, então, está proibido. Os direitos dos cônjuges Primeiramente, os casados devem saber que o cônjuge é, antes de tudo, um muçulmano. Ele ou ela é um irmão no Islam. Então, todos os direitos que recaem sobre um muçulmano, devido às condições de irmandade, recaem também sobre os cônjuges. Existem livros a respeito do comportamento de um muçulmano, irmandade, amor e lealdade entre os muçulmanos; e todos os princípios se aplicam a uma pessoa casada, já que seu cônjuge é parte da irmandade e comunidade islâmica. Além disso, o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) também ressaltou isso dizendo: “Nenhum de vós é realmente um crente até que ame vosso irmão como a vós mesmos.” (Bukhari e Muslim). Portanto, quando analisamos os direitos que possuem os cônjuges, não devemos encarar este tema de uma forma fria ou meramente legal. A relação entre o marido e sua esposa deve ser muito mais que uma série de direitos estabelecidos pela lei que cada um deve obedecer. Deve ser uma relação de amor, apoio e entendimento mútuo. Cada cônjuge deve considerar as necessidades e habilidades do companheiro. Devem tentar fazer o outro feliz, mesmo que tenham que abrir concessões e não simplesmente esperar obter todos os seus direitos maritais. Na realidade, é normal que nenhum dos cônjuges satisfaça completamente os direitos do outro e que o faça completamente feliz. É assim que ambos devem identificar e aceitar seus defeitos. O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele), em particular, aconselhou aos esposos que tratassem suas esposas da melhor maneira possível, talvez por causa de sua autoridade ou força, em todos os âmbitos. O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) disse: “O melhor dentre vós é aquele que melhor se comporte com sua família [esposa] e eu sou o melhor de vós com minha família.” O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) também deu outro conselho: “Aconselho-vos a tratarem bem vossas mulheres, já que estas foram criadas da parte superior de uma costela, a parte mais encurvada. Se tentarem endireitá-las, rompê-las-ão; se as deixarem permanecerão tortas. Assim, aconselho que tratem bem vossas mulheres.” (Bukhari). Na realidade, ambos os cônjuges, em geral, não cumprem completamente com suas obrigações para com o companheiro. Então, antes de criticar o outro ou enraivecer-se por alguma falta que o companheiro ou a companheira tenha cometido, a pessoa deve olhar para si mesma e analisar o que está fazendo de mal.
sábado, 5 de setembro de 2026
XINTOISMO. Parte III
Xintoísmo. Bushidobr.com. MITOLOGIA E INFLUÊNCIA na formação da cultura e do carácter do povo japonês. Parte III. O conceito de michi. Derivado do Tao chinês (mesmo kanji - 道 - ), definido como "a essência de todas as virtudes,[...] o que está perto, ao alcance das mãos e que erroneamente os homens o procuram longe" (HARADA, op. cit., p. 55). Discorre Yang Chu e Hu Shi sobre o Tao: A natureza é a atividade natural, o silente fluir dos acontecimentos tradicionais, a majestosa ordem das estações e do céu; é o Tao, ou o Caminho, corporificado e exemplificado em cada fonte, rocha ou estrela; é essa impessoal, imparcial e, no entretanto, racional lei das coisas, com a qual a lei da conduta do homem tem que se conformar, caso ele deseje viver em sabedoria e paz. Esta lei das coisas é o Tao ou o caminho do universo, do mesmo modo que a lei da conduta é o Tao ou o caminho da vida; na verdade, pensa Lao-Tze, os dois Taos são um só, e a vida humana, em seus ritmos essenciais e normais, faz parte do ritmo do universo (Yang, Chu, 16, 19. Schneider, ii, 810, Hu Shih, 14 in WILHELM, R., Short story of chinese civilization, New York, 1929 apud in DURANT, 1942, p. 185-186). Confúcio falando mais diretamente sobre o Tao como conduta do homem, dizia que Caminho é a harmonia com as coisas da natureza, que provêm do Céu: Sinceridade é o Caminho do Céu; realizar a sinceridade é o Caminho do homem. Aquele que possui a sinceridade é quem, sem esforço, faz o que é certo e compreende sem necessidade do pensamento: ele é o sábio que natural e facilmente incorpora o Caminho (m. t. apud in HARADA, op. cit., p. 54). Numa cultura em que os deuses são extremamente abundantes (fala-se em 800 ou 8000 as divindades do Xintô), mas cujos desejos em relação ao homem é apenas um, o japonês o resume em apenas um conceito: “michi”, caminho ou via. Seguir a via dos deuses, é a mensagem indelével fortemente introjetada no inconsciente coletivo desse povo, o que molda seu caráter, pensamento e a vida. As artes, a cultura e os esportes de origem nipônica trazem esta mensagem: shodô (書道) é o caminho da escrita; kadô (花道)ou(華道), o caminho das flores ou dos arranjos florais também conhecido como ikebana; kadô (歌道), com outro kanji para “ka” significando poesia, é o caminho da poesia ou a arte do poeta; butsudô (仏道), o caminho dos ensinamentos budistas; sadô ou chadô (茶道), o caminho do chá ou a arte da cerimônia do chá; kendô (剣道), o caminho da espada; judô (柔道), caminho suave ou caminho da luta suave; karatê-dô (空手道), caminho da arte marcial de mãos vazias. “Michi”, caminho ou via, guarda estreita relação com o comportamento do nipônico. Embora impreciso, amplo e vago, como sói nos conceitos dessa cultura, para 15 .O japonês, “michi” não precisa ser explicitado, definido, ensinado nem imposto: é algo que lhe parece claro, sem necessidade de palavras para se conceituá-lo. É, muito possivelmente, o termo mais antigo e de mais largo significado dentro da ética e da religião na cultura japonesa, "uma inconsciente observância do Caminho" (HARADA, op. cit., p. 48). Ao homem de michi regras morais ou conjunto de mandamentos não lhe parecem necessários. Suas ações são livres e sua autoexpressão, nessa condição de natural liberdade, está mais verdadeiramente de acordo com o Caminho (ibidem p. 50). Ele entenderá com o coração e aprenderá na convivência que seguir a “via dos deuses” é seu caminho natural: é portar-se como um deus, é sentir plenamente seu deus interior, ou seja, internamente é onde está o controle moral, inato ao homem, independendo, pois, de controle externo por leis e normas. Estar no Caminho é apenas seguir sua natureza, seu impulso natural. Estar fora do Caminho constitui um insulto, significa acusar alguém de levar vida errante (HARADA, op. cit., p. 49). A natureza das coisas é determinada por leis divinas. Estar em harmonia com a Natureza é estar no Caminho (ibidem p. 50-51). "Kami nagara no michi" - ou a Via dos deuses - é apenas o estado natural das coisas, onde inexiste a ideia do certo ou errado, ou seja, a ética e a moral não entram na apreciação. Os deuses venerados e os maus espíritos são igualmente reverenciados, o que torna desimportante um enquadramento ético para esses seres. A ética ou a sua ausência, ainda que temporária, é aceita como natural aos deuses, tal qual nos humanos. Não que seja impossível apreciar sob esse ângulo - na mitologia, os principais deuses têm seus momentos de cólera ou decepção - , mas o xintoísmo não se ocupa disso, porque não tem importância, não é significante, ensina Nyozekan Hasegawa (HASEGAWA, 1939, p.10). Ao japonês como crença e prática do xintoísmo, basta-lhe estar no Caminho, ou seja, ser naturalmente si próprio. O japonês primevo era já um ser despreocupado com o enquadramento ético, era "naturalmente puro, santo e correto", afirmava Griffis (GRIFFIS, op. cit., p. 72). O japonês não se sente vigiado, não conhece punição e recompensa como mecanismos ligados às ações provenientes do seu arbítrio. Não existe a ideia de que deuses punem comportamento contrário à sua vontade e premiam os que lhes obedecem. "Recompensas e punições não são oferecidas como meio de tornar o homem bom" (HITCHCOCK, 1893, p. 503). Nesse sentido, inexiste uma pedagogia divina para a educação do homem. 16 .Muro Kiuso considera o amor como a essência do Caminho, a virtude cardeal. "[...] assim como o homem morre quando seu pulso para, então também, seu coração morre quando o princípio do amor perece. Por isso o amor pode ser chamado a vida do coração" (apud in op. cit. HARADA, p.58). Ainda com foco na naturalidade interior, Nakae-Toju identifica o Michi com "a verdade adquirida com o conhecimento de si mesmo" que provém não do mundo à nossa volta nem de livros, senão do nosso próprio interior, isto é, "da nossa alma" (idem). O conhecimento então está no nosso interior, na nossa alma divina. Para esse comentarista o Caminho é algo imanente, invisível, imperceptível, mas onipresente em nossas vidas. "É o que habita no universo, assim como a alma habita o homem". (ibidem p. 61) Seguir o caminho não é obedecer, se submeter à vontade de um ser superior; é apenas viver, ser si próprio. Tão natural como apreciar flores da cerejeira: para isso não é preciso nada, apenas o coração em sintonia com a beleza da flor, ou como dizem os zen-budistas e haicaístas, sentir seu coração, uma flor de cerejeira. (D. T. SUZUKI in FROMM, 1960, p. 13, 21). Para o homem nipônico “michi” é mais do que conceito filosófico, regra de vida ou mandamento religioso. É a própria essência da vida. Na sua obra “The Faith of Japan”, o professor Tasaku Harada, assim se expressa a esse respeito: Por michi, a via, entende-se um conceito misterioso, não formulado, e, todavia, influente, que é acompanhado de terror religioso e de solenidade. O termo michi é provavelmente o mais expressivo de todo o vocabulário japonês em matéria de ética e de religião. A princípio, e como na língua corrente, significa carreira ou caminho. Em religião e em ética, significa via, ensinamento, doutrina ou, como às vezes se traduz, princípio. (O seu equivalente chinês é tao). Na sua presença, respira-se uma atmosfera edificante. Um homem de michi é um homem de caráter, um justo, que tem princípios e convicções e que obedece à natureza da sua humanidade. Acusar alguém de se ter afastado do michi é um insulto, porque isso implica perversidade para com aquilo que existe de mais essencial no homem. Michi é uma componente recebida do Céu, é o ideal celeste que deve ser realizado na humanidade. Michi é também o modo de vida que nos é dado como ideal e que aceitamos seguir. Diz-se que o confucionismo é o michi dos sábios e dos sensatos, o budismo o michi de Buda, o xintô o michi dos kami. A moralidade é michi, a harmonia entre a vida e o ideal, e considera-se mesmo que a razão constitui a essência do michi. Mas, seja qual for o sentido em que se empregue, michi exprime uma convicção muito profunda e sincera que liga o indivíduo, de maneira solenemente impressionante, à altura e à profundidade do grande Todo. Ele implica que a essência da vida humana se liga a uma vida sobre-humana. Num poema de Michizane Sugawara, lê-se: “Se no secreto do nosso coração/ Seguirmos a via sagrada/ Os deuses certamente nos terão em sua guarda/ Mesmo que nunca lhes dirijamos nenhuma oração”. [...] kannagara representava o ideal religioso do povo, “uma obediência inconsciente à via”, que julgavam existir desde tempos imemoriais. Agir em conformidade com o curso da Natureza, sem esforço consciente, obedecendo ao impulso que nos sugere a nossa constituição, é, para o xintô, a mais elevada virtude. Esse curso da Natureza é a vontade dos 17 .deuses. A vontade dos deuses realiza-se em tudo o que age naturalmente. Encontramos aí uma extrema simplicidade, uma fé total na justeza do que é natural. Tal é o coração do michi japonês ( HARADA, op. cit., p.50 traduções de José Pinto apud in op. cit. ROCHEDIEU, p. 108-109). O santuário xintô e o culto Como vimos, nascido e cultuado no meio da natureza, os santuários são invariavelmente localizados em meio a árvores, alguns no meio de florestas, perto de montanhas ou corrente de água. É comum a veneração de árvores no Xintô. Em tempos antigos, o termo mori (floresta) era sinônimo de santuário e as árvores do entorno, chamadas de kannabi (abrigo dos deuses) (ONO, op. cit., p. 98). Diante dos santuários, sem que se compreenda nada, pode-se ser um adorador, impressionar-se com as indefectíveis árvores, o lago, o ambiente, independentemente da especificidade que sustente aquele santuário (HERBERT, 1964, p. 24). Nos santuários não se dá importância ao aspecto filosófico ou doutrinário que sustentam a fé, mas aos fatos históricos e costumes que o envolvem. Quase nada se encontra que fale sobre a natureza do kami, dos ritos e práticas do santuário (ONO, op. cit., p. 92). O estudioso Yanagita Kunio afirma que “não há nos santuários xintoístas instrução doutrinária e só se aprende o xintoísmo pela convivência e pelo exemplo”(apud in BARROS, 1988, p. 46). O santuário e seus ritos, aceitos como símbolos da fé comunitária, ao mediarem a relação do homem com os deuses, faz as instruções doutrinárias desnecessárias (ONO, op. cit., p. 11) De fato, os japoneses mais seguem os exemplos e tiram lições de conduta das personagens mitológicas do que obedecem a alguma instrução ou mandamento. Não há combate do mal com o bem. Nos seus primórdios também não havia necessidade de templo ou santuário. Como vimos, as celebrações eram feitas ao ar livre, geralmente à beira de um rio, cachoeira ou no elevado de uma colina, num espaço cercado para esse fim. Fala sobre o santuário xintô Jean Herbert: O templo xintô é uma manifestação visível e sempre eficaz da relação de consanguinidade que existe entre o indivíduo e o mundo inteiro, a humanidade, os seres vivos e não vivos, os mortos, a terra toda, os corpos celestes e os deuses, qualquer que seja o nome que se lhes dê. A pessoa que entra no templo torna-se mais ou menos consciente, inevitavelmente, desta relação íntima e, a certa altura, dá-se conta de que todos os sentimentos de ansiedade, de antagonismo, de solidão, de desânimo, desaparecem, do mesmo modo que a criança vem repousar tranquilamente nos braços da mãe. Uma sensação quase palpável de paz e de segurança invade o visitante à medida que vai avançando para o interior do recinto sagrado .... ( HERBERT, 18 .1964, p. 155-156, tradução de José Pinto apud in op. cit. ROCHEDIEU, p. 129-130). Produto desse sentimento de irmandade, o xintoísmo "é essencialmente o credo que afirma a vida", e trata muito pouco da morte e do mundo pós-morte. (LITTLETON, op. cit., p. 89). Suas cerimônias e ritos comemoram não apenas o cotidiano do indivíduo como nascimento, aniversário e casamento, mas também os da comunidade e da nação (ONO, op. cit., p. 50). Crê-se no xintoísmo que o tama (espírito) por algum tempo ainda exerça influência na vida antes de se tornar um antepassado kami (entidade elevada, deus) da família à qual pertenceu, o que dá raízes identitárias à ancestralidade da família ou do clã. (idem). Alguns se tornavam até mesmo o kami venerado por trabalhadores de sua guilda. (HEARN, 1984, p. 124) Os aprendizes eram introduzidos no trabalho e no culto ao kami de seus colegas (ibidem p.125). Havia profunda identificação entre o trabalho e o Xintô. O carpinteiro vestido como monge xintô, invocava a proteção de deuses e realizava certos ritos ao designar o local de sua obra (idem). O alfageme submetia-se a ritual religioso na confecção de sua espada: "trabalhava vestido como monge, submetia-se a ritos de purificação enquanto trabalhava para obter uma boa lâmina". Seu local de trabalho era protegido pela corda sagrada shimenawa, onde não entrava nem seus familiares e só se alimentava de comida preparada no fogo sagrado. Durante seu trabalho não falava com ninguém, nem mesmo com gente de sua família (idem). O culto extremamente simples, é feito diante de um oratório doméstico (kamidana). Crê-se que os espíritos (kami e ancestrais) protegem sua família e "não deixam de servir ao seu senhor, aos pais, à esposa e aos filhos, como quando estavam ainda em vida" (Hirata apud in BRILLANT et alii, op. cit., p. 183). O kamidana deve estar sempre limpo e imaculado. Oferecem-se geralmente pequenas porções de comida e água; é costume também oferecer coisas de que o morto gostava (ONO, op. cit., p.59). Porta-se como se o familiar venerado estivesse ainda vivo, oferecendo-lhe ou comunicando-lhe promoções, recebimento de salários, diplomas, nascimentos, casamentos e todo fato importante da família, como expressão de agradecimento (idem). Idealmente o ritual deve ser diário, mas não se lhes devotam mais do que os cumprimentos e gentilezas que fazemos quotidianamente aos nossos familiares. As crianças costumam fazer a comunicação no kamidana de suas notas escolares, antes mesmo de exibi-las aos pais (HERBERT, 1964, p. 250). Sobre o culto familiar, discorre Wenceslau: [...]os avós, pelas suas próprias virtudes durante a apagada existência, e pelas propiciações que os vivos lhes tributam, no desempenho dos ritos familiares. Abraço. Davi
quinta-feira, 3 de setembro de 2026
OS ANALECTOS - LIVRO XIV
Confucionismo. www.https//rt.br. OS ANALECTOS – LIVRO XIV. 1. Hsien perguntou sobre a vergonha. O Mestre disse: “É vergonhoso fazer do salário seu único objetivo, indiferente quanto a se o Caminho prevalece no reino ou não”. “Manter-se longe da tentação de tentar agir em proveito próprio, de jactar-se de si mesmo, de guardar rancores e de ser ambicioso pode ser considerado ‘benevolente’?” O Mestre disse: “Pode ser considerado ‘difícil’, mas não sei se se trata de benevolência”. 2. O Mestre disse: “Um cavalheiro que é apegado ao conforto não merece ser chamado de Cavalheiro”. 3. O Mestre disse: “Quando o Caminho prevalece no reino, fale e aja destemidamente e com altivez; quando o Caminho não prevalece, aja destemidamente e com altivez, mas fale com reserva e de modo suave”. 4. O Mestre disse: “Um homem de virtude com certeza é o autor de dizeres memoráveis, mas o autor de dizeres memoráveis não é necessariamente virtuoso. Um homem benevolente com certeza é corajoso, mas um homem corajoso não necessariamente é benevolente”. 5. Nan-kung K’uo perguntou a Confúcio: “Tanto Yi, que era bom no tiro com arco, e Ao, que era tão bom marinheiro que podia fazer um barco navegar sobre a terra seca, tiveram mortes violentas, enquanto Yü e Chi, que ajudaram a semear as lavouras, dominaram o Império”. O Mestre nada replicou. Depois que Nan-kung K’uo foi embora, o Mestre comentou: “Quão cavalheiro é esse homem! Como ele reverencia a virtude!”. 6. O Mestre disse: “Podemos supor que há casos de cavalheiros que não são benevolentes, mas não há um homem vulgar que seja, ao mesmo tempo, benevolente”. 7. O Mestre disse: “É possível amar alguém sem fazer com que essa pessoa trabalhe duro? É possível dar o melhor de si por alguém sem educá-lo?”. 8. O Mestre disse: “Ao redigir o texto de um tratado, P’i Ch’en escrevia o rascunho, Shih Shu fazia comentários, Tzu-yü, o mestre de protocolo, fazia os retoques, e Tzu-ch’an de Tung Li o embelezava”. 9. Alguém perguntou sobre Tzu-ch’an. O Mestre disse: “Era um homem generoso”. Amesma pessoa perguntou por Tzu-hsi. O Mestre disse: “Aquele homem! Aquele homem!”. Então perguntou sobre Kuan Chung. O Mestre disse: “Era um homem. [145] Tomou trezentas casas do domínio da família Po na cidade de P’ien, e Po, obrigado a viver apenas de arroz comum, não disse uma só palavra em reclamação, até o fim dos seus dias”. 10. O Mestre disse: “É mais difícil não reclamar da injustiça quando pobre do que não se comportar com arrogância quando rico”. 11. O Mestre disse: “Meng-kung ch’uo seria mais do que qualificado para o cargo de administrador de grandes e nobres famílias como Chao ou Wei, mas ele não seria qualificado para o cargo de ministro, nem mesmo em um pequeno reino como T’eng ou Hsüeh”. 12. Tzu-lu perguntou sobre o homem completo. O Mestre disse: “Um homem tão sábio quanto Tsang Wu-chung, tão livre de desejos quanto Meng-kung-ch’uo, tão corajoso quanto Chuang-tzu de Pien e tão talentoso quanto Jan Ch’iu, que é mais refinado em matéria de ritos e música, pode ser considerado um homem completo”. Então acrescentou: “Mas para ser um homem completo hoje em dia não é necessário ter todas essas coisas. Se um homem, à vista de uma vantagem a ser obtida, lembra-se do que é certo, se, em face do perigo, está pronto para dar a própria vida e se não esquece seus princípios mesmo quando passa por longos períodos de dificuldade, então ele pode ser chamado de completo”. 13. O Mestre perguntou a Kung-ming Chia sobre Kung-shu Wen-tzu: “É verdade que o seu Mestre nunca falava, nunca ria e nunca aceitava?”. Kung-ming Chia respondeu: “Seja lá quem for que disse isso, exagerou. Meu Mestre falava apenas quando era o momento de ele falar. De modo que as pessoas nunca se cansavam da sua fala. Ria apenas quando se sentia feliz. De modo que as pessoas nunca se cansavam do seu riso. Aceitava alguma coisa apenas quando era certo que o fizesse. De modo que as pessoas nunca achavam que ele aceitava demais”. O Mestre disse: “Será que essa pode ser a explicação correta para o modo como ele era?, é o que me pergunto”. 14. O Mestre disse: “Tsang Wu-chung valia-se do seu domínio sobre o seu feudo para exigir que esse fosse reconhecido como hereditário. Se alguém dissesse que ele não estava coagindo o seu senhor, eu não acreditaria”. 15. O Mestre disse: “O duque Wen de Chin era hábil e lhe faltava integridade. O duque Huan de Ch’i, por outro lado, tinha integridade e não era hábil”. 16. Tzu-lu disse: “Quando o duque Huan mandou matar o príncipe Chiu, Shao Hu morreu pelo príncipe, mas Kuan Chung, não”. Ele acrescentou: “Nesse caso, faltou benevolência a este último?”. O Mestre disse: “Foi por causa de Kuan Chung que o duque Huan pôde, sem ter de demonstrar força, reunir nove vezes os senhores dos estados feudais. Essa era a sua benevolência. Essa era a sua benevolência”. 17. Tzu-kung disse: “Não acho que Kuan Chung fosse um homem benevolente. Não apenas ele não morreu pelo príncipe Chiu, mas viveu para ajudar o duque Huan, que havia mandado assassinar o príncipe”. O Mestre disse: “Kuan Chung ajudou o duque Huan a se tornar o líder dos senhores feudais e a evitar que o Império entrasse em colapso. Até hoje, o povo ainda goza dos benefícios dos seus atos. Não fosse por Kuan Chung, poderíamos muito bem estar usando os cabelos soltos e dobrando nossos trajes à esquerda. [146] Certamente ele não foi como o homem ou a mulher que, por causa de suas pequenas fidelidades, cometem suicídio em uma vala sem que ninguém se aperceba”. 18. O ministro Chuan, que tinha sido um oficial na casa de Kung-shu Wen-tzu, foi promovido a um alto cargo no governo, servindo lado a lado com Kung-shu Wentzu. Ao ouvir isso, o Mestre comentou: “Kung-shu Wen-tzu merecia o epíteto ‘wen’”. [147] 19. Quando o Mestre falou sobre a absoluta falta de princípios morais de parte do duque Ling de Wei, K’ang Tzu comentou: “Sendo esse o caso, como é que ele não perdeu seu reino?”. Confúcio disse: “Chung-shu Yü era o responsável pelos visitantes estrangeiros, o sacerdote T’uo pelo templo ancestral, e Wang-sun Chia pelas questões militares. Sendo esse o caso, que possibilidade haveria de o duque perder o reino?”. 20. O Mestre disse: “Promessas feitas imodestamente são difíceis de cumprir”. 21. Ch’en Ch’eng Tzu matou o duque Chien. Depois de lavar-se cuidadosamente, Confúcio foi à corte e reportou-se ao duque Ai, dizendo: “Ch’en Heng matou seu próprio senhor. Posso pedir que um exército seja enviado para puni-lo?”. O duque respondeu: “Diga isso aos Três Senhores”. [148] Confúcio disse: “Reportei-o ao senhor simplesmente porque tenho o dever de fazê-lo, já que ocupo lugar junto aos ministros, mas mesmo assim o senhor diz: ‘Diga aos Três Senhores’”. Ele foi e reportou-se aos Três Senhores, e eles recusaram seu pedido. Confúcio disse: “Reporto isso aos senhores simplesmente porque tenho o dever de fazê-lo, já que ocupo um lugar junto aos ministros”. [149] 22. Tzu-lu perguntou sobre o modo correto de servir um senhor. O Mestre disse: “Certifique-se de que não está sendo desonesto quando ficar frente a frente com ele”. 23. O Mestre disse: “O progresso do cavalheiro é para cima; o progresso do homem vulgar é para baixo”. [150] 24. O Mestre disse: “Os homens de antigamente estudavam para aprimorar a si próprios; os homens de hoje estudam para impressionar os outros”. 25. Ch’ü Po-yü enviou um mensageiro a Confúcio. Confúcio sentou-se com ele e perguntou-lhe: “O que faz o seu Mestre?”. Ele respondeu: “Meu mestre tenta reduzir seus erros, mas não tem obtido êxito”. Quando o mensageiro foi embora, o Mestre comentou: “Que mensageiro! Que mensageiro!”. 26. O Mestre disse: “Não se preocupe com questões de governo a menos que sejam da sua alçada”. [151] Tseng Tzu comentou: “O cavalheiro não permite que seus pensamentos devaneiem além do seu cargo”. 27. O Mestre disse: “O cavalheiro tem vergonha de que suas palavras sejam mais ambiciosas que suas ações”. 28. Os cavalheiros têm sempre três princípios em mente, nenhum dos quais consegui seguir: ‘O homem benevolente nunca fica aflito [152] ; o homem sábio nunca fica indeciso [153] ; o homem corajoso nunca tem medo’”. [154] Tzu-kung disse: “Aquilo que o Mestre acaba de citar é uma descrição de si mesmo”. 29. Tzu-kung era dado a classificar as pessoas. O Mestre disse: “Quão superior é Ssu! De minha parte, não tenho tempo para essas coisas”. 30. O Mestre disse: “Não é quando os outros falham em apreciar as suas habilidades que você deveria ficar incomodado, [155] mas sim quando essas habilidades de fato faltam”. 31. O Mestre disse: “Não é superior um homem que, sem antecipar traições ou prever atos de má-fé, é, ainda assim, o primeiro a perceber quando tais ações ocorrem?” 32. Wei-sheng Mu disse a Confúcio: “Ch’iu, por que está tão inquieto? Está, talvez, tentando se exibir?”. Confúcio respondeu: “Não sou tão impertinente a ponto de me exibir. Só que detesto a inflexibilidade”. 33. O Mestre disse: “Um bom cavalo é exaltado por suas virtudes, não por sua força”. 34. Alguém disse: “‘Pague uma injúria com uma boa ação’. [156] O que você acha desse ditado?”. O Mestre disse: “Com o quê, então, você paga uma boa ação? Deve-se pagar a injúria com a retidão, mas pagar com uma boa ação apenas uma boa ação”. 35. O Mestre disse: “Ninguém me entende”. Tzu-kung disse: “Como assim, ninguém o entende?”. O Mestre disse: “Não estou reclamando do Céu, tampouco culpo os homens. Em meus estudos, começo de baixo e vou em direção às coisas mais elevadas. Se sou compreendido de algum modo, é, talvez, pelo Céu.” 36. Kung-po Liao falou mal de Tzu-lu para Chi-Sun. Tzu-fu Ching-po relatou-o, dizendo: “Meu Mestre mostra sinais inequívocos de estar sendo influenciado por Kung-po Liao, mas ainda tenho influência suficiente para expor seu cadáver no mercado público”. O Mestre disse: “Se o Caminho prevalece, é o Destino; também é o Destino se o Caminho cai em desgraça. Como pode Kung-po Liao desafiar o Destino?”. 37. O Mestre disse: “Homens que evitam o mundo vêm em primeiro lugar; aqueles que evitam um lugar em particular vêm em seguida; aqueles que evitam um olhar hostil, em seguida; aqueles que evitam palavras hostis vêm por último”. O Mestre disse: “Houve sete que se levantaram”. [157] 38. Tzu-lu preparava-se para passar a noite no Portão de Pedra. O porteiro disse: “De onde você vem?”. Tzu-lu disse: “Da família K’ung”. “Do K’ung que continua perseguindo um objetivo que ele sabe ser impossível?” 39. Enquanto o Mestre estava tocando os sinos de pedra em Wei, um homem que passava em frente à porta, carregando um cesto, disse: “O modo com que ele toca os sinos de pedra está carregado de sentimento”. Mas logo em seguida, disse: “Que medíocre esta musiquinha. Se ninguém entende este homem, [158] então ele deveria desistir, isso é tudo. Quando a água é funda, caminhe devagar; Quando é rasa, erga seu traje e caminhe”. [159] O Mestre disse: “Ele é muito decidido, de fato. Contra tal determinação, não pode haver qualquer argumento”. 40. Tzu-chang disse: “O Livro da História diz: Kao Tsung confinou-se no seu casebre, enlutado, e por três anos permaneceu em silêncio. [160] O que isso significa?”. O Mestre disse: “Não há necessidade de recorrer a Kao Tsung para exemplo. Isso sempre foi assim entre os homens de antigamente. Quando o governante morria, todos os oficiais juntavam-se e apresentavam-se ao primeiro-ministro e, por três anos, aceitavam seu comando”. 41. O Mestre disse: “Quando aqueles que governam são observadores dos ritos, o povo será facilmente comandado”. [161] 42. Tzu-lu perguntou sobre o cavalheiro. O Mestre disse: “Ele cultiva a si próprio e, portanto, obtém respeito”. “Isso é tudo?” “Ele cultiva a si próprio e, portanto, traz paz e prosperidade aos seus semelhantes.” “Isso é tudo?” “Ele cultiva a si próprio e, portanto, traz paz e segurança às pessoas comuns. Até mesmo Yao e Shun achariam penosa a tarefa de trazer paz e segurança às pessoas.” 43. Yüan Jang esperava sentado, com as pernas bem abertas. O Mestre disse: “Não ser nem modesto nem deferente quando jovem, não conquistar nada válido na idade adulta e recusar-se a morrer quando velho, isto é o que eu chamo de um parasita”. E assim dizendo, o Mestre cutucou-lhe o queixo com seu cajado. 44. Depois que um garoto de Ch’üeh anunciou um visitante, alguém perguntou sobre ele: “Trata-se de alguém que progredirá?”. O Mestre disse: “Já o vi afirmando que ocupará um cargo e andando lado a lado com seus colegas mais velhos. Ele não quer progredir. Ele está atrás de resultados rápidos”. www.https//rt.br. Abraços. Davi