segunda-feira, 9 de março de 2026

KARMA YOGA - O RETO CUMPRIMENTO DA AÇÃO

Hinduísmo. Bhagavad Gita - A Mensagem do Mestre. KARMA YOGA - O RETO CUMPRIMENTO DA AÇÃO - Capítulo III. Tudo que o homem faz com motivos pessoais é sem valor para o Eterno. Para atingirmos a salvação e a união com Deus, havemos de agir sem motivos egoístas. Sem tomar em consideração o nosso próprio Eu pessoal. Entregando-nos a Verdade Eterna como um instrumento na mão de Deus. Assim cumprindo o nosso dever por ser dever, sem pedir recompensas. 


1. Falou Arjuna, o príncipe Pandava, a Krishna, o Senhor Bem-aventurado, dizendo: Oh Conferidor do saber! Disseste-me que o conhecimento é até mais importante do que a ação. Se assim é, por que me incitas a ação? Por que queres que eu entre nesta horrível batalha com meus parentes e amigos? 2. Tuas ambiguas palavras me trazem dúvidas e me confundem o entendimento. Dize-me, peço-te, em frases claras e certas, qual é o caminho que me conduzirá a Paz e a satisfação? 3. Respondeu Krishna, o Divino: Como já te disse, oh nobre príncipe, há dois caminhos que vão a Perfeição. O primeiro é do Conhecimento (3) Sanhya. E o segundo o da Ação (3) Yoga. Uns preferem o primeiro, e outros, o segundo desses dois caminhos. Sabe, porém, que considerados do alto, ambos são um só caminho Escuta! 4. Engana-se quem pensa que, esquivando-se das ações e persistindo na inatividade, escapa dos resultados da ação. Qume nada começa, não pode entrar no estado da Paz Etern. A inatividade não conduz a Perfeição. E, na realidade, nem há coisas que se possam designar pela palavra inatividade. Pois tudo, no Universo, está em atividade constante e nada pode subtrair-se a lei geral. 5. Ninguém pode ficar inativo nem um instante, pois as leis de sua natureza, o impelem constantemente a fazer alguma coisa, queira ele ou não. O seu corpo ou a sua mente, ou ambos, sempre estáo ocupados. 6. Se alguém se assenta pra reter a dominar os seus sentidos e os órgãos de atividade. Mas em sua mente, está apegado aos objetos dos sentidos. Ilude-se e merece o nome de hipócrita. 7. Porém, é digno de ser chamado sábio e sobre aquele que sujeitou os seus sentidos a Deus, pelo amor ao Altíssimo. Expressando o seu reto pensar em reta ação, ele cumpre o seu dever sem esperar recompensas. Ocupando-se de objetos dos sentidos, não se deixa dominar por ele. 8. Faze bem o que te compete fazer no mundo. Cumprindo bem as tuas tarefas, ocupando-te da obra que encontras para fazê-la o melhor possível. Assim será muito bom para ti. Atividade é melhor do que ociosidade, fortalecendo a mente e o corpo. Conduzindo a vida longa e normal. A ociosidade enfraquece tanto a corpo como a mente, e conduz a uma vida impotente e anormal, de duração incerta. 9. Os homens estão aferrados a este mundo, porque agem com o fim de obter recompensas e ganho. Estão apegados aos objetos de seus desejos. Por isso, cansam-se na escravidão dos sentidos. Para se libertarem, hão de agir com resignação, movidos pelo puro amor ao Bem. Fase, pois oh Arjuna a tua tarefa, para cumprires o dever que o Eu Real te impõe, e não por qualquer outro motivo. 10. Lembras-te das doutrinas antigas que narram a criação do mundo. As palavras que o criador disse aos homens que tinha criado. Ouve, as repetirei: Pela adoração e pelo sacrifício crescereis e vos multiplicareis. Pela resignação, obtereis a satisfação dos vossos desejos. 11. Lembrai-vos da Fonte de todas as coisas, do distribuidor dos objetos desejados. Pensai no que é Divino, para que o Divino pense em vós. 12. Se nutrirdes, com o sacrifício de vós mesmos, os deuses, eles vos darão o desejado alimento espiritual. Quem recebe os dons dos deuses e não lhes mostra a gratidão, é como um ladrão. 13. Os bons homens que retêm para si só aquilo que resta depois de erem oferecido à Divindade tudo o que é divino. São livre de todos os pecados. Todavia, os maus que querem agir só para si mesmos, vivem em pecado. 14. Todas as criaturas tanto as espirituais como os materiais, vivem, enquanto se alimentam. O alimento cresce com a chuva. A chuva é mandada pelos deuses em resposta aos desejos, as preces e as súplicas dos homens. Sendo essas formas de ações que procedem da Vida Una que tudo penetra. 15. Sabe que toda ação tem sua origem em Brahma que é a revelação da Indivisível Unidade. Por isso, Brahma, que tudo penetra, é sempre presente nas tuas ações. 16. É vã e vergonhosa a vida do que, vivendo neste mundo de ação, tente abater-se da ação. Quem gozando o fruto da ação do mundo ativo, não coopera, mas vive em ociosidade. Aquele que, aproveitando a volta da roda, em cada instante de sua vida, não quer por a mão à roda pra ajudar a movê-la. É um parasita e um ladrão que toma sem dar coisa alguma em troca. 17. Sábio é, porém, aquele que cumpre bem os seus deveres a executa as obras que são para fazer-se no mundo. Renunciando a seus frutos e concentrado na ciência do Eu Real. 18. Tal homem, elevado acima dos mundos, não se inquieta por saber se alguma coisa no mundo acontece ou não acontece. Achando em si mesmo tudo de que precisa, não tem necessidade de refugiar-se em nenhum ser criado. Para nele achar apoio. Participando de tudo e agindo em tudo, de acordo com os ditames do deve. De nada depende porque a sua fé, esperança e ciência se fixam no Imperecível que é o único apoio seguro. 19. Faze, pois, o que deve ser feito, porém, sem egoísmo e sem considerações pessoais. Quem age assim e cumpre o seu dever, livre de motivos egoístas, e sem depender de alguém. Caminha com passos firmes, diretamente à Consciência Superior, ao plano espiritual. 20. Janaka e muitos outros atingiram o estado de perfeição por meio de boas obras e reta ação. Trabalha, pois, também tu por amor a humanidade. 21. Quando um nobre homem faz alguma coisa, os outros o imitam. O exemplo que ele dá é seguido pelo povo. Segue, portanto, os melhores de tua raça. 22. Toma-me por exemplo, oh príncipe. Nada há, no Universo dos Universos, que eu deseje ou que seja necessário que  para mim não se faça. Nem há coisa alguma atingível que eu não tenha já atingido. E, contudo, estou em constante ação e movimento, agindo sempre e incessantemente. 23. Os homens, oh Arjuna, seguem sempre o meu exemplo. Por isso, se eu deixasse de ser ativo, estes Universos estariam em ruínas. 24. Se eu não agisse, começaria a reinar uma confusão universal. E minha inatividade seria a causa da destruição do gênero humano. 25. Como os que carecem ainda da Luz Espiritual fazem esforço para alcançar o que desejam. Sendo a esperança de recompensa e estímulo de suas ações. Assim deva o homem desenvolvido e iluminado agir abnegadamente pela causa do bem comum e conforme a Lei Universal. 26. Mas não deves confundir, com estas ideias, as cabeças dos homens inexperiente, cujo coração ainda está apegado as obras. Deixa-os fazer o melhor que podem. Mas tu e os outros sábios devem agir em harmonia comigo. Animando os outros a atividade, e dando-lhes o exemplo. 27. Toda atividade e todas as ações provêm dos movimentos das forças da Natureza. O insensato, que é iludido pela presunção e vaidade, pensa que ela é o ator e diz: Eu faço isto, eu fiz aquilo. 28. Mas quem conhece a verdade, sorri, porque detrás da personalidade, enxerga a fonte real da ação, a causa e o efeito. 29. Entretanto, os que conhecem a verdade inteira, devem acautelar-se para não ofuscarem com ela o fraco entendimento daqueles que ainda não estão preparados para conhecê-la. Porque as doutrinas prematuras poderiam confundir e desviar estes da sua atividade. 30. Tu porém, oh Arjuna, liberta-te de todos os cuidados, de todo medo e igualmente do egoísmo e das esperanças pessoais. Em meu nome (30) Isto é em nome de Deus - Krishna é a encarnação Divina. Faze tudo o que hás que fazer, concentrando todos os teus pensamentos no Altíssimo. 31. Os homens que, cheios de fé e confiança, seguirem estes meus ensinos e não tiverem dúvidas. Alcançarão a liberdade também pelas obras e ações. 32. Contudo, aqueles que rejeitam os ensinos da Verdade e agem contra eles, são insensatos e iludidos. Caindo em confusão e inquietações. 33. Cada ser age em conformidade com a sua natureza. Também o sábio procura o que se harmoniza com a sua própria natureza, de acorda com aquilo que é o mais alto no seu caráter. 34. Ninguém pode escapar às leis naturais. Os objetos sensuais são os senhores dos sentidos. Atraindo ou repelindo o coração do homem, enchendo de afeição ou de aversão. Não te deixes dominar por nenhuma destas duas forças, porque ambas são obstáculos no caminho e o sábio as subjugas ambas. 35. Finalmente, lembra-te que é melhor cumprir a própria tarefa, ainda que seja humilde e insignificante. Do que querer fazer a tarefa de um outro, por meais nobre e excelente que seja. É melhor morrer no cumprimento do seu dever do que viver negligenciando-o e querendo fazer o que a outros compete fazer. 36. Pergunta Arjuna: Mas dize-me, ó Senhor, que força misteriosa é essa que, muitas vezes, parece obrigar o homem a praticar um mal. Até contra a própria vontade? 37. Explica Krishna: Esta tentação, ó príncipe, é a essência dos desejos que o homem em si acumulou (37) Em sânscrito, idioma hindu, dá-se o nome de kama, não confundir com karma. Ela é o seu maior inimigo, chamando-se paixão. Nasce da natureza carnal, cheia de pecado e de erro, atacando o homem para o consumir.  38. Como a fumaça envolve a chama, a ferrugem o metal, o útero a criança que nasce, ataca o homem - paixão - para o consumir. 39. O desejo impede o verdadeiro saber. Ele é como um fogo devorador, difícil de extinguir-se. 40. Os sentidos e a mente são a sua sede. Por meio deles, confunde o discernimento e obscurece o conhecimento da Verdade. 41. Antes de tudo, deves, portanto, vencer esse inimigo de tua alma. Domina os teus sentidos e os seus órgãos, afugentando de ti esse gerador do mal. 42. Os sentidos são grandes e poderosos, porém, maior e mais poderosa é a mente. Maior do que esta é a Razão, e o mais forte é o Eu Real, a Luz da Divindade (42) Os sentidos que são a sede do desejos, designam em sânscrito pelo termo kama, a morte chama-se Mamas. A Razão Iluminada, Budhi. O Eu Real, a Consciência da Divindade, Atma. 43. Reconhecendo pois o Eu Real como o Senhor mais poderoso, Domina pelo seu poder o eu pessoal, subjugando do monstro de desejo. Esta tarefa é difícil, mas não impossível. Combate o desejo, domina-o pela força da Luz Divina do Eu Real. Não deixes ser teu Senhor, mas reduze-o a ser teu escravo! Abraço. Davi. 

sexta-feira, 6 de março de 2026

OS ANALECTOS - LIVRO IV

Confucionismo. www.rl.art.br. OS ANALECTOS – LIVRO IV. Texto de Confúcio (551 AC 479). 1. O Mestre disse: “A benevolência constitui o mais belo aspecto de uma vizinhança. Como pode ser considerado sábio um homem, que quando tem a possibilidade, não se estabelece numa vizinhança benevolente?”. 2. O Mestre disse: “Quem não é benevolente não pode permanecer por muito tempo em uma situação difícil e tampouco pode permanecer durante muito tempo em circunstâncias favoráveis. “O homem benevolente é atraído pela benevolência porque ele se sente confortável com ela. O homem sábio é atraído pela benevolência porque percebe que ela lhe é favorável”. 3. O Mestre disse: “Apenas o homem benevolente é capaz de gostar ou de não gostar de outros homens”. 4. O Mestre disse: “Se um homem aplica o seu coração no caminho da benevolência, ele estará livre do mal”. 5. O Mestre disse: “Riqueza e posições altas são o que os homens desejam, mas a menos que eu as conseguisse do jeito certo, eu não as manteria. Pobreza e posições baixas são o que os homens não querem, mas mesmo se eu não as conseguisse do modo certo, eu não tentaria escapar delas. “Se o cavalheiro abandona a benevolência, de que modo pode ele construir um nome para si? Um cavalheiro nunca abandona a benevolência, nem mesmo pelo pouco tempo que demora para se comer uma refeição. Se ele se apressa e tropeça, pode-se ter certeza de que é na benevolência que ele o faz”. 6. O Mestre disse: “Nunca conheci um homem que amasse a benevolência ou um homem que odiasse a ausência dela*. Um homem que ama a benevolência não pode ser superado. Um homem que odeia a falta de benevolência pode, talvez, ser considerado benevolente, pois ele não permitiria que aquilo que não é benevolente contaminasse sua pessoa. “Existe um homem que, pelo período de um só dia, seja capaz de dedicar toda a sua força à benevolência? Nunca conheci um homem cuja força seja insuficiente para essa tarefa. Deve haver casos de força insuficiente, mas simplesmente não os encontrei”. 7. O Mestre disse: “Os erros de um homem são condizentes ao tipo de pessoa que ele é. Observe os erros e você conhecerá o homem”. 8. O Mestre disse: “Não viveu em vão aquele que morre no dia em que descobre o Caminho”. 9. O Mestre disse: “Não há razão de buscar as opiniões de um Cavalheiro que, apesar de aplicar seu coração no Caminho, tenha vergonha da comida simples e de suas roupas pobres”. 10. O Mestre disse: “Nas suas relações com o mundo, o cavalheiro não é rigidamente contra ou a favor de nada. Ele fica do lado daquilo que é justo”. 11. O Mestre disse: “Enquanto o cavalheiro acalenta o bom governo, o homem vulgar acalenta sua terra natal. Enquanto o cavalheiro acalenta respeito pela lei, o homem vulgar acalenta um tratamento generoso”. 12. O Mestre disse: “Se as ações de alguém são guiadas pelo lucro, esse alguém provocará muitos ressentimentos”. 13. O Mestre disse: “Se um homem é capaz de governar um reino por meio da observação dos ritos e do respeito, que dificuldades terá na vida pública? Se ele é incapaz de governar um reino por meio da observação dos ritos e do respeito, de que lhe servem os ritos?” 14. O Mestre disse: “Não se preocupe por não ter um cargo oficial. Preocupe-se com as suas qualificações. Não se preocupe porque ninguém aprecia as suas qualidades. Procure ser merecedor de apreço”. 15. O Mestre disse: “Ts’an! Uma única linha amarra todo o meu pensamento”. Tseng Tzu assentiu. Depois que o Mestre tinha saído, os discípulos perguntaram: “O que ele quis dizer?” Tseng Tzu disse: “O caminho do Mestre consiste em dar o melhor de si e usar a si próprio como medida para julgar os outros. Isso é tudo.” 16. O Mestre disse: “O cavalheiro entende o que é moral. O homem vulgar entende o que é lucrativo”. 17. O Mestre disse: “Quando conhecer alguém melhor do que você, dirija seus pensamentos para tornar-se igual a essa pessoa. Quando conhecer alguém tão bom quanto você, olhe para dentro e examine a si próprio”. 18. O Mestre disse: “Ao servir seu pai e sua mãe, você deve dissuadi-los das ações erradas do modo mais gentil. Se você vir seu conselho ser ignorado, não deve se tornar desobediente, mas permanecer reverente. Não reclame, mesmo que, com isso, você se canse”. 19. O Mestre disse: “Enquanto seus pais estiverem vivos, não viaje para muito longe. Se o fizer, seu paradeiro deve sempre ser conhecido por eles”. 20. O Mestre disse: “Se, por três anos, um homem não se desviar do caminho do seu pai, ele pode ser chamado de um bom filho”. 21. O Mestre disse: “Um homem não deve desconhecer a idade do seu pai e da sua mãe. É, por um lado, uma razão para alegrias e, por outro, para ansiedade”. 22. O Mestre disse: “Na Antiguidade, os homens relutavam em falar. Isso porque consideravam vergonhoso se não conseguissem ser fiéis às suas palavras”. 23. O Mestre disse: “É raro que um homem apegado às coisas essenciais perca o autocontrole”. 24. O Mestre disse: “O cavalheiro procura ser suave no falar, mas rápido no agir”. 25. O Mestre disse: “A virtude nunca está sozinha. Está destinada a ter vizinhos”. 26. Tzu-y u disse: “Ser inoportuno com seu senhor significará humilhação. Ser inoportuno com os amigos significará afastamento. www.rl.art.br. Abraço. Davi. 

quarta-feira, 4 de março de 2026

CABALA - MITOS E VERDADES. Parte VI

 Judaísmo. Livro Um Guia para a Sabedoria Oculta da Cabala. Por Muchael Laitman (1946 - ). CABALA - MITOS E VERDADE. Parte VI. Baal HaSulam. O Ponto Principal. O objetivo da Cabala. BaalHaSulam e seus comentários sobre O Zohar e os escritos do Ari. A missão de Baal HaSulam. A urgência em revelar a Cabala. A Cabala nem sempre foi tão popular como é hoje. Quando começou, era o alvo de interesse de apenas um pequeno número de pessoas, que pesquisavam o sentido de suas vidas. Estes primeiros Cabalistas continuaram a desenvolvê-la através das gerações. Adaptando-a para os novos tempos. E assim, a Cabala tornou-se mais científica, como requer nossa geração. Este capítulo apresenta a forma como os textos cabalísticos funcionam e como tem se desenvolvido ao longo dos séculos para fazer sua sabedoria mais disponível e acessível a todos. Em particular, este capítulo aborda o trabalho do mais "universal" de todos os cabalistas: Rav Yehuda Ashlag (1884-1954). Rav Ashlag afirmou claramente que o estudo da Cabala está aberto para todos. E que a Cabala pode ser divulgada, distribuída e ensinada a todos, sem qualquer consideração de idade, raça, sexo ou religião. O Objetivo da Cabala. O objetivo da Cabala é criar um método para que as pessoas se tornem espiritualmente satisfeita. Como você já sabe, Cabala significa "recepção". A finalidade da vida neste mundo é que uma pessoa alcance o mais elevado nível de espiritualidade. Segundo a Cabala, às almas voltam repetidamente a este mundo até que esta meta seja atingida. O objetivo espiritual é diferente das aspirais criativas ou intelectuais. Como descrito no capítulo IV, a busca da espiritualidade é a fase final do desenvolvimento humano. A Cabala orienta e oferece um caminho para esta satisfação espiritual. O que os Livros de Cabala Podem fazer por você, e o que Não Podem. Escritores Cabalistas descrevem suas experiências e propõe recomendações para que outros possam seguir em seu caminho. Os livros de Cabala são relatos de suas viagens no Mundo Superior. Os livros de Cabala também têm desenhos que ilustram conceitos e eventos espirituais. É importante lembrar que as formas dos desenhos não são objetivos reais. Todavia imagens utilizadas para explicar estados espirituais no que se refere ao seu relacionamento com o Criador. Mas os livros de Cabala não lhe mostram o quadro completo. Para realmente saber o que são os mundos espirituais e senti-los, você tem que experimentá-los por si próprio. Cabalistas pensam em si próprios como guias turísticos cujo trabalho é leva-lo até um lugar e deixá-lo se admirar por si próprio. Por isso os textos que foram escritos para ensinar as descrições são parciais. Apenas o que é necessário saber para a espiritualidade, por você mesmo. Estes textos "didáticos" são O Livro do Zohar do Rashbi, A Árvore da Vida do Ari e o Estudo dos Dez Sefirot do Yehuda Aslag. Raiz - de Cima para Baixo. A Cabala explica que as raízes do nosso mundo são raízes espirituais, vindo de cima e não de baixo. As raízes vêm a partir da fonte, que está acimo deste mundo. Imagine raízes crescendo a partir do exterior de uma bolha. Porque você  está na bolha, a área de criação, as raízes vêm para você. Elas podem ser consideradas como cordões coloridos de festa pendurados a partir de cima. O principal objetivo desta sabedoria é possibilitar a revelação do Criador para suas criaturas, que somos nós. Cada raiz tem seu próprio ramo neste mundo, e tudo neste mundo é um ramo de alguma raiz na espiritualidade. Desta forma, os Cabalistas, "usam" neste mundo para se comunicar com a Criador. Para aprender seus caminhos, para que possam se tornar como Ele. Para evitar "uma comunicação errada" com o Criador, você precisará saber que ramo se relaciona com que raiz. A chegada do Ari e, em maior medida, a do Rav Aslag, marcou a mudança para uma nova e mais clara terminologia na Cabala. Os Cabalistas descrevem suas experiências internas e intelectuais usando metáforas e linguagem adequada para as almas de seu tempo. De tempos em tempos a linguagem torna-se não clara devido ao desenvolvimento das almas e requer novas explicações. Isto requer que sucessivos cabalistas escrevam interpretações para tornar esta viagem espiritual mais clara e mais acessível para nós. Por isso Rav Ashlag escreveu seu comentário sobre A Árvore da Vida, publicado em seu maior trabalho O Estudo dos Dez Sefirot. Os comentários do Rav Ashlag sobre A Arvore da Vida detalha os estágios, eventos e formas da criação da vida. Originalmente descritos pelo Ari. Ashlag fez uma coisa semelhante com O Livro do Zohar de Rashbi. Ele pegou o texto do Rashbi e o esclareceru em um comentário que ele chamou de HaSulam (A Escala). Por isso Rabbi Yehuda Aslag é também conhecido como Baal HaSlulam ( O Dono da Escada). O Maior Comentador. Nascido em 1884 em Varsóvia - Polônia, Baal HaSulam estudou Cabala com Rabbi Yehoshua de Porsov absolvendo a lei escrita e oral. Tornou-se um juíz e professor em Varsóvia quando tinha 19 anos. Em 1921 emigrou para Israel, então chamada Palestina, com sua família incluindo o seu primeiro filho, Baruch, que o sucederia mais tarde, esse, tornou-se o rabino de Givat Shaul em Jerusalém. Enquanto escrevia muitas outras importantes obras, tais como O Estudo das Dez Sefirot, ele também começou a escrever O Salum. Comentário sobre o Zohar em 1943. Ele terminou apenas 10 anos mais tarde, em 1953. Ele morreu no ano seguinte e foi enterrado em Jerusalém. Baal Hasulam é o único que conseguiu compor os  comentários do Zohar por completo e atualizado e dos escritos do Ari. Uma vez que foram escritos primeiros. Seus livros permitem que os Cabalistas estudem textos antigos, em linguagem moderna e são ferramentas indispensáveis pra aqueles que aspiram a alcançar espiritualidade. Em seu artigo: Tempo de Agir" Baal HaSulam conta que antes das impressões gráficas existirem. Quando escribas estavam em voga, ninguém se incomodava em dobrar suas costas pra copiar um livro com euforia já que não valeira pena. O tempo gasto, os custos e as velas de cera. Com o avanço da confecção de livros, teorias e conexões da Cabala foram reforçadas pelos autores, que começaram a publicar facilmente. Com muitas pessoas tentando defini-la, uma atmosfera de frivolidade desenvolveu-se em torno da Cabala. Portanto, o objetivo de Aslag em sua redação era a de revelar o que pudesse da verdadeira essência da Cabala. Na sua Introdução ao Livro do Zohar, Ashlag diz que ele deve escrever livros de Cabala, porque cada geração tem as suas próprias necessidades e, portanto, seus próprios livros. A nossa geração, também precisa de todos os livros que possamos compreender. Uma vez que os livros do Ari foram escritos centenas de anos atrás. O Livro do Zohar escrito quase 2000 atrás, ele tomou sobre si a interpretação deles para nós. Desta forma, podemos chegar a saber o que estes antigos Cabalistas sabiam, e experimentar os mundos espirituais por nó mesmos. A Chamada para o Tempo Certo. Mas a propagação da Cabala está acontecendo hoje não apenas como o resultado do aparecimento de livros incorretos e imprecisos. Ashlag explica na sua Introdução ao Livro do Zohar, e em muitos de seus escritos, que a propagação da Cabala é um dever hoje. Ele Explica que agora é o tempo em que o Profeta Jeremias se referia quando disse: "Porte eles todos deverão Me conhecer, do menor até o maior deles". Podemos tomar o nosso tempo e deixar que isso aconteça naturalmente. Mas Aslag afirma que essa decisão irá custar-nos muito, porque seremos compelidos a evoluir na espiritualidade pela própria natureza. Ele diz que a outra opção é a de estudar o que a natureza quer de nós e fazê-lo. Isto, de acordo com Ashlag, irá não só evitar o sofrimento do qual falava, mas vai nos mostrar como receber os prazeres que o Criador quer nos dar. Cabalistas antigos chamam estas duas opções de "em seu devido tempo" ou "acelerar o tempo". Hoje, de acordo com Ashlag, já não é simplesmente uma "boa ideia" a de compartilhar o conhecimento, é o apleo da hora. Por isso, sem mais delongas vamos mergulhar no coração da sabedoria e seus conceitos. Em Resumo: A Cabala fornece um método para atingir plenitude espiritual. Rav Yehuda Ashlag é creditado por tornar textos antigos e difíceis  de ler da Cabala em textos fáceis de interpretar. A Cabala evoluiu para um método de estudo sistemático e científico. A sabedoria da Cabala desaparece e reaparece quando o tempo fica maduro para a sua percepção, e agora chegou o momento. Abraço. Davi.

segunda-feira, 2 de março de 2026

A ANIQUILAÇÃO

Budismo. Livro O Evangelho de Buda. Vida e Doutrina de Sidarta Gautama. Por Yogi Kharishnanda. A ANIQUILAÇÃO. Numa ocasião, muitos cidadãos ilustres se reuniam na Casa do Povo e elogiavam o Buda, o Dharma e o Sangha. Entre eles se encontrava Simha, general dos exércitos reais, que pertencia a seita dos Nirgranthas, que dizia consigo: "Verdadeiramente o Bhagavad deve ser o Buda, o Santo. Quero vê-lo". Simha aproximou-se de Iryaraputra, o chefe da seita e disse-lhe: "Senhor, desejo ir ver o asceta Gautama". Iryataputra respondeu-lhe: Por que você, Simha, sabe que as ações dão seus resultados. Que ver o asceta que ensina aos seus discípulos a doutrina da inação e nega as consequências das ações? Por isso não teve Simha mais tanto desejo de ir ver o Gautama. Porém, como Simha ouvisse novamente enaltecerem o Buda, o Dharma e o Shanga, seu desejo de ir ver o Bem-aventurado foi reavivado. Contudo também dessa vez Iryataputra o dissuadiu. Todavia, pela terceira vez Simha ouviu elogios a grandeza do Buda, do Dharma e do Sangha ficou pensando. Certamente o asceta Gautama deve ser o Santo Buda. Irei vê-lo mesmo sem o consentimento dos Nirgranthas. Simha foi ver o Bhagavad e disse-lhe: Senhor, ouvi dizer que o asceta Gautama nega as consequências das ações ensinando a doutrina da inação. Dizendo que as ações dos homens não recebem recompensas, porque proclama a aniquilação. Responda-me, senhor: É certo que que ensinas que a alma do homem morre e se aniquila? Peço-lhe que me esclareça se os que dizem tal coisa enganam-se ou levantam ou levantam falso testemunho? O Bem-aventurado respondeu-lhe: Em parte, ó Simha, dizem a verdade os que assim falam de mim, mas em outra erram. Ouça-me: eu ensino que não devemos pensar, falar ou agir mal. Ensino que não devemos consentir com os estados de ânimo ou com as sinistras disposições. Ensino que nossos pensamentos, palavras e ações devem ser justas e que devemos estabelecer disposição de ânimo harmônicas. Ensino, ó Simha que se tem que aniquilar os maus pensamentos, palavras e ações. E quem os anula e se livra deles de sorte que jamais rebrotem, aniquila a personalidade. Prego o aniquilamento do egoísmo, da luxúria, do ódio e do erro. Mas não prego o aniquilamento da bondade, da compaixão, do amor e da verdade. Digo que os maus pensamentos, palavras e ações são abomináveis, e que a virtude e a verdade merecem louvor. Se alguns ensinam que o nirvana é a aniquilação da alma, diga-lhes que mentem. Se alguns ensinam que o nirvana é vida separada, diga-lhes que se enganam. Porque ignoram a Verdade, não veem a luz que brilha através de suas lâmpadas partidas. Não sabem que a felicidade está fora da existência do tempo e do espaço. Simha respondeu: Resta ainda uma dúvida na minha mente. O senhor quer dissipá-la de modo que eu possa compreender o Dharma que ensina? O Senhor Buda consentiu e Simha prosseguiu: O Bhagavad, sou soldado e por ordem do rei cumpre-me o dever de respeitar a lei e de combater por ele. Se o Tathágata prega a bondade sem limites, o amor ao inimigo e a compaixão por todos que sofrem, permitirá castigo para os criminosos? Acreditarão que não é lícita a guerra para defender nossos lares, nossas mulheres, nossos filhos e nossas terras? A doutrina da renúncia prescreve que devemos deixar o malfeitor agir a seu bel prazer. Não resistir e deixar que nos roubem o que nos pertence? Acredita o Tathágata que a guerra é ilícita quando promovida por uma causa justa? Ao que Buda respondeu: O Tathagata (O Buda usa esta palavra referindo-se a si mesmo) ensina que o culpado merece o castigo, e o digno de favor deve ser favorecido. No entanto, também ensina que não se deva fazer sofrer nenhum ser vivente, mas ter o coração cheio de amor e compaixão. Esses dois ensinamentos não são contraditórios, porque quem recebe castigo pelos seus crimes não sofre por maldade do juiz. Mas sim, em consequência de sua culpa. Suas más ações lhe acarretaram o mal que lhe impõe o executor da lei. Quando um magistrado castiga, deve estar livre de todo ódio. E o criminoso condenado à morte deve considerar que o seu suplício é consequente do seu crime. Se ele compreender que o castigo lhe purificará a alma, alegrar-se-á da morte. O Tathagata ensina que é deplorável toda guerra entre os homens. Porém não condena os que guerreiam por uma causa justa. Depois de haver esgotado todos os meios para manter a paz. O causador da guerra merece execração - aversão, desprezo. O Tathagata ensina a total renúncia à personalidade, contudo não ensina que a pessoa se entregue as potestades sinistras. Deve haver luta entre a individualidade e a personalidade, pois a luta é a vida terrena. No entanto, o combatente deve abster-se lutar contra a verdade e a justiça, no interesse de sua personalidade. Aquele que luta pelo interesse egoísta de celebridade, grandeza, poder ou riqueza, não receberá recompensa. Mas o que combate pela justiça e a verdade, receberá o galardão, porque será vitorioso, mesmo que sofra alguma derrota transitória antes do triunfo final. O egoísmo não é o recipiente adequado para o êxito, porque a personalidade é frágil e pequena. Pelo contrário, a individualidade é capaz de conter as aspirações nobres de suas personalidade sucessivas. Quando uma personalidade se rompe como uma bolha de sabão. O seu conteúdo harmônico se identifica com a individualidade universal. Quem vai a guerra, ó Simha, mesmo por uma causa justa, está exposto a morrer nas mãos do inimigo, porque esse é o destino dos guerreiros. Porém, o vencedor deve pensar na relatividade das coisas humanas. Brilhante pode ser sua vitória, no entanto, a roda da fortuna pode girar e transformar a vitória em derrota. Todavia, alcançará eterna vitória se extinto o ódio em seu coração se aproximar do vencido e dizer-lhe: Vem agora, façamos as pazes e sejamos irmãos. Grande é um general vitorioso, ó Simha, porém maior é quem vence a sua personalidade. A lei da vitória sobre a personalidade não é pregada para aniquilar a alma dos homens e sim para preservá-la. O que venceu a sua personalidade está mais apto para alcançar o triunfo eterno. Do que quem continua escravo da personalidade. Lute, pois, com coragem, ó Simha. Combatendo com esforço marcial nas batalhas, todavia seja um soldado da verdade e o Tathagata o abençoará. Simha tornou: Glorioso Senhor, Senhor Gloriosíssimo. O Senhor nos revela a Verdade. Magna é a doutrina do Bendito. Certamente o Senhor é o Buda. O bem-aventurado, o Santo. É o Instrutor da humanidade, que nos ensina o caminho da libertação. Quem o seguir, terá luz no caminho. Encontrará paz e santidade. Senhor, eu me refúgio no Bhagavad, na Lei e na Ordem. Digne-se a aceitar-me por teu discípulo, até o fim de meus dias, me refugindo no Senhor. E o Bem-aventurado lhe disse: Considere antes ó Simha, o que você vai fazer. Convêm que as pessoas de sua categoria não façam nada sem uma reflexão madura. A fé de Simha aumentou, dizendo ao Bem-aventurado: Senhor, se outros Mestres conseguissem tornar-me discípulo deles. Levariam em procissão seu estandarte pela cidade de Vaisali, gritando: Sinha, o general dos exércitos do rei, já é nosso discípulo. Pela segundo vez, eu digo, ó Senhor, que me refúgio no Buda, no Dharma e na Sangha. Digne-se a receber-me por discípulo, a partir de hoje e até o fim de meus dias. Porque me refugio no Senhor. E o Buda lhe respondeu: Durante muito os Nirgranthas receberam oferendas em suas casas. É justo que doravante você não negue sua esmola a eles. Alegre e feliz, Simha replicou: Senhor, eu ouvira dizer: O asceta Gautama ensina que só a ele e aos seus discípulos deve ser dada esmola. Todavia, o Senhor me exorta a que também a dê aos Nirgranthas. Por mais esse motivo me refúgio no Buda, na Lei e na Ordem. Abraço. Davi.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

SANTA TERESA DE JESUS

Cristianismo. Pt.wikipedia.org. Teresa dʼÁvila, O.C.D., conhecida como SANTA TERESA DE JESUS. (Gotarrendura, 28 de março de 1515 – Alba de Tormes, 4 de outubro de 1582),[5] nascida Teresa Sánchez de Cepeda y Ahumada, foi uma freira carmelita, mística e santa católica do século XVI, importante por suas obras sobre a vida contemplativa e espiritual e por sua atuação durante a Contrarreforma. Foi também uma das reformadoras da Ordem Carmelita e é considerada cofundadora da Ordem dos Carmelitas Descalços, juntamente com São João da Cruz (1542-1591). Em 1622, quarenta anos depois de sua morte, foi canonizada pelo papa Gregório XV (1554-1623). Em 27 de setembro de 1970, Paulo VI proclamou-a uma Doutora da Igreja e reconheceu seu título de Mater Spiritualium (Mãe da Espiritualidade), em razão da contribuição que a santa proporcionou à espiritualidade católica.[6] Seus livros, inclusive uma autobiografia ("A Vida de Teresa de Jesus") e sua obra-prima, "O Castelo Interior" (em castelhano: El Castillo Interior), são parte integral da literatura renascentista espanhola e do corpus do misticismo cristão. Suas práticas meditativas estão detalhadas em outra obra importante, o "Caminho da Perfeição" (Camino de Perfección). Depois de sua morte, o culto a Santa Teresa se espalhou pela Espanha durante a década de 1620 principalmente durante o debate nacional pela escolha de um padroeiro, juntamente com Santiago Matamoros. Primeiros anos. Teresa de Cepeda y Ahumada nasceu em 1515 em Gotarrendura, uma aldeia na província de Ávila, no Reino de Castela. Seu avô paterno, Juan Sánchez, era um marrano (um converso ou descendente de judeu converso) e foi condenado pela Inquisição espanhola por ter supostamente retornado à fé judaica. Seu pai, Alonso Sánchez de Cepeda, comprou um título cavaleiro e conseguiu com sucesso ser assimilado pela sociedade católica. A mãe de Teresa, Beatriz de Ahumada y Cuevas,[7] era especialmente dedicada à missão de criar a filha como uma piedosa cristã. Teresa era fascinada por relatos sobre vidas de santos e fugiu aos sete anos com seu irmão mais novo Rodrigo para tentar conseguir seu martírio entre os mouros. Seu tio conseguiu impedi-los por sorte ao vê-los já fora das muralhas quando voltava de outra cidade.[8] A morte de Beatriz quando Teresa tinha apenas quatorze anos provocou-lhe uma tremenda tristeza que estimulou-a abraçar ainda mais a devoção à Virgem Maria como sua mãe espiritual. Porém, ela adquiriu também um interesse exagerado na leitura de ficções populares, principalmente novelas de cavalaria, e um renovado interesse em sua própria aparência.[9] Na mesma época, foi enviada como interna para uma escola de freiras agostinianas em Ávila,[10] o Convento de Nossa Senhora da Graça. Pouco depois, piorou de uma enfermidade que começara a molestá-la antes de professar seus votos e seu pai a retirou do convento. A irmã Joana Suárez acompanhou Teresa para ajudá-la. Os médicos, apesar de todos os tratamentos, deram-se por vencidos e a enfermidade, provavelmente malária, se agravou. Teresa conseguiu suportar o sofrimento, graças a um livro devocional que lhe fora dado de presente por seu tio Pedro, "O Terceiro Alfabeto Espiritual", do Padre Francisco de Osuna (1492-1541). Esta obra, seguindo o exemplo diversas outras de místicos medievais, consistia de instruções para exames de consciência, para auto concentração espiritual e contemplação interior (técnicas conhecidas no jargão místico como oratio recollectionis ou oratio mentalis). Teresa também fazia uso de outras obras ascetas como o Tractatus de oratione et meditatione de São Pedro de Alcântara, talvez muitas das obras nas quais Santo Inácio de Loyola (1491-1556) baseou seus "Exercícios Espirituais" e possivelmente os próprios "Exercícios". Teresa seguiu as instruções da obra e começou a praticar a oração mental. Finalmente, após três anos, ela recuperou a saúde e retornou diretamente para tomar o hábito no Carmelo. Teresa conta que durante sua enfermidade, ascendia do estágio mais baixo, da "oração mental", ao de "oração do silêncio" ou mesmo ao de "devoções de êxtase", que era um de união perfeita com Deus (veja abaixo). Durante este estágio final, Teresa conta que experimentava com frequência uma rica "benção de lágrimas". Conforme a distinção católica entre pecado mortal e venial foi se tornando clara para ela, passou também a compreender o terror profundo do pecado e a natureza do pecado original. Em paralelo, conscientizou-se de sua própria impotência em confrontar o pecado e certificou-se da necessidade da sujeição absoluta a Deus. O quarto - "devoção do êxtase ou arrebatamento" - é um estado passivo no qual o sentimento de estar num corpo desaparece (veja II Coríntios 12:2–3). A atividade sensorial cessa, a memória e a imaginação também são absorvidas em Deus ou são "intoxicadas". Corpo e espírito sofrem de uma dor doce e feliz, que alterna entre um tenebroso brilho, uma completa impotência e inconsciência, uma sensação de estrangulação ou, às vezes, de um voo extático tão intenso que o corpo literalmente se ergue no espaço. Estes efeitos, depois de meia-hora, são seguidos por um relaxamento completo de algumas horas num estado parecido com um desmaio, no qual todas as faculdades [mentais] desaparecem na união com Deus.[17] Em seguida, o sujeito acorda aos prantos, o clímax da experiência mística, o que produz um transe. Tradições piedosas relatam que Teresa, como São Francisco de Assis (1182-1226), foi vista levitando durante a missa mais de uma vez. Teresa é uma das mais importantes autoras sobre a oração mental e sua posição entre os autores da teologia mística é única. Em todas as suas obras sobre o tema, ela relata suas próprias experiências pessoais, que, ajudada por sua profunda perspicácia e capacidade analítica, explica de forma clara. Sua definição de "oração contemplativa" foi utilizada pelo Catecismo da Igreja Católica: "Oração contemplativa, na minha opinião, é nada mais que um compartilhamento íntimo entre amigos; significa dedicar tempo com frequência para estar sozinho com aquele que sabemos que nos ama".[20] Reconhecimentos. Teresa foi beatificada em 24 de abril de 1614 pelo Papa Paulo V (1550-1621) e canonizada em 12 de março de 1622 por Gregório XV (1554-1623). É conhecida como Santa Teresa de Jesus. Em 1617, os Tribunais de Castela, a pedido dos devotos de Teresina, declararam padroeira da Espanha e das Índias. No entanto, os jacobinos apelaram que Santa Teresa ainda não havia sido canonizada e defendiam que o patrono da Espanha era Santiago, desde tempos imemoriais e principalmente da invasão muçulmana. Por isso se tornou Co patrona. Em 1627, apenas cinco anos após a canonização, a Santa Sé reiterou o título de Co patrona. Juntamente com o Senhor Santiago El Mayor e a Imaculada Conceição (padroeira e imperatriz da Espanha e das Índias), sua celebração se tornou uma das três principais na corte hispânica. O culto de Santa Teresa foi tão forte nas Índias, que o rei Felipe IV em 1640, por carta real, foi proclamado por Copatrona da Capitania Geral do Reino da Guatemala, solicitando celebrar seu partido como um dos quatro principais (ao lado dos da Concepcion limpa, Santiago e Santa Cecília) na cidade, cabeça e coração do povo colonial da América Central. Com a transferência da Cidade, Independência e a fundação da República, Santa Teresa tornou-se Co patrona da República e Iglesia da Guatemala. Foi nomeada doutora honoris causa pela Universidade de Salamanca e posteriormente nomeada patrona dos escritores. No entanto, a Igreja Católica como instituição não reconheceu oficialmente o ensino da vida espiritual realizada por Santa Teresa de Jesus, nem seu doutorado na Igreja. Várias tentativas foram feitas nesse sentido, a última em 1923. O motivo da rejeição foi sempre o mesmo: "obstat sexus" (o sexo o impede).[21] Finalmente, em 27 de setembro de 1970,[22] Santa Teresa de Jesus tornou-se (juntamente com Santa Catarina de Siena) a primeira mulher levantada pela Igreja Católica ao status de Doutor da Igreja, sob o pontificado de Paulo VI (1897-1978).

A Igreja Católica celebra sua festa em 15 de outubro. Em 2015, a Universidade Católica de Ávila nomeou seu doutorado honorário. As obras de Teresa, escritas com fins didáticos, estão entre as mais notáveis da literatura mística da Igreja Católica: Livro da Vida, escrito antes de 1567 sob a direção de seu confessor, fr. Pedro Ibáñez; [23] Caminho de Perfeição, também escrito sob a direção de fr. Pedro Ibáñez;[24) "Meditações sobre o Cântico do Cânticos" (1567), escrita para suas "filhas" do Carmelo; "O Castelo Interior" (El Castillo Interior; 1577), na qual compara a alma contemplativa a um castelo com sete sucessivas cortes (ou câmaras) interiores, análogas aos sete céus;[25] "Relações" (Relaciones), uma extensão de sua autobiografia relatando suas experiências internas e externas na forma de epístolas; Duas obras menores: "Conceitos de Amor" (Conceptos del Amor) e "Exclamações" (Exclamaciones);
  • Além destas, há também "As Cartas (Las Cartas; Saragossa, 1671), as correspondências de Teresa, da qual restaram 342 cartas completas e fragmentos de outras 87. A prosa de Teresa é marcada de uma graça sem afetações, de esmerada ornamentação e de um encantador poder expressivo, qualidades que a colocam no primeiro escalão da literatura espanhola; Finalmente, seus raros poemas estão reunidos em "Todas as Poesias" ("Todas las poesías", Munster, 1854) e se distinguem pela ternura e pelo ritmo. O poema moderno "Vós Sois as Mãos de Cristo", embora seja amplamente atribuído a Teresa,[26][27] não aparece em suas obrasː[28]
Cristo não tem atualmente sobre a terra nenhum outro corpo se não o teu;
Nenhumas[b] outras mãos senão as tuas;
Nenhuns[b] outros pés senão os teus...
Vós sois os olhos com que a compaixão de Cristo deve olhar o mundo;
Vós sois os pés com que Ele deve ir fazendo o bem, Vós sois as mãos com que Ele deve abençoar os homens de hoje...
Santa Tereza e o Menino Jesus de Praga. Embora não exista nenhum relato histórico de que Teresa tenha sido proprietária da estátua do Menino Jesus de Praga,[29] de acordo com uma lenda popular, Teresa teria presenteado a uma nobre que viajava para Praga.[30][31] Acredita-se, porém, que Teresa de fato carregava consigo uma estátua do Menino Jesus em suas viagens, mas não é possível confirmar se a estátua de Praga é esta estátua. Lendas sobre o tema já circulavam na região no século XVII. Santa Teresa também aparece em um filme biográfico de 1984 chamado Teresa de Jesus protegendo uma estátua do Menino em suas perigosas viagens. Em algumas cenas, as irmãs religiosas se revezam para trocar suas vestes. A devoção ao Menino Jesus se espalhou rapidamente pela Espanha, possivelmente por conta das visões de Teresa.[32] A freiras espanholas que estabeleceram a ordem das carmelitas na França trouxeram consigo a devoção, que se espalhou.[33] De fato, uma das mais famosas devotas de Teresa, Teresa de Lisieux,[34] uma freira carmelita francesa batizada em sua homenagem, escolheu o nome de "Irmã Teresa do Menino Jesus da Santa Face". Padroeira. Na década de 1620, o Reino da Espanha debatia quem deveria ser o santo padroeiro do país; as alternativas eram manter o padroeiro tradicional, Saniago Matamoros ("matador de mouros") ou adotar uma combinação dele com a recém-canonizada Santa Teresa de Ávila. Os defensores de Teresa afirmavam que a Espanha enfrentava novos desafios, especialmente a ameaça do protestantismo e do declínio social nos lares, o que requeria um padroeiro mais moderno, que entendesse estes problemas e que pudesse guiar os espanhóis. Os defensores de "Santiago" rebateram ardorosamente estes argumentos e, no final, saíram vitoriosos, mas Santa Teresa permaneceu muito mais popular entre a população.[35] Santa Teresa, no Brasil, também é considerada padroeira dos professores. Na literatura. Protagoniza o romance El castillo de diamante de Juan Manuel de Prada (1970 - ). Abraço. Davi

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

OS ANALECTOS - LIVRO III

Confucionismo. www.rl.art.br. OS ANALECTOS – LIVRO III. Texto de Confúcio (551 a.C. 479). 1. Confúcio disse da família Chi: “Eles usam oito fileiras de dançarinas cada um para performances no jardim. Se isso pode ser tolerado, o que não pode ser tolerado?”. 2. As Três Famílias recitavam o yung quando as oferendas sacrificiais estavam sendo retiradas. O Mestre disse: Como plateia figuravam os grandes senhores. Em dignidade solene estava o imperador. Que aplicação isso pode ter nos salões das Três Famílias?” 3. O Mestre disse: “O que pode um homem fazer com os ritos se ele não é benevolente? O que pode um homem fazer com a música se ele não é benevolente”? 4. Lin Fang perguntou sobre o fundamento dos ritos. O Mestre disse: “Uma nobre pergunta, de fato! Com os ritos, é melhor pecar pela simplicidade do que pela extravagância; em matéria de luto, é melhor pecar pela tristeza do que pela formalidade”. 5. O Mestre disse: “Tribos bárbaras com seus líderes são inferiores aos reinos chineses sem líderes”. 6. A família Chi estava indo fazer sacrifícios para o monte T’ai . O Mestre disse para Jan Ch’iu: “Você não pode impedi-los?”. “Não, não posso.” O Mestre disse: “Oh! Mas quem pode imaginar que o monte T’ai desconhece os ritos assim como Lin Fang?”. 7. O Mestre disse: “Não há competição entre cavalheiros. O mais próximo disso é, talvez, no tiro com arco. No tiro com arco eles se curvam e dão lugar um para o outro quando iniciam e, ao terminarem, bebem juntos. Até mesmo a maneira com que competem é cavalheiresca”. 8. Tzu-hsia perguntou: “Seu encantador sorriso com covinhas. Seus belos olhos esgazeando, Padrões de cores em seda lisa. Qual o significado de tais linhas?”. O Mestre disse: “As cores são acrescentadas após o branco”. “E a prática dos ritos também vem depois?” O Mestre disse: “É você, Shang, quem iluminou o texto para mim. Apenas com um homem como você é possível discutir as Odes”. 9. O Mestre disse: “Posso falar sobre os ritos de Hsia, mas o reino de Ch’i não preservou evidências suficientes; posso falar sobre os ritos de Yin, mas o reino de Sung não preservou evidências suficientes. Isso é porque não há registros suficientes nem homens de erudição. Não fosse assim, eu poderia sustentar o que digo em evidências”. 10. O Mestre disse: “Não quero assistir à parte do sacrifício ti que vem depois da libação de abertura ao personificado”. 11. Alguém perguntou sobre o significado do sacrifício ti. O Mestre disse: “Não é algo que eu entenda, pois quem entender terá capacidade para gerenciar o império com tanta facilidade quanto se o tivesse aqui”, apontando para a palma da mão. 12. “Sacrifício presente” diz-se que significa “sacrifique aos deuses como se os deuses estivessem presentes.” O Mestre, entretanto, disse: “Amenos que eu participe do sacrifício, é como se eu nada tivesse sacrificado”. 13. Wang-sun Chia disse: “Melhor homenagear o fogão da cozinha Do que o canto sudoeste da casa. O que isso significa?”. O Mestre disse: “O ditado está errado. Quando você ofende o Céu, não adianta voltar suas preces para nenhum outro lugar”. 14. O Mestre disse: “A cultura de Chou resplandece, tendo o exemplo de duas dinastias anteriores. Sou a favor dos Chou”. 15. Quando o Mestre entrou no Grande Templo, ele fez perguntas sobretudo. Alguém observou: “Quem disse que o filho do homem de Tsou entendia os ritos? Quando ele entrou no Grande Templo, ele fez perguntas sobretudo””. O Mestre, ao ouvir isso, disse: “Fazer perguntas é, em si, o ritual correto”. 16. O Mestre disse: “No tiro com arco, o objetivo não reside em perfurar o alvo pela razão, que a força varia de homem a homem. Essa era a ideia na Antiguidade”. 17. Tzu-kung queria libertar a ovelha sacrificial no anúncio da lua nova. O Mestre disse: “Ssu, você está relutando em se desfazer do valor da ovelha, mas eu reluto em ver o fracasso do ritual”. 18. O Mestre disse: “Você será visto pelos outros como alguém bajulador se observar cada detalhe dos ritos ao servir o seu senhor”. 19. O duque Ting perguntou: “De que modo o governante deveria empregar o serviço dos seus ministros? Qual o modo com que um ministro deveria servir ao seu governante?”. Confúcio respondeu: “O governante deveria empregar o serviço dos seus ministros de acordo com os ritos. Um ministro deveria servir o seu governante dando o melhor de si”. 20. O Mestre disse: “No kuan chü [49] há alegria sem futilidade, e tristeza sem amargura”. 21. O duque Ai perguntou a Tsai Wo sobre o altar de sacrifício ao deus da terra. Tsai Wo respondeu: “Os Hsia usavam o pinho, os Yin usavam o cedro, e os homens de Chou usavam castanheira (li), dizendo que fazia o povo tremer (li)”. O Mestre, ouvindo a resposta, comentou: “Não se explica o que já está feito, não se discute sobre o que já foi realizado, e não se condena o que já passou”. 22. O Mestre disse: “Kuan Chung era, de fato, um vassalo de pouca capacidade”. Alguém observou: “Kuan Chung era frugal, então?”. “Kuan Chung mantinha três estabelecimentos independentes, cada um com uma equipe própria. Como poderia ele ser chamado de frugal?” “Nesse caso, Kuan Chung entendia os ritos?” “Governantes de reinos erigem anteparos de tela para seus portões; Kuan Chung também erigia tal anteparo. O governante de um reino, quando recebe o governante de outro reino, tem um suporte especial para descansar sua xícara; Kuan Chung igualmente tinha tal suporte. Se até Kuan Chung entendia os ritos, quem não os entende?” 23. O Mestre conversou sobre música com o grande musicista de Lu, dizendo: “Isso é o que se pode saber sobre música. Começa sendo tocada em uníssono. Quando flui totalmente, é harmoniosa, límpida e contínua. Desse modo chega à conclusão”. 24. O fiscal de fronteira de Yi requereu uma audiência [com Confúcio], dizendo: “Nunca me foi negada nenhuma audiência por um cavalheiro que tenha vindo aqui”. Os acompanhantes o apresentaram (a Confúcio). Quando saiu, o oficial disse: “Estão preocupados, cavalheiros, com a perda do cargo? O Império há muito não segue o Caminho. O Céu vai usar o Mestre de vocês como o badalo de um sino”. 25. O Mestre disse, sobre shao, que era perfeitamente linda e perfeitamente boa e, sobre wu, que era perfeitamente linda, mas não perfeitamente boa. 26. O Mestre disse: “O que posso achar digno de nota em um homem a quem falta tolerância quando em uma alta posição, a quem falta reverência quando realiza os ritos e a quem falta tristeza quando em luto?”. www.rl.art.br. Abraço. Davi