Xintoísmo.Bushidor.Br. Mitologia e influência na formação da cultura e o caráter do povo japonês. XINTOÍSMO. Parte V. A Natureza e o senso estético no Xintoísmo. Se observarmos as fases de desenvolvimento porque passaram as religiões, é de indubitável conclusão o primitivismo do Xintô, a fase ainda "das ideias infantis" dessa religião como afirma Griffis (GRIFFIS, op. cit., p. 69). "Estagnado" nessa fase de desenvolvimento, a Natureza - por força da crença de que os homens, a Natureza e os deuses, provêm de um único ancestral - é objeto de profunda apreciação, respeito e inúmeros festivais por todo o país. A comunhão com o divino e com a própria Natureza se funde num único sentimento, assim descrito emocionadamente por Rochedieu: [...] o Japão sabe conservar certos lugares unicamente pela beleza. É muitas vezes surpreendente e comovedor para o Ocidental ver nos parques grandes templos, ou simplesmente presenciar num jardim público. Um pai acompanhado do filho parar em silêncio ao pé de um lago, de uma pequena ponte, de uma cascata ou das flores. Tendo uma atitude de recolhimento porque, para o japonês, a comunhão com o divino obtém-se das mais das vezes através da união de todo o seu ser com as belezas naturais. Com obras de arte selecionadas, com a harmonia que emana de um monumento. Não é o valor ou a grandeza da matéria utilizada que cria a beleza, mas o amor com que o artista se debruça sobre a sua obra, nela trabalhando por vezes durante anos, mas incutindo desse modo, no objeto que cinzela ou no quadro que pinta. Algo da sua alma, algo de si próprio, e esse algo que procura transmitir através da obra de arte é sempre aquilo que de melhor há em si (ROCHEDIEU, op. cit., p.37). A beleza natural é fundamental para a veneração dos kami nos santuários, independentemente do kami aí cultuado. Segundo Ono, é esse refinado senso estético da beleza que enleva o homem, conduzindo-o do mundo profano ao sagrado, que o faz experienciar o viver em comunhão com "o alto e profundo mundo do divino" (ONO, op. cit., p. 97). As leis xintoístas não provêm de um deus único, dado aos homens por revelação como nas grandes religiões do Ocidente. São descobertas dentro da Natureza onipresente, encantadora e ao mesmo tempo mística que se lhe mostra. A Natureza não é hostil como na mitologia judaico-cristã que expulsa o homem do Paraíso. Pelo contrário, ela existe abençoada pelos deuses e se desenvolve com harmonia e cooperação (ibidem p. 103). É portanto, dádiva divina, presente dos deuses para os homens. A vida econômica. A vida conectada ao kami - propósito natural do Xintô - fornece também o perfil ideológico das atividades comerciais e industriais do país. O Xintô considera que não apenas as atividades da cultura, mas a produção de "alimentos, roupas, bens e tudo que proporcione felicidade ao mundo, está conectado diretamente ao kami" (ONO, op. cit., p. 84). Fazendo jus a um forte senso da preponderância do coletivo, para o Xintô, "todo aquele que promove sua própria felicidade, deveria promover também a felicidade da sociedade. [...] Nós somos mais felizes quando fazemos outros felizes" (idem). Uma atividade que não tenha essa ligação, pode estar fadada ao fracasso (idem). Mas o Xintô não é ideário que despreza a matéria, falando apenas de "bens espirituais e divinos". É natural desejar um bem e adquiri-lo; não é necessariamente um mal, assim como não ter bens não é motivo de admiração. É natural que uma vida correta, de caminhante da Via dos deuses, seja por estes abençoada (idem). Os desejos de bens formulados para o bem estar público serão abençoados pelos kami, ao contrário, "a riqueza utilizada com fins egoístas ou que fira outros, não está de acordo com a Via dos deuses" (idem). O Matsuri. Nas suas origens o matsuri, que vem do verbo matsuru – adorar, venerar -, era uma cerimônia simples realizada no alto de uma colina ou na orla de um bosque. O que explica a maciça presença dos santuários xintoístas junto a entrada de bosques e florestas (ROCHEDIEU, op. cit., p. 112-113). A princípio o matsuri era uma cerimônia em que os homens do clã pediam aos deuses por boas colheitas. Era realizada à noite, iluminada por alguns archotes, em torno de uma árvore onde acreditava-se desciam os deuses (ibidem p.113). O matsuri era o centro espiritual da sociedade, o que determinava as relações entre os que adoravam seu kami (ONO, op. cit., p. 106). O momento mais solene era a dança do xamã vestido de mulher que em transe pronunciava palavras, como no ritual da dança mitológica da deusa Ame-no-Uzume que atraiu a atenção da deusa Amaterasu (idem). Com o tempo o matsuri estendeu-se por todo o povo da aldeia e após as cerimônias rituais de preces, passava-se aos festejos de rua, alegres e enérgicos, que hoje adquiriram características populares e folclóricas. São xintoístas várias formas de entretenimento como "a dança (kagura), a música acompanhada de danças clássicas (bugaku), competição de arco-e-flecha (kyudo), arqueria montada (yabusame), turfe e a luta japonesa sumô" que são executadas alegremente como oferenda aos deuses (ibidem p. 71). Em tempos antigos era ato importante a prática de ritos ao kami pelo Imperador e pela alta corte, para assegurar a paz e a tranquilidade da nação (ibidem p. 76). De fato, matsuri compõe também a palavra matsuri-goto que significa governo, mas que transcendentalmente significa para o japonês “administrar, dentro de um espírito de matsuri, os assuntos deste mundo” (HERBERT, 1964, p. 269) Conceito de uma época em que os assuntos de governo e da religião não eram separados, ou seja, os atos de governo eram também religiosos (HARADA, op. cit., p.33). O chefe de uma comunidade (uji) era seu representante espiritual e temporal, e ao Imperador, pela sua ascendência divina, cabia-lhe a função de zelar como "alto sacerdote" pelo bem estar de todo o povo (Shunzo Sakamaki in MOORE, 1975, p. 152). Compreendem o rito do matsuri a seguinte sequência da cerimônia (HERBERT, 1964, p. 270-271): a) Kiyome - purificação interior e exterior dos participantes; b) Shubatsu - purificação dos homens e das coisas no local onde se irá celebrar o matsuri; c) Kôshin - petição ao kami para que “faça descer o seu espírito sobre o local do matsuri”. Para isso são necessárias três coisas: 1. tocar um tambor ou campainhas. 2. abrir a porta interior do santuário; entoar o chamamento do kami, que por vezes é acompanhado de certas palavras místicas. d) Kensen - apresentação de oferendas ao kami; e) Norito-sôjo - salmodiar os norito (invocações); f) Tamagushi-hôten - oferenda de um ramo de sakaki; g) Bugaku - oferenda ao kami de cantos e danças; h) Ura-goto - adivinhação; i) Tessen - retirar as oferendas apresentadas ao kami; j) Shôshin - convidar o kami a retirar-se; k) Naorai ou nahorahi - refeição feita em comunhão. Os pedidos de boa colheita nos campos e proteção e prosperidade para os aldeões, são precedidos de oferendas várias, geralmente alimentos. Ao final, a saudação e demonstração da alegria por estarem na presença da divindade é feita com um banquete. O matsuri é bastante apreciado com maciça participação do povo, desfiles com andores portando santuários em miniatura (mikoshi) e carros alegóricos acompanhado de dança e música típicas da região ou da ocasião. Alguns desfiles lembram feitos históricos da comunidade. Os matsuri assemelham-se ao nosso carnaval brasileiro no que têm de alegria e descontração. No sumô , tradicional luta japonesa, sobre o dohyô (ringue onde se realizam as lutas) figura construção típica representando o teto de um santuário xintoísta. No início de cada torneio um monge xintoísta procede ao ritual de purificação do local e dos lutadores. Estes, no seu traje de apresentação, trazem penduradas as tiras de papel shide- utilizadas nas cerimônias de purificação xintoísta - atadas à cintura com uma corda trançada que lembra o mitológico shimenawa. Ao iniciar a luta, os lutadores se purificam passando água na boca e jogando sal no dohyô. A ética xintoísta Nascido em meio à Natureza, seu credo e suas divindades daí derivam. Onipresente e provedora, seus recursos - orgânicos, inorgânicos, animais, a flora e a fauna - são uma dádiva dos kami para o bem-estar do mundo (ONO, op. cit., p. 103). O primitivo japonês desenvolveu uma relação orgânica de amor e respeito à Natureza, que o dotou "das virtudes de reverência para com os Deuses, os soberanos e os pais, a bondade para com nossas esposas e nossas crianças..." (HERBERT, 1964, p. 121). A ausência do espírito de retribuição (castigo/recompensa) ligado ao proceder individual é substituído pela subordinação ao grupo. Relata Michiko Yusa: "noções como "ir para o céu" ou respeitantes a méritos religiosos não são motivos para se praticar o bem: se os japoneses praticam boas obras é porque sabem que tais atos vão contribuir para o bem-estar geral da sociedade" (YUSA, op. cit., p. 18). Xintoísmo não considera a existência de uma verdade absoluta como no monoteísmo, onde a coexistência entre os fiéis se dá pelo compartilhamento das mesmas crenças e valores. Os xintoístas consideram a harmonia (和- wa) a base para a coexistência, o que implica aceitação e respeito às diferenças. O homem não foi criado por deuses como no monoteísmo, isto é, não é produto do trabalho de uma divindade, mas produzido pela união do "espírito de dois deuses criadores", isto é, "um terrestre e outro divino" (HERBERT, 1964, p. 120, 103). Então, para o Xintô o homem é biologicamente descendente em linha direta de deuses, o que lhe faz parecer natural modelar sua vida pela de seus ancestrais divinos (ibidem p. 119). Não há um ancestral divino único. Criador e criatura dentro da obra da criação exercem uma função ativa e passiva. Comentando Masao Yamane, Herbert aduz: "sob uma óptica puramente prática, se um homem segue o modo de vida que lhe foi legado pelos seus ancestrais divinos, qual a necessidade que ele tem de codificar regras sobre a conduta que ele deverá observar em tais ou quais ocasiões?" (ibidem p. 120). No xintoísmo as destruições, a desgraça, o infortúnio, têm origem no Yomi, mundo das trevas e origem do mal (HERBERT, 1964, p. 114). Mas mesmo os oni (demônios, entidades do mal), podem ser circunstancialmente reverenciados como entidades do bem, a despeito de seu comportamento ou característica. São seres invisíveis, assumindo por vezes forma animal cuja expulsão pelo exorcismo deve ser feita pelo monge (LITTLETON, 2003, P. 150). Entre os animais, a raposa adquiriu grande popularidade na cultura. Figurando em inúmeras lendas como animal inteligente que assombra e engana e tem o poder de se transformar em mulher. No Xintô, seu culto é associado ao kami Inari, deus da prosperidade e do arroz, que zela por sua boa colheita (idem). "O mal causado por esses seres é visto apenas como interrupção temporária do caminho natural" (idem). Mesmo o que pratica o mal pode a qualquer momento voltar para o mundo da luz e da bondade. Para o Xintô, a vida do homem é abençoada e "é uma só, ligada linearmente a de seus ancestrais" por isso, o culto não deve ser negligenciado (ONO, op, cit., p. 104). O nascimento é produto do desejo do espírito divino e tem como missão, "por um lado, a responsabilidade de realizar as esperanças e ideais de seus ancestrais. De outro, ele tem o inescapável dever de tratar seus descendentes com grande amor e carinho. Então eles também poderão realizar as esperanças e ideais do espírito de seus ancestrais" (idem). Não existe no Xintô a noção de pecado como o oposto da virtude. O homem já é originariamente virtuoso, o pecado é apenas "algo extrínseco" ao homem, "um erro que não afeta a verdadeira natureza do homem" (HERBERT, 1964, p. 133). O erro não se liga à noção de pecado, mas a um inato senso de vergonha pela perda da honra. Para cuja recuperação, mesmo a vida era considerada um preço justo a se pagar (NITOBE, 2005, p. 60). O japonês tem a convicção íntima de poder vencer e suplantar qualquer adversidade porque crê haver herdado de seus antepassados, divinos dons e faculdades especiais. Bastando-lhe apenas deixá-los manifestar e então, as virtudes dos kami surgirão espontaneamente. Hirata dizia que o homem japonês "foi trazido à existência pelos espíritos criadores dos sagrados kami ancestrais", razão porque possuem já a Via dos Deuses (HERBERT, 1964, p. 121). Na ausência do Bem e do Mal como entidades absolutas, a moral e a ética baseiam-se na honra. Estendendo-se para além da própria, abarcando também a da família, revela-se satisfatório instrumento de controle social. A honra é o que liga o japonês ao senso ético, afirmava Nitobe. ( Inazo Nitobe apud in ibidem p. 130). O japonês não é dado à especulação filosófica, mas tem forte intuição calcada no sentimento, que se manifesta desde a abnegação até o sacrifício pessoal. O que geralmente permanece reprimido pela disciplina social, se manifesta por vezes de forma surpreendente (BRILLANT et alii, op. cit., p. 167). O Ocidente, de racionalismo cartesiano e positivismo científico, certamente estranhará a desnecessidade do burilar técnica das palavras e de definições precisas dessa cultura. Influenciada fortemente pelo xintoísmo, palavras são insuficientes para se narrar o Todo, que é inenarrável. E o Todo prescinde de palavras para ser apreendido. Para Sokyo Ono, é o que explica a longevidade de dois milênios da fé nipônica: é sentida, não pensada, isto é, apreendida com o coração e não com a razão; e assim também é transmitida na vida quotidiana: de coração para coração, sem necessidade de palavras (ONO, op. cit., p. 92). Embora com ênfase no sentimento, o Xintô não tem "os impulsos da paixão das grandes religiões; são de uma piedade serena e polidos, tanto para com os deuses como para tudo que é superior" (BRILLANT et alii, op. cit., p. 167). Ao estrangeiro, dificultoso se torna entender o Xintô, mesmo com explicações, o que não o impede de compreender o Caminho do Xintô, sem que realmente o tenha entendido racionalmente (ONO, op. cit., p. 94). Talvez porque, como relata Fujisawa, "não há no Xintô espaço entre fé e razão, porque jamais foi perdido seu primitivo contato com a dimensão da profundidade da vida, Do qual devem ter emersos no passado toda crença especial" (FUJISAWA, 1959, p. 16). O japonês não se interessa pelo que o faz crer, mas pelo que o faz fazer, constata Inazo Nitobe (HERBERT, 1964, p. 24). Para o xintoísmo é fundamentalmente essencial a pureza interior do coração do homem. (Engelbert Kaempfer apud in ibidem p. 122-123). No coração (sentimento) estão as regras morais e éticas necessárias ao homem, aí já incutidas pelos deuses, sendo desnecessário especificá-las. Basta que se trilhe o Michi, caminho dos deuses. Explica Edmond Rochedieu a doutrina do teólogo japonês Motoori (1730-1801): Os japoneses, que obedecem à direção necessária dos deuses, nunca sentiram a necessidade de um sistema ético. O homem, gerado pelas duas divindades criadoras, Izanagi e Izanami, possui naturalmente o conhecimento do que deve fazer ou evitar. Todas as ideias morais indispensáveis à sua felicidade foram inscritas na sua mente pelos deuses. Os desejos humanos, que fazem parte da nossa natureza, estão ligados à harmonia geral do mundo [...] a única moral válida é a do coração, que está de acordo com a natureza humana, refletindo esta própria a harmonia geral (ROCHEDIEU, op. cit., p 126. Abraço. Davi
MOSAICO ESPIRITUAL
quarta-feira, 11 de março de 2026
segunda-feira, 9 de março de 2026
KARMA YOGA - O RETO CUMPRIMENTO DA AÇÃO
Hinduísmo. Bhagavad Gita - A Mensagem do Mestre. KARMA YOGA - O RETO CUMPRIMENTO DA AÇÃO - Capítulo III. Tudo que o homem faz com motivos pessoais é sem valor para o Eterno. Para atingirmos a salvação e a união com Deus, havemos de agir sem motivos egoístas. Sem tomar em consideração o nosso próprio Eu pessoal. Entregando-nos a Verdade Eterna como um instrumento na mão de Deus. Assim cumprindo o nosso dever por ser dever, sem pedir recompensas.
sexta-feira, 6 de março de 2026
OS ANALECTOS - LIVRO IV
Confucionismo. www.rl.art.br. OS ANALECTOS – LIVRO IV. Texto de Confúcio (551 AC 479). 1. O Mestre disse: “A benevolência constitui o mais belo aspecto de uma vizinhança. Como pode ser considerado sábio um homem, que quando tem a possibilidade, não se estabelece numa vizinhança benevolente?”. 2. O Mestre disse: “Quem não é benevolente não pode permanecer por muito tempo em uma situação difícil e tampouco pode permanecer durante muito tempo em circunstâncias favoráveis. “O homem benevolente é atraído pela benevolência porque ele se sente confortável com ela. O homem sábio é atraído pela benevolência porque percebe que ela lhe é favorável”. 3. O Mestre disse: “Apenas o homem benevolente é capaz de gostar ou de não gostar de outros homens”. 4. O Mestre disse: “Se um homem aplica o seu coração no caminho da benevolência, ele estará livre do mal”. 5. O Mestre disse: “Riqueza e posições altas são o que os homens desejam, mas a menos que eu as conseguisse do jeito certo, eu não as manteria. Pobreza e posições baixas são o que os homens não querem, mas mesmo se eu não as conseguisse do modo certo, eu não tentaria escapar delas. “Se o cavalheiro abandona a benevolência, de que modo pode ele construir um nome para si? Um cavalheiro nunca abandona a benevolência, nem mesmo pelo pouco tempo que demora para se comer uma refeição. Se ele se apressa e tropeça, pode-se ter certeza de que é na benevolência que ele o faz”. 6. O Mestre disse: “Nunca conheci um homem que amasse a benevolência ou um homem que odiasse a ausência dela*. Um homem que ama a benevolência não pode ser superado. Um homem que odeia a falta de benevolência pode, talvez, ser considerado benevolente, pois ele não permitiria que aquilo que não é benevolente contaminasse sua pessoa. “Existe um homem que, pelo período de um só dia, seja capaz de dedicar toda a sua força à benevolência? Nunca conheci um homem cuja força seja insuficiente para essa tarefa. Deve haver casos de força insuficiente, mas simplesmente não os encontrei”. 7. O Mestre disse: “Os erros de um homem são condizentes ao tipo de pessoa que ele é. Observe os erros e você conhecerá o homem”. 8. O Mestre disse: “Não viveu em vão aquele que morre no dia em que descobre o Caminho”. 9. O Mestre disse: “Não há razão de buscar as opiniões de um Cavalheiro que, apesar de aplicar seu coração no Caminho, tenha vergonha da comida simples e de suas roupas pobres”. 10. O Mestre disse: “Nas suas relações com o mundo, o cavalheiro não é rigidamente contra ou a favor de nada. Ele fica do lado daquilo que é justo”. 11. O Mestre disse: “Enquanto o cavalheiro acalenta o bom governo, o homem vulgar acalenta sua terra natal. Enquanto o cavalheiro acalenta respeito pela lei, o homem vulgar acalenta um tratamento generoso”. 12. O Mestre disse: “Se as ações de alguém são guiadas pelo lucro, esse alguém provocará muitos ressentimentos”. 13. O Mestre disse: “Se um homem é capaz de governar um reino por meio da observação dos ritos e do respeito, que dificuldades terá na vida pública? Se ele é incapaz de governar um reino por meio da observação dos ritos e do respeito, de que lhe servem os ritos?” 14. O Mestre disse: “Não se preocupe por não ter um cargo oficial. Preocupe-se com as suas qualificações. Não se preocupe porque ninguém aprecia as suas qualidades. Procure ser merecedor de apreço”. 15. O Mestre disse: “Ts’an! Uma única linha amarra todo o meu pensamento”. Tseng Tzu assentiu. Depois que o Mestre tinha saído, os discípulos perguntaram: “O que ele quis dizer?” Tseng Tzu disse: “O caminho do Mestre consiste em dar o melhor de si e usar a si próprio como medida para julgar os outros. Isso é tudo.” 16. O Mestre disse: “O cavalheiro entende o que é moral. O homem vulgar entende o que é lucrativo”. 17. O Mestre disse: “Quando conhecer alguém melhor do que você, dirija seus pensamentos para tornar-se igual a essa pessoa. Quando conhecer alguém tão bom quanto você, olhe para dentro e examine a si próprio”. 18. O Mestre disse: “Ao servir seu pai e sua mãe, você deve dissuadi-los das ações erradas do modo mais gentil. Se você vir seu conselho ser ignorado, não deve se tornar desobediente, mas permanecer reverente. Não reclame, mesmo que, com isso, você se canse”. 19. O Mestre disse: “Enquanto seus pais estiverem vivos, não viaje para muito longe. Se o fizer, seu paradeiro deve sempre ser conhecido por eles”. 20. O Mestre disse: “Se, por três anos, um homem não se desviar do caminho do seu pai, ele pode ser chamado de um bom filho”. 21. O Mestre disse: “Um homem não deve desconhecer a idade do seu pai e da sua mãe. É, por um lado, uma razão para alegrias e, por outro, para ansiedade”. 22. O Mestre disse: “Na Antiguidade, os homens relutavam em falar. Isso porque consideravam vergonhoso se não conseguissem ser fiéis às suas palavras”. 23. O Mestre disse: “É raro que um homem apegado às coisas essenciais perca o autocontrole”. 24. O Mestre disse: “O cavalheiro procura ser suave no falar, mas rápido no agir”. 25. O Mestre disse: “A virtude nunca está sozinha. Está destinada a ter vizinhos”. 26. Tzu-y u disse: “Ser inoportuno com seu senhor significará humilhação. Ser inoportuno com os amigos significará afastamento. www.rl.art.br. Abraço. Davi.
quarta-feira, 4 de março de 2026
CABALA - MITOS E VERDADES. Parte VI
Judaísmo. Livro Um Guia para a Sabedoria Oculta da Cabala. Por Muchael Laitman (1946 - ). CABALA - MITOS E VERDADE. Parte VI. Baal HaSulam. O Ponto Principal. O objetivo da Cabala. BaalHaSulam e seus comentários sobre O Zohar e os escritos do Ari. A missão de Baal HaSulam. A urgência em revelar a Cabala. A Cabala nem sempre foi tão popular como é hoje. Quando começou, era o alvo de interesse de apenas um pequeno número de pessoas, que pesquisavam o sentido de suas vidas. Estes primeiros Cabalistas continuaram a desenvolvê-la através das gerações. Adaptando-a para os novos tempos. E assim, a Cabala tornou-se mais científica, como requer nossa geração. Este capítulo apresenta a forma como os textos cabalísticos funcionam e como tem se desenvolvido ao longo dos séculos para fazer sua sabedoria mais disponível e acessível a todos. Em particular, este capítulo aborda o trabalho do mais "universal" de todos os cabalistas: Rav Yehuda Ashlag (1884-1954). Rav Ashlag afirmou claramente que o estudo da Cabala está aberto para todos. E que a Cabala pode ser divulgada, distribuída e ensinada a todos, sem qualquer consideração de idade, raça, sexo ou religião. O Objetivo da Cabala. O objetivo da Cabala é criar um método para que as pessoas se tornem espiritualmente satisfeita. Como você já sabe, Cabala significa "recepção". A finalidade da vida neste mundo é que uma pessoa alcance o mais elevado nível de espiritualidade. Segundo a Cabala, às almas voltam repetidamente a este mundo até que esta meta seja atingida. O objetivo espiritual é diferente das aspirais criativas ou intelectuais. Como descrito no capítulo IV, a busca da espiritualidade é a fase final do desenvolvimento humano. A Cabala orienta e oferece um caminho para esta satisfação espiritual. O que os Livros de Cabala Podem fazer por você, e o que Não Podem. Escritores Cabalistas descrevem suas experiências e propõe recomendações para que outros possam seguir em seu caminho. Os livros de Cabala são relatos de suas viagens no Mundo Superior. Os livros de Cabala também têm desenhos que ilustram conceitos e eventos espirituais. É importante lembrar que as formas dos desenhos não são objetivos reais. Todavia imagens utilizadas para explicar estados espirituais no que se refere ao seu relacionamento com o Criador. Mas os livros de Cabala não lhe mostram o quadro completo. Para realmente saber o que são os mundos espirituais e senti-los, você tem que experimentá-los por si próprio. Cabalistas pensam em si próprios como guias turísticos cujo trabalho é leva-lo até um lugar e deixá-lo se admirar por si próprio. Por isso os textos que foram escritos para ensinar as descrições são parciais. Apenas o que é necessário saber para a espiritualidade, por você mesmo. Estes textos "didáticos" são O Livro do Zohar do Rashbi, A Árvore da Vida do Ari e o Estudo dos Dez Sefirot do Yehuda Aslag. Raiz - de Cima para Baixo. A Cabala explica que as raízes do nosso mundo são raízes espirituais, vindo de cima e não de baixo. As raízes vêm a partir da fonte, que está acimo deste mundo. Imagine raízes crescendo a partir do exterior de uma bolha. Porque você está na bolha, a área de criação, as raízes vêm para você. Elas podem ser consideradas como cordões coloridos de festa pendurados a partir de cima. O principal objetivo desta sabedoria é possibilitar a revelação do Criador para suas criaturas, que somos nós. Cada raiz tem seu próprio ramo neste mundo, e tudo neste mundo é um ramo de alguma raiz na espiritualidade. Desta forma, os Cabalistas, "usam" neste mundo para se comunicar com a Criador. Para aprender seus caminhos, para que possam se tornar como Ele. Para evitar "uma comunicação errada" com o Criador, você precisará saber que ramo se relaciona com que raiz. A chegada do Ari e, em maior medida, a do Rav Aslag, marcou a mudança para uma nova e mais clara terminologia na Cabala. Os Cabalistas descrevem suas experiências internas e intelectuais usando metáforas e linguagem adequada para as almas de seu tempo. De tempos em tempos a linguagem torna-se não clara devido ao desenvolvimento das almas e requer novas explicações. Isto requer que sucessivos cabalistas escrevam interpretações para tornar esta viagem espiritual mais clara e mais acessível para nós. Por isso Rav Ashlag escreveu seu comentário sobre A Árvore da Vida, publicado em seu maior trabalho O Estudo dos Dez Sefirot. Os comentários do Rav Ashlag sobre A Arvore da Vida detalha os estágios, eventos e formas da criação da vida. Originalmente descritos pelo Ari. Ashlag fez uma coisa semelhante com O Livro do Zohar de Rashbi. Ele pegou o texto do Rashbi e o esclareceru em um comentário que ele chamou de HaSulam (A Escala). Por isso Rabbi Yehuda Aslag é também conhecido como Baal HaSlulam ( O Dono da Escada). O Maior Comentador. Nascido em 1884 em Varsóvia - Polônia, Baal HaSulam estudou Cabala com Rabbi Yehoshua de Porsov absolvendo a lei escrita e oral. Tornou-se um juíz e professor em Varsóvia quando tinha 19 anos. Em 1921 emigrou para Israel, então chamada Palestina, com sua família incluindo o seu primeiro filho, Baruch, que o sucederia mais tarde, esse, tornou-se o rabino de Givat Shaul em Jerusalém. Enquanto escrevia muitas outras importantes obras, tais como O Estudo das Dez Sefirot, ele também começou a escrever O Salum. Comentário sobre o Zohar em 1943. Ele terminou apenas 10 anos mais tarde, em 1953. Ele morreu no ano seguinte e foi enterrado em Jerusalém. Baal Hasulam é o único que conseguiu compor os comentários do Zohar por completo e atualizado e dos escritos do Ari. Uma vez que foram escritos primeiros. Seus livros permitem que os Cabalistas estudem textos antigos, em linguagem moderna e são ferramentas indispensáveis pra aqueles que aspiram a alcançar espiritualidade. Em seu artigo: Tempo de Agir" Baal HaSulam conta que antes das impressões gráficas existirem. Quando escribas estavam em voga, ninguém se incomodava em dobrar suas costas pra copiar um livro com euforia já que não valeira pena. O tempo gasto, os custos e as velas de cera. Com o avanço da confecção de livros, teorias e conexões da Cabala foram reforçadas pelos autores, que começaram a publicar facilmente. Com muitas pessoas tentando defini-la, uma atmosfera de frivolidade desenvolveu-se em torno da Cabala. Portanto, o objetivo de Aslag em sua redação era a de revelar o que pudesse da verdadeira essência da Cabala. Na sua Introdução ao Livro do Zohar, Ashlag diz que ele deve escrever livros de Cabala, porque cada geração tem as suas próprias necessidades e, portanto, seus próprios livros. A nossa geração, também precisa de todos os livros que possamos compreender. Uma vez que os livros do Ari foram escritos centenas de anos atrás. O Livro do Zohar escrito quase 2000 atrás, ele tomou sobre si a interpretação deles para nós. Desta forma, podemos chegar a saber o que estes antigos Cabalistas sabiam, e experimentar os mundos espirituais por nó mesmos. A Chamada para o Tempo Certo. Mas a propagação da Cabala está acontecendo hoje não apenas como o resultado do aparecimento de livros incorretos e imprecisos. Ashlag explica na sua Introdução ao Livro do Zohar, e em muitos de seus escritos, que a propagação da Cabala é um dever hoje. Ele Explica que agora é o tempo em que o Profeta Jeremias se referia quando disse: "Porte eles todos deverão Me conhecer, do menor até o maior deles". Podemos tomar o nosso tempo e deixar que isso aconteça naturalmente. Mas Aslag afirma que essa decisão irá custar-nos muito, porque seremos compelidos a evoluir na espiritualidade pela própria natureza. Ele diz que a outra opção é a de estudar o que a natureza quer de nós e fazê-lo. Isto, de acordo com Ashlag, irá não só evitar o sofrimento do qual falava, mas vai nos mostrar como receber os prazeres que o Criador quer nos dar. Cabalistas antigos chamam estas duas opções de "em seu devido tempo" ou "acelerar o tempo". Hoje, de acordo com Ashlag, já não é simplesmente uma "boa ideia" a de compartilhar o conhecimento, é o apleo da hora. Por isso, sem mais delongas vamos mergulhar no coração da sabedoria e seus conceitos. Em Resumo: A Cabala fornece um método para atingir plenitude espiritual. Rav Yehuda Ashlag é creditado por tornar textos antigos e difíceis de ler da Cabala em textos fáceis de interpretar. A Cabala evoluiu para um método de estudo sistemático e científico. A sabedoria da Cabala desaparece e reaparece quando o tempo fica maduro para a sua percepção, e agora chegou o momento. Abraço. Davi.
segunda-feira, 2 de março de 2026
A ANIQUILAÇÃO
Budismo. Livro O Evangelho de Buda. Vida e Doutrina de Sidarta Gautama. Por Yogi Kharishnanda. A ANIQUILAÇÃO. Numa ocasião, muitos cidadãos ilustres se reuniam na Casa do Povo e elogiavam o Buda, o Dharma e o Sangha. Entre eles se encontrava Simha, general dos exércitos reais, que pertencia a seita dos Nirgranthas, que dizia consigo: "Verdadeiramente o Bhagavad deve ser o Buda, o Santo. Quero vê-lo". Simha aproximou-se de Iryaraputra, o chefe da seita e disse-lhe: "Senhor, desejo ir ver o asceta Gautama". Iryataputra respondeu-lhe: Por que você, Simha, sabe que as ações dão seus resultados. Que ver o asceta que ensina aos seus discípulos a doutrina da inação e nega as consequências das ações? Por isso não teve Simha mais tanto desejo de ir ver o Gautama. Porém, como Simha ouvisse novamente enaltecerem o Buda, o Dharma e o Shanga, seu desejo de ir ver o Bem-aventurado foi reavivado. Contudo também dessa vez Iryataputra o dissuadiu. Todavia, pela terceira vez Simha ouviu elogios a grandeza do Buda, do Dharma e do Sangha ficou pensando. Certamente o asceta Gautama deve ser o Santo Buda. Irei vê-lo mesmo sem o consentimento dos Nirgranthas. Simha foi ver o Bhagavad e disse-lhe: Senhor, ouvi dizer que o asceta Gautama nega as consequências das ações ensinando a doutrina da inação. Dizendo que as ações dos homens não recebem recompensas, porque proclama a aniquilação. Responda-me, senhor: É certo que que ensinas que a alma do homem morre e se aniquila? Peço-lhe que me esclareça se os que dizem tal coisa enganam-se ou levantam ou levantam falso testemunho? O Bem-aventurado respondeu-lhe: Em parte, ó Simha, dizem a verdade os que assim falam de mim, mas em outra erram. Ouça-me: eu ensino que não devemos pensar, falar ou agir mal. Ensino que não devemos consentir com os estados de ânimo ou com as sinistras disposições. Ensino que nossos pensamentos, palavras e ações devem ser justas e que devemos estabelecer disposição de ânimo harmônicas. Ensino, ó Simha que se tem que aniquilar os maus pensamentos, palavras e ações. E quem os anula e se livra deles de sorte que jamais rebrotem, aniquila a personalidade. Prego o aniquilamento do egoísmo, da luxúria, do ódio e do erro. Mas não prego o aniquilamento da bondade, da compaixão, do amor e da verdade. Digo que os maus pensamentos, palavras e ações são abomináveis, e que a virtude e a verdade merecem louvor. Se alguns ensinam que o nirvana é a aniquilação da alma, diga-lhes que mentem. Se alguns ensinam que o nirvana é vida separada, diga-lhes que se enganam. Porque ignoram a Verdade, não veem a luz que brilha através de suas lâmpadas partidas. Não sabem que a felicidade está fora da existência do tempo e do espaço. Simha respondeu: Resta ainda uma dúvida na minha mente. O senhor quer dissipá-la de modo que eu possa compreender o Dharma que ensina? O Senhor Buda consentiu e Simha prosseguiu: O Bhagavad, sou soldado e por ordem do rei cumpre-me o dever de respeitar a lei e de combater por ele. Se o Tathágata prega a bondade sem limites, o amor ao inimigo e a compaixão por todos que sofrem, permitirá castigo para os criminosos? Acreditarão que não é lícita a guerra para defender nossos lares, nossas mulheres, nossos filhos e nossas terras? A doutrina da renúncia prescreve que devemos deixar o malfeitor agir a seu bel prazer. Não resistir e deixar que nos roubem o que nos pertence? Acredita o Tathágata que a guerra é ilícita quando promovida por uma causa justa? Ao que Buda respondeu: O Tathagata (O Buda usa esta palavra referindo-se a si mesmo) ensina que o culpado merece o castigo, e o digno de favor deve ser favorecido. No entanto, também ensina que não se deva fazer sofrer nenhum ser vivente, mas ter o coração cheio de amor e compaixão. Esses dois ensinamentos não são contraditórios, porque quem recebe castigo pelos seus crimes não sofre por maldade do juiz. Mas sim, em consequência de sua culpa. Suas más ações lhe acarretaram o mal que lhe impõe o executor da lei. Quando um magistrado castiga, deve estar livre de todo ódio. E o criminoso condenado à morte deve considerar que o seu suplício é consequente do seu crime. Se ele compreender que o castigo lhe purificará a alma, alegrar-se-á da morte. O Tathagata ensina que é deplorável toda guerra entre os homens. Porém não condena os que guerreiam por uma causa justa. Depois de haver esgotado todos os meios para manter a paz. O causador da guerra merece execração - aversão, desprezo. O Tathagata ensina a total renúncia à personalidade, contudo não ensina que a pessoa se entregue as potestades sinistras. Deve haver luta entre a individualidade e a personalidade, pois a luta é a vida terrena. No entanto, o combatente deve abster-se lutar contra a verdade e a justiça, no interesse de sua personalidade. Aquele que luta pelo interesse egoísta de celebridade, grandeza, poder ou riqueza, não receberá recompensa. Mas o que combate pela justiça e a verdade, receberá o galardão, porque será vitorioso, mesmo que sofra alguma derrota transitória antes do triunfo final. O egoísmo não é o recipiente adequado para o êxito, porque a personalidade é frágil e pequena. Pelo contrário, a individualidade é capaz de conter as aspirações nobres de suas personalidade sucessivas. Quando uma personalidade se rompe como uma bolha de sabão. O seu conteúdo harmônico se identifica com a individualidade universal. Quem vai a guerra, ó Simha, mesmo por uma causa justa, está exposto a morrer nas mãos do inimigo, porque esse é o destino dos guerreiros. Porém, o vencedor deve pensar na relatividade das coisas humanas. Brilhante pode ser sua vitória, no entanto, a roda da fortuna pode girar e transformar a vitória em derrota. Todavia, alcançará eterna vitória se extinto o ódio em seu coração se aproximar do vencido e dizer-lhe: Vem agora, façamos as pazes e sejamos irmãos. Grande é um general vitorioso, ó Simha, porém maior é quem vence a sua personalidade. A lei da vitória sobre a personalidade não é pregada para aniquilar a alma dos homens e sim para preservá-la. O que venceu a sua personalidade está mais apto para alcançar o triunfo eterno. Do que quem continua escravo da personalidade. Lute, pois, com coragem, ó Simha. Combatendo com esforço marcial nas batalhas, todavia seja um soldado da verdade e o Tathagata o abençoará. Simha tornou: Glorioso Senhor, Senhor Gloriosíssimo. O Senhor nos revela a Verdade. Magna é a doutrina do Bendito. Certamente o Senhor é o Buda. O bem-aventurado, o Santo. É o Instrutor da humanidade, que nos ensina o caminho da libertação. Quem o seguir, terá luz no caminho. Encontrará paz e santidade. Senhor, eu me refúgio no Bhagavad, na Lei e na Ordem. Digne-se a aceitar-me por teu discípulo, até o fim de meus dias, me refugindo no Senhor. E o Bem-aventurado lhe disse: Considere antes ó Simha, o que você vai fazer. Convêm que as pessoas de sua categoria não façam nada sem uma reflexão madura. A fé de Simha aumentou, dizendo ao Bem-aventurado: Senhor, se outros Mestres conseguissem tornar-me discípulo deles. Levariam em procissão seu estandarte pela cidade de Vaisali, gritando: Sinha, o general dos exércitos do rei, já é nosso discípulo. Pela segundo vez, eu digo, ó Senhor, que me refúgio no Buda, no Dharma e na Sangha. Digne-se a receber-me por discípulo, a partir de hoje e até o fim de meus dias. Porque me refugio no Senhor. E o Buda lhe respondeu: Durante muito os Nirgranthas receberam oferendas em suas casas. É justo que doravante você não negue sua esmola a eles. Alegre e feliz, Simha replicou: Senhor, eu ouvira dizer: O asceta Gautama ensina que só a ele e aos seus discípulos deve ser dada esmola. Todavia, o Senhor me exorta a que também a dê aos Nirgranthas. Por mais esse motivo me refúgio no Buda, na Lei e na Ordem. Abraço. Davi.
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026
SANTA TERESA DE JESUS
Cristianismo. Pt.wikipedia.org. Teresa dʼÁvila, O.C.D., conhecida como SANTA TERESA DE JESUS. (Gotarrendura, 28 de março de 1515 – Alba de Tormes, 4 de outubro de 1582),[5] nascida Teresa Sánchez de Cepeda y Ahumada, foi uma freira carmelita, mística e santa católica do século XVI, importante por suas obras sobre a vida contemplativa e espiritual e por sua atuação durante a Contrarreforma. Foi também uma das reformadoras da Ordem Carmelita e é considerada cofundadora da Ordem dos Carmelitas Descalços, juntamente com São João da Cruz (1542-1591). Em 1622, quarenta anos depois de sua morte, foi canonizada pelo papa Gregório XV (1554-1623). Em 27 de setembro de 1970, Paulo VI proclamou-a uma Doutora da Igreja e reconheceu seu título de Mater Spiritualium (Mãe da Espiritualidade), em razão da contribuição que a santa proporcionou à espiritualidade católica.[6] Seus livros, inclusive uma autobiografia ("A Vida de Teresa de Jesus") e sua obra-prima, "O Castelo Interior" (em castelhano: El Castillo Interior), são parte integral da literatura renascentista espanhola e do corpus do misticismo cristão. Suas práticas meditativas estão detalhadas em outra obra importante, o "Caminho da Perfeição" (Camino de Perfección). Depois de sua morte, o culto a Santa Teresa se espalhou pela Espanha durante a década de 1620 principalmente durante o debate nacional pela escolha de um padroeiro, juntamente com Santiago Matamoros. Primeiros anos. Teresa de Cepeda y Ahumada nasceu em 1515 em Gotarrendura, uma aldeia na província de Ávila, no Reino de Castela. Seu avô paterno, Juan Sánchez, era um marrano (um converso ou descendente de judeu converso) e foi condenado pela Inquisição espanhola por ter supostamente retornado à fé judaica. Seu pai, Alonso Sánchez de Cepeda, comprou um título cavaleiro e conseguiu com sucesso ser assimilado pela sociedade católica. A mãe de Teresa, Beatriz de Ahumada y Cuevas,[7] era especialmente dedicada à missão de criar a filha como uma piedosa cristã. Teresa era fascinada por relatos sobre vidas de santos e fugiu aos sete anos com seu irmão mais novo Rodrigo para tentar conseguir seu martírio entre os mouros. Seu tio conseguiu impedi-los por sorte ao vê-los já fora das muralhas quando voltava de outra cidade.[8] A morte de Beatriz quando Teresa tinha apenas quatorze anos provocou-lhe uma tremenda tristeza que estimulou-a abraçar ainda mais a devoção à Virgem Maria como sua mãe espiritual. Porém, ela adquiriu também um interesse exagerado na leitura de ficções populares, principalmente novelas de cavalaria, e um renovado interesse em sua própria aparência.[9] Na mesma época, foi enviada como interna para uma escola de freiras agostinianas em Ávila,[10] o Convento de Nossa Senhora da Graça. Pouco depois, piorou de uma enfermidade que começara a molestá-la antes de professar seus votos e seu pai a retirou do convento. A irmã Joana Suárez acompanhou Teresa para ajudá-la. Os médicos, apesar de todos os tratamentos, deram-se por vencidos e a enfermidade, provavelmente malária, se agravou. Teresa conseguiu suportar o sofrimento, graças a um livro devocional que lhe fora dado de presente por seu tio Pedro, "O Terceiro Alfabeto Espiritual", do Padre Francisco de Osuna (1492-1541). Esta obra, seguindo o exemplo diversas outras de místicos medievais, consistia de instruções para exames de consciência, para auto concentração espiritual e contemplação interior (técnicas conhecidas no jargão místico como oratio recollectionis ou oratio mentalis). Teresa também fazia uso de outras obras ascetas como o Tractatus de oratione et meditatione de São Pedro de Alcântara, talvez muitas das obras nas quais Santo Inácio de Loyola (1491-1556) baseou seus "Exercícios Espirituais" e possivelmente os próprios "Exercícios". Teresa seguiu as instruções da obra e começou a praticar a oração mental. Finalmente, após três anos, ela recuperou a saúde e retornou diretamente para tomar o hábito no Carmelo. Teresa conta que durante sua enfermidade, ascendia do estágio mais baixo, da "oração mental", ao de "oração do silêncio" ou mesmo ao de "devoções de êxtase", que era um de união perfeita com Deus (veja abaixo). Durante este estágio final, Teresa conta que experimentava com frequência uma rica "benção de lágrimas". Conforme a distinção católica entre pecado mortal e venial foi se tornando clara para ela, passou também a compreender o terror profundo do pecado e a natureza do pecado original. Em paralelo, conscientizou-se de sua própria impotência em confrontar o pecado e certificou-se da necessidade da sujeição absoluta a Deus. O quarto - "devoção do êxtase ou arrebatamento" - é um estado passivo no qual o sentimento de estar num corpo desaparece (veja II Coríntios 12:2–3). A atividade sensorial cessa, a memória e a imaginação também são absorvidas em Deus ou são "intoxicadas". Corpo e espírito sofrem de uma dor doce e feliz, que alterna entre um tenebroso brilho, uma completa impotência e inconsciência, uma sensação de estrangulação ou, às vezes, de um voo extático tão intenso que o corpo literalmente se ergue no espaço. Estes efeitos, depois de meia-hora, são seguidos por um relaxamento completo de algumas horas num estado parecido com um desmaio, no qual todas as faculdades [mentais] desaparecem na união com Deus.[17] Em seguida, o sujeito acorda aos prantos, o clímax da experiência mística, o que produz um transe. Tradições piedosas relatam que Teresa, como São Francisco de Assis (1182-1226), foi vista levitando durante a missa mais de uma vez. Teresa é uma das mais importantes autoras sobre a oração mental e sua posição entre os autores da teologia mística é única. Em todas as suas obras sobre o tema, ela relata suas próprias experiências pessoais, que, ajudada por sua profunda perspicácia e capacidade analítica, explica de forma clara. Sua definição de "oração contemplativa" foi utilizada pelo Catecismo da Igreja Católica: "Oração contemplativa, na minha opinião, é nada mais que um compartilhamento íntimo entre amigos; significa dedicar tempo com frequência para estar sozinho com aquele que sabemos que nos ama".[20] Reconhecimentos. Teresa foi beatificada em 24 de abril de 1614 pelo Papa Paulo V (1550-1621) e canonizada em 12 de março de 1622 por Gregório XV (1554-1623). É conhecida como Santa Teresa de Jesus. Em 1617, os Tribunais de Castela, a pedido dos devotos de Teresina, declararam padroeira da Espanha e das Índias. No entanto, os jacobinos apelaram que Santa Teresa ainda não havia sido canonizada e defendiam que o patrono da Espanha era Santiago, desde tempos imemoriais e principalmente da invasão muçulmana. Por isso se tornou Co patrona. Em 1627, apenas cinco anos após a canonização, a Santa Sé reiterou o título de Co patrona. Juntamente com o Senhor Santiago El Mayor e a Imaculada Conceição (padroeira e imperatriz da Espanha e das Índias), sua celebração se tornou uma das três principais na corte hispânica. O culto de Santa Teresa foi tão forte nas Índias, que o rei Felipe IV em 1640, por carta real, foi proclamado por Copatrona da Capitania Geral do Reino da Guatemala, solicitando celebrar seu partido como um dos quatro principais (ao lado dos da Concepcion limpa, Santiago e Santa Cecília) na cidade, cabeça e coração do povo colonial da América Central. Com a transferência da Cidade, Independência e a fundação da República, Santa Teresa tornou-se Co patrona da República e Iglesia da Guatemala. Foi nomeada doutora honoris causa pela Universidade de Salamanca e posteriormente nomeada patrona dos escritores. No entanto, a Igreja Católica como instituição não reconheceu oficialmente o ensino da vida espiritual realizada por Santa Teresa de Jesus, nem seu doutorado na Igreja. Várias tentativas foram feitas nesse sentido, a última em 1923. O motivo da rejeição foi sempre o mesmo: "obstat sexus" (o sexo o impede).[21] Finalmente, em 27 de setembro de 1970,[22] Santa Teresa de Jesus tornou-se (juntamente com Santa Catarina de Siena) a primeira mulher levantada pela Igreja Católica ao status de Doutor da Igreja, sob o pontificado de Paulo VI (1897-1978).
- Além destas, há também "As Cartas (Las Cartas; Saragossa, 1671), as correspondências de Teresa, da qual restaram 342 cartas completas e fragmentos de outras 87. A prosa de Teresa é marcada de uma graça sem afetações, de esmerada ornamentação e de um encantador poder expressivo, qualidades que a colocam no primeiro escalão da literatura espanhola; Finalmente, seus raros poemas estão reunidos em "Todas as Poesias" ("Todas las poesías", Munster, 1854) e se distinguem pela ternura e pelo ritmo. O poema moderno "Vós Sois as Mãos de Cristo", embora seja amplamente atribuído a Teresa,[26][27] não aparece em suas obrasː[28]
“ | Cristo não tem atualmente sobre a terra nenhum outro corpo se não o teu; Nenhumas[b] outras mãos senão as tuas; Nenhuns[b] outros pés senão os teus... Vós sois os olhos com que a compaixão de Cristo deve olhar o mundo; Vós sois os pés com que Ele deve ir fazendo o bem, Vós sois as mãos com que Ele deve abençoar os homens de hoje... |