Legião da Boa Vontade (LBV). Livro a Missão dos Setenta e o Lobo Invisível. Por Jose de Paiva Netto (1941-2025). Jesus ensinou a humildade, jamais a covardia. O medo paralisa o indivíduo, e Ele determinou aos seus discípulos ação. Damas e cavalheiros, guardem bem: boa ação! Estando realmente com o Protetor Divino, ovelhas de Deus, não temam o "lobo invisível". Porém os maus atos que vocês mesmas ou vocês mesmos podem praticar. Livrem-se deles, tirando de dentro de si as pérfidas sugestões lupinas - características do lobo. A GUISA - maneira - DE INTRODUÇÃO. Despretensiosa contribuição à inteligência das coisas. Uma das passagens bíblicas que mais aprecio, pelas extraordinárias lições que nos oferece, é a basilar "A Missão dos Setenta Discípulos de Jesus", constante do Evangelho segundo Lucas 10,1-24, que adiante descrevo. "Depois disto designou o Senhor ainda outros setenta, e mandou-os adiante da sua face, de dois em dois. A todas as cidades e lugares onde ele havia de ir. E dizia-lhes: Grande é, em verdade, a ceifa, mas os obreiros são poucos. Rogai, pois, ao Senhor da ceifa que envie obreiros para a sua colheita. Ide, eis que vos mando como cordeiros ao meio de lobos. Não leveis bolsa, nem alforje, nem sandálias, e a ninguém saudeis pelo caminho. E, em qualquer casa onde entrardes, dizei primeiro: Paz seja nesta casa. E, se ali houver algum filho da paz, repousará sobre ele a vossa paz. E se não voltará para vós. E ficai na mesma casa, comendo e bebendo do que eles tiverem, pois digno é o obreiro do seu salário. Não andeis de casa em casa ... Curai os enfermos que nela houver, e dizei-lhes: É chegado a vós o reino de Deus ... ". Nela, encontramos imprescindíveis diretrizes para manter uma postura capaz de suplantar as dificuldades que surgem pela estrada de nossa existência. Que nos imunize das investidas perversas do "lobo invisível", que denunciamos neste trabalho. Permaneçamos muito atentos aos pormenores, às entrelinhas do que trato aqui. Em 31 de dezembro de 2004, na virada do ano, pela Super Rede Boa Vontade de Comunicação rádio, TV e internet, explanei, numa palestra nascida de improviso, sobre o referido texto bíblico. Para minha alegria, vários ouvintes solicitaram que essa pregação fosse novamente transmitida. A partir de 2 de janeiro de 2006 - quando se deu a primeira oportunidade, pois a programação é muito rica - essa palavra teve a sua vez de ser reapresentada. E mais, pediram-me sua publicação, o que também o ocorreu. Atendendo a essas manifestações de carinho e apreço para com a mensagem da Quarta Revelação, a Religião de Deus, do Cristo e do Espírito Santo, passei a reproduzir, na Revista Jesus Está Chegando. A análise ecuménica "busca da união e harmonia apesar da diferença" que fiz do capítulo 10 do Evangelho, de acordo com os relatos de Lucas. Acrescida de novas considerações que aqui agrupadas, formam este estudo. Desejo sinceramente que venha a ser útil na abertura de entendimentos e de corações à flagrante realidade do cotidiano intercâmbio do Mundo Espiritual com o nosso existir terreno. Um Pouco da História da Minha Vida. - Salve o Natal Permanente da Legião da Boa Vontade, por um Brasil melhor e por uma humanidade mais feliz! Dessa forma, o irmão Alziro Zarur (1914-1979) encerrava a leitura do relatório do Banco da Boa Vontade - assinado por outro grande batalhador Legionário de Deus, Osmar Carvalho e Silva (1912-1975). No qual apresentava as atividades sociais do Casarão nº 1, da LBV, situado no Rio de Janeiro/RJ, Brasil. Durante extenso período, ainda aluno do Colégio Pedro II, fui, todos os dias, o portador daquele importante documento. Saia da aula correndo, porque tinha de estar, impreterivelmente, as 19h30 (3), no gabinete de Zarur, na antiga Rádio Mundial. Localizado na Avenida Rio Branco 181,3º andar, no edifício Cineac Trianon, no centro da cidade. Ele me esperava com aquelas informações para se dirigir ao estúdio. De onde irradiaria seus consagrados programas Campanha da Boa Vontade e Jesus Está Chegando! Nunca cheguei atrasado. Nem dispunha de tempo para trocar o uniforme do colégio padrão. Mas entregava-lhe os papéis na hora certíssima. A cada ir e vir inesquecíveis correrias, meu coração mais se entusiasmava com o ideário da Boa Vontade. As esclarecedoras lições sobre a realidade da Vida após a morte e a influência dos Espíritos no dia a dia de todos nos. Seres reencarnados, desde as narrativas evangélicas belamente interpretadas e explicadas por Alziro Zarur. As instrutivas páginas espirituais lidas e comentadas por ele, alimentavam meu ímpeto legionário. Na época, o saudoso proclamador da Religião de Deus, do Cristo e do Espírito Santo com frequência denunciava a ação solerte do que denomino "lobo invisível". Que prejudicou até mesmo a missão dos setenta discípulos, embotando a mente de 58 deles. É natural que se esse grupo deixou de seguir o Divino Mestre é porque não era Dele, mas, sim, do "lobo invisível". E quanto aos doze que permaneceram ao seu lado, Jesus sempre os desafiava, como podemos ver no Evangelho, segundo João 6,67 "Então, perguntou Jesus aos doze: E vós, porventura, quereis também vos retirar"? Imediatamente, porém, Pedro Apóstolo apresenta sua resposta decidida, que deve inspirar a todos nós: Senhor, para quem iremos nós? Só tu tens as palavras da Vida Eterna! E nós já temos crido e bem sabemos que Tu és o Cristo, o Santo de Deus - João 6,68-69. Assim também deve ser nosso testemunho diariamente, Retomaremos o assunto. O Brado. É tão marcante aquele brado de Alziro Zarur, no meio legionário da Boa Vontade de Deus e Cristão do Novo Mandamento de Jesus, que vale a pena repetir - Salve o Natal Permanente da Legião da Boa Vontade, por um Brasil melhor e por uma Humanidade mais feliz! Uma saudação expressiva para começar um dia, um mês, um novo ano e reverenciar o Natal Permanente de Jesus aos povos! A Glória do Trabalhador. Ano-novo ! Ano-bom?! Depende de nós. Tenho certeza de que, com vocês adotando por alicerce o Sublime Aprendizado vindo de Jesus, o Ecumênico Divino. Faremos desse ano - que se inicia repleto de esperança - e dos que o sucederão os mais prósperos tempos que as Instituições da Boa Vontade de Deus (LBV) já viveram. O Espírito dr. Bezerra de Menezes, grande ativista da Revolução Mundos dos Espíritos de Luz, durante as reuniões do Centro Espiritual Universalista, o CEU da Religião de Deus, do Cristo e do Espírito Santo. Explanando a respeito do que tem sido a existência heroica das Instituições da Boa Vontade, costumo lembrar que, se enfrentamos constantemente "lutas extraordinárias" somos recompensados pelo Pai Celestial. De acordo com o nosso merecimento, com " vitórias majestosas". No entanto, esse galardão é para quem - tendo compromisso com o Cristo Ecumênico, o Excelso Estadista, pois assinou um contrato no Mundo Espiritual com o Divino Mestre - o cumpre com honra até o fim e além do fim. Apenas desse modo merecerá o seu beneplácito, ou seja, poder descansar no seu seio, ainda que por curto período. Porquanto a glória do trabalhar é praticar, de forma eficaz, o seu serviço, agora e sempre. A propósito, mesmo enquanto o corpo dorme, os Servidores do Senhor são levados às regiões da Bem-aventurança para receber Dele, ou dos seus auxiliares benditos, forças para o prosseguimento da tarefa. Revolução Mundial dos Espíritos de Luz. Sobre tão grandioso acontecimento, a União das Duas Humanidades - a espiritual e a material - fiz incluir em minha obra Tesouros da Alma (2017). Anunciada por Zarur em 1953, temos levado adiante a Revolução Mundial dos Espíritos - expressão à qual acrescentei "de Luz", pois essa Revolução surgiu para iluminar o Espírito Eterno do ser humano. Esclarecendo a todos que o Mundo Espiritual não é uma abstração. Aqui abro parêntese para dizer que até a poderíamos chamar de Revolução Social dos Espíritos de Deus, porque sabemos que a reforma social vem pelo espiritual. Porquanto o governo da Terra começa no Céu. Das alturas descem até aos seres humanos as instruções Divinas, que vão se corporificando conforme a capacidade que cada um tem de entendê-las e vivê-las. Sendo esse um indivíduo, povo ou nação. Daí o ensinamento de Jesus neste resumo: todos seremos justificados em consonância com o Bem ou com o mal que praticamos. Vejam o Evangelho do Cristo, segundo Mateus 16,27 "Porque o Filho do Homem virá na glória de seu Pai, com os seus anjos. Então dará a cada um segundo as suas obras". Apocalipse 22,11 "Quem é injusto faça injustiça ainda. Quem é sujo, seja sujo ainda. Quem é justo faça justiça ainda. Quem é santo seja santificado ainda". Jó 34,11 "Ele nos paga de acordo com o que fazemos e dar a cada um o que merece". Sem esse conceito da Justiça de Deus, é impossível a existência de uma sociedade equitativa, portanto civilizada. O contrário é o reino da impunidade. União das Duas Humanidades. Ainda relacionado ao tema, é oportuno destacar o que o saudoso irmão Alziro Zarur falou sobre o advento da União das Duas Humanidades: a da Terra com a do Céu, dentro da Revolução Mundial dos Espíritos da Luz Celeste, na Quarta Revelação. Trata-se de um dos fundamentos da Política Divina. A essência do segredo do governo dos povos é justamente a vitória do Novo Mandamento de Jesus com a União da Humanidade da Terra com a Humanidade do Céu. Incentivo à Perseverança. Durante palestra que realizei no dia 15 de outubro de 2003, na cidade do Rio de Janeiro/RJ, o ilustre "Médico dos Pobres", pela mediunidade do sensitivo cristão do Novo Mandamento Chico Periotto. Concedeu-nos grandioso exemplo da postura dos seguidores do Caminho. Ao superarem as intempéries do princípio da jornada para fertilizar nos corações a Doutrina Redentora do Jesus Ecumênico. Trago-o para conhecimento de vocês, como incentivo à perseverança e à união em torno do ideal da Boa Vontade de Deus. Visto que, consoante costumo afirmar, em cada dificuldade que surge, existe o ensejo de suplantá-la. Esclarece o doutor Bezerra de Menezes (Espírito): - Os apóstolos de Jesus venceram, porque, mesmo nos momentos em que tudo parecia perdido, existiam no seio da equipe o entusiasmo, a fé inabalável, equilibrada e sempre motivadora de Pedro apóstolo. Pedro sabia, em seu íntimo, que as coisas seriam difíceis. Contudo, com a sua percepção hierárquica, previa a vitória dentro da dificuldade, em plena procela. As chagas que seriam expostas correspondiam aos desafios que também seriam vencidos (destaques são do autor). Por isso, na Religião do Terceiro Milênio, entendemos a grandeza infinita de Jesus, o Senhor dos senhores, cuja misericórdia paira solidariamente acima das crenças terrenas. As quais têm a nossa consideração ecumênica. Estamos em sintonia com o que elas possuem de mais belo. Por essa razão, proclamamos que Ele é o Cristo Ecumênico, o Divino Estadista. Ora, um Celeste Libertário como Jesus não pode permanecer algemado a pensamentos sectários - ".indivíduo que se move de modo extremo por uma religião, doutrina ou filosofia". Jesus disse: "Eu sou a Luz do mundo. Quem me segue não andara em trevas, mas tem a Luz da Vida". João 8,12. O que veio fazer na Terra o Sublime Educador senão trazer-nos a ambiência especial de Paz e de Justiça para uma humanidade que ainda se debate na incerteza? Enquanto ela se mantiver distante de sua origem, que é divina, viverá chafurdada na confusão constante e destruidora. O planeta está se tornando - por culpa nossa, seus moradores - desclassificado como reduto para habitação de seres viventes. Por causa da atividade incessante do "lobo invisível". Pois nem todos percebem sua atuação solerte, que é também ganância desmedida. Seu maquiavélico - "indiferença a moralidade, falta de empatia e foco calculado no interesse próprio" - plano visa ao fracasso da missão dos discípulos de Jesus. Que precisam ser mais eficientemente práticos e muito produtivos, de forma que convençam os moradores da Terra de que Deus nada tem a ver com os excessos humanos praticados em Seu Nome. Afinal, Ele é Amor, na Primeiro Epístola de João 4,8 diz: "Aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor". Ele é justiça, porém jamais vingança, como, pelos milênios vem sendo confundido. Jeremias 22,3 "Assim diz o Senhor: Executai o direito e a justiça e livrai o oprimido das mãos do opressor. Não oprimais ao estrangeiro, nem ao órfão, nem a viúva. Não façais violência, nem derrameis sangue inocente neste lugar". Salmos 33,4-5. "Porque a Palavra do Senhor é reta, e todo o Seu proceder é fiel. Ele ama a justiça e o direito. A Terra está cheia da bondade do Senhor". Abraço. Davi.
MOSAICO ESPIRITUAL
segunda-feira, 30 de março de 2026
sexta-feira, 27 de março de 2026
XINTOISMO. Parte VI
Xintoismo.bushidor.br. Mitologia e influência na formação da cultura e o caráter do povo japonês. XINTOISMO. Parte VI. Nos Princípios fundamentais da estrutura nacional japonesa, publicados em 1937 pelo Ministério da Instrução Pública, lê-se: o coração de sinceridade é a mais pura manifestação do espírito do homem. Sinceridade significa que de palavras verdadeiras nascem ações verdadeiras. O que é dito pela boca deve certamente se manifestar nas ações... A sinceridade é a fonte de onde provêm a beleza, a bondade e a verdade (m. t. idem). O xintoísmo ensina que apenas pela convivência se pode aprender a ser xintoísta. Não apenas a convivência pessoal é importante no Xintô. O cuidado com as relações sociais daí advindas são igualmente importantes. Para os praticantes das artes marciais japonesas, por ex, o local de treinamento, é como no xintoísmo, terreno merecedor de respeito e reverência. É local de aprendizado e aprimoramento espiritual, para o que as lutas são instrumentos. Praticantes de judô, sumô, kendô ou outra arte marcial de origem nipônica, costumam reverenciar o local da prática e o adversário antes e depois da luta. Nas escolas, antes do início das atividades, alunos e professores também costumam se cumprimentar com uma pequena reverência. Mas não só os esportes sofreram essa influência. As atividades que enlevam o espírito, aproximando do Caminho, têm alto prestígio na sociedade japonesa. Os artistas, calígrafos, monges e poetas figuram nessa categoria. Os artesãos de raro talento são classificados como "tesouros da nação". O professor, aquele que divide com os pais a tarefa da formação dos filhos, desde os tempos feudais, goza de elevado prestígio social e gratidão dos pais, como nos relata Lafcadio Hearn (http://www.nipocultura.com.br/?p=1066) (HEARN, 1984, p. 434-437). Dedicação que constata também Wenceslau ao narrar, espantado, caso de um professor em Tóquio "que para poder sustentar em casa alguns estudantes sem recursos, sustentava-se ele, a si próprio, com o regime exclusivo de batatas!". E prossegue relatando caso de descendentes de antigos senhores feudais que se viam em dificuldades para atenderem às necessidades de muitas das famílias e indivíduos dos seus extintos feudos. Incluindo estudantes pobres; encargo que nenhuma lei escrita impõe, evidentemente, mas que é sugerido por íntimos brios de pundonor, Vindo de longe e ninguém quer eliminar dos usos e costumes (MORAES, op. cit., p. 256). Akira Kurosawa (1910-1998), o cineasta japonês mais conhecido no Ocidente, filmou "Madadayo" em 1993 sobre a vida do professor Hyakken Uchida, seu último trabalho, já em cadeira de rodas. É versão romantizada pelas lentes do cineasta, mas vê-se o relacionamento professor-aluno, puro, bem-humorado, respeitoso. Ao final, a seu modo, o poeta das telas, ciente do seu estado de saúde, se despede do seu público. ( http://www.nipocultura.com.br/?s=madadayo&submit=Pesquisar). Em vez de direitos e prerrogativas, a educação japonesa atribuiu ao nipônico obrigações e deveres com a família, com a sociedade e com a nação (BARROS, op. cit., p. 19). Aos princípios sociais éticos e objetivos do confucionismo juntou-se a ética subjetiva do amor ao próximo do Xintô. Na consciência desse povo, basta-lhe o privilégio não escrito, não declarado, não garantido em lei, mas compreendido e aceito, de morar no seu país com a sua gente. Constata sobre a obrigação do japonês, Benedicto Ferri de Barros (1920-2008), comentarista do jornal "O Estado de S. Paulo". Os japoneses recebem desde o nascimento uma herança de dívidas sociais e crescem sob um código de obrigações que não cessa de aumentar, à medida que eles se desenvolvem pessoal e socialmente. De tal maneira que, iniciando-se como devedores de seus antepassados, passam depois a devedores do pai, em seguida do mestre. Depois de cada um dos seus superiores, e, assim, quanto mais ascendem, mais devedores se tornam. Sendo o imperador o maior devedor de todos os japoneses. Por reciprocidade, cada japonês tenta aliviar os débitos dos que, acima deles, estão acumulados de tamanha responsabilidade (ibidem p. 20). As obrigações assumidas e cumpridas acabam por determinar consensualmente direitos e posições. Não se discute nem se disputam direitos e posições (idem). Como descrito por Offner e Straelen, citados linhas atrás, "o japonês gosta do que não é formulado e contenta-se com sugestões sutis...", o Rescrito Imperial promulgado em 1º de janeiro de 1946, com o país já sob ocupação dos Aliados. Também, genericamente fixa princípios e não normas, ou seja, orienta, mas não especifica. Afirmava que o elo entre o soberano e seu povo, liga, "do primeiro ao último pela confiança e afeição mútuas" (Sakamaki Shunzo in MOORE, op. cit., p.31). Como vemos, não é norma ou lei escrita no sentido ocidental. É, como define Morton, referindo-se à Constituição do príncipe Shotoku (574-622), "uma coleção de máximas provindas principalmente do confucionismo para guiar e estimular pessoas envolvidas no governo" (MORTON, 1984, p.20). Já no primeiro artigo da "Constituição dos 17 Artigos" de 604, o príncipe inscrevera o princípio do "Wa", harmonia, paz, reconciliação (YAMASHIRO, 1986, p. 42). No Decreto Imperial sobre a Educação (Kyôiku Chokugo) promulgado pelo Imperador Meiji (1868-1912) em 1890, nada há de norma específica, declarando apenas valores éticos, o culto às artes, o incentivo à educação. Destacando à ancestralidade, o cuidado que devem ter uns para com os outros: Decreto Imperial sobre a Educação, Sabei vós, meus súditos: Nossos Ancestrais Imperiais fundaram o Nosso Império em uma base ampla e eterna e têm implantado firme e profundamente a virtude; Nossos Súditos sempre unidos na lealdade e piedade filial têm ilustrado de geração em geração a beleza disso. Isto é a glória do caráter fundamental do Nosso Império e inclui-se também a fonte da Nossa educação. Vós, Meus súditos, sede filiais aos seus pais, sede afetuosos com seus irmãos e irmãs; sede harmoniosos como marido e mulher. Como verdadeiros amigos, levai convosco a modéstia e a moderação, estendei a vossa benevolência a todos, prossegui o aprendizado e cultivai as artes. Desenvolvei as faculdades intelectuais e os poderes da perfeita moral, além disso, levai adiante o bem público e promovei interesses em comum, sempre respeitai a Constituição e observai as leis. Quando surgir emergência, devei vos oferecer corajosamente ao Estado, e assim guardar e manter a prosperidade do Nosso Trono Imperial coevo com o Céu e a Terra. Assim vós deveis ser os Nossos bons e fiéis súditos, transmitir as melhores tradições de vossos antepassados. O Caminho traçado aqui é de fato o ensinamento legado pelos Nossos Ancestrais Imperiais, a ser observado pelos Vossos Descendentes e súditos, infalível para todas as idades e verdadeiro em todos os lugares. Esse é o Nosso desejo que seja levado a sério em toda reverência, em comum convosco, Nossos súditos, que nós possamos alcançar a mesma virtude.30º dia do 10º mês do 23º ano de Meiji (Dia 30 de Outubro de 1890). Assinatura Manual Imperial; Selo Imperial (SASAKI, 2009, tese de doutorado disponível em: www.bibliotecadigital.unicamp.br/document/?code=000442741 acesso em 19/11/2012, pag. 29). Na religiosidade desse povo ou antes, no comportamento formado pela religiosidade, por vezes confunde-se o que é de uma ou de outra religião. Mais acertada seria a assertiva de que a religiosidade do nipônico é formada pela mescla das três religiões que mantêm áreas de influência próprias e áreas onde se somam. Há nos contos budistas, fato ocorrido com o monge zen-budista Bankei (1622-1693), tido como grande sábio e cujos retiros eram bastante concorridos, recebendo em seu templo monges do Japão inteiro, interessados nos seus ensinamentos. Numa ocasião os monges descobriram um que era ladrão e foram falar com Bankei, que ouviu pacientemente, mas nada disse e nada fez. Pego novamente furtando dinheiro dos colegas, os monges novamente foram a Bankei, desta vez indignados, exigindo sua retirada como condição para que permanecessem no seminário. Bankei novamente ouviu-os com paciência, dizendo-lhes ao final do relato: "− vocês podem abandonar o seminário, podem ir embora, porque já sabem a diferença entre o certo e o errado, mas eu ficarei com esse monge, que aqui veio para aprender e ainda não sabe a diferença". E o monge errante chorou copiosamente, perdendo a compulsão pelo furto. O budismo prega a benevolência e a compaixão, mais subjetivas, mais próximas do homem, mas sob a ampla, objetiva e genérica óptica xintoísta, removeu-se a nódoa, a mancha, que como uma ilusão, obstava a manifestação do coração claro e puro do monge errante, ou seja, o monge voltou novamente a trilhar o Caminho, voltou ao seu estado natural de bondade, permitiu ao seu kami interior se manifestar. (http://pt.scribd.com/doc/89138298/Contos Zen-Budistas - conto 12 - acessado em 19/11/2012). O reconhecimento da bondade natural do ser humano ou na sua capacidade de regeneração, é o que muda também completamente o homem e o destino de Jean Valjean, trazido ao convívio do amor humano pela acolhida do benevolente bispo Bien venu que se recusa a ver no ex-presidiário o ladrão, mas apenas o homem digno, sob cujas vestes rotas se abrigava um bom coração. Em meio a um mundo de penúria e sofrimento, são as personagens que vêm a lume sob a pena humanitária de Victor Hugo (1802-1885) em "Os Miseráveis", fazendo com o calor humano o contraponto à miséria social e econômica que permeiam o romance. "A bondade em palavras cria confiança, a bondade em pensamentos cria profundidade, a bondade em dádiva cria amor", dizia Lao-Tsé, fundador do taoísmo de cujas raízes ideológicas medrou o xintoísmo. Do amor às belezas da Natureza teria surgido esse amor ao ser humano, segundo Nakamura Hajime (in MOORE, op. cit., p. 145). Extensivo aos elementos da Natureza, também aos animais, devotasse-lhes idêntico tratamento. Relata-nos Wenceslau: "mas o camponês trata o boi como um irmão de trabalho, não como um quadrúpede escravizado. Com o boi se entende pela palavra e pelo gesto, conversa mesmo com ele sobre coisas de lavoura, nunca se lembrou de construir um aguilhão" (MORAES, op. cit., p. 54-55). A Associação dos santuários xintoístas (Jinja Honchô) resumiu a fé xintoísta: 1. Ser grato às bênçãos divinas e aos benefícios dos ancestrais. Ser diligente na observação dos rituais xintoístas, executando-os com sinceridade, regozijo e pureza do coração. 2. Servir ao próximo sem pensar em recompensa e buscar largamente o desenvolvimento da vida neste mundo, como desejado pela vontade divina. 3. Unir-se uns aos outros em harmonioso reconhecimento da vontade do imperador. Orando para que o país possa prosperar e que outros povos também possam viver em paz e prosperidade (Ueda Kenji in TAMARU et alii, op. cit., p. 31). O cristianismo no Japão. A ausência no xintoísmo de um ser único, absoluto, que enfeixa todo o poder como no cristianismo, constituiu-se na dificuldade de se compreender o deus do monoteísmo ocidental (OSHIMA, 1992, p. 28). Acostumado a uma relação aberta, livre, sem regras morais, coletiva, pacífica, harmoniosa com outras religiões, com ligações a vários deuses, invisíveis ou corporificados em objetos ou na Natureza. Deve ter lhe parecido estranha a promessa de uma vida melhor, proporcionada por um único e diferente deus, cujo monopólio da salvação se dá pelas suas regras. Deve ter causado não apenas estranheza, mas espanto um "Deus ciumento dono absoluto dos destinos do homem, cuja justiça sem misericórdia, envolve o inferno e o eterno tormento", o que seguramente fez os nativos, reticentes diante de tão "terrível ensinamento" (HITCHCOCK, op. cit., p. 509). Mas a maior dificuldade na aceitação do cristianismo constituiu-se no abandono de seus ancestrais. Que não seriam salvos por não terem seguido os mandamentos, e, portanto, destinados ao fogo do Inferno (YUSA, op. cit., p.73. O choque das crenças, que obrigava o nativo a abjurar seu credo e promover a destruição de templos e santuários. Incentivados pelos religiosos cristãos como prova da aceitação do novo credo como o único verdadeiro, contribuiu também para a impopularidade da cristianização. Culminando com o edito do kanpaku Hideyoshi Toyotomi (1537-1598) que acabou expulsando os cristãos Ocidentais das terras japonesas: "é inaudito que os missionários obriguem as pessoas a converterem-se à sua fé e as incitem a demolir templos e santuários" (ibidem p. 70). Relata-nos Lafcadio Hean (1850-1904) sobre o assunto: Lemos nas histórias das missões sobre daimyôs convertidos queimando milhares de templos budistas, destruindo incontáveis obras de arte e matando monges budistas. Encontramos ainda escritores jesuítas louvando suas cruzadas como evidência do santo zelo (m. t. HEARN, 1984, p. 306). São dessa época as palavras de um desiludido pensador católico japonês, Fabian Fukan (1565-1621): Os cristãos dizem que os fenômenos do mundo natural nos mostram a existência de seu Deus Criador. A mudança das estações também nos indica a existência do Autor Sábio que causa a mudança, mas, que há de extraordinário no mundo da natureza? Não há nada de extraordinário! Tudo funciona naturalmente. Seja Lao Tse, Confúcio, Buda ou o Xintoísmo, todos eles nos explicam a origem do mundo cada um à sua maneira. Por que os cristãos se creem os únicos conhecedores do Criador do Universo? Desde a antiguidade, todos os filósofos e os santos nos vieram explicando a mesma lei. Não há razão alguma pela qual o ensinamento do Deus cristão seja superior ao de Confúcio, Buda ou ao de Lao Tse (apud in OSHIMA, op.59. Página 35. Abraço. Davi.
quarta-feira, 25 de março de 2026
OS ANALECTOS - LIVRO V
Confucionismo. www.rl.art.br. OS ANALECTOS – LIVRO V. Texto de Confúcio (551-479). 1. O Mestre disse de Kung-yeh Ch’ang que ele era uma boa escolha para marido, pois, embora estivesse preso, não havia feito nada errado. E lhe deu sua filha em casamento. 2. O Mestre disse de Nan-jung que, quando o Caminho prevaleceu no reino, este não foi posto de lado e, quando o Caminho caiu em desgraça, ele ficou longe da humilhação e da punição. E lhe deu a filha do seu irmão mais velho em casamento. 3. O comentário do Mestre sobre Tzu-chien foi “Que cavalheiro! Onde ele teria adquirido as suas qualidades, se não houvesse cavalheiros no reino de Lu?”. 4. Tzu-kung perguntou: “O que acha de mim?”. O Mestre disse: “Você é um navio”. “Que tipo de navio?” “Um navio sacrificial”. 5. Alguém disse: “Yung é benevolente, mas não fala muito bem”. O Mestre disse: “Qual a necessidade de ele falar bem? Um homem rápido nas respostas frequentemente provocará o ódio dos outros. Não posso dizer se Yung é benevolente ou não, mas qual a necessidade de ele falar bem?”. 6. O Mestre aconselhou Ch’i-tiao K’ai a assumir um cargo oficial. Ch’i-tia o K’ai disse: “Acho que ainda não estou pronto”. O Mestre ficou satisfeito. 7. O Mestre disse: “Se o Caminho não pudesse prevalecer e eu fosse lançado ao mar em uma jangada, aquele que me seguiria seria Yu, sem dúvida alguma”. Tzu-lu, ao ouvir isso, transbordou de alegria. O Mestre disse: “Yu tem mais amor à coragem do que eu, mas lhe falta juízo”. 8. Meng Wu Po perguntou se Tzu-lu era benevolente. O Mestre disse: “Não posso dizer”. Meng Wu Po repetiu a pergunta. O Mestre disse: “A Yu pode ser dada a responsabilidade de coordenar as tropas de um reino de mil carruagens, mas se ele é benevolente ou não, não posso dizer”. “E quanto a Ch’iu?” O Mestre disse: “A Ch’iu pode ser dada a responsabilidade de administrar uma cidade de mil casas ou uma família nobre de cem carruagens, mas se ele é benevolente ou não, não posso dizer”. “E quanto a Ch’ih?” O Mestre disse: “Quando Ch’ih coloca a sua faixa e toma lugar na corte, a ele pode ser dada a responsabilidade de conversar com os convidados, mas se ele é benevolente ou não, não posso dizer”. 9. O Mestre disse a Tzu-kung: “Quem é o melhor homem, você ou Hui?”. “Como eu ousaria me comparar a Hui? Quando lhe é dita uma coisa, ele compreende cem coisas. Quando me é dita uma coisa, eu entendo apenas duas.” O Mestre disse: “De fato, você não é tão bom quanto ele. Nenhum de nós dois é tão bom quanto ele.” 10. Tsai Yü estava na cama durante o dia. O Mestre disse: “Um pedaço de madeira podre não pode ser esculpido, tampouco pode uma parede de esterco seco ser aplainada. Em se tratando de Yü, de que adianta condena-lo?”. O Mestre acrescentou: “Eu costumava ouvir as palavras de um homem e confiar que ele agiria de acordo. Agora, tendo ouvido as palavras de um homem, parto para observar suas ações. Foi por causa de Yü que mudei quanto a isso.” 11. O Mestre disse: “Nunca conheci alguém que fosse verdadeiramente constante”. Alguém perguntou: “E quanto a Shen Ch’eng?”. O Mestre disse: “Ch’eng é cheio de desejos. Como pode ser constante?12. Tzu-kung disse: “Do mesmo modo que não quero que os outros mandem em mim, também não quero mandar nos outros”. O Mestre disse: “Ssu, isso ainda está bem acima de você”. 13. Tzu-kung disse: “Pode-se ouvir sobre as realizações do Mestre, mas não se pode ouvir suas opiniões sobre a natureza humana e o Caminho para o Céu”. 14. A única coisa que Tzu-lu temia era que, antes que pudesse colocar em prática algo que aprendera, lhe ensinassem outra coisa diferente. 15. Tzu-kung perguntou: “Por que K’ung Wen Tzu foi chamado de wen?”. O Mestre disse: “Ele era rápido e ávido por aprender: não teve vergonha de buscar o conselho daqueles que lhe eram inferiores em posição. É por isso que ele é chamado wen”. 16. O Mestre disse sobre Tzu-ch’an que sob quatro aspectos ele tinha as maneiras de um cavalheiro: era respeitoso no modo como se comportava; era reverente no serviço ao seu senhor; ao tratar com as pessoas comuns, ele era generoso e, ao empregar os serviços destas, era justo. 17. O Mestre disse: “Yen P’ing-chung era um excelente amigo: mesmo quando conhecia seus amigos há muito tempo, ele os tratava com reverência”. 18. O Mestre disse: “Ao fazer uma casa para sua grande tartaruga, Wen-chung mandou esculpir os capitéis dos pilares na forma de montanhas e pintar os caibros do telhado com desenhos de plantas aquáticas. O que se deve pensar sobre a inteligência dele?19. Tzu-chang perguntou: “Ling Yin Tzu-wen não demonstrou júbilo algum quando por três vezes foi feito primeiro-ministro. Tampouco demonstrou desgosto quando por três vezes foi removido do cargo. Ele sempre dizia ao seu sucessor o que havia feito durante seu mandato. O que acha disso?” O Mestre disse: “Ele pode, de fato, ser considerado um homem que dá o melhor de si”. “E pode ele ser chamado de benevolente?” “Sequer pode ser chamado de sábio. Como poderia ser chamado de benevolente?” “Quando o senhor de Ch’i foi assassinado por Ts’ui Tzu, Ch’en Wen Tzu, que possuía dez grupos de quatro cavalos cada, abandonou-os e deixou o reino. Ao chegar em outro reino, ele disse: ‘Os oficiais aqui não são melhores do que o nosso ministro Ts’ui Tzu’e partiu de novo. O que acha disso?” O Mestre disse: “Ele pode, de fato, ser considerado um homem puro”. “Pode ele ser chamado de benevolente?” “Sequer pode ser chamado de sábio. Como poderia ser chamado de benevolente?” 20. Chi Wen Tzu sempre pensava três vezes antes de agir. Quando o Mestre ficou sabendo disso, comentou: “Duas vezes é suficiente”. 21. O Mestre disse: “Ning Wu Tzu era inteligente enquanto o Caminho prevalecia no reino, mas foi estúpido quando não prevaleceu. Outros podem igualar sua inteligência, mas não podem igualar sua estupidez”. 22. Quando estava em Ch’en, o Mestre disse: “Vamos para casa. Vamos para casa. Em casa, nossos jovens rapazes são furiosamente ambiciosos e têm grandes talentos, mas não sabem usá-los”. 23. O Mestre disse: “Po Yi e Shu Ch’i nunca lembravam de velhas rixas. Por essa razão, muito raramente provocavam ressentimentos”. 24. O Mestre disse: “Quem disse que Wei-sheng era correto? Uma vez, quando um pedinte lhe mendigou vinagre, ele foi e pediu-o para um vizinho”. 25. O Mestre disse: “Palavras ardilosas, rosto adulador e absoluta subserviência: essas coisas Tso-ch’iu considerava vergonhosas. Eu também as considero vergonhosas. Ser amigável com alguém enquanto escondemos nossa hostilidade: também isso Tso-ch’iu considerava vergonhoso. Eu também considero vergonhoso”. 26. Yen Yüan e Chi-lu estavam presentes. O Mestre disse: “Sugiro que cada um de vocês me conte os seus desejos mais fortes”. Tzu-lu disse: “Eu desejaria partilhar minha carruagem e cavalos, roupas e peles com meus amigos sem me arrepender, mesmo que eles ficassem gastos”. Yen Yüan disse: “Eu desejaria nunca me vangloriar da minha própria bondade e nunca impor tarefas pesadas aos outros”. Tzu-lu disse: “Eu gostaria de ouvir quais os seus desejos secretos, Mestre”. O Mestre disse: “Trazer paz aos velhos, ter confiança nos meus amigos e dar afeto aos jovens”. 27. O Mestre disse: “Acho que devo abandonar as esperanças. Ainda estou para conhecer o homem que, ao ver os próprios erros, seja capaz de se criticar internamente”. 28. O Mestre disse: “Em um vilarejo de dez casas, sempre haverá aqueles que são meus iguais quanto a fazer o melhor que podem pelos outros e quanto a ser fiéis às próprias palavras, mas dificilmente terão tanta vontade de aprender quanto eu tenho”. www.rl.art.br. Abraço. Davi
segunda-feira, 23 de março de 2026
TAO TE CHING - POEMA VIII
Lao Tse (571 a.C.531). Tao Te Ching. O Livro que Revela Deus.
sexta-feira, 20 de março de 2026
JNANA YOGA. O CONHECIMENTO ESPIRITUAL
Hinduísmo. Bhagavad Gita. A Mensagem do Mestre. Capítulo IV. JNANA YOGA. O CONHECIMENTO ESPIRITUAL. Capítulo IV. O homem pode libertar-se da ilusão do "eu pessoal" alcançando a união com a Essência Divina, pelo conhecimento interno de si próprio. Isto é, pela Iluminação interior. Esta força aumenta com a prática, quando se cumpre o dever com abnegação.
quarta-feira, 18 de março de 2026
RELIGIÃO DO ISLAM. Parte XVI
Islamismo. Manual para o Novo Muçulmano. Por Jamaal Zarabozo (1961 - ). RELIGIÃO DO ISLAM. Parte XVI. No hadith do Anjo Gabriel, o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) declara, explicitamente, que deve-se crer no Decreto Divino, “[tanto] em seus aspectos bons, como maus”. Ibn Qaiim destaca que por “mau” é feita uma referência aos seres humanos e não a Allah. A “maldade” é resultado das ações ignorantes, errôneas, opressivas e pecaminosas das pessoas. Não obstante, estas ações são permitidas e estabelecidas por Allah. Certamente, nenhum tipo de maldade pode ser atribuído a Allah, já que em relação a Allah, a ação é boa e cheia de sabedoria e deve ser considerada como um resultado do conhecimento e da sabedoria de Allah. Qualquer ação da natureza, em essência, é boa e não pode ter nenhuma maldade. Isso tem respaldo no hadith onde o Profeta diz: “A maldade não pode ser atribuída a Ti” (Muslim). Isso se deve a que cada ação que se realiza é o resultado de algum tipo de sabedoria e bondade e, portanto, não pode haver maldade. O próprio indivíduo pode pensar o contrário, mas, na realidade, tudo o que acontece na criação de Allah possui bondade e sabedoria. Ibn Uthaimin nos deixa um exemplo para ilustrar esta questão. Allah disse no Qur’an: “A corrupção surgiu na terra e no mar por causa do que as mãos dos humanos lucraram. E (Deus) os fará provar algo de que cometeram. Quiçá assim se abstenham disso.” (30: 41). Neste versículo, Allah expõe o surgimento da maldade (fasaad), suas causas e conseqüências. A maldade e as causas que a provocam são igualmente maléficas (sharr). Não obstante, seu objetivo é bom: que Allah lhes faça experimentar algo do que têm feito, assim regressarão ao caminho correto através do arrependimento. E assim existe uma sabedoria e um objetivo determinado no fasaad. Este objetivo e esta sabedoria fazem com que toda ação seja algo bom e não puramente maldade. Por outro lado, a pura maldade consistirá em ações que não provoquem nenhum tipo de benefício ou resultado positivo. A sabedoria e o conhecimento de Allah impossibilitam a existência de ações desta natureza. Os frutos da crença correta no Decreto Divino Quando uma pessoa se dá conta de que todas as coisas se encontram sob o controle e o decreto de Allah, liberta-se de qualquer tipo de shirk ou de entidades associadas à Allah em sua crença. Existe somente um Verdadeiro e Único Criador e Senhor desta criação. Nada ocorre senão por Sua vontade e Sua permissão. Quando este conceito está firme no coração das pessoas, também se dão conta que nada é digno e merecedor de suas orações, ninguém pode ajudá-los e em ninguém se pode amparar a não ser Ele, o Único Deus. Portanto, essas pessoas dirigirão todos seus atos de adoração ao Único, Aquele que decretou e determinou absolutamente tudo. É assim que o tauhid ar-rububiyah (monoteísmo ao Senhorio) e o tauhid aluluhiyah (monoteísmo da adoração) são corretos e completamente cumpridos mediante uma apropriada crença no qadar. A pessoa colocará toda sua confiança em Allah. Deve prestar atenção às “causas e efeitos” externos que observa neste mundo. Sem dúvida, também deve levar em consideração que essas “causas e efeitos” não terão um desenlace a menos que Allah assim o queira. Deste modo, um crente nunca deve colocar sua confiança e dependência em suas próprias mãos ou em aspectos mundanos, como colocar a confiança nas mais daqueles que tem algum tipo de controle ou poder. Ao invés disso, deve seguir alguma causa que possa levá-lo ao fim desejado e logo, depositar sua confiança em Allah, para que este fim seja alcançado. Ibn Uthaimin propõe que com uma correta crença no qadar, não se permite que a arrogância e a vaidade sejam introduzidas nos nossos corações. Se alguém alcança um objetivo desejado, saberá que tal finalidade só pode ser alcançada com a ajuda de Allah que, em Sua misericórdia, decretou que assim fosse. Se Allah houvesse desejado, haveria colocado muitos obstáculos em seu caminho, evitando assim que cumprisse seu objetivo. Por conseguinte, em vez de se transformarem em pessoas egocêntricas e arrogantes, que buscam apenas alcançar seus objetivos pessoais, se realmente creem no qadar, convertem-se em pessoas muito agradecidas a Allah por todas as bênçãos que recebem. A crença correta no qadar causa tranquilidade e paz mental. As pessoas entendem que tudo o que ocorre depende diretamente do Decreto Divino de Allah. Além disso, todas as ações de Allah estão repletas de sabedoria. Portanto, se uma pessoa perde um ente querido ou qualquer outra coisa deste mundo, não enlouquece, não desespera e nem perde a esperança. Ao invés disso, entende que foi a vontade de Allah e que deve aceitar o acontecido. Também deve entender que tudo ocorre por uma razão. Não é algo que aconteceu fortuitamente, nem acidentalmente sem nenhuma razão aparente. Allah disse: “Não assolará desgraça alguma, quer seja à terra, quer sejam às vossas pessoas, que não esteja registrada no Livro, antes mesmo que a evidenciemos. Sabei que isso é fácil a Deus, para que vos não desespereis, pelos (prazeres) que vos foram omitidos, nem nos exulteis por aquilo com que vos agraciou, porque Deus não aprecia arrogante e jactancioso algum” (57: 22-23) A crença no qadar dá às pessoas força e coragem. Um muçulmano sabe que Allah já registrou sua vida e proverá o seu sustento. Isso provém somente de Allah e já está decretado. Portanto, não se deve sentir temor ao se esforçar pela causa de Allah, já que o momento de sua morte já está registrado. Com respeito ao sustento e provisão, não se deve temer, uma vez que tudo provém de Allah e já está determinado. Ninguém pode privar uma pessoa do alimento diário se Allah já decretou que esta seguirá recebendo provisões e seu sustento de algum tipo de fonte. Conclusões Este capítulo nos apresentou um breve resumo sobre as crenças básicas de todo muçulmano. Cada muçulmano tem que saber no que deve crer e deve conhecer, ao menos, o essencial. Sem dúvida, a medida que seu conhecimento sobre os pilares da fé vai aumentando, sua fé também se tornará mais forte e completa. Para saber mais sobre estes artigos da fé, recomendo a série de oito livros de Umar al-Ashqar, que analisa diversos aspectos da fé, como a crença em Allah, os anjos, etc. Estes livros são publicados pela International islamic Publishing House em Riayad, Arábia Saudita e podem ser adquiridos facilmente pela internet. Os livros de Bilal Philips e de Muhammad Jibaly acerca dos aspectos da crença também são de valiosa leitura para os novos muçulmanos. Os Ritos de Adoração O Profeta Muhammad (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) disse: “O Islam está construído sobre cinco [pilares]: o testemunho de que nada é digno de adoração, exceto Allah e que Muhammad é o Mensageiro de Allah; cumprir as orações; pagar o zakat; realizar a peregrinação à Casa e jejuar durante o mês de Ramadan.” (Bukhari e Muslim). Aqui, o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) faz uma comparação do Islam a uma casa. As bases, ou pilares, da casa são cinco. Estas ações são conhecidas como os “cinco pilares do Islam”. O Primeiro pilar, a declaração do testemunho de fé, foi analisado anteriormente. Portanto, este capítulo está destinado a analisar os outros quatro pilares restantes. Antes de analisar cada pilar separadamente, necessitamos fazer algumas considerações e explicações preliminares. Em primeiro lugar, todos estes rituais possuem um aspecto externo ou físico e um interno ou espiritual. Os sábios enfatizam que cada rito de adoração deve reunir duas condições para que seja aceito por Allah: (1) o rito deve ser correto e de acordo com a orientação revelada por Allah. (2) o rito deve ser realizado única e exclusivamente para agradar a Allah. Allah declara, por exemplo: “... quem espera o comparecimento ante seu Senhor que pratique o bem e não associe ninguém ao culto d’Ele.” (18: 110). Acerca deste versículo, o sábio Ibn Qaiim escreveu: “Isto faz referência a um tipo de ação que Allah aceitará. A ação deve estar em concordância com a Sunnah do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) e deve ser realizada com o intuito de buscar a complacência de Allah. Aquele que a realiza não pode, de forma alguma, cumprir com estas condições se não possui conhecimento. Se não conhece os textos narrados pelo Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) não poderá colocá-los em prática. Se não conhece a quem está adorando, não poderá atuar somente para Ele. Se não fosse pelo conhecimento, sua ação não seria aceitável. O conhecimento leva à sinceridade e à pureza e este conhecimento indica quem é o verdadeiro seguidor dos passos do Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele).” Allah requisita que Seus servos sejam puros de coração. Esta pureza que se reflete nas ações é a chave para que Allah fique satisfeito com uma ação em particular. Allah criou a vida e a morte para que os seres humanos realizem as melhores ações. Ele não criou a humanidade para realizar infindáveis ações, mas sim para escolher e realizar as melhores. Allah disse em Seu Livro: “Bendito seja Aquele em Cujas mãos está a Soberania, e que é Onipotente; que criou a vida e a morte, para testar quem de vós melhor se comporta – porque é o Poderoso, o Indulgente” (67: 1-2). Referindo-se a este versículo, al-Fudhail Ibn Aiaadh afirmou que “melhor se comporta” se refere às obras, que elas devem ser puras e completas. Disse: “Se uma ação é sincera e pura, mas não é correta, não será aceita. Se é correta, mas não é pura, também não será aceita. Não será aceita a menos que seja pura e correta. É pura apenas se é realizada buscando agradar a Allah e é correta se concorda com a Sunnah.” Em segundo lugar, estes ritos são atos de adoração, sem dúvidas, ao mesmo tempo, exercem uma influência duradoura nos indivíduos. Por exemplo, se um muçulmano não completa a oração, esta não terá nenhum tipo de influência sobre seu comportamento ou suas ações. No hadith mencionado anteriormente, o profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) afirma que o Islam está construído sobre estes pilares ritualísticos. Isso significa que eles formam uma base, base esta que sustenta toda a vida sob o conceito de submissão somente a Allah. O estabelecimento da Oração O significado do “estabelecimento das orações” Um aspecto muito importante que devemos levar em conta sobre este pilar é que não se refere somente ao mero “ato” de fazer a oração. No Qur’an, Allah não determina apenas a forma como se deve orar, senão que demanda dos crentes o iqaamat as-salaat (“o estabelecimento das orações”). Desta maneira, este pilar do Islam não consiste simplesmente em orar, senão que é algo mais especial que Allah e Seu Profeta denominaram “o estabelecimento das orações”. Apenas se a pessoa ora de maneira adequada e correta pode cumprir com este pilar. Isso revela que muitas pessoas simplesmente oram, há muito poucas que estabelecem a oração. Isso se assemelha à declaração de Umar, que Allah esteja satisfeito com ele, a respeito da peregrinação: “As pessoas que realizaram a peregrinação foram poucas, enquanto os presentes foram muitos.” Ad-Dausiri também destaca uma diferença entre as seguintes frases: “estabelecer a oração” e “simplesmente orar”. Ele disse: “[Allah] não disse ‘os que simplesmente oram’, senão que disse ‘aqueles que estabelecem as orações’. Allah faz uma distinção entre as duas frases para diferenciar as orações verdadeiras e reais das que apenas seguem o formato de oração. A verdadeira oração é a que sai do coração e da alma, a oração com humildade, daqueles que se prostram em silêncio e temerosos frente à Allah.” A oração que só tem “aparência de oração” nunca foi requerida por Allah. Definitivamente, parte deste “estabelecimento” das orações é a implementação dos aspectos espirituais e internos da oração, como fez uma alusão ad-Dausiri. Sem dúvida, esta não é a única diferença entre as duas ações, como se pode constatar na definição ou declaração acerca do “estabelecimento das orações” dos grandes sábios do Islam. Por exemplo, o famoso Jarir at-Tabari, estudioso do tafsir (explicação do Qur’an), escreveu: “Estabelecer significa orar dentro dos horários, com seus aspectos obrigatórios e com o que tudo aquilo que foi determinado obrigatório por aquele quem ditou as questões obrigatórias.” Logo em seguida, cita o companheiro Ibn Abbas que disse: “estabelecer as orações implica realizá-las com suas reverências, prostrações e recitar de uma maneira completa, assim como temer a Allah, dedicando-O uma atenção plena”. Um dos primeiros estudiosos, Qatada, também disse: “O estabelecimento das orações é ater-se aos horários, ablução, reverências e prostrações.” Em geral, poder-se-ia dizer que o “estabelecimento das orações” implica que se deve realizar e executar as orações de uma forma apropriada como é indicado no Qu'ran e na Sunnah. Isso inclui os aspectos tanto externos quanto internos da oração. Nenhum dos dois, por si só, é suficiente para estabelecer a oração, verdadeiramente. Deve-se apresentar um estado puro para oferecer a oração. No caso dos homens, na medida do possível, deve-se realizar em congregação, em uma mesquita. As orações devem ser realizadas de acordo com suas normas e regulamentos; as ações físicas também devem ser acompanhadas de submissão, humildade, tranqüilidade, etc. Deve-se realizar todos estes atos integrantes da oração de maneira apropriada e seguindo as indicações transmitidas pelo Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele). Todas estas indicações formam parte do estabelecimento das orações. Página 152. Abraço. Davi
segunda-feira, 16 de março de 2026
QUAL O SIGNIFICADO DOS FIOS DAS CONTAS ?
Religião Afro-brasileira. Por Eurico Ramos. Livro Revendo o Candomblé - VIII. QUAL O SIGNIFICADO DOS FIOS DAS CONTAS? Todas as religiões ditas pagãs utilizam alguns fetiches ou instrumentos especiais, os quais, acredita-se, tem o poder de religar o homem aos planos astrais superiores. Sendo o Candomblé um culto pagão, este também utiliza determinados elementos litúrgicos capazes de aproximar os indivíduos das energias em que acreditam. Os fios de contas são os elementos litúrgicos que ligam os seres humanos aos seus orixás. Em termos filosóficos, podemos dizer que esses fios representam o "cordão umbilical". Conforme a cor, a morfologia e o número de voltas que um fio de conta apresenta, ele terá um significado diferente. Para falarmos nas cores dos fios de contas, teríamos que entrar antes em Colorimetria, parte da ciência que estuda os efeitos das cores sobre o comportamento humano. Sabemos que cada orixá detêm o domínio de uma ou mais cores. Por exemplo, Oyá está relacionada à terracota (ferrugem). Sabemos que Oyá está também ao elemento ar (oxigênio). Uma das grandes características do oxigênio é oxidar ou enferrujar os metais. Sabiamente, o africano correlacionou Oyá a cor ferrugem. Tal fenômeno científico talvez explique os pemas de Ifá que relatam as grandes lutas entre Ogum (ferro) e Oyá (oxigênio). Outro exemplo bastante interessante ainda se relaciona ao orixá Ogum. Em alguns casos, ele é visto com a cor verde (cor da folha do dendezeiro). Em outros, é visto com o azul marinho (ferro não oxidado, "sem Oyá"). O ferro (Ogum), quando levado ao fogo (Xangô), não se oxida, não enferruja, não sofre a influência de Oyá. Tal questão científica pode ser interpretada pelo poema de Ifá que relata a luta entre Xangô (fogo) e Ogum (ferro) por Oyá (oxigênio). O mesmo pode ser observado quando um babalorixá diz que "sem Oyá não existe Xangô, ou ko si Oya, ko si Oba. Hoje, a química nos diz: sem oxigênio (Obá) não existe combustão (Xangô). É intrigante pensar como os africanos, tão primitivos, podiam aprender naturalmente tis conceitos da física e da química. Exu é o orixá do movimento, é a própria energia cinética. Por isso, ele reflete todas as cores, detendo o domínio de todas. Do branco ao preto. Erroneamente, são atribuídas a Exu as cores vermelho e preto, quando na verdade, as suas cores são todas as cores misturadas. Bem parecido, aliás, com os fios de contas dos erês. A única diferença é que os fios de contas dos erês não levam miçanga presa e os de Exu levam. Odé ou Oxóssi, sua cor ritualística é o azul turquesa. Tal cor refere-se à coloração das águas do rio Erinlé, do qual este orixá é padroeiro na Nigéria - África. Ossãe tem o domínio sobre o verde e o branco. Verde das folhas e o branco da selva das árvores. Iroko também usa o verde e o branco pelos mesmos motivos de Ossãe. Obaluaiê, por ser o senhor da vida, deterá o domínio das cores do reino mineral. Preto carvão, vermelho barro, branco carbonato de cálcio, também conhecido como cal. Nanã usa sempre o violeta, cor dos musgos encontrados nas águas paradas dos lagos. Nesses musgos da beira dos lagos surgiram os primeiros protozoários. As primeiras formas de vida desse planeta, por isso Nanã é tão antiga. Os musgos submersos nos lagos apresentam a cor lilás. Os musgos da superfície são ricos em clorofila e por isso possuem a cor verde. Oxumaré relaciona-se no Ketu ao amarelo (como Oxum), período gestativo, e o preto carvão, final de tudo. Oxumaré, por logismo, representa o começo e o fim de tudo. É por isso representado também pelo círculo, sem começo nem fim. Dizem que Oxumaré é uma grande serpente que morde a própria cauda e se enrosca ao planeta para manter a sua integridade. Assim, esse orixá é um círculo perfeito, o início e o fim ao mesmo tempo. Xangô é marrom (oxigênio igual a Oyá) e branco (sêmen masculino relacionado a Oxalá). No caso do marrom terracota, basta lembrar o que foi citado anteriormente sobre a ação do oxigênio sobre o ferro (ferrugem). Oxum detém o domínio sobre o amarelo e seus matizes. Na verdade, Oxum relaciona-se com a gema dos ovos e não como o elemento ouro, até porque o africano primitivo não conhecia esse metal nobre. A gema é o núcleo da macro célula denominada ovo. A função da gema é nutrir o embrião da ave, e a clara do ovo é rica em albumina. Cabe à gema nutrir esse embrião até a sua total formação. E assim Oxum nutre os embriões, o começo de vida no aiyé. Teoricamente esse fato explica também a grande correlação entre a orixá Oxum e os pássaros. Agora, volto a perguntar, como é que os africanos, tão primitivos a época, detinham esse conceito sobre a biologia através do orixá Oxum? Se prestarmos atenção, podemos notar que uma das comidas ritualísticas mais importante desse orixá é elaborada com ovos. Fato é que a grande mãe Oxum detém o domínio de toda a fase gestativa de um feto. Até o líquido amniótico da bolsa intrauterina apresenta uma leva coloração amarelada. O africano primitivo já percebia isso muito bem. Se pensarmos no ovo e na barriga da mulher grávida, temos aí muitas semelhanças. O candomblé é o culto à observação dos fenômenos da natureza. Obá, a terceira das esposas de Xangô detém o domínio do coral ou alaranjado. Obá, assim como Oyá, relaciona-se à atmosfera. Ela está presente quando o sol escaldante das planícies africanas faz a tarde ficar alaranjada. Esse fenômeno é observado a nível químico na reação entre o hidrogênio e os raios solares. Está se relaciona à cor da rosa. Ela é o efeito dos primeiros raios do Sol na camada de ozônio da atmosfera. Por isso, o fio de Ewá é cor de rosa ou coral. Yemanjá receberá o branco translúcido transparente, cor da lágrima humana. Contendo 9% de cloreto de sódio, sal de cozinha, a mesma concentração de sal das águas do mar. Ela detém grande poder sobre o número 9. Observem, a água do mar possui 9% de cloreto de sódio, sal de cozinha. O solo fisiológico também possui 9% de cloreto de sódio. Todas essas águas salgadas são a próprio orixá Yemanjá. É por esse motivo que os búzios dizem que Yemanjá embala os doentes em suas águas e os alimenta. Aqui cabe uma pergunta: mas como, se o africano primitivo não conhecia o soro fisiológico? Resposta, conheciam a água de coco, que, por coincidência, também apresenta 9% de cloreto de sódio em sua composição. O coco é muito utilizado até os dias de hoje nas casas de candomblé. A cor verde água que Yemanjá usa está relacionada aos planctons (microformas de vida oceânica), princípio de todas as cadeias alimentares dos mares. O uso das cores depende também das diferentes qualidades de cada orixá. Oxalá usa o branco leitoso. Ele é o Grande Pai. Sua cor relaciona-se ao sêmen masculino. Felizmente, hoje podemos fazer comparações e correlacionar aspectos da física, química e biologia ao candomblé. Hoje a ciência pode comprovar o que os antigos babalorixás e babalaos, já falavam há milhares de anos. Mais do que qualquer outra religião, o candomblé, quando bem analisado e estudado, pode ser perfeitamente embasado pela ciência. Sem qualquer tipo de antagonismo. A ciência hoje explica o que professamos há milhares de anos, porque o africano primitivo já detinha tais conhecimentos. Abraço. Davi