Budismo. Livro O Evangelho de Buda. Vida e Doutina de Sidarta Gautama. Por Yogi Kharishnanda. IDENTIDADE E SEPARATIVIDADE. Capítulo III. Kutadanta, o prior - superior de uma ordem religiosa ou militar - dos brâmanes de Danamati aproximou-se respeitosamente do Bem-aventurado, saudou-o e disse-lhe: Asceta, fui informado de que o senhor é o Buda, o Santo, o Onipotente, o Senhor do Mundo. Porém, se isso fosse verdade, o senhor não teria vindo como um rei com toda a glória e onipotência? O Bem-aventurado respondeu-lhe: Os seus olhos estão cegos. Se não estivesse turva a sua visão, veria a glória e a onipotência da Verdade. Kutadanta replicou-lhe: Mostre-me a Verdade e a verei. Mas a sua doutrina não tem consistência. Se tivesse, perduraria, porém, como não tem, desaparecerá. O Bem-aventurado respondeu-lhe: A Verdade é eterna. Não desaparecerá jamais. Kutadanta objetou dizendo: Dizem que o senhor ensina a Boa Lei, no entanto, desdenha a religião. Os seus discípulos menosprezaram os ritos e as cerimônias. Negam-se a sacrificar no altar dos deuses. Dizendo que não é pelo sacrifício que se mostra a verdadeira devoção aos deuses. Mas eu entendo que no culto e no sacrifício está a essência da religião. O Senhor Buda lhe explicou: O sacrifício da personalidade vale muitíssimo mais do que a imolação das reses - animais. Quem sacrifica aos deuses seus maus desejos e vis paixões. Compreende a inutilidade de banhar em sangue de animais inocentes a ara dos altares. Em troca, libertar-se da luxúria purifica o coração. Mais vale obedecer às leis da justiça do que adorar os deuses. Qualquer pessoa pode tirar a vida, mas é incapaz de dá-la. Todas as criaturas amam a vida e lutam por ela. A vida é uma dádiva maravilhosa, querida e grata pra todos. Mesmo para os mais humildes por isso deve ser respeitada por todo homem piedoso. Porque a piedade torna o homem terno para com os fracos e nobre para com os fortes. O homem implora a misericórdia pelos animais, para os quais ele é como um deus. Tudo quanto vive está unido por laços de parentesco, e os animais que vocês matam já lhes deram o doce tributo do seu leito. O macio de sua lã e depositam sua confiança nas mãos dos que os degolam. Ninguém pode purificar o seu espírito com sangue, pois se os deuses são bons, não lhes pode ser agradável o sangue. E se são maus, este não basta para suborná-los. Sobre a inocente cabeça de um animal não é possível colocar nem o peso de um fio de cabelo das maldades e erros pelos quais cada um deve responder pessoalmente. Porque cada qual deve prestar contas de si mesmo segundo a imutável aritmética do universo. Esta distribui o bem para o bem e o mal para o mal. Dando a cada um a sua medida de acordo com suas ações, palavras e pensamentos. Sendo vigilante, exata, imutável e implacável, faz que o futuro seja o fruto do passado. Feliz seria a Terra se todos os seres estivessem unidos pelos laços da benevolência e só se alimentassem de alimentos puros, sem derramamento de sangue. Os grãos dourados, os frutos reluzentes e as ervas saborosas que nascem para todos bastariam para alimentar e dar fartura ao mundo. Kutadanta era muito piedoso, e como havia sacrificado muitas vítimas, inquietou-se e sua consciência encheu-se de remorso. Compreendendo o quanto era insensato crer que a efusão de sangue bastaria para apagar os pecados. Então perguntou ao Bem-aventurado: O senhor acredita Mestre, que a alma renasce e evolui no transcurso das vidas e que, sujeita a lei do karma, deve colher o que semeia? Pergunto-lhe por que me disseram que o senhor ensina a inexistência da alma. E que seus discípulos aspiram a inexistência a total aniquilação do eu, como a suprema felicidade do nirvana. Se eu sou apenas uma combinação de elementos, devo desintegrar-me e desaparecer ao morrer. Se sou mera combinação de ideias, pensamentos, sensações e desejos, o que será de mim quando o meu corpo se desintegrar? Onde está essa infinita felicidade e que falam os seus discípulos? É uma palavra vã, sem sentido, uma ilusão. Quando medito nos seus ensinamentos, só vejo o nada, a aniquilação, o não ser, como destino final do homem. O brâmane, você é religioso e tem zelo. Inquieta-se, mas em vão se atormenta, porque lhe falta o mais necessário. Por erro ou por ignorância, os homens gozam na ilusão de que suas almas são distintas e existentes por si mesmas. Seu coração, ó brâmane, ainda está apegado a personalidade. Você aspira ao céu, porém busca e espera no céu os prazeres da personalidade. Assim não poderá encontrar a felicidade na Verdade imortal! Certamente eu lhe digo: o Bem-aventurado não veio ensinar a morte, e sim pregar a vida. Você não discerne entre o morrer e o viver. O seu corpo morrerá, pois os sacrifícios não o salvarão. Busque então a vida do espírito. Onde está a personalidade não pode estar a Verdade, e quando se pratica conhecendo a Verdade, a personalidade desaparece. Faça com que o seu espírito repouse na Verdade. Difunda a Verdade e ponha a Verdade na sua alma. E na Verdade você viverá eternamente. O Eu é a morte. A verdade é a vida. O apego ao eu e à personalidade é morte contínua. Ao passo que quem vive e se move na Verdade alcança o nirvana. Kutadanta tornou: Venerável Mestre, onde está o nirvana? O Bem-aventurado disse: Onde quer que se obedeça a lei. Kutadanta replicou: Então o nirvana não está em parte alguma e, portanto, não tem realidade. O Bem-aventurado: você não me entendeu. Escute e responda. Qual é a morada do vento? Onde ele habita? Kutadanta: Em parte alguma. O Bem-aventurado: Então o vento não existe? É uma ilusão. Kutadanta não soube responder e o Senhor Buda tornou a perguntar-lhe: Diga-me ó brâmane: Onde reside a sabedoria? Está em algum lugar? Kutadanta: A sabedoria não tem lugar determinado. E o Bhagavad disse: Você dirá que não há sabedoria, nem justiça, nem salvação porque, como o nirvana, elas não tem lugar determinado? Assim como a brisa veloz atravessa o mundo durante o calor do dia, também o Tathágata vem refrigerar o espírito humano. Como o delicado e suave sopro que alivia o calor de todo sofrimento. Kutadanta replicou: Parece-me que o senhor prega uma excelsa doutrina, porém não posso entendê-la. Permite-me outra pergunta? Se a alma não existe, como pode existir imortalidade? Se a atividade da alma cessa, os nossos pensamentos também cessarão. O Senhor Buda respondeu: A nossa faculdade de pensar desaparece, todavia os nossos pensamentos continuam existindo. Cessa o raciocínio, contudo continua o conhecimento. É como se durante a noite um homem tivesse necessidade de escrever uma carta. Ele acende a luz, escreve a carta e uma vez escrita a carta, apaga a luz. Embora a luz esteja apagada, a carta continua escrita. De modo semelhante o raciocínio cessa, mas o conhecimento persiste. A atividade mental cessa, mas a experiência, o conhecimento e o fruto de nossas boas ações não são perdidos. Kutadanta: Diga-me, senhor, que será da minha personalidade quando seus componentes se dissociarem? Se minhas ideias desaparecerem, e meus pensamentos deixam de ser meus. Se minha alma já não é minha, que é feito da personalidade? Dê-me um exemplo senhor meu. O Bem-aventurado: Suponha que um homem acenda uma lamparina. Ela arderá a noite inteira? Kutadanta: Pode ser que sim. O Bem-aventurado: Bem, mas a chama que arde na primeira metade da noite, arde na segunda? Kutadanta pensou que era a mesma, porém, receoso de um sentido oculto, respondeu: Não, não é a mesma. O Bem-aventurado: Então haverá duas chamas: uma durante a primeira metade da noite e outra durante a segunda? Kutadanta: Num certo sentido não é a mesma chama, todavia em outro sim, porque se constitui da mesma matéria e da mesma luz, servindo para o mesmo fim. O Bem-aventurado: Você dirá que a chama que ardeu ontem é a mesma que arde hoje na mesma lamparina alimentada pelo mesmo óleo e iluminando o mesmo lugar? Kutadanta: Pode ter se apagado durante o dia. O Bem-aventurado: Suponha que a lamparina tenha estado acesa durante a primeira metade da noite e apagada durante a segunda. Se alguém tornar a acender, dirá que a chama dela é a mesma? Kutadanta: Num sentido é diferente e em outro é a mesma. O Bem-aventurado: O tempo durante o qual a lamparina esteve apagada tem algo a ver com a chama ser ou não a mesma? Kutadanta: Não senhor. O tempo não interfere em nada, quer seja a mesma ou não. O bem-aventurado: Bem, então admitimos que em certo sentido a chama de hoje é a mesma de ontem. E que em outro sentido ela muda a cada instante. Então, as chamas da mesma natureza e da mesma intensidade que iluminam lugares idênticos, são de certo modo as mesmas". Kutadanta: Sim. senhor. O Bem-aventurado: Suponhamos agora um homem que pensa como você, que sente como você, que age como você. Não será o mesmo que você? Kutadanta: Não, Senhor. O Bem-aventurado: Você nega que a lógica que lhe parece boa para uma coisa também o seja para as coisas do mundo? Kutadanta refletiu um instante e respondeu pausadamente: Não nego. A mesma lógica impera em todo o universo, porém, na minha personalidade há algo que a distingue completamente das demais personalidades. Pode haver outro indivíduo que sinta, pense e proceda como eu, todavia não será eu. O Bem-aventurado: Verdadeiramente, Kutadanta, esse outro homem não será você. Contudo, diga-me: o estudante que vai a escola é o mesmo depois de terminados os estudos? O que cometeru um crime é a mesma pessoa quando ao ser castigado, lhe cortam as mãos e os pés? Kutadanta: são as mesmas pessoas. O Bem-aventurado: estará então a identidade constituída pela continuidade? Kutadanta: Não apenas pela continuidade, mas também pela identidade da natureza. O Bem-aventurado: pois se você admite que duas pessoas podem ser idênticas no mesmo sentido que temos dito que as chamas são as mesmas. Deve reconhecer que, nesse sentido, outro homem da mesma natureza, resultante do mesmo karma, é o mesmo que você. Kutadanta: Reconheço. O bem-aventurado: Pois nesse sentido você é o mesmo hoje que ontem. A sua natureza pessoal não consiste da matéria de que está formado o seu corpo. No entanto, da forma ou configuração do seu corpo, de suas sensações e pensamentos. A sua personalidade é uma combinação de elementos. Onde quer que eles estejam, ali você está. Assim, pois, em certo sentido, reconhece a sua personalidade, com ela se identifica e dá-lhe continuidade segundo o seu karma. Você a chamaria de morte e aniquilação, ou vida e continuação da vida? Kutadanta: Eu a chamaria de vida e continuação de vida, porque é a continuação da minha existência. Mas o que me preocupa é a continuação de minha personalidade, e modo que todo homem, seja ou não idêntico a mim é uma personalidade distinta. O Bem-aventurado: Muito bem, essa é a continuação que você deseja, e esse é o apego a personalidade. Esse é o erro que lhe acarreta inquietudes inúteis. Aquele que se apega à personalidade tem que passar por inúmeros nascimentos e mortes. Morrerá continuamente, porque a natureza da personalidade é morte incessante. Kutadanta: Como é isso? O Bem-aventurado: Onde está a sua personalidade? Kutadanta não soube responder. O Bem-aventurado: Essa personalidade que você tanta estima, muda incessantemente. Anos atrás, você foi menino, depois jovem e agoraé um homem. Que identidade pessoal há entre o menino e o homem? Não há, como também não havia, conforme vimos, na chama da lamparina que ardeu durante a primeira metade da noite. Que ardeu ao reacender-se depois de apagada. Qual é a sua verdadeira personalidade: a de ontem, a de hoje ou a de amanhã? Kutadanta perplexo respondeu: Senhor do Mundo, vejo meu erro, porém ainda estou confuso. O Senhor Buda prosseguiu dizendo: Os princípios constituintes da sua personalidade são o resultado das suas ações em vidas passadas. Em futuras existências e você colhera o que com suas ações está semeando no presente. Kutadanta: Certamente, senhor, não me parece justo que outros colham o que eu semeei agora. O Tathágata ficou um momento silencioso e depois disse: Será inútil todo ensinamento? Não compreende que essas outras personalidades são você mesmo? Você, e não outro, colherá o que semeou. Suponha um homem mal-educado, que sofre as consequências de sua infeliz condição. Em menino foi preguiçoso e, quando se fez homem, não tinha ofício nem profissão para ganhar o seu sustento. Você dirá que a miséria dele não é o resultado de sua conduta. Por que a personalidade do menino é a mesma do adulto? Em verdade lhe digo que nem nas alturas do céu nem nas entranhas da terra encontrará um lugar onde possa fugir ao resultado das suas más ações. E da mesma maneira irá receber a recompensa de suas boas obras. Quem volta são e salvo de uma longa viagem, recebe em sua casa as boas-vindas de seus parentes, amigos e conhecidos. Também o resultado de suas boas ações beneficia o homem que passa desta vida para a outra, se ele seguiu o caminho da justiça. Kutadanta: Creio na glória e excelência das suas doutrinas. Minha vista não pode suportar o fulgor da luz. Contudo, agora compreendo que a personalidade é ilusória, que as orações são palavras ociosas e que os sacrifícios não servem para a salvação. Como encontrar o caminho da Verdade Eterna? Aprendi de memória todo os Vedas - conhecimento de ordem mística e espiritual - e não encontrei a Verdade. O Bem-aventurado: A erudição não é uma coisa má, todavia a verdadeira ciência, o conhecimento útil, só pode ser obtido pela prática. Reconheça a verdade de que o seu próximo é seu semelhante. Compreenda que a personalidade é morte e a verdade é imortal. E Kutadante exclamou: Oxalá eu pudesse refugiar-me no Buda, no Dharma e na Ordem. Aceite-me por discípulo e faça-me compartilhar da felicidade da imortalidade. Abraço. Davi.
MOSAICO ESPIRITUAL
quarta-feira, 1 de abril de 2026
segunda-feira, 30 de março de 2026
A GUISA - maneira - DE INTRODUÇÃO
Legião da Boa Vontade (LBV). Livro a Missão dos Setenta e o Lobo Invisível. Por Jose de Paiva Netto (1941-2025). Jesus ensinou a humildade, jamais a covardia. O medo paralisa o indivíduo, e Ele determinou aos seus discípulos ação. Damas e cavalheiros, guardem bem: boa ação! Estando realmente com o Protetor Divino, ovelhas de Deus, não temam o "lobo invisível". Porém os maus atos que vocês mesmas ou vocês mesmos podem praticar. Livrem-se deles, tirando de dentro de si as pérfidas sugestões lupinas - características do lobo. A GUISA - maneira - DE INTRODUÇÃO. Despretensiosa contribuição à inteligência das coisas. Uma das passagens bíblicas que mais aprecio, pelas extraordinárias lições que nos oferece, é a basilar "A Missão dos Setenta Discípulos de Jesus", constante do Evangelho segundo Lucas 10,1-24, que adiante descrevo. "Depois disto designou o Senhor ainda outros setenta, e mandou-os adiante da sua face, de dois em dois. A todas as cidades e lugares onde ele havia de ir. E dizia-lhes: Grande é, em verdade, a ceifa, mas os obreiros são poucos. Rogai, pois, ao Senhor da ceifa que envie obreiros para a sua colheita. Ide, eis que vos mando como cordeiros ao meio de lobos. Não leveis bolsa, nem alforje, nem sandálias, e a ninguém saudeis pelo caminho. E, em qualquer casa onde entrardes, dizei primeiro: Paz seja nesta casa. E, se ali houver algum filho da paz, repousará sobre ele a vossa paz. E se não voltará para vós. E ficai na mesma casa, comendo e bebendo do que eles tiverem, pois digno é o obreiro do seu salário. Não andeis de casa em casa ... Curai os enfermos que nela houver, e dizei-lhes: É chegado a vós o reino de Deus ... ". Nela, encontramos imprescindíveis diretrizes para manter uma postura capaz de suplantar as dificuldades que surgem pela estrada de nossa existência. Que nos imunize das investidas perversas do "lobo invisível", que denunciamos neste trabalho. Permaneçamos muito atentos aos pormenores, às entrelinhas do que trato aqui. Em 31 de dezembro de 2004, na virada do ano, pela Super Rede Boa Vontade de Comunicação rádio, TV e internet, explanei, numa palestra nascida de improviso, sobre o referido texto bíblico. Para minha alegria, vários ouvintes solicitaram que essa pregação fosse novamente transmitida. A partir de 2 de janeiro de 2006 - quando se deu a primeira oportunidade, pois a programação é muito rica - essa palavra teve a sua vez de ser reapresentada. E mais, pediram-me sua publicação, o que também o ocorreu. Atendendo a essas manifestações de carinho e apreço para com a mensagem da Quarta Revelação, a Religião de Deus, do Cristo e do Espírito Santo, passei a reproduzir, na Revista Jesus Está Chegando. A análise ecuménica "busca da união e harmonia apesar da diferença" que fiz do capítulo 10 do Evangelho, de acordo com os relatos de Lucas. Acrescida de novas considerações que aqui agrupadas, formam este estudo. Desejo sinceramente que venha a ser útil na abertura de entendimentos e de corações à flagrante realidade do cotidiano intercâmbio do Mundo Espiritual com o nosso existir terreno. Um Pouco da História da Minha Vida. - Salve o Natal Permanente da Legião da Boa Vontade, por um Brasil melhor e por uma humanidade mais feliz! Dessa forma, o irmão Alziro Zarur (1914-1979) encerrava a leitura do relatório do Banco da Boa Vontade - assinado por outro grande batalhador Legionário de Deus, Osmar Carvalho e Silva (1912-1975). No qual apresentava as atividades sociais do Casarão nº 1, da LBV, situado no Rio de Janeiro/RJ, Brasil. Durante extenso período, ainda aluno do Colégio Pedro II, fui, todos os dias, o portador daquele importante documento. Saia da aula correndo, porque tinha de estar, impreterivelmente, as 19h30 (3), no gabinete de Zarur, na antiga Rádio Mundial. Localizado na Avenida Rio Branco 181,3º andar, no edifício Cineac Trianon, no centro da cidade. Ele me esperava com aquelas informações para se dirigir ao estúdio. De onde irradiaria seus consagrados programas Campanha da Boa Vontade e Jesus Está Chegando! Nunca cheguei atrasado. Nem dispunha de tempo para trocar o uniforme do colégio padrão. Mas entregava-lhe os papéis na hora certíssima. A cada ir e vir inesquecíveis correrias, meu coração mais se entusiasmava com o ideário da Boa Vontade. As esclarecedoras lições sobre a realidade da Vida após a morte e a influência dos Espíritos no dia a dia de todos nos. Seres reencarnados, desde as narrativas evangélicas belamente interpretadas e explicadas por Alziro Zarur. As instrutivas páginas espirituais lidas e comentadas por ele, alimentavam meu ímpeto legionário. Na época, o saudoso proclamador da Religião de Deus, do Cristo e do Espírito Santo com frequência denunciava a ação solerte do que denomino "lobo invisível". Que prejudicou até mesmo a missão dos setenta discípulos, embotando a mente de 58 deles. É natural que se esse grupo deixou de seguir o Divino Mestre é porque não era Dele, mas, sim, do "lobo invisível". E quanto aos doze que permaneceram ao seu lado, Jesus sempre os desafiava, como podemos ver no Evangelho, segundo João 6,67 "Então, perguntou Jesus aos doze: E vós, porventura, quereis também vos retirar"? Imediatamente, porém, Pedro Apóstolo apresenta sua resposta decidida, que deve inspirar a todos nós: Senhor, para quem iremos nós? Só tu tens as palavras da Vida Eterna! E nós já temos crido e bem sabemos que Tu és o Cristo, o Santo de Deus - João 6,68-69. Assim também deve ser nosso testemunho diariamente, Retomaremos o assunto. O Brado. É tão marcante aquele brado de Alziro Zarur, no meio legionário da Boa Vontade de Deus e Cristão do Novo Mandamento de Jesus, que vale a pena repetir - Salve o Natal Permanente da Legião da Boa Vontade, por um Brasil melhor e por uma Humanidade mais feliz! Uma saudação expressiva para começar um dia, um mês, um novo ano e reverenciar o Natal Permanente de Jesus aos povos! A Glória do Trabalhador. Ano-novo ! Ano-bom?! Depende de nós. Tenho certeza de que, com vocês adotando por alicerce o Sublime Aprendizado vindo de Jesus, o Ecumênico Divino. Faremos desse ano - que se inicia repleto de esperança - e dos que o sucederão os mais prósperos tempos que as Instituições da Boa Vontade de Deus (LBV) já viveram. O Espírito dr. Bezerra de Menezes, grande ativista da Revolução Mundos dos Espíritos de Luz, durante as reuniões do Centro Espiritual Universalista, o CEU da Religião de Deus, do Cristo e do Espírito Santo. Explanando a respeito do que tem sido a existência heroica das Instituições da Boa Vontade, costumo lembrar que, se enfrentamos constantemente "lutas extraordinárias" somos recompensados pelo Pai Celestial. De acordo com o nosso merecimento, com " vitórias majestosas". No entanto, esse galardão é para quem - tendo compromisso com o Cristo Ecumênico, o Excelso Estadista, pois assinou um contrato no Mundo Espiritual com o Divino Mestre - o cumpre com honra até o fim e além do fim. Apenas desse modo merecerá o seu beneplácito, ou seja, poder descansar no seu seio, ainda que por curto período. Porquanto a glória do trabalhar é praticar, de forma eficaz, o seu serviço, agora e sempre. A propósito, mesmo enquanto o corpo dorme, os Servidores do Senhor são levados às regiões da Bem-aventurança para receber Dele, ou dos seus auxiliares benditos, forças para o prosseguimento da tarefa. Revolução Mundial dos Espíritos de Luz. Sobre tão grandioso acontecimento, a União das Duas Humanidades - a espiritual e a material - fiz incluir em minha obra Tesouros da Alma (2017). Anunciada por Zarur em 1953, temos levado adiante a Revolução Mundial dos Espíritos - expressão à qual acrescentei "de Luz", pois essa Revolução surgiu para iluminar o Espírito Eterno do ser humano. Esclarecendo a todos que o Mundo Espiritual não é uma abstração. Aqui abro parêntese para dizer que até a poderíamos chamar de Revolução Social dos Espíritos de Deus, porque sabemos que a reforma social vem pelo espiritual. Porquanto o governo da Terra começa no Céu. Das alturas descem até aos seres humanos as instruções Divinas, que vão se corporificando conforme a capacidade que cada um tem de entendê-las e vivê-las. Sendo esse um indivíduo, povo ou nação. Daí o ensinamento de Jesus neste resumo: todos seremos justificados em consonância com o Bem ou com o mal que praticamos. Vejam o Evangelho do Cristo, segundo Mateus 16,27 "Porque o Filho do Homem virá na glória de seu Pai, com os seus anjos. Então dará a cada um segundo as suas obras". Apocalipse 22,11 "Quem é injusto faça injustiça ainda. Quem é sujo, seja sujo ainda. Quem é justo faça justiça ainda. Quem é santo seja santificado ainda". Jó 34,11 "Ele nos paga de acordo com o que fazemos e dar a cada um o que merece". Sem esse conceito da Justiça de Deus, é impossível a existência de uma sociedade equitativa, portanto civilizada. O contrário é o reino da impunidade. União das Duas Humanidades. Ainda relacionado ao tema, é oportuno destacar o que o saudoso irmão Alziro Zarur falou sobre o advento da União das Duas Humanidades: a da Terra com a do Céu, dentro da Revolução Mundial dos Espíritos da Luz Celeste, na Quarta Revelação. Trata-se de um dos fundamentos da Política Divina. A essência do segredo do governo dos povos é justamente a vitória do Novo Mandamento de Jesus com a União da Humanidade da Terra com a Humanidade do Céu. Incentivo à Perseverança. Durante palestra que realizei no dia 15 de outubro de 2003, na cidade do Rio de Janeiro/RJ, o ilustre "Médico dos Pobres", pela mediunidade do sensitivo cristão do Novo Mandamento Chico Periotto. Concedeu-nos grandioso exemplo da postura dos seguidores do Caminho. Ao superarem as intempéries do princípio da jornada para fertilizar nos corações a Doutrina Redentora do Jesus Ecumênico. Trago-o para conhecimento de vocês, como incentivo à perseverança e à união em torno do ideal da Boa Vontade de Deus. Visto que, consoante costumo afirmar, em cada dificuldade que surge, existe o ensejo de suplantá-la. Esclarece o doutor Bezerra de Menezes (Espírito): - Os apóstolos de Jesus venceram, porque, mesmo nos momentos em que tudo parecia perdido, existiam no seio da equipe o entusiasmo, a fé inabalável, equilibrada e sempre motivadora de Pedro apóstolo. Pedro sabia, em seu íntimo, que as coisas seriam difíceis. Contudo, com a sua percepção hierárquica, previa a vitória dentro da dificuldade, em plena procela. As chagas que seriam expostas correspondiam aos desafios que também seriam vencidos (destaques são do autor). Por isso, na Religião do Terceiro Milênio, entendemos a grandeza infinita de Jesus, o Senhor dos senhores, cuja misericórdia paira solidariamente acima das crenças terrenas. As quais têm a nossa consideração ecumênica. Estamos em sintonia com o que elas possuem de mais belo. Por essa razão, proclamamos que Ele é o Cristo Ecumênico, o Divino Estadista. Ora, um Celeste Libertário como Jesus não pode permanecer algemado a pensamentos sectários - ".indivíduo que se move de modo extremo por uma religião, doutrina ou filosofia". Jesus disse: "Eu sou a Luz do mundo. Quem me segue não andara em trevas, mas tem a Luz da Vida". João 8,12. O que veio fazer na Terra o Sublime Educador senão trazer-nos a ambiência especial de Paz e de Justiça para uma humanidade que ainda se debate na incerteza? Enquanto ela se mantiver distante de sua origem, que é divina, viverá chafurdada na confusão constante e destruidora. O planeta está se tornando - por culpa nossa, seus moradores - desclassificado como reduto para habitação de seres viventes. Por causa da atividade incessante do "lobo invisível". Pois nem todos percebem sua atuação solerte, que é também ganância desmedida. Seu maquiavélico - "indiferença a moralidade, falta de empatia e foco calculado no interesse próprio" - plano visa ao fracasso da missão dos discípulos de Jesus. Que precisam ser mais eficientemente práticos e muito produtivos, de forma que convençam os moradores da Terra de que Deus nada tem a ver com os excessos humanos praticados em Seu Nome. Afinal, Ele é Amor, na Primeiro Epístola de João 4,8 diz: "Aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor". Ele é justiça, porém jamais vingança, como, pelos milênios vem sendo confundido. Jeremias 22,3 "Assim diz o Senhor: Executai o direito e a justiça e livrai o oprimido das mãos do opressor. Não oprimais ao estrangeiro, nem ao órfão, nem a viúva. Não façais violência, nem derrameis sangue inocente neste lugar". Salmos 33,4-5. "Porque a Palavra do Senhor é reta, e todo o Seu proceder é fiel. Ele ama a justiça e o direito. A Terra está cheia da bondade do Senhor". Abraço. Davi.
sexta-feira, 27 de março de 2026
XINTOISMO. Parte VI
Xintoismo.bushidor.br. Mitologia e influência na formação da cultura e o caráter do povo japonês. XINTOISMO. Parte VI. Nos Princípios fundamentais da estrutura nacional japonesa, publicados em 1937 pelo Ministério da Instrução Pública, lê-se: o coração de sinceridade é a mais pura manifestação do espírito do homem. Sinceridade significa que de palavras verdadeiras nascem ações verdadeiras. O que é dito pela boca deve certamente se manifestar nas ações... A sinceridade é a fonte de onde provêm a beleza, a bondade e a verdade (m. t. idem). O xintoísmo ensina que apenas pela convivência se pode aprender a ser xintoísta. Não apenas a convivência pessoal é importante no Xintô. O cuidado com as relações sociais daí advindas são igualmente importantes. Para os praticantes das artes marciais japonesas, por ex, o local de treinamento, é como no xintoísmo, terreno merecedor de respeito e reverência. É local de aprendizado e aprimoramento espiritual, para o que as lutas são instrumentos. Praticantes de judô, sumô, kendô ou outra arte marcial de origem nipônica, costumam reverenciar o local da prática e o adversário antes e depois da luta. Nas escolas, antes do início das atividades, alunos e professores também costumam se cumprimentar com uma pequena reverência. Mas não só os esportes sofreram essa influência. As atividades que enlevam o espírito, aproximando do Caminho, têm alto prestígio na sociedade japonesa. Os artistas, calígrafos, monges e poetas figuram nessa categoria. Os artesãos de raro talento são classificados como "tesouros da nação". O professor, aquele que divide com os pais a tarefa da formação dos filhos, desde os tempos feudais, goza de elevado prestígio social e gratidão dos pais, como nos relata Lafcadio Hearn (http://www.nipocultura.com.br/?p=1066) (HEARN, 1984, p. 434-437). Dedicação que constata também Wenceslau ao narrar, espantado, caso de um professor em Tóquio "que para poder sustentar em casa alguns estudantes sem recursos, sustentava-se ele, a si próprio, com o regime exclusivo de batatas!". E prossegue relatando caso de descendentes de antigos senhores feudais que se viam em dificuldades para atenderem às necessidades de muitas das famílias e indivíduos dos seus extintos feudos. Incluindo estudantes pobres; encargo que nenhuma lei escrita impõe, evidentemente, mas que é sugerido por íntimos brios de pundonor, Vindo de longe e ninguém quer eliminar dos usos e costumes (MORAES, op. cit., p. 256). Akira Kurosawa (1910-1998), o cineasta japonês mais conhecido no Ocidente, filmou "Madadayo" em 1993 sobre a vida do professor Hyakken Uchida, seu último trabalho, já em cadeira de rodas. É versão romantizada pelas lentes do cineasta, mas vê-se o relacionamento professor-aluno, puro, bem-humorado, respeitoso. Ao final, a seu modo, o poeta das telas, ciente do seu estado de saúde, se despede do seu público. ( http://www.nipocultura.com.br/?s=madadayo&submit=Pesquisar). Em vez de direitos e prerrogativas, a educação japonesa atribuiu ao nipônico obrigações e deveres com a família, com a sociedade e com a nação (BARROS, op. cit., p. 19). Aos princípios sociais éticos e objetivos do confucionismo juntou-se a ética subjetiva do amor ao próximo do Xintô. Na consciência desse povo, basta-lhe o privilégio não escrito, não declarado, não garantido em lei, mas compreendido e aceito, de morar no seu país com a sua gente. Constata sobre a obrigação do japonês, Benedicto Ferri de Barros (1920-2008), comentarista do jornal "O Estado de S. Paulo". Os japoneses recebem desde o nascimento uma herança de dívidas sociais e crescem sob um código de obrigações que não cessa de aumentar, à medida que eles se desenvolvem pessoal e socialmente. De tal maneira que, iniciando-se como devedores de seus antepassados, passam depois a devedores do pai, em seguida do mestre. Depois de cada um dos seus superiores, e, assim, quanto mais ascendem, mais devedores se tornam. Sendo o imperador o maior devedor de todos os japoneses. Por reciprocidade, cada japonês tenta aliviar os débitos dos que, acima deles, estão acumulados de tamanha responsabilidade (ibidem p. 20). As obrigações assumidas e cumpridas acabam por determinar consensualmente direitos e posições. Não se discute nem se disputam direitos e posições (idem). Como descrito por Offner e Straelen, citados linhas atrás, "o japonês gosta do que não é formulado e contenta-se com sugestões sutis...", o Rescrito Imperial promulgado em 1º de janeiro de 1946, com o país já sob ocupação dos Aliados. Também, genericamente fixa princípios e não normas, ou seja, orienta, mas não especifica. Afirmava que o elo entre o soberano e seu povo, liga, "do primeiro ao último pela confiança e afeição mútuas" (Sakamaki Shunzo in MOORE, op. cit., p.31). Como vemos, não é norma ou lei escrita no sentido ocidental. É, como define Morton, referindo-se à Constituição do príncipe Shotoku (574-622), "uma coleção de máximas provindas principalmente do confucionismo para guiar e estimular pessoas envolvidas no governo" (MORTON, 1984, p.20). Já no primeiro artigo da "Constituição dos 17 Artigos" de 604, o príncipe inscrevera o princípio do "Wa", harmonia, paz, reconciliação (YAMASHIRO, 1986, p. 42). No Decreto Imperial sobre a Educação (Kyôiku Chokugo) promulgado pelo Imperador Meiji (1868-1912) em 1890, nada há de norma específica, declarando apenas valores éticos, o culto às artes, o incentivo à educação. Destacando à ancestralidade, o cuidado que devem ter uns para com os outros: Decreto Imperial sobre a Educação, Sabei vós, meus súditos: Nossos Ancestrais Imperiais fundaram o Nosso Império em uma base ampla e eterna e têm implantado firme e profundamente a virtude; Nossos Súditos sempre unidos na lealdade e piedade filial têm ilustrado de geração em geração a beleza disso. Isto é a glória do caráter fundamental do Nosso Império e inclui-se também a fonte da Nossa educação. Vós, Meus súditos, sede filiais aos seus pais, sede afetuosos com seus irmãos e irmãs; sede harmoniosos como marido e mulher. Como verdadeiros amigos, levai convosco a modéstia e a moderação, estendei a vossa benevolência a todos, prossegui o aprendizado e cultivai as artes. Desenvolvei as faculdades intelectuais e os poderes da perfeita moral, além disso, levai adiante o bem público e promovei interesses em comum, sempre respeitai a Constituição e observai as leis. Quando surgir emergência, devei vos oferecer corajosamente ao Estado, e assim guardar e manter a prosperidade do Nosso Trono Imperial coevo com o Céu e a Terra. Assim vós deveis ser os Nossos bons e fiéis súditos, transmitir as melhores tradições de vossos antepassados. O Caminho traçado aqui é de fato o ensinamento legado pelos Nossos Ancestrais Imperiais, a ser observado pelos Vossos Descendentes e súditos, infalível para todas as idades e verdadeiro em todos os lugares. Esse é o Nosso desejo que seja levado a sério em toda reverência, em comum convosco, Nossos súditos, que nós possamos alcançar a mesma virtude.30º dia do 10º mês do 23º ano de Meiji (Dia 30 de Outubro de 1890). Assinatura Manual Imperial; Selo Imperial (SASAKI, 2009, tese de doutorado disponível em: www.bibliotecadigital.unicamp.br/document/?code=000442741 acesso em 19/11/2012, pag. 29). Na religiosidade desse povo ou antes, no comportamento formado pela religiosidade, por vezes confunde-se o que é de uma ou de outra religião. Mais acertada seria a assertiva de que a religiosidade do nipônico é formada pela mescla das três religiões que mantêm áreas de influência próprias e áreas onde se somam. Há nos contos budistas, fato ocorrido com o monge zen-budista Bankei (1622-1693), tido como grande sábio e cujos retiros eram bastante concorridos, recebendo em seu templo monges do Japão inteiro, interessados nos seus ensinamentos. Numa ocasião os monges descobriram um que era ladrão e foram falar com Bankei, que ouviu pacientemente, mas nada disse e nada fez. Pego novamente furtando dinheiro dos colegas, os monges novamente foram a Bankei, desta vez indignados, exigindo sua retirada como condição para que permanecessem no seminário. Bankei novamente ouviu-os com paciência, dizendo-lhes ao final do relato: "− vocês podem abandonar o seminário, podem ir embora, porque já sabem a diferença entre o certo e o errado, mas eu ficarei com esse monge, que aqui veio para aprender e ainda não sabe a diferença". E o monge errante chorou copiosamente, perdendo a compulsão pelo furto. O budismo prega a benevolência e a compaixão, mais subjetivas, mais próximas do homem, mas sob a ampla, objetiva e genérica óptica xintoísta, removeu-se a nódoa, a mancha, que como uma ilusão, obstava a manifestação do coração claro e puro do monge errante, ou seja, o monge voltou novamente a trilhar o Caminho, voltou ao seu estado natural de bondade, permitiu ao seu kami interior se manifestar. (http://pt.scribd.com/doc/89138298/Contos Zen-Budistas - conto 12 - acessado em 19/11/2012). O reconhecimento da bondade natural do ser humano ou na sua capacidade de regeneração, é o que muda também completamente o homem e o destino de Jean Valjean, trazido ao convívio do amor humano pela acolhida do benevolente bispo Bien venu que se recusa a ver no ex-presidiário o ladrão, mas apenas o homem digno, sob cujas vestes rotas se abrigava um bom coração. Em meio a um mundo de penúria e sofrimento, são as personagens que vêm a lume sob a pena humanitária de Victor Hugo (1802-1885) em "Os Miseráveis", fazendo com o calor humano o contraponto à miséria social e econômica que permeiam o romance. "A bondade em palavras cria confiança, a bondade em pensamentos cria profundidade, a bondade em dádiva cria amor", dizia Lao-Tsé, fundador do taoísmo de cujas raízes ideológicas medrou o xintoísmo. Do amor às belezas da Natureza teria surgido esse amor ao ser humano, segundo Nakamura Hajime (in MOORE, op. cit., p. 145). Extensivo aos elementos da Natureza, também aos animais, devotasse-lhes idêntico tratamento. Relata-nos Wenceslau: "mas o camponês trata o boi como um irmão de trabalho, não como um quadrúpede escravizado. Com o boi se entende pela palavra e pelo gesto, conversa mesmo com ele sobre coisas de lavoura, nunca se lembrou de construir um aguilhão" (MORAES, op. cit., p. 54-55). A Associação dos santuários xintoístas (Jinja Honchô) resumiu a fé xintoísta: 1. Ser grato às bênçãos divinas e aos benefícios dos ancestrais. Ser diligente na observação dos rituais xintoístas, executando-os com sinceridade, regozijo e pureza do coração. 2. Servir ao próximo sem pensar em recompensa e buscar largamente o desenvolvimento da vida neste mundo, como desejado pela vontade divina. 3. Unir-se uns aos outros em harmonioso reconhecimento da vontade do imperador. Orando para que o país possa prosperar e que outros povos também possam viver em paz e prosperidade (Ueda Kenji in TAMARU et alii, op. cit., p. 31). O cristianismo no Japão. A ausência no xintoísmo de um ser único, absoluto, que enfeixa todo o poder como no cristianismo, constituiu-se na dificuldade de se compreender o deus do monoteísmo ocidental (OSHIMA, 1992, p. 28). Acostumado a uma relação aberta, livre, sem regras morais, coletiva, pacífica, harmoniosa com outras religiões, com ligações a vários deuses, invisíveis ou corporificados em objetos ou na Natureza. Deve ter lhe parecido estranha a promessa de uma vida melhor, proporcionada por um único e diferente deus, cujo monopólio da salvação se dá pelas suas regras. Deve ter causado não apenas estranheza, mas espanto um "Deus ciumento dono absoluto dos destinos do homem, cuja justiça sem misericórdia, envolve o inferno e o eterno tormento", o que seguramente fez os nativos, reticentes diante de tão "terrível ensinamento" (HITCHCOCK, op. cit., p. 509). Mas a maior dificuldade na aceitação do cristianismo constituiu-se no abandono de seus ancestrais. Que não seriam salvos por não terem seguido os mandamentos, e, portanto, destinados ao fogo do Inferno (YUSA, op. cit., p.73. O choque das crenças, que obrigava o nativo a abjurar seu credo e promover a destruição de templos e santuários. Incentivados pelos religiosos cristãos como prova da aceitação do novo credo como o único verdadeiro, contribuiu também para a impopularidade da cristianização. Culminando com o edito do kanpaku Hideyoshi Toyotomi (1537-1598) que acabou expulsando os cristãos Ocidentais das terras japonesas: "é inaudito que os missionários obriguem as pessoas a converterem-se à sua fé e as incitem a demolir templos e santuários" (ibidem p. 70). Relata-nos Lafcadio Hean (1850-1904) sobre o assunto: Lemos nas histórias das missões sobre daimyôs convertidos queimando milhares de templos budistas, destruindo incontáveis obras de arte e matando monges budistas. Encontramos ainda escritores jesuítas louvando suas cruzadas como evidência do santo zelo (m. t. HEARN, 1984, p. 306). São dessa época as palavras de um desiludido pensador católico japonês, Fabian Fukan (1565-1621): Os cristãos dizem que os fenômenos do mundo natural nos mostram a existência de seu Deus Criador. A mudança das estações também nos indica a existência do Autor Sábio que causa a mudança, mas, que há de extraordinário no mundo da natureza? Não há nada de extraordinário! Tudo funciona naturalmente. Seja Lao Tse, Confúcio, Buda ou o Xintoísmo, todos eles nos explicam a origem do mundo cada um à sua maneira. Por que os cristãos se creem os únicos conhecedores do Criador do Universo? Desde a antiguidade, todos os filósofos e os santos nos vieram explicando a mesma lei. Não há razão alguma pela qual o ensinamento do Deus cristão seja superior ao de Confúcio, Buda ou ao de Lao Tse (apud in OSHIMA, op.59. Página 35. Abraço. Davi.
quarta-feira, 25 de março de 2026
OS ANALECTOS - LIVRO V
Confucionismo. www.rl.art.br. OS ANALECTOS – LIVRO V. Texto de Confúcio (551-479). 1. O Mestre disse de Kung-yeh Ch’ang que ele era uma boa escolha para marido, pois, embora estivesse preso, não havia feito nada errado. E lhe deu sua filha em casamento. 2. O Mestre disse de Nan-jung que, quando o Caminho prevaleceu no reino, este não foi posto de lado e, quando o Caminho caiu em desgraça, ele ficou longe da humilhação e da punição. E lhe deu a filha do seu irmão mais velho em casamento. 3. O comentário do Mestre sobre Tzu-chien foi “Que cavalheiro! Onde ele teria adquirido as suas qualidades, se não houvesse cavalheiros no reino de Lu?”. 4. Tzu-kung perguntou: “O que acha de mim?”. O Mestre disse: “Você é um navio”. “Que tipo de navio?” “Um navio sacrificial”. 5. Alguém disse: “Yung é benevolente, mas não fala muito bem”. O Mestre disse: “Qual a necessidade de ele falar bem? Um homem rápido nas respostas frequentemente provocará o ódio dos outros. Não posso dizer se Yung é benevolente ou não, mas qual a necessidade de ele falar bem?”. 6. O Mestre aconselhou Ch’i-tiao K’ai a assumir um cargo oficial. Ch’i-tia o K’ai disse: “Acho que ainda não estou pronto”. O Mestre ficou satisfeito. 7. O Mestre disse: “Se o Caminho não pudesse prevalecer e eu fosse lançado ao mar em uma jangada, aquele que me seguiria seria Yu, sem dúvida alguma”. Tzu-lu, ao ouvir isso, transbordou de alegria. O Mestre disse: “Yu tem mais amor à coragem do que eu, mas lhe falta juízo”. 8. Meng Wu Po perguntou se Tzu-lu era benevolente. O Mestre disse: “Não posso dizer”. Meng Wu Po repetiu a pergunta. O Mestre disse: “A Yu pode ser dada a responsabilidade de coordenar as tropas de um reino de mil carruagens, mas se ele é benevolente ou não, não posso dizer”. “E quanto a Ch’iu?” O Mestre disse: “A Ch’iu pode ser dada a responsabilidade de administrar uma cidade de mil casas ou uma família nobre de cem carruagens, mas se ele é benevolente ou não, não posso dizer”. “E quanto a Ch’ih?” O Mestre disse: “Quando Ch’ih coloca a sua faixa e toma lugar na corte, a ele pode ser dada a responsabilidade de conversar com os convidados, mas se ele é benevolente ou não, não posso dizer”. 9. O Mestre disse a Tzu-kung: “Quem é o melhor homem, você ou Hui?”. “Como eu ousaria me comparar a Hui? Quando lhe é dita uma coisa, ele compreende cem coisas. Quando me é dita uma coisa, eu entendo apenas duas.” O Mestre disse: “De fato, você não é tão bom quanto ele. Nenhum de nós dois é tão bom quanto ele.” 10. Tsai Yü estava na cama durante o dia. O Mestre disse: “Um pedaço de madeira podre não pode ser esculpido, tampouco pode uma parede de esterco seco ser aplainada. Em se tratando de Yü, de que adianta condena-lo?”. O Mestre acrescentou: “Eu costumava ouvir as palavras de um homem e confiar que ele agiria de acordo. Agora, tendo ouvido as palavras de um homem, parto para observar suas ações. Foi por causa de Yü que mudei quanto a isso.” 11. O Mestre disse: “Nunca conheci alguém que fosse verdadeiramente constante”. Alguém perguntou: “E quanto a Shen Ch’eng?”. O Mestre disse: “Ch’eng é cheio de desejos. Como pode ser constante?12. Tzu-kung disse: “Do mesmo modo que não quero que os outros mandem em mim, também não quero mandar nos outros”. O Mestre disse: “Ssu, isso ainda está bem acima de você”. 13. Tzu-kung disse: “Pode-se ouvir sobre as realizações do Mestre, mas não se pode ouvir suas opiniões sobre a natureza humana e o Caminho para o Céu”. 14. A única coisa que Tzu-lu temia era que, antes que pudesse colocar em prática algo que aprendera, lhe ensinassem outra coisa diferente. 15. Tzu-kung perguntou: “Por que K’ung Wen Tzu foi chamado de wen?”. O Mestre disse: “Ele era rápido e ávido por aprender: não teve vergonha de buscar o conselho daqueles que lhe eram inferiores em posição. É por isso que ele é chamado wen”. 16. O Mestre disse sobre Tzu-ch’an que sob quatro aspectos ele tinha as maneiras de um cavalheiro: era respeitoso no modo como se comportava; era reverente no serviço ao seu senhor; ao tratar com as pessoas comuns, ele era generoso e, ao empregar os serviços destas, era justo. 17. O Mestre disse: “Yen P’ing-chung era um excelente amigo: mesmo quando conhecia seus amigos há muito tempo, ele os tratava com reverência”. 18. O Mestre disse: “Ao fazer uma casa para sua grande tartaruga, Wen-chung mandou esculpir os capitéis dos pilares na forma de montanhas e pintar os caibros do telhado com desenhos de plantas aquáticas. O que se deve pensar sobre a inteligência dele?19. Tzu-chang perguntou: “Ling Yin Tzu-wen não demonstrou júbilo algum quando por três vezes foi feito primeiro-ministro. Tampouco demonstrou desgosto quando por três vezes foi removido do cargo. Ele sempre dizia ao seu sucessor o que havia feito durante seu mandato. O que acha disso?” O Mestre disse: “Ele pode, de fato, ser considerado um homem que dá o melhor de si”. “E pode ele ser chamado de benevolente?” “Sequer pode ser chamado de sábio. Como poderia ser chamado de benevolente?” “Quando o senhor de Ch’i foi assassinado por Ts’ui Tzu, Ch’en Wen Tzu, que possuía dez grupos de quatro cavalos cada, abandonou-os e deixou o reino. Ao chegar em outro reino, ele disse: ‘Os oficiais aqui não são melhores do que o nosso ministro Ts’ui Tzu’e partiu de novo. O que acha disso?” O Mestre disse: “Ele pode, de fato, ser considerado um homem puro”. “Pode ele ser chamado de benevolente?” “Sequer pode ser chamado de sábio. Como poderia ser chamado de benevolente?” 20. Chi Wen Tzu sempre pensava três vezes antes de agir. Quando o Mestre ficou sabendo disso, comentou: “Duas vezes é suficiente”. 21. O Mestre disse: “Ning Wu Tzu era inteligente enquanto o Caminho prevalecia no reino, mas foi estúpido quando não prevaleceu. Outros podem igualar sua inteligência, mas não podem igualar sua estupidez”. 22. Quando estava em Ch’en, o Mestre disse: “Vamos para casa. Vamos para casa. Em casa, nossos jovens rapazes são furiosamente ambiciosos e têm grandes talentos, mas não sabem usá-los”. 23. O Mestre disse: “Po Yi e Shu Ch’i nunca lembravam de velhas rixas. Por essa razão, muito raramente provocavam ressentimentos”. 24. O Mestre disse: “Quem disse que Wei-sheng era correto? Uma vez, quando um pedinte lhe mendigou vinagre, ele foi e pediu-o para um vizinho”. 25. O Mestre disse: “Palavras ardilosas, rosto adulador e absoluta subserviência: essas coisas Tso-ch’iu considerava vergonhosas. Eu também as considero vergonhosas. Ser amigável com alguém enquanto escondemos nossa hostilidade: também isso Tso-ch’iu considerava vergonhoso. Eu também considero vergonhoso”. 26. Yen Yüan e Chi-lu estavam presentes. O Mestre disse: “Sugiro que cada um de vocês me conte os seus desejos mais fortes”. Tzu-lu disse: “Eu desejaria partilhar minha carruagem e cavalos, roupas e peles com meus amigos sem me arrepender, mesmo que eles ficassem gastos”. Yen Yüan disse: “Eu desejaria nunca me vangloriar da minha própria bondade e nunca impor tarefas pesadas aos outros”. Tzu-lu disse: “Eu gostaria de ouvir quais os seus desejos secretos, Mestre”. O Mestre disse: “Trazer paz aos velhos, ter confiança nos meus amigos e dar afeto aos jovens”. 27. O Mestre disse: “Acho que devo abandonar as esperanças. Ainda estou para conhecer o homem que, ao ver os próprios erros, seja capaz de se criticar internamente”. 28. O Mestre disse: “Em um vilarejo de dez casas, sempre haverá aqueles que são meus iguais quanto a fazer o melhor que podem pelos outros e quanto a ser fiéis às próprias palavras, mas dificilmente terão tanta vontade de aprender quanto eu tenho”. www.rl.art.br. Abraço. Davi
segunda-feira, 23 de março de 2026
TAO TE CHING - POEMA VIII
Lao Tse (571 a.C.531). Tao Te Ching. O Livro que Revela Deus.
sexta-feira, 20 de março de 2026
JNANA YOGA. O CONHECIMENTO ESPIRITUAL
Hinduísmo. Bhagavad Gita. A Mensagem do Mestre. Capítulo IV. JNANA YOGA. O CONHECIMENTO ESPIRITUAL. Capítulo IV. O homem pode libertar-se da ilusão do "eu pessoal" alcançando a união com a Essência Divina, pelo conhecimento interno de si próprio. Isto é, pela Iluminação interior. Esta força aumenta com a prática, quando se cumpre o dever com abnegação.
quarta-feira, 18 de março de 2026
RELIGIÃO DO ISLAM. Parte XVI
Islamismo. Manual para o Novo Muçulmano. Por Jamaal Zarabozo (1961 - ). RELIGIÃO DO ISLAM. Parte XVI. No hadith do Anjo Gabriel, o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) declara, explicitamente, que deve-se crer no Decreto Divino, “[tanto] em seus aspectos bons, como maus”. Ibn Qaiim destaca que por “mau” é feita uma referência aos seres humanos e não a Allah. A “maldade” é resultado das ações ignorantes, errôneas, opressivas e pecaminosas das pessoas. Não obstante, estas ações são permitidas e estabelecidas por Allah. Certamente, nenhum tipo de maldade pode ser atribuído a Allah, já que em relação a Allah, a ação é boa e cheia de sabedoria e deve ser considerada como um resultado do conhecimento e da sabedoria de Allah. Qualquer ação da natureza, em essência, é boa e não pode ter nenhuma maldade. Isso tem respaldo no hadith onde o Profeta diz: “A maldade não pode ser atribuída a Ti” (Muslim). Isso se deve a que cada ação que se realiza é o resultado de algum tipo de sabedoria e bondade e, portanto, não pode haver maldade. O próprio indivíduo pode pensar o contrário, mas, na realidade, tudo o que acontece na criação de Allah possui bondade e sabedoria. Ibn Uthaimin nos deixa um exemplo para ilustrar esta questão. Allah disse no Qur’an: “A corrupção surgiu na terra e no mar por causa do que as mãos dos humanos lucraram. E (Deus) os fará provar algo de que cometeram. Quiçá assim se abstenham disso.” (30: 41). Neste versículo, Allah expõe o surgimento da maldade (fasaad), suas causas e conseqüências. A maldade e as causas que a provocam são igualmente maléficas (sharr). Não obstante, seu objetivo é bom: que Allah lhes faça experimentar algo do que têm feito, assim regressarão ao caminho correto através do arrependimento. E assim existe uma sabedoria e um objetivo determinado no fasaad. Este objetivo e esta sabedoria fazem com que toda ação seja algo bom e não puramente maldade. Por outro lado, a pura maldade consistirá em ações que não provoquem nenhum tipo de benefício ou resultado positivo. A sabedoria e o conhecimento de Allah impossibilitam a existência de ações desta natureza. Os frutos da crença correta no Decreto Divino Quando uma pessoa se dá conta de que todas as coisas se encontram sob o controle e o decreto de Allah, liberta-se de qualquer tipo de shirk ou de entidades associadas à Allah em sua crença. Existe somente um Verdadeiro e Único Criador e Senhor desta criação. Nada ocorre senão por Sua vontade e Sua permissão. Quando este conceito está firme no coração das pessoas, também se dão conta que nada é digno e merecedor de suas orações, ninguém pode ajudá-los e em ninguém se pode amparar a não ser Ele, o Único Deus. Portanto, essas pessoas dirigirão todos seus atos de adoração ao Único, Aquele que decretou e determinou absolutamente tudo. É assim que o tauhid ar-rububiyah (monoteísmo ao Senhorio) e o tauhid aluluhiyah (monoteísmo da adoração) são corretos e completamente cumpridos mediante uma apropriada crença no qadar. A pessoa colocará toda sua confiança em Allah. Deve prestar atenção às “causas e efeitos” externos que observa neste mundo. Sem dúvida, também deve levar em consideração que essas “causas e efeitos” não terão um desenlace a menos que Allah assim o queira. Deste modo, um crente nunca deve colocar sua confiança e dependência em suas próprias mãos ou em aspectos mundanos, como colocar a confiança nas mais daqueles que tem algum tipo de controle ou poder. Ao invés disso, deve seguir alguma causa que possa levá-lo ao fim desejado e logo, depositar sua confiança em Allah, para que este fim seja alcançado. Ibn Uthaimin propõe que com uma correta crença no qadar, não se permite que a arrogância e a vaidade sejam introduzidas nos nossos corações. Se alguém alcança um objetivo desejado, saberá que tal finalidade só pode ser alcançada com a ajuda de Allah que, em Sua misericórdia, decretou que assim fosse. Se Allah houvesse desejado, haveria colocado muitos obstáculos em seu caminho, evitando assim que cumprisse seu objetivo. Por conseguinte, em vez de se transformarem em pessoas egocêntricas e arrogantes, que buscam apenas alcançar seus objetivos pessoais, se realmente creem no qadar, convertem-se em pessoas muito agradecidas a Allah por todas as bênçãos que recebem. A crença correta no qadar causa tranquilidade e paz mental. As pessoas entendem que tudo o que ocorre depende diretamente do Decreto Divino de Allah. Além disso, todas as ações de Allah estão repletas de sabedoria. Portanto, se uma pessoa perde um ente querido ou qualquer outra coisa deste mundo, não enlouquece, não desespera e nem perde a esperança. Ao invés disso, entende que foi a vontade de Allah e que deve aceitar o acontecido. Também deve entender que tudo ocorre por uma razão. Não é algo que aconteceu fortuitamente, nem acidentalmente sem nenhuma razão aparente. Allah disse: “Não assolará desgraça alguma, quer seja à terra, quer sejam às vossas pessoas, que não esteja registrada no Livro, antes mesmo que a evidenciemos. Sabei que isso é fácil a Deus, para que vos não desespereis, pelos (prazeres) que vos foram omitidos, nem nos exulteis por aquilo com que vos agraciou, porque Deus não aprecia arrogante e jactancioso algum” (57: 22-23) A crença no qadar dá às pessoas força e coragem. Um muçulmano sabe que Allah já registrou sua vida e proverá o seu sustento. Isso provém somente de Allah e já está decretado. Portanto, não se deve sentir temor ao se esforçar pela causa de Allah, já que o momento de sua morte já está registrado. Com respeito ao sustento e provisão, não se deve temer, uma vez que tudo provém de Allah e já está determinado. Ninguém pode privar uma pessoa do alimento diário se Allah já decretou que esta seguirá recebendo provisões e seu sustento de algum tipo de fonte. Conclusões Este capítulo nos apresentou um breve resumo sobre as crenças básicas de todo muçulmano. Cada muçulmano tem que saber no que deve crer e deve conhecer, ao menos, o essencial. Sem dúvida, a medida que seu conhecimento sobre os pilares da fé vai aumentando, sua fé também se tornará mais forte e completa. Para saber mais sobre estes artigos da fé, recomendo a série de oito livros de Umar al-Ashqar, que analisa diversos aspectos da fé, como a crença em Allah, os anjos, etc. Estes livros são publicados pela International islamic Publishing House em Riayad, Arábia Saudita e podem ser adquiridos facilmente pela internet. Os livros de Bilal Philips e de Muhammad Jibaly acerca dos aspectos da crença também são de valiosa leitura para os novos muçulmanos. Os Ritos de Adoração O Profeta Muhammad (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) disse: “O Islam está construído sobre cinco [pilares]: o testemunho de que nada é digno de adoração, exceto Allah e que Muhammad é o Mensageiro de Allah; cumprir as orações; pagar o zakat; realizar a peregrinação à Casa e jejuar durante o mês de Ramadan.” (Bukhari e Muslim). Aqui, o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) faz uma comparação do Islam a uma casa. As bases, ou pilares, da casa são cinco. Estas ações são conhecidas como os “cinco pilares do Islam”. O Primeiro pilar, a declaração do testemunho de fé, foi analisado anteriormente. Portanto, este capítulo está destinado a analisar os outros quatro pilares restantes. Antes de analisar cada pilar separadamente, necessitamos fazer algumas considerações e explicações preliminares. Em primeiro lugar, todos estes rituais possuem um aspecto externo ou físico e um interno ou espiritual. Os sábios enfatizam que cada rito de adoração deve reunir duas condições para que seja aceito por Allah: (1) o rito deve ser correto e de acordo com a orientação revelada por Allah. (2) o rito deve ser realizado única e exclusivamente para agradar a Allah. Allah declara, por exemplo: “... quem espera o comparecimento ante seu Senhor que pratique o bem e não associe ninguém ao culto d’Ele.” (18: 110). Acerca deste versículo, o sábio Ibn Qaiim escreveu: “Isto faz referência a um tipo de ação que Allah aceitará. A ação deve estar em concordância com a Sunnah do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) e deve ser realizada com o intuito de buscar a complacência de Allah. Aquele que a realiza não pode, de forma alguma, cumprir com estas condições se não possui conhecimento. Se não conhece os textos narrados pelo Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) não poderá colocá-los em prática. Se não conhece a quem está adorando, não poderá atuar somente para Ele. Se não fosse pelo conhecimento, sua ação não seria aceitável. O conhecimento leva à sinceridade e à pureza e este conhecimento indica quem é o verdadeiro seguidor dos passos do Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele).” Allah requisita que Seus servos sejam puros de coração. Esta pureza que se reflete nas ações é a chave para que Allah fique satisfeito com uma ação em particular. Allah criou a vida e a morte para que os seres humanos realizem as melhores ações. Ele não criou a humanidade para realizar infindáveis ações, mas sim para escolher e realizar as melhores. Allah disse em Seu Livro: “Bendito seja Aquele em Cujas mãos está a Soberania, e que é Onipotente; que criou a vida e a morte, para testar quem de vós melhor se comporta – porque é o Poderoso, o Indulgente” (67: 1-2). Referindo-se a este versículo, al-Fudhail Ibn Aiaadh afirmou que “melhor se comporta” se refere às obras, que elas devem ser puras e completas. Disse: “Se uma ação é sincera e pura, mas não é correta, não será aceita. Se é correta, mas não é pura, também não será aceita. Não será aceita a menos que seja pura e correta. É pura apenas se é realizada buscando agradar a Allah e é correta se concorda com a Sunnah.” Em segundo lugar, estes ritos são atos de adoração, sem dúvidas, ao mesmo tempo, exercem uma influência duradoura nos indivíduos. Por exemplo, se um muçulmano não completa a oração, esta não terá nenhum tipo de influência sobre seu comportamento ou suas ações. No hadith mencionado anteriormente, o profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) afirma que o Islam está construído sobre estes pilares ritualísticos. Isso significa que eles formam uma base, base esta que sustenta toda a vida sob o conceito de submissão somente a Allah. O estabelecimento da Oração O significado do “estabelecimento das orações” Um aspecto muito importante que devemos levar em conta sobre este pilar é que não se refere somente ao mero “ato” de fazer a oração. No Qur’an, Allah não determina apenas a forma como se deve orar, senão que demanda dos crentes o iqaamat as-salaat (“o estabelecimento das orações”). Desta maneira, este pilar do Islam não consiste simplesmente em orar, senão que é algo mais especial que Allah e Seu Profeta denominaram “o estabelecimento das orações”. Apenas se a pessoa ora de maneira adequada e correta pode cumprir com este pilar. Isso revela que muitas pessoas simplesmente oram, há muito poucas que estabelecem a oração. Isso se assemelha à declaração de Umar, que Allah esteja satisfeito com ele, a respeito da peregrinação: “As pessoas que realizaram a peregrinação foram poucas, enquanto os presentes foram muitos.” Ad-Dausiri também destaca uma diferença entre as seguintes frases: “estabelecer a oração” e “simplesmente orar”. Ele disse: “[Allah] não disse ‘os que simplesmente oram’, senão que disse ‘aqueles que estabelecem as orações’. Allah faz uma distinção entre as duas frases para diferenciar as orações verdadeiras e reais das que apenas seguem o formato de oração. A verdadeira oração é a que sai do coração e da alma, a oração com humildade, daqueles que se prostram em silêncio e temerosos frente à Allah.” A oração que só tem “aparência de oração” nunca foi requerida por Allah. Definitivamente, parte deste “estabelecimento” das orações é a implementação dos aspectos espirituais e internos da oração, como fez uma alusão ad-Dausiri. Sem dúvida, esta não é a única diferença entre as duas ações, como se pode constatar na definição ou declaração acerca do “estabelecimento das orações” dos grandes sábios do Islam. Por exemplo, o famoso Jarir at-Tabari, estudioso do tafsir (explicação do Qur’an), escreveu: “Estabelecer significa orar dentro dos horários, com seus aspectos obrigatórios e com o que tudo aquilo que foi determinado obrigatório por aquele quem ditou as questões obrigatórias.” Logo em seguida, cita o companheiro Ibn Abbas que disse: “estabelecer as orações implica realizá-las com suas reverências, prostrações e recitar de uma maneira completa, assim como temer a Allah, dedicando-O uma atenção plena”. Um dos primeiros estudiosos, Qatada, também disse: “O estabelecimento das orações é ater-se aos horários, ablução, reverências e prostrações.” Em geral, poder-se-ia dizer que o “estabelecimento das orações” implica que se deve realizar e executar as orações de uma forma apropriada como é indicado no Qu'ran e na Sunnah. Isso inclui os aspectos tanto externos quanto internos da oração. Nenhum dos dois, por si só, é suficiente para estabelecer a oração, verdadeiramente. Deve-se apresentar um estado puro para oferecer a oração. No caso dos homens, na medida do possível, deve-se realizar em congregação, em uma mesquita. As orações devem ser realizadas de acordo com suas normas e regulamentos; as ações físicas também devem ser acompanhadas de submissão, humildade, tranqüilidade, etc. Deve-se realizar todos estes atos integrantes da oração de maneira apropriada e seguindo as indicações transmitidas pelo Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele). Todas estas indicações formam parte do estabelecimento das orações. Página 152. Abraço. Davi