TAO TE CHING - POEMA VIII
Lao Tse (571 a.C.531). Tao Te Ching. O Livro que Revela Deus.
Lao Tse (571 a.C.531). Tao Te Ching. O Livro que Revela Deus.
Religião Afro-brasileira. Por Eurico Ramos. Livro Revendo o Candomblé - XVII. QUAL O SIGNIFICADO DOS IBÁS (ASSENTAMENTOS) - XVII? O ibá, o assentamento do orixá, é a base onde aglutinamos determinados elementos ligados a uma divindade específica, que passam a ali representá-los. O ibá seria quase que uma "pilha alcalina". Essa "pilha" quando assentada, é carregada com elementos positivos, de modo que, quando o indivíduo tem necessidade de se fortalecer energeticamente, vai até o seu ibá e ali se alimenta. Observando a energia que está contida ali, naquela "pilha", digamos assim. Isso, em termos científicos. Mas, por favor, não distorçam as palavras do babalorixá - Chefe sacerdotal e espiritual principal de um candomblé. Esse é apenas um exemplo, usado para facilitar o entendimento. O ibá podia ser, no passado, um ibá coletivo. Ou seja, um ibá único, representando uma divindade única para cada tribo ou para cada família. Costume que foi trazido para o Brasil no início da colonização, aproximadamente 1530, no período escravocrata - escravidão negra - 1500 a 1888. Mas, posteriormente, devido ao desmembramento das famílias originais africanas, principalmente as do povo iorubá, surgiu a necessidade de haver ibás individuais. A partir disso, os ibás passaram a ser coletivos em determinadas casas, ou exclusivos (um para cada filho) em outras. O ibá, esse recipiente que tem a forma de um útero, representa a abóbada celeste contém a vida, a tampa, por sua vez, representa a abóbada celeste. Contam as antigas yas da Casa Branca do Engenho Velho que, com o passar do tempo, mais uma vez a mucama foi até a cozinha da casa-grande e roubou a louça francesa, a sopeira da sinhá. Levou a para dentro da senzala e transportou seus orixás de dentro dos alguidares onde estavam assentados para dentro daquelas sopeiras. Desde então, surgiu o costume de assentarem-se os santos dentro das sopeiras, porque foi assim que os negros que trouxeram o candomblé para o Brasil se habituaram a cultuar suas divindades. Ou seja, roubando as sopeiras da casa-grande! Sabemos que, em termos de África, e também nos primeiros tempos da escravidão, os orixás eram assentados em alguidares, gamelas e cabaças. Mas, depois, surgiu o costume de se usarem sopeiras de louças, e isso graças a mucama - escrava doméstica que era amante do senhor de engenho nos tempos da escravidão no Brasil. A mucama, ao mentir para a sinhá contando-lhe que sua sopeira tinha sido quebrada, sabia que seria açoitada. Mas era açoitada e ia para o tronco muito feliz, porque sabia que, quando saísse dali o seu orixá não estaria mais dentro de um simples alguidar. Mas, sim, assentada em uma linda sopeira francesa. É bom lembrar que, desde o tempo da colonização, o africano primava por tentar dar o bom e o melhor ao seu orixá, exatamente como fazemos até os dias de hoje. Abraço. Davi.
Judaísmo. Um Guia para a Sabedoria Oculta da Cabala. Por Michael Laitman (1946 - ). CABALA - MITOS E VERDADES. Parte XIII. Pontos Principais. Quando as palavras falham, a música triunfa. Os dois estilos e humores da música Cabalística. A música e o mundo vindouro. Os Cabalistas sempre escreveram músicas como parte de sua expressão espiritual. Elas são parte inseparável de sua espiritualidade e resultam diretamente do grau espiritual em que se encontram. Como não existem palavras nos Mundos Superiores, a música preenche essa falha. Para um estudante sensível à música, ela pode ser tão benéfica e poderosa quanto qualquer livro - as vezes, até mais. Não só com palavras. Quando a Cabala começa a perceber o Mundo Superior, ele entra numa outra dimensão. Um mundo inteiro se revela diante dele em toda sua grandeza e riqueza. É algo que não existe neste mundo. O Cabalista percebe uma imagem totalmente diferente: as forças colocam em ação o nosso mundo, e as almas que estão ligados aos corpos. É o passado, presente e futuro diante do Cabalista, no tempo presente. Ele experimenta tudo isso, vivendo preenchido com uma sensação eterna e perfeita, um sentimento que engloba todo universo. Palavras não são suficientes para expressar esta profunda experiência emocional. Como podemos descrever algo que não pode ser visto ou tocado? Os mundos Cabalísticos devem ser "sentidos" pelo Cabalista. Quando as palavras falham, a música pode proporcionar discernimento além de nossa compreensão habitual. A música tem o poder de nos "mover" e nos fazer sentir coisas que vão além das palavras. A música - Alcança onde os textos não conseguem. Os Cabalistas usam textos para explicar os níveis espirituais alcançados. Entretanto, em seus escritos, eles só nos aconselham sobre como atingir a impressão, a sensação e a descoberta desta realidade. Eles descrevem o tipo de ação que devemos executar em nosso interior, com nossos desejos, telas e Reshimot - com tudo isso dentro de nossa alma. Na realidade, os livros dizem: "Executem certas ações e descobrirão certas coisas". Porém, eles não descrevem o que sentiremos, porque é impossível transmitir o sentimento em palavras. É como oferecer um novo alimento a alguém e dizer: "Experimente, e você sentirá o seu gosto". Se ele é amargo ou doce, nós só teremos um palpite sobre o que a pessoa sentirá ou como ela experimentará a sensação. Mesmo assim, a própria sensação só é experimentada pela pessoa que recebe a oferta, e por mais ninguém. É por isso que é difícil para os Cabalistas transmitirem o que sentem e enfrentam, o que lhes é revelado: de que modo o mundo oculto se parece. De certa forma, somente um meio pode expressar as impressões e prazeres de uma pessoa, diante de quem o Mundo Superior se revelou, e esse meio é a música. Essa é a razão pela qual os Cabalistas que além de escreverem artigos e materiais muito profundos e complicado. Também escrevem melodias e canções. É mais uma forma de expressar as sensações de um Cabalista de uma maneira mais concisa, franca, por meio de melodias, em palavras. De forma que possam penetrar nossos corações e nos transformar de algum modo, ajustando-nos, para que percebamos o Mundo Superior. Banhando-se na Luz. A música Cabalística expressa os estados espirituais do Cabalista. As melodias são compostas pra descrever a experiência de duas fases antagônicas na espiritualidade. A primeira é a agonia, resultado do distanciamento do Criador. A sensação de distanciamento do Criador produz uma música triste, expressa por uma oração que suplica pela aproximação. A segundo é o prazer, sentida como resultado da aproximação com o Criador. Essa sensação de proximidade com o Criador produz uma música alegre, expressa por uma oração de agradecimento. Se escutarmos a música Cabalística, ouviremos e sentiremos os dois estados distintos de ânimo. Os dois estados de ânimo expressam a relação do Cabalista e sua união como o Criador. Embora a melodia possa levar a pessoa às lágrimas, ela ama ouvi-la, porque a melodia expressa a angústia abordada, e que foi solucionada satisfatoriamente. Na Cabala, isso é chamado " refinamento dos julgamentos". A música banha o ouvinte com uma luz maravilhosa. Nós não precisamos saber nada sobre ela antes de ouvi-la. Porque ela é muda, contudo, o seu efeito em nossos corações é direto e rápido. Ouvi-la várias vezes é uma experiência especial. Se sentimos a música, não precisaremos imaginar as formas nos mundos espirituais descritas nos livros. Estas formas só existem dentro de nós e, assim, nos enganam. O que há de tão especial na música é que todos podem entendê-la, mesmo se não alcançarem o nível espiritual do compositor. Ouvir uma música composta por Cabalistas nos dá a oportunidade de experimentar seus sentimentos espirituais. Melodias do mundo vindouro. As melodias Cabalísticas poderiam ser descritas como melodias do mundo vindouro. Pois servem ao propósito de trazer os Mundos Superiores a este mundo. Cantando, evocamos bençãos do Alto, que se manifestam em todos os mundos inferiores. Nas palavras do Rabino Elazar Azikri (1533-1600). "Aqueles que aspiram devem cantar louvores às alturas espirituais, aos Seres Superiores e inferiores. Unido todos os mundos com o laço da fé". Para a Cabala "fé" significa alcançar o Criador. Afinando nosso instrumento interno - interior. Para entendermos o que o compositor Cabalistica quer expressar na melodia, só precisamos escutá-la, e nossa compreensão funcionará automaticamente. Escutando as melodias de um Cabalista, teremos a oportunidade de sermos afetados, num certo grau, por suas impressões dos mundos espirituais. Há uma alma em cada um de nós, e a alma de um Cabalista se assemelha a um instrumento musical que toca e sente corretamente, como o violino bíblico do Rei Davi. Esse não é um violino comum, mas o Kli interno (vaso/instrumento) da alma de um Cabalista. Assim, ele sente a realidade de certo modo e pode expressá-la em melodias. Harmonia espiritual. Podemos usar melodias Cabalísticas para nos conectarmos as raízes espirituais, de onde elas foram escritas, sem termos que trabalhar duro. É só relaxarmos e escutarmos a música. No entanto, existem informações nas próprias notas musicais. Na Cabala, elas não estão dispostas aleatoriamente ou de forma vaga. Sua harmonia é construída sobre regras Cabalísticas e as notas são escolhidas de acordo com a forma como a alma é construída. Elas são um meio para se escalar a escada. Você, o ouvinte, as sente penetrando profundamente dentro de sua alma, desobstruída. Isto ocorre devido a conexão direta entre sua alma e as raízes das notas. Só para termos uma noção disso, no Capítulo X dissemos que existem Taamim (sabores), Nekudor (pontos sob, dentro, e sobre as letras) e Otior (letras). Eles representam as nuanças formadas pels impressão da Luz - impressões, por exemplo, das Reshimot partindo e reingressando no vaso espiritual. O mesmo ocorre as melodias. Raros são os músicos que compreendem a forma de tocar as melodias Cabalísticas. A diferença entre aquele que toca bem e aquele que toca corretamente reside em compreender onde as coisas importantes estão. O mais importante não reside nos sons, mas nos pequenos símbolos, em como o som começa e termina. Eu tive um estudante maravilhoso que tocava o violino. "Eu estou pronto para tocar somente com a condição de que você segure minha mão", ele me dizia. E ele estava certo - a música Cabalística consiste em transmitir o sentimento certo e não a nota precisa. Em resumo. A música é outro meio para os Cabalistas expressarem seus estados espirituais. A música Cabalística faz com que sintamos o que os livros expressam sob a forma de texto. As músicas Cabalísticas expressam a interação de dois estados de espírito, a angústia, quando nos afastamos do Criador, e a alegria, quando nos aproximamos Dele. No fim tudo que precisamos fazer é relaxar, executar a música e tentar sermos absorvidos pelas emoções que os Cabalistas revelam em suas músicas. Abraço. Davi.
Amigos brasileiros do mosaico.
Bibliotecacatolica.com.br. A HISTÓRIA DE NOSSA SENHORA APARECIDA. Nas águas do Rio Paraíba do Sul - São Paulo em um simples dia de pesca, aconteceu algo que mudaria para sempre a história do Brasil: a imagem de Nossa Senhora Aparecida foi encontrada, revelando um encontro divino entre a Mãe de Deus e o povo brasileiro. Este artigo traz os detalhes dessa jornada de fé, desde o momento em que uma pequena imagem foi resgatada, até a coroação de Nossa Senhora da Conceição Aparecida como Rainha e Padroeira do Brasil. Descubra os fatos, milagres e acontecimentos que fizeram de Nossa Senhora Aparecida um símbolo tão poderoso de fé e devoção em nosso país. Nossa Senhora Aparecida: Uma tradição que cruzou o oceano. Desde os tempos antigos, Portugal era um país profundamente devoto à Virgem Maria. A devoção à Imaculada Conceição era uma das mais queridas entre os fiéis. A figura de Nossa Senhora era um símbolo de proteção e esperança, e seu nome passava de geração em geração. Os reis portugueses, reconhecendo a importância da Mãe de Deus, não hesitavam em se prostrar diante dela, colocando seus reinos sob sua proteção. Um marco significativo dessa devoção ocorreu em 1671, quando o Rei Dom João IV consagrou Portugal e seus territórios — incluindo o Brasil na época — à Nossa Senhora da Conceição, proclamando-a Rainha e Padroeira do país. Além disso, ele ofereceu sua coroa a ela, simbolizando a entrega de todo o seu poder e a certeza de que, acima de qualquer título de realeza, Maria era a verdadeira Rainha. A partir desse ato, nenhum outro monarca usou coroa em honra à Mãe de Deus. Quando os navegadores portugueses cruzaram os mares rumo ao Brasil, trouxeram consigo suas tradições e sua fé. Assim, a devoção a Nossa Senhora não apenas sobreviveu, mas floresceu em terras brasileiras. As imagens da Virgem Maria foram levadas aos novos territórios, e as comunidades que se formaram em solo brasileiro rapidamente adotaram as práticas marianas. Essa herança portuguesa foi um presente valioso, permitindo que a devoção a Nossa Senhora Aparecida se firmasse como um pilar da fé católica no Brasil, moldando a espiritualidade e a cultura do povo brasileiro ao longo dos séculos. Nossa Senhora Aparecida e a pesca milagrosa. Em outubro de 1717, no Rio Paraíba do Sul, aconteceu um fato marcante que deu início à devoção à Nossa Senhora Aparecida. Três pescadores – Domingos Garcia, João Alves e Filipe Pedroso – foram encarregados de pescar para um banquete em homenagem ao governador Dom Pedro de Almeida, que visitava Guaratinguetá. Porém, apesar de seus esforços, as redes voltavam sempre vazias, devido à época desfavorável para a pesca. Persistindo na tentativa, os pescadores rezaram pedindo a intercessão de Nossa Senhora. Logo em seguida, João Alves puxou das águas o corpo de uma imagem de Nossa Senhora da Conceição. Pouco depois, a cabeça da imagem também foi encontrada, completando a figura da Virgem. A imagem era de Nossa Senhora da Conceição, que representa a Virgem Maria sem pecado desde o momento em que foi concebida. E, como ela estava grávida, não segurava o Menino Jesus, pois Ele ainda estava em seu ventre. Acredita-se que a imagem tenha sido moldada por um artesão devoto, provavelmente inspirado pela consagração de Portugal a Nossa Senhora da Conceição, e que, após ser quebrada, tenha sido lançada no rio, seguindo a tradição de não descartar imagens sagradas de forma desrespeitosa. Após o resgate da imagem, os pescadores vivenciaram um milagre: suas redes, antes vazias, começaram a se encher de peixes, quase afundando seus barcos. Esse evento foi interpretado como um sinal claro da intercessão de Nossa Senhora. A imagem foi levada para a casa de um dos pescadores, onde rapidamente se tornou objeto de veneração. O “milagre das águas” se espalhou pela região e marcou o início da devoção popular à Nossa Senhora Aparecida, que mais tarde seria reconhecida como padroeira do Brasil. A princesa Isabel vai até Aparecida. Em 1868, a Princesa Isabel enfrentava um grande desafio: o sonho de ser mãe parecia cada vez mais distante, pois não conseguia engravidar. Movida pela fé, fez uma peregrinação à Basílica de Aparecida e, diante da imagem de Nossa Senhora, fez uma promessa. Ela suplicou pela graça de ter um filho e prometeu que, se fosse abençoada com a maternidade, ofereceria um manto à santa. Sua devoção à Nossa Senhora Aparecida permaneceu forte ao longo dos anos e ela foi agraciada com três filhos: Pedro de Alcântara, Luís Maria e Antônio Gastão. Como forma de expressar sua gratidão e devoção, Isabel mandou confeccionar uma réplica da coroa que usaria como rainha do Brasil e a enviou à Basílica. Junto à coroa, acompanhava um bilhete que reflete sua humildade e fé profunda: “Eu, diante de Vós, sou uma Princesa da terra e me curvo, pois és a Rainha do Céu. Te dou tão pobre presente, que é uma coroa igual à minha. E se eu não me sentar no trono do Brasil, rogo que a Senhora se sente nele por mim e governe perpetuamente o Brasil.” A coroa, oferecida por uma princesa que renunciava ao trono terreno, adorna até hoje a imagem de Nossa Senhora Aparecida, simbolizando não apenas a devoção de Isabel, mas também a entrega de um país inteiro à proteção da Rainha do Céu. Milagres de Nossa Senhora Aparecida. A história de Nossa Senhora Aparecida é repleta de relatos de fé e milagres que refletem o profundo amor e devoção que os fiéis sentem por Ela. Desde o momento em que a imagem foi encontrada no rio Paraíba do Sul, muitos testemunhos de curas e intervenções divinas começaram a surgir, fortalecendo a fé na proteção da Mãe de Jesus. Um dos milagres mais famosos é o de Zacarias, um escravo que, ao se ajoelhar diante da imagem de Nossa Senhora, clamou por libertação. Para a surpresa de todos, as correntes que o prendiam se quebraram, permitindo que ele ficasse livre. Esse acontecimento não apenas transformou a vida de Zacarias, mas também inspirou muitos outros a buscar a intercessão de Nossa Senhora em suas necessidades. Outro relato emocionante é o de uma família que, desesperada por causa da cegueira de sua filha, decidiu visitar o Santuário de Aparecida. Com fervor e fé, pediram a cura da menina. Quando chegaram ao santuário, a criança, antes sem visão, exclamou com alegria: “Como é bonita esta Igreja!” Através da intercessão de Nossa Senhora, a menina foi curada, e essa história se espalhou, atraindo mais devotos ao santuário. Os milagres de Nossa Senhora Aparecida não se limitam a curas físicas. Muitas pessoas relatam experiências de conversão, paz, consolo e proteção em momentos difíceis, sempre atribuindo essas graças à presença amorosa da Virgem em suas vidas. A devoção a Nossa Senhora Aparecida é um testemunho do poder da fé e da intercessão da Mãe de Deus, capaz de transformar corações e trazer esperança àqueles que se entregam à sua intercessão. O reconhecimento real: Nossa Senhora como Rainha do Brasil. A devoção a Nossa Senhora Aparecida, que começou de forma simples com a pesca milagrosa em 1717, foi crescendo e conquistando o coração do povo brasileiro. Aos poucos, a fama da imagem milagrosa de Nossa Senhora da Conceição Aparecida se espalhou, e o pequeno oratório em que a imagem era venerada na casa dos pescadores se tornou um local de peregrinação. O primeiro marco físico da devoção foi a construção de uma capela em 1745, erguida em homenagem à Virgem, para abrigar a imagem e acomodar o crescente número de fiéis que iam até o local pedir graças e agradecer pelos milagres. Com o tempo, a devoção popular continuou a aumentar, e o número de romeiros cresceu tanto que houve a necessidade de um espaço maior. Assim, em 1888, foi construída uma basílica de maiores proporções, conhecida hoje como Basílica Velha, para receber os devotos com mais conforto. Já nessa época, a imagem de Nossa Senhora Aparecida era considerada um símbolo nacional. O passo seguinte foi a construção do imponente Santuário Nacional, iniciado em 1955 e concluído no final do século XX. A nova Basílica, hoje considerada a segunda maior igreja do mundo, tornou-se um ponto de peregrinação e símbolo do reconhecimento real e espiritual de Nossa Senhora como Rainha e Padroeira do Brasil. O Santuário Nacional de Aparecida é um local que celebra não apenas a fé, mas também a ligação histórica e devocional do Brasil com a sua padroeira, tornando-se um dos mais importantes centros da fé católica no país. Nossa Senhora Aparecida é declarada Padroeira do Brasil. A coroação da imagem que fora pescada no Rio Paraíba se deu apenas em 1904, 16 anos depois da Princesa ter ofertado a coroa e o manto à Virgem. Em 1930, o Papa Pio XI proclamou Nossa Senhora Aparecida como Rainha e Padroeira do Brasil, reforçando a devoção que já tomava conta do país. Por isso, no âmbito nacional, o dia 12 de outubro se tornou feriado em homenagem à Mãe de Deus. O atentado à imagem de Nossa Senhora. O atentado à imagem de Nossa Senhora Aparecida ocorreu em 16 de maio de 1978, quando um jovem jogou a imagem da padroeira do Brasil no chão, quebrando-a em mais de 200 pedaços. O incidente assustou os devotos e gerou uma grande comoção no país. Para a restauração da imagem, o Museu de Arte de São Paulo (MASP) foi chamado, e a responsabilidade foi dada à restauradora Maria Helena Chartuni. Ela, que possuía grande habilidade na recuperação de obras de arte, aceitou o delicado desafio de restaurar uma peça com tamanha relevância religiosa e emocional para o povo brasileiro. Maria Helena usou técnicas sofisticadas para reconstruir a imagem, respeitando cada fragmento original, e devolvendo sua forma e beleza de forma impressionante. Durante o processo, ela foi profundamente tocada pela importância da missão que estava desempenhando. Relatos dizem que essa experiência espiritual influenciou pessoalmente Maria Helena, levando-a a uma conversão ao longo do processo de restauração da imagem. Além do cuidado técnico, a restauração tornou-se também um caminho de fé para ela. Depois de vários meses de trabalho, a imagem de Nossa Senhora Aparecida foi devolvida ao Santuário Nacional no final de 1978, restaurada e ainda mais amada pelos devotos. A volta da imagem foi um momento de grande alegria e renovação da fé para os milhões de fiéis que aguardavam ansiosamente. O atentado, embora doloroso, acabou fortalecendo a devoção e marcando mais uma etapa na história da padroeira do Brasil. A mensagem de Aparecida. A mensagem de Nossa Senhora Aparecida nos ensina sobre o que Deus deseja realizar em cada um de nós. Assim como a imagem da Virgem, quebrada e lançada nas águas do Rio Paraíba, nós também carregamos as marcas de nossas falhas e pecados, muitas vezes sentindo-nos como pedaços de barro rachados, necessitando da graça divina para sermos restaurados. Deus nos chama a considerar essa nossa fragilidade, admitindo que, sem Sua presença, permanecemos incompletos. A imagem de Nossa Senhora Aparecida, reencontrada e restaurada, se torna um símbolo vivo da esperança de que também podemos ser reconstruídos, não apenas em nossos corpos, mas principalmente em nosso espírito. Maria, como Mãe cuidadosa, acompanha-nos nesse processo, orientando-nos para que possamos ser moldados pelo amor do eu filho, Jesus. A transformação verdadeira começa quando entregamos a Ele com humildade, permitindo que Seu amor refaça nosso coração. Maria, exemplo perfeito de santidade, nos mostra o caminho para superarmos nossas limitações e vivermos conforme os ensinamentos de Cristo. Assim como o Brasil foi abençoado pela presença de Nossa Senhora Aparecida, somos chamados a buscar nossa conversão diária, deixando que Deus nos resgate, nos cure e nos transforme, moldando vidas nossas sob o olhar maternal de Maria. Um livro completo para você meditar sobre a mensagem de Nossa Senhora Aparecida carrega uma riqueza simbólica imensa. Ela é a Mãe que traz em seu ventre o Salvador do mundo, tem a pele morena que nos conecta à história do Brasil, foi alvo de um atentado e precisou ser cuidadosamente restaurada, pedaço por pedaço etc. Cada um desses aspectos são matéria para uma meditação profunda. E foi isso que um grande sacerdote brasileiro fez: reuniu 12 meditações sobre a devoção a Nossa Senhora Aparecida, passando por cada marco da história da Rainha e Padroeira do Brasil. Escrito pelo Padre José Eduardo, o livro Minha Mãe Aparecida está disponível na Loja do Assinante da Minha Biblioteca Católica, em uma edição exclusiva para os membros do clube. Abraço. Davi.
Islamismo. IslamHouse.com. RELIGIÃO DO ISLÃ. CONCLUSÃO. Parte IV. O fortalecimento e o crescimento da fé. Este capítulo analisa meios para fortalecer e fazer crescer nossa fé. Como foi mencionado anteriormente, um muçulmano não deve nunca estar satisfeito com sua fé. A fé aumenta, mas também enfraquece. O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) disse: “Por Aquele que é o Único Deus e não há outro como Ele, que vós realizeis ações que vos aproximem do Paraíso até que estejam a um palmo dele. O Livro [preservado] é o que vos dá a orientação para não realizardes ações da gente que habita o inferno e seus domínios.” (Bukhari e Muslim).O muçulmano deve ter muito claro seu objetivo nesta vida. Quando tiver isso claro em sua mente deverá ser capaz de identificar meios e formas que o ajudarão a cumprir tal objetivo. Da mesma forma, deve estar consciente dos empecilhos e aspectos que danificam ou prejudicam seu objetivo. Finalmente, quando cometer um erro deve identificar a melhor maneira, e Allah sabe mais, de retomar o caminho correto. O conceito da purificação da alma Em outra obra, defini o conceito da purificação da alma da seguinte forma: “É o processo pelo qual os elementos saudáveis que se encontram na alma são fomentados, aproveitados e somados, enquanto qualquer tipo de contaminação invasiva é removida e controlada, para que a pessoa adore a Allah adequadamente e cumpra seu propósito na vida – o que pode culminar na verdadeira expressão do ihsaan.” A purificação da alma é um “processo”. Quer dizer, não é algo estático. De fato, é dinâmico e que pode até chegar a ser volátil. Uma pessoa pode ou não se aproximar de seu potencial absoluto em relação à purificação de sua alma. Novamente, o objetivo é se transformar no mais completo e sincero servo de Allah que um ser humano possa ser. Allah explica este objetivo de vida no seguinte versículo: “Não criei os gênios e os humanos, senão para Me adorarem.” (51: 56). O propósito da vida é adorar e agradar a Allah e, em troca, receber Sua complacência. O mais exaltado, nobre e honrado ser humano atinge este estado através de sua adoração a Allah. Na realidade, não existe nada mais grandioso ou nobre que isso. Há algo que deve ficar claro nas mentes de todos os muçulmanos: quanto mais se aproximem deste objetivo sentirão mais felicidade e serão mais honrados por submeterem-se ao único e verdadeiro Deus e Senhor. Al-Miqrizi destaca que esta forma correta de adoração demanda quatro aspectos: Determinar o que Allah e Seu Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) amam e o que lhes agrada. Materializar e executar os aspectos amados em nosso coração. Exteriorizar estes aspectos com nossas palavras. Implementar estes aspectos com nossas ações. Cada um desses pontos é necessário caso a pessoa deseje cumprir o objetivo real desta vida e ser um servo devoto de Allah. O indivíduo reconhece, principalmente, que a maneira à qual deve adorar a Allah não se baseia em suas inclinações individuais, sua lógica ou em seus caprichos. Melhor, deve estar baseada no que provém de Allah. Allah é o único que pode determinar como se deve adorá-Lo. Desta forma, o primeiro passo é identificar o que Allah quer das pessoas e o que O agrada. Isto se consegue através do conhecimento do Qur’an e da Sunnah. Este conhecimento deve se transformar em aceitação e desejo de tê-las em nossos corações. Deve-se reconhecer estas coisas como verdadeiramente boas e, por conseguinte, sentir um grande apreço por elas. Quando isto é alcançado, proclamaremos a aceitação e a crença e, como consequência, a aplicação desta aceitação através de nossas ações se dará automaticamente. Ibn Taimiyah aprofundou sobre o verdadeiro significado de ibaadah (adoração, ato de servir quando escreveu:O significado original da palavra ibaadah indica humildade e submissão. Diz-se: ‘um caminho é muabbad, quer dizer que é trabalhado. Sem dúvidas, a ibaadah imposta sobre nós abrange o significado da submissão junto com o significado do amor. Personifica o nível máximo de submissão a Allah através do nível máximo de amor por Ele... Quem se submete a uma pessoa e, por sua vez, sente ódio por ela não é um aabid (servo) desta pessoa – como é o caso do homem que ama a seu filho ou um amigo. Em consequência, possuir uma das duas qualidades não é suficiente ao que se refere à ibaadah de Allah. Ao contrário, é necessário que Allah seja mais amado pelo servo que qualquer outra coisa ou pessoa e que Ele seja considerado o Supremo. Certamente, ninguém além de Allah é merecedor deste amor devocional e de uma completa submissão.” Outro importante ponto a se considerar é que a purificação da alma não se relaciona somente com os rituais de adoração ou com os atos que são considerados religiosos ou espirituais. Como mencionei antes, o objetivo da purificação é tornar-se um servo de Allah cada vez melhor e mais completo. O conceito real da servidão à Deus, ou a ibaadah, é muito vasto. A ibaadah é, como Ibn Taimiyah declarou em sua conhecida – e amplamente aceita – definição do termo: “É um conceito que abrange todas as palavras e ações, internas ou externas, que Allah ama e aprova. Isso inclui orar, pagar o zakat, jejuar, peregrinar, dizer a verdade, cumprir e manter as promessas, ser bom com os pais e parentes, espalhar o bem, proibir o mal, apoiar o esforço pela causa de Allah contra os incrédulos hostis e os hipócritas; ter um bom comportamento com os vizinhos, órfãos, pobres, viajantes, escravos e animais, orar e suplicar, recordar Deus e ler o Qur’an, etc. Também inclui amar a Allah e a Seu Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele), temer e aproximar-se d’Ele arrependido. Ser paciente na adversidade e agradecido na prosperidade, resignar-se aos decretos de Allah, colocar a confiança na ajuda de Allah, esperar Sua misericórdia e temer Seu castigo. Tudo isso forma parte da ibaadah (a adoração e servidão a Allah. Assim, a purificação da alma invade e envolve a pessoa. Influencia tanto suas características internas como suas ações externas. Como advertiu Islahi: “Tazkiyah (purificação) envolve todos os aspectos visíveis e ocultos das pessoas... Nossos pensamentos, apreensões, inclinações, movimentos, nossa comida e bebida, nossos compromissos, passatempos e interesses, a rotina diária de nossa vida, ou seja, nenhum segmento, nem nada que englobe nossa vida está fora das normas da tazkiyah.” Murad destacou um tema muito importante que é realmente um dos benefícios do entendimento apropriado da purificação da alma, refletindo novamente sobre a importância de se ter um objetivo em nossa vida. Ele disse: “A menos que se considere a tazkiyah como um processo integral, perceber-se-á que a vida está dividida em seções e algumas partes impedem o desenvolvimento de outras. Isso só pode afetar nossa vida com a falta de harmonia e infelicidade. Sem dúvidas, se o processo é tomado integralmente, com tudo que o envolve, encontraremos as partes de nossa vida que complementam o resto. Isso, Allah sabe mais, fará com que nossa luta no caminho de Allah e o Jannah sejam mais fáceis de atingir.” O aumento e a diminuição da fé O Qur’an deixa muito claro que a fé de uma pessoa aumenta e diminui. Por exemplo, Allah disse: “Só são fiéis aqueles cujos corações, quando lhes é mencionado o nome de Deus estremecem e, quando lhes são recitados os Seus versículos, é-lhes acrescentada a fé, e se encomendam ao seu Senhor.” (8:2). Ele foi Quem infundiu o sossego nos corações dos fiéis para acrescentar fé à sua fé. A Deus pertencem os exércitos dos céus e da terra, porque Deus é Prudente, Sapientíssimo.” (48: 4). “São aqueles aos quais foi dito: Os inimigos concentraram-se contra vós; temeios! Isso aumentou-lhes a fé e disseram: Deus nos é suficiente. Que excelente Guardião!” (3: 173). Não há dúvidas que existem diferenças nas obras que os seres humanos realizam. Este é um aspecto e um reflexo do aumento e da diminuição da fé. Não obstante, deve-se crer que esta é a única forma em que a fé varia. De fato, todos os aspectos da fé estão expostos a esta possibilidade, incluindo especialmente, as ações do coração. Inclusive o nível de “crença” no coração - ou a segurança – pode mudar uma pessoa e, certamente, isto varia de pessoa para pessoa. Por isso o amor a Allah, o temor a Allah, a confiança em Allah e outros aspectos do coração são mais propensos a mudar e variar. É provável que todos os indivíduos tenham experimentado este fato que é descrito nos versículos anteriores. Então, há momentos em que a pessoa está consciente de Allah e seu temor por Ele. Este forte sentimento no coração provê tranquilidade e aquece o ser, ajudando-o a não incorrer em pecado. Também leva o ser humano a se sacrificar e trabalhar arduamente pela causa de Allah. Por exemplo, levantar-se no último terço da noite para orar ou dar em caridade em nome de Allah. Certamente, em outros momentos, talvez quando as questões mundanas o absorvem, suas invocações e sua proximidade com Allah não são as melhores. Não há o grandioso sentimento da fé em seu coração. Seu comportamento e suas ações não têm a mesma qualidade que tiveram outras vezes. Quando se está atravessando períodos como este, ao pensar em acordar no meio da noite ou ser caridoso em nome de Allah, pode causar certa fadiga e pode ser que não se deseje fazer nenhum sacrifício. Estas não são mais que variações da fé no coração das pessoas. Existem momentos em que a pessoa se encontra em um nível muito alto da fé e recordação de Allah. Quando se envolve em acontecimentos mundanos ou com sua família e amigos, pode não se encontrar no mesmo nível. Inclusive, Abu Bakr padeceu com este tipo de situação. Um hadith do Sahih Muslim narra que Abu Bakr perguntou à Handhalah, outro companheiro do Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele), o que estava fazendo. Ele respondeu que se sentia um hipócrita. Explicou que quando estava na presença do Profeta e ao recordar o Paraíso e o Inferno, era como se estivesse verdadeiramente contemplando esses lugares. Logo, ao regressar à sua família, esquecia-se grande parte daquilo que havia sentido anteriormente. Abu Bakr lhe disse que ele também já havia se sentido daquela forma, uma ou outra vez. É algo muito natural. A pessoa deveria aprender a apreciar aqueles momentos nos quais se encontre em seu nível mais alto da fé e tentar prolongá-los o mais que possa. A intensidade de afirmação ou o conhecimento no coração varia de pessoa para pessoa e depende também do momento pelo qual ela está passando. Ibn Taimiyah disse que a afirmação no coração da pessoa que apenas conhece os aspectos gerais dos ensinamentos do Profeta Muhammad (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) não será a mesma que a de uma pessoa que conhece detalhadamente a vida e os ensinamentos do Mensageiro de Allah. Da mesma forma, quem tem mais conhecimento acerca dos nomes e atributos de Allah, da próxima vida, etc... possuirá um nível diferente de afirmação e conhecimento que a pessoa que é ignorante sobre esses temas. Ibn Taimiyah também afirmou que a fé de uma pessoa que conhece as provas de sua crença e reconhece a falsidade das outras crenças será mais forte e firme que a daquele que é alheio a isso. Ibn Taimiyah concluiu dizendo que não existe nada mais variável no coração do homem que a fé. Disse que as pessoas deveriam ser capazes de reconhecer este fato quando analisassem um dos componentes de sua fé, o amor. As pessoas reconhecem os diferentes níveis de amor. Algumas vezes, o amor simplesmente implica em um desejo de estar com ou aproximar do ser amado. Outras, pode-se alcançar um nível em que já não se pode mais viver sem a presença do ser amado. De maneira similar, a fé, que tem como componente o amor por Allah, pode chegar a ser extremamente variável. Este assunto (aumento e diminuição da fé) não é simplesmente um tema teórico sobre o qual os sábios do passado diferiram em suas opiniões. Se uma pessoa sente que a fé é um atributo fixo, não se esforçará em aumentá-la e nem notará caso esta diminua. Este enfoque pode representar um grande perigo para a fé, pois a pessoa, neste caso, não consegue reconhecer os sinais que indicam a variação da fé. Assim, todo crente deve levar em consideração o fato de que a fé aumenta e diminui. O crente deve estar sempre atento a qualquer sinal que indique que sua fé esteja diminuindo. Obviamente, deve tomar medidas positivas para aumentá-la. Podemos encontrar um exemplo nos companheiros do Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele). Um companheiro tomou outro pela mão e disse: “Venha, vamos tentar aumentar nossa fé por um momento.” (Bukhari). Com isto ele fez referência a ler o Qur’an, relembrar de Allah, etc... ações que nos ajudam a reviver e aumentar nossa fé. O desenvolvimento e crescimento da nossa fé Quando uma pessoa realiza, pela primeira vez, seu testemunho de fé inicia a caminhada do verdadeiro muçulmano e autêntico crente. O primeiro passo consiste em se purificar da idolatria. Este é o primeiro passo, e o mais importante, já que nenhuma outra ação será benéfica se este ponto não for cumprido. Certamente, isso não significa que seja algo realizado de uma só vez, ou que não possua graus de profundidade. Murad mencionou o seguinte: “Agora tens uma missão: a de ser mu’min (verdadeiro crente) e mujahid (aquele que se esforça pela causa de Allah). Enquanto empreenderes esta missão, sentirás que teu conhecimento do Islam é muito limitado ou que não és capaz de alcançar os altos níveis de submissão e purificação que desejas – ou que outras pessoas esperem que alcances. Isso é algo natural. Sem dúvida, não deves permitir que estes sentimentos de imperfeição pessoal suplantem teus esforços na prática do Islam. Relembra-te que o Islam é um estado de conversão e não um estado do ser. Cada dia deverá esforçar-te para melhorar e aperfeiçoar, e melhorarás (e Allah sabe mais) ... Uma vez que tenhas te comprometido com Allah, tudo o que possuis deverá ser utilizado segundo seus ensinamentos. Este é o ideal. Não obstante, os ideais são sempre difíceis de alcançar e isto é algo que deves entender e aceitar. Sempre deves buscar os ideais, se estes fossem de fácil acessibilidade, dificilmente permaneceriam como ideais. Manter tua parte do trato é um ideal que sempre se deve buscar e conservar. Esta busca e este esforço em dar tudo segundo os ensinamentos de Allah são conhecidos como Jihad e, por outro lado e nesta instância, como tazkiah (purificação).” Quando uma pessoa se converte ao Islam (ou quando um nascido muçulmano se compromete com o Islam pela primeira vez) seu coração se liberta da atribuição de parceiros a Allah e da incredulidade. Isso não significa que compreenda todos os conceitos do monoteísmo puro, e nem que não permaneçam ainda, em seu coração, restos de idolatria ou incredulidade. Sobre aqueles que recém abraçaram o Islam, Allah disse: “Os beduínos dizem: Cremos! Dize-lhes: Qual! Ainda não credes; deveis dizer: Tornamo-nos muçulmanos, pois que a fé ainda não penetrou vossos corações. Porém, se obedecerdes a Deus e ao Seu Mensageiro, em nada serão diminuídas as vossas obras, porque Deus é Indulgente, Misericordioso.” (49: 14). De fato alguns defeitos em relação ao conceito completo do monoteísmo puro apareceram entre os novos muçulmanos, na época do Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele); ainda que falassem árabe com fluência e vivessem na época da revelação – o que lhes permitia compreender os significados básicos do Qur’an. Analisemos o seguinte relato: Abu Waaqid al-Laizi narrou que quando o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) se dirigia a Hunain [antes da batalha] passaram por uma árvore que os politeístas chamavam de dhaat anwaat, onde depunham suas armas. [Alguns companheiros] disseram: “Ó Mensageiro de Allah, dê-nos um dhaat anwaat igual ao dhaat anwaat (que os outros povos têm).” O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) disse: ”Exaltado seja Allah. Isso me faz recordar quando o povo de Mussa disse: ‘Dê-nos um ídolo como o seu’. Por Aquele em cujas mãos está a minha alma, está claro que continuarão com as práticas do povo que os antecedeu.” Certamente, à medida que nossa fé aumenta novos horizontes se abrem e se tornam mais claros. Estes novos conhecimentos relacionados com nossa fé nos purificam e nos permitem crescer espiritualmente, principalmente nas questões difíceis de descrever em palavras. A citação anterior de Ibn Qaiim destaca alguns aspectos da fé que não necessariamente estão no coração da pessoa no momento da conversão (ou quando começa a praticar a religião). Obviamente, à medida que sua fé aumenta, estes aspectos se tornarão mais fortes e começarão a provocar mais e mais o efeito desejado naquela pessoa. Por exemplo, talvez um novo muçulmano veja a chuva cair do céu e se recorde da previsão do tempo que viu no noticiário e pense, simplesmente, que houve a presença de todos os fatores para que a chuva caísse e assim choveu. Ao passo que, o crente, cujo conhecimento e consciência de Allah se encontram a um nível diferente, dá-se conta de que é Allah o responsável pela chuva e que não se trata de um fato fortuito, mas sim a natureza respondendo às ordens de Allah. Talvez seja um ato de misericórdia de Allah ou até o início de algum castigo. Ibn Qaiim escreveu: “quando os servos sabem que Allah é o único que realmente pode beneficiar ou prejudicar, dar ou tomar, criar ou prover, dar vida ou causar a morte, produz-se o ato de adoração que consiste em colocar em nosso coração uma confiança e segurança absolutas em Allah – e essa segurança necessita da confiança e das ações externas. O conhecimento do servo que Allah escuta, vê e conhece – nem sequer as mais ínfimas partículas físicas dos céus e da terra passam despercebidas ante Seus olhos – e que Ele conhece o segredo, o oculto, tudo aquilo que engana os olhos; e o que se encontra escondido no peito, tudo isso faz com que a pessoa cuide de sua língua, membros, pensamentos e coração, para que se mantenha afastado de tudo que desagrada Allah. Além disso, faz com que envolva as partes de seu corpo com as ações que são agradáveis a Allah. Por sua vez, isso produz uma humildade interna. Também produz uma humildade que faz com que a pessoa evite o proibido e os maus atos. O conhecimento do servo sobre a independência, generosidade, bondade, graça e misericórdia de Allah faz com que ela tenha plena esperança em Allah. Afora isso, produz na pessoa atos de adoração, tanto externas quanto internas, de acordo com seu nível de compreensão e conhecimento. Da mesma forma, a grandeza e a magnificência de Allah produz nessa pessoa humildade, submissão e amor. Também produz no interior dessa pessoa emoções e sentimentos de adoração, assim como ações externas que estejam de acordo. A certeza da perfeição, beleza e dos atributos de Allah se manifestam em uma classe de amor especial, presente nos diferentes níveis de adoração.” O caminho para aumentar a fé e purificar a alma O caminho indicado pelo Qur’an e a Sunnah para purificar a alma é incrivelmente claro e fácil de seguir para todas as pessoas que tenham intenção pura. De fato, é um caminho que está aberto para qualquer pessoa seguir. Basicamente, é composto por três elementos: A purificação de nossas crenças. Abraço. Davi. Página 239
Lao Tse (571a.C.531) Tao Te Ching. O livro que Revela Deus