quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

TAO TE CHING - POEMA VII

Lao Tse (571 a.C. 531). Tao Te Ching. O Livro que Revela Deus

Por Huberto Rodhen (1893-1981)

Desinteresse, caminho da prosperidade

POEMA VII

Eternos são os Céu e a Terra
Porque não são auto existentes
Porque radicam em algo
Além deles mesmos
Esta é a razão da sua eternidade
Assim é o sábio
Quando não é ego vivente
Quando não se interessa por si mesmo
É por isso que se realiza
Não cuida do seu ego
E por isso o seu Eu prospera 
É esta a reta ordem cósmica
Somente o desinteressado se autorrealiza

Explicação Filosófica:
Assim como no Universo sideral o Verbo da existência não nasce do Verso, mas do Uno da essência. Assim também, no Universo hominal, o ego não se pode perpetuar no imortalizar pelo próprio ego. Contudo somente pelo Eu. Quem procura perpetuar-se pelo ego se destrói, mas quem integra o ego no Eu, esse imortaliza o Eu. Sendo o Eu o Tudo, imortaliza a parte que é o ego. Essa verdade da filosofia de Lao Tse está claramente expressa no Evangelho de Cristo: "Quem quiser salvar a sua vida (ego) perdê-la-á, mas quem perde a sua vida (ego) por amor a mim,(Eu) este a salvar" Mateus 16,25-26. Matematicamente, poderíamos ilustrar essa verdade do modo seguinte: quem quiser salvar o 10, mas sacrificar o 100, perderá o 100 e o 10. Mas quem não se interessa por salvar o 10, salvando somente o 100, salvará tanto o 100 como o 10. O Tao do Universo é de uma lógica absoluta de pura matemática. Por isso escreveu Albert Einstein (1879-1955): "O princípio criador reside na matemática". Essa filosofia, seja de Lao Tse, seja de Cristo, seja de Einstein - é genuína Filosofia Univérsica. Abraço. Davi

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

XINTOISMO - MITOLOGIA E INFLUÊNCIA. Parte III

Xintoísmo. Bushidobr.com. MITOLOGIA E INFLUÊNCIA na formação da cultura e do carácter do povo japonês. Parte III. O conceito de michi. Derivado do Tao chinês (mesmo kanji - 道 - ), definido como "a essência de todas as virtudes,[...] o que está perto, ao alcance das mãos e que erroneamente os homens o procuram longe" (HARADA, op. cit., p. 55). Discorre Yang Chu e Hu Shi sobre o Tao: A natureza é a atividade natural, o silente fluir dos acontecimentos tradicionais, a majestosa ordem das estações e do céu; é o Tao, ou o Caminho, corporificado e exemplificado em cada fonte, rocha ou estrela; é essa impessoal, imparcial e,  no  entretanto,   racional lei das coisas, com a qual a lei da conduta do homem tem que se conformar, caso ele deseje viver em sabedoria e paz. Esta lei das coisas é o Tao ou o caminho do universo, do mesmo modo que a lei da conduta é o  Tao   ou  o  caminho  da vida; na verdade, pensa Lao-Tze, os dois Taos são um só,  e a vida humana, em seus ritmos essenciais e normais, faz  parte  do   ritmo   do universo (Yang, Chu, 16, 19. Schneider, ii, 810, Hu Shih, 14 in  WILHELM, R., Short  story  of chinese civilization, New York, 1929 apud in DURANT, 1942, p. 185-186). Confúcio falando mais diretamente sobre o Tao como conduta do homem, dizia que Caminho é a harmonia com as coisas da natureza, que provêm do Céu: Sinceridade é o Caminho do Céu; realizar a sinceridade é o Caminho do homem. Aquele que possui a sinceridade é quem, sem esforço, faz o que é certo e compreende sem necessidade do pensamento: ele é o sábio que natural e facilmente incorpora o Caminho (m. t. apud in HARADA, op. cit., p. 54). Numa cultura em que os deuses são extremamente abundantes (fala-se em 800 ou 8000 as divindades do Xintô), mas cujos desejos em relação ao homem é apenas um, o japonês o resume em apenas um conceito: “michi”, caminho ou via. Seguir a via dos deuses, é a mensagem indelével fortemente introjetada no inconsciente coletivo desse povo, o que molda seu caráter, pensamento e a vida. As artes, a cultura e os esportes de origem nipônica trazem esta mensagem: shodô (書道) é o caminho da escrita; kadô (花道)ou(華道), o caminho das flores ou dos arranjos florais também conhecido como ikebana; kadô (歌道), com outro kanji para “ka” significando poesia, é o caminho da poesia ou a arte do poeta; butsudô (仏道), o caminho dos ensinamentos budistas; sadô ou chadô (茶道), o caminho do chá ou a arte da cerimônia do chá; kendô (剣道), o caminho da espada; judô (柔道), caminho suave ou caminho da luta suave; karatê-dô (空手道), caminho da arte marcial de mãos vazias. “Michi”, caminho ou via, guarda estreita relação com o comportamento do nipônico. Embora impreciso, amplo e vago, como sói nos conceitos dessa cultura, para 15 .o japonês, “michi” não precisa ser explicitado, definido, ensinado nem imposto: é algo que lhe parece claro, sem necessidade de palavras para se conceituá-lo. É, muito possivelmente, o termo mais antigo e de mais largo significado dentro da ética e da religião na cultura japonesa, "uma inconsciente observância do Caminho" (HARADA, op. cit., p. 48). Ao homem de michi regras morais ou conjunto de mandamentos não lhe parecem necessários. Suas ações são livres e sua autoexpressão, nessa condição de natural liberdade, está mais verdadeiramente de acordo com o Caminho (ibidem p. 50). Ele entenderá com o coração e aprenderá na convivência que seguir a “via dos deuses” é seu caminho natural: é portar-se como um deus, é sentir plenamente seu deus interior, ou seja, internamente é onde está o controle moral, inato ao homem, independendo, pois, de controle externo por leis e normas. Estar no Caminho é apenas seguir sua natureza, seu impulso natural. Estar fora do Caminho constitui um insulto, significa acusar alguém de levar vida errante (HARADA, op. cit., p. 49). A natureza das coisas é determinada por leis divinas. Estar em harmonia com a Natureza é estar no Caminho (ibidem p. 50-51). "Kami nagara no michi" - ou a Via dos deuses - é apenas o estado natural das coisas, onde inexiste a ideia do certo ou errado, ou seja, a ética e a moral não entram na apreciação. Os deuses venerados e os maus espíritos são igualmente reverenciados, o que torna desimportante um enquadramento ético para esses seres. A ética ou a sua ausência, ainda que temporária, é aceita como natural aos deuses, tal qual nos humanos. Não que seja impossível apreciar sob esse ângulo - na mitologia, os principais deuses têm seus momentos de cólera ou decepção - , mas o xintoísmo não se ocupa disso, porque não tem importância, não é significante, ensina Nyozekan Hasegawa (HASEGAWA, 1939, p.10). Ao japonês como crença e prática do xintoísmo, basta-lhe estar no Caminho, ou seja, ser naturalmente si próprio. O japonês primevo era já um ser despreocupado com o enquadramento ético, era "naturalmente puro, santo e correto", afirmava Griffis (GRIFFIS, op. cit., p. 72). O japonês não se sente vigiado, não conhece punição e recompensa como mecanismos   ligados às ações provenientes do seu arbítrio. Não existe a ideia de que deuses punem comportamento contrário à sua vontade e premiam os que lhes obedecem. "Recompensas e punições não são oferecidas como meio de tornar o homem bom" (HITCHCOCK, 1893, p. 503). Nesse sentido, inexiste uma pedagogia divina para a educação do homem. 16 .Muro Kiuso considera o amor como a essência do Caminho, a virtude cardeal. "[...] assim como o homem morre quando seu pulso para, então também, seu coração morre quando o princípio do amor perece. Por isso o amor pode ser chamado a vida do coração" (apud in op. cit. HARADA, p.58). Ainda com foco na naturalidade interior, Nakae-Toju identifica o Michi com "a verdade adquirida com o conhecimento de si mesmo" que provém não do mundo à nossa volta nem de livros, senão do nosso próprio interior, isto é, "da nossa alma" (idem). O conhecimento então está no nosso interior, na nossa alma divina. Para esse comentarista o Caminho é algo imanente, invisível, imperceptível, mas onipresente em nossas vidas. "É o que habita no universo, assim como a alma habita o homem". (ibidem p. 61) Seguir o caminho não é obedecer, se submeter à vontade de um ser superior; é apenas viver, ser si próprio. Tão natural como apreciar flores da cerejeira: para isso não é preciso nada, apenas o coração em sintonia com a beleza da flor, ou como dizem os zen-budistas e haicaístas, sentir seu coração, uma flor de cerejeira. (D. T. SUZUKI in FROMM, 1960, p. 13, 21). Para o homem nipônico “michi” é mais do que conceito filosófico, regra de vida ou mandamento religioso. É a própria essência da vida. Na sua obra “The Faith of Japan”, o professor Tasaku Harada, assim se expressa a esse respeito: Por michi, a via, entende-se um conceito misterioso, não formulado, e, todavia, influente, que é acompanhado de terror religioso e de solenidade. O termo michi é provavelmente o mais expressivo de todo o vocabulário japonês em matéria de ética e de religião. A princípio, e como na língua corrente, significa carreira ou caminho. Em religião e em ética, significa via, ensinamento, doutrina ou, como às vezes se traduz, princípio. (O seu equivalente chinês é tao). Na sua presença, respira-se uma atmosfera edificante. Um homem de michi é um homem de caráter, um justo, que tem princípios e convicções e que obedece à natureza da sua humanidade. Acusar alguém de se ter afastado do michi é um insulto, porque isso implica perversidade para com aquilo que existe de mais essencial no homem. Michi é uma componente recebida do Céu, é o ideal celeste que deve ser realizado na humanidade. Michi é também o modo de vida que nos é dado como ideal e que aceitamos seguir. Diz-se que o confucionismo é o michi dos sábios e dos sensatos, o budismo o michi de Buda, o xintô o michi dos kami. A moralidade é michi, a harmonia entre a vida e o ideal, e considera-se mesmo que a razão constitui a essência do michi. Mas, seja qual for o sentido em que se empregue, michi exprime uma convicção muito profunda e sincera que liga o indivíduo, de maneira solenemente impressionante, à altura e à profundidade do grande Todo. Ele implica que a essência da vida humana se liga a uma vida sobre-humana. Num poema de Michizane Sugawara, lê-se: “Se no secreto do nosso coração/ Seguirmos a via sagrada/ Os deuses certamente nos terão em sua guarda/ Mesmo que nunca lhes dirijamos nenhuma oração”. [...] kannagara representava o ideal religioso do povo, “uma obediência inconsciente à via”, que julgavam existir desde tempos imemoriais. Agir em conformidade com o curso da Natureza, sem esforço consciente, obedecendo ao impulso que nos sugere a nossa constituição, é, para o xintô, a mais elevada virtude. Esse curso da Natureza é a vontade dos 17 .deuses.  A vontade dos deuses realiza-se em tudo o que age naturalmente. Encontramos aí uma extrema simplicidade, uma fé total na justeza do que é natural. Tal é o coração do michi japonês ( HARADA, op. cit., p.50 traduções de José Pinto apud in op. cit. ROCHEDIEU, p. 108-109). O santuário xintô e o culto Como vimos, nascido e cultuado no meio da natureza, os santuários são invariavelmente localizados em meio a árvores, alguns no meio de florestas, perto de montanhas ou corrente de água. É comum a veneração de árvores no Xintô. Em tempos antigos, o termo mori (floresta) era sinônimo de santuário e as árvores do entorno, chamadas de kannabi (abrigo dos deuses) (ONO, op. cit., p. 98). Diante dos santuários, sem que se compreenda nada, pode-se ser um adorador, impressionar-se com as indefectíveis árvores, o lago, o ambiente, independentemente da especificidade que sustente aquele santuário (HERBERT, 1964, p. 24). Nos santuários não se dá importância ao aspecto filosófico ou doutrinário que sustentam a fé, mas aos fatos históricos e costumes que o envolvem. Quase nada se encontra que fale sobre a natureza do kami, dos ritos e práticas do santuário (ONO, op. cit., p. 92). O estudioso Yanagita Kunio afirma que “não há nos santuários xintoístas instrução doutrinária e só se aprende o xintoísmo pela convivência e pelo exemplo”(apud in BARROS, 1988, p. 46). O santuário e seus ritos, aceitos como símbolos da fé comunitária,  ao mediarem a relação do homem com os deuses, faz as instruções doutrinárias desnecessárias (ONO, op. cit., p. 11) De fato, os japoneses mais seguem os exemplos e tiram lições de conduta das personagens mitológicas do que obedecem a alguma instrução ou mandamento. Não há combate do mal com o bem. Nos seus primórdios também não havia necessidade de templo ou santuário. Como vimos, as celebrações eram feitas ao ar livre, geralmente à beira de um rio, cachoeira ou no elevado de uma colina, num espaço cercado para esse fim. Fala sobre o santuário xintô Jean Herbert: O templo xintô é uma manifestação visível e sempre eficaz da relação de consanguinidade que existe entre o indivíduo e o mundo inteiro, a humanidade, os seres vivos e não vivos, os mortos, a terra toda, os corpos celestes e os deuses, qualquer que seja o nome que se lhes dê. A pessoa que entra no templo torna-se mais ou menos consciente, inevitavelmente, desta relação íntima e, a certa altura, dá-se conta de que todos os sentimentos de ansiedade, de antagonismo, de solidão, de desânimo, desaparecem, do mesmo modo que a criança vem repousar tranquilamente nos braços da mãe. Uma sensação quase palpável de paz e de segurança invade o visitante à medida que vai avançando para o interior do recinto sagrado .... ( HERBERT, 18 .1964, p. 155-156,  tradução de José Pinto apud in op. cit.  ROCHEDIEU, p. 129-130). Produto desse sentimento de irmandade, o xintoísmo "é essencialmente o credo que afirma a vida", e trata muito pouco da morte e do mundo pós-morte. (LITTLETON, op. cit., p. 89). Suas cerimônias e ritos comemoram não apenas o cotidiano do indivíduo como nascimento, aniversário e casamento, mas também os da comunidade e da nação (ONO, op. cit., p. 50). Crê-se no xintoísmo que o tama (espírito) por algum tempo ainda exerça influência na vida antes de se tornar um antepassado kami (entidade elevada, deus) da família à qual pertenceu, o que dá raízes identitárias à ancestralidade da família ou do clã. (idem). Alguns se tornavam até mesmo o kami venerado por trabalhadores de sua guilda. (HEARN, 1984, p. 124) Os aprendizes eram introduzidos no trabalho e no culto ao kami de seus colegas (ibidem p.125). Havia profunda identificação entre o trabalho e o Xintô. O carpinteiro vestido como monge xintô, invocava a proteção de deuses e realizava certos ritos ao designar o local de sua obra (idem). O alfageme submetia-se a ritual religioso na confecção de sua espada:  "trabalhava vestido como monge, submetia-se a ritos de purificação enquanto trabalhava para obter uma boa lâmina". Seu local de trabalho era protegido pela corda sagrada shimenawa, onde não entrava nem seus familiares e só se alimentava de comida preparada no fogo sagrado. Durante seu trabalho não falava com ninguém, nem mesmo com gente de sua família (idem). O culto extremamente simples, é feito diante de um oratório doméstico (kamidana). Crê-se que os espíritos (kami e ancestrais) protegem sua família e "não deixam de servir ao seu senhor, aos pais, à esposa e aos filhos, como quando estavam ainda em vida" (Hirata apud in BRILLANT et alii, op. cit., p. 183). O kamidana deve estar sempre limpo e imaculado. Oferecem-se geralmente pequenas porções de comida e água; é costume também oferecer coisas de que o morto gostava  (ONO, op. cit., p.59). Porta-se como se o familiar venerado estivesse ainda vivo, oferecendo-lhe ou comunicando-lhe promoções, recebimento de salários, diplomas, nascimentos, casamentos e todo fato importante da família, como expressão de agradecimento (idem). Idealmente o ritual deve ser diário, mas não se lhes devotam mais do que os cumprimentos e gentilezas que fazemos quotidianamente aos nossos familiares. As crianças costumam fazer a comunicação no kamidana de suas notas escolares, antes mesmo de exibi-las aos pais (HERBERT, 1964, p. 250). Sobre o culto familiar, discorre Wenceslau: [...]os avós, pelas suas próprias virtudes durante a apagada existência, e pelas propiciações que os vivos lhes tributam, no desempenho dos ritos familiares. Abraço. Davi

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

SANTA RICA DE CÁSSIA - "PADROEIRA DAS CAUSAS IMPOSSÍVEIS"

Cristianismo. Pt.wikipedia.org. SANTA RICA DE CÁSSIA, O.S.A, nascida Margherita Ferri Lotti (Roccaporena, 1381 – Cássia a 22 de maio de 1457), foi uma freira agostiniana da diocese de Espoleto, Itália. Foi beatificada em 1627 e canonizada em 1900 pela Igreja Católica. Após a morte de seu marido, ela se juntou a uma pequena comunidade de freiras, que mais tarde se tornaram agostinianas, onde era conhecida tanto por praticar a mortificação da carne, quanto pela eficácia de suas orações. Vários milagres são atribuídos à sua intercessão, e ela é frequentemente retratada com uma ferida sangrando na testa, o que se entende indicar um estigma [1]. O Papa Leão XIII (1810-1903) canonizou Rita em 24 de maio de 1900. Sua festa é celebrada em 22 de maio. Na cerimônia de sua canonização, ela recebeu o título de "PADROEIRA DAS CAUSAS IMPOSSÍVEIS". Em muitos países católicos, Rita também passou a ser conhecida como padroeira das vítimas de abuso, dos casais em dificuldades matrimoniais, das viúvas e dos doentes. Seus restos mortais repousam na Basílica de Santa Rita de Cássia em Cássia, na Úmbria - Itália. Foi uma pessoa de muita fé e que salvou da peste o cunhado apenas pela oração. Seu marido foi assassinado e seus filhos desejaram vingar-se de sua morte, mas Rita disse que preferiria ver morrer seus filhos a ver "o derramar de mais sangue". História. Santa Rita de Cássia, filha de Antonio Lotti e Amata Ferri Lotti nasceu em Roccaporena em 1381, vivendo e morrendo no período da Idade Média Tardia.[2] Desde criança, a santa demonstrava seu desejo de viver uma vida em Cristo, acreditava no Amor pela Sagrada Família e, por isso, almejava constituir uma família. Seu pai, um juiz de paz, arrumou um casamento entre classes para a filha. No entanto, a moça acreditava que deveria casar por amor [3]. Conheceu no mercado um homem que salvou uma criança. Dias mais tarde o encontrou na casa de sua amiga Mancini e o reconheceu: era Paulo. Paulo também se apaixonou por ela, contudo era filho de Ferdinando Mancini — um dos cavaleiros mais ricos e poderosos da região — que gostaria que seus filhos fizessem casamentos que favorecessem os negócios da família. Ela pediu a intercessão de Jesus, que seu amor fosse possível. Esse é o primeiro milagre: Santa Rita e Paulo casaram-se, mesmo vindo de classes distintas. Do casamento entre Rita e Paulo nasceram dois filhos gêmeos: Giangia como Antonio e Paulo Maria.[4] Em outra versão, o casamento entre Rita e Paulo havia sido arranjando, segundo o costume da época, pelos seus pais, que estavam em idade avançada, a fim de zelar pelo cuidado de Rita,. Embora tivesse o desejo de tornar-se uma irmã consagrada, Rita casou-se com Paolo Mancini, Oficial Comandante da Guarnição de Collegiacone, apelidado de “fiero leone” (leão orgulhoso), em razão de seu gênio impetuoso e forte.[5] Iniciou-se assim o martírio para Rita! Entre lágrimas e dores, suportava tudo com paciência e docilidade, unindo seu calvário ao de Cristo, fugindo da murmuração e confiando em Deus. Teve uma vida conjugal difícil devido aos hábitos da nova família e ao caráter violento do marido. Com seu empenho e orações, conseguiu convertê-lo. Viveram anos como camponeses. Após a morte do marido, vítima de assassinato por traição do chefe do feudo, o pai de Paulo, Ferdinando Mancini (sogro de Santa Rita) levou os garotos para lhes ensinar a batalhar a fim de, posteriormente, vingarem a morte do pai. Na hora da batalha, foram pegos em emboscada. Com o objetivo de protegê-los, a santa os enviou para um convento distante. Contudo, as freiras abrigavam leprosos, que transmitiram sua doença aos filhos da Santa, os quais não sobreviveram. Viúva e sem os filhos, manifesta a vontade de ingressar no mosteiro das irmãs Agostinianas, que só aceitavam jovens solteiras. Ficou muito tempo refugiada na casa dos sogros. Ainda assim, começou a cuidar de doentes de lepra e a curar enfermos. Então, numa noite, Santa Rita dormia, quando ouviu uma voz chamando: Rita. Rita. Rita. Ela abriu a porta e estavam ali, Santo Agostinho (354-430), São Nicolau (270-343) e São João Batista.[6] Eles pediram que ela os seguisse e depois de andarem pelas ruas, os santos desapareceram e Rita sentiu um suave empurrão. Ela caiu em êxtase e, quando voltou a si, estava dentro do mosteiro, estando este com as portas trancadas. Então as freiras não lhe puderam negar a entrada. Rita viveu ali por quarenta anos.[7] Os estigmas em sua testa e sua saúde precária a impediram de se mudar de Cássia. No entanto, diz-se que em 1446 ela queria partir para Roma, para assistir à canonização do pregador agostiniano Nicolau de Tolentino (1245-1305), um de seus santos de devoção. A abadessa se opôs por causa da ferida purulenta em sua testa, mas ela desapareceu na véspera da peregrinação, permitindo que Rita pudesse partir. Ao retornar de Roma, porém, os estigmas reapareceram. Cinco meses antes da morte de Rita, um dia de inverno com a temperatura frígida e um manto de neve cobria tudo, uma parente lhe foi visitar e antes de ir embora perguntou à Santa se ela desejava alguma coisa, Rita respondeu que teria desejado uma rosa da sua horta. Quando voltou a Roccaporena a parente foi à horta e grande foi a sua surpresa quando viu uma belíssima rosa, a colheu e a levou a Rita [8]. Assim Santa Rita foi denominada a Santa da “Rosa” e dos impossíveis. Santa Rita antes de fechar os olhos para sempre, teve a visão de Jesus e da Virgem Maria que a convidavam no Paraíso. Uma freira viu a sua alma subir ao céu acompanhada de Anjos e contemporaneamente os sinos da igreja começaram a tocar sozinhos, enquanto um perfume suavíssimo se espalhou por todo o Mosteiro e do seu quarto viram uma luz luminosa como se fosse entrado o Sol. Era o dia 22 de maio de 1457. Veneração e Santidade. Santa Rita de Cássia foi beatificada 180 anos depois da sua subida aos céus e proclamada Santa após 453 anos da sua morte. Os três milagres necessários que levaram à sua canonização são os seguintes: o perfume agradável que emanava de seu corpo incorruptível; a cura da varíola e a repentina recuperação da visão da jovem Elizabeth Bergamini, que estava há quatro meses no convento de Cássia, pedindo a intercessão da Beata Rita; e, finalmente, a cura completa e repentina de Cosma Pellegrini em 1887, sofrendo de gastroenterite catarral crônica e uma afecção hemorroidária incurável, após ter recebido uma visão da Beata Rita em seu leito de morte [9]. O corpo de Rita, que permaneceu incorrupto ao longo dos séculos, é venerado hoje no santuário de Cascia - Itália, muitas pessoas do mundo todo visitam sua tumba. O corpo está coberto pelo hábito agostiniano costurado pelas freiras do mosteiro, a pedido da abadessa Maria Teresa Fasce (1881-1947), e colocado numa caixa no interior da capela de estilo neobizantino. Os exames médicos realizados em 1972 e 1997, confirmaram a presença, na zona frontal esquerda, de vestígios de uma lesão óssea aberta, talvez devida a osteomielite, enquanto o pé direito apresenta sinais de uma doença de que sofreu nos últimos anos da sua vida, provavelmente ciática. Tinha 1 metro e 57 cm de altura. O rosto, as mãos e os pés estão mumificados; o resto do corpo, coberto pelo hábito agostiniano, tem a forma de um esqueleto simples. O pintor francês Yves Klein havia se dedicado a ela quando criança. Em 1961, ele criou um Santuário de Santa Rita, que é colocado no Convento de Cássia.[10] No centenário da sua canonização, em 2000, o Papa João Paulo II (1920-2005) destacou as suas notáveis ​​qualidades como mulher cristã: ''Rita representou bem o “génio feminino”, vivendo-o intensamente na maternidade, tanto física como espiritual''. Esta foi um exemplo de vida religiosa, com suas orações e suas mortificações. Ela se devotou especialmente a cuidar de irmãs doentes e a aconselhar pecadores. Por 14 anos, até sua morte, trouxe na testa um estigma, associando-se, assim, à paixão de Cristo. São-lhe atribuídos tantos e tão extraordinários milagres que é tida como "advogada das causas perdidas e a santa do impossível". É também protetora absoluta das mães e esposas que sofrem pelos maus-tratos dos maridos.[11] No Brasil, na cidade de Santa Cruz, Estado do Rio Grande do Norte, está localizada a maior estátua católica do mundo, que representa a Santa Rita de Cássia e foi inaugurada em 26 de junho de 2010. Patrocínio. Rita adquiriu a reputação, juntamente com Santa Filomena e São Judas Tadeu, de santa das causas impossíveis [12]. Ela também é padroeira da esterilidade, das vítimas de abuso, da solidão, das dificuldades do casal e do casamento, da maternidade, das viúvas, dos doentes, das doenças corporais e das feridas [13]. No século XX, um grande santuário foi construído para Rita em Cássia - Itália. O santuário e a casa onde Rita nasceu estão entre os locais de peregrinação mais ativos da Úmbria - Itália. Os agostinianos mantiveram o corpo incorrupto de Rita ao longo dos séculos, e ele é venerado hoje no santuário de Cássia [14]. Parte de seu rosto foi ligeiramente reparada com cera. Muitas pessoas visitam seu túmulo todos os anos, vindos de todo o mundo. O Santuário Nacional de Santa Rita de Cássia, na Filadélfia - USA, Pensilvânia, foi construído em 1907 e é um local popular de peregrinação e devoção. A cidade de Santa Cruz, no Rio Grande do Norte, também é uma cidade-santuário de Santa Rita de Cássia. Nessa cidade encontra-se a estátua da santa, a maior estátua católica do mundo.[15] Iconografia. Vários símbolos religiosos estão relacionados a Santa Rita. Ela é retratada segurando um espinho (um símbolo de sua penitência e estigmas) ou coroa de espinhos, segurando um grande crucifixo, geralmente com rosas. Ela também pode ter um ferimento na testa [16]. Ferida na Testa. Quando Rita tinha aproximadamente sessenta anos de idade, ela estava meditando diante de uma imagem de Cristo crucificado. De repente, uma pequena ferida apareceu em sua testa, como se um espinho da coroa que circundava a cabeça de Cristo tivesse se soltado e penetrado sua própria carne. Foi considerado um estigma parcial, e ela carregou esse sinal externo de união com Cristo até sua morte em 1457 [17]. No momento de sua morte, as irmãs do convento banharam e vestiram seu corpo para o enterro. Elas notaram que o ferimento em sua testa permanecia o mesmo, com gotas de sangue ainda refletindo a luz. Quando seu corpo foi exumado posteriormente, notou-se que o ferimento em sua testa ainda permanecia o mesmo, com a luz brilhante refletida nas gotas de sangue. Seu corpo não mostrava sinais de deterioração. Ao longo de vários anos, seu corpo foi exumado mais duas vezes. Em cada vez, seu corpo parecia o mesmo. Ela foi declarada incorruptível após a terceira exumação. Relíquias foram levadas naquela época, como é o costume na Igreja Católica em preparação para a santidade [18). Rosas. Diz-se que perto do fim de sua vida, Rita estava acamada no convento. Ao visitá-la, um primo que vinha de Roccaporena perguntou-lhe se desejava algo de sua antiga casa. Rita respondeu pedindo uma rosa do jardim. Era janeiro, e sua prima não esperava encontrar uma devido à estação. No entanto, quando sua parente foi à casa, uma única rosa desabrochando foi encontrada no jardim, e sua prima a trouxe de volta para Rita no convento [19]. Santa Rita é frequentemente retratada segurando rosas ou com rosas por perto. No dia da sua festa, igrejas e santuários dedicados a Santa Rita oferecem rosas à congregação, que são abençoadas pelo padre durante a missa [20]. Abelhas. Na igreja paroquial de Laarne, perto de Ghent - Bélgica, há uma estátua de Rita na qual várias abelhas são retratadas. Esta representação se origina da história de seu batismo quando criança. No dia seguinte ao seu batismo, sua família notou um enxame de abelhas brancas voando ao seu redor enquanto ela dormia em seu berço. No entanto, as abelhas entraram e saíram pacificamente de sua boca, a qual depositavam-lhe mel sem causar-lhe nenhum dano ou ferimento. Em vez de ficarem alarmadas por sua segurança, sua família ficou perplexa com essa visão. De acordo com Butler, isso foi interpretado como uma indicação de que a carreira da criança seria marcada pela indústria, virtude e devoção [21]. De acordo com seus devotos, as abelhas são como sinais da presença e da intercessão da santa. Na tradição espiritual, as abelhas e o mel simbolizam a 'suave transformação', um relacionamento íntimo com Deus. Em outras palavras, Deus tinha grande afeto por Rita, cuja doçura superava a do próprio mel. Em Cássia - Itália, até os dias de hoje, um grupo de abelhas brancas, que não possuem ferrão, permanece próximo ao muro da igreja e, por meio de uma pequena abertura, voa em direção ao túmulo de Rita [22]. Na Cultura Popular. O pintor francês Yves Klein (1928-1962) dedicou-lhe uma pintura quando criança. Em 1961, ele criou um ex-voto para o Santuário de Santa Rita, que fica no Convento de Cássia [23]. A cantora francesa Mireille Mathieu (1946 -  ) adotou Rita como sua padroeira a conselho de sua avó paterna. Em sua autobiografia, Mathieu descreve a compra de uma vela para Rita usando seu último franco. Embora Mathieu afirme que suas orações nem sempre foram atendidas, ela testemunha que elas a inspiraram a se tornar uma mulher forte e determinada [24]. Em 1943, foi feito Rita de Cássia, um filme baseado na vida de Rita, estrelado por Elena Zareschi (1916-1999). A história de Rita aumentou em popularidade devido a um filme de 2004 intitulado Santa Rita da Cássia, filmado em Florença - Itália. O último filme alterou os fatos da infância de Rita [25]. Rita é frequentemente creditada como sendo também a padroeira não oficial do beisebol devido a uma referência feita a ela no filme The Rookie de 2002 [26][27][28]. Abraço. Davi.