Religião Afro-brasileira. Por Eurico Ramos. Livro Revendo o Candomblé - XIII. COMO SE DIVIDE UM ILÊ E POR QUÊ? Este aspecto de profundo sentido litúrgico, é da maior importância para nós, podendo ser explanado aqui apenas de forma superficial. Mas pode-se dizer que os candomblés mais ortodoxos organizam a casa, o ebé - comunidade - a roça de candomblé de forma que a mesma represente um grande corpo. Que se fosse visto de cima, apareceria deitado sobre a terra. E os membros deste axê, que compõem o ebê, representam o sangue (ejê) que circula por todo esse corpo. Por esse motivo, nós sempre encontramos, do lado esquerdo de quem entra na casa de candomblé, o Ilê Bará - a Casa do Exu. Representando o pé direito desse grande corpo que está deitado. Do lado direito de quem entra, encontramos a Casa de Ogun, que vai representar o pé esquerdo desse grande corpo deitado. Quando se entra no barracão propriamente dito, no barracão onde se realizam as festas públicas, a sua porta, a sua entrada, representa o genital feminino desse corpo. Ali dentro nós vamos encontrar, em cada quarto de santo, um órgão específico desse grande corpo - ará. Podemos explicar da seguinte forma: o runkó - onde se recolhe o Iaó - é o útero, o quarto de Oxum é a barriga. O quarto de Yemanjá é o seio, o quarto de Xangó é o coração, o quarto de Yansã é o pulmão. O quarto de Oxalá é o cérebro, o quarto de Oxóssi são os braços, o quarto de Oluaiê - ou dos Iji - representa a pele desse grande corpo. E as pessoas que transitam ali dentro, os filhos de santo, significam o ejé, o sangue que faz com que esse corpo esteja vivo e pulsando. A casa é exatamente um corpo vivo. Por esse motivo, inclusive, quando chegamos da rua, precisamos tomar um banho, verter água sobre o corpo e coloca vestes apropriadas. Para podermos transitar dento do ilé - dessa forma, esse grande corpo nos reconhece como parte do ebé e não como um elemento estranho. Pois, nesse caso, poderá repelir ou até mesmo "expulsar o estranho de suas entranhas". Outra visão em relação aos quartos de santo, paralela à que vimos anteriormente, nos mostra que cada orixá é cultuado em um quarto diferente porque é oriundo de uma região distinta do continente africano. Por esse motivo, cada quarto, além de representar um órgão daquele grande corpo, vai significar também uma região específica do país iorubá de onde vem aquele orixá. Dessa forma, encontramos Ogum representa a região de Iré, o quarto de Oxóssi representando a região de Erinlé, o quarto de Oxum a região de Oxobó. O de Yansã a região de Abenkutá, o de Xangó a região de Oyo, o dos Iji - Nanã. Oxumaré e Olualé - representando os orixás cujo culto tem origem no antigo Daomé - atual Benin na África, foram assimilados ao culto iorubano. Desse modo, podemos entender que todos os orixás têm seu culto próprio, completamente diferente um dos outros. Abraço. Davi
MOSAICO ESPIRITUAL
quinta-feira, 18 de junho de 2026
terça-feira, 16 de junho de 2026
RELIGIÃO DO ISLAM. Parte XIX
Islamismo. IslamHouse.com. Manual para o Novo Muçulmano. Por Jamaal Zarabozo (1961 - ). RELIGIÃO DO ISLAM. Parte XIX. Aquele que é capaz de memorizá-lo deve fazê-lo, e isso é extraído do seguinte hadith: “Um homem se aproximou do Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) e disse que era incapaz de aprender algo do Qur’an, e pediu ao Profeta que o ensinasse algumas frases que o ajudassem a orar. O Profeta o ensinou: ‘Subhaanallah wa-l-hamdulillaah wa laa ilaahah illa-llah wallahu akbar wa la haula wa la quwwata illa-billaah al-Ali al-Adhim’. O homem disse: ‘Essas são frases de adoração a Allah. O que posso dizer para mim mesmo?’ O Profeta o ensinou: ‘Allahumma, irhamni wa-rzuqni wa-‘afani wa-hdini’. Quando o homem se foi, o Profeta disse: ‘Ele se foi com as mãos cheias de bondade’. Gostaria de aconselhar ao convertido que aprenda as expressões em árabe e as passagens do Qur’an diretamente das pessoas que falam corretamente o árabe. O convertido não deve confiar em transliterações, já que estas não podem transmitir de uma forma exata a pronúncia das palavras caso o indivíduo não esteja familiarizado com o idioma árabe. Conheço, por experiência própria, que se o convertido aprende as frases da oração ou partes do Qur’an de forma incorreta, depois é muito mais difícil corrigir os vícios na pronúncia. Então, desde o começo, é recomendável que se aprenda a pronúncia do idioma árabe da melhor maneira possível e diretamente com pessoas que o falem com propriedade. Uma breve consideração sobre a oração. Quando o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) se preparava para a oração, direcionava-se para a Kaabah, em Makkah, com a intenção de cumprir com a oração. Logo começa sua oração com a expressão "Allah é Maior" levantando suas mãos até as orelhas, enquanto dizia esta expressão. Continuando, colocava sua mão direita sobre a esquerda, ambas sobre seu peito. Olhava para o chão. Começava a oração recitando diversas súplicas, louvores e glorificações a Allah. Logo, buscava refúgio em Allah contra o maldito Satanás. Depois, recitava “Bissmillahir Rahmanir Rahim” (Em nome de Allah, o Clemente, o Misericordioso) em voz baixa. Recitava, então, a surat al-Faatiha, o primeiro capítulo do qur’an, recitando versículo por versículo. Ao final da surah dizia “Amin”, em voz alta e prolongando um pouco sua pronúncia. Depois de finalizar a leitura da surat al-Faatiha, recitava outra parte do Qur’an, intercalando leituras extensas e mais curtas. O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) recitava o Qur’an em voz alta na oração da manhã e nas duas primeiras unidades (rakaatein) das orações do pôr-do-sol e da noite. A oração de sexta-feira, as orações do Eid, a oração para suplicar por chuva e a oração do eclipse são também recitadas em voz alta. O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) realizava as duas últimas rakah na metade do tempo que as duas primeiras e sua duração seria de mais ou menos quinze versículos, inclusive, muitas vezes, só recitava a surat al-Fatiha. Ao terminar as rakaat, levantava suas mãos até as orelhas dizendo o takbir (Allah é o maior) e fazia uma reverência curvando o tronco. Punha suas mãos nos joelhos, com os dedos separados, como se estivesse agarrado a eles. Afastava seus braços do seu corpo e posicionava-se ereto, com as costas bem retas, de tal modo que se derramassem água nele, ela não derramaria. Permanecia calmo e seguia com sua reverência. Repetia três vezes “Subhanna Rabbi al Adhim” (Louvado seja meu Senhor, o Grandioso). Também, durante sua reverência costumava suplicar e relembrar Allah, repetindo ou não as palavras. Também proibiu a recitação do Qur’an durante esta etapa. Logo depois levantava suas costas, endireitando-se em pé e dizia, durante o movimento: “Sami Allahu liman hamidah” (Allah escuta àquele que O louva). Levantava suas mãos enquanto levantava seu tronco. Ao parar, em pé, dizia: “Rabbana wa lakal-hamd” (Nosso louvor é dirigido para nosso Senhor). Às vezes dizia algo mais simples que isso. Logo pronunciava novamente o takbir e se prostrava. Punhas suas mais no solo antes de apoiar seus joelhos. Apoiava-se sobre suas mãos. Juntava os dedos e os direcionava em direção da quiblah. Algumas vezes colocava-os paralelos aos seus ombros, outras, paralelos à suas orelhas. Firmemente, baixava a cabeça, tocando o nariz e a testa no chão. Ele dizia: “Foi-me ordenado prostrar-me sobre sete pontos: a testa – e indicou o nariz também, as duas mãos, os dois joelhos e as pontas [dos dedos] dos pés.” Também disse: “A oração das pessoas cujo nariz não toca no chão, mesmo a testa tocando, não tem validade.” O Mensageiro de Allah permanecia sereno e quieto durante a prostração, repetia três vezes “Subhanna Rabbial-‘Ala” (Exaltado é meu Senhor, o Altíssimo). Nesta posição, recitava várias frases evocando e suplicando a Allah, utilizando diferentes súplicas. Aquele que reza deve esforçar-se para suplicar bastante quando se encontra nesta posição. Então, ele levantava a cabeça, sentando-se, enquanto pronunciava o takbir. Depois, sentava-se sobre sua perna esquerda que se encontrava dobrada, descansando e permanecendo muito quieto. A perna direita permanecia levemente erguida por seu pé e os dedos de suas mãos apontavam para a quiblah, descansando em cima dos joelhos. Neste momento ele dizia: “Ó Allah, perdoa-me, tende piedade de mim, dá-me forças, eleva-me, guia-me, perdoa-me e provenha-me o sustento.” Então, pronunciava o takbir e prosseguia realizando uma segunda prostração, exatamente como a primeira. Continuando, levantava sua cabeça enquanto pronunciava o takbir e se sentava sobre a perna esquerda, com todos os ossos do seu corpo encaixados na posição sentada. Então, levantava-se apoiando no chão. Na segunda rakah fazia o mesmo que na primeira, entretanto sua duração era menor. Ao final da segunda rakah, sentava-se para recitar o tashahhud. Se aquela fosse uma oração de apenas duas rakah, ele se sentava sobre sua perna esquerda, como fez no intervalo de duas prostrações. Também, sentava-se da mesma forma no tashahhud da quarta rakah. Enquanto se sentava para o tashahhud, punha suas mãos sobre suas coxas, a mão esquerda permanecia com os dedos espalmados e a direita, ele fechava o punho e apontava o indicador para cima, olhando fixamente para o indicador estendido. Então, ele recitava o tahiyiat; o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) também realizava algumas orações pedindo por ele no último tashahhud e oferecia outras súplicas pedindo por sua comunidade. O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) costumava dizer diferentes súplicas durante esta parte da oração. Ao final, saudava à sua direita e à sua esquerda (voltando a cabeça para cada ombro) dizendo: “que a paz e a misericórdia de Allah estejam convosco”. Em algumas ocasiões acrescentava “e Suas bênçãos” ao final da frase. O pagamento do Zakat Linguisticamente, a origem da palavra zakat vem de purificação, bênção e crescimento. Allah esclarece no Qur’an: “Bem-aventurado aquele que se purificar.” (87: 14) Outra palavra que se utiliza nos ahaadith e no Qur’an com referência ao zakat é sadaqah. Esta palavra deriva de sidq (a verdade). Siddiqi explica o significado desses termos e como são utilizados: “Ambas as palavras possuem um significado muito forte. O tributo das riquezas pela causa de Allah purifica o coração do homem do amor aos bens materiais. O homem que contribui, oferece-o como um presente humilde perante Allah e, por sua vez, afirma a verdade de que não existe nada mais preciso para sua vida que o amor por Allah, indicando que está completamente preparado para sacrificar tudo em Seu nome.” Na Lei Islâmica, seu significado técnico se refere a uma porção fixa das variadas riquezas de uma pessoa que deve ser entregue, anualmente, a um determinado grupo de beneficiários. Não há dúvidas que dentre os pilares do Islam o zakat se encontra em uma posição muito próxima à oração. Usualmente, são mencionados juntos no Qur’an, em oitenta e duas ocasiões, para ser exato. Pode-se observar no Qur’an que uma das chaves para obter a misericórdia de Allah na próxima vida é através do pagamento do zakat. Allah disse: “Os fiéis e as fiéis são protetores uns dos outros; recomendam o bem, proíbem o ilícito, praticam a oração, pagam o zakat, e obedecem a Deus e ao Seu Mensageiro. Deus Se compadecerá deles, porque Deus é Poderoso, Prudentíssimo.” (9: 71) O pagamento do zakat purifica a alma e a riqueza das pessoas. Allah disse ao Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele): “Recebe, de seus bens, uma caridade que os purifique e os santifique, e roga por eles, porque tua prece será seu consolo; em verdade, Deus é Oniouvinte, Sapientíssimo.” (9: 103) Além disso, tem a capacidade de purificar a alma do crente, limpando-a das enfermidades da avareza e mesquinharia. Também purifica as riquezas, livrando seu proprietário de qualquer efeito negativo que ela possa exercer sobre ele. O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com eles) disse uma vez: Aquele que paga o zakat de suas riquezas será afastado dos males que vêem com ela.” O zakat cumpre um rol muito importante na sociedade em sua totalidade. Existem alguns fatores muito óbvios que devem ser enunciados aqui. Por exemplo, o zakat ajuda os pobres da sociedade a receberem o dinheiro que necessitam para viver. Também ajuda a fortalecer os laços de irmandade na comunidade muçulmana, já que os pobres sabem que os mais ricos os ajudarão através do zakat e outras formas de caridade. Inclusive as pessoas que são muito ricas entendem que podem doar em nome de Allah. Percebem que não sentirão fome ou morrerão se derem parte de sua riqueza em nome de Allah. Além disso, também serve para aqueles que possuem riquezas se darem conta de que essa riqueza provém da bênção de Allah. Portanto, todos devem utilizá-la de modo que satisfaça a Allah. Um dos aspectos mais satisfatórios consiste em cumprir com nossa responsabilidade de pagar o zakat referente a essas riquezas. Os muçulmanos que não pagam o zakat estão prejudicando a si mesmos e também a toda a comunidade islâmica. O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) disse: “Ao povo que se nega pagar o zakat sobre suas riquezas será castigado pela falta de chuva. Se não fosse pelos animais, não choveria absolutamente.” Allah e Seu Profeta deixaram bem claro que o ato de não pagar o zakat é um ato que desagrada a Allah. Allah ameaçou castigar duramente esse tipo de comportamento. Por exemplo, o seguinte versículo do Qur’an faz referência àquelas pessoas que não pagam o zakat por suas riquezas: “Que os avarentos, que negam fazer caridade daquilo com que Deus os agraciou, não pensem que isso é um bem para eles; ao contrário, é prejudicial, porque no Dia da Ressurreição, irão, acorrentados, com aquilo com que foram mesquinhos. A Deus pertence a herança dos céus e da terra, porque Deus está bem inteirado de tudo quanto fazeis.” (3: 180) O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) descreveu o castigo que assolará aqueles que não pagam o zakat correspondente às suas riquezas. Em um hadith, no Sahih Bukhari, Abu Huraira narra que o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) disse: “[No Dia da ressurreição] Os camelos voltarão aos seus donos gozando do melhor estado de saúde que poderiam ter [neste mundo] e, por não haver pagado o zakat por eles, pisá-los-ão com suas patas; do mesmo modo, as ovelhas voltarão com o melhor estado de saúde que poderiam gozar neste mundo e, caso não tenham pagado o zakat sobre elas, pisá-los-ão com seus cascos e golpearão com seus chifres. Não quero que nenhum de vós se aproxime de mim, no Dia da ressurreição, carregando em vossos pescoços uma ovelha que esteja balindo e me digam: ‘Ó Muhammad [por favor, interceda por mim]’. Responderei: ‘Não posso ajudar-te já que transmiti a Mensagem de Allah’. Nem tampouco quero que nenhum de vós se aproxime de mim acompanhado de um camelo bramando e me digam: ‘Ó Muhammad [interceda por mim]’. Responderei: ‘Não posso ajudar-te já que transmiti a Mensagem de Allah’.” O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) advertiu acerca das consequências por não pagar o zakat. Vejamos o seguinte hadith mencionado no Sahih Bukhari: “Aquele que é abençoado com dinheiro e não paga o zakat por suas riquezas, no Dia da Ressurreição, sua riqueza se transformará em uma serpente venenosa com duas presas. Ela apertará seu pescoço e morderá suas bochechas e dirá: ‘Sou tua riqueza, sou o que entesourastes’.” Então, o Profeta (que a paz e as bençãos de Allah estejam com eles) recitou o versículo da surah al imran. Em outro versículo que também inclui aqueles que não pagam o zakat, Allah disse: “Ó fiéis, em verdade, muitos rabinos e monges fraudam os bens dos demais e os desencaminham da senda de Deus. Quanto àqueles que entesouram o ouro e a prata, e não os empregam na causa de Deus, anuncia-lhes (ó Muhammad) um doloroso castigo. No dia em que tudo for fundido no fogo infernal e com isso forem estigmatizadas as suas frontes, os seus flancos e as suas espáduas, ser-lhes-á dito: eis o que entesourastes! Experimentai-o, pois!” (9: 34-35). A quantidade de dinheiro que deve ser paga como Zakat O zakat é obrigatório sobre diferentes tipos de riquezas como, por exemplo, o dinheiro, cultivos, frutos, gado e os tesouros encontrados na terra. No mundo atual, a forma mais comum de riqueza é o dinheiro. O zakat deve ser pago se o montante de dinheiro atinge o mínimo requerido para seu pagamento e se a pessoa o detém por mais de um ano. A porcentagem paga por dita possessão é de 2,5%. A quantidade mínima requerida de riquezas para a contribuição do zakaat é chamada nisaab. Atualmente, existe um nisaab diferente do aplicável pela shari’a, que é baseado no ouro ou na prata. Hoje em dia as pessoas possuem dinheiro, muito raramente investem suas riquezas em ouro e prata. Isso há suscitado diferentes opiniões sobre o nisaab em dinheiro, se ele deve ser baseado no valor do ouro ou da prata. Toma-se então, o ouro como referência, o zakat é obrigatório se a quantidade possuída é superior a 85 gramas de ouro ou seu valor equivalente em moeda corrente. Se um muçulmano tem esta quantidade de dinheiro por mais de um ano, deve pagar o 2,5% como zakat, anualmente. O zakat é distribuído entre certos tipos de pessoas. Allah mencionou estas categorias no seguinte versículo: “As esmolas são tão-somente para os pobres, para os necessitados, para os funcionários empregados em sua administração, para aqueles cujos corações têm de ser conquistados, para a redenção dos escravos, para os endividados, para a causa de Deus e para o viajante; isso é um preceito emanado de Deus, porque é Sapiente, Prudentíssimo.” (9: 60). Em geral, a maioria das mesquitas possui comitês encarregados do zakat. Se um muçulmano paga o zakat, informando que é zakat, este deve ser distribuído entre os beneficiários apropriados e o muçulmano, então, haverá cumprido com sua responsabilidade com Allah. O jejum durante o mês de Ramadan O jejum de Ramadan consiste na abstenção de comida, bebida e relações sexuais durante os dias do mês de Ramadan. O jejum é uma fonte de autocontrole, devoção e consciência de Allah. Allah determinou o jejum para os profetas antes de Muhammad (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele). Nos versículos que narram sobre a obrigação de jejuar durante o mês de Ramadan, Allah ressalta seu objetivo ou propósito: “Ó fiéis, está-vos prescrito o jejum, tal como foi prescrito aos vossos antepassados, para que temais a Deus.” (2:183). O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) disse que o jejum nos protege do Fogo do Inferno: “O jejum é um escudo para o Fogo do Inferno, como os escudos que são utilizados nas batalhas.” Ademais, intercederá pelo jejuador no Dia do Juízo. O Profeta (que a paz e as bençãos de Allah estejam com eles) disse: O jejuador e o Qur’an intercederão no Dia da Ressurreição. O jejum dirá: ‘Ó Senhor, evitei que comesse e bebesse durante o dia, portanto, permita-me interceder por ele.’ O Qur’an dirá: ‘Eu o mantive desperto durante a noite, assim, permita-me interceder por ele.’ E sua intercessão será permitida.” O jejum constitui uma atitude que demonstra nossa sinceridade para com Allah. Apenas Allah sabe seguramente se uma pessoa está jejuando ou não. Ninguém pode saber se a pessoa interrompeu secretamente o seu jejum. Além disso, Allah tem uma recompensa especial para aqueles que jejuam. Isso é indicado no seguinte relato do Sahih al-Bukhari: “Ele abandona sua comida, sua bebida e seus desejos por Minha causa. E cada boa ação será multiplicada dez vezes.” Pela graça e misericórdia de Allah, se uma pessoa jejua durante o mês de Ramadan, com fé em Allah e esperando Sua recompensa, Allah perdoará todos os pecados menores que houver cometido anteriormente. O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) disse: “Quem jejuar durante o mês de Ramadan com fé e esperando ansiosamente por sua recompensa, obterá o perdão de Allah por todos os pecados menores que houver cometido anteriormente.” (Bukhari e Muslim) Ibn Qaiim ressaltou alguns dos aspectos mais benéficos e importantes na seguinte passagem: “O objetivo do jejum é que o espírito do homem se liberte das garras de seus desejos e que a moderação se apodere de seu ser. Que através do jejum ele conheça a finalidade da purificação e felicidade eterna. Seu objetivo é reduzir a intensidade do desejo e da luxúria através da fome e da sede, induzindo o homem a entender que existem muitas pessoas no mundo que subsistem com pequenas quantidades de comida, o que dificulta a tarefa de Satanás - enganar o homem; e também evita que seus sentidos se voltem para coisas que têm sido a perdição de ambos os mundos. E por isso o jejum é um freio daqueles que temem a Allah, o escudo dos defensores e a disciplina dos virtuosos.” Também há um hadith do Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) que adverte quanto ao castigo daqueles que interrompem seu jejum inadvertidamente ou sem motivos. Neste hadith o Profeta disse: “Enquanto dormia dois homens vieram e me tomaram em seus braços. Levaramme até uma montanha íngreme e disseram: ‘suba’. Respondi: ‘não posso subir’ e eles disseram: ‘nós te ajudaremos’. Então, subi até chegar ao topo onde escutei gritos horríveis. Perguntei: ‘de quem são estes gritos?’ Responderam: ‘são os gritos daqueles que habitam o Fogo’. Então, levaram-me a outro lugar onde avistei pessoas presas por seus tendões e suas mandíbulas estavam separadas e cheias de sangue. Perguntei: ‘quem são aquelas pessoas?’ Responderam-me: ‘aquelas são pessoas que interromperam seu jejum antes do momento adequado’.” Jejuar é obrigatório para todos os muçulmanos adolescentes, adultos e saudáveis e que não se encontrem em viagem. Além disso, as mulheres devem estar purificadas de seus ciclos menstruais ou sangramento pós-parto. Não é necessário que uma pessoa que se encontra viajando ou esteja doente jejue. Caso jejue, essa ação deve cumprir com os requisitos do jejum. Entretanto, se não jejua, deve compensar o jejum perdido posteriormente. Da mesma forma a mulher em seu ciclo menstrual ou sangramento pós-parto não deve jejuar, pagando os dias perdidos posteriormente. Os elementos fundamentais do jejum são dois. Primeiro, uma pessoa deve ter a intenção de jejuar para agradar a Allah. Se uma pessoa simplesmente deixa de comer ou beber só para perder peso, dita ação não será considerada como ato de adoração a Allah. E por isso o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) disse: “Não existe jejum para a pessoa que não tenha a intenção de jejuar antes do fajr (amanhecer).” Segundo o muçulmano deve evitar qualquer coisa que lhes faca interromper o jejum desde o começo do amanhecer até o pôr-do-sol. As seis coisas que invalidam o jejum são: (1 e 2) Comer ou beber intencionalmente. Porém, se uma pessoa, distraidamente, come ou bebe algo, não deve compensar o jejum, nem necessita nenhum ato de expiação para seu erro. O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) disse: “A pessoa que se esquece que está jejuando e come ou bebe algo deve completar seu jejum, pois foi Allah que o alimentou ou deu de beber.” (Muslim). (3) Vomitar intencionalmente. Se uma pessoa tem náuseas e vomita não precisa compensar seu jejum e nem necessita de nenhum ato de arrependimento. (4 e 5) A menstruação e o sangramento pós-parto. Inclusive, de acordo com a opinião dos sábios, caso aconteça pouco antes do pôr-do-sol, deve-se interromper o jejum. Página 173. Abraço. Davi.
domingo, 14 de junho de 2026
O CÍRCULO DA NECESSIDADE - EGÍPCIO
Teosofia. Livro Isis Sem Véu. Por Helena Petrovna Blavatsky (1931-1891). Fenômenos Cíclicos III. O CÍRCULO DA NECESSIDADE - EGÍPCIO. A alegoria da queda do homem e do fogo de Prometeu é também outra versão do mito da rebelião do orgulhoso Lúcifer precipitado no poço sem fundo - o Orco. Na religião dos Brâmanes, Mahlsura, o Lúcifer hindu, torna-se invejoso da luz resplandecente do Criador. E à testa de uma legião de espíritos inferiores rebela-se contra Brahma lhe declara guerra. Como Hércules, o fiel titã, que ajuda Júpiter e lhe devolve o trono, Shiva, a terceira pessoa da trindade hindu, os precipita a todos da morada celestial no Honderah, a região das trevas eternas. Mas aqui os anjos caídos se arrependem de sua má ação e na doutrina hindu eles obtêm a oportunidade de progredir. Na história grega, Hércules, o deus do Sol, desce ao Hades para livrar as vítimas de suas torturas. A Igreja Cristã também faz o seu deus encarnado descer as sombrias regiões platônicas e vencer o ex arcanjo rebelde. Por sua vez os cabalistas explicam a alegoria de um modo semi científico. O segundo Adão, ou a primeira raça criada que Platão chama de deuses, e a Bíblia de Elohim, não era de natureza tríplice como o homem terrestre. Ele não era composto de alma, espírito e corpo, mas era um composto de elementos sublimados em que o "Pai" soprou um espírito divino imortal. Este, devido a sua essência divina, lutou sempre para livrar-se dos liames dessa frágil prisão. Eis porque os filhos de Deus, em seus imprudentes esforços, foram os primeiros a traçar um modelo futuro para a lei cíclica. Mas o homem não deve ser "como um de nós" diz a Divindade Criadora, um dos Eholim "encarregados da fabricação do animal inferior". Foi assim que, quando os homens da primeira raça atingiram, as vestes grosseiras, o corpo astral, os arrojou ao arco oposto. Esta versão cabalista dos filhos de Deus, ou da luz, figura no Codex nazaraeus. Bahal Zivo, o "pai genni", recebeu ordens de "construir criaturas". Mas, porque ignorava o Orco, ele fracassa e chama em seguida Fetabil, um espírito ainda mais puro, que fracassa de maneira ainda pior. Surge então no palco da criação o "espírito" que se deveria traduzir mais propriamente por alma, pois é a anima mundi, que os nazarenos e os gnósticos eram femininos. Percebendo que o esplendor de Fetabil, o homem mais novo, o último, havia mudado. Que nesse esplendor havia, abatimento e dano, desperta Karabtanos. Levanta, vê, o esplendor a luz do homem mais novo, Fetabal, falhou em produzir ou criar os homens, o abatimento de seu esplendor é visível. Levanta, vai com tua Mãe, o espírito, e liberta-te dos limites que te sustem, e que são maiores do que todo o mundo. Depois disso, segue-se a união da matéria desvairada e cega, guiada pelas insinuações do espírito. Não o sopro divino, mas o espírito Astral que, por sua dupla essência, já se manchou com a matéria, e após a oferenda da Mãe ser aceita. O Espírito concebe, sete figuras, que Irineu está disposto a tomar pelos sete estelares, planetas, mas que representam os sete pecados capitais. A progênie de uma alma astral separada de sua fonte divina, espírito, e da matéria, o demônio cego da concupiscência. Vendo isso, Fetabil estende suas mãos para o abismo da matéria, e diz: Que a Terra exista como a morada dos poderes existiu. Mergulhando as mãos no caos, que condena, ele cria o nosso planeta. O Codex prossegue narrando como Bahak-Zivo foi separado do Spiritus e os genil, ou anjos, dos rebeldes. Então, Mano, o maior, que reside com o maior Ferho, chama Kebar-Zivo, conhecido também pelo nome de Nebal-lavar Iufinhafin. Leme e vinha do alimento da vida. Sendo ele a terceira vida, compadecendo-se dos gênios rebeldes e insensatos. Devido a magnitude de sua ambição, diz: Senhor dos genil, vê o que fazem os genis, os anjos, e o que pedem eles. Eles dizem: Criemos o mundo, provocemus, e chamemos os poderes da vida. Os genis são os Princípios, os filhos da luz, mas tu és o "Mensageiro da Vida". E para contrabalançar a influência dos sete princípios "mal-intencionados" a progênie do Spiritus, Cabar Zio, o poderoso Senhor do Esplendor, procria sete outras vidas, as virtudes cardeais, que brilham com sua própria forma e luz, das alturas. Assim restabelece o equilíbrio entre o bem e o mal, luz e trevas. Mas esta criação de seres, sem o necessário influxo do puro sopro divino sobre eles, que era conhecido entre os cabalistas como o "fogo vivo', produziu apenas criaturas da matéria e luz astral. Assim foram gerados os animais que precederam o homem sobre esta Terra. Os seres espirituais, os "filhos da luz", que permaneceram fiéis ao grande Ferho, a primeira causa de tudo, constituem a hierarquia celeste ou angélica. Os adonim, e as legiões dos homens espirituais que nunca se encarnaram. Os seguidores dos gênios rebeldes e insensatos e os descendentes dos sete espíritos, ignorante, criados por karabtanos. Os spiritus tornaram-se com o correr do tempo os homens do nosso planeta. Pós terem passados por toda a criação de cada um dos elementos. A partir dessa fase, nossas formas superiores evoluíram das inferiores. A antropologia não ousa seguir o cabalista em seus voos metafísicos além deste planeta. É duvidoso que os seus mestres tenham a coragem de procurar o elo perdido nos velhos manuscritos cabalistas. Foi assim, então, posto em movimento o primeiro ciclo, que em suas rotações descendentes trouxe uma parte infinitesimal das vidas criadas ao nosso planeta de barro. Chegando ao ponto mais baixo do arco do ciclo, que precedeu diretamente a vida sobre esta Terra. A pura centelha divina que ainda restava em Adão fez um esforço para se separar do espírito astral. Pois o homem caía gradualmente na geração, e a camada carnal tornava-se mais e mais densa a cada ação. E aqui começa um mistério, um Sod, um segredo que o rabino Simeão não comunicava senão a pouquíssimos iniciados. Ele era representado uma vez a cada sete anos durante os mistérios da Samotrácia, e os seus registros se encontram auto impressos nas folhas da árvore sagrada tibetana, a misteriosa Kounboum, na Lamaseria dos santos adeptos. No oceano sem limites do espaço brilha e sol central, espiritual e invisível. O universo é seu corpo, espírito e alma. Todas as coisas são criadas de acordo com este modelo ideal. Estas três emanações são as três vidas, os três degraus do Pleroma gnóstico, as três faces cabalísticas. Pois o Antigo dos antigos, o santo dos idosos, o grande En Soph, tem uma forma e em seguida não tem forma alguma. O invisível assumiu uma forma e em seguida não tem forma alguma. O invisível assumiu uma forma quando chamou o universo a vida, diz o Zohar, o Livro do Esplendor. A primeira Luz é a sua alma, o sopro infinito, ilimitado e imortal, sob cujo esforço o universo ergue o seu poderoso seio, para infundir vida inteligente a criação. A segunda emanação condensa matéria produzindo formas no círculo cósmico. Põe os incontáveis mundos flutuando no espaço elétrico, e infunde o princípio de vida cego e ininteligente em cada forma. A terceira produz todo o universo da matéria física. Como se afasta gradualmente da Luz Central Divina seu fulgor se enfraquece transformando-se em trevas e no mal. A matéria pura, as grosseiras purgações do fogo celestial, dos hermetistas. Abraço.
quinta-feira, 11 de junho de 2026
TAO TE CHING - POEMA XII
Lao Tse (571 a.C.531). Tao Te Ching. O
terça-feira, 9 de junho de 2026
OS ANALECTOS - LIVRO IX
Confucionismo. www.https//rt.br. OS ANALECTOS – LIVRO IX. 1. As ocasiões em que o Mestre falava sobre lucro, Destino e benevolência eram raras. 2. Um homem de um vilarejo em Ta Hsiang disse: “Grande é Confúcio (551 a.C. 479)! Ele acumulou muito conhecimento, mas não se sobressaiu pessoalmente em campo nenhum”. O Mestre, ao ouvir isso, disse aos seus discípulos: “Em que deveria eu tornar-me proficiente? Em dirigir? Ou no arco? Acho que preferiria dirigir”. 3. O Mestre disse: “Os ritos prescrevem um boné cerimonial de linho. Hoje, usamos seda preta no lugar. Isso é mais frugal, e eu sigo a maioria. Os ritos prescrevem que a pessoa se prostre antes de subir os degraus. Hoje faz-se isso após tê-los descido. Isso é casual, e, embora indo de encontro à maioria, sigo a prática de prostrar-me antes de subir”. 4. Havia quatro coisas com as quais o Mestre recusava ter qualquer relação: recusava-se a fazer conjecturas [99] ou a ser dogmático; recusava-se a ser inflexível ou egocêntrico. 5. Quando estava em estado de sítio em K’uang, o Mestre disse: “Com o rei Wen morto, a civilização (wen) não depende agora de mim? Se o Céu quer que a civilização seja destruída, aqueles que vierem depois de mim não terão qualquer coisa a ver com ela. Se o Céu não quer que esta civilização seja destruída, então o que os homens de K’uang podem fazer contra mim?”. 6. O t’ai tsai [100] perguntou a Tzu-kung: “Com certeza o Mestre é um sábio, não é mesmo? De outra forma, por que teria ele tantas habilidades?”. Tzu-kung disse: “É verdade, o Céu colocou-o no caminho da sabedoria. Entretanto, ele tem vários outros talentos”. O Mestre, ao ouvir isso, disse: “Como o t’ai tsai me conhece bem! Eu era de origem humilde quando jovem. É por isso que tenho várias habilidades manuais. Mas deveria um cavalheiro ter várias habilidades? Não, de modo algum”. 7. Lao [101] disse: “O Mestre disse ‘Nunca recebi um cargo oficial. É por isso que sou um faz-tudo’”. 8. O Mestre disse: “Possuo conhecimento? Não, não possuo. Um camponês me fez uma pergunta, e minha mente ficou completamente vazia. Revirei a pergunta por todos os lados até que consegui extrair tudo dela”. [102] 9. O Mestre disse: “A fênix não aparece, tampouco o rio revela um mapa. [103] É o meu fim”. 10. Quando o Mestre encontrava homens que estavam de luto ou de chapéu e trajes cerimoniais, ou que eram cegos, ele punha-se de pé, mesmo que fossem mais jovens do que ele, e, ao passar por eles, apressava o passo. [104] 11. Yen Yüan, suspirando, disse: “Quanto mais o observo, mais alto ele parece. Quanto mais o pressiono, mais duro ele se torna. Vejo-o à minha frente. De repente, está atrás de mim. “O Mestre é bom em conduzir alguém passo a passo. Ele me estimula com a literatura e me traz de volta às coisas essenciais por meio dos ritos. Eu não conseguiria desistir nem que quisesse, mas, uma vez que dei o melhor que pude, ele [105] parece levantar-se acima de mim e não consigo segui-lo, por mais que eu queira.” 12. O Mestre estava muito doente. Tzu-lu disse a seus discípulos para servirem de empregados. [106] Quando sua saúde melhorou, o Mestre disse: “Yu vem enganando há muito tempo. Ao fingir que eu tinha empregados quando não os tinha, a quem ele estaria enganando? Estaríamos enganando os céus? Além disso, não preferiria eu morrer nas mãos de vocês, meus amigos, do que nas mãos de empregados? E, mesmo que não me fossem dados funerais requintados, eu não morreria em negligência”. 13. Tzu-kung disse: “Se tivesse um belo pedaço de jade, você o guardaria com cuidado em uma caixa ou tentaria vendê-lo por um bom preço?”. O Mestre disse: “Claro que o venderia. Claro que o venderia. Estou apenas esperando pela oferta certa”. 14. O Mestre queria se estabelecer entre as nove tribos bárbaras do Leste. Alguém disse: “Mas o senhor conseguiria suportar seus modos selvagens?”. O Mestre disse: “Uma vez que um cavalheiro se estabelecesse entre eles, que selvageria ainda existiria?”. 15. O Mestre disse: “Foi depois da minha volta de Wei para Lu que a música voltou à ordem, com o ya e o sung [107] sendo designados para os devidos lugares”. 16. O Mestre disse: “Servir a altos oficiais quando no exterior e àqueles mais velhos que eu quando em casa; ao preparar funerais, não poupar a mim mesmo e beber pouco – essas são as coisas comuns que não me causam problema algum”. 17. Certa vez de pé, junto a um rio, o Mestre disse: “Tudo o que passa é, talvez, como este rio. Dia e noite, ele nunca desacelera”. 18. O Mestre disse: “Ainda estou para conhecer o homem que tenha tanta afeição pela virtude quanto pela beleza feminina”. [108] 19. O Mestre disse: “É como fazer um monte: se paro antes de encher a última cesta de terra, então não chegarei ao fim. É como aterrar o chão: se sigo adiante apesar de ter nivelado apenas o conteúdo de uma cesta de terra, então farei progressos”. 20. O Mestre disse: “Se há alguém que consegue me ouvir com atenção incansável, trata-se de Hui, suponho”. 21. O Mestre disse sobre Yen Yüan: “Vi-o progredir, mas não o vi dar completa vazão ao seu potencial. Que pena!”. 22. O Mestre disse: “Há, não é verdade?, plantas jovens que não conseguem produzir botões, e botões que não conseguem produzir frutas?”. 23. O Mestre disse: “Deve-se admirar os jovens. Como podemos ter certeza de que as gerações futuras não serão iguais à presente? Creio que apenas quando um homem atinge a idade de quarenta ou cinquenta anos sem se destacar de nenhuma maneira pode-se dizer que ele não merece ser admirado”. 24. O Mestre disse: “Não se pode senão concordar com palavras exemplares, mas o importante é retificar a si mesmo. Não se pode senão ficar satisfeito com palavras elogiosas, mas o importante é reformar a si próprio. Nada posso fazer com o homem que concorda com esses preceitos mas que não retifica a si próprio, ou com o homem que fica lisonjeado mas que não reforma a si próprio”. 25. O Mestre disse: “Fazer o melhor pelos outros e ser coerente com o que diz: faça disso o seu princípio norteador. Não aceite como amigo ninguém que não seja tão bom quanto você. Quando cometer um erro, não tenha medo de corrigilo”. [109] 26. O Mestre disse: “Pode-se privar os Três Exércitos do seu comandante, mas nem mesmo um homem comum pode ser privado do seu livre-arbítrio”. 27. O Mestre disse: “Se há alguém que pode usar um gorro surrado e remendado com velhos fios de seda e ainda assim conseguir permanecer junto a um homem que veste pele de raposa ou de texugo sem se sentir envergonhado, este é, creio, Yu. Nem invejoso nem ambicioso, Que pode ser ele, senão Bom?”. [110] Portanto, Tzu-lu constantemente recitava esses versos. O Mestre comentava: “O caminho resumido nesses versos dificilmente tornará alguém bom”. 28. O Mestre disse: “Apenas quando chega o frio percebe-se que o pinheiro e o cipreste são os últimos a perder as folhas”. 29. O Mestre disse: “O homem sábio nunca fica indeciso; [111] o homem benevolente nunca fica aflito; [112] o homem corajoso nunca tem medo”. [113] 30. O Mestre disse: “Um homem apropriado para ser o parceiro de alguém nos estudos não é, necessariamente, apropriado como o parceiro na busca pelo Caminho; um homem apropriado para ser um parceiro na busca pelo Caminho não é, necessariamente, apropriado como alguém com quem compartilhar um compromisso; um homem apropriado como alguém com quem compartilhar um compromisso não necessariamente é apropriado como parceiro para o exercício da excelência moral”. 31. As flores da cerejeira, Como ondulam no ar! Não é que eu não pense em você, Mas sua casa fica longe demais. [114] O Mestre comentou: “Ele não a amava de verdade. Se amasse, não existiria algo como ‘longe demais’”. www.https//rt.br. Abraço. Davi
domingo, 7 de junho de 2026
INSTRUÇÃO
Budismo. Livro Vida e Doutrina de Sidarta Gautama. Por Yogi Kharishnanda. INSTRUÇÃO. Capítulo VII. Os discípulos se aproximaram do Senhor Buda, e depois de saudá-los de mão juntas, perguntaram-lhe por intermédio de Ananda: O Mestre que tudo vê! Desejamos aprender. Os nossos ouvidos estão dispostos a escutar. O Senhor é o nosso incomparável Instrutor. Dissipe as nossas dúvidas, ensine-nos o sagrado Dharma. Fale entre nós, o senhor, de preclaro entendimento. O senhor, que tudo vê, tal qual o Senhor de mil olhos, o Rei dos deuses! Perguntamos ao Muni que atravessou a corrente e galgou a margem oposta e é bendito e forte: Como poderá um discípulo seguir o caminho reto depois de ter deixado sua casa e eliminado seus desejos? Assim respondeu ele: Vença o discípulo seus desejos e prazeres terrenos e celestes, e uma vez esgotado o desejo de vida sensória, cumprirá o Dharma e poderá conduzir-se corretamente no mundo. Quem eliminar seus desejos, libertar-se do orgulho e subjugar as paixões, seguirá retamente pelo mundo. Quem conhecer a lei e a obedecer fielmente: quem vir o caminho que conduz ao nirvana e tirar a venda dos olhos, irá de maneira certa pelo mundo. Os discípulos disseram-lhe: Certamente, ó Bhagavad, assim é. Se o discípulo se desliga de todos os laços, irá retamente pelo mundo. E o Senhor Buda prosseguiu: O aspirante ao nirvana deve ser consciente e justo, compassivo e benévolo, sem vangloriar-se disso. Que nenhum de vocês menospreze nem engane outrem, nem lhe cause mal algum. Ditoso é o reino do pacífico que conhece e contempla a Verdade. Feliz é quem permanece sempre firme sob seu amparo. Feliz é quem não tem desejos nem repugnância. Felicidade suprema é a vitória sobre a vaidade obstinada. Cada um de vocês deve ligar o seu prazer ao Dharma, afirmar-se no Dharma e meditar em suas sublimes verdades. A ninguém aproveita e facilmente se perde um tesouro caído no fundo de um poço. O verdadeiro tesouro acumulado pela caridade, pela compaixão, pela temperança. Pelo domínio próprio e pelas boas obras está num lugar seguro, onde ninguém pode roubá-lo, e ao morrer, leva-o consigo o homem para a outra vida. Então os discípulos louvaram a sabedoria do Tathagata, dizendo-lhe: O Senhor transcendeu a dor. O Senhor é santo. O Iluminado. No Senhor vemos o homem que já se libertou das paixões. O Senhor é grande e glorioso. O Senhor eliminou de nós a dor e as vacilações. Por isso o adoramos, ó Muni, o Senhor que conquistou o máximo proveito nos caminhos da sabedoria! O Senhor dissipou a nossa dúvida. O Senhor que ver claramente. Em verdade, o Senhor é o Muni perfeitamente iluminado para quem não há obstáculo possível. Todas as penas desaparecem. O Senhor permanece tranquilo. É enérgico e veraz. Está firme. Nós o adoramos, ó excelso Muni! Nós adoramos ao Senhor, o melhor dos homens. Nos mundos dos homens e dos deuses ninguém se lhe iguala. O Senhor é santo, o Mestre, o Buda, o vencedor de Mara, que depois de haver atravessado a corrente, ajuda também a espécie humana a atravessar para a outra margem. Abraço. Davi.
quarta-feira, 3 de junho de 2026
VIJSANA YOGA - DISCERNIMENTO ESPIRITUAL
Hinduísmo. Bhagavad Gita - A Mensagem do Mestre. Capítulo VII. VIJSANA YOGA - DISCERNIMENTO ESPIRITUAL. Neste e nos seguintes cinco capítulos, expõe-se a doutrina de Krishna e a melhor maneira de praticar Raja Yoga. Esta parte trata do conhecimento espiritual. Isto é, do despertar da consciência da Divindade no homem. Deus é Amor e, por conseguinte, pode-se obter a consciência da Divindade só pela força do Amor Eterno.