segunda-feira, 1 de junho de 2026

CABALA - MITOS E VERDADES. Parte IX

Judaísmo. Livro Um Guia para a Sabedoria Oculta da Cabala. Por Michael Laitman (1946 - ). CABALA - MITOS E VERDADE. Parte IX. Desvendando a Linguagem da Cabalá. Pontos principais. Tudo são forças. Entendendo a linguagem dos ramos. Novos significados para velhas histórias. Desmistificando a linguagem do O Zohar. Para entender os textos Cabalísticos , você deve entender sua linguagem. Não, você não precisa aprender hebraico, mas precisa entender o modo como os textos Cabalísticos usam histórias para apresentar ideias. As histórias sobre as pessoas e o mundo tornam-se metáforas para conceitos e ideias dos Mundos Superiores A linguagem cabalística descreve como as forças dos Mundos Superiores atuam sobre os objetos deste mundo. As histórias e as ideias por trás dela mostram como o universo está estruturado. Lido dessa maneira, as histórias sobre este mundo, por exemplo, as histórias Bíblicas, assumem novos significados. Neste capítulo, você começará a decifrar o conhecimento Cabalístico, percebendo que as raízes e os ramos da linguagem Cabalística se revelam mais nas histórias do que parece a primeira vista. Como raízes e ramos. Como explicamos nos capítulos 7 e 8, os mundos foram criados por uma sequência de causa e efeito. Portanto, as "raízes" referem-se as forças espirituais que criaram o nosso mundo e as pessoas. Elas existem nos mundos espirituais, muito além deste mundo material, porém influenciado o mesmo. As raízes são como vários dedos invisíveis amassando e moldando um pedaço de argila - nossa existência - uma determinada forma. Elas moldam a existência guiando os objetos. Estes objetos guiados pelas forças espirituais ou raízes são os "ramos". Os ramos existem neste mundo. Todo objeto deste mundo, incluindo você e eu, é um ramo de alguma raiz espiritual. Como seus nomes indicam, as raízes e os ramos estão conectados. Como numa árvore, um deles é visível e o outro não, mas ambos estão conectados. Uma árvore ou planta não existe sem suas raízes. Coisas que acontecem as raízes aparecem nas plantas. Se os ramos não recebem água suficiente, a planta murcha. Se as raízes são adubadas, a planta cresce ainda mais. A Cabala descreve o mesmo mecanismo nas pessoas. No universo descrito pela Cabala, o que ocorre nas raízes, aparece nos ramos. Assim como uma planta é afetada pela condição de suas raízes, as forças nos mundos espirituais influenciam as pessoas e os objetos deste mundo. No capítulo 8, dissemos que os elementos em todos os mundos, são idênticos, e que a única diferença entre eles está no seu nível espiritual. Os mundos mais elevados contêm elementos e acontecimentos mais altruístas. Assim, os objetos se relacionam com os objetos acima ou abaixo dele. As forças de um mundo surgem no próximo, e assim por diante, embora de um modo novo. O nível mais elevado, a raiz ou a fonte, cria e controla os acontecimentos em todos os mundos, descendo até 0s "ramos" do nosso mundo. Igual, porém oposto. Para indica a diferença na qualidade, da substância de cada mundo, os mesmos elementos recebem nomes diferentes em cada um deles. No Mundo Superior, por exemplo, existem anjos, enquanto no nosso mundo existem os animais. Isso não significa que os animais sejam anjos. Mas, se tivermos em mente o conceito de um mundo dentro de outro mundo do capítulo anterior. Lembraremos que cada elemento contém, na realidade, cinco níveis: 0 a 4. O nível 3 do desejo de receber no mundo espiritual é denominado "anjo". O mesmo nível no mundo físico é denominado "animais". A correspondência entre os sistemas Superior e Inferiores é como termos um objeto, que possamos afundar na cera, na areia, no gesso, no cimento ou na massa. O resultado final é diferente devido às qualidades da matéria ou o seu comportamento seja diferente. A forma final corresponde à forma que a fez. Mas a matéria é sempre oposta â forma. Se você pressionar contra a areia uma tábua lisa com uma pequena cratera. Da mesma forma, o Criador é a forma, e nós a matéria. Porque Ele é o Doador e nós os recebedores. Tal como a cúpula e a cratera, o nosso desejo de receber é exatamente oposto ao seu desejo de dar. Ele contém todos os elementos que existem Nele. Mas de uma forma invertida: o que é bom Nele, em nós é mal. E como Ele é somente bondade, nós somos somente ... você já entendeu. O significado do oculto da Bíblia. A Bíblia (ou Torah) é sublime e espiritual, mas francamente, ela pode ser uma história um pouco longa com suas listas de relacionamentos. Lemos sobre casamentos, divórcios, traições e assassinatos. Uma pergunta justa poderia ser: o que há de tão espiritual nisso? Para a Cabala, a Bíblia não conta história sobre pessoas. Pelo contrário, ela mostra as relações entre as forças espirituais. A Bíblia mostra o processo de correção das almas através das forças superiores. Isso conduz as almas em seu caminho de ascensão. Na medida em que elas aumentam sua capacidade de doação. Personagem como Adão, Noé e Abraão não são vistos como aqueles que viveram em certo lugar e andaram, ou flutuaram, a esmo. Eles são considerados forças que operam sobre os desejos a serem corrigidos dentro de cada um de nós. Por exemplo, a história do Êxodo dos escravos hebreus do Egito não representa a sua libertação da escravidão física. Mas a aquisição da Masach (tela), a travessia da barreira. Algumas histórias podem parecer sem sentido ou santidade. Quando você as ler, lembre-se que não são eventos, mas sim histórias sobre forças. Elas não devem ser compreendidas ou justificadas em termos mundanos. Por trás do monitor. A linguagem dos Ramos é a expressão das forças superiores que operam em nosso mundo. Ela é expressa em objetos e em tudo que acontece. De onde ele vem? É como um monitor de computador: se olhássemos atrás dele, não veríamos a imagem, veríamos os aparelhos eletrônicos que o constroem. Digamos que exista uma imagem na tela, uma praia. Por trás da tela não há uma praia, porém, um conjunto de impulsos elétricos, forças e energias que criam a imagem na tela. As imagens é o "ramo" e as forças elétricas que criam essa imagem são suas "raízes". A ligação que há entre as forças eletrônicas, raiz, e a imagem, ramo, é chamada Linguagem dos Ramos. Eis como algumas histórias na Bíblia são explicadas usando a Linguagem dos Ramos. A História da Maça. Vamos falar sobre a história bíblica da criação. O desejo de receber existente na alma comum, nós, é denominado "Eva". O desejo de dar, de outorgar é chamado "Adão". O egoísmo - desejo de receber com a intenção de receber - é denominado "a serpente". Nós o chamamos de "ego". O ego quer assumir todos os nossos desejos e nos empurrando para o egoísmo. Isto é considerado como a serpente vindo até Eva - desejo de receber - dizendo: "Quer saber? Você pode usar o seu desejo de receber de uma boa maneira". Então, Eva foi até o Adão - o desejo de dar - e disse: "Quer saber? Nós temos a oportunidade de subir até os mundos mais elevados. Além disso, é isso que o Criador quer, e é por isso que Ele nos fez recebedores". Ela comeu. O desejo de receber, unido à serpente, egoísmo,  comeu a maçã. Como eles gostaram, pensaram: "Porque não arrastar o Adão, as forças de doação, nisso? E foi o que fizeram. Como resultado, todo o corpo de Adam ha Rishon (a alma comum), todos os seus desejos, foram corrompidos pela intenção da serpente em receber, no que se tornou o pecado original. Abraão - Entre Egito e Israel. Abrão nasceu na Mesopotâmia, hoje Iraque, imigrou para Israel e em seguida, devido a fome, desceu ao Egito. Esta viagem tem um significado espiritual, porque estes locais são graus ou forças. Eles realmente contam a história da correção do nosso desejo. A Mesopotâmia é o ponto de partida quando os desejos de Abrão são egoístas, como os seus e os meus. A terra de Israel, chamada "desejo de outorgar", é o desejo de dar. O Egito é chamado Malchut, o desejo de receber, e consiste em desejos egoístas. Como o faraó sendo o ápice do egoísmo. Quando Adão alcançou a sua correção, mudou - seu nome para Abraão. Decomposto como Av (pai) ha Am (a nação) - os enormes desejos de receber que surgiram dele. Para combinar com tais desejos, ele tinha um desejo de dar, o que assegurou que os desejos fossem finalmente corrigidos. Cada vez que aumentava seu desejo de dar, ele ia para Israel, e cada vez que aumentava seu desejo de receber. ia para o Egito. Também por esse motivo que a imigração para Israel é considerada uma subida, e a migração para o Egito é considerada uma descida. O desejo de dar, sozinho, é ineficaz. Você só pode realmente dar ao Criador recebendo Dele.  Então, Abraão perguntou: "Como eu saberei que alcançarei o mesmo nível de doação do Criador?". Abraão não podia receber porque estava numa situação de doação. O Criador colocou a sua semente no Egito e disse que ele receberia a medida plena do desejo de receber. Abraão estava feliz. Após o exílio, quando o povo se misturar aos egípcios e absorver seus desejos. O povo será corrigido e saberá como receber com o objetivo de dar. Este é o padrão de realização para todos, e que leva ao fim da correção. A Bíblia diz que Abraão desceu ao Egito devido à fome. A fome era espiritual porque ele queria outorgar, mas não tinha nada para dar. Para Abraão, uma situação na qual ele não podia dar era chamada de fome, ausência de desejos de receber. À medida que uma pessoa adquire progressivamente um desejo maior de receber. Isso é considerado como se ela experimentasse o exílio no Egito. Quando ela saiu da experiência com grande quantidade de vasos de recepção, ela pode começar a corrigi-los para que eles trabalhem com o objetivo de outorgar. O cabo de guerra entre Moisés e o Faraó. A próxima história chave da Bíblia, sob a perspectiva Cabalista, é a história de Moisés. O Faraó sonhou que haveria sete anos de de riqueza, seguido por sete anos de fome. A riqueza é quando você primeiro descobre um grande desejo pela espiritualidade e sente grande felicidade. Isto porque você acha que pode atingir a espiritualidade usando o seu ego. Você está pronto para ler e aprender, e a fazer todos os tipos de coisas. A fome acontece quando você vê que não pode atingir a espiritualidade, a menos que abra mão do seu ego e ganhe o atributo de dar. Mas você não pode dar, apesar de querer. Você está na corda banda. Este é o Egito. Para produzir a transformação, o seu "Faraó" cresce. O seu Faraó é o seu ego. Ele começa a lhe mostrar coisas más sobre o estado atual. Se isso for muito mal, você deseja escapar ou fugir para a espiritualidade. Você deseja ir, mesmo que não haja nada interessante ou atraente nela. Quando o seu ego mostra o quanto ele é mal, você desejará mudar. O nome Moisés vem da palavra Moshech (atração). Este é o ponto que nos tira do Egito, como o Messias, que também se origina da mesma palavra. Moisés é o sentimento dentro da pessoa que se opôe ao ego e diz: Eu realmente acredito que devemos fugir. A grande força que impulsiona é o Faraó. A pequena força que puxa é Moisés. Essa atração é o início da sua espiritualidade, o ponto do coração. A história de Ester - o clássico final feliz. Esta história descreve a correção final do desejo de receber, denominado Hamã. Mordechai, o desejo de dar e Hama compartilham um cavalo. Isso demonstra como o nosso desejo de receber finalmente se rende diante do nosso desejo de dar e entregar as rédeas. Ester - da palavra hebraica Hester, ocultamento, é o Reino dos Céus, que está oculto. Ela está oculta, juntamente com Assuero, o Criador que, aparentemente, não é bom nem mau. A pessoa que passa por isso não sabe quem está certo, e se o Criador é bom ou mau. Ester também é parenta de Mordechai, o desejo de dar. Mordechai, como Moisés num estágio espiritual diferente, é o ponto de Bina em nossa alma, que nos atrai rumo a Luz. Quando surge o desejo de dar, às vezes ele não pode ser percebido. Por vezes, ele está oculto, como a Rainha Ester. Você pode não saber se a ação é realmente doadora. No entanto, se Mordechai está cavalgando, seu desejo de receber pode corrigir a si mesmo. O Zohar - Não sem realização. Tudo aquilo que o Zohar fala, até mesmo suas lendas são sobre as dez Sefirot - Keter, Hochna, Bina, Hesed, Gevura, Tifferet, Netzah, Hod, Yesod e Malchut, como também suas interações. Para um Cabalista, as introduções e suas diversas combinações são suficientes para revelar todos os mundos espirituais. O rabino Shimon Bar-Yochai (Rashbi), autor do O Zohar, teve um grande problema. Ele estava discutindo consigo mesmo sobre a forma de transmissão do conhecimento Cabalístico para as gerações futuras. Ele não queria expor as pessoas ao conteúdo do Livro do Zohar prematuramente. Ele tinha receio que isso serviria apenas para confundir e desviar  as pessoas do caminho da verdade. Para evitar confusões, ele confiou a escrita ao rabino Aba, que sabia como escrever de forma especial. De modo que somente os que fossem dignos compreenderiam. Devido a linguagem especial do O Zohar, somente aqueles que já se encontram na escada dos níveis espirituais entendem o que está escrito. O Zohar é apenas para aqueles que já atravessaram a barreira e adquiriram algum grau de espiritualidade. São eles que podem  entender o livro, segundo o seu nível espiritual.  Atualmente a maioria das almas é muito materialista e egoísta para entender O Zohar. Elas precisam de ferramentas que as levem primeiro a "zorra" espiritual. É como uma nave espiritual, que necessita de um grande empurrão antes de poder continuar com seu próprio motor. Um ambiente favorável, um professor, e livros corretos dão o impulso, para nossa compreensão espiritual. Existem diferentes estilos de escrita no O Zohar. Ele foi escrito em diversas linguagens, dependendo da forma como eles queriam expressar estados espirituais específicos. Algumas vezes, as diversas linguagens criam confusão. Quando o livro fala sobre leis, as pessoas podem pensar que O Zohar está pregando moral. Quando ele narra histórias, as pessoas podem vê-las como fábulas. Sem a realização espiritual, é difícil de entender do que realmente consiste no Zohar. Uma parte do O Zohar está escrito na linguagem da Cabala, e outra está escrita na linguagem das lendas. Abaixo estão alguns exemplos de duas dessas lendas. O condutor de asnos. O Zohar contém uma bela história sobre um condutor de asnos, um homem que conduz os asnos de homens importantes. Para que eles possam andar despreocupadamente e falar sobre seus negócios. Mas o condutor de asnos no O Zohar é uma força que ajuda a pessoa que já tem sua própria alma. Na história, dois homens falam sobre questões espirituais, à medida que andam de um lugar para outro. Sempre que chegam a um dilema que não conseguem resolver, o condutor de asnos, "milagrosamente", lhes dá a resposta. À medida que avançam, graças a respostas do condutor, eles descobrem que seu simples condutor de asnos é, na verdade, um anjo enviado do céu. Que existe para esse propósito, ajudá-los a avançar. Quando avançam até o último nível, eles descobrem que o seu condutor já está lá, esperando-os. A interpretação Cabalística: o asno é o nosso desejo de receber, o nosso egoísmo. Todos nós temos um condutor de asnos, esperando-nos para entrar no mundo espiritual. De modo que, ele possa nos guiar. Porém, como na lenda, só descobriremos quem ele realmente é quando atingirmos o seu nível, no final da nossa correção. A noite da noiva. Antes do final da correção, existe um estado especial denominado "a noite da noiva". A história no O Zohar fala sobre a preparação da noiva para a cerimônia de casamento. A noiva é o conjunto de todas as almas. É um Kli (vaso) que está pronto para se unir ao Criador. Quando você atinge esse estado, sente que seu Kli está preparado, sustentado e pronto para a união espiritual. O noivo é o Criador. Ele é chamado "noite" porque a Dvekut (união) não está ainda aparente, e a Luz ainda não brilha nos vasos. A noite significa que os vasos ainda sentem a escuridão a falta de unidade. Quando a noite se transforma em dia, a abundância do final da correção é prometida, mas o Zohar não nos diz exatamente por que ela é boa - apenas que é plena., Luz e paz. O início da última geração. A obra A Arvore da Vida do Ari, marca o início da última fase na evolução das almas. O rabino Ari (1534-1572) afirma que a sua fase é a última geração. Desde o seu tempo, a sabedoria Cabalística começou a emergir do ocultamento, embora isso ainda dure séculos. Com ele começou um novo processo qualitativo. Um Cabalista pode sentir que sua fase é a última antes da correção, porque ele sabe que precisa de apenas um pouco de MAN (oração pela correção) para revelar tudo. Pôr um fim aos problemas do nosso mundo. Faltam apenas alguns centímetros para fazer contato. Atravessar essa lacuna depende de nós, e é por isso que os Cabalistas tentam disseminar seu conhecimento de forma que mais almas sejam corrigidas. Eles sentem que estamos muito próximos de concluir a nossa correção. O estudo das dez Sefirot. As palavras do rabino Shimon Bar-Yochai foram escritas no livro do Zohar por seu aluno, o rabino Aba. As palavras do Ari foram escritas por seu aluno Chaim Vital (1543-1620). Mas, diferentemente de seus antepassados espirituais, o Rabino Yehuda Aslag (1885-1954), conhecido como Baal HaSulam (Mestre da Escada). Por seu Sulam (escada), um comentário sobre O Livro do Zohar, escreveu seus livros sozinhos. A "emblemática" do seu trabalho é o seu comentário sobre a obra do Ari, conhecido como Talmude Eser Sefirot (O Estudo das Dez Sefirot). Em seis volumes e mais de 2.000 páginas. O Baal HaSulam explica para almas ignorantes dos séculos XX e XXI o que o Ari realmente quis dizer quando escreveu A Árvore da Vida. O Baal HaSulam escreveu o seu livro especificamente para as pessoas que desejam a espiritualidade e nada mais. Em sua "Introdução ao Estudo das Dez Sefirot" ele afirma que sua plateia é aqueles que perguntam: "Qual o significado da minha vida"? Em resumo: Todas as coisas deste mundo são ramos das raízes que surgem primeiro no mundo espiritual. A Bíblia foi escrita na linguagem dos ramos, usando nomes e termos mundanos, para indicar processos espirituais. As histórias da Bíblia e do O Zohar não se referem a pessoas - são sobre forças que agem nas almas. O livro escrito com o objetivo da nossa criação é O Estudo das Dez Sefirot do Baal HaSulam. Abraço. Davi.



sexta-feira, 29 de maio de 2026

MADRE TERESA DE CALCUTÁ

Bibliotecacatolica.com.br. MADRE TERESA DE CALCUTÁ. Quem foi a santa dos pobres? Entre os maiores exemplos de amor cristão no século XX, brilha a figura de Madre Teresa de Calcutá — pequena de estatura, mas gigante no testemunho. Conhecida por seu serviço incansável aos mais pobres entre os pobres, ela se tornou símbolo mundial de caridade, fé e humildade. Seu rosto sereno e suas mãos marcadas pelo cuidado dos doentes revelam uma mulher que viveu o Evangelho até as últimas consequências. Mais do que filantropia, sua vida foi uma resposta radical ao chamado de Cristo: “O que fizerdes ao menor dos meus irmãos, é a mim que o fazeis” (Mt 25,40). Madre Teresa é uma prova viva de que a santidade não é privilégio de poucos, mas vocação universal. Sua entrega total à missão entre os marginalizados, sua espiritualidade profunda e sua fidelidade em meio às provações revelam o que significa amar com o amor de Deus. Neste artigo, vamos conhecer sua biografia, sua missão, sua espiritualidade e seu legado, com o desejo de nos deixarmos também provocar por seu exemplo. Quem foi Madre Teresa de Calcutá? 1910 – Nasce Anjezë Gonxhe Bojaxhiu em Skopje, atual Macedônia do Norte. 1916 – Recebe a Primeira Comunhão e o Crisma. 1918 – Perde o pai, Nikola Bojaxhiu. 1922 – Sente o chamado à vida consagrada diante da imagem de Nossa Senhora em Letniça. 1926 – Entra na confraria da Bem-Aventurada Virgem Maria. 1928 – Viaja para ingressar no noviciado das Irmãs de Loreto na Irlanda. 1929 – Chega à Índia e inicia o noviciado em Darjeeling. 1931 – Faz os primeiros votos e passa a ser chamada Irmã Teresa. 1937 – Professa os votos perpétuos e recebe o título de Madre Teresa. 1946 – Ouve o “chamado dentro do chamado” para servir os mais pobres. 1948 – Deixa as Irmãs de Loreto e começa a missão nas ruas de Calcutá. 1949 – Ganha sua primeira discípula e aluga casa para as primeiras atividades. 1950 – Funda oficialmente as Missionárias da Caridade. 1952 – Abre a casa para moribundos, Nirmal Hriday, em Kalighat.  1953 – As irmãs mudam-se para a futura casa-mãe da Congregação. 1955 – Inaugura a casa Shishu Bhavan para crianças abandonadas. 1959 – Funda o centro para leprosos Prem Nivas. 1960 – Viaja pela primeira vez ao exterior para pedir reconhecimento pontifício. 1965 – As Missionárias da Caridade recebem aprovação pontifícia de Paulo VI. 1979 – Recebe o Prêmio Nobel da Paz. 1985 – Funda casas nos Estados Unidos e fala na ONU. 1997 – Morre em Calcutá, no dia 5 de setembro. 2003 – É beatificada por São João Paulo II. 2016 – É canonizada por Papa Francisco. Quando e onde nasceu Madre Teresa?  Madre Teresa nasceu em 26 de agosto de 1910, na cidade de Skopje, que hoje pertence à Macedônia. Ela era filha de pais albaneses católicos, profundamente devotos e comprometidos com a fé e a caridade, valores que marcaram sua formação desde a infância. Quando recebeu o chamado a vida religiosa?  Aos 18 anos, sentindo-se profundamente tocada pela missão de servir a Deus, ingressou na Congregação das Irmãs de Loreto, na Irlanda. Foi então que escolheu o nome religioso Teresa, em homenagem a Santa Teresinha do Menino Jesus, a padroeira das missões e exemplo de humildade e amor. Quando chegou a Índia? Logo após seu ingresso na vida religiosa, Madre Teresa foi enviada à Índia, onde passou vários anos como professora em Calcutá, dedicada à educação de meninas pobres. Foi durante esse tempo que, em meio ao sofrimento que presenciava nas ruas, viveu o que chamou de “um chamado dentro do chamado”, que a levou a fundar uma nova missão entre os mais pobres dos pobres. O chamado dentro do chamado. Em 1946, durante uma viagem de trem de Calcutá a Darjeeling, onde faria seu retiro anual, Madre Teresa viveu uma experiência decisiva. No silêncio da viagem e da oração, sentiu um apelo interior profundo: Jesus a chamava para deixar o convento das Irmãs de Loreto e viver entre os mais pobres dos pobres. Ela descreveu esse momento como um “chamado dentro do chamado”, uma certeza interior de que Deus queria algo mais: que ela fosse Sua luz nas favelas, cuidando dos doentes, dos abandonados e dos que ninguém queria amar. Esse chamado transformou sua vida. Após dois anos de discernimento e espera, recebeu a permissão da Igreja para iniciar uma nova missão. Assim, em 1950, fundou a Congregação das Missionárias da Caridade, com um carisma próprio de amor radical e serviço incondicional aos pobres, vivendo entre eles, partilhando suas dores e oferecendo dignidade aos esquecidos do mundo. A fundação das missionárias da caridade. Em 7 de outubro de 1950, com a aprovação do Papa Pio XII, Madre Teresa fundou oficialmente a Congregação das Missionárias da Caridade, em Calcutá. A nova ordem nasceu com o propósito singular de “saciar a sede de Jesus na cruz” por meio do serviço aos mais pobres entre os pobres — aqueles que vivem nas ruas, sem teto, doentes, morrendo sozinhos, rejeitados pela sociedade. O carisma da congregação é marcado pela entrega total a Cristo na pessoa dos pobres, com votos adicionais além dos tradicionais (pobreza, castidade e obediência): as irmãs também professam um quarto voto de serviço gratuito e alegre aos mais necessitados. O hábito branco com três listras azuis, simples e distintivo, tornou-se símbolo universal da caridade vivida com radicalidade. As três listras representam os votos religiosos e a devoção à Virgem Maria, Rainha da Paz. Madre Teresa escolheu esse traje em sinal de identificação com os pobres, inspirada pelas vestes das mulheres indianas mais humildes. A missão cresceu rapidamente. A partir da Índia, as Missionárias da Caridade se expandiram para todos os continentes, abrindo casas em favelas, zonas de guerra, áreas devastadas por doenças e catástrofes. O amor de Cristo encarnado no serviço atravessou fronteiras, levando consolo aos que o mundo havia esquecido. Madre Teresa e os pobres: amor até o fim. Madre Teresa não via os pobres apenas como necessitados de ajuda, mas como a própria presença de Cristo sofredor. “Para mim, cada pessoa representa Cristo e, visto que há apenas um Jesus, aquela pessoa, naquele momento, é a única no mundo”, é o que ela dizia, segundo uma de suas biografias. Seu serviço era uma forma de adoração e reparação, pois acreditava que Jesus ainda sofre nos mais desprezados e tem sede de amor. Foi com esse espírito que fundou a Casa dos Moribundos, onde cuidava com ternura dos que morriam abandonados, dando-lhes dignidade e consolo. Um dos episódios mais comoventes narra o momento em que recolheu um homem coberto de vermes das ruas de Calcutá. Conta numa de suas biografias que depois de lavá-lo com carinho, ele disse à Madre: “Vivi como um animal nas ruas, mas estou morrendo como um anjo, amado e cuidado.” Para Madre Teresa, amar era ir até os limites do sofrimento humano e fazer-se oferta escondida entre os pobres. E, com humildade, afirmava que “O que fazemos é apenas uma gota no oceano, mas o oceano seria menor sem essa gota. A espiritualidade de Madre Teresa. Por trás de tanta ação, havia um coração profundamente contemplativo. Madre Teresa fazia questão de reservar tempo diário para a adoração eucarística, a oração silenciosa e a recitação do Rosário. Seu amor à Virgem Maria era terno e constante, inspirando toda sua confiança. No entanto, sua vida espiritual também passou por uma provação intensa: durante décadas, ela experimentou o que os místicos chamam de “noite escura da alma” — uma profunda sensação de ausência de Deus. Ainda assim, permaneceu fiel, oferecendo essa aridez como sacrifício de amor. Sua fidelidade heroica, mesmo sem consolações espirituais, é um dos aspectos mais impressionantes de sua santidade. Os frutos da sua missão. Hoje, as Missionárias da Caridade estão presentes em mais de 130 países, com milhares de religiosas e voluntários. São mais de 600 casas de missão, que atendem doentes, crianças, refugiados, famílias em situação de rua, idosos abandonados, entre outros. Além da obra institucional, o legado de Madre Teresa se perpetua nos corações transformados por sua simplicidade, pela radicalidade do seu amor e pela alegria com que enfrentava a pobreza. Seu testemunho continua sendo luz para os que desejam servir a Deus servindo aos irmãos. Prêmio, reconhecimento e influência mundial. Madre Teresa tornou-se uma das personalidades mais admiradas do século XX. Recebeu diversos prêmios internacionais, sendo o mais importante o Prêmio Nobel da Paz em 1979. Em seu discurso, surpreendeu o mundo ao recusar o tradicional banquete, pedindo que o valor fosse usado para alimentar os pobres. Ela influenciou líderes políticos, religiosos e culturais com sua simplicidade e autoridade moral. Sempre discreta e humilde, nunca buscou fama, mas acabou se tornando ícone mundial de solidariedade. A morte e o processo de canonização. Quando e onde faleceu Madre Tereza? Madre Teresa faleceu em 5 de setembro de 1997, em Calcutá, onde viveu por décadas servindo aos pobres e moribundos. Sua morte gerou uma comoção mundial: líderes de diversas religiões, chefes de Estado e milhões de fiéis prestaram homenagens à mulher que se tornou símbolo universal da caridade cristã. O governo indiano lhe concedeu um funeral de Estado, testemunho do impacto profundo de sua vida entre os mais necessitados. Quando foi beatificada e canonizada? Seis anos após sua morte, em 19 de outubro de 2003, Madre Teresa foi beatificada por São João Paulo II, que a chamou de “missionária da caridade”. O reconhecimento oficial de sua santidade se concretizou em 4 de setembro de 2016, quando foi canonizada pelo Papa Francisco durante o Jubileu da Misericórdia. A Igreja proclamou Santa Teresa de Calcutá, modelo de amor concreto e serviço radical aos mais pobres entre os pobres. Os milagres atribuídos a Madre Teresa. A Igreja reconheceu dois milagres que ocorreram por intercessão de Madre Teresa. O primeiro aconteceu em 1998, na Índia: Monica Besra, uma mulher pobre e doente, sofria de um tumor abdominal gravíssimo. Após rezar com fé e aplicar sobre o ventre uma medalha que havia tocado o corpo da madre, ela foi completamente curada — fato que os médicos não conseguiram explicar. O segundo milagre foi no Brasil, em 2008. Um engenheiro, casado e pai de família, estava em coma com múltiplos tumores cerebrais. Sua esposa e sua comunidade rezaram pedindo a intercessão de Madre Teresa. Pouco depois, ele acordou e foi curado de forma inexplicável. O processo de reconhecimento de um milagre na Igreja é rigoroso. Envolve uma análise detalhada feita por médicos, especialistas e teólogos. Primeiro, deve-se comprovar que a cura foi instantânea, completa e duradoura, sem qualquer explicação científica. Depois, a Igreja analisa se houve uma invocação direta à intercessão do candidato à canonização. Só após essa investigação minuciosa é que o milagre pode ser oficialmente reconhecido. Esses milagres abriram o caminho para a beatificação em 2003 e, mais tarde, para a canonização de Madre Teresa em 2016. Frases de Madre Teresa de Calcutá. Madre Teresa deixou frases que se tornaram muito conhecidas. Veja algumas delas a seguir. Sobre o amor:

  • “Nós não podemos fazer nenhuma grande coisa – só coisas pequenas com grande amor.”
  • “O amor, para ser verdadeiro, tem de doer. Não basta dar o supérfluo a quem necessita, é preciso dar até que isso nos machuque.”
Sobre a santidade:
  • “A santidade não é um luxo, é uma necessidade.”
  • “Deus não me chamou para ser um sucesso, mas para ser fiel.”
Sobre o serviço:
  • “Não é o quanto fazemos, mas quanto amor colocamos naquilo que fazemos. Não é o quanto damos, mas quanto amor colocamos em dar.”
  • “A fome de amor é mais difícil de saciar do que a fome de pão.”
Como viver os ensinamentos de Madre Teresa de Calcutá hoje? Os ensinamentos de Madre Teresa de Calcutá não pertencem ao passado, mas são um convite urgente para o presente. Em um mundo marcado pela pressa, pelo egoísmo e pela indiferença, seu testemunho nos provoca a redescobrir o essencial: amar a Deus na carne sofredora dos irmãos. Viver como ela viveu pode parecer um ideal distante, mas começa com passos simples, concretos, possíveis. A seguir, algumas formas práticas de seguir seu exemplo hoje: Servir os pobres e sofredores. Madre Teresa nos ensinou que sempre há alguém ao nosso redor que precisa de amor. Pode ser um vizinho solitário, um enfermo, uma criança carente. Visitar, escutar, cuidar, doar o nosso tempo — esses gestos refletem a caridade concreta que ela viveu. Simplicidade e desapego. A santa de Calcutá era radicalmente pobre, por opção, para se unir aos pobres. Podemos imitá-la ao cultivar o desprendimento material, valorizando o essencial e confiando na providência. Tempo para oração e adoração. Mesmo na correria, Madre Teresa nunca deixava de estar com Jesus na Eucaristia. Podemos começar participando da Missa, ao menos aos domingos, e passando alguns minutos diários em silêncio diante do Santíssimo, pedindo um coração como o dela. Viver com alegria e acolhida. Ela dizia que “a alegria é oração, um sinal da nossa generosidade, de nosso desprendimento e de nossa união interior com Deus.” Os cristãos têm o “poder” transformar o ambiente ao seu redor com um sorriso sincero, um olhar atento, uma palavra de esperança. Oferece gestos pequenos com grande amor. Desde lavar uma louça até cuidar de um idoso, tudo pode se tornar um ato de amor quando oferecido a Deus. Esse é o caminho ordinário para uma santidade extraordinária. Uma biografia de Madre Teresa de Calcutá. E se você deseja se aprofundar na vida de Madre Teresa de Calcutá, vale muito conhecer a biografia que inspirou este livro: Madre Teresa — O segredo da santidade. O livro mostra que a santidade da madre não nasceu de feitos grandiosos ou de dons extraordinários, mas de um amor radical vivido no cotidiano. Ali você vai conhecer desde sua juventude até a “chamada dentro da chamada” que a levou a servir os mais pobres dos pobres. Vai descobrir como ela enfrentou provações interiores profundas, a famosa “noite escura da alma”, e mesmo assim perseverou no amor concreto e no serviço humilde. Mais do que uma sequência de fatos, esta biografia revela a alma de Madre Teresa — uma mulher que viveu a caridade como dom total de si. E convida cada leitor a redescobrir a beleza dos pequenos gestos e da santidade possível a todos. Abraço. Davi.

quarta-feira, 27 de maio de 2026

TAO TE CHING - POEMA XI

Lao Tse (571 a.C. 531) Tao Te Ching. O

Livro que Revela Deus

Por Huberto Rohden (1893-1981)

A Atuação do Visível no Invisível

POEMA XI

Trinta ralos convergentes no centro
Tem uma roda
Mas somente os vácuos entre os ralos
É que facultam seu movimento (1)
O oleiro faz um vaso, manipulando a argila
Mas é o oco do vaso que lhe dá utilidade
Paredes são massas com portas e janelas
Mas somente o vácuo entre as massas
Lhe dá utilidade
Assim são as coisas físicas
Quer parecem ser o principal
Mas o seu valor está no metafísico

(1). Lao Tse se refere, provavelmente, a roda de um moinho de vento, que não funciona se não houvesse interstícios entre as palhetas, por onde passa o vento.

Explicação Filosófica:
O invisível age pelo visível. A metafísica do Uno se revela na física do Verso. A aparente passividade da alma se manifesta pela atividade do corpo. A causa eterna subjaz a todos os efeitos temporários. A essência se revela em todas as existências. Quando o Todo, que é, age pelo Nada, que não é. Então algo começa a existir. Os fatos não criam valores, mas o valor produz os fatos. 

segunda-feira, 25 de maio de 2026

O DEVA E O BUDA

Budismo. Livro Vida e Doutrina de Sidarta Gautama. Por yogi Kharishnanda. O DEVA E BUDA. Capítulo VI. O Buda estava um dia no jardim de Anathapindika, na cidade de Jetavana, quando lhe apareceu um (1) Deva em figura de brâmane e vestido de hábitos brancos como a neve. (1) "Deva é um tipo de ser celestial ou deus que compartilha as características divinas de ser mais poderoso. Ter uma vida mais longa e em geral ser mais feliz que os humanos". Entre ambos se estabeleceu o seguinte diálogo: O Deva: Qual é a espada mais cortante? Qual é o maior veneno? Qual é o fogo mais ardente? Qual é a noite mais escura? O Buda: A palavra raivosa é a espada mais cortante, a inveja é o veneno mais mortal, a luxúria é o fogo mais ardente e a ignorância é a noite mais escura. O Deva: Quem obtém a maior recompensa? Quem sofre a maior perda? Qual é a armadura mais impenetrável? Qual é a melhor arma? O Buda: Quem dá sem desejo de receber é quem mais ganha. Quem recebe de outro sem devolver nada é o que mais perde. A paciência é a armadura mais impenetrável. A sabedoria é a maior arma. O Deva: Qual é o ladrão mais perigoso? Qual o tesouro mais precioso? Quem recusa o melhor que lhe é oferecido neste mundo? O Buda: Um mal pensamento é o ladrão mais perigoso. A virtude é o tesouro mais precioso. Recusa o melhor que se lhe oferece quem aspira a imortalidade. O Deva: O que atraí? O que repugna? Qual é a dor mais terrível? Qual é a maior felicidade? O Buda: O bem atrai. O mal repugna. A maior dor é a má conduta. A libertação é a maior felicidade. O Deva; O que ocasiona a ruína no mundo? O que destrói a amizade? Qual é a febre mais aguda? Qual é o melhor médico? O Buda: A ignorância arruína o mundo. A inveja e o egoísmo destroem a amizade. O ódio é a febre mais aguda. O Buda é o melhor médico. O Deva: Tenho uma dúvida e peço que me responda: O que é que o fogo não queima, nem a ferrugem consome, nem o vento abate e é capaz de reconstruir o mundo inteiro? O Buda: O benefício das boas ações. Tendo o Deva ficado satisfeito com as respostas do Buda, com as mãos juntas se inclinou respeitosamente diante dele e desapareceu. Abraço. Davi.

domingo, 24 de maio de 2026

O QUE É UMBANDA

Espiritualidade. www.emporioesoterico.com.br. O QUE É UMBANDA. A Umbanda é uma religião lindíssima, e de grande fundamento, baseada no culto aos Orixás e seus servidores: Crianças, Caboclos, Preto velhos e Exus. A Umbanda nasceu da fusão da religião africana trazida pelos negros nos tempos da colonização, a Nação, com a religião praticada pelos nossos colonizadores Europeus, o Catolicismo, e a Pajelança, que era praticada pelos Índios aqui no Brasil. A necessidade de preservar a cultura e a religiosidade, fez com que os negros associassem as imagens dos santos católicos aos seus Orixás, como forma de burlar a opressão religiosa sofrida naquela época, e assim continuar a praticar e difundir o culto as forças da natureza. A esta associação, deu-se o nome de "Sincretismo religioso", e nasceu no Brasil a religião Umbanda, com muitos preceitos e fundamentos da Nação, mas também com as imagens e menções aos santos católicos. Além do culto as forças da natureza a religião africana, a Nação, também cultuam os antepassados, e desta forma a Umbanda também o fez. Os antepassados dos que praticavam e difundiam a religião naquela época eram reis, rainhas, príncipes, princesas e até gente comum trazidas ou não da África como escravos. Estes espíritos desencarnados, são conhecidos por nós como Preto-velhos, muitos dos quais optaram por traçar a sua evolução espiritual através da prática da caridade, mantendo as características de sua última encarnação e incorporando em médiuns nos terreiros de Umbanda. Isso se pode dizer sobre os espíritos de colonos, caboclos, índios, boiadeiros, crianças e até de pessoas comuns que tiveram uma passagem difícil pela terra, e que se juntaram a esta religião por afinidade, para evoluir e ajudar outros a evoluírem através da prática da caridade: Incorporando, dando passes, passando mensagens, medicando, orientando, protegendo etc. Estes grupos de espíritos estão na Umbanda "organizados" em linhas: Caboclos, Preto-velhos, Crianças e Exus. Cada uma delas com funções, características e formas de trabalhar bem específicas, mas todas subordinadas as forças da natureza que os regem, os ORIXÁS. Na verdade, a Umbanda é bela exatamente pelo fato de ser mista como os brasileiros, por isso é uma religião totalmente brasileira. O nome Umbanda é a denominação dada a uma religião afro-brasileira que mescla ensinamentos do espiritismo kardecista, catolicismo e seitas trazidas pelos escravos africanos. A prática da Umbanda geralmente se vincula ao chamado pai ou mãe de santo, ou chefe de terreiro, uma pessoa que teria dons mediúnicos de incorporar os espíritos de pessoas falecidas (as chamadas entidades), sendo estes espíritos de índios (caboclos), negros escravos ou não (pretos velhos, Pai Joaquim, Pai Arruda, Tia Joana etc), e outros. Estas incorporações costumam ocorrer em reuniões (as sessões) num aposento grande com um altar, que é chamado de Terreiro, onde os membros (filhos de santo ou cambonos) cantam, auxiliam o chefe de terreiro nos trabalhos e no atendimento de pessoas que vão lá para se consultar com a entidade. Se estas reuniões ocorrem na rua, em matas, praias, ou exteriores em geral, são chamadas Obrigações, e nestas geralmente se deixam oferendas às entidades, como comida, flores, velas etc. Aquilo que as pessoas no Brasil designam por "macumba", na verdade é o outro ramo do sincretismo afro-brasileiro, denominado Quimbanda ou Magia Negra, considerada pelos estudiosos no assunto como um desvirtuamento, pois é fundada na prática do mal, de feitiçaria com o objetivo de prejudicar a vida de supostos "inimigos", recorrendo a espíritos como Exús, Pomba giras etc. É importante, por isso, distinguir muito bem a diferença entre Umbanda e Quimbanda. Os seguidores da Umbanda verdadeira só praticam rituais de Magia Branca, ou seja, aqueles feitos para melhorar a vida de determinada pessoa, para praticar um bem, e nunca de prejudicar quem quer que seja. Os espíritos da Quimbanda podem, no entanto, ser invocados para a prática do bem, contanto que isso seja feito sem que se tenha que dar presentes ou dinheiro ao médium que os recebe, pois o objetivo do verdadeiro médium é tão somente a prática da caridade. A Umbanda se divide em Linhas, cada uma chefiada por um Orixá (espírito com uma missão) e formada por Legiões, subdivididas em Falanges. Zambi (Deus) é o chefe supremo de todos os espíritos.

As Linhas de Umbanda são as seguintes:
  • Linha de Iemanjá - chefiada por Santa Maria e formada por Caboclas do Mar e dos Rios, Sereias, Marinheiros, etc.
 
  • Linha de Oxóssi - chefiada por São Sebastião, formada por caboclos (índios).
 
  • Linha de Ogum - chefiada por São Jorge e formada por personificações deste santo em vários setores: Ogum Beira-Mar (praias) ; Ogum Rompe-Mato (matas) ; Ogum Iára (rios), entre outros
 
  • Linha de Xangô - chefiada por São Jerônimo, formada por caboclos, Inhaçã e pretos (Quenguelê).
 
  • Linha Africana - chefiada por São Cipriano, formada por pretos de várias regiões da África.
 
  • Linha de Oxalá - chefiada por Jesus e formada por santos católicos: Santo Antônio, São Benedito, São Cosme e São Damião, Santa Rita, São Francisco de Assis, Santa Catarina e São Expedito.
 
  • Linha do Oriente - chefiada por São João Batista, formada por médicos, cientistas, Indus, Japoneses, Chineses, Árabes, entre outros.
 
É um conjunto de leis divinas, que tem sua base nos Orixás africanos, embora tenha em sua doutrina conceitos de outras religiões, como a católica, a indígena, a muçulmana, a egípcia, a védica e outras. A Umbanda é uma religião que nasceu no Brasil, trazendo em primeiro lugar os Orixás, Deuses Africanos trazidos pelos nossos escravos. Mais, para um melhor entendimento é preciso colocar desde o início da colonização do Brasil como ocorreu essa mistura de conceitos e religiosidade da Umbanda. A Igreja Católica, religião dominante na Europa, continente de nossos colonizadores, é representada na Umbanda através dos seus Santos, que na sua maioria são mártires que dedicaram suas vidas a propagação dos ensinamentos do Cristo. Quando os Jesuítas chegaram ao Brasil eles encontraram os nossos índios, verdadeiros Brasileiros com seus Deuses e crenças próprias, e tentaram lhes impor sua religião, foi a partir desta tentativa que começou a miscigenação destas raças, só que, ao contrário do previsto pelos Jesuítas, os índios não esqueceram as suas práticas e sim adaptaram os ensinamentos dos Jesuítas aos seus rituais, criando-se assim a primeira mistura de religiosidade. Os colonizadores com o tempo, começaram a respeitar a religião indígena, principalmente pela atuação dos seus pajés, chefes espirituais de cada tribo, em casos de saúde, pois, como não havia médicos, pediam a intervenção destes pajés em casos de doença. Estes pajés utilizavam ervas medicinais e rezas para afastar o mal espírito que estava se manifestando naquela pessoa através da doença, esta prática tornou-se cada vez mais usual, porém com o aumento da população, os Portugueses começaram a enviar mais missionários e médicos para interromper estas práticas, e a população começou a procurar os pajés em menor frequência e as escondidas. Muitas mulheres desta época, se interessaram pelas ervas medicinais que os pajés utilizavam, e por não conhecer as rezas que eles faziam misturavam rezas de santos Católicos com estas ervas criando-se assim as famosas rezadeiras e curandeiras do Brasil. Por isso que a influência indígena é tão forte na Umbanda, com seus Caboclos, entidades representantes destes índios que aqui estavam quando os colonizadores chegaram. Várias raças já habitaram o planeta Terra e uma delas, a mais antiga, foi a raça vermelha que surgiu na Lemúria (África e América do Sul unidas num só continente) chamada de civilização Lemuriana. Os nossos índios são os ancestrais desta raça tão antiga e importante para a nossa Umbanda e para o mundo. A Umbanda começou a se formar na época da escravatura com a mistura dos cultos africanos e da religião Católica. Os negros não podiam praticar o seu culto livremente pois a repressão católica era muito forte e, por isso começaram a sincretizar os seus Deuses com os Santos da Igreja Católica. Com a formação de quilombos, povoados construídos para refugiar os negros que trabalhavam como escravos nas senzalas, começou a tomar forma uma mistura de conceitos e religiosidade, pois, entre os próprios negros havia uma mistura de povos diferentes e de cultos também, entre estes negros estavam os bantos, congos, nagôs e outros que, por não terem representantes sacerdotais específicos de cada culto, acabaram por misturar seus conceitos e práticas ritualísticas. Junto àqueles quilombos estavam, também, algumas aldeias indígenas e essas interagiam com os negros, criando-se, assim, mais uma mistura de religiosidade entre povos. Sendo assim já temos três cultos distintos e interligados pelo destino, o Católico, o Africano e o Indígena. Para representar melhor essa mistura dentro da Umbanda, veremos: os Orixás, como representantes dos Africanos e os pretos velhos dos escravos no Brasil, os santos da Igreja Católica sincretizados com esses Orixás e as rezadeiras, mulheres brancas, que misturavam as rezas católicas com as ervas e defumações indígenas para a cura de diversos males; os caboclos representantes dos índios, adaptados a esse meio, porém, conservando o seu trabalho de magia espiritual com as ervas e os elementais. Sendo a Umbanda uma religião com base espírita, pois acredita na reencarnação do espírito e na lei do carma, ela desenvolve um trabalho de ajuda espiritual, através dos médiuns, aparelhos de trabalho das entidades, guias que trabalham na caridade, nas giras de Umbanda, ensinando-nos a amar ao próximo, a ter fé e não nos desesperar diante dos problemas que a vida nos traz. Possui na sua liturgia os rituais : casamento, batismo, confirmação, amaci, coroação e fúnebre. Todos esses rituais são realizados por entidades chefes, que são os responsáveis pela liturgia e magia na Umbanda. A Umbanda cultua alguns Orixás do Candomblé, religião Africana que foi trazida para o Brasil pelos escravos, porém sua forma de cultuar é completamente diferente. Os Orixás que foram incorporados a Umbanda são: Oxalá, Ogum, Xangô, Oxosse, Obaluaê, Oxúmarê, Yemanjá, Oxum, Iansã, Ossaim e Nanã. Na Umbanda, os Orixás são dados as pessoas como guardiões, isto é, todos são filhos de Oxalá, e alguns tem como guardiões outros Orixás que são ligados a entidade chefe do filho de fé. Como seria isso, nós temos os nossos guias de trabalho e entre eles existe aquele que é o responsável pela nossa vida espiritual e por isso é chamado de guia chefe, pode ser um caboclo, preto velho, criança, boiadeiro e até um exu, sendo que, no caso de ser um Exu, esse médium deve ser bem espiritualizado e o Exu bem doutrinado. Um médium descobre o seu guia chefe através de uma obrigação muito importante para a Umbanda, que é o Amací. Essa obrigação é para médiuns já desenvolvidos, isto é, que incorporam todos os guias de trabalho na Umbanda. Consiste em uma lavagem da cabeça deste médium com um preparado de ervas e outros elementos que tornarão o Orí, cabeça, forte o suficiente para que esta entidade se apresente e confirme seus fundamentos, seu nome, o trabalho que veio desenvolver, seus fundamentos e o Orixá a que pertence, por exemplo: um médium que tem como guia chefe o Caboclo Ventania que vem pela linha de Xangô, terá este Orixá como guardião. Existe, também, na Umbanda o Orixá ligado a data de nascimento do médium que também é considerado um Orixá guardião, sendo esse responsável pela vida pessoal do filho de fé. O termo Orixá de Coroa não pertence a Umbanda, e sim ao Candomblé, porém as vezes existe a coincidência do Orixá de coroa ser o mesmo do Orixá guardião, mas, como já disse, isso é uma coincidência a Umbanda não trata Orixá e sim o cultua de forma diferente do Candomblé e, por não cultuar todos os Orixás não pode definir Orixá de coroa. Para se saber o Orixá de coroa deve-se consultar os búzios. O que acontece é que muitas vezes os Zeladores de Umbanda são, também, iniciados no Candomblé e sabem jogar os búzios podendo, assim, falar aos seus filhos os Orixás de coroa e os Orixás guardiões. www.emporioesoterico.com.br. Abraço. Davi.

quarta-feira, 20 de maio de 2026

O SENTIDO DA EXPRESSÃO "TÚNICAS DE PELE"

Teosofia. Livro Ísis Sem Véu. Volume II. Por Helena Petrovna Blavatsky (1831-1891). Capítulo IX. Fenômenos Cíclicos I. "Não qualifiques de loucura aquilo de que nada saber" Tertuliano. "Isso não é assunto de hoje, nem de ontem, mas de sempre, e ninguém nos disse de onde veio ou como veio" Sófocles. "A crença no sobrenatural é um fato natural. Primeiro, universal e na vida e na história da raça humana. A descrença no sobrenatural é um fato natural conduz ao materialismo, o materialismo, à sensualidade e a sensualidade às convenções sociais. No meio de cujas tempestades o homem aprende a crer e a orar" Guizot. "Se alguém achar estas coisas incríveis, que guarde suas opiniões para si. Não contradiga aqueles que, por causa destes acontecimentos, são incitados ao estado da virtude" Josefo.


O SENTIDO DA EXPRESSÃO "TÚNICA DE PELE" em Gênesis 3,21 "E fez o Senhor Deus a Adão e a sua mulher túnicas de peles, e os vestiu". Das ideias platônicas é pitagóricas relativas à matéria e à força, passaremos agora à Filosofia Cabalística concernente à origem do homem. Compará-la-emos com a teoria da seleção natural enunciada por Charles Darwin (1809-1882) e Alfred Wallace (1823-1913). Talvez encontremos tantas razões pra atribuir aos antigos a originalidade neste ponto como nos assuntos que até aqui temos considerado. A nosso ver, não existe prova mais vigorosa da teoria da progressão cíclica do que o cotejo entre os ensinamentos antigos e os da Igreja Patrística a propósito da forma da Terra e dos movimentos do sistema planetário. Mesmo se faltassem outras evidências, a ignorância nestas matérias de Agostinho (354-430) e Lactâncio (240-320). Que induziram a cristandade ao erro até o período de Galileu Galilei (1564-1642), que assinalaria os eclipses por que passa o conhecimento humano de uma época a outra. Afirmam alguns filósofos antigos que as "túnicas de pele" que, segundo o terceiro capítulo do Gênese 3,21 foram dadas a Adão e Eva significam os corpos carnais. Com que os progenitores da raça humana foram vestidos na evolução dos ciclos. Sustentam eles que a forma física criada à semelhança de Deus tornou-se cada vez mais a mais grosseira. Até atingir o fundo do que se pode chamar de último ciclo espiritual, e a humanidade penetrou no arco ascendente do primeiro ciclo humano. Começou, então, uma série ininterrupta de ciclos ou yagas, permanecendo a duração precisa de cada um deles um mistério inviolável. Conservado nos recintos dos santuários e revelado unicamente aos iniciados. Assim que a humanidade entrou num novo ciclo, a Idade da Pedra, com a qual o ciclo precedente teve fim. Começou gradualmente a se transformar numa Idade Superior. A cada sucessiva Idade, ou época, os homens se refinaram mais e mais, até que o cume da perfeição possível em cada ciclo particular fosse atingido. Então, a onda em refluxo do tempo trouxe consigo os vestígios do progresso humano, social e intelectual. Os ciclos se sucederam aos ciclos transições imperceptíveis. Nações florescentes e altamente civilizadas cresceram em poder, atingiram o clímax do desenvolvimento, declinaram e extinguiram-se. A humanidade, quando o fim do arco cíclico mais baixo foi atingido, mergulhou na barbárie como no princípio. Reinos desmoronaram e as nações se sucederam às nações, do princípio até os nossos dias, as raças subindo alternadamente aos graus de desenvolvimento mais elevados e descendo até aos mais baixos. Draper observa que não há nenhuma razão para supor que um ciclo se aplique a toda a raça humana. Ao contrário, enquanto o homem numa parte do planeta está em estado de retrogressão, na outra ele pode estar progredindo em conhecimentos e em civilização. Quanto se assemelha a esta teoria a lei do movimento planetário, que força os astros a rodarem sobre seus eixos, os diversos corpos a girarem em torno dos respectivos sóis. E todo o cortejo estelar a seguir um caminho comum em redor de um centro comum. Vida e morte, luz e trevas, dia e noite sucedem-se no planeta, enquanto este gira sobre seu eixo e percorre o círculo zodiacal, que representa os ciclos menores e maiores. Lembrai-vos do axioma hermético: "Em cima como embaixo, no céu como na terra". O senhor Alfred Wallace demonstra com profunda lógica que o desenvolvimento do homem se reflete antes na sua organização mental do que na física. O homem, na concepção desse autor, difere do animal por ser capaz de sofrer grandes transformações nas condições de vida e de todo o meio ambiente. Sem maiores alterações da estrutura e da forma corporal. Ele faz face às modificações de clima com uma alteração correspondente em suas vestes, suas habitações, suas armas e suas ferramentas. Seu corpo pode tornar-se menos cabeludo, mais ereto e de cores e proporções diferentes: o crânio e o rosto estão intimamente associados ao cérebro, por serem o seu intérprete e expressarem os movimentos mais refinados de sua natureza. Só se modificam com o desenvolvimento do intelecto humano. Houve um tempo em que ele ainda havia adquirido este cérebro maravilhosamente desenvolvido, o órgão da mente, que agora, mesmo nos espécimes inferiores, o eleva muito acima dos animais superiores. Uma época em que ele tinha forma, mas não a natureza humana, em que não possuía a linguagem humana nem os sentimentos de simpatia ou morais. Mas adiante, o senhor Wallace diz que "o homem pode ter sido - ou melhor, eu creio que deve ter sido - outrora uma raça homogênea (...) no homem os pêlos que lhe cobrem o corpo desapareceram quase inteiramente". A propósito dos homens da caverna de Les Eyzies, Wallace assinala mais adiante: "A grande extensão da face, o enorme desenvolvimento do ramo ascendente da mandíbula humana (...) indicam um enorme muscular e os hábitos de uma raça brutal e selvagem". Tais são os vestígios que a Antropologia nos fornece dos homens, quando estes chegaram ao térmico de um ciclo ou começaram outro. Vejamos até que ponto eles são confirmados pela psicometria clarividente. O professor Denton submeteu, ao exame de sua esposa um fragmento de osso fossilizado sem dar à senhora. Sem dar qualquer indicação do que era o objeto. Este suscitou-lhe imediatamente retratos do povo e cenas que o professor Denton acreditava pertencerem a Idade da Pedra. Ela viu homens extremamente semelhantes a macacos, com corpo muito peludo e como se o cabelo natural fizesse s vezes de roupas. Duvido que eles possam ficar perfeitamente eretos. As articulações do quadril parecem indicar que não, disse ela. Vejo ocasionalmente uma parte do corpo de um desses seres que parece comparativamente lisa. Posso ver a pele, que é mais branca (...) Não sei se ele pertence ao mesmo período (...) à distância a face parece achatada. A parte inferior é proeminente, eles tem o que suponho que se chamam mandíbulas prognatas. A região frontal da cabeça é baixa e a parte mais baixa é muito proeminente, formando uma saliência redonda em torno da fronte, Imediatamente acima das sobrancelhas (...) Vejo agora um rosto que se parece ao de um ser humano, embora ainda tenha uma aparência simiesca. Todos parecem pertencer à mesma espécie, pois têm braços longos e corpos cabeludos. Aceitem ou não os cientistas a teoria hermética da evolução do homem a partir de naturezas superiores e mais espirituais. Eles próprios nos mostram como a raça progrediu do ponto mais baixo observado ao atual desenvolvimento. Como toda a natureza parece ser feita de analogia, será desarrazoado afirmar que o mesmo desenvolvimento progressivo das formas individuais ocorreu entre os habitantes do universo invisível? Se esses maravilhosos efeitos foram causados pela evolução sobre o nosso pequeno planeta insignificante, produzindo homens pensantes e intuitivos a partir dos tipos superiores da família dos macacos. Porque supor que os ilimitados reinos do espaço são habitados apenas por duplicatas espirituais desses ancestrais cabeludos. De braços longos e pouco pensativos, seus predecessores, e por seus sucessores até nossa época? Naturalmente, as partes espirituais desses membros primitivos da família humana deveriam ser tão bárbaras e tão pouco desenvolvidos quanto os seus corpos físicos. Embora não tenham feito nenhuma tentativa de calcular a duração do "grande ciclo", os filósofos herméticos sustentavam que. De acordo com a lei cíclica, a raça humana viva deve inevitável e coletivamente retornar um dia ao ponto de partida em que o homem foi vestido com "túnicas de pele".  Ou, para expressá-lo mais claramente, a raça humana deverá ser finalmente, de acordo com a lei da evolução, fisicamente espiritualizada. A menos que Darwin e Thomas Huxley (1825-1895) estejam preparados para provar que o homem de nosso século (XIX era da autoria) atingiu, enquanto animal e físico, o cume da perfeição. Que a evolução, por ter atingido o seu ápice, deve deter todo progresso posterior do gênero moderno, o Homo, não vemos como eles possam refutar uma dedução tão lógica. Abraço. Davi


domingo, 17 de maio de 2026

TAO TE CHING - POEMA X

Lao Tse (571a.C.531). Tao Te Ching O Livro que Revela Deus


Por Huberto Rhoden (1983-1981)

Rumo à Profundidade da Vida

POEMA X

O poder do espírito 
E a harmonia das forças
Preservam da dispersão a vida
Assim procedendo, se torna o homem
Semelhante a criança
Clarificando sempre sua visão
Purificando sempre sua vida
Segue as suas veredas
Sem jamais aberrar
Quem conduz seu povo com amor
Permite que ele mesmo se harmonize
Amparando-o em tempos de fortuna
E nas horas de infortúnio
Quem possui verdadeira sapiência
Não necessita de erudição
Sabe criar valores
E não os guarda para si
Sabe agir sem se apegar
A sua atividade
Sabe conduzir sem impelir
E nisso reside a finalidade da vida.

Explicação filosófica:
Saber tratar as coisas externas sem perder a concentração interna, ser místico por dentro e ser ativo por fora. Possuir toda a sabedoria intuitiva sem se derramar pela ciência analítica. Poder ser interessante produtivo sem nada reter para si. Poder agir sem se perder na atividade. Poder guiar outros sem os constranger - quem isso pode fazer é sábio. Abraço. Davi.