segunda-feira, 13 de julho de 2026

A MENSAGEM REDENTORA DO EDUCADOR CELESTE

Legião da Boa Vontade (LBV). Livro A Missão dos Setenta e o Lobo Invisível. Por José de Paiva Neto (1941-2025). MENSAGEM REDENTORA DO EDUCADOR CELESTE. Parte IV. Jesus não mandou seus discípulos serem alimento fácil pra "lobos invisíveis", espíritos obsessores. Ele os alertou, isso sim, sobre a natureza hostil deste orbe ainda borrascoso. Instruindo-os sobre como se desenvolver pra alcançar sucesso nas suas missões. Dessa maneira é que age um amigo. Nos relatos sobre as palavras e os exemplos de Jesus, consoante Lucas 10,1-24, encontramos notável passagem em que o Cristo de Deus entrega importante missão aos setenta discípulos. Que mais tarde, no mundo, pelo processo da reencarnação, continuariam, no decorrer dos séculos, a propagar a Redentora Mensagem do Educador Celeste. Seguindo fraterna sugestão do Irmão Flexa Dourada (Espírito), propondo-lhes esta leitura em voz alta. Em reunião do Centro Espiritual Universalista (CEU) da Religião de Deus, do Cristo e do Espírito Santo, no dia 16 de junho de 2018, pela mediunidade do sensitivo Cristão do Novo Mandamento Chico Periotto, esse Amigo do Mundo da Verdade declarou: Se a humanidade lesse um capítulo por dia da Bíblia Sagrada, ela seria bem melhor (...) Que as famílias leiam em voz alta dentro de casa. Vão espantar muitos obsessores, os "lobos invisíveis" que o Irmão de Paiva combate. Vão tirar aqueles que não tem nada a ver com os Espíritos daquela família e vão ajudar os Irmãos Espirituais no trabalho da segurança espiritual. Tudo depende de as famílias fazerem a sua parte. Enfrenta-se o mal com o Evangelho de Jesus. Essa é a grande receita! Convido-os, portanto, à inspiradora leitura, criando essa magia espiritual do Bem. A missão dos setenta discípulos. Lucas10,1-24. "Depois disto, o Senhor designou outros setenta, e os envio de dois em dois, para que o precedessem em cada cidade e lugar onde Ele estava para ir. E lhe fez a seguinte advertência: A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, pois, ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara. Ide! Eis que vos envio como cordeiros para o meio de lobos. Não leveis bolsa, nem alforje, nem sandálias, e a ninguém saudeis pelo caminho. E, em qualquer casa onde entrardes, dizei antes de tudo. Paz seja neste lar! E, se houver ali algum filho da paz, repousará sobre ele a vossa paz, se não houver, a paz voltará pra vós. Permanecei no mesmo lugar, comendo e bebendo do que eles tiverem, pois digno é o trabalhador do seu salário. Não andeis de casa em casa. Quando entrardes numa cidade e ali vos receberem, comei do que vos for oferecido. Curai os enfermos que nela houver e anunciai-lhes: Está próximo o Reino de Deus. Quando, porém, entrardes numa cidade e não vos receberem, sai pelas ruas e clamai: Até o pó que dá vossa cidade se nos pegou aos pés sacudimos sobre vós. Não obstante, sabei que está próximo o Reino de Deus. Digo-vos que, no Dia do Julgamento, haverá menos rigor para Sodoma do que para aquela cidade, (que não quis ouvir o chamamento do Senhor). Ai das cidades impenitentes! Ai de ti, Corazim. Ai de ti, Betsaida. Porque, se em Tiro e em Sidon, se tivessem operado os milagres que em vós se fizeram, há muito que elas se teriam arrependido, assentadas em panos de saco e cinza. Contudo, no Dia do Juízo Final, haverá menos rigor pra Tiro e Sidon do que para vós outras (Corazin e Betsaida). E tu, Cafarnaum, serás elevada, porventura, até ao céu? Pelo contrário, descerás até ao inferno. E, dirigindo-se de novo aos seus discípulos, disse-lhes: Quem vos der ouvidos a mim me ouve. E quem vos rejeitar a mim me rejeita. Quem, porém, me rejeitar rejeita aquele que me enviou. O regresso dos setenta. E voltaram os setenta com alegria, dizendo: Os próprios espíritos da treva se nos submeteram pelo teu nome, Jesus! Mas ele lhes respondeu: Eu via satanás caindo do céu como um relâmpago. Eis que vos dei autoridade para pisardes serpentes e escorpiões e sobre todo o poder do inimigo, e nada, absolutamente nada, vos causará mal algum. Não obstante, alegrai-vos, não porque os espíritos se vos submetem, e sim porque o vosso nome está inscrito nos céus. Jesus, o Salvador dos humildes. Naquela hora, exultou Jesus no Espírito Santo e exclamou: Graças te dou, ó Pai, Senhor dos Céus e da Terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e instruídos do mundo e as revelastes aos pequeninos. Sim, ó Pai, porque assim foi do teu agrado. Tudo me foi entregue por meu Pai. Ninguém sabe quem é o Filho, senão o Pai, e também ninguém sabe quem é o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar. E voltando-se para os seus discípulos, Jesus disse-lhes particularmente. Bem-aventurados os olhos que veem as coisas que vós vedes. Pois Eu vos afirmo que muitos profetas e reis quiseram ver o que vedes e não o viram, e ouvir o que ouvis e não o ouviram". Primeiros comentários. O Evangelho de Jesus é um compêndio de ensinamentos espirituais para reeducar as nossas almas. É a maior riqueza do mundo. Por isso, vamos perscrutar esses versículos de luz em minúcias, nas páginas que seguem. Notem, no princípio dessa extraordinária passagem, que os discípulos partiram designado pelo Divino Mestre, dois a dois, a fim de que o precedessem em cada cidade ou em lugares por onde estivesse para ir. Contudo, preveniu-lhes: A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, pois, ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara. Jesus, Lucas 10,2 e Mateus 9,37-38. É o que estou mais uma vez fazendo em um ano que surge, era o início de 2003, anunciando muitas lutas, porém igualmente admiráveis conquistas, como revela o preclaro irmão Bezerra de Menezes (Espírito). Ano de grandes desafios e de vitórias extraordinárias. Rogo, sem cessar, ao Criador que aproxime das Instituições da Boa Vontade (IBV) as almas - encarnadas e desencarnadas. Visto que os mortos não morrem, que têm comprometimento com estes sagrados ideais. Trabalhadores que verdadeiramente se empenhem nesta Seara Divina. Por isso, defini, na Carta ao Jovem da Boa Vontade, valentia, na Religião de Deus, do Cristo e do Espírito Santo, assumindo um compromisso de levá-lo honrosamente até o fim. Essa é a decisão que o Senhor da Semeadura espera de nós. Resposta de Emanuel. Em 5 de dezembro de 1956, às 23 horas, por intermédio do notável sensitivo Francisco Cândido Xavier (1910-2002), que ainda residia em Pedro Leopoldo-MG. Respondeu Emmanuel à seguinte indagação do sempre lembrado Irmão Alziro Zarur (1914-1979). Pergunta: Todos já se apresentaram, ou há outro, que estão por surgir, na Legião da Boa Vontade, de acordo com os designíos de nosso Mestre e Senhor? Emmanuel. Estejamos convictos de que as Legiões do Amor recebendo, constantemente, novos recursos de cooperação, por intermédio daqueles que se lhes agregam a bandeira do Bem. Lançando sementes do ideal ecumênico. O Divino Mestre não deixa de lançar as sementes da sua Boa Nova. Elas caem em diversos pontos: em terreno árido coberto de pedras. A beira das estradas, pelas quais pés distraídos transitam amassando-as, mas também se deparam com o solo fértil e nele crescem. Sendo regadas com os ensinamentos do Seareiro-Mor e, por conseguinte, vão sobejamente fornecendo frutos e mais frutos da melhor qualidade. Outra, semente, caiu em boa terra, deu boas colheita, a cem, a sessenta e a trinta por um, Mateus 13,8. Essa é a confiança que deposito no fervor de vocês por esta Obra, porque sei que assim o Cristo ecumênico, o Sublime Estadista o deseja. Vencer as artimanhas do predador. O ensinamento de Jesus, o Sublime Estratego, é claro: "Eis que Eu vos envio como cordeiros para o meio de lobos", e aquilo que Ele sabe, que aprendeu com o Pai - no Evangelho e no Apocalipse - transmite a seus discípulos para que possam defender a si mesmos e aos demais dos "lobos invisíveis". Isto é, para que conheçam as artimanhas do predador. Todavia, não as absorvam, tingindo de escuridão as suas almas, nem caiam em suas insinuações malévolas, porque visam a destruição das ovelhas, produzindo-lhes dores indizível, causadas pelo pensamento desgovernado. Ovelhas e Lobos. Vamos nos aprofundar ainda mais neste diretiva do Cristo. Ide! Eis que vos envio como cordeiros para o meio de lobos, Lucas 10,3. Jesus não mandou seus discípulos serem alimento fácil para "lobos invisíveis" espíritos obsessores. Ele os alertou. Isso sim, sobre a natureza hostil deste orbe ainda borrascoso, instruindo-os sobre como se desenvolver para alcançar sucesso nas suas missões. Dessa maneira é que age um amigo. Ou vocês entregam uma tarefa a um trabalhador da Seara e não o aparelham? Aquele que assim o faz é, no mínimo, incompetente ou não se interessa pelo bem dos cordeiros que por Deus lhe foram confiados. Até para tomar conta de uma porta, a sentinela tem de ser instruída a respeito de como agir. Não se dá uma incumbência a quem quer que seja sem lhe ensinar o que se sabe sobre ela. Tendo-se em vista o bom resultado que se espera do discípulo. Senão, toda obra no mundo sofreria constante solução de continuidade. Significa que não conseguiria avançar, pois, a cada ingresso de novos valores, necessitaria retornar ao início. Em consequência da falta de orientação e de treinamento correto dos novatos. Só criminoso ou criminosa assim com quem dele ou dela depende: permitir que quebre a cara, como se diz popularmente, em qualquer empresa na qual desempenha função da mais simples até a da mais alta confiança. Trata-se, tal comportamento, da ação espúria do "lobo invisível" dentro da própria casa. Atitude covarde, não somente grave infração perante as leis morais da Terra, mas, sobretudo, diante dos Preceitos de Deus. Ao nos advertir, em seu Evangelho, agora segundo Mateus 16,16 "Eu vos envio como ovelhas no meio de lobos. Sede, portanto, simples como as pombas, mas prudentes como as serpentes". O Cristo avisa nos claramente para onde nos destina em árdua e gloriosa missão e aponta-nos o comportamento correto, que devemos manter para a nossa própria defesa. Nas jornadas da vida, como fiéis trabalhadores de Deus: simplicidade aliada à prudência. O legado da perseverança. O celeste Provedor deixou-nos, no seu Evangelho, segundo Lucas 21,19, o Legado da perseverança: Na vossa perseverança, salvareis as vossas Almas. Então, perseveremos no Bem| No que tange à postura de cordeiros, é bom ressaltar que Jesus não nos aconselha a oferecer o pescoço para servir de banquete a uma alcateia voraz. Porquanto seria a negação pura e simples do que Ele afirma ao censurar, em sua boa nova, conforme os relatos de João 10,12 e 13, o mercenário que abandona as ovelhas. "O mercenário, que não é pastor, a quem não pertencem as ovelhas, vê o lobo aproximar-se, abandona as ovelhas e foge, então, o lobo as arrebata e dispersa. Ora, o mercenário foge, porque é mercenário e não tem amor pelas ovelhas". E mais: o Divino Pegureiro que o pastor de verdade dá a sua vida por elas. Evangelho consoante o discípulo amado, 10 - 15. "Eu sou o Bom Pastor. O Bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas. Eu sou o Bom Pastor e reconheço as minhas ovelhas, e elas me reconhecem. Assim como o Pai me reconhece, Eu também reconheço o Pai e dou a minha vida pelas ovelhas". Combate ao pensamento desgovernado. O ensinamento de Jesus, o Sublime Estratego, é claro: "Eis que eu vos envio como cordeiros para o meio de lobos" e aquilo que Ele sabe, que aprendeu com o Pai, no Evangelho e no Apocalipse, transmite a seus discípulos para que possam defender a si mesmos e aos demais dos "lobos invisíveis". Isto é, para que conheçam as artimanhas do predador. Todavia não as absorvam, tingindo de escuro as suas almas. Nem caiam em suas insinuações malévolas, porque visam à destruição das ovelhas, produzindo-lhes dores indizíveis, causadas pelo pensamento desgovernado. Mas o que é o pensamento desgovernado? Veremos no capítulo seguinte. A primeira caridade. Ao dedicar minha vida sem interrupção, integralmente ao trabalho na LBV, em especial a partir de 29 de junho de 1956, Dia de São Pedro e São Paulo. Quando ingressei na Seara a Boa Vontade, luto a todo instante por merecer a Caridade de Deus. Fortalecido, pois, por ela, cheio de esperança e na certeza da continuação dessa tarefa, prossigo nesse maravilhoso caminho. Em todos os momentos, com humildade, tenho buscado guardar em minha alma aquele ímpeto que magicamente nos impulsiona quando descobrimos o ideal divino de nossa vida: a Primeira Caridade. O irmão Zarur ensinava que: a LBV - Legião da Boa Vontade - é um compromisso que não cessa nem com a morte. Daí concluímos: quanto mais em plena vida física! Tenho absoluta convicção de que, em minha jornada, sempre contarei com os veteranos Legionários da Boa Vontade de Deus, da Terra e do Espaço. Com os da nova safra com que o Celeste Educador perpetua a sua Obra. Abraço. Davi.

sexta-feira, 10 de julho de 2026

OS ANALECTOS - LIVRO XI

Confucionismo. www.https//rt.br. OS ANALECTOS – LIVRO XI. 1. O Mestre disse: “Quanto aos ritos e à música, os primeiros discípulos que vieram até mim eram camponeses, ao passo que aqueles que vieram depois eram cavalheiros. Quando se trata de pôr em uso os ritos e a música, sigo os primeiros”. 2. O Mestre disse: “Nenhum daqueles que estiveram comigo em Ch’en e Ts’ai jamais foram além da minha porta”. [122] 3. Conduta virtuosa: Yen Yüan, Min Tzu-ch’ien, Jan Po-niu e Chung-kung; discurso: Tsai Wo e Tzu-kung; governo: Jan Yu e Chi-lu; cultura e educação: Tzuyu e Tzu-hsia. 4. O Mestre disse: “Hui não me é de nenhuma utilidade. Ele fica satisfeito com tudo o que digo”. 5. O Mestre disse: “Que bom filho é Min Tzu-ch’ien! Ninguém encontra nada de ruim naquilo que seus pais e irmãos têm a dizer sobre ele”. 6. Nan Jung sempre repetia as linhas sobre o cetro de jade branco. [123] Confúcio deu-lhe a filha de seu irmão mais velho em casamento. [124] 7. Chi K’ang Tzu perguntou qual dos seus discípulos tinha sede de aprender. Confúcio respondeu: “Havia um chamado Yen Hui que tinha sede de aprender, mas infelizmente o tempo que lhe foi concedido era curto, e ele morreu. Agora, não há ninguém”. 8. Quando Yen Yüan morreu, Yen Lu [125] pediu que o Mestre lhe desse sua carruagem para pagar um caixão externo para o seu filho. O Mestre disse: “Todos defendem o próprio filho, tenha este talentos ou não. Quando Li [126] morreu, ele tinha um caixão, mas não um caixão externo, eu não fui a pé para fornecer a ele um caixão externo porque não teria sido apropriado que eu fosse a pé, já que assumi um cargo entre os ministros do reino”. 9. Quando Yen Yüan morreu, o Mestre disse: “Ai! O Céu está me destruindo! O Céu está me destruindo!”. 10. Quando Yen Yüan morreu, ao chorar por ele, o Mestre mostrou muita tristeza. Seus seguidores disseram: “Mestre, a tristeza que o senhor está mostrando é excessiva”. “É? Se não por ele, por quem deveria eu mostrar tristeza excessiva?” 11. Quando Yen Yüan morreu, os discípulos quiseram dar-lhe um funeral suntuoso. O Mestre disse: “Não seria apropriado”. Mesmo assim, deram-lhe um funeral suntuoso. O Mestre disse: “Hui me tratava como um pai, e, no entanto, fui impedido de tratá-lo como um filho. Não foi por escolha minha. Foi coisa desses outros”. 12. Chi-lu perguntou como os espíritos dos mortos e os deuses deveriam ser servidos. O Mestre disse: “Você sequer é capaz de servir aos homens. Como poderia servir aos espíritos?”. “Posso perguntar sobre a morte?” “Você sequer entende a vida. Como poderia entender a morte?” 13. Quando na presença do Mestre, Min Tzu parecia respeitoso e digno; Tzu-lu parecia resoluto; Jan Yu e Tzu-kung pareciam afáveis. O Mestre ficava feliz. “Um homem como Yu não morrerá de morte natural.” [127] 14. O povo de Lu estava reconstruindo o tesouro. Min Tzu-ch’ien disse: “Por que não apenas restaurá-lo? Por que ele precisa ser totalmente reconstruído?”. O Mestre disse: “Este homem ou não fala, ou vai direto ao âmago da questão”. 15. O Mestre disse: “O que o alaúde de Yu está fazendo do lado de dentro da minha porta?”. Os discípulos deixaram de tratar Tzu-lu com respeito. O Mestre disse: “Pode ser que Yu não tenha entrado nas dependências íntimas, mas ele subiu até o salão”. 16. Tzu-kung perguntou: “Quem é superior, Shih ou Shang?”. O Mestre disse: “Shih passa do alvo; Shang não chega até ele”. “Isso significa que Shih é, de fato, o melhor?” O Mestre disse: “Tanto aquele que passa do alvo quanto o que não chega até ele não atingem o objetivo”. 17. A riqueza da família Chi era maior do que a do duque de Chou, e mesmo assim Ch’iu ajudou-a a enriquecer ainda mais por meio do recolhimento de impostos. O Mestre disse: “Ele não é discípulo meu. Vocês, meus jovens amigos, podem atacá-lo abertamente ao rufar dos tambores”. [128] 18. O Mestre disse: “Ch’ai é estúpido; Ts’an é devagar; Shih é parcial; Yu é justo”. 19. O Mestre disse: “Talvez Hui seja difícil de se aprimorar; ele constantemente se permite cair em uma pobreza abjeta. Ssu recusa-se a aceitar seu quinhão e se põe a ganhar dinheiro e frequentemente está certo em suas conjecturas”. 20. Tzu-chang perguntou sobre o caminho do homem bom. O Mestre disse: “Tal homem não segue os passos de outras pessoas; tampouco é admitido nas dependências íntimas”. [129] 21. O Mestre disse: “Alguém que simplesmente apoia opiniões tenazes é um cavalheiro? Ou está ele apenas tentando aparentar dignidade?”. 22. Tzu-lu perguntou: “Deve-se imediatamente colocar em prática o que se ouviu?” O Mestre disse: “Como seu pai e irmãos mais velhos ainda estão vivos, dificilmente você estará em posição de colocar imediatamente em prática o que ouviu”. Jan Yu perguntou: “Deve-se imediatamente colocar em prática o que se ouviu?”. O Mestre disse: “Sim. Deve-se”. Kung-hsi Hua disse: “Quando Yu perguntou se se deveria imediatamente colocar em prática o que se ouviu, o senhor apontou que o pai e os irmãos mais velhos dele estavam vivos. E, no entanto, quando Ch’iu perguntou se se deveria imediatamente colocar em prática o que se ouviu, o senhor respondeu que sim. Estou confuso. Pode me iluminar?”. O Mestre disse: “Ch’iu é acanhado. É por essa razão que eu tentei encorajá-lo. Yu tem a energia de dois homens. É por essa razão que tentei refreá-lo”. 23. Quando o Mestre foi emboscado em K’uang, Yen Yüan ficou para trás. O Mestre disse: “Pensei que você tinha encontrado a morte”. “Enquanto o senhor, Mestre, estiver vivo, como eu ousaria morrer?” 24. Chi Tzu-jan perguntou: “Podem Chung Yu e Jan Ch’iu ser considerados grandes ministros?”. O Mestre disse: “Eu esperava uma pergunta um tanto diferente. Nunca me ocorreu que você fosse me perguntar sobre Yu e Ch’iu. O termo ‘grande ministro’ refere-se àqueles que servem ao seu governante de acordo com o Caminho e que, quando isso não mais é possível, demitem-se do cargo. Agora, homens como Yu e Ch’iu pode ser descritos como ministros apontados para preencher vagas”. “Nesse caso, são eles do tipo que sempre fará o que lhes for mandado?” “Não. Não o farão quando se tratar de parricídio ou regicídio.” 25. Na ocasião em que Tzu-lu fez de Tzu-kao prefeito de Pi, o Mestre disse: “Ele está arruinando o filho de outro homem”. Tzu-lu disse: “Há as pessoas comuns e os oficiais, e há os altares para os deuses da terra e dos grãos. Por que seria necessário ler livros para aprender?”. O Mestre disse: “É por essa razão que não gosto de homens de fala astuciosa”. 26. Tzu-lu, Tseng Hsi, Jan Yu e Kung-hsi Hua estavam sentados com o Mestre. Este disse: “Não se sintam constrangidos só porque sou um pouco mais velho do que vocês. Agora vocês têm o hábito de dizer: ‘Minhas habilidades não são apreciadas’, mas se alguém apreciasse suas habilidades, digam-me o que vocês fariam”. Tzu-lu prontamente respondeu: “Se eu fosse administrar um reino de mil carruagens, situado entre poderosos vizinhos, perturbado por invasões armadas e ameaçado constantemente pela fome, eu poderia, ao cabo de três anos, dar coragem ao povo e um senso de dever”. O Mestre sorriu para ele. “Ch’iu, e quanto a você?” “Se eu fosse administrar uma área medindo sessenta ou setenta li quadrados, ou até mesmo cinquenta ou sessenta li quadrados, eu poderia, ao cabo de três anos, fazer a população crescer até um nível adequado. Quanto aos ritos e à música, eu deixaria isso para cavalheiros mais capazes.” “Ch’ih, e quanto a você?” “Não digo que eu já tenha a habilidade, mas estou aprendendo. Em cerimônias, no templo ancestral ou em reuniões diplomáticas, eu gostaria de participar como um pequeno oficial encarregado do protocolo, devidamente vestido com meu gorro e meu traje cerimonial.” “Tien, e você?” Após algumas notas finais, veio a nota derradeira, e então ele colocou o alaúde de lado e se levantou. “Difiro dos outros três em minhas escolhas.” O Mestre disse: “E que mal há nisso? Afinal de contas, cada homem está dizendo aquilo que está no seu coração”. “No final da primavera, uma vez confeccionadas as roupas da estação, eu gostaria de, junto com cinco ou seis adultos ou sete meninos, ir tomar banho no rio Yi e aproveitar a brisa no Altar da Chuva e então voltar para casa entoando poesias.” O Mestre suspirou e disse: “Estou de pleno acordo com Tien”. Quando os três foram embora, Tseng Hsi ficou para trás. Ele disse: “O que acha do que os outros três disseram?”. “Estavam apenas dizendo aquilo que estava em seus corações.” “Por que você sorriu para Yu?” “É por meio dos ritos que um reino é administrado, mas do modo com que ele falou, Yu mostrou falta de modéstia. Foi por isso que sorri para ele.” “No caso de Ch’iu, não estava ele pensando em um reino?” “O que pode justificar que alguém diga que sessenta ou setenta li quadrados de terra ou até mesmo cinquenta ou sessenta li quadrados não merecem o nome de reino?” “No caso de Ch’ih, não estava ele falando de um reino?” “O que são cerimônias no templo ancestral e reuniões diplomáticas senão questões que dizem respeito a governantes de reinos? Se Ch’iu desempenha apenas um pequeno papel, quem seria capaz de desempenhar um papel maior?” www.https//rt.br. Abraço. Davi

quarta-feira, 8 de julho de 2026

CABALA. MITOS E VERDADES - Parte X

Judaísmo. Um Guia para a Sabedoria da Cabala. Por Michel Laitman. CABALA. MITOS E VERDADES. Parte X. Quando as Letras e Palavras acrescentam. Pontos principais. Entendendo as letras, palavras e números hebraicos. A conexão Criador-criação-desejo. A forma como números, palavras e letras refletem a nossa própria correção. O idioma hebraico, e o modo como é escrito, é o resultado direto da comunicação com os Mundos Superiores. A combinação das letras e as pinceladas de tinta que as criam são atadas com o conhecimento espiritual. Da mesma forma, as letras, palavras e números, que normalmente são coisas separadas, estão intrinsecamente unidos na Cabala. Entender as suas relações dá maior significado espiritual a cada um deles. Cada letra, e as palavras que elas formam, tem sua própria história espiritual para contar. Então, vamos começar a falar delas. As ligações entre letras, palavras e números. Na língua hebraica, cada letra corresponde a um número. Como resultado, qualquer palavra ou nome pode se tornar uma série de números. Os números podem ser tomados um de cada vez, ou somados juntos. As letras são resultado das sensações espirituais. A direção das linhas e das formas numa letra têm um significado espiritual. Como resultado, as letras hebraicas são códigos para as sensações que o escritor recebe do Criador. Quando uma letra ou palavra é escrita, o autor está nos dando sua percepção consciente do Criador. O Criador está agindo nelas à medida que são escritas. À cor também é uma pista para o modo como a criação, tinta preta, trabalha de mãos dada com o Criador, livro branco. Sem isso, você não pode entender a escrita ou a história da criação, e o que ela significa para você. Um mapa da espiritualidade. A Torah é o texto principal do Judaísmo, o Velho Testamento no Cristianismo, bem como um texto Cabalístico. Suas letras mostram toda a informação que irradia do Criador. Nas letras hebraicas há dois tipos básicos de linhas, representando dois tipos de luz. As linhas verticais representam a Luz da sabedoria ou do prazer. As linhas horizontais representam a Luz da misericórdia ou da correção. Existem também diagonais e linhas circulares que tem significados específicos em cada letra, mas isso está além do alcance deste livro. Os códigos são oriundos das mudanças na Luz, à medida que ela desenvolve o nosso Kli, é chamada Taamim, sabores, e quando sai chama-se Nekudor, pontos. As memórias ou recordações da entrada da Luz são Otior, letras. Todas as letras começam com um ponto. Um ciclo completo de um estado espiritual contém: a entrada, a saída, as recordações da entrada, e as recordações da saída. O quarto e último elemento cria as letras. Os outros três elementos são escritos como símbolos minúsculos, Taamim, acima das letras caracteres, tagin, dentro das letras e pontos, Nekudot, debaixo das letras. Com a correta instrução para ler a Torah, os Cabalistas podem ver o seu passado, presente e futuro. Através da contemplação destes símbolos em cada uma de suas combinações. Mas para isso, não basta simplesmente ler o texto. Devemos enxergar os códigos. Certas combinações de letras podem ser usadas no lugar da linguagem das Sefirot e dos Partzufim, quando descrevemos ações espirituais. Os objetos e as ações mostradas nas letras e suas combinações, também podem dar uma descrição do mundo espiritual. A chave para se ler a Torah desta forma é O Zohar. Em essência, o livro contém comentários sobre as cinco partes da Torah - Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio - e explica o que está oculto no texto de Moisés. As letras representam a informação sobre o Criador. Mais precisamente, elas descrevem a experiência do indivíduo sobre o Criador. Os Cabalistas descrevem o Criador como uma Luz branca, o fundo do papel onde são escritas as letras e as palavras. As percepções da criatura sobre o Criador enfatizam sensações que uma pessoa sente experimentando-O, usando letras e palavras. É por isso que a Escritura hebraica tradicional é feita om letras pretas sobre um fundo branco. Pontos e linhas. Os pontos e as linhas nas letras hebraicas são formas sobre o papel, que está em branco e vazio. O papel é a Luz ou o Criador. A tinta preta é a criação. Uma linha vertical, significa que a Luz desce de cima - do Criador para a criação. Uma linha horizontal, significa o Criador está se relacionando com toda a existência - como a varredoura de uma paisagem. A forma das letras hebraicas vem da combinação de Malchut, representada em preto, e Bima, representada em branco. O ponto preto é Malchut. Quando o ponto se conecta a Luz, isso expressa o modo como ele recebe a Luz através de todos os tipos de formas e aspectos. As formas mostram os diferentes modos que a criação, tinta preta, reage ao Criador, o fundo branco. Cada letra representa uma combinação de forças. A sua estrutura e o modo como as letras são pronunciadas expressa as qualidades do Criador. Nós expressamos as qualidades espirituais que alcançamos através das formas. Preto no branco. As letras hebraicas também representam Kelim. O Zohar nos diz que as letras compareceram uma por uma diante do Criador, e pediram para serem selecionadas para servi-los na criação do Universo. Simplificando, as letras pediram para receber sua bênção e entregá-la à criação como um Kli, vaso, recebe água e a derrama para fora, para manter a vida. O branco simboliza a Luz, dar, e o preto simboliza a escuridão, receber. Por isto, as propriedades do Criador são totalmente Brancas,  simbolizadas pelo livro branco. O preto é a criação, simbolizada pela tinta preta. Sozinhos, Criador e criação não podem ser compreendidos. Juntos, produzem letras e símbolos que podem ser lidos e compreendidos. Pense nisso, sem uma criação, podemos realmente chamar o Criador de "Criador"?". Para ser Criador, Ele precisa criar. Este dualismo Criador-criação é a base de tudo aquilo que existe. Nós só podemos falar de criaturas, nós não experimentamos a Luz, a menos que ela bata em algo. Para sentir a Luz, a mesma deve ser interrompida por algo, como a retina e o Criador. Elas não são apenas linhas pretas, elas formam formas nítidas porque representam relações corrigidas entre a criação e o Criador. Essa união é construída em cima do contraste e da colisão. Como criaturas, nós não experimentamos a Luz, a menos que ela bata em algo. Para sentir a Luz, a mesma deve ser interrompida por algo, como a retina em nossos olhos. A superfície de um objeto som, luz ou qualquer tipo de onda, colide com nossa percepção. Isto impede que o objeto continue, e nos permite senti-lo. Porque o papel é como a Luz, e deve ser contido com linhas pretas, letras. Isso permite que a pessoa sinta a Luz e aprenda com ela. As linhas pretas das letras são vistas como uma barreira para a Luz. Isto porque o preto, a cor, é o oposto da Luz. A Luz bate contra a Masach da criatura, ela quer entrar no Kli e dar prazer.  Ao invés de desviá-la, a luta entre a rejeição da Masach e o golpe da Luz cria uma poderosa ligação. É nessa colisão que se baseia a relação entre a Luz e as letras. Deste modo, as linhas pretas das letras das letras limitam ou restringem a Luz. Quando a Luz "bate" numa linha, é forçada a parar e, então, o Kli pode estudá-la. Acontece que o único modo de aprender algo a respeito do Criador é parando a sua Luz - restringindo e estudando-a. Ironicamente, exatamente quando contemos o Criador é que aprendemos a ser tão livres quanto Ele. De certo modo, a Masach é como um prisma: a rejeição da Luz quebra a mesma nos elementos que a compõem, e isto nas criaturas, permite estudá-la e decidir o quanto de cada, cor, queremos usar. Letras e mundos. O alfabeto hebraico é formado por 22 letras. As primeiras nove letras, de Alef a Tet, representam a parte inferior de Bina. As nove letras seguintes, de Yod à Tzadik, representam Zeir Anpin, e as últimas quatro letras, de Kof à Tav, representam Malcht, a própria criatura. Além das letras regulares há cinco letras finais na língua hebraica. Se olharmos para a ilustração seguinte, veremos que elas não são letras novas. Elas utilizam os mesmos nomes que as 22 letras originais. Há uma boa razão para isso. Todas as 22 letras originais estão no mundo de Atzilut, o mais elevado dos cinco mundos introduzidos no capítulo 7. Como as 22 letras originais estão no mundo mais próximo do Criador, elas descrevem uma conexão corrigida entre a criação e o Criador. As cinco letras finais fazem o contato entre o estado corrigido, Mundo de Atzilut, e os mundos do estado não corrigido, Beria, Yetzira e Assiya (BYA). Como há cinco fases na criação, deve haver cinco formas finais de contato entre Atzilut e BYA, consequentemente, as cinco letras finais.

The Hebrew Letters and Numeric Values:  A letra Bet é a primeira dá Torah e a segunda no Alfabeto Hebraico. Aleph 1. Bet 2. Gimet 3. Dalet 4. Hey. 5. Vav 6. Zayn 7. Het 8. Tet 9. Yod 10. Chaf 20. Lamed 30. Mem 40. Nun 50. Samech 60. Ain 70. Peh 80. Tzadik 90. Kot 100. Reish 200. Shin 300 Tav 400. Letras finais: Final Chat 20. Final Mem 40. Final Nun 50. Final Peh 80. Final Tzadik 90. 

Ela é a primeira da Torah porque Bet representa a conexão corrigida entre Bina e Malchut, chamada Beracha, benção. Uma benção é recebida quando Malchut, a criaçao, nós, consegue se conectar a Bina, o Criador. Nós só nos conectamos a Ele quando queremos ser como Ele, e esse é o significado de uma conexão corrigida. Quando Malchut pede para ser como Bina - isto é, quando você e eu queremos ser como o Criador - é chamada benção, Beracha, de uma conexão corrigida. Unidade, dezenas, centenas e mais além. As letras são divididas em três categorias numéricas: unidades, dezenas e centenas. O nível de Bina corresponde as unidades: Aleph, Bet, Gimel, Dalet, Hey, Vav, Zayin, Het, Tet. Essas são as nove (1-9) Sefirot de Bina. O nível de ZA corresponde as dezenas: Yod, Chaf, Lamed, Mem, Nun, Samech, Ayin, Peh, Tzadik. Essas são as nove (10-90) Sefirot de ZA. O Nível Malchut corresponde as centenas: Kof, Reish, Shin, Tav, as quatro (100-400) Sefirot de Malchut. Uma pergunta óbvia vem à mente: e os números acima de 400? A resposta é que o hebraico é uma língua espiritual e não matemática. Tudo nele representa estados espirituais, e nenhum outro número a mais é necessário para descrever a estrutura do mundo de Atzilut, a casa das letras. Em outras palavras, com essas 22 letras, podemos descrever tudo, do princípio da criação até o infinito. Então, o que acontece quando queremos expressar números complicados, como 248? Usamos três letras: Reish (200), Mem (40), Het (8). E se quisermos escrever um número maior que 400, como 756? Usamos mais de três letras: Tav (400) + Shin (300) + Num (50) + Vav (6) = 756. É óbvio que podemos alcançar este número usando muitas combinações diferentes, mas é importante lembrar que, se duas palavras somarem o mesmo número, elas são sinônimas do ponto de vista espiritual, e têm o mesmo significado espiritual. Vejamos agora como esta discussão sobre números tem relação com a evolução do desejo espiritual, explicada na Cabala. Quando os números representam o tamanho do nosso Kli, quanto maiores os números, mais Luz entra neles. Se forem apenas unidades em nosso desejo, isto é, se tivermos um desejo pequeno, uma quantia pequena de Luz está presente. Se forem adicionadas dezenas e aumentarmos o nosso desejo, mais Luz entra. Se centenas forem adicionadas e o nosso desejo alcançar o nível máximo a Luz simbolizada pelas letras preenche nosso Kelim espiritual. Porém, as coisas se complicam, à medida que a Cabala tem uma exceção. Os números também podem representar a Luz, e não só os desejos. Neste caso, as unidades, Luzes pequenas, estão em Malchut, as dezenas estão em ZA, e as centenas estão em Bina. Isto se deve a uma relação inversa entre a Luz e o Kli, desejo. Isto pode parecer confuso, mas é porque a Luz mais elevada do Criador só entra no nosso Kli quando ativamos nossos desejos mais baixos. Aqui estão os valores numéricos de cada nível, expressos em termos da Luz que representam, e o nível no qual preenchem seus vasos: Bina - Luz (100), Kli (1). ZA - lUZ (10), kli. Malchut - Luz (1), Kli (100). Se Deus = Natureza, e a Natureza = Desejo, então ... Eis outra coisa a se pensar: se calculamos os valores numéricos das letras nas palavras Ha Teva, a natureza, elas somam 86. Depois, se calculamos o valor das letras na palavra Elohim, Deus, elas somam 86. Finalmente, se calculamos o valor das letras na palavra Kos, copo, xícara, elas também somam 86. Isso mostra a equivalência entre Deus, copo e natureza na Cabal, que observamos no capítulo 2. Eis como funciona. Nós já dissemos que, se duas palavras somarem o mesmo número, ambas têm o mesmo significado espiritual. Então, a declaração que a Cabala faz abaixo é muito interessante, ainda que um pouco complexa. A natureza e o Criador são a mesma coisa. O fato de não os vermos assim não torna isso menos verdadeiro. Assim como o fato de não percebermos uma bactéria a olho nu não impede que ela afete nossos corpos. Na Cabala, uma xícara representa um Kli, ou seja, um desejo de receber. Portanto, a natureza e o nosso Kli são a mesma coisa. Também aqui, o fato de não os sentirmos não significa que isso não seja verdade. Mas o fato de ambos terem os mesmos valores significa que temos a oportunidade de corrigir, transformar, nosso desejos para combinarem com a estrutura da natureza. Quando combinamos nossos desejos, Kli, com os da natureza, também os combinamos com o Criador, porque a natureza e o Criador são sinônimos. Em palavras simples, quando igualamos nosso Kli com a natureza, descobrimos o Criador. Em termos de uma equação é como: Se A=B e B=C, então A=C. Os blocos construtores da vida. O nome de todos estes "passatempos" que os Cabalistas fazem com as letras e os números chama-se Gematria. Antigos Cabalistas aperfeiçoaram a Gematria a tal ponto que pudessem e puderam descrever o conjunto da criação, e a relação Criador e criação usando a Gematria como demonstram as próximas seções. A Gematria é uma expressão do estado de um Kli que descobre o Criador dentro de sua própria estrutura. O Kli é composto de 10 Sefirot, divididas na ponta do Yod e nas letras Yod, Hey, Vav e Hey novamente. Esta estrutura de quatro letras é conhecida como tetragrammaton, em grego, HavayaH, em hebreu e Iavé, IHVH ou Jeová em português. A primeira Sefira, Keter, pertence à extremidade superior do Yod. A segunda Sefira, Hochma ao Yod. A terceira Sefira, Bina, ao Hey. A próxima Sefira (ZA) contém seis Sefirot internas: Hesed, Gevura, Tifferet, Netzah, Hod e Yesod. Todas essas Sefirot estão contidas na letra Vav. O último Hey é Malchut, que também é a última Sefira. De fato, HaVaYaH não é apenas a estrutura de um Kli, e a estrutura de todo Kli - e de tudo que foi, é,e será. O elemento fundamental da existência. Como um holograma, quanto menor você cortá-lo, sempre terá uma estrutura completa de 10 Sefirot, contida em HaVaYaH. É também por isso que estas quatro letras incluem a palavra havayah, um termo genérico em hebraico significa existência, ser. Abrão tomou a tarefa para si - você também pode. É importante entender que há uma relação entre as letras Sefirot e o Kli. Porque na Cabala o nome de uma pessoa representa o seu Kli espiritual. Por exemplo, Abraão representa um tipo muito específico de relação entre o Criador e a criação. Abraão representa uma alma que fez certo tipo de correção. Quando nasceu, o seu nome era Abrão. Mas, depois que se corrigiu, transformando seus desejos egoístas em altruístas, ele mudou o seu nome para Abraão. O a, letra hey em hebraico, que foi acrescentado em seu nome representa o Hey de Bina, a qualidade altruísta do Criador. Isto indica que ele se elevou àquele nível espiritual. Descubra sua raiz, descubra seu nome. Todas as letras existem dentro de nós e em nenhuma outra parte. Elas são kelan espirituais, experiências que cada um de nós sentiu e sentirá novamente, à medida que nos desenvolvemos espiritualmente. Os Kelim percebem o Criador, e quando aprendermos o verdadeiro significado das letras, encontraremos dentro de nós todas as linhas, pontos e círculos que simbolizam nossa conexão com o mundo espiritual. Todo indivíduo tem algo chamado "a raiz da alma". À medida que subimos a escada espiritual e descobrimos as letras, as palavras e os números dentro de nós, nos aproximamos gradualmente de nossos verdadeiros egos. O Criador só criou uma criação. Essa criação foi dividida em 6000.000 partes, que se partiram nas bilhões de almas que temos hoje no mundo. A medida que subimos a escada, percebemos que somos um corpo, e descobrimos nosso lugar nele. Esta é a raiz da nossa alma. Cada raiz tem seu próprio nome, e quando alcançamos a raiz da nossa alma, descobriremos nosso lugar no sistema de criação e quem realmente somos. Descreveremos isso com um nome que é exatamente o nosso próprio. Em resumo. As letras hebraicas descrevem a relação de um Cabalista com o Criador. As letras hebraicas carregam valores numéricos semelhantes indicando semelhança espiritual. Os valores idênticos demonstram sinonímia espiritual. Deus = natureza e natureza = desejo, Kli. Consequentemente, Deus = desejo. A medida que subimos a escada espiritual, descobrimos as letras em nosso interior, conforme o nosso estágio espiritual. É assim que descobrimos o nosso verdadeiro nome. Abraço. Davi

domingo, 5 de julho de 2026

A FÉ DE SARIPUTRA

Budismo. Livro Vida e Doutrina de Sidarta Gautama. Por Yogi Kharishnanda. A FÉ DE SARIPUTRA. Capítulo IX. O Senhor Buda voltou de Nalanda com inúmeros discípulos e deteve-se num bosque de mangueiras. Aproximou-se dele o venerável Sariputra, que lhe disse, depois de saudá-lo respeitosamente: Mestre, a fé que eu tenho no Senhor é tão firme que, no meu entender, não há nem haverá outro maior, no concernente à suprema sabedoria. O Senhor Buda respondeu-lhe: As palavras de sua boca são audaciosas, ó Sariputra. Sem dúvida elas irromperam num momento de êxtase. Conhece por acaso todos os que em épocas passadas também foram Budas? Não, Senhor, respondeu Sariputra. Você vislumbrou os que num futuro longínquo há de ser Budas? Não, senhor. Porém, ao menos, ó Sariputra, conhecerá a mim com Buda vivente, e terá penetrado em meu espírito. Tampouco, senhor. Então você vê, Sariputra, que não conheceu os Budas do passado, nem vislumbrou os do futuro. Por que, então, uma afirmação tão temerária? Por que um elogio tão desmensurado? Oh, Senhor! Não conheço o coração dos Budas passados e futuros, nem o seu que agora é. Só conheço os fundamentos da fé. Um rei poderia ter edificado na fronteira do seu reino uma fortaleza, com sólidos muros cimentados. Com sentinelas de atalaia para deter os estrangeiros e não deixar entrar mais ninguém além de seus amigos. Mas assim como poderiam existir no muro algumas pequenas rachaduras por onde entrasse um gato e observasse a fortaleza. Do mesmo modo eu conheço os fundamentos da fé. Sei que os Budas passados forma sempre avessos à luxúria, à preguiça, ao orgulho, à dúvida, a todos os vícios e fraquezas que debilitam o homem. Que eles exercitaram as cinco modalidades de atividade mental e alcançaram a iluminação. E sei que o mesmo fará os Budas futuros, e o mesmo o senhor faz. Grande é a sua fé, não a quebre. Abraço. Davi

sexta-feira, 3 de julho de 2026

AKSHARA PARABRAHMA YOGA - O CAMINHO PARA A DIVINDADE SUPREMA

Hinduísmo. Bhagavad Gita. A Mensagem do Mestre. AKSHARA PARABRAHMA YOGA - O CAMINHO PARA A DIVINDADE SUPREMA. Capítulo VIII. Deus está sempre presente em tudo, vivificando e iluminando todos os seres. Quem se deixa iluminar pelos raios da sabedoria, torna-se sábio. A sabedoria Divina nele é uma força viva que a conduz ao conhecimento da imortalidade. 


1.Então dirigiu Arjuna ao Mestre Divino as seguintes perguntas? Diz-me, ó imortal: Que é Brahma? Que é Adhyatman? Que é karma? Que é Adhibhuta e Adhidaiva? 2. Como pode, Ó Fortíssimo Herói! Adhiyajna (o Supremo Sacrifício) estar neste corpo, e como podem conhecer-te na hora da morte aqueles que a Ti se dedicaram! 3. Explica o Verbo Divino: Brahma, o Criador, é o Ser Supremo, o Ser Indiviso, simples e eterno. A sua essência chama-se Adhyatman, alma das almas. Eu mesmo sou Brahma. De mim emana a alma das almas, a vida universal, a vida una do universo. Karma , a Lei da causalidade, e que chamam também essência da ação. É aquele princípio da minha emanação que faz com que os seres vivos nasçam, se movam e ajam. 4. Adhibhuta, o princípio universal de vida, não é senão a minha vontade manifestada nas leis naturais do universo. Adhidaiva, a suprema deidade, é o Espírito, cuja atividade perpétua produz a geração dos seres e das formas. Adhiyajna, o Supremo Sacrifício, é o meu aparecimento em corpo. Este mistério torna-se claro só aqueles que são capazes de compreender os ensinos superiores. 5. Quem na hora da morte, em Mim fixa o pensamento, entra, depois de ter deixado o corpo, diretamente em minha Divina Essência. 6. Aquele, porém, que, na hora da morte, não pensou em Mim, mas dirigiu todos os pensamentos a um outro ser, depois da morte a este ser se une. Porque cada um chega a ser o que desejou ser, o semelhante atrai o semelhante. 7. Dirige, pois, a mim todos os teus pensamentos e luta. Se a tua mente e o teu coração em Mim firmemente fixares, com certeza, enfim, a mim chegarão. 8. Quem, abandonando todos os desejos pessoais, não tem a mente concentrada em nenhum outro ser mas no Espírito Eterno. Praticando o Reto Pensar e a Reta Ação, ao Espírito Eterno virá. 9. Quem com a mente elevada e cheia de fé e amor, pensa em Mim, o Eterno, o Onipresente, Onisciente e Todo Poderoso. Quem sabe que Eu Sou, ao mesmo tempo, infinitamente pequeno e infinitamente grande, impalpável, o Senhor e sustentador de tudo. Quem, com a visão espiritual, percebeu a majestade da minha face, eternamente velada ao olho material, e mais resplandecente do que o sol no meio-dia. 10. Esse participa da vida verdadeira e, na morte, se torna imortal, porque o seu espírito, tendo rompido todos os vínculos, entra em minha vida, em minha paz e em minha Essência. 11. Quero descrever-te, em poucas palavras, o caminho ao Espírito Eterno, a que as Escrituras Sagradas chamam o caminho pra a imortalidade. Este caminho é seguido por todos os que dominaram a si mesmos e se libertaram das paixões, e é escolhido por aqueles que se dedicam a uma vida santa, de continência, ascetismo, estudo das verdades divinas e meditação. 12. Ouve as instruções. Fecha bem as portas dos teus sentidos corporais. Domina o teu coração, concentra a tua mente sobre o teu Eu inferior. Não a deixes vaguear no exterior, nem se ocupar com os pensamentos estranhos. 13. Sê constante e firme em teu propósito e repete silenciosamente a mística palavra AUM, cujos três sons ou letras são símbolos do Ser Supremo. Como Criador, Conservador e Destruidor. Se assim te comportares, quando chegar a hora de deixares o teu invólucro corpóreo, entrarás no caminho da Suprema Ventura. 14. O yogi que pensa em mim incessante e fixamente, ó príncipe, e nunca se apega com os seus pensamentos a qualquer outro objeto, com facilidade me achará. 15. Todos os nobres e elevados espíritos que uniram comigo não precisam mais renascer na terra,, neste lugar de sofrimentos e limitações. Não, eles não têm mais necessidades de voltar a esta escola da vida. Porque já atingiram a esfera da perfeita sabedoria, suprema ventura e vida imperecível. 16. Todos os mundos e universos, mesmo o mundo de Brahma, onde um dia é igual a mil yugas, e a noite da mesma extensão, todos hão de passar. Mas, ainda que passem e se renovem e de novo passem, são as necessidades de volta para a alma do sábio que se uniu a mim. 17. Aos dias de Brahma, sucedem as noites de Brahma. A sua duração é enorme, pois conta-se em milhares de séculos. 18. No princípio de cada dia bramânico, emergem todas as coisas da invisibilidade fazendo-se visíveis. Quando, porém, começa a noite bramânica, todas as coisas visíveis dissolvem-se e tornam-se a ser invisíveis. 19. Esta multidão de seres, tendo existido antes, manifesta-se com o despontar do novo dia. Desaparecendo-se necessariamente ao chegar à noite, para ressurgir com o alvorecer do novo dia seguinte. 20. Pois acima desta natureza visível e invisível existe o que se chama o imanifesto, o imperecível. 21. Neste supremo caminho, ó príncipe! Chega-se ao Brahma, que é o Imanifesto e Indestrutível. Desse modo quem o atingir não o perderá nunca mais. Esta é a minha morada suprema. A suprema essência, em que todas as coisas têm o seu ser, e pela qual todo este universo foi criado. Pode ser encontrada só pelo espírito purificado, submisso a vontade suprema, desapegado de tudo o que não é divino. 23. Agora vou esclarecer-te sobre as condições que determinaram se os que passaram pela porta da morte hão de renascer ou se não voltam mais a terra. 24. Aqueles que desencarnam quando neles arde o fogo do amor divino, iluminados pela luz do verdadeiro conhecimento que distribui o sol da sabedoria. Conhecem o Espírito Supremo e com ele se unem, esses não são obrigados a renascer. 25. Aqueles, porém, que desencarnam no meio da fumaça dos erros, na noite da ignorância, não podem ultrapassar a região da Luz. E ao há de volta a esfera da mortalidade. Renascendo até que adquiram o grau necessário do amor e do saber. 26. Estes dois caminhos são denominados os caminhos eternos do mundo. Um é claro e o outro é escuro. Pelo primeiro chega-se à esfera donde não volta mais. O segundo vai até a certa altura e volta para trás. 27. O verdadeiro yogi, o homem que se dedica todo à Divindade, sabe isto e não tem medo. Aperfeiçoa-te, pois, em yoga e esforça-te por atingir o Saber Perfeito. 28. Os frutos deste saber, ó Arjuna! São superiores a tudo o que se pode alcançar pelo estudo das Escrituras Sagradas. Pelos ritos e sacrifícios, pelas austeridades e pela distribuição de esmolas. O yogi que possui o saber perfeito alcançou o Alvo Supremo.

Alguns assuntos do capítulo exposto: 1.Deus que em sua essência é imanifesto, invisível, imaterial assume forma humana. Como a lua penetra as trevas e as transmuta em luz, assim a Divindade penetra a humanidade, para torná-la divina. Este é o Supremo Sacrifício. 2.Há seres de natureza espiritual "devas" ou "deuses" que, pra nós, são invisíveis. O espírito humano pode entrar em relação com eles, se a eles dirige firmemente a sua vontade e o seu pensar. 3. Isto não quer dizer que não devemos ocupar-nos com os negócios e objetos exteriores, mas que devemos qualquer que seja a nossa ocupação. Fazer tudo com boas intenções e sem nunca nos esquecermos da divina origem e do divino alvo da nossa vida. 4. Os hindus distinguem este mundo (lokas) ou planos espirituais, a saber: a - Bhurloka (o mundo físico). b - Antariskshaloka (o mundo astral). c - Vakhan, o céu. d - Maharloka (o mundo das almas elevadas. e. Jamaloka. f. Tapasloka. g. Satyaloka. Estes trés ultimos chamam-se Brahmalokas, mundos Divinos. O sétimo é o mundo da Realidade, Verdade Absoluta (satya - verdade). 5. Um Maha-yoga dura 4.220.000 anos solares. 6. Região da Lua - é chamada região astro mental ou de Kama Manas. Abraço. Davi

quarta-feira, 1 de julho de 2026

XINTOÍSMO. Parte I

Xintoísmo. bushidobr.com. XINTOÍSMO MITOLOGIA E INFLUÊNCIA na formação da cultura e do carácter do povo japonês. Parte I. Introdução. A concepção do xintoísmo para o japonês era de si tão natural, genérica e vasta, que até a chegada do budismo no século VI (501-600), não tinha nome especificado. Quando se acharam diante de uma religião estrangeira, denominaram a nativa de Kannagara no michi ou Xintô, que significa caminho dos deuses. É difícil saber exatamente o que era o xintoísmo antes da chegada do budismo. Não era apenas a única religião; era o único modo como os antigos japoneses se relacionavam com o mundo, pois acreditavam profundamente que os deuses, os homens e a Natureza são nascidos dos mesmos ancestrais: não havia separação conceitual entre a Natureza e o homem. "Não havia denominação para a Natureza, como algo apartado e distinto do homem, algo que pudesse ser contemplado pelo homem" (Sakamaki Shunzo in MOORE, 1975, p. 24). Ou seja, não havia distinção entre sujeito e objeto, observador e observado. O homem era apenas parte de um todo, "intimamente associado e identificado com os elementos e as forças do mundo em seu redor" (idem). Fato que se nota pela importância das principais divindades, entre milhares, associadas aos principais fenômenos da natureza: o nascimento, o crescimento, as transformações e a morte (ibidem p. 25). Essa estreita proximidade com a Natureza e elementos de seu entorno constitui-se na principal característica do Xintô (HERBERT, 1964, p. 17). Supõe-se que o modo como viam o mundo “era uma forte concepção intuitiva de uma profunda unidade subjacente, biológica e física ao mesmo tempo, entre todos os homens (mortos, vivos e não-nascidos), a Natureza e todas as entidades invisíveis ao homem, porém dignas de veneração” (HERBERT, 1977, p. 10). É, no dizer do professor Ono, "para os que veneram o kami, xintô é o nome coletivo de todas as crenças que compreendem a ideia do kami" (ONO, 1990, p. 3). Relacionando as três mais antigas correntes de pensamento que estão na gênese do pensamento japonês, teria dito o príncipe Shotoku , que difundiu o budismo no Japão: “O Xintoísmo é a raiz e o tronco de uma grande árvore robusta e transbordante em inesgotável energia; o Confucionismo são os galhos e as folhas e o Budismo são as flores e frutos” (HERBERT, 1977, p. 11). Por dois ou mais milênios, junto com o budismo e o confucionismo, essa religião autóctone moldou o caráter desse povo. Origem. Perde-se nas brumas do tempo a origem do xintoísmo. Supõe-se que o local onde os aldeões se reuniam, no centro ou na entrada da aldeia, foi considerado sagrado e marcou-se por um ponto característico, como um rochedo, uma caverna, uma montanha ou uma grande árvore (ROCHEDIEU, 1982, p. 67). Aí se debatiam os assuntos da aldeia e era também o local das festas. O marco passou então a ser venerado como sagrado, como um kami da aldeia (idem). Às vezes o local escolhido se dava em torno de alguma antiga família, talvez a pioneira da comunidade (ONO, op. cit., p. 27). Os santuários primitivos eram simples "altares ao ar livre, frequentemente esculpidos na rocha, sobre os quais se depositavam oferendas" (LITTLETON, 2002, p. 68). Não raro, em comunidades rurais, os santuários eram erigidos no interior de densas florestas, localização acessível apenas por gente da comunidade (ONO, op. cit., idem). É seguro então, afirmar-se que a adoração à Natureza se constituiu na fé primitiva do povo japonês, evidenciado pelos deuses de estreita relação a ela: deusa do sol, deus da lua, deus da montanha, deus do mar, deus do vento entre outros (HARADA, 1914, p. 30). Em tempos primevos, quando ainda não se construíam santuários, acreditava-se que as divindades moravam longe e faziam visitas em ocasiões especiais. Era então preparado um pequeno abrigo de nome himorogi, cercado por corda de palha e ao centro, um ramo de árvore. Cercava-se o espaço também com rochas (iwasaka) (Ueda Kenji in TAMARU et alii, 1996, p. 31). Por acreditar que as divindades aí passaram a habitar, os abrigos tomaram a forma de casas. Não apenas a morada, mas também o espaço no entorno foi então considerado sagrado. Por serem construídos em meio à Natureza, nas montanhas, perto de cachoeiras ou em ilhas isoladas, a própria Natureza era vista como símbolo da divindade. Como local sagrado na construção de santuários, são seguidos os princípios da simplicidade, pureza e harmonia com a Natureza (idem). Fontes do Xintoísmo. São os principais textos do xintoísmo: a) o Kojiki – escrito em 712, traz um relato das tradições conservadas oralmente até o ano 628; b) o Nihongi – escrito em 720, é cerca de duas vezes mais longo do que o Kojiki; é a continuação dos seus relatos até o ano 700; c) o Kogoshui, escrito em 807, fornece alguns detalhes ausentes nos dois escritos anteriores; d) o Sendai Kuji Hongi – escrito em dez volumes no final do IX século, relata a história do Japão da era dos deuses até o VII século; e) o Engi-shiki – promulgado em 967, embora um texto de administração governamental, contém os três textos do Norito, liturgia que se oferece aos Kami. Teogonia – surgimento dos principais deuses do panteão xintoísta Lê-se na primeira seção do Kojiki: “os nomes dos Kami que se tornaram no Alto Plano dos Céus (Takama-no-hara) no início do Céu e da Terra são Ame-nominaka-nushi-no-kami (Augusto mestre do Centro do Céu), em seguida Takamimusubi-no-kami (Augusto elevado Kami que produz), e depois Kami-musubi-no-kami (Divino Kami maravilhoso que produz)” (ibidem p. 18). Na última geração nascem Izanagi (Varão que convida) e Izanami (Varoa que convida) (ibidem p. 28). A estes, os deuses ordenam consolidar e fazer nascer a Terra, entregando-lhes uma lança celeste ornada de joias (ibidem p. 37-38). De sobre a Ponte Flutuante Celestial (Ame-no-uki-hashi), agitam com sua lança flamejante as águas do oceano e de seus pingos se forma a ilha Onogoro, a primeira terra do Japão, que muitos autores relacionam à Ilha de Awaji (ibidem p. 38). Seu nome significa autocondenado e é a única entidade que não provém da união sexual dos deuses (ibidem p. 40). Após construírem nesta ilha o Augusto Mastro Celestial e uma sala (ou palácio) de oito braças, ambos contornando o mastro, o homem pelo lado esquerdo e a mulher pelo direito, unem-se como homem e mulher. Porém, tendo Izanami tomado a iniciativa, a união não resultou em boas crias e refizeram a união, cabendo desta vez a iniciativa ao homem (HERBERT, 1965, p. 50-51). No Nihongi consta versão na qual a mulher toma a iniciativa e faz o contorno pelo lado esquerdo, atendendo ao que lhe diz o homem, e este contorna o pilar pelo lado direito (ibidem p. 51). A união fracassou pelo resultado e a refizeram, invertendo os lados e cabendo a iniciativa da palavra desta vez ao homem. Abraço. Davi

segunda-feira, 29 de junho de 2026

SANTA TERESA DE JESUS DOS ANDES

Catolicismo. Vatican.va. SANTA TERESA DE JESUS DOS ANDES. Virgem carmelita descalça (1900-1920) A jovem que hoje a Igreja Católica glorifica com o titulo de Santa é um profeta de Deus para os homens e mulheres do nosso tempo. Teresa de Jesus dos Andes  põe-nos diante dos olhos o testemunho vivo do Evangelho, encarnado até às últimas exigências na sua própria vida. Ela é, para a humanidade, prova indiscutível de que a chamada de Cristo à santidade é atual, possível e verdadeira. Ela ergue-se diante de nós para demonstrar que a radicalidade do seguimento de Cristo é o único que vale a pena e o único capaz de fazer-nos felizes. Teresa dos Andes, com a eloquência duma vida intensamente vivida, confirma-nos que Deus existe, que Deus é amor e alegria, que é a nossa plenitude. Nasceu em Santiago do Chile a 13 de Julho de 1900. No Batismo foi-lhe dado o nome de Joana Henriqueta Josefina dos Sagrados Corações Fernández Solar. Familiarmente era conhecida, e é o ainda hoje, pelo nome de Juanita. Viveu uma infância normal no seio da família: os pais, Miguel Fernández e Lucia Solar; três irmãos e duas irmãs; o avô materno, tios, tias e primos. A família gozava de boa posição econômica e guardava fielmente a fé cristã que vivia com sinceridade e constância. Joana recebeu a sua formação escolar no colégio das Irmãs francesas do Sagrado Coração. Uma curta e intensa história passada entre a família e o colégio. Aos catorze anos, movida por Deus, já ela se decidiu a consagrar-se a Ele como religiosa, em concreto, como carmelita descalça. Este seu desejo veio a realizar-se a 7 de Maio de 1919, quando entrou no pequeno mosteiro do Espírito Santo na povoação de Los Andes, a cerca de 90 kms de Santiago. Vestiu o hábito de carmelita no dia 14 de Outubro desse mesmo ano, iniciando assim o noviciado com o nome de Teresa de Jesus. Tinha intuído, havia muito, que morreria jovem. Melhor, o Senhor tinha-lhe revelado, como comunicou ao confessor um mês antes da sua partida para Ele. Assumiu este anúncio com alegria, serenidade e confiança, certa de que na eternidade continuaria a sua missão de fazer conhecer e amar a Deus. Após muitas tribulações interiores e indizíveis padecimentos físicos, causados por um violento ataque de tifo que lhe consumiu a vida, passou deste mundo para o Pai no entardecer do dia 12 de Abril de 1920. Tinha recebido com sumo fervor os santos sacramentos da Igreja e no dia 7 de Abril fez a profissão religiosa em artigo de morte. Faltavam-lhe ainda três meses para completar os 20 anos de idade e 6 para terminar o noviciado canónico e poder emitir juridicamente os votos religiosos. Morreu, portanto, sendo noviça carmelita descalça. Esta é a trajetória externa desta jovem chilena de Santiago. Desconcerta e desperta em nós uma grande interrogação: Mas, que fez ela de importante? Para tal pergunta, uma resposta igualmente desconcertante: viver, crer, amar. Quando os discípulos perguntaram a Jesus sobre o que deviam fazer para cumprir as obras de Deus, Ele respondeu: " A obra de Deus é que acrediteis n'Aquele que Ele enviou " (João. 6, 28-29). Portanto, para aperceber-nos do valor da vida de "Juanita", é necessário assomar-nos ao seu interior, ali onde o Reino de Deus está. Ela abriu-se à vida da graça desde mui tenra idade. E ela mesma que nos assegura que aos 6 anos, movida pelo Senhor, conseguiu centrar n'Ele toda a riqueza da sua afetividade. "Quando se deu o terremoto de 1906, pouco depois, Jesus começou a apoderar-se do meu coração" (Diário, n. 3, p. 26). Juanita aliava uma enorme capacidade de amar e de ser amada a uma extraordinária inteligência. Deus fê-la experimentar a sua presença, cativou-a dando-lhe a conhecer e fê-la totalmente d'Ele, unindo-a ao sacrifício da cruz. Conhecendo-O, amou-O; e amando-O, entregou-se radicalmente a Ele. Tinha compreendido, já desde pequena, que o amor se mostra mais com obras que com palavras. Por isso traduziu-o em todos os atos da própria vida, desde a sua motivação mais profunda. Olhou-se a si mesma de frente com olhos sinceros e sábios e compreendeu que, para ser de Deus, era necessário morrer para si mesma e para tudo o que não fosse Ele. Por natureza era totalmente adversa às exigências do Evangelho: orgulhosa, egoísta, teimosa, com todos os defeitos que isto supõe. Como nos acontece a todos. Mas o que ela fez de diferente foi não esmorecer nunca na luta encarniçada contra todo o impulso não nascido do amor. Aos 10 anos era uma nova pessoa. Motivava-a o sacramento da Eucaristia que ia receber. Compreendeu que era Deus que ia morar dentro dela; e isso fê-la empenhar todo o esforço em ornar-se das virtudes que a fizessem menos indigna desta graça e conseguiu, em pouquíssimo tempo, transformar por completo o seu carácter. Na celebração deste Sacramento recebeu de Deus graças místicas de falas interiores que persistiram ao longo de toda a vida. Desde então, a inclinação natural para Deus transformou-se nela em amizade, em vida de oração ... Quatro anos mais tarde recebeu interiormente a revelação que iria orientar definitivamente toda a sua vida: Jesus Cristo disse-lhe que a queria carmelita e que a sua meta tinha de ser a santidade. Com abundante graça de Deus e a generosidade duma jovem apaixonada, entregou-se à oração, à aquisição das virtudes e à prática da vida segundo o Evangelho, de tal modo que em breves anos foi elevada a alto grau de união com Deus. Cristo foi o seu ideal, o seu único ideal. Enamorou-se d'Ele e foi consequente até crucificar-se em cada momento por Ele. Invadiu-a O amor esponsal e, por isso, o desejo de unir-se plenamente a Quem a havia cativado. Assim, aos 15 anos fez voto de virgindade por nove dias, que renovou depois continuamente. A santidade da sua vida resplandeceu nos atos ordinários de cada dia em qualquer ambiente onde viveu: a família, o colégio, as amigas, os vizinhos com quem passava parte das suas férias e a quem, com zelo apostólico, catequizou e ajudou. Sendo jovem igual a todas as suas amigas, estas reconheciam-na diferente. Tomaram-na por modelo, apoio e conselheira. Juanita sofreu e gozou intensamente em Deus as penas e alegrias comuns a todas as pessoas. Jovial, alegre, simpática, atraente, desportista, comunicativa. Adolescente ainda, alcançou perfeito equilíbrio psicológico e espiritual, como fruto de ascese e oração. A serenidade do seu rosto era o reflexo do Deus que nela vivia. A sua vida no convento, de 7 de Maio de 1919 até à morte, foi o último degrau da sua ascensão ao cume da santidade. Nada mais que onze meses bastaram para consumar uma vida totalmente cristificada. Bem depressa a Comunidade descobriu nela a passagem de Deus na sua própria história. No estilo de vida carmelitano-teresiano, a jovem encontrou plenamente o espaço por onde derramar, com a maior eficácia, a torrente de vida que ela queria oferecer à Igreja de Cristo. Era o mesmo estilo de vida que, a seu modo, vivera na família e a que se sentia chamada. A Ordem da Virgem Maria do Monte Carmelo culminou os desejos de Juanita ao comprovar que a Mãe de Deus, a quem amou desde pequena, a tinha atraído para pertencer-lhe. Foi beatificada em Santiago do Chile por Sua Santidade o Papa João Paulo II (1920-2005), no dia 3 de Abril de 1987. Os seus restos são venerados no Santuário de Auco-Rinconada dos Andes por milhares de peregrinos que buscam e encontram nela a consolação, a luz, e o caminho reto para Deus. Santa Teresa de Jesus nos Andes  é a primeira Santa chilena, a primeira Santa carmelita descalça de além fronteiras da Europa e a quarta Santa Teresa do Carmelo, depois das Santas Teresas de Ávila, de Florença e de Lisieux. Abraço. Davi.