Islamismo. IslamHouse.com. RELIGIÃO DO ISLÃ. CONCLUSÃO. Parte IV. O fortalecimento e o crescimento da fé. Este capítulo analisa meios para fortalecer e fazer crescer nossa fé. Como foi mencionado anteriormente, um muçulmano não deve nunca estar satisfeito com sua fé. A fé aumenta, mas também enfraquece. O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) disse: “Por Aquele que é o Único Deus e não há outro como Ele, que vós realizeis ações que vos aproximem do Paraíso até que estejam a um palmo dele. O Livro [preservado] é o que vos dá a orientação para não realizardes ações da gente que habita o inferno e seus domínios.” (Bukhari e Muslim).O muçulmano deve ter muito claro seu objetivo nesta vida. Quando tiver isso claro em sua mente deverá ser capaz de identificar meios e formas que o ajudarão a cumprir tal objetivo. Da mesma forma, deve estar consciente dos empecilhos e aspectos que danificam ou prejudicam seu objetivo. Finalmente, quando cometer um erro deve identificar a melhor maneira, e Allah sabe mais, de retomar o caminho correto. O conceito da purificação da alma Em outra obra, defini o conceito da purificação da alma da seguinte forma: “É o processo pelo qual os elementos saudáveis que se encontram na alma são fomentados, aproveitados e somados, enquanto qualquer tipo de contaminação invasiva é removida e controlada, para que a pessoa adore a Allah adequadamente e cumpra seu propósito na vida – o que pode culminar na verdadeira expressão do ihsaan.” A purificação da alma é um “processo”. Quer dizer, não é algo estático. De fato, é dinâmico e que pode até chegar a ser volátil. Uma pessoa pode ou não se aproximar de seu potencial absoluto em relação à purificação de sua alma. Novamente, o objetivo é se transformar no mais completo e sincero servo de Allah que um ser humano possa ser. Allah explica este objetivo de vida no seguinte versículo: “Não criei os gênios e os humanos, senão para Me adorarem.” (51: 56). O propósito da vida é adorar e agradar a Allah e, em troca, receber Sua complacência. O mais exaltado, nobre e honrado ser humano atinge este estado através de sua adoração a Allah. Na realidade, não existe nada mais grandioso ou nobre que isso. Há algo que deve ficar claro nas mentes de todos os muçulmanos: quanto mais se aproximem deste objetivo sentirão mais felicidade e serão mais honrados por submeterem-se ao único e verdadeiro Deus e Senhor. Al-Miqrizi destaca que esta forma correta de adoração demanda quatro aspectos: Determinar o que Allah e Seu Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) amam e o que lhes agrada. Materializar e executar os aspectos amados em nosso coração. Exteriorizar estes aspectos com nossas palavras. Implementar estes aspectos com nossas ações. Cada um desses pontos é necessário caso a pessoa deseje cumprir o objetivo real desta vida e ser um servo devoto de Allah. O indivíduo reconhece, principalmente, que a maneira à qual deve adorar a Allah não se baseia em suas inclinações individuais, sua lógica ou em seus caprichos. Melhor, deve estar baseada no que provém de Allah. Allah é o único que pode determinar como se deve adorá-Lo. Desta forma, o primeiro passo é identificar o que Allah quer das pessoas e o que O agrada. Isto se consegue através do conhecimento do Qur’an e da Sunnah. Este conhecimento deve se transformar em aceitação e desejo de tê-las em nossos corações. Deve-se reconhecer estas coisas como verdadeiramente boas e, por conseguinte, sentir um grande apreço por elas. Quando isto é alcançado, proclamaremos a aceitação e a crença e, como consequência, a aplicação desta aceitação através de nossas ações se dará automaticamente. Ibn Taimiyah aprofundou sobre o verdadeiro significado de ibaadah (adoração, ato de servir quando escreveu:O significado original da palavra ibaadah indica humildade e submissão. Diz-se: ‘um caminho é muabbad, quer dizer que é trabalhado. Sem dúvidas, a ibaadah imposta sobre nós abrange o significado da submissão junto com o significado do amor. Personifica o nível máximo de submissão a Allah através do nível máximo de amor por Ele... Quem se submete a uma pessoa e, por sua vez, sente ódio por ela não é um aabid (servo) desta pessoa – como é o caso do homem que ama a seu filho ou um amigo. Em consequência, possuir uma das duas qualidades não é suficiente ao que se refere à ibaadah de Allah. Ao contrário, é necessário que Allah seja mais amado pelo servo que qualquer outra coisa ou pessoa e que Ele seja considerado o Supremo. Certamente, ninguém além de Allah é merecedor deste amor devocional e de uma completa submissão.” Outro importante ponto a se considerar é que a purificação da alma não se relaciona somente com os rituais de adoração ou com os atos que são considerados religiosos ou espirituais. Como mencionei antes, o objetivo da purificação é tornar-se um servo de Allah cada vez melhor e mais completo. O conceito real da servidão à Deus, ou a ibaadah, é muito vasto. A ibaadah é, como Ibn Taimiyah declarou em sua conhecida – e amplamente aceita – definição do termo: “É um conceito que abrange todas as palavras e ações, internas ou externas, que Allah ama e aprova. Isso inclui orar, pagar o zakat, jejuar, peregrinar, dizer a verdade, cumprir e manter as promessas, ser bom com os pais e parentes, espalhar o bem, proibir o mal, apoiar o esforço pela causa de Allah contra os incrédulos hostis e os hipócritas; ter um bom comportamento com os vizinhos, órfãos, pobres, viajantes, escravos e animais, orar e suplicar, recordar Deus e ler o Qur’an, etc. Também inclui amar a Allah e a Seu Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele), temer e aproximar-se d’Ele arrependido. Ser paciente na adversidade e agradecido na prosperidade, resignar-se aos decretos de Allah, colocar a confiança na ajuda de Allah, esperar Sua misericórdia e temer Seu castigo. Tudo isso forma parte da ibaadah (a adoração e servidão a Allah. Assim, a purificação da alma invade e envolve a pessoa. Influencia tanto suas características internas como suas ações externas. Como advertiu Islahi: “Tazkiyah (purificação) envolve todos os aspectos visíveis e ocultos das pessoas... Nossos pensamentos, apreensões, inclinações, movimentos, nossa comida e bebida, nossos compromissos, passatempos e interesses, a rotina diária de nossa vida, ou seja, nenhum segmento, nem nada que englobe nossa vida está fora das normas da tazkiyah.” Murad destacou um tema muito importante que é realmente um dos benefícios do entendimento apropriado da purificação da alma, refletindo novamente sobre a importância de se ter um objetivo em nossa vida. Ele disse: “A menos que se considere a tazkiyah como um processo integral, perceber-se-á que a vida está dividida em seções e algumas partes impedem o desenvolvimento de outras. Isso só pode afetar nossa vida com a falta de harmonia e infelicidade. Sem dúvidas, se o processo é tomado integralmente, com tudo que o envolve, encontraremos as partes de nossa vida que complementam o resto. Isso, Allah sabe mais, fará com que nossa luta no caminho de Allah e o Jannah sejam mais fáceis de atingir.” O aumento e a diminuição da fé O Qur’an deixa muito claro que a fé de uma pessoa aumenta e diminui. Por exemplo, Allah disse: “Só são fiéis aqueles cujos corações, quando lhes é mencionado o nome de Deus estremecem e, quando lhes são recitados os Seus versículos, é-lhes acrescentada a fé, e se encomendam ao seu Senhor.” (8:2). Ele foi Quem infundiu o sossego nos corações dos fiéis para acrescentar fé à sua fé. A Deus pertencem os exércitos dos céus e da terra, porque Deus é Prudente, Sapientíssimo.” (48: 4). “São aqueles aos quais foi dito: Os inimigos concentraram-se contra vós; temeios! Isso aumentou-lhes a fé e disseram: Deus nos é suficiente. Que excelente Guardião!” (3: 173). Não há dúvidas que existem diferenças nas obras que os seres humanos realizam. Este é um aspecto e um reflexo do aumento e da diminuição da fé. Não obstante, deve-se crer que esta é a única forma em que a fé varia. De fato, todos os aspectos da fé estão expostos a esta possibilidade, incluindo especialmente, as ações do coração. Inclusive o nível de “crença” no coração - ou a segurança – pode mudar uma pessoa e, certamente, isto varia de pessoa para pessoa. Por isso o amor a Allah, o temor a Allah, a confiança em Allah e outros aspectos do coração são mais propensos a mudar e variar. É provável que todos os indivíduos tenham experimentado este fato que é descrito nos versículos anteriores. Então, há momentos em que a pessoa está consciente de Allah e seu temor por Ele. Este forte sentimento no coração provê tranquilidade e aquece o ser, ajudando-o a não incorrer em pecado. Também leva o ser humano a se sacrificar e trabalhar arduamente pela causa de Allah. Por exemplo, levantar-se no último terço da noite para orar ou dar em caridade em nome de Allah. Certamente, em outros momentos, talvez quando as questões mundanas o absorvem, suas invocações e sua proximidade com Allah não são as melhores. Não há o grandioso sentimento da fé em seu coração. Seu comportamento e suas ações não têm a mesma qualidade que tiveram outras vezes. Quando se está atravessando períodos como este, ao pensar em acordar no meio da noite ou ser caridoso em nome de Allah, pode causar certa fadiga e pode ser que não se deseje fazer nenhum sacrifício. Estas não são mais que variações da fé no coração das pessoas. Existem momentos em que a pessoa se encontra em um nível muito alto da fé e recordação de Allah. Quando se envolve em acontecimentos mundanos ou com sua família e amigos, pode não se encontrar no mesmo nível. Inclusive, Abu Bakr padeceu com este tipo de situação. Um hadith do Sahih Muslim narra que Abu Bakr perguntou à Handhalah, outro companheiro do Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele), o que estava fazendo. Ele respondeu que se sentia um hipócrita. Explicou que quando estava na presença do Profeta e ao recordar o Paraíso e o Inferno, era como se estivesse verdadeiramente contemplando esses lugares. Logo, ao regressar à sua família, esquecia-se grande parte daquilo que havia sentido anteriormente. Abu Bakr lhe disse que ele também já havia se sentido daquela forma, uma ou outra vez. É algo muito natural. A pessoa deveria aprender a apreciar aqueles momentos nos quais se encontre em seu nível mais alto da fé e tentar prolongá-los o mais que possa. A intensidade de afirmação ou o conhecimento no coração varia de pessoa para pessoa e depende também do momento pelo qual ela está passando. Ibn Taimiyah disse que a afirmação no coração da pessoa que apenas conhece os aspectos gerais dos ensinamentos do Profeta Muhammad (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) não será a mesma que a de uma pessoa que conhece detalhadamente a vida e os ensinamentos do Mensageiro de Allah. Da mesma forma, quem tem mais conhecimento acerca dos nomes e atributos de Allah, da próxima vida, etc... possuirá um nível diferente de afirmação e conhecimento que a pessoa que é ignorante sobre esses temas. Ibn Taimiyah também afirmou que a fé de uma pessoa que conhece as provas de sua crença e reconhece a falsidade das outras crenças será mais forte e firme que a daquele que é alheio a isso. Ibn Taimiyah concluiu dizendo que não existe nada mais variável no coração do homem que a fé. Disse que as pessoas deveriam ser capazes de reconhecer este fato quando analisassem um dos componentes de sua fé, o amor. As pessoas reconhecem os diferentes níveis de amor. Algumas vezes, o amor simplesmente implica em um desejo de estar com ou aproximar do ser amado. Outras, pode-se alcançar um nível em que já não se pode mais viver sem a presença do ser amado. De maneira similar, a fé, que tem como componente o amor por Allah, pode chegar a ser extremamente variável. Este assunto (aumento e diminuição da fé) não é simplesmente um tema teórico sobre o qual os sábios do passado diferiram em suas opiniões. Se uma pessoa sente que a fé é um atributo fixo, não se esforçará em aumentá-la e nem notará caso esta diminua. Este enfoque pode representar um grande perigo para a fé, pois a pessoa, neste caso, não consegue reconhecer os sinais que indicam a variação da fé. Assim, todo crente deve levar em consideração o fato de que a fé aumenta e diminui. O crente deve estar sempre atento a qualquer sinal que indique que sua fé esteja diminuindo. Obviamente, deve tomar medidas positivas para aumentá-la. Podemos encontrar um exemplo nos companheiros do Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele). Um companheiro tomou outro pela mão e disse: “Venha, vamos tentar aumentar nossa fé por um momento.” (Bukhari). Com isto ele fez referência a ler o Qur’an, relembrar de Allah, etc... ações que nos ajudam a reviver e aumentar nossa fé. O desenvolvimento e crescimento da nossa fé Quando uma pessoa realiza, pela primeira vez, seu testemunho de fé inicia a caminhada do verdadeiro muçulmano e autêntico crente. O primeiro passo consiste em se purificar da idolatria. Este é o primeiro passo, e o mais importante, já que nenhuma outra ação será benéfica se este ponto não for cumprido. Certamente, isso não significa que seja algo realizado de uma só vez, ou que não possua graus de profundidade. Murad mencionou o seguinte: “Agora tens uma missão: a de ser mu’min (verdadeiro crente) e mujahid (aquele que se esforça pela causa de Allah). Enquanto empreenderes esta missão, sentirás que teu conhecimento do Islam é muito limitado ou que não és capaz de alcançar os altos níveis de submissão e purificação que desejas – ou que outras pessoas esperem que alcances. Isso é algo natural. Sem dúvida, não deves permitir que estes sentimentos de imperfeição pessoal suplantem teus esforços na prática do Islam. Relembra-te que o Islam é um estado de conversão e não um estado do ser. Cada dia deverá esforçar-te para melhorar e aperfeiçoar, e melhorarás (e Allah sabe mais) ... Uma vez que tenhas te comprometido com Allah, tudo o que possuis deverá ser utilizado segundo seus ensinamentos. Este é o ideal. Não obstante, os ideais são sempre difíceis de alcançar e isto é algo que deves entender e aceitar. Sempre deves buscar os ideais, se estes fossem de fácil acessibilidade, dificilmente permaneceriam como ideais. Manter tua parte do trato é um ideal que sempre se deve buscar e conservar. Esta busca e este esforço em dar tudo segundo os ensinamentos de Allah são conhecidos como Jihad e, por outro lado e nesta instância, como tazkiah (purificação).” Quando uma pessoa se converte ao Islam (ou quando um nascido muçulmano se compromete com o Islam pela primeira vez) seu coração se liberta da atribuição de parceiros a Allah e da incredulidade. Isso não significa que compreenda todos os conceitos do monoteísmo puro, e nem que não permaneçam ainda, em seu coração, restos de idolatria ou incredulidade. Sobre aqueles que recém abraçaram o Islam, Allah disse: “Os beduínos dizem: Cremos! Dize-lhes: Qual! Ainda não credes; deveis dizer: Tornamo-nos muçulmanos, pois que a fé ainda não penetrou vossos corações. Porém, se obedecerdes a Deus e ao Seu Mensageiro, em nada serão diminuídas as vossas obras, porque Deus é Indulgente, Misericordioso.” (49: 14). De fato alguns defeitos em relação ao conceito completo do monoteísmo puro apareceram entre os novos muçulmanos, na época do Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele); ainda que falassem árabe com fluência e vivessem na época da revelação – o que lhes permitia compreender os significados básicos do Qur’an. Analisemos o seguinte relato: Abu Waaqid al-Laizi narrou que quando o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) se dirigia a Hunain [antes da batalha] passaram por uma árvore que os politeístas chamavam de dhaat anwaat, onde depunham suas armas. [Alguns companheiros] disseram: “Ó Mensageiro de Allah, dê-nos um dhaat anwaat igual ao dhaat anwaat (que os outros povos têm).” O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) disse: ”Exaltado seja Allah. Isso me faz recordar quando o povo de Mussa disse: ‘Dê-nos um ídolo como o seu’. Por Aquele em cujas mãos está a minha alma, está claro que continuarão com as práticas do povo que os antecedeu.” Certamente, à medida que nossa fé aumenta novos horizontes se abrem e se tornam mais claros. Estes novos conhecimentos relacionados com nossa fé nos purificam e nos permitem crescer espiritualmente, principalmente nas questões difíceis de descrever em palavras. A citação anterior de Ibn Qaiim destaca alguns aspectos da fé que não necessariamente estão no coração da pessoa no momento da conversão (ou quando começa a praticar a religião). Obviamente, à medida que sua fé aumenta, estes aspectos se tornarão mais fortes e começarão a provocar mais e mais o efeito desejado naquela pessoa. Por exemplo, talvez um novo muçulmano veja a chuva cair do céu e se recorde da previsão do tempo que viu no noticiário e pense, simplesmente, que houve a presença de todos os fatores para que a chuva caísse e assim choveu. Ao passo que, o crente, cujo conhecimento e consciência de Allah se encontram a um nível diferente, dá-se conta de que é Allah o responsável pela chuva e que não se trata de um fato fortuito, mas sim a natureza respondendo às ordens de Allah. Talvez seja um ato de misericórdia de Allah ou até o início de algum castigo. Ibn Qaiim escreveu: “quando os servos sabem que Allah é o único que realmente pode beneficiar ou prejudicar, dar ou tomar, criar ou prover, dar vida ou causar a morte, produz-se o ato de adoração que consiste em colocar em nosso coração uma confiança e segurança absolutas em Allah – e essa segurança necessita da confiança e das ações externas. O conhecimento do servo que Allah escuta, vê e conhece – nem sequer as mais ínfimas partículas físicas dos céus e da terra passam despercebidas ante Seus olhos – e que Ele conhece o segredo, o oculto, tudo aquilo que engana os olhos; e o que se encontra escondido no peito, tudo isso faz com que a pessoa cuide de sua língua, membros, pensamentos e coração, para que se mantenha afastado de tudo que desagrada Allah. Além disso, faz com que envolva as partes de seu corpo com as ações que são agradáveis a Allah. Por sua vez, isso produz uma humildade interna. Também produz uma humildade que faz com que a pessoa evite o proibido e os maus atos. O conhecimento do servo sobre a independência, generosidade, bondade, graça e misericórdia de Allah faz com que ela tenha plena esperança em Allah. Afora isso, produz na pessoa atos de adoração, tanto externas quanto internas, de acordo com seu nível de compreensão e conhecimento. Da mesma forma, a grandeza e a magnificência de Allah produz nessa pessoa humildade, submissão e amor. Também produz no interior dessa pessoa emoções e sentimentos de adoração, assim como ações externas que estejam de acordo. A certeza da perfeição, beleza e dos atributos de Allah se manifestam em uma classe de amor especial, presente nos diferentes níveis de adoração.” O caminho para aumentar a fé e purificar a alma O caminho indicado pelo Qur’an e a Sunnah para purificar a alma é incrivelmente claro e fácil de seguir para todas as pessoas que tenham intenção pura. De fato, é um caminho que está aberto para qualquer pessoa seguir. Basicamente, é composto por três elementos: A purificação de nossas crenças. Abraço. Davi. Página 239
MOSAICO ESPIRITUAL
domingo, 18 de outubro de 2026
quinta-feira, 15 de outubro de 2026
POEMA XVI
Lao Tse (571a.C.531) Tao Te Ching. O livro que Revela Deus
segunda-feira, 12 de outubro de 2026
PENSAMENTO DESGOVERNADO E O LOGO INVISÍVEL. Parte V-3
Missão dos Setenta e o Lobo Invisível. PENSAMENTO DESGOVERNADO E O LOBO INVISÍVEL. Parte V-3. Vemos, portanto, claramente que, apesar de ter sido o seu Espírito limpo pelo Poder Superior, esse homem acabou atraindo de novo, para perto de si, o obsessor que o escravizava. E, para piorar a situação, o espírito impuro veio acompanhado de mais sete "lobos invisíveis". Em diversas passagens bíblicas que relatam o Cristo de Deus expulsando multidões de espíritos malignos de criaturas obsidiadas ou possessas. Encontramos esta ordem do Divino Mestre àqueles que, pelo seu poder, foram curados: "Vão, mas não pequem mais". Por quê? Porque não adianta você ficar livre o obsessor, do demônio, da alma em atraso e cair novamente nas suas garras. Repetimos: tem de manter-se em oração e vigilância constantes, de modo que se impeça a ação do espírito inferior, para que ele não volte a dominá-lo ou dominá-la: "Vigiai e orai, para que não caías em tentação", Marcos 14,38. Confiar em Jesus sempre. Confiemos em Jesus, sigamos com afinco suas palavras e seus exemplos e viveremos protegidos. Portanto, libertos da ação de espíritos de tão baixa categoria, os "lobos invisíveis", causadores, ainda desconhecidos dos grandes dramas da Terra. Não somente no âmbito particular, mas também no campo dos governos. São incentivadores das piores tramas, que resultam em guerras, mortes, fomes e doenças. Pináculo. Em lições Bíblicas, que são apresentadas na Super Rede Boa Vontade de Rádio, o saudoso irmão Zarur também nos ensina a ter a proteção de Deus, do Cristo e do Espírito Santo. Contra esse tipo de saudades malfazeja, que habitam até mesmo, como já dissemos gabinetes de governo por todo o mundo. Podemos imaginar a razão por que o planeta ainda hoje vive em grave e constante perigo. Diz Zarur: Em São Mateus vemos essa palavra - Pináculo. Lembram-se, Evangelho segundo Mateus 4,1 a 11, quando Jesus sofre a tentação no deserto? O que significa mesmo esta palavra Pináculo? Exatamente, parte elevada do Templo, onde Jesus foi desafiado por satanás. Em seguida, ele conduz o Cristo ao topo de uma montanha para contemplar a magnificência do mundo. Satanás lhe disse: "Eu te darei tudo isto se prostrado me adorares". Ora, tudo aquilo era de Jesus, que conto do vigário é esse? Então, satanás ia dar a Jesus o que era de Jesus? Onde se vê que satanás não é o que se diz por aí. Satanás é a condição humana, porque o corpo é adversário do Espírito. Quando o Espírito entra na matéria fica sujeito às tentações do mundo. Não é nenhum diabo com chifre, rabo comprido, tridente. Nada disso. É o espírito encarcerado no corpo, e o corpo é que é satanás, é a matéria. E se não houver muita Luz, o Espírito fracassa e a matéria vence. Basta ver isso: vocês acham que satanás podia prometer a Jesus o que já era dele? "Tudo isso eu te darei se prostrado me adorares". Pois, se tudo já era dele ... Jesus formou o mundo, João 1,1 a 3. Como é que satanás poderia prometer-lhe alguma coisa? A lição é a seguinte: quando o Espírito entra na matéria, passa por uma prova muito séria (...). Porque a matéria é que é satanás. Dificilmente pode ser derrotado. Só com a proteção divina. Daí a recomendação do Cristo, repetidas vezes: "Orai, vigiai, para vencerdes as tentações do mundo e da vossa matéria". Louvado seja Deus. "Governo" invisível inferior. Eis, já o sabemos pelo estudo do Apocalipse de Jesus para os simples e coração, que o governo da terra começa no céu. Por esse raciocínio, posso, de forma serena, afirmar que o mesmo ocorre com o "governo" invisível inferior, sediado no umbral. Região de sombras que cerca o planeta, que visa subjugar, sob sua tirania, povos e lideranças mundo afora. Incitando-as a toda espécie de litígio, sem que elas percebam que são escravas de inteligências manipuladoras "lobo invisível" de seu destino. Ressalto que não inspiram unicamente guerra e perigos nucleares, mas também cibernéticos, genéticos, bacteriológicos, químicos, domésticos, econômicos, políticos e de tantos outros tipos de que nem fazemos ideia. Pois suas presas desconhecem o que os "lobos invisíveis" andam armando por meio daqueles que se submetem a sua direção, no norte, no sul, no leste, no oeste, no solo do planeta, na profundidade dos mares e no espaço. A sensação de poder no orbe terráqueo é, por isso, pura ilusão. Os que pensam que tem absoluto domínio são apenas, na grande maioria, marionetes nas mãos de obsessores. Ocultos a seus olhos materiais, muito mais argutos que eles. Contudo, lembrem-se de que o poder divino é infinitamente maior. E, quando integrado no seu amor e justiça, revestimo-nos da armadura de Deus. Armadura de Deus. Epístola de Paulo apóstolo aos Efésios 6,10-20. "No demais, irmãos meus, fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder. Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do demônio. Porque não temos que lutar contra carne e sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes da maldade, nos lugares celestiais. Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mal e, havendo feito tudo, ficar firmes. Estai, pois, firmes, tendo cingido os vossos lombos com a verdade, e vestida a couraça da justiça. Calçados os pés na preparação do Evangelho da Paz. Tomando sempre o escudo da fé com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do maligno. Tomai também o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus. Orando em todo o tempo com toda a oração e súplica no Espírito e, vigiando nisso com toda a perseverança e súplica por todos os santos. E por mim, para que me seja dada, no abrir da minha boca, a palavra com confiança. Para fazer notório o mistério do Evangelho, pelo qual sou embaixador em cadeias, "isto é, mesmo quando preso". Para que possa falar dele Jesus livremente, como me cumpre fazê-lo. No terceiro volume de O Brasil e o Apocalipse (1996), argumento: Ocorre, porém, que o reino dessas entidades ignorantes está no fim: satanás está desesperado, por saber que lhe resta pouco tempo Apocalipse 12,12. Por causa disso, esses espíritos, que vivem afastados do amor de Deus, usarão todos os meios e modos para afligir as pessoas, procurando vãmente retardar a vitória do Cristo Ecumênico, o Divino Estadista no planeta. Na mídia, na Política, na Economia, na Religião, na Filosofia, na Ciência, no Esporte, na Arte etc. Aqueles que vagueiam a serviço do mal não querem perder o seu reino nem seus subjugados elementos humanos de ligação na terra e nas regiões umbialinas (infernais) do Mundo Invisível. Visto que, por intermédio dos seres obsidiados, vêm mantendo momentaneamente seu império de ignorância sobre todas as nações. Mas, graças a Deus e para servi-lo, existem os Espíritos do Bem, as almas benditas, cuja missão é espalhar pelo mundo a bondade divina. Neles fortalecemos os nossos corações! Hosanas ao Pai Celestial! Abraço. Davi
sexta-feira, 9 de outubro de 2026
OS ANALECTOS - LIVRO XV
Confucionismo. www.https//rt.br. OS ANALECTOS – LIVRO XV. 1. O duque Ling de Wei perguntou a Confúcio sobre táticas militares. Confúcio respondeu: “De fato, já ouvir falar sobre o uso de embarcações sacrificiais, mas nunca estudei a questão do comando de tropas”. No dia seguinte, foi embora do reino. 2. Em Ch’en, quando as provisões acabaram, os seguidores [162] tinham se tornado tão fracos que nenhum deles conseguia pôr-se em pé. Tzu-lu, com indignação pintada em todo o rosto, disse: “É possível que haja momentos em que até mesmo os cavalheiros são levados a circunstâncias tão extremas?”. O Mestre disse: “Não causa nenhuma surpresa ao cavalheiro encontrar-se em circunstâncias extremas. O homem vulgar, ao encontrar-se em circunstâncias extremas, jogaria para cima qualquer escrúpulo.” 3. O Mestre disse: “Ssu, você acha que eu sou o tipo de homem que aprende muitas coisas e que depois armazena na mente cada uma dessas coisas que aprendeu?”. “Sim, acho. Não é assim?” “Não. Tenho apenas um único fio que liga todas elas.” [163] 4. O Mestre disse: “Yu, raros são aqueles que compreendem a virtude”. 5. O Mestre disse: “Se houve um governante que conseguia impor a ordem sem ter de tomar nenhuma ação, foi, talvez, Shun. Tudo o que ele precisava fazer era mostrar-se em uma postura respeitosa e olhar na direção do sul”. [164] 6. Tzu-chang perguntou sobre o progresso. O Mestre disse: “Se você tem consciência das próprias palavras e é coerente com elas, e se é determinado e reverente ao agir, então até mesmo nas terras dos bárbaros você progredirá. Mas, se falhar em ser consciencioso e coerente em relação a suas palavras ou determinado e reverente ao agir, então, mesmo na sua aldeia, como conseguiria progredir? Onde você estiver, tenha esse ideal à frente, inscreva-o na canga da sua carruagem. Apenas então você com certeza progredirá”. Tzu-chang tomou nota disso no seu cinturão. 7. O Mestre disse: “Quão correto é Shih Yü! Quando o Caminho prevalece no reino, ele é reto como uma flecha e, no entanto, quando o Caminho cai em desuso no reino, ainda assim ele tem a retidão de uma flecha. “Quão cavalheiro Ch’ü Po-yü é! Quando o Caminho prevalece no reino, ele exercita seus talentos em um cargo oficial, mas quando o Caminho cai em desuso no reino, ele deixa que o enrolem e que o guardem em algum lugar seguro”. [165] 8. O Mestre disse: “Não falar com um homem que pode se beneficiar com isso é desperdiçar o homem. Falar com um homem que é incapaz de se beneficiar com isso é desperdiçar as palavras. Um homem sábio não desperdiça nem homens nem palavras”. 9. O Mestre disse: “Em se tratando de cavalheiros determinados e homens de benevolência, ao mesmo tempo em que é inconcebível que busquem permanecer vivos sacrificando a benevolência, pode acontecer que tenham de aceitar a morte para conseguir realizar a benevolência”. 10. Tzu-kung perguntou sobre a prática da benevolência. O Mestre disse: “Um artesão que deseja praticar bem sua habilidade deve primeiro afiar seus instrumentos. Você deveria, portanto, buscar a proteção do mais distinto ministro e fazer amizade com o mais benevolente cavalheiro, esteja no reino onde estiver”. 11. Yen Yüan perguntou sobre como governar um reino. O Mestre disse: “Siga o calendário Hsia, ande em uma carruagem dos Yin e use um barrete cerimonial dos Chou, mas, quanto à música, adote o shao e o wu. [166] Bane as melodias de Cheng e mantenha homens de fala persuasiva à distância. As melodias de Cheng são insolentes, e homens de fala persuasiva são perigosos”. 12. O Mestre disse: “Aquele que não pensa em dificuldades futuras com certeza será assaltado por preocupações muito mais próximas”. 13. O Mestre disse: “Acho que devo abrir mão da esperança. Ainda estou para conhecer o homem que tenha tanta afeição pela virtude quanto pela beleza feminina”. 14. O Mestre disse: “Tsang Wen-chung não ocupou um cargo a que não tem direito? Ele sabia que Liu Hsia Hui era mais qualificado, mas mesmo assim não cedeu a ele sua posição”. [167] 15. O Mestre disse: “Uma pessoa que exige muito de si mesma e pouco dos outros ficará a salvo de críticas”. 16. O Mestre disse: “Não há nada que se fazer com um homem que está constantemente perguntando ‘O que devo fazer? O que devo fazer?’”. 17. O Mestre disse: “Trata-se de um feito bastante memorável que um grupo de homens passe o dia inteiro juntos apenas divertindo-se com mostras vãs de esperteza sem jamais tocar, durante a conversa, no assunto da moralidade!”. 18. O Mestre disse: “O cavalheiro tem a moralidade como matéria-prima e, ao observar os ritos, coloca-a em prática, ao ser modesto dá-lhe expressão e, ao ser fiel às próprias palavras, a completa. Assim é um cavalheiro, de fato!”. 19. O Mestre disse: “O cavalheiro se ressente por sua própria falta de habilidade, não pela inabilidade dos outros de o admirarem”. [168] 20. O Mestre disse: “O cavalheiro detesta não deixar um nome atrás de si quando vai embora”. 21. O Mestre disse: “Aquilo que um cavalheiro procura, ele procura dentro de si próprio; aquilo que um homem vulgar procura, ele procura nos outros”. 22. O Mestre disse: “O cavalheiro tem consciência de sua própria superioridade sem ser agressivo e junta-se a outros cavalheiros sem ser sectário”. 23. O Mestre disse: “Um cavalheiro não recomenda um homem por causa daquilo que este diz, tampouco despreza o que é dito por conta da pessoa que o fala”. 24. O Mestre disse: “Tzu-kung perguntou: existe uma palavra que possa ser um guia de conduta durante toda a vida de alguém?”. O Mestre disse: “Talvez, a palavra shu. [169] Não imponha aos outros aquilo que você não deseja para si próprio”. 25. O Mestre disse: “Quem eu alguma vez elogiei ou condenei? Se elogiei alguém, podem ter certeza de que ele tinha sido testado. Essas pessoas comuns são a pedra de toque por meio da qual as Três Dinastias foram mantidas no caminho certo”. 26. O Mestre disse: “Sou velho o suficiente para ter visto escribas a quem faltava refinamento. Aqueles que possuíam cavalos permitiam que outros os conduzissem. [170] Hoje em dia não há mais, suponho, tais casos”. 27. O Mestre disse: “A fala ardilosa arruína a virtude de uma pessoa; a falta de autocontrole em pequenas questões arruína grandes planos”. 28. O Mestre disse: “Aja com cuidado em relação a um homem que é odiado por todos. Aja com cuidado em relação a um homem que é amado por todos”. [171] 29. O Mestre disse: “O homem é capaz de ampliar o Caminho. O caminho não é capaz de ampliar o homem”. 30. O Mestre disse: “Não emendar a si próprio quando se errou é errar, de fato”. 31. O Mestre disse: “Uma vez passei todo o dia pensando, sem comer nada, e toda a noite pensando sem ir para a cama, mas descobri que nada ganhei com isso. Teria sido melhor gastar o tempo estudando”. 32. O Mestre disse: “O cavalheiro se dedica a atingir o Caminho e não a garantir comida. Vá e cultive a terra e você terminará tendo fome, é claro; estude e você terminará com um salário de oficial, é claro. O cavalheiro preocupa-se com o Caminho, não com a pobreza”. 33. O Mestre disse: “Aquilo que está ao alcance do conhecimento de um homem mas não pode ser mantido por sua benevolência é algo que ele acabará perdendo. Um homem pode ser sábio o suficiente para atingi-lo e benevolente o suficiente para mantê-lo, mas se ele não governar com dignidade, então oo povo não o respeitará. Um homem pode ser sábio o suficiente para atingi-lo, benevolente o suficiente para mantê-lo e pode governar o povo com dignidade, mas se ele não colocá-lo para trabalhar de acordo com os ritos, não terá atingido a perfeição”. [172] 34. O Mestre disse: “O cavalheiro não pode ser apreciado por pequenas coisas, mas é competente em grandes questões. Um homem vulgar não é competente em grandes questões, mas pode ser apreciado por pequenas coisas”. 35. O Mestre disse: “A benevolência é mais vital ao povo do que o fogo e a água. No caso do fogo e da água, já vi homens morrerem ao se entregarem a eles, mas nunca vi nenhum homem morrer ao se entregar à benevolência”. 36. O Mestre disse: “Quando diante de uma oportunidade de praticar a benevolência, não ceda a vez nem mesmo ao seu professor”. 37. O Mestre disse: “O cavalheiro é devotado aos seus princípios, mas não é inflexível em pequenas questões”. 38. O Mestre disse: “Ao servir o senhor, deve-se cumprir os deveres com reverência e considerar o pagamento como algo de importância secundária”. 39. O Mestre disse: “Em educação, não há distinção de pessoa para pessoa”. 40. O Mestre disse: “Não há sentido em duas pessoas que tomam caminhos diferentes se aconselharem uma com a outra”. 41. O Mestre disse: “É suficiente que as palavras utilizadas por alguém comuniquem o seu sentido”. 42. Mien, o mestre de música, [173] fez uma visita. Quando ele chegou aos degraus, o Mestre disse: “O senhor chegou aos degraus”, e quando ele chegou até o tapete, o Mestre disse: “O senhor chegou ao tapete”. Quando todos se sentaram, o Mestre disse a ele: “Este é Fulano de Tal e aquele ali é Fulano de Tal”. Depois que o mestre de música foi embora, Tzu-chang perguntou: “É esta a maneira de falar com um músico?”. O Mestre disse: “Sim. Esta é a maneira de guiar um músico”. Abraço. Davi
terça-feira, 6 de outubro de 2026
O FIM DO SER - CONCLUSÃO II. LOUVOR AOS BUDAS . CONCLUSÃO III
Budismo. Livro Vida e Doutrina de Sidarta Gautama. Por Yogi Kharishnanda. Conclusão II. O FIM DO SER. Quando no círculo do universo apareceram as formas tangíveis do Sol, da Terra e da Lua, a Verdade se movia no pó cósmico e iluminava o mundo com refulgente luz. No entanto, ainda não havia olho que a visse, nem ouvido que a ouvisse, nem espírito que pudesse compreender o seu sentido. Nem lugar nos imensos da existência onde ela pudesse residir com todo o seu esplendor. No transcurso da evolução, as formas viventes foram desenvolvendo um após outro os sentidos de percepção. Então surgiram os pares de opostos, o Eu ou o mundo subjetivo e o Não Eu ou mundo objetivo. Assim, as sensações nascidas da percepção deram origem ao prazer com a consequente dor, e houve amigos e inimigos, ódio e amor. Mas a Verdade não pode achar neste mundo de sensações uma morada onde resido com todo o seu esplendor. Depois, apareceu no reino humano a razão que deveria refrear os instintos da personalidade e valer-se das forças da natureza como meios para alcançar os seus propósitos de aperfeiçoamento e progresso no caminho da evolução. Entretanto, surgiu o conflito, a luta entre a natureza superior, ou a superioridade armada com a força da razão, e a natureza inferior, ou a personalidade que investe com o ímpeto formidável das paixões. O homem foi lobo do próprio homem e se mataram para satisfazer vãs concupiscências sem que a Verdade pudesse encontrar nos domínios da razão um lugar onde residir com toda a sua glória. Até que apareceu o Salvador, o Buda, o Mestre dos deuses. O Buda estabeleceu a paz entre a razão e o sentimento, ensinando os povos a verem as coisas tais como são e a agirem em obediência a Verdade. Que então encontrou lugar onde residir em todo o seu esplendor. O Buda, o Bendito, o Santo, o Perfeito, Ele revelou a Verdade e estabeleceu o seu reino neste mundo. Pois não havia lugar para a Verdade no espaço infinito. Não havia, não há e nem pode haver lugar para a Verdade na sensação, nem em seus prazeres e dores. Também não havia, não há e nem pode haver lugar para a Verdade no raciocínio, porque o raciocínio é arma de dois gumes. Tanto que pode brandir o ódio como o amor. O raciocínio é o escabelo da Verdade porque sem a razão não é possível alcançá-la, porém não é a residência da Verdade. O trono da Verdade é a justiça, e o amor o seu ornamento. A justiça é a morada da Verdade. Este é o Evangelho do Buda. Esta é a revelação do iluminado. Esta é a lei do Santo. Os que aceitam a Verdade e a praticam, refugiam-se no Buda, no Dharma e no Sangha. Oh Senhor Bendito! Oh potente libertador! O senhor que nos ama, em seu nome e no senhor nos refugiamos. Refugiamo-nos na sua lei e na sua regra. Receba-nos, Oh Buda, no número de seus discípulos de hoje até o fim de nossos dias. Alivia, Oh Santo Instrutor, compassivo e amoroso, a todos os seres, aos aflitos, aos oprimidos pela dor. Ilumina os obcecados e aumenta o nosso entendimento e a nossa santidade. A Verdade é o fim e o objetivo de toda a existência. Os mundos nascem para morada da Verdade. Quem não aspira a posse da Verdade perde o propósito da vida. Bem-aventurado quem repousa na Verdade, porque todas as coisas perecerão e a Verdade permanecerá para sempre. O mundo está construído pela Verdade, porém os maus pensamentos desnaturam o estado natural das coisas e criam o erro, filho petulante da ilusão. O erro pode assumir uma variedade de formas lisonjeiras, porém, contém germes de destruição. A Verdade jamais varia. É imutável. Domina a morte. A ilusão, o erro e a mentira são abortos de Mara e tem vigoroso poder para enganar aos homens e extraviá-los do caminho da salvação. A ilusão, o erro e a mentira assemelham-se a um barco de madeira carcomida, e todos os que nele embarcarem estão condenados a naufragar. Muitos se apegam ao erro, e quando caem nas redes do egoísmo, da luxúria e dos desejos sinistros, lamentam sua infelicidade. Contudo, todo ser vivente aspira a Verdade, porque só a Verdade é capaz de curar nossos males e acalmar a nossa inquietude. A Verdade é a essência da Vida, porque a vida persiste depois da morte do corpo. A Verdade é eterna e subsistirá, embora desapareçam céus e terras. Não há no mundo várias Verdades, porque ela é uma e a mesma Verdade em todo o tempo e retidão. A Verdade nos mostra o caminho da retidão. Felizes são os que seguem esse caminho. Abraço. Davi.
sábado, 3 de outubro de 2026
A VISÃO DA FORMA DIVINA UNIVERSAL
Hinduísmo. Bhagavad gita - A Mensagem do Mestre. Capítulo XI. A VISÃO DA FORMA DIVINA UNIVERSAL. A forma divina ou personalidade de Deus consiste na soma de todas as formas e atividades, em que se manifesta o seu poder.
quinta-feira, 1 de outubro de 2026
XINTOISMO. Parte IV
Xintoísmo. bushidor.com. MITOLOGIA E INFLUÊNCIA na formação da cultura e o caráter do povo japonês. Parte IV. [...]. Os avós, pelas suas próprias virtudes durante a apagada existência, e pelas propiciações que os vivos lhes tributam, no desempenho dos ritos familiares, alcançam a bem-aventurança; e os seus espíritos agradecidos pagam em afetuosa proteção os cuidados rituais que se lhes votaram, guiando os vivos nos seus passos sobre a terra, aplanando as dificuldades, encaminhando os também para a bem-aventurança esperada. Vive-se, pois, pode dizer-se, para morrer; e morre-se para viver (MORAES, 1924, p. 82-83). À família imperial cabe-lhe outros rituais como o Niinamesai, a comunicação da maioridade e assunção do título de príncipe herdeiro. O imperador deve reportar periodicamente à deusa Amaterasu, no santuário de Ise, os principais acontecimentos do país (HERBERT, 1964, p. 250). A maioria dos casamentos são celebrados no ritual xintoísta e as cerimônias fúnebres, no budista. O jesuíta português Luís Almeida ao visitar o Japão em 1565, observou: "os japoneses rezam aos kami (divindades) pedindo longevidade, saúde, riqueza, fama e todos os outros benefícios terrenos, voltando-se, no entanto, para Hotoke (Buda) para implorar a sua salvação religiosa pessoal", característica da religiosidade desse povo que permanece ainda atualmente (YUSA, 2002, p. 17). Poucos são os que optam por enterrar seus mortos em cemitérios xintoístas, preferindo a cremação. Enquanto o xintoísmo é otimista e está ligado a festivais, o budismo acabou assumindo o papel de oficiante dos funerais. Isso deve-se à proibição da presença de cadáveres nos santuários - local dedicado exclusivamente aos kami - e a falta de hábito de ritos funerários dos monges xintoístas - também de dedicação exclusiva aos kami - , devendo qualquer outro assunto ser tratado fora do santuário (ONO, op. cit., p. 110). A dinastia Tokugawa (1603-1867), com a perseguição aos cristãos, ordenou que os sepultamentos fossem realizados apenas por monges budistas (idem). Tida como a religião da natureza, o xintoísmo é a religião que comemora os fatos da vida, celebra e vivifica-os em rituais de renovação: a colheita, as estações do ano, os festivais, adquirindo por esse motivo o ar alegre e festivo das comemorações da comunidade, chamadas matsuri. No Xintô a vida vivida em comunhão com a vontade divina está protegida (ONO, op. cit., p. 50); por isso, o mundo é bom, uma dádiva dos deuses ao qual o homem deve responder com gratidão à sua família, a seus ancestrais e ao kami, assumindo "suas obrigações com a sociedade e contribuindo para o desenvolvimento de tudo que lhe foi confiado" (ibidem p. 103). A vida quotidiana é considerada como um serviço para o kami, isto é, o matsuri (idem). Intimamente ligado à natureza, que se renova visivelmente a cada estação, a renovação se dá também na reconstrução dos santuários no Parque de Ise, na província. É a mais importante cerimônia do xintô que ocorre em 23 de novembro quando o imperador, como sacerdote supremo do xintô, em nome do povo japonês, partilha arroz novo e saquê branco e preto com a deusa Amaterasu. (HERBERT, 1964, p. 71) 20 .de Mie. Desde o ano 690 no reinado da imperatriz Jito (686-697) os santuários são reconstruídos a cada 20 anos, poucas vezes interrompida por guerras ou dificuldades financeiras da família imperial. (ibidem p. 28). Para essa reconstrução, chamada de sengu, são utilizadas 130 mil árvores de hinoki (cipreste japonês) de 200 anos, (ibidem p. 29) para que "a deusa do sol, Amaterasu (a divina ancestral da casa imperial) e a deusa da colheita, Toyouke, adquiram renovado vigor, garantindo a vitalidade da linha imperial e da cultura do arroz, sem os quais seria impossível a sobrevivência da nação"(LITTLETON, op. cit., p.62-63). As peças dos santuários desconstruídos são utilizadas para construção de outros santuários (idem). A última reconstrução se deu em 1993, o que indica este ano de 2013 como a próxima reconstrução (idem). A pureza no Xintô. Para o Xintô “a vida só tem sentido e só encontra o seu verdadeiro estado na pureza, e a vida que perde a sua pureza não agrada às divindades e transforma-se assim numa vida anti xintoísta cheia de pecados, de manchas e de desgraças”(ROCHEDIEU, op. cit., p. 60). As cerimônias de início de atividade – inaugurações em geral – festivais populares ou torneios esportivos geralmente são precedidos por ato de purificação. A purificação diz respeito não apenas ao corpo, mas também ao espírito. Para os xintoístas, a purificação é o ato cerimonial mais importante pois é o que aproxima nosso espírito do espírito puro dos deuses e para alguns é o que permite atingir a Realidade Última, porém, esta união só se dá na presença de um coração puro e claro (ROCHEDIEU, op. cit., p. 61). Para o Xintô, os ritos e a liturgia são elementos secundários diante da importância que assume a atitude de se manter claro e puro o coração (idem). Nos santuários xintoístas está disposta invariavelmente uma pia com água corrente, servida por uma concha de bambu para a higiene da boca e das mãos, antes de o fiel entrar no santuário. Purifica-se o corpo externa e internamente antes de entrar na presença dos deuses (LITTLETON, op. cit., p. 61-62). Para a purificação é preciso que ocorra: (ROCHEDIEU, op. cit., p. 97-100)- a vontade e o poder divino que purifica e- o esforço do homem que busca a purificação. A mancha atrai os maus espíritos e faz o homem dependente destes. São ritos de purificação: 1. O harai – destinado a limpar as manchas advindas do mal cometido. 2. O misogi – destinado a remover as impurezas advindas de outros males que não as de cunho moral como por exemplo, contato com coisas impurezas como o cadáver. Usa-se em geral a água como elemento purificador. Mais do que o rito de purificação, o misogi abrange “todo o processo de disciplina mental”. 3. O imi – refere-se a observância de condutas de purificação com evitar a ingestão de certos alimentos, ações e contatos com o intuito de se preservar a pureza total do culto. Neste estado de imi devem estar não apenas o oficiante, mas também os encarregado da preparação da cerimônia. É proibido ainda como atos preparatórios para o imi, ouvir música, ingestão de bebidas alcoólicas ou de alimentos que não tenham sido cozidos em fogo puro e ocupar-se de atividades que causem preocupação, fadiga ou sofrimento. Acredita-se que o homem receba avisos do descontentamento dos deuses quanto à sua conduta, devendo então empregar todos os seus esforços para recuperar seu estado normal de pureza. São faltas ou más condutas: (SIEFFERT, op. cit., p. 12) 1. O tsumi – atitude em que há vontade deliberada de praticar o mal. 2. O wazawai – é a desgraça, a provação e a calamidade, cuja ocorrência independe da vontade; 3. O kegari – a impureza, a mancha ocasionada pelos fatores já vistos. Apenas o tsumi é de inteira responsabilidade individual, havendo, entretanto, responsabilidade na conduta por negligência ou imprudência se formos abatidos por tsumi ou kegari. De fato, mesmo inconscientemente, a invasão de território proibido, de domínio do kami constitui tsumi, adverte Sieffert que, melhor esclarece o conceito de tsumi, desconsiderando o que o Ocidente geralmente traduz por pecado ou falta: é "a transgressão de certos limites nem sempre formalmente proibidos nem definidos, mas carregados de um potencial mágico perigoso devido à simples presença de um kami" (idem). Carregar no corpo ou na alma qualquer das faltas, torna-nos inapropriados para entrar nos santuários, devendo o fiel, antes, realizar a purificação da boca e das mãos com água corrente disposta na entrada chamada temizuya (ONO, op. cit., p. 34). Na época dos samurais, antes dos combates, alguns se purificavam com essa água, vertendo-a também na lâmina de suas espadas. Entre os atos que chocam a sensibilidade e que não se aplicam apenas às más ações, está o cortar a pele viva ou morta, do homem ou de animais, daí serem considerados impuros o manejo do sangue e de seres mortos, ou ainda infligir cortes e perfurações na pele como as tatuagens ou piercings. O corpo, assim como as vestimentas, deve ser puro, sem mácula (GRIFFIS, op. cit., p. 85). Nos banhos públicos há avisos proibindo a entrada de pessoas alcoolizadas ou tatuadas. São impuros o ofício do açougueiro ou do coveiro, geralmente executados por párias. O parto, a doença, o moribundo e o doente terminal são considerados impuros. William Elliot Griffis (1843-1928) relata que no Japão antigo eram construídas cabanas para parturientes ou moribundos que eram depois queimadas, finalizadas o uso (GRIFFIS, op. cit., p. 85). Perverso costume que penalizava a parturiente e o doente, quando mais precisavam de cuidados e apoio. Esse costume permaneceu ainda em algumas regiões do Japão até 1878 (idem). Nota-se o cuidado com a limpeza em todos os lugares: nos locais públicos, nas casas, nas escolas, onde desde pequenas as crianças aprendem a cuidar da limpeza da classe e das dependências da escola. Discorrendo sobre o que via, o português Wenceslau de Moraes escreve, surpreso, observando as ruas de um Japão ainda de vida pacata: "muito limpas; são os moradores que as varrem, com escrúpulos de minúcia, cada qual na parte que fica em frente à sua casa; o ofício de varredor municipal é desconhecido no Japão" (MORAES, op. cit, p. 75). E em outro trecho: "pode-se dizer que, na habitação japonesa, o principal luxo, muitas vezes o único, é a limpeza; mas esta tão requintada, que embriaga!..." (ibidem p. 77). Ainda nos dias de hoje, curiosamente o Japão não tem varredores nem lixeiras nas ruas, mesmo nas grandes cidades como Tóquio. Sujar lugar público é desrespeitar o próximo que também utiliza o espaço. Manchar ou ferir nosso corpo, cortando, perfurando, ferindo ou ministrando-lhe drogas que desvirtuem sua natureza, isto é, tudo que nos desvie de um comportamento bom, respeitoso, contrário, segundo um teólogo xintoísta, “ao que foi desejado pelo espírito divino” – significação de nossa vida terrestre - , significa ser desrespeitoso com a divindade que em nós habita. Assim também, uma conduta que ofenda nosso próximo por palavras, ações ou pensamentos, mostra a mácula do espírito, o distanciamento do natural Caminho. O espírito ofensor está duplamente em falta: consigo e com a divindade que está abrigada no próximo. É mancha que lançamos ou permitimos que se lance sobre nós, obstando a volta ao estado natural, vale dizer, de retornarmos ao estado de bons, de retornarmos ao Caminho. Wenceslau relata-nos sua surpresa quanto à língua japonesa: Neste momento, deixemos assomar, se nos apraz, aos lábios um sorriso, como único comentário; mas sorriso benevolente, de simpatia por esta gramática japonesa, a mais cortês de todas as gramáticas conhecidas. De fato, resulta pelo menos uma vantagem evidente; na língua japonesa não existem palavras insultuosas, obscenas; o termo mais rude que um japonês pode proferir é baka, imbecil. A gramática nipônica faz-nos lembrar uma corte 23 .atarefada, meticulosa, na qual os cortesãos em chusma - substantivos, adjetivos, advérbios, verbos, posposições e todo o resto - palpitam, rodopiam incessantemente em mesuras, em cortesias, em requebros, em reverências, seguindo regras de precedência da mais complicada pragmática imaginável, ou antes inimaginável...[...] e a língua japonesa é incontestavelmente uma das mais belas línguas hoje faladas, como também uma das mais difíceis (ibidem p. 40-41). As ações do Xintô, os ritos de purificação e as ideias de mácula procuram alcançar um ideal de pureza corporal e espiritual, destacando-se o esforço ao retorno do “estado normal”, isto é, estado divino, estado de bom. Corolário natural desta concepção, para o xintoísmo não somos maus, apenas estamos mau. Estar nesse estado é estar impuro, com o coração manchado, anuviado; é afastarmo-nos da nosso verdadeiro Eu ou permitir que nos afastem. O homem não é responsável pelos males que se abatem sobre sua vida, salvo aqueles produzidos por sua voluntária conduta, mas é somente sua a responsabilidade de viver uma vida reta, honesta, ética e clara, como é o desejo dos deuses. A Natureza e o senso estético no Xintô Se observarmos as fases de desenvolvimento por que passaram as religiões, é de indubitável conclusão o primitivismo do Xintô, a fase ainda "das ideias infantis" dessa religião como afirma Griffis (GRIFFIS, op. cit., p. 69). "Estagnado" nessa fase de desenvolvimento, a Natureza - por força da crença de que os homens, a Natureza e os deuses, provêm de um único ancestral - é objeto de profunda apreciação, respeito e inúmeros festivais por todo o país. A comunhão com o divino e com a própria Natureza se funde num único sentimento, assim descrito emocionadamente por Rochedieu: [...] o Japão sabe conservar certos lugares unicamente pela beleza, e é muitas vezes surpreendente e comovedor para o Ocidental ver nos parques grandes templos, ou simplesmente presenciar num jardim público um pai acompanhado do filho parar em silêncio ao pé de um lago, de uma pequena ponte, de uma cascata ou das flores e ter uma atitude de recolhimento porque, para o japonês, a comunhão com o divino obtém-se as mais das vezes através da união de todo o seu ser com as belezas naturais, com obras de arte selecionadas, com a harmonia que emana de um monumento. Não é o valor ou a grandeza da matéria utilizada que cria a beleza, mas o amor com que o artista se debruça sobre a sua obra, nela trabalhando por vezes durante anos, mas incutindo desse modo, no objeto que cinzela ou no quadro que pinta, algo da sua alma, algo de si próprio, e esse algo que procura transmitir através da obra de arte é sempre aquilo que de melhor há em si (ROCHEDIEU, op. cit., p.37). A beleza natural é fundamental para a veneração dos kami nos santuários, independentemente do kami aí cultuado. Segundo Ono, é esse refinado senso estético da beleza que enleva o homem, conduzindo-o do mundo profano ao sagrado, que o faz 24 .experienciar o viver em comunhão com "o alto e profundo mundo do divino" (ONO, op. cit., p. 97). As leis xintoístas não provêm de um deus único, dado aos homens por revelação como nas grandes religiões do Ocidente. São descobertas dentro da Natureza onipresente, encantadora e ao mesmo tempo mística que se lhe mostra. A Natureza não é hostil como na mitologia judaico-cristã que expulsa o homem do Paraíso; pelo contrário, ela existe abençoada pelos deuses e se desenvolve com harmonia e cooperação (ibidem p. 103). É, portanto, dádiva divina, presente dos deuses para os homens. Página 25. Abraço. Davi