Judaísmo. Um Guia para a Sabedoria da Cabala. Por Michel Laitman. CABALA. MITOS E VERDADES. Parte X. Quando as Letras e Palavras acrescentam. Pontos principais. Entendendo as letras, palavras e números hebraicos. A conexão Criador-criação-desejo. A forma como números, palavras e letras refletem a nossa própria correção. O idioma hebraico, e o modo como é escrito, é o resultado direto da comunicação com os Mundos Superiores. A combinação das letras e as pinceladas de tinta que as criam são atadas com o conhecimento espiritual. Da mesma forma, as letras, palavras e números, que normalmente são coisas separadas, estão intrinsecamente unidos na Cabala. Entender as suas relações dá maior significado espiritual a cada um deles. Cada letra, e as palavras que elas formam, tem sua própria história espiritual para contar. Então, vamos começar a falar delas. As ligações entre letras, palavras e números. Na língua hebraica, cada letra corresponde a um número. Como resultado, qualquer palavra ou nome pode se tornar uma série de números. Os números podem ser tomados um de cada vez, ou somados juntos. As letras são resultado das sensações espirituais. A direção das linhas e das formas numa letra têm um significado espiritual. Como resultado, as letras hebraicas são códigos para as sensações que o escritor recebe do Criador. Quando uma letra ou palavra é escrita, o autor está nos dando sua percepção consciente do Criador. O Criador está agindo nelas à medida que são escritas. À cor também é uma pista para o modo como a criação, tinta preta, trabalha de mãos dada com o Criador, livro branco. Sem isso, você não pode entender a escrita ou a história da criação, e o que ela significa para você. Um mapa da espiritualidade. A Torah é o texto principal do Judaísmo, o Velho Testamento no Cristianismo, bem como um texto Cabalístico. Suas letras mostram toda a informação que irradia do Criador. Nas letras hebraicas há dois tipos básicos de linhas, representando dois tipos de luz. As linhas verticais representam a Luz da sabedoria ou do prazer. As linhas horizontais representam a Luz da misericórdia ou da correção. Existem também diagonais e linhas circulares que tem significados específicos em cada letra, mas isso está além do alcance deste livro. Os códigos são oriundos das mudanças na Luz, à medida que ela desenvolve o nosso Kli, é chamada Taamim, sabores, e quando sai chama-se Nekudor, pontos. As memórias ou recordações da entrada da Luz são Otior, letras. Todas as letras começam com um ponto. Um ciclo completo de um estado espiritual contém: a entrada, a saída, as recordações da entrada, e as recordações da saída. O quarto e último elemento cria as letras. Os outros três elementos são escritos como símbolos minúsculos, Taamim, acima das letras caracteres, tagin, dentro das letras e pontos, Nekudot, debaixo das letras. Com a correta instrução para ler a Torah, os Cabalistas podem ver o seu passado, presente e futuro. Através da contemplação destes símbolos em cada uma de suas combinações. Mas para isso, não basta simplesmente ler o texto. Devemos enxergar os códigos. Certas combinações de letras podem ser usadas no lugar da linguagem das Sefirot e dos Partzufim, quando descrevemos ações espirituais. Os objetos e as ações mostradas nas letras e suas combinações, também podem dar uma descrição do mundo espiritual. A chave para se ler a Torah desta forma é O Zohar. Em essência, o livro contém comentários sobre as cinco partes da Torah - Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio - e explica o que está oculto no texto de Moisés. As letras representam a informação sobre o Criador. Mais precisamente, elas descrevem a experiência do indivíduo sobre o Criador. Os Cabalistas descrevem o Criador como uma Luz branca, o fundo do papel onde são escritas as letras e as palavras. As percepções da criatura sobre o Criador enfatizam sensações que uma pessoa sente experimentando-O, usando letras e palavras. É por isso que a Escritura hebraica tradicional é feita om letras pretas sobre um fundo branco. Pontos e linhas. Os pontos e as linhas nas letras hebraicas são formas sobre o papel, que está em branco e vazio. O papel é a Luz ou o Criador. A tinta preta é a criação. Uma linha vertical, significa que a Luz desce de cima - do Criador para a criação. Uma linha horizontal, significa o Criador está se relacionando com toda a existência - como a varredoura de uma paisagem. A forma das letras hebraicas vem da combinação de Malchut, representada em preto, e Bima, representada em branco. O ponto preto é Malchut. Quando o ponto se conecta a Luz, isso expressa o modo como ele recebe a Luz através de todos os tipos de formas e aspectos. As formas mostram os diferentes modos que a criação, tinta preta, reage ao Criador, o fundo branco. Cada letra representa uma combinação de forças. A sua estrutura e o modo como as letras são pronunciadas expressa as qualidades do Criador. Nós expressamos as qualidades espirituais que alcançamos através das formas. Preto no branco. As letras hebraicas também representam Kelim. O Zohar nos diz que as letras compareceram uma por uma diante do Criador, e pediram para serem selecionadas para servi-los na criação do Universo. Simplificando, as letras pediram para receber sua bênção e entregá-la à criação como um Kli, vaso, recebe água e a derrama para fora, para manter a vida. O branco simboliza a Luz, dar, e o preto simboliza a escuridão, receber. Por isto, as propriedades do Criador são totalmente Brancas, simbolizadas pelo livro branco. O preto é a criação, simbolizada pela tinta preta. Sozinhos, Criador e criação não podem ser compreendidos. Juntos, produzem letras e símbolos que podem ser lidos e compreendidos. Pense nisso, sem uma criação, podemos realmente chamar o Criador de "Criador"?". Para ser Criador, Ele precisa criar. Este dualismo Criador-criação é a base de tudo aquilo que existe. Nós só podemos falar de criaturas, nós não experimentamos a Luz, a menos que ela bata em algo. Para sentir a Luz, a mesma deve ser interrompida por algo, como a retina e o Criador. Elas não são apenas linhas pretas, elas formam formas nítidas porque representam relações corrigidas entre a criação e o Criador. Essa união é construída em cima do contraste e da colisão. Como criaturas, nós não experimentamos a Luz, a menos que ela bata em algo. Para sentir a Luz, a mesma deve ser interrompida por algo, como a retina em nossos olhos. A superfície de um objeto som, luz ou qualquer tipo de onda, colide com nossa percepção. Isto impede que o objeto continue, e nos permite senti-lo. Porque o papel é como a Luz, e deve ser contido com linhas pretas, letras. Isso permite que a pessoa sinta a Luz e aprenda com ela. As linhas pretas das letras são vistas como uma barreira para a Luz. Isto porque o preto, a cor, é o oposto da Luz. A Luz bate contra a Masach da criatura, ela quer entrar no Kli e dar prazer. Ao invés de desviá-la, a luta entre a rejeição da Masach e o golpe da Luz cria uma poderosa ligação. É nessa colisão que se baseia a relação entre a Luz e as letras. Deste modo, as linhas pretas das letras das letras limitam ou restringem a Luz. Quando a Luz "bate" numa linha, é forçada a parar e, então, o Kli pode estudá-la. Acontece que o único modo de aprender algo a respeito do Criador é parando a sua Luz - restringindo e estudando-a. Ironicamente, exatamente quando contemos o Criador é que aprendemos a ser tão livres quanto Ele. De certo modo, a Masach é como um prisma: a rejeição da Luz quebra a mesma nos elementos que a compõem, e isto nas criaturas, permite estudá-la e decidir o quanto de cada, cor, queremos usar. Letras e mundos. O alfabeto hebraico é formado por 22 letras. As primeiras nove letras, de Alef a Tet, representam a parte inferior de Bina. As nove letras seguintes, de Yod à Tzadik, representam Zeir Anpin, e as últimas quatro letras, de Kof à Tav, representam Malcht, a própria criatura. Além das letras regulares há cinco letras finais na língua hebraica. Se olharmos para a ilustração seguinte, veremos que elas não são letras novas. Elas utilizam os mesmos nomes que as 22 letras originais. Há uma boa razão para isso. Todas as 22 letras originais estão no mundo de Atzilut, o mais elevado dos cinco mundos introduzidos no capítulo 7. Como as 22 letras originais estão no mundo mais próximo do Criador, elas descrevem uma conexão corrigida entre a criação e o Criador. As cinco letras finais fazem o contato entre o estado corrigido, Mundo de Atzilut, e os mundos do estado não corrigido, Beria, Yetzira e Assiya (BYA). Como há cinco fases na criação, deve haver cinco formas finais de contato entre Atzilut e BYA, consequentemente, as cinco letras finais.
MOSAICO ESPIRITUAL
quarta-feira, 8 de julho de 2026
CABALA. MITOS E VERDADES - Parte X
domingo, 5 de julho de 2026
A FÉ DE SARIPUTRA
Budismo. Livro Vida e Doutrina de Sidarta Gautama. Por Yogi Kharishnanda. A FÉ DE SARIPUTRA. Capítulo IX. O Senhor Buda voltou de Nalanda com inúmeros discípulos e deteve-se num bosque de mangueiras. Aproximou-se dele o venerável Sariputra, que lhe disse, depois de saudá-lo respeitosamente: Mestre, a fé que eu tenho no Senhor é tão firme que, no meu entender, não há nem haverá outro maior, no concernente à suprema sabedoria. O Senhor Buda respondeu-lhe: As palavras de sua boca são audaciosas, ó Sariputra. Sem dúvida elas irromperam num momento de êxtase. Conhece por acaso todos os que em épocas passadas também foram Budas? Não, Senhor, respondeu Sariputra. Você vislumbrou os que num futuro longínquo há de ser Budas? Não, senhor. Porém, ao menos, ó Sariputra, conhecerá a mim com Buda vivente, e terá penetrado em meu espírito. Tampouco, senhor. Então você vê, Sariputra, que não conheceu os Budas do passado, nem vislumbrou os do futuro. Por que, então, uma afirmação tão temerária? Por que um elogio tão desmensurado? Oh, Senhor! Não conheço o coração dos Budas passados e futuros, nem o seu que agora é. Só conheço os fundamentos da fé. Um rei poderia ter edificado na fronteira do seu reino uma fortaleza, com sólidos muros cimentados. Com sentinelas de atalaia para deter os estrangeiros e não deixar entrar mais ninguém além de seus amigos. Mas assim como poderiam existir no muro algumas pequenas rachaduras por onde entrasse um gato e observasse a fortaleza. Do mesmo modo eu conheço os fundamentos da fé. Sei que os Budas passados forma sempre avessos à luxúria, à preguiça, ao orgulho, à dúvida, a todos os vícios e fraquezas que debilitam o homem. Que eles exercitaram as cinco modalidades de atividade mental e alcançaram a iluminação. E sei que o mesmo fará os Budas futuros, e o mesmo o senhor faz. Grande é a sua fé, não a quebre. Abraço. Davi
sexta-feira, 3 de julho de 2026
AKSHARA PARABRAHMA YOGA - O CAMINHO PARA A DIVINDADE SUPREMA
Hinduísmo. Bhagavad Gita. A Mensagem do Mestre. AKSHARA PARABRAHMA YOGA - O CAMINHO PARA A DIVINDADE SUPREMA. Capítulo VIII. Deus está sempre presente em tudo, vivificando e iluminando todos os seres. Quem se deixa iluminar pelos raios da sabedoria, torna-se sábio. A sabedoria Divina nele é uma força viva que a conduz ao conhecimento da imortalidade.
quarta-feira, 1 de julho de 2026
XINTOÍSMO. Parte I
Xintoísmo. bushidobr.com. XINTOÍSMO MITOLOGIA E INFLUÊNCIA na formação da cultura e do carácter do povo japonês. Parte I. Introdução. A concepção do xintoísmo para o japonês era de si tão natural, genérica e vasta, que até a chegada do budismo no século VI (501-600), não tinha nome especificado. Quando se acharam diante de uma religião estrangeira, denominaram a nativa de Kannagara no michi ou Xintô, que significa caminho dos deuses. É difícil saber exatamente o que era o xintoísmo antes da chegada do budismo. Não era apenas a única religião; era o único modo como os antigos japoneses se relacionavam com o mundo, pois acreditavam profundamente que os deuses, os homens e a Natureza são nascidos dos mesmos ancestrais: não havia separação conceitual entre a Natureza e o homem. "Não havia denominação para a Natureza, como algo apartado e distinto do homem, algo que pudesse ser contemplado pelo homem" (Sakamaki Shunzo in MOORE, 1975, p. 24). Ou seja, não havia distinção entre sujeito e objeto, observador e observado. O homem era apenas parte de um todo, "intimamente associado e identificado com os elementos e as forças do mundo em seu redor" (idem). Fato que se nota pela importância das principais divindades, entre milhares, associadas aos principais fenômenos da natureza: o nascimento, o crescimento, as transformações e a morte (ibidem p. 25). Essa estreita proximidade com a Natureza e elementos de seu entorno constitui-se na principal característica do Xintô (HERBERT, 1964, p. 17). Supõe-se que o modo como viam o mundo “era uma forte concepção intuitiva de uma profunda unidade subjacente, biológica e física ao mesmo tempo, entre todos os homens (mortos, vivos e não-nascidos), a Natureza e todas as entidades invisíveis ao homem, porém dignas de veneração” (HERBERT, 1977, p. 10). É, no dizer do professor Ono, "para os que veneram o kami, xintô é o nome coletivo de todas as crenças que compreendem a ideia do kami" (ONO, 1990, p. 3). Relacionando as três mais antigas correntes de pensamento que estão na gênese do pensamento japonês, teria dito o príncipe Shotoku , que difundiu o budismo no Japão: “O Xintoísmo é a raiz e o tronco de uma grande árvore robusta e transbordante em inesgotável energia; o Confucionismo são os galhos e as folhas e o Budismo são as flores e frutos” (HERBERT, 1977, p. 11). Por dois ou mais milênios, junto com o budismo e o confucionismo, essa religião autóctone moldou o caráter desse povo. Origem. Perde-se nas brumas do tempo a origem do xintoísmo. Supõe-se que o local onde os aldeões se reuniam, no centro ou na entrada da aldeia, foi considerado sagrado e marcou-se por um ponto característico, como um rochedo, uma caverna, uma montanha ou uma grande árvore (ROCHEDIEU, 1982, p. 67). Aí se debatiam os assuntos da aldeia e era também o local das festas. O marco passou então a ser venerado como sagrado, como um kami da aldeia (idem). Às vezes o local escolhido se dava em torno de alguma antiga família, talvez a pioneira da comunidade (ONO, op. cit., p. 27). Os santuários primitivos eram simples "altares ao ar livre, frequentemente esculpidos na rocha, sobre os quais se depositavam oferendas" (LITTLETON, 2002, p. 68). Não raro, em comunidades rurais, os santuários eram erigidos no interior de densas florestas, localização acessível apenas por gente da comunidade (ONO, op. cit., idem). É seguro então, afirmar-se que a adoração à Natureza se constituiu na fé primitiva do povo japonês, evidenciado pelos deuses de estreita relação a ela: deusa do sol, deus da lua, deus da montanha, deus do mar, deus do vento entre outros (HARADA, 1914, p. 30). Em tempos primevos, quando ainda não se construíam santuários, acreditava-se que as divindades moravam longe e faziam visitas em ocasiões especiais. Era então preparado um pequeno abrigo de nome himorogi, cercado por corda de palha e ao centro, um ramo de árvore. Cercava-se o espaço também com rochas (iwasaka) (Ueda Kenji in TAMARU et alii, 1996, p. 31). Por acreditar que as divindades aí passaram a habitar, os abrigos tomaram a forma de casas. Não apenas a morada, mas também o espaço no entorno foi então considerado sagrado. Por serem construídos em meio à Natureza, nas montanhas, perto de cachoeiras ou em ilhas isoladas, a própria Natureza era vista como símbolo da divindade. Como local sagrado na construção de santuários, são seguidos os princípios da simplicidade, pureza e harmonia com a Natureza (idem). Fontes do Xintoísmo. São os principais textos do xintoísmo: a) o Kojiki – escrito em 712, traz um relato das tradições conservadas oralmente até o ano 628; b) o Nihongi – escrito em 720, é cerca de duas vezes mais longo do que o Kojiki; é a continuação dos seus relatos até o ano 700; c) o Kogoshui, escrito em 807, fornece alguns detalhes ausentes nos dois escritos anteriores; d) o Sendai Kuji Hongi – escrito em dez volumes no final do IX século, relata a história do Japão da era dos deuses até o VII século; e) o Engi-shiki – promulgado em 967, embora um texto de administração governamental, contém os três textos do Norito, liturgia que se oferece aos Kami. Teogonia – surgimento dos principais deuses do panteão xintoísta Lê-se na primeira seção do Kojiki: “os nomes dos Kami que se tornaram no Alto Plano dos Céus (Takama-no-hara) no início do Céu e da Terra são Ame-nominaka-nushi-no-kami (Augusto mestre do Centro do Céu), em seguida Takamimusubi-no-kami (Augusto elevado Kami que produz), e depois Kami-musubi-no-kami (Divino Kami maravilhoso que produz)” (ibidem p. 18). Na última geração nascem Izanagi (Varão que convida) e Izanami (Varoa que convida) (ibidem p. 28). A estes, os deuses ordenam consolidar e fazer nascer a Terra, entregando-lhes uma lança celeste ornada de joias (ibidem p. 37-38). De sobre a Ponte Flutuante Celestial (Ame-no-uki-hashi), agitam com sua lança flamejante as águas do oceano e de seus pingos se forma a ilha Onogoro, a primeira terra do Japão, que muitos autores relacionam à Ilha de Awaji (ibidem p. 38). Seu nome significa autocondenado e é a única entidade que não provém da união sexual dos deuses (ibidem p. 40). Após construírem nesta ilha o Augusto Mastro Celestial e uma sala (ou palácio) de oito braças, ambos contornando o mastro, o homem pelo lado esquerdo e a mulher pelo direito, unem-se como homem e mulher. Porém, tendo Izanami tomado a iniciativa, a união não resultou em boas crias e refizeram a união, cabendo desta vez a iniciativa ao homem (HERBERT, 1965, p. 50-51). No Nihongi consta versão na qual a mulher toma a iniciativa e faz o contorno pelo lado esquerdo, atendendo ao que lhe diz o homem, e este contorna o pilar pelo lado direito (ibidem p. 51). A união fracassou pelo resultado e a refizeram, invertendo os lados e cabendo a iniciativa da palavra desta vez ao homem. Abraço. Davi
segunda-feira, 29 de junho de 2026
SANTA TERESA DE JESUS DOS ANDES
Catolicismo. Vatican.va. SANTA TERESA DE JESUS DOS ANDES. Virgem carmelita descalça (1900-1920) A jovem que hoje a Igreja Católica glorifica com o titulo de Santa é um profeta de Deus para os homens e mulheres do nosso tempo. Teresa de Jesus dos Andes põe-nos diante dos olhos o testemunho vivo do Evangelho, encarnado até às últimas exigências na sua própria vida. Ela é, para a humanidade, prova indiscutível de que a chamada de Cristo à santidade é atual, possível e verdadeira. Ela ergue-se diante de nós para demonstrar que a radicalidade do seguimento de Cristo é o único que vale a pena e o único capaz de fazer-nos felizes. Teresa dos Andes, com a eloquência duma vida intensamente vivida, confirma-nos que Deus existe, que Deus é amor e alegria, que é a nossa plenitude. Nasceu em Santiago do Chile a 13 de Julho de 1900. No Batismo foi-lhe dado o nome de Joana Henriqueta Josefina dos Sagrados Corações Fernández Solar. Familiarmente era conhecida, e é o ainda hoje, pelo nome de Juanita. Viveu uma infância normal no seio da família: os pais, Miguel Fernández e Lucia Solar; três irmãos e duas irmãs; o avô materno, tios, tias e primos. A família gozava de boa posição econômica e guardava fielmente a fé cristã que vivia com sinceridade e constância. Joana recebeu a sua formação escolar no colégio das Irmãs francesas do Sagrado Coração. Uma curta e intensa história passada entre a família e o colégio. Aos catorze anos, movida por Deus, já ela se decidiu a consagrar-se a Ele como religiosa, em concreto, como carmelita descalça. Este seu desejo veio a realizar-se a 7 de Maio de 1919, quando entrou no pequeno mosteiro do Espírito Santo na povoação de Los Andes, a cerca de 90 kms de Santiago. Vestiu o hábito de carmelita no dia 14 de Outubro desse mesmo ano, iniciando assim o noviciado com o nome de Teresa de Jesus. Tinha intuído, havia muito, que morreria jovem. Melhor, o Senhor tinha-lhe revelado, como comunicou ao confessor um mês antes da sua partida para Ele. Assumiu este anúncio com alegria, serenidade e confiança, certa de que na eternidade continuaria a sua missão de fazer conhecer e amar a Deus. Após muitas tribulações interiores e indizíveis padecimentos físicos, causados por um violento ataque de tifo que lhe consumiu a vida, passou deste mundo para o Pai no entardecer do dia 12 de Abril de 1920. Tinha recebido com sumo fervor os santos sacramentos da Igreja e no dia 7 de Abril fez a profissão religiosa em artigo de morte. Faltavam-lhe ainda três meses para completar os 20 anos de idade e 6 para terminar o noviciado canónico e poder emitir juridicamente os votos religiosos. Morreu, portanto, sendo noviça carmelita descalça. Esta é a trajetória externa desta jovem chilena de Santiago. Desconcerta e desperta em nós uma grande interrogação: Mas, que fez ela de importante? Para tal pergunta, uma resposta igualmente desconcertante: viver, crer, amar. Quando os discípulos perguntaram a Jesus sobre o que deviam fazer para cumprir as obras de Deus, Ele respondeu: " A obra de Deus é que acrediteis n'Aquele que Ele enviou " (João. 6, 28-29). Portanto, para aperceber-nos do valor da vida de "Juanita", é necessário assomar-nos ao seu interior, ali onde o Reino de Deus está. Ela abriu-se à vida da graça desde mui tenra idade. E ela mesma que nos assegura que aos 6 anos, movida pelo Senhor, conseguiu centrar n'Ele toda a riqueza da sua afetividade. "Quando se deu o terremoto de 1906, pouco depois, Jesus começou a apoderar-se do meu coração" (Diário, n. 3, p. 26). Juanita aliava uma enorme capacidade de amar e de ser amada a uma extraordinária inteligência. Deus fê-la experimentar a sua presença, cativou-a dando-lhe a conhecer e fê-la totalmente d'Ele, unindo-a ao sacrifício da cruz. Conhecendo-O, amou-O; e amando-O, entregou-se radicalmente a Ele. Tinha compreendido, já desde pequena, que o amor se mostra mais com obras que com palavras. Por isso traduziu-o em todos os atos da própria vida, desde a sua motivação mais profunda. Olhou-se a si mesma de frente com olhos sinceros e sábios e compreendeu que, para ser de Deus, era necessário morrer para si mesma e para tudo o que não fosse Ele. Por natureza era totalmente adversa às exigências do Evangelho: orgulhosa, egoísta, teimosa, com todos os defeitos que isto supõe. Como nos acontece a todos. Mas o que ela fez de diferente foi não esmorecer nunca na luta encarniçada contra todo o impulso não nascido do amor. Aos 10 anos era uma nova pessoa. Motivava-a o sacramento da Eucaristia que ia receber. Compreendeu que era Deus que ia morar dentro dela; e isso fê-la empenhar todo o esforço em ornar-se das virtudes que a fizessem menos indigna desta graça e conseguiu, em pouquíssimo tempo, transformar por completo o seu carácter. Na celebração deste Sacramento recebeu de Deus graças místicas de falas interiores que persistiram ao longo de toda a vida. Desde então, a inclinação natural para Deus transformou-se nela em amizade, em vida de oração ... Quatro anos mais tarde recebeu interiormente a revelação que iria orientar definitivamente toda a sua vida: Jesus Cristo disse-lhe que a queria carmelita e que a sua meta tinha de ser a santidade. Com abundante graça de Deus e a generosidade duma jovem apaixonada, entregou-se à oração, à aquisição das virtudes e à prática da vida segundo o Evangelho, de tal modo que em breves anos foi elevada a alto grau de união com Deus. Cristo foi o seu ideal, o seu único ideal. Enamorou-se d'Ele e foi consequente até crucificar-se em cada momento por Ele. Invadiu-a O amor esponsal e, por isso, o desejo de unir-se plenamente a Quem a havia cativado. Assim, aos 15 anos fez voto de virgindade por nove dias, que renovou depois continuamente. A santidade da sua vida resplandeceu nos atos ordinários de cada dia em qualquer ambiente onde viveu: a família, o colégio, as amigas, os vizinhos com quem passava parte das suas férias e a quem, com zelo apostólico, catequizou e ajudou. Sendo jovem igual a todas as suas amigas, estas reconheciam-na diferente. Tomaram-na por modelo, apoio e conselheira. Juanita sofreu e gozou intensamente em Deus as penas e alegrias comuns a todas as pessoas. Jovial, alegre, simpática, atraente, desportista, comunicativa. Adolescente ainda, alcançou perfeito equilíbrio psicológico e espiritual, como fruto de ascese e oração. A serenidade do seu rosto era o reflexo do Deus que nela vivia. A sua vida no convento, de 7 de Maio de 1919 até à morte, foi o último degrau da sua ascensão ao cume da santidade. Nada mais que onze meses bastaram para consumar uma vida totalmente cristificada. Bem depressa a Comunidade descobriu nela a passagem de Deus na sua própria história. No estilo de vida carmelitano-teresiano, a jovem encontrou plenamente o espaço por onde derramar, com a maior eficácia, a torrente de vida que ela queria oferecer à Igreja de Cristo. Era o mesmo estilo de vida que, a seu modo, vivera na família e a que se sentia chamada. A Ordem da Virgem Maria do Monte Carmelo culminou os desejos de Juanita ao comprovar que a Mãe de Deus, a quem amou desde pequena, a tinha atraído para pertencer-lhe. Foi beatificada em Santiago do Chile por Sua Santidade o Papa João Paulo II (1920-2005), no dia 3 de Abril de 1987. Os seus restos são venerados no Santuário de Auco-Rinconada dos Andes por milhares de peregrinos que buscam e encontram nela a consolação, a luz, e o caminho reto para Deus. Santa Teresa de Jesus nos Andes é a primeira Santa chilena, a primeira Santa carmelita descalça de além fronteiras da Europa e a quarta Santa Teresa do Carmelo, depois das Santas Teresas de Ávila, de Florença e de Lisieux. Abraço. Davi.
sexta-feira, 26 de junho de 2026
OS ANALECTOS - LIVRO X
Confucionismo. www.https//rt.br. OS ANALECTOS – LIVRO X. 1. Na comunidade local, Confúcio era submisso e parecia inarticulado. No templo ancestral e na corte, embora fluente, ele não falava com leveza. 2. Na corte, quando falava com ministros de nível hierárquico mais baixo, ele era afável; quando falava com ministros de nível hierárquico mais elevado, ele era franco, embora respeitoso. Na presença do governante, sua atitude, embora respeitosa, era calma. 3. Quando ele era chamado pelo senhor para receber um convidado, seu rosto adquiria uma expressão séria, e suas passadas tornavam-se vigorosas. Quando ele curvava-se para os seus colegas, esticando os braços para a esquerda ou para a direita, suas vestimentas seguiam-lhe os movimentos sem se desalinharem. Ele avançava com passos rápidos, como se tivesse asas. Após a retirada dos convidados, ele invariavelmente relatava: “O convidado foi embora”. 4. Ao atravessar os portões externos até a corte do senhor, ele esgueirava-se para dentro, como se a entrada fosse pequena demais para admiti-lo. Quando ficava parado, não ocupava o centro do portão de entrada [115] ; quando caminhava, não pisava na soleira. Quando ele passava pelo trono do governante, seu rosto assumia uma expressão séria, suas passadas tornavam-se vigorosas, e suas palavras pareciam mais lacônicas. Quando ele erguia a bainha de suas roupas para subir até o salão de audiências, ele se inclinava para a frente e parava de inspirar, como se pudesse prescindir da respiração. Quando ele saía e descia o primeiro degrau, relaxando a expressão, ele não mais parecia tenso. Quando ele chegava ao final dos degraus, seguia adiante com passos mais rápidos, e suas mangas pareciam asas. Quando retomava seu lugar, sua atitude era respeitosa. 5. Quando segurava a tabuleta de jade [116] , ele se inclinava, como se o peso da tabuleta fosse demais para ele. Segurava a parte superior como se estivesse se curvando numa saudação; segurava a parte inferior como se fosse entregar um presente. Sua expressão era solene, como se tivesse medo, e hesitante, e seus passos eram contidos como se seguissem uma linha predeterminada. Quando fazia o discurso, sua expressão era plácida. Em uma audiência privada, mostrava-se descontraído. 6. O cavalheiro evitava usar seda tingida de roxo escuro e marrom para lapelas e mangas. Seda vermelha e violeta não eram usadas para roupas informais. Quando, no verão, ele vestia uma roupa simples, fosse feita de tecido fino ou grosseiro, ele invariavelmente a usava sobre uma roupa de baixo. Por baixo de um casaco preto, ele usava pele de ovelha; sob um casaco branco, ele usava pele de falcão; sob um casaco amarelo, ele usava pele de raposa. Seu casaco de pele de raposa para usar em casa era comprido mas com a manga direita curta. Ele invariavelmente usava uma roupa de dormir que era tão longa quanto a metade da sua altura. [117] Por serem muito espessas, a pele da raposa e do texugo eram usadas como tapetes. Uma vez terminado o período de luto, ele usava qualquer tipo de ornamento na cintura. A não ser pelo manto cerimonial, tudo mais era costurado a partir de pedaços de tecidos. Casacos de pele de ovelha e gorros pretos não eram usados em visitas de condolências. No dia de Ano-Novo, ele invariavelmente ia à corte em roupas formais. 7. Em períodos de purificação, ele invariavelmente usava uma roupa de ficar em casa feita do material mais barato. Em períodos de purificação, ele invariavelmente seguia uma dieta mais austera e, quando em casa, não sentava no seu lugar habitual. 8. Ele não comia toda a sua porção de arroz refinado, nem comia sua parte de carne finamente cortada. Não comia arroz que ficara azedo ou peixe e carne estragados. Ele não comia alimentos que tivessem perdido a cor ou que tivessem mau cheiro. Ele não comia alimentos que não fossem devidamente preparados, tampouco comia fora de hora. Não comia alimentos que não tivessem sido devidamente cortados, tampouco comia se o molho certo não estivesse disponível. Mesmo quando havia bastante carne, ele evitava comer mais carne do que arroz. Apenas em se tratando de vinho ele não estipulava para si um limite rígido. Ele simplesmente nunca bebia a ponto de ficar confuso. Ele não consumia vinho ou carne comprados em lojas. Mesmo quando o prato de gengibre não era levado embora da mesa, ele não comia mais do que o apropriado. 9. Depois de participar de um sacrifício nos domínios do governante, ele não guardava sua porção da carne sacrificial de um dia para o outro. Em outros casos, ele não guardava a carne sacrificial por mais do que três dias. Se tivesse sido guardada por mais de três dias, ele não mais a comia. 10. Ele não conversava durante as refeições; tampouco falava quando deitado na cama. 11. Mesmo quando uma refeição consistia de apenas uma porção de arroz e caldo de legumes, ele invariavelmente oferecia um pouco em sacrifício e invariavelmente o fazia de modo solene. 12. Ele jamais sentava sobre uma esteira que não estivesse bem esticada. 13. Ao beber em uma reunião da comunidade, ele ia embora na mesma hora que aqueles que usavam bengalas. 14. Quando os camponeses exorcizavam maus espíritos, ele punha suas roupas de corte e postava-se sobre os degraus do leste. [118] 15. Ao enviar uma mensagem para alguém de outro reino, ele curvava-se até o chão duas vezes antes de despachar o mensageiro. 16. Quando K’ang Tzu mandou-lhe remédios de presente, [Confúcio] curvou a cabeça até o chão antes de aceitá-los. Entretanto, disse: “Como não conheço as propriedades destes remédios, não ouso prová-los”. 17. Os estábulos pegaram fogo. O Mestre, ao voltar da corte, perguntou: “Alguém se feriu?”. Ele não perguntou sobre os cavalos. 18. Quando o governante o presenteava com alimentos cozidos, a primeira coisa que ele invariavelmente fazia era prová-los, após ajustar sua esteira. Quando o governante o presenteava com alimentos crus, ele invariavelmente os cozinhava e oferecia aos ancestrais. Quando o governante o presenteava com um animal vivo, ele invariavelmente passava a criar o animal. À mesa do seu governante, quando este havia feito uma oferenda antes da refeição, ele invariavelmente começava pelo arroz. 19. Durante uma doença, quando o governante lhe fez uma visita, ele ficou deitado com a cabeça voltada para o leste, com suas vestimentas de corte abertas sobre si e sua faixa colocada ao lado da cama. 20. Quando chamado pelo governante, ele partia sem esperar que cavalos fossem atrelados à sua carruagem. 21. Quando entrou no Grande Templo, ele fez perguntas sobre tudo. [119] 22. Sempre que morria um amigo que não tinha parentes por quem o corpo pudesse ser levado, ele dizia: “O funeral partirá da minha casa”. 23. Mesmo que o presente dado por um amigo fosse uma carruagem e cavalos, ele não se curvava até o chão – a menos que o presente fosse a carne de um sacrifício. 24. Quando na cama, ele não ficava deitado como um cadáver; tampouco sentava formalmente, como um convidado, quando sozinho. 25. Quando ele encontrava uma pessoa simples em trajes de luto, mesmo que fosse algum conhecido, ele invariavelmente assumia uma atitude solene. Quando ele encontrava uma pessoa vestindo um gorro cerimonial ou alguém cego, mesmo que fossem conhecidos seus, ele invariavelmente mostrava respeito. [120] Ao passar por uma pessoa vestida de luto, inclinava-se para fora da carruagem para mostrar respeito; agia de forma similar para com uma pessoa que carregasse documentos oficiais. Quando um suntuoso banquete era trazido, ele invariavelmente assumia uma expressão solene e punha-se de pé. Quando havia uma repentino troar de trovões ou um vento violento, ele invariavelmente assumia uma atitude solene. [121] 26. Quando subia em uma carruagem, ele invariavelmente punha-se ereto e segurava a maçaneta. Quando na carruagem, ele não se voltava completamente para o lado de dentro, tampouco gritava ou apontava. 27. Assustado, o pássaro levantou-se e volteou antes de pousar. Ele disse: “Como a fêmea do faisão sobre a ponte da montanha sabe o momento certo, como sabe o momento certo, como sabe!”. Tzu-lu juntou as mãos em um gesto de respeito para com o pássaro que, batendo três vezes as asas, voou para longe. www.https//rt.br. Abraço. Davi
quarta-feira, 24 de junho de 2026
DEUS É CIÊNCIA
Legião da Boa Vontade (LBV). Livro A Missão dos Setenta e o Lobo Invisível. Por Jose de Paiva Neto (1941-2025). DEUS É CIÊNCIA. Parte III. A erudição, quando acompanhada de vasta experiência e de postura humilde diante da Verdade, jamais se precipita. Não aceita radicalismos nem cogita que a Ciência tenha atingido a curul, ou seja, o ápice de sua missão. Incluindo o fato de que o ser humano nem logrou saber usar parcela significativa da própria capacidade mental. Pode, na atualidade, a ilha avaliar, em toda a sua extensão, o continente? O que vem de Deus é Ciência. Há tempos, defendemos que todos os ramos do saber universal compõem a Ciência Divina. Religião é Ciência, Ciência é Religião. Ambas devem honrar a Ciência Moral, que tem pelas criaturas o mais elevado respeito, não as considerando, por uma dedução distorcida provocada pelo "lobo invisível". Ferramenta para fanatização nem reles cobaias. O pensamento, quando sectário, pode sustentar rancores que ensombreçam os olhos da alma de geniais cerebrações. Aliadas, Fé e Razão muito além poderiam fazer pelos povos sequiosos de um mundo melhor. É fundamental afastar o tabu de que a Fé religiosa esteja restrita aos tolos e aos radicais. De que Ciência seja reduto apenas dos que possuem intelecto aguçado. Mantendo-se de preferência, distantes do sentimento que liga a Razão ao Espírito Imortal. Convêm ressaltar que Racionalidade em demasia, sem o amparo do coração, promove, por exemplo, soluções econômicas que uns privilegiam e aos demais destroem. Eis uma prova da existência do "lobo invisível", a mal inspirar governantes e governados, até que entrem em choque. A história está plena de episódios como esse. Deficiência Humana e "Divindade". Em reflexões e Pensamentos - Dialética da Boa Vontade (1987), sem pretender dar uma de conselheiro Acácio " Icônico personagem da obra de Eça de Queiroz (1845-1900) O Primo Basílio". Escrevi: Muita aberração catalogada na História como de autoria do Criador do Universo, nada mais é do que projeções do deus antropomórfico - semelhança em forma humana. Gerado pelo homem para satisfazer aos seus preceitos. Não, portanto, as próprias deficiências humanas alçadas à condição de divindade. A existência terrena particulariza renovação constante. Contudo, o desenrolar dos fatos, para alguns, é um susto. Já para os modestos - perante a Espiritualidade Superior ou Solidariedade sem fronteiras, os eventos, no dia a dia, se encaixarão de forma perfeita. E, para que possamos prosseguir em nossa análise, elucidando a ação compulsória do Mundo Invisível sobre os seres terrestres. Incluindo a ruinosa trama do "lobo invisível", é imprescindível apresentar pontos nevrálgicos. Urge, assim, encarar a Verdade que liberta, que rebenta os grilhões da ignorância das Coisas Eternas. Sem as quais mentes e corações se tornam paralisados pelo medo que aprisiona. Bem oportuna é a ponderação de meu saudoso amigo, o professor e pastor presbiteriano Jonas Rezende (1935-2017). Acerca da visão renovada que precisamos ter ao tratar das questões espirituais transcendentes. "Existe, porém, na busca sobrenatural e do transcendente, a necessidade de abandonar velhas trincheiras e concepções que foram sendo superadas pela maturidade do ser humano. Até se tornarem completamente obsoletas, num processo que se impõe, uma vez que a evolução é incessante e irreversível (...). Mas é preciso ter em mente que a aproximação consciente de elemento sobrenatural nos revela hoje, com oportuna nitidez, a face oculta da natureza. Em particular da natureza humana, como um testemunho verdadeiro de que o homem pode dar um passo a mais". A Ciência é infalível, os cientistas não. Ao meditarmos no urgente papel da Ciência no esclarecimento de nossa vida incorpórea. Faz-se necessário alcançar que, enquanto certos pesquisadores negam determinada realidade, alicerçados nos parâmetros que julgam inquestionáveis. Seus pontos de vistas, talvez prematuros, podem tornar-se verdades irredutíveis aos que tem a palavra deles como instância derradeira.. Isso causa os mais terríveis prejuízos ao progresso. Até que a Ciência mesma, apoiada em novos fundamentos, trazidos por gente de cerebração precursora, venha a reconhecer como superados muitos conceitos até então vigentes. É claro que não é ela, a Ciência, que se desdiz, porém alguns dos seus cultores, por mais bem avaliados que sejam pela opinião de seus pares. Durante palestra que proferi de improviso, em 29 de outubro de 2005, no Rio Grande do Sul-Brasil, ponderei que a Ciência é infalível, os cientistas não são. Ele não era louco. Aponto, como referência, o conceito revolucionário do sábio britânico sir Gilbert Thomas Walker (1868-1958), com sua "Oscilação Sul" ou "Gangorra Intrigante". A descoberta dele modificou a compreensão acerca dos efeitos do El Nino no planeta Terra. Apesar disso, sua tese foi, de imediato, rechaçada pelos seus contemporâneos. Contudo, atualmente, segundo o doutor Matt Huddleston, consultor principal do Met Office, Departamento de Meteorologia do Reino Unido. O incrível sobre o trabalho de Gilbert Walker (1868-1958) é que ele foi uma das primeiras pessoas no campo da meteorologia que pensaram grande. Ligando os padrões de tempo de continentes diferentes (...). As ideias grandiosas dele foram criticadas que o tempo e o clima de uma área podiam estar ligados a outra parte do globo. E realmente isso o prejudicou. Muitas foram as ironias sofridas por Gilbert promovidas por seus colegas. Mais tarde, no entanto, confirmou-se que ele estava certo. De louco, Walke não tinha nada. Os outros é que andavam distraídos. Ora, quem determina que a verdade é verdadeira? Os pesquisadores, que amanhã retificarão os seus conceitos antes apreciados por eles como cláusula pétrea, ou a modéstia exigida pela sabedoria? A erudição, quando acompanhada de vasta experiência e de postura humilde diante da Verdade, jamais se precipita. Não aceita radicalismos nem cogita que a Ciência tenha atingido a curul, ou seja, o ápice de sua missão. Incluído o fato de que o ser humano nem logrou saber usar parcela significativa da própria capacidade mental. Pode, na atualidade, a ilha avaliar, em toda a sua extensão, o continente? Deus criou o cosmos. Ao refletir sobre a descoberta do Deus que é Amor, Ciência, Filosofia, procuro fortalecer nas mentes a importância do cumprimento fiel de nossas responsabilidades perante o Pai Celestial. Fundamento nas fraternas diretrizes deixadas por Jesus, no seu Evangelho segundo Lucas 10,1-24, que transcreveremos na quarta parte deste livro. E Supremo Arquiteto do Universo, Deus, estabelece, por intermédio do Cristo Ecuménico, o Divino Estadista, esses ordenamentos repletos de meios para ampliar a missão em ampliar a missão em realizações elevadas à enésima potência. Isto é, ao máximo do que se pode conceber. O Cosmos pertence às criaturas que se alçaram, pelos seus próprios esforços, à atenção do Criador. Evidentemente que não é para fazer da Casa de Deus uma bagunça! Mas Ele é Pai! Claro que, é preciso salientar, não estou me referindo àquele deus, com inicial minúscula, que manda matar até crianças, salgar o chão, para que ali nada mais possa nascer. Esse não é o Deus de Amor de que nos fala João, Evangelista e Profeta, em sua primeira Epístola 4,8. Na verdade, ordens estapafúrdias tidas como do Pai Celestial eram inspiradas por espíritos sem luz "lobos invisíveis". Que se aproximavam daquelas pessoas e sopravam essas iniquidades aos seus ouvidos. Porém, como a concepção a respeito da existência do Mundo Espiritual era quase nula. Elas acreditavam que as instituições malfazejas lhes eram insufladas por Deus. Então, essa "divindade", apontada por elas, é pior do que os maiores genocidas conhecidos na Terra. Podemos até mesmo inferir que a ideia de um deus antropomórfico é atordoante inspiração do "lobo invisível". Desse deus, com "d" minúsculo, queremos distância, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo! Equação das Equações. Falo-vos, repito, de um Deus que é Amor, que, um dia a Ciência, que também é divina, honrará numa Equação Celeste. A da Relatividade transformou o mundo. E Albert Einstein (1879-1955), que não é Pai Celestial, trouxe-nos com ela magníficas revelações. Ele próprio não esconde a sua sensitividade mediúnica nas suas descobertas. O célebre cientista judeu alemão, sabendo ou não sabendo, possivelmente andava à procura do entendimento racional. Livre de castradores preconceitos, dogmatismos ou tabus alimentados pelo ceticismo radical, a respeito da essência Criadora, Deus. Quando, meditava sobre sua Teoria do Campo Unificado, que era sua tentativa de descrever a Teoria de Tudo. Como possuía mente aberta, com certeza já estaria hoje trabalhando na Teoria do Tudo. Aquele que a toda estrutura viva do Cosmos projetou e anima. Deus! Cuidado com limitações ideológicas. Nada mais prejudicial do que um ser humano quando estabelece uma ideologia qualquer como único fato verdadeiro, do qual ninguém é capaz de se afastar. Todavia, quem disse que esse ou aquele sistema de ideias é o único, completo e ideal! Vem ao nosso encontro o pensamento do emérito professor de Química e Estudos da Ciência Henry H. Bauer (1931 - ), reitor da Faculdade de Artes e Ciências do Instituto Politécnico da Universidade Estadual da Virgínia, EUA. Ele escreveu: "Os historiadores do futuro olharão para trás e verão a nossa era como a época em que a Ciência induziu o mundo inteiro ao erro. Pois, conluio com poderosas forças comerciais e ideológicas, movidas por interesses próprios, a Ciência sucumbiu ao dogmatismo de mente fechada". Isso corrobora o fato de que, infelizmente, ainda há grei dogmática no meio científico. Logo, pode ser levada a não admitir uma inteligência superior à da criatura. Diante disso, para a considerar como sua uma tarefa que não lhe cabe. Porque a missão da Ciência é abrir as mentes para a realidade extraordinária da Fonte Inesgotável de todo o Conhecimento. O alimento Universal disposto à mesa, à Ceia para a qual Deus, o Cientista dos cientistas, nos convida, a fim de que possamos fartamente abastecer-nos: "Eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abri-la para mim. Entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele comigo". Carta de Jesus a Igreja em Laodiceia - Apocalipse de João 3,20. Alimento espiritual científico. Sobrevivamos todos, em primeiro plano, daqui para a frente, com esse alimento espiritual-científico. Prometido pelo próprio Cristo, que é Um com o Pai em João 10,30. No livro das profecias finais, na sua carta a Igreja em Éfeso" Quem tem ouvido de ouvir ouça o que o Espírito diz as igrejas do Senhor. Apocalipse 2,7 "Ao vencedor, darei a comer os frutos da Árvore da Vida Eterna que se encontra no paraíso de meu Deus". Jesus não nos mandou ao mundo para a derrota. E, quando falo em vitória, não me refiro à do "lobo" que tripudia sobre os vencidos. Pelo contrário. Destaco, sim, o sucesso espiritual, pessoal, íntimo, moral, ético, que permite que o vitorioso também torne a outros vencedores. Ninguém é ditador de conhecimento. No tocante à vida espiritual, no capítulo "Ecce Deus!" = Eis Deus", extraído de minhas palavras pela Super Rede Boa Vontade de Rádio. Constante de Crónicas e Entrevistas, 2000, afirmei que determinados pensadores, quando ingressam na área da intuição, da existência eterna. Se assemelham muitas vezes a crianças pequenas e inexperientes, como que engatinhando nesse campo. Ponderando que o Espírito tenha a ver unicamente com horrores sobrenaturais, expostos nos filmes de Hollywood. Por exemplo, alguns, quando me assistem fazer referência ao "lobo invisível", podem crer que eu esteja aludindo ao "lobisomem". Ao "boitatá", ao "vampiro da Transilvânia" ou a "mula sem cabeça, que bota chamas pelas ventas". Até hoje não entendi bem essa história de mula sem cabeça. Vejam bem: sem cabeça, que bota chamas pelas ventas (risos). O assunto do "lobo" é bem mais sutil, em razão da onda materialista que nos avassala, conforme discorri no início desta obra. Será que tudo o que há no Universo já foi alcançado pela noção intelectual contemporânea? O nosso presente desenvolvimento mental é o limite da sabedoria? Ora, o ser humano nem atingiu o grau do Conhecimento, mas apenas algumas perspectivas dele! Não menosprezo o esforço de quem quer que seja. Seria pretensão de minha parte. Entretanto, é uma realidade que se comprova, ninguém é senhor do saber pleno. Aliás - custa-me concluir - a uns falta, às vezes, também a coragem intelectual para desvendar. Sem preconceitos e tabus, às regiões espirituais. É aí que se encontra a chave maga para o ser humano não se tornar a presa predileta do "lobo invisível" ou obsessor. Há alguns que se assustam com filmes de terror. Mas Emmanuel (Espírito) diz que, se Deus permitisse alguns minutos de visão espiritual a humanidade, esta morreria estarrecida com o que veria. E o irmão X, em sua obra Lázaro Redivivo, pela psicografia do médium espírita Chico Xavier (1910-2002). Legionário da Boa Vontade nº 15.353, apresenta semelhante abordagem acerca das infelizes entidades congregadas no astral inferior: "Se o olho humano pudesse identificá-los, possivelmente cessaria a continuação da vida na carne, no planeta Terra. Coletividades inteiras abandonariam o templo do corpo físico, tomadas de infinito e indomável pavor. Por que isso? Porque a humanidade vive presa às esferas mais inferiores do Mundo Espiritual e liga-se muito pouco aos páramos celestiais, onde governam a exaltação do Bem e a beleza. Dogmatismo Científico é aberração. Talvez achem que tudo caminha muito bem na restrita esfera da razão. E digo-o com o devido respeito, ciente de que setor algum do pensamento terrestre possui a chave de todos os mistérios e méritos. O saber humano não permanece enclausurado em departamentos estanques. Dogmatismo científico é aberração. Ademais, a Ciência neste mundo, apesar dos seus extraordinários feitos, ainda é muito nova. Sob o aspecto experimental, ela vem de pouco tempo. No século XVI, Galileu Galilei (1564-1642) tornou-se o pai da Ciência moderna. Podemos considerar que dá os primeiros vagidos no instante em que Galileu dirige seu famoso telescópio para o céu. Começando a se impor com a publicação do polêmico livro Diálogo sobre os Dois principais Sistemas do Mundo, que lhe custou a conhecida perseguição e o confinamento domiciliar. Ao refletir sobre esses assuntos, na verdade estou ponderando acerca do inestimável valor da Ciência. Para a qual não deve haver qualquer espécie de barreira dogmática à investigação da existência efetiva do Mundo dos Espíritos. Muito menos quando levantada por expoentes dela. Ponho-me, sim, a exaltar os grandes vanguardeiros, quando não tiveram a compreensão dos próprios pares. Como poderia ser contrário à tão destacado ramo da criatividade humana se vivo utilizando alguns de seus maiores contributos para o progresso das nações. A imprensa, o rádio, a televisão, a internet, a medicina ...? Não por a mesa discussão desses temas, que dizem respeito a verdadeiros continentes espirituais. Que nos cercam, e a seus moradores, nós amanhã, é colocar em grave risco a libertação de bilhões de pessoas pelo planeta afora. Considerações. Alguém pode indagar o porquê de eu ainda não ter entrado na leitura da passagem bíblica acerca da Missão dos Setenta Discípulos de Jesus e da sua instrução contra os "lobos invisíveis". Explico, tranquilamente, uma vez mais o "lobo" de que lhes vou falar não é o da historinha da Chapeuzinho Vermelho, que acabou sendo morto pelo caçador. Entre esses "lobos" de que trataremos, há muitos bons em dialética. Por isso, o meu cuidado em despertar novos setenta x setenta x setenta, que Deus sempre mandará ao mundo. Estejamos atentos ao que nos relata o Apocalipse, no capítulo 10, versículo de 8 a 11, evidenciando o privilégio que é servir a Jesus. "A voz que ouvi, vinda do céu, voltou a falar comigo, para ordenar: Vai e toma da mão do Anjo que se acha em pé sobre o mar e sobre a terra, o livro aberto. Fui, pois, ao Anjo, dizendo-lhe que me desse o livrinho. Ele, então me falou: Toma-o e devora-o. Certamente, ele será amargo ao teu estômago, mas, na sua boca, doce como mel. Tomei o livrinho da mão do Anjo e o devorei: e, na minha boca, era doce como mel. Quando, porém, o engoli, causou-me amargor no ventre. Então, me disseram: Importa ainda profetizes a muitos povos, nações, línguas e reis". A Ciência não está equipada pra confinar Deus em um tubo de ensaio. Do documentário A História de Deus, da BBC, no episódio "Fé e Ciência", exibido no Brasil em fevereiro de 2006. Pelo Discovery Chanel, vale salientar essas considerações do apresentador do programa. O professor e cientista Robert Winston (1940 - ), que de certa maneira, vêm ao encontro do nosso ponto de vista. Argumenta ele: "A ciência e a religião são sistemas separados. São formas diferentes de se olhar o mundo natural. Ambas têm um importante papel. Só acho que elas não deveriam falar de certezas. O maior perigo para o homem tanto da Ciência quanto da Religião é quando a incerteza é substituída pela certeza ... A Ciência não está equipada para confinar Deus em um tudo de ensaio". Reflexão. Na opinião do acatado doutor Robert Winston "a Ciência e a Religião são sistemas separados. São formas diferentes de se olhar o mundo natural. Ambas têm um importante papel". Corretíssimo. De fato, são dois campos com autonomia de ação. O que por vezes ainda falta é o reconhecimento do progresso advindo de um intercâmbio saudável de saberes. Independência não se deve traduzir em barreiras intransponíveis. Ora, ela ainda, em muitas mentes se erguem por causa da inspiração mesma de alguns exegetas, que honestamente pensam acreditar no Criador, porém muito distante do Deus Divino exaltado, com tanta poesia, por Zarur. Podem encontrar-se, na realidade, intelectualmente tenebrosa pelo sinistro deus concebido à imagem e semelhança do ser humano desenfreado. Dileto servidor do "lobo invisível", expressivo e insidioso dialeta. Razão por que possui tantos seguidores. Ainda em Crônica e Entrevistas (2000), concluo, no capítulo "Deus, Equação, Amor", que o amor estorvo para o grande amplexo entre Religião e Ciência, que são irmãs. É a continuação no palco do saber, do deus antropomórfico, que não prejudica somente o laboratório, como também o altar.