Confucionismo. www.https//rt.br. OS ANALECTOS – LIVRO XV. 1. O duque Ling de Wei perguntou a Confúcio sobre táticas militares. Confúcio respondeu: “De fato, já ouvir falar sobre o uso de embarcações sacrificiais, mas nunca estudei a questão do comando de tropas”. No dia seguinte, foi embora do reino. 2. Em Ch’en, quando as provisões acabaram, os seguidores [162] tinham se tornado tão fracos que nenhum deles conseguia pôr-se em pé. Tzu-lu, com indignação pintada em todo o rosto, disse: “É possível que haja momentos em que até mesmo os cavalheiros são levados a circunstâncias tão extremas?”. O Mestre disse: “Não causa nenhuma surpresa ao cavalheiro encontrar-se em circunstâncias extremas. O homem vulgar, ao encontrar-se em circunstâncias extremas, jogaria para cima qualquer escrúpulo.” 3. O Mestre disse: “Ssu, você acha que eu sou o tipo de homem que aprende muitas coisas e que depois armazena na mente cada uma dessas coisas que aprendeu?”. “Sim, acho. Não é assim?” “Não. Tenho apenas um único fio que liga todas elas.” [163] 4. O Mestre disse: “Yu, raros são aqueles que compreendem a virtude”. 5. O Mestre disse: “Se houve um governante que conseguia impor a ordem sem ter de tomar nenhuma ação, foi, talvez, Shun. Tudo o que ele precisava fazer era mostrar-se em uma postura respeitosa e olhar na direção do sul”. [164] 6. Tzu-chang perguntou sobre o progresso. O Mestre disse: “Se você tem consciência das próprias palavras e é coerente com elas, e se é determinado e reverente ao agir, então até mesmo nas terras dos bárbaros você progredirá. Mas, se falhar em ser consciencioso e coerente em relação a suas palavras ou determinado e reverente ao agir, então, mesmo na sua aldeia, como conseguiria progredir? Onde você estiver, tenha esse ideal à frente, inscreva-o na canga da sua carruagem. Apenas então você com certeza progredirá”. Tzu-chang tomou nota disso no seu cinturão. 7. O Mestre disse: “Quão correto é Shih Yü! Quando o Caminho prevalece no reino, ele é reto como uma flecha e, no entanto, quando o Caminho cai em desuso no reino, ainda assim ele tem a retidão de uma flecha. “Quão cavalheiro Ch’ü Po-yü é! Quando o Caminho prevalece no reino, ele exercita seus talentos em um cargo oficial, mas quando o Caminho cai em desuso no reino, ele deixa que o enrolem e que o guardem em algum lugar seguro”. [165] 8. O Mestre disse: “Não falar com um homem que pode se beneficiar com isso é desperdiçar o homem. Falar com um homem que é incapaz de se beneficiar com isso é desperdiçar as palavras. Um homem sábio não desperdiça nem homens nem palavras”. 9. O Mestre disse: “Em se tratando de cavalheiros determinados e homens de benevolência, ao mesmo tempo em que é inconcebível que busquem permanecer vivos sacrificando a benevolência, pode acontecer que tenham de aceitar a morte para conseguir realizar a benevolência”. 10. Tzu-kung perguntou sobre a prática da benevolência. O Mestre disse: “Um artesão que deseja praticar bem sua habilidade deve primeiro afiar seus instrumentos. Você deveria, portanto, buscar a proteção do mais distinto ministro e fazer amizade com o mais benevolente cavalheiro, esteja no reino onde estiver”. 11. Yen Yüan perguntou sobre como governar um reino. O Mestre disse: “Siga o calendário Hsia, ande em uma carruagem dos Yin e use um barrete cerimonial dos Chou, mas, quanto à música, adote o shao e o wu. [166] Bane as melodias de Cheng e mantenha homens de fala persuasiva à distância. As melodias de Cheng são insolentes, e homens de fala persuasiva são perigosos”. 12. O Mestre disse: “Aquele que não pensa em dificuldades futuras com certeza será assaltado por preocupações muito mais próximas”. 13. O Mestre disse: “Acho que devo abrir mão da esperança. Ainda estou para conhecer o homem que tenha tanta afeição pela virtude quanto pela beleza feminina”. 14. O Mestre disse: “Tsang Wen-chung não ocupou um cargo a que não tem direito? Ele sabia que Liu Hsia Hui era mais qualificado, mas mesmo assim não cedeu a ele sua posição”. [167] 15. O Mestre disse: “Uma pessoa que exige muito de si mesma e pouco dos outros ficará a salvo de críticas”. 16. O Mestre disse: “Não há nada que se fazer com um homem que está constantemente perguntando ‘O que devo fazer? O que devo fazer?’”. 17. O Mestre disse: “Trata-se de um feito bastante memorável que um grupo de homens passe o dia inteiro juntos apenas divertindo-se com mostras vãs de esperteza sem jamais tocar, durante a conversa, no assunto da moralidade!”. 18. O Mestre disse: “O cavalheiro tem a moralidade como matéria-prima e, ao observar os ritos, coloca-a em prática, ao ser modesto dá-lhe expressão e, ao ser fiel às próprias palavras, a completa. Assim é um cavalheiro, de fato!”. 19. O Mestre disse: “O cavalheiro se ressente por sua própria falta de habilidade, não pela inabilidade dos outros de o admirarem”. [168] 20. O Mestre disse: “O cavalheiro detesta não deixar um nome atrás de si quando vai embora”. 21. O Mestre disse: “Aquilo que um cavalheiro procura, ele procura dentro de si próprio; aquilo que um homem vulgar procura, ele procura nos outros”. 22. O Mestre disse: “O cavalheiro tem consciência de sua própria superioridade sem ser agressivo e junta-se a outros cavalheiros sem ser sectário”. 23. O Mestre disse: “Um cavalheiro não recomenda um homem por causa daquilo que este diz, tampouco despreza o que é dito por conta da pessoa que o fala”. 24. O Mestre disse: “Tzu-kung perguntou: existe uma palavra que possa ser um guia de conduta durante toda a vida de alguém?”. O Mestre disse: “Talvez, a palavra shu. [169] Não imponha aos outros aquilo que você não deseja para si próprio”. 25. O Mestre disse: “Quem eu alguma vez elogiei ou condenei? Se elogiei alguém, podem ter certeza de que ele tinha sido testado. Essas pessoas comuns são a pedra de toque por meio da qual as Três Dinastias foram mantidas no caminho certo”. 26. O Mestre disse: “Sou velho o suficiente para ter visto escribas a quem faltava refinamento. Aqueles que possuíam cavalos permitiam que outros os conduzissem. [170] Hoje em dia não há mais, suponho, tais casos”. 27. O Mestre disse: “A fala ardilosa arruína a virtude de uma pessoa; a falta de autocontrole em pequenas questões arruína grandes planos”. 28. O Mestre disse: “Aja com cuidado em relação a um homem que é odiado por todos. Aja com cuidado em relação a um homem que é amado por todos”. [171] 29. O Mestre disse: “O homem é capaz de ampliar o Caminho. O caminho não é capaz de ampliar o homem”. 30. O Mestre disse: “Não emendar a si próprio quando se errou é errar, de fato”. 31. O Mestre disse: “Uma vez passei todo o dia pensando, sem comer nada, e toda a noite pensando sem ir para a cama, mas descobri que nada ganhei com isso. Teria sido melhor gastar o tempo estudando”. 32. O Mestre disse: “O cavalheiro se dedica a atingir o Caminho e não a garantir comida. Vá e cultive a terra e você terminará tendo fome, é claro; estude e você terminará com um salário de oficial, é claro. O cavalheiro preocupa-se com o Caminho, não com a pobreza”. 33. O Mestre disse: “Aquilo que está ao alcance do conhecimento de um homem mas não pode ser mantido por sua benevolência é algo que ele acabará perdendo. Um homem pode ser sábio o suficiente para atingi-lo e benevolente o suficiente para mantê-lo, mas se ele não governar com dignidade, então oo povo não o respeitará. Um homem pode ser sábio o suficiente para atingi-lo, benevolente o suficiente para mantê-lo e pode governar o povo com dignidade, mas se ele não colocá-lo para trabalhar de acordo com os ritos, não terá atingido a perfeição”. [172] 34. O Mestre disse: “O cavalheiro não pode ser apreciado por pequenas coisas, mas é competente em grandes questões. Um homem vulgar não é competente em grandes questões, mas pode ser apreciado por pequenas coisas”. 35. O Mestre disse: “A benevolência é mais vital ao povo do que o fogo e a água. No caso do fogo e da água, já vi homens morrerem ao se entregarem a eles, mas nunca vi nenhum homem morrer ao se entregar à benevolência”. 36. O Mestre disse: “Quando diante de uma oportunidade de praticar a benevolência, não ceda a vez nem mesmo ao seu professor”. 37. O Mestre disse: “O cavalheiro é devotado aos seus princípios, mas não é inflexível em pequenas questões”. 38. O Mestre disse: “Ao servir o senhor, deve-se cumprir os deveres com reverência e considerar o pagamento como algo de importância secundária”. 39. O Mestre disse: “Em educação, não há distinção de pessoa para pessoa”. 40. O Mestre disse: “Não há sentido em duas pessoas que tomam caminhos diferentes se aconselharem uma com a outra”. 41. O Mestre disse: “É suficiente que as palavras utilizadas por alguém comuniquem o seu sentido”. 42. Mien, o mestre de música, [173] fez uma visita. Quando ele chegou aos degraus, o Mestre disse: “O senhor chegou aos degraus”, e quando ele chegou até o tapete, o Mestre disse: “O senhor chegou ao tapete”. Quando todos se sentaram, o Mestre disse a ele: “Este é Fulano de Tal e aquele ali é Fulano de Tal”. Depois que o mestre de música foi embora, Tzu-chang perguntou: “É esta a maneira de falar com um músico?”. O Mestre disse: “Sim. Esta é a maneira de guiar um músico”. Abraço. Davi
MOSAICO ESPIRITUAL
sexta-feira, 9 de outubro de 2026
terça-feira, 6 de outubro de 2026
O FIM DO SER - CONCLUSÃO II. LOUVOR AOS BUDAS . CONCLUSÃO III
Budismo. Livro Vida e Doutrina de Sidarta Gautama. Por Yogi Kharishnanda. Conclusão II. O FIM DO SER. Quando no círculo do universo apareceram as formas tangíveis do Sol, da Terra e da Lua, a Verdade se movia no pó cósmico e iluminava o mundo com refulgente luz. No entanto, ainda não havia olho que a visse, nem ouvido que a ouvisse, nem espírito que pudesse compreender o seu sentido. Nem lugar nos imensos da existência onde ela pudesse residir com todo o seu esplendor. No transcurso da evolução, as formas viventes foram desenvolvendo um após outro os sentidos de percepção. Então surgiram os pares de opostos, o Eu ou o mundo subjetivo e o Não Eu ou mundo objetivo. Assim, as sensações nascidas da percepção deram origem ao prazer com a consequente dor, e houve amigos e inimigos, ódio e amor. Mas a Verdade não pode achar neste mundo de sensações uma morada onde resido com todo o seu esplendor. Depois, apareceu no reino humano a razão que deveria refrear os instintos da personalidade e valer-se das forças da natureza como meios para alcançar os seus propósitos de aperfeiçoamento e progresso no caminho da evolução. Entretanto, surgiu o conflito, a luta entre a natureza superior, ou a superioridade armada com a força da razão, e a natureza inferior, ou a personalidade que investe com o ímpeto formidável das paixões. O homem foi lobo do próprio homem e se mataram para satisfazer vãs concupiscências sem que a Verdade pudesse encontrar nos domínios da razão um lugar onde residir com toda a sua glória. Até que apareceu o Salvador, o Buda, o Mestre dos deuses. O Buda estabeleceu a paz entre a razão e o sentimento, ensinando os povos a verem as coisas tais como são e a agirem em obediência a Verdade. Que então encontrou lugar onde residir em todo o seu esplendor. O Buda, o Bendito, o Santo, o Perfeito, Ele revelou a Verdade e estabeleceu o seu reino neste mundo. Pois não havia lugar para a Verdade no espaço infinito. Não havia, não há e nem pode haver lugar para a Verdade na sensação, nem em seus prazeres e dores. Também não havia, não há e nem pode haver lugar para a Verdade no raciocínio, porque o raciocínio é arma de dois gumes. Tanto que pode brandir o ódio como o amor. O raciocínio é o escabelo da Verdade porque sem a razão não é possível alcançá-la, porém não é a residência da Verdade. O trono da Verdade é a justiça, e o amor o seu ornamento. A justiça é a morada da Verdade. Este é o Evangelho do Buda. Esta é a revelação do iluminado. Esta é a lei do Santo. Os que aceitam a Verdade e a praticam, refugiam-se no Buda, no Dharma e no Sangha. Oh Senhor Bendito! Oh potente libertador! O senhor que nos ama, em seu nome e no senhor nos refugiamos. Refugiamo-nos na sua lei e na sua regra. Receba-nos, Oh Buda, no número de seus discípulos de hoje até o fim de nossos dias. Alivia, Oh Santo Instrutor, compassivo e amoroso, a todos os seres, aos aflitos, aos oprimidos pela dor. Ilumina os obcecados e aumenta o nosso entendimento e a nossa santidade. A Verdade é o fim e o objetivo de toda a existência. Os mundos nascem para morada da Verdade. Quem não aspira a posse da Verdade perde o propósito da vida. Bem-aventurado quem repousa na Verdade, porque todas as coisas perecerão e a Verdade permanecerá para sempre. O mundo está construído pela Verdade, porém os maus pensamentos desnaturam o estado natural das coisas e criam o erro, filho petulante da ilusão. O erro pode assumir uma variedade de formas lisonjeiras, porém, contém germes de destruição. A Verdade jamais varia. É imutável. Domina a morte. A ilusão, o erro e a mentira são abortos de Mara e tem vigoroso poder para enganar aos homens e extraviá-los do caminho da salvação. A ilusão, o erro e a mentira assemelham-se a um barco de madeira carcomida, e todos os que nele embarcarem estão condenados a naufragar. Muitos se apegam ao erro, e quando caem nas redes do egoísmo, da luxúria e dos desejos sinistros, lamentam sua infelicidade. Contudo, todo ser vivente aspira a Verdade, porque só a Verdade é capaz de curar nossos males e acalmar a nossa inquietude. A Verdade é a essência da Vida, porque a vida persiste depois da morte do corpo. A Verdade é eterna e subsistirá, embora desapareçam céus e terras. Não há no mundo várias Verdades, porque ela é uma e a mesma Verdade em todo o tempo e retidão. A Verdade nos mostra o caminho da retidão. Felizes são os que seguem esse caminho. Abraço. Davi.
sábado, 3 de outubro de 2026
A VISÃO DA FORMA DIVINA UNIVERSAL
Hinduísmo. Bhagavad gita - A Mensagem do Mestre. Capítulo XI. A VISÃO DA FORMA DIVINA UNIVERSAL. A forma divina ou personalidade de Deus consiste na soma de todas as formas e atividades, em que se manifesta o seu poder.
quinta-feira, 1 de outubro de 2026
XINTOISMO. Parte IV
Xintoísmo. bushidor.com. MITOLOGIA E INFLUÊNCIA na formação da cultura e o caráter do povo japonês. Parte IV. [...]. Os avós, pelas suas próprias virtudes durante a apagada existência, e pelas propiciações que os vivos lhes tributam, no desempenho dos ritos familiares, alcançam a bem-aventurança; e os seus espíritos agradecidos pagam em afetuosa proteção os cuidados rituais que se lhes votaram, guiando os vivos nos seus passos sobre a terra, aplanando as dificuldades, encaminhando os também para a bem-aventurança esperada. Vive-se, pois, pode dizer-se, para morrer; e morre-se para viver (MORAES, 1924, p. 82-83). À família imperial cabe-lhe outros rituais como o Niinamesai, a comunicação da maioridade e assunção do título de príncipe herdeiro. O imperador deve reportar periodicamente à deusa Amaterasu, no santuário de Ise, os principais acontecimentos do país (HERBERT, 1964, p. 250). A maioria dos casamentos são celebrados no ritual xintoísta e as cerimônias fúnebres, no budista. O jesuíta português Luís Almeida ao visitar o Japão em 1565, observou: "os japoneses rezam aos kami (divindades) pedindo longevidade, saúde, riqueza, fama e todos os outros benefícios terrenos, voltando-se, no entanto, para Hotoke (Buda) para implorar a sua salvação religiosa pessoal", característica da religiosidade desse povo que permanece ainda atualmente (YUSA, 2002, p. 17). Poucos são os que optam por enterrar seus mortos em cemitérios xintoístas, preferindo a cremação. Enquanto o xintoísmo é otimista e está ligado a festivais, o budismo acabou assumindo o papel de oficiante dos funerais. Isso deve-se à proibição da presença de cadáveres nos santuários - local dedicado exclusivamente aos kami - e a falta de hábito de ritos funerários dos monges xintoístas - também de dedicação exclusiva aos kami - , devendo qualquer outro assunto ser tratado fora do santuário (ONO, op. cit., p. 110). A dinastia Tokugawa (1603-1867), com a perseguição aos cristãos, ordenou que os sepultamentos fossem realizados apenas por monges budistas (idem). Tida como a religião da natureza, o xintoísmo é a religião que comemora os fatos da vida, celebra e vivifica-os em rituais de renovação: a colheita, as estações do ano, os festivais, adquirindo por esse motivo o ar alegre e festivo das comemorações da comunidade, chamadas matsuri. No Xintô a vida vivida em comunhão com a vontade divina está protegida (ONO, op. cit., p. 50); por isso, o mundo é bom, uma dádiva dos deuses ao qual o homem deve responder com gratidão à sua família, a seus ancestrais e ao kami, assumindo "suas obrigações com a sociedade e contribuindo para o desenvolvimento de tudo que lhe foi confiado" (ibidem p. 103). A vida quotidiana é considerada como um serviço para o kami, isto é, o matsuri (idem). Intimamente ligado à natureza, que se renova visivelmente a cada estação, a renovação se dá também na reconstrução dos santuários no Parque de Ise, na província. É a mais importante cerimônia do xintô que ocorre em 23 de novembro quando o imperador, como sacerdote supremo do xintô, em nome do povo japonês, partilha arroz novo e saquê branco e preto com a deusa Amaterasu. (HERBERT, 1964, p. 71) 20 .de Mie. Desde o ano 690 no reinado da imperatriz Jito (686-697) os santuários são reconstruídos a cada 20 anos, poucas vezes interrompida por guerras ou dificuldades financeiras da família imperial. (ibidem p. 28). Para essa reconstrução, chamada de sengu, são utilizadas 130 mil árvores de hinoki (cipreste japonês) de 200 anos, (ibidem p. 29) para que "a deusa do sol, Amaterasu (a divina ancestral da casa imperial) e a deusa da colheita, Toyouke, adquiram renovado vigor, garantindo a vitalidade da linha imperial e da cultura do arroz, sem os quais seria impossível a sobrevivência da nação"(LITTLETON, op. cit., p.62-63). As peças dos santuários desconstruídos são utilizadas para construção de outros santuários (idem). A última reconstrução se deu em 1993, o que indica este ano de 2013 como a próxima reconstrução (idem). A pureza no Xintô. Para o Xintô “a vida só tem sentido e só encontra o seu verdadeiro estado na pureza, e a vida que perde a sua pureza não agrada às divindades e transforma-se assim numa vida anti xintoísta cheia de pecados, de manchas e de desgraças”(ROCHEDIEU, op. cit., p. 60). As cerimônias de início de atividade – inaugurações em geral – festivais populares ou torneios esportivos geralmente são precedidos por ato de purificação. A purificação diz respeito não apenas ao corpo, mas também ao espírito. Para os xintoístas, a purificação é o ato cerimonial mais importante pois é o que aproxima nosso espírito do espírito puro dos deuses e para alguns é o que permite atingir a Realidade Última, porém, esta união só se dá na presença de um coração puro e claro (ROCHEDIEU, op. cit., p. 61). Para o Xintô, os ritos e a liturgia são elementos secundários diante da importância que assume a atitude de se manter claro e puro o coração (idem). Nos santuários xintoístas está disposta invariavelmente uma pia com água corrente, servida por uma concha de bambu para a higiene da boca e das mãos, antes de o fiel entrar no santuário. Purifica-se o corpo externa e internamente antes de entrar na presença dos deuses (LITTLETON, op. cit., p. 61-62). Para a purificação é preciso que ocorra: (ROCHEDIEU, op. cit., p. 97-100)- a vontade e o poder divino que purifica e- o esforço do homem que busca a purificação. A mancha atrai os maus espíritos e faz o homem dependente destes. São ritos de purificação: 1. O harai – destinado a limpar as manchas advindas do mal cometido. 2. O misogi – destinado a remover as impurezas advindas de outros males que não as de cunho moral como por exemplo, contato com coisas impurezas como o cadáver. Usa-se em geral a água como elemento purificador. Mais do que o rito de purificação, o misogi abrange “todo o processo de disciplina mental”. 3. O imi – refere-se a observância de condutas de purificação com evitar a ingestão de certos alimentos, ações e contatos com o intuito de se preservar a pureza total do culto. Neste estado de imi devem estar não apenas o oficiante, mas também os encarregado da preparação da cerimônia. É proibido ainda como atos preparatórios para o imi, ouvir música, ingestão de bebidas alcoólicas ou de alimentos que não tenham sido cozidos em fogo puro e ocupar-se de atividades que causem preocupação, fadiga ou sofrimento. Acredita-se que o homem receba avisos do descontentamento dos deuses quanto à sua conduta, devendo então empregar todos os seus esforços para recuperar seu estado normal de pureza. São faltas ou más condutas: (SIEFFERT, op. cit., p. 12) 1. O tsumi – atitude em que há vontade deliberada de praticar o mal. 2. O wazawai – é a desgraça, a provação e a calamidade, cuja ocorrência independe da vontade; 3. O kegari – a impureza, a mancha ocasionada pelos fatores já vistos. Apenas o tsumi é de inteira responsabilidade individual, havendo, entretanto, responsabilidade na conduta por negligência ou imprudência se formos abatidos por tsumi ou kegari. De fato, mesmo inconscientemente, a invasão de território proibido, de domínio do kami constitui tsumi, adverte Sieffert que, melhor esclarece o conceito de tsumi, desconsiderando o que o Ocidente geralmente traduz por pecado ou falta: é "a transgressão de certos limites nem sempre formalmente proibidos nem definidos, mas carregados de um potencial mágico perigoso devido à simples presença de um kami" (idem). Carregar no corpo ou na alma qualquer das faltas, torna-nos inapropriados para entrar nos santuários, devendo o fiel, antes, realizar a purificação da boca e das mãos com água corrente disposta na entrada chamada temizuya (ONO, op. cit., p. 34). Na época dos samurais, antes dos combates, alguns se purificavam com essa água, vertendo-a também na lâmina de suas espadas. Entre os atos que chocam a sensibilidade e que não se aplicam apenas às más ações, está o cortar a pele viva ou morta, do homem ou de animais, daí serem considerados impuros o manejo do sangue e de seres mortos, ou ainda infligir cortes e perfurações na pele como as tatuagens ou piercings. O corpo, assim como as vestimentas, deve ser puro, sem mácula (GRIFFIS, op. cit., p. 85). Nos banhos públicos há avisos proibindo a entrada de pessoas alcoolizadas ou tatuadas. São impuros o ofício do açougueiro ou do coveiro, geralmente executados por párias. O parto, a doença, o moribundo e o doente terminal são considerados impuros. William Elliot Griffis (1843-1928) relata que no Japão antigo eram construídas cabanas para parturientes ou moribundos que eram depois queimadas, finalizadas o uso (GRIFFIS, op. cit., p. 85). Perverso costume que penalizava a parturiente e o doente, quando mais precisavam de cuidados e apoio. Esse costume permaneceu ainda em algumas regiões do Japão até 1878 (idem). Nota-se o cuidado com a limpeza em todos os lugares: nos locais públicos, nas casas, nas escolas, onde desde pequenas as crianças aprendem a cuidar da limpeza da classe e das dependências da escola. Discorrendo sobre o que via, o português Wenceslau de Moraes escreve, surpreso, observando as ruas de um Japão ainda de vida pacata: "muito limpas; são os moradores que as varrem, com escrúpulos de minúcia, cada qual na parte que fica em frente à sua casa; o ofício de varredor municipal é desconhecido no Japão" (MORAES, op. cit, p. 75). E em outro trecho: "pode-se dizer que, na habitação japonesa, o principal luxo, muitas vezes o único, é a limpeza; mas esta tão requintada, que embriaga!..." (ibidem p. 77). Ainda nos dias de hoje, curiosamente o Japão não tem varredores nem lixeiras nas ruas, mesmo nas grandes cidades como Tóquio. Sujar lugar público é desrespeitar o próximo que também utiliza o espaço. Manchar ou ferir nosso corpo, cortando, perfurando, ferindo ou ministrando-lhe drogas que desvirtuem sua natureza, isto é, tudo que nos desvie de um comportamento bom, respeitoso, contrário, segundo um teólogo xintoísta, “ao que foi desejado pelo espírito divino” – significação de nossa vida terrestre - , significa ser desrespeitoso com a divindade que em nós habita. Assim também, uma conduta que ofenda nosso próximo por palavras, ações ou pensamentos, mostra a mácula do espírito, o distanciamento do natural Caminho. O espírito ofensor está duplamente em falta: consigo e com a divindade que está abrigada no próximo. É mancha que lançamos ou permitimos que se lance sobre nós, obstando a volta ao estado natural, vale dizer, de retornarmos ao estado de bons, de retornarmos ao Caminho. Wenceslau relata-nos sua surpresa quanto à língua japonesa: Neste momento, deixemos assomar, se nos apraz, aos lábios um sorriso, como único comentário; mas sorriso benevolente, de simpatia por esta gramática japonesa, a mais cortês de todas as gramáticas conhecidas. De fato, resulta pelo menos uma vantagem evidente; na língua japonesa não existem palavras insultuosas, obscenas; o termo mais rude que um japonês pode proferir é baka, imbecil. A gramática nipônica faz-nos lembrar uma corte 23 .atarefada, meticulosa, na qual os cortesãos em chusma - substantivos, adjetivos, advérbios, verbos, posposições e todo o resto - palpitam, rodopiam incessantemente em mesuras, em cortesias, em requebros, em reverências, seguindo regras de precedência da mais complicada pragmática imaginável, ou antes inimaginável...[...] e a língua japonesa é incontestavelmente uma das mais belas línguas hoje faladas, como também uma das mais difíceis (ibidem p. 40-41). As ações do Xintô, os ritos de purificação e as ideias de mácula procuram alcançar um ideal de pureza corporal e espiritual, destacando-se o esforço ao retorno do “estado normal”, isto é, estado divino, estado de bom. Corolário natural desta concepção, para o xintoísmo não somos maus, apenas estamos mau. Estar nesse estado é estar impuro, com o coração manchado, anuviado; é afastarmo-nos da nosso verdadeiro Eu ou permitir que nos afastem. O homem não é responsável pelos males que se abatem sobre sua vida, salvo aqueles produzidos por sua voluntária conduta, mas é somente sua a responsabilidade de viver uma vida reta, honesta, ética e clara, como é o desejo dos deuses. A Natureza e o senso estético no Xintô Se observarmos as fases de desenvolvimento por que passaram as religiões, é de indubitável conclusão o primitivismo do Xintô, a fase ainda "das ideias infantis" dessa religião como afirma Griffis (GRIFFIS, op. cit., p. 69). "Estagnado" nessa fase de desenvolvimento, a Natureza - por força da crença de que os homens, a Natureza e os deuses, provêm de um único ancestral - é objeto de profunda apreciação, respeito e inúmeros festivais por todo o país. A comunhão com o divino e com a própria Natureza se funde num único sentimento, assim descrito emocionadamente por Rochedieu: [...] o Japão sabe conservar certos lugares unicamente pela beleza, e é muitas vezes surpreendente e comovedor para o Ocidental ver nos parques grandes templos, ou simplesmente presenciar num jardim público um pai acompanhado do filho parar em silêncio ao pé de um lago, de uma pequena ponte, de uma cascata ou das flores e ter uma atitude de recolhimento porque, para o japonês, a comunhão com o divino obtém-se as mais das vezes através da união de todo o seu ser com as belezas naturais, com obras de arte selecionadas, com a harmonia que emana de um monumento. Não é o valor ou a grandeza da matéria utilizada que cria a beleza, mas o amor com que o artista se debruça sobre a sua obra, nela trabalhando por vezes durante anos, mas incutindo desse modo, no objeto que cinzela ou no quadro que pinta, algo da sua alma, algo de si próprio, e esse algo que procura transmitir através da obra de arte é sempre aquilo que de melhor há em si (ROCHEDIEU, op. cit., p.37). A beleza natural é fundamental para a veneração dos kami nos santuários, independentemente do kami aí cultuado. Segundo Ono, é esse refinado senso estético da beleza que enleva o homem, conduzindo-o do mundo profano ao sagrado, que o faz 24 .experienciar o viver em comunhão com "o alto e profundo mundo do divino" (ONO, op. cit., p. 97). As leis xintoístas não provêm de um deus único, dado aos homens por revelação como nas grandes religiões do Ocidente. São descobertas dentro da Natureza onipresente, encantadora e ao mesmo tempo mística que se lhe mostra. A Natureza não é hostil como na mitologia judaico-cristã que expulsa o homem do Paraíso; pelo contrário, ela existe abençoada pelos deuses e se desenvolve com harmonia e cooperação (ibidem p. 103). É, portanto, dádiva divina, presente dos deuses para os homens. Página 25. Abraço. Davi
segunda-feira, 28 de setembro de 2026
OS TRÊS ASPECTOS DO BUDA
Budismo. Livro Vida e Doutrina de Sidarta Gautama. Por Yogi Kharishnanda. Conclusão I. OS TRÊS ASPECTOS DO BUDA. Quando o Senhor Buda entrou no nirvana, os discípulos se reuniram em concílio para resolver o que deveria ser feito para manter-se pura a doutrina e não corromper com heresias. Upali, levantando-se, disse: Oh discípulos! Depois de minha morte, respeitem a lei e obedeçam a ela, que ela seja o Mestre de vocês. A lei é a lâmpada que brilha nas trevas pra iluminar o caminho. Também é uma valiosa joia para cuja aquisição não se deve poupar esforço algum. Mesmo que seja com o sacrifício da própria vida. Obedeçam à lei que eu revelei a vocês, e respeitem-na escrupulosamente como a mim próprio. Essas foram as palavras do Senhor Buda. E nessa lei que ele nos legou como riquíssima herança, temos agora o corpo visível do Tathágata. Devemos respeitá-la como sagrada, porque de nada servirá edificar pagodes para as relíquias se não conservarmos o espírito dos ensinamentos do Mestre. Em seguida, Anuruda levantou-se e disse: Irmãos devemos fixar bem em nossas mentes a ideia de que Gautama Sidarta era a forma visível da Verdade. O excelso Sakiamuni é a encarnação da Verdade que nos ensinou, dizendo que a Verdade existia antes de ele vir ao mundo e continuará a existir depois que ele entrasse no nirvana. A verdade está presente em todas as partes. É eterna. Devemos fixar bem em nossa mente que o Senhor Buda não nos ensinou uma lei circunstancial e subalterna. Daquelas que prescrevem quando o tempo altera as circunstâncias em que foram promulgadas, mas a lei imutável e eterna. A Verdade não é arbitrária nem filha das opiniões dos homens, mas pode estar oculta, e será encontrada por quem a buscar com ardor. A verdade está oculta para o cego de entendimento, mas quem possui a visão mental consegue vê-la. A verdade é a ciência do Buda, e ficará como pedra de toque para distinguir as doutrinas falsas das verdadeiras. Aprendamos, pois, a Verdade, porque a Verdade é o Buda, nosso Mestre, o Instrutor e o Senhor nosso. Vocês sem dúvida falaram bem, irmãos, sem contradição de opiniões sobre o sentido real de nossa religião, porque o Bem-aventurado em três aspectos e cada um deles de igual importância para nós. Um deles o Dharmakaya, outro o Nirmanakaya e o outro o Sambogokaya. O Buda é a Verdade excelente, eterna, presente em todas as partes e imutável. Tal é o Sambogokaya, o estado de perfeita felicidade. O Buda é o Mestre que ama todos os seres e assume a forma daqueles que ele substitui. Tal é o Nirmanakaya. O corpo em que ele se apresenta. O Buda é o dispensador bendito da religião. É o espírito do Sangha e o sentido dos mandamentos que nos deixou sua palavra sagrada. Tal é o Dharmakaya, o corpo da excelsa Lei. Se o Buda não tivesse se manifestado a nós na pessoa de Gautama Sidarta, como poderíamos possuir as tradições sagradas de sua doutrina? E se as futuras gerações não possuírem essas tradições sagradas conservadas no Sangha, como estas conhecerão o insigne Sakyamuni? Nem nós nem ninguém conheceríamos a excelsa Verdade, porque aquele que tiver aberto os olhos espirituais a descobrirá. Em seguida, os irmãos resolveram celebrar um concílio em Rajagrilha, para expor as doutrinas puras do Bem-aventurado, examinar e compilar as Escrituras Sagradas e fixar o cânone que servisse como instrução para as gerações futuras. Abraço. Davi
sábado, 26 de setembro de 2026
SANTA ÂNGELA DA CRUZ
Cruzterrasanta.com.br. Catolicismo. SANTA ÂNGELA DA CRUZ. Infância e origens humildes. Santa Ângela da Cruz nasceu em Sevilha, na Espanha, a 30 de janeiro de 1846, com o nome de Maria dos Anjos Guerrero González. Era filha de pais pobres, mas profundamente religiosos. Seu pai trabalhava como cozinheiro em um convento dos Trinitários, e sua mãe, dedicada ao lar, transmitia às filhas a simplicidade da fé. A vida da família era marcada pela escassez. As doenças, a falta de recursos e as dificuldades eram constantes. Maria dos Anjos cresceu nesse ambiente de luta pela sobrevivência, aprendendo desde cedo a valorizar a oração e a caridade, mesmo quando havia pouco para oferecer. Ainda jovem, começou a trabalhar como aprendiz em uma fábrica de sapatos. Ali, entre ruídos de ferramentas e longas jornadas, foi amadurecendo uma vida de oração silenciosa. Sentia atração pelo claustro, mas sua saúde frágil não permitiu que fosse aceita nas ordens contemplativas. Aos 19 anos tentou entrar no Carmelo, mas foi recusada por causa das limitações físicas. Pouco depois, procurou o convento das Filhas da Caridade, mas também ali não permaneceu. Esses fracassos, longe de abalar sua fé, aprofundaram seu discernimento: compreendeu que Deus lhe reservava outro caminho. A descoberta de sua missão. Orientada por seu diretor espiritual, o padre José Torres Padilla, Maria dos Anjos descobriu que sua vocação consistia em viver no meio dos pobres, não atrás das grades do convento. Era chamada a ser "monja da rua", expressão que se tornaria marca de sua espiritualidade. Assumiu a vida de penitência e oração, unindo o trabalho à contemplação. Vestiu hábito simples, dedicou-se a cuidar dos doentes, a visitar famílias necessitadas e a amparar os abandonados. Em tudo, buscava imitar a pobreza de Cristo e a humildade da Virgem Maria. Fundação da Companhia da Cruz. Em 1875, junto com três companheiras, deu início à Companhia das Irmãs da Cruz, cujo carisma era a entrega total aos pobres e enfermos, especialmente aos mais desprezados. O nome da congregação expressava o espírito de suas fundadoras: viver unidas à Cruz de Cristo, compartilhando os sofrimentos do próximo. A Companhia nasceu em extrema simplicidade. As irmãs viviam em casas pobres, partilhando a miséria dos bairros operários de Sevilha. Sem rendas nem recursos, sustentavam-se do trabalho manual e das esmolas recebidas, mas repartiam tudo com os que tinham menos. Vida de pobreza e santidade. Santa Ângela viveu sempre em espírito de extrema humildade. Evitava honras, buscava os lugares escondidos e preferia servir em silêncio. Dormia em esteira de palha, alimentava-se parcamente e trabalhava sem cessar. Mas o que impressionava era a alegria com que suportava a pobreza, vendo nela um meio de união com Cristo crucificado. Tornou-se verdadeira mãe para os pobres de Sevilha. Era conhecida como "a Madre dos desamparados". Nas ruas, nas casas humildes, nos hospitais, sua presença levava esperança e paz. Muitos a chamavam de "Santa Ângela" já em vida. Expansão da obra. A pequena semente cresceu rapidamente. Outras jovens juntaram-se às primeiras, desejosas de seguir o mesmo ideal. Novas casas foram abertas em Sevilha, Córdoba, Huelva e outras cidades da Andaluzia. A Companhia da Cruz espalhou-se pelo sul da Espanha, sempre mantendo o carisma inicial: pobreza radical, vida de oração e serviço direto aos pobres. Santa Ângela não buscava obras grandiosas. Seu objetivo era servir no silêncio, cuidando dos que sofriam em anonimato. Ainda assim, sua obra chamou a atenção de bispos, sacerdotes e leigos, que viam naquela congregação a expressão pura da caridade cristã. Os últimos anos. Os últimos anos de sua vida foram marcados por dores físicas, resultado das penitências e do desgaste do trabalho. Mesmo debilitada, continuava animando suas irmãs com palavras de humildade e confiança em Deus. Aceitava o sofrimento como participação na Cruz de Cristo. Faleceu em Sevilha, no dia 2 de março de 1932, aos 86 anos, deixando atrás de si uma obra consolidada e uma fama de santidade que se espalhou rapidamente. Seu corpo foi sepultado na Casa Mãe da Companhia da Cruz, onde até hoje repousa venerado pelos fiéis. Beatificação e canonização. O processo de beatificação foi iniciado pouco após sua morte, devido à fama de santidade. Em 1982, foi proclamada bem-aventurada pelo Papa São João Paulo II, e em 2003, canonizada pelo Papa São João Paulo II na Praça de São Pedro, diante de uma multidão de peregrinos vindos da Espanha. A Igreja a propõe como modelo de humildade e caridade, exemplo de que a santidade se encontra no serviço silencioso, no cotidiano partilhado com os pobres e na aceitação alegre da Cruz. Espiritualidade. Santa Ângela da Cruz deixou um testemunho luminoso de simplicidade evangélica. Sua espiritualidade pode ser resumida em três aspectos:
- Amor à Cruz: via no sofrimento a escola do amor e a identificação com Cristo.
- Pobreza radical: viveu desapegada de tudo, buscando sempre o último lugar.
- Caridade ativa: dedicou-se de corpo e alma aos pobres e enfermos, vendo em cada um deles o próprio Cristo.
quarta-feira, 23 de setembro de 2026
RELIGIÃO DO ISLAM. CONCLUSÃO. Parte III
Islamismo. IslamHouse.com. RELIGIÃO DO ISLAM. CONCLUSÃO. Parte III. Por Jamaal Zarabozo (1961- ). O direito de gozar de “privacidade”. Analisemos o seguinte hadith do Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele): “Algum de vós se dirige à sua esposa, fecha a porta, cobre-se e se oculta em Allah? Responderam: ‘Sim’ Logo, sentase [com os demais] e diz: ‘Fiz isso e aquilo’? Eles, então, permaneceram em silêncio. O Profeta, então, se dirigiu às mulheres e perguntou: ‘Alguma de vocês fala destas coisas?’ Elas também permaneceram em silêncio. Então, uma jovem mulher entrou silenciosamente, e se dirigiu ao Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele): ‘Ó Mensageiro de Allah, por certo que eles [os homens] falam disso e elas [as mulheres] também.’ Ele disse: ‘Sabe como são? São como um demônio feminino que se encontra com um demônio masculino na rua e satisfazem seus desejos enquanto as pessoas os vêem’.” O direito de aprender ou ensinar a sua religião. Por outro lado, os direitos do esposo ou as responsabilidades das mulheres são: Ser a cabeça do casal e da família. Allah disse: “Os homens são os protetores das mulheres, porque Deus dotou uns com mais (força) do que as outras, e pelo seu sustento do seu pecúlio...” (4:34). Normalmente, este é o direito do esposo e constitui uma carga muita pesada sobre seus ombros, já que implica na responsabilidade de guiar sua família e mantê-los no caminho correto. O direito de ser obedecido. Este é parte do primeiro direito. Uma pessoa não pode ser a cabeça de algo se não possui autoridade. Que sua esposa responda a seus chamados para satisfação de suas necessidades sexuais. O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Se um homem chama sua esposa à cama e ela se recusa ir [sem motivo válido], os anjos a maldirão até a manhã”. (Bukhari). A esposa não permitirá que ninguém entre em sua casa sem a permissão de seu marido. Em um hadith registrado por Bukhari e Muslim, o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) disse: “Não permitam que ninguém entre em sua casa sem a minha permissão.” Se os cônjuges contraem matrimônio com a intenção correta de satisfazer a Allah e ao seu companheiro(a), aceitando os requisitos e responsabilidades no matrimônio e tratando-se de acordo com o comportamento islâmico adequado, sua união será abençoada e se estenderá até a próxima vida. A dissolução do matrimônio Após repassar as bases fundamentais do matrimônio, devemos dizer que o Islam é também uma religião prática. Uma religião que considera todas as situações possíveis. É possível que um homem e uma mulher realizem uma união com boas intenções e que suas personalidades e gostos simplesmente não coincidam. Existem situações nas quais um bom matrimônio não pode se concretizar e nas que os cônjuges vivem em um estado miserável. Sob estas circunstâncias a lei islâmica permite a dissolução do casamento e do sofrimento. O objetivo seria de continuar juntos amistosamente ou separar-se de uma forma tranquila. Por isso, Allah disse: “Quando vos divorciardes das mulheres, ao terem elas cumprido o seu período prefixado, tomai-as de volta equitativamente, ou liberta-as equitativamente. Não as tomeis de volta com o intuito de injuriá-las injustamente, porque quem tal fizer condenar-se. “Todavia, quando tiverem cumprido o seu término prefixado, tomai-as em termos eqüitativos ou separai-vos delas, em termos equitativos...” (65:2). Existem três maneiras de dissolver o matrimônio segundo a lei islâmica. A primeira é o talaaq, comumente traduzido como divórcio. Este é o pedido de divórcio realizado pelo marido. Logo após este pedido a esposa entra em um período de “espera” de aproximadamente três meses, durante os quais podem se reconciliar novamente como marido e mulher. Entretanto, após o terceiro talaaq a reconciliação durante o período de espera já não é mais permitida e os dois devem separar-se completamente. O segundo tipo é conhecido como khula’. Este é quando a esposa não se encontra satisfeita com o matrimônio e solicita ao marido que a libere do casamento. Ela deve oferecer a devolução do dote em troca da finalização do casamento. A terceira forma é quando os direitos da esposa não estão sendo cumpridos pelo marido e ela recorre a um juiz para que este dissolva o compromisso do matrimônio. Obviamente, o divórcio não é um objetivo desejado, nem algo decidido às pressas. Em um mundo perfeito todos os matrimônios seriam abençoados. Porém, como não vivemos neste caso, muitas vezes, esta é a melhor opção para as partes envolvidas. A relação do muçulmano com seus filhos Ter um filho é uma grande bênção, assim como uma grande responsabilidade. Allah disse: “Em verdade os vossos bens e os vossos filhos são uma mera tentação. Mas sabei que Deus vos reserva uma magnífica recompensa.” (64:15). “Ó fiéis, precavei-vos, juntamente com as vossas famílias, do fogo, cujo alimento serão os homens e as pedras, o qual é guardado por anjos inflexíveis e severos, que jamais desobedecem às ordens que recebem de Deus, mas executam tudo quanto lhes é imposto.” (66:6). O significado deste versículo foi reiterado pelo Profeta Muhammad (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) quando disse: “Todos vós são pastores e deverão prestar contas por aqueles que estão sob vossa responsabilidade... O homem é responsável por seu lar e deverá prestar contas por estas responsabilidades. A esposa deverá prestar contas pela casa do marido e por suas responsabilidades.” (Bukhari e Muslim). Os sábios muçulmanos consideram que os direitos das crianças começam muito antes que sejam sequer concebidos, ou seja, quando da eleição de um cônjuge honesto e devoto. Este é o primeiro passo para proporcionar um bom ambiente e um lar saudável para a criança. Além disso, os direitos mais importantes da criança incluem os seguintes: (1) serem mantidos e alimentados de uma maneira saudável; (2) serem educados quanto aos princípios religiosos; (3) serem tratados com compaixão e misericórdia; (4) que os irmãos sejam tratados imparcialmente; (5) que os pais sejam um bom exemplo a seguir. A relação do muçulmano com seus vizinhos Allah disse no Qur’an: “Adorai a Deus e não Lhe atribuais parceiros. Tratai com benevolência vossos pais e parentes, os órfãos, os necessitados, o vizinho próximo, o vizinho estranho, o companheiro, o viajante e os vossos servos, porque Deus não estima arrogante e jactancioso algum.” (4:36). Afora isso, o Profeta Muhammad (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) disse: “Todo aquele que crê em Allah e no Último Dia, que fale o bem o mantenha-se em silêncio. Todo aquele que crê em Allah e no Último Dia, que seja amável e generoso com seus vizinhos.” (Bukhari e Muslim). O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) também disse: “Jibril continuou dando-me conselhos acerca do vizinho, ao ponto de me fazer pensar que deveria incluí-lo na herança.” (Bukhari e Muslim). Em outro hadith, o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) disse: “’Por Allah, ele não é um crente. Por Allah, ele não é um crente. Por Allah, ele não é um crente.’ Perguntaram: ‘Quem é ele, ó Mensageiro de Allah?’ Respondeu: ‘Todo aquele cujo vizinho não esteja à salvo de sua maldade’.” (Bukhari e Muslim). Uma vez, foi perguntado ao Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) sobre uma senhora que oferecia muitas orações, jejuns e dava muito em caridade, mas prejudicava seus vizinhos com suas palavras. O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) disse que ela estaria no Fogo do Inferno. Logo, perguntaram ao Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) a respeito de uma mulher que não realizava muitos jejuns, orações e nem dava muito em caridade [não mais do que era obrigatório], mas que não prejudicava seus vizinhos. O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) disse que ela estaria no Paraíso. O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) também ensinou algumas formas específicas, nas quais se pode ser generoso e amável com os vizinhos. O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) disse a Abur Dharr. Ó Abu Dharr, quando estiveres preparando uma sopa, agregue um pouco mais de água e ofereças um pouco a teus vizinhos.” (Muslim). Ser amável e generoso com o vizinho inclui ajudá-lo quando necessário, visitá-lo quando estiver doente e proporcioná-lo bem-estar, de um modo geral. O Shaikh Abu Bakr al-Jaza’iri escreveu: “Todos devemos ser bondosos com nossos vizinhos através das seguintes ações: ajudá-los quando busquem ajuda, assisti-los quando busquem assistência, visitá-los quando estiverem doentes, felicitá-los quando algo bom ocorrer para eles; consolá-los em suas aflições, auxiliá-los quando tenham uma necessidade, ser os primeiros a saudá-los, falar apenas boas palavras, tratar bem os seus filhos, guiá-los para que façam o melhor para vossa religião e vida mundana; relevar seus erros, tentar não se intrometer em assuntos privados, não prejudicá-los com nossas construções ou reformas nas nossas propriedades e não jogar o lixo na frente de sua casa ou em sua propriedade. Todas estas ações formam parte da bondade que Allah nos indica a realizar.” É muito importante que as pessoas que vivem em lugares não muçulmanos reconheçam que os sábios determinaram três tipos de vizinhos: (a) aquele que além de vizinho é parente e muçulmano. Esta classe de vizinho possui três tipos de direitos: o de ser vizinho, o de ser parente e o de ser irmão muçulmano. (b) O vizinho que não é parente, mas é muçulmano; e este possui dois daqueles direitos. (c) O vizinho que não é nem parente e nem muçulmano; e este possui apenas os direitos de vizinho. Quer dizer, mesmo que um vizinho não seja muçulmano possui o direito de ter uma relação especial só pelo fato de ser vizinho. Foi perguntado ao comitê permanente de pesquisa científica na Arábia Saudita sobre os vizinhos não muçulmanos (aceitar os presentes deles, etc.), a resposta foi: “Deve-se tratar bem a todas as pessoas que os tratem bem, inclusive se não são muçulmanas. Se lhes oferecem um presente aceitável, devem responder com amabilidade. O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) aceitou um presente do líder dos romanos, que era cristão. Também aceitou o presente de um judeu. Allah diz no Qur’an: ‘Deus nada vos proíbe, quanto àquelas que não nos combateram pela causa da religião e não vos expulsaram dos vossos lares, nem que lideis com eles com gentileza e equidade, porque Deus aprecia os equitativos. Deus vos proíbe tão-somente entrar em privacidade com aqueles que vos combateram na religião, vos expulsaram de vossos lares ou que cooperaram na vossa expulsão. Em verdade, aqueles que os tomarem como aliados serão iníquos.’ (60:8-9).” O Shaikh Ibn Uthaimin também afirmou: “Não é algo mal satisfazer as necessidades de um não muçulmano se a ação não implica em nada que seja proibido, já que os vizinhos possuem direitos e esta boa ação pode até fazê-los aceitar o Islam.” O shaikh Ibn Baaz disse: “O muçulmano deve ser sociável com seu vizinho não muçulmano. Se seus vizinhos são bons, não os incomodem; e mais, se são pobres, sejam caridosos, se são ricos, presenteie-lhes. Também podem aconselhá-los sobre o que é melhor para eles. Tudo isso pode levá-los a se interessarem pelo Islam e, talvez, converterem-se muçulmanos; os vizinhos possuem direitos muito importantes.” O espírito da amizade entre os vizinhos é algo que foi perdido em muitas culturas, sobretudo na civilização contemporânea. Seria excelente se os muçulmanos, tanto os novos convertidos quanto os mais experientes, pudessem reviver este espírito e, assim, mostrar esta bondade do Islam. A relação do muçulmano com outros muçulmanos. Caso fosse perguntado, hoje em dia, qual o laço mais forte que pode haver entre as pessoas, a maioria responderia os laços familiares, étnicos, nacionalistas, etc. Mas, na realidade, o Qur’an mostra que estes laços não são tão fortes se suas raízes são fracas. No Qur’an, Allah nos dá o exemplo de Caim e Abel que, apesar de serem irmãos, um matou o outro e os irmãos de José do Egito que o jogaram em um poço. Eles eram irmãos de sangue e sem dúvida deram prioridade ao materialismo em detrimento dos laços familiares. Nos dias de hoje isso é algo muito comum. Os laços entre as pessoas estão enfraquecidos por suas paixões, objetivos e metas mundanas. Muitos indivíduos estão dispostos a vender seus parentes e amigos a fim de prosperar neste mundo para obter algo material que desejam. Tudo isso revela uma coisa: quando os laços entre as pessoas estão baseados na amizade, inclusive se forem originários de graus de parentesco, estes serão deixados de lado quando os interesses materiais predominarem. Então, estes não são os laços mais fortes que podem ser construídos entre as pessoas, mas os realmente fortes são os laços do Islam e da verdadeira fé. Estes são vínculos permanentes entre as pessoas, já que são resultado da crença em Allah e o amor por Ele. Isso foi claramente dito por Allah no Qur’an: “E foi Quem conciliou os seus corações. E ainda que tivesses despendido tudo quanto há na terra, não terias conseguido conciliar os seus corações; porém, Deus o conseguiu, porque é Poderoso, Prudentíssimo.” (8: 63). “E apegai-vos, todos, ao vínculo com Deus e não vos dividais; recorda-vos das mercês de Deus para convosco, porquanto éreis adversários mútuos e Ele conciliou os vossos corações e, mercê de Sua graça, vos convertestes em verdadeiros irmãos; e quando estivestes à beira do abismo infernal, (Deus) dele vos salvou. Assim, Deus vos elucida os seus versículos, para que vos ilumineis. O Qur’an e a Sunnah nos mostram que os vínculos da fé são os mais fortes. Representam a união entre seres humanos em todo o mundo que congregam sob um mesmo motivo: adorar unicamente a Allah. Para alcançar esta meta, os muçulmanos devem trabalhar juntos e ajudar-se mutuamente com compaixão, misericórdia e amor. De fato, existem muitos relatos do Qur’an e dos ahaadith que demonstram que os muçulmanos devem formar uma irmandade universal. Para ser breve apresentarei apenas alguns exemplos destes textos: “Os fiéis e as fiéis são protetores uns dos outros; recomendam o bem, proíbem o ilícito, praticam a oração, pagam o zakat, e obedecem a Deus e ao Seu Mensageiro. Deus Se compadecerá deles, porque Deus é Poderoso, Prudentíssimo.” (9: 71). “Certamente os crentes são irmãos entre si...” (49: 10). “Muhammad é o Mensageiro de Deus, e aqueles que estão com ele são severos para com os incrédulos, porém compassivos entre si...” (48: 29). O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) disse: “A relação entre um crente e outro se assemelha a um edifício, cujas partes se sustentam” (Bukhari e Muslim). Outro hadith diz: “A parábola dos crentes sobre o amor, misericórdia e compaixão pelos demais é como a do corpo: se um de seus membros está doente, todo o corpo padece e se vê afetado pela insônia e febre.” (Muslim). Certamente esta irmandade islâmica não é algo apenas teórico. Possui certos componentes fundamentais, direitos e obrigações específicas que são explicados no Qur’an e na Sunnah. Estes direitos e obrigações são dever de todo muçulmano, em todo o lugar e a qualquer tempo. Um dos aspectos necessários desta irmandade é o amor. Quer dizer, todos os muçulmanos têm a obrigação de amar a seus irmãos muçulmanos. De fato devem amálos da mesma maneira que amam a si mesmos. Como o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) ensinou: “Nenhum de vós crê verdadeiramente até que deseje para o seu irmão aquilo que deseja a si mesmo.” (Bukhari e Muslim). O segundo aspecto necessário desta irmandade é a ajuda, auxílio e assistência mútua. Quando seu irmão se encontra oprimido é iminente ajudá-lo e assistí-lo na medida do possível, com sua riqueza e sua alma. Isso está descrito no seguinte versículo: “E o que vos impede de combater pela causa de Deus e dos indefesos, homens, mulheres e crianças? que dizem: Ó Senhor nosso, tira-nos desta cidade (Makka), cujos habitantes são opressores. Designa-nos, de Tua parte, um protetor e um socorredor.” (4: 75). O terceiro aspecto fundamental da irmandade islâmica é a misericórdia e a ternura entre os crentes. Isso vai além da simples demonstração de afeto de um para o outro, pois implica que a pessoa sinta o que se passa com os demais irmãos. O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) descreveu os muçulmanos da seguinte maneira: “A similaridade dos crentes com relação ao amor mútuo, afeto e companheirismo é como o corpo: quando uma extremidade está dolorida, com febre ou insone, o resto também está.” (Muslim). O último componente fundamental de nossa irmandade são os simples atos de cortesia. A verdadeira irmandade deve ser posta em prática, não pode ser simplesmente uma declaração de palavras. Uma bela característica do Islam é que não ele não deixa nenhum assunto a nível hipotético, com os indivíduos tentando adivinhar como poderiam alcançar certos objetivos. Assim, por exemplo, o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) detalhou os atos específicos que se deve esperar de seus irmãos e também aqueles que se deve realizar. Desta maneira, dentre esses simples e obrigatórios atos de cortesia, há seis que são mencionados pelo Profeta: “Os direitos de um muçulmano sobre o outro são seis... quando o encontres, cumprimente-o; quando fores convidado a comer, aceite; quando fores procurado para dar um conselho sincero, deves dá-lo; quando alguém espirrar e tu ouvires ‘louvado seja Allah’; deverás responder ‘Allah se apiede de ti’; quando um irmão adoecer, visite-o; quando um irmão morrer, atendas a seu funeral.” (Muslim). Além dessas seis práticas conhecidas, a Lei islâmica determina que os muçulmanos devem realizar outras ações que ajudem a gerar amor e unidade entre os crentes, um objetivo óbvio desta Lei. Por exemplo, se um muçulmano ama outro muçulmano por Allah deve informar esta pessoa do seu sentimento. O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) explicou a razão pela qual os muçulmanos deveriam deixar este sentimento claro: “Se um de vós ama seu irmão pela causa de Allah deve dizê-lo, já que isso fortalece o vínculo entre vós e aumenta o amor.” O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) também disse: “Pelo Único em cujas mãos se encontra a minha alma, não entrarão no Paraíso até que creiam. E não crerão se não amardes uns aos outros. Deixem-me informar-vos de algo que não sabem, se amardes uns aos outros: cumprimentem-se com a paz.” (Muslim). Este hadith pode significar a transmissão das saudações de paz ou a realização de ações que tragam paz e união. O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) também destacou a importância de se presentear os irmãos. Disse: “Presenteiem-se e amarão uns aos outros.” O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) também recomendou os muçulmanos a se visitarem. Disse: “Visitem-se ocasionalmente e o amor entre vós crescerá.” Além de todos os atos positivos, quando se evita os atos proibidos, então, os resultados das relações interpessoais também serão positivos. Quer dizer, quando uma pessoa evita a calúnia, difamação, mentira, fofoca, maledicência, etc. obterá apenas resultados positivos, pois está se esforçando a não praticar o que o Islam proibiu explicitamente. Concluindo, se o Islam for aplicado corretamente, então, o muçulmano será irmão de todos os outros muçulmanos do mundo e realizará somente boas ações, recebendo, em troca, boas recompensas. A relação do muçulmano com os não muçulmanos Obviamente, os muçulmanos e os não muçulmanos trilham caminhos muito diferentes. A atitude do muçulmano para com os demais será determinada segundo a atitude que a outra pessoa tem para com Deus. Um muçulmano não poderia sentir uma afinidade completa e profunda com aquele que refuta Deus ou que se recusa a se submeter a Ele ou, ainda, que ridiculariza a crença n’Ele. Simplesmente, não é natural que exista um amor completo entre estes dois tipos de pessoas. Abraço. Davi. Página 214.