quinta-feira, 14 de março de 2024

A PALAVRA SECRETA. Parte I

 

Budismo. www.sotozencuritiba.org.br. Por Ryotan Tokuda (1938- ). A PALAVRA SECRETA. Parte I. Mestre Daisetz Suzuki (1870-1966) foi quem apresentou o Zen ao Ocidente, no livro Mística Cristã e Budismo. Nesse livro, mestre Suzuki fala muito em mestre Eckart (1260-1328). Assim, quando se fala em mestre Eckart, todos lembram do Zen-Budismo. Quando orientais tomaram contato com a obra do mestre Eckart sentiram-se como que lendo textos budistas. Sua linguagem, apesar de falar em Deus, expressa o Budismo, especialmente o Zen. (Monge Tokuda - 25 de outubro de 1989). Hoje vou falar sobre a "palavra secreta". Esta expressão "palavra secreta" é o título de um capítulo do livro de mestre Dogen, o Shobogenzo. Mestre Eckart diz: Eu vou em primeiro lugar falar das palavras da sabedoria eterna. Quem quer que me ouça não fique envergonhado. Quem quiser ouvir a sabedoria eterna do Pai deve estar dentro e em casa; deve ter se tornado uno. Então ele pode ouvir a sabedoria eterna do Pai. Existem três coisas que nos impedem de ouvir a palavra eterna: a primeira é a corporalidade, a segunda é a multiplicidade e a terceira é a temporariedade. Se o homem conseguisse transcender estas três coisas, ele moraria na eternidade. Ele moraria no mundo do espírito, ele moraria na unidade e no deserto, e ali ele ouviria a palavra eterna. Agora, Nosso Senhor diz "não há quem ouça a minha palavra ou o meu ensinamento a menos que tenha abandonado a si mesmo, pois para ouvir palavra de Deus é preciso um absoluto perder do ego". Portanto, Nosso Senhor diz "Quem quiser ser meu discípulo, que abandone seu próprio ego. Não existe quem possa ouvir as minhas palavras ou o meu ensinamento a menos que tenha abandonado o ego. Todas as coisas nada são em si mesmas, por isso, abandonem este nada e assumam o perfeito ser no qual a vontade é justa. Aquele que abandonou toda a sua vontade, saboreia o ensinamento e ouve as minhas palavras. "Vivendo neste mundo, isso não é tão fácil. Os budistas usam a expressão "mundo saha", e "saha" significa terra de paciência, ainda que não totalmente infeliz. Um pouco infeliz, mas também onde se vivencia alguma felicidade. Não há só sofrimento, mas também felicidade - um pouco de cada. Eu sempre brinco, em primeiro lugar é importante ter paciência, em segundo lugar paciência e em terceiro também paciência; em quarto lugar, ah, em quarto nada, e em quinto, sim, novamente paciência (risos...). Neste mundo a gente precisa de muita paciência. Muitas pessoas sofrendo suas dores vão visitar as igrejas e rezam para Deus. Você, rezando, pedindo, alguma vez escutou a voz de Deus? Talvez sim, ou, tendo ouvido algumas respostas, pense que sim. Muitas pessoas perguntam o que é realmente a palavra de Deus. Alguns respondem: é silêncio. Mas mestre Eckart diz que não, este é um método ainda, não é exatamente a palavra de Deus. Muitos amam a Deus como se ama uma vaca, esperando leite e queijo. Então rezam a Deus esperando uma coisa em troca. Este não é, entretanto, o verdadeiro amor a Deus. As pessoas têm medo de Deus, agradecem a Deus ou recebem muita coisa de Deus, mas as vezes têm dúvidas. Deus é isto? Deus existe? Onde está? A finalidade tanto cristã como budista é encontrar Deus, encontrá-lo intimamente. Isto é muito importante. Por isso, praticar através de livros sagrados é muito importante, mas é necessário praticar também através da contemplação, mas contemplar realmente. Rezar interiormente; isto já é meditação, concentração, e então nós podemos encontrar com Deus. Nesse momento podemos escutar a voz de Deus, a palavra de Deus. Na teologia cristã, a palavra de Cristo é a palavra de Deus, ele veio a este mundo para revelar o que é Deus. Aqui temos também a palavra de mestre Dogen e de mestre Eckart. Mestre Eckart diz: Há uma afirmação comum a todos sábios: "quando tudo estava em meio ao silêncio, desceu a mim uma palavra secreta, desde o trono real do alto." A alma onde isto acontece deve ser mantida completamente pura e viver de maneira nobre completamente em posse de si mesma e voltada inteiramente para dentro. Em primeiro lugar vamos tomar as palavras "em meio ao silêncio foi falada uma palavra secreta". Mas, meu caro Senhor, onde está o silêncio e onde está o lugar onde a palavra é falada ? Corno acabei de dizer, está no lugar mais puro onde a alma é capaz de chegar, na parte mais nobre, no chão de fato, na essência mesma da alma, que é justamente a parte mais secreta da alma. Ali é que está o silencioso meio, pois nenhuma criatura, nenhuma imagem jamais entrou ali. Nem a própria alma teve desse lugar qualquer compreensão, portanto, ela não está consciente ali de nenhuma imagem, quer seja de si mesma ou de qualquer outra criatura. Mestre Eckart fala que para escutar a voz ou a palavra de Deus existem três tipos de obstáculos, primeiro a corporalidade, depois a multiplicidade e a temporariedade. É necessário transcender esses três obstáculos. A grande dificuldade é que neste mundo é exatamente com esses três aspectos que existimos. Com a corporalidade nascemos, recebemos este corpo até morrer. Com isto você existe, com isto eu estou aqui, você está aí. Já o tempo instala-se quando nascemos, e depois nos conduz à morte. Assim, para viver eternamente você não pode nascer. Quando nasce há morte. Por isso o Zen usa a expressão "não-nascido". Antes de nascer, qual era sua face original? Antes de seus pais nascerem, qual era sua face original? Como é sua face original? A busca do Zen é isto: o chão, a origem de onde você veio. Corporalidade, temporariedade e multiplicidade, ou seja, dualidade. Eu sofri tanto com isso! Estou aqui e você está aí. Então há o conflito. Todas as coisas apresentam isso. Bem e mal, rico e pobre, velho e moço, etc (...). Neste mundo tudo, tudo se apresenta assim. Como podemos transcender isso? Mestre Eckart diz: "quando tudo estava em meio ao silêncio, então desceu a mim a palavra secreta." Este silêncio é nirvana. A gente encontra o silêncio em todas as linhas de religião e filosofia. Fase silêncio é uma preparação para se ter esta experiência que é original, a experiência religiosa, mística. Existem dois tipos de religiões, as religiões místicas - de busca e contato direto - e as outras, as religiões de profetas, com muitas regras, etc, que todos devem seguir. O Zen é talvez mais ligado à experiência mesmo de união com Deus. Neste caso é necessário o silêncio; meditação é silêncio, e com isto ocorre a experiência mística. Quando há internamente aquele silêncio, aquela tranquilidade, aquela calma, nesse momento você vai ouvir a voz de Deus. Este estado, nirvana, mestre Eckart compara com o deserto, com o deserto cheio de areias. Hoje em dia vemos os documentários da televisão sobre o deserto e vemos que é cheio de vida, de insetos e plantas pequeninas. Mas deserto, deserto mesmo, não tem nenhuma vida, é morto. Esta é a experiência de morte religiosa. Não falando fisicamente, mas espiritualmente morte religiosa é uma experiência muito forte, muito importante, só assim é possível o verdadeiro renascimento. Nesta vida é necessário aprender a esquecer, desligar, perder até; isso é doloroso, mas depois ganha-se a verdadeira vida. É como na corrida de maratona: quando se chega em certo ponto, surge a crise, parece impossível prosseguir, há dificuldade de respiração, dores, cansaço, o cor arece não poder ir além, isto é chamado de "dead point", ponto-da-morte seria o significado. Quando, no entanto, ultrapassa-se esse ponto, tudo fica leve e fácil e pode-se correr até o final. Mesmo os jogadores de tênis, nadadores ou jogadores de futebol passam por treinamento, dificuldades e superações. O zazen também apresenta dores, dificuldades. Os joelhos doem com as pernas cruzadas, as costas doem, mas é preciso viver esta experiência. Mestre Dogen nasceu exatamente no ano de 1200 e morreu com 53-54 anos, relativamente moço. Já mestre Eckart nasceu em 1263. Um morreu, o outro nasceu. Apesar de viverem em países diferentes, ambos falam da mesma experiência. Mestre Dogen começou a escrever livros em língua japonesa numa época em que os monges escreviam sempre em chinês. Hoje em dia os pesquisadores de literatura japonesa clássica estudam o Shobogenzo como literatura, não apenas como o livro sagrado do Zen. Com mestre Eckart ocorreu algo semelhante. Hoje os estudiosos da língua germânica debruçam-se sobre a obra de mestre Eckart porque ele dava seus sermões e aulas na língua da época e não no latim que era a língua oficial. Ele tem estudos feitos em latim também, mas costumava usar a língua germânica para seus sermões e obras e seus contatos com discípulos, freiras e leigos. O que ele diz é o seguinte: "É difícil falar alguma coisa sobre Deus; tudo o que pode ser dito sobre Deus são enganos. Quando não se fala sobre Ele, é verdade." Mas, de outro lado, mestre Eckart também diz, "eu gosto de falar de Deus". Não se pode falar, mas ele quer e gosta de falar. Aí há um conflito de energias - é por viver certo tipo de experiência que ele não pode ficar calado. Mesmo que não exista ninguém aqui, eu quero falar com esta mesa. Quero falar. Há este impulso, mas o que se pode falar sobre Deus? O que não se pode falar? Isto o Zen-Budismo, de certo modo, desenvolveu: a clareza do aspecto limitado da linguagem e das palavras. Esse capítulo do Shobogenzo sobre a palavra secreta fala sobre isto. Em outro capítulo, de título curioso, "0 sermão dos seres insensíveis", também mestre Dogen (1200-1253) fala sobre isto. Buda ganhou a iluminação - Budakaia. Surgiu-lhe então aquela dúvida: "Eu consegui isto, este Darma, mas quem poderia compreendê-lo? Este Darma é muito diferente das coisas do mundo. Totalmente diferente, muito difícil de entender." Ele então procurou dois de seus primeiros professores, mas estes já haviam morrido. Aí lembrou-se de seus cinco últimos companheiros. Quando Buda se tornou monge, o rei, seu pai, mandou cinco companheiros treinar com ele. Depois de seis anos de treinamento como asceta, Gotama abandonou o treinamento porque compreendeu que esse não era o verdadeiro caminho. Abandonou o ascetismo, e, por conta própria, começou a prática de zazen sob a árvore Bodhi, atingindo assim a iluminação e libertação completas. Hoje em dia, abrindo o mapa, de Budagaia a Sarnath - onde houve o primeiro sermão para os cinco monges - há muita distância mesmo para quem for de carro, muito mais se considerarmos que Buda foi a pé. Quando estava chegando em Sarnath, um dos seus ex discípulos disse: "Lá vem Gotama. Ele abandonou a prática ascética, mas se quiser voltar para nós não há problema, a gente deixa, mas já não precisamos respeitá-lo como antigamente pois ele abandonou a prática." Mas enquanto Buda aproximava-se mais e mais, mesmo nada tendo feito, os cinco monges levantaram-se, um preparou água para lavar seus pés, o outro preparou um lugar para ele se sentar, o outro logo trouxe alguma comida ou chá, e assim todos os cinco, mesmo sem notar, estavam preparando e dando as boas-vindas ao Buda. Por que isso? É algo fora do comum. Isso é reconhecido como o sermão da luz radiante. Antes que ele começasse a falar, já havia a luz radiante. Esse foi o primeiro sermão. Com isso as pessoas já estavam preparadas inconscientemente, levantando-se e dando as boas-vindas. Assim, percebendo inconscientemente a luz radiante, eles estavam já preparados para o que Buda iria dizer. Esse sermão da luz radiante mostra que o sermão não é apenas o que sai pela boca. E eles começaram falando, "você, Gotama", e Sakiamuni disse: "Não, de agora em diante vocês não devem mais chamar-me de bo (você), mas de Buda ou Tatagata". "Tatagata" significa "aquele que vem e que vai". Como é o nome de Deus? Deus é Deus, não tem nome. Da mesma forma Buda, não sendo uma pessoa, responde, "eu sou Tatagata". E a seguir o Tatagata começou a falar as quatro nobres verdades. Imediatamente um dos discípulos entendeu; no segundo dia dois ou três compreenderam e finalmente todos os cinco entenderam, ganharam a iluminação, tornaram-se Arhats. Então Buda prosseguiu sua vida de sermões e ensinamentos. É preciso lembrar, no entanto, que antes do sermão com as palavras, já ocorrera o sermão da luz radiante. Para nós, monges Zen, o importante não é a boca que fala. As pessoas falam, falam, falam e não fazem o que falaram. O importante é observar o "sermão do corpo físico", o "sermão da atitude", o "sermão da atividade do corpo físico". Com atitude não se pode mentir, já a palavra, às vezes para impressionar, mistura mentiras. Às vezes eu falo o que não faço com a própria experiência. Isso é mentira. A boca pode mentir, mas com as "costas" não se pode mentir. O que as costas falam não contém mentiras. As crianças têm problemas, o pai e a mãe chegam e dizem, "meus filhos têm problemas". Mas os filhos fazem exatamente o que pai e mãe fazem! Não adianta dizer, "você não pode fazer isto, meu filho", o pai e a mãe estão praticando aquilo também, e os filhos apenas imitam exatamente o que vêm. O pai fala, mas nas suas costas, inconscientemente, a mensagem é diferente e o filho está vendo isso. Chegando ao mosteiro, o noviço pensa que vai ouvir grandes sermões, grandes aulas, mas nada disso acontece. O mosteiro mantém silêncio e até os mestres mantêm a prática de agricultura, com enxada e foice. Vendo aquela maneira de limpar o jardim, sente-se que é diferente; mesmo na limpeza com vassoura nota-se a diferença. Ele se dá com qualquer tipo de atividade e é a característica das artes marciais. Quando se vê alguém praticando o katá, há quantos anos a pessoa repete o mesmo katá, o mesmo golpe? No primeiro ano está praticando o katá, depois, no segundo ano, no terceiro; no quinto ano já há algo diferente. Com a prática de zazen se dá o mesmo. Eu gosto de usar esta imagem: no início, quando uma pessoa começa o hábito de tomar cachaça, a pessoa e a cachaça são duas coisas separadas. Depois há um segundo estado, a cachaça toma cachaça. Você toma cachaça, fica um pouco bêbado e o coração fica grande. No início você diz, "quero apenas um pouquinho, bem pouquinho, é só, obrigado", depois você diz, "é gostoso, traga outra garrafa"(...). Aí a cachaça, ela mesmo já está chamando mais cachaça. No início ele bebia a cachaça, agora, neste momento, a cachaça passa a bebê-lo... (risos). Assim, é o processo de treinamento. No início é necessário esforço, fazendo zazen, acordando cedo, aguentando dores, etc. Você está fazendo zazen, fica contente, mostra orgulho etc. (...) - a dualidade ainda está presente. Depois, com a continuidade da prática de zazen, da mesma forma que a cachaça chama a cachaça, o zazen chama o zazen. Não sei bem por que, mas fica o costume de sentar-se constantemente em zazen. Ás vezes eu não tenho vontade, estou cansado, com preguiça, mas onde eu vou - é meu karma - existem grupos de zazen esperando para a prática de zazen. Então digo, "vamos sentar". Não posso dizer, "ah, estou cansado, a viagem foi muito cansativa, preciso dormir mais, etc (...)", devo estar de acordo, sentar junto. Algumas vezes durante o zazen chego a dormir (risos), mas acompanho o zazen. Neste caso eu sou fraco, e o Darma é forte. Olhando de outro lado, isto é bom. Quanto mais fraco você for, melhor. Sendo forte, há o ego, você diz, "eu sou forte, pratico o zazen" (...) o ego está presente. Bem, mas estava falando sobre a palavra secreta (...). No Shobogenzo se conta, "(...) uma vez o mestre Ungan Donjo recebeu um ministro". Naquela época acontecia isto, ministros, escritores, artistas praticavam zazen. Como aconteceu também nos Estados Unidos, com muitos hippies, poetas e cantores que praticavam meditação, na época do movimento contra a guerra do Vietnam (1955-1975). Então, na história, um ministro chegou ao mosteiro e perguntou ao mestre: "Falam que Buda Gotama transmitiu a palavra secreta a Makakasho, que a compreendeu e não a escondeu; o que significa isto, a palavra secreta de Buda?" Então o mestre Ungan Donjo dirigiu-se ao ministro dizendo, "ministro!" E este respondeu, "sim!" O mestre completou: "É só isto, entendeu? Se você entendeu, entendeu, e então Makakasho não escondeu. Se você não entendeu, pode então compreender por que esta é chamada de a palavra secreta de Buda." Vocês entenderam? (risos ...) Isto é um koan. Este é um típico koan Zen - fica-se tonto. É preciso voltar atrás e lembrar um pouco a história toda dessa transmissão contínua do Darma. O importante, o essencial na vida do Zen é a transmissão do Darma, este ensinamento que vem de Buda diretamente, e após, de mestre a discípulo através dos budas e patriarcas. O primeiro foi o Buda Gotama, que transmitiu para seu discípulo Makakasho. Desde o momento em que Buda ganhou a iluminação, com 35 anos, até finalizar sua vida, com 80 anos de idade, não se fixou em nenhum lugar, sempre andando, andando, pregando o ensinamento durante 45 anos em mais de 360 lugares diferentes. Na última parte de sua vida, ficando velho, uma vez uma pessoa ofereceu-lhe uma flor e pediu, "por favor, dê um sermão com esta flor". Essa flor chamada "udombara" abre uma vez a cada cem anos ou uma vez a cada mil anos, ou seja, é algo muito raro. "Por favor, dê-nos um sermão sobre esta flor", pediu a pessoa. Buda aceitou a flor e todos ficaram esperando o que haveria ele de dizer. Nesse momento Buda não falou nada, apenas mostrou a flor diante da congregação dos monges. Mas aconteceu que entre os monges estava Makakasho, um dos primeiros de seus discípulos e posteriormente seu sucessor, que então, em meio à assembleia, abriu um grande sorriso. Geralmente Makakasho fazia um treinamento muito duro. Ele tinha nascido em uma família da elevada casta dos brâmanes, e mantinha o treinamento de simplicidade de vida, tanto em roupa como em comida e moradia. Não buscava luxo, nem comida de monges, apenas aceitava o que ganhava. Assim era o seu esforço: treinamento duro, cara fechada. No entanto, ele abriu o sorriso! Vendo isso, vendo o sorriso de Makakasho, Buda disse: "Eu tenho o Shobogenzo, o tesouro que é o Olho do Darma Correto, e transmiti tudo a Makakasho". Assim foi transmitido a Makakasho o ensinamento essencial de Buda; todos viram, mas nada entenderam do que havia efetivamente se passado. Então Buda passou, como símbolo de transmissão, o kesa, ou seja, o seu manto dourado, e uma tigela que ele usava sempre. Além de Makakasho ter recebido a tigela e o manto, recebeu uma coisa especial, a palavra secreta! Já Mestre Eckart diz: "0 que eu ouvi do Pai, não escondi de vocês." É isto. Mestre Eckart viveu aquela experiência original, escutou a palavra de Deus e por isso dispôs-se a falar sobre essa palavra. Mas para falar essa palavra ele tem que tê-la ouvido e tem que ter a força para que a pessoa possa também a ouvir. Os que quiserem ouvir devem estar preparados. Precisam de silêncio, precisam estar afastados da prática do ego, só nesse momento você pode escutar. O koan do mestre Ungan Donjo ao ministro se dá no contexto desta experiência de transmissão. Assim, além da transmissão via tigela e manto, houve algo muito especial transmitido, como entre pai e filho, somente como entre pai e filho. Outra pessoa, mesmo vendo, não compreende. Mas Mestre Eckart diz, "do que ouvi nada escondi para vocês". E assim, na verdade, para escutar essa palavra você tem que se retirar. Nesse momento, então, o que acontece? Unidade! Unidade é intimidade. Buda torna-se "um" com o discípulo. O pai treina o filho, é isto, e assim o filho torna-se o pai também. Trindade é o Pai, o Filho e o Espírito Santo, mas mestre Eckart diz "Gotheit", origem de Deus. Antes de termos as três coisas se aradas temos uma unidade aonde retornamos. Então o Pai tornou-se Filho. Há uma outra história que mestre Eckart conta. Havia um casal, marido e mulher, e por acidente ou doença ela perdeu a visão. Ficou muito triste, mas o marido a tratava com muito carinho, e a consolava. A esposa falou, "estou triste não porque perdi a visão, mas porque por isso vou perder o seu amor". Mas o marido disse, "você não precisa preocupar-se, eu gosto de você, eu a amo", e, tomando uma agulha, furou seus olhos e disse "bem, agora estou cego igual a você". Da mesma forma, Deus está lá, absoluto, eterno, paz infinita, mas escolhe fazer-se carne e vir ao mundo, e, perdendo a visão, fica igual a nós. Jesus Cristo é Pai, Filho e Espírito Santo. Jesus Cristo é Pai também. É assim que mestre Eckart expressa como nasceu o único Filho de Deus. O Cristianismo tem certas dificuldades quanto a este aspecto; pode gente tornar-se Deus? Não. Já no Budismo não há isto. Buda significa "desperto". Todos temos a natureza de Buda e então temos a possibilidade de tornarmo-nos Buda também. Pode o Cristianismo dizer que as criaturas venham a tornar-se Deus? Parece difícil. Mas para Eckart, sim! Quando escutar a palavra de Deus, a palavra secreta, oculta, eterna, interna, você se torna o único Filho de Deus. Tornar-se Filho significa adquirir a capacidade de ser Pai. Neste mundo, todos querem viver eternamente, mesmo sabendo que devem morrer. Então como fazem? Casando-se (...), virão os filhos. Como os filhos até certo ponto têm a mesma qualidade dos pais, ao crescer vão casar-se e por sua vez terão filhos. Dessa forma algo transmite eternamente. O desejo sexual não é só prazer não, é a necessidade imensa de viver eternamente. Com a religião é diferente, é entrar naquela dimensão absoluta onde não há mais nascimento e morte, é o estado eterno, absoluto. Isto é nirvana, e vivendo-se este estado de nirvana não há mais vida e morte. Religião é isso, e dessa maneira vive-se eternamente. Texto gentilmente cedido pelo Centro de Estudos Budistas Bodisatva. www.sotozencuritiba.org.br. Abraço. Davi.

terça-feira, 12 de março de 2024

INTRODUÇÃO I - Parte III

 

Judaísmo. Por Rabino Isaac Luria (1532-1572). Livro Portal das Reencarnações. INTRODUÇÃO I – PARTE III. Com isso em mente, também é possível entender outro famoso conceito dos nossos Sábios: o Rúach ou a Neshamá dos justos podem descer e serem gestados por uma pessoa, de acordo com o segredo do que se chama Ibur, gravidez espiritual ou gestação. E isso é feito para ajudar a pessoa no seu serviço ao Santíssimo. Isso está conforme o que é escrito no Midrash Neelám, na versão manuscrita, de que “Quando a pessoa vem se purificar, lhe ajudam”. O rabi Nathan disse: Isso que dizer que as almas dos justos vêm e ajudam a pessoa. O mesmo tema aparece na Introdução ao Zohar, sobre a Porção Semanal de Bereshit, quando o Rav Hamnuna Saba aparece para o Rabi Elazar e o Rabi Aba na forma de um condutor de jumentos. Mas, que não haja dúvidas: o Ruach e a Neshama dos justos estão “amarrados” e guardados na Árvore da Vida, cada um na sua raiz respectiva, juntamente com o Santíssimo, o Elohim deles, e eles não descem de lá de modo algum. No entanto, os primeiros Ruchot, plural de Ruach destes Sábios, que ficaram abaixo em todos os níveis e aspectos de Ietsirá e que, portanto, não subiram, como dissemos anteriormente. São os que descem e entram por Ibur na pessoa, para lhe ajudar. O nível mais alto de Ruach que uma pessoa adquiriu por conta dos seus atos, que é o seu Ruach principal, fica ligado e amarado para sempre na Árvore da Vida, sem se mover dali. Isso Também é válido para a Neshamá, a Chaiá e a Iechidá. Como entendemos a partir do exposto, a Nefesh tem de se elevar de um nível para o outro em Assiá, para não ficar abaixo, devido ao perigo das Klipot e a possibilidade de pecar novamente. Este não é o caso com os níveis de Ruach e os acima dele. Eles permanecem no nível relacionado com a sua raiz, uma vez que não há perigo das Klipot no mundo de Ietsirá para cima. Assim, Ruach ou Neshama original do Tsadic que está ligado a sua raiz, seja no de Assia ou Ietsira, e que foram adquiridos através do mérito da sua Nefesh em Assiá, não descem para passar pelo Ibur. Aqueles que de fato descem são apenas os outros Ruchot ou Neshamot que não necessariamente pertencem a sua raiz, mas que foram utilizados para ajudar na elevação da alma. Existe um segundo motivo para Assiá ser diferente dos outros mundo. Como é sabido, todos os mundos possuem dez Sefirot. Mas Assia, em sua totalidade, tem apenas uma sefirá, que é Malchut. Sendo assim, a Nefesh que é dali só pode subir até Keter de Assiá, pois tudo está em apenas uma Sefirá. No entanto, Ietsirá corresponde a seis Sefirot: Chéssed Misericordia, Guevurá julgamento, Tiferet Beleza, Netsach Vitória, Hod Glória e Iessód Fundação. Cada uma delas sendo um nível separado. Portanto, se a raiz de alguém é de Machut de Ietsira e esta raiz é corrigida, ela não pode subir e se tornar parte de Iessode de Ietsirá. Então esta Nefesh deve permanecer abaixo e a pessoa adquirir um novo Ruach de Iessod de Ietsirá se quiser subir mais através das suas boas ações. Isso é válido para o resto das Seis Extremidades de Ietsirá. Saiba que, como foi explicado por nós, em todos os mundos existem cinco Partsufim Arich Anpin, Aba, Ima Zachar, Zeir Anpin e Nucvá. Correspondentes a eles, existem os cinco níveis da alma de uma pessoa, que são – de baixo para cima – Nefesh, Ruach, Neshama, Chaia e Iechida. A Nefesh é de Nucvá de Zeir Anpin, enquanto o Ruach é do próprio Zeir Anpin. A Neshama é de Ima, e Chaiá é de Aba, que é chamado de Chochmá. Pois esta é a fonte da vida, como o significado secreto do versículo: “O valor da Sabedoria, Chochmá, preserva a vida de quem a possui”. Iechida é de Arich Anpin, chamado de Keter, porque ele é um e único. Isolado do resto das Sefirot, pois ele não tem sua contraparte feminina, como se sabe do versículo: “Vede, agora, que Eu Sou, Eu mesmo,  e que não há outro Elohim Comigo, e conforme elucidado no Zohar, na Porção Semanal de Bereshit. O termo “Eu”, que representa certo nível de consciência, não é fixo, ele tem vários níveis. Quando ele aparece nos textos bíblicos e outras Escrituras Sagradas, o nível de consciência do Eu muda de acordo com o que ele representa segundo o que corresponde aos níveis específicos da alma. Há casos em que o “Eu” representa o nível da consciência da Nefesh da Sefirá de Malchut, e em outros, o da consciência do Ruach de Ietsirá. Uma característica muito particular que distingue entre os níveis divinos e mundanos da existência é o aspecto da dualidade e dos opostos, principalmente o do masculino e do feminino. Quanto mais mundano, maior é a dualidade, e vice-versa. O nível da consciência humana, mais próximo do divino, aparece no nível de Arich Anpin, onde não há dualidade – não há Masculino ou Feminino, apenas um ser único onde os opostos estão unidos. Neste caso, o “Eu” alude ao nível de consciência da luz de Iechidá – Unidade. Saiba que se uma pessoa merece receber sua Nefesh, seu Ruach e sua Neshamá e depois as macula através de um pecado, ela precisará voltar e reencarnar pra retificar o estrago feito. Quando ela volta em uma encarnação, a Nefesh entra na pessoa, e mesmo que ela já tenha corrigido sua Nefesh, o seu Ruach não vem e não se une a ela, porque o Ruach ainda não foi corrigido e continua maculado. Como ele poderia ficar sobre uma Nefesh que está sendo corrigida? Portanto, este Ruach vai ser reencarnado em outra pessoa, se unindo a Nefesh de um convertido. O mesmo se dará com a Neshama. E a Nefesh que ficou corrigida totalmente receberá um Ruach corrigido, de um justo que se assimilava a pessoa em algumas boas ações específicas que fazia. Na verdade, esse Ruach recebido substituirá o próprio Ruach da pessoa. O assunto do prosélito ou do convertido, em hebraico guer, é realmente um muito profundo. Nada acontece sem motivo e orientação divina. Portanto, a Nefesh do convertido tem que ter alguma ligação com o Ruach da outra pessoa que se junta a ela. Caso contrário, não haveria nenhuma afinidade entre eles em relação ao seu Ticun para atrai-los a ponto de estarem juntos. A conversão, do aspecto da reencarnação, está relacionada com a essência de uma pessoa e não pode ser feito de modo superficial, por motivos ou interesses externos. É sabido que uma pessoa que se converte para a Nação Hebreia já teve uma Nefesh hebraica, mas essa Nefesh estava “perdida” e agora está voltando a suas origens. A razão para a Nefesh estar perdida tem a ver com um comportamento pecaminoso da pessoa em vidas passadas, que podem ter feito com que uma pequena parte de sua consciência de alma, ou seja, a Nefesh seja separada da maior parte da Nefesh e vague entre outras nações. Ao todo há 70 nações. A conversão de uma nação para outra não se aplica aqui. Cada nação tem o seu próprio Ticun coletivo. Os indivíduos de cada uma das nações têm sua própria consciência de alma específica que pertence ao específico. Ticun coletivo da nação à qual aquele indivíduo pertence. Portanto, a conversão neste caso realmente nãos serve para nada e não tem significado espiritual. O termo hebraico Gói não se refere às 70 nações. Assim, no caso da conversão hebraica, o Gói é uma pessoa cuja Nefesh não está ligada a qualquer uma dessas nações. É por isso que um prosélito em “potencial”, ou seja, um Gói se sentirá deslocado e como se não pertencesse à nação na qual nasceu. No caso de conversão de volta para a nação hebraica, o Gói se torna um Guer, que merece o nível do Ruach graças à sua conversão. O processo de conversão adequad acelera a entrada do Ruach ou de Neshamá no mundo, já que a Nefesh do guer está isenta de ter que ir se aperfeiçoando, passando pelo longo processo de realização de Mitsvot. De qualquer modo, a pessoa convertida que ganhou o Ruach tem que cumprir os preceitos, sendo esta uma obrigação do Ruach para se aperfeiçoar. Outra vantagem é que como o Ruach imperfeito não pode se unir a Nefesh aperfeiçoada, a pessoa tem que morrer imediatamente e reencarnar outra vez a fim de permitir que o Ruach encarne. No caso da conversão, essa pessoa não precisa morrer e pode continuar a viver, já que seu Ruach encarnou. E isso pode explicar por que a Torá adverte em Êxodo 23,9: “E não oprimiras ao peregrino, ou estrangeiro – guer, referindo-se ao convertido ou prosélito. Pois vós conhecestes a alma do peregrino, guer. Porque fostes peregrino, Guerim, na terra do Egito”. É obvio, que o guer serve como uma salvação para o Ruach. De modo similar, se a pessoa corrigir o seu Ruach completamente, ela vai receber a Neshamá de um justo, como dito acima. E essa Neshama vai atuar como sua própria Neshama. Esse é o segredo do que os nossos Sábios, de abençoada memória, disseram: “Os justos são maiores na sua morte do que na sua vida”. Assim, depois que essa pessoa parte do mundo, sua Nefesh se vai juntamente com esse Ruach do justo e através ele a Nefesh receberá a parte que lhe é de direito. Quando o seu próprio Ruach, que se uniu com a Nefesh de outra pessoa, no corpo de um convertido, ficar totalmente corrigido. A Nefesh da pessoa dirá: “Eu me vou e retornarei ao meu primeiro marido”, referindo-se ao primeiro corpo, pois ele ficou corrigido. Podemos questionar a justiça e equidade deste conceito, mas a Torá, na Porção de Mishpatim – Êxodo 21,3 declara: “Se entrar sozinho, sozinho sairá, se ele tinha mulher, sua mulher sairá com ele”. A Torá está descrevendo as leis da escravidão e o Zohar nos ensina que todas essas leis, na verdade, se aplicam à reencarnação. Neste caso, o escravo hebreu é o Ruach. Portanto, se o Ruach veio a este mundo por conta própria ou em cima de um Nefesh de outra raiz de alma. Então ele deve deixar este mundo sozinho. Mas se ele teve uma mulher, referindo-se a Nefesh do prosélito, então ele deve partir e deixar este mundo com ela. Deste modo, a Nefesh do prosélito é libertada e se une ao seu marido, o Ruach, e continua a sua evolução espiritual. Assim, quando o Ruach é aperfeiçoado e está pronto para ser libertado, e a Nefesh daquela outra pessoa deseja se unir a ele, o Ruach não parte sem a sua Nefesh do prosélito, e eles se tornam como vizinhos no Mundo vindouro. Isso funciona do mesmo modo para a Neshamá com respeito ao Ruach depois que a pessoa morre, quando eles voltam juntos em uma encarnação para se corrigirem juntos. Abraço. Davi.

domingo, 10 de março de 2024

UMA SENDA QUE NÃO PODE SER BUSCADA

 

Teosofia. Sociedade Teosófica no Brasil. Março de 2017. Por Pedro Oliveira. UMA SENDA QUE NÃO PODE SER BUSCADA. Hoje a palavra “espiritualidade” significa coisas diferentes para pessoas diferentes. Algumas a interpretam como crenças, outros, como certo modo de vida e alguns, ainda, como uma senda de autodescoberta. Muitas vezes ouvimos a expressão: “Escolhi uma senda que me agrada”. Essa escolha aparentemente não parece levar a mudanças e transformações na vida. Essa “senda” torna-se parte da vida sem mudar a percepção de quem somos. Essa “senda” torna-se parte do “equipamento” de nossa vida sem, entretanto, contestar a percepção do que somos. Essa “senda” é outra forma de distração. T. Subba Row (1856-1890) foi um proeminente teósofo na Índia, no início da Sociedade Teosófica, que tinha contato direto com Helena Petrovna Blavatsky (1831-1891) e com o cofundador dessa sociedade Henry Steel Olcott (1832-1907). Um dos Mahatmas afirmou que ele era “um Brahmin iniciado e conhecia os ensinamentos esotéricos”. Ele trata o assunto da senda espiritual do ponto de vista mais profundo da Filosofia Oculta (Gupta-vidya). Ele fala de duas sendas: uma que segue a maneira normal evolucionária e conduz a um firme progresso, e outra que apresenta ao estudante uma jornada árdua de direta auto conformação e de seus perigos resultantes. Como veremos, parece que vale a pena escutá-lo. Numa discussão na Biblioteca de Adyar em 1º de dezembro de 1888 sobre “O Ocultismo no Sul da Índia”, que foi mais tarde publicado como um artigo em The Theosophist, janeiro de 1888. Subba Row compartilhou seus insghts sobre a visão mais profunda da espiritualidade. Esta filosofia reconhece duas sendas, ambas com o mesmo fim, uma mortalidade glorificada. Uma é a firme senda natural de progresso através de esforço moral e prática de virtude. O resultado é um crescimento seguro da alma, uma posição de firme equilíbrio atingida e mantida que não pode ser perdida ou sacudida por qualquer ataque inesperado. É o método normal seguido pela vasta massa humana e é o curso que Sankaracharya (788-820) recomendou a todos seus sannyasis e sucessores. O outro caminho é a íngreme senda do ocultismo, através de séries de iniciações. Somente algumas naturezas especialmente organizadas e escolhidas são adequadas a esta senda. Em A Voz do Silêncio, fragmento II, Blavatsky também faz referência a duas sendas: Discípulo, há uma senda e no fim, é dupla. Seus estágios são marcados por sete portais. No fim de uma, a bem-aventurança é imediata, e na outra, a bem-aventurança é protelada ... A senda aberta conduz à mudança sem mudança – Nirvana, o glorioso estado do Absoluto, a felicidade além do pensamento humano. Portanto, a primeira senda é libertação, mas a segunda é renúncia e chamada de Senda da dor. Subba Row sugere que na primeira senda o progresso é por meio de esforço moral e da prática de virtudes. É a construção do caráter, possivelmente em muitas vidas. Quando meditamos sobre as virtudes e as assimilamos, elas naturalmente modelam o caráter futuro do indivíduo. Por exemplo, se meditamos na natureza da compaixão de maneira prolongada, torna-se muito mais difícil produzir dor em outro ser senciente. A mente então adquire um forte sentido de equilíbrio e estabilidade que torna mais fácil para ela ir através do complexo processo da experiência sem se tornar agitada ou desencorajada. Uma vida virtuosa produz um profundo senso de flexibilidade, força interior e de equilíbrio. A outra, é a Senda da Dor. O aumento do progresso oculto nesta senda é efetuado pelo Adepto, dirigindo para o chela várias forças ocultas que o capacitam a obter prematuramente um conhecimento de sua natureza espiritual e obter poderes para os quais ele não está moralmente capacitado pelo seu grau de progresso. Nestas circunstâncias pode acontecer que o chela perca seu equilíbrio moral e caia na senda do dugpa. Mas não podemos concluir que a escola de ocultismo do sul da Índia veja o adeptado e a iniciação como um erro nem como uma usurpação perigosa das funções da Natureza. Atualmente a palavra ocultismo é muito mal aplicada. Seu sentido no dicionário é envolver ou relacionar poderes mágicos, práticas e fenômenos místicos, supernaturais. As vezes também é associada a nefastas práticas mágicas. Blavatsky a usa como sinônimo da sânscrita gupta vidya, conhecimento secreto. Secreto não porque os que o possuem são um bando de elitistas espirituais, mas porque este conhecimento leva ao despertar das faculdades ou poderes espirituais até agora adormecidos que, mal-usados, podem causar ao praticante e a seus circundantes incríveis danos. Quando um ser humano mediano é tomado de fúria, pode fazer muito dano. Mas quando um chela ou discípulo perde seu equilíbrio, a capacidade de ação destrutiva pode ser multiplicada por cem. Trilhar a senda oculta foi comparado a ser virado ao avesso. A menos que nossos motivos reais sejam expostos pelo que são, não estaremos prontos para nos aventurar no caminho do autoconhecimento. Como disse certa vez Sri Chandrasekharendra Saraswato (1894-1994), o sábio de Kanchi, o autoconhecimento é a mais longa jornada para o mais próximo lugar. Esta afirmação tem a notável qualidade de mostrar que a alma e mente humana tendem a se perder no processo da experiência, vagando por sendas paralelas que são buscadas por apego e desejo, parecendo ser reais. A morada desse apego é sempre o ilusório sentido do eu. Vivekachudamani esclarece este assunto ao destacar a natureza do perigo que envolve a auto absorção. Para o sábio não há outro perigo a não ser a negligência a respeito da forma real do eu. Dela brota o engano ahamkara, de ahamkara a dependência, e da dependência a dor. O termo sânscrito ahamkara as vezes traduzido como a faculdade para fazer, parece sugerir que, o eu em nós, usa constantemente as experiências da vida para ficar mais forte e flexível, mantendo a consciência como uma natureza secundária. O propósito da senda oculta não e mais do que a destruição desta teia de ilusões tecida pelo eu. Naturalmente esse esforço possivelmente não agrade a todos. O que torna a senda oculta especialmente singular na ordem da Natureza entre outros aspectos é o processo de testar o chela, o discípulo. Nas Cartas dos Mahatmas é dito que é diferente de tempos antigos: O aspirante agora é atacado no lado psicológico de sua natureza. O curso deste teste, na Europa e na Índia, é que Raj-yoga é seu resultado, como explicado frequentemente, desenvolve em seu temperamento cada germe bom ou mau. A regra é inflexível e ninguém escapa quer ele nos escreva uma carta, ou no recinto privado de seu coração, embora um forte desejo por comunicação e conhecimento. Estaremos prontos para ver nosso orgulho, ciúme, sentimento de auto importância e arrogância, vendo -0s pelos que são, tentáculos do eu pessoal? Se não estivermos, porque as energias que surgem na senda ocultam certamente aumentam essas tendências e lhe dão um poder que certamente vence o candidato mal preparado. Como disse um dos Mestres: O ocultismo não é brincadeira. Outra palavra mencionada na afirmação de Subba Row previamente citada é iniciação. Extremamente superficial tem sido o uso desse termo hoje, quase sempre acompanhado de autoglorificação e auto exaltação. Se você tiver um cartão de crédito, você poderá mesmo comprar uma iniciação! Por outro lado, quando lemos com cuidado certos trechos das Cartas dos Mahatmas, não podemos deixar de ver que a real iniciação pode envolver a entrada na sagrada dimensão de vida e da consciência, que sem experiência a linguagem comum e a mente comum são incapazes de entender. O irmão Sri Ram (1889-1973) nos dá sua profunda compreensão deste singular assunto: A ideia superficial sobre iniciação é que a pessoa vá a determinada sala e vêm alguém lhe diz várias coisas, lhe dão roupas diferentes apresentadas com um talismã e outras coisas. Essa é uma visão muito pobre. A iniciação significa que o aspecto mais profundo de nós se move para a superfície, a mônada, faz o voto através do ego. A palavra iniciação significa um começo. Entramos em contato com nossa natureza espiritual na Primeira Iniciação, primeiro com buddhi e depois atman. Este começo na realidade é o plantar da semente. Depois deste contato, começamos a ser cada vez mais cônscios dessa natureza. A semente crescerá como Árvore de Sabedoria. Este é o significado da palavra sânscrita dvi-já, nascido duas vezes, uma maneira simbólica de referir-se ao nascimento através da mãe no mundo físico e o segundo nascimento em espírito. Logo a seguir outra afirmação de T. Subba Row no artigo mencionado acima: A hierarquia de Adeptos é um produto exclusivo da Natureza como a árvore, tem um indispensável propósito e funciona na evolução da raça humana. Esta função deixa aberta a senda superior pela qual desce luz e orientação sem as quais nossa raça precisaria dar cada passo pelo cansativo e interminável método de tentativa e erro em cada direção, até que a sorte mostre o caminho certo. Na verdade, a função da hierarquia de Adeptos é fornecer instrutores religiosos para as trôpegas massas da humanidade. Há alguns anos na Austrália uma pesquisa revelou que aproximadamente 53% de jovens com idades entre 18 e 25 anos diziam ser ateus. Muitos outros diziam ser agnósticos. A atitude de jovens sobre religião mudou drasticamente nos últimos quarenta anos. Em muitos lugares no mundo, a religião continua a ser denunciada na mídia, quer por escândalos envolvendo sacerdotes, pastores e swamis. Ou devido a atitudes fundamental que levam a violência sectária, agressão e eventualmente ao terrorismo. A despeito dessas tendências, os princípios éticos contidos nas grandes religiões do mundo são sempre válidos. Porque falam de compaixão, bondade e da riqueza espiritual que abençoa a vida além dos estreitos muros do egoísmo e isolamento psicológico. A expressão “manter aberta a senda superior, por onde desce a luz e orientação” parece indicar que genuínos e verdadeiros instrutores proporcionam as pessoas um sentido de permanente direção. Uma direção que não é uma ideologia totalitária nem uma crença, mas essencialmente uma maneira de viver que conduz a uma completa e irreversível regeneração da mente humana. Dotando-a com um insight transformador no propósito não criado que é a ordem do Universo. Mas Subba Row adverte: Esta senda é eminentemente perigosa aos que não têm o talismã que garante a segurança. Este talismã é uma devoção ao bem religioso da humanidade, completamente sem egoísmo, auto esquecida. Auto anulada, uma abnegação que não é temporária. Mas nunca deve ter fim, cujo objetivo é a iluminação religiosa da raça humana. Sem este talismã, embora o progresso do chela possa ser muito rápido por um tempo, chegará a hora em que seu avanço não irá adiante, quando seu valor real se mostrar, e o homem que progrediu na lenta e firme senda será o primeiro a mergulhar na luz do Logos. Embora o ideal descrito acima pareça extraordinariamente difícil e quase além da possibilidade humana, um de seus pontos centrais é a necessidade de ter uma infatigável honestidade a respeito de nossos reais motivos na vida. É verdade que enquanto o absoluto altruísmo pode estar acima da experiência comum de muitas pessoas, nós temos ao menos a capacidade de detectar por um inflexível questionamento. Os motivos que são de auto interesse, que buscam a própria vantagem ou pior, desejam explorar ou derrotar os outros, humilhando-os perante nossa maior glória e sucesso. Buddha ensinou a seus discípulos que o eu pessoal é como um estranho que chega à noite em nossa casa. É bem recebido e após algum tempo nos mata e assume nossa propriedade. Talvez muitos seres humanos não percebam o perigo do auto centralização. Isso pode levar a uma vida infeliz, para si e para os outros, atrasando a oportunidade de percepção e autotransformação. E, se tentarmos nos aproximar da senda oculta sem o talismã de um firme proposito altruísta, os tentáculos do eu pessoal ficarão mais fortes, aumentados pela sempre presente energia da senda que é a Verdade. Esta escola recomenda como a melhor senda para todos, devoção à virtude, afastamento gradativo das preocupações materiais, distanciamento das forças da vida do mundo lá fora e de seus interesses. Direcionar estas forças para a vida interna da alma, até que o homem seja capaz de retirar-se para dentro de si mesmo e depois, voltando-se ao Logos e a vida espiritual. Afastar-se do plano material, passando primeiro pela vida astral e depois pela vida espiritual até por fim atingir o Logos e chegar ao Nirvana. Textos clássicos importantes sobre a vida, como os Upanishads, o Bhagavad-gita, os Yoga Sutras de Patanjali, O Dhamapada, o Prajnaparamita Sutras, o Sermão da Montanha do Mestre Jesus, os poemas de Jalaluddin Rumi, entre muitos outros. Todos apresentam ensinamentos claros e inspiradores de como viver a vida espiritual. Esses ensinamentos foram comprovados por incontáveis gerações de praticantes em todo mundo. Eles não envolvem os rigores que são requeridos na sendo oculta, sendo sua tônica a devoção à virtude. Por isso é mais sábio não buscar a senda do discipulado, se o homem for talhado para isso, seu karma o conduzirá imperceptível e infalivelmente. Porque a senda do ocultismo busca o chela e não deixará de encontrá-lo quando o homem adequado se apresentar. O último conselho de Subba Row aos estudantes realça a questão do motivo: por que procurar a senda esculta? E um conselho igualmente significativo, no mesmo paragrafo acima, afirma que a senda do ocultismo busca o chela e não deixará de encontrá-lo quando o homem adequado se apresentar. Se houver uma profunda ressonância em nossa natureza interna ao propósito fundamental da senda oculta, para ajudar no trabalho de regeneração da consciência humana. Nosso karma fará os ajustes necessários e aporta pode ser aberta pelos progressos feitos por uma vida altruísta que visa trazer a luz da sabedoria à humanidade. E esta nossa vida, exceto por retiro público. Descobre línguas nas árvores, livros nos córregos e sermões em pedras e o bem em tudo. Esta expansão de nossa sensibilidade em todos os aspectos de nossa natureza pode realmente nos tornar uma simples força beneficente na natureza. Já foi dito por aqueles que sabem que o desabrochar desta força ou poder beneficente não tem limites. Parece não haver dúvida de que o mundo precisa de muito mais força beneficente para sobrepujar seus atuais desafios. Dentro de ti está a luz do mundo, a única luz que pode mostrar a senda. Se não puderes percebê-la em ti, é inútil procurá-la em outro lugar. Abraço. Davi.

 

sexta-feira, 8 de março de 2024

GUERRA ISRAEL E HAMAS

 

www1.folha.uol.com.br.  JUDEUS E ÁRABES SÃO FILHOS DE ABRAÃO. "Judeus e árabes são realmente filhos de Abraão e preservaram suas raízes genéticas do Oriente Médio por mais de 4.000 anos." A afirmação de Harry Ostrer, diretor do Programa de Genética da Universidade de Nova York, traz um cessar-fogo à difícil convivência entre religiosos e cientistas. Em geral, a versão científica se choca com as teses bíblicas. "Cientistas não acreditam em milagres. Nesse caso, ficamos contentes de comprovar uma "verdade" bíblica", disse Ostrer à Folha, por telefone. Abraão (pai de muitos povos, em hebraico) é uma das figuras mais importantes do judaísmo, do cristianismo e do islamismo, religiões monoteístas também conhecidas como abraâmicas. Descende de Noé e de seu filho Sem daí vem o termo semita, cunhado pelo historiador alemão August Ludwig Schloezer, em 1871. A mulher de Abraão, Sara, era estéril. Assim, ele teve um filho com sua escrava Hagar, denominado Ismael considerado por muitos o antepassado dos árabes. Abraão circuncidou a si e a Ismael. Por isso, homens judeus e muçulmanos até hoje se circuncidam. Quando Ismael tinha 13 anos, Abraão foi informado de que Sara teria um filho. Isaac nasceu de uma mãe quase centenária e até então estéril. Segundo a tradição, uma intervenção divina permitiu o nascimento de Isaac, que mais tarde seria pai de Jacó (também chamado de Israel). Um dos episódios mais conhecidos da vida de Abraão, o sacrifício de seu filho, é fruto de divergência entre judeus e muçulmanos. Para os primeiros, Abraão ofereceu Isaac a Deus, que o poupou após testar a submissão de Abraão. Já para os muçulmanos, o escolhido para o sacrifício foi Ismael. Os textos religiosos desempenharam papel fundamental na preservação do árabe e do hebraico, ambos idiomas semíticos, com raízes predominantemente trilíteras (três letras) e semelhanças lexicais (dia, por exemplo, diz-se "iaum", em árabe, e "iom", em hebraico).

 

Editor do Mosaico. GUERRA ISRAEL E HAMAS. Considero fundamental enfatizar esta verdade de que árabes e hebreus – israelitas são irmãos de sangue, descendentes do mesmo pai Abraão como comprovado acima. Então, essa guerra entre os irmãos, é de partir meu coração como cristãos, que tem no amor ao próximo o fundamento da transcendência. As três religiões monoteístas – islamismo, judaísmo e cristianismo – comungam do mesmo Pai Celeste – Allah, Yahweh e Deus. Os livros sagrados – Alcorão, Torá e Bíblia perpassam as três espiritualidades em muitos aspectos. Islamismo e judaísmo não são religiões proselitistas como no cristianismo. Nelas o divino é encontrado na experiencia pessoal dos fiéis. Discordo daqueles que assumem lado nessa disputa que acontece hoje. Todavia, os fatos históricos ocorridos, podem nortear nosso caminho. Exemplo temos o movimento sionista, final do século XIX, onde os dois lados israelenses e palestinos reivindicavam espaço de soberania. Até o século III, judeus e muçulmanos viviam na região da Palestina as vezes em harmonia e outras em desarmonia. O império romano, a época, expulsou os judeus dando início a diáspora – dispersão dos judeus pelo mundo, ano 70 d.C. Estiveram por quase dois mil anos espalhados pelo mundo, sem uma pátria nacional. Os movimentos nacionalistas palestinos começaram a surgir em 1936. Yasser Arafat (1929-2004) pode ser considerado um herói na resistência, diplomacia e coragem para instaurar um Estado Palestino na região. Yitzhak Rabin (1922-1995), primeiro-ministro de Israel, contribui enormemente no processo de Paz entre os dois irmãos – judeus e muçulmanos, mediando as conversações na época. Após a Segunda Guerra (1939-1945), uma resolução da ONU, 1947, sugeriu criar dois estados na região da Palestina – um dos judeus e outro dos árabes. O estado de Israel foi criado em 14/05/1948, já do lado árabe para ocupar a Cisjordânia e Faixa de Gaza a situação não foi oficialmente decidida pelo Organismo Internacional. A questão principal para a Paz permanente passa por esta fundamental decisão. Um Estado Palestino livre com autonomia própria. A guerra entre Israel e o Hamas teve início em 7 de outubro de 2023 onde o grupo terrorista lançou, dá Faixa de Gaza, mais de dois mil foguetes no território israelense. Morreram mais de mil e quatrocentas pessoas neste ataque, além de que seus combatentes sequestrarem cerca de duzentos e quarenta cidadãos israelenses, dentre esses, estrangeiros. Nos solidarizamos com as vidas e familiares desses que ainda estão no poder dos terroristas, e esperando que sejam libertos o mais breve possível. As negociações entre ambos já libertarem muitos, porém mais de cem cidadãos e de outras nacionalidades ainda permanecem reféns do grupo. Israel contra-atacou bombardeando por várias vezes a região onde estava os terroristas. A cidade de Gaza está hoje completamente em ruinas, prédios, casas, lojas, supermercados e até hospitais, alguns, foram destruídos. Como os bombardeios são intensos mais de vinte e cinco mil civis palestinos já morreram.  E desses, 60% são mulheres e crianças, que não tendo o que comer padecem de fome. Um horror e aberração extremas. A população civil não pode ser alvo da guerra. Apenas e unicamente os terroristas do Hamas. O Catar, país árabe, além do Egito e representantes do ONU, tenta intermediar a libertação dos reféns palestinos e israelense e um cessar fogo junto aos dois lados. Como não há tréguas, a ajuda humanitária indispensável nesta hora é impedida de chegar aos palestinos. Algo inexplicável e incompreensível. Fala-se que o Hamas tinha trinta mil combatentes e segundo Israel quinze mil foram mortos até agora. Todavia, o sofrimento do povo palestino, civis que não tem nada a ver com esta guerra, é inigualável. Dos dois milhões da população que havia antes da guerra, um milhão e quinhentos mil foram forçados a sair da região, indo para o sul de Gaza, em Hafah, fronteira com o Egito. Lá estão vivendo em acampamento de refugidos na extrema pobreza e precariedade. Milhares de crianças desnutridas e famintas confinadas a beira da morte. O Comite Internacional da Cruz Vermelha faz o indispensável trabalho de transferência de prisioneiros mascarados do Hamas e Israel. A ONU tem atuado na conciliação, mas sem resultado prático até o momento. O atual primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu dirige com mão de ferro esta guerra. Sua posição com tendencias extremista, supremacista e ultraconservadoras dificulta o diálogo com o grupo terrorista. Antes da guerra enfrentou movimentos em prol da liberdade de expressão em seu país. Já que queria diminuir o poder da Suprema Corte de Justiça israelense. A guerra chegou e ele continua implacável em suas atitudes no comando da nação. Os terroristas do Hamas infiltrados em tuneis pela cidade de Gaza, a maioria mortos pelo exército de Israel. Todavia os excessos têm ocorrido como ataques a hospitais, população civil vulneráveis incluindo crianças, velhos, doentes. Dificuldade em ajuda humanitária. O exagero na guerra recebe crítica até dos Estados Unidos, principal aliado de Israel. Incidente onde pessoas morreram após correrem atrás de caminhões com alimentos horrorizaram o mundo. Disparos dados por soldados israelenses na multidão foram confirmados. Confinamento de civil em situação de extrema pobreza. Situações aterradoras e vergonhosa para o governo Netanyahu que recebe críticas de organismos internacionais e inúmeros países tais a dureza, excesso de força – comparados a crimes de guerra – na qual conduz o conflito contra o Hamas. Concluo com palavras de esperança ao povo palestino. Lembro que Israel passou horrores na Segunda Guerra Mundial (1939-1945) como é historicamente comprovado e dois anos depois tornou-se uma nação prospera com território definido. Esse sofrimento e aflição que os palestinos enfrentam nesse momento. Tem por objetivo, num curto espaço de tempo transformar-se em grande alegria. Gozo, paz e prosperidade que se efetivará. A certeza de que, como seus irmãos hebreus, os palestinos receberão sua porção de terra. Legitimamente referendada pela ONU em resolução votada na Assembleia Geral, tendo maioria absoluta de votos dos países representados. Regulamentado e definido seus limites de extensão nessa mesma região onde seus ancestrais há mais de dois milênios continuam vivendo. Chegou o momento dos principais grupos muçulmanos Xiitas, Sunitas e Persas se unirem para reconstruir a Nova Palestina. Ricos e pobres e todo mundo árabes com um mesmo propósito e determinação. Fazer da Nova Palestina um elo de união entre os povos muçulmanos para o bem da humanidade. Que Allah abençoe o povo Palestino e Yahwe o povo de Israel. Abraços. Davi   

quarta-feira, 6 de março de 2024

DESPERTANDO UMA CONSCIÊNCIA RELIGIOSA

 

Religião Afro-brasileira. Umbanda. Livro Código de Umbanda. Por Rubens Saraceni (1951-2015). DESPERTANDO UMA CONSCIÊNCIA RELIGIOSA. Capítulo I. A crendice popular, alimentada pela ignorância de muitos e pela perfídia de outros, tem-se esmerado em relacionar os Orixás, sobretudo os Orixás cósmicos que atuam na Umbanda, com histórias de medo e de terror desenroladas em cenários de desolação e dor. Por outro lado, as próprias tendas (que têm sido, para muitos, a única fonte de referências) contribuem para alimentar esse clima entre os umbandistas. São incongruências como estas que às vezes ofuscam os nossos amados Orixás. E, ainda que saibamos eu um certo desconhecimento de causa levou muitos a difundirem essas versões sombrias, no entanto, não deixamos de combatê-las, semeando um conhecimento verdadeiro que, se colocado em prática pelos dirigentes umbandistas, só engrandecerá a própria ritualística, a religiosidade e a caridade praticada por milhões de médiuns de Umbanda. Eu costumo dizer que nos cultos africanos se cultuam os Orixás e na Umbanda se “trabalha” para os Orixás. E acho que não estou longe da verdade, pois um médium de Umbanda analisa sua religiosidade pelo trabalho que realiza enquanto incorporado pelos seus guias. Espíritos que atuam sob a irradiação direta dos Orixás e manifestadores humanos de suas qualidades divinas. Assim sendo, um médium não se conforma só em frequentar seu centro: ele quer trabalhar incorporado pelo seu guia. E se isso não acontecer em sua vida religiosa, logo se desencantará e se afastará, muito triste, já que irá julgar-se inútil. Porém, ele não atenta para um detalhe muito importante na religião de Umbanda: desde que se integrou à corrente espiritual de um centro de umbanda. Ele se tornou um beneficiário direto dos Orixás que a sustentam e passou a receber suas irradiações diretas, que o ampararão e o direcionarão dali em diante. E isso significa que, mesmo que sua mediunidade de incorporação demore para aflorar (ou nunca aconteça), no entanto, sua fé o religa com os Orixás e o torna importante para a corrente, que confiará a ele algum outro tipo de trabalho dentro das atividades do centro. Afinal, se todos incorporarem, quem auxiliará os trabalhos dos guias, quem orientará assistência, quem cantara os pontos dos Orixás, quem tocará os atabaques etc. Uma corrente não é formada só de médiuns de incorporação. E todos os membros de uma corrente estão sob a irradiação direta dos Orixás. O fato de estar sob a irradiação direta é fundamental para o médium umbandista poder cultuar todos os Orixás dentro de seu templo, receber o amparo de todos eles e ativar seus poderes e mistérios em benefício de sua corrente. Logo, um médium de Umbanda, se esclarecido e ensinado, pode, e deve, estabelecer uma ligação mental direta com todos os Orixás e recorrer aquele que sentir que resolverá mais facilmente algum problema que se lhe apresente. Um médium não incorporador não pode e não deve assumir a responsabilidade de solucionar uma demanda. Mas pode, e deve, encaminhar alguém perturbado por uma demanda a um médium capacitado, ou mesmo recomendar-lhe que vá até um ponto de forças que forma um campo magnético, energético e vibratório com o Orixás que o reage. E nele deverá solicitar o auxílio e o amparo para superar as dificuldades, perturbações e obsessões espirituais que o estão desequilibrando advindas com a demanda. Por isso, o conhecimento a respeito dos Orixás é importante e fundamental ao umbandista, seja ele um médium de incorporação ou não. Médium significa “um meio”. E todos podem ser mediadores entre os dois planos da vida, desde que tenham sido bem instruídos e “apresentados” aos sagrados Orixás. Na instrução está a absorção de conhecimentos, seus campos de atuação, suas qualidades, seus atributos e suas atribuições. E isso não se consegue de uma hora para outra. É preciso estudar e munir-se de muito bom senso, senão nunca se será um bom “médium”, mesmo sendo incorporador. Já que todas as suas ações individuais ficarão sujeitas ao guia, o qual terá de assumir pessoalmente todas as etapas da ajuda a alguém necessitado do socorro espiritual. Mas, como um médium bem instruído, algumas etapas de uma ação ou trabalho espiritual são resolvidas sem precisar da incorporação do seu guia espiritual, que deixa ao médium a realização delas. Já a apresentação aos Orixás é fundamental para quem deseja ser médium beneficiário dos poderes e mistérios dos Orixás, pois eles só reconhecem alguém como apto a encaminhar-lhes pessoas com problemas espirituais ou dificuldades materiais. Se este alguém lhes foi apresentado, e corretamente, já que, quando se procede de forma correta, estabelece-se uma ligação mental direta entre o Orixás e o médium que se lhe está sendo apresentado. E que irá encaminhar-lhe pedido de ajuda, socorro espiritual e amparo material a várias pessoas. Essas apresentações têm sido realizadas de forma inconsciente pelos médiuns quando seus guias ordenam que vão até uma cachoeira, mar, pedreira, cemitério etc. E ali façam uma oferenda ao Orixá Regente daquele ponto de forças naturais. Nesses casos (a maioria), o apresentante consciente é o guia do médium, que já está ligado ao Orixá, e o médium é apresentado ou iniciado de uma forma consciente. Pois dali em diante existirá uma ligação ente o médium e o Orixá Regente daquele campo magístico, ao qual poderá recorrer sempre que precisar. Mas a melhor apresentação é aquela que o pai ou mãe espiritual realiza para seus filhos espirituais. Esse os conscientiza das ligações que se estabelecerão e facilitarão, e muito, os trabalhos que o médium assumirá dali em diante sob a orientação de seu guia chefe, que é o realizador deles e responsável pelas ações de seu médium. O lado prático da Umbanda já está bem definido e dispensa maiores comentários, que a espiritualidade tem suprido a carência de teoria ou conhecimentos fundamentais dos médiuns de Umbanda. Logo, esses comentários visam a suprir esta lacuna dentro do Ritual de Umbanda e a fornecer aos médiuns todo um alicerce teórico que tanto facilitará o entendimento de sua religião como o conhecimento verdadeiro a respeito dos Orixás. E facilitará seus trabalhos práticos pois se, sem a teoria, já realizam um trabalho inestimável e nome dos Orixás. Então com a teoria à mão mostrarão aos frequentadores de seus templos o quanto é divino o universo religioso habitado e regido pelos sagrados Orixás. Saibam todos que os Orixás não regem só os que “rasparam no Santo” ou são médiuns. Isso seria um contrassenso em se tratando de divindades, o que bem sabemos que alguém, para ser “cristão” e ser beneficiário do amparo divino de Jesus Cristo, nosso amado pai, não precisa tornar-se padre. Se assim o fosse, o cristianismo logo seria uma religião só de “pais”, mas sem filhos. Estéril, religiosamente falando. Portanto, o contrassenso é eloquente no culto dos Orixás. Falta desenvolverem a teoria que ensine aos pais e mães sacerdotes essa consciência religiosa. Isso estimularia os frequentadores de seus templos para que eles também desenvolvessem em seus íntimos a religiosidade que existe na Umbanda. A qual encontra seus fundamentos nas suas divindades naturais: os nossos amados Orixás, os senhores do alto do Altíssimo Olorum. Nós entendemos que falta uma genuína “teologia de Umbanda” para que se ensine a teoria aos frequentadores das tendas e os convertam à religião dos Orixás. A fim de que todos assumam uma consciência religiosa que dará aos fiéis de Umbanda os recursos teológicos para que deixem de ser tão dependentes dos guias espirituais, dos médiuns e dos trabalhos práticos. Vivenciem suas religiosidades como uma ligação contínua com os sagrados Orixás, que são, todos eles, manifestadores de Olorum, O Senhor Nosso Criador. A Umbanda como um todo, é uma via rápida de evolução e coloca seus fiéis em contato direto com o mundo dos espíritos e com o universo dos Orixás – hierarquias divinas aceleradoras e sustentadoras das evoluções. Mas quem é o fiel de Umbanda? Será que é correto restringi-la apenas aos médiuns praticantes, ou devemos estender esses termos aos frequentadores das tendas? É claro que devemos estender aos frequentadores e desenvolver junto a eles uma consciência religiosa de Umbanda. Franqueando-lhes todo um conhecimento teológico que os coloque em comunhão direta com os sagrados Orixás. Com isso, criaremos, no plano material, uma egrégora religiosa poderosíssima que irradiará sua luz sobre a casa e a vida de todo fiel umbandista. Que manifestará em sua jornada carnal enquanto ele durar. Também se estenderá a espiritual, que se iniciará após o desencarne, então, sua consciência religiosa o direcionará, quando no mundo espiritual, às faixas vibratórias celestiais reservadas a religião de Umbanda. Sim, porque toda religião que surge na face da Terra atende a uma vontade do Divino Criador, que reserva no plano espiritual faixas específicas que acolherão seus fiéis após o desencarne, pois a religiosidade de um ser não deve sofrer descontinuidade. E, como os fiéis de Umbanda assumindo conscientemente essa afinidade que têm com os Orixás. Isto lhes facilitará no pós-morte todo um universo afim com a religiosidade desenvolvida no universo religioso habitado por Orixás, caboclos, pretos-velhos, crianças e exus. Logo, já é tempo de desenvolvermos uma teologia umbandista de fácil assimilação pelos médiuns e de fácil transmissão aos frequentadores das tendas de Umbanda. Temos de ensinar os Orixás de uma forma simples e estimular aos fiéis de Umbanda a cultuá-los em seus lares. Contudo mentalmente e com orações e cantos de fundo religioso em cerimônias fechadas dedicadas apenas ao fortalecimento da fé no núcleo familiar. Só assim, com a disseminação contínua do culto aos Orixás, esta egrégora religiosa sairá dos templos de Umbanda, que é onde ela se manifesta atualmente. Espalhando-se por todos os lares umbandistas, já em sintonia religiosa com as tendas que frequentam semanalmente. Fundamentados nessa necessidade de preencher, e logo, esta lacuna na religião umbandista, reunimos nestes comentários toda uma teologia de Umbanda que fornecerá uma teoria afim com os trabalhos práticos já realizados nas tendas de Umbanda. Tenham uma boa leitura e absorvam com amor e fé os conhecimentos básicos e fundamentais à religiosidade regida pelos nossos Orixás. Abraço. Davi

 

segunda-feira, 4 de março de 2024

I. O CAMINHO DE CAIM

 

Cristianismo. www.graodetrigo.com. Texto de David W. Dyer. I. O CAMINHO DE CAIM. Há muito tempo, no Jardim do Éden, o primeiro homem, Adão e a sua esposa, Eva, caíram. Eles haviam pecado contra o Altíssimo, fazendo a única coisa que Ele havia ordenado que não fizessem. Agindo assim, estas duas primeiras pessoas danificarem seu relacionamento com Deus e tiveram ciência de sua própria nudez. Embora tivessem tentado se cobrir juntando folhas de figueira, quando ouviram a voz do Senhor que passeava pelo jardim na viração do dia, eles se esconderam e estavam assustados. O homem, que havia sido criado por Deus e gozado de doce comunhão com Ele, agora estava se escondendo de Deus, nu e envergonhado. Conforme nós sabemos agora, isto não foi uma surpresa para o Senhor. Ele sabia de antemão que o homem que criou iria desobedecer a Seu mandamento e cair em pecado. Já que Deus não é limitado pelo tempo e compreende simultaneamente tanto o princípio como o final de todas as coisas, Ele já havia preparado o caminho da salvação. Neste exemplo, em favor deste primeiro homem, Deus deve ter matado algum tipo de animal, porque somos ensinados que Ele fez roupas de pele para o casal. Foi tirando a vida de uma outra criatura que Deus providenciou uma cobertura que Adão e Eva tão desesperadamente necessitavam. Agora gostaria de sugerir a vocês que o animal morto por Deus era um cordeiro. Embora isto não possa ser provado, sinto que existe uma grande possibilidade. Harmoniza lindamente com o resto da Escritura e com o supremo plano de redenção de Deus. Esta atitude, sem dúvida, estava apontando para o tempo em que Ele permitiria que Seu único Filho, o Cordeiro de Deus, fosse morto como cobertura para os nossos pecados – escondendo nossa nudez e rebelião contra Deus. Também mais adiante, no livro de Gênesis, temos uma insinuação de que talvez fosse mesmo um cordeiro que foi morto por causa de Adão e Eva. Quando examinamos rigorosamente as escrituras, surge um quadro. Aprendemos que Abel era um pastor, enquanto Caim era um lavrador da terra, um agricultor. Já que Deus não havia permitido ao homem que comesse carne antes do dilúvio, mas eram herbívoros (Veja Gênesis 1:29,30 e 9:2,3), podemos indagar por que Abel estava zelando de cuidar por cordeiros. Por que ele gastou seu tempo cuidando de animais se não podia comê-los? A resposta é, muito provavelmente, encontrada na ideia de que estes animais eram usados para fornecer vestimentas. Estas ovelhas devem ter sido criadas por causa de sua lã ou por causa de sua pele, que eram usadas como cobertura, dando assim, suporte à ideia que foi Deus quem havia dado o exemplo a eles. Tanto Caim quanto Abel, provavelmente, tinham conhecimento do que havia ocorrido com seus pais no Jardim do Éden. Estou certo de que, como pais fiéis, os dois compartilharam com seus filhos tudo o que ocorrera e tentaram instruí-los na maneira correta de caminhar com Deus. Quando lia no livro de Gênesis que Deus rejeitou a oferta de Caim, eu me preocupava porque esta rejeição parecia arbitrária. Não conseguia compreender como Ele podia julgar entre esses dois homens se ambos estavam agindo puramente por instinto. Entretanto, agora sinto que Caim sabia tanto quanto Abel o tipo de sacrifício que Deus requeria. Ele sabia, pelo testemunho de seus pais, que eles haviam sido cobertos pela morte de um cordeiro e que Deus exigira o derramar do sangue para a expiação do pecado. Todavia, Caim escolheu seguir seu próprio caminho, embora sabendo da justa exigência de Deus. Ele deliberadamente O desobedeceu, ignorando o que havia sido evidentemente providenciado. Em vez disso, ofereceu algo de sua própria invenção, algo de sua própria imaginação, algo que ele mesmo podia produzir. Ele pode ter pensado algo assim: “Por que eu devo oferecer um cordeiro? Os vegetais que eu plantei são ótimos, não há nada de errado com eles. De fato, eles são os melhores vegetais das redondezas. Por que não posso oferecer a Deus o que tenho de melhor? Não é bom o bastante? Não há dúvida que Ele vai reconhecer isto e recebê-lo.” Mas, como lemos em Gênesis 4:5, Deus rejeitou a oferta de Caim. Não importava quão boa ela era, não importava o quão maravilhosa parecia ser. Ainda que Caim houvesse trazido o seu melhor, Deus não estava satisfeito. Ele já havia demonstrada qual era o sacrifício necessário. Ele já havia estipulado o formato para que os verdadeiros adoradores O seguissem e era apenas através da obediência que o Seu prazer e favor poderiam ser ganhos. Uma mensagem para hoje. O que esta história tão antiga nos fala hoje? Como é que nós, crentes, podemos aprender da experiência destes primeiros homens e evitar o caminho de Caim? No Novo Testamento, assim como no Velho, Deus determinou a todos os crentes o modo adequado de adoração. Vemos no livro de João 4:23,24 a seguinte declaração: Jesus diz, “Mas vem a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade.” Por favor, notem o tempo do verbo aqui. As Escrituras não dizem que “podem” ou mesmo “talvez devessem”, mas afirma especificamente que aqueles adorarão a Deus no espírito. Tal adoração não é opcional. Qualquer coisa menos que isto não atinge o objetivo do claro mandamento de Deus. Você vê, tanto no Novo como no Velho Testamento, um cordeiro foi morto para a cobertura de pecados. Deus tinha providenciado um Cordeiro! E este Cordeiro deve ser a nossa oferta. Nada mais é adequado. Não importa quão bom possa parecer; não importa quão correto “segundo as Escrituras” possa aparentar; não importa quão reverente, adornado ou musicalmente excelente possa ser; nenhuma outra coisa será satisfatória. Somente o Cordeiro irá satisfazê-los. Este fato tem uma importante aplicação para nós, como cristãos. Quando nos reunimos para adorar o Pai, precisamos adorá-lo em Espírito. Quando estamos juntos, é essencial que entremos no Espírito de Jesus Cristo para que nossa adoração e nosso louvor e, na verdade tudo o que fazemos, se origine Nele. Ele é quem deve estar dirigindo nossas reuniões na igreja. Além disso, é este Cordeiro que deve ser a essência deles. Mas, o que significa “estar no Espírito”? Significa que estamos em um certo estado de ânimo? Será que ele indica que entramos na emoção de uma determinada situação? Não. Significa que nós realmente entramos na presença de Deus através do Santo Espírito. Significa que estamos “plenos” do Espírito de Jesus Cristo e sendo dirigidos por Ele. Vemos nos Evangelhos: “Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles” (Mateus 18:20). Jesus não vem às nossas reuniões como um espectador. Ele não vem para nos ouvir em nossas cerimônias ou “serviços”. Cristo tem aparecido como nosso Sumo Sacerdote, para nos dirigir em louvor e adoração ao nosso Deus. Quando Jesus vem para o nosso meio, vem como Aquele que vai dar origem a todas as coisas. É Ele quem deve estar escolhendo as músicas e é Ele mesmo quem deve se derramar em nossas orações e através delas. É o Espírito de Jesus quem deve emanar da ministração da Palavra. Deus Se satisfaz apenas com a oferta de Seu Filho e é somente quando nos reunimos e oferecemos a Ele tudo o que flui de Jesus Cristo que o Pai se agrada. Qualquer coisa menos que isto é apenas “vegetal”. Talvez alguns acreditem que o objetivo em nossos encontros deve ser que eles sejam de acordo com a Bíblia. Imaginam que, se simplesmente imitarmos aquilo que achamos que os crentes do Novo Testamento faziam, Deus se sentirá satisfeito. Isto leva tantos cristãos em seus encontros a tentar encontrar as bênçãos de Deus através de “fazer adoração” ou de pregação. Isto é uma prática muito incerta. Às vezes, parece que acertamos, outras vezes, não. Quando as coisas não correm muito bem, é comum os líderes culparem os que se assentam nos bancos pela falta de entusiasmo ou consagração. Mas o problema com esta prática é o seguinte: Quais das milhares de coisas das escrituras Jesus deseja que façamos hoje? A Igreja primitiva fazia muitas coisas. A Bíblia está repleta de coisas que Deus deseja que digamos ou façamos em uma determinada situação. Então, sabendo como Ele está nos liderando agora é a única maneira de obter a benção. Para acertar isto, precisamos estar no Espírito. Precisamos ter um relacionamento real e íntimo com Ele. Deste modo, podemos sentir Sua liderança, segui-Lo naquilo que Ele está fazendo e, assim, alcançar a satisfação da verdadeira adoração espiritual. Quão frequentemente nós, povo de Deus, temos ido pelo caminho de Caim! (Judas 11). Quantas vezes nos reunimos e oferecemos a Deus o que se origina exclusivamente em nossos próprios corações! Nossas próprias ideias, invenções dos homens, coisas que têm uma mera qualidade da alma, têm sido colocadas no lugar de Cristo, como substitutas. Temos erradamente suposto que, se o que fazemos é bom, se é suficientemente bíblico, se é bastante elaborado, se é suficientemente melodioso, Deus estará satisfeito. Não há dúvida que nós, como seres humanos, oferecemos a Deus o que temos de melhor. Tudo o que fazemos tem as melhores intenções, humanamente falando. Entretanto, mesmo com todas estas coisas, Deus não Se satisfaz. Ele não pode se satisfazer. Ele mesmo nos ensinou o Caminho e nós temos que andar nele. www.graodetrigo.com. Abraço. Davi

sexta-feira, 1 de março de 2024

GUERRA ENTRE RÚSSIA E UCRÂNIA

 

Editor do Mosaico. GUERRA ENTRE RÚSSIA E UCRÂNIA. Fazem dois anos da continuidade da guerra entre Rússia e Ucrânia. Iniciando em 24 de fevereiro de 2022. Lamentamos profundamente e nosso coração se entristece ao extremo. Até pensamos em sugestões para terminar o conflito. Todavia, reconhecemos que pouco podemos fazer de forma prática. Mas confiamos no poder da oração e intercessão, pedindo a Santíssima e Imaculada Virgem Maria que intervenha colocando fim a essa terrível tragédia humana. Acho inadmissível que a parte mais fraca, Ucrânia, continue adotando essa postura intransigente e rígida em sua política externa. A contar que mais de 14 milhões de ucranianos foram forçados a abandonarem suas casas desde o princípio da invasão. A destruição é generalizada no país. A perda de vidas e os sofrimentos permanecem. A ONU tem apoiado 6,5 milhões de refugiados ucranianos em países do Leste Europeu como Polônia, Roménia, Moldávia, Hungria e outros.  Mais de 190 mil ucranianos morreram na guerra. Mais de 500 mil soldados de ambos os lados perderam suas vidas até agora. Cidades como Karkiv, Lviv, Odessa, Sumy e Konotop foram parcialmente destruídas. Kiev a capital também sofre com os bombardeios frequentes. O atual Presidente da nação Volodymir Zelensky insiste em entrar como membro da OTAN – Organização do Tratado do Atlântico Norte desprezando todo contexto histórico, cultural e religioso relacionado a Rússia. Além do pretexto da hegemonia territorial ele se firma em paradigmas que poderia muito bem abrir mão para que a Paz definitivamente tenha início. A observar a devastação do país e a debandada da população, a grande maioria dos cerca de 48 milhões de habitantes não deseja a permanência do conflito com Moscou. Mesmo já lutando com munição e equipamentos da OTAN e informalmente fazendo parte da organização, ainda há entraves burocráticos para consolidar esta união. O sonho narcisista de Zelensky está custando caríssimo ao povo ucraniano. E pelo andamento da situação ele não sairá, ao término do embate, como herói. Todavia, será lembrado na história pela insistência ilusória derrotista, de objetivos que em nada serviram ao seu país. Tornar a Rússia um inimigo, como na atual situação, só trará revezes e dissabores a seu povo. Os dois países são quase irmãos nas tradições, cultura, língua e religião bem entranhados entre si. Fazia parte da antiga União Soviética até 1991. Ambos são católicos ortodoxos, todavia com a guerra o Alto Clero ucraniano se desligou do moscovita, assumindo liderança própria. Tanto que o Natal, nascimento de Jesus, é comemorado pelos ortodoxos em 7 de janeiro. Agora a Igreja Ortodoxa da Ucrânia resolveu mudar para 25 de dezembro como os cristãos do Ocidente. Outro fator que fomenta essa guerra e na verdade decisivo para essa desastrosa permanência é o apoio militar dos países da OTAN mais Estados Unidos. Uma política supremacista de interesses alheios ao povo ucraniano claramente vista até agora. Os principais líderes deste bloco insistem na manutenção do conflito. Poucas foram, as tratativas de negociação da Paz, onde os 32 representantes dessas nações participaram. E nenhuma ocorreu por iniciativa da composição. A adesão a OTAN de países não signatários atiça o ressentimento em Moscou aumentando a vulnerabilidade da Ucrânia. Uma infeliz declaração do Presidente Frances Emmanuel Macron que disse poderia enviar tropas a Ucrânia, foi desmentida pelos principais membros da Aliança Militar do Ocidente. Argumentam não haver planos para este tipo de operação. A Rússia vê guerra inevitável com a OTAN, caso a Aliança militar envie forças para combater na Ucrânia. O expansionismo dessa organização proporciona o aumento da tensão política, podendo alcançar outros países do Leste Europeu, resultando na ampliação das fronteiras da guerra. Algo, imagino, que nenhum país da região consciente de sua soberania deseja. A Rússia, o maior país do mundo com 17.100.000 km quadrados não precisa de mais terras. É mentira imaginar que o Presidente Wladmir Putin vai invadir outros países, só na exceção colocada acima. Seu país já sofre com sanções internacionais dos europeus e americanos. Incluindo os setores energéticos, transportes, controle de exportação e proibição de financiamento comercial. Além de 70% do setor bancário e as principais empresas estatais. Bloqueio de exportação de tecnologia, restrições sobre semicondutores, telecomunicações e segurança criptográfica, laser, sensores, navegação, aviação etc. Bilhões de ativos de pessoas russos estão congelados nos bancos americanos e europeus. A tentativa de insuflar à Rússia com mais sanções cria expectativa de inquietação, medo e temeridade na comunidade internacional. Um claro sinal de que a OTAN e os Estados Unidos não estão nada preocupados em por fim a esta inquietante e perigosa situação de guerra. Nem se fala em diplomacia e diálogo bilateral entre as partes envolvidas. O Presidente Putin tem um plano para o definitivo cessar fogo e término da guerra. Os pontos principais são: Processo de desarmamento da Ucrânia para não ameaçar a Rússia. Proteção a língua russa na Ucrânia. Promover a desnazificação. Condenar toda forma de nazismo e se comprometer a combatê-las. Discussão sobre o status da região da Crimeia, já anexada e de Donbas. Inclui-se aí as Repúblicas independentes de Donetsk e Luhansk sob influência de Moscou. As exigências não são tão duras quanto alguns especialistas e autoridades supõem. Não devendo ser obstáculos, de maneira nenhuma, ante toda violência, o derramamento de sangue e a destruição pela qual a Ucrânia tem passado. Mas a imprudência e insensatez persiste do lado ucraniano na pessoa de seu líder. Ao invés de ficar mendigando ajuda militar e material para a guerra contra os russos, o Presidente Zelensky precisa urgentemente conversar com o Presidente Putin. Propor ao menos uma trégua nos embates, e sem demora uma reunião de cúpula no Kremlin levando os termos de reconciliação e entendimento. O assunto a ser tratado será o início de um processo de paz duradouro entre os dois países, com chanceleres e diplomatas dos dois lados e representantes da ONU. Presidente Zelensky pelo amor de Deus, tome essa providência, para que o pior não se suceda em sua gestão a frente deste corajoso povo que governas. Não permita que a iminência de uma 3ª Guerra Mundial se torne realidade para tristeza e assombro do mundo. Além do uso de armas nucleares produzindo destruição em massa pelo planeta, a Rússia tem um dos maiores arsenais nucleares do mundo. Pense nisso Presidente Zelensky para o bem da humanidade. Que Nossa Senhora de Kiev também conhecida como Nossa Senhora de Wladimir toque seu coração, iluminando-o nesse encontro com o Presidente Putin. O selar da Paz permanente entre essas duas abençoadas nações para o bem de toda humanidade. Abraço. Davi.