terça-feira, 1 de setembro de 2026

A ENTRADA DE BUDA NO NIRVANA

Budismo. Livro Vida e Doutrina de Sidarta Gautama. Por Yogi Kharishnanda - A ENTRADA DE BUDA NO NIRVANA. Capítulo XII. Por essa ocasião os discípulos foram ao bosque de Upavartana, onde estava o Senhor Buda. Com ele muitas pessoas desejosas de participar da felicidade da presença do Bem-aventurado que lhes disse: Busquem ansiosamente a Verdade. Não basta que tenham me visto. Libertem-se do pungente aguilhão da dor. Sigam resolutamente o caminho. Um enfermo pode ser curado pela virtude do medicamento, sem ver o médico. Quem não me obedece, me verá inutilmente, ao passo que quem vive retamente, e embora more muito longe, estará junto de mim. Mas quem obedecer, ao Dharma, gozará sempre da felicidade do Tathágata. O mendicante Subadra foi ao bosque de Upavartana e disse ao venerável Ananda. Mendicantes de minha Ordem, carregados de anos e de experiências, me disseram que muito raramente aparece na Terra um Buda. Diz-se que esta noite o asceta Gautama vai sair para sempre deste mundo, e embora minha mente esteja conturbada pela dúvida. Tenho fé no asceta Gautama e creio que ele será capaz de declarar-me a Verdade e dissipar minhas dúvidas. Terei permissão para ver p asceta Gautama? O venerável Ananda respondeu: Basta, amigo Subadra! Não importune o Tathágata. Ele está muito fatigado. Porém, o Senhor Buda ouviu a conversa de seu discípulo com o mendicante, e disse a Ananda: Não impeça a entrada de Subadra. Deixe que me interrogue porque veio desejoso de aprender e não com o propósito de me molestar. Compreenderá rapidamente. Então, o venerável Ananda disse ao mendicante Subadra. Entre, amigo Subadra, pois o Bem-aventurado o permite. E o Senhor Buda instruiu a Subadra, que, feliz, lhe disse: Glorioso Senhor! Senhor gloriosíssimo! Excelentes são as palavras de sua boca, porque reordenam o subvertido. Revelam o oculto, mostram o caminho reto ao viajante perdido e acendem uma luz nas trevas para que todos possam ver. Todos os que tiverem olhos. Assim, o Senhor me deu a conhecer a Verdade, e refugio-me no Senhor, no Dharma e na Ordem. Digne-se a aceitar-me por discípulo até o fim de meus dias. E o mendicante Subadra disse ao venerável Ananda: Grande é o seu proveito, amigo Ananda, e muito boa foi a sua fortuna, por ter recebido durante tantos anos os ensinamentos dos próprios lábios do Mestre. O Senhor Buda disse então ao venerável Ananda: Talvez alguns de vocês pensem que se a palavra do Mestre desapareceu, não terão mais Mestre. Mas não devem pensar assim. Certamente que já não voltarei a tomar corpo, porque venci a dor, porém, se Gautama Sidarta morte, resta o Buda. Que a Verdade e as regras da Ordem sejam o Mestre de vocês quando eu partir, e que a Ordem anule, se convier, os preceitos de pouca importância. Depois, dirigindo-se aos Irmãos, o Senhor Buda prosseguiu: Se algum de vocês tem ainda alguma dúvida que a exponha livremente, para que mais tarde não se arrependam de não me haver perguntado enquanto eu estava entre vocês. Os irmãos permaneceram silenciosos. O venerável Ananda disse ao Senhor Buda: Certamente creio que entre todos os que aqui se encontram não existe quem tenha dúvida ou receio algum acerca do Buda, da Verdade e do Caminho. É o Bem-aventurado respondeu-lhe: Pela fé que você tem, Ananda, asseguro e sei que em toda esta assembleia ninguém duvida acerca do Buda, da Verdade e do Caminho, porque todos estes irmãos têm a libertação final assegurada. Ó discípulos! Se conhecem a causa do sofrimento, se obedecem ao Dharma e seguem o caminho da salvação. Talvez digam que o fazem em respeito ao Mestre. Os irmãos responderam-lhe: Senhor, não o diremos. E o Bem-aventurado prosseguiu: Dos seres que vivem encerrados na ignorância como num ovo, eu sou o primeiro que lhe rompe a casca e alcançou a iluminação. Assim, discípulos, sou a primícia desta humanidade. Assim é, Senhor. A destruição é inerente a todo composto: porém a Verdade durará para sempre. Trabalhem com afinco pela libertação de vocês! Essas foram as últimas palavras do Senhor Buda. Caiu em meditação e expirou tranquilamente. Abraço. Davi