segunda-feira, 1 de junho de 2026

CABALA - MITOS E VERDADES. Parte IX

Judaísmo. Livro Um Guia para a Sabedoria Oculta da Cabala. Por Michael Laitman (1946 - ). CABALA - MITOS E VERDADE. Parte IX. Desvendando a Linguagem da Cabalá. Pontos principais. Tudo são forças. Entendendo a linguagem dos ramos. Novos significados para velhas histórias. Desmistificando a linguagem do O Zohar. Para entender os textos Cabalísticos , você deve entender sua linguagem. Não, você não precisa aprender hebraico, mas precisa entender o modo como os textos Cabalísticos usam histórias para apresentar ideias. As histórias sobre as pessoas e o mundo tornam-se metáforas para conceitos e ideias dos Mundos Superiores A linguagem cabalística descreve como as forças dos Mundos Superiores atuam sobre os objetos deste mundo. As histórias e as ideias por trás dela mostram como o universo está estruturado. Lido dessa maneira, as histórias sobre este mundo, por exemplo, as histórias Bíblicas, assumem novos significados. Neste capítulo, você começará a decifrar o conhecimento Cabalístico, percebendo que as raízes e os ramos da linguagem Cabalística se revelam mais nas histórias do que parece a primeira vista. Como raízes e ramos. Como explicamos nos capítulos 7 e 8, os mundos foram criados por uma sequência de causa e efeito. Portanto, as "raízes" referem-se as forças espirituais que criaram o nosso mundo e as pessoas. Elas existem nos mundos espirituais, muito além deste mundo material, porém influenciado o mesmo. As raízes são como vários dedos invisíveis amassando e moldando um pedaço de argila - nossa existência - uma determinada forma. Elas moldam a existência guiando os objetos. Estes objetos guiados pelas forças espirituais ou raízes são os "ramos". Os ramos existem neste mundo. Todo objeto deste mundo, incluindo você e eu, é um ramo de alguma raiz espiritual. Como seus nomes indicam, as raízes e os ramos estão conectados. Como numa árvore, um deles é visível e o outro não, mas ambos estão conectados. Uma árvore ou planta não existe sem suas raízes. Coisas que acontecem as raízes aparecem nas plantas. Se os ramos não recebem água suficiente, a planta murcha. Se as raízes são adubadas, a planta cresce ainda mais. A Cabala descreve o mesmo mecanismo nas pessoas. No universo descrito pela Cabala, o que ocorre nas raízes, aparece nos ramos. Assim como uma planta é afetada pela condição de suas raízes, as forças nos mundos espirituais influenciam as pessoas e os objetos deste mundo. No capítulo 8, dissemos que os elementos em todos os mundos, são idênticos, e que a única diferença entre eles está no seu nível espiritual. Os mundos mais elevados contêm elementos e acontecimentos mais altruístas. Assim, os objetos se relacionam com os objetos acima ou abaixo dele. As forças de um mundo surgem no próximo, e assim por diante, embora de um modo novo. O nível mais elevado, a raiz ou a fonte, cria e controla os acontecimentos em todos os mundos, descendo até 0s "ramos" do nosso mundo. Igual, porém oposto. Para indica a diferença na qualidade, da substância de cada mundo, os mesmos elementos recebem nomes diferentes em cada um deles. No Mundo Superior, por exemplo, existem anjos, enquanto no nosso mundo existem os animais. Isso não significa que os animais sejam anjos. Mas, se tivermos em mente o conceito de um mundo dentro de outro mundo do capítulo anterior. Lembraremos que cada elemento contém, na realidade, cinco níveis: 0 a 4. O nível 3 do desejo de receber no mundo espiritual é denominado "anjo". O mesmo nível no mundo físico é denominado "animais". A correspondência entre os sistemas Superior e Inferiores é como termos um objeto, que possamos afundar na cera, na areia, no gesso, no cimento ou na massa. O resultado final é diferente devido às qualidades da matéria ou o seu comportamento seja diferente. A forma final corresponde à forma que a fez. Mas a matéria é sempre oposta â forma. Se você pressionar contra a areia uma tábua lisa com uma pequena cratera. Da mesma forma, o Criador é a forma, e nós a matéria. Porque Ele é o Doador e nós os recebedores. Tal como a cúpula e a cratera, o nosso desejo de receber é exatamente oposto ao seu desejo de dar. Ele contém todos os elementos que existem Nele. Mas de uma forma invertida: o que é bom Nele, em nós é mal. E como Ele é somente bondade, nós somos somente ... você já entendeu. O significado do oculto da Bíblia. A Bíblia (ou Torah) é sublime e espiritual, mas francamente, ela pode ser uma história um pouco longa com suas listas de relacionamentos. Lemos sobre casamentos, divórcios, traições e assassinatos. Uma pergunta justa poderia ser: o que há de tão espiritual nisso? Para a Cabala, a Bíblia não conta história sobre pessoas. Pelo contrário, ela mostra as relações entre as forças espirituais. A Bíblia mostra o processo de correção das almas através das forças superiores. Isso conduz as almas em seu caminho de ascensão. Na medida em que elas aumentam sua capacidade de doação. Personagem como Adão, Noé e Abraão não são vistos como aqueles que viveram em certo lugar e andaram, ou flutuaram, a esmo. Eles são considerados forças que operam sobre os desejos a serem corrigidos dentro de cada um de nós. Por exemplo, a história do Êxodo dos escravos hebreus do Egito não representa a sua libertação da escravidão física. Mas a aquisição da Masach (tela), a travessia da barreira. Algumas histórias podem parecer sem sentido ou santidade. Quando você as ler, lembre-se que não são eventos, mas sim histórias sobre forças. Elas não devem ser compreendidas ou justificadas em termos mundanos. Por trás do monitor. A linguagem dos Ramos é a expressão das forças superiores que operam em nosso mundo. Ela é expressa em objetos e em tudo que acontece. De onde ele vem? É como um monitor de computador: se olhássemos atrás dele, não veríamos a imagem, veríamos os aparelhos eletrônicos que o constroem. Digamos que exista uma imagem na tela, uma praia. Por trás da tela não há uma praia, porém, um conjunto de impulsos elétricos, forças e energias que criam a imagem na tela. As imagens é o "ramo" e as forças elétricas que criam essa imagem são suas "raízes". A ligação que há entre as forças eletrônicas, raiz, e a imagem, ramo, é chamada Linguagem dos Ramos. Eis como algumas histórias na Bíblia são explicadas usando a Linguagem dos Ramos. A História da Maça. Vamos falar sobre a história bíblica da criação. O desejo de receber existente na alma comum, nós, é denominado "Eva". O desejo de dar, de outorgar é chamado "Adão". O egoísmo - desejo de receber com a intenção de receber - é denominado "a serpente". Nós o chamamos de "ego". O ego quer assumir todos os nossos desejos e nos empurrando para o egoísmo. Isto é considerado como a serpente vindo até Eva - desejo de receber - dizendo: "Quer saber? Você pode usar o seu desejo de receber de uma boa maneira". Então, Eva foi até o Adão - o desejo de dar - e disse: "Quer saber? Nós temos a oportunidade de subir até os mundos mais elevados. Além disso, é isso que o Criador quer, e é por isso que Ele nos fez recebedores". Ela comeu. O desejo de receber, unido à serpente, egoísmo,  comeu a maçã. Como eles gostaram, pensaram: "Porque não arrastar o Adão, as forças de doação, nisso? E foi o que fizeram. Como resultado, todo o corpo de Adam ha Rishon (a alma comum), todos os seus desejos, foram corrompidos pela intenção da serpente em receber, no que se tornou o pecado original. Abraão - Entre Egito e Israel. Abrão nasceu na Mesopotâmia, hoje Iraque, imigrou para Israel e em seguida, devido a fome, desceu ao Egito. Esta viagem tem um significado espiritual, porque estes locais são graus ou forças. Eles realmente contam a história da correção do nosso desejo. A Mesopotâmia é o ponto de partida quando os desejos de Abrão são egoístas, como os seus e os meus. A terra de Israel, chamada "desejo de outorgar", é o desejo de dar. O Egito é chamado Malchut, o desejo de receber, e consiste em desejos egoístas. Como o faraó sendo o ápice do egoísmo. Quando Adão alcançou a sua correção, mudou - seu nome para Abraão. Decomposto como Av (pai) ha Am (a nação) - os enormes desejos de receber que surgiram dele. Para combinar com tais desejos, ele tinha um desejo de dar, o que assegurou que os desejos fossem finalmente corrigidos. Cada vez que aumentava seu desejo de dar, ele ia para Israel, e cada vez que aumentava seu desejo de receber. ia para o Egito. Também por esse motivo que a imigração para Israel é considerada uma subida, e a migração para o Egito é considerada uma descida. O desejo de dar, sozinho, é ineficaz. Você só pode realmente dar ao Criador recebendo Dele.  Então, Abraão perguntou: "Como eu saberei que alcançarei o mesmo nível de doação do Criador?". Abraão não podia receber porque estava numa situação de doação. O Criador colocou a sua semente no Egito e disse que ele receberia a medida plena do desejo de receber. Abraão estava feliz. Após o exílio, quando o povo se misturar aos egípcios e absorver seus desejos. O povo será corrigido e saberá como receber com o objetivo de dar. Este é o padrão de realização para todos, e que leva ao fim da correção. A Bíblia diz que Abraão desceu ao Egito devido à fome. A fome era espiritual porque ele queria outorgar, mas não tinha nada para dar. Para Abraão, uma situação na qual ele não podia dar era chamada de fome, ausência de desejos de receber. À medida que uma pessoa adquire progressivamente um desejo maior de receber. Isso é considerado como se ela experimentasse o exílio no Egito. Quando ela saiu da experiência com grande quantidade de vasos de recepção, ela pode começar a corrigi-los para que eles trabalhem com o objetivo de outorgar. O cabo de guerra entre Moisés e o Faraó. A próxima história chave da Bíblia, sob a perspectiva Cabalista, é a história de Moisés. O Faraó sonhou que haveria sete anos de de riqueza, seguido por sete anos de fome. A riqueza é quando você primeiro descobre um grande desejo pela espiritualidade e sente grande felicidade. Isto porque você acha que pode atingir a espiritualidade usando o seu ego. Você está pronto para ler e aprender, e a fazer todos os tipos de coisas. A fome acontece quando você vê que não pode atingir a espiritualidade, a menos que abra mão do seu ego e ganhe o atributo de dar. Mas você não pode dar, apesar de querer. Você está na corda banda. Este é o Egito. Para produzir a transformação, o seu "Faraó" cresce. O seu Faraó é o seu ego. Ele começa a lhe mostrar coisas más sobre o estado atual. Se isso for muito mal, você deseja escapar ou fugir para a espiritualidade. Você deseja ir, mesmo que não haja nada interessante ou atraente nela. Quando o seu ego mostra o quanto ele é mal, você desejará mudar. O nome Moisés vem da palavra Moshech (atração). Este é o ponto que nos tira do Egito, como o Messias, que também se origina da mesma palavra. Moisés é o sentimento dentro da pessoa que se opôe ao ego e diz: Eu realmente acredito que devemos fugir. A grande força que impulsiona é o Faraó. A pequena força que puxa é Moisés. Essa atração é o início da sua espiritualidade, o ponto do coração. A história de Ester - o clássico final feliz. Esta história descreve a correção final do desejo de receber, denominado Hamã. Mordechai, o desejo de dar e Hama compartilham um cavalo. Isso demonstra como o nosso desejo de receber finalmente se rende diante do nosso desejo de dar e entregar as rédeas. Ester - da palavra hebraica Hester, ocultamento, é o Reino dos Céus, que está oculto. Ela está oculta, juntamente com Assuero, o Criador que, aparentemente, não é bom nem mau. A pessoa que passa por isso não sabe quem está certo, e se o Criador é bom ou mau. Ester também é parenta de Mordechai, o desejo de dar. Mordechai, como Moisés num estágio espiritual diferente, é o ponto de Bina em nossa alma, que nos atrai rumo a Luz. Quando surge o desejo de dar, às vezes ele não pode ser percebido. Por vezes, ele está oculto, como a Rainha Ester. Você pode não saber se a ação é realmente doadora. No entanto, se Mordechai está cavalgando, seu desejo de receber pode corrigir a si mesmo. O Zohar - Não sem realização. Tudo aquilo que o Zohar fala, até mesmo suas lendas são sobre as dez Sefirot - Keter, Hochna, Bina, Hesed, Gevura, Tifferet, Netzah, Hod, Yesod e Malchut, como também suas interações. Para um Cabalista, as introduções e suas diversas combinações são suficientes para revelar todos os mundos espirituais. O rabino Shimon Bar-Yochai (Rashbi), autor do O Zohar, teve um grande problema. Ele estava discutindo consigo mesmo sobre a forma de transmissão do conhecimento Cabalístico para as gerações futuras. Ele não queria expor as pessoas ao conteúdo do Livro do Zohar prematuramente. Ele tinha receio que isso serviria apenas para confundir e desviar  as pessoas do caminho da verdade. Para evitar confusões, ele confiou a escrita ao rabino Aba, que sabia como escrever de forma especial. De modo que somente os que fossem dignos compreenderiam. Devido a linguagem especial do O Zohar, somente aqueles que já se encontram na escada dos níveis espirituais entendem o que está escrito. O Zohar é apenas para aqueles que já atravessaram a barreira e adquiriram algum grau de espiritualidade. São eles que podem  entender o livro, segundo o seu nível espiritual.  Atualmente a maioria das almas é muito materialista e egoísta para entender O Zohar. Elas precisam de ferramentas que as levem primeiro a "zorra" espiritual. É como uma nave espiritual, que necessita de um grande empurrão antes de poder continuar com seu próprio motor. Um ambiente favorável, um professor, e livros corretos dão o impulso, para nossa compreensão espiritual. Existem diferentes estilos de escrita no O Zohar. Ele foi escrito em diversas linguagens, dependendo da forma como eles queriam expressar estados espirituais específicos. Algumas vezes, as diversas linguagens criam confusão. Quando o livro fala sobre leis, as pessoas podem pensar que O Zohar está pregando moral. Quando ele narra histórias, as pessoas podem vê-las como fábulas. Sem a realização espiritual, é difícil de entender do que realmente consiste no Zohar. Uma parte do O Zohar está escrito na linguagem da Cabala, e outra está escrita na linguagem das lendas. Abaixo estão alguns exemplos de duas dessas lendas. O condutor de asnos. O Zohar contém uma bela história sobre um condutor de asnos, um homem que conduz os asnos de homens importantes. Para que eles possam andar despreocupadamente e falar sobre seus negócios. Mas o condutor de asnos no O Zohar é uma força que ajuda a pessoa que já tem sua própria alma. Na história, dois homens falam sobre questões espirituais, à medida que andam de um lugar para outro. Sempre que chegam a um dilema que não conseguem resolver, o condutor de asnos, "milagrosamente", lhes dá a resposta. À medida que avançam, graças a respostas do condutor, eles descobrem que seu simples condutor de asnos é, na verdade, um anjo enviado do céu. Que existe para esse propósito, ajudá-los a avançar. Quando avançam até o último nível, eles descobrem que o seu condutor já está lá, esperando-os. A interpretação Cabalística: o asno é o nosso desejo de receber, o nosso egoísmo. Todos nós temos um condutor de asnos, esperando-nos para entrar no mundo espiritual. De modo que, ele possa nos guiar. Porém, como na lenda, só descobriremos quem ele realmente é quando atingirmos o seu nível, no final da nossa correção. A noite da noiva. Antes do final da correção, existe um estado especial denominado "a noite da noiva". A história no O Zohar fala sobre a preparação da noiva para a cerimônia de casamento. A noiva é o conjunto de todas as almas. É um Kli (vaso) que está pronto para se unir ao Criador. Quando você atinge esse estado, sente que seu Kli está preparado, sustentado e pronto para a união espiritual. O noivo é o Criador. Ele é chamado "noite" porque a Dvekut (união) não está ainda aparente, e a Luz ainda não brilha nos vasos. A noite significa que os vasos ainda sentem a escuridão a falta de unidade. Quando a noite se transforma em dia, a abundância do final da correção é prometida, mas o Zohar não nos diz exatamente por que ela é boa - apenas que é plena., Luz e paz. O início da última geração. A obra A Arvore da Vida do Ari, marca o início da última fase na evolução das almas. O rabino Ari (1534-1572) afirma que a sua fase é a última geração. Desde o seu tempo, a sabedoria Cabalística começou a emergir do ocultamento, embora isso ainda dure séculos. Com ele começou um novo processo qualitativo. Um Cabalista pode sentir que sua fase é a última antes da correção, porque ele sabe que precisa de apenas um pouco de MAN (oração pela correção) para revelar tudo. Pôr um fim aos problemas do nosso mundo. Faltam apenas alguns centímetros para fazer contato. Atravessar essa lacuna depende de nós, e é por isso que os Cabalistas tentam disseminar seu conhecimento de forma que mais almas sejam corrigidas. Eles sentem que estamos muito próximos de concluir a nossa correção. O estudo das dez Sefirot. As palavras do rabino Shimon Bar-Yochai foram escritas no livro do Zohar por seu aluno, o rabino Aba. As palavras do Ari foram escritas por seu aluno Chaim Vital (1543-1620). Mas, diferentemente de seus antepassados espirituais, o Rabino Yehuda Aslag (1885-1954), conhecido como Baal HaSulam (Mestre da Escada). Por seu Sulam (escada), um comentário sobre O Livro do Zohar, escreveu seus livros sozinhos. A "emblemática" do seu trabalho é o seu comentário sobre a obra do Ari, conhecido como Talmude Eser Sefirot (O Estudo das Dez Sefirot). Em seis volumes e mais de 2.000 páginas. O Baal HaSulam explica para almas ignorantes dos séculos XX e XXI o que o Ari realmente quis dizer quando escreveu A Árvore da Vida. O Baal HaSulam escreveu o seu livro especificamente para as pessoas que desejam a espiritualidade e nada mais. Em sua "Introdução ao Estudo das Dez Sefirot" ele afirma que sua plateia é aqueles que perguntam: "Qual o significado da minha vida"? Em resumo: Todas as coisas deste mundo são ramos das raízes que surgem primeiro no mundo espiritual. A Bíblia foi escrita na linguagem dos ramos, usando nomes e termos mundanos, para indicar processos espirituais. As histórias da Bíblia e do O Zohar não se referem a pessoas - são sobre forças que agem nas almas. O livro escrito com o objetivo da nossa criação é O Estudo das Dez Sefirot do Baal HaSulam. Abraço. Davi.