Religião Afro-brasileira. Por Eurico Ramos. Livro Revendo o Candomblé - XVI. O QUE SÃO OS EBÓS? O ebó é um sacrifício ou uma oferenda - condição fundamental para se resolver um problema ou para se transpor um determinado obstáculo. O ebó, o preceito, ou o sacrifício, como comumente se diz, é revelado pelo jogo de búzios quando o olhador, em frente ao consulente, detecta através do aparecimento de um odu que a pessoa está vivenciando algum tipo de problema específico. Que este problema poderá ser resolvido mediante a realização de um ebó. Para um ebó, pode ser solicitada, pelo jogo de búzios uma infinidade de elementos. Desde que estes sigam a lógica numérica do odu que se manifesta. O ebó (o sacrifício) começa desde o momento em que o indivíduo se levanta da cadeira do jogo, e começa a providenciar os elementos solicitados pelo oráculo. O ato de sair de casa, de ir ao mercado, de ir buscar uma folha, de ir buscar um animal. Já é, por si só, um sacrifício, já é uma parte do ebó. A outra parte acontece quando esses elementos são preparados na roça de candomblé e posteriormente oferecidos, ou "passados" no corpo do indivíduo, para que o problema seja sanado. A terceira parte do ebó é o resguardo, o ato de não cometer qualquer tipo de atitude que venha a ser considerada um contra axé, ou seja, uma ação capaz de neutralizar a liturgia professada. Existe uma infinidade de ebós. Todos eles têm sua origem no jogo de búzios e apresentam a seguinte particularidade: Um ebó nunca é exatamente igual a outro, porque, segundo a filosofia nagô - povos que vivem nos países africanos: Togo, Benin e Nigéria de língua iorubá - o ser humano é único, não existem cópias. Abraços. Davi
Nenhum comentário:
Postar um comentário