quinta-feira, 9 de novembro de 2017

A MENORAH.

Judaísmo. A Menorah - Lampada, candelabro - contém sete braços, e um dos principais e mais difundido símbolo do judaísmo. Diz-se que representa os arbustos em chamas que Moisés viu no Monte Sinai.



Menorah, o símbolo de dinâmica e otimismo do povo judeu. O que é o Menorah. Transcrito do blog Coisas Judaicas. Por: Rabino Eliahu Birnbaum - Tradução: David Salgado. A Menorá (candelabro) é um dos utensílios mais importantes que havia no Tabernáculo no deserto e no Templo Sagrado de Jerusalém. Foi construída de uma só peça de ouro puro e adornada com gravuras e flores que lhe outorgavam um aspecto belo e imponente. A Menorá do Tabernáculo tinha sete braços. O braço central era a parte fundamental da Menorá e dela saiam três braços para cada lado. Cada braço estava decorado com copas em forma de flores de amêndoas. Quando a Menorá estava acesa, as três velas dos lados estavam dirigidas a vela do meio. A vela central simboliza o princípio fundamental, a luz central. O azeite para a Menorá era de grande pureza e estava destilado especialmente para servir a tal propósito. É necessário assinalar que enquanto a Menorá do Tabernáculo possuía sete braços, a Menorá de Chanucá, a que estas habituados em nossos dias, possui oito braços, em lembrança do milagre de Chanucá, quando a Menorá ardeu durante oito dias com um recipiente de azeite que era suficiente apenas para um dia. A menorá era o único utensílio do Tabernáculo e do Templo que estava construído totalmente em ouro. O ouro, o metal precioso, não sofre mudanças diante das condições ambientais, o tempo e o clima; não oxida nem se deteriora. O material do qual está construída a Menorá simboliza o princípio estável que não se modifica nem está sujeito a influência alguma. Aaron o Cohen e depois seus filhos, os Cohanim Haguedolim (grandes sacerdotes), acendiam todas as manhãs as velas de azeite da Menorá. No momento do acendimento ordenavam e limpavam as velas, preparavam as mechas e retiravam as mechas queimadas do dia anterior. A Menorá deveria estar acesa durante todas as horas do dia e da noite, todos os dias do ano. Na época do Segundo Templo, a Menorá estava construída de estanho. Quando a situação econômica melhorou, ela foi banhada em prata. Depois o corpo central da Menorá foi banhado em ouro, em forma similar a Menorá do Primeiro Templo. Durante a destruição do Templo, a Menorá foi saqueada junto com os demais objetos sagrados, desconhecendo-se seu paradeiro. Com base na gravação do Arco do Triunfo em Roma, no qual aparece com clareza a Menorá, existem os que sustentas a teoria de que ela foi levada para Roma. Outros, ao invés disso, acreditam que os romanos não conseguiram levar a Menorá, pois esta foi escondida pelos judeus nas catacumbas abaixo do Templo, para evitar que os conquistadores a levassem. Podemos considerar que a Menorá de sete braços do Templo que aparece na nossa Parashá e em outras Parashiot, era um instrumento ritual que tinha o único objetivo de cumprir com uma função religiosa: entretanto, podemos contemplá-la de forma alegórica, simbólica. Em nosso caso, parece que este é o significado profundo da Menorá e dos demais utensílios do Templo. A Menorá não era apenas um ornamento do Templo. A Menorá e sua luz  possuíam um valor simbólico que a Torá busca comunicar ao povo. A função da Menorá é a de dar luz através de suas velas. Na Torá e no judaísmo a luz simboliza a sabedoria e a inteligência. O poder da vela é sua influência sobre o homem. A luz da vela penetra no homem através dos olhos, porém exerce sua influência também sobre sua mente e sua alma. A luz da vela, com o fogo que sobe e desce, não é estática, mas muda constantemente de cor e de forma; está em eterno movimento. Por isso o homem se deleita na contemplação do fogo, que lhe recorda seu próprio movimento interior, seu desejo de avançar e mudar, obter resultados, elevar-se constantemente. Existem aqueles que acreditam que a Menorá representa o homem. As velas que estão voltadas para o centro ensinam ao homem a contemplar o seu interior, rever seus próprios atos. O judeu que contempla a Menorá de ouro aprende sobre o significado da vida saudável. A Menorá ensina que o segredo da felicidade humana depende de sua possibilidade de pôr seu espírito e seu corpo a serviço de um objetivo superior e elevado, um objetivo altruísta, que lhe outorgue a sua alma a união e a paz. No marco de uma interpretação alegórica do Templo como representação simbólica de todo o universo, Filón de Alexandria (25 AC 50 DC) acredita que a Menorá representa o céu, que irradia a luz. As sete velas representam os sete satélites que existem no céu, segundo a astronomia da antiguidade. As velas da Menorá deram origem a vários costumes e leis, como as velas do Shabat, a vela da recordação (Yzkor – em memória de um ente querido) e a luz eterna (Ner Tamid). As velas de Shabat foram escolhidas como símbolo deste dia e servem para diferenciar entre os seis dias da semana e o Shabat. A luz assinala o limite do tempo, entre o dia e a noite, e também entre os seis dias da semana e o Shabat. A luz marca uma divisão no passar do tempo e o correr dos dias. Os textos de nossos sábios fazem especial referência as velas do Shabat, mas além da função prática de iluminar a mesa ao redor da qual se sentam os convidados no Shabat. Os sábios consideram que as velas simbolizam aqueles valores que transcendem a percepção sensorial e simbolizam o mundo dos conceitos metafísicos nas esferas do espírito e do pensamento. A luz simboliza também a presença da luz Divina no lar e no mundo hoje, mediante seu acendimento, simbolizamos sua existência. Assim como as velas do Shabat representam a entrada do Shabat e a santificação do dia, também acendemos a vela de Havdalá (Separação) na saída do Shabat. Ela diferencia entre o santo e o profano, entre a luz e a escuridão, entre Israel e os demais povos (segundo a própria bênção). Depois do falecimento de uma pessoa alguns costumam acender duas velas e colocá-las próximo a cabeça do morto. Existem aqueles que deixam uma vela acessa durante todo o primeiro ano do luto, e outros o fazem apenas durante os sete dias após o falecimento. Todos acendem uma vela no dia do aniversário de morte.  A luz de recordação simboliza a relação que existe entre a pessoa que faleceu e seus parentes. A luz nos lembra que o morte não foi esquecida, e sua lembrança permanece em nosso coração e nos acompanha. Em lembrança da Menorá que ardia constantemente no Templo, costumamos deixar uma luz acesa permanentemente ao lado da arca no Beit Hakenesset (Sinagoga). A Menorá, o símbolo religioso mais importante na história do povo judeu, constitui hoje o símbolo nacional do povo que voltou a sua terra. Uma das razões das quais a Menorá é o símbolo do Estado de Israel, foi criar um antagonismo em relação a menorá que aparece no arco de Tito. Lá, a menorá simboliza a derrota e a humilhação dos judeus perante outros povos. Entretanto, a Menorá como símbolo do Estado de Israel representa a libertação, a independência, o orgulho judaico. Sobre o significado da Menorá e a luz da vela, podemos aprender de um conto Chassídico que descreve a ação da vela: Um Rabino pediu a um aluno seu que fosse ao sótão para buscar-lhe um livro. O discípulo foi ao sótão, porém a total escuridão que reinava aí o impediu de cumprir com o pedido de seu rabino. Retornou ao rabino e lhe disse: “Tudo está escuro e não pude encontrar o livro”. O rabino lhe contestou: “Qual é o problema? Pega um cajado e vai novamente ao sótão, golpeie a escuridão e então poderás espantá-la e encontrarás o que buscas”. Retornou o aluno novamente ao sótão fazendo o que lhe disse seu rabino e  mesmo assim, mais uma vez não conseguiu cumprir com seu objetivo. Voltou ao seu rabino e lhe disse: “Não consegui espantar a escuridão”. Então lhe disse o rabino: “Toma essa pequena vela, acenda-a e a pequena luz espantará a escuridão. Não é possível espantar a escuridão, o mal, a negação, sem acendermos uma pequena luz que espante a escuridão e ilumine um grande salão”. O povo de Israel compreende que a Menorá não constitui apenas um objeto de culto, mas é também um meio de recordação. O homem a contempla e acende suas velas para acender a menorá de sua vida que então lhe outorgará a luz de seu sustento. Abraço. Davi.

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

MEDITAÇÃO E AMOR.

Espiritualidade. Texto de Osho (1931-1990). "Toda a vida é feita de polaridades: positivo e negativo, nascimento e morte, homem e mulher, dia e noite, verão e inverno. Toda a vida consiste em opostos polares. Mas esses opostos não são apenas polares, são também complementares. Eles se ajudam um ao outro, dão apoio um ao outro. Eles são como tijolos que formam uma arcada. Os tijolos de uma arcada têm que ser colocados uns contra os outros. Parecem estar um contra o outro, mas é por meio da oposição deles que a arcada é construída, que ela permanece firme. A resistência da arcada depende da polaridade dos tijolos colocados em oposição uns aos outros. Esta é a polaridade máxima: meditação significa a arte de estar sozinho e amor significa a arte de estar junto. A pessoa completa é aquela que conhece ambas as artes e é capaz de se mover de uma para a outra com a maior facilidade possível. E exatamente como a inspiração e a expiração - não há dificuldade. Elas são opostas – quando vocês inspiram o ar, é um processo; quando expiram o processo é exatamente o oposto. No entanto, inspiração e expiração formam uma respiração completa. Na meditação, vocês inspiram; no amor, expiram. Com o amor e a meditação juntos, sua respiração estará completa, inteira, total. Durante séculos, as religiões tentaram atingir um polo com a exclusão do outro. Existem religiões de meditação como, por exemplo, o jainismo e o budismo - são religiões meditativas, estão enraizadas na meditação. E existem religiões bhakti, religiões de devoção: o sufismo, o hassidismo - que estão enraizadas no amor. A religião baseada no amor precisa de Deus como o 'outro' a quem amar, a quem rezar. Sem um Deus, a religião de amor não consegue existir, é inconcebível - vocês precisam de um objeto de amor. Porém, uma religião de meditação consegue existir sem o conceito de Deus; essa hipótese pode ser descartada. Por isso o Budismo e o Jainismo não acreditam em Deus algum. Não há necessidade de um outro. A pessoa tem apenas que saber como ficar só, como permanecer silenciosa, como ficar quieta, como estar absolutamente calma e quieta dentro de si mesma. O outro tem que ser completamente abandonado, esquecido. Por isso, essas são religiões ateias. Quando pela primeira vez os teólogos ocidentais entraram em contato com as literaturas budistas e jainistas, eles ficaram bastante confusos: como chamar de religião a essas filosofias ateitas? Poderiam ser chamadas de filosofias, mas como chamá-las de religião? Isso era inconcebível para os teólogos, pois as tradições judaico e cristã consideram que, para alguém ser religioso, Deus é a hipótese mais fundamental. A pessoa religiosa é aquela temente a Deus, mas os budistas e jainistas dizem que não existe Deus; Assim a questão de temer a Deus não existe. No Ocidente, durante milhares de anos, pensava-se que a pessoa que não acreditava em Deus era um ateu, não era uma pessoa religiosa. Mas Budha era ateu e religioso. Essa ideia soava muito estranha para os ocidentais porque eles nem sequer imaginavam que existiam religiões que tinha como base a meditação. E o mesmo é verdadeiro para os seguidores de Bhuda e Mahavira. Eles riem da tolice das outras religiões que acreditam em Deus, porque essa ideia como um todo é absurda. É apenas fantasia, imaginação, nada mais; é uma projeção. Mas para mim, ambas são, ao mesmo tempo, verdadeiras. Minha compreensão não está baseada em um único polo; minha compreensão é fluida. Eu saboreei a verdade de ambos os lados: eu amei totalmente e meditei totalmente. Esta é a minha experiência: a de que uma pessoa está completa só quando conhece os dois polos. Senão, ela é apenas uma metade; algo fica faltando nela. Budha é uma metade - Jesus também. Jesus conhecia o que é o amor, Budha conhecia o que é a meditação; mas, se eles se encontrassem, seriam impossível se comunicarem entre si. Um não compreenderia a linguagem do outro. Jesus falaria sobre o reino de Deus e Budha começaria a rir: 'Que absurdo é esse que você está dizendo? O reino de Deus?' Bhuda diria apenas: 'Cessação do eu, desaparecimento do eu'. E Jesus: 'Desaparecimento do eu? Cessação do eu? Isso é cometer suicídio, o suicídio máximo. Que espécie de religião é essa? Fale do Eu Supremo!' Um não entenderia as palavras do outro. Se alguma vez eles tivessem se encontrado, precisariam de um homem como eu como intérprete; caso contrário não haveria comunicação entre eles. Eu teria de interpretar de tal maneira que acabaria sendo infiel a ambos! Jesus falaria em 'reino de Deus', que eu traduziria por 'nirvana' - então Buda poderia entender. Buda diria 'nirvana' e, para Jesus, eu diria 'reino de Deus' - então ele poderia compreender. Agora a humanidade precisa de uma visão total. Nós já vivemos com visões parciais por muito tempo. Essa foi uma necessidade do passado, mas agora o homem amadureceu. Os meus sannyasins têm de provar que podem meditar e rezar ao mesmo tempo; que podem meditar e amar ao mesmo tempo; que podem estar tão silenciosos quanto possível e que podem celebrar e dançar tanto quanto possível. Seu silêncio tem de se tornar a sua celebração, e sua celebração tem que se tornar o seu silêncio. Eu lhes dei a tarefa mais difícil que já foi dada a um discípulo, porque esse é o encontro dos opostos. E nesse encontro, todos os outros opostos vão se fundir e tornar-se um: Oriente e Ocidente, homem e mulher, matéria e consciência, este mundo e o outro mundo, vida e morte. Todos os opostos vão se encontrar e fundir-se por meio desse encontro, pois essa é a polaridade máxima; ela contém todas as polaridades. Esse encontro criará um novo ser humano - Zorba (1), o Bhuda. Esse é o nome que eu dou ao novo homem. E cada um dos meus sannyasins precisa fazer todos os esforços possíveis para se transformar nessa liquidez, nesse fluxo, de modo que os dois polos façam parte deles. Assim, vocês terão sentido o gosto da totalidade. E conhecer a totalidade é o único meio para se conhecer o que é o sagrado. Não há outro meio". www.osho.com.br. Abraço. Davi.



(1). Filme Zorba - O Grego. Direção: Michael Cacoyanni. Protagonista: Antonny Quinn. Gênero: Drama. "Ano de produção: 1964. Censura: a partir dos 18 anos. "Um escritor inglês chega a Grécia e pega um navio, pois vai até Creta para trabalhar em uma mina que herdou do pai, um grego de nascença. Logo ele conhece Alexis Zorba (Anthony Quinn), um determinado camponês grego que também quer trabalhar na mina. Os dois acabam indo se hospedar em um pequeno hotel administrado por uma velha prostituta francesa que é cortejada por Zorba, que encoraja seu amigo escritor para dar atenção a uma bela viúva, que é muito desejada pelos homens do local. A mina necessita de alguns reparos, mas Zorba convence um grupo de monges que permita remover um pouco da madeira de uma floresta deles, que fica em uma montanha próxima e inventa um meio de transportá-la para a mina. Quando Zorba e seu patrão retornam à cidade, a velha prostituta ajuda o inglês a superar sua timidez. Assim, ele toma coragem e vai visitar a viúva e os dois acabam fazendo amor. Mas rumores começam a percorrer a ilha após o escritor ter sido visto entrando na casa dela e um dos muitos admiradores da viúva é tomado pelo desespero e se suicida. Em virtude deste acontecimento, os aldeões começam a apedrejá-la e o escritor, testemunhando tudo aquilo, manda chamar Zorba. Quando ela está prestes para ser esfaqueada, Zorba chega e interfere, fazendo o agressor soltar a arma, mas quando tudo parecia contornado ela, em um momento de descuido, é apunhalada pelo pai do jovem que se matara. Sentindo que a prostituta estava prestes a morrer, Zorba bondosamente concorda em se casar com ela e enquanto trabalha na mina fica sabendo que a saúde dela piorou. Ele volta rápido e ela morre em seus braços mas, apesar das mortes, o trabalho não pode parar e a vida continua com todo seu esplendor, não importando o que aconteça. www.adorocinema.com.br. Abraço. Davi.

terça-feira, 7 de novembro de 2017

II. A CRIAÇÃO DE DEUS E O HOMEM TRIPARTIDO.

Cristianismo. Texto Hélcio Bruno de Almeida. A CRIAÇÃO DE DEUS E O HOMEM TRIPARTIDO II. Capítulo Dois. IV. NA CRIAÇÃO DE DEUS, A VIDA HUMANA SENDO A VIDA MAIS ELEVADA. A. O HOMEM SENDO CRIADO SEGUNDO A IMAGEM E SEMELHANÇA DE DEUS. O homem não apenas possui a vida criada mais elevada, mas também foi feito a imagem de Deus e conforme a Sua semelhança - Gênesis 1,26-27. Além do homem, nenhuma outra criatura se parece com Deus em imagem e semelhança. O homem é o que Deus criou de mais elevado, e foi criado a imagem de Deus e conforme a sua semelhança. Na criação de Deus, o homem é o melhor recipiente preparado por Deus para o seu plano. Nesse plano, Deus ordenou que os homens possuíssem a sua vida, para que eles fossem irmãos do seu Filho, portanto, em sua criação, Ele fez com que o homem tivesse a sua imagem e semelhança. A imagem refere-se às partes interiores, tais com a mente, emoção e vontade. A mente, emoção e vontade humanas, que constituem o homem intangível, foram criadas à imagem de Deus. Portanto, as funções humanas do pensamento, opinião e amor se parecem com as de Deus. A imagem de Deus também se refere as características dos seus atributos. Os atributos mais proeminente de Deus manifestos no homem são: amor, luz, santidade e justiça. Quando Deus criou o homem, ele o criou a sua imagem, segundo os atributos das suas virtudes, para que o homem pudesse expressá-lo através dessas virtudes. Dessa maneira, o homem possui o desejo de ter amor, luz, santidade e justiça, e essas virtudes deveriam ser expressas no seu comportamento. O que o homem possui, contudo, é apenas a imagem, e não a realidade. O homem precisa receber Deus como a sua vida e conteúdo e, depois o amor de Deus, a sua luz, santidade e justiça encherão e enriquecerão as virtudes humanas do amor, luz, santidade e justiça, para que se tornem realidade. A semelhança refere-se ao corpo exterior que constitui o homem tangível. O corpo exterior do homem foi criado conforme a semelhança de Deus. Deus possui assim a sua semelhança. Antes de se encarnar para ser um homem, Deus frequentemente aparecia às pessoas no Velho Testamento na forma de um homem (Gênesis 18,2,16-17; Juízes 13,9-10, 17-19. A forma do homem é a forma de Deus, pois o homem foi criado conforme a semelhança de Deus. 1. PARA QUE O HOMEM EXPRESSE A DEUS. O principal propósito da restauração e posterior criação de Deus foi ter o homem, um homem corporativo, para expressá-lo - Gênesis 1,26-27. O homem que Deus criou era um homem corporativo. Deus não criou muitos homens. Deus criou a humanidade coletivamente em uma pessoa, Adão. Deus criou Adão, e Adão era um homem corporativo, um homem coletivo. Quando Adão foi criado, todos fomos criados. Todos estávamos incluídos em Adão. Portanto, no versículo 26, Deus disse: "Tenham eles" - um homem, mas o pronome é eles. Isso prova que esse homem é corporativo. Nesse versículo, assim como "façamos" está na primeira pessoa do plural, significando que Deus é tri-uno, assim também o "tenham eles" significa que o homem é corporativo. Deus criou tal homem corporativo à sua própria imagem e conforme a sua própria semelhança, a fim de que o homem pudesse expressar o próprio Deus. 2. PARA QUE O HOMEM EXERÇA O DOMÍNIO DE DEUS. "Também disse Deus: Façamos o homem a nossa imagem, conforme a nossa semelhança; tenham eles domínio (...)". Deus criou um homem corporativo para exercer o seu domínio - Gênesis 1,26-28. A palavra domínio inclui mais do que apenas autoridade. Domínio significa ter um reino como uma esfera na qual a autoridade é exercida. a. PARA TRATAR COM O INIMIGO DE DEUS. O primeiro aspecto da intenção de Deus é tratar com o seu inimigo, tratar com Satanás, o qual é tipificado pelos répteis que rastejam - Gênesis 1,26. Na Bíblia os répteis que rastejam são demoníacos, diabólicos e satânicos. A Bíblia usa a serpente para tipificar Satanás - Gênesis 3,1. Em Apocalipse 12,9 Satanás é chamado de a "antiga serpente". Na criação original de Deus, Ele tinha somente um propósito - expressar-se. Todavia, por causa da rebelião de Satanás, Deus agora possui outro propósito, que é tratar com o seu inimigo. Portanto, Ele criou o homem à sua própria imagem para que o homem pudesse expressá-lo, e deu-lhe o domínio para que o homem tratasse com o seu inimigo. b. PARA RECUPERAR A TERRA: O segundo aspecto da intenção de Deus em dar o domínio ao homem é recuperar a Terra - Gênesis 1,26-28. O homem deve ter o domínio sobre a Terra, para subjugá-la e conquistá-la. Subjugar a Terra implica que o inimigo já está lá e que uma guerra está sendo travada. Portanto, devemos lutar e conquistar. c. PARA INTRODUZIR A AUTORIDADE DE DEUS. O terceiro aspecto da intenção de Deus em dar ao homem o domínio é introduzir a autoridade de Deus, para que esta seja exercida sobre a Terra. O homem tem de exercer a autoridade de Deus para que o reino de Deus possa vir à Terra, para que a vontade de Deus seja feita na Terra, e para que a glória de Deus possa ser manifesta na Terra. B. O HOMEM SENDO CRIADO EM TRÊS PARTES – ESPÍRITO, ALMA E CORPO. Deus criou o homem em três partes - espírito, alma e corpo - I Tessalonicenses 5,23. Primeiramente, Deus formou o corpo do homem do pó da Terra. Em seguida, soprou para dentro do corpo do homem o sopro da vida, o qual se tornou o espírito do homem. Quando o espírito, o sopro de vida, entrou no corpo do homem, a alma foi produzida. Portanto, exteriormente, o homem possui um corpo visível, e, interiormente, ele possui um espírito invisível entre os dois está a alma. O corpo está no lado de fora, para contatar as coisas do mundo físico. O espírito está no lado de dentro, para contatar as coisas do mundo espiritual. A alma, como o homem intermediário, está entre o coro e o espírito, para contatar as coisas do mundo psicológico. O corpo tem os diferentes órgãos de sentido que podem contatar as coisas materiais. O espírito possui as funções da consciência, da intuição e da comunhão com Deus, que podem contatar as coisas de Deus e as coisas espirituais. A mente da alma é o órgão pensante do homem; este pensa e considera - essas são as funções da mente. A vontade da alma é o órgão para a tomada de decisões, o homem decide, julga, propõe-se, escolhe e recusa - essas são as funções da vontade. A emoção da alma é a parte que governa os prazeres do homem, sua ira, tristeza e alegria; o homem ama, odeia, se empolga e fica deprimido - essas são as funções da emoção. Estas três - mente, vontade e emoção - juntas equivalem à alma. o espírito é a parte mais profunda de todo o nosso ser, o receptor para recebermos a Deus, e o órgão para contatarmos a Deus e todas as coisas espirituais - João 4,24; Romanos 1,9. Em nosso interior, nosso sentimento da necessidade de Deus, nosso sentimento e entendimento de Deus de Deus no mais profundo do nosso ser, e a censura ou a aprovação da nossa consciência são todos funções do espírito. Pelos sentidos do nosso corpo podemos provar as coisas materiais, semelhantemente, somente podemos provar as coisas de Deus e as coisas espirituais pelo espírito. O espírito do homem foi formado por Deus de maneira específica - Zacarias 12,1; Jó 32,8. Zacarias 12,1 diz que Deus estendeu os céus, fundou a Terra e formou o espírito do homem dentro nele. No Universo há três coisas igualmente importantes: os céus, a Terra e o espírito do homem. Os céus são para a Terra, a Terra é para o homem, e o homem possui um espírito para Deus. Deus criou os céus para Terra. Sem os céus, a Terra não pode produzir coisa alguma. A Terra foi criada para a existência do homem, e o homem possui um espírito no seu interior para conter Deus. Assim, o homem é o centro da criação de Deus, e o centro do homem é o seu espírito. No que diz respeito a Deus, se não houvesse espírito dentro do homem, este seria uma casca vazia. Se não houvesse o homem nesta Terra, esta seria vazia, e, no que diz respeito ao homem, os céus tornar-se-iam sem sentido. Portanto, os céus servem a Terra, a Terra serve o homem e o home possui um espírito para receber a Deus. C. O HOMEM SENDO CRIADO BOM E RETO. Eclesiastes 7,29 diz que Deus fez o homem reto. Quando o homem, no princípio, saiu das mãos criadoras de Deus, ele não era perverso, mal ou contaminado, mas reto, bom e puro. Naquele época, ele não tinha nenhum pecado, corrupção ou defeito. Assim, Deus considerou o homem "muito bom" - Gênesis 1,31. Se dúvida, o vaso que o Deus reto e bom havia preparado para sua vida santa e resplandecente não podia ser mal e perverso; pelo contrário, devia ser bom e reto. D. A VIDA HUMANA SENDO APENAS UMA VIDA CRIADA. Apesar de o homem ter sido criado à imagem de Deus e conforme a semelhança de Deus, a sua vida é apenas uma vida criada, diferente da vida de Deus, que é incriada. Como o homem é um ser criado, a vida dele também é uma vida criada. O homem possui um início e um fim, por isso a vida do homem também possui um início e um fim. Diferente da vida de Deus que não tem início nem fim, que é de eternidade a eternidade. Embora a vida humana seja elevada, ela é muito inferior a vida de Deus. A vida de Deus é eterna; a vida humana é temporária. A vida de Deus é divina e gloriosa; a vida humana é, no máximo, pura e boa, mas sem a natureza gloriosa de Deus. Embora o homem tenha a forma de Deus exteriormente, e a imagem de Deus interiormente, ele não tem a vida de Deus interiormente. Apesar de ter um espírito que o capacita a conhecer Deus e ter comunhão com Ele, o espírito do homem não tem a vida de Deus nem a sua natureza. O homem é apenas uma criatura de Deus, não tendo a vida incriada de Deus no inteirior. Neste sentido o homem necessita nascer de novo para tornar-se filho de Deus em vida e natureza, bem como poder herdar as riquezas da vida divina, as quais o homem terá toda a eternidade para desfrutá-la - João 1,12; Efésios 1,5. V. DEUS COLOCANDO O HOMEM EM FRENTE A ÁRVORE DA VIDA PARA QUE O HOMEM O RECEBA COMO VIDA. Após ter criado o homem, Deus não colocou a vida divina dentro dele. Em vez disso, deu ao homem um livre arbítrio. Ele queria que o homem exercesse o livre arbítrio para escolher, para tomar a sua vida. Para tanto, Deus o colocou em frente da árvore da vida - Gênesis 2,8-17. Para dar ao homem uma oportunidade de escolha, Deus colocou a árvore do conhecimento do bem e do mal ao lado da árvore da vida. A árvore da vida denota Deus como a fonte da vida; a árvore do conhecimento do bem e do mal significa Satanás como a fonte da morte. Essas duas árvores tipificam as duas fontes do Universo. Muitas pessoas pensam que, se Deus não tivesse permitido que a árvore do conhecimento do bem e do mal ficasse ao lado da árvore da vida, não teria havido problemas, posteriormente. Contudo, Deus não o fez dessa maneira. Ele é grandioso. Ele, como o Deus da glória, é tão atraente. Ele não obrigou o homem a escolhê-lo. Em vez disso, permitiu que o homem exercesse seu livre arbítrio para escolher o que pensasse ser bom. Foi segundo esse princípio que, no jardim do Éden, Deus colocou Adão em frente de duas árvores; Ele queria que o homem o escolhesse, tomasse-o como vida. Na nova criação o Senhor veio novamente colocar diante do homem a sua livre escolha: "Entrai pela porta estreita (larga é aporta, e espaçoso, o caminho que conduz para a perdição, e são muitos os que entram por ela), porque estreita é a porta, e apertado, o caminho que conduz para a vida e são poucos os que acertam com ela". - Mateus 7,13-14. "Então, disse Jesus a seus discípulos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me" - Mateus 16,24. Livro As Doze Lições Básicas do Ministro do Evangelho. Abraço. Davi









segunda-feira, 6 de novembro de 2017

O DIA DO ANIVERSÁRIO.

Judaísmo. Texto de Avraham Cohen, rabino da Sinagoga Beit Yaacov - São Paulo - Brasil. O DIA DO ANIVERSÁRIO. O nascimento de uma criança, apesar de ser um acontecimento maravilhoso, é visto como ocorrência normal, parte do ciclo da vida. Estamos acostumados ao fato de, dia após dia, novos bebês virem ao mundo. O homem foi criado à imagem de D'us; isto significa que ele tem a faculdade de emular seu Criador. Sobretudo, na capacidade de criar vida, gerando filhos. Para trazer uma criança ao mundo não é preciso ser um grande sábio, nem cursar universidade; tampouco requer muita preparação ou grandes investimentos. Mesmo os animais conseguem se reproduzir sem aprendizagem, seguindo apenas seus instintos. Mas, para o homem, o fato de procriar é muito mais do que uma simples questão biológica de reprodução das espécies; é algo muito mais sério. Quando o embrião é fecundado, os pais atraem das Alturas uma alma pura - uma Centelha Divina - que irá insuflar seu espírito e animar o corpo daquele ser cuja concepção foi iniciada. A definição de como será o futuro dessa criança irá depender do grau de santidade que os pais investirão na sua concepção. Por isso, é de extrema importância a conscientização dos pais na hora da procriação. Na maioria das vezes, a criança trazida ao mundo foi muito desejada. Porém, quando infelizmente este não é o caso, seu nascimento não causa a alegria e a felicidade que se deve experimentar em tal ocasião. De qualquer modo, a pequena criatura vem ao mundo e se encontra diante de nós. Chora e exige toda a nossa atenção, reclamando com ênfase desesperada os seus direitos e os cuidados que lhe são devidos. Assim é a vida! Paremos um pouco para pensar. É verdade que, no decorrer dos séculos, centenas de milhões de pessoas nasceram e morreram, este é o nosso mundo e assim funciona a nossa existência terrena. Mas será que é tudo tão simples quanto parece? Por favor, pare e medite antes de continuar sua leitura! Tendo, agora, refletido sobre o surgimento da vida, concentremo-nos no dia do nascimento. Ao vir ao mundo a criança é pequena, frágil, indefesa. Uma criatura inocente, com órgãos minúsculos, mas que funcionam em perfeita harmonia. Realmente fantástico, surpreendente e, ao mesmo tempo, encantador. Eu, também, já fui este ser pequenino, assim como o foram cada um de vocês, leitores, e toda a humanidade, também. O mais importante, porém, é que cada um de nós é único e muito especial. Sim, cada um de nós é insubstituível; eu, você, todos nós - porque cada alma é única e cada uma tem sua missão singular. O que você realiza neste mundo, apenas você - e mais ninguém - poderá realizar. Homem algum poderá cumprir o papel que lhe foi determinado e é seu. Imagino, caro leitor, que você esteja duvidando destas afirmações. É bem verdade, o mundo continua existindo e funcionando com ou sem determinados indivíduos. As empresas vivem trocando de funcionários, de diretores, e nem por isso interrompem suas atividades. Sempre há alguém para substituir a outrem. É por isso mesmo que você chegou à conclusão de que, de fato, todos somos dispensáveis. Seu raciocínio também está certo, mas apenas no plano coletivo e social. Pois, no plano individual e ainda mais no espiritual tudo é muito diferente. O ser humano é exclusivo. Cada pessoa nasce sob a influência de um signo do zodíaco e tem inclinações para atuar de acordo com seu próprio Mazal- sua sorte, seu destino. Cada um de nós tem um destino completamente diferente e uma missão única e peculiar na vida. Cada um de nós foi presenteado com uma energia excepcional que nos cabe ampliar e acionar. Nossos sábios nos ensinam que a Torá nos foi entregue para sabermos como canalizar estas forças de maneira positiva. Assim, poderemos tirar o máximo proveito delas para o cumprimento de nossa missão na Terra. Usando a força da Torá, temos capacidade de modificar o nosso destino e de transformar e melhorar os Decretos Celestiais. A cada ano, no dia do aniversário judaico de um indivíduo, o seu Mazal atinge o auge, favorecendo a pessoa com as benesses que contém. Toda a energia e a vitalidade que lhe foram concedidas no dia em que nasceu se repetem em seu aniversário, ano após ano, com intensidade maior e força redobrada. Isto é muito semelhante com o conceito de Rosh Hashaná, quando começamos o ano novo com intensas orações e com o toque de Shofar. Em outras palavras, o dia do aniversário nada mais é do que o Rosh Hashaná individual de cada ser humano. Consta no livro Tanya, de autoria de um dos grandes mestres chassídicos, que todos os anos, em Rosh Hashaná, existe uma nova vitalidade que D'us manda ao mundo, totalmente diferente da enviada no ano findo. O êxito em recebermos esta energia depende do fervor e da seriedade das orações do povo de Israel nos dias de Rosh Hashaná e de sua maior aproximação ao Todo Poderoso. Nenhum ano é igual ao outro, assim como não há um ser idêntico a outro. Certa vez, um grande sábio disse a seus discípulos: "Vou lhes mostrar algo totalmente novo, que nunca esteve no mundo e jamais voltará a existir. Assim, mostrando uma maçã, disse: 'Esta maçã nunca esteve no mundo e, após ser consumida, nunca mais voltará a existir' ". Se isto é verdade para qualquer criatura, mais válido ainda o é em relação ao homem. Não só cada ser humano é distinto do outro, mas também para cada indivíduo cada um dos anos é diferente. Esta diferença é mais perceptível em certas datas específicas da nossa vida. Eis aqui um exemplo clássico, a partir do qual, poderemos aplicar a regra a muitos outros casos. Os dias do Bar e Bat-Mitzvá são, sem sombra de dúvida, datas muito especiais. Os pais têm que se alegrar nesses dias como o fizeram no dia do nascimento de seus filhos e como irão fazê-lo no dia de seu casamento. O significado desta alegria está ligado diretamente com o que foi explicado acima, a respeito do dia do aniversário. Pois estas datas, além de serem o dia do nascimento dos jovens, possuem uma dupla dose de energia por serem datas muito significativas e de grande elevação espiritual. Nelas, os jovens atingem a sua maioridade religiosa e se tornam independentes e responsáveis por seus atos. E o mesmo acontece no dia do casamento. Pois, de acordo com a nossa tradição, os jovens, em dia tão solene, começam uma nova página em sua vida e são considerados como recém nascidos, sem falhas, isentos de qualquer erro. É bem comum comemorar a data de aniversário com uma reunião familiar e na proximidade de amigos; com bolo e velas. Além de muito bonito, é motivo para fortalecer a união e fazer, assim, pairar uma atmosfera amiga e de paz entre os presentes. Mas não é o bastante, muito menos o mais importante. Precisamos transformar o dia de nosso aniversário num dia muito especial. Devemos, acima de tudo, tomar decisões positivas no que diz respeito ao nosso comportamento e procurar acrescentar algo a mais de judaísmo em nossa vida e em nosso dia-a-dia. Somente assim alcançaremos os verdadeiros objetivos para os quais cada um de nós foi criado.

Rabino Avraham Cohen é rabino da Sinagoga Beit Yaacov, São Paulo

sábado, 4 de novembro de 2017

O CASAMENTO DO REI SALOMÃO.

Editor do Mosaico. O CASAMENTO DO REI SALOMÃO COM A CAMPONESA SULAMITA. Recentemente participei de uma palestra para casais. O preletor foi um conhecido pastor americano chamado James Kemp. Ele está no Brasil a mais de 45 anos. Tanto que antes do meu casamento (éramos noivos) assistimos uma de suas exposições sobre relacionamento conjugal. Esse missionário foi o fundador (em 1968) do grupo vocal Vencedores por Cristo. Muitos de nós em nossa adolescência e juventude cantávamos suas músicas aqui no Brasil. Seu ministério é voltado para o aconselhamento de casais, relacionamento pais e filhos e a família cristã. Têm vários títulos publicados sobre esses temas em inglês e português. A palestra teve por base o livro bíblico de Cântico dos Cânticos, e o foco da exposição esteve no capítulo 4,12-15. "Jardim fechado és tu, minha irmã, noiva minha, manancial  recluso, fonte selada. Os teus renovos são um pomar de romãs, com frutos excelentes. A hena e o nardo, o nardo e o açafrão, o cálamo e o cinamomo, com toda sorte de árvores de incenso, a mirra e o aloés, com todas as principais especiarias. És fonte dos jardins, poço das águas vivas, torrentes que correm do Líbano!" Cantares de Salomão é reconhecidamente um poema. É temerário qualquer exegese dogmática. Esse é o motivo porque não é comum explanações - pregações públicas sobre seu conteúdo. Como o livro é composto de figuras embasada na simbologia - fica difícil sustentar qualquer tipo de doutrina voltada à crença do fiel. Costuma-se compará-lo ao relacionamento entre Cristo e a Igreja. Entre o povo de Israel e o seu D'us. Mas a "verdade" reconhecida é que o texto fala do casamento entre o rei Salomão e a camponesa Sulamita. O ambiente aqui é de núpcias - lua de mel. O casamento judaico era uma festa com duração de duas semanas. Uma celebração regada a vinho, comida, dança, alegria e muitos convidados. Um ritual de introdução do novo casal à comunidade judaica local. Os judeus prezam com honra e reverência o relacionamento familiar. A moça Sulamita, por viver no campo e estar sempre exposta ao sol era morena e tinha vergonha da sua cor. Isso só até Salomão entrar em sua vida. Ele disse pra ela: "és morena porém formosa". Nossa palavra tem um grande impacto em nossas esposas. Precisamos ter prudência e comedimento ao mencionar qualquer assunto com elas. Como geralmente elas falam muito, nós devemos aprender a desenvolver uma "escuta técnica", parecida com a do psicanalista quando está ouvindo seu paciente sentado no divã. Infelizmente o feminismo radical tem deturpado muito o relacionamento conjugal. Essa vertente prega a completa igualdade entre os sexos, enfraquecendo com isso o papel da mulher na família. A masculinização dela corrompe funções básicas do casal, criando confusão na definição das obrigações entre esposa e esposo. A ideia do empoderamento feminino distorce valores fundamentais de equilíbrio no casamento. A mulher tem completa condição de alcançar seu lugar na sociedade com seu encanto, doçura e capacidade; não necessitando de nenhuma estereótipo. Nesse ambiente criado pela competição à dominar as rédias do lar, os filhos não conseguem definir o sentido de autoridade dos pais. Assim crescem com deficiência de comportamento e personalidade. Salomão era um homem muito rico. Após a festa matrimonial foi desfrutar do amor de sua Sulamita. "Cânticos 1,2 "Beija-me com os beijos de tua boca, porque melhor é teu amor do que o vinho". Cânticos 4,16 "Venha o meu amado para o seu jardim e coma os seus frutos excelentes". Sulamita convida seu marido à vida sexual. O sexo foi criado por Deus não apenas para propagar a raça humana, mas para a satisfação sexual do casal. Ereção, orgasmo e clímax tudo para nosso prazer e deleite com nosso cônjuge. Lamentavelmente o diabo trouxe maldição para alguns através de algo tão santo e puro - o sexo. Partindo do princípio da fidelidade conjugal, referendada em tradições como a judaica, cristã e islâmica (nessa última que abre precedente à que o homem tenha mais de uma mulher - caso tenha plena condição financeira e sentimental à sustentá-las), engana-se quem imagina que não existe fidelidade, pois caso haja esse desviou, qualquer dos dois é severamente tratado pelo Lei do Sagrado Alcorão. Tanto que o adultério, nos países islâmicos tem a menor incidência por casal. "Jardim fechado és tu, minha irmã, noiva minha, manancial recluso, fonte selada". Aqui é falado sobre a noite de nupcial. Podemos inferir o aspecto da atração. Sua mulher ainda exerce o poder de sedução em você? Pena que em muitos casais isso não mais existe. Entretanto, é possível renovar este importante item, que possibilita mais companhia e afeto no relacionamento. Trabalharemos agora com quatro conceito retirados do texto chave. O primeiro aspecto é a Fidelidade. A Sulamita era - jardim fechado - virgem. Ela esperou  o momento adequado para a relação sexual. James Kemp contou que quando sua filha tinha 14 anos perguntou pra ele: o senhor "transou" com mamãe antes do casamento. Ele apesar de seus 24 anos a época  e sua mulher Judith com 20 anos, tiveram graça pra esperar o momento adequado. Muitos jovens não conseguem aguardar o instante propício da relação sexual. Vão para o motel ou casas similares. Temos que orar pela virgindade de nossos filhos. Esta filha de Kemp que disse isso, com 18 foi fazer faculdade na Califórnia. Antes da viagem o pai orou com ela e a advertiu quanto a sua virgindade. Após os 4 anos do curso, um dia depois da festa de formatura - James e sua esposa foram prestigiar a colação de grau - sua filha os leva a um bela praia em Santa Barbara. Conversando com os dois, ela lhes confessa que preservou a sua pureza. Hoje, com a liberação de gênero - diferenciação entre masculino, feminino e neutro - a sociedade moderna construiu novo paradigma da sexualidade. Contudo, ainda não se percebe, resultado convincente das mudanças no contexto familiar. A precocidade sexual trás problemas para ambos, adiantando situação que poderia vir numa normalidade da vida, onde a pessoa estaria em condições física, emocional e financeira para absorvê-la. Outro problema, que a modernidade geralmente releva é a variação de parceiros, no sexo, entre adolescentes e jovens. Considero esta situação danosa, sendo capaz de subliminarmente vulgarizar o sexo no futuro casamento. Sem se falar nas doenças sexualmente transmissíveis como - sífilis, gonorreia, cancro mole, aids, clamídia, doença inflamatória pélvica, donovanose e herpes genital.  Isso, inconscientemente dá margem a que os cônjuges cometam traição - encarando o fato como permissionário. A gravidez indesejada e a paternidade irresponsável são gravíssimos problemas sociais nos grandes centros urbanos e periferias de países notadamente de terceiro mundo como o Brasil. Caso as famílias não dispensem amor, cuidado e carinho a esses filhos, eles terão enormes dificuldade de se adaptarem ao convício social, para serem cidadãos que vislumbrem um futuro digno e respeitoso. O segundo tópico são os Frutos Excelentes. Salomão chamava sua esposa - árvore frutífera - de um pomar. Uma plantação de macieiras, pereiras, videiras, mamoeiros. A ideia apresentada aqui é que há várias maneiras da esposa cativar seu marido. Ela precisa dar um - abraço, aperto e massagem - erotismo sedutor. O terceiro ponto é a Fragrância. "Hena, nardo, cálamo, cinamomo, mirra e aloés". Sulamita levou um arsenal de perfume à lua de mel. Mulheres pelo amor de Deus se perfumem para - Boticário, Natura e outras marcas - seus esposos. Casamento tem que ter bom cheiro, do contrário, cheiro ruim acaba os relacionamento. Problemas de mau hálito em ambos causam ojeriza. Não tenha medo de perguntar para seu cônjuge se você está com esse sintoma ou vice e versa. Caso afirmativo procure um médico para o bem do seu casamento. Alguns maridos vão pra cama sem tomar banho e ainda obrigam suas esposas a fazer "sexo" com eles. Se satisfazem e criam um terrível ressentimento e frustração  nelas. Uma atitude desprezível e desumana de quem comete tal ignomínia. O quarto item é a Fonte. "És fonte dos jardins, poço das águas vivas". Há uma advertência em Provérbios 5,1-19 com respeito a meretriz. A prostituição está em quase todos os lugares. Desde ambiente requintados e luxuosos - onde clientes pagam até R$ 1.000,00 a hora para ficarem com as garotas de programa - até na beira das esquinas das grandes cidades, exemplo São Paulo, onde tristemente é constatado que mulheres se entregam a R$ 50,00 a hora. Todas essas mulheres são carentes do amor e da graça divina em suas vidas, tendo necessidade de uma forte experiência de transformação interior para uma consagração, comunhão e santificação com Deus. Longe do Editor do Mosaico qualquer sinal de indiferença quanto as prostitutas. Um instituto que existe desde que os homens vivem em sociedade. Nas páginas dos evangelhos, Jesus conversa com algumas dessas, lhes dispensando toda compaixão e amor, sem nenhum sentimento discriminativa ou depreciativo. Sempre as acolhendo com ternura e carinho. São Tomas de Aquino (1225-1274) diz na Summa Theológica "Aqueles que estão na autoridade toleram corretamente certos males, a fim de que certos bens não sejam perdidos, ou que certos males não sejam adicionais. Se você abole a prostituição, o mundo será convulsionado com a luxúria". Assim o dominicano aceitava a prostituição como necessária para conter os instintos bestiais do ser humano. Os versículos de 7-14 desse texto é um rogo para que os pais alertem seus filhos quanto a prostituição. Atenção: o conceito de "ficar" em relação aos adolescentes e jovens é fazer sexo. Provérbio 5,15-16 "Bebe a água de sua própria cisterna e das correntes do teu poço". Devemos nos saciar com nossa própria mulher - esposa. "Derramar-se iam por fora as suas próprias fontes". As fontes são nossos desejos sexual, emocional e sentimental que devem ser derramados naquela que, no casamento divide conosco o leito conjugal. Lamentavelmente alguns, até mesmo vivendo nas igrejas, satisfazem seu apetite sexual - em supostas casas de massagens e ainda convidam amigos para fazer sexo grupal - ilicitamente em lugares escusos e carregados de energia negativa. Isso é terrível e ultrajante. "Seja bendito o teu manancial, e alegra-te com a mulher da tua mocidade". Sua esposa é sua benção. "Dar-te-ei o meu amor". O sexo marcado com hora, dia e lugar torna-se maçante e enfadonho. Tende a um mesmismo e futuro desinteresse de ambos. Varie os modos, lugares e maneiras de se deleitar com sua amada. "Saciem-te os seus seios". Esse é um privilégio que só os maridos têm com sua amada alma gêmea. Jovem moça nunca permita seu namorado passar a mão em seus seios ou qualquer outra parte íntima de seu corpo. Isso é vergonhoso e desrespeitoso. Essa é atitude apenas permitida no convívio matrimonial. Comer o "fruto excelente" é comer o fruto maduro e não o fruto verde. Esse amadurecimento é no âmbito do casamento - aqui entende-se a formalidade baseada no Código Civil e referendada em Cartório Público. Cânticos 4,12 "Levanta-te vento norte, e vem tu vento sul. Assopra no meu jardim". Aqui a Sulamita chama seu amado para fazer sexo. Esposo e esposa devem cultivar um ambiente à satisfação sexual. Uma mãe dando um conselho para uma filha antes do casamento. Filha você está pronta para carregar a sua cruz. Uma visão de que a vida conjugal é um insuportável fardo. Conversar com os filhos aberta e francamente antes do casamento sobre a vida sexual. É importante que a partir dos 9 anos da menina e dos 10 anos do menino se dialogue sobre temas relacionados a sexualidade. O pastor James contou, que atendeu em seu consultório uma jovem que era casada a 4 anos e que nunca tivera relação sexual. Com o transcorrer da terapia se descobriu que quando criança ela havia sido - abusada - molestada pelo próprio pai. O abuso leva a repugnância da relação sexual. Relatou também que ao palestrar numa determinada igreja, dois jovens foram surpreendidos fazendo sexo no banheiro. Se você deseja salvar seu filho, então lute por ele. É fundamental que nossos jovens cheguem ao casamento ainda virgens. Estatisticamente aqueles que se guardam para o matrimônio tem mais probabilidade de ter um relacionamento familiar estável. Estando juntos até a morte dum dos cônjuges. Nunca force a barra em seu relacionamento íntimo com seu marido. Isso pode causar danos consideráveis ao psiquismo emocional de ambos. Cânticos 1,4 "Leva-me após ti, apressemo-nos, o rei me introduziu nas suas recâmaras".  O prazer sexual baseia-se na satisfação mútua. I Coríntios 7,5 "Não vos priveis um ao outro, salvo talvez por mutuo consentimento, por algum tempo, para vós dedicardes à oração e, novamente, vos ajuntardes, para que Satanás não vos tente por causa da incontinência". O apóstolo Paulo reconhece que quanto ao prazer sexual entre marido e mulher não se impõe nenhuma regra ou dogma. Mesmo para se dedicar a oração ele simplesmente da sua opinião. O que importa é a decisão dos cônjuges sobre o assunto. Inferi-se do argumento do apóstolo que é melhor em nenhum hipótese deixar de ter relação sexual. Respeitando-se o parecer de ambos sobre a questão. Em outras tradições, guardando a devida proporção, na Toráh judaica as mulheres quando no período menstrual devem abster-se da relação. Também no Sagrado Alcorão recomenda-se as mulheres, no mesmo período e no jejum do Hamadan não terem relações sexuais. No argumento do apóstolo Paulo, se percebe o perigo dos casais que, na mesma casa dormem - um no quarto e o outro na sala - em camas separadas. Tentei ser preciso no que o James Kemp falou, contudo acho que não consegui. Concordo com o que foi dito. Precisamos de discurso como esse -  que são totalmente pela família e pela valorização de seus ideais - moralidade, ética e espiritualidade - no propósito cristão. Todavia reconheço que a medida que o tempo passa, a sociedade cristã secularizada começa a agregar nossos valores a esta temática. Desse modo, prefiro um olhar mais maleável e menos dogmático sobre o assunto. Contextualizado social, econômica, política e historicamente. Uma espiritualidade aberta a mudança e transformação, que preserve valores fundamentais à tolerância, respeito e consideração dos desiguais. Os princípios aqui expressos considero de grande soma à santidade e pureza da família. Em contraposição a um mundo estigmatizado pelo materialismo, consumismo e a descartabilidade. Envolvendo as instituições, baseada em valores individuais e coletivos evoluídos pelo psiquismo humano. É o momento de refletirmos, tomando o melhor caminho para nossa evolução pela Senda Espiritual. Abraço. Davi.

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

I. A CRIAÇÃO DE DEUS E O HOMEM TRIPARTIDO.

Cristianismo. Texto de Hélcio Bruno de Almeida. I. A CRIAÇÃO DE DEUS E O HOMEM TRIPARTIDO. Capítulo Dois. ESBOÇO GERAL. I. A CRIAÇÃO DE DEUS. II. A CRIAÇÃO ORIGINAL DE DEUS: A. O propósito. B. Os meios. C. O processo. D. A criação como prova da existência de Deus. III. A RESTAURAÇÃO E CRIAÇÃO ADICIONAL DE DEUS. A. A criação adicional de Deus sendo segundo a ordem da vida. B. O processo. IV. NA CRIAÇÃO DE DEUS, A VIDA HUMANA SENDO A VIDA MAIS ELEVADA. A. O homem sendo criado segundo a imagem e semelhança de Deus. 1. Para que o homem expresse a Deus. 2. Para que o homem exerça o domínio de Deus. a. Para tratar com o inimigo de Deus. b. Para recuperar a Terra. c. Para introduzir a autoridade de Deus. B. O homem sendo criado com três partes - espírito, alma e corpo. C. O homem sendo criado bom e reto. D. A vida humana sendo apenas uma vida criada. V. DEUS COLOCANDO O HOMEM EM FRENTE A ÁRVORE DA VIDA PARA QUE O HOMEM O RECEBA COMO VIDA. A CRIAÇÃO DE DEUS E O HOMEM TRIPARTIDO. I. A CRIAÇÃO DE DEUS. Nosso Deus é um Deus com um  propósito, uma vontade e um plano. Assim, Ele criou todas as coisas inteiramente segundo a Sua vontade e plano. Apocalipse 4,11 diz: "Porque todas as coisas tu criaste, sim, por causa da tua vontade vieram a existir e foram criadas". "Por causa", no grego, aqui significa "por meio de". Todas as coisas foram criadas não por acaso, nem acidentalmente, nem casualmente, mas por meio do planejamento de Deus. No Plano de Deus, Ele ordenou que por meio de todas as coisas Ele atingirá o Seu objetivo. Portanto, Ele criou todas as coisas. II. A CRIAÇÃO ORIGINAL DE DEUS. A. PROPÓSITO. Colossenses 1,16-18 "Todas as coisas foram criadas por meio Dele e para Ele; e Ele é antes de todas as coisas, e, Nele, todas as coisas subsistem juntas; (...) para que em todas as coisas tenha Ele a primazia". O propósito de Deus em criar o Universo é totalmente para Seu Filho, para que Este tenha a preeminência e seja glorificado em toda a criação. Não apenas isso. Cristo, o Filho, é a corporificação de Deus, porque toda a plenitude da Deidade habita corporalmente Nele - Cl 2,9. Portanto, quando o Filho é glorificado, Deus também é expresso. O propósito de Deus na criação do Universo é que o seu Filho seja glorificado e que Ele próprio seja expresso. B. OS MEIOS. Em Gênesis 1,1 a palavra "criou" é bara em hebraico, que significa trazer algo a existência a partir do nada. Portanto, a criação original de Deus foi trazida à existência a partir do nada. Como, então, Deus criou na sua criação? Quais foram os meios pelos quais Ele criou? Hebreus 11,3 diz: "(...) O Universo foi formado pela palavra de Deus (...)" João 1,3 também diz que todas as coisas vieram à existência por intermédio da Palavra de Deus. Deus falou, e tudo se fez, Ele ordenou, e tudo passou a existir  - Sl 33,9. Portanto, Deus criou o Universo do nada pela Sua Palavra. Quão poderosa é a Sua Palavra. Por um lado, a Bíblia claramente nos diz que Deus criou os céus e a Terra através de Cristo, Seu Filho, Hebreus 1,2 diz que Deus fez o Universo através do Seu Filho. Colossenses 1,15-16 também dizem que todas as coisas foram criadas no Filho de Deus. Na verdade, o Filho de Deus é a explicação de Deus; as coisas criadas através da Palavra de Deus são para a explicação de Deus, ou seja, para a revelação de Deus. C. O PROCESSO. O livro de Jó 38,4-7 revelam o processo da criação de Deus. Os céus, e neles todas as hostes e anjos, foram criados em primeiro lugar. A Terra, com as criaturas vivas vivendo nela, foi criada em segundo lugar. Jó 38 mostra-nos que, quando Deus lançou o fundamento da Terra, as estrelas e os anjos (os filhos de Deus) já estavam lá. Também nos mostra que a Terra criada por Deus foi medida com o cordel estendido sobre ela; tudo estava em ordem e era excessivamente belo. Portanto, as estrelas da alva juntamente cantavam, e todos os filhos de Deus rejubilavam. Nenhuma confusão podia ser encontrada no Universo naquela época. Tudo era totalmente resplandecente e belo. Isso nos mostra quão brilhante e belo o Criador é, bem como a Sua criação. D. A CRIAÇÃO COMO PROVA DA EXISTÊNCIA DE DEUS. O Salmo 19,1 diz: "Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia as obras das suas mãos". Embora o poder eterno de Deus e suas características divinas sejam invisíveis, o homem pode entendê-las pelas coisas que foram feitas. O homem pode entender e é, portanto, indesculpável - Rm 1,20, por não reconhecer a existência de um Deus que fez todas estas coisas. Assim, olhando para a criação, devemos saber que há um Criador. III. A RESTAURAÇÃO E CRIAÇÃO ADICIONAL DE DEUS. Gênesis 1,2b não se refere à criação original de Deus. Esta foi completada no versículo 1. A partir do versículo 2 o que vemos é a obra de restauração de Deus. Jeová, que é o Eu Sou, estava restaurando o que tinha sido danificado, e realizando uma criação adicional. O versículo 2 inicia dizendo: "E a terra tornou-se sem forma e vazia". "E" é uma conjunção que combina duas coisas: a primeira, que está saindo, e a segunda, que está chegando. Isso significa que, após Deus ter criado, algumas coisas aconteceram, levando o Universo harmonioso e belo, criado originalmente por Deus, a ser danificado. Assim, Gênesis 2,4 diz: "Estão são as origens dos céus e da Terra, quando foram criados: no dia em que o Senhor Deus fez a Terra e os céus". Esse versículo mostra-nos tanto a criação original quanto a restauração de Deus. A primeira metade do versículo menciona os céus e a Terra quando forma criados. Note que os céus são mencionados em primeiro lugar, e, então, a Terra, e o verbo usado aqui é criar. A segunda parte do versículo diz que o Senhor Deus fez a Terra e os céus. Aqui, a Terra é mencionada em primeiro lugar, e, então os céus, e o verbo foi mudado de criar para fazer. Como já explicamos antes, criar significa, produzir algo do nada, fazer significa trabalhar sobre uma substância, já existente, a fim de produzir alguma outra coisa a partir dela. Assim, a primeira metade deste versículo refere-se à criação original de Deus, e a segunda metade refere-se à restauração por Deus da Terra e dos céus. Em Gênesis 1,1 Deus criou os céus e a Terra. Então do versículo 3 até o final do capítulo um, Deus fez a Terra e os céus. Ao lermos os versículos 9-10, podemos ver que no terceiro dia Deus restaurou a Terra. Deus não criou a Terra, pois ela já estava lá, submersa nas águas. Assim Deus restaurou a Terra no terceiro dia. Também, no quarto dia, Deus restaurou o céu, isto é, os céus. Dessa maneira, na restauração, não foram os céus e depois a Terra, mas primeiramente a Terra e depois os céus. A. A CRIAÇÃO ADICIONAL DE DEUS SENDO SEGUNDO A ORDEM DIVINA. Em Sua criação adicional, Deus criou todas as coisas segundo a ordem da vida. Primeiramente Ele criou as coisas sem vida, e, depois, criou as coisas com vida. Na criação das coisas com vida, Ele também começou da vida mais baixa, subindo de nível até atingir a vida mais elevada. Primeiramente, Ele criou a vida sem estado consciente, ou seja, a vida vegetal, coisas tais como as árvores, a relva e as flores. Apesar de terem vida, estas coisas não têm estado consciente; assim, a elas pertence a vida mais baixa. Então, Deus criou a vida animal. Ele também partiu da vida mais baixa, a dos ovíparos, tais como os peixes e as aves. Embora a vida dessas criaturas possua estado consciente, esse não é suficientemente elevado. Então, criou os animais que dão cria, tais como os animais domésticos e selváticos da Terra. Esses animais que dão cria possuem uma vida que é mais elevada do que a dos ovíparos. Eles não apenas têm estado consciente, mas este é também mais elevado. Por último, Deus criou o homem. O homem é a vida mais elevada criada por Deus. O homem também possui a consciência mais elevada entre as criaturas. B. O PROCESSO. O relato de Gênesis capítulo um mostra que levou seis dias para Deus efetuar a obra de restauração e criação adicional - Gn 1,1-25. No primeiro dia, o Espírito de Deus veio para pairar. Além disso, Deus falou e houve luz. Assim, Deus separou a luz das trevas. Em nossa experiência está relacionado com o reconhecimento dos atos pecaminosos e do seu ambiente sem luz. O homem pecaminoso procura esconder-se da luz - João 1,4,8-9; 3,19-21. No segundo dia, Deus separou as águas sob o firmamento das águas acima do firmamento. Isso significa que Ele separou as coisas celestiais das coisas terrenas. As coisas terrenas são naturais e humanas, enquanto as coisas de cima são espirituais e divinas. O homem natural não consegue discernir as coisas espirituais. É preciso nascer do alto para conhecer as coisas divinas - João 3,31-33; I Co 2,11-14. No terceiro dia, a Terra foi separada das águas. Deus trabalhou sobre as águas, procurando confiná-las, e limitá-las, de tal modo que a Terra seca pudesse aparecer. Isso é exatamente como Jeremias 5,22 afirma, que Deus traçou uma linha para limitar o mar. Após o aparecimento da Terra seca, Deus prosseguiu além, para criar as várias vidas vegetais, cada uma segundo a sua espécie. O surgimento da Terra seca indica um novo começo para que a vida possa manifestar-se. Esta vida é a que surge da morte, ou seja é a vida de ressurreição. As opiniões dos homens ainda que eventualmente tenham virtudes e até mencionem a palavra de Deus, precisam passar pela morte para que sejam úteis na edificação - João 11,23-27,39-44. No quarto dia, Deus restaurou os luzeiros - o sol, a lua e as estrelas - para governarem sobre o dia e sobre a noite, e também para dividirem a luz das trevas. No quinto dia, Deus criou as criaturas vivas na água,  e os pássaros, as aves do ar, cada um segundo a sua espécie. No sexto dia, Deus criou as criaturas vivas sobre a Terra: os animais domésticos, os répteis e animais selváticos, cada um segundo a sua espécie. Por último, Deus criou o homem para ser o centro de todas as coisas. Livro As Doze Lições Básicas do Ministro do Evangelho. Abraço. Davi.

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

MEDITAÇÃO É VAZIO ILUMINADOR.

Gnosticismo. Texto de Samael Aun Weor (1917-1977). Paz Inverencial! Torna-se urgente que se compreendam a fundo as técnicas da meditação. Hoje falaremos sobre o Vazio Iluminador. Ao iniciar este tema, vejo-me obrigado a narrar de forma direta aquilo que sobre o particular pude verificar experimentalmente. Creio que os que me escutam estão informados sobre a maravilhosa Lei da Reencarnação. Pois, nela, eu fundamento o relato seguinte: Quando a Segunda Sub-Raça da nossa atual raça ariana floresceu na antiga China, estive ali reencarnado e me chamei Chou Li. Obviamente, fui membro da dinastia Chou. Naquela existência, fiz-me membro ativo da Ordem do Dragão Amarelo. Claro que em tal ordem pude aprender claramente a ciência da meditação. Ainda mantenho na memória aquele maravilhoso instrumento denominado Aya-Atapan, o qual tinha 49 notas. Bem sabemos o que é a sagrada Lei do Eterno Heptaparaparshinok, ou seja, a Lei do Sete. Indubitavelmente, sete são as notas das escalas musicais, e se multiplicarmos sete por sete obteremos 49 notas colocadas em sete oitavas. Nós, os irmãos, reuníamo-nos na sala da meditação, sentávamos ao estilo oriental com as pernas cruzadas e púnhamos as palmas das mãos de forma que a direita ficava sobre a esquerda. Sentávamos em círculo no centro da sala, fechávamos os olhos e em seguida púnhamos toda a atenção na música que certo irmão brindava ao Cosmo e a nós. Quando o artista fazia vibrar a primeira nota, estava em dó, todos se concentravam. Quando fazia vibrar a nota seguinte, em ré, a concentração tornava-se mais profunda. Lutávamos com os diversos elementos subjetivos que carregávamos no interior, podíamos recriminá-los e fazê-los ver a necessidade de guardarem silêncio absoluto. Não será demais, queridos irmãos, lembrá-los de que esses elementos indesejáveis constituem o eu, o Ego, o mim mesmo, o si mesmo … são a seu modo entidades diversas personificando erros. Quando vibrava a nota mi, entrávamos na terceira zona do subconsciente e enfrentávamos toda essa multiplicidade de agregados psíquicos que em desordem fervilham em nosso interior, que impedem a quietude e o silêncio da mente; nós os recriminávamos e tratávamos de compreendê-los. Quando o conseguíamos, entrávamos ainda mais fundo com a nota fá. É óbvio que novas lutas nos esperavam, pois amordaçar todos esses demônios do desejo não é tão fácil. Obrigá-los a guardar silêncio e quietude não é coisa simples, porém, com paciência o conseguíamos. Assim, prosseguíamos com cada uma das notas da escala musical. Em uma oitava mais elevada, continuávamos com o mesmo esforço, e assim, pouco a pouco, enfrentando os diversos elementos infra-humanos que carregávamos em nosso interior conseguíamos por fim amordaçá-los todos nos 49 níveis do subconsciente e a mente ficava quieta, no mais profundo silêncio. Esse era o momento em que a Essência, a Alma, aquilo que ternos de mais puro, escapava para experimentar o Real. Assim, entrávamos no Vazio Iluminador. Assim, o Vazio Iluminador irrompia em nós. Movendo-nos no Vazio Iluminador conseguíamos conhecer as leis da natureza em si mesmas tais quais são e não corno aparentemente são. Neste tridimensional mundo de Euclides só se conhecem causas e efeitos mecânicos, jamais as leis naturais em si mesmas. Assim, no Vazio Iluminador, elas surgem diante de nós corno realmente são. Nesse estado, podíamos perceber com a Essência, com os sentidos superlativos do Ser, as coisas em si tais quais são. No mundo dos fenômenos físicos, a realidade… só percebemos a aparência das coisas: ângulos, superfícies… nunca um corpo inteiro de forma integral. O pouco que percebemos é fugaz. Ninguém poderia perceber a quantidade de átomos, por exemplo, que uma mesa ou uma cadeira tem… Porém, no Vazio Iluminador percebemos as coisas em si tais quais são… integralmente! Enquanto estamos achávamos submersos no grande Vazio Iluminador, podíamos escutar a voz do Pai que está em segredo. Fora de dúvida, nos achávamos num estado de arroubo que se podia denominar de Êxtase. A personalidade ficava ali, sentada, em estado passivo, na sala de meditação. Os centros emocional e motor integravam-se ao centro intelectual, formando um todo único e receptivo. De forma que as ondas de tudo aquilo que vivenciávamos no Vazio Iluminador circulavam pelo Cordão de Prata e eram recebidas pelos três centros: emocional, intelectual e motor. Quando o Samadhi terminava, voltávamos ao interior do corpo, conservando a lembrança de tudo aquilo que tínhamos visto e ouvido. No entanto, hei de lhes dizer que a primeira coisa que se tem de abandonar para submergir por longo tempo no Vazio Iluminador é o medo. O eu do temor precisa ser compreendido … Já sabemos que sua desintegração faz-se possível quando se suplica à Divina Mãe Kundalini de forma veemente. Ela eliminará o eu do medo. Um dia qualquer, não importa qual foi, achando-me no Vazio Iluminador, além da personalidade, do eu e da individualidade, submerso nisso que se poderia chamar “O NÃO”, “AQUILO”, senti que eu era tudo o que foi e será. Experimentei a unidade da vida, livre em seu movimento. Era a flor, o rio que, cristalino, corria no seu leito de pedras, cantando delícias na sua linguagem, a ave que se precipitava nos abismos insondáveis, era o peixe que nadava deliciosamente nas águas, era a Lua, os mundos… era tudo o que é, foi e será. Houve temor, os sentimentos do mim mesmo, do eu… Senti que me aniquilava, que deixou de existir corno indivíduo, que era tudo menos um indivíduo, que o mim mesmo tendia a morrer para sempre. Obviamente, enchi-me de indizível terror e voltei à forma física. Outros esforços permitiram-me que o Vazio Iluminador irrompesse novamente e tornei a me sentir confundido com tudo; corno indivíduo, corno pessoa, corno eu, tinha deixado de existir. Esse estado de consciência fazia-se cada vez mais profundo; de tal forma que qualquer possibilidade para existir, para a existência individual, se acabava, tendia a desaparecer definitivamente. Não pude resistir mais e voltei à forma física. Numa terceira tentativa, tampouco pude resistir e voltei à forma. A partir de então, sei que para alguém experimentar o Vazio Iluminador, para sentir o TAO em si mesmo, terá de eliminar o eu do temor; e isso é indubitável. Entre os irmãos da Ordem do Dragão Amarelo, o que mais se distinguiu foi meu amigo Chang. Hoje, ele vive num desses “planetas do Cristo”, onde a natureza não é imperecedora e jamais muda. Há duas naturezas: a perecedora, mutável etc., e a imperecível, a que jamais muda, imutável. Nos planetas do Cristo existe a natureza eterna, imperecível e imutável. Chang vive num desses mundos onde o Cristo resplandece. Libertou-se há várias idades e vive ali naquele longínquo planeta com um grupo de irmãos que como ele também se libertaram. Então, eu gostaria de lhes ensinar os sete segredos da Ordem do Dragão Amarelo, porém, com grande dor me dou conta que os irmãos de todas as latitudes ainda não estão preparados para poder recebê-los; e isso é lamentável. Também é certo que hoje não é mais possível se utilizarem os 49 sons do aya-atapan, porque esse instrumento já não existe mais. Muitas involuções desse instrumento ocorreram; já não possuem mais as sete oitavas. Involuções dele são todos os instrumentos de corda: violino, guitarra, o próprio piano etc. No entanto, é possível chegar-se à experiência do Vazio Iluminador com um sistema prático e simples que todos os irmãos podem praticar. Vou ditar a técnica agora mesmo. Prestem atenção: A Técnica. Sentem-se ao estilo oriental com as pernas cruzadas … Devido a que sois ocidentais, essa posição resultará muito cansativa para vós, então sentai-vos em uma cômoda cadeira ao estilo ocidental. Colocai a palma da mão esquerda aberta e a direita sobre a esquerda. Quero dizer, o dorso da palma da mão direita sobre a palma da mão esquerda. Relaxai o corpo ao máximo possível. A seguir, inalai profundamente e muito devagar. Ao inalarem, imaginai que a energia criadora passa pelos canais espermáticos até o cérebro. Exalai curto e rápido. Ao inalar, pronunciai o mantra HAM. Ao exalar, pronunciai o mantra SAH. Indubitavelmente, inala-se pelo nariz e exala-se pela boca. Ao inalar, vocalizai a sílaba sagrada HAM mentalmente, pois estais inalando pelo nariz. Mas, ao exalarem, articulai a sílaba SAH de forma sonora. O H soa sempre aspirado. Faz-se a inalação lenta e a exalação curta e rápida. Obviamente, a energia criadora flui em todas as pessoas de dentro para fora, isto é, de forma centrífuga. Nós devemos inverter essa ordem com objetivos de superação espiritual. Nossa energia deve fluir de forma centrípeta, de fora para dentro. Fora de dúvida, se inalamos devagar, lentamente, a energia criadora fluirá de forma centrípeta de fora para dentro. Se exalarmos curto e rápido, essa energia far-se-á cada vez mais centrípeta. Durante a prática, não se  deve pensar absolutamente em nada. Os olhos ficam firmemente fechados e em nossa mente só vibrará o HAM SAH e nada mais. À medida que se pratique, a inalação vai se tornando mais funda e a exalação muito curta e rápida. Os grandes mestres da meditação chegam a tornar a respiração pura inalação… a respiração fica suspensa. Isto é impossível para os cientistas, porém, real para os místicos. Em tal estado, o mestre participa do Nirvikalpa Samadhi ou Maha Samadhi e vem a irrupção do vazio Iluminador. Ele precipita-se nesse grande vazio onde ninguém vive e onde somente se ouve a palavra do Pai que está em segredo. Com esta prática, consegue-se  a irrupção do vazio iluminador sob a condição de não se pensar absolutamente em nada. Não se admitirá na mente pensamento algum, nenhum desejo, nenhuma lembrança … A mente tem de ficar completamente quieta por dentro, por fora e no centro. Aqui, o pensamento, por insignificante que seja, é obstáculo para o Samadhi, para o êxtase. Esta ciência da meditação combinada com a respiração produz efeitos extraordinários. Normalmente, as pessoas padecem disso que se chama poluções noturnas. Homens e mulheres sofrem tal situação. Têm sonhos eróticos, os eus copulam uns com os outros, a vibração passa pelo cordão de prata até o físico e sobrevém o orgasmo com a perda da energia criadora. Isso acontece quando a energia sexual flui de dentro para fora de forma centrífuga. Quando a energia sexual flui de fora para dentro de forma centrípeta, as poluções noturnas terminam, o que vem em benefício da saúde. Bem, propicia-se o Samadhi durante a prática de meditação graças a que as energias criadoras, fluindo de fora para dentro, impregnam a consciência e terminam por possibilitar seu abandono do Ego e do corpo. A consciência desengarrafada do Ego, na ausência do Ego, fora do corpo físico, entra no Vazio Iluminador e recebe o TAO. Aquele que eliminou o eu do medo, do temor, poderá permanecer no Vazio Iluminador sem preocupação alguma. Sentirá que seu aspecto individual vai se dissolvendo, sentirá a si mesmo vivendo na pedra, na rocha, na longínqua estrela ou na ave canora de qualquer mundo planetário; não terá medo. Se não tiver medo, por fim gravitará até sua origem, convertendo-se a consciência, a Essência, em uma criatura terrivelmente divina para além do bem e do mal. Poderá pousar no Sagrado Sol Absoluto e ali, nesse Sol, como estrela microcósmica, conhecerá todos os mistérios do universo. É bom saber que o universo em si mesmo, todo o nosso sistema solar, existe na Inteligência do Sagrado Sol Absoluto como um instante eterno. Todos os fenômenos da natureza processam-se dentro de um instante eterno na Inteligência do Sagrado Sol Absoluto. Se tiver medo, perder-se-á o êxtase e haverá o retorno à forma densa. Queridos irmãos que me escutam, precisam abandonar o temor. Não basta dizer: deixarei de temer. Há necessidade de se eliminar o eu do temor, sim … e ele é dissolvido estritamente pelo poder da Divina Mãe Kundalini Shakti. Primeiro temos de analisá-lo, compreendê-lo e depois invocar Devi Kundalini, nossa Divina Mãe Cósmica particular, pedindo para que Ela desintegre o eu do temor. Somente assim alguém consegue submergir no Vazio Iluminador de forma absoluta. Quem o conseguir gravitará para o Sagrado Sol Absoluto e conhecerá as maravilhas do universo. Nossos irmãos precisam, pois, praticar essa técnica de meditação tal como a demos. Não se esquecer de que o corpo precisa ficar bem relaxado, e isso é indispensável. HAM SAH é o grande alento, HAM SAH é a nossa alma, HAM SAH é também um mantra que transmuta as energias criadoras. A meditação combinada com o tantrismo é formidável. HAM SAH é a chave. Bem sabemos que a energia criadora serve para o despertar da consciência. Combinada com a meditação, tira inquestionavelmente a consciência de dentro do elemento egóico e a submerge no vazio iluminador. É óbvio que o vazio iluminador está além do corpo, dos afetos e da mente. Em uma sala de meditação oriental, um monge perguntou ao Mestre: que é o vazio iluminador? Dizem os textos que o Mestre deu-lhe um pontapé no estômago e o discípulo caiu desmaiado. Depois, o discípulo levantou-se e abraçou o Mestre: obrigado, Mestre, experimentei o Vazio Iluminador. Absurdo, declararão muitos, porém não é bem assim. O que acontece é que fenômenos muito especiais se apresentam para o Vazio Iluminador. Um pintinho está pronto para sair do ovo. Sua mãe o ajuda ou o auxilia picando também ela a casca. O pintinho segue picando e com sua ajuda sai do ovo. Assim, quando alguém amadureceu, recebe ajuda de sua Divina Mãe Kundalini. Fura o cascão do Ego e da personalidade e sai para experimentar o Vazio Iluminador. O Segredo: Meditação Combinada com o Sono. No entanto, há que se perseverar na meditação, há que se saber combinar inteligentemente a concentração com o sono; sono e concentração misturados produzem iluminação. Muitos esoteristas pensam que a meditação não deve de modo algum ser combinada com o sono do corpo. Aqueles que pensam assim estão equivocados, porque a meditação sem sono arruína o cérebro. Deve-se sempre utilizar o sono em combinação com a técnica da meditação, porém, um sono controlado, um sono voluntário, não um sono sem controle, um sono absurdo… sono e meditação combinados inteligentemente. Devemos montar no sono e não deixar que o sono monte em nós. Se aprendermos a montar no sono, teremos triunfado. Se o sono monta em nós, fracassamos. Portanto, usar o sono; meditação combinada com o sono… Essa técnica leva os praticantes ao Samadhi, à experiência do Vazio Iluminador. Há que se praticar diariamente. A que hora? No momento em que nos sintamos com ânimo para executá-Ia e especialmente quando estivermos com sono. Se seguirem essas indicações, um dia poderão receber o TAO, poderão experimentar a verdade. Obviamente, há dois tipos de dialética: a dialética racional do intelecto e a dialética da consciência. Durante o Satori, trabalha a dialética da consciência, e tudo entendemos por intuição, através de palavras ou figuras simbólicas, na linguagem das parábolas do evangelho cristão, na linguagem viva da consciência superlativa do Ser. No Ser, a dialética  da consciência se adianta sempre à dialética do raciocínio. A um monge zen foi perguntado: por que o bodidharma veio do oeste? Resposta: quem está no jardim é o cipreste. Qualquer um diria que isso não tem concordância alguma. No entanto, tem sim. É uma resposta que se adianta à dialética do raciocínio; sai da essência. O cipreste, a árvore da vida, está em todas as partes, não interessa oriente ou ocidente. Este é o sentido da resposta. No vazio iluminador se sabe tudo por experiência direta da verdade. O estudante terá de se familiarizar com a dialética da consciência. Infelizmente, o poder formulativo de conceitos lógicos, por mais brilhante que seja, por mais útil que seja nos aspectos da vida prática, resulta em obstáculo para a dialética da consciência. Não quero com isso descartar o poder formulativo dos conceitos lógicos, pois todos precisam dele no terreno dos fatos práticos da existência. Porém, cada faculdade tem inquestionavelmente a sua órbita particular em que é útil, fora dela resulta sem utilidade e prejudicial. Deixemos o poder formulativo de conceitos dentro de sua órbita. No Samadhi ou no Pansamadhi da meditação devemos sempre vivenciar, captar, a dialética da consciência. Isso é questão de experiência que o discípulo irá adquirindo à medida que pratica a técnica da meditação. A Impaciência. O caminho da meditação profunda implica muita paciência. Os impacientes jamais conseguirão triunfar. Impossível vivenciar a experiência do vazio iluminador enquanto exista a impaciência em nós. O eu da impaciência tem de ser e eliminado , depois de ter sido compreendido. Que se entenda isto com clareza! Se assim se age, se recebe o TAO; isso é óbvio. A experiência do real jamais poderia chegar a nós enquanto a consciência continuasse embutida no Ego. O Ego em si mesmo é tempo. Toda essa multiplicidade de elementos fantasmagóricos que constituem o mim mesmo são um compêndio de tempo. A experiência do vazio iluminador é sua antítese; ele é atemporal, ele está além do tempo e da mente. O tempo é toda essa multiplicidade de eus; o eu é o tempo. Assim, pois, o tempo é subjetivo, incoerente, torpe, pesado e não tem realidade objetiva. Quando alguém senta em uma sala de meditação ou simples ente em sua casa a fim de meditar, se quiser praticar essa técnica deverá esquecer o conceito de tempo e viver dentro de um instante eterno. Aqueles que se dedicam à meditação dependentes do relógio, obviamente não conseguem a experiência do Vazio Iluminador. Se me perguntassem quantos minutos diários devem ser utilizados na meditação, se meia hora, uma ou duas horas, não haveria resposta. Se alguém entra em meditação e está dependente do tempo não pode experimentar o Vazio Iluminador porque este não é do tempo. Seria algo similar a uma ave que tentasse voar e que estivesse amarrada por uma pata a um pau; não poderia voar … haveria uma trava. Para experimentar o vazio iluminador, temos de nos livrar de qualquer trava. O importante é certamente experimentar a verdade e a verdade está no Vazio Iluminador. Quando a Jesus, o grande Cabir, perguntaram o que é a verdade, o Mestre guardou profundo silêncio. Quando a Gautama Sakiamuni fizeram a mesma pergunta, ele deu as costas e retirou-se. A verdade não pode ser descrita, não pode ser explicada, cada um tem de experimentá-la por si próprio através da técnica da meditação. No vazio iluminador, experimentamos a verdade. Esse é um elemento que nos transforma radicalmente. Há que se perseverar, há que se ser tenaz … Pode acontecer que no princípio não se consiga nada, porém à medida que o tempo for passando iremos sentindo que nos vamos fazendo cada vez mais profundos. Um dia qualquer irromperá em nossa mente a experiência do vazio iluminador. Inquestionavelmente, o vazio iluminador em si mesmo é o santo Okidanok, o Ativo Okidanok, onipresente, onipenetrante, onisciente, que emana de si mesmo, o Sagrado Sol Absoluto. Feliz de quem consiga precipitar-se no vazio Iluminador , onde não vive criatura alguma, porque será precisamente ali onde experimentará o real, a verdade. Perseverança faz-se indispensável… Há que se trabalhar afundo diariamente até se conseguir o triunfo total. A experiência da verdade através da meditação resulta prodigiosa. Ao se experimentar a verdade, a gente sente-se com força para perseverar no trabalho sobre si mesmo. Brilhantes autores falaram sobre o trabalho em si mesmo, sobre o eu, sobre o mim mesmo. Fizeram muito bem ao falarem assim, mas esqueceram-se de uma coisa: a experiência da verdade. Enquanto alguém não tenha experimentado o real, não se sente reconfortado e não se sente com força suficiente para trabalhar sobre si mesmo, sobre o próprio eu. Quando alguém de verdade passou por tal experiência mística, é diferente, nada poderá o deter em sua aspiração de libertação. Trabalhará incansavelmente sobre si mesmo para conseguir de verdade uma mudança radical, total e definitiva. Agora, meus queridos amigos, vocês compreenderão por que as salas de meditação são indispensáveis. Francamente, sinto tristeza ao ver que, apesar de tanto haver escrito sobre a meditação em diferentes Mensagens de Natal em anos anteriores, ainda não haja salas de meditação nos países centro e sul-americanos, quando já deveriam existir. O que se passou? Existe indolência. Por quê? Por falta de compreensão! Faz-se necessário entender! O pobre animal intelectual equivocadamente chamado homem precisa de alento, precisa de algo que o anime na luta, estímulo para o trabalho sobre si mesmo… Sei que o pobre animal intelectual é débil por natureza e encontra-se numa situação completamente desvantajosa. O Ego é demasiadamente forte e a personalidade terrivelmente débil. Como deixá-lo se assim apenas consegue caminhar? Ele precisa de algo que o anime no trabalho, precisa de um apoio íntimo. Isso só se torna possível através da meditação. Não quero dizer que todos de uma só ceifada irão experimentar o Vazio Iluminador. Obviamente, se chegará a essa experiência através de diferentes graus. O devoto entenderá cada vez mais o impulso íntimo do Ser e terá diversas vivências mais ou menos lúcidas. Dia chegará em que terá a melhor das vivências: a experiência direta da grande realidade; então receberá o TAO. Todos aqueles que me escutam devem pesar bem minhas palavras. Reflitam, não basta simplesmente ouvir. Há que se saber escutar, o que é diferente. Porém, o que escuta a palavra e não a faz – diz o apóstolo Santiago na Epístola Universal – se parece com o homem que se olha no espelho e depois dá as costas e se vai. Há que se viver a palavra dentro de si próprio. Não basta que me escutem. É necessário que se converta esse ensinamento em carne, sangue e vida, se é que se pretende a transformação radical. Há que se perseverar! Até aqui, minhas palavras. Paz Inverencial.www.gnosisonline.com.br. Abraço