Espiritismo.
Texto de Luiz Sérgio. Psicografado por Irene Pacheco Machado. Capítulo 12.
DEVASSANDO O INCONSCIENTE. Muitas vezes as verdades nos chegam, mas o nosso
orgulho não nos deixa tomar uma atitude que jogará fora toda uma teoria que não
mais nos pertence. A sociedade a rejeitou, todavia, ela, mesmo falha, está
sendo útil a muitos doentes. A água da fonte nasce pura, mas vai-se
contaminando com as impurezas. Muitas teorias são deturpadas pelos próprios
adeptos. Isto se deu até com o Cristianismo e vem se repetindo sempre. Cada
discípulo acrescenta uma vírgula a mais e daí a deturpação. Muitos brincam com
a alma do seu próximo, principalmente com a alma doente, muito doente. Ele fez
uma pausa e Carlos perguntou: - Pretende reencarnar logo? Ele sorriu. - Só Deus
conhece o dia exato da "morte", mas estarei preparado, já que quando
encarnado convivi com ela. A doença tentou ferir minha alma, mas eu me
distanciei do desespero, porque Deus me ofertou o saber do meu mundo interior
e, quando os ventos da tristeza desejavam arquear meu espírito, refugiava-me
nas regiões altas da minha alma. Longe da dor, eu me sentia forte para viver a
realidade, a morte, que os espíritas sabiamente chamam desencarne. A separação
espírito-carne, eu chamarei de desligamento. Estudando a alma humana, vamo-nos
tornando cada vez mais insensíveis, não porque a dor nos endureça, não, isso
não, é que constatamos que todos os seres - uns mais que os outros - vivem a
sua vida, e nem todas são tão belas nem tão más. 0 ser é que dramatiza ou
aceita passivamente as suas horas de vida. Para mim, as neuroses são
testemunhas do desenvolvimento do espírito humano. Muito sábia a Bíblia ao
afirmar que no princípio vivia o homem no "paraíso". Sempre ao
estudar a alma humana, esbarrava com algo para mim inatingível. Hoje sei: vidas
passadas, existências vividas. Levando o homem ao seu nada, me deparava com
algo que me fazia buscar ainda mais os mistérios da mente. A imaginação do
paciente dava-me relatos que nada tinham a ver com o século vivido por nós;
fantasias ou uma mente elástica que captava outras reações vividas pelos
antepassados, vindo de pais para filhos? Senti que as chamadas neuroses, antes,
eram estágios da Humanidade, que a vida foi levando o homem à neurose, pelos
antepassados. Cheguei perto, não foi? A Doutrina hoje me ensinaria que as
neuroses são lembranças das vivências traumáticas. Mas como pode o analista
colocá-las para fora do paciente se poucos têm conhecimento deste fato: a
reencarnação? Um dia acordei eufórico! havia descoberto que na negritude da
alma havia uma luz. A princípio falei comigo mesmo: é Deus. Depois, à força e
coragem, prossegui descobrindo fatos novos que me faziam feliz, mas, pouco a
pouco, minhas especulações iam contra as bases científicas. E um estudioso,
muitas vezes, tem de calar para não jogar fora todo um trabalho que, a certa
altura, não mais lhe pertence. O que descobri sobre a negritude da alma foi
surpreendentemente fácil e amplo no princípio; depois, foi ficando tão intrincado
e difícil, que me vi quase louco. De um lado, havia eu descoberto algo novo na
mente humana; uma fita gravada, ou melhor, um filme com toda a história do
indivíduo analisado. Achei prudente não levar a público o estudo, e este ficou
perdido. A Psicanálise tinha de alcançar um papel de importância junto à
Humanidade. Era cedo ainda e eu me senti fraco. De um lado a fama a me
comprimir o espírito que, durante a noite, voava até a espiritualidade e
descobria a verdade; mas, mesmo sentindo a vontade de gritar bem alto a minha
descoberta, por outro lado, o futuro também me oprimia: não tinha certeza
absoluta de que o homem carregasse junto a si um doloroso passado. Não sabia.eu
como isso se dava, o porquê de estar sentindo a histeria do medo, a demência, a
paranoia e a melancolia; mesmo já tendo um certo controle sobre a minha alma,
ela sofria a prisão e não me sentia com força para libertá-la. - E o
homossexualismo? - perguntei aproveitando a pausa que ele fizera. - Para mim -
respondeu ele - teve por base a própria sociedade. Ela, muitas vezes, leva o
ser à libertinagem e, desde que o homem é humano, ele procura o desconhecido.
Hoje ainda não possuo conhecimentos a respeito; estou estudando, mas já ouvi
dizer que a causa também está no períspirito. Ele se calou e nós, que ali
estávamos apenas conversando, vimos que já era hora de nos retirarmos. - Irmão,
muito obrigado. Nós amamos você! Olhando-me fixamente, falou: - Sérgio, viva
bem a sua realidade. A satisfação não se efetua pelos caminhos mais curtos nem
em função das condições impostas pelo mundo exterior. Voltei, e lhe dei um
abraço de admiração por tanto saber. Para Carlos ele falou: - 0 médico precisa
se conscientizar de que ele tem obrigação de se tornar útil, e só o
conhecimento da sua área proporciona-lhe paz e poder. Capítulo 13. CÂNTICO DE
MOISÉS Eram firmes os passos de Olavo ao se retirar e nós o fitávamos com
carinho. Virei-me para Carlos, dizendo: - Amigão, nem sei como lhe agradecer.
Foi ótima a nossa conversa. - Luiz Sérgio, o homem, por ser ainda imperfeito,
gosta de criticar a obra do seu próximo, fazendo-o geralmente sem conhecimento,
apenas por julgamento próprio. Olavo é um espírito que ainda luta para
caminhar, mas merece de todos nós respeito e amor. - Carlos, você está
trabalhando no receituário mediúnico, não é mesmo? - Sim, mas nem por isso
deixo de vir até aqui receber ensinamentos bastante proveitosos como os que
acabamos de obter, para espantar a vaidade. Continuamos conversando sobre
vários assuntos, e confesso que no momento de nos separarmos senti imensa
tristeza. Aquele jovem médico é um grande e querido amigo; e quem vive sem uma
amizade leal? Ao ficar sozinho, recordei-me de Olavo e disse à saudade: você é
uma brisa que se faz presente em meu coração, mas não machuca mais, porque hoje
eu sei o que representa o sentimento. Já estava na hora da nossa aula e com
outros irmãos me encontrei; uns, indiferentes, outros, curiosos, mas todos
recebendo de Deus a oportunidade. Sentei em meu lugar preferido e já me
impacientava: os meus colegas não chegavam. Quando acenderam as luzes, eles
deram entrada, assim como outros grupos, eu é que me havia adiantado. Lourival,
que perto de mim sentara, disse: - Tivemos uma aula extra com alguém. -
Verdade? Pois eu também estive com o Carlos e o Olavo falando sobre a alma.
Lourival, rindo, brincou: - Você está muito mal, hein? Precisando devassar o
inconsciente! (...). Nós estivemos com um político, falando sobre a ascensão e
a queda do espírito. Calei-me, mas no fundo a minha cuca quase deu um nó. Por que
só eu precisei conversar com Olavo, por quê? Conrad, captando meus pensamentos,
falou: Esqueces que trabalhas com médiuns, jovens, crianças, enfim, que tu
estás em todas? Para ajudá-los tens de penetrar no inconsciente despertando-o
para as verdades de Deus. O meu sorriso foi o meu muito obrigado. Quando Jesus
disse: Não chameis ninguém de "louco", Ele mostrou a Sua sabedoria. É
muito triste rotular as pessoas de malucas. Desvalorizar alguém é muita pobreza
de conhecimentos evangélicos. Todos nós só vivemos se acreditamos em nós mesmos
e quando alguém procura nos jogar para baixo, precisamos ter muita fé para não
sucumbir. Quem convive com o público precisa estar ciente destas palavras de
Jesus. Chamar alguém de desequilibrado é desconhecer o amor. Sabe por que estou
dizendo isso? Se ao cientificar-me de que somente eu fora a um médico de cuca,
fiquei nervoso, imagine aquele que é taxado, a cada instante, de maluco!
Portanto, mesmo constatado um estado obsessivo em alguém, cuidado, gente! a
mente humana é uma floresta cujos mistérios ainda continuam ocultos. Cuidado,
muito cuidado! Ninguém é ainda o dono da verdade, só Jesus; e Ele usou muito
bem as palavras, por conhecer nossas fraquezas. Na tela, o Quinto Livro,
Deuteronômio 32, Cântico de Moisés, versículo 2: Goteje a minha doutrina como a
chuva, destile a minha palavra como o orvalho, como chuvisco sobre a relva e
como gotas de água sobre a relva. Vs. 4, 5 e 6: Suas obras são perfeitas porque
todos os seus caminhos são juízo. Deus é fidelidade e não há nele injustiça: é
justo, é reto. Procederam corruptamente contra ele já não são seus filhos, e
sim suas manchas; è geração perversa e deformada. É assim que recompensamos o
Senhor, povo louco e ignorante? Este Cântico ressoava em nossos ouvidos e
presenciávamos a criação da Terra, a vinda do Espírito para compor este
Planeta. E no Cântico de Moisés nós presenciamos a sua preocupação como ótimo
médium que era. Gostaria de citar versículo por versículo, mas o tempo é curto
e o dinheiro para edição dos livros muito mais. Convido o leitor a ler todo o
Cântico de Moisés. Ainda no versículo 18, diz Moisés: Olvidaste a Rocha que te
gerou e te esqueceste do Deus que te deu o ser. No versículo 17 continua:
Sacrifícios ofereceram aos demônios, não a Deus. E assim fomos assistindo ao
desespero de Moisés, quando deu ao homem a chave da vida, mas o ser, enraizado
no erro, fingia não compreender as belezas divinas. Nós, que estamos
acompanhando a evolução do espírito, ou melhor, a sua trajetória, ficamos meio
atônitos quando percebemos que ninguém erra por ignorância e sim por vontade
própria. Ali, diante do Cântico de Moisés, percebemos a paciência de Deus
enviando mensagens para orientar a Humanidade, e ela, indiferente, seguindo por
caminhos contrários e ainda culpando Deus. Capítulo 14. O ANÚNCIO DA VINDA DO
SENHOR Os nossos orientadores ainda ficaram conversando conosco, tirando
algumas de nossas dúvidas. - Irmão, explique-nos por que no Antigo Testamento
tudo surge à nossa frente sob a forma de ameaça como em Samuel II, Capítulo 24,
Davi escolhe o castigo: versículos 14 e 15: Então disse Davi a Gade: Estou em
grande angústia; porém, caiamos nas mãos do Senhor, porque muitas são as suas
misericórdias; mas na mão dos homens não caia eu. Então enviou o Senhor a peste
a Israel, desde a manhã ao tempo que determinou, morreram setenta mil homens. -
Irmãozinhos, até hoje, quando algo acontece, ainda dizem: é castigo de Deus;
naquela época o homem era mais ignorante, portanto, supersticioso por demais,
principalmente quando tinha a consciência pesada. Em muitas passagens podemos
notar que Davi prefere a fúria do Senhor à dos homens. Agora perguntarão: Mas
então, por que morreram tantos homens? Hoje, no ano de 1985, presenciamos o
desencarne coletivo por castigo? Não. São espíritos que precisam passar por
esse tipo de resgate. E assim também no reino de Davi: ele e o seu povo vieram
à Terra para evoluir. E esses fatos tristes, muitas vezes nos servem de alerta.
Davi logo procurou agradar ao Senhor à maneira da época: levantando altares. Só
o fato dele ter-se lembrado que acima de qualquer poder existe algo que
determina a vida e que foge às explicações científicas, isso foi considerado
uma prece de arrependimento. Deus não é malvado. Nós é que tornamos os dias das
nossas vidas negros de erros. Vejamos no versículo 18: Naquele mesmo dia veio
Gade ter com Davi, e lhe disse: Sobe, levante ao Senhor um altar na eira de
Araúna, o Jebuseu. Este Capítulo do livro de Samuel oferece-nos muitas pérolas
evangélicas. Veja nos versículos seguintes Davi indo até um homem do povo
pedir-lhe um favor. Quantas vezes o que julgamos uma violência divina é um
chamado de Deus para as coisas do espírito! Se hoje o poder aprisiona,
imaginemos nas eras primitivas. 0 medo era o único freio e, para chegarmos aonde
chegamos, ele foi usado. Portanto, a dor quase sempre é uma lixa que embeleza o
espírito, tornando-o uma peça sem aresta. E o Artista maior, que é Deus, com
que carinho nos oferece a bênção da reencarnação! Irmão, se o espírito foi
criado simples e inocente, para Deus deve ser muito triste, muito triste,
presenciar tantos espíritos ainda cobertos por uma crosta de sujeira. . . Senti
que alguns colegas continham o riso, mas os orientadores não estranharam minhas
palavras. Confesso que dessa vez nem me perturbei. No painel, Zacarias,
Capítulo 13: Naquele dia haverá uma fonte aberta para a casa de Davi e para os
habitantes de Jerusalém, para remover o pecado e a impureza. Fiquei por último,
gostaria de conversar com um dos orientadores, que logo se aproximou de mim. -
Gostou, Luiz, da aula de hoje? - Muito boa, só (...). - Já sei. E difícil
compreender a razão de tantos cataclismos. - E isso mesmo, irmão. Por que
naquele tempo os mensageiros se materializavam, indo até os encarnados para
alertá-los? - Luiz, o Antigo Testamento é um valioso roteiro para o homem no
Planeta Terra. Se prestarmos atenção, nele encontraremos a escalada do
espírito, que se inicia na Gênesis, quando Deus criou o Planeta. Voltaremos ao
primeiro Capítulo da Gênesis, versículo 2: A terra, porém, era sem forma e
vazia, havia trevas sobre a face do abismo, e o espírito de Deus pairava sobre
as águas. Versículo 3: Disse Deus: Haja luz, e houve luz. Sabemos que Deus cria
a cada minuto e sendo a Terra uma das Suas obras, ela surgiu do infinitamente
pequeno. Era um carvão, que pouco a pouco vai ganhando brilho. Assim iniciou a
vida em nosso Planeta, com Jesus, como seu Governador, bem atento a tudo. O
Antigo Testamento coloca Adão e Eva como os primeiros habitantes da Terra e
sobre isso já falamos. Depois começou a luta do homem pelas coisas perecíveis.
O orgulho e a ganância afloraram nos seres novamente. E assim iniciou a
purificação por causa do desvio da chama eterna, que é o espírito do homem. No
livro Êxodo, sentimos a fúria do homem sobre o homem - era a sede do poder.
Dessa maneira, vamos encontrando Deus em cada livro do Antigo Testamento, um
Deus que ameaça, um Deus que castiga. Os ministros de Deus tinham que servir-se
dos médiuns, que não eram puros, para ditar suas leis. Por isso muitos absurdos
foram registrados. Mas Deus nunca abandonou a Terra; estava ao lado dos Seus
filhos em todos os momentos, testemunhando Seu amor. Sentindo a falta de
fraternidade no povo, Deus ditou através de Seus Mensageiros, para o médium
Moisés, o Decálogo, que se encontra no Capítulo 20, do Êxodo. Mas mesmo assim o
homem exercia sua força sobre os fracos. Os poderosos eram cada vez mais duros.
Então surgiu o Levítico, que mais parece um livro de direito penal. Vejamos no
Capítulo 6, versículo 2: Quando alguém pecar, e cometer ofensa contra o Senhor,
e negar ao seu próximo o que este lhe deu em depósito, ou penhor, ou roubo, ou
tiver usado de extorsão para com seu próximo (...). Se formos seguindo,
deparar-nos-emos com as mais surpreendentes leis. Encontramos também leis a
favor dos pobres. Capítulo 25: Leis a favor dos servos. - Irmão, é mesmo
impressionante a preocupação de Deus! - Vendo que poucos tinham condição de
transmitir as Suas palavras, mandou para a Terra o Seu verbo vivo: Jesus.
Antes, vieram as profecias. Em doei, Capítulo 1, versículo 10: O campo
assolado, e a terra de luto, porque o cereal está destruído, e a vida secou, as
oliveiras murcharam. Em Amos: Ameaças contra diversas nações. Depois Abdias.
Depois Jônatas. Depois Miquéias, no Capítulo 2: Ai dos opressores gananciosos.
Depois, Naum, no Capítulo 3: Ai da cidade sanguinária toda cheia de mentiras e
de roubo, e que não solta a sua presa. Depois Habacuque e em Sofonias, Capítulo
1, versículo 14: Está perto o grande dia do Senhor. Capítulo 2, versículo 12:
Ameaças contra a Etiópia e Assíria. Depois Ageu e Zacarias. Em Zacarias, Luiz
Sérgio, sentimos que o Pai viria até a Terra através da verdade, da vida e do
caminho, no Capítulo 13: Eliminados todos os ídolos e os profetas. No versículo
4: Naquele dia se sentirão envergonhados os profetas, cada um da sua visão,
quando profetiza, nem mais vestirão manto de pêlos, para enganarem. Em
Malaquias, Deus, que vinha lutando para guiar a Humanidade, cientificou-Se de
que só o Seu filho Jesus poderia trazer paz à Terra, e assim encerra o Antigo
Testamento. Desce então, à Terra o Governador e em nome de Deus anuncia que não
vem destruir a Lei, mas fazê-la compreendida através de Seus atos de espírito
puro. O livro de Malaquias é rico e temos muito o que nele estudar. Lê-se no
Capítulo 3: Eis que envio o meu mensageiro que preparará o caminho diante de
mim, de repente virá, ao seu templo o Senhor, a quem vós buscais, o Anjo da
Aliança a quem vós desejais; eis que Ele vem, diz o Senhor dos Exércitos.
Capítulo 15. NO DEPARTAMENTO DA ARTE - Irmão, o último livro do Antigo
Testamento deixa bem clara a vinda de Jesus. Ali podemos notar que o mundo
espiritual e o mundo material são solidários entre si. Temos de conhecer e
respeitar as leis que regem os dois planos. Enquanto conversávamos, Conrad veio
buscar-me, pedindo desculpas por ter-nos interrompido, para dizer-me que alguém
me esperava no Departamento da Arte da Faculdade. Agradeci ao orientador que
com carinho me ofertou belas horas de aprendizado e segui Conrad, ansioso para
encontrar quem me esperava. Quando lá chegamos, Pierre gentilmente veio ao
nosso encontro e, com poucas palavras, deu-nos a certeza de que estávamos à
frente de um gentleman. Falava português misturado com francês. - Desculpe
amigo, havia-me esquecido de que lhe pedira uma visita - disse eu. E que
trabalhando em livros espíritas gosto de colocar os meus leitores a par de tudo
o que se refere ao enobrecimento do homem, principalmente se ele é um meio de
comunicação espiritual. Sei que o irmão luta para desenvolver a mediunidade
psico pictográfica, (1) e que prepara os artistas para esse trabalho. Ele me
sorriu. - Não, irmão, não é bem isso. Preocupo-me em tentar apagar certas
imagens negativas que se faz dos artistas e venho, pouco a pouco, procurando
levá-los ao plano físico para sua própria melhoria e também para ajudar o
médium. Conversando, alcançamos o interior da galeria. Eram tantas as telas,
que eu não sabia se as admirava ou ouvia o nosso amigo. Notando o meu
interesse, foi-me apresentando os melhores trabalhos e dando explicações sobre
cada quadro. Logo depois levou-me a outro local onde vários artistas
desenhavam. Notei que eles não possuíam boa vibração. Perguntei o porquê e
Pierre respondeu-me: (1) ou psico pictoriográfica, pintura feita por espírito
através de médium. Estes são doentes, que são levados aos grupos espíritas para
serem tratados através das cores. Sentia-me meio apatetado. Há poucos minutos
eu aprendia o Antigo Testamento e agora ali estava, naquele local, ao lado de
pessoas muito estranhas, para não dizer "piradas"(...). Pierre,
sorrindo para um e para outro, apresentava-me os trabalhos e vim então a saber
que também os grandes mestres da pintura, quando voltam ao mundo espiritual, se
no corpo físico abusaram do seu dom, sofrem as consequências. 0 mesmo acontece
com o que não exerce a medicina condignamente ou dela se aproveita. - Irmão,
eles retroagem? - Não, mas o espírito que abusou por demais da bebida, das
drogas e de outras coisas, fica meio atordoado. Não esqueça que existe o
suicida inconsciente. E muitos deles fugiram até pelo suicídio direto. - E como
um grupo mediúnico pode ajudá-los? - Tentamos desenvolver esse dom mediúnico,
mas alguns mé- diuns ainda relutam, por falta de incentivo de alguns
dirigentes. O certo é criar nos centros espíritas grupos específicos de
desenhos mediúnicos. - O médium tem de ter um pouco de dom artístico? -
Facilita para o desencarnado, mas mesmo sem o possuir, muitas vezes recebe
verdadeiras obras de arte, em se tratando de médium mecânico. - Pierre, nesses
grupos só vão os grandes pintores? - Irmão, essa é a nossa maior preocupação.
Os médiuns psico pictográficos não podem ficar à espera só dos grandes nomes.
Se forem formados os grupos só para esse fim, fica mais fácil o controle,
principalmente se o dirigente for humilde. - E necessário que o dirigente
possua vidência? - Se tiver, facilitará o trabalho dos médiuns. Aconselhamos o
dirigente encarnado a não permitir que as telas sejam assinadas, principalmente
as recebidas pelos médiuns iniciantes. A não ser com a permissão do dirigente
espiritual, que deve ser um espírito evangelizado. - Evangelizado? Sim, irmão,
os pintores precisam de dirigentes e médiuns evangelizados, porque a disciplina
é um dom que embeleza a tela mental. Para formar um grupo de
psicopictoriografia, antes de tudo o presidente da casa espírita tem de
considerá-lo igual a qualquer outro grupo necessitado de estudo da Doutrina e
do Evangelho, possibilitando aos artistas o aprendizado da arte do amor eterno.
- Irmão, muitos não vão gostar (...) - Está vendo, Luiz? Assim como o irmão,
muitos julgam o artista um desequilibrado. Vamos dar-lhes a condição de cura,
formando grupos especializados, não com o intuito de só trabalhar com grandes
nomes, mas, acima de tudo, pelo real valor da ajuda mútua. - Conhecemos um
grupo que foi criado pelo irmão e já está se mantendo. Pode narrar como se deu
o início? - Luiz, você disse bem: está se mantendo. E verdade. 0 grupo de
pintura gasta muito material e tudo o que utiliza é caro. No início não, mas
com o tempo, vai sendo necessário vender as obras para custear as atividades. -
Os médiuns não podem comprá-lo? - Nem todos. Muitos médiuns são pobres, porém
nada os impede de fazê-lo. Mas se o grupo for bem dirigido, logo ele terá a sua
fonte de renda própria, com material de primeira, o que vem a enriquecer os
trabalhos. O irmão viu os doentes desta ala. No início do grupo aproveitávamos
a boa vontade dos médiuns e levávamos os pintores necessitados. Eles
desenvolviam os médiuns e se tratavam. No princípio os desenhos eram feitos a
lápis, depois, usou-se as cores; estas atuavam sobre o doente e várias curas se
processavam . Alguns médiuns abandonaram o grupo, por considerá-lo cansativo,
mas várias curas foram efetuadas. Os que ficaram, hoje estão felizes porque
sentem que trabalham com desenvoltura, a mão mais solta. Mesmo estando o grupo
nesse estágio mais adiantado, nada nos impede de levar até lá artistas muito
doentes. 0 médium humilde compreenderá que está num grupo para servir, não se
importando se as suas pinturas são ótimas em um dia e de pior qualidade em
outro. Pierre, penso eu que deve ser o mais difícil trabalho mediúnico.
Primeiro, porque quem desenha bem não vai querer receber um aprendiz. Depois,
se ele já está trabalhando com grandes pintores, não vai gostar de voltar a
receber iniciantes. - A humildade é algo que o homem tem de conquistar. Para
mim, ela é o horizonte que meus olhos buscam retratar em meu espírito, para que
ele seja uma bela obra divina. Após tudo isso, o que mais perguntar? Fiquei
calado, mas o nosso amigo continuou mostrando-me outras telas. 0 lugar era
muito bonito e pude notar que numerosos enfermeiros ali trabalhavam. - Luiz
Sérgio, a maior dificuldade encontramos entre os artistas, principalmente se
eles alcançaram a fama e até hoje são recordados como os gênios da pintura.
Muitos, quando levados a um grupo, não querem obedecer o horário. Por isso,
temos de tomar atitudes enérgicas, ministrando, antes do trabalho prático,
aulas sobre a Doutrina e o Evangelho. - Pierre, eles gostam da hora do estudo?
- Alguns gostam, outros chegam a ficar irados, achando-o desnecessário. - Por
que a sua preocupação com os artistas? - A preocupação não é minha, é de Jesus.
Eie deseja que todos nós sejamos pobres de espírito, mansos e pacíficos e que
tenhamos puros os corações. Se um mandatário, ao voltar para o plano
espiritual, desejar continuar o seu trabalho, apenas ordenando, não conseguirá
evoluir; pode, sim, comandar falanges obsessoras que, muitas vezes, pensando
ajudar, levam alguns países à desordem. Todos os espíritos ainda carentes de
evolução, ao retornarem, têm de obedecer a uma hierarquia. E o artista também
não foge desse critério. Quem acompanhou o desencarne de André Luiz deve
recordar que ele não pôde exercer a medicina logo que voltou para a
espiritualidade. Muitos dos nossos irmãos aceitam trabalhos humildes, porém
inúmeros os recusam, porque a vaidade os domina por demais. - Pierre, um grupo
de pintura deve ainda requerer médiuns evangelizados, porque se algum vaidoso
receber um artista célebre e este ainda estiver precisando de humildade, como
ficam as coisas? Muito tristes. Quando o médium não tem a Doutrina no coração,
causa ao artista bastante transtorno. 0 espírito pode transmitir ao médium
vontade de tomar bebidas alcoólicas, fumar ou comer durante o trabalho. Mas se
este tiver conhecimentos doutrinários, saberá isolar essas influências
negativas. - Isso acontece em grupo bem orientado? - Não, por essa razão é mais
prudente a casa espírita criar grupos só de pinturas mediúnicas. Além de ajudar
espíritos muito vaidosos ou excêntricos, através das cores há possibilidade de
acalmá-los. Enquanto visitávamos o Departamento da Arte, muitos artistas se
acercavam de Pierre para pedir que os levasse aos grupos mediúnicos para
pintar. A todos o nosso amigo dava muita atenção e prometia atendê-los.
Entramos em uma enfermaria, onde vários irmãos estavam comodamente instalados
em espreguiçadeiras. Parecia que tinham desencarnado por derrame, pois falavam
com dificuldade. Ao lado deles, terapeutas davam assistência; alguns irmãos
esforçavam-se para falar. Ali, naquele local, tudo era muito colorido; mesmo em
se tratando de um hospital, as paredes, belas telas as adornavam. Pierre
conversou com o encarregado daquele setor e, quando saímos, ele me disse: -
Luiz Sérgio, esses irmãos, quando encaminhados a grupos mediúnicos, são
beneficiados; vários deles voltam a fazer traços e ficam muito felizes. Eles
são levados por irmãos que se especializaram no caso de cada um deles. - Que beleza,
Pierre! Embora famosos, iniciam fazendo rabiscos? - Sim, mas riem e gostam
muito dos esboços. - Gostaria de ver a cara dos médiuns, principalmente dos
vaidosos, que só desejam receber os gênios da pintura. - O perfil de alguns
desses médiuns não é nada agradável para ser retratado. São fisionomias bem
distantes da harmonia divina, esquecendo-se de que o trabalho feito por amor é
uma luz que se multiplica. Um dos doentes chamou Pierre e este, com carinho, o
atendeu. Notamos que os dois eram grandes amigos; e, quando Pierre voltou,
perguntei-lhe: - O que o fez ficar tão doente? - Suicidou-se, respondeu. É
mesmo? - falei, olhando aquele amigo, que me acenou sorrindo, mostrando um belo
quadro na parede. Compreendi que ele o havia pintado quando ainda no corpo
físico. Ao ganharmos o jardim, vários irmãos pintavam telas maravilhosas e pude
notar que ali estavam muitos artistas conhecidos, mas nem me atrevi a chegar
perto. Pierre foi pouco a pouco me levando de volta; muitas explicações ele me
ofereceu desse mundo maravilhoso das cores. E pensei: que papel importante tem
um médium com Jesus! Ele é um enfermeiro para quem o sofredor pede ajuda. E
mediunidade disciplinada não está preocupada com o nome dos espíritos e sim com
o valor do trabalho. Se você pertence a um grupo pode notar se ele está ou não
crescendo de produção. E muito importante a gente servir, mas o mais importante
mesmo é servir bem. Despedi-me do amigo e ele ainda me disse: - Luiz Sérgio,
Deus é um grande artista; Ele, na Sua sapiência, coloriu o Universo, e o homem
é uma obra de arte saída das Suas mãos. Se há muitos quadros feios, a culpa não
é do artista: é que a poeira da imperfeição os revestiu - inveja, orgulho,
ódio, tintas colocadas pelo tempo. Mas um dia, cansados da feiura, voltarão a ser
limpos e surgirá a obra de Deus, que está esculpida em nossos espíritos. O dom
artístico é um meio de demonstrar a grandeza divina, portanto, todos os
artistas têm de lutar para serem fiéis ao talento recebido. Esse Departamento
está repleto de irmãos que jogaram, sem critério, as tintas nas telas
materiais, mas ainda mais na sua própria alma, esquecidos de embelezá-la
através do amor. Obrigado, irmão, e um abraço aos seus leitores. Fiquei a
olhá-lo, enquanto se afastava. Ele, para mim, é uma bela tela divina, humilde
companheiro. Dei-me em retirada, e recordei o Antigo Testamento, quando Davi
diz a Salomão, Capítulo 22, versículo 14: Eis que com penoso trabalho preparei
para a casa do Senhor cem mil talentos de ouro e um milhão de talentos de prata
e bronze e ferro em tal abundância que nem foram pesados, também madeiras e
pedras preparei, cuja quantidade podes aumentar. Depois recitei Provérbios de
Salomão, Capítulo 1, versículo 22: Até quando, ó néscios, amareis a necedade? E
vós escarnecidos, desejareis o escárnio? E vós loucos, aborrecereis o
conhecimento? No versículo 32: Os néscios são mortos por seu desvio. Aos loucos
a sua impressão de bem-estar os leva à perdição. Capítulo 16. INTERCÂMBIO
MUSICAL -Filosofando, Sérgio? era Conrad. Daqui para onde vais? - Tenho algumas
horas livres. Acho que vou descansar no meu quarto. - Pensava em te convidar
para darmos uma chegada até um local aonde preciso ir. E muito importante para
mim em função de aprendizado, por isso lembrei-me de ti. - Obrigado, Conrad. Vamos
logo, seja lá aonde for. Ninguém mais do que eu precisa de aprendizado. E assim
fomos caminhando. Havia uma quantidade imensa de árvores lindíssimas; nos seus
galhos, multicores pássaros, que convivem conosco sem temor. Aqui existe
liberdade. Se lhes estendíamos as mãos, carinhosamente nelas empoleiravam-se.
Eles gozam da beleza do ambiente e sabem que nós jamais os maltrataremos. E as
flores? Aqui são cuidadas pelo jardineiro de Deus: Jesus, e alimentadas pelos
espíritos mensageiros. Conrad, vendo-me contemplando a natureza, disse: -
Sérgio, tu gostas muito de narrar aos teus leitores este mundo que encontraste,
não é mesmo? - Admirando as árvores, as flores e os pássaros, estou a perceber
que aqui nada morre, portanto, o pássaro não teme o homem, porque este não pode
atingi-lo; assim também as árvores e as flores. Não há morte porque se vive
realmente. As vezes fico horas e horas contemplando tudo ao meu redor e quando
escrevo falando em pedra, espinhos e sangue, muitos me julgam um louco. Conrad,
de que maneira você descreveria a textura das pedras? Respondeu de imediato: -
Aveludadas. - Aveludadas? - Sim, elas não são iguais às da Terra. Aqui, no
plano em que nos encontramos, a característica das pedras não é diferente das
terrenas, porém menos duras, parecem ocas. Sorri, dizendo: - Aqui as pedradas
não fazem sangrar, porque quem atira pedras no próximo ainda não conseguiu
chegar até aqui. Enquanto caminhávamos, éramos saudados pelo cântico dos
pássaros, o perfume das flores e o balancear das árvores; somos todos irmãos,
lutando pela evolução. Logo avistamos o local que iríamos conhecer e os nossos
ouvidos, pouco a pouco, foram recebendo a dádiva de Deus: a música. Dei uma de
bom brasileiro, caminhando a balancear o corpo. Conrad sorriu. - Sambista, hein?
(...) - Nas horas vagas (... ) nas horas vagas. Amigo, sempre gostei de música;
arranhava o violão, mas longe de entender bem do assunto. Tocava para mim
mesmo, pois sempre respeitei o meu próximo. Conhecedor da minha incompetência,
procurava não torturar os ouvidos alheios. No Departamento da Música,
alcançamos a biblioteca, repleta de obras referentes aos gênios da música -
encarnados e desencarnados, e lentamente fomos descobrindo o encantado mundo
musical. Em cada sala, vimos grupos de aprendizes tendo como mestres nomes
conhecidos em toda a Terra. Parei, deveras deslumbrado com os inúmeros tipos de
instrumentos musicais, alguns nunca vistos por mim. Acerquei-me de um irmão,
que nos deu explicações. - Na Terra serão fabricados alguns desses instrumentos?
- Nem todos. Só quando ela sofrer sua transformação. O homem encarnado ainda
está longe de captar a grandeza da música celeste. Os instrumentos eram belos
demais e logo recordei de um amigo querendo tocar órgão; aqui ele ficaria
maravilhado diante de tantos recursos. Permanecemos algumas horas naquele
Departamento a descobrir mais uma realidade: quando o espírito ama o seu dom,
ao voltar à vida espiritual, esquece que a terra o louva, e aqui se propõe a
trabalhar. Não existe tarefa mais bela ao que a de ajudar ao próximo.
Visitávamos um Departamento musical, com seu anfiteatro repleto de apreciadores
dessa arte. - Conrad, imagine nos planos superiores a qualidade musical! - E
mesmo, Sérgio! Penso que para nos deliciarmos com melodias divinas precisamos
estar aptos. A nossa roupagem atual veda um pouco o poder de apreciação, por
isso cada um recebe de acordo com a sua capacidade. Notamos que os artistas
tocavam instrumentos sólidos, e música verdadeira, bem melhor que a da terra, é
verdade, mas tudo bem material, longe do etéreo. "Mas eu chego lá, isso eu
chego!" - pensei alto. Chegaremos, amigo, chegaremos - falou-me Conrad.
Vendo-me pensativo, o irmão propôs: - Sei que, como eu, tu desejas conhecer
este Departamento. Vamos procurar Ernest. E assim, encontramos o irmão que
gentilmente nos recebeu; ele acabava de dar uma aula e seus alunos iam-se
retirando. Identifiquei dois músicos, bastante respeitados na Terra, ali como
aprendizes. Pensei em perguntar algo sobre eles, mas, deixei prá lá! - Sejam
benvindos! Fui informado de que os jovens irmãos estão estudando o crescimento
da "chama divina", e achei interessante o relato que farão, desde a
criação, à queda e ao reerguimento através das vidas sucessivas. Ao tomarmos
consciência de que nascemos do Todo Poderoso, mas, mesmo assim o nada se
agregou em nós, chega-nos a vontade de fazer brilhar a chama eterna e esta
vontade é a condição de vitória. Cada ser deve procurar a fonte da vida: o
conhecimento, e ele se chama Deus. A música é um dos componentes necessários do
Universo. Ela cura, ameniza e dá paz. - Irmão, aqui o estudo é especializado em
música sacra? - Não, Sérgio, esse setor destina-se ao estudo do melhor meio de
levar inspiração musical até aqueles que, na Terra, têm vocação para compor.
Mas temos alas específicas aos que se dedicam ao canto, à música sacra, aos
concertos, enfim, à enorme variedade de dons musicais existentes. - Irmão, algo
me despertou o interesse: como se faz o intercâmbio musical? - Um grupo fica
encarregado de transmitir aos compositores musicais; outro grupo se ocupa de
transmitir até os encarnados. Alguns captam melhor, principalmente se se
esforçam através do estudo. Aqui ninguém para, sempre estamos mandando até a
terra filamentos de música divina. - Desculpe, irmão, mas a Terra está repleta
de músicas ruins. . - Grande parte não procede daqui e muitas são alteradas na
sua transmissão. Depois, não se esqueça de que as regiões de trevas também
possuem suas músicas. - Eu, hein? Ele nos sorriu, despedindo-se. Agradecidos,
dali saímos. Os meus ouvidos estavam recebendo as mais belas melodias e me
senti muito feliz. A tudo observava com grande interesse. Conrad já conhecia
aquele lugar, pois logo acercou-se dele Paloma, uma bela mulher, que ali
trabalhava, à qual fui apresentado. Indaguei-lhe, de pronto, sobre o salão que
adentrávamos, ao que me respondeu: - Aqui estão os aprendizes do canto. - E
mesmo? E aqui que se aprende a cantar? Irmã posso me inscrever para algumas
aulas? Preciso muito pois os meus amigos reclamam da minha falta de "tom".
Ela sorriu, respondendo: - Desculpe, mas para o irmão chegar até aqui, faz-se
necessário estagiar em várias outras classes. Há uma seleção feita por
espíritos capacitados. Quando o irmão chegar ao pátio, procure observar como é
belo o nosso colégio musical; ele possui desde pequenas escolas de música, até
salas de concerto. - O que fazer então? Conformar-me com a minha incapacidade
musical? Paloma respondeu: - Pelo que sei, o irmão possui muita sensibilidade,
o que o leva a compor belas melodias; posso afirmar-lhe que um dia você chegará
aqui. Já está começando e desejo-lhe completo êxito. Nesse momento, alguém
cantava uma opereta. A voz penetrou em meu espírito, e me senti flutuar; olhei
para meus amigos: eles resplandeciam amor pois aquela voz transformava o
ambiente. A vibração era tão intensa que me imaginei ao lado de Deus,
deliciando-me com o paraíso. Em cada companheiro divisei um arcanjo com suas
roupas de um colorido diferente, nas mais belas tonalidades. Não posso precisar
quanto tempo ali ficamos, e ao nos retirarmos estava até com vergonha de falar.
Não queria perturbar os meus amigos, pois também não queria ser perturbado. Era
tão belo o momento, que silenciosamente fiz uma prece de agradecimento a Deus,
o criador da Chama Eterna. Livro Chama Eterna. Abraço. Davi.
terça-feira, 23 de maio de 2017
segunda-feira, 22 de maio de 2017
O FUTURO DAS COMUNIDADES JUDAICAS NA EUROPA.
Judaísmo. Por Rabino Lorde Jonathan Sacks
(1948- ). O Futuro das Comunidades
Judaicas na Europa. O ódio que começa com os judeus nunca termina com os judeus.
Isto é o que quero que entendamos, hoje. Não foram apenas os judeus que
sofreram com Adolfo Hitler (1889-1945). Não foram apenas os judeus que sofreram com Joseph Stalin (1878-1953). Não
são apenas os judeus que sofrem com o ISIS (estado islâmico) ou a Al Qaeda ou o "Jihad Islâmico".
Cometemos um grande erro se pensamos que o antissemitismo constitui uma ameaça
apenas para os judeus. Trata-se de uma ameaça, antes de mais nada, para a
Europa e as liberdades que este continente levou séculos para conquistar.
O antissemitismo não tem a ver com os judeus. Tem a ver com antissemitas. Tem a
ver com pessoas que não podem aceitar responsabilidade por seus próprios
fracassos e, ao contrário, têm que culpar um terceiro. Historicamente, se você
fosse cristão à época dos Cruzados, ou alemão após a Primeira Guerra Mundial
(28/06/1914 – 11/11/1918), e visse que o mundo não tinha se saído da maneira
que você acreditava que sairia, você culparia os judeus. Isto é exatamente o
que está ocorrendo hoje. E tudo o que eu disser é pouco sobre quão perigoso
isto é. Não apenas para os judeus, mas para todos aqueles que valorizam a
liberdade, a compaixão e a humanidade. O surgimento do antissemitismo em uma
cultura é o primeiro sintoma de uma enfermidade, o sinal prematuro de aviso de
um colapso coletivo. Se a Europa permitir que o antissemitismo floresça, isso
será o início de seu fim. E o que pretendo fazer com estes breves comentários é
simplesmente analisar um fenômeno repleto de incerteza e ambiguidade, pois
necessitamos de precisão e compreensão para entender por que os antissemitas
estão convencidos de que não o são. Primeiro, definamos o que é antissemitismo.
Não gostar de judeus não é antissemitismo. Todos nós conhecemos pessoas de quem
não gostamos. Tudo bem, isto é humano; sem perigo algum. Segundo, criticar
Israel não é antissemitismo. Em conversa recente com alunos de colégio, eles me
perguntaram se criticar Israel era antissemitismo. Eu disse que não. E
expliquei a diferença. Perguntei-lhes: Vocês acreditam que têm o direito de
criticar o governo britânico? Todos levantaram o braço. Perguntei, então: “Quem
acredita que a Inglaterra não tem o direito de existir?”. Ninguém levantou o
braço. Então, agora vocês sabem a diferença, disse-lhes. E todos concordaram.
Antissemitismo significa negar aos judeus o direito de existir coletivamente
como judeus com os mesmos direitos que os demais. Essa negação assume
diferentes formas em diferentes eras. Na Idade Média, os judeus eram odiados
por causa de sua religião. Nos séculos 19 e início do 20 eram odiados por causa
de sua raça. Hoje somos odiados por causa de nosso Estado-nação, o Estado de
Israel. O antissemitismo assume diferentes formas, mas segue sendo a mesma
coisa: a ideia de que os judeus não têm o direito de existir como seres humanos
livres e iguais aos demais. Uma coisa que nem eu nem meus contemporâneos
esperávamos era que o antissemitismo reaparecesse na Europa com o Holocausto
ainda tão vívido em nossa memória. A razão para não o esperarmos foi o fato de
a Europa ter empreendido o maior esforço coletivo, em toda a História, para
assegurar-se de que o vírus do antissemitismo jamais voltasse a infectar o
corpo político. Foi um empenho colossal de legislação antirracista, educação
sobre o Holocausto e diálogo inter-religioso. Contudo e apesar de tudo, o
antissemitismo retornou. Em 27 de janeiro de 2000, representantes de 46
governos de países de todo o mundo se reuniram em Estocolmo – Suécia para
emitir uma declaração conjunta de recordação do Holocausto e de continuação da
luta contra o antissemitismo, o racismo e o preconceito. E, então, veio 11 de
setembro, e em poucos dias, as teorias de conspiração inundaram a Internet bradando
que tinha sido obra de Israel e de seu Serviço Secreto, o Mossad. Em abril de
2002, em Pessach
(páscoa), eu estava em Florença com um casal judeu de Paris, quando
eles receberam uma ligação do filho dizendo: “Mãe, pai, está na hora de deixar
a França. Aqui já não é mais seguro para nós”. Em maio de 2007, numa reunião
privada aqui em Bruxelas – Bélgica, eu disse aos três líderes da Europa, à
época, Ângela Merkel (1954- ),
Presidente do Conselho Europeu; José Manuel Barroso (1956- ), Presidente da Comissão Europeia; e
Hans-Gert Pöttering (1945- ), Presidente
do Parlamento Europeu, que os judeus da Europa estavam começando a se perguntar
se havia futuro para eles na Europa. Isso foi há mais de nove anos. Desde
então, as coisas só pioraram. Já em 2013, antes de alguns dos piores
incidentes, a Agência de Direitos Fundamentais da União Europeia revelou que
quase ⅓ dos judeus da Europa pensavam em emigrar em virtude do antissemitismo.
Na França, o número era de 46%; na Hungria, 48%. Deixem-me perguntar-lhes algo.
Quer sejam judeus, cristãos ou muçulmanos: vocês ficariam em um país onde fosse
necessária a presença da polícia para protegê-los enquanto fizessem suas
orações? Onde seus filhos precisassem de policiais armados para protegê-los, no
colégio? Onde, se usassem um símbolo de sua fé em público, estariam
arriscando-se a serem insultados ou atacados? Onde, quando seus filhos chegam à
universidade, são insultados e intimidados em virtude do que ocorre em alguma
outra parte do mundo? Onde, quando expressam sua própria visão da situação, são
silenciados, aos gritos? Isto está ocorrendo com os judeus em toda a Europa. Em
cada um dos países da Europa, sem exceção, os judeus temem pelo futuro de seus
filhos. A continuar assim, os judeus continuarão a deixar a Europa, até que,
excetuando-se os fragilizados e os idosos, a Europa finalmente se tornará Judenrein, limpa de
judeus. Como isto aconteceu? Aconteceu da forma como os vírus sempre
vencem o sistema imunológico humano, ou seja, por mutação. O novo antissemitismo
é diferente do antigo de três maneiras. Já mencionei uma delas. Primeiro os
judeus foram odiados por sua religião. Depois por sua raça. Hoje são odiados
por seu Estado-nação. A segunda diferença é que o epicentro do antigo
antissemitismo era a Europa. Hoje, é o Oriente Médio e é transmitido
globalmente pelos novos meios eletrônicos. A terceira é especialmente
perturbadora. Vou explicar. Odiar é fácil; difícil é justificá-lo publicamente.
Ao longo da História, quando as pessoas buscavam justificar o antissemitismo,
fizeram-no mediante recurso à mais alta fonte de autoridade de sua cultura. Na
Idade Média, essa fonte era a religião. Tínhamos, então, anti-judaísmo
religioso. Na Europa pós-Iluminismo, essa fonte era a ciência. Estas eram,
então, as duas bases da ideologia nazista – o Darwinismo Social e o
assim-chamado Estudo Científico da Raça. Hoje, a mais alta fonte de
autoridade no mundo são os direitos humanos. É por isso que Israel – a única
democracia em pleno funcionamento no Oriente Médio – com uma imprensa livre e
um judiciário independente – é acusada, com regularidade, dos cinco pecados
capitais contra os direitos humanos: racismo, apartheid, crimes contra a
humanidade, limpeza étnica e tentativa de genocídio. O novo antissemitismo teve
tamanha mutação que qualquer um de seus adeptos pode negar que seja
antissemita. Afinal, dirá, “Não sou racista. Não tenho nada contra os judeus ou
o judaísmo. Meu único problema é com o Estado de Israel”. Mas num mundo
de 56 países muçulmanos e 103 cristãos, há apenas um único Estado judeu –
Israel – que constitui ¼ de 1% da extensão de terra do Oriente Médio. Israel é
o único entre os 193 países-membros das Nações Unidas que tem seu direito à
existência constantemente contestado, tendo, além disso, um país, o Irã, e
muitos, muitos outros grupos, comprometidos com sua destruição. Antissemitismo
significa a negação do direito dos judeus de existirem como judeus, com os
mesmo direitos que todos os demais. A forma em que se reveste,
hoje, é o antissionismo. Há, naturalmente, uma diferença entre sionismo e
judaísmo, e entre judeus e israelenses, mas esta diferença não existe para os
antissemitas. Foram judeus – e não israelenses – as pessoas assassinadas em
ataques terroristas em Toulouse, Paris, Bruxelas e Copenhague - Dinamarca. O
antissionismo é o antissemitismo de nossos dias. Na Idade Média os judeus foram
acusados de envenenar os poços, disseminando a peste e matando crianças cristãs
para usar seu sangue. Na Alemanha nazista, foram acusados de controlar a
América capitalista e a Rússia comunista. Hoje, somos acusados de dirigir a
ISIS e os EUA. Todos os antigos mitos foram reciclados, do Libelo de Sangue aos
Protocolos dos Sábios de Sion. As caricaturas que inundaram o Oriente
Médio são clones das publicados no Der
Sturmer, um dos principais veículos de propagando nazista entre
1923 e 1945. A arma fundamental do novo antissemitismo é assombrosa em sua
simplicidade. Vejam: o Holocausto jamais deverá ocorrer novamente. Mas os
israelenses são os novos nazistas; os palestinos são os novos judeus; todos os
judeus são sionistas. Portanto, os verdadeiros antissemitas de nossos dias são,
nem mais nem menos, que os próprios judeus! E não se trata de ideias marginais.
Estão disseminadas em todo o mundo muçulmano, incluindo as comunidades na
Europa, e estão, aos poucos, infectando a extrema esquerda, a extrema direita,
os círculos acadêmicos, os sindicatos e, até mesmo, algumas igrejas.
Tendo-se curado do vírus do antissemitismo, a Europa está sendo re-infectada
por partes do mundo que nunca passaram pela autoanálise pela qual a Europa
passou, assim que os fatos sobre o Holocausto se tornaram conhecidos. Como tais
absurdos chegaram a ser críveis? Estamos entrando em um campo vasto e complexo,
e eu escrevi um livro sobre o mesmo; mas a explicação mais simples é a que
segue. Quando coisas ruins acontecem a um grupo, seus integrantes podem
fazer uma destas duas perguntas: “O que fizemos de errado?” ou “Quem nos fez
isto?”. Todo o destino do grupo dependerá da pergunta que escolherem. Se perguntarem,
“O que fizemos de errado?”, terão dado início à autocrítica essencial a uma
sociedade livre. Se perguntarem “Quem nos fez isto?”, esse grupo se terá
definido como vítima. E, a seguir, procurará um bode expiatório a quem culpar
por todos os seus problemas. Classicamente, esse tem sido o grupo dos judeus.
Antissemitismo é uma forma de fracasso cognitivo que ocorre quando determinados
grupos sentem que seu mundo está saindo do controle. Teve início na Idade
Média, quando os cristãos perceberam que o Islã os vencera em lugares que eles
consideravam seus, o principal deles, Jerusalém. Foi quando em 1096, a caminho
da Terra Santa, os Cruzados primeiro se detiveram para massacrar as comunidades
judaicas no Norte da Europa. No Oriente Médio nasceu na década de 1920 com o
colapso do Império Otomano. Na Europa o antissemitismo ressurgiu, na década de
1870, durante um período de recessão econômica e ressurgente
nacionalismo. E está reaparecendo na Europa, atualmente, pelas mesmas
razões: recessão, nacionalismo e uma reação contrária aos imigrantes e outras
minorias. O antissemitismo ocorre quando a política da esperança abre caminho
para a política do medo, que rapidamente se transforma em política do ódio.
Isto, então, reduz problemas complexos a simplicidades. Divide o mundo em preto
e branco, vendo todas as falhas de um lado e todos os complexos de vítima do
outro. Seleciona um grupo, entre centenas de criminosos, a quem culpar. O
argumento é sempre o mesmo. Nós somos inocentes; eles são culpados. Daí se deduz
que, para sermos livres, eles, os judeus ou o Estado de Israel, precisam ser
destruídos. Assim se iniciam os grandes crimes. Os judeus eram odiados
por serem diferentes. Eram a minoria não-cristã mais visível em uma
Europa cristã. Hoje, somos a presença não-muçulmana mais visível em um Oriente
Médio islâmico. O antissemitismo sempre se tratou da incapacidade de um grupo
de dar espaço à diferença. Nenhum grupo que adote essa linha jamais poderá, nem
irá criar uma sociedade livre. Portanto, terminarei aonde comecei. O ódio que
começa com os judeus nunca termina com os judeus. O antissemitismo é contra os
judeus apenas de forma secundária. Primariamente tem a ver com o fracasso de
alguns grupos em aceitar a responsabilidade por seus próprios fracassos, e de
construir seu próprio futuro com seu próprio esforço. Nenhuma sociedade que
promoveu o antissemitismo manteve a liberdade, os direitos humanos ou a
liberdade religiosa. Toda sociedade movida pelo ódio começa buscando destruir
seus inimigos, mas termina destruindo a si própria. A Europa, hoje, não é
fundamentalmente antissemita. No entanto, permitiu que o antissemitismo
penetrasse através dos novos meios eletrônicos. Falhou em reconhecer que o novo
antissemitismo é diferente do antigo. Não estamos, hoje, de volta à década de
1930. Mas estamos chegando perto de 1879, quando Wilhelm Marr (1819-1904)
fundou a Liga de Antissemitas, na Alemanha; de 1886, quando Édouard Drumont
(1844-1917) publicou La
France Juive; e de 1897, quando Karl Lueger se tornou prefeito de
Viena. Estes foram momentos-chave na disseminação do antissemitismo, e o que
precisamos fazer, hoje, é recordar que o que foi dito naquele então sobre os
judeus está sendo dito, hoje, sobre o Estado Judeu. A história dos judeus na
Europa nem sempre foi feliz. O tratamento que esse continente deu aos judeus
agregou certas palavras ao vocabulário humano: disputas, conversão forçada,
Inquisição, expulsão, auto da fé, gueto, pogrom e Holocausto – palavras
escritas com lágrimas e sangue judeu. E, com tudo isso, os judeus amavam a
Europa e contribuíram para enriquecê-la com alguns de seus maiores cientistas,
escritores, acadêmicos, músicos, formadores da mente moderna. Se a Europa se
deixar ser arrastada novamente por essa mesma estrada, essa será a história contada
em tempos vindouros. Primeiro vieram atrás dos judeus. Depois dos cristãos.
Depois dos gays. Depois dos ateus. Até que não houvesse nada da alma da Europa,
a não ser uma lembrança distante, moribunda. Tentei, aqui, dar voz àqueles que
não têm voz. Falei em nome dos assassinados de Roma, Sinti, dos gays, dos
dissidentes, dos deficientes mentais e físicos, e de um milhão e meio de
crianças judias assassinadas em virtude da religião de seus avós. Em seu nome,
digo a vocês: vocês sabem onde essa estrada acaba. Não se deixem arrastar por
ela, novamente. Vocês são os líderes da Europa. Seu futuro está em suas mãos.
Se não fizerem nada, os judeus partirão, a liberdade europeia morrerá e haverá
uma mácula moral no nome da Europa que toda a eternidade não bastará para
apagar. Detenham-na, enquanto ainda há tempo. Transcrição de um discurso do
Rabino Lorde Jonathan Sacks na Conferência “O Futuro das Comunidades Judaicas
na Europa”, no Parlamento Europeu, Bruxelas - Bélgica, em 27 de setembro de 2016.
Tradução Lilia Wachsmann. Rabino Lorde Jonathan Sacks - Rabino Chefe das
Congregações Hebraicas Unidas da Commonwealth e Av Beit Din (presidente)
do Beth Din de 1991 a 2013. Em 2009, foi recomendado para um pariato vitalício,
com assento na Casa dos Lordes, com o título de Barão Sacks de Aldgate na City
of London - Inglaterra. Desde que deixou o cargo de Rabino Chefe, o Rabino Sacks vem
trabalhando como Professor de Pensamento Judaico na Universidade de Nova
York - USA, Professor de Pensamento Judaico na Yeshiva University e Professor de
Direito, Ética e Bíblia no King’s College de Londres.
www.morasha.com.br. Abraço. Davi.
sábado, 20 de maio de 2017
A POSSÍVEL SAÍDA DO PRESIDENTE MICHEL TEMER.
Os três textos atribuído ao Jornal O Globo não
são estritamente a opinião do Mosaico, entretanto, a gravidade da situação
política envolvendo diretamente a pessoa do atual presidente da República,
leva-nos a tomar posição diante de fatos, claramente explicitados em gravações já periciadas por especialistas. Mesmo que estas gravações suscitem suspeitas de irregularidades ou apontem para maquiamento de áudio ou transcrição de ondas de rádio. Esse fato não tira o comprometimento do Presidente, ao meu ver, por não informar aos órgãos policiais e judiciais competentes a ilicitude. Sua passividade e omissão ficam claros ao se observar o diálogo com o empresário. Assim, o suposto álibi não justifica o encontro. É inacreditável
que sua excelência tenha recebido na residência oficial, no porão do Palácio,
as 22 horas e 30 minutos, o empresário Joesley Batista, investigado pelo
Ministério Público, acusado de distribuir propinas para políticos, sendo que desde
2003, na gestão dos governos do PT, atua no submundo empresarial, favorecido
por benesses do governo em contrato ilícitos e suspeitos, acobertados por
autoridades públicas e privadas, que atuavam nos setores onde seu conglomerado econômico tinha
interesse. Recebeu facilitação de empréstimos do BNDE de mais de R$ 8 bilhões
de reais. Sua empresa a JBS teve faturamento de mais de R$ 170 bilhões de reais
em 2016, e iniciava contatos para entrar no trilionário mercado de ações americano,
a Bolsa de Nova Iorque. O empresário, Joesley Batista, segundo a Forbes, tem
fortuna avaliada em mais de R$ 3 bilhões de reais, foi pego pela Operação Lava Jato
da Polícia Federal, que (desde 17/03/2014) investiga a generalização sistêmica
da corrupção no país. Assinou o instituto da Delação Premiada com o Ministério
Público Federal, expondo todos os seus ilícitos pessoais e da empresa delatando
os envolvidos, com a intenção de diminuição de sua pena, quando for julgado
pela Justiça Federal. Disse que mais de 1.829 políticos, dentre eles
congressistas (Senadores, Deputados e Governadores) foram beneficiados com
dinheiro ilícito via Caixa Dois, notas frias e outros subterfúgios. Sua empresa
a JBS, com esses crimes injetou mais de R$ 500 milhões de reais na política
brasileira. O Presidente Temer, com essa atitude se fragiliza, pois disse que “não
está envolvido em nenhum crime, e que os recursos que financiaram as suas
campanhas eleitorais foram declarados segundo a lei”. Reiterou em dois rápidos
discursos, ontem e hoje que não renunciará. Contudo é quase impossível, com
essas revelações, o governo Temer permanecer no comando da nação brasileira. Não existe
mais o mínimo de moralidade e ética, além de praticamente pouquíssima
sustentação política. Segue a opinião do jornal para os senhores tirarem suas
conclusões. Editorial do Jornal O Globo.
“A RENÚNCIA DO PRESIDENTE. Um presidente da República aceita receber a visita
de um megaempresário alvo de cinco operações da Polícia Federal que apuram o
pagamento de milhões em propinas entregues a autoridades públicas, inclusive a
aliados do próprio presidente. O encontro não é às claras, no Palácio do
Planalto, com agenda pública. Ele se dá quase às onze horas da noite na
residência do presidente, de forma clandestina. Ao sair, o empresário combina
novos encontros do tipo, e se vangloria do esquema que deu certo: "Fui
chegando, eles abriram. Nem perguntaram o meu nome". A simples decisão de
recebê-lo já guardaria boa dose de escândalo. Mas houve mais, muito mais. Em diálogo que revela
intimidade entre os dois, o empresário quer saber como anda a relação do
presidente com um ex-deputado, ex-aliado do presidente, preso há meses, acusado
de se deixar corromper por milhões. Este ex-deputado, em outro inquérito, é
acusado inclusive de receber propina do empresário para facilitar a vida de
suas empresas no FI-FGTS da Caixa Econômica Federal. O presidente se mostra
amuado, e lembra que o ex-deputado tentou fustigá-lo, ao torná-lo testemunha de
defesa com perguntas que o próprio juiz vetou por acreditar que elas tinham por
objetivo intimidá-lo. Ao ouvir esse relato do presidente, o empresário procura tranquilizá-lo
mostrando os préstimos que fez. Diz, abertamente, que "zerou" as
"pendências" com o ex-deputado, que tinha ido "firme" contra
ele na cobrança. E que ao zerar as pendências, tirou-o "da frente".
Mais tarde um pouco, em outro trecho, diz que conseguiu "ficar de
bem" com ele. Como o presidente reage? Com um incentivo: "Tem que
manter isso, viu?" Não é preciso grande esforço para entender o significado dessa sequência
de diálogos. Afinal, que pendências, senão o pagamento de propinas ainda não
entregues, pode ter o empresário com um ex-deputado preso por corrupção? Que
objetivo terá tido o empresário quando afirmou que, zerando as pendências,
conseguiu ficar de bem com ele, senão tranquilizar o presidente quanto ao fato
de que, com aquelas providências, conseguiu mantê-lo quieto? E, por fim, que
significado pode ter o incentivo do presidente ("tem que manter isso,
viu"), senão uma advertência para que o empresário continue com as
pendências zeradas, tirando o ex-deputado da frente e se mantendo bem com ele? Esses diálogos falam
por si e bastariam para fazer ruir a imagem de integridade moral que o
presidente tem orgulho de cultivar. Mas houve mais. O empresário relata as suas
agruras com a Justiça, e, abertamente, narra ao presidente alguns êxitos que
suas práticas de corrupção lhe permitiram ter. Conta que tem em mãos dois
juízes, que lhe facilitam a vida, e um procurador, que lhe repassa informações.
Um escândalo. O que faz o presidente? Expulsa o empresário de sua casa e o
denuncia as autoridades? Não. Exclama, satisfeito: "Ótimo, ótimo". Não é tudo, porém. Em
menos de 40 minutos de conversa, o empresário ainda encontra tempo para se
queixar de um ex-funcionário seu, atual ministro da Fazenda. Diz, com
desfaçatez, que tem enfrentado resistência no ministro da Fazenda para
conseguir a troca dos mais altos funcionários do governo na área econômica: o
secretário da Receita Federal, a presidente do BNDES, o presidente do Cade e
o presidente da CVM. Pede, então, que seja autorizado a usar o nome do
presidente quando for novamente ao ministro da Fazenda com tais pleitos. O que
faz o presidente? Manda-o embora, indignado? Não, de forma alguma. O presidente
autoriza: "Pode fazer". Este jornal apoiou desde o primeiro instante o projeto reformista do
presidente Michel Temer. Acreditou e acredita que, mais do que dele, o projeto
é dos brasileiros, porque somente ele fará o Brasil encontrar o caminho do
crescimento, fundamental para o bem-estar de todos os brasileiros. As reformas
são essenciais para conduzir o país para a estabilidade política, para a paz
social e para o normal funcionamento de nossas instituições. Tal projeto fará o
país chegar a 2018 maduro para fazer a escolha do futuro presidente do país num
ambiente de normalidade política e econômica. Mas a crença nesse
projeto não pode levar ao autoengano, à cegueira, a virar as costas para a
verdade. Não pode levar ao desrespeito a princípios morais e éticos. Esses
diálogos expõem, com clareza cristalina, o significado do encontro clandestino
do presidente Michel Temer com o empresário Joesley Batista. Ao abrir as portas de sua
casa ao empresário, o presidente abriu também as portas para a sua derrocada. E
tornou verossímeis as delações da Odebrecht, divulgadas recentemente, e as de Joesley, que vieram agora a público. Nenhum cidadão,
cônscio das obrigações da cidadania, pode deixar de reconhecer que o presidente
perdeu as condições morais, éticas, políticas e administrativas para continuar
governando o Brasil. Há os que pensam que o fim deste governo provocará, mais
uma vez, o atraso da tão esperada estabilidade, do tão almejado crescimento
econômico, da tão sonhada paz social. Mas é justamente o contrário. A realidade
não é aquilo que sonhamos, mas aquilo que vivemos. Fingir que o escândalo não
passa de uma inocente conversa entre amigos, iludir-se achando que é melhor
tapar o nariz e ver as reformas logo aprovadas, tomar o caminho hipócrita de
que nada tão fora da rotina aconteceu não é uma opção. Fazer isso, além de
contribuir para a perpetuação de práticas que têm sido a desgraça do nosso país,
não apressará o projeto de reformas de que o Brasil necessita desesperadamente.
Será, isso sim, a razão para que ele seja mais uma vez postergado. Só um
governo com condições morais e éticas pode levá-lo adiante. Quanto mais
rapidamente esse novo governo estiver instalado, de acordo com o que determina
a Constituição, tanto melhor. A renúncia é uma decisão unilateral do presidente. Se desejar, não o que
é melhor para si, mas para o país, está acabará sendo a decisão que Michel
Temer tomará. É o que os cidadãos de bem esperam dele. Se não o fizer,
arrastará o Brasil a uma crise política ainda mais profunda que, ninguém se
engane, chegará, contudo, ao mesmo resultado, seja pelo impeachment, seja por
denúncia acolhida pelo Supremo Tribunal Federal. O caminho pela frente não será
fácil. Mas, se há um consolo, é que a Constituição cidadã de 1988 tem o roteiro
para percorrê-lo. O Brasil deve se manter integralmente fiel a ela, sem
inovações ou atalhos, e enfrentar a realidade sem ilusões vãs. E, passo a
passo, chegar ao futuro de bem-estar que toda a nação deseja”. www.oglobo.globo.com.br. Texto
da jornalista Miriam Leitão com a cooperação de Álvaro Gribel e Marcelo Loureiro. “O FIM DO GOVERNO. Estava tudo
errado naquela reunião. O presidente Michel Temer recebeu na calada da noite um
alvo da Justiça que relatou estar tentando interferir na Lava-Jato, querendo
influir em órgãos reguladores e dando dinheiro a um investigado. A única saída boa
para aquela conversa era Temer chamar o procurador-geral da República e relatar
os crimes que ouviu. Seu silêncio fala mais que as palavras. O empresário
demonstrou intimidade com Temer até na maneira cifrada de falar e no pedido
para outros encontros noturnos. Aquele foi depois das 22h. Temer se pega a
detalhes, achando que basta provar que não pediu para Joesley mandar dinheiro para Cunha. O que é
estarrecedor é o conjunto da reunião. Joesley reclama de um procurador, diz que deu
uma “segurada” em dois juízes, avisa que tem um procurador que passa
informações da Força Tarefa. Só isso já é claramente obstrução de Justiça, é
confissão de crime. Ele continuou falando sobre interferir na CVM e no Cade, órgãos que regulam empresas.
Conta que falou com o “Henrique” Meirelles sobre mexer na Receita Federal.
Meirelles trabalhou quatro anos no grupo J&F. Na parte do diálogo sobre o
ex-deputado Eduardo Cunha, Joesley usa palavras que por si só são
comprometedoras. “Zerei o que eu tinha”, “zerou tudo”, “ele cobrou”. Significa
dizer que ele devia dinheiro a Eduardo Cunha e o presidente Temer sabia,
entendeu essas frases entrecortadas, em que ele avisava que tinha pagado uma
dívida com Cunha. O contexto em que o presidente Temer diz a frase “tem que
manter isso” é depois de o empresário ter falado que estava “bem com o
Eduardo”. Não era exatamente após ele falar que estava dando mesada. Ainda
assim, o que Joesley estava ali
falando era que estava bem com outro investigado, porque tinha quitado dívidas. Joesley e Eduardo Cunha estão no mesmo caso,
investigados pela Operação Sepsis,
do uso dos recursos do FI-FGTS envolvendo pagamento de propina e empréstimos
com vantagens indevidas e que foram intermediadas por um amigo de Joesley,
Lúcio Funaro, e um indicado de Cunha para a vice-presidência da Caixa, Fábio
Cleto. Então ele só poderia estar “bem com Eduardo”, depois que “zerou tudo”,
se fosse pagamento de propina. Nada há de republicano em parte alguma daquela
conversa. Estão errados o local, a hora, o tom, os temas, a intimidade. Não é
por uma frase que Temer tem que ser investigado a propósito dessa reunião, mas
por toda ela. O governo ontem, agarrava-se na possibilidade de que o áudio
fosse provar a versão do presidente Temer de que ele não pediu para que Joesley desse dinheiro a Eduardo Cunha. Um
ministro disse que o governo tentaria ver se “as ruas” aceitariam a versão de
Temer. Não há rua alguma a favor de Temer, e até a versão que ele dá para a
conversa é ruim o suficiente. Antes havia uma crise política no país, agora é a
crise Temer. O presidente é o ponto de instabilidade. Em um país sem governo, o
que pode acontecer com os ativos? A forte oscilação que houve ontem. A bolsa
despencou. O risco-país disparou. A Petrobras caiu 15%, o Banco do Brasil, 20%,
ao longo do dia. Após o anúncio do presidente de que não ia renunciar, a ação
do BB caiu 7%. O dólar abriu a R$ 3,13 e chegou a R$ 3,40. A variação poderia
ser ainda maior. O BC ofertou o equivalente a US$ 4 bi em contratos que
funcionam como venda futura de moeda e a cotação terminou o dia em R$ 3,38,
alta de 8%, a maior em um dia desde a maxidesvalorização de janeiro de 1999. De
hoje até terça-feira, haverá outros três leilões de swap, no total de US$ 6 bi.
O BC vinha reduzindo o estoque desses contratos, mas a volatilidade mudou essa
orientação. Isso já se esperava. A questão não é um dia de pânico, mas a
sensação de que não há horizonte rápido para a solução do problema político. Um ministro do governo admitiu ontem ao
fim do dia que “é muito difícil reverter o quadro” mas acrescentou: “até para
terminar é preciso amadurecer”. É simplesmente uma questão de tempo para que o
presidente Temer deixe o governo. Pode ser renúncia ou através da saída menos
demorada que é o TSE (Tribunal Superior Eleitoral). O importante é ser uma
solução constitucional”. www.blogs.oglobo.globo.com.br.
Abraço.
Davi. Por Carolina Morand. “OS
SETE PECADOS DE TEMER NA CONVERSA COM JOESLEY BATISTA. Presidente não
repreendeu empresário após o relato de um crime, entre outros pecados. O
presidente Michel Temer, da República Federativa do Brasil, recebeu o
empresário Joesley Batista, dono da JBS, por volta das 22h30 do dia 7 de março
de 2017, uma terça-feira, no Palácio Jaburu em Brasília. Temer acabara de
voltar de uma festa. Os dois falaram a sós, fora da agenda oficial, durante
cerca de 40 minutos - e, como revela a gravação feita por Joesley, falaram em
tom de intimidade. Joesley começa perguntando ao presidente: "Como é que
tá a correria?". Um pouco de conversa adiante, o empresário diz ao
presidente que um dos motivos da visita era que não se encontravam havia algum
tempo: "Ainda não tinha te visto desde quando você assumiu". Um
comentário em tom informal. No final, os dois se despedem dizendo que gostaram
de se ver e concluem que essa forma de encontro é boa. No finalzinho da
conversa, Temer comenta: "Você emagreceu". Joesley, dono do
conglomerado gigante que tem embutidos e comidas processadas em seu portfólio,
explica: "Estou comendo coisa mais saudável, menos doce, menos
industrializado." Pode-se considerar que, na conversa entre os amigos,
Temer comete pecados capitais. Não repreendeu Joesley por relatar fatos
criminosos nem há registro de que tenha levado adiante alguma denúncia. Veja os
sete pecados da conversa: PRIMEIRO PECADO: Joesley Batista diz
que recebeu cobranças de Eduardo Cunha mesmo quando o ex-deputado já estava na
prisão. Depois acrescenta que está “de bem com o Eduardo”, e Temer responde:
“Tem que manter isso, viu?”. Se o áudio, com trechos inaudíveis, não é
definitivo sobre o aval de Temer à compra do silêncio de Cunha (a afirmação
sobre o aval foi feita pelo Ministério Público com base no contexto da conversa
e no conjunto das investigações), ele mostra o presidente endossando a
tentativa de Joesley de manter bom relacionamento com o ex-presidente da
Câmara, preso por corrupção. SEGUNDO PECADO: Joesley
afirma que estaria “segurando” dois juízes que atuam em processos nos quais é
investigado, dando a entender que subornou os magistrados. Temer comenta:
“Ótimo, ótimo”. Ao Ministério Público, o empresário disse que a declaração foi
um blefe, mas àquela altura Temer não sabia disso. Sobre esse trecho da
gravação, a Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da
República divulgou uma nota afirmando que "o presidente Michel Temer não
acreditou na veracidade das declarações". Não há registro de que Temer
tenha solicitado qualquer investigação sobre as afirmações de Joesley, apesar
de sua gravidade. TERCEIRO PECADO: Em dois trechos,
Joesley revela que tem um informante dentro do Ministério Público. Temer se
cala. Em 18 de maio, o procurador da República Ângelo Goulart Villela,
integrante da força-tarefa da operação Greenfield, foi preso, acusado de
repassar informações sigilosas Joesley. QUARTO PECADO: Joesley diz que está atuando para tentar trocar
o procurador que o investiga. Temer, mais uma vez, não se opõe. Nem mesmo faz
uma crítica após ouvir essa informação. QUINTO
PECADO: Joesley pergunta qual é a
melhor forma de resolver uma questão de interesse da JBS. Temer indica que ele
procure Rodrigo. O Rodrigo em questão é o deputado Rodrigo Rocha Loures. Dias
depois da conversa, o dono da JBS marcou um encontro com Rocha Loures em
Brasília e conversou com ele sobre uma demanda da empresa no Conselho
Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Pelo serviço, Joesley ofereceu
propina de 5% e o deputado concordou. Rocha Loures foi filmado pela Polícia
Federal recebendo uma bolsa com R$ 500 mil enviados por Joesley. Temer aceitou
ter um intermediário para discutir os interesses de um grupo privado e indicou
alguém que fazia parte de um esquema de corrupção. SEXTO PECADO: Joesley diz que quer “ter uma sintonia” com Temer para conversar com o
ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. O empresário sugere que pretende
influenciar a escolha dos presidentes do Cade e da CVM. Temer não interrompe a
conversa e inclusive autoriza Joesley a falar com Meirelles. SÉTIMO PECADO: Temer sugeriu a Joesley que o Comitê de
Política Monetária (Copom) poderia vir a cortar os juros em 1 ponto porcentual
na reunião seguinte. A reunião do Copom ocorreu pouco mais de um mês depois da
gravação, no dia 12 de abril, quando o BC resolveu cortar a taxa básica de
juros em 1 ponto porcentual, para 11,25% ao ano. O corte de 1 ponto percentual
era a aposta que economistas do mercado começavam a fazer em março, mas Temer
não faz essa ressalva na conversa. Há um peso quando o presidente fala de uma
aposta sobre juros, sobretudo porque o Copom é independente para decidir a taxa”. www.oglobo.globo.com.br.
“OS QUATRO CAMINHOS QUE PODEM DEPOR
TEMER DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA: 1 – Impeachment. Oito pedidos já foram protocolados na
Câmara dos Deputados contra o Presidente da República. O número não é incomum,
o volume ajuda a pressionar uma decisão favorável à saída do Chefe do
Executivo. 2 – Supremo Tribunal Federal (STF). Caso a Procuradoria Geral da
República afirme que (PGR) afirme que Temer cometeu um crime durante seu
mandato, ela pode fazer uma denúncia penal perante o STF. Em seguida o Supremo
encaminha o pedido para a Câmara dos Deputados, que com uma aprovação de 2/3 do
Plenário, manda de volta a denúncia ao STF. Se o Supremo aceitar a denúncia
Temer é afastado de seu cargo por 180 dias. Sendo considerado culpado nesse
meio tempo, perde o cargo permanentemente. 3 – Tribunal Superior Eleitoral. Uma
terceira possível rota para a queda de Temer começou antes mesmo dele assumir
como Vice-Presidente reeleito. No TSE tramita um pedido de cassação da Chapa
Dilma-Temer. A ação teve início em 2014, e a justificativa é que a campanha
eleitoral teria usado dinheiro de Caixa Dois, doações ilícitas não declaradas à
Justiça Eleitoral, havendo toneladas de provas que foram mesmo usadas, como
virtualmente todas as campanhas de grande porte. Este julgamento está marcado
para o dia 06 de junho. 4 – Renúncia. A pressão sobre Temer é maior do que a
que pairava sobre Dilma. Semelhante a que viveu Fernando Collor em 1992. O
Editorial acima do Jornal O Globo dá o tom, pede sua saída imediata
acrescentando: Temer está só”. www.exame.abril.com.br.
Abraço. Davi.
sexta-feira, 19 de maio de 2017
II. KRISHNA - SUA POSIÇÃO, SEU NASCIMENTO E SUA MORADA.
Hinduísmo. Texto de Sri
Nandanandana. O Senhor também lhes contou que Ele aparecera duas outras vezes
como filho deles na forma de Prishnigarbha e Vamanadeva. Aquela era a terceira
vez em que Ele aparecia como filho deles para satisfazer-lhes o desejo. Naquela
noite, durante uma tempestade, o Senhor Krishna desejou deixar a prisão e ser
levado para Gokula. Pelo arranjo de yogamaya,
as algemas e os portões prisionais se abriram e os guardas adormeceram, em
virtude do que Vasudeva pôde deixar a prisão e levar Krishna para Gokula,
salvando assim a criança do perigo de Kamsa. Nesse momento, a própria yogamaya nascia de mãe Yashoda como uma
menininha. Quando Vasudeva chegou à casa de Nanda Maharaja, todos estavam em
sono profundo. Ele, destarte, pôde colocar o Senhor Krishna nas mãos de Yashoda
ao mesmo tempo em que pegava a bebezinha dela para a levar de volta consigo.
Quando retornou, colocou a bebê na cama de Devaki e se preparou para reaceitar
seu lugar na prisão acorrentando-se novamente. Quando Yashoda despertou em
Gokula, ela não conseguia se lembrar se havia dado à luz um bebê do sexo
masculino ou feminino, e logo aceitou o Senhor Krishna como o seu bebê. Quando
a bebê, Yogamaya, começou a chorar de manhã, seu choro chamou a atenção dos
carcereiros, que, então, notificaram o rei Kamsa. Kamsa entrou violentamente na
prisão a fim de matar a criança. Devaki suplicou-lhe que poupasse a bebê.
Rejeitando o rogo da irmã, arrancou a menina de suas mãos e tentou atirar a
bebê contra uma rocha. Contudo, ela deslizou para fora de suas mãos e ergueu-se
acima de sua cabeça, flutuando no ar enquanto exibia sua verdadeira forma como
a Durga de oito braços. Durga disse a Kamsa que a pessoa pela qual ele estava
procurando já havia nascido em outro lugar. Kamsa encheu-se de surpresa vendo
que o oitavo filho de Devaki aparecera no sexo feminino e que o inimigo que ele
temia havia nascido em outro lugar. Ele, então, libertou Devaki e Vasudeva,
pedindo desculpas por tudo o que fizera. Todavia, após se consultar com seus
ministros, Kamsa decidiu que o melhor a fazer era matar todas as crianças que
haviam nascido nos últimos dez dias de maneira a tentar encontrar e matar seu
inimigo, Krishna. Assim tiveram início as atrocidades de Kamsa e seus
ministros, pelas quais pagaria quando o Senhor Krishna o matasse. Antes desse
dia, o Senhor Krishna começou Seus passatempos com Seus devotos em Gokula e
Vrindavana a fim de exibir Suas características, personalidade e beleza únicas.
Deste modo, como Sri Uddhava explicou a Vidura, “o Senhor apareceu no mundo
mortal através de Sua potência interna, yogamaya.
Ele veio em Sua forma eterna, que é perfeitamente apropriada para Seus
passatempos. Esses passatempos foram maravilhosos para todos – até mesmo para
aqueles orgulhosos de sua própria opulência, incluindo o próprio Senhor em Sua
forma como o Senhor Vaikuntha. Assim, o corpo transcendental de Sri Krishna é o
ornamento de todos os ornamentos. A Personalidade de Deus, o controlador
absolutamente compassivo tanto da criação material quanto da criação
espiritual, é não nascido, mas, quando há atrito entre Seus pacíficos devotos e
aqueles que estão nos modos da natureza material, Ele nasce assim como o fogo,
acompanhado pelo mahat-tattva”.
(Srimad-Bhagavatam 3.2.12,15).
Como Compreender Deus. Algumas vezes, as pessoas dizem que querem ver
Deus, ou que Deus não é perceptível. Ambos os pontos são confirmados na
escritura védica, mas com considerações adicionais sobre como podemos perceber
o Ser Supremo. A Shvetashvatara
Upanishad (4.20) explica:
“Sua forma de beleza é imperceptível aos sentidos mundanos. Ninguém O pode ver
com olhos materiais. Somente aqueles que concebem, através da profunda
meditação de um coração puro, essa Personalidade Suprema, que reside no coração
de todos, podem obter a libertação”. A lila de Krishna, ou Seus passatempos,
acontecem eternamente no mundo espiritual, ao passo que parecem acontecer
somente em certos pontos do tempo dentro da energia material. Contudo, quem
purificou sua consciência pode testemunhar essas atividades mesmo enquanto no
corpo material. Isso pode ocorrer especialmente nos locais sagrados (dhamas),
onde as energias material e espiritual se justapõem e o mundo espiritual
aparece dentro desta esfera material. Tais lugares incluem Vrindavana, Mathura,
Jagannatha Puri, Dvaraka e assim por diante. E quando o Senhor está satisfeito
com o seu serviço, Ele pode Se revelar para você. Desta forma, muitos devotos
elevadíssimos e puros de Krishna foram capazes de ter um darshana pessoal do Senhor e testemunhar
Seus passatempos mesmo enquanto no corpo material. Tais pessoas deixaram
instruções para nós de modo que, seguindo-as, possamos ter a mesma experiência.
Essa é a verificação de que o processo devoção, bhakti-yoga, funciona. O Srimad-Bhagavatam (10.14.29) traz este ponto: “Meu
Senhor, se alguém é favorecido por mesmo um mero traço da misericórdia de Teus
pés de lótus, ele pode entender a grandeza Tua, ó Personalidade Suprema.
Aqueles que recorrem à especulação como o meio para compreender a Suprema
Personalidade de Deus são incapazes de Te conhecerem, mesmo caso prossigam
estudando os Vedas por muitos anos”. Uma vez que Krishna
é o Ser Supremo e a fonte de todo desfrute, é de nosso maior interesse nos
ocuparmos a Seu serviço, pois isso também nos conectará a Ele e nos dará o
grande prazer e a bem-aventurança que sempre tentamos encontrar. Esse é o ponto
do serviço devocional, chamado bhakti-yoga,
que é o processo de conectar (yoga) com o Supremo através da devoção (bhakti).
Desta maneira, nossa inerente propensão amorosa é direcionada ao amante supremo
e ao objeto natural do amor: Deus. Não existe melhor maneira para encontrar
Deus do que essa. Em outras palavras, através da devoção não tentamos ver Deus,
mas agimos de tal forma que Deus Se revele a nós. Então, tudo se concretiza.
Não pode haver conquista maior na forma humana de vida do que isso. Tudo mais é
temporário – vem e se vai. Somente nossas conquistas espirituais duram
eternamente, pois são ligadas à alma imortal. Por conseguinte, redespertar
nosso relacionamento com o Supremo é a meta mais elevada na existência humana.
Dado que o Senhor Krishna é a Suprema Personalidade, naturalmente há certas
maneiras pelas quais O compreender. O segredo é explicado diretamente pelo
próprio Senhor Sri Krishna quando Ele diz: “O conhecimento acerca de Mim, como
descrito nas escrituras, é muito confidencial e tem que ser assimilado em
conjunto com o serviço devocional. Estou explicando a parafernália necessária
para esse processo. Podes receber isso cuidadosamente. Tudo o que é Meu, a
saber, Minha verdadeira forma eterna e Minha existência transcendental, Minha
cor, Minhas qualidades e Minhas atividades – que tudo se desperte dentro de ti
por vivência fatual, por Minha misericórdia sem causa”. (Srimad-Bhagavatam 2.9.31-32). Para dar início a esse
processo, o sujeito necessita ouvir de alguém que sabe e é familiarizado com as
qualidades do Senhor Krishna e pode explicá-las a outros. Isso é estabelecido
neste famoso verso: “Àquelas grandes almas que têm fé inabalável tanto no
Senhor quanto no mestre espiritual, todos os significados do conhecimento
védico são automaticamente revelados”. (Shvetashvatara Upanishad 6.23). “Regularmente ouvindo, cantando
e meditando nos belos tópicos do Senhor Mukunda [Krishna] com sinceridade
sempre crescente, um mortal alcançará o divino reino do Senhor, onde o
inviolável poder da morte não tem influência. Para esse fim, muitas pessoas,
incluindo grandes reis, abandonaram seus lares mundanos e partiram para a
floresta”. (Srimad-Bhagavatam 10.90.50).
Nessa declaração fica claro que, para aqueles que ouvem e entoam o santo nome e
os tópicos referentes a Krishna, milhões de graves reações pecaminosas são
prontamente reduzidas a cinzas. É claro que o momento mais importante para nos
lembrarmos do Senhor e cantarmos Seu nome é a hora da morte. É por isso que é
dito que aqueles que cantam “Krishna, Krishna” na hora que o corpo expira são
indivíduos aptos para a libertação. A Gopala-tapani
Upanishad (1.6) afirma que
“aquele que medita na Pessoa Suprema, glorifica-O e adora-O, obtém a
libertação”. Em conclusão, o Senhor Krishna explica de maneira simples: “Porque
és Meu amigo muito querido, compartilho contigo a parte mais confidencial do
conhecimento. Ouve-Me falar-te isso, pois é para o teu benefício. Sempre pensa
em Mim e torna-te Meu devoto. Adora-Me e oferece-Me tuas homenagens. Assim,
virás a Mim impreterivelmente. Prometo-te isso porque és Meu amigo muito
querido. Abandona todas as variedades de religião e simplesmente te rende a
Mim. Libertar-te-ei de todas as reações pecaminosas. Não temas”. (Bhagavad-gita 18.63-66). A Consequência de Não
Conhecer Krishna. Quando os ensinamentos védicos falam sobre as
consequências de alguém não ter suficiente fé no Senhor Krishna, ou no processo
para conhecê-lo, é algo bastante diferente do que você talvez encontre em
outras fés ou religiões, que talvez professem que você vai para um inferno
eterno caso você não creia ou que você é um infiel digno de morte ou qualquer
outra coisa do gênero. Contudo, deixar de investigá-lo e conhecer qual é o
nosso destino final é algo tido como um desperdício desta vida em particular. O
Senhor Krishna explica pessoalmente: “Se alguém é bem versado em toda a
literatura védica, mas deixa de familiarizar-se com o Supremo, tem-se de
concluir que toda a sua educação é como o fardo de um animal ou como a manutenção
de uma vaca que não dá leite”. (Srimad-Bhagavatam 11.11.18). “Aqueles que adoram os
deuses nascerão entre os deuses, aqueles que adoram fantasmas e espíritos
nascerão entre tais seres, aqueles que adoram os ancestrais terão com os
ancestrais, e aqueles que Me adoram viverão comigo”. (Bhagavad-gita 9.25) Assim, a pessoa é autorizada a
proceder com sua vida da maneira que queira. O Senhor Krishna permite que cada
pessoa se desenvolva em seu próprio caminho e continue vagando pelo universo e
por vários tipos de atividades até que comecem a se perguntar sobre o propósito
da existência ou se tornem dispostas a um caminho espiritual profundo. As
atividades materialistas não é o caminho pelo qual se pode conseguir paz, e a
maioria de nós precisa descobrir isso por si mesmo. Contudo, uma pessoa não
pode ser ajudada até que esteja pronta. Até essa hora, portanto, podemos
oferecer-lhes o conhecimento espiritual de que necessitam, mas decidirão por si
mesmas o quanto desse conhecimento desejam utilizar. Quando, por exemplo, Sri
Krishna falou todo o Bhagavad-gita a Arjuna, Ele, ao final, perguntou a
Arjuna o que ele gostaria de fazer. Ele tinha que tomar sua decisão. Ele não
foi forçado a nada. Da mesma maneira, podemos apenas oferecer este conhecimento
para o benefício da humanidade, e cada indivíduo pode decidir o que deseja
fazer, ou por quanto tempo deseja continuar com sua existência nos mundos
materiais. A Eterna Morada Espiritual de Krishna. Os textos védicos
descrevem que há inumeráveis planetas espirituais no céu espiritual, além desta
criação material, cada um com uma das ilimitadas formas do Senhor com
incontáveis devotos ocupados a Seu serviço. No centro de todos os planetas
espirituais de Vaikuntha (o mundo espiritual, ou, literalmente, “o local sem
ansiedade”), está o planeta conhecido como Krishnaloka, ou Goloka Vrindavana.
Essa é a morada pessoal da original Suprema Personalidade de Deus, Sri Krishna.
Krishna desfruta de Sua bem-aventurança transcendental em múltiplas formas
neste planeta, e todas as opulências dos outros planetas Vaikuntha se encontram
ali. Esse planeta tem a forma de uma flor de lótus, e muitos tipos de
passatempos acontecem em cada pétala desse lótus, como descreve a Brahma-samhita (5.2,4): “A sublime residência de
Krishna, que é conhecida como Gokula, é a morada suprema. Essa morada é o
centro de um lótus de milhares de pétalas, e é sustentada por uma fração da
energia espiritual de Baladeva chamada Ananta. O centro desse eterno reino de
Gokula é a morada hexagonal de Krishna, e suas pétalas são as moradas das gopis, que são partes e
parcelas de Krishna, a quem elas são muitíssimo amavelmente devotadas e
similares em essência. As pétalas brilham belamente como muitíssimas muralhas.
As folhas estendidas desse lótus são várias divisões similares a jardins e
caramanchões, destinados a Sri Radhika e as demais gopis”. O único afazer que Sri
Krishna tem no reino espiritual é o desfrute transcendental. O único afazer dos
servos eternos de Krishna é oferecer-Lhe desfrute. Quanto mais desfrute os servos,
ou devotos, concedem a Krishna, mais feliz Ele fica. E quanto mais feliz
Krishna fica, mais Seus devotos se veem motivados e experimentam êxtase eterno
e transcendental. Desta forma, há uma competição sempre crescente de êxtase
espiritual entre Krishna e Suas partes integrantes. Esse é o único afazer no
mundo espiritual, como confirma o verso seis da Brahma-samhita: “O Senhor de
Gokula é o Senhor Supremo e transcendental, o próprio eu dos êxtases eternos.
Ele é superior a todos, ocupa-Se completamente nas recreações do reino
transcendental, e não tem associação alguma com Sua potência mundana
(material)”. Embora não seja possível experienciar os passatempos espirituais
ou ver a forma do Supremo com sentidos ordinários, podemos, como já dito,
espiritualizar os nossos sentidos pela prática do yoga devocional e alcançar assim a
plataforma de perceber o Supremo a todo instante. Nesse momento, começamos a
nos tornar conscientes de Krishna e podemos começar a entrar nos passatempos de
Krishna, embora ainda estejamos situados dentro deste corpo material. Caso nos
tornemos plenamente espiritualizados dessa maneira, não há dúvidas de que,
quando abandonemos este corpo material, retornaremos ao mundo espiritual. Até
lá, podemos continuar estudando os textos védicos para nos lembrarmos e nos
familiarizarmos com a beleza e amabilidade do mundo espiritual, como descritas
a seguir: “Adoro Goloka, onde residem ilimitadas gopis e onde reside Krishna, o amado das gopis e a forma suprema de Deus, onde todas
as árvores são árvores-dos-desejos, onde a terra é composta de pedras
filosofais, onde a água é tão doce quanto néctar, onde toda palavra é uma
canção, todo passo é uma dança, onde a flauta é a melhor amiga – sempre a
anunciar jubilosamente e em todo lugar a presença de Krishna –, cuja
refulgência é magnífica e plena de bem-aventurança transcendental, onde tudo o
que é desfrutável também é pleno de conhecimento e bem-aventurança, onde
inumeráveis vacas leiteiras sempre derramam transcendentais oceanos de leite,
onde inexiste passado ou futuro em virtude de o tempo não transcorrer sequer
pelo espaço de meio instante. Esse reino de Goloka é conhecido apenas por
pouquíssimas almas auto realizadas neste mundo”. (Brahma-samhita,
5.56). “O dhama Vrindavana é um local de júbilo sempre
crescente. Flores e frutas de todas as estações crescem ali, e essa terra
transcendental é repleta do doce som de vários passarinhos. Todas as direções
ressoam com o zunir de abelhões, e são servidas por brisas refrescantes e pelas
águas igualmente refrescantes do rio Yamuna. Vrindavana é decorada por
árvores-dos-desejos tomadas de trepadeiras e belas flores. O pólen dos lótus
vermelhos, azuis e brancos ornamentam sua divina beleza. O solo é feito de
joias, cuja glória esplendorosa é igual a uma miríade de sóis surgindo no céu
de uma só vez. Nesse solo, há um bosque de árvores-dos-desejos, que sempre
derramam amor divino. Nesse jardim, há um templo de joias, cujo pináculo é
feito de rubis. Várias joias o decoram, em virtude do que permanece brilhantemente
refulgente ao longo de todas as estações do ano. O templo é embelezado por
abóbadas de cores intensas, brilhando com várias gemas, e traz ainda telhados
decorados por rubis e portões e arcadas ataviadas de pedras preciosas. Seu
esplendor é igual a milhões de sóis, e é eternamente livre das seis ondas de
misérias materiais. Nesse templo, há um grande trono dourado ataviado de muitas
joias. É desta maneira que se deve meditar no reino divino do Senhor Supremo, o dhama Sri Vrindavana”. (Gautamiya Tantra 4). Estudando e ouvindo sobre a beleza
do mundo espiritual, compreendemos que tudo pelo que estamos procurando na vida
tem sua origem nesse reino eterno. Ali, como se descreve, a pessoa encontra
liberdade de todas as dores e de todo sofrimento, e a atmosfera é
ilimitadamente plena de beleza, júbilo, felicidade e conhecimento sempre em
expansão, bem como relacionamentos amorosos eternos. Nesse reino, ninguém tem
as dificuldades de manter o corpo, pois todos possuem formas espirituais.
Assim, trata-se de um mundo repleto unicamente de recreação, sem a peleja
peculiar à manutenção da própria existência. Jamais há fome, e podemos
banquetear sem nunca ficarmos cheios. Tampouco há lamentação quanto ao passado
ou medo do futuro. Descreve-se que o tempo é notado por sua ausência. Assim, as
necessidades da alma por completa liberdade e felicidade e amor irrestritos se
encontram na atmosfera espiritual. Esse é o nosso verdadeiro lar. www.voltaaosupremo.com.br. Abraço.
Davi.
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