Budismo. Livro Bondade, Amor e Compaixão. Por Tenzin Gyatso – O Dalai Lama (1935 - ). O ALTRUISMO E AS SEIS PERFEIÇÕES. Parte I. O principal tema do budismo é o altruísmo, baseado na compaixão e no amor. O sentimento de compaixão é importante, sejamos ou não crentes, pois todas as pessoas compartilham ou sentem o valor do amor. Quando somos crianças, nós, seres humanos, dependemos muito da bondade dos nossos pais. Sem sua afeição seria difícil sobreviver. Quando chegamos a uma idade avançada, necessitamos, mais uma vez, da bondade alheia – dependemos dela. Entre essas duas fases – a infância e a velhice, nos tornamos bastante independentes. Sentimos que por não depender dos outros, não necessitamos praticar a bondade. Isso é errado. Aqueles que estão envolvidos na prática da compaixão se sentem muito mais felizes interiormente, mais calmos, mais tranquilos, e as outras pessoas retribuem esse sentimento. A verdadeira paz, amizade e confiança são impossíveis de se obter por meio de um sentimento hostil. Entretanto, por meio do amor podemos desenvolver a compreensão, a união, a amizade e a harmonia. Desse modo, a bondade e a compaixão são as coisas mais importantes, preciosas e valiosas. Os seres humanos possuem um cérebro sofisticado e, como resultado, tem desenvolvido um grande progresso material. Contudo, se equilibrarmos o desenvolvimento externo com o interno, poderemos usar as coisas materiais de maneira correta. Como a compaixão e o altruísmo são tão importantes, darei algumas explicações do ensinamento budista a respeito de como praticá-lo. A espécie de boa atitude, à qual estou me referindo é um sentimento que temos quando, defrontados com a escolha entre nossa própria felicidade e a do outro, optamos pela felicidade alheia. Acalentar os interesses do próximo em detrimento dos nossos é algo que não pode ser desenvolvido, imediatamente. Necessário se faz um treinamento. No budismo, existem duas técnicas fundamentais para se alcançar essa atitude altruísta. Uma é a chamada “estabilização e mudança do eu e do outro”. A outra é chamada de “as sete instruções quintessenciais de causa e efeito”. No que diz respeito a primeira, a teoria do renascimento não é necessária, ao passo que na última, o é. Como já expliquei anteriormente a primeira , falarei hoje sobre as sete instruções quintessenciais de causa e efeito. Para desenvolver uma forte consideração pela felicidade e bem-estar alheios, é preciso adotarmos uma especial atitude altruísta, na qual assumimos a responsabilidade de ajudar aos outros. Para gerar uma atitude tão incomum, é necessário ter fuma grande compaixão. Preocupar-se com o sofrimento do próximo, e quere fazer alguma coisa a respeito. Para sentir uma tal compaixão devemos, em primeiro lugar, ter um vigoroso sentimento de amor que, ao perceber o sofrimento dos seres sencientes, venha a fazer com que almejemos sua felicidade. Tal como uma mãe procede com seu único e amado filho. Para que possamos ter um sentimento de proximidade e de apreço pelos outros, devemos primeiramente nos acostumar a sentir a bondade, adotando como modelo. Uma pessoa que tenha sido muito bondosa conosco nesta vida, e depois estendendo essa sensação de gratidão a todas as criaturas. Como, em geral, nossa mãe é o ser mais próximo e aquele que mais nos auxiliou, o processo de meditação começa com o reconhecimento de todos os outros seres sencientes como se fossem nossa mãe. Esse sistema de meditação passa por sete etapas: 1. Reconhecer todos os seres sencientes como mãe. 2. Ficar atentos a bondade deles. 3. Desenvolver a intenção de retribuir essa bondade. 4. O amor. 5. A compaixão. 6. A atitude incomum. 7. A intenção altruísta de se tornar iluminado. Para realizar esta meditação, é preciso conhecer o processo do renascimento. O motivo final que mostra a existência do renascimento é que a nossa consciência, por ser uma entidade de mera luminosidade e conhecimento, deve ser formada a partir de um momento de consciência anterior. Uma entidade luminosa e sábia previamente existente. Não é possível que a consciência seja produzida tendo a matéria como sua causa substancial. Uma vez que ela tem origem num momento anterior da consciência, não se pode estabelecer um começo para o seu continuum. Desse modo, o tipo mais geral e mais sutil de consciência não possui começo nem fim. Com base nisso, fica demonstrado o renascimento. Uma vez que os renascimentos são necessariamente infinitos, todas as pessoas já tiveram conosco um relacionamento como o da nossa mãe na vida presente. Para poder praticar esse reconhecimento, é preciso, inicialmente, ter uma mente equânime. Comecemos por perceber que em nossa mente classificamos as outras pessoas em três categorias básicas: amigos, inimigos e relacionamentos neutros. Assim sendo, adotamos três diferentes atitudes com relação a elas: desejo, ódio e uma indiferença indolente. Com essas atitudes, é impossível gerar uma conduta altruísta, consequentemente, torna-se importante neutralizar o desejo, o ódio e a indiferença. Para isso, devemos refletir a respeito do renascimento. Como nossos nascimentos não tem início, seu número é ilimitado. Assim, não podemos ter certeza de que aqueles que agora são nossos amigos sempre o foram no passado. Os que ora são nossos inimigos sempre o foram em outras épocas. Mesmo em termos de nossa vida atual, existem pessoas que em dado momento forma hostis a nós e mais tarde se transformaram em amigos, e vice-versa. Desse modo, não há sentido em considerarmos alguém unicamente como amigo e alguém mais apenas como inimigo. Quando encaramos as coisas assim, a concepção de que algumas pessoas são amigas e outras inimigas, e o consequente surgimento do desejo e do ódio, começa a tornar-se mais débil. Imaginemos a nossa frente três pessoas: um amigo, um inimigo e uma neutra. Enquanto as observamos, consideremos que não há nenhuma certeza de que qualquer uma delas sempre nos ajudará ou, pelo contrário, sempre nos fará mal. É importante proceder a essa meditação visando pessoas específicas e não apenas seres sencientes em geral. Sendo que a imagem destes últimos é por demais vaga para produzir a mudança de atitude aplicável a pessoas específicas. Gradativamente, uma sensação de equanimidade – imparcialidade, se desenvolve com relação as três pessoas aludidas. Depois disso poderemos, devagar, estender esse sentimento para outras criaturas. Depois de passarmos por essa mudança, temos de considerar que, como todos os nascimentos não tiveram um início, portanto são limitados em número, cada indivíduo já foi nosso melhor amigo. Nosso pai, nossa mãe, ou tivemos com ele outros laços, no decorrer das nossas vidas. Tomando essa constatação como base, poderemos desenvolver uma conduta em que consideramos todos os seres sencientes como nossos amigos. Vamos pensar, então, na bondade que cada um deles nos proporciona quando foram nossos pais. Sendo nossa mãe ou nosso pai, em geral, nossos melhores amigos, protegeram-nos com zelo. Exatamente como nossos pais nesta vida fizeram quando éramos pequenos. Uma vez que não há diferença entre o fato de as pessoas que foram bondosas terem expressado essa bondade há pouco ou muito tempo. Todos os seres já foram bondosos nesta existência ou em vidas passadas, são todos igualmente bondosos. Além disso, mesmo que o próximo não tenha sido nosso pai, demonstrou muita bondade para conosco. Sim, porque devemos a maior parte das boas qualidades que possuímos a outras pessoas. Como explicarei a seguir, a prática das seis perfeições depende quase totalmente de outros seres sencientes. Da mesma forma, a prática inicial da ética, o abandono das dez não virtudes: matar, roubar, o mau procedimento sexual, mentir, criar a discórdia por meio da palavra, dizer palavras rudes, tagarelar sem finalidade, cobiçar, ter intenções nocivas e opiniões falsas. Se faz, em sua maior parte, na relação com outros sencientes. E ainda, em nossa vida atual, o conforto que temos, belos prédios, estradas, e tudo mais, é produzido por outras pessoas. Para que nos tornemos iluminados, precisamos nos engajar na prática da paciência, e para desenvolver a paciência precisamos de um inimigo. Assim sendo, os inimigos são muito valiosos. Se examinarmos o assunto em profundidade e detalhadamente, mesmo os grandes inimigos que durante certo tempo apenas nos prejudicaram, terminaram por nos causar um grande bem. A razão disso é que, com um inimigo, podemos aprender a verdadeira tolerância e a paciência, ao passo que com um mestre religioso ou com nossos pais o poder da nossa tolerância não consegue ser testado. Apenas quando nos defrontamos com a atividade dos inimigos conseguimos aprender o que é a autêntica força interior. Sob este ponto de vista, os adversários são professores de força interior, coragem e determinação. Por possuirmos um inimigo, podemos também nos aproximar mais da realidade, ficando livres da vaidade. Quando praticamos o altruísmo, os adversários não podem ser negligenciados, devemos tê-los em maior conta ainda. Assim, em vez de nos zangarmos com eles, devemos pensar em retribuir-lhes a bondade, pois é preciso recompensar todo o bem que nos tenha sido concedido. Não o retribuir seria ignóbil. Depois de percebermos a bondade alheia, nasce um sentimento que faz com que queiramos retribui-la. Como fazer isso? O passo imediato é gerar uma atmosfera de amor, desejando que todos os seres sencientes seja feliz, e que aqueles desprovidos de ventura venham a atingir um estado de felicidade junto as causas que o geram. Quanto mais contemplarmos tudo e todos com amor, descobrindo uma qualidade agradável em todas as pessoas que encontramos e tratando-as com carinho, mais desenvolveremos a próxima etapa. Essa é a compaixão, que é o desejo de que o outro se liberte do sofrimento e de todas as suas causas. O crescimento progressivo do amor e da compaixão envolve nossa mudança de conduta, desse modo, os seres que são objeto desses sentimentos continuam sofrendo. Assim, após gerar o amor e a compaixão, é preciso fazer com que tais atitudes se estendam para além do seguinte pensamento. Como seria bom se eles se libertassem do sofrimento e de suas causas, e passassem a possuir a felicidade e o que a suscita. O próximo passo é desenvolver um pensamento mais resoluto. Farei com que eles se libertem do sofrimento e de suas causas e passem a ser contemplados com a felicidade e o que a suscita. Desenvolvemos, assim, a forte determinação de não apenas gerar essas boas atitudes mentais, mas de, efetivamente, libertar os seres sencientes da dor, firmando-os na felicidade através do nosso próprio esforço. Tão elevada intenção nos dotará da coragem maior de assumir a grande responsabilidade de elar pelo bem-estar de todas as criaturas sencientes. Ao dispormos dessa força mental, não importa quão grande sejam as adversidades, nosso senso de determinação e de coragem se tornará enorme. As adversidades darão força à nossa determinação. A coragem é importante não apenas para os que praticam a religião, mas também para quaisquer outras pessoas. O ditado que diz que onde existe a vontade existe uma forma de se atingir o que se quer é realmente verdadeiro. Se, quando nos defrontarmos com uma situação difícil, nossa vontade ou nossa coragem minguarem e cairmos na indolência de nos sentirmos inferiores. Pensando que não poderemos de modo algum leva a cabo uma tarefa tão difícil. Abraço. Davi
quarta-feira, 4 de dezembro de 2024
segunda-feira, 2 de dezembro de 2024
DEUS VEM AO ENCONTRO DO HOMEM
Cristianismo. Livro Catecismo da Igreja Católica. Capítulo II. Parte III. DEUS VEM AO ENCONTRO DO HOMEM. 4. O Cânon das Escrituras. Foi a Tradição apostólica que fez a Igreja discernir quais escritos deveriam ser enumerados na lista dos Livros Sagrados. Esta lista completa é denominada “Canon” das Escrituras. Ela comporta 46 escritos para o Antigo Testamento e 27 para o Novo Testamento. Para o Antigo Testamento: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio, Josué, Rute, os dois livros de Samuel, os dois livros dos Reis, os dois livros das Crônicas, Esdras e Neemias, Tobias, Judite, Ester, os dois livros de Macabeus, Jó, os Salmos, os Provérbios, o Eclesiastes, o Cântico dos Cânticos, a Sabedoria, o Eclesiástico, Isaías, Jeremias, as Lamentações, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias. Para o Novo Testamento: os Evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João, os Atos dos Apóstolos, As Epístolas de São Paulo: os Romanos, 1ª e 2ª Coríntios, aos Gálatas, aos Efésios, aos Filipenses, aos Colossenses, a 1ª e 2ª aos Tessalonicenses, a 1ª e 2ª Timóteo, a Tito, a Filemon, a Epístola aos Hebreus, a Epistola a Tiago, a 1ª e 2ª Pedro, as três Epistolas de João, a Epistola a Judas e o Apocalipse. O Antigo Testamento. O Antigo Testamento é uma parte indispensável da Sagrada Escritura. Seus livros são divinamente inspirados e conservam valor permanente, pois a Antiga Aliança nunca foi revogada. Com efeito, a Economia do Antigo Testamento estava ordenada principalmente para preparar a vinda de Cristo, Redentor de todos. Embora contenham também coisas imperfeitas e transitórias, os livros do Antigo Testamento dão testemunho de toda a divina pedagogia do amor salvífico de Deus. Neles encontram-se sublimes ensinamentos acerca de Deus e salutar sabedoria concernente a vida do homem, bem como admiráveis tesouros de preces. Nestes livros, está latente o mistério de nossa salvação. Os cristãos veneram o Antigo Testamento como verdadeira Palavra de Deus. A Igreja sempre rechaçou vigorosamente a ideia de rejeitar o Antigo Testamento sob o pretexto de que o Novo o teria feito caducar – marcionismo. O Novo Testamento. A Palavra de Deus, que é força de Deus para a salvação de todo crente, é apresentada e manifesta seu vigor, de modo eminente, nos escritos do Novo Testamento. Estes escritos nos fornecem a verdade definitiva da revelação divina. Seu objetivo central é Jesus Cristo, o Filho de Deus encarnado. Seus atos, ensinamentos, paixão e glorificação, assim como os inícios de sua Igreja soba ação do Espírito Santo. Os Evangelhos são o coração de todas as Escrituras, uma vez que constituem o principal testemunho da vida e da doutrina do Verbo encarnado, nosso Salvador. Na formação dos Evangelhos, podemos distinguir três etapas.1. A vida e o ensinamento de Jesus. A Igreja defende firmemente que os quatro Evangelhos, cuja historicidade afirma sem hesitação, transmitem fielmente aquilo que Jesus, Filho de Deus, ao viver entre os homens, realmente fez e ensinou para a eterna salvação deles, até o dia em que foi elevado. 2. A tradição oral. O que o Senhor dissera e fizera, os Apóstolos, após a ascensão do Senhor, transmitiram aos ouvintes, com aquela compreensão mais plena de que desfrutavam. Instruídos que foram pelos gloriosos acontecimentos de Cristo e esclarecidos pela luz do Espírito de Verdade. 3. Os Evangelhos escritos. Os autores sagrados escreveram os quatro Evangelhos, escolhendo certas coisas das muitas transmitidas, ou oralmente ou já por escrito. Fazendo síntese de outras ou as explanando com vistas à situação das igrejas, conservando, enfim, a forma de pregação, sempre de maneira a nos transmitir a respeito de Jesus, coisas verdadeiras e sinceras. O Evangelho quadriforme ocupa, na Igreja, um lugar único, como atestam a veneração que lhe tributa a liturgia e o atrativo incomparável que, desde sempre, tem exercido sobre os santos. Não existe nenhuma doutrina que seja melhor, mais preciosa e mais esplêndida que o texto do Evangelho. Vede e retende o que nosso Senhor e Mestre, Cristo, ensinou com suas palavras e realizou com seus atos. É acima de tudo o Evangelho que me ocupa durante as minhas orações. Nele encontro tudo o que é necessário para minha pobre alma. Descubro nele sempre novas luzes , sentidos escondidos e misteriosos. A unidade entre o Antigo e o Novo Testamento. A Igreja, já nos tempos apostólicos, e depois constantemente em sua Tradição, iluminou a unidade do plano divino nos dois Testamentos graças à tipologia. Esta percebe, nas obras de Deus contidas na Antiga Aliança, prefigurações daquilo que Deus realizou na plenitude dos tempos, na pessoa de seu Filho encarnado. Por isso os cristãos leem o Antigo Testamento à luz de Cristo morto e ressuscitado. Esta leitura tipológica manifesta o conteúdo inesgotável do Antigo Testamento. Ela não deve levar ao esquecimento de que esta conserva seu valor próprio de revelação, que Nosso Senhor mesmo reafirmou. Igualmente, o Novo Testamento exige ser lido à luz do Antigo. A catequese cristã primitiva recorre constantemente a ele. Segundo um adágio antigo, o Novo Testamento está escondido no Antigo, ao passo que o Antigo é desvendado no Novo. A tipologia exprime o dinamismo em direção ao cumprimento do plano divino, quando “Deus seja tudo em Todos “ I Coríntios 15,28. Assim a vocação dos patriarcas e o Êxodo do Egito, por exemplo, não perdem seu valor próprio no plano de Deus, pelo fato de serem, ao mesmo tempo etapas intermediárias deste plano. 5. A Sagrada Escritura na vida da Igreja. São tão grandes o poder e a eficácia contidos na Palavra de Deus, que ela constitui sustentáculo e vigor para a Igreja. E para seus filhos, firmeza da fé, alimento da alma, pura e perene fonte da vida espiritual. É preciso que os fiéis tenham amplo acesso a Sagrada Escritura. Que o estudo da Sagrada Escritura seja, portanto, como a alma da sagrada teologia. Da mesma palavra da Sagrada Escritura também se nutre salutarmente e santamente floresce o ministério da palavra. A saber, a pregação pastoral, a catequese e toda a instrução cristã, na qual deve ocupar lugar de destaque a homilia litúrgica. A Igreja exorta com veemência e de modo peculiar todos os fiéis cristãos (...) a que, pela frequente leitura das divinas Escrituras, aprendam o conhecimento de Cristo Jesus Filipenses 3,8. Com efeito, ignorar as Escrituras é ignorar a Cristo. Resumindo. Toda Escritura divina é um único livro. Este livro único é Cristo, já que toda Escritura divina fala de Cristo, e toda Escritura divina se cumpre em Cristo. As Sagradas Escrituras contêm a Palavra de Deus e, por serem inspiradas, são verdadeiramente Palavra de Deus. Deus é o autor da Sagrada Escritura e, ao inspirar seus autores humanos, age neles e por meio deles. Fornece assim a garantia de que seus escritos ensinem, sem erro, a verdade salvífica. A intepretação das Escrituras inspiradas deve, antes de tudo, estar atenta àquilo que Deus quer revelar por intermédio dos autores sagrados para nossa salvação. O que vem do Espírito só é plenamente entendido pela ação do Espírito. A Igreja recebe e venera como inspirados os 46 livros do Antigo Testamento e os 27 livros do Novo Testamento. Os quatro Evangelhos ocupam lugar central, já que Cristo Jesus é seu centro. A unidade dos dois Testamentos decorre da unidade do projeto de Deus e de sua revelação. O Antigo Testamento prepara o Novo enquanto o Novo cumpre o Antigo. Os iluminam-se reciprocamente. Os dois são verdadeira Palavra de Deus. A Igreja sempre venerou as divinas Escrituras da mesma forma como o próprio Corpo do Senhor. Ambos alimentam e dirigem toda a vida cristã. “Lâmpada para meus pés é tua palavra e luz para meu caminho” Salmos 119,105. Abraço. Davi.
sexta-feira, 29 de novembro de 2024
PRINCIPAIS DIFERENÇAS ENTRE O ALCORÃO E A BÍBLIA
Islamismo. www.iqaraislam.com. AS PRINCIPAIS DIFERENÇAS ENTRE O ALCORÃO E A BÍBLIA. O Alcorão e a Bíblia possuem semelhanças quanto às narrativas dos profetas e outros personagens e até mesmo com relação a alguns mandamentos. No entanto, há algumas diferenças consideráveis que são determinantes para a doutrina de cada religião. Muçulmanos creem que o Alcorão é apenas a palavra de Allah enquanto cristãos creem que a Bíblia tem a palavra de Deus, dos profetas e escribas. A história dos personagens narradas em ambos os livros também são diferentes, especialmente as de Adão e Jesus. O Alcorão e a Bíblia possuem histórias semelhantes, mas que diferem em alguns pontos que acabam constituindo as diferenças entre as religiões islâmica e cristã. Enquanto o livro sagrado do cristianismo foca nos detalhes da história dos profetas e de pessoas que encontraram o favor e a ira de Deus, o dos muçulmanos foca mais nas lições que as histórias transmitem. Para a religião islâmica, essas diferenças podem ser atribuídas a uma correção enviada diretamente por Allah. Isso porque a história dos profetas e de outras pessoas virtuosas foram transmitidas por muitos séculos e algumas acabaram sendo adulteradas e, portanto, o que o Alcorão faz é transmitir a versão correta do que aconteceu. Podemos observar essa diferença de narrativas em quase todos os personagens mencionados em ambas as escrituras. Através deles, podemos observar melhor o que pregam as duas escrituras. Mas, além das narrativas, encontramos também algumas diferenças chaves nas doutrinas propagadas pelos livros sagrados. Os detalhes são variados, mas neste texto iremos destacar alguns dos principais aspectos. Diferenças Chaves Entre as Escrituras. A principal diferença entre as escrituras islâmicas e cristãs que podemos destacar é quanto à autoria de ambas. De acordo com o que cada religião acredita, o Alcorão é um livro que contém apenas as palavras de Allah que foram enviadas ao Profeta Muhammad através do arcanjo Gabriel, enquanto a Bíblia é um livro com as palavras de Deus, profetas, escribas, etc. O Alcorão é um único livro que foi revelado ao longo de 22 anos. A Bíblia, poe sua vez, é um compilado de livros que são divididos entre o antigo e o novo testamento, sendo que o primeiro são escrituras do povo judeu, enquanto o segundo fala sobre as revelações e a vida de Jesus Cristo e os fundamentos da doutrina cristã. Mesmo assim, os cristãos acreditam em ambos os testamentos. O Alcorão não tem uma cronologia bem definida, pois Allah apresenta as histórias de acordo com o ensinamento e as ordens que Ele tem para transmitir. Embora, em alguns casos, a Bíblia apresente a mesma história, porém sob perspectivas diferentes, ela tende a ter uma narrativa de acordo com a ordem que as histórias ocorreram. Hoje, há muitas denominações cristãs que afirmam que a Bíblia não precisa estar escrita no idioma em que os livros foram escritos. O mesmo não ocorre com o Alcorão: o livro sagrado dos muçulmanos deve ser escrito em árabe e, portanto, as traduções não são uma cópia original. Embora também devam ser tratadas com respeito, os rituais que envolvem a recitação ou leitura do Alcorão devem ser feitos no idioma em que ele foi revelado. Diferenças nas Doutrinas das Escrituras. As diferenças principais entre as escrituras cristãs e islâmicas giram em torno da forma de perceber o monoteísmo. Na Bíblia, Jesus e o Espírito Santo também são partes de uma trindade e que formam um Deus único e perfeito. Para o Alcorão, o conceito apresentado é falho, pois esta noção por si só contradiz o que é o monoteísmo. Por isso. Ele afirma que Jesus não é uma divindade, mas sim um profeta, e o Espírito Santo é, na verdade, o anjo Gabriel. Para o Islam, tudo que não é o Criador é criatura e, por mais que os anjos e profetas sejam os mais elevados entre toda a criação, eles são meios para que os humanos possam se conectar com Allah, mas não são Allah em si. A Bíblia também diz que o pecado cometido por Adão e Eva no paraíso deixou uma mácula na espécie humana que só poderia ser paga com com a imolação do Seu filho unigênito, que seria a crucificação de Jesus. Isto seria o pecado original, que só é corrigido através do batismo. Toda essa narrativa é contestada pelo Alcorão pois, na versão islâmica, Adão e Eva erraram, mas Deus perdoou os dois, pois Ele perdoa todos aqueles que se arrependem com sinceridade, já que a misericórdia de Allah é superior à Sua ira. Sendo assim, não há pecado original e os humanos são salvos apenas pela crença em Allah, nos profetas, anjos, livros, no Dia do Juízo e por meio de boas obras. Allah, portanto, não enviou Jesus a este mundo para ser sacrificado, mas sim para admoestar os filhos de Israel do erro que estavam cometendo ao seguirem rabinos que estavam totalmente afastados das leis de Deus. Histórias dos Profetas e de outros Personagens. A maior parte do Alcorão não é focada no estabelecimento de leis, penas, normas, etc, mas sim em relatos da vida dos profetas e de outras pessoas piedosas que encontraram o favor de Allah. Boa parte delas também estão incluídas na Bíblia, mas a maioria das histórias possuem alguma diferença nos dois livros. Abaixo, nós citamos apenas as maiores delas. Adão e Eva. O Alcorão diz que Adão foi criado a partir da argila e que Deus soprou Seu espírito nele. Em seguida, os anjos questionaram a criação do homem, argumentando que eles poderiam fazer tudo o que Allah manda e o homem, por outro lado, derramaria sangue e espalharia a corrupção pelo mundo - uma narrativa que não aparece no livro de Gênesis. Outra diferença está no momento de nomear os animais. Na Bíblia, Adão os nomeia e, no Alcorão, Allah ensina o nome dos outros seres vivos para ele. Deus manda que todos os anjos se prostrem perante a Adão, mas iblis (Satanás) se nega a fazer isso e protesta dizendo que ele era feito de fogo enquanto o homem havia sido criado a partir do barro. No Alcorão, também não há menção sobre a criação de Eva, embora os muçulmanos a reconheçam como a mãe de toda a humanidade. Quando eles comem o fruto da árvore proibida, se arrependem do erro que cometeram e pedem perdão a Allah que, por Sua vez. os perdoa. Noé. A versão da Bíblia sobre a história de Noé possui mais detalhes que a do Alcorão, que não relata nada do que foi dito pelo profeta antes de ele deixar a arca. A diferença de narrativas, no entanto, consiste principalmente na parte em que fala a respeito dos familiares que foram salvos do dilúvio. Enquanto a Bíblia diz que todos foram salvos, o Alcorão menciona um filho que subiu em uma montanha ao invés de refugiar-se na arca, mostrando que as pessoas não podem se salvar por laços familiares, apenas por sua própria fé. Não consta no Alcorão a versão bíblica de que Noé se embriaga, dorme nu e é acordado por seu filho Cam. Além de o álcool ser proibido pela religião islâmica, Allah jamais permitiria tal desonra a seus mensageiros, que são protegidos de cometer pecados. O Alcorão também diz que a esposa de Noé é o exemplo de uma infiel e a sentencia ao fogo do inferno no versículo 66:10. Abraão. Uma das principais diferenças entre as narrativas religiosas se concentra na imolação do filho de Abraão, que a Bíblia diz ser Isaac, enquanto o Alcorão não diz o nome dele, mas na tradição islâmica considera-se que esse filho era, na verdade, Ismael. A Bíblia diz que Abraão esteve no Iraque-Síria, depois em Canaã, Parã e Egito, e viveu seus últimos dias em Canaã e Hebron. Tanto Isaque quanto Ismael assistem ao funeral de Abraão. O Alcorão menciona que Abraão deixou Ismael e a senhora Hagar na terra onde hoje fica Meca e, em seguida, partiu para o que aparentemente era a Palestina. Ló. Ló, assim como Adão, é mencionado como profeta no Alcorão, mas não na Bíblia. Na tradição islâmica, Ló também é mencionado como o sobrinho do Profeta Abraão. Em ambos os livros, Abraão implora a Deus que tenha misericórdia do povo de Sodoma. Também é comum o fato de que a esposa de Ló morre por olhar para trás enquanto a cidade era destruída. A Bíblia narra eventos incestuosos entre Ló e sua filha, no qual eles acreditavam que a raça humana havia sido extinta, o que os levou a cometer tal ato para manter a espécie. Tais eventos não apenas não são narrados no Alcorão como têm sua veracidade contestada pelos estudiosos islâmicos. Moisés. Na Bíblia, Moisés reluta para se tornar profeta e, no Alcorão, pede a Deus para que seu irmão Arão também se torne um profeta junto com ele, pois era um orador melhor e também pelo apoio que teria dele. No Alcorão, os feiticeiros do Faraó se convertem ao Islam depois de verem os sinais que Deus enviou através de Moisés. No livro sagrado dos muçulmanos, também é dito que o Faraó se arrependeu enquanto se afogava, mas o fez enquanto já via os anjos vindo buscar a sua alma e, portanto, atendeu o chamado de Allah tarde demais. Por isso, seu Senhor não aceitou suas desculpas. Na Bíblia, Arão ajuda os filhos de Israel a fazerem um bezerro de ouro. Entretanto, no Alcorão, ele condena que as pessoas construam o ídolo, afirmando que isso despertaria a fúria de Deus. Virgem Maria. O Alcorão menciona que Maria ficou grávida através do espírito de Deus. No entendimento cristão, o Espírito Santo é o próprio Deus, mas para o Islam ele é o anjo Gabriel, que concebe um filho em seu ventre através de um sopro. Na narrativa corânica, Maria nunca se casou com José e foi acusada de ser fornicadora pelo seu povo. Jesus. No Alcorão, quando Maria é acusada de fornicação, o primeiro milagre de Jesus é falar enquanto ainda era um bebê de colo. Testemunhando que sua mãe era uma mulher virgem. Quando ainda era criança, o Messias também dava vida a pássaros de barro através de um sopro. Além disso, Jesus não é considerado Deus ou filho de Deus, e sim um profeta enviado por Ele. O messias nega que seja uma divindade e que seja digno de ser adorado e ainda profetiza a vinda do Profeta Muhammad, o último mensageiro de Deus. Por fim, no livro dos muçulmanos, Jesus não é crucificado. Ele é arrebatado de corpo e alma para o paraíso, local onde permanece até os dias atuais e aguarda a hora de seu retorno a este mundo para concluir a sua missão de guiar toda a humanidade e destruir o anticristo. Conclusão. O Alcorão e a Bíblia possuem semelhanças que podem ser percebidas até mesmo nas doutrinas das religiões que se orientam a partir deles, como: a crença em um Deus Único, nos anjos e nos profetas. No entanto, podemos perceber diferenças que são muito relevantes. As principais diferenças estão na forma de perceber o monoteísmo, pois enquanto o Islam acredita na unicidade divina (tawhid), os cristãos creem na trindade. Isto significa que, no cristianismo, Jesus e o Espírito Santo também são Deus, enquanto para os muçulmanos essa percepção é equivocada e, portanto, Jesus é um profeta e o Espírito Santo é, na verdade, o anjo Gabriel. Outra crença importante que o Islam não partilha com o cristianismo é a ideia do pecado original. Para os muçulmanos, Allah perdoou Adão e Eva, o que significa que Jesus não veio ao mundo para ser sacrificado pelos pecados da humanidade, também, não é necessário o batismo para ser salvo. Esta crença é reforçada pelo fato de que o Alcorão nega que Jesus tenha sido crucificado. Segundo o livro, ele foi arrebatado de corpo e alma para os céus, onde está até hoje aguardando a hora de retornar para guiar a humanidade ao Islam e destruir Satanás. www.iqaraislam.com. Abraços. Davi.
quinta-feira, 28 de novembro de 2024
OS ANALECTOS - LIVRO VII
Confucionismo. www.https//rt.br. OS ANALECTOS – LIVRO VII. 1. O Mestre disse: “Eu transmito, mas não inovo; sou verdadeiro no que digo e devotado à Antiguidade. Arrisco me comparar ao nosso Velho P’eng”. 2. O Mestre disse: “Silenciosamente depositar conhecimento na minha mente, aprender sem perder a curiosidade, ensinar sem cansar: isso não me apresenta dificuldade alguma”. 3. O Mestre disse: “Estas são as coisas que me causam preocupação: não conseguir cultivar a virtude, não conseguir ir mais fundo naquilo que aprendi, incapacidade de, quando me é dito o que é certo, tomar uma atitude e incapacidade de me reformar quando apresento defeitos”. 4. Durante seus momentos de lazer, o Mestre permanecia altivo, embora relaxado. 5. O Mestre disse: “Como caí montanha abaixo! Faz tanto tempo desde que sonhei com o duque de Chou”. 6. O Mestre disse: “Aplico meu coração no caminho, baseio-me na virtude, confio na benevolência para apoio e encontro entretenimento nas artes”. 7. O Mestre disse: “Nunca neguei instrução para ninguém que, por vontade própria, tenha me dado um pacote de carne seca de presente”. 8. O Mestre disse: “Nunca explico nada para alguém que não esqueça do mundo ao tentar entender um problema ou que não entre em um frenesi ao tentar se expressar por palavras. “Se mostro um dos cantos de um quadrado para alguém e essa pessoa não consegue encontrar os outros três, não mostro uma segunda vez.” 9. Ao fazer uma refeição na presença de alguém que estivesse de luto, o Mestre nunca comia toda sua porção. 10. O Mestre nunca cantava se, naquele dia, tivesse chorado. 11. O Mestre disse para Yen Yüan: “Apenas você e eu temos a habilidade de aparecer quando requisitados e de desaparecer quando deixados de lado”. Tzu-lu disse: “Se você estivesse liderando os Três Exércitos, quem levaria consigo?”. O Mestre disse: “Eu não levaria comigo ninguém que tentasse lutar com um tigre usando apenas as próprias mãos ou cruzar o rio a nado e morrer na tentativa sem mostrar arrependimento. Se eu levasse alguém, teria que ser um homem que, ao se defrontar com uma missão, tivesse medo do fracasso e que, ao mesmo tempo que gostasse de fazer planos, fosse capaz de executá-los com sucesso”. 12. O Mestre disse: “Se a riqueza fosse um objetivo decente, eu, para obtê-la, estaria disposto até mesmo a trabalhar como zelador do lado de fora do mercado, com um chicote na mão. Se não é, devo seguir minhas próprias preferências”. 13. Jejum, guerra e doença eram coisas que o Mestre tratava com cuidado. 14. O Mestre ouviu o shao em Ch’i e por três meses não sentiu o gosto das refeições que comia. Ele disse: “Jamais sonhei que as alegrias da música pudessem chegar a tais alturas”. 15. Jan Yu disse: “O Mestre está do lado do senhor de Wei?”. Tzu-kung disse: “Bem, vou perguntar a ele”. Ele entrou e disse: “Que tipo de homens eram Po Yi e Shu Ch’i?”. “Eram excelentes anciãos.” “Tinham alguma queixa?” “Procuravam a benevolência e a encontraram. Então, por que teriam qualquer queixa?” Quando Tzu-kung saiu, ele disse: “O Mestre não está do lado dele”. 16. O Mestre disse: “Ao comer arroz comum e ao beber água, ao utilizar o próprio cotovelo como apoio, a alegria será encontrada. Riqueza e status conquistados por meios imorais têm tanto a ver comigo quanto as nuvens que passam”. 17. O Mestre disse: “Concedam-me mais alguns anos para que eu possa estudar até os cinquenta, e então estarei livre de maiores erros”. 18. As coisas para as quais o Mestre usava a pronúncia correta: as Odes, o Livro da História e a realização das cerimônias rituais. Em todos esses casos ele usava a pronúncia correta. 19. O governador do She perguntou a Tzu-lu sobre Confúcio. Tzu-lu não respondeu. O Mestre disse: “Por que você não falou simplesmente o seguinte: ele é o tipo de homem que esquece de comer quando está distraído com um problema, que é tão alegre que esquece suas preocupações e que não percebe a aproximação da velhice?”. 20. O Mestre disse: “Não nasci com conhecimento, mas, por gostar do que é antigo, apressei-me em buscá-lo”. 21. Os assuntos sobre os quais o Mestre não discorria eram milagres, violência, desordem e espíritos. 22. O Mestre disse: “Sou fadado a, mesmo enquanto caminho na companhia de dois homens quaisquer, aprender com eles. Imito as qualidades de um; os defeitos do outro, corrijo-os em mim mesmo”. 23. O Mestre disse: “O Céu é o autor da virtude que há em mim. O que pode Huan T’ui fazer comigo?”. 24. O Mestre disse: “Meus amigos, acham que sou misterioso? Não há nada que eu esconda de vocês. Não há nada que eu não compartilhe com vocês, meus amigos. Eis como sou”. 25. O Mestre ensina quatro matérias: cultura, conduta moral, fazer o melhor possível e ser coerente com aquilo que se diz. 26. O Mestre disse: “Não tenho qualquer esperança de encontrar um sábio. Ficaria contente se encontrasse um cavalheiro”. O Mestre disse: “Não tenho qualquer esperança de encontrar um homem bom. Eu ficaria contente se encontrasse alguém constante. É difícil considerar constante um homem que diz ter quando lhe falta, que diz estar cheio quando está vazio e estar confortável quando está em circunstâncias difíceis”. 27. O Mestre usava uma linha de pesca, mas não uma rede; ele sabia usar o arco, mas não atirava em pássaros que cantassem. 28. O Mestre disse: “Existem, presumivelmente, homens que inovam sem possuir conhecimento, mas essa é uma falha que não tenho. Faço amplo uso de meus ouvidos e sigo o que é bom daquilo que ouvi; faço amplo uso dos meus olhos e retenho na minha mente o que vi. Isso constitui o melhor substituto para o conhecimento inato”. 29. Era difícil ensinar algo ao povo de Hu Hsiang. Um menino foi recebido pelo Mestre, e os discípulos ficaram perplexos. O Mestre disse: “Aprovação à vinda dele não significa aprovação quando ele não está aqui. Por que deveríamos ser tão preciosistas? Quando um homem vem a nós após ter se purificado, aprovamos sua purificação, mas não podemos chancelar seu passado”. 30. O Mestre disse: “A benevolência é realmente algo tão distante? Tão logo a desejo e ela está aqui”. 31. Ch’en Ssu-pai perguntou se o duque Chao era versado nos ritos. Confúcio disse: “Sim”. Depois de Confúcio ir embora, Ch’en Ssu-pai, curvando-se para Wu-ma Ch’i, convidou este para se aproximar e disse: “Ouvi dizer que um cavalheiro não demonstra parcialidade. E mesmo assim o seu Mestre é parcial? O senhor tomou como esposa uma filha de Wu, que é do mesmo clã que ele, mas ele permite que ela seja chamada Wu Meng Tzu. Se esse senhor é versado nos ritos, quem não é?”. Quando Wu-ma Ch’i relatou-lhe isso, o Mestre disse: “Sou um homem de sorte. Sempre que cometo um erro, as outras pessoas percebem”. 32. Quando o Mestre estava cantando na companhia de outros homens e gostava da música de um companheiro, ele sempre pedia para ouvi-la mais uma vez antes de tomar parte no coro. 33. O Mestre disse: “Quanto a fazer esforços irrestritos, sou igual aos outros homens, mas quanto a viver de acordo com os preceitos de um cavalheiro, não obtive, ainda, sucesso algum”. 34. O Mestre disse: “Como posso me considerar um sábio ou um homem benevolente? Talvez possa ser dito sobre mim que aprendo sem esmorecer e que ensino sem me cansar”. Jung-hsi Hua disse: “Isso é, precisamente, aquilo que nós, discípulos, somos incapazes de aprender com o seu exemplo”. 35. O Mestre estava gravemente doente. Tzu-lu pediu permissão para fazer uma oração. O Mestre disse: “Isso foi feito alguma vez?”. Tzu-lu disse: “Sim, foi. A oração foi a seguinte: rogo aos espíritos do mundo inferior e do mundo superior”. O Mestre disse: “Nesse caso, há tempos venho oferecendo minhas orações”. 36. O Mestre disse: “Extravagância significa ostentação; frugalidade significa desalinho. Eu preferiria ser um maltrapilho do que um ostentador”. 37. O Mestre disse: “O cavalheiro tem a mente tranquila, enquanto o homem vulgar está sempre tomado de ansiedade”. 38. O Mestre é cordial embora severo, inspira autoridade sem ser bravo e é respeitoso ao mesmo tempo em que é tranquilo. www.https//rt.br. Abraço. Davi
terça-feira, 26 de novembro de 2024
VI. O EVANGELHO DO BUDA
Budismo. Por Yogi Kharishnanda Saraswati (1922-2001). VI. O EVANGELHO DO BUDA. O sermão de Varanasi ou Benares. O Senhor Budha voltou para o lugar onde estavam os cinco eremitas que, ao verem aproximar-se o antigo mestre, resolveram não lhe dar mais esse título, mas chama-lo pelo nome, pois diziam entre si: Ele quebrou o seu voto e fracassou na santidade. Já não é dos nossos, mas apenas Gautama, um homem que vive na abundância e se entrega aos prazeres mundanos. Todavia, quando o Bem-aventurado se aproximou deles, ergueram-se os cinco inconscientemente para recebe-lo e saudá-lo, embora o chamassem pelo nome e o tratassem como amigo. O Bem-aventurado lhes disse: Não chamem aoTathágata pelo seu nome nem dê a ele o trato de amigo, porque já é Buda, o Iluminado, que olha todos os seres com a mesma compaixão, e por isso o devem chamar de pai. É mau faltar com respeito ao pai. É pecado menosprezá-lo. O Tathágata não crê que a austeridade seja o caminho para a salvação. Porém, isso não quer dizer que se entregue aos prazeres mundanos e viva na abundância. O Tathágata encontrou o caminho do meio. A abstenção de carnes ou pescados, raspar a cabeça ou trançar o cabelo, vestir-se com túnica grosseira, cobrir-se de pó e oferecer sacrifício a Ani, nada disso purificará aquele que não se libertou do erro. A leitura dos Vedas, as dádivas aos sacerdotes, a mortificação pelo calor ou pelo frio, e outras penitências semelhantes com intuito de alcançar a imortalidade, não purificam quem não se libertou do erro. A ira, a embriaguez, a teimosia, a hipocrisia, a presunção, a maledicência, a arrogância, as más intenções, são impurezas e certamente não são limpas pelas mortificações corporais. Permitam que eu mostre a vocês o Caminho do meio que é equidistante dos extremos viciosos. O devoto extenuado pela penitência confunde a sua mente, e seus pensamentos são doentios. A austeridade mortificante não constitui meio eficaz para subjugar os sentidos da percepção. Aquele que alimenta sua lâmpada com água em vez de azeite não dissipará as trevas, e nem é possível avivar o fogo com lenha podre. As mortificações são tão penosas quanto inúteis; e mesmo que o homem leve uma vida austera, não poderá emancipar-se da escravidão da personalidade se não extinguir o fogo da concupiscência. Toda mortificação é inútil se a personalidade persiste em desejar os prazeres do mundo e os deleites do céu. Porém, quem subjuga a personalidade está livre de concupiscência, não deseja prazer nenhum, nem mundano nem celeste, e por isso não o contaminará a satisfação de suas necessidades naturais. Que coma e beba para a manutenção do corpo. A água que rodeia a flor de lótus não molha as suas pétalas. Toda sensualidade é enervante. O homem sensual é escravo de suas paixões, e degrada-se de maneira vil ao buscar o prazer. Porém, não é mau satisfazer as necessidades da vida. Ao contrário, é nosso dever manter a saúde do corpo, porque de outra maneira não poderíamos manter acesa a lâmpada da sabedoria, nem dar fortaleza e lucidez à mente. Esse é, Oh! Devotos, o caminho equidistante dos dois extremos. E os cinco devotos tornaram-se os primeiros discípulos do SenhorBudha. O Bem aventurado falou bondosamente aos seus discípulos, mostrando compaixão pelos erros deles e representando-lhes a inutilidade de seus esforços. A pequena desconfiança que existia no coração deles desapareceu ao calor e persuasão das palavras do Mestre. Então o Bem aventurado pôs em movimento a Roda da Lei, e começou a pregar aos cinco discípulos, abrindo-lhes a porta da imortalidade e expondo-lhes as excelências do Nirvana. Quando o Senhor Budha começou o sermão, os mundos estremeceram de júbilo. Os devas (anjos) abandonaram a sua mansão celeste para ouvir as doces palavras da Verdade; os santos que já haviam saído deste mundo congregaram-se em torno do Grande Instrutor para receber as felizes novas; e até os animais gozaram do benefício que fluía de suas sábias palavras. Todas as criaturas, deuses, homens e animais escutaram e compreenderam, cada qual em seu grau de inteligência, a luminosa mensagem de libertação. Assim disse o Senhor Buda: Os raios da Roda são as regras da retidão de conduta. A justiça é a uniformidade de sua circunferência; a sabedoria é a sua faixa; a meditação é o cubo em que se fixa o eixo da verdade inflexível. Aquele que percebe a existência da dor e conhece a sua causa, o seu remédio e a sua extinção, compreende as Quatro Nobres Verdades e está em bom caminho. Seu reto propósito será a luz que iluminará seus passos, e a palavra verdadeira o seu refúgio. Caminhará em linha reta, porque reta é a conduta. O trabalho honroso terá seu consolo; seus esforços serão seus passos, seus bons pensamentos, seu hálito, e a paz será sua companheira inseparável. Tudo quanto teve princípio terá fim. É vão todo cuidado com a personalidade, todas as atribulações que a afetam são passageiras, e se desvanecerão como um pesadelo quando o sonhador acorda. Quem desperta para o conhecimento da verdade, livra-se de todo temor e conhece a futilidade de suas inquietações, ambições e sofrimentos. Acontece que, às vezes, ao sair de um banho, a pessoa pisa numa corda úmida e a confunde com uma serpente; e horrorizada, sofre a agonia idêntica à causada por um picada venenosa. Quão alegre ficará o homem ao reconhecer o seu engano e a não existência de tal serpente! O motivo de seu espanto está no seu erro, na sua ignorância e ilusão. Quando souber que pisou numa corda, reconquistará o sossego e a tranquilidade. Essa é a atitude de quem conhece a ilusão da personalidade, e que a causa de todas as suas dores, sofrimentos, inquietações e vaidades é uma miragem, uma sombra, um sonho. Feliz aquele que vence o egoísmo. Alcança a paz e encontra a Verdade. A Verdade liberta-nos do mal; não há no mundo libertador igual. Confiem na Verdade, mesmo que não sejam capazes de compreendê-la, mesmo que no começo a sua doçura pareça amarga. O erra extravia; a ilusão é a mãe do mal, que embriaga como bebida fermentada; porém muito logo se desvanece, deixando o homem abatido e desgostos. A personalidade é uma febre, uma visão passageira, um sonho; porém, a Verdade é sublime, saudável, eterna. Unicamente a Verdade é imortal, permanece para sempre. Exposto esse ensinamento, o venerável Kaudinya, o discípulo mais idoso, viu a Verdade com os olhos do espírito e exclamou: Certamente, Oh! Senhor Budha, o Senhor encontrou a Verdade! E os devas (anjos), os santos e os espíritos bons das gerações mortas, que ouviram o sermão do Tathágata, receberam alegres a doutrina e exclamaram: Em verdade o bem aventurado comoveu a Terra. Pôs em movimento a Roda da Lei, sem que ninguém no Universo, deuses e homens, possam movê-la em sentido contrário. A mensagem da Verdade será proclamada em todo o mundo, e a justiça, a boa vontade e a paz reinarão na Terra. Capítulo 2. O PAI DO BUDHA. O Budha estava em Radjagriha, quando recebeu um recado de seu pai, Suddhodana, que dizia: Desejo ver meu filho antes de morrer. Todos têm recebido o benefício de sua doutrina, menos seu pai e seus parentes. Oh! Tathágata a que o mundo adora. Seu pai o espera, como o lírio impaciente aguarda a saída do Sol. O Senhor Budha atendeu ao pedido de seu pai, e se pôs a caminho para Kapilavastu. Esse acontecimento foi conhecido por toda a Comarca, cujas pessoas diziam: O príncipe Sidarta, que deixou seu lar para adquirir luz e conhecimento, volta iluminado. Suddhodana saiu para receber o paríncipe, e acompanhado da família real e de seus ministros. Ao vê-lo de longe, admirou-se da majestade de seu porte e da beleza de sua fisionomia, e alegrou-se em seu coração sem que seus lábios conseguissem proferir uma palavra. Realmente aquele era seu filho, outrora o príncipe Sidharta, o herdeiro do trono, porém agora transformado em Budha, o Bem aventurado, o Santo, o Iluminado, o Tathágata, o Senhor da Verdade, o Instrutor do Mundo. O rei Suddhodana desceu do carro e foi ao encontro de seu filho, dizendo-lhe: Faz sete anos que não vejo você, e com que impaciência esperava este momento! O Senhor Budha sentou-se em frente de seu pai, que avidamente o olhava sem atrever-se a chama-lo pelo nome. Depois, ele lhe disse:Sidharta, junte-se ao seu velho pai e seja de novo seu filho. Porém, ao ver a serena firmeza de seu filho, reprimiu seus sentimentos dolorosos. E assim o rei, sentado em frente de seu filho, gozava em sua aflição e sofria em seu gozo. Podia ufanar-se de seu filho, porém sofria ao pensar que não seria ele o seu herdeiro. O rei disse ao Senhor Budha: Queria oferecer a você o meu reino; porém, você faria tanto caso desta oferta com de um punhado de cinzas. O Senhor Budha respondeu-lhe; Sei que o coração do rei transborda de amor e está profundamente triste por causa do seu filho. Porém, os amorosos laços que o ligam ao filho que perdeu hão de liga-lo com igual bondade a todos os seres, ou em lugar deste filho, receberá outro maior do que Sidharta. Receberá o Budha, o Mestre da Verdade, o pregador da Justiça; a paz do Nirvana inundará o seu coração. Suddhodana estremeceu de alegria ao ouvir as palavras suaves de seu filho, e de mãos untas exclamou com os olhos banhados de lágrimas: Que transmutação maravilhosa! Minha dolorosa tristeza se desvaneceu. Antes, eu estava pesaroso e meu coração aflito, porém agora colho o fruto de sua magna renúncia. Movido de profunda compaixão, você fez muito bem em renunciar às mesquinhas manifestações do régio poder, para cumprir seus nobres propósitos de religiosa devoção. Você encontrou o caminho e já pode pregar a verdade ao mundo ansioso por libertação. Segundo relatam as Escrituras Sagradas, no vasto prado às margens do Kohana, o Mestre sentou-se dominando a multidão respeitosa ali congregada para ouvir a sua palavra. Budha estava sentado à direita do rei, seu pai: ao redor se agrupavam os magnatas da corte, e a seus pés estava Yasodhara, que com seu manto prateado cobriu as pregas do pobre manto amarelo do seu esposo. A noite caiu sobre os ouvintes, como celestial donzela extasiada de amor, cujas tranças de cabelo eram como ondulantes nuvens; as belas estrelas, as pérolas e os diamantes de sua coroa: a Lua, seu diadema, e as densas trevas teciam a sua vestimenta. Assim disse o Senhor Budha: Os livros ensinam que as trevas eram o princípio e que Brahma meditava solitário naquela noite. Não busquem ali Brahma nem o Princípio. Olhos mortais não podem vê-lo, nem a mente humana é capaz de conhecer. Erguerá um véu após outro, mas sempre encontrará outro véu atrás. Os astros rodam e não perguntam: Basta que a vida e a morte, a alegria e a dor subsitam, assim como a causa e o efeito o transcurso do tempo e o incessante fluxo e refluxo da existência que é sempre mutável e desliza como um rio, cujas ondas lentas ou rápidas se sucedem umas às outras desde sua longínqua fonte até o mar onde deságuam. O Sol evapora o mar e restitui ondas perdidas em forma de aveludadas nuvens, que gotejarão montanhas abaixo, para refluir de novo, sem paz nem trégua. Isso basta para se saber quão ilusórios são os céus, as terras, os mundos e as mudanças que o alteram em potentes rodas de lutas e violências, cujo giro turbilhonante ninguém pode deter nem inverter. Não supliquem, porque as trevas não iluminarão. Nada peçam ao silêncio, porque ele está mudo. Nada esperem dos deuses implacáveis, oferecendo-lhes hinos e dádivas. Não pretendam suborna-los com sacrifícios de sangue. Devemos buscar a libertação em nós mesmos. Cada qual cria o seu próprio cárcere. Cada qual tem tanto poder quanto os mais potentes. Porque tanto para as potestades que estão em cima, ao redor e embaixo de nós, como para toda a carne e toda a vida, a ação engendra o prazer e a dor. Do que foi provém aquilo que é e o que será, melhor ou pior. Vocês podem elevar o seu destino à maior altura do que o de Indra ou rebaixá-lo mais do que o da larva; o que sobe pode cair; o que cai pode subir. Os raios da roda não param de girar. Oh! Vocês que sofrem. Saibam que sofrem porque querem. Ninguém os excita à vida nem nela os retém condenados à morte, girando sobre a roda e abraçando seus raios de agonia, seu aro de lágrimas, seu cubo de rija madeira. Mais fundo que o inferno, mais alto que o céu, além das mais longínquas estrelas, mais além da morada de Brahma, há um Poder estável e divino, existente antes do princípio e que não terá fim, eterno como o tempo, seguro como a certeza, que impele para o bem e é súdito de suas própria leis. A um toque seu, florescem os rosais e sua mão modela as pétalas de lótus, e no obscuro solo e nas silenciosas sementes, tece o enfeite da primavera. Seu pincel colore as luzentes nuvens, e no pescoço do pavão real engasta suas esmeraldas. As estrelas são o seu porto, e o relâmpago o vento e a chuva seus escravos. Constrói nas trevas o coração do homem, e na obscuridade do ovo o faisão de colo multicor; sempre ativo, transmuta a ira e o ódio em amor. Seus tesouros são os cinzentos ovos no ninho do colibri dourado; as suas hexágonas favas de abelha são suas redomas de mel; a formiga obedece aos seus mandatos e a pomba branca o conhece bem. Solta as asas da águia toda vez que com pressa volta ao seu ninho; conduz a loba para junto aos seus lobinhos; e encontra sustento e amigos para os seres abandonados. Nada o repugna, nada o detém. Tudo ama. Enche os seios maternais de doce leite, bem como de veneno mortífero os dentes da serpente. Concerta (pactuar) no interminável dossel (cobertura ornamental) do firmamento a harmoniosa música das esferas móveis; nos seios abismais da Terra esconde o ouro, o ônix, a safira e as lazulitas (fosfato de alumínio natural). Envolto perpetuamente no mistério, oculta-se na espessura dos bosques e alimenta ao pé dos cedros admiráveis rebentos com novas fibras, ervas e flores. Mata e salva sem outro motivo que o cumprimento do destino. O Amor e a Vida são os fios, e a Morte e a Dor as lançadeiras do seu tear. Faz, desfaz e emenda tudo. Com o que faz, supera o que fez. Cada vida do homem é o resultado de suas vidas precedentes. Os erros passados engendram tristeza e sofrimento. A retidão passada traz felicidade. Eles colhem o que semeiam. Olhem para seus campos. O sésamo (variação do gergelim) foi sésamo, e o trigo, trigo. O silêncio e a sombra o sabem. Assim nasce o destino do homem. Vem a vida e colhe o que semeou: sésamo ou trigo, ou ervas venenosas e daninhas que corrompem tanto a ele mesmo quanto a Terra doentia. Porém, se a Terra for bem lavrada e as ervas más extirpadas, sendo semeada em lugar delas as sãs e puras, o solo será formoso e fértil e a colheita será ótima. Se aprende a causa da dor e pacientemente suporta, esforçando-se por pagar as dívidas contraídas por suas culpas passadas, sempre fiel ao Amor e à Verdade; se limpa seu sangue da mentira e concupiscência, e sem prejuízo de outrem sofre tudo mansamente, perdoando as ofensas, pagando o mal com o bem; se dia a dia é compassivo santo, justo, amável e sincero, e extirpa o desejo de onde quer que penetre com raízes até extinguir o apego à vida; se agir assim, terminará a conta de sua vida liquidando e saldando seus débitos, e acrescentando e vivificando os créditos recentes ou longínquos, que também produzirão créditos frutíferos. Quem age assim não precisa do que vocês chamam vida. Realizou o propósito que o fez homem. Já não o torturará a ansiedade nem o mancharão os pecados, nem os prazeres e dores humanas turvarão a sua perpétua paz, nem voltarão a eles mortes e renascimentos. Entra no Nirvana. Uniu-se a Vida e, no entanto, não vive. É feliz porque deixou de existir, porém não deixou de ser. E o Senhor Budha retirou-se para o bosque próximo da cidade. Livro O Evangelho de Buda. Abraço. Davi.
domingo, 24 de novembro de 2024
I. LIVRO JUDAICO DOS PORQUÊS
Judaísmo. I. LIVRO JUDAICO DOS PORQUÊS. Por Alfred J. Kolatch (1916-2007). 1. Por que os textos judaicos usam a.e.c. e e.c. em vez de A.C. e A.D. ou D.C. no seu sistema de datas? A.C., que significa antes de Cristo, A.D., depois de Cristo, são abreviaturas usadas pelos cristãos. O uso delas implica na aceitação de Jesus Cristo como divino. Um conceito negado pelos judeus. Portanto, adotou-se entre os estudiosos judeus as siglas a.e.c., antes da era comum, e.e.c., para fazer uma distinção entre as crenças cristãs e judaicas. 2. Por que os judeus não usam a designação Novo Testamento? Assim como ocorre com A.C. e D.C., descritos acima , alguns judeus acreditam que falar de um Novo Testamento seria dar crédito à ideia cristã de que o Novo Testamento é o cumprimento das promessas e ensinamentos da Bíblia judaica. Na verdade, os judeus em geral se abstêm de usar o termo “Antigo Testamento”, porque ele implica na existência de um Novo Testamento. 3. Introdução. O pecado original, a mãe virgem de Jesus, a Santíssima Trindade e a expiação vicária, são alguns dos conceitos que a doutrina cristã encerra e que não são aceitos pelo judaísmo. Através dos séculos e particularmente na Idade Média, a Igreja tratou de impor suas crenças aos judeus. Foram Instituídos debates aos quais os judeus deviam enviar seus mais ilustres estudiosos para discutir com estudiosos cristãos questões de teologia e de doutrina cristã. Era frequente que a Igreja fosse representada por Judeus apóstatas, os quais costumavam organizar tais debates com o único propósito de demostrar a superioridade do cristianismo e assim envergonhar a comunidade judaica. Um dos primeiros destes debates públicos foi instigado pelo judeu convertido ao cristianismo Nicolas Donin. Em 1239, denunciou as supostas “blasfêmias” do Talmud ao Papa Gregório IX, acrescentando que os rabinos haviam falseado os ensinamentos de Deus incluídos na Bíblia ao reinterpretá-los no Talmud. Foi ordenado ao Rabino Yechiel ben Iossef, de Paris, que encabeçasse uma delegação de quatro proeminentes estudiosos judeus franceses para debater o tema. Como era de se esperar, os rabinos foram derrotados no debate e, em consequência, os livros do Talmud foram queimados nas ruas de Paris em 1240. Em 1261, foi realizado um debate na presença do rei Jaime de Aragão (1208-1276) e sua corte. O apóstata judeu Pablo Cristiani, junto com outros renegados, fez a apresentação da tese cristã, enquanto Nachmânides era o único representante da parte judaica. Nachmânides foi tão convincente em sua apresentação, que a Igreja, temerosa de que ele pudesse influir sobre os cristãos e debilitar sua fé, resolveu forçá-lo a deixar a Espanha. O último grande debate público conhecido como o Debate de Tortosa – Espanha, prolongou-se durante dois anos (1413-1414). Muitos rabinos e estudiosos proeminentes foram obrigados a assisti-lo por ordem judicial. Esse debate foi organizado e encabeçado pelo apóstata Iehoshua Lorqui, também conhecido como Jerônimo de Santa Fé, e pelo antipapa Benedito XIII. A causa judaica foi apresentada por quatro sábios judeus, sendo o mais proeminente deles o filósofo espanhol Iossef Albo de Castela. Ele resumiu a posição adotada pela parte judaica no debate em sua famosa obra Sefer Haicarim (Livro dos Princípios). A atmosfera de hostilidade criada pelo Debate de Tortosa levou a muitos incidentes de antissemitismo e, nesta época, muitos judeus se submeteram ao batismo. Através destes debates públicos, a Igreja tentava demonstrar a validade de seus princípios teológicos e, como ela detinha o poder temporal em muitos países. Os debates em questão assumiram um caráter quase legal. Contudo, apesar da pressão exercida, a maioria dos judeus continuou apegada a suas próprias crenças. O doutor Otto Piper (1841-1921), professor de Teologia Sistemática do Princeton – Theological Seminary, em sua obra God in History (1939) justificou esta “obstinação dos judeus”, como a Igreja a caracterizava. Argumentou que “se os judeus tivessem reconhecido Jesus como seu Messias e Redentor, então teriam deixado de ser judeus”. Já Ludwig Lewisohn (1822-1955) estava convencido de que esta tenacidade era proveniente de uma “ilha interior”, um cerne de lealdade existente em cada judeu. Que o impele a “ser teimoso” perante aqueles que não lhe permitem a liberdade de tomar suas próprias decisões em questões de religião e consciência. Apesar da longa história de confrontação entre judeus e cristãos, os judeus continuaram procurando s formas de conviver em paz com as comunidades não judaicas. Permanecem sustentando que os homens justos de todos os povos, inclusive os cristãos, têm lugar no mundo vindouro. Os judeus creem na necessidade de manter relações de amizade e cordialidade com aqueles que são fundamentalmente diferentes. A convivência e a boa vontade não significam anular as diferenças, mas, sim, compreendê-las. Foi baseado nesse conceito que o grande crítico e poeta alemão Gotthold Ephraim Lessing (1729-1781) escreveu seu famoso drama filosófico Natan, o Sábio (1779). O cristão Lessing tinha um bom amigo judeu chamado Moises Mendelssohn (1729-1786). Em um esforço para atenuar o ambiente de antissemitismo que prevalecia na Alemanha do século XVIII (1701-1800). Lessing, através de sua obra, fez um chamado ao entendimento e à tolerância. Seu amigo Mendelssohn foi seu arquétipo do judeu e assim, na cena mais significativa e dramática da peça teatral, um encontre entre Natan e um frade. Este último, emocionado ante o belo caráter de Natan, exclama “Natan, Natan. Tu es um cristão! Por Deus que és um cristão! Nunca existiu melhor cristão! E Natan responde: Estamos tão identificados que, aquilo que a teus olhos me torna um bom cristão, te faz a meus olhos, um judeu!”, Neste capítulo são apresentados algumas das maiores discrepâncias entre judeus e cristãos. Mas, no processo, igualmente ficam claros os valores comuns e o entendimento mútuo. Abraço. Davi
sexta-feira, 22 de novembro de 2024
A CONSTITUIÇÃO DO HOMEM
Teosofia. Livro Introdução A Teosofia. Por Charles W. Leadbeat (1854-1943). A CONSTITUIÇÃO DO HOMEM. O surpreendente materialismo prático a que fomos reduzidos neste país, Inglaterra, não poderia ser mostrado de maneira mais clara do que pelas expressões que empregamos na vida diária. De maneira bastante comum, falamos do homem como tendo uma alma, de “salvar” as nossas almas etc. Evidentemente considerando o corpo físico como o homem real e a alma como um mero apanágio, algo vago a ser encarado como propriedade do corpo. Com uma ideia tão pouco definida como essa, não é de surpreender que muitas pessoas se adiantem ainda mais e duvidem de que esse “algo” vazio realmente exista. Desse modo, parece que o homem comum é, geralmente, bastante incerto quanto a ter uma alma ou não. Menos ainda sabe ele que essa alma é imortal. Que ele deva permanecer nessa condição lamentável de ignorância parece estranho, pois muitas evidências podem ser encontradas, mesmo no mundo exterior. Para mostrar que o homem tem uma existência inteiramente à parte do corpo, capaz de ser vivida durante esse corpo enquanto ele ainda vive, e inteiramente sem ele quando o corpo está morto. Até que tenhamos nos desembaraçado dessa extraordinária ilusão de que o corpo é o homem, é absolutamente impossível que, de algum modo, apreciemos os fatos do caso. Uma pequena investigação nos mostra de imediato que o corpo é apenas um veículo. Por meio do qual o homem se manifesta em conexão com esse tipo particular de matéria densa de que o nosso mundo visível é constituído. Ademais, isso mostra que outros tipos de matéria mais sutis existem, não apenas o éter, que antes se supunha interpenetrar todas as substâncias conhecidas. Todavia outros tipos de matérias, que por sua vez interpenetram até o éter, sendo muito mais sutis que o éter, tanto quanto esse o é em relação à matéria sólida. Naturalmente surgirá para o leitor a questão de como será possível para o homem tornar-se consciente da existência de tipos de matéria tão maravilhosamente sutis, subdivididos de maneira tão diminuta. A resposta é que ele pode se tornar consciente das mesmas maneiras como se torna consciente da matéria inferior, recebendo suas vibrações. À medida que ele se torna capaz de receber essas vibrações, pelo fato de possuir matéria desse tipo mais sutil como parte de si mesmo. Do mesmo modo como seu corpo de matéria densa é o veículo para perceber e se comunicar com o mundo de matéria densa. De maneira semelhante a matéria mais sutil em seu interior constitui para ele um veículo por meio do qual pode perceber e se comunicar com o mundo de matéria mais sutil, tornando-se imperceptível aos sentidos físicos mais grosseiros. Isso não é de modo algum uma ideia nova. Deve ser lembrado que o apóstolo Paulo observe “há um corpo natural e há um corpo espiritual”, I Coríntios 15,44. Além disso, ele faz referência tanto a alma quanto ao espírito no homem. Não empregando, de modo algum, os dois simultaneamente, como é impropriamente feito tantas vezes hoje em dia. Está se tornando cada vez mais evidente que o homem é um ser muito mais complexo do que comumente se supõe. Não é apenas um espírito dentro da alma, porém sua alma tem vários veículos de diferentes graus de densidade. Fazendo-se o corpo físico apenas um, e o mais inferior deles. Os vários veículos podem ser todos descritos como corpos em relação aos seus respectivos níveis de matérias. Diz-se que existem ao nosso redor uma série de mundos, um dentro do outro, em interpenetração, e que o homem possui um corpo para cada um desses mundos. Por meio do qual ele pode observá-lo e nele viver. Ele gradativamente aprende como usar esses vários corpos, e dessa maneira obtém uma ideia muito mais completa do grande e complexo mundo em que vive. Já que todos esses outros mundos internos na realidade são ainda parte dele. Desse modo vem o homem a entender muitas coisas que antes lhe pareciam misteriosas. Ele deixa de se identificar com os seus corpos e aprende que eles são apenas vestimentas de que pode se desfazer. Voltar a vestir ou trocar, sem ser em nada afetado por isso. Mais uma vez devemos repetir que tudo isso não é, de modo algum, especulação metafisica ou opinião piedosa. Todavia um fato científico definitivo, muito bem conhecido experimentalmente por aqueles que estudaram a Teosofia. Por mais estranho que possa parecer a muitos encontrar afirmações precisas tomando o lugar de hipóteses sobre questões como essas. Não estou falando aqui de nada que não seja conhecido por observação direta e constantemente repetida. Com certeza “sabemos do que falamos”, não por crença, mas por experiência e falando com confiança. A esses mundos internos, ou níveis diferentes de natureza, geralmente damos o nome de planos. Falamos do mundo visível como “o plano físico”, embora sob esse nome incluamos também os gases e os vários graus de matéria mais sutil. Ao estágio seguinte de materialidade foi dado o nome de “plano astral” pelos alquimistas medievais. Esses estavam bem conscientes de sua existência, assim, adotamos o título. Dentro desse existe um outro mundo de matéria ainda mais sutil, ao qual nós referimos como “plano mental”. Porque sua matéria é composta do que é comumente chamado de mente, no homem. Há outros planos ainda mais elevados, porém não é preciso preocupar o leitor com designações para eles, pois no momento estamos lidando apenas com a manifestação do homem nos mundos inferiores. Deve ser sempre mantido em mente que todos esses mundos não estão de modo algum afastados de nós no espaço. Na verdade, todos eles ocupam exatamente o mesmo espaço estando todos igualmente sempre à nossa volta. No mento, a nossa consciência está focada e trabalhando através do nosso cérebro físico, assim estando conscientes apenas do mundo físico, e nem sequer da totalidade dele. Mas basta aprender a focar essa consciência em um desses planos mais elevados e imediatamente o físico desaparece de nossa vista. No lugar dele, passamos a ver o mundo da matéria que corresponde ao veículo usado. Recordemos que toda matéria é, em essência, a mesma. A matéria astral não difere da matéria física em sua estrutura mais do que o gelo difere do vapor em sua natureza. É simplesmente a mesma coisa, numa condição diferente. A matéria física pode se tornar astral, ou a matéria astral se tornar mental, se for suficientemente subdividida e posta a vibrar com o grau de velocidade apropriado. O Homem Verdadeiro. O que, então, é o homem verdadeiro? Ele é, em verdade, uma emanação do Logos, uma centelha do fogo divino. O espírito em seu interior é da própria essência da Deidade, e esse espírito usa a alma do homem como uma vestimenta que a envolve e individualiza. Nossa visão limitada parece separá-la durante algum tempo do restante da vida divina. A história da formação original da alma do homem, e do envoltório do espírito dentro dela é bela e interessante, contudo, longa para ser incluída num mero tratado elementar como este. A história pode ser encontrada com riqueza de detalhes naqueles nossos livros que lidam com essa parte da doutrina. É bastante dizer, aqui, que todos os três aspectos da vida divina estão contidos nesse começo, e que sua formação é a culminância daquele tremendo sacrifício do Logos em descer à matéria, que tem sido chamado de Encarnação. Assim, nasce a alma bebê, do mesmo modo como é “feita à imagem de Deus”, triplo em aspecto com é, e triplo em manifestação como também é. Desse modo o seu método de evolução é um reflexo de sua descida na matéria. A centelha divina contém em si toda potencialidade. No entanto, é somente através de longas eras de evolução que todas as suas possibilidades podem ser concretizadas. O método designado para a evolução das qualidades latentes do homem parece ser aprender a vibrar em resposta a impactos vindos do exterior. Mas, no nível onde ele se encontra, no plano mental superior, as vibrações são demasiadamente sutis para despertar essa resposta no momento. Ele deve começar, com aquelas que são mais densas e mais fortes, tendo por esses meios despertado sua sensibilidade adormecida. Irá gradualmente se tornando cada vez mais sensitivo, até que seja capaz de responder com perfeição, em todos os níveis, a toda gama possível de vibrações. Esse é o aspecto material do seu progresso, todavia considerado subjetivamente, ser capaz de responder todas as vibrações significa ser perfeito em compreensão e compaixão. É essa exatamente a condição do homem evoluído, do adepto, do instrutor espiritual, do Cristo. Ele precisa desenvolver dentro de si todas as qualidades que o tornarão o homem perfeito. Essa é a verdadeira tarefa de sua longa vida na matéria. Neste capítulo abordamos muitos assuntos de extrema importância. Aqueles que desejam se aprofundar mais encontrarão muitos livros teosóficos pra ajudá-los. Sobre a constituição do homem nós remeteríamos os leitores As obras de Annie Besant (1847-1933), O Homem Seus Corpos, The Self and Its Sheaths, e Os Sete Princípios do Homem. Também O Homem Visível e Invisível, no qual serão encontradas muitas ilustrações dos diferentes veículos do homem segundo a visão clarividente. Sobre o uso das faculdades internas, consulte Clarividência, de minha autoria. Sobre a formação e evolução da alma, Birth and Evolution of the Soul, de Annie Besant. Growth of Soul. Abraço. Davi