terça-feira, 24 de novembro de 2020

MUNDAKA

 

OM (...).

Com nossos ouvidos, ouçamos o que é bom.

Com nossos olhos, possamos nós, que vos veneramos.

Encontrar descanso.

OM (...). Paz – Paz – Paz.


Hinduísmo. Livro Os Upanishades – Sopro Vital do Eterno. MUNDAKA. DO INFINITO OCEANO da existência surgiu Brahman, primogênito e o primeiro entre os deuses. Dele jorrou o Universo e ele se tornou seu protetor. O conhecimento de Brahman, alicerce de todo conhecimento, ele revelou a seu filho primogênito, Atharva. Atharva, por sua vez, ensinou esse mesmo conhecimento de Brahman a Angi. Angi ensinou-o a Satyabaha, que o revelou a Angiras. Certa vez, Sounaka, o famoso chefe de família, dirigiu-se a Angiras e perguntou-lhe respeitosamente: Sagrado senhor, o que é aquilo através do qual todo o resto é conhecido? Aqueles que conhecem Brahman, replicou Angiras, dizem que existem dois tipos de conhecimento, o superior e o inferior. O inferior é o conhecimento dos Vedas (O Rig, O Sama, O Yajur e o Atharva), e também o conhecimento da fonética, dos cerimoniais, da gramática, da etimologia, da métrica e da astronomia. O mais elevado é o conhecimento daquilo através do qual se conhece a realidade imutável. Através disso, é totalmente revelado aos sábios aquilo que transcende os sentidos, que não tem causa, que é indefinível, que não tem olhos nem ouvidos, nem nãos nem pés, que tudo permeia, que é mais sutil do que o mais sutil – o que dura eternamente – a origem de tudo. Como a teia vem da aranha, como as plantas crescem do solo e o cabelo do corpo do homem, assim jorra o Universo do eterno Brahman. Brahman quis que fosse assim, e extraiu de si mesmo a causa material do Universo, disso veio a energia primordial, e da energia primordial a mente, da mente os elementos sutis, dos elementos sutis os diversos mundos, e de ações realizadas por seres nos diversos mundos a cadeia de causa e efeito – a recompensa e punição das ações. Brahman tudo vê, tudo sabe, ele é o próprio conhecimento. Dele nascem a inteligência cósmica, o nome, a forma, e a causa material de todos os seres criados e das coisas. Finitos e transitórios são os frutos dos rituais de sacrifício. Os iludidos, que os encaram como os mais elevados bens, permanecem sujeitos ao renascimento e a morte. Vivendo no abismo da ignorância, porém sábios em seu próprio conceito, os iludidos dão voltas e voltas, como cegos levados por cegos. Vivendo no abismo da ignorância, embora sábios em seu próprio conceito, os iludidos se creem abençoados. Apegados a palavras, não conhecem Deus. As ações levam-nos apenas ao céu, onde, para sua tristeza, suas recompensas rapidamente se esgotam, e são lançados de volta à Terra. Ao considerarem a religião como sendo a execução de rituais e a prática de ações de caridade, os iludidos permanecem ignorantes do bem mais elevado. Após aproveitar no céu a recompensa das suas boas ações, eles penetram novamente no mundo dos mortais. Porém, as almas sábias e tranquilas e que possuem autocontrole – que estão satisfeitas em espírito, e que praticam a austeridade e a meditação na solidão e no silêncio – são libertadas de toda impureza, e atingem, através do caminho da liberação para o imortal, o que verdadeiramente existe, o imutável Eu. Que o homem dedicado à vida espiritual examine cuidadosamente a natureza efêmera de tal prazer, seja aqui ou no além, como pode ser obtido através de boas ações, e perceba assim que não é pelas ações que se ganha o Eterno. Que não dê atenção às coisas transitórias, e sim que, absorto na meditação, renuncie ao mundo. Para conhecer o Eterno, que se aproxime humildemente de um Guru dedicado a Brahman e que conheça bem as escrituras. A um discípulo que se aproxima reverentemente, que é tranquilo e possui autocontrole, o mestre sábio, sinceramente e sem restrição, fornece esse conhecimento através do qual é conhecido o que verdadeiramente existe, o Eu imutável. O Imperecível e o Real. Assim como inúmeras fagulhas sobem de um fogo flamejante, das profundezas do Imperecível surgem todas as coisas. Para as profundezas do Imperecível elas tornam a descer. Dotado de luz própria é esse Ser, e não possui forma. Ele habita dentro de tudo e fora de tudo. Ele nunca nasceu, é puro, maior do que o maior, não possui alento, não possui mente. Dele nascem o sopro vital, a mente, os órgãos dos sentidos, o éter, o ar, o fogo, a água e a Terra, e ele mantém tudo isso unido. O céu é a sua cabeça, o Sol e a Lua os seus olhos, as quatro fases os seus ouvidos, as escrituras reveladas a sua voz, o ar o seu fôlego, o Universo o seu coração. Dos seus pés veio a Terra. Ele é o mais profundo Eu de todos. Dele surge o céu iluminado pelo Sol, do céu a chuva, da chuva o alimento, e do alimento a semente que o homem dá a mulher. Assim, todas as criaturas descendem dele. Dele saem os hinos, os cantos devocionais, as escrituras, os rituais, os sacrifícios, as oblações, as divisões do tempo, o que age e ação, e todos os mundos iluminados pelo Sol e purificados pela Luz. Dele nascem deuses de diversas descendências. Dele nascem anjos, homens, feras, pássaros, dele nascem a vitalidade e o alimento para sustenta-la, dele vêm a austeridade e a meditação, a fé, a verdade, a continência e a lei. Dele jorram os órgãos dos sentidos, suas atividades, e seus objetos, junto com a consciência desses objetos. Todas essas coisas, partes da natureza do homem, saem dele. Nele os mares e as montanhas têm sua origem, dele jorram os rios, e dele nascem as ervas e outros elementos que sustentam a vida, com a ajuda dos quais o corpo sutil do homem subsiste no corpo físico. Assim, Brahman é tudo em tudo. Ele é ação, conhecimento, bondade suprema. Conhecê-lo, oculto no lótus do coração, é desatar o nó da ignorância. Dotado de luz própria é Brahman, sempre presente nos corações de todos. Ele é o refúgio de todos, e a meta suprema. Nele existe tudo o que se move e respira. Nele existe tudo o que é. Ele é ao mesmo tempo aquilo que é grosseiro e tudo aquilo que é sutil. Ele é adorável. Ele está além do alcance dos sentidos. Ele é supremo. Atingi-o! Ele, o dotado de luz própria, mais sutil do que o mais sutil, em quem existem todos os mundos e todos os que neles habitam – esse é o Imperecível Brahman. Ele é o princípio da vida. Ele é a palavra, e ele á a mente. Ele é real. Ele é imortal. Atingi-o, Oh! Meu amigo, a única meta a ser atingida! Juntai-vos ao Upanishad, o arco incomparável, a flecha e acertai o alvo – o imperecível Brahman. OM é o arco, a flecha é o ser individua, e Brahman é o alvo. Mirai com o coração tranquilo. Perdei-vos dentro dele, do mesmo modo como a flecha se perde no alvo. Nele estão reunidos o céu e a Terra, junto com a mente e todos os sentidos. Conhecei-o, apenas o Eu. Desisti de conversas fúteis. Ele é a ponte da imortalidade. Dentro do lótus do coração ele habita, onde, como os raios de uma roda, os nervos se encontram. Meditai nele como OM. Facilmente podereis atravessar o mar da escuridão. Esse Eu, que tudo compreende, que tudo sabe, e cuja glória está manifesta no Universo, mora dentro do lótus do coração, o trono brilhante de Brahman. Ele é conhecido pelos puros de coração. O Eu existe no homem, dentro do lótus do coração, e é o mestre da vida e do seu corpo. Com a mente iluminada pelo poder da meditação, os sábios o conhecem, o abençoado, o imortal. O nó do coração, que é a ignorância, se afrouxa, todas as dúvidas se dissolvem, todos os efeitos malignos das ações são destruídos, quando ele, que é ao mesmo tempo pessoal e impessoal, é percebido. No fulgurante lótus do coração habita Brahman, que não possui paixões e é indivisível. Ele é puro, ele é a luz das luzes. Ele é alcançado pelos conhecedores do Eu. O Sol não o ilumina, nem a Lua, nem as estrelas, nem o relâmpago – nem, na verdade, fogos acesos sobre a Terra. Ele é a luz que dá luz a tudo. Quando ele brilha, tudo brilha. Esse Brahman imortal está na frente, esse Brahman imortal está atrás, esse Brahman imortal se estende para a direita e para a esquerda, para cima e para baixo. Verdadeiramente, tudo é Brahman e Brahman é supremo. Como dois pássaros de plumagem dourada, inseparáveis companheiros, assim o Eu individual e o Eu imortal se empoleiram nos galos da mesma árvore. O primeiro prova as frutas doces e amargas da árvore, o último, nada experimentando, observa calmamente. O Eu individual, iludido pelo esquecimento da sua identidade com o Eu divino, confundido pelo seu ego, sofre e fica triste. Porém, quando reconhece o Venerável Senhor como seu verdadeiro Eu e contempla sua glória, não sofre mais. Quando o que vê contempla o Fulgurante, o Senhor, o Ser Supremo, então, transcendendo tanto o bem como o mal, e libertando-se das impurezas, une-se a ele. O Senhor é a única vida que brilha em cada criatura. Ao vê-lo presente em tudo, o homem sábio é humilde, não se coloca a frente de nada. Seu deleite está no Eu, sua alegria está no Eu, ele serve ao Senhor em tudo. Como ele, de fato, são os verdadeiros conhecedores de Brahman. Esse Eu fulgurante deve ser percebido dentro do lótus do coração através da continência, da firmeza na verdade e na meditação e pela visão super consciente. Com suas impurezas extintas, os que vêm o percebem. Só a verdade tem sucesso, e não a falsidade. O caminho da verdade é aberto através da verdade, o caminho que é seguido pelos sábios, libertos dos desejos, e que os leva a morada eterna da verdade. Brahman supremo, ele é auto luminoso, está além de todo pensamento. Ele é mais sutil, do que o mais sutil, mais veloz do que o mais veloz, mais próximo do que o mais próximo. Ele habita o lótus do coração de todos os seres. Os olhos não o vêm, a palavra não pode pronunciá-lo, os sentidos não podem alcança-lo. Ele não é abençoado nem por austeridades nem por rituais de sacrifícios. Quando o coração se torna puro através da discriminação, então, na meditação, o Eu Impessoal é revelado. O Eu sutil dentro do corpo que vive e respira é percebido naquele estado de consciência puro onde não existe dualidade – aquele estado de consciência através do qual o coração bate e os sentidos executam suas funções. Seja do céu, ou dos prazeres celestes, seja dos desejos, ou dos objetos do desejo, qualquer pensamento que surja no coração do sábio é satisfeito. Assim, que aquele que procura seu próprio bem venere e adore o sábio. O sábio conhece Brahman, o alicerce de tudo, o puro ser fulgurante em quem está contido o Universo. Os que veneram o sábio, e o fazem sem pensar em si, cruzam a fronteira do nascimento e da morte. Aquele que, meditando a respeito de objetos dos sentidos, vem a ansiar por eles, nasce aqui e ali, vezes e vezes sem fim, levado pelo desejo. Porém aquele que percebeu o Eu, e dessa forma satisfez toda fome, alcança a liberação até mesmo nesta vida. O Eu não é conhecido através do estudo das escrituras, nem através das sutilizas do intelecto, nem através de muito aprendizado. Porém é conhecido por aquele que anseia por ele. A esse verdadeiramente, o Eu revela seu verdadeiro ser. O Eu não é conhecido pelos fracos, nem pelos descuidados, nem pelos que não meditam corretamente. Mas pelos que meditam corretamente, pelos sérios e pelos “fortes”, ele é completamente conhecido. Após conhecerem o Eu, os sábios se enchem de felicidade. Tornam-se abençoados, tranquilos na mente e livres de paixões. Percebendo em todos os lugares o Brahman que tudo permeia, profundamente absortos na contemplação do seu ser, penetram nele, o Eu de todos. Após terem verificado e percebido completamente a verdade do Vedanta, após terem-se estabelecidos na pureza de conduta por seguirem a Yoga da renúncia, esses grandes atingem a imortalidade nesta mesma vida, e, quando seus corpos os abandonam na hora da morte, atingem a liberação (nirvana). Quando a morte surpreende o corpo correm para o mar e, ao fazerem isso, perdem o nome e a forma, assim o homem sábio, liberto do nome e da forma, alcança o Ser Supremo, o Auto luminoso, o Infinito. Aquele que conhece Brahman torna-se Brahman. Ninguém que ignore Brahman nasce jamais na sua família. Ele passa além de todo sofrimento. Ele supera o mal. Liberto dos grilhões da ignorância, torna-se imortal. Que a verdade de Brahman seja ensinada somente àqueles que obedecem à sua lei, que são dedicados a ele, e que são puros de coração. Que ela jamais seja ensinada aos impuros. Salve os sábios! Salve as almas iluminadas! Essa verdade sobre Brahman foi ensinada em tempos remotos a Shounaka por Angira. Salve os sábios! Salve as almas iluminadas! OM (...). Paz – Paz – Paz. Livro Os Upanishades – Sopro Vital do Eterno. Abraço. Davi.

segunda-feira, 23 de novembro de 2020

CASAMENTO: DESTINO OU ACASO ?

 

Judaísmo. www.pt.chabad.org. CASAMENTO: DESTINO OU ACASO ? Quem é o Supremo Casamento. O casamento está predestinado ou depende dos nossos esforços? Por um lado, ouvimos a ideia de que o cônjuge de uma pessoa é bashert, pré-ordenado pela mão de D'us. Mas essa crença levanta muitas dúvidas. Todos têm um bashert? Caso a resposta seja sim, por que é tão difícil encontrar o parceiro, e por que tantos jamais conseguem? Bashert é um absoluto inevitável, ou há exceções? Também ouvimos falar da necessidade de exercer esforços (hishtadlut) para encontrar a alma gêmea: se um casamento é predeterminado por decreto Divino, até que ponto o esforço e decisão do ser humano participam do processo? O casamento é o tema fundamental nas atuais porções da Torá. Primeiro – o casamento de Yitschac, descrito em detalhes elaborados, como Avraham enviou seu servo para encontrar uma noiva para Yitschac, concluindo com Rivka conhecendo e casando-se com Yitschac. Então, a porção da semana passada, que termina com Yitschac e Rivka instruindo Yaacov a ir procurar sua noiva. E a porção dessa semana elabora sobre a jornada de Yaacov, sua busca e doloroso processo para descobrir sua alma gêmea, e finalmente construir sua família em Charan. Desses episódios extraímos muitas lições importantes sobre amor e casamento – mais relevantes hoje que nunca. Uma das lições é a respeito da natureza do amor e o mistério de formar casais. No contexto de Yaacov deixando Beersheva (a abertura da porção dessa semana) a fim de encontrar uma esposa – o Midrash declara1: “O parceiro de casamento de uma pessoa se origina de ninguém menos que D'us,” e cita fontes em todas as três seções do Tanach. “Às vezes um homem vai até seu par designado (como ocorreu com Yaacov); às vezes seu par designado vai até ele (como foi com Yitschac).” O Midrash então continua2: Rabi Yehudah bar Simon abriu [com o versículo] “D'us estabelece o solitário numa família”3. Uma matrona romana perguntou a Rabi Yosei bar Chalafta: “Em quantos dias D'us criou Seu mundo?”

“Em seis dias,” ele respondeu.
“E o que Ele tem feito desde então?” perguntou ela.
“D'us senta e forma casais,” disse Rabi Yosei.
“Esta é a ocupação de D'us?” ela perguntou desdenhosamente. “Eu poderia fazer isso também! Tenho um grande número de servos e servas e conseguiria formar pares deles em uma hora!”

“Você poderia achar que é fácil, mas para D'us, é tão difícil quanto partir o Mar Vermelho,” disse ele. Depois que Rabi Yosei saiu, a matrona formou fileiras de seus servos, homens e mulheres, mil em cada fileira, e disse a eles: “Este homem se casará com essa mulher,” formando os pares à medida que caminhava pela fila durante a noite. Mas quando eles voltaram ao trabalho na manhã seguinte, um tinha a cabeça ferida, outro estava sem um olho e um deles tinha um pé quebrado. “O que está acontecendo aqui?” perguntou a patroa. “Eu não quero esse aqui [como parceiro].” todos disseram. Ela dizendo “Eu não ficarei com ele”, e ele dizendo: “Eu não ficarei com ela.” Ela foi até Rabi Yosei e disse a ele: “Não há D'us como o seu D'us. Quando você me explicou que D'us está ocupado formando pares, falou sabiamente.” O Talmud ecoa essa crença declarando que antes de uma pessoa nascer D'us a designa para seu companheiro ou companheira: “Uma voz celestial emerge e diz “essa mulher para esse homem.’” Por outro lado, o Talmud declara que “um homem e uma mulher são combinados um com o outro com base em seus méritos4. Como reconciliamos essas duas posições: O casamento é projetado por decreto Divino ou é baseado nos méritos e atos da pessoa? Há duas respostas: o Talmud explica que o “primeiro par” é por decreto Divino, ao passo que o “segundo par” é baseado nos méritos da pessoa5. E é por isso que “formar os pares é tão difícil quanto abrir o mar,” porque uma combinação baseada nos méritos exige um esforço especial para unir duas pessoas que a princípio não eram naturalmente compatíveis6. Outro Talmud sugere uma resposta diferente: Embora uma combinação natural seja inicialmente feita no céu, a intervenção humana - prece - pode superar e mudar o decreto Divino (até sobre a primeira “formação do par”). Assim, é permitido se comprometer com uma mulher em Chol Hamoed por que talvez outro o faça antes dele” devido às suas preces superando o decreto Divino7. No entanto, essas declarações talmúdicas exigem explicação. Na verdade, as opiniões diferem no significado da abordagem de nossos Sábios ao processo de formar os pares. Até e frase “primeira combinação” e “segunda combinação” está sujeita à várias interpretações. Significa primeiro e segundo casamento, ou como argumentam outros “primeira combinação” é o par pré-ordenado Divinamente e “segunda combinação” é aquela determinada pelos méritos. Eis aqui um sumário das várias perspectivas e opiniões sobre como a intervenção humana desempenha um papel na formação dos pares, indo de um extremo ao próximo.8 1 - O decreto Divino pré-designa quem vai se casar com quem. A prece humana e o mérito somente podem ajudar a apressar e facilitar o processo (e a prece de outro pode atrasá-lo por algum tempo).9 Quando chega a hora de casar, os parceiros irão se encontrar sem dificuldades. 2 - A prece pode anular inteiramente o edito, e a pessoa encontrará uma nova alma gêmea (uma que não foi decretada antes do nascimento).10 3 - Cada um tem o livre arbítrio de casar-se ou não, mas depois que a escolha é feita, o parceiro será aquele designado no céu (por meio de súplicas por misericórdia, outra pessoa pode casar com ela primeiro, mas o casamento será temporário).11 4 - A voz Celestial não é um decreto, mas meramente reflete a compatibilidade natural das almas. Sua natureza inerente os predispõem - e facilita - escolher um ao outro. Mas eles não o fazem por livre escolha: são guiados por D'us para se conhecerem baseados em seus méritos, não por decreto pré-ordenado.12 5 - Todos os casamentos dependem das ações de uma pessoa. A voz Divina refere-se à força de unir matéria e forma, a alma e o corpo.13 6 - Segundo14 os escritos do Arizal15, a primeira vez que uma alma desce ao mundo, “uma voz Celestial emerge e decreta: “A filha de fulano para beltrano.” Quando chega o tempo do casamento, a oportunidade é imediatamente agarrada sem estresse ou dificuldade. [Até aquela hora, é possível que ela irá ser a esposa de outro homem, como foi o caso com Uriah e Batsheva16.] Às vezes, porém, a pessoa não merece e deixa de casar com seu pretendido. [Naquele exemplo, outro que não tenha um parceiro designado pode superá-lo pelos seus apelos por misericórdia17. Apesar disso, ele tem garantido um cônjuge apropriado às suas ações. Às vezes uma alma passa por uma transformação (de má à boa ou o oposto) e vai desprezar o par designado e casar com outro, pois não é mais a mesma alma. Às vezes, a alma vai reencarnar para que possa casar com seu designado. Às vezes, ele vai reencanar por outros motivos, mas como possui muitos méritos, sua pretendida também reencarna com ele. Apesar disso, como ele pecou e foi forçado a reencarnar, há forças que se opõem a ele e o impedem de realizar aquele casamento. Isso está implicado na declaração: “Juntar [parceiros de casamento] é tão difícil quanto abrir o Mar Vermelho”18. Se o parceiro designado da pessoa não reencarna, ele é unido a uma alma feminina reencarnada que também não tem um parceiro nesta encarnação. Portanto é muito difícil juntá-los pois têm uma natureza diferente19. A mulher deve, porém, ser compatível com ele na sua fonte20. Há algumas opiniões que afirmam que se o pretendido não é forçado a reencarnar, o homem aceita a mulher segundo seus esforços21. Portanto, os casamentos são feitos no céu ou na terra? A resposta é em ambos. Como tudo na vida, somos parceiros de D'us na criação. O Divino envia cada alma em sua jornada única pela vida, e designa que alma pertence a cada uma. Mas nós seres humanos, através de nossas escolhas e ações, podemos mudar o curso para o melhor (e também infelizmente, para o pior). D'us criou seu mundo em seis dias. “E o que Ele tem feito desde então? D'us Se senta e forma casais.” Casais tanto no sentido literal: criar parceiros no casamento, e também casais no sentido mais amplo: criando fusão e unidade num universo pluralista e fragmentado. Hoje não precisamos ser lembrados sobre como é difícil criar e manter casamentos saudáveis. Alguns sentem que é ainda mais difícil que partir o mar. porém, temos na dura busca de Yaacov por uma esposa uma lição formidável em superar o desafio de construir relacionamentos duradouros. A história é o melhor professor: apesar dos duros desafios de Yaacov - trabalhar vinte anos(!) para seu cruel e corrupto sogro Laban “durante o dia eu era consumido pelo calor escorchante, e à noite pela geada, quando o sono era tirado dos meus olhos”22 - Yaacov conseguiu construir a melhor família que jamais existiu: as doze tribos que dariam início à nação judaica, e perpetuar a civilização mais nobre que mudaria para sempre a história, até o dia de hoje! A jornada de Yaacov, orientada por D'us, para encontrar sua esposa e construir uma família ensina, inspira e permite que cada um de nós encontre sua alma gêmea. Por mais difícil que sua busca possa ser, saiba que o envolvimento básico de D'us está em “formar pares”. E assim como Ele orquestrou e guiou Yaacov (e antes, o casamento de Yitschac e Rivka) e os milhões de casamentos que se formam - sem os quais não existiríamos hoje - D'us continua a Se ocupar em formar pares atualmente. Mas os esforços de D'us exigem nossa parceria. Por intermédio da nossa virtude e prece, sendo pessoas melhores, engajamos D'us no misterioso e árduo processo de juntar as almas, numa linda dança que tremula pelo cosmos e transforma o mundo e tudo que nos cerca. www.pt.chaba.org. Abraço. Davi

 

domingo, 22 de novembro de 2020

II. TRÊS PRINCÍPIOS ESSENCIAIS

 

Cristianismo. www.graodetrigo.com. Texto de David W. Dyer. II. TRÊS PRINCÍPIOS ESSENCIAIS. Estou apenas dizendo que devemos amar “com um coração puro e ardente” os crentes que estão nesses grupos (1 Pedro 1:22). Com certeza, nunca vamos conseguir resolver o problema da divisão na Igreja atual. Há um único lugar onde podemos colocar fim à divisão. Isto é, em nossos corações. Se conseguirmos amar, o que nós podemos fazer será feito. Como temos visto, a igreja não é um lugar ou um grupo mas uma realidade espiritual que podemos experimentar. Essa experiência pode penetrar qualquer barreira exterior. Podemos ter relacionamentos espirituais verdadeiros e comunhão com crentes em todo tipo de situação. Eis a única igreja real e verdadeira. O PRINCÍPIO NÚMERO 3: “O CABEÇA” O terceiro princípio que gostaria de mencionar aqui é o senhorio de Jesus Cristo. No Novo Testamento, Paulo o apóstolo, nos adverte sobre alguns crentes que não estavam “retendo a Cabeça” (Colossenses 2:19). O que isto significa? Simplesmente que Jesus Cristo não era a autoridade principal em cada aspecto de sua experiência de igreja. Em nossos dias, poderia significar que temos elevado outras coisas (como por exemplo: líderes, ritos, doutrinas, métodos, tradições, organizações, etc.) a um patamar que não deveriam ocupar. A Bíblia nos ensina que Deus tem dado Jesus Cristo para ser “cabeça sobre todas as coisas na igreja, que é o Seu corpo” (Efésios 1:22-23). Esta palavra “todas” tem significado especial. Quer dizer completamente tudo. Em outro lugar lemos que em todas as coisas Ele deve ter primazia (Colossenses 1:18). Cada crente deve levar esse ponto muito a sério. Devemos, como cristãos, ser extremamente cuidadosos para nunca substituir ou impedir a autoridade de Jesus. Esta consideração pesa muito. Este conceito é crucial para a experiência genuína de igreja! O corpo de Jesus Cristo não pode funcionar de forma certa quando a Sua autoridade é substituída ou limitada. Seria como uma pessoa paralítica ou decapitada. Creio que não há outra verdade mais negligenciada e abusada em nossas “igrejas” modernas. Creio que se Jesus asseverasse a autoridade que tem de direito sobre muitas assembleias cristãs de hoje, quase toda “mesa” seria virada. Uma discussão do senhorio de Cristo sobre o Seu corpo vai incluir, necessariamente, dois aspectos diferentes: Sua autoridade sobre cada pessoa e Sua liderança nas reuniões da igreja. Para simplificar nossa investigação, vamos considerar cada item em separado. Para começar, Jesus tem que ser Senhor de cada cristão. Significa que Ele tem de ter controle pleno sobre cada aspecto de sua vida. Nenhuma área deve ser retida Dele. Já que Jesus não exerce por força a Sua autoridade, temos que estar completamente dispostos a deixá-Lo reinar sobre e em nós. A única posição apropriada para o crente é de uma submissão total ao Espírito Santo. Quando esse elemento está em falta, a nossa experiência de igreja sofrerá em proporção. Problemas sérios também podem ser causados por autoridade humana não bíblica. Quando cristãos começarem a ser influenciados demais pela liderança de um homem ou grupo de homens, o seu relacionamento com a Cabeça real é danificado. Sem dúvida, todos deveriam estar abertos para receber direção e conselhos de outros (e especialmente daqueles que são exemplos na vida espiritual). Mas se nós nos tornamos dependentes deles ou se os seguimos em vez de ao Senhor, estamos em perigo espiritual muito sério (Jeremias 17:5). A autoridade de Deus flui da Cabeça para Seu Corpo. Aqueles que têm intimidade com Ele, muitas vezes são usados como canais desta autoridade. Porém, ninguém nunca se torna em si essa autoridade. Aquela posição é reservada eternamente para o Cabeça. Portanto, da mesma forma que é importante estar sensível à voz de Deus que nos fala através dos outros, é essencial que nenhum ser humano tome o lugar que pertence a Ele, por direito, em nossas vidas. Outra dificuldade que temo ser muito comum é que a estrutura de muitos grupos cristãos não permite diversidade entre seus membros. Muitas vezes crentes são permitidos funcionar somente em formas que encaixem com padrões ou formatos pré-determinados. Talvez exista essa situação porque pessoas se sentem mais seguras com uniformidade. Porém, tal comportamento restringe grandemente a autoridade de Jesus. O resultado é paralisação e falta de atividade entre os membros do Seu corpo. Quantos cristãos hoje estão buscando outras coisas porque não foram permitidos achar abundância espiritual na igreja! Quantos grupos estão cheios de crentes super alimentados, mas imaturos que nunca tiveram oportunidade de se empenhar em servir aos outros! Essa situação triste não é só por culpa deles. Por muitas vezes, tais pessoas foram impedidas de desenvolver sua área de serviço por organizações terrenas e inflexíveis que consideravam ser “igreja”. REUNIÕES DE IGREJA. Estas mesmas verdades também se aplicam às nossas reuniões na igreja. Jesus quer nos liderar em tudo que fazemos. Quando Ele chega em nosso meio, Ele não vem para assistir a nossos cultos. Ele vem como nosso Sumo Sacerdote para nos liderar em nossa adoração e ministração. Se a Sua autoridade for limitada para fazer isso, a realidade espiritual de nossas assembleias serão afetadas de forma dramática. Algumas coisas que podem atrapalhar ou confinar a liderança de nosso Senhor são: reuniões pré planejadas, cultos dirigidos do “púlpito”, formalidades religiosas e o controle do grupo pelo ministério de uma só ou algumas pessoas. Tudo isso é muito comum na igreja de hoje em dia. E tudo isso serve apenas para restringir a autoridade do Cabeça e sufocar a nossa experiência de igreja. Infelizmente, muitos cristãos não reconhecem que Jesus, realmente, poderia dirigir reuniões de igreja. Talvez a ideia nunca lhes tenha passado pela cabeça. Possivelmente, estejam inseguros de que uma tarefa tão importante possa ser realizada por alguém que é (...) ah, bem, invisível. Lamentavelmente, muitos acham mais seguro organizar algo e deixar que alguém mais “qualificado” seja o líder. O fato é que Jesus Cristo é infinitamente capaz de dirigir as reuniões de Sua igreja. Simplesmente não temos dado a Ele oportunidade. Outra possibilidade é que “nós”, coletivamente, temos tão pouco contato real com Ele que não sentimos a Sua autoridade e, portanto, somos incapazes de seguir o Seu mover nas reuniões. Se estamos falhando em deixar Ele conduzir nossas vidas particulares é provável que não vamos confiar que Ele é capaz de liderar nossas reuniões. Uma reunião na igreja, em conformidade com as escrituras, é dirigida pelo Espírito Santo e fornece uma oportunidade para cada membro funcionar. Em 1 Coríntios 14:26 lemos que quando a igreja se reúne, cada um pode ter um salmo, ensinamento, língua, revelação e interpretação. Efésios 4:16 ensina que é da fonte de vida de cada parte que o corpo é edificado. Durante uma assembleia genuína, o Espírito Santo flui entre Seu povo e induz cada um a ministrar sua porção de Deus aos demais. Assim cada necessidade é suprida. Se apenas os “talentosos” funcionam, a nossa experiência será grandemente limitada. Ao contrário, quando todos têm oportunidade de compartilhar, podemos gozar plenitude tremenda. Alguns talvez pensam que estou falando contra o ministério de homens talentosos, mas não estou. Porém, muito do ministério ora realizado em reuniões de igreja – como pregações e ensinamentos extensivos – provavelmente deveriam acontecer em outro ambiente. Tempos e lugares separados podem ser facilmente arranjados para esses propósitos. Claro que, às vezes, precisamos de um tempo para pregação e ensino na igreja, mas deve ser limitado para não ocupar o espaço dos demais ministérios (leia 1 Coríntios 14:30-31). Ninguém deve dominar a assembleia com o seu ministério. Paulo, o apóstolo, ensinou na sinagoga, numa escola, na sua casa alugada e em outros lugares (Atos 19:8-9; 28:30-31). Porém, nada nos indica que ele ocupava a maior parte de cada reunião com as suas mensagens. A sua pregação em Trôade, que durou uma noite inteira, deve ser entendida devido à circunstâncias excepcionais. Já que ele estava de partida no próximo dia, ele queria aproveitar todo o tempo possível para compartilhar com os irmãos (Atos 20:6-11). Sim, o ministério de pessoas especialmente ungidas deve ser exercitado. Mas isso deve ser feito somente reconhecendo o funcionamento normal das reuniões da igreja e não substituindo para isso. Em conclusão, devo dizer que a igreja tem-se afastado muito da intenção de Deus nesses anos todos. Uma comparação entre a situação da igreja hoje e no Novo Testamento nos fornece evidências amplas deste fato. Porém, não significa que a meta de reuniões genuinamente espirituais não seja alcançável. Estou confiante de que, à medida que praticamos os princípios supracitados, a nossa experiência de igreja será grandemente aumentada. Do contrário, à medida que deixamos de implementar estas coisas estaremos limitando a nossa experiência de Deus em nosso meio. Certamente a igreja é uma realidade espiritual. É certo também que podemos e devemos experimentar essa realidade. Os fins que Deus tem em mente só serão alcançados pelos Seus métodos. Tudo mais, que seja agradável de aparência aos homens, é apenas madeira, palha e feno. Lembrem, por favor, que o sucesso pelos padrões do mundo significa nada para Deus. Multidões, sermões eloquentes, músicas dinâmicas e tantas coisas mais tão comuns em nosso meio hoje em dia não O impressionam. Somente aquilo que Ele mesmo inicia passará pelo teste no Dia do Juízo. Que Deus tenha misericórdia de nós para que conheçamos e experimentemos a realidade espiritual genuína e a presença real do Deus vivo em nossas reuniões da igreja. www.misteriograodetrigo.com. Abraço. Davi

sexta-feira, 20 de novembro de 2020

INTRODUÇÃO

 

Religião Afro-brasileira. UMBANDA. Texto de Yamunisiddha Arhapiagha. Mestre Tântrico Curador. Médium F. Rivas Neto. INTRODUÇÃO. Entregamos ao público leitor a nova edição, revista e atualizada, de Umbanda — A Proto-Síntese Cósmica, escrita e editada pela primeira vez em 1989, exatos cem anos após a Proclamação da República Federativa do Brasil e a abolição (13 de maio de 1888) da escravatura. Para a coletividade umbandista, esta obra, bem como Umbanda de Todos Nós, escrita em 1956 por W. W. da Matta e Silva (Mestre Yapacany), foi responsável por grandes mudanças no panorama do Movimento Umbandista, mostrando uma organização estrutural, filosófica e doutrinária até então inexistentes. Temos nas palavras de Mestre Orishivara (senhor Sete Espadas) a pedra basilar sobre a qual edificamos nosso santuário que se transmite ao mundo através dos livros que escrevemos subsequentemente. Acreditamos que tudo evolui e que os conceitos aqui apresentados correspondem aos necessários para o momento. Muitas pessoas podem ter avançado além dos ensinamentos entregues a nós por Mestre Orishivara; outros ainda não atingiram a compreensão mesmo de assuntos mais básicos. Compreendemos então que o momento a que este livro é dedicado está no interior de cada pessoa, não no calendário temporal, mas no das vivências espirituais. Assim, esperamos contribuir com todos os irmãos planetários, não importando em que etapa da jornada espiritual se encontrem. Bênçãos de Paz e Luz dos Arashas a todos! Aranauam. ESCLARECIMENTOS PRELIMINARES – HISTÓRIA DO MOVIMENTO UMBANDISTA. O Movimento Umbandista surgiu no final do século XIX, utilizando-se como cenário os cultos miscigenados de negros, índios e brancos, conhecidos como macumbas, candomblés, catimbós, torés, xambás, babassuês, xangôs, etc. Nesse contexto, começaram a se manifestar entidades espirituais, através da incorporação, nas formas de índios (Caboclos) e de Pais-Velhos trazendo as mensagens dos espíritos ancestrais desses povos. O processo do sincretismo facilitou a inclusão da cultura católica pela assimilação dos santos com as divindades do panteão africano e ameríndio. Logo apareceriam também as entidades que se apresentavam como Crianças, completando o ternário de manifestação mediúnica que serviria de base para a sustentação da doutrina umbandista. Essas três formas de apresentação, Crianças, Caboclos e Pais-Velhos, correspondem a arquétipos do inconsciente coletivo com seus valores intrínsecos — o enigma da esfinge desvendado. Assim, a forma "infantil" representa o início do ciclo e também a Pureza; a forma adulta, de "caboclo", carrega o valor da Fortaleza e da Simplicidade; e a forma senil, de "pai-velho", identifica-se com a Sabedoria e a Humildade. Pureza, Simplicidade e Sabedoria Humilde seriam as virtudes a serem cultivadas por todos os umbandistas, bem como regeriam a ética desse setor filorreligioso. No início do século XX, com o médium Zélio Fernandino de Moraes (1891-1975), a Umbanda recebeu sua primeira roupagem, com organização à parte dos cultos afro-ameríndios. Nessa época também surgiu o vocábulo Umbanda para designar aquela forma ritualística monoteísta, que cultuava os Orishas como representantes da Divindade e que tinha as entidades espirituais, que se manifestavam pela mediunidade dos adeptos, como ancestrais ilustres enviados pelos Orishas. A característica mais marcante do culto, nesse tempo, era o fato de ser simples, objetivo, aberto a todos os segmentos sociais, econômicos, religiosos ou étnicos. Desde o início, a abertura universal era estigma da Umbanda. Com o passar do tempo, várias formas de culto surgiram, cada uma com proporções diferenciadas de influências africanas, ameríndias, europeias e mesmo orientais, facilitando a adaptação e assimilação da doutrina por recém-egressos de outros cultos. Essa fase caracterizou-se por uma rápida propagação e expansão da Umbanda, especialmente pela abundância de manifestações espiríticas concretas, fenômenos físicos, curas espirituais e movimentação das forças sutis da natureza pela magia manipuladas pelos orishas, guias e protetores que "baixavam" nos vários terreiros, cabanas, choupanas, tendas de Umbanda de todo Brasil. Apesar de todas as manifestações impressionantes, o tônus do movimento umbandista nessa época era dado pelo pragmatismo e pelo empirismo doutrinário, não havendo um sistema consistente filosófico acessível aos praticantes. A partir de 1956, com o lançamento do livro Umbanda de Todos Nós, novo alento foi dado à Umbanda por Mestre Yapacany (W. W. da Matta e Silva) que viria mostrar o aspecto oculto do conhecimento trazido pelas entidades militantes nesse movimento. Em mais oito obras, Mestre Yapacany desenvolveu as bases da escrita sagrada da Lei de Pemba, a hierografia umbandista, apresentou os fundamentos da metafísica da Umbanda e revelou a conexão com o sistema cosmogônico ligado à cabala ário-egípcia, descrito em 1911 por Saint-Yves d'Alveydre (1842-1909) em seu L'Archéomètre. Apesar de toda a contribuição filosófica e científica dada à Umbanda por Mestre Yapacany, na denominada Umbanda Esotérica, as mudanças práticas no sistema ritualístico foram modestas, considerando-se que a profundidade da doutrina era alcançada por poucos e raros iniciados, não havendo um método sistemático de transmissão de conhecimento, nem uma organização templária capaz de conduzir os neófitos aos patamares superiores da iniciação, a não ser que uma predisposição inata se fizesse sentir de maneira muito evidente. Chegamos então à fase representada pela Ordem Iniciática do Cruzeiro Divino, fundada por nós em 1970, honrando o compromisso que temos com nossos mentores e com Mestre Yapacany, do qual fomos discípulo e recebemos a incumbência de continuar a tarefa. Dois anos se passaram do desencarne de nosso Mestre quando lançamos nossa primeira obra, esta Umbanda — A Proto-Síntese Cósmica, agora com sua quarta edição nas mãos do leitor. Muitos fatores fizeram de Umbanda — A Proto -Síntese Cósmica um novo marco para o Movimento Umbandista, a começar pelo fato de ter sido a primeira obra a ser escrita diretamente por uma entidade de Umbanda, o Caboclo Sete Espadas (Mestre Orishivara) que deixou o linguajar de terreiro, o jargão umbandista, para transmitir os conceitos próprios de um sábio do Astral Superior. Nesta obra, o Senhor Sete Espadas apresentava, já no início, uma controvertida teoria antropológica que, se ainda não confirmada, ao menos encontra nos estudos recentes do sítio arqueológico da Pedra Furada no Piauí respaldo para o benefício da dúvida. Se esperarmos que aconteça como na profecia concretizada em relação ao vigésimo primeiro aminoácido ou nas questões que trata de matéria e anti-matéria, basta o tempo para que o rigor científico venha ratificar esses escritos. A heterodoxia de Umbanda — A Proto Síntese Cósmica avança ainda na demonstração geométrica e aritmética do número correto dos Arcanos Maiores e Menores e ainda explica o motivo do conceito vigente. Discorre sobre magia etérico-física em minúcias conceituais e aprofunda-se nos métodos oraculares restituindo seus valores adormecidos. Um capítulo especial é dedicado à organização do processo iniciático, em suas várias fases, ilustrado como acontecia nos tempos antigos dos grandes Colégios Divinos da tradição hermética. Finalizando, Mestre Orishivara levanta os véus da universalidade da Umbanda, antecipando as mudanças sociais esperadas para o Movimento Umbandista no Brasil e para a coletividade planetária como um todo. Constituindo-se como tratado de filosofia hermética, magia, doutrina espiritual e prática mediúnica. Umbanda — A Proto Síntese Cósmica foi elevada à condição de texto sagrado basilar para boa parte dos templos umbandistas de todo o país e se tornou o paradigma da fase iniciática da Umbanda, por ela inaugurada. Tudo isso contribuiu para uma transformação da Umbanda e do que se pensava da mesma. Vivemos, atualmente, uma fase prolífica no setor umbandista que deixou de ter um caráter regional e passou a se relacionar naturalmente com outros setores filorreligiosos. A Umbanda participa ativamente das discussões das necessidades sociais e espirituais brasileiras e planetárias, propondo um método de abordagem da Realidade que se direciona para o universalismo expresso na meta de Convergência com vistas à Paz Mundial. Temos sido testemunha das mudanças na Umbanda. Atuamos no meio umbandista desde a década de 1960, quando ainda aos doze anos de idade tivemos os primeiros contatos mediúnicos. Já aos dezoito anos assumíamos a direção de um templo e em 1969 tivemos a honra de conhecer Mestre Yapacany, do qual nos tornamos discípulo. Em 1970, fundamos a Ordem Iniciática do Cruzeiro Divino que, desde então, representa uma referência para os adeptos umbandistas, contando com vários templos em todo o Brasil e discípulos por todo o mundo. Em função da atividade espiritual, sentimo-nos inclinado ao estudo aprofundado das mazelas humanas, inclusive do ponto de vista físico, o que nos levou à graduação em Medicina e especialização em Cardiologia. Desde que iniciamos nossa produção literária, temos sentido o peso da oposição, mesmo dentro do próprio Movimento Umbandista. Acreditamos que tudo evolui, tudo precisa transformar-se e por que não a Umbanda? Afinal, o universo todo progride, caminha (...). E justo que nossa compreensão da Realidade também o faça. Preferimos ser heterodoxo (ter opinião diferente), especialmente em relação àqueles que se acomodaram no misoneísmo e fizeram de suas verdades os dogmas que lhes garantiram o conforto material. Longe, muito longe estamos da Realidade Absoluta, que é uma e não duas. O mínimo que podemos esperar daqueles que buscam a evolução espiritual é uma atitude aberta, não sectária, disposta a modificar-se em função do aprendizado. Empenhado nessa atitude de evolução constante, iniciamos a tarefa de escritor em 1989 com Umbanda — A Proto-Síntese Cósmica. A cada novo lançamento, em obediência ao Astral, temos revisado conceitos, aprofundado conhecimentos, ampliado nossos horizontes. Esperamos assim colaborar para o ressurgimento da Tradição-Una, que é patrimônio de toda humanidade e se encontra eclipsada pela visão fragmentária e parcial que temos da Realidade. Nossa segunda obra, Umbanda – O Elo Perdido, também psicografada por Mestre Orishivara (Caboclo Senhor Sete Espadas), lançou nova luz sobre os delicados mecanismos hiper físicos da mediunidade, esclarecendo as várias formas de intermediação dimensional, como a incorporação nas fases inconsciente e semiconsciente, a irradiação intuitiva, a clarividência, a clariaudiência, a psicografia, a psico hierografia e a dimensão-mediunidade. Discorre Mestre Orishivara ainda sobre os distúrbios da mediunidade classificados em animismo vicioso, ficção anímica, atuação espirítica patológica e obsessões. A fisiologia astral é detalhada em O Elo Perdido na seção que fala sobre prana, kundalini e chacras. Sempre temos nos posicionado como aprendizes do Astral Superior, que nos incumbiu de transmitir alguns poucos ensinamentos aos nossos irmãos planetários. A repercussão de nossa obra no Movimento Umbandista deve ser creditada aos Mestres Astralizados e nosso próprio mestrado se faz em obediência a eles. Lições Básicas de Umbanda, nossa terceira obra, firmou-se como manual prático seguido por muitos umbandistas para a formação de várias coletividades de terreiros, com orientações no tocante à rito-liturgia da Umbanda, bem como a movimentações magísticas básicas necessárias ao funcionamento dessas casas espirituais. Umbanda - O Arcano dos Sete Orixás, nova obra escrita por Mestre Orishivara, foi determinante para a mudança de concepção dos praticantes umbandistas acerca dos Orishas, nossos Genitores Divinos e suas hierarquias. Através das correlações vibratórias que atribuem a cada Orisha número, cor, som, letras sagradas, dias propícios, horários vibratórios, ervas sagradas, essências voláteis específicos, estabeleceu as bases para o que seria conhecido, mais tarde, como yoga umbandista. Exu - O Grande Arcano abalou a coletividade umbandista desde sua base até suas "instituições coordenadoras". Ditado pelo Exu Senhor (...), esse livro descerrou os véus do arcano e separou a real manifestação de Exu da mitologia que anima o inconsciente de muitos que dizem estar por ele mediunizados. Separado o joio do trigo, revelou-se Exu como o Agente Executor da Magia e da Justiça Kármica, entidade responsável e conhecedora da movimentação de forças magísticas nos processos de agregação de forças positivas e desagregação de forças negativas no "eró" da encruzilhada de Exu (a cruz dos quatro elementos). Em 1996, escrevemos a obra Fundamentos Herméticos de Umbanda onde consta a exposição inicial da Doutrina do Tríplice Caminho. Apoiada nas Doutrinas Tântrica (Luz), Mântrica (Som) e Yântrica (Movimento) representadas pelos Mestres da Sabedoria (Pais-Velhos), do Amor e da Pureza (Crianças) e da Atividade (Caboclo), a Doutrina do Tríplice Caminho é a base dialética da iniciação dentro da Umbanda. Compromissado com a qualidade e não com a quantidade, voltamo-nos para o interior do Templo e nos dedicamos à prática dos ensinamentos recebidos do Astral Superior. Acreditamos que teoria e prática devem caminhar pari passu e, por isso, estabelecemos a Escola de Síntese que deu origem a um Centro de Meditação Umbandista e à Faculdade de Teologia Umbandista. A ESCOLA DE SÍNTESE. No Movimento Umbandista, em decorrência da variedade de ritos, de formas de se compreender a Umbanda e de cultuar o Sagrado, várias tendências ou correntes doutrinárias surgiram. Naturalmente, essas tendências agruparam-se por afinidade e favoreceram a eclosão do conceito de escolas de pensamento filosófico dentro da Umbanda. Assim, no universo que engloba todos os umbandistas, há escolas mais voltadas à tradição africana, à ameríndia, como também outras que privilegiam os conhecimentos do dito esoterismo, além das denominações conhecidas como Umbanda Omolocô, Traçada, Oriental, etc. Consonante com a visão universalista preconizada pelos Mestres Astralizados responsáveis pela Ordem Iniciática do Cruzeiro Divino, formalizamos nossa abordagem da Umbanda através da Escola de Síntese, que coincide com o pensamento filosófico de conciliar todos os segmentos umbandistas e, ao mesmo tempo, conectar-se com os demais setores filo religiosos existentes no globo terrestre em busca da Convergência para a Paz Mundial. A base discursiva para essa escola compreende a ideia de que as Religiões são visões particulares e parciais do Sagrado, que é a Realidade Una, portanto, Absoluta. Em que pesem os variados graus de percepção da realidade espiritual, cada religião e, analogamente, cada setor do movimento umbandista correspondem a uma visão mais ou menos abrangente dessa Realidade. Partindo-se do pressuposto de que ninguém detém o conhecimento integral da Verdade, chegamos à conclusão de que todos devem ser respeitados por conterem parte da Verdade. Por outro lado, evidencia-se a necessidade de evolução para toda a humanidade, o que implica o desapego gradual dos vários rótulos e partir em busca da Essência que deve ser comum a todos. Aí está delineado o processo de Convergência que a Escola de Síntese propaga. Na prática, o que se verifica na Ordem Iniciática do Cruzeiro Divino são seis ritos diferentes, seis níveis de interpretação do Sagrado, partindo da apreensão pela Forma e caminhando, dialeticamente, até a percepção da Essência. Por conseguinte, nos ritos de primeiro nível prevalecem as raízes étnicas e folclóricas da Umbanda; logo a seguir, observam-se os valores sincréticos, místicos, no segundo nível; o aspecto de Exu, no terceiro nível; a chamada escola esotérica, no quarto nível; os fundamentos básicos do Tríplice Caminho, no quinto nível; e, por fim, os fundamentos cósmicos do Tríplice Caminho, no sexto nível. Nesse último rito, a O.I.C.D. irmana-se com representantes de outros setores filo religiosos falando uma linguagem comum a todos. Finalizando, cabe ressaltar que a Escola de Síntese, em virtude de sua consistência doutrinária expressa em Epistemologia, Ética e Método próprios da Umbanda, tem ampliado sua atuação na sociedade planetária, contribuindo para a formação de uma consciência de cidadania planetária através da Fundação Arhapiagha para a Paz Mundial. Essa fundação promove ações educativas, difundindo a necessidade da mudança de valores sociais, contrapondo-se ao convencionalismo e ao condicionamento de pensamento que precisam ceder para que surja uma nova humanidade, na qual espírito e matéria não sejam conflitantes, mas partes integrantes de uma só Realidade. A DOUTRINA DO TRÍPLICE CAMINHO. O Movimento Umbandista, surgido no Brasil, apresenta duas perspectivas ou ângulos de visão a serem considerados: a dos seres encarnados que integram a coletividade de adeptos e a dos mestres astralizados, as entidades que se manifestam através do mediunismo dos umbandistas. Do ponto de vista dos seres encarnados, é evidente que o movimento umbandista surgiu como amalgamação de ritos oriundos de povos culturalmente diferentes. Tal integração cultural permitiu amenizar os conflitos ou choques de culturas. Esse meio-termo, representado pela Umbanda, conseguiu congregar uma variedade de influências étnicas que passaram a conviver harmoniosamente. É interessante notar que o Brasil pode ser considerado um mini planeta, pois aqui temos representantes de todos os continentes e tradições convivendo pacificamente, sem os atritos provenientes do fundamentalismo de um ou outro setor. O mesmo não acontece em outros pontos do planeta, onde os conflitos baseados na "fé" têm lugar, deixando marcas de dor e violência em todos os povos. Qual seria a causa do congraçamento entre tradições tão diferentes no Brasil? Não fosse o bastante, podemos ainda dizer que isso acontece com maior intensidade na Umbanda, onde não apenas tradições diferentes intercambiam valores, mas também todos os extratos sociais e econômicos encontram um campo de trégua, favorecendo o convívio em termos de igualdade perante o Astral. Esta é uma "magia" que a Umbanda faz e que poucos percebem. Por trás da aparência de colcha de retalhos, existe um princípio inteligente que coordena as diferenças e promove a união pelas semelhanças. Em outras palavras, na Umbanda não há o rico e o pobre, o douto e o analfabeto, essa ou aquela etnia. Todos sentem-se iguais e o mérito parece ser o principal fator determinante na hierarquia social. Quer dizer: o que tem mais a oferecer assume o posto de maior doador. Exercer uma função sacerdotal ou semelhante corresponde a uma responsabilidade maior, uma dedicação e doação maiores, e não privilégios eclesiásticos ou políticos. É claro que nos referimos aos umbandistas de fato e de direito, e não aos aproveitadores e mercadores do templo de todas as eras, que mancham nosso meio com suas atitudes farisaicas. Preferimos ser tachados de heterodoxos ou revolucionários a nos submetermos à fé institucionalizada que sempre contribuiu para a manutenção de um status quo onde prevalecem as diferenças e a concentração de poder tão a gosto do submundo astral e de seus feudos. Lutamos pela Umbanda de todos, sem a primazia de Pai Fulano ou Babalaô Sicrano, muito menos daqueles que se utilizam dos nomes das entidades para escudar suas empreitadas materiais. Pedimos escusas ao leitor por esse desabafo, mas acreditamos em uma Umbanda ampla, que atende a todos com igual respeito. Muito fomos criticados ao instituirmos em nosso templo seis níveis diferentes de rito, cada um representando um segmento da Umbanda. Queriam que fôssemos sectários, elitistas, dizendo: isso é certo, aquilo é errado. Nossa posição é a de Síntese; respeitamos a todos e entendemos que as diferenças de graus conscienciais são um fenômeno transitório. No decorrer do tempo e do espaço encontraremos cada vez mais pontos de união e caminharemos todos para uma mesma Realidade, à qual almejamos mas que ainda se encontra distante de todos nós. Assim posto, voltemos às considerações sobre o movimento umbandista em seu lado humano. Observamos um sistema aberto, que permite tantas variações quanto as necessárias para atender a multitude de graus conscienciais que encontram na Umbanda sua identidade espiritual. É claro que não podemos esperar um consenso universal entre os umbandistas. Se isso acontecesse agora, seria por força de imposição, contrariando o princípio de liberdade espiritual que deve beneficiar a todos. Contudo, não podemos negar que o amadurecimento deve conduzir a uma visão mais abrangente da Realidade, aparando as arestas e fazendo ressaltar a Essência até então velada pela pluralidade da Forma. Com isso, somos remetidos ao aspecto espiritual da Umbanda, à perspectiva das entidades atuantes nesse movimento. Penetremos agora nos bastidores do rito, na força motriz que impulsiona essa Umbanda ao resgate da Tradição-Una. Com a chegada de imigrantes de todos os continentes e os antecedentes espirituais de nossa terra (como poderá o leitor ver no Capítulo V), estabeleceu-se aqui o local ideal para se dar início à reintegração da Humanidade. Com esse compromisso, representantes de todas as culturas aqui se encontraram através de migrações físicas ou reencarnatórias em obediência aos desígnios traçados por nossos Ancestres Ilustres, na expectativa de construir uma nova sociedade. É claro que nossos Ancestres Ilustres — os Mestres Astralizados — necessitavam de um ponto de entrada para atuar entre os encarnados e incutir as novas diretrizes. Para isso, utilizaram-se dos cultos miscigenados de índios, negros e brancos, marcados ainda pelo fetichismo e crendices várias. De par em par, entidades de alto escola espiritual usaram das formas de Caboclos, Pais-Velhos, Crianças e outras para trazer nova luz à nascente identidade brasileira. Por essa perspectiva, podemos observar que o Movimento Umbandista não apenas surgiu para minimizar os choques étnicos, religiosos, econômicos e sociais brasileiros, mas também serviu como porta de entrada para um movimento que visa atingir todos os cidadãos planetários, aqui representados pela população de várias nacionalidades. Fica evidente que somente entidades espirituais elevadas, já destituídas de qualquer atavismo espiritual e conhecedoras da sistemática evolutiva planetária poderiam atuar nesse movimento. Mas, para serem mais bem aceitos, esses Mestres planetários necessitavam adaptar suas formas de apresentação para melhor entendimento da coletividade-alvo. Todos sabemos que espíritos superiores estão livres de atributos como idade, raça, língua ou religião. Contudo, escolheram as formas de Crianças, Caboclos, Pais-Velhos e sucedâneos para atuar entre a massa de adeptos. Qual o motivo de escolherem essas formas? Por que se travestir com essas roupagens fluídicas? Primeiro, escolheram estas variações regionais para facilitar o contato com aqueles que ainda traziam fortes traços culturais. Assim, os brasileiros de origem ameríndia facilmente se identificaram com os "Caboclos"; os brasileiros de origem africana se identificaram com os "Pais-Velhos"; os de origem europeia se identificaram com as "Crianças", e assim por diante. Um segundo aspecto é que Crianças, Caboclos e Pais-Velhos representam as três etapas da vida humana: infância, maturidade e senilidade (velhice), aspectos esses presentes em todas as raças. O terceiro aspecto são os valores inconscientes ou arquetípicos que essas roupagens traduzem. Assim, a Criança é símbolo de Amor e Pureza; o Caboclo é símbolo da Fortaleza e da Atividade; o Pai-Velho é símbolo da Sabedoria e da Humildade. Novos horizontes se descortinam. O que antes parecia um fenômeno folclórico, fruto do animismo fetichista como quiseram fazer crer, agora passa a ser observado como movimento coordenado com intenções universalistas. Esse é o ponto de vista espiritual. Então a Umbanda não é uma religião brasileira? Não. Apenas surgiu no Brasil, mas destina-se a toda humanidade. Isso não significa que veremos Pais-Velhos "baixando" na China ou Caboclos incorporados na Rússia. Isso tudo faz parte do aspecto regional do movimento umbandista, das adaptações necessárias ao povo brasileiro, incluindo as formas de baianos, boiadeiros, marinheiros e outros, que têm funções ainda mais particulares e menos universais. Por outro lado, deve haver formas que simbolizam a Pureza, a Fortaleza e a Sabedoria em outros povos. Podemos ter, talvez, um Guerreiro europeu simbolizando a Fortaleza para aquele povo, ou um Velho Mestre oriental simbolizando a Sabedoria entre os chineses. Os arquétipos e seus valores são os mesmos para todos; mudam apenas as formas de simbolizá-los ou representá-los. Os arquétipos são universais e estão no inconsciente de todos os seres. Entendemos agora que, na verdade, os espíritos que se apresentam na forma de Crianças são Mestres do Amor e da Pureza que usam essa vestimenta para transmitir sua valência espiritual. Igualmente, os Mestres da Fortaleza e da Atividade se manifestam como Caboclos, e os Mestres da Sabedoria e da Humildade se apresentam como Pais-Velhos. Mas isso não é tudo. O objetivo da Umbanda é resgatar para o Homem sua cidadania espiritual, sua consciência eternal, perdida nas brumas do egoísmo, da vaidade e do orgulho. A perda da consciência espiritual levou-nos à fragmentação de nosso psiquismo e, consequentemente, a uma visão fragmentária do mundo. Para restituir a sanidade espiritual do Homem, os Mestres Astralizados apresentam-se como Mestres da Sabedoria, atuando diretamente no campo mental dos adeptos; os Mestres do Amor e da Pureza promovem a cura dos sentimentos; e, completando o ternário de forças, temos os Mestres da Fortaleza e da Atividade, atuando nas energias físicas dos consulentes. Nós, seres encarnados, expressamos nossa personalidade através de Pensamentos, Sentimentos e Ações. Os pensamentos têm sua sede no Organismo Mental, os sentimentos no Organismo Astral e as ações estão situadas no Organismo Etérico-físico. Por conseguinte, os "Pais-Velhos" atuam no Organismo Mental, as "Crianças" atuam no Organismo Astral e os "Caboclos" atuam no Organismo Etérico-físico. É precisamente isso o que se verifica nos templos de Umbanda. Sem que os consulentes percebam, os "Pais-Velhos" orientam as mentes através de seus conselhos e experiência; as "Crianças" infundem alegria, bom ânimo e felicidade; os "Caboclos" trazem energias positivas dos sítios sagrados da Natureza, para dar saúde, impulso e movimento aos filhos de fé. Resumindo, a tríplice manifestação dos Mestres Astralizados na Umbanda visa trazer Equilíbrio na Mente, Estabilidade no Sentimento e Harmonia nas Ações. Neste ponto, podemos dizer que já temos uma visão muito mais abrangente do que seja o Movimento Umbandista e uma leve noção do que seja a Tradição Cósmica, a umbanda ou simplesmente, Umbanda, que o Movimento Umbandista pretende resgatar. Compreendemos que a Umbanda tem caráter universalista e que o Movimento Umbandista tem o objetivo de adaptar as verdades universais ao entendimento de cada povo, enquanto a adaptação for necessária. Podemos ainda ir além e verificar que tudo no Universo é interligado e que o macrocosmo se reflete no microcosmo. O princípio ternário que faz o homem expressar sua personalidade em Organismos Mental, Astral e Físico é o mesmo que ordena a tríplice manifestação dos Mestres Astralizados e foi o mesmo que ordenou o caos e presidiu a gênese do Universo. No momento da cosmogênese, conhecido como big bang, três fenômenos concretizaram a Criação: a Luz, o Som e o Movimento. A interação da Essência Espiritual com a Substância Etérica amorfa produziu a Existência consubstanciada em Luz, Som e Movimento. Por isso, tudo na Natureza se apresenta de forma ternária, pela interação entre o ativo e o passivo que dá origem ao neutro ou gerado. Por isso dizemos que a Umbanda tem fundamentos cósmicos, porque remontam à cosmogênese. A Doutrina do Tríplice Caminho contém Epistemologia, Ética e Método para conduzir o Homem à união com o Sagrado, através da Triunidade. Na Doutrina do Tríplice Caminho temos três doutrinas convergentes denominadas: Doutrina Tântrica, Doutrina Mântrica e Doutrina Yântrica. A Tântrica corresponde à Luz, a Mântrica ao Som e a Yântrica ao Movimento. Embora Tantra, Mantra e Yantra sejam termos conhecidos de outras línguas, como o sânscrito, seus valores são cósmicos e, cabalisticamente, seus significados diferem um pouco do que atualmente é conhecido na Ásia. A Doutrina Tântrica é o caminho para a purificação e sublimação do Organismo Mental no homem, e os Mestres Tântricos são os Mestres da Sabedoria e da Humildade. A Doutrina Mântrica é o caminho para a purificação e sublimação do Organismo Astral, e os Mestres Mântricos são os Mestres do Amor e da Pureza. A Doutrina Yântrica é o caminho para a purificação do Organismo Etéricofísico, e os Mestres Yântricos são os Mestres da Ação e da Fortaleza. Podemos agora observar o quadro sinóptico abaixo e fazer a síntese: O que varia entre os vários templos de Umbanda é o quanto esses fenômenos são expressos ou velados. Nos locais em que a vivência espiritual ainda é restrita, as entidades fazem tudo de forma menos aparente. Nos locais onde já há um certo amadurecimento espiritual, esses fundamentos são mais abertos e os adeptos buscam conscientemente se reajustarem nesses três aspectos. Em nosso humilde templo, em consonância com a vontade de Mestre Orishivara, recebemos pessoas de todos os graus conscienciais. Por isso temos seis níveis de rito, cada um direcionado a um grupo da nossa comunidade. Todos são igualmente importantes para nós, pois constituem etapas de um caminho que todos percorrem. Se alguns se encontram mais adiantados é porque começaram mais cedo. Os que iniciam agora também chegarão aos patamares superiores, de acordo com o tempo e sua vontade. Com esse espírito constituímos a primeira Faculdade de Teologia de Umbanda, onde podemos ensinar as bases de todos os segmentos umbandistas, seja o da Umbanda Omolocô, da Umbanda Traçada, da Kimbanda, da Umbanda Esotérica ou da Doutrina do Tríplice Caminho, em aspectos básicos ou avançados. Podemos falar disso porque realizamos todos esses ritos quinzenalmente; temos a teoria e a prática. Procuramos fazer um esboço geral de nossas atividades nesta introdução à nova edição de Umbanda – a Proto-Síntese Cósmica, na intenção de mostrar que tudo evolui e que continuamos trabalhando em busca do aperfeiçoamento. Estamos convencidos de que o Terceiro Milênio reserva grandes mudanças e surpresas para toda a humanidade. Haveremos de viver em um mundo mais espiritualizado, derrubaremos o tabu da morte física e experimentaremos a fraternidade e a igualdade da família planetária a que pertencemos. Esperamos contribuir para a evolução nossa e de todos, para extirpar de vez a dor, a miséria, a doença e a fome da face da Terra. Desejamos a todos os irmãos planetários votos de Luz na Mente e Paz no Coração concretizados em uma Vida Longa plena de realizações positivas, neutralizadoras do karma negativo. Temos certeza de que a Paz do indivíduo reflete-se na Paz do Mundo e de que somos todos interdependentes. Pedimos, humildemente, aos Augustos Arashas, Supremos Curadores do Mundo, que nos auxiliem a todos a neutralizarmos o Egoísmo, a Vaidade e o Orgulho, e que estejamos todos em sintonia com o Soberano e Misericordioso Arashala – o Senhor Jesus, que nos abençoa a todos desde sempre. Aranauam (...) Rá-anga (...) Eua (...) Arasha (...) Hum (...). Livro UMBANDA – A Proto Síntese Cósmica. Abraço. Davi.

quarta-feira, 18 de novembro de 2020

I. TRÊS PRINCÍPIOS ESSENCIAIS

 

Cristianismo. www.graodetrigo.com. Texto de David W. Dyer. I. TRÊS PRINCÍPIOS ESSENCIAIS. Esta mensagem trata de três verdades básicas sobre a igreja. Por isso, parece importante iniciar a discussão perguntando exatamente o que queremos dizer quando usamos a palavra “igreja.” A maioria dos cristãos definiria a igreja como sendo “o corpo de Cristo”, querendo dizer com isto que a igreja não é um prédio ou organização humana, mas consiste de pessoas. Mesmo que seja verdade que a igreja é o corpo de Cristo e que é formada por homens e mulheres e não blocos e concreto, esse conceito, apenas, não alcança o sentido bíblico que a palavra transmite. Em consequência disso, como tantas outras verdades espirituais, a nossa experiência de igreja tem sido severamente limitada devido a nossa própria falta de compreensão da mesma. Numa tentativa de superar esse problema e recomeçar a nossa busca por um entendimento mais profundo deste assunto, vamos definir a igreja nesses termos: “A igreja é uma realidade espiritual.” A igreja é uma realidade espiritual e esta realidade deveria ser nossa experiência! Quando a bíblia usa a palavra “igreja,” refere-se a algo muito além de um número de crentes reunidos. O fato de que uma simples reunião de alguns cristãos não constitui a igreja permanece. Crentes podem-se reunir por diversas razões: por participar em várias diversões, por sentirem-se bem na companhia uns dos outros, ou mesmo para ouvirem uma pregação interessante e canções populares. Mas a verdade é que, se não estiverem entrando juntos na presença de Deus e, consequentemente, experimentando a realidade do corpo de Cristo, aquilo que estão fazendo não corresponde ao significado bíblico de “igreja.” Possivelmente, muitos leitores não entenderão o que tenho dito, o que servirá, apenas, para salientar a dimensão e a gravidade do problema que enfrentamos. A experiência de igreja acontece quando cristãos se reúnem e a presença de Jesus Cristo se manifesta no meio deles. A experiência de igreja se realiza quando homens e mulheres são levados, juntos em Cristo, a assentarem-se nos lugares celestiais (Efésios 2:6). A experiência de igreja consiste em permitir que Deus ministre, Ele mesmo, para e através de cada membro do Seu corpo. A experiência de igreja acontece quando os crentes entram juntos no Espírito Santo. Tais reuniões não deveriam ser raras ou não existentes. Na igreja primitiva, tudo isso acontecia naturalmente. Reuniões espirituais genuínas dessa natureza são essenciais se pretendemos ter o que o Novo Testamento chama de “igreja.” Gostaria de exortá-los a refletirem, seriamente e em oração, sobre o que temos feito que consideramos como sendo “igreja.” DEUS ESTÁ SATISFEITO COM O QUE ESTAMOS FAZENDO EM SEU NOME? Neste mundo, a igreja não é um fim em si mesma, mas apenas um meio para se chegar a um fim. É precisamente aqui que muitas pessoas cometem um grave erro. Eles frequentemente supõem que, se a igreja é bem-sucedida – do ponto de vista do mundo – (reuniões cheias, pregações agradáveis, um prédio novo etc.) então Deus Se agrada dos seus esforços. No entanto, o prazer de Deus somente se alcança quando estamos realizando os Seus propósitos. À medida em que nossas atividades preenchem o desejo Dele, são aprovadas. Mas, no grau em que nossos empenhos falham nesta área, então, tornam-se inúteis e são perda de tempo. Então, qual é o propósito de Deus para a igreja? Qual o objetivo que Ele tem em vista? É duplo. Primeiro, é transformar os seres humanos em Sua imagem e semelhança e, segundo, é evangelizar um mundo que perece. A experiência espiritual de igreja que temos descrito é o instrumento divinamente instituído para alcançar ambos esses propósitos. O fato de encontrarmos tantas outras metodologias sendo empregadas para tentar alcançar os mesmos resultados testifica como nossa igreja se distanciou da intenção original de Deus. Concernente ao primeiro propósito, a experiência espiritual do corpo de Cristo é o melhor ambiente para o crescimento espiritual. É um contexto sobrenatural, ordenado por Deus, onde podemos crescer até a maturidade. Quando a presença de Jesus se manifesta entre nós quando estamos juntos, isto verdadeiramente muda nossas vidas. O corpo é edificado como deve ser, quando Ele Se move no meio de Seu povo ministrando Ele mesmo para e através de cada um (Efésios 4:16). Não há substituto para esse tipo de ministério celestial. Esforço natural e humano nunca alcançarão os mesmos resultados. Treinamentos, conselhos, programas e tantos outros planos sendo empregados na “igreja” de hoje nunca vão chegar ao alvo. Isso é porque, se a presença de Cristo está em falta, nada de natureza eterna vai acontecer. Portanto, o real progresso espiritual se evidencia somente quando a realidade espiritual da igreja está sendo plenamente gozada. Quanto ao segundo objetivo, tal ambiente também é a melhor situação para evangelizar. Quando os crentes têm a presença de Deus verdadeiramente no seu meio, quando entram genuinamente no Espírito, quando cada um tem a oportunidade de “profetizar”, então as pessoas incrédulas são facilmente convencidas de que Deus é real (1 Coríntios 14:24-25). Tal experiência coloca o Evangelho muito além da esfera de argumentos intelectuais. Não pode mais ser considerado como conto de fadas ou teoria. A sua realidade se torna visível na vida daqueles que estão participando da realidade da igreja e a presença do Deus vivo é real. O que defendo aqui, não é uma vaga esperança. É algo que eu mesmo e muitos outros temos experimentado. Com tudo isso em mente, parece-me importante tomar um pouco de tempo aqui e olhar os três princípios essenciais que, seguidos, nos ajudarão a produzir a experiência mais verdadeira de igreja. Já que esse assunto é tão crucial e o seu impacto sobre nós e o mundo descrente é tão profundo, é mais do que razoável que examinemos de forma mais cuidadosa e séria esse assunto. Nós precisamos investigar como podemos nos aproximar mais dos propósitos de Deus. E, enquanto fazemos isto, rogo-vos que abram os seus corações e mentes a Deus, permitindo que Ele nos fale através desses princípios. Não resta dúvida de que as verdades que estamos discutindo aqui têm consequências eternas. PRINCÍPIO NÚMERO UM: VIDA. Qualquer corpo para funcionar tem que estar vivo. Consequentemente, os membros do corpo de Cristo têm que estar cheios da Vida divina. Isto tem certas implicações. Primeiro, o povo considerado parte da igreja tem que ser nascido do Espírito Santo (João 3:5). Precisam ser cristãos verdadeiros. Quando Jesus veio ao mundo, Ele manifestou a vida de Deus aos homens (1 João 1:1). Após a Sua ressurreição e Sua ascensão à mão direita do Pai, Ele derramou o Santo “Espírito de Vida” (Romanos 8:2), que entra em todos aqueles que creem em Seu nome. Se uma pessoa não tem o Espírito Santo dentro de si, não é um cristão verdadeiro. Somente pelo Espírito Santo é que alguém pode receber a vida de Deus. Em segundo lugar, cada membro da igreja deve saber o que significa ser cheio do Espírito Santo. A vontade de Deus é que cada cristão seja cheio até que transborde do Seu Espírito. Ele deseja isso para nós tanto quanto um pai terrestre deseja alimentar seus próprios filhos (Lucas 11:11-13). Não é uma experiência para alguns eleitos. É o padrão normal da Bíblia. De fato, somos ordenados a sermos assim cheios (Efésios 5:18). Não pretendo aqui me envolver numa controvérsia sobre “batismo no Espírito Santo,” nem tão pouco quero discutir como este seja manifesto. Apresento apenas os dois fatos seguintes que deveriam ser evidentes. Primeiro: A vontade de Deus é que cada cristão seja cheio do Espírito Santo. Segundo: É impossível ser cheio do Espírito do Deus Altíssimo e não saber disso. Portanto, se a sua vida está destituída do Espírito, você não se converteu verdadeiramente ou você ainda não se abriu suficientemente a Deus para desfrutar daquilo que Ele tem para você. Se esta é sua situação, insisto em dizer que você deve se humilhar perante Ele, buscando a Sua face até que você saiba que está experimentando tudo o que Jesus veio para dar. Em terceiro lugar, cada cristão deve ser continuamente “reenchido” com o Espírito Santo. Isto deve ser a nossa experiência – dia após dia, hora após hora, a cada minuto – constantemente. Devemos andar e viver no Espírito (Gálatas 5:25). Tem muito cristão descansando no seu relacionamento com Jesus, baseado em experiências passadas há alguns anos. O maná de ontem não alimentará ninguém hoje. Para que a nossa experiência de igreja esteja verdadeiramente viva, é essencial que cada membro se encha diariamente com a vida de Deus. Esta vida é concedida através do Espírito Santo. Para consegui-la, cada um de nós precisa cultivar uma intimidade diária com Jesus Cristo. Podemos fazer isso meditando nas escrituras e orando no Espírito Santo. Da mesma forma que nós precisamos comer a cada dia para vivermos normalmente, assim cada cristão deve passar um tempo adequado em comunhão com Deus. Não basta apenas “atirar” uma oração relâmpago, de vez em quando, quando estamos em apuros ou em tempos de necessidade. Tão pouco basta, simplesmente, relaxar e receber a nutrição do ministério de outros. Ninguém pode carregá-lo espiritualmente. Você tem que aplicar-se em buscar a Deus diligentemente. Cada um de nós deve separar um tempo demorado, e sem interrupções, para estar em comunhão com Deus e gozá-lo todo dia. Desta maneira seremos cheios de Sua vida. Como pode imaginar, a experiência de cada pessoa afetará os demais. Quando cada membro se empenha em estar cheio de Deus, a igreja se beneficia. Quando todos participarem desta substância eterna e a comunicarem aos demais durante os momentos de comunhão juntos, a experiência de igreja de todos é realçada. Ao contrário, quando as vidas espirituais de membros individuais estão em falta, a assembleia toda sofre. A solução que se tem usado demais para esse problema é de escorar a igreja com programas, liderança mais energética ou outras coisas externas. O remédio de Deus, por outro lado, é que cada um se arrependa de sua estagnação espiritual e novamente volte a um relacionamento vivo e íntimo com Ele. PRINCÍPIO NÚMERO 2: UNIDADE. O segundo princípio sobre o qual falaremos é “unidade.” Outra vez vamos começar fazendo uma analogia com o corpo humano. Se você pegar uma pessoa e cortá-la em muitos pedaços, isto destruirá sua vida. O mesmo acontece com o Corpo de Cristo. Por essa razão, unidade é absolutamente essencial. Como estamos tratando de um assunto enorme e repleto de considerações difíceis, por conveniência, vamos dividi-lo em duas categorias: unidade entre crentes individuais, uns com os outros e unidade entre diversos grupos cristãos. Queremos, de início, dizer que nessa primeira categoria, unidade não é opcional. É ordenança de Deus. Deus nos manda amar uns aos outros como amamos a nós mesmos. Esse tipo de amor se torna possível somente através de um relacionamento com Deus. O amor de Deus para o mundo inteiro e para as pessoas em particular é tremendo. Por causa disso, quando nós estamos em contato com Ele, Ele nos supre para amarmos aos outros. O amor é a substância de unidade real. Muitos grupos talvez tenham uniformidade, conformidade ou até unanimidade entre si, mas só o amor provê a realidade que estamos buscando aqui. Unidade real, expressa em amor fraternal, manifestar-se-á em várias formas: servindo aos outros constantemente, orando por outros, edificando a fé de outros e buscando oportunidades de ajudar a outros financeiramente e de formas práticas. Quem tiver deste amor gastará tempo em comunhão com outros e, em geral, manifestará o amor que o Pai tem com eles. Essa atividade será um exercício diário para eles. Pessoas que assim amam, nunca falarão palavras vãs contra outras pessoas e, especialmente contra seus irmãos e suas irmãs em Cristo. É fácil ver quanto a nossa experiência de “igreja” seria elevada se cada um praticasse esse tipo de comportamento. Igreja, igreja real, é composta desse estilo de vida. Nada diferente qualifica. Infelizmente, amor genuíno não vem facilmente. A natureza caída do homem luta contra isso. A oposição que vem de dentro e de fora é tremenda. A experiência do amor genuíno começa com um compromisso especial. Para isso, será necessário que cada membro do corpo chegue a uma decisão consciente e deliberada de amar e servir aos outros incondicionalmente. É absolutamente essencial! Se nós considerarmos o amor como sendo opcional ou se nos deixarmos governar pelos nossos sentimentos, o diabo fará o seu trabalho, a carne prevalecerá e nossa experiência de “igreja” será diminuída. Portanto, precisamos fazer uma firme decisão de amarmos uns aos outros e não permitir nunca que isso seja mudado. Uma vez feita esta decisão, encontraremos uma fonte sobrenatural de Deus nos capacitando a prosseguir com o nosso compromisso. Assim, experimentaremos cada vez mais da plenitude de Cristo entre nós. Isto nos leva a considerar a segunda categoria que é a unidade entre diversos grupos. Aqui também a resposta é amor fraternal. Para alcançar sucesso nesta área, primeiramente temos que ser conduzidos por Deus a ver a Igreja através de Sua ótica. Sem dúvida, quando Jesus olha para a terra, vendo tantas “igrejas” diferentes, denominações e seitas, Ele reconhece aqueles que são Dele em cada uma. E, apesar Dele estar ciente que existe divisões – e tenho certeza que entristecem o Seu coração – ainda assim Ele vê os membros de Seu corpo como se fossem um (Efésios 4:4). Enquanto a visão do homem na terra está embaçada devido à proliferação de vários grupos cristãos, Cristo, de Sua posição celestial, enxerga Seu povo, Sua Igreja. Portanto, se nós pudermos ser levados por Deus a ver a Igreja como Ele a ver, jamais estaremos limitados por divisões no Corpo. Nosso amor deveria ultrapassar qualquer separação feita por homens. E, apesar de que nesta vida provavelmente não presenciaremos o fim de todas as divisões, em nossos corações podemos pôr fim a elas. Quanto mais o cristão se posiciona em amor para com todos, melhor a situação se tornará. Não estou sugerindo que nos unamos a organizações com as quais não podemos concordar. www.graodetrigo.com. Abraço. Davi

terça-feira, 17 de novembro de 2020

COMO SE TORNAR UM MUÇULMANO

 

Islamismo. www.ccib.org.br. COMO SE TORNAR UM MUÇULMANO. Aqui, iremos explicar passo a passo, como alguém se torna muçulmano e aceita o Islam como a sua religião. Insha’Allah , iremos explicar isto de uma forma bem clara e objetiva. De início, explicaremos o significado de algumas palavras. • “Muçulmano” é aquele que se submete completamente a vontade de Allah. • Allah é a tradução árabe para Deus. • A palavra Islam, significa submissão, e num contexto religioso significa submeter-se a vontade de Allah (Deus único), a palavra Islam, deriva da palavra Salam, que em árabe significa paz. Como se tornar muçulmano? A aceitação de uma religião, deve ser espontânea esta , e é somente válida se for feita de uma forma verdadeiramente voluntária. Allah, subhanna wa ta’ala, diz no Sagrado Alcorão: [Surah Al Baqarah - Ayah 256] 256. Não há compulsão na religião! Com efeito, distingue-se a retidão da depravação. Então, quem renega At-Taghut(2)e crê em alla, com efeito, ater-se-á à firme alça irrompível. E Allah é oniouvinte, onisciente. Se alguém deseja entrar no Islam, deve por ele próprio ou através de alguém que seja muçulmano, ganhar o conhecimento básico sobre o Islam, é também necessário conhecer o significado e o motivo de pronunciar a Shahada (Testemunho de Fé), sendo esse o primeiro dos cinco pilares do Islam, e sendo a Shahada também a chave príncipal para entrar no Islam. Este testemunho deve ser pronunciado voluntariamente, a Shahada deve também ser dita com jaqien (certeza), e deve ser dita também sem nenhuma dúvida, hesitação ou incerteza. Quando a certeza for bem absoluta e clara, então essa pessoa pode pronunciar a Shahada. Allah é muito claro no que diz respeito a isto: [Al Hujurat – Ayah 15] 15. Os autênticos crentes são apenas, os que crêem em allah e em seus mensageiros; em seguida, de nada duvidam, e lutam com suas riquezas e com si mesmos, no caminho de allah. Esses são os verídicos. Allah diz também no Sagrado Alcorão: [Al Imran – Ayah 19] 19. Por certo, a religião, perante Allah, é o islam. E aqueles, aos quais fora concedido o Livro, não discreparam senão após a ciência haver-lhes chegado, movidos por agressividade entre eles. E quem renega os sinais de Allah, por certo, allah é Destro no ajuste de contas. Abdoellah Ibn Omar, que Allah possa esta satisfeito com ele, relatou que o Profeta disse: “Islam é baseado em cinco pilares: 1. Testemunha que não há outra divindade ou deus do que Allah, e que Muhammad é o seu servo e mensageiro. 2. Praticar as cinco orações diárias. 3. Pagar a Zakaat. 4. Fazer a peregrinação (Hadj) a Makkah, se possível. 5. Jejuar no mês de Ramadam.” Uma pessoa entra no Islam, e torna-se muçulmano através de pronunciar a Shahada, a Shahada é pronunciada desta forma: “Ash-hadu allaa ilaaha illa llaah, wa ashadu anna Muhammad an rasullu laah”. Significado: Testemunho que não existe outra divindade além de Allah, e que Muhammad é o Seu mensageiro. A pessoa que se converteu ao Islam deve continuar abuscar sabedoria e conhecimentos sobre o Islam, para que se torne uma maneira de vida total, aonde a pessoa irá de ter o sentimento de ser uma pessoa nova. Abdoellah Ibn Omar, que Allah possa estar satisfeito com ele, relatou que Profeta disse: “Islam é baseado em cinco pilares: 1. Testemunha que não há outra divindade ou deus do que Allah, e que Muhammad é o seu servo e mensageiro. 2. Praticar as cinco orações diárias. 3. Pagar a Zakaat. 4. Fazer a peregrinação (Hadj) a Makkah, se possível. 5. Jejuar no mês de Ramadam.” CONCEITO DE ADORAÇÃO. O Islã não ensina ritualismo. Ele dá grande ênfase às intenções e ações. Adorar somente a Allah (swt) é ama-lo e agir segundo seus comandos sob aspecto qualquer de vida, gozar da bondade e proibir a más ações o opressão, praticar a caridade, a justiça e servir a Ele beneficiando a humanidade. O Alcorão apresenta este conceito sublime da seguinte maneira: “A virtude não consiste só em que orienteis vossos rostos até o levante ou poente. A verdadeira virtude é a de quem crê em Allah (swt), no Dia do Juízo Final, nos anjos, no Livro e nos profetas; de quem distribuiu seus bens em caridade por amor a Allah (swt), entre parentes, órfãos, necessitados, viajantes, mendigos e em resgate de cativos. Aqueles que observam a oração, pagam o zakat, cumprem os compromissos contraídos, são pacientes na miséria e na adversidade ou durante o combate, são os verdadeiros fiéis e são os que temem a Allah (swt).” (2ª Surata, versículo 177). O HOMEM É UM SER LIVRE. O homem é a maior criação de Allah (swt) e tem vontade própria para tomar suas decisões. Allah (swt) lhe mostrou a trilha certa, e a vida do Profeta Muhammad (saws)provê em exemplo perfeito para se alcançar o sucesso e a salvação. O Islã está para a sagração da personalidade humana e confere direitos iguais a todos sem distinção de raça, nacionalidade, cor ou sexo. As leis de Allah (swt) contidas no Alcorão são exemplificadas na vida do Profeta, são supremas em todos os casos. São aplicáveis igualmente para príncipes ou mendigos, governador e governado, fiel ou pecador. ACERTOS DE CONTAS DO HOMEM PARA COM ALLAH (SWT). A vida do homem não é limitada a sua curta existência terrena. No dia do julgamento, a raça humana inteira será ressuscitada: todos compareceram perante Allah (swt) Todo-Poderoso e encararão as consequências de seus atos em vida terrena. Crer no acerto de contas para com Allah (swt) dá significado à vida e diferencia os seres humanos dos animais e objetos. Serve como um lembrete contra crimes, corrupção, imoralidade e injustiça. DIREITOS HUMANOS. O Islã protege todos os valores nobres e direitos humanos. Liberdade, igualdade, justiça, direito à vida e segurança da pessoa são a maior preocupação das Leis Islâmicas. “Qualquer um que mate um ser humano pelo massacre e a corrupção na Terra, será como se tivesse matado toda a humanidade e qualquer um que salve a vida de um ser, será como se tivesse salvo a vida de toda humanidade”. (Alcorão 5:32). “Não há compulsão na religião”. (Alcorão 2:256). O Islã dá grande ênfase à justiça social. Ele se opõe a todos que exploram, oprime e agem injustamente com as pessoas. “Oh você que crê: Sê sempre uma firma testemunha de Allah (swt) em igualdade e não deixe o ódio a qualquer pessoa seduzi-lo de forma a não agir justamente. Seja justo; isto é o mais próximo à piedade”. (Alcorão 5:8). O Islã dá grande ênfase à justiça social. Ele se opõe a todos que exploram, oprime e agem injustamente com as pessoas. “Oh você que crê: Sê sempre uma firma testemunha de Allah (swt) em igualdade e não deixe o ódio a qualquer pessoa seduzi-lo de forma a não agir justamente. Seja justo; isto é o mais próximo à piedade”. (Alcorão 5:8). CIÊNCIA E TECNOLOGIA. O Islã apoia o uso da ciência e dos métodos científicos. Adquirir conhecimento é uma obrigação para os muçulmanos, homem ou mulher. No Islã, ciência e tecnologia devem ser usadas para fins morais e servir todas as necessidades legítimas da humanidade. Além disso, ambas são vistas como, ainda, outra maneira de se entender e ver o poder e a glória de Allah (swt). “Ele é Aquele que criou para vocês tudo que existe na Terra”. (Alcorão 2:29). “É o seu senhor, o mais Beneficiente, Aquele que ensinou pela pena (caneta), ensinou o homem o que ele não sabia (...)”. (Alcorão 96:5). “Nós iremos mostrar-lhes nossos sinais nos horizontes e dentro deles mesmos até que isto se manifeste dentro deles que está é a Verdade (...)”. (Alcorão 41:53). www.ccib.org.br. Abraço. Davi

segunda-feira, 16 de novembro de 2020

MARTA E MARIA

 

EDITOR DO MOSAICO. MARTA E MARIA. Compartilharei um pequeno trecho das escrituras encontrado em Lucas 10:38-42. “E aconteceu que, indo eles de caminho, entrou Jesus numa aldeia; e certa mulher por nome Marta, o recebeu em sua casa. E tinha esta uma irmã chamada Maria, a qual assentando-se aos pés de Jesus, ouvia a sua palavra. Marta, porém, andava distraída em muitos serviços; e, aproximando disse: Senhor, não se te dar de que minha irmã me deixa servir só? Dize-lhe que me ajude. E respondendo Jesus disse? Marta, Marta, estás ansiosa e afadigada com muitas coisas, mas uma só é necessária. E Maria escolheu a boa, melhor parte, a qual não lhe será tirada”.  Essa narrativa conta uma particularidade familiar entre Marta e Maria relatada no evangelho de Lucas, mas introduzirei o tema na perspectiva inconsciente da personalidade humana. As duas irmãs eram irmãs de Lázaro, amigo do Mestre Jesus. O qual, geralmente ia a Betânia, na casa dessa família querida e conversavam demoradamente assunto diversos. Essa ideia, do inconsciente humano, depreende-se da psicologia analítica de Carl Gustav Jung (1875-1961), onde é conceituado que o animus, é o aspecto inconsciente da personalidade masculina contido na mulher e o anima, o aspecto inconsciente da personalidade feminina, contida no homem. “Esses termos foram adotados por Jung para simbolizar característica contra sexual de cada indivíduo, parte do princípio da complementariedade, através do qual a psique se move. São imagens psíquicas, configurações originárias de uma estrutura arquetípica básica, provenientes do inconsciente coletivo. São subliminares a consciência e funcionam a partir de dentro da psique inconsciente. Influindo sobre o princípio psíquico dominante de um homem ou de uma mulher. Jung diz: A anima, sendo feminina, é a figura que compensa a consciência masculina. Na mulher, a figura compensadora é de caráter masculino, e pode ser designada pelo nome de animus. Mais tarde, Jung enriqueceu sua definição de anima e animus chamando-as de Não Eu, um conceito apreendido do budismo, tipificando está fora de si próprio, pertencente à sua alma ou espírito. Para o homem, tem a característica de reações, impulsos e posicionamentos baseados em conhecimento não suficientemente justificado; e para a mulher assume à forma de compromissos, crenças e inspirações. É algo que induz a tomar conhecimento do que é espontâneo e significativo na vida psíquica”. http://www.sandplay.jogodeareia.com.br. Esse conceito jungiano é importante para generalizarmos ambos os sexos dentro da perspectiva bíblia, e especificamente entre Marta e Maria. Também podemos supostamente explicar a luz dessa teoria, porque pessoas de sexo igual, os homo afetivos, tem atração recíproca. Um possível interesse entre ambos, imagino, além do aspecto genético discutido pela ciência, seria a proporção do inconsciente animus em paridade com o animus da outra pessoa. O contrário é recorrente, quando o anima equivalente no inconsciente da pessoa tem a mesma intensidade psíquica que na outra. Os heterossexuais hipoteticamente, nessa teoria, individualizam atrações diferenciadas de animus e anima em suas convivências. Não tenho intenção de provar o que estou falando; apenas são argumentos de uma possível discussão no campo da psicologia analítica relacionada a esse assunto. Assim, somos num certo sentido, homem e mulher ao mesmo tempo. Isso é justificado pela ciência oculta com a noção do Adan Cadmo, ou Adão primordial. O ser primitivo que deu origem evolucionária ao homo erectus a milhões de anos atrás. O Adan Cadmo era considerado um hermafrodita (pessoa que possui concomitantemente ambos os sexos masculino e feminino), mitologicamente criado pela divindade em série. Colocado em vários lugares da terra, com um problema, precisava perpetuar sua espécie. Assim a alegoria bíblia da criação de Adão e Eva, que eram um e não dois, e Deus os separou fazendo-os macho e fêmea. Gênesis 2:21,22 “Então o Senhor fez cair um pesado sono sobre Adão, e este adormeceu; e tomou uma das suas costelas, e cerrou a carne em seu lugar. E da costela que o Senhor Deus tomou do homem, formou uma mulher, e trouxe a Adão”. Platão (428-347) no diálogo Teeto fala sobre a separação entre Mytos e Logos; uma possível figura de linguagem que faz referência ao Adan Cadmo. Desse modo, O Logos Divino, O Sempiterno, nos ama como somos; seu amor e misericórdia alcança nosso ser completo, nada fugindo de sua graça e bondade. Deixemos esse assunto para posterior elaboração mais detalhada. Acrescento ao assunto para ampliar nossa discussão o tema do Yin e Yang. "Segundo a filosofia chinesa o yin e yang é a representação do positivo e do negativo, sendo o princípio da dualidade. O criador desse conceito foi Confúcio (551 AD 471) no famoso Livro das Mutações I Ching. Ele descobriu que as formas de energia existente possuem dois polos e identificou-os como Yin e Yang. O Yin representa a escuridão, o princípio passivo, feminino, frio e noturno. Já o Yang, representa a luz, o princípio ativo, masculino, quente e claro. Quanto mais Yin você possuir, menos Yang terá. Quanto mais Yang possuir, menos Yin terá. Para termos corpo e mente saudável é preciso está em equilíbrio entre o Yin e o Yang". Aqui podemos dizer que em Cristo Jesus devemos ter um relacionamento humano igualitário e não hierarquizado. Após o novo nascimento, tipificado pelo batismo nas águas, nossos laços de convivências são baseados no amor divino. Assim, não importando a identidade de gênero, todos, são acolhidos pelo Pai Celestial Divino como filhos amados de Deus. Gays, lésbicas, transsexuais, homo e heterossexuais, patrões e empregados, negros e branco, pobres e ricos. Todos têm pleno acesso ao Reino de Deus, podemos participar nas comunidades cristã, respeitando e sendo respeitados em suas formas de ser e viver. Evidente que cada um fazendo uso da ética, moral e compromisso social e espiritual adequados ao convívio social em sua expressão sexual. O Papa Francisco disse recentemente ao cumprimentar o democrata Joe Biden, vencedor das eleições americanas de 03 de novembro de 2020 contra o republicano Donald Trump: "O cristão não levanta muros, ele edifica pontes". Com todos de culturas e religiões diferentes da nossa, devemos assumir relações de harmonia, tolerância, respeito, dignidade e aprendizado. Pois somos irmãos, filhos do mesmo Pai Eterno. No texto citado Marta reclamava com Maria que enquanto ficava aos pés do Mestre, ouvindo seus preciosos ensinamentos, ela  desdobrava-se nos afazeres domésticos para deixar as coisas em ordem. Talvez com a intenção de proporcionar mais conforto ao Mestre nos momentos de descanso e comunhão com aquela família tão amada e querida. Ela até pede a intervenção do Mestre para que a irmã pudesse auxiliá-la, voltando depois a escutá-lo. Jesus amava muito estes três amigos; Lázaro aquele que ele ressuscitara dentre os mortos não estava presente neste encontro. Tinha geralmente com eles uma convivência mais humana que espiritual. Apesar do texto do evangelho de Lucas sugerir que ele discorria assuntos espirituais como Maria, prefiro acreditar no contrário; como eram momentos descontraídos e relacionais que vivia em Betânia na casa deste amados, conversavam sobre a vida, as dificuldades que ele tinha para desenvolver seu ministério. Como atravessar o rio Jordão, chegando a região da Galileia e Samaria com as boas novas; talvez refletisse sobre seus país; José segundo a tradição católica morreu antes dele começar seu apostolado, e sua mãe Maria morreu bem depois de sua morte. Tendemos a excessivamente espiritualizar Jesus, colocando sua humanidade sobreposta ao seu ser divino; como se ele não tivesse sentimentos e emoções. Esquecemos que em Hebreus 4:15 é falado “(...) mas temos o Sacerdote Supremo que, a nossa semelhança foi tentado de todas as formas, porém sem pecado algum”.  O Mestre responde que Maria escolheu a melhor parte e essa não lhe seria tirada. A melhor parte aqui não necessariamente seria uma porção de sabedoria mística advinda dos santos lábio do Mestre, mas também a companhia de uma amiga e um diálogo franco, onde possivelmente era confidenciado o temor e medo em continuar a luta espiritual. Principalmente porque nesse momento da história, o Império Romano começava a se incomodar com as pregações de Jesus, que se contrapunha a ordem estabelecida quando falada em Mateus 3:2 “Arrependei-vos porque está próximo o reino dos céus”. A Corte em Roma, não entendia está mensagem do Mestre, imaginando que ele estaria planejando a tomada do poder, tornando-se um novo César para estabelecer seu reino terreno; libertando os judeus do jugo romano. Talvez o Mestre compartilhasse com Maria, naquela agora, sua preocupação quanto a avidez dos judeus em relação aos milagres, já que esses produziam mais incredulidade que confiança e fé. A multidão ia atrás de Jesus apenas por causa do pão e dos milagres, mas ele disse em João 6:33 “O pão de Deus é aquele que desce do céu e da vida ao mundo”. Agora aprofundemos alguns conceitos provenientes dessa passagem. As duas irmãs Marta e Maria são a tipificação do humano em seu aspecto espiritual e terrenal. Isso demonstra que nossa existência individual precisa constantemente evoluir, à níveis mais altos, até chegarmos a união completa com o divino.  A meu ver está claro que os conflitos serão uma tônica nos relacionamentos; que digam os casais.  Mas devemos aprender a conviver com eles de forma pacífica, procurando caminhos à soluções que tragam benefício aos envolvidos. Sabendo que nesses casos, sempre uma parte deverá ceder, para que a harmonia se restabeleça na diferença e diversidade. No exemplo referido das duas irmãs, como todos temos nossas particularidades e individualidades, o desconforto estava no âmbito das emoções, sentimentos e prioridades que cada uma tinha, tanto no aspecto espiritual como no material. A resposta dada por Jesus à Marta, “Maria escolheu a melhor parte”,  geralmente é vista na teologia como reprovando a atitude ordinária, doméstica, de Marta. Inclinamo-nos a supra valorizar a espiritualidade em relação a humanidade, mas atentando com mais precisão, intuiremos que esse texto parece resumido, faltando, se é que posso me expressar assim,  elementos que justifiquem também a conduta positiva de Marta. A tradição cristã aqui aproveitou para evidenciar a importância das palavras do Mestre em seu aspecto contemplativo e meditativo,  entretanto, diminuiu o trabalho cotidiano de Marta. Isso inferimos da cultura legada pela comunidade judaica e os escritos do Torah, Tanake e Talmud, que tinha no trabalho secular uma forma de expressão com o divino, pois o Mestre no evangelho de João 5:17 diz: “Meu pai trabalha até agora e eu também trabalho”. Assim não se justifica a depreciação do trabalho de Marta que a ortodoxia propõe, pois esta, atenta ao lar, colocava as necessidades doméstica em ordem. Aqui podemos por em desconfiança, o porque dos clérigos não trabalharem no sustento de suas famílias? Apesar de I Coríntios 9:14 “Assim ordenou também o Senhor aos que anunciam o evangelho, que vivam do evangelho”, relacionar o evangelho como um trabalho, isso é usado hoje como sabemos em muitos casos como desculpa à ociosidade e preguiça. Nesse ponto, resguarda-se o interesse daqueles que vocacionados em monastérios, conventos ou seminários, desenvolvem a vida religiosa ao bem do próximo e da humanidade. Preservando a cultura e tradição mística dos povos relacionada as suas diversas divindades, e devido a precípua atuação fazem-na de forma integral. A sabedoria do Mestre é divina, pois  não se percebe ele entrando no mérito da questão entre Marta e Maria, imputando razão à nenhuma das partes. Esse juízo acabamos fazendo nos conflitos em que enfrentamos, tentando descobrir quem está certo ou errado. Isso cria obstáculos a harmonizarmos o relacionamento, não contribuindo ao diálogo construtivo, apenas acirrando os ânimos, aumentando o ressentimento e mágoa. A ideia aqui apresentada, penso, seja o equilíbrio entre o espiritual (Maria) e o terrenal (Marta). Todo extremismo enrijece os conceitos, nos fechando à ponto de vistas excludentes. Discriminando as opiniões divergentes da nossa; criando a falsa impressão de superioridade em relação a outros modelos de vida e espiritualidade. Imagino que o Mestre resolveu a pendência, mesmo não relatado nas páginas sagradas, mostrando a importância da estabilidade nas convivência, onde o mais sábio sede ao de menos conhecimento; e o espiritual não se mostra dominante ou superior ao terrenal. A atitude de Maria estando aos pés do Mestre, não é passada na narrativa como supremacia ou preeminência, mas respeito e consideração pelo Mestre, uma pessoa querida e amada por aquela família. Na verdade todos estamos no processo de desenvolvimento espiritual e chegaremos ao estágio da perfeição, como é dito em Efésios 4:13 “Até que todos cheguemos a unidade da fé, e ao conhecimento do filho de Deus, a homem perfeito, a medida da estatura completa de Cristo”. O homem perfeito é a expressão deificada do divino no humano, isso claramente visto nas atitudes e fala do Mestre Jesus nesse pequeno trecho bíblico. Abraço. Davi.