terça-feira, 21 de setembro de 2021

O QUE ESTÁ ALÉM DO EGO - O ANTICRISTO

 

Gnosticismo. www.gnosisonline.com.br. Texto de Samuel Aun Weor (1917-1977). O QUE ESTÁ ALÉM DO EGO - O ANTICRISTO. É conveniente aprofundarmos um pouco mais no que se relaciona com nossa psique. Conversamos muito sobre o Ego, o Eu, o Mim Mesmo, o Si Mesmos, mas agora penetraremos em outros aspectos ainda mais profundo (…). Vimos, em passadas aulas, que na antiga Pérsia se rendia culto a Ahrimã (o princípio do mal, do caos, das trevas e da morte na tradição zoroastriana). Indubitavelmente, tal culto não era próprio dos Ários, senão de certa quantidade de pessoas, sobreviventes da submersa Atlântida (uma lendária ilha ou continente cuja primeira menção conhecida remonta a Platão (427 AC 347) em suas obras - Timeu ou a Natureza e Crístias ou Atlântida). Quero me referir, de forma enfática, aos turânios. Inquestionavelmente, para eles Ahrimã era o centro vital de seu culto. Rudolf Steiner (1861-1925) fala das “Forças Ahrimânicas” e muitos outros autores estudam tais forças. Dizíamos, em passadas cátedras, que Lúcifer é o Arcanjo Fazedor de Luz, que não é essa criatura antropomórfica (descrito ou concebido sob uma forma humana - com atributos humanos) que nos é mostrada pelos clérigos dogmáticos. Certamente, cada um de nós tem seu próprio Lúcifer. Ele, em si mesmo, é o Reflexo do Logos ou de nosso Logoi Interior, no fundo de nossa psique, a Sombra digamos, de nosso Logoi, nas profundidades de nossa própria psique. É claro que quando não estávamos caídos, quando ainda vivíamos no Éden, esse Lúcifer Interior resplandecia em nossas profundidades, gloriosamente. (A bíblia diz em Ezequiel 28,13-15 em relação a Lúcifer antes da queda: "Estivestes no Éden, Jardim de Deus; de toda pedra preciosa era a tua cobertura: sardônia, topázio, diamante, turquesa, ônix, jaspe, safira, carbúnculo, esmeralda e ouro; em ti se faziam os teus tambores e os teus pífaros; no dia em que fostes criados foram preparados. Tu eras o querubim, ungido para cobrir, e te estabeleci; no monte santo de Deus estavas, no meio das pedras afogueadas andavas. Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que fostes criado, até que se achou iniquidade em ti.) "Mas quando cometemos o erro de “comer daquele fruto” do qual se disse “Não Comereis”, então nosso Lúcifer Íntimo caiu, converteu-se no Diabo do qual as teogonias (narração do nascimento dos deuses e apresentação de sua genealogia) falam. E que agora necessitamos “Branquear o Diabo”, é verdade, e morrendo em si mesmos aqui e agora. Quando logramos a dissolução do Eu de forma radical, esse Diabo das mitologias se branqueia, volta a resplandecer, converte-se em Lúcifer, no Fazedor da Luz. Quando ele se mescla com nossa Alma e nosso Espírito, ele nos transforma, por tal motivo, em Arcanjos gloriosos. Ahrimã é algo muito diferente, meus estimados irmãos: ele é o ANVERSO (face de uma moeda que mostra o elemento principal por oposição ao reverso) DA MEDALHA DE LÚCIFER, é o aspecto negativo dEle. Esse Fogo Ahrimânico expressa-se na forma dos antigos turânios da Pérsia. É a fatalidade, os poderes tenebrosos deste mundo. Propriamente, Ahrimã está ainda mais além do próprio Ego (…). Dizíamos em passadas reuniões o que é o Ego. Porém, agora avançando didaticamente, diremos agora o que é a Base do Ego, o seu Fundamento, que está mais além do Mim Mesmo. Ele é o “Iníquo” (dito em II Tessalonicenses 2,7-8 "Por que já o mistério da injustiça opera; somente há um que agora o retém, até que do meio seja tirado. E então será revelado o iníquo, a quem o Senhor desfará pelo assopro da sua boca, e destruirá pelo esplendor de sua vinda) de que nos fala Paulo de Tarso nas Sagradas Escrituras, o Homem do Pecado, a antítese digamos, ou o anverso da medalha com relação, precisamente, ao Filho do Homem: ou O Anticristo (…). No Apocalipse de São João, fala-se da Besta de sete Cabeças e dez Cornos. Apocalipse 13,1 diz: "E eu pus-me sobre a areia do mar, e vi subir do mar uma besta que tinha sete cabeças e dez chifres, e sobre os seus chifres dez diademas, e sobre as suas cabeças um nome de blasfêmia". Essas sete cabeças são os sete pecados capitais  (ira, cobiça, luxúria, inveja, orgulho, preguiça, gula, com todas as suas derivações). Já os dez cornos representam a Roda do Samsara (pode ser descrito como o fluxo constante de nascimento, doença, envelhecimento, morte e renascimento pelo qual todo ser está sujeito). Isso significa que gira incessantemente. Por isso se diz em Apocalipse 17,8 “sobe do abismo e vai à perdição”; corresponde à Roda do Samsara. Devemos refletir nisso profundamente (…). Fala-se de outra “Besta”, Apocalipse 13,11 a que tem “dois cornos” e se diz que “a primeira recebeu uma ferida em uma de suas sete cabeças (ferida de espada), porém, que sarou”, e que “as multidões todas se maravilharam do poder da Besta, que foi ferida e voltou” (…). Deve-se saber compreender que se pode acabar com os “elementos” que constituem o Ego, mas, sem embargo, “ressuscitam na Besta”, no Anticristo, no monstro das sete cabeças. Quando se aniquilaram, absolutamente, os demônios da ira, é como se tivesse ferido uma das cabeças da Besta, porém, logo se fortifica tal defeito em dita cabeça e a Besta vive. É como se acaba com a cobiça em todas as quarenta e nove Regiões do Subconsciente, quando se aniquilam os elementos inumanos da cobiça, e a mesma revive com mais força em outra das cabeças da Besta, e assim, sucessivamente (…). Quando um homem consegue morrer totalmente em si mesmo, ainda fica a Besta. Por isso se diz, meus queridos irmãos, que “antes do Cristo vir, vem o Anticristo”. Antes que o Cristo ressuscite em um Homem, manifesta-se o Anticristo, a Besta que deve ser morta (…). Bem, diz o Mestre Jesus no evangelho em Mateus 26,52 que “o que pela espada fere, pela espada há de morrer”; “quem a outros conduz ao cativeiro é também conduzido ao cativeiro”; e que é dito em Apocalipse 14,12 “eis aí a paciência dos Santos”. Com isso se quer dizer que à base de infinita paciência, o Anticristo em nós pode ser morto, por isso se requer Paciência e Trabalho (…). Inquestionavelmente, o Anticristo faz “milagres” e “prodígios” enganosos: inventa bombas atômicas (assim é como faz “chover fogo do céu”). É cético por natureza e por instinto, terrivelmente materialista. Quando se ouviu dizer que Ahrimã seja místico? Nunca! Por isso, os turânios (Nota do Gnosis Online: povos bárbaros e involutivos atlantes que se estabeleceram em certas regiões do atual Irã e renderam culto a um mago negro cabeça de legião de nome Ahrimã), querendo dominar o mundo estabeleceram o culto de Ahrimã, ou seja, o culto do Anticristo. Há duas ciências, de toda a eternidade: uma é a Ciência Pura, que só a conhecem os Perfeitos, e a outra é a da Besta, a do Anticristo, terrivelmente cética e materialista, que se baseia no raciocínio subjetivo, que não aceita nada que se pareça com Deus ou que o adore (…) espantosamente grosseira. Se vocês derem uma olhadela no mundo atual, verão a Ciência do Anticristo por todos os lugares. E estava dito pelos melhores profetas da Antiguidade que “chegaria o dia da Grande Apostasia, em que não se aceitaria nada semelhante a Deus, ou que se o adorasse (…)”. Esse dia chegou e estamos nele. Depois da Grande Apostasia em que estamos (que cresceu e crescerá ainda mais), virá o Cataclismo - catástrofe mundial - Final. Assim está escrito por todos os grandes profetas do passado. O que necessitamos é Compreensão suficiente para não seguirmos a Besta. Desgraçadamente, cada um de nós a leva no fundo de sua psique. Se somente fosse uma Besta externa, como alguns supõem, o problema não seria grave, porém, o grave, irmãos, é que cada um a carrega  e tem uma força terrível. Observem vocês mesmos e a descobrirão (…). Se vocês são sinceros consigo mesmos e meditarem, se concentrarem em seu interior, tratando de se auto explorar, poderão evidenciar dois aspectos perfeitamente definidos: um, sincero, o da Mística verdadeira, o daquele que anela, o que quer de verdade se auto realizar, conhecer a si mesmo; mas há outro aspecto de vocês mesmos que o sentiram, que sabem que existe: o da Besta, que rechaça estas coisas, que se opõe a estes anelos e que, ainda que um homem seja muito devoto e sincero, tem momentos em que sendo assim, tão sincero, se maravilha de que haja nele algo em seu interior que se opõe definitivamente aos anelos espirituais. Ainda mais, que chega a rir de tais anelos. De formas que há uma luta, digamos entre duas porções da psique: a que anela de verdade e que é a Essência pura, e a da Besta, que ri destas coisas, que é grosseiramente materialista, que não as aceita. Se forem sinceros consigo mesmos e se auto explorarem, poderão evidenciar a realidade do que estou lhes dizendo. E é que a Besta, Ahrimã, o Anticristo, não está interessado em assuntos espirituais. Certamente, a ele o único que interessa é a matéria física, densa, grosseira (…). Precisamente, o ateísmo marxista-leninista, o materialismo soviético, tem seu fundamento em Ahrimã (…). (Hoje o materialismo, racionalista, técnico cientificista está enraizado também no mundo capitalismo, tentando subtrair a essência daquilo que é divino em nós). Porém, digo a vocês: necessita-se ser sincero consigo mesmo. Em vocês há uma parte que é a Fé e sentem em sua psique o anelo, mas há outra parte que a vocês mesmos não lhes agrada, porém que existe, e que é o CETICISMO (…). “Isso existe e não existe”, é a antítese do que vocês querem, e o mais grave é que vocês também são essa antítese. Obviamente, tal antítese é a do Anticristo, a de Ahrimã (…). Vocês sabem que a morbosidade, por exemplo, a luxúria, é asquerosa, abominável, porém há algo na psique de vocês que ri de seus anelos de Castidade, que consegue às vezes ganhar uma partida, que se burla de vocês: é o Ahrimã, a Besta (…). Vocês sabem que a ira, por exemplo, é asquerosa, porque mediante a ira se perde a clarividência, que se arruína. Vocês se propõem a não ter ira, porém, em qualquer momento vocês estão “trovejando” e “relampagueando”. Obviamente, não duvidam de que se trata dos Eus e até conseguem controlá-los, porém, algo surge no fundo, atrás desses Eus, que se mofa de suas boas intenções. Um homem poderia acabar com a ira, mas sem embargo, em qualquer momento poderia senti-la, mesmo tendo acabado com ela, porque qualquer cabeça da Besta, ferida pelo fio da espada, volta outra vez a s curar (…) eis aí o Poder da Besta. Por isso é que todos se inclinam ante a Besta e a adoram (…) É o Anticristo! Os que supõem que o ANTICRISTO já nasceu na Ásia, por ali, e que vem rumo ao Ocidente e que aparecerá em tal ano, fazendo maravilhosas e prodígios, está completamente equivocado: CADA QUAL O LEVA EM SEU INTERIOR!  É a Besta, é Ahrimã, é digamos o anverso da medalha do Homem Causal. Está formado por todas essas causas ancestrais, delituosas, que desde os antigos tempos temos criado, de vida em vida; é o aspecto negativo do Homem Causal. Assim, então, se formos sinceros, se formos honrados com nós mesmos, se tivermos o valor de auto explorarmos judiciosamente, viremos a descobrir que realmente “O INÍQUO” de que nos fala Paulo de Tarso nas Sagradas Escrituras, e QUE É CADA UM DE NÓS. Tudo que “cheira a Deus”, que se adore, é motivo de burla para o Iníquo. Observem vocês a si mesmos: Têm seus momentos de mística, de oração, de devoção (são momentos deliciosos), porém, de todo modo, numa hora menos pensada surge o Iníquo, que ri de todas essas coisas. Quando vocês o notarem, já será tarde, ele já riu. É que cada um leva em seu interior e é muito forte, muito poderoso, faz “milagres” e "prodígios” enganosos, inventou toda esta Falsa Ciência. E todos os sabichões de laboratório de física, mecânica, biologia, que não veem mais além de seus narizes, dizem: “Isso? Isso não existe, não está demonstrado!” “Aquilo? são lendas das pessoas ignorantes de outros tempos, de antes!”, com uma soberba e um cinismo desconcertantes. Esta é a Ciência do INÍQUO, do ANTICRISTO! Há outra Besta, diante do Iníquo, que tem dois cornos: é o Eu, o Ego, o mim mesmo, que lhe é dado fazer todas as “maravilhas e sinais” diante da humanidade e que defende o Iníquo, dotada de grande poder. Essas são as duas Bestas do Apocalipse de São João. Muitos conseguem destruir a primeira Besta, submetem-se às ordálias da Iniciação e o conseguem, porém, mui raros são os que conseguem aniquilar o Iníquo, o Anticristo. “Não há como a Besta!”, diz a humanidade, e todo joelho se dobra ante a Besta. Ela faz aviões ultrassônicos, foguetes que cruzam o espaço a velocidades gigantescas, ela cria soros, medicamentos, elabora armas atômicas de todo tipo, a chispante intelectualidade, os líderes políticos etc. Destruir o INÍQUO, quem conseguirá? Quem será suficientemente forte como para destroçá-lo em si mesmo? Alguns o conseguiram, sim, mas depois delinquiram (...) a Besta tem a força que pode ser morta e ressuscitar. Obviamente, o Filho do Homem, quando vem a este mundo, é sempre submetido à ignomínia, exposto a toda classe de vexações. Porém, quem é seu vexador? Quem o submete à ignomínia? A Besta! Quando Ele vem a este mundo, tem de entrar na Besta, e a Besta se mofa dele e lhe submete à ignomínia; é seu cárcere, é sua prisão. Se Ele é valoroso, a Besta é covarde, e então é submetido à ignomínia. Se é casto, a Besta não o é, e Ele sofre o indizível. Mas quando a Besta é morta, quando é lançada no “lago ardente de fogo e enxofre”, que é a Morte Segunda, o Filho do Homem ressuscita dentre os mortos e vive. Vocês terão bem visto como se representa o Divino Rosto: a cabeça coroada de espinhos do Filho do Homem. Abundam em distintos lugares do mundo tais cabeças, vêm da Idade do Bronze (5.000 mil anos atrás), e é que o rosto do Filho do Homem é banhado em sangue pelas vexações que sofre. Medito, dentro da Besta, há de sofrer até que a Besta seja morta. Escrito está, pois, que “ antes de vir o Cristo, virá o Anticristo” em cada um de nós. E falando de forma coletiva, direi: que antes de vir a Idade de Ouro (a era dourada é conhecida como uma era de paz, harmonia, estabilidade e prosperidade), o Anticristo se terá feito onipotente sobre a face da terra. “A Ciência se multiplicará”, diz Daniel 12,4 (a ciência materialista do Anticristo), “entra nele e todo joelho se fincará ante a Besta.” Assim está escrito em Apocalipse 13. O “Falso Profeta que faz os sinais diante da Besta” é o Ego, o Eu, o Mim Mesmo, o Si Mesmo; e a Besta monta sobre a Grande Rameira, qual seja: o Abominável Órgão Kundartiguador, a Serpente Tentadora do Éden. Assim, então, irmãos, é necessário compreender o que é a Besta. Tem poderes terríveis, gigantescos. Quando se compreende isto, preocupa-se então por fazer dentro de si mesmo uma Criação Nova. Como disse Paulo de Tarso (e isso é verdade) em I Coríntios 7,19: “A circuncisão nada vale, a incircuncisão nada vale, o importante é fazer uma Nova Criação”. E qual é essa “nova criação”? É a fabricação dos Corpos Existenciais Superiores do Ser. E qual é a “marca do Cristo”? Os Estigmas, diríamos, os Sinais de Mercúrio com os quais se está trabalhando (falando em rigorosa Alquimia). Mas se alguém não faz uma Nova Criação, nada fez. Nos antigos Mistérios do Egito, quando o Iniciado ia receber sua primeira Iniciação, entrava num sepulcro, cheio de muitos Verbos, e ali permanecia adormecido três dias com suas noites, como que morto. Então, fora do corpo físico, encontrava-se cara a cara com sua Mãe Divina (Ísis), a qual trazia em sua destra um livro (o Livro da Sabedoria, mediante o qual é possível se orientar para realizar a Grande Obra). E qual é o Livro da Sabedoria? O Apocalipse! E quem o entende? O que estiver fazendo a Grande Obra. Quem não estiver fazendo a Grande Obra não o entenderá porque esse é o “Livro de toda a Criação”. Passados os três dias, o Iniciado ressuscitava dentre os mortos, porque voltava à vida. É claro, não era a Ressurreição Maior, não; era a Pequena Ressurreição, porque em cada Iniciação algo morre em nós e algo ressuscita em nós. Então, por este Caminho vamos morrendo e ressuscitando pouco a pouco. Esses três dias são as três Purificações pelas quais se tem de passar: três Purificações pelo Ferro e pelo Fogo. A Ressurreição Maior somente é possível depois da Morte Maior. Quando se ressuscita a fundo, quando se passa pela Grande Ressurreição, Ahrimã morre, já não fica nada do Anticristo, nem da Besta, nem do Falso Profeta; para eles, Apocalipse 20,10 o “lago ardente com fogo e enxofre”, que é a Morte Segunda. Então, levanta-se o Filho do Homem, Ele ressuscita no Pai e o Pai ressuscita no Filho, porque o Filho e o Pai são Um. Assim, então, tudo está dentro de nós, é dentro de nós mesmos que nos cabe trabalhar. Assim, como estamos, somos um fracasso! Necessitamos que o Ego morra, e tendo conseguido isso, se faz necessário que morra a Besta, o Ahrimã, o “monstro de sete cabeças e dez chifres”, o anverso do Homem Causal. Só assim, meus queridos irmãos, é possível ressuscitar um pouco mais tarde. Antes desse instante, teremos de nos contentar com pequenas mortes e ressurreições. Porém, não é possível a Ressurreição Final antes da morte da Besta (…). Todas as Escolas nos falam de que o Iniciado permanece três dias num Sepulcro e que depois disso sai transformado. Algumas escolas tomam isso literalmente, cruamente, e creem que de verdade são três dias, ali, recostado, metido num caixão de morto, e que logo se levanta feito um Deus. Não entendem a realidade das coisas, não querem compreender que esses três dias são as três Purificações pelo Ferro e pelo Fogo. Para se conseguir isso, necessita-se de toda uma vida de sacrifícios. Zoroastro (profeta e poeta nascido na Pérsia, provavelmente em meados do século VII AC), Zaratustra, começou muito jovem e já ancião, o conseguiu. Há os que começam já numa idade madura, ou velhos. Obviamente, não alcançam em uma só existência fazê-lo, mas podem avançar muito, e em sua futura existência, terminar a Obra. Porém, repito: NÃO É POSSÍVEL CHEGAR à RESSURREIÇÃO SUPREMA SEM A MORTE DO ANTICRISTO! Todos os seres, incluindo Ele (JESUS), tiveram de branquear (o diabo), se Ele não havia logrado branqueá-lo de todo, depois teve de branqueá-lo através da Iniciação. Em todo caso, o Drama Cósmica da Iniciação é altamente simbólico, os Evangelhos estão escritos em Chave, foram feitos POR Iniciados e PARA Iniciados. Necessita-se passar toda uma vida de Estudos Herméticos e depois de haver chegado à ancianidade é quando se vem a compreendê-lo. Necessita-se haver branqueado seus cabelos (em Sabedoria), pra se poder chegar a entender o que são os Evangelhos. www.gnosisonline.com.br. Abraço. Davi

domingo, 19 de setembro de 2021

FADAS

 

Teosofia.  Livro O Reino dos Devas e dos Espíritos da Natureza. Texto de Geoffrey Hodson (1886-1983). FADAS. De todos os habitantes do Reino da Fantasia que pude observar, a “fada” autêntica, tal como a descrita neste capítulo, é aquela cujo contato me proporcionou o maior prazer e com quem sinto uma afinidade maior. A fim de ajudar o leitor a visualizar claramente o aspecto de uma fada, recomendo o estudo das fotografias de fadas que ilustram o livro de Sir Arthur Conan Doyle (1859-1930), The Coming of the Faireis (O Advento das Fadas). Pessoalmente, estou convencido da bona fides (de boa- fé) das duas moças que tiraram as fotografias. Passei algumas semanas na companhia delas e de seus familiares e certifiquei-me da autenticidade de suas clarividências, bem como da presença de fadas  exatamente iguais às fotografadas no vale de Cottingly – Reino Unido, e da absoluta honestidade de todos os envolvidos no caso. UMA FADA DOURADA. No jardim, 17 de outubro de 1921. A sua coloração é positivamente clara, ela é risonha e cheia de alegria, possui uma expressão franca e destemida e é rodeada por uma aura dourada, em que se pode delinear o contorno de suas asas. Observa-se também uma ponta de travessura em sua pose e fisionomia, como se ela se preparasse para pregar alguma peça nos pobres mortais que se dispõem a estuda-la. Sua atitude se transforma subitamente e ela se põe séria. Esticando ao máximo os braços, mergulha num estado de concentração que tem por efeito reduzir o tamanho de sua aura e interiorizar lhe as energias. Após manter-se nesse estado por cerca de quinze segundos, ela liberta toda a energia represada, que se propaga por todas as direções sob a forma de fluxos energéticos dourados e parece afetar todos os talos e flores que se acham ao seu alcance. Ela se encontra no meio de crisântemos (grupos de ervas arbustivas e de cheiro forte; pertencem a família das margaridas). A vibração que já se fazia presente no local, provavelmente por causa de atividades similares de sua parte, é então reforçada. Outro efeito dessa operação é fazer com que o duplo astral da moita brilhe com redobrada intensidade, efeito este que se pode notar também nas raízes. FADAS DA ILHA LE MANX – Reino Unido. Nas encostas ocidentais do Snaefell. Agosto de 1922. Encontramos uma raça encantadora desse “povinho” quando escalávamos a montanha, a partir de Sulby Glen, uma raça que se distinguia, em muitos pontos, dos espíritos da Natureza ingleses. Tendo de dez a quinze centímetros de altura, seu aspecto sugere, em miniatura, homens e mulheres de eras muito remotas. Ao contrário de seus irmãos do continente, eles se movem calmamente, quase com languidez (moleza), pela encosta da colina. Seus olhos, que têm uma expressão suave e sonhadora, são amendoados e estreitos. O rosto ostenta um perpétuo sorriso; os traços são bem proporcionados, embora o queixo seja excessivamente recuado. Parece haver representantes de ambos os sexos, as mulheres trajando longos vestidos estampados e coloridos e os homens com vestimentas feitas de um material lustroso, parecido com a seda, predominando uma cor azul escuro de brilho elétrico. Sugerem vagamente um cavalheiro e uma dama do período Stuart da Inglaterra (1603-1714), mas suponho que as suas figuras sejam modeladas com base em povos bem mais antigos. Produzem uma música suave, semelhante ao som de uma flauta, e que, provindo simultaneamente de várias fontes, causa um efeito como que de um gorjeio (trinado que os pássaros fazem quando cantam). Eles dançam e brincam na encosta da colina, que se mostra povoada por um sem número dessas criaturas. Ocasionalmente, surgia no meio deles uma criatura que lembrava um pouco um gnomo, embora provida de patas traseiras como as de um animal. Estas criaturinhas não possuem asas e carecem de intensa vitalidade que caracteriza todas as outras espécies de fadas com que nos deparamos. A sua consciência mal chega a influir sobre suas formas: algumas delas dão a impressão de estar caminhando enquanto dormem. São extremamente gentis e cordiais em seu relacionamento mútuo, exprimindo antes amor, do que  alegria. A sua existência é das mais pacíficas e sossegadas, quase como num sonho. O núcleo vital parece estar localizado exatamente na parte mais estreita do dorso, no ponto de ligação entre os corpos físicos e astral, flutuando este um pouquinho atrás e acima daquele. É uma criatura informe cujas cores predominantes são o rosa e o prateado, que apresentam uma intensa luminosidade. Parece estar parcialmente incorporada. Trata-se, provavelmente, de uma raça bastante antiga, a ponto de se encontrar em vias de extinção. FADAS. Kendal, dezembro de 1922. Aqui vive uma variedade bastante atraente de fadas. Elas possuem a expressão mais suave e gentil que já me foi dado ver, à exceção talvez das fadas da Atlântida (o continente perdido, submerso em provavelmente 10.986 AC, nas profundezas frias e escuras do oceano Atlântico) observadas nas encostas ocidentais do Snaefell. São verdadeiramente belas e se deslocam da maneira mais delicada possível, com extrema graça e beleza. Uma delas nos avistou, mas não parecia estar amedrontada. Com a mão direita, ela suspende o vestido diáfano (transparente), no qual se podem discernir as cores rosa e branco. Com a esquerda, carrega algum objeto que no momento não consigo identificar; seus membros se mostram descobertos, seus cabelos são longos e soltos e em torno da cabeça piscam pequenos pontos de luz, tal uma grinalda; é tão formoso o seu porte que, não fosse a falta total de autoconsciência e a perfeita candura transmitida pela expressão do rosto e dos olhos, eu teria julgado que ela posava. Vejo por todos os lados outros exemplares tão belos como este, os quais se distinguem entre si por algum ínfimo pormenor. Uma delas, que se encontra de costas para mim, possui cabelos longos e escuros, que caem livremente bem abaixo da cintura; o seu braço, alvo e belo, estende-se à sua frente e um pouco para o lado à medida em que ela caminha lentamente pelo bosque. O lugar parece ser o próprio Reino da Fantasia, e se houvesse tempo eu poderia passar horas descrevendo as suas criaturas. Preston,1922. Um belo espírito da Natureza, do sexo feminino, exatamente igual a um pequeno deva das árvores, tem sua morada numa espessa sebe das redondezas, por onde proliferam amoreiras silvestres, plantas rasteiras e espinheiros avermelhados. Obviamente, processos similares àqueles que ocorrem com as árvores verificam-se também nas extensas sebes (arbustos). Este espírito da Natureza constitui uma atração toda especial. Possui cerca de um metro ou um metro e trinta de altura, veste uma roupa leve, um vestido ondulante e transparente, e olha direto para nós, com um sorriso dos mais francos e cordiais. Demonstra uma incrível vitalidade e dá a impressão de manter em perfeito equilíbrio uma grande energia dinâmica. A sua aura é singularmente intensa, assemelhando-se a uma nuvem, com tons suaves, porém radiosos, na qual piscam e se irradiam deslumbrantes feixes de luz. As suas cores não tem paralelo com as cores conhecidas, em matéria de delicadeza, abrangendo matizes suaves de rosa claro, verde claro, lavanda e azul celeste, perpassados continuamente por brilhantes feixes luminosos. Ela se encontra num estado de exaltada felicidade. A título de experiência, submeti-me voluntariamente ao forte fascínio de sua presença e, por algum tempo, inconsciente do meu corpo, porém suficientemente desperto para retornar a ele quando assim o desejasse, experimentei um pouco da radiante e jubilosa felicidade que parece constituir o estado permanente de todos os habitantes do Reino de Fantasia. Um contato mais direto oferece riscos; exige um esforço supremo, o abandonarmos a existência carnal para uma vez mais retornarmos a ela. 26 de setembro de 1921. Numa clareira, a poucas milhas de casa. Árvores belas e velhas, apresentando já a sua coloração outonal, um ribeirão que corre suavemente e a luz do Sol de outono que tudo banha. A superfície destes campos acha-se densamente povoada por fadas, por duendes, elfos, e por uma espécie de criatura da relva, algo entre um elfo e um duende, embora de tamanho menor e aparentemente menos evoluída que ambos. As fadas adejam pelo lugar com seus breves voos, assumindo poses muito graciosas. Manifestam em seu mais lato grau virtudes como a despreocupação, a graça e a joia de viver. Algumas delas voam pelo lugar separadamente. Entre um pouso e outro, observam uma pequena pausa. Parecem transportar alguma coisa que, a cada pouso, é transmitida à relva ou às flores; pelo menos, tocam com as mãos o terreno em que vão aterrissar, como se estivessem aplicando-lhe alguma substância, para, em seguida, tornarem a levantar voo rapidamente. São visíveis mais claramente nos momentos em que vão pousar ou levantar voo; depois de pousar, desaparecem de vista. São fêmeas. Os seus vestidos costumam ser de cor branca ou rosa clara, sendo justos e confeccionados de um material lustroso, com textura extremamente fina, preso à altura da cintura e brilhando como um madrepérola de várias cores. As pernas e os braços mostram-se a descoberto. As asas são pequenas e alongadas, de formato oval. FADAS DANÇARINAS. Cottingly. Agosto de 1927. Uma intensa radiação luminosa espalha-se pelos campos, sendo visível a uma distância de quinhentos metros. Ela é ocasionada pela chegada de um grupo de fadas que se acham sob o controle de uma fada superior, bastante severa e taxativa em suas ordens, exercendo uma autoridade incontestável. Elas se espalham num círculo cada vez maior à sua volta e, à medida em que o fazem, uma suave incandescência alastra-se pela relva. De dois minutos para cá, desde que elas passaram a voar até o alto das árvores e daí de volta ao chão, o círculo expandiu-se até alcançar um diâmetro aproximado de três metros e meio, achando-se magnificamente iluminado. Cada um dos integrantes desse bando de fadas está em contato com a fada que as conduz, posicionada no centro do círculo e um pouquinho mais acima do que as outras, devido à ação de jatos de luz. Tais juros apresentam variados matizes de amarelo, com propensão para o laranja, convergindo para o centro e ali fundindo-se à aura, podendo observar-se ainda um continuo fluxo, para o centro ou vice-versa, em volta deles. A forma assim produzida apresenta-se tal qual uma compoteira (vaso de vidro ou louça com tampa) invertida, fazendo a fada dirigente as vezes de suporte, e as linhas luminosas, que fluem segundo uma curva graciosa e uniforme, o bojo. Suas atividades ininterruptas estavam engendrando uma forma mais complexa ainda, mas infelizmente o adiantado da hora nos obriga a partir. Lake District. Agosto de 1922. Um grupo de fadas dança e dá cambalhotas sobre um pequeno platô do outro lado do ribeirão. Seus corpos possuem formas femininas e sua principal vestimenta é de cor azul clara; suas asas, que possuem um formato quase oval, agitam-se constantemente enquanto elas dançam, em círculo e de mãos dadas. Algumas delas trazem um cinturão folgado, do qual pende um instrumento parecido com uma corneta. Todas estão recobertas por um material que serve para ocultar as suas figuras, mais do que se observa geralmente entre essa espécie de espíritos da Natureza. Medem aproximadamente quinze centímetros. Os cabelos, que em todas elas são de cor marrom, apresentam desde as tonalidades mais claras até as quase negras. A figura da fada apresenta uma cor rosa clara bastante esmaecida, verificando-se também, em quase todos os casos, uma cor azul clara na aura e nas asas. Elas estão representando alguma coisa não muito diversa de uma dança folclórica; e suponho que seja o seu pensamento que engendra inúmeras e minúsculas margaridas que aparecem e desaparecem, às vezes sob a forma de uma única flor, outras vezes reunidas em grinaldas ou coroas. Elas descarregam, na atmosfera, considerável quantidade de uma energia especial sob a forma de faíscas prateadas. O efeito produzido por esse espetáculo de eletricidade em miniatura, fluindo através de suas auras e do curioso alumbramento ou névoa em que todo o grupo é banhado, é dos mais belos. Esta névoa alcança uma altura de vinte a vinte e cinco centímetros, atingindo o seu ponto mais alto acima do centro do grupo. O seu efeito sobre as fadas é o de proporcionar-lhes um sentimento de completo isolamento. De fato, as outras espécies de espíritos da Natureza que se acham na vizinhança mantêm-se afastadas da esfera encantada. Agora, elas modificam a sua formação e passam a realizar uma evolução bastante complexa, produzindo eixos radiais através do círculo. Elas não permanecem exatamente no mesmo lugar, pois, quando o grupo se move, a aura isolada também o acompanha. A dança, que é também um ritual, lembra certos personagens dos Lanceiros. Possuem um apurado senso de ritmo, pois, apesar de seus movimentos espontâneos e livres, conseguem “manter o passo”. Enquanto eu as observo, uma figura cor de rosa, semelhante a um glóbulo ou a um coração, desenvolveu-se lentamente no centro do círculo, descarregando a cada pulsação uma força que flui segundo finas linhas ou estrias. O invólucro áurico expandiu-se consideravelmente, e não deixa de lembrar uma grande compoteira de vidro invertida. Parecem alimentar a ideia de que estão constituindo um edifício, pois agora surgem divisões radiais, extremamente finas e brilhantes, que dividem a fundação em compartimentos. Aos poucos, o grupo vai deixando o meu campo de visão. Lancashire. 1921. Estamos rodeados por um grupo de encantadoras fadas dançarinas. Elas sorriem, cheias de alegria. A líder, nesse caso, é uma figura feminina com provavelmente sessenta centímetros de altura, envolvida por roupagens transparentes e ondulantes. Na sua testa, há uma estrela. Possui grandes asas que refletem matizes pálidos e delicados, do rosa ao lavanda; com a rapidez de seus movimentos, entretanto, o efeito produzido é branco. Os cabelos são finos e castanhos dourados e, ao contrário das fadas menos evoluídas, caem para trás e se confundem com as forças fluentes menos evoluídas, caem para trás e se confundem com as forças fluente da aura. A sua figura é perfeitamente proporcionada, com formas arredondadas como as de uma garotinha. Na mão direita, ela segura uma varinha de condão. Embora sua expressão seja de pureza e ingenuidade, o rosto transmite ao mesmo tempo uma decidida impressão de força. Isso se nota particularmente nos olhos azuis e abertos, que ardem como chama e tem todo o aspecto de fogo vivo. A testa é alta e imponente, os traços são pequenos e redondos, as pequeninas orelhas constituem um poema de perfeição física. Não existe nenhuma angulosidade neste figura de uma beleza transcendental. O porte da cabeça, do pescoço e dos ombros é majestoso, sendo toda a sua pose um modelo de graça e beleza. Uma radiação azul clara envolve essa gloriosa criatura, tornando-se ainda mais bela, enquanto jatos de luz dourada partem de sua cabeça e a circundam. A parte inferior da aura é cor de rosa e iluminada por uma luz branca. Ela tem consciência de nossa presença e, por isso, permaneceu graciosamente imóvel para que essa descrição pudesse ser feita. Ela  ergue a sua varinha de condão que possui aproximadamente o comprimento de seu antebraço e brilha com uma luz branca, ardendo com uma luz amarelada nas extremidades. Ela se reclina graciosamente, exatamente como uma prima dona faria para agradecer a uma plateia educada. Ouve-se uma música um tanto tênue e remota, demasiado sutil para que eu possa representa-la, uma música que seria como que produzida por minúsculas agulhas, delicadamente entoada e marcada pela batida de martelos também minúsculos. Trata-se antes de uma série de tinidos do que de uma melodia contínua, talvez porque eu seja incapaz de captá-la integralmente. O grupo, então, levanta voo e desaparece no ar. Livro O Reino dos Devas e dos Espíritos da Natureza. Ótimo fim de semana. Abraços.

sexta-feira, 17 de setembro de 2021

A PARÁBOLA DOS TALENTOS

 

Cristianismo. Editor do Mosaico. Estive num culto religioso à noite chegando na hora da mensagem por circunstâncias justificáveis. A palestra foi no Caminho da Graça, uma Comunidade Cristã fundada pelo pastor Caio Fábio (1955-  ), alguém bem conhecido e conceituado no meio evangélico do Brasil. A palavra compartilhada nas Escrituras Sagradas, mencionou o evangelho de Mateus 25:14-30, o famoso texto da PARÁBOLA DOS TALENTOS. “Digo também que o Reino será como um senhor que, ao sair da viagem, convocou seus servos e confiou-lhes os seus bens. A um deu cinco talentos, a outro, dois e a outro um talento: a cada um conforme a sua capacidade pessoal. E, em seguida, partiu de viagem. O que havia recebido cinco talentos saiu imediatamente. Investiu-os, e ganhou mais cinco. Da mesma forma, o que recebera dois talentos ganhou outros dois. Entretanto, o que tinha recebido um talento afastou-se, cavou um buraco na terra e escondeu o dinheiro que o seu senhor havia confiado aos seus cuidados. Após um longo tempo, retornou o senhor daqueles servos e foi acertar contas com eles. Então, o servo que recebera cinco talentos, informando: O senhor me confiou cinco talentos; eis aqui mais cinco talentos que ganhei. Respondeu-lhe o senhor: Muito bem, servo bom e fiel! Foste fiel no pouco, muito confiarei em tuas mãos para administrar. Entra e participa da alegria do teu senhor! Assim também, aproximou-se o que recebera dois talentos e relatou: Senhor, dois talentos me confiaste; trago-lhe mais dois talentos que ganhei. O senhor lhe disse: Muito bem, servo bom e fiel! Foste fiel no pouco, muito confiarei em tuas mãos para administrar. Entra e participa da alegria do teu senhor! Assim também, aproximou-se o que recebera dois talentos e relatou: Senhor dois talentos me confiaste; trago-lhe mais dois talentos que ganhei. O senhor lhe disse: Muito bem, servo bom e fiel! Foste fiel no pouco, muito confiarei em tuas mãos para administrar. Entra e participa da alegria do teu senhor! Chegando, finalmente, o que tinha recebido apenas um talento, explicou: Senhor, eu te conheço, sei que és um homem severo, que colhe onde não plantou e ajunta onde não semeou. Por isso, tive receio e escondi no chão o teu talento. Aqui está, toma de volta o que te pertence. Sentenciou-lhe, porém, o senhor: Servo mau e negligente! Sabias que colho onde não plantei e ajunto onde não semeei! Então, por isso, ao menos devíeis ter investido meu talento com os banqueiros, para que quando eu retornasse, o recebesse de volta, mais os juros. Sendo assim, tirai dele o talento que lhe confiei e dai-o ao servo que agora está com dez talentos. Pois a quem tem, mais lhe será confiado, e possuirá em abundância. Mas a quem não tem, até o que tem lhe será tirado. Quanto ao servo inútil, lançai-o para fora, às trevas. Ali haverá muito pranto e ranger de dentes. O juízo final”. Pastor Caio começou citando o Texto de Colossenses 3:15 “Seja a paz de Cristo o juiz em vossos corações, tendo em vista que fostes convocados para viver em paz, como membros de um só corpo. E sede agradecidos”. A gratidão é um dom que todos os humanos têm, mas que precisa ser exercitado nos momentos e ambientes onde estamos inseridos. Um coração agradecido produz paz a nós e aqueles com os quais mantemos contato, seja direta ou indiretamente. Ao contrário a ingratidão demonstra nossa ignorância e mesquinhez de querer satisfazer nosso desejo pessoal, não se importando com atitudes que elevam nossa alma e produzem bem estar contínuo. O pregador por ter formação psicanalítica abordou o assunto de maneira nova, a margem dum viés teologizado, dando oportunidade ao ouvinte de entender o assunto dentro de sua limitação, sem a conclusão prefixada do credo cristão implantado no inconsciente coletivo. Segue as impressões que tive quanto ao panorama usado na explanação. Enfatizou o ser e o ente (grosso modo na filosofia o ser é o indivíduo e o ente são as coisas e objetos) na perspectiva existencial. O grupo de pessoas na parábola, a qual foi dado os talentos representam nossa experiência vivencial. Falou-se sobre um despertar da vida que todos precisamos em algum momento atingir em nossa passagem pela terra. Como ele é manauara, nascido na cidade de Manaus, contou seu insight revelado quando tinha 7 anos no pátio do colégio onde estudava, brincando com saúvas (formigas) que carregavam folhas dez vezes maiores que elas. Ele bloqueava a passagem delas com obstáculos, dificultando-lhes o trabalho que tinham de levar as folhas ao formigueiros. Também colocava-as para lutarem; reconhecendo instantes depois sua maldade com seres senscientes (que percebem pelos sentidos através de impressões) tão envolvido em objetivos comuns. De repente, olhando pro céu, viu  um infinito azul que atingia toda abóbada celeste. Sua escola estava numa elevação da capital do estado do Amazonas. Caindo em si, percebeu seu ignóbil ato contra os insetos, e viu que, de alguma forma poderia ajudar a humanidade das pessoas em sua caminha pela vida. Esse insight existencial, segundo abordou, determina os talentos que teremos e como aumentá-lo para o bem daqueles a nossa volta. Os talentos não são uma manufatura em série ou uma especificação de um produto espiritual como geralmente somos induzidos a imaginar. Porém um dom que está latente em nós; exemplificando um desejo de aprender a dançar, escrever poesia, tocar um instrumento musical, praticar o voluntariado dando assistência à alguma casa de criança carente ou de idoso, praticar atos generosos. Além de muitos outros “ofícios” escondidos em nós, esperando que o despertemos. Esse se “descobrir” ou descortinar-se para ocorrer, é antecipado por provas ou eventos marcantes que enfrentamos, alguns dentro duma perspectiva de angústia, tristeza ou sofrimento capazes de mudar a trajetória que estávamos percorrendo, outros, normalmente em nossa caminhada pela vida. Cada um tem esse potencial oculto (dom ou talento) na medida da proporção do desenvolvimento existencial. A quantidade, tamanho ou volume não tem relevância  como projeção individual, já que todos prestaremos contas daquilo que recebemos do Senhor, conforme é claramente ensinado pelo Mestre. Uma coisa é certa devemos duplica-lo como visto na alegoria bíblia. Caso contrário enfrentaremos a consequência da passividade e negligência de nossos atos. O que recebeu cinco multiplicou outros cinco, o que teve dois granjeou outros dois; adquirindo esses o direito de entrar no gozo do Senhor. Aqui está implícito que nada nos é concedido além de nossas possibilidades, pois a justiça divina usa a equanimidade como modelo para medir nossas atitudes, palavras e pensamentos. Devemos interiorizar nosso ser para ter a experiência do Eu Absoluto, do contrário, desfragmentado pela exteriorização da nossa natureza, fica impossível sermos um todo no meio das partes. Na prática não conhecemos nossa essência divina, pois priorizamos o ter, o prazer, o desejar, o apegar; mas ao constatar num vislumbre quem somos tendemos a fugir da imagem refletida no invisível espelho da vida. A partir de nossa auto aceitação começamos a pluralizar os talentos adquiridos não almejando nenhuma recompensa ou troca, apenas o desejo pelo serviço realizado na virtuosidade. O “entrar no gozo” é a alegria e felicidade de poder ser útil a alguém ou fazer-se agradável a qualquer ser ou ente que necessite da expressão de amor ou compaixão. Aqui não é uma esfera física de conforto ou refrigério, mas uma sensação produzida pelo consciente de paz e harmonia com a natureza em suas variadas manifestações. Essa sensibilidade do “entrar” é a ponte que une o eu inferior (personalidade) terreno; purificada pela beatitude espontânea do Eu Superior (individualidade) celestial. O que recebeu um talento com medo de seu senhor, o enterrou na terra. Aqui inferimos que a atitude desse servo é um retrato de seu desinteresse em desenvolver sua espiritualidade, vivendo na timidez e tendo o medo como empecilho para encontrar seu dom. Uma covardia que estereotipava sua compreensão da realidade do seu senhor que não era nada daquilo que ele imaginava ser. Ele tinha uma visão de Deus como um carrasco tirânico, implacável e impiedoso juiz. Não percebia, em sua cegueira e ignorância, que a misericórdia e graça divina são infinitamente maiores que nossas falhas e pecados. Sendo que o Inominável e Incognoscível não tinha e nem tem o desejo de “lançar” nenhuma de suas criaturas viventes “nas trevas exteriores, onde há choro e ranger de dentes”. Somos responsáveis pelo que fazemos à todos os seres, tendo nossas ações consequências no mundo físico e espiritual como é dito em Lucas 6:43 “Não existe árvore boa produzindo fruto mau, nem inversamente, uma árvore má produzindo bom fruto. Pois cada árvore é conhecida pelo seu próprio fruto”. Gálatas 6:7 “Não vos enganeis: Deus não se permite zombar. Portanto, tudo o que o humano semear, isso também colherá!” Esse ajuste de contas à pagar podemos pensá-lo, para efeito duma melhor compreensão num aspecto metafórico existencial. Suponho não ser baseado no conceito do maniqueísmo do bem e mal, certo ou errado que tendem a manifestar o materialismo e determinismo teológico. Entretanto, de conformidade com o monismo que percebe o Sumo Bem, sendo o mal uma ausência do bem e não seu oponente confrontador. Encaminhando esse processo (bem) à interação e harmonia do homem com a natureza onde há uma dependência dum em relação ao outro. O acerto vem no tempo e espaço, no aqui e agora sem a futurologia teleológica (finalidade) que o dogma costuma trazer como explicação desse evento bíblico. Se temos dívida à acertar limitadas pelo tempo e espaço em que existimos como quitar esse débito num âmbito eterno? Isso não é justo e nem razoável dentro do entendimento humano. Assim, esse ônus espiritual, ocorre “momentos” antes de temporariamente interrompida nossa existência na Terra. Quando damos nosso último suspiro, nossa consciência, mesmo que em fração de segundo, perpassa aquilo que fizemos ou deixamos de fazer (multiplicando ou enterrando o dom ou talento) agradando ou desagradando ao Senhor da vida. Assim, quanto antes despertarmos ou sermos iluminados para a necessidade de desenvolvermos esse carisma, estaremos ganhando tempo e desenvolvendo nossa salvação. O orador disse que esse processo é realizado diferentemente em cada indivíduo. Alguns tem esse despertar ainda criança, outros quando adolescentes, também na fase adulta e ainda na velhice. Acontece que quanto mais o “procedimento” é retardado se perde precioso tempo com futilidades (trivialidades) da vida acentuando-se o maniqueísmo (bem e mal), desviando-se do propósito original pelo qual os viventes foram criados e estão em fase de crescimento e aumento da consciência interior. A demora nos expõe a temeridade abrindo nosso ser a energias negativas que captada pelo inconsciente produz o tédio, ansiedade e abatimento. Uma situação anormal que é revertida com a coragem de assumirmos quem somos, mesmo não sabendo exatamente o que somos. O eu inferior é representado pela personalidade, que transitória vai se desfazendo na medida que a velhice e morte vão se aproximando. Numa leitura mística é como alguém que se veste pela manhã (nascimento) e a noite se despe desse manto quando vai dormir (morte). O Eu Superior é nossa individualidade manifesta em nosso espírito incriado perene e eterno. É nele que os talentos se manifestam ganhando expansão de nossa interioridade, uma auto multiplicação de Deus em nossa natureza humana. Eles (talentos) não podem ter a materialização da recompensa, pois teoricamente são substâncias informes sem uma significação material. A expansão do divino na fragilidade existencial tem, imagino, por objetivo  absolver o humano completamente no divino. Filipenses 2:12-13 “Sendo assim, meus amados, como sempre obedecestes, não somente na minha presença, porém muito mais agora na minha ausência, colocai em prática a vossa salvação com reverência e temor a Deus. Pois é Deus quem produz em vos tanto o querer como o realizar, de acordo com a sua vontade”. Abraço. Davi.

quarta-feira, 15 de setembro de 2021

A VERDADE SEMPRE LIBERTA

 

Judaísmo. www.morasha.com.br. A VERDADE SEMPRE LIBERTA. Solomon Schwarz tinha uma união feliz, ele e sua esposa Minnie eram parceiros de verdade, apenas algo faltava para completar sua felicidade, um filho. Entretanto de repente suas vidas saíram de seu controle e tomaram um rumo inesperado. Amavam-se profundamente, compartilhavam os mesmos valores e ideais e desfrutavam de um companheirismo fora do comum. Havia apenas algo que faltava em sua vida a dois para torná-la completa – um presente de D’us, um filho. Mas o casal tinha certeza de que esta espera seria temporária. Ano após ano eles aguardavam, pois a legião de médicos que haviam consultado garantira que não havia nada de errado com ambos e que, com certeza, teriam filhos. Conforme o tempo passava, era cada vez mais difícil para Minnie ver uma mãe empurrando, radiante, um carrinho de bebê pelas ruas, sem derramar uma lágrima. Um nó formava-se em sua garganta cada vez que ouvia o inconfundível choro de um recém-nascido. No passado, ela costumava parar diante das vitrines de lojas infantis acariciando, com os olhos, os delicados lacinhos nas roupas e acessórios. Agora, no entanto, quando passava em frente a uma dessas lojas, apressava o passo e seguia em frente. Os Schwartz já estavam casados há 12 anos quando  o patriarca da família, seu tio mais velho, inesperadamente, chamou Solomon para uma conversa. “Você sabe que uma das mais importantes mitzvot da Torá é o mandamento de pru urevu - frutificai e multiplicai-vos. Trazer filhos ao mundo não é apenas um prazer, mas uma obrigação. Somos os responsáveis pela perpetuação das espécies, pela perpetuação do Povo Judeu. Se sua esposa é estéril há mais de dez anos, a Torá diz que você deve divorciar-se”. “Não”, gritou Solomon, sem acreditar no que ouvia.  “É a Lei”, afirmou duramente seu tio. “Não é possível  que a Torá quisesse dissolver um casamento amoroso – com filhos ou sem filhos”. O tio, por sua vez, acrescentou: “Se você não acredita em mim, pergunte ao seu rabino (...). De qualquer maneira, eu já tomei a liberdade de falar com a Minnie e lhe explicar a situação. E ela é uma mulher de grande valor: concordou em não atrapalhar sua felicidade e cumprir os mandamentos. Ela não quer impedi-lo de ter filhos com outra mulher. Ela vai lhe conceder o divórcio sem qualquer problema ou discussão. Ela o ama e lhe deseja o melhor”. “Quem é você para decidir o que é melhor para mim?”, Solomon perguntou, furioso. “Minha esposa Minnie, a quem amo. Ela é o melhor para mim. Ela é todo o meu mundo. Não vou me divorciar. Não acredito sequer que tal lei exista de fato. Provavelmente é você quem está inventando tudo isso”. Posteriormente, no entanto, quando Solomon foi averiguar pessoalmente junto a um rabino que era seu amigo, ouviu as seguintes palavras: “Tal lei existe, de fato. Em outras épocas, as pessoas seguiam rigorosamente este mandamento. Atualmente, porém, os rabinos estão mais tolerantes em sua interpretação e a maioria não recomenda o divórcio. No seu caso, como Minnie e você têm um lindo relacionamento e um amor especial, poucos o aconselhariam a tomar uma medida tão drástica. Esqueça a conversa com seu tio e siga com sua vida”. Mas as coisas já haviam tomado tal rumo que não havia nada mais a fazer. A situação saíra de controle. Tendo sido convencida de que era a causa da infelicidade de seu marido e do drama das futuras gerações dos Schwartz, Minnie não permitiria que nada a detivesse e estava determinada a seguir em frente com o processo de divórcio. Ao conversar com Solomon, ela disse, entre lágrimas: “Tenho sido egoísta durante todos esses anos. Com outra esposa você terá a chance de ter muitos filhos. Não posso ficar no seu caminho. Eu o amo demais para privá-lo desta bênção”. Quanto mais o marido argumentava, protestava e tentava fazê-la raciocinar, mais ela permanecia irredutível. Seu maior sacrifício, seu derradeiro ato de amor seria entregar seu amado marido para outra. Quando ele lhe entregou o guet (divórcio judaico), Solomon se ajoelhou desesperado e com o coração partido afirmou: “Eu amarei você para sempre”. Em resposta, ela sussurrou, condoída: “Eternamente”. Duas semanas depois, ela lhe telefonou para contar que estava grávida. Em resposta, ele disse: “Vamos nos casar novamente. Tenho certeza que será permitido. Vou perguntar ao meu tio”. Quando o sobrinho lhe falou sobre as novidades, o patriarca deu a seguinte resposta: “Bem, sim, em casos normais o casal pode casar novamente (...). Mas, este não é um caso normal”. Impaciente, Solomon perguntou:  “O que você quer dizer com este não é um caso normal?”. O tio, então, explicou-lhe: “Solomon, meu filho, você é um Cohen, pertencente à casta dos Sumos Sacerdotes que serviram no Templo. Um Cohen está sujeito a leis mais rigorosas do que os descendentes das outras tribos. Um Cohen, sinto muito em lhe dizer, não pode se casar com uma mulher divorciada. E Minnie, agora, pertence a este grupo”. “Mas eu me divorciei dela, ela era minha esposa”, retrucou. “Tecnicamente, não faz diferença. Ainda assim, ela é uma mulher divorciada e você ainda é um Cohen. Não vejo como vocês podem se casar novamente”, afirmou o tio. Solomon estava chocado. Minnie, seu grande amor, sua preciosa esposa, estava finalmente grávida e eles não poderiam se casar novamente? Não era possível, era? Infelizmente, todos os rabinos consultados sobre o tema concordavam com a informação dada pelo tio. Ele era um Cohen, ela era divorciada, não havia o que discutir. “Não há nada que possa ser feito? Uma dispensa, uma anulação? Não há nenhuma filigrana legal que vocês possam encontrar para fazer com que a lei seja interpretada a meu favor?” Não havia brechas, todos respondiam com tristeza. “Será que ninguém pode fazer nada?”, perguntou, alquebrado, no gabinete de estudo de um rabino, certo dia. O rabino teve vontade de lhe dizer que seu pedido era impossível. Que nenhum estudioso que se orienta pela Halachá seria capaz de encontrar uma solução para ele. No entanto, ele se viu dizendo: “Por que você não vai se aconselhar com o Lubavitcher Rebe?” O Lubavitcher Rebe (1902-1994) era um sábio muito conceituado em Crown Heights, no Brooklyn – Nova Iorque – Estados Unidos. Tinha milhares de discípulos – seguidores e admiradores mundo afora, que acreditavam fervorosamente na inspiração Divina de sua sabedoria e inteligência, bem como nos pressentimentos e poderes de consolo e cura desse homem santo. Muitos afirmavam que ele realizava milagres e salvava vidas. Para uma multidão de pessoas, judeus e não judeus, ele era a última chance, a última parada, o último tribunal de apelação. Era pleno de amor e aceitava incondicionalmente cada judeu, independentemente de sua tendência religiosa. Não era raro que judeus seculares fizessem peregrinações até seu famoso endereço – 770 Eastern Parkway – e dali saíssem reconfortados. Solomon Schwartz era observante o suficiente para desejar cumprir a lei, mas não era um Lubavitcher. Vivia na Califórnia e nunca tinha sido atingido pelo carisma do Rebe. Ainda assim, as histórias sobre ele corriam pelo país e ele já havia ouvido falar sobre os milagres do Rebe. Então, quando o último rabino que consultara lhe sugeriu que se consultasse com o Lubavitcher Rebe, sentiu que poderia ser uma opção. Disseram-lhe que o Rebe abria suas portas ao público aos domingos e que os interessados em uma consulta com ele eram recebidos de acordo com a ordem de chegada. Quando Solomon chegou ao Brooklyn, no domingo de manhã cedo, a fila de pessoas que esperavam para ver o Rebe era muito grande e espalhava-se como uma serpente ao redor da Eastern Parkway e pelas ruas próximas. Centenas de judeus de todas as correntes atraídos ao local em busca de seu milagre pessoal. Solomon não pregara o olho durante o voo noturno de sábado à noite. Esperando na interminável fila, estava irritado e impaciente. Ainda faltavam horas para chegar à sua vez, mas consolava-se dizendo que talvez a espera valesse a pena. Mas não valeu. Cinco horas haviam transcorrido quando finalmente chegou sua vez. Ele sussurrou sua triste história e a imposição da Halachá no ouvido atentos do Rebe. O que ele esperava ouvir daquele homem conhecido por seu brilhantismo e sabedoria era, quem sabe, algo inédito, quem sabe uma brecha na Halachá que pudesse libertá-lo. Ou, no mínimo, uma bênção que aliviasse o seu coração. Ao invés disso, o Rebe simplesmente analisou Solomon por uma fração de segundo, perfurando sua alma com uma ardente intensidade, e disse: “Vá falar com sua mãe”. Atônito, Solomon gaguejou, entre frustrado e desesperado: “O quê???”. “Vá falar com sua mãe”, repetiu o Rebe. Foi aí que o rapaz estourou: “Eu viajei três mil milhas para o senhor me dizer para falar com minha mãe? Isto é tudo que o senhor tem para me dizer?”, falou já alterado, descrédito. Pela terceira vez, o Rebe repetiu: “Vá falar com sua mãe”, e fez sinal para que ele saísse. Solomon andou pelas ruas de Crown Heights; era o desconsolo em pessoa. Sentia-se enganado, traído. No final das contas, o Rebe não era um homem santo. Era um charlatão, um logro, uma fraude. “Vá falar com sua mãe”. Que espécie de conselho era esse? Ainda assim, ele parou para reconsiderar o que ouvira. Era interessante como o Rebe parecia estar certo de que ele tinha mãe e que ela ainda estava viva. E como sabia que ele não falava com ela há muito tempo? Ao longo dos anos, infelizmente, eles haviam-se distanciado. Tinham tido muitas discussões que haviam desgastado seu relacionamento, e a reaproximação jamais ocorrera. Haviam-se passado meses desde a última vez que conversaram e ela desconhecia os últimos eventos graves que tinham ocorrido em sua vida: o divórcio, a gravidez de Minnie e sua busca frenética por uma brecha haláchica para que pudessem casar-se novamente. “Vá falar com sua mãe”, dissera o Rebe. Solomon não sabia o que o sábio quisera dizer com essa mensagem enigmática, mas talvez fosse o momento de ver sua mãe, de qualquer maneira. Seu rosto se iluminou quando ela abriu a porta e o envolveu em um forte abraço. “Há quanto tempo”, ela chorou.  E por causa de tanta narishkeit – tanta besteira (...). Venha para a cozinha. Tenho café fresco e acabei de fazer folheados de queijo, ainda estão quentinhos! Onde está Minnie?”. Então ele lhe contou tudo: a intervenção do patriarca da família, a insistência de Minnie em se divorciar para que ele pudesse ter filhos com outra mulher; a repentina alegria por causa da gravidez inesperada e a busca por uma brecha na Halachá. Finalizou aquela litania (ladainha) dizendo: “Mãe, você poderia imaginar tamanho problema?”. Então, vagarosamente, sua mãe começou a falar, olhando fixamente em seus olhos: “Não há problema algum! Eu nunca consegui lhe contar antes, mas, chegou a hora de fazê-lo.  É verdade que seu pai era um Cohen, portanto, naturalmente, você supôs que também fosse, pois passa de pai para filho. Mas você não é Cohen de fato e, portanto, está livre para se casar novamente com Minnie (...). O Rebe estava certo quando lhe disse para falar comigo (...). Sabe (...) você foi adotado”. www.morasha.com.br. Abraço. Davi.

segunda-feira, 13 de setembro de 2021

NÃO DÁ PARA ACREDITAR SOU FELIZ

 

Espiritualidade. www.oshobrasil.com.br. NÃO DÁ PARA ACREDITAR SOU FELIZ. Texto de Osho (1931-1990). "Meu médico insistiu para que eu viesse vê-lo”, disse o paciente ao psiquiatra. “Não sei o porquê – pois eu sou feliz no casamento, tenho segurança no meu trabalho, muitos amigos, nenhum problema (...) disse o psiquiatra, procurando por seu caderno de anotações, “e há quanto tempo você vem se sentindo assim? " Felicidade não é algo fácil de se acreditar. Parece que o homem não pode ser feliz. Se você falar sobre sua tristeza, depressão e miséria, todo mundo irá acreditar. Isso parece ser natural. Mas se você falar sobre a sua felicidade, ninguém acreditará em você – isso parece ser não natural. Sigmund Freud (1856-1939), depois de quarenta anos de pesquisas a respeito da mente humana, trabalhando com milhares de pessoas, observando milhares de distúrbios mentais, chegou à conclusão de que a felicidade é uma ficção: o homem não pode ser feliz. No máximo, nós podemos fazer coisas um pouco mais confortáveis, e isso é tudo. No máximo, nós podemos tornar a infelicidade um pouco menor, e isso é tudo. Mas, feliz, o homem não pode ser. Isso parece ser muito pessimista, mas se olharmos para o homem moderno, veremos que é exatamente assim; parece que isso é um fato. Budha diz que o homem pode ser feliz, tremendamente feliz. Krishna canta canções sobre a felicidade suprema – satchitanand. Jesus fala a respeito do Reino de Deus. Mas como você pode acreditar em tão poucas pessoas, as quais podemos contar nos dedos, contra toda a massa, milhões e milhões de pessoas ao longo dos séculos, que permanecem infelizes, caminhando mais e mais em direção à infelicidade. Toda a vida dessas pessoas é uma história de miséria e nada mais. E depois vem a morte! Como acreditar naquelas poucas pessoas? Ou elas estão mentindo, ou elas estão enganadas. Ou elas estão mentindo por algum motivo, ou elas são meio malucas, enganadas pelas próprias ilusões. Elas devem estar vivendo para satisfazer um desejo. Elas queriam ser felizes e começaram a acreditar que elas eram felizes. Mais do que um fato, isso parece uma crença, uma crença desesperada, Mas como aconteceu dessas poucas pessoas se tornarem felizes? Se você deixar o homem de lado, se você não prestar muita atenção ao homem, então Budha, Krishna, Cristo irão parecer que são mais verdadeiros. Se você olhar para as árvores, se você olhar para os pássaros, se você olhar para as estrelas, então verá que tudo está vibrando em tremenda felicidade. Parece que a felicidade é a matéria-prima com a qual a existência é feita. E somente o homem é infeliz. No fundo, alguma coisa está errada. Budha não está enganado, nem está mentindo. E eu digo isso a você, não com base na autoridade da tradição; eu digo isso a você com base na minha própria autoridade. O homem pode ser feliz, mais feliz que os pássaros, mais feliz que as árvores, mais feliz que as estrelas, porque o homem tem algo que nenhuma árvore, nenhum pássaro, nenhuma estrela tem. O homem tem consciência.  Mas quando você tem consciência, então duas alternativas são possíveis: ou você pode tornar-se infeliz, ou você pode tornar-se feliz. A escolha é sua. As árvores simplesmente estão felizes porque elas não podem ser infelizes. A felicidade delas não é liberdade; elas têm que ser felizes.  Elas não sabem como ser infelizes, não existe outra alternativa. Esses pássaros gorjeando nas árvores, eles são felizes. Não porque eles tenham escolhido ser felizes; eles simplesmente são felizes porque eles não conhecem outra maneira de ser. A felicidade deles é inconsciente. Ela é simplesmente natural. O homem pode ser tremendamente feliz, e tremendamente infeliz. Ele é livre para escolher. Essa liberdade é um risco. Essa liberdade é muito perigosa, porque você se torna responsável. E algo aconteceu com essa liberdade. Alguma coisa está errada. O homem está, de uma certa maneira, de cabeça para baixo. Você veio até a mim, procurando por meditação. A meditação é necessária somente porque você não escolheu ser feliz. Se você tivesse escolhido ser feliz, não haveria nenhuma necessidade de meditação. A meditação é medicinal: se você está doente, então o medicamento é necessário. Os Budhas não precisam de meditação. Uma vez que você começou a escolher a felicidade, uma vez que você decidiu que você tem que ser feliz, então nenhuma meditação é necessária. A meditação começará a acontecer naturalmente, por ela mesma. A meditação é uma função do estar feliz. A meditação segue o homem feliz como uma sombra: em qualquer lugar que ele for, qualquer coisa que ele estiver fazendo, ele estará meditativo. Ele estará intensamente centrado. A palavra “meditação” e a palavra “medicação” têm a mesma raiz; e isso é muito significativo. A meditação também é medicinal. Você não carrega vidros de remédios nem receitas médicas se você estiver com saúde. Naturalmente, quando você não está com saúde, você tem que ir ao médico. Ir ao médico não é uma grande coisa para ficar fazendo alarde. A pessoa deve se sentir feliz se o médico não for necessário. Existem muitas religiões, porque existem muitas pessoas infelizes. Uma pessoa feliz não precisa de religião. Uma pessoa feliz não precisa de templo, nem de igreja, porque para uma pessoa feliz, todo o universo é um tempo, toda a existência é uma igreja. Uma pessoa feliz não tem nada parecido com uma atividade religiosa, porque toda a sua vida já é religiosa. Qualquer coisa que você fizer com felicidade será uma prece; seu trabalho se tornará um culto, a sua própria respiração terá um esplendor, uma graça. Não que você repita constantemente o nome de Deus – somente as pessoas tolas fazem isso – porque Deus não tem nome algum, e por repetir algum suposto nome você simplesmente tornará estúpida a sua mente. Por repetir o Seu nome você não irá a lugar algum. Um homem feliz simplesmente vê Deus em todo lugar. E você precisa de olhos felizes para ver Deus. Se você quer ser feliz, então comece a fazer escolhas naturais. Há muitas ocasiões em que você terá que ser desobediente – seja!  Haverá muitas ocasiões em que você terá que ser rebelde – seja!  Não há nenhum desrespeito implícito nisso. Seja respeitoso com seus pais. Mas lembre-se de que a sua mais profunda responsabilidade é com o seu próprio ser. Todo mundo está sendo empurrado e manipulado. Ninguém sabe qual é o seu destino. O que você realmente sempre quis fazer, foi deixado de lado. E como você pode ser feliz? Alguém que poderia ter sido um poeta, tornou-se simplesmente um emprestador de dinheiro. Alguém que poderia ter sido um pintor, tornou-se um médico. Alguém que poderia ter sido um médico, um belo médico, é agora um homem de negócios. Todo mundo está fora do lugar. Todo mundo está fazendo alguma coisa que nunca quis fazer; daí a infelicidade. A felicidade acontece quando a sua vida se encaixa com o que você é, quando se encaixa tão harmoniosamente que qualquer coisa que você fizer será pura alegria. Então, de repente, você descobrirá que a meditação segue você. Se você ama o trabalho que está fazendo, se você ama a maneira como está vivendo, então você está meditativo. Então nada irá desviar você. Quando você se desvia de certas coisas, isso simplesmente demonstra que você não está realmente interessado naquelas coisas. Nós temos nos desviado por motivos não naturais: dinheiro, prestígio, poder. Ouvir o pássaro cantar não vai lhe dar dinheiro. Ouvir o pássaro cantar não vai lhe dar poder e prestígio. Observar uma borboleta não irá ajudá-lo economicamente, politicamente, socialmente. Essa coisas não lhe trarão remuneração, mas essas coisas irão fazê-lo feliz. Uma pessoa verdadeira tem coragem de se voltar para as coisas que a fazem feliz. Se com isso ela permanecer pobre, ela permanecerá pobre; ela não reclamará disso, ela não guardará nenhum rancor. Ela dirá: “Eu escolhi o meu caminho, eu escolhi o cantar dos pássaros e as borboletas e as flores. Eu posso não ser rico, tudo bem, mas eu sou rico porque eu sou feliz”. Esse tipo de homem não necessita de qualquer método para se centrar, por que não é preciso, ele está centrado. Seu centramento está por toda a sua vida. Vinte e quatro horas por dia ele está centrado. Em qualquer lugar que você vê dinheiro, você já não é mais você mesmo. Em qualquer lugar que você vê poder e prestígio, você já não é mais você mesmo. Em qualquer lugar que você vê respeitabilidade, você já não é mais você mesmo. Imediatamente você esquece tudo – você esquece os valores intrínsecos de sua vida, a sua felicidade, a sua alegria, o seu deleite. Você sempre escolhe algo do lado de fora, e você barganha com algo do lado de dentro. Você perde o interior e ganha o lado de fora. Mas o que você vai fazer com isso? Mesmo se você tiver todo o mundo aos seus pés, mas se você tiver perdido a si mesmo; mesmo se você tiver conquistado todas as riquezas do mundo, mas se você tiver perdido seu próprio tesouro interior, o que você fará com tudo aquilo? Essa é a miséria. Se você puder aprender uma coisa comigo, então que essa coisa seja: esteja alerta, consciente a respeito de seus próprios motivos mais internos, a respeito de seu próprio destino mais interno. Nunca perca você mesmo de vista, de outra maneira você será infeliz. E quando você estiver infeliz, as pessoas irão dizer: “medite e você se tornará feliz!” Elas dirão: “Esteja centrado e você se tornará feliz; ore e você se tornará feliz; vá ao templo, seja religioso, seja um cristão ou um hindu, e você será feliz”. Tudo isso é tolice. Seja feliz! e a meditação virá em seguida. Seja feliz, e a religião virá em seguida. Felicidade é a condição básica. As pessoas se tornam religiosas somente quando elas estão infelizes; então a religião delas é falsa. Tente entender porque você está infeliz. Muitas pessoas vêm a mim e dizem que elas são infelizes, e elas querem que eu lhes dê alguma meditação. Eu digo: primeiro, a coisa básica é compreender porque vocês estão infelizes. E se vocês não removerem todas as causas básicas de sua infelicidade, eu posso lhes dar uma meditação, mas isso não vai ser de grande ajuda, porque as causas básicas permanecem aí. Um certo homem poderia ter sido um grande e belo dançarino, mas ele está sentado num escritório arquivando fichas. Sem qualquer possibilidade para a dança. O homem poderia ter curtido dançar sob as estrelas, mas ele segue simplesmente acumulando contas bancárias. E ele diz que está infeliz: “me dê alguma meditação”. Eu posso dar a ele, mas o que essa meditação irá fazer? O que se espera que ela possa fazer? Ele vai permanecer o mesmo homem: acumulando dinheiro e sendo competitivo no mercado. A meditação poderá ajudar da seguinte maneira: poderá fazer com que ele fique um pouco mais relaxado para seguir fazendo essas tolices, e de uma maneira ainda melhor. Então, o meu chamado é somente para aqueles que são realmente ousados, aqueles que desafiam o demônio, aqueles que estão prontos para mudar os seus próprios padrões de vida, aqueles que estão prontos para apostar tudo – porque na verdade você nada tem para apostar: somente a sua infelicidade, a sua miséria. Mas as pessoas se agarram até mesmo a isso. O que mais você tem para apostar? Só a miséria. E o único prazer que você tem é falar a respeito dela. Observe as pessoas falando a respeito de suas misérias: quão felizes elas se tornam! Elas pagam por isso: elas vão aos psicanalistas para falar a respeito de suas misérias – e elas pagam por isso! Alguém as escuta atentamente, e elas se sentem felizes. As pessoas seguem falando a respeito de suas misérias, repetidamente. Elas até mesmo exageram, elas enfeitam, elas fazem com que as suas misérias pareçam ainda maiores. Elas fazem com que elas pareçam maiores do que a duração de suas vidas. Por que? Você nada tem para apostar. Mas as pessoas se apegam ao conhecido, ao que é familiar. A miséria é tudo o que elas têm conhecido; isso tem sido a vida delas. Nada têm a perder, mas com tanto medo de perder (...). Comigo, a felicidade vem primeiro, a alegria vem primeiro. A atitude de celebração vem primeiro. Uma filosofia afirmativa de vida vem primeiro. Curta! E se você não puder curtir o seu trabalho, mude. Não espere! Porque todo o tempo que você está esperando, você está esperando por Godot (personagem do irlandês Samuel Beckett (1906-1989) nunca deu as caras pra dizer quem era – eu a que veio ou aonde iria – sua verdadeira identidade permanece um mistério. E Godot nunca vem. A pessoa simplesmente espera, e desperdiça sua própria vida. Por quem e por que você está esperando? Se você puder ver o ponto, que você está miserável dentro de um certo padrão de vida, e que todas as velhas tradições dizem: Você está errado. Eu gostaria de dizer que o padrão é que está errado. Tente entender a diferença na ênfase: Você não está errado! É só o seu padrão, a maneira de viver que você aprendeu é que está errado. As motivações que você aprendeu e aceitou como suas, não são suas. Elas não irão realizar o seu destino. Elas vão contra a sua essência, elas vão contra o que lhe é elementar. Lembre-se disso: ninguém mais pode decidir por você. Todos os mandamentos deles, todas as ordens deles, todas as moralidades deles, são simplesmente para matar você. Você tem que decidir ser você mesmo. Você tem que tomar sua vida em suas próprias mãos. De outra maneira a vida vai seguir batendo em sua porta e você nunca estará lá; você estará sempre em algum outro lugar. Se você tinha que ser um dançarino, a vida virá por aquela porta, porque ela pensa que você é um dançarino. Ela bate na porta, mas você não está lá; você é um bancário. E como a vida vai saber que você se tornou um bancário? Deus vem a você da maneira que ele quer você seja; ele conhece apenas aquele endereço. Mas você nunca é encontrado lá, você está sempre em algum outro lugar, escondendo-se atrás da máscara de alguém que não é você, com os trajes de alguém que não é você e usando o nome de alguém que não é você. Como você espera que Deus possa encontrá-lo? Ele segue procurando por você. Ele sabe o seu nome, mas você abandonou aquele nome. Ele conhece o seu endereço, mas você nunca morou lá. Você permitiu que o mundo desviasse você. Por que na cabeça de todo mundo surge essa ideia de que a meditação traz felicidade? De fato, sempre que eles encontram uma pessoa feliz, eles encontram uma mente meditativa, essas duas coisas estão associadas. Sempre que eles encontram uma bela atmosfera meditativa circundando um homem, eles sempre descobrem que ele estava tremendamente feliz; vibrante com a alegria, radiante. Essas coisas se tornaram associadas. E eles pensam que a felicidade vem quando você está meditativo. E é exatamente o oposto: a meditação é que vem quando você está feliz. Mas ser feliz é difícil e aprender a meditar é fácil. Ser feliz significa uma drástica mudança em sua maneira de viver, uma mudança abrupta, porque não há nenhum tempo a perder. Uma mudança súbita, um repentino estrondo de trovão (a sudden clash of thunder), uma descontinuidade. Isso é o que eu entendo por sânias: uma descontinuidade com o passado. Um repentino estrondo de trovão, e você morre para o velho e então, revigorado, você recomeça do bê-a-bá. Você nasce de novo. Você começa de novo a sua vida, como você começaria se os padrões não tivessem sido impostos a você pelos seus pais, pela sociedade, pelo Estado; como se ninguém tivesse desviado você. Mas você foi desviado. Você tem que deixar de lado todos os padrões que foram impostos a você, e você tem que encontrar a sua própria chama interior. Não se preocupe muito com o dinheiro, porque ele é o maior desvio da felicidade. E a ironia das ironias é que as pessoas pensam que elas serão felizes quando elas tiverem dinheiro. Dinheiro nada tem a ver com felicidade. Se você é feliz e você tem dinheiro, você pode usá-lo para a felicidade. Se você é infeliz e tem dinheiro, você usará aquele dinheiro para mais infelicidades. Porque o dinheiro é simplesmente uma força neutra. Eu não sou contra o dinheiro, lembre-se. Não me interprete mal. Eu não sou contra o dinheiro, eu não sou contra nada. Dinheiro é um meio. Se você for feliz e você tiver dinheiro, você se tornará mais feliz. Se você for infeliz e tiver dinheiro, você se tornará mais infeliz, por que o que você fará com o seu dinheiro? O dinheiro vai realçar o seu padrão, seja qual ele for. Se você for miserável e tiver poder, o que você fará com o seu poder? Você irá envenenar a si próprio ainda mais com o seu poder, você se tornará mais miserável.  Mas as pessoas seguem atrás do dinheiro como se o dinheiro fosse trazer felicidade. As pessoas seguem procurando por respeitabilidade como se respeitabilidade fosse lhe dar felicidade. As pessoas estão prontas a qualquer momento, para mudar os seus padrões, para mudar os seus caminhos, desde que haja mais dinheiro disponível em algum outro lugar. Uma vez que o dinheiro esteja ali, então de repente você não é mais você mesmo, você está pronto para mudar. Esse é o caminho do homem mundano. Eu não digo que pessoas mundanas são aquelas que têm dinheiro. Eu chamo de pessoas mundanas aquelas que mudam os seus motivos por causa do dinheiro. Eu não digo que as pessoas que não tem dinheiro não sejam mundanas. Elas podem ser simplesmente pobres. Eu digo que as pessoas não são mundanas quando elas não mudam seus motivos por causa de dinheiro. Só por ser pobre não equivale a ser espiritual. E só por ser rico não é equivalente a ser um materialista. O padrão materialista de vida é aquele em que o dinheiro predomina acima de tudo. A vida não materialista é aquela em que o dinheiro é simplesmente um meio; a felicidade predomina, a alegria predomina, a sua própria individualidade predomina. Você sabe quem você é, e para onde está indo, e você não está se desviando. Então, de repente, você vê que a sua vida adquiriu uma qualidade meditativa. Mas em algum ponto do caminho, todo mundo se perdeu. Você foi educado por pessoas que não se realizaram. Você foi educado por pessoas que não tinham saúde. Você pode sentir pena delas. Eu não estou lhe dizendo para ser contra elas. Eu não as estou condenando, lembre-se. Simplesmente sinta compaixão por elas. Os pais, os professores do colégio e da universidade, os chamados líderes da sociedade, eles foram pessoas infelizes. Eles criaram um padrão infeliz em você. E você ainda não assumiu a sua própria vida. Eles viveram segundo uma interpretação errada, e essa foi a miséria deles. E você também está vivendo segundo uma interpretação errada. A meditação ocorre naturalmente a uma pessoa feliz. A meditação ocorre naturalmente a uma pessoa alegre. A meditação é muito simples para uma pessoa que pode celebrar, que pode curtir a vida. Mas você tem tentado isso de uma outra maneira, e assim não é possível. www.oshobrasil.com.br. Abraço. Davi.

sábado, 11 de setembro de 2021

AS SETE RAÇAS RAÍZES

 

Teosofia. Editor do Mosaico. AS SETE RAÇAS RAÍZES. O tema desse assunto está baseado no livro A Doutrina Secreta (1888) de Helena P. Blavatsky (1831-1891) onde alguns conceitos diferentes daqueles que pensamos como cristãos que têm apoio nas Sagradas Escrituras são abordados como verdades relacionados ao criacionismo. Em contraposição a esses argumentos bíblicos temos as teorias esboçadas pelo cientista inglês Charles Darwin (1809-1882)  sobre o evolucionismo que dentre outras coisas sugere que os humanos são primos dos símios (macacos) descendendo dos mesmo. A teosofia difere basicamente dos dois aspectos, mas se assemelhando ao evolucionismo com pressupostos científicos antagônicos,  pois entende o evolucionismo sobre o processo da espiritualidade. Assim a substância vital da matéria a monada é germinada num dos planetas de nosso sistema solar dando início ao seu percurso evolucionário alcançando as partes mais densas da matéria. Sucintamente esse processo começa no chocar um fragmento de elemental (seres primários da criação divina, que atuam na geração e sustentação da natureza), prosseguindo numa poeira mineral, a seguir a vida se transforma num vegetal, depois a consciência desperta em instintos coletivos de animal e o ápice da mentalidade como humano. Esse sistema evolucionário está alicerçado nos princípios setenários humanos (corpo físico, etério, emocional, mental concreto e abstrato, alma espiritual, alma divina e Espírito Divino). Onde a monada sendo matéria e espírito vitaliza e energiza cada um desses aspecto chegando na completude do Todo. Ela faz um percurso de descensão e ascensão nos reinos da natureza evoluindo a matéria, a mente e o espírito nesses reinos culminando com o homem perfeito ou espiritual. Após essa breve introdução iniciamos nosso assunto específico. "Como percebemos nos textos sobre Antropologia Gnóstica, a Evolução de uma Alma Planetária, ou seja, o conjunto de todas as Essências espirituais que se manifestam num planeta, é de certa maneira semelhante à Evolução de um indivíduo. Uma alma individual se reencarna, passa de um corpo a outro. A Alma Planetária passa de um planeta a outro de acordo com Leis predeterminadas pelos Deuses siderais. E como se processa a Evolução de uma humanidade em um planeta? Como a da Terra, por exemplo? Uma humanidade planetária nasce, evolui e se desenvolve, evoluindo e involuíndo em sete etapas planetárias definidas com grande precisão matemática. Essas sete etapas são didaticamente chamadas de Sete Raças Raízes, ou Raças Planetárias. A vida que evoluiu e involuiu em um antiquíssimo planeta, que hoje é a nossa desolada Lua (chamada também de Terra Lua ou Terra Selene), reencarnou-se no planeta Terra. Aqui, numa nova etapa,  deverá evoluir e involuir, formando ao todo sete expressões civilizatórias, chamadas esotericamente de “Sete Raças”, que, sob o ponto de vista teosófico e gnóstico, são: PRIMEIRA RAÇA-RAIZ OU PROTO PLASMÁTICA. Habitou o que hoje conhecemos como a Calota Polar Norte, a Terra de Asgard, citada em antiquíssimas tradições como a distante Thule paradisíaca dos nórdicos e dos astecas, a Ilha de Cristal. A Raça Polar (como também é chamada esta poderosa Raça) se desenvolveu em um ambiente totalmente distinto ao atual. Naquela época a Terra era propriamente semi etérica, semi física, as montanhas conservavam sua transparência e a Terra toda resplandecia gloriosamente com uma belíssima cor azul etérica intensa. Produto maravilhoso de incessantes evoluções e transformações que outrora se iniciaram desde o estado germinal primitiva. A primeira Raça surgiu das dimensões superiores completa e perfeita. Inquestionavelmente a primeira Raça jamais possuiu elementos rudimentares nem fogos incipientes. Para o bem da Grande Causa lançaremos em forma enfática o seguinte enunciado: Antes que a primeira Raça humana saísse da quarta coordenada para se fazer visível e tangível no mundo tridimensional esta teve que gestar-se completamente dentro do Jagad Yoni a matriz do mundo. Extraordinária humanidade primogênia, andróginos sublimes totalmente divinos, seres inefáveis mais além do bem e do mal. Protótipos de perfeição eterna para todos os tempos, seres excelentes semi físicos, semi etéricos, com corpos protoplasmáticos indestrutíveis de bela cor negra, elásticos e dúcteis, capazes de flutuar na atmosfera. Com o material plástico e etéreo desta Terra primogênia foram construídos cidades, palácios e templos grandiosos. Resultam interessantíssimos os Rituais Cósmicos dessa época. A construção dos Templos era perfeita. Nas vestiduras se combinavam as cores branca e preta para representar a luta entre o espírito e a matéria. Os símbolos e objetos de trabalho eram usados invertidos para representar o Drama que se projeta nos séculos: o descenso do espírito até a matéria. A vida estava até agora materializando-se e deveria a isso dar-se uma expressão simbólica. Sua escritura gráfica foram os caracteres rúnicos, de grande poder esotérico. É ostensível que todos esses seres ingentes eram os fogos sagrados personificados dos poderes mais ocultos da Natureza. Essa foi a Idade do fissiparismo, aquelas criaturas se reproduziam mediante o ato sexual fissíparo, (segundo se tem visto na divisão da célula nucleada, onde o núcleo se divide em subnúcleos, os quais se multiplicam como entidades independentes). Naqueles seres andróginos (elementos masculino e feminino perfeitamente integrados) a energia sexual operava de forma diferente à atual, e em determinado momento o organismo original do pai mãe se dividia em duas metades exatas, multiplicando-se para o exterior como entidades independentes, processo similar à multiplicação por bipartição ou divisão celular. O filho andrógino sustentava-se por um tempo de seu pai mãe. Cada um desses acontecimentos da reprodução original, primeva, era celebrado com rituais e festas. Inquestionavelmente, a Ilha Sagrada, morada do primeiro homem do último mortal divino, ainda existe na quarta dimensão como insólita morada dos Filhos do Crepúsculo, Pais Preceptores da humanidade. Terra do amanhecer, mansão imperecedoura, celeste paraíso de clima primaveral por ali, nos mares ignotos do Polo Norte. Magnífico luzeiro no Setentrião, esse Éden da quarta coordenada, continente firme em meio ao grande oceano. “Nem por terra nem por mar se consegue chegar à Terra Sagrada" repete veementemente a tradição helênica. “Só o voo do espírito pode conduzir a ela”, dizem com grande solenidade os velhos sábios do mundo oriental. SEGUNDA RAÇA RAIZ OU HIPERBÓREA. Essa raça apareceu no cenário terrestre como resultado das incessantes transformações que, através do tempo a Primeira Grande Raça Raíz experimentou. Habitou as regiões boreais que como ferradura continental circundam a Calota Polar Norte, ocupando o atual norte da Ásia, Groenlândia, Suécia, Noruega, Islândia, Finlândia etc., estendendo-se até as Ilhas Britânicas. Essa foi uma época de variadíssimas mutações na Natureza. Grande diversidade de espécies foi gestada no tubo de ensaio da Natureza cujos três Reinos ainda não estavam de todo diferenciadas. O clima era tropical e a terra coberta de grande vegetação.O ser humano continuava sendo andrógino, reproduzindo-se por brotação, sistema que continua ativo nos vegetais.É impossível encontrarem-se restos das primeiras Raças primevas porque a Terra estava constituída de proto matéria, semi etérica e semi física. Só nas Memórias da Natureza os grandes clarividentes podem estudar a história dessas Raças. TERCEIRA RAÇA-RAIZ OU LEMURIANA. Dessa segunda classe de andróginos divinos procedeu-se por sua vez a terceira Raça-raiz, os Duplos, gigantes hermafroditas, colossais, imponentes. A civilização lemúrica floresceu maravilhosa no Continente Mu ou Lemúria, vulcânica terra no Oceano Pacífico. O planeta chegou a um alto grau de materialidade, próprio desta Ronda físico-química. Como todas as formas de então existentes na Terra, o homem era de estatura gigantesca. A reprodução era por geração ovípara, produzindo como seres hermafroditas, e, mais tarde, com o predomínio de um só sexo, até que por fim nasceram do ovo machos e fêmeas. Na quinta sub-raça lemuriana (pois cada grande Raça é formada de 7 sub-raças), começa o ovo a queda e retida no seio materno, e a criatura nasce débil e desvalida. Por último, na sexta e sétima sub-raças já é geral a geração por ajuntamento de sexos. A reprodução sexual se fazia então sob a direção dos Kummaras, seres divinais que regiam os templos. Porém, na segunda metade do período lemúrico, começaram a fornicar, ou seja, a desperdiçar o esperma sagrado, ainda que tão só o faziam para dar continuação da espécie. Então, os Deuses castigaram a humanidade pecadora (Adão-Eva), expulsando-os para fora do Éden paradisíaco, a Terra Prometida, onde os rios de água pura de vida manam leite e mel. O ser humano expressava-se na Linguagem Universal, o seu Verbo tendo poder sobre o fogo, o ar, a água e a terra. Podia perceber a aura dos mundos no espaço infinito, e dispunha de maravilhosas faculdades espirituais que foi perdendo, como consequência do Pecado Original. Esta foi uma época de instabilidade na superfície terrestre, devido à constante formação de vulcões e de novas terras. Ao final, por meio de 10 mil anos de gigantescos terremotos e maremotos, o gigantesco continente Mu foi se desmembrando e fundindo-se nas ondas do Oceano Pacífico. Encontramos seus vestígios na Ilha da Páscoa (Chile), Austrália, Nova Guiné, Tasmânia a Oceania etc. (Muito se tem discutido sobre o Paraíso Terrenal). “Realmente, esse Paraíso existiu e foi o continente da Lemúria, situado no Oceano Pacífico. Essa foi a primeira terra seca que houve no mundo. A temperatura era extremamente quente". O intensíssimo calor e o vapor das águas nublavam a atmosfera e os homens respiravam por guelras, como os peixes. Os Homens da Época Polar e da Época Hiperbórea e princípios da Época Lemúrica eram hermafroditas e se reproduziam como se reproduzem os micróbios hermafroditas. Nos primeiros tempos da Lemúria, a espécie humana quase não se distinguia das espécies animais; porém, através de 150 mil anos de evolução os lemurianos chegaram a um grau de civilização tão grandiosa que nós, os Arianos, estamos ainda muito distantes de alcançar. Essa era a Idade de Ouro, essa era a idade dos Titãs. Esses foram os tempos deliciosos da Arcádia. Os tempos em que não existia o meu ou o teu, porque tudo era de todos. Esses foram os tempos em que os rios manavam leite e mel. A imaginação dos homens era um espelho inefável onde se refletia solenemente o panorama dos céus estrelados de Urânia. O homem sabia que sua vida era vida dos Deuses, e ele sabia dedilhar a Lira estremecia os âmbitos divinos com suas deliciosas melodias. O artista que manejava o cinzel se inspirava na sabedoria eterna e dava a suas delicadas esculturas a terrível majestade de Deus. Oh! A Época dos Titãs, a época em que os rios manavam leite e mel (...). Os lemures foram de grande estatura e tinham ampla fronte, usavam simbólicas túnicas, branca à frente e preta atrás, tiveram naves voadoras e aparelhos propulsionados a energia atômica, iluminavam-se com energia atômica, e chegaram a um altíssimo grau de cultura. (Em nosso livro O Matrimônio Perfeito falamos amplamente sobre este particular). Esses eram os tempos da Arcádia: o homem sabia escutar, nas sete vogais da Natureza, a voz dos Deuses, e essas sete vogais (I-E-O-U-A-M-S) ressoavam no corpo dos lemures, com toda a música inefável dos compassados Ritmos do Fogo. O corpo dos lemurianos era uma harpa milagrosa onde soavam as sete vogais da Natureza com essa tremenda euforia do Cosmo. Quando chegava a noite, todos os seres humanos adormeciam como inocentes criaturas no seio da Mãe Natureza, afagados pelo canto dulcíssimo e comovedor dos Deuses, e quando a aurora raiava, o Sol trazia diáfanas (que permite a passagem da luz) alegrias e não tenebrosas penas. Os casais da Arcádia eram matrimônios gnósticos. O homem só efetuava o conúbio (casamento) sexual sob as ordens dos Elohim, e como num sacrifício no Altar do matrimônio para brindar corpos às almas que necessitavam reencarnar-se. Desconhecia-se por completo a fornicação e não existia a dor no parto. Através de muitos milhares de anos de constantes terremotos e erupções vulcânicas, a Lemúria foi fundindo-se nas embravecidas ondas do Pacífico. Em tempo, surgia do fundo do oceano o Continente Atlante. QUARTA RAÇA-RAIZ OU ATLANTE. Depois que a humanidade hermafrodita se dividiu em sexos opostos, transformados pela Natureza e máquinas portadoras de criaturas, surgiu a quarta Raça Raíz sobre o geológico cenário atlante localizado no oceano que leva seu nome. Foi engendrada pela terceira Raça há uns 8 milhões de anos, cujo fim o Manu (Noé) da quarta Raça escolheu dentre a anterior os tipos mais adequados, a quem conduziu à imperecedoura Terra Sagrada para livrá-los do cataclismo lemuriano. A Atlântida ocupava quase toda a área atualmente coberta pela parte setentrional do Oceano Atlântico, chegando pelo nordeste até a Escócia, pelo norte até o Labrador (Canadá) e cobrindo pelo Sul a maior parte do Brasil. Os atlantes, de estatura superior à atual, possuíram uma alta tecnologia, a que combinaram com a magia, porém, ao final degeneraram-se e foram destruídos. Helena P. Blavatsky, referindo-se à Atlântida, diz textualmente em suas estâncias antropológicas: “Construíram templos para o corpo humano, renderam culto a homens e mulheres. Então, cessou de funcionar o terceiro olho (o olho da intuição e da dupla visão). Construíram enormes cidades, lavrando suas próprias imagens segundo seu tamanho e semelhança, e as adorara (...).”. Fogos internos já haviam destruído a terra de seus pais (la Lemúria) e a água ameaçava a Quarta Raça (a Atlântida). Sucessivos cataclismos acabaram com a Atlântida, cujo final foi reconstituído em todas as tradições antigas como o Dilúvio Universal. A época da submersão da Atlântida foi realmente uma era de câmbios (trocas) geológicos. Emergiram do seio profundo dos mares outras terras firmes que formaram novas ilhas e novos continentes. QUINTA RAÇA RAIZ OU ARIANA. Já há um milhão de anos que o Manu Vaivasvata (o Noé bíblico) selecionou de entre a sub-Raça proto semítica da Raça Atlante as sementes da quinta Raça Mãe e as conduziu à imperecedoura Terra Sagrada. Idade após idade, foi modelando o núcleo da humanidade futura. Aqueles que lograram cristalizar as virtudes da Alma acompanharam o Manu em seu êxodo à Ásia Central, onde morou por longo tempo, fixando ali a residência da Raça, cujos galhos haveriam de ramificar-se em diversa direções. Eis agora as sete sub-raças ou galhos do tronco ariano atlante: A primeira sub-raça se desenvolveu no Planalto Central da Ásia, de forma mais concreta na região do Tibete e teve uma poderosa civilização esotérica. A segunda sub-raça floresceu no sul da Ásia, na época pré Védica, e então, foi conhecida a sabedoria dos Rishis do Industão, os esplendores do antigo Império Chinês etc. A terceira sub-raça se desenvolveu maravilhosamente no Egito (de direta ascendência atlante), Pérsia, Caldeia etc. A quarta sub-raça resplandeceu com as civilizações da Grécia e de Roma. A quinta sub-raça foi perfeitamente manifestada na Alemanha, Inglaterra e outros países. A sexta sub raça resultou da mescla dos espanhóis e portugueses com as raças autóctones da América. A sétima sub-raça está perfeitamente manifestada no resultado de todas essas mesclas de diversas raças, tal como hoje o podemos evidenciar no território dos Estados Unidos. Nossa atual Raça terminará com um grande cataclismo (hecatombe = mortandade). Após a destruição da Atlântida, conforme descrição feita no trabalho anterior e que agora damos sequência, teve nascimento a 5ª Raça-Mãe, a Ária, há um milhão de anos, quando o Manu Vaivásvata escolheu na Sub-Raça Semítica (Atlante) as sementes que deveriam servir para dar continuidade à evolução da Mônada, conduzindo-as à Terra Sagrada Imperecível. Há perto de 850 mil anos uma primeira emigração atravessou os Himalaias, espalhando-se no norte da Índia, sob a regência de Buda-Mercúrio porque tinha por finalidade o desenvolvimento do intelecto (Manas). A superfície do globo tendo passado por inúmeras transformações, emergiram, uma após outra, as partes dos nossos Continentes atuais que, por uma dessas "coincidências" interessantes são em número de cinco... tal como o número de ordem da Raça Ária, como 5ª Raça Raiz da presente Ronda. Em linguagem oculta, estes Continentes têm o nome de Krauncha... que é também o nome de uma montanha do Himalaia. Após a grande catástrofe há 200 mil anos e que deixou isolada a Ilha de Posseidonis no meio do Atlântico, os cinco continentes atuais tomaram a forma que até hoje possuem. No decorrer dos tempos, nossos Continentes serão destruídos por tremores de terra, fogos vulcânicos e inundações, como outrora o foram a Lemúria e a Atlântida, já que a água e o fogo são os dois elementos destruidores, para não dizer, transformadores (e até purificadores) do nosso Planeta. Tendo como estado de consciência "Manas" (Mental Superior), está nesta 5ª Raça-Mãe se processando o desenvolvimento do sentido olfativo, beneficiando-se, destarte, dos cinco sentidos. Sub-Raça da 5ª Raça Raiz. A primeira Sub-Raça desta 5ª Raça-Raiz foi a Ário-hindu, que se estabeleceu há 850 mil anos ao norte da Índia. A sua religião foi o hinduísmo primitivo: Leis do Manu, Manava Dharma Shasta, Leis de Castas. A segunda, Ário-Semítica ou Caldáica, atravessando o Afeganistão espalhou-se pelas planícies do Eufrates e na Síria. A sua religião foi o Sabeísmo. Irânica foi a terceira Sub-Raça, conduzida pelo primeiro Zoroastro, estabeleceu-se na Pérsia e daí para a Arábia e o Egito, com o culto do "Fogo" e da "Pureza", sendo que a alquimia predominou nessa Sub-Raça. A quarta foi a Céltica, conduzida por Orfeu, espalhando-se pela Grécia, Itália, França, Irlanda e Escócia. Distinguiu-se em todas as linhas artísticas. A quinta, a Teutônica, emigrou da Europa Central, disseminando-se por todas as partes do mundo contemporâneo. E as 6ª e 7ª Sub-Raças? De acordo com os ensinamentos ministrados em nosso Colégio Iniciático, caberá a este Continente – especialmente o Brasil – ser a região onde se processará o desenvolvimento que possibilitará à humanidade atingir o estado de consciência na escala evolucional. Neste sentido vem a STB (hoje SBE) trabalhando, pouco importa a distância que ainda esteja de nossos dias o fim daquelas duas últimas Sub-Raças, isto é, as 6ª e 7ª. Devemos esclarecer que já existem Seres trabalhando na face da Terra para coisa mais longínqua ainda que é o futuro Sistema. As Sub-Raças finais, de todas as Raças-Mães, se sucedem quase... e quanto mais para o fim da Ronda, tal fenômeno se fará com maior rapidez, por isso mesmo, interpenetrando-se umas nas outras, a partir do seu número de ordem. E como a Raça atual ou Ária (no momento vivendo o ramo ou família final de sua 5ª Sub-Raça) seja a 5ª Raça-Raiz, como se viu, faltam ainda duas Raças-Raízes – a 6ª e a 7ª, cada uma delas com as respectivas sete Sub-Raças – para completar a presente Ronda. A 6ª Raça-Raiz desenvolverá o Princípio Búdico (ou da Intuição) que se ligará ao de Manas já existente e em pleno desenvolvimento na 5ª atual (Ária) e a 7ª realizará o Princípio Átmico, ligado aos dois anteriores (Búdico-Manas), por isso mesmo realizando a vitória da Tríade Superior na matéria. Como se viu, as três primeiras Raças-Raízes (Mães) tiveram esses mesmos "estados de consciência, mas no sentido involutivo" ou da descida do Espírito (Purusha) na Matéria (Prakriti), isto é, Atmã, Budi e Manas. Depois da "Equilibrante" (onde funcionou o intermediário, isto é, o Mental Inferior ou Kama-Manas), ou seja, a Atlante, a ordem foi inversa: Manas (da atual ou 5ª), Budi (para a 6ª) e Atmã (para a 7ª); e isso de acordo com os "arcos ascendentes e descendentes" da evolução: os chamados Períodos de Pravritti-Marga e Nivritti-Marga. É provável que os Continentes dessas duas Raças finalizantes da Ronda sejam os mesmos da Lemúria e Atlântida, porém em tal época, completamente redimidos do mau Karma de seu longínquo passado. Segundo as tradições purânicas, seus nomes ocultos são: Shaka, para o 6º Continente, cujo significado é "Força e Poder" e Puskara para o 7º Continente, que significa "Loto", algo assim como se quisessem dizer que em tal época a humanidade atingirá o "Loto de Mil Pétalas", ou seja, o mais elevado grau de consciência que se pode alcançar na Terra: o Sétimo. A SEXTA RAÇA RAÍZ (Raça Koradhi) viverá em uma Terra transformada (a Quinta Ronda, ou Etérica; veja o texto sobre as Rondas Planetárias) e a sétima será a última. Depois dessas Sete Raças, a Terra se converterá em uma nova lua”. Como disse no início esse texto está baseado no livro a Doutrina Secreta da Helena Blavatsky e como esclarecimento quanto a não sermos descendentes diretos dos símios (macacos) conforme a teoria Darwinista ela explica que essa espécie foi nas encarnações anteriores um acidente de percurso, algo como um bebe que na gestação teve deformações em seu DNA nascendo (parcialmente ou sem cérebro) anencéfalo. Isso provocou um erro pois esses animais (símios) esotericamente falando tem duplo DNA (humano e animal) por esse motivo são tendentes a desaparecerem como espécies nas futuras Raças Raízes. Diferentemente também da doutrina espírita da origem do homem, pois essa se baseia na evolução Darwinista ou seja viemos dos reinos inferiores da criação. Mas Charles Darwin só concebe a evolução material deixando algumas lacunas em sua teoria como por exemplo as especialidades que os seres adquirem das necessidades ambientais. Solução que foi concebida por Alfred Russel Wallace (1823-1866) que passou a conceber o espírito como princípio diretor a reger as formas materiais. Apesar de ter elaborado a teoria evolucionista juntamente com Darwin ele foi relegado ao esquecimento por se ocupar do espiritismo para elucidar essa questão, sendo esses pontos abordados no Livro dos Espíritos (1857) escrito por Allan Kardec (1804-1869). Vê-se que o elemento religioso e dogmático contaminou o ensinamento espírita quanto a evolução assumindo uma crendice, assim fugindo de argumento científicos e lógicos como os explorados pela Blavatsky em sua obra já citada. Quanto a origem do homem no (criacionismo) todos conhecemos a versão das Sagradas Escrituras Cristã em Gênesis capítulos um a três não carecendo comentários adicionais. Abraço. Davi. 

Fonte de pesquisa: www.eubiose.com.  www.magodaluz.com.br.