"Você já notou a perfeição que existe na natureza? Uma prova
incontestável da harmonia que rege a Criação.
Como num poema cósmico, Deus rima a vida humana com o ritmo dos mundos.
Ao nascermos, é a primavera que eclode em seus perfumes e cores. Tudo é
festa. A pele é viçosa. Cabelos e olhos brilham, o sorriso é fácil. Tudo traduz
esperança e alegria.
Delicada primavera, como as crianças que encantam os nossos olhos com sua
graça. Nessa época, tudo parece sorrir. Nenhuma preocupação perturba a alma.
A juventude corresponde ao auge do verão. Estação de calor e beleza,
abençoada pelas chuvas ocasionais. O sol aquece as almas, renovam-se as
promessas.
Os jovens acreditam que podem todas as coisas, que farão revoluções no mundo,
que corrigirão todos os erros.
Trazem a alma aquecida pelo entusiasmo. São impetuosos, vibrantes. Seus
impulsos fortes também podem ser passageiros... como as tempestades de verão.
Mas a vida corre célere. E um dia - que surpresa - a força do verão já se foi.
Uma olhada ao espelho nos mostra rugas, os cabelos que começam a embranquecer,
mas também aponta a mente trabalhada pela maturidade, a conquista de uma visão
mais completa sobre a existência. É a chegada do outono.
Nessa estação, a palavra é plenitude. Outono remete a uma época de reflexão e
de profunda beleza. Suas paisagens inspiradoras - de folhas douradas e céus de
cores incríveis - traduzem bem esse momento de nossa vida.
No outono da existência já não há a ingenuidade infantil ou o ímpeto incontido
da juventude, mas há sabedoria acumulada, experiência e muita disposição para
viver cada momento, aproveitando cada segundo.
Enfim, um dia chega o inverno. A mais inquietante das estações. Muitos
temem o inverno, como temem a velhice. É que esquecem a beleza misteriosa das
paisagens cobertas de neve.
Época de recolhimento? Em parte. O inverno é também a época do compartilhamento
de experiências.
Quem disse que a velhice é triste? Ela pode ser calorosa e feliz, como uma
noite de inverno diante da lareira, na companhia dos seres amados.
Velhice também pode ser chocolate quente, sorrisos gentis, leitura sossegada,
generosidade com filhos e netos. Basta que não se deixe que o frio enregele a
alma.
Felizes seremos nós se aproveitarmos a beleza de cada estação. Da
primavera, levarmos pela vida inteira a espontaneidade e a alegria.
Do verão, a leveza e a força de vontade. Do outono, a reflexão. Do inverno, a
experiência que se compartilha com os seres amados.
A mensagem das estações em nossa vida vai além.
Quando pensar com tristeza na velhice, afaste de imediato essa ideia.
Lembre-se que após o inverno surge novamente a primavera. E tudo recomeça.
Nós também recomeçaremos. Nossa trajetória não se resume ao fim do inverno. Há
outras vidas, com novas estações. E todas iniciam pela primavera da idade.
Após a morte, ressurgiremos em outros planos da vida. E seremos plenos,
seremos belos. Basta para isso amar. Amar muito.
Amar as pessoas, as flores, os bichos, os mundos que giram serenos. Amar,
enfim, a Criação Divina. Amar tanto que a vida se transforme numa eterna
primavera."
Http://www.aumagic.blogspot.com.br. Abraço. Davi.
sexta-feira, 24 de julho de 2015
quinta-feira, 23 de julho de 2015
A Sabedoria é o Máximo Benefício da Prática Budista.
Colaboração Suzana Grossmann. Texto de Greg Martin. No "Gosho sobre a Oração", especificamente sobre a passagem que diz:
"nunca deixarão de ser respondidas as orações dos devotos do Sutra de Lótus".
Muitos
de nós temos vivido a experiência de nossas orações não serem
respondidas. Hoje eu falarei sobre a natureza da oração segundo o
Budismo, e como podemos aumentar o
poder e o benefício que recebemos de nossas orações.
Nossa prática budista jamais deve converter-se em uma luta de intermináveis
Aeons (um tempo infinito) até mesmo para as menores transformações do nosso carma. O Budismo de
Nitiren Daishonin foi concebido para produzir efeitos drásticos em nossa vida e em nosso carma. Se isto não acontece devemos nos perguntar porque
Nitiren promete que nossas orações serão respondidas.
Todas
as nossas orações são respondidas com toda certeza, porém, às vezes a
resposta é um não. Certamente se estivermos orando por algo que nos é
prejudicial, a resposta
nos é dada com um simples não. Por esta razão é que quero falar a
respeito da natureza da oração segundo o Budismo de
Nitiren Daishonin.
A oração no Budismo de
Nitiren Daishonin
é significativamente diferente da oração que a maioria de nós está
familiarizado desde criança. Se não compreendermos a diferença, teremos a
tendência a continuar orando como se estivéssemos
falando com algum poder externo a nós mesmos. Com isto, estaríamos
abordando só os aspectos superficiais de um
Budha, enquanto no nosso interior, permanecemos atados a nossa incorreta forma de pensar.
A
oração na tradição ocidental, procura a comunicação com um poder
transcendental acima e além de nós. Este poder que não existe dentro da
vida dos seres humanos, há de
ser encontrado em algum outro lugar. A oração é assim orientada para o
externo. Este tipo de visão religiosa se baseia na premissa de que os
seres humanos na profundeza de suas vidas são impuros e maus. Estas
orações estarão cheias de sentimentos de culpa.
Segundo o Budismo de
Nitiren Daishonin, a fonte e o poder estão em nosso interior. Uma oração budista é dirigida para dentro de nós mesmos. Buscamos
ajuda em nossa própria natureza, inerente, de Budha. Segundo este ensino, nós, somos por natureza valiosos e bons, por que possuímos a natureza de
Budha. As orações budistas estão cheias de um sentimento de responsabilidade e agradecimento.
As orações tradicionais de nossa cultura ocidental tendem ao pessimismo e a superficialidade. O Budismo de
Nitiren Daishonin, ao contrário, possui uma visão de vida essencialmente otimista. O
Gosho diz: "não despreze o ouro por estar
contido em uma bolsa imunda". Se o Irã fosse desprezado, o sândalo não
existiria. Se desprezar o sujo pântano do vale não poderão ser
recolhidas as flores de lótus que ali florescem. Aqui
podemos ver o enfoque fundamentalmente otimista da vida que o budismo
possui. Nossas orações devem ser para que colhamos flores de lótus no
lamacento poço de nossas vidas. A entonação do
Daimoku ao Gohonzon
está destinada a abrir nossos olhos para ver florescer flores de lótus.
Para nós é extremamente difícil perceber o que existe nas profundezas
de nossas vidas. Daishonin
revelou o Daimoku para que nós abramos os olhos e vejamos revelados os tesouros que possuímos.
Se recitar
Daimoku em frente ao Gohonzon em busca de alguém que venha e lhe traga um milagre, estará buscando no lugar errado. Nossa natureza de
Budha se encontra no profundo e obscuro
depósito de nossas vidas. Não é fácil encontrá-la, pois possuímos a
tendência de buscar a natureza de
Budha nas áreas de nossas vidas em que podemos vê-la com facilidade. Dentro de nós não só se encontra a causa de nossos sofrimentos, mas também a solução de nossos problemas. Se
dirigirmos nossas orações para fora de nós mesmos, essas orações não serão respondidas. Nada acontecerá.
O Budismo de
Nitiren Daishonin
(1222-1282) ensina que "os desejos mundanos são iluminação", isso quer
dizer que são os desejos mundanos causando nossos sofrimentos que nos
fazem buscar uma solução, e a solução que
o budismo nos dá é a própria iluminação. Todos sabemos que existem
problemas em nossas vidas. No
Gosho: A Felicidade Nesse Mundo,
Nitiren estabelece: "sofra o que tiver que sofrer e desfrute o
que tiver de desfrutar, considere os sofrimentos e alegrias como fatos
da vida. Ninguém pode evitar os problemas, nem mesmo os santos e
sábios". Até os santos e sábios possuem problemas.
O budismo aceita o fato de que ocorrem atribulações e que nós sofremos.
Nosso sofrimento faz brotar o desejo de erradica-lo e este desejo é que
nos inspira a buscar a melhora de nossas vidas.
Pelo
fato de não possuirmos sabedoria e porque existe obscuridade em nossas
vidas, tomamos atitudes incorretas, apesar de nossa sinceridade, fazemos
uma causa negativa
ao invés de uma positiva, mesmo que estejamos fazendo o melhor, estamos
cheios de ilusões.
Por
exemplo, imaginemos uma equipe de beisebol, uma equipe de atletas
dedicados e extremamente capazes. Suponhamos que são enviados a
Korea para competir na Copa Mundial de
futebol. São informados que se vencerem receberão um milhão de dólares
por ano pelo resto de suas vidas. Ficam extremamente motivados! Porém
ninguém lhes disse as regras do futebol. Os jogadores
entram em campo com suas luvas e bolas, dispostos a ganhar a copa,
jogam dando o melhor de si, porém só podem jogar segundo as regras do
beisebol porque não conhecem as do futebol. Assim tentam acertar a bola
de futebol para dirigi-la a trave e fazer gols.
E, são penalizados. Apesar da sinceridade deles, eles utilizam as
regras erradas. Não podem jogar porque não conhecem as regras. Na vida
também é assim. Você será infeliz se sua vida estiver cheia de
falsidade, não importa quanto tem se dedicado. Você continuará
fazendo suas causas negativas devido a sua concepção incorreta,
perpetuando assim, seu mau carma. Seu desejo de erradicar seus
sofrimentos os aumenta mais. É por isso que as vezes parece que quanto
mais tentamos resolver algo, pior fica.
Sakyamuni
Budha estabeleceu que devíamos eliminar os
desejos para evitar os caminhos do sofrimento. Isto para nós não é
prático e nos leva a um beco sem saída.
Nitiren Daishonin diz que podemos transformar os desejos mundanos usando a sabedoria. Quando estamos sofrendo, podemos fazer
Daimoku em frente ao Gohonzon e orar pela sabedoria para ver corretamente a raiz do nosso sofrimento e fazer a causa adequada. A sabedoria nos permite
romper esta corrente cármica. Desenvolvemos
sabedoria, a qual nos inspira a tomar uma atitude que nos libera do
nosso sofrimento e nos leva a aprofundar a fé. Assim pegamos então, um
caminho de vida completamente diferente.
Segundo o Budismo de
Nitiren Daishonin, a intenção de nossa oração é transformar a concepção errada das coisas em sabedoria. A SABEDORIA É O MÁXIMO BENEFÍCIO DA PRÁTICA BUDISTA. Nossa
sociedade tende a promover a concepção de que o propósito da vida é
reunir tantas posses materiais quanto possíveis. O budismo diz que este
realmente não é o propósito da vida.
Recentemente,
um membro da Divisão dos Adultos (atual Sênior) me procurou e disse-me
que necessitava de ajuda com seu carma financeiro. Não tinha conseguido
mudar este carma
nos seus dez anos de prática. A primeira pergunta que lhe fiz foi: que
tipo de trabalho você faz? Ele disse que não tinha trabalho. Perguntei o
por quê, e respondeu-me que tinha se demitido de seu emprego seis meses
atrás. Perguntei o por quê. Disse-me que
tinha entrado em desacordo com seu chefe e que sentiu que tinha que se
demitir. Conversando sobre seus empregos anteriores, disse-me que sempre
se desentendia com seus superiores e acabava perdendo o emprego. Essa
pessoa, em dez anos de prática obteve vários
empregos e perdeu todos. Perguntei-lhe como esperava progredir
financeiramente se não trabalhava. Não existe mágica no budismo, não é
sensato pensar que uma pessoa possa progredir financeiramente se não
possuir um trabalho. Então me revelou que sua verdadeira
pergunta era: por que tenho o carma de ter chefes autoritários? A
maioria de nós pensa que as coisas más são culpa do nosso carma.
Pensamos que nosso carma existe fora de nós, mas isso não é correto.
ENTÃO, O QUE É CARMA?
Carma é nossa incapacidade de lidar com os problemas que nos acontecem. Não
sabemos como resolvê-los quando nos atingem e acabamos errando e assim
criando mais problemas. Em todo caso, eu lhe mostrei sua tendência de
irritar-se com seus chefes. Ele tinha um padrão claro, mas era muito
difícil para esta pessoa perceber que seu problema
era a ira. O Budismo diz que se você tem ira, tem veneno da arrogância.
Disse a ele que até que ele fosse capaz de controlar sua mente
arrogante e a sua ira, não poderia manter um trabalho. Em realidade ele
era uma pessoa muito talentosa, porém isto o levou
a crer que poderia fazer o que queria no seu trabalho e maltratar os
demais.
Disse
a ele que precisava encontrar o modo de deixar de perder seus
trabalhos. Ele tinha que transformar o seu carma. Disse a ele também,
que não permitisse que sua ira
o derrotasse, que orasse sinceramente para ter sabedoria de responder
às situações de um modo diferente da ira. Até hoje ele está empregado
por três anos e recentemente comprou uma casa. Qual benefício seria
maior, outro trabalho que talvez poderia perder
ou a sabedoria para ver a causa raiz de seu problema para não ter que
repeti-lo?
As pessoas pagariam, milhões de dólares pela sabedoria de poder compreender a verdadeira natureza do sofrimento.
O Budismo se refere à vida interior, ao despertar a sabedoria sobre nossa verdadeira natureza. Esta
sabedoria é mil vezes mais valiosa que todos os pequenos benefícios que
uma pessoa possa juntar. Se nos prendemos na busca de posses materiais,
algum de nós poderia pensar que só essa meta "seria uma maravilhosa
prova real". Eu não acredito que seja assim.
Quantas vezes nos ocorreu pensar ao ver um milionário: caramba, qual
será a religião que pratica essa pessoa? Talvez eu me converta a ela.
A
procura de posses materiais não é algo negativo, mas este não é o
propósito da vida. O que o ser humano busca é a maneira de transformar a
si mesmo. Esta é a natureza
da oração do budista. Nitiren Daishonin não diz que os desejos se convertem em benefícios, mas que os desejos conduzem ao conhecimento de nós mesmos.
Naturalmente
se nós mudamos, nosso meio reflete essa mudança e experimentamos
benefícios. Mas se o que procuramos é o benefício sem passar pelo
processo interno, finalmente
nada acontecerá. O Gohonzon não tem poder para transformar o nosso meio ambiente, o que o
Gohonzon tem é o poder para transformar a nós mesmos. Quando usamos o
Gohonzon para nos transformar então nosso meio se transforma. Há uma grande diferença. Deveríamos determinar diante do
Gohonzon que resolveremos nosso problema, que ultrapassaremos nosso sofrimento.
Quando você ora ao
Gohonzon com esta visão, se surpreenderá ao ver o que percebe de você mesmo e o que precisa melhorar na sua vida. O Budismo tem a ver com a reforma interior e não com a reforma exterior. Naturalmente
no ambiente também ocorrem benefícios mas em realidade esta não é a ideia central.
Temos
ouvido falar sobre os quatro poderes do Budismo. Os poderes da FÉ e da
PRÁTICA fazem brotar os poderes do BUDHA e da LEI? No
Gohonzon? Não. O poder do Budha e da Lei estão na natureza do
Budha dentro de nossa própria vida. Os poderes da Fé e da Prática nos despertam e os fazem brotar.
A força de nossa fé determina o grau em que manifestamos o poder do
Budha e o poder da Lei em nossa vida. Qual é o poder do
Budha? O poder do Budha é a sabedoria. Quer dizer, a mente do
Budha, ou seja, a mente que percebe a verdadeira natureza de todos os fenômenos. Qual é o poder da Lei? É o corpo e a ação do
Budha. Quando oramos ao Gohonzon,
contatamos a sabedoria para perceber a verdadeira natureza do que
realmente está acontecendo e encontrar a raiz do nosso problema.
O poder do
Budha e o poder da Lei surgem porque usamos nossa voz, a voz do
Budha, para orar ao Gohonzon. Oramos ao
Gohonzon para ter sabedoria e força para
ultrapassar nossos problemas. Deveríamos ter este tipo de determinação
na oração. Pode ser que não tenhamos uma chave que nos leve a descobrir o
que fazer. Porém não tem problema. É por isso
que praticamos. Se já soubéssemos o que fazer não estaríamos sofrendo,
já teríamos superado o problema.
Podemos fazer uso da determinação, porém necessitamos sabedoria. Façam
Daimoku de frente ao Gohonzon, estudem o
Gosho, leia as orientações do Presidente
Ikeda e procurem orientação com os responsáveis. Tudo isto funcionará
para ressaltar a causa raiz do seu sofrimento.
Um
exemplo é quanto você lê uma orientação do Presidente Ikeda com uma
atitude séria, não por formalidade, mas com a atitude: "Presidente
Ikeda, tenho um problema, necessito
sabedoria". Você começa a ler, de repente um parágrafo te enche os
olhos e você pensa: "ele está falando para mim"! Então para aí mesmo e
aja. Isto é sabedoria. A sabedoria vinda do seu mentor, do seu mestre.
Então você perceberá que possui uma relação pessoal
com o presidente Ikeda. Você descobrirá que ele está te ensinando as
regras. Se você não está buscando sabedoria não encontrará. Se você está
somente buscando benefícios não encontrará sabedoria. A sabedoria é
o mais valioso dos tesouros.
Nós
praticamos o Budismo para conseguir ser a pessoa que queremos ser. Em
que tipo de pessoa você está se convertendo? O que queremos é estar
iluminados, é ser
Budha. Algumas vezes isto pode parecer uma
realidade muito abstrata, porém converter-se em uma pessoa iluminada,
fazer brilhar a luz na sua vida, é algo que você pode fazer todos os
dias. Toda vez que você faz
Daimoku de frente ao Gohonzon
para ter sabedoria de compreender a raiz de seu sofrimento é a ação
fundamental que deve realizar para alcançar a felicidade, você está
buscando a iluminação. A
budhicidade não e algo inatingível nem algo que quem sabe um dia atingiremos. Toda manhã e noite você atinge a
budhicidade.
O
Gosho "A Pessoa e a Lei" estabelece o
seguinte: "Devido ao fato de que a Lei é Suprema, a pessoa é digna de
respeito". Visto que o ensinamento que abraçamos é verdadeiro, quem seja
que abrace este ensinamento se converte em uma pessoa
respeitável, se converte em Budha. O
Gosho continua dizendo: "Visto que a pessoa é digna de respeito, a terra se torna sagrada". Abraçando o
Gohonzon atingimos a budhicidade. Onde quer que estejamos, esse lugar se converte na terra do
Budha. A cozinha se torna a cozinha do
Budha, a escola se torna a escola do Budha. Quantos de vocês encontram a terra do
Budha quando vão ao trabalho? Quem supostamente pode levar o
Budha ao trabalho? É você, que tem o
Gohonzon. É você quem tem que fazer despertar a vida de
Budha e levá-la ao trabalho. Porém você a deixou em casa no seu
Butsudan (oratório).
Se você faz
Daimoku ao Gohonzon pela manhã com a determinação de: Levarei comigo a vida do
Budha e transformarei o meu local de
trabalho. Necessito sabedoria, força e vou estabelecer a diferença. Você
se surpreenderá com o poder que já possui para transformar sua vida.
Na
"Revolução Humana", o presidente Ikeda disse: "Se uma pessoa crê em
algo errado, seja o que for, esse algo o arrastará às profundezas do
sofrimento. O mesmo é válido
para um grupo de pessoas, sociedade e toda uma nação. Confundir com
verdadeiro algo que em realidade é uma ilusão e crer nisto, é a coisa
mais terrível da vida". Se as coisas nas quais você crê são equivocadas,
estas te conduzirão ao inferno em um minuto. Suas
crenças fundamentais são as coisas mais importantes no mundo para você. Se
sua vida está baseada em ilusões e fantasias, você se encontrará no
inferno e no sofrimento e não poderá sair dali. Praticamos para aprender
as regras da vida e mudar nossa visão básica da mesma. Uma vez que você
conhece as regras do jogo poderá atuar livremente para sempre.
O
presidente Ikeda concluiu dizendo: "Nada ajudará a essa pessoa por mais
que seja cheia de boas intenções e por mais esforço que faça. Se essa
pessoa crê em algo falso
e contrário à ciência, não poderá evitar de atrair para si má sorte.
Isto é inevitável. Uma pessoa pode depositar sua confiança em uma
doutrina específica, numa ciência, na religião, em seu país, em seus
negócios, em seus familiares, em seus amigos, sem suas
convicções, na medicina ou na tecnologia. Os seres humanos não podem
atuar a menos que acreditem em algo inconscientemente, até aquele que
ostenta o seu ateísmo atua sobre a base de alguma crença. Todos os
assuntos mundanos não são mais que a soma total de
suas ações enraizadas na fé. Crer não é algo separado da vida, tão
pouco é algo que se encontra confinado a um grupo selecionado de
pessoas. O importante é até que ponto uma pessoa é consciente daquilo
que crê. A maioria das pessoas jamais chegou a perguntar-se,
se a base de suas crenças é absolutamente correta. Sendo correta ou
incorreta sua crença, sendo justa ou malvada, seguem seus caminhos
alegremente. E é ali, justo ali, onde está a raiz de sua infelicidade".
Quantas
vezes temos nos perguntado se nossas crenças fundamentais são corretas?
Muitas, muitíssimas vezes vi pessoas com 15 ou 20 anos de prática que
se encontram presas,
incapazes de avançar. A prática deles se transformou em uma
dificuldade. Quando examinamos a causa disto, percebemos que, apesar de
conhecerem toda a teoria do Budismo, em seus corações ainda creem que é
responsabilidade dos outros. Estão em Dotai
Shin ou "um corpo, muitas mentes" (Não se encontram em harmonia), ou seja, o oposto de
Itai Doshin,
"muitos corpos e uma mente" (Harmonia entre as pessoas). Falam como
budistas, porém dentro de si mesmo, não possuem as crenças fundamentais e
por fim sua prática budista deixou de produzir
benefícios, pois não estão tentando transformar suas crenças errôneas
em corretas.
O
Gosho "Rissho
Ankoku Ron" (A Pacificação da Terra através do Verdadeiro
Budismo) estabelece: "Portanto, você rapidamente deve transformar as
crenças que você mantém em seu coração e abraçar o meio único, a única
doutrina correta do Sutra de Lótus".
O
Gohonzon é Kanjin no
Gohonzon, ou seja, o verdadeiro objeto de adoração de sua própria vida. Quando se faz
Daimoku buscando a verdade, você também possui a natureza de
Budha. A menos que você tenha coragem de ver a verdadeira natureza de sua vida, não poderá encontrar a natureza de
Budha. Tem que ter a coragem para ver.
A pergunta é: funcionará igual às velhas orações? Na "Revolução Humana", volume 10, o presidente Ikeda pergunta se o
Daimoku é suficiente. Sua conclusão é não. O
Daimoku é a base de tudo, mas por si mesmo não é suficiente. O
Daimoku deve se conjugar com outros aspectos da prática. O
Gosho "Sobre a Oração", diz: "Jamais aconteceria das orações de um devoto do Sutra de Lótus ficarem sem ser respondidas". Porém, o
Gosho "A Estratégia do Sutra de Lótus", diz:
"Um covarde não conseguirá que suas orações sejam respondidas". Em
outras palavras, é possível que suas orações não obtenham respostas.
O vice-presidente Tsuji disse uma vez: "Todos temos o mesmo
Gohonzon e praticamos da mesma maneira,
porém vemos que umas pessoas recebem tremendos benefícios, e outras não
obtêm quase nada e outras encontram tremendas perdas". Qual é a relação
correta com o
Gohonzon? Como podemos praticar para receber benefícios? O
Gohonzon que está fora de nós nos produz alegria interior e quando estabelecemos uma relação com o
Gohonzon ao recitar NAM MYOHORENGUE KYO, o NAM MYOHO RENGUE KYO que está em nosso interior brotará. Se olharmos o
Gohonzon e pensarmos que por fazer isto "vou
obter algo", que for fazer a prática vamos obter algo, seremos como um
mendigo pedindo. Pode ser que nestas circunstâncias possamos receber
benefícios, mas o tipo de benefício que recebemos
deste modo será tão pequeno como a gorjeta que recebe um garçom em
comparação ao valor total da conta a ser paga.
Devemos fazer
Daimoku com atitude de que através de nossas orações ao
Gohonzon, seja por uma casa nova ou por negócios, ou seja, saúde, podemos contribuir para o
Kossen-Rufu (Paz Mundial). Determinem ao
Gohonzon: "Pelo Kossen-Rufu, permita-me, por favor, ultrapassar essas dificuldades". Os Deuses Budistas nos darão proteção baseados em nossas orações pelo
Kossen-Rufu. Sem pensar no Kossen-Rufu
e simplesmente recitando NAM MYOHO RENGUE KYO, obteremos poucos
benefícios. Os benefícios derivados das nossas orações baseadas no
Kossen-Rufu são tão dinâmicos como
voar em um avião, enquanto orar só pelo nosso próprio benefício é tão
lento quanto caminhar.
O
Gosho "Sobre atingir o Estado de Buda" diz: "Mesmo que você faça
Daimoku e acredite em NAM MYOHO RENGUE KYO,
se pensa que a Lei está fora de você não estará abraçando a Lei
Mística". O que significa isto? Se você pensa que a causa de seus
problemas está fora de você e que a solução destes problemas
também está fora de você, então não estará abraçando a Lei Mística, e
sim um ensinamento inferior. Mesmo que façamos
Daimoku diante do Gohonzon, se acreditando que "a resposta está fora de mim", em realidade você não está praticando o Budismo, mesmo recitando
Daimoku.
O
Gosho segue dizendo: "Ensinamento inferior
significa aqueles ensinamentos diferentes a este Sutra, os quais são
todos provisórios e transitórios. Nenhum ensinamento provisório conduz
diretamente à iluminação, você não pode atingir
a budicidade mesmo que pratique existência após existência por incontáveis
aeons".
Imagine fazer
Gongyo, Daimoku e
Chakubuku, participar de reuniões, promover as publicações e participar do
Kofu existência após existência durante incontáveis
aeons, sem jamais mudar o seu carma, sem jamais atingir a
budhicidade. Esta é uma idéia deprimente.
Daishonin aqui está mostrando a importância que existe
em não ver fora de si mesmo. Não
tente obter o poder de fora de você. Busque a solução de seus problemas
no seu interior, você é o problema e também é a solução.
Se você faz
Daimoku em frente ao Gohonzon
com a oração: "Me dê sabedoria para compreender o que devo fazer. Me dê
sabedoria para saber que ação tomar", você se surpreenderá com o seu
avanço. As orações dirigidas para
fora não ajudam em nada, por mais que as repitam pelo resto da vida.
Daishonin mostra aqui, estritamente que se você vai fazer
Daimoku, não perca o seu tempo tentando ajustar as coisas fora de você. O
Gohonzon quase não possui nenhum poder para o mundo exterior,
porém possui um universo ilimitado de poder para transformar você e a
reformar sua vida. Abra sua vida e veja sua verdadeira natureza.
Confronte-se com esta verdadeira natureza e a maneje.
Ela está caracterizada por um dos três venenos: avidez ou avareza, ira e
estupidez. Para descobrir qual é a sua pergunte-se: sou Ávido?
Colérico? Estúpido? Será um dos três?
Daishonin segue dizendo: "Você não pode atingir a
budicidade, ainda que pratique existência após existência por incontáveis
aeons. Atingir a budicidade
nesta existência é então impossível. Por exemplo, um homem pobre não
ganha um centavo só por contar a riqueza de seu vizinho, nem que o faça
noite e dia". Este
Gosho segue dizendo que se você não
compreende que isto está acontecendo dentro de você e não em outro
lugar, você não poderá mudar o seu carma. Sua prática se converterá
assim, em uma austeridade interminável e dolorosa.
Vejamos de outro modo. Observe sua vida. Existe uma área de sua vida na qual quando você faz
Daimoku parece uma austeridade dolorosa e
interminável? Pode ser o trabalho, suas relações, seus filhos ou
qualquer outra coisa. Pode ser que esteja muito bem nas demais áreas,
mas quando se trata das relações, por exemplo, pode
ser totalmente não budista e não obter benefícios. Isto pode continuar
por anos. Você pode dar-se por vencido de tanta dor. O problema não é o
Budismo, o problema é o seu carma que é muito pesado. O problema é que
você está buscando no lugar errado. Você é
o problema e não está buscando dentro de você mesmo. É mais fácil ver
fora.
Digamos que você tem um grande problema e quer resolver e começa um milhão de
Daimoku. Quando chega a 950.000
Daimoku, de repente você percebe que talvez o problema seja eu.
Sabendo disto, podemos encurtar um pouquinho este processo. Comece
sabendo que "o problema sou eu". Assim poderá progredir ao fazer só
50.000 de
Daimoku ao invés de um milhão. A qualidade de sua oração é tão importante quanto a quantidade. Porém
a qualidade da oração é extremamente
importante. Quando vemos nossa prática, a vemos em uma só direção, ou
seja, voltados sós para nós mesmos. A maioria das vezes pensamos que
estamos muito bem, mas alguém de fora pode ver claramente se a conduta
da nossa prática desviou-se. Isto é especialmente
válido quando se tem encarregado com maior experiência na prática.
(REVEJA ISTO).
É por isto recebemos orientações.
Quando você vai receber orientação, o que você imagina que te dirão? Faça
Daimoku! Não é assim? Aconteceu alguma vez que o orientação foi: "Penso que você está fazendo muito
Daimoku." Infelizmente não.
Você
já sabe a princípio quando vai receber uma orientação, qual será a
conclusão. A pessoa que dá orientação também sabe qual será a conclusão,
então, para que se recebe
orientação? A razão se deve ao fato de que seu Daimoku não está alcançando o
Gohonzon. Nada acontece e você se sente
frustrado. Precisa de alguém que lhe diga algo: "Ah! Sua concepção se
tornou uma concepção não budista, você perdeu o espírito correto e está
fazendo
Daimoku por uma motivação errada". O poder da orientação é redirecionar nossa oração ao
Gohonzon para obter o benefício de começar a fluir novamente.
Quando
perdemos a perspectiva budista e começamos a ver fora de nós, seja
culpando os outros ou pensando que o problema está fora de nós, não
existe uma voz que nos diga:
"Êpa, você está voltando a olhar fora de você". Você continua agindo como no passado e sem perceber que seu
Daimoku está perdendo a força. A felicidade já não está presente.
Pode
ser que você comece a pensar: Talvez eu nunca tenha alcançado
benefícios! Talvez esta prática nunca tenha funcionado para mim. Começam
a aparecer as dúvidas e é assim
que se enfraquece a fé, e é por isso que precisamos de orientações e
incentivos de como fortalecer nossas orações. Desfazermos de toda
concepção não budista e dirigir a oração para nossa Revolução Humana.
Após uma orientação a gente começa a perceber os benefícios,
porém não pela orientação em si, mas pela nossa oração. A orientação ajuda a pessoa a ver como orar corretamente.
Segundo o Budismo de
Nitiren Daishonin,
a forma como oramos faz toda a diferença no mundo. O que Significa orar
como Devoto do Sutra de Lótus? Um aspecto é que o devoto praticante do
Sutra de Lótus toma como base principal
três coisas: suas orações não podem ser respondidas se não está
praticando para a felicidade dos outros, se não está estudando e se não
está fazendo
Daimoku. Você
sabe se está ou não dando o máximo de si nessas áreas. Se sua prática
perdeu o poder de produzir benefícios, eu no seu lugar começava a
analisar estas três etapas da prática e perguntava: estou esforçando ao
máximo de minhas capacidades no estudo, na prática
para mim e para os outros, se você quer mudar sua vida com maior
rapidez, fortaleça estes três aspectos.
Algumas
pessoas pensarão ao que o presidente Ikeda disse-nos em fevereiro de
1996, que "demonstrar a prova real em sua vida quotidiana é o mesmo que
praticar para os outros".
Mas não é assim uma coisa é tão importante quanto a outra, isto é
certo. Devemos demonstrar a prova real na nossa vida quotidiana e
praticar para os outros, visto que são duas coisas diferentes.
Praticamos
em dois âmbitos diferentes, e o que o presidente Ikeda estava dizendo
era que não levaremos a sério a prática para os outros descuidando da
nossa vida quotidiana.
Também estava dizendo que não pratiquemos para obter benefícios as
custas dos demais. Lute para satisfazer ambas. O estudo é a coluna
vertebral para poder fazer isto.
A
oração do Devoto do Sutra de Lótus é respondida porque ele leva a sério
estas três práticas fortemente. O Devoto do Sutra de Lótus não está
buscando benefícios pessoais,
mas esclarecimento e sabedoria para converter-se em um Buda, você obtém
benefícios.
O presidente Ikeda deu a seguinte orientação: "Segundo o budismo as orações nunca terminam no próprio ato de orar, mas incluem
as ações que uma pessoa investe para realizar seus objetivos". É
assim como no caso da flecha que primeiro puxamos a corda do arco ao
máximo para trás, tencionando o arco para que a flecha seja disparada
carregada
de energia ao seu objetivo. A oração é fútil. Uma oração é resultado de um grande senso de responsabilidade.
Outro aspecto do carma que é mal interpretado com
freqüência é o seguinte: às vezes pensamos que nosso carma é algo que está fora de nós. No entanto a conduta de outra pessoa não é o seu carma. Seu carma é que você não sabe como responder
ao comportamento do outro. Você não pode manipular a conduta do outro e então responde de forma equivocada. Este é o seu problema. O seu comportamento é o seu carma. Às
vezes pensamos que somos uma pessoa terrível. Não é certo, pois ela é uma pessoa terrível por si mesmo.
A
pergunta é: Porque você está sofrendo? Você tem o carma de estar com
esta pessoa, porém de qualquer maneira essa pessoa ia ser assim. Você
não fez nada para que Lea fosse
assim. Pergunte a si mesmo. Porque você é incapaz de manejar esta
pessoa? Porque esta pessoa te faz enfurecer? Porque você permite que
essa pessoa te faça infeliz? Neste caso, você tem o carma de não ser
capaz de manipular estas coisas ao seu redor. Este é
o seu problema. Quando você faz Daimoku
para ser capaz de lidar com esta pessoa, de crescer mais e de ser mais
forte que ela para não continuar sendo afetado por ela, então, já daí,
ela não te afetará mais. Você transformou o seu
ambiente. O
presidente Ikeda continua dizendo nesta mesma orientação: "Nunca
surgirá uma verdadeira oração de uma
atitude irresponsável, superficial e se levamos as coisas levianamente
seja no trabalho, na vida quotidiana e com relação à própria existência.
Quem assume a responsabilidade de tudo está envolvido ou comprometido e
trabalha seriamente para melhorar, esta
pessoa desenvolve fortes orações. A
vida por si só é uma batalha. Você ganha ou perde. Nem sempre o
resultado é determinado pela experiência ou habilidade que possuímos. O
mais importante é a decisão de vencer.
Então ore sinceramente com todo o seu poder, fazendo surgir uma grande
sabedoria toda vez que fizer o esforço necessário, realizará o seu
objetivo".
Tenha uma determinação de: Ultrapassarei meu sofrimento, infalivelmente vencerei! Você pode não ter a menor
idéia de como fará, portanto, necessita sabedoria e força, e é nesse tipo de oração
autopotencializadora que produz resultados.
Na
Nova Revolução Humana consta o seguinte trecho: "O Budismo é um
ensinamento de razão sem comparação. Porém a força da nossa fé deve se
manifestar na forma de estudar,
de exercer nossa criatividade e de fazer o dobro de esforços do que
qualquer outra pessoa. O
Daimoku sincero faz nascer a energia para desafiar tudo isto. Seu
Daimoku também deve ser um compromisso. Por
isso existem várias formar de orar: Algumas pessoas poder orar para que
tudo lhes aconteça sem grandes esforços, porém a religião que estimula
esse tipo de oração conduz as pessoas a ruína.
Orar segundo o budismo de Nitiren
Daishonin, significa fazer Daimoku baseado em um compromisso ou promessa. Esta promessa na sua verdadeira essência, é de realizar o
Kossen-Rufu. Significa fazer Daimoku com determinação. Por exemplo: "Realizarei o
Kossen-Rufu do Brasil, portanto demonstrarei
uma magnífica prova real no meu trabalho. Por favor faça-me capaz de
manifestar de alguma maneira meu máximo potencial". É assim que devem
ser nossas orações.
É
importante também que estabeleçamos objetivos claros e concretos do que
desejamos realizar cada dia e então orar e desafiar para a
concretização de cada um deles. Essa
determinação sincera fará surgir sabedoria e abundância de recursos que
conduzem a realização. Em resumo, para vencer na vida precisamos de
determinação e de oração, de esforço e criatividade. É errado sonhar em
enriquecer rápido com a expectativa de ter sorte
de ganhar esse dinheiro de forma fácil ou desonesta. Isto não é fé,
isto é fantasia.
No Budismo a oração funciona absolutamente, porém tem de ser uma oração correta. A forma com que fazemos
Daimoku é o que faz toda a diferença do mundo. O que estamos fazendo ou pensando enquanto fazemos
Daimoku em frente ao Gohonzon é que faz a diferença entre a ganância ou um benefício absolutamente incrível.
Então,
vamos refletir sobre o fato de estarmos ou não tenho uma atitude
budista ou se o que estão procurando encontrar é que outra pessoa o
ajude. Qual é nossa atitude em
frente ao Gohonzon? Estamos nos fazendo de
vítima ou estamos cheios de determinação de que superaremos nossos
sofrimentos? "Preciso de sabedoria e força, porém infalivelmente
vencerei!" Com esse tipo de oração não existirá nada
que não possamos vencer ou atingir.
http://www.maisbelashistoriasbudistas.com.br. Abraço. Davi.
quarta-feira, 22 de julho de 2015
Um Sacrifício Sem Sangue.
1.
Kutadanta Sutta. Assim ouvi. Em certa ocasião, o Abençoado, Budha, estava
perambulando pela região de Magadha com uma grande Sangha de Bhikkhus,
com quinhentos Bhikkhus, até que por fim ele acabou chegando num
vilarejo Brâmane denominado Khanumata. Em Khanumata ele ficou no Parque
Ambalatthika.[1] Agora,
naquela ocasião, o Brâmane Kutadanta vivia em Khanumata, uma
propriedade real com muitos habitantes, rica em pastagens, árvores, rios
e grãos, uma concessão real, uma doação sagrada que lhe foi dada pelo
rei Seniya Bimbisara de Magadha.
Justamente
nessa ocasião Kutadanta planejava fazer um grande sacrifício:
setecentos touros, setecentos bois, setecentos novilhos, setecentos
bodes e setecentos carneiros estavam todos amarrados nos postes de
sacrifício.
2.
Os Brâmanes chefes de família de Khanumata ouviram: “Gautama Budha o
contemplativo, o filho dos Sakyas, que adotou a vida santa deixando o
clã dos Sakyas, estava perambulando pela região de Magadha
com uma grande Sangha de Bhikkhus, com quinhentos Bhikkhus, chegou em
Khanumata e está no Parque Ambalatthika. E acerca desse mestre Gautama
existe essa boa reputação: Esse Abençoado é um arahant, perfeitamente
iluminado, consumado no verdadeiro conhecimento e conduta,
bem-aventurado, conhecedor dos mundos, um líder insuperável de pessoas
preparadas para serem treinadas, mestre de devas e humanos, desperto,
sublime. Ele declara, tendo realizado por si próprio com o conhecimento
direto, este mundo com os seus Devas, Maras e Brahmas, esta população
com seus contemplativos e Brâmanes, seus príncipes e povo. Ele ensina o
Dhamma, com o significado e fraseado corretos, que é admirável no
início, admirável no meio, admirável no final; e ele revela uma vida
santa que é completamente perfeita e imaculada. É bom poder encontrar
alguém tão nobre. Assim, os Brâmanes chefes de família de Khanumata
saíram de Khanumata em grupos e bandos e se dirigiram para o Parque
Ambalatthika.
3.
Agora, naquela ocasião, o Brâmane Kutadanta havia se retirado para o
andar superior do seu palácio para a sesta (sono após uma refeição). Então ele viu os Brâmanes
chefes de família de Khanumata saindo de Khanumata em grupos e bandos e
se dirigindo para o Parque Ambalatthika. Ao vê-los perguntou ao seu
ministro: Estimado ministro,
porque os Brâmanes chefes de família de Khanumata estão saindo de
Khanumata em grupos e bandos e se dirigindo para o Parque Ambalatthika?
Senhor,
ali se encontra Gatama Budha o contemplativo, o filho dos Sakyas, que adotou a
vida santa deixando o clã dos Sakyas, que estava perambulando pela
região de Magadha (...). Igual ao verso 2. (...). Eles estão indo ver esse Mestre Gautama.
4.
Então, Kutadanta pensou: “Eu ouvi que o contemplativo Gautama sabe como
realizar da forma correta o sacrifício de três modos com os seus
dezesseis instrumentos. Agora, eu não sei isso, mas quero fazer um
grande sacrifício. E se eu fosse até o contemplativo Gatama Budha e
perguntasse sobre esse assunto. E assim ele mandou o seu ministro até
os Brâmanes e chefes de família de Khanumata para pedir-lhes que
esperassem por ele.[2]
5. E naquela ocasião muitas centenas de Brâmanes estavam em Khanumata com a intenção de tomar parte no sacrifício de Kutadanta.
Ouvindo que a intenção dele era de visitar o contemplativo Gautama, eles
foram até onde ele estava para perguntar se aquilo era verdade. Assim
é, senhores, eu irei visitar o contemplativo Gautama.
6. Senhor, não vá ver o contemplativo Gotama (...). Igual ao DN 4.5 (...). Sendo assim, Mestre Kutadanta, não é apropriado que você vá ver o
contemplativo Gautama; ao invés disso, é apropriado que o contemplativo
Gautama venha vê-lo.
7.
Quando isso foi dito, o Brâmane Kutadanta disse para aqueles Brâmanes: Agora, senhores, ouçam de mim porque é apropriado que eu vá ver o
contemplativo Gautama e porque não é apropriado que o Mestre Gautama venha
me ver. Igual ao DN 4.6, (...). Visto que o contemplativo Gautama chegou em Khanumata, ele é nosso
hóspede e como nosso hóspede ele deve ser honrado, respeitado,
reverenciado e venerado por nós. Sendo assim, senhores não é apropriado
que o Mestre Gautama venha me ver; ao invés disso, é apropriado que eu vá
ver o Mestre Gautama
8.
Ao ouvir isso, os Brâmanes disseram para Kutadanta: Senhor, visto que
você elogia tanto o contemplativo Gautama, então mesmo estando a uma
distância de cem yojanas daqui, seria apropriado que aqueles que têm fé
fossem visitá-lo. Portanto, senhor, iremos visitar o contemplativo
Gautama.
E
assim, Kutadanta foi com uma grande comitiva de Brâmanes para o Parque
Ambalatthika. Ele foi até o Abençoado Budha e ambos se cumprimentaram. Quando a
conversa cortês e amigável havia terminado ele sentou a um lado. Alguns Brâmanes e chefes de família homenagearam o Abençoado e sentaram a um
lado; alguns trocaram saudações corteses com ele e após a troca de
saudações sentaram a um lado; alguns juntaram as mãos em respeitosa
saudação e sentaram a um lado.
9.
Kutadanta disse para o Abençoado: Venerável Gautama, eu ouvi que você
sabe como realizar da forma correta o sacrifício de três modos com os
seus dezesseis instrumentos. Agora, eu não sei isso, mas quero fazer um
grande sacrifício. Seria bom se o contemplativo Gautama pudesse me
explicar isso. Então, Brâmane, ouça e preste muita atenção àquilo
que eu vou dizer. Sim senhor, Kutadanta respondeu. O Abençoado
disse o seguinte:
10. Brâmane, certa vez houve um rei chamado Mahavijita. Ele possuía grande
riqueza e posses, uma grande quantidade de barras de ouro, uma grande
quantidade de celeiros, uma grande quantidade de campos, uma grande
extensão de terras, inúmeras esposas e uma grande quantidade de escravos
e escravas. Certa ocasião, quando o Rei Mahavijita refletia em
particular, o seguinte pensamento lhe ocorreu: Eu adquiri grande
riqueza em termos humanos, eu ocupo uma ampla extensão de terra que
conquistei. E se agora eu fizesse um grande sacrifício que trouxesse
proveito e felicidade por muito tempo? E chamando o seu sacerdote, ele
disse a ele o que havia pensado. Eu quero fazer um grande sacrifício.
Instrua-me, venerável senhor, como devo fazer um grande sacrifício que
traga proveito e felicidade por muito tempo.
11. O sacerdote respondeu: O reino de vossa Majestade está assediado por
ladrões, vilarejos e cidades são pilhados, o campo está infestado por
bandidos. Se vossa Majestade impusesse um novo imposto nessa região,
essa seria uma atitude incorreta. Suponha que vossa Majestade pensasse: Eu irei me livrar dessa praga de ladrões através de aprisionamentos e
execuções, ou através de multas, intimidação e banimento, assim não
seria dado um fim apropriado a essa praga. Aqueles que sobrevivessem,
mais tarde causariam dano ao reino de vossa Majestade. No entanto, com
este outro plano vossa Majestade poderá eliminar por completo essa
praga. Para aqueles que no reino se dedicam ao cultivo e ao pastoreio,
que vossa Majestade lhes distribua grãos e ração; para aqueles que se
dedicam ao comércio, conceda capital; para aqueles no serviço público,
pague salários adequados. Então, essas pessoas, estando concentradas nas
suas ocupações, não irão causar dano ao reino. As receitas de vossa
Majestade irão se incrementar, o reino estará tranqüilo e não assediado
por ladrões, e as pessoas, com alegria nos seus corações, irão se
entreter com os seus filhos e manter as suas casas com as portas
abertas.
Dizendo: Assim seja!, o rei aceitou o conselho do sacerdote: ele deu grãos e
ração, (...) capital para o comércio, (...) salários adequados (...) e as
pessoas com alegria nos seus corações (...) mantinham as suas casas com as
portas abertas.
12. Então, o Rei Mahavijita mandou buscar o sacerdote e disse: Eu me
livrei da praga dos ladrões; seguindo o seu plano a minha renda cresceu,
o reino está tranqüilo e não assediado por
ladrões, e as pessoas, com alegria nos seus corações, se entretêm com
os seus filhos e mantêm as suas casas com as portas abertas. Agora eu
gostaria de fazer um grande sacrifício. Instrua-me como isso deve ser
feito para que traga proveito e felicidade por muito tempo.
Quanto
a isso, Senhor, vossa Majestade deveria chamar os Khattiyas das cidades
e do campo, os conselheiros e ministros, os Brâmanes mais influentes e
os ricos chefes de família do reino, e dizer: Eu gostaria de fazer um grande sacrifício. Ajudem-me nisso, senhores, para que traga proveito e felicidade por muito tempo.
O Rei concordou e assim fez. Senhor, que o sacrifício tenha início, agora é o momento, Majestade. Esses quatro grupos [3] que ofereceram aprovação serão os instrumentos para o sacrifício.
13. O Rei Mahavijita estava dotado com oito qualidades. Ele era bem nascido pelos dois lados igual ao DN 4.5 (...) impecável
com respeito ao nascimento. Ele era belo (...) digno de ser contemplado.
Ele era rico, com grande riqueza e posses. Ele era poderoso, possuindo
um exército com quatro divisões, [4] que
era leal, confiável, fazendo luzir a sua reputação entre os seus
inimigos. Ele era um doador fiel e um anfitrião, que não fechava a porta
para os contemplativos, Brâmanes e errantes, pedintes e necessitados, uma fonte de bondade. Ele era bem estudado naquilo que deve ser
estudado. Ele sabia o significado daquilo que tinha sido dito,
explicando: Esse é o significado disso que foi dito. Ele era
inteligente, erudito, sábio, capaz de perceber a vantagem no passado, no
futuro ou no presente. [5] O Rei Mahavijita estava dotado com essas oito qualidades. Elas constituíam os instrumentos para o sacrifício.
14. O sacerdote estava dotado com quatro qualidades. Ele era bem nascido (...). Ele era sábio, versado nos mantras (...). Ele era virtuoso, com a
virtude madura, possuindo virtude amadurecida. Ele era inteligente,
erudito, sábio, o primeiro ou segundo a segurar a concha do sacrifício.
Ele estava dotado com essas quatro qualidades. Elas constituíam os
instrumentos para o sacrifício.
15. Então, antes do sacrifício começar, o sacerdote orientou o Rei quanto
aos três modos: Pode ser que vossa Majestade sinta algum arrependimento
com relação ao sacrifício planejado: Eu irei perder muita riqueza, ou
durante o sacrifício: Eu estou perdendo muita riqueza, ou depois do
sacrifício: Eu perdi muita riqueza. Nesses casos, vossa Majestade não
deve dar atenção a esse tipo de pensamento.
16. Então, antes do sacrifício começar, o sacerdote dissipou os dez tipos
de receio do Rei com relação aos participantes: Majestade, ao
sacrifício virão aqueles que matam seres vivos e aqueles que se abstêm
de matar seres vivos. Aqueles que matam seres vivos, que assim
permaneçam; mas aqueles que se abstêm de matar seres vivos terão um
sacrifício bem sucedido e se regozijarão com isso, e os seus corações
estarão em paz. Virão aqueles que tomam o que não lhes é dado e aqueles
que se abstêm (...) aqueles que praticam o comportamento sexual impróprio e
aqueles que se abstêm (...) aqueles que mentem (...) aqueles que empregam a
linguagem maliciosa, grosseira e frívola (...) aqueles que são cobiçosos e
aqueles que não são, aqueles que têm má vontade e aqueles que não têm,
aqueles que têm o entendimento incorreto e aqueles que têm o
entendimento correto. Aqueles que têm o entendimento incorreto, que
assim permaneçam; mas aqueles que têm o entendimento correto terão um
sacrifício bem sucedido e se regozijarão com isso, e os seus corações
estarão em paz. Assim o sacerdote dissipou os dez tipos de receio do
Rei com relação aos participantes.
17. Então, enquanto o Rei realizava o sacrifício, o sacerdote instruiu,
estimulou, motivou e alegrou o coração do Rei com relação aos dezesseis
instrumentos. Alguém poderia dizer: O Rei Mahavijita está fazendo um
grande sacrifício, mas ele não convidou os Khattiyas (...) os seus
conselheiros e ministros (...) os Brâmanes mais influentes (...) os ricos
chefes de família (...). Mas essas
palavras não estariam de acordo com a verdade visto que o Rei convidou a
todos como assistentes. Assim o Rei deve saber que terá um sacrifício
bem sucedido e regozijar-se com isso, e o seu coração estará em paz. Ou
alguém poderia dizer: O Rei Mahavijita está fazendo um grande
sacrifício, mas ele não é bem nascido pelos dois lados (...). Mas essas
palavras não estariam de acordo com a verdade (...). Ou alguém poderia
dizer: O sacerdote não é bem nascido. Mas essas palavras não
estariam de acordo com a verdade. Assim o sacerdote instruiu,
estimulou, motivou e alegrou o coração do Rei com relação aos dezesseis
instrumentos.
18. Nesse sacrifício, Brâmane, não foram mortos touros, nem bois ou
novilhos, nem bodes ou carneiros, nem vários outros tipos de seres
vivos, tampouco árvores foram cortadas para os postes de sacrifício, nem
o capim foi cortado para o capim de sacrifício, e os escravos,
mensageiros e serviçais não realizaram as suas tarefas com os rostos
cobertos de lágrimas, incitados pelas ameaças de punição e pelo medo.
Mas aqueles que queriam fazer algo, assim fizeram; aqueles que nada
queriam fazer, assim fizeram: eles fizeram aquilo que queriam e não
aquilo que não queriam. O sacrifício foi feito com manteiga líquida,
azeite, manteiga, coalhada, mel e melaço.
19. Então, Brâmane, os Khattiyas das cidades e do campo, os conselheiros e
ministros, os Brâmanes mais influentes e os ricos chefes de família do
reino, tendo ganho muita riqueza foram até o Rei Mahavijita e disseram: Nós trouxemos muita riqueza, Majestade, por favor aceite. Mas
senhores, eu já acumulei riqueza suficiente, produto de impostos
equitativos. Mantenham aquilo que é de vocês e levem algo mais.
Dada
a recusa do Rei, eles se afastaram para conversar: Não é correto que
levemos esta riqueza de volta para as nossas casas. O Rei está fazendo
um grande sacrifício. Sigamos o seu exemplo.
20. Então os Khattiyas colocaram as suas oferendas do lado leste da cova
de sacrifício, os conselheiros e ministros colocaram as suas do lado
sul, os Brâmanes do lado oeste e os ricos chefes de família do lado
norte. E nesse sacrifício não foram mortos touros, (...) nem vários outros
tipos de seres vivos (...) aqueles que queriam fazer algo, assim fizeram;
aqueles que nada queriam fazer, assim fizeram (...) O sacrifício foi
feito com manteiga líquida, azeite, manteiga, coalhada, mel e melaço.
Desse modo houve a cooperação quádrupla com o Rei Mahavijita dotado com
oito qualidades pessoais e o sacerdote com quatro. O sacrifício foi
realizado de três modos. Isto, Brâmane, é chamado a celebração de um
sacrifício de três modos com os seus dezesseis instrumentos.
21. Quando isso foi dito os Brâmanes ergueram as vozes em tumulto e
disseram: Que sacrifício esplêndido! Que modo magnífico de realizar um
sacrifício! Mas Kutadanta ficou sentado em silêncio. E os Brâmanes
perguntaram porque ele não aprovava as boas palavras do contemplativo
Gotama. Ele respondeu: Não é que eu não as aprove. Minha cabeça
partiria se eu assim não o fizesse. [6] Mas
me ocorreu que o contemplativo Gatama Budha não disse: Eu ouvi isso, ou deve ter sido assim, mas ele diz: Naquela época foi assim ou assado.
E portanto, senhores, parece-me que naquela época o contemplativo
Gautama devia ser o Rei Mahavijita, o senhor do sacrifício, ou então o
sacerdote que celebrou a cerimônia de sacrifício. O Venerável Gautama
confirma que ele realizou ou fez com que se realizasse esse sacrifício e
como conseqüência disso, com a dissolução do corpo, após a morte, ele
renasceu em uma boa destinação, nos planos celestiais? Eu confirmo,
Brâmane. Eu era o sacerdote que celebrou a cerimônia de sacrifício.
22. Venerável Gautama, há algum outro sacrifício que seja mais simples,
menos complicado, mais frutífero e benéfico que esse sacrifício de três
modos com os seus dezesseis instrumentos? Há, Brâmane.
Que
sacrifício é esse, Venerável Gautama? Brâmane, sempre que as
oferendas usuais das famílias são dadas para contemplativos virtuosos,
estas se constituem num sacrifício mais frutífero e benéfico que
aquele.
23. Qual a razão, Venerável Gotama, porque este sacrifício é melhor?
Brâmane,
nenhum Arahant ou aqueles que realizaram o caminho do Arahant, irão
participar daquele primeiro sacrifício. Porque? Porque nesses
sacrifícios eles testemunham surras e violência e por isso eles não
participam. [7] Mas
eles irão participar dos sacrifícios nos quais as oferendas usuais das
famílias são dadas para contemplativos virtuosos, porque nesse caso não
há surras ou violência. Essa é a razão porque esse sacrifício é mais
frutífero e benéfico.
24. Mas Venerável Gautama, há algum outro sacrifício que seja mais frutífero e benéfico que esses dois? Há, Brâmane.
Que
sacrifício é esse, Venerável Gautama? Brâmane, qualquer um que
proporcione abrigo para a Sangha vinda dos quatro quadrantes, isso se
constitui num sacrifício mais frutífero e benéfico.
25. Mas Venerável Gautama, há algum outro sacrifício que seja mais frutífero e benéfico que esses três? Há, Brâmane.
Que
sacrifício é esse, Venerável Gautama? Brâmane, qualquer um que com o
coração puro busque refúgio no Budha, no Dhamma e na Sangha, isso se
constitui num sacrifício mais frutífero e benéfico do que qualquer um
dos outros três.
26. Mas Venerável Gautama, há algum outro sacrifício que seja mais frutífero e benéfico que esses quatro? Há, Brâmane.
Que
sacrifício é esse, Venerável Gotama? Brâmane, qualquer um que com o
coração puro adote os preceitos de virtude, abster-se de matar seres
vivos, de tomar aquilo que não é dado, da conduta sexual imprópria, da
mentira e do vinho, álcool e outros embriagantes, isso se constitui num
sacrifício mais frutífero e benéfico do que qualquer um dos outros
quatro.
27. Mas, Venerável Gautama, há algum outro sacrifício que seja mais frutífero e benéfico que esses quatro? Há, Brâmane.
Que
sacrifício é esse, Venerável Gautama? Brâmane, um Tathagata surge no
mundo, um arahant, perfeitamente iluminado, consumado no verdadeiro
conhecimento e conduta, bem-aventurado, conhecedor dos mundos, um líder
insuperável de pessoas preparadas para serem treinadas, mestre de devas e
humanos, desperto, sublime. Ele declara, tendo realizado por si
próprio com o conhecimento direto, este mundo com os seus Devas, Maras e Brahmas, esta população com seus contemplativos e Brâmanes, seus
príncipes e povo. Ele ensina o Dhamma, com o significado e fraseado
corretos, que é admirável no início, admirável no meio, admirável no
final; e ele revela uma vida santa que é completamente perfeita e
imaculada. Um discípulo segue a vida santa e pratica a virtude, (DN 2.41- 74). Assim um Bhikkhu tem a virtude perfeita. Ele alcança os quatro jhanas, (DN 2.75-82). Isso, Brâmane, se constitui num sacrifício mais frutífero e benéfico. Ele realiza vários insights, (DN 2.83-95), e a destruição das impurezas, (DN 2.97).
Ele sabe: ‘Não há mais nada neste mundo. Isso, Brâmane, se constitui
num sacrifício mais simples, menos complicado, mais frutífero e benéfico
que todos os outros. E além disso não há nenhum outro sacrifício que
seja superior ou mais perfeito.”
28. Magnífico, Mestre Gotama! Magnífico, Mestre Gotama! Mestre Gotama
esclareceu o Dhamma de várias formas, como se tivesse colocado em pé o
que estava de cabeça para baixo, revelasse o que estava escondido,
mostrasse o caminho para alguém que estivesse perdido ou segurasse uma
lâmpada no escuro para aqueles que possuem visão pudessem ver as formas.
Eu busco refúgio no Mestre Gotama, no Dhamma e na Sangha dos bhikkhus.
Que o Mestre Gotama me aceite como discípulo leigo que buscou refúgio
para o resto da vida! E, Venerável Gotama, eu libertarei os setecentos
touros, setecentos bois, setecentos novilhos, setecentos bodes e
setecentos carneiros. Eu lhes concedo a vida, que eles sejam alimentados
com capim fresco, com água fresca para beber e que a brisa fresca os
enleve.
29.
Então, o Abençoado transmitiu o ensino gradual ao Brâmane Kutadanta,
isto é, ele falou sobre a generosidade, sobre a virtude, sobre o
paraíso; ele explicou o perigo, a degradação e as contaminações dos
prazeres sensuais e as vantagens da renúncia. Quando ele percebeu que a
mente do Brâmane Kutadanta estava pronta, receptiva, livre de
obstáculos, satisfeita, clara, com serena confiança, ele explicou o
ensinamento particular dos Budas: o sofrimento, a sua origem, a sua
cessação e o caminho. Tal qual um pano limpo, com todas as manchas
removidas, irá absorver um corante de modo adequado, assim também,
enquanto o Brâmane Kutadanta estava ali sentado, a visão imaculada do
Dhamma surgiu nele: Tudo que está sujeito ao surgimento está sujeito à
cessação.
30.
Kutadanta, tendo visto o Dhamma, realizado o Dhamma, compreendido o
Dhamma, examinado a fundo o Dhamma, superado a dúvida, eliminado a
perplexidade, obtido a intrepidez e se tornado independente dos outros
na Revelação do Mestre, disse: Que o Venerável Gotama concorde em
aceitar a refeição de amanhã junto com a Sangha dos bhikkhus! E o
Abençoado concordou em silêncio. Então, sabendo que o Abençoado havia
concordado, Kutadanta levantou do seu assento, e depois de homenagear o
Abençoado, mantendo-o à sua direita, partiu. Então, quando havia
terminado a noite, ele fez com que se preparasse vários tipos de boa
comida no seu lugar de sacrifício e depois fez com que se anunciasse a
hora para o Abençoado: É hora, Mestre Gautama Budha, a refeição está pronta.
Então,
ao amanhecer, o Abençoado carregando a sua tigela e o manto externo,
foi com a Sangha dos bhikkhus até o lugar de sacrifício de Kutadanta e
sentou num assento que havia sido preparado. Então, com as próprias
mãos, Kutadanta serviu e satisfez o Abençoado e os Bhikkhus com os
vários tipos de boa comida. Em seguida, quando o Abençoado havia
terminado de comer e retirado a mão da sua tigela, Kutadanta sentou a um
lado, num assento mais baixo.
Então,
o Abençoado tendo instruído, estimulado, motivado e encorajado
Kutadanta com um discurso do Dhamma, levantou do seu assento e partiu. http://www.acessoaoinsight.net/. Abraço. Davi.
Notas:
[1] De acordo com DA este não é o mesmo local mencionado no DN 1.1.2 que ficava a meio caminho entre Rajagaha e Nalanda. [Retorna]
[2]
Kutadanta significa ‘dentes afiados.’ Há razões para desconfiar desta
história pois não é concebível que um Brâmane fosse consultar o Buda
sobre como realizar um sacrifício, que supostamente era a especialidade
dos Brâmanes. [Retorna]
[3] Os Khattiyas (nobres), conselheiros e ministros, Brâmanes e chefes de família. [Retorna]
[4] Elefantes, cavalaria, carruagens e infantaria. [Retorna]
[5]
DA: Por compreender o funcionamento de kamma: a boa fortuna agora é
devida ao kamma passado, e as boas ações realizadas agora trarão
resultados semelhantes no futuro. [Retorna]
[7] DA: os seguranças nesse tipo de sacrifício empurram os participantes e empregam a violência para manter a ordem. [Retorna]. Comentário da editor do Mosaico. Infelizmente pra nossa tristeza, nas páginas da Bíblia Sagrada não encontramos nenhum texto comparativo a esta misericórdia e condescendência aos animais e seres não humanos. Pelo contrários os animais (ovelhas, bois, aves dentre outros) eram mortos aos milhares pra satisfazer a vontade de HWYH. Um versículo fundamenta esta prática de mortandade, está em Hebreus 9:22 "E quase todas as coisas, segundo a lei, se purificam com sangue; e sem derramamento de sangue não há remissão". A ideia da salvação advinda de um só homem, Christo, que se ofereceu como sacrifício pelo pecado da humanidade, pagando o preço de sangue para redimir os nossos pecados, nos reconciliando com YHWH, tenta justificar esse obituário de animais. É trágico pensar que os judeus ortodoxos, ainda hoje, ao aspirarem a reconstrução do Novo Templo pra adoração a YHWH, em Jerusalém. Diga-se de passagem, segundo estudiosos do assunto, ele já está sendo preparado, e confeccionado de modo a ter uma rápida montagem. Traz o inusitado projeto teológico, de reviver entre os judeus ortodoxos, sendo que segundo recentes pesquisas, já cultivam em áreas previamente preparadas as chamadas vacas vermelhas pra servirem de sacrifício continuo à YHWH além de outros animais. Como entender razoavelmente essa situação? Por que o D us por judeus necessita ser agradado, satisfeito, com tanta morte e derramamento de sangue? Sou propenso a imaginar, que essa loucura por realização de holocaustos vêm da natureza demoníaca do homem, não tendo nada haver com sua divindade suprema. Parece que seu desejo egoísta de contemplar o sofrimento e agonia dos seres senscientes, satisfaz seu narcisismo e masoquismo. Tudo criado pela tradição e cultura espiritual do judeu cristianismo, que desde os primórdios das Sagradas Escrituras em Gênesis é dito 1:26 " E disse Deus: Façamos o homem a nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e dominai sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra". Assim o judeu cristão têm dificuldade de enxergar que a criação humana, fauna, flora. minerais; mundos visíveis e invisíveis estão conectados e interligados. Somos uma partícula substancial de cada ser existente em nosso planeta, mundo. Quando ofendemos ou maltratamos alguns dos seres existentes (humanos ou não humanos) fazemos isso a nós mesmos. Na verdade uma parte de nós morre com eles, sendo que a natureza geme e sofre "dores de parto" ao ser praticado tal ato de atrocidade. Desse modo, seres que evoluiriam em suas encarnações e que renasceram pra reparar ou retificar carmas de vidas passadas, inclusive de humanos, são "abortados" bruscamente sem cumprirem seu Dharma, por irresponsabilidade e crueldade de alguns, que por ignorância ou excesso de crendice ou dogmatismo, cegamente têm tal atitude. Fatalmente tudo o que plantamos colhemos, como é dito em Mateus 5:26 "Em verdade te digo que de maneira nenhuma sairá dali, enquanto não pagar o último centavo". Assim nossas atitudes de maldade pra com os seres existente, serão cobradas com rigor pela lei da causa e efeito. Aquilo que não pagarmos nessa vidas, com certeza em nossos futuros renascimentos quitaremos o débito, e isso em muitos casos produzirá em nossa existência "choro e ranger de dentes". Desse modo amemos a todos os seres em todos os mundos e em todos os universos. Dispensemos a eles nossa gratidão, compaixão e beatitude, tendo em mente que um dia fomos, talvez, uma vaca, um cordeiro, um pombinho, ou quem sabe um réptil que rasteja pelas matas. Abraço. Davi.
terça-feira, 21 de julho de 2015
Minha Vida Querida.
Na
última curva da estrada Te-ha-tá parou e olhou para o céu. As
montanhas sombrias, cobertas de neve, pareciam gigantes encanecidos que
vigiavam silenciosos as fronteiras do Tibet. O sol, já perto do
horizonte, retardava a sua marcha como se quisesse receber as últimas
preces com que os lamas1 imploravam a misericórdia do Senhor da Compaixão2.
A sombra de um vulto surgiu, sobre uma pedra, na margem da estrada. Te-ha-tá tremeu de pavor.
Em seu caminho achava-se o impiedoso Han-Ru, o Anjo da Morte, o mensageiro da dor e da desolação3.
O
coração tem, por vezes, o dom de pressentir a desgraça. Te-ha-tá, ao
avistar o Anjo da Morte, lembrou-se de sua noiva, a formosa Li-Tsen-li.
Te-ha-tá dirigiu-se, pois, sem hesitar, ao mensageiro cruel do Destino.
—
Han-Ru, ó gênio desapiedado! — exclamou. — Que procuras aqui, quase à
sombra da casa da encantadora Li-Tsen-li? Bem sei que a tua presença
vale por uma sentença de morte.
Respondeu Han-Ru, com a paciência de um enviado do Eterno:
—
A tua inquietação é legitima, meu amigo. Vim a este recanto buscar a
tua noiva Li-Tsen-li. Chegou, pela determinação do Destino, o termo de
sua existência neste mundo. Li-Tsen-li vai morrer!
— Piedade, Han-Ru! Piedade! — implorou Te-ha-tá. — Ela é tão jovem, e tão prendada! Pelo amor de Maia Devi4 deixa viver Li-Tsen-li!
O Anjo da Morte meditou em silêncio durante alguns instantes e depois, sem erguer o rosto, disse:
—
Muito fácil será, para aquele (e é esse o teu caso!) que tem o amparo
de Maia Devi, prolongar a vida de Li-Tsen-li. Sei que tens direito a
uma vida longa e tranqüila; restam-te, ainda, quarenta e seis anos de
vida. Poderás ceder à tua noiva a metade do tempo que te cabe, no
futuro, para viver. Li-Tsen-li ficará, portanto, com direito à metade
de tua vida e viverá em tua companhia, vinte e três anos. Findo esse
prazo, morrerão ambos no mesmo instante! Aceitas essa proposta?
As palavras de Han-Ru fizeram hesitar o jovem Te-ha-tá. Quem, decerto,
não ficaria indeciso antes de sacrificar, cedendo a outrem, a metade da
própria vida?
—
A tua sugestão, Han-Ru, implica uma decisão de infinita gravidade
para a minha vida. Não poderei tomar uma decisão nesse sentido, sem,
previamente, consultar os meus três grandes amigos. Poderás esperar que
eu ouça a opinião daqueles que sempre me auxiliaram e orientaram na
vida?
—
Farei como pedes, meu amigo — respondeu o Anjo da Morte. — Até o
findar da noite que vai começar, aguardarei a tua palavra final.
Deveras voltar, com a tua decisão, à minha presença, antes do
amanhecer.
Partiu Te-ha-tá em busca dos amigos, cujos sábios conselhos pretendia
ouvir. Deveria ele como noivo sacrificar a metade da sua vida para
salvar das garras da Morte a criatura amada?
O
primeiro amigo de Te-ha-tá era um artista tibetano de assinalados
méritos. Su-Liang sabia esculpir com admirável perfeição, na pedra ou
na madeira, e os seus trabalhos eram mais apreciados do que os olhos
negros das Apsaras que enchem de encanto o céu de Indra5.
Eis como Su-Liang, o escultor, falou a Te-ha-tá:
—
A vida, meu amigo, só tem sentido quando a sua finalidade é traduzida
por um grande e incomparável amor. E o amor que dispensa sacrifícios e
renúncias não é amor; é a expressão grotesca de um capricho vulgar.
Feliz aquele que pode demonstrar a grandeza de seu coração medindo-a
pela extensão de um ingente sacrifício. Pela mulher amada deve o homem
sacrificar, não apenas a metade de sua vida, mas a vida inteira! Que
importa, Te-ha-tá, uma existência longa, torturada pela dor de uma
incurável saudade? Preferível, mil vezes, que vivas a metade de tua
vida à sombra feliz do amor delicioso de tua eleita. No teu caso eu não
teria hesitado, um só instante, em aceitar a proposta do terrível
Han-Ru.
O segundo amigo de Te-ha-tá chamava-se Niansi. Era hábil caçador e auferia consideráveis lucros mercadejando peles.
Ao ouvir a consulta do jovem, Niansi não se conteve:
—
É uma loucura, Te-ha-tá! Onde se viu um moço, rico e cheio de saúde,
sacrificar a metade da vida por causa de uma mulher? Encontrarás, pelo
mundo, milhões e milhões de mulheres lindas, muitas com as sete ou
talvez, com as oito perfeições indicadas no Livro Sagrado6.
Aqui mesmo (no Tibet) poderás topar, em qualquer aldeia, com centenas
de meninas, algumas das quais nada ficariam a dever, julgadas pelos
seus predicados de graça e beleza, à tua noiva Li-Tsen-li! Desgraçada a
idéia de quereres adiar o termo da existência de uma mulher com o
sacrifício de vinte e tantos anos de.tua vida! E quem poderá prever o
futuro? Amanhã, essa mulher, arrebatada por uma nova paixão e
deslembrada do sacrifício que por ela fizeste, abandonar-te-á e irá
viver, nos braços de outro, a vida que é a tua própria vida! Que farás,
então, vendo-a ceder a um odiento rival os dias roubados ao rosário de
tua existência? Penso que não deverias ter hesitado ante a proposta
descabida de Han-Ru, repelindo-a no mesmo instante.
A divergência entre os dois amigos mais fez crescer a indecisão e a incerteza no coração de Te-ha-tá.
— Vou ouvir — pensou o jovem — a opinião do prudente Kin-Sã. Só ele poderá indicar-me o caminho a seguir.
Kin-Sã, citado no Tibet como um estudioso das leis e dos ritos, assim falou ao apaixonado noivo:
—
Se amas realmente Li-Tsen-li, acho que deves ceder, a essa jovem, a
metade do tempo que te resta para viver. Convém, entretanto, impor uma
condição. A parcela de vida, depois de cedida a Li-Tsen-li, poderá ser
retomada por ti, em qualquer momento. Terás, assim, a tua tranqüilidade
garantida no caso de uma infidelidade de tua futura esposa. Se ela,
por qualquer motivo, não se mostrar digna de teu sacrifício, perderá
o direito ao resto da vida que lhe cabia viver! Fora dessa
condicional, qualquer outra solução para o caso não passaria de
irremediável loucura!
E concluiu o seu conselho com estas palavras:
— Fizeste bem em hesitar. A Hesitação é irmã da Prudência. Só os loucos e temerários é que nunca hesitam.
Achou Te-ha-tá bastante prudente e razoável a proposta sugerida pelo
douto Kin-Sã, e levou-a sem perda de tempo, ao conhecimento de Han-Ru, o
Enviado da Morte.
Han-Ru aceitou a condição imposta pelo noivo:
—
Está bem, Te-ha-tá. Aceito a tua proposta. A bondosa Li-Tsen-li vai
viver os vinte e três anos. Esta parcela de vida não foi, porém, dada,
mas sim “emprestada”.
Passaram-se
muitos meses. Li-Tsen-li casou-se com o jovem Te-ha-tá, e os dois eram
citados como os esposos mais felizes do Tibet. Li-Tsen-li, depois do
casamento, passou a chamar-se Ti-long-li, vocábulo que significa “minha vida querida”.
Um dia, afinal, Te-ha-tá foi obrigado a fazer uma longa viagem para além das fronteiras de sua terra. Deixou “Minha vida querida” e seu filhinho, que já contava algumas semanas, em companhia de seus pais.
Quando regressou, tempos depois, teve a surpresa de encontrar os seus
três amigos que o aguardavam na entrada da pequena povoação.
—
Onde está “Minha vida querida”? — perguntou, ansioso, aos amigos. —
Por que não veio? Estará doente? Que aconteceu à “Minha vida querida”?
Disse um dos amigos:
— Enche de ânimo e de coragem o teu coração, ó Te-ha-tá! Uma grande desgraça, há três dias, caiu sobre a tua vida!
—
Desgraça? — repetiu, aflito, Te-ha-tá. — É horrível esta angústia!
Vamos! Quero saber a verdade! Onde está “Minha vida querida”?
— Morreu!
— Morreu! — gritou Te-ha-tá, desesperado. — Não é possível! Não podia morrer! Eu sacrifiquei por ela, metade de minha vida!
E
Te-ha-tá, dominado pela dor e revoltado pelo infortúnio de haver
perdido a sua esposa querida, entrou a blasfemar como um possesso,
contra o Senhor da Compaixão. Erguia os braços para o céu; rolava, por
vezes, sobre a terra. Insultava o nome do Criador.
Os amigos afastaram-se, cautelosos. Era preciso deixar o infeliz
Te-ha-tá dar plena expansão à indizível angústia que lhe esmagava o
coração.
Em dado momento Te-ha-tá viu surgir diante de si a figura de Han-Ru, o Anjo da Morte.
— Han-Ru! — bradou, num tom de incontido rancor. — Faltaste com a tua palavra. Que fizeste de “Minha vida querida”?
—
Escuta, Te-ha-tá — respondeu Han-Ru. — Preciso dizer-te a verdade,
para que não continues a blasfemar desse modo. A tua esposa deveria
viver vinte e três anos. Um dia, porém, o seu filhinho adoeceu
gravemente. O pequenino ia morrer. Que fez a tua esposa? Pediu, em
preces, que a sua vida fosse dada ao filhinho enfermo para que ele
pudesse viver! Salvou-se o teu filho, mas tua esposa morreu!
E, ante a estupefação de Te-ha-tá, o Anjo da Morte concluiu:
—
E enquanto tu, como noivo, hesitaste em ceder a metade de tua vida,
ela mãe extremosa, não hesitou um segundo em dar, pelo filhinho, a vida
inteira!
1- Lamas — Sacerdotes budistas entre Mongóis, Nepaleses, Hindus, Butaneses e Tibetanos. O chefe supremo é Sua Santidade o Dalai Lama, Tenzin Gyatso (1935- ). No budismo é considerado um Bodhissatva, a encarnação do Sakyamuni Budha (563 AC 483).
2- Deus.
3- Han-Ru
— Na extraordinária mitologia hindu figuram nada menos de 17 deuses. Os
três primeiros, Brahma (o principio criador), Vishnu (o principio
conservador) e Shiva o principio destruidor), formam a celebre trindade
hindu. Além dos 17 deuses, os hindus incluíram entre as divindades os
planetas, alguns rios (o Ganges, por exemplo, é adorado sob a forma de
uma deusa) e certos animais. Shiva, cuja esposa é Maia Devi ou Bhavâni,
tem vários auxiliares. Han-Ru é um dos gênios que se encarregam de
cumprir as determinações do Deus da Destruição.
4- Maia Devi
— também denominada Bhavâni. É a esposa de Shiva, terceiro deus da
trindade hindu. Essa deusa é, em geral, representada sob a forma de uma
linda mulher, em atitude ameaçadora, montada num tigre.
5- Céu de Indra
— Da multiplicidade de deuses que são apontados na Mitologia Hindu
decorre a crença, geralmente aceita, de que existem vários céus. O céu
de Indra parece ser o mais notável. Erguem-se, nessa região divina,
palácios de ouro ornados de pedras preciosas, grutas, jardins
prodigiosos cujas flores exalam cem mil perfumes diferentes. Um foco
luminoso — mais intenso do que o sol — derrama uma claridade sobre
todos os recantos do paraíso hindu. O céu de Indra é povoado por uma
infinidade de ninfas encantadoras denominadas Apsaras.
6- Livro Sagrado
— A religião dos hindus é, em parte, explicada nos Vedas, que não
passam, afinal, de uma coleção de hinos, preces e conceitos morais. O
Livro Sagrado a que se refere o herói do conto deve ser, naturalmente, o
Código de Manu, cuja origem é anterior ao século IX AC. Outros livros sagrados hindus: Upanishad, Vedanta, Agama, Purunas e Bhagavad Gita. Todos os conceitos e princípios religiosos no livro de Manu aparecem, aliás, citados nos Vedas. Há
quatro Vedas, sendo cada um deles dividido em duas ou três partes. O
primeiro, Samhita, é constituído exclusivamente por vários hinos religiosos e
preces; o segundo, Brahmana, estuda os princípios religiosos e analisa as
controvérsias teológicas; o terceiro, Aranyaka, discute certos pontos obscuros de
Teologia. O quarto Veda, Itihasas, é um complemento dos Upanishad. Os
Vedas não podem ser atribuídos a um único autor; em cada um deles
colaboram vários personagens de épocas diversas. Essas Escrituras Sagradas
foram reunidas sob a forma atual no século XVI.
Autor: Malba Tahan (1895-1974) - livro - Minha vida querida.
http://www.maisbelashistoriasbudistas.com.br. Abraço. Davi.
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