sexta-feira, 24 de julho de 2015

As Quatro Estações da Vida.

"Você já notou a perfeição que existe na natureza? Uma prova
incontestável da harmonia que rege a Criação.

Como num poema cósmico, Deus rima a vida humana com o ritmo dos mundos.

Ao nascermos, é a primavera que eclode em seus perfumes e cores. Tudo é
festa. A pele é viçosa. Cabelos e olhos brilham, o sorriso é fácil. Tudo traduz
esperança e alegria.

Delicada primavera, como as crianças que encantam os nossos olhos com sua
graça. Nessa época, tudo parece sorrir. Nenhuma preocupação perturba a alma.

A juventude corresponde ao auge do verão. Estação de calor e beleza,
abençoada pelas chuvas ocasionais. O sol aquece as almas, renovam-se as
promessas.

Os jovens acreditam que podem todas as coisas, que farão revoluções no mundo,
que corrigirão todos os erros.

Trazem a alma aquecida pelo entusiasmo. São impetuosos, vibrantes. Seus
impulsos fortes também podem ser passageiros... como as tempestades de verão.

Mas a vida corre célere. E um dia - que surpresa - a força do verão já se foi.

Uma olhada ao espelho nos mostra rugas, os cabelos que começam a embranquecer,
mas também aponta a mente trabalhada pela maturidade, a conquista de uma visão
mais completa sobre a existência. É a chegada do outono.

Nessa estação, a palavra é plenitude. Outono remete a uma época de reflexão e
de profunda beleza. Suas paisagens inspiradoras - de folhas douradas e céus de
cores incríveis - traduzem bem esse momento de nossa vida.

No outono da existência já não há a ingenuidade infantil ou o ímpeto incontido
da juventude, mas há sabedoria acumulada, experiência e muita disposição para
viver cada momento, aproveitando cada segundo.

Enfim, um dia chega o inverno. A mais inquietante das estações. Muitos
temem o inverno, como temem a velhice. É que esquecem a beleza misteriosa das
paisagens cobertas de neve.

Época de recolhimento? Em parte. O inverno é também a época do compartilhamento
de experiências.

Quem disse que a velhice é triste? Ela pode ser calorosa e feliz, como uma
noite de inverno diante da lareira, na companhia dos seres amados.

Velhice também pode ser chocolate quente, sorrisos gentis, leitura sossegada,
generosidade com filhos e netos. Basta que não se deixe que o frio enregele a
alma.

Felizes seremos nós se aproveitarmos a beleza de cada estação. Da
primavera, levarmos pela vida inteira a espontaneidade e a alegria.

Do verão, a leveza e a força de vontade. Do outono, a reflexão. Do inverno, a
experiência que se compartilha com os seres amados.

A mensagem das estações em nossa vida vai além.

Quando pensar com tristeza na velhice, afaste de imediato essa ideia.

Lembre-se que após o inverno surge novamente a primavera. E tudo recomeça.

Nós também recomeçaremos. Nossa trajetória não se resume ao fim do inverno. Há
outras vidas, com novas estações. E todas iniciam pela primavera da idade.

Após a morte, ressurgiremos em outros planos da vida. E seremos plenos,
seremos belos. Basta para isso amar. Amar muito.

Amar as pessoas, as flores, os bichos, os mundos que giram serenos. Amar,
enfim, a Criação Divina. Amar tanto que a vida se transforme numa eterna
primavera."

Http://www.aumagic.blogspot.com.br. Abraço. Davi.

quinta-feira, 23 de julho de 2015

A Sabedoria é o Máximo Benefício da Prática Budista.

Colaboração Suzana Grossmann. Texto de Greg Martin. No "Gosho sobre a Oração", especificamente sobre a passagem que diz: "nunca deixarão de ser respondidas as orações dos devotos do Sutra de Lótus". Muitos de nós temos vivido a experiência de nossas orações não serem respondidas. Hoje eu falarei sobre a natureza da oração segundo o Budismo, e como podemos aumentar o poder e o benefício que recebemos de nossas orações. Nossa prática budista jamais deve converter-se em uma luta de intermináveis Aeons (um tempo infinito) até mesmo para as menores transformações do nosso carma. O Budismo de Nitiren Daishonin foi concebido para produzir efeitos drásticos em nossa vida e em nosso carma. Se isto não acontece devemos nos perguntar porque Nitiren promete que nossas orações serão respondidas. Todas as nossas orações são respondidas com toda certeza, porém, às vezes a resposta é um não. Certamente se estivermos orando por algo que nos é prejudicial, a resposta nos é dada com um simples não. Por esta razão é que quero falar a respeito da natureza da oração segundo o Budismo de Nitiren Daishonin. A oração no Budismo de Nitiren Daishonin é significativamente diferente da oração que a maioria de nós está familiarizado desde criança. Se não compreendermos a diferença, teremos a tendência a continuar orando como se estivéssemos falando com algum poder externo a nós mesmos. Com isto, estaríamos abordando só os aspectos superficiais de um Budha, enquanto no nosso interior, permanecemos atados a nossa incorreta forma de pensar. A oração na tradição ocidental, procura a comunicação com um poder transcendental acima e além de nós. Este poder que não existe dentro da vida dos seres humanos, há de ser encontrado em algum outro lugar. A oração é assim orientada para o externo. Este tipo de visão religiosa se baseia na premissa de que os seres humanos na profundeza de suas vidas são impuros e maus. Estas orações estarão cheias de sentimentos de culpa. Segundo o Budismo de Nitiren Daishonin, a fonte e o poder estão em nosso interior. Uma oração budista é dirigida para dentro de nós mesmos. Buscamos ajuda em nossa própria natureza, inerente, de Budha. Segundo este ensino, nós, somos por natureza valiosos e bons, por que possuímos a natureza de Budha. As orações budistas estão cheias de um sentimento de responsabilidade e agradecimento. As orações tradicionais de nossa cultura ocidental tendem ao pessimismo e a superficialidade. O Budismo de Nitiren Daishonin, ao contrário, possui uma visão de vida essencialmente otimista. O Gosho diz: "não despreze o ouro por estar contido em uma bolsa imunda". Se o Irã fosse desprezado, o sândalo não existiria. Se desprezar o sujo pântano do vale não poderão ser recolhidas as flores de lótus que ali florescem. Aqui podemos ver o enfoque fundamentalmente otimista da vida que o budismo possui. Nossas orações devem ser para que colhamos flores de lótus no lamacento poço de nossas vidas. A entonação do Daimoku ao Gohonzon está destinada a abrir nossos olhos para ver florescer flores de lótus. Para nós é extremamente difícil perceber o que existe nas profundezas de nossas vidas. Daishonin revelou o Daimoku para que nós abramos os olhos e vejamos revelados os tesouros que possuímos. Se recitar Daimoku em frente ao Gohonzon em busca de alguém que venha e lhe traga um milagre, estará buscando no lugar errado. Nossa natureza de Budha se encontra no profundo e obscuro depósito de nossas vidas. Não é fácil encontrá-la, pois possuímos a tendência de buscar a natureza de Budha nas áreas de nossas vidas em que podemos vê-la com facilidade. Dentro de nós não só se encontra a causa de nossos sofrimentos, mas também a solução de nossos problemas. Se dirigirmos nossas orações para fora de nós mesmos, essas orações não serão respondidas. Nada acontecerá. O Budismo de Nitiren Daishonin (1222-1282) ensina que "os desejos mundanos são iluminação", isso quer dizer que são os desejos mundanos causando nossos sofrimentos que nos fazem buscar uma solução, e a solução que o budismo nos dá é a própria iluminação. Todos sabemos que existem problemas em nossas vidas. No Gosho: A Felicidade Nesse Mundo, Nitiren estabelece: "sofra o que tiver que sofrer e desfrute o que tiver de desfrutar, considere os sofrimentos e alegrias como fatos da vida. Ninguém pode evitar os problemas, nem mesmo os santos e sábios". Até os santos e sábios possuem problemas. O budismo aceita o fato de que ocorrem atribulações e que nós sofremos. Nosso sofrimento faz brotar o desejo de erradica-lo e este desejo é que nos inspira a buscar a melhora de nossas vidas. Pelo fato de não possuirmos sabedoria e porque existe obscuridade em nossas vidas, tomamos atitudes incorretas, apesar de nossa sinceridade, fazemos uma causa negativa ao invés de uma positiva, mesmo que estejamos fazendo o melhor, estamos cheios de ilusões. Por exemplo, imaginemos uma equipe de beisebol, uma equipe de atletas dedicados e extremamente capazes. Suponhamos que são enviados a Korea para competir na Copa Mundial de futebol. São informados que se vencerem receberão um milhão de dólares por ano pelo resto de suas vidas. Ficam extremamente motivados! Porém ninguém lhes disse as regras do futebol. Os jogadores entram em campo com suas luvas e bolas, dispostos a ganhar a copa, jogam dando o melhor de si, porém só podem jogar segundo as regras do beisebol porque não conhecem as do futebol. Assim tentam acertar a bola de futebol para dirigi-la a trave e fazer gols. E, são penalizados. Apesar da sinceridade deles, eles utilizam as regras erradas. Não podem jogar porque não conhecem as regras. Na vida também é assim. Você será infeliz se sua vida estiver cheia de falsidade, não importa quanto tem se dedicado. Você continuará fazendo suas causas negativas devido a sua concepção incorreta, perpetuando assim, seu mau carma. Seu desejo de erradicar seus sofrimentos os aumenta mais. É por isso que as vezes parece que quanto mais tentamos resolver algo, pior fica. Sakyamuni Budha estabeleceu que devíamos eliminar os desejos para evitar os caminhos do sofrimento. Isto para nós não é prático e nos leva a um beco sem saída. Nitiren Daishonin diz que podemos transformar os desejos mundanos usando a sabedoria. Quando estamos sofrendo, podemos fazer Daimoku em frente ao Gohonzon e orar pela sabedoria para ver corretamente a raiz do nosso sofrimento e fazer a causa adequada. A sabedoria nos permite romper esta corrente cármica. Desenvolvemos sabedoria, a qual nos inspira a tomar uma atitude que nos libera do nosso sofrimento e nos leva a aprofundar a fé. Assim pegamos então, um caminho de vida completamente diferente. Segundo o Budismo de Nitiren Daishonin, a intenção de nossa oração é transformar a concepção errada das coisas em sabedoria. A SABEDORIA É O MÁXIMO BENEFÍCIO DA PRÁTICA BUDISTA. Nossa sociedade tende a promover a concepção de que o propósito da vida é reunir tantas posses materiais quanto possíveis. O budismo diz que este realmente não é o propósito da vida. Recentemente, um membro da Divisão dos Adultos (atual Sênior) me procurou e disse-me que necessitava de ajuda com seu carma financeiro. Não tinha conseguido mudar este carma nos seus dez anos de prática. A primeira pergunta que lhe fiz foi: que tipo de trabalho você faz? Ele disse que não tinha trabalho. Perguntei o por quê, e respondeu-me que tinha se demitido de seu emprego seis meses atrás. Perguntei o por quê. Disse-me que tinha entrado em desacordo com seu chefe e que sentiu que tinha que se demitir. Conversando sobre seus empregos anteriores, disse-me que sempre se desentendia com seus superiores e acabava perdendo o emprego. Essa pessoa, em dez anos de prática obteve vários empregos e perdeu todos. Perguntei-lhe como esperava progredir financeiramente se não trabalhava. Não existe mágica no budismo, não é sensato pensar que uma pessoa possa progredir financeiramente se não possuir um trabalho. Então me revelou que sua verdadeira pergunta era: por que tenho o carma de ter chefes autoritários? A maioria de nós pensa que as coisas más são culpa do nosso carma. Pensamos que nosso carma existe fora de nós, mas isso não é correto. ENTÃO, O QUE É CARMA? Carma é nossa incapacidade de lidar com os problemas que nos acontecem. Não sabemos como resolvê-los quando nos atingem e acabamos errando e assim criando mais problemas. Em todo caso, eu lhe mostrei sua tendência de irritar-se com seus chefes. Ele tinha um padrão claro, mas era muito difícil para esta pessoa perceber que seu problema era a ira. O Budismo diz que se você tem ira, tem veneno da arrogância. Disse a ele que até que ele fosse capaz de controlar sua mente arrogante e a sua ira, não poderia manter um trabalho. Em realidade ele era uma pessoa muito talentosa, porém isto o levou a crer que poderia fazer o que queria no seu trabalho e maltratar os demais. Disse a ele que precisava encontrar o modo de deixar de perder seus trabalhos. Ele tinha que transformar o seu carma. Disse a ele também, que não permitisse que sua ira o derrotasse, que orasse sinceramente para ter sabedoria de responder às situações de um modo diferente da ira. Até hoje ele está empregado por três anos e recentemente comprou uma casa. Qual benefício seria maior, outro trabalho que talvez poderia perder ou a sabedoria para ver a causa raiz de seu problema para não ter que repeti-lo? As pessoas pagariam, milhões de dólares pela sabedoria de poder compreender a verdadeira natureza do sofrimento. O Budismo se refere à vida interior, ao despertar a sabedoria sobre nossa verdadeira natureza. Esta sabedoria é mil vezes mais valiosa que todos os pequenos benefícios que uma pessoa possa juntar. Se nos prendemos na busca de posses materiais, algum de nós poderia pensar que só essa meta "seria uma maravilhosa prova real". Eu não acredito que seja assim. Quantas vezes nos ocorreu pensar ao ver um milionário: caramba, qual será a religião que pratica essa pessoa? Talvez eu me converta a ela. A procura de posses materiais não é algo negativo, mas este não é o propósito da vida. O que o ser humano busca é a maneira de transformar a si mesmo. Esta é a natureza da oração do budista. Nitiren Daishonin não diz que os desejos se convertem em benefícios, mas que os desejos conduzem ao conhecimento de nós mesmos. Naturalmente se nós mudamos, nosso meio reflete essa mudança e experimentamos benefícios. Mas se o que procuramos é o benefício sem passar pelo processo interno, finalmente nada acontecerá. O Gohonzon não tem poder para transformar o nosso meio ambiente, o que o Gohonzon tem é o poder para transformar a nós mesmos. Quando usamos o Gohonzon para nos transformar então nosso meio se transforma. Há uma grande diferença. Deveríamos determinar diante do Gohonzon que resolveremos nosso problema, que ultrapassaremos nosso sofrimento. Quando você ora ao Gohonzon com esta visão, se surpreenderá ao ver o que percebe de você mesmo e o que precisa melhorar na sua vida. O Budismo tem a ver com a reforma interior e não com a reforma exterior. Naturalmente no ambiente também ocorrem benefícios mas em realidade esta não é a ideia central. Temos ouvido falar sobre os quatro poderes do Budismo. Os poderes da FÉ e da PRÁTICA fazem brotar os poderes do BUDHA e da LEI? No Gohonzon? Não. O poder do Budha e da Lei estão na natureza do Budha dentro de nossa própria vida. Os poderes da Fé e da Prática nos despertam e os fazem brotar. A força de nossa fé determina o grau em que manifestamos o poder do Budha e o poder da Lei em nossa vida. Qual é o poder do Budha? O poder do Budha é a sabedoria. Quer dizer, a mente do Budha, ou seja, a mente que percebe a verdadeira natureza de todos os fenômenos. Qual é o poder da Lei? É o corpo e a ação do Budha. Quando oramos ao Gohonzon, contatamos a sabedoria para perceber a verdadeira natureza do que realmente está acontecendo e encontrar a raiz do nosso problema. O poder do Budha e o poder da Lei surgem porque usamos nossa voz, a voz do Budha, para orar ao Gohonzon. Oramos ao Gohonzon para ter sabedoria e força para ultrapassar nossos problemas. Deveríamos ter este tipo de determinação na oração. Pode ser que não tenhamos uma chave que nos leve a descobrir o que fazer. Porém não tem problema. É por isso que praticamos. Se já soubéssemos o que fazer não estaríamos sofrendo, já teríamos superado o problema. Podemos fazer uso da determinação, porém necessitamos sabedoria. Façam Daimoku de frente ao Gohonzon, estudem o Gosho, leia as orientações do Presidente Ikeda e procurem orientação com os responsáveis. Tudo isto funcionará para ressaltar a causa raiz do seu sofrimento. Um exemplo é quanto você lê uma orientação do Presidente Ikeda com uma atitude séria, não por formalidade, mas com a atitude: "Presidente Ikeda, tenho um problema, necessito sabedoria". Você começa a ler, de repente um parágrafo te enche os olhos e você pensa: "ele está falando para mim"! Então para aí mesmo e aja. Isto é sabedoria. A sabedoria vinda do seu mentor, do seu mestre. Então você perceberá que possui uma relação pessoal com o presidente Ikeda. Você descobrirá que ele está te ensinando as regras. Se você não está buscando sabedoria não encontrará. Se você está somente buscando benefícios não encontrará sabedoria. A sabedoria é o mais valioso dos tesouros. Nós praticamos o Budismo para conseguir ser a pessoa que queremos ser. Em que tipo de pessoa você está se convertendo? O que queremos é estar iluminados, é ser Budha. Algumas vezes isto pode parecer uma realidade muito abstrata, porém converter-se em uma pessoa iluminada, fazer brilhar a luz na sua vida, é algo que você pode fazer todos os dias. Toda vez que você faz Daimoku de frente ao Gohonzon para ter sabedoria de compreender a raiz de seu sofrimento é a ação fundamental que deve realizar para alcançar a felicidade, você está buscando a iluminação. A budhicidade não e algo inatingível nem algo que quem sabe um dia atingiremos. Toda manhã e noite você atinge a budhicidade. O Gosho "A Pessoa e a Lei" estabelece o seguinte: "Devido ao fato de que a Lei é Suprema, a pessoa é digna de respeito". Visto que o ensinamento que abraçamos é verdadeiro, quem seja que abrace este ensinamento se converte em uma pessoa respeitável, se converte em Budha. O Gosho continua dizendo: "Visto que a pessoa é digna de respeito, a terra se torna sagrada". Abraçando o Gohonzon atingimos a budhicidade. Onde quer que estejamos, esse lugar se converte na terra do Budha. A cozinha se torna a cozinha do Budha, a escola se torna a escola do Budha. Quantos de vocês encontram a terra do Budha quando vão ao trabalho? Quem supostamente pode levar o Budha ao trabalho? É você, que tem o Gohonzon. É você quem tem que fazer despertar a vida de Budha e levá-la ao trabalho. Porém você a deixou em casa no seu Butsudan (oratório). Se você faz Daimoku ao Gohonzon pela manhã com a determinação de: Levarei comigo a vida do Budha e transformarei o meu local de trabalho. Necessito sabedoria, força e vou estabelecer a diferença. Você se surpreenderá com o poder que já possui para transformar sua vida. Na "Revolução Humana", o presidente Ikeda disse: "Se uma pessoa crê em algo errado, seja o que for, esse algo o arrastará às profundezas do sofrimento. O mesmo é válido para um grupo de pessoas, sociedade e toda uma nação. Confundir com verdadeiro algo que em realidade é uma ilusão e crer nisto, é a coisa mais terrível da vida". Se as coisas nas quais você crê são equivocadas, estas te conduzirão ao inferno em um minuto. Suas crenças fundamentais são as coisas mais importantes no mundo para você. Se sua vida está baseada em ilusões e fantasias, você se encontrará no inferno e no sofrimento e não poderá sair dali. Praticamos para aprender as regras da vida e mudar nossa visão básica da mesma. Uma vez que você conhece as regras do jogo poderá atuar livremente para sempre. O presidente Ikeda concluiu dizendo: "Nada ajudará a essa pessoa por mais que seja cheia de boas intenções e por mais esforço que faça. Se essa pessoa crê em algo falso e contrário à ciência, não poderá evitar de atrair para si má sorte. Isto é inevitável. Uma pessoa pode depositar sua confiança em uma doutrina específica, numa ciência, na religião, em seu país, em seus negócios, em seus familiares, em seus amigos, sem suas convicções, na medicina ou na tecnologia. Os seres humanos não podem atuar a menos que acreditem em algo inconscientemente, até aquele que ostenta o seu ateísmo atua sobre a base de alguma crença. Todos os assuntos mundanos não são mais que a soma total de suas ações enraizadas na fé. Crer não é algo separado da vida, tão pouco é algo que se encontra confinado a um grupo selecionado de pessoas. O importante é até que ponto uma pessoa é consciente daquilo que crê. A maioria das pessoas jamais chegou a perguntar-se, se a base de suas crenças é absolutamente correta. Sendo correta ou incorreta sua crença, sendo justa ou malvada, seguem seus caminhos alegremente. E é ali, justo ali, onde está a raiz de sua infelicidade". Quantas vezes temos nos perguntado se nossas crenças fundamentais são corretas? Muitas, muitíssimas vezes vi pessoas com 15 ou 20 anos de prática que se encontram presas, incapazes de avançar. A prática deles se transformou em uma dificuldade. Quando examinamos a causa disto, percebemos que, apesar de conhecerem toda a teoria do Budismo, em seus corações ainda creem que é responsabilidade dos outros. Estão em Dotai Shin ou "um corpo, muitas mentes" (Não se encontram em harmonia), ou seja, o oposto de Itai Doshin, "muitos corpos e uma mente" (Harmonia entre as pessoas). Falam como budistas, porém dentro de si mesmo, não possuem as crenças fundamentais e por fim sua prática budista deixou de produzir benefícios, pois não estão tentando transformar suas crenças errôneas em corretas. O Gosho "Rissho Ankoku Ron" (A Pacificação da Terra através do Verdadeiro Budismo) estabelece: "Portanto, você rapidamente deve transformar as crenças que você mantém em seu coração e abraçar o meio único, a única doutrina correta do Sutra de Lótus". O Gohonzon é Kanjin no Gohonzon, ou seja, o verdadeiro objeto de adoração de sua própria vida. Quando se faz Daimoku buscando a verdade, você também possui a natureza de Budha. A menos que você tenha coragem de ver a verdadeira natureza de sua vida, não poderá encontrar a natureza de Budha. Tem que ter a coragem para ver. A pergunta é: funcionará igual às velhas orações? Na "Revolução Humana", volume 10, o presidente Ikeda pergunta se o Daimoku é suficiente. Sua conclusão é não. O Daimoku é a base de tudo, mas por si mesmo não é suficiente. O Daimoku deve se conjugar com outros aspectos da prática. O Gosho "Sobre a Oração", diz: "Jamais aconteceria das orações de um devoto do Sutra de Lótus ficarem sem ser respondidas". Porém, o Gosho "A Estratégia do Sutra de Lótus", diz: "Um covarde não conseguirá que suas orações sejam respondidas". Em outras palavras, é possível que suas orações não obtenham respostas. O vice-presidente Tsuji disse uma vez: "Todos temos o mesmo Gohonzon e praticamos da mesma maneira, porém vemos que umas pessoas recebem tremendos benefícios, e outras não obtêm quase nada e outras encontram tremendas perdas". Qual é a relação correta com o Gohonzon? Como podemos praticar para receber benefícios? O Gohonzon que está fora de nós nos produz alegria interior e quando estabelecemos uma relação com o Gohonzon ao recitar NAM MYOHORENGUE KYO, o NAM MYOHO RENGUE KYO que está em nosso interior brotará. Se olharmos o Gohonzon e pensarmos que por fazer isto "vou obter algo", que for fazer a prática vamos obter algo, seremos como um mendigo pedindo. Pode ser que nestas circunstâncias possamos receber benefícios, mas o tipo de benefício que recebemos deste modo será tão pequeno como a gorjeta que recebe um garçom em comparação ao valor total da conta a ser paga. Devemos fazer Daimoku com atitude de que através de nossas orações ao Gohonzon, seja por uma casa nova ou por negócios, ou seja, saúde, podemos contribuir para o Kossen-Rufu (Paz Mundial). Determinem ao Gohonzon: "Pelo Kossen-Rufu, permita-me, por favor, ultrapassar essas dificuldades". Os Deuses Budistas nos darão proteção baseados em nossas orações pelo Kossen-Rufu. Sem pensar no Kossen-Rufu e simplesmente recitando NAM MYOHO RENGUE KYO, obteremos poucos benefícios. Os benefícios derivados das nossas orações baseadas no Kossen-Rufu são tão dinâmicos como voar em um avião, enquanto orar só pelo nosso próprio benefício é tão lento quanto caminhar. O Gosho "Sobre atingir o Estado de Buda" diz: "Mesmo que você faça Daimoku e acredite em NAM MYOHO RENGUE KYO, se pensa que a Lei está fora de você não estará abraçando a Lei Mística". O que significa isto? Se você pensa que a causa de seus problemas está fora de você e que a solução destes problemas também está fora de você, então não estará abraçando a Lei Mística, e sim um ensinamento inferior. Mesmo que façamos Daimoku diante do Gohonzon, se acreditando que "a resposta está fora de mim", em realidade você não está praticando o Budismo, mesmo recitando Daimoku. O Gosho segue dizendo: "Ensinamento inferior significa aqueles ensinamentos diferentes a este Sutra, os quais são todos provisórios e transitórios. Nenhum ensinamento provisório conduz diretamente à iluminação, você não pode atingir a budicidade mesmo que pratique existência após existência por incontáveis aeons". Imagine fazer Gongyo, Daimoku e Chakubuku, participar de reuniões, promover as publicações e participar do Kofu existência após existência durante incontáveis aeons, sem jamais mudar o seu carma, sem jamais atingir a budhicidade. Esta é uma idéia deprimente. Daishonin aqui está mostrando a importância que existe em não ver fora de si mesmo. Não tente obter o poder de fora de você. Busque a solução de seus problemas no seu interior, você é o problema e também é a solução. Se você faz Daimoku em frente ao Gohonzon com a oração: "Me dê sabedoria para compreender o que devo fazer. Me dê sabedoria para saber que ação tomar", você se surpreenderá com o seu avanço. As orações dirigidas para fora não ajudam em nada, por mais que as repitam pelo resto da vida. Daishonin mostra aqui, estritamente que se você vai fazer Daimoku, não perca o seu tempo tentando ajustar as coisas fora de você. O Gohonzon quase não possui nenhum poder para o mundo exterior, porém possui um universo ilimitado de poder para transformar você e a reformar sua vida. Abra sua vida e veja sua verdadeira natureza. Confronte-se com esta verdadeira natureza e a maneje. Ela está caracterizada por um dos três venenos: avidez ou avareza, ira e estupidez. Para descobrir qual é a sua pergunte-se: sou Ávido? Colérico? Estúpido? Será um dos três? Daishonin segue dizendo: "Você não pode atingir a budicidade, ainda que pratique existência após existência por incontáveis aeons. Atingir a budicidade nesta existência é então impossível. Por exemplo, um homem pobre não ganha um centavo só por contar a riqueza de seu vizinho, nem que o faça noite e dia". Este Gosho segue dizendo que se você não compreende que isto está acontecendo dentro de você e não em outro lugar, você não poderá mudar o seu carma. Sua prática se converterá assim, em uma austeridade interminável e dolorosa. Vejamos de outro modo. Observe sua vida. Existe uma área de sua vida na qual quando você faz Daimoku parece uma austeridade dolorosa e interminável? Pode ser o trabalho, suas relações, seus filhos ou qualquer outra coisa. Pode ser que esteja muito bem nas demais áreas, mas quando se trata das relações, por exemplo, pode ser totalmente não budista e não obter benefícios. Isto pode continuar por anos. Você pode dar-se por vencido de tanta dor. O problema não é o Budismo, o problema é o seu carma que é muito pesado. O problema é que você está buscando no lugar errado. Você é o problema e não está buscando dentro de você mesmo. É mais fácil ver fora. Digamos que você tem um grande problema e quer resolver e começa um milhão de Daimoku. Quando chega a 950.000 Daimoku, de repente você percebe que talvez o problema seja eu. Sabendo disto, podemos encurtar um pouquinho este processo. Comece sabendo que "o problema sou eu". Assim poderá progredir ao fazer só 50.000 de Daimoku ao invés de um milhão. A qualidade de sua oração é tão importante quanto a quantidade. Porém a qualidade da oração é extremamente importante. Quando vemos nossa prática, a vemos em uma só direção, ou seja, voltados sós para nós mesmos. A maioria das vezes pensamos que estamos muito bem, mas alguém de fora pode ver claramente se a conduta da nossa prática desviou-se. Isto é especialmente válido quando se tem encarregado com maior experiência na prática. (REVEJA ISTO). É por isto recebemos orientações. Quando você vai receber orientação, o que você imagina que te dirão? Faça Daimoku! Não é assim? Aconteceu alguma vez que o orientação foi: "Penso que você está fazendo muito Daimoku." Infelizmente não. Você já sabe a princípio quando vai receber uma orientação, qual será a conclusão. A pessoa que dá orientação também sabe qual será a conclusão, então, para que se recebe orientação? A razão se deve ao fato de que seu Daimoku não está alcançando o Gohonzon. Nada acontece e você se sente frustrado. Precisa de alguém que lhe diga algo: "Ah! Sua concepção se tornou uma concepção não budista, você perdeu o espírito correto e está fazendo Daimoku por uma motivação errada". O poder da orientação é redirecionar nossa oração ao Gohonzon para obter o benefício de começar a fluir novamente. Quando perdemos a perspectiva budista e começamos a ver fora de nós, seja culpando os outros ou pensando que o problema está fora de nós, não existe uma voz que nos diga: "Êpa, você está voltando a olhar fora de você". Você continua agindo como no passado e sem perceber que seu Daimoku está perdendo a força. A felicidade já não está presente. Pode ser que você comece a pensar: Talvez eu nunca tenha alcançado benefícios! Talvez esta prática nunca tenha funcionado para mim. Começam a aparecer as dúvidas e é assim que se enfraquece a fé, e é por isso que precisamos de orientações e incentivos de como fortalecer nossas orações. Desfazermos de toda concepção não budista e dirigir a oração para nossa Revolução Humana. Após uma orientação a gente começa a perceber os benefícios, porém não pela orientação em si, mas pela nossa oração. A orientação ajuda a pessoa a ver como orar corretamente. Segundo o Budismo de Nitiren Daishonin, a forma como oramos faz toda a diferença no mundo. O que Significa orar como Devoto do Sutra de Lótus? Um aspecto é que o devoto praticante do Sutra de Lótus toma como base principal três coisas: suas orações não podem ser respondidas se não está praticando para a felicidade dos outros, se não está estudando e se não está fazendo Daimoku. Você sabe se está ou não dando o máximo de si nessas áreas. Se sua prática perdeu o poder de produzir benefícios, eu no seu lugar começava a analisar estas três etapas da prática e perguntava: estou esforçando ao máximo de minhas capacidades no estudo, na prática para mim e para os outros, se você quer mudar sua vida com maior rapidez, fortaleça estes três aspectos. Algumas pessoas pensarão ao que o presidente Ikeda disse-nos em fevereiro de 1996, que "demonstrar a prova real em sua vida quotidiana é o mesmo que praticar para os outros". Mas não é assim uma coisa é tão importante quanto a outra, isto é certo. Devemos demonstrar a prova real na nossa vida quotidiana e praticar para os outros, visto que são duas coisas diferentes. Praticamos em dois âmbitos diferentes, e o que o presidente Ikeda estava dizendo era que não levaremos a sério a prática para os outros descuidando da nossa vida quotidiana. Também estava dizendo que não pratiquemos para obter benefícios as custas dos demais. Lute para satisfazer ambas. O estudo é a coluna vertebral para poder fazer isto. A oração do Devoto do Sutra de Lótus é respondida porque ele leva a sério estas três práticas fortemente. O Devoto do Sutra de Lótus não está buscando benefícios pessoais, mas esclarecimento e sabedoria para converter-se em um Buda, você obtém benefícios. O presidente Ikeda deu a seguinte orientação: "Segundo o budismo as orações nunca terminam no próprio ato de orar, mas incluem as ações que uma pessoa investe para realizar seus objetivos". É assim como no caso da flecha que primeiro puxamos a corda do arco ao máximo para trás, tencionando o arco para que a flecha seja disparada carregada de energia ao seu objetivo. A oração é fútil. Uma oração é resultado de um grande senso de responsabilidade. Outro aspecto do carma que é mal interpretado com freqüência é o seguinte: às vezes pensamos que nosso carma é algo que está fora de nós. No entanto a conduta de outra pessoa não é o seu carma. Seu carma é que você não sabe como responder ao comportamento do outro. Você não pode manipular a conduta do outro e então responde de forma equivocada. Este é o seu problema. O seu comportamento é o seu carma. Às vezes pensamos que somos uma pessoa terrível. Não é certo, pois ela é uma pessoa terrível por si mesmo. A pergunta é: Porque você está sofrendo? Você tem o carma de estar com esta pessoa, porém de qualquer maneira essa pessoa ia ser assim. Você não fez nada para que Lea fosse assim. Pergunte a si mesmo. Porque você é incapaz de manejar esta pessoa? Porque esta pessoa te faz enfurecer? Porque você permite que essa pessoa te faça infeliz? Neste caso, você tem o carma de não ser capaz de manipular estas coisas ao seu redor. Este é o seu problema. Quando você faz Daimoku para ser capaz de lidar com esta pessoa, de crescer mais e de ser mais forte que ela para não continuar sendo afetado por ela, então, já daí, ela não te afetará mais. Você transformou o seu ambiente. O presidente Ikeda continua dizendo nesta mesma orientação: "Nunca surgirá uma verdadeira oração de uma atitude irresponsável, superficial e se levamos as coisas levianamente seja no trabalho, na vida quotidiana e com relação à própria existência. Quem assume a responsabilidade de tudo está envolvido ou comprometido e trabalha seriamente para melhorar, esta pessoa desenvolve fortes orações. A vida por si só é uma batalha. Você ganha ou perde. Nem sempre o resultado é determinado pela experiência ou habilidade que possuímos. O mais importante é a decisão de vencer. Então ore sinceramente com todo o seu poder, fazendo surgir uma grande sabedoria toda vez que fizer o esforço necessário, realizará o seu objetivo". Tenha uma determinação de: Ultrapassarei meu sofrimento, infalivelmente vencerei! Você pode não ter a menor idéia de como fará, portanto, necessita sabedoria e força, e é nesse tipo de oração autopotencializadora que produz resultados. Na Nova Revolução Humana consta o seguinte trecho: "O Budismo é um ensinamento de razão sem comparação. Porém a força da nossa fé deve se manifestar na forma de estudar, de exercer nossa criatividade e de fazer o dobro de esforços do que qualquer outra pessoa. O Daimoku sincero faz nascer a energia para desafiar tudo isto. Seu Daimoku também deve ser um compromisso. Por isso existem várias formar de orar: Algumas pessoas poder orar para que tudo lhes aconteça sem grandes esforços, porém a religião que estimula esse tipo de oração conduz as pessoas a ruína. Orar segundo o budismo de Nitiren Daishonin, significa fazer Daimoku baseado em um compromisso ou promessa. Esta promessa na sua verdadeira essência, é de realizar o Kossen-Rufu. Significa fazer Daimoku com determinação. Por exemplo: "Realizarei o Kossen-Rufu do Brasil, portanto demonstrarei uma magnífica prova real no meu trabalho. Por favor faça-me capaz de manifestar de alguma maneira meu máximo potencial". É assim que devem ser nossas orações. É importante também que estabeleçamos objetivos claros e concretos do que desejamos realizar cada dia e então orar e desafiar para a concretização de cada um deles. Essa determinação sincera fará surgir sabedoria e abundância de recursos que conduzem a realização. Em resumo, para vencer na vida precisamos de determinação e de oração, de esforço e criatividade. É errado sonhar em enriquecer rápido com a expectativa de ter sorte de ganhar esse dinheiro de forma fácil ou desonesta. Isto não é fé, isto é fantasia. No Budismo a oração funciona absolutamente, porém tem de ser uma oração correta. A forma com que fazemos Daimoku é o que faz toda a diferença do mundo. O que estamos fazendo ou pensando enquanto fazemos Daimoku em frente ao Gohonzon é que faz a diferença entre a ganância ou um benefício absolutamente incrível. Então, vamos refletir sobre o fato de estarmos ou não tenho uma atitude budista ou se o que estão procurando encontrar é que outra pessoa o ajude. Qual é nossa atitude em frente ao Gohonzon? Estamos nos fazendo de vítima ou estamos cheios de determinação de que superaremos nossos sofrimentos? "Preciso de sabedoria e força, porém infalivelmente vencerei!" Com esse tipo de oração não existirá nada que não possamos vencer ou atingir. http://www.maisbelashistoriasbudistas.com.br. Abraço. Davi.



quarta-feira, 22 de julho de 2015

Um Sacrifício Sem Sangue.

1. Kutadanta Sutta. Assim ouvi. Em certa ocasião, o Abençoado, Budha, estava perambulando pela região de Magadha com uma grande Sangha de Bhikkhus, com quinhentos Bhikkhus, até que por fim ele acabou chegando num vilarejo Brâmane denominado Khanumata. Em Khanumata ele ficou no Parque Ambalatthika.[1] Agora, naquela ocasião, o Brâmane Kutadanta vivia em Khanumata, uma propriedade real com muitos habitantes, rica em pastagens, árvores, rios e grãos, uma concessão real, uma doação sagrada que lhe foi dada pelo rei Seniya Bimbisara de Magadha.
Justamente nessa ocasião Kutadanta planejava fazer um grande sacrifício: setecentos touros, setecentos bois, setecentos novilhos, setecentos bodes e setecentos carneiros estavam todos amarrados nos postes de sacrifício.
2. Os Brâmanes chefes de família de Khanumata ouviram: “Gautama Budha o contemplativo, o filho dos Sakyas, que adotou a vida santa deixando o clã dos Sakyas, estava perambulando pela região de Magadha com uma grande Sangha de Bhikkhus, com quinhentos Bhikkhus, chegou em Khanumata e está no Parque Ambalatthika. E acerca desse mestre Gautama existe essa boa reputação: Esse Abençoado é um arahant, perfeitamente iluminado, consumado no verdadeiro conhecimento e conduta, bem-aventurado, conhecedor dos mundos, um líder insuperável de pessoas preparadas para serem treinadas, mestre de devas e humanos, desperto, sublime. Ele declara, tendo realizado por si próprio com o conhecimento direto, este mundo com os seus Devas, Maras e Brahmas, esta população com seus contemplativos e Brâmanes, seus príncipes e povo. Ele ensina o Dhamma, com o significado e fraseado corretos, que é admirável no início, admirável no meio, admirável no final; e ele revela uma vida santa que é completamente perfeita e imaculada. É bom poder encontrar alguém tão nobre. Assim, os Brâmanes chefes de família de Khanumata saíram de Khanumata em grupos e bandos e se dirigiram para o Parque Ambalatthika.
3. Agora, naquela ocasião, o Brâmane Kutadanta havia se retirado para o andar superior do seu palácio para a sesta (sono após uma refeição). Então ele viu os Brâmanes chefes de família de Khanumata saindo de Khanumata em grupos e bandos e se dirigindo para o Parque Ambalatthika. Ao vê-los perguntou ao seu ministro: Estimado ministro, porque os Brâmanes chefes de família de Khanumata estão saindo de Khanumata em grupos e bandos e se dirigindo para o Parque Ambalatthika?
Senhor, ali se encontra Gatama Budha o contemplativo, o filho dos Sakyas, que adotou a vida santa deixando o clã dos Sakyas, que estava perambulando pela região de Magadha (...). Igual ao verso 2. (...). Eles estão indo ver esse Mestre Gautama.
4. Então, Kutadanta pensou: “Eu ouvi que o contemplativo Gautama sabe como realizar da forma correta o sacrifício de três modos com os seus dezesseis instrumentos. Agora, eu não sei isso, mas quero fazer um grande sacrifício. E se eu fosse até o contemplativo Gatama Budha e perguntasse sobre esse assunto. E assim ele mandou o seu ministro até os Brâmanes e chefes de família de Khanumata para pedir-lhes que esperassem por ele.[2]
5. E naquela ocasião muitas centenas de Brâmanes estavam em Khanumata com a intenção de tomar parte no sacrifício de Kutadanta. Ouvindo que a intenção dele era de visitar o contemplativo Gautama, eles foram até onde ele estava para perguntar se aquilo era verdade. Assim é, senhores, eu irei visitar o contemplativo Gautama.
6. Senhor, não vá ver o contemplativo Gotama (...). Igual ao DN 4.5 (...). Sendo assim, Mestre Kutadanta, não é apropriado que você vá ver o contemplativo Gautama; ao invés disso, é apropriado que o contemplativo Gautama venha vê-lo.
7. Quando isso foi dito, o Brâmane Kutadanta disse para aqueles Brâmanes: Agora, senhores, ouçam de mim porque é apropriado que eu vá ver o contemplativo Gautama e porque não é apropriado que o Mestre Gautama venha me ver. Igual ao DN 4.6, (...). Visto que o contemplativo Gautama chegou em Khanumata, ele é nosso hóspede e como nosso hóspede ele deve ser honrado, respeitado, reverenciado e venerado por nós. Sendo assim, senhores não é apropriado que o Mestre Gautama venha me ver; ao invés disso, é apropriado que eu vá ver o Mestre Gautama
8. Ao ouvir isso, os Brâmanes disseram para Kutadanta: Senhor, visto que você elogia tanto o contemplativo Gautama, então mesmo estando a uma distância de cem yojanas daqui, seria apropriado que aqueles que têm fé fossem visitá-lo. Portanto, senhor, iremos visitar o contemplativo Gautama.
E assim, Kutadanta foi com uma grande comitiva de Brâmanes para o Parque Ambalatthika. Ele foi até o Abençoado Budha e ambos se cumprimentaram. Quando a conversa cortês e amigável havia terminado ele sentou a um lado. Alguns Brâmanes e chefes de família homenagearam o Abençoado e sentaram a um lado; alguns trocaram saudações corteses com ele e após a troca de saudações sentaram a um lado; alguns juntaram as mãos em respeitosa saudação e sentaram a um lado.
9. Kutadanta disse para o Abençoado: Venerável Gautama, eu ouvi que você sabe como realizar da forma correta o sacrifício de três modos com os seus dezesseis instrumentos. Agora, eu não sei isso, mas quero fazer um grande sacrifício. Seria bom se o contemplativo Gautama pudesse me explicar isso. Então, Brâmane, ouça e preste muita atenção àquilo que eu vou dizer. Sim senhor, Kutadanta respondeu. O Abençoado disse o seguinte:
10. Brâmane, certa vez houve um rei chamado Mahavijita. Ele possuía grande riqueza e posses, uma grande quantidade de barras de ouro, uma grande quantidade de celeiros, uma grande quantidade de campos, uma grande extensão de terras, inúmeras esposas e uma grande quantidade de escravos e escravas. Certa ocasião, quando o Rei Mahavijita refletia em particular, o seguinte pensamento lhe ocorreu: Eu adquiri grande riqueza em termos humanos, eu ocupo uma ampla extensão de terra que conquistei. E se agora eu fizesse um grande sacrifício que trouxesse proveito e felicidade por muito tempo? E chamando o seu sacerdote, ele disse a ele o que havia pensado. Eu quero fazer um grande sacrifício. Instrua-me, venerável senhor, como devo fazer um grande sacrifício que traga proveito e felicidade por muito tempo.
11. O sacerdote respondeu: O reino de vossa Majestade está assediado por ladrões, vilarejos e cidades são pilhados, o campo está infestado por bandidos. Se vossa Majestade impusesse um novo imposto nessa região, essa seria uma atitude incorreta. Suponha que vossa Majestade pensasse: Eu irei me livrar dessa praga de ladrões através de aprisionamentos e execuções, ou através de multas, intimidação e banimento, assim não seria dado um fim apropriado a essa praga. Aqueles que sobrevivessem, mais tarde causariam dano ao reino de vossa Majestade. No entanto, com este outro plano vossa Majestade poderá eliminar por completo essa praga. Para aqueles que no reino se dedicam ao cultivo e ao pastoreio, que vossa Majestade lhes distribua grãos e ração; para aqueles que se dedicam ao comércio, conceda capital; para aqueles no serviço público, pague salários adequados. Então, essas pessoas, estando concentradas nas suas ocupações, não irão causar dano ao reino. As receitas de vossa Majestade irão se incrementar, o reino estará tranqüilo e não assediado por ladrões, e as pessoas, com alegria nos seus corações, irão se entreter com os seus filhos e manter as suas casas com as portas abertas.
Dizendo: Assim seja!, o rei aceitou o conselho do sacerdote: ele deu grãos e ração, (...) capital para o comércio, (...) salários adequados (...) e as pessoas com alegria nos seus corações (...) mantinham as suas casas com as portas abertas.
12. Então, o Rei Mahavijita mandou buscar o sacerdote e disse: Eu me livrei da praga dos ladrões; seguindo o seu plano a minha renda cresceu, o reino está tranqüilo e não assediado por ladrões, e as pessoas, com alegria nos seus corações, se entretêm com os seus filhos e mantêm as suas casas com as portas abertas. Agora eu gostaria de fazer um grande sacrifício. Instrua-me como isso deve ser feito para que traga proveito e felicidade por muito tempo.
Quanto a isso, Senhor, vossa Majestade deveria chamar os Khattiyas das cidades e do campo, os conselheiros e ministros, os Brâmanes mais influentes e os ricos chefes de família do reino, e dizer: Eu gostaria de fazer um grande sacrifício. Ajudem-me nisso, senhores, para que traga proveito e felicidade por muito tempo.
O Rei concordou e assim fez. Senhor, que o sacrifício tenha início, agora é o momento, Majestade. Esses quatro grupos [3] que ofereceram aprovação serão os instrumentos para o sacrifício.
13. O Rei Mahavijita estava dotado com oito qualidades. Ele era bem nascido pelos dois lados igual ao DN 4.5 (...) impecável com respeito ao nascimento. Ele era belo (...) digno de ser contemplado. Ele era rico, com grande riqueza e posses. Ele era poderoso, possuindo um exército com quatro divisões, [4] que era leal, confiável, fazendo luzir a sua reputação entre os seus inimigos. Ele era um doador fiel e um anfitrião, que não fechava a porta para os contemplativos, Brâmanes e errantes, pedintes e necessitados, uma fonte de bondade. Ele era bem estudado naquilo que deve ser estudado. Ele sabia o significado daquilo que tinha sido dito, explicando: Esse é o significado disso que foi dito. Ele era inteligente, erudito, sábio, capaz de perceber a vantagem no passado, no futuro ou no presente. [5] O Rei Mahavijita estava dotado com essas oito qualidades. Elas constituíam os instrumentos para o sacrifício.
14. O sacerdote estava dotado com quatro qualidades. Ele era bem nascido (...). Ele era sábio, versado nos mantras (...). Ele era virtuoso, com a virtude madura, possuindo virtude amadurecida. Ele era inteligente, erudito, sábio, o primeiro ou segundo a segurar a concha do sacrifício. Ele estava dotado com essas quatro qualidades. Elas constituíam os instrumentos para o sacrifício.
15. Então, antes do sacrifício começar, o sacerdote orientou o Rei quanto aos três modos: Pode ser que vossa Majestade sinta algum arrependimento com relação ao sacrifício planejado: Eu irei perder muita riqueza, ou durante o sacrifício: Eu estou perdendo muita riqueza, ou depois do sacrifício: Eu perdi muita riqueza. Nesses casos, vossa Majestade não deve dar atenção a esse tipo de pensamento.
16. Então, antes do sacrifício começar, o sacerdote dissipou os dez tipos de receio do Rei com relação aos participantes: Majestade, ao sacrifício virão aqueles que matam seres vivos e aqueles que se abstêm de matar seres vivos. Aqueles que matam seres vivos, que assim permaneçam; mas aqueles que se abstêm de matar seres vivos terão um sacrifício bem sucedido e se regozijarão com isso, e os seus corações estarão em paz. Virão aqueles que tomam o que não lhes é dado e aqueles que se abstêm (...) aqueles que praticam o comportamento sexual impróprio e aqueles que se abstêm (...) aqueles que mentem (...) aqueles que empregam a linguagem maliciosa, grosseira e frívola (...) aqueles que são cobiçosos e aqueles que não são, aqueles que têm má vontade e aqueles que não têm, aqueles que têm o entendimento incorreto e aqueles que têm o entendimento correto. Aqueles que têm o entendimento incorreto, que assim permaneçam; mas aqueles que têm o entendimento correto terão um sacrifício bem sucedido e se regozijarão com isso, e os seus corações estarão em paz. Assim o sacerdote dissipou os dez tipos de receio do Rei com relação aos participantes.
17. Então, enquanto o Rei realizava o sacrifício, o sacerdote instruiu, estimulou, motivou e alegrou o coração do Rei com relação aos dezesseis instrumentos. Alguém poderia dizer: O Rei Mahavijita está fazendo um grande sacrifício, mas ele não convidou os Khattiyas (...) os seus conselheiros e ministros (...) os Brâmanes mais influentes (...) os ricos chefes de família (...). Mas essas palavras não estariam de acordo com a verdade visto que o Rei convidou a todos como assistentes. Assim o Rei deve saber que terá um sacrifício bem sucedido e regozijar-se com isso, e o seu coração estará em paz. Ou alguém poderia dizer: O Rei Mahavijita está fazendo um grande sacrifício, mas ele não é bem nascido pelos dois lados (...). Mas essas palavras não estariam de acordo com a verdade (...). Ou alguém poderia dizer: O sacerdote não é bem nascido. Mas essas palavras não estariam de acordo com a verdade. Assim o sacerdote instruiu, estimulou, motivou e alegrou o coração do Rei com relação aos dezesseis instrumentos.
18. Nesse sacrifício, Brâmane, não foram mortos touros, nem bois ou novilhos, nem bodes ou carneiros, nem vários outros tipos de seres vivos, tampouco árvores foram cortadas para os postes de sacrifício, nem o capim foi cortado para o capim de sacrifício, e os escravos, mensageiros e serviçais não realizaram as suas tarefas com os rostos cobertos de lágrimas, incitados pelas ameaças de punição e pelo medo. Mas aqueles que queriam fazer algo, assim fizeram; aqueles que nada queriam fazer, assim fizeram: eles fizeram aquilo que queriam e não aquilo que não queriam. O sacrifício foi feito com manteiga líquida, azeite, manteiga, coalhada, mel e melaço.
19. Então, Brâmane, os Khattiyas das cidades e do campo, os conselheiros e ministros, os Brâmanes mais influentes e os ricos chefes de família do reino, tendo ganho muita riqueza foram até o Rei Mahavijita e disseram: Nós trouxemos muita riqueza, Majestade, por favor aceite. Mas senhores, eu já acumulei riqueza suficiente, produto de impostos equitativos. Mantenham aquilo que é de vocês e levem algo mais.
Dada a recusa do Rei, eles se afastaram para conversar: Não é correto que levemos esta riqueza de volta para as nossas casas. O Rei está fazendo um grande sacrifício. Sigamos o seu exemplo.
20. Então os Khattiyas colocaram as suas oferendas do lado leste da cova de sacrifício, os conselheiros e ministros colocaram as suas do lado sul, os Brâmanes do lado oeste e os ricos chefes de família do lado norte. E nesse sacrifício não foram mortos touros, (...) nem vários outros tipos de seres vivos (...) aqueles que queriam fazer algo, assim fizeram; aqueles que nada queriam fazer, assim fizeram (...) O sacrifício foi feito com manteiga líquida, azeite, manteiga, coalhada, mel e melaço. Desse modo houve a cooperação quádrupla com o Rei Mahavijita dotado com oito qualidades pessoais e o sacerdote com quatro. O sacrifício foi realizado de três modos. Isto, Brâmane, é chamado a celebração de um sacrifício de três modos com os seus dezesseis instrumentos.
21. Quando isso foi dito os Brâmanes ergueram as vozes em tumulto e disseram: Que sacrifício esplêndido! Que modo magnífico de realizar um sacrifício! Mas Kutadanta ficou sentado em silêncio. E os Brâmanes perguntaram porque ele não aprovava as boas palavras do contemplativo Gotama. Ele respondeu: Não é que eu não as aprove. Minha cabeça partiria se eu assim não o fizesse. [6] Mas me ocorreu que o contemplativo Gatama Budha não disse: Eu ouvi isso, ou deve ter sido assim, mas ele diz: Naquela época foi assim ou assado. E portanto, senhores, parece-me que naquela época o contemplativo Gautama devia ser o Rei Mahavijita, o senhor do sacrifício, ou então o sacerdote que celebrou a cerimônia de sacrifício. O Venerável Gautama confirma que ele realizou ou fez com que se realizasse esse sacrifício e como conseqüência disso, com a dissolução do corpo, após a morte, ele renasceu em uma boa destinação, nos planos celestiais? Eu confirmo, Brâmane. Eu era o sacerdote que celebrou a cerimônia de sacrifício.
22. Venerável Gautama, há algum outro sacrifício que seja mais simples, menos complicado, mais frutífero e benéfico que esse sacrifício de três modos com os seus dezesseis instrumentos? Há, Brâmane.
Que sacrifício é esse, Venerável Gautama? Brâmane, sempre que as oferendas usuais das famílias são dadas para contemplativos virtuosos, estas se constituem num sacrifício mais frutífero e benéfico que aquele.
23. Qual a razão, Venerável Gotama, porque este sacrifício é melhor?
Brâmane, nenhum Arahant ou aqueles que realizaram o caminho do Arahant, irão participar daquele primeiro sacrifício. Porque? Porque nesses sacrifícios eles testemunham surras e violência e por isso eles não participam. [7] Mas eles irão participar dos sacrifícios nos quais as oferendas usuais das famílias são dadas para contemplativos virtuosos, porque nesse caso não há surras ou violência. Essa é a razão porque esse sacrifício é mais frutífero e benéfico.
24. Mas Venerável Gautama, há algum outro sacrifício que seja mais frutífero e benéfico que esses dois? Há, Brâmane.
Que sacrifício é esse, Venerável Gautama? Brâmane, qualquer um que proporcione abrigo para a Sangha vinda dos quatro quadrantes, isso se constitui num sacrifício mais frutífero e benéfico.
25. Mas Venerável Gautama, há algum outro sacrifício que seja mais frutífero e benéfico que esses três? Há, Brâmane.
Que sacrifício é esse, Venerável Gautama? Brâmane, qualquer um que com o coração puro busque refúgio no Budha, no Dhamma e na Sangha, isso se constitui num sacrifício mais frutífero e benéfico do que qualquer um dos outros três.
26. Mas Venerável Gautama, há algum outro sacrifício que seja mais frutífero e benéfico que esses quatro? Há, Brâmane.
Que sacrifício é esse, Venerável Gotama? Brâmane, qualquer um que com o coração puro adote os preceitos de virtude, abster-se de matar seres vivos, de tomar aquilo que não é dado, da conduta sexual imprópria, da mentira e do vinho, álcool e outros embriagantes, isso se constitui num sacrifício mais frutífero e benéfico do que qualquer um dos outros quatro.
27. Mas, Venerável Gautama, há algum outro sacrifício que seja mais frutífero e benéfico que esses quatro? Há, Brâmane.
Que sacrifício é esse, Venerável Gautama? Brâmane, um Tathagata surge no mundo, um arahant, perfeitamente iluminado, consumado no verdadeiro conhecimento e conduta, bem-aventurado, conhecedor dos mundos, um líder insuperável de pessoas preparadas para serem treinadas, mestre de devas e humanos, desperto, sublime. Ele declara, tendo realizado por si próprio com o conhecimento direto, este mundo com os seus Devas, Maras e Brahmas, esta população com seus contemplativos e Brâmanes, seus príncipes e povo. Ele ensina o Dhamma, com o significado e fraseado corretos, que é admirável no início, admirável no meio, admirável no final; e ele revela uma vida santa que é completamente perfeita e imaculada. Um discípulo segue a vida santa e pratica a virtude, (DN 2.41- 74). Assim um Bhikkhu tem a virtude perfeita. Ele alcança os quatro jhanas, (DN 2.75-82). Isso, Brâmane, se constitui num sacrifício mais frutífero e benéfico. Ele realiza vários insights, (DN 2.83-95), e a destruição das impurezas, (DN 2.97). Ele sabe: ‘Não há mais nada neste mundo. Isso, Brâmane, se constitui num sacrifício mais simples, menos complicado, mais frutífero e benéfico que todos os outros. E além disso não há nenhum outro sacrifício que seja superior ou mais perfeito.”
28. Magnífico, Mestre Gotama! Magnífico, Mestre Gotama! Mestre Gotama esclareceu o Dhamma de várias formas, como se tivesse colocado em pé o que estava de cabeça para baixo, revelasse o que estava escondido, mostrasse o caminho para alguém que estivesse perdido ou segurasse uma lâmpada no escuro para aqueles que possuem visão pudessem ver as formas. Eu busco refúgio no Mestre Gotama, no Dhamma e na Sangha dos bhikkhus. Que o Mestre Gotama me aceite como discípulo leigo que buscou refúgio para o resto da vida! E, Venerável Gotama, eu libertarei os setecentos touros, setecentos bois, setecentos novilhos, setecentos bodes e setecentos carneiros. Eu lhes concedo a vida, que eles sejam alimentados com capim fresco, com água fresca para beber e que a brisa fresca os enleve.
29. Então, o Abençoado transmitiu o ensino gradual ao Brâmane Kutadanta, isto é, ele falou sobre a generosidade, sobre a virtude, sobre o paraíso; ele explicou o perigo, a degradação e as contaminações dos prazeres sensuais e as vantagens da renúncia. Quando ele percebeu que a mente do Brâmane Kutadanta estava pronta, receptiva, livre de obstáculos, satisfeita, clara, com serena confiança, ele explicou o ensinamento particular dos Budas: o sofrimento, a sua origem, a sua cessação e o caminho. Tal qual um pano limpo, com todas as manchas removidas, irá absorver um corante de modo adequado, assim também, enquanto o Brâmane Kutadanta estava ali sentado, a visão imaculada do Dhamma surgiu nele: Tudo que está sujeito ao surgimento está sujeito à cessação.
30. Kutadanta, tendo visto o Dhamma, realizado o Dhamma, compreendido o Dhamma, examinado a fundo o Dhamma, superado a dúvida, eliminado a perplexidade, obtido a intrepidez e se tornado independente dos outros na Revelação do Mestre, disse: Que o Venerável Gotama concorde em aceitar a refeição de amanhã junto com a Sangha dos bhikkhus! E o Abençoado concordou em silêncio. Então, sabendo que o Abençoado havia concordado, Kutadanta levantou do seu assento, e depois de homenagear o Abençoado, mantendo-o à sua direita, partiu. Então, quando havia terminado a noite, ele fez com que se preparasse vários tipos de boa comida no seu lugar de sacrifício e depois fez com que se anunciasse a hora para o Abençoado: É hora, Mestre Gautama Budha, a refeição está pronta.
Então, ao amanhecer, o Abençoado carregando a sua tigela e o manto externo, foi com a Sangha dos bhikkhus até o lugar de sacrifício de Kutadanta e sentou num assento que havia sido preparado. Então, com as próprias mãos, Kutadanta serviu e satisfez o Abençoado e os Bhikkhus com os vários tipos de boa comida. Em seguida, quando o Abençoado havia terminado de comer e retirado a mão da sua tigela, Kutadanta sentou a um lado, num assento mais baixo.
Então, o Abençoado tendo instruído, estimulado, motivado e encorajado Kutadanta com um discurso do Dhamma, levantou do seu assento e partiu. http://www.acessoaoinsight.net/. Abraço. Davi.



Notas:
[1] De acordo com DA este não é o mesmo local mencionado no DN 1.1.2 que ficava a meio caminho entre Rajagaha e Nalanda. [Retorna]
[2] Kutadanta significa ‘dentes afiados.’ Há razões para desconfiar desta história pois não é concebível que um Brâmane fosse consultar o Buda sobre como realizar um sacrifício, que supostamente era a especialidade dos Brâmanes. [Retorna]
[3] Os Khattiyas (nobres), conselheiros e ministros, Brâmanes e chefes de família. [Retorna]
[4] Elefantes, cavalaria, carruagens e infantaria. [Retorna]
[5] DA: Por compreender o funcionamento de kamma: a boa fortuna agora é devida ao kamma passado, e as boas ações realizadas agora trarão resultados semelhantes no futuro. [Retorna]
[6] Conforme o DN 3.1.20. [Retorna]
[7] DA: os seguranças nesse tipo de sacrifício empurram os participantes e empregam a violência para manter a ordem. [Retorna]. Comentário da editor do Mosaico. Infelizmente pra nossa tristeza, nas páginas da Bíblia Sagrada não encontramos nenhum texto comparativo a esta misericórdia e condescendência aos animais e seres não humanos. Pelo contrários os animais (ovelhas, bois, aves dentre outros) eram mortos aos milhares pra satisfazer a vontade de HWYH. Um versículo fundamenta esta prática de mortandade, está em Hebreus 9:22 "E quase todas as coisas, segundo a lei, se purificam com sangue; e sem derramamento de sangue não há remissão". A ideia da salvação advinda de um só homem, Christo, que se ofereceu como sacrifício pelo pecado da humanidade, pagando o preço de sangue para redimir os nossos pecados, nos reconciliando com YHWH, tenta justificar esse obituário de animais. É trágico pensar que os judeus ortodoxos, ainda hoje, ao aspirarem a reconstrução do Novo Templo pra adoração a YHWH, em Jerusalém. Diga-se de passagem, segundo estudiosos do assunto, ele já está sendo preparado, e confeccionado de modo a ter uma rápida montagem. Traz o inusitado projeto teológico, de reviver entre os judeus ortodoxos, sendo que segundo recentes pesquisas, já cultivam em áreas previamente preparadas as chamadas vacas vermelhas pra servirem de sacrifício continuo à YHWH além de outros animais. Como entender razoavelmente essa situação? Por que o D us por judeus necessita ser agradado, satisfeito, com tanta morte e derramamento de sangue? Sou propenso a imaginar, que essa loucura por realização de holocaustos vêm da natureza demoníaca do homem, não tendo nada haver com sua divindade suprema. Parece que seu desejo egoísta de contemplar o sofrimento e agonia dos seres senscientes, satisfaz seu narcisismo e masoquismo. Tudo criado pela tradição e cultura espiritual do judeu cristianismo, que desde os primórdios das Sagradas Escrituras em Gênesis é dito 1:26 " E disse Deus: Façamos o homem a nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e dominai sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra". Assim o judeu cristão têm dificuldade de enxergar que a criação humana, fauna, flora. minerais; mundos visíveis e invisíveis estão conectados e interligados. Somos uma partícula substancial de cada ser existente em nosso planeta, mundo. Quando ofendemos ou maltratamos alguns dos seres existentes (humanos ou não humanos) fazemos isso a nós mesmos. Na verdade uma parte de nós morre com eles, sendo que a natureza geme e sofre "dores de parto" ao ser praticado tal ato de atrocidade. Desse modo, seres que evoluiriam em suas encarnações e que renasceram pra reparar ou retificar carmas de vidas passadas, inclusive de humanos, são "abortados" bruscamente sem cumprirem seu Dharma, por irresponsabilidade e crueldade de alguns, que por ignorância ou excesso de crendice ou dogmatismo, cegamente têm tal atitude. Fatalmente tudo o que plantamos colhemos, como é dito em Mateus 5:26 "Em verdade te digo que de maneira nenhuma sairá dali, enquanto não pagar o último centavo". Assim nossas atitudes de maldade pra com os seres existente, serão cobradas com rigor pela lei da causa e efeito. Aquilo que não pagarmos nessa vidas, com certeza em nossos futuros renascimentos quitaremos o débito, e isso em muitos casos produzirá em nossa existência "choro e ranger de dentes". Desse modo amemos a todos os seres em todos os mundos e em todos os universos. Dispensemos a eles nossa gratidão, compaixão e beatitude, tendo em mente que um dia fomos, talvez, uma vaca, um cordeiro, um pombinho, ou quem sabe um réptil que rasteja pelas matas. Abraço. Davi.  

terça-feira, 21 de julho de 2015

Minha Vida Querida.

Na última curva da estrada Te-ha-tá parou e olhou para o céu. As montanhas sombrias, cobertas de neve, pareciam gigantes encanecidos que vigiavam silenciosos as fronteiras do Tibet. O sol, já perto do horizonte, retardava a sua marcha como se quisesse receber as últimas preces com que os lamas1 imploravam a misericórdia do Senhor da Compaixão2.
A sombra de um vulto surgiu, sobre uma pedra, na margem da estrada. Te-ha-tá tremeu de pavor.
Em seu caminho achava-se o impiedoso Han-Ru, o Anjo da Morte, o mensageiro da dor e da desolação3.
O coração tem, por vezes, o dom de pressentir a desgraça. Te-ha-tá, ao avistar o Anjo da Morte, lembrou-se de sua noiva, a formosa Li-Tsen-li.
Te-ha-tá dirigiu-se, pois, sem hesitar, ao mensageiro cruel do Destino.
— Han-Ru, ó gênio desapiedado! — exclamou. — Que procuras aqui, quase à sombra da casa da encantadora Li-Tsen-li? Bem sei que a tua presença vale por uma sentença de morte.
Respondeu Han-Ru, com a paciência de um enviado do Eterno:
— A tua inquietação é legitima, meu amigo. Vim a este recanto buscar a tua noiva Li-Tsen-li. Chegou, pela determinação do Destino, o termo de sua existência neste mundo. Li-Tsen-li vai morrer!
— Piedade, Han-Ru! Piedade! — implorou Te-ha-tá. — Ela é tão jovem, e tão prendada! Pelo amor de Maia Devi4 deixa viver Li-Tsen-li!
O Anjo da Morte meditou em silêncio durante alguns instantes e depois, sem erguer o rosto, disse:
— Muito fácil será, para aquele (e é esse o teu caso!) que tem o amparo de Maia Devi, prolongar a vida de Li-Tsen-li. Sei que tens direito a uma vida longa e tranqüila; restam-te, ainda, quarenta e seis anos de vida. Poderás ceder à tua noiva a metade do tempo que te cabe, no futuro, para viver. Li-Tsen-li ficará, portanto, com direito à metade de tua vida e viverá em tua companhia, vinte e três anos. Findo esse prazo, morrerão ambos no mesmo instante! Aceitas essa proposta?
As palavras de Han-Ru fizeram hesitar o jovem Te-ha-tá. Quem, decerto, não ficaria indeciso antes de sacrificar, cedendo a outrem, a metade da própria vida?
— A tua sugestão, Han-Ru, implica uma decisão de infinita gravidade para a minha vida. Não poderei tomar uma decisão nesse sentido, sem, previamente, consultar os meus três grandes amigos. Poderás esperar que eu ouça a opinião daqueles que sempre me auxiliaram e orientaram na vida?
— Farei como pedes, meu amigo — respondeu o Anjo da Morte. — Até o findar da noite que vai começar, aguardarei a tua palavra final. Deveras voltar, com a tua decisão, à minha presença, antes do amanhecer.
 Partiu Te-ha-tá em busca dos amigos, cujos sábios conselhos pretendia ouvir. Deveria ele como noivo sacrificar a metade da sua vida para salvar das garras da Morte a criatura amada?
O primeiro amigo de Te-ha-tá era um artista tibetano de assinalados méritos. Su-Liang sabia esculpir com admirável perfeição, na pedra ou na madeira, e os seus trabalhos eram mais apreciados do que os olhos negros das Apsaras que enchem de encanto o céu de Indra5.
 Eis como Su-Liang, o escultor, falou a Te-ha-tá:
— A vida, meu amigo, só tem sentido quando a sua finalidade é traduzida por um grande e incomparável amor. E o amor que dispensa sacrifícios e renúncias não é amor; é a expressão grotesca de um capricho vulgar. Feliz aquele que pode demonstrar a grandeza de seu coração medindo-a pela extensão de um ingente sacrifício. Pela mulher amada deve o homem sacrificar, não apenas a metade de sua vida, mas a vida inteira! Que importa, Te-ha-tá, uma existência longa, torturada pela dor de uma incurável saudade? Preferível, mil vezes, que vivas a metade de tua vida à sombra feliz do amor delicioso de tua eleita. No teu caso eu não teria hesitado, um só instante, em aceitar a proposta do terrível Han-Ru.
O segundo amigo de Te-ha-tá chamava-se Niansi. Era hábil caçador e auferia consideráveis lucros mercadejando peles.
Ao ouvir a consulta do jovem, Niansi não se conteve:
— É uma loucura, Te-ha-tá! Onde se viu um moço, rico e cheio de saúde, sacrificar a metade da vida por causa de uma mulher? Encontrarás, pelo mundo, milhões e milhões de mulheres lindas, muitas com as sete ou talvez, com as oito perfeições indicadas no Livro Sagrado6. Aqui mesmo (no Tibet) poderás topar, em qualquer aldeia, com centenas de meninas, algumas das quais nada ficariam a dever, julgadas pelos seus predicados de graça e beleza, à tua noiva Li-Tsen-li! Desgraçada a idéia de quereres adiar o termo da existência de uma mulher com o sacrifício de vinte e tantos anos de.tua vida! E quem poderá prever o futuro? Amanhã, essa mulher, arrebatada por uma nova paixão e deslembrada do sacrifício que por ela fizeste, abandonar-te-á e irá viver, nos braços de outro, a vida que é a tua própria vida! Que farás, então, vendo-a ceder a um odiento rival os dias roubados ao rosário de tua existência? Penso que não deverias ter hesitado ante a proposta descabida de Han-Ru, repelindo-a no mesmo instante. 
A divergência entre os dois amigos mais fez crescer a indecisão e a incerteza no coração de Te-ha-tá.
— Vou ouvir — pensou o jovem — a opinião do prudente Kin-Sã. Só ele poderá indicar-me o caminho a seguir.
Kin-Sã, citado no Tibet como um estudioso das leis e dos ritos, assim falou ao apaixonado noivo:
— Se amas realmente Li-Tsen-li, acho que deves ceder, a essa jovem, a metade do tempo que te resta para viver. Convém, entretanto, impor uma condição. A parcela de vida, depois de cedida a Li-Tsen-li, poderá ser retomada por ti, em qualquer momento. Terás, assim, a tua tranqüilidade garantida no caso de uma infidelidade de tua futura esposa. Se ela, por qualquer  motivo, não se mostrar  digna de teu sacrifício,  perderá o direito ao resto da vida que lhe cabia viver! Fora dessa condicional, qualquer outra solução para o caso não passaria de irremediável loucura!
E concluiu o seu conselho com estas palavras:
— Fizeste bem em hesitar. A Hesitação é irmã da Prudência. Só os loucos e temerários é que nunca hesitam.
Achou Te-ha-tá bastante prudente e razoável a proposta sugerida pelo douto Kin-Sã, e levou-a sem perda de tempo, ao conhecimento de Han-Ru, o Enviado da Morte.
Han-Ru aceitou a condição imposta pelo noivo:
— Está bem, Te-ha-tá. Aceito a tua proposta. A bondosa Li-Tsen-li vai viver os vinte e três anos. Esta parcela de vida não foi, porém, dada, mas sim “emprestada”.
Passaram-se muitos meses. Li-Tsen-li casou-se com o jovem Te-ha-tá, e os dois eram citados como os esposos mais felizes do Tibet. Li-Tsen-li, depois do casamento, passou a chamar-se Ti-long-li, vocábulo que significa “minha vida querida”.
Um dia, afinal, Te-ha-tá foi obrigado a fazer uma longa viagem para além das fronteiras de sua terra. Deixou “Minha vida querida” e seu filhinho, que já contava algumas semanas, em companhia de seus pais.
Quando regressou, tempos depois, teve a surpresa de encontrar os seus três amigos que o aguardavam na entrada da pequena povoação.
— Onde está “Minha vida querida”? — perguntou, ansioso, aos amigos. — Por que não veio? Estará doente? Que aconteceu à “Minha vida querida”?
Disse um dos amigos:
— Enche de ânimo e de coragem o teu coração, ó Te-ha-tá! Uma grande desgraça, há três dias, caiu sobre a tua vida!
— Desgraça? — repetiu, aflito, Te-ha-tá. — É horrível esta angústia! Vamos! Quero saber a verdade! Onde está “Minha vida querida”?
— Morreu!
— Morreu! — gritou Te-ha-tá, desesperado. — Não é possível! Não podia morrer! Eu sacrifiquei por ela, metade de minha vida!
E Te-ha-tá, dominado pela dor e revoltado pelo infortúnio de haver perdido a sua esposa querida, entrou a blasfemar como um possesso, contra o Senhor da Compaixão. Erguia os braços para o céu; rolava, por vezes, sobre a terra. Insultava o nome do Criador.
Os amigos afastaram-se, cautelosos. Era preciso deixar o infeliz Te-ha-tá dar plena expansão à indizível angústia que lhe esmagava o coração.
Em dado momento Te-ha-tá viu surgir diante de si a figura de Han-Ru, o Anjo da Morte.
— Han-Ru! — bradou, num tom de incontido rancor. — Faltaste com a tua palavra. Que fizeste de “Minha vida querida”?
— Escuta, Te-ha-tá — respondeu Han-Ru. — Preciso dizer-te a verdade, para que não continues a blasfemar desse modo. A tua esposa deveria viver vinte e três anos. Um dia, porém, o seu filhinho adoeceu gravemente. O pequenino ia morrer. Que fez a tua esposa? Pediu, em preces, que a sua vida fosse dada ao filhinho enfermo para que ele pudesse viver! Salvou-se o teu filho, mas tua esposa morreu!
E, ante a estupefação de Te-ha-tá, o Anjo da Morte concluiu:
— E enquanto tu, como noivo, hesitaste em ceder a metade de tua vida, ela mãe extremosa, não hesitou um segundo em dar, pelo filhinho, a vida inteira!

1- Lamas — Sacerdotes budistas entre Mongóis, Nepaleses, Hindus, Butaneses e Tibetanos. O chefe supremo é Sua Santidade o Dalai Lama, Tenzin Gyatso (1935-   ). No budismo é considerado um Bodhissatva, a encarnação do Sakyamuni Budha (563 AC 483).
2- Deus.
3- Han-Ru — Na extraordinária mitologia hindu figuram nada menos de 17 deuses. Os três primeiros, Brahma (o principio criador), Vishnu (o principio conservador) e Shiva o principio destruidor), formam a celebre trindade hindu. Além dos 17 deuses, os hindus incluíram entre as divindades os planetas, alguns rios (o Ganges, por exemplo, é adorado sob a forma de uma deusa) e certos animais. Shiva, cuja esposa é Maia Devi ou Bhavâni, tem vários auxiliares. Han-Ru é um dos gênios que se encarregam de cumprir as determinações do Deus da Destruição.
4- Maia Devi — também denominada Bhavâni. É a esposa de Shiva, terceiro deus da trindade hindu. Essa deusa é, em geral, representada sob a forma de uma linda mulher, em atitude ameaçadora, montada num tigre.

5- Céu de Indra — Da multiplicidade de deuses que são apontados na Mitologia Hindu decorre a crença, geralmente aceita, de que existem vários céus. O céu de Indra parece ser o mais notável. Erguem-se, nessa região divina, palácios de ouro ornados de pedras preciosas, grutas, jardins prodigiosos cujas flores exalam cem mil perfumes diferentes. Um foco luminoso — mais intenso do que o sol — derrama uma claridade sobre todos os recantos do paraíso hindu. O céu de Indra é povoado por uma infinidade de ninfas encantadoras denominadas Apsaras.
6- Livro Sagrado — A religião dos hindus é, em parte, explicada nos Vedas, que não passam, afinal, de uma coleção de hinos, preces e conceitos morais. O Livro Sagrado a que se refere o herói do conto deve ser, naturalmente, o Código de Manu, cuja origem é anterior ao século IX AC. Outros livros sagrados hindus: Upanishad, Vedanta, Agama, Purunas e Bhagavad Gita. Todos os conceitos e princípios religiosos no livro de Manu aparecem, aliás, citados nos Vedas. Há quatro Vedas, sendo cada um deles dividido em duas ou três partes. O primeiro, Samhita, é constituído exclusivamente por vários hinos religiosos e preces; o segundo, Brahmana, estuda os princípios religiosos e analisa as controvérsias teológicas; o terceiro, Aranyaka, discute certos pontos obscuros de Teologia. O quarto Veda, Itihasas, é um complemento dos Upanishad. Os Vedas não podem ser atribuídos a um único autor; em cada um deles colaboram vários personagens de épocas diversas. Essas Escrituras Sagradas foram reunidas sob a forma atual no século XVI.

Autor: Malba Tahan (1895-1974) - livro - Minha vida querida.
http://www.maisbelashistoriasbudistas.com.br. Abraço. Davi.