Judaísmo. www.morasha.com.br. O SANHEDRIN: A Suprema Corte do Povo Judeu. Juízes e guardas designarás para ti, em cada uma de tuas tribos, em todas as tuas cidades que o Eterno, teu Deus, te der, para que julguem o povo com reto juízo. (Deuteronômio, 16:18). Quando D'us outorgou a Torá ao povo judeu, no Sinai, Ele ordenou-lhes constituir um sistema de tribunais para preservar a justiça e executá-la segundo as leis que Ele transmitira a Moisés. Essas cortes jurídicas deveriam ter autoridade abrangente, abarcando todas as facetas da legislação judaica, quer fossem de teor civil, criminal ou religioso. Era sua missão manter e ensinar o judaísmo e, sempre que necessário, julgar os atos do homem perante D'us e sobretudo perante seu semelhante. A dicotomia existente entre a legislação civil e a religiosa na maioria dos países e sociedades, inexiste na Torá. Toda e qualquer matéria sobre a Lei Judaica é regida pelos mandamentos Divinos, encontrados em detalhe na Torá Escrita ou esmiuçados, em todas as suas interpretações, pela Torá Oral. Essas leis foram ministradas por D'us a Moisés ao pé do Sinai e posteriormente transmitidas - sem interrupção - pelos sábios, de geração em geração. Até os dias de hoje, um judeu que se tenha envolvido em uma disputa com um correligionário, é obrigado, de acordo com a lei da Torá, a levar essa pendência a um tribunal judaico - um Beit Din, literalmente, "uma casa da legislação". É vedado a um judeu encaminhar sua reivindicação a um tribunal secular ou não judeu, a não ser que, tendo primeiramente apresentado seu caso a um tribunal judeu, a parte oponente a isto se recuse. Maimônides escreveu que aquele que desafia esse preceito judaico e tramita sua queixa em uma corte de justiça laica ou secular, é considerado como tendo blasfemado e atacado a Torá, pois, ao assim agir, deu provas de desdenhar as Leis promulgadas por Ele. Desnecessário mencionar, mas é proibido um judeu delatar outro judeu às autoridades para ser julgado por uma corte não-judaica. Um Beit Din consiste de um grupo de juízes que ouvem os casos e proferem a sua sentença. Na lei judaica, não há a figura do júri; são os próprios juízes que interrogam as testemunhas, analisam as evidências e questões relativas ao caso, para então aplicar o veredicto e proferir a sentença. Quando há desacordo entre os juízes, prevalece a maioria simples. No entanto, em épocas ancestrais, quando as cortes judaicas julgavam um caso capital, era necessária uma maioria de no mínimo dois juízes para sentenciar que o réu era culpado. Composição e estrutura do Sanhedrin. Na lei judaica, há três instâncias nos tribunais, cada qual com jurisdição sobre determinadas especialidades. Esses níveis são diferenciados pelo número de juízes que compõem o tribunal e também pelo grau de conhecimentos dos mesmos sobre os assuntos da Torá, bem como seus atributos pessoais de sabedoria, dons e habilidades. O nível mais baixo dos tribunais judaicos - o único que ainda funciona, em nossos dias - é composto por três juízes. Esta classe de tribunal, conhecido simplesmente como Beit Din, ocupa-se geralmente de demandas pecuniárias: empréstimos, furtos, dano à propriedade e ao indivíduo. A instância intermediária, que deixou de existir há quase dois milênios, era formada por vinte e três juízes e conhecida como Sanhedrin Ktaná - Sanhedrin Inferior. Estas cortes examinavam casos capitais. As leis que regiam o julgamento de um crime grave, sujeito à pena capital, eram extremamente complexas e se tomavam todas as precauções para evitar uma aplicação indevida da força da lei. Os processos sempre pesavam a favor do acusado, pois a lei judaica dificultava muito - de fato, quase impedia - que uma pessoa fosse sentenciada à morte. No entanto, se alguém fosse condenado à morte pelo Sanhedrin Ktaná, não havia o recurso de apelação. Uma vez pronunciado um veredicto de culpa, procedia-se à execução imediata da sentença. A razão para tal era poupar o condenado da angústia da espera, dia após dia, até o momento de sua inevitável execução. Em toda a história judaica, raramente sentenciaram-se pessoas à morte. Nos casos em que isso ocorreu, a intenção era preservar a integridade da sociedade judaica ou corrigir uma grande maldade cometida. Ademais, o Talmud e o misticismo judaico ensinam que até mesmo o castigo capital tinha um objetivo humanitário: a execução do autor de um crime passível de morte era a forma de expiação para seu pecado; ajudava-o a purificar sua alma e, portanto, permitia que merecesse participar do Mundo Vindouro. Na tradição judaica, a vida humana tem valor inestimável e, quando os sábios que compunham o Sanhedrin deviam condenar alguém à morte, faziam-no com profunda apreensão e coração pesado. Comenta o Talmud que um tribunal que pronuncia uma pena capital uma única vez em sete anos - e, segundo os mesmos sábios, uma única vez em setenta anos - era considerado um "tribunal destrutivo". Rabi Akiva declarou que se dependesse dele, nenhum ser humano jamais seria executado. A terceira e mais alta das cortes do sistema jurídico judaico era um tribunal composto por setenta e um juízes, dentre os maiores sábios de Israel, e era conhecida como "o Grande Sanhedrin". O primeiro Grande Sinédrio foi convocado no Deserto de Sinai e era encabeçado por Moshé. A partir de então, o principal juiz do Sanhedrin assumia o título oficial de Rosh Ha'Yeshivá - "Presidente da Assembléia". Mais tarde, passaram a se referir a essa personalidade como o Nassi - o "Príncipe". Em matéria pertinente à lei e à justiça judaica, o Nassi era o líder de facto do povo judeu. Era invalidada qualquer sentença pronunciada pelo Sanhedrin sem a presença do Nassi. O juiz que ocupava o segundo lugar nessa hierarquia tinha a função de assistente do Nassi e era conhecido como o Av Beit Din - o "Pai da Corte Rabínica". O Grande Sanhedrin examinava crimes capitais que estavam além da jurisdição da Corte Inferior e, se porventura, um caso não pudesse ser julgado adequadamente pelas demais cortes, era também transferido para a corte suprema. Esta tinha a responsabilidade de julgar os casos mais chocantes e notórios, como os que diziam respeito a um falso profeta ou a uma cidade inteira que se tivesse subvertido à idolatria. Se o Cohen Hagadol - o Sumo Sacerdote de Israel - fosse culpado de um delito máximo, seria julgado pela instância suprema. Esta Corte Superior também se pronunciava sobre questões que afetassem todo o povo judeu, como a indicação de um rei ou do Sumo Sacerdote, a demarcação do calendário judaico, uma declaração de guerra e a nomeação dos juízes do Sanhedrin Inferior. Suas sentenças vinculavam todas os tribunais inferiores e somente podiam ser revogadas por outra decisão judicial do Grande Sanhedrin. Se algum juiz se recusasse a aceitar a sentença desse tribunal máximo e, de público, continuasse a aplicar sua opinião contrária, era passível de condenação à morte. Durante todo o tempo em que existiu o Sanhedrin, era sua a palavra final e autoritária em todas as questões pertinentes à Lei da Torá. Como um braço legislativo do poder, o Sinédrio possuía autoridade outorgada por D'us para promulgar leis que tinham vinculação legal sobre todo Israel. Qualquer legislação promulgada por esse tribunal é chamada de Lei Rabínica; e, apesar de vez por outra admitir certa flexibilidade, o Sanhedrin tem poder compulsório e tão vinculatório quanto um mandamento bíblico. Tamanha autoridade foi-lhe imputada por D'us, Ele próprio, em Sua Torá, como está escrito: "Conforme o mandado da lei que te ensinarem... farás" (Deuteronômio, 17:11). Aquele que acreditava na autoridade da Torá era obrigado a aceitar as determinações e as decisões judiciais do Grande Sanhedrin. Sua função mais importante era a preservação, interpretação e transmissão da Torá Oral. Esta consiste de todas as interpretações e elucidações do corpo de leis escritas, bem como das inúmeras leis que foram outorgadas a Moisés por D'us e que, por um propósito determinado, jamais foram escritas. Desde o Sinai, a Torá Oral foi transmitida oralmente e confiada a uma assembléia de anciãos que a preservaram e ensinaram. Foi transmitida dos mestres para os discípulos durante quase 1.500 anos, dos dias de Moshé até depois de os romanos terem destruído Jerusalém. Ao longo de todo esse período, a Lei e as tradições judaicas foram sagradamente preservadas pelo Sanhedrin. Somente após ter sido exilada e, por fim, dispersada aquela santa assembléia de sábios, é que a Torá Oral foi escrita na forma do Talmud e do Midrash. Após ser construído o Templo Sagrado de Jerusalém, o Grande Sanhedrin reunia-se e decidia sobre as matérias julgadas em uma de suas câmaras, conhecida como a Câmara da Pedra Talhada. O Grande Sanhedrin somente se investia de seus plenos poderes quando despachava desse local. Esse tribunal supremo podia ser instituído em qualquer parte da Terra de Israel, porém, se não se reunisse na Câmara da Pedra Talhada, sua autoridade e seus poderes sofriam drásticas limitações. Os sábios do Sanhedrin. Para que um judeu fosse qualificado a servir no Sinédrio, tinha que possuir grande sabedoria, conhecimento e sagacidade. Acima de tudo, tinha que ter notável domínio das questões da Torá, bem como vasto conhecimento de outras disciplinas que poderiam ter relevância no julgamento de uma ação. Os juízes que o compunham deviam, também, ser fluentes em vários idiomas para que pudessem julgar um réu ou examinar testemunhas que falassem uma língua estrangeira. Deviam, também, esses magistrados, ter conhecimentos sobre outras religiões, bem como sobre práticas da idolatria e do ocultismo, de modo a poder ajuizar e pronunciar veredictos em casos que versassem sobre tais temas. Por essa razão, mesmo as matérias cujo estudo era vedado ou não recomendado aos judeus, eram conhecidas a fundo pelos juízes do Sanhedrin, pois que poderiam ser requisitadas durante um julgado. Todos os juízes, mesmo os que integravam a instância inferior dos tribunais, possuíam atributos e qualidades pessoais irrepreensíveis. Seu caráter tinha que ser exemplar e sua integridade, impecável. Como o disse Maimônides, tinham que ser homens sábios, humildes, tementes a D'us, incorruptivelmente honestos, amantes da verdade; tinham que possuir boa disposição no trato com seus semelhantes e a reputação ilibada. E para que o tribunal do Sanhedrin impusesse o maior respeito possível ao povo, seus magistrados deviam ainda ser indivíduos maduros e de boa aparência. Portanto, dava-se preferência a que tivessem quarenta anos, no mínimo, exceção feita a alguém que tivesse sabedoria e conhecimentos incomparáveis. Para a autoridade máxima do Sanhedrin dava-se preferência a alguém que tivesse entrado na casa dos cinquenta. Em hipótese alguma uma pessoa com menos de dezoito anos era indicada para compor a Corte Suprema do judaísmo. Tampouco tinha assento nessa assembléia o homem estéril ou sem filhos - pois que conforme explicavam os Sábios, o homem se torna mais misericordioso depois de ser pai. Considerava-se inválida, portanto, a composição de um Sanhedrin se um de seus membros se enquadrasse nesta condição. A pessoa que tivesse sido culpada de roubo ou de qualquer transgressão que envolvesse ganho pecuniário era considerada inapta para a nobre função. Obviamente, não podia ter assento em um julgamento o juiz que tivesse algum parentesco com o indiciado, litigantes ou uma das testemunhas. Para compor um Sanhedrin, o magistrado tinha que ser ordenado com uma Semichá. No entanto, esta não deve ser confundida com a ordenação que é pronunciada, hoje, na formatura de um rabino). Essa Semichá também era um pré-requisito para os juízes do Sanhedrin Inferior, mesmo que se tratasse apenas de um tribunal de três membros para julgar algo tão trivial como uma multa. A instituição da Semichá era uma forma singular de ordenação que remontava à época de Moisés, que recebera a sua de D'us. Era transmitida de mestre a discípulo, em uma corrente inquebrantável, até ter caducada a sua vigência, no final do século IV da era comum. A cerimônia de outorga da Semichá somente podia ser realizada na Terra de Israel. Quando a perseguição das autoridades romanas aos judeus fez com que a maioria da população fosse exilada da Terra, foi interrompida a significativa ordenação da Semichá. No ano de 28 E.C., quando os romanos dominavam a Terra de Israel, o Sanhedrin foi destituído de grande parte de seu poder. Sua assembléia deixou de se reunir na Câmara da Pedra Talhada, transferindo-se para outro cômodo do Monte do Templo, em nítida indicação de que tinha sido forçada a abdicar de sua autoridade de julgar casos capitais. Posteriormente, deixou por completo o recinto do Templo, transferindo-se para Jerusalém. Quando a mais sagrada das cidades foi destruída pelas legiões romanas, em 70 da era comum, o Sanhedrin foi para Yavne. Durante o século seguinte, sua sede alternou-se entre Yavne e Usha. De lá, transferiu-se para Shafaram, Beth Shearim, Séforis e Tiberíades. Continuou a funcionar em Tiberíades até pouco antes de ser completada a compilação do Talmud. Durante as perseguições de Constantino, entre 337-361 E.C., o Sanhedrin foi forçado a passar à clandestinidade e acabou por ser dissolvido. A autoridade do Sanhedrin. Ordena a Torá que todo o povo judeu obedeça o que determinam as decisões judiciais do Sanhedrin e suas sentenças. É proibido contestar ou mesmo ignorar sua autoridade, pois que D'us ordenou em sua Torá: "Conforme o mandado da lei que te ensinarem e conforme o juízo que te disserem, farás; da sentença que te anunciarem não te desviarás, nem para a direita nem para a esquerda" (Deuteronômio, 17:11). As determinações do Sanhedrin tinham que ser aceitas ainda que parecessem ilógicas ou erradas. No entanto, esta corte não tinha o poder de promulgar um decreto - jamais o tendo feito - que abolisse um mandamento da Torá nem de proibir algo que a Torá expressamente permitia. Mas, por outro lado,tinha o poder de promulgar uma legislação consoante com as necessidades da época. Qualquer lei decretada pelo Sanhedrin é chamada de Mandamento Rabínico. E quem, porventura, desrespeitasse um mandamento rabínico estaria transgredindo a própria Torá. Os juízes, apesar de humanos e falíveis, eram guiados pelo espírito de D'us, que os ajudava a perseguir a verdade e a justiça. Com efeito, a Torá e o Talmud referem-se, ocasionalmente, aos magistrados do Sanhedrin como Elo-im, que é um dos Nomes que a Torá utiliza para se referir a D'us, Todo Poderoso! Por definição, suas sentenças representam a Vontade Divina. Era, portanto, algo extremamente sério contestar a autoridade do Sanhedrin. Em determinados casos, quem o fizesse poderia ser condenado à morte, pois está escrito: "Se um homem, pois, agir com soberba e não der ouvidos ao... juiz, tal homem morrerá; e assim eliminarás o mal de Israel" (Deuteronômio, 17:12). Era a autoridade desse tribunal supremo o que garantia a preservação da Torá e que fazia ser único e unificado o judaísmo, não estando sujeito aos caprichos e interpretações de quem quer que fosse. Os Sábios que o compunham eram os líderes - as mentes mais elevadas, os homens mais santos de Israel. Até em nossos dias, quando não mais existe a grande assembléia do Sanhedrin, menosprezá-lo é mostrar total desrespeito ao povo judeu, à Torá e mesmo a D'us. Como vimos acima, tratava-se de uma Corte Suprema humanitária e justa, que funcionava sob os auspícios do Juiz Celestial. E, assim sendo, fazia tudo a seu alcance para evitar sentenciar pessoas à morte é uma inverdade histórica. O libelo de sangue que, infelizmente ainda perdura, de que o Sanhedrin teria julgado Jesus, um judeu, no ano de 33 de nossa era, sentenciando-o à morte e, a seguir, entregando-o aos romanos para que o executassem. Como vimos acima, o Sanhedrin deixou de examinar casos capitais no ano de 28 E.C., quando se retirou da Câmara de Pedra Talhada. E o que é ainda mais grave em tal acusação infundada é o absurdo teológico que encerra. É um despropósito e uma ironia sugerir que os maiores mestres nas questões da Torá teriam violado grosseiramente a Sua Lei, que proíbe, de forma inarredável, a um judeu entregar outro judeu para ser julgado por autoridades não judias - muito menos se este ato redundasse em sua execução. É mister, também, que fique muito claro que o Sanhedrin, de acordo com a sagrada Torá, não podia julgar casos capitais - como nunca o fez - na véspera de Shabat, de Pessach nem de qualquer de suas datas sagradas, pois é contra a lei judaica executar quem quer que seja nos Dias Santificados. Quando o Sanhedrin era forçado a condenar um judeu à morte, ainda que pelo mais hediondo dos crimes ou pecados, essa assembléia de homens sábios empenhava-se ao máximo para preservar a dignidade do indiciado e minimizar sua dor física. No dia da execução do culpado, todos os juízes jejuavam, em sinal de luto pelo réu judeu - um de seus irmãos - que eles próprios haviam condenado à morte. Os magistrados que compunham o Sanhedrin tinham consciência de sua terrível responsabilidade: a de se tornarem parceiros Divinos ao ser o braço da justiça no mundo que Ele criou. Ao tentar emular o Juiz de toda a Terra, eles temperavam a justiça com misericórdia, decretando a pena capital muito raramente, apenas quando de fato não lhes restava alternativa. A restauração do Sanhedrin. Referindo-se ao Sanhedrin, a Torá afirma:.. "deverás... subir ao local (...)" indicando que o lugar escolhido para acolher a Suprema Corte era um dos mais elevados na Terra de Israel. Ao tentar determinar o lugar escolhido por D'us para a construção do Templo Sagrado, o Rei David e o Profeta Samuel guiaram-se por esse versículo. O fato de o local escolhido ter sido determinado por um verso da Torá que, por sua vez, se refere à localização do Sanhedrin, nos revela que a razão primária para a existência do Templo Sagrado era a de sediar a magna instituição. Com efeito, uma das principais funções do Templo era a educativa - "... para que aprendas a temer o Eterno, teu D'us, todos os dias de tua vida" ((Deuteronômio, 14:23). A principal fonte de instrução era o Sanhedrin, cujos magistrados ensinavam a Torá a todo o povo de Israel. E a Lei de Moisés era preservada pelo Sinédrio, que, desta maneira, evitava sua interpretação errônea e aplicação indevida, pois isso daria motivo a fricção e dissidência no seio do povo judeu. Pois que nos ordena a Torá: "Uma mesma Lei, um mesmo estatuto (Torá) haverá para vós..." (Números, 15:16). Hoje, quase dois mil anos depois de destruído o Templo, o Sanhedrin continua a desempenhar um papel dominante na vida do povo judeu. Foi essa corte moldou o judaísmo. Uma tradição diz que a restauração do Sanhedrin precederá a chegada do Messias. Pois que este será Rei de Israel e, portanto, precisa ser confirmado por uma ordenação direta do Sanhedrin. Eis que D'us disse a Seu profeta: "Restituir-te-ei os teus juízes, como eram antigamente, os teus conselheiros, como no princípio; depois te chamarão Cidade da Justiça, Cidade da Fé. Sion será redimida pelo direito; e os que se arrependem, pela justiça" (Isaías, 1:26-27). Por outro lado, um ensinamento nos diz que o Sanhedrin será restaurado após uma parcial reunião dos exilados judeus, antes que seja reconstruída e restaurada Jerusalém; e que o Profeta Eliahu se apresentará perante esta Corte Suprema dos judeus, ao anunciar a chegada do Messias. Por isso, na Amidá, a oração recitada três vezes ao dia, rogamos a D'us que "restitua nossos juízes, como no passado, e nossos conselheiros, como outrora". Por trás desse rogo sente-se a nostalgia judaica que clama pela reconstrução do Templo Sagrado de Jerusalém, para que todos os judeus voltem a se reunir na Terra de Israel e D´us contemple a humanidade com uma era de prosperidade e paz absoluta. www.morasha.com.br. Abraço.Dav
terça-feira, 17 de dezembro de 2024
domingo, 15 de dezembro de 2024
VII. O EVANGELHO DO BUDA
Budismo. Texto do Yogi Kharishnanda Sarawasti (1922-2001). VII. O EVANGELHO DO BUDA. Fundação do Reino da Verdade. Capítulo onze. Os dez pecados e os dez mandamentos. Assim falou o Senhor Buda: “Dez coisas tornam más as ações dos homens. Três são pecados do corpo, quatro os da língua e três os da alma. “Os três pecados do corpo são: o homicídio, o roubo e o adultério. Os quatro da língua são: a mentira, a calúnia, a injúria, as palavras ociosas. Os três pecados da alma são: a avareza, o ódio e o erro. Por isso, dou a vocês os seguintes mandamentos: 1º Não matem. Respeitem todo ser vivente. 2º Não roubem, não furtem. Deixem que cada qual desfrute do resultado do seu trabalho. 3º Evitem toda impureza e sejam castos, em tudo. 4º Não mintam. Digam discretamente a verdade, com suavidade e prudência, de maneira a não ofender. 5º Não murmurem nem sejam eco da maledicência. 6º Não jurem nem blasfemem. Falem com decência e dignidade. 7º Não percam tempo em conversações ociosas. Falem coisas proveitosas ou estejam calados. 8º Não tenham inveja nem cobiça. Alegrem-se com a felicidade alheia. 9º Purifiquem o próprio coração de toda malícia. Não tenham ira nem rancor, nem ódio mesmo contra os que os caluniem e os queiram mal. Sejam toda bondade e benevolência para com os seres vivos. 10º Libertem a mente da escravidão da ignorância, e aprendam a Verdade para que não caiam no ceticismo e no erro. Capítulo doze. A missão do pregador. Assim disse o Senhor Buda: “Como tenho que morrer e não mais poderei edificar o espírito de vocês com sermões e práticas, escolherei dentre vocês os mais idôneos para me sucederem na pregação. “Os escolhidos usarão as vestes do Tathágatha em sua morada e ocupação a sua cátedra. “As vestes do Tathágatha são a sublime compaixão e a inesgotável paciência; sua morada é a caridade e o amor a todos os seres: e sua cátedra é a compreensão e prática da Lei. O pregador tem que expor impavidamente a Verdade. Deve ter o espírito de persuasão, alimentado pela prática da virtude e da fidelidade aos seus votos. O pregador deve manter-se firme em sua missão sem vacilar em cumpri-las. Não deve cair na vaidade de buscar a companhia dos magnatas, nem tampouco há de unir-se aos frívolos e imorais. Se for assaltado pela tentação, deve pensar no Buda com fé que, então, vencerá. O pregador deve acolher com benevolência a todos os que ouvem a sua doutrina, e seus sermões devem estar isentos de toda malícia. Não murmurará dos demais pregadores, e quando tiver que repreender em público, fustigará o pecado, mas sem indicar o pecador. Ocupará a cátedra vestido de uma túnica simples e roupas interiores conveniente, em paz com todo o mundo e sem máculas em sua disposição. Não se distrairá em controvérsias, nem as suscitará com o propósito de mostrar a sua superioridade e o seu talento. Pelo contrário, deve permanecer calmo e tranquilo. Não alimentará nenhum sentimento hostil. Seu principal objetivo deve ser o de ajudar que todo indivíduo siga com pés firmes o reto caminho da iluminação. Se o pregador se aplicar com zelo à sua tarefa, o Tathágata lhe mostrará o transcendente esplendor da lei e as pessoas o honrarão por ter recebido a bênção do Tathágata, porque o Tathágata bendiz o pregador e os que escutam com respeito a sua doutrina. Todos os que compreendem e aceitam a Verdade, aperfeiçoam a sua mente, pois tal é o alcance do poder da doutrina, que uma só frase da Boa Lei é capaz de converter quem a leia, escreva ou recite, pondo-o no caminho da iluminação. Os escravos de paixões impuras se emanciparão ao ouvir a voz do pregador. Os ignorantes adquirirão sabedoria ao meditarem na profundidade da doutrina. Os que agem impulsionados pelo ódio, o converterão em amor e se refugiarão no Buda. O pregador deve ser enérgico, confiante na bondade de sua missão, sem jamais duvidar do êxito final. Deve assemelhar-se ao camponês que, na falta de água para regar, cava a terra árida, e embora encontre areia, não desanima, porém vai mais fundo até encontrar a água fresca de que necessita. Mesmo quando as pessoas se mostrem surdas à voz do pregador, ele sabe que deve ir mais fundo no coração delas. Em suas mãos, Oh! Pregador, deixo a doutrina da Boa Lei. Guardem-na, leiam-na, reliam-na, meditem nela e preguem-na por todo o mundo, a todas as pessoas. O Tathágata não é avaro nem mesquinhamente vaidoso, e deseja que participem da perfeita ciência do Buda todos os que estiverem dispostos a recebe-la. Sejam como ele. Imitem-no. Sigam o seu exemplo, difundindo generosamente a verdade. Reúnam ao redor de vocês todos os que quiserem escutar as doces e consoladoras palavras da Lei. Estimulem os incrédulos a receberam a Verdade e encham de alegria o coração deles. Quando o Senhor Budha terminou a sua prática, os discípulos exclamaram a uma voz, cheios de entusiasmo espiritual. O senhor, que se deleita na bondade que flui da compaixão, é como uma imensa nuvem de qualidades benéficas e excelentes quando o senhor derrama a chuva da Lei, apaga o fogo que abrasa os homens. Nós, senhor, faremos o que ordenar o Tathágata. Obedeceremos às suas palavras. Este novo voto de obediência repercutirá por todo o Universo, e ressoará repetidamente nos ouvidos dos futuros instrutores que vierem a pregar a Boa Lei. E o Bem-aventurado disse: O Tathágata assemelha-se a um rei poderosos que governa o seu reino com justiça, porém precisa repelir o ataque dos seus inimigos. Quando o rei vê seus soldados lutarem, alegra-se com o valor deles. Vocês são os soldados do Tathágata, e o perverso Mara (o destruidor, tentador), o inimigo que se tem de vencer. E aos seus soldados, o Tathágata dará como prêmio a cidade do nirvana, a grande capital da Boa Lei. E o Dharmaraja, o potente rei da justiça, conferirá a seus fiéis o diadema da suprema sabedoria e da eterna felicidade. Cada um no próprio coração, os discípulos fizeram voto de observar fielmente os ensinamentos do Mestre. Os Brâmanes começaram a olhar com receio para aquele homem cuja conduta se harmonizava tão perfeitamente com sua doutrina e ameaçava derrubar o domínio que eles exerciam na consciência do vulgo com seus ritos, cerimônias e sacrifícios em honra aos deuses sempre sedentos do sangue de suas vítimas. Pregação do Buda. Capítulo um. O dhamapada. O dhamapada é o caminho religioso que os discípulos do Senhor Buda seguem. O que somos hoje e o que seremos amanhã depende dos nossos pensamentos. Se procedemos mal, sofremos as consequências; se procedermos bem, nós mesmos nos purificamos. Nem o puro nem o impuro podem purificar o seu próximo. Cada qual deve purificar-se por si mesmo. Os Tathágatas não são nada mais do que pregadores. O homem reflexivo entra no caminho e se emancipa da escravidão de Mara. Quem para quando é preciso andar e entrega-se à preguiça, ou cujos pensamentos são débeis, não encontrará o caminho da iluminação. Aquele que se observa cuidadosamente encontrará a Verdade. Certamente o domínio de si mesmo é difícil, porém, quem se domina saberá dominar os demais. Quem vence a si mesmo é um vencedor mais glorioso do que aquele que sozinho vence mil vezes mil homens no campo de batalha. Os enfatuados dizem: Eu fiz isto. Os outros devem se submeter a mim. Neste negócio, hei de desempenhar o papel mais importante. Os enfatuados não pensam no cumprimento do dever. Pensam unicamente em si mesmos. Querem que tudo sirva de pedestal à vaidade deles. As más ações que nos prejudicam são fáceis de executar. Difíceis são as boas que nos favorecem. Faça o homem com entusiasmo o que lhe cumpre fazer. Muito logo o seu corpo jazerá na terra como um simples tronco. Mas com ele não perecerão as consequências de seus pensamentos. Os bons engendrarão boas ações e os maus engendrarão ações más. A diligência é vida: a preguiça é morte. O diligente está sempre vivo. O preguiçoso, mesmo que viva, está morto. Os que imaginam que o erro é a Verdade e que a verdade é o erro não alcançarão o conhecimento da Verdade, porque estão andando num caminho equivocado. Os que discernem a Verdade do erro e reconhecem a Verdade, alcançarão a meta da libertação. Assim como a chuva penetra na casa mal coberta, do mesmo modo a paixão invade aquele que não tem a razão coberta pelo discernimento. E assim como a água da chuva não invade a casa bem fechada, a paixão não invade aquele que está resguardado pela reflexão. Os regadores levam a água para onde desejam. Os arqueiros disparam a flecha à sua vontade. Os carpinteiros esquadram um pedaço de madeira. Porém, o sábio se modela a si mesmo. Fica indiferente ante o elogio e o insulto, e quando ouve e compreende a lei, mantém-se sereno como um lago de água profunda e tranquila. Quem pensa, fala e age com maldosa intenção, a dor o segue como a roda ao boi que puxa o carro. Não procedam mal, pois nesse caso receberão um doloroso sofrimento. Mais vale agir bem, porque ninguém se arrepende de uma boa ação. Quem peca não se alegra com a recordação do pecado, porque a alegria então sentida se transforma em dor. Quem age bem, regozija-se na sua obra, porque a felicidade é o fruto do bem. Que ninguém se suponha incapaz de proceder mal, dizendo: Jamais me atingirá. Assim como a água pouco a pouco enche o vaso, do mesmo modo o imprudente se deixará invadir lentamente pelo mal. Que ninguém levianamente o bem, dizendo: Nunca o atingirei. Pois assim como a água pouco a pouco enche o vaso, do mesmo modo o sábio aos poucos se encherá da bondade. Como um simples vento arranca uma raizinha, assim Mara (ilusão) vencerá o preguiçoso e o débil que só vive para o prazer, sem refrear seus sentidos. Mas assim como a montanha de granito resiste à violência de um ciclone, também resistirá as tentações de Mara aquele que refreia os sentidos e desdenha os prazeres. O louco que reconhece a sua loucura tem algo de prudente; porém, o louco que se presume sábio está realmente louco. O pecado é como uma flor bela e perfumada: é agradável a vista e ao olfato, porém produz um fruto por demais repugnante e amargo. A virtude é como a flor cercada de espinhos, sem matizes nem aroma, porém cujo fruto é deleitoso aos sentidos do espírito. Muito mal pode causar o ódio ao ódio e um inimigo a outro inimigo, porém, maior mal pode causar a si mesmo o homem mal dirigido. Muito bem pode fazer um homem bem dirigido. A hera (plantas trepadeiras e rasteiras) pode sufocar a árvore que a sustem. Assim também o perverso se degrada até o ponto em que o seu inimigo o desejava ver. O insensato que se afeiçoa aos prazeres a si mesmo se prejudica como se fosse o seu maior inimigo. Os ciclones arrasam os campos. A vaidade, o ódio, a avareza e a luxúria são as más ervas no campo da humanidade. A afeição ao prazer produz desgosto; o temor do sofrimento engendra o medo. Quem não se afeiçoa ao prazer nem teme a dor não conhece o desgosto nem o medo. Quem cede à vaidade e se apega ansiosamente ao prazer, invejará mais tarde aquele que adquiriu a virtude por meio da meditação. Cada qual vê as faltas e os vícios do seu próximo, porém não repara nos seus. Assemelha-se ao trapaceiro jogador de dados. Quem bisbilhota os defeitos alheios e deles se escandaliza aviva o fogo de suas próprias paixões. O homem prudente lamenta-se de seus defeitos e não repara nos defeitos alheios. Ao contrário, observa sempre o aspecto harmonioso do seu próximo. O virtuoso brilha de longe como a manhã nevada. O perverso é invisível como a flecha disparada à noite. Quem busca e consegue o prazer à custa de terceiros ficará escravo das cadeias do egoísmo e não se livrará do ódio. Vença o ódio com o amor, a avareza com a liberalidade, o erro com a verdade, o mal com o bem. Não se extingue o ódio com o ódio, só o amor pode desvanecê-lo. Digam sempre a verdade, não cedam à ira e deem se lhes pedirem. Desse modo vocês alcançarão a divindade. Limpe o prudente as impurezas de sua personalidade como o joalheiro limpa as impurezas da prata, uma após outra, devagar e com cuidado. Não tratem ninguém com violência, e sim, com justiça e segundo a lei. Todos amarão ao virtuoso, inteligente, verdadeiro, justo e cumpridor de seu dever. Assim como a abelha sorve o néctar sem alterar os matizes e nem o perfume da flor, assim vive o sábio entre as pessoas do mundo. Se o viandante não encontrar em seu caminho quem lhe seja igual ou superior, siga sozinho, e não em companhia de algum insensato. Longa é a noite de insônia. Uma légua é ainda mais longa para quem está cansado. Também é longa e penosa a vida para o insensato que desconhece a verdadeira religião. Um único dia da vida para quem conhece e pratica a verdadeira religião vale mais do que cem anos vividos sem conhecê-la. Alguns forjam um dharma arbitrário, maquinam especulações complexas e supõem que só suas teorias podem dar resultados proveitosos. No entanto, a Verdade é uma só, pois no Universo não existem verdades diferente. Se refletirmos no valor de várias teorias, aceitaremos a que nos livra do pecado; porém, seremos capazes de praticá-la? Eis aqui a dificuldade. O melhor caminho é o óctuplo. Não há outro que conduza à purificação da mente. Tudo o mais são ilusões enganosas de Mara, o tentador. Quem segue o caminho óctuplo extingue o sofrimento. O Tathágata disse: Preguei a entrada no caminho quando compreendi que a espinha cravada na carne era indispensável. Não por disciplina nem por votos, e sim por profundo conhecimento, mereci a felicidade da libertação que o homem mundano não pode conhecer. Não descansem, ó discípulos, até que a sede do desejo se extinga. A extinção dos desejos passionais é a melhor religião. O dom da religião supera os demais dons; a doçura da religião é a maior doçura; as delícias da religião superam todas as delícias; e a extinção da sede do desejo aniquila o sofrimento. Assim como o lírio nasce fragrante entre as ruínas, do mesmo modo a disciplina do Buda brilha por sua sabedoria entre as pessoas que se atropelam cegamente. Vivamos felizes e sem ódio entre os que nos odeiem. Vivamos sãos ente os enfermos, generosos entre os avaros, abnegados entre os cobiçosos. Brilha o Sol durante o dia; a luz da Lua durante a noite; cintila a armadura do guerreio; resplandece a mente do pensador em meditação; porém, o fulgor de Buda, o Santo, o Iluminado a todos supera. Livro O Evangelho do Buda. Vida e Doutrina de Sidharta Gautama – o inspirador do Budismo. Abraço. Davi.
sexta-feira, 13 de dezembro de 2024
A UNÇÃO
Editor do mosaico. A UNÇÃO. Tecerei alguns comentários baseados em dois textos bíblicos correlatos, que estão I João 2:20 "E vós tendes a unção do Santo, e sabeis todas as coisas". e versículo 27 do mesmo capítulo "E a unção que vós recebestes dele, fica em vós, e não tendes necessidade que alguém vos ensine; mas como a sua unção vos ensina todas as coisas, e é verdadeira, e não é mentira, como ela vos ensinou, assim nele permanecereis". Brenann Manning (1934-2013) é um autor cristão americano que causa forte impressão em seus leitores. Sua história se identifica com o catolicismo, já que por muitos anos serviu a ordem dos frades menores, franciscanos, cumprindo os votos de pobreza, castidade e fidelidade a igreja. Em seus livros conta importantes episódios relacionados a seu período no catolicismo, experiências marcantes que fizeram crescer sua espiritualidade, acentuando o misticismo individual. Lembro-me, que num de seus escritos relatou uma situação em que esteve, por um período, morando entre os pobres numa cidade da América Central. Através de cartas à amigos nos USA, conseguia comprometimentos à donativos a essa comunidade. Um fato interessante ocorreu, dias antes dele despedir-se da coletividade, um de seus amigos enviou um cheque à uma das famílias com uma quantia razoável. Esse que recebeu a quantia, descontou o cheque, comprou e distribuindo alimentos, roupas e utensílios de pequena necessidade à toda comunidade. Antes de tornar-se franciscano serviu a US Mariner Special force, e por um descuido não foi enviado ao Vietnã, acabou perdendo o voo que transportaria os soldados para a guerra. Dias depois vencia seu prazo na Marinha dando baixa da corporação. Brennan tinha uma amiga com quem se correspondia a anos; os dois acabaram apaixonando-se e decidiram que se casariam. Como ainda estava debaixo dos votos da Ordem, pediu ao seu eclesiástico superior autorização para contrair núpcias. Isso era realmente impossível, pois se ele quisesse assumir esse compromisso deveria desligar-se da igreja. O celibato é condição imprescindível à desenvolver a vida pastoral e clerical. Desse modo espontaneamente foi desligado da ordem franciscana recebendo a carta de exclusão do sacerdócio e meses depois oficializou seu matrimônio. Um fato que Brennan não esconde de seus leitores, era seu vício com a bebida. Por anos foi alcoólatra, mesmo exercendo a vida religiosa, sendo que no catolicismo, seus superiores, tiveram compreensão de sua fraqueza com esperança que se libertaria com o tempo. Como tinha uma ótima retórica e fundamentação teológica, além de filosófica, agora como leigo, era constantemente convidado para fazer conferências e palestras evangelísticas. Isso no meio católico e protestante, mas com o tempo as dioceses o proibiram que ministrar nas paróquias e eventos católicos. Seu casamento durou pouco, pois como se agravava sua condição de alcoólatra era uma situação dificílima para sua esposa suportar com resignação tal estado de entorpecimento produzido pela bebida. Foi tremendamente penoso pra ele o divórcio; nutria uma forte impressão pela família, desejando a felicidade em seu lar com muitos filhos; que não se realizou. Algo que o ajudou muito nesse período da incontinência com a bebida, foi fazer parte do grupo dos alcoólatras anônimos. Com esse grupo e com outros, Brenann, elaborava palestras motivacionais e testemunho de como enfrentavam o alcoolismo e outras questões. Já no início dos anos 80 reunia grupos de homoafetivos em congresso, ministrando-lhes o amor de Cristo numa mensagem de tolerância, compreensão e integração social. Mostrando-lhes que Deus os amava como eram, e sua sexualidade podia ser desenvolvida sem culpa ou pecado, desde que, se comprometessem com seu parceiro num amor mútuo, afinidade e cumplicidade no relacionamento. Isso escandalizava os líderes cristãos da época. Num de seus livros O Evangelho Maltrapilho, Brenann, fala que as prostitutas estão no céu junto com todos os filhos de Deus. Uma referência ao famoso escritor russo Fiodor Dostoievsky (1821-1881) que com a personagem Sonia Marmeladov da obra Crime e Castigo, cujo primeiro nome significa sabedoria, tipificou a prostituta, não só para ilustrar a misericórdia divina com relação a mulher "caída", mas para ter dela sua própria salvação através da extravagante graça divina. Esse irmão em Cristo, morreu em abril de 2013 com 81 anos. Sua velhice foi bastante complicada em termos de saúde, já que adquirindo uma doença rara perdeu a visão, tinha dificuldade em se locomover, sendo carregado nos deslocamentos básicos como tomar banho, deitar-se e levantar-se. Se alimentava com auxílio de um enfermeiro. Muitos desses fatos estão relatados em seus livros, tendo muita coragem e confiando na graça divina para expor suas fraquezas ao público; coisa que já vi, mas em pouquíssimos escritores. Assim, em seus últimos dias viveu praticamente amparado, sendo guardado e sustentado pela graça divina da qual ele tanto fala em seus vários livros publicados; pelo seu testemunho pessoal nunca se afastando dela. Um exemplo, a graça divina, a ser seguido por nós. E quanto ao alcoolismo, ele se curou, talvez alguns de vocês estejam se perguntando? Bem, quanto a isso não tenho resposta. O Brennan tem um interessante livro com o título Deus o Ama do Jeito que Você É. Também O Impostor que Morra em Mim e O Obstinado Amor de Deus são outros excelentes livros. Infelizmente por tentar ser uma pessoa autêntica, procurando em suas palavras e atos ser genuíno, esse irmão foi muito criticado pela liderança cristã em seu país e seus livros ainda hoje são visto com reservas pelos ortodoxos e dogmáticos da teologia. Os que leem sua obra se apaixonam por saber que alguns confiando na graça divina, vivem a vida com intensidade dando frutos dignos de arrependimento. As vezes ficamos pensamos, mas porque sofremos? Sendo esse sofrimento causado pelos nossos pecados e outros fatores, o que devemos fazer para nos livrar dessa situação? Nessa particularidade é interessante acrescentarmos aquilo que Jesus falou em João 16:33 "Tenho vos dito isso, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo". As palavras do mestre são enfáticas ao asseverar que todos os seres, humanos e não humanos, sem distinção terão que enfrentar o sofrimento em suas vidas. Ele se manifesta em nosso nascimento, crescimento, envelhecimento e morte. Para um entendimento mais abrangente desse tema, sofrimento, precisamos ter a ideia de que, estamos nesse mundo de passagem; “forasteiros e peregrinos” como a bíblia fala em I Pedro 2:11; estivemos aqui antes, estamos hoje e retornaremos depois, quantas vezes forem necessárias pelos renascimentos. Do contrário não temos como justificar que alguém que conhecemos, vivendo de maneira justa, reta e integra diante de Deus sofra terríveis vicissitudes em sua vida. O sofrimento funciona como ajuste e correção de situações não resolvidas no passado, aperfeiçoando e desenvolvendo a vida presente. Ao referir-se a paz, imagino que o Mestre quis dizer, que o sofrimento é além de uma disciplina corretiva ao nosso ser, também o processo inevitável que nos conduzirá ao progresso espiritual. Como é dito em Gálatas 6:7 "(...) tudo o que o homem semear isso também ceifará". Dessa maneira, as situações que enfrentamos em nossas vidas são resultados daquilo que fizemos, no passado ou no presente, para recebermos como consequência o que estamos colhendo. Não tenho a intenção de insinuar um determinismo ou predestinação, mas nossos atos são resultado daquilo que escolhemos baseados em nossa vontade. Assim os dois aspectos conjugados reproduzem a evolução de nossa consciência espiritual; um nos levará infalivelmente ao Logos Eterno, o outro disciplina, corrigindo, nosso comportamento e conduta nos renascimentos. Um bom exemplo como ilustração é o da lagarta que está sendo preparada para ser uma linda borboleta. Por um período de tempo ela sofre em seu casulo com terríveis dores advindas da metamorfose, transformação, pela qual passa, mudando completamente sua aparência física, incluindo nervos, peles, músculos, asas, antenas e outros adaptadores. Tudo para viver sua elevada vida de borboleta, que voando por galhos, árvores e flores, distribui o pólen, para reprodução dos vegetais, disseminando vida em abundância na natureza. Desse modo, abandona a primitiva e rastejante forma de lagarta, que contamina e infesta degradante mente a vida vegetal e animal. Acho que nessa vida estamos também passando por um processo semelhante. Nossa personalidade terrena, apegada ao materialismo e desejos egoístas de nossa vontade precisa ser depurada pelo fogo, sofrimento, que limpará toda a impureza e sordidez incrustadas pelo pecado, onde nesse estágio espiritual somos introduzidos numa individualidade límpida, pura e santa que culminará com nossa salvação completa, tornando-nos homem perfeito como dito em Efésios 4;13 "Até que todos cheguemos a unidade da fé, e ao conhecimento do filho de Deus, a homem perfeito, a medida da estatura completa de Cristo". Acontece que muitas vidas serão necessárias à que cheguemos no topo da escada de Jacó, onde os anjos de Deus subiam e desciam por ela. Assim cotidianamente estamos aprendendo as lições ensinadas pela escola da vida, em alguns testes somos aprovados, mas em outros, temos que repetir a mesma aula. A pedagogia da vida é tão maravilhosa que nos dá tantas oportunidades, quantas forem necessárias para que aprendamos a lição, sendo aprovados no exame. Mas o que a unção tem a ver, com o que acabamos de falar? Acho que tudo, pois ela é a chave da solução do problema do sofrimento; a iniciadora e finalizadora do estágio de nossa transformação à estatura completa de Cristo. A unção, entendo, como nosso mestre espiritual, nosso guru interno ou o Espírito Santo que faz morada em nosso ser. Podemos inferir da passagem bíblica de I João 2:27, que a responsabilidade pelas escolhas quando passadas pelo crivo da vontade é individual, sendo legitimadas pelo livre arbítrio. Deus nos outorga essa liberdade sem interferir em nossa decisão, respeitando e abençoando o caminho que escolhemos, dentro daquilo que compreendemos como o melhor para proporcionar-nos felicidade e paz. Os dois textos da unção, penso, deixa claro que nossa opinião sobre nossos problemas tem preponderância sobre aquilo que os outros dizem sobre eles. Em outras palavras, posso ouvir o que as pessoas tem a dizer sobre o que estou vivendo no presente, mas esses conselhos posso aceitá-los ou rejeitá-los, dependendo do que seja melhor para mim e minha família. Em alguns casos por assumirmos um excesso de preciosismo pela organização ou instituição onde estamos afiliados, confundimos nossas escolhas públicas com as privadas. Uma está na esfera geral e comum, onde compartilhamos a responsabilidade com o grupo onde estamos inserido. A outra é particular, em nosso foro íntimo como obrigação exclusiva. Sendo que nessa situação respondemos diante de Deus pessoalmente pelo que decidimos; a despeito do que falou qualquer irmão ou amigo. Essa última instância, a privada, está ligada a unção interior comentada pelo apóstolo João em sua carta que citamos no início. O zelo exagerado, expresso em nossa espiritualização, impessoaliza a deliberação, fragilizando nosso pensamento em relação ao conflito ou questão que enfrentamos, criando dúvida se nossa escolha foi correta ou incorreta. A falsa impressão de que devemos dividir com outros, os lucros ou perdas de nossas escolhas acaba comprometendo o livre arbítrio, retirando parte de nossa liberdade, mas ao final das contas, apenas nós arcaremos com o ônus ou bônus de nossa escolha. Assim, nossa consciência ganha importância fundamental nas decisões que temos de tomar. Precisamos estar sensíveis a voz interior manifestada na intuição, percepção, sensação e sentimento. Em questão de consciência não devemos nos deixar influenciar por terceiro, a obrigação do direcionamento de qual caminho vamos tomar é inteiramente nossa, e tenhamos certeza que, nosso mestre, a unção interior, nos conduzirá pela senda que trará progresso espiritual, felicidade, amor e paz. Buda disse: "Veja o falso como falso, o verdadeiro como verdadeiro. Olhe para o seu coração. Siga a sua natureza". Osho (1931-1990) explicando esse aforismo diz: "Buda não está dizendo, siga as escrituras. Ele não está dizendo siga-me. Ele não está dizendo, siga certas regras de conduta. Ele não está ensinando a você qualquer moralidade. Ele não está tentando criar um certo caráter em você, porque todo caráter é uma bela cela de prisão. Ele não está dando a você um certo caminho para viver. Ao invés disso, ele está lhe dando coragem para seguir a sua própria natureza. Ele quer que você seja corajoso o bastante para ouvir o seu próprio coração, e seguir de acordo com ele. Siga a sua natureza, quer dizer, flua com você mesmo. Você é a escritura (...) e escondido lá no fundo de você ainda está uma pequena voz. Se você se tornar silencioso, você será guiado por ela". Abraço. Davi.
quinta-feira, 12 de dezembro de 2024
RITUAL. Parte II
Religião Afro-brasileira. Umbanda. Por Rubens Saraceni (1951-2015). RITUAL. Parte II. A Umbanda nasceu no meio do culto de Nação ou Candomblé, e foi se destacando até poder caminhar com as próprias pernas e trilhar seu caminho luminoso. Gêges, nagôs, Ketos, angolas, minas, bantos, indígenas etc. Todos contribuíram com a Umbanda, todos em suas linhas, assim como estão em suas divindades, não importando se os chamam de Orixás, voduns, inquices etc. Na Umbanda, todos recebem o nome de “Orixás”, os Senhores do Alto! Mas antes ela foi toda pensada no astral e idealizada para que tivesse em si mesma tantos recursos quantos lhes fossem possíveis ou permitidos. Um ritual criado hoje já é bem visível nas milhares de tendas de Umbanda espalhadas pelo Brasil. O ritual é simples e, às vezes, até impressiona pela forma como o realizam. Mas, sempre que uma engira é formada, a onipresença dos sagrados Orixás é percebida pelos médiuns já plenamente desenvolvidos percepcionalmente e com os canais mediúnicos abertos. Normalmente, as tendas centralizam seus trabalhos na linha dos caboclos, pretos-velhos e exus. Mas algumas abrem seus espaços religiosos para que outras linhas espirituais possam atuar por meio da incorporação e comunicação mediúnica. Quem iniciou as linhas de baianos, boiadeiros e marinheiros, isso não importa, porque o fato é que os espíritos se manifestam de forma característica e visam a descontrair os ambientes de trabalhos espirituais. Nós temos os pretos-velhos ou “linha das Almas”, regidos pelo mistério “Obaluaiê”. Temos os caboclos de Oxóssi, de Ogum, de Xangô etc. Temos as caboclas de Oxum, Iansã, Nanã e Iemanjá etc. Temos os exus de todos os Orixás. Logo perguntam-nos: Quem são os baianos, boiadeiros e os marinheiros? Bom, os baianos são regidos pelo Tempo (Oyá), sendo os espíritos que antes de desencarnarem cultuavam os encantados (Orixás) e eram, em sua maioria, pais e mães no Santo. Os boiadeiros, em sua maioria, são espíritos que estavam incorporados as linhas de exus, mas adquiriram créditos pra atuarem a direita dos senhores Orixás intermediários. Assim, Umbanda é evolução espiritual contínua e não nega a ninguém uma oportunidade de ascender nas suas linhas de trabalho. Só os ignorantes negam essa possibilidade aos espíritos que atuam nas linhas de Umbanda. Uns tolos até duvidam quando um boiadeiro diz que já foi Exu. Todavia adquiriu grau para atuar em uma linha de “direita”. Já vimos alguns umbandistas escreverem livros de Umbanda nos quais negam essa possibilidade, essa ascensão nas linhas de Umbanda. Mas tais pessoas desconhecem a extrema mobilidade que existe nessas linhas. Nelas, os graus de evolução individual são os diferenciadores. Se nas linhas de exus a Umbanda incorpora todos os espíritos que desejam reparar seus erros, falhas e pecados, no entanto, não paralisa a nenhum deles. Muito pelo contrário, estimula-os a resgatarem seus carmas e a se libertarem das ligações com as trevas mais densas. Só assim ascenderão aos níveis superiores da espiritualidade. Esses supostos escritores de Umbanda nada entendem de evolução, religião ou Orixás. Tentam passar a falsa ideia de que se um espírito é, hoje, um Exu, amanhã terá de continuar Exu. Senão não tem um aproveitamento positivo dentro da Umbanda. Ledo engano. O que mais distingue a Umbanda como religião é justamente essas oportunidades que oferece aos espíritos. Assim vão evoluindo e ascendendo dentro de suas linhas de ação e trabalhos espirituais. Pessoas desprovidas do real conhecimento da Umbanda melhor fariam se permanecessem caladas, pois não são poucos os atuais caboclos que no início da Umbanda atuavam como exus de Lei. Contudo evoluíram e ascenderam tanto que optaram por atuar a partir da “direita”. Umbanda é evolução e ascensão, e não nega a nenhum espírito uma oportunidade, regido pela Lei de Umbanda Sagrada, de retomar a senda da Luz, da Lei e da Vida. Por “mistos” entendam vários Orixás. Então temos: O mistério “Caboclo”. O mistério “Preto-Velho”. O mistério “Criança”. O mistério Baiano. O mistério “Boiadeiro”. O mistério” Marinheiro”. O mistério” Exu”. Oyá, caso não saibam, é a regente feminina da linha de forças religiosas, conhecida como “linha do Tempo”. Nessa linha, ela forma um par vibratório com o Orixá Obaluaiê. Ela recolhe os eguns e os encaminha a Obaluaiê, que os ordena e os distribui nos subníveis vibratórios, para que retomem suas evoluções, já ordenadas pela Lei (Ogum) e amparadas pela Justiça (Xangô). Para que retornem a Vida (Iemanjá), voltando a vibrar sentimento de Amor (Oxum) para toda a humanidade (Oxalá). Obaluaiê, como já ensinamos em outros livros, é o polo masculino regente da linha da Evolução, que tem em seu polo feminino a Orixá Nanâ Buruquê. Infelizmente, os escritores de Umbanda só veem em Obaluaiê o curador de doenças da matéria, pois foi isso que mais o distinguiu entre os sacerdotes africanos que mais se destaca em sua lenda. Desconhecem que, sendo ele uma divindade planetária, atua mais sobre o espírito do que sobre a carne e que, se cura as “almas” é porque as recoloca na senda da evolução mental e da ascensão espiritual. Bom, deixemos de ser críticos ásperos e retomemos o tema de nosso comentário. O fato é que o ritual é simples, e se os caboclos estão incorporados atendendo os fiéis de Umbanda. No entanto, estão presentes, e invisíveis, muitos espíritos que pertencem a outras linhas de trabalho. Por isso, quando uma “sobe” outra é chamada e se manifesta. Se o dirigente espiritual tem afinidades e desenvolveu suas ligações com linhas de baianos, boiadeiros e marinheiros, basta a ele invocá-las com cantos rituais próprios que eles se manifestam amparados pelos Orixás. Isso deve ser salientado, porque dentro e um centro de Umbanda Sagrada só se manifestam espíritos regidos pelos Orixás. Mesmo os quiumbas, os sofredores etc., são regidos pelos Orixás, só que ainda desconhecem isso e vão sendo despertados lentamente quando doutrinados pelos médiuns. Eventuais quiumbas, zombeteiros, eguns soltos no tempo etc. Só se manifestam e mistificam um trabalho se os Orixás se afastarem do dirigente dos trabalhos. Mas aí, bem, aí o “Tempo” o está punindo e redirecionando, porque ele falhou em alguma coisa, e de forma tão acentuada que. Ou retoma a linha ou será escravo do baixo astral, que o usará e dele abusara, em uma justa punição. Afinal, se o ritual é simples e nos coloca em comunicação com universo astral regido pelos sagrados Orixás. A simplicidade visa dar maior praticidade aos trabalhos e não admite desleixo, desrespeito ou falta de fé no que se faz. Entidades, que faltam com o respeito as pessoas, estes são os tão falados quiumbas. Num espaço dedicado as práticas religiosas de Umbanda não se admitem palavras de baixo calão ou ofensas aos frequentadores. Como fazem alguns espíritos mistificadores que incorporam em médiuns relapsos. Mas estes, se doutrinados ou chamados a atenção, logo se emendam ou se afastam ou são afastados por guias doutrinadores aplicadores de corretivos nos espíritos indisciplinados. O ritual procura ser prático e recorre a simplicidade, não exigindo dos espíritos manifestantes a erudição verborrágica. No entanto, tão somente a comunicação simples e objetiva que toca fundo no íntimo dos consulentes. Página 93. Abraços. Davi
terça-feira, 10 de dezembro de 2024
II. LIVRO JUDAICO DOS PORQUÊS
Judaísmo. Por Alfred J. Kolatch (1916-2007). II. LIVRO JUDAÍCO DOS PORQUÊS. 4. Por que os judeus rejeitam a doutrina do pecado original? Santo Agostinho (354-430) foi o primeiro teólogo que ensinou que o ser humano vem a este mundo em estado de pecado. A base desta crença é dada na Bíblia (Gênesis 3.17-19, onde Adão aparece desobedecendo a Deus por haver comido do fruto proibido da árvore do conhecimento no Gan Éden. Este primeiro pecado do ser humano passu a ser conhecido como pecado original. Muitos cristãos, ainda em nossos dias, em especial, os anglicanos, católicos, luteranos, metodistas, presbiterianos, aderem a este princípio. Segundo eles, o pecado de Adão foi transferido a todas as gerações posteriores, maculando assim os que nem haviam nascidos. Justificando este ponto de vista, São Paulo escreveu em Romanos 5,12 “Portanto, como o pecado entrou no mundo por meio de um homem, e pelo pecado a morte, assim a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram. Mais adiante, acrescente que “porque assim como, ocorreu, pela desobediência de um homem, os muitos foram constituídos em pecadores ...” Então, como alguém pode remover de si mesmo a carga do pecado original? O cristianismo responde que somente através da aceitação de Jesus Cristo a “graça” de Deus pode retornar aos seres humanos. Portanto, um cristão só tem que crer em Jesus para se salvar. Nada mais é exigido dele. Para os judeus, assim como para as seitas cristãs fundamentalistas, tais como os batistas e as Assembleias de Deus, a doutrina do pecado original é totalmente inaceitável. Os judeus creem que o homem chegou a este mundo sem pecado, com a alma pura, inocente e sem mácula. Ainda que tenha havido mestres judeus nos tempos talmúdicos que acreditavam que a morte era um castigo imposto por Deus sobre a humanidade por causa do pecado de Adão. Prevaleceu a tese de que os pecados do ser humano são consequência de sua imperfeição e não, como prega o cristianismo, uma herança. 5. Por que os judeus rejeitam o conceito cristão de expiação através de outro? Segundo a doutrina cristã, I Coríntios 15,22, a carga de pecado original foi retirada dos seres humanos quando Jesus morreu por eles na cruz. Jesus teria sido, portanto, o cordeiro sacrificado para que o ser humano, nascido em estado de pecado, fosse salvo e restaurado a um estado de pureza. Este conceito da expiação dos pecados através de outro, que segundo os cristãos já foi previsto na profecia de Isaías. Especialmente a descrita no capítulo 53, está em desacordo com a crença judaica de que o ser humano não somente nasceu livre de pecado, mas também que cada indivíduo é responsável por seus próprios atos. Desde os tempos de Moisés, o judaísmo acredita que um terceiro não pode trazer absolvição ou redenção a um indivíduo. Moisés pediu a Deus que fosse o único a pagar pelo pecado de Israel pela adoração do bezerro de ouro Êxodo 32,33. Mas Deus lhe respondeu que “Aquele que pecar contra mim, a este riscarei de meu livro”. Este conceito é repetido em Jeremias 31,29-30 e em Ezequiel 18,2. Ainda que o judaísmo se oponha definitivamente a esta ideia da expiação dos pecados através de outro ser humano, não descarta completamente a expiação que possa ser realizada através de animais ou objetos. A Bíblia fala do bode expiatório, sa’ir laazazel, que tornou seus os pecados dos filhos de Israel e foi enviado ao deserto no Iom Kipúr Levítico 16,10. Até o presente, está em vigor o costume das caparót, uma galinha, um galo ou dinheiro é usado como instrumento pra que alguém fique livre de seus pecados. 6. Por que os judeus e os cristãos estão em desacordo a respeito do fruto que Adão e Eva comeram no Gan Éden? A Bíblia não especifica o tipo de fruto que Eva ofereceu a Adão. O Gênesis 3,6 diz simplesmente: “E viu a mulher que a árvore era boa para comer, e árvore cobiçável para alcançar a sabedoria. E tomou de seu fruto e comeu. E deu a seu marido, que comeu assim como ela”. O capítulo em questão não menciona em momento algum o nome do fruto. Na tradição cristã, o fruto oferecido por Eva é uma maça. É assim que a Vulgata, tradução latina da Bíblia, apresenta as palavras da Bíblia Hebraica. Na tradição judaica, o fruto é o figo, pois no versículo seguinte, Gênesis 3,7, está escrito que, como resultado de comer o furto, “foram abertos os olhos de ambos, e perceberam que estavam nus. Então coseram folhas de figueira, e fizeram pra si cintos”. É razoável, assim, presumir que, como foi uma figueira que proporcionou a Adão e Eva as folhas necessárias, o fruto comido por ambos é o fruto desta árvore. O Talmud e o Midrash sugerem outros frutos, tais como o etrog, cidra, e a alfarroba. Outros vão mais além e sustentam que foi trigo o que comeram. Já que a palavra hebraica para trigo é chita, que é similar ao vocábulo pra pecado, chet. Tais hipóteses se baseiam geralmente em interpretações exegéticas. 7. Por que os judeus rejeitam o dogma da virgindade da progenitora de Jesus? Baseando-se em Isaías 7,14, os cristãos afirmam que o nascimento de Jesus foi predito muito antes do evento em si. O versículo diz: “Eis que a almá conceberá e dará a luz um filho e chamará seu nome Emanuel”. Ainda que a palavra hebraica almá signifique literalmente “mulher jovem”, quando o Evangelho segundo Mateus 1,23 cita o versículo de Isaías, traduz almá como “virgem”. Esta tradução se acomoda ao argumento de que o milagroso nascimento de Jesus foi previsto já no Antigo Testamento. Apesar de a Septuaginta, redigida por judeus, também traduzir almá como “virgem”, o conceito de milagre no caso de uma virgem dando à luz se opõe àquilo que o judaísmo normativo aceita como milagre. Além disto, os sábios judeus rejeitam a noção de uma virgem dando à luz pois, em Isaías 7,14 a palavra almá faz parte da frase há-almá que significa “almá está grávida”. Considerando-se que o tempo presente é usado, é claro que esta jovem já estava grávida, sendo assim, havia deixado de ser virgem. Sendo este o caso, o versículo em questão não pode ser interpretado como uma predição do futuro. Por outro lado, os estudiosos judeus, em alguns casos apoiados por colegas cristãos, sublinharam o fato de que a palavra almá citada em Isaías 7,14 mal pode significar “virgem”. Posto que, em toda a Bíblia, é a palavra hebraica betulá que aparece quando se faz qualquer referência a uma virgem. Quando, em 1952, publicou-se uma versão revisada da Bíblia em inglês, as palavras “mulher jovem” foram usadas no lugar de “virgem” ao traduzir-se o vocábulo amá de Isaías 7,14.Isto irritou a comunidade fundamentalista cristã, que continua sustentando que almá refere-se à mãe de Jesus, que concebeu milagrosamente sem haver copulado com homem algum. Estes fundamentalistas expressaram sua veemente oposição a nova tradução queimando a edição revisada da Bíblia. Abraço. Davi
domingo, 8 de dezembro de 2024
ABRA SEU CORAÇÃO
Espiritualidade. www.oshobrasil.com.br. Texto de Rajneesh Chandra Mohan Jain – Osho (1931-1990). ABRA SEU CORAÇÃO. Osho – Na maior parte da minha vida, eu me mantive à distância, separado e isolado, e, assim, eu tenho estado protegido das pessoas e situações. O meu medo mais íntimo sempre foi o de abrir meu coração totalmente. O vasto amor que eu sinto poderia derramar-se com água de um poço transbordando e seria perdido, desviado ou rejeitado. Minha essência é como uma flor delicada, e se ela florescesse num terreno errado ela poderia com facilidade ser maldosamente machucada ou destruída. Este é o meu medo. Seria este o tempo e o lugar para abrir o meu coração totalmente? Tom Cassidy – Este é um dos medos mais básicos de todos os seres humanos. Este é o medo que tem dado origem aos monges e às freiras. Todo o passado da humanidade foi dominado por esse medo, como um câncer da alma. Parece muito lógico que, se você compartilhar o seu amor, ele será desperdiçado e logo você ficará infeliz. Essa é a lei comum da economia: se você quiser ter mais dinheiro, não o compartilhe, seja miserável. Ganhe o tanto que você conseguir e dê o mínimo possível. Somente assim você consegue acumular e ficar rico. Isso é verdadeiro no que se refere ao mundo exterior, mas é absolutamente falso quanto ao mundo interior; ali funciona uma lei totalmente diferente. A lei interna é: se você não dá, você perde; se você dá, você conserva. Quanto mais você dá, mais você tem. Quanto menos você dá, menos você tem. Se você não der nada, nada terá; ficará completamente vazio, um túmulo, e dentro do túmulo não há qualquer possibilidade de uma flor desabrochar. As flores necessitam do sol, da chuva, do vento, das estrelas, do céu, dos pássaros, da Terra. Por mais delicada que ela seja, ela necessita abrir-se para a existência. Em tal abertura, a fragrância é liberada, o esplendor que estava preso é liberado. Tom, você é basicamente um monge. A palavra monge é significativa; ela quer dizer “aquele que vive uma vida solitária”, aquele que vive uma vida sem relacionamentos, sem relações, sem amar, sem compartilhar; aquele que vive uma vida sem janelas, fechado por todos os lados, completamente fechado em si mesmo devido ao medo de que, se abrir, quem sabe o que acontecerá com seu coração sensível, com seu delicado ser interior? Ele tem medo de rejeição, medo de situações, medo do desconhecido. Ele se agarra a si mesmo, mas esse agarrar só lhe traz “morte”. Ele pode seguir arrastando-se por anos, mas isto não é vida, isto é suicídio lento. A própria palavra monge quer dizer aquele que decidiu viver uma vida solitária. Da mesma raiz vem monastério, onde as pessoas vivem solitariamente. Da mesma palavra vêm outros como monopólio, monotonia, monogamia. Tentar viver por si mesmo, desconectado dos outros, é a ideia mais perigosa que alguém pode ter, e uma vez que ela começa a tomar um colorido religioso, fica muito difícil livrar-se dela, pois ela satisfaz o seu ego, ela alimenta tudo o que é errado em você e destrói tudo o que é belo em você. Dentro de um túmulo não há qualquer possibilidade de rosas desabrocharem, mas existe a possibilidade de cobras, escorpiões e aranhas; tudo o que é feio e venenoso. Se o túmulo está completamente fechado, o seu próprio ar se torna venenoso. E milhões de pessoas estão vivendo a vida de monges e freiras. Elas podem não ter ido para o monastério, elas podem estar vivendo com suas esposas e filhos, mas estão fechadas. Eles podem estar vivendo no mundo, mas se protegendo muito, sempre cautelosas e calculando, para que suas vidas não tenham qualquer alegria, dança ou canção. É preciso um pouco de coragem para fazer da vida uma celebração. Você diz, Tom: Na maior parte da minha vida, eu me mantive à distância (...). Você tem sido um suicida! Vida significa estar junto, com a existência, com as árvores, com os rios, com as pedras, com as pessoas, com os animais, com tudo o que é. A única maneira de tornar a sua vida rica é relacionar-se com ela . Quanto mais você se relaciona, mais multidimensionalmente você é, mais rico você é, mais você cresce e desabrocha. Ainda há tempo. Abandone esta ideia estúpida de estar à distância, separado e isolado. Isto você pode fazer depois de morrer! Então você terá tempo, mais do que suficiente. Pelo seu nome, parece que você é um cristão. Então, até o dia do julgamento final, você terá tempo mais do que suficiente. Você poderá viver como um monge em seu túmulo, e você poderá guardar a bíblia e o rosário com você. Mas enquanto você estiver vivo, enquanto está imensa oportunidade estiver sendo dada a você, viva-a, alegre-se com ela. Jesus disse repetidas vezes aos seus discípulos: “alegrai-vos sempre no Senhor, outra vez vos digo – alegrai-vos”, Filipenses 4,4. Jesus não era um monge, ele era um homem vivo. Ele viveu com todo tipo de pessoas, os jogadores, os bêbados, as prostitutas, os pecadores, os cobradores de impostos. Ele viveu – e não com a ideia de que era “mais santo do que você”, ele viveu com grande amizade. Ele gostava das festas que se prolongavam, das danças e da música. E, acredite, ele não estava constantemente evangelizando, ela fazia especulações também. E ele bebia, ele gostava de vinho – e ele compartilhava isso com seus discípulos. O jejum não era o seu caminho, mas sim a festa. Não seja monacal (hábito de reclusão, solidão). Ser um homem é uma oportunidade tão grande que não há necessidade alguma de desperdiça-la. E lembre-se de uma coisa: as coisas das quais você tem medo (...) de abrir meu coração totalmente. O vasto amor que eu sinto poderia derramar-se como água de um poço transbordando (...). Por quem você está sentindo este vasto amor? Só por você mesmo? Porque amar significa ter uma direção, um objeto. O amor é sempre endereçado a alguém. A quem o seu amor é endereçado? Você é como um envelope ainda não aberto: você nem mesmo leu o que está escrito na carta, você nem sabe se existe uma carta dentro ou se está simplesmente carregando um envelope vazio. A não ser que abra o envelope, você nunca saberá. Abra-o! E lembre-se, o poço nunca se esgota porque no fundo ele é conectado ao oceano. O oceano está continuamente alcançando-o em pequenas nascentes. Na verdade, se você não tirar água do poço, ele morrerá, porque as nascentes não serão mais necessárias e ficarão bloqueadas. Não sendo usadas, elas perderão a sua função, e a velha água se tornará estragada e morta, talvez venenosa. É bom para o poço que sua água seja tirada. Quanto mais água você tirar, mais correntes de água fresca chegarão ao poço. O poço não está desconectado da existência. Certamente o seu coração é um poço. Se ele for mantido fechado, você não captará a energia do Universo fluindo para você. Continue se esvaziando e você ficará surpreso; quanto mais se esvaziar, mais cheio você ficará. Por isto é que Gautama, o Budha, enfatiza a palavra shunya, zero. Torne-se um zero! Se quiser tornar-se cheio, a sua mensagem é, simplesmente se torne vazio, um nada, só espaço, puro espaço, um espaço sem limites contendo nada. Apenas esvazie-se totalmente e, você não será capaz de acreditar, um milagre acontece. Quando você está totalmente vazio, a existência toda entra em você. Todas as estrelas estão dentro de você, assim como o sol e a lua. De repente você se vê tão vasto quanto o Universo. Ser nada é a única maneira de ser tudo. Ser ninguém é a única maneira de ser divino. O vazio traz o divino. E não se preocupe com seu amor ficando perdido; nada jamais é perdido. O mundo sempre contém a mesma quantidade de tudo, nem mais nem menos. Isso agora é um fato científico; não existe um simples átomo a menos ou a mais do que o que sempre existiu. A quantidade do Universo permanece absolutamente a mesma, pois de onde alguma coisa nova pode vir? A existência compreende tudo, não existe “algum outro lugar”. E para que outro lugar qualquer coisa pode ir? Não existe outro lugar para se ir, assim, nada jamais é perdido. Talvez possa demorar um pouco mais para se alcançar a pessoa certa, mas sempre se alcança. Cante a canção e não se preocupe! Ela alcançará a pessoa certa no tempo certo. Se não for hoje, será amanhã, se não for nesta sua vida, então em algum outro tempo. Mas ela alcançará, com certeza. Ela sempre encontra a pessoa certa que pode absorvê-la. Simplesmente cante a canção. Não se preocupe com quem ela irá alcançar; toda a sua preocupação deve ser: cantar com totalidade, e isso é tudo. Mais do que isso, não é exigido de ninguém. Não lhe cabe saber se ela será ouvida ou não. Quando uma flor nasce no meio de uma selva, ela não está preocupada se alguém vai passar por ali, ela simplesmente libera a fragrância. Se ela alcançar alguém para cheirá-la, ótimo: se ela não alcançar, qual o problema? A flor desabrochou, ela se ofereceu ao Universo. Agora fica por conta do Universo fazer o que quiser com ela. Nada jamais é perdido, desviado ou rejeitado. Mas as pessoas se sentem muitas vezes rejeitadas porque antes mesmo delas darem algo, já existe a expectativa. Se sua expectativa não for satisfeita, elas se sentem rejeitadas. É a expectativa que está criando problema, não o amor. Dê o amor sem qualquer corda amarando-o. Dê o amor pelo puro prazer de dar. Alegre-se dando-o. O pássaro cuco ao cantar distante, não se preocupa se alguém está gostando ou não. A estrela distante – você pensa que ela está preocupada se um poeta está escrevendo um belo poema sobre ela ou se um Vincent van Gogh (1853-1890) está pintando-a, ou se um fotógrafo ou um astrônomo estão preocupados com ela? A estrela não está interessada nisso. A sua alegria está em continuar brilhando. Simplesmente abra o seu coração, Tom Cassidy. E abra-o totalmente, sem quaisquer expectativas e condições. É certo que ele alcançará o coração certo: isto sempre acontece. Quando eu comecei a cantar a minha canção, não havia ninguém para ouvi-la. Depois as pessoas começaram a chegar. Eu fiquei surpreso: como elas ouviram? Por que essas pessoas continuam vindo? De todas as direções, de todo o mundo as pessoas começaram a vir. Como você chegou aqui? E eu não estava esperando que alguém viesse. Eu estava simplesmente cantando a minha canção, eu estava desfrutando isso. Há poucos dias um sannyasin, perguntou: Osho, eu tive um sonho: eu estava sentado sozinho no Budha Hall e então você chegou. Você sentou-se na cadeira e eu fiquei muito intrigado porque eu estava só e não avia mais ninguém no Budha Hall, todo ele estava vazio. E eu estava preocupado com o que você iria fazer. Não precisa se preocupar, eu farei a minha parte. Eu não posso deixa-lo só. Eu falarei para você por uma hora e meia continuamente. E você também não pode escapar. Quando há muitas pessoas, umas poucas conseguem escapar, mas se você está sozinho, para onde poderá ir? Eu seguirei você! Sem pessoa alguma, ainda que você não esteja lá, eu estarei sozinho no Budha Hall, eu cantarei aminha canção. Tente isso um dia! Eu ainda contarei minhas piadas e se não houver ninguém para rir delas, eu mesmo rirei. Se não for de piada, porque eu já a conheço, estarei rindo do fato de não ter ninguém lá e, ainda assim, eu estar contando uma piada! Que ridículo! Tom, não se preocupe. Você diz: Minha essência é como uma flor delicada (...). Então, permita que ela assim seja! Ela é bela, ela é uma flor delicada. Permita que os outros também participem de sua fragrância, permita que os outros também bebam de sua fonte. Logo a flor morrerá, à tardinha ela já terá ido. Assim, não a esconda, pois mesmo se escondê-la, você não conseguirá salvá-la. De manhã, a rosa abre suas pétalas, ao final da tarde as pétalas definham e a rosa se vai. Antes que ela se vá, permita que ela seja compartilhada, deixe que as crianças brinquem ao seu redor. Deixe todo mundo se alegra! Do contrário, você estará morrendo sem estar realizado. Ela é uma flor delicada, mas quanto mais delicada for, mais rapidamente ela tem que se abrir a existência, ela não pode esperar pelo amanhã – talvez ela não esteja aqui amanhã. E você está preocupado: se ela florescesse num terreno errado (...). Não há terreno errado em lugar algum. Na verdade, se uma rosa consegue florescer num deserto, aquele será o mais belo terreno e ela será uma rosa excepcional. Se ela puder desabrochar entre pedras, então aquela rosa deve ser um Budha, não menos do que isso; um Cristo, não menos do que isso. Num terreno adequado, num jardim, as flores comuns desabrocham, mas as flores extraordinárias desabrocham também entre as pedras e no deserto. Assim, não se preocupe com o terreno e não se preocupe que ela poderia com facilidade ser maldosamente machucada ou destruída. Tudo que nasce será destruído, por isso, antes que ela seja destruída, permita que ela tenha a sua dança. E você está me perguntando: Seria este o tempo e o lugar para abrir o meu coração totalmente? Todo tempo e todo lugar é o lugar certo! E porque você está aqui neste momento, permita que este seja o lugar. Onde você poderia encontrar um espaço melhor, com pessoas mais bonitas, mais receptivas, mais amorosas do que estas que estão à sua volta neste Budhafield? Tom Cassidy, você esperou tempo demais, não espere mais. Este é o tempo. Nunca confie no momento seguinte; o amanhã nunca vem. É agora ou nunca!. www.oshobrasil.com.br. Abraço. Davi.
sexta-feira, 6 de dezembro de 2024
A RELIGIÃO DO ISLÂ. Parte VII
Islamismo. Por Jamaal Zarabozo (1960 -). A RELIGIÃO DO ISLÃ. PARTE VII. Muitas vezes as pessoas querem se afastar do mal, mas precisam de ajuda para fazê-lo. Necessitam verdadeiros amigos que cumpram a função de grupo de apoio. Algumas pessoas não têm força suficiente para se afastar das atividades as quais sabem que são más, especialmente se há pressão de seus parceiros para praticá-las. Com a ajuda de outros que entendam esse tipo de situação e que realmente queiram fazer o correto, então, é mais fácil reunir a coragem para apontar as más atividades. Da mesma forma, há quem seja preguiçoso e, por isso, falte-lhe motivação para fazer o que deve ser feito. Novamente, com a ajuda sincera ou o alento dos que a rodeiam, a pessoa encontra força para tal. Se as pessoas fossem individualistas e só se preocupassem consigo mesmas, sem ajudar os demais, seria um verdadeiro desastre social. Os que fazem mal dominariam e acossariam os outros. De fato, muitos bairros norte-americanos, por exemplo, conscientizaram-se que teriam que se unir para proporcionar coisas boas e eliminar as ruins, do contrário, suas regiões acabariam sendo destruídas por vândalos. Obviamente, ninguém está livre de pecado e, portanto, este princípio de fomentar o bem e evitar o mal não significa que a pessoa tenha que ser perfeita antes de falar aos demais sobre o comportamento deles. com certeza, fomentar o bem e proibir o mal, logicamente, deveria começar consigo próprio. A pessoa deve praticar o bem e evitar o mal. Dessa maneira, damos um exemplo aos demais e aumentamos as possibilidades de que nossos conselhos sejam levados em conta. Não obstante, mesmo que uma pessoa tenha defeitos, deve incentivar que o outros pratiquem o bem e desestimular que pratiquem o mal. Cabe destacar que existem várias condições para colocar em prática o ato de fomentar o bem e proibir o mal. Por exemplo, uma condição é que se deva conhecer o que é bom e o que é mal, segundo o Qur’an e a Sunnah. É possível que alguém, por ignorância, incentive o outro a fazer algo que na realidade não é parte da Sunnah. Para o novo muçulmano em particular, é possível que em repetidas ocasiões digam-lhe o que fazer ou não fazer. Muitas vezes estes conselhos vêm de outros muçulmanos que podem exagerar ou que não têm tato para se dirigir ao recém-convertido. Muitas vezes as dificuldades linguísticas atrapalham a compreensão de um novo muçulmano. É importante que um recém-convertido esteja atento ao fato de que, em geral, seu irmão muçulmano não tem más intenções, nem quer humilhá-lo ou causar qualquer dano. Pelo contrário, simplesmente pode estar tentando ensiná-lo o Islam e alertá-lo a fazer o que é bom. Se um novo muçulmano se sente frustrado com esses episódios, deve recordar-se que os demais atuam por amor e que apenas desejam o bem para seu novo irmão no Islam. - Honrar o ser humano Não há dúvidas que, no esquema que Allah traçou para esta criação, os seres humanos recebem muitos dons e aptidões especiais que os distingue de outras criaturas. Assim, Allah disse no Qur’an: “Enobrecemos os filhos de Adão e os conduzimos pela terra e pelo mar; agraciamo-los com todo o bem, e preferimos enormemente sobre a maior parte de tudo quanto criamos.” (17:70). Esta preferência não é resultado de uma forma aleatória de “evolução”, senão a determinação intencional do Criador. Através da orientação divina, pode-se compreender plenamente as diferentes formas nas quais os seres humanos têm sido honrados pelo Senhor. Através da revelação de Allah, descobre-se que os seres humanos não estão em guerra contra a “natureza” que necessita ser conquistada. Também, aprende-se que os seres humanos não são meramente “primos dos símios”, sem ter nenhum propósito ou mérito nesta vida. Aprende-se também que esta criação não é “inteiramente maligna”, nem que se nasce com o “pecado original” que não pode ser eliminado a não ser pelo sacrifício de outro ser. Inicia-se com pontos como estes e não há que se surpreender ao perceber que o valor dos seres humanos se reduz a praticamente nada. Também não é surpresa que os seres humanos são utilizados como simples ferramentas para o benefício econômico. De fato, nem sequer há de se surpreender ao constatar que milhares de seres humanos são mortos para a obtenção de benefícios econômicos e recursos naturais. Depois disso tudo, vendo por esta perspectiva, por que os seres humanos deveriam ser tratados de uma maneira diferentes dos animais que são explorados, assassinados e destruídos? Na verdade, é através da revelação de Allah que se atinge a plenitude do valor humano. Na realidade, Allah dotou os seres humanos de grande responsabilidade, através da qual podem alcançar a maior de todas as recompensas. Allah honrou os seres humanos revelando livros específicos com o intuito de guiá-los. Allah escolheu mensageiros e profetas entre os seres humanos, conferindo-lhes a nobre tarefa de transmitir a orientação de Allah a toda a humanidade. Allah também há submetido tudo o que existe nos céus e na terra às necessidades dos seres humanos: “E vos submeteu tudo quanto existe nos céus e na terra, pois tudo d’Ele emana. Em verdade, nisto há sinais para os que meditam.” (45:13). Alem disso, também proporcionou os seres humanos a oportunidade de se converterem em Seus servos devotos, mártires de Sua causa e estudiosos de Sua religião, dando-lhes uma nobreza e honra especiais. Estas grandes conquistas estão disponíveis a homens e mulheres, por igual. Assim, Allah diz no Qur’an, como exemplo: e foram mortos, absolvê-los-ei dos seus pecados e os introduzirei em jardins, abaixo dos quais correm os rios, como recompensa de Deus. Sabei que Deus possui a melhor das recompensas.” (3:195). “A quem praticar o bem, seja homem ou mulher, e for fiel, concederemos uma vida agradável e premiaremos com uma recompensa, de acordo com a melhor das ações.” (16:97). De fato, a única diferença real entre as pessoas não tem relação com o sexo, etnia, raça, riqueza, beleza ou classe social. Todos esses elementos são falsas maneiras de se avaliar os seres humanos. Ditos paradigmas, com certeza, não fazem mais que denegrir a essência do ser humano. O único estandarte real que mensura o valor do ser humano é a sua relação com seu Senhor. Assim, Allah disse: “Ó humanos, em verdade, Nós vos criamos de macho e fêmea e vos dividimos em povos e tribos, para reconhecerdes uns aos outros. Sabei que o mais honrado, dentre vós, ante Deus, é o mais temente. Sabei que Deus é Sapientíssimo e está bem inteirado.” (49:13). Hoje em dia, ouve-se falar muito sobre os direitos humanos. Parece ser uma tentativa de tratar os seres humanos de uma maneira mais digna e respeitável. Sem dúvidas, o maior problema dos direitos humanos é que não se dá a Allah o papel apropriado na relação humana. Pelo contrário, os seres humanos se convertem praticamente no objeto máximo de adoração – e os “direitos” destes adquirem preponderância sobre todo o resto, inclusive os direitos de Allah. De fato, muito do que se diz sobre os direitos humanos não é mais que isentá-los da adoração a Allah. Essa não é a forma mais adequada de honrar os seres humanos. Obviamente, é um tipo de extremismo. Toda vez que algo se torna magnífico e aumenta de proporção e são dados responsabilidades ou direitos que estão acima do que se pode tolerar, então, o resultado é prejudicial e doloroso. Os seres humanos não podem atuar num papel em que se lhes dá opção de escolher por si mesmos, incluindo os direitos que devem ter uns sobre os outros. Esse tipo de assunto só pode ser decidido pelo Criador, que conhece todos os detalhes mais profundos de Sua criação e das interações com o resto desta. Na Lei de Allah, pela Sua misericórdia, Ele deu aos seres humanos todos os direitos que necessitam e merecem, que apenas Ele poderia determinar, baseado em Seu conhecimento e justiça. Os seres humanos recebem de Allah os direitos que necessitam para viver uma vida próspera e feliz. Sem dúvidas, ao mesmo tempo, também recebem responsabilidades. Direitos e responsabilidades são combinados para que os seres humanos interajam entre si de maneira adequada nesta criação. Não obstante, o maior inconveniente dos defensores dos direitos humanos é que só podem tratar dos direitos relativos a este mundo. Desta forma, esquecem do direito mais importante porque está além do âmbito da experiência humana. É o direito que o Islam ensina, seu direito especial sobre Allah. Este direito é mencionado no seguinte hadith: O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) disse: “Ó Muaadh!” Muaadh respondeu: “Às tuas ordens, Ó Mensageiro de Allah.” O Profeta perguntou: “Sabes qual o direito que Allah tem sobre Seus servos?” Muaadh respondeu: “Allah e Seu Mensageiro sabem melhor.” O Profeta disse: “O direito de Allah sobre seus servos é que devem adorá-Lo [somente a Ele] e não associá-Lo a nenhum companheiro.” Depois de um tempo, o Profeta disse: “Ó Muaadh Ibn Jabal!” Ele respondeu: “Às tuas ordens, Ó Mensageiro de Allah!” O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) perguntou: “Sabes qual é o direito que os servos têm sobre Allah, se assim o cumprem [cumprem com o mandamento de Allah]?” Ele respondeu: “Allah e Seu Mensageiro sabem melhor.” O Profeta disse: “O direito dos servos sobre Allah é que Ele não os castigará (Bukhari e Muslim). Converter-se Muçulmano Pela graça de Allah, Ele abriu Sua religião a todos os que queiram entrar nela. Praticamente não existem obstáculos para se converter muçulmano. Para adotar o Islam, não há necessidade de clero, batismos nem cerimônias especiais. De fato, o ato de se converter ao Islam é uma simples declaração de fé. Assim, basta que se diga: “Atesto que não existe nada digno de louvor exceto Allah e atesto que Muhammad é mensageiro de Allah.” Ao pronunciar essas palavras, a pessoa entra na bela irmandade islâmica, uma irmandade que inclui todos os tempos, desde Adão até os últimos dias deste mundo. Neste capítulo, haverá uma discussão sobre alguns dos detalhes do testemunho da fé. Ademais, analisarei também outros atos que são mencionados em relação à conversão do muçulmano. Logo, seguirão algumas leis relacionadas com o estado da pessoa antes de se converter muçulmano. O testemunho de fé: Não existe nada digno de louvor exceto Allah Um indivíduo se converte muçulmano testemunhando sobre a verdade de duas afirmações: Não existe nada digno de louvor afora Allah e Muhammad é o mensageiro de Allah. Dado que é um testemunho sobre a verdade de algo, deve ser uma “proclamação pública” (em outras palavras, não algo oculto dentro de si que não se anuncie aos demais). O sábio Ibn Abu al Izz escreveu o seguinte: “[O Profeta] Deixou totalmente claro que uma pessoa não é um crente se diz crer no Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele), mas não expressa com suas palavras, quando o possa...” Esta expressão verbal tem uma tripla função. Primeiro, é uma afirmação enfática. Testemunha-se a veracidade dessa afirmação da fé. Isto seria comparável à pessoa que presta testemunho ante uma corte. Aqueles que o afirmam são os que crêem que aquilo é o certo. Em segundo lugar, trata-se de uma expressão de compromisso a este fato. É um reconhecimento por parte da pessoa de que pretende apegar-se aos requisitos e orientação daquele pelo qual testemunhou. Em terceiro lugar, é uma proclamação pública de que o indivíduo já se somou às fileiras do Islam, aceitando todos os direitos e responsabilidades que isso implica. Os muçulmanos sabem que a chave para entrar no Paraíso é a frase “Não há nada digno de adoração afora Allah”. Mas, muitos muçulmanos crêem, erroneamente, que uma vez que afirmado, nada os poderá prejudicar. Crêem que por haverem realizado este testemunho verbal de fé, o Paraíso lhes será concedido. Sem dúvidas, a expressão verbal deste testemunho, por si só, não é suficiente para obter a salvação. De fato, os hipócritas diziam: “Testemunho que nada é digno de adoração exceto Allah...”, e, ainda assim, Allah os descreve como mentirosos e afirma que viverão no nível mais baixo do Fogo do Inferno. Obviamente, existem algumas condições para qualquer testemunho, mas em particular para que este testemunho seja aceito por Allah há duas condições especiais - e todos deveriam se preocupar se seu testemunho de fé é ou não aceitável para Allah. O famoso sábio Wahb Ibn Munabbih foi consultado uma vez: “Acaso a frase ‘não existe nada digno de ser adorado afora Allah’ não é a chave para o Paraíso? Ele respondeu: “Sim, mas todas as chaves têm formatos diferentes. Se tu não vens com uma chave que tenha o formato certo, a porta não se abrirá.” O formato da chave equivale às condições que diferencia os muçulmanos que se beneficiarão desse testemunho daqueles que não se beneficiarão, não importando quantas vezes eles o pronunciaram. Um estudo dos versículos do Qur’an e dos ahaadith do Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) mostrará que existem várias condições para que o testemunho de fé seja válido. Novamente é importante que todo muçulmano se certifique que cumpre com todas as condições em sua vida, no que diz respeito ao testemunho de fé. O novo convertido deve considerar estas condições que dizem respeito ao testemunho de fé. É preferível (não obrigatório) que se saiba dessas condições antes que se realize a declaração de fé. A primeira condição é o conhecimento. Há que se ter a compreensão básica do que significa a declaração de fé. Deve-se compreender o que está sendo afirmado e o que está sendo negado nesta declaração. Isso é assim para qualquer tipo de testemunho. Obviamente, um testemunho de algo que se desconhece não é aceito. Allah disse no Qur’an: “Quanto àqueles que invocam, em vez d’Ele, não possuem o poder da intercessão; só o possuem aqueles que testemunham a verdade e a reconhecem.” (43:86). Portanto, a pessoa que testemunha deve compreender os pontos básicos de seu testemunho. Se não compreende, por exemplo, que Allah é o único digno de adoração e que todos os outros deuses são falsos deuses, então, não terá nem sequer a compreensão mais elementar do que está testemunhando. Dito testemunho não pode ser considerado aceitável diante Allah. A segunda condição é a certeza. É o oposto da dúvida e da incerteza. De fato, no Islam qualquer tipo de dúvida com respeito a algo no Qur’an ou Sunnah equivale à incredulidade. Deve-se ter a certeza absoluta no coração sobre a veracidade do testemunho de fé. O coração não deve vacilar de nenhuma maneira quando se testemunha a verdade que “não existe nada digno de adoração exceto Allah”. Allah descreve os verdadeiros crentes como aqueles que têm fé em Allah e cujos corações não vacilam. Disse Allah: “Somente são fiéis aqueles que crêem em Deus e em Seu Mensageiro e não duvidam, mas sacrificam os seus bens e as suas pessoas pela causa de Deus. Estes são os verazes!” (49:15). Página 73. Abraço. Davi