sábado, 10 de julho de 2021

KARMA: O CORAÇÃO É NOSSO JARDIM

 

Budismo Tibetano. Shunya. Grupo de Estudos e Prática Budista. KARMA. O CORAÇÃO É NOSSO JARDIM. O Sutra Avatamsaka é o texto budista que descreve as leis que governam os milhares de possíveis domínios do universo; domínios de prazer e de dor, domínios criados pelo fogo, pela água, pelos metais, pelas nuvens ou até mesmo pelas flores. Cada universo, diz-nos o sutra, segue a mesma lei básica: em cada um desses domínios, se você plantar uma semente de manga, terá uma mangueira, e se plantar uma semente de maçã, terá uma macieira. Assim é em todos os domínios que existem no mundo dos fenômenos da criação. A lei do karma descreve o modo como causa e efeito regem os padrões que se repetem através de toda a vida. Karma significa que nada surge por si mesmo. Cada experiência é condicionada por aquilo que a precede. Desse modo, nossa vida é uma série de padrões inter relacionados. Os budistas dizem que a compreensão dessa lei é suficiente para se viver sabiamente no mundo. O karma existe em muitos níveis diferentes. Seus padrões governam as imensas formas do universo, tais como as forças gravitacionais das galáxias, e os mais sutis e diminutos modos pelos quais, a cada momento, nossas escolhas humanas afetam o nosso estado mental. No nível da vida física, por exemplo, se uma pessoa olha para um carvalho, ela pode ver o "carvalho" manifestando-se em algum dos diferentes estágios de seus padrões vitais. Num determinado estágio do carvalho padrão, o carvalho existe sob a forma de bolota; num estágio subsequente, ele vai existir sob a forma de árvore nova; noutro estágio, sob a forma de árvore adulta; e, ainda noutro, sob a forma de bolota verde crescendo nessa árvore adulta. Em rigor, não existe o "carvalho" definitivo. Existe apenas o carvalho padrão através do qual certos elementos seguem as leis cíclicas do karma: um arranjo específico de água, minerais e a energia solar que o transforma, infinitas vezes, de bolota em árvore nova e depois em árvore adulta. De modo semelhante, as tendências e hábitos da nossa mente são padrões kármicos que repetimos infinitas vezes, como a bolota e o carvalho. Ao abordar esse tema, Budha perguntou: "O que vocês acham que é maior: a mais alta montanha da Terra ou a pilha de ossos que representa as vidas que vocês viveram infinitas vezes em cada domínio governado pelos padrões dos seus karmas? Maior, meus amigos, é a pilha de ossos; maior do que a mais alta montanha da Terra". Vivemos num oceano de padrões condicionadores que repetimos infinitas vezes e, ainda assim, raramente notamos esse processo. Podemos compreender com mais clareza o funcionamento do karma na nossa vida se olharmos esse processo de causa e efeito nas nossas atividades comuns e observarmos como os padrões repetitivos da nossa mente afetam o nosso comportamento. Por exemplo, nascidos numa certa cultura em determinada época, assimilamos determinados padrões de hábitos. Se nascermos numa taciturna cultura pesqueira, aprendemos a ser calados. Se crescermos numa cultura mediterrânea mais expressiva, talvez expressemos nossos sentimentos com gestos amplos e tenhamos uma maneira de falar espalhafatosa. Nosso karma social, parental, escolar e condicionamento linguístico, cria padrões completos de consciência que determinam o modo como vivenciamos a realidade e o modo como nos expressamos. Esses padrões e tendências são, muitas vezes, bem mais fortes do que as nossas intenções conscientes. Quaisquer que sejam as circunstâncias, são os velhos hábitos que irão criar o modo como vivemos. Lembro de ter ido visitar minha avó num prédio de apartamentos exclusivo para idosos. A vida ali era tranquila e sedentária para a maioria dos moradores. O único lugar onde algo acontecia era no saguão, e os moradores interessados iam até lá para observar quem entrava e saía. No saguão, havia dois grupos de pessoas. Um grupo sentava-se ali regularmente e se divertia, jogando cartas e cumprimentando todos os que passavam. Tinham um relacionamento agradável e amistoso entre si e com as circunstâncias à sua volta. Do outro lado do saguão, ficavam as pessoas que gostavam de reclamar. Para elas, havia algo errado com todo mundo que passava pela porta. Entre uma pessoa que passava e outra, reclamavam, "Você viu que comida horrível nos serviram hoje?". "Viu o que fizeram com o quadro de avisos?". "Você sabe para quanto vai subir o nosso condomínio?". "Sabe o que disse o meu filho a última vez que esteve aqui?" Esse era um grupo de pessoas cuja principal relação com a vida era reclamar dela. Cada grupo levou para o edifício um padrão com o qual tinha vivido durante muitos anos. Circunstâncias e atitudes mentais que se repetem por muito tempo tornam-se a condição daquilo que chamamos de "personalidade". Quando perguntaram ao Lama Trungpa Rinpoche (1939-1987) o que iria renascer nas nossas próximas vidas, ele respondeu brincando: "Seus maus hábitos". Nossa personalidade é condicionada pelas causas passadas. Às vezes isso é evidente, mas com muita frequência os hábitos que se originam do passado distante e esquecido passam despercebidos. Na psicologia budista, o condicionamento kármico da nossa personalidade é classificado de acordo com três forças inconscientes básicas e tendências automáticas da nossa mente. Existem os tipos marcados pelo desejo, cujos estados mentais mais frequentes estão associados à avidez, à carência, ao sentimento de não ter o suficiente. Existem os tipos marcados pela aversão, cujo estado mental mais comum é rechaçar o mundo através do julgamento, do desagrado, da aversão e do ódio. E existem os tipos marcados pela confusão, cujos estados mais fundamentais são a letargia, a ilusão e a desconexão, não sabendo o que fazer a respeito das coisas. Você pode testar qual o tipo que predomina em você observando sua maneira peculiar de entrar num ambiente. Se seu condicionamento for mais fortemente aquele do desejo e da carência, você tenderá a olhar em volta e ver aquilo de que gosta, aquilo que você pode obter; você verá as coisas que o atraem; observará o que é belo; apreciará um bonito arranjo de flores; gostará do modo como algumas pessoas estão vestidas; encontrará alguém sexualmente atraente ou vai imaginar que há pessoas simpáticas que valerá a pena conhecer. Se você é do tipo aversão, ao entrar na sala, em vez de ver primeiro aquilo que você deseja, você tenderá a ver o que está errado. "Ambiente muito barulhento. Não gosto do papel da parede. As pessoas não estão vestidas adequadamente. Não gosto do jeito como tudo foi organizado". E se você é uma personalidade confusa, talvez entre na sala, olhe em volta e não saiba como se relacionar, perguntando a si mesmo: "O que está acontecendo aqui? Onde eu me encaixo neste ambiente? O que devo fazer?". Esse condicionamento primário é, na verdade, um processo de grande influência. Ele cresce e se transforma naquelas forças que levam sociedades inteiras para a guerra, criam o racismo e dirigem a vida de muitas pessoas à nossa volta. Quando, pela primeira vez, encontramos em nós mesmos as forças do desejo e da aversão, da avidez e do ódio, podemos pensar que elas são inofensivas, contendo um pouquinho só de carência, de desagrado, um pouquinho de confusão. No entanto, à medida que observamos o nosso condicionamento, vemos que o medo, a cobiça e a fuga são, na verdade, tão compulsivos que governam muitos aspectos da nossa personalidade. Pela observação dessas forças, podemos ver como operam os padrões dokarma. Quando, na meditação, começamos a olhar atentamente nossa personalidade, em geral nosso primeiro impulso é procurar livrar-nos dos nossos velhos hábitos e defesas. De início, a maioria das pessoas acha a sua própria personalidade difícil, desagradável e até mesmo insípida. A mesma coisa pode acontecer quando olhamos para o corpo humano. Ele é belo quando visto a distância certa, na idade certa e à luz certa, mas, quanto mais de perto o olhamos, mais cheio de defeitos ele se torna. Quando notamos essa imperfeição, procuramos fazer regime, jogging, tratamento de pele, exercícios e tirar férias para melhorar o físico. Mas, embora tudo isso possa ser benéfico, continuamos a estar basicamente presos ao corpo com que nascemos. A personalidade é ainda mais difícil de ser modificada do que o corpo; contudo, o propósito da vida espiritual não é fazer com que nos livremos da nossa personalidade. Parte dela já existia quando nascemos, parte tem sido condicionada pela nossa vida e cultura e, diga-se o que se quiser, não podemos viver sem ela. Todos nós, na face desta Terra, temos um corpo e uma personalidade. Nossa tarefa é aprender muitas coisas sobre esse corpo e sobre essa mente, e despertar dentro deles. Compreender o jogodokarma é um aspecto do despertar. Se não estivermos conscientes, nossa vida simplesmente irá seguir, infinitas vezes, o padrão dos nossos hábitos passados. Mas, se formos capazes de despertar, estaremos aptos a fazer escolhas conscientes quanto ao modo de responder às circunstâncias da nossa vida. Nossa resposta consciente irá então criar o nosso karma futuro. Podemos ser ou deixar de ser capazes de mudar as circunstâncias externas, mas, com percepção consciente, podemos sempre mudar nossa atitude interior, e isso é suficiente para transformar a nossa vida. Mesmo nas piores circunstâncias externas, podemos escolher se vamos ao encontro da vida com medo e ódio ou com compaixão e compreensão. A transformação dos padrões da nossa vida sempre se processa no nosso coração. Para compreender como trabalhar com os padrões kármicos precisamos observar que okarma tem dois aspectos distintos: o karma que é o resultado do nosso passado e o karma que as nossas respostas atuais estão criando para o nosso futuro. Recebemos os resultados da ação passada; e isso é algo que não podemos mudar. Mas, ao responder no presente, também criamos um novo karma. Semeamos as sementes karmicas para colher novos resultados. Em sânscrito, a palavra "karma" geralmente vem junto com outra palavra, "vipaka", karma-vipakaKarma significa "ação" e vipaka, "resultado". Ao lidar com cada momento da nossa experiência, usamos meios hábeis (conscientes) ou meios inábeis (inconscientes). Todas as respostas inábeis, como avidez, aversão e confusão, inevitavelmente criam mais sofrimento e karma doloroso. As respostas hábeis, baseadas na percepção consciente, no amor e na receptividade, levam inevitavelmente ao bem-estar e à felicidade. Através de meios hábeis, podemos criar novos padrões que transformam a nossa vida. Até mesmo os padrões poderosos baseados na avidez, na aversão e na ilusão contêm dentro de si as sementes de respostas hábeis. O desejo por prazer pode ser transformado numa ação natural e compassiva que traz beleza à sociedade e ao mundo que nos cerca. O temperamento que julga, do tipo aversão, através da percepção consciente pode transformar-se naquilo que é chamado sabedoria discriminativa: uma clareza associada à compaixão, uma sabedoria que vê claramente através de todas as ilusões do mundo e usa a clareza da verdade para ajudar e curar. Até mesmo a confusão e a tendência a desligar-se da vida podem ser transformadas numa equanimidade sábia e ampla, num equilíbrio sábio e compassivo que envolve todas as coisas com paz e compreensão. Tradicionalmente, o karma é discutido nos ensinamentos budistas em termos de morte e renascimento. Buda, o sublime, falou de uma visão na noite de sua iluminação, na qual viu milhares de suas vidas passadas, bem como as de muitos outros seres, todos morrendo e renascendo de acordo com os resultados daleikármica de suas ações passadas. Mas não é necessário ter a visão de Buda para compreender o karma. As mesmas leis kármicasque ele descreveu agem na nossa vida momento após momento. Podemos ver como a morte e o renascimento ocorrem a cada dia. A cada dia, nascemos em meio a novas circunstâncias e experiências, como se fosse uma nova vida. Com efeito, isso acontece a cada momento. Morremos a todo momento e renascemos no momento seguinte. Ensina-se que existem quatro tipos de karma no instante da morte ou em qualquer momento de transição: karma denso, karma imediato, karma habitual e karma fortuito. Nessa ordem, cada um representa uma tendência kármica mais forte do que a seguinte. A imagem tradicional para explicar esse ensinamento é a do gado num curral, com a porteira aberta. O karma denso é como um touro. É a força das mais poderosas ações boas ou más que praticamos. Se um touro está no curral, quando a porteira é aberta, ele é sempre o primeiro a sair. O karma imediato é a vaca que está mais próxima à porteira. Ele se refere ao estado mental que está presente no momento da transição. Se a porteira é aberta e não há nenhum touro no curral, quem sai é a vaca mais próxima à porteira. Se nenhuma vaca estiver perto da porteira, surge o karma habitual. É a força do nosso hábito costumeiro. Se não estiver presente nenhum forte estado mental, a vaca que costuma sair primeiro é a que irá sair primeiro. E, finalmente, se nenhum forte hábito estiver operando, surge o karma fortuito. Isto é, se não surgir nenhuma força mais impetuosa, nosso karma será o resultado fortuito de um número qualquer de condições passadas. À medida que cada ação (ou nascimento) surge, existem forças que a sustêm e forças que finalmente a levam a termo. Essas forçaskármicas são descritas fazendo-se uso da imagem de um jardim. A semente que é plantada é o karma causal. Fertilizar e regar a semente, cuidar das plantas, é chamadodekarma sustentador. Quando surgem dificuldades, trata-se do karma opositor, representado pela seca; mesmo se plantarmos uma semente viável e a fertilizarmos, se não houver água, ela irá secar. E então, finalmente, o karma destrutivo é como o fogo ou os roedores no jardim, que o queimam ou o devoram por completo. Essa é a natureza da vida em todos os domínios, em todas as circunstâncias criadoras. Uma condição segue-se à outra e, no entanto, tudo isso está sujeito a mudança. O karma das nossas circunstâncias exteriores pode mudar com o agitar da cauda de um cavalo. A qualquer dia, uma imensa fortuna ou a morte podem chegar para qualquer um de nós. O resultado kármico dos padrões das nossas ações não decorre unicamente da nossa ação. À medida que temos uma intenção e agimos, criamos karma; assim, uma outra chave para compreender a criação do karma é a de tornarmo-nos conscientes da intenção. O coração é o nosso jardim e, junto com cada ação, existe urna intenção plantada como uma semente. O resultado dos padrões do nosso karma é o fruto dessas sementes. Por exemplo, podemos usar uma faca afiada para cortar alguém; se a nossa intenção é ferir, seremos um assassino. Isso leva a certos resultados kármicos. Podemos executar uma ação quase idêntica, usando uma faca afiada para cortar alguém, mas, se somos um cirurgião, nossa intenção é curar e salvar uma vida. A ação é a mesma, mas, no entanto, dependendo de seu propósito ou intenção, tanto poderá ser um ato terrível quanto um gesto de compaixão. Na nossa vida cotidiana podemos estudar o poder da intenção para criar o karma. Podemos começar prestando atenção às nossas muitas ações que surgem ao longo do dia em resposta aos problemas. De um modo automático, talvez ignoremos circunstâncias difíceis ou respondamos de maneira crítica ou áspera. Talvez procuremos proteger ou defender o nosso próprio interesse. Em todos esses casos, a intenção no nosso coração estará associada à avidez, à aversão ou à ilusão, criando no futuro um karma de sofrimento que irá nos trazer uma resposta equivalente. Se, em vez disso, quando essas circunstâncias difíceis surgem na nossa vida levarmos a elas o desejo de compreender, de aprender, de libertar ou de trazer harmonia e criar paz, iremos falar e agir com uma intenção inerente. Nossas ações talvez sejam bastante semelhantes, nossas palavras talvez sejam semelhantes, mas, se a nossa intenção é criar paz e trazer harmonia, essa intenção irá criar um tipo muito diferente de resultado kármico. Isso é fácil de se verificar nos relacionamentos íntimos, pessoais ou profissionais. Podemos dizer uma mesma frase ao nosso parceiro ou amigo e, se o espírito tácito ao proferi-la for: "Eu amo você e espero que nós dois entendamos o que está acontecendo", iremos obter um tipo de resposta. Se pronunciarmos a mesma frase com uma atitude subjacente de censura, defesa e crítica, em um tom sutil de: "O que há de errado com você?", ela dará outro rumo ao nosso diálogo e poderá, facilmente, converter-se em uma briga.(...) A intenção ou atitude que levamos a cada situação da vida determina o tipo de karma que criamos. Dia a dia, momento a momento, podemos começar a ver a criação dos padrões de karma baseados nas intenções do nosso coração. Quando prestamos atenção, torna-se possível conscientizar-nos mais das nossas intenções e do estado do nosso coração à medida que elas emergem junto com as ações e palavras que são as nossas respostas. Em geral, não temos consciência das nossas intenções. Por exemplo, uma pessoa decide parar de fumar. Lá pelo meio do dia surge o desejo de fumar. Ela coloca a mão no bolso, pega o maço, tira um cigarro do maço, leva-o à boca, acende-o e começa a dar uma bela tragada. Nesse instante, ela acorda e lembra: "Ah, eu ia parar de fumar!". Enquanto estava no piloto automático e sem percepção consciente, essa pessoa realizou todos os movimentos habituais de pegar um cigarro e acendê-lo. Não é possível mudar os padrões do nosso comportamento ou criar novas condições kármicas até que tenhamos nos tornado presentes e despertos no início da ação. Caso contrário, a ação já aconteceu. Como diz o velho ditado: "É como fechar a porteira depois que o cavalo fugiu do estábulo". O desenvolvimento da percepção consciente nameditação permite que nos tornemos atentos ou conscientes o suficiente para reconhecer nosso coração e nossas intenções à medida que atravessamos o dia. Podemos estar conscientes dos diferentes estados de medo, carência, confusão, ciúme e raiva. Podemos saber quando o perdão, o amor ou a generosidade estão ligados às nossas ações. Quando sabemos qual é o estado do nosso coração, podemos começar a escolher os padrões ou condições que iremos seguir, o tipo de karma que criamos. Tente trabalhar com esse tipo de percepção consciente na sua vida. Pratique-a com suas palavras. Preste a mais cuidadosa atenção e observe o estado do seu coração; observe a intenção, quando você falar, mesmo sobre o assunto mais insignificante. Sua intenção é ser protegido, obter coisas, defender-se? Sua intenção é abrir-se com interesse, compaixão e amor?. Uma vez observada a intenção, conscientize-se da resposta que vem à tona. Mesmo que seja uma resposta difícil, continue com a intenção hábil por algum tempo e observe os tipos de respostas que ela traz. Se a sua intenção era inábil ou maldosa, tente mudá-la e ver o que acontece depois de algum tempo. De início, é possível que você experimente apenas os resultados de sua atitude defensiva anterior. Mas persista na sua boa intenção e observe os tipos de respostas que ela finalmente irá evocar. Para compreender como o karma age, basta olhar para os seus relacionamentos mais pessoais ou as suas interações mais simples. Escolha um relacionamento ou local específicos e experimente. Tente responder somente quando seu coração estiver receptivo e generoso. Quando não se sentir assim, espere e deixe passar os sentimentos negativos. Como instruiu Buda, deixe que suas palavras e ações aflorem suavemente, com um intento generoso, no tempo devido, e para benefício delas próprias. À medida que você cultiva uma intenção generosa e hábil, você poderá praticá-la no posto de gasolina ou no supermercado, no lugar onde trabalha ou no trânsito. A intenção que trazemos conosco cria o padrão que dela resulta. Ao tornar-nos mais conscientes da nossa intenção e ação, o karma mostra-se a nós com mais clareza. O fruto kármico parece amadurecer mais rápido, talvez apenas porque nós o percebemos. Ao prestar atenção, o fruto de tudo aquilo que fazemos, hábil ou inabilmente, parece manifestar-se mais depressa. À medida que estudarmos essa lei de causa e efeito, iremos ver que toda vez que nós, ou o outro, agimos de um modo baseado na avidez, no ódio, no preconceito, no julgamento ou na ilusão, os resultados irão inevitavelmente causar algum sofrimento. Começamos a ver como aqueles que nos ferem também criam um inevitável sofrimento para si mesmos. A lei de causa e efeito nos faz querer prestar mais atenção e, ao observá-la, podemos ver diretamente os estilos hábeis e inábeis no nosso próprio coração. A atenção dada ao karma mostra-nos como as vidas são moldadas pela intenção do coração. Quando lhe pediram para explicar a lei do karma de um modo bem simples, Ruth Denison (1922-   ), conhecida instrutora de vipassana, assim se expressou: "Karma quer dizer que você nunca escapa impune". A cada dia, estamos semeando as sementes do karma. Existe apenas um único local no qual podemos exercer alguma influência sobre o karma: na intenção das nossas ações. Na verdade, existe apenas um karma pessoal que podemos mudar no mundo todo, o nosso próprio. Porém, aquilo que fazemos com o nosso coração afeta o mundo todo. Se pudermos desfazer os nós kármicos do nosso coração, o fato de sermos todos interligados irá, inevitavelmente, trazer a cura para o karma de outra pessoa. Corno disse um ex-prisioneiro de guerra ao visitar um colega sobrevivente: "Você já perdoou aqueles que o prenderam?". O sobrevivente respondeu: "Não, não os perdoei. Nunca os perdoarei". E o primeiro veterano disse: "Então, de algum modo, eles ainda conservam você prisioneiro". Quando minha mulher e eu viajávamos pela Índia há alguns anos, ela teve a visão muito dolorosa de um de seus irmãos morrendo. De início, pensei que aquilo fosse parte de um processo de morte/renascimento na sua meditação. No dia seguinte, ela teve uma segunda visão do irmão, agora como guia espiritual, acompanhado de dois índios americanos e oferecendo a ela apoio e orientação. Cerca de uma semana mais tarde, chegou um telegrama para o ashram onde estávamos, em Monte Abu, no Ragistão, estado da Índia. Pesarosamente, minha mulher era informada de que seu irmão morrera, exatamente do modo como ela o vira morrer. O telegrama fora enviado no dia em que ela teve a visão. Estando do outro lado do mundo, como teria ela sido capaz de ver a morte do irmão? Isso foi possível porque todos nós estamos interligados. E, porque é assim, mudar um coração afeta todos os corações e o karma de todo o planeta. Num retiro que dirigi há alguns anos, uma mulher lutava contra as consequências dolorosas de abuso sofrido no início da sua vida. Ela sentira raiva, depressão e dor durante muitos anos. Fizera terapia e meditação, atravessando um longo processo para curar essas feridas. Finalmente, nesse retiro, ela chegou a um estado de perdão para com o homem que havia abusado dela. Chorou com profundo perdão, não pelo ato em si, que jamais pode ser justificado, mas porque ela não queria mais carregar a amargura e o ódio no seu coração. Acabado o retiro, ela voltou para casa e encontrou uma carta à sua espera na caixa de correspondência. A carta havia sido escrita pelo homem que abusara dela e com o qual não tivera contato por quinze anos. Embora, na maioria dos casos, as pessoas que cometem abuso neguem veementemente suas ações apesar do perdão, algo tinha mudado a mente daquele homem. Ele escreveu: "Por muitas razões, sinto-me compelido a lhe escrever. Pensei muito em você esta semana. Sei que lhe causei grande dano e sofrimento, e que também trouxe grande sofrimento para mim. Mas quero apenas pedir o seu perdão. Não sei o que mais posso dizer". E então ela olhou a data no alto da carta. Fora escrita no mesmo dia em que ela completou seu trabalho interior de perdão. Existe uma famosa história hindu sobre dois reinos que eram, ambos, governados em nome de Krishna. Olhando lá do alto, dos céus, Krishna decidiu visitá-los e ver o que estava sendo feito em seu nome. Desceu dos céus e surgiu diante da corte de um dos reis. Esse rei era conhecido por ser depravado, cruel, avarento e invejoso. Krishna surgiu em sua corte envolto no esplendor da luz celestial. O rei prostrou-se diante dele e disse: "Deus Krishna, vieste me visitar". Krishna respondeu: "Sim. Quero confiar-te unia tarefa. Eu gostaria que viajasses por todas as províncias do teu reino e tentasses encontrar para mim uma pessoa realmente boa". O rei viajou por todas as províncias de seu reino, falando com as castas superiores e com as inferiores, com religiosos e agricultores, com artesãos e curadores. Finalmente, retornou à sala do trono e esperou pelo reaparecimento do deus Krishna. Quando Krishna surgiu, o rei prostrou-se e disse: "Meu Senhor, cumpri tuas ordens. Viajei de alto a baixo por todo o meu reino, mas não encontrei uma só pessoa boa. Embora algumas delas tenham realizado algumas boas ações, quando as conhecia melhor eu via que mesmo suas melhores ações acabavam sendo egoístas, interesseiras, coniventes ou desonestas. Não consegui encontrar uma única pessoa boa". E então Krishna foi à outra corte, governada por uma famosa rainha chamada Dhammaraja. Essa rainha era conhecida por ser gentil, graciosa, dedicada e generosa. E, do mesmo modo, Krishna deu-lhe uma tarefa. "Eu gostaria que viajasses por todo o teu reino e encontrasses para mim uma pessoa realmente má". E assim a rainha Dhammaraja percorreu todas as províncias do seu reino, falando com as castas superiores e com as inferiores, com agricultores, carpinteiros, enfermeiras e religiosos. Depois de longa busca, a rainha retornou à sua corte e Krishna reapareceu. Ela prostrou-se e disse: "Meu Senhor, fiz o que me pediste, mas falhei na minha tarefa. Percorri todas as terras e vi muitas pessoas que se comportam desastradamente, que são mal orientadas e agem de uma maneira que gera sofrimento. No entanto, quando as ouvi de fato, não consegui encontrar nenhuma pessoa verdadeiramente má, apenas pessoas mal orientadas. Suas ações sempre vêm do medo, da ilusão e do equívoco". Em ambos os reinos, as circunstâncias da vida eram governadas pelo espírito dos governantes, e o que eles encontraram era um reflexo do seu próprio coração. À medida que prestarmos atenção e compreendermos o nosso coração e desenvolvermos as respostas hábeis da sabedoria e da compaixão, estaremos realizando nossa parte para pacificar toda a Terra. Através do nosso trabalho e criatividade, podemos fazer surgir na nossa vida circunstâncias exteriores benéficas. No entanto, a maioria das coisas que nos acontecem, o local onde nascemos, quando morremos, as grandes mudanças que arrastam nossa vida e o mundo à nossa volta são o resultado de padrões kármicos antigos e influentes. Esses, não podemos mudar. Eles vêm à nós como o vento e o mau tempo. A única previsão meteorológica que podemos garantir é que essas condições continuarão a mudar. No processo de compreender o karma, precisamos responder a uma pergunta simples: Como nos relacionamos com essas condições mutáveis?. O tipo de universo que criamos, o que decidimos plantar, o que fazemos nascer no jardim do nosso coração - isso irá criar o nosso futuro. Buda começa os seus ensinamentos na grande Dhammapada dizendo:

Somos aquilo que pensamos.

Tudo o que somos nasce dos nossos pensamentos.

Com o nosso pensamento, construímos o mundo.

Fale ou aja com uma mente impura,

e os problemas o seguirão como uma carroça segue a parelha de bois.

Somos aquilo que pensamos.

Tudo o que somos nasce dos nossos pensamentos.

Com o nosso pensamento construímos o mundo.

Fale ou aja com uma mente pura

E a felicidade o seguirá

Como uma sombra, inabalável.

A longo prazo, nada possuímos nesta Terra, nem mesmo o nosso corpo. Mas, através das nossas intenções, podemos moldar ou direcionar os padrões do nosso coração e mente. Podemos plantar no nosso coração sementes que irão criar o tipo de reino que será o mundo, seja ele depravado e mau ou bom e compassivo. Através da simples percepção consciente da nossa intenção a cada momento, podemos plantar um esplêndido jardim, criar padrões de bem-estar e felicidade que perdurarão muito mais do que a nossa personalidade e a nossa vida limitada. Sylvia Boorstein, espiritualista oriental americana, instrutora de vipassana, exemplifica esse poder com uma história sobre um bom amigo seu, médico famoso que durante muitos anos foi presidente da Associação Psiquiátrica Americana. Ele era conhecido como um cavalheiro, um homem íntegro e gentil, que levava uma grande alegria a tudo na sua vida. Ele sempre dedicava um respeito profundo aos pacientes e colegas. Depois que se aposentou e envelheceu, começou a ficar senil. Perdeu a memória e a capacidade de reconhecer as pessoas. Ainda vivia em casa e a esposa ajudava a cuidar dele. Sendo amigos de longa data, Sylvia e Saymour, seu marido e também psiquiatra, certa vez foram convidados a jantar em sua casa. Já fazia algum tempo que não o viam e imaginavam se a sua senilidade não teria aumentado. Chegaram à porta com uma garrafa de vinho e tocaram a campainha. Ele abriu a poria e olhou-os com uma expressão vazia que não mostrava nenhum reconhecimento de quem eles seriam, embora tivessem sido amigos por muitos anos. E então sorriu e disse: "Não sei quem são vocês, mas pouco importa, façam o favor de entrar e fiquem à vontade na minha casa", oferecendo-lhes a mesma amabilidade com que tinha vivido durante toda a sua vida. Os padrões kármicos que criamos com o nosso coração transcendem as limitações do tempo e do espaço. Despertar um coração compassivo e sábio em resposta a todas as circunstâncias é tornar-se Buda. Quando despertamos o Buda dentro de nós, despertamos para a força universal do espírito que pode trazer compaixão e compreensão ao mundo como umtodo. Mahatma Gandhi (1869-1948) chamava esse poder de "força da alma". Ela traz força quando uma ação firme é necessária. Traz imenso amor e perdão, embora também defenda e fale a verdade. É esse poder do nosso coração que traz sabedoria e liberdade em qualquer circunstância, e que faz viver o reino do espírito aqui na Terra. Para Gandhi, esse espírito estava sempre ligado ao seu coração, sempre aberto para ouvir e pronto para responder ao mundo, compartilhando as bênçãos da compaixão com todos os seres: "Além da minha não cooperação, existe sempre o mais entusiástico desejo de cooperar, ao menor pretexto, mesmo com o pior dos meus opositores. Para mim, um mortal muito imperfeito está sempre necessitado da graça de Deus, sempre necessitado do Dharma. Ninguém está além da redenção". Um caminho com o coração. Por Jack Kornfield. Shunya. Grupo de Estudo de Prática Budista. Abraço. Davi.

quinta-feira, 8 de julho de 2021

O BUDISMO E A DOUTRINA DA CRIAÇÃO

 

Budismo. www. maisbelashistoriasbudistas.com.br. O BUDISMO E A DOUTRINA DA CRIAÇÃO. Texto de Greg Martin (1984-  ). Como foi criado o mundo, em outras palavras, o universo? Esta interrogação tem mantido perplexos aos seres humanos através de todos os tempos. A mitologia, a ciência e a religião nasceram dessa permanente busca. Os dez primeiros capítulos da Bíblia, Gênesis 1-10 formam a pedra angular das três principais tradições religiosas do ocidente, judaísmo, cristianismo e islamismo. Eles nos relatam a história da Criação. Deus criou o universo e tudo o que nele existe, incluindo a terra, o céu, a luz, as plantas e os animais, em seis dias, descansando no sétimo dia. Ele criou o primeiro homem, Adão, soprando a alma ao pó para depois dar-lhe como morada o Jardim do Éden. Deus criou a primeira mulher, Eva, da costela de Adão, para proporcionar-lhe uma companheira. Enganada por uma serpente, Eva desobedeceu as ordens dadas por Deus ao comer a maçã da árvore do conhecimento do bem e do mal. Ao mesmo tempo, ela convence Adão para que faça o mesmo. O castigo infringido por Deus a condena ao alumbramento com dor e à servidão ao marido. Deus expulsa ambos do Jardim. Transcorreram várias gerações e Deus não estava feliz com os resultados de sua criação, particularmente porque a maldade imperava no mundo. Disse-lhe a Noé que construísse uma grande embarcação, e colocasse nela casais de todos os animais que habitavam a terra e a sua família. Depois provocou uma grande inundação que exterminou todos os seres vivos da face da terra. Após 150 dias as águas se retiraram e a embarcação de Noé ficou depositada no topo do Monte Ararat. Um novo começo se inicia para a humanidade a partir dos descendentes de Noé. Estes são os pontos básicos da historia da criação, tal como a relata o livro do Gênesis. Deus é o criador original de tudo o que existe ex nihilo (criado do nada). Em épocas anteriores esta história era aceita como um fato inquestionável e como a palavra divina e irrefutável de Deus. Hoje em dia há os que ainda professam esta crença. A captura e deportação do povo judeu à Babilônia por parte de Nabucodonosor no ano 587 AC, onde permaneceram por cinquenta anos (duas gerações), colocou o povo judeu em contato direto e de maneira frequente com as influências do oriente revelada nos hindus, persas e babilônicos. Durante este período, no seu exílio o povo judeu entrou em contato com mitos e lendas do oriente, particularmente da Índia e do Irã, convertendo-se os mesmos em parte da tradição judaica. Dentro destes encontram-se os mitos da criação e a ideia tomada dos ensinamentos do zoroastrismo, particularmente a profecia de um redentor ou salvador. A história da criação não é original dos cristãos, ou dos judeus. Os elementos chaves datam de fontes anteriores ao Antigo Testamento e provêm de áreas geográficas, tais como a Índia, o Oriente Médio, e Grécia. A criação do universo, o mundo e os primeiros seres humanos, partindo do conceito de uno que depois se converte em dois, são temas comuns em algumas das tradições mais antigas. As origens do mito do dilúvio são, também mais antigas. Referências aos mesmos se encontram nos textos da escritura cuneiforme dos sumérios ao redor dos anos 2000 – 1750 AC. Todos os elementos essenciais a respeito da história sobre a criação do mundo encontram-se em fontes pagãs de maior antiguidade. A ideia da criação ex nihilo nem sempre foi parte da doutrina cristã. A comunidade dos primeiros cristãos não tinha uma posição monolítica a esse respeito. Não foi senão até o dia 20 de maio do ano 325 no Conselho de Niceia que esta doutrina tornou-se oficial sob a supervisão do imperador romano Constantino. É interessante notar que as famosas palavras de abertura do Evangelho de João nos dão um ponto de partida ligeiramente diferente a respeito da criação: “No início existia o Verbo, o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus”. “Verbo” é uma tradução do grego logos, e refere-se a um princípio integrador (lei) que cria a ordem no cosmos. A semelhança com o conceito budista do Dharma, o que nós denominamos Lei Mística, é surpreendente. Tanto o oriente como o ocidente, compartilham histórias mitológicas sobre a criação. Porém, por volta de 1500, quando os pensadores da Reforma questionavam a veracidade destas histórias, os muçulmanos estudavam que o paraíso e o inferno eram assuntos internos a cada indivíduo, os cabalistas advertiam aos seus discípulos a não tomar a mitologia de maneira literal; porém, a maioria dos cristãos ainda insistiam que o narrado nestas histórias ajustava-se aos fatos reais, ou seja, eram certos e verdadeiros em todos seus detalhes e aspectos. Desta forma, inicia-se o longo conflito entre o cristianismo e a ciência, ou com maior precisão, o conflito entre dois pontos de vista científicos, separados por 6000 anos, um data de 4000 AC e o outro de 2000 DC. A interpretação literal do mito da criação em qualquer religião ou cultura tem a desafortunada consequência de obrigar às pessoas a escolher entre o coração que anseia acreditar, e o cérebro, que vê que o argumento não é consistente com a observação objetiva dos fenômenos. Os mitos sobre a criação no oriente, ainda quanto um tanto similares na superfície (a final de contas, são a fonte de onde emanam os mitos do ocidente), porém, são essencial e fundamentalmente diferentes dos do ocidente, num aspecto importante. Os primeiros, geralmente não apresentam distinção entre Deus e o ser humano. O divino encontra “aqui dentro”. No ocidente, porém, de acordo com a Bíblia, o Criador é diferente, separado e “lá fora”, dando-se, assim, o caso de que existe uma brecha intransponível entre ambos. O Budismo, porém, tem como intenção ajudar aos fiéis a realizar a vivência de sua identidade original na própria vida, aquela identidade que é una com a força criativa, ou Lei Mística. Dentro do cristianismo, a igualdade com o Criador não é possível. O cristianismo tem como propósito restaurar a relação com este “outro” ser absoluto. Qual é o ponto de vista budista a respeito de nossas origens? As antigas tradições da Índia indicam que os budistas entendiam que o universo era ordenado por ciclos recorrentes de mundos que se manifestavam e desapareciam. Cada ciclo tinha seu término em dilúvio ou fogo. Estes ciclos de formações e destruições de mundos duravam bilhões de anos e ocorriam em todo o universo. Das cinzas ou lodo que resultavam da destruição, um novo ciclo nascia. Este ciclo não tem início nem fim. Mundos e universos eram criados e destruídos como parte de um ciclo interminável de nascimento e morte que operava em escala cósmica. Para os budistas, então, não existe uma criação no sentido da história bíblica. O universo se formou quando as condições necessárias se deram, baseadas na lei de causa e efeito inerente na própria natureza do universo. Da mesma forma como surge, desaparece. Mas não há uma causa original, como não há um final. O universo é infinito, sem limites de tempo e espaço. “O universo em si mesmo é um ser vital que contém o potencial da vida que desenvolve-se de diferentes formas; é, portanto, definido como a entidade de vida mais grandiosa”. Os cosmólogos, hoje em dia, postulam a teoria de um universo dinâmico, em fluxo constante. Onde, num ponto, o universo parece ter nascido da causa do “big bang” original e encontra-se em constante expansão, em tanto que, em outro ponto parece encontrar-se num processo de contração e extinção. Mas o universo em si não tem começo ou fim. Este ponto está de acordo com a perspectiva budista.  A Lei Mística é o nome que damos a esta lei de causalidade subjacente que opera eternamente através do universo inteiro. Quando as condições são propícias, surgem planetas. Quando as condições são adequadas, a vida evolui. O oceano gera ondas. O universo gera vida. A vida evolui para o despertar e a iluminação. O potencial para a vida, para a vida iluminada, existe na própria essência do universo, é uma lei mística natural. Dado que o ritmo universal apoia a vida, podemos descrever a natureza do universo como benevolente. Há os que dão, a esta capacidade inerente criadora para construir o mundo, ao potencial de gerar o universo, o nome de Deus; nós o chamamos Lei Mística de Nam myoho rengue kyo. Aos leitores do Mosaico, desejo a todos (cristãos, muçulmanos, budistas, judeus, zoroastristas, hinduístas, espíritas, confucionistas e demais religiões) um feliz 2017. Que o Divino Christo, A Santíssima Imaculada Virgem Maria, Alláh na pessoa do seu profeta Muhammad, o Iluminado Budha, Massiach (Messias) o tão aguardado, Zoroastro, Khrisna a encarnação de Vishnu, e todos os grandes seres renascidos na pessoa dos fundadores das religiões, ilumine os vossos corações dando: amor, paz, tolerância e compaixão para com todos os seres humanos e não humanos.  Abraços. Davi. http://www.maisbelashistoriasbudistas.com.br.

quarta-feira, 7 de julho de 2021

A DOUTRINA DA REENCARNAÇÃO NO CRISTIANISMO PRIMITIVO

 

Cristianismo. Editor do Mosaico. A DOUTRINA DA REENCARNAÇÃO NO CRISTIANISMO PRIMITIVO. Esse texto é fruto de considerações que fiz assistindo a uma palestra na Sociedade Teosófica aqui em Brasília - Brasil. Você já pensou por que foi nascer no país em que atualmente mora? Por que constituiu a família que tem hoje ou que vive nela agora?  Em São João 9: 1-3 lemos "E passando Jesus viu um cego de nascença. E os seus discípulos lhe perguntaram, dizendo: Rabi, quem pecou, este eu seus pais para que nascesse cego? Jesus respondeu: nem ele pecou nem seus pais, mas foi assim para que se manifestem nele as obras de Deus". Essa escritura bíblica é para introduzirmos alguns pressupostos da reencarnação, pois a primeira parte dele traz uma indicação de que o homem nasceu cego devido a uma anterior situação que não fora resolvida em sua encarnação passada. Se pensarmos logicamente perceberemos que não há injustiça em Deus, sendo ele justo, por que a cegueira do homem? não tem sentido imaginar, que foi para que ele não visse o quanto o mundo é injusto, e muitas pessoas são egoístas havendo mais sofrimento que conforto. É razoável que exista coerência no sofrimento, pois do contrário perde-se o significado da vida e o por que estamos vivendo nesse mundo. Sem respostas racionais ficamos presos aos conceitos dogmáticos e superstições do céus e inferno eterno, pouco, para certezas quanto ao sentido da vida. Não vejo razão para duvidar da existência de Deus, pois o mundo não existe por acaso, e indubitavelmente uma inteligência superior anterior a tudo fê-lo surgir controlando e mantendo esse processo evolutivo cósmico. Quando observamos particularmente as pessoas, reconhecemos que para algumas as coisas são mais fáceis  e para outras são difíceis, sendo isso uma evidencia de que há um destino (determinismo) expresso por leis de fatos e causas, onde os primeiros resultam no segundo e nas mesmas condições à recíproca é verdadeira. Mas também o livre arbítrio é um ingrediente importante nesse sistema de desenvolvimento da vida e essa premissa  foi postulada  por Charles Darwin (1809-1882) "A evolução é o plano que particulariza a vida". Orígenes (182-254) de Alexandria considerado um dos Pais da Igreja defendeu em suas apologias a ideia da reencarnação. Ele se reunia com uma comunidade de cristãos primitivos tendo uma vida casta e piedosa, rigorosamente na observância dos preceitos de santidade e pureza. Sua erudição e inteligência acima do normal, o levou a escrever uma gigantesca obra que segundo fonte fidedignas incluíam mais de 3 mil volumes de próprio punho. Trocou correspondências com Clemente de Alexandria (150-215), Hipólito de Roma (199-217) e Irineu de Lyon (130-202) falando sobre o tema da transmigração da alma, reencarnação e a apocatástase. Orígenes conceituava a apocatástase - doutrina que representa a redenção e salvação final de todos os seres, inclusive os que habitam o inferno; dedutivamente esse lugar para Orígenes não é eterno, mas transitório e temporário, sendo um evento posterior ao próprio Apocalipse. A Apocatástase sintetizaria o poder do Logos ou Verbo Encarnado, ou seja, o próprio Christo como poder redentor e salvador que não conheceria limite algum. Essa proposta levanta uma série de questões interessantes para o cristianismo. (1). Leva a supor que não há um único mundo criado, o que principia no Gênesis e finda no Apocalipse, como sugerido pelas Sagradas Escrituras. Ao contrário, em sua atividade criadora, Deus cria infinitamente uma sucessão de mundos visíveis e invisíveis, que só se esgotaria na apocatástase, quando todos os seres repousassem definitivamente em Deus. (2). Nesse contexto os demônios e o diabo caso aceitassem o seu próprio processo de expiação evolutiva, poderiam ser salvos em sucessivas encarnações nos mundos superiores invisíveis retornando a sua verdadeira origem que é Deus. (3). Orígenes com essa hipótese sugere que seja estabelecido uma distinção entre o Logos ou o Verbo e sua diferenciação como Christo. Uma vez que Cristo é uma encarnação histórica neste mundo em particular, estaria aberta a possibilidade de outra encarnação futura do Logos ou Verbo. Suponho compatível com os textos sagrados cristãos, que falam de uma volta do Logos ou Verbo, contudo, permitem questionar a divindade de Cristo, dogma comum “absoluta verdade” no catolicismo e protestantismo. (4). Séculos após a morte de Orígenes também chamado de O Cristão, no segundo Concílio de Constantinopla no ano de 553, como veremos abaixo, os aspectos de sua doutrina que permitiriam subordinar a figura de Christo ao Logos e ao Pai, sendo assim humano e não Deus, rompendo também com o dogma da Santíssima Trindade foram considerados errôneos nesse conclave de cardeais e arcebispo. Isso se deu sem nenhum procedimento teológico que mensurasse tão importante questão, fundamentando as possíveis contradições na tradição ou exegese bíblica. Segundo a verossimilhança de alguns estudiosos sobre esse tema da Apocatástase, ela foi temerariamente combatida sem argumentos razoáveis que pudessem condená-la como “heresia”. Desde então o cristianismo se refere ao Apocalipse e não a Apocatástase, mas até 553 os cristãos consideravam a salvação de todos os seres no juízo final como a infinita misericórdia e graça do Eterno Deus. As cartas trocadas por Orígenes com Clemente, Hipólito e Irineu (originais) estão guardadas em alguns museus da Europa, segundo pesquisadores e investigadores da história da Igreja. Essas cartas são um capítulo à parte que envolvem a política dos interesses pessoais e eclesiásticos da Igreja Católica; que manipulando-as impediu o ensino sobre a reencarnação nas comunidade primitivas e dioceses nos anos posteriores ao Concílio que aludimos, pois segundo consta os originais que falam sobre esse assunto foram alterados por um certo padre chamado Rufino de Aquiléia (344-410); fato determinante no Concílio de Constantinopla II como uma suposta contraprova da autenticidade dos escritos de Orígenes sobre esse tema. A doutrina da reencarnação foi adotada como dogma pela Igreja até o século VI quando no referido Concílio em 553 a questão deveria ser revisada dando-se um parecer favorável ou desfavorável terminativo. O Imperador Romano do Oriente  na época era Justiniano I (482-565) que indiretamente exercia a chefia oficial da Igreja Cristã Bizantina. O Papa Silvério I (480-557) por simpatizar com a doutrina da reencarnação, e não queremos assinar o edito para que ela fosse retirada da ortodoxia clerical foi destituído do cargo e condenado por traição, morrendo no exílio (deixado sem pão e nem água) por inanição. Justiniano I para referendar o Concílio de Constantinopla II (553) nomeou o Papa Virgílio (537-555) que desobedecendo a ordem do Imperador não compareceu à sessão do Concílio que decidiria o veto contra a doutrina da reencarnação. Assim o Papa Virgílio foi também deposto acusado de perjuro (o que jura falsamente); exilado por 8 anos e de regresso à Roma morre ante de chegar a cidade. Assim O Colégio de Cardeais sem seu representante máximo decidiram à revelia excluir dos dogmas oficiais da Igreja a doutrina da reencarnação em 5 de maio de 553. Esse é mais um triste capítulo da história do cristianismo que sob ameaças, intrigas e mortes aprovaram uma lei que convinha aos interesses pessoais de alguns Cardeais e do soberano que representava o Império Romano naqueles dias. Nada mais trivial e questionável como uma decisão desse tipo, sem critério e desprovida de uma análise séria e conscienciosa. Além do que a autoridade envolvida para referendar o edito era contra, sendo perseguido, humilhado e morto. Os interesses políticos, escusos e oportunistas foram os verdadeiro financiadores dessa fraude teológica. São Mateus 5: 18 "Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til jamais passará da lei, sem que tudo seja cumprido". O ensino da reencarnação que tem pressupostos bíblicos foi desde então (553) retirado da ortodoxia oficial da Igreja Cristã. Falamos agora a pouco dos originais do livro alterado por Rufino, é a famosa obra De Príncipiis de Orígenes. A obra publicada em latim com tradução para o português pela editora católica Paulus, está desconforme nos pontos que tematizam a reencarnação da obra em grego com o título Peri Arcon traduzida para o inglês. Assim a versão Inglesa do original grego é a mais indicada para leitura, pois expressa o pensamento real do filósofo cristão do século II. Evidentemente não há interesse que o público cristão em geral, leia uma literatura de um dos pais da Igreja que defenda em suas postulações a transmigração de almas. Orígenes adotou a doutrina de Platão (428-347) quanto a reencarnação, que em seu livro A República diz: "Quanto a virtude a responsabilidade é de quem escolha Deus está isento disso. Você é que a estima ou despreza". Desse modo virtude e vício colhem alegria ou sofrimento, segundo Platão uma lei universal imutável. Como dito nas Escrituras em Gálatas 6:8 "Tudo o que o homem semear isso também ceifará". O pagamento é proporcional a dívida. Nossas dívidas (vícios e pecados) é finita no tempo, sendo ilógico cobrar-se juros infinitos na danação (inferno) eterna. O que pensar de um Pai (Deus) que condena seus filhos a tortura eterna, como é dito em Marcos 9:43-47 "Se tua mão te escandalizar corta-a. Melhor é para ti entrares na vida aleijado do que, tendo duas mãos, ires para o inferno, para o fogo que nunca se apaga. onde o seu bicho não morre e o fogo nunca se apaga". Não sei o que dizer de um versículo tão estranho (terrível) e incompreensível racionalmente. Nos textos da República e nos diálogos Fédon e Menon Platão também pensou a transmigração das almas, o qual Orígenes assume em suas apologias. As almas existem antes dos corpos. Assim anjos, demônios e homens (mulheres) são numa visão geral entidades que evoluíram, de mundos ou reinos inferiores como minerais, vegetais e animais, de acordo com seus méritos e deméritos no tempo em que singularizaram seus comportamentos e atitudes nos mundos visíveis e invisíveis em que existiram. Desse modo os anjos são aqueles que praticaram mais virtudes e beatitudes, os demônios exteriorizaram mais os vícios e pecados e os homens num estágio apressado em relação aos dois grupos, expiam (redimem) seus corpos para evoluírem ou regredirem conforme as práticas realizadas pelos pensamentos, palavras e atitudes. Nessa perspectiva a humanidade está em um processo de redenção individual, em que os vários mundos possibilitarão esse ajuste ou reparação de contas à pagar e à receber. Essa era também a visão dos Estóicos (século III AC) que afirmavam que todo o universo é corpóreo e governado por um Logos Divino, noção tomada de Heráclito (535 AC 475) de Éfeso. A alma está identificada com este princípio divino como parte de um todo ao qual pertence. Este Logos ou (Razão Universal) ordena todas as coisas. Tudo surge de acordo com Ele, graças a Ele o mundo é um cosmo que em grego significa harmonia. Dos Estóicos é passado a ideia de que os fins tem que ser igual ao começo. Da gigantesca obra de Orígenes infelizmente apenas 3 volumes resistiram as chamas que destruíram a famosa Biblioteca de Alexandria e seu Museu em (415) pulverizando o acervo inestimável de milhares de pergaminhos e papiros que compreendiam a sabedoria humana e divina disponível  para todos os interessados e iniciados nos mistérios menores e nos mistérios maiores da ciência oculta. A história credita esse incêndio ao autoritarismos do imperador romano Constantino II, em comum acordo com a Igreja, que no século V em Alexandria, no Egito, haviam três comunidades que disputavam a hegemonia religiosa e política da cidade: os judeus, cristãos e pagãos. Os últimos incluíam os filósofos e conhecedores do saber humano, que a iniciativa e preservação da biblioteca fora-lhes conferida. Como o culto antropomórfico destes, causava inquietação nos demais grupos (judeus e cristãos) instalou-se uma querela, que resumindo, foi resolvida arbitrariamente pela igreja, expulsando os judeus e pagãos da cidade, e não contentes apenas com esse fato, mandaram destruir a biblioteca de Alexandria queimando seu valioso e inestimável acervo (pergaminhos e papiros) bibliográfico. Os 3 volumes escritos por Orígenes disponível em português são: Sobre os Princípios, Exacta e Contra Celsius onde ele sustentava a doutrina da reencarnação, da preexistência da alma, da transmigração da alma e da apocatástase (a redenção e salvação de todos os seres inclusive os que estavam no inferno). Orígenes pensava  não haver um inferno eterno, mas sim um lugar de disciplina temporária e após esse estágio todos continuariam evoluindo para encontrarem o Logos Eterno. São Lucas 15: 20-22 "E levantando-se foi para seu pai, e quando ainda estava longe viu o pai, e se moveu de íntima compaixão e correndo, lançou-se ao seu pescoço e o beijou”. Outro aspecto do ensino esotérico de Orígenes é que ele concebia a interpretação das Escrituras em três níveis. Primeiro o corpo que era a nível superficial, aquele que as Escrituras dizem II Coríntios 3:6 "a letra mata", onde o observador cria doutrinas exclusivistas e dogmas absolutos misturados as crenças e superstições. Segundo a alma um estado mais evoluído de decifrar o texto sagrado, mas ainda intermediário apenas nos primeiros estratos da epiderme espiritual, não se vislumbrando a aplicabilidade objetiva do enunciado proposto. Terceiro o espiritual entrando na interpretação profunda e mística do texto sagrado. Nessa terceira fase se perceba que é necessário adentra o portal dos mistérios ocultos, Mateus 13:11 "a vós é dado conhecer os mistérios do reino dos céus", para retirar das Escrituras sua simbologia e tipologia oculta que representa a essência daquilo que O Espírito deseja falar ao discípulo. O primeiro nível é a literalidade exteriorizado por crenças e superstições. O segundo é a conveniência para nosso próprio interesse e bem estar. O terceiro é a interpretação lógica e intuitiva compreendendo as alegorias e tipologias não como verdades, mas princípios e conceitos que podem ser usados em todas as religiões e espiritualidade. Nesse terceiro nível há mistérios que somente os iniciados místicos, cabalistas, sufistas, gnósticos tem acesso, pois fogem ao senso comum da religiosidade. E alguns mistérios das Escrituras de todas as religiões estão selados não permitidos à revelação, apenas no momento oportuno. Lucas 15:21  “E o filho lhe disse: pai pequei contra o céu e perante ti, e já não sou digno de ser chamado seu filho". Em uma vida não temos como pagar todo o nosso carma negativo, é necessário outras vidas, para que o ajuste e reparação possam acontecer e continuemos nosso processo evolutivo dentro das fases que distinguem nossos corpos (energético, emocional e mental) sutis. O inferno eterno era relativizado por Orígenes em seus escrito quando ele usa a referência de Isaías 50: 11 "Eis que todos vós que acendeis fogo e vos cingis com faíscas, andai entre as labaredas dos vossos fogos, e entre as faíscas que acendestes. Isso vos ocorrerá pela minha mão e em tormentos morareis". Esse texto é claro pois não há uma argumentação quanto a perenidade infernal, e em todo o Antigo Testamento segundo os melhores exegetas bíblico, não existe a ideia de um inferno eterno. Os judeus povo precursor desse sagrado testamento, acreditam na reencarnação, inclusive usando textos cabalístico de um famoso rabino Isaac Luria Arizal (1534-1572) para comprovar teologicamente essa doutrina. A editora judaica Sefer, radicada em São Paulo, Brasil, publicou recentemente o livro Portal das Reencarnações, escrito por Joseph Saitoun, tratando especificamente desse tema. Uma leitura recomendável aqueles que desejarem se aprofundar no assunto.  Orígenes era flexível quanto a interpretações de textos bíblicos onde se percebiam um juízo sumário e executório preferindo uma alegoria e metáfora representativa para fugir do dogmatismo, preconceito e crença cega. A interpretação neo platônica da reencarnação foi ensinada pelos Pais da Igreja. São Mateus 11: 11 "Em verdade em verdade vos digo que dentre os que de mulher têm nascidos, não apareceu alguém maior do que João Batista, mas aquele que é o menor no reino dos céus é maior do que ele". A reencarnação tem a premissa de voltar à vida para reparar ou compensar o aspecto negativo ou positivo do carma, continuando  o processo evolutivo numa perspectiva de aprendizado, no âmbito negativo, para não incorrer nos mesmos erros em renascimentos posteriores. Esses estágios não estão restritos aos humanos, mas alcançam todos os reinos orgânicos evidenciados nos minerais, vegetais e animais, e o mundo invisível, dentro de suas restritas constituições de matérias e formas conscientemente primitivas e mais adiantadas. Podemos inferir um silogismo: A reencarnação contem a lei da ação e reação, carma, pois para cada causa existe um efeito produzindo evolução meritória ou involução, se demérito. Sendo mérito (virtudes e beatitudes) tem como resultado o homem perfeito; sendo demérito (vícios e pecados) retardamos o processo para ascender ao Logos Eterno. São Mateus 5: 48 "Sede vós perfeitos, como é perfeito o vosso pai que está nos céus". Orígenes foi discípulo de Amônio Saccas (175-242) um mestre místico que viveu em Alexandria na primeira  metade do século III e na época era corrente dizer-se que "Amônio o que aprendeu com Deus". Ele foi o fundador do sistema eclético, nascido de pais cristãos, mas renunciou à sua religião nativa e voltou-se à filosofia "pagã". Pelo fato de ter encontrado a Sabedoria Divina em seu próprio interior, foi chamado "Theodidaktos" ou ensinado por Deus, mas ele preferia o termo "Phialethes", ou amante da verdade. Seus discípulos eram também conhecidos como "Filaleteus". Não deixou escritos, ensinamentos orais e seus pupilos foram submetidos ao voto de segredo, como de costume nas Escolas de Mistério. Por conseguinte, ele fez uma distinta tentativa de beneficiar o mundo através do ensinamento daquelas partes da Ciência Secreta que lhe eram permitidas ser reveladas por seus guardiães diretos daqueles tempos.  Outro mestre que influenciou Orígenes  foi Plotino (204-270) que dizia: "O Único (O Deus Supremo) é exaltado acima do Nous e das ideias. Ele está absolutamente acima da existência escapando a razão. Permanecendo sempre em repouso. Ele faz jorrar de Sua própria plenitude como um raio uma imagem de Si mesmo, chamada Nous e que forma o conjunto das ideias do mundo inteligível". Plotino foi discípulo direto de Amônio Saccas, com o qual permaneceu onze anos. O que Platão (428 AC 347) foi para Sócrates (469 AC 399), e o apóstolo João para Jesus, Plotino foi em relação a Amônio. Naqueles dias participou em uma expedição à Ásia na esperança de alcançar a Índia, mas não foi bem sucedido. Seguiu a Roma, onde despendeu o resto de sua vida ensinando e escrevendo. Seu principal trabalho, as Enéadas, incorporam suas ideias teosóficas. Plotino combinou uma das maiores capacidades intelectuais com a profunda iluminação mística, e sua vida foi baseada na autodisciplina e purificação. Sua intensa aspiração espiritual resultou no êxtase, uma sublime condição de existência absorta na Vida Divina, o Samadhi da filosofia hindu. Seu discípulo Porfírio (234-305) relata que Plotino gozou tal experiência em seis ocasiões durante sua vida. Seus ensinamentos tiveram uma duradoura e profunda influência não somente no pensamento filosófico dos séculos posteriores, mas também na teologia cristã. A Igreja tomou sua seminal doutrina da Trindade dos escritos de Plotino. Helena Blavatsky (1831-1899) diz: "Tudo que é grande e nobre na teologia cristã provém do Neo platonismo". Orígenes teve um fim como de todos os mártires por suas ideias iluminadas que se opunham a crendice, fé cega e dogmatismo vigente na Igreja cristã dos primeiros séculos, sendo torturado (física e psicologicamente) e morto no ano de 254. O conceito de Teosofia ou Sabedoria Arcana foi pensado inicialmente  em Alexandria no século III pelos dois mestres de Orígenes que citamos acima. Romanos 8: 28 "E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem aqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito". Abraço. Davi.

terça-feira, 6 de julho de 2021

O SIGNO ASCENDENTE II

 

Astrologia. Livro A Ciência da Astrologia e as Escolas de Mistérios. Texto de Ricardo Lindemann. O SIGNO ASCENDENTE II. O ASCENDENTE em câncer rege também os seios, as glândulas mamárias, o estômago e originalmente o próprio umbigo, por onde vinha essa nutrição da mãe para o filho; mais tarde então passa a ser substituído pelos seios, que a mãe oferece quando a criança está mamando, ingerindo o leite pelo esôfago e pelo estômago. No entanto, não é incomum que as pessoas com ASCENDENTE em Câncer tenham aflições, gastrites e problemas estomacais. É uma forma, às vezes, de se ter certeza do horário de nascimento investigar se conferem as características do indivíduo com o SIGNO ASCENDENTE calculado, também chamado de SIGNO nascente. Ele é assim chamado porque se desprende da Terra no mesmo instante em que o corpo da criança está se desprendendo do corpo da mãe, correspondendo, por analogia, ao corpo físico que é sua região de influência. Portanto ele está se desprendendo no Horizonte, ASCENDENDO à Terra ou nascendo, por analogia ao corpo da criança que nasce da mãe naquele mesmo instante. Muitas pessoas pensam, às vezes, que esses pontos de somatização são arbitrários, mas na verdade as doenças, de um modo geral, não são causais, mas seguem apenas certas leis da Natureza. O ASCENDENTE em Capricórnio, por exemplo, rege os joelhos em particular e a pele e os ossos em geral. Os joelhos são necessários para subir, para escalar. Símbolo da ambição para conquistar uma posição, é representado pela cabra montesa que sobe a montanha passo a passo até atingir o pico. Podemos observar que Capricórnio é bem mais seco, é um signo da Terra, mas austero, cumpridor do dever, é mais magro até na própria expressão do rosto, como a expressão de André na Última Ceia. Câncer já tem uma expressão mais gentil e simpática. Possui também uma imaginação poderosa e um forte instinto materno e paterno. Em Capricórnio teremos um ASCENDENTE mais determinado em atingir seus objetivos, mais prudente, com um certo sendo de seriedade, parecendo desde cedo ter mais idade do que as outras pessoas, porque é mais comportado e tem uma expressão de rosto mais séria. Chegamos então ao SIGNO de Leão. No ASCENDENTE o SIGNO de Leão dá uma expressão solar, muitas vezes os SIGNOS de fogo Áries, Leão e Sagitário, do sexo masculino, ficam carecas mais cedo porque, diz a tradição, o elemento fogo queima a raiz dos cabelos. Tiago Menor representa, no mural, o ASCENDENTE em Leão, também de testa ampla, de queixo bem posicionado e olhar bem firme, com uma expressão de comando, como se diz, de um rei. Enquanto que o signo oposto ao SIGNO de Leão é o signo de Aquário. Aquário já tem um jeito mais errático, criativo, mas também mais difícil de se enquadrar dentro de qualquer sistema disciplinar. Assim o ASCENDENTE em Aquário, as vezes, tem dificuldade de alinhar o cabelo, de penteá-lo, porque o cabelo é mais rebelde, como aliás, evidentemente, o próprio ASCENDENTE em Aquário. Por conseguinte, nós temos no Leão a ideia do rei que quer exigir disciplina, governo, mas que ao mesmo tempo irradia amor humano, calor de vida e alegria de viver. Possui também um temperamento generoso, magnânimo, entusiasmado, organizador, embora às vezes interferente e dado a uma certa encenação. Enquanto que o SIGNO de Aquário já tem uma tendência mais a servir, mais humanitária, independente, cordial; no entanto, ele é um pouco excêntrico, rebelde, obstinado nas suas ideias inventivas, tendo um espírito mais renovador ou reformista. Nós podemos lembrar ainda que Leão rege o Coração e as costas, e Aquário rege as pernas, em particular, a canela, o tornozelo e as panturrilhas. Justamente o lugar que o bailarino desenvolve mais para saltar alto, significa que Aquário quer se desprender da Terra, quer se desprender da gravidade, quer ser livre para voar, pois é um SIGNO de ar. E o coração é a parte que o Leão rege, e de certa forma também as costas, é o ponto onde nós exercemos talvez a irradiação da vida, mas também é o ponto em que pode haver uma certa sobrecarga se as emoções não fluírem adequadamente. Podemos ver perfeitamente no mural de Leonardo da Vinci (1452-1519) que o coração é o ponto de destaque em Tiago Menor. Em oposição, temos logo o Aquário, representado por Tiago Maior, já querendo quase se esconder no canto da mesa, com mais dificuldade para se enquadrar dentro da disciplina, da posição em que as pessoas estão sentadas. Em seguida encontramos o ASCENDENTE em Virgem, que é representado também por um signo de Terra, que tem mania de limpeza e de pureza, expressão essa característica do rosto de Virgo. Temos também aqui uma necessidade de trabalho, de sentir-se útil. Virgem tem o discernimento prático, analítico, que quer aproveitar todos os minutos, exageradamente minucioso, preocupado com os detalhes, às vezes é um pouco intranquilo. O ASCENDENTE em Virgem tem que aprender a “desligar-se” para dormir melhor, porque às vezes até perde o sono em função de algo que não está suficientemente limpo como ele gostaria, outem uma dobra no travesseiro ou no cobertor, que o incomoda, etc. Esse detalhe pode atrapalhar um pouco o SIGNO de Virgem, que é o mais perfeccionista do Zodíaco, mas costuma ter habilidade manual, especialmente com coisas pequenas. Nós podemos ver essa preocupação com detalhes na própria expressão de São Tomé, olhando para o seu próprio dedo no mural da Última Ceia. Virgem rege os intestinos e o fígado, então essa área digestiva é um ponto que precisa de cuidado. Em oposição a essa parte estão os pés do signo de Peixes, e podemos até dizer que essa mania de limpeza que Virgem possui está relacionada ao intestino, que separa o nutriente do excedente e quer logo se se livrar ou jogar no lixo o que está sobrando. Já o SIGNO de Peixes rege os pés que, por analogia, se sacrificam, pois estando de pés descalços, os pés ficam sujos para que o resto permaneça limpo, nos remetendo à ideia de sacrifício. Então, a expressão do SIGNO de Peixes já é mais mística, mais transcendente, e no ASCENDENTE ela dá uma certa tendência à sonolência e um olhar mais difuso, que se concentra menos. Na figura pintada por Leonardo da Vinci, Bartolomeu parece não estar olhando especificamente para ponto nenhum, mas tem os olhos grandes e uma tendência humilde, compassiva, simpática, emotiva, impressionável, intuitiva, adaptável e gentil. Para quem queira aprofundar as 144 combinações possíveis entre o SIGNO Solar (do mês) e o SIGNO ASCENDENTE (da hora), eu recomendo o livro de Maria Eugênia de Castro – O Livro dos Signos – Editora Campus. Então, essas são basicamente as doze posições possíveis, e aproximadamente a cada duas horas, por exemplo, das 6 da manhã até as 8 da manhã, normalmente o SIGNO ASCENDENTE coincide com o SIGNO DO MÊS ou SIGNO SOLAR. Evidentemente o oposto também é verdadeiro, das 6 da tarde até as 8 da noite, ou seja, das dezoito às vinte horas, aproximadamente, o SIGNO do ASCENDENTE é aquele oposto ao SIGNO SOLAR ou do MÊS. Por exemplo, se a pessoa é de Áries, ou seja, tem o SIGNO SOLAR em Áries, nasceu às dezoito horas, terá provavelmente ASCENDENTE em Libra, se nasceu as 20 horas, terá ASCENDENTE em Escorpião; se nasceu às 22 horas, terá ASCENDENTE em Sagitário, e assim por diante. Como com o giro da Terra e do horizonte, se a pessoa nascer no mês seguinte, já terá o SIGNO SOLAR em Touro. Então, se ela nascer às 18 horas, aproximadamente, terá o Sol em Touro oposto ao ASCENDENTE em Escorpião, e assim por diante. Dessa forma ocorre a mudança no SIGNO que se ergue no Horizonte Oriental. Dizia Plutarco (46-120): “O Sol dá aos homens a razão, a Lua as paixões e a Terra o corpo”. Então, esse seria o SIGNO que pelo karma, pelo destino, por Nêmesis - mitologia grega - deusa da vingança e justiça distributiva, nós vamos receber, caracterizando a vibração do nosso corpo físico, sendo assim um possível ponto de somatização. No nosso Livro (livro do autor) A Tradição Sabedoria, acrescentamos no capítulo Cinco, que trata da Lei da Ação e Reação, uma entrevista do doutor Luiz Chiozza, Psiquiatra, Professor de Psicologia na Universidade de Salvador, em Buenos Aires – Argentina, que dizia basicamente o seguinte: “Hoje em dia suspeita-se que todas as doenças têm ligações profundas com o lado emocional. Estudando o enfermo e a enfermidade chega-se a conclusão de que sempre o tipo de doença tem ligação com determinado caráter psicológico. Então, a emoção que beneficia o surgimento do infarto do miocárdio sempre será diferente do fator emocional que conduz ao câncer”. Ou seja, essa tendência de temperamento do corpo, tende a produzir o ponto mais forte e o ponto mais fraco que seria o ponto de somatização do SIGNO. “Não se adoece de tuberculose só por causa dos micróbios. Os micróbios atacaram esse enfermo porque um conjunto de fatores, entre os quais invariavelmente o fato emocional, favoreceram este ataque. Um familiar desse enfermo pode ter morrido na época que o micróbio o atacou, por exemplo. Vale lembrar que mesmo que tenhamos recebido um certo condicionante genético dos nossos pais, o fato é que temos uma predisposição por temperamento a sobrecarregar mais um órgão do que o outro. Por exemplo, o Leão sobrecarrega mais o coração, o SIGNO de Câncer fecha mais o estômago, etc. Quando a pessoa se entristece, somatiza essa emoção reduzindo a atividade de seus pulmões, então os seus ápices pulmonares tendem a ficar menos oxigenados e o bacilo de Koch provavelmente encontrará condições mais favoráveis para se estabelecer. Portanto, há uma relação entre a pessoa triste, a depressão e a tuberculose, que era até considerada como uma doença romântica, no passado. Dessa forma, vemos como há pontos de somatização e como a ASTROLOGIA trata isso também pelo SIGNO ASCENDENTE ou SIGNO DA HORA em que a pessoa nasceu, que é o primeiro SIGNO que os outros percebem em nós, em nossa expressão e em nossos gestos, é o nosso cartão de visitas. As pessoas não percebem como nós nos vemos, ou seja, pelo nosso SIGNO SOLAR; ou como nós nos sentimos, ou seja, pelo SIGNO LUNAR, que expressa os nossos sentimentos; mas os outros veem a nossa casca mais externa. Frequentemente as pessoas não reconhecem a si mesmas pelo SIGNO ASCENDENTE, conforme os outros a veem, elas em geral acham que os outros deveriam vê-las de outra maneira. Esse é um dos grandes problemas dos relacionamentos humanos. Livro A Ciência da Astrologia e as Escolas de Mistérios. Abraço. Davi.

 

segunda-feira, 5 de julho de 2021

O SIGNO ASCENDENTE I

 

Astrologia. Livro A Ciência da Astrologia e as Escolas de Mistérios. Texto de Ricardo Lindemann. Capítulo Onze. O SIGNO ASCENDENTE I. O SIGNO ASCENDENTE, como a palavra sugere, está subindo ou nascendo no Horizonte Oriental ou Leste no instante do nascimento. Na verdade nós poderíamos considerar a imagem da Terra com uma linha horizontal, que seria tangente à superfície da Terra, e que aponta para algum signo do Zodíaco na medida em que a Terra vai girando no seu movimento de rotação, em torno do seu próprio eixo. O que quer dizer que em 24 horas teremos passado pelo Zodíaco inteiro, que a Terra terá dado uma volta completa e, portanto, OS DOZE SIGNOS terão ascendido no Horizonte Oriental. Se olharmos isso no globo, teremos aqui em Brasília – Brasil, por exemplo – quando o globo está girando naquele sentido para o Oriente – a sensação de que o céu está subindo, porque a Terra gira de Oeste para Leste e por isso nós temos uma sensação de que o céu sobe de Leste para Oeste. O SIGNO ASCENDENTE é aquele que se encontra no Horizonte Oriental no instante do nascimento e se em 24 horas a linha do Horizonte será cruzada por todos os 12 SIGNOS DO ZODÍACO, então cada SIGNO ASCENDENTE permanece no horizonte aproximadamente 2 horas em média. Este seria o valor médio quando dividimos 24 por 12, embora surjam algumas pequenas deformações, quanto mais longe nós nos encontramos do Equador, que terão de ser consideradas eventualmente. De modo que essa é uma visão aproximada, nós não sabemos se ela ficará um pouco maior ou um pouco menor para cada signo, dependendo de cada caso. O importante é lembrar que, segundo Plutarco (46-120), o Sol dá aos homens a razão, a Lua as paixões e a Terra o corpo. Então, nós teríamos uma maneira de pensar segundo as tendências das características do SIGNO SOLAR, que é o mais conhecido popularmente como SIGNO DO MÊS em que nós nascemos. O SIGNO SOLAR é o único que costuma ser usado na coluna de Horóscopo dos jornais, porque não exige cálculo personalizado para determinar a sua posição mensal. Por isso Dona Emy sugeria que tal coluna fosse chamada de MESÓCOPO. A posição da Lua, que já exige um cálculo personalizado, vai determinar a tendência de nossa maneira de sentir e chama-se popularmente de SIGNO DO DIA em que nós nascemos. Na verdade, a Lua dá uma volta no Zodíaco em 27, 32 dias, período conhecido como mês sideral, ficando aproximadamente dois dias e um quarto em cada signo. Dessa forma, já não é exatamente o SIGNO DO DIA, mas em média, de dois dias e um quarto. Não se deve, porém, confundir o MÊS SIDERAL com Lunação ou mês sinódico de 29, 53 dias; a Lunação está relacionada às fases da Lua, e envolvendo também a relação da Terra com o Sol, e abrange o período entre duas Luas Novas. Além disso, há o giro da Linha do Horizonte que é a projeção da Terra no céu, e que determina o SIGNO ASCENDENTE que seria a nossa característica física, o nosso corpo físico. Quando Leonardo da Vinci (1452-1519), no quadro Última Ceia pintou os doze Apóstolos, simbolizando os doze signos, estava retratando a tendência característica da expressão do rosto dos DOZE SIGNOS ASCENDENTES, ou seja, dos doze tipos físicos pela hora do nosso nascimento. O SIGNO ASCENDENTE é muitas vezes chamado o SIGNO DA HORA DO NASCIMENTO, embora, na verdade, cada SIGNO ASCENDENTE dure aproximadamente duas horas no Horizonte Leste. Daí vem a palavra HORÓSCOLO, do grego scopein, que significa observar. HORÓSCOPO é a observação da hora, e para confeccionar o HORÓSCOPO ou MAPA ASTRAL NATAL precisamos saber a hora do nascimento. Tendo em vista que a palavra HORÓSCOPO tem sido muito desgastada desde 1930, quando, com a queda da bolsa de valores de Nova Iorque, inventaram nos Estados Unidos uma coluna de jornal para divertir e compensar a frustração geral, que se chamava HORÓSCOPO e dava características do que iria acontecer com cada SIGNO para aquele dia, o que na verdade deveria se chamar MESÓSCOPO porque só leva em consideração o mês que a pessoa nasceu, e cria uma situação muito difícil, se nós pararmos para pensar. Se ali disser que Áries vai ganhar na loteria, então todas as pessoas do signo de Áries deveriam ganhar na loteria ao mesmo tempo, e o prêmio ficaria muito pequeno, pois aproximadamente 1/12 avos da população deveria ser vencedora. Devido ao costume já estabelecido, nem sempre é fácil demonstrar para o público leigo que a ASTROLOGIA não é somente aquela coluna de jornal, mas que o HORÓSCOPO é a observação da hora do nascimento, fato que raramente aquelas colunas de jorna sequer tomam em consideração. Na verdade não seria possível, no jornal tradicional, pois cada pessoa teria que fazer o cálculo personalizado do seu SIGNO ASCENDENTE. Para ter-se uma ideia, de 6 até as 8 da manhã, aproximadamente, teremos o SIGNO DO MÊS coincidindo com o SIGNO DA HORA, porque o Sol também encontrar-se-á aproximadamente na linha do Horizonte Oriental. Vamos, por exemplo, observar como seria a característica do ASCENDENTE é ser mais individualista e impulsivo. Nós podemos verificar que o Áries, representado por Simão na Última Ceia, tem a testa muito larga, as têmporas e as mandíbulas salientes ou demarcadas, o queixo algo pontudo e forte. As têmporas simbolizando inclusive os próprios chifres enroscados do carneiro, que servem meramente como reforço da caixa craniana; portanto, a característica física do SIGNO ASCENDENTE de Áries dá um tipo forte e geralmente impulsivo, há uma tendência de espírito mais aventureiro, empreendedor, abre caminhos, corajoso, direto e por isso mesmo, às vezes, com muita energia ou uma certa tendência à impaciência. Ele é geralmente individualista, sendo regido por Marte, o deus da guerra e da conquista. Não é incomum que as pessoas com ASCENDENTE EM ÁRIES tenham uma pequena cicatriz na testa, pois frequentemente podem vir a bater a cabeça, região em que essa energia se somatiza nesse signo. Às vezes reflete o efeito negativo sobre o SIGNO DESCENDENTE que é exatamente o oposto do ASCENDENTE, se o ASCENDENTE se encontra no Horizonte Oriental, o DESCENDENTE se encontra no poente ou no Horizonte Ocidental enfim, como consequência, eventualmente, pode surgir algum problema nos rins, como pode também afetar a cabeça. No SIGNO ASCENDENTE de Touro, que rege a garganta, em geral há uma tendência a acumular mais a matéria no corpo. Temos aqui geralmente uma figura mais arredondada, há uma tendência a engordar. Vale lembrar também a figura da fisionomia de Judas Tadeu pintada por Leonardo da Vinci, como se ele até estivesse tendo um ato de defesa. O SIGNO ASCENDENTE em Touro muitas vezes tem habilidade para cantar e justamente ele vai desenvolver essa aptidão, considerando-se o aspecto da beleza que está associado ao cantar. Ele costuma ter um temperamento prático e hábil. É perseverante em seus relacionamentos, dócil, bondoso, afetivo, fidedigno, mais calmo, e isso é justamente, o que a expressão do ASCENDENTE está a caracterizar nesse caso. Libra é o oposto, justamente, de Áries. Libra rege mais a parte do relacionamento diplomático, da harmonia e das condições de vida agradáveis, apresentando geralmente uma bela expressão do rosto, como se pode ver em João na Última Ceia. Assim também veremos em Touro uma outra compensação, considerando que o SIGNO de Libra é regido por Vênus, o planeta do amor e da beleza, que é o regente do ASCENDENTE em Libra, nele teremos uma expressão bastante doce, meiga, diplomática e bela. O ASCENDENTE oposto de Touro é Escorpião. Escorpião já gosta mais de viver perigosamente, tem emoções e sentimentos poderosos, altamente imaginativo e determinado na consecução dos seus objetivos. O ASCENDENTE em Escorpião, como também é regido por Marte, apresenta sobrancelhas um pouco mais espessas e um olhar um pouco mais fechado, como se pode ver no mural em Judas Iscariotes. Nesse sentido, como Escorpião rege os órgãos sexuais, é tradicional dizer que o ASCENDENTE em Escorpião é mais passional, e às vezes, verificaremos também que o ASCENDENTE em Touro pode repercutir pelo DESCENDENTE, o signo oposto pode ser o ponto fraco, ou vice-versa, frequentemente o ASCENDENTE em Escorpião tem problemas na garganta. Nós podemos ver isso também naquela correlação de que os adolescentes geralmente superam os problemas de amigdalites porque ultrapassaram aquela fase da infância, uma vez que as gônadas começam a entrar em atividades, o hormônio sexual então se faz presente, mas na infância geralmente a criança tem problemas de garganta porque o polo oposto que é, justamente, o das gônadas, ou das glândulas sexuais, ainda não entrou em plena atividade. Então, são formas pelas quais a ASTROLOGIA entende que pode haver uma somatização das energias no corpo. No Homem Celeste nós vemos exatamente essas áreas de correspondência. Gêmeos, por exemplo, rege os braços, como está bem evidente na figura de Mateus na Última Ceia. A expressão do ASCENDENTE em Gêmeos, por ele ser um signo de ar, já é uma expressão mais leve, de traços mais finos, mais fluídicos. Gêmeos é muito comunicativo no ASCENDENTE, às vezes proporciona dúvidas em decidir o que fazer primeiro, começa as coisas e não termina. Esses são alguns problemas característicos do SIGNO de Gêmeos, mas o ponto forte é a sua flexibilidade, adaptabilidade, versatilidade. Ele tem uma certa facilidade nas línguas, e é divertido na conversa. Sendo um SIGNO de ar é também rápido em seus movimentos. O SIGNO oposto do SIGNO de Gêmeos é o SIGNO de Sagitário, que rege as coxas e os quadris, onde se encontra a faca de Pedro no mural. Então ele já tem uma posição de mais força e determinação, sendo representado por um centauro – seres mitológicos com corpo de cavalo e tronco e cabeça de ser humano. Veja-se que os quadris são a parte do corpo que nos torna bípedes, porque os animais quadrúpedes conseguem erguer-se tanto quanto na condição humana. Por isso se relaciona ao SIGNO de Sagitário, uma vez que o centauro é metade humano metade cavalo, representando a ideia de evolução, porque é um animal que se tornou humano, por reverter-se o quadrúpede em bípede, e aponta sua flecha para o Divino, como Pedro aponto o dedo para Cristo. Sagitta, em latim, quer dizer flecha. Desta forma, o ASCENDENTE em Sagitário dá habilidade para a dança, porque rege os quadris e as coxas, local onde é necessário uma certa flexibilidade para que a pessoa tenha movimento de cintura e acompanhe o ritmo. Então, este é o eixo de Gêmeos que rege os pulmões e os braços e o Sagitário que rege exatamente as coxas e os quadris. Nesse sentido, às vezes o ASCENDENTE em Gêmeos pode ter problemas nos pulmões, particularmente também porque a respiração expressa o ritmo da sua emoção. Sagitário pode sofrer de ansiedade, porque é um dos signos mais apressados do Zodíaco, tal qual a flecha que deseja chegar direto ao alvo. O Sagitário normalmente é jovial, otimista, de mente ampla e expressa isso no movimento. Frequentemente tem afinidade com os cavalos e os cachorros, e de um modo geral tem a tendência de viver de forma livre, exploratória, mas às vezes, propensa a um certo exagero e uma certa pressa. Chegamos agora no ASCENDENTE em Câncer que rege o estômago. Vejam que pela tradição o ponto de somatização do Câncer é o estômago ou o oposto, Capricórnio, que rege os joelhos. Verificamos que o ASCENDENTE em Câncer é regido pela Lua, sendo mais arredondado e mais maternal, veja-se a posição maternal que Felipe assume na Última Ceia. Livro A Ciência da Astrologia e as Escolas de Mistérios. Abraço. Davi.

sábado, 3 de julho de 2021

A ESTRELA DE DAVI

 

Judaísmo. www.morasha.com.br. Essa temática tem como objetivo apresentar um dos mais importantes símbolos da tradição judaica que é a ESTRELA DE DAVI. O texto é da Revista Morasha edição nº 35 de dezembro de 2001. A ESTRELA DE DAVI como símbolo exclusivamente judaico é um fato relativamente recente já que, na Antiguidade e mesmo durante a Idade Média, várias civilizações além da nossa usavam o hexagrama – figura representada por uma ESTRELA de seis pontas e formada por dois triângulos equiláteros iguais e concêntricos, no qual os lados opostos em relação ao centro são paralelos – como símbolo místico ou puramente decorativo. Todavia desde o século XIX a ESTRELA DE DAVI tem sido o símbolo mais usado entre os judeus de todas as partes do mundo. Usada por várias comunidades e instituições de todas as tendências, este símbolo pode ser visto em fachadas de sinagogas, assim como em seu interior, sobre o Hechal – Arca Sagrada – no Parochet –  cortinas que cobre a Arca – na lápide e inúmeros outros objetos religiosos. Durante uma das épocas mais terríveis da história do povo de Israel, quando praticamente toda a Europa estava sob o jugo nazista, estes obrigaram todos os judeus a usar uma ESTRELA amarela nas vestes. Queriam transformar a ESTRELA DE DAVI em um símbolo de vergonha e de morte, mas para os judeus tornou-se um símbolo de sofrimento e heroísmo e da esperança e da esperança coletiva de todo um povo. A criação do Estado de Israel fez com que o símbolo marcado pelo sofrimento renascesse junto com a Nação Judaica. O Estado de Israel, o primeiro Lar Nacional Judaico após 2.000 anos de diáspora – dispersão dos judeus pelo mundo após a destruição do Templo em Jerusalém no ano 70 pelo Imperador Romano Tito (30-81). Ostenta na parte central de sua bandeira uma ESTRELA DE DAVI de cor azul. Para se traçar a origem da ESTRELA DE DAVI na história judaica devem-se levar em consideração dois aspectos. Primeiro, a evolução histórica do nome e do símbolo, que como veremos mais adiante, ao que tudo indica, em seus primórdios não tinham ligação entre si. Segundo, a interpretação mística do MAGUEN DAVI. EVOLUÇÃO HISTÓRICA. Desde a Idade do Bronze, utilizaram-se estrelas de cinco e seis pontas com decoração ou como elemento mágico. Sendo encontradas em ruínas de civilizações tão diferentes e tão distantes como a Índia, a Mesopotâmia ou a Grã Bretanha. Na Índia, por exemplo, algumas datam de cerca de 3.000 anos antes da era comum. Há, ainda, hexagramas em igrejas medievais e bizantinas. No Islã era considerado um símbolo muito importante. A estrela de seis pontas também fazia parte dos emblemas de várias nações e atualmente pode ser vista na bandeira da Irlanda do Norte. Mas antes de analisar sua evolução histórica, devemos ressaltar alguns aspectos importantes. A tradução literal do termo MAGUEN DAVI não é ESTRELA DE DAVI, mas sim ESCUDO DE DAVI. O termo ESCUDO ou MAGUEN é muito usado nas orações e não se refere à estrela de seis pontas, todavia é uma forma poética de referência a D’us, ou seja, à Sua proteção onipotente. No Talmud, D’ us é chamado "ESCUDO DE DAVI” – Pessachim 117 b). Ao afirmar que D’us é o ESCUDO DE DAVI, nós o reconhecemos como sendo o único Protetor do rei Davi e, consequentemente, também o nosso. Reconhecemos, assim que foi unicamente graças a proteção e benção Divina que o rei Davi conseguiu suas grandes vitórias militares. A cada Shabat – sábado, dia sagrado para os judeus – após a leitura da Haftará, reiteramos este conceito ao dizer "Abençoado sejas Tu, meu D us, ESCUDO DE DAVI". Não está muito claro, porém, como o conceito de D’us como ESCUDO acabou entrelaçando-se com a ESTRELA de seis pontas. Há inúmeras suposições, entre as quais uma que afirma que o ESCUDO DE DAVI era triangular e sobre ele estava gravado o "Grande Nome Divino de 72 Letras" juntamente com as letras hebraicas m, k, b e Y – as letras da palavra Macabi. Outra suposição é que o símbolo tenha surgido na época de Simon Bar Kochba falecido no ano de 135; no período de (132-135) da era comum. Segundo esta teoria, os judeus que lutavam contra as forças romanas adotaram ESCUDOS mais resistentes, em cujo interior foram colocados dois triângulos entrelaçados. Alguns estudiosos, entre os quais Rabi Moses Gaster (1856-1939) grão rabino sefaradita da Inglaterra, de 1887 a 1918, e líder sionista. Acreditavam que havia uma ESTRELA de seis pontas gravada nas moedas cunhadas na época de Bar Kochba. Ainda no Talmud (Gittin 68 a) está escrito que o rei Salomão possuÍa um anel no qual estava gravado o "Nome Divino de 72 Letras" e que este anel o protegia contra as forças negativas. Porém, mais uma vez não é dada nenhuma descrição adicional. Muitas vezes o pentagrama – a estrela de cinco pontas – chamado de "Selo de Salomão". Termo usado tanto no islã como em algumas comunidades judaicas, que era usado no lugar do MAGUEN DAVI. A estrela de cinco pontas também era considerada um símbolo de proteção Divina, contudo no meio judaico seu uso acabou sendo abandonado. O mais antigo artefato judaico com um hexagrama de que se tem notícia é um SELO encontrado em Sidon – atual Líbano, datado do século VII antes da era comum. Apesar de, na época do Segundo Templo – 516 AC, os símbolos judaicos mais comuns são o Shofar, o Iulav e a Menorá. Neles foram encontrados pentagramas e hexagramas em vários achados arqueológicos. Um exemplo é o friso da sinagoga de Cafarnaum século II ou III, encontrado numa lápide no ano 300, no sul da Itália. IDADE MÉDIA. O uso ornamental de ESTRELAS tanto de cinco como de seis pontas estendeu-se durante a Idade Média aos países muçulmanos e cristãos. Entre os muçulmanos o uso do SELO DE SALOMÃO, como proteção, era muito difundido. Alguns reis, como o de Navarra – Península Ibérica, usavam a estrela de seis pontas em seu selo. O hexagrama é encontrado em igrejas e catedrais, assim como em sinagogas, como a de Hamein, Alemanha no ano 1280 e a de Budweis – Boêmia, século XIV. Iluminuras de manuscritos hebraicos medievais contêm hexagramas sem que lhes sejam atribuídos qualquer nome. O mais antigo texto que faz menção ao MAGUEM DAVI como o escudo protetor usado pelo rei David pode ser encontrado em um alfabeto místico que remonta ao período gueônico e era utilizado pelos sábios asquenazitas do século XII. Mas, neste caso, acreditava-se que o que estava gravado no escudo era o Grande Nome Sagrado de 72 Letras. O termo MAGUEN DAVI ainda não estava ligado à estrela de seis pontas e não está claro o que teria provocado a substituição do "Grande Nome de 72 Letras" pela figura geométrica. Depois desta época, o uso do MAGUEN DAVI tornou-se difundido em manuscritos medievais como proteção. Também são da Idade Média os primeiros amuletos de proteção em que aparece o hexagrama. Entre os séculos X e XIV, o termo MAGUEN DAVI não tinha ainda um vínculo com a estrela de seis pontas. Já que havia várias hipóteses sobre o que estava gravado no escudo que o rei Davi usava nas batalhas. Por exemplo, segundo a obra de Rabi Issac Ben Moshe Arama (1420-1494), Akedat Itzhak (século XV), o que estava gravado no escudo do rei era o Salmo 67 disposto em forma de menorá. Mas é no texto cabalístico Sefer Ha Guevul, de autoria de um neto de Nachmânides ou Rebe Moshe Ben Nachman (1194-1270) século XIV, que podemos encontrar o mais antigo testemunho do uso do termo em relação à estrela de seis pontas. O hexagrama aparece duas vezes nesse texto, sendo chamado em ambas de MAGUEN DAVI. Já a partir do século XIII, na Espanha e na Alemanha, são encontrados manuscritos bíblicos nos quais partes da menorá – Tradição oral – são escritas em micrografia, em forma de hexagrama. E até o século XVI, os sábios cabalistas acreditavam que o Escudo de David não deveria ser desenhado como simples linhas geométricas. Deveria ser composto com determinados Nomes Sagrados e suas combinações, segundo o padrão dos manuscritos bíblicos, nos quais as linhas eram compostas com textos da menorá. O USO OFICIAL. Foi no século XIV, em Praga – República Tcheca, que o ESCUDO DE DAVI foi usado pela primeira vez de forma oficial para representar uma comunidade judaica. No ano 1354, o rei Karel IV concedeu à comunidade judaica o privilégio de ter sua própria bandeira. No fundo vermelho, foi colocado o hexagrama, a ESTRELA DE DAVI, em ouro. Documentos referem-se a este símbolo como sendo "BANDEIRA DO REI DAVI". Em Praga - atual República Tcheca, a estrela de seis pontas - sempre chamada de MAGUEN DAVI passou a ser usada tanto em sinagogas, como no selo oficial da comunidade e em livros impressos. O símbolo logo se difundiu e, a partir do século XVII, tornou-se o emblema oficial de várias comunidades judaicas e do judaísmo em geral. Em Viena – Áustria, em 1656, foi usado numa pedra que marcava o limite entre os bairros judeus e cristãos, junto com uma cruz. Ao serem expulsos de Viena, os judeus levaram o símbolo para outras localidades para onde se transferiram, a Morávia – atual República Tcheca e Amsterdã – Holanda. Em 1799, a ESTRELA DE DAVI foi usada para representar o povo judeu numa gravura antissemita. Em 1822, ao ser agraciada com um título de nobreza pelo imperador austríaco, a família Rothschild a usou em seu brasão. Foi considerada, assim, um símbolo especificamente judaico no decorrer dos séculos XVII e XIX na Europa Central e Oriental. Espalhando-se pelas comunidades judaicas da Europa Ocidental e do Oriente Médio. Quase todas as sinagogas exibiam a ESTRELA DE DAVI, algumas em sua fachada; outras instituições, como as sociedades beneficentes, usavam o símbolo em seus documentos. Segundo um dos grandes rabinos deste século o Rabi Moshe Feinstein (1895-1986), o rei David usava o MAGUEN DAVI, o símbolo de seis pontas, para que o Todo Poderoso o protegesse nas batalhas. O movimento sionista a adotou como emblema de sua bandeira e do primeiro número do periódico sionista de Theodor Herzl (1860-1904), Die Welt. Os fundadores de Rishon L Tzion também a colocaram em sua bandeira, em 1855. A ESTRELA DE DAVI tornara-se o símbolo de novas esperanças e de um novo futuro para o povo de Israel. Mas foram os nazistas que lhe conferiram uma nova dimensão. Em 1933 Adolf Hitler (1889-1945) ao decidir que os judeus deveriam usar uma marca em suas roupas para que pudessem ser facilmente reconhecidos, escolheu a "ESTRELA JUDAÍCA" como era chamado, em tom pejorativo pelos nazistas, o MAGUEN DAVI. Ao querer fazer deste um distintivo da vergonha que acompanharia milhões em seu caminho para a morte, tornou-o símbolo de um povo. Símbolo de sofrimento e morte, todavia também de esperança. Quando o Estado de Israel escolheu como emblema do novo Estado Judaico a menorá, manteve o MAGUEN DAVI na bandeira nacional. Atualmente, a ESTRELA DE DAVI é o símbolo de uma nação independente. É o símbolo de um lar nacional para todo e qualquer judeu. www.morasha.com.br. abraço. Davi.

quinta-feira, 1 de julho de 2021

O MUNDO DOS ORIXÁS

 

Religião Afrodescendente. Candomble. www.ocamdoncle.com. MUNDO DOS ORIXÁS – IRÓKO. A missão divina da Mãe Terra (Edan – Onile). Quando a divina e poderosa mãe Edán (Onile Ogboduora) fez sua aparição nesta Terra, ela fez isso com um propósito específico e sagrado. Sua manifestação nesta Terra sinalizou uma nova oportunidade para a humanidade se renovar, progredir e ter uma vida equilibrada. Sua aparição marcou um novo começo para toda a humanidade e não apenas o povo privilegiado dos yorùbá. Seu objetivo e propósito era, e é, de alcance universal. Èdán veio para trazer cura, ordem, harmonia, abrigando preceitos divinos e equilíbrio para as comunidades da Terra em geral e cada ser humano em particular. Você deve se lembrar e ter em mente que Èdán não é um ser humano. Èdán não é yorùbá, chinês, americano, oriental ou ocidental. Èdán é uma personagem divina de habilidades extraordinárias e poderes supra-humanos. Èdán não é deste mundo. Ela vem de um reino glorioso e inconcebível de santidade, beleza e poder. A inteligência, compreensão, força, atratividade e carisma da mãe divina Èdán é extraordinária, penetrante e excepcional. Èdán pode ver a profundidade e a realidade das coisas. Ela não pode ser enganada, manipulada ou subornada, ela não comete erros na administração de sua dispensação (ato de dividir). Ela está além do alcance da influência humana. Ela nunca cairá ou balançará à mesquinhez e a inconstância, que é comum entre a humanidade. Sua visão divina nunca é obstruída e sua atividade não pode ser prejudicada. Sua virtude, caráter, personalidade e carisma são sem igual. Mesmo Ọrúnmìlà reconheceu sua grandeza, eficiência, capacidade e singularidade. Foi, afinal, Ọrúnmìlà quem invocou Èdán, sua amiga e sócia divina para apoio, soluções e alívio! Quando Èdán desceu do reino dos Irunmọlẹ a esta Terra, ela apareceu com a plenitude da autoridade divina, poder e comando. Todos Ajogùn interno, externo e Elénìní fugiram diante dela. Com o poder de sua majestosa personalidade, divinamente atraente, beleza, carisma e àşé ela foi capaz de libertar e entregar os corações e as mentes dos pensamentos negativos, atitudes e energias prejudiciais que oprimiam e dominavam os seres humanos. Èdán foi capaz de desarmar as pessoas de suas preocupações, medos e inseguranças. Para aqueles que faziam, que se deliciavam em fazer o errado, o engano, a opressão e a corrupção ela colocava medo nos seus corações para que talvez eles pudessem mudar suas maneiras sob sua administração do perdão, da ordem, da capacitação e da renovação. Tais era, e é, o poder e a influência da mãe divina Èdán. Juntamente com o inseparável, a importação do ase aos membros sensíveis da humanidade, ela deu preceitos e injunções divinas para seus alunos-discípulos para praticar e implementarem em todos os níveis da sociedade e da vida pessoal. Estes seguidores obedientes e confiáveis de Èdán são os Ogboni porque só existe sabedoria, saúde e longa vida com Èdán se as pessoas obedecerem e praticarem seus preceitos. Do lado de fora uma pessoa constituiria um Ogberi (ignorante) porque aparentemente tinha conhecimento e não praticava a verdade, o que é isso, se não o maior ignorância, infelicidade e loucura. Os princípios divinos de Èdán tornaram-se os veículos de sua divina presença, carisma, poder, apoio e influência-retificando a cura. Ter vivido na época do aparecimento de Èdán sobre esta Terra sagrada foi a experiência mais extraordinária, gratificante e maravilhosa. Isto é, a forma divinamente sancionada, a vida que ela estava revelando à humanidade e continua revelando à humanidade. O teimoso, obstinado e beligerante que não fizer, não vai durar muito tempo sob a administração de Èdán. Èdán é naturalmente amável, justa e compreensiva, como a Sagrada Mãe preciosa e amável que ela é, ela proporcionou a todos o perdão, um novo começo sem referência a erros do passado, uma oportunidade para mudar e a bênção para fazer uso de seu apoio pessoal, garantia, inspiração e poder. Èdán está ciente de nossas fragilidades e fraquezas como seres humanos. Ninguém precisa ter medo por causa de suas fraquezas ou falhas. Èdán não pareceu para fazer-nos ricos e famosos. Èdán apareceu para nos fazer participantes da verdadeira vida, saúde, paz, segurança e prosperidade através da prática de seus ensinamentos claros. Èdán apareceu para nos permitir descobrir a nossa nobre e bela natureza divina. Ela veio para restaurar a dignidade, clareza, transparência, saúde moral e limpeza moral de nossas vidas. Èdán inculca a verdade divina para seus seguidores inteligentes e humildes, quando estamos individual e coletivamente para a direita e para dentro, em seguida, nesta ordem interna, a saúde e a retidão serão reveladas e expressas no mundo. As instruções de Èdán não foram e não são sugestões, mas comandos divinamente concedidos e leis. Eles são vinculativos e obrigatórios para toda a humanidade e especialmente para aqueles que se dedicam a Èdán. Para ser Ogboni significa ser o melhor dos melhores. Significa ser um modelo de impecabilidade, idoneidade e confiabilidade. Para ser Ogboni significa estar pessoalmente convencido a perseguir e fazer o que é certo, correto e adequado independentemente de tempos, lugares e / ou circunstâncias. Para ser Ogboni significa ter auto iniciativa, ser responsável e fazer o que é certo para o bem do amor da verdade e não ser visto, elogiado e aplaudido por outros. Iniciação formal sozinha não faz de você um seguidor de Èdán. O que é importante não é que outras pessoas te chamem de Ogboni, mas que Èdán te reconhece e o aceita como um dos seus verdadeiros, leais e obedientes filhos. O que é importante é que você seja Ogboni 24 horas por dia em seus pensamentos, atitudes, ações e relacionamentos. Ogboni é uma forma global e abrangente de viver. Uma delas é ser Ogboni o tempo todo para que Èdán, ela mesma, possa garantir que você é um Ogboni genuíno, verdadeiro, com honra, humildade, alegria e realização digna. Os ritos de iniciação Ogboni foram desenvolvidos mais tarde por Èdán e seus seguidores, mas, inicialmente, a verdadeira iniciação era uma mudança espiritual de coração, mente e vida como um resultado do encontro com Èdán, sua personalidade, seu caráter, seu carisma, encantamento, inspiração, autoridade e poder, tudo foi expresso e manifestado através de tudo que Èdán fez. Tudo que Èdán fez foi cheio de graciosidade, dignidade e poder. Não foi através de ritos e rituais que Èdán mudou o mundo, mas pela graça divina, pelas maneiras, inteligência e conduta. Èdán por suas maneiras, caráter, personalidade e conduta comandou o respeito, reverência, confiança e obediência de todos aqueles com coração sincero e bom. O verdadeiro símbolo de honra e título de um Ogboni autêntica o caráter, a virtude, a bondade e a imparcialidade que ele pratica. Conformidade exterior e aderência superficial com o protocolo Ogboni para o bem das pessoas não faz de você um Ogboni, não importa o seu título ou o quanto você está velho. Èdán deu seu amor, vida e foco total e dedicação à humanidade. Para ser Ogboni você tem que dar o seu tudo para a missão divina de Èdán e você deve procurar com sua força, habilidade, atividade e meios transferir o conhecimento de Èdán a todos os povos do mundo. Isto é o que é significa ser Ogboni. Ogboni não é uma instituição humana. Ogboni não é um negócio. Ogboni não é um clube. Ogboni é uma vocação divina e sagrada. Èdán era uma revolucionária espiritual, divina, missionária, diplomática e embaixadora da boa vontade e da esperança. Nós também devemos ser isso. Devemos buscar a propagação do Ogbonismo. Não os chamados clubes Ogboni e instituições formais, devemos propagar a verdade e a realidade que Èdán promoveu e instituiu para toda a humanidade. A humildade e o serviço vêm antes da honra, do orgulho, da presunção. Èdán diz que a indiferença precede a queda. Ancestral Pride Temple. Templo Orgulho Ancestral. ORIXÁ IRÓKO. Os orixás são deuses africanos que correspondem a pontos de força da Natureza e os seus arquétipos estão relacionados às manifestações dessas forças. As características de cada Orixá, aproxima-os dos seres humanos, pois eles manifestam-se através de emoções como nós. Sentem raiva, ciúmes, amam em excesso, são passionais. Cada orixá tem ainda o seu sistema simbólico particular, composto de cores, comidas, cantigas, rezas, ambientes, espaços físicos e até horários. Como resultado do sincretismo que se deu durante o período da escravatura, cada orixá foi também associado a um santo católico, devido à imposição do catolicismo aos negros. Para manterem os seus deuses vivos, viram-se obrigados a disfarçá-los na roupagem dos santos católicos, aos quais cultuavam apenas aparentemente. Estes deuses da Natureza são divididos em 4 elementos – Água, Terra, Fogo e Ar. Alguns estudiosos ainda vão mais longe e afirmam que são 400 o número de Orixás básicos divididos em 100 do Fogo, 100 da Terra, 100 do Ar e 100 da Água, enquanto que, na Astrologia, são 3 do Fogo, 3 da Terra, 3 do Ar e 3 da Água. Porém os tipos mais conhecidos entre nós formam um grupo de 16 deuses. Eles também estão associados à corrente energética de alguma força da natureza. Assim, Iansã é a dona dos ventos, Oxum é a mãe da água doce, Xangô domina raios e trovões, e outras analogias. No Candomblé cultuam-se muitos outros orixás, desconhecidos por leigos, por serem menos populares do que Xangô, Iansã, Oxossi e outros, mas com um significado muito forte para os adeptos dos cultos afro-brasileiros. Alguns são necessariamente cultuados, devido à ligação com trabalhos específicos que regem, para a saúde, morte, prosperidade e diversos assuntos que afligem o dia-a-dia das pessoas. Estes deuses africanos são considerados intermediários entre os homens e Deus, e por possuírem emoções tão próximas dos seres humanos, conseguem reconhecer os nossos caprichos, os nossos amores, os nossos desejos. É muito frequente dizer-se que as personalidades dos seus filhos são consequência dos orixás que regem as suas cabeças, desenvolvendo características iguais às destes deuses africanos. Apresento a seguir as descrições dos 16 Orixás mais cultuados. Recordo, no entanto, que existem diversas correntes no Candomblé e por essa razão as informações poderão ser diferentes de acordo com a tradição ou região. ORIXÁ IRÓKO. Dia da Semana: Terça-feira. Cores: Branco, Verde /castanho. Símbolo: Árvore/tronco. Domínios: Ancestralidade. Saudação: Iroko Issó! Eró!Iroko Kissilé. Iroko é um Orixá muito antigo. Iroko foi à primeira árvore plantada e pela qual todos os restantes Orixás desceram à Terra. Iroko é a própria representação da dimensão Tempo. Iroko é o comandante de todas as árvores sagradas, o vanguardeiro, os demais Osa Iggi devem-lhe obediência porque só ele é Iggi Olórun, a árvore do Senhor do Céu. Iroko, Iroco ou Roko (do iorubá Íròkò) é um orixá cultuado no candomblé do Brasil pela nação Ketu e, como Loko, pela nação Jeje. Corresponde ao Inquice Tempo na nação Angola ou Congo. Em todas as reuniões dos Orixás está sempre presente Iroko, calado num canto, anotando todas as decisões que implicam diretamente na sua ação eterna. É um Orixá pouco conhecido dos seres vivos ou mortos, nascidos ou por nascer. Toda a criação está nos seus desígnios. É o Orixá Iroko, implacável e inexorável, que governa o Tempo e o Espaço, que acompanha, e cobra, o cumprimento do Karma de cada um de nós, determinando o início e o fim de tudo. Conhecido e respeitado na Mesopotâmia e Babilónia como Enki, o Leão Alado, que acompanha todos os seres do nascimento ao infinito; cultuado no Egito como Anúbis, o deus Chacal que determina a caminhada infinita dos seres desde o nascimento até atravessar o Vale da Morte. Também venerado como Teotihacan entre os Incas e Viracocha entre os Maias como o Senhor do Início e do Fim; também presente no Panteão Grego e Romano, onde era conhecido e respeitado como Cronus, o Senhor do Tempo e do Espaço, que abriga e conduz a todos inexoravelmente ao caminho da Eternidade. É o Tempo também das mudanças climáticas, as variações do tempo-clima. Guardião das florestas centenárias é o coletivo das árvores grandiosas, guardião da ancestralidade. Em África, a sua morada é a árvore iroko, Milícia excelsa (antes classificada como Chlorophora excelsa), chamada “amoreira africana” na África de língua portuguesa. É uma árvore majestosa, encontrada da Serra Leoa à Tanzânia, que atinge 45 metros de altura e até 2,7 metros de diâmetro. No Brasil, onde essa árvore não existe, diz-se que Iroko habita a gameleira branca, Ficus gomelleira ou Ficus doliaria (também chamada figueira-branca, guapoí, ibapoí, figueira-brava e gameleira-branca-de-purga). Nos terreiros, costuma-se manter uma dessas árvores como morada de Iroko, assinalada por um “ojá” (laço de pano branco) ao seu redor. Iroko representa a ancestralidade, os nossos antepassados, pais, avós, bisavós, etc., representa também o seio da natureza, a morada dos Orixás. Desrespeitar Iroko (a grande e suntuosa árvore) é o mesmo que desrespeitar a sua dinastia, os seus avós, o seu sangue (…). Iroko representa a história do Ilê (casa), assim como do seu povo… protegendo-o sempre das tempestades. Ao contrário da maioria dos orixás, este não costuma “baixar” nas festas de santo. É reverenciado por meio de oferendas à árvore que o representa. Os animais a ele consagrados são a tartaruga e o papagaio. Iroko é um Orixá pouco cultuado tanto no Brasil como em Portugal, e os seus filhos também são muito raros. Os seus filhos, no entanto, são sempre muito protegidos pelo seu Orixá. É importante dizer que esta árvore faz parte do culto de Ifá e foi sobre ela que as feiticeiras pousaram e não tiveram sorte. Há um grande fundamento dessa árvore ancestral ligada diretamente a Obatalá em um orikí: “Iroko Olúwére, Ògìyán Èèijù”. Qualidade: Iroko Olúwére, a energia que mora dentro da árvore Iroko. Características dos filhos de Iroko. Os filhos de Iroko são tidos como eloquentes, ciumentos, camaradas, inteligentes, competentes, teimosos, turrões e generosos. Gostam de diversão: dançar e cozinhar; comer e beber bem. Apaixonam-se com facilidade e gostam de liderar. Dotados de senso de justiça, são amigos queridos, mas também podem ser inimigos terríveis, no entanto, reconciliam-se facilmente. Um defeito grande, é o facto de não conseguirem guardar segredos. Iroko Kisselé; Eró Iroko isso éro !. www.ocandomble.com. Abraço. Davi