sexta-feira, 13 de novembro de 2020

O HOMEM EXTERIOR, O HOMEM INTERIOR E O TESOURO DA FÉ

 

Gnosticismo. Texto de Samuel Aun Weor (1917-1977). O HOMEM EXTERIOR, O HOMEM INTERIOR E O TESOURO DA FÉ. Querem saber algo sobre a Fé? Pois bem, ocorre que as pessoas confundem crença com fé, e este equívoco é de ordem geral: confundem, sempre, “alhos com bugalhos” e é difícil poder tirar dessa gente essa besteira (supor que fé é o mesmo que crença). A crua realidade dos fatos, para o meu modo de ver e de entender as coisas, é que, antes de tudo, aquele que quiser chegar a ter Fé de verdade deve se desdobrar em dois: no Homem Exterior e no Homem Interior. Enquanto não se consiga se desdobrar psicologicamente, pois, segue-se vivendo como Homem Exterior. O Homem Exterior vai tirar de onde a Fé? Há que se dar nascimento, em si mesmo, ao Homem Interior. O novo homem deve nascer dentro de si mesmo. Esse Homem Interior não é outra coisa que o Homem Psicológico. O Homem Interior está colocado em um nível superior ao do Homem Exterior. É necessário “renascer” (como disse Jesus) “da água e do espírito”, e todos os evangelhos do Grande Cabir Jesus, vão a isso: ao renascimento do Homem Interior. Ele quer que surja o Homem Interior em cada pessoa, isso é que o Grande Cabir deseja. As mensagens de Jesus não estão dirigidas ao Homem Exterior, pois Ele não veio disposto a perder tempo miseravelmente, dando conhecimentos exclusivos para o Homem Exterior. Os ensinamentos de Jesus têm um só objetivo: que se renasça da água e do espírito. Ele quer que em nós renasça o Homem Interior, que nos desdobremos em dois. Obviamente, o Homem Interior nasce dentro de nós em um nível superior, em uma oitava superior. O Homem Exterior, o homem comum e corrente, está colocado sempre em um nível de tipo inferior, e isso é ostensível. Assim, pois, Jesus não se interessa muito que continue o homem de nível inferior, senão que renasça em nós o Homem Interior. Ele quer que renasçamos da água e do espírito, quer que cheguemos ao Segundo Nascimento, quer o desdobramento do homem. Quando se desdobra em si mesmo, quando se dividiu em Homem Superior e Homem Inferior, então tem uma experiência direta sobre o Real. O Homem Exterior, realmente, vive no mundo externo e unicamente pode saber sobre as coisas do mundo externo. O Homem Interior é distinto: vive em um mundo interior e conhece a vida exterior completamente, e também a vida de tipo interior. É que o homem que renasceu da água e do espírito é diferente. Quando isso acontece, o próprio Homem Exterior se submete à vontade do Homem Interior e atua em consonância com as leis dos mundos internos (já é um homem diferente). É claro que para que renasça em nós o Homem Interior, necessita-se, ante tudo, reconhecer nossa própria nulidade e miséria psicológica. É claro que as pessoas comuns e correntes estão acostumadas a viver de acordo com as regras deste mundo: sentem-se perfeitíssimas e cheias de virtudes, melhores que o fulano de tal, que a dona beltrana etc. Sempre se queixam de que não reconhecem seus méritos: se trabalham em uma fábrica, pois consideram necessário que lhes paguem bem, que lhes aumentem seu salário conforme os preços aumentam. Não ponto sem nó, aspiram sempre a um ascenso. Se são simples soldados no exército, pois querem chegar a ser cabos, querem ser sargentos, querem ir progredindo pouco a pouco, e lá em seu interior, sonham em chegar a ser generalíssimos, generais de divisão. Por quê? Porque se consideram dignos de mérito, creem que merecem todo, e se trabalham em algum sentido, se fazem algum esforço, exigem seu pagamento, e se não lhes pagam, então protestam. Como? Não é justo – dizem -, eu trabalhei, lutei, tenho tais e tais méritos, e, sem embargo, não souberam me pagar, não souberam reconhecer meus esforços… Assim é o Homem Exterior! Porém, para que nasça o Homem Interior, deve-se tornar diferente e eis aí o difícil. Só chegando a reconhecer que não se vale nada, mesmo tendo trabalhado muito duro na vida, acaba com a psicologia anormal do Homem Exterior. Precisa-se chegar a compreende que se é um imbecil, no sentido mais completo da palavra, E isso que estou dizendo não são meras poses de comediante, tampouco fingidas mansidões ou atitudes pietistas, ou brincadeira de muito mau gosto. Não, senhores, em verdade quando alguém examina a própria existência, quando se revisa sua própria vida, chega-se a descobrir que é um idiota, que não vale nada. Porém, enquanto se crê que vale algo, não pode nascer dentro de si mesmo o Homem Interior. Enquanto se crê que se vale muito, seguirá sendo o que sempre foi: o homem da rua (comum e corrente), o senhor que está por trás do balcão do armazém, o boticário que prepara receitas ou o vendedor de artigos de primeira necessidade, porém, jamais o Homem Interior. O Homem Interior nasce dentro de si como resultado de suas próprias reflexões. Se quiser que nasça o Homem Interior dentro de si mesmo, tem de dar-se ao luxo de destruir o que se é: um saco de reações mecânicas, absurdas, um saco de preconceitos, de simpatias e de antipatias mecânicas, de luxúrias etc. Total: um cretino. Se a pessoa se á conta disso, e nada mais do que isso, quita-se o vestido da vaidade, e se dedica de verdade ao que deve ser dedicado: a destruição de si mesmo. Isto é algo que soa muito feio para as pessoas que se amam muito. Ninguém que tenha o Eu do Amor Proprio poderá gostar destas palavras que estou dizendo aqui. Porém, é assim: quando alguém trabalha de verdade, sinceramente, está erradicando de sua psique o que deve erradicar (sua imbecilidade, su idiotice, seu cretinismo, suas ínfulas de grandeza, sua auto importância etc.). À medida que os elementos indesejáveis que alguém leva em seu interior se reduzem a cinzas, a Essência (a Consciência) vai se liberando (isso é ostensível) e vai surgindo nele a Fé. Essa Consciência liberada é Fé, porém Fé de verdade. Não falo de crenças (essas crenças não servem para nada), falo de Fé verdadeira, que é sapiencia. Obviamente, à medida que a Essência é libera, aumenta a sapiência. Quando a totalidade do Ego é destruída, aniquilada, a Essência (o Homem Interior) fica completamente autoconsciente. Esse Homem, nascido da água e do espírito, tem Fé verdadeira, é o homem de Fé. Não a fé cega, não a aquela crença do carvoeiro, nem o que os dogmas de tal ou qual religião nos ensinaram. Não, eu estou é me referindo à fé do Homem Consciente, desprovido de Ego, ao que indubitavelmente, por experiência direta, vívida, pode vivenciar os Mistérios da Vida e da Morte, pode vivenciar isso que está além do corpo, dos desejos e da mente, isso que não é do tempo, isso que é a Verdade. Assim, pois, enquanto não nos tenhamos dividido em dois homens (o exterior, comum e corrente, e o interior, profundo), não seremos homens de Fé. Seremos homens de crenças, porém não de Fé. Entretanto, ao repetir isso de Fé, temo muito que creiam que se trata da fé do carvoeiro, ou das crenças. Quando digo “Fé”, refiro-me à sapiência, ao conhecimento. Se o Homem Interior tem o direito de conhecer (por experiência mística direta) a Verdade, se tem o direito de experimentar os Mistérios da Vida e da Morte, se tem o direito de investigar os enigmas do universo, pois então a Fé é Conhecimento autêntico, não é crença. Quem quiser chegar, em verdade, a ser Homem de Fé, tem de dar nascimento (em si mesmo) ao Homem Interior, ou seja, tem de se desdobrar em dois: no Homem Interior, colocado naturalmente no nível de uma oitava mais elevada, e no Homem Exterior, colocado em um nível mais baixo, no mundo em que vivemos. Porém, enquanto continuarmos vivendo simplesmente como homens do nível inferior (neste mundo tridimensional de Euclides), não será possível ter Fé, tampouco será possível conhecer, de alguma forma, os Mistérios da Vida e da Morte, conhecer o Real. Necessitamos nos dividir em dois, nos desdobrarmos. Quando alguém se desdobra, chega a reconhecer que dentro de si mesmo nas profundezas do Homem Interior, há uma autoridade colocada em outra oitava ainda mais elevada, e se submete a essa autoridade e então aumenta a Fé. Quando alguém se submete a essa autoridade (colocada, dentro de si mesmo, em uma oitava ascendente), ou seja, quando alguém se desdobrou em dois e o Homem Interior se submete, e (por sua vez) o Homem Externo se submete ao Homem Interior, tudo em geral fica submetido a uma autoridade íntima, que não é outra senão da própria Particularidade, a de seu próprio Logoi, a de sua própria Mônada (falando desta vez ao estilo de Leibnitz), a de seu Pai que está em segredo. Quanto mais se obedecer a essa Autoridade, tanto nos Céus como na Terra, ou seja, tanto no espaço psicológico quanto aqui, no espaço tridimensional de Euclides, pois tanto mais aumenta a Fé. Ante tudo, precisa-se dar conta de que não vale nada, e submeter-se à Autoridade interior, profunda (não falo de uma autoridade exterior, claro está, senão da Vontade íntima). Se nos se submetermos a essa Autoridade íntima, se a obedecemos, a Fé aumentará. Para se submeter a essa Vontade interior profunda, deve-se reconhecer a própria nulidade e miseria. Se a pessoa crê que vale algo, não se submete, e se não se submete, tampouco aumentará a Fé. Para que a Fé se multiplique, a pessoa necessitará se submeter a essa Autoridade superior, interior e profunda: a Vontade do Ser, à Vontade de sua Mônada particular. A mesma Vontade (esta pessoal, que temos) obviamente deve-se submeter a essa Vontade interior profunda que se formou graças ao desdobramento humano. Então, quando a pessoa se submeter a essa Vontade interior profunda, pois, marchará bem, porque essa Vontade interior profunda por sua vez se submeterá à autoridade interior do Ser, e tudo cambiará:a Fé se multiplicará e o Homem Exterior, aqui no mundo exterior, aqui no mundo tridimensional, trabalha em consonância com as leis interiores e com a Vontade do Ser. Já será algo diferente já não será simplesmente um robô como as pessoas comuns e correntes, que não são senão robôs programados para tal ou qual profissão, para tal ou qual ofício etc. Assim, portanto, ter Fé é importante, porém ninguém poderia chegar a tê-la se não se deu nascimento ao Homem Interior, se não chegou a se desdobrar em dois, se não se chegou a eliminar de sua psique os elementos indesejáveis que ali leva, posto que assim é como surge a chisparada da Fé, que não é crença senão conhecimento e sapiência. Distinga-se entre conhecimento e crença, pois são diferentes. Creio que você estão me entendendo. Vocês têm algo a perguntar, com respeito à Fé ou com respeito à crença? Pergunta: Mestre, o conhecimento dos cinco centros e a destruição dos Egos é elemento básico ou mecanismo para adquirir a Fé e para conseguir o desdobramento? Samael Aun Weor: “Mecanismos” para adquirir a Fé? A Fé não se adquire com mecanismos, a Fé se adquire à base de trabalhos conscientes e padecimentos voluntários. Nenhum esforço mecânico pode nos transformar. Somente podem nos transformar os esforços conscientes. A Fé não se adquire senão desintegrando o Ego, e o Ego não se desintegra, repito, senão à base de trabalhos conscientes e padecimentos voluntários. Isto se aparta dos mecanismos, nada tem a ver com os mecanismos. www.gnosisonline.com.br. Abraço. Davi

quinta-feira, 12 de novembro de 2020

DEZ ENSINAMENTOS PARA OS DEZ DIAS DE TESHUVÁ

 

Judaísmo. www.morasha.com.br. DEZ ENSINAMENTOS PARA OS DEZ DIAS DE TESHUVÁ. Os Dez Dias de Teshuvá, também conhecidos como os Yamim HaNorayim (“Dias Temíveis”), iniciam-se em Rosh Hashaná – o Ano Novo Judaico – e terminam no final de Yom Kipur. O Talmud ensina que esses dez dias constituem um período de julgamento Divino. Os Yamim HaNorayim são, pois, uma época de profunda introspecção que deve ser dedicada a orações, exame de consciência e tomada de boas resoluções. Neste artigo, preparamos dez ensinamentos que tocam alguns dos temas relevantes para os Dez Dias de Teshuvá. 1o Dia: Rosh Hashaná: o destino do mundo está em nossas mãos. Contrariamente ao que muitos pensam, Rosh Hashaná não é o aniversário da Criação do mundo, mas sim, de Adão e Eva. Em nossas preces, muitas vezes nos referimos a Rosh Hashaná como o dia que marca a gênese do universo, mas apenas por que o homem é seu ponto alto e propósito de sua criação. Rosh Hashaná – Ano Novo Judaico – é o aniversário da humanidade. É, também, Yom HaDin: Dia do Julgamento. É em Rosh Hashaná que D’us decide se renovará Seu contrato com o mundo para mais um ano: se manterá sua existência ou não. D’us decreta o destino de todo o universo – e de todos aqueles que nele habitam – em Rosh Hashaná. Quando nós, Povo Judeu, vamos à sinagoga em Rosh Hashaná, e oramos e ouvimos o toque do Shofar, estamos compelindo D’us a continuar sustentando o mundo durante mais um ano. A Humanidade pode não perceber isto, mas os Céus decidem seu destino em Rosh Hashaná. D’us confiou ao Povo Judeu a missão de sermos os agentes de toda a Criação. Nenhum de nós pode descuidar-se dessa responsabilidade. Nos ombros de cada um de nós, judeus, repousa o destino do mundo no ano por vir. Portanto, erra quem pensa em Rosh Hashaná como o dia 1o de janeiro judaico. Nosso ano novo não é um momento de se estourar champanha e festejar. Pelo contrário, os dois dias de Rosh Hashaná são os mais cruciais do ano. Rosh Hashaná é, por certo, um Yom Tov, e, como em todos os dias sagrados, devemos nos alegrar, vestir nossas melhores roupas e realizar refeições festivas. No entanto, devemos nos comportar em Rosh Hashaná com a seriedade que a data requer. Nesses dois dias, o destino do mundo está em jogo. Nosso comportamento nessa festividade – nossas preces, nossa atenção plena e nossas resoluções – influenciarão o curso do ano inteiro, para nós mesmos e para o mundo. 2o Dia: uma oportunidade de se ter um julgamento Divino mais favorável. Rosh Hashaná é celebrado durante dois dias, mesmo em Israel. Há razões técnicas para a festa ser observada durante dois dias mesmo na Terra Santa. Estas são, também, profundas e místicas. A Cabalá ensina que o primeiro dia de Rosh Hashaná está associado com a Sefirá de Guevurá – o Divino atributo de força, justiça e severidade. Se D’us apenas julgasse o mundo no primeiro dia de Rosh Hashaná, Ele o faria de acordo com Seu atributo de Guevurá – a justiça rígida. Se assim fosse, é possível que muitos de nós – e talvez o mundo todo – não fôssemos atendidos. D’us, portanto, deu-nos um segundo dia de Rosh Hashaná – um dia adicional de julgamento – para atenuar qualquer Decreto Celestial severo que porventura tenha sido emitido no primeiro dia da festa. O segundo dia de Rosh Hashaná é uma dádiva da misericórdia Divina, que todos nós tanto necessitamos, quer estejamos em Israel ou na Diáspora. Muitos judeus observam apenas o primeiro dia de Rosh Hashaná. Costumam ir à sinagoga apenas no primeiro dia porque creem já ser suficiente. Grave erro. O segundo dia da festa é uma oportunidade de se conseguir um Julgamento Divino mais favorável, para nós e para o mundo todo. É aconselhável guardarmos o segundo dia de Rosh Hashaná com igual respeito como no primeiro. São muitos os judeus que passam os dois dias da festividade imersos em oração. Há um costume de se recitar todo o Livro dos Salmos duas vezes durante esses dois dias. Como os dois dias de Rosh Hashaná influenciam todos os outros dias do ano, cada um de seus minutos é precioso. Assim sendo, reduzimos as horas de sono e evitamos conversas triviais. Rosh Hashaná são os dois dias no ano em que precisamos dar o melhor de nós, espiritualmente. 3o Dia: O Jejum de Guedália: o propósito de um jejum segundo o Judaísmo. O dia após Rosh Hashaná é o Jejum de Guedália. Trata-se de um meio-jejum: diferentemente de Yom Kipur e Tisha b’Av, inicia antes do sol nascer e termina após o pôr-do-sol. As razões para nossos Sábios terem instituído o Jejum de Guedália vão além do escopo deste artigo. Mas, têm relevância para nossa discussão algumas das razões por que o Judaísmo nos ordena jejuar em certas ocasiões, ao longo do ano. Muitos erroneamente creem que o jejum seja uma forma de autopunição. Na realidade, como ensina Maimônides, o dia de jejum é uma oportunidade de introspecção e arrependimento. O dia em que deixamos de comer e beber – quando temporariamente nos abstemos das necessidades da vida física – é o momento de refletirmos sobre nossa posição espiritual e nosso comportamento. O Judaísmo ensina que um dos objetivos do jejum – e, de fato, de qualquer forma de aflição – é a elevação espiritual. O processo de busca interior e crescimento espiritual é particularmente relevante durante os Dez Dias de Teshuvá. Um dos propósitos do Jejum de Guedália é nos forçar a intensificar o processo de autoanálise moral e espiritual, para que estejamos prontos para o grande jejum – Yom Kipur, o Dia da Expiação – que ocorre uma semana depois. O Talmud ensina que um dos méritos de se cumprir o jejum está em dar ao necessitado o dinheiro que usaríamos para comer e beber, se não estivéssemos jejuando. A Torá nos ordena transformar a privação física e o desconforto de um dia de jejum em atos de generosidade e bondade. Ademais, jejuar alguns dias ao ano nos mostra as dores da fome, para que possamos começar a compreender o terrível sofrimento de muitos, no mundo, que frequentemente sentem fome. O jejum deve inculcar em nós uma maior compaixão e um sentido de responsabilidade pelos menos afortunados. 4o Dia: Shabat Shuvá e o verdadeiro significado da Teshuvá. O Shabat que cai entre Rosh Hashaná e Yom Kipur é conhecido como Shabat Shuvá – o “Shabat do Retorno”. O nome vem da Haftará que é lida nesse Shabat, que se inicia com a palavra Shuvá: “Volta”! O Shabat Shuvá é também chamado de Shabat Teshuvá – o “Shabat do Arrependimento” –, um jogo de palavras que revela a verdadeira definição de Teshuvá. O fato de as palavras Shuvá (Retorno) e Teshuvá (Arrependimento) serem quase idênticas, do ponto de vista semântico, nos ensina que a Teshuvá genuína não significa culpa ou auto recriminação, como muito acreditam. Significa um retorno ao caminho correto: às nossas raízes, ao âmago de nossa alma e a D’us. De acordo com o Judaísmo, as transgressões, quer por comissão quer por omissão, são o resultado da opção por um caminho estranho à alma judaica. Teshuvá significa retornar ao caminho correto, que deve resultar em aperfeiçoamento, crescimento espiritual, equilíbrio e paz interior. É significativo que a palavra Shabat tenha a mesma raiz semântica que Shuvá e Teshuvá. Isso nos transmite um dos propósitos e o poder do Shabat. Nossos Sábios ensinam que quem guarda o Shabat tem os pecados cometidos contra D’us perdoados. Sendo assim, o cumprimento do Shabat é um meio de Shuvá – de retorno a D’us e ao Judaísmo – e, portanto, à Teshuvá. Muitos podem surpreender-se ao saber que é mais importante guardar o Shabat do que Yom Kipur. É inegável o fato de que o Dia da Expiação é o mais sagrado do ano – e, para muitos judeus, a única ocasião em que vão à sinagoga. No entanto, no que concerne a Lei Judaica, o Shabat é até mais importante do que Yom Kipur. E o Shabat Shuvá, que cai durante os Dez Dias de Teshuvá, é um Shabat particularmente especial, que os judeus devem se esforçar para guardar da melhor maneira que puderem. 5o Dia: Os Dez Dias de Teshuvá correspondem às Dez Sefirot. Um dos ensinamentos fundamentais da Cabalá é a noção de que D’us criou e mantém o mundo por meio das Sefirot, que são canais de energia Divina. Tudo o que existe e acontece no universo são manifestações das Sefirot. Ensina a Cabalá que D’us criou o mundo com dez Sefirot. Três delas são intelectuais: Chochmá (Sabedoria), Biná (Compreensão) e Da’at (Conhecimento). As outras sete são emocionais: Chessed (Bondade, Generosidade e Expansividade), Guevurá (Poder, Contenção e Severidade), Tiferet (Compaixão, Harmonia e Beleza), Netzach (Vitória, Ambição e Eternidade), Hod (Humildade, Submissão e Glória), Yessod (Carisma) e Malchut (Liderança e Autoridade). A alma de todo ser humano é formada por essas dez Sefirot, e cada um de nossos pensamentos, palavras e atos são uma manifestação de uma ou mais dentre elas. Os Dez Dias de Teshuvá correspondem às Dez Sefirot porque os erros, pecados e transgressões, seja por comissão ou por omissão, são resultado de uso indevido que fazemos dessas dez faculdades da alma. Por exemplo, quando perseguimos algo que a Torá nos proíbe, estamos fazendo mau uso de Chessed; quando somos cruéis e mesquinhos, estamos usando inadequadamente Guevurá; quando somos preguiçosos, estamos desperdiçando nossos poderes de Netzach. Um dos propósitos da Teshuvá é o reequilíbrio e realinhamento das Sefirot de nossa alma. A Torá e seus mandamentos nos ajudam a melhor utilizar as Dez Sefirot para que tenhamos uma vida mais produtiva, proativa e espiritualmente mais saudável. Os Dez Dias de Teshuvá são um período de reflexão sobre o quão bem estamos usando as Dez Sefirot de nossa alma, para que possamos refinar nossos pensamentos, palavras e atos. 6o Dia: O Shofar nos ensina que o progresso espiritual requer sacrifícios. O mandamento mais importante da festa de Rosh Hashaná é ouvir os toques do Shofar. Uma das várias razões para esse mandamento é que o Shofar é o chifre de um carneiro – o animal que nosso Patriarca Avraham sacrificou em lugar de seu filho, Yitzhak, no famoso episódio da Torá conhecido como Akedat Yitzhak. Os sopros com o chifre de carneiro “relembram” a D’us da extraordinária devoção dos primeiros dois Patriarcas do Povo Judeu. Para atender o mandamento Divino, Avraham estava pronto a sacrificar seu filho e, de igual maneira, Yitzhak estava pronto a ser sacrificado por seu pai. A extraordinária devoção de Avraham e de Yitzhak a D’us é fonte de eterno mérito para seus descendentes – o Povo Judeu. Em Rosh Hashaná, quando os Céus nos julgam, invocamos o mérito da Akedat Yitzhak como fonte de bênção e proteção, seja por mencioná-la em nossas preces, seja por ouvir os toques do Shofar. O sacrifício tem sido tema comum ao longo de toda a História Judaica. Desde o nascimento de nosso povo, inúmeros judeus se sacrificaram para santificar o Nome de D’us e salvar o Judaísmo daqueles que queriam extirpá-lo. Muitos judeus personificaram Avraham e Yitzhak, especialmente durante a Inquisição e o Holocausto. Ainda hoje, no Estado de Israel, milhões de judeus estão dispostos a se sacrificar em defesa do Povo Judeu e da Pátria Judaica. No entanto, para muitos judeus que vivem confortavelmente na Diáspora, particularmente em países como o Brasil e os Estados Unidos, a ideia de sacrificar sua própria vida em prol do Judaísmo é, graças a D’us, um conceito estranho. Em nossa geração pós-Holocausto, pós-êxodo dos países árabes, pós-União Soviética, grande parte do Povo Judeu vive em relativa paz e segurança. Mesmo as ameaças enfrentadas pelos judeus em Israel e em certos países europeus são leves se comparadas com o que nosso povo enfrentou quando não tinha seu país nem seu exército. Nossa geração é privilegiada de viver em uma época em que a grande maioria dos judeus não precisam dar sua vida em prol do Judaísmo. Ainda assim, o som do Shofar transmite a mensagem de que D’us exige alguma forma de sacrifício de cada um de nós, judeus. Esse sacrifício é necessário para nosso crescimento e progresso espiritual. Para a maioria dos judeus de hoje, os sacrifícios que se exigem nada são em comparação com o que se exigiu das gerações que nos precederam. O sacrifício em prol do Judaísmo, hoje, não significa enfrentar legiões romanas, fogueiras da Inquisição, campos de extermínio nazistas enem gulags soviéticos. Para a maioria dos judeus de hoje, o sacrifício pelo Judaísmo talvez signifique acordar mais cedo do que de costume para ir à sinagoga e rezar em companhia de um Minyan ou dar um pouco mais de Tzedacá a cada mês; pode significar passar menos tempo assistindo à televisão e mais tempo estudando a Torá. Em nossa geração, a maioria de nós não é chamada para morrer pelo Judaísmo; mas, se quisermos avançar espiritualmente, temos que estar prontos a viver pelo Judaísmo – e isso requer certos sacrifícios. Quando ouvimos os toques do Shofar em Rosh Hashaná, devemos recordar o Sacrifício de Yitzhak e o que esse episódio nos ensina. Devemos inculcar em nosso íntimo a ideia de que D’us espera que deixemos nossa zona de conforto e façamos sacrifícios diários. 7o Dia: Yom Kipur: um jejum festivo no “Shabat Shabaton”. Para a grande maioria das pessoas, jejuar é uma experiência muito desagradável. É por isso que a Torá nos proíbe jejuar no Shabat – dia sagrado de deleite espiritual e físico. Não jejuamos nem mesmo em Tisha b’Av se a data cair em um Shabat: adiamos o jejum para o dia seguinte. Há apenas um cenário possível no qual a Torá não só permite como nos ordena jejuar no Shabat – e é quando Yom Kipur cai nesse dia sagrado. Isto porque a Torá chama Yom Kipur de Shabat Shabaton – o Shabat dos Shabatot – o Shabat Supremo. Jejuamos no Shabat se Yom Kipur cai nesse dia sagrado porque jejuar no Dia da Expiação é diferente de deixar de comer e beber em qualquer outro dia do ano. O jejum do Yom Kipur é único, especial, por ser um jejum alegre. Apesar de a Torá nos ordenar “afligir nossa alma” nesse dia, o prazer espiritual de Yom Kipur deve ofuscar o desconforto do jejum. Abster-se do alimento e bebida em Yom Kipur é uma oportunidade de elevação espiritual. Nesse dia, os judeus são comparados a anjos, que transcendem a fisicalidade deste nosso mundo. O Talmud ensina que Yom Kipur deve ser o dia mais feliz do ano por ser a ocasião mais propícia para que os judeus purifiquem sua alma de qualquer mancha espiritual que possa ter-se acumulado durante o ano. Não devemos considerar o jejum de Yom Kipur um ônus – o preço a pagar pelos nossos pecados –, mas, uma oportunidade de renovação e purificação espiritual. Yom Kipur é o dia mais propício do ano para se fazer Teshuvá – retornar ao caminho adequado e mudar nossa vida para melhor. 8o Dia: Yom Kipur e o poder do estudo da Torá. Na época do Templo Sagrado de Jerusalém, o ponto culminante do serviço de Yom Kipur era a entrada do Sumo Sacerdote, o Cohen Gadol, no Kodesh HaKodashim – o Sagrado dos Sagrados –, câmara mais interna e sagrada do Beit HaMikdash. Apenas em Yom Kipur, dia mais sagrado do ano, o Cohen Gadol, o mais sagrado dos judeus, podia entrar no local mais sagrado da Terra, o Kodesh HaKodashim. O privilégio de entrar nesse recinto foi concedido a pouquíssimos judeus, em toda a nossa História. No entanto, sempre houve uma maneira de qualquer judeu poder replicar a experiência de entrar no Kodesh HaKodashim – e não apenas em Yom Kipur, mas a qualquer dia do ano. Ensina o Talmud que quando um judeu estuda a Torá, ele se assemelha ao Cohen Gadol ao entrar no Sagrado dos Sagrados em Yom Kipur. Estudar a Torá significa abraçar e ser abraçado pelo Divino. O grau de proximidade a D’us que se atinge ao estudar a Torá equivale a entrar no Kodesh HaKodashim – local tão sagrado que nem mesmo os anjos podiam entrar. Esse ensinamento talmúdico é estupendo. Surpreende muitas pessoas porque a maioria de nós não aprecia o imenso poder do estudo da Torá. Não percebemos que seja a experiência extraordinariamente mística que é. Mas, a bem da justiça, devemos perguntar: Se o estudo da Torá é tão potente, por que a maioria de nós não sente seu fogo Divino ao estudá-la? Por que, quando estudamos a Parashá da semana ou tentamos entender uma passagem do Talmud, não nos sentimos como o Cohen Gadol entrando no Kodesh HaKodashim? Uma das respostas da Cabalá a essa pergunta é que nossa falta de sensibilidade face ao estudo da Torá é um escudo que nos permite estudá-la sem ficarmos estupefatos por seu fogo espiritual. Se sentíssemos a força do estudo da Torá, não íamos querer fazer outra coisa na vida. Ficaríamos viciados com esse estudo e impossibilitados de realizar as obrigações mundanas do cotidiano, necessárias para nossa existência física e a manutenção do mundo. A maioria de nós não sente o intenso fogo e poder do estudo da Torá, mas temos que ter bem claro em nossa mente que estudar a Palavra de D’us se assemelha a entrar no Kodesh HaKodashim em Yom Kipur. Isso é algo que todos nós, judeus, podemos fazer em todos os dias de nossa vida. 9o Dia: Yom Kipur e os cinco níveis da alma. Ensina a Cabalá que são cinco os níveis da alma: NefeshRuachNeshamáChayá Yechidá. Os três primeiros residem dentro de nosso corpo; os dois últimos o transcendem. Na maioria dos dias do ano, podemos acessar apenas os primeiros três – uma das razões para orarmos três vezes ao dia: ShacharitMinchá e Arvit. Em certos dias, como o Shabat e Rosh Chodesh (o novo mês judaico), podemos acessar o quarto nível da alma, Chayá, razãopela qualtemos uma oração adicional no dia – Mussaf. O único dia no ano em que temos livre acesso ao quinto nível da alma, Yechidá, é Yom Kipur. Por essa razão, Yom Kipur é o único dia no ano em que recitamos uma quinta prece – a Neilá –, a última oração do dia. Muitos judeus que não frequentam a sinagoga ao longo do ano – no Shabat, feriados judaicos e nem mesmo em Rosh Hashaná – vão à sinagoga na oração de Neilá. A razão para esse fenômeno é que o quinto nível, o mais elevado de sua alma, Yechidá, brilha durante a oração de Neilá, forçando-os a ir à sinagoga. O poder da Yechidá desperta muitos judeus que estão adormecidos espiritualmente, levando-os à sinagoga, apesar de não entenderem bem nem poderem explicar o que os leva a fazê-lo. A agitação do mais alto nível de nossa alma é uma poderosa experiência. A oração de Neilá tem feito muitos judeus iniciarem o processo de Teshuvá. No entanto, temos que saber que ir à sinagoga na hora da Neilá não compensa nossa ausência no restante do ano. Ir à sinagoga uma vez ao ano é melhor do que não ir nunca, claro. E a Neilá, em geral, é o último elo entre muitos judeus e seu cumprimento do Judaísmo. Mas, ir à sinagoga uma vez ao ano não é o mesmo que fazê-lo uma vez por semana – no Shabat –, ou melhor – diariamente. O brilho da nossa Yechidá não deve ser relegado a uma única experiência no ano, mas deve ser um trampolim para um relacionamento mais forte e profundo com D’us e Sua Torá. 10o Dia: O dia que se segue a Yom Kipur: verdadeira medida de Teshuvá. Em Yom Kipur, as sinagogas ao redor do mundo estão lotadas. No dia mais sagrado do ano, a sinagoga pode receber centenas ou até milhares de pessoas, especialmente, como vimos acima, na hora da Neilá. Contudo, em muitas das sinagogas em que é difícil se encontrar um lugar vazio nessa hora, dificilmente se consegue um Minyan – um grupo de dez homens judeus – nas orações matinais do dia seguinte a Yom Kipur. No dia mais sagrado do ano, muitas sinagogas ficam lotadas; no dia seguinte, praticamente vazias. A verdadeira medida de crescimento espiritual e de Teshuvá se toma não em Yom Kipur, mas no dia seguinte. É relativamente fácil ser religioso em Yom Kipur – o único dia no ano em que podemos acessar todos os cinco níveis da alma e o dia em que milhões de judeus, mundo afora, se unem em oração. A melodia do Kol Nidrei e as palavras das orações de Neilá têm o poder de derreter até o coração mais duro. Mas, é muito mais difícil sentir-se inspirado e religioso no dia seguinte: acordar cedo apesar do cansaço provocado pelo jejum para ir à sinagoga, colocar os Tefilin e fazer parte do Minyan. Os Dez Dias de Teshuvá – os Yamim HaNorayim –, que se iniciam em Rosh Hashaná e terminam na conclusão de Yom Kipur – são o período mais intenso espiritualmente do calendário judaico. Contudo, o Judaísmo não se resume a uma questão de dez dias – requer estudo e prática diários. Se queremos dominar qualquer coisa na vida – uma arte, um esporte ou qualquer área do conhecimento –, precisamos estudar e praticar continuamente. O mesmo é válido para o Judaísmo. O caminho para a sabedoria e o domínio espiritual é um empenho contínuo e duradouro que requer um esforço tremendo e sacrifícios diários. A verdadeira medida da Teshuvá e dedicação ao Judaísmo não é evidenciada nos dez dias entre Rosh Hashaná e Yom Kipur, mas do dia após Yom Kipur até Rosh Hashaná do ano seguinte. www.morasha.com.br. Abraço. Davi

quarta-feira, 11 de novembro de 2020

PORQUE A VIDA EXISTE ?

 

Espiritualidade. www.oshobrasil.com.br. Escrito por Osho (1931-1990). PORQUE A VIDA EXISTE ? “Osho. Eu nunca fui capaz de encontrar resposta para uma pergunta. É uma pergunta estúpida, mas mesmo assim eu queria muito saber a resposta. Você poderia nos dizer qual é o propósito da criação? Por que a vida existe? Por que todas as coisas existem? Eu não acredito em acidentes. Prem Patrick. A pergunta é certamente estúpida (...). Você está absolutamente certo a respeito disso. E a pergunta não é respondível. Qualquer pessoa que respondê-la irá somente criar alguns questionamentos a mais em você. Você não foi capaz de encontrar qualquer resposta porque não existe resposta. A vida é um mistério, por isso essa pergunta não pode ser respondida. Você não pode perguntar o porquê. Se o porquê for respondido, a vida deixa de ser um mistério. Esse é todo o esforço da ciência: destruir o mistério da vida. E a maneira é encontrar respostas para todos os porquês.  E a ciência acredita, naturalmente com arrogância e ignorância, que um dia ela será capaz de responder a todos os porquês. Isso não é possível. Mesmo se nós respondermos a todos os porquês, o último dos porquês permanecerá: por que a vida existe, afinal? Qual o significado da existência? Qual é o propósito de tudo isso? Essa pergunta é a última e ela não pode ser respondida. Se alguém lhe der uma resposta, ela simplesmente irá criar um novo questionamento. E respostas já têm sido dadas (...). Algumas pessoas acreditam que Deus criou o mundo porque queria ajudar a humanidade. Agora, que tipo de resposta é essa? Ele criou a humanidade para ajudar a humanidade. Qual era a necessidade de criar? Alguns outros dizem que Deus criou o mundo porque ele estava se sentindo muito solitário. Se Deus estava se sentindo mal muito só, então não existe qualquer possibilidade de alguém se tornar um Budha. E se Deus de repente começou a se sentir solitário, então o que ele estava fazendo antes de criar o mundo? Por toda a eternidade ele tem estado só (...) então de repente, num dia, numa manhã, ele ficou enlouquecido, ou o que? De repente ele começou a se sentir solitário depois do almoço. E qual era a necessidade de criar todo o mundo? Apenas uma mulher já teria sido o suficiente! E agora, como ele está se sentindo hoje? Muito cheio de gente? Gente em demasia pelas ruas? Deve estar planejando destruir o mundo em breve. Sobre que tipo de Deus você está falando? O seu Deus é uma pessoa que pode se sentir solitário? Todas essas são respostas tolas para perguntas tolas. Então existem pessoas que dirão: isso é um jogo de Deus, a sua brincadeira. Ele não poderia ter ficado sentado em silêncio? Que espécie de jogo é esse? Adolf Hitler (1889-1954) e Benito Mussolini (1883-1945) e Joseph Stalin (1778-1953) e Mao-Tse-Tung (1893-1976), Gengis Khan (1162-1227), Tamurlaine, Nadir Shah (1688-1747) (...). Brincadeira de Deus? Seis milhões de judeus assassinados por Adolf Hitler, e Deus está brincando com um jogo? Por que ele não vai jogar golfe? ou xadrez? Por que torturar pessoas? Tanta miséria no mundo e esses tolos seguem dizendo que isso é brincadeira de Deus? Crianças que nascem paralíticas, cegas, surdas, mudas (...). Brincadeira de Deus? Que espécie de Deus é esse? Ou ele não é Deus, ou pelo menos ele não é divino. Ele deve ser muito mau. Essas perguntas não ajudam. Elas criam mais perguntas. Patrick, o máximo que eu posso dizer é que a vida não tem propósito algum, ela não pode ter qualquer propósito.  Todos os propósitos estão no meio da vida. Sim, um carro tem um propósito: ele pode levá-lo de um lugar ao outro. O alimento tem um propósito: ele pode nutri-lo, ele pode mantê-lo vivo. Uma casa tem um propósito: ela pode lhe dar abrigo quando está chovendo e quando está quente. As roupas têm propósito (...). Todos os propósitos estão dentro da vida, mas a vida em si mesma não pode ter qualquer propósito porque ela não é um meio para algum fim. Um carro é um meio, a casa é um meio. A vida não tem qualquer objetivo, a vida não está indo para lugar algum. A vida está simplesmente aqui! Ela nunca foi criada. Esqueça essa ideia de criação. Isso cria muitas perguntas estúpidas na mente. Ela nunca foi criada, ela sempre esteve aqui e ela sempre estará aqui. Com formas diferentes, de maneiras diferentes, a dança continuará. Ela é eterna. Ais dhammo sanantano – assim é a lei última. Não há qualquer propósito e essa é a beleza da vida. Se houvesse alguns propósitos, então a vida não seria tão bonita, então haveria uma motivação, então ela seria como um negócio, então ela seria muito séria. Olhe para as rosas, para as flores de lótus, para os lírios. Qual o propósito? O lótus de manhã cedo, o sol nascendo, o cuco começando a cantar (...). Qual o propósito? Isso não é intrinsecamente lindo? Todas as coisas precisam de propósitos fora de si mesmas? A vida é intrinsecamente linda. Ela não tem qualquer propósito extrínseco. Ela não é propositada. Ela é exatamente como uma canção de um pássaro na escuridão da noite, ou o som da água, ou o som do vento passando através dos pinheiros (...). O homem é voltado para objetivos. E porque a sua mente é voltada para objetivos, ela cria perguntas como esta: "Qual o objetivo da vida? Deve haver algum objetivo." Mas se alguém disser, "esse é o objetivo da vida", então você irá perguntar: "Qual o objetivo desse objetivo? Por que nós devemos alcançá-lo? A que propósito ele irá servir?" E se alguma outra pessoa disser: "Esse é o objetivo desse objetivo", as mesmas perguntas irão surgir novamente e você vai voltar ao mesmo ponto, ad infinitum. Você me pergunta: "Você poderia nos dizer qual é o propósito da criação?" O mundo nunca foi criado. A palavra "criação" não é correta. O mundo sempre esteve aqui, ele é eterno. Não existe criador. Deus não é o criador do mundo. Deus é a própria energia criativa da existência. É mais criatividade do que um criador. Ele não é o poeta, mas sim a poesia; não o dançarino, mas a dança; não a flor, mas a fragrância. Você me pergunta: "Por que a vida existe?" Essas perguntas parecem muito filosóficas, e podem torturá-lo muito, mas elas são absurdas. É como perguntar "Qual o sabor da cor verde?" Isso é irrelevante. A cor verde não tem qualquer sabor. Cor e sabor não estão relacionados absolutamente. "Por que a vida existe?" Veja que as palavras "vida" e "existência" significam a mesma coisa. Isso é tautologia. Você está perguntando: "Por que a vida é vida?" Assim fica mais claro para você. Mas quando você pergunta "Por que a vida existe?", as palavras enganam você. Você está perguntando "Por que a vida é vida?". Você está perguntando "Por que uma rosa é uma rosa?" Você ficaria satisfeito se uma rosa fosse uma margarida? Então você poderia perguntar "Por que uma margarida é uma margarida?" De que maneira você fica mais satisfeito? Se a vida não existir, você ficará mais satisfeito? Simplesmente imagine você mesmo sem o corpo, sem a mente, um fantasma perguntando "Por que a vida não existe? O que aconteceu com a vida? Por que ela desapareceu?". Essas perguntas sempre irão persistir e perseguir você. A vida é um mistério. Não existe qualquer porquê, qualquer propósito, qualquer razão. Ela está simplesmente aqui. Aproveite-a ou abandone-a, mas ela está simplesmente aqui. E estando ela aqui, por que não aproveitá-la? Por que desperdiçar seu tempo filosofando? Por que não dançar, cantar, amar e meditar? Por que não se aprofundar mais e mais nessa coisa chamada "vida"? Talvez no centro mais profundo você irá saber a resposta. Mas a resposta vem de uma tal maneira que ela não pode ser expressada. É como um homem mudo que experimenta açúcar. É doce, ele sabe que é doce, mas ele não consegue falar. Os Budhas sabem, mas eles não conseguem dizer. E os idiotas não sabem e seguem falando, seguem dando respostas a você. Os idiotas são muito espertos nesse sentido de encontrar, de fabricar, de manufaturar respostas. Faça qualquer pergunta e eles terão uma resposta para você. Quando Gautama Budha costumava viajar por este país de um lugar a outro, alguns poucos discípulos iam à frente e anunciavam na cidade: "Budha está chegando, mas por favor não façam aquelas onze perguntas". E uma daquelas onze perguntas era "Por que a vida existe?". Uma outra era "Quem criou o mundo?" Naquelas onze perguntas, toda a filosofia estava contida. Na verdade, se você abandonar aquelas onze perguntas, nada sobra para ser perguntado. Budha costumava dizer que essas eram perguntas inúteis. Elas não eram respondíveis, não porque ninguém soubesse a resposta. Elas eram irrespondíveis pela própria natureza das coisas. Um grande filósofo, Maulingaputta, veio até Budha e começou a fazer algumas perguntas... Perguntas após perguntas. Budha ouviu silenciosamente por meia hora. Maulingaputta começou a se sentir um pouco embaraçado porque Budha não estava respondendo, ele estava simplesmente sentado ali, sorrindo, como se nada tivesse acontecido, e ele havia formulado perguntas tão importantes, tão significativas. Finalmente Budha disse: "Você realmente quer saber a resposta?" Maulingaputta disse: "Se eu não quisesse, por que eu teria vindo até você? Eu viajei pelo menos mil milhas para vê-lo" (...). "Por que eu teria vindo de tão longe? Foi um longo sofrimento. Parece que eu estive viajando por toda a minha vida! E você está perguntando se eu realmente quero saber a resposta?" Budha disse: "Eu estou perguntando de novo: você realmente quer a resposta? Diga sim ou não, porque irá depender muito disso". Maulingaputta disse "Sim! Então Budha disse: "Por dois anos sente-se silenciosamente ao meu lado, não pergunte, não questione, não converse, simplesmente sente-se silenciosamente por dois anos ao meu lado. E após dois anos você poderá perguntar o que você quiser e eu prometo que irei respondê-lo." Um discípulo, um grande discípulo de Budha, Manjusri, que estava sentado na sombra de uma outra árvore, começou a rir muito alto e começou a rolar pelo chão. Maulingaputta disse: "O que aconteceu com esse homem? Você está falando comigo, você não dirigiu uma simples palavra a ele, ninguém disse nada para ele (...). Estará ele contando piadas para si mesmo?" Budha disse: "Vá lá e pergunte a ele". Ele perguntou a Manjusri. Manjusri disse "Senhor, se você quiser realmente fazer a pergunta, faça-a agora. Essa é a maneira dele enganar as pessoas. Ele me enganou. Eu costumava ser um filósofo tolo, exatamente como você. A resposta dele foi a mesma quando eu cheguei. Você viajou mil milhas e eu havia viajado duas mil milhas." Manjusri era certamente o maior filósofo, o mais conhecido do país. Ele tinha milhares de discípulos. Quando ele chegou, com ele vieram mil discípulos. Um grande filósofo chegando com seus seguidores. E Budha disse, "Sente-se silenciosamente por dois anos." E eu me sentei silenciosamente por dois anos, mas então eu não podia fazer uma pergunta sequer. Aqueles dias de silêncio (...). Devagar, devagar, todas as perguntas foram se desfazendo. E uma coisa eu vou dizer a você: ele manteve sua promessa, ele é um homem de palavra. Após os exatos dois anos, eu tinha me esquecido completamente, eu tinha perdido a noção do tempo, por que quem vai se preocupar em lembrar? Na medida em que o silêncio ficou mais profundo, eu perdi toda a noção de tempo." Quando os dois anos se passaram, eu nem estava me dando conta disso. Eu estava curtindo o silêncio e a presença dele. Eu estava bebendo a presença dele. E isso foi tão incrível. Na verdade, no fundo do meu coração eu não queria nunca que aqueles dois anos fossem concluídos, porque uma vez que eles se concluíssem, ele iria dizer: "Agora ceda o lugar para alguma outra pessoa sentar ao meu lado, e você afaste-se um pouco. Agora você já é capaz de estar só, você não precisa tanto de mim. Exatamente como uma mãe afasta a criança quando ela pode comer e digerir por si mesma e não precisa mais se alimentar do peito materno. Assim, Manjusri disse, eu estava esperando que ele se esquecesse de toda essa história a respeito dos dois anos, mas ele se lembrou. Exatamente após os dois anos, ele me disse: "Manjusri, agora você pode formular as suas perguntas". Eu olhei para dentro de mim e não havia nenhuma pergunta, nem ninguém para formular perguntas, era um silêncio total. Eu ri, ele riu, ele deu um tapinha nas minhas costas e disse, "Agora, afaste-se um pouco." "Assim, Maulingaputta, é por isso que eu comecei a rir, porque agora ele está de novo aplicando o mesmo golpe. E esse pobre Maulingaputta vai se sentar por dois anos silenciosamente e vai se perder para sempre, nunca mais será capaz de formular uma pergunta sequer. Por isso, Maulingaputta, eu insisto: se você quer realmente perguntar, pergunte agora!" Mas, Budha disse: "Minhas condições têm que ser atendidas. Então, Patrick, a minha resposta para você é a mesma: atenda às minhas condições, medite, sente-se silenciosamente, simplesmente esteja aqui e todas as perguntas irão desaparecer. Eu não estou interessado em respondê-lo. Eu estou interessado em dissolver as suas perguntas. E quando todas as perguntas desaparecerem, aquele que pergunta também desaparecerá, ele não pode existir sem as perguntas. Quando nenhuma pergunta mais existir, nem aquele que pergunta (...) quantas bênçãos, quanto êxtase! Neste exato momento, você nem pode imaginar, você nem pode sonhar, você nem pode compreender. Então, todo o mistério da vida se abrirá, mistérios e mais mistérios (...) e isso não tem fim. www.oshobrasil.com.br. Abraço. Davi.

terça-feira, 10 de novembro de 2020

IRMÃO SOL - IRMÃ LUA

 

Cinema. Editor do Mosaico. Comento o filme IRMÃO SOL - IRMÃ LUA, que estreou no cinema em 1972 na Itália. A direção é de Franco Zeffirelli (1923-2019).  Música composta por Riz Ortolani e roteiro de Franco Zeffirelli e Suso Gecchi D’amico (1914-2010). Usarei como base dois texto sobre a vida de São Francisco e Santa Clara de Assis. Um dos textos é do escritor católico brasileiro  Leonardo Boff (1938-) idealizador da teologia da libertação, que devido a uma interpretação livre das escrituras sagradas e envolvimento com movimentos eclesiásticos de base, priorizando ajuda aos pobres e necessitados com direcionamento à cidadania, conscientização social e política,  foi condenado pela igreja católica (1985) a um ano de silêncio obsequioso (censura, investigação). Publicou um polêmico livro, aqui no Brasil, chamado Igreja Carisma e Poder, (1981) que causou inquietação no meio intelectual da Cúria Romana. Nele é esboçado a necessidade de mudanças na estrutura eclesiástica e administrativa da igreja católica, bem como a inserção participativa dos leigos e mulheres nas atividades pastores e ofícios religiosos. O responsável por esse processo de excomunhão foi o cardeal alemão Joseph Ratzinger (1927-   ), a época coordenador da Congregação para a Doutrina da Fé, tornando-se logo depois o Papa Bento XVI (2005-2013), renunciando ao pontificado. Em 1992, frei Leonardo Boff, ante novo risco de punição, desligou-se da Ordem Francisca e pediu dispensa do sacerdócio.  Historicamente o século XII e XIII, tempo em que a trama do filme é relatada, foi palco de um processo de expansão das religiões monoteístas (crença em um só Deus, sendo as três expressões o cristianismo, o judaísmo e o islamismo. Como particularidades judeus e muçulmanos não acreditam na divindade de Jesus, considerando-o como profeta, nos termos de Abraão e Moisés). Já o cristianismo o inclui na Santíssima Trindade como sua segunda pessoa, sendo assim Deus. Nessa religião a expansão deu-se através das beligerâncias; alargando ou mantendo seus domínios e influências espirituais, culturais e tradicionais entre os povos de outros continentes. Os cristãos em mais de mil anos de história, através de sua organizada instituição, igreja católica, sofria com dissensões internas, facções externas e a cobiça por cargos eclesiásticos em suas fileiras, sendo que, muitos eram vendidos à revelia (simonia) aos que pagassem o maior preço. Numa degradante e corrupta situação espiritual a igreja definhava, mantendo-se apenas pelo nome e a tradição. Mas em meio a tanto descompromisso e indignidade com seus fiéis, ainda mantinha sua posição decisória e autoritária nos reinos italianos e demais reinos da Europa Medieval. Os Sarracenos ou “pagãos”, nome que eram chamados equivocadamente os árabes ou muçulmanos, foram povos guerreiros, que organizados em exércitos empreendiam campanhas militares contra os reinos europeus, alcançando expressivas conquistas e expandindo sua influência pelo velho mundo. Esse engano fez com que os italianos e outros povos, impingindo neles esse cognome “muçulmano”, generalizando-os, consideravam os Sarracenos como bárbaros e selvagens, sendo inimigos da fé cristã e da cruz de Cristo, podendo ser mortos para “glória” do evangelho. A igreja, nessa época além de corrupta, era impiedosa e implacável com todos os que desafiavam sua suposta autoridade civil e eclesiástica. Nesse período aludido na pelica, iniciava-se a “Santa Inquisição Católica” (1184), que levou a morte milhões de judeus, dissidentes cristão, ciganos, homossexuais e desafetos da igreja, também milhares de pessoas eram queimadas vivas, injustamente consideradas bruxas e bruxos. A Cruzada das Crianças (7 a 12 anos), é um misto de fantasia e fatos. A circunstância baseia-se em duas movimentações separadas com origem na França e na Alemanha, no ano de 1212. Esta cruzada teria ocorrido entre a Terceira e a Quarta Cruzada e seria um movimento extraoficial, com apoio do clero superior, baseado na crença que apenas as almas puras (no caso as crianças) poderiam libertar Jerusalém do jugo dos muçulmanos. A ideia teria surgido após a notícia de que Constantinopla, uma cidade cristã, tinha sido saqueada pelos cruzados árabes, fazendo os cristãos crerem que não se poderia confiar em adultos. 50 mil crianças teriam sido arregimentadas e colocadas em navios, saindo do porto de Marselha – França, rumo a Jerusalém. O resultado foi um desastre, pois a grande maioria das crianças morreu no caminho de fome, frio e inanição. As que sobreviveram foram vendidas como escravas pelos turcos no Norte da África. Alguns chegaram somente até a Itália, outros se dispersaram, e houve aquelas que foram sequestrados e escravizados pelos árabes. O Papa Inocêncio III (1161-1216) um de nossos personagens nesse filme, juntamente com o alto clero da igreja católica manchou suas mãos e seu coração com sangue dos inocentes.  "Há 800 anos, na noite de 19 de março de 1212, dia seguinte à festa de Domingos de Ramos, Clara de Assis, toda adornada, fugiu de casa para unir-se ao grupo de Francisco de Assis na capelinha da Porciúncula que ainda hoje existe. As clarissas do mundo inteiro e toda a família franciscana celebram esta data que significa a fundação da Ordem de Santa Clara, espalhada pelo mundo inteiro. Clara junto com Francisco, nunca devemos separá-los, pois se haviam prometido, em seu puro amor, que “nunca mais se separariam” segundo a bela legenda da época, representa uma das figuras mais luminosas da Cristandade. É bom lembrá-la no mês de março, dedicado às mulheres. Por causa dela, há milhões de Claras e Maria Claras no mundo inteiro. Ela, de família nobre de Assis, dos Favarone, e ele, filho de um rico e influente mercador de tecidos, dos Bernardone. Com 16 anos de idade quis conhecer o então já famoso Francisco com cerca de 30 anos. Bona, sua amiga íntima, conta, sob juramento nas atas de canonização, que entre 1210 e 1212 Clara “foi muitas vezes conversar com Francisco, secretamente, para não ser vista pelos parentes e para evitar maledicências”. Destes dois anos de encontro nasceu grande fascínio um pelo outro. Como comenta um de seus melhores pesquisadores, o suíço Anton Rotzetter (1939-   ) em seu livro “Clara de Assis: a primeira mulher franciscana” Editora Vozes, Brasil, 1994: “neles irrompeu o Eros no seu sentido mais próprio e profundo, pois sem o Eros nada existe que tenha valor, nem ciência, nem arte, nem religião. Eros que é a fascinação que impele o ser humano para o outro e que o liberta da prisão de si mesmo”, página 63 do referido livro. Esse Eros fez com que ambos se amassem e se cuidassem mutuamente, mas numa transfiguração espiritual que impediu que se fechassem sobre si mesmos. Francisco afetuosamente a chamava de a “minha Plantinha”. Três paixões cultivaram juntos ao longo de toda vida: a paixão pelo Jesus pobre, a paixão pelos pobres e a paixão um pelo outro. Mas nesta ordem. Combinaram então a fuga de Clara para unir-se ao seu grupo que queria viver o evangelho puro e simples sem glosas (censuras) e interpretações que lhe tirariam o vigor. A cena não tem nada a perder em criatividade, ousadia e beleza, das melhores cenas de amor dos grandes romances ou filmes. Como poderia uma jovem rica e bela fugir de casa para se unir a um grupo parecido com os “hippies” dos anos 60? Pois assim devemos representar o Movimento inicial de Francisco. Era um grupo de jovens ricos, vivendo anteriormente em festas e serenatas, que resolveram fazer uma opção de total despojamento e rigorosa pobreza nos passos de Jesus pobre. Não queriam fazer caridade para pobres, mas viver com eles e como eles. E o fizeram num espírito de grande jovialidade, sem sequer criticar a opulenta Igreja dos Papas. Na noite do dia de 19 de março de 1212, Clara, escondida, fugiu de casa e chegou à Porciúncula. Entre luzes bruxoleantes (brilhar tremulamente), Francisco e os companheiros a receberam festivamente. E em sinal de sua incorporação ao grupo, Francisco lhe cortou os belos cabelos louros. Em seguida, Clara foi vestida com as roupas dos pobres, não tingidas, mais um saco que um vestido. Depois da alegria, das canções dos trovadores franceses que Francisco tanto gostava e das muitas orações, foi levada para dormir no convento das beneditinas a 4 km de Assis. 16 dias após, sua irmã mais nova, Inês, também fugiu, unindo-se à irmã. A família Favarone tentou, até com violência, retirar as filhas. Mas Clara se agarrou às toalhas do altar, mostrou a cabeça raspada e impediu que a levassem. O mesmo destemor mostrou quando o Papa Inocêncio III (1161-1216) não quis aprovar o seu voto de pobreza absoluta. Lutou tanto até que o Papa enfim consentisse. Assim nasceu a Ordem das Clarissas. Seu corpo intacto depois de 800 anos comprova, uma vez mais, que o amor é mais forte que a morte". http://laurocampos.org.br. Essa narrativa, supostamente, tem um cunho humanista passional, pois entende Francisco e Clara envolvido numa emotividade que oblitera a espiritualidade de ambos. Parece que o autor implicitamente quis dar esse enfoque, para acentuar o lado humano e sentimental dos personagens. Uma abordagem corajosa, já que, quando falamos de pessoas que deixaram pegadas por esse mundo como Jesus, por serem espirituais e religiosas, tendo expressado uma profunda comunhão mística com o divino, os "rotulamos" como pessoas perfeitas e incapazes de contagiarem-se com qualquer sentimento "íntimo" de afetividade, que não seja relacionado ao amor santo e absoluto proveniente de Deus. As palavras paixão e Eros, pensadas pelo senso comum, são pejorativamente carregadas de preconceito. Alguns até poderiam criticar o autor, quando aplica esses termos em relação aos dois personagens citados. Mas convenhamos, sinceramente, que essas ideias passam-se pela mente de qualquer mortal quando em proximidade de convivência com o sexo oposto. A história demonstrou, porém, que o amor de Francisco por Clara, era sublime e transcendente, pois o amor aos pobres e a fraternidade universal os uniu no propósito maior da propagação do evangelho ao mundo europeu da Idade Média. Nada além desse amor supremo, os ligava tão fortemente, ao ponto de fundirem suas almas em busca dos pobres perdidos e necessitados da compaixão e misericórdia do Jesus pobre, o Salvador da humanidade. "Irmão Sol. Giovanne de Pietro de Bernardone, mais conhecido como São Francisco de Assis (1182-1226), foi um frade católico da Itália. Depois de uma juventude irrequieta e boêmia, voltou-se para uma vida religiosa de completa pobreza, fundando a Ordem Mendicante dos Frades Menores, mais conhecidos como Franciscanos, que renovaram o Catolicismo de seu tempo. Com a habilidade da pregação itinerante, quando os religiosos de sua época estavam mais ligados aos mosteiros rurais, e com sua crença de que o evangelho devia ser seguido à risca, imitando-se a vida de Cristo. Francisco desenvolveu uma profunda identificação com os problemas do seu semelhante e com a humanidade do próprio Cristo. Sua atitude foi original quando afirmou também a bondade e a maravilha da criação, quando se dedicou aos mais pobres dos pobres, e quando amou todas as criaturas (minerais, vegetais, animais e humanos) chamando-as de irmãos. Alguns estudiosos afirmam que sua visão positiva da natureza e do homem, impregnou a imaginação de toda a sociedade de sua época, sendo uma das forças primeiras que levaram a formação da Filosofia da Renascença. Irmã Lua. No domingo de Ramos de 1212, uma nobre senhora, chamada Clara de Favarone (hoje conhecida por Santa Clara (1194-1253) ou Clara de Assis), foi procurar Francisco pra abraçar a vida de pobreza. Alguns dias depois, Inês de Favarone (1198-1253), sua irmã, segue o caminho. Surge a Fraternidade das Pobres Damas, uma das três ordens ligadas a São Francisco". http://textoparareflexao.com.br. Esse segundo texto, parece, mais centrado numa proposta condizente com a experiência de São Francisco e Santa Clara. Aja vista, está baseado no filme Irmão Sol Irmã Lua do cineasta italiano Franco Zeffirelli (1923-   ), ele constando hoje 94 anos, sendo a pelica uma de suas obras prima. O filme é tocante, transparecendo em suas tomadas de cena a espiritualidade estampada em cada fase do enredo. Nessa situação específica, o personagem principal, Francisco, é enaltecido, pela amizade sincera e franca com Clara. As várias biografias escritas de ambos, comprovam sua fé cristã e dedicação exclusiva à causa do evangelho, principalmente, entre os mais pobres, fracos, doentes e necessitados. Também dizem, esses biógrafos, que eles trocavam cartas, sendo estas, enviadas secretamente para não suscitar má interpretações entre os irmãos. Quando necessitavam de conversar assuntos importantes relacionados a ordem religiosa, marcavam encontros, ora no convento onde Clara (mosteiro de São Damião) estava servindo, enclausurada, ora onde Francisco se encontrava. Clara era amiga "íntima" e confessora de Francisco, conservando essa posição até a morte de seu irmão. O filme começa com Francisco em uma cama tendo alucinações de guerra, e sua mãe o assistindo nessa situação, pois sendo de família nobre os Bernardones, fora convocado para defender igreja católica nas cruzadas contra os curdos muçulmanos, que liderados por Saladino (1138-1193) conquistara a cidade de Jerusalém. Após sua recuperação deste incidente traumático, Francisco, tem uma experiência de encontrar alguns indigentes nas vielas da cidade de Assis, causando-lhe uma forte impressão. Mas antes, percebe um pássaro na janela de seu quarto e seguindo-o pelo telhado de sua casa, praticamente hipnotizado, quase cai daquela altura. Quando Francisco se converte à Cristo, estando em uma missa por imposição de seu pai, olhando pro altar vê os olhos do Cristo se abrindo, sendo que, em consequência dá um grito, assustando os presentes que ouviam um cântico em latim. Por esse motivo a  homilia foi interrompida dispersando os fiéis. Esse evento da conversão, juntamente com a experiência do contato com os pobres de Assis, desencadeou uma estranha maneira de demonstrar sua alegria e contentamento, pois quando foi levado por seu pai diante do bispo da cidade para ser disciplinado por sua atitude irreverente e insubmissão desfazendo-se dos tecidos do genitor; despe-se de suas roupas, e, estando nu, insolitamente percorre o centro da cidade da Assis, saindo pelo portão principal, à vista de alguns transeuntes que presenciava a controvérsia levantada por seu pai. Assim, posterga a tutela de seu pai, iniciando sua vida cristã devota junto aos leprosos e pobres, que usavam o casebre em ruínas (antiga igreja de São Damião) como moradia. Em nosso senso comum, julgaríamos o fato de sua nudez como um pecado grosseiro, algo imoral e escandaloso ante o convencionado padrão de comportamento vigente, que fere os bons costumes sociais. Mas esse evento, significava, que Francisco a partir daquele instante, assumiria por toda sua vida um compromisso, voto, de despojamento material e extrema pobreza, vivendo com os pobres, como pobre e pelos pobres. Ele costumava dizer que sua esposa era a pobreza. Outra cena interessante é quando Francisco as margens de um lago, em contemplação, avista Clara vindo ao seu encontro por entre as margaridas, jasmins e begônias. Ela lhe diz que deseja entrar para a vida cristã, monástica, entregando-se completamente a Cristo. Em outra cena Francisco adentra num belo campo florido na periferia da cidade de Assis, contatando borboleta, lagarta, besouro; vê-se também cavalos, éguas e potro. Um coelho surge dos arbustos, e Francisco toma uma pedra na mão e aprecia suas particularidades. "Francisco fez muitas viagens pelo oriente, e segundo estudiosos conheceu o lado esotérico do Islamismo chamado de Sufismo, mais precisamente a Ordem dos Dervixe. Os pontos de coincidência entre a Ordem Franciscana e os Dervixe são muito. 1. Ambas as ordens pregam a ajuda ao próximo como fator de salvação. Um dos pilares do Islã é justamente a "esmola", erroneamente traduzida na sociedade capitalista como dar dinheiro. Entretanto, o sentido original desse pilar religioso diz respeito a ajudar ao próximo, não necessariamente financeira. Tanto os Franciscanos como os Sufis, inicialmente saíam as ruas, teorizando e praticando seus ensinamentos, isto é, pregando o evangelho e o Alcorão; ajudando os necessitados, curando, consolando, dando abrigo e comida, afinal, não há melhor maneira de praticar os ensinamentos de Deus do que com o próximo. Outro ponto interessante é a saudação franciscana: "Que a paz de Deus estava convosco". Segundo Francisco esta é a bênção que Deus lhe enviou, entretanto, a mesma bênção está presente no Islã com a famosa frase: "Sallam Aleikun", que também significa: Que a paz de Deus estava convosco. Do ponto de vista histórico esta é mais uma prova do contato de Francisco com os povos árabes, que o influenciaram não só na doutrina, mas também na ética e moral franciscana. Do ponto de vista filosófico isto mostra, que Deus se revelou tanto no cristianismo como no islamismo e em todas as religiões existentes". http://www.oiluminador.blogspot.com.br. Junto com seus companheiros, Francisco, restaura a igrejinha que está em ruínas. Quando ele se converte a Cristo, por ser da elite social da cidade de Assis, seus antigos amigos lentamente se juntam a ele, desse modo, criando um impasse político religioso. O orgulhoso e soberbo bispo de Assis (dom Guido II), ao receber a autoridade civil vinda de Roma diz que Francisco estava persuadindo os jovens à um movimento separatista, mas o representante do governo insiste que esse fato está sob a responsabilidade da igreja, cabendo a ela tratá-lo. Assim numa atitude covarde, o bispo manda que a igrejinha (Porciúncula) seja incendiada. Interessante que esse momento da assinatura do edito clerical, impressão em tinta do seu anel no documento oficial, para frear as pretensões “dissidentes” de Francisco, este, junto com seu grupo e grande multidão, comemoravam com uma festa, tendo os sacramentos como destaque, a reabertura da igreja de São Damião, restaurada por eles. O que impressiona nessa cena, é a simplicidade com que se celebra esse ato místico, pois no altar dividindo a mesma posição do pão e vinho, haviam um cordeiro mansamente agachado e vários patos grasnando, acompanhado a música cantada pelos presentes na missa inaugural, em sua língua paterna; diferentemente do oficioso ritualismo litúrgico em latim celebrado à comunidade em Assis nas missas paroquianas. Em outro momento, enquanto Francisco e seus irmãos juntamente com Clara atendiam os leprosos, doentes e necessitados de Assis; as margens de uma cachoeira, o atentado se consumava. São avisados do ocorrido e chegando encontram a igreja em chamas, e  Francisco não entende tanto ódio e maldade; a igreja que ele e a comunidade dos pobres restauraram com tanto amor e carinho agora parcialmente destruída. Francisco entra em crise psicológica, e depois de orações e conversas com Clara, resolve ir a Roma - Itália visitar o Papa Inocêncio III (1161-1216) pra saber dele que posição tomar quanto a essa questão. Nas ruas de Roma, ele e seu grupo parecem mais mendigos e indigentes que pessoas comuns. Um de seus amigos que era aliado do bispo arquiteta um plano, para que Francisco não encontre aquiescência do Papa em suas pretensões quanto a Nova Ordem Religiosa que deseja iniciar. Assim, após convencê-lo, lhe arranja audiência com o santo padre, mas com a condição, que ele leia um texto em latim, declarando sua total e absoluta obediência a igreja. Quando Francisco e seus companheiros entram na igreja de São Pedro, no Vaticano, é notório o contraste da extrema pobreza dos mendicantes, com suas vestes esfarrapadas e o clero romano em sua opulência, riqueza e soberba. De joelhos Francisco começa a ler o texto, mas repentinamente, muda sua orientação recitando partes das sagradas escrituras em Mateus 6:19-26 “Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam. Mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam. Porque onde estiver o vosso tesouro, ai estará também o vosso coração. (...). Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom. Pois isso vos digo: Não andeis cuidadosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer ou pelo que haveis de beber; nem quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o mantimento, e o corpo mais do que o vestuário? Olhai para as aves do céu, que nem semeiam, nem colhem, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não tendes vós muito mais valor do que elas?”, que dizem respeito ao desapego ao materialismo, vivendo em modéstia e singeleza, confiando apenas no suprimento dado por Deus. De início Sua Santidade (o Papa Inocêncio III) ouve, juntamente com seus cardeais e bispos auxiliares surdamente; alguns até falando que isso era um insulto contra o papa e a santa igreja. Quem é esse, para nos ensinar o evangelho? Mas quando é ordenado que Francisco e seus irmãos sejam presos; em êxtase, o Papa reconhece que cometeu um erro “pecado” contra alguém, que de forma simples e extraordinariamente condizente com o evangelho, procurava viver a vida cristã; e ele e seu séquito esbanjando conforto e ostentação. Desse modo, arrepende-se e imediatamente manda chamar Francisco. Quando este chega e novamente ajoelha-se diante do trono do Sumo Pontífice, Inocêncio III desce e percorrendo as escadarias aproximou-se de Francisco. Os dois em pé conversam sobre o porquê da vinda deles, e num gesto imprevisível, o Papa ajoelhasse e humildemente beija os pés de Francisco. Ao final despede-se do grupo, abençoando-os à prosseguirem em sua missão de propagar o evangelho conforme a orientação que receberam de Jesus, e aprova as pretensões de Francisco quanto ao estabelecimento da Nova Ordem Religiosa. Também, depois de convertido ao cristianismo, Francisco, discutia com seu pai, pois como de família abastada (muitas posses), eram mercadores de tecidos e comerciantes, e agora Francisco queria dividir sua fortuna com os pobres de Assis; coisa que seu pai não admitia de forma nenhuma. Mas ele, aproveitando a ausência temporária do pai, que estava em viagem a negócios, joga pela janela de sua casa grande quantidade de tecidos aos pobres. Quando seu pai chega, sabendo do ocorrido, o castiga e o expulsa de sua casa. Francisco em nenhum momento de sua vida segundo seus biógrafos, criticou a autoridade da igreja, sendo sua submissão incondicional aos superiores eclesiásticos até o fim. Algumas das regras dos Franciscanos, como voto, incluíam a pobreza extrema, a castidade, os jejuns regulares e a obediência ao evangelho particularizado na vida de Jesus. Francisco foi um místico cristão, pois sua experiência de meditação e contemplação levaram-no à numinosidade (estado de vivência que o indivíduo possui acerca de questões sobrenaturais, transcendentes ou de divindades, comportando-se e sendo influenciado por elas) espiritual e contemplativa. Também frequentemente conversava com animais, pássaros, plantas, árvores e ouvia sons vindo dos ventos trazendo presságios bons ou ruins. Em algumas ocasiões, interpretava ruídos das rochas ou montanhas. Costumava fazer leitura "criptográfica" nos espelhos d'água, e espantosamente, dialogando com seus irmãos, de repente desaparecia, sendo visto noutro lugar diferente. Muitos desses "poderes" taumaturgos Francisco aprenderá com a tradição Islã do Sufismo. As chagas (feridas) de Francisco encontradas em seu corpo após sua morte; bem parecidas com aquelas feita em Jesus em seu calvário, desde o julgamento religioso pelos judeus (sumo sacerdotes), e o político pelo governo romano (Pôncio Pilatos), onde fora chicoteado e espancado. Essas marcas foram imprimidas com sangue, conforme a tradição da igreja, quando Jesus, ao ser sepultado por Nicodemos e José de Arimatéia, envolveram seu corpo em um lençol, provavelmente branco, que depois de sua ressurreição ficou no sepulcro. Marcos 15:46 "E, tendo-se certificado pelo centurião, deu o corpo a José de Arimatéia. O qual comprará um lençol fino, e, tirando-o da cruz, o envolveu nele, e o depositou num sepulcro lavrado numa rocha; e revolveu uma pedra para a porta do sepulcro". Esse tecido acabou sendo conhecido como o manto sagrado ou sudário de Turim, guardado na Catedral de Turim - Itália, desde o século XIV. Assim, também, o corpo de Francisco tinha marcas semelhantes com as estampadas no "manto sagrado". Evidentemente o assunto é discutível até hoje, não havendo um posicionamento científico da veracidade quando ao fato do "manto sagrado" de Jesus, e de igual modo, as chagas encontradas no corpo de Francisco. Mas a igreja em ambos os casos, assevera por crença e fé a verossimilhança desses eventos. Santa Clara, também, em sua vida religiosa foi uma mística dedicando-se a oração, e a obras de caridade. Participou ativamente do emergente Movimento Franciscano em sua versão feminina, cooperando, para que o evangelho livre e compromissado com a vida de Jesus, alcançasse todas as regiões da Europa e outros continentes. "O seu primeiro milagre em vida demonstra sua grande fé. Conta-se que uma das irmãs da sua congregação saíra para pedir esmolas para os pobres que iam ao mosteiro. Como não conseguiu quase nada voltou desanimada e foi consolada por Santa Clara que lhe disse: confia em Deus. Quando a santa se afastou, a outra freira foi pegar no embrulho que trouxera, e não conseguiu levantá-lo, pois tudo havia se multiplicado. Em outra ocasião quando da invasão da cidade de Assis pelos Sarracenos, no ano de 1240, Santa Clara apanhou o ostensório com a hóstia consagrada e enfrentou o chefe deles, dizendo que Jesus Cristo era mais forte que eles. Os agressores, tomados de repente por inexplicável pânico, fugiram. Por este milagre Santa Clara é representada segurando o ostensório na mão". Fonte Wikipédia.  A Basílica de Santa Clara, na cidade de Assis - Itália, é um belíssimo santuário católico, que os amigos do Mosaico, principalmente europeus, que tiverem oportunidade de conhecer, ficarão vislumbrados. Há uma forte energia positiva no recinto, e um sentimento profundo de amor à Deus e ao próximo nos perpassa ao olhar cada imagem, pintura e expressão religiosas e artística do Renascimento. O túmulo de São Francisco dentro da cripta, causa-nos uma forte impressão; motivando-nos a uma vocação e devoção íntima ao nosso Deus e Pai. O corpo de Santa Clara continua intacto, conforme Frei Vitório Mazzuco Filho, OFM (1953-   ). "Em 11 de agosto de 1253, Santa Clara entra na glória eterna; já no dia seguinte seu corpo é levado para a igreja de São Jorge onde também repousa Francisco. No dia 3 de outubro de 1260, o corpo é exumado e colocado na Basílica de Santa Clara; ali permanece perto do altar com uma simples inscrição: "Aqui jaz o corpo da Virgem Santa Clara", protegido pelo brilho de uma lâmpada e as preces silenciosas de suas filhas que guardaram este fato no segredo de seus corações. Um relicário de vidro protege os ossos de Santa Clara. A lateral esquerda deste "corpo" encontra-se aberta. Assim, apenas as Irmãs Clarissas vêm, de dentro da clausura, os ossos da santa. Ao chegarmos a Assis e orarmos, rezarmos, diante de Clara devemos lembrar que uma vida como a dela é sempre fecunda, nunca se decompõe. Num coração aberto para o Absoluto, Deus sempre deposita a sua Beleza. Diante de seu corpo temos que ter o desejo de rezar, orar. É preciso sempre desejar o espírito! Orar é abrir os olhos, abrir nossas faculdades humanas e todo o nosso ser e deixar que Deus se estabeleça ai. Rezar é ver e auscultar, perceber que o espírito sempre trabalha na imagem. Diante do corpo de Clara, é preciso redescobrir a espiritualidade da ternura, da pequenez, da pobreza. Clara, mulher e santa, não é um aprendizado intelectual, mas um conhecimento afetivo. Por que Clara é bela? Porque o Espírito imprime sempre no corpo a sua forma. O Amor pelo Esposo tomou forma em seu corpo! Após 750 anos, cuidou-se muito dos restos mortais de Clara para não se deixar lembrar a sua forma de vida, modo como ela "eternizou-se" no tempo". No fim de 1224, com quarenta e dois anos, Francisco estava muito doente. Sofria de malária, não conseguindo comer, e o pior, além de não enxergar quase nada, nem aguentava a luz do sol ou do fogo em seus olhos. O cardeal Hugolino, que se tornou o Papa Gregório IX (1170-1241) sendo era seu amigo, estava sempre procurando algum médico melhor para ele. Nessa ocasião, mandou dizer que tinha encontrado um bom doutor em Sena, onde estavam o papa e seus cardeais. Francisco aceitou o convite e quis ir pra lá. Mas foi primeiro a São Damião, despedir-se de Clara. Chegou lá tão mal que Clara e os frades que o acompanhavam decidiram que ele não podia viajar. Ainda mais com aquele inverno pesado, com todas as estradas cobertas de neve. Clara mandou fazer uma cabaninha para ele, junto da casa dos frades que ajudavam em São Damião. Foi um dos tempos piores de sua vida, apesar do carinho de Clara, das irmãs e dos frades. Ele estava doente no corpo e na alma. Um desânimo enorme o abatia profundamente. Lembrava que muitas coisas não estavam indo bem no meio da multidão dos seus irmãos e pensava que tinha feito muitas coisas erradas na vida. Uma certeza cruel esmagava-o dia e noite; ele tinha perdido a vida e ainda iria para o inferno. Para completar, o lugar estava cheio de ratos, que ficavam a noite inteira andando por cima dele. Francisco sempre foi humano como nós, passando por tristeza, desilusão, inconformismo, rejeição, mas desfrutou grandes momentos de paz, alegria, gozo, contentamento. De acordo com o seu desejo, morreu deitado na terra. Foi então que as multidões começaram a chegar e se deram conta de que aquele homem só podia ser extraordinário: tinha até as chagas de Jesus crucificado.  A vida de Francisco e Clara é emocionante e comovente, como vimos sucintamente, desde o primeiro momento em que se encontraram, pois cultivaram entre si uma amizade pura, sincera, franca e espiritual. Francisco sofreu muito nos anos que antecederam sua morte, mas a amiga e irmã Clara nunca o abandonou, assistindo-o em suas dores físicas e distúrbios psicológicas. Também ouvia pacientemente suas confissões, ajudando-o em suas crises, intercedendo por ele em oração ao Eterno Pai. Finalmente, depois de muita agonia e dor, Clara foi chamada à reconhecer, na Porciúncula, que seu grande amigo Francisco havia partido para estar com Cristo na eternidade. Abraço. Davi.      

segunda-feira, 9 de novembro de 2020

A DIVINDADE SUPREMA

 

Religião Afro-Brasileira. UMBANDA. Livro A Proto Síntese Cósmica. Texto de Yamunisiddha Arhapiaha. Capítulo Um. A DIVINDADE SUPREMA — Postulado sobre a Divindade — Conceito Sobre Consciência-Una — Noções sobre Hierarquia Divina — Atributos da Divindade — A Coroa Divina. Há uma realidade que é universalmente aceita em todos os planos do Espírito: a eterna existência do Supremo Espírito — Deus. Na Umbanda, cremo-Lo como de Perfeição Absoluta, a Suprema Consciência-Una. Também afirmamos que o Supremo Espírito domina e dirige TUDO. Como TUDO entendemos todos os Seres Espirituais, a substância etérica (matéria, energia), o Espaço Cósmico e a Eternidade. Também ensinamos que o Supremo Espírito é o Único Conhecedor em Causas do Arcano Divino, sendo pois o Único que pode saber do "ser ou não-ser", da origem-causa de tudo que temos como Realidades incriadas e criadas. Entendemos que o Supremo Espírito estende Seu Poder sobre as várias Consciências Espirituais, criando Hierarquias Galácticas, Solares e Planetárias. Ensinamos também que o Supremo Espírito é o Divino Manipulador da Substância Etérica, "criando", com seus Arquitetos Divinos, todo o Universo. Que fique claro ao filho de Fé que como criar entendemos transformar. A Cúpula da Corrente Astral de Umbanda tem como ponto fechado da Doutrina, principalmente ensinada aos Filhos de Fé mais adiantados, que existem 3 Realidades extrínsecas, coeternas e coexistentes, aquém do Poder Divino; essas 3 Realidades são os Seres Espirituais, o Espaço Cósmico e a Substância Etérica. Ao afirmarmos que são realidades eternas, somente a Divindade, como o "Único Senhor das Realidades", é quem sabe das origens delas. O que podemos dizer é que essas 3 Realidades são extrínsecas entre si, isto é, nenhuma foi "gerada" da outra. Tampouco são partes da Divindade, como se a Divindade Suprema pudesse ser dividida. Muitos afirmam que Deus criou os Espíritos. No próprio Gênesis de Moisés é citado: "E Deus criou o homem à sua imagem e semelhança"... A Umbanda entende que, através de Sua Suprema Vontade e de Seu Supremo Poder Operante Idealizador, Deus plasmou o protótipo das formas para todos os Seres Espirituais que desceram ao outro lado da Casa do Pai, isto é, desceram de seus planos virginais onde habitavam sem nenhum veículo que expressasse suas afinidades individuais virginais. Frisemos que desceram do Cosmo Espiritual, onde "habitavam", e só eles "habitavam" (não há interpenetração da Substância Etérica), para as regiões onde tem domínio a Substância Etérica. Como dissemos, foi através do Poder Idealizador Operante do Supremo Espírito que se deu a formação dos mundos, bem como dos veículos de expressão dos Seres Espirituais1 neste Universo Astral, para os mesmos que desceram às regiões onde já havia a interpenetração da Substância Etérica, ou seja, o outro lado da Casa do Pai. Desceram, pois, provenientes do Cosmo Espiritual, penetraram no Universo Astral. No mais, foram as Hierarquias Cósmicas da Deidade que transformaram essa Substância Etérica em seus átomos primeiros, na energia ou energia-massa, em seus diversos níveis de densidade, gerando todos os sistema galácticos, solares com seus planetas, etc... Assim, entendemos o porquê do Universo Astral: a Infinita Misericórdia ajustou a substância Etérica, dando formação aos vários sítios vibratórios universais, para dar condições aos Seres Espirituais que, fazendo uso de seu livre-arbítrio, descessem às regiões do então formado Universo Astral (onde esses Seres desconheciam as propriedades e qualidades da Substância Etérica, transformada em energia-matéria), o qual possibilitaria às mais variadas Consciências Espirituais tornarem concretas suas afinidades virginais, isto é, a percepção, consciência, desejos, inteligência, etc. A par desse Universo Astral, criou formas, veículos ou corpos por meio dos quais esses Seres Espirituais se expressariam no Universo Astral. Nessa descida do Cosmo Espiritual para o Universo Astral, cada coletividade de Seres Espirituais foi direcionada a uma determinada galáxia e, dentro dessa, a um determinado sistema solar. Dentro do sistema solar, foram também direcionadas, obedecendo a uma Lei, para os planetas afins. Essa afinidade era de caráter espiritual, ou seja, relativa aos Ascendentes Espirituais de cada coletividade. Cada uma dessas coletividades planetárias ficou sob o beneplácito da Misericórdia da Divindade Solar. Assim, os Seres Espirituais, segundo suas qualidades evolutivas virginais, desceram, como dissemos, às várias galáxias e dentro dessas a vários sistemas solares obedientes às Leis predeterminadas pelo Poder Operante do Supremo Espírito e das Hierarquias Virginais. Afirmamos com isso que o Supremo Espírito também foi quem criou todo o sistema de Leis que regem os Espíritos no Cosmo Espiritual ou Reino Virginal. Chamemos essa Lei de karma causal, que, como seu próprio nome afirma, implica as Origens, as Causas, e é de conhecimento único da Deidade. Também as Leis que regem a 2a Via Evolutiva, o Reino Natural ou Universo Astral foram criadas pela Divindade. É o que denominamos de karma constituído, o qual é supervisionado pelos Senhores do Universo Astral, com suas Hierarquias Constituídas. Assim, vimos que, com o rompimento do karma causal, no Cosmo Espiritual, e com a conseqüente queda do Espírito às regiões do Universo Astral, foi criado o karma constituído, como 1- Via Evolutiva de Leis Regulativas aos Seres Espirituais. A Umbanda e seus emissários têm com ponto fechado de nossa singela Doutrina que o Supremo Espírito, tendo Seu Primeiro Nome Sagrado em TUPÃ, é Eterno, Indivisível, nunca tendo recebido sobre Si qualquer agregação ou sopro-vibração de nenhum outro Ser ou Realidade. Entendemo-Lo como Onisciente, Onipotente e Onipresente. Ressalvamos que, como Onipresente, entendemos não como se Ele, em Espírito, estivesse presente em tudo e em todos, mas sim por meio das Hierarquias por Ele constituídas. Entendemos também que o Supremo Espírito FOI, É e SERÁ no sempre ATEMPORAL — ETERNO. Como dizem outros: É o Divino Ferreiro que malha incessantemente na Bigorna Cósmica, plasmando através da Sua Vontade tudo aquilo que existe, o que é, e tudo aquilo que não existe, mas é. É O SENHOR DE TUDO. É O SENHOR DO NADA. É O SENHOR DE TODAS AS REALIDADES. Não podemos progredir em nossos humildes estudos sem citarmos as diversas Hierarquias que nos regem os destinos. Queremos que os Filhos de Fé entendam o que é a SUPREMA CONSCIÊNCIA UNA. Preste bem atenção, Filho de Fé, para que sua mente não perca o fio da meada que a liga ao verdadeiro entendimento. Vamos lá! Já explicamos que é no Cosmo Espiritual que há a 1a Via de Evolução para todos os Seres Espirituais. Se o Ser Espiritual pode evoluir nesse Cosmo Espiritual, é óbvio que há posicionamento hierárquico, há hierarquia. É como se o PAI, o Supremo espírito, estivesse por fora desse Cosmo Espiritual, mas atuante através de sua Onisciência, irradiada em forma de Onipresença, naquilo que denominamos de Hierarquia Constituída Virginal. Esses Seres de Máximo Poder Evolutivo nesse Cosmo Espiritual vibram em Consciência, como um colegiado, com o Supremo Espírito, como seus Emissários Primeiros. E como se fossem (perdoem-nos a analogia pálida) "médiuns divinos" ou Emissários diretos do Supremo Espírito, Primeiro Elo entre Ele e as Hierarquias subsequentes. São os constituintes daquilo que chamamos de COROA DIVINA. É bom que entendamos que essa Coroa Divina vibra de forma UNA com a CONSCIÊNCIA DIVINA. No Universo Astral, a 2a Via de Evolução, já que os Seres Espirituais usando do livre-arbítrio, desceram às "regiões da energia". Terão eles, por meio da experimentação, dores e sofrimentos vários, inclusive o das sucessivas reencarnações, regidos pelo karma constituído desde o Instante-Eternidade em que desceram ao Universo Astral, que ascender até alcançarem o Cosmo Espiritual e evoluir segundo o karma causal. Nesse instante, terão anulado todo o karma constituído. Mas de volta onde nos posicionamos hoje, no Universo Astral, enquanto aqui estivermos teremos a supervisão da Hierarquia Galáctica — ou Divindade Galáctica —, a qual está em Sintonia Espiritual Pura com a Consciência do Supremo Espírito, através da Coroa Divina. Essa Divindade Galáctica ou Colegiado Galáctico estende Suas poderosas vibrações a outros Seres Espirituais de Altíssima relevância, os quais dão formação à Hierarquia Constituída Galáctica. Filho de Fé, mais atenção, vamos continuar nos planos e sub planos de toda Hierarquia Divina! Voltando ao assunto central, dizíamos que as galáxias têm uma Divindade Galáctica, e essa Divindade estende Suas Vibrações a vários Seres Espirituais, os quais formam a Hierarquia Constituída Galáctica. Essa dita Hierarquia Constituída Galáctica, por sua vez, supervisiona as Hierarquias Solares ou dos sistemas planetários como um TODO. No sistema solar, tomado isoladamente, temos a DIVINDADE SOLAR ou o Verbo Divino, o qual promove Hierarquias afins nos sistemas solares de uma galáxia. Dentro do sistema solar, temos os planetas, nos quais encontraremos o "DEUS PLANETÁRIO", o qual já promove a Hierarquia Planetária Superior e Inferior. A Hierarquia Planetária Superior é compostas de todos os Seres Espirituais ligados diretamente, em vibrações, com a DIVINDADE PLANETÁRIA. São Seres Espirituais distintos da coletividade planetária. São esses Seres Espirituais que "mediunizaram" no espaço-tempo, os Grandes Condutores de Raça, os Profetas ou Grandes Iniciados. Raros deles já desceram até a crosta planetária. São Seres Espirituais de outros planetas mais elevados que, por Amor e Misericórdia, se dignaram a vir ajudar seus irmãos menos evoluídos, que se demoram no turbilhão do erro e da consciência culpada. Enfim, são grandes Seres Espirituais, que entendem que grande é a FAMÍLIA CÓSMICA UNIVERSAL. A Hierarquia Planetária Inferior é formada por Seres Espirituais que se encontram em planos superiores do planeta, mas fizeram parte desta coletividade planetária. E o que podemos chamar de Confraria dos Espíritos Ancestrais, os quais foram grandes Tubaguaçus, como se expressa no NHEENGATU, os Grandes Condutores de Raça em todas as épocas ou eras do planeta. Assim, esperamos que, de forma bem simples como tentamos expor, possam os Filhos de Fé ter noções básicas sobre as Hierarquias que compõem ou fazem parte dos vários compartimentos da "Casa do Pai". Outrossim, nossos Filhos de Fé devem ter percebido que, desde a Hierarquia do Cosmo Espiritual até a Planetária, já no Universo Astral, todas essas Hierarquias, através de seus Dirigentes Maiores, se encontram em sintonia vibratória com a Hierarquia imediatamente superior, até alcançarem a Hierarquia Divina. É o que entendemos por Consciência Una, isto é, as várias Potências Espirituais que em seus planos afins vibram em sintonia com o Divino Espírito. Ao citarmos HIERARQUIA PLANETÁRIA, entraremos aqui diretamente nos conceitos relativos ao nosso planeta Terra. Essa Hierarquia Planetária, relativa ao nosso planeta, 3º de nosso sistema solar, que caminha no espaço entre as órbitas de Vênus e Marte, tem também promovido de há muito sua função em conjunto com a Divindade Planetária. A Divindade Máxima de nosso planeta é o CRISTO JESUS, o OXALÁ de nossa Umbanda. De fato, Ele é, por misericórdia, o Tutor, o responsável kármico pelo nosso planeta, quer seja da 1a à 7a esfera do Astral Superior como da 1a à 7a esfera do Astral Inferior, dirigindo-se às regiões sub crostais. O CRISTO JESUS é o "SENHOR DO PLANETA TERRA", promovendo HIERARQUIAS, SUBHIERARQUIAS, COMANDOS, SUBCOMANDOS, etc. Lembrando o que já explicamos em relação à Hierarquia Planetária, queremos ressaltar que a Hierarquia Planetária Superior do planeta Terra é o que chamamos de "Hierarquia Crística", a qual é responsável, em nível muitíssimo elevado, pela supervisão do planeta. Em capítulos futuros, relacionaremos essas Hierarquias com os ditos ORISHAS ou Senhores Refletores da Luz Divina. Após nossa exposição, queremos deixar patenteado que de forma alguma o pensamento interno da Corrente Astral de Umbanda é politeísta, ou seja, fragmenta a Divindade em Divindades menores. Somos totalmente monoteístas, mas no sentido que aqui empregamos, no sentido de Suprema Consciência Una. Já nos fica difícil entender as Hierarquias relativas ao nosso planeta, que diremos então das Hierarquias de outros planetas em nosso próprio sistema solar, ou mesmo de outro sistema solar, e daí até as várias galáxias? Começa a ficar impossível para nosso mental tornar inteligível ou acessível. Por isso cremos em um Deus Planetário, que em nosso caso é o CRISTO JESUS, e em toda sua Hierarquia, a qual, de forma simples, vai dando ao homem comum, herdeiro da Coroa Divina, o direito de ir, de forma bem lenta, se imbuindo de um Poder Supremo, proveniente de um Ser Supremo, o qual denominamos DEUS, TUPÃ, ZAMBY, etc. Mais uma vez queremos afirmar que cremos num só Deus Indivisível, o qual chamamos SUPREMA CONSCIÊNCIA UNA, que estende, através do seu Poder Volitivo, Suas Vibrações Divinas às diversas Hierarquias nos vários locus do Universo, formando a organização do Governo Cósmico. Num pequeno e despretensioso livrinho que pretende ser elucidativo, não devemos nos aprofundar em considerações sobre o Governo Cósmico Sideral. Deixaremos esses arcanos para um futuro livro. Esperemos a assimilação dessas pequenas lições pelos vários Filhos de Fé, pois muitos desses nossos Filhos de Fé ainda não têm um conceito bem-formado sobre a Divindade, o que é até natural nas condições atuais do planeta. Mas, visando incrementar a evolução de vários Filhos terrenos, ressurgiu no Brasil (há mais de 100 anos) a Umbanda. Visamos, nessa 1a fase de reimplantação de nossa LEI DIVINA, aplicada às várias consciências a nós ligadas através dos laços de afinidade milenar, abarcar a todos, através de um culto simples e que gradativamente vá lançando as sementes da real espiritualidade superior. Assim, nessa 1a fase, que chamamos de OGUM, visamos atrair o maior número de pessoas dentro do menor espaço de tempo possível, pois os Novos Tempos são chegados e não desejamos que muitos Filhos sejam relegados a um planeta inferior, pois é certo que neste 32 milênio teremos várias transformações em nosso planeta, e aqueles que não se enquadrarem a esta Nova Era, de 1.000 anos, terão que deixar o orbe kármico do planeta Terra, indo cumprir pena coletiva em zonas sub crostais do próprio planeta Terra ou em planetas inferiores, para depois poderem voltar, não perturbando assim a evolução à qual a Terra é destinada. Com isto, afirmamos que a Umbanda vem, com os clarins de OGUM, despertar algumas consciências que dormem em sono profundo, para que no amanhã não distante não venham a permanecer em hodiendos pesadelos. Acordemos, pois! O galo já cantou, anunciando o clarear de Novos Tempos... E se muitos estão sendo chamados, queremos que todos os chamados sejam escolhidos. Trabalhemos em nosso auto aperfeiçoamento. Acendamos a Luz Interior, centelha dos planos mais elevados do Universo, que dormita em cada um de nós. Procuremos a senda da recuperação. Deixemos de lado os perniciosos processos da ilusão. Caminhemos com OXALÁ. Umbanda com OXALÁ é o caminho seguro para uma Nova Realidade de Amor, Sabedoria e Progresso. Vamos com OXALÁ. Livro A Proto Síntese Cósmica. Abraço. Davi.