domingo, 9 de agosto de 2020

O PODER DO PENSAMENTO

 

Fraternidade Rosa Cruz. www.fraternidaderosacruz.net. O PODER DO PENSAMENTO. O pensamento pode ser um dos fatores mais significativos, embora menos compreendidos, na evolução. O processo de pensamento, se é que as pessoas o consideram, é geralmente considerado um assunto puramente privado, tendo uma relação momentânea apenas com eles. Eles tendem a ignorar completamente as complicadas ramificações e consequências até mesmo dos pensamentos mais aparentemente insignificantes formados em suas mentes. Para ilustrar a importância do pensamento, os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental nos dizem que tudo o que existe no universo foi primeiro um pensamento. O Novo Testamento, originalmente escrito em grego, usa a palavra "logos" para significar "palavra" e o pensamento que precede a palavra. A palavra pode ser considerada a forma manifestada de pensamento - um som que constrói todas as formas e, de acordo com o conhecimento oculto, as anima. O homem, evoluindo como um Deus potencial, possui as faculdades latentes da criação. Ele agora está aprendendo a criar; ele tem a capacidade de pensar e pode expressar seus pensamentos. Quando ele não é capaz de realizar suas idéias sozinho, ele pode conseguir a ajuda de outros por meio de sua fala. Conforme a evolução continua, chegará o tempo em que ele será capaz de criar diretamente pela palavra emitida de sua laringe espiritualizada. A escolaridade, por meio de uma série de incorporações físicas, é necessária para que ele não cometa erros. O homem ainda não se desenvolveu espiritualmente e, se agora pudesse criar diretamente pela palavra, suas criações seriam imperfeitas e prejudiciais. A grande maioria das pessoas adquiriu o hábito de pensar apático, o que as torna incapazes de se apegar a qualquer assunto até que seja totalmente dominado. Embora os pensamentos que passam pela mente possam ser bons, maus ou indiferentes - principalmente os últimos - a mente geralmente não se apega a nenhum deles por tempo suficiente para aprender sua natureza. O controle do pensamento costuma ser muito difícil de ser alcançado. Uma vez alcançado, no entanto, o possuidor tem em suas mãos a chave para o sucesso em qualquer ramo que esteja engajado. A força do pensamento é o meio mais poderoso de obter conhecimento. Se estiver concentrado em um assunto, ele abrirá caminho através de qualquer obstáculo e resolverá o problema. Se a quantidade necessária de força de pensamento for exercida, não há nada que esteja além do poder da compreensão humana. Enquanto a espalharmos, a força do pensamento pouco nos servirá, mas assim que estivermos preparados para dar o trabalho necessário para controlá-la, todo o conhecimento será nosso. Visto que o pensamento é a nossa principal força, devemos aprender a ter controle absoluto sobre ele, para que o que produzamos não seja ilusão induzida por condições externas, mas verdadeira imaginação gerada pelo Espírito de dentro. Esta é uma das razões pelas quais os estudantes dos Ensinamentos Rosacruzes são incentivados a realizar o exercício diário de concentração, regularmente e com persistência. Eles são ensinados a fixar suas mentes sem vacilar em um único assunto, tornando-se tão absortos nele que todo o resto é apagado com sucesso da consciência. Uma vez que o aluno tenha aprendido a fazer isso, ele é capaz de ver o lado espiritual de um objeto ou ideia iluminado pela luz espiritual e, assim, ele obtém um conhecimento da natureza interior das coisas nunca sonhadas por um homem mundano. Dizemos que os pensamentos são concebidos pela mente, mas, assim como o pai e a mãe são necessários na geração de um filho, também a ideia e a mente são necessárias antes que um pensamento possa ser concebido. As idéias são geradas por um Ego humano na substância espiritual dos mundos internos. Essa ideia é projetada na mente receptiva, dando origem a um pensamento. Assim, quando cada idéia se reveste de uma forma feita de matéria-prima mental, é então um pensamento, tão visível para a visão interior de um clarividente suficientemente desenvolvido quanto uma criança o é para seus pais. Assim, vemos que as idéias são pensamentos embrionários, núcleos de substância espiritual dos mundos internos. Impropriamente concebidos em uma mente doente, eles se tornam caprichos e delírios, mas quando gestados em uma mente sã e formados em pensamentos racionais, eles são a base de todo progresso material, moral e mental. No momento, porém, a mente não está focada de uma forma que a capacite a dar uma imagem clara e verdadeira do que o Espírito imagina. Não é direcionado. Dá imagens nebulosas e nubladas. Daí a necessidade de experimento para mostrar a inadequação da primeira concepção, e de trazer novas imaginações e ideias até que a imagem produzida pelo Espírito em substância mental tenha sido reproduzida em substância física. Na melhor das hipóteses, somos capazes de moldar através da mente apenas as imagens que têm a ver com a forma, porque a mente humana não foi iniciada até o presente Período Terrestre de nossa evolução e, portanto, está agora em sua forma, ou "mineral, " palco. (veja The Rosicrucian Cosmo-Conception p. 426) Portanto, em nossas operações, estamos confinados a formas e minerais. Podemos imaginar maneiras e meios de trabalhar com as formas minerais dos três reinos inferiores, mas podemos fazer pouco ou nada com os corpos vivos. Podemos de fato enxertar ramos vivos em árvores vivas, ou parte viva de um animal ou homem em outra parte viva, mas não é com a vida que estamos trabalhando; é apenas forma. Estamos criando condições diferentes, mas a vida que já habitava a forma continua fazendo isso ainda. Criar vida está além do poder do homem até que sua mente ganhe vida. Muitas pessoas acreditam que tudo isso resulta de outra coisa e não consideram a possibilidade de qualquer novo edifício original. Aqueles que estudam a vida geralmente falam apenas de involução e evolução; aqueles que estudam a forma, a saber, os cientistas modernos, estão preocupados apenas com a evolução. Os mais avançados entre eles, entretanto, estão agora começando a encontrar outro fator, que eles chamaram de epigênese, o impulso criativo. Já em 1787, Caspar Wolff publicou sua Theorea Generationis, na qual mostrava que, no desenvolvimento do óvulo, há uma série de novas edificações que não eram de todo antevistas. Nas formas de vida inferiores, onde as mudanças são rápidas, a epigênese pode ser demonstrada ao microscópio. Depois que a mente foi dada ao homem, esse impulso criativo original, a epigênese, foi a causa de todo o nosso desenvolvimento. É verdade que construímos sobre o que já foi criado. Mas também há algo novo devido à criatividade do Espírito. É assim que nos tornamos criadores. Se apenas imitássemos o que já nos foi estabelecido por Deus, nunca seria possível nos tornarmos inteligências criativas - seríamos simplesmente imitadores. E, novamente, o pensamento está por trás de tudo o que é criado por meio da epigênese. Fomos colocados neste mundo físico para que possamos aprender a pensar corretamente e desenvolver a epigênese de maneiras construtivas. Por exemplo, tomemos o exemplo de um inventor que tem uma ideia. A ideia ainda não é um pensamento; é um insight repentino que ainda não tomou forma. Gradualmente, entretanto, o inventor o visualiza em sua mente. Ele forma uma máquina em seu pensamento e, diante de sua visão mental, essa máquina aparece com as rodas girando para um lado e para outro, conforme necessário para realizar o trabalho exigido. Em seguida, ele começa a desenhar os planos para a máquina e, mesmo nesse estágio, certamente parecerá que modificações são necessárias. Assim, vemos que já as condições físicas mostram ao inventor onde seu pensamento não estava correto. Quando ele constrói a máquina em material adequado para a realização do trabalho, mais modificações geralmente são necessárias. Talvez ele precise descartar a primeira máquina e construir uma totalmente diferente. Assim, as condições físicas concretas permitiram que ele detectasse a falha em seu raciocínio; eles o forçam a fazer as modificações necessárias em seu pensamento original para apresentar uma máquina que fará o trabalho. Em empreendimentos mercantis ou filantrópicos, o mesmo princípio é válido. Se nossas ideias concernentes aos vários assuntos da vida estão erradas, são corrigidas quando postas em uso prático. Portanto, é absolutamente necessário que vivamos neste mundo físico e aprendamos a exercer o poder do pensamento - um poder que está sendo mantido em grande parte no tempo presente por nossas condições materiais. Para ilustrar a importância do pensamento, mencionemos que tudo o que há neste mundo feito pela mão do homem é pensamento cristalizado: as cadeiras em que nos sentamos, as casas em que vivemos, as várias conveniências que usamos - tudo isso já foi um pensamento na mente do homem. Se não fosse por esse pensamento, a coisa nunca teria aparecido. De maneira semelhante, as árvores, flores, montanhas e mares são as formas de pensamento cristalizadas das Forças da Natureza. Neste mundo, somos obrigados a investigar e estudar algo antes de sabermos sobre ele. No entanto, os investigadores ocultistas que conseguiram funcionar em um dos mundos espirituais, chamado Mundo do Pensamento, descobriram que ali é diferente. Quando desejamos saber sobre alguma coisa particular ali, voltamos nossa atenção para ela e a coisa fala conosco, por assim dizer. O som que emite imediatamente dá uma compreensão luminosa de todas as fases de sua natureza. Alcançamos a compreensão de sua história passada; toda a história de seu desdobramento é exposta e parece que vivemos todas essas experiências junto com o que estamos investigando. Todas essas informações, no entanto, fluem sobre nós com enorme rapidez em um momento, de modo que não têm começo nem fim. No Mundo do Pensamento, tudo é um grande AGORA. Quando queremos usar essa informação arquetípica em nosso Mundo Físico, portanto, devemos desemaranhá-la e organizá-la em ordem cronológica com início e fim antes que se torne inteligível para os seres que vivem em um reino onde o tempo é um fator primordial. Esse rearranjo é uma tarefa muito difícil, pois todas as palavras são cunhadas em relação às três dimensões do espaço e à unidade evanescente de tempo; portanto, muitas dessas informações permanecem indisponíveis. Muitas pessoas afirmam que temos o direito de pensar o que quisermos e que os pensamentos iníquos, se não traduzidos em atos iníquos, não são prejudiciais. Isso está longe de ser verdade, e o poder dos pensamentos maus, assim como o poder dos pensamentos bons e benéficos, é realmente grande. Ao longo dos séculos, por exemplo, os maus pensamentos humanos de medo e ódio se cristalizam no que conhecemos como bacilos. Os bacilos das doenças infecciosas são particularmente as personificações do medo e do ódio e, portanto, também são vencidos pela força oposta - a coragem. Se entrarmos na presença de uma pessoa infectada com uma doença contagiosa com medo e tremor, devemos seguramente atrair para nós os micróbios venenosos. Se, por outro lado, abordarmos essa pessoa em uma atitude perfeitamente destemida, escaparemos da infecção. No Sermão da Montanha, Cristo Jesus nos diz que "o homem que olhou com desejo para uma mulher, de fato, já cometeu adultério". Quando percebermos que "como um homem pensa em seu coração, assim é", teremos uma concepção da vida muito mais clara do que se levarmos em consideração apenas os atos dos homens. Todo ato é o resultado de um pensamento anterior, mas não necessariamente o pensamento da pessoa que comete o ato. Se um diapasão for tocado e outro diapasão do mesmo tom estiver nas proximidades, o segundo tocará junto com o primeiro. Da mesma forma, quando pensamos que um pensamento e outra pessoa em nosso ambiente estão pensando na mesma linha, nossos pensamentos se aglutinam com os dele e a fortalecem para o bem ou para o mal, de acordo com a natureza do pensamento. Quando vamos a uma baia do júri e vemos o criminoso, contemplamos apenas o ato; não temos conhecimento do pensamento que o motivou. Se temos o hábito de ter pensamentos malignos e maliciosos contra alguém, esses pensamentos podem ter sido atraentes para aquele criminoso. Com base no princípio de que uma solução saturada de sal exigirá apenas um único cristal para solidificá-la, assim também, se um homem saturou seu cérebro com pensamentos de assassinato, o pensamento de assassinato que outra pessoa envia pode revelar-se o último palha e destruir aquela última barreira que teria impedido o assassino de cometer seu ato maligno. Portanto, nossos pensamentos são muito mais importantes do que nossos atos. Se sempre pensarmos certo, devemos sempre agir certo. Nenhum homem pode ter amor para com seus semelhantes, ou pode tramar como ajudá-los espiritualmente, mentalmente ou fisicamente sem também agir de acordo com esses pensamentos. Se cultivarmos esses pensamentos, logo encontraremos a luz do sol se espalhando ao nosso redor; descobriremos que as pessoas nos encontrarão com o mesmo espírito que enviamos. Se, então, vemos mesquinharia e pequenez nas pessoas que encontramos, seria bom verificar se nós mesmos não estamos fazendo com que tais qualidades emanem de nós. O homem que é mesquinho e pequeno irradia essas qualidades e quem quer que ele encontre parecerá mau para ele porque seus pensamentos farão vibrar algo de intensidade idêntica na outra pessoa. Por outro lado, se cultivarmos uma atitude serena e pensamentos livres de cobiça e francamente honestos e prestativos, iremos destacar o melhor nas outras pessoas. Portanto, vamos perceber que só depois de cultivarmos as melhores qualidades em nós mesmos, podemos esperar encontrá-las nos outros. Portanto, certamente somos responsáveis ​​por nossos pensamentos. Na verdade, somos os guardiães de nossos irmãos, pois assim como pensamos quando os encontramos, assim aparecemos para eles e eles refletem nossa atitude. Se quisermos obter ajuda para cultivar melhores qualidades, procuremos a companhia de pessoas que já sejam boas, pois sua atitude mental nos ajudará imensamente a despertar nossas qualidades mais refinadas. Nem sempre parece fácil nos livrarmos dos pensamentos maus, e a maioria de nós não consegue evitar de encontrar pessoas ou situações que provocam pensamentos negativos, por mais que tentem combatê-los. Mas existe uma maneira simples de descartar esses pensamentos indesejados que não envolve "lutar contra eles" de forma alguma. Gostar e não gostar tendem a atrair um pensamento ou uma ideia para nós, e a força de pensamento adicional que enviamos para combater os maus pensamentos irá mantê-los vivos e trazê-los à nossa mente com mais frequência, da mesma forma que brigar pode causar uma pessoa não gostamos de nos emboscar por rancor. Em vez de lutar, portanto, adotemos a tática da indiferença. Se virarmos a cabeça para o outro lado quando encontrarmos uma pessoa de quem não gostamos, ela logo se cansará de nos seguir. Com base no mesmo princípio, se apenas nos afastarmos com indiferença quando pensamentos do mal vierem à nossa mente, e aplicarmos nossas mentes a algo que é bom e ideal, descobriremos em um curto espaço de tempo que estamos livres dos pensamentos maus e temos apenas os bons pensamentos que desejamos nutrir. Assim, vemos quão amplo e poderoso o pensamento realmente é. Todas as coisas, para o bem ou para o mal, podem ser realizadas com ele. Na verdade, o poder do pensamento é uma das forças mais poderosas conhecidas pelo homem. Somente quando a humanidade chegar a uma compreensão da verdadeira natureza e do uso adequado desta força divina, a humanidade poderá se libertar dos grilhões da materialidade e continuar o caminho ascendente para se tornar um Ser Criativo autoconsciente. www.fraternidaderosacruz.net. Abraço. Davi

sexta-feira, 7 de agosto de 2020

RELACIONAMENTO DO SIGNO DE LIBRA COM OUTROS SIGNOS

 

Astrologia. Zodíaco. www.universa.uol.com.br. Sinastria (1) dos Signos. RELACIONAMENTO DO SIGNO DE LIBRA (23 de setembro a 22 de outubro) COM OUTROS SIGNOS.

 

LIBRA E ÁRIES. São signos opostos-complementares e isso provoca muita atração. Sexualmente é possível que surja cumplicidade e forte química. Há chances de atração à primeira vista, com tendência a se transformar numa grande aventura amorosa. Porém, com a convivência, ambos devem estar dispostos a se adaptar para que a relação seja duradoura. Áries é impulsivo, determinado, individualista e autoritário. Já Libra é ponderado, prudente, gosta de analisar tudo minuciosamente. Na busca de equilíbrio, o libriano não deve se tornar condescendente demais e o ariano não ser mandão e egoísta em excesso. Se superarem isso, as possibilidades de dar certo aumentam. Com um pouco de paciência, Áries pode ver em Libra elementos que o fascinam e que trazem equilíbrio para seu temperamento forte, além de aprender a ser mais cordial e diplomático. Libra necessita compreender melhor a natureza impulsiva de Áries e inspirar-se com sua coragem, aprender a ser mais fiel à sua essência, dizer não quando necessário e impor limites quando for preciso. LIBRA E TOURO. Esta é uma boa combinação. Os dois signos são regidos por Vênus, o planeta do amor, do prazer, da sedução, da beleza e da arte. Por isso, são românticos e apreciadores de uma vida em comum. Há muita química e compatibilidade nessa união sexual. Mas, com a convivência, conflitos surgirão: Touro é mais inflexível, caseiro, acomodado, reservado e teimoso. Libra é muito sociável, extrovertido e naturalmente sedutor, isso acaba por despertar o lado ciumento e possessivo do taurino. Mas, ainda assim, um companheiro como Libra pode ser ideal para o taurino. Sua natureza tolerante e expressiva ajuda a contornar os típicos arroubos de ciúme. O desafio é encontrarem o equilíbrio entre a vida familiar e as atividades sociais. Libra é um signo de Ar, mental, e consegue estimular a mente de Touro. Ao mesmo tempo, o elemento Terra do taurino pode trazer mais estabilidade e segurança para o libriano, que costuma se dispersar com facilidade. O relacionamento deve se basear na ternura e na cumplicidade. LIBRA E GÊMEOS. Dois signos com grandes afinidades: ambos são do elemento Ar. São mentais, intelectuais, buscam conhecimento, cultura, apreciam os estudos e as artes. Sexualmente pode haver cumplicidade e afinidade. Libra contribui com sua sensualidade e compreensão, enquanto Gêmeos pode fazer seu companheiro rir e se divertir. O diálogo e as trocas estão garantidos por seus planetas regentes: Vênus (Libra) e Mercúrio (Gêmeos). O grau de entendimento e sintonia tende a superar as palavras, muitas vezes basta um olhar para cada um captar o que se passa na mente do outro. E mais: a parceria de negócios, estudos e projetos criativos tem grandes chances de prosperar. Mas, há diferenças a serem superadas para uma relação duradoura. Libra tem mais facilidade para assumir compromissos e gosta de fazer tudo a dois. Os geminianos são mais independentes e são avessos às cobranças. É essencial que exista amor verdadeiro, sinceridade e confiança, além da certeza de que desejam se comprometer antes de casar e ter filhos. LIBRA E CÂNCER. Nesta combinação os dois encontram mais características e interesses divergentes do que qualidades em comum. Libra é mental, sociável e extrovertido. Câncer é reservado, sensível e intimista. Sexualmente, Libra se mostra mais espontâneo e Câncer mais desconfiado. É preciso tempo e disposição para que o canceriano ganhe mais confiança e se abra. Aos poucos, encontrarão sintonia na vida íntima. Ambos partilham do romantismo, do gosto pela arte e pela cultura. Mas Câncer pode se sentir incomodado com a sociabilidade e a inquietude de Libra, que tende a ficar entediado com o estilo emotivo, caseiro e retraído de Câncer. Há chances de a parceria prosperar, mas se houver amor real e se os dois aprenderem a respeitar suas diferenças. Os cancerianos, geralmente, se apresentam fechados, silenciosos e taciturnos. Os librianos são mais abertos para os diálogos e as trocas intelectuais. É importante que o canceriano esteja disposto a aprender com o libriano a ser mais leve e sociável. Simultaneamente, o libriano deve se inspirar no canceriano a fim de ser mais carinhoso e atencioso. LIBRA E LEÃO. Esta é uma parceria estimulante e promissora. O elemento Ar de Libra, mental, inteligente e ponderado, complementa o elemento Fogo de Leão, impetuoso, confiante e ambicioso. O relacionamento é produtivo também para projetos profissionais: são sociais, criativos, interessados pelos assuntos culturais e artísticos. Ar e Fogo são elementos que geram combustão. Essa mistura é boa também para a vida sexual do casal. Promete calor, paixão, química, harmonia e cumplicidade. Os dois gostam de namoro, requinte e romance. O Ar de Libra estimula o Fogo de Leão, o que pode ajudá-lo a crescer e a se desenvolver. A força de vontade, os dons de liderança e a segurança de Leão tendem a neutralizar a hesitação e a indecisão de Libra. Leão oferecerá seu apoio e sua confiança para que o libriano possa caminhar com passos mais firmes e determinados. Com empenho e dedicação, o casal conquistará a beleza, a harmonia e o equilíbrio tão sonhados por Libra. Além de tudo isso, a generosidade de Leão, combinada com o senso de justiça libriano, oferecem grande potencial para que a parceria realize trabalhos sociais e humanitários. LIBRA E VIRGEM. Embora tenham afinidades complementares, são signos com naturezas divergentes. Libra é regido por Vênus: cordial, sociável, diplomático, romântico e sedutor. Virgem é regido por Mercúrio: racional, prático, tímido, crítico e exigente. Mas ambos são prudentes, lógicos, inteligentes e ponderados. É possível que o amor surja depois de uma amizade, já que nenhum dos dois traz tendência para atos impulsivos. No que diz respeito à vida sexual, haverá cumplicidade. O libriano é conciliador e gosta de cultivar suas habilidades sociais. Tem, ainda, apurado senso estético, busca a harmonia e o equilíbrio e está sempre sugerindo novas ideias. O virginiano aprecia essas qualidades e se encantará com a leveza, o otimismo, a alegria e as longas conversas com o ponderado libriano. Ao mesmo tempo, Libra pode ouvir as críticas, sugestões e análises do observador virginiano e levá-las em consideração. Assim, a vida em comum se tornará harmoniosa. Mas têm de encontrar o equilíbrio entre os deveres e as responsabilidades do lar e a vida social. Caso contrário, pode haver discussões. LIBRA E LIBRA. Os librianos são amantes da beleza, do equilíbrio, da justiça, das artes e da vida social. Podem se divertir muito juntos. Libra é um signo de Ar, mental, e terão muitos assuntos para conversar. Aliás, assunto é o que não vai faltar para essa dupla. São românticos, valorizam o amor e o relacionamento. Buscam um relacionamento ideal, feliz e harmonioso e estarão dispostos a concretizar este sonho, construindo uma relação de amor e parceria. E há chances! Porém, o libriano tem certa dificuldade de expor suas vontades, pois não gosta de conflitos e discussões. O perigo é ficar adiando uma conversa, uma discussão, com medo de que o equilíbrio seja quebrado. É importante que aprendam a ser sinceros e verdadeiros, mesmo que para isso o confronto seja inevitável. Devem perceber até que ponto a cortesia, a elegância e a gentileza se transformam em máscaras. O aprendizado, portanto, é o de discutir a relação de tempos em tempos. Costumam ser indecisos e talvez até seja necessário a presença uma terceira pessoa para trazer conselhos e os ajudar a tirar conclusões. LIBRA E ESCORPIÃO. Esta é uma parceria que tem tudo para funcionar, desde que Libra esteja ciente de que Escorpião tem tendência para o ciúme e que o escorpiano entenda que a vida social é importante para o libriano. Escorpião é um signo de Água, regido por Marte e Plutão: intenso, apaixonado, profundo e magnético. Libra é um signo de Ar, regido por Vênus: sensual, mental, ponderado e romântico. Sexualmente terão grande sintonia e química. Mas conflitos podem surgir se Escorpião não aceitar que Libra é social. Ambos são inteligentes e é possível que se interessem juntos por estudos, artes e cultura. Apesar de o escorpiano ser por vezes calado e misterioso, Libra gosta muito de conversar, demonstrando suas habilidades comunicativas e seu poder de análise em qualquer debate. Já Escorpião é perspicaz, intuitivo, bom para dar diagnósticos e para chegar à raiz de qualquer questão. Mas os escorpianos geralmente alimentam opiniões inflexíveis e a obstinação é outro traço de sua personalidade. Sua persistência quase sempre vai predominar, pois Libra é mais adaptável e flexível. LIBRA E SAGITÁRIO. Há muito em comum entre esses dois signos. Portanto, existe a possibilidade para um bom entendimento, tanto para projetos profissionais quanto para questões afetivas. Ambos apreciam o conhecimento, as novidades, a beleza, as artes e a vida social. Serão excelentes companheiros para estudos, festas, eventos, viagens e aventuras. Mas também existem características díspares: Libra é romântico e adora fazer tudo a dois. já Sagitário precisa de espaço e liberdade para ir e vir. Também cultivam um profundo senso de justiça. A combinação de um signo de Ar (Libra) com um signo de Fogo (Sagitário) sempre gera combustão. Podem, inclusive, contar com muita química e paixão na vida íntima. Mas Sagitário deve tomar cuidado com sua sinceridade para não ferir os sentimentos de Libra. Geralmente, será Libra quem vai fazer propostas, trazer ideias e tomar iniciativas, já que é um signo cardinal, e Sagitário, um signo mutável. Por sua vez  Sagitário corresponderá com seu entusiasmo, sua confiança e sua generosidade, sempre aberto para expandir seus horizontes. LIBRA E CAPRICÓRNIO. Essa união tem potencial para ser longa e duradoura. Libra proporcionando leveza, gentileza e alegria, e Capricórnio contribuindo com estrutura, fidelidade e comprometimento. No início do relacionamento, Libra pode até achar que seu companheiro é antiquado, exigente, formal e cerimonioso. É importante que Capricórnio modere seu pessimismo e seu senso crítico para não cortar as asas do espontâneo libriano. Embora Capricórnio seja teimoso e determinado, tem seu charme, sua elegância, seu senso de humor inteligente e peculiar, além de ser leal, prudente, estratégico e objetivo, qualidades que encantarão o libriano. Ambos compartilham o gosto pelos tratos sociais e ambientes refinados. Libra é um signo de Ar, regido por Vênus, amante dos prazeres, da beleza e da harmonia. Essas características servirão como uma lufada de ar fresco na vida de Capricórnio. Mas conflitos surgirão quando os dois quiserem comandar, cada um à sua maneira. Para superar isso, o diálogo deve prevalecer: Capricórnio respeitando a natureza de Libra, e este valorizando as técnicas pessoais de Capricórnio. LIBRA E AQUÁRIO. Ambos são signos do elemento Ar: mentais, curiosos, comunicativos e inteligentes e apreciam as mesmas coisas (cultura, vida social e diversão). Mas, apesar dos pontos em comum, há divergências. Libra gosta de parcerias, romances, afeto e carinho. Aquário é mais independente, contestador e questionador. A parceria traz mais potencial para amizade duradoura do que para o amor, a não ser que haja outros pontos de atração em seus mapas astrológicos. A dupla pode estimular-se intelectualmente, estudar, filosofar, vivenciar ricos aprendizados juntos. As discussões tendem a ser recheadas de refinamento intelectual. O comportamento excêntrico, inquieto e nervoso de Aquário perturbará o equilíbrio de Libra. Depois de algum conflito, Libra vai procurar ser justo, ponderado e acabará reconhecendo seus erros. Sua natureza diplomática e conciliadora irá seduzir Aquário, que até reconhecerá seus próprios erros. Os dois não têm tendência para guardar mágoas e rancores. Há, ainda, outros interesses em comum: os projetos humanitários, as crianças, as viagens ao exterior e as artes. LIBRA E PEIXES. Este é um encontro de dois signos românticos, carinhosos, sedutores e atenciosos. Portanto, é uma parceria promissora. Mas há algumas diferenças: Libra é um signo de Ar, mental, ponderado, racional e prudente. Peixes é um signo de Água: sensível, emotivo, místico e intuitivo. O casal deverá usar as diferenças para se complementarem: Peixes ajudando o companheiro a ter mais fé, imaginação e compaixão; Libra trazendo estabilidade psicológica, apoio, capacidade racional e analítica para o pisciano. Libra é um signo mais social, comunicativo e extrovertido. Peixes é mais introspectivo, parecendo até mesmo mais enigmático. Sexualmente, Peixes se mostrará sempre encantador e Libra gentil. Ambos são apaixonados pelas artes, solidários e interessados pelas causas sociais. Libra gosta de tomar iniciativa e comandar; já Peixes estará disposto a agradar e oferecer seu apoio. Peixes entenderá os ataques de indecisão de Libra, já que ele também nutre certos receios. O casal enfrentará dificuldades com sua hesitação e indecisão, então, os conselhos de uma terceira pessoa serão bem-vindos.

 

Referência: (1). Sinastria – é uma técnica utilizada na astrologia para verificar o grau de compatibilidade numa relação (afetiva, profissional ou familiar) entre duas pessoas. Esse procedimento faz uso do MAPA ASTRAL, recorrendo aos perfis astrológicos de um indivíduo e seu parceiro. Requer encontrar um profissional, caso deseje realizar o método do mapa, recomendado e capacitado na ciência astrológica. Deve ter registro profissional na instituição ou sindicato que regula a prática em sua região ou estado. Abraço.

quarta-feira, 5 de agosto de 2020

A ESSÊNCIA DO CONHECIMENTO VÉDICO

Hare Krishna. www.chandramukhaswuami.com.br. Texto de Chandramukha Swuami. A ESSÊNCIA DO CONHECIMENTO VÉDICO. Os Vedas são a fonte original de todo e qualquer conhecimento e sua origem é transcendental. Desse modo, não há ramo de conhecimento material ou espiritual que não esteja contido nos textos védicos originais. O conhecimento de uma pessoa sob a influência da energia material está sempre sujeito a quatro tipos de defeitos: sua mente e intelecto têm a forte tendência de se iludir, seu comportamento está sempre manchado de erros, seus sentidos de percepção são defeituosos e limitados e, para satisfazer seus interesses pessoais, ela é capaz de enganar as outras pessoas. Na verdade, é comum que uma pessoa na plataforma material manifeste um ou mais destes defeitos de uma só vez. No entanto, devemos compreender que o conhecimento védico não possui nenhum destes defeitos, pois foi transmitido pela Pessoa Suprema – uma fonte completamente transcendental. O receptor original deste conhecimento foi o primeiro ser vivo, o Senhor Brahmā, o qual existiu antes mesmo da criação material. Brahmājī foi dotado de poder pelo Senhor para criar este mundo com o propósito de dar uma nova oportunidade às almas condicionadas que não alcançaram a liberação na criação anterior. Depois de cumprir esta missão, Brahmā transmitiu este conhecimento védico ao sábio Nārada que, por sua vez, o transmitiu a seu discípulo Vyāsadeva que, com o propósito de preservá-lo, registrou-o na forma literária. Uma vez que os Vedas têm como propósito último fornecer conhecimento sobre a autorrealização espiritual, os seus temas são compreendidos apenas por pessoas com excepcionais qualidades de bondade, e não podem compreendê-los as pessoas sob a influência da paixão e da ignorância. Por este motivo, no início da era de Kali, o grande sábio Vyāsa dividiu os Vedas em vários ramos, tornando-os acessíveis às pessoas menos inteligentes, situadas na paixão e na ignorância. Especialmente, o sábio Vyāsa preparou o Mahābhārata, uma compilação admirável repleta de histórias que prendem a atenção de qualquer tipo de pessoa, e, dentro do Mahābhārata, incluiu a essência do conhecimento védico na forma da Bhagavad-gītā. A realidade é que as pessoas comuns se interessam muito mais por histórias fascinantes do que por filosofia profunda. Assim, Vyāsadeva compôs o Mahābhārata, e prendeu a atenção dos leitores menos inteligentes com a incrível história da disputa pelo trono entre as dinastias Kaurava e Pāndava. O interessante é que no momento mais crítico da história, exatamente quando a Batalha de Kurukṣetra está por começar, Kṛṣṇa entra em cena e transmite Sua mensagem maravilhosa, ou seja, a Bhagavad-gītā. Na verdade, toda a trama política e envolvente do Mahābhārata não passa de um arranjo divino para prender a atenção dos leitores para que Kṛṣṇa possa derramar um oceano infinito de instruções sublimes sob a forma da Bhagavad-gītā, o resumo da verdadeira essência dos Vedas. As próprias escrituras védicas não se cansam de glorificar as qualidades singulares da Bhagavad-gītā. Isto porque a Bhagavad-gītā emanou diretamente da boca da maior autoridade em conhecimento, Kṛṣṇa, o qual é glorificado em todos os Vedas como Mahāprabhu, “o Mestre Supremo”, e Puruṣottama, “a Personalidade Suprema”. Devemos ser entusiastas em estudar a Bhagavad-gītā e compreender que ele é a manifestação da ilimitada bondade do Senhor, que, em apenas setecentos versos, apresentou toda a essência do conhecimento contido em todos os Vedas. Nesta era atual, as pessoas têm uma curta duração de vida e não são muito entusiastas e qualificadas para estudar a imensidão de textos védicos, tais como os Purāṇas, as Upaniṣads, o Vedānta-sūtra etc. Portanto, por estudar simplesmente a Bhagavad-gītā, qualquer indivíduo poderá se elevar ao estado de sabedoria e iluminação transcendental. Isso porque, assim como toda literatura védica, o conhecimento apresentado na Gītā é eterno e imaculado e se destina ao homem fiel que tem o desejo sincero de compreender o tema de como se livrar das garras da existência material e alcançar uma existência eterna e plena de felicidade. A Bhagavad-gītā é considerada o primeiro livro de valores espirituais. Sua função é credenciar seu estudante e prepará-lo para iniciar seu estudo da filosofia Vedānta para, finalmente, ingressar ao bhakti-yoga, ou seja, serviço devocional amoroso ao Senhor. Segundo os Vedas, o cosmos material se manifesta em ciclos de quatro eras: Satya, Tretā, Dvāpara e Kali. A era de Satya é caracterizada pelas boas virtudes e todos os seres humanos que vivem na Terra são repletos de qualidades divinas. Na era de Tretā, há um declínio das virtudes e a Terra passa a abrigar ao mesmo tempo seres divinos e seres demoníacos. Na era de Dvāpara, o aumento da irreligião e da impiedade se acentua e o divino e o demoníaco passam a viver na mesma família. Finalmente, na era de Kali, ou era das trevas, há um predomínio total de irreligião, hipocrisia e desavenças, e a natureza divina e demoníaca habitam lado a lado no mesmo corpo. Desse modo, foi há cinco mil anos, entre o final da era de Dvāpara e o começo da era de Kali, que a Pessoa Suprema, Bhagavān Kṛṣṇa, veio à Terra e transmitiu para Arjuna este conhecimento sublime da Bhagavad-gītā, removendo, assim, todas as suas dúvidas, ansiedades e lamentações. O cenário da Bhagavad-gītā foi o campo sagrado de Kurukṣetra, minutos antes da batalha mais violenta já registrada pela história dos últimos tempos. Naquela época, a Terra e seus habitantes estavam sendo atormentados pela influência perturbadora de indivíduos materialistas e cobiçosos e, como é confirmado no Capítulo Quatro da própria Bhagavad-gītā, em tais situações, o próprio Kṛṣṇa sempre desce a este ou qualquer outro planeta para eliminar os elementos indesejáveis e proteger diretamente as pessoas piedosas. Sendo um companheiro eterno de Kṛṣṇa, o guerreiro Arjuna está sempre livre de qualquer classe de ilusão. Entretanto, ele foi colocado em ilusão pessoalmente por Kṛṣṇa, que desejava transmitir os ensinamentos da Bhagavad-gītā para as futuras gerações. Desse modo, representando o papel de uma pessoa absorta em sofrimento material, Arjuna pôde formular perguntas relevantes sobre os verdadeiros problemas da vida. Devemos entender que Arjuna está representando a nossa posição, pois, quer compreendamos ou não, na existência material convivemos frequentemente com ansiedades e temores. Portanto, temos de primeiramente seguir o exemplo de Arjuna que admitiu sua incapacidade de, sozinho, solucionar os problemas que surgiram diante dele no Campo de Batalha de Kurukṣetra. Depois disso, temos de aceitar o abrigo de Kṛṣṇa e seguir Suas instruções divinas, independentemente do nível de educação ou inteligência que possamos ter. A realidade é que não temos a capacidade de encontrarmos as devidas soluções para os problemas que surgem na vida, pois, em nossa vida prática, é como se estivéssemos no Campo de Kurukṣetra, onde a batalha entre o bem e o mal acontece a todo momento. Arjuna mostrou-nos que, se quisermos vencer esta grande batalha interna, temos de nos armar com o conhecimento transcendental da Bhagavad-gītā, o qual não foi destinado apenas ao guerreiro. Na realidade, tais instruções sublimes não se aplicam apenas àquele momento ou lugar específico, mas servem para todos os tipos de pessoas, em todas as épocas e lugares. Isso significa que, ainda hoje, se uma pessoa for inteligente o bastante para compreender a Bhagavad-gītā do mesmo modo que Arjuna o compreendeu, ela será tão beneficiada como Arjuna, o qual estava na presença pessoal de Kṛṣṇa. Faz parte do conhecimento transcendental compreender que, uma vez que Kṛṣṇa é absoluto, não existe diferença entre Ele e Suas instruções. Materialmente falando, a associação entre uma pessoa e outra depende do contato pessoal físico, mas na plataforma espiritual a situação é diferente. Na verdade, Kṛṣṇa transmitiu estes ensinamentos sublimes, os quais foram registrados pelo grande sábio Vyāsadeva, para que sempre tenhamos a oportunidade de estar recebendo instruções de Kṛṣṇa mesmo que Ele esteja fora de nossa visão material. Por si sós, nossos sentidos materiais limitados nunca nos darão acesso à compreensão do Senhor ilimitado. Entretanto, justamente por ser ilimitado, o Senhor Kṛṣṇa pode Se revelar mesmo àqueles que possuem sentidos limitados, pois, caso Ele não pudesse, Ele também seria limitado como um de nós. Kṛṣṇa possui poderes inconcebíveis. Desse modo, sendo uma das Suas energias, a energia material pode ser espiritualizada pelo Seu desejo transcendental. Desse modo, a representação de uma escritura como a Bhagavad-gītā é Sua representação sonora autêntica e é especialmente destinada à percepção sensorial que possuímos neste momento. www.chandramukhaswuami.com.br. Abraço. Davi

 


terça-feira, 4 de agosto de 2020

O RETO CUMPRIMENTO DA AÇÃO

Bhagavad Gita. A Mensagem do Mestre. Capítulo III. Karma Yoga – O RETO CUMPRIMENTO DA AÇÃO. Tudo o que o homem faz com motivos pessoais é sem valor para o Eterno.  Para atingirmos a salvação e a união com Deus, havemos de agir sem motivos egoístas, sem tomar em consideração o nosso próprio Eu pessoal. Entregando-nos à vontade divina como um instrumento na mão de Deus e, assim, cumprindo o nosso dever por ser dever, sem pedir recompensas.

 

 

Falou Arjuna, 1. O príncipe Pandava, a Krishna, o Senhor Bem-aventurado, dizendo: Ó Conferidor do saber! Disseste-me que o conhecimento é até mais importante do que a ação. Se assim é, por que me incitas à ação? Por que queres que eu entre nesta horrível batalha com meus parentes e amigos? 2. Tuas ambíguas palavras me trazem dúvidas e me confundem o entendimento. Dize-me, peço-te, em frases claras e certas, qual é o caminho que me conduzirá à paz e à satisfação? 3. Respondeu Krishna, o Divino: Como já te disse, ó nobre príncipe, há dois caminhos que vão à perfeição. O primeiro é o caminho do conhecimento (1), e o segundo o da ação (2). Uns preferem o primeiro, e outros, o segundo desses dois caminhos. Sabe, porém, que considerados do alto, ambos são um só caminho. Escuta! 4. Engana-se quem pensa que, esquivando-se das ações e persistindo na inatividade, escapa dos resultados da ação. Quem nada começa, não pode entrar no estado da paz eterna, a inatividade não conduz à perfeição. E, na realidade, nem há coisas que se possam designar pela palavra inatividade. Pois tudo, no Universo, está em atividade constante, e anda pode subtrair-se à Lei geral. 5. Ninguém pode ficar inativo nem um instante, pois as leis de sua natureza o impelem constantemente a fazer alguma coisa, queira ele ou não. O seu corpo ou a sua mente, ou ambos, sempre estão ocupados. 6. Se alguém se assenta para reter e dominar os seus sentidos e os órgãos de atividade, mas em sua mente, está apegado aos objetos dos sentidos. Ilude-se e merece o nome de hipócrita. 7. Porém, é digno de ser chamado sábio e nobre aquele que sujeitou os seus sentidos a Deus, pelo amor ardente ao Altíssimo. E expressa o seu reto pensar em reta ação, ele cumpre o seu dever, sem esperar recompensas e, ocupando-se de objetos dos sentidos, não se deixa dominar por eles. 8. Faze bem o que te compete fazer no mundo. Cumpre bem as tuas tarefas, ocupa-te da obra que encontras, para fazê-la o melhor possível. Assim será muito bom para ti. Atividade é melhor do que ociosidade. A atividade fortalece a mente e o corpo, e conduz a uma vida longa e normal. A ociosidade, enfraquece tanto o corpo como a mente e conduz a uma vida impotente e anormal, de duração incerta. 9. Os homens estão aferrados a este mundo, porque agem com o fim de obter recompensa e ganho. Estão apegados aos objetos de seus desejos, e, por isso, cansam-se na escravidão dos sentidos. Para se libertarem, hão de agir com resignação, movidos pelo puro amor ao Bem. Faze, pois, ó Arjuna! a tua tarefa, para cumprires o dever que o Eu Real te impõe, e não por qualquer outro motivo. 10. Lembras-te das doutrinas antigas que narram a criação do mundo, e as palavras que o Criador disse aos homens que tinha criado! Ouve as repetirei: Pela adoração e pelo sacrifício mútuo, crescerei e vos multiplicareis. Pela resignação, obtereis a satisfação dos vossos desejos. 11. Lembrai-vos da Fonte de todas as coisas, do distribuidor dos objetos desejados. Pensai no que é Divino, para que o Divino pense em vós. 12. Se nutrirdes, com o sacrifício de vós mesmos, os deuses, eles vos darão o desejado alimento espiritual. Quem recebe os dons dos deuses e não lhes mostra a gratidão, é como um ladrão. 13. Os bons homens que retêm para si só aquilo que resta depois de terem oferecido à Divindade tudo o que é divino, são livres de todos os pecados. Porém, os maus que querem agir só para si mesmos, vivem em pecado. 14. Todas as criaturas – tanto as espirituais como materiais – vivem, enquanto se alimentam. O alimento cresce com a chuva. A chuva é mandada pelos deuses em resposta aos desejos, às preces e às súplicas dos homens. Os desejos, as preces e as súplicas dos homens são formas de ações. As ações procedem da Vida Uma que tudo penetra. 15. Sabe que toda ação tem sua origem em Brahma. Brahma é a revelação da indivisível Unidade. Por isso, Brahma, que tudo penetra é sempre presente nas tuas ações. 16. É vã e vergonhosa a vida do homem que, vivendo neste mundo de ação, tenta abster-se da ação. Quem, gozando o fruto da ação do mundo ativo, não coopera, mas vive em ociosidade. Aquele que, aproveitando a volta da roda, em cada instante de sua vida, não quer pôr a mão à roda para ajudar a movê-la, é um parasita e um ladrão que toma, sem dar coisa alguma em troca. 17. Sábio é, porém, aquele que cumpre bem os seus deveres e executa as obras que são para fazer-se no mundo, renunciando a seus frutos e concentrado na ciência do Eu Real. 18. Tal homem, elevado acima dos mundos, não se inquieta por saber se alguma coisa no mundo acontece ou não acontece. Achando em si mesmo tudo de que precisa, não tem necessidade de refugiar-se em nenhum ser criado, para nele achar apoio. Participando de tudo e agindo, em tudo, de acordo com os ditames do dever, de nada depende, porque a sua fé, esperança e ciência se fixam no imperecível, que é o único apoio seguro. 19. Faze, pois, o que deve ser feito. Porém, sem egoísmo e sem considerações pessoais. Quem age assim e cumpre o seu dever, livre de motivos egoístas e sem depender de alguém, caminha, com passos firmes, diretamente à Consciência Superior, ao plano espiritual. 20. Janaka e muitos outros atingiram o estado de perfeição por meio de boas obras e reta ação. Trabalha, pois, também tu por amor à humanidade. 21. Quando um nobre homem faz alguma coisa, os outros o imitam. O exemplo que ele dá é seguido pelo povo. Segue, portanto, os melhores de tua raça. 22. Toma-me por exemplo, ó príncipe. Nada há, no Universo dos Universos, que eu deseje ou que seja necessário que para mim não se faça. Nem há coisa alguma atingível que eu não tenha já atingido. E, contudo, estou em constante ação e movimento, agindo sempre e incessantemente. 23. Os homens, ó Arjuna, seguem sempre o meu exemplo. Por isso, se eu deixasse de ser ativo, estes Universos cairiam em ruína. 24. Se eu não agisse, começaria a reinar uma confusão universal, e a minha inatividade seria a causa da destruição do gênero humano. 25. Como os que carecem ainda da Luz Espiritual fazem esforços para alcançar o que desejam, sendo a esperança de recompensa o estímulo de suas ações. Assim deve o homem desenvolvido e iluminado agir abnegadamente pela causa do bem comum e conforme a Lei Universal. 26. Mas não deves confundir, com estas ideias, as cabeças dos homens inexperientes, cujo coração ainda está apegado às obras. Deixa-os fazer o melhor que podem. Mas tu e os outros sábios devem agir em harmonia comigo, animando os outros à atividade e dando-lhes o exemplo. 27. Toda a atividade e todas as ações provêm dos movimentos das forças da Natureza. O insensato, que é iludido pela presunção e vaidade, pensa que ele é o ator e diz: Eu faço isto, eu fiz aquilo. 28. Mas quem conhece a verdade, sorri, porque detrás da personalidade, enxerga a fonte real da ação, a causa e o efeito. 29. Entretanto, os que conhecem a verdade inteira, devem acautelar-se para não ofuscarem com ela o fraco entendimento daqueles que ainda não estão preparados para conhece-la, porque as doutrinas prematuras poderiam confundir e desviar estes da sua atividade. 30. Tu, porém, ó Arjuna, Liberta-te de todos os cuidados, de todo medo e, igualmente, do egoísmo e das esperanças pessoais. Em meu nome (3), faze tudo o que hás de fazer, concentrando todos os teus pensamentos no Altíssimo! 31. Os homens que, cheios da fé e confiança, seguirem estes meus ensinos e não tiverem dúvidas, alcançarão a liberdade também pelas obras e ações. 32. Porém, aqueles que rejeitam os ensinos da Verdade e agem contra eles, são insensatos e iludidos. Caem em confusão e inquietações. 33. Cada ser age em conformidade com a sua natureza. Também o sábio procura o que se harmoniza com a sua própria natureza, de acordo com aquilo que é o mais alto no seu caráter. 34. Ninguém pode escapar às leis naturais. Os objetos sensuais são os senhores dos sentidos e atraem ou repelem o coração dos homens, enchendo-o de afeição ou de aversão. Não te deixes dominar por nenhuma destas duas forças, porque ambas são obstáculos no caminho e o sábio as subjuga ambas. 35. Finalmente, lembra-te que é melhor cumprir a própria tarefa, ainda que seja humilde e insignificante, do que querer fazer a tarefa de um outro, por mais nobre e excelente que seja. É melhor morrer no cumprimento do seu dever, do que viver negligenciando –o e querendo fazer o que a outros compete fazer. 36. Pergunta Arjuna: Mas dize-me, ó Senhor, que força misteriosa é essa que, muitas vezes, parece obrigar o homem a praticar um mal, até contra a própria vontade? 37. Explica Krishna: Esta tentação, ó príncipe, é a essência dos desejos que o homem em si acumulou (4). Ela é o seu maior inimigo, e chama-se Paixão. Nasce da natureza carnal, cheia de pecado e de erro e ataca o homem para o consumir. 38. Como a fumaça envolve a chama, a ferrugem o metal, o útero a criança para nascer. Assim o mundo é envolvido por este inimigo, chamado desejo. 39. O desejo impede o verdadeiro saber. Ele é como um fogo devorador, difícil de extinguir-se. 40. Os sentidos e a mente são a sua sede, e, por meio deles, confunde o discernimento e obscurece o conhecimento da verdade. 41. Antes de tudo, deves, portanto, vencer esse inimigo de tua alma. Domina os teus sentidos e os seus órgãos e afugenta de ti esse gerador do mal. 42. Os sentidos são grandes e poderosos. Porém, maior e mais poderosa é a mente. Maior do que está é a razão, e o mais forte é o Eu Real, a Luz da Divindade (5). 43. Reconhecendo, pois, o Eu Real como o Senhor mais poderoso, domina pelo seu poder o eu pessoal. E assim subjuga o monstro de desejo, esta tarefa é difícil, mas não impossível. Combate o desejo, domina-o pela força da Luz Divina do Eu Real, não o deixes ser teu Senhor, mas reduze-o a ser teu escravo! Livro Bhagavad Gita – A Mensagem do Mestre. Abraço. Davi

 

 

Referência: 1. Sankhya. 2. Yoga. 3. Isto é, em nome de Deus, Krishna é a encarnação Divina. 4. Em sânscrito, dá-se-lhe o nome de Kama (não confundir com carma). 5. Os sentidos, que são a sede do desejo, designam-se em sânscrito pelo termo Kama. A mente chama-se Manas. A Razão iluminada chama-se Budhi. A consciência da Divindade chama-se Atma. Bhagavad Gita – A Mensagem do Mestre. Abraço. Davi

 


segunda-feira, 3 de agosto de 2020

OS ANALECTOS - LIVRO XV

Confucionismo. www.https//rt.br. OS ANALECTOS – LIVRO XV. 1. O duque Ling de Wei perguntou a Confúcio sobre táticas militares. Confúcio respondeu: “De fato, já ouvir falar sobre o uso de embarcações sacrificiais, mas nunca estudei a questão do comando de tropas”. No dia seguinte, foi embora do reino. 2. Em Ch’en, quando as provisões acabaram, os seguidores [162] tinham se tornado tão fracos que nenhum deles conseguia pôr-se em pé. Tzu-lu, com indignação pintada em todo o rosto, disse: “É possível que haja momentos em que até mesmo os cavalheiros são levados a circunstâncias tão extremas?”. O Mestre disse: “Não causa nenhuma surpresa ao cavalheiro encontrar-se em circunstâncias extremas. O homem vulgar, ao encontrar-se em circunstâncias extremas, jogaria para cima qualquer escrúpulo.” 3. O Mestre disse: “Ssu, você acha que eu sou o tipo de homem que aprende muitas coisas e que depois armazena na mente cada uma dessas coisas que aprendeu?”. “Sim, acho. Não é assim?” “Não. Tenho apenas um único fio que liga todas elas.” [163] 4. O Mestre disse: “Yu, raros são aqueles que compreendem a virtude”. 5. O Mestre disse: “Se houve um governante que conseguia impor a ordem sem ter de tomar nenhuma ação, foi, talvez, Shun. Tudo o que ele precisava fazer era mostrar-se em uma postura respeitosa e olhar na direção do sul”. [164] 6. Tzu-chang perguntou sobre o progresso. O Mestre disse: “Se você tem consciência das próprias palavras e é coerente com elas, e se é determinado e reverente ao agir, então até mesmo nas terras dos bárbaros você progredirá. Mas, se falhar em ser consciencioso e coerente em relação a suas palavras ou determinado e reverente ao agir, então, mesmo na sua aldeia, como conseguiria progredir? Onde você estiver, tenha esse ideal à frente, inscreva-o na canga da sua carruagem. Apenas então você com certeza progredirá”. Tzu-chang tomou nota disso no seu cinturão. 7. O Mestre disse: “Quão correto é Shih Yü! Quando o Caminho prevalece no reino, ele é reto como uma flecha e, no entanto, quando o Caminho cai em desuso no reino, ainda assim ele tem a retidão de uma flecha. “Quão cavalheiro Ch’ü Po-yü é! Quando o Caminho prevalece no reino, ele exercita seus talentos em um cargo oficial, mas quando o Caminho cai em desuso no reino, ele deixa que o enrolem e que o guardem em algum lugar seguro”. [165] 8. O Mestre disse: “Não falar com um homem que pode se beneficiar com isso é desperdiçar o homem. Falar com um homem que é incapaz de se beneficiar com isso é desperdiçar as palavras. Um homem sábio não desperdiça nem homens nem palavras”. 9. O Mestre disse: “Em se tratando de cavalheiros determinados e homens de benevolência, ao mesmo tempo em que é inconcebível que busquem permanecer vivos sacrificando a benevolência, pode acontecer que tenham de aceitar a morte para conseguir realizar a benevolência”. 10. Tzu-kung perguntou sobre a prática da benevolência. O Mestre disse: “Um artesão que deseja praticar bem sua habilidade deve primeiro afiar seus instrumentos. Você deveria, portanto, buscar a proteção do mais distinto ministro e fazer amizade com o mais benevolente cavalheiro, esteja no reino onde estiver”. 11. Yen Yüan perguntou sobre como governar um reino. O Mestre disse: “Siga o calendário Hsia, ande em uma carruagem dos Yin e use um barrete cerimonial dos Chou, mas, quanto à música, adote o shao e o wu. [166] Bane as melodias de Cheng e mantenha homens de fala persuasiva à distância. As melodias de Cheng são insolentes, e homens de fala persuasiva são perigosos”. 12. O Mestre disse: “Aquele que não pensa em dificuldades futuras com certeza será assaltado por preocupações muito mais próximas”. 13. O Mestre disse: “Acho que devo abrir mão da esperança. Ainda estou para conhecer o homem que tenha tanta afeição pela virtude quanto pela beleza feminina”. 14. O Mestre disse: “Tsang Wen-chung não ocupou um cargo a que não tem direito? Ele sabia que Liu Hsia Hui era mais qualificado, mas mesmo assim não cedeu a ele sua posição”. [167] 15. O Mestre disse: “Uma pessoa que exige muito de si mesma e pouco dos outros ficará a salvo de críticas”. 16. O Mestre disse: “Não há nada que se fazer com um homem que está constantemente perguntando ‘O que devo fazer? O que devo fazer?’”. 17. O Mestre disse: “Trata-se de um feito bastante memorável que um grupo de homens passe o dia inteiro juntos apenas divertindo-se com mostras vãs de esperteza sem jamais tocar, durante a conversa, no assunto da moralidade!”. 18. O Mestre disse: “O cavalheiro tem a moralidade como matéria-prima e, ao observar os ritos, coloca-a em prática, ao ser modesto dá-lhe expressão e, ao ser fiel às próprias palavras, a completa. Assim é um cavalheiro, de fato!”. 19. O Mestre disse: “O cavalheiro se ressente por sua própria falta de habilidade, não pela inabilidade dos outros de o admirarem”. [168] 20. O Mestre disse: “O cavalheiro detesta não deixar um nome atrás de si quando vai embora”. 21. O Mestre disse: “Aquilo que um cavalheiro procura, ele procura dentro de si próprio; aquilo que um homem vulgar procura, ele procura nos outros”. 22. O Mestre disse: “O cavalheiro tem consciência de sua própria superioridade sem ser agressivo e junta-se a outros cavalheiros sem ser sectário”. 23. O Mestre disse: “Um cavalheiro não recomenda um homem por causa daquilo que este diz, tampouco despreza o que é dito por conta da pessoa que o fala”. 24. O Mestre disse: “Tzu-kung perguntou: existe uma palavra que possa ser um guia de conduta durante toda a vida de alguém?”. O Mestre disse: “Talvez, a palavra shu. [169] Não imponha aos outros aquilo que você não deseja para si próprio”. 25. O Mestre disse: “Quem eu alguma vez elogiei ou condenei? Se elogiei alguém, podem ter certeza de que ele tinha sido testado. Essas pessoas comuns são a pedra de toque por meio da qual as Três Dinastias foram mantidas no caminho certo”. 26. O Mestre disse: “Sou velho o suficiente para ter visto escribas a quem faltava refinamento. Aqueles que possuíam cavalos permitiam que outros os conduzissem. [170] Hoje em dia não há mais, suponho, tais casos”. 27. O Mestre disse: “A fala ardilosa arruína a virtude de uma pessoa; a falta de autocontrole em pequenas questões arruína grandes planos”. 28. O Mestre disse: “Aja com cuidado em relação a um homem que é odiado por todos. Aja com cuidado em relação a um homem que é amado por todos”. [171] 29. O Mestre disse: “O homem é capaz de ampliar o Caminho. O caminho não é capaz de ampliar o homem”. 30. O Mestre disse: “Não emendar a si próprio quando se errou é errar, de fato”. 31. O Mestre disse: “Uma vez passei todo o dia pensando, sem comer nada, e toda a noite pensando sem ir para a cama, mas descobri que nada ganhei com isso. Teria sido melhor gastar o tempo estudando”. 32. O Mestre disse: “O cavalheiro se dedica a atingir o Caminho e não a garantir comida. Vá e cultive a terra e você terminará tendo fome, é claro; estude e você terminará com um salário de oficial, é claro. O cavalheiro preocupa-se com o Caminho, não com a pobreza”. 33. O Mestre disse: “Aquilo que está ao alcance do conhecimento de um homem mas não pode ser mantido por sua benevolência é algo que ele acabará perdendo. Um homem pode ser sábio o suficiente para atingi-lo e benevolente o suficiente para mantê-lo, mas se ele não governar com dignidade, então oo povo não o respeitará. Um homem pode ser sábio o suficiente para atingi-lo, benevolente o suficiente para mantê-lo e pode governar o povo com dignidade, mas se ele não colocá-lo para trabalhar de acordo com os ritos, não terá atingido a perfeição”. [172] 34. O Mestre disse: “O cavalheiro não pode ser apreciado por pequenas coisas, mas é competente em grandes questões. Um homem vulgar não é competente em grandes questões, mas pode ser apreciado por pequenas coisas”. 35. O Mestre disse: “A benevolência é mais vital ao povo do que o fogo e a água. No caso do fogo e da água, já vi homens morrerem ao se entregarem a eles, mas nunca vi nenhum homem morrer ao se entregar à benevolência”. 36. O Mestre disse: “Quando diante de uma oportunidade de praticar a benevolência, não ceda a vez nem mesmo ao seu professor”. 37. O Mestre disse: “O cavalheiro é devotado aos seus princípios, mas não é inflexível em pequenas questões”. 38. O Mestre disse: “Ao servir o senhor, deve-se cumprir os deveres com reverência e considerar o pagamento como algo de importância secundária”. 39. O Mestre disse: “Em educação, não há distinção de pessoa para pessoa”. 40. O Mestre disse: “Não há sentido em duas pessoas que tomam caminhos diferentes se aconselharem uma com a outra”. 41. O Mestre disse: “É suficiente que as palavras utilizadas por alguém comuniquem o seu sentido”. 42. Mien, o mestre de música, [173] fez uma visita. Quando ele chegou aos degraus, o Mestre disse: “O senhor chegou aos degraus”, e quando ele chegou até o tapete, o Mestre disse: “O senhor chegou ao tapete”. Quando todos se sentaram, o Mestre disse a ele: “Este é Fulano de Tal e aquele ali é Fulano de Tal”. Depois que o mestre de música foi embora, Tzu-chang perguntou: “É esta a maneira de falar com um músico?”. O Mestre disse: “Sim. Esta é a maneira de guiar um músico”.


domingo, 2 de agosto de 2020

O PECADO DA IDOLATRIA


Islamismo. www.ligaislamica.org.br. Texto do Sheikh Muhamad Al Kubai. O PECADO DA IDOLATRIA. Graças a Deus, o Senhor dos mundos! Testemunho que não há outra divindade além de Allah e testemunho que Muhammad é seu Servo e mensageiro. Irmãos e irmãs crentes, talvez muitos de vocês estranhem o titulo do sermão de hoje. Em um primeiro momento pode parecer contraditório, pois como pode ser possível que um crente, que se declara como tal, para fugir da idolatria pode, ainda assim, continuar cometendo um pecado tão abominável? Na verdade irmãos e irmãs, esse título é inspirado nas palavras do Altíssimo expressadas no versículo 106, na surata 12, cujo significado é: “E sua maioria (os crentes), na verdade, não crê em Allah sem atribuir-lhe parceiros”. (Alcorão Sagrado). Em outro versículo: “Os crentes que não macularem a sua fé com injustiças obterão a segurança e serão iluminados.” (Alcorão, 6:82) Irmãos e irmãs na fé, a questão da idolatria é mais grave e sutil do que o ser humano possa imaginar. Para se entender esta gravidade, basta sabermos que a idolatria e o único pecado imperdoável aos olhos de Deus, o Onividente, e está bem claro nas sagradas escrituras do Alcorão Sagrado: “Allah jamais perdoará a quem lhe atribuir parceiros; porém, fora isso, perdoa a quem Lhe convém”. (Surata 4:48) O Profeta Muhammad (SAAS) nos advertiu em relação à idolatria e à associação de qualquer entidade a Deus, pois é algo que se infiltra sorrateiramente em nossos corações e nos alerta em seu hadice dirigido a todas as pessoas, cujo significado é: “cuidado com a idolatria que é imperceptível como o andar de uma formiga”. Perguntaram as pessoas: “Como podemos nos resguardar?”. E o nobre Profeta respondeu: “Digam: ‘Amparamo-nos no Criador para que não caiamos no pecado da idolatria e, por meio de nossas ações, pedimos seu perdão caso o façamos sem a intenção e sem percebê-lo”’. A fé possui vários graus e, da mesma, forma ocorre com a idolatria. Há graus de idolatria que impedem por completo a entrada de uma alma no Paraíso. Disse o Altíssimo no versículo 72, da surata 5: “Quem atribuir parceiros a Allah será impedido de entrar no Paraíso”. (Alcorão Sagrado). Há também tipos de idolatria que aniquilam tudo o que a pessoa pode ter feito de bom. Disse o Criador: “Já te foi revelado, assim como aos teus antepassados: se idolatrares (a outro que não a Allah), suas boas obras perderão os seus efeito e valores e vocês passarão a integrar a lista dos desventurados (os que perderam a graça de Allah)”. (Alcorão, 65:39) A maioria das pessoas imagina que a idolatria significa somente o suplício diante de uma estátua ou um entalhe na pedra em vez de Deus. Certamente que isso é um tipo de idolatria, mas a visível é óbvia. Mas o que dizer em relação à idolatria invisível que se esgueira em nosso coração sem que tenhamos consciência de sua presença e que ameaça as bases de nossa crença? É obrigação de todo muçulmano e de toda muçulmana a purificação do coração, varrendo para fora todas as formas de idolatria. O temor de cair na idolatria é o que leva o crente a se elevar em sua fé fazendo com que atinja a plenitude de sua religião ao compreender por completo os conceitos de unicidade e completa lealdade a Deus. Por essa razão repetimos a mesma súplica em todas as nossas orações para que sejamos ajudados a não cair em nenhum tipo de idolatria, consciente ou inconscientemente, visível ou invisível. Ao observarmos os tipos de doenças existentes percebemos que as que se desenvolvem sem apresentar sintomas são as mais perigosas e, em sua maior parte, são percebidas somente quando não há mais possibilidade de cura, pois a moléstia já se apossou de todo o organismo. Dirigimo-nos a Deus em nossas orações, iniciando nossas súplicas com as seguintes palavras: “Eu, monoteísta e submisso a Deus, dirijo minha face ao Senhor que a tudo criou nos Céus e na Terra e neles inseriu a sua ordem, afirmo que não faço parte dos idólatras e politeístas”. Essa declaração pressupõe firmemente que somos inocentes do crime de estarmos associando qualquer coisa a Deus. A idolatria não é somente a ideia que temos de associação de outros deuses ao Deus Único – Allah – o conceito de idolatria abrange muito mais que isso. Se, em cada oração fazemos a súplica para que não caiamos na idolatria, mesmo que sejamos monoteístas declarados, significa que há outros tipos sutis de idolatria na qual podemos cair sem percebermos ou termos consciência a qualquer momento. Irmãos e irmãs, os sábios mencionam vários tipos sutis de idolatria que podem se infiltrar no coração do crente a qualquer momento do dia e temos que nos manter alertas, pois alguns desses tipos de idolatria podem ocorrer durante uma súplica, uma intenção ou objetivo, por meio de uma submissão, medo ou amor a algo, alguém ou a uma situação. As situações anteriormente mencionadas nos desviam do caminho em que Deus é o nosso único procurador e socorredor. A súplica é um tipo de adoração a Deus, O Altíssimo e, por essa razão, não devemos nos dirigir a nada e a ninguém para que interceda por nós. Podemos nos refugiar em Deus e devemos somente nos submeter Ele. O nobre Profeta Muhammad (SAAS) disse para um de seus companheiros: “Maadh, dirija seus pedidos somente para Deus e somente a Ele peça para que o guie quando precisar de orientação”. Se o servo de Deus orar, jejuar ou peregrinar a Meca em busca de prestígio, fama ou de outro objetivo que não seja a aproximação de Deus, está cometendo a idolatria por meio da intenção e do objetivo. Se alguém der a orientação sobre o que é lícito ou ilícito sem se basear no Sagrado Alcorão, na Sunnah e na Jurisprudência Islâmica, para si ou para outros, estará cometendo SHIRK (IDOLATRIA). A submissão é uma das formas de adoração a Deus e só a Ele devemos ter tal atitude. Ao repetir as seguintes palavras de Deus contidas no versículo 31, da surata 9, cujo significado é: “Tomaram por senhores seus rabinos e seus monges, em vez de Allah”, o Profeta (SAAS) explicou que eles não passaram a idolatrar os rabinos e os monges, mas, sim, a aceitar o que eles ditavam como pecado, apesar de ter sido liberado por Deus; e o que era ilícito para Deus, como permitido. Essas pessoas cometeram o pecado da idolatria (shirk) e podemos concluir que, se assim nos comportarmos, de forma que não atenda às ordens de Deus, estaremos colocando sócios para Ele. Revejam seus conceitos segundo os critérios islâmicos no que se refere à família, à participação da mulher nas decisões em todos os âmbitos da sociedade, à busca de conhecimento, à dignidade da nação islâmica. Deus, o Altíssimo, disse no versículo 165, da surata 2: “Entre os humanos, há aqueles que adotam, em vez de Allah, rivais (a Ele), aos quais professam igual amor a Ele; mas os crentes só amam fervorosamente a Allah”. (Alcorão Sagrado). Assim, vemos que Deus nos proibiu de amar a qualquer pessoa ou coisa com a mesma intensidade que amamos a Ele. O amor a Deus deve superar o amor que sentimos por tudo e até mesmo o amor que sentimos por nossa existência. O não cumprimento dessa proibição também é um tipo de idolatria! Quanto ao medo, trata-se de um dos meios que nos levam à idolatria, pois acabamos temendo às pessoas e às situações do dia a dia, superando nosso temor a Deus. Disse o Altíssimo: “Temei a mim, se sois crentes”. (Alcorão Sagrado, 3:175). Não há como uma pessoa realmente ser crente, repetindo mais de cinquenta vezes, as palavras “ALLAHU AKBAR” (Deus é o maior) em suas orações e, no seu íntimo, temer às pessoas ou às circunstâncias do mundo. No que se refere ao depósito de nossa confiança, Deus nos diz: “Confiai em Allah, se sois crentes”. (Alcorão, 5:23) Jamais seremos crentes se depositarmos nossa confiança em qualquer ser ou entidade que não Allah; ao depositarmos nossa confiança em nossa inteligência, esforço físico, negócios, profissão, conta bancária (dinheiro) etc., estamos negligenciando o Todo Poderoso que é o nosso Único Procurador. De nada nos serve tudo o que foi citado anteriormente sem que Deus abençoe e permita que ajam em nosso benefício. Caso assim procedermos, cometeremos shirk (um tipo de idolatria ) pois tudo só se concretiza com a permissão de Deus, o Criador de tudo. Peçamos a Deus para que respeitemos a unicidade e para que sejamos leais tão-somente a Ele, o Altíssimo, e para que compreendamos o versículo 19, da surata 47, cujo significado é: “Conscientiza-te, portanto, que não há mais divindade além de Allah”. Prestemos atenção: Deus não disse "diga", mas, sim, "conscientiza-te”; é uma ordem e uma advertência ao mesmo tempo. Que a misericórdia de Deus nos acompanhe sempre nos protegendo dos sussurros que nos descaminham, sejam eles dos humanos ou dos jinns (gênios). Sheikh Mohamad Al Bukai
11/11/2011. www.ligaislamica.org.br. Abraço. Davi

sexta-feira, 31 de julho de 2020

DEUS


Espiritismo. www.febnet.org.br. Livro A Gênese – Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo. Texto de Allan Kardec (1804-1869). Capítulo II. DEUS • Existência de Deus • Da natureza divina • A Providência • A visão de Deus. Existência de Deus. 1. Sendo Deus a causa primária de todas as coisas, a origem de tudo o que existe, a base sobre que repousa o edifício da Criação, é também o ponto que importa consideremos antes de tudo. 2. Constitui princípio elementar que pelos seus efeitos é que se julga de uma causa, mesmo quando ela se conserve oculta. Se, fendendo os ares, um pássaro é atingido por mortífero grão de chumbo, deduz-se que hábil atirador o alvejou, ainda que este último não seja visto. Nem sempre, pois, se faz necessário vejamos uma coisa, para sabermos que ela existe. Em tudo, observando os efeitos é que se chega ao conhecimento das causas. 3. Outro princípio igualmente elementar e que, de tão verdadeiro, passou a axioma é o de que todo efeito inteligente tem que decorrer de uma causa inteligente. Se perguntassem qual o construtor de certo mecanismo engenhoso, que pensaríamos de quem respondesse que ele se fez a si mesmo? Quando se contempla uma obra-prima da arte ou da indústria, diz que há de tê-la produzido um homem de gênio, porque só uma alta inteligência poderia concebê-la. Reconhece-se, no entanto, que ela é obra de um homem, por se verificar que não está acima da capacidade humana; mas a ninguém acudirá a ideia de dizer que saiu do cérebro de um idiota ou de um ignorante, nem, ainda menos, que é trabalho de um animal, ou produto do acaso. 4. Em toda parte se reconhece a presença do homem pelas suas obras. A existência dos homens antediluvianos não se provaria unicamente por meio dos fósseis humanos: provou-a também, e com muita certeza, a presença, nos terrenos daquela época, de objetos trabalhados pelos homens. Um fragmento de vaso, uma pedra talhada, uma arma, um tijolo bastarão para lhe atestar a presença. Pela grosseria ou perfeição do trabalho, reconhecer-se-á o grau de inteligência ou de adiantamento dos que o executaram. Se, pois, achando-vos numa região habitada exclusivamente por selvagens, descobrirdes uma estátua digna de Fídias, não hesitareis em dizer que, sendo incapazes de tê-la feito os selvagens, ela é obra de uma inteligência superior à destes. 5. Pois bem! lançando o olhar em torno de si, sobre as obras da natureza, notando a providência, a sabedoria, a harmonia que presidem a essas obras, reconhece o observador não haver nenhuma que não ultrapasse os limites da mais portentosa inteligência humana. Ora, desde que o homem não as pode produzir, é que elas são produto de uma inteligência superior à humanidade, a menos se sustente que há efeitos sem causa. 6. A isto opõem alguns o seguinte raciocínio: As obras ditas da natureza são produzidas por forças materiais que atuam mecanicamente, em virtude das leis de atração e repulsão; as moléculas dos corpos inertes se agregam e desagregam sob o império dessas leis. As plantas nascem, brotam, crescem e se multiplicam sempre da mesma maneira, cada uma na sua espécie, por efeito daquelas mesmas leis; cada indivíduo se assemelha ao de quem ele proveio; o crescimento, a floração, a frutificação, a coloração se acham subordinados a causas materiais, tais como o calor, a eletricidade, a luz, a umidade etc. O mesmo se dá com os animais. Os astros se formam pela atração molecular e se movem perpetuamente em suas órbitas por efeito da gravitação. Essa regularidade mecânica no emprego das forças naturais não acusa a ação de qualquer inteligência livre. O homem movimenta o braço quando quer e como quer; aquele, porém, que o movimentasse no mesmo sentido, desde o nascimento até a morte, seria um autômato. Ora, as forças orgânicas da natureza são puramente automáticas. Tudo isso é verdade, mas essas forças são efeitos que hão de ter uma causa e ninguém pretende que elas constituam a Divindade. Elas são forças materiais e mecânicas; não são por si mesmas inteligentes, o que também é verdade; mas são postas em ação, distribuídas, apropriadas às necessidades de cada coisa por uma inteligência que não é a dos homens. A aplicação útil dessas forças é um efeito inteligente que denota uma causa inteligente. Um pêndulo se move com automática regularidade e é nessa regularidade que lhe está o mérito. É toda material a força que o faz mover-se e nada tem de inteligente. Mas que seria esse pêndulo se uma inteligência não houvesse combinado, calculado, distribuído o emprego daquela força, para fazê-lo andar com precisão? Do fato de não estar a inteligência no mecanismo do pêndulo e do fato de que ninguém vê, seria racional deduzir-se que ela não existe? Julgamos  pelos seus efeitos. A existência do relógio atesta a existência do relojoeiro; a engenhosidade do mecanismo lhe atesta a inteligência e o saber. Quando um relógio vos indica a hora que desejais saber, quem se lembrará de dizer: aí está um relógio bem inteligente? Outro tanto ocorre com o mecanismo do universo: Deus não se mostra, mas se revela pelas suas obras. 7. A existência de Deus é, pois, uma realidade comprovada não só pela revelação, como pela evidência material dos fatos. Os povos selvagens nenhuma revelação tiveram; entretanto, creem instintivamente na existência de um poder sobre-humano. Eles veem coisas que estão acima das possibilidades do homem e deduzem que essas coisas provêm de um ente superior à humanidade. Não demonstram raciocinar com mais lógica do que os que pretendem que tais coisas se fizeram a si mesmas? Da natureza divina 8. Não é dado ao homem sondar a natureza íntima de Deus. Para compreender Deus, ainda nos falta o sentido, que só se adquire com a completa depuração do Espírito. Mas se o homem não pode penetrar a essência de Deus, pode ter como premissa a sua existência. O homem pode, então, pela razão chegar a conhecer-lhe os atributos necessários e concluir que esses atributos só podem ser divinos, deduzindo daí quem é Deus. Sem o conhecimento dos atributos de Deus, impossível seria compreender-se a obra da Criação. Esse é o ponto de partida de todas as crenças religiosas e por não se terem reportado aos atributos, como ao farol capaz de as orientar, que a maioria das religiões errou em seus dogmas. As que não atribuíram a Deus a onipotência imaginaram muitos deuses; as que não lhe atribuíram soberana bondade fizeram dele um Deus ciumento, colérico, parcial e vingativo. 9. Deus é a suprema e soberana inteligência. É limitada a inteligência do homem, pois que não pode fazer, nem compreender tudo o que existe. A de Deus, abrangendo o infinito, tem que ser infinita. Se a supuséssemos limitada num ponto qualquer, poderíamos conceber outro ser mais inteligente, capaz de compreender e fazer o que o primeiro não faria e assim por diante, até o infinito. 10. Deus é eterno, isto é, não teve começo e não terá fim. Se tivesse tido princípio, houvera saído do nada. Ora, não sendo o nada coisa alguma, coisa nenhuma pode produzir. Ou, então, teria sido criado por outro ser anterior e, nesse caso, este ser é que seria Deus. Se lhe supuséssemos um começo ou fim, poderíamos conceber uma entidade existente antes dele e capaz de lhe sobreviver, e assim por diante, ao infinito. 11. Deus é imutável. Se estivesse sujeito a mudanças, nenhuma estabilidade teriam as leis que regem o universo. 12. Deus é imaterial, isto é, a sua natureza difere de tudo o que chamamos matéria. De outro modo, não seria imutável, pois estaria sujeito às transformações da matéria. Deus carece de forma apreciável pelos nossos sentidos, sem o que seria matéria. Dizemos: a mão de Deus, o olho de Deus, a boca de Deus, porque o homem, nada mais conhecendo além de si mesmo, toma a si próprio por termo de comparação para tudo o que não compreende. São ridículas essas imagens em que Deus é representado pela figura de um ancião de longas barbas e envolto em manto. Têm o inconveniente de rebaixar o Ente supremo até as mesquinhas proporções da humanidade. Daí a lhe emprestarem as paixões humanas e a fazerem-no um Deus colérico e ciumento não vai mais que um passo. 13. Deus é onipotente. Se não possuísse o poder supremo, sempre se poderia conceber uma entidade mais poderosa e assim por diante, até chegar-se ao ser cuja potencialidade nenhum outro ultrapassasse. Esse então é que seria Deus. 14. Deus é soberanamente justo e bom. A providencial sabedoria das Leis divinas se revela nas mais pequeninas coisas, como nas maiores, não permitindo essa sabedoria que se duvide da sua justiça, nem da sua bondade. O fato de ser infinita uma qualidade, exclui a possibilidade de uma qualidade contrária, porque está a apoucaria ou anularia. Um ser infinitamente bom não poderia conter a mais insignificante parcela de malignidade, nem o ser infinitamente mau conter a mais insignificante parcela de bondade, do mesmo modo que um objeto não pode ser de um negro absoluto, com a mais ligeira nuança de branco, nem de um branco absoluto com a menor mancha preta. Deus, pois, não poderia ser simultaneamente bom e mau, porque então, não possuindo qualquer dessas duas qualidades no grau supremo, não seria Deus; todas as coisas estariam sujeitas ao seu capricho e para nenhuma haveria estabilidade. Não poderia Ele, por conseguinte, deixar de ser ou infinitamente bom ou infinitamente mau. Ora, como suas obras dão testemunho da sua sabedoria, da sua bondade e da sua solicitude, concluir-se-á que, não podendo ser ao mesmo tempo bom e mau sem deixar de ser Deus, Ele necessariamente tem de ser infinitamente bom. A soberana bondade implica a soberana justiça, porquanto, se Ele procedesse injustamente ou com parcialidade numa só circunstância que fosse, ou com relação a uma só de suas criaturas, já não seria soberanamente justo e, em consequência, já não seria soberanamente bom. 15. Deus é infinitamente perfeito. É impossível conceber-se Deus sem o infinito das perfeições, sem o que não seria Deus, pois sempre se poderia conceber um ser que possuísse o que lhe faltasse. Para que nenhum ser possa ultrapassá-lo, faz-se mister que Ele seja infinito em tudo. Sendo infinitos, os atributos de Deus não são suscetíveis nem de aumento, nem de diminuição, visto que do contrário não seriam infinitos e Deus não seria perfeito. Se lhe tirassem a qualquer dos atributos a mais mínima parcela, já não haveria Deus, pois que poderia existir um ser mais perfeito. 16. Deus é único. A unicidade de Deus é consequência do fato de serem infinitas as suas perfeições. Não poderia existir outro Deus, salvo sob a condição de ser igualmente infinito em todas as coisas, visto que, se houvesse entre eles a mais ligeira diferença, um seria inferior ao outro, subordinado ao poder desse outro e, então, não seria Deus. Se houvesse entre ambos igualdade absoluta, isso equivaleria a existir, por toda eternidade, um mesmo pensamento, uma mesma vontade, um mesmo poder. Confundidos quanto à identidade, não haveria, em realidade, mais que um único Deus. Se cada um tivesse atribuições especiais, um não faria o que o outro fizesse; mas, então, não existiria igualdade perfeita entre eles, pois que nenhum possuiria a autoridade soberana. 17. A ignorância do princípio de que são infinitas as perfeições de Deus foi que gerou o politeísmo, culto adotado por todos os povos primitivos, que davam o atributo de divindade a todo poder que lhes parecia acima dos poderes inerentes à humanidade. Mais tarde, a razão os levou a reunir essas diversas potências numa só. Depois, à proporção que os homens foram compreendendo a essência dos atributos divinos, retiraram dos símbolos, que haviam criado, a crença que implicava a negação desses atributos. 18. Em resumo, Deus não pode ser Deus, senão sob a condição de que nenhum outro o ultrapasse, porquanto o ser que o excedesse no que quer que fosse, ainda que apenas na grossura de um cabelo, é que seria o verdadeiro Deus. Para que tal não se dê, indispensável se torna que Ele seja infinito em tudo. É assim que, comprovada pelas suas obras a existência de Deus, por simples dedução lógica se chega a determinar os atributos que o caracterizam. 19. Deus é, pois, a inteligência suprema e soberana, é único, eterno, imutável, imaterial, onipotente, soberanamente justo e bom, infinito em todas as perfeições, e não pode ser diverso disso. Tal o eixo sobre que repousa o edifício universal. Esse o farol cujos raios se estendem por sobre o universo inteiro, única luz capaz de guiar o homem na procura da verdade. Orientando-se por essa luz, ele nunca se transviará. Se, portanto, o homem há errado tantas vezes, é unicamente por não ter seguido o roteiro que lhe estava indicado. Tal também o critério infalível de todas as doutrinas filosóficas e religiosas. Para apreciá-las, dispõe o homem de uma medida rigorosamente exata nos atributos de Deus e pode afirmar a si mesmo que toda teoria, todo princípio, todo dogma, toda crença, toda prática que estiver em contradição com um só que seja desses atributos, que tenda não tanto a anulá-lo, mas simplesmente a diminuí-lo, não pode estar com a verdade. Em Filosofia, em Psicologia, em Moral, em Religião, só há de verdadeiro o que não se afaste, nem um til, das qualidades essenciais da Divindade. A religião perfeita será aquela de cujos artigos de fé nenhum esteja em oposição àquelas qualidades; aquela cujos dogmas todos suportem a prova dessa verificação sem nada sofrerem. A Providência. 20. A providência é a solicitude de Deus para com as suas criaturas. Ele está em toda parte, tudo vê, a tudo preside, mesmo às menores coisas. É nisto que consiste a ação providencial. “Como pode Deus, tão grande, tão poderoso, tão superior a tudo, imiscuir-se em pormenores ínfimos, preocupar-se com os menores atos e os menores pensamentos de cada indivíduo?” Está a interrogação que a si mesmo dirige o incrédulo, concluindo por dizer que, admitida a existência de Deus, só se pode admitir, quanto à sua ação, que ela se exerça sobre as leis gerais do universo; que o universo funcione de toda a eternidade em virtude dessas leis, às quais toda criatura se acha submetida na esfera de suas atividades, sem que haja mister a intervenção incessante da ­Providência. 21. No estado de inferioridade em que ainda se encontram, só muito dificilmente podem os homens compreender que Deus seja infinito, pois, vendo-se limitados e circunscritos, eles o imaginam também circunscrito e limitado. Imaginando-o circunscrito, figuram-no quais eles são, à imagem e semelhança deles. Os quadros em que o vemos com traços humanos não contribuem pouco para entreter esse erro no espírito das massas, que nele adoram mais a forma que o pensamento. Para a maioria, é Ele um soberano poderoso, sentado num trono inacessível e perdido na imensidade dos céus. Tendo restritas suas faculdades e percepções, não compreendem que Deus possa e se digne de intervir diretamente nas pequeninas coisas. 22. Impotente para compreender a essência mesma da Divindade, o homem não pode fazer dela mais do que uma ideia aproximativa, mediante comparações necessariamente muito imperfeitas, mas que, ao menos, servem para lhe mostrar a possibilidade daquilo que, à primeira vista, lhe parece impossível. Suponhamos um fluido bastante sutil para penetrar todos os corpos. Sendo ininteligente, esse fluido atua mecanicamente, por meio tão só das forças materiais. Se, porém, o supusermos dotado de inteligência, de faculdades perceptivas e sensitivas, ele já não atuará às cegas, mas com discernimento, com vontade e liberdade: verá, ouvirá e sentirá. 23. As propriedades do fluido perispirítico podem nos dar uma ideia. Ele não é de si mesmo inteligente, pois que é matéria, mas é o veículo do pensamento, das sensações e percepções do Espírito. O fluido perispiritual não é o pensamento do Espírito; é, porém, o agente e o intermediário desse pensamento. Sendo ele que o transmite, fica, de certo modo, impregnado do pensamento transmitido, e na impossibilidade em que achamos de isolar o pensamento, a nós parece que ele faz corpo com o fluido, dando a entender que são uma coisa só, como sucede com o som e o ar, de maneira que podemos, a bem dizer, materializá-lo. Assim como dizemos que o ar se torna sonoro, poderíamos, tomando o efeito pela causa, dizer que o fluido se torna inteligente. 24. Seja ou não assim no que concerne ao pensamento de Deus, isto é, que o pensamento de Deus atue diretamente ou por intermédio de um fluido, para facilitar a nossa inteligência, figuremo-lo sob a forma concreta de um fluido inteligente que enche o universo infinito e penetra todas as partes da Criação: a natureza inteira está mergulhada no fluido divino. Ora, em virtude do princípio de que as partes de um todo são da mesma natureza e têm as mesmas propriedades que ele, cada átomo desse fluido, se assim nos podemos exprimir, possuindo o pensamento, isto é, os atributos essenciais da Divindade e estando o mesmo fluido em toda parte, tudo está submetido à sua ação inteligente, à sua previdência, à sua solicitude. Nenhum ser haverá, por mais ínfimo que o suponhamos, que não esteja saturado dele. Achamo-nos então, constantemente, em presença da
Divindade; nenhuma das nossas ações lhe podemos subtrair ao olhar; o nosso pensamento está em contato ininterrupto com o seu pensamento, havendo, pois, razão para dizer-se que Deus vê os mais profundos refolhos do nosso coração. Estamos nele, como Ele está em nós, segundo a palavra do Cristo (1 João, 4:13). Para estender a sua solicitude a todas as criaturas, não precisa Deus lançar o olhar do Alto da imensidade. As nossas preces, para que Ele as ouça, não precisam transpor o espaço, nem ser ditas com voz retumbante, pois que, estando sempre ao nosso lado, os nossos pensamentos repercutem nele. Os nossos pensamentos são como os sons de um sino, que fazem vibrar todas as moléculas do ar ambiente. 25. Longe de nós a ideia de materializar a Divindade. A imagem de um fluido inteligente universal evidentemente não passa de uma comparação apropriada a dar de Deus uma ideia mais exata do que os quadros que o apresentam debaixo de uma figura humana. Essa imagem se destina a fazer compreensível a possibilidade que tem Deus de estar em toda parte e de se ocupar com todas as coisas. 26. Temos constantemente sob as vistas um exemplo que nos permite fazer ideia do modo por que talvez se exerça a ação de Deus sobre as partes mais íntimas de todos os seres e, conseguintemente, do modo por que lhe chegam as mais sutis impressões de nossa alma. Esse exemplo tiramo-lo de certa instrução que a tal respeito deu um Espírito. 27. “O homem é um pequeno mundo, que tem como diretor o Espírito e como dirigido o corpo. Nesse universo, o corpo representará uma criação cujo Espírito seria Deus. (Compreendei bem que aqui há uma simples questão de analogia e não de identidade). Os membros desse corpo, os diferentes órgãos que o compõem, os músculos, os nervos, as articulações são outras tantas individualidades materiais, se assim se pode dizer, localizadas em pontos especiais do corpo. Se bem seja considerável o número de suas partes constitutivas, de natureza tão variada e diferente, a ninguém é lícito supor que se possam produzir movimentos, ou uma impressão em qualquer lugar, sem que o Espírito tenha consciência do que ocorra. Há sensações diversas em muitos lugares simultaneamente? O Espírito as sente todas, distingue, analisa, assinala a cada uma a causa determinante e o ponto em que se produziu, tudo por meio do fluido perispirítico. “Análogo fenômeno ocorre entre Deus e a Criação. Deus está em toda parte, na natureza, como o Espírito está em toda parte, no corpo. Todos os elementos da Criação se acham em relação constante com Ele, como todas as células do corpo humano se acham em contato imediato com o ser espiritual. Não há, pois, razão para que fenômenos da mesma ordem não se produzam de maneira idêntica, num e noutro caso. “Um membro se agita: o Espírito o sente; uma criatura pensa: Deus o sabe. Todos os membros estão em movimento, os diferentes órgãos estão a vibrar; o Espírito se ressente de todas as manifestações, as distingue e localiza. As diferentes criações, as diferentes criaturas se agitam, pensam, agem diversamente: Deus sabe o que se passa e assina a cada um o que lhe diz respeito. “Daí se pode igualmente deduzir a solidariedade da matéria e da inteligência, a solidariedade entre si de todos os seres de um mundo, a de todos os mundos e, por fim, de todas as criações com o Criador.” (Quinemant, Sociedade de Paris, 1867). 28. Compreendemos o efeito: já é muito. Do efeito remontamos à causa e julgamos da sua grandeza pela grandeza do efeito. Escapa-nos, porém, a sua essência íntima, como a da causa de uma imensidade de fenômenos. Conhecemos os efeitos da eletricidade, do calor, da luz, da gravitação; calculamo-los e, entretanto, ignoramos a natureza íntima do princípio que os produz. Será então racional neguemos o princípio divino, porque não o compreendemos? 29. Nada obsta a que se admita, para o princípio da soberana inteligência, um centro de ação, um foco principal a irradiar incessantemente, inundando o universo com seus eflúvios, como o Sol com a sua luz. Mas onde esse foco? É o que ninguém pode dizer. Provavelmente, não se acha fixado em determinado ponto, como não o está a sua ação, sendo também provável que percorra constantemente as regiões do espaço sem- -fim. Se simples Espíritos têm o dom da ubiquidade, em Deus há de ser sem limites essa faculdade. Enchendo Deus o universo, poder-se-ia ainda admitir, a título de hipótese, que esse foco não precisa transportar-se, por se formar em todas as partes onde a soberana vontade julga conveniente que ele se produza, donde o poder dizer-se que está em toda parte e em parte nenhuma. 30. Diante desses problemas insondáveis, cumpre que a nossa razão se humilhe. Deus existe: disso não podemos duvidar. É infinitamente justo e bom: essa a sua essência. A tudo se estende a sua solicitude: compreendemo-lo. Só o nosso bem, portanto, pode Ele querer, donde se segue que devemos confiar nele, isso é essencial. Quanto ao mais, esperemos, que tenhamos tornado dignos de o compreender. A visão de Deus. 31. Se Deus está em toda parte, por que não o vemos? Vê-lo-emos quando deixarmos a Terra? Tais as perguntas que se formulam todos os dias. À primeira é fácil responder. Por serem limitadas as percepções dos nossos órgãos visuais, elas os tornam inaptos à visão de certas coisas, mesmo materiais. Assim é que alguns fluidos nos fogem totalmente à nossa visão e aos instrumentos de análise; entretanto, não duvidamos da existência deles. Vemos os efeitos da peste, mas não vemos o fluido que a transporta;19 vemos os corpos em movimento sob a influência da força de gravitação, mas não vemos essa força. 32. Os nossos órgãos materiais não podem perceber as coisas de essência espiritual. Unicamente com a visão espiritual é que podemos ver os Espíritos e as coisas do mundo imaterial. Somente a nossa alma, portanto, pode ter a percepção de Deus. Dar-se-á que ela o veja logo após a morte? A esse respeito, só as comunicações de além-túmulo nos podem instruir. Por elas sabemos que a visão de Deus constitui privilégio das mais purificadas almas e que bem poucas, ao deixarem o envoltório terrestre, se encontram no grau de desmaterialização necessária a tal efeito. Uma comparação vulgar tornará facilmente compreensível essa condição. 33. Uma pessoa que se ache no fundo de um vale, envolvido por densa bruma, não vê o Sol. Entretanto, pela luz difusa, percebe a claridade do Sol. Se começa a subir a montanha, à medida que for ascendendo, o nevoeiro se irá dissipando e a luz ficará cada vez mais viva. Contudo, ainda não verá o Sol. Só depois que se haja elevado acima da camada brumosa e chegado a um ponto onde o ar esteja perfeitamente límpido, ela o contemplará em todo o seu esplendor. O mesmo se dá com a alma. O envoltório perispirítico, conquanto nos seja invisível e impalpável, é, com relação a ela, verdadeira matéria, ainda grosseira demais para certas percepções. Esse invólucro, porém, se espiritualiza, à proporção que a alma se eleva em moralidade. As imperfeições da alma são quais camadas nevoentas que lhe obscurecem a visão. Cada imperfeição de que ela se desfaz é uma mácula a menos; todavia, só depois de se haver depurado completamente é que goza da plenitude das suas faculdades. 34. Sendo Deus a essência divina por excelência, unicamente os Espíritos que atingiram o mais alto grau de desmaterialização o podem perceber. Pelo fato de os Espíritos imperfeitos não verem a Deus, não se segue que eles estejam mais distantes de Deus do que os outros; esses Espíritos, como os demais, como todos os seres da natureza, se encontram mergulhados no fluido divino, do mesmo modo que nós o estamos na luz. O que há é que as imperfeições daqueles Espíritos são vapores que os impedem de vê-lo. Quando o nevoeiro se dissipar, vê-lo-ão resplandecer. Para isso, não lhes é preciso subir, nem procurá-lo nas profundezas do infinito. Desimpedida a visão espiritual das manchas que a obscureciam, eles o verão de todo lugar onde se achem, mesmo da Terra, porquanto Deus está em toda parte. 35. O Espírito só se depura com o tempo, sendo as diversas encarnações o alambique em cujo fundo deixa de cada vez algumas impurezas. Com o abandonar o seu invólucro corpóreo, os Espíritos não se despojam instantaneamente de suas imperfeições, razão por que, depois da morte, não veem a Deus mais do que o viam quando vivos; mas, à medida que se depuram, têm dele uma intuição mais clara. Não o veem, mas compreendem-no melhor; a luz é menos difusa. Quando, pois, alguns Espíritos dizem que Deus lhes proíbe respondam a uma dada pergunta não é que Deus lhes apareça, ou dirija a palavra, para lhes ordenar ou proibir isto ou aquilo, não; eles, porém, o sentem; recebem os eflúvios do seu pensamento, como nos sucede com relação aos Espíritos que nos envolvem em seus fluidos, embora não os vejamos. 36. Nenhum homem, conseguintemente, pode ver a Deus com os olhos da carne. Se essa graça fosse concedida a alguns, só o seria no estado de êxtase, quando a alma se acha tão desprendida dos laços da matéria que torna possível o fato durante a encarnação. Tal privilégio, aliás, exclusivamente pertenceria a almas de eleição, encarnadas em missão, que não em expiação. Mas como os Espíritos da mais elevada categoria refulgem de ofuscante brilho, pode dar-se que Espíritos menos elevados, encarnados ou desencarnados, maravilhados com o esplendor de que aqueles se mostram cercados, suponham estar vendo o próprio Deus. É como quem vê um ministro e o toma pelo seu soberano. 37. Sob que aparência se apresenta Deus aos que se tornaram dignos de vê-lo? Será sob uma forma qualquer? Sob uma figura humana, ou como um foco de resplendente luz? A linguagem humana é impotente para dizê-lo, porque não existe para nós nenhum ponto de comparação capaz de nos facultar uma ideia de tal coisa. Somos quais cegos de nascença a quem procurassem inutilmente fazer compreendessem o brilho do Sol. A nossa linguagem é limitada pelas nossas necessidades e pelo círculo das nossas ideias; a dos selvagens não poderia descrever as maravilhas da civilização; a dos povos mais civilizados é extremamente pobre para descrever os esplendores dos céus, a nossa inteligência muito restrita para os compreender e a nossa vista, por muito fraca, ficaria deslumbrada. Livro A Gêneses – Os Milagre e as Predições Segundo o Espiritismo. www.febnet.org.br. Abraço. Davi.