segunda-feira, 20 de julho de 2020

O ÚNICO ANTÍDOTO É A SABEDORIA


Budismo. www.bodisatva.com.br. O ÚNICO ANTÍDOTO É A SABEDORIA. Na tarde do dia 15 de setembro de 2011, Sua Santidade o Dalai Lama ofereceu ensinamentos em São Paulo, Brasil. Sua fala apresenta um panorama histórico das diferentes tradições filosóficas budistas e nos brinda com o elixir da mais pura sabedoria, o antídoto último de todos os males. Hoje, 9 de abril de 2020, resgatamos esta preciosidade do nosso acervo com a aspiração de que a raiz de todo o sofrimento seja diretamente erradicada. Todas as grandes religiões do mundo – apesar das várias diferenças filosóficas – veiculam uma mesma mensagem: de amor, compaixão, perdão, autodisciplina, justiça e honestidade. Todas falam sobre esses valores e, mais importante, todas oferecem instrumentos para podermos cultivá-los com o objetivo de criar uma comunidade humana saudável e feliz. Dentro dessas tradições, encontramos dois grandes grupos: de um lado, as religiões teístas e, de outro, as não teístas. Na categoria das não teístas há uma subdivisão: as religiões que acreditam na existência de um eu independente e aquelas que não acreditam na existência de um eu independente. O budismo se insere na categoria das religiões não teístas e é uma religião que não postula a existência de um eu independente. Antes, o budismo fala sobre a lei da causalidade. Essa ausência de crença em um eu independente é um conceito único do budismo. O budismo vai falar naquilo que se costuma chamar de “originação interdependente”, que em sânscrito é pratityasamutpada. No budismo, encontramos duas tradições: a páli e a sânscrita. A tradição páli constitui a base – ela consegue se manter por si só, é completa; a tradição sânscrita, diferentemente, depende da tradição páli. A tradição páli é o alicerce sobre o qual se assenta a tradição sânscrita. Mas a tradição que vem do sânscrito contém as explicações mais sofisticadas e mais profundas que o budismo tem a oferecer. De acordo com o conceito budista da interdependência – a lei da causalidade –, todos os fenômenos estão se transformando a cada segundo, todos ocorrem a partir de suas próprias causas e condições; então todo resultado depende inteiramente de suas causas e condições. Essa é a primeira maneira de se entender a interdependência. Dentro da tradição sânscrita, nós encontramos duas escolas de pensamento: a escola Cittamatra e a escola Madhyamika. Os entendimentos da escola Madhyamika, a meu ver, são os mais profundos. Na escola Madhyamika se diz que não apenas o resultado depende da causa, mas a causa também é totalmente dependente do resultado; para que uma causa possa ser causa ela vai depender do resultado. Em Madhyamika, também existe uma outra distinção do conceito de interdependência, que é a ligação entre a parte e o todo, entre o átomo e o todo: a existência de uma pessoa, por exemplo, é totalmente definida a partir dos agregados físicos dela; não existe uma noção de pessoa que se assente no conjunto dos agregados. Este é o postulado da falta de existência intrínseca do eu. Nós encontramos este postulado nas quatro escolas budistas: Vaibhashika, Sautrantika, Cittamatra e Madhyamika. No budismo, não só as pessoas, mas também os fenômenos são desprovidos de existência intrínseca. Se nós olharmos os cinco agregados que formam a base que designa, por exemplo, uma pessoa – se examinarmos os agregados que a compõem – vamos ver que eles também, por sua vez, dependem de suas partes. Isso vale não só para os agregados físicos que existem no mundo grosseiro observado, mas também para as essências a partir das quais esses cinco agregados físicos provêm. Essas essências também são desprovidas de existência intrínseca. Isso vale tanto para o nível mais grosseiro quanto para o nível mais sutil; se nós olharmos coisas mais etéreas, como o espaço, veremos que elas são desprovidas de existência intrínseca, também são dependentes de seus componentes. Isso é válido não só para o mundo externo que é observado, mas se aplica também à própria mente que observa os fenômenos – ela também não tem existência intrínseca. É dessa maneira que se descreve a falta de existência intrínseca dos fenômenos. Dentro da tradição sânscrita, encontramos dois tipos de vacuidade quando falamos dos seres sencientes: existe a vacuidade do eu e existe a vacuidade da base do eu. As diferentes escolas budistas, como Cittamatra e Madhyamika, têm conceitos e postulados diferentes sobre a vacuidade, ou shunyata. Mas para que desenvolvermos todas essas complicações filosóficas? É que a causa última do sofrimento é a ignorância, e quando falamos de ignorância, falamos de dois tipos. O primeiro é o que chamamos de “mera ignorância”: por exemplo, uma criança antes de ir à escola, onde alguém lhe ensina o alfabeto, não conhece o alfabeto; essa ignorância é uma falta de conhecimento. O segundo tipo de ignorância é uma percepção ou uma apreensão errônea da realidade: alguém olhar a letra A e achar que é B, olhar B e achar que é C. A remoção completa da ignorância só acontece quando se chega ao estado búdico. No budismo, diz-se que a apreensão errônea da realidade é a causa última do sofrimento. Sendo assim, qual seria o antídoto que poderia se contrapor a essa causa? Não é a oração, também não é a mera meditação, tampouco bodicita – ela não pode ter essa função, nem a compaixão infinita pode erradicar essa concepção errônea da realidade. A única coisa que pode desempenhar esse papel é a sabedoria. Através da sabedoria você pode ir se familiarizando mais e mais com a realidade até, por fim, passar a entendê-la. E quando você, de fato, entende plenamente a realidade em sua instância última, isso erradica a ignorância e, por conseguinte, o sofrimento. De modo geral, nós temos uma apreensão incorreta da realidade: se eu olho para vocês e vocês olham para mim, vocês podem estar me vendo como um ser absoluto, independente de vocês; eu sou o Dalai Lama e você é você. Mas essa é uma compreensão incorreta: não existe nada que seja independente de um modo absoluto; todas as coisas são interdependentes e, a partir dessa concepção errônea da realidade, surge a base do apego, a base de todas as emoções negativas. Quanto às emoções positivas, elas podem ser cultivadas a partir de um treinamento. Se você pratica o amor e a bondade, isso reduz as emoções negativas, como a inveja ou a raiva. Em termos últimos, o que vai erradicar as emoções negativas é a sabedoria, é você se familiarizar com o que, de fato, é a realidade em sua instância última. Assim você entenderá que as coisas aparecem aos nossos olhos como absolutas e independentes, mas que isso é apenas uma miragem. Quando você verdadeiramente compreende isso, essa é a base a partir da qual as emoções destrutivas podem ser dissipadas. Na tradição sânscrita se diz que o Buda girou a roda do Darma três vezes: no primeiro giro, ele falou sobre a base do budismo – as quatro nobres verdades. No segundo, o Buda deu explicações adicionais sobre a terceira nobre verdade, que é a possibilidade da cessação, baseada no conceito das duas verdades: a verdade convencional e a verdade última. No terceiro giro, ele ofereceu ensinamentos mais elaborados sobre a quarta nobre verdade, que é a possibilidade da eliminação de todas as emoções destrutivas, e isso é possível porque, no nível mais sutil, a natureza da mente é clara como a luz. A natureza da água é limpa e pura, mas muitas vezes quando ela se mistura com o barro ou outra substância, ela fica turva. Porém, por mais suja que possa estar, a sua natureza essencial é límpida. Isso vale para a nossa mente: por mais turva que a nossa mente possa estar pelas emoções destrutivas, no nível da realidade última ela é límpida, e por isso essa separação se torna possível. As emoções destrutivas nos divorciam da realidade. A sabedoria pode gerar a compreensão da realidade última, e esse é o antídoto. Por mais potentes que sejam as emoções destrutivas, por mais sobrecarregada de negatividades que esteja uma mente, essas negatividades podem ser limpas absolutamente, pois elas não são a natureza última. Embora tibetano, tenho uma conexão direta com a tradição da Universidade de Nalanda. Isso porque, no Tibete, o ensino foi introduzido por um grande mestre chamado Shantarakshita, um grande erudito que dava ensinamentos nessa instituição. Ele chegou ao Tibete no século VIII a convite do Imperador. Como era monge, ele introduziu a tradição monástica no Tibete. Mas ele também era um grande filósofo, um grande erudito, então introduziu também ensinamentos de Madhyamika, de lógica, de epistemologia. Shantarakshita deu ensinamentos tão profundos e completos que até os dias de hoje esses textos são estudados. Também veio ao Tibete um grande mestre tântrico chamado Padmasambava. Assim, podemos dizer que o budismo tibetano é completo: ele inclui a tradição dos sutras que vem do páli, toda a versão que vem do sânscrito e toda a versão tântrica. É importante enfatizar essa raiz do budismo, proveniente da Universidade de Nalanda. Na tradição tibetana, encontramos basicamente 300 volumes de textos, sendo que 100 contêm as palavras do próprio Buda, e os demais são comentários sobre as palavras do Buda. É muito importante que esses textos sejam estudados – não devem ser tomados apenas como objetos de veneração para se colocar sobre o altar e aos quais dirigir orações. Para que possam ser de fato eficazes, precisam ser usados, estudados. Ao longo da implantação do budismo no Tibete, em diferentes regiões, diferentes ensinamentos foram criados e diferentes nomes foram dados às escolas que cultivavam esses ensinamentos. Foi assim que apareceu a seita dos chapéus vermelhos e dos chapéus amarelos – fico com vontade de criar uma nova seita, a dos chapéus verdes! – mas isso não é importante. O importante é que todas têm uma raiz comum, essa nobre tradição da Universidade de Nalanda. Por vezes, em decorrência dessas diferentes seitas, também se desenvolveu o sectarismo no Tibete – as pessoas se apegavam à sua própria seita. Mas também no Tibete se desenvolveu um movimento muito importante de não sectarismo, e um grande mestre dessa tradição é Jamyang Khyentse Wangpo. Eu cultivo, estudo e prezo as tradições não sectárias do budismo tibetano. Os Dalai Lamas pertencem à seita dos chapéus amarelos mas, ao longo da história, muitos Dalai Lamas – inclusive o atual – receberam ensinamentos das diferentes escolas do budismo tibetano: dos Sakyas, dos Nyingmas, dos Kagyus. Isso ajuda muito. Não faz muito sentido ficar apegado apenas à sua tradição, pois isso limita o conhecimento. Por outro lado, se você se coloca aberto para receber os ensinamentos das diferentes tradições, isso o fortalece. www.bodisatva.com.br. Abraço. Davi.


domingo, 19 de julho de 2020

OS ANALECTOS - LIVRO XIV


Confucionismo. www.https//rt.br. OS ANALECTOS – LIVRO XIV. 1. Hsien perguntou sobre a vergonha. O Mestre disse: “É vergonhoso fazer do salário seu único objetivo, indiferente quanto a se o Caminho prevalece no reino ou não”. “Manter-se longe da tentação de tentar agir em proveito próprio, de jactar-se de si mesmo, de guardar rancores e de ser ambicioso pode ser considerado ‘benevolente’?” O Mestre disse: “Pode ser considerado ‘difícil’, mas não sei se se trata de benevolência”. 2. O Mestre disse: “Um cavalheiro que é apegado ao conforto não merece ser chamado de Cavalheiro”. 3. O Mestre disse: “Quando o Caminho prevalece no reino, fale e aja destemidamente e com altivez; quando o Caminho não prevalece, aja destemidamente e com altivez, mas fale com reserva e de modo suave”. 4. O Mestre disse: “Um homem de virtude com certeza é o autor de dizeres memoráveis, mas o autor de dizeres memoráveis não é necessariamente virtuoso. Um homem benevolente com certeza é corajoso, mas um homem corajoso não necessariamente é benevolente”. 5. Nan-kung K’uo perguntou a Confúcio: “Tanto Yi, que era bom no tiro com arco, e Ao, que era tão bom marinheiro que podia fazer um barco navegar sobre a terra seca, tiveram mortes violentas, enquanto Yü e Chi, que ajudaram a semear as lavouras, dominaram o Império”. O Mestre nada replicou. Depois que Nan-kung K’uo foi embora, o Mestre comentou: “Quão cavalheiro é esse homem! Como ele reverencia a virtude!”. 6. O Mestre disse: “Podemos supor que há casos de cavalheiros que não são benevolentes, mas não há um homem vulgar que seja, ao mesmo tempo, benevolente”. 7. O Mestre disse: “É possível amar alguém sem fazer com que essa pessoa trabalhe duro? É possível dar o melhor de si por alguém sem educá-lo?”. 8. O Mestre disse: “Ao redigir o texto de um tratado, P’i Ch’en escrevia o rascunho, Shih Shu fazia comentários, Tzu-yü, o mestre de protocolo, fazia os retoques, e Tzu-ch’an de Tung Li o embelezava”. 9. Alguém perguntou sobre Tzu-ch’an. O Mestre disse: “Era um homem generoso”. Amesma pessoa perguntou por Tzu-hsi. O Mestre disse: “Aquele homem! Aquele homem!”. Então perguntou sobre Kuan Chung. O Mestre disse: “Era um homem. [145] Tomou trezentas casas do domínio da família Po na cidade de P’ien, e Po, obrigado a viver apenas de arroz comum, não disse uma só palavra em reclamação, até o fim dos seus dias”. 10. O Mestre disse: “É mais difícil não reclamar da injustiça quando pobre do que não se comportar com arrogância quando rico”. 11. O Mestre disse: “Meng-kung ch’uo seria mais do que qualificado para o cargo de administrador de grandes e nobres famílias como Chao ou Wei, mas ele não seria qualificado para o cargo de ministro, nem mesmo em um pequeno reino como T’eng ou Hsüeh”. 12. Tzu-lu perguntou sobre o homem completo. O Mestre disse: “Um homem tão sábio quanto Tsang Wu-chung, tão livre de desejos quanto Meng-kung-ch’uo, tão corajoso quanto Chuang-tzu de Pien e tão talentoso quanto Jan Ch’iu, que é mais refinado em matéria de ritos e música, pode ser considerado um homem completo”. Então acrescentou: “Mas para ser um homem completo hoje em dia não é necessário ter todas essas coisas. Se um homem, à vista de uma vantagem a ser obtida, lembra-se do que é certo, se, em face do perigo, está pronto para dar a própria vida e se não esquece seus princípios mesmo quando passa por longos períodos de dificuldade, então ele pode ser chamado de completo”. 13. O Mestre perguntou a Kung-ming Chia sobre Kung-shu Wen-tzu: “É verdade que o seu Mestre nunca falava, nunca ria e nunca aceitava?”. Kung-ming Chia respondeu: “Seja lá quem for que disse isso, exagerou. Meu Mestre falava apenas quando era o momento de ele falar. De modo que as pessoas nunca se cansavam da sua fala. Ria apenas quando se sentia feliz. De modo que as pessoas nunca se cansavam do seu riso. Aceitava alguma coisa apenas quando era certo que o fizesse. De modo que as pessoas nunca achavam que ele aceitava demais”. O Mestre disse: “Será que essa pode ser a explicação correta para o modo como ele era?, é o que me pergunto”. 14. O Mestre disse: “Tsang Wu-chung valia-se do seu domínio sobre o seu feudo para exigir que esse fosse reconhecido como hereditário. Se alguém dissesse que ele não estava coagindo o seu senhor, eu não acreditaria”. 15. O Mestre disse: “O duque Wen de Chin era hábil e lhe faltava integridade. O duque Huan de Ch’i, por outro lado, tinha integridade e não era hábil”. 16. Tzu-lu disse: “Quando o duque Huan mandou matar o príncipe Chiu, Shao Hu morreu pelo príncipe, mas Kuan Chung, não”. Ele acrescentou: “Nesse caso, faltou benevolência a este último?”. O Mestre disse: “Foi por causa de Kuan Chung que o duque Huan pôde, sem ter de demonstrar força, reunir nove vezes os senhores dos estados feudais. Essa era a sua benevolência. Essa era a sua benevolência”. 17. Tzu-kung disse: “Não acho que Kuan Chung fosse um homem benevolente. Não apenas ele não morreu pelo príncipe Chiu, mas viveu para ajudar o duque Huan, que havia mandado assassinar o príncipe”. O Mestre disse: “Kuan Chung ajudou o duque Huan a se tornar o líder dos senhores feudais e a evitar que o Império entrasse em colapso. Até hoje, o povo ainda goza dos benefícios dos seus atos. Não fosse por Kuan Chung, poderíamos muito bem estar usando os cabelos soltos e dobrando nossos trajes à esquerda. [146] Certamente ele não foi como o homem ou a mulher que, por causa de suas pequenas fidelidades, cometem suicídio em uma vala sem que ninguém se aperceba”. 18. O ministro Chuan, que tinha sido um oficial na casa de Kung-shu Wen-tzu, foi promovido a um alto cargo no governo, servindo lado a lado com Kung-shu Wentzu. Ao ouvir isso, o Mestre comentou: “Kung-shu Wen-tzu merecia o epíteto ‘wen’”. [147] 19. Quando o Mestre falou sobre a absoluta falta de princípios morais de parte do duque Ling de Wei, K’ang Tzu comentou: “Sendo esse o caso, como é que ele não perdeu seu reino?”. Confúcio disse: “Chung-shu Yü era o responsável pelos visitantes estrangeiros, o sacerdote T’uo pelo templo ancestral, e Wang-sun Chia pelas questões militares. Sendo esse o caso, que possibilidade haveria de o duque perder o reino?”. 20. O Mestre disse: “Promessas feitas imodestamente são difíceis de cumprir”. 21. Ch’en Ch’eng Tzu matou o duque Chien. Depois de lavar-se cuidadosamente, Confúcio foi à corte e reportou-se ao duque Ai, dizendo: “Ch’en Heng matou seu próprio senhor. Posso pedir que um exército seja enviado para puni-lo?”. O duque respondeu: “Diga isso aos Três Senhores”. [148] Confúcio disse: “Reportei-o ao senhor simplesmente porque tenho o dever de fazê-lo, já que ocupo lugar junto aos ministros, mas mesmo assim o senhor diz: ‘Diga aos Três Senhores’”. Ele foi e reportou-se aos Três Senhores, e eles recusaram seu pedido. Confúcio disse: “Reporto isso aos senhores simplesmente porque tenho o dever de fazê-lo, já que ocupo um lugar junto aos ministros”. [149] 22. Tzu-lu perguntou sobre o modo correto de servir um senhor. O Mestre disse: “Certifique-se de que não está sendo desonesto quando ficar frente a frente com ele”. 23. O Mestre disse: “O progresso do cavalheiro é para cima; o progresso do homem vulgar é para baixo”. [150] 24. O Mestre disse: “Os homens de antigamente estudavam para aprimorar a si próprios; os homens de hoje estudam para impressionar os outros”. 25. Ch’ü Po-yü enviou um mensageiro a Confúcio. Confúcio sentou-se com ele e perguntou-lhe: “O que faz o seu Mestre?”. Ele respondeu: “Meu mestre tenta reduzir seus erros, mas não tem obtido êxito”. Quando o mensageiro foi embora, o Mestre comentou: “Que mensageiro! Que mensageiro!”. 26. O Mestre disse: “Não se preocupe com questões de governo a menos que sejam da sua alçada”. [151] Tseng Tzu comentou: “O cavalheiro não permite que seus pensamentos devaneiem além do seu cargo”. 27. O Mestre disse: “O cavalheiro tem vergonha de que suas palavras sejam mais ambiciosas que suas ações”. 28. Os cavalheiros têm sempre três princípios em mente, nenhum dos quais consegui seguir: ‘O homem benevolente nunca fica aflito [152] ; o homem sábio nunca fica indeciso [153] ; o homem corajoso nunca tem medo’”. [154] Tzu-kung disse: “Aquilo que o Mestre acaba de citar é uma descrição de si mesmo”. 29. Tzu-kung era dado a classificar as pessoas. O Mestre disse: “Quão superior é Ssu! De minha parte, não tenho tempo para essas coisas”. 30. O Mestre disse: “Não é quando os outros falham em apreciar as suas habilidades que você deveria ficar incomodado, [155] mas sim quando essas habilidades de fato faltam”. 31. O Mestre disse: “Não é superior um homem que, sem antecipar traições ou prever atos de má-fé, é, ainda assim, o primeiro a perceber quando tais ações ocorrem?” 32. Wei-sheng Mu disse a Confúcio: “Ch’iu, por que está tão inquieto? Está, talvez, tentando se exibir?”. Confúcio respondeu: “Não sou tão impertinente a ponto de me exibir. Só que detesto a inflexibilidade”. 33. O Mestre disse: “Um bom cavalo é exaltado por suas virtudes, não por sua força”. 34. Alguém disse: “‘Pague uma injúria com uma boa ação’. [156] O que você acha desse ditado?”. O Mestre disse: “Com o quê, então, você paga uma boa ação? Deve-se pagar a injúria com a retidão, mas pagar com uma boa ação apenas uma boa ação”. 35. O Mestre disse: “Ninguém me entende”. Tzu-kung disse: “Como assim, ninguém o entende?”. O Mestre disse: “Não estou reclamando do Céu, tampouco culpo os homens. Em meus estudos, começo de baixo e vou em direção às coisas mais elevadas. Se sou compreendido de algum modo, é, talvez, pelo Céu.” 36. Kung-po Liao falou mal de Tzu-lu para Chi-Sun. Tzu-fu Ching-po relatou-o, dizendo: “Meu Mestre mostra sinais inequívocos de estar sendo influenciado por Kung-po Liao, mas ainda tenho influência suficiente para expor seu cadáver no mercado público”. O Mestre disse: “Se o Caminho prevalece, é o Destino; também é o Destino se o Caminho cai em desgraça. Como pode Kung-po Liao desafiar o Destino?”. 37. O Mestre disse: “Homens que evitam o mundo vêm em primeiro lugar; aqueles que evitam um lugar em particular vêm em seguida; aqueles que evitam um olhar hostil, em seguida; aqueles que evitam palavras hostis vêm por último”. O Mestre disse: “Houve sete que se levantaram”. [157] 38. Tzu-lu preparava-se para passar a noite no Portão de Pedra. O porteiro disse: “De onde você vem?”. Tzu-lu disse: “Da família K’ung”. “Do K’ung que continua perseguindo um objetivo que ele sabe ser impossível?” 39. Enquanto o Mestre estava tocando os sinos de pedra em Wei, um homem que passava em frente à porta, carregando um cesto, disse: “O modo com que ele toca os sinos de pedra está carregado de sentimento”. Mas logo em seguida, disse: “Que medíocre esta musiquinha. Se ninguém entende este homem, [158] então ele deveria desistir, isso é tudo. Quando a água é funda, caminhe devagar; Quando é rasa, erga seu traje e caminhe”. [159] O Mestre disse: “Ele é muito decidido, de fato. Contra tal determinação, não pode haver qualquer argumento”. 40. Tzu-chang disse: “O Livro da História diz: Kao Tsung confinou-se no seu casebre, enlutado, e por três anos permaneceu em silêncio. [160] O que isso significa?”. O Mestre disse: “Não há necessidade de recorrer a Kao Tsung para exemplo. Isso sempre foi assim entre os homens de antigamente. Quando o governante morria, todos os oficiais juntavam-se e apresentavam-se ao primeiro-ministro e, por três anos, aceitavam seu comando”. 41. O Mestre disse: “Quando aqueles que governam são observadores dos ritos, o povo será facilmente comandado”. [161] 42. Tzu-lu perguntou sobre o cavalheiro. O Mestre disse: “Ele cultiva a si próprio e, portanto, obtém respeito”. “Isso é tudo?” “Ele cultiva a si próprio e, portanto, traz paz e prosperidade aos seus semelhantes.” “Isso é tudo?” “Ele cultiva a si próprio e, portanto, traz paz e segurança às pessoas comuns. Até mesmo Yao e Shun achariam penosa a tarefa de trazer paz e segurança às pessoas.” 43. Yüan Jang esperava sentado, com as pernas bem abertas. O Mestre disse: “Não ser nem modesto nem deferente quando jovem, não conquistar nada válido na idade adulta e recusar-se a morrer quando velho, isto é o que eu chamo de um parasita”. E assim dizendo, o Mestre cutucou-lhe o queixo com seu cajado. 44. Depois que um garoto de Ch’üeh anunciou um visitante, alguém perguntou sobre ele: “Trata-se de alguém que progredirá?”. O Mestre disse: “Já o vi afirmando que ocupará um cargo e andando lado a lado com seus colegas mais velhos. Ele não quer progredir. Ele está atrás de resultados rápidos”. www.https//rt.br. Abraços. Davi

sexta-feira, 17 de julho de 2020

BEM AVENTURADOS OS OBREIROS DA PAZ


Catolicismo. www.w2.vatican.va. Mensagem de Sua Santidade Bento XVI para a Celebração do Dia Mundial da Paz. 01 de janeiro de 2013. BEM AVENTURADOS OS OBREIROS DA PAZ. 1. Cada ano novo traz consigo a expectativa de um mundo melhor. Nesta perspectiva, peço a Deus, Pai da humanidade, que nos conceda a concórdia e a paz a fim de que possam tornar-se realidade, para todos, as aspirações duma vida feliz e próspera. À distância de 50 anos do início do Concílio Vaticano II, que permitiu dar mais força à missão da Igreja no mundo, anima constatar como os cristãos, Povo de Deus em comunhão com Ele e caminhando entre os homens, se comprometem na história compartilhando alegrias e esperanças, tristezas e angústias,[1] anunciando a salvação de Cristo e promovendo a paz para todos. Na realidade o nosso tempo, caracterizado pela globalização, com seus aspectos positivos e negativos, e também por sangrentos conflitos ainda em curso e por ameaças de guerra, requer um renovado e concorde empenho na busca do bem comum, do desenvolvimento de todo o homem e do homem todo. Causam apreensão os focos de tensão e conflito causados por crescentes desigualdades entre ricos e pobres, pelo predomínio duma mentalidade egoísta e individualista que se exprime inclusivamente por um capitalismo financeiro desregrado. Além de variadas formas de terrorismo e criminalidade internacional, põem em perigo a paz aqueles fundamentalismos e fanatismos que distorcem a verdadeira natureza da religião, chamada a favorecer a comunhão e a reconciliação entre os homens. No entanto, as inúmeras obras de paz, de que é rico o mundo, testemunham a vocação natural da humanidade à paz. Em cada pessoa, o desejo de paz é uma aspiração essencial e coincide, de certo modo, com o anelo por uma vida humana plena, feliz e bem-sucedida. Por outras palavras, o desejo de paz corresponde a um princípio moral fundamental, ou seja, ao dever-direito de um desenvolvimento integral, social, comunitário, e isto faz parte dos desígnios que Deus tem para o homem. Na verdade, o homem é feito para a paz, que é dom de Deus. Tudo isso me sugeriu buscar inspiração, para esta Mensagem, às palavras de Jesus Cristo: «Bem-aventurados os obreiros da paz, porque serão chamados filhos de Deus» (Mateus 5, 9). A bem-aventurança evangélica. 2. As bem-aventuranças proclamadas por Jesus (cf. Mateus 5, 3-12; Lucas 6, 20-23) são promessas. Com efeito, na tradição bíblica, a bem-aventurança é um género literário que traz sempre consigo uma boa nova, ou seja, um evangelho, que culmina numa promessa. Assim, as bem-aventuranças não são meras recomendações morais, cuja observância prevê no tempo devido – um tempo localizado geralmente na outra vida – uma recompensa, ou seja, uma situação de felicidade futura; mas consistem sobretudo no cumprimento duma promessa feita a quantos se deixam guiar pelas exigências da verdade, da justiça e do amor. Frequentemente, aos olhos do mundo, aqueles que confiam em Deus e nas suas promessas aparecem como ingénuos ou fora da realidade; ao passo que Jesus lhes declara que já nesta vida – e não só na outra – se darão conta de serem filhos de Deus e que, desde o início e para sempre, Deus está totalmente solidário com eles. Compreenderão que não se encontram sozinhos, porque Deus está do lado daqueles que se comprometem com a verdade, a justiça e o amor. Jesus, revelação do amor do Pai, não hesita em oferecer-Se a Si mesmo em sacrifício. Quando se acolhe Jesus Cristo, Homem-Deus, vive-se a jubilosa experiência de um dom imenso: a participação na própria vida de Deus, isto é, a vida da graça, penhor duma vida plenamente feliz. De modo particular, Jesus Cristo dá-nos a paz verdadeira, que nasce do encontro confiante do homem com Deus. A bem-aventurança de Jesus diz que a paz é, simultaneamente, dom messiânico e obra humana. Na verdade, a paz pressupõe um humanismo aberto à transcendência; é fruto do dom recíproco, de um mútuo enriquecimento, graças ao dom que provém de Deus e nos permite viver com os outros e para os outros. A ética da paz é uma ética de comunhão e partilha. Por isso, é indispensável que as várias culturas de hoje superem antropologias e éticas fundadas sobre motivos teórico práticos meramente subjetivistas e pragmáticos, em virtude dos quais as relações da convivência se inspiram em critérios de poder ou de lucro, os meios tornam-se fins, e vice-versa, a cultura e a educação concentram-se apenas nos instrumentos, na técnica e na eficiência. Condição preliminar para a paz é o desmantelamento da ditadura do relativismo e da apologia duma moral totalmente autónoma, que impede o reconhecimento de quão imprescindível seja a lei moral natural inscrita por Deus na consciência de cada homem. A paz é construção em termos racionais e morais da convivência, fundando-a sobre um alicerce cuja medida não é criada pelo homem, mas por Deus. Como lembra o Salmo 29, « o Senhor dá força ao seu povo; o Senhor abençoará o seu povo com a paz » (v. 11). A paz: dom de Deus e obra do homem. 3. A paz envolve o ser humano na sua integridade e supõe o empenhamento da pessoa inteira: é paz com Deus, vivendo conforme à sua vontade; é paz interior consigo mesmo, e paz exterior com o próximo e com toda a criação. Como escreveu o Beato João XXIII na Encíclica Pacem in terris – cujo cinquentenário terá lugar dentro de poucos meses –, a paz implica principalmente a construção duma convivência humana baseada na verdade, na liberdade, no amor e na justiça.[2] A negação daquilo que constitui a verdadeira natureza do ser humano, nas suas dimensões essenciais, na sua capacidade intrínseca de conhecer a verdade e o bem e, em última análise, o próprio Deus, põe em perigo a construção da paz. Sem a verdade sobre o homem, inscrita pelo Criador no seu coração, a liberdade e o amor depreciam-se, a justiça perde a base para o seu exercício. Para nos tornarmos autênticos obreiros da paz, são fundamentais a atenção à dimensão transcendente e o diálogo constante com Deus, Pai misericordioso, pelo qual se implora a redenção que nos foi conquistada pelo seu Filho Unigénito. Assim o homem pode vencer aquele germe de obscurecimento e negação da paz que é o pecado em todas as suas formas: egoísmo e violência, avidez e desejo de poder e domínio, intolerância, ódio e estruturas injustas. A realização da paz depende sobretudo do reconhecimento de que somos, em Deus, uma úni­ca família humana. Esta, como ensina a Encíclica Pacem in terris, está estruturada mediante relações interpessoais e instituições sustentadas e anima­das por um «nós» comunitário, que implica uma ordem moral, interna e externa, na qual se reconheçam sinceramente, com verdade e justiça, os próprios direitos, e os próprios deveres para com os demais. A paz é uma ordem de tal modo vivificada e integrada pelo amor, que se sentem como próprias as necessidades e exigências alheias, que se fazem os outros comparticipantes dos próprios bens e que se estende sempre mais no mundo a comunhão dos valores espirituais. É uma ordem realizada na liberdade, isto é, segundo o modo que corresponde à dignidade de pessoas que, por sua própria natureza racional, assumem a responsabilidade do próprio agir.[3] A paz não é um sonho, nem uma utopia; a paz é possível. Os nossos olhos devem ver em profundidade, sob a superfície das aparências e dos fenómenos, para vislumbrar uma realidade positiva que existe nos corações, pois cada homem é criado à imagem de Deus e chamado a crescer contribuindo para a edificação dum mundo novo. Na realidade, através da encarnação do Filho e da redenção por Ele operada, o próprio Deus entrou na história e fez surgir uma nova criação e uma nova aliança entre Deus e o homem (cf. Jeremias 31, 31-34), oferecendo-nos a possibilidade de ter « um coração novo e um espírito novo » (cf. Ezequiel 36, 26). Por isso mesmo, a Igreja está convencida de que urge um novo anúncio de Jesus Cristo, primeiro e principal fator do desenvolvimento integral dos povos e também da paz. Na realidade, Jesus é a nossa paz, a nossa justiça, a nossa reconciliação (cf. Efésios 2, 14; 2 Coríntios 5, 18). O obreiro da paz, segundo a bem-aventurança de Jesus, é aquele que procura o bem do outro, o bem pleno da alma e do corpo, no tempo presente e na eternidade. A partir deste ensinamento, pode-se deduzir que cada pessoa e cada comunidade – religiosa, civil, educativa e cultural – é chamada a trabalhar pela paz. Esta consiste, principalmente, na realização do bem comum das várias sociedades, primárias e intermédias, nacionais, internacionais e a mundial. Por isso mesmo, pode-se supor que os caminhos para a implementação do bem comum sejam também os caminhos que temos de seguir para se obter a paz. Obreiros da paz são aqueles que amam, defendem e promovem a vida na sua integridade. 4. Caminho para a consecução do bem comum e da paz é, antes de mais nada, o respeito pela vida humana, considerada na multiplicidade dos seus aspectos, a começar da concepção, passando pelo seu desenvolvimento até ao fim natural. Assim, os verdadeiros obreiros da paz são aqueles que amam, defendem e promovem a vida humana em todas as suas dimensões: pessoal, comunitária e transcendente. A vida em plenitude é o ápice da paz. Quem deseja a paz não pode tolerar atentados e crimes contra a vida. Aqueles que não apreciam suficientemente o valor da vida humana, chegando a defender, por exemplo, a liberalização do aborto, talvez não se deem conta de que assim estão a propor a prossecução duma paz ilusória. A fuga das responsabilidades, que deprecia a pessoa humana, e mais ainda o assassinato de um ser humano indefeso e inocente nunca poderão gerar felicidade nem a paz. Na verdade, como se pode pensar em realizar a paz, o desenvolvimento integral dos povos ou a própria salvaguarda do ambiente, sem estar tutelado o direito à vida dos mais frágeis, a começar pelos nascituros? Qualquer lesão à vida, de modo especial na sua origem, provoca inevitavelmente danos irreparáveis ao desenvolvimento, à paz, ao ambiente. Tão pouco é justo codificar ardilosamente falsos direitos ou opções que, baseados numa visão redutiva e relativista do ser humano e com o hábil recurso a expressões ambíguas tendentes a favorecer um suposto direito ao aborto e à eutanásia, ameaçam o direito fundamental à vida. Também a estrutura natural do matrimónio, como união entre um homem e uma mulher, deve ser reconhecida e promovida contra as tentativas de a tornar, juridicamente, equivalente a formas radicalmente diversas de união que, na realidade, a prejudicam e contribuem para a sua desestabilização, obscurecendo o seu carácter peculiar e a sua insubstituível função social. Estes princípios não são verdades de fé, nem uma mera derivação do direito à liberdade religiosa; mas estão inscritos na própria natureza humana – sendo reconhecíveis pela razão – e consequentemente comuns a toda a humanidade. Por conseguinte, a acção da Igreja para os promover não tem carácter confessional, mas dirige-se a todas as pessoas, independentemente da sua filiação religiosa. Tal ação é ainda mais necessária quando estes princípios são negados ou mal entendidos, porque isso constitui uma ofensa contra a verdade da pessoa humana, uma ferida grave infligida à justiça e à paz. Por isso, uma importante colaboração para a paz é dada também pelos ordenamentos jurídicos e a administração da justiça quando reconhecem o direito ao uso do princípio da objecção de consciência face a leis e medidas governamentais que atentem contra a dignidade humana, como o aborto e a eutanásia. Entre os direitos humanos basilares mesmo para a vida pacífica dos povos, conta-se o direito dos indivíduos e comunidades à liberdade religiosa. Neste momento histórico, torna-se cada vez mais importante que este direito seja promovido não só negativamente, como liberdade de – por exemplo, de obrigações e coações quanto à liberdade de escolher a própria religião –, mas também positivamente, nas suas várias articulações, como liberdade para: por exemplo, para testemunhar a própria religião, anunciar e comunicar a sua doutrina; para realizar atividades educativas, de beneficência e de assistência que permitem aplicar os preceitos religiosos; para existir e atuar como organismos sociais, estruturados de acordo com os princípios doutrinais e as finalidades institucionais que lhe são próprias. Infelizmente vão-se multiplicando, mesmo em países de antiga tradição cristã, os episódios de intolerância religiosa, especialmente contra o cristianismo e aqueles que se limitam a usar os sinais identificadores da própria religião. O obreiro da paz deve ter presente também que as ideologias do liberalismo radical e da tecnocracia insinuam, numa percentagem cada vez maior da opinião pública, a convicção de que o crescimento económico se deve conseguir mesmo à custa da erosão da função social do Estado e das redes de solidariedade da sociedade civil, bem como dos direitos e deveres sociais. Ora, há que considerar que estes direitos e deveres são fundamentais para a plena realização de outros, a começar pelos direitos civis e políticos. E, entre os direitos e deveres sociais actualmente mais ameaçados, conta-se o direito ao trabalho. Isto é devido ao facto, que se verifica cada vez mais, de o trabalho e o justo reconhecimento do estatuto jurídico dos trabalhadores não serem adequadamente valorizados, porque o crescimento económico dependeria sobretudo da liberdade total dos mercados. Assim o trabalho é considerado uma variável dependente dos mecanismos económicos e financeiros. A propósito disto, volto a afirmar que não só a dignidade do homem mas também razões económicas, sociais e políticas exigem que se continue « a perseguir como prioritário o objetivo do acesso ao trabalho para todos, ou da sua manutenção ».[4] Para se realizar este ambicioso objetivo, é condição preliminar uma renovada apreciação do trabalho, fundada em princípios éticos e valores espirituais, que revigore a sua concepção como bem fundamental para a pessoa, a família, a sociedade. A um tal bem corresponde um dever e um direito, que exigem novas e ousadas políticas de trabalho para todos. Construir o bem da paz através de um novo modelo de desenvolvimento e de economia. 5. De vários lados se reconhece que, hoje, é necessário um novo modelo de desenvolvimento e também uma nova visão da economia. Quer um desenvolvimento integral, solidário e sustentável, quer o bem comum exigem uma justa escala de bens-valores, que é possível estruturar tendo Deus como referência suprema. Não basta ter à nossa disposição muitos meios e muitas oportunidades de escolha, mesmo apreciáveis; é que tanto os inúmeros bens em função do desenvolvimento como as oportunidades de escolha devem ser empregues de acordo com a perspectiva duma vida boa, duma conduta reta, que reconheça o primado da dimensão espiritual e o apelo à realização do bem comum. Caso contrário, perdem a sua justa valência, acabando por erguer novos ídolos. Para sair da crise financeira e económica atual, que provoca um aumento das desigualdades, são necessárias pessoas, grupos, instituições que promovam a vida, favorecendo a criatividade humana para fazer da própria crise uma ocasião de discernimento e de um novo modelo económico. O modelo que prevaleceu nas últimas décadas apostava na busca da maximização do lucro e do consumo, numa óptica individualista e egoísta que pretendia avaliar as pessoas apenas pela sua capacidade de dar resposta às exigências da competitividade. Olhando de outra perspectiva, porém, o sucesso verdadeiro e duradouro pode ser obtido com a dádiva de si mesmo, dos seus dotes intelectuais, da própria capacidade de iniciativa, já que o desenvolvimento económico suportável, isto é, autenticamente humano tem necessidade do princípio da gratuidade como expressão de fraternidade e da lógica do dom. [5] Concretamente na atividade económica, o obreiro da paz aparece como aquele que cria relações de lealdade e reciprocidade com os colaboradores e os colegas, com os clientes e os usuários. Ele exerce a atividade económica para o bem comum, vive o seu compromisso como algo que ultrapassa o interesse próprio, beneficiando as gerações presentes e futuras. Deste modo sente-se a trabalhar não só para si mesmo, mas também para dar aos outros um futuro e um trabalho dignos. No âmbito económico, são necessárias – especialmente por parte dos Estados – políticas de desenvolvimento industrial e agrícola que tenham a peito o progresso social e a universalização de um Estado de direito e democrático. Fundamental e imprescindível é também a estruturação ética dos mercados monetário, financeiro e comercial; devem ser estabilizados e melhor coordenados e controlados, de modo que não causem dano aos mais pobres. A solicitude dos diversos obreiros da paz deve ainda concentrar-se – com mais determinação do que tem sido feito até agora – na consideração da crise alimentar, muito mais grave do que a financeira. O tema da segurança das provisões alimentares voltou a ser central na agenda política internacional, por causa de crises relacionadas, para além do mais, com as bruscas oscilações do preço das matérias-primas agrícolas, com comportamentos irresponsáveis por parte de certos agentes económicos e com um controle insuficiente por parte dos Governos e da comunidade internacional. Para enfrentar semelhante crise, os obreiros da paz são chamados a trabalhar juntos em espírito de solidariedade, desde o nível local até ao internacional, com o objetivo de colocar os agricultores, especialmente nas pequenas realidades rurais, em condições de poderem realizar a sua atividade de modo digno e sustentável dos pontos de vista social, ambiental e económico. Educação para uma cultura da paz: o papel da família e das instituições.  6. Desejo veementemente reafirmar que os diversos obreiros da paz são chamados a cultivar a paixão pelo bem comum da família e pela justiça social, bem como o empenho por uma válida educação social. Ninguém pode ignorar ou subestimar o papel decisivo da família, célula básica da sociedade, dos pontos de vista demográfico, ético, pedagógico, económico e político. Ela possui uma vocação natural para promover a vida: acompanha as pessoas no seu crescimento e estimula-as a enriquecerem-se entre si através do cuidado recíproco. De modo especial, a família cristã guarda em si o primordial projecto da educação das pessoas segundo a medida do amor divino. A família é um dos sujeitos sociais indispensáveis para a realização duma cultura da paz. É preciso tutelar o direito dos pais e o seu papel primário na educação dos filhos, nomeadamente nos âmbitos moral e religioso. Na família, nascem e crescem os obreiros da paz, os futuros promotores duma cultura da vida e do amor. [6] Nesta tarefa imensa de educar para a paz, estão envolvidas de modo particular as comunidades dos crentes. A Igreja toma parte nesta grande responsabilidade através da nova evangelização, que tem como pontos de apoio a conversão à verdade e ao amor de Cristo e, consequentemente, o renascimento espiritual e moral das pessoas e das sociedades. O encontro com Jesus Cristo plasma os obreiros da paz, comprometendo-os na comunhão e na superação da injustiça. Uma missão especial em prol da paz é desempenhada pelas instituições culturais, escolásticas e universitárias. Delas se requer uma notável contribuição não só para a formação de novas gerações de líderes, mas também para a renovação das instituições públicas, nacionais e internacionais. Podem também contribuir para uma reflexão científica que radique as atividades económicas e financeiras numa sólida base antropológica e ética. O mundo atual, particularmente o mundo da política, necessita do apoio dum novo pensamento, duma nova síntese cultural, para superar tecnicismos e harmonizar as várias tendências políticas em ordem ao bem comum. Este, visto como conjunto de relações interpessoais e instituições positivas ao serviço do crescimento integral dos indivíduos e dos grupos, está na base de toda a verdadeira educação para a paz. Uma pedagogia do obreiro da paz. 7. Concluindo, há necessidade de propor e promover uma pedagogia da paz. Esta requer uma vida interior rica, referências morais claras e válidas, atitudes e estilos de vida adequados. Com efeito, as obras de paz concorrem para realizar o bem co­mum e criam o interesse pela paz, educando para ela. Pensamentos, palavras e gestos de paz criam uma mentalidade e uma cultura da paz, uma atmos­fera de respeito, honestidade e cordialidade. Por isso, é necessário ensinar os homens a amarem-se e educarem-se para a paz, a viverem mais de benevolência que de mera tolerância. Incentivo fundamental será « dizer não à vingança, reconhecer os próprios erros, aceitar as desculpas sem as buscar e, finalmente, perdoar »,[7] de modo que os erros e as ofensas possam ser verdadeiramente reconhecidos a fim de caminhar juntos para a reconciliação. Isto requer a difusão duma pedagogia do perdão. Na realidade, o mal vence-se com o bem, e a justiça deve ser procurada imitando a Deus Pai que ama todos os seus filhos (cf. Mt 5, 21-48). É um trabalho lento, porque supõe uma evolução espiritual, uma educação para os valores mais altos, uma visão nova da história humana. É preciso renunciar à paz falsa, que prometem os ídolos deste mundo, e aos perigos que a acompanham; refiro-me à paz que torna as consciências cada vez mais insensíveis, que leva a fechar-se em si mesmo, a uma existência atrofiada vivida na indiferença. Ao contrário, a pedagogia da paz implica serviço, compaixão, solidariedade, coragem e perseverança. Jesus encarna o conjunto destas atitudes na sua vida até ao dom total de Si mesmo, até «perder a vida» (cf. Mateus 10, 39; Lucas 17, 33; João 12, 25). E promete aos seus discípulos que chegarão, mais cedo ou mais tarde, a fazer a descoberta extraordinária de que falamos no início: no mundo, está presente Deus, o Deus de Jesus Cristo, plenamente solidário com os homens. Neste contexto, apraz-me lembrar a oração com que se pede a Deus para fazer de nós instrumentos da sua paz, a fim de levar o seu amor onde há ódio, o seu perdão onde há ofensa, a verdadeira fé onde há dúvida. Por nossa vez pedimos a Deus, juntamente com o Beato João XXIII, que ilumine os responsáveis dos povos para que, junto com a solicitude pelo justo bem-estar dos próprios concidadãos, garantam e defendam o dom precioso da paz; inflame a vontade de todos para superarem as barreiras que dividem, reforçarem os vínculos da caridade mútua, compreenderem os outros e perdoarem aos que lhes tiverem feito injúrias, de tal modo que, em virtude da sua acção, todos os povos da terra se tornem irmãos e floresça neles e reine para sempre a tão suspirada paz.[8] Com esta invocação, faço votos de que todos possam ser autênticos obreiros e construtores da paz, para que a cidade do homem cresça em concórdia fraterna, na prosperidade e na paz. Vaticano, 8 de dezembro de 2012. www.w2.vatican.va. Abraço. Davi

quarta-feira, 15 de julho de 2020

QUEM SOU EU? O QUE EU VIM FAZER?


Espiritualidade. Livro Propósito – A Coragem de Ser Quem Somos. PREFÁCIO. “Depois de passar dos 40 anos e vencer um câncer que me colocou à beira do abismo, estou a pergunta: quem sou eu? E para quê? Qual é o significado dessa minha existência? Senti que eu estava sendo chamado para olhar de modo mais atento para essas e outras questões, então pedi para o meu ser mais profundo que me abrisse as portas do conhecimento. Até então eu já tinha entendido, com os chacoalhões da vida, que apesar de pouco (ou nada) sabermos sobre os mistérios da existência, o único jeito de vibrarmos num outro luar é através da experiência do amor. Só o amor é capaz de transformar tudo, curar, elevar nossa consciência. Então uma voz interna já me dizia que talvez esse fosse o sentido de tudo, a razão de estarmos aqui encarnados: aprendermos (ou reaprendermos) a amar. O que eu não sabia era: por que é tão difícil abrir o coração para amar de verdade, desinteressadamente? E eu não sabia sequer que tinha essa dificuldade. Então, numa perfeita sincronia, o meu caminho cruzou com o do Prem Baba, que desde então tem me ajudado muito a entender o sentido que busco, a caminhar rumo à consciência do propósito da minha alma, a me abrir para ouvir o comando do meu coração. Porém, para alcançar esse aprendizado, precisarei continuar passando pelo processo de purificação, olhar para minha sombra (ou maldade), para minhas dores, meus condicionamentos, abrir os porões para poder limpá-los, iluminá-los. E tudo isso requer muita coragem! Este livro é sobre o Propósito e seu estudo abrange tanta coisa, tem tantas vertentes! Aqui Prem Baba põe luz sobre o tema com a clareza própria de um líder espiritual, sugere caminhos, práticas e exercícios que podem facilitar os processos e entendimentos. Sabemos que estamos alinhados com nosso Propósito quando encontramos um motivo real para acordarmos e vivermos o dia com alegria! E esse motivo, em última análise, é vivermos o amor! Prem tem me ensinado bastante sobre isso e talvez faça parte do meu Propósito dividir meu caminha com vocês Namastê! (saudação hindu que diz: o Deus que está em mim felicita o Deus que está em você). Reynaldo Gianecchini (1972-  ), ator e modelo brasileiro. Texto de Sri Prem Baba (1951- ). INTRODUÇÃO. Talvez o maior infortúnio do ser humano tenha sido, em algum momento da sua jornada, ter acreditado ser o centro da criação. Nossa inteligência nos proporcionou muitas conquistas. Conseguimos um certo domínio sobre a matéria e com isso passamos a agir como se a natureza existisse somente para nos servir. O ego, enquanto símbolo da individualidade, tomou conta da nossa experiência na Terra. Essa visão limitada nos conduziu ao esquecimento de quem somos e do que viemos fazer aqui. E hoje sofremos de uma profunda doença chamada egoísmo, que nos leva a manifestar um grau insustentável de desrespeito à natureza e aos outros seres humanos, além de uma profunda ignorância em relação ao significado da vida. No decorrer dos séculos, temos usado nossa inteligência para reafirmar essa visão autocentrada e para provar que somos superiores a tudo e a todos. O ego, que é apenas um veículo para a experiência da alma neste plano, tornou-se o imperador máximo, e o individualismo tomou proporções brutais. Perdemos a conexão com nossa identidade espiritual e com a própria razão de estarmos aqui. Deixamos de nos questionar sobre o sentido da vida, e isso aprofundou o esquecimento da nossa essência e dos valores intrínsecos a ela. A teoria que considera o Universo como o produto de um acidente cósmico (o Big Bang) sustenta a visão materialista de que não existe um propósito para a vida. Se somos produto de um acidente, estamos aqui por acaso. E se estamos aqui por acaso, não há um propósito para a nossa existência. Essa ideia, porém, decorre da nossa incapacidade de explicar, através dos métodos científicos, o que está por trás do mistério da criação. E isso é o que nos leva a negar o espírito e a acreditar que não existe nada além do corpo e da matéria. Mas esse materialismo é o que tem impedido a nossa evolução, não somente espiritual, mas também material! Porque, dessa maneira, estamos nos tornando cada vez mais cegos e ignorantes em relação ao nosso próprio poder. A ideia de que somos apenas um corpo combinada à crença de que somos superiores a tudo é o que sustenta a indiferença diante da destruição do nosso planeta e o ceticismo em relação à espiritualidade. Desconsiderando até mesmo as descobertas não tão recentes da Física, continuamos cultivando uma visão estritamente materialista da vida. Enquanto indivíduos e sociedade, seguimos negando a existência de um espírito único que dá vida e interconecta todos os seres vivos e a natureza. Tudo isso, porém, faz parte dos desafios da experiência humana na Terra, pois nós estamos aqui justamente para realizar a lembrança de quem somos e do que viemos fazer. O esquecimento, apesar de ser um instrumento de aprendizado nesse jogo da vida, quando levado ao extremo, se torna um grande obstáculo para a expansão da consciência. A maioria não tem a mínima ideia do que veio fazer aqui e nem chega a se perguntar. Estamos nos aproximando de um ponto crítico, no qual uma virada se faz necessária. É como se estivéssemos mais perto do final de um grande projeto e estivéssemos sendo pressionados a cumprir nossa missão. Alguns dizem que o prazo final já passou e que não tem mais jeito. Outros acreditam que ainda temos chances de realizar nossa meta. Eu acredito que, para sermos bem sucedidos, precisaremos passar por grandes transformações. Em primeiro lugar, precisamos nos abrir para a verdade de que somos seres espirituais vivendo uma experiência na Terra e que nós todos temos uma missão comum, porque, sem essa consciência, estamos fadados à extinção. QUEM SOU EU? O QUE EU VIM FAZER AQUI? É parte de nossa missão chegar à resposta para essas perguntas. Estamos constantemente sendo levados a questionar e a encontrar soluções para questões como essas. O tempo todo somos convidados a perceber e compreender o Mistério. A natureza tem enviado mensagens bem claras de que chegou a hora de despertar do sonho do esquecimento e de acordar para a realidade. Tornou-se inaceitável que, com tanta informação disponível sobre a insustentabilidade do nosso estilo de vida, continuemos agindo sem a mínima consciência ecológica. Tornou-se inconcebível que ainda sejamos tão céticos e fechados para a percepção da realidade maior, que transcende a matéria, pois é esse fechamento que nos impede de ter acesso ao propósito da vida. Eu, como um mestre espiritual, mas principalmente como um ser humano consciente, tenho a obrigação de dizer a verdade, por mais dolorosa que ela possa ser: nós, seres humanos, estamos caminhando para um grande fracasso. Até este ponto da nossa passagem aqui na Terra, não fomos capazes de encontrar essa tão desejada felicidade. E isso ocorre pelo fato de estarmos buscando no lugar errado – fora de nós. A felicidade não está no futuro, nos bens materiais ou na opinião que os outros têm sobre nós. Ela está aqui e agora, dentro de nós. Precisamos ter coragem e humildade para abrir mão do orgulho e assumir nossos erros. Precisamos nos curar do egoísmo. E somente o autoconhecimento pode trazer essa cura. E foi justamente com o intento de oferecer instrumentos que possibilitam e facilitam o processo de autoconhecimento, mas principalmente com o intuito de dar movimento a uma energia capaz de impulsionar uma verdadeira transformação, que eu decidi escrever este livro. Todos e cada um de nós viemos para este plano com uma missão, um propósito a ser realizado. E apesar de, na superfície, não sermos iguais e termos diferentes qualidades, estamos unidos por um propósito único que, em última instância, é a expansão da consciência. E a consciência se expande através do amor. Por isso costumo dizer que o nosso trabalho enquanto seres humanos é despertar o amor, em todos e em todos os lugares. Podemos comparar o processo de expansão da consciência ao desenvolvimento de uma árvore. A raiz representa nossas memórias, nossas heranças, nossos ancestrais, ou seja, nossa história na Terra. Ao mesmo tempo em que nos mantém aterrados, a raiz não nos deixa cair. Ela é o que dá sustentação ao tronco da árvore, que, por sua vez, representa nossos valores e virtudes consolidados. Quanto mais forte o tronco, mais alto podemos chegar. Os galhos representam os desdobramentos das nossas virtudes em dons e talentos: as folhas representam o impulso de vida e a nossa eterna capacidade de renovação. E quando conseguimos nos tornar canais do amor, através dos nossos dons e talentos, brotam flores e frutos que representam justamente o que viemos realizar, o que viemos oferecer ou entregar ao mundo. As flores e os frutos representam a manifestação ou a realização do nosso propósito de vida. Agora eu quero convidar você a embarcar comigo numa jornada rumo à expansão da consciência. Trata-se de uma aventura cheia de incertezas e desafios que nos leva da semente ao fruto, da Terra ao céu, do esquecimento à lembrança, do estado de adormecimento ao estado de consciência desperta. Uma jornada que revela os infinitos desdobramentos do amor – esse poder que nos habita, nos move e  nos liberta. O amor é a semente, a seiva e o sabor do fruto. Ele é a beleza e a fragrância da flor. O início, o meio e o fim. Despertar o amor é o motivo de estarmos aqui. Que a transmissão contida neste livro possa servir de inspiração e guia para o seu caminhar. Livro Propósito – A Coragem de Ser Quem Somos. Abraço. Davi.

terça-feira, 14 de julho de 2020

CURVA DA COVID SUGERE IMUNIDADE MAIOR E SEGUNDA ONDA MENOS PROVÁVEL


www.jornaldebrasilia.com.br. CURVA DA COVID SUGERE IMUNIDADE MAIOR E SEGUNDA ONDA MENOS PROVÁVEL. Nos países que vinham sendo poupados, os casos estão subindo, elevando a média geral tanto no Brasil como nos Estados Unidos. Texto de Fernando Canzian – São Paulo – SP. Em 13/07/2020. Em praticamente todas as regiões do mundo mais duramente afetadas pelo novo coronavírus e que retomaram as atividades há queda sustentada no número de mortes e infecções. A tendência é a mesma na Europa e nos estados brasileiros e norte-americanos mais contaminados. Nos que vinham sendo poupados, os casos estão subindo, elevando a média geral tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. Na Europa, onde a epidemia chegou antes, ela está em declínio, apesar de muitos países terem voltado a funcionar quase normalmente. Nos EUA, cidades mais afetadas e que tiveram ondas de protestos de rua contra o racismo após a morte de George Floyd, em 25 de maio, também não tiveram novos surtos. Já estados como Califórnia e Texas, alheios à irrupção inicial, são os novos focos. No Brasil, cidades como São Paulo, Manaus, Rio e Recife, já fortemente afetadas, estão reabrindo até agora sem repiques. Mas a epidemia se alastra no interior, assim como nas regiões Sul e Centro Oeste, até então poupadas. Epidemiologistas e novos estudos sugerem que a chamada imunidade coletiva necessária para conter a expansão da Covid-19 pode ter sido superestimada ou estar sendo calculada de forma imprecisa. Isso explicaria a não ocorrência de uma segunda onda de infecções até agora. Mesmo que, nos locais inicialmente mais afetados e reabertos, menos de 20% da população tenha desenvolvido anticorpos para o novo coronavírus. Há alguns meses, estimava-se que até 70% das pessoas deveriam contrair o vírus antes que ele não encontrasse hospedeiros para se propagar. O motivo pode ter relação com ao menos dois fatores: 1) Muito mais pessoas pegaram o vírus e desenvolveram anticorpos que diminuem com o tempo, resultando depois em testes negativos; ou elas se curaram mesmo sem a criação de anticorpos; 2) O principal vetor de transmissão do vírus seriam os adultos jovens, que circulam mais pelas cidades, sobretudo em transportes coletivos. Tome-se o caso de Manaus, considerada por epidemiologistas como um campo de provas para a livre evolução da epidemia devido ao baixíssimo isolamento social que resultou no colapso dos sistemas de saúde e funerário. Segundo a Epicovid19, maior mapeamento do coronavírus do país conduzindo pela Universidade Federal de Pelotas, o máximo de prevalência de anticorpos na população da capital do Amazonas foi encontrado entre os dias 4 e 7 de junho: 14,6%. Na rodada seguinte de testes, entre 21 e 24 de junho, a pesquisa encontrou só 8% dos manauaras com anticorpos. Junho foi o mês em que os sepultamentos e cremações em Manaus se reaproximaram das taxas pré epidemia; e julho vem sendo marcado pela desmobilização de parte do aparato para a Covid-19. Na cidade de São Paulo, com mais isolamento e menos mortes que Manaus, proporcionalmente, o máximo de prevalência de anticorpos encontrada na população foi de 3,3%, entre 14 e 21 de maio. Mesmo assim, e apesar da reabertura gradual, a capital registra queda sustentada de novos casos, a ponto de oferecer leitos a cidades onde a epidemia agora avança. Segundo imunologistas, é provável que o Sars-CoV-2 possa estar sendo combatido em duas frentes: pelos linfócitos (células) B, que produzem anticorpos, na resposta imune denominada humoral; e pelos linfócitos T, que não fazem isso, mas que também combatem o vírus eliminando células infectadas –nesse caso, por resposta citotóxica. Como a ação dos linfócitos T não produz anticorpos, muitas pessoas teriam defesa contra o vírus sem que a maioria dos testes hoje aplicados (não celulares) detecte isso. Outro ponto é que os anticorpos produzidos pela ação dos linfócitos B podem diminuir com o tempo, mas sem que se perca a imunidade. Isso explicaria a redução da prevalência, com o tempo, de anticorpos detectados na população nos testes em Manaus e em outras cidades monitoradas pela Epicovid19 —e sem que haja novos surtos. Para Julio Croda, infectologista da Fiocruz, a imunização contra o coronavírus pode estar se dando de forma “cruzada”: pela suscetibilidade individual (com linfócitos B e T) e por outros fatores genéticos combinados às políticas de distanciamento social e o uso de máscaras. “Sem o distanciamento e a máscara, o percentual de infectados e mortos na população teria de ser muito maior para chegarmos à imunidade comunitária”, afirma. Por discordar do presidente Jair Bolsonaro na questão do isolamento social, Croda deixou a direção do Departamento de Imunizações e Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde no final de março. Para Natalia Pasternak, doutora em microbiologia pela USP e presidente do Instituto Questão de Ciência, o ataque ao vírus pelos dois tipos de linfócitos (B e T) e o fato de os anticorpos poderem cair abaixo do detectável, sem prejudicar a imunização, tornam difícil aferir o tamanho da população ainda suscetível ao vírus. “Ela talvez já não seja tão grande, mas não sabemos. O que não podemos é tratar isso de forma que dê a impressão de um liberou geral [onde o vírus já fez muito estrago].” Pasternak afirma que a imunidade total só pode ser obtida com um número muito elevado de mortes ou com uma vacina –as principais em elaboração hoje tentam emular os dois caminhos (humoral e citotóxico) para a destruição do novo coronavírus. Para Daniel Soranz, pesquisador da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz, o número elevado de mortes em algumas cidades do Brasil ajudaria a explicar a inexistência de uma segunda onda de infecções, apesar da reabertura desses locais. “Isso ocorre às custas de muitas mortes. Pois se fossemos desenhar um cenário ruim, não poderíamos criar nada pior do que o que vimos em algumas cidades do Brasil, sobretudo nas comunidades mais pobres, como as daqui do Rio”, afirma Soranz. Agora, sem nenhuma fila e com cerca de mil pacientes em leitos de UTI no Sistema Único de Saúde, em menos de 20 dias a capital fluminense poderá zerar as internações — a um ritmo de 50 saídas ao dia, por alta hospitalar ou morte. Esper Kallás, infectologista e professor da USP, suspeita que tenham sido justamente os moradores das comunidades menos ricas, sobretudo os adultos jovens, os maiores responsáveis pela disseminação do coronavírus e da obtenção de uma imunidade comunitária maior nas cidades mais afetadas até agora. Mesmo que não detectada totalmente nas pesquisas de prevalência imunológica, como as da Universidade Federal de Pelotas, essa imunidade maior impediria agora uma segunda onda de infecções. “Os adultos jovens, que se locomovem muito mais em transporte público, e que não apresentam sintomas importantes, parecem ter sido os grandes disseminadores do vírus e os responsáveis, neste segundo momento, pela contenção de sua propagação.” Kallás afirma que, no caso da gripe comum, a imunidade comunitária é atingida com 33% a 44% da população infectada. Em se tratando da Covid-19, a taxa necessária para que isso ainda é incerta, mas ele suspeita que seja menor. Sergio Cimerman, coordenador científico da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), alerta, porém, para os cuidados que devem ser tomados onde as atividades vem sendo retomadas. “Estamos longe de qualquer sinal de uma segunda onda, apesar da flexibilização em muitos locais. O que é certo é que o risco aumenta quando existem aglomerações.” Para a professora e infectologista Raquel Stucchi, da Unicamp, a dinâmica da pandemia do novo coronavírus tem sido um aprendizado —e ele ainda não teria terminado. “O Brasil foi o único país que iniciou a flexibilização na subida da curva. Quem fez isso próximo do platô, parece ainda estar em situação adequada. Já o interior, que tentou flexibilizar antes, acabou se dando muito mal”, afirma. Agora, com a epidemia avançando mais no Sul, no Centro Oeste e no interior, esse conjunto de decisões estaduais e municipais, combinado ao enorme grau de desorganização do governo federal, ainda provoca cerca de 40 mil infecções e mais de 1.000 mortes no Brasil todos os dias. www.jornaldebrasilia.com.br. Abraço. Davi

Editor do Mosaico. O Brasil com mais de 1 milhão e 900 mil infectados além de mais de 73 mil mortos. Estados Unidos com mais de 3 milhões e 300 mil casos além de mais de 135 mil óbitos são os países mais afetados pelo novo coronavirus. No mundo, eles, ocupam o segundo e primeiro lugares nessa trágica lista. O planeta já registrou mais de 12 milhões e 900 mil casos com mais de 571 mil mortes. Os dois países detêm quase a metade de todos os falecimentos até agora. A reportagem traz esperança de uma luz no fim do túnel. Mesmo que seja um pequenino ponto luminoso quase imperceptível. A ideia já é conhecida pela ciência a décadas, trata-se da imunidade de rebanho. Um assunto ainda sem unanimidade entre os estudiosos do covid-19. Porém, o registro é enfatizado no texto. A tal imunidade de rebanho só virá quando aproximadamente mais de 90 por cento da população de determinado país ou região for infectada. Como ainda não temos vacina e nesse patamar, o número de mortos seria assustadoramente gigantesco. A expectativa positiva desse estudo deve ser levada em consideração. Mencionam que o DNA e RNA são elementos preponderantes quanto a transmissão, não transmissão e morte do vírus ao entrar no organismo humano. Esse é um mecanismo realizado pelo sistema linfático responsável pela produção dos anticorpos. Assim, grande parcela dos indivíduos eliminariam o agente nocivo, criando um “cordão de retraimento” diminuindo a ação e o transito do vírus no ambiente.  Consequentemente impedindo sua proliferação e difusão. Essa é uma das ideias referida. Contudo, pesquisas ainda inconclusivas, e carentes de experimentação sugerem que a imunidade adquirida por recuperados do covid-19 não durem nem 3 meses. Essa a meu ver representa mais especulação, pois se divulgam resultados carentes de comprovação. O Brasil, infelizmente, é um dos países que menos testam para a covid-19. Nossa taxa é inferior a países como Cuba – 2,65. Chile – 6,43. Paraguai – 0,83. Peru – 4,44. Equador – 1,15. Países como Alemanha – 25,11. Itália – 23,64. Estados Unidos – 12,08 estão muito a nossa frente. A testagem do Brasil é de 0,63 ou 63 por cada 100 mil habitantes. Isso mostra que nossa real situação da pandemia está sub notificada. Os casos de infeções e mortes são muitíssimo maiores. Triste saber ainda que os Presidentes do Brasil e Estados Unidos, os países que mais sofrem com a pandemia atualmente, são os mais politizadores do tema. Criam elementos alheios ao debate duvidando do que a ciência, sanitaristas  e os infectologistas dizem quanto ao tratamento e cuidado pessoal para não contrair o vírus. Além de questionar medidas para conter a propagação do contágio entre a população. Especialistas dizem que o Brasil está bem perto do platô ou curva descendente da pandemia. Quando os contágios de pessoas, mortes, internações e UTIs começarem a declinar. Lembrando porém que a estabilização de casos e mortes ainda está bem alto. Os falecimentos chegam a impressionante marca de mais de 1.000 por dia. Enquanto não chega essa inclinação para baixo devemos continuar nos prevenindo e salvaguardando outros. As medidas, já conhecemos, usar máscaras sempre que sair de casa. Lavar as mãos regularmente. Manter distanciamento entre as pessoas de no mínimo 1,50 metros em ambientes fechados e abertos. Continuar praticando o isolamento social “quarentena”. Não esquecendo o esforço dos laboratórios e cientistas na produção de uma vacina. Alguns apostam que até o final do ano teremos condições de uma vacinação em massa da população mundial. China e Reino Unido já fazem testes em humanos com resultados promissores. A advertência espiritual é. Se o governo brasileiro continuar nessa política equivocada quanto ao desmatamento das florestas: amazônica, mata atlântica e cerrado. Fazendo "vista grossa" a grilhagem, contrabando e afrouxando a legislação ambiental. Favorecendo empresários e empreendimentos nessa área as custas da fauna e flora nativas. Tardando em amparar e assistir nossa população indígena. Extremamente carente da assistência dos órgãos públicos. É necessário o crescimento do país, mas ele deve ser feito com preservação da natureza. Do contrário, a disciplina cármica tratará com severidade nosso lamentável e inescrupuloso descaso com a criação divina. Finalizo com um alerta. A Organização Mundial de Saúde e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária não recomendam o uso dos seguintes remédios: cloroquina, ivermectina, azitromicina e hidroxicloroquina para tratamento da covid-19. Muito menos como prevenção da doença. Mesmo que médicos prescrevam o medicamento é prudente não tomá-los. Todos produzem efeitos colaterais debilitantes ao organismo, agravando os sintomas. Que o Eterno continue tendo misericórdia de nós  e abençoe-nos a todos. Abraço. Davi.

segunda-feira, 13 de julho de 2020

OS ANALECTOS - LIVRO XIII


Confucionismo. www.https//rb.br. OS ANALECTOS – LIVRO XIII. 1. Tzu-lu perguntou sobre governo. O Mestre disse: “Dê o exemplo você mesmo e, assim, estimule o povo a trabalhar duro”. Tzu-lu perguntou mais. O Mestre disse: “Não permita que seus esforços esmoreçam”. 2. Enquanto era administrador da família Chi, Chung-kung perguntou sobre governo. O Mestre disse: “Sirva de exemplo para os seus oficiais seguirem; mostre tolerância para com pequenos ofensores; e promova homens de talento”. “E como identificar os homens de talento, para promovê-los?” O Mestre disse: “Promova aqueles que você reconhece. Acha que os outros vão permitir que aqueles que você não reconhece sejam esquecidos?”. 3. Tzu-lu disse: “Se o senhor de Wei o encarregasse da administração (cheng) do estado, o que o senhor faria primeiro?”. O Mestre disse: “Se algo tem de ser feito primeiro, é, talvez, a retificação (cheng) [140] dos nomes”. Tzu-lu disse: “É mesmo? Que caminho indireto o Mestre toma! Para que tratar da retificação?”. O Mestre disse: “Yu, como você é atrapalhado. Espera-se que um cavalheiro não ofereça nenhuma opinião sobre aquilo que desconhece. Quando os nomes não são corretos, o que é dito não soará razoável; quando o que é dito não soa razoável, os negócios não culminarão em sucesso e ritos e músicas não florescerão; quando ritos e música não florescerem, a punição não encerrará os crimes; quando a punição não encerrar os crimes, o povo ficará desanimado. Assim, quando o cavalheiro nomeia algo, o nome com certeza terá uma função no seu discurso, e, quando ele disser algo, com certeza será algo passível de ser colocado em prática. Um cavalheiro é tudo menos casual quando se trata de linguagem”. 4. Fan Ch’ih pediu que Confúcio lhe ensinasse a criar animais. O Mestre disse: “Não sou tão bom quanto um velho fazendeiro”. Fan Ch’ih pediu que lhe ensinasse como cultivar vegetais. “Não sou tão bom quanto um velho jardineiro”. Quando Fan Ch’ih foi embora, o Mestre disse: “Que tolo é Fan Hsü! Quando os governantes amam os ritos, nenhuma pessoa comum ousará ser irreverente; quando amam aquilo que é correto, nenhuma pessoa comum ousará ser insubordinada; quando amam que haja coerência com aquilo que é dito, nenhuma das pessoas comuns ousará ser insincera. Desse modo, pessoas dos quatro cantos acorrerão, com os filhos atados às costas. Que necessidade há de falar sobre a criação de animais?”. 5. O Mestre disse: “Se um homem que conhece as trezentas Odes de cor falha quando lhe são dadas responsabilidades administrativas e se mostra incapaz de ter iniciativa própria quando enviado para estados estrangeiros, então qual a utilidade das Odes para ele, independentemente de quantas ele tenha aprendido?”. 6. O Mestre disse: “Se um homem é correto, então haverá obediência sem que ordens sejam dadas; mas se ele não é correto, não haverá obediência, mesmo que ordens sejam dadas”. 7. O Mestre disse: “Em seus governos, os reinos de Lu e Wei são como irmãos”. 8. O Mestre disse sobre o príncipe Ching de Wei que ele mostrava uma atitude louvável em relação à sua moradia. Quando ele pela primeira vez teve uma casa, disse: “É adequada”. Quando a ampliou um pouco, disse: “É completa”. Quando ela se tornou suntuosa, ele disse: “É admirável”. 9. Quando o Mestre foi para Wei, Jan Yu conduziu a carruagem para ele. O Mestre disse: “Que população florescente!”. Jan Yu disse: “Quando a população floresce, que outro benefício pode-se acrescentar?”. “Fazer as pessoas ricas.” “Quando as pessoas tornam-se ricas, que outro benefício pode-se acrescentar?” “Educá-las.” [141] 10. O Mestre disse: “Se alguém me empregasse, dentro do período de um ano eu deixaria as coisas em um estado satisfatório e depois de três anos eu teria provas disso para mostrar”. 11. O Mestre disse: “Como é verdadeiro o ditado que diz que depois que um reino foi governado durante cem anos por bons homens é possível vencer a crueldade e acabar com os homicídios!”. 12. O Mestre disse: “Mesmo com um rei de verdade, leva-se uma geração inteira para que a benevolência torne-se realidade”. 13. O Mestre disse: “Se um homem consegue fazer com que ele próprio seja correto, que dificuldade haverá para ele tomar parte no governo? Se ele não consegue fazer com que ele próprio seja correto, o que tem ele a ver com fazer os outros serem corretos?”. 14. Jan Tzu voltou da corte. O Mestre disse: “Por que tão tarde?”. “Assuntos de Estado.” O Mestre disse: “Só podem ter sido coisas de rotina. Houvesse algum assunto de Estado, eu teria ficado sabendo sobre ele, mesmo que eu não tenha mais nenhum cargo”. 15. O duque Ting perguntou: “Existe uma máxima que garanta a prosperidade de um reino?”. Confúcio respondeu: “Uma máxima não pode fazer exatamente isso. Há um ditado entre os homens: ‘É difícil ser um governante, e tampouco é fácil ser súdito’. Se um governante entende a dificuldade de ser um governante, então não se trata praticamente de uma máxima levando o reino à prosperidade?”. “Existe uma máxima que possa levar o reino à ruína?” Confúcio respondeu: “Uma máxima não pode fazer exatamente isso. Há um ditado entre os homens: ‘Não gosto de ser um governante, exceto pelo fato de que ninguém vai contra aquilo que eu digo’. Se o que ele diz é bom e ninguém vai contra ele, ótimo. Mas e se o que ele diz não é bom e ninguém vai contra ele, então não se trata praticamente de uma máxima levando o reino à ruína?”. 16. O governador de She perguntou sobre governo. O Mestre disse: “Certifique-se sempre de que aqueles que estão perto estejam satisfeitos e de que aqueles que estão longe sejam atraídos”. 17. Ao se tornar prefeito de Chü Fu, Tzu-hsia perguntou sobre governo. O Mestre disse: “Não seja impaciente. Não tenha em mente apenas ganhos pequenos. Se você for impaciente, não atingirá o seu objetivo. Se tiver em mente apenas pequenos ganhos, as grandes missões não serão cumpridas”. 18. O governador de She disse a Confúcio: “Em nossa aldeia há um homem que é chamado de ‘Retidão’. Quando o pai dele roubou uma ovelha, ele o denunciou”. Confúcio respondeu: “Em nossa aldeia, aqueles que são corretos são muito diferentes. Os pais protegem os filhos, e os filhos protegem os pais. Retidão é algo encontrado nesse comportamento”. 19. Fan Ch’ih perguntou sobre benevolência. O Mestre disse: “Quando estiver em casa, mantenha-se em uma atitude respeitosa; quando estiver servindo como oficial, seja reverente; quando lidar com outros, dê o melhor de si. Essas são qualidades que não podem ser deixadas de lado, mesmo que você vá viver entre bárbaros”. 20. Tzu-kung perguntou: “Como deve ser um homem para que possam chamá-lo verdadeiramente de Cavalheiro?”. O Mestre disse: “Um homem que se mostra honrado na forma com que se conduz e que, quando enviado para o exterior em missão, não desgraça o nome de seu senhor pode ser chamado de Cavalheiro”. “E abaixo dele, quem merece figurar?” “Alguém que dentro do próprio clã é elogiado por ser um bom filho e que na sua aldeia é elogiado por ser um jovem respeitoso.” “E a seguir?” “Um homem que insiste em manter sua palavra e em levar suas ações até o fim talvez esteja qualificado para ser o próximo, mesmo que mostre uma teimosa estreiteza da mente.” “E quanto aos homens que estão na vida pública, presentemente?” O Mestre disse: “Oh, eles são de capacidade tão limitada que mal contam”. 21. O Mestre disse: “Se é impossível encontrar homens moderados para companheiros, deve-se, se não há alternativa, voltar-se aos indisciplinados e aos cautelosos. Os primeiros arriscam-se a qualquer coisa, enquanto os últimos demarcam o limite para alguns tipos de ações”. 22. O Mestre disse: “As pessoas do sul têm um ditado: Um homem sem consistência [142] não dará nem um xamã nem um médico. Muito bem dito! ‘Se uma pessoa não demonstra uma virtude consistente, essa pessoa passará, talvez, vergonha.’” [143] O Mestre continuou, para comentar: “A importância do ditado é simplesmente a de que, em tal caso, não há razão alguma para consultar um oráculo”. 23. O Mestre disse: “O cavalheiro concorda com os outros sem ser um eco. O homem vulgar ecoa sem estar de acordo”. 24. Tzu-kung perguntou: “‘Todos na aldeia gostam dele.’O que você acha disso?” O Mestre disse: “Isso não é o suficiente”. “‘Ninguém na aldeia gosta dele.’O que acha disso?” O Mestre disse: “Isso tampouco é suficiente. ‘Aqueles na aldeia que são bons gostam dele e aqueles na aldeia que são maus não gostam dele.’Isso ficaria melhor”. 25. O Mestre disse: “O cavalheiro é fácil de ser servido mas difícil de agradar. Ele não ficará satisfeito a menos que você tente agradá-lo seguindo o Caminho, mas quando se trata de empregar os serviços de outras pessoas, ele o faz dentro dos limites da capacidade delas. O homem vulgar é difícil de ser servido mas fácil de agradar. Ele ficará satisfeito mesmo que você tente agradá-lo sem seguir o Caminho, mas quando se trata de empregar os serviços de outros, ele exige perfeição”. 26. O Mestre disse: “O cavalheiro fica à vontade sem ser arrogante; o homem vulgar é arrogante sem ficar à vontade”. 27. O Mestre disse: “Força inquebrantável, resolução, simplicidade e reticência [144] são próximas da benevolência”. 28. Tzu-lu perguntou: “Como deve ser um homem para que mereça que o chamem de Cavalheiro?”. O Mestre disse: “Alguém que é, por um lado, sincero e inteligente e, por outro lado, cordial merece ser chamado de Cavalheiro – sincero e inteligente entre os seus amigos e cordial entre irmãos”. 29. O Mestre disse: “Depois que um homem bom educou o povo por sete anos, aí então o povo estará pronto para pegar em armas”. 30. O Mestre disse: “Mandar o povo para a guerra sem que ele tenha educação é jogá-lo fora”. www.http//rb.br.

domingo, 12 de julho de 2020

A ESTRUTURA DO MUNDO II


Religião Afro-brasileira. O Candomblé da Bahia – Rito Nagô. Tradução de Maria Isaura Pereira de Queiroz (1918-2018) Capítulo III. A ESTRUTURA DO MUNDO II. As apetebi e os babalaô de grau superior utilizam de 16 búzio. Finalmente, certos babalaô têm um jogo de 32 búzios. Todavia, as apetebi não têm o direito de ultrapassar as 16 "letras", como se diz muitas vezes no meio africano. Embora existindo búzios nas praias do Brasil, não são empregados na adivinhação. Esta só pode ser praticada com caramujos vindos da África e que no mercado são vendidos a alto preço. Cada búzio tem uma das faces quebrada, de maneira a apresentar um lado aberto e outro fechado. O adivinho sacode os entre as duas mãos reunidas em concha e lança-os; segundo a maneira pela qual caem, lê-se a "palavra" formada. O jogo mais utilizado é o de 16 búzios. Eis, com relação a este, a lista das combinações possíveis e os significados peculiares à Bahia: 1 aberta 15 fechadas Nome do odu: Okaran: Exú fala. 2 abertas 14 fechadas Nome do odu: Eiioko: os lbeji falam. 3 abertas 13 fechadas Nome do odu: Etaogunda: Ogun fala. 4 abertas 12 fechadas Nome do odu: Orosun: Xangô fala. 5 abertas 11 fechadas Nome do odu: Oxé: Yemanjá-Ogun falam. 6 abertas 10 fechadas Nome do odu: Obara: Yansan fala. 7 abertas 9 fechadas Nome do odu: Odí: Exú fala. 8 abertas Nome do odu: Ejionilé: Oxalá fala. 9 abertas 7 fechadas Nome do odu:osa : Yemanjá fala. 10 abertas 6 fechadas Nome do odu: ofu: Oxalá fala. 11 abertas 5 fechadas Nome do odu: Owanrin: Exú fala.  12 abertas 4 fechadas Nome do Odu: Efila Sebora : Xangô fala. 13 bertas 3 fechadas Nome do odu: Efi ologbon: Obetegunda fala. 14 abertas 2 fechadas Nome do odu: Ika: Oxunmaré fala. 15 abertas 1 fechada Nome do odu: ? Obatala fala. 16 abertas ou 16 fechadas: a  jogada é nula, é preciso recomeçar. No interior dos candomblés há filhas de Oxun; têm o direito de tirar a sorte com os búzios devido à sua filiação espiritual. Assim, o edilogun não é privativo dos babalaô. Pode-se vê-lo praticado também no interior dos terreiros por yauô que pertencem a Oxun. O colar de Ifa, ao contrário, é privilégio dos babalaô unicamente e estes, para utilizá-lo, têm de se submeter a uma iniciação e aprendizagem especiais. Este colar ou opelê é composto de quatro metades de nozes de cola presas a uma cadeiazinha de ferro que se joga sobre a mesa de modo a cair formando um U cuja abertura fica colocada diante do adivinho (segundo o método yoruba que neste ponto se distingue do método dahomeano). As duas extremidades do U são de sexo diferente, e neste sistema yoruba, a extremidade masculina está à direita do babalaô, a extremidade feminina à sua esquerda. A diferença de sexo está indicada simbolicamente por um pequeno nó para o sexo masculino, por uma pequena franja de quatro a cinco pedacinhos de linha para o sexo feminino. As metades de noz ao cair apresentam os lados convexos, ou os lados côncavos, obtendo-se então 16 palavras ou odu. Antigamente existiam na Bahia, e talvez ainda existam hoje, pequenas pranchas de madeira ou ononifa sobre as quais eram inscritos os Odu, de acordo com o que mostrava o opelê. Duas linhas para cada metade de noz caída sobre o lado côncavo, uma linha para a que caía sobre o lado convexo. Como existem dois lados, masculino e feminino, e quatro metades de nozes de cada lado, temos duas séries de linhas que se marcam na prancha e que são lidas da direita para a esquerda. Está claro que esta marcação de linhas não é necessária em todas as cerimônias, não é obrigatória senão para quem quer fazer seu Fa pessoal ou kpoli. Quando se trata de uma consulta comum, o babalaô se contenta em ler o odu sem escrevê-lo, pronunciando em voz alta seu nome e interpretando-o. Não vimos nunca na Bahia, sem dúvida por não termos feito nosso kpoli, nenhum babalaô escrever os odu. Mas como é mais cômodo para a leitura desenhá-los do que descrevê-los minuciosamente, damos a título de indicação o quadro dos 16 sinais duplos. 1 - Direito: 4 metades de noz caídas sobre o lado convexo Esquerdo: 4 caídas do lado convexo: Ogbe-meji. 2 - Direito: 4 metades caídas do lado côncavo Esquerdo: 4 caídas do lado côncavo: Oye-Ku-meii,. 3 - Direita e esquerda: duas metades caídas sobre o lado côncavo entre duas metades caídas sobre o lado convexo: Iwori-meji. 4 - Dos dois lados, duas metades caídas sobre a face convexa entre duas metades caídas sobre a face côncava: Ode-meji. 5 - Dos dois lados, duas metades sobre a face convexa, seguidas de duas metades sobre a face côncava: Irosun-meji. 6 - O odu seguinte é inteiramente o inverso do precedente: Dwonrin-meji. 7 - Dos dois lados, meia noz sobre a face convexa e três sobre a face côncava: Obara-meji. 8 - O inverso do precedente: Okaran-meji. 9 - Dos dois lados, duas meias-nozes sobre as faces convexas, e uma sobre a face côncava: Oguda-meji. 10 - O inverso da jogada precedente: Osa-mefi. 11 - De cada lado, uma meia noz sôbre a face côncava, uma sobre a face convexa, as duas últimas sobre as faces côncavas: Ika-meji. 12 - O inverso da figura precedente: Oturuson-mefi. 13 - De cada lado, uma meia noz sobre a face convexa, uma sobre a face côncava, as duas últimas sobre as faces convexas: Otura-meji. 14 - O inverso da figura precedente: Irete-meji. 15 - Dos dois lados, alternativamente, uma meia noz sobre a face convexa, e uma meia noz sobre a face côncava: Osemeji. 16. - Dos dois lados, alternativamente, meia noz sobre a face côncava, meia noz sobre a face convexa: Ofu-meji. Estes sinais estão colocados em certa ordem: os odu são considerados filhos de ifa, nasceram uns após outros e os mais velhos são tidos, por isso, como mais fortes que os mais jovens. A esta primeira observação é preciso acrescentar outra, tão importante quanto ela: é muito raro que as metades de noz dos lados direito e esquerdo caiam exatamente simétricas. Os 16 odu que apresentamos são os odu-meji, mas podem se combinar entre si e formar assim até 256 figuras, da qual cada metade é uma das metades de um dos odu-mefi. Por exemplo, a parte direita do opelê pode formar uma das metades de Irete, e a parte esquerda, uma das metades de Irosun. Neste caso, é a metade mais forte do odu-mefi que vence; no exemplo que acabamos de dar, seria o Irosun, que tem o nº5, enquanto Irete tem o nº14 e é, por conseguinte, muito mais jovem. Vê-se que o modo de proceder na Bahia não apresenta teoricamente nada de muito difícil. Mas, isto posto, cada odu, simétrico ou complexo, tem um significado diferente; está ligado a certos sacrifícios que o consulente deve fazer, e que variam em importância e composição de sinal para sinal. E também a todo um conjunto de historiazinhas que miticamente explicam o significado, fasto, neutro ou nefasto, do odu. Isto é verdadeiro não apenas para os 16 sinais do opelê, como ainda para os 16 sinais do edilogun que apresentamos atrás. Desse modo, compreende-se que condição principal para o indivíduo ser babalaô é possuir boa memória. Mas, para auxiliá-la, conserva-se a lista dos sacrifícios e as historietas registradas em cadernos escolares, ao abrigo de olhares indiscretos. Tivemos um em nosso poder. Ora, é interessante notar que os mitos assim copiados são também encontrados em Cuba e na África. Tais são os quatro processos principais de adivinhação dos africanos da Bahia, resumidos brevemente. Somente os dois últimos pertencem aos babalaô, embora os babalorixá tentem usurpar-lhes hoje o edilogun. É verdade que, mesmo conseguindo os babalorixá obter vitória neste domínio, os babalaô continuariam únicos detentores do colar de Ifa. Infelizmente, estes apresentam atualmente tendência para abandonar Ifa por Exú, o opelê pelo edilogun. Os informantes que pude interrogar a respeito deste estranho enfraquecimento de lfa deram-me duas razões diferentes mas não contrárias: a primeira é que o sacerdote de Ifa deve obrigatoriamente formar, antes de morrer, um aprendiz em sua arte. Senão Ifa condenar-lhe-á a alma a errar em torno da terra, sem poder se reencarnar nem encontrar descanso. Ora, é difícil hoje encontrar alguém que queira consagrar sua vida a Ifa. A segunda razão que, como se vai ver, longe de se opor à primeira, ao contrário explicaria aquela amarga constatação final, é que quanto mais se sobe na hierarquia sacerdotal, mais numerosos são os tabus que manietam as pessoas. As obrigações ou as proibições concernentes aos babalaô que trabalham com os opelê são muitíssimo mais rigorosas do que as dos babalaô que se contentam em trabalhar com 16 ou 32 búzios. Ora, hoje em dia os jovens querem gozar a vida e, uma vez que os búzios respondem tão bem quanto o colar de Ifa, os babalaô de nossa época, para evitar carga que se tornou pesada demais para seus ombros, preferem não trabalhar senão com o edilogun. Sôbre o culto de Ifa paira pois ameaça de desaparecimento, embora subsista ainda hoje na Bahia. Mas, trabalhem os babalaô com Ifa ou com Exú, devem obedecer em suas jogadas a certo número de regras que nos resta agora definir. Primeiramente, a consulta não pode se realizar em qualquer lugar. Tor-
namos a encontrar aqui o espaço sagrado, com o qual já nos tínhamos deparado no candomblé. Toda casa de babalaô contém, afora os aposentos da habitação, um quarto especial no qual Ifa ou Exú são interrogados. Não é tudo; neste cômodo já consagrado por sua função e muitas vezes pela sua ornamentação, há um lugar que apresenta como que um grau mais alto de santificação, é a mesa sobre a qual são atirados o colar ou os búzios. Pode ser uma pequena bandeja de palha trançada, bem chata, com os bordos ligeiramente revirados, ou então uma grande mesa formando um círculo constituído pelos colares dos deuses o primeiro, o mais exterior, de Xangô, o segundo de Oxalá, o terceiro de Ogun e o quarto. O mais interior, composto de todas as cores para todos os outros Orixá. O opelê ou os búzios devem cair no interior deste círculo "encantado". Encontramos igualmente na consulta a lei de participação que tanto nos chamara a atenção em capitulo anterior. Para que lfa ou Exú possam responder, é preciso que uma participação seja previamente efetuada entre o colar, os búzios e o consultante de um lado, e o mundo sobrenatural de outro. Eis porque cada consulta obedece ao seguinte esquema: 1) O babalaô começa por fazer oração em língua africana, para pedir a Ifa ou Exú que tenha a bondade de responder às perguntas que lhe serão feitas. 2) O consulente toma na mão esquerda um búzio que não esteja quebrado, ou dois búzios colados um ao outro pela base: o akoueo, e na mão direita uma pedrinha, o adjikoni. Se a pedrinha responde: sim, o resultado é positivo, ibo-lotum. Se o búzio duplo responde: não, o resultado é negativo, ibo losi. 3) Antes de começar, o babalaô coloca os búzios em participação com o consulente, tocando ou com os búzios, ou com o colar, sucessivamente a testa deste último que é a sede do ori ou espírito, o coração que é o centro da personalidade, e as duas mãos que seguram os búzios ou a pedra, pois estes devem responder de acordo com a vontade de Ifa ou de Exú. 4) O babalaô conversa em voz baixa com seu colar ou com seus búzios. 5) A consulta começa. O babalaô formula uma questão, depois atira o opelê. Retomemos o exemplo já dado anteriormente. Imaginemos que a parte direita do colar, ao cair, apresente uma metade do Irête, e a parte esquerda uma metade de Irosun (uma vez que o odu é sempre lido da direita para a esquerda). Neste caso, Irosun ganha por ser o mais velho dos filhos de Ifa. O babalaô faz o consulente abrir a mão correspondente, a mão esquerda. Se contém a pedrinha, a resposta à questão formulada é afirmativa; se é o búzio duplo, a resposta será negativa. É claro que a cada questão proferida o consulente junta as mãos e as sacode, de modo a fazer búzio e pedrinha mudarem de posição. Mas não é o acaso que leva a pedrinha ora para a mão direita, ora para a mão esquerda, como não é por acaso que o colar recai no espaço sagrado apresentando esta ou aquela metade de noz sobre a face côncava ou convexa. A dupla participação do consulente com o opelê e, através da oração, do opelê com Ifa, faz com que o modo de deixar cair as metades de noz, ou a posição da pedrinha obedeçam à vontade do dono do destino. Acontece algumas vezes que, apesar de tudo, a resposta permanece ambígua; neste caso, lança-se uma segunda e mesmo uma terceira jogada. A maneira de proceder do babalaô com o edilogun é semelhante. Mas por que certas respostas podem ser ambíguas? É que a resposta do odu é dada pelo conjunto de mitos, de lendas ou de historietas a ele referentes, sendo preciso interpretá-las de acordo com o sentido da pergunta formulada. Ora, um engano é possível nas interpretações; a obrigação do babalaô é, pois, pedir sempre uma ou duas confirmações, de modo a estar seguro de que não se enganou. Sua responsabilidade de adivinho está em jogo, e ele tem consciência dos deveres de seu cargo. Compreende-se, também, porque se diz algumas vezes que não é suficiente ter boa memória para ser bom babalaô, pois outra qualidade, a intuição, se exige dele também. Esta intuição, ele a demonstra na leitura do odu, no modo pelo qual, tira uma conclusão dos mitos, conclusão aplicável ao caso particular que tem de resolver. Página 153 – O BABALOSAIM. Livro O Candomblé da Bahia – Rito Nagô. Abraço. Davi.