quinta-feira, 6 de julho de 2017

IMACULADA VIRGEM MARIA NO SAGRADO ALCORÃO.

Islamismo. O Sagrado Alcorão menciona a Virgem Maria (Mariam) 34 vezes em 12 capítulos, e dedica um capítulo inteiro de 98 versículos em seu nome. E este capítulo é o 19º (décimo nono). Nestas Suratas e versículos, o Alcorão apresenta imagens descritivas de Maria nas várias fases da vida dela: antes dela nascer, depois de ter sido escolhida para carregar a Palavra de Deus, e quando ela deu à luz a Jesus Cristo (A.S), com o início da divulgação e missão de Jesus Cristo em adorar o Deus Único. Os versículos 35-37 de Surata Ale-Imran mostra o estado familiar de Maria antes dela nascer. Estes versículos dizem que quando a mulher de Imran (mãe de Maria) sabia que ela estava grávida, ela consagrou a criança para servir a Deus. E ela suplicou a Deus que aceitasse sua promessa. Mas quando ela deu à luz ao recém-nascido descobriu que a criança é uma menina, ela ficou muito triste e decepcionada. Desde que ela tinha desejado que a criança fosse um menino, de modo que ele seria capaz de trabalhar e servir no templo de Deus (em Jerusalém) e realizar a divulgação divina. "A mãe de Maria" mostrou esses sentimentos tristes ao mesmo tempo apelando para Deus e disse, como está citado no Alcorão: "Ó meu Senhor Eis que dei a luz a menina!". Mas o versículo do Alcorão diz que imediatamente ela recebeu a resposta de Deus: "e Deus sabe melhor que ela a quem ela deu a luz". Neste versículo existe o primeiro sinal de que ele está no conhecimento de Deus que a criança Maria não é apenas uma fêmea, e não é apenas uma criança comum. Então o versículo menciona que a "mulher Imran (a mãe de Maria) escolheu o nome Maria e fez a promessa de consagra-la a Deus. Portanto, esta foi a segunda promessa (após a primeira promessa, quando ela estava no ventre de sua mãe), e com esta segunda promessa a Deus, a mulher de Imran suplicou ao seu Senhor para proteger Maria e sua descendência de Satanás. E o versículo menciona depois que Deus respondeu sua oração e confirmou a sua promessa, ou seja, a criança Maria "com a aceitação perfeita", e que Ele "fez crescer um bom crescimento", ou seja, ele dedicou a ela uma propositura de puro bem. E Ele Altíssimo atribuiu-lhe a Zakariyya para que ele cuide dela. Apesar disto, o versículo do Alcorão nos diz que o primeiro milagre que surpreendeu Zakariyya enquanto ele era crente recluso e mesmo assim teve de dedicar-se a Maria por uma ordem divina. Isso é porque Zakariyya não era um estranho para o milagre divino. Ele é aquele cuja oração Deus respondeu, e deu-lhe um menino, apesar do fato de que sua mulher era estéril e ele de idade avançada. O versículo diz que: "Toda vez que ele entrava ao (Almeh-rab) no templo onde estava Maria para vê-la, ele a encontrava cercada da providência de Deus: "O (Almeh-rab) é um lugar de oração e adoração a Deus, mostrando que Maria estava sempre em estado de oração e adoração a Deus. Mas esta providência (para sustento), é comida, bebida e roupas. Zakariyya achava estranho encontrar esse sustento que ele não trouxe a ela, e ele sabe que ela não saia do templo para adquirir esta providência (sustento). Então, era normal lhe perguntar, como é mencionado no versículo sagrado: "De onde (vem) isso (a providência) para Ti?" A resposta de Maria a esta questão enfatiza o cuidado de Deus de seu meio de Seus anjos a Maria e ela respondeu com uma resposta de uma crente confiante e tranquila: "De Deus. Certamente que Allah providencia o sustento a quem Lhe apraz sem medida”. Depois, os versículos 42-44 de Surata-Ale-Imran, declara para nós um texto do primeiro Evangelho que os anjos anunciaram a Maria, dizendo-lhe: "Ó Maria! Deus lhe escolheu e te purificou e te exaltou acima de todas as mulheres do universo ". Aqui é necessário contemplar o significado da primeira e segunda seleção. A primeira ocorreu quando Maria estava no ventre de sua mãe. E a segunda veio quando Cristo estava no ventre de Maria, o que significa que acompanhou o segundo Evangelho que os anjos anunciaram a Mariam dizendo que ela está carregando a Palavra de Deus, o Cristo Jesus, filho de Maria (A.S). Após a primeira eleição e antes da segunda, foi a purificação de Deus a Maria por meio da dedicação de Zakariyya e dos anjos. E o texto Corânico que anunciou as duas fases da eleição Divina de Maria é um texto absoluto que não tem qualquer exceção. É uma seleção acima das mulheres de todas as nações e épocas, o que significa que é uma eleição sobre todas as mulheres antes e depois dela. No versículo 12 de Surata Atta-hrim (capitulo 66), do Sagrado Alcorão destacou Maria com uma descrição especial que esclarece o significado de sua eleição e preferência sobre as mulheres de todas as nações e épocas. O versículo sagrado diz: "E Maria a filha de Imran, que conservou a sua castidade, e soprou em Nós (o corpo) de nosso espírito, ela testemunhou com convicção a verdade das palavras de seu Senhor e de suas revelações, e foi uma das devotas (servos)". Nesta declaração Divina (o versículo acima) possuí três questões principais: Primeiro: a virgindade de Maria, que preservava a sua castidade. Segundo: sua gravidez por meio do espírito de Deus. Terceiro: a sua crença em Deus e sua submissão à vontade Dele. Mariam era uma virgem pura casta quando os anjos vieram à ela anunciar-lhe as boas novas de Deus: "Deus te dá boas novas" que Ela está grávida. Mas como pode a celibata virgem engravidar? A questão foi levantada por Maria diretamente a Deus: "Ó meu Senhor! Como poderei ter um filho quando nenhum homem me tocou? ". E a resposta divina veio, nos versículos 45-47 de Surata Ale-Imran: Ele disse: "Deus cria o que Lhe apraz: Quando Ele determina algo, basta-Lhe dizer: 'Sê! Para que seja". Originalmente, as boas notícias de que os anjos de Deus revelavam para Maria dizem: "Certamente, Deus te dá boas novas de uma Palavra de Deus: seu nome será Jesus Cristo, o filho de Maria", o que significa que Cristo é a Palavra de Deus. Consequentemente, ele não era uma criança normal ou um ser humano comum. Os versículos 16-21 de Surata Maria apresenta um relato detalhado das boas novas como Deus enviou para Maria: "E Nós lhe enviamos Nosso espírito em forma de um homem perfeito". E estes versículos nos narram o diálogo que ocorreu entre Mariam e espírito de Deus na forma de um ser humano, ele diz que: "E menciona no livro do Sagrado Alcorão (a história de) Maria, quando ela se isolou de sua família para um lugar no Oriente. Separou-se deles por um divisor. E Nós lhe enviamos o nosso espírito, e ele apareceu diante dela como um homem em todos os aspectos. Ela disse: "Refugio-me no Misericordioso (Allah) contra si! se tu temes a Deus, afasta-te de Mim" Ele (o Arcanjo) disse: "Eu sou apenas um mensageiro do teu Senhor, (para anunciar) para ti o dom de um filho santificado. Ela disse: "Como poderei ter um filho, se nenhum homem me tocou, e eu nunca deixei de ser casta?". Ele disse: "Assim será. É-me fácil, disse Teu senhor e faremos Dele um sinal para os homens e uma misericórdia nossa". Este é um decreto determinado". Quando Mariam sentiu a dor do parto, ela carregava seu filho no seu ventre, e se dirigiu para um lugar longe da vista das pessoas. Ela se inclinou sobre o tronco de uma tamareira, sofrendo as dores do parto como qualquer outra mãe, somada às dores do constrangimento moral e psicológico que ela espera enfrentar quando as pessoas a verem com seu filho, e eles sabem que ela não se casou, ela mesma disse: "Desejo que eu tivesse morrido antes deste dia e ficado uma coisa esquecida!". O Alcorão menciona que enquanto ela estava nesse estado de sofrimento físico e psicológico, o parto ocorreu, e a Palavra de Deus, Jesus Cristo filho de Maria concretizou-se. E aqui um grande milagre divino acontece, uma vez que esta criança que é apenas alguns segundos de idade chama sua mãe debaixo dela, dizendo: "Não entristeçais!". E ele imediatamente começou a dar suas orientações. "Teu Senhor fez correr um riacho debaixo de ti, sacode o tronco da palmeira: Ele vai deixar cair tâmaras madura e frescas sobre ti. Então, coma, beba e fica satisfeita e sossegada". Vale a pena indicar aqui, uma questão muito importante e simbólica, é que os anjos que levaram o sustento para Maria de Deus enquanto ela estava grávida antes que ela desse à luz a Jesus Cristo. Mas depois de dar à luz a Jesus Cristo, para adquirir o sustento ela precisou sacudir a tamareira de modo que as tâmaras frescas caíssem sobre Ela. Claro que uma mãe grávida, não estava num estado de ser capaz de sacudir um tronco de tamareira alta. Mas o significado simboliza a fase de pré parto é diferente da fase pós-parto, em que Maria antes do parto era, enquanto carregava a Palavra de Deus, concentrou Sua dedicação e o cuidado dos anjos, e que após o nascimento da Palavra de Deus, Jesus Cristo se tornou o eixo, e que Maria, a mãe, voltou para sua natureza humana, mas permanecendo a mulher escolhida, e a preferida por Deus sobre as mulheres de todas as nações e épocas. E é isso que explica o significado das instruções que Jesus Cristo deu a sua mãe para se contar quando ela enfrenta o povo da cidade dela. "E se tu ver um homem, diga: "Prometi ao Deus Clemente jejuar ao não falar com qualquer ser humano", como está nos versículos 24-26 de Surata Maria (19). Assim Maria vivia sob a dedicação de um milagre Divino e deu à luz por um milagre Divino. Mas quando ela chegou ao seu povo carregando seu filho, ela veio como uma mãe. Seu papel termina logo que o papel de seu filho Jesus Cristo começou. As pessoas acharam a cena de uma mãe, a quem não conhecia o marido, estranha. Eles apressaram-se a acusá-la, mesmo condenado a ela quando disse a ela, como mencionado nos dois versículos 27 e 28 de Surata Maria (19): "tens realmente uma coisa incrível te trouxe!" (Significando uma coisa ruim) Ó irmão de Aarão.! Teu pai não era um homem do mal, nem tua mãe uma prostituta!". Este é um sinal de que as pessoas conheciam que a família de Maria, sua mãe e seu pai, era uma família pura e honrosa e ter uma boa reputação na sociedade. Mesmo assim Maria não se defendeu contra a acusação de seu povo. Compromete-se com as recomendações do seu bebê, ela se absteve de falar, e apontou para ele, o que significa que era para perguntar a ele. Aqui, os versículos 29-33 de Surata Maria (19) apresenta uma imagem do primeiro confronto entre Jesus Cristo, filho de Maria, e as pessoas. A reação das pessoas quando Maria apontou que eles pedissem para Jesus foi desaprovação, disseram-lhe: como podemos falar com alguém que é uma criança no berço?” Em resposta a esta pergunta de desaprovação e que estava dirigida a Maria, Jesus Cristo disse: "Eu sou de fato um servo de Allah. Ele me deu a revelação e fez-me um profeta, e Ele tem me abençoado, onde quer que eu esteja, e tem intimados sobre mim Oração e Caridade, enquanto eu viver; (Ele) fez-me benevolente a minha mãe, e não arrogante ou miserável, a paz Assim é em mim o dia em que nasci, o dia que eu morrer, e o dia que serei ressuscitado para a vida (de novo)!” Deus deu a Jesus Cristo, filho de Maria, as evidências e apoiou-o com o espírito santo”. Este apoio com o Espírito Santo foi mencionado três vezes no Alcorão sagrado: versículos 87 e 253 de Surata de Al-Baqarah, (segunda Surata) e o versículo 110 do surat al-maIdah (quinta Suarata). E Deus escolheu sua mãe Maria e fez ela e seu filho um sinal para todas as pessoas (e tempos), como foi mencionada no versículo 91 de Surata al-Anbiya. (21). Assim Maria tem no Islã um estatuto e relevância que nenhuma mulher fez ou vai chegar, de Eva até o fim dos tempos! ( ...)". Muhammad As-Sammak, é secretário geral do Comitê para o Diálogo Cristão Muçulmano do Líbano, participou do evento MARIA EXEMPLO PARA TODOS NÓS em Foz do Iguaçu – PR – Brasil, dia 24 de março de 2012. http://www.pastoraldacrianca.org.br. Abraço. Davi. 

quarta-feira, 5 de julho de 2017

OS CINCO PRECEITOS.

Budismo. Texto Mestre Hsing Yun. OS CINCO PRECEITOS. A MORALIDADE é o ponto de par­ti­da de todos os bons dar­mas e o ali­cer­ce do cres­ci­men­to espi­ri­tual. Ela se ­baseia no reco­nhe­ci­men­to de que o eu não tem a primazia e que deve apren­der a res­pei­tar os direi­tos, os sen­ti­men­tos e as neces­si­da­des dos ­demais seres sencientes. As prin­ci­pais obri­ga­ções ­morais ensi­na­das pelo Buda são os cha­ma­dos Cinco Precei­tos, que cons­ti­tuem ­regras ou prin­cí­pios para orien­tar o comportamen­to. Suas finalida­des bási­cas são:

  • EVITAR QUE pre­ju­di­que­mos ­outros seres;
  • AJUDAR-NOS a criar bom carma, ou méri­to, para nós mes­mos.

O CARMA NEGATIVO é inva­ria­vel­men­te gera­do pelas más inten­ções. Sempre que, propo­si­tal ou cons­cien­te­men­te, pre­ju­di­que­mos outro ser, somos cul­pa­dos de agir com más inten­ções. O Buda ensi­nou os Cinco Preceitos para nos auxi­liar a supe­rar o hábi­to de lesar os ­demais e a nós mes­mos com as nossas más inten­ções.
Fundamento da mora­li­da­de budis­ta e ponto de par­ti­da para o ver­da­dei­ro crescimen­to do ser huma­no, os Cinco Preceitos são:

  • NÃO MATAR.
  • NÃO ROUBAR.
  • NÃO MENTIR.
  • NÃO TER MÁ con­du­ta ­sexual.
  • NÃO SE ENTORPECER com álcool ou drogas.

PARA COMPREENDER OS CINCO PRECEITOS. OS PRECEITOS SÃO enun­cia­dos na forma nega­ti­va, por­que o pri­mei­ro passo para o crescimen­to moral é sem­pre dei­xar de fazer as coi­sas que prejudi­quem outros seres sencien­tes. Antes de sequer come­çar a pen­sar em como aju­dar o pró­xi­mo, é neces­sá­rio, antes, parar de pre­ju­di­cá-lo. Vamos detalhar, a ­seguir, cada um des­ses pre­cei­tos fun­da­men­tais. 

NÃO MATAR. MATAR INTENCIONALMENTE um ser sen­cien­te é um modo muito grave de pre­ju­di­car alguém. Se pos­sí­vel, deve­mos evi­tar matar até mesmo camundongos, per­ni­lon­gos, formigas e outros ani­mais peque­nos. Ao res­pei­tar a menor e mais inde­fe­sa cria­tu­ra, adotamos uma ati­tu­de de res­pei­to por todos os seres. Esse tipo de res­pei­to é a base de todos os méri­tos. Como o budis­mo é uma religião cen­traliza­da na vida huma­na e, uma vez que o Buda disse ser a vida huma­na par­ti­cu­lar­men­te pre­cio­sa, matar outro ser huma­no é a mais grave forma de matar. Matar um ser huma­no de pro­pó­si­to é ato gra­vís­si­mo, que resul­ta sem­pre em carma nega­ti­vo tam­bém muito grave. O mau carma gera­do pelo assas­si­na­to varia de pes­soa para pes­soa, pois as circunstân­cias que levam à trans­gres­são são sem­pre dife­ren­tes. Um indí­cio da gra­vi­da­de do homi­cí­dio pode ser per­ce­bi­do quan­do se ana­li­sa o que acon­te­ce com um monge ou monja budis­ta que venha a matar um ser huma­no: essa pes­soa será expul­sa do monastério, não terá per­mis­são para con­vi­ver com outros mon­ges e mon­jas e, com toda a cer­te­za, renas­ce­rá no infer­no. Essa retri­bui­ção não pode ser abrandada, nem mesmo pelo mais sincero ato de arre­pen­di­men­to. Matar um ani­mal ou um inse­to tam­bém con­fi­gu­ra uma vio­la­ção do primei­ro preceito, ape­sar de não ser con­si­de­ra­da uma ofensa tão grave quan­to matar um ser huma­no. As semen­tes noci­vas plan­ta­das na cons­ciên­cia quan­do a pes­soa mata ani­mais podem ser erradi­ca­das por meio de atos de sincero arre­pen­di­men­to. A proi­bi­ção de matar figu­ra em pri­mei­ro lugar entre os Cinco Preceitos por­que é a menos sutil de todas e, por­tan­to, con­sis­te no ali­cer­ce das ­outras. Quem con­se­gue per­ce­ber que matar é erra­do pode come­çar a ver que as outras for­mas de causar dano tam­bém são erra­das. Observar o pre­cei­to que proí­be matar é algo que traz gran­des bene­fí­cios espirituais, ensi­nan­do-nos a pra­ti­car a com­pai­xão e a pen­sar com pro­fun­di­da­de nas necessi­da­des e nos direi­tos dos ­outros seres. Na ver­da­de, todos os seres são ape­nas um. Se não con­se­guir­mos res­pei­tar os ­outros, como pode­re­mos res­pei­tar a nós mes­mos? E, sem res­pei­to pró­prio, como ser dig­nos de conhecer a nossa natu­re­za búdi­ca? Muita gente per­gun­ta como as plan­tas devem ser con­si­de­ra­das à luz desse primeiro pre­cei­to. Sendo elas seres vivos, não seria erra­do matá-las? O Buda disse que os ani­mais e os inse­tos, por terem cons­ciên­cia ou per­cep­ção, são muito dife­ren­tes das plantas. Em última aná­li­se, todas as coi­sas deste mundo são dota­das de natu­re­za búdi­ca e devem ser res­pei­ta­das. Contudo, uma vez que os ani­mais têm cons­ciên­cia, devem ser trata­dos com espe­cial res­pei­to, pois, como nós, eles tam­bém estão em meio à jor­na­da que só se conclui com o des­per­tar com­ple­to. Os budis­tas chi­ne­ses geral­men­te dão maior ênfa­se ao vege­ta­ria­nis­mo do que os de outras tra­di­ções. O pra­ti­can­te que adota a dieta vege­ta­ria­na se desas­so­cia total­men­te do ciclo de criar e matar ani­mais. O Sutra do Grande Nirvana diz: “Aqueles que comem carne per­tur­bam o desen­vol­vi­men­to da grande com­pai­xão. Onde quer que andem, parem, se sen­tem ou se dei­tem, o chei­ro da carne que come­ram pode ser sen­ti­do por ­outros seres sen­cien­tes, os quais, con­se­quen­te­men­te, se ame­dron­tam”. Pessoas que gos­tam de matar cau­sam repul­sa em ­outros seres vivos, ao passo que aque­las que não gos­tam de matar ­atraem para si os ­outros seres vivos.
Tratado sobre a Perfeição da Grande Sabedoria

Não rou­bar. NÃO PREJUDICAR OS OUTROS de nenhu­ma forma é o fun­da­men­to de todos os Cinco Preceitos. Quem rouba lesa, por­que viola o direi­to de pro­prie­da­de e a con­fian­ça na integrida­de do mundo ao redor. Define-se “rou­bar” como o ato de se apro­priar de qualquer coisa que não seja sua. O dano pode ser gera­do por meio de frau­de ou enga­no, pela remo­ção físi­ca de um obje­to per­ten­cen­te a outra pes­soa, pela esca­mo­tea­ção das leis – seja como for, toda forma de apropria­ção con­fi­gu­ra roubo. Também é roubo tomar empres­ta­do e não devol­ver, ou devol­ver o obje­to avaria­do. Não entre­gar algo que foi con­fia­do aos seus cui­da­dos como por­ta­dor, também é um tipo de roubo. Exemplos disso ­variam do ato mes­qui­nho de não entre­gar um obje­to de pouco valor até o ato grave de apro­pria­ção da heran­ça que ­alguém lhe con­fiou para que pas­sas­se aos herdeiros de direi­to. O códi­go budis­ta de con­du­ta moral con­si­de­ra o roubo uma trans­gres­são tão mais séria quan­to maior o valor do obje­to toma­do. Caso o obje­to seja de valor irri­só­rio, seu roubo é con­si­de­ra­do ape­nas um com­por­ta­men­to “impu­ro”. Sementes cár­mi­cas são plantadas mesmo pelos meno­res rou­bos, mas o compor­ta­men­to impu­ro não é tão sério como o roubo propriamente dito. Roubos meno­res, cate­go­ri­za­dos como ações impu­ras, seriam, por exem­plo, não devol­ver uma cane­ta esfe­ro­grá­fi­ca, pegar um enve­lo­pe sem pedir ou utilizar algu­ma coisa sem per­mis­são do dono. O pre­cei­to de não rou­bar é um dos mais difí­ceis de serem segui­dos, porque todos são ten­ta­dos a pegar ou man­ter coi­sas que não lhes per­ten­cem. Ficar com o livro de um amigo, levar a toa­lha do hotel, car­re­gar para casa mate­rial do escri­tó­rio, uti­li­zar o tele­fo­ne comer­cial ina­de­qua­da­men­te e assim por dian­te, quei­ra­mos ou não admi­ti-lo, são, também, roubo. O sábio nunca se afer­ra a nada; por­tan­to, nada se afer­ra a ele. As pessoas ­comuns afer­ram-se a tudo; logo, ficam apri­sio­na­das às suas ilu­sões pelo carma e pela cobi­ça. De acor­do com o Sutra Avatamsaka (Sutra da Guirlanda de Flores), roubos graves levam ao renas­ci­men­to em um dos três pla­nos infe­rio­res da exis­tên­cia. Além disso, assim que o renascimento for como ser huma­no, este se dará em con­di­ções de pobre­za e atormentado pelas necessida­des materiais. O Buda disse: “Ananda, como igno­ram a ver­da­de, os seres sen­cien­tes aferram-se aos seus dese­jos e ocul­tam sua sabe­do­ria sob o véu de suas ­ideias pre­con­ce­bi­das”.
Sutra do Grande Nirvana

NÃO MENTIR. A DEFINIÇÃO MAIS sim­ples de men­tir é não dizer a ver­da­de. A men­ti­ra pode ser também qual­quer tipo de enga­na­ção, dupli­ci­da­de, fal­si­da­de, dis­tor­ção ou infor­ma­ção errônea. Trata-se de ofen­sa muito grave, por­que viola a confiança das pes­soas e as leva a duvi­dar de suas próprias intui­ções. Os princi­pais tipos de men­ti­ra são dois:

  • MENTIRA POR OMISSÃO;
  • MENTIRA INTENCIONAL.

A men­ti­ra intencional é aque­la ine­quí­vo­ca, pra­ti­ca­da com o propósi­to de enga­nar alguém. A mentira por omissão é a sone­ga­ção de informações com o intuito de enganar alguém. Os dois tipos são muito gra­ves e ambos geram sério carma nega­ti­vo. As men­ti­ras podem ser clas­si­fi­ca­das em três cate­go­rias:

  • GRANDES MENTIRAS;
  • MENTIRAS MENOS GRAVES;
  • MENTIRAS DE CONVENIÊNCIA.

Considera-se que a pior men­ti­ra é ­alguém se dizer ilu­mi­na­do quan­do não o é, ou ale­gar ter pode­res para­nor­mais que não tem. Se esse tipo de menti­ra for con­ta­do por um monge ou uma monja, a ofen­sa é ainda mais grave. Mentiras menos graves são todas as ­outras. Por exem­plo, ­alguém dizer ter visto algo que não viu, ou que não viu algo que viu, ou dizer ser falso o que é ver­da­dei­ro ou ser ver­da­dei­ro o que é falso. Um exem­plo de men­ti­ra de con­ve­niên­cia seria não reve­lar a um doen­te ter­mi­nal a gra­vi­da­de de seu esta­do. Ou ame­ni­zar uma ver­da­de para evi­tar que uma crian­ça sofra um trau­ma psi­co­ló­gi­co. Na men­ti­ra de con­ve­niên­cia, impor­ta levar em conta a inten­ção que nos ins­pi­ra e a ava­lia­ção que faze­mos dessa inten­ção. Se tiver­mos cer­te­za de que causaremos mais bem do que mal com a men­ti­ra, não esta­re­mos vio­lan­do o pre­cei­to. Aquele que mente ilude – pri­mei­ra­men­te a si pró­prio e ­depois aos ­outros. Trata a ver­da­de como se fosse falsa e o falso como ver­da­dei­ro. Confundindo total­men­te o ver­da­dei­ro e o falso, não con­se­gue aprender o que é bené­fi­co. Ele é como um reci­pien­te tam­pa­do no qual água limpa não pode ser des­pe­ja­da.
Tratado sobre a Perfeição da Grande Sabedoria

NÃO TER MÁ CONDUTA SEXUAL. ENTENDE-SE POR NÃO ter má con­du­ta ­sexual a prá­ti­ca ­sexual que viole as leis e costu­mes da socie­da­de. Paralelamente, o inces­to e qual­quer outra condu­ta –sexual (estupro) que lese ou viole os direi­tos de outra pes­soa são tam­bém consi­de­ra­dos má con­du­ta sexual. Alguns exem­plos de con­du­ta abu­si­va, mesmo para pes­soas legal­men­te casa­das: ter rela­ções ­sexuais na hora erra­da, no local erra­do, em exces­so ou ter rela­ções insen­sa­tas. Na hora erra­da sig­ni­fi­ca no fim de uma gra­vi­dez nor­mal, em momen­tos de reti­ro ou ocasiões em que este­ja­mos doen­tes. Locais erra­dos para relações sexuais são tem­plos, luga­res públi­cos ou à vista de ­outros. Ter rela­ções sexuais em exces­so sig­ni­fi­ca devo­tar-se tanto ao sexo que a pró­pria vita­li­da­de se esgo­ta. Sexo insen­sa­to equi­va­le a mas­tur­bar-se em exces­so, ven­der o corpo por dinhei­ro (prostituição) ou em troca de favo­res, ado­tar con­du­tas sexuais que desper­tem emoções desar­ra­zoa­das (ou seja, emo­ções que bro­tem da cobi­ça, da raiva ou da ignorância). 

NÃO ABUSAR DE DROGAS OU BEBIDAS ALCOÓLICAS. UMA TRADIÇÃO MAIS lite­ral deste pre­cei­to seria: “Prometo abs­ter-me do entorpecimen­to e da impru­dên­cia resul­tan­tes da uti­li­za­ção de dro­gas ou da inges­tão de bebidas alcoó­li­cas”. Em pou­cas pala­vras, o pre­cei­to diz: não se entor­pe­ça. O pro­pó­si­to dele é evi­tar que faça­mos ou diga­mos coi­sas estú­pi­das enquan­to nos­sos sen­ti­dos estiverem alte­ra­dos sob o efei­to de dro­gas ou bebidas alcoó­li­cas. Os qua­tro pri­mei­ros pre­cei­tos são em si vio­la­ções ­morais lesi­vas, prejudiciais aos outros por natu­re­za. Já o consumo de dro­gas ou de bebi­das alcoó­li­cas não seria algo intrin­se­ca­men­te malé­fi­co, uma vez que é um ato que pre­ju­di­ca mais diretamente o próprio usuário. Entretanto, o Buda adver­te que o con­su­mo des­sas subs­tân­cias alte­ra a consciência, tendo como resultado ­sérios lap­sos de dis­cer­ni­men­to e a con­se­quen­te violação dos outros pre­cei­tos. O Shastra Abhidharma-mahavibhasha conta uma his­tó­ria que ilus­tra como o con­su­mo de ­álcool pode levar à vio­la­ção de todos os ­outros pre­cei­tos. Refere-se a um budis­ta que se embe­be­dou e deci­diu rou­bar uma gali­nha de sua vizi­nha. Roubou, matou e comeu a ave. Quando a vizi­nha per­gun­tou se ele tinha visto a gali­nha, res­pon­deu que não. A par­tir daí, o sujei­to con­ti­nuou a devo­tar-se à pró­pria ruína, lan­çan­do olha­res las­ci­vos à vizi­nha e uti­li­zan­do com ela lin­gua­gem sexual­men­te pro­vo­ca­ti­va. A ­cadeia de even­tos que o levou a que­brar todos os Cinco Preceitos come­çou com o pri­mei­ro drin­que. Se não tives­se bebi­do, jamais teria plan­ta­do tan­tas semen­tes cár­mi­cas nega­ti­vas. Tenho cer­te­za de que todo mundo conhe­ce exem­plos pio­res do que esse no mundo atual. Ao con­si­de­rar as con­se­quên­cias da vio­la­ção do prin­cí­pio rela­ti­vo a drogas e álcool, deve­mos levar em conta que o budis­mo é uma reli­gião de mora­li­da­de, autocontrole e sabedo­ria. Qualquer coisa que anu­vie a mente ou entor­pe­ça a razão inevita­vel­men­te diminui tanto nossa sabe­do­ria quan­to nosso auto­con­tro­le. Quem qui­ser atra­ves­sar o gran­de ocea­no do nas­ci­men­to e morte deve obser­var os Cinco Preceitos de todo o cora­ção e com a mente por intei­ro.
Sutra Upasaka-shila (Sutra sobre os Preceitos de Upasaka)

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A IMPORTÂNCIA DA MORALIDADE. Quem não dá muita impor­tân­cia à mora­li­da­de geral­men­te acha que a obser­vân­cia de um códi­go de con­du­ta moral res­trin­ge a liber­da­de. Nada poderia estar mais longe da ver­da­de. A mora­li­da­de não cer­ceia nossa liberdade – liber­ta-nos da ilu­são. As cor­ren­tes cár­mi­cas que nos apri­sio­nam à ilu­são só podem ser destruí­das por meio de uma vida moral. Em vez de ver a mora­li­da­de como um fardo desa­gra­dá­vel, devería­mos con­si­de­rá-la uma opor­tu­ni­da­de para uma vida mais subli­me. É ape­nas pela mora­li­da­de que nos dife­ren­cia­mos dos seres dos pla­nos de exis­tên­cia infe­rio­res. Assim como a sere­ni­da­de e a com­pos­tu­ra são essen­ciais à medi­ta­ção, a moralidade é essen­cial ao cres­ci­men­to do ser huma­no. O obje­ti­vo dos Cinco Preceitos não é opri­mir, eles sim­ples­men­te cons­ti­tuem uma das três ins­tru­ções bási­cas pro­fe­ri­das pelo Buda sobre a evo­lu­ção rumo a uma cons­ciên­cia mais ele­va­da, que são:

  • MORALIDADE;
  • MEDITAÇÃO;
  • SABEDORIA.

Em ter­mos ­gerais, a medi­ta­ção ­baseia-se na mora­li­da­de, enquan­to a sabe­do­ria tem por fun­da­men­to a medi­ta­ção. A mora­li­da­de é o ali­cer­ce necessá­rio para a medi­ta­ção e para a sabe­do­ria. De acor­do com o Buda, se seguir­mos os Cinco Preceitos, tere­mos uma melho­ra em nossa vida pre­sen­te e nas futu­ras, posto que esta­re­mos plan­tan­do as semen­tes de nosso futu­ro. Naturalmente, o êxito na obser­vân­cia dos Cinco Preceitos não é conquistado da noite para o dia. Leva tempo para a mente iludi­da se abrir total­men­te às gran­dio­sas e liberta­do­ras expan­sões de sabedoria que se des­cor­ti­nam quan­do a mente come­ça­ a compreender os níveis mais ele­va­dos. Raras são as pes­soas que con­se­guem ­seguir todos os Cinco Precei­tos desde o momen­to em que tomam con­ta­to com eles pela pri­mei­ra vez. Por isso, o Buda recomendou que, no come­ço, os prin­cí­pios sejam obser­va­dos de forma gra­dual. Primeiro, seguin­do o prin­cí­pio de não matar; em segui­da, passa-se a cada um dos ­outros três, terminan­do com o prin­cí­pio rela­ti­vo a não abusar de dro­gas e ­álcool. A esse res­pei­to, o Tratado sobre a Perfeição da Grande Sabedoria diz: “Existem Cinco Preceitos. No pro­ces­so de apren­dê-los, deve-se ini­ciar com o prin­cí­pio de não matar e seguir daí até apren­der a ­seguir o prin­cí­pio sobre não con­su­mir bebi­das inebriantes. Quando um pre­cei­to é obser­va­do, diz-se que o pri­mei­ro passo foi dado. Quando dois ou três são obser­va­dos, diz-se que alguns pas­sos foram dados. Quando quatro prin­cí­pios já podem ser observados, diz-se que a maio­ria dos pas­sos já foi dada. Quando todos os Cinco Princípios são segui­dos, diz-se que os pre­cei­tos foram cum­pri­dos. Nesse pro­ces­so, devem-se conside­rar as incli­na­ções pes­soais para deci­dir a sequência em que se vão aprender os precei­tos”. Sendo a mora­li­da­de, a medi­ta­ção e a sabe­do­ria as três cate­go­rias em que o Buda divi­diu seus ensi­na­men­tos, são tam­bém três as clas­ses de transgres­sões con­tra os preceitos:

  • TRANSGRESSÕES DO CORPO;
  • TRANSGRESSÕES DA FALA;
  • TRANSGRESSÕES DA MENTE..


Os pre­cei­tos de não matar, não rou­bar e não ter má con­du­ta ­sexual dizem res­pei­to às ativida­des do corpo, ao passo que o de não men­tir se associa à fala. Todos os pre­cei­tos têm a ver com a mente, é claro, pois todas as ações e inten­ções nas­cem na mente. Corpo, fala e mente não guar­dam cor­res­pon­dên­cia exata com moralidade, meditação e sabe­do­ria, ape­sar de esta­rem envol­vi­dos com as mes­mas áreas. Com a morali­da­de, aprende­mos a con­tro­lar os atos do corpo. Com a medi­ta­ção, apren­de­mos a con­tro­lar a lingua­gem e a elaboração de conceitos. Com a sabe­do­ria comum, apren­de­mos a uti­li­zar a mente para aju­dar o pró­xi­mo e, simul­ta­nea­men­te, a nós mes­mos. No Sutra do Grande Nirvana, o Buda diz: “Ananda, esses pre­cei­tos morais devem pas­sar a ser seu maior mestre. Observando-os e fun­da­men­tan­do neles a sua prá­ti­ca, você con­quis­ta­rá o samádhi pro­fun­do e a sabe­do­ria que trans­cen­de a tudo neste mundo”. De acor­do com o Sutra Sandhi-nirmochana (Sutra Elucidativo da Profundidade do Irrevelado), levar uma vida moral, seguin­do os Cinco Preceitos, con­fe­re-nos dez bên­çãos. O sutra diz que, em últi­ma ins­tân­cia, a moralida­de nos leva a con­quis­tar o esta­do de onis­ciên­cia; a ­ganhar a capacidade de aprender como um Buda apren­de; a nunca prejudicar os ­sábios; a manter os nos­sos votos; a ter paz; a con­quis­tar o não apego à vida e à morte; a desejar o nir­va­na; a ter uma mente imaculada; a che­gar ao mais eleva­do samadhi, ou con­cen­tra­ção; a ter fé firme e reso­lu­ta. O Buda sem­pre pedia que seus mon­ges se mantives­sem cal­mos e se mostras­sem calmos. A mora­li­da­de pode ser con­ce­bi­da como um tipo de serenida­de que é muito confor­tá­vel para aque­le que a pra­ti­ca. Vivendo de acordo com os Cinco Preceitos, começa­mos a nos sintoni­zar não só com os ensi­na­men­tos do Buda, mas tam­bém com a pura mente do Buda inte­rior. A tran­qui­li­da­de fun­da­da na ins­pi­ra­ção que emana da mente búdi­ca ­jamais pode ser aba­la­da e sem­pre se mos­tra­rá cor­re­ta. Aquele que obser­va os Cinco Preceitos é sem­pre superior até mesmo que o mais rico e pode­roso que os vio­la. A fra­gân­cia das flô­res e da doce madei­ra ao longe não pode ser sen­ti­da, mas a doce fra­gân­cia da mora­li­da­de em todas as dez dire­ções será sen­ti­da. Aquele que obser­va os Cinco Preceitos está sempre ale­gre e satis­fei­to e sua boa repu­ta­ção à distância será conhe­ci­da; seres celes­tiais amor e res­pei­to por ele sentirão e sua vida neste mundo será com doce êxta­se preenchida. Livro Budismo Significado Profundo. www.templozulai.org.br. Abraço. Davi.

terça-feira, 4 de julho de 2017

VIII. A CHAMA ETERNA.

Texto de Luiz Sérgio. Psicografado por Irene Pacheco Machado. Capítulo 27. Ó PASTORES, OUVI A PALAVRA DO SENHOR! Contemplando o teatro vivo e plasmando no coração as imagens daqueles que escreveram a história bíblica, observei que vários deles continuaram a missão divina, só revestidos de outros corpos, como o caso do grande companheiro de Moisés: Aarão. Depois, com que carinho acompanhamos a vida do profeta Jeremias e a sua luta como enviado de Deus! Logo após vimos sua reencarnação na época de Jesus, lutando também para transmitir as palavras do Alto. Pouco a pouco o cenário foi mudando. Vimos Ezequiel e sua visão quando previu a vinda de Jesus, no Capítulo 1?, versículo 28: Com aspecto do arco que aparece na nuvem em dia de chuva, assim era o esplendor em redor, esta era a aparência da glória do Senhor; vendo isto cai com o rosto em terra, e ouvi a voz de quem falava. No Capítulo 19 diz Ezequiel, versículos 5 a 7: Do meio dessa nuvem saía a semelhança de quatro seres viventes, cuja aparência era esta; tinham a semelhança de homem. Cada um tinha quatro rostos, como também asas. Os seus pés eram direitos e a planta de seus pés era como a de um bezerro e luzia como o brilho de bronze. Se já conhecemos o Apocalipse, lembraremos que os Evangelistas são indicados por quatro animais. No versículo 10: A forma de seus rostos era a de homem, os quatro tinham o rosto de leão, rosto de boi e também rosto de águia. Marcos, é indicado como leão, Lucas como novilho, Mateus, um animal com aspecto de homem, e João, um animal semelhante à águia. Ezequiel, ainda no versículo 11: Assim eram os seus rostos. Suas asas se abriam em cima; cada ser tinha duas asas, unidas cada uma à do outro; outras duas cobriam os corpos deles. E Ezequiel continua narrando a vida desses seres que ele chamava de seres viventes. No versículo 26: Por cima do firmamento que estava sobre as suas cabeças, havia algo semelhante a um trono, como uma safira; sobre esta espécie de trono estava sentada uma figura semelhante a de um homem. Eis aqui Jesus! Linhas atrás citei o versículo 28, quando Ezequiel, ao vê-lo, cai com o rosto em terra. No Capítulo 2, Ezequiel se defronta com o Evangelho de Jesus. Vejamos os versículos 8 e 9: Tu, ó filho do homem, ouve o que eu digo, não te insurjas, como a casa rebelde; abre a boca, e come o que eu dou. Então vi, e eis que certa mão se estendia para mim, e nela se achava o rolo de um livro. Fiquei deslumbrado com esta passagem. Primeiro, foram apresentados os Evangelistas, depois Jesus e o Seu Evangelho. Isso tudo para um homem que, muitos anos depois, Allan Kardec denominaria médium, médium com Jesus, sério, disciplinado e verdadeiro. Senti vontade de chorar. Meu Deus, como é grandiosa a tarefa mediúnica! E a vida de Ezequiel foi pouco a pouco se tornando íntima, mas o meu coração gradativamente se entristecia. Ezequiel, na sua gloriosa vidência, previa a dureza da humanidade, o orgulho do homem. No Capítulo 12, versículo 20: As cidades habitadas cairão em ruínas e a terra se tornará em desolação; e sabereis que eu sou o senhor. Aos poucos, a Doutrina Espírita se destaca e se faz brilhante, só ela nos coloca frente à razão. Kardec aconselha que rejeitemos noventa e nove verdades a aceitar uma só mentira. Aqui Ezequiel diz, Capitulo 13, profecia contra os falsos profetas, versículo 3: Assim diz o Senhor Deus: Ai dos profetas loucos, que seguem o seu próprio espírito, sem nada ter visto! Ainda nos versículos 6 a 8: Tiveram visões falsas e adivinhações mentirosas os que dizem: O Senhor disse; quando o Senhor não os enviou; e esperam o cumprimento da palavra. Não tivestes visões falsas e não falastes adivinhações mentirosas, quando dissestes: o Senhor diz, sendo que eu tal não falei? Portanto, assim diz o Senhor Deus: como falais falsidades e tendes visões mentirosas, por isso eu sou contra vós outros, diz o Senhor Deus. Que beleza esta passagem! Confirma a luta do espírita sério contra a doença de certos médiuns que criam na própria imaginação quadros e fatos e julgam-se ótimos médiuns. Se tiverem tempo e boa vontade leiam todo o livro de Ezequiel para terem oportunidade de compreender a bondade de Deus quando deu a Allan Kardec a missão de nos enviar as verdades divinas. Mas, voltemos ao Capítulo 13, versículo 18: Assim diz o Senhor Deus: Ai das que cosem invólucros feiticeiros para todas as articulações das mãos. e fazem véus para cabeça de todo tamanho, para caçarem almas. E o versículo 23: Por isso já não tereis visões falsas, nem jamais fareis adivinhações, livrarei o meu povo das vossas mãos, e sabereis que eu sou o Senhor. E assim sabemos nós porque a proibição de Moisés. Depois Cristo ofereceu grandes ensinamentos e restabeleceu a comunicação com os espíritos no Monte Tabor, dando-nos a certeza de que o espírito é Chama eterna e jamais sucumbirá junto a um amontoado de carne. Saiu do túmulo para nos mostrar o caminho da verdade e da vida eterna; para dizer que nós também podemos sair do túmulo para crescer para Deus. Ezequiel dá a todos nós o exemplo do amor a Deus e alerta os médiuns para o perigo do fanatismo. Mediunidade não é um diploma que se obtém para a glória do homem da Terra, mediunidade é uma enxada que Deus coloca em nossas mãos para que elas fiquem calejadas pela humildade. Jamais devemos expor a nossa mediunidade ao ridículo, transformando-a em objeto de propaganda pessoal. Como ninguém é enganado por muito tempo, logo se percebe a vaidade em um médium. Os bons instrumentos pouco falam da sua mediunidade. A Doutrina Espírita muito bem elucida o homem para o perigo do fanatismo e hoje ainda o que mais se vê são pessoas colocando nomes naquilo que recebem dos espíritos sem um mínimo de bom senso. Quando o médium está começando a se desenvolver, ele é ajudado por espíritos capacitados para esse trabalho, portanto, este médium não deve ficar preocupado com o nome do Espírito. Vamos ler um pouco mais e tomar cuidado com as nossas palavras. E ridículo o que se vê em muitos lugares: médiuns se dizendo videntes, a narrar sem critério e isso em qualquer lugar em que ele se encontre. Existe na Doutrina muitos lugares de trabalho e por que não fazemos do Evangelho o nosso caminho? Só ele fortalecerá o nosso Espírito, e este, fortalecido, não será presa dos obsessores maiores da Humanidade: a vaidade, o egoísmo e o orgulho. E jamais serviremos ao próximo com estes inimigos abrigados em nossas almas. Falar bonito somente nada acrescenta em nossas vidas se não nos tornamos bons. E lamentável defrontarmo-nos com pessoas que se dizem médiuns audientes, psicofônicos, psicógrafos, videntes, e mais tarde ficarmos desiludidos, ao descobrirmos que são poços de vaidade e fanáticos religiosos. E preferível o médium trabalhar em silêncio, do que afastar de si as pessoas que desejam servir à Doutrina com dignidade. Torno a repetir: os bons médiuns não fazem propaganda de si mesmos, são simples e fogem de qualquer publicidade, por saberem que o seu dom não lhes pertence. 0 profeta Ezequiel dá-nos exemplo de fidelidade a Deus. Por que não fazemos o mesmo? E tão fácil! E só nos respeitarmos, e só é respeitado aquele que se dá ao respeito. O fanático não só se desrespeita, como faz tudo para ser ridicularizado. A identificação luminosa da minha cadeira mantinha-se acesa. Fui o último a sair. No palco, uma luz banhava este trecho do livro de Ezequiel e a sua figura, de joelhos, com as mãos para cima, pronunciava com humildade: As minhas ovelhas andam desgarradas por todos os montes, e por todo elevado outeiro, as minhas ovelhas andam espalhadas por toda a terra, sem haver quem as procure, ou quem as busque. Portanto, ó pastores, ouvi a palavra do Senhor. (Capítulo 34, versículos 6 e 7).Capítulo 28. DE VOLTA AO DEPARTAMENTO DAS ARTES. Alcançando o jardim, andando devagar; para que apressar-me? Mas, para minha surpresa, ali fora me esperavam Samuel, Lourival, Sara, Conrad, Saturnino. Assustei-me. - Vocês estão me aguardando? Se soubesse não teria demorado tanto. - Gostaste da aula? Sara perguntou-me. - Muito, querida. Todas elas têm sido ótimas. - Estávamos esperando-o para darmos uma chegada no Jardim das Artes - explicou Samuel. - Já não estivemos lá? - Sim, mas o Pierre Lambret irá fazer uma conferência sobre psicopictografia, e será de bom proveito para todos nós. - Então, pé na estrada! (...). Falando assim, dirigimo-nos àquele belo Departamento. Parecia uma cidade encantada, muito bem iluminada, praças lindíssimas. Muitas delas ainda conservavam os seus coretos e suas lanternas. Os pássaros eram tão saltitantes que me chamaram a atenção. Também, pudera, eles aqui são livres! Lourival cantou uma canção muito linda, mais ou menos assim: O Senhor é meu Pastor Nada me faltará. O Senhor é meu Pastor Nada me faltará. As rosas sempre lindas. O chão a trabalhar Pássaros saltitantes. Sempre, sempre a cantar. Nós, os eternos viajantes. Encontrando no Senhor A força para andar o céu sempre azul. Árvores tão amigas. O mar cantando dolente Sua estranha cantiga Preocupado com a gente. E com a baleia amiga. O Senhor é o Pastor Das almas do Criador. - Dando uma de cantor, hein? - brinquei. - Nas horas vagas (...) nas horas vagas. Quando chegamos, o pátio já se encontrava repleto. Sentamos na relva mesmo. Ao lado de Sara me acomodei, e confesso mais que curioso. Nós já estiváramos ali, e agora por que a volta? Uma melodia se fazia ouvir e pouco a pouco compreendemos: era a hora do silêncio. Iniciou-se a prece e logo após, o nosso Pierre apresentou vários quadros lindos, lindos, falando sobre a técnica da pintura e se colocou à disposição dos interessados. Perguntei-lhe o porquê da terapia das cores. Ele respondeu: O mundo não foi criado em preto e branco, Deus o coloriu e graças à sua arte a natureza é lindíssima. Daí entendermos que nas cores se encontram concentradas as energias e, conforme o nosso desgaste, necessário se faz uma reposição das cores nas nossas auras. - Elas curam? - Sim. A cor restaura um quadro corroído ou danificado. Se a tela ganha nova aparência quando tratada por pintor capacitado, o corpo, da mesma forma, se bem tratado, volta a possuir luminosidade. A aplicação da cor nos corpos é uma nova terapia, que será muito proveitosa para a Humanidade. - E os desenhos mediúnicos? - Já tratamos aqui desse assunto, mas nunca é tarde para estudarmos um pouco mais, principalmente porque se trata de algo que pode abalar a integridade da Doutrina Espírita. Meus amigos, a mediunidade psicopictográfica pede a cada médium muita humildade; não convém a esses medianeiros assinar seus trabalhos sem critério. Quem conhece arte não compra um quadro somente pela assinatura. Infelizmente, poucos quadros psicopictografados são obras completas do artista citado, portanto, se a tela for parar em mão de pessoas capacitadas, logo cairá no descrédito. Um especialista em pintura encontrará traços do próprio médium e isto fará a tela perder autenticidade. O certo é não assinar. - E se o médium é mecânico? - Poucos, muito poucos, são mecânicos e assim mesmo devemos tomar cuidado. Os grupos mediúnicos devem alertar seus médiuns. Existem quadros lindíssimos psicopictografados, mas com apenas cinquenta por cento da arte do mestre da pintura. E um conhecedor não aceitará um quadro que tenha, por outro lado, cinquenta por cento do médium. E cinquenta por cento é considerado por nós um índice excelente! - Pierre, portanto, os médiuns não devem assinar, mesmo um quadro belíssimo? Não devem, se possuírem bom senso, principalmente se respeitam a Doutrina Espírita. Só se o médium passar os seus quadros a uma apreciação de pessoas capacitadas, não somente da Doutrina, mas ligadas à arte. A vaidade poderá cortar uma bela tarefa. E daqui faço um apelo aos dirigentes de grupos: que formem grupos exclusivamente de pintura, mas obedecendo o Evangelho de Jesus, onde o silêncio é gratificante. Nada de estrelismos. 0 pintor do Departamento da Arte só vai ao mundo físico para pintar se já passou pelo departamento da humildade. E, sendo assim, não importa de se manter oculto. Juntar vários médiuns de pintura é muito bom, não só para o grupo, como para todo o Centro. As cores curam e dão equilíbrio. - Pierre - argumentou Conrad - dias atrás apreciei um quadro mediúnico seu e percebi que ele possuía muito vermelho e sei que você quase não utiliza essa cor. - E verdade, só uso o vermelho para criar outras cores. Mas o médium que me serviu a usou muito. Mas nem por isso o quadro ficou feio. Porém, se analisado por um conhecedor, não poderá ser considerado autêntico. - A psicografia é mais fácil, não ? - Não tenho capacidade para responder, o meu Departamento é o da Arte. - Pierre, hoje qualquer médium está assinando nome de pintores famosos. 0 que você lhes aconselha? - Prudência. E muito triste sermos ridicularizados porque não possuímos o bom senso da humildade. Não importa o nome, um quadro se conhece por seus traçados firmes e pelas cores harmoniosas. O nome não levanta um quadro, mas, sim, o conjunto de todo o trabalho. Vários irmãos fizeram outras perguntas. A aula foi longa e proveitosa. Quando dali saímos, me senti o próprio Michelangelo (1475-1564) desencarnado, e pensei: vou pintar um quadro. - Quando? Agora? - perguntou Samuel. Olhei-o. - Está brincando, eu só vou pintar depois de receber umas boas aulas neste departamento! Todos rimos e dali rumamos para outra aula ao ar livre, que seria ministrada por um Espírito que todos querem muito bem. Uma brisa beijava os nossos cabelos e as flores nos perfumavam o caminhar. Senhor, eu vos agradeço por tanta bênção, orei. Capítulo 29. DE DANIEL A SOFONIAS. No pátio repleto as pessoas entoavam belos hinos. O ambiente nos transmitia uma sensação diferente. - Meu Deus, parece que nos encontramos no próprio Céu, isto é, o paraíso. Quanta vibração! exclamou Sara. Saturnino foi o primeiro a sentar na hera verdejante. Tentarei retratar o ambiente. Era um gramado repleto de degraus, feitos da própria grama. No centro, o palco branquinho, calçado de um material parecendo grama. Órgão e outros instrumentos musicais compunham o palco. Parecia um teatro de arena, e nesses degraus, flores e algumas árvores. À medida que cantávamos o perfume aumentava e todos nós íamos ficando mais equilibrados. Quando parou a música, uma voz se fez ouvir, anunciando o início da aula. Bela prece tomou conta de toda a plateia, pois a sonoridade da voz era melodiosa e maternal. Senti-me acariciado por ela. Meus olhos mal enxergaram a entrada de João, Corina e mais um outro irmão, que nos cumprimentaram. João começou a explanação. - Amigos, acompanhando a escalada da Chama Eterna, isto é, a escalada do Espírito, chegamos hoje ao Livro de Daniel. Defrontamo-nos com Daniel, no Capítulo 1, trazido à casa do rei junto a outros jovens e Daniel, relutando em aceitar as iguarias reais; com Hananias, Misael e Azarias formava um grupo de jovens sadios. Eles se alimentaram de água e legumes, enquanto os outros jovens se fartaram das iguarias do rei, saboreando os finos vinhos. Em Daniel, versículo 17: Ora, a estes quatro jovens Deus deu o conhecimento e a inteligência em toda cultura e sabedoria, mas a Daniel deu inteligência de todas visões e sonhos. Aqui nos deparamos com a Doutrina Espírita, quando recomenda aos médiuns abstenção de vinhos e comidas pesadas, principalmente as carnes dos animais. Alimentos pesados dificultam a aproximação dos abnegados espíritos. Um médium que ingere bebidas alcoólicas não pode receber boas mensagens, principalmente de moral elevada. Este capítulo deve ser lido por todos nós que temos uma tarefa na Doutrina Espírita. Para Daniel cumprir o dom da mediunidade, ele aceitou o chamado do rei e viveu três anos no palácio, onde recebeu a cultura e a língua dos caldeus. E no mesmo Capítulo, versículos 8, 9 e 10: Resolveu Daniel firmemente não contaminar-se com as finas iguarias do rei, nem com o vinho que ele bebia, então pediu ao chefe dos eunucos que lhe permitisse não contaminar-se. Ora, Deus concedeu a Daniel misericórdia e compreensão da parte do chefe dos eunucos. Com o passar dos anos reencontramos Daniel chamado pelo rei para interpretar os sonhos. E novamente apresenta-nos como um médium verdadeiro. Daniel é preso, consulta a Deus e vai ter com o rei. No Capítulo 2, versículos 27 e 28, encontramos Daniel: Respondeu Daniel na presença do rei, e disse: O mistério que o rei exige, nem encantador, nem magos, nem astrólogos o podem revelar ao rei, mas há um Deus nos céus, o qual revela os mistérios (...). Aqui, está patente mais uma lição: nem todos foram designados para grandes revelações, portanto, devemos medir as palavras. E muito perigoso fazer revelações futuras. E neste capítulo vários magos iam ser sacrificados porque se negavam a revelar o futuro do rei. Daniel, na sua presença, consulta Deus e recebe permissão para fazer a revelação ao rei, que muito agradecido ficou. E Daniel prevê a era cristã, as figuras dos evangelistas. E encerra o seu livro. Capítulo 12, versículo 7: Ouvi o homem vestido de Unho que estava sobre as águas do rio, quando levantou a mão direita e a esquerda ao céu, e jurou por aquele que vive eternamente, que isso será depois de um tempo, dois tempos e metade de um tempo. E quando se acabar a destruição do poder do povo santo, estas coisas todas se cumprirão. 0 primeiro tempo: a época de Moisés; o segundo tempo: a era cristã; o terceiro tempo: a era espírita. Portanto, devemos lutar por um mundo de paz e de amor. Logo entramos no Livro do Oséias, Capítulo 11, versículos 5 e 6: Não voltarão para a terra do Egito, mas o assírio será seu rei, porque recusam converter-se. A espada cairá sobre as suas cidades, e consumirá os seus ferrolhos e as devorará, por causa de seus caprichos. E no Capítulo 14, versículo 5: Serei para Israel como orvalho, ele florescerá como o lírio, e lançará as suas raízes como o cedro do Líbano. Versículo 9: Quem é sábio que entenda estas coisas, quem é prudente que as saiba, porque os caminhos do Senhor são retos, e os justos andarão neles, mas os transgressores neles cairão. Aqui defrontamos com um Israel machucado, defensivo, preocupado e vingativo; e logo o Senhor unindo todo o Oriente Médio e ai daqueles que lutarem contra a união dos povos. Leiam bem o apelo a final. Depois entramos no Livro de Joel, no Capítulo 1-, versículo 9: Cortada está da casa do Senhor a oferta de manjares e a libação; os sacerdotes, ministros do Senhor, estão enlutados. No versículo 11: Envergonhai-vos, lavradores, uivai vinhateiros, sobre o trigo e a cevada, porque pereceu a messe do campo. E aqui vimos a luta do homem para obter o necessário para viver. De nada valerá o dinheiro, pois se o homem não plantar, não colherá. Este capítulo é muito forte para os homens materialistas que julgam que o dinheiro compra tudo e nada fazem pela ecologia; só as máquinas e os concretos denotam progresso para as suas curtas inteligências. E ainda continuam as advertências no Livro de Amos, Capítulo 2, versículo 6: Assim diz o Senhor: Por três transgressões de Israel, e por quatro não sustarei o castigo porque os juízes vendem o justo por dinheiro, e condenam o necessitado por causa de um par de sandálias. Jesus foi vendido e os apóstolos com suas rotas sandálias foram condenados por conviverem com os pobres e estropiados. Versículo 7: Machucam sobre o pó da terra a cabeça dos pobres, e pervertem o caminho dos mansos; um homem e seu pai coabitam com a mesma jovem, e assim profanam o meu santo nome. Aqui percebemos a luta do homem pela terra do seu próximo, a briga entre as nações, os ricos humilhando os pobres, e os mansos e pacíficos sofrendo com a violência. Ainda no Capítulo 5, versículo 21: Aborreço, desprezo as vossas festas e com as vossas assembleias solenes não tenho nenhum prazer. Aqui notamos que não existe religião sem amor. De que adiantam os rituais religiosos se odiámos o nosso próximo? No final do Livro de Obadias vamos encontrar uma bela mensagem de esperança. Capítulo 19, versículo 21: Salvadores hão de subir no monte Sião, para julgarem o monte de Esaú, e o reino será do Senhor. Quando o homem deixar de desejar o poder, o Senhor sentará no seu trono roto e humilde e nós seremos chamados de irmãos. Cessarão os fogos nos céus e os homens não rastejarão como os irracionais, porque esses procuram as asas da liberdade, que serão adquiridas através das idas e vindas dos seus espíritos. Depois, do Livro de Jonas, entramos no Livro de Miquéias, no Capítulo 12, Versículo 7: Todas as suas imagens de escultura serão queimados pelo fogo, e de todos os seus ídolos eu farei uma ruína, porque do preço da prostituição os ajuntou, e a este preço voltarão. Vimos que os templos nada são se não forem transformados em refúgio de amor. E os ídolos serão desmascarados, porque geralmente são feitos de barro ou de carne. No Capítulo 3, versículo 4: Então clamarão ao Senhor, mas não os ouvirá, antes esconderá geles a sua face naquele tempo, visto que eles fizeram mal nas suas obras. Portanto, quem se diz portador das palavras de Deus, precisa tomar cuidado; transformar-se em falso profeta é plantar lágrimas para o futuro. Em Miquéias muito encontramos sobre os falsos profetas e os que, fracos de sentimento, levam o fanatismo em nome do Senhor; que aproveitam a boa-fé dos fracos para os levarem ao isolamento, por se julgarem santos. No Capítulo 4: 0 anúncio do chamado dos gentios, versículo 6: Naquele dia, diz o Senhor, congregarei os que coxeiam, e recolherei os que foram expulsos e os que eu afligira. Estamos nós aqui, não importando se somos ainda imperfeitos, mas lutando para bem servir nosso Senhor. Não importa se ontem fomos expulsos, nós damos graças pela revelação da revelação, porque ela nos mostra um Deus que não mata, porque perdoa; que nós, por vezes, julgamos que Ele castiga, mas a própria vida nos prova que só colhemos o que plantamos, e no ontem plantamos a dor que hoje sentimos. No Capítulo 7, versículo 19: Tornará a ter compaixão de nós, pisará aos pés as nossa iniquidades e lançará todos os nossos pecados nas profundezas do mar. Finaliza esse Livro um bonito versículo: o do perdão de Deus quando o homem descobre que ele só caminha para frente se nada destruiu na sua estrada; que todos os povos têm o direito de viver em paz; que não existe nação melhor que a outra, existem homens lutando para aprender o verbo amar; que o homem só vai ser livre no dia em que compreender a reencarnação, porque se hoje ele nasce em Israel, amanhã ele estará na China e no outro amanhã na Colômbia. Portanto, por que as fronteiras? Quem deseja conhecer melhor o futuro das nações do Planeta demore mais nestes últimos livros do Antigo Testamento. No Livro de Habacuque, vamos encontrar a oração de Habacuque. No Capítulo 3, versículo 11: O sol e a lua param nas suas moradias. E chegamos ao Livro de Sofonias. Nele encontramos vários assuntos interessantes para a nossa aula. Estamos hoje novamente a falar sobre os livros do Antigo Testamento, porque é muito bom que recordemos as lições neles contidas. Vamos prestar atenção nesse Livro, onde encontraremos vários acontecimentos tristes, é verdade, mas bem vivos em nossos meios de comunicação. Capítulo 30 NO PAINEL, RESPOSTAS ESCLARECEDORAS. Do Livro de Sofonias paulatinamente foram saindo as célebres figuras. No Capítulo 2: Concentra-te e examina-te, ó nação, que não tens pudor, antes que saia o decreto, pois o dia se vai como a palha; antes que venha sobre ti o furor da ira do Senhor, sim, antes que venha sobre ti o dia da ira do Senhor. No versículo 4: Porque Gaza será desamparada e Ascalom ficará deserta; Asdode ao meio dia será expulsa, Ecrom desarraigada. - Presenciamos aqui as tropas da ONU abandonando o Oriente Médio. Gaza será desamparada. Nesse mesmo Livro e Capítulo: Ameaças contra a Etiópia. Quem não conhece a tristeza da Etiópia? No Capítulo 3: Ameaças contra Jerusalém. Versículos 1 e 2: Ai da cidade opressora, da rebelde e manchada. Não atende a ninguém, não aceita disciplina, não confia no Senhor, nem se aproxima de Deus. Mas no fim nesse Livro a esperança nos surge como prenuncio de paz. No versículo 20: Naquele tempo eu vos farei voltar e vos recolherei. Surge o Livro de Ageu, onde continuam as advertências às nações, pedindo o respeito de uma para com a outra. Neste Livro do Antigo Testamento defrontamos com a evolução do homem, o caminho dessa evolução e mesmo Deus preocupado com Seus filhos, os quais não O atenderam. E chegamos a Zacarias. No Capítulo 19 - Primeira visão - os cavalos - versículos 8 a 10: Tive de noite uma visão de um homem montado num cavalo vermelho, estava parado entre as murteiras que havia num vale profundo; atrás dele se achavam cavalos vermelhos, baixos e brancos. Então perguntei: Meu Senhor, quem são estes? Respondeu-me o anjo que falava comigo: Eu te mostrarei quem são eles. Vejam a resposta: São os que o Senhor tem enviado para percorrer a terra. Jesus e Seus apóstolos até hoje pregam a paz entre os homens. Um hino de amor ao Mestre. Vejam só como é lindo este versículo do Capítulo 13! Ferido o Pastor de Deus. No versículo 7: Desperta, ó espada, contra o meu pastor e contra o homem que é o meu companheiro, diz o Senhor dos Exércitos; fere o pastor, e as ovelhas ficarão dispersas, mas volverei a minha mão para os pequeninos. Pudemos notar que em todos os livros do Antigo Testamento encontram-se entremeadas as premonições do século XX e os acontecimentos da época de Cristo. Em Malaquias, o último Livro do Antigo Testamento, vemos, no Capítulo 3: Eis que eu envio o meu mensageiro que preparará o caminho diante de mim. No versículo 5: Chegar-me-ei a vós outros para juízo; serei testemunha veloz contra os feiticeiros, contra os adúlteros, contra os que juram falsamente, contra os que defraudam o salário do jornaleiro e oprimem a viúva e o órfão o torcem o direito do estrangeiro, e não temem, diz o Senhor dos Exércitos. Este versículo é tão profundo que nos fez meditar: Como podo um homem se dizer seguidor do Cristo e não preencher os quesitos do cristão''' E neste versículo podemos nos colocar em guarda contra os falsos profetas. No versículo 6: Porque eu, o Senhor, não mudo; por isso vós, ó filho de Jacó, não sois consumidos. No versículo 8: o roubo no tocante aos dízimos. Roubará o homem a Deus? Todavia vós me roubais, e dizeis: Em que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas alcançadas. Gostei deste versículo e veja como Deus é sábio: quantos religiosos gostam de receber o dinheiro em nome do Senhor! E no versículo 18: Então vereis outra vez a diferença entre o justo e o ímpio; entre o que serve a Deus e o que não serve. Portanto, nós, os espíritas, devemos ter muito cuidado para não profanar a casa do Senhor; que os dinheiros arrecadados cheguem através dos nossos trabalhos, jamais de jogos, de dízimos e de rifas. Devemos receber de acordo com o suor dos nossos corpos. No versículo 5, do Capítulo 4: Eis que eu vos envio o profeta Elias antes que venha o dia grande e terrível do Senhor. Quase pulei da cadeira! Ali, no palco da Faculdade de Maria o Antigo Testamento colocara à nossa frente a reencarnação. E surgiram várias outras passagens sobre Elias. Uma delas, quando Jesus reconheceu em João Batista o Elias que devia vir. (Mateus, 11, 10 – Marcos 9, 11). Perguntei ainda sobre alguns fatos, porém, muitas coisas eu não posso passar para vocês. Os Livros do Antigo Testamento possuem várias premonições, mas não estou capacitado para revelá-las. Algo me chamou a atenção. Desculpe por voltar ao 19 Capítulo de Malaquias. Aborreci Esaú significa amar menos? Esaú é a imagem dos réprobos, e Jacó dos eleitos. Aqui, porém, não se trata de pessoas físicas, dos filhos de Jacó, e, sim, dos povos que deles descendem. No Capítulo 3, versículo 9, de Zacarias, está escrito: Porque és a pedra que eu pus diante de Josué, sobre esta pedra estão sete olhos. Pedra: recordemos que Jesus chamou Pedro de pedra; que médium foi Pedro! Pudemos notar aqui que os sete olhos significam o dom da mediunidade, e ninguém foi maior médium do que Jesus. Sozinho ali fiquei ainda muito tempo. Olhava ao meu redor e desejei abraçar cada leitor amigo e lhe dizer obrigado. Graças a vocês eu estou aqui, aprendendo o valor da vida. Fui andando pelas alamedas floridas e me detive mais uma vez contemplando as flores. Senti que as flores espirituais possuem uma vida diferente, aqui elas parecem mais ligadas a Deus. Acho que as terrestres ficam mais asfixiadas pelas vibrações pesadas. Do lugar onde me encontro diviso a montanha e sinto a vibração do ambiente. Mergulhado nos meus pensamentos, nem percebi Conrad e Sara que me observavam. Quando os vi, falei: - Oi, gente, tudo bem? - Sim, ótimo. Só que nos preocupamos com você. Todos já estamos reunidos no parque e sentimos a sua ausência. Perdoem-me, tão absorvido me encontrava, que me esqueci - falei, já virando para trás, buscando o caminho do parque. - Luiz, você já preparou as perguntas? - indagou-me Sara. - Não, mas não vou perder tempo. - Eu também tenho cada uma aqui na cabeça para fazer! exclamou Conrad. Nisso, surgiu a planície bela e repleta de gente. Acomodamo-nos da melhor forma possível e logo iniciou-se o encontro. Primeiro, os cânticos. Um deles, Jesus Menino, foi cantado por toda a plateia. Meu Jesus menino, Preciso de Ti Meu Jesus menino, Preciso de Ti. Ali, na calçada A criança abandonada (BIS) Já não sorri Mais ali A mulher cobiçada E maltratada Sua dor eu senti Na rua deserta O guarda noturno Não participa da festa Ele vence seu turno Meu Jesus menino Meu Jesus menino No barraco sombrio A carência crescente Faz-me sentir frio Junto a gente carente Eu murmuro Teu nome Preciso de Ti (BIS) A dor me consome Tudo isso eu vi Vem meu Jesus Vem meu Jesus Transformar a Terra Num Planeta de luz Vem meu Jesus Vem meu Jesus. Depois, várias outras melodias. Sei que ali ficamos muitas horas, não só cantando como participando de várias brincadeiras. Dali nos despedimos e fomos para os nossos quartos. Quando cheguei ao meu refúgio, senti uma vontade de chorar! (...) - Meu Deus, quanto venho recebendo de Vós! Obrigado, Senhor, obrigado. O outro dia surgiu radiante, ou era eu que não via a hora de me encontrar com os outros. A medida que ia me aproximando das salas de aula, ia reencontrando os amigos, e percebi quantos irmãos lutam para aprender a amar o seu próximo. Ao passar por.um e por outro, alguém me chamou a atenção. - Sérgio, posso saber por que tanta pressa? - era Saturnino. Envergonhado, me desculpei: - É um feio hábito, mas que posso fazer? Sou assim mesmo (...). Ele me olhou, e por sua expressão compreendi o erro que estava cometendo. Todos nós podemos dominar os nossos espíritos; para isso basta desejarmos guerrear contra os nossos defeitos. E a pressa vem sendo a minha inimiga número um. - Irmão, perdoe-me, vou me corrigir. Fui andando devagar e calado, mas confesso que desejava correr para chegar ligeiro. Quando entramos na sala a minha cadeira lá se encontrava à minha espera. Acomodei-me com prazer; o meu nome nela escrito foi-se apagando à medida que eu a ocupava. Todos já acomodados, uma luz brilhante foi banhando o ambiente. Ela era projetada nas cores do arco-íris e, numa velocidade espantosa, mudavam-se os tons. Fui ficando meio sonolento. Conrad tocou-me o braço. - Sérgio, não estás bem? Sorri. - Estou ótimo. Constrangi-me ao ver que todos se viraram para mim: é que o meu painel projetava minha ansiedade. Que vergonha! Procurei na prece meu reequilíbrio e pouco a pouco fui serenando. Só aí entraram os instrutores. Primeiro, Corina, depois, João e os outros. - Já há alguns meses estamos juntos, estudando a escalada do espírito e, nesse estudo, aprendemos a nos querer bem. Hoje aqui nos encontramos para tirar as dúvidas que ainda surgiram e que não foram formuladas por receio ou comodismo. Gostaríamos que todos levassem daqui a certeza da bondade de Deus. Quem desejar fazer perguntas é só pensar e o seu painel a fará. Só é preciso muito equilíbrio, para não tumultuar. Vamos a elas. Um irmão fez a primeira: - Por que várias religiões são contra o casamento, se no Capítulo 2, versículo 28 da Gênesis Deus diz: Crescei e multiplicai-vos? - Só é contra a reprodução do ser quem não conhece as leis dl natureza. Crescei e multiplicai é o mandamento de Deus quo criou o homem macho e fêmea. Portanto também a fecundidade vem de Deus. Deus não criou o homem deixando-o sozinho; desde o início criou-os homem e mulher, e esta união constitui a primeira forma de comunicação entre as pessoas. Outro painel registrou a pergunta referente ao Capítulo 4 da Gênesis, versículo 1: Adão conheceu sua mulher Eva, a qual concebeu e deu à luz Caim. A pergunta: por que "conheceu"? Resposta: "Conheceu" é eufemismo usado para indicar o ato sexual. Outro painel: Gênesis, Capítulo 7, versículos 22 e 23: Tudo o que respira e tem vida sobre a terra, morreu. Foram exterminados todos os seres. Resposta: Foi destruída apenas uma parte dos homens, os mais culpados. Outro painel: E no dia dezessete do sétimo mês parou a arca sobre as montanhas de Ararate. Resposta: Ararate é o nome de uma região montanhosa, situada na Armênia; os assírios chamavam-na de Urartu. Outro painel: Capítulo 11 da Gênesis, indagação sobre a torre de Babel. Resposta: O verdadeiro sentido da confusão de línguas está na separação dos homens; e Babel não deve ser confundida com Babilônia. Aqui o nome significa confusão, ao passo que Babilônia significa porta de Deus. Outro painel: Gênesis, Capítulo 19, versículo 8: Quando Lot oferece as filhas aos homens de Sodoma que queriam abusar de dois hóspedes. Tenho duas filhas que ainda são virgens, eu vo-las trarei e abusai delas como vos agradar. Resposta: Tão sagrada era a hospitalidade entre os orientais e tão baixo o respeito para com a mulher, que Lot, para salvar os hóspedes, pensa em sacrificar as filhas. O homossexualismo, chamado também sodomia, era muito difundido entre os cananeus. E ele é muito marcante neste Capítulo 19. Podemos notar que vários destes assuntos nos passaram despercebidos. Outro painel acendeu: Capítulo 49, da Gênesis, versículos 10 a 12: O cetro não será tirado de Judá, nem o príncipe da sua descendência até que venha aquele que deve ser enviado. E a ele obedecerão as nações. Ele atará à vinha o seu jumentinho e à videira mais excelente o filho e a sua jumenta. Lavará a túnica no vinho, e a sua capa no sangue da uva. Os seus olhos serão mais famosos que o vinho, e os seus dentes mais brancos que o leite. Resposta: Profecia messiânica. Aqui foi previsto que o Messias nasceria de uma tribo de Judá. E as características do Cristo são bem claras. Panei: Êxodo, 5, versículo 7: Não mais dareis palha, como antes, ao povo a fim de fazer tijolos, mas eles mesmos juntarão a palha. Resposta: Os tijolos eram fabricados com argila misturada com palha triturada, para dar-lhes maior resistência, secados ao sol. Painel: É comum durante o ano, na inundação do Nilo, as rãs se multiplicarem? Está certo este Capítulo 8, versículo 1? Resposta: A praga das rãs verificou-se em janeiro e fevereiro, na baixa do Nilo.' Painel: Que são pães ázimos? Resposta: Pães sem fermento. Painel: Que é Páscoa? Resposta: Páscoa significa precisamente passagem, a passagem dos hebreus através do Mar Vermelho para a Terra Prometida. A festa da Páscoa é hebraica, mas os hebreus transmitiram-na aos cristãos, que nela celebram o sofrimento do Cristo, a Sua ressurreição. Painel: Êxodo, 16, versículo 13: Aconteceu pois de tarde virem codornizes, que cobriram os acampamentos. Milagre? Resposta: Não! Durante a primavera, grandes bandos de codornas emigram do interior da África para os países mediterrâneos. Painel: Êxodo, 17, versículo 6: Eis que estarei lá diante de ti sobre a pedra de Horebe. Ferirás a pedra e dela sairá água, para que o povo beba. Resposta: Pedra é Cristo, água é o Seu Evangelho, que nos oferece vida eterna. Cada vez mais eu ficava curioso. Queria fazer várias perguntas, mas fui-me aquietando, dando vez aos outros. Quanta coisa me passou despercebida! Ainda bem que os meus irmãos não estavam esquecendo de nada. Acomodei-me melhor na cadeira e esperei. Novas perguntas se seguiram. Painel: Por que os sacerdotes esqueceram o Antigo Testamento? Em Êxodo, Capítulo 34, versículo 13: Destrói os seus altares, quebra as suas estátuas e corta os bosques sagrados: Altares e estátuas ainda veneradas sobre estacas e os bosques sagrados. Resposta: Os bosques sagrados, ou aserot, eram troncos de árvores simbolizando a deusa paga Aserá, que os cananeus consideravam mulher de Baal e mãe da vida, deusa da fecundidade, mas venerada de maneira licenciosa, obscena, como a Astarté dos fenícios, dos gregos e de outros povos. Pergunta: Levítico - Qual a diferença do Rito dos sacrifícios e o Rito das oblações? Resposta: Nos sacrifícios chamados holocaustos, a vítima era inteiramente queimada e nada era reservado ao sacerdote nem ao ofertante. Entre os orientais tratava-se do mais solene sacrifício. E no Capítulo 2, o Rito das oblações, a parte não queimada era destinada ao sacerdote, que deveria consumi-la no recinto do tabernáculo. Painel: Levítico, Capítulo 15, versículos 2 a 4: Impureza do homem e da mulher. O Senhor falou a Moisés e a Aarão, dizendo: Falai aos filhos de Israel e dizei-lhes: O homem que padece de fluxo seminal será impuro. Todo o leito em que dormir e todo o objeto sobre o qual sentar será impuro. Resposta: Deus bondosamente não só ensina aos homens a Sua moral, como nos ensina até hoje as regras de higiene e o respeito aos nossos corpos. Se ainda hoje as doenças sexualmente transmissíveis se alastram por falta de cuidados do próprio homem, imaginemos na época de Moisés. A efusão do sêmen do homem era considerada perda de vitalidade. Painel: Levítico, Capítulo 19, versículos 26 e 27: Não comerás nada com sangue. Não usarás agouros, nem adivinharás os sonhos. Não cortarás o cabelo em redondo nem rasparás a barba. Resposta: É a proibição de ritos e usos supersticiosos por idolatria, aparentemente estranhos e, por eles, percebemos que os israelitas eram inclinados a práticas supersticiosas. Painel: Capítulo 20 - Levítico: versículo 29: Não prostituas tua filha para que a terra não seja contaminada e se encha de impiedade. Resposta: Não se trata apenas de uma proibição, mas fica para todos nós a verdade da chama eterna, isto é, a purificação do espírito. Hoje ainda encontramos homens que não respeitam suas filhas, mas são raros. E neste versículo está o alerta, quando Ele nos diz: para que a terra não seja contaminada - cientificamente sabemos o perigo de uma relação pai-filha, irmão-irmã, mesmo entre tios e sobrinhos, primos e primas. Ainda mais quando realizadas desonestamente para honrar um ídolo, o que não era raro entre alguns povos antigos, em homenagem às suas deusas. Entre eles a prostituição sagrada era incentivo para a mais despudorada imoralidade. Painel: Que foi a revolta de Coré, Daton e Abiron? Resposta: Uma rebelião religiosa e política. O chefe da rebelião, Coré, primo de Moisés, queria o sacerdócio para todos os descendentes de Levi; os chefes políticos Daton e Abiron, por sua vez, reivindicavam para sua tribo, a de Ruben, primogênito de Jacó, a supremacia do governo, considerando Moisés como enganador do povo. Painel: Números, Capítulo 21, versículo 6: Por esta causa o Senhor enviou contra o povo serpentes de fogo e causaram estas chagas e mortes em muitos. Resposta: Não porque tivessem fogo, mas por causa do veneno, que muito maltratava quem fosse por elas picado. Painel: E a serpente de bronze? E o Senhor disse-lhe: Faze uma serpente de bronze, e põe-na em uma haste; aquele que olhar para ela, sendo ferido viverá. Resposta: O homem sempre necessita de algo material para se agarrar nas horas de tristeza. Moisés, ao erguer a serpente de bronze, queria salvar o seu povo e, encontrando neles o medo, ou melhor, o pavor, teve de usar de símbolo material para elevá-los à prece. Em João, Capítulo 3, versículos 14 e 15, está a explicação do significado simbólico do fato. Números, Capítulo 25, versículos 2 e 3. Painel: Idolatria de Israel. £ eles comeram e adoraram os deuses delas. E Israel se consagrou a Baal-Peor. Resposta: Baal-Peor, ou Senhor de Peor, era uma divindade dos moabitas, que habitavam a leste do Mar Morto. Seu culto consistia em práticas obscenas. Os homens de Israel consagravam-se a Baal-Peor, isto é, não souberam resistir aos convites das mulheres moabitas e participaram dos ritos em honra de seu deus nacional, tomando parte na prostituição sagrada, daí advindo o castigo terrível de Moisés. Deuteronômio 24 - Divórcio. Se um homem tomar uma mulher, e a tiver consigo e ela não for agradável diante dos seus olhos por qualquer coisa torpe, escreverá um libelo de repúdio, lhe dará na mão e a despedirá de sua casa. Moisés era a favor do divórcio? Resposta: Sim, porque é mais digno dar a liberdade do que maltratar alguém, obrigando-o a ficar ao nosso lado quando não o amamos e não o respeitamos. Painel: Quem foi Raab? Josué, Capítulo 2. Resposta: Raab foi uma meretriz que salvou dois espiões que secretamente entraram em Jerico a mando de Josué, filho de Num. Era munida de muita bondade e fé, foi mulher de Salmon, que foi antepassado de Davi e de Cristo. Aqui paramos para um merecido descanso. Como sempre, fui o último a sair. Ainda não havia feito nenhuma pergunta, mas estava contente com todas as respostas. Notei que alguém me esperava: era Conrad. Aproximei-me dele e saímos pelas belas alamedas da Faculdade. Livro Chama Eterna. Abraço. Davi.

segunda-feira, 3 de julho de 2017

TOURO E MERCÚRIO.

Astrologia. Texto de Ricardo Lindemann. Capítulo Quatro. TOURO E ESCORPIÃO – A ASTROLOGIA NÃO É UMA QUESTÃO DE CRENÇA, mas uma questão de Ciência, uma questão de verificação. Por isso, convido os leitores a observarem-se as pessoas de Touro (20 de abril – 20 de maio) e Escorpião (23 de outubro – 22 de novembro), que na sua esfera de relacionamentos, apresentam ou não as características aqui citadas. Agora, vejam bem, as pessoas podem ser de um signo pelo mês do nascimento, podem ser de um signo também pelo dia do nascimento, ou pelo hora do nascimento. No primeiro caso, nós vamos dizer que a pessoa é do signo solar porque nasceu no mês de Touro, a partir de 20 de abril até 20 de maio, mas também o fato é que se ela tiver nascido em certo horário, ela terá o Ascendente no signo de Touro, porque existem duas horas por dia em que o signo de Touro estará se elevando no horizonte Oriental. Há também outra possibilidade, se a Lua estiver em certo dia apresentando-se no signo de Touro, o que ocorrerá em média num período de dois dias e um quarto, dois dias e seis horas, dado que nós dividiremos 27,32 dias por 12 signos. Os 27,32 dias correspondem ao mês sideral da Lua, e dividindo em 12 partes, nós vamos ter este resultado. Então, no geral se diz que o signo da Lua é o signo do dia, e o signo Ascendente é o signo da hora, mas na verdade, são maneiras de explicar que nós somos divididos em camadas. Nós podemos ter o signo de Touro no mental, signo solar ou signo do mês, no emocional, signo lunar, ou signo do dia, ou no Ascendente que dá a característica física, e ai sim, o signo da hora. Então, as pessoas não são também em geral um tipo puro de um signo, elas têm mesclas, e essa é a importância de nós fazermos um Mapa Astral, ou Natal, de cada pessoa individualmente, para ver que composições a pessoa apresenta em seu Mapa Astral. Voltemos agora a nossa atenção novamente para o mural da Última Ceia, onde o signo de Touro é representado no Cenáculo por Judas Tadeu, e Escorpião por Judas Iscariotes. É interessante lembrar ainda que a correspondência dos doze signos e dos doze Apóstolos foi descoberta e estabelecida por Emma Costest de Mascheville (1903-1980), em seu magnífico livro Luz e Sombra, da Editora Teosófica, que gostaríamos de recomendar. E, com ela, tivemos a oportunidade de estudar nos últimos sete anos da sua vida, e talvez, assim, captar algo da beleza do seu ensinamento, que era então o florescimento da experiência de toda uma vida dedicada a este estudo. O signo de Touro corresponde ao pescoço, e é representado por Judas Tadeu. O pescoço é justamente a parte mais saliente da sua figura, no mural, bem como no Homem Celeste o Escorpião corresponde aos órgãos sexuais, e estes dois signos ficam assim diametralmente opostos no zodíaco. Por extensão nós poderíamos dizer que há uma relação entre a garganta e os órgãos sexuais. É interessante notar que as crianças, portanto antes da adolescência, antes do corpo ter atividade, propriamente sexual pelo estímulo das glândulas correspondentes, frequentemente têm como ponto fraco do organismo a garganta, porque a polaridade oposta não está propriamente ativa. Então, às vezes, as amigdalites são muito frequentes na infância, etc., e de alguma forma a garganta, o pescoço, abrange a tireoide, a paratireoide. O Touro rege esta região no corpo que abrange a tireoide relacionada à capacidade de acumular os nutrientes no organismo, por isso tem a ver até com a obesidade quando há o mau funcionamento da tireoide, e assim, o armazenamento e a acumulação das condições de sobrevivência através do alimento excedente, que significaria a nossa reserva acumulada. A obesidade já é o excesso de reserva, mas enfim, essa capacidade de armazenar para o futuro, de acumular riqueza, é uma característica tradicionalmente relacionada com o signo de Touro, que é um signo de terra. O oposto, portanto, o Escorpião está associado aos órgãos sexuais e suas glândulas, seja o aspecto dos hormônios correspondestes ao hormônio masculino e feminino, como também todo o processo que está associado à geração de uma nova vida. Portanto o Escorpião está sempre associado, na tradição astrológica, à paixão, e está de uma certa forma caracterizando a sobrevivência do indivíduo. E há um equilíbrio novamente a ser encontrado entre essas duas forças. A posição do Cristo na forma de um triângulo equilátero, que é o símbolo da harmonia, na Astrologia, tem na mão esquerda o símbolo da doação, a mão esquerda está voltada assim para cima, enquanto que a direita recolhe, pois está voltada para baixo. Então, nós temos o símbolo de um equilíbrio de duas forças da Natureza em que do lado direito do observador, as estações da primavera e do verão são aquelas nas quais o Sol se doa em luz e calor, e são o símbolo da atividade, enquanto que o outono e o inverno, que são a outra face mais obscura que corresponde mais ao lado lunar que, na verdade, é quando o Sol, proporcionalmente, se recolhe, e a luz dele é menos presente naquelas estações. E esse equilíbrio entre esses dois polos é o que nós buscamos de alguma forma na Astrologia. O signo de Touro irá representar a sobrevivência do indivíduo e o acúmulo de matéria como reserva com essa finalidade, enquanto que o Escorpião já representa a paixão sexual que vai gerar uma nova vida na sobrevivência da espécie; portanto, são forças polarizadas. E, assim, o Touro representa de alguma forma a fecundidade passiva, enquanto que o Escorpião a força criadora, geradora mais ativa. De certa forma, Marte que é o regente clássico de Escorpião, é um planeta chamado masculino, ou ativo, enquanto que Vênus, regente de Touro, é chamado de passivo ou feminino. O equilíbrio entre esses dois opostos é que nos conduzirá ao Cristo, que está no centro do mural, que é aquela posição, imparcial na qual nós meditamos, e gostaríamos de citar novamente, o Princípio básico da meditação no Yoga, segundo o Yoga Sutras de Patanjali: "Quando a mente é perturbada por pensamentos impróprios, a constante ponderação sobre os opostos é o remédio". Então, essa é a polaridade que nós temos que complementar meditando no signo oposto, se aplicarmos o aforismo II-33 do Yoga Sutra Citado à prática da Astrologia. Assim verificaremos que o signo de Touro representa a preservação e proteção da vida, o aspecto de uma fecundidade obediente e protetora da matéria, enquanto que o Escorpião já representa uma autoridade mais passional dessa força criadora, que representa a transmutação da matéria, e muitas vezes é associado por isso à morte. Então, o signo de Touro é a Física, e o Escorpião é a Química, o signo de Touro é a realização e o Escorpião é a organização. O signo de Touro é aquela afetividade de uma ternura protetora, às vezes até super protetora, os problemas das mães de Touro são clássicos no apego aos seus filhos, enquanto que o Escorpião já tem mais aquela disposição de cortar o que for preciso, tem uma visão mais cirúrgica para enfrentar o perigo e a morte. Costuma-se dizer que ele gosta de viver perigosamente. O Escorpião, na verdade, é um animalzinho frágil. Segundo a tradição, se ele não injetar o veneno no adversário ele irá injetá-lo em si mesmo. Assim, nutrindo nos outros o medo daquele veneno que ele traz na cauda, ele impõe uma certa distância de segurança e por isso ele necessita executar certas punições exemplares. Não que ele possa enfrentar a todos, mas ninguém quer ser o primeiro a enfrentá-lo porque sabe que receberá a punição exemplar. Esse é o símbolo de um animal frágil, que a gente poderia até matar por acidente se pisasse em cima, por descuido, mas por outro lado, representa um animal que às vezes aterroriza as pessoas, porque elas sabem muito bem que ele tem veneno. Da mesma forma, o tipo do Escorpião é de uma fragilidade defendida por uma aparente agressividade, mas se a pessoa souber conquistá-lo, ele se transforma no nosso melhor protetor, no nosso melhor amigo, porque não temerá nem sequer a morte para nos defender. Por outro lado, não convém arranjar inimigos de Escorpião, pois o mesmo que vale para um lado vale também para o outro, e ele nos perseguirá implacavelmente se nós não soubermos conquistá-lo, ou principalmente se ferirmos os seus sentimentos. E, por isso, o Escorpião é considerado como um dos signos mais incompreendidos, assim também, no próprio mural de Leonardo da Vinci (1452-1519), ele é representado por Judas Iscariotes, que é tratado como o traidor do Cristo. Mas, se diz também, que não teria havido a ressurreição do Cristo se não tivesse existido a figura de Judas Iscariotes que produzisse a morte. Por isso, o próprio Escorpião, representado por Judas Iscariotes, é o único que apresenta metade do rosto na luz e metade do rosto na sombra, simbolizando que ele é capaz de transitar entre estes dois mundos, simbolizando que ele tanto representa a morte, quanto a ressurreição. Nesse aspecto da ressurreição, o símbolo usado pelos egípcios para o Escorpião é a Águia. É importante lembrar que no Zodíaco greco-romano, o Escorpião é caracterizado pelo simbolismo do lado sombrio da morte, mas o egípcio prefere o da Águia que é o símbolo da ressurreição e da faceta luminosa da libertação do espírito. E, também, os gregos tinham a outra representação do Escorpião, a Fênix, aquele animal que, segundo a mitologia, ressurgia das cinzas, também era um símbolo de ressurreição. Então, o Escorpião é representado por seu lado morte, na Última Ceia, por Judas Iscariotes, e ali deixou uma cadeira vazia, porque é sabido que Judas Iscariotes se suicida, na tradição bíblica. Dona Emy entendia que, mais tarde, essa cadeira seria ocupada simbolicamente por Paulo que é uma transmutação de Saulo, ou seja, ele representaria o único Apóstolo que viu o Cristo em espírito sem tê-lo visto na forma de Jesus corporal, na forma material; ao contrário de Judas Iscariotes que parece ter convivido com Jesus em seu aspecto corporal, ou físico, mas pelo visto não o compreendeu muito bem, ou não teve a plena visão da natureza espiritual do Cristo. Creio que por isso ela entendia que a faceta escorpiônica da transmutação e da ressurreição estava melhor representada por São Paulo do que por São Matias. Escorpião simboliza portanto os extremos da natureza, a vida e a morte, o viver perigosamente, a busca da adrenalina, o sentir a paixão. Por outro lado, o Touro é representado por um animal ruminante, sombra e água fresca é o seu lema, que nada mude, que tudo fique como está, é um signo de terra e fixo. Mas, se observarem o animal que representa o signo de Touro, caracteriza muitas das qualidades de perseverança, porque é no pescoço do Touro que se ata o jugo, a canga, ali ele mostra a sua força carregando com perseverança o carro, puxando a carroça, enfim, todos estes aspectos que estão associados ao signo de Touro que tem por símbolo esse animal. Eu gostaria que observassem o aspecto ruminante do Touro. O ruminante mastiga, aquilo vai ao estômago de alguma forma e volta, aí é ruminado de novo, mascado mais uma vez, engolido de novo, vai ao estômago e volta, então se mastiga mais uma vez e aquilo é ruminado e engolido mais uma vez, não sei por quantas vezes, em algum momento já deve ter perdido o gosto (...). Mas o surpreendente é que o signo de Touro suporta isso com naturalidade, porque ele é por excelência a encarnação, e a manifestação da perseverança e da paciência. As qualidades associadas ao signo de Touro são o seu lado prático, digno de confiança e paciente, de certa forma persistente e hábil nos seus negócios, seu fino senso de valores. Costuma ser um conservador, em geral não gosta de mudanças. Mudanças representa insegurança, possibilidade de um perigo. Touro é essencialmente protetor da vida. Ele é o contrário de Escorpião que busca viver perigosamente para se sentir mais vivo, mais intenso, para sentir mais a adrenalina passional em si. Touro representa essa busca das artes, do amor ao luxo e à boa comida, de uma vida de certa forma confortável, agradável, mas com força de vontade e perseverança, com solidez e determinação na consecução dos seus objetivos, associada a uma afetividade, a uma bondade protetora. Essas são as qualidades tradicionais atribuídas ao signo de Touro, entre outras. Por outro lado, se nós quisermos saber qual é o defeito de um signo, que não é uma boa aplicação da palavra, pois do ponto de vista astrológico todo defeito representa apenas a falta temporária de uma virtude do signo oposto, como todo vício é uma virtude em formação que não teve ainda tempo de desabrochar, o mal não existe por si mesmo, senão como um bem adormecido, e as trevas não são trevas reais, elas são apenas ausência de luz, não existem por si mesmas, pois que na ausência da luz as trevas em luz se transformam, como afirma a Escritura. Vale focar as qualidades de cada signo: as qualidades do Escorpião vão resolver os problemas do Touro vão resolver os problemas do Escorpião, pois são signos opostos e complementares. As fraquezas  associadas ao signo de Touro, portanto, são a falta das virtudes de Escorpião. Muitas vezes o Touro é classificado como possessivo, apegado, pão-duro, preguiçoso ou acomodado, autoindulgente, e pode ser um chato em potencial, porque tendo medo do desafio da vida ele resiste ao processo da mudança que é inevitável no ciclo da vida e, portanto, ele pode acabar tolhendo a liberdade das outras pessoas. É estático nas suas opiniões, sem flexibilidade ou originalidade, às vezes ganancioso, obcecado com rotinas, ou rancoroso, no sentido de guardar mágoas, porque ele se deixa ferir, engole tudo, depois explode de certa forma que nem aquela figura da panela de pressão, que depois de muito engolir, sem válvula de escape acaba explodindo e jogando feijão no teto. É claro que o signo de touro pode superar essas tendências se ele aprender a meditar no signo oposto e desenvolver as suas virtudes. E as qualidades do Escorpião são as emoções e os sentimentos poderosos. A característica fundamental do Escorpião é a sua intensidade, o seu sentimento intenso e passional, sua imaginação e sentido de finalidade, sabendo qual o objetivo que deseja alcançar. O discernimento sutil se apresenta na sua capacidade de decisão e organização, persistente e determinado na consecução dos seus objetivos, ele vai à morte se necessário para atingir seu objetivo, ele não a teme, gosta do desafio, e o único desafio que o Escorpião tem dificuldade de superar é a ausência de desafios. A monotonia e a rotina, que o Touro suporta pacientemente, representa o ponto fraco do Escorpião, ele precisa de novos desafios para se sentir vivo. Há um equilíbrio, portanto, entre esses extremos. A falta das virtudes de Touro costuma gerar os problemas clássicos do signo de Escorpião, atribuídos à vingança, à sensualidade, ao ciúme, ao rancor. Pode ser também obstinado e intratável, ressentido, desconfiado e muito reativo. Se nós atingirmos o Escorpião com uma agulha, ele pode reagir da maneira como se sentir no momento e possivelmente nos jogará uma lança. Porém, em outro dia em que esteja bem, poderá ser atingido com uma lança e reagir apenas como se tivesse sido atingido por uma agulha. Essa desproporção relacionada ao estado emocional do Escorpião, a sua intensa subjetividade, é que o faz, muitas vezes, desconfiado, reticente, intratável e imprevisível. O Escorpião gosta de ter provas de amor, então ele se esconde numa torre de marfim e acha que se o outro de fato sabe amar, terá que conquista-lo e dar provas de amor por ele. Desta forma, ele se isola como uma princesa numa torre de marfim, naquele castelo com ponte levadiça e crocodilos no fosso, subindo a murada do castelo à unha, ainda tendo que matar sabe-se lá quantos cruzados lá no topo, e depois descer para encontrar a torre de marfim no centro do castelo, para tentar conquistar uma Rapunzel que não sabe se deixar-se-á conquistar ou não. Então, caracterizando-se por criar dificuldade, o Escorpião gosta da conquista e torna ela difícil, porque precisa do desafio para dar valor às coisas. Já o signo de Touro é mais de querer proteger, ele simboliza o amor que, às vezes, pode ficar até possessivo nas relações humanas, por outro lado o Escorpião simboliza a paixão que tem lá a sua intensidade, mas que pode se tornar destrutiva se não estiver dentro de um regime de equilíbrio. Como é que nós podemos equilibrar o amor e a paixão? Essa é a grande questão do eixo Touro-Escorpião. Quem não puder, assim, associar harmoniosamente estas características talvez tenha que reencarnar muitas vezes até descobrir o ponto de equilíbrio dessas forças, porque elas são a base de um casamento estável. Se um casamento tiver só o amor possessivo pode sufocar, se tiver só a paixão pode se tornar demasiado provocante e irreverente, demasiado sexuado, então nós temos ai o problema dos opostos e dos extremos. A busca do equilíbrio entre o amor e a paixão é justamente o caminho do equilíbrio entre o Touro e o Escorpião. Se nós meditarmos profundamente sobre isso, veremos que nesse eixo também existe o símbolo da possibilidade da sublimação, aí nós temos aquelas duas serpentes que se enroscam no caduceu (bastão, insígnia) de Mercúrio, simbolizando a sublimação de Marte e Vênus pela sabedoria de Mercúrio. Então, é preciso primeiro resolver essa equação do amor e da paixão para poder sublimar essa energia e libertar o espírito aprisionado na carne, resolvendo assim a problema da morte. O Escorpião simboliza também a morte. Como dizem os chineses: "A criança nasce chorando quando os parentes a recebem sorrindo, enquanto que o velho morre sorrindo quando os parentes se despedem chorando". Similarmente é o que dizia Pitágoras (570 AC 495), soma sema, que o corpo é o sepulcro da alma. Assim, quando a alma nasce no corpo ela fica aprisionada, ela chora na criança enquanto os outros a recebem aplaudindo, alegres porque um novo ser nasceu na família, mas quando o corpo morre, o velhinho sorri quando a sua alma se liberta, e são os outros que choram a sua perda porque ele foi para outra dimensão. Mas para que nós possamos ter a percepção direta dessa verdade, da transcendência do corpo, necessitamos primeiramente da transmutação das duas energias equilibradas, referidas no Oriente  pelos canais laterais Ida e Píngala, comparadas na tradição grega, no caduceu de Mercúrio, por duas serpentes, branca e negra, simbolizando com isso o necessário equilíbrio do masculino e do feminino, do Sol e da Lua, que deixa assim equilibrado o canal central chamado Sushumna, o Tao, o equilíbrio, o sattwa, por onde essa Kundalini (energia) sob e dá as asas ao caduceu de Mercúrio, como o Ketchari hindu que é capaz de voar em outras dimensões. Este símbolo se encontra no diagrama do capítulo Júpiter e Saturno. Então, todo o poder criativo está associado assim ao eixo de Touro e Escorpião, e se nós pudermos realizar o equilíbrio entre o amor e a paixão, as energias sexuais assim liberadas nos darão o caminho da transcendência da condição humana e da possibilidade de conhecer diretamente o lado oculto das coisas e a outra face do que está além da morte, que é uma outra dimensão de esplendor de vida, e a Astrologia simboliza, para nós, o equilíbrio dessas forças no eixo de Touro e Escorpião. Livro A Ciência da Astrologia e as Escolas de Mistérios. Abraço. Davi.