Islamismo. O
Sagrado Alcorão menciona a Virgem Maria (Mariam) 34 vezes em 12 capítulos, e
dedica um capítulo inteiro de 98 versículos em seu nome. E este capítulo é o
19º (décimo nono). Nestas Suratas e versículos, o Alcorão apresenta imagens
descritivas de Maria nas várias fases da vida dela: antes dela nascer, depois
de ter sido escolhida para carregar a Palavra de Deus, e quando ela deu à luz a
Jesus Cristo (A.S), com o início da divulgação e missão de Jesus Cristo em
adorar o Deus Único. Os versículos 35-37 de Surata Ale-Imran mostra o estado
familiar de Maria antes dela nascer. Estes versículos dizem que quando a mulher
de Imran (mãe de Maria) sabia que ela estava grávida, ela consagrou a criança
para servir a Deus. E ela suplicou a Deus que aceitasse sua promessa. Mas
quando ela deu à luz ao recém-nascido descobriu que a criança é uma menina, ela
ficou muito triste e decepcionada. Desde que ela tinha desejado que a criança
fosse um menino, de modo que ele seria capaz de trabalhar e servir no templo de
Deus (em Jerusalém) e realizar a divulgação divina. "A mãe de Maria"
mostrou esses sentimentos tristes ao mesmo tempo apelando para Deus e disse,
como está citado no Alcorão: "Ó meu Senhor Eis que dei a luz a
menina!". Mas o versículo do Alcorão diz que imediatamente ela recebeu a
resposta de Deus: "e Deus sabe melhor que ela a quem ela deu a luz".
Neste versículo existe o primeiro sinal de que ele está no conhecimento de Deus
que a criança Maria não é apenas uma fêmea, e não é apenas uma criança comum.
Então o versículo menciona que a "mulher Imran (a mãe de Maria) escolheu o
nome Maria e fez a promessa de consagra-la a Deus. Portanto, esta foi a segunda
promessa (após a primeira promessa, quando ela estava no ventre de sua mãe), e
com esta segunda promessa a Deus, a mulher de Imran suplicou ao seu Senhor para
proteger Maria e sua descendência de Satanás. E o versículo menciona depois que
Deus respondeu sua oração e confirmou a sua promessa, ou seja, a criança Maria
"com a aceitação perfeita", e que Ele "fez crescer um bom crescimento",
ou seja, ele dedicou a ela uma propositura de puro bem. E Ele Altíssimo
atribuiu-lhe a Zakariyya para que ele cuide dela. Apesar disto, o versículo do
Alcorão nos diz que o primeiro milagre que surpreendeu Zakariyya enquanto ele
era crente recluso e mesmo assim teve de dedicar-se a Maria por uma ordem
divina. Isso é porque Zakariyya não era um estranho para o milagre divino. Ele
é aquele cuja oração Deus respondeu, e deu-lhe um menino, apesar do fato de que
sua mulher era estéril e ele de idade avançada. O versículo diz que: "Toda
vez que ele entrava ao (Almeh-rab) no templo onde estava Maria para vê-la, ele
a encontrava cercada da providência de Deus: "O (Almeh-rab) é um lugar de
oração e adoração a Deus, mostrando que Maria estava sempre em estado de oração
e adoração a Deus. Mas esta providência (para sustento), é comida, bebida e
roupas. Zakariyya achava estranho encontrar esse sustento que ele não trouxe a
ela, e ele sabe que ela não saia do templo para adquirir esta providência
(sustento). Então, era normal lhe perguntar, como é mencionado no versículo
sagrado: "De onde (vem) isso (a providência) para Ti?" A resposta de
Maria a esta questão enfatiza o cuidado de Deus de seu meio de Seus anjos a
Maria e ela respondeu com uma resposta de uma crente confiante e tranquila:
"De Deus. Certamente que Allah providencia o sustento a quem Lhe apraz sem
medida”. Depois, os versículos 42-44 de Surata-Ale-Imran, declara para nós um
texto do primeiro Evangelho que os anjos anunciaram a Maria, dizendo-lhe:
"Ó Maria! Deus lhe escolheu e te purificou e te exaltou acima de todas as
mulheres do universo ". Aqui é necessário contemplar o significado da
primeira e segunda seleção. A primeira ocorreu quando Maria estava no ventre de
sua mãe. E a segunda veio quando Cristo estava no ventre de Maria, o que
significa que acompanhou o segundo Evangelho que os anjos anunciaram a Mariam
dizendo que ela está carregando a Palavra de Deus, o Cristo Jesus, filho de
Maria (A.S). Após a primeira eleição e antes da segunda, foi a purificação de
Deus a Maria por meio da dedicação de Zakariyya e dos anjos. E o texto Corânico
que anunciou as duas fases da eleição Divina de Maria é um texto absoluto que
não tem qualquer exceção. É uma seleção acima das mulheres de todas as nações e
épocas, o que significa que é uma eleição sobre todas as mulheres antes e
depois dela. No versículo 12 de Surata Atta-hrim (capitulo 66), do Sagrado
Alcorão destacou Maria com uma descrição especial que esclarece o significado
de sua eleição e preferência sobre as mulheres de todas as nações e épocas. O
versículo sagrado diz: "E Maria a filha de Imran, que conservou a sua
castidade, e soprou em Nós (o corpo) de nosso espírito, ela testemunhou com
convicção a verdade das palavras de seu Senhor e de suas revelações, e foi uma
das devotas (servos)". Nesta declaração Divina (o versículo acima) possuí
três questões principais: Primeiro: a virgindade de Maria, que preservava a sua
castidade. Segundo: sua gravidez por meio do espírito de Deus. Terceiro: a sua
crença em Deus e sua submissão à vontade Dele. Mariam era uma virgem pura casta
quando os anjos vieram à ela anunciar-lhe as boas novas de Deus: "Deus te
dá boas novas" que Ela está grávida. Mas como pode a celibata virgem
engravidar? A questão foi levantada por Maria diretamente a Deus: "Ó meu
Senhor! Como poderei ter um filho quando nenhum homem me tocou? ". E a
resposta divina veio, nos versículos 45-47 de Surata Ale-Imran: Ele disse:
"Deus cria o que Lhe apraz: Quando Ele determina algo, basta-Lhe dizer:
'Sê! Para que seja". Originalmente, as boas notícias de que os anjos de
Deus revelavam para Maria dizem: "Certamente, Deus te dá boas novas de uma
Palavra de Deus: seu nome será Jesus Cristo, o filho de Maria", o que
significa que Cristo é a Palavra de Deus. Consequentemente, ele não era uma
criança normal ou um ser humano comum. Os versículos 16-21 de Surata Maria
apresenta um relato detalhado das boas novas como Deus enviou para Maria:
"E Nós lhe enviamos Nosso espírito em forma de um homem perfeito". E
estes versículos nos narram o diálogo que ocorreu entre Mariam e espírito de
Deus na forma de um ser humano, ele diz que: "E menciona no livro do
Sagrado Alcorão (a história de) Maria, quando ela se isolou de sua família para
um lugar no Oriente. Separou-se deles por um divisor. E Nós lhe enviamos o
nosso espírito, e ele apareceu diante dela como um homem em todos os aspectos.
Ela disse: "Refugio-me no Misericordioso (Allah) contra si! se tu temes a
Deus, afasta-te de Mim" Ele (o Arcanjo) disse: "Eu sou apenas um
mensageiro do teu Senhor, (para anunciar) para ti o dom de um filho
santificado. Ela disse: "Como poderei ter um filho, se nenhum homem me
tocou, e eu nunca deixei de ser casta?". Ele disse: "Assim será. É-me
fácil, disse Teu senhor e faremos Dele um sinal para os homens e uma
misericórdia nossa". Este é um decreto determinado". Quando Mariam
sentiu a dor do parto, ela carregava seu filho no seu ventre, e se dirigiu para
um lugar longe da vista das pessoas. Ela se inclinou sobre o tronco de uma
tamareira, sofrendo as dores do parto como qualquer outra mãe, somada às dores
do constrangimento moral e psicológico que ela espera enfrentar quando as
pessoas a verem com seu filho, e eles sabem que ela não se casou, ela mesma
disse: "Desejo que eu tivesse morrido antes deste dia e ficado uma coisa
esquecida!". O Alcorão menciona que enquanto ela estava nesse estado de
sofrimento físico e psicológico, o parto ocorreu, e a Palavra de Deus, Jesus
Cristo filho de Maria concretizou-se. E aqui um grande milagre divino acontece,
uma vez que esta criança que é apenas alguns segundos de idade chama sua mãe
debaixo dela, dizendo: "Não entristeçais!". E ele imediatamente
começou a dar suas orientações. "Teu Senhor fez correr um riacho debaixo
de ti, sacode o tronco da palmeira: Ele vai deixar cair tâmaras madura e
frescas sobre ti. Então, coma, beba e fica satisfeita e sossegada". Vale a
pena indicar aqui, uma questão muito importante e simbólica, é que os anjos que
levaram o sustento para Maria de Deus enquanto ela estava grávida antes que ela
desse à luz a Jesus Cristo. Mas depois de dar à luz a Jesus Cristo, para
adquirir o sustento ela precisou sacudir a tamareira de modo que as tâmaras
frescas caíssem sobre Ela. Claro que uma mãe grávida, não estava num estado de
ser capaz de sacudir um tronco de tamareira alta. Mas o significado simboliza a
fase de pré parto é diferente da fase pós-parto, em que Maria antes do parto
era, enquanto carregava a Palavra de Deus, concentrou Sua dedicação e o cuidado
dos anjos, e que após o nascimento da Palavra de Deus, Jesus Cristo se tornou o
eixo, e que Maria, a mãe, voltou para sua natureza humana, mas permanecendo a
mulher escolhida, e a preferida por Deus sobre as mulheres de todas as nações e
épocas. E é isso que explica o significado das instruções que Jesus Cristo deu
a sua mãe para se contar quando ela enfrenta o povo da cidade dela. "E se
tu ver um homem, diga: "Prometi ao Deus Clemente jejuar ao não falar com
qualquer ser humano", como está nos versículos 24-26 de Surata Maria (19).
Assim Maria vivia sob a dedicação de um milagre Divino e deu à luz por um
milagre Divino. Mas quando ela chegou ao seu povo carregando seu filho, ela
veio como uma mãe. Seu papel termina logo que o papel de seu filho Jesus Cristo
começou. As pessoas acharam a cena de uma mãe, a quem não conhecia o marido,
estranha. Eles apressaram-se a acusá-la, mesmo condenado a ela quando disse a
ela, como mencionado nos dois versículos 27 e 28 de Surata Maria (19):
"tens realmente uma coisa incrível te trouxe!" (Significando uma
coisa ruim) Ó irmão de Aarão.! Teu pai não era um homem do mal, nem tua mãe uma
prostituta!". Este é um sinal de que as pessoas conheciam que a família de
Maria, sua mãe e seu pai, era uma família pura e honrosa e ter uma boa
reputação na sociedade. Mesmo assim Maria não se defendeu contra a acusação de
seu povo. Compromete-se com as recomendações do seu bebê, ela se absteve de
falar, e apontou para ele, o que significa que era para perguntar a ele. Aqui,
os versículos 29-33 de Surata Maria (19) apresenta uma imagem do primeiro
confronto entre Jesus Cristo, filho de Maria, e as pessoas. A reação das
pessoas quando Maria apontou que eles pedissem para Jesus foi desaprovação,
disseram-lhe: como podemos falar com alguém que é uma criança no berço?” Em
resposta a esta pergunta de desaprovação e que estava dirigida a Maria, Jesus
Cristo disse: "Eu sou de fato um servo de Allah. Ele me deu a revelação e
fez-me um profeta, e Ele tem me abençoado, onde quer que eu esteja, e tem
intimados sobre mim Oração e Caridade, enquanto eu viver; (Ele) fez-me
benevolente a minha mãe, e não arrogante ou miserável, a paz Assim é em mim o
dia em que nasci, o dia que eu morrer, e o dia que serei ressuscitado para a
vida (de novo)!” Deus deu a Jesus Cristo, filho de Maria, as evidências e apoiou-o
com o espírito santo”. Este apoio com o Espírito Santo foi mencionado três
vezes no Alcorão sagrado: versículos 87 e 253 de Surata de Al-Baqarah, (segunda
Surata) e o versículo 110 do surat al-maIdah (quinta Suarata). E Deus escolheu
sua mãe Maria e fez ela e seu filho um sinal para todas as pessoas (e tempos),
como foi mencionada no versículo 91 de Surata al-Anbiya. (21). Assim Maria tem
no Islã um estatuto e relevância que nenhuma mulher fez ou vai chegar, de Eva
até o fim dos tempos! ( ...)". Muhammad As-Sammak, é secretário geral do
Comitê para o Diálogo Cristão Muçulmano do Líbano, participou do evento MARIA
EXEMPLO PARA TODOS NÓS em Foz do Iguaçu – PR – Brasil, dia 24 de março de 2012.
http://www.pastoraldacrianca.org.br.
Abraço. Davi.
quinta-feira, 6 de julho de 2017
quarta-feira, 5 de julho de 2017
OS CINCO PRECEITOS.
Budismo.
Texto Mestre Hsing Yun. OS CINCO PRECEITOS. A MORALIDADE é o ponto de partida
de todos os bons darmas e o alicerce do crescimento espiritual. Ela se baseia
no reconhecimento de que o eu não tem a primazia e que deve aprender a respeitar
os direitos, os sentimentos e as necessidades dos demais seres
sencientes. As principais obrigações morais ensinadas pelo Buda são os
chamados Cinco Preceitos, que constituem regras ou princípios para
orientar o comportamento. Suas finalidades básicas são:
- EVITAR QUE prejudiquemos outros seres;
- AJUDAR-NOS a criar bom carma, ou mérito, para nós mesmos.
O
CARMA NEGATIVO é invariavelmente gerado pelas más intenções. Sempre que,
proposital ou conscientemente, prejudiquemos outro ser, somos culpados
de agir com más intenções. O Buda ensinou os Cinco Preceitos para nos auxiliar
a superar o hábito de lesar os demais e a nós mesmos com as nossas más
intenções.
Fundamento
da moralidade budista e ponto de partida para o verdadeiro crescimento
do ser humano, os Cinco Preceitos são:
- NÃO MATAR.
- NÃO ROUBAR.
- NÃO MENTIR.
- NÃO TER MÁ conduta sexual.
- NÃO SE ENTORPECER com álcool ou drogas.
PARA
COMPREENDER OS CINCO PRECEITOS. OS PRECEITOS SÃO enunciados na forma negativa, porque o primeiro
passo para o crescimento moral é sempre deixar de fazer as coisas que
prejudiquem outros seres sencientes. Antes de sequer começar a pensar em
como ajudar o próximo, é necessário, antes, parar de prejudicá-lo.
Vamos detalhar, a seguir, cada um desses preceitos fundamentais.
NÃO MATAR. MATAR INTENCIONALMENTE um ser senciente é um modo muito grave de prejudicar alguém. Se possível, devemos evitar matar até mesmo camundongos, pernilongos, formigas e outros animais pequenos. Ao respeitar a menor e mais indefesa criatura, adotamos uma atitude de respeito por todos os seres. Esse tipo de respeito é a base de todos os méritos. Como o budismo é uma religião centralizada na vida humana e, uma vez que o Buda disse ser a vida humana particularmente preciosa, matar outro ser humano é a mais grave forma de matar. Matar um ser humano de propósito é ato gravíssimo, que resulta sempre em carma negativo também muito grave. O mau carma gerado pelo assassinato varia de pessoa para pessoa, pois as circunstâncias que levam à transgressão são sempre diferentes. Um indício da gravidade do homicídio pode ser percebido quando se analisa o que acontece com um monge ou monja budista que venha a matar um ser humano: essa pessoa será expulsa do monastério, não terá permissão para conviver com outros monges e monjas e, com toda a certeza, renascerá no inferno. Essa retribuição não pode ser abrandada, nem mesmo pelo mais sincero ato de arrependimento. Matar um animal ou um inseto também configura uma violação do primeiro preceito, apesar de não ser considerada uma ofensa tão grave quanto matar um ser humano. As sementes nocivas plantadas na consciência quando a pessoa mata animais podem ser erradicadas por meio de atos de sincero arrependimento. A proibição de matar figura em primeiro lugar entre os Cinco Preceitos porque é a menos sutil de todas e, portanto, consiste no alicerce das outras. Quem consegue perceber que matar é errado pode começar a ver que as outras formas de causar dano também são erradas. Observar o preceito que proíbe matar é algo que traz grandes benefícios espirituais, ensinando-nos a praticar a compaixão e a pensar com profundidade nas necessidades e nos direitos dos outros seres. Na verdade, todos os seres são apenas um. Se não conseguirmos respeitar os outros, como poderemos respeitar a nós mesmos? E, sem respeito próprio, como ser dignos de conhecer a nossa natureza búdica? Muita gente pergunta como as plantas devem ser consideradas à luz desse primeiro preceito. Sendo elas seres vivos, não seria errado matá-las? O Buda disse que os animais e os insetos, por terem consciência ou percepção, são muito diferentes das plantas. Em última análise, todas as coisas deste mundo são dotadas de natureza búdica e devem ser respeitadas. Contudo, uma vez que os animais têm consciência, devem ser tratados com especial respeito, pois, como nós, eles também estão em meio à jornada que só se conclui com o despertar completo. Os budistas chineses geralmente dão maior ênfase ao vegetarianismo do que os de outras tradições. O praticante que adota a dieta vegetariana se desassocia totalmente do ciclo de criar e matar animais. O Sutra do Grande Nirvana diz: “Aqueles que comem carne perturbam o desenvolvimento da grande compaixão. Onde quer que andem, parem, se sentem ou se deitem, o cheiro da carne que comeram pode ser sentido por outros seres sencientes, os quais, consequentemente, se amedrontam”. Pessoas que gostam de matar causam repulsa em outros seres vivos, ao passo que aquelas que não gostam de matar atraem para si os outros seres vivos.
NÃO MATAR. MATAR INTENCIONALMENTE um ser senciente é um modo muito grave de prejudicar alguém. Se possível, devemos evitar matar até mesmo camundongos, pernilongos, formigas e outros animais pequenos. Ao respeitar a menor e mais indefesa criatura, adotamos uma atitude de respeito por todos os seres. Esse tipo de respeito é a base de todos os méritos. Como o budismo é uma religião centralizada na vida humana e, uma vez que o Buda disse ser a vida humana particularmente preciosa, matar outro ser humano é a mais grave forma de matar. Matar um ser humano de propósito é ato gravíssimo, que resulta sempre em carma negativo também muito grave. O mau carma gerado pelo assassinato varia de pessoa para pessoa, pois as circunstâncias que levam à transgressão são sempre diferentes. Um indício da gravidade do homicídio pode ser percebido quando se analisa o que acontece com um monge ou monja budista que venha a matar um ser humano: essa pessoa será expulsa do monastério, não terá permissão para conviver com outros monges e monjas e, com toda a certeza, renascerá no inferno. Essa retribuição não pode ser abrandada, nem mesmo pelo mais sincero ato de arrependimento. Matar um animal ou um inseto também configura uma violação do primeiro preceito, apesar de não ser considerada uma ofensa tão grave quanto matar um ser humano. As sementes nocivas plantadas na consciência quando a pessoa mata animais podem ser erradicadas por meio de atos de sincero arrependimento. A proibição de matar figura em primeiro lugar entre os Cinco Preceitos porque é a menos sutil de todas e, portanto, consiste no alicerce das outras. Quem consegue perceber que matar é errado pode começar a ver que as outras formas de causar dano também são erradas. Observar o preceito que proíbe matar é algo que traz grandes benefícios espirituais, ensinando-nos a praticar a compaixão e a pensar com profundidade nas necessidades e nos direitos dos outros seres. Na verdade, todos os seres são apenas um. Se não conseguirmos respeitar os outros, como poderemos respeitar a nós mesmos? E, sem respeito próprio, como ser dignos de conhecer a nossa natureza búdica? Muita gente pergunta como as plantas devem ser consideradas à luz desse primeiro preceito. Sendo elas seres vivos, não seria errado matá-las? O Buda disse que os animais e os insetos, por terem consciência ou percepção, são muito diferentes das plantas. Em última análise, todas as coisas deste mundo são dotadas de natureza búdica e devem ser respeitadas. Contudo, uma vez que os animais têm consciência, devem ser tratados com especial respeito, pois, como nós, eles também estão em meio à jornada que só se conclui com o despertar completo. Os budistas chineses geralmente dão maior ênfase ao vegetarianismo do que os de outras tradições. O praticante que adota a dieta vegetariana se desassocia totalmente do ciclo de criar e matar animais. O Sutra do Grande Nirvana diz: “Aqueles que comem carne perturbam o desenvolvimento da grande compaixão. Onde quer que andem, parem, se sentem ou se deitem, o cheiro da carne que comeram pode ser sentido por outros seres sencientes, os quais, consequentemente, se amedrontam”. Pessoas que gostam de matar causam repulsa em outros seres vivos, ao passo que aquelas que não gostam de matar atraem para si os outros seres vivos.
Tratado sobre a Perfeição da Grande Sabedoria
Não
roubar. NÃO PREJUDICAR
OS OUTROS de nenhuma forma é o fundamento de todos os Cinco Preceitos. Quem
rouba lesa, porque viola o direito de propriedade e a confiança na
integridade do mundo ao redor. Define-se “roubar” como o ato de se apropriar
de qualquer coisa que não seja sua. O dano pode ser gerado por meio de fraude
ou engano, pela remoção física de um objeto pertencente a outra pessoa,
pela escamoteação das leis – seja como for, toda forma de apropriação configura
roubo. Também é roubo tomar emprestado e não devolver, ou devolver o objeto
avariado. Não entregar algo que foi confiado aos seus cuidados como portador,
também é um tipo de roubo. Exemplos disso variam do ato mesquinho de não
entregar um objeto de pouco valor até o ato grave de apropriação da herança
que alguém lhe confiou para que passasse aos herdeiros de direito. O código
budista de conduta moral considera o roubo uma transgressão tão mais
séria quanto maior o valor do objeto tomado. Caso o objeto seja de valor
irrisório, seu roubo é considerado apenas um comportamento “impuro”.
Sementes cármicas são plantadas mesmo pelos menores roubos, mas o comportamento
impuro não é tão sério como o roubo propriamente dito. Roubos menores, categorizados
como ações impuras, seriam, por exemplo, não devolver uma caneta esferográfica,
pegar um envelope sem pedir ou utilizar alguma coisa sem permissão do
dono. O preceito de não roubar é um dos mais difíceis de serem seguidos,
porque todos são tentados a pegar ou manter coisas que não lhes pertencem.
Ficar com o livro de um amigo, levar a toalha do hotel, carregar para casa
material do escritório, utilizar o telefone comercial inadequadamente
e assim por diante, queiramos ou não admiti-lo, são, também, roubo. O sábio
nunca se aferra a nada; portanto, nada se aferra a ele. As pessoas comuns
aferram-se a tudo; logo, ficam aprisionadas às suas ilusões pelo carma e
pela cobiça. De acordo com o Sutra Avatamsaka (Sutra da Guirlanda de
Flores), roubos graves levam ao renascimento em um dos três planos inferiores
da existência. Além disso, assim que o renascimento for como ser humano,
este se dará em condições de pobreza e atormentado pelas necessidades
materiais. O Buda disse: “Ananda, como ignoram a verdade, os seres sencientes
aferram-se aos seus desejos e ocultam sua sabedoria sob o véu de suas ideias
preconcebidas”.
Sutra do Grande Nirvana
NÃO
MENTIR. A DEFINIÇÃO MAIS
simples de mentir é não dizer a verdade. A mentira pode ser também qualquer
tipo de enganação, duplicidade, falsidade, distorção ou informação
errônea. Trata-se de ofensa muito grave, porque viola a confiança das pessoas
e as leva a duvidar de suas próprias intuições. Os principais tipos de mentira
são dois:
- MENTIRA POR OMISSÃO;
- MENTIRA INTENCIONAL.
A mentira
intencional é aquela inequívoca, praticada com o propósito de enganar
alguém. A mentira por omissão é a sonegação de informações com o intuito de
enganar alguém. Os dois tipos são muito graves e ambos geram sério carma negativo.
As mentiras podem ser classificadas em três categorias:
- GRANDES MENTIRAS;
- MENTIRAS MENOS GRAVES;
- MENTIRAS DE CONVENIÊNCIA.
Considera-se
que a pior mentira é alguém se dizer iluminado quando não o é, ou alegar
ter poderes paranormais que não tem. Se esse tipo de mentira for contado
por um monge ou uma monja, a ofensa é ainda mais grave. Mentiras menos graves
são todas as outras. Por exemplo, alguém dizer ter visto algo que não viu,
ou que não viu algo que viu, ou dizer ser falso o que é verdadeiro ou ser
verdadeiro o que é falso. Um exemplo de mentira de conveniência seria
não revelar a um doente terminal a gravidade de seu estado. Ou amenizar
uma verdade para evitar que uma criança sofra um trauma psicológico.
Na mentira de conveniência, importa levar em conta a intenção que nos
inspira e a avaliação que fazemos dessa intenção. Se tivermos certeza
de que causaremos mais bem do que mal com a mentira, não estaremos violando
o preceito. Aquele que mente ilude – primeiramente a si próprio e depois
aos outros. Trata a verdade como se fosse falsa e o falso como verdadeiro.
Confundindo totalmente o verdadeiro e o falso, não consegue aprender o
que é benéfico. Ele é como um recipiente tampado no qual água limpa não
pode ser despejada.
Tratado sobre a Perfeição da Grande Sabedoria
NÃO
TER MÁ CONDUTA SEXUAL.
ENTENDE-SE POR NÃO ter má conduta sexual a prática sexual que viole as
leis e costumes da sociedade. Paralelamente, o incesto e qualquer outra
conduta –sexual (estupro) que lese ou viole os direitos de outra pessoa são
também considerados má conduta sexual. Alguns exemplos de conduta abusiva,
mesmo para pessoas legalmente casadas: ter relações sexuais na hora errada,
no local errado, em excesso ou ter relações insensatas. Na hora errada
significa no fim de uma gravidez normal, em momentos de retiro ou
ocasiões em que estejamos doentes. Locais errados para relações sexuais são
templos, lugares públicos ou à vista de outros. Ter relações sexuais em
excesso significa devotar-se tanto ao sexo que a própria vitalidade se
esgota. Sexo insensato equivale a masturbar-se em excesso, vender o
corpo por dinheiro (prostituição) ou em troca de favores, adotar condutas
sexuais que despertem emoções desarrazoadas (ou seja, emoções que brotem
da cobiça, da raiva ou da ignorância).
NÃO ABUSAR DE DROGAS OU BEBIDAS
ALCOÓLICAS. UMA TRADIÇÃO MAIS literal deste preceito seria: “Prometo abster-me
do entorpecimento e da imprudência resultantes da utilização de drogas
ou da ingestão de bebidas alcoólicas”. Em poucas palavras, o preceito
diz: não se entorpeça. O propósito dele é evitar que façamos ou digamos
coisas estúpidas enquanto nossos sentidos estiverem alterados sob o
efeito de drogas ou bebidas alcoólicas. Os quatro primeiros preceitos
são em si violações morais lesivas, prejudiciais aos outros por natureza.
Já o consumo de drogas ou de bebidas alcoólicas não seria algo intrinsecamente
maléfico, uma vez que é um ato que prejudica mais diretamente o próprio
usuário. Entretanto, o Buda adverte que o consumo dessas substâncias altera
a consciência, tendo como resultado sérios lapsos de discernimento e a
consequente violação dos outros preceitos. O Shastra
Abhidharma-mahavibhasha conta uma história que ilustra como o consumo
de álcool pode levar à violação de todos os outros preceitos. Refere-se a
um budista que se embebedou e decidiu roubar uma galinha de sua vizinha.
Roubou, matou e comeu a ave. Quando a vizinha perguntou se ele tinha visto a
galinha, respondeu que não. A partir daí, o sujeito continuou a devotar-se
à própria ruína, lançando olhares lascivos à vizinha e utilizando com
ela linguagem sexualmente provocativa. A cadeia de eventos que o
levou a quebrar todos os Cinco Preceitos começou com o primeiro drinque.
Se não tivesse bebido, jamais teria plantado tantas sementes cármicas
negativas. Tenho certeza de que todo mundo conhece exemplos piores do
que esse no mundo atual. Ao considerar as consequências da violação do
princípio relativo a drogas e álcool, devemos levar em conta que o budismo
é uma religião de moralidade, autocontrole e sabedoria. Qualquer coisa que
anuvie a mente ou entorpeça a razão inevitavelmente diminui tanto nossa
sabedoria quanto nosso autocontrole. Quem quiser atravessar o grande
oceano do nascimento e morte deve observar os Cinco Preceitos de todo o
coração e com a mente por inteiro.
Sutra Upasaka-shila (Sutra sobre os Preceitos de Upasaka)
A
IMPORTÂNCIA DA MORALIDADE. Quem não dá muita importância à moralidade geralmente acha
que a observância de um código de conduta moral restringe a liberdade.
Nada poderia estar mais longe da verdade. A moralidade não cerceia nossa
liberdade – liberta-nos da ilusão. As correntes cármicas que nos aprisionam
à ilusão só podem ser destruídas por meio de uma vida moral. Em vez de ver a
moralidade como um fardo desagradável, deveríamos considerá-la uma
oportunidade para uma vida mais sublime. É apenas pela moralidade que
nos diferenciamos dos seres dos planos de existência inferiores. Assim
como a serenidade e a compostura são essenciais à meditação, a
moralidade é essencial ao crescimento do ser humano. O objetivo dos
Cinco Preceitos não é oprimir, eles simplesmente constituem uma das três
instruções básicas proferidas pelo Buda sobre a evolução rumo a uma
consciência mais elevada, que são:
- MORALIDADE;
- MEDITAÇÃO;
- SABEDORIA.
Em termos
gerais, a meditação baseia-se na moralidade, enquanto a sabedoria tem
por fundamento a meditação. A moralidade é o alicerce necessário
para a meditação e para a sabedoria. De acordo com o Buda, se seguirmos
os Cinco Preceitos, teremos uma melhora em nossa vida presente e nas futuras,
posto que estaremos plantando as sementes de nosso futuro. Naturalmente,
o êxito na observância dos Cinco Preceitos não é conquistado da noite para o
dia. Leva tempo para a mente iludida se abrir totalmente às grandiosas e
libertadoras expansões de sabedoria que se descortinam quando a mente
começa a compreender os níveis mais elevados. Raras são as pessoas que conseguem
seguir todos os Cinco Preceitos desde o momento em que tomam contato com
eles pela primeira vez. Por isso, o Buda recomendou que, no começo, os princípios
sejam observados de forma gradual. Primeiro, seguindo o princípio de não
matar; em seguida, passa-se a cada um dos outros três, terminando com o princípio
relativo a não abusar de drogas e álcool. A esse respeito, o Tratado
sobre a Perfeição da Grande Sabedoria diz: “Existem Cinco Preceitos. No processo
de aprendê-los, deve-se iniciar com o princípio de não matar e seguir daí
até aprender a seguir o princípio sobre não consumir bebidas
inebriantes. Quando um preceito é observado, diz-se que o primeiro passo foi
dado. Quando dois ou três são observados, diz-se que alguns passos foram
dados. Quando quatro princípios já podem ser observados, diz-se que a maioria
dos passos já foi dada. Quando todos os Cinco Princípios são seguidos, diz-se
que os preceitos foram cumpridos. Nesse processo, devem-se considerar as
inclinações pessoais para decidir a sequência em que se vão aprender os
preceitos”. Sendo a moralidade, a meditação e a sabedoria as três categorias
em que o Buda dividiu seus ensinamentos, são também três as classes de
transgressões contra os preceitos:
- TRANSGRESSÕES DO CORPO;
- TRANSGRESSÕES DA FALA;
- TRANSGRESSÕES DA MENTE..
Os preceitos
de não matar, não roubar e não ter má conduta sexual dizem respeito às
atividades do corpo, ao passo que o de não mentir se associa à fala. Todos os
preceitos têm a ver com a mente, é claro, pois todas as ações e intenções
nascem na mente. Corpo, fala e mente não guardam correspondência exata
com moralidade, meditação e sabedoria, apesar de estarem envolvidos com
as mesmas áreas. Com a moralidade, aprendemos a controlar os atos do
corpo. Com a meditação, aprendemos a controlar a linguagem e a
elaboração de conceitos. Com a sabedoria comum, aprendemos a utilizar a
mente para ajudar o próximo e, simultaneamente, a nós mesmos. No Sutra
do Grande Nirvana, o Buda diz: “Ananda, esses preceitos morais devem passar
a ser seu maior mestre. Observando-os e fundamentando neles a sua prática,
você conquistará o samádhi profundo e a sabedoria que transcende a
tudo neste mundo”. De acordo com o Sutra Sandhi-nirmochana (Sutra
Elucidativo da Profundidade do Irrevelado), levar uma vida moral, seguindo
os Cinco Preceitos, confere-nos dez bênçãos. O sutra diz que, em última instância,
a moralidade nos leva a conquistar o estado de onisciência; a ganhar a
capacidade de aprender como um Buda aprende; a nunca prejudicar os sábios; a
manter os nossos votos; a ter paz; a conquistar o não apego à vida e à
morte; a desejar o nirvana; a ter uma mente imaculada; a chegar ao mais
elevado samadhi, ou concentração; a ter fé firme e resoluta. O Buda sempre
pedia que seus monges se mantivessem calmos e se mostrassem calmos. A moralidade
pode ser concebida como um tipo de serenidade que é muito confortável
para aquele que a pratica. Vivendo de acordo com os Cinco Preceitos, começamos
a nos sintonizar não só com os ensinamentos do Buda, mas também com a pura
mente do Buda interior. A tranquilidade fundada na inspiração que
emana da mente búdica jamais pode ser abalada e sempre se mostrará correta.
Aquele que observa os Cinco Preceitos é sempre superior até mesmo que o
mais rico e poderoso que os viola. A fragância das flôres e da doce madeira
ao longe não pode ser sentida, mas a doce fragância da moralidade em
todas as dez direções será sentida. Aquele que observa os Cinco Preceitos
está sempre alegre e satisfeito e sua boa reputação à distância será conhecida;
seres celestiais amor e respeito por ele sentirão e sua vida neste mundo
será com doce êxtase preenchida. Livro Budismo Significado Profundo. www.templozulai.org.br.
Abraço. Davi.
terça-feira, 4 de julho de 2017
VIII. A CHAMA ETERNA.
Texto
de Luiz Sérgio. Psicografado por Irene Pacheco Machado. Capítulo 27. Ó
PASTORES, OUVI A PALAVRA DO SENHOR! Contemplando o teatro vivo e plasmando no
coração as imagens daqueles que escreveram a história bíblica, observei que
vários deles continuaram a missão divina, só revestidos de outros corpos, como
o caso do grande companheiro de Moisés: Aarão. Depois, com que carinho
acompanhamos a vida do profeta Jeremias e a sua luta como enviado de Deus! Logo
após vimos sua reencarnação na época de Jesus, lutando também para transmitir
as palavras do Alto. Pouco a pouco o cenário foi mudando. Vimos Ezequiel e sua
visão quando previu a vinda de Jesus, no Capítulo 1?, versículo 28: Com aspecto
do arco que aparece na nuvem em dia de chuva, assim era o esplendor em redor,
esta era a aparência da glória do Senhor; vendo isto cai com o rosto em terra,
e ouvi a voz de quem falava. No Capítulo 19 diz Ezequiel, versículos 5 a 7: Do
meio dessa nuvem saía a semelhança de quatro seres viventes, cuja aparência era
esta; tinham a semelhança de homem. Cada um tinha quatro rostos, como também
asas. Os seus pés eram direitos e a planta de seus pés era como a de um bezerro
e luzia como o brilho de bronze. Se já conhecemos o Apocalipse, lembraremos que
os Evangelistas são indicados por quatro animais. No versículo 10: A forma de
seus rostos era a de homem, os quatro tinham o rosto de leão, rosto de boi e
também rosto de águia. Marcos, é indicado como leão, Lucas como novilho,
Mateus, um animal com aspecto de homem, e João, um animal semelhante à águia.
Ezequiel, ainda no versículo 11: Assim eram os seus rostos. Suas asas se abriam
em cima; cada ser tinha duas asas, unidas cada uma à do outro; outras duas
cobriam os corpos deles. E Ezequiel continua narrando a vida desses seres que ele
chamava de seres viventes. No versículo 26: Por cima do firmamento que estava
sobre as suas cabeças, havia algo semelhante a um trono, como uma safira; sobre
esta espécie de trono estava sentada uma figura semelhante a de um homem. Eis
aqui Jesus! Linhas atrás citei o versículo 28, quando Ezequiel, ao vê-lo, cai
com o rosto em terra. No Capítulo 2, Ezequiel se defronta com o Evangelho de
Jesus. Vejamos os versículos 8 e 9: Tu, ó filho do homem, ouve o que eu digo,
não te insurjas, como a casa rebelde; abre a boca, e come o que eu dou. Então
vi, e eis que certa mão se estendia para mim, e nela se achava o rolo de um
livro. Fiquei deslumbrado com esta passagem. Primeiro, foram apresentados os
Evangelistas, depois Jesus e o Seu Evangelho. Isso tudo para um homem que,
muitos anos depois, Allan Kardec denominaria médium, médium com Jesus, sério,
disciplinado e verdadeiro. Senti vontade de chorar. Meu Deus, como é grandiosa
a tarefa mediúnica! E a vida de Ezequiel foi pouco a pouco se tornando íntima,
mas o meu coração gradativamente se entristecia. Ezequiel, na sua gloriosa
vidência, previa a dureza da humanidade, o orgulho do homem. No Capítulo 12,
versículo 20: As cidades habitadas cairão em ruínas e a terra se tornará em
desolação; e sabereis que eu sou o senhor. Aos poucos, a Doutrina Espírita se
destaca e se faz brilhante, só ela nos coloca frente à razão. Kardec aconselha
que rejeitemos noventa e nove verdades a aceitar uma só mentira. Aqui Ezequiel
diz, Capitulo 13, profecia contra os falsos profetas, versículo 3: Assim diz o
Senhor Deus: Ai dos profetas loucos, que seguem o seu próprio espírito, sem
nada ter visto! Ainda nos versículos 6 a 8: Tiveram visões falsas e
adivinhações mentirosas os que dizem: O Senhor disse; quando o Senhor não os
enviou; e esperam o cumprimento da palavra. Não tivestes visões falsas e não
falastes adivinhações mentirosas, quando dissestes: o Senhor diz, sendo que eu
tal não falei? Portanto, assim diz o Senhor Deus: como falais falsidades e
tendes visões mentirosas, por isso eu sou contra vós outros, diz o Senhor Deus.
Que beleza esta passagem! Confirma a luta do espírita sério contra a doença de
certos médiuns que criam na própria imaginação quadros e fatos e julgam-se
ótimos médiuns. Se tiverem tempo e boa vontade leiam todo o livro de Ezequiel
para terem oportunidade de compreender a bondade de Deus quando deu a Allan
Kardec a missão de nos enviar as verdades divinas. Mas, voltemos ao Capítulo
13, versículo 18: Assim diz o Senhor Deus: Ai das que cosem invólucros
feiticeiros para todas as articulações das mãos. e fazem véus para cabeça de
todo tamanho, para caçarem almas. E o versículo 23: Por isso já não tereis
visões falsas, nem jamais fareis adivinhações, livrarei o meu povo das vossas
mãos, e sabereis que eu sou o Senhor. E assim sabemos nós porque a proibição de
Moisés. Depois Cristo ofereceu grandes ensinamentos e restabeleceu a
comunicação com os espíritos no Monte Tabor, dando-nos a certeza de que o
espírito é Chama eterna e jamais sucumbirá junto a um amontoado de carne. Saiu
do túmulo para nos mostrar o caminho da verdade e da vida eterna; para dizer
que nós também podemos sair do túmulo para crescer para Deus. Ezequiel dá a
todos nós o exemplo do amor a Deus e alerta os médiuns para o perigo do
fanatismo. Mediunidade não é um diploma que se obtém para a glória do homem da
Terra, mediunidade é uma enxada que Deus coloca em nossas mãos para que elas
fiquem calejadas pela humildade. Jamais devemos expor a nossa mediunidade ao
ridículo, transformando-a em objeto de propaganda pessoal. Como ninguém é
enganado por muito tempo, logo se percebe a vaidade em um médium. Os bons
instrumentos pouco falam da sua mediunidade. A Doutrina Espírita muito bem
elucida o homem para o perigo do fanatismo e hoje ainda o que mais se vê são
pessoas colocando nomes naquilo que recebem dos espíritos sem um mínimo de bom
senso. Quando o médium está começando a se desenvolver, ele é ajudado por
espíritos capacitados para esse trabalho, portanto, este médium não deve ficar
preocupado com o nome do Espírito. Vamos ler um pouco mais e tomar cuidado com
as nossas palavras. E ridículo o que se vê em muitos lugares: médiuns se
dizendo videntes, a narrar sem critério e isso em qualquer lugar em que ele se
encontre. Existe na Doutrina muitos lugares de trabalho e por que não fazemos
do Evangelho o nosso caminho? Só ele fortalecerá o nosso Espírito, e este,
fortalecido, não será presa dos obsessores maiores da Humanidade: a vaidade, o
egoísmo e o orgulho. E jamais serviremos ao próximo com estes inimigos abrigados
em nossas almas. Falar bonito somente nada acrescenta em nossas vidas se não
nos tornamos bons. E lamentável defrontarmo-nos com pessoas que se dizem
médiuns audientes, psicofônicos, psicógrafos, videntes, e mais tarde ficarmos
desiludidos, ao descobrirmos que são poços de vaidade e fanáticos religiosos. E
preferível o médium trabalhar em silêncio, do que afastar de si as pessoas que
desejam servir à Doutrina com dignidade. Torno a repetir: os bons médiuns não
fazem propaganda de si mesmos, são simples e fogem de qualquer publicidade, por
saberem que o seu dom não lhes pertence. 0 profeta Ezequiel dá-nos exemplo de
fidelidade a Deus. Por que não fazemos o mesmo? E tão fácil! E só nos
respeitarmos, e só é respeitado aquele que se dá ao respeito. O fanático não só
se desrespeita, como faz tudo para ser ridicularizado. A identificação luminosa
da minha cadeira mantinha-se acesa. Fui o último a sair. No palco, uma luz
banhava este trecho do livro de Ezequiel e a sua figura, de joelhos, com as
mãos para cima, pronunciava com humildade: As minhas ovelhas andam desgarradas
por todos os montes, e por todo elevado outeiro, as minhas ovelhas andam
espalhadas por toda a terra, sem haver quem as procure, ou quem as busque.
Portanto, ó pastores, ouvi a palavra do Senhor. (Capítulo 34, versículos 6 e
7).Capítulo 28. DE VOLTA AO DEPARTAMENTO DAS ARTES. Alcançando o jardim,
andando devagar; para que apressar-me? Mas, para minha surpresa, ali fora me
esperavam Samuel, Lourival, Sara, Conrad, Saturnino. Assustei-me. - Vocês estão
me aguardando? Se soubesse não teria demorado tanto. - Gostaste da aula? Sara
perguntou-me. - Muito, querida. Todas elas têm sido ótimas. - Estávamos
esperando-o para darmos uma chegada no Jardim das Artes - explicou Samuel. - Já
não estivemos lá? - Sim, mas o Pierre Lambret irá fazer uma conferência sobre
psicopictografia, e será de bom proveito para todos nós. - Então, pé na
estrada! (...). Falando assim, dirigimo-nos àquele belo Departamento. Parecia
uma cidade encantada, muito bem iluminada, praças lindíssimas. Muitas delas
ainda conservavam os seus coretos e suas lanternas. Os pássaros eram tão
saltitantes que me chamaram a atenção. Também, pudera, eles aqui são livres!
Lourival cantou uma canção muito linda, mais ou menos assim: O Senhor é meu Pastor
Nada me faltará. O Senhor é meu Pastor Nada me faltará. As rosas sempre lindas.
O chão a trabalhar Pássaros saltitantes. Sempre, sempre a cantar. Nós, os
eternos viajantes. Encontrando no Senhor A força para andar o céu sempre azul.
Árvores tão amigas. O mar cantando dolente Sua estranha cantiga Preocupado com
a gente. E com a baleia amiga. O Senhor é o Pastor Das almas do Criador. -
Dando uma de cantor, hein? - brinquei. - Nas horas vagas (...) nas horas vagas.
Quando chegamos, o pátio já se encontrava repleto. Sentamos na relva mesmo. Ao
lado de Sara me acomodei, e confesso mais que curioso. Nós já estiváramos ali,
e agora por que a volta? Uma melodia se fazia ouvir e pouco a pouco
compreendemos: era a hora do silêncio. Iniciou-se a prece e logo após, o nosso
Pierre apresentou vários quadros lindos, lindos, falando sobre a técnica da
pintura e se colocou à disposição dos interessados. Perguntei-lhe o porquê da
terapia das cores. Ele respondeu: O mundo não foi criado em preto e branco,
Deus o coloriu e graças à sua arte a natureza é lindíssima. Daí entendermos que
nas cores se encontram concentradas as energias e, conforme o nosso desgaste,
necessário se faz uma reposição das cores nas nossas auras. - Elas curam? -
Sim. A cor restaura um quadro corroído ou danificado. Se a tela ganha nova
aparência quando tratada por pintor capacitado, o corpo, da mesma forma, se bem
tratado, volta a possuir luminosidade. A aplicação da cor nos corpos é uma nova
terapia, que será muito proveitosa para a Humanidade. - E os desenhos mediúnicos?
- Já tratamos aqui desse assunto, mas nunca é tarde para estudarmos um pouco
mais, principalmente porque se trata de algo que pode abalar a integridade da
Doutrina Espírita. Meus amigos, a mediunidade psicopictográfica pede a cada
médium muita humildade; não convém a esses medianeiros assinar seus trabalhos
sem critério. Quem conhece arte não compra um quadro somente pela assinatura.
Infelizmente, poucos quadros psicopictografados são obras completas do artista
citado, portanto, se a tela for parar em mão de pessoas capacitadas, logo cairá
no descrédito. Um especialista em pintura encontrará traços do próprio médium e
isto fará a tela perder autenticidade. O certo é não assinar. - E se o médium é
mecânico? - Poucos, muito poucos, são mecânicos e assim mesmo devemos tomar
cuidado. Os grupos mediúnicos devem alertar seus médiuns. Existem quadros
lindíssimos psicopictografados, mas com apenas cinquenta por cento da arte do
mestre da pintura. E um conhecedor não aceitará um quadro que tenha, por outro
lado, cinquenta por cento do médium. E cinquenta por cento é considerado por
nós um índice excelente! - Pierre, portanto, os médiuns não devem assinar,
mesmo um quadro belíssimo? Não devem, se possuírem bom senso, principalmente se
respeitam a Doutrina Espírita. Só se o médium passar os seus quadros a uma
apreciação de pessoas capacitadas, não somente da Doutrina, mas ligadas à arte.
A vaidade poderá cortar uma bela tarefa. E daqui faço um apelo aos dirigentes
de grupos: que formem grupos exclusivamente de pintura, mas obedecendo o
Evangelho de Jesus, onde o silêncio é gratificante. Nada de estrelismos. 0
pintor do Departamento da Arte só vai ao mundo físico para pintar se já passou
pelo departamento da humildade. E, sendo assim, não importa de se manter oculto.
Juntar vários médiuns de pintura é muito bom, não só para o grupo, como para
todo o Centro. As cores curam e dão equilíbrio. - Pierre - argumentou Conrad -
dias atrás apreciei um quadro mediúnico seu e percebi que ele possuía muito
vermelho e sei que você quase não utiliza essa cor. - E verdade, só uso o
vermelho para criar outras cores. Mas o médium que me serviu a usou muito. Mas
nem por isso o quadro ficou feio. Porém, se analisado por um conhecedor, não
poderá ser considerado autêntico. - A psicografia é mais fácil, não ? - Não
tenho capacidade para responder, o meu Departamento é o da Arte. - Pierre, hoje
qualquer médium está assinando nome de pintores famosos. 0 que você lhes
aconselha? - Prudência. E muito triste sermos ridicularizados porque não
possuímos o bom senso da humildade. Não importa o nome, um quadro se conhece
por seus traçados firmes e pelas cores harmoniosas. O nome não levanta um
quadro, mas, sim, o conjunto de todo o trabalho. Vários irmãos fizeram outras
perguntas. A aula foi longa e proveitosa. Quando dali saímos, me senti o
próprio Michelangelo (1475-1564) desencarnado, e pensei: vou pintar um quadro.
- Quando? Agora? - perguntou Samuel. Olhei-o. - Está brincando, eu só vou
pintar depois de receber umas boas aulas neste departamento! Todos rimos e dali
rumamos para outra aula ao ar livre, que seria ministrada por um Espírito que
todos querem muito bem. Uma brisa beijava os nossos cabelos e as flores nos
perfumavam o caminhar. Senhor, eu vos agradeço por tanta bênção, orei. Capítulo
29. DE DANIEL A SOFONIAS. No pátio repleto as pessoas entoavam belos hinos. O
ambiente nos transmitia uma sensação diferente. - Meu Deus, parece que nos
encontramos no próprio Céu, isto é, o paraíso. Quanta vibração! exclamou Sara.
Saturnino foi o primeiro a sentar na hera verdejante. Tentarei retratar o
ambiente. Era um gramado repleto de degraus, feitos da própria grama. No
centro, o palco branquinho, calçado de um material parecendo grama. Órgão e
outros instrumentos musicais compunham o palco. Parecia um teatro de arena, e
nesses degraus, flores e algumas árvores. À medida que cantávamos o perfume
aumentava e todos nós íamos ficando mais equilibrados. Quando parou a música,
uma voz se fez ouvir, anunciando o início da aula. Bela prece tomou conta de toda
a plateia, pois a sonoridade da voz era melodiosa e maternal. Senti-me
acariciado por ela. Meus olhos mal enxergaram a entrada de João, Corina e mais
um outro irmão, que nos cumprimentaram. João começou a explanação. - Amigos,
acompanhando a escalada da Chama Eterna, isto é, a escalada do Espírito,
chegamos hoje ao Livro de Daniel. Defrontamo-nos com Daniel, no Capítulo 1,
trazido à casa do rei junto a outros jovens e Daniel, relutando em aceitar as
iguarias reais; com Hananias, Misael e Azarias formava um grupo de jovens
sadios. Eles se alimentaram de água e legumes, enquanto os outros jovens se
fartaram das iguarias do rei, saboreando os finos vinhos. Em Daniel, versículo
17: Ora, a estes quatro jovens Deus deu o conhecimento e a inteligência em toda
cultura e sabedoria, mas a Daniel deu inteligência de todas visões e sonhos.
Aqui nos deparamos com a Doutrina Espírita, quando recomenda aos médiuns
abstenção de vinhos e comidas pesadas, principalmente as carnes dos animais.
Alimentos pesados dificultam a aproximação dos abnegados espíritos. Um médium
que ingere bebidas alcoólicas não pode receber boas mensagens, principalmente
de moral elevada. Este capítulo deve ser lido por todos nós que temos uma
tarefa na Doutrina Espírita. Para Daniel cumprir o dom da mediunidade, ele
aceitou o chamado do rei e viveu três anos no palácio, onde recebeu a cultura e
a língua dos caldeus. E no mesmo Capítulo, versículos 8, 9 e 10: Resolveu
Daniel firmemente não contaminar-se com as finas iguarias do rei, nem com o
vinho que ele bebia, então pediu ao chefe dos eunucos que lhe permitisse não
contaminar-se. Ora, Deus concedeu a Daniel misericórdia e compreensão da parte
do chefe dos eunucos. Com o passar dos anos reencontramos Daniel chamado pelo
rei para interpretar os sonhos. E novamente apresenta-nos como um médium
verdadeiro. Daniel é preso, consulta a Deus e vai ter com o rei. No Capítulo 2,
versículos 27 e 28, encontramos Daniel: Respondeu Daniel na presença do rei, e
disse: O mistério que o rei exige, nem encantador, nem magos, nem astrólogos o
podem revelar ao rei, mas há um Deus nos céus, o qual revela os mistérios (...).
Aqui, está patente mais uma lição: nem todos foram designados para grandes
revelações, portanto, devemos medir as palavras. E muito perigoso fazer revelações
futuras. E neste capítulo vários magos iam ser sacrificados porque se negavam a
revelar o futuro do rei. Daniel, na sua presença, consulta Deus e recebe
permissão para fazer a revelação ao rei, que muito agradecido ficou. E Daniel
prevê a era cristã, as figuras dos evangelistas. E encerra o seu livro.
Capítulo 12, versículo 7: Ouvi o homem vestido de Unho que estava sobre as
águas do rio, quando levantou a mão direita e a esquerda ao céu, e jurou por
aquele que vive eternamente, que isso será depois de um tempo, dois tempos e
metade de um tempo. E quando se acabar a destruição do poder do povo santo,
estas coisas todas se cumprirão. 0 primeiro tempo: a época de Moisés; o segundo
tempo: a era cristã; o terceiro tempo: a era espírita. Portanto, devemos lutar
por um mundo de paz e de amor. Logo entramos no Livro do Oséias, Capítulo 11,
versículos 5 e 6: Não voltarão para a terra do Egito, mas o assírio será seu
rei, porque recusam converter-se. A espada cairá sobre as suas cidades, e
consumirá os seus ferrolhos e as devorará, por causa de seus caprichos. E no
Capítulo 14, versículo 5: Serei para Israel como orvalho, ele florescerá como o
lírio, e lançará as suas raízes como o cedro do Líbano. Versículo 9: Quem é
sábio que entenda estas coisas, quem é prudente que as saiba, porque os
caminhos do Senhor são retos, e os justos andarão neles, mas os transgressores
neles cairão. Aqui defrontamos com um Israel machucado, defensivo, preocupado e
vingativo; e logo o Senhor unindo todo o Oriente Médio e ai daqueles que
lutarem contra a união dos povos. Leiam bem o apelo a final. Depois entramos no
Livro de Joel, no Capítulo 1-, versículo 9: Cortada está da casa do Senhor a
oferta de manjares e a libação; os sacerdotes, ministros do Senhor, estão
enlutados. No versículo 11: Envergonhai-vos, lavradores, uivai vinhateiros,
sobre o trigo e a cevada, porque pereceu a messe do campo. E aqui vimos a luta
do homem para obter o necessário para viver. De nada valerá o dinheiro, pois se
o homem não plantar, não colherá. Este capítulo é muito forte para os homens
materialistas que julgam que o dinheiro compra tudo e nada fazem pela ecologia;
só as máquinas e os concretos denotam progresso para as suas curtas
inteligências. E ainda continuam as advertências no Livro de Amos, Capítulo 2,
versículo 6: Assim diz o Senhor: Por três transgressões de Israel, e por quatro
não sustarei o castigo porque os juízes vendem o justo por dinheiro, e condenam
o necessitado por causa de um par de sandálias. Jesus foi vendido e os
apóstolos com suas rotas sandálias foram condenados por conviverem com os
pobres e estropiados. Versículo 7: Machucam sobre o pó da terra a cabeça dos
pobres, e pervertem o caminho dos mansos; um homem e seu pai coabitam com a
mesma jovem, e assim profanam o meu santo nome. Aqui percebemos a luta do homem
pela terra do seu próximo, a briga entre as nações, os ricos humilhando os
pobres, e os mansos e pacíficos sofrendo com a violência. Ainda no Capítulo 5,
versículo 21: Aborreço, desprezo as vossas festas e com as vossas assembleias
solenes não tenho nenhum prazer. Aqui notamos que não existe religião sem amor.
De que adiantam os rituais religiosos se odiámos o nosso próximo? No final do
Livro de Obadias vamos encontrar uma bela mensagem de esperança. Capítulo 19,
versículo 21: Salvadores hão de subir no monte Sião, para julgarem o monte de
Esaú, e o reino será do Senhor. Quando o homem deixar de desejar o poder, o
Senhor sentará no seu trono roto e humilde e nós seremos chamados de irmãos.
Cessarão os fogos nos céus e os homens não rastejarão como os irracionais,
porque esses procuram as asas da liberdade, que serão adquiridas através das
idas e vindas dos seus espíritos. Depois, do Livro de Jonas, entramos no Livro
de Miquéias, no Capítulo 12, Versículo 7: Todas as suas imagens de escultura
serão queimados pelo fogo, e de todos os seus ídolos eu farei uma ruína, porque
do preço da prostituição os ajuntou, e a este preço voltarão. Vimos que os
templos nada são se não forem transformados em refúgio de amor. E os ídolos
serão desmascarados, porque geralmente são feitos de barro ou de carne. No
Capítulo 3, versículo 4: Então clamarão ao Senhor, mas não os ouvirá, antes
esconderá geles a sua face naquele tempo, visto que eles fizeram mal nas suas
obras. Portanto, quem se diz portador das palavras de Deus, precisa tomar
cuidado; transformar-se em falso profeta é plantar lágrimas para o futuro. Em
Miquéias muito encontramos sobre os falsos profetas e os que, fracos de
sentimento, levam o fanatismo em nome do Senhor; que aproveitam a boa-fé dos
fracos para os levarem ao isolamento, por se julgarem santos. No Capítulo 4: 0
anúncio do chamado dos gentios, versículo 6: Naquele dia, diz o Senhor,
congregarei os que coxeiam, e recolherei os que foram expulsos e os que eu
afligira. Estamos nós aqui, não importando se somos ainda imperfeitos, mas
lutando para bem servir nosso Senhor. Não importa se ontem fomos expulsos, nós
damos graças pela revelação da revelação, porque ela nos mostra um Deus que não
mata, porque perdoa; que nós, por vezes, julgamos que Ele castiga, mas a
própria vida nos prova que só colhemos o que plantamos, e no ontem plantamos a
dor que hoje sentimos. No Capítulo 7, versículo 19: Tornará a ter compaixão de
nós, pisará aos pés as nossa iniquidades e lançará todos os nossos pecados nas
profundezas do mar. Finaliza esse Livro um bonito versículo: o do perdão de
Deus quando o homem descobre que ele só caminha para frente se nada destruiu na
sua estrada; que todos os povos têm o direito de viver em paz; que não existe
nação melhor que a outra, existem homens lutando para aprender o verbo amar;
que o homem só vai ser livre no dia em que compreender a reencarnação, porque
se hoje ele nasce em Israel, amanhã ele estará na China e no outro amanhã na
Colômbia. Portanto, por que as fronteiras? Quem deseja conhecer melhor o futuro
das nações do Planeta demore mais nestes últimos livros do Antigo Testamento.
No Livro de Habacuque, vamos encontrar a oração de Habacuque. No Capítulo 3,
versículo 11: O sol e a lua param nas suas moradias. E chegamos ao Livro de
Sofonias. Nele encontramos vários assuntos interessantes para a nossa aula.
Estamos hoje novamente a falar sobre os livros do Antigo Testamento, porque é
muito bom que recordemos as lições neles contidas. Vamos prestar atenção nesse
Livro, onde encontraremos vários acontecimentos tristes, é verdade, mas bem
vivos em nossos meios de comunicação. Capítulo 30 NO PAINEL, RESPOSTAS
ESCLARECEDORAS. Do Livro de Sofonias paulatinamente foram saindo as célebres
figuras. No Capítulo 2: Concentra-te e examina-te, ó nação, que não tens pudor,
antes que saia o decreto, pois o dia se vai como a palha; antes que venha sobre
ti o furor da ira do Senhor, sim, antes que venha sobre ti o dia da ira do
Senhor. No versículo 4: Porque Gaza será desamparada e Ascalom ficará deserta;
Asdode ao meio dia será expulsa, Ecrom desarraigada. - Presenciamos aqui as
tropas da ONU abandonando o Oriente Médio. Gaza será desamparada. Nesse mesmo
Livro e Capítulo: Ameaças contra a Etiópia. Quem não conhece a tristeza da
Etiópia? No Capítulo 3: Ameaças contra Jerusalém. Versículos 1 e 2: Ai da
cidade opressora, da rebelde e manchada. Não atende a ninguém, não aceita
disciplina, não confia no Senhor, nem se aproxima de Deus. Mas no fim nesse
Livro a esperança nos surge como prenuncio de paz. No versículo 20: Naquele
tempo eu vos farei voltar e vos recolherei. Surge o Livro de Ageu, onde
continuam as advertências às nações, pedindo o respeito de uma para com a
outra. Neste Livro do Antigo Testamento defrontamos com a evolução do homem, o
caminho dessa evolução e mesmo Deus preocupado com Seus filhos, os quais não O
atenderam. E chegamos a Zacarias. No Capítulo 19 - Primeira visão - os cavalos
- versículos 8 a 10: Tive de noite uma visão de um homem montado num cavalo
vermelho, estava parado entre as murteiras que havia num vale profundo; atrás
dele se achavam cavalos vermelhos, baixos e brancos. Então perguntei: Meu
Senhor, quem são estes? Respondeu-me o anjo que falava comigo: Eu te mostrarei
quem são eles. Vejam a resposta: São os que o Senhor tem enviado para percorrer
a terra. Jesus e Seus apóstolos até hoje pregam a paz entre os homens. Um hino
de amor ao Mestre. Vejam só como é lindo este versículo do Capítulo 13! Ferido
o Pastor de Deus. No versículo 7: Desperta, ó espada, contra o meu pastor e
contra o homem que é o meu companheiro, diz o Senhor dos Exércitos; fere o
pastor, e as ovelhas ficarão dispersas, mas volverei a minha mão para os
pequeninos. Pudemos notar que em todos os livros do Antigo Testamento
encontram-se entremeadas as premonições do século XX e os acontecimentos da
época de Cristo. Em Malaquias, o último Livro do Antigo Testamento, vemos, no
Capítulo 3: Eis que eu envio o meu mensageiro que preparará o caminho diante de
mim. No versículo 5: Chegar-me-ei a vós outros para juízo; serei testemunha
veloz contra os feiticeiros, contra os adúlteros, contra os que juram
falsamente, contra os que defraudam o salário do jornaleiro e oprimem a viúva e
o órfão o torcem o direito do estrangeiro, e não temem, diz o Senhor dos Exércitos.
Este versículo é tão profundo que nos fez meditar: Como podo um homem se dizer
seguidor do Cristo e não preencher os quesitos do cristão''' E neste versículo
podemos nos colocar em guarda contra os falsos profetas. No versículo 6: Porque
eu, o Senhor, não mudo; por isso vós, ó filho de Jacó, não sois consumidos. No
versículo 8: o roubo no tocante aos dízimos. Roubará o homem a Deus? Todavia
vós me roubais, e dizeis: Em que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas
alcançadas. Gostei deste versículo e veja como Deus é sábio: quantos religiosos
gostam de receber o dinheiro em nome do Senhor! E no versículo 18: Então vereis
outra vez a diferença entre o justo e o ímpio; entre o que serve a Deus e o que
não serve. Portanto, nós, os espíritas, devemos ter muito cuidado para não
profanar a casa do Senhor; que os dinheiros arrecadados cheguem através dos
nossos trabalhos, jamais de jogos, de dízimos e de rifas. Devemos receber de
acordo com o suor dos nossos corpos. No versículo 5, do Capítulo 4: Eis que eu vos
envio o profeta Elias antes que venha o dia grande e terrível do Senhor. Quase
pulei da cadeira! Ali, no palco da Faculdade de Maria o Antigo Testamento
colocara à nossa frente a reencarnação. E surgiram várias outras passagens
sobre Elias. Uma delas, quando Jesus reconheceu em João Batista o Elias que
devia vir. (Mateus, 11, 10 – Marcos 9, 11). Perguntei ainda sobre alguns fatos,
porém, muitas coisas eu não posso passar para vocês. Os Livros do Antigo
Testamento possuem várias premonições, mas não estou capacitado para
revelá-las. Algo me chamou a atenção. Desculpe por voltar ao 19 Capítulo de
Malaquias. Aborreci Esaú significa amar menos? Esaú é a imagem dos réprobos, e
Jacó dos eleitos. Aqui, porém, não se trata de pessoas físicas, dos filhos de
Jacó, e, sim, dos povos que deles descendem. No Capítulo 3, versículo 9, de
Zacarias, está escrito: Porque és a pedra que eu pus diante de Josué, sobre
esta pedra estão sete olhos. Pedra: recordemos que Jesus chamou Pedro de pedra;
que médium foi Pedro! Pudemos notar aqui que os sete olhos significam o dom da
mediunidade, e ninguém foi maior médium do que Jesus. Sozinho ali fiquei ainda
muito tempo. Olhava ao meu redor e desejei abraçar cada leitor amigo e lhe
dizer obrigado. Graças a vocês eu estou aqui, aprendendo o valor da vida. Fui
andando pelas alamedas floridas e me detive mais uma vez contemplando as
flores. Senti que as flores espirituais possuem uma vida diferente, aqui elas
parecem mais ligadas a Deus. Acho que as terrestres ficam mais asfixiadas pelas
vibrações pesadas. Do lugar onde me encontro diviso a montanha e sinto a
vibração do ambiente. Mergulhado nos meus pensamentos, nem percebi Conrad e
Sara que me observavam. Quando os vi, falei: - Oi, gente, tudo bem? - Sim,
ótimo. Só que nos preocupamos com você. Todos já estamos reunidos no parque e
sentimos a sua ausência. Perdoem-me, tão absorvido me encontrava, que me
esqueci - falei, já virando para trás, buscando o caminho do parque. - Luiz,
você já preparou as perguntas? - indagou-me Sara. - Não, mas não vou perder
tempo. - Eu também tenho cada uma aqui na cabeça para fazer! exclamou Conrad.
Nisso, surgiu a planície bela e repleta de gente. Acomodamo-nos da melhor forma
possível e logo iniciou-se o encontro. Primeiro, os cânticos. Um deles, Jesus Menino,
foi cantado por toda a plateia. Meu Jesus menino, Preciso de Ti Meu Jesus
menino, Preciso de Ti. Ali, na calçada A criança abandonada (BIS) Já não sorri
Mais ali A mulher cobiçada E maltratada Sua dor eu senti Na rua deserta O
guarda noturno Não participa da festa Ele vence seu turno Meu Jesus menino Meu
Jesus menino No barraco sombrio A carência crescente Faz-me sentir frio Junto a
gente carente Eu murmuro Teu nome Preciso de Ti (BIS) A dor me consome Tudo
isso eu vi Vem meu Jesus Vem meu Jesus Transformar a Terra Num Planeta de luz
Vem meu Jesus Vem meu Jesus. Depois, várias outras melodias. Sei que ali
ficamos muitas horas, não só cantando como participando de várias brincadeiras.
Dali nos despedimos e fomos para os nossos quartos. Quando cheguei ao meu
refúgio, senti uma vontade de chorar! (...) - Meu Deus, quanto venho recebendo
de Vós! Obrigado, Senhor, obrigado. O outro dia surgiu radiante, ou era eu que
não via a hora de me encontrar com os outros. A medida que ia me aproximando
das salas de aula, ia reencontrando os amigos, e percebi quantos irmãos lutam
para aprender a amar o seu próximo. Ao passar por.um e por outro, alguém me
chamou a atenção. - Sérgio, posso saber por que tanta pressa? - era Saturnino.
Envergonhado, me desculpei: - É um feio hábito, mas que posso fazer? Sou assim
mesmo (...). Ele me olhou, e por sua expressão compreendi o erro que estava
cometendo. Todos nós podemos dominar os nossos espíritos; para isso basta
desejarmos guerrear contra os nossos defeitos. E a pressa vem sendo a minha
inimiga número um. - Irmão, perdoe-me, vou me corrigir. Fui andando devagar e
calado, mas confesso que desejava correr para chegar ligeiro. Quando entramos
na sala a minha cadeira lá se encontrava à minha espera. Acomodei-me com
prazer; o meu nome nela escrito foi-se apagando à medida que eu a ocupava.
Todos já acomodados, uma luz brilhante foi banhando o ambiente. Ela era
projetada nas cores do arco-íris e, numa velocidade espantosa, mudavam-se os
tons. Fui ficando meio sonolento. Conrad tocou-me o braço. - Sérgio, não estás
bem? Sorri. - Estou ótimo. Constrangi-me ao ver que todos se viraram para mim:
é que o meu painel projetava minha ansiedade. Que vergonha! Procurei na prece
meu reequilíbrio e pouco a pouco fui serenando. Só aí entraram os instrutores.
Primeiro, Corina, depois, João e os outros. - Já há alguns meses estamos
juntos, estudando a escalada do espírito e, nesse estudo, aprendemos a nos
querer bem. Hoje aqui nos encontramos para tirar as dúvidas que ainda surgiram
e que não foram formuladas por receio ou comodismo. Gostaríamos que todos
levassem daqui a certeza da bondade de Deus. Quem desejar fazer perguntas é só
pensar e o seu painel a fará. Só é preciso muito equilíbrio, para não
tumultuar. Vamos a elas. Um irmão fez a primeira: - Por que várias religiões
são contra o casamento, se no Capítulo 2, versículo 28 da Gênesis Deus diz:
Crescei e multiplicai-vos? - Só é contra a reprodução do ser quem não conhece
as leis dl natureza. Crescei e multiplicai é o mandamento de Deus quo criou o
homem macho e fêmea. Portanto também a fecundidade vem de Deus. Deus não criou
o homem deixando-o sozinho; desde o início criou-os homem e mulher, e esta
união constitui a primeira forma de comunicação entre as pessoas. Outro painel
registrou a pergunta referente ao Capítulo 4 da Gênesis, versículo 1: Adão
conheceu sua mulher Eva, a qual concebeu e deu à luz Caim. A pergunta: por que
"conheceu"? Resposta: "Conheceu" é eufemismo usado para
indicar o ato sexual. Outro painel: Gênesis, Capítulo 7, versículos 22 e 23:
Tudo o que respira e tem vida sobre a terra, morreu. Foram exterminados todos
os seres. Resposta: Foi destruída apenas uma parte dos homens, os mais
culpados. Outro painel: E no dia dezessete do sétimo mês parou a arca sobre as
montanhas de Ararate. Resposta: Ararate é o nome de uma região montanhosa,
situada na Armênia; os assírios chamavam-na de Urartu. Outro painel: Capítulo
11 da Gênesis, indagação sobre a torre de Babel. Resposta: O verdadeiro sentido
da confusão de línguas está na separação dos homens; e Babel não deve ser
confundida com Babilônia. Aqui o nome significa confusão, ao passo que
Babilônia significa porta de Deus. Outro painel: Gênesis, Capítulo 19,
versículo 8: Quando Lot oferece as filhas aos homens de Sodoma que queriam
abusar de dois hóspedes. Tenho duas filhas que ainda são virgens, eu vo-las
trarei e abusai delas como vos agradar. Resposta: Tão sagrada era a
hospitalidade entre os orientais e tão baixo o respeito para com a mulher, que
Lot, para salvar os hóspedes, pensa em sacrificar as filhas. O homossexualismo,
chamado também sodomia, era muito difundido entre os cananeus. E ele é muito
marcante neste Capítulo 19. Podemos notar que vários destes assuntos nos
passaram despercebidos. Outro painel acendeu: Capítulo 49, da Gênesis,
versículos 10 a 12: O cetro não será tirado de Judá, nem o príncipe da sua
descendência até que venha aquele que deve ser enviado. E a ele obedecerão as
nações. Ele atará à vinha o seu jumentinho e à videira mais excelente o filho e
a sua jumenta. Lavará a túnica no vinho, e a sua capa no sangue da uva. Os seus
olhos serão mais famosos que o vinho, e os seus dentes mais brancos que o
leite. Resposta: Profecia messiânica. Aqui foi previsto que o Messias nasceria
de uma tribo de Judá. E as características do Cristo são bem claras. Panei:
Êxodo, 5, versículo 7: Não mais dareis palha, como antes, ao povo a fim de
fazer tijolos, mas eles mesmos juntarão a palha. Resposta: Os tijolos eram
fabricados com argila misturada com palha triturada, para dar-lhes maior resistência,
secados ao sol. Painel: É comum durante o ano, na inundação do Nilo, as rãs se
multiplicarem? Está certo este Capítulo 8, versículo 1? Resposta: A praga das
rãs verificou-se em janeiro e fevereiro, na baixa do Nilo.' Painel: Que são
pães ázimos? Resposta: Pães sem fermento. Painel: Que é Páscoa? Resposta:
Páscoa significa precisamente passagem, a passagem dos hebreus através do Mar
Vermelho para a Terra Prometida. A festa da Páscoa é hebraica, mas os hebreus
transmitiram-na aos cristãos, que nela celebram o sofrimento do Cristo, a Sua
ressurreição. Painel: Êxodo, 16, versículo 13: Aconteceu pois de tarde virem
codornizes, que cobriram os acampamentos. Milagre? Resposta: Não! Durante a
primavera, grandes bandos de codornas emigram do interior da África para os
países mediterrâneos. Painel: Êxodo, 17, versículo 6: Eis que estarei lá diante
de ti sobre a pedra de Horebe. Ferirás a pedra e dela sairá água, para que o
povo beba. Resposta: Pedra é Cristo, água é o Seu Evangelho, que nos oferece
vida eterna. Cada vez mais eu ficava curioso. Queria fazer várias perguntas,
mas fui-me aquietando, dando vez aos outros. Quanta coisa me passou
despercebida! Ainda bem que os meus irmãos não estavam esquecendo de nada.
Acomodei-me melhor na cadeira e esperei. Novas perguntas se seguiram. Painel:
Por que os sacerdotes esqueceram o Antigo Testamento? Em Êxodo, Capítulo 34,
versículo 13: Destrói os seus altares, quebra as suas estátuas e corta os
bosques sagrados: Altares e estátuas ainda veneradas sobre estacas e os bosques
sagrados. Resposta: Os bosques sagrados, ou aserot, eram troncos de árvores
simbolizando a deusa paga Aserá, que os cananeus consideravam mulher de Baal e
mãe da vida, deusa da fecundidade, mas venerada de maneira licenciosa, obscena,
como a Astarté dos fenícios, dos gregos e de outros povos. Pergunta: Levítico -
Qual a diferença do Rito dos sacrifícios e o Rito das oblações? Resposta: Nos
sacrifícios chamados holocaustos, a vítima era inteiramente queimada e nada era
reservado ao sacerdote nem ao ofertante. Entre os orientais tratava-se do mais
solene sacrifício. E no Capítulo 2, o Rito das oblações, a parte não queimada
era destinada ao sacerdote, que deveria consumi-la no recinto do tabernáculo.
Painel: Levítico, Capítulo 15, versículos 2 a 4: Impureza do homem e da mulher.
O Senhor falou a Moisés e a Aarão, dizendo: Falai aos filhos de Israel e
dizei-lhes: O homem que padece de fluxo seminal será impuro. Todo o leito em
que dormir e todo o objeto sobre o qual sentar será impuro. Resposta: Deus bondosamente
não só ensina aos homens a Sua moral, como nos ensina até hoje as regras de
higiene e o respeito aos nossos corpos. Se ainda hoje as doenças sexualmente
transmissíveis se alastram por falta de cuidados do próprio homem, imaginemos
na época de Moisés. A efusão do sêmen do homem era considerada perda de
vitalidade. Painel: Levítico, Capítulo 19, versículos 26 e 27: Não comerás nada
com sangue. Não usarás agouros, nem adivinharás os sonhos. Não cortarás o
cabelo em redondo nem rasparás a barba. Resposta: É a proibição de ritos e usos
supersticiosos por idolatria, aparentemente estranhos e, por eles, percebemos
que os israelitas eram inclinados a práticas supersticiosas. Painel: Capítulo
20 - Levítico: versículo 29: Não prostituas tua filha para que a terra não seja
contaminada e se encha de impiedade. Resposta: Não se trata apenas de uma
proibição, mas fica para todos nós a verdade da chama eterna, isto é, a
purificação do espírito. Hoje ainda encontramos homens que não respeitam suas
filhas, mas são raros. E neste versículo está o alerta, quando Ele nos diz:
para que a terra não seja contaminada - cientificamente sabemos o perigo de uma
relação pai-filha, irmão-irmã, mesmo entre tios e sobrinhos, primos e primas.
Ainda mais quando realizadas desonestamente para honrar um ídolo, o que não era
raro entre alguns povos antigos, em homenagem às suas deusas. Entre eles a
prostituição sagrada era incentivo para a mais despudorada imoralidade. Painel:
Que foi a revolta de Coré, Daton e Abiron? Resposta: Uma rebelião religiosa e
política. O chefe da rebelião, Coré, primo de Moisés, queria o sacerdócio para
todos os descendentes de Levi; os chefes políticos Daton e Abiron, por sua vez,
reivindicavam para sua tribo, a de Ruben, primogênito de Jacó, a supremacia do
governo, considerando Moisés como enganador do povo. Painel: Números, Capítulo
21, versículo 6: Por esta causa o Senhor enviou contra o povo serpentes de fogo
e causaram estas chagas e mortes em muitos. Resposta: Não porque tivessem fogo,
mas por causa do veneno, que muito maltratava quem fosse por elas picado.
Painel: E a serpente de bronze? E o Senhor disse-lhe: Faze uma serpente de
bronze, e põe-na em uma haste; aquele que olhar para ela, sendo ferido viverá.
Resposta: O homem sempre necessita de algo material para se agarrar nas horas
de tristeza. Moisés, ao erguer a serpente de bronze, queria salvar o seu povo
e, encontrando neles o medo, ou melhor, o pavor, teve de usar de símbolo
material para elevá-los à prece. Em João, Capítulo 3, versículos 14 e 15, está
a explicação do significado simbólico do fato. Números, Capítulo 25, versículos
2 e 3. Painel: Idolatria de Israel. £ eles comeram e adoraram os deuses delas.
E Israel se consagrou a Baal-Peor. Resposta: Baal-Peor, ou Senhor de Peor, era
uma divindade dos moabitas, que habitavam a leste do Mar Morto. Seu culto
consistia em práticas obscenas. Os homens de Israel consagravam-se a Baal-Peor,
isto é, não souberam resistir aos convites das mulheres moabitas e participaram
dos ritos em honra de seu deus nacional, tomando parte na prostituição sagrada,
daí advindo o castigo terrível de Moisés. Deuteronômio 24 - Divórcio. Se um
homem tomar uma mulher, e a tiver consigo e ela não for agradável diante dos
seus olhos por qualquer coisa torpe, escreverá um libelo de repúdio, lhe dará
na mão e a despedirá de sua casa. Moisés era a favor do divórcio? Resposta:
Sim, porque é mais digno dar a liberdade do que maltratar alguém, obrigando-o a
ficar ao nosso lado quando não o amamos e não o respeitamos. Painel: Quem foi
Raab? Josué, Capítulo 2. Resposta: Raab foi uma meretriz que salvou dois
espiões que secretamente entraram em Jerico a mando de Josué, filho de Num. Era
munida de muita bondade e fé, foi mulher de Salmon, que foi antepassado de Davi
e de Cristo. Aqui paramos para um merecido descanso. Como sempre, fui o último
a sair. Ainda não havia feito nenhuma pergunta, mas estava contente com todas
as respostas. Notei que alguém me esperava: era Conrad. Aproximei-me dele e
saímos pelas belas alamedas da Faculdade. Livro Chama Eterna. Abraço. Davi.
segunda-feira, 3 de julho de 2017
TOURO E MERCÚRIO.
Astrologia. Texto de Ricardo Lindemann.
Capítulo Quatro. TOURO E ESCORPIÃO – A ASTROLOGIA NÃO É UMA QUESTÃO DE CRENÇA,
mas uma questão de Ciência, uma questão de verificação. Por isso, convido os
leitores a observarem-se as pessoas de Touro (20 de abril – 20 de maio) e
Escorpião (23 de outubro – 22 de novembro), que na sua esfera de
relacionamentos, apresentam ou não as características aqui citadas. Agora,
vejam bem, as pessoas podem ser de um signo pelo mês do nascimento, podem ser
de um signo também pelo dia do nascimento, ou pelo hora do nascimento. No
primeiro caso, nós vamos dizer que a pessoa é do signo solar porque nasceu no
mês de Touro, a partir de 20 de abril até 20 de maio, mas também o fato é que
se ela tiver nascido em certo horário, ela terá o Ascendente no signo de Touro,
porque existem duas horas por dia em que o signo de Touro estará se elevando no
horizonte Oriental. Há também outra possibilidade, se a Lua estiver em certo
dia apresentando-se no signo de Touro, o que ocorrerá em média num período de
dois dias e um quarto, dois dias e seis horas, dado que nós dividiremos 27,32
dias por 12 signos. Os 27,32 dias correspondem ao mês sideral da Lua, e
dividindo em 12 partes, nós vamos ter este resultado. Então, no geral se diz
que o signo da Lua é o signo do dia, e o signo Ascendente é o signo da hora,
mas na verdade, são maneiras de explicar que nós somos divididos em camadas. Nós
podemos ter o signo de Touro no mental, signo solar ou signo do mês, no
emocional, signo lunar, ou signo do dia, ou no Ascendente que dá a
característica física, e ai sim, o signo da hora. Então, as pessoas não são
também em geral um tipo puro de um signo, elas têm mesclas, e essa é a
importância de nós fazermos um Mapa Astral, ou Natal, de cada pessoa
individualmente, para ver que composições a pessoa apresenta em seu Mapa
Astral. Voltemos agora a nossa atenção novamente para o mural da Última Ceia, onde
o signo de Touro é representado no Cenáculo por Judas Tadeu, e Escorpião por
Judas Iscariotes. É interessante lembrar ainda que a correspondência dos doze
signos e dos doze Apóstolos foi descoberta e estabelecida por Emma Costest de
Mascheville (1903-1980), em seu magnífico livro Luz e Sombra, da Editora
Teosófica, que gostaríamos de recomendar. E, com ela, tivemos a oportunidade de
estudar nos últimos sete anos da sua vida, e talvez, assim, captar algo da
beleza do seu ensinamento, que era então o florescimento da experiência de toda
uma vida dedicada a este estudo. O signo de Touro corresponde ao pescoço, e é
representado por Judas Tadeu. O pescoço é justamente a parte mais saliente da
sua figura, no mural, bem como no Homem Celeste o Escorpião corresponde aos
órgãos sexuais, e estes dois signos ficam assim diametralmente opostos no
zodíaco. Por extensão nós poderíamos dizer que há uma relação entre a garganta
e os órgãos sexuais. É interessante notar que as crianças, portanto antes da
adolescência, antes do corpo ter atividade, propriamente sexual pelo estímulo
das glândulas correspondentes, frequentemente têm como ponto fraco do organismo
a garganta, porque a polaridade oposta não está propriamente ativa. Então, às
vezes, as amigdalites são muito frequentes na infância, etc., e de alguma forma
a garganta, o pescoço, abrange a tireoide, a paratireoide. O Touro rege esta
região no corpo que abrange a tireoide relacionada à capacidade de acumular os
nutrientes no organismo, por isso tem a ver até com a obesidade quando há o mau
funcionamento da tireoide, e assim, o armazenamento e a acumulação das
condições de sobrevivência através do alimento excedente, que significaria a
nossa reserva acumulada. A obesidade já é o excesso de reserva, mas enfim, essa
capacidade de armazenar para o futuro, de acumular riqueza, é uma
característica tradicionalmente relacionada com o signo de Touro, que é um
signo de terra. O oposto, portanto, o Escorpião está associado aos órgãos
sexuais e suas glândulas, seja o aspecto dos hormônios correspondestes ao
hormônio masculino e feminino, como também todo o processo que está associado à
geração de uma nova vida. Portanto o Escorpião está sempre associado, na
tradição astrológica, à paixão, e está de uma certa forma caracterizando a sobrevivência
do indivíduo. E há um equilíbrio novamente a ser encontrado entre essas duas
forças. A posição do Cristo na forma de um triângulo equilátero, que é o
símbolo da harmonia, na Astrologia, tem na mão esquerda o símbolo da doação, a
mão esquerda está voltada assim para cima, enquanto que a direita recolhe, pois
está voltada para baixo. Então, nós temos o símbolo de um equilíbrio de duas
forças da Natureza em que do lado direito do observador, as estações da
primavera e do verão são aquelas nas quais o Sol se doa em luz e calor, e são o
símbolo da atividade, enquanto que o outono e o inverno, que são a outra face
mais obscura que corresponde mais ao lado lunar que, na verdade, é quando o
Sol, proporcionalmente, se recolhe, e a luz dele é menos presente naquelas
estações. E esse equilíbrio entre esses dois polos é o que nós buscamos de
alguma forma na Astrologia. O signo de Touro irá representar a sobrevivência do
indivíduo e o acúmulo de matéria como reserva com essa finalidade, enquanto que
o Escorpião já representa a paixão sexual que vai gerar uma nova vida na
sobrevivência da espécie; portanto, são forças polarizadas. E, assim, o Touro
representa de alguma forma a fecundidade passiva, enquanto que o Escorpião a
força criadora, geradora mais ativa. De certa forma, Marte que é o regente
clássico de Escorpião, é um planeta chamado masculino, ou ativo, enquanto que
Vênus, regente de Touro, é chamado de passivo ou feminino. O equilíbrio entre
esses dois opostos é que nos conduzirá ao Cristo, que está no centro do mural,
que é aquela posição, imparcial na qual nós meditamos, e gostaríamos de citar
novamente, o Princípio básico da meditação no Yoga, segundo o Yoga Sutras de
Patanjali: "Quando a mente é perturbada por pensamentos impróprios, a
constante ponderação sobre os opostos é o remédio". Então, essa é a
polaridade que nós temos que complementar meditando no signo oposto, se
aplicarmos o aforismo II-33 do Yoga Sutra Citado à prática da Astrologia. Assim
verificaremos que o signo de Touro representa a preservação e proteção da vida,
o aspecto de uma fecundidade obediente e protetora da matéria, enquanto que o
Escorpião já representa uma autoridade mais passional dessa força criadora, que
representa a transmutação da matéria, e muitas vezes é associado por isso à
morte. Então, o signo de Touro é a Física, e o Escorpião é a Química, o signo
de Touro é a realização e o Escorpião é a organização. O signo de Touro é
aquela afetividade de uma ternura protetora, às vezes até super protetora, os
problemas das mães de Touro são clássicos no apego aos seus filhos, enquanto
que o Escorpião já tem mais aquela disposição de cortar o que for preciso, tem
uma visão mais cirúrgica para enfrentar o perigo e a morte. Costuma-se dizer
que ele gosta de viver perigosamente. O Escorpião, na verdade, é um animalzinho
frágil. Segundo a tradição, se ele não injetar o veneno no adversário ele irá
injetá-lo em si mesmo. Assim, nutrindo nos outros o medo daquele veneno que ele
traz na cauda, ele impõe uma certa distância de segurança e por isso ele
necessita executar certas punições exemplares. Não que ele possa enfrentar a
todos, mas ninguém quer ser o primeiro a enfrentá-lo porque sabe que receberá a
punição exemplar. Esse é o símbolo de um animal frágil, que a gente poderia até
matar por acidente se pisasse em cima, por descuido, mas por outro lado,
representa um animal que às vezes aterroriza as pessoas, porque elas sabem
muito bem que ele tem veneno. Da mesma forma, o tipo do Escorpião é de uma
fragilidade defendida por uma aparente agressividade, mas se a pessoa souber
conquistá-lo, ele se transforma no nosso melhor protetor, no nosso melhor
amigo, porque não temerá nem sequer a morte para nos defender. Por outro lado,
não convém arranjar inimigos de Escorpião, pois o mesmo que vale para um lado
vale também para o outro, e ele nos perseguirá implacavelmente se nós não
soubermos conquistá-lo, ou principalmente se ferirmos os seus sentimentos. E,
por isso, o Escorpião é considerado como um dos signos mais incompreendidos,
assim também, no próprio mural de Leonardo da Vinci (1452-1519), ele é
representado por Judas Iscariotes, que é tratado como o traidor do Cristo. Mas,
se diz também, que não teria havido a ressurreição do Cristo se não tivesse
existido a figura de Judas Iscariotes que produzisse a morte. Por isso, o
próprio Escorpião, representado por Judas Iscariotes, é o único que apresenta
metade do rosto na luz e metade do rosto na sombra, simbolizando que ele é
capaz de transitar entre estes dois mundos, simbolizando que ele tanto representa
a morte, quanto a ressurreição. Nesse aspecto da ressurreição, o símbolo usado
pelos egípcios para o Escorpião é a Águia. É importante lembrar que no Zodíaco
greco-romano, o Escorpião é caracterizado pelo simbolismo do lado sombrio da
morte, mas o egípcio prefere o da Águia que é o símbolo da ressurreição e da
faceta luminosa da libertação do espírito. E, também, os gregos tinham a outra
representação do Escorpião, a Fênix, aquele animal que, segundo a mitologia,
ressurgia das cinzas, também era um símbolo de ressurreição. Então, o Escorpião
é representado por seu lado morte, na Última Ceia, por Judas Iscariotes, e ali
deixou uma cadeira vazia, porque é sabido que Judas Iscariotes se suicida, na
tradição bíblica. Dona Emy entendia que, mais tarde, essa cadeira seria ocupada
simbolicamente por Paulo que é uma transmutação de Saulo, ou seja, ele
representaria o único Apóstolo que viu o Cristo em espírito sem tê-lo visto na
forma de Jesus corporal, na forma material; ao contrário de Judas Iscariotes que
parece ter convivido com Jesus em seu aspecto corporal, ou físico, mas pelo
visto não o compreendeu muito bem, ou não teve a plena visão da natureza
espiritual do Cristo. Creio que por isso ela entendia que a faceta escorpiônica
da transmutação e da ressurreição estava melhor representada por São Paulo do
que por São Matias. Escorpião simboliza portanto os extremos da natureza, a
vida e a morte, o viver perigosamente, a busca da adrenalina, o sentir a
paixão. Por outro lado, o Touro é representado por um animal ruminante, sombra
e água fresca é o seu lema, que nada mude, que tudo fique como está, é um signo
de terra e fixo. Mas, se observarem o animal que representa o signo de Touro,
caracteriza muitas das qualidades de perseverança, porque é no pescoço do Touro
que se ata o jugo, a canga, ali ele mostra a sua força carregando com
perseverança o carro, puxando a carroça, enfim, todos estes aspectos que estão
associados ao signo de Touro que tem por símbolo esse animal. Eu gostaria que
observassem o aspecto ruminante do Touro. O ruminante mastiga, aquilo vai ao
estômago de alguma forma e volta, aí é ruminado de novo, mascado mais uma vez,
engolido de novo, vai ao estômago e volta, então se mastiga mais uma vez e
aquilo é ruminado e engolido mais uma vez, não sei por quantas vezes, em algum
momento já deve ter perdido o gosto (...). Mas o surpreendente é que o signo de
Touro suporta isso com naturalidade, porque ele é por excelência a encarnação,
e a manifestação da perseverança e da paciência. As qualidades associadas ao
signo de Touro são o seu lado prático, digno de confiança e paciente, de certa
forma persistente e hábil nos seus negócios, seu fino senso de valores. Costuma
ser um conservador, em geral não gosta de mudanças. Mudanças representa
insegurança, possibilidade de um perigo. Touro é essencialmente protetor da
vida. Ele é o contrário de Escorpião que busca viver perigosamente para se
sentir mais vivo, mais intenso, para sentir mais a adrenalina passional em si.
Touro representa essa busca das artes, do amor ao luxo e à boa comida, de uma
vida de certa forma confortável, agradável, mas com força de vontade e
perseverança, com solidez e determinação na consecução dos seus objetivos,
associada a uma afetividade, a uma bondade protetora. Essas são as qualidades
tradicionais atribuídas ao signo de Touro, entre outras. Por outro lado, se nós
quisermos saber qual é o defeito de um signo, que não é uma boa aplicação da
palavra, pois do ponto de vista astrológico todo defeito representa apenas a
falta temporária de uma virtude do signo oposto, como todo vício é uma virtude
em formação que não teve ainda tempo de desabrochar, o mal não existe por si
mesmo, senão como um bem adormecido, e as trevas não são trevas reais, elas são
apenas ausência de luz, não existem por si mesmas, pois que na ausência da luz
as trevas em luz se transformam, como afirma a Escritura. Vale focar as
qualidades de cada signo: as qualidades do Escorpião vão resolver os problemas
do Touro vão resolver os problemas do Escorpião, pois são signos opostos e
complementares. As fraquezas associadas ao signo de Touro, portanto, são
a falta das virtudes de Escorpião. Muitas vezes o Touro é classificado como
possessivo, apegado, pão-duro, preguiçoso ou acomodado, autoindulgente, e pode
ser um chato em potencial, porque tendo medo do desafio da vida ele resiste ao
processo da mudança que é inevitável no ciclo da vida e, portanto, ele pode
acabar tolhendo a liberdade das outras pessoas. É estático nas suas opiniões,
sem flexibilidade ou originalidade, às vezes ganancioso, obcecado com rotinas,
ou rancoroso, no sentido de guardar mágoas, porque ele se deixa ferir, engole
tudo, depois explode de certa forma que nem aquela figura da panela de pressão,
que depois de muito engolir, sem válvula de escape acaba explodindo e jogando
feijão no teto. É claro que o signo de touro pode superar essas tendências se
ele aprender a meditar no signo oposto e desenvolver as suas virtudes. E as
qualidades do Escorpião são as emoções e os sentimentos poderosos. A característica
fundamental do Escorpião é a sua intensidade, o seu sentimento intenso e
passional, sua imaginação e sentido de finalidade, sabendo qual o objetivo que
deseja alcançar. O discernimento sutil se apresenta na sua capacidade de
decisão e organização, persistente e determinado na consecução dos seus
objetivos, ele vai à morte se necessário para atingir seu objetivo, ele não a
teme, gosta do desafio, e o único desafio que o Escorpião tem dificuldade de
superar é a ausência de desafios. A monotonia e a rotina, que o Touro suporta
pacientemente, representa o ponto fraco do Escorpião, ele precisa de novos
desafios para se sentir vivo. Há um equilíbrio, portanto, entre esses extremos.
A falta das virtudes de Touro costuma gerar os problemas clássicos do signo de
Escorpião, atribuídos à vingança, à sensualidade, ao ciúme, ao rancor. Pode ser
também obstinado e intratável, ressentido, desconfiado e muito reativo. Se nós
atingirmos o Escorpião com uma agulha, ele pode reagir da maneira como se
sentir no momento e possivelmente nos jogará uma lança. Porém, em outro dia em
que esteja bem, poderá ser atingido com uma lança e reagir apenas como se
tivesse sido atingido por uma agulha. Essa desproporção relacionada ao estado
emocional do Escorpião, a sua intensa subjetividade, é que o faz, muitas vezes,
desconfiado, reticente, intratável e imprevisível. O Escorpião gosta de ter
provas de amor, então ele se esconde numa torre de marfim e acha que se o outro
de fato sabe amar, terá que conquista-lo e dar provas de amor por ele. Desta
forma, ele se isola como uma princesa numa torre de marfim, naquele castelo com
ponte levadiça e crocodilos no fosso, subindo a murada do castelo à unha, ainda
tendo que matar sabe-se lá quantos cruzados lá no topo, e depois descer para
encontrar a torre de marfim no centro do castelo, para tentar conquistar uma
Rapunzel que não sabe se deixar-se-á conquistar ou não. Então,
caracterizando-se por criar dificuldade, o Escorpião gosta da conquista e torna
ela difícil, porque precisa do desafio para dar valor às coisas. Já o signo de
Touro é mais de querer proteger, ele simboliza o amor que, às vezes, pode ficar
até possessivo nas relações humanas, por outro lado o Escorpião simboliza a
paixão que tem lá a sua intensidade, mas que pode se tornar destrutiva se não
estiver dentro de um regime de equilíbrio. Como é que nós podemos equilibrar o
amor e a paixão? Essa é a grande questão do eixo Touro-Escorpião. Quem não
puder, assim, associar harmoniosamente estas características talvez tenha que
reencarnar muitas vezes até descobrir o ponto de equilíbrio dessas forças,
porque elas são a base de um casamento estável. Se um casamento tiver só o amor
possessivo pode sufocar, se tiver só a paixão pode se tornar demasiado
provocante e irreverente, demasiado sexuado, então nós temos ai o problema dos
opostos e dos extremos. A busca do equilíbrio entre o amor e a paixão é
justamente o caminho do equilíbrio entre o Touro e o Escorpião. Se nós
meditarmos profundamente sobre isso, veremos que nesse eixo também existe o
símbolo da possibilidade da sublimação, aí nós temos aquelas duas serpentes que
se enroscam no caduceu (bastão, insígnia) de Mercúrio, simbolizando a
sublimação de Marte e Vênus pela sabedoria de Mercúrio. Então, é preciso
primeiro resolver essa equação do amor e da paixão para poder sublimar essa
energia e libertar o espírito aprisionado na carne, resolvendo assim a problema
da morte. O Escorpião simboliza também a morte. Como dizem os chineses: "A
criança nasce chorando quando os parentes a recebem sorrindo, enquanto que o
velho morre sorrindo quando os parentes se despedem chorando".
Similarmente é o que dizia Pitágoras (570 AC 495), soma sema, que o corpo é o
sepulcro da alma. Assim, quando a alma nasce no corpo ela fica aprisionada, ela
chora na criança enquanto os outros a recebem aplaudindo, alegres porque um
novo ser nasceu na família, mas quando o corpo morre, o velhinho sorri quando a
sua alma se liberta, e são os outros que choram a sua perda porque ele foi para
outra dimensão. Mas para que nós possamos ter a percepção direta dessa verdade,
da transcendência do corpo, necessitamos primeiramente da transmutação das duas
energias equilibradas, referidas no Oriente pelos canais laterais Ida e
Píngala, comparadas na tradição grega, no caduceu de Mercúrio, por duas
serpentes, branca e negra, simbolizando com isso o necessário equilíbrio do
masculino e do feminino, do Sol e da Lua, que deixa assim equilibrado o canal
central chamado Sushumna, o Tao, o equilíbrio, o sattwa, por onde essa
Kundalini (energia) sob e dá as asas ao caduceu de Mercúrio, como o Ketchari
hindu que é capaz de voar em outras dimensões. Este símbolo se encontra no
diagrama do capítulo Júpiter e Saturno. Então, todo o poder criativo está
associado assim ao eixo de Touro e Escorpião, e se nós pudermos realizar o
equilíbrio entre o amor e a paixão, as energias sexuais assim liberadas nos
darão o caminho da transcendência da condição humana e da possibilidade de
conhecer diretamente o lado oculto das coisas e a outra face do que está além
da morte, que é uma outra dimensão de esplendor de vida, e a Astrologia
simboliza, para nós, o equilíbrio dessas forças no eixo de Touro e Escorpião.
Livro A Ciência da Astrologia e as Escolas de Mistérios. Abraço. Davi.
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