quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Livro: A Doutrina Secreta de Helena P. blavatsky.

A Doutrina Secreta, Síntese da Ciência, Religião e Filosofia (título original: The Secret Doctrine, The Synthesis of Science, Religion, and Philosophy) é uma das principais obras de Helena Petrovna Blavatsky (1831-1891). O livro pretende ser uma coletânea de pensamento científico, filosófico e religioso.A obra original foi publicada em 1888 sendo composta de dois volumes. O volume I é dedicado à cosmogénese, e é basicamente composto sobre estudos relativos à evolução do universo, enquanto o volume II é dedicado à antropogênese, a origem e evolução da humanidade. Os dois volumes apresentam um resumo das idéias da Teosofia, movimento que Blavatsky ajudou a fundar. Um terceiro volume foi publicado pela Sociedade Teosófica após o falecimento de Blavatsky. Ele é composto de uma coletânea de vários artigos de Blavatsky. Em português, a obra teve sua primeira edição em 1973, e foi publicada pela Editora Pensamento (Brasil) em seis volumes, com tradução de Raymundo Mendes Sobral. Os títulos dos seis volumes da edição em português são:
  • Volume I - Cosmogênese
  • Volume II - Simbolismo Arcaico Universal
  • Volume III - Antropogênese
  • Volume IV - O Simbolismo Arcaico das Religiões do Mundo e da Ciência
  • Volume V - Ciência, Religião e Filosofia
  • Volume VI - Objeto dos Mistérios e Prática da Filosofia Oculta
Os volumes I e II correspondem ao primeiro volume da edição original em inglês e os Volumes III e IV correspondem ao segundo volume da edição original. Os Volumes V e VI correspondem ao volume póstumo publicado pela Sociedade Teosófica. Como a obra foi escrita. Blavatsky alegava que não era a autora do livro, mas que este teria sido escrito pelos Mahatmas, a exemplo de Djwal KhullKut Humi e Morya, utilizando o seu corpo físico, em um processo denominado Tulku, que, segundo a autora, não era um processo mediúnico. Em janeiro de 1884 foi publicado no "The Theosophist" (periódico oficial da Sociedade Teosófica) a notícia de que Blavatsky iria escrever uma obra que ampliaria as informações contidas em sua grande obra anterior, Ísis Sem Véu. O trabalho de escrita foi desenvolvido entre os anos de 1884 e 1885. No início de 1886, em carta a Alfred Sinnett, (1840-1921) Blavatsky dizia que a obra seria ampliada em relação ao plano inicial, o que implicou a reescrita de alguns dos seus capítulos. Em setembro de 1886, remeteu da Europa para a Índia o que seria o volume I, mas resolveu reescrevê-lo logo em seguida, com acréscimos e alterações. Em 1887, Blavatsky esteve bastante doente, à beira da morte. Recebeu, então, a visita de um de seus instrutores tibetanos que lhe deu, segundo ela, a seguinte opção: ou morrer, libertando-me (do corpo doente), ou continuar viva para terminar A Doutrina Secreta. Recuperou-se e continuou a escrever a obra. Na primavera de 1887, passou a residir em Londres, onde concluiu a obra, que foi publicada simultaneamente em Londres e Nova Iorque, no final do mês de outubro de 1888. As palavras finais de Blavatsky sobre a obra foram: esta obra é dedicada a todos os verdadeiros teosofistas.. Influências e Ideias Fundamentais. Blavatsky alegava que a obra era baseada em pergaminhos antigos (as Estâncias de Dzyan), a que teria tido acesso e estudado. Segundo Blavatsky, as "Estâncias de Dzyan" seriam um manuscrito arcaico, escrito em uma coleção de folhas de palma, resistentes à água, ao fogo e ao ar, devido a um processo de fabrico desconhecido, e que conteriam registros de toda a evolução da humanidade, em uma língua desconhecida pelos filólogos denominada Senzar. Foram feitas várias tentativas, sem sucesso, de descobrir este manuscrito, durante o século XX (1901-2000). Assim, permanece sem resposta se estes manuscritos realmente existiram ou não. As "Estâncias de Dzyan", segundo Blavatsky, estão relacionadas com o "Livro dos Preceitos de Ouro" e com os "livros de Kiu-te", que são uma série de tratados do budismo esotérico.Outros textos usados como referência por Blavatsky são os Livros Mosaicos, os textos sagrados hindus (como os Vedas, Brahmanas, Upanishads, e Puranas) e arianos (como o Vendidad), e a cabala caldéia e judaica. Blavatsky também foi influenciada pela mitologia grega antiga. A Doutrina Secreta pretende ser uma síntese do pensamento científico, metafísico e religioso, contendo um conhecimento esotérico e secreto das religiões de mistérios e dos sábios de antigas civilizações, como Índia, Tibete e China. Para Blavatsky, existiu uma Religião - Verdade, que é a raiz de todas as religiões e mitos da humanidade. Todas as religiões autênticas atuais contêm ecos desta religião original da humanidade. A Doutrina Secreta apresenta três proposições fundamentais:
  • A existência de um Princípio Onipresente (a Seidade Una, Absoluto ou Raiz Sem Raiz), Eterno, Sem limites, Imutável e Incognoscível, pois sua compreensão escapa à capacidade da inteligência humana, e que permanece Não - Manifestado;
  • A eternidade do universo (e portanto a eternidade da matéria), que passa por ciclos de atividade e inatividade que se repetem em sucessão sem início nem fim;
  • A identidade de todas as almas com a Alma Universal, sendo esta última um aspecto da raiz desconhecida. Resumo da Obra. I. Cosmogênese. A cosmogênese descreve a origem do cosmo, e de tudo que existe nele, a partir do Princípio Uno, e a sua posterior evolução. Segundo Blavatsky, o Princípio Uno (a Seidade Una ou Absoluto) é idêntico ao conceito de Parabrahman dos vedantinos (assim como esta palavra, muitas expressões no livro aparecem escritas em sânscrito) e ao Ain Soph dos cabalistas. A Seidade Una é, ao mesmo tempo, Existência Absoluta e Não-Existência Absoluta. A única percepção que nossa limitada consciência pode ter do Princípio Uno é entendê-lo como sendo o Espaço Absoluto Abstrato. Importante observar que, para Blavatsky, este Princípio Uno não é o Deus Criador das religiões monoteístas, pois sendo Absoluto e Não-Manifestado não pode criar. De acordo com o livro, o Deus "Criador" é um coletivo de seres intra-cósmicos, emanados do Princípio Uno, que trabalhou sobre a matéria, ordenando-a. Blavatsky chama os Seres Divinos dessa hierarquia de Dhyan-Chohans. Segundo ela, estes seres são chamados no livro do Gênesis e na cabala judaica de Elohim.
Segundo a autora, a existência e evolução do Universo e dos planetas é uma alternância de períodos de atividade e inatividade, que ela chama de "Dias e Noites de Brahman". No livro, a cosmogênese é descrita iniciando com a emanação de um Princípio da Seidade Una. Este Princípio, que Blavatsky chama de Brahman, diferencia-se em duas Forças opostas, Masculino-Feminino, Positivo-Negativo, que ela chama de Brahmâ. Esta Potência é a força "criadora" que, no início de um período de atividade (chamado por Blavatsky de manvantárico), acorda o universo e inicia um novo ciclo. Segundo a cosmogênese apresentada no livro, dois elementos inseparáveis formam o universo: a Ideação Cósmica e a Substância Primordial (chamada por Blavatsky de Mulaprakriti e, segundo ela, referenciada no livro do Gênesis como sendo o Caos primordial). Uma, positiva e ativa, a outra, negativa e passiva. A ideação pré-cósmica é a raiz de toda a consciência individual, e a substância pré-cósmica é o substrato da matéria em seus vários graus de manifestação. Esta cosmogênese é descrita por Blavatsky como uma "fertilização imaculada" da natureza primordial pelo Espírito Universal. Ela descreve geometricamente isto por meio de um ponto inscrito em um círculo (formando, segundo ela, a década pitagórica, o ponto representando o "1" e o círculo o "0") e diz que "O Uno é um círculo não interrompido (anel) e sem circunferência, porque não está em parte alguma e está em toda a parte; o Uno é o plano sem limites do círculo, que manifesta um diâmetro somente durante os períodos manvantáricos; o Uno é o ponto indivisível, que não está situado em parte alguma, e percebido em toda parte durante aqueles períodos." (A Doutrina Secreta). Uma força importante na formação do universo é Fohat, o "incessante poder formador e destruidor". Durante um período de inatividade do universo, no imanifestado antes da formação do cosmos objetivo, Fohat permanece latente e coeterno com Parabrahman e Mulaprakriti. Ele é o aglutinador de ambos, que liga e separa, sendo assim o desejo criador. No período de atividade, de manifestação do universo, Fohat torna-se o raio divino da criação que aplica a Ideação Cósmica no seio da Substância Primordial. Interessante observar que a descrição feita por Blavatsky quanto à formação de estrelas e planetas por Fohat, no final do século XIX, é, por vezes, comparada à moderna teoria de formação das estrelas da astrofísica, confirmada cientificamente apenas no século XX, ainda que se assemelhe profundamente às teorias de Immanuel Kant (1724-1804) e Pierre Simon Laplace (1749-1827), que já fora formulada na altura. Numa perspectiva teosófica, contudo, tanto a cosmogênese de Blavatsky quanto as teorias de Laplace, Pitágoras (570-496), Amônio Sacas (175-242) e outras semelhantes, partilham a sua origem na tradição esotérica. Nas Estâncias de Dzyan diz-se que [Fohat] Ao iniciar a sua obra, separa as Centelhas do Reino Inferior, que se agitam e vibram tal como a energia de uma proto - estrela de alegria em suas radiantes moradas, e com elas forma os Germes das Rodas (a proto-estrela e os proto - planetas). Colocando-as nas seis Direções do Espaço, deixa uma no Centro: a Roda Central (a estrela que nasce)." (Stanza V,3) e "Ele [Fohat] as constrói [os sistemas planetários] à semelhança das Rodas mais antigas [com material resultante da morte de estrelas mais antigas] ... Ele junta a Poeira de Fogo [poeira cósmica]. Forma Esferas de Fogo [proto-estrelas], corre através delas e em seu derredor, insuflando-lhes vida e, em seguida, as põe em movimento [rotação]: umas nesta direção, outras naquela" (Stanza VI,4). Observe-se que as partes entre colchetes não fazem parte das Estâncias, mas são comentários introduzidos para mostrar a semelhança entre as duas teorias. No esquema apresentado no livro, toda a história da existência e evolução do universo e dos planetas desenvolve-se em ciclos ou períodos de tempo. Existem períodos de atividade e inatividade, chamados de Manvantaras e Pralayas, ou "Dias e Noites de Brahman". Os Manvantaras também são chamados de Kalpas. Um período de 360 Dias e Noites de Brahman forma um "Ano de Brahman". Finalmente, 100 "Anos de Brahman" formam uma "Vida de Brahman", também chamada de Mahamanvantara (ou Mahâ Kalpa). A cada Mahamanvantara segue-se um período de igual duração em que o universo "dorme" até ser despertado no início de um novo ciclo. Este período de inatividade é chamado de Mahapralaya. Segundo o computo dos Brâmanes, um Mahamanvantara dura cerca de 311.040.000.000.000 de anos.

Cadeia Planetária. Segundo A Doutrina Secreta, todo corpo cósmico (planeta, estrela, cometa, etc.), é uma entidade formada por uma estrutura interna invisível e uma estrutura externa, freqüentemente visível, chamada veículo físico ou corpo. Estes elementos, em número de sete (doze, se incluirmos os planos não manifestados, Rupa-Dathu), são os princípios da entidade, que Blavatsky chama de Globos. A evolução em um corpo cósmico processa-se desde o primeiro Globo (Globo A), mais etéreo, descendo até o quarto Globo (Globo D), o mais denso de todos, e daí subindo até o sétimo (Globo G), novamente etéreo. Este ciclo que percorre os sete Globos é chamado de cadeia planetária. A evolução da cadeia planetária é composta por períodos chamados de Rondas. Quando um Globo passa por sete Raças-raiz diz-se que ocorreu uma Ronda de Globo. Quando a evolução passa por todos os sete Globos (ou doze se incluirmos os Globos localizados em planos não manifestados) de uma cadeia planetária, diz-se que ocorreu uma Ronda planetária. Segundo Blavatsky, sete Rondas planetárias formam um Kalpa (ou Manvantara). O livro ainda apresenta ciclos menores chamados de Yugas, que se sucedem na ordem: Krita Yuga; Tetrâ Yuga; Dvâpara Yuga; e Kali Yuga.Um resumo dos diversos ciclos apresentados em "A Doutrina Secreta" foi publicado no "The Theosophist" em novembro de 1885 (e reproduzido no livro), e é mostrado na seguinte tabela:

Anos mortais
360 dias mortais fazem1
O Krita Yuga contém1 . 728 . 000
O Tetrâ Yuga1 . 296 . 000
O Dvâpara Yuga864 . 000
O Kali Yuga432 . 000
A soma destes 4 Yugas constitui um Mahâ Yuga, com4 . 320 . 000
Setenta e um Mahâ Yugas formam o período do reinado de um Manu306 . 720 . 000
Os reinados de quatorze Manus compreendem a duração de 994 Mahâ Yugas, ou4 . 294 . 080 . 000
Acrescentem-se os Sandhis, ou seja, os intervalos entre os reinados dos Manus, intervalos equivalentes a seis Mahâ Yugas, ou25 . 920 . 000
O total dos reinados e interregnos dos quatorze Manus é de 1 . 000 Mahâ Yugas, perfazendo um Kalpa, isto é, um Dia de Brahman4 . 320 . 000 . 000
Como uma Noite de Brahman tem igual duração, um Dia e uma Noite de Brahman contém8 . 640 . 000 . 000
360 de tais Dias e Noites de Brahman constituem um Ano de Brahman, que se eleva a3 . 110 . 400 . 000 . 000
100 destes Anos formam o período completo da Idade de Brahman, isto é, o Mahâ Kalpa311 . 040 . 000 . 000 . 000
II. Antropogênese. A antropogênese descreve a origem e evolução da humanidade. Nela são descritas as diversas raças humanas (chamadas Raças-raiz) que já evoluíram neste planeta na atual Ronda.
Para Blavatsky, um mesmo elenco de almas evoluem no teatro da existência desde o início do Manvantara, até o seu final, quando então estas almas atingirão a perfeição espiritual. Assim, a Teosofia adota o conceito de transmigração das almas. O livro afirma que evoluem em nosso Globo sete grupos humanos em sete regiões diferentes do Globo. Assim, Blavatsky defende uma origem poligenética do Homem. A tese revolucionária de Blavatsky é, em uma época que não se supunha o Homem mais antigo com mais de 100 mil anos, mas afirmar que o Homem físico tem mais de 18 milhões de anos de existência. A antropogênese, descrita em "A Doutrina Secreta", opõe-se à evolução darwinista que era largamente aceita na época. Blavatsky não nega o mecanismo da evolução, mas não aceita que uma "força cega e sem objetivo" possa ter resultado no aparecimento do Homem. Para ela, a criação do Homem deu-se por meio de esforços conscientes de seres divinos, que ela chama de Dhyan-Chohans, que são a origem da Mônada que habita todo ser humano. Blavatsky não nega que a evolução dos animais e do Homem estão relacionadas. No entanto, ela alega que os homens não são primatas, como afirma a teoria da evolução. Ao contrário, para Blavatsky, os primatas são descendentes de antigas raças humanas que se degeneraram, ou seja, os primatas descendem do homem. Segundo o livro, a criação e evolução do Homem ocorre de forma semelhante à cosmogênese. Então, cada evento que ocorreu na cosmogênese tem seu equivalente na antropogênese. Assim, por exemplo, também o Homem é hermafrodita em seus primeiros estágios (como o Brahmâ Masculino-Feminino da cosmogênese), até que se divide em Macho e Fêmea no final da terceira Raça-raiz (Lemuriana) e início da quarta raça, que Blavatsky chamou de Atlante. Segundo a autora, este fato está relatado de forma alegórica no livro do Gênesis, quando ele relata o momento em que Deus retira a mulher da costela de Adão. Como no caso da cadeia planetária, em que o ciclo de existência e evolução desce desde o primeiro Globo, mais etéreo, até o quarto Globo, o mais denso, para então retornar até o sétimo, novamente etéreo, também a evolução humana se processa em um ciclo que inicia com a primeira raça que era etérea, até a Lemuriana (a terceira raça), a primeira raça a possuir corpo físico, e então retornando até a sétima raça que será novamente etérea.
A criação do Homem é apresentada como uma "queda na matéria". Blavatsky inspira-se nos mitos de "rebelião nos céus" do Catolicismo e na mitologia grega, com Prometeu, que rouba o fogo de Vulcano para dar vida aos homens (que haviam sido criados por seu irmão Epimeteu, que não fora capaz de lhes dar a consciência) e é condenado por Zeus a ficar acorrentado no Cáucaso. Para Blavatsky, estes mitos são ecos de antigas tradições sobre a queda dos seres divinos na humanidade primitiva, para dar aos homens a alma imortal, a consciência divina. Para Blavatsky, a criação do Homem é dual. Primeiro foram feitos seus princípios inferiores (pelos Elohim inferiores), depois lhe foi infundido o "sopro de vida", sua Alma Imortal, sua consciência. Seres divinos mais avançados, chamados, no livro, de Kumaras, foram incumbidos com a tarefa de criar o Homem: no entanto, eles se negaram a fazê-lo pois, sendo demasiadamente espirituais, eram incapazes de criar o Homem físico. Assim, hierarquias de seres menos avançados (os Pitris lunares) criaram o Homem, emanando-o a partir de seu próprio corpo astral (que serviu como molde). Eram, contudo, incapazes de lhe dar sua Alma Imortal, a consciência. Então, os Kumaras, associando-se a estes seres humanos primitivos, forneceram o sopro divino (como no Gênesis, quando Deus coloca o sopro de vida no Adão "feito de barro"), a Alma Imortal do Homem. Acabaram condenados a ficar presos na matéria, como o Prometeu acorrentado no Cáucaso. Ecos destes eventos aparecem de forma alegórica, segundo Blavatsky, no mito Católico da "rebelião nos céus" e na "expulsão dos anjos maus". Estes "anjos maus" ou "rebeldes" são aqueles que se recusaram a criar e foram "expulsos dos céus" e "lançados no abismo" (a matéria). Então, no dizer de Blavatsky, os deuses tornaram-se não-deuses, os suras tornaram-se asuras. Os Sete princípios do Homem. Um princípio, para a Teosofia, é um começo, um fundamento, uma fonte e uma essência de onde as coisas procedem. Princípios são assim as essências fundamentais das coisas. Estes princípios, tanto no Homem quanto na natureza, são teosoficamente enumerados como sete. Segundo a Teosofia, o sete é o número fundamental da manifestação, frequentemente encontrado em diferentes cosmogonias, assim como nos dogmas de diversas religiões e na tradição de muitos povos antigos. O Homem, assim como a natureza, é chamado de saptaparna (planta de sete folhas), simbolizado geometricamente por um triângulo sobre um quadrado. Nesta constituição setenária, podemos entender o Atman como a coroa que encima a constituição humana (a ponta superior do triângulo), fornecendo-lhe o seu espírito imortal. Segundo Blavatsky, o Absoluto emana de si raios, que são chamados, no livro, de Mônadas ou Atman. Estas Mônadas são a Essência Imortal do Homem. Assim, a Essência que forma o Homem, o seu Espírito, é da mesma natureza do Absoluto, a Seidade Una. O Atman, com o objetivo de individualizar-se, emana de si um princípio mais denso chamado Budhi. Esta díade Atman - Budhi reveste-se de princípios cada vez mais densos, e em número de sete:
  1. Sthula Sharira - O corpo físico, corpo denso;
  2. Linga Sharira - O corpo astral, duplo etérico;
  3. Prâna - O corpo vital;
  4. Kâma-Manas - Mente dominada pelo desejo.
  5. Manas - Nossa Alma Humana, tendo relação com Mahat, Mente Universal. É o elo entre a Díade Atman - Budhi e nossos princípios inferiores;
  6. Budhi - Nossa Alma Espiritual;
  7. Atman - Primeira irradiação de Atman ou Ovo Áurico. Puro Espírito, Monada, Essência Divina.
Para Blavatsky os homens das primeiras Raças não possuíam o corpo denso, apenas um corpo etéreo. A proposição revolucionária de Blavatsky é a formação do corpo denso a partir do molde Raças-raiz. Segundo a autora, os primeiros homens não possuíam um corpo denso. As primeiras raças tinham um corpo sutil, etéreo, imenso e ainda sem forma bem definida. À medida que avançou a evolução do Homem, o seu corpo tornou-se mais denso em uma sucessão de estágios, assumindo a forma que tem hoje. Segundo a Doutrina Secreta, a evolução do Homem nesta Ronda é composta de sete Raças-raiz, cada uma delas composta de sete sub-raças, que são ramos derivados da Raça. Na atualidade estamos vivendo o período da Quinta Raça-raiz, a Raça Ariana. É importante observar que o uso do termo "ariano" no livro não recebeu nenhuma influência das idéias racistas do nazismo. O livro foi escrito quase meio século antes do partido nazista ter sido fundado. Mas terá acontecido o contrário: o nazismo foi muito influenciado por ideias ocultistas, e Blavatsky era sobejamente conhecida entre os principais dirigentes nazistas (o que não significa que as teorias de Blavatsky propusessem algo semelhante à ação do Partido Nazista mas de fato, textos místicos, deste carisma, podem facilmente ser entendidos e interpretados para defender as doutrinas políticas mais contraditórias como acontece, por exemplo, com as escrituras consideradas "sagradas"). No contexto do livro, por ariano pode-se entender a formação do homem atual a partir do berço indiano (Aryavarta). As cinco Raças-raiz apresentadas no livro que já evoluíram nesta Ronda são:
  1. "Nascidos por Si Mesmos" ou "Sem Mente" - Esta raça apareceu há 300 milhões de anos e viveu em um continente que Blavatsky chamou de "A Ilha Sagrada e Imperecível". Os homens desta raça (se é que podem ser chamados de "homens") eram imensos e não possuíam nem corpo físico (eram seres etéreos), nem mente. A reprodução ocorria por cissiparidade (algo semelhante ao que ocorre com as amebas). Como esta raça não era mortal, ela não desapareceu, apenas converteu-se na próxima, os "Nascidos do Suor";
  2. "Nascidos do Suor" ou "Sem Ossos" - Eles viveram em um continente chamado "Hiperbóreo". Nesta raça apareceu um rudimento de mente, no entanto, ainda não havia uma ponte entre espírito e matéria para a mentalidade. Ao final do seu período de evolução, esta raça converteu-se na seguinte, a "Nascidos do Ovo". As duas primeiras raças são chamadas de raças semidivinas;
  3. "Nascidos do Ovo" ou "Lemuriana" - Viveram em um continente chamado "Lemúria". Esta raça era inicialmente hermafrodita e reproduziam-se por meio de um ovo que se desprendia do corpo. Esta raça passou por grandes transformações durante o seu período evolutivo. Ao final do seu período, o Homem tornou-se mortal, consolidando-se o corpo físico e a reprodução sexuada como se conhece hoje (então esta raça desapareceu, convertendo-se na raça atlante);
  4. "Atlante" - Eles são os gigantes que viveram há 18 milhões de anos, em um continente chamado "Atlântida". São os primeiros que podemos chamar de "Homens". A raça atlante representou o ponto mediano da evolução nesta atual Ronda. A Atlântida, assim como os seus habitantes, foi destruída por um cataclismo. Os sobreviventes deste desastre fundaram a nova raça-raiz, a ariana;
  5. "Ariana" - Segundo Blavatsky, a raça Ariana, a atual raça-raiz, existe há aproximadamente 1 milhão de anos.
Respondendo por que não foram encontrados registros fósseis das raças anteriores à ariana, Blavatsky afirma que as primeiras raças eram etéreas, sem corpo denso que pudesse deixar fósseis. Quanto à raça atlante, disse que os fósseis estavam no fundo do oceano, à espera de serem encontrados. "A Doutrina Secreta" pretende apresentar assuntos da ciência e filosofia do final do século XIX e das religiões antigas e mitologia de uma forma sintética e unificada. O livro é a mais completa exposição das idéias da Teosofia. O texto é de difícil leitura e compreensão pois usa intensamente expressões em sânscrito que não são familiares ao leitor ocidental médio. Já na época, Blavatsky deu início a uma obra cujo cunho seria facilitar a leitura de "A Doutrina Secreta" e de outras obras, o Glossário Teosófico, que não chegou a terminar nem ver editado. Além disto, muitos aspectos do texto estão velados por um simbolismo não inteiramente explicado. Isto se deve, segundo Blavatsky, ao fato da humanidade não estar ainda totalmente preparada para conhecer certos ensinamentos que devem permanecer secretos. Embora o livro não tenha feito muito sucesso na época de Blavatsky, tornou-se um livro popular e influente no século XX, tendo como leitores personalidades como Albert Einstein (1879-1955), Mahatma Gandhi (1869-1948), Thomas Edison (1847-1931), Bernard Shaw (1855-1950), Aldous Huxley (1894-1963) entre outros. O livro tem, até hoje, uma influência no pensamento ocidental ao difundir as idéias da filosofia e das religiões orientais, abrindo espaço para um encontro do ocidente com o oriente. Há quem critique a obra, seja pelo fato de ter mais de cem anos (pelo que estaria desatualizada), seja pelo estilo velado (esotérico). Para os adeptos da Teosofia, muitos avanços da ciência se deram após os trabalhos de Blavastky. Segundo estes, os avanços que ocorreram no século XX na física de altas energias, na astronomia de espaço profundo, na química e na medicina foram apresentados, de uma perspectiva mística e não científica, primeiramente em "A Doutrina Secreta". Mas a maior crítica ao livro e às idéias de Blavatsky é em relação a um moderado racismo, particularmente quando Blavatsky refere-se a alguns grupos étnicos, os aborígenes australianos, por exemplo, como "menos humanos que os arianos", já que os identifica como "mestiços atlanto - lemurianos". Com relação aos semitas, particularmente os árabes, diz que são "espiritualmente degenerados". Muitas destas críticas têm sua origem no fato de Blavatsky ser considerada por muitos como uma autora polêmica, a ponto de seus detratores considerarem-na uma farsante mas para fazermos um julgamento imparcial da Senhora Blavatsky (no âmbito discriminatório racial) precisamos primeiro conhecer pelo menos 40% de sua volumosa obra. Penso que esse comentário quanto aos Aborígenes Australianos e os Semitas - Árabes foi mal emprego sendo inverossímil pois pressupõe uma generalização grosseira deixando o leitor sem argumentos para verifica a procedência da premissa. Como é sabido na lógica proposicional que as generalização são uma tautologia matemática onde não temos condições de certificar a falsidade da veracidade proposta na discussão. Assim observações como essas são no mínimo mal intencionadas e traiçoeiras tentando ludibriar o leitor para uma compreensão vazia de conteúdo e sem uma forma explicitamente clara e contundente.   Texto extraído da Enciclopédia Wikepedia na lingua portuguesa com alguns ajustes. Abraço. Davi.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

João 20: 23 "Se de alguns Perdoardes os Pecados, são lhes perdoados"..

Nelson. Essa questão que temos ponderado a respeito de Deus ser superior a sua revelação divina contida nas Sagradas Escrituras Cristã abre um importante leque para pensarmos e questionarmos inúmeros aspectos e mencionarei alguns. 1º As várias traduções das Escrituras Cristãs a partir da Septuaginta em latim no século I confeccionada por setenta sábios judeus em Alexandria no Egito e depois nos séculos III e IV traduzidas para o Hebraico e posteriormente o Grego Koiné já nesses primórdios apresentavam problemas de autenticidade e veracidade. Fatos como esses que não vou detalhes pois fugiria de nosso propósito inicial mostram que desde o início os originais desses mestres espirituais que debruçaram-se e consagraram-se para levar a posteridade mundial o melhor em termos de pesquisa e investigação histórica e filosófica acerca das narrativas bíblicas acabaram sofrendo perdas irreparáveis. Pois sendo reescritos para o latim culto, grego popular e o idiche que era uma antiga língua judaico-alemã perdeu-se muito da sabedoria divina  que estavam depositadas nesses escritos uma vez que esses tradutores ao manusearem os textos (pergaminhos e papiros) colocavam elementos de seus cenários sociais para uma melhor compreensão de seus contemporâneos. A princípio isso não era incorreto pois como conciliar elementos estranhos  a seu modo de vida a não ser acrescentando ou omitindo alguns assuntos que não se encaixavam em suas convivências. 2º Nos desprendemos da teologia tradicional dogmática que conceitua as Sagradas Escrituras Cristãs como igual a Deus criando um ambiente onde tudo o que se diz nela é absolutamente sagrado e inquestionável. Assim nesse contexto de supra valores só existe lugar para se praticar uma fé sentimentalista sem uma razão capaz de limitar a crendice e equilibrar as possíveis verdades mensuradas. A dúvida funciona como o fiel da balança nos levando a pensarmos logicamente usando a fé onde ela deve ser empregada e a razão quando percebermos que não podemos ultrapassar o nosso bom senso. Santo Agostinho (354-430) em dois de seus escritos em latim De Vera Relligione e De Utilitate Credendi aborda esses pontos com sobriedade e racionalidade. 3º Damos um importante salto pro futuro saindo do mesmismo do cristianismo nos aproximando das culturas, tradições e espiritualidades orientais que não concebem Deus como uma pessoa com atributos e virtudes humanas. Esse aspecto é chamado de Antropomorfismo a meu ver incoerente e contraproducente pois limitamos Deus numa humanidade desconsiderando sua multi forme sabedoria e sua infinidade de maneiras e situações de se revelar manifestando sua onipresença em qualquer coisa que lhe possa aprouver. Não era assim nos primeiros séculos de nossa era quando os cristãos primitivos tinham uma escola de sabedoria divina chamada gnose. Ela era o elemento que dava o sabor oriental ao nosso cristianismo pois seus ensinamentos vinham dos sábios e místicos egípcios, gregos, hindus, chineses e outros que entendiam Deus como sendo O Criador e A Criação o que podemos chamar em nossa língua de Heteromorfismo. Isso era ensinado nas comunidades cristãs até o III século quando a teologia tradicional se desvinculou da filosofia e metafísica seguindo seu próprio caminho baseado nas crendices sem passar pelo filtro da investigação filosófica e científica. Depois dos comentários desses três pontos ainda quero contextualizar nosso tema para que possamos tentar uma compreensão mais coerente. Dos quatro evangelhos do Novo Testamento o Evangelho de João é singular e particularizado porque é diferente dos demais contendo elementos acentuados do gnosticismo. Seus escritos são visualmente percebidos como profundos e místicos pois o tema dele é Jesus como o filho de Deus mas detalharemos alguns aspectos e reconheceremos que esse Deus é também sua Criação. Interessante dizer aqui que as principais religiões monoteístas tem suas escolas de mistérios o Judaísmo tem a Cabala, o Islamismo tem o Sufismo e o Cristianismo tinha o Gnosticismo que foi infelizmente pela ignorância dos Cardeais e Doutores da Igreja banido no século III no Concílio de Constantinopla. Assim perdemos nosso elo de ligação com a Sabedora Divina advinda dos antigos mestres e sábios da espiritualidade humana. Mas hoje há grupos de estudos em vários países Brasil, USA. Reino Unido, Argentina e outros estudando e investigando esse assunto para trazer de volta esses ensinamentos que estão sendo chamados de Cristianismo Esotérico. A profundidade do Evangelho de João pôde deixá-lo em sua maior parte a salvo do espezinhamento da teologia dogmática por isso que seus temas metafísicos e filosóficos estão quase intocados pois os exegetas e hermeneutas cristãos não conseguem mergulhar nas profundidades abissais desses textos. Temas como: "No princípio era o Verbo" esse é o Logos Divino a essência material e espíritual que criou e evolui tudo o que existe. "Um casamento em Caná da Galiléia" onde segundo a narração Jesus ao menos dá a benção aos nubentes. O Mestre reconhecia que essa importante instituição não fora criada para ser mais um ítem pra legitimar a religião dominante. "Se alguém não nascer de novo" aqui a ideia da necessidade dos renascimentos futuros para evoluímos em nossa jornada pela Senda Espiritual. "Deus é espírito ( ... ) o adorem em espírito e em verdade" como precisamos entender a lição de que o lugar de adoração não é físico mas espiritual em nosso aqui e agora. Criamos o estereótipo do lugar sagrado onde só nele acessamos a divindade superior e o Mestre quebrou esse paradigma. "Examinai as escrituras porque julgais ( ... ) a vida eterna ( ... ) não quereis vir a mim para terdes vida" o Mestre passa o argumento que a observância da letra sagrada é inútil quando não temos um comportamento virtuoso e meritório pra com a vida de amor pelo próximo sendo melhor a prática do segundo que a mera observância da lei. "Eu Sou o pão da Vida" a simplicidade de Jesus ao se comparar com um pão mostra penso a integração da divindade superior com sua criação. Devemos nos tornar esse trigo para alimentar todas as pessoas espiritual e fisicamente no sentido da fraternidade humana. "Eu Sou a Porta das ovelhas" o conceito dos diferentes portais da Sabedoria Espiritual aos quais precisamos adentrar em nossa busca pela maturidade espiritual. "Eu Sou a ressurreição e a Vida" é percebido nesse trecho que essas duas situações (ressurreição e vida) não são para o último dia como pensava Maria a irmã de Lázaro mas para o agora e o nesse instante. O milagre da ressurreição não é o estritamente físico mas principalmente o mental a mudança de atitude e comportamento. Nesse episódio quem precisava ressuscitar eram os vivos e não necessariamente seu amigo Lázaro que segundo o Mestre "adormeceu mas vou para despertá-lo". Entendo aqui o conceito de que a morte é um estágio de nosso processo evolutivo. Passamos a viver (adormecer) num plano superior não mais em nossa personalidade humana mas em nossa individualidade espiritual. O mundo da esfera mental abstrata, emoções, memórias carmicas e consciência despertada. Depois desse percurso acima chegamos ao ponto central de nosso comentário que é o capítulo vinte do Evangelho de João como vimos rapidamente um oceano de sabedoria divina e espiritual à ser explorado por aqueles que pela santidade e pureza junto AO Eterno possam laborar nesses mistérios ocultos. Essa narrativa específica é belíssima, poética e misteriosa sendo suas porções ocultas apenas para os iniciados no esoterismo científico e os comprometidos em revelar para aqueles que tem um coração puro e uma mente aberta ao entendimento e dialogo entre as espiritualidade humanas. No relato vemos Maria Madalena chegando ao túmulo de Jesus e preocupada por não ter encontrado o corpo do Mestre pois já se passarem três dias depois da sua morte e segundo ele disse ressuscitaria nesse dia. Mas o Mestre lhe aparece: "Mulher porque choras? A quem procuras?" Um encontro emocionante entre os dois Maria tenta abraçá-lo mas ele diz: "Não me detenhas porque não subi para meu Pai". O que falar de uma passagem tão mística parece que a cena da ressurreição é muito mais importante do que palavras sobre ela. Esse penso ser um quadro de contemplação e meditação espiritual onde a razão reflexiva quer penetrar no fato entrando no ocorrido se vendo junto com Maria dialogando com o Mestre e sentindo seu aroma e quase tocando em seu corpo vivendo o sentimento desse quadro sem a preocupação de propor nenhum dogma ou conceito religioso. A razão instrumental que deseja conhecer inteirando-se do evento racionalmente não tem lugar nessa cena íntima tão linda e comovente. Maria Madalena avisa aos demais discípulos que Jesus ressuscitará e Ele aparece "trancada as portas da casa" para insuflar em seus discípulos o Espírito Santo. Que era Ele mesmo. Aqui a reciprocidade entre o divino e o humano manifestada no mesclar Do Eterno como o temporal. Deus e o homem sendo a mesma essência e substância. O início da jornada evolutiva até a completude com O Absoluto. João 20: 23 "Se de alguns perdoardes os pecados são-lhes perdoados, se lhos retiverdes são retidos". Aqui percebo como o ensinamento exotérico do Mestre Jesus foi distorcido ao longo das eras pois a instituição oficial cristã assumiu a função de perdoar pecados ou imputá-los como ofensas a Deus. Um absurdo que ainda sobrevive como legado negativo cristão da Antiguidade, Idade Média, Idade Moderna e a nossa Contemporaneidade. O Todo é o único capaz de perdoar pecados e atribuiu a nós também essa (perdoar e ser perdoado) competência. Um importante pressuposto é apresentado nesse versículo em minha opinião trazendo a ideia da redenção individual como nas tradições orientais. O discípulo em sua jornada evolutiva vai alcançando os estágios de aperfeiçoamento espiritual através de atitudes meritórias e virtuosas ou vai retardando seu progresso ao falhar praticando os vícios e pecando contra si e o próximo. Situações que vão sendo equilibrada quando saldamos parte da dívida  "pelo princípio da causa e do efeito (carma) o que é dito em Gálatas 6: 7 "Não erreis, Deus não se deixa escarnecer. Porque tudo o que o homem semear isso também ceifará". Assim o Mestre Jesus colocou sob nossa responsabilidade escolher passar pela porta estreita e andar pelo caminho apertado que conduz para a vida ou entrar pela porta larga andando pelo caminho espaçoso que conduz a perdição. Perdição aqui no sentido de demorar muito mais para atingir o objetivo da completude com a Consciência universal pois como o Mestre Jesus disse em João 10: 28 "Eu lhes dou a vida eterna, e jamais perecerão e ninguém as arrebatará da minha mão". Assim um dia na eternidade todos os seres humanos criados por Deus alcançarão a totalidade de sua interação com Ele sendo Deus como ele É. Para termos um livre pensamentos usando o bom senso e o comedimento ao ler as Sagradas Escrituras Cristãs precisamos diferenciar Deus de sua revelação divina como fazem as tradições espiritualistas orientais com seus livros sagrados. No Hinduísmo temos os Upanishades, Vedas e Vedanta. No Budismo temos os Sutras do Lótus, Diamante e Coração literaturas milenares sagradas sendo objetos de apreciação meditativa e reflexiva para extração de princípios de vida dessa forma descaracterizadas como credo de catequese espiritual do discípulo. Mas têm-se vislumbrado pequenas mudanças nas principais religiões (Judaismo, Cristianismo e Islamismo) monoteístas sendo isso saudável para o dialogo e compreensão das espiritualidades e religiosidades humanas. Abraço. Davi.               

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Mestre Johann Eckhart e o Zen Budismo Parte II.

(C.037) Zen é o nome japonês da tradição e filosofia religiosa ch'an que surgiu na China por volta do século VII. O Zen costuma ser associado ao budismo do ramo mahayana. Foi cultivado inicialmente na China, Japão, Vietnã e Coreia. A prática básica do Zen é o zazen (literalmente meditar sentado) tipo de meditação contemplativa que visa a levar o praticante à experiência direta da realidade através da observação da própria mente e da paralisação dos pensamentos. O Zen, tal como o conhecemos hoje, só foi possível devido à forte influência que o budismo sofreu do taoismo. Para alguns estudiosos, o Zen nada mais é que a síntese dessas duas correntes de pensamento (budismo e taoismo). Outros concluem que o Zen deveria ser considerado à parte do budismo pois sua natureza e tradição tão peculiares só foram possíveis e criadas devido à influência do pensamento chinês. No Zen japonês há duas vertentes principais: soto e rinzai. Enquanto a escola Soto dá maior ênfase à meditação silenciosa, a escola rinzai faz amplo uso dos koans, ou enigmas. Atualmente o Zen é uma das escolas budistas mais conhecidas e de maior expansão no Ocidente. Segundo Alan Watts (1915-1973) inglês que se notabilizou no Ocidente pela divulgação do Zen  este em sua forma original chinesa não se encontra mais na China, e o que de mais próximo se pode conhecer desta versão original é encontrado em formas de arte tradicionais do Japão que tenham sido cultivadas e transmitidas segundo esta tradição. Como todas as escolas budistas, o Zen remete suas raízes ao budismo indiano. A palavra Zen vem do termo sânscrito dhyāna, que denota o estado de concentração típico da prática meditativa. Na China, esse termo foi transliterado como channa e logo reduzido à sua forma mais curta, ch'an (禪). Daí, para o coreano como sŏn (선) e finalmente para o japonês como zen. Segundo os relatos tradicionais, o estilo de prática Zen foi levado da Índia à China pelo monge indiano Bodhidharma (em japonês, Daruma) por volta do ano 520. Embora a historicidade desse relato tenha sido colocada em dúvida por estudiosos modernos, a história (ou lenda) de Bodhidharma continua sendo a metáfora fundamental do Zen sobre o cerne de sua prática. Segundo conta o Registro da Transmissão da Lâmpada, um dos mais antigos textos do Zen Bodhidharma chegou à China pelo território da Dinastia Liang e, devido à sua fama de sábio, foi imediatamente convocado à corte do famoso imperador Wu-ti. O imperador, que havia apoiado enormemente o budismo na China, perguntou a Bodhidharma sobre o mérito que havia ganhado por apoiar o budismo, esperando que esse mérito lhe garantisse uma boa vida em sua encarnação seguinte. Bodhidharma, porém, respondeu: "Nenhum mérito". O imperador, enraivecido, perguntou então: "Quem é esse que está diante de mim?" (em linguagem atual, algo como "Quem você pensa que é?") Bodhidharma respondeu: "Não sei". Aturdido, o imperador concluiu que Bodhidharma devia ser louco e o expulsou da corte. Um dos ministros então perguntou ao imperador: Vossa Majestade Imperial sabe que é esta pessoa? O imperador disse que não sabia. O ministro disse: Ele é o bodisatva da compaixão, portador do selo do coração de Buda. Cheio de arrependimento, o imperador quis chamar Bodhidharma de volta, mas o ministro advertiu que ele não voltaria nem mesmo se todos os chineses fossem buscá-lo. Outras pessoas, porém, ficaram intrigadas com sua resposta e o seguiram até a caverna aonde ele havia ido viver. Lá, se tornaram seus discípulos, e descobriram que Bodhidharma era o herdeiro espiritual de Mahakashyapa, um dos grandes discípulos de Buda. De acordo com os ensinamentos tradicionais, Bodhidharma não sabia responder porque sua verdadeira natureza, assim como a verdadeira natureza de todas as coisas, estava além do conhecimento discursivo, de definições e de palavras. É a esta experiência direta da realidade que aspira o zen.Mahakashyapa, de quem Bodhidharma era herdeiro espiritual e sucessor, havia tido essa experiência e se iluminado. Segundos os sutras, Mahakashyapa foi o único discípulo de Buda a compreender seu Discurso do Lótus, em que Buda, sem dizer nada, apenas levantou uma flor. Era a realidade imediata, além das palavras. Depois de treinar seus discípulos por muitos anos, Bodhidharma morreu, deixando seu aluno Huike (em japonês, Daiso Eka) como sucessor. Huike foi o segundo patriarca do Zen, e também deixou uma linha de sucessão da qual pouco se sabe, até chegar a Huineng (em japonês, Daikan Eno, 638-713), o sexto e último patriarca. Huineng, um dos maiores mestres da história do Zen, participou de uma famosa disputa quando sucedeu seu mestre: um grupo de monges recusava-se a aceitá-lo como patriarca, e propunha outro praticante, Shenxiu, em seu lugar. Sob ameaças, Huineng foi obrigado a fugir para um templo no sul da China; no final, apoiado pela maioria dos monges, foi reconhecido como patriarca. Algumas décadas depois, porém, a contenda foi ressucitada. Um grupo de monges, dizendo-se sucessor de Shenxiu, enfrentou um outro grupo, a Escola do Sul, que se apresentava como sucessora de Huineng. Depois de debates acalorados, a Escola do Sul acabou prevalecendo, e seus rivais desapareceram. Os registros dessa disputa são os mais antigos documentos históricos fiéis sobre a Escola Zen de que dispomos hoje. Mais tarde, monges coreanos foram à China para estudar as práticas da Escola de Bodhidharma. Quando chegaram, o que encontraram foi uma escola que já havia desenvolvido identidade própria, com fortes influências do taoismo, e que já era conhecida pelo nome chan. Com o tempo, o chan acabou se estabelecendo na Coreia, onde recebeu o nome seon. Da mesma forma, monges chegavam de outros países da Ásia para estudar o Chan, e a escola foi se espalhando pelos países vizinhos. No Vietnã, recebeu o nome thien, e, no Japão, ficou conhecida como zen. Através da história, essas escolas cresceram de maneira independente, tendo desenvolvido identidades próprias e características bastante diferentes umas das outras. No Japão, há quatro escolas de Zen: a rinzai, a soto, a obaku e a sanbo kyodan. A Escola Rinzai descende da escola chinesa do mestre Linji Yixuan (em japonês, Rinzai Gigen) e foi levada ao Japão em 1191 por Myōan Eisai, tendo adotado o nome japonês de seu fundador. Sua prática se caracteriza por uma busca ativa da iluminação através de processos árduos como o trabalho com koans e a prática de artes marciais, além de meditação. Com traços mais intelectuais e práticas mais ativas, a Escola Rinzai foi adotada pelas classes dominantes, como a dos samurais, o que lhe proporcionou influência e prestígio, mas que limitou seu número de adeptos. A obra A Mente Liberta de autoria do monge Takuan Sōhō (1573-1645) da Escola Rinzai, é um dos primeiros registros de fusão entre o Zen e a arte da espada. A Escola Soto descende da escola chinesa caodong, que foi levada ao Japão no século XIII pelo célebre mestre Eihei Dogen Zenji (1200-1253). Sua prática fundamental é a Shikantaza (apenas sentar-se), um tipo simples de meditação cuja prática é identificada com a própria iluminação. Sua simplicidade atraiu os governadores rurais e a classe camponesa, proporcionando à escola um grande número de adeptos. Atualmente, é a maior Escola de Zen tanto no Japão quanto no Ocidente. Em tempos recentes, a Soto exerceu papel de destaque no estabelecimento do Zen no Ocidente, enviando mestres como o pioneiro Shunryu Suzuki para fundar mosteiros e centros de prática. No Brasil, todos os senseis (professores de Zen que receberam a transmissão do Dharma) em atividade são da Escola Soto. A obaku foi fundada no Japão em 1661 pelo monge chinês Yinyuan Longgi em japonês, Ingen Ryuki (1592-1673) que havia sido treinado na escola de Linji Yixuan. Finalmente, a sanbo kyodan (Escola dos Três Tesouros) é a Escola de Zen mais recente do Japão. Foi fundada em 1954 por Yasutani Hakuun, discípulo e sucessor de Harada Daiun. Ambos foram treinados e receberam a transmissão do Dharma na Escola Soto, e Harada também completou o treinamento de koans da Escola Rinzai. Ainda assim, sentiam-se insatisfeitos com a prática de Zen disponível no Japão. Deste modo, a Escola Sambo kyodan foi fundada para ser uma escola que congregasse tantos as práticas da Soto quanto as da Rinzai, e se focasse em atingir o satori. Aceitando na prática que tanto monges quanto leigos podem atingir a iluminação, ambos tinham tratamento igualitário, podendo inclusive receber a transmissão do Dharma e ocupar cargos de liderança na hierarquia da escola. Além disso, movidos pelo espírito libertário do Japão pós-Segunda Guerra Mundial, a Sanbo kyodan recebeu e treinou ocidentais, tanto Zen-Budistas quanto de qualquer outra religião. Por isso, apesar de ser uma escola pequena no Japão, a Sanbo Kyodan exerceu grande influência no Zen praticado no Ocidente mestres como Robert Aitken, Philip Kapleau e o padre Hugo Enomiya-Lassalle foram formados lá. Alguns mestres contemporâneos como Shunryu Suzuki e Harada Daiun já criticaram muito o Zen no Japão atual, descrevendo-o como um sistema formalizado de rituais vazios, em que poucos praticantes realmente atingem a iluminação, com templos comparáveis a negócios familiares, passados de pai para filho (pois os monges podem casar-se), onde os monges limitam-se a oficiar funerais e casamentos, pelos quais cobram pequenas fortunas. O Zen é um ramo da tradição budista mahayana e baseia-se fundamentalmente nos ensinamentos de Siddhartha Gautama, o Buda histórico e fundador do budismo. No entanto, através de sua história, o Zen também foi recebendo influências das diversas culturas dos países por onde passou. Seu período de formação na China, em particular, determinou muito de sua identidade. Ensinamentos e práticas taoistas exerceram grande influência no chan chinês. Conceitos como o wu wei, a natureza fluida da realidade e a pedra não entalhada ainda podem ser identificados no Zen japonês e nas Escolas Correlatas. Mesmo a tradição Zen de mestres loucos é claramente uma continuação da tradição dos mestres taoistas. Outra influência, embora menor, veio do confucionismo e a isso soma-se, ainda, a influência que o Zen recebeu do xintoísmo ao chegar no Japão.Tais peculiaridades já levaram alguns estudiosos a considerar o zen como uma escola independente fora da tradição mahayana ou até mesmo fora do budismo. Essas posições, no entanto, são minoritárias: a vasta maioria dos estudiosos considera o Zen uma Escola Budista, inserida na tradição mahayana. Todas as Escolas de Zen são versadas em filosofia e doutrina budistas incluindo as Quatro Nobres Verdades, o Nobre Caminho Óctuplo e as Paramitas. No entanto, a ênfase do Zen em experimentar a realidade diretamente, além de ideias e palavras, o mantém sempre nos limites da tradição. Essa abertura permitiu (e permite) que não budistas praticassem o Zen, como o padre jesuíta Hugo Enomiya-Lassalle, que chegou a receber a transmissão do Dharma, e muitos outros. Existe até mesmo uma corrente de Zen Cristão, assim como outras que se denominam não sectárias. De um modo geral, os ensinamentos do Zen criticam o estudo de textos e o desejo por realizações mundanas, recomendando antes a dedicação à meditação (ZaZen) como forma de experimentar a mente e a realidade de maneira direta. No entanto, o Zen não chega a ser uma doutrina quietista - o mestre chan chinês Baizhang em japonês, Hyakujo (720-814) por exemplo, dedicava-se ao trabalho braçal em seu monastério e tinha por lema um ditado que ficou famoso entre os praticantes de Zen: Um dia sem trabalho é um dia sem comida. De fato, o Zen tem uma longa tradição de trabalho meditativo, desde atividades braçais até atividades mais refinadas, como caligrafia, iquebana e a famosa cerimónia do chá - além das artes marciais, às quais o Zen sempre esteve ligado. Essas práticas, porém, estão bem fundamentadas nas escrituras budistas, principalmente nos sutras Mahayana compostos na Índia e na China, em particular o Sutra da Plataforma de Huineng, o Sutra do Coração, o Sutra do Diamante, o Lankavatara Sutra e o Samantamukha Parivarta, um capítulo do Sutra do Lótus. A grande influência do Lankavatara Sutra, em particular, levou à formação da filosofia (apenas mente) do Zen, na qual a consciência em si mesma é a única realidade. O Zen não é um estilo de prática intelectual ou solitário. Templos e centros de prática congregam sempre um grupo de praticantes (uma sangha), e conduzem atividades diárias e retiros mensais (sesshins). Além disso, o Zen é tido como um estilo de vida, e não apenas como um conjunto de práticas ou um estado de consciência. Para o Zen, experimentar a realidade diretamente é experimentar o nirvana. Para experimentar a realidade diretamente, é preciso desapegar-se de palavras, conceitos e discursos. E, para desapegar-se disso, é preciso meditar. Por isso, o ZaZen (meditação sentada) é a prática fundamental do Zen. Ao meditar, o praticante senta-se sobre uma pequena almofada redonda (o zafu) e assume a postura de lótus, a postura de meio lótus, a postura burmanesa ou a postura de seiza. Unindo as mãos um pouco abaixo do umbigo (fazendo o mudra cósmico), ele semicerra suas pálpebras, pousando a vista cerca de um metro à sua frente. Na Escola Rinzai, os praticantes sentam-se virados para o centro da sala. Na Escola Soto, sentam-se virados para a parede. Então o praticante (segue sua respiração), contando cada ciclo de inspiração e expiração, até chegar a dez. Então o ciclo recomeça. Enquanto isso, sua única tarefa é manter uma mente relaxada, aberta, concentrada mas sem tensão, e estar presente no (agora) do momento, sem se deixar levar por pensamentos ou ruminações. Quando isso acontece, ele volta a se concentrar na contagem. Os praticantes mais experientes, cujo poder de concentração (samadhi) é maior, podem abster-se de contar ou seguir sua respiração. Fazendo assim, eles estarão praticando o tipo de ZaZen chamado shikantaza, (apenas sentar-se). A duração de um período de meditação varia de acordo com a escola. Embora o período tradicional de meditação seja o tempo que uma vareta de incenso leva para queimar (de 35 a 40 minutos), escolas como a Sanbo kyodan recomendam a seus alunos que não meditem por mais de 25 minutos por vez, pois a meditação pode tornar-se inerte. Na maioria das escolas, porém, os monges rotineiramente meditam entre quatro e seis períodos de 30-40 minutos todos os dias. Quanto a leigos, o mestre Dogen dizia que cinco minutos diários já eram benéficos o que importa é a constância. Durante os retiros (sesshins) mensais, porém, as atividades são intensificadas. Com duração de um, três, cinco ou sete dias, a rotina dos retiros prevê de nove a 12 períodos de 30-40 minutos por dia, ou até mais. Entre cada período de ZaZen, os praticantes descansam fazendo kinhin (meditação andante). Como o Zen dá relativamente pouca importância à palavra escrita, o papel do professor é muito importante para o treinamento do praticante. De um modo geral, um professor de Zen é uma pessoa ordenada em qualquer escola que tenha recebido permissão para ensinar o Dharma a outros. Uma parte central de toda a tradição Zen é a noção de transmissão do Dharma, ou seja, a ideia de que há uma linhagem ininterrupta de mestres que, a partir de Buda, transmitiram e receberam os ensinamentos e atingiram pelo menos algum grau de realização. Essa noção se originou da famosa descrição do Zen feita por Bodhidharma: Uma transmissão especial, fora das escrituras. Sem depender de palavras ou letras. Apontando diretamente à mente humana. Contemplando a sua própria natureza e atingindo o estado de Buda. Quando um professor é reconhecido oficialmente como tendo atingido um certo grau de realização e é admitido à linhagem de mestres, diz-se que ele (recebeu a transmissão do Dharma). Desde pelo menos a Idade Média, essa transmissão, de mente a mente, de mestre a discípulo, tem tido um papel fundamental em todas as Escolas de Zen. Durante a cerimônia de transmissão, o novo professor é presenteado com uma carta genealógica que mapeia toda a linhagem, de Buda até ele próprio. Títulos honoríficos ligados a professores que receberam a transmissão do Dharma incluem: na China, Fashi e Chanshi; na Coreia, Sunim e Seon Sa; no Vietnã, Thay; e, no Japão, Osho (sacerdote), Sensei (professor) e Roshi (professor mais velho). De um modo geral, fala-se em um Mestre Zen apenas em referência a professores de renome, especialmente os medievais ou os antigos. O Zen, a iluminação é geralmente chamada de satori ou kensho. O kensho é o primeiro vislumbre, por assim dizer, da verdadeira natureza da realidade e de si mesmo, é mais breve e pouco profundo. O satori, por sua vez, é uma experiência mais profunda e duradoura, em que o praticante tem uma experiência intensa da Natureza de Buda, e vê sua face original. Não se trata, porém, de uma experiência visionária. Embora algumas pessoas suponham que a experiência de iluminação deva levar quem a experimente a universos de luz intensa, ou coisa que o valha, o depoimento dos Mestres Zen contradiz essa hipótese. Perguntado sobre como sua vida era antes e como ficou depois do satori, um Mestre Zen moderno respondeu: Agora meu jardim parece mais colorido. Na iluminação, o praticante não é arrebatado a nenhum outro lugar. Outra suposição comum é que, sendo iluminado, o fluxo de pensamentos pára, e o praticante fica como um espelho polido, refletindo a pura realidade sem pensamentos que o atrapalhem. Pelo contrário, os pensamentos não param o que ocorre é que o praticante abre mão deles, deixa-os passar, esquece deles, e esquece de si mesmo. Quando o quinto patriarca, Hongren em japonês, Daiman Konin (601-647) decidiu escolher quem o sucederia, propôs a seus discípulos que tentassem captar a essência do Zen em um poema sendo o autor do melhor poema seu sucessor. Quando receberam a notícia, os monges já sabiam quem seria o vencedor: Shenxiu, o aluno mais antigo de Hongren. Ninguém se deu ao trabalho de competir com ele. Apenas esperaram, e Shexiu escreveu seu poema e o pendurou na parede: Este corpo é a árvore de Bodhi. A alma é como um espelho brilhante. Toma cuidado para que sempre esteja limpo não deixando o pó se acumular sobre ele. Todos os monges gostaram. Com certeza Hongren também iria gostar. Entretanto, no dia seguinte, havia outro poema pendurado ao lado, que alguém havia pregado durante a noite: Bodhi não é como uma árvore. O espelho brilhante mas não brilha em parte alguma. Se nada há desde o princípio. Onde se acumula o pó? Os monges ficaram assombrados. Quem teria escrito aquilo? Depois de algum tempo descobriram que o autor do poema era Huineng o cozinheiro do monastério. E, percebendo sua realização, foi a ele que Hongren estendeu seu manto e sua tigela, fazendo de Huineng o sexto patriarca. Algumas das histórias tradicionais do Zen descrevem mestres usando estranhos métodos de ensino, e muitos praticantes de hoje tendem a interpretar essas histórias de maneira excessivamente literal. Por exemplo, muitos ficam indignados quando ouvem histórias como a do Mestre Linji, fundador da Escola Rinzai, que disse: Se você encontrar o Buda mate o Buda. Se você encontrar um patriarca mate o patriarca. Um mestre contemporâneo Seung Sahn também ensina a seus alunos que todos precisamos matar três coisas: matar nossos pais, matar o Buda e matar nosso professor (no caso, o próprio Seung Shan). No entanto, é claro que nem Linji nem Seung Sahn estavam falando de maneira literal. O que eles queriam dizer era que precisamos (matar) nosso apego a professores e coisas externas. Quando visitam templos ou centros de prática Zen, os iniciantes que leram muitas dessas histórias e esperam encontrar professores iconoclastas normalmente se surpreendem com a natureza conservadora e formal das práticas. Pois desde meados do século XX o Zen tem-se aberto ao diálogo inter-religioso tendo figurado em inúmeros encontros e conferências ao redor do mundo. Talvez a figura mais representativa do Zen nesse diálogo seja o monge vietnamita Thich Nhat Hanh (1926 -   ) indicado ao Prêmio Nobel da Paz em 1967, que vem se dedicando ao diálogo inter-religioso há décadas e que mantém, em seu altar, imagens tanto de Buda quanto de Jesus. Em templos e centros de prática Zen ao redor do mundo, é comum que muitas pessoas não budistas frequentem as atividades e pratiquem ZaZen. Essa prática é geralmente bem aceita pelos professores, já que o budismo é uma religião de tolerância que vê as outras religiões como caminhos espirituais válidos e que está aberta a quem quiser apenas meditar, sem qualquer filiação religiosa. Em algumas escolas, como a sanbo kyodan, a aceitação de praticantes de outras religiões é tão grande que, sem ter de abandonar sua religião, um praticante pode receber a transmissão do Dharma e tornar-se profeta.
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Existem várias lendas dentro da tradição Zen, transmitidas e renovadas pela tradição oral e parte dos folclores chinês e japonês, que se entrelaçam com a história. Narrativas da tradição oral, muitas das quais compiladas em antologias literárias, podem ser, de acordo com diferentes visões de teóricos, consideradas lendas, folclore, mitologia ou literatura propriamente dita. Ao tratar das narrativas setsuwa説話 no Japão, narrativas breves, contadas (de um fôlego só) compiladas na antologia literária Konjaku Monogatarishu今昔物語集 , ou Antologia de Narrativas de Hoje e de Ontem, do período Heian 平安時代(794-1192). Yoshida considera que tais narrativas são transmitidas como reais ou supostamente reais, frutos, portanto, de uma criação coletiva anônima e reunidas numa coletânea de narrativas setsuwa (説話) por um compilador. A antologia contém histórias referentes à China, Índia e Japão, algumas das quais associadas ao budismo. As origens do Zen são apontadas para o Sermão da Flor, cuja fonte mais antiga vem do século XIV. Gautama Buddha juntou seus discípulos para um discurso do Dharma. Quando eles juntaram-se o Buda permaneceu completamente silencioso e alguns acharam que ele estava cansado ou doente. Silenciosamente, o Buda levantou uma flor e vários discípulos tentaram interpretar o que isso significava, embora nenhum deles corretamente. Um dos discípulos, Mahakashyapa (em sânscrito,Mahākāśyapa), também silenciosamente, olhou para a flor e obteve um entendimento especial além das palavras, ou prajna (do sâncrito prajñā, sabedoria) diretamente da mente do Buda. Mahakashyapa de alguma forma compreendeu o verdadeiro sentido inexprimível da flor e o Buda sorriu para ele, reconhecendo seu entendimento e dizendo: Eu possuo o verdadeiro olho do darma, a mente maravilhosa do nirvana a forma verdadeira do informe, o portal sutil do Dharma que não depende de palavras ou escritos, mas é uma transmissão especial fora das escrituras. Isto eu passo a Mahakashyapa. Mahakashyapa é por este dom raro de compreensão, considerado o primeiro patriarca pelo Zen chinês, ou (Ch'an). Desta forma, através do Zen desenvolveu-se um caminho que concentrou-se na experiência direta mais do que em crenças racionais ou escrituras reveladas. A sabedoria era passada, não por meio de palavras, mas através da linhagem da transmissão direta de mente à mente do pensamento de um mestre a um discípulo. Comumente acredita-se que esta linhagem continuou ininterrupta desde o tempo do Buda até os dias de hoje. Historicamente, esta crença é discutível, devido à falta de evidência que dê suporte a ela. De acordo com D. T. Suzuki (1870-1966) a ideia de uma linha de descendência a partir de Sidarta Gautama (563-483) é uma instituição distintiva do Zen e ele acredita que foi inventada por estudiosos, através da hagiografia, para dar legitimidade e prestígio ao zen. A Parábola de Buda: Ao atravessar um campo, um homem encontrou um tigre. Fugiu a sete pés, com o tigre atrás dele. À sua frente encontrou um precipício em que acabou por cair. Mas conseguiu agarrar-se à raiz de uma velha videira e ali ficou pendurado, com o tigre a cheirá-lo.Tremendo de medo, olhou para baixo e viu outro tigre, lá longe em baixo,que o esperava, cheio de apetite. A sua vida estava completamente dependente da videira. Mas apareceram dois ratos, um branco e outro preto que pouco a pouco começaram a roer a raiz da videira. Foi só nesse momento que se apercebeu que mesmo ao pé da raiz, crescia um morango apetitoso. Agarrando-se à videira com uma mão, colheu o morango com a outra. E foi o melhor morango que  alguém comeu! Um estudante de Zen foi ter com Bankei e queixou-se: Mestre tenho um temperamento ingovernável. Como posso curá-lo? Tens uma coisa muito estranha, replicou Bankei. Mostra-me lá então isso que tens. Neste preciso momento não lhe posso mostrar, respondeu o outro. Acontece inesperadamente! ( ... ) respondeu o estudante. Então concluiu Bankei não deve ser a tua verdadeira natureza. Se fosse, podias mostrar-me em qualquer altura. Quando nasceste não o tinhas e não foram os teus pais que o deram. Pensa nisso. A Entrada Enlameada Tanzan e Ekido caminhavam juntos numa estrada enlameada. Caía ainda uma chuva forte. Junto a um cruzamento da estrada encontraram uma bela moça que não conseguia atravessar porque não queria sujar o belo kimono de seda que trazia. Anda moça, disse Tanzan imediatamente. E carregando-a nos seus braços atravessou-a para o outro lado da zona mais enlameada. A partir daí, Ekido ficou calado todo o caminho que percorreram até à noite. Ao chegarem ao templo onde ficariam a pernoitar, Ekido não conseguiu se conter e disse a Tanzan: Nós os monges não nos aproximamos de mulheres. Especialmente se são jovens e bonitas. É perigoso. Por que fizeste aquilo? Eu deixei a moça lá atrás disse Tanzan. Tu ainda estás a carregá-la. Tudo é Melhor. Quando Banzan passeava num mercado ouviu uma conversa entre o açougueiro e um cliente. Dê-me o melhor bocado de carne que tem, disse o cliente. Na minha loja tudo é o melhor, respondeu o açougueiro. Não encontrará aqui nenhum bocado de carne que não seja o melhor! Ao ouvir estas palavras, Banzan tornou-se um iluminado. O meu coração arde como fogo.Soyen Shaku (1859-1919), um roshi, mestre do zen-budismo japonês, (ch. laoshi) da Escola rinzai, disse, um dia: Meu coração arde como fogo. Mas meus olhos são frios como cinzas mortas. Ele propôs as seguintes regras de vida. De manhã antes de vestir-se acenda incenso e medite. Coma a intervalos regulares e deite-se a uma hora regular. Coma sempre com moderação e nunca até ficar plenamente satisfeito. Receba as suas visitas com a mesma atitude que tem quando está só. E, quando só, mantenha a mesma atitude que tem quando recebe visitas. Preste atenção ao que diz e, o que quer que diga, pratique-o. Quando uma oportunidade chegar, não a deixe passar mas pense sempre duas vezes antes de agir. Não se deixe perturbar pelo passado. Olhe para o futuro. A sua atitude deve ser a de um herói sem medo mas o coração deve ser como o de uma criança, cheio de amor. Ao retirar-se, ao fim do dia, durma como se tivesse entrado no seu último sono. E ao acordar, deixe a cama para trás instantaneamente como se tivesse deitado fora um par de sapatos velhos. Esse texto foi retirado da Wikipédia de lingua portuguesa com alguns ajustes feitos por mim. Abraço. Davi.

Amante do Ser.



Depois de ontem ( ... ). Hoje estou feliz e em paz. Segura e serena ( ... ). Reconheço a minha capacidade de amar ( ... ). Não faço as coisas aleatoriamente mas procurando ser sábia, inteligente e humana. Gosto de valorizar as pessoas como elas são e respeitando-as. Elogio alguém quando faz diferença ( ... ). Enfim sou apaixonada pelas pessoas encontrando poucas que sentem, que agem e que vivem esse sentimento como eu ( ... ), com as quais tenho afinidade. Sou um pouco tímida e ante social. Preciso vencer muitas coisas ainda e conquistar outras. Uma delas é pensar mais em mim gostando mais de mim. Por amar muito acabo sofrendo. Quando admiro uma pessoa considerando-a especial, mesmo não sendo correspondida não a deixo de amar. Acho que vale a pena e faço isso por mim. Mas não queria que fosse assim ( ... ). Não desisto fácil dos outros. Sou amante do ser. Quando a gente ama muito pratica muitas tolices. Fazendo as coisas erradas na horas incertas ( ... ). Todos precisamos melhorar manifestando mais o amor ( ... ). É bom amar faz bem pra nós mesmos apesar dos riscos advindos das escolhas que fazemos. Beijos. Linda.

domingo, 3 de agosto de 2014

Mestre Johann Eckhart e o Zen Budismo. Parte I.

(C.036) Eckhart von Hochheim (1260 - 1327) comumente conhecido como Meister Eckhart era um alemão teólogo, filósofo e místico que nasceu perto de Gotha no Landgraviate da Turíngia no Sacro Império Romano Germânico. Meister é alemão para Master referindo-se ao Magister título académico em theologia que obteve em Paris. Entrando em destaque durante o Papado de Avinhão (1309 - 1377) num momento de tensões crescentes entre os franciscanos e Eckhart da Ordem Dominicana dos Frades Pregadores esteve sob suspeita de que seus ensinamentos eram hereges sendo acusado posteriormente  de corromper a vida religiosa passando por um processo formal de julgamento pelo Sacro Tribunal da Inquisição. Julgado como herege pelo Papa João XXII (1249 - 1334) a sua defesa é famosa por seus argumentos fundamentados para todos os artigos impugnados da sua escrita e sua refutação de intenções heréticas. Ele supostamente morreu antes de receber o veredito da sentença condenatória embora não haja registro de sua morte ou que sua sepultura tenha jamais foi descoberta. Ele era bem conhecido por seu trabalho com grupos de leigos piedosos como os Amigos de Deus e sucedido por seus discípulos mais circunspectas de John Tauler (1300 - 1361) e Suso Henry (1300 - 1366). Em seu estudo de humanismo medieval  Richard Southern (1912 - 2001) inclui Mestre Eckhart juntamente com São Beda (672 - 735) o Venerável Santo Anselmo (1033 - 1109) como emblemáticos do espírito intelectual da Idade Média. Eckhart foi um dos mais influentes cristão neoplatônico do século XIV embora tecnicamente um fiel Tomista (como um proeminente membro da Ordem Dominicana). Eckhart escreveu sobre metafísica e espiritualidade psicológica recorrendo em grande parte do imaginário mítico sendo notável por seus sermões comunicativos de conteúdo metafórico dos evangelhos para leigos e clérigos igualmente. Seu trabalho influenciou grandes filósofos alemães. A visão geral dos novos conceitos introduzidos por Eckhart na metafísica cristã claramente desviam-se do comum escolar cânone pois em seu ponto de vista Deus é essencialmente fecundo. Fora da superabundância de amor a Deus é fértilizado à luz do Filho como a Palavra em todos nós. É evidente que além de uma metáfora mais impressionante da fertilidade Este é enraizado na noção neoplatônica de efervescência fervente sobre Aquele que não pode segurar a sua abundância de Estar. Eckhart tinha imaginado a criação não como uma obrigatória transbordando uma metáfora baseada em um comum hidrodinâmico foton mas como o ato livre de vontade da Trina natureza de Deus comparado ao Trinitarianismo. Outra afirmação ousada é a distinção de Eckhart entre Deus e Divindade (Gottheit em alemão) sendo que essas noções estavam presentes no Pseudo-Dionísio Areopagita autor de um conjunto de textos chamados Corpos Aeropagiticum. Também nos escritos de João Scotus (810 - 877) com o título de Divisione Naturae. Mas Eckhart com vigor e ousadia característica reformulou as metáforas germinativos em imagens profundas de polaridade entre o Não Manifesto e Manifesto Absoluto. Um de seus sermões mais intrigantes sobre A Virtude maior de Desinteresse original na teologia cristã tanto quanto como hoje está em conformidade com o conceito budista de desapego e de Kant desinteresse. Mestre Eckhart foi também admirado por Alexei Losevem (1893 - 1988) que percebia na ascensão contemplativa uma reunião com significado místico sendo ligado com a resignação no distanciamento do mundo. A diferença é que a verdade tendo sentido fenomenológico não era o único resultado conforme expresso no guia prático de Eckhart para aqueles que têm ouvidos para ouvir mas a própria criação. Ele quer entender e procurar para comunicar os aspectos práticos da perfeição espiritual e as consequências em termos reais. Eckhart se expressou tanto no latim culto para o clero em seus tratados mais famosos como no contemporâneo Médio Alto alemão vernacular em seus sermões. Uma novidade à época que a Igreja não via com bons olhos. Como ele disse em sua defesa julgamento que seus sermões foram feitos para inspirar nos ouvintes o desejo acima de tudo de fazer algo de bom. Assim ele freqüentemente usava linguagem incomum ou parecia se desviar do caminho da ortodoxia oficial fazendo a Igreja durante os anos tensos do Papado de Avinhão suspeitar dele praticar heresia sendo nos anos finais de sua vida considerado herege. Sabemos que ele desapareceu da cena pública antes do veredicto papal é suspeito por alguns de continuar o seu ministério no anonimato mas não há nenhuma fonte medieval que suporte esta suspeita. Ele também é considerado por alguns de ter sido o inspirador leigo que se refere o Johannes Tauler e Rulman Merswin (1307 - 1382) escritos posteriores em Estrasburgo mostram isso. Assim ele é conhecido por ter passado algum tempo embora seja duvidoso que o autor do Livro Simplista dos Nove Rocks publicados por Merswin e atribuído ao Cavaleiro Leigo do Norte que é Eckhart. Por outro lado a maioria dos estudiosos consideram o leigo para ser uma pura ficção inventada por Rulman Merswin para esconder sua autoria por causa das táticas de intimidação da Inquisição da época. Também tem sido suspeita que a sua comunicação prática pelo caminho místico está por trás da influencia  Anônima do Theologia Germanica que foi divulgado após o seu desaparecimento. De acordo com a introdução do documento medieval o seu autor era um membro não identificado da Ordem Teutônica dos Cavaleiros vivendo em Frankfurt.

Vida


O Meister Eckhart portal da Erfurt Igreja. Eckhart provavelmente nasceu na aldeia de Tambach no Landgraviate da Turíngia  cerca de 1260. Ele nasceu em uma família nobre de proprietários de terras mas pouco se sabe sobre sua família e infância exceto que ele freqüentou a Universidade de Paris. Não há nenhuma autoridade para dar-lhe o nome cristão de Johannes que às vezes aparece nos esboços biográficos sendo o seu nome cristão Eckhart e seu sobrenome era von Hochhei. Eckhart se juntou aos dominicanos em Erfurt e presume-se que ele estudou em Colônia. Mais tarde ele era Prior em Erfurt e Provincial da Turíngia. Em 1300 ele foi enviado a Paris para dar palestras e tirar os graus académicos e lá permaneceu até 1303. Nesse ponto ele voltou a Erfurt e tornou-se Provincial para Saxônia uma província que chegou na época da Holanda para Livonia . Reclamações feitas contra ele no Abade geral realizada em Paris em 1306 relativo às irregularidades entre os ternários devem ter sido trivial porque o general Aymeric de Piacenza ( 1327 -     ) nomeou-o no ano seguinte  Vigário Geral da Bohemia com plenos poderes para definir os mosteiros desmoralizados que precisavam passar por restauração exegética e moral. Em 1311 Eckhart foi nomeado pelo Abade geral de Nápoles como professor em Paris. Depois segue-se um longo período do qual é conhecido apenas que ele passou parte do tempo em Estrasburgo .  A passagem de uma crônica do ano de 1320 existente no manuscrito (cf. Wilhelm Preger , i. 352-399) fala de um Eckhart antes de Frankfurt que foi suspeito de heresia e alguns já referido de Meister Eckhart. É incomum que um homem sob suspeita de heresia teria sido nomeado professor em uma das escolas mais famosas da ordem mas o estilo de Eckhart expositiva distintivo poderia ter sido já condenado sob o escrutínio de seus detratores franciscanos. Eckhart leciona em Colónia onde o arcebispo Hermann von Virneburg (1179 - 1254) eventualmente o acusa de heresia perante o Papa. Mas Nicholas de Estrasburgo a quem o papa dera como encargo temporário dos mosteiros Dominicanos na Alemanha prontamente foi exonerado. O arcebispo entretanto ainda pressionado pelas acusações contra Eckhart e contra Nicholas antes sua própria corte forçando-os a negar a competência  Arqui episcopal da inquisição e exigiu litterce dimissorix (Apostoli) para um apelo ao Papa. Em 13 de fevereiro 1327 ele (Mestre Eckhart) declarou em seu protesto que foi lido publicamente que sempre detestou tudo errado e se alguma coisa do tipo ser encontrada em seus escritos ele se retrataria imediatamente. Do progresso do caso não há informações exceto que o Papa João XXII publicou um edito (Em agro dominico) 27 de março de 1329 no qual uma série de declarações de Eckhart é caracterizada como herética outra como suspeita de heresia (o edito é dado completo em ALKG, ii. 636-640). Ao final afirma-se que Eckhart se retratou antes de sua morte tudo que ele havia ensinado falsamente submetendo-se e sua escrita para a decisão da Sé Apostólica . Por isso é sem dúvida significativo a declaração de 13 de fevereiro de 1327 e pode-se inferir que a morte de Eckhart sobre o qual nenhuma informação é conhecida ou o enterramento ocorreu logo após o evento. Em 1328 o Abade geral da ordem em Toulouse decidiu proceder contra pregadores que esforçam-se por pregar coisas sutis que não só fazem (ou não) moral antecipadas mas facilmente levam as pessoas ao erro. Discípulos de Eckhart foram admoestados a ser mais cauteloso no entanto eles apreciavam a memória de seu mestre. O grupo de leigos Amigos de Deus e os seguidores de Eckhart existiam nas comunidades em toda a região e se organizavam debaixo das ideias do Mestre sob a liderança dos sacerdotes como John Tauler e Suso Henry. Pfeiffer diz assim: Nikolaus de Strassburg foi nomeado inquisidor especial Meister Eckhart e seu caso chegou antes da Inquisição em Veneza. Ele fez seu protesto em pessoa em 24 de janeiro de 1327 e em 13 de fevereiro seguinte fazendo sua declaração pública de ortodoxia na igreja Domincana em Colónia. Esta foi a última data em que ele ainda (Eckhart) vivo. A Inquisição se recusou a aceitar a sua denominação a sua recusa é datado de 22 de fevereiro de 1327. Eckhart foi excomungado pela Bula de João XXII em 27 de março de 1329. Após sua excomunhão seus escritos foram mantidos em mosteiros e grupos tanto por via oral e por transcrições com os nomes de outros autores eram repassados para a posteridade seguinte. Embora Eckhart fosse um teólogo talentoso acadêmico mais lembradas suas obras e seus sermões altamente incomuns no vernáculo (alemão e latim) durante um tempo de desordem entre o clero e as ordens monásticas houve um rápido crescimento de numerosos grupos de leigos piedosos. Assim a Inquisição  preocupada com os supostos contínuas movimentos heréticos em toda a Europa endurecia seu discurso dogmático não dando espaço para que opiniões livres e argumentativas pudessem ser colocadas em prática para uma melhor comunhão dos fieis com a Divindade Perene. Com a mudança do papado de Roma para Avignon a tensão aumentou pois o Papa João XXII e Sacro Imperador de Louis IV lutavam pelo poder. Eckhart como um frade pregava e tentava guiar o seu rebanho bem como monges e monjas sob sua jurisdição com sermões práticos sobre transformação espiritual psicológica contemplativa e conteúdo do Novo Testamento metafórico relacionado com o poder criativo inerente ao desinteresse ou desapego. O tema central dos sermões alemães de Eckhart é a presença de Deus na alma individual e da dignidade da alma do homem justo. Embora ele laborasse sobre esse tema ele raramente apartou-se deles. Em um de seus sermões Eckhart dá o seguinte resumo de sua mensagem. Quando eu prego costumo falar de desapego e dizer que um homem deve estar vazio de si mesmo e todas as coisas e em segundo lugar que ele deveria ser reconstruído no simples bom que Deus é. Em terceiro lugar que ele deve considerar a aristocracia grande que Deus criou na alma de tal forma que por meio dela o homem pode alcançar maravilhosamente a Deus e em quarto lugar da pureza da natureza divina. Os dois olhos da alma do homem diz a Teologia Germânica não pode tanto executar o seu trabalho ao mesmo tempo mas se a alma se vê com o olho direito para a eternidade então o olho esquerdo deve fechar-se e abster-se de trabalhar. Sendo como se fosse morto porque se o olho esquerdo estar cumprindo o seu objeto para as coisas externas que está segurando converse com o tempo e as criaturas então deve ser o olho direito prejudicado em seu trabalho isto é em sua contemplação. Portanto aquele que tem  deve deixar o outro ir nenhum homem pode servir a dois senhores. A situação de Eckhart na Igreja Católica contemporânea tem sido incerto. A Ordem Dominicana pressionada na última década do século 20 para a sua completa reabilitação e confirmação de sua ortodoxia teológica oficial pois o falecido Papa João Paulo II (1920 - 2005) manifestou parecer favorável a esta iniciativa. Mesmo indo tão longe como citar os escritos de Eckhart mas o caso é ainda confinado aos corredores do Vaticano outrossim na primavera de 2010 foi revelado que houve finalmente uma resposta do Vaticano em uma carta datada de 1992. Timothy Radcliffe (1945 -     ) então mestre dos Dominicanos e destinatário da carta, resumiu o conteúdo da seguinte forma: Tentamos rever a censura levantada em Eckhart e fomos informados que não havia realmente nenhuma necessidade uma vez que ele nunca havia sido condenado pelo nome apenas algumas proposições que ele deveria ter realizado e por isso estamos perfeitamente à vontade para dizer que ele é um bom teólogo e ortodoxo. O professor Winfried Trusen de Würzburg, um dos seus interlocutores  Radcliffe escreveu em parte de uma defesa de Eckhart ao então cardeal Joseph Ratzinger (1927 -     ) afirmando que apenas 28 proposições foram censuradas mas elas foram retiradas de seu contexto sendo impossível de verificar pois não havia manuscritos em Avigno. O filósofo do século XIX  Arthur Schopenhauer (1788 - 1860) em comparação vistas com Eckhart aos ensinamentos do indiano, cristãos e islâmicos místicos e asceta: Se nos afastamos das formas produzidas por circunstâncias externas e irmos à raiz das coisas veremos que Sakyamuni (Buda) e Meister Eckhart ensinam a mesma coisa só que o primeiro se atreveu a expressar suas idéias claramente e positivamente enquanto que Eckhart é obrigado vesti-los com a veste do mito cristão e adaptar suas expressões correspondentes. Essa citação é do livro O Mundo como Vontade e Representação. Em 1891, Karl Eugen Neumann (1865 - 1915) que traduziu grande parte do Tripitaka encontrou paralelos entre Eckhart e Budismo. Shizuteru Ueda (1926 -   ) uma terceira geração Escola de Kyoto filósofo e estudioso de filosofia medieval mostraram semelhanças entre Eckhart soteriologia e Budismo Zen em um artigo (Eckhardt hum zen problema am 1989). No século XX os pensamentos de Eckhart foram comparados com os místicos do Oriente por tanto Rudolf Otto (1869 - 1937) e Suzuki DT (1860 - 1966)  entre outros estudiosos. Curiosamente, um dos tradutores pioneiros dos escritos de Eckhart para Inglês Maurice O'Connell Walshe (1911 - 1998) foi ordenado como um Anagarika na tradição Theravada Floresta da Tailândia e passou um tempo em Amaravarti centro budista em Hertfordshire Inglaterra sob Sumedho Venerável que era abade no templo. Também realizou tradução de escrituras budistas como o Nikaya Digha . No entanto Reiner Schürmann (1941 - 1993) Ph.D professor de filosofia embora concordando com Daisetz T. Suzuki que existem certas semelhanças entre o Zen Budismo e o ensino de Mestre Eckhart também contestou afirmação da Suzuki que as idéias expostas nos sermões Eckhart se aproximar do pensamento budista tão intimamente na verdade, que se pode eliminá-las definitivamente como quase saindo de especulações budistas. Vários esclarecimentos Schürmann incluiu ao nome de alguns: (1) sobre a questão da (Time) o viver no aqui e no agora é vista por Eckhart reivindicado como paralelo para o budismo na redução de despertar para a instantaneidade. Assim o nascimento do Verbo no solo da mente deve realizar-se em um instante no eterno agora que em Eckhart fato a este respeito está enraizada diretamente na catequese dos Padres da Igreja e não apenas derivado do budismo. (2) sobre a questão do estado de ser e contenção segundo Suzuki que as experiências cristãs não são afinal diferentes daqueles do budista terminologia é tudo o que nos divide. Em Eckhart “istigkeit da Divindade traduzido como estado de ser por Suzuki é uma negação de todas as quiddities ela diz que Deus ao invés de não-ser está no coração de todas as coisas. Assim demonstrando como o teocentrismo de Eckhart de que o istigkeit da Divindade e do estado de ser de uma coisa em seguida referem-se a duas experiências opostas em Meister Eckhart e Suzuki.  Em  primeiro a Deus e no segundo a nosso estado ordinário da mente e as tentativas do budismo para pensar o nada puro  e (3) sobre a questão do vazio e na opinião de Eckhart reclamada como paralelo ao budista da ênfase na vacuidade de todas as coisas compostas que só uma pessoa perfeitamente lançada no desprovimento de tudo compreende e aproveita. Deus sendo o Vazio que o Budismo parece referir-se na relação do homem com as coisas ao mesmo tempo traz a preocupação de Eckhart  com o que é no final da estrada aberta pelo descolamento que são os defensores da mente no próprio movimento da deiscência divina ele faz o que a Divindade faz. Ele permite que todas as coisas são e não só Deus é devendo também abandonar todos os seus próprios nomes de atributos e se ele está para chegar na terra da mente isso já é um passo além do reconhecimento da vacuidade de todas as coisas compostas mas o ser essencial de Deus – releasement – torna-se o ser de um liberado homem. Mais recentemente embora a maioria dos estudiosos aceitam que o trabalho de Eckhart é dividido em filosófico e teológico, Kurt Flasch (1930 -    ) e outros intérpretes vêm Eckhart estritamente como um filósofo. Flasch argumenta que a oposição entre o místico e escolar não é relevante porque este misticismo (no contexto de Eckhart) é penetrada pelo espírito da Universidade em que ocorreu. Eckhart também influenciou teólogos contemporâneos tais como Matthew Fox (1966 -    ) que se baseia fortemente em Eckhart para a sua própria teologia e cuja Breakthrough apresenta uma visão alternativa e substancialmente diferente da natureza e importância do pensamento de Eckhart de que tomadas em seções anteriores deste artigo . O psicanalista e filósofo humanista notável Erich Fromm (1900 - 1980) foi outro estudioso que trouxe renovada atenção no oeste dos escritos de Eckhart baseando-se muitos nos temas destes últimos em seu grande corpus de trabalho. Eckhart foi uma influência significativa no desenvolvimento das Nações Unidas Secretário-Geral Dag Hammarskjöld (1905 - 1961) a concepção de crescimento espiritual por meio do serviço desinteressado para a humanidade conforme detalhado no seu livro de contemplações chamados Vägmärken (Marcas). O teórico pós-moderno e filósofo francês Jacques Derrida (1930 - 2004) usa a teologia negativa de Eckhart para descrever seu próprio conceito de diferança. Renovada atenção acadêmica para Eckhart tem atraído a atenção favorável ao seu trabalho de contemporâneos não-cristãos místicos. Frase mais célebre de Eckhart single “O olho com que vejo Deus é o mesmo olho com que Deus me vê”, é comumente citada por pensadores dentro neopaganismo e ultimatist budismo como um ponto de contato entre essas tradições e misticismo cristão. O popular escritor Eckhart Tolle (1948 -    ) mudou seu nome em reconhecimento a influência de Eckhart em sua filosofia. Na escada de Jacob , Louis, amigo do personagem principal, Eckhart aspas: “Você sabe o que ele (Eckhart) disse: A única coisa que arde no inferno é a parte de você que não vai deixar de ir à sua vida suas memórias os seus? anexos. Eles queimam em tudo. Mas eles não estão sendo punindos disse ele. Eles estão libertando a sua alma ( ... ). Se você está com medo de morrer e segurando-se pela suas vontades e desejos você verá demônios rasgando sua vida fora . Mas se você fez sua paz em seguida os demônios são realmente anjos liberando-o da Terra". No livro The Gargoyle por Andrew Davidson  Eckhart é mencionado em uma história que Marianne Engel narra ao protagonista (sem nome) sobre seus dias no Mosteiro Engelthal: ( ... ) Meister Eckhart nem sequer admitir que Deus era bom ( ... ) posição de Eckhart foi que tudo o que era bom pode ficar melhor e tudo o que pode tornar-se melhor pode tornar-se mais melhor ainda. Deus não pode ser referido como bom, melhor, porque Ele está acima de todas as coisas. Se um homem diz que Deus é sábio o homem está mentindo porque tudo o que é sábio pode se tornar mais sábio. Qualquer coisa que um homem pode dizer sobre Deus é incorreto mesmo chamando-o pelo nome de Deus. Deus é nada supra essencialmente e Ser Transcendente ( ... ) além de todas as palavras e além de toda compreensão. O melhor que um homem pode fazer é ficar calado porque qualquer hora ele se engana a respeito de Deus estando cometendo o pecado da mentira. O verdadeiro mestre sabe que se ele tivesse um Deus que ele podia entender, Ele nunca iria alcançar o processo da compreensão de Deus (pág.140-41). Eckhart também está referenciado no JD Salinger é Franny e Zooey . Em uma carta a Zooey, Buddy diz: “Eu não posso deixar de pensar que você ia fazer um site maldito ator mais bem ajustado se Seymour e eu não tínhamos jogado nos Upanishades (Escrituras Sagradas hindus) e o Sutra do Diamante (Escrituras budistas) e Eckhart e todos os outros nossos amores antigos com o resto de sua leitura recomendada quando você era pequeno. O terceiro movimento de John Adams Harmonielehre Sinfonia (1985) é intitulada “Meister Eckhardt e Quackie”, que imagina o flutuante místico através do espaço com sua filha bebê em suas costas sussurrando segredos de graça em seu ouvido. Essa parte final do texto mostra aquilo que Platão (428 AC 347) disse "as ideias governam o mundo" pois mesmo 687 anos após a morte do Mestre Eckhart suas postulações continuam influenciando o pensamentos da sociedade moderna sendo que seu arcabouço teórico filosófico como foi demonstrado está intimamente ligado as tradições do misticismo oriental e a filosofia budista. Falamos sobre o Zen Budismo na parte II. "Se te amas a ti mesmo, amas os outros do mesmo modo. Enquanto amares uma única pessoa mesmo do que a ti mesmo, não ti conseguiras amar a ti mesmo". Johann Eckhart. Abraço. Davi.