sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

O DESÂNIMO DE ARJUNA. Capítulo I

Hinduísmo. Bhagavad Gita - A Mensagem do Mestre. O DESÂNIMO DE ARJUNA. Capítulo I. Neste capítulo se descreve o combate entre o "bem" e o "mal" que provém do rompimento da Unidade, tanto no homem como na natureza. O Homem, representado por Arjuna, acha-se rodeado de ilusões que pertencem a sua natureza inferior, mortal. Deve vencê-las, porém, como as acostumou a identificar-se com elas, falta-lhe o necessário ânimo.


1. Disse Dhritarashira, rei dos Kurus, falando com o fiel Sanjaya: Conta-me, ó Sanjaya, os feitos dos meus guerreiros e os do exército dos Pandavas, quando se reuniram pra se combaterem no sagrado campo dos Kurus. 2. Pôs-se a relaar Sanjaya: Quando o teu filho Duryodhana, o comandante supremo dos teus exércitos, oh, avistou as falanges dos Pandavas. Preparadas para o combate, se aproximou do seu preceptor Drona, o filho de Bharadvaja e disse: 3. Vê, ó Mestre, as poderosas multidões dos filhos de Pandu, que constam de vastas fileiras de guerreiros experientes e audaciosos. Comandadas pelo valente e sábio filho de Drupada, teu discípulo. 4. Vê como é grande o número daqueles combatentes fortes que ali estão em seus carros de guerra e com seus arcos e flechas. Há entre eles, heróis iguais a Bhima e Arjuna. 5. Lá estão: Virata, Yuyudhana, Drupada, Dhristaketu, Chekitana, o rei dos Kasis, Purujit, Kuntihoja, Salvya.  6. Ali estão: o audas Yudhamanyo, o forte Uttamauja, o filho de Subhadra e todos os filhos de Drupada.7. porém, igualmente do nosso lado, sob o meu comando, encontras os melhores generais e heróis do nosso povo. 8. Aqui estás tu mesmo, e conosco se vê Bhrishma, Karna, Kripa, Asvatthaman, Vikarna, Somadatti. 9. Todos e muitos outros guerreiros fortes, valentes e experimentados, trazendo as suas armas favoritas, prontos estão para combater por nossa causa e, com entusiasmo, arriscarão a vida por mim. 10. Porém, ó Mestre, hei de confessar-te que este nosso exército, se bem que muito valente e comandado por Bhishma, na minha opinião não tem o número e a força suficiente. Enquanto em nossa frente está o inimigo, comandado por Bhima, em posição ameaçadora e muito mais forte. 11. Ordena, pois,  aos capitães do meu exército que todos ocupem os seus lugares e que se preparem pra auxiliar e defender o nosso comandante Bhishma. 12. Soprou então Bhishma, o velho chefe dos Kurus, em sua grande corneta e o seu toque soou como o rugido do leão, Excitando a coragem e o ânimo de seus guerreiros. 13. E, em resposta, imediatamente se ouviu o som tumultuoso de inumeráveis outras cornetas e conchas. Címbalos, tambores e trombetas, nas falanges dos Kurus. 14. Igualmente deram sinal bélico, Krishna, a encarnação de Deus e Arjuna, filho de Pandu, que estavam em seu magnífico carro de guerra. Ornado com ouro e pedras preciosas, e puxado por cavalos brancos. (Branco símbolo da pureza. Cavalo símbolo da força e da obediência). E responderam os instrumentos dos Pandavas em som repetido e desafiador, como o som de trovão violento. 15. A corneta que tocava Krishna, o dominador dos sentidos, fora feita de osso de gigante. O nome da corneta de Arjuna era Devadatta (dom de Deus). 16. O forte  Bhima (terror e egoísmo) tocava a corneta com o nome de Paundra (o Povo). Yudishtira, filho de  Kunti, a "Vitória". Nakula e Sahadeva tocavam a harmonia e a glória. 17. Ouvia-se o toque dos famosos guerreiros Kaya, Sikhandin, Dhrishtadyumna, Virata e Satyaki. 18. E de Drupada e seu povo, e dos filhos valentes de Subhadra. 19. E vibrou o ar, como quando se prepara uma horrível tempestade, e a superfície da terra vibrou ao mesmo ritmo. E o povo de Dhritarashtra estremeceu aterrorizado. 20. Então Arjuna, em cuja cimeira figurava um macaco (tomado como símbolo da audácia e engenho). Vendo que os Kurus estavam já em ordem de batalha, e que as flechas começavam a voar pelos ares. Tomou na mão o seu arco e disse a Krishna, que estava com ele no carro: 21. Faze parar, ó Imutável, o nosso carro no meio do espaço entre estes dois exércitos opostos. 22. Quero ver de perto os que aqui estão reunidos com o desejo de nos matarem, e com os quais devo travar sangrento combate. 23. Deixa-me ver os meus inimigos, os partidários insensatos do malicioso e vingativo filho de Dhritarashtra. 24. Quando Arjuna assim falou, Krishna fez parar o carro no meio do espaço entre os dois exércitos contrários. 25. Ali, em frente de Bhishma, Drona e dos outros principais da terra, disse Krishna a Arjuna: Vê, ó filho de Prithi, a família dos Kurus, ali reunida! 26. E viu Arjuna que, divididos em dois partidos bélicos, ali estavam seus parentes: pais e filhos, irmão, cunhados, avós e netos, tios e sobrinhos, sogros e genros. 27. Notou também que mestres, benfeitores, amigos e camaradas ali estavam, preparados para se combaterem reciprocamente. 28. E quando Arjuna viu isso, entristeceu-se no seu nobre coração e, cheio de aflição e dó, proferiu estas palavras: 29. Óh Senhor, vendo eu as faces e os vultos dos parentes que querem lutar uns contra os outros, sinto exaustos de forças os meus membros e sem sangue o meu coração. 30. As minhas pernas tremem, os meus braços não me obedecem, a minha face está em agonia. A febre queima-me a pele, os pensamentos se confundem ao meu cérebro. Todo o meu corpo está em convulsões de horror. O arco caí das minhas mãos. 31. Maus sinais vejo nos ares, estranhas vozes ouço falar ao redor de mim. Estou todo confuso e indeciso. Não vejo nada de bom em matar em guerra os meus parentes e meus companheiros. 32. Não desejo a glória de vencedor, ó Krishna! Não aspiro nem ao reino nem aos prazeres, nem ao domínio. Para que me serve o domínio, a riqueza ou a vida mesma? 33. Todas estas coisas me parecem muito vãs e sem agrado, porém aqueles para quem tudo isso seria desejável, desprezam a própria vida! 34. Tutores, pais e filhos, avós e netos, tios e sobrinhos, primos, cunhados, mestres e companheiros vejo perante mim. Não quero matá-los, embora eles tenham sede do meu sangue. 35. Não quero matá-los, embora com isso obtivesse o reino dos três mundos, quando mais pelo governo de um pedaço de terra!. 36. Se eu matar os meus companheiros, os filhos de Dhritarashtra, que felicidade ou gozo poderia me alegrar? Se nós derrotarmos, o remorso seria o nosso companheiro contínuo. 37. Penso que devemos abster-nos de matarmos os nossos parentes e consanguíneos. Porque, como poderemos ser felizes, se exterminamos a nossa própria raça? 38. Não podemos desculpar-nos dizendo que eles são tão depravados e sedentos de sangue, que não veem mal algum em derramarem o sangue de seus parentes e amigos. 39. Tal argumento não nos justifica, porque nós sabemos melhor que a matança dos parentes é grande pecado e horror. 40. Tem nos sido ensinado que, com o extermínio de uma geração, se destrói a virtude. E coma destruição da virtude e da religião de um povo, apoderam-se de toda a raça, o vício e a iniquidade. 41. Onde reina a impiedade, corrompem-se também as mulheres nobres. E onde a mulher está corrompida, desaparece a pureza do sangue. 42. A adulteração do sangue é precursora do esquecimento dos ritos devidos aos antepassados. Estes (se as doutrinas dos puros são verdadeiras). A tradição que prescrevia o respeito a família, aos parentes, aos instrutores, aos ritos. A instituição e deveres das castas. Sem o que a alma cairia em condições piores, antes e depois da morte. Sendo privados dos sacrifícios de que sustentam, caem das alturas celestes. 43. A consequência de tal corrupção é o aniquilamento dos destruidores da raça e dos direitos eternos da família. 44. Os homens que destroem a religião da família vão para o inferno. Assim nos ensinam os nossos livros sagrados. 45. Ai de mim! Aí de nós, que estamos preparando pra cometer o horrível crime de matar os próprios parentes e consanguíneos. Pela bagatela de obter o domínio pelo desejo do poder! 46. Eu preferiria entregar o meu peito descoberto as armas dos Kurus, deixando-os beber o sangue do meu coração. Eu preferiria esperar a sua chegada, desarmado, e receber deles o golpe mortal, sem me defender. De certo, isto seria melhor para mim do que cometer esse horrível crime! Aí de mim! Aí de todos nós!. 47. Assim clamando, sentou-se Arjuna no banco do carro e deixou cair o arco e as flechas da sua mão. Todo entregue a aflição e ao desespero que lhe consumia o coração. Abraço. Davi.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

O QUE SÃO OS ORIXÁS, SEGUNDO A TRADIÇÃO KETU?

Religião Afro-brasileira. Por Eurico Ramos. Livro Revendo o Candomblé - V. O QUE SÃO OS ORIXÁS, SEGUNDO A TRADIÇÃO KETU? Já foi dito que orixá é energia da natureza, que são ancestrais divinizados, isso e aquilo. Para ser  mais preciso, podemos dizer que os orixás são as energias primais encontradas na natureza. Que energias são essas? A energia eólica, dos ventos. A energia telúrica, da terra. A energia hídrica, das águas. A energia térmica, do fogo. Podemos aglutinar a essas energias também a energia elétrica da movimentação dos elétrons. Os orixás são, essencialmente, essas energias, encontradas tanto na natureza, como dentro do corpo do próprio ser humano. Nós encontramos água dentro do nosso organismo. Nós encontramos os alcalinos terrosos, os sais minerais, o ar, o oxigênio, a energia térmica - principalmente nos mamíferos. O núcleo de cada célula, em termos específicos, teria uma energia, ou emanaria um calor de quase 500 graus. Só que isso é dizimado a um número ínfimo porque a célula é microscópica. Então, nós também temos fogo dentro do nosso organismo. Os orixás são essas energias, que circulam tanto na natureza, como dentro de todos os seres vivos. O orixá, diferente do espírito em evolução, está essencialmente dentro do indivíduo, além de estar presente em toda a natureza. O estado de transe mediúnico ocorre quando essa energia, ou uma dessas energias, aflora no corpo do seu filho, do seu elegun, ou do seu escolhido. A fim de mostrar, através de suas danças qual é a sua função cinética na natureza em termos de vida e de movimento. O orixá nada mais é do que uma divindade, que precisa ser cultuada no sentido de se cultuar a vida. Ou seja, cultuar o nosso próprio corpo, a nossa própria existência. Toda vez que um orixá se manifesta, ele vem fazer, acima de tudo a comemoração da vida dentro do corpo do indivíduo. E o orixá se comunica de forma bastante sutil, utilizando sons ou sinais. Já ouvi dizer que há orixás que dão consulta, falam, conversam e outras coisas. Orixá, na verdade, não faz nada disso. A não ser que não seja orixá, porém este é um aspecto que eu não pretendo comentar aqui. "Os orixás têm defeitos humanos. Em qualquer terreiro, a entrada dos orixás na festa segue sempre a mesma sequência da ordem do xirê. Depois de despachar Exu, o primeiro a entrar na roda é Ogum. Seguido de Oxóssi, Obá-Iuaiê, Ossaim, Oxumaré, Xangô, Oxum, Iansã, Nanã, Iemanjá e Oxalá". Abraço. Davi.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

OS ANALECTOS - LIVRO II

Confucionismo. www.rl.art.br. OS ANALECTOS. LIVRO II. Texto de Confúcio (551 a.C. 479).  1. O Mestre disse: “O governo pela virtude pode ser comparado à estrela Polar, que comanda a homenagem da multidão de estrelas sem sair do lugar”. 2. O Mestre disse: “As Odes são trezentas, em número. Podem ser resumidas a uma frase: Não se desvie do caminho”. 3. O Mestre disse: “Guie-o por meio de editos, mantenha-o na linha com punições, e o povo se manterá longe de problemas, mas não será capaz de sentir vergonha. Guie-o pela virtude, mantenha-o na linha com os ritos, e o povo, além de ser capaz de sentir vergonha, reformará a si mesmo”. 4. O Mestre disse: “Aos quinze anos, dediquei-me de coração a aprender; aos trinta, tomei uma posição; aos quarenta, livrei-me das dúvidas; aos cinquenta anos, entendi o Decreto do Céu; aos sessenta meus ouvidos foram sintonizados aos setenta, segui o meu coração, sem passar dos limites”. 5. Meng Yi Tzu perguntou sobre piedade filial. O Mestre respondeu: “Nunca deixe de obedecer”. Fan Ch’ih estava conduzindo. O Mestre contou-lhe sobre a audiência: “Mengsun me perguntou sobre piedade filial. Eu respondi: ‘Nunca deixe de obedecer’”. Fan Ch’ih perguntou: “O que isso significa?” O Mestre disse: “Quando seus pais estão vivos, obedeça aos ritos ao servi-los; quando eles morrerem, obedeça aos ritos ao enterrá-los; obedeça aos ritos ao sacrificar-se por eles”. 6. Meng Wu Po perguntou sobre piedade filial. O Mestre disse: “Não dê ao seu pai e à sua mãe nenhuma outra causa de preocupação além da doença”. 7. Tzu-yu perguntou sobre piedade filial. O Mestre disse: “Hoje em dia, ser filial não quer dizer mais do que ser capaz de prover seus pais com comida. Até mesmo cães e cavalos são, de algum modo, alimentados. Se um homem não mostra reverência, qual é a diferença”? 8. Tzu-hsia perguntou sobre piedade filial. O Mestre disse: “O que é difícil é a atitude das pessoas. Quanto aos jovens tomarem para si o fardo quando há trabalho a ser feito ou deixarem os velhos aproveitarem o vinho e a comida quando há, isso dificilmente merece ser chamado de filial”. 9. O Mestre perguntou: “Posso falar com Hui o dia inteiro sem que ele discorde de mim sobre qualquer coisa. Poderia parecer que ele é estúpido. Entretanto, quando examino melhor o que ele faz privadamente, depois que saiu da minha presença, descubro que, de fato, joga alguma luz sobre o que eu disse. Hui não é estúpido, afinal das contas”. 10. O Mestre disse: “Veja os meios que um homem emprega, observe o caminho que ele toma e examine a circunstância em que ele se sente confortável. Como poderia o verdadeiro caráter de um homem esconder-se? Como poderia o verdadeiro caráter de um homem esconder-se”? 11. O Mestre disse: “Merece ser um professor o homem que descobre o novo ao refrescar na sua mente aquilo que ele já conhece”. 12. O Mestre disse: “O cavalheiro não é um pote”. 13. Tzu-kung perguntou sobre como é o verdadeiro cavalheiro. O Mestre disse: “Ele coloca suas palavras em ação e só então permite que as palavras sigam a ação”. 14. O Mestre disse: “O cavalheiro associa-se com pessoas, mas não entra em clubes; o pequeno homem entra em clubes, mas não se associa com ninguém”. 15. O Mestre disse: “Se um homem aprende com os outros, mas não pensa, ele ficará confuso. Se, por outro lado, um homem pensa mas não aprende com os outros, ele estará em perigo”. 16. O Mestre disse: “Atacar uma questão pelo lado errado nada mais pode senão causar danos”. 17. O Mestre disse: “Yu, vou lhe contar o que há para saber. Dizer que você sabe quando você sabe, e dizer que você não sabe quando não sabe: isso é conhecimento”. 18. Tzu-chang estudava com o objetivo de seguir uma carreira oficial. O Mestre disse: “Use seus ouvidos amplamente, mas deixe de fora o que é duvidoso; repita o resto com cuidado e você cometerá poucos erros. Use seus olhos amplamente e deixe de fora o que é perigoso; coloque o resto em prática com cautela e você terá poucos arrependimentos. Quando ao falar você cometer poucos enganos e ao agir tiver poucos arrependimentos, uma carreira oficial decorrerá com certeza”. 19. O duque Ai perguntou: “O que devo fazer para que o povo me admire”? Confúcio respondeu: “Promova os homens corretos e coloque-os acima dos desonestos e o povo o admirará. Promova os homens desonestos e coloque os acima dos homens corretos, e o povo não o admirará”. 20. Chi K’ang perguntou: “Como se pode inculcar no povo a virtude da reverência, de dar o melhor de si e com entusiasmo?”. O Mestre disse: “Governe-o com dignidade e o povo será reverente; trate-o com bondade e o povo dará o melhor de si; promova os homens bons e eduque os mais atrasados, e o povo ficará tomado de entusiasmo”. 21. Alguém disse para Confúcio: “Por que o senhor não faz parte do governo?”. O Mestre disse: “O Livro da História diz: ‘Oh, um homem pode exercer influência no governo simplesmente sendo um bom filho e amistoso com seus irmãos’. Ao agir dessa forma um homem estará, de fato, fazendo parte do governo. Como ousam perguntar sobre ele fazer ativamente ‘parte do governo’?”. 22. O Mestre disse: “Não entendo como pode ser aceitável um homem que é desleal com suas palavras. Se falta um prego na canga de uma grande carruagem ou nos arreios de uma pequena carruagem, como pode se esperar que o carro vá em frente?”. 23. Tzu-chang perguntou: “Pode-se prever como será o futuro, daqui a dez gerações?”. O Mestre disse: “Os Yin basearam-se nos ritos de Hsia. Pode-se saber o que foi acrescentado e o que foi omitido. Os Chou basearam-se nos os ritos de Yin. Pode-se saber o que foi acrescentado e o que foi omitido. Se houver sucessores aos Chou, pode-se saber como serão, até mesmo daqui a cem gerações”. 24. O Mestre disse: “Oferecer sacrifício ao espírito de um ancestral que não é nosso é bajulação. Não fazer o que é certo demonstra falta de coragem”. www.rl.art.br. Abraço. Davi

sábado, 10 de janeiro de 2026

O REI PRASENAJIT VISITA BUDA

Budismo. Livro O Evangelho de Buda. Vida e Doutrina de Sidarta Gautama. O REI PRASENAJIT VISITA BUDA. O rei Prasenajit, tendo conhecimento da chegada do Senhor Buda, saiu com grande pompa e foi ao bosque de Jevatana, onde ele estava, e de mãos juntas saudou-o, dizendo-lhe: Feliz o meu humilde e indigno reino por obtido tão grande favor, pois que perigos, que calamidades poderão ameaçá-lo na presença do Senhor do Mundo. Do rei da Lei e do rei da Verdade? Agora que contemplo seu semblante sagrado, poderei encher o meu vaso com as saudáveis águas de seus ensinamentos. Os bens terrenos são transitórios e perecíveis. Os bens da verdadeira religião são permanentes e eternos. O homem mundano, mesmo que use coroa e empunhe cetro, está inquieto, enquanto o santo, embora seja vulgar, goza de paz de espírito. O senhor Buda sabia que o rei Prasenajit era escravo da avareza e amava os prazeres: então aproveitando a ocasião disse: Aquele que por seu mal carma nasce em condição vulgar, respeita o homem virtuoso. Com maior razão deve respeitar um Buda aquele que por merecimentos contraídos em existências anteriores, nascem em leito régio. Escute atentamente o rei, minhas palavras e considere bem o que vou lhe dizer: Nossas boas ou más ações nos seguem constantemente, como a nossa sombra. O mais importante é um coração compassivo. Considere o seu povo, como se fosse o seu único filho. Não o oprima nem destrua. Sujeite à sua vontade todos os membros do seu corpo. Fuja das doutrinas perversas e siga o caminho reto. Não se ufane rebaixando-se aos demais. Dê alívio e socorro aos que sofrem. Não dê valor excessivo à dignidade real nem preste ouvido as palavras lisonjeadoras dos aduladores. De nada serve mortificar-se com austeridade. Mais vale meditar sobre a lei da Verdade. Estamos encerrados dentro do muro do nascimento, da enfermidade, da velhice e da morte. Só pela meditação e prática da verdadeira Lei poderemos sair de nosso encerramento. Que proveito colhe a iniquidade? Todos os sábios fugiram dos prazeres sensuais. Detestaram a luxúria e ocuparam-se em enaltecer a sua vida espiritual. Como será possível às aves se refugiarem nos ramos de uma árvore em chamas? A verdade é incompatível com a paixão. Quem não sabe disso é ignorante, embora o chamem de sábio. Quem conhece esta ciência está no alvorecer da verdadeira sabedoria. Na aquisição dessa sabedoria prevalecerá o propósito da vida. Quem não a obtém, fracassa. Esta verdade não se destina ao peculiar conhecimento do asceta e do brâmane, porém a todo ser humano sem exceção nem diferença de casta. Não se faz distinção entre o monge professo e o pai de família em seu lar. Há monges que caem na perdição e humildes pais de família que ascendem a categoria de rishi. A luxúria estende suas redes pior todo a parte do mundo e a todos ameaça com o mesmo perigo. Quem cai em suas malhas só se salva pela reflexão e conquista da sabedoria. Desde que é impossível evitas as consequências de nossas ações, procedamos sempre em obediência à lei. Vigiemos nossos pensamentos, porque do pensamento provém a ação e segundo semearmos assim colheremos. Há muitos caminhos que conduzem das trevas para a luz, e outros há que levam da luz para as trevas. Também há caminhos que da obscuridade conduzem à escuridão, e outros há que dá aurora nos levam à luz meridiana. Mostre-se superior pelo exercício da razão e da virtude. Medite, profundamente na instabilidade das coisas humanas e na inconstância da vida terrena. Realce o seu espírito com fé sincera e vontade firme. Não quebre as regras da boa conduta nem estabeleça a felicidade em coisas externas. Mas na sua individualidade interior. Assim as futuras gerações bendirão seu nome, e não lhe faltará a proteção do Tathágata. O rei ouviu de maneira respeitosa as palavras do Buda e gravou-as no seu coração. Abraço. Davi.     

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

A OBRA DO ESPÍRITO SANTO - ILUMINAÇÃO E COMUNÇÃO. Parte I

Cristianismo. Livro O Evangelho de Deus. Por Watchman Nee (1903-1972). A OBRA DO ESPÍRITO SANTO - ILUMINAÇÃO E COMUNHÃO. Parte I. Já vimos anteriormente como Deus manifestou Sua graça e cumpriu Sua justiça. Vimos também como Deus, por meio de Seu Filho Jesus, morreu por nós e por nossos pecados, cumprindo assim a obra de redenção (Romanos 5:8; 1 Coríntios 15:3). Sua obra de redenção nos justifica diante de Deus pela fé no Seu sangue (Romanos 3:24-25). Sua ressurreição dentre os mortos se torna a segurança da nossa fé. Por meio da Sua ressurreição, sabemos que Deus aceitou o sacrifício do Senhor Jesus. A obra do Senhor Jesus satisfez às exigências de Deus. Sua ressurreição é uma prova para nós de tal fato. Todo o que crê no sangue de Seu Filho e vem a Ele mediante a Sua redenção está agora justificado.  Neste capítulo, trataremos de outro aspecto da obra do Senhor, que é Sua ascensão. Uma vez que muitos irmãos já sabem disso, irei mencioná-lo apenas resumidamente. A ascensão do Senhor Jesus é Seu comparecer diante de Deus a nosso favor, a fim de que possamos ser aceitos em Cristo. Que é a ascensão do Senhor? Na Bíblia, a ascensão significa objetivamente apenas uma coisa: ela é para que sejamos aceitos diante de Deus. Hoje, o Senhor Jesus já compareceu diante de Deus (Hebreus 9:24). Nós também comparecemos diante de Deus Nele. Dessa maneira, Deus nos aceita do mesmo modo que aceitou a Cristo.  A obra do Espírito Santo — Iluminar para buscar pecadores. Vejamos agora outra questão. O evangelho é inadequado se ele menciona apenas a obra do Pai e do Filho sem mencionar a obra do Espírito Santo. Deve haver menção do Espírito Santo também. A obra do evangelho tem três aspectos. Lucas 15 nos mostra três parábolas. Por um lado, vemos o Pai amoroso esperando para receber os pecadores. Por outro, vemos o bom Pastor vindo ao mundo para buscar a ovelha perdida. Vê-se o Pai em casa esperando pelo pecador arrependido e salvo, e vê-se também o Filho vindo ao mundo para salvar pecadores. Mas após a obra do Senhor completar-se e antes de o pecador chegar em casa, há uma outra parábola, que é a da mulher que, paciente e cuidadosamente, procura, com a candeia acesa, a dracma perdida.  Primeiro, vê-se o Senhor Jesus vindo à terra para buscar os pecadores. Segundo, vê-se a mulher acendendo a candeia para iluminar, varrer e procurar a dracma perdida. Assim, o Espírito Santo está trabalhando juntamente com o Pai e o Filho para achar o pecador para o cumprimento da obra do evangelho. O Filho veio para morrer pelo pecador; o Pai recebe o pecador em casa; e o Espírito Santo trabalha para iluminar o coração do homem e mostrar ao homem sua verdadeira posição.  Se uma pessoa não tem a luz do Espírito Santo, é possível que ela seja como Judas, que viu seu pecado, estava sofrendo e não tinha paz interiormente, mas não via sua própria posição diante de Deus. Sem a luz, ele não poderia ver sua situação de perdição. O sentimento do homem em relação ao pecado perdura somente até ele perceber que agiu errado. Ele não percebe que diante de Deus é um perdido. Estamos dispostos a admitir que somos pecadores. Mas sem o iluminar do Espírito Santo não admitiremos que, como resultado do pecado, diante de Deus nos tornamos pessoas perdidas. Aos olhos de Deus, somos pessoas perdidas.  Existe a possibilidade de uma imitação por parte da carne na questão da consciência do pecado. A carne pode substituir a atuação do Espírito Santo. Muitas lágrimas em reuniões de reavivamento nada são senão o resultado da carne do homem. Elas não são produzidas pela obra do Espírito Santo no homem. Uma coisa é o homem saber que pecou. Outra coisa, é saber que seu relacionamento com Deus está errado. O Espírito Santo paciente e cuidadosamente ilumina o homem e mostra-lhe que ele está perdido. O que o Espírito Santo faz é mostrar ao homem que sua posição está errada. Então, o primeiro sentimento de alguém que experimentou a obra do Espírito Santo de Deus não é algo relacionado com o pecado, mas o sentimento de que ele está longe de casa. Seu relacionamento com Deus está cortado. Ele desenvolveu um problema com Deus. Ele é um homem perdido.  Nosso problema diante de Deus não é meramente quanto temos destruído a nós mesmos com comida, bebida, fornicação ou jogos. O problema é estar afastado numa terra distante. Quando o Espírito Santo ilumina o homem, a primeira coisa que Ele faz é mostrar ao homem que ele está numa terra distante. Quando alguém lê a última parábola de Lucas 15, deve observar o que o filho pródigo disse ao pai. Ele não disse que tinha desperdiçado toda a fortuna de seu pai com prostitutas. A primeira coisa que percebeu quando caiu em si, foi que na casa de seu pai havia abundância de pão. Por que, então, ele estava vivendo em meio aos porcos numa terra longíqua e não conseguia sequer matar sua fome com as alfarrobas que eram para os porcos? Quando o Espírito Santo ilumina uma pessoa, ela percebe que tem um problema com Deus, que deixou a casa de seu Pai e que está longe Dele. Meu amigo, quando uma pessoa no mundo chega ao fim de si mesma em sua condição pecaminosa, ela pode, como Judas, tornar-se ciente de seus pecados. Mas sem a luz do Espírito Santo, ela não sentirá que deixou a casa do Pai e que está numa terra distante. Não estou dizendo que os pecados não sejam sérios. Pecados são pecados. Mas a Bíblia nos mostra que o principal pecado do homem reside no fato de ele estar perdido. Ele está posicionado numa base inadequada, mesmo que não esteja em uma condição inadequada. Naturalmente, todos os que estão numa condição inadequada devem estar numa base inadequada. Quando o Espírito Santo nos ilumina, primeiro Ele nos mostra que estamos numa base inadequada. Então Ele nos mostra nossa condição inadequada. Isso é o iluminar do Espírito Santo.  Assim, embora haja o amor do Pai e a obra do Senhor, ainda há a necessidade de o Espírito Santo preparar o coração do homem. Ele ainda tem de trabalhar no coração do homem a fim de que o homem receba tudo o que o Senhor Jesus fez. Pode-se dizer que o Senhor Jesus é nosso Salvador objetivo vindo de Deus, e que o Espírito Santo é nosso Salvador subjetivo vindo de Deus. O Senhor Jesus é o Salvador que cumpriu a redenção por nós exteriormente e o Espírito Santo é o Salvador que cumpriu a salvação por nós interiormente. Todos nós aqui fomos iluminados pelo Espírito Santo. Todos sabemos que somos a ovelha perdida, que todos nos desviamos para os nossos próprios caminhos (Isaís 53:6). Todos nós, como ovelhas, nos perdemos. Nosso problema não é doença ou defeito físico, mas é tomar um caminho errado. O caminho que a pessoa toma é muito importante. Em João 16:8-9, o Senhor Jesus nos disse que quando o Espírito Santo vier, Ele “convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo”. Que significa ser convencido do pecado? Fomos convencidos do pecado “porque eles não crêem em Mim”. Desenvolvemos um problema com Ele e entramos em conflito com Ele. Fomos convencidos do pecado porque não vimos Seu sangue e Sua autoridade, porque não satisfizemos às Suas exigências, e porque agora temos um problema com Ele. O maior pecado do homem é recusar-se a crer no Senhor Jesus. O Espírito Santo vem mostrar-nos que desenvolvemos um problema com o Senhor Jesus e com Deus. Nossa posição está errada.  Mas deixe-me fazer-lhe uma pergunta. É possível que uma pessoa numa terra distante possa ser um bom filho? É possível que ela possa ser econômica e próspera? É possível que possa ser um trabalhador diligente? É possível que seja prudente em fazer amigos? Sabemos que isso é impossível. Se uma pessoa se desviou para uma terra distante e está errada em seu relacionamento com seu pai, ela deve estar errada em todos os seus outros relacionamentos. Eis por que o filho pródigo começou a viver dissolutamente. Quando o Espírito Santo ilumina uma pessoa, Ele não somente lhe mostrará que ela está numa posição perdida, mas também que sua conduta anterior estava errada. O Espírito Santo não ignora os pecados passados. Ele atenta para todos os pecados. No entanto, Ele chama a atenção de alguém quanto a todos os seus pecados somente após lhe ter mostrado sua posição caída. O Espírito Santo primeiro mostra a você quão perigosa é a posição em que você está, aí, e só então Ele lhe mostra quantos pecados você tem. A luz do Espírito Santo ilumina e expõe todas as áreas nas quais você transgrediu em relação aos outros. Ela expõe toda injustiça e todos os pecados ocultos em nossas palavras e pensamentos.  O castigo de Deus é para o Seu curar. A repreensão do Espírito Santo é para o Seu confortar. Deus não se apraz em castigar e punir Seus filhos sem motivo. A única razão pela qual Deus pune é para que o homem possa obter paz. A razão de o Espírito Santo brilhar sobre o homem e mostrar-lhe seus defeitos e suas desobediências é para que o homem aceite toda a obra do Senhor Jesus Cristo na cruz. Sem a iluminação do Espírito Santo, não somos capazes de ver nem mesmo nossos pecados. Deus derrama o Espírto Santo sobre o homem para sua salvação. Que devemos fazer, agora que o Espírito Santo iluminou e enxergamos nossa posição? Há uma coisa que continuamente negligenciamos em nossa pregação do evangelho, à qual a Bíblia dá atenção o tempo todo. Temos de perceber que a obra do Senhor Jesus para os pecadores é deveras preciosa e crucial. Mas a obra do Espírito Santo para os pecadores é igualmente preciosa e crucial. A Bíblia mostra-nos que o Espírito Santo não apenas vem para nos iluminar e mostrar nossos pecados, nossa posição perdida e nossa injustiça diante de Deus e dos homens, mas este Espírito é também enviado de Deus e derramado sobre toda a carne com o propósito de que o homem, em todo lugar, seja salvo por Sua atuação (Atos 2:17-18, 21).  Alguns que conhecem um pouco mais que os outros a verdade da Bíblia, pensam que é fácil receber o perdão e aceitar o Senhor Jesus como Salvador. Tudo o que precisam fazer é ajoelhar-se, orar e aceitá-Lo de coração. Talvez nem mesmo tenham de ajoelhar-se; apenas devem aceitar em seu coração. Porém muitas pessoas não têm esse conhecimento. Elas podem ser fracas ou podem vir de terras longínquas e podem não ter tido a chance de ouvir a verdade. Podem pensar que é uma coisa muito difícil ser salva. Elas podem pensar que precisam orar por longo tempo, e não têm certeza se Deus ouviria suas orações. Se eu lhe perguntasse hoje se você é salvo, você poderia responder rapidamente que sim. Mas tal declaração soaria estranho às pessoas de uma terra longínqua. Elas desejariam saber como você conseguiu ser salvo. Ser salvo para elas é uma coisa muito difícil. Elas diriam que têm orado por muitos anos e ainda não estão certas se estão salvas. Elas esperam ser salvas e se esforçam ao máximo para consegui-lo. Mas elas ainda não sabem se são salvas. Parece que ainda não estão salvas. Para elas, a salvação é algo muito difícil de ser alcançado. Mas meu amigo, assim como a obra do Senhor Jesus é completa, também a obra do Espírito Santo em nos levar a apossar-nos da obra do Senhor, é completa. A Bíblia mostra-nos claramente que Deus enviou o Espírito Santo com o propósito de que nós, pecadores, recebêssemos a obra do Espírito Santo e fôssemos salvos. O Filho de Deus veio por causa do mundo todo. Da mesma maneira, a vinda do Espírito Santo também é para toda a carne. Desde que sejamos um homem na carne, podemos obter a obra que o Senhor fez por nós.  Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. Vamos ler Romanos 10:13: “Todo aquele que invocar o nome do Senhor, será salvo”. O assunto de Romanos 10 é que Deus levou o Senhor Jesus a morrer e ressuscitar por nós. Nos poucos versículos anteriores a esse, Deus pergunta se há alguém que possa trazer a Cristo do céu para morrer por nós e se há alguém que possa descer ao abismo para ressuscitar a Cristo por nós (vs. 6-7). Não há tal pessoa. Tal obra somente pode ser feita por Deus. Foi o próprio Deus quem levou Cristo a morrer por nós. Foi também Deus quem O ressuscitou por nós. Assim, todo aquele que hoje invocar o nome do Senhor é salvo.  Não sei se você percebe que é a coisa mais maravilhosa ser salvo apenas por invocar o nome do Senhor. Na língua original, a palavra invocar significa que somente precisamos dizer Seu nome. Hoje, para contatar um irmão, tudo o que tenho de fazer é ir até sua casa e bater duas vezes na porta. Isso é chamá-lo. Não preciso pedir-lhe para ouvir nem tenho de implorar-lhe. Somente preciso ir até ele e avisá-lo com uma palavra. Esse é o significado de invocar. A versão chinesa traduz esta palavra para implorar. É incorreto. Embora não se possa dizer que a palavra grega não exprima sentido de implorar, ela significa muito mais uma invocação. Uma vez que Deus levou o Senhor Jesus a morrer e ressuscitar por nós, todos os que desejam ser salvos só precisam ir até Deus e dizer a Ele. Eles, então, serão salvos. Logo que vai ao Senhor Jesus e invoca o Seu nome uma vez, você é salvo. Tudo o que precisa fazer é abrir a boca uma vez. Você não precisa fazer mais nada porque Ele já completou toda obra. Toda a obra foi concluída. Eis por que dizemos que somos justificados por fé e não por obras (Gl 2:16). Se você pensa que até mesmo invocar uma vez é uma obra, então Deus diz apenas para crer um pouco em seu coração e isso será o bastante. O versículo 8 de Romanos 10 diz: “A palavra está perto de ti, na tua boca e no teu coração”. Uma vez que o Senhor realizou a obra da morte e da ressurreição, nada temos a fazer. Desde que abramos nossa boca uma vez, tudo está feito. Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.  Você pode perguntar por que isso ocorre tão rapidamente. É verdade que a obra de Cristo foi cumprida. Mas por que eu seria salvo apenas invocando? Como pode a obra do Senhor na morte, ressurreição e ascensão ser aplicada a mim tão rapidamente? Atos 2 é uma explicação adicional a esse respeito. O versículo 17 diz: “E acontecerá nos últimos dias, diz o Senhor, que derramarei do meu Espírito sobre toda a carne”. Devemos lembrar-nos de que nos últimos dias Deus derramará do Seu Espírito sobre toda a carne. Qual é o resultado disso? O versículo 21 diz: “E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo”. O versículo 17 está ligado ao 21. Deus diz que derramará do Seu Espírito sobre toda a carne. Então Ele diz que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. Por que será salvo todo aquele que invocar o nome do Senhor? Porque Deus derramou do Seu Espírito sobre toda a carne. O Espírito Santo está agindo agora sobre toda a carne. Se houver alguém hoje cujos pecados não foram perdoados, e que ainda não sabe como ser salvo e como receber a vida eterna, que não sabe que o Senhor Jesus é seu Salvador, essa pessoa deve lembrar-se de que Deus derramou o Espírito Santo. O Espírito Santo está sobre você agora; Ele está esperando por você. Uma vez que invoque, você será salvo.  Deus diz que derramaria do Seu Espírito sobre toda a carne. Por que existe o Pentecoste? Deus nos deu o Pentecoste porque Ele queria derramar o Espírito Santo sobre toda a carne. Agora basta abrir a boca e dizer “Ó Senhor”. e o Espírito Santo virá para o seu interior. O Espírito Santo é como a luz. Se houver uma brecha, a luz entrará. Você pode não perceber quão facilmente a luz passa por uma fenda. Se não acredita nisso, apenas vá até a sala ao lado. Se fizer um furo na parede, assim que retirar a broca, a luz entra. Você não precisa buscá-la, porque ela entra imediatamente. Desde que haja uma brecha, a luz entra. Hoje Deus derramou o Espírito Santo sobre toda carne. Uma vez que você esteja vivo, o Espírito Santo está sobre você. Assim que disser: “Ó Senhor”, o Espírito Santo começa a agir. Este é o significado de invocar o nome do Senhor. Os chineses de antigamente diziam que se deve suplicar aos céus, à terra e aos pais. Agora, apenas precisamos suplicar ao Senhor uma única vez. Quando alguém fala sobre oração, pensa-se sempre mais em súplica do que em invocar. Na verdade, tudo o que precisamos fazer é invocá-Lo. Assim que abrimos a boca, o Espírito Santo entra. Quando Ele entra, a obra completa do Senhor Jesus é trazida até nós.  A obra do Espírito Santos comunhão. A obra do Espírito Santo é a comunhão. A característica de Deus é Seu amor. A característica do Senhor Jesus é Sua graça, e a característica do Espírito Santo é Sua comunhão. Segunda Coríntios 13:13 diz: “A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vós”. Deus é amor e Sua característica é amor. O Senhor Jesus é graça e Sua característica é graça. Finalmente, a característica do Espírito Santo é comunhão. O Espírito Santo nada tem em Si mesmo. Ele traz para você o amor de Deus e a graça do Senhor Jesus mediante a comunhão. Essa é a obra do Espírito Santo. O Espírito Santo não realizou uma obra de amor. Ele não realizou uma obra de graça. O Espírito Santo transmite a você aquilo que Deus e o Senhor Jesus realizaram. Assim, a obra do Espírito Santo é comunhão. O Espírito Santo, após a ascensão do Senhor Jesus, simplesmente está pleno da obra do Senhor Jesus. Ele é como a luz! Desde que haja brecha, Ele entrará. Quando entra, Ele traz a graça do Senhor Jesus e o amor de Deus para dentro de você. Esta salvação é verdadeiramente completa.  Algum tempo atrás, um famoso servo do Senhor morreu na Inglaterra. Naturalmente, sua morte estava sob a soberania de Deus. Nenhum de nós pode falar coisa alguma sobre isso. Mas, humanamente falando, podemos dizer algo sobre sua morte. Ele era muito fraco e esteve doente por anos. Os médicos haviam prescrito determinada medicação para ele. Sempre que inalava aquele remédio, ele ficava forte novamente. Ele colocava o medicamento em seu criado mudo. Muitas vezes, quando sofria muito e sentia que ia morrer, ele aspirava esse remédio e ficava bom. Apesar de o remédio não ter um cheiro bom, era muito eficaz. Na noite de sua morte, ele se sentiu desconfortável outra vez. Tentou alcançar o remédio, mas estava muito fraco para abrir a gaveta. Na manhã seguinte, as pessoas o encontraram em sua cama com a mão estendida para o remédio. Ele morreu ali com a metade do corpo fora da cama. Não foi uma questão da falta do remédio melhor e mais eficaz. Ele viveu com aquele remédio por oito ou nove anos. Todas as vezes que se sentia mal, ele aspirava o medicamento e ficava bem novamente. Por que ele morreu naquela hora? Não foi porque não havia o remédio, nem porque ele não queria o remédio. Foi porque o remédio não estava ao alcance de sua mão. Da mesma forma, somos aqueles que estão para morrer. O Senhor Jesus cumpriu a obra. O remédio de Deus foi preparado. Uma vez que o tomarmos, ficaremos curados. Mas quem dará esse remédio a você? Há o médico que prescreve a receita. Deve haver também quem dê o remédio. A obra do Espírito Santo é transmitir a nós a obra do Senhor Jesus. O amor de Deus está na graça do Senhor Jesus, e a graça do Senhor Jesus está na comunhão do Espírito Santo. Assim, todos aqueles que receberam a comunhão do Espírito Santo recebem a graça do Senhor Jesus, e todos os que receberam a graça do Senhor Jesus experimentam o amor de Deus.  Quando o Espírito Santo vem, Ele nos dá a luz e nos mostra nossas falhas e degradação. Ele nos mostra que estamos perdidos. Deus trabalhou de tal maneira que uma vez que você abra a boca e diga uma palavra e uma vez que seu coração tenha um lugar para o Senhor e O invoque, você será salvo. Você não precisa ir a uma grande catedral para ser salvo. Não precisa orar para ser salvo. Você não precisa ficar defronte a um altar para ser salvo. O Espírito Santo já foi derramado sobre toda carne. Abraço. Davi

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

CABALA - MITOS E VERDADES. Parte IV

Judaísmo. Livro Um Guia para a Sabedoria Oculta da Cabala. Por Michael Laitman (1946 - ). CABALA - MITOS E VERDADES. Parte IV. A história dos desejos. Somente o essencial. Cinco graus de desejos. Reconhecimento do mal como condição para descobrir o Criador. O "ponto no coração". A intenção é a força decisiva da vida. A história da humanidade está em equivalência com a história os desejos humanos e como eles se desenvolveram. A busca de maneiras de satisfazer nossos desejos determina a velocidade e direção da evolução de uma civilização e define como ela mede seu progresso. Este capítulo, explora o desenvolvimento dos desejos humanos, das necessidades básicas até o nível mais alto. A necessidade pela espiritualidade. Você só pode começar um estudo sério da Cabala depois de ter adquirido essa necessidade. Essa é a chave para compreender a função do Criador e a nossa própria função no mundo. Cinco níveis de desejos. A lista dos sucessos da humanidade é paralela à de seus desejos. O desejo humano de transportar mercadorias a um passo mais veloz acelerou a invenção da roda. O desejo humano de governar e conquistar foram a força motriz que levou a invenção do canhão na Idade Média. A medida que o desejo coletivo cresce, as civilizações progridem. A Cabala divide o complexo inteiro de desejos humanos em cinco graus: Nível 1. Satisfazendo desejos naturais básicos, tais como comida, abrigo e sexo. Nível 2. Lutando para enriquecer. Nível 3. Necessidade de poder e fama. Nível 4. Sede por instrução. Nível 5. O desejo para a espiritualidade. Uma vez o desejo imediato satisfeito, mesmo assim uma sensação de "vazio" se manifesta. Quanto mais o processo se repete, mais a pessoa é levada a questionar o benefício desse processo de vazio-satisfação-vazio. Quando desistimos de satisfazer os nossos desejos de certo nível, tentamos novamente no próximo nível. E quando os desejos dos primeiros quatro níveis terem provados ser todos ineficientes em nos dar uma satisfação duradoura, começamos a perguntar: Existe algo mais na vida do que correr atrás de bens materiais e posição social? Quando isso acontece, começamos a requer espiritualidade. Na Cabala, esse estado é chamado "o aparecimento do ponto do coração". Mais sobre isso abaixo, nesse capítulo. O reconhecimento do mal e a revelação do bem. No capitulo anterior, falamos do reconhecimento do mal, isto é, o reconhecimento de que somos egoístas, agindo somente para o nosso benefício. Dizemos que se considerarmos nosso estado como totalmente mal, e o estado Criador como totalmente desejável, atravessaremos a barreira e entraremos no mundo espiritual. A questão que permanece aberta é qual é a maneira mais rápida e menos dolorosa de reconhecermos o mal. Isso é onde a Cabala entra. A vantagem na Cabala é que ela ensina sobre a natureza humana sem ter que experimentar o mal fisicamente. Por isso é que os Cabalistas dizem que não precisamos sofrer, mas estudar em vez de sofrer. Nesse sentido, os humanos terminam a criação do Criador, quer dizer que eles a corrigem. Por que os humanos tem a habilidade de se assemelhar ao Criador, o Criador passa para eles a liderança da criação. Tão logos eles se corrijam. Então o bom propósito do mal se realiza só se o egoísmo se tornar a força motriz em direção ao Criador. Do contrário, o mal é mal é mal. E ele produz o mal, como os atos egoístas, através da história, o demonstram. O Criador nos pressiona mais para que nos controlemos. Esse é o porquê do mundo parecer cada vez mais hostil. O Criador assim o fez para que você e eu comecemos a corrigir o mundo e nós mesmos. Se ele não tivesse agido assim, você e eu estaríamos sentados sob uma árvore para nos bronzear. Apesar disso parecer ótimo, não o levaria nem perto de se assemelhar ao Criador. Que é o motivo por que Ele nos criou em primeiro lugar. O Criador quer que participemos da nossa própria criação. Se você se lembrar disto, todos os seus cálculos deixam de ser passivos. Ao contrário, eles se tornam instrumentos com os quais você contata o Criador e o experimenta. Cada atributo negativo ou mal em você se torna um meio para um fim. Na Cabala não existe nenhum outro meio de contatar o Criador, senão após nos darmos conta de que nossos atributos são negativos. Em outras palavras, o reconhecimento do mal é o começo da revelação do bem. Essa explicação do objetivo do Criador deixa uma pergunta em aberto: Se ele quer nos  dar prazer como os Cabalistas dizem, o que há de errado em se bronzear, se isso nos dá prazer? Bem, não há nada de errado nisso, se é realmente o que você quer. Mas se você tem uma pergunta na cabeça que está lhe perturbando, enquanto está deitado na praia. E você não consegue mais ter prazer em se bronzear. Aí talvez você precise de algo mais, e talvez esse algo mais seja a Cabala. Baal HaSulam (1885-1954) coloca assim: A Cabala é para aqueles que perguntam inconscientemente: Qual é o significado da minha vida? Sentindo-se bem e depois melhor ainda? Por trás de todos os nossos desejos está a procura pela satisfação. A Cabala explica que a vida está baseada num só desejo: Se sentir bem. independendo dessa satisfação ser obtenção de um novo emprego, um novo carro, um cônjuge, ou criança bem sucedida. Quando você começa a sentir a espiritualidade. ela muda sua escala de prazer. Você poderá começar a perceber que alguns desejos se tornaram mais importantes e outros menos. Você começa a examinar a sua vida não mais de acordo com o seu corpo físico vê no momento. Mas de acordo com uma escala muito mais ampla. Você começa a ver o que lhe é vantajoso e o que não é para futuras gerações. Com resultado, você muda a maneira de avaliar seu ambiente. Quando Você se der conta que você é parte de uma só alma e que todos na humanidade fazem parte dessa alma. Você começa a pensar que talvez seja do seu interesse ajudá-los. Em resumo, a Cabala lhe lembra a olhar para a grande imagem. Ironicamente, contudo, quanto mais você quer espiritualidade, mais você quer também prazeres mundanos. Um Cabalista não é uma pessoa sem desejos por comida, sexo, dinheiro, poder e conhecimento. Pelo contrário, um Cabalista tem desejos mundanos ainda mais fortes que a maioria das pessoas. Contudo, um desejo pela espiritualidade ainda maior do que todos os maiores desejos mundanos juntos. O processo de intensificação é feito para que você desenvolva um desejo tão grande por espiritualidade. Que você será capaz de fazer qualquer coisa para atingi-lo. Inclusive anulando todos os desejos que não são para a espiritualidade. Mas para que desista desses desejos, você deve antes vivê-los. Isso é porque os cabalistas explicam que quanto maior o seu nível espiritual, quanto maior é o desejo de prazeres mundanos. Em seguida recebendo a consciência que existe algo que é ainda melhor e maior que todos os prazeres combinados. Na espiritualidade, como no nosso mundo, seus desejos mudam à medida que você cresce. Os primeiros desejos que você teve se pareciam com brinquedos comparados com as coisas que você busca agora. Essa busca finalmente leva ao bem absoluto, ao contado direto com o Criador, realizado através da equivalência da forma com Ele. Em sendo semelhante a Ele. Uma situação ganhadora. Mas, se o Criador fez um mundo para outorgar sua abundância aos seres criados. Então por que está errado querer tudo para si. Por que isso é visto como mal ou egoísmo? Por que era necessário criar um mundo tão imperfeito e uma criação tão corrupta que devem ser corrigidos? A Cabala explica que o Criador recebe prazer ao dar prazer aos seres que criou, nós. Se nos deleitamos pelo fato que nossa recepção agrada ao Criador, então nossas qualidades e desejos coincidem com as do Criador. Dessa maneira, todos pensam no próximo, não em si mesmos ou em si mesmas, e todos recebem prazer da mesma forma. Quando sexo, poder e conhecimento não bastam. Quando desejos de prazeres mundanos, comida, sexo, família, riqueza, poder e conhecimento, falham em manter sua promessa de felicidade duradoura. O "ponto do coração" começa a se desenvolver. É um desejo de algo superior, aparecendo quando todos os desejos mundanos se exauriram, acabaram. O "ponto do coração". O ponto do coração, o desejo pela Luz - o Criador, é despertado dentro dos desejos egoístas, que uma pessoa não pode preencher. Confrontados com a impossibilidade de satisfazer o desejo pelo Criador através de meios mundanos. A pessoa chega ao estado final da evolução da vontade de receber. Quando isto acontece, a pessoa sente muitas vezes a escuridão dentro de si. Mas isto não é porque ele ou ela tenha piorado. Ao contrário, é porque essa pessoa tornou-se mais corrigida, atraiu mais Luz, em novos lugares de sua alma. Mas como esses lugares ainda não foram corrigidos, eles dão o sentimento de escuridão. Quando aparecem trevas, é um sinal claro de que você fez progressos e que a Luz certamente virá a seguir. Na Introdução ao Estudo das Dez Sefirot, Baal HaSulam escreve que é como se o Criador aparecesse para uma pessoa saindo de uma fenda na parede e oferecesse esperança de uma paz futura. Em Cabala isto é chamado de "colocar a mão na boa sorte". Analisando o porquê. O verdadeiro trabalho começa quando o ponto no coração se abre. Na Cabala, o ponto focal é a intenção. Os desejos criam nossos pensamentos, mas, as intenções lhes dão sentido. Isto, por sua vez, cria as nossas ações e finalmente toda a nossa realidade. Com o estudo da Cabala, você pode se concentrar em desenvolver intenções que afetam a realidade de maneira tal que acabam por elevar você ao Mundo Superior, ao Criador. Na ciência da Cabala o pensamento é a intenção, pois é o seu progenitor. Na vida natural, pensamentos são as considerações feitas pelo desejo de receber. O desejo de receber por si só não é ruim, foi assim que você e eu fomos criados. Quando usado corretamente, é benéfico para nós e para o Criador. A intenção na qual usamos nosso desejo é onde devemos focar nossa atenção. Em outras palavras, devemos estar cientes do porque fazemos o que fazemos, que proveito queremos tirar disso. Quem queremos agradar ao receber prazer, a nós ou ao Criador? Essa intenção criará um plano de trabalho, um pensamento e esses determinam toda a realidade. Então, a única parte que deve ser corrigida na realidade são nossas intenções. É por isso que os Cabalistas dizem que não importa o que você faz, porém o que você quer alcançar através do que faz. Desenvolveremos esse assunto a seguir. Acoplando com o Criador. O objetivo do Criador desde o início era tornar o desejo completo. Entretanto, isto acontece somente quando o seu objetivo, por livre vontade, se assemelha ao atributo de doação do Criador. Isto requer transformar seu desejo de autossatisfação para o desejo de agradar ao Criador. E o Criador fica satisfeito quando você adquire suas qualidades. Quando você adquirir essa intenção, a sua vontade de sentir prazer se torna igual ao desejo do Criador de doar. Você traz a si mesmo para um estado de perfeição pela correta utilização de seu único atributo> a recepção de prazer. Esta é uma mudança de intenção, uma mudança no objetivo de suas ações e não em suas ações propriamente ditas. Alterando a intenção de um desejo envolve três fases: 1. Evitar o uso de desejo em sua forma original. 2. Isolar a partir do seu desejo de desfrutar apenas os desejos que você pode usar a fim de agradar ao Criador. 3. Corrigir a intenção dos desejos dignos e tornar-se parecido com o Criador nestes desejos. Em Cabala, isso é chamado de "união com o Criador" ou "descobrir o Criador". Na espiritualidade, você se afasta da realidade com a qual nasceu. Em vez disso, você começa a conhecer as forças que pintaram o quadro. Você começa a conhecer o artista. Você adquirirá a capacidade para se conectar com as forças que criam a imagem. Em última instância, governar essas forças. Você começa a entender como a realidade é feita. Isso acontece para a sociedade como um todo, bem como para cada indivíduo. Hoje, muitos de nós já concluíram os Níveis 1-4 e estão agora embarcando para o Nível 5, o nível espiritual. Este é um tempo em que as pessoas vão querer saber para que estão vivendo. Nosso próximo capítulo irá explorar pontos chaves na evolução da Cabala e sua congruência com a história da humanidade. Em resumo: Existem cinco níveis de desejo: comida, sexo, riqueza, poder, conhecimento e espiritualidade. O único desejo que nos satisfaz é o último. A história é realmente um conto de desejos exacerbados, insaciáveis. Seus atributos negativos acabarão por levá-lo a conhecer o Criador. O desejo de mais coisas mundanas necessariamente conduz a um maior vazio, porque o nosso verdadeiro desejo, inconsciente, é conhecer o Criador. Intenção é a força impulsionadora da ação. O objetivo por trás dos outros. Abraço. Davi

sábado, 3 de janeiro de 2026

ISLAMISMO. CONCLUSÃO II

Islamismo. IslamHouse.com. Manual para o Novo Muçulmano. Por Jamaal Zarabozo (1961 - ). ISLAMISMO. CONCLUSÃO II. “Ó fiéis, não tomeis por confidentes vossos pais e irmãos, se preferirem a incredulidade à fé; aqueles, dentre vós, que os tomarem por confidentes, serão iníquos. Dize-lhes: Se vossos pais, vossos filhos, vossos irmãos, vossas esposas, vossa tribo, os bens que tenhais adquirido, o comércio, cuja estagnação temeis, e as casas nas quais residis, são-vos mais queridos do que Deus e Seu Mensageiro, bem como a luta por Sua causa, aguardai, até que Deus venha cumprir os Seus desígnios. Sabei que Ele não ilumina os depravados.” (9: 23-24). Não obstante, nenhum muçulmano pode aprovar, de maneira nenhuma, suas falsas formas de adoração. Allah conduziu o convertido à única e irrefutável verdade e desejo mais fervoroso desta pessoa deve ser que as pessoas que o cercam também enxerguem a verdade. Ao mesmo tempo em que mantém uma relação cordial com todos os que o rodeiam, o muçulmano convertido deve deixar claro que não pode aprovar, nem participar de nenhuma forma de adoração que reconheça como falsa. Por exemplo, o muçulmano não pode celebrar o natal. A crença representada por esta celebração, o nascimento do filho de Deus e o salvador, vai de encontro às bases fundamentais do monoteísmo islâmico. O muçulmano não deve, jamais, participar desta celebração. Tampouco deve desejar que outros desfrutem dessa comemoração ou trocar presentes nessa ocasião. Ao invés disso, deve deixar que os demais realizem seus atos de adoração e celebração esclarecendo que sua participação em tais práticas comprometeria e contradiria sua nova fé. Mediante uma explicação clama e clara, é esperado que as pessoas respeitem e aceitem a decisão do convertido em permanecer afastado destas práticas religiosas que não são compatíveis com sua nova fé. Manter os laços com os pais também engloba visitá-los. Especialmente se parte da intenção da visita consiste em permitir que seus parentes tenham contato com um muçulmano e obtenham informações verdadeiras acerca do Islam, não há dúvidas que esta visita é aprovada. O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) visitou seu tio politeísta Abu Taalib quando este se encontrava doente, assim como também visitou o judeu adolescente que estava em seu leito de morte. Ele aceitava seus convites para refeições. De fato, está confirmado que o Profeta visitou Abdullah Ibn Ubai Ibn Salul em seu leito de morte, mesmo sabendo que ele era o chefe dos hipócritas e seu opositor. Obviamente existem limitações quanto ao tipo de visitas e atividades nas quais o muçulmano pode participar. Dentre as questões frequentes que surgem para os novos muçulmanos, encontra-se a de ir aos funerais de seus parentes. Segundo os relatos dos antigos sábios muçulmanos, o muçulmano deve apresentar suas condolências à família e deve estar presente nesses momentos, mas mantendo-se distante dos atos específicos do processo funerário, especialmente de qualquer tipo de ato que tenha reflexos religiosos. O principal objetivo é se manter afastado desse ato que poderia, de alguma forma, contradizer a fé islâmica. Quando o pai de Ali, Abu Taalib, morreu – como não muçulmano, o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) disse a Ali fosse e enterrasse seu pai e Ali o fez. Também existe um relato que diz que consultaram Ibn Abbas, companheiro do Profeta, sobre um muçulmano cujo pai cristão havia morrido, e ele disse: “Ele deve ir enterrá-lo”. Quando é dado os pêsames aos não muçulmanos, deve-se desejar o melhor, esperando que sejam abençoados com boas coisas e alentando-os a serem pacientes. Não está permitido que se implore o perdão por aqueles que hajam falecido fora da fé islâmica. Isso foi proibido no Qur’an. Allah disse: “É inadmissível que o Profeta e os fiéis implorem perdão para os idólatras, ainda que estes sejam seus parentes carnais, ao descobrirem que são companheiros do fogo.” (9: 113). A relação do muçulmano com seu cônjuge. O matrimonio é uma instituição muito importante no Islam. A família é o núcleo da sociedade como um todo. Se a família é constituída sobre uma base sólida, há maiores possibilidades de que a sociedade seja saudável. Assim, em geral, os mensageiros de Allah, os melhores exemplos para os seres humanos, aderiram à instituição do matrimônio. Allah disse: “Antes de ti havíamos enviado mensageiros; e lhes concedemos esposas e descendência...” (13: 38). O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) também adotou o matrimônio como sua forma de vida ao dizer: “Por Allah, de todos eu sou o que mais teme a Allah e o mais devoto; entretanto, jejuo e quebro o jejum, oro [de noite], mas também durmo e me caso com mulheres. Todo aquele que der as costas à minha sunnah não é dos meus.” (Bukhari e Muslim). O Qur’an afirma que existe um forte laço entre os homens e as mulheres. Em diversas ocasiões no Qur’an, Allah recorda os homens que todos provêm do mesmo ser humano. Este vínculo os conecta e através destes laços é que alguns direitos, de um sobre os outros, são estabelecidos. Allah declara no começo da surah an-Nissa: “Ó humanos, temei a vosso Senhor, que vos criou de um só ser, do qual criou a sua companheira e, de ambos, fez descender inumeráveis homens e mulheres. Temei a Deus, em nome do Qual exigis os vossos direitos mútuos e reverenciai os laços de parentesco, porque Deus é vosso Observador.” (4:1). Além da origem que os sexos têm em comum, Allah ressalta que o amor e o afeto que Ele instaurou nos corações dos cônjuges é um de Seus grandes sinais que atuam como presságios para todos aqueles que possuem entendimento. Quer dizer, estas pessoas analisam este aspecto da criação e recordam a grandeza da obra e do poder de Allah, a perfeição de Sua criação e a imensa misericórdia que Allah pôs neste mundo. Allah disse no Qur’an: “Entre os Seus sinais está o de haver-vos criado companheiras da vossa mesma espécie, para que com elas convivais; e colocou amor e piedade entre vós. Por certo que nisto há sinais para os sensatos.” (30:21). “Ele foi Quem vos criou de um só ser e, do mesmo, plasmou a sua companheira, para que ele convivesse com ela e, quando se uniu a ela (Eva), injetou-lhe uma leve carga que nela permaneceu; mas quando se sentiu pesada, ambos invocaram Deus, seu Senhor: Se nos agraciares com uma digna prole, contar-nos-emos entre os agradecidos.” (7:189). Assim, de acordo com o Qur’an, a relação entre um homem e uma mulher deve estar baseada no amor, misericórdia e entendimento mútuo. Allah também ordena os homens que tratem suas mulheres afetuosamente no seguinte versículo: “...E harmonizai-vos entre elas, pois se as menosprezardes, podereis estar depreciando seres que Deus dotou de muitas virtudes.” (4:19). Vou mencionar algumas palavras acerca do propósito do matrimônio no Islam. Estas palavras são necessárias já que muitas vezes as pessoas contraem matrimônio ou desejam fazê-lo sem compreender os requisitos que devem cumprir, nem o propósito do casamento. Pelo contrário, não se inteiram das diferentes responsabilidades que recaem sobre seus ombros quando contraem matrimônio. Sem dúvida, se este propósito é conhecido e as responsabilidades que o matrimônio traz são compreendidas desde o começo, a possibilidade de que o matrimônio tenha êxito será maior. A pessoa saberá o que esperar do casamento, tanto de suas responsabilidades, quanto de suas obrigações e direitos.  Obviamente, o propósito do matrimônio não é simplesmente “divertir-se” ou satisfazer “as necessidades fisiológicas”. O matrimônio é muito mais que isso. Alguns  objetivos são: procriar, experimentar o prazer físico lícito, amadurecer, assistir-se e apoiar-se mutuamente na realização desta vida, obter benefícios psicológicos e fisiológicos, reforçar os valores morais sociais, educar a próxima geração de tal modo que contribuam para o crescimento moral e espiritual e unir os povos e as famílias. Com quem se pode contrair matrimônio Nos versículos 22 e 24 da surah an-Nissa, Allah determinou com quais mulheres um muçulmano pode se casar. Estas categorias são muito claras. Certamente, existem algumas questões que são de extrema importância para os muçulmanos convertidos, em especial para os que habitam as terras não muçulmanas. Cabe destacar que o tema das esposas não muçulmanas já foi analisado anteriormente. Uma questão importante é acerca dos homens ou mulheres que estão para se casar e que não são castos. Existe uma diferença de opinião entre os sábios acerca da permissão ao casamento com uma mulher que já cometeu formicação. A maioria dos sábios (Malik, Shafii e Hanafi) consideram que não é recomendável, enquanto outro grupo de sábios opina que é proibido. A diferença de opinião gira em torno do entendimento do seguinte versículo: “O adúltero não poderá casar-se, senão com uma adúltera ou uma idólatra; a adúltera não poderá desposar senão um adúltero ou um idólatra. Tais uniões estão vedadas aos fiéis.” (24: 3). A maioria dos sábios declara que este versículo nos mostra que o ato do matrimônio com esta classe de mulheres é algo condenável, mas não proibido. Também se baseiam no seguinte hadith: “Um homem se aproximou do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) e disse:  ‘Tenho uma esposa que amo muito, mas que não permite que eu a toque’. Ele disse: ‘Divorcia-te dela’. E o homem disse: ‘Mas não posso viver sem ela’. Respondeu: ‘Então, desfruta dela apesar [de sua deficiência]’.” Sem dúvida, muitos sábios da antiguidade declararam abertamente que está proibido casar-se com uma mulher adúltera, a menos que ela tenha se arrependido de seu ato de formicação. Esta foi a opinião de Ahmad Ibn Hanbal e outros. Esta parece ser a opinião mais sólida e correta baseada no versículo anteriormente mencionado. Quanto ao hadith que foi citado, o Imam Ahmad o considerou fraco. Assumindo que fosse autêntico, já que muitos sábios dizem que o é, não especifica se a mulher realmente cometeu algum tipo de ato sexual ilícito. Pode-se pensar que ela tenha sido promíscua ou liberal com outros homens, mas não ao ponto de cometer ato sexual ilegal. Se um homem tiver uma mulher com estas características, deve se divorciar dela já que o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) indicou isso claramente. De fato, esta é uma prova a mais que não se deve casar com uma adúltera. Pode-se analisar o fato de que, no caso do muçulmano convertido, ele deve ser muito cuidadoso com este assunto. Se uma pessoa converte ao Islam recentemente, então, deveria se casar com uma mulher que aumente sua fé e que fortaleça sua determinação na adoração correta a Allah. Obviamente, uma mulher de caráter imoral não será a opção correta para ninguém que deseje ser um verdadeiro crente, pelo contrário, pode ser perigoso, pois sua fé é nova e vulnerável. Outro assunto importante é se um muçulmano tem permissão para se casar com uma judia ou cristã. Este tem sido um tema frequentemente debatido entre os sábios; a maioria deles permite (baseando-se no versículo 5:5), uma minoria proíbe e outra minoria aplica uma série de condições estritas a esta união. Sem entrar em detalhes acerca do debate, novamente, para o convertido, seria melhor que considerasse essa situação cuidadosamente. Sendo um novo convertido ao Islam, não deve abrir as portas à tentação e duvidar sobre sua fé. Não se espera que uma mulher não muçulmana o apoie em sua fé ou ajude a crescer espiritualmente, como faria uma muçulmana devota. Em consequência, sem dúvidas, os convertidos ao Islam deveriam evitar contrair matrimônio com uma não muçulmana. Quanto à muçulmana, convertida ou não, que se casa com um não muçulmano, al-Ghummaari escreveu: “o matrimônio entre uma mulher muçulmana e um homem não muçulmano está proibido, como se declara claramente no Qur’an, e é algo que deve ser de conhecimento geral. Se alguém crê que este tipo de matrimônio está permitido, então, essa pessoa se desviou e se tornou uma incrédula.” Em geral, o homem é a cabeça do lar, por isso, uma muçulmana contrair matrimônio com um homem não muçulmano representa um perigo muito maior para a mulher e, então, está proibido. Os direitos dos cônjuges Primeiramente, os casados devem saber que o cônjuge é, antes de tudo, um muçulmano. Ele ou ela é um irmão no Islam. Então, todos os direitos que recaem sobre um muçulmano, devido às condições de irmandade, recaem também sobre os cônjuges. Existem livros a respeito do comportamento de um muçulmano, irmandade, amor e lealdade entre os muçulmanos; e todos os princípios se aplicam a uma pessoa casada, já que seu cônjuge é parte da irmandade e comunidade islâmica. Além disso, o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) também ressaltou isso dizendo: “Nenhum de vós é realmente um crente até que ame vosso irmão como a vós mesmos.” (Bukhari e Muslim). Sem dúvida, o cônjuge tem ainda mais direitos devido ao importante laço que foi adquirido entre eles. Portanto, quando analisamos os direitos que possuem os cônjuges, não devemos encarar este tema de uma forma fria ou meramente legal. A relação entre o marido e sua esposa deve ser muito mais que uma série de direitos estabelecidos pela lei que cada um deve obedecer. Deve ser uma relação de amor, apoio e entendimento mútuo. Cada cônjuge deve considerar as necessidades e habilidades do companheiro. Devem tentar fazer o outro feliz, mesmo que tenham que abrir concessões e não simplesmente esperar obter todos os seus direitos maritais. Na realidade, é normal que nenhum dos cônjuges satisfaça completamente os direitos do outro e que o faça completamente feliz. É assim que ambos devem identificar e aceitar seus defeitos. O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele), em particular, aconselhou aos esposos que tratassem suas esposas da melhor maneira possível, talvez por causa de sua autoridade ou força, em todos os âmbitos. O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) disse: “O melhor dentre vós é aquele que melhor se comporte com sua família [esposa] e eu sou o melhor de vós com minha família.” O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) também deu outro conselho: “Aconselho-vos a tratarem bem vossas mulheres, já que estas foram criadas da parte superior de uma costela, a parte mais encurvada. Se tentarem endireitá-las, rompê-las-ão; se as deixarem permanecerão tortas. Assim, aconselho que tratem bem vossas mulheres.” (Bukhari). Na realidade, ambos os cônjuges, em geral, não cumprem completamente com suas obrigações para com o companheiro. Então, antes de criticar o outro ou enraivecer-se por alguma falta que o companheiro ou a companheira tenha cometido, a pessoa deve olhar para si mesma e analisar o que está fazendo de mal. Do mesmo modo, a Lei Islâmica assentou-se sobre alguns direitos e obrigações para que ambas as partes saibam exatamente o que devem esperar do outro e o que devem proporcionar para ser um bom esposo ou esposa. Por exemplo, Allah disse: “...porque elas tem direitos equivalentes aos seus deveres...” (2:228). Em resumo, os direitos da esposa ou as obrigações do esposo inclui, entre outras coisas, o seguinte: Receber o dote apropriado: Allah disse: “Concedei os dotes que pertencem às mulheres e, se for da vontade delas conceder-vos algo, desfrutai-o com bom proveito.” (4:4). Ser completa e plenamente mantida economicamente por seu marido. Allah disse: “Os homens são os protetores das mulheres, porque Deus dotou uns com mais (força) do que as outras, e pelo seu sustento do seu pecúlio...” (4: 34). Além disso, em um hadith registrado por Bukhari e Muslim, o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) disse a Hind Bint Utbah, quando ela se queixou que seu esposo (Abu Sufiyan) era mesquinho e que não a mantinha dignamente, e perguntou se poderia pegar seu dinheiro sem que ele soubesse: “Toma o suficiente para ti e para teu filho, de acordo com os costumes.”  Ser tratadas de uma maneira digna e amável. Allah disse: “...E harmonizai-vos entre elas, pois se as menosprezardes, podereis estar depreciando seres que Deus dotou de muitas virtudes.” (4: 19).  O direito de gozar de relações sexuais. Do Sahih de Ibn Hibban foi extraído a seguinte narração: “A esposa de Uthman Ibn Madh’um se queixou ao Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) que seu esposo não sentia a necessidade de estar com uma mulher. Durante o dia jejuava e durante a noite rezava. O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) perguntou ao homem: Acaso não sou o melhor exemplo a seguir?’ Respondeu: ‘Sem dúvidas, sacrificaria a minha mãe e meu pai por ti.’ O Mensageiro de Allah disse: ‘Quanto a ti, continuas rezando pelas noites e jejuando durante os dias. Sem dúvida, tua esposa tem direitos sobre ti. E teu corpo tem direitos sobre ti. Assim que, rezes, mas também durma, jejues, mas outros dias interrompa teu jejum’.”  O direito de gozar de “privacidade”. Analisemos o seguinte hadith do Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele): “Algum de vós se dirige à sua esposa, fecha a porta, cobre-se e se oculta em Allah? Responderam: ‘Sim’ Logo, senta-se [com os demais] e diz: ‘Fiz isso e aquilo’? Eles, então, permaneceram em silêncio. O Profeta, então, se dirigiu às mulheres e perguntou: ‘Alguma de vocês fala destas coisas?’ Elas também permaneceram em silêncio. Então, uma jovem mulher entrou silenciosamente, e se dirigiu ao Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele): ‘Ó Mensageiro de Allah, por certo que eles [os homens] falam disso e elas [as mulheres] também.’ Ele disse: ‘Sabe como são? São como um demônio feminino que se encontra com um demônio masculino na rua e satisfazem seus desejos enquanto as pessoas os veem’.”  O direito de aprender ou ensinar a sua religião. Por outro lado, os direitos do esposo ou as responsabilidades das mulheres são:  Ser a cabeça do casal e da família. Allah disse: “Os homens são os protetores das mulheres, porque Deus dotou uns com mais (força) do que as outras, e pelo seu sustento do seu pecúlio...” (4:34). Normalmente, este é o direito do esposo e constitui uma carga muita pesada sobre seus ombros, já que implica na responsabilidade de guiar sua família e mantê-los no caminho correto.  O direito de ser obedecido. Este é parte do primeiro direito. Uma pessoa não pode ser a cabeça de algo se não possui autoridade. Página 203. Abraço. Davi