sábado, 10 de janeiro de 2026

O REI PRASENAJIT VISITA BUDA

Budismo. Livro O Evangelho de Buda. Vida e Doutrina de Sidarta Gautama. O REI PRASENAJIT VISITA BUDA. O rei Prasenajit, tendo conhecimento da chegada do Senhor Buda, saiu com grande pompa e foi ao bosque de Jevatana, onde ele estava, e de mãos juntas saudou-o, dizendo-lhe: Feliz o meu humilde e indigno reino por obtido tão grande favor, pois que perigos, que calamidades poderão ameaçá-lo na presença do Senhor do Mundo. Do rei da Lei e do rei da Verdade? Agora que contemplo seu semblante sagrado, poderei encher o meu vaso com as saudáveis águas de seus ensinamentos. Os bens terrenos são transitórios e perecíveis. Os bens da verdadeira religião são permanentes e eternos. O homem mundano, mesmo que use coroa e empunhe cetro, está inquieto, enquanto o santo, embora seja vulgar, goza de paz de espírito. O senhor Buda sabia que o rei Prasenajit era escravo da avareza e amava os prazeres: então aproveitando a ocasião disse: Aquele que por seu mal carma nasce em condição vulgar, respeita o homem virtuoso. Com maior razão deve respeitar um Buda aquele que por merecimentos contraídos em existências anteriores, nascem em leito régio. Escute atentamente o rei, minhas palavras e considere bem o que vou lhe dizer: Nossas boas ou más ações nos seguem constantemente, como a nossa sombra. O mais importante é um coração compassivo. Considere o seu povo, como se fosse o seu único filho. Não o oprima nem destrua. Sujeite à sua vontade todos os membros do seu corpo. Fuja das doutrinas perversas e siga o caminho reto. Não se ufane rebaixando-se aos demais. Dê alívio e socorro aos que sofrem. Não dê valor excessivo à dignidade real nem preste ouvido as palavras lisonjeadoras dos aduladores. De nada serve mortificar-se com austeridade. Mais vale meditar sobre a lei da Verdade. Estamos encerrados dentro do muro do nascimento, da enfermidade, da velhice e da morte. Só pela meditação e prática da verdadeira Lei poderemos sair de nosso encerramento. Que proveito colhe a iniquidade? Todos os sábios fugiram dos prazeres sensuais. Detestaram a luxúria e ocuparam-se em enaltecer a sua vida espiritual. Como será possível às aves se refugiarem nos ramos de uma árvore em chamas? A verdade é incompatível com a paixão. Quem não sabe disso é ignorante, embora o chamem de sábio. Quem conhece esta ciência está no alvorecer da verdadeira sabedoria. Na aquisição dessa sabedoria prevalecerá o propósito da vida. Quem não a obtém, fracassa. Esta verdade não se destina ao peculiar conhecimento do asceta e do brâmane, porém a todo ser humano sem exceção nem diferença de casta. Não se faz distinção entre o monge professo e o pai de família em seu lar. Há monges que caem na perdição e humildes pais de família que ascendem a categoria de rishi. A luxúria estende suas redes pior todo a parte do mundo e a todos ameaça com o mesmo perigo. Quem cai em suas malhas só se salva pela reflexão e conquista da sabedoria. Desde que é impossível evitas as consequências de nossas ações, procedamos sempre em obediência à lei. Vigiemos nossos pensamentos, porque do pensamento provém a ação e segundo semearmos assim colheremos. Há muitos caminhos que conduzem das trevas para a luz, e outros há que levam da luz para as trevas. Também há caminhos que da obscuridade conduzem à escuridão, e outros há que dá aurora nos levam à luz meridiana. Mostre-se superior pelo exercício da razão e da virtude. Medite, profundamente na instabilidade das coisas humanas e na inconstância da vida terrena. Realce o seu espírito com fé sincera e vontade firme. Não quebre as regras da boa conduta nem estabeleça a felicidade em coisas externas. Mas na sua individualidade interior. Assim as futuras gerações bendirão seu nome, e não lhe faltará a proteção do Tathágata. O rei ouviu de maneira respeitosa as palavras do Buda e gravou-as no seu coração. Abraço. Davi.     

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