terça-feira, 6 de janeiro de 2026

CABALA - MITOS E VERDADES. Parte IV

Judaísmo. Livro Um Guia para a Sabedoria Oculta da Cabala. Por Michael Laitman (1946 - ). CABALA - MITOS E VERDADES. Parte IV. A história dos desejos. Somente o essencial. Cinco graus de desejos. Reconhecimento do mal como condição para descobrir o Criador. O "ponto no coração". A intenção é a força decisiva da vida. A história da humanidade está em equivalência com a história os desejos humanos e como eles se desenvolveram. A busca de maneiras de satisfazer nossos desejos determina a velocidade e direção da evolução de uma civilização e define como ela mede seu progresso. Este capítulo, explora o desenvolvimento dos desejos humanos, das necessidades básicas até o nível mais alto. A necessidade pela espiritualidade. Você só pode começar um estudo sério da Cabala depois de ter adquirido essa necessidade. Essa é a chave para compreender a função do Criador e a nossa própria função no mundo. Cinco níveis de desejos. A lista dos sucessos da humanidade é paralela à de seus desejos. O desejo humano de transportar mercadorias a um passo mais veloz acelerou a invenção da roda. O desejo humano de governar e conquistar foram a força motriz que levou a invenção do canhão na Idade Média. A medida que o desejo coletivo cresce, as civilizações progridem. A Cabala divide o complexo inteiro de desejos humanos em cinco graus: Nível 1. Satisfazendo desejos naturais básicos, tais como comida, abrigo e sexo. Nível 2. Lutando para enriquecer. Nível 3. Necessidade de poder e fama. Nível 4. Sede por instrução. Nível 5. O desejo para a espiritualidade. Uma vez o desejo imediato satisfeito, mesmo assim uma sensação de "vazio" se manifesta. Quanto mais o processo se repete, mais a pessoa é levada a questionar o benefício desse processo de vazio-satisfação-vazio. Quando desistimos de satisfazer os nossos desejos de certo nível, tentamos novamente no próximo nível. E quando os desejos dos primeiros quatro níveis terem provados ser todos ineficientes em nos dar uma satisfação duradoura, começamos a perguntar: Existe algo mais na vida do que correr atrás de bens materiais e posição social? Quando isso acontece, começamos a requer espiritualidade. Na Cabala, esse estado é chamado "o aparecimento do ponto do coração". Mais sobre isso abaixo, nesse capítulo. O reconhecimento do mal e a revelação do bem. No capitulo anterior, falamos do reconhecimento do mal, isto é, o reconhecimento de que somos egoístas, agindo somente para o nosso benefício. Dizemos que se considerarmos nosso estado como totalmente mal, e o estado Criador como totalmente desejável, atravessaremos a barreira e entraremos no mundo espiritual. A questão que permanece aberta é qual é a maneira mais rápida e menos dolorosa de reconhecermos o mal. Isso é onde a Cabala entra. A vantagem na Cabala é que ela ensina sobre a natureza humana sem ter que experimentar o mal fisicamente. Por isso é que os Cabalistas dizem que não precisamos sofrer, mas estudar em vez de sofrer. Nesse sentido, os humanos terminam a criação do Criador, quer dizer que eles a corrigem. Por que os humanos tem a habilidade de se assemelhar ao Criador, o Criador passa para eles a liderança da criação. Tão logos eles se corrijam. Então o bom propósito do mal se realiza só se o egoísmo se tornar a força motriz em direção ao Criador. Do contrário, o mal é mal é mal. E ele produz o mal, como os atos egoístas, através da história, o demonstram. O Criador nos pressiona mais para que nos controlemos. Esse é o porquê do mundo parecer cada vez mais hostil. O Criador assim o fez para que você e eu comecemos a corrigir o mundo e nós mesmos. Se ele não tivesse agido assim, você e eu estaríamos sentados sob uma árvore para nos bronzear. Apesar disso parecer ótimo, não o levaria nem perto de se assemelhar ao Criador. Que é o motivo por que Ele nos criou em primeiro lugar. O Criador quer que participemos da nossa própria criação. Se você se lembrar disto, todos os seus cálculos deixam de ser passivos. Ao contrário, eles se tornam instrumentos com os quais você contata o Criador e o experimenta. Cada atributo negativo ou mal em você se torna um meio para um fim. Na Cabala não existe nenhum outro meio de contatar o Criador, senão após nos darmos conta de que nossos atributos são negativos. Em outras palavras, o reconhecimento do mal é o começo da revelação do bem. Essa explicação do objetivo do Criador deixa uma pergunta em aberto: Se ele quer nos  dar prazer como os Cabalistas dizem, o que há de errado em se bronzear, se isso nos dá prazer? Bem, não há nada de errado nisso, se é realmente o que você quer. Mas se você tem uma pergunta na cabeça que está lhe perturbando, enquanto está deitado na praia. E você não consegue mais ter prazer em se bronzear. Aí talvez você precise de algo mais, e talvez esse algo mais seja a Cabala. Baal HaSulam (1885-1954) coloca assim: A Cabala é para aqueles que perguntam inconscientemente: Qual é o significado da minha vida? Sentindo-se bem e depois melhor ainda? Por trás de todos os nossos desejos está a procura pela satisfação. A Cabala explica que a vida está baseada num só desejo: Se sentir bem. independendo dessa satisfação ser obtenção de um novo emprego, um novo carro, um cônjuge, ou criança bem sucedida. Quando você começa a sentir a espiritualidade. ela muda sua escala de prazer. Você poderá começar a perceber que alguns desejos se tornaram mais importantes e outros menos. Você começa a examinar a sua vida não mais de acordo com o seu corpo físico vê no momento. Mas de acordo com uma escala muito mais ampla. Você começa a ver o que lhe é vantajoso e o que não é para futuras gerações. Com resultado, você muda a maneira de avaliar seu ambiente. Quando Você se der conta que você é parte de uma só alma e que todos na humanidade fazem parte dessa alma. Você começa a pensar que talvez seja do seu interesse ajudá-los. Em resumo, a Cabala lhe lembra a olhar para a grande imagem. Ironicamente, contudo, quanto mais você quer espiritualidade, mais você quer também prazeres mundanos. Um Cabalista não é uma pessoa sem desejos por comida, sexo, dinheiro, poder e conhecimento. Pelo contrário, um Cabalista tem desejos mundanos ainda mais fortes que a maioria das pessoas. Contudo, um desejo pela espiritualidade ainda maior do que todos os maiores desejos mundanos juntos. O processo de intensificação é feito para que você desenvolva um desejo tão grande por espiritualidade. Que você será capaz de fazer qualquer coisa para atingi-lo. Inclusive anulando todos os desejos que não são para a espiritualidade. Mas para que desista desses desejos, você deve antes vivê-los. Isso é porque os cabalistas explicam que quanto maior o seu nível espiritual, quanto maior é o desejo de prazeres mundanos. Em seguida recebendo a consciência que existe algo que é ainda melhor e maior que todos os prazeres combinados. Na espiritualidade, como no nosso mundo, seus desejos mudam à medida que você cresce. Os primeiros desejos que você teve se pareciam com brinquedos comparados com as coisas que você busca agora. Essa busca finalmente leva ao bem absoluto, ao contado direto com o Criador, realizado através da equivalência da forma com Ele. Em sendo semelhante a Ele. Uma situação ganhadora. Mas, se o Criador fez um mundo para outorgar sua abundância aos seres criados. Então por que está errado querer tudo para si. Por que isso é visto como mal ou egoísmo? Por que era necessário criar um mundo tão imperfeito e uma criação tão corrupta que devem ser corrigidos? A Cabala explica que o Criador recebe prazer ao dar prazer aos seres que criou, nós. Se nos deleitamos pelo fato que nossa recepção agrada ao Criador, então nossas qualidades e desejos coincidem com as do Criador. Dessa maneira, todos pensam no próximo, não em si mesmos ou em si mesmas, e todos recebem prazer da mesma forma. Quando sexo, poder e conhecimento não bastam. Quando desejos de prazeres mundanos, comida, sexo, família, riqueza, poder e conhecimento, falham em manter sua promessa de felicidade duradoura. O "ponto do coração" começa a se desenvolver. É um desejo de algo superior, aparecendo quando todos os desejos mundanos se exauriram, acabaram. O "ponto do coração". O ponto do coração, o desejo pela Luz - o Criador, é despertado dentro dos desejos egoístas, que uma pessoa não pode preencher. Confrontados com a impossibilidade de satisfazer o desejo pelo Criador através de meios mundanos. A pessoa chega ao estado final da evolução da vontade de receber. Quando isto acontece, a pessoa sente muitas vezes a escuridão dentro de si. Mas isto não é porque ele ou ela tenha piorado. Ao contrário, é porque essa pessoa tornou-se mais corrigida, atraiu mais Luz, em novos lugares de sua alma. Mas como esses lugares ainda não foram corrigidos, eles dão o sentimento de escuridão. Quando aparecem trevas, é um sinal claro de que você fez progressos e que a Luz certamente virá a seguir. Na Introdução ao Estudo das Dez Sefirot, Baal HaSulam escreve que é como se o Criador aparecesse para uma pessoa saindo de uma fenda na parede e oferecesse esperança de uma paz futura. Em Cabala isto é chamado de "colocar a mão na boa sorte". Analisando o porquê. O verdadeiro trabalho começa quando o ponto no coração se abre. Na Cabala, o ponto focal é a intenção. Os desejos criam nossos pensamentos, mas, as intenções lhes dão sentido. Isto, por sua vez, cria as nossas ações e finalmente toda a nossa realidade. Com o estudo da Cabala, você pode se concentrar em desenvolver intenções que afetam a realidade de maneira tal que acabam por elevar você ao Mundo Superior, ao Criador. Na ciência da Cabala o pensamento é a intenção, pois é o seu progenitor. Na vida natural, pensamentos são as considerações feitas pelo desejo de receber. O desejo de receber por si só não é ruim, foi assim que você e eu fomos criados. Quando usado corretamente, é benéfico para nós e para o Criador. A intenção na qual usamos nosso desejo é onde devemos focar nossa atenção. Em outras palavras, devemos estar cientes do porque fazemos o que fazemos, que proveito queremos tirar disso. Quem queremos agradar ao receber prazer, a nós ou ao Criador? Essa intenção criará um plano de trabalho, um pensamento e esses determinam toda a realidade. Então, a única parte que deve ser corrigida na realidade são nossas intenções. É por isso que os Cabalistas dizem que não importa o que você faz, porém o que você quer alcançar através do que faz. Desenvolveremos esse assunto a seguir. Acoplando com o Criador. O objetivo do Criador desde o início era tornar o desejo completo. Entretanto, isto acontece somente quando o seu objetivo, por livre vontade, se assemelha ao atributo de doação do Criador. Isto requer transformar seu desejo de autossatisfação para o desejo de agradar ao Criador. E o Criador fica satisfeito quando você adquire suas qualidades. Quando você adquirir essa intenção, a sua vontade de sentir prazer se torna igual ao desejo do Criador de doar. Você traz a si mesmo para um estado de perfeição pela correta utilização de seu único atributo> a recepção de prazer. Esta é uma mudança de intenção, uma mudança no objetivo de suas ações e não em suas ações propriamente ditas. Alterando a intenção de um desejo envolve três fases: 1. Evitar o uso de desejo em sua forma original. 2. Isolar a partir do seu desejo de desfrutar apenas os desejos que você pode usar a fim de agradar ao Criador. 3. Corrigir a intenção dos desejos dignos e tornar-se parecido com o Criador nestes desejos. Em Cabala, isso é chamado de "união com o Criador" ou "descobrir o Criador". Na espiritualidade, você se afasta da realidade com a qual nasceu. Em vez disso, você começa a conhecer as forças que pintaram o quadro. Você começa a conhecer o artista. Você adquirirá a capacidade para se conectar com as forças que criam a imagem. Em última instância, governar essas forças. Você começa a entender como a realidade é feita. Isso acontece para a sociedade como um todo, bem como para cada indivíduo. Hoje, muitos de nós já concluíram os Níveis 1-4 e estão agora embarcando para o Nível 5, o nível espiritual. Este é um tempo em que as pessoas vão querer saber para que estão vivendo. Nosso próximo capítulo irá explorar pontos chaves na evolução da Cabala e sua congruência com a história da humanidade. Em resumo: Existem cinco níveis de desejo: comida, sexo, riqueza, poder, conhecimento e espiritualidade. O único desejo que nos satisfaz é o último. A história é realmente um conto de desejos exacerbados, insaciáveis. Seus atributos negativos acabarão por levá-lo a conhecer o Criador. O desejo de mais coisas mundanas necessariamente conduz a um maior vazio, porque o nosso verdadeiro desejo, inconsciente, é conhecer o Criador. Intenção é a força impulsionadora da ação. O objetivo por trás dos outros. Abraço. Davi

Nenhum comentário:

Postar um comentário