segunda-feira, 17 de agosto de 2026

TAO TE CHING - POEMA XIV

 Lao Tse (571a.C.531) Tao Te Ching - O


Livro que Revela Deus
Por Huberto Rodhen (1893-1981)

A visão da Realidade Retifica todas as Facticidades

POEMA XIV

Quem quer ver a Divindade
Não a verá
Porque ela é invisível
Quem quer ouvir a Divindade
Não a ouvirá
Porque ela é inaudível
Quem quer tanger a Divindade
Não a tangerá
Porque ela não tem forma
Nenhum caminho parcial conduz a meta total
Só na visão do Todo se encontra a Divindade
E então a superfície parece tenebrosa escuridão
Enquanto a profundeza parece luminosa superfície
Nunca a divindade é inteligível
Ela permeia o Universo sem fim
E gira pelo Todo como se fosse o Nada
A Divindade é uma forma sem forma
A Divindade é o ser sem existir
É o mais insondável de todos os insondáveis
Quem encara a Divindade não lhe vê a face
Quem segue o Infinito o verá sempre fugitivo
Só quem sintoniza com o Infinito
Esse o conhece realmente
Como os antigos o conheciam
Eles, que sabiam que todos os visíveis nascem do invisível
Só quem não busca o seu próprio ego
Mas demanda o seu Eu Real, mesmo quando tudo lhe falta. 

Explicação filosófica:
Aqui Lao Tse frisa, mais uma vez, a verdade fundamenta que a Divindade, o Infinito, o Absoluto, o Uno, não é objeto para a empiria sensorial nem para a análise intelectual. Quem quer conhecer o Tao não o deve querer conquistar nem invadir, mas deve ser por Ele conquistado e invadido. A ego vacuidade atrai a cosmo plenitude, mas nenhuma vacuidade pode criar a plenitude. O silêncio auscultativo da alma escuta o silêncio eloquente do Espírito. Toda a arte de conhecer o Tao está em saber preparar-se para sua visita, sua revelação, sua invasão. Abraço. Davi

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