terça-feira, 8 de outubro de 2024

III. O EVANGELHO DO BUDA

 

Budismo. Texto do Yogi Kharishnanda Saraswati (1922-2001). III. O EVANGELHO DE BUDA. Capítulo três. As três dores.  Os palácio dado ao príncipe pelo rei resplandecia com todo o luxo da Índia, porque o rei queria que o seu filho fosse feliz. Tudo quanto parecesse doloroso para ser contemplado, todas as misérias e todas as noções de sofrimento, forma afastados de Sidharta, para que ele ignorasse os males do mundo. Porém, assim como o elefante cativo suspira pelas selvas, o príncipe se impacientava por ver o mundo, e pediu ao rei, seu pai, permissão para satisfazer o seu ardente desejo. Então, Suddhodana mandou atrelar quatro magníficos corcéis (cavalos) num carro adornado de pedrarias, e enfeitar os caminhos por onde Sidharta deveria passar. As casas da cidade foram enfeitadas com cortinas e bandeiras, e os espectadores, alinhados de cada lado, contemplavam avidamente o herdeiro do trono. Assim passou Sidharta com Channa, seu cocheiro, pelas ruas da cidade, e atravessou a campina sulcada de arroios e povoada de árvores frondosas. Em determinado lugar, encontrou um velho. Quando o príncipe viu aquele homem de corpo encurvado e rosto envelhecido com um sulco de dor entre as sobrancelhas, perguntou ao cocheiro: Quem é este? Sua cabeça é branca, seus olhos tremem e tem o corpo maltratado. Só consegue manter-se em pé apoiado num bastão! O cocheiro, a princípio embaraçado, atreveu-se por fim a dizer a verdade, e respondeu: Esses são os sinais da velhice. Esse homem foi uma criancinha e, depois, um adolescente cheio de entusiasmo e de prazer; porém os anos se passaram, e agora seu porte esbelto se foi e o vigor do seu corpo desapareceu. Sidharta, profundamente aflito pelas palavras do cocheiro, suspirou por causa do sofrimento da velhice e disse de si para si: Que gozo e que prazer podem experimentar os homens, quando sabem que a velhice virá e os fará sofrer e andar com tanta fraqueza? Mais adiante, à medida que seguiam, viram de um lado do caminho um enfermo, ofegante, as feições desfiguradas, convulso e gemendo de dor. O príncipe perguntou ao cocheiro: Que classe de homem é essa? E o cocheiro respondeu: Este homem está enfermo. Os quatro elementos do seu corpo estão confusos e em desordem. Todos nós estamos sujeitos aos mesmos acidentes: o pobre e o rico, o ignorante e o sábio. Todas as criaturas que têm corpo estão expostas ao mesmo mal. E Sidharta se comoveu ainda mais. Todos os prazeres lhe pareciam vãos, e sentiu desgosto pelos prazeres da vida. O cocheiro fustigou o cavalo para fugir de espetáculo tão triste, mas logo tiveram de parar em sua rápida carreira. Quatro pessoas passavam levando um cadáver; e o príncipe, enternecido ante a visão do corpo privado da vida, perguntou ao cocheiro. O que estas pessoas estão levando? Vejo umas bandeirolas e umas grinaldas de flores; porém os homens caminham tristes e pesarosos. O cocheiro lhe informou: É um morto, seu corpo está rígido, a vida fugiu dele, e seu pensamento se extinguiu. Sua família e seus amigos levam agora o corpo dele para o sepulcro. E o príncipe, cheio de horror e espanto, perguntou: Este caso é uma exceção, ou há no mundo outros exemplos semelhantes? Com o coração oprimido, o cocheiro lhe respondeu: Isto é igual para todos. Todos os que nascem devem morrer. Ninguém escapa da morte. Com a voz apagada e balbuciante, o príncipe exclamou: Ó homens mundanos, como é fatal o erro em que estão! Inevitavelmente o corpo de vocês se transformará em pó, e não obstante continuam a viver descuidados e despreocupados. O cocheiro, vendo a profunda impressão que aqueles lúgubres espetáculos causaram no príncipe, deu meia volta e entrou novamente na cidade. Ao passar pelo palácio da jovem princesa, sobrinha do rei, esta, surpreendida com a beleza varonil de Sidharta e vendo-o preocupado, exclamou: Ditoso o pai que o gerou, ditosa a mãe que o criou; ditosa a mulher que chama de marido um homem tão glorioso. Ao ouvir esse elogio, o príncipe respondeu: Ditosos são os que encontraram a salvação. Aspirando à paz do espírito, eu buscarei a felicidade do nirvana. E ofereceu-lhe seu colar de pérolas preciosas, como para recompensá-la da lição que lhe havia dado e entrou no seu palácio. Capítulo quatro. A renúncia. Certa noite, o príncipe estava repousando quando repentinamente levantou-se foi ao jardim. Ah!, exclamou: o mundo está cheio de trevas e ignorância; ninguém sabe como curar os males da existência. E suspirou dolorosamente. Yasodhara atirou-se aos seus pés, suspirando aflita e dizendo: Meu senhor não encontra a felicidade em mim? Sidharta respondeu: Ah, querida esposa! Sinto a alma dilacerada ao pensar que essa felicidade terá fim e envelheceremos sem amor, repulsivos, débeis, encurvados. Sim, ainda que os nossos lábios tenham sido tão fortes selos da vida e do amor, que noites e dias fosse um só o nosso alento; e se interrompesse entre ambos o tempo para arrebatar minha paixão e sua beleza, como a negra noite apaga os rosados raios que brilham no cume dos montes e os cobre com seu sombrio sendal. Eis o que descobri: meu coração estremeceu de espanto a essa ideia, e todo o meu ser só pensa em resguardar o amor dos ataques do tempo implacável, que envelhece os homens. Toda aquela noite o príncipe passou inconsolável e insone. No dia seguinte pediu a seu pai que o deixasse ver a cidade tal qual era, sem os enfeites nem os preparativos de uma festa ilusória, na vida costumeira dos homens que não são reis. O rei Suddhodana concordou, e na hora em que o sol passa pelo meridiano, Sidharta saiu disfarçado de mercador, e, juntamente com o cocheiro Channa com hábito de religioso, caminharam a pé pelas ruas, confundidos entre os cidadãos, olhando tudo quanto de alegre e triste existia na cidade. Ao chegarem ao rio, viram uma comitiva de pessoas tristes e chorosas que se aproximavam da margem a passos apressados. À frente ia um homem agitando uma taça de barro cheia de brasas. Seguiam-no os parentes mal vestidos e com a cabeça coberta de luto. Depois vinha o féretro composto de quatro varas com um leito de pedaços de bambus entrelaçados, onde jazia um cadáver rígido, emagrecido, com os pés para a frente, a boca cerrada, os olhos vidrados, as mãos crispadas, coberto de um pó vermelho e amarelo. Os que o carregavam conduziram o féretro (caixão) até a margem do rio, onde estava disposta uma pira sobre a qual o colocaram, cobrindo-o com folhas secas. Em seguida, atearam fogo nos quatro lados. A chama brotou subitamente, lambendo a pira e, com suas sibilantes línguas de fogo, devorou o cadáver. A pele dessecada rasgou-se e as articulações se desprenderam. Por fim clareou a fumaça da gordura e as cinzas caíram pardas e vermelhas, com pó de ossos brancos que salpicavam a cor das cinzas. Era tudo quanto restava do homem. O príncipe disse: Este é o fim de todos os viventes? Channa respondeu-lhe: Este é o fim de todos. Aquele que o senhor viu na pira e cujos restos são tão desprezíveis que os corvos grasnantes desdenhariam como fútil manjar; já comeu, bebeu, riu, amou e considerou a vida grata e prazenteira. Porém, o que sobrevém depois? Quem o sabe? Um violento sopro de ar da selva, um tropeço no caminho, algo suja na cisterna, a picada de uma cobra, um resfriado, a espinha de um peixe, a queda de uma telha, a vida escapa e o homem morre. Já não tem apetites, nem prazer nem dores. Nada significa para ele, um beijo na boca nem uma queimadura nos lábios. Não sente o mau cheiro da sua carne tostada, nem o perfume do sândalo, nem os aromas que ardem na pira. Sua boca perdeu o paladar, seus ouvidos não ouvem e seus olhos não veem. Desolados, gemem aqueles que ele amava, porque também é preferível destruir o corpo que era a lâmpada da vida, do que oferecer um festim horrendo aos corvos. Esse é o destino comum de toda carne. Altos e baixos, bons e maus, têm que morrer; e segundo nos ensinam, renascem depois para uma nova vida (...) onde? Como? Quem sabe? E outra vez as angústias, a morte e as chamas da pira. Esse é o destino do homem. Sidharta levantou para o céu os olhos em que brilhavam lágrimas divinas, e em seguida baixou-os ao chão, inundados de celeste piedade. Contemplava alternativamente o céu e a terra, como se em voo solitário seu espírito buscasse alguma visão longínqua que unisse o céu à terra. Depois, ansiosamente, inflamado pela ardorosa paixão de um amor inefável, de uma infinita e insaciável esperança, exclamou: Oh, triste mundo! Oh, os seres de minha carne, conhecidos e desconhecidos, presos nesta rede comum de mortes, vida e dores que a todos nos atam! Vejo e sinto a imensa agonia do mundo, a vaidade dos seus prazeres, a ilusão de sua felicidade, a angústia de seu infortúnio, pois a dor substitui o prazer; a velhice a juventude, a perda do se amado o amor, a odiosa morte a vida, e a morte em vidas desconhecidas que de novo atam os homens à sua roda para girar em círculo de deleites ilusórios e sofrimentos reais. A mim também me alucinou este sonho, e parecia-me agradável viver a vida como um regato luminoso que flui sem cessar em paz inalterável, e cujo buliçoso caudal desliza ligeiramente pelos floridos prados para jorrar mais apressado suas águas no mar impuro. Caiu o véu que me cegava! Sou como esses homens que em vão imploram aos deuses que não os ouvem. No entanto, algum auxílio há de existir para eles e para mim, e para todos os que necessitarem de ajuda. Será que os deuses também estão precisando de auxílio? São tão fracos que não podem salvar os que os invocam com tristeza nos lábios? Não deixarei chorar os que puder salvar! Como é possível que Brahma criasse o mundo para abandoná-lo na miséria? Se é onipotente e o deixa miserável, não é bondoso, e se não é onipotente, não é Deus. Sidharta sentou-se sob a frondosa arvore bo, chamada também azvattha, ou banano, e entregou-se aos seus pensamentos, meditando sobre a vida e a morte, os males e a decrepitude. Concentrando o seu espírito, libertou-se de toda confusão. Todos os vis desejos desapareceram do seu coração e uma calma perfeita o inundou completamente. Nesse estado de êxtase, viu com seu olho mental toda miséria e dor existentes no mundo; viu as dores causadas pelo prazer e a inevitável certeza da morte que pesa sobre todos os seres. No entanto, os homens não despertaram ainda para a verdade. E uma profunda compaixão invadiu a sua alma. Enquanto meditava sobre o problema do mal, o príncipe viu com o olho do seu espírito, sob as árvores, uma venerável figura revestida de majestade, calma e dignidade. Perguntou-lhe: De onde vem o senhor? Quem é? A visão lhe respondeu: Sou um Samana. Atormentado pelos pensamentos sobre a velhice, a enfermidade e a morte, fui de lugar em lugar para buscar o caminho da salvação. Todas as coisas se precipitam para a ruína; só a Verdade é eterna. Tudo muda e nada dura; unicamente as palavras dos Budhas são imutáveis. Eu aspiro à felicidade inalterável, ao tesouro imperecedouro, à vida sem princípio nem fim. Por isso, destruí todo pensamento mundano e retirei-me para o deserto para viver em solidão e mendigar o meu sustento, e assim me consagrei à única coisa necessária. Sidharta perguntou-lhe: E como pode alguém obter a paz neste mundo agitado? Já transpus a vaidade e o prazer e tenho horror à sensualidade. Tudo me entristece e a própria vida se tornou intolerável para mim. O Samana lhe respondeu: Onde há calor também pode haver frio. Os seres sujeitos à dor possuem a faculdade de sentir prazer. A origem do mal ensina que pode existir o bem. Porque essas coisas são correlatas. Assim, onde há muita desgraça, haverá muita felicidade, contanto que os olhos se abram para vê-la. Da mesma maneira que aquele que cai na lama procura um lago de lótus para limpar-se, também, quando existe um caminho santo que conduz ao nirvana, e o homem sujeito ao pecado não o busca, a falta não está no caminho e sim no pecador. Se um enfermo não chama o médico que pode curá-lo, se ele morrer a culpa não será do médico, e sim do enfermo. Do mesmo modo, se o enfermo da alma não busca o guia espiritual da luz, se o doente da alma continua enfermo a culpa não será do guia. O príncipe escutou as nobres palavras do seu visitante e lhe respondeu: O senhor é mensageiro de boas novas, porém não sei se cumprirei meu propósito. Meu pai me incita a desfrutar a vida e a sujeitar-me aos deveres mundanos que me dão nobreza e enaltecem minha casa. Disse que sou muito jovem e que meu coração ainda palpita por demais fortemente para me entregar à vida religiosa. A venerável aparição moveu a cabeça em sinal de discordância e respondeu: Jamais houve tempo e falta de tempo para buscar a verdadeira religião. Com o coração palpitando de alegria, Sidharta disse: Este é o momento de buscar a verdadeira religião. É o instante propício para romper os laços que me impedem de alcançar a perfeita iluminação. Esta é a hora de aceitar a vida mendicante e de encontrar a senda da libertação. O mensageiro celeste, satisfeito com a resolução de Sidharta, disse-lhe: De fato, esta é a oportunidade que você depara para encontrar a verdadeira religião. Vá e cumpra o seu propósito, porque você é o Buda escolhido e destinado a iluminar o mundo. Você é o perfeito. Tathágata, porque cumprirá toda justiça e será o verdadeiro rei do Dharma. Você é Bhagavad, o Bendito, porque há de ser salvador do mundo. Vá e cumpra a perfeição da Verdade. Mesmo que sobre a sua cabeça caia o raio, não ceda jamais à ilusão que desvia o homem do caminho da Verdade. Assim como o Sol não se detém em nenhuma das quatro estações do ano, não se afaste do caminho da justiça. Você será Budha. Persevere em seu caminho e encontrará o que está buscando. Prossiga até o fim sem se desviar, e alcançará o prêmio. Combata com coragem e vencerá. Que a benção dos deuses, dos santos, de todos os que buscam a luz seja contigo, e que a celeste sabedoria guie seus passos. Você será o Budha nosso Amo e Senhor. Iluminará o mundo e salvará a humanidade da perdição. Dito isso, a visão celeste desapareceu e a alma de Sidharta ficou em paz. Do Livro O Evangelho de Budha. Vida e doutrina de Sidharta Gautama. Abraço. Davi.

domingo, 6 de outubro de 2024

CAPÍTULO I. O HOMEM É "CAPAZ" DE DEUS

 Cristianismo. Livro Catecismo da Igreja Católica. A profissão de fé. O fragmento de um afresco encontrado nas catacumbas de Priscila, Roma – Itália, início do século III, é a mais antiga imagem da Santíssima virgem. Esta imagem, entre as mais antigas da arte cristã, apresenta o que é central na fé cristã: o mistério da encarnação do Filho de Deus nascido da Virgem Maria. A esquerda, se vê uma figura de homem que aponta para uma estrela, situada acima da Virgem com o menino: um profeta, provavelmente Balaão a anunciar que “um procedente de Jacó se torna chefe” Números 24,17. É longa a espera da Antiga Aliança e o apelo da humanidade decaída a um Salvador redentor. Esse anúncio vê-se realizado com o nascimento de Jesus, Filho de Deus feito homem, concebido por obra do Espírito Santo, nascido da Virgem Maria que o traz ao mundo e dá aos homens. Assim ela é a figura mais pura da Igreja. Eu Creio – Nós Cremos. Quando professamos nossa fé, começamos dizendo: “Eu creio” ou “nos cremos”. Por isso, antes de expor a fé da Igreja tal como é confessado no credo, celebrada na liturgia. Vivida na prática dos mandamentos e na oração, nos perguntamos: o que significa crer? A fé é a resposta do homem a Deus que se revela e a ele se doa, trazendo, ao mesmo tempo, uma luz superabundante ao homem – Capítulo I. Em seguida, a revelação divina, pela qual Deus se apresenta ao homem – Capítulo II. Logo após, a resposta da fé – Capítulo III. CAPÍTULO I. O HOMEM É “CAPAZ DE DEUS”. 1. O Desejo de Deus. O desejo de Deus está inscrito no coração do homem, visto que o home é criado por Deus e para Deus. Deus não cessa de atrair o homem a si e somente em Deus o homem há de encontrar a verdade e a felicidade que não cessa de procurar. “O aspecto mais sublime da dignidade humana está nesta vocação do homem à comunhão com Deus. Este convite que Deus dirige ao homem de dialogar com ele, começa com a existência humana, pois se o homem existe, é porque Deus o criou por amor. E, por amor, não cessa de dar-lhe o ser. O homem só viverá plenamente segunda a verdade, se reconhecer livremente este amor e se entregar ao seu Criador”. Em sua história, e até os dias de hoje, os homens têm expressado sua busca de Deus de múltiplas maneiras. Por meio de suas crenças e de seus comportamentos religiosos: orações, sacrifícios, cultos, meditações etc. Apesar das ambiguidades que podem comportar, estas formas de expressão são tão universais que o homem pode ser chamado de um ser religioso. “De um só homem ele (Deus) fez toda a espécie humana, para habitar sobre toda a face da terra. Tendo estabelecido o ritmo dos tempos e os limites de sua habitação. Assim fez, para que buscassem a Deus e, talvez às apalpadelas, o encontrassem, a ele que na realidade não está longe de cada um de nós. Sendo que nele vivemos, nos movemos e existimos, Atos 17,26-28. No entanto, esta “união íntima e vital com Deus” pode ser esquecida, ignorada e até rejeitada explicitamente pelo homem. Tais atitudes podem ter origens muito diversas, a revolta contra o mal no mundo. A ignorância ou a indiferença religiosa, as preocupações com as coisas no mundo e com as riquezas. O mau exemplo dos crentes, as correntes de pensamentos hostis à religião. A atitude do homem pecador que, por medo, esconde-se na presença de Deus e foge diante de seu chamado. “Alegre-se o coração dos que buscam o Senhor!” Salmos 105,3. Se o homem pode esquecer ou rejeitar Deus, este, de sua parte, não cessa de chamar todo homem a procurá-lo, para que viva e encontre a felicidade. Esta busca, porém, exige do homem todo o esforço de sua inteligência, a retidão de sua vontade. Um reto coração, e o testemunho dos outros, que o ensinam a procurar Deus. “Vós sois grande, Senhor, e altamente digno de louvor, grande é o vosso poder, a vossa sabedoria não tem medida. O homem, pequena parcela de vossa criação, pretende louvar-vos, precisamente o homem que, revestido de sua condição mortal, traz em si o testemunho de seu pecado e de que resistis aos soberbos. A despeito de tudo, o homem, pequena parcela de vossa criação, quer louvar-vos. Vós mesmo o instigais a isto, fazendo com que ele encontre suas delícias no vosso louvor, porque nos fizestes para vós e o nosso coração não descansa enquanto não repousar em vós”. 2. As vias de acesso ao conhecimento de Deus. Criado a imagem de Deus, chamado a conhecer e a amar Deus, o homem que procura Deus descobre certos caminhos para chegar ao conhecimento de Deus. Eles são também chamados de “provas da existência de Deus”, não no sentido das provas que as ciências naturais buscam. Mas no sentido de argumentos convergentes e convincentes que permitem chegar a verdadeiras certezas. Estas “vias” para chegar a Deus tem como ponto de partida a criação, o mundo material e a pessoa humana. O mundo a partir do movimento é o devir, da contingência, da ordem e da beleza do mundo, pode-se conhecer a Deus como origem e fim do universo. “São Paulo afirma a respeito dos incrédulos: “O que de Deus se pode conhecer é a eles manifesto, já que Deus mesmo lhes deu esse conhecimento. De fato, as perfeições invisíveis de Deus – não somente seu poder eterno, mas a sua eterna divindade – são percebidas pelo intelecto, através de suas obras, desde a criação do mundo” Romanos 1,19-20. Diz Santo Agostinho (354-430): “Interroga a beleza da terra, interroga a beleza do mar, interroga a beleza do ar que se dilata e se difunde. Interroga a beleza do céu (...) Interroga todas estas realidades. Elas te respondem: Olha-nos, somos belas. Sua beleza é um hino de louvor, confesso. Essas belezas sujeitas a mudanças, quem as fez senão o Belo, Bonito, não sujeito a mudanças. O homem com sua abertura à verdade e à beleza, com seu senso do bem moral, com sua liberdade e a voz de sua consciência. Com sua aspiração ao infinito e à felicidade, o homem se interroga sobre a existência de Deus. Mediante tudo isso percebe sinais de sua alma espiritual. Como “semente de eternidade que leva dentro de si, irredutível à só matéria” sua alma não pode ter origem senão em Deus. O mundo e o homem atestam que não tem em si mesmo nem seu princípio primeiro nem seu fim último. Mas que participam do Ser em si, que é sem origem e sem fim. Assim, por esses diversos caminhos, o homem pode chegar ao conhecimento da existência de uma realidade que é a causa primeira e o fim último de tudo, “a que todos chama Deus”. As faculdades do homem o tornam capaz de conhecer a existência de um Deus pessoal. Porém, para que o homem possa entrar em sua intimidade, Deus quis revelar-se ao homem e dar-lhe a graça de poder acolher esta revelação na fé. As provas da existência de Deus podem, todavia, dispor a fé e ajudar a ver que a fé não se opõe à razão humana. 3. O conhecimento de Deus segundo a Igreja. “A santa Igreja, nossa mãe, sustenta e ensina que Deus, princípio e fim de todas as coisas, pode ser conhecido, com certeza, pela luz natural da razão humana, a partir das coisas criadas”. Sem esta capacidade, o homem não poderia acolher a revelação de Deus. O homem tem esta capacidade por ser “a imagem de Deus”. Todavia, nas condições históricas em que se encontra, o homem enfrenta muitas dificuldades pra conhecer a Deus apenas com a luz de sua razão. “Embora a razão humana, falando simplesmente, possa realmente com suas forças e sua luz natural chegar ao conhecimento verdadeiro e certo de Deus único e pessoal, que sustêm e governa o mundo com sua providência. Bem como ao conhecimento da lei natural, impressa pelo Criador em nossas almas, não são poucos, todavia, os obstáculos que impedem a razão de fazer o uso eficaz e frutuoso dessa sua capacidade natural. De fato, as verdades que se referem a Deus e às relações entre os homens e Deus são verdades que transcendem por completo a ordem das coisas sensíveis e quando entram na prática da vida e a enformam, exigem sacrifício e abnegação própria. Ora, o entendimento humano encontra dificuldades na aquisição de tais verdades, quer pela ação dos sentidos e da imaginação, quer pelas más inclinações nascidas do pecado original. Isso faz com que os homens, em semelhantes questões, facilmente se persuadam de ser falso e duvidoso o que não querem que seja verdadeiro. Por isso, o homem ter necessidade de ser iluminado pela revelação de Deus, não somente sobre o que ultrapassa seu entendimento. Mas também sobre “as verdades religiosas e morais que, por si mesmas, não são acessíveis a razão. A fim de que estas, no estado atual do gênero humano, possam ser conhecidas por todos sem dificuldades, com firme certeza e sem confusão de erro. 4. Como falar com Deus? Ao defender a capacidade da razão humana de conhecer a Deus, a Igreja exprime sua confiança na possibilidade de falar de Deus a todos os homens e com todos os homens. Essa convicção está na base de seu diálogo com as outras religiões, com a filosofia e com as ciências, como também com os não crentes e os ateus. Uma vez que nosso conhecimento de Deus é limitado, também limitada é nossa linguagem sobre Deus. Só podemos falar de Deus a partir das criaturas e segundo nosso modo humano, limitado de conhecer e de pensar. As criaturas todas elas, trazem em si certa semelhança com Deus, muito particularmente o homem criado à imagem e à semelhança de Deus. Por isso as múltiplas perfeições das criaturas (sua verdade, bondade, beleza) refletem a perfeição infinita de Deus. Em razão disso,  podemos falar de Deus a partir das perfeições de suas criaturas, “partindo da grandeza e beleza das criaturas, pode -se chegar a ver, por analogia, o seu Criador. Deus transcende a toda criatura. Por isso, é preciso incessantemente purificar nossa linguagem daquilo que possui de limitado, de proveniente da pura imaginação, de imperfeito. Para não confundir Deus “inefável, incompreensível, invisível, inatingível” com as nossas representações humanas. Nossas palavras humanas permanecem sempre aquém do mistério de Deus. Assim falando de Deus, nossa linguagem se expressa, sem dúvida, de maneira humana. Contudo ela atinge realmente o próprio Deus, ainda que sem poder exprimi-lo em sua infinita simplicidade. Com efeito, é preciso lembrar que “entre o Criador e a criatura não se pode notar uma semelhança, sem que se deva notar entre eles uma ainda maior dessemelhança”. E que, “não podemos apreender de Deus o que ele é, mas apenas o que ele não é e de que maneira os outros seres situam-se em relação a ele”. Resumindo. O homem é, por natureza e por vocação, um ser religioso. Porque provém de Deus e para Ele caminha, o homem só vive uma vida plenamente humana, se vive livremente sua relação com Deus. O homem é feito para viver em comunhão com Deus, no qual encontra sua felicidade. “Quando eu estiver inteiramente em vós, nunca mais haverá dor e provação, repleta de vós por inteiro, minha vida será verdadeira”. Quando escuta a mensagem das criaturas e a voz de sua consciência, o homem pode atingir a certeza da existência de Deus, causa e fim de tudo. A Igreja ensina que o Deus único e verdadeiro, nosso Criador e Senhor, pode ser conhecido, com certeza, por meio de suas obras graças à luz natural da razão humana. Podemos realmente falar de Deus, partindo das múltiplas perfeições das criaturas, semelhanças do Deus infinitamente perfeito, ainda que nossa linguagem limitada não esgote seu mistério. “Sem o Criador (...) a criatura se esvai”. Eis por que os crentes sabem que são impedidos pelo amor de Cristo a levar a luz de Deus vivo aqueles que o desconhecem ou recusam. Abraço. Davi. Capítulo II. Página 36.

 

quinta-feira, 3 de outubro de 2024

OS ANALECTOS - LIVRO VI

Confucionismo. www.rl.art.br. OS ANALECTOS – LIVRO VI. Texto de Confúcio (551 a.C.479). 1. O Mestre disse: “A Yung pode ser dado o assento de frente para o sul”. 2. Chung-kung perguntou sobre Tzu-sang Po-tzu. O Mestre disse: “É sua simplicidade de estilo que o torna aceitável”. Chung-kung disse: “Ao governar o povo, não é aceitável ser exigente consigo mesmo e condescendente ao tomar medidas? Por outro lado, não é exagerar na simplicidade ser condescendente consigo mesmo, assim como ao tomar medidas?”. O Mestre disse: “Yung tem razão no que ele diz”. 3. Quando o duque Ai perguntou qual dos seus discípulos tinha sede de aprender, Confúcio respondeu: “Havia um Yen Hui que tinha sede de aprender. Ele não descarregava sua raiva em uma pessoa inocente, tampouco cometia o mesmo erro duas vezes. Infelizmente, o tempo de vida que lhe coube era curto, e ele morreu. Agora, não há ninguém. Ninguém com sede de aprender chegou ao meu conhecimento”. 4. Jan Tzu pediu grãos para dar à mãe de Tzu-hua, que estava fora em uma missão para Ch’i. O Mestre disse: “Dê-lhe um fu ”. Jan Tzu pediu mais. “Dêlhe um yü”. Jan Tzu deu-lhe cinco ping de grãos. O Mestre disse: “Ch’ih foi para Ch’i carregado por cavalos bem-alimentados e usando finas peles. Sempre ouvi dizer que um cavalheiro dá para ajudar os necessitados, e não para manter os ricos em uma vida farta”. 5. Ao tornar-se seu administrador, Yüan Ssu recebeu novecentas medidas de grãos, as quais declinou. O Mestre disse: “Os grãos não podem ser úteis para ajudar as pessoas no teu vilarejo?”. 6. O Mestre disse de Chung-kung: “Se um touro nascido de gado de arado tivesse cor castanha e chifres bem-formados, será que os espíritos das montanhas e dos rios o rejeitariam, mesmo que não o achássemos bom o suficiente para ser usado?”. 7. O Mestre disse: “Em seu coração, Hui pode praticar a benevolência durante três meses ininterruptos. Os outros atingem a benevolência meramente por ataques repentinos”. 8. Chi K’ang Tzu perguntou: “Chung Yu é bom o suficiente para que lhe seja oferecido um cargo oficial?”. O Mestre disse: “Yu é decidido. Que dificuldades ele poderia encontrar ao assumir um cargo?”. “Ssu é bom o suficiente para que lhe seja oferecido um cargo oficial?” “Ssu é um homem inteligente. Que dificuldades ele poderia encontrar ao assumir um cargo?” “Ch’iu é bom o suficiente para que lhe seja oferecido um cargo oficial?” “Ch’iu é um homem completo. Que dificuldades ele poderia encontrar ao assumir um cargo?” 9. A família Chi queria fazer de Min Tzu-ch’ien o administrador de Pi. Min Tzuch’ien disse: “Decline a oferta delicadamente por mim. Se alguém tornar a vir atrás de mim, estarei do outro lado do rio Wen”. 10. Po-niu estava doente. O Mestre visitou-o e, segurando sua mão através da janela, disse: “Vamos perdê-lo. Deve ser o Destino. Por que outra razão tal homem seria fulminado por tal doença? Por que outra razão tal homem seria fulminado por tal doença?”. 11. O Mestre disse: “Como Hui é admirável! Morar em um pequeno casebre com uma tigela de arroz e uma concha de água por dia é uma provação que a maioria dos homens acharia intolerável, mas Hui não permite que isso atrapalhe sua alegria. Como Hui é admirável!”. 12. Jan Ch’iu disse: “Não é que eu não esteja satisfeito com o Caminho do Mestre, mas me faltam forças”. O Mestre disse: “Um homem a quem faltam forças entra em colapso ao longo do trajeto. Mas você desiste antes de começar”. 13. O Mestre disse para Tzu-hsia: “Seja um ju [67] cavalheiro, não um ju mesquinho”. 14. Tzu-y u era o governador de Wu Ch’eng. O Mestre disse: “Você fez alguma descoberta lá?”. “Há um T’an-t’ai Mieh-ming que nunca toma atalhos e que nunca esteve em meus aposentos, exceto por razões oficiais”. 15. O Mestre disse: “Meng chih Fan não era dado a vangloriar-se. Quando o exército tomou a estrada, ele ficou na retaguarda. Mas, ao adentrar o portão, ele esporeava seu cavalo, dizendo: ‘Eu não fiquei para trás por modéstia. Simplesmente, meu cavalo recusava-se a ir adiante’”. 16. O Mestre disse: “Você pode ter a beleza de Sung Chao, mas será difícil escapar ileso neste mundo se, ao mesmo tempo, não tiver a eloquência do sacerdote T’uo”. 17. O Mestre disse: “Quem é que pode sair de uma casa sem usar a porta? Por que, então, este Caminho não é seguido?”. 18. O Mestre disse: “Quando a natureza de alguém prevalece sobre a educação recebida, o resultado será uma pessoa intratável. Quando a educação prevalece sobre a natureza, o resultado será uma pessoa pedante. Apenas uma mistura bem equilibrada das duas resultará em cavalheirismo”. 19. O Mestre disse: “Um homem sobrevive graças à sua retidão. Um homem que engana os outros sobrevive graças à sorte de ser poupado”. 20. O Mestre disse: “Gostar de algo é melhor do que meramente conhecê-lo, e encontrar alegria nesse algo é melhor do que meramente gostar dele”. 21. O Mestre disse: “Você pode explicar àqueles que estão acima da média sobre os melhores, mas não pode explicar àqueles que estão abaixo da média”. 22. Fan Ch’ih perguntou sobre a sabedoria. O Mestre disse: “Trabalhar pelas coisas às quais o povo tem direito e manter-se à distância dos deuses e dos espíritos enquanto lhes mostra reverência pode ser chamado de sabedoria”. Fan Ch’ih perguntou sobre a benevolência. O Mestre disse: “O homem benevolente colhe o benefício apenas após vencer as dificuldades. Isso pode ser chamado de benevolência”. 23. O Mestre disse: “O sábio encontra alegria na água. O benevolente encontra alegria nas montanhas. Os sábios são ativos; os benevolentes são plácidos. Os sábios são alegres; os benevolentes são longevos”. 24. O Mestre disse: “Com uma só reforma, Ch’i pode ser transformado em um Lu, e Lu, com uma só reforma, pode ser levado a atingir o Caminho”. 25. O Mestre disse: “Uma garrafa ku que não mede volume algum. Que garrafa ku estranha! Que garrafa ku estranha!”. 26. Tsai Wo perguntou: “Se a um homem benevolente fosse dito que havia outro homem benevolente no poço, iria ele, ainda assim, juntar-se ao outro?”. O Mestre disse: “Por que deveria ser esse o caso? Um cavalheiro pode ser mandado para lá, mas não pode ser atraído à armadilha. Ele pode ser enganado, mas não pode ser feito de bobo”. 27. O Mestre disse: “O cavalheiro que é muito culto mas que é levado às coisas essenciais pelos ritos dificilmente vai se voltar contra aquilo que apoiou”. 28. O Mestre foi ver Nan Tzu. Tzu-lu não gostou. O Mestre jurou: “Se fiz algo inapropriado, que o castigo do Céu caia sobre mim! Que o castigo do Céu caia sobre mim!”. 29. O Mestre disse: “Supremo, de fato, é o Caminho do Meio como virtude moral. Tem sido raro entre o povo há muito tempo”. 30. Tzu-kung disse: “Se houvesse um homem que desse generosamente ao povo e trouxesse auxílio às multidões, o que o senhor pensaria dele? Ele poderia ser considerado benevolente?”. O Mestre disse: “Nesse caso não se trata mais de benevolência. Se é preciso descrever tal homem, sábio é, talvez, a palavra adequada. Mesmo Yao e Shun achariam difícil realizar tanto. Mas, por outro lado, um homem benevolente ajuda os outros a firmar sua atitude do mesmo modo que ele próprio deseja firmar a sua e conduz os outros a isso do mesmo modo que ele próprio deseja chegar lá. A capacidade de tomar o que está ao alcance da mão como parâmetro pode ser considerado o método da benevolência”. www.rl.art.br. Abraço. Davi

terça-feira, 1 de outubro de 2024

JESUS. Parte V

 

Judaísmo. Livro Judaísmo e Cristianismo – As Diferenças. Por Trude Weiss (1908-1989). Capítulo 8. JESUS. Parte V. A maneira pela qual Jesus aplicava esses princípios às situações da vida real pode ser vista por seus rompantes de ira para com os discípulos que desejavam se desvincular de certas obrigações familiares antes de segui-lo. Quando um futuro discípulo dizia a Jesus: “Mestre, vou segui-lo, mas deixe-me primeiramente dizer adeus aos que estão em minha casa”. Ele o reprovava: “Quem coloca sua mão no arado e olha para trás é inadequado para o Reino de Deus” Lucas 9,6. Em oposição ao judaísmo, que espera que o devoto ocupe seu lugar na sociedade como bom filho, marido, pai, irmão e vizinho. Jesus exigiu de seus seguidores que odiassem seu semelhante para serem melhores discípulos. Portanto, ensinava: “Aquele que se aproxima de mim sem odiar seu próprio pai e mãe, esposa e filhos, irmãos e irmãs, e sua vida, não pode ser um dos meus discípulos” Lucas 14,26. Até que ponto Jesus desejava que seus discípulos se desvinculassem de obrigações filiais pode ser julgado a partir dessa resposta a um discípulo que solicitou: “Deixe-me primeiro ir e enterrar meu pai”. A resposta de Jesus foi: “Siga-me e deixe os mortos enterrarem seus próprios mortos” Mateus 8,21 e seguintes. O judaísmo considera a dedicação das últimas reverências ao morto uma obrigação de “benevolência”. O próprio Deus, com o intuito de dar exemplo aos seres humanos, não se nega a demonstrar sua bondade aos mortos. Jesus ordenou a um discípulo para deixar seu pai morto, desenterrado até que “os mortos” (aqueles que não aceitavam a mensagem de Jesus) o enterrassem. Posição totalmente contrária ao verdadeiro espírito judaico. A atitude negativa de Jesus com relação aos deveres mais elementares do filho para com os pais deve ser considerada na análise ao novo tipo de “amor” que ele supostamente introduziu. É verdade, Jesus exigiu, indo além da letra da lei judaica e sem levar em consideração a natureza humana, “ame seus inimigos e ore para seus perseguidores” Mateus 5,44. Entretanto, de que vale esse ensinamento se seu promotor também rezou: “Aquele que se aproxima de mim sem odiar pai e mãe é inadequado para ser um dos meus discípulos” Lucas 14,26. A lei judaica não ordena que se ame seu adversário, pois isso seria antinatural. Ela ordena, entretanto, que evitemos pensar em vingança contra ele e, ainda, que o ajudemos numa emergência, pois isto é o que se espera de um ser humano.  Lei judaica não ordena que se ame seu adversário, sendo que isso seria antinatural. Ela ordena, porém, que evitemos pensar em vingança contra ele e, ainda, que o ajudemos numa emergência, todavia isto é o que se espera de um ser humano. A lei judaica ordena insistentemente amor e respeito aos pais, marido, esposa, filhos, irmãos, irmãs e todos os outros membros da família. Uma preocupação irrestrita em amar todos os semelhantes. O “amor cristão” é frequentemente colocado em oposição ao “legalismo estrito” do judaísmo. Portanto, é oportuno ressaltar que Jesus, conforme representado pelos Evangelhos, comumente não cumpria os elevados princípios que pregava. O fato de Jesus não estar isento de vingança, o que é proibido pela lei judaica. Torna-se evidente por ter ameaçado seus oponentes a negar-lhe o Reino dos Céus; “Então direi a eles diretamente, nunca ouvi falar de você. Afaste-se de mim, você que cometeu erro” Mateus 7,21-23. O judaísmo, a religião do “legalismo estrito”, por outro lado, representam Deus como atraindo para seu lado os pecadores arrependidos, sem querer se lembrar de suas transgressões anteriores. Jesus ensinou: “Não resistais ao homem mau, antes, aquele que te fere na face direita oferece-lhe também a esquerda, e aquele que quer pleitear contigo, pra tomar-te a túnica, deixa-lhe também a veste. E se alguém te obriga a andar uma milha, caminha com ele duas” Mateus 5,39-41. Mas Jesus não seguia esse ensinamento. O Evangelho também registra que ele retribuía o bem com o bem e o mal com o mal: “Todo aquele, portanto, que se declarar por mim diante dos homens, eu me declararei por ele diante de meu Pai que está nos Céus. Aquele, porém, que me renegar diante dos homens, também o renegarei diante de meu Pai que está nos Céus” Mateus 10,32. Outros de seus ensinamentos que o próprio Jesus não cumpria é a célebre bem-aventurança: “Bem-aventurados os misericordiosos porque alcançarão a misericórdia” Mateus 5,7. A atitude de Jesus e de seus discípulos para com aqueles que discordavam dele podia ser tudo menos tolerante. Como se evidencia em sua hostilidade cáustica em relação aos fariseus, a quem Jesus se referia como “serpentes” e “ninho de cobras”. Além de os ameaçar com punição eterna no mundo vindouro, Mateus 23,19-33, e muitas outras passagens similares. O quanto Jesus estava longe de ser piedoso e isento de desejo de vingança pode ser avaliado pelo fato de que ele amaldiçoou até mesmo uma árvore que não produziu os frutos que ele esperava! Assim, lemos: “De manhã, ao voltar para a cidade, teve fome. E Avistando uma figueira à beira do caminho, foi até ela, mas nada encontrou senão folhas. E disse à figueira: Nunca mais produzas frutos. E a figueira secou no mesmo instante” Mateus 21,18-20. Jesus estava também distante da santidade necessária para prontamente retribuir o mal com o bem, o que fica bastante evidente em suas inúmeras parábolas e ameaças diretas aos seus inimigos, quando prometia punição futura no Reino dos Céus. Assim, ele assim se dirigia àquele que não optavam por segui-lo Terra: “Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno preparado para o diabo e para os seus anjos. Porque tive fome e não me destes de comer. Tive sede e não me destes de beber. Fui forasteiro e não me recolhestes. Estive nu e não me vestiste, doente e preso, e não me visitastes” Mateus 25,41-43. Existe também uma contradição sem solução entre a beatitude de Jesus: “Bem-aventurados os que promovem a paz porque serão chamados filhos de Deus” Mateus 5,9 e sua declaração: Não penseis que vim trazer paz à terra. Não vim trazer pez, mas espada. Com efeito vim contrapor o homem ao seu pai, a filha a sua mãe e a nora a sua sogra. Em suma, os inimigos do homem serão os seus próprios familiares” Mateus 10,34-37. Abraço. Davi

segunda-feira, 30 de setembro de 2024

RELIGIÃO NÃO É LUTA É PURA COMPREENSÃO.

 

Espiritualidade. Texto de Osho (1931-1990). RELIGIÃO NÃO É LUTA É PURA COMPREENSÃO. Pergunta: Osho, frequentemente eu ouço você falar sobre rebelião. Os padres e as freiras e os pais que definiram minha educação, agora estão velhos. A maioria já morreu. Parece que não vale a pena rebelar-me contra aquelas pessoas velhas e desamparadas. Agora, eu mesmo sou o padre e as doutrinas. Eu sinto que me rebelar contra qualquer coisa do lado de fora de mim é um desperdício de tempo e esse não é exatamente o ponto. Isso torna a situação muito mais frustrante e embaraçosa. Parece que algo dentro de mim  tem que se rebelar contra algo dentro de mim. Eu aceito que não é o meu ser essencial – a face original – que tem que se rebelar. É o self treinado – o subterfúgio. Mas, para me rebelar, eu tenho que usar esse "self", pois ele é o único que eu conheço. Como pode o subterfúgio se rebelar contra o subterfúgio?". A rebelião da qual eu tenho falado não tem que ser feita contra ninguém. Ela não é na verdade uma rebelião, mas somente uma compreensão. Não, você não tem que lutar contra os padres, as freiras e os pais externos. E você não tem também que lutar contra os padres, freiras e pais internos. Porque, internos ou externos, eles estão separados de você. O externo está separado, e o interno também está separado. O interno é apenas o reflexo do externo.  Você está perfeitamente certo ao dizer: 'parece que não vale a pena rebelar-me contra aquelas pessoas velhas e desamparadas'. Eu não estou dizendo a você para se rebelar contra aquelas pessoas velhas e desamparadas.  E eu também não estou dizendo a você para se rebelar contra tudo o que eles incutiram em você. Se você se rebelar contra sua própria mente, isso será uma reação, não uma rebelião. Note a diferença. A reação surge a partir da raiva; a reação é violenta. Numa reação você se torna cego de raiva. Numa reação você passa para o outro extremo. Por exemplo, se os seus pais ensinaram você a ficar limpo e tomar um banho todo dia, e mais isso e mais aquilo, e se foi ensinado a você desde pequenino que a limpeza está próxima de Deus; o que você fará, se um dia você começar a se rebelar? Você vai parar de tomar banho. Você vai começar a viver imundo. Isso é o que os Hippies seguiram fazendo ao redor do mundo. Eles pensavam que isso era rebelião. Eles passaram para o outro extremo. A eles foi ensinado que a limpeza era divina; agora eles estão pensando que a imundície é divina, que a sujeira é divina. De um extremo, eles passaram para o outro. Isso não é rebelião. Isso é raiva, isso é ira, isso é desforra. Enquanto você estiver reagindo aos seus pais e às suas ideias de limpeza, você ainda está apegado àquelas mesmas ideias. Elas ainda estão dentro de você, elas ainda têm um poder sobre você, elas ainda são dominantes, elas ainda são decisivas. Elas ainda decidem a sua vida, embora você tenha se tornado o oposto delas; mas elas decidem. Você não pode tomar um banho tranquilo, pois você se lembrará de seus pais que o forçavam a tomar banho todos os dias. Agora você não quer tomar mais banho, de jeito algum. Quem está dominando você? Ainda os seus pais. O que eles fizeram com você, você ainda não foi capaz de desfazer. Isso é uma reação, isso não é rebelião. Então o que é rebelião? Rebelião é pura compreensão. Você simplesmente compreende qual é o caso. Então você não fica mais obcecado por limpeza, e isso é tudo. Isso não quer dizer que você vá se tornar sujo. A limpeza tem sua própria beleza. Mas a pessoa não deve ficar obcecada por ela, porque obsessão é doença. Por exemplo, uma pessoa lavando suas mãos continuamente por todo o dia – isso é neurose. Lavar as mãos não é coisa ruim, mas, lavar suas mãos por todo o dia é loucura. Mas se, de lavar as mãos por todo o dia, você passar a não as lavar; se você parar de lavá-las para sempre, então de novo você terá caído na armadilha, num outro tipo de loucura, o tipo oposto. Um homem de compreensão lava suas mãos quando é necessário, ele não está obcecado com isso. Ele é simplesmente espontâneo e natural a respeito disso. Ele vive inteligentemente e isso é tudo. Mas, se você não prestar muita atenção nos pequenos detalhes, não verá muita diferença entre obsessão e inteligência. Por exemplo, se você cruzar com uma cobra no caminho e você der um salto, naturalmente você deu um salto devido ao medo. Mas esse medo é inteligência. Se você não for inteligente, for estúpido, você não vai pular para fora do caminho e, desnecessariamente, colocará a sua vida em perigo. A pessoa inteligente irá pular imediatamente - a cobra está ali. Isso é devido ao medo, mas esse medo é inteligente, positivo, está a serviço da vida. Mas esse medo pode se tornar obsessivo. Por exemplo, você pode não querer sentar dentro de uma casa. Quem sabe? Ela pode desmoronar. E sabe-se que casas se desmoronam, isso é verdade. Algumas vezes, elas têm desmoronado; você não está absolutamente errado. Você pode argumentar: 'se outras casas desmoronaram, por que não esta?' Agora você está com medo de viver sob qualquer teto - ele pode desabar. Isso é uma obsessão. Isso agora se tornou não inteligente. É bom estar alerta de que você está comendo um alimento limpo. Mas eu conheço um homem, um grande poeta (...). Certa vez ele viajava comigo. Sua esposa me contou, 'Agora você saberá o quanto é difícil viver com esse homem.' Eu perguntei: 'Qual é o problema?'. Ela disse: 'Você vai saber por si próprio.' Ele não bebia nenhum chá, nem água, em nenhum lugar. Era muito difícil, porque ele dizia, 'quem sabe se não existem germes no chá ou na água?' Ele não comia em nenhum hotel. Isso se tornou um tal problema... E nós tínhamos que viajar trinta e seis horas de trem e ele estava morrendo de fome e com sede e ele não bebia água. Eu tentei de toda maneira persuadi-lo. Ele dizia, 'Não. Quem sabe? E se houver germes? É melhor,' dizia ele, 'passar fome por trinta e seis horas e não comer. Eu não vou morrer, não se preocupe,' Mas eu podia ver que o homem estava torturando a si mesmo. Era um verão muito quente e ele estava com sede. E eu tentava em toda estação - eu trazia soda, trazia coca cola, eu trazia tudo que podia. Mas ele dizia, 'Esqueça isso - eu não posso tomar nada a não ser que eu esteja absolutamente seguro. Qual é a segurança? Qual é a garantia?' E ele não estava absolutamente errado, isso é verdade. Você conhece a Índia, e você conhece as estações indianas e os hotéis indianos. Você sabe. Ele está certo, mas agora ele está levando essa lógica longe demais. Então eu disse a ele, 'Pare de respirar também!' Ele disse: 'Por quê?' Eu disse: 'Quem sabe, qual é a garantia? Pare de respirar! Ou beba esta água ou pare de respirar!' Então ele olhou para mim assustado, porque eu estava realmente raivoso. 'Por que você segue respirando? Quem sabe, podem existir germes, existem germes em toda parte. Ele tomou uma xícara de chá, mas a maneira como ele tomou (...)! Sua face (...). Eu não consigo esquecer. Já se passaram dez anos, mas eu não consigo esquecer a sua face – era como se eu estivesse matando aquele homem! Eu era um assassino! E ele estava obrigando-me a isso. Na estação seguinte, ele desceu e disse, 'Eu não posso viajar com você; eu vou voltar para casa. 'Eu disse, 'Qual é o problema? 'Ele disse, 'Você estava com tanta raiva, e parecia que você ia começar a me bater ou alguma coisa assim. E você disse: Não respire mais. Como eu posso parar de respirar?' Eu disse, 'Eu só estava dando a você um argumento, que se você pode respirar, por que não beber a água? É a mesma água indiana e o mesmo ar indiano. Não há com que se preocupar. Ele se recusou a viajar comigo. Eu tive que viajar sozinho. Ele retornou e desde então eu nunca mais o vi. A pessoa pode se tornar obsessiva a respeito de qualquer coisa. Qualquer coisa que pode ser inteligente dentro de certos limites, pode se tornar uma neurose se você ampliar esses limites. Reagir é passar para o outro extremo. Rebelião é uma compreensão muito profunda, compreensão profunda de um certo fenômeno. A rebelião sempre mantém você no meio, ela dá a você um equilíbrio. Você não tem que brigar com ninguém, as freiras e os padres e os pais, externos e internos. Você não tem que brigar com ninguém, porque numa briga você nunca sabe onde vai parar. Numa briga a pessoa perde a consciência; numa briga a pessoa passa logo para os extremos. Você pode observar isso. Por exemplo, você está sentado com seus amigos e, no meio da conversa, você diz, 'Aquele filme que eu vi ontem não vale a pena ser visto.' Isso pode ter sido um comentário à-toa, mas então alguém diz, 'Você está errado. Eu também vi o filme. Ele é um dos mais belos filmes que já foram feitos.' Você foi provocado, desafiado; e agora você se enche de argumentos. Você diz, 'ele não tem valor, é a coisa mais sem valor que existe!'  E você começa a criticar. E se o outro também insistir, você vai se tornar mais e mais raivoso e vai começar a dizer coisas que você nem mesmo tinha pensado a respeito. E mais tarde, se você olhar para trás e ver todo o fenômeno que aconteceu, você ficará surpreso pois quando você mencionou que o filme não valia a pena ser visto era uma afirmação muito moderada, mas com o passar do tempo você adotou argumentos e você já estava numa posição extremada. Você usou tudo que era possível, todas as palavras mais desagradáveis que você conhecia. Você condenou de toda maneira, você usou toda a sua habilidade para condenar. E você não estava com disposição para fazer isso no começo. Se ninguém tivesse contestado você, você poderia ter esquecido aquele assunto, você não iria nunca fazer aquelas afirmações pesadas. Isso acontece – quando você começa a brigar, a tendência é você passar para os extremos. Eu não estou ensinando você a brigar com seus condicionamentos. Compreenda-os. Torne-se mais inteligente a respeito deles. Simplesmente veja como eles dominam você, como eles influenciam o seu comportamento, como eles modelam a sua personalidade, como eles seguem atingindo você pela porta dos fundos. Simplesmente observe! Seja meditativo. E um dia, quando você tiver visto o funcionamento dos seus condicionamentos, de repente um equilíbrio será alcançado. Em sua real compreensão você estará livre. Compreensão é liberdade, e essa liberdade eu chamo rebelião. O verdadeiro rebelde não é um lutador; ele é um homem de compreensão. Ele simplesmente cresce em inteligência, não em raiva, não em ira. Você não consegue transformar a si mesmo tendo raiva de seu passado. Dessa maneira, o passado irá continuar dominando você, o passado continuará sendo o centro de seu ser, o passado permanecerá o seu foco. Você permanecerá focado, preso ao passado. Você poderá passar para o outro extremo, mas você ainda continuará preso ao passado. Fique alerta quanto a isso! Esse não é o caminho de um meditador, esse não é o caminho de um sannyasin. Sannyas é rebelião – rebelião através da compreensão. Simplesmente compreenda. Você passa ao lado de uma igreja e um profundo desejo surge em você de ir ao interior e orar. Ou você passa ao lado de um templo e inconscientemente você se curva diante de uma divindade do templo. Simplesmente observe. Por que você está fazendo essas coisas? Eu não estou dizendo para brigar. Eu estou dizendo para observar. Por que você se curva diante do templo? Porque foi ensinado a você que esse é o templo certo, que a divindade desse templo é a imagem verdadeira de Deus. Você sabe? Ou isso foi simplesmente dito a você e você continua seguindo isso? Observe! Vendo isso, que você está simplesmente repetindo um programa que foi dado a você, que você está simplesmente repetindo um mesmo disco em sua cabeça, que você está sendo um autômato, um robô, você irá parar de se curvar. Não que você tenha que fazer qualquer esforço, você simplesmente irá se esquecer de tudo a respeito disso. Isso irá desaparecer, isso abandonará você sem deixar qualquer traço. Quando você reage, o traço permanece lá. Mas, na rebelião não fica nenhum traço; é liberdade completa. Você tem simplesmente que ser um observador. E o observar é a sua face original; aquele que observa é a sua consciência verdadeira. Aquilo que é observado é o condicionamento. Aquele que observa é a fonte divina de seu ser.www.oshobrasil.com.br. Abraço. Davi. 

sábado, 28 de setembro de 2024

PRINCÍPIOS GERAIS

 

Teosofia. Livro Introdução a Teosofia. Por Charles Webster Leadbeater (1854-1934). Capítulo II. PRINCÍPIOS GERAIS. É meu desejo tornar esta explicação sobre a Teosofia tão clara e prontamente compreensível quanto possível. Por esta razão, a cada momento, darei apenas preceitos gerais, remetendo aqueles que desejam informações mais detalhadas a livros mais específicos. Apresento, ao final de cada capítulo, uma lista de tais livros. Devendo ser consultados por aqueles que desejam aprofundar-se nesse sistema tão fascinante. Começarei com uma declaração das mais surpreendentes dos princípios gerais que emergem como resultado do estudo teosófico. Alguns poderão encontrar aqui assuntos que considerarão incríveis. Ou então completamente contrários a suas ideias preconcebidas. Se assim for, gostaria de lembrá-los que eu não estou apresentando isso com teoria, como especulação metafísica ou uma piedosa opinião. Mas como fato científico definido, provado e examinado muitas e muitas vezes, não apenas por mim mesmo, porém por muitos outros. Além disso, afirmo que é um fato que pode ser verificado em primeira mão por qualquer pessoa que esteja desejosa de devotar tempo e trabalho necessários para capacitar-se a essa investigação. Não estou oferecendo ao leitor um credo, para ser engolido como uma pílula. Estou tentando colocar diante dele um sistema para estudo, e acima de tudo uma vida para viver. Não lhe peço fé cega. Apenas lhe sugiro consideração do ensinamento teosófico como uma hipótese, embora para mim não seja contingência e sim um fato visto. Se ele achar esse sistema mais satisfatório do que outros que lhe forem apresentados, se ele lhe parecer resolver muitos dos problemas da vida e responder muitas interrogações que inevitavelmente surgem para o homem pensante. Então levará esses estudos adiante, e encontrará neles, eu espero e acredito, cada vez mais, a mesma satisfação e alegria que eu próprio encontrei. Se, por outro lado, achar possível algum outro sistema, nenhum mal foi causado. Ele simplesmente aprendeu algo dos princípios de um grupo de pessoas com as quais ainda é incapaz de concordar. Eu mesmo tenho bastante fé nesses princípios pra acreditar que,  mais cedo ou mais tarde, chegará o tempo em que ele concordará, quando também conhecer o que nós conhecemos. As Três Grandes Verdades. Num dos nossos primeiros livros teosóficos está escrito que existem três verdades absolutas, que não podem ser perdidas. Que, todavia, podem permanecer no silêncio por falta de quem as pronuncie. São tão grandes quanto a própria vida. Apesar disso, tão simples quanto a mente do mais simples dos homens. Posso apenas parafrasear essas verdades, como os maiores dos meus princípios gerais. Oferecerei então alguns corolários que naturalmente derivam dessas verdades. Alguns dos mais importantes entre os vantajosos resultados que necessariamente acompanham esse conhecimento definido. Tendo assim organizado o esquema, eu o tomarei ponto por ponto, buscando oferecer explanações tão elementares quanto possível, dentro do escopo deste livro introdutório. 1. Deus existe, e Ele é bom. Ele é o grande doador de vida que reside dentro e fora de nós. É imortal e eternamente beneficente. Não pode ser ouvido, nem visto, nem tocado, e ainda assim pode ser percebido pelo homem que o desejar. 2. O homem é imortal e o seu futuro é tal que sua glória e esplendor não tem limites. 3. Uma lei divina de justiça absoluta governa o mundo, de modo que cada homem é na verdade seu próprio juiz. O dispensador de glória ou tristeza para si próprio. O decretador de sua vida, sua recompensa, sua punição. Corolários – consequência. Ligados a cada uma dessas três grandes verdades estão algumas outras, subsidiárias e explanatórias. Da primeira delas segue: 1. Que o verdadeiro homem é a alma, e que este corpo é apenas um apanágio. 2. Ele deve, portanto, considerar cada coisa do ponto de vista da alma, e que toda vez que uma luta interna ocorrer. Ele deve reconhecer sua identidade com o mais elevado e não com o mais inferior. 3.Aquilo a que comumente chamamos sua vida e apenas um dia de sua vida verdadeira e mais ampla. 4. A morte é um assunto de muito menor importância do que geralmente se supõe. Já que não é de modo algum o fim da vida, mas meramente a passagem de um estágio para outro. 5. O homem tem uma enorme evolução atrás de si, cujo estudo é extremamente fascinante, interessante e instrutivo. 6. Ele tem também uma esplêndida evolução diante de si, cujo estudo será ainda mais instigante e instrutivo. 7. Há uma certeza da realização final para toda alma humana, não importando o quão distante ela possa parecer ter-se desviado do caminho da salvação. Da terceira grande verdade segue: 1. Que cada pensamento, palavra ou ação produz seu resultado definido, não uma recompensa ou punição imposta de fora. Contudo um resultado inerente à própria ação, definitivamente conectado com esta na relação de causa e efeito. Sendo estes na realidade nada mais que duas partes inseparáveis de um todo. 2. É tanto dever quanto interesse do homem estudar essa lei divina com o máximo de atenção, para que possa ser capaz de adaptar-se a ela e usá-la como usamos outras grandes leis da natureza. 3. Necessário se faz para o homem obter controle perfeito sobre si mesmo, para que possa guiar sua vida inteligentemente de acordo com essa lei. Vantagens obtidas com esse conhecimento. Quando esse conhecimento é completamente assimilado, muda o aspecto de vida tão integralmente que seria impossível computar todas as vantagens que dele fluem. Posso apenas mencionar umas poucas linhas principais ao longo das quais essa mudança é produzida. O pensamento do próprio leitor, irá, sem dúvida, suprir algumas das intermináveis ramificações que são sua consequência necessária. Mas deve-se compreender que nenhum conhecimento vago será suficiente. Tal crença, já que a maioria dos homens estão acordes com as afirmações de suas religiões. Será totalmente inútil, já que não produz qualquer efeito prático em suas vidas. Mas se acreditarmos nessas verdades como reconhecemos as leis da natureza. Como aceitamos que o fogo queima e que a água afoga. Então o efeito que produzem em nossas vidas será enorme. Pois a nossa crença nas leis da natureza é suficientemente real para nos induzir a ordenar as nossas vidas de acordo com ela. Cremos que o fogo queima, tomamos toda precaução para evitar o fogo. Acreditamos que a água afoga, evitamos entrar em águas profundas demais para nós, a não ser que saibamos nadar. Ora, essas crenças são tão definidas e reais que para nós porque estão fundamentadas no conhecimento e ilustradas pela experiência diária. AS crenças do estudante teosófico são igualmente reais e definidas para ele exatamente pelas mesmas razões. É por isso que descobrimos a partir delas os resultados a serem agora descritos: 1. Nós conseguimos uma compreensão racional da vida, sabemos como devemos viver e por quê. Aprendemos que a vida vale a pena ser vivida quando apropriadamente entendida. 2. Treinamos a governar a nós mesmo, portanto, com desenvolver a nós mesmos. 3, Desempenhamos como melhor ajudar aqueles a quem amamos, como nos tornar úteis a todos com quem entramos em contato e por fim a toda a raça humana. 4. Exercitamos a visualizar tudo a partir do ponto de vista filosófico mais amplo. Jamais do lado mesquinho e puramente pessoal. Consequentemente: 5. Os problemas da vida já não parecem mais tão grandes. 6. Não temos qualquer senso de injustiça em relação ao nosso derredor ou com o nosso destino. 7. Estamos totalmente libertos do temor da morte. 8. A nossa dor em relação a morte daqueles a quem amamos é grandemente diminuída. 9. Ganhamos uma visão diferente da vida após a morte e compreendemos o seu lugar na nossa evolução. 10. Estamos totalmente livres das preocupações ou temores religiosos, ou por nós mesmos ou por nossos amigos. Temores quanto a salvação da alma, por exemplo. 11. Não estamos mais preocupados por incertezas quanto ao nosso destino futuro. Vivemos em perfeita serenidade e sem temor algum. Agora tomemos esses pontos em detalhes e nos esforcemos para explaná-los resumidamente. Abraço. Davi

 

 

 

 

quinta-feira, 26 de setembro de 2024

A RELIGIÃO DO ISLAM. Parte IV

 

Islamismo. Livro Manual para o Novo Muçulmano. Por Jamaal Zarabozo (1960 - ). A RELIGIÃO DO ISLAM. Parte IV. Objetivos do Islam. Os ensinamentos do Islam não são meros rituais ou mistérios sem nenhum tipo de razão. Pelo contrário, a revelação assinala metas bem claras e almejadas. Entre elas estão as seguintes:  A adoração exclusiva a Allah, sem dúvida, a maior meta do Islam, como também sua maior contribuição ao bem-estar da humanidade, é a verdadeira e pura adoração a Allah, sem que se associe a Ele nenhum companheiro. Esse é, na realidade, o principal objetivo e propósito de um ser humano. Allah disse: “Não criei os gênios e os humanos, senão para Me adorarem.” (51:56). Não há meta mais honrosa ou nobre para um ser humano. O monoteísmo puro é o único sistema de crença que traz as verdadeiras respostas às perguntas que desconcertam praticamente todos os seres humanos: “de onde venho? Para onde vou? Qual a finalidade da minha existência?” Quanto à pergunta “de onde venho?”, o Islam explica que os seres humanos são criaturas honradas e criadas por Allah de uma maneira muito especial e têm a liberdade de escolher ser a mais nobre das criaturas ou estar no plano mais baixo da criação. Assim, disse Allah: “Que criamos o homem na mais perfeita proporção. Então, o reduzimos a mais baixa das escalas, salvo os fiéis, que praticam o bem; estes terão uma recompensa infalível.” (95:4-6). A resposta à pergunta “para onde vou?” é que o ser humano volta a se reunir com seu Senhor e Criador. Isso ocorrerá depois de sua morte. Não haverá escapatória para este encontro. Neste momento, a pessoa será julgada com justiça e equidade. Todas as ações que foram praticadas na sua vida serão analisadas. “Nesse dia, os homens comparecerão, em massa, para verem as suas obras. Quem tiver feito o bem, quer seja do peso de um átomo, vê-lo-á. Quem tiver feito o mal, quer seja do peso de um átomo, vê-lo-á.” (99:6-8). Este juízo começará com sua ação mais importante: sua atitude frente ao Criador Misericordioso e Cheio de Graça, Aquele que o criou, proveu, enviou a orientação, advertiu do castigo para os que se afastassem da verdade e prometeu uma grande recompensa aos que aceitassem a verdade, fossem agradecidos e submissos a Ele. No que concerne à pergunta “qual a finalidade da minha existência?”, o ser humano foi criado com o mais nobre dos fins: adorar a Allah somente ou, em outras palavras, ser um verdadeiro e sincero servo de Allah. Pode-se imaginar todo tipo de objetivos que as pessoas têm nesse mundo; pode-se ter como objetivo acabar com as doenças ou atingir a paz mundial. Em geral, essas admiráveis metas estão, de certa forma, corrompidas. Pode-se persegui-las por motivos egocêntricos, como ser recordado ou louvado como aquele que fez tal coisa. Pode-se conquistá-las dando as costas ao Criador, demonstrando arrogância e ingratidão, como também ignorância de como se atingem as verdadeiras metas mais nobres. Sem dúvidas, todas estas metas, que podem ser consideradas submetas, não estão à altura da que lidera a excelência da alma e das ações de uma pessoa, além da felicidade eterna na próxima vida. Em verdade, toda meta realmente boa desta vida deve ser uma parte verdadeira da adoração a Allah. Cumprir com o verdadeiro fim do ser humano e ter êxito no encontro com o Senhor depende totalmente da prática de um monoteísmo verdadeiro e intacto. Esse é o monoteísmo do qual se fala no Islam. Muitas pessoas dizem crer no “monoteísmo” e no fato de que só existe um Deus. Porém, em muitas ocasiões, este “monoteísmo” está manchado de várias maneiras. Em algumas das primeiras civilizações pré-modernas, começaram a atribuir filhos e filhas a Deus. Lamentavelmente, está clara contradição ao monoteísmo puro foi mantida até a era moderna por uma religião tão popular que é o Cristianismo. É habitual ouvir os cristãos falarem de Jesus, agradecer a ele e inclusive rezar para ele, em muitos casos esquecendo-se do “Pai”. Os cristãos podem recorrer a diversos jogos lógicos para afirmar que adoram a um só Deus, mas, na realidade, não se pode considerá-los verdadeiros monoteístas. De fato, a maioria – se não todos – dos que seguem a trindade sustentam que Jesus está no mesmo nível do Pai. Em outras palavras, perderam o monoteísmo. O novo muçulmano pode levar certo tempo para se dar conta das maneiras que as pessoas associam companheiros a Allah, sem praticar o verdadeiro monoteísmo. O cristão convertido ao Islam pode reconhecer rapidamente que o que lhe foi dito sobre a trindade não pode ser considerado monoteísmo. Ao mesmo tempo, sem dúvidas, pode ser que não se dê conta de que os sacerdotes, por exemplo, como portadores da palavra final, no que diz respeito à lei, é outra forma de associar parceiros a Allah. Nenhum sacerdote – nem nenhum ser humano – tem o direito de anular ou suplantar nenhuma lei de Allah. Isto também contradiz o monoteísmo puro. Por isso, Allah disse: “Tomaram por senhores seus rabinos e seus monges em vez de Deus, assim como fizeram com o Messias, filho de Maria, quando não lhes foi ordenado adorar senão a um só Deus. Não há mais divindade além d’Ele! Glorificado seja pelos parceiros que Lhe atribuem!” (9:31). O Islam é uma religião que estabelece o monoteísmo puro e erradica todas as formas de associação de parceiros a Allah, desde a mais óbvia até a menos clara. Sem dúvida alguma, o Islam é a única religião que pode afirmar tal coisa. À medida que o convertido aprende mais sobre sua fé, a luz do monoteísmo puro, Allah estando no topo do processo, brilhará cada vez mais forte em seu coração. - Livrar os seres humanos da adoração de quaisquer outros seres humanos ou objetos Obviamente esta é uma consequência direta do primeiro princípio de se adorar somente a Allah. Sem dúvidas, merece uma menção especial já que a dominação e subjugo dos seres humanos, por parte de seus iguais, é uma das tragédias mais graves da história da humanidade; talvez superada somente pela tragédia dos seres humanos que aceitam tal situação e se submetem voluntariamente a outros seres humanos. Há poucas coisas piores que um ser humano que se submete e adora a outros seres humanos. É algo totalmente degradante porque, na essência, todos os seres humanos compartilham da mesma natureza e debilidades humanas. Ninguém tem o direito de se colocar no lugar de Allah – o que inclui o tirano, o ditador ou o clero – perante os demais, subjugando-os com suas ordens sem se importar se estas são compatíveis ou não com o que Allah revelou. Esta meta do Islam foi expressa eloquentemente por dois dos primeiros muçulmanos. Quando foram perguntados pelo imperador da Pérsia o que trazia os muçulmanos às suas terras, dois diferentes companheiros do Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) responderam de forma similar: “Allah nos enviou para levar quem deseje da servidão à humanidade à servidão a Allah e da estreiteza deste mundo à grandeza e da injustiça na forma de vida (deste mundo) à justiça do Islam.” É interessante destacar que os seres humanos reconhecem facilmente os males de um governo tirano, ou seja, um ser humano dominando os demais.

tão, submetem-se voluntariamente à manipulação e opressão desta elite, muitas vezes disfarçada de democracia. Na realidade, ambos são maus e só podem ser remediados através da aceitação de Allah como Legislador e Autoridade máxima. Como discutiremos adiante, somente Allah pode estabelecer leis e ordens justas, pois só Ele está livre de paixões e preconceitos. Há muitas coisas que os seres humanos tendem a “adorar” ou das quais se tornam “escravos”, como as próprias paixões, o Estado ou nação e os desejos materiais. Allah descreve aos que tomam como deus seus próprios desejos: “Não tens reparado naquele que idolatrou a sua concupiscência! Deus extraviou-o com conhecimento, ensurdecendo os seus ouvidos e o seu coração, e cobriu a sua visão. Quem o iluminará, depois de Deus (tê-lo desencaminhado)? Não meditais, pois?” (45:23). O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) disse: “Que o escravo das moedas de ouro e prata e das finas vestimentas pereça, pois se compraz se lhe dão essas coisas e não está satisfeito se não as dão.” (Bukhari). Na realidade, esta é uma forma de escravidão ou servidão – uma escravidão a algo que não é Allah. Ibn Taimiyah escreveu o seguinte: “Se ele for bem-sucedido, sente prazer; mas se falhar torna-se infeliz. Tal pessoa é abd (escravo) de seus desejos, pois a escravidão e a servidão são, na realidade, a escravidão e a servidão do coração. Portanto, o coração se torna escravo de tudo que o ponha nessa posição. Por esta razão se diz que: ‘O escravo é livre em tudo quanto está conforme o que Allah lhe proporcionou e o livre é escravo enquanto é presa de seus desejos. O Islam liberta as pessoas dessas falsas formas de adoração. Isso é alcançado através da libertação do coração dos caprichos e desejos. Liberta o coração desta forma de adoração fazendo com que este se apegue somente a Allah e construindo uma relação forte entre a pessoa e Allah (como será tratado mais à frente). A pessoa simplesmente deseja contentar Allah. Será feliz com tudo o que implique agradar a Allah e ficará insatisfeito com tudo o que não for do agrado de Allah. Este aspecto do Islam deve estar bem claro para um novo muçulmano. Deve reconhecer com facilidade em si mesmo todos esses falsos deuses que costumava seguir e adorar em sua vida pregressa. Toda sua vida pode haver girado em torno desses objetos de adoração. Pode ser que houvesse praticado qualquer coisa para alcançar suas metas, não se importando se os meios utilizados eram éticos. Essas metas o transformaram num tipo específico de pessoa. Avaliava sua vida inteira segundo essas metas. Se as alcançava, então, esta seria sua felicidade. Era um verdadeiro escravo desses objetivos. Agora pode compreender que a forma com que atingia suas metas, na realidade, estava afastando-o da adoração a Allah. - Fazer com que a vida na terra floresça O Islam é uma religião bela que satisfaz as necessidades do corpo e também da alma. O ser humano é composto de um lado espiritual e um material. Ambos os lados de uma pessoa devem ser reconhecidos como “verdadeiros”, sem negar nem ignorar nenhum deles. Além disso, o indivíduo precisa ser guiado em ambos os aspectos de sua personalidade. Do contrário, um aspecto dominará ou estará em conflito com o outro e a pessoa nunca alcançará a verdadeira felicidade. Por exemplo, há aqueles que destacam as necessidades espirituais, mas ignoram os aspectos materiais do mundo. Ao mesmo tempo, sem dúvidas, vêem-se obrigados a participar dos aspectos materiais deste mundo que são parte da natureza humana. Tais pessoas se encontram num conflito quando percebem que não podem se libertar totalmente das necessidades materiais que tanto desprezam. Por outro lado, existem os sistemas econômicos, como o capitalismo e o socialismo, que buscam satisfazer as necessidades materiais – de fato, os capitalistas afirmam trazer “o melhor de todos os mundos possíveis.” Mas, na realidade, pode-se provocar um grande buraco na psique da pessoa, pois a satisfação das necessidades materiais não preenche o vazio interno. Allah fez dos seres humanos os sucessores desta terra: “(Recorda-te ó Profeta) de quando teu Senhor disse aos anjos: Vou instituir um legatário na terra...”(2:30). Assim, a postura do islam é que os seres humanos foram postos sobre a terra intencionalmente por Allah e utilizam os meios materiais para construir uma vida positiva neste mundo passageiro, o qual, eventualmente, os levará a uma próxima vida eterna e satisfatória. Nesse sentido, Allah disse: “Mas procura, com aquilo com que Deus te tem agraciado, a morada do outro mundo; não te esqueças da tua porção neste mundo, e sê amável, como Deus tem sido para contigo, e não semeies a corrupção na terra, porque Deus não aprecia os corruptores.” (28:77). De fato, inclusive depois de finalizada a oração de sexta-feira, um dos atos de adoração mais significativos do Islam, Allah nos ordena sair e buscar o sustento deste mundo: “Porém, uma vez observada a oração, dispersai-vos pela terra e procurai as graças de Deus, e mencionai muito Deus, para que prospereis.” (62:10). Na realidade, os seres humanos são os guardiões desta grande criação e supõese que devem se comportar de maneira apropriada. Não são donos e nem têm a liberdade para usar da criação da forma que desejam. Não podem explorá-la visando benefícios pessoais ou por vingança. Tampouco, devem desperdiçar os recursos desta terra por extravagância ou com fins prejudiciais. Pelo contrário, devem se comportar como Allah estabeleceu: “São aqueles que, quando os estabelecemos na terra, observam a oração, pagam o zakat, recomendam o bem e proíbem o ilícito. E em Deus repousa o destino de todos os assuntos.” (22:41). Este ensinamento do Islam também é mencionado em diversos versículos onde Allah proíbe a corrupção (fasaad) na terra – como consta no 28:77, mencionado anteriormente. Allah também disse: “E não causeis corrupção na terra, depois de haver sido pacificada. Igualmente, invocai-O com temor e esperança, porque Sua misericórdia está próxima dos benfeitores.” (7:56). “...Recordai-vos das mercês de Deus para convosco e não causeis flagelo, nem corrupção na terra.” (7:74). Por outro lado, Allah promete uma grande recompensa àqueles que vivem suas vidas mediante o princípio de não promover ou buscar o mal ou a corrupção. Disse Allah: “Destinamos a morada, no outro mundo, àqueles que não se envaidecem nem fazem corrupção na terra; e a recompensa será dos tementes.” (28:83). Allah deixou claro que quando as pessoas estiverem em frente a Ele, no Dia da Ressurreição, os que causaram mal na terra não serão tratados de igual maneira que os que praticaram o bem. Disse Allah: “Porventura, trataremos os fiéis, que praticam o bem, como os corruptores na terra? Ou então trataremos os tementes como os ignóbeis?” (38:28). Lamentavelmente, o que muitas pessoas advertem é que a melhor forma de se espalhar a corrupção e o mal sobre a terra é dando as costas ao que Allah nos ordenou. Abraço. Davi.