quarta-feira, 22 de dezembro de 2021

A ARTE DE VIVER

 

Espiritualidade. Escrito por Osho (1931-1990). A ARTE DE VIVER. "O homem nasce para atingir a vida, mas tudo depende dele. Ele pode perdê-la. Ele pode seguir respirando, ele pode seguir comendo, ele pode seguir envelhecendo, ele pode seguir se movendo em direção ao túmulo – mas isso não é vida. Isso é morte gradual, do berço ao túmulo, uma morte gradual com a duração de setenta anos. E porque milhões de pessoas ao redor de você estão morrendo essa morte lenta e gradual, você também começa a imitá-los.  As crianças aprendem tudo daqueles que estão em volta delas e nós estamos rodeados pelos mortos. Então temos que entender primeiro o que eu entendo por “vida”. Ela não deve ser simplesmente envelhecer. Ela deve ser desenvolver-se. E isso são duas coisas diferentes. Envelhecer, qualquer animal é capaz. Desenvolver-se é prerrogativa dos seres humanos. Somente uns poucos reivindicam esse direito. Desenvolver-se significa mover-se a cada momento mais profundamente no princípio da vida; significa afastar-se da morte – não ir na direção da morte. Quanto mais profundo você vai para dentro da vida, mais entende a imortalidade dentro de você. Você está se afastando da morte: chega a um momento em que você pode ver que a morte não é nada, apenas um trocar de roupas ou trocar de casas, trocar de formas – nada morre, nada pode morrer. A morte é a maior ilusão que existe. Como desenvolver-se? Simplesmente observe uma árvore. Enquanto a árvore cresce, suas raízes crescem para baixo, tornam-se mais profundas. Existe um equilíbrio; quanto mais alto a árvore vai, mais fundo as raízes vão. Na vida, desenvolver-se significa crescer profundamente para dentro de si mesmo – que é onde suas raízes estão. Para mim o primeiro princípio da vida é meditação. Tudo o mais vem em segundo lugar. E a infância é o melhor momento. À medida que você envelhece, significa que você está chegando mais perto da morte, e se torna mais e mais difícil entrar em meditação. Meditação significa entrar na sua imortalidade, entrar na sua eternidade, entrar na sua divindade. E a criança é a pessoa mais qualificada porque ela ainda está sem a carga da educação, sem a carga de todo o tipo de lixo. Ela é inocente.  Mas infelizmente a sua inocência está sendo considerada como ignorância. Ignorância e inocência tem uma similaridade, mas elas não são a mesma coisa. Ignorância também é um estado de não conhecimento, tanto quanto a inocência é. Mas também existe uma grande diferença que passou despercebida por toda a humanidade até agora. A inocência não é instruída – mas também não é desejosa de ser instruída. Ela é totalmente contente, preenchida (...). O primeiro passo na arte de viver será criar uma linha de demarcação entre ignorância e inocência. Inocência tem que ser apoiada, protegida – porque a criança trouxe com ela o maior tesouro, o tesouro que os sábios encontram depois de esforços árduos. Os sábios têm dito que se tornaram crianças novamente, que eles renasceram (...). Sempre que você perceber que perdeu a oportunidade da vida, o primeiro princípio a ser trazido de volta é a inocência. Abandone o seu conhecimento, esqueça as suas escrituras, esqueça as suas religiões, suas teologias, suas filosofias. Nasça novamente, torne-se inocente – e a possibilidade está em suas mãos. Limpe a sua mente de todo conhecimento que não foi descoberto por você mesmo, de todo conhecimento que foi tomado emprestado dos outros, tudo o que veio pela tradição, convenção, tudo o que lhe foi dado pelos outros – pais, professores, universidades. Simplesmente desfaça-se disso. Novamente seja simples, mais uma vez seja uma criança. E esse milagre é possível pela meditação. Meditação é apenas um método cirúrgico não convencional que corta tudo aquilo que não é seu e só preserva aquilo que é o seu autêntico ser. Ela queima tudo o mais e o deixa nu, sozinho embaixo do sol, no vento. É como se você fosse o primeiro homem que tivesse descido na Terra – que nada sabe e que tem que descobrir tudo, que tem que ser um buscador, que tem que ir em peregrinação. O segundo princípio é a peregrinação. A vida deve ser uma busca – não um desejo, mas uma pesquisa: não uma ambição para tornar-se isso, para tornar-se aquilo, um presidente de um país, ou um primeiro-ministro, mas uma pesquisa para encontrar “Quem sou eu?”. É muito estranho que as pessoas que não sabem quem elas são, estão tentando se tornar alguém. Elas nem mesmo sabem quem elas são neste momento! Elas não conhecem os seus seres – mas elas têm um objetivo de vir a ser. Vir a ser é a doença da alma. O ser é você e descobrir o seu ser é o começo da vida. Então cada momento é uma nova descoberta, cada momento traz uma alegria. Um novo mistério abre as suas portas, um novo amor começa a crescer em você, uma nova compaixão que você nunca sentiu antes, uma nova sensibilidade a respeito da beleza, a respeito da bondade. Você se torna tão sensível que até a menor folha de grama passa a ter uma importância imensa para você. Sua sensibilidade torna claro para você que essa pequena folha de grama é tão importante para a existência quanto a maior estrela; sem essa folha de grama, a existência seria menos do que é. E essa pequena folha de grama é única, ela é insubstituível, ela tem a sua própria individualidade. E essa sensibilidade criará novas amizades para você – amizades com árvores, com pássaros, com animais, com montanhas, com rios, com oceanos, com as estrelas. A vida se torna mais rica enquanto o amor cresce, enquanto a amizade cresce (...). Quando você se torna mais sensível, a vida se torna maior. Ela não é um pequeno poço, ela se torna oceânica. Ela não está confinada a você, sua esposa e seus filhos – ela não é confinada de jeito algum. Toda essa existência se torna a sua família e a não ser que toda essa existência seja a sua família, você não conheceu o que é a vida – por que homem algum é uma ilha, nós estamos todos conectados. Nós somos um vasto continente, unidos de mil maneiras. E se o nosso coração não está cheio de amor pelo todo, na mesma proporção a nossa vida é diminuída. A meditação lhe traz sensibilidade, uma grande sensação de pertencer ao mundo. Este é o nosso mundo - as estrelas são nossas e nós não somos estrangeiros aqui. Nós pertencemos intrinsecamente à existência. Nós somos parte dela, nós somos o coração dela. Em segundo lugar, a meditação irá lhe trazer um grande silêncio – porque todo o lixo do conhecimento foi embora, pensamentos que são partes do conhecimento foram embora também (...). Um imenso silêncio e você é surpreendido – esse silêncio é a única música que existe. Toda música é um esforço para manifestar esse silêncio de algum modo. Os videntes do antigo oriente foram muito enfáticos a respeito da questão de que todas as grandes artes – música, poesia, dança, pintura, escultura – são todas nascidas da meditação. Elas são um esforço para, de algum modo, trazer o incompreensível para o mundo do conhecimento, para aqueles que não estão prontos para a peregrinação – presentes para aqueles que ainda não estão prontos para partirem na peregrinação. Talvez uma canção possa despertar um desejo de ir em busca da fonte, talvez uma estátua. Na próxima vez que em você entrar em um templo de Gautama Budha ou de Mahavira, sente-se silenciosamente e olhe a estátua (...) porque a estátua foi feita de tal forma, em tal proporção que se você olhá-la, você cairá em silêncio. É uma estátua de meditação; não é a respeito de Gautama Budha ou de Mahavira (...). Naquele estado oceânico, o corpo toma uma certa postura. Você próprio já observou isso, mas não estava alerta. Quando você está com raiva, você observou? seu corpo tomou uma certa postura. Na raiva você não pode manter as suas mãos abertas: na raiva, a mão se fecha. Na raiva você não pode sorrir ou você pode? Com uma certa emoção, o corpo tem que seguir uma certa postura. Pequenas coisas estão profundamente relacionadas no interior (...). Uma certa ciência secreta foi usada por séculos, de modo que as gerações futuras pudessem entrar em contato com as experiências das gerações mais velhas – não através de livros, não através de palavras, mas através de algo que vai mais profundo – através do silêncio, através da meditação, através da paz. À medida que seu silêncio cresce, sua amizade cresce, seu amor cresce; sua vida se torna uma dança, momento a momento, uma alegria, uma celebração. Você já pensou sobre o porquê, em todo o mundo, em toda cultura, em toda sociedade, existem uns poucos dias no ano para a celebração? Esses poucos dias para a celebração são apenas uma compensação – porque essas sociedades tiraram toda a celebração de sua vida e se nada é dado para você em compensação, sua vida pode tornar-se um perigo para a cultura. Toda cultura criou alguma compensação e assim você não se sentirá completamente perdido na miséria, na tristeza (...). Mas essas compensações são falsas. Mas no seu mundo interior pode existir uma continuidade de luz, canções, alegria. Sempre lembre-se que a sociedade o compensa quando ela sente que a repressão pode explodir em uma situação perigosa se não for compensada. A sociedade encontra algum jeito de lhe permitir soltar a repressão. Mas isso não é a verdadeira celebração, e não pode ser verdadeira. A verdadeira celebração deveria vir de sua vida, na sua vida. E a celebração não pode estar de acordo com o calendário, que no primeiro dia de novembro você irá celebrar. Estranho, o ano todo você é miserável e no primeiro dia de novembro, de repente, você sai da miséria, dançando. Ou a miséria era falsa ou o primeiro de novembro é falso; ambos não podem ser verdadeiros. E uma vez que o primeiro de novembro se vai, você está de volta em seu buraco negro, todo mundo em sua miséria, todo mundo em sua ansiedade. A vida deveria ser uma celebração contínua, um festival de luzes por todo o ano. Somente então você pode se desenvolver, você pode florir. Transforme pequenas coisas em celebração (...). Tudo o que você faz deveria expressar a si próprio; deveria ter a sua assinatura. Então a vida se torna uma celebração contínua. Inclusive se você adoece e você está deitado na cama, você fará daqueles momentos de repouso, momentos de beleza e alegria, momentos de relaxamento e descanso, momentos de meditação, momentos para ouvir música ou poesia. Não há necessidade de ficar triste porque você está doente. Você deveria estar feliz porque todo mundo está no escritório e você está na cama como um rei, relaxando - alguém está preparando chá para você, o samovar está cantando uma canção, um amigo se oferece para vir e tocar flauta para você. Essas coisas são mais importantes do que qualquer remédio. Quando você está doente, chame um médico. Mas, mais importante, chame aqueles que o amam porque não existe remédio mais importante que o amor. Chame aqueles que podem criar beleza, música, poesia à sua volta, porque não existe nada que cure como uma atmosfera de celebração. O medicamento é o mais baixo tipo de tratamento. Mas parece que nós esquecemos tudo, assim nós temos que depender dos medicamentos e ficar rabugentos e tristes – como se você estivesse perdendo uma grande alegria que havia quando você estava no escritório! No escritório você era miserável – simplesmente um dia de folga, mas você também se agarra à miséria, você não a deixa ir. Faça todas as coisas criativas, faça o melhor a partir do pior – isso é o que eu chamo de arte. E se um homem viveu toda a vida fazendo a todo momento uma beleza, um amor, um desfrute, naturalmente a sua morte será o supremo pico no empenho de toda a sua vida. Os últimos toques (...) sua morte não será feia como ordinariamente acontece todo dia com todo mundo. Se a morte é feia, isso significa que toda a sua vida foi um desperdício. A morte deveria ser uma aceitação pacífica, uma entrada amorosa no desconhecido, um alegre despedir-se dos velhos amigos, do velho mundo (...). Comece com a meditação e muitas coisas crescerão em você – silêncio, serenidade, êxtase, sensibilidade. E o que quer que venha com a meditação, tente trazer para a sua vida. Compartilhe isso, porque tudo o que é compartilhado cresce mais rápido. E quando você atingir o momento da morte, você saberá que não existe morte. Você pode dizer adeus, não existe nenhuma necessidade de lágrima de tristeza – talvez lágrimas de felicidade, mas não de tristeza”. www.oshobrasil.com.br. Abraço. Davi.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

O MUNDO DOS ORIXÁS - OXUM

 

Religião Afrodescendente. Candomble. www.ocandomble.com. O MUNDO DOS ORIXÁS – OXUM. A missão divina da Mãe Terra (Edan – Onile). Quando a divina e poderosa mãe Edán (Onile Ogboduora) fez sua aparição nesta Terra, ela fez isso com um propósito específico e sagrado. Sua manifestação nesta Terra sinalizou uma nova oportunidade para a humanidade se renovar, progredir e ter uma vida equilibrada. Sua aparição marcou um novo começo para toda a humanidade e não apenas o povo privilegiado dos yorùbá. Seu objetivo e propósito era, e é, de alcance universal. Èdán veio para trazer cura, ordem, harmonia, abrigando preceitos divinos e equilíbrio para as comunidades da Terra em geral e cada ser humano em particular. Você deve se lembrar e ter em mente que Èdán não é um ser humano. Èdán não é yorùbá, chinês, americano, oriental ou ocidental. Èdán é uma personagem divina de habilidades extraordinárias e poderes supra-humanos. Èdán não é deste mundo. Ela vem de um reino glorioso e inconcebível de santidade, beleza e poder. A inteligência, compreensão, força, atratividade e carisma da mãe divina Èdán é extraordinária, penetrante e excepcional. Èdán pode ver a profundidade e a realidade das coisas. Ela não pode ser enganada, manipulada ou subornada, ela não comete erros na administração de sua dispensação (ato de dividir). Ela está além do alcance da influência humana. Ela nunca cairá ou balançará à mesquinhez e a inconstância, que é comum entre a humanidade. Sua visão divina nunca é obstruída e sua atividade não pode ser prejudicada. Sua virtude, caráter, personalidade e carisma são sem igual. Mesmo Ọrúnmìlà reconheceu sua grandeza, eficiência, capacidade e singularidade. Foi, afinal, Ọrúnmìlà quem invocou Èdán, sua amiga e sócia divina para apoio, soluções e alívio! Quando Èdán desceu do reino dos Irunmọlẹ a esta Terra, ela apareceu com a plenitude da autoridade divina, poder e comando. Todos Ajogùn interno, externo e Elénìní fugiram diante dela. Com o poder de sua majestosa personalidade, divinamente atraente, beleza, carisma e àşé ela foi capaz de libertar e entregar os corações e as mentes dos pensamentos negativos, atitudes e energias prejudiciais que oprimiam e dominavam os seres humanos. Èdán foi capaz de desarmar as pessoas de suas preocupações, medos e inseguranças. Para aqueles que faziam, que se deliciavam em fazer o errado, o engano, a opressão e a corrupção ela colocava medo nos seus corações para que talvez eles pudessem mudar suas maneiras sob sua administração do perdão, da ordem, da capacitação e da renovação. Tais era, e é, o poder e a influência da mãe divina Èdán. Juntamente com o inseparável, a importação do ase aos membros sensíveis da humanidade, ela deu preceitos e injunções divinas para seus alunos-discípulos para praticar e implementarem em todos os níveis da sociedade e da vida pessoal. Estes seguidores obedientes e confiáveis ​​de Èdán são os Ogboni porque só existe sabedoria, saúde e longa vida com Èdán se as pessoas obedecerem e praticarem seus preceitos. Do lado de fora uma pessoa constituiria um Ogberi (ignorante) porque aparentemente tinha conhecimento e não praticava a verdade, o que é isso, se não o maior ignorância, infelicidade e loucura. Os princípios divinos de Èdán tornaram-se os veículos de sua divina presença, carisma, poder, apoio e influência-retificando a cura. Ter vivido na época do aparecimento de Èdán sobre esta Terra sagrada foi a experiência mais extraordinária, gratificante e maravilhosa. Isto é, a forma divinamente sancionada, a vida que ela estava revelando à humanidade e continua revelando à humanidade. O teimoso, obstinado e beligerante que não fizer, não vai durar muito tempo sob a administração de Èdán. Èdán é naturalmente amável, justa e compreensiva, como a Sagrada Mãe preciosa e amável que ela é, ela proporcionou a todos o perdão, um novo começo sem referência a erros do passado, uma oportunidade para mudar e a bênção para fazer uso de seu apoio pessoal, garantia, inspiração e poder. Èdán está ciente de nossas fragilidades e fraquezas como seres humanos. Ninguém precisa ter medo por causa de suas fraquezas ou falhas. Èdán não pareceu para fazer-nos ricos e famosos. Èdán apareceu para nos fazer participantes da verdadeira vida, saúde, paz, segurança e prosperidade através da prática de seus ensinamentos claros. Èdán apareceu para nos permitir descobrir a nossa nobre e bela natureza divina. Ela veio para restaurar a dignidade, clareza, transparência, saúde moral e limpeza moral de nossas vidas. Èdán inculca a verdade divina para seus seguidores inteligentes e humildes, quando estamos individual e coletivamente para a direita e para dentro, em seguida, nesta ordem interna, a saúde e a retidão serão reveladas e expressas no mundo. As instruções de Èdán não foram e não são sugestões, mas comandos divinamente concedidos e leis. Eles são vinculativos e obrigatórios para toda a humanidade e especialmente para aqueles que se dedicam a Èdán. Para ser Ogboni significa ser o melhor dos melhores. Significa ser um modelo de impecabilidade, idoneidade e confiabilidade. Para ser Ogboni significa estar pessoalmente convencido a perseguir e fazer o que é certo, correto e adequado independentemente de tempos, lugares e / ou circunstâncias. Para ser Ogboni significa ter auto iniciativa, ser responsável e fazer o que é certo para o bem do amor da verdade e não ser visto, elogiado e aplaudido por outros. Iniciação formal sozinha não faz de você um seguidor de Èdán. O que é importante não é que outras pessoas te chamem de Ogboni, mas que Èdán te reconhece e o aceita como um dos seus verdadeiros, leais e obedientes filhos. O que é importante é que você seja Ogboni 24 horas por dia em seus pensamentos, atitudes, ações e relacionamentos. Ogboni é uma forma global e abrangente de viver. Uma delas é ser Ogboni o tempo todo para que Èdán, ela mesma, possa garantir que você é um Ogboni genuíno, verdadeiro, com honra, humildade, alegria e realização digna. Os ritos de iniciação Ogboni foram desenvolvidos mais tarde por Èdán e seus seguidores, mas, inicialmente, a verdadeira iniciação era uma mudança espiritual de coração, mente e vida como um resultado do encontro com Èdán, sua personalidade, seu caráter, seu carisma, encantamento, inspiração, autoridade e poder, tudo foi expresso e manifestado através de tudo que Èdán fez. Tudo que Èdán fez foi cheio de graciosidade, dignidade e poder. Não foi através de ritos e rituais que Èdán mudou o mundo, mas pela graça divina, pelas maneiras, inteligência e conduta. Èdán por suas maneiras, caráter, personalidade e conduta comandou o respeito, reverência, confiança e obediência de todos aqueles com coração sincero e bom. O verdadeiro símbolo de honra e título de um Ogboni autêntica o caráter, a virtude, a bondade e a imparcialidade que ele pratica. Conformidade exterior e aderência superficial com o protocolo Ogboni para o bem das pessoas não faz de você um Ogboni, não importa o seu título ou o quanto você está velho. Èdán deu seu amor, vida e foco total e dedicação à humanidade. Para ser Ogboni você tem que dar o seu tudo para a missão divina de Èdán e você deve procurar com sua força, habilidade, atividade e meios transferir o conhecimento de Èdán a todos os povos do mundo. Isto é o que é significa ser Ogboni. Ogboni não é uma instituição humana. Ogboni não é um negócio. Ogboni não é um clube. Ogboni é uma vocação divina e sagrada. Èdán era uma revolucionária espiritual, divina, missionária, diplomática e embaixadora da boa vontade e da esperança. Nós também devemos ser isso. Devemos buscar a propagação do Ogbonismo. Não os chamados clubes Ogboni e instituições formais, devemos propagar a verdade e a realidade que Èdán promoveu e instituiu para toda a humanidade. A humildade e o serviço vêm antes da honra, do orgulho, da presunção. Èdán diz que a indiferença precede a queda. Ancestral Pride Temple. Templo Orgulho Ancestral. ORIXÁ OXUM. Os orixás são deuses africanos que correspondem a pontos de força da Natureza e os seus arquétipos estão relacionados às manifestações dessas forças. As características de cada Orixá, aproxima-os dos seres humanos, pois eles manifestam-se através de emoções como nós. Sentem raiva, ciúmes, amam em excesso, são passionais. Cada orixá tem ainda o seu sistema simbólico particular, composto de cores, comidas, cantigas, rezas, ambientes, espaços físicos e até horários. Como resultado do sincretismo que se deu durante o período da escravatura, cada orixá foi também associado a um santo católico, devido à imposição do catolicismo aos negros. Para manterem os seus deuses vivos, viram-se obrigados a disfarçá-los na roupagem dos santos católicos, aos quais cultuavam apenas aparentemente. Estes deuses da Natureza são divididos em 4 elementos – Água, Terra, Fogo e Ar. Alguns estudiosos ainda vão mais longe e afirmam que são 400 o número de Orixás básicos divididos em 100 do Fogo, 100 da Terra, 100 do Ar e 100 da Água, enquanto que, na Astrologia, são 3 do Fogo, 3 da Terra, 3 do Ar e 3 da Água. Porém os tipos mais conhecidos entre nós formam um grupo de 16 deuses. Eles também estão associados à corrente energética de alguma força da natureza. Assim, Iansã é a dona dos ventos, OXUM é a mãe da água doce, Xangô domina raios e trovões, e outras analogias. No Candomblé cultuam-se muitos outros orixás, desconhecidos por leigos, por serem menos populares do que Xangô, Iansã, Oxossi e outros, mas com um significado muito forte para os adeptos dos cultos afro-brasileiros. Alguns são necessariamente cultuados, devido à ligação com trabalhos específicos que regem, para a saúde, morte, prosperidade e diversos assuntos que afligem o dia-a-dia das pessoas. Estes deuses africanos são considerados intermediários entre os homens e Deus, e por possuírem emoções tão próximas dos seres humanos, conseguem reconhecer os nossos caprichos, os nossos amores, os nossos desejos. É muito frequente dizer-se que as personalidades dos seus filhos são consequência dos orixás que regem as suas cabeças, desenvolvendo características iguais às destes deuses africanos. Apresento a seguir as descrições dos 16 Orixás mais cultuados. Recordo, no entanto, que existem diversas correntes no Candomblé e por essa razão as informações poderão ser diferentes de acordo com a tradição ou região. ORIXÁ OXUM. Dia: Sábado. Cores: Amarelo – Ouro. Símbolo: Leque com espelho (Abebé). Elemento: Água Doce (Rios, Cachoeiras, Nascentes, Lagoas). Domínios: Amor, Riqueza, Fecundidade, Gestação e Maternidade. Saudação: Òóré Yéyé ó! Na Nigéria, mais precisamente em Ijesá, Ijebu e Osogbó, corre calmamente o rio Oxum, a morada da mais bela Iyabá, a rainha de todas as riquezas, a protectora das crianças, a mãe da doçura e da benevolência. Generosa e digna, Oxum é a rainha de todos os rios e cachoeiras. Vaidosa, é a mais importante entre as mulheres da cidade, a Ialodê. É a dona da fecundidade das mulheres, a dona do grande poder feminino. OXUM é a deusa mais bela e mais sensual do Candomblé. É a própria vaidade, dengosa e formosa, paciente e bondosa, mãe que amamenta e ama. Um de seus oriquis, visto com mais atenção, revela o zelo de OXUM com seus filhos: O primeiro filho de OXUM chama-se Ide, é uma verdadeira joia, uma argola de cobre que todos os iniciados de OXUM devem colocar nos seus braços. OXUM não vê defeitos nos seus filhos, não vê sujidade. Os seus filhos, para ela, são verdadeiras joias, e ela só consegue ver seu brilho. É por isso que OXUM é a mãe das crianças, seres inocentes e sem maldade, zelando por elas desde o ventre até que adquiram a sua independência. Seus filhos, melhor, as suas joias, são a sua maior riqueza. Característica dos filhos de Oxum. Dão muito valor à opinião pública, fazem qualquer coisa para não chocá-la, preferindo contornar as suas diferenças com habilidade e diplomacia. São obstinadas na procura dos seus objetivos. OXUM é o arquétipo daqueles que agem com estratégia, que jamais esquecem as suas finalidades; atrás da sua imagem doce esconde-se uma forte determinação e um grande desejo de ascensão social. Têm uma certa tendência para engordar, a imagem do gordinho risonho e bem-humorado combina com eles. Gostam de festas, vida social e de outros prazeres que a vida lhes possa oferecer. Tendem a uma vida sexual intensa, mas com muita discrição, pois detestam escândalos. Não se desesperam por paixões impossíveis, por mais que gostem de uma pessoa, o seu amor-próprio é muito maior. Eles são narcisistas demais para gostar muito de alguém. Graça, vaidade, elegância, uma certa preguiça, charme e beleza definem os filhos de OXUM, que gostam de joias, perfumes, roupas vistosas e de tudo que é bom e caro. O lado espiritual dos filhos de OXUM é bastante aguçado. Talvez por isso, algumas das maiores Yalorixás da história do Candomblé, tenham sido ou sejam de OXUM. www.ocandomble.com. Abraço. Davi

 

sábado, 18 de dezembro de 2021

II. AVE MARIA CHEIA DE GRAÇA

 

Cristianismo. Ciência e Religião Juntas. II. AVE MARIA CHEIA DE GRAÇA. CONTROVÉRSIAS TEOLÓGICAS – Os dogmas são as verdades que a Igreja Católica considera inquestionáveis. E as mais populares devoções a Santíssima e Imaculada Maria surgiram exatamente dessas máximas instituídas. O problema é que, para cada qualidade em sua lista de virtudes, existe também um tema que gera polêmica. Ao proclamar a virgindade perpetua de Maria, a sua Imaculada Concepção, a sua assunção (subida) corporal aos céus, o seu papel como mediadora celestial e corredentora, a Igreja Católica promoveu uma veneração popular a Santíssima Virgem (Nossa Senhora) que, muitas vezes, se iguala a adoração a Cristo. Afinal de contas, “Não terás outros deuses além de mim. Não farás para ti nenhum ídolo, nenhuma imagem de qualquer coisa no céu, na Terra, ou nas águas debaixo da Terra, teria determinado o próprio Deus, segundo Êxodo 20,3-4. Contudo, ainda assim, a veneração de Maria Santíssima continua ocupando um lugar central na teologia. Publicado em 1992, o Catecismo da Igreja Católica corrobora a crença: “Cremos que a Santíssima Mãe de Deus, nova Eva, Mãe da Igreja, continua no céu sua função materna em relação aos membros de Cristo”. E mais: “Esta maternidade de Maria na economia da graça perdura ininterruptamente (...). Assunta aos céus, não abandonou este múnus (trabalho) salvífico, mas por sua múltipla intercessão, contínua a alcançar-nos os dons da salvação eterna”. Já para o escritor, psicanalista e ex pastor presbiteriano Caio Fábio (1955-  ), Maria foi muito especial, mas não no sentido frequentemente julgado. Em uma das publicações de seu site, ele afirma: “Maria, sendo mulher virtuosa, foi escolhida por Deus para ser a mãe de Jesus. Espiritualmente, cada geração herda dá outra e deveria, portanto, crescer mais que a outra. Mas não cresce, posto que a religião tenha determinado que as melhores vidas já estejam mortas. Assim, o sentido da História não deveria ser canonizar santos, mas sim existencializar de modo crescente a experiência de cada pessoa com Deus” (1). NOSSA SENHORA DAS GRAÇAS – Em uma tarde de sábado, no dia 27 de novembro de 1830, na capela das irmãs Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo – França, Catarina Labouré (1806-1876) teve uma visão de Nossa Senhora. Segundo seus relatos, “a Virgem Santíssima e Imaculada” estava de pé sobre um globo, segurando com as duas mãos outro globo menor, sobre o qual, aparecia uma cruzinha de ouro. Dos dedos das suas mãos, que de repente encheram-se de anéis com pedras preciosas, partiam raios luminosos em todas as direções e, num gesto de súplica, Nossa Senhora oferecia o globo ao Senhor”. O pedido dela teria sido que cunhassem medalhas onde sua imagem aparecesse semelhantemente à da visão. Segundo a aparição, todos que usassem o amuleto receberiam grande graças. VIRGINDADE PERPÉTUA – Você pode ter reparado que em nenhum momento deste texto, a palavra “virgem” foi utilizada como sinônimo de Maria. Isto porque a questão é um tanto quanto delicada. A doutrina da virgindade perpétua foi amplamente apoiada pelos padres da Igreja e, no século VII, foi consolidada num conjunto de concílios ecumênicos. Este é um ensinamento tanto católico quanto anglo católico, ortodoxo e ortodoxo oriental, como se comprova em suas liturgias. Por sua vez, os protestantes, assim como alguns historiadores, céticos e outros estudiosos das Escrituras Sagradas avaliam que tal preceito tem bases para ser confrontado – bíblicas, inclusive. O versículo 25 do primeiro capítulo do evangelho de Mateus, por exemplo, nos diz que “Ele (José) não teve relações com ela (Maria) até que ela deu à luz um filho, e deu-lhe o nome Jesus”. Em outras traduções, a sentença aparece da seguinte maneira: “Mas não teve relações com ela enquanto ela não deu à luz um filho. E ele lhe pôs o nome de Jesus”. A frase parece sugestiva quanto à possibilidade do casal ter se relacionado após o nascimento de Cristo. Outro argumento está no versículo 7 do capítulo 2 de Lucas “e ela deu à luz ao seu primogênito”. Como o termo significa “aquele que nasceu primeiro”, ou ainda “o primeiro filho do casal”: é provável que Jesus então tenha tido irmãos, conforme falado em Mateus 13,55-56 “Não é este o filho do carpinteiro? E não se chama sua mãe Maria, e seus irmão Tiago e José, e Simão e Judas? E não está entre nós todas as suas irmãs? De onde lhe veio, pois tudo isto?” Caso contrário, seria descrito como unigênito (filho único ou único gerado). E, para a surpresa de muitos, a própria Bíblia traz evidências de que o Cristo pode ter tido, além de seus irmãos espirituais, irmãos biológicos. A GRANDE FAMÍLIA – Para quem não é um leitor assíduo das Escrituras, a especificidade da descrição, citando até mesmo nomes dos irmãos sanguíneos, pode causar espanto. E esta não é a única vez que eles são citados, pois outras passagens também relatam a presença deles junto de Jesus, Maria ou dos demais discípulos. Lucas 8,20 “E foi lhe dito: Estão lá fora tua mãe e teus irmãos, que querem ver-te”. João 2,12 “Depois disto desceu a Cafarnaum, ele, e sua mãe, e seus irmãos, e seus discípulos; e ficaram ali não muitos dias” e Atos 1,14 “Todos estes perseveravam unanimemente em oração e súplicas, com as mulheres, e Maria mãe de Jesus, e com seus irmãos”. NOSSA SENHORA DE LOURDES – Na então  aldeia de Lourdes, região francesa dos Altos Pirineus, em 11 de fevereiro de 1858, a jovem Bernadette Soubirous (1844-1879) foi apanhar lenha às margens do rio Gave. Contudo, a menina de apenas 14 anos ouviu a voz de uma mulher chamando-a carinhosamente. A voz vinha de dentro da gruta. Curiosa e obediente, Bernadette entrou e viu a figura de uma dama que teria se apresentado como Maria. Esta foi a primeira das outras 17 aparições que se seguiram. A notícia se espalhou e muitas pessoas foram à gruta no desejo de ver o espectro, mas só as crianças viam, o que gerou muita desconfiança e dúvida na população. Mesmo assim, segundo a tradição católica, a manifestação divina fez brotar na rocha uma fonte de água cristalina  e considerada milagrosa. Assim, as supostas curas obtidas através da água levaram a Igreja a autorizar o culto à chamada Nossa Senhora de Lourdes. No entanto, a versão oficial da Igreja Católica, sustenta que o termo “irmão” (quando a Bíblia fala de irmãos de Jesus) se refere, na verdade, aos primos de Jesus. E a tese não deixa de ter sentido: as línguas hebraicas e aramaicas não possuem um vocábulo que designe o termo “primos”. Ou seja, como o Novo Testamento foi escrito na língua grega, o processo de tradução pode ter sido prejudicado, já que os autores utilizaram o termo adelfos, que literalmente significa irmãos. O grande problema é que em todas as vezes que são mencionados, os primos ou irmãos de Jesus estão na companhia de Maria – contexto que potencializa as chances de Jesus não ter sido filho único. NOSSA SENHORA DE GUADALUPE – A virgem de Guadalupe, como é popularmente conhecida, teria aparecido a um índio da tribo Nahua, no longínquo ano de 1531. Identificando-se como mão do verdadeiro Deus, os relatos afirmam que a imagem fez crescer flores na colina semidesértica de Tepeyac, noroeste da cidade do México – México. Posteriormente, como prova de sua aparição, ela orientou o indígena que levasse uma das flores para o bispo, instruindo-o também  que construísse um templo à virgem naquela região. Além disso, deixou sua própria imagem impressa misteriosamente (ou seria milagrosamente?) em um tecido de pouca qualidade, feito a partir do cacto, que deveria se deteriorar em 20 anos. Porém, não mostra sinais de decomposição até os dias de hoje. NOSSA SENHORA DE GUADALUPE tornou-se a padroeira do México e é considerada a “imperatriz da América”. MEIOS-IRMÃOS – Um segundo argumento da Igreja Católica Romana é de que os irmãos e irmãs de Jesus eram filhos apenas de José, oriundos de um casamento anterior. Algumas teorias acreditam que o carpinteiro era bem mais velho do que Maria antes de se casar com ela. Além disso, Havia se tornado viúvo e possuía vários filhos. No entanto, caso José já possuísse pelo menos seis herdeiros (os quatro homens citados e, no mínimo, mais duas mulheres referentes as “irmãs”), por que eles não são mencionados na sua viagem com Maria a Belém: Lucas 2,4-7 “E subiu também Jose da Galileia, da cidade de Nazaré, à Judeia, à cidade de Davi, chamada de Belém (porque era da casa e família de Davi); afim de alistar-se com Maria, sua esposa, que estava grávida. A aconteceu que, estando eles ali, se cumpriram os dias em que ela havia de dar à luz. E deu à luz a seu filho primogênito, e envolveu-o em panos, e deitou-o numa manjedoura, porque não havia lugar para ele nas estalagens”. Ou na sua viagem ao Egito em Mateus 2,13-15 “E, tendo eles se retirado, eis que o anjo do Senhor apareceu a Jose num sonho, dizendo: Levanta-te, toma o menino e sua mãe, e foge para o Egito, e demora-te lá  até que eu te diga; porque Herodes há de procurar o menino para o matar. E, levantando-se ele, tomou o menino e sua mãe, de noite, e foi para o Egito. E esteve lá, até a morte de Herodes, para que se cumprisse o que foi dito da parte do Senhor pelo profeta, que diz: do Senhor chamei a meu filho”. Ou na sua viagem de volta para Nazaré em Mateus 2,20-23 “Dizendo: Levanta-te, e toma o menino e sua mãe, e vai para a Terra de Israel; porque já estão mortos os que procuravam a morte do menino. Então ele se levantou, e tomou o menino e sua mãe, e foi para a Terra de Israel. E, ouvindo que Arquelau reinava na Judéia em lugar de Herodes , seu pai, receou ir para lá; mas avidado num sonho, por divina revelação, foi para as partes da Galileia. E chegou , e habitou numa cidade chamada Nazaré, para que se cumprisse o que fora dito pelos profetas: Ele será chamado Nazareno”. APARIÇÕES – Na tradição cristã, há muitas ocorrências de aparições de anjos ou santos trazendo alguma mensagem de Deus. Com Maria não poderia ser diferente. Mesmo entre os fiéis, as manifestações são pautas para debates e contestações, uma vez que as chamadas forças do mal são frequentemente acusadas de fraudes em questões desse tipo. Já para a ciência, é difícil assegurar que as experiências sobrenaturais acontecem de fato. Segundo os acadêmicos, conduzir estudos e pesquisas que têm por objetivo investigar a fundo eventos sobrenaturais é uma empreitada de risco. “Quando você se livra de toda a falsidade (algo em torno de 95% dos casos) o resíduo deixado parece ser algo real”: confessa Robert M. Schoch (1949-  ), professor de ciências naturais da Universidade de Boston – EUA. Em uma de suas entrevistas, ele admite a possibilidade de existir uma relação entre os campos eletromagnéticos da Terra e os estímulos elétricos, percebidos por determinadas pessoas. “Um estudo analisou as aparições e os padrões geomagnéticos da superfície da Terra. Parece que é possível relacionar os casos de aparições com o fluxo geomagnético”, observa Schoch, cautelosamente. Enquanto alguns campos científicos preferem permanecer alheios a tais discussões, outros ramos alternativos demonstram interesses em se debruçar nos fenômenos. É o caso da ufologia. Para esses estudiosos, o círculo de hipóteses não pode ser fechado, posto que os acontecimentos de natureza religiosa podem ser conectados com questões mais amplas. NOSSA SENHORA DE CARAVAGGIO – Na tarde do dia 26 de maio de 1432, a senhora Joaneta Vacchi saiu  para buscar comida para seus animais. Ao perceber que estava longe de casa, que era situada no pequeno vilarejo de Caravaggio, norte da Itália, próximo a Milão, a mulher ficou com medo de ser espancada pelo marido, um homem de coração duro que a tratava muito mal. Ao dirigir-se para Maria em busca de socorro, uma luz misteriosa teria surgido em seu caminho, revelando no céu a imagem da mãe de Deus. Primeiramente, a mulher divina exaltou a postura de Joaneta como filha humilde e sofredora. Depois, deu um recado ao povo (no início do século XV, a Igreja Católica estava agitava por disputas e divisões internas, inclusive com o surgimento de alguns antipapas: pediu que voltassem a fazer penitência, jejuassem nas sextas-feiras e orassem na igreja no sábado à tarde, em agradecimento pelos castigos afastados. Isso sem no pedido de construção de um templo em seu nome. Esta foi a única aparição de NOSSA SENHORA DE CARAVAGGIO.

 

Editor do Mosaico – (1). O pastor Caio Fábio é muito conhecido no meio evangélico nacional, residindo atualmente em Brasília – Brasil, liderou o  movimento espiritual Caminho da Graça, com “estações” em vários estados da Federação. Tendo, principalmente nos evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas e João), sua principal maneira de difundir o cristianismo de forma simples e contextualizada na humanização do ser. Já estive em suas reuniões, e sua palavra tem um grande alcance, pois a trabalha na perspectiva da experiência existencial. Isso quando pregava em cultos, pois hoje tem um canal no YouTube onde continua seu ministério pastoral. É assistido por milhares de pessoas pelo mundo afora preservando a linguagem interior que incomoda o ser. É recorrente em seu discurso abordar temas como: sofrimento, desesperança, angústia, medo, receio, coragem, ânimo e estimulo dentre outros. A psicanálise é claramente vista em suas pregações onde traz palavras típicas da análise terapêutica como: pulsão, libido, depressão, complexo, androginia, catarse, ansiedade, homossexualidade, narcisismo, sublimação, neurose, psicose, esquizofrenia dentre outros. Temas que nos dizem respeito, sendo assim, em alguns casos, nos sentimos numa sessão de psicanálise quando frequentamos os cultos, tal a ênfase como o tema relacionado ao evangelho é abordado. Ele é realizado com naturalidade, além de poucos ritos cerimoniais, uma característica do Caminho, que procura se distanciar do dogmatismo das igrejas protestantes e neopentecostais, voltando a pureza espiritual centrada em valores humanos de fraternidade e amor ao próximo. Mesmo elogiando a performance teológico didático do Caio como primeiro líder do Caminho, discordo do seu argumento quando diz: “O sentido da história não deveria ser canonizar santos, mas sim existencializar de modo crescente a experiência de cada pessoa”. Acho que o primeiro período, em sua generalização, não corrobora com o assunto que se refere a história da santidade, virgindade e pureza de Nossa Mãe Imaculada Conceição Maria – Nossa Senhora. Ela foi, é, e será um exemplo de amor, acolhimento e abnegação para com todos os seres. Sua vida piedosa, e envolvida pelo desejo de ser útil ao Eterno; disponibilizou seu corpo físico, sua emoção e seu sentimento, para que, o filho de Deus viesse ao mundo através do seu ventre. Caio, infelizmente, não tem uma visão profunda sobre a espiritualidade universal, mesmo percebendo psicologicamente a importância dos arquétipos e símbolos que permeiam nosso inconsciente. Tudo o que existe, existiu continuará existindo em nossa mente (cósmica) sideral, onde a humanidade vêm caminhando desde milênio. Procurando se aperfeiçoar através dos vários institutos que a acompanham quando relacionados a exemplos de vida, pautados na virtude, fé e solidariedade humana. A questão iconoclasta (aversão a imagem) foi discutida no Concílios de Trento da Igreja Católica realizado na segunda metade do século XVI. Afirmando o culto as imagens dos santos representativos da piedade, santidade e temor a Deus. Quando cremos, sinto que, nossa condição deve ser a do respeito e consideração daqueles que tem nestes ícones, uma tipologia do divino. E as lembranças de que devemos, como "estes" santos, ter vida condizente com a divindade suprema que permeia nossa alma e nosso espírito. Acho que o Caio teve essa intenção ao expor seu argumento. A Sabedoria Divina, mostra que, os mortos continuam “vivos” em planos sutis e etéricos, evoluindo em sua alma. Entretanto, aqueles que chegaram a estágios elevados, quando não optam por trabalharem em dimensões planetárias longínquas. Continuam conosco, exercitando seus dons para o benefício da humanidade. No segundo período “mas existencializar de modo crescente a experiência de cada pessoa”; o Caio, suponho, equivocar-se em seu argumento, pois não vejo reticência verbal que justifique a implícita comparação com vidas passadas de pessoas. Que pela meritoriedade e santidade continuam sendo reverenciadas como exemplos de compaixão, amor e piedade a serem imitados. O apóstolo Paulo em uma de suas cartas diz em I Coríntios 11,1 “Sede meus imitadores como eu sou de Cristo”. Desse modo, imagino que o “olhar” do fiel para uma imagem o reporta ao universo da tipologia incrustado em nosso inconsciente. Como lembrança e representação dum ideal, que nós viventes devemos almejar e procurar pela experiência cristã praticar. A Santíssima Virgem – Nossa Senhora, não só, tem todos esses atributos e exemplos como é na essência o maior arquétipo espiritual do cristianismo juntamente com o Filho de Deus Jesus Cristo. Penso que a Divina Mãe está dentro dessa esfera (acolhimento e cooperação) que envolve nosso planeta Terra e o sistema solar onde estamos inseridos. Ela roga diante do Pai, não só pelos habitantes humanos da Terra, como também por todos os seres dos reinos: mineral, vegetal e animal. Além de ter completa autoridade sobre os anjos, demônios, arcanjos, principados, potestades, tronos e poderes. e demais. Além de hostis da natureza no imaginário como duendes, silfos, salamandras, ondinas, faunos, fadas, duendes, gnomos e demais seres. Seja louvada e glorificada Ó Santíssima Virgem Maria. Abraço. Davi.     

 

quinta-feira, 16 de dezembro de 2021

I. AVE MARIA CHEIA DE GRAÇA

 

Cristianismo. Ciência e Religião Juntas. I. AVE MARIA CHEIA DE GRAÇA. A intrigante trajetória da mãe de Jesus suscita pendências históricas, teológicas e até mesmo científicas. Há mais de dois mil anos, na vila de Nazaré, na Galileia, o cotidiano do povoado colonizado pelos romanos era um tanto quanto simples. Enquanto os homens saíam para a árdua rotina da labuta, as mulheres permaneciam em suas casas para os afazeres do lar. E, entre uma ou outra tarefa doméstica, o papel de mãe zelosa e dedicada também era um dos mais bem vistos pela sociedade. Não que a jovem Maria não tenha vivenciado todas essas situações. Contudo, no caso dela, a responsabilidade era muito maior. Afinal, seu filho não era um menino como os demais da vizinhança. O anjo que a visitara tempos antes havia dado o recado de maneira clara: de seu ventre nasceria o Messias, o filho de Deus enviado à Terra para salvar e redimir os pecados da humanidade. Descrita na Bíblia, a história mais conhecida do mundo fez de Maria a figura feminina mais venerada de todos os tempos. E as incógnitas acerca de sua imagem residem justamente ai: não há fontes que remontem ou comprovem sua trajetória além das Sagradas Escrituras e dos evangelhos apócrifos – estes, por sua vez, refutados pela igreja por não serem considerados de inspiração divina. PERFIL BÍBLICO – Ficção para uns, realidade para outros, a verdade é que o conteúdo da Bíblia é – ou pelo menos deveria ser – a única regra de fé para os cristãos. Assim, antes de qualquer questionamento sobre o Culto à Maria, bem como dogmas construídos ao seu redor, torna-se imprescindível resgatar o que os evangelhos canônicos (Mateus, Marcos, Lucas e João) descrevem acerca da mãe terrena de Jesus. Diferentemente do que acontecia com os personagens do Antigo Testamento, Maria não tem a totalidade de sua vida abordada pelos escritores, pois sua trajetória é relatada a partir do momento em que a jovem é designada a se casar com o carpinteiro José. Não há nenhuma indicação de quantos anos ela tinha, mas à época, a tradição judaica prezava que as moças fossem destinadas ao matrimônio ainda virgens, logo aos 13 anos de idade. A SANTÍSSIMA VIRGEM NOS APÓCRIFOS – Se nas Escrituras Sagradas o papel concedido à Maria é de uma importante coadjuvante, alguns dos evangelhos apócrifos a apresentam como protagonista. Inclusive, muitas das tradições religiosas criadas ao seu redor são provenientes desses escritos: liderança sobre os primeiros cristãos (sobretudo os apóstolos); a palma e o véu de Nossa Senhora; as roupas que ela confeccionou para usar no dia de sua morte; sua assunção ao céu; os nomes de seus pais (Ana e Joaquim). Outros relatos, no entanto, são vistos como possíveis fantasias, como por exemplo, a descrição sobre o parto de Jesus, bem como algumas histórias supostamente contadas pela própria Maria acerca da infância do pequeno Messias. MÃE DE JESUS – Desde o princípio a personalidade mariana foi caracterizada por atributos apreciáveis. Nas conversas com o anjo Gabriel, por exemplo, suas falas demostram humildade e obediência à missão confiada por Deus, mesmo com a repercussão polêmica que uma gravidez por concepção através do Espírito Santo poderia lhe causar. “Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim, segundo a Tua palavras”, disse ela, de acordo com Lucas 1,38. Aliais, por falar nos documentos lucanos (tanto o evangelho como o livro dos Atos dos Apóstolos) são neles que a figura de Maria surge como presença constante na vida de seu filho Jesus. É verdade que os devotos acreditam que as narrativas bíblicas foram divinamente inspiradas, mas a riqueza de detalhes faz com que alguns estudiosos coloquem a própria Maria como uma das fontes às quais o evangelista recorreu para compor os quadros de uma narração coordenada dos fatos que entre nós se realizaram, conforme nos transmitiram os que desde o princípio foram testemunhas oculares e ministros da palavra, como ele mesmo definiu. Um dos melhores exemplos disso é quando a mãe de Cristo, ainda nos primórdios da gravidez, decide visitar sua prima Isabel, que por sua vez aguardava o nascimento de seu filho João Batista. “Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o bebê agitou-se em seu ventre, e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. Em alta voz exclamou: Bendita é você entre as mulheres, e bendito é o filho que você dará à luz”, isso é dito em Lucas 1,41-42. Afinal, quem poderia ter lhe contado a intimidade do diálogo se não a própria protagonista do cena? DIVERSIDADE SOBRE A IMACULADA CONCEIÇÃO – Sejam crentes ou céticos, boa parte das pessoas não entende a quantidade de nomeação que se atribuem a Maria. Muitos questionam: é a mesma? Ora, se Maria era judia, é provável que possuísse a pele morena. Então porque as famosas “Nossas Senhoras possuem diferentes raças, roupas e causas? A resposta da Igreja é: sim, todas elas remetem à Maria. Segundo as tradições, seu culto e presença ao longo do desenvolvimento da Igreja propiciaram o nascimento de devoções particulares e locais, além de outras representações simbólicas com aspectos condizentes com as causas pela qual foi invocada. A mesma coisa pode ser dita em relação ao evangelho do publicano Mateus. Neste caso, o destaque fica por conta de todos os pormenores que envolvem o canto natalino – desde a fuga para o Egito até a ilustre visita dos três magos. Já no evangelho do apóstolo João, o relato dos sinais operados por Cristo tem início nas bodas de Cana da Galileia, quando Maria desempenha um papel fundamental na realização daquele que é tido como o primeiro milagre de Jesus, instigando-o a desfrutar de seus poderes sobrenaturais. “E faltando vinho, a mãe de Jesus lhe disse: Não tem vinho. Disse-lhe Jesus: Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a minha hora. Sua mãe disse aos serventes. Fazei tudo quanto ele vos disser”, estando o texto em João 2,3-5. Apesar de sua resposta demonstrar contrariedade à ideia, a sequência da narrativa revela que o filho obedece a mãe e transforma a água em vinho para a alegria dos presentes na festa de casamento. Outro momento crucial no qual sua presença é relatada diz respeito à crucificação. Sem abandonar Jesus (como muitos dos discípulos fizeram), Maria cumpre sua função de mãe fiel e piedosa ao acompanhar o filho por todo seu martírio. Em síntese, entre os cristãos não há  discordância acerca dos conceitos sobre a pessoa de Maria, já que sob a ótica da fé, é reconhecida como um ser especial. Uma verdadeira escolhida de Deus que teve êxito na mais sublime missão que um mortal poderia receber. No entanto, apesar da evidente relevância, a institucionalização da Igreja primitiva instaurou alguns preceitos que motivam controvérsias até os dias de hoje. DE ACORDO COM A HISTÓRIA – Embora a Igreja Católica proclame a si mesma como a igreja pela qual Cristo morreu, uma leitura – ainda que superficial – do Novo Testamento não encontra alusões à sucessão apostólica, ao papado, ou ainda à veneração a Maria e outros santos. De fato, os primeiros 280 anos após a morte de Jesus foram marcados por uma terrível perseguição aos seus seguidores por parte do Império Romano. Porém, o panorama dramático passou a se alterar quando o imperador Constantino resolveu se “converter” ao Cristianismo. Apesar de o discurso oficial defender que o romano havia abraçado uma nova fé, os historiadores acreditam que a ação escondia segundas intenções. NOSSA SENHORA APARECIDA – Situada na região do Vale do Paraíba, no estado de São Paulo – Brasil, a cidade de Guaratinguetá foi o palco da primeira aparição da imagem. Apesar de partirem para a pesca durante uma temporada não muito propícia, alguns pescadores rezaram para Maria pedindo uma providência dos céus. Segundo os relatos, após algumas tentativas infrutíferas, o barco desceu o curso do rio para que a rede fosse jogada novamente. Dessa vez, em vez de peixes, teriam apanhado a famosa imagem de terracota que, segundo a crença, remetia à figura da mãe de Jesus. A partir daquele momento, os três pescadores conseguiram tantos peixes que se viram forçados a retornar ao porto. E, obviamente, além de descarregarem o resultado da pesca, difundiram esta que é considerada a primeira intercessão atribuída a Santa. Naquela altura, o vasto e diversificado Império Romano começava a se fragmentar. Assim, Constantino supôs que a religião poderia ser sustentação para restaurar a unidade. A princípio, a iniciativa até parecia ser favorável também para a Igreja Cristã – e realmente foi, se considerado apenas o privilégio e o prestígio adquiridos com as mudanças. Contudo, no que diz respeito aos ensinamentos, pode-se dizer que as consequências não foram das mais positivas. E segundo boa parte dos teólogos, a imagem de Maria não escapa dessas deturpações. Seria ingenuidade acreditar que a população abandonaria seus credos religiosos e professariam o Cristianismo em sua totalidade. Portanto, o imperador promoveu uma verdadeira mistura com crenças pagãs e absolutamente não bíblicas. O henoteísmo (crença em Deus único, mesmo aceitando a existência possível de outros deuses), por exemplo, era um prática muito comum na época, cuja essência baseava-se na existência de muitos deuses, mas dando atenção especial a um deus em particular. Entre esse “segundo escalão” de entidades, uma das mais populares era a deusa Ísis. O culto à deusa mãe do Egito se alastrou por todas as partes do mundo grego romano. Através das histórias da mitologia, os pagãos a consideravam um modelo de mãe e esposa, protetora da natureza, além de amiga dos escravos, pescadores e oprimidos. Entre as muitas designações que lhe foram conferidas, destaque para “Rainha dos Céus” ou “Mãe de Deus”. Desta maneira, foi natural que Ísis tivesse sua imagem absorvida pelo Cristianismo – obviamente, atrelada à de Maria, afim de atrair os adoradores da deusa para uma fé que, em outras circunstâncias não abraçariam. Percebendo isto. Constantino e os outros imperadores que o seguiram não hesitaram em potencializar o sincretismo (mistura), visto que a exaltação da mãe de Jesus além do que prediz a Bíblia seria benéfica para a nova fé. Não à toa, muitos templos que eram consagrados a Ísis acabaram dedicados à Maria. Basta ver que a primeira indicação clara dá Santidade da Virgem Maria é  brilhantemente apresentada nos escritos de Orígenes (185-254), escritor e teólogo cristão cuja Terra natal era Alexandria (historicamente, o lugar principal de adoração à deusa egípcia). Livro: Mistérios da Bíblia – O Lado Oculto do Livro Sagrado. Abraço. Davi.

terça-feira, 14 de dezembro de 2021

ATOS DE BONDADE

 

Judaísmo. www.morasha.com.br. ATOS DE BONDADE. Shimon, o Justo (300 AC 273), um dos últimos participantes da Grande Assembleia, afirmava: "Sobre três coisas se sustenta o mundo: o estudo da Torá, o serviço Divino (a oração) e guemilut chassadim, os atos de bondade". (Pirkei Avot - A Ética dos Pais). O judaísmo ensina que o homem é o único ser que possui livre arbítrio e que pode, de forma consciente, beneficiar seus semelhante são praticar atos de bondade - guemilut chassadim, em hebraico. A Torá e nossos sábios ensinam que a bondade, a generosidade, a ética e a responsabilidade coletiva constituem parte integral dos mandamentos Divinos transmitidos para o povo judeu no deserto do Sinai. O mandamento de guemilut chassadim vai além da prática da tzedaká e inclui qualquer ato de bondade que é feito a outro. Mais especificamente, inclui emprestar dinheiro ou objetos, ser hospitaleiro, visitar e confortar os doentes, dar roupas a quem o necessita, auxiliar e alegrar noivas e noivos, enterrar os mortos, consolar os enlutados e promover a paz entre pessoas. Um simples sorriso, uma palavra bondosa e um ouvido atento em um momento de aflição são também atos de bondade. Cada vez que estendemos a mão a alguém que precisa de ajuda estamos cumprindo esse mandamento. Desde seus primórdios, o judaísmo e a prática de guemilut chassadim são inseparáveis e entrelaçados, pois sem compaixão, moralidade e justiça social não há como manter uma sociedade ou sustentar a humanidade. Ensinam nossos sábios: "Se Israel considerasse as palavras da Torá que lhe foi dada, nenhuma nação ou reinado teria domínio sobre esse povo. E o que a Torá pede que se faça? Que se aceite sobre si o jugo do Reinado Celestial e que os membros do povo de Israel pratiquem, uns com outros, atos de bondade". O Midrash vai mais longe e revela que a prática de atos de bondade é a pedra fundamental, o pilar sobre o qual se ergue todo o universo. O judaísmo ensinou ao mundo que o homem foi criado à "imagem de D'us". Isto significa que o ser humano é um microcosmo dos atributos e qualidades divinas. Portanto, assim como a bondade, a generosidade e a compaixão do Todo-Poderoso se estendem a todos, o homem deve buscar fazer o mesmo. A Torá nos ordena: "Deves seguir D'us e ser fiel a Ele" (Deuteronômio 13:5). Ao comentar este verso, nossos sábios afirmam que o ser humano só pode apegar-se a D'us e se aproximar dele se emular suas qualidades. D'us é Misericordioso e Generoso. De fato, um dos nomes de D'us mais usado no Talmud é Rachmaná - "O Misericordioso", então o homem também deve ser misericordioso, generoso e bondoso com todos. Portanto, afirmam nossos sábios, assim "como D'us veste os que não possuem roupa (...) visita os doentes...consola os enlutados (...) cuida dos mortos (...) alegra os noivos e noivas (...), também tu deves assim proceder". Os rabinos do Talmud consideravam a bondade uma das três marcas singulares do judeu. Guemilut chassadim é tão fundamental no judaísmo que, se alguém não pratica atos de bondade, deve-se questionar se realmente faz parte da Nação Judaica, pois, está escrito que "Israel, o povo sagrado, é caracterizado por três qualidades: a modéstia, a misericórdia e a prática da bondade" (Yevamot, 79a). O Talmud vai além e afirma que alguém que só estuda Torá, mas não pratica a bondade, repudia a D'us e não adquire nem mesmo o mérito do estudo. Pois, como ensinou Rabi Akiva, o maior mestre do Talmud, o mandamento "Amarás a teu semelhante como a ti mesmo" (Levítico 19:18) é o princípio fundamental da Torá. Ser um ish chessed. Uma das principais metas do judaísmo é ajudar o homem a se aperfeiçoar espiritualmente para que ele se torne um ish chessed, um homem de bondade. Não surpreende, portanto, que o primeiro patriarca judeu, Avraham, personifique a Sefirá, o atributo Divino, de chessed - benevolência, generosidade e amor infinito. Bondoso e altruísta, Avraham estava sempre preocupado com o bem-estar dos outros, respeitando e amando todos os seres e cercando-os de atos de bondade e generosidade. Hospitaleiro, o primeiro judeu usou sua riqueza para acomodar os viajantes; as portas de sua tenda estavam sempre abertas a todos aqueles que por lá passavam. Qualquer um, anjo, mendigo ou mesmo idólatra, podia entrar em seu lar e comer à sua mesa, ou descansar em uma de suas tendas. Avraham também compartilhava com outros sua sabedoria e seu conhecimento. Para salvar alguém do sofrimento e da morte, não hesitava em tomar a medida necessária, mesmo arriscando a própria vida. Avraham é o paradigma do judeu ideal - bondoso com D'us e com os homens; o Talmud ensina que qualquer pessoa que tenha compaixão por outras certamente descende do patriarca. Na Cabalá, a Sefirá de Chessed, simbolizada por Avraham, representa a bondade, o altruísmo, o compartilhar, o dar incondicional, o amor. É o fluxo de energia que nos abre para o mundo e nos leva a estender a mão ao outro. Em hebraico, a palavra que significa "amar" é ohev e advém de hav, "dar". O verdadeiro amor, ensina o judaísmo, é constituído por atos de doação e bondade. Guemilut chassadim e tzedaká. Como vimos, guemilut chassadim é definido por qualquer ato realizado com o objetivo de beneficiar o outro. Um ato de bondade ocorre quando uma pessoa doa algo de si para outro, seja dinheiro, energia, tempo ou afeição. Em hebraico, o termo guemilut chassadim é sempre utilizado no plural, pois cada ato de bondade é recíproco, beneficiando o receptor e o doador também. Ensinam nossos sábios que cada ato de bondade tem dupla conseqüência: ajuda o que recebe e abençoa o que dá. A tzedaká é um dos sustentáculos do judaísmo. Mas nossos sábios ensinam que os atos de guemilut chassadim são, geralmente, superiores. O Talmud explica: "Os sábios ensinaram: de três maneiras os atos de bondade são maiores que a caridade. A caridade é realizada com dinheiro; a bondade é feita quando alguém dá de si. A caridade é dada ao pobre; a bondade pode ser feita tanto para o pobre quanto para o rico. A caridade é para os vivos; a bondade é para os vivos e para os mortos" (Sucá, 49b). O Maharal de Praga, Rabi Yehudá Loew (1520-1609), afirmava que por mais louvável e necessária que fosse a tzedaká, muitas vezes é impulsionada por um sentimento momentâneo de compaixão. É difícil não ajudar alguém quando somos defrontados com a dor ou fome de outro ser. Mas, explica o Maharal, para que o homem se "aproxime" de D'us, ele precisa ir além de momentos passageiros de compaixão; o homem que deseja elevar-se espiritualmente precisa se tornar um verdadeiro homem de chessed. Para tal homem, agir para beneficiar outros não é uma resposta frente a uma necessidade, mas uma qualidade intrínseca de sua personalidade. O coração e a mente de um homem de chessed estão sempre atentos, percebendo as necessidades dos que estão a sua volta e agindo para atendê-las. Maimônides (1135-1204), o maior dos filósofos judeus e codificador da Lei Judaica, explicou qual a diferença entre tzedaká e chessed. Tzedaká vem da palavra tzedek, cujo significado é justiça. Justiça quer dizer dar a alguém algo que é seu por direito - no judaísmo, a caridade é considerada uma forma de justiça e não bondade gratuita. Chessed, por sua vez, é uma atitude em relação àqueles que não necessariamente precisam de gestos de bondade - ou na proporção na qual são receptores. Assim, Maimônides conclui que enquanto a tzedaká está relacionada a um ato de generosidade, geralmente feito por alguém que deseja aperfeiçoar a sua própria alma, chessed aplica-se à realização da beneficência sem limites. Praticando o bem. A prática de atos de bondade é necessária para se constituir uma sociedade saudável e justa. Mas, para que a generosidade seja canalizada de forma positiva, deve incluir medidas de empatia, discernimento e respeito. Deve-se tomar, sempre, o maior cuidado para salvaguardar os sentimentos e o amor próprio de quem necessita de ajuda. A Torá ensina que se uma pessoa der a outra os mais valiosos presentes do mundo, porém de má vontade, será como se não tivesse dado nada. Por outro lado, se um indivíduo for recebido com um sorriso de boas-vindas, ainda que não seja possível dar-lhe algo, será como se os presentes mais valiosos do mundo lhe tivessem sido ofertados. D'us nos ordena ser gentis não apenas com atos, mas também com palavras - falar gentilmente com os menos afortunados e estimulá-los. Na Torá, D'us promete abençoar aqueles que assim agem. Atos de bondade cobrem uma gama quase infinita de possibilidades, pois qualquer ser humano é "pobre" em relação ao que lhe falta. Alguns precisam de ajuda financeira, outros de afeição e outros, ainda, de conhecimento. Da mesma maneira que temos a obrigação de cuidar física e mentalmente dos outros, devemos fazer o mesmo em relação a seu espírito. É isto que D'us nos ordena na Torá: "(...) se há um necessitado entre vós (...) certamente deveis estender-lhe vossa mão e emprestar-lhe o suficiente para suas necessidades, seja o que for que lhe falte". (Deuteronômio,15:7-8). Este é um mandamento amplo, que não se limita às necessidades materiais do indivíduo. Guiar os outros, ensinando-lhes a Torá, é um elemento essencial de guemilut chassadim. Todo aquele que segue o mandamento de estudar a Lei tem também a obrigação de ensiná-la não apenas às crianças, mas a qualquer um. Nossos sábios ensinam que desviar alguém do caminho da Torá é pior do que feri-lo fisicamente, pois o dano espiritual é maior do que o físico. O dever de cuidar do bem-estar espiritual dos necessitados ultrapassa, muitas vezes, a obrigação de prover-lhes de bens materiais. Ensinam nossos sábios que o verdadeiro altruísmo, a verdadeira bondade, são realizados quando não se espera nada de volta. Frequentemente, mesmo se de forma inconsciente, ao darmos algo de nós mesmos para outro, temos a expectativa de receber algo em retorno. Mas o verdadeiro amor, a verdadeira bondade, devem ser dados incondicionalmente, sem esperar nada em troca. É por isso que o judaísmo considera que o verdadeiro ato de bondade, chamado de Chessed shel Emet, é feito aos mortos, pois os falecidos jamais poderão dar algo para aquele que tudo faz para que sejam enterrados com dignidade e respeito. A passagem de um ser humano desta vida terrena para a sua Morada Celestial é um dos ciclos de sua existência, não o seu fim. Portanto, o corpo do falecido deve ser enterrado com dignidade e conforme as leis judaicas e deve-se recitar o Kadish, estudar a Torá e realizar atos de tzedaká, para ajudar a elevar a alma do falecido. Mais do que um. No judaísmo, o conceito de guemilut chassadim não é uma sugestão ou uma convenção social desejável. É uma obrigação religiosa, uma ordem Divina. Guemilut chassadim literalmente quer dizer "devolver chessed". Cada um de nós recebe do Todo-Poderoso, todos os dias, um fluxo inesgotável de bondade. Basta olhar em nossa volta e prestar atenção a todas as bênçãos que recebemos, dia após dia. A única maneira de pagar por este chessed é fazendo algo pelos outros. O judaísmo ensina que o homem é uma criatura que mantém hábitos; à medida que a prática da bondade se torna uma constante em sua vida ele vai-se elevando e se torna um ish chessed, um homem de bondade. Desta forma, realizará a missão Divina de consertar e santificar o mundo e torná-lo um reino de D'us. www.morasha.com.br. Abraço. Davi

 

domingo, 12 de dezembro de 2021

FORÇA EM TEMPOS DE ADVERSIDADES

 

Espiritualidade. Livro Onde Existe Luz – Discernimento e Inspiração para Enfrentar os Desafios da Vida. Texto de Paramahansa Yogananda (1893-1952). Capítulo II. FORÇA EM TEMPOS DE ADVERSIDADE. Tudo o que o Senhor criou foi para nos testar, para trazer de volta a imortalidade da alma sepultada dentro de nós. Essa é a aventura da vida, seu único propósito. E a aventura de cada um é diferente, singular. Você deve estar pronto para lidar com todos os problemas de saúde, da mente e da alma com métodos indicados pelo bom senso e com fé em Deus, sabendo que, na vida ou na morte, a sua alma permanece invicta.

 

Não deixe a vida derrota-lo. Derrote a vida! Se você tiver uma vontade forte, poderá superar todas as dificuldades. Afirme, mesmo em meio às agruras: “O perigo e eu nascemos juntos, e eu sou mais perigoso do que o perigo”! Essa é uma verdade que você deve lembrar sempre; aplique-a e verá que funciona. Não se comporte como um mortal servil. Você é filho de Deus!

 

Muita gente receia os problemas da vida. Eu nunca tive medo deles, pois sempre rezei: “Que o teu poder, Senhor, cresça em mim. Conserva-me na consciência positiva de que, com o teu auxílio, eu sempre posso superar as minhas dificuldades”.

 

Uma vez que você é feito à imagem de Deus, acreditar que as provas por que passa implicam dificuldade maior do que o poder de sua divindade para superá-las é crer numa inverdade. Lembre-se: não importa o que suas provas sejam, você não é demasiadamente fraco para lutar. Deus não admitirá que você seja tentado além do que é capaz de enfrentar.

 

São Francisco de Assis (1182-1226) enfrentou tribulações maiores do que você poderia imaginar, mas não se deu por vencido. Pelo poder da mente, ele superou esses obstáculos um por um e unificou-se com o Senhor do Universo. Por que não ter esse mesmo grau de determinação?

 

Use cada provação que lhe vier como uma oportunidade para aprimorar-se. Quando passa pelos testes e dificuldades da vida, você geralmente se rebela: “Por que isto tem que acontecer comigo”? Em vez disso, você deveria considerar cada provação uma picareta com que cavar o solo da consciência, dando vazão à fonte interior de fortaleza espiritual. Cada teste deveria revelar o poder oculto que você tem dentro de si como filho de Deus, feito à sua imagem.

 

Fugir dos problemas pode parecer a solução mais fácil, mas você só se fortalece quando luta com um adversário forte. Quem não tem dificuldades não cresce.

 

Uma vida sem problemas não seria propriamente uma vida – pois não teria incentivos para o auto aperfeiçoamento e para o desenvolvimento do nosso potencial divino.

 

Conquistar a si próprio é ser verdadeiramente vitorioso – conquistar as restrições da consciência e expandir ilimitadamente os poderes espirituais. Você pode ir até onde quiser – além de todas as limitações – e ter uma existência supremamente vitoriosa. Escape da cela mental da ignorância que o mantém confinado. Pense de modo diferente.

 

Com a espada pensamento da sabedoria, corte as cordas pensamento que o prendem. A vida é uma batalha e você tem que lutar para vencê-la (...). Quem poderá impedi-lo de pensar que você é um deus? Ninguém. Você é a sua única obstrução.

 

Pare de pensar que é um ser mortal se quiser encontrar felicidade duradoura. Pratique esta verdade na vida diária.

 

Sorria para o mundo com um sorriso interior. (...). Você pode aprender a ser feliz à vontade e a manter a felicidade interior, aconteça o que acontecer. Algumas pessoas são completamente esmagadas pelos testes; outras sorriem apesar das dificuldades. Os que não são vencidos em espírito são os que realmente obtêm sucesso na vida.

 

Quando minhas provações se tornam muito grandes, busco a compreensão, primeiro, em mim mesmo. Não ponho a culpa nas circunstâncias, nem tento corrigir os demais. Primeiro eu me interiorizo. Tento limpar a cidadela do espírito para remover tudo o que obstrua a todo poderosa e plenamente sábia expressão da alma. Esse é o modo de viver que produz êxito.

 

Doenças e dificuldades nos trazem uma lição. Nossas experiências dolorosas não foram feitas para nos destruir, mas para incinerar nossas impurezas e nos apressar na nossa volta ao Lar. Ninguém está mais ansioso pela nossa libertação do que Deus.

 

A cortina de fumaça da ilusão se interpôs entre Deus e nós, e Ele lamente que o tenhamos perdido de vista. Ele não gosta de ver seus filhos sofrerem tanto – morrendo por causa de bombas que caem, de doenças terríveis e de hábitos de vida errôneos. Deus lamenta isso tudo, pois nos ama e nos quer de volta. Se pelo menos você fizesse o esforço, à noite, de meditar e estar com Ele (...). Ele pensa tanto em você (...). Você não foi abandonado. Foi você quem abandonou seu Verdadeiro Eu.

 

Quando você toma as experiências da vida como professor e aprende com elas a verdadeira natureza do mundo e o papel que você desempenha, essas experiências se tornam guias valiosos para chegar à satisfação e a felicidade eternas.

 

Em certo sentido, a infelicidade é sua melhor amiga, porque o impulsiona a buscar Deus. Quando você começa a ver claramente a imperfeição do mundo, começa a procurar a perfeição de Deus. A verdade é que Deus está usando o mal não para nos destruir, mas para nos desiludir de seus brinquedos, das distrações deste mundo, de modo que possamos busca-lo.

 

O desalento não é senão a sombra que a mão da Mãe Divina (1) projeta quando se estende para acariciar. Não se esqueça disso. Às vezes, quando a Mãe vai acaricia-lo, sua mão produz uma sombra antes de tocá-lo. Desse modo, quando as dificuldades chegarem, não imagine que ela o está punido. Sua mão, que projeta sombra sobre você, leva uma benção ao estender-se para trazê-lo mais perto dela. (1). As Escrituras da Índia ensinam que Deus é tanto pessoal quanto impessoal, tanto imanente quanto transcendente. No Ocidente, os que o procuram se relacionam com Deus, tradicionalmente, em seu aspecto pessoal de Pai. Na Índia, a ideia de Deus como compassiva e amorosa Mãe do universo encontra ampla aceitação.

 

O sofrimento é um bom professor para os que aprendem com ele, rapidamente e de boa vontade, mas torna-se um tirano para os que resistem e se ressentem. O sofrimento pode nos ensinar quase tudo. Suas lições nos estimulam a desenvolver discernimento autocontrole, desapego, moralidade e consciência espiritual transcendente. Uma dor de estômago, por exemplo, nos diz para não comermos em excesso e prestarmos atenção ao que comemos. A dor resultante da perda de riquezas ou de pessoas queridas nos lembra a natureza temporária de todas as coisas neste mundo de ilusão. As consequências das ações errôneas nos impelem a exercitar o discernimento. Por que não aprender por meio da sabedoria? Dessa maneira você não se submeterá à dolorosa disciplina – desnecessária – deste rude capataz: o sofrimento.

 

O sofrimento é causado pelo uso incorreto do livre-arbítrio. Deus nos deu o poder de aceita-lo ou rejeitá-lo. Ele não quer nosso infortúnio, mas não interfere quando escolhemos ações que levam ao sofrimento.

 

Todas as causas de saúde deficiente, súbito fracasso financeiro ou outras dificuldades que desabam sobre você inesperadamente, sem que você saiba o porquê, foram criadas por você próprio no passado, nesta ou numa encarnação anterior, e têm estado germinando em sua consciência silenciosamente (2). Não culpe a Deus nem a quem quer que seja se estiver sofrendo moléstias, problemas financeiros ou distúrbios emocionais. Você criou as causas desses problemas no passado e precisa, com a máxima determinação, erradica-las agora. (2). Reencarnação, a viagem evolutiva da alma em seu retorno para Deus, enseja repetidas oportunidades para crescimento, realizações e satisfações que não seriam possíveis no curto espaço de apenas uma vida terrena.

 

É muito comum que as pessoas interpretem mal o significado de Karma (3), adotando uma atitude fatalista. Você não é obrigado a aceitar o karma. Se eu lhe disser que alguém está atrás de você pronto para agredi-lo porque certa vez você o agrediu, e você simplesmente diz “Bem, é o meu karma!”, e fica à espera que a pessoa o ataque, é óbvio que você receberá um golpe! Por que não tenta acalmá-la? Pacificando-a, você poderá reduzir seu rancor e eliminar-lhe o desejo de ataca-lo. (3). O resultado das ações passadas, regido pela lei de causa e efeito. “Tudo o que o homem semear, isso também ceifará” Gálatas 6,7.

 

Os efeitos de suas ações têm muito menos poder de afetá-lo quando você não permite que a mente se renda a eles. Lembre-se disso. Você também pode resistir ao neutralizar os efeitos negativos das ações errôneas do passado com os efeitos positivos desencadeados pelas ações corretas no presente, evitando assim que se crie um ambiente favorável à colheita do mau karma.

 

Quando você compreende a si próprio como sendo filho de Deus, que karma pode ter? Deus não tem karma. E você também não o terá quando tiver consciência de que é filho Dele. Você deveria afirmar todos os dias: “Não sou um ser mortal. Não sou o corpo. Sou filho de Deus”. Isso é praticar a presença de Deus. Deus está livre de karma. Você é feito a sua imagem. Você também está livre de karma.

 

Não deixe ninguém dizer que os sofrimentos e problemas que você experimenta são seu karma. Você (a alma) não tem karma. Shankar (4) disse: “Sou uno com o Espírito; Eu sou Ele”. Se compreender profundamente essa verdade, você será um deus. Mas se você se mantiver afirmando: “Sou um deus” e, no entanto, no fundo da mente, estiver pensando: “Mas parece que sou um ser mortal”, você será um ser mortal. Se você tiver consciência de que é um deus, será livre. (4). Swami Shankar foi um dos mais eminentes filósofos da Índia. A época em que viveu não é bem conhecida. Um grande número de historiadores o coloca no século VIII ou começo do século IX.

 

“Não sabeis vós que sois templo de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós?” I Coríntios 3,16. Se você puder purificar e expandir a mente por meio da meditação e receber Deus em sua consciência, você também estará livre da ilusão de doença, limitações e morte.

 

Se quiser elevar-se acima do karma, procure compreender estas três verdades: 1. Quando a mente é forte e o coração é puro, você é livre. A mente é que o liga às dores do corpo. Quando seus pensamentos forem puros e você tiver a mente forte, não poderá sofrer os dolorosos efeitos do mau karma. Isso foi uma das coisas mais felizes que eu descobri. 2. No sono subconsciente, você é livre. 3. Quando está em êxtase, (6) identificado com Deus, você não tem karma. É por isso que os santos dizem; “Orai sem cessar”. Quando orar e meditar ininterruptamente, você alcançará o plano da super consciência, onde nenhuma perturbação poderá alcança-lo. (6). O elevado estado de consciência no qual se percebe Deus diretamente. O estado consciente é aquele em que se tem conhecimento do corpo e do seu ambiente externo. O estado subconsciente é a mente como a memória, por exemplo. O estado super consciente é a mente superior transcendental ou consciência espiritual da alma.

 

A natureza da alma (como Espírito individualizado) é bem-aventurança: um duradouro estado interior de sempre nova, sempre cambiante alegria. Essa bem-aventurança oferece eternamente alegria imperecível a quem a conseguiu, mesmo quando a pessoa atravessa as provações do sofrimento físico ou da morte.

 

Os remédios materiais – medicamentos, conforto físico, consolo humano – têm suas indicações para fazer desaparecer a dor, mas o remédio máximo é a prática da Kriya Yoga (7) e da afirmação de que você é um com Deus. Essa é a panaceia para todas as perturbações, dores e privações – o caminho para a libertação de todo o karma individual e coletivo (8). (7). Uma técnia científica de comunhão interior com Deus. A ciência da Kriya Yoga é explicada no livro Autobiografia de um Iogue, de Paramahansa Yogananda. (8). As ações acumuladas dos seres humanos, no âmbito das comunidades, das nações e do mundo como um tolo, constituem o karma coletivo, que produz efeitos localizados ou generalizados de acordo com o grau e a preponderância do bem ou do mal. Os pensamentos e ações de cada indivíduo, portanto, contribuem para o bem ou para o mal deste mundo e de todas as pessoas que nele habitam.

 

Força em Tempo de Adversidade: Querido Pai, quaisquer que sejam as condições com que me confronto, sei que representam o próximo passo no meu desenvolvimento. Receberei de bom grado todas as provas, pois sei que em mim está a inteligência para compreendê-las e o poder para superá-las. Livro Onde Existe Luz – Discernimento e Inspiração para Enfrentar os Desafios da Vida.