Mateus
11:25-30 “Naquele tempo, respondendo Jesus, disse: Graças te dou, ó Pai, Senhor
do céu e da terra, que ocultaste estas coisas aos sábios e entendidos, e as
revelaste aos pequeninos. Sim, ó Pai, porque assim te
aprouve. Todas as coisas me foram
entregues por meu Pai, e ninguém conhece o Filho, senão o Pai; e ninguém
conhece o Pai, senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar. Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos,
e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu
jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis
descanso para as vossas almas. Porque o
meu jugo é suave e o meu fardo é leve”. Orígenes (182-254) de quem temos falado
em alguns textos, concebia a interpretação bíblica em três níveis os quais ele
nomeou de corpo, alma e espírito. O corpo era a interpretação literal, a alma a
explicação intelectual e o espirito a decifração mais profunda, mística e
transcendente comparada a um êxtase. Os séculos que se sucederam depois de
Orígenes, foram marcados pelo abandono desse método investigativo de
compreender as escrituras sagradas cristãs. O empobrecimento da doutrina
superficial, aquilo que é dito em II Coríntios 3:6 “A letra mata (...)”.
dominou a exegese bíblica. Orígenes não costumava personalizar e significar os
eventos sagrados, ele procurava através de metáforas, alegorias e mitologias
entrar no inconsciente dos fatos e personagens aludidos. Uma interpretação
exotérica, interna dos fatos, restringindo assim as superstições, crendices e
dogmas. Um exemplo está na crucificação de Cristo em João 19:17 “E, levando ele
às costas a sua cruz, saiu para o lugar chamado Caveira, que em hebraico se
chama Gólgota”. A palavra caveira significa calvário que entendemos como todo o
vitupério da via dolorosa, culminando com o sacrifício do Cristo na cruz. A
caveira é a cabeça contendo seus quatro orifícios relacionados a audição,
visão, paladar e a moleira na horizontal. Esses aspectos distinguem os sete
chakras ou coroa, em pali Sahasrara. Nessa perspectiva oculta a crucificação
ocorreu no nível do inconsciente humano. Uma experiência mística que podemos
acessar, caso tenhamos um êxtase conforme é falado por Orígenes. “O Centro da
Consciência. A chakra da cabeça está localizada no centro do crânio, abrindo-se
em forma de funil para o universo. Na arte sacra, esta chackra é normalmente
representada como um anel ou halo no topo da cabeça dos santos e dos apóstolos.
Este halo representa a ligação entre a pessoa e o divino ou a inteligência superior
de Deus. O princípio fundamental que rege este chakra relaciona-se com o Ser,
com a existência e com a compreensão profunda da missão do homem na Terra. Dai
que as cores que lhe estão associadas sejam o violeta, o lilás ou o branco (que
simbolizam a ligação entre o homem e o universo; também o homem e Deus), que
tipificam ideais como a devoção religiosa e a meditação transcendental”. http://terapiasaromaticas.blogspot.com.br. René Descartes (1595-1650) em seu
reducionismo cartesiano destaca duas importantes glândulas conectadas a
consciência cerebral intimamente ligada ao chackra da cabeça que são a pineal e
o hipotálamo. Em seus estudos pondera que chegara um tempo em que os humanos
desenvolverão esses órgãos, dando-lhes capacidades extra sensoriais acima do
normal como telepatia, telecinesia, teletransporte e outros fenômenos
parapsicológicos. Uma super consciência capaz de comunicação com seres
inferiores da natureza como os neurotransmissores primitivos de minerais,
vegetal, até alcançando o nível da
consciência dos animais e dos humanos. Esses fatos segundo a ciência oculta
seriam realizados na próxima raça raiz, a sexta. Mas alguns Yogues, lamas budistas
e místicos cabalistas já acessam essa hiper consciência que desenvolveram
através de exercícios meditativos e controle da mente. Isso envolve uma vida de
renúncia, santidade, pureza e austeridade extremas só alcançados por aqueles
que se comprometem totalmente com o Logos Divino. Para desenvolvermos esses
poderes latentes em nós o primeiro passo é praticarmos as virtudes elevadas,
todas incorporadas na vida do mestre Jesus. As palavras da escritura acima em
Mateus 11 reporta-nos a serenidade, que tem como produto a paz interior.
Ocultastes estas coisas aos sábios e entendidos, e as revelaste aos pequeninos.
A serenidade é uma das virtudes (sem perturbação ou irritação) que podemos
desenvolver praticando a meditação; ela trará como resultado o tranquilo
repousar de nossa mente. A frase naquele tempo no início do texto, podemos
transportá-la para nossos dias como o aqui e agora, um conceito advindo do Zen
budista que diz: “O milagre é que o Zen não se interessa pelo passado nem pelo
futuro. O Zen vive o presente. Todo o seu ensinamento é baseado e está
enraizado, concentrado no que (...) é”. Temos muita dificuldade em viver o
presente. Fisicamente estamos no aqui, mas mentalmente não no agora. Nossa
mente está distante, maquinando situações que faremos logo depois, ou pensamos
no passado, aquilo que não foi resolvido e consideramos maneiras de voltarmos
naquele assunto para darmos um fim que imaginamos correto. Aspectos perigosos
quando exemplificamos com eventos práticos. Imagina um motorista num trânsito
intenso, cogitando no desentendimento que teve com sua esposa, as palavras de
ofensa e as vezes os tapas desferidos por um ou outro. Um cirurgião médico em
pleno procedimento, receoso de ter seu veículo roubado pelo cuidador da garagem
pública. Um psicólogo totalmente desatento a seu paciente, na sessão de
terapia, preocupado com seu filho que foi levado ao hospital pelo marido com
suspeita de fratura. Situações que mostram o quanto devemos concentrar nosso
pensamento no agora. Isso requer treino; a meditação e a Yoga ajudam muito
nesse particular de fazermos com que nos conectemos, não deixando que as
circunstâncias externas influenciem negativamente nossas decisões cotidianas. O
Mestre tinha a serenidade de tratar com todos os tipos de temperamentos
mostrado pelos seus discípulos. Tiago e João as vezes agiam sem ponderar, Lucas
9:54 “ E os seus discípulos Tiago e João, vendo isso disseram: Senhor queres
que digamos que desça fogo do céu e os consuma, como Elias também fez”.
Imaginar que os discípulos se iraram contra os samaritanos, querendo queimá-los,
porque não foram recebidos por eles em sua cidade? Esse fato, no fundo, mostra
a discriminação dos seguidores de Cristo, pois a lei judaico considerava os
samaritanos gentios, consequentemente apartados da aliança com D”us. Mas a
serenidade do Mestre estampava palavras de sabedoria divina ao responder os
discípulos disse: “Vós não sabeis de que espírito sois. Porque o filho do homem
não veio para destruir as almas dos homens, mas para salvá-las. Pedro agia
intempestivamente em algumas ocorrências como na relatada em João 18:10 “Então
Simão Pedro, que tinha a espada, desembainhou-a, e feriu o servo do sumo
sacerdote, cortando sua orelha direta. E o nome do servo era Malco”. Num
momento de descontrole emocional, tentando defender seu Mestre, o discípulo caiu
na tentação de ofender fisicamente o próximo. Na lei uma tentativa de
homicídio. Mas Jesus lhe diz: “Poe a tua espada na bainha, não beberei o cálice
que o Pai me deu? Os dois eventos abordados mostram que o âmbito das
ocorrências estão em nossa mente. Assim potencialmente todos podemos praticar
atos viciosos desse vulto ou maiores se não atentarmos a chama divina acessa pela
divindade em nosso ser. O princípio crístico, bhúdico é nossa consciência
clarificada pela serenidade vinda da comunhão mística e transcendente com o
divino. Os discípulos mesmo junto com o Mestre tinham suas mentes cauterizadas
pelo pecado e cobiça da vida. Romanos 12:19-21 “Não vos vingueis a vós mesmos
amados, mas dai lugar a ira de Deus, porque está escrito: Minha é a vingança,
eu retribuirei, diz o Senhor. Antes, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de
comer, se tiver sede dá-lhe de beber. Porque fazendo isso, amontoarás brasas
vivas sobre a tua cabeça. Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o
bem”. A brasa viva acesa em nossas
cabeças não deixará sermos arrastados pela ira, maldade, inveja, orgulho e
apegos mundanos. Reconhecerem, assim como o Mestre, que beberemos o cálice que
o Pai nos deu. A vingança do Senhor, tipifica o carma como a justa medida
daquilo que fazemos de bem ou mal. É como um bumerangue que jogado retorna ao
seu arremessador infalivelmente. Dessa maneira devemos plantar o bem em
pensamento, palavras e atitudes à todos os seres humanos e não humanos. Budha
disse: É difícil ser sereno e simples de coração em todas as relações com os
outros. É difícil para os pobres praticar a caridade. É difícil não expressar
uma opinião sobre os outros. É difícil não sentir desprezo em relação ao
iletrado”. Contudo o Budha não disse ser impossível. Com iletrado não queria dizer necessariamente aquele que
não sabe ler ou escrever, nem resolver questões fundamentais de matemática, mas
os ignorantes quanto a sabedoria divina, não percebendo que a Suprema Divindade
está dentro de todos os seres, apenas esperando ser acessada para evoluir nosso
espírito rumo ao nirvana (samadhy) ou iluminação. Que nosso Budha interior
ajude-nos em nossas fraquezas. Abraço. Davi.
segunda-feira, 26 de outubro de 2015
sábado, 24 de outubro de 2015
Um Príncipe Encontra a Perfeição.
Budha percorria certa vez um caminho quando um homem, percebendo que estava
diante de um ser incomum, perguntou-lhe: Você
é um deus? E o
Budha respondeu: Não.
É um demônio?
E o
Budha respondeu: Não.
É um homem? E o
Budha respondeu: Não. Quem
é você,
então? E o
Budha respondeu: Eu estou acordado. Esta pequena lenda talvez resuma todo o sentido da vida de Sidarta Gautama, o
Budha, título que significa justamente O desperto ou O iluminado.
Entender o que esse despertar ou essa iluminação querem dizer, porém,
é algo que, segundo seus seguidores, está além das palavras. Também chamado
Sakyamuni, que quer dizer O santo do clã dos
Sakya, ele nasceu provavelmente no século VI a.C. no principado indiano
de Kapilavastu, (na cidade de Lumbini) na região
da cordilheira do Himalaia, no sul do atual Nepal. Mais ainda do que a
de Cristo, sua biografia está de tal forma amalgamada com o mito que se
torna praticamente impossível separar vida e lenda. Até porque, de
acordo com os budistas, isso nem seria desejável,
pois o mito é considerado uma forma perfeitamente válida de
conhecimento. O próprio
Budha empregou largamente o discurso
mitológico em suas falas destinadas a um público mais amplo, enquanto em
comunicações mais restritas empregava uma requintada linguagem
filosófica. Seu pai,
Sudohodana, era o rajá de Kapilavastu,
o que significa que Sidarta nasceu príncipe. Sua casta de origem, a dos
guerreiros, não ocupava, entretanto, o topo da rígida hierarquia
indiana. O poder pertencia
aos brâmanes, os sacerdotes. Quando Sidarta nasceu, a casta dos
guerreiros contestava a estrutura social dominada pelos brâmanes. O nome
da localidade natal de Sidarta,
Kapilavastu, significa Morada de
Kapila. Fundador do Sankhyan, sistema filosófico que influenciou
fortemente o budismo e também o Yoga clássico,
Kapila dizia que uma das mais perniciosas
servidões humanas é a daqueles que tem de dar presentes aos sacerdotes.
Os ecos do pensamento desse antecessor estão claramente presentes na
doutrina do
Budha, que condenou o sistema de castas da Índia. Por uma série de complexas razões históricas, a principal delas, a invasão
muçulmana ocorrida no século
XII, o budismo não se enraizou na
Índia, embora tivesse conquistado espiritualmente quase todo o Extremo Oriente. Destino de certa
forma semelhante ao do cristianismo, que não foi aceito pelos judeus, mas espalhou-se pelo mundo.
Também como na biografia mítica de Cristo, a concepção e o nascimento de
Budha estão cercados de condições sobrenaturais. Sua mãe, Maya, na mitologia, o mesmo nome da força
mágica que cria o universo ilusório,
sonhou que entrava em seu flanco, lado, um elefante branco com a cabeça
cor de rubi e seis presas. Desse encontro Sidarta foi concebido. A
imagem tem evidentes conotações simbólicas. O elefante, na Índia,
representa a mansidão; seis, o número de presas, simboliza
os sentidos do Universo norte, sul, leste, oeste, para cima e para
baixo. No corpo de sua mãe,
o futuro Budha, o Bodhisatva, espera rezando a hora de seu nascimento, que se dará
pelo flanco direito de Maya, sem entretanto lhe causar mal. Quando nasce, uma série de marcas
evidenciam nele o incomparável, conforme proclama o vidente
Asita: tem cor dourada, altura igual à extensão
dos braços abertos, uma coroa orgânica
no alto do crânio, pestanas de boi, quarenta dentes alvíssimos
e unidos, membranas interdigitais e centenas de formas desenhadas nas plantas dos pés. A narrativa tradicional descreve o
Budha como belíssimo. A imagem popular que
se tem dele no Ocidente, que o apresenta como um homem obeso, se deve a
uma confusão entre a sua figura e a de uma divindade mitológica chinesa.
Maya morreu sete dias depois do parto e Sidarta
foi criado por uma tia, Mahaprajapati, que se tornaria a primeira monja budista. Sabendo que estava destinado a seu filho um futuro excepcional, diz ainda a lenda,
Sudohodana fez construir para ele três
palácios, dos quais excluiu tudo o que pudesse lembrar os males do
mundo. A narrativa indiana, que se caracteriza por exagerar os fatos,
sem maiores preocupações
com o que no Ocidente se chama verdade objetiva, se excede em exuberância ao descrever o fausto
da juventude do futuro Budha. Seu harém
tinha 84 mil mulheres e ele era o primeiro em todas as competições, que
incluíam modalidades tão diversas como caligrafia e natação, gramática e
corrida, botânica e luta. Aos 19 anos, Sidarta
se casa com sua prima Yasodhara e vive mais
dez anos nesse mundo de idílica (fantasia, sonho ou imaginação)
felicidade e requintada satisfação dos sentidos. Da união com
Yasodhara, nasce seu filho Rahula.
Mas essa vida privilegiada seria bruscamente sacudida, segundo a
tradição, em três passeios que Sidarta fez fora dos limites de seus
palácios. Na primeira, viu um homem
de aparência decrépita, moribundo, que precisava apoiar-se num bastão
para caminhar. O cocheiro de Sidarta explica que se trata de um velho e
que o destino de todos os homens é se tornar um dia como ele. Na
segunda, vê um homem com o corpo corroído pela lepra;
o cocheiro explica que é um doente e que qualquer pessoa está sujeita a
esse mal. Na terceira, vê um defunto transportado em cortejo fúnebre; o
cocheiro explica que é um morto e que a morte é o fim para o qual
caminham todos os seres vivos. O impacto dessas
três visões tumultua enormemente os pensamentos de Sidharta
e ele decide partir em busca do esclarecimento. Deixa para trás os
palácios, as mulheres, o filho e cavalga rumo ao Oriente. Como São
Francisco de Assis (1182-1226) na
Itália do século XIII, se desfaz das roupas. Entrega seu cavalo ao
criado que o acompanhara e corta os cabelos. Sozinho, decide iniciar uma
nova vida. Tem 29 anos de idade. Um asceta, ou, segundo a lenda, um
anjo que assumiu a forma de asceta, lhe entrega
os únicos pertences pessoais a que futuramente terão direito os monges
mendicantes budistas: o traje amarelo, o cinto, a navalha para raspar os
cabelos, a agulha, a tigela para esmolas e a peneira para filtrar a
água. Sidarta parte em busca dos grandes mestres
espirituais da época, homens como Alara Kalama e
Uddaka Ramaputta, mas estes não
conseguem satisfazer suas dúvidas. A tradição procurará apresentar todos
os elementos essenciais da doutrina budista como uma descoberta pessoal
do
Budha, decorrente de sua iluminação. Mas. se
há elementos que realmente lhe são próprios e inconfundíveis, há também
a influência da filosofia
Sankhyan e do hinduísmo, expresso nos Vedas,
a antiquíssima coleção de textos religiosos da Índia. Desta influência e
também de outras sínteses posteriores se formaram a cosmologia e a
mitologia budista. Abandonando seus mestres,
Sidarta refugiou-se por seis anos no bosque de Sena, território de
Magadha. É uma região escolhida pelos eremitas para afastar-se
dos apelos do mundo. Ali, junto a cinco companheiros, Sidarta se dedica à
auto mortificação. Faz jejuns prolongados; quando come, sua alimentação
se resume a frutos; permanece dias seguidos
imóvel em posição de meditação, castigado pela chuva ou pelo sol.
Enfraquecido física e mentalmente, percebe que essas práticas não o
aproximam do que mais procura, as respostas para os sofrimentos do
mundo. Deixando os companheiros, banha-se no rio
Nairanjana e se fortalece com o alimento oferecido por uma aldeã.
Depois, senta-se à sombra de uma figueira sagrada para meditar. Ali
vive a experiência da iluminação que lhe teria dado consciência plena da
verdade absoluta. Segundo o relato tradicional, ele vê
simultaneamente os infinitos mundos do Universo, suas infinitas
encarnações anteriores e as de todos os outros seres, a concatenação de
todas as causas e efeitos. Ao amanhecer, intui as Quatro Verdades
Nobres, as colunas mestras do budismo: 1. O sofrimento
é inerente a toda forma de existência. 2. A ignorância é a origem do
sofrimento. 3. Pela extinção da ignorância é possível extinguir o
sofrimento. 4. O caminho que leva a isso é equidistante da entrega aos
prazeres e apelos do mundo e dos rigores do ascetismo
e da auto mortificação. Budha vai
referir-se a esse caminho médio com a metáfora de um alaúde, cujas
cordas não podem estar nem muito frouxas nem muito tensas para que se
produza o som adequado. Ela se expressa na Nobre Senda Óctuplo:
compreensão correta, pensamento correto, palavra correta, ação correta,
modo de vida correto, esforço correto, atenção correta, concentração
correta. São oito atitudes de meditação cujo entendimento pleno não pode
ser dado por meio de palavras. Por essa senda
se chega à extinção da ignorância, que não é associada no budismo à
prosaica falta de informações, mas ao desconhecimento do sentido
profundo da existência. Depois da iluminação, Sidarta se tornou o
Budha e também adotou o título de
Tatághata, aquele que veio da verdade. Procurou seus cinco
antigos companheiros de ascetismo e os converteu numa única pregação. Em
seguida converteu os irmãos
Kassapa, adoradores do fogo, e os brâmanes
Sariputra e Moggollana, que serão seus mais importantes discípulos. É o início da
Sangha, a comunidade budista, que justamente com o
Budha e o Dharma, a doutrina, formam as Três Joias do budismo. Diz a lenda que o
Budha comunicou sua doutrina também aos
Nagas, serpentes com face humana que habitam o mundo subterrâneo,
e aos deuses dos vários céus, que, apesar de suas vidas imensamente
longas, ou talvez exatamente por causa delas, são incapazes de chegar
sozinhos à iluminação. Durante 45 anos, o
Budha caminhou ensinando. A região nordeste
da Índia, que acolheu em primeiro lugar os seus ensinamentos, vivia
então uma época de crise. Não havia centralização política: a antiga
unidade tribal fora rompida pelo surgimento e expansão
de vários pequenos reinos. A religião predominante, o bramanismo, que
cultuava um deus criador, Brahma. era contestada por numerosos
movimentos organizados em torno de mestres carismáticos.
Mais do que tudo, os unia uma oposição ao sistema de castas que dividia
a sociedade indiana e assegurava os privilégios da elite sacerdotal. O
terreno era propício à aceitação do budismo. No rastro da pregação de
Budha formou-se uma numerosa comunidade de
monges e monjas que renunciaram aos bens materiais e às atividades
profissionais para viver de esmolas, meditar e pregar a doutrina.
Formou-se também uma vastíssima comunidade de fiéis leigos
de ambos os sexos. Entre os convertidos pelo Budha estava seu próprio filho,
Rahula. Três marcas são características do
budismo; consideradas em conjunto, o distinguem de todas as outras
religiões. 1. As noções de impermanência, ou seja, todos os fenômenos
são efêmeros, sujeitos à contínua transformação.
2. Insubstancialidade, isto é, os seres não
possuem qualquer núcleo estável que determine sua natureza, mas são uma
complexa e sempre cambiante, variável teia de relações. 3. Nirvana, o
estado de extinção dos sofrimentos que se
manifesta quando o homem compreende profundamente a impermanência e a
insubstancialidade, e se libera de sua ilusão de Eu e dos apegos egoístas
que ela engendra. Budha superou o
Samsara, o mundo das aparências, e encontrou o Nirvana em sua Iluminação
sob a figueira. Segundo a doutrina, ele atingiu o Para Nirvana, ou
Nirvana pleno, após sua morte, ocorrida quando tinha mais de 80 anos.
Ela foi apressada pela ingestão, supostamente voluntária, de alimentos
deteriorados, que lhe teriam sido oferecidos pelo
ferreiro Cunda, na aldeia de Pava.
Ele se preparou para morrer banhando-se pela última vez e esperou a
consumação deitado sobre o lado direito, com a cabeça voltada para o
norte e o rosto virado para
o poente. Conforme a tradição, seu corpo foi cremado pelo discípulo
Aranda e coberto com mel para que nenhuma partícula se perdesse. Uma terça parte foi entregue aos
Nagas, outra aos deuses e a terceira aos
homens. Como ocorreu com praticamente todas as grandes religiões, o
budismo sofreu metamorfoses e divisões após a morte de seu fundador. O
principal cisma, que tomou forma apenas 140 anos
depois, foi entre a corrente Hinayana, Pequeno Veículo e a
Mahayana, Grande Veículo. Essas denominações
vêm de uma pergunta metafórica: no caso de um incêndio, como um homem
deveria se salvar? Num pequeno carro puxado por uma cabra, que
asseguraria a salvação individual, ou num grande carro
de bois, que permitiria levar muitos outros juntos? A corrente
Mahayana respondeu com a segunda alternativa e se tornou
amplamente predominante. Dela resultaram, através da fusão com numerosas
tradições religiosas orientais, Escolas tão diversas quanto o austero e
filosófico zen japonês, derivado do Chan chinês,
e o exuberante e mitológico lamaísmo tibetano. O budismo tem expressão
muito reduzida na Índia contemporânea, alcançando apenas 2 % da
população, mas tornou-se a principal religião do Extremo Oriente, com
mais de 250 milhões de adeptos espalhados por países
como o Nepal, Tibete, Butão, Sikkim (o menor estado da Índia), China, Mongólia, Birmânia, Tailândia. Laos,
Kampuchea (Cambodja), Vietnã, Sri Lanka, Coréia e Japão; além
de provocar interesse cada vez maior no Ocidente. Ao contrário do cristianismo, o budismo não
acredita num deus criador. Os infinitos universos de sua cosmologia passariam por um processo também
infinito de destruição e criação,
sem começo nem fim, regido por uma lei eterna. Os seres que povoam cada um desses universos,
e que podem assumir a forma de animais, homens, deuses, demônios etc.,
estariam sujeitos a sucessivos nascimentos e mortes. Não
há propriamente uma alma imortal: são
as ações, palavras e pensamentos de uma existência que tecem a trama (kármica)
que determina a existência futura. Esse processo é considerado
extremamente doloroso, e escapar dele deve ser o fim visado por todos os
seres. Eles têm a oportunidade rara de consegui-lo apenas quando
renascem na forma humana e conseguem desapegar-se totalmente
do mundo ilusório. Libertar-se é atingir o Nirvana, a cessação de todos
os desejos, a suprema e eterna paz.
http://www.budanaweb.com.br. Abraço. Davi.
sexta-feira, 23 de outubro de 2015
Relato de Experiência. Por Pippo Delbono.
Relato
de Experiência de Pippo Delbono. Pietra Ligure, Savona – Itália. Nasci faz
quarenta anos em Varazze, um pequeno povoado da Ligúria. Segundo dizem um
pequeno e encantador ângulo do mundo, mesmo não concordando muito. Tampouco
concordava com minha mãe, que afirmava que ficando ali poderia realizar uma
grande parte de minhas experiências de vida. Após uma dezena de anos
transcorrida bancando o palhaço, o escoteiro e ir à escola por obrigação,
comecei a fugir cada vez que podia. Eram os anos do colégio e me dedicava a
todo tipo de manifestações de protesto e a fazer magníficas viagens de moto à
Inglaterra, Marrocos, Turquia (...). Durante
dez anos vivi esta dimensão de liberdade e descobrimento, compartilhando-a com
um amigo, que rapidamente se converte em um grande amor. Foi uma história
forte, passional, um pouco como aquela entre Verlaine e Rimbaud e todos aqueles
“poetas malditos”, os que terminaram mal por causa de tanto viver. Também a
mim, também a nós, nos tocou viver assim. Ele morre num acidente de moto e foi
o primeiro momento de desespero em minha vida. Ou morro, ou devo realizar algo
grande, diferente para poder viver, dizia-me. Pouco
a pouco, fui conhecendo um ator sul-americano, Pepe Robledo. Nessa época,
frequentava em Savona uma escola de teatro, começando assim a cultivar meu
sonho de outrora. Decidi fugir novamente, esta vez seguindo-o com seu grupo,
com destino à Dinamarca. Assim abandonei a carreira de Economia, quase no
final. Durante três anos lutei duramente com um árduo
trabalho de aprendizagem teatral, para poder continuar vivendo e fugindo
daquela grande dor. Quase o tinha conseguido quando outra dor aparece: lesões
num olho, de improviso, irreversíveis. Estava em Wuppertal, Alemanha. Desde
então vejo as coisas de um modo diferente. Mas cada nova dor incluía um novo
horizonte e desta vez encontrei aquela que seria minha mestra: a grande Pina
Bausch (1940-2009), a coreógrafa de dança moderna. Trabalhar com ela foi uma
experiência maravilhosa. Mudando de assunto: durante uma turnê
pela América do Sul fui picado por um mosquito. Malária. Tendo que voltar a
Genova para curar-me. Uma vez fora do hospital, me chamam: O Sr. é HIV
positivo. Caí num turbilhão de angústia e desespero total. Meu sistema
imunológico já estava bastante destruído. Carluccio,
um amigo, já tinha me falado do Budismo, mas não tinha me convencido. Toda essa
história de benefícios me parecia completamente improvável. Isso de obter
transformações orando. Jamais poderia praticar uma religião assim. Mas o medo e
o desespero começaram a fazer seu próprio trabalho. Experimenta pelo menos 15
dias, repetia minha amiga Anna. Estávamos em Módena, em dezembro de 1989. Foram 15 dias cheios de “coisas estranhas”, como
por exemplo, chegar no Correio, quando já estava fechado e conseguir que
abrissem. Um estado vital diferente, que me faz renovar por 15 dias, o pacto
que tinha com Anna e o Budismo. E senti pela primeira vez recitando Daimoku,
surgir dentro de mim uma pequena luz, uma força que me abria algo dentro. Depois, tudo tornava a fechar-se e recaía no
desespero daquele que sente que pode morrer hoje ou amanhã. Mas continuava a
recitar Daimoku. Passaram os primeiros anos em Módena, com prática
intensa, atividades, orientações que me deram coragem para ter fé. Em 92, em Milano, encontro com o presidente Ikeda.
Estava na primeira fila. Suas palavras tão cheias de sabedoria e simplicidade,
seus olhos cheios de humanidade, penetraram na minha vida. Pratiquei com o
pensamento constante de curar-me e de viver. Praticando surgiram também os
outros sofrimentos da minha vida: um trabalho de teatro, ainda que de
qualidade, mas não reconhecido na sociedade; um grande sofrimento de amor, que
certamente era a verdadeira causa de minha doença. Era o ano 1993 e na Ligúria dava seminários de
teatro para jovens de toda a Itália, muitos dos quais começaram a praticar mais
tarde o Budismo. Mas a saúde não melhorava. As defesas imunológicas eram sempre
muito baixas e o temor às infecções era constante. Porém nunca parei de
praticar. Tenho seguido todas as terapias possíveis gastando todo o dinheiro
que tinha, mas o único ponto que permanecia constante era a prática. Muito
Daimoku, atividade e Chakubuku. Não obstante, a angústia progredia e sem
perceber, me encontrei completamente à sua mercê. Angústia, constante medo
de morrer. Nessa época morre Marilena, querida amiga que
trabalhava na minha companhia. Também ela tinha o mesmo problema que eu. Morreu
de uma infecção, em poucos dias. Nesse momento estava fazendo um espetáculo,
Henrique V, de Shakespeare (1564-1616). É a história de um homem que leva
adiante um combate impossível. Em um momento diz: É verdade, estamos em perigo.
Mas justamente por isso, maior ainda deve ser nossa coragem. Existe sempre algo
de bem ainda nas piores coisas; pertence aos homens saber extraí-lo. Era minha história, minha luta, não era só
Shakespeare. Em 1994 cheguei a emagrecer muitíssimo, era
constantemente invadido pela febre, calores fortíssimos em todo o corpo, nas
costas (...). Estava aterrorizado. Recitava
horas de Daimoku por dia. Em meio de tanta dor física certas vezes aparecia uma
alegria inacreditável. Esse ano montei a peça A raiva, dedicada a Pier Paolo
Pasolini (1922-1975), um espetáculo desesperado, mas cheio de amor pela vida.
Em um determinado momento, Pepe me dizia uma frase de Charles Chaplin
(1889-1977): “Pensa na força que faz crescer as árvores, que faz tremer a
terra, que faz girar o universo: essa mesma força está dentro de você”. E eu
ria, forte, com toda minha vida. Ainda
hoje, que tenho criado tantos outros espetáculos, quando fazemos A raiva, o
público experimenta uma grande alegria. Quando
estava em Roma fazendo esse espetáculo, a cidade de Pasolini, comecei a sentir
um estranho formigamento nas mãos e nas pernas. Rapidamente transformou-se em
ardores. À procura do novo mal, rejeitei todo tipo de terapia. Cada um tinha a
sua, todos falavam coisas diferentes. Lembro-me uma vez em Milano, um certo
doutor Lee. Me faz deitar sobre uma prancha, me dá um golpe seco nas costas e
me apresenta uma conta de duzentas mil liras. Tempo da intervenção: 10
segundos. Ardores, Daimoku, peregrinação pelos hospitais, até
que me fazem uma tomografia na França, que sem nenhuma dúvida colocava em
evidência uma Mielites da medula espinal, uma infecção causada pela existência
do HIV. Terrível, mas ao menos concreto. Me recuperaram em Gênova numa sala de
neurologia. Decidi fazer entre sete e dez horas de Daimoku por dia, durante
alguns meses. Foi o período mais inacreditável, louco e feliz da minha vida. Em
certos momentos experimentava uma alegria tão grande que me faltava o
incentivo, as palavras, os pensamentos. Mas depois voltava o medo da morte.
Sentia indistintamente as pernas que ardiam, o corpo e a medula invadida com
esse vírus, que me destruía fazia 10 anos. Foi como entrar no túnel mais
profundo e escuro. Às vezes tinha uma grandíssima consciência de mim, da
natureza profunda da vida, da morte, do universo. Jamais deixei de atuar, ainda
que as dores nas pernas eram fortíssimas, mesmo assim continuava trabalhando.
Dava ao público minha luta, minha dor, minha busca da alegria. Dava o que era. Após alguns meses de tanto Daimoku, passei por
outra tomografia de controle. Sempre tive medo de entrar nesse cilindro que faz
sentir claustrofobia. Curiosamente essa vez fui com alegria. Permaneci sereno,
inclusive feliz. Sentia alegria e felicidade lá dentro. Foi para mim uma grande
experiência de fé. Quando saí, os médicos me olhavam alucinados. Nos exames,
via-se que na medula, lá onde antes avançava o vírus, só existia uma cicatriz.
Tudo tinha retrocedido. Quase não podiam acreditar que tivesse existido uma
Mielites. Estava tão sereno, tão pouco preocupado, que
compreendi que também eu tinha vivido, na primeira pessoa, uma dessas histórias
que às vezes se leem no Novo Renascimento. Aquelas que jamais podemos pensar
que seremos capazes de viver. Poucos dias depois, enquanto contava numa reunião
esta experiência, comecei a ter lapsos mentais e não lembrava nada. Eram os
primeiros sintomas do que apareceria depois. Depressão total. Ruptura física e
mental. Sentava-me num sofá, sem ter forças para fazer nada. Quando tocava o
telefone sentia uma angústia enorme. Não podia sequer preparar um chá. Minha
relação afetiva, o teatro, os amigos, a prática, tudo tinha se destruído, tudo
tinha se derrubado. Durante a noite não podia dormir. Estava aterrorizado. No verão de 1996, em Porretta Terme, uma comuna
italiana, falei com Mitsuhiro Kaneda (1974-
), na época Diretor Geral da SGI - Itália. Me disse: Você se esforçou
muito e durante muito tempo. Agora está destruído. Descanse durante um tempo.
Diminua um pouco o Daimoku, e quando puder faça o Gongyo. E acima de tudo,
durma, durma muitíssimo. E nesse Daimoku que fazia estava toda minha vida.
Comecei inclusive uma terapia antidepressiva, com uma psiquiatra. Tinha medo de
ter enlouquecido, de ter perdido o controle de minha mente. Aí cheguei ao fundo
mais negro da tormenta. Lembro-me uma vez em Gênova, ao tentar
descer umas escadas não consegui fazê-lo. Sentei e esperei, tinha a barba
crescida, estava magérrimo. Nesse momento passou um rapaz, me viu e disse: Você
me deu tanta coragem, quando contou sua experiência. Nesse momento pensei na
boa sorte que tinha de possuir um grande grupo de amigos e a pessoa que tinha
escolhido como mestre, graças aos quais tudo isso era possível. A partir daí algo acontece, não posso dizer o quê.
Acontece tudo. Nos primeiros meses de 1997 devia dar um seminário para atores
no manicômio da cidade de Aversa. Não queria ir, mas me acompanharam. Não só
trabalhava no manicômio, como também dormia com os loucos. Lembro-me que tinham
me dito: Ainda você pode não saber como, mas de alguma maneira o Gohonzon te
protegerá, te ajudará a sair adiante. Um homenzinho microcéfalo, de sessenta
anos, surdo-mudo, encerrado ali fazia 45 anos, vinha espionar quando dava os
cursos. Perguntei-lhe se queria fazer algo conosco. Movimentava-se com uma
graça belíssima. Não sei como acontece, mas comecei a esforçar-me para fazer
algo por aquele fantástico homenzinho. E assim, pouco a pouco, comecei a pôr
pra fora minha energia para poder fazê-lo sair de lá, do manicômio,
imaginando-me que poderia vir a trabalhar comigo. Ele, cada manhã, esperava
ansiosamente na frente da porta do manicômio, que o fossemos buscar para
levá-lo a Nápoles para ver o novo trabalho que estava nascendo nesses dias. Uma
nova criação na qual trabalhávamos juntos, atores e loucos. Não me interessava fazer um espetáculo bonito,
tampouco me importava nada a crítica, o consenso. Somente me importava voltar a
viver. Junto com meus companheiros, antigos e recentes fizemos uma viagem
fantástica e é disso que quero lhes falar. O dinheiro para a produção era pouquíssimo,
cada um devia dar um jeito como podia. Quanto Daimoku recitamos juntos. Assim
nasce o espetáculo chamado Barboni (Mendigos). Dessa maneira, Bobo, o
homenzinho, sai do manicômio.vQuando
passei o portão, caminhando junto com ele, vi como observava encantado todas as
coisas que nunca tinha visto, os cartazes publicitários, as pessoas (...).
Tinha começado a viver aos sessenta anos, e eu com ele. A partir desse momento
comecei a abrir-me cada vez mais às pessoas, às suas vidas e suas feridas.
Esquecendo minha dor e meus problemas, pouco a pouco tenho começado a curar-me,
a reencontrar o equilíbrio, a força. Meu corpo acreditou em mim e seguiu-me. O vírus tornou-se negativo, Bobo vive faz três anos
na minha casa e se instalou na sala do Gohonzon. Muitas críticas têm dito que Barboni tem aberto uma
nova maneira de fazer teatro. O espetáculo recebeu muitos agradecimentos de
parte da crítica por uma busca conduzida entre arte e vida. Em todo caso,
estamos dando a volta ao mundo. Assim, meu velho sonho de criança, de fugir do
povoado em busca de espaço e liberdade tornou-se realidade. Depois de Barboni
temos criado a peça Guerra, um espetáculo onde encontram-se alguns trechos do
Rissho Ankoku Ron, se traduz do japonês como: o estabelecimento do ensino
correto para a paz da nação. E depois Êxodo que atravessa o mundo das
diferenças culturais. Na minha companhia há hoje tantas pessoas
diferentes: Bobo, Armando, Puma, Gianluca, uma criança com síndrome de down,
Nelson, um mendigo, Fadel, um fugitivo do Saara, e os companheiros de tudo e de
sempre, Pepe, Gustavo, Simone, Elena, Lucia e Tomaso. No meu Butsudan, oratório, há uma foto do
presidente Ikeda. Está dançando com um leque. Nestes anos de grande dor, olhava
seus olhos, lia e relia suas palavras: Dentro de nós estamos construindo uma
felicidade que não é influenciada pelas mutações externas. Rompendo os abismos
da angústia, no centro de nosso ser existirá sempre esse tesouro indestrutível.
Então podemos participar plenamente das alegrias e dos sofrimentos do mundo sem
sermos dirigidos, com a força de superar a adversidade, sem ser esmagados e de
gozar da prosperidade sem ser corruptos. Em
suas palavras encontram-se energia e fé para continuar lutando, para não
deixar-se morrer. E hoje posso dizer que agradeço aquele sofrimento. Me fez
crescer, me permitiu abrir-me à vida. http://www.maisbelashistoriasbudistas.com.br.
Abraço. Davi.
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