sexta-feira, 5 de novembro de 2021

A VERDADE ESTÁ ALÉM DA REALIDADE

 

Editor do Mosaico. A VERDADE ESTÁ ALEM DA REALIDADE. Refletiremos sobre a escritura de João 14:1-12 "Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu não teria dito. Vou preparar-vos lugar. E quando eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também. Mesmo vós sabeis para onde vou, e conheceis o caminho. Disse-lhe Tomé: Senhor, nós não sabemos para onde vais; e como podemos saber o caminho? Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim. Se vós me conhecêsseis a mim, também conheceríeis a meu Pai; e já desde agora o conheceis, e o tendes visto. Disse-lhe Filipe: Senhor, mostra-nos o Pai, o que nos basta. Disse-lhe Jesus: Estou há tanto tempo convosco, e não me tendes conhecido, Filipe? Quem me vê a mim vê o Pai; e como dizes tu: Mostra-nos o Pai? Não crês tu que eu estou no Pai, e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo não as digo de mim mesmo, mas o Pai, que está em mim, é quem faz as obras. Crede-me que estou no Pai, e o Pai em mim; crede-me, ao menos, por causa das mesmas obras. Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço, e as fará maiores do que estas, porque eu vou para meu Pai". Dois aspectos para compreendermos a humanidade e divindade de Jesus Cristo é o que os estudiosos da ciência esotérica costumam chamar de o Cristo mítico e o Cristo histórico. Há consenso na literatura universal e tradição religiosa de todas as espiritualidades de que Jesus o filho de Deus, como homem, nasceu provavelmente no início de nossa era, até a primeira metade do século I. A data de seu nascimento é controversa, mas as alusões referentes ao culto do deus sol, praticado na Roma antiga, advindo da mitologia do deus egípcio hórus, que era realizada no equinócio de verão no hemisfério sul, pode trazer a data de sua natividade para 21 de junho a 23 de setembro. Assim o 25 de dezembro em todas as pesquisas científicas não tem embasamento confiável. Foi uma data convencionada pela igreja, a partir do ano 353, quando era papa Damaso I (305-384), sendo apoderada pelo capitalismo como motivo de consumo e entretenimento, muito mais, que um momento de comunhão, reflexão e meditação sobre o nascimento do salvador do mundo. Inclusive o historiador judeu Flávio Josefo (37-100) atestando a veracidade da vida do Cristo não sabe precisar quando ele veio ao mundo. Sua infância foi normal como de qualquer criança. Entretanto em sua adolescência um fator marcou sua excepcionalidade aos doze anos, pois quando seus pais visitavam o templo em Jerusalém, na festa anual da páscoa, ele acabou se perdendo de seu genitores. E dias depois foi encontrado entre os doutores da lei judaica, os fariseus, saduceus e escribas discutindo com eles a respeito dos preceitos mosaicos. É sabido que o Jesus histórico era um iniciado nos mistérios dos Essênios, uma seita judaica asceta e austera que abstinha-se inclusive do casamento, procurando um viver de pureza física e mental. Praticavam também a meditação e invocação as divindades estabelecidas pela comunidade. Imagina-se que pela experiência com esse movimento, Jesus, adquirirá conhecimento sobre magia, teurgia, poderes ocultos da natureza e uso da consciência evolutivo pela telepatia, telecinesia e taumaturgia (milagres). Também o conhecimento da cultura, espiritualidade e mistérios do judaísmo especificamente contidos na Cabala. Com essas características sobre-humanas. O Mestre Jesus, desenvolveu seu ministério apostólico de amor ao próximo, acolhimento dos oprimidos, conforto aos desesperançados, alívio aos doentes e certeza de vida eterna sem dor, sofrimento ou morte. O Cristo Mítico envolve seu aspecto divino quando se percebe elementos não humanos em sua constituição espiritual. Nesse panorama ele, em muitas aparições, mostrava-se num corpo sutil e plasmado. Particularmente, para uma explicação mais razoável, traçamos uma linha imaginária, procurando comparações da vida do Cristo com outras divindade de espiritualidade divergentes do cristianismo. O estudo das mitologias e religiões comparadas, ajuda-nos a desvendar inúmeras situações ocorrida com o Cristo, vistas anteriormente em importantes divindades de outras tradições com semelhanças impressionantes. A pessoa de Krishna que viveu aproximadamente 3.000 AC, se encaixa nesse suposto modelo que estamos imaginando. Assim como o Cristo foi perseguido em seu nascimento por um rei, Herodes, e um grupo de magos guiados por uma estrela encontraram o menino Deus em uma manjedoura. Krishna quando criança, foi também perseguido por um rei que, tentando encontrá-lo ordenou que as crianças, recém nascidas da cidade fossem mortas. Como no caso específico de Cristo, Krishna era visto desde seu nascimento como ameaça ao destronamento do soberano. Krishna foi concebido de uma virgem que não havia tido contato com nenhum homem conforme a tradição hindu. Sendo seu nascimento referendado por uma estrela. Um detalhe importante essa virgem, sua mãe, faz parte do arcabouço da tradição de divindades veneradas pelo povo hindu. Igualmente a Santíssima Virgem e Imaculada Maria é adorada pelos cristãos católicos como a Mãe de Deus. Deusa de todos os anjos e seres espirituais. O Cristo teve uma concepção virginal, concebido por obra e graça do Espírito Santo. Krishna operava milagres e maravilhas, usando parábolas para falar as pessoas sobre amor e caridade; foi transfigurado diante dos discípulos e mortos flechado, encostado a uma árvore aos 30 anos. O Cristo foi atravessado por uma lança quando estava numa cruz de madeira. Na mitologia hindu Krishna ressuscitou dos mortos ascendendo aos céus. Esses eventos aconteceram com Cristo, mostrando que as religiões se interpenetram e suas mitologias estão entrelaçadas num inconsciente coletivo arquetípico, que desde o surgimento do homem na terra, forma todas as tradições espirituais universais. Desse modo através das divindades antigas, podemos aprender lições para nossa busca espiritual, comparando a vida dos mitos e encarnações de seres divinos com a realidade de caminhar nessa mesma direção em nossa encarnação atual e nas reencarnações futuras. Lembrando que assim como o Cristo representa a segunda pessoa da Trindade Divina, sendo a encarnação do Logos Eterno, o Pai; Krishna é também a encarnação de Vishnu, o Deus Conservador e Harmonizador na Trimurti Hindu. Esse texto de João 14, que estamos abordando,  não tem margem à uma interpretação literal. A essência do argumento foge aos sentidos e percepção do observador, que precisará intuir os conceitos apresentados para uma compreensão razoável. As muitas moradas da casa do Pai, evidentemente, não são no sentido denotativo real. Como pensar que Deus estaria construindo no céu casas, mansões, apartamentos e alojamento para seus servos, conforme a fidelidade e desprendimento de cada um em servir a Ele? Essas muitas moradas é explicado na narrativa como sendo o próprio Pai, Deus. Um dia no tempo, eternidade, saímos da casa do Pai, mas todos os seres humanos sem exceção, retornarão à mesma casa do Pai na eternidade futura. Se é que podemos mensurar o mistério da eternidade no tempo. A figura do filho pródigo em Lucas 15, incluindo seu irmão que ficou na casa, é um exemplo dessa trajetória que percorreremos à evoluir através de erros, pecados, obstáculos e vicissitudes enfrentadas em nosso cotidiano. A disciplina cármica é corretiva e pedagógica, nos aperfeiçoando nos vícios à que não caíamos novamente neles. Quanto as virtudes, tentações e provações que suportamos hoje, retificam as situações que somos reprovados em nossa encarnação presente, que está ligada a passada.  Como o Pai nos ama incondicionalmente, estará sempre de braços abertos à receber-nos novamente. O Mestre em sua sabedoria, conhecia a profundidade do coração de seus discípulos, por isso incitou-os a ponderar sobre o caminho, verdade e vida. Apesar deles estarem envolvidos no ministério do Cristo, ainda não conheciam seu propósito último. A verdade é o objetivo daqueles que se aproximam de Deus com coração puro e mente sensível a divindade. Onde há mentira não existe verdade. A verdade tem como esfera mística o amor, que é sua outra face; a praticidade da teoria colocada em atividade ao benefício do próximo. O conceito de verdade apenas como conhecimento imóvel fica vazio sem um direcionamento à convivência relacional. Entendo que quando Jesus diz ser a verdade, ele está mostrando aos discípulos que todos nós, temos a oportunidade de tomar posse da verdade praticando o voluntariado, fraternidade e virtuosidade. A mentira é o oposto da verdade, como é explicado pelo Mestre aos fariseus hipócritas em João 8:44 "Vós tendes por pai ao diabo, e quereis satisfazer aos desejos de vosso pai. Ele foi homicida desde o princípio, e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso, e pai da mentira". Como verdade, imagino que o Mestre quis dizer, uma construção realizada por cada indivíduo em sua encarnação passada, presente e futura. A partir do princípio chrístico ou búdhico contido em todos os humanos chegaremos a essa verdade, mais cedo ou mais tarde. Claro que para assimilarmos a totalidade da verdade passaremos por inúmeras vidas, mas cada encarnação é uma oportunidade de vivermos a verdade de maneira intensa e mútua com o nosso próximo. Jesus respondeu a Felipe, quando este perguntou mostra-nos o pai e isso nos basta? Dizendo: Quem me vê a mim vê o Pai. Aqui é manifestado a identificação em substância do Cristo, correspondente ao Messias no hebraico, como o encarnado foi de Deus Pai. Ele era humano, mas divinizou-se pela natureza espiritual, sendo Deus e homem simultaneamente. Aquilo que o budismo chama de estado iluminado ou desperto. Esse texto em epígrafe na introdução, é anterior a Mateus 17 referente a sua transfiguração, iluminação, nirvana ou samadhy do Cristo. Ele como o Messias, enviado de Deus, em seu corpo etéreo era atemporal, entrando no tempo ao encarnar no ventre da Virgem Santíssima e Imaculada Maria. Esse fato é provado num diálogo que o Mestre teve com os judeus descrito em João 8:56-59 "Abraão, o vosso pai, exultou por ver o meu dia, e viu-o e alegrou-se. Disseram-lhe pois os judeus. Ainda não tens cinquenta anos e viste Abraão? Disse-lhes Jesus: em verdade, em verdade vos digo; que antes que Abraão existisse Eu Sou. Então pegaram em pedras para lhe atirarem, mas Jesus ocultou-se e saiu do templo, passando pelo meio deles, e assim se retirou". O Eu Sou é uma referência ao impronunciável nome de D'us manifestado nas quatro consoantes YHWH, que os místicos cabalista consideram a totalidade da substância divina. Jesus era a encarnação do EU SOU, vivendo num tempo anterior a Abraão. Segundo o esoterismo cristão o Melquisedeque que aparece no texto de Gênesis 14:18, rei de Salém e sacerdote do Deus Altíssimo que trouxe pão e vinho a Abrão, abençoando-o após vencedor de uma batalha; este é o Cristo filho de Deus. Plotino (204-270) num de seus aforismo fala "Os olhos não veriam o sol, se não fossem parecidos com o sol. A alma não verá a beleza se ela não for bela". Podemos inferir um paralelo nessa máxima com o entendimento de verdade que estamos elaborando. Só temos condições de enxergar, compreender a verdade daquilo que corresponde a nossa experiência espiritual; ela deve conformar-se com nosso modelo de vida transcendente. Nesse conceito, percebemos que a verdade deve evoluir em nosso ser de dentro para fora. O contrário, de fora para o interior, não representará a verdade além da realidade, pois a realidade nem sempre é a verdade, mas a verdade sempre é a realidade individual e pessoal que você desfruta na sua consciência presente e no seu inconsciente passado. Nossos sentidos, percepções e emoções não são confiáveis à compreendermos a verdade como realidade. Um exemplo simples foi mostrado por Issac Newton (1643-1727) quando fez uma experiência em que girava um disco com as cores do arco-íris em alta velocidade. A impressão, ilusão, que se tem quando o disco é visualizado é que ele tem apenas a cor branca, mas na realidade ele tem sete cores. O mesmo princípio se aplica a verdade, como o Mestre nos mostrou em João 14; nem sempre o que vemos ou sentimos corresponde a realidade como verdade. Em nossa experiência interior e mística (êxtase) poderemos acessar fragmentos dessa verdade, pois ela é um feixe de luz dentro de nosso inconsciente universal. Abraço, Davi. 

quarta-feira, 3 de novembro de 2021

AS LUZES DO CHANUCÁ

 

Judaísmo. www.morasha.com.br. AS LUZES DO CHANUCÁ. Aproximadamente há 2.100 anos, a Terra de Israel estava  ocupada pelo império sírio-grego, governado por Antioco. Homem do mal, ele  emitiu uma série de decretos com o propósito de forçar o Povo Judeu a abandonar  o judaísmo e a adotar a ideologia e os rituais helenistas. Dentre seus esforços  para extirpar o judaísmo, ele declarou ilegal o estudo da Torá e o cumprimento  de vários de seus principais mandamentos. Ademais, os sírio gregos profanaram o  Tempo Sagrado de Jerusalém com seus ídolos. Em resposta à opressão e aos decretos nefastos de Antioco, e percebendo que o futuro do judaísmo estava em jogo, um número pequeno de judeus, os Macabeus, em gritante inferioridade numérica, ergueram contra as forças de ocupação sírio gregas na Terra de Israel. Ainda que fossem minoria – e de terem o apoio de apenas 10% da população judaica, que já estava se helenizando – os Macabeus derrotaram o poderoso exército sírio-grego, expulsando-os de nossa terra. Quando reconquistaram o Templo Sagrado, em 25 do mês hebraico de Kislev, foram acender a Menorá (CANDELABRO) do Templo – o candelabro de sete braços –, mas se depararam com o azeite de oliva ritualmente puro propositalmente contaminado pelos sírio-gregos. Encontraram, no entanto, um único frasco que havia escapado aos invasores. Continha apenas o azeite suficiente para acender a Menorá durante um único dia – e levaria oito dias para produzir azeite ritualmente puro. Os Macabeus acenderam a Menorá com aquele pouquinho que, milagrosamente, durou oito dias – o tempo suficiente para a produção de novo azeite ritualmente puro.  Para divulgar e celebrar esses milagres – o da vitória e o do azeite – nossos Sábios estabeleceram a festividade de oito dias de Chanucá. O principal mandamento de Chanucá é o acendimento da Chanuquiá – uma Menorá de oito braços. Este ano, começamos a acendê-la no sábado à noite, após o término do Shabat, na noite de 24 de dezembro de 2016. A CHANUQUIÁ. Os elementos básicos de uma Chanuquiá são oito suportes para azeite ou velas. Adicionalmente, deve haver outro suporte para o Shamash – a vela “auxiliar”. Muitos têm o costume de usar velas de cera de abelha para o Shamash. Este fica um pouco acima ou abaixo do que as demais velas ou suportes para o azeite: é importante distingui-lo dos demais, senão poderia parecer que a Chanuquiá tivesse nove braços. Uma vez acesas as velas de Chanucá, não se deve apagar o Shamash. São duas as razões para tal. Primeiro, o Shamash deve estar pronto para servir, fazendo jus a seu nome: no caso de uma vela ou pavio se apagar, pode ser aceso novamente com o “auxiliar”. Outra razão para deixarmos o Shamash aceso é a proibição de usar as luzes de Chanucá para qualquer outro propósito além de cumprir o mandamento de acender a Chanuquiá. Assim sendo, se alguém necessita de uma fonte de luz, por alguma razão, pode usar o Shamash, mas não uma das luzes da Chanuquiá. Estas podem ser alimentadas por azeite ou pelas chamas de velas. Mas como o milagre de Chanucá envolveu o azeite de oliva – o suprimento de azeite para um dia que durou oito dias – é preferível acender a Chanuquiá com azeite em vez de velas. Deve-se dar preferência ao azeite de oliva como combustível e ao pavio de algodão porque estes produzem uma chama bem perfeita. É importante notar que não se devem usar Chanuquiot elétricas. Elas podem ser colocadas em locais públicos para divulgar os milagres de Chanucá – mas não para cumprir o mandamento. Para isso, devemos acender as luzes da Chanuquiá com chamas reais, produzidas pela cera ou o azeite – como as chamas da Menorá do Templo Sagrado de Jerusalém. O acender das luzes de Chanucá é um mandamento que cabe tanto a homens quanto a mulheres. Algumas comunidades têm o costume de que o chefe da casa acenda a Chanuquiá enquanto todos os demais ouvem com atenção as bênçãos e respondem “Amén”. Em outras comunidades, todos os integrantes da casa, inclusive as crianças, acendem sua própria Chanuquiá. Qualquer que seja o costume, é importante que todos os judeus, de todas as idades, estejam presentes e envolvidos quando o mandamento de acender as luzes de Chanucá é cumprido. Há, também, diferentes tradições sobre o local do lar em que se coloca a Chanuquiá.  Alguns a colocam em uma entrada central, em uma cadeira ou uma mesa pequena perto do vão da porta onde está a Mezuzá. Dessa forma, quando as pessoas passam pelo vão da porta, estão rodeados por dois mandamentos – a Mezuzá de um lado e a Chanuquiá de outro. Outra opção é colocá-la no peitoral de uma janela de frente para a rua. Essa opção é preferível se as luzes de Chanucá puderem ser vistas pelo público passante. As luzes de Chanucá são acesas noite após noite nesta festividade de oito dias. Acendemos uma luz na primeira noite, duas na segunda e assim por diante. Na oitava e última noite, acendemos todas as oito luzes. Há diferentes costumes também acerca do horário exato para o acendimento. A maioria das comunidades o faz ao cair da noite – cerca de meia hora após o pôr do sol. Outras o fazem logo após o pôr-do-sol. Em qualquer dos casos, as luzes de Chanucá devem arder durante um mínimo de 30 minutos após o cair da noite. Qualquer que seja o costume seguido, na noite de 6a feira, todas as comunidades acendem as velas de Chanucá antes do sol se pôr e, no sábado à noite, após o cair da noite, pois é proibido acender fogo durante o Shabat. Portanto, ao entardecer da sexta-feira acendemos a Chanuquiá logo antes de acender as velas do Shabat. Estas últimas tradicionalmente são acesas 18 minutos antes do sol se pôr. Na sexta-feira, devemos usar azeite suficiente ou velas suficientemente grandes para que as luzes de Chanucá fiquem acesas durante meia hora após o cair da noite – cerca de 1 ½ horas após a entrada do Shabat. Uma vez iniciado o Shabat, não podemos reacender chamas apagadas nem mover de lugar a Chanuquiá; tampouco preparar as velas para serem acesas sábado à noite. Isso somente poderá ser feito ao término do Shabat. Sábado à noite, as luzes de Chanucá são acesas após a realização da Havdalá. Deve-se acender a Chanuquiá tão logo seja permitido, porque maior mérito tem aquele que se apressa em cumprir os mandamentos Divinos. Portanto, somente se deve postergar o acendimento das luzes enquanto se espera pela chegada dos familiares que desejam estar presentes nesse momento tão importante. Se alguém perdeu o horário adequado do acendimento da Chanuquiá – por exemplo, por ter chegado muito tarde em casa – essa pessoa pode cumprir o mandamento desde que ainda haja gente na rua ou se outro membro da família estiver acordado para acompanhá-lo. Caso as ruas estiverem vazias e ninguém estiver acordado, ele poderá acender as velas, mas sem dizer as bênçãos que são recitadas antes de cumprir esse mandamento. Após acender a Chanuquiá, é costume cantar canções tradicionais da festividade, como HaNerot Halalu e Maoz Tsur, devendo-se ficar em volta do candelabro durante meia hora, pelo menos. Uma das razões para tal é para assegurar que as luzes ardam, no mínimo, pelo tempo de meia hora. Às 6as feiras, quando as pessoas se preparam para ir à sinagoga ou para receber o Shabat, não é necessário sentar-se trinta minutos ao redor das luzes da Chanuquiá. Há uma tradição de que as mulheres não devem realizar tarefas domésticas enquanto a Chanuquiá estiver acesa. Desta forma, estão honrando as corajosas mulheres judias que ajudaram a assegurar a vitória militar dos Macabeus. Em Chanucá, é tradição comer alimentos ricos em azeite, como os deliciosos sufganiot (sonhos) e os latkes (panquecas de batata fritas), celebrando também dessa forma o milagre do azeite. Vimos um resumo das leis de Chanucá. Como dissemos, diferentes comunidades guardam diferentes tradições. Para maiores informações ou em caso de dúvidas, deve-se consultar com um rabino ou uma autoridade competente em Halachá, a Lei Judaica. CELEBRANDO O MILAGRE. O mandamento fundamental de Chanucá é o acendimento das velas, ou, o que é ainda melhor, do azeite de oliva. Esse mandamento recorda os dois milagres que celebramos durante essa festividade. O primeiro foi o triunfo dos Macabeus sobre os sírio-gregos – superpotência militar à época, que ocupava a Terra de Israel. A revolta dos Macabeus foi uma resposta às atrocidades cometidas contra o Povo Judeu pelo exército sírio grego e por sua campanha para coagir nosso povo a renunciar ao judaísmo e a se assimilar e abraçar as crenças helenísticas, seus ideais e sua cultura. O segundo milagre foi o do azeite. O acendimento da Menorá com azeite de oliva ritualmente puro era um componente importante do serviço diário no Beit HaMikdash – o Templo Sagrado de Jerusalém. Após libertá-lo das mãos do exército invasor, os Macabeus encontraram um único frasco de óleo ritualmente puro, que escapara à profanação proposital pelos sírio-gregos. O frasco continha o azeite suficiente para acender a Menorá durante um único dia. Seriam necessários oito dias para produzir azeite ritualmente puro. Os judeus foram em frente e acenderam a Menorá com o que tinham. Mas uma ocorrência sobrenatural mudou o jogo: o azeite milagrosamente durou o tempo necessário para a produção de novo azeite ritualmente puro. O fenômeno sobrenatural do suprimento de um dia ter queimado durante oito dias não foi apenas um milagre, mas também um sinal Divino de que os Macabeus deviam sua vitória militar à Providência Divina. Haviam lutado brava e valentemente, mas não fosse pela Mão Divina, eles não teriam triunfado. Eram um grupo pequeno de homens que se levantaram contra os gigantes militares da época. Tivesse tudo corrido de acordo com as leis da natureza, teria sido uma derrota fragorosa: as possibilidades de terem vencido eram tão remotas quanto o suprimento de um dia de azeite ter durado oito dias – praticamente impossível, não fosse a Ajuda Divina. A festa de Chanucá, de oito dias, celebra milagres porque tudo nessa festividade é milagroso: a vitória militar, o fato de que os sírio-gregos tenham, de uma forma ou de outra, deixado passar um recipiente de azeite ritualmente puro e o fenômeno sobrenatural de que essa quantidade de azeite tivesse ardido oito dias – exatamente o número de dias necessários para a produção de novo azeite ritualmente puro. Entre todas as festividades de nosso calendário, talvez Chanucá seja a mais conhecida e apreciada pelos não judeus. A Chanuquiá em locais públicos é acesa por muitos governantes e líderes políticos, inclusive aqui no Brasil. É acesa na Casa Branca (residência oficial do presidente dos Estados Unidos e até no Kremlin (sede do governo russo).O motivo para isso é que a mensagem de Chanucá é atemporal e universal – aplica-se a todos os seres humanos, independentemente de religião, nacionalidade e etnia. Os temas da festa ressoam no coração de todas as pessoas boas e decentes e a Festa das Luzes nos ensina que os milagres acontecem. Chanucá nos faz recordar, ano após ano, que, cedo ou tarde, a luz impera sobre a escuridão e, no fim, a bondade acaba triunfando sobre a maldade. A CHANUQUIÁ E A MENORÁ. Como vimos acima, acendemos as luzes de Chanucá para celebrar o milagre do azeite usado para acender a Menorá do Templo Sagrado.  Há, no entanto, claras diferenças entre a Chanuquiá – a Menorá de Chanucá – e a Menorá do Templo Sagrado, além do fato de que uma tem oito braços e a outra tinha sete. Uma das diferenças é que o número de luzes acesas na Menorá do Templo era constante. Diariamente, todos os sete braços eram acesos. Já em Chanucá, acendemos uma luz na primeira noite, duas na segunda noite e assim por diante. Na oitava e última noite, acendemos todas as oito luzes festivas. Outra diferença é o fato de que no Templo Sagrado, a Menorá era acesa durante o dia – ao passo que, excetuando-se a tarde de 6a feira devido ao Shabat, as luzes de Chanucá são acesas quando cai a noite e a escuridão. Ademais, a Menorá ficava acesa dentro do Templo Sagrado, enquanto que a Chanuquiá deve ficar, idealmente, próxima a uma janela, para que suas luzes possam ser vistas pelo público de fora, divulgando assim os milagres que celebramos durante a festividade. Há ainda outra diferença, bem acentuada, entre o acendimento da Menorá e da Chanuquiá. A Menorá, construída por Moshé, simboliza a independência e a autossuficiência do Povo Judeu. No deserto, fomos liderados pelo maior líder judeu e profeta de todos os tempos, e todas as necessidades materiais da nação estavam providas: o maná que caía dos Céus e o poço de Miriam que lhes fornecia água em abundância. Foram anos de abundância espiritual para o Povo Judeu, pois quando o ser humano está livre de preocupações, ele pode melhor dedicar-se aos assuntos Divinos. Quando o maná caía dos Céus, havia mais tempo e tranquilidade para se dedicar a estudar a Palavra de D’us. Quando há paz e prosperidade, as pessoas geralmente têm mais tempo para se dedicar a cumprir os mandamentos da Torá. Diferentemente da Menorá de sete braços, a Chanuquiá nos faz lembrar incidentes que foram milagrosos, mas que ocorreram em tempos difíceis para o Povo Judeu. A Terra de Israel estava sob o domínio dos tirânicos sírio-gregos, que profanaram o segundo Templo Sagrado de Jerusalém. O Povo Judeu sofria terrível opressão, seu exército era pequeno e muitos judeus se estavam assimilando. Essas limitações físicas e dificuldades refletiam o frágil estado espiritual da nação judaica. Isso explica porque apenas 10% do Povo Judeu apoiou a revolta dos Macabeus. A falta de azeite ritualmente puro para acender a Menorá simbolizou a falta de espiritualidade dos judeus à época. CHANUCÁ E A NECESSIDADE DE LUZ ADICIONAL. Em tempos de abundância material e espiritual, quando reina a paz e a prosperidade, o Povo Judeu não é compelido a executar atos de extremo auto sacrifício. Quando tudo corre bem, não há necessidade urgente de luz adicional: falando por metáforas, pode-se acender o mesmo número de luzes a cada dia e não é necessário fazer grandes esforços para iluminar o mundo que nos cerca. Mas quando reinam a escuridão e a opressão, como na época em que os Macabeus tiveram que ir à guerra, não basta que as pessoas vivam dentro de sua zona de conforto. Em tais circunstâncias, é necessário muito auto sacrifício para aumentar a luz do mundo.  Essa é uma das principais mensagens das luzes de Chanucá. Elas nos ensinam que não é suficiente que um judeu ilumine sua casa – ou seja, seu domínio privado. Apesar do grande esforço envolvido, cada ser humano consciencioso precisa se empenhar em iluminar o mundo. Diferente da Menorá, que era acesa de dia e no interior do Templo Sagrado, nós acendemos a Chanuquiá quando a noite cai, e a colocamos onde suas luzes possam ficar visíveis àqueles que passem pela rua. Isso nos ensina que a luz é especialmente necessária quando está escuro do lado de fora. Diferentemente da Menorá, cujo número de luzes era constante, a Chanuquiá nos ensina que em épocas de desafios espirituais, não é suficiente gerar a mesma quantidade de luz como no passado. Cada dia que passa, precisamos constantemente avançar em tudo o que se refere à espiritualidade, santidade e bondade. Nunca devemos nos dar por satisfeitos com nossas conquistas, não importa quão sensacionais sejam. Pelo contrário, sempre devemos nos esforçar para conquistar mais, gerando assim mais luz para o mundo. As luzes de Chanucá também nos ensinam que em tempos de grande escuridão espiritual, um ser humano nobre não se deve permitir ser intimidado. Pelo contrário. Os desafios devem incitá-lo à ação. Como os Macabeus, que foram a uma guerra que parecia invencível, e, assim como nossos antepassados, que insistiram em acender a Menorá com o azeite sagrado que só bastaria para um dia, nós nunca devemos recuar nem desistir de nada, especialmente quando a luta for por uma causa digna. O ser humano que assim age, que está disposto a se sacrificar em benefício dos demais e que quer aperfeiçoar-se, e que não se satisfaz com as conquistas passadas, esse ser humano pode contar com a ajuda de D’us para ser vitorioso e bem sucedido. D’us o ajudará como Ele ajudou aos Macabeus. Em outras palavras, quando vivermos uma vida sobrenatural e não permitirmos que o mundo natural nos dite como devemos viver, D’us fará milagres para nós. Viver uma vida sobrenatural significa produzir luz adicional para que a mesma possa vencer a escuridão e vencer todas as formas do mal. Todos os seres humanos que produzem luz estão transformando o mundo: eles estão ajudando a frui-lo por completo – até o dia em que o mundo todo será de luz. Quando isso acontecer, o azeite de oliva ritualmente puro será levado para acender a Menorá do terceiro Templo Sagrado de Jerusalém – que será eterno e que, com a ajuda de D’us, será construído muito em breve, em nossos dias. Amén, ken yehi ratsónwww.morasha.com.br. Abraço. Davi.

segunda-feira, 1 de novembro de 2021

PLURALISMO RELIGIOSO

 

Budismo. Escrito por Tenzin Gyatso (1935 -  ), o Dalai Lama. PLURALISMO RELIGIOSO.  A não ser que conheçamos o valor de outras tradições religiosas, é difícil desenvolver respeito por elas. O respeito mútuo é a base da verdadeira harmonia. Devemos ansiar por um espírito de harmonia, não por motivos políticos ou econômicos, mas simplesmente por percebermos o valor de outras tradições. Sempre me esforço para promover a harmonia religiosa. Usar a fé religiosa para promover valores humanos básicos é algo muito positivo. Todas as principais religiões do mundo pregam o amor, a compaixão e o perdão. Cada tradição religiosa promove esses valores de maneira diferente, é claro, mas, já que todas têm mais ou menos os mesmos objetivos – ter uma vida mais feliz, tornar-se uma pessoa mais compassiva e criar um mundo mais compassivo – seus métodos diferentes não representam um problema insuperável. A conquista fundamental do amor, da compaixão e do perdão, é o que importa. Todas as principais religiões do mundo têm o mesmo potencial para ajudar a humanidade. Algumas pessoas têm uma disposição que se adapta à fé religiosa, e por causa da variedade de disposições entre os seres humanos é lógico que precisamos de religiões diferentes. A variedade é benéfica. Gostaria de abordar o tema da harmonia religiosa definindo dois níveis de espiritualidade. O PRIMEIRO NÍVEL DE ESPIRITUALIDADE: FÉ E TOLERÂNCIA. Para todos os seres humanos em todos os lugares, o primeiro nível de espiritualidade é a fé. Isso é verdade para cada uma das grandes religiões mundiais. Acredito que cada uma dessas religiões tenha seu próprio papel importante, mas, para que possam dar uma contribuição significativa em benefício da humanidade, dois fatores importantes devem ser considerados. O primeiro desses fatores é que os praticantes individuais das diversas religiões – ou seja, nós mesmos – devemos praticar com sinceridade. Os ensinamentos religiosos devem ser parte integrante de nossas vidas, não devem ser separados de nossas vidas. Às vezes entramos em uma igreja ou templo e fazemos uma prece ou geramos  algum tipo de sentimento espiritual, e depois, quando saímos da igreja ou do templo, nada resta desse sentimento religioso. Essa não é a maneira correta de praticar. A mensagem religiosa deve estar conosco onde quer que estejamos. Os ensinamentos de nossa religião devem estar presentes em nossas vidas para que, quando realmente precisarmos de bênção ou de força interior; esses ensinamentos e os seus efeitos estejam à nossa disposição. Eles estarão ali quando tivermos dificuldades porque estão constantemente presentes. A religião só poderá ser realmente eficaz quando integrar-se em nossas vidas. Precisamos conhecer esses ensinamentos não apenas em um nível intelectual, mas também por meio de nossa experiência mais profunda. Algumas vezes compreendemos diversas ideias religiosas em um nível superficial demais ou intelectual. Sem um sentimento mais profundo, a eficácia da religião torna-se limitada. Portanto, devemos praticar com sinceridade e integrar nossa religião a nossas vidas. O segundo fator trata mais da interação entre as diversas religiões mundiais. Hoje em dia, devida à mudança tecnológica cada vez maior e à natureza da economia mundial, somos mais dependentes do que nunca uns dos outros. Países diferentes, continentes diferentes desenvolveram uma relação mais estreita uns com os outros. Na realidade, a sobrevivência de uma região do mundo depende da sobrevivência das demais. Portanto, o mundo tornou-se muito mais próximo, muito mais interdependente. O resultado disso é que há muito mais interação humana em uma escala maior. Devido a essas circunstâncias, a aceitação do pluralismo entre as religiões mundiais é muito importante. Antigamente, quando as comunidade viviam umas separadas das outras e as religiões surgiam em relativo isolamento, a ideia de que havia apenas uma religião possível era muito útil. Mas agora a situação mudou, e as circunstâncias são inteiramente diferentes. Portanto, agora é crucial aceitar o fato de que religiões diferentes existem e de que, para desenvolver um respeito mútuo genuíno entre elas, o contato estreito entre as diversas religiões é essencial. Esse é o segundo fator que permitirá às religiões do mundo beneficiar a humanidade de forma significativa. Quando eu morava no Tibete, não tinha contato com pessoas de outras religiões que não o budismo, e assim minha atitude em relação às outras religiões não era muito positiva. Entretanto, quando tive a oportunidade de conhecer pessoas de fé diferente e de aprender com os contatos pessoais e com a experiência, minha atitude em relação às outras religiões mudou. Percebi como as outras religiões são úteis para a humanidade e qual o potencial de cada uma delas para contribuir para um mundo melhor. Nos últimos séculos, as diversas religiões tem dado contribuições maravilhosas para o progresso dos seres humanos, e mesmo hoje há grandes números de seguidores que se beneficiam da CRISTANDADE, do ISLAMISMO, do JUDAÍSMO, do BUDISMO, do HINDUÍSMO, e assim por diante. Para dar um exemplo do valor de encontrar pessoas de fé diferentes: meus encontros com o falecido Thomas Merton (1915-1968) mostraram-me a pessoa bonita e maravilhosa que ele era e me proporcionaram uma compreensão em primeira mão do potencial espiritual da fé cristã. Em outra ocasião, conheci um monge católico em Montserrat (maciço rochosos na região da Catalunha na Espanha ), um dos famosos monastérios espanhóis. Fiquei sabendo que esse monge vivera por muitos anos como eremita em uma colina logo atrás do monastério. Quando o visitei no monastério, ele desceu de sua ermida especialmente para me encontrar. Acontece que seu inglês era ainda pior do que o meu, e isso me deu mais coragem para falar com ele! Ficamos frente a frente e perguntei: “Durante esses anos, o que você ficou fazendo naquela colina? “ Ele olhou para mim e respondeu: “Meditando sobre a compaixão, sobre o amor”. Enquanto ele dizia essas poucas palavras, entendi a mensagem através de seus olhos. Realmente desenvolvi uma admiração genuína por essa pessoa e por outros como ele. Essas experiências ajudaram a confirmar em minha mente que todas as religiões do mundo têm o potencial para produzir pessoas boas, apesar de suas diferenças de filosofias e de doutrina. Cada tradição religiosa tem sua própria mensagem maravilhosa a transmitir. O que quero enfatizar aqui é que, para as pessoas que seguem ensinamentos nos quais a fé básica é em um criador – em DEUS – essa abordagem é muito eficaz para elas. Os CRISTÃOS, por exemplo, não acreditam em renascimento e assim não aceitam a crença em vidas passadas ou futuras. Eles só aceitam esta vida. No entanto, acreditam que esta mesma vida seja criada por DEUS, e essa ideia causa neles um sentimento de intimidade com DEUS  e uma dependência em relação a DEUS. A consequência disso é o ensinamento de que devemos amar  nossos semelhantes. O raciocínio é que, se amamos DEUS, devemos amar nossos semelhantes porque eles, assim como nós, foram criados por DEUS. Seu futuro, assim como o nosso, depende do Criador; portanto, sua situação é igual à nossa. Consequentemente, é questionável a fé das pessoas que dizem aos outros para amar a DEUS, mas elas próprias não demonstram amor genuíno para com os seres humanos, seus semelhantes. A pessoa que acredita em DEUS e no amor por DEUS deve demonstrar a sinceridade desse amor dirigindo-o a outros seres humanos, seus semelhantes. Essa abordagem é muito poderosa, não? Assim, se examinarmos cada religião sob diversos ângulos da mesma maneira – não simplesmente segundo nossa própria posição filosófica, mas segundo vários pontos de vista – não resta dúvida de que todas as principais religiões têm o potencial para melhorar os seres humanos. Isso é óbvio. Por meio do contato estreito com pessoas de outra fé é possível desenvolver uma atitude tolerante e um respeito mútuo com relação a outras religiões. O contato estreito com diferente religiões me ajuda a aprender novas ideias, novas práticas e novos métodos ou técnicas que posso incorporar a minha própria prática. Do mesmo modo, alguns dos meus irmãos e irmãs CRISTÃOS adotaram determinados métodos budistas – por exemplo, a prática de concentração da mente em um só ponto, assim como técnicas para ajudar a melhorar a tolerância, a compaixão e o amor. Existem grandes benefícios quando os praticantes de diversas religiões se juntam para esse tipo de intercâmbio. Além do desenvolvimento da harmonia entre eles, há outros benefícios também. Políticos e líderes nacionais falam com frequência de coexistência e de união. Por que nós, religiosos, não falamos isso também? Penso que chegou a hora. Por exemplo em Assis, na Itália, em 1987, líderes e representantes de várias religiões mundiais se encontraram para orar juntos, embora eu não tenha certeza de que oração seja exatamente a palavra adequada para descrever com exatidão a prática de todas essas religiões. De todo modo, o importante é que os representantes das várias religiões se reúnam em um lugar e, segundo suas próprias crenças, orem. Isso já está acontecendo e é, penso eu, um desenvolvimento muito positivo. Mesmo assim, ainda precisamos nos esforçar mais para desenvolver harmonia e proximidade entre as religiões do mundo, já que sem tal esforça continuaremos a ter os diversos problemas que dividem a humanidade. Se a religião fosse o único remédio para reduzir o conflito humano, mas esse próprio remédio se tornasse uma outra fonte de conflito, isso seria desastrosos. Hoje, como no passado, conflitos ocorrem em nome da religião por causa de diferenças religiosas, e considero isso muito, muito triste. No entanto, se pensarmos de forma aberta e profunda, perceberemos que a situação de ontem era inteiramente diferente da atual. Não somos mais isolados, mas, pelo contrário, interdependentes. Portanto, hoje é muito importante perceber que uma relação estreita entre as religiões é essencial, para que diferentes grupos religiosos possam trabalhar e fazer um esforço conjunto para o benefício da humanidade. Assim, a sinceridade e a fé nas práticas religiosas, por um lado, e a tolerância e cooperação religiosa, por outro, formam esse primeiro nível do valor da prática espiritual para a humanidade. O SEGUNDO NÍVEL DE ESPIRITUALIDADE: A COMPAIXÃO COMO RELIGIÃO UNIVERSAL. O segundo nível de espiritualidade é aquele que transcende as diferenças religiosas, o nível da compaixão e da afeição humanos. O segundo nível é mais importante do que o primeiro porque, por mais maravilhosa que seja uma religião, ela ainda só é aceita por um número muito limitado de pessoas. A maioria dos seis ou sete bilhões de seres humanos em nosso planeta provavelmente não pratica nenhuma religião. De acordo com sua origem familiar, eles podem se identificar como pertencentes a um ou outro grupo religioso – Sou HINDU, sou BUDISTA, sou CRISTÃO – mas, lá no fundo, a maioria desses indivíduos não é necessariamente praticante de nenhuma fé religiosa. Não há problema nisso; abraçar ou não uma religião é o direito de qualquer pessoa como indivíduo. Nenhum dos grandes mestres antigos como BUDHA, MAHAVIRA, JESUS CRISTO, KHRISNA, MASHIYACH e MAOMÉ conseguiu fazer toda a população humana se interessar pela espiritualidade. A verdade é que ninguém é capaz de fazer isso. Não importa que esses não crentes sejam chamados de ateus. De fato, segundo alguns estudiosos ocidentais, os budistas também são ateus, já que não aceitam um criador. Assim, algumas vezes acrescento mais uma palavra para descrever esses não crentes, a palavra extremos; chamo-os de não crentes extremos. Eles não só não são crentes, como também são extremos em sua visão de que a espiritualidade sob qualquer forma não tem valor. Entretanto, devemos lembrar que que essas pessoas também fazem parte da humanidade e que também, como todos os seres humanos, desejam ser felizes – ter um vida feliz e pacífica. Esse é o ponto importante. Acredito que não haja problema em permanecer não crente, mas a partir do momento em que você faz parte da humanidade, a partir do momento em que é um ser humano, você precisa de afeição humanas, de compaixão humana. Esse é o ensinamento essencial de todas as tradições religiosas. Sem compaixão humana, até mesmo as crenças religiosas podem se tornar destrutivas. Assim, a prática essencial, seja você uma pessoa religiosa ou não, é um bom coração. Considero a afeição e a compaixão humanas a religião Universal. Quer seja crente ou não crente, todo mundo precisa de afeição e compaixão humanas, porque a compaixão nos dá força interior, esperança e paz mental. Assim, a compaixão é indispensável para todos. Como mencionei, alguns dos meus irmãos e irmãs CRISTÃOS, tanto monges quanto leigos, me disseram estar usando técnicas e métodos BUDISTAS para desenvolver sua compaixão e até mesmo sua fé CRISTÃ. Sempre digo a meus amigos ocidentais que é melhor tentar manter sua própria tradição. MUDAR DE RELIGIÃO NÃO É FÁCIL E ÀS VEZES CAUSA CONFUSÃO. Entretanto, os indivíduos que realmente sentirem que a abordagem BUDISTA é mais eficaz e se adapta melhor à sua disposição mental devem considerar a questão com cuidado. Uma vez que esteja inteiramente convencido de que o BUDISMO é certo para você, então está livre para segui-lo. O importante é lembrar o seguinte: às vezes as pessoas desenvolvem uma atitude crítica em relação a sua religião ou tradição anterior de modo a justificar sua mudança de fé. Você deve evitar isso. Sua antiga religião pode não ser mais eficaz para você, mas isso não significa que não seja útil para a humanidade. Por respeito aos pontos de vista e aos direitos das outras pessoas, assim como ao valor de suas traições, VOCÊ DEVE HONRAR SUA ANTIGA RELIGIÃO. É muito importante. Livro A Vida de Compaixão. Abraço. Davi.

sábado, 30 de outubro de 2021

ONDE ESTÁ DEUS NO MEIO DA TRAGÉDIA

 

Cristianismo. www.suaescolha.com.br. ONDE ESTÁ DEUS NO MEIO DA TRAGÉDIA. Deus é o criador do universo que anseia para que nós o conheçamos. É por isso que todos nós estamos aqui. É desejo dele que confiemos, experimentemos sua força, amor, justiça, bondade e compaixão. Então ele diz a todos que estão dispostos: “venham a mim”. Diferente de nós, Deus sabe o que acontecerá amanhã, na próxima semana, no próximo ano, na próxima década. Ele diz: “Eu sou Deus, e não há ninguém como eu, declarando o fim desde o início.” (Isaías 46,9) Ele sabe o que acontecerá no mundo. Mais importante, ele sabe o que acontecerá na sua vida e pode ajudá-lo, se você tiver escolhido incluí-lo em sua vida. Ele nos diz que pode ser “nosso refúgio e força, auxílio sempre presente em momentos de dificuldades.” (Salmos 46,1). Mas devemos fazer um esforço sincero para buscá-lo. Ele diz, “vocês me buscarão e me encontrarão, quando me procurarem de todo coração.”  (Jeremias 29,13) Isso não quer dizer que aqueles que conhecem a Deus escaparão de momentos difíceis. Não escaparão. Quando um terrorista ataca, causa sofrimento e morte, aqueles que conhecem a Deus estarão envolvidos nesse sofrimento também, mas com eles há uma paz e força que a presença de Deus dá. Um dos seguidores de Jesus colocou isso desta forma: “de todos os lados somos pressionados, mas não desanimados, ficamos perplexos, mas não desesperados; somos perseguidos, mas não abandonados; abatidos, mas não destruídos.” ( 2º Coríntios 4,8-9) A realidade nos diz que experimentaremos problemas na vida. Porém, se nós passamos por eles enquanto conhecemos a Deus, podemos reagir a eles com uma perspectiva diferente e com uma força que não é nossa. Nenhum problema tem a capacidade de ser enorme demais para Deus. Ele é maior que todos os problemas que podem nos atingir, e não somos deixados sozinhos para lidar com eles. A palavra de Deus nos diz: “O Senhor é bom, um refúgio em tempos de dificuldade. Ele cuida daqueles que nele confiam” (Naum 1:7) e, “O senhor está perto de todos que o invocam, de todos que o invocam com sinceridade. Ele realiza os desejos daqueles que o temem; ouve-os gritar por socorro e os salva.” (Salmos 145,18-19). Jesus Cristo disse estas palavras confortantes a seus seguidores: “Não se vendem dois pardais por uma moedinha? Contudo, nenhum deles cai no chão sem o consentimento do Pai de vocês. Até os cabelos da cabeça de vocês estão todos contados. Portanto, não tenha medo; vocês valem mais do que muitos pardais!” (Mateus 10:24-31) Se você se voltar verdadeiramente para Deus, ele cuidará de você como ninguém mais cuida, e de uma forma que ninguém mais pode. Tragédias, Desastres, Ataques Terroristas: Nosso Livre Arbítrio. Deus criou a humanidade com a habilidade de escolher. Isso quer dizer que não somos forçados a um relacionamento com ele. Ele nos permite rejeitá-lo e nos permite cometer atos ruins da mesma forma. Ele poderia forçar-nos a ser amáveis. Ele poderia forçar-nos a ser bons. Mas então que tipo de relacionamento teríamos com ele? Não seria de jeito nenhum um relacionamento, mas uma obediência forçada e absolutamente controlada. Ao invés disso, Ele nos deu a dignidade humana do livre arbítrio. Naturalmente, nós choramos do fundo das nossas almas (…) “mas Deus, como você poderia deixar algo desta magnitude acontecer?” Como gostaríamos que Ele agisse? Nós queremos que Ele controle as ações das pessoas? No caso de lidar com ataques terroristas, qual poderia ser um número possivelmente aceitável de mortes para Deus permitir?! Nos sentiríamos melhor se Deus permitisse somente o assassinato de centenas? Nos sentiríamos melhor se Deus permitisse somente a morte de uma pessoa? Mesmo se Deus evitar a morte de uma pessoa, já não há liberdade de escolha. Pessoas escolhem ignorar a Deus, desafiar a Deus, viver à sua própria maneira e cometer atos horríveis contra os outros. Tragédias, Desastres, Ataques Terroristas: Nosso Mundo. Este planeta não é um lugar seguro: alguém pode atirar em nós, ou podemos ser atropelados por um carro, ou podemos pular de um prédio atacado por terroristas. Qualquer número de coisas pode acontecer a nós neste momento, neste ambiente duro chamado Terra, o lugar onde a vontade de Deus não é sempre seguida. Mais ainda assim, Deus não está à mercê das pessoas, pelo contrário, nós é que estamos à sua mercê, felizmente. Esse é o Deus que criou o universo com suas estrelas incontáveis, simplesmente ao falar as palavras: “haja luz no firmamento do céu (Gênesis 1,14)esse é o Deus que diz que “reina sobre as nações” (Salmos 47,8); Ele é ilimitado em poder e sabedoria. Embora os problemas pareçam enormes demais para nós, nós temos um Deus incrivelmente capaz que nos lembra: “eu sou o Senhor, o Deus de toda a humanidade. Há alguma coisa difícil demais para mim?” (Jeremias 32,27) De alguma forma, Ele é capaz de manter a liberdade dos homens pecadores, e ainda assim fazer prevalecer sua vontade. Deus claramente diz: “meu conselho prevalecerá, e eu realizarei todo o meu propósito.” (Isaías 46,11) E podemos obter conforto se nossas vidas forem submetidas a Ele, “Deus se opõe aos orgulhosos, mas dá graça aos humildes.” (Tiago 4,6). Tragédias, Desastres, Ataques Terroristas: Onde está Deus Agora? Muitos de nós – não, todos nós – escolhemos às vezes nos desviar de Deus e seus caminhos. Comparados a outros, a um terrorista por exemplo, podemos até nos considerar pessoas respeitáveis e amáveis, mas sinceramente se tivermos que encarar Deus, vamos nos deparar com o conhecimento do nosso pecado. Ao começarmos a direcionar nossas orações a Deus, não somos surpreendidos, paralisados pelo sentido de que Deus conhece bem nossos pensamentos, ações e egocentrismo? Nós temos, com nossas vidas e ações, nos distanciado de Deus. Nós temos geralmente vivido como se pudéssemos levar nossas vidas muito bem sem Ele. A Bíblia diz que “Todos nós tal qual ovelhas, desviamos, cada um de nós se voltou para o seu próprio caminho.” (Isaías 53,6). As consequências? Nosso pecado nos separa de Deus, o que afeta mais do que nossa vida aqui e agora. A penalidade por nosso pecado é a morte, ou separação eterna de Deus, no entanto, Deus providenciou uma maneira para sermos perdoados e conhecê-lo. Força interior através do amor de Deus. Deus veio à terra para nos resgatar. “Pois Deus amou o mundo de tal maneira, que enviou seu filho unigênito para que o que nele crê não pareça, mas tenha a vida eterna. Pois Deus enviou o filho ao mundo, não para condenar o mundo, mas para que o mundo pudesse ser salvo através dele.”  (João 3,16-17). Deus conhece a dor e o sofrimento que encontramos neste mundo. Jesus deixou o conforto e a segurança do seu lar, e entrou no duro ambiente em que vivemos. Jesus se cansou, conheceu a fome e a sede, sofreu acusações dos outros e foi banido pela família e pelos amigos. Mas Jesus experimentou muito mais que dificuldades diárias. Jesus, o Filho de Deus na forma humana, por vontade própria, levou sobre si todo o pecado e pagou a nossa penalidade de morte: “conhecemos o amor nisto, que ele deu a sua vida por nós.” (1 João 3,16) Ele passou por tortura, morrendo uma morte de sufocação lenta e humilhante na cruz, para que fôssemos perdoados. Jesus disse aos outros antecipadamente que seria crucificado. Ele disse que três dias depois de sua morte, retornaria à vida provando que Ele é Deus. Ele não disse que algum dia iria reencarnar (Quem poderia saber se ele realmente fizesse isso?). Ele disse que, três dias depois de ser enterrado, apareceria vivo fisicamente para aqueles que viram sua crucificação. Naquele terceiro dia, o túmulo de Jesus foi encontrado vazio e muitas pessoas testificaram tê-lo visto. Agora, Ele nos oferece vida eterna. Nós não merecemos; é um dom de Deus oferecido a nós, o qual nós recebemos quando o convidamos a entrar em nossas vidas. “O dom de Deus é a vida eterna em Jesus Cristo.” (Romanos 6,23) Se nos arrependermos do nosso pecado e nos voltarmos para Deus, nós poderemos ter o dom da vida eterna através de Jesus Cristo. É bem simples: “Deus nos deu a vida eterna, e esta vida está no seu filho. Quem tem o filho tem a vida, quem não tem o filho de Deus, não tem a vida.” (1 João 5,12) Ele quer entrar em nossas vidas. Força interior através do plano de Deus. E quanto ao céu? A Bíblia diz que Deus “pôs no coração do homem o anseio pela eternidade.” (Eclesiastes 3:11) Talvez isso signifique que nós saibamos, em nossos corações, como um mundo melhor seria. A morte das pessoas que amamos nos convence de que há alguma coisa muito errada com esta vida e este mundo. Em algum lugar no fundo de nossas almas, nós sabemos que deve haver um lugar melhor para viver, livre de dificuldades angustiantes e dor. Tenha certeza, Deus tem sim um lugar melhor, o qual Ele mesmo nos oferece. Lá haverá um sistema completamente diferente, no qual sua vontade é feita o tempo todo. Neste mundo, Deus enxugará toda lágrima dos olhos do seu povo. Não haverá mais tristeza, choro, morte ou dor (Apocalipse 21,8). E Deus, pelo seu Espírito, permanecerá nas pessoas de tal maneira que elas nunca pecarão novamente (Apocalipse 21,27; 1º Coríntios 15,28) Os eventos do ataque terrorista nos EUA são horríveis o suficiente. Recusar um relacionamento eterno com Deus, que Jesus oferece a você, seria muito pior. Não só à luz da vida eterna, mas não há nenhum relacionamento que se compare a conhecer a Deus nesta vida. Ele é nosso propósito na vida, nossa fonte de conforto, nossa sabedoria em tempos de confusão, nossa força e esperança. “Provai e vede que o senhor é bom, abençoado é o homem que nele se refugia.” (Salmos 34,8). Alguns dizem que Deus é somente um apoio para os fracos, mas é provável que Ele seja o único confiável. Jesus disse: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou, não como o mundo vos dá. Não se perturbe o vosso coração, nem se atemorize.” (João 14,27). Para aqueles que confiaram em Jesus durante suas vidas, Ele diz que é como construir sua vida em uma rocha. Qualquer que seja a crise que o ataque nesta vida, Ele pode mantê-lo forte. Força interior através do Filho de Deus. Você pode receber Cristo agora mesmo.” Contudo, aos que o receberam, aos que creram em seu nome, Deu-lhes o direito de se tornarem filhos de Deus. (João 1.12) É através de Jesus Cristo que podemos voltar a Deus. Jesus disse: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida, ninguém vem ao pai senão por mim.” (João 14:6) Jesus ofereceu: “Eis que estou à porta e bato, se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei e cearei com ele, e ele comigo.” (Apocalipse 3,20). Agora mesmo você pode convidar a Deus para entrar em sua vida. Você pode fazer isso através da oração. Oração significa conversar honestamente com Deus. Neste momento, você pode falar com Deus dizendo sinceramente algo assim: “Deus, eu me distanciei de ti em meu coração, mas eu quero mudar isso, eu quero conhecê-lo, eu quero receber Jesus Cristo e seu perdão em minha vida. Eu não quero mais ficar separado de ti; seja o Deus da minha vida deste dia em diante. Obrigado, Deus”. Você acabou de convidar a Deus sinceramente a entrar em sua vida agora? Se sim, você tem muito por esperar ansiosamente. Deus promete fazer de sua vida atual a maior satisfação a medida que você o conhece. (João 10,10). Onde está Deus? Ele promete fazer morada em você (João 14,23). E ele lhe dá vida eterna (1ª João 5,11-13). Não importa o que aconteça no mundo ao seu redor, Deus pode estar lá por você. Embora as pessoas não sigam os caminhos de Deus, Deus é capaz de tomar circunstâncias horríveis e fazer com que seu plano aconteça de qualquer forma. Deus está completamente no controle dos eventos do mundo. Se você é de Deus, então você pode descansar na promessa de que “Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito.”  (Romanos 8,28). Jesus Cristo disse: “Deixo-lhes a minha paz; a minha paz lhes dou, não a dou como o mundo a dá; nada perturbe o seu coração. Neste mundo, vocês terão aflições, contudo tenham ânimo. Eu venci o mundo.” (João 14,27 e 16,33) Ele promete nunca nos deixar ou nos abandonar. (Hebreus 13,5) Para você crescer no conhecimento de Deus e de sua vontade para sua vida, leia os livros de Mateus, Marcos, Lucas e João na Bíblia. www.suaescolha.com.br. Abraço. Davi

sexta-feira, 29 de outubro de 2021

SÓ A COMPAIXÃO É TERAPÊUTICA

 

Espiritualidade. Texto de Osho (1931-1990). Amado Osho. Você disse: SÓ A COMPAIXÃO É TERAPÊUTICA. Você poderia comentar sobre a palavra 'compaixão', compaixão por si mesmo e compaixão pelos outros? "Sim, somente a compaixão é terapêutica, porque tudo o que é doença no homem é causado pela falta de amor. Tudo o que está errado com o homem, está de alguma forma associado ao amor. Ele não tem sido capaz de amar ou ele não tem sido capaz de receber amor. Ele não tem sido capaz de compartilhar o seu ser. Essa é a miséria. Isso cria toda sorte de complexos internamente. Aquelas feridas internas podem vir à superfície de várias maneiras: elas podem se tornar doenças do físico e doenças mentais, mas no fundo o que o homem sofre é de falta de amor. Assim como o alimento é necessário para o corpo, o amor é necessário para a alma. O corpo não consegue sobreviver sem alimento e a alma não consegue sobreviver sem o amor. Na verdade, sem o amor a alma nunca nasce e nem há essa questão de sua sobrevivência”. Você simplesmente pensa que tem uma alma. Você acredita que você tem alma devido ao seu medo da morte. Mas você não a conheceu a não ser que você tenha amado. Somente no amor a pessoa vem a sentir que ela é mais do que o corpo, mais do que a mente. É por isso que eu digo que a compaixão é terapêutica. O que é compaixão? Compaixão é a forma mais pura de amor. No sexo, o contato é basicamente físico, na compaixão o contato é basicamente espiritual. No amor, compaixão e sexo estão misturados. O amor está no meio do caminho entre sexo e compaixão. Você também pode chamar a compaixão de prece. Você também pode chamar a compaixão de meditação. A forma mais elevada de energia é a compaixão. A palavra 'compaixão' é bela. Metade dela é 'paixão'. De alguma forma a paixão se tornou tão refinada que ela não é mais como uma paixão. Ela se tornou compaixão. No sexo, você usa o outro, você reduz o outro a um meio, você reduz o outro a uma coisa. É por isso que numa relação sexual você se sente culpado. Essa culpa nada tem a ver com ensinamentos religiosos, essa culpa é mais profunda que os ensinamentos religiosos. Numa relação sexual, enquanto tal, você se sente culpado. Você se sente culpado porque você está reduzindo um ser humano a uma coisa, a uma mercadoria para ser usada e jogada fora. É por isso que no sexo você também tem uma sensação de escravidão, você também está sendo reduzido a uma coisa. E quando você é uma coisa, a sua liberdade desaparece, porque a sua liberdade somente existe quando você é uma pessoa. Quanto mais você for uma pessoa, mais livre será; quanto mais você for uma coisa, menos livre será. Os móveis de seu quarto não são livres. Se você deixar o quarto fechado e voltar muitos anos depois, os móveis estarão nos mesmos lugares, com a mesma disposição, eles não se arrumarão numa nova disposição. Eles não têm liberdade. Mas se você deixar um homem num quarto, você não irá encontrá-lo do mesmo jeito, nem mesmo no dia seguinte, nem mesmo no momento seguinte. (...)Para uma coisa, o futuro está fechado. Uma pedra permanecerá uma pedra. Ela não tem qualquer potencial para o crescimento. Ela não pode mudar, ela não pode evoluir. O homem nunca permanece o mesmo. Ele pode retornar, ele pode ir adiante, ele pode ir para o inferno ou para o céu, mas nunca permanece o mesmo. Ele segue se movendo, deste ou daquele jeito. Quando você tem uma relação sexual com alguém, você reduz aquela pessoa a uma coisa. E ao reduzi-la, você também se reduz a uma coisa, porque isso é um acordo mútuo do tipo: 'Eu lhe permito reduzir-me a uma coisa e você me permite reduzi-lo a uma coisa. Eu lhe permito usar-me e você me permite usá-lo. Nós usamos um ao outro. Nós ambos nos tornamos coisas'. É por isso (...). Observe dois amantes: enquanto eles ainda não se acomodaram, o romance ainda está vivo, a lua de mel não termina e você vê as duas pessoas vibrando com a vida, prontas para explodir-se, prontas para explodir-se no desconhecido. E depois, observe um casal de marido e mulher, e você verá duas coisas mortas, dois cemitérios, lado a lado, ajudando um ao outro a se manter morto, forçando um ao outro a se manter morto. Esse é o conflito constante no casamento. Ninguém quer ser reduzido a uma coisa. O sexo é a forma mais baixa daquela energia 'X'. Se você é religioso chame isso de 'Deus"; se você é um cientista, chame isso de 'X'. Essa energia, X, pode se tornar amor. Quando ela se torna amor, então você começa a respeitar a outra pessoa. Sim, algumas vezes você usa a outra pessoa, mas você se sente agradecido por isso. Você nunca diz muito obrigado a uma coisa. Quando você está amando uma mulher e você faz amor com ela, você lhe diz: muito obrigado. Quando você faz amor com sua esposa, alguma vez você lhe disse muito obrigado? Não, você não dá valor algum. A sua esposa já lhe disse alguma vez obrigado? Talvez, muitos anos atrás, você consegue se lembrar de um tempo quando vocês ainda estavam indecisos, quando estavam experimentando, fazendo a sorte, seduzindo um ao outro, talvez. Mas uma vez que vocês se acomodaram, ela disse alguma vez muito obrigado a você por alguma coisa? Você tem estado fazendo tantas coisas por ela, ela tem estado fazendo tantas coisas por você, vocês ambos têm vivido um para o outro (...) mas a gratidão desapareceu. No amor existe gratidão, existe uma profunda gratidão. Você sabe que a outra pessoa não é uma coisa. Você sabe que o outro tem uma grandeza, uma personalidade, uma alma, uma individualidade. No amor você dá liberdade total ao outro. Na verdade você dá e você recebe, é uma relação de dar e receber, mas com respeito. No sexo há uma relação de dar e receber, mas sem respeito. Na compaixão, você simplesmente dá. Não há qualquer ideia, em lugar algum em sua mente, de receber algo em troca. Você simplesmente compartilha. Não que nada retorne. Mil desdobramentos retornam, mas espontaneamente, simplesmente como uma consequência natural. Não há qualquer espera por isto. No amor, se você dá alguma coisa, no fundo você fica esperando aquilo que deve vir em troca. Se aquilo não vem, você percebe uma reclamação interna. Você pode não dizer, mas de mil e uma maneiras você pode insinuar que você não está satisfeito, que você está se sentindo traído. O amor parece ser uma barganha sutil. Na compaixão, você simplesmente dá. No amor, você está agradecido porque o outro deu alguma coisa a você. Na compaixão você está agradecido porque o outro recebeu alguma coisa de você, porque o outro não rejeitou você. Você veio com energia para dar, você veio com muitas flores para compartilhar e o outro lhe permitiu, o outro estava receptivo. Você está agradecido porque o outro estava receptivo. A compaixão é a mais elevada forma de amor. Muita coisa vem em troca, mil desdobramentos eu digo, mas esse não é o ponto, você não fica esperando por isto. Se não vier, não há qualquer reclamação. Se vier, você simplesmente fica surpreso. Se vier, isso será inacreditável. Se não vier, não há qualquer problema, você nunca dá o seu coração a alguém por qualquer barganha. Você simplesmente distribui porque você tem. Você tem tanto que se você não distribuir, você se sentirá sobrecarregado. É exatamente como uma nuvem carregada que tem que chover. E da próxima vez quando uma nuvem estiver chovendo observe atentamente e você sempre ouvirá; quando a nuvem estiver chovendo e a terra tiver absorvido, você sempre ouvirá a nuvem dizendo à terra 'muito obrigado'. A terra ajuda a nuvem a se descarregar. Quando uma flor desabrocha, ela tem que compartilhar a sua fragrância ao vento. Isso é natural. Não é uma barganha, não é um negócio. Isso é simplesmente natural. A flor está repleta de fragrância. O que fazer? Se a flor mantiver a fragrância para si mesma, ela irá se sentir muito, muito tensa, em angústia profunda. A maior angústia na vida é quando você não pode expressar, quando você não pode comunicar, quando você não pode compartilhar. O homem mais pobre é aquele que nada tem a compartilhar, ou aquele que tem algo a compartilhar mas que perdeu a capacidade, a arte, a maneira de como compartilhar, aí o homem é pobre. O homem sexual é muito pobre. Em comparação, o homem amoroso é mais rico. O homem de compaixão é o homem mais rico, ele está no topo do mundo. Ele não tem qualquer confinamento, qualquer limitação. Ele simplesmente dá e segue o seu caminho. Ele nem mesmo espera você lhe dizer um muito obrigado. Com tremendo amor ele compartilha a sua energia. É isso que eu chamo terapêutico. (...). Para ser compassivo é preciso que se tenha, em primeiro lugar, compaixão por si mesmo. Se você não amar a si mesmo, você nunca será capaz de amar um outro alguém. Se você não for amável consigo mesmo, você não conseguirá ser amável com ninguém mais. Os seus chamados santos, que são muito duros consigo mesmos, estão simplesmente fingindo que são amáveis com os outros. Isso não é possível. Psicologicamente isso é impossível. Se você não puder ser amável consigo mesmo, como você poderá ser amável com os outros? Qualquer coisa que você for consigo mesmo, você será com os outros. Deixe que isso seja um ditado básico. Se você se detesta, você irá detestar os outros. E foi-lhe ensinado detestar a si mesmo. Ninguém jamais disse a você 'ame a si mesmo'. Essa própria ideia parece absurda: amar a si mesmo? A própria ideia não faz sentido: amar a si mesmo? Nós sempre pensamos que, para amar, nós precisamos de uma outra pessoa. Mas se você não aprender consigo mesmo, você não será capaz de praticar com os outros. Foi-lhe dito constantemente, você foi condicionado, que você não tem qualquer valor. De todas as direções lhe foi mostrado, lhe foi dito que você é sem valor, que você não é o que deveria ser, que você não é aceito como você é. Existem muitos 'deves' pendurados sobre a sua cabeça e todos esses 'deves' são quase impossíveis de serem satisfeitos. E quando você não consegue satisfazê-los, quando você tem um pequeno tropeço, você se sente condenado. Uma profunda raiva surge em você em relação a si mesmo. Como você pode amar os outros? Tão cheio de ódio, onde você irá encontrar amor? Assim, você simplesmente finge, você simplesmente demonstra que está amoroso. No fundo você não está amoroso com ninguém, você não pode estar. Esses fingimentos são bons por uns poucos dias, depois o colorido desaparece, então a realidade se revela por si mesma. Todo caso amoroso está em cima de pedras. Mais cedo ou mais tarde, todo caso amoroso se torna muito envenenado. E como ele se torna tão envenenado? Ambos fingem que estão amando, ambos seguem dizendo que amam. O pai diz que ama a criança, a criança diz que ama o pai, a mãe diz que ama a filha e a filha segue dizendo a mesma coisa. Irmãos dizem que amam um ao outro. Todo o mundo conversa a respeito de amor, canta canções de amor, e você poderia encontrar outro local tão destituído de amor? Nem uma pitada de amor existe, e  montanhas de falatórios, um Himalaia de poesias a respeito do amor. Parece que todas essas poesias são apenas compensações. Porque nós não conseguimos amar, nós temos que acreditar de alguma maneira, através da poesia, da canção, que nós amamos. Aquilo que nos falta na vida, nós colocamos na poesia. O que nós vamos perdendo na vida, nós colocamos no filme, na novela. O amor está absolutamente ausente porque o primeiro passo ainda não foi dado. O primeiro passo é: aceite-se como você é. Abandone todos os “deves". Não carregue qualquer 'deve' em seu coração. Não é para você ser algo diferente do que é. Não é de se esperar que você faça algo que não pertença a você. Você existe para ser exatamente você mesmo. Relaxe e seja simplesmente você mesmo. Seja respeitoso para com sua individualidade e tenha a coragem de assinar a sua própria assinatura. Não siga copiando as assinaturas de outros. Não é de se esperar que você se torne um JESUS ou um BHUDA ou um RAMAKRISHNA. O que se espera é que você se torne simplesmente você mesmo. Foi bom que RAMAKRISHNA nunca tentou se tornar alguma outra pessoa, assim ele se tornou RAMAKRISHNA. Foi bom que JESUS nunca tentou tornar-se ABRAÃO ou MOISÉS, assim ele se tornou JESUS. E é bom que BHUDA nunca tenha tentado tornar-se PATANJALI ou KRISHNA. Foi por isso que ele se tornou BHUDA. Quando você não está tentando se tornar um outro alguém, então você simplesmente relaxa e uma graça surge. Então você está cheio de grandeza, esplendor e harmonia, porque aí não existe qualquer conflito. Nenhum lugar para ir, nada pelo qual brigar, nada para forçar nem para obrigar-se violentamente. Você se torna inocente. Em tal inocência, você sentirá compaixão e amor por si mesmo. Você se sentirá tão feliz consigo mesmo que ainda que Deus venha bater em sua porta e diga: 'Você gostaria de se tornar uma outra pessoa?, você dirá: 'Você ficou louco? Eu sou perfeito! Obrigado, e nunca mais tente fazer isso, eu sou perfeito como sou.' (...). As rosas desabrocham tão lindamente porque elas não estão tentando se tornar lótus. E a flor de lótus desabrocha tão lindamente porque ela nunca ouviu as lendas a respeito das outras flores. Tudo na natureza segue tão belamente em harmonia porque ninguém está tentando competir com algum outro, ninguém está tentando se tornar algum outro. Tudo é do jeito que é. Simplesmente veja o ponto! Seja apenas você mesmo e lembre-se de que você não pode ser alguma outra coisa, faça o que você fizer. Todo esforço é fútil. Você tem que ser simplesmente você mesmo. Existem dois caminhos: um é: rejeitando, você pode permanecer o mesmo; condenando, você pode permanecer o mesmo. Ou, aceitando, entregando-se, curtindo, deliciando-se, você pode permanecer o mesmo. A sua atitude pode ser diferente, mas você vai continuar do jeito que você é, a pessoa que você é. Uma vez que você aceite, a compaixão surge. E então, você começa a aceitar os outros. (...). Mova-se lentamente, alerta, observando, estando amoroso. Se você for sexual, eu não digo para abandonar o sexo; eu digo faça-o mais alerta, faça-o como uma prece, faça-o mais profundo, assim ele pode tornar-se amor. Se você está amando, então faça isso com mais gratidão, traga uma gratidão, uma alegria, uma celebração e uma prece mais profunda ao amor, traga meditação para ele, assim ele pode se tornar compaixão. A não ser que a compaixão tenha acontecido para você, não pense que você viveu corretamente, ou que você viveu de alguma maneira. Compaixão é o florescimento. E quando a compaixão acontece para uma pessoa, milhões são curadas. Qualquer um que chegue ao seu redor será curado. A compaixão é terapêutica”. www.oshobrasil.com.br. Abraço. Davi.

quarta-feira, 27 de outubro de 2021

DIFERENÇAS ENTRE CATÓLICOS E ORTODOXOS ORIENTAIS

 

Cristianismo. www.ofielcatolico.com.br.  DIFERENÇAS ENTRE CATÓLICOS E ORTODOXOS ORIENTAIS. De tempos em tempos, surge algum leitor que nos propõe esta pergunta. Entendemos, então, que chega o momento de respondê-la: em síntese, são treze as diferenças doutrinárias e disciplinares que distanciam os ortodoxos orientais da Igreja Católica. É interessante notar que a maioria daqueles que de modo superficial simpatizam com a rica tradição ortodoxa oriental acabam por entender que ela perde, por assim dizer, o "encanto" quando conhecida a fundo e vista bem de perto. Apesar do grande respeito que temos por estes nossos queridos irmãos cismáticos, não temos como negar que boa parte dos argumentos que eles utilizam para justificar os desacordos entre eles e nós, como veremos, são flagrantemente desprovidos de qualquer fundamento. Os ortodoxos não aceitam: 1) o primado e 2) a infalibilidade do Papa; 3) a Processão do Espírito Santo a partir do Filho; 4) o Purgatório póstumo; 5) os dogmas da Imaculada Conceição e 6) da Assunção de Maria Santíssima (apenas enquanto dogmas); 7) o Batismo por infusão e não por imersão; 8) a falta da Epiclese na Liturgia Eucarística; 9) o pão ázimo (sem fermento) na Celebração Eucarística; 10) a Comunhão Eucarística sob a espécie do pão apenas; 11) o Sacramento da Unção dos Enfermos como é ministrado no Ocidente; 12) a indissolubilidade do Matrimônio; 13) o celibato do clero. Seja observado, logo de início, que em geral os orientais têm por ideal a volta da Igreja ao que ela era até o sétimo Concílio Geral (Nicéia II em 787), pois aceitam plenamente os Concílios de Nicéia I (325), Constantinopla I (381), Éfeso (431), Calcedônia (451), Constantinopla II (553), Constantinopla III (681), Nicéia II (787). O Concílio de Constantinopla IV, que excomungou o Patriarca Fócio em 869/870, evidentemente é rejeitado pelos orientais. Como se pode ver, nem todos esses pontos diferenciais são da mesma importância. O que mais concorre para a manutenção do Cisma é o da fidelidade ao Papa como Pastor Supremo, assistido pelo Espírito Santo em matéria de fé e de Moral. A seguir, comentamos e procuramos esclarecer cada um destes pontos: 1. Primado do Papa. Alega a Teologia ortodoxa que a jurisdição universal e suprema do Papa implicaria que os outros bispos são subordinados a ele como nada além de seus representantes, o que eles consideram um desvio ou um erro. A esta concepção equivocada, porém, respondeu o Concílio do Vaticano II: Aos Bispos é confiado plenamente o ofício pastoral ou o cuidado habitual e cotidiano das almas. E, porque gozam de um poder que lhes é próprio e com toda razão são antístites dos povos que eles governam, não devem ser considerados (meros) vigários (representantes) do Romano Pontífice.” (Constituição Lumen Gentium 27). Como demonstra muito facilmente a mais elementar noção do senso comum (entenda), não há nenhum sentido em se questionar o primado do Bispo de Roma, o Papa, que garante a unidade e a coesão da Igreja, preservando-a de iniciativas meramente pessoais e subjetivas. Exatamente por isso o discípulo Simão, e apenas ele, recebeu o nome-título de Pedra-Cefas (entenda). 2. Infalibilidade do Papa. Em 1870, fazendo eco à fé antiquíssima dos cristãos, o Concílio do Vaticano I declarou o Papa infalível quando fala em termos definitivos para a Igreja inteira e em matéria de fé de moral (entenda). – Já segundo a Teologia ortodoxa oriental, esta definição extinguiria a autoridade dos Concílios. Evidente que tal contestação não em nenhuma razão de ser, pelo simples fato de que o Papa não pode "decidir" nada contrário àquilo que foi definido dogmaticamente em qualquer Concílio da Igreja. Já no tempo dos Apóstolos ocorreu o primeiro Concílio, em Jerusalém1. Segundo a Igreja Católica, então, os Concílios gerais ou universais têm plena razão de ser, já que também o Papa participa deles (por si ou por seus delegados) e aprova as suas conclusões. Nos nossos dias, mais e mais se têm insistido sobre a colegialidade dos Bispos. 3. A procedência do Espírito Santo a partir do Filho (Filioque).  Esta é possivelmente a mais conhecida discordância entre católicos e ortodoxos e que, mais uma vez, não tem nenhuma razão de ser a não ser a pura incompreensão e a inflexibilidade para o diálogo aberto e fraterno, como era a característica de um determinado período histórico. A concepção da Igreja Católica decorre do fato de que em Deus não há distinções, a não ser onde haja oposição relativa, como no caso do Filho que possui Natureza humana, sedo que o mesmo não se pode afirmar do Pai e do Espírito Santo. Entretanto, não podemos jamais nos esquecer de que não somos politeístas: cremos e adoramos apenas um Deus, que se manifesta a nós em Três Pessoas diferentes, mas não separadas2. Se, portanto, entre o Filho e o Espírito Santo não há a separação de Espirante e Espirado, um não se distingue do outro ou, em outras palavras, o Filho e o Espírito Santo são um só em Deus. Nosso Senhor Jesus Cristo, no Evangelho segundo S. João (15, 26) afirma textualmente que o Espírito procede do Pai; claramente, porém, não tenciona propor aí uma Teologia sistemática e exclusiva, mas põe em relevo um aspecto da verdade, – assim como em tantas e tantas outras ocasiões, – sujeito a ser completado pela reflexão. De fato, no caso desta questão, a dificuldade é mais de linguagem do que de doutrina. Tanto assim que os orientais preferem dizer que o Espírito Santo procede do Pai "através do Filho", – o que claramente é apenas uma maneira diferente de dizer praticamente a mesma coisa ou, no mínimo, algo muito parecido. Torna-se evidente que, com um pouco de boa vontade, poderia facilmente conciliar as posições. 4. Purgatório. Este é um caso curioso e que (infelizmente precisamos dizer) evidentemente depõe contra a boa vontade dos teólogos orientais. Ocorre que os ortodoxos do Oriente aceitaram a existência do Purgatório sem nenhuma dificuldade até o século XIII. Foi somente no ano 1231 ou 1232 que o metropolita Georges Bardanes, de Corfu, pôs-se a impugnar a doutrina bíblica e apostólica do fogo do Purgatório (entenda), apenas porque não haveria, literalmente, fogo no Purgatório! Os teólogos orientais subsequentes lamentavelmente vieram a apoiar a contestação de G. Bardanes, falecido em 1240. Mas nem por isso ousaram negar a realidade (como dissemos antes, plenamente bíblica e plenamente fundamentada na Tradição apostólica) da necessidade de um estado de purificação intermediário entre a vida terrestre e a bem-aventurança celeste para as almas daqueles que morrem com resquícios de pecado: estes seriam perdoados por Deus em vista da oração da Igreja; estariam assim fundamentados os sufrágios pelos defuntos. A recusa do Purgatório, então, só ocorreu entre os orientais, absurdamente, no século XVII e sob a influência de autores protestantes. Ora, admitir uma doutrina que teria, então, estado errada por dezessete séculos, não é o mesmo que admitir a sua fragilidade também depois da mudança? Por fim, o fato histórico é que daí por diante a Teologia oriental tornou-se em parte dividida; muitos teólogos ortodoxos continuam admitindo a necessidade de um estado intermediário entre a morte e a bem-aventurança celeste, assim como também reconhecem o valor dos sufrágios pelos defuntos. Eis aí mais um fato histórico e teológico que só vem a confirmar para todo o povo cristão a exclusividade da Igreja Católica no papel de única Igreja fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo e mantida pelo Espírito Santo. 5. A Imaculada Conceição de Maria. Esta, incrivelmente, é por vezes confundida com um pretenso nascimento virginal de Maria (segundo tal confusão absurda, Santa Ana teria concebido sem a colaboração de São Joaquim!). Assim, simplesmente porque tal concepção virginal carece de qualquer fundamento (evidente, e nunca foi parte da Teologia católica!), também a verdadeira doutrina da Imaculada Conceição é em algum nível contestada pelos orientais, embora não seja negada por eles. Contraditoriamente, porém, toda a literatura, a Liturgia e as mais tradicionais devoções dos ortodoxos enaltecem grandemente e com insistência (provavelmente até maior do que o fazem as obras clássicas católicas) a pureza plena e absoluta da Virgem Maria, professando a mesma coisa que nós, católicos, de modo implícito. Concretamente, a única diferença real é que eles não formularam nem definiram um dogma de fé específico a respeito desta realidade, que na prática creem de modo idêntico ao nosso, – e isto é algo bastante fácil de se confirmar, bastando que se observe a arte sacra oriental, eivada do princípio ao fim de belos e múltiplos ícones em honra à santidade incomparável de Maria Santíssima. 6. A Assunção de Maria Santíssima. Este ponto, juntamente com o anterior, é de surpreender o leigo, pois como já dissemos a devoção dos ortodoxos por Nossa Senhora é evidente e profundíssima, tanto que á primeira vista dá a impressão de ser tão grande quanto a católica ou até mesmo maior, em certas cerimônias, usos e costumes. Crida pelos cristãos desde a Antiguidade, foi proclamado este dogma de fé pela Igreja Católica em 1950, pelo Papa Pio XII, de acordo com as tradições teológicas ocidental e oriental. Merece especial atenção, novamente, a iconografia oriental, que representa de maneira muito expressiva a Virgem sendo assunta aos Céus por seu Divino Filho (daí a diferença entre os termos 'Ascensão do Senhor' e 'Assunção de Maria': ela, elevada por Ele, que é Deus e se eleva por seu próprio Poder Divino). Qual é, então, o problema? De fato, o que fere os orientais neste caso, – assim como no caso da Imaculada Conceição, – não é a proclamação da Assunção em si, simplesmente porque eles também creem nisto; o problema está, apenas e tão somente, na promulgação do dogma, a qual eles consideram que não deveria ter ocorrido (até por não terem tomado parte em sua elaboração). 7. Batismo por infusão ou aspersão da água. Aqui está um problema difícil de compreender, não só pelos católicos como também pela maior parte dos próprios cristãos orientais, que discordam da estranha posição ortodoxa oriental. Dizem esses teólogos que é importante no Batismo o contato da água com o corpo inteiro da pessoa, simbolizando purificação. Para nós, católicos, tanto os de rito romano quando de rito oriental, o Sacramento é um sinal que realiza o que significa; logo, a Água batismal significa e realiza a purificação da alma. Basta lembrar que os Apóstolos, nos primeiríssimos anos, quando saíram aos quatro cantos do mundo para levar o Evangelho, nas mais diversas situações nem sempre dispunham de rios ou de grandes volumes de água para imergir os batizandos que surgiam a todo instante. Foi este, aliás, o caso do próprio S. Paulo Apóstolo, sem dúvida o mais emblemático38. Epiclese.  Os orientais julgam essencial na Liturgia Eucarística a Invocação do Espírito Santo (Epiclese) antes das palavras da Consagração; ora, estas faltam no Cânon Romano (Oração Eucarística nº 1), pois os latinos julgam que a Consagração do pão e do vinho se faz pela repetição das palavras do Cristo, assim como Ele ordenou: “Isto é o meu Corpo… Isto é o meu Sangue…”. Assim, as Orações Eucarísticas compostas depois do Concílio VII (1962-65) têm a Epiclese não para corrigir uma pretensa "falha" anterior, mas para salvaguardar uma antiga Tradição. 9. Pão ázimo. Jesus, em sua última ceia, observou o ritual da Páscoa judaica, que prescrevia (como ainda prescreve) o uso do pão ázimo ou não fermentado. A Igreja Católica também guardou o costume, – que foi, assim, guardado pelo próprio Cristo, – na Celebração da Eucaristia. Está mais do que bem respaldada, como se vê. Uma observação importante: o uso do pão fermentado não é excluído por nós, católicos, pois, em última análise, se trata sempre de pão. 10. A Comunhão Eucarística sob as espécies do pão apenas. Até o século XII, a Comunhão era ministrada sob as duas espécies, pão e vinho; o uso foi abolido em razão dos graves inconvenientes que gerava (profanação, sacrilégios…). Todavia, após o Concílio VII é permitido que se dê a Comunhão sob as duas espécies a grupos devidamente preparados. 11. Unção dos Enfermos. Baseados na Epístola de S. Tiago (5,14), os orientais ortodoxos têm a Unção dos Enfermos como Sacramento. Divergem, porém, dos ocidentais em dois pontos: a) A Unção não é reservada aos gravemente enfermos nem tem a marca de preparação para a morte, mas, ao contrário, vem a ser um rito de cura para qualquer enfermo; b) A Unção, no Oriente, tem forte caráter penitencial, a tal ponto que ela é conferida também aos pecadores, mesmo os sadios, a título de satisfação pelos pecados. Pode-se dizer, portanto, que a Unção “dos Enfermos” nas comunidades orientais ortodoxas é dada a todos os fiéis que tenham algum problema de saúde corporal ou espiritual. Isto ocorre especialmente na Semana Santa e entre os russos. Essas diferenças, bastante suaves e simples de contornar, infelizmente foram muito exploradas nos debates entre latinos e gregos. Os ocidentais reservam a Unção para os casos de moléstias graves ou sério perigo de vida (entenda a Unção dos Enfermos). 12. Divórcio. Baseados no Evangelho segundo S. Mateus (5,32 e 19, 9) mas indo contra ao que dizem os Evangelhos segundo S. Marcos (10, 11s) e S. Lucas (16,18), e a 1ª Carta de S. Paulo aos Coríntios (7,10ss), os ortodoxos reconhecem o divórcio. A Igreja Católica, por coerência, não interpreta S. Mateus em sentido contrário a S. Marcos, S. Lucas e S. Paulo, o que seria absurdo; assim, não reconhece o divórcio de um Matrimônio sacramental validamente contraído e consumado, mas entende que em Mt 5 e 19 se trata da dissolução dos casamentos ilícitos, o que ela pratica até hoje (entenda). 13. Celibato do Clero. Segundo a compreensão desses nossos irmãos, seria está uma restrição imposta nos séculos posteriores, contrária à decisão do primeiro Sínodo Ecumênico no ano 325. Há alguma verdade nisso? O celibato do clero tem seu fundamento na 1ª Carta de S. Paulo aos Coríntios (7, 25-35), onde S. Paulo recomenda expressamente a vida una ou indivisa. Esta foi sendo praticada espontaneamente pelo clero até que, em aproximadamente 306, o Concílio regional de Elvira (Espanha) a sancionou para os eclesiásticos de grau superior. A legislação de Elvira foi-se propagando no Ocidente por obra de outros Concílios regionais. Diferentemente, os orientais estipularam que, após a Ordenação, os clérigos de grau superior (do diaconato para cima) não poderiam contrair Matrimônio, mas eram autorizados a manter o uso do Matrimônio os que tivessem casado antes da ordenação. O Concílio de Niceia I (325) rejeitou a proposta segundo a qual o celibato no Oriente seria observado sem exceções, como no Ocidente; isto por protesto do Bispo egípcio Pafnúncio, o qual guardava pessoalmente o celibato. Os Bispos orientais são todos celibatários e, por isto, recrutados entre os monges. Como se vê, no último item como em outros, muitas das diferenças são disciplinares e não impedem a volta à unidade entre cristãos orientais e ocidentais. Podem-se admitir o pão fermentado na Eucaristia, a Epiclese como regra, que parte do clero seja casada. Outros pontos podem ser discutidos com muita tranquilidade, e com alguma revisão de termos, chegar-se a um termo, como é o caso da procedência do Espírito Santo. O maior obstáculo permanece o do primado do Papa. Paulo VI e João Paulo II, falecido em 2005, demonstraram compreender bem o problema, que acreditavam (como a Igreja ainda crê) que pode ser resolvido satisfatoriamente sem que se abra mão dos pontos inegociáveis de nossa fé e doutrina. Escreveu S. João Paulo II em sua encíclica Ut Unum Sit ('Para que seja um'), a qual é muito recomendável que seja lida e compreendida por todos os católicos: Entre todas as Igrejas e Comunidades Eclesiais, a Igreja Católica está consciente de ter conservado o Ministério do sucessor do Apóstolo Pedro, o Bispo de Roma, que Deus constituiu como perpétuo e visível fundamento da unidade e que o Espírito ampara para que torne participantes deste bem essencial todos os outros”. Segundo a feliz expressão do Papa Gregório Magno, falecido em 604, o meu Ministério é de Servus servorum Dei. Por outra parte, como pude afirmar por ocasião do Encontro do Conselho Mundial das Igrejas em Genebra – Suíça aos 12 de junho de 1984, a convicção da Igreja Católica de, na fidelidade à Tradição apostólica e à fé dos Padres, ter conservado, no Ministério do Bispo de Roma, o sinal visível e a garantia da unidade, constitui uma dificuldade para a maior parte dos outros cristãos, cuja memória está marcada por certas recordações dolorosas. Por quanto sejamos disso responsáveis, como o meu Predecessor Paulo VI, falecido em 1978, imploro perdão. Com o poder e a autoridade sem os quais tal função seria ilusória, o Bispo de Roma deve assegurar a comunhão de todas as Igrejas. Por este título, ele é o primeiro entre os servidores da unidade. Tal primado é exercido em vários níveis, que concernem à vigilância sobre a transmissão da Palavra, a celebração sacramental e litúrgica, a missão, a disciplina e a vida cristã. Compete ao Sucessor de Pedro recordar as exigências do bem comum da Igreja, se alguém for tentado a esquecê-las em função dos interesses próprios. Tem o dever de advertir, admoestar e, por vezes, declarar inconciliável com a unidade da fé esta ou aquela opinião que se difunde. Quando as circunstâncias o exigirem, fala em nome de todos os Pastores em comunhão com ele. Pode ainda – em condições bem precisas, esclarecidas pelo Concílio do Vaticano I – declarar ex cathedra que uma doutrina pertence ao depósito da fé. Ao prestar este testemunho à verdade, ele serve à unidade. Dirigindo-me ao Patriarca Ecumênico Sua Santidade Dimitrios I (1914-1991), disse estar consciente de que, 'por razões muito diferentes, e contra a vontade de uns e outros, o que era um serviço pôde manifestar-se sob uma luz bastante diversa'. Mas é com o desejo de obedecer verdadeiramente à Vontade de Cristo que eu me reconheço chamado, como Bispo de Roma, a exercer este Ministério. (…) O Espírito Santo nos dê sua Luz e ilumine todos os pastores e os teólogos das nossas Igrejas, para que possamos procurar, evidentemente juntos, as formas mediante as quais este Ministério possa realizar um serviço de amor reconhecido por uns e por outros.. (Ut Unum Sit nºs 88/94-95, 25/5/1995). Vemos que o Papa não abdica (nem poderia abdicar) do seu Ministério, que garante a unidade da Igreja, antes o afirma com todas as letras; mas pede que os teólogos proponham modalidades de exercício desse Ministério que satisfaçam a todos os cristãos. (leia a Ut Unum Sit na íntegra). Suplicamos, humildes, ao Espírito Santo que inspire os responsáveis para que realmente colaborem para a solução das dificuldades que os cristãos não católicos enfrentam no tocante ao primado do Papa! www.ofielcatolico.com.br. Abraço. Davi