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JUDEUS DA ALEMANHA: DA REPÚBLICA AO TERCEIRO REICH. Nas primeiras décadas do
século 20, os judeus alemães eram os mais cultos, ricos e poderosos dentre seus
irmãos de outras nacionalidades, exercendo profunda influência no mundo
judaico. Em Berlim, eles atingiram seu ponto mais alto. Mas, no início da
década de 1930, desabou sobre sua tranquilidade e prosperidade uma sombra que
aumentava assustadoramente. O ano de 1933 é o divisor de águas em sua história,
o início da guerra que Adolf Hitler (1889-1945) declarou contra os judeus. No
início do século 20, viviam 587 mil judeus no Império Alemão (Deutsches
Reich1), criado em janeiro de 1871 após a vitória da Prússia na
Guerra Franco-Prussiana. O novo Deutsches Reich, que
congregava todos os estados alemães, era governado pelo imperador, o Kaiser Wilhelm
I. A população judaica havia sido emancipada em 1867, mas a maioria das
restrições civis e políticas que ainda restavam somente foram abolidas com o
novo império. Eram muitas as portas que ainda permaneciam fechadas, mas o
antissemitismo era mais brando que em outros países e eles se consideravam
privilegiados por viverem na Alemanha, a nação mais poderosa do continente
europeu, econômica e militarmente. Os judeus participavam de seu florescimento;
prosperaram e alguns se tornaram muito ricos. Metade dos bancos privados
estavam em mãos de judeus, tendo os empreendedores da comunidade fundado
indústrias inovadoras e cadeias de lojas de departamentos. O crescente
bem-estar judaico e a convicção de que tinham seu lugar no seio da nação alemã
os levaram à construção de majestosas sinagogas. Embalados na recém-adquirida
segurança, poucos perceberam as mudanças que sofrera o nacionalismo alemão. A
unificação do país era fruto da ação das elites militares prussianas autocráticas
e antissemitas, e, resultou num nacionalismo com ranço conservador e
xenofóbico. Embora variasse a intensidade de sua virulência, as manifestações
antissemitas existiram até mesmo nos anos dourados do judaísmo alemão. Mas,
como não afetava o status legal, esse antissemitismo era visto pelos judeus
como um problema social e cultural e poucos perceberam seu perigo. 1ª Guerra
Mundial. A 1ª Guerra eclodiu na Europa em agosto de 1914.
Além da Alemanha, o conflito envolveu a França, Inglaterra, o Império
Austro-Húngaro, Sérvia, Itália, o Império Russo e Otomano e os Estados Unidos.
Havia judeus lutando em todos os exércitos. Na Alemanha era grande o apoio
público à guerra, como mostram as fotografias da época. Um judeu, Walther
Rathenau (1867-1922), assumiu o Departamento de Suprimentos do Ministério da
Guerra. Uma das mentes mais brilhantes de Berlim, nos oito meses em que ficou à
frente do cargo ele implantou a primeira economia moderna planificada da
Europa. À medida que foi-se arrastando o conflito que os alemães haviam
previsto vencer em alguns meses, eles começaram a procurar “culpados”. Surgiram
rumores de que a culpa era dos judeus, “pelo fato de ainda não terem acumulado
riqueza suficiente”. Em agosto de 1916, Rathenau escreveu: “Quanto mais judeus
morrerem neste conflito, mais persistentes serão as queixas de que eles não
fizeram nada além de ficar atrás das linhas de frente e de lucrar”. Palavras
proféticas. Em outubro, o Ministério da Guerra realizou de um censo nas Forças
Armadas para determinar o número de judeus na linha de frente. O levantamento
teve um efeito devastador sobre a moral judaica. O censo refutou as acusações:
80% dos soldados judeus estavam na linha de frente, mas, convenientemente,
tornaram-se públicas apenas as acusações de “covardia” e não os resultados. Em
meados de 1918, a derrota alemã era inevitável. Cinco milhões de seus
concidadãos estavam mortos e, dos 100 mil judeus que lutaram nas fileiras do
exército alemão, 12 mil morreram. O país estava à beira do colapso e nas ruas o
povo clamava por paz. O Kaiser Guilherme II foi forçado pelas
elites militares a abdicar e, para facilitar as negociações de paz com os
Aliados, o Oberste Heeresleitung (Comando Supremo do Exército)
apoiou a constituição de um governo civil. Em 9 de novembro de 1918 foi criada
a República de Weimar. A Constituição entrou em vigor no final do ano seguinte,
cabendo a um judeu, Hugo Preuss (1860-1925), na época Ministro do Interior,
redigir seu anteprojeto. Querendo salvar as forças armadas, as elites militares
pressionaram o governo republicano a aceitar um humilhante acordo de paz. O
Tratado de Versalhes, assinado em junho de 1919, atingiu a Alemanha moral e
economicamente. Os republicanos deveriam ter obrigado os generais a assumir a
responsabilidade sobre os acordos, mas não o fizeram, e as consequências foram
desastrosas. A República de Weimar. A República começou com uma onda de
esperança, principalmente para os judeus, que, finalmente, estavam em pé de
igualdade com os outros cidadãos. Eles se engajaram na reconstrução da nação e
sua participação na vida econômica, política e cultural alcançou proporções sem
precedente. Até então, eles haviam sido excluídos das universidades, dos cargos
no governo e dos altos postos no Judiciário e na administração pública. Na nova
República havia 24 judeus no Reichstag (Parlamento Alemão)e
seis serviam como ministros do governo central. Outros foram eleitos
primeiros-ministros da Prússia, Saxônia e Baviera. Walther Rathenau tornou-se
Ministro da Reconstrução e, em seguida, das Relações Exteriores. Os judeus se
tornaram jornalistas, dramaturgos, poetas, diretores e críticos de teatro;
donos de galerias, atores, pianistas, maestros. Não havia quem amasse a arte, o
teatro e a música mais do que um judeu alemão, e os mais ricos patronos e
colecionadores de arte pertenciam à burguesia judaico-alemã. Eles tiveram um
papel de destaque nas ciências. Albert Einstein (1879-1955), por exemplo, mudou
radicalmente nossa visão do universo; e Paul Ehrlich (1854-1915) descobriu a
quimioterapia. Muito do que é admirado, hoje, como a Era de Ouro da cultura de
Weimar foi criado por judeus como Mahler, Zweig, Werfel, Husserl, Hofmannsthal,
Ehrlich, Willstättter, Mauthner, Kafka. Os principais nomes da famosa Escola de
Frankfurt também eram judeus: Mannheim, Adorno, Fromm, Marcuse, Horkheimer e
Walter Benjamin. Berlim, epicentro da cultura de Weimar, foi onde os judeus
atingiram seu ponto mais alto. Os antigos preconceitos, porém, estavam vivos, e
a estes foram adicionadas acusações do tipo “na guerra, os judeus esfaquearam a
Alemanha pelas costas” ou “a República é parte de uma conspiração bolchevique
judaica para dominar o mundo”. E, quando a hiperinflação detonou uma grave
crise, a direita não precisou de muito esforço para “convencer” um grande
número de alemães de que os “culpados” de todos os males – a derrota militar, a
crise econômica, o capitalismo, o comunismo, a sífilis e assim por diante, eram
os judeus. Nos anos de hiperinflação o antissemitismo era mais feroz do que em
1933. Em Munique, um dos grupos de direita, o então inexpressivo Partido
Nacional Socialista do Trabalhadores (NSDAP), elegeu Adolf Hitler para
encabeçar o movimento. Sua plataforma política advogava a erradicação dos
judeus da Alemanha, por meios legais, se possível; caso contrário, através da
violência, deportação e morte. Esses grupos de direita foram responsáveis por
um dos assassinatos mais devastadores do pós-guerra: em 24 de junho de 1922,
Rathenau foi baleado e morreu. Em Munique, em 8 de novembro do ano seguinte,
Hitler tentou um coup d’état, o chamado Putsch da
Cervejaria. Preso, é julgado por alta traição e condenado a cinco anos de
prisão. Após 8 meses, no entanto, estava em liberdade. Enquanto esteve preso
escreveu seu testemunho político, Mein Kampf, Minha Luta.
Seu ódio contra os judeus transborda pelas páginas. Para ele, dois perigos
ameaçavam destruir a Alemanha – os judeus e o bolchevismo. Em conversa com o
major Josef Hell, em 1922, declarou que, se chegasse ao poder, seu objetivo
seria uma Alemanha Jüdenrein – livre de judeus, e sua
prioridade, “o extermínio de judeus”.Vida judaica na década de 1920. Em
1925, viviam na Alemanha 564 mil judeus, um terço dos quais em Berlim. O
judaísmo reformista ou liberal era dominante. As altas taxas de conversão e casamentos
mistos, que, em 1918, atingiam 21% e 30%, respectivamente, haviam resultado num
encolhimento da população judaica. Apenas o constante fluxo de imigração de “Ostjuden”
(como eram chamados os judeus do Leste, especialmente os de língua iídiche)
mantinha os números relativamente estáveis. A maioria da população judaica
pertencia à classe média e ganhava a vida no comércio e profissões liberais.
Nos centros urbanos, mais de um terço dos advogados e médicos eram judeus. Eles
também desempenhavam um papel proeminente em todas as formas de entretenimento.
Em final do século 19, fora criada, em Berlim, a Centralverein (União
Central dos Cidadãos Alemães da Fé Judaica). O nome foi cuidadosamente
escolhido. “Não somos judeus alemães, mas sim cidadãos alemães da fé judaica”.
A organização defendia uma síntese do judaísmo e do “do germanismo” e rejeitava
o sionismo. Até 1904, o número de sionistas era irrisório, apenas seis mil. Mas
o sionismo alemão mudaria com o advento de uma nova geração comprometida em travar
uma guerra contra a assimilação e a conversão. Um dos seus porta-vozes, Kurt
Blumenfeld (1884-1963), de família rica e bem integrada, chegou a declarar: “A
falência da emancipação foi o ‘segredinho escuso’ suprimido pela burguesia
judaico-alemã”. A juventude contava com inúmeros movimentos juvenis judaicos e,
em 1917, a comunidade judaica estruturou seu programa de assistência social
criando a Zentralwohlfahrtstelle. O antissemitismo, porém,
continuava vivo e ativo. Até os que defendiam a assimilação reconheciam sua
virulência. O dramaturgo Arthur Schnitzler (1862-1931) o definiu como “uma
emoção desenfreada, mas sem um papel importante na política ou na sociedade”.
No final da década, os eventos favoreceram o crescimento da extrema direita. O
desemprego aumenta extraordinariamente, o número de comunistas cresce e o
extremismo substitui o ideal democrático de Weimar. Anunciava-se um futuro
muito sombrio. O fatídico ano de 1933. No dia 30 de janeiro de 1933, o
então presidente Paul von Hindenburg (1847-1934) nomeia Adolf Hitler chanceler.
Ele vai rapidamente transformar a frágil democracia alemã em uma ditadura
unipartidária baseada em um nacionalismo e autoritarismo e uma ideologia
racista e antissemita. O evento não gera pânico entre os judeus, apenas apreensão.
A Centralverein exorta a comunidade: “Devemos esperar com
calma”. Apesar dessa exortação, logo em seguida houve um êxodo de artistas,
intelectuais e cientistas judeus, entre eles Otto Klemperer, Bruno Walter, Max
Liebermann e Albert Einstein. Mal chegado ao poder, o Führer, “o
líder” em sua tradução, ordena o aprisionamento de comunistas e oponentes.
Quando, em 27 de fevereiro, um “oportuno” incêndio destrói o Reichstag,
os nazistas acusam os comunistas. Na manhã seguinte, um decreto presidencial dá
à Hitler poderes emergenciais. O decreto suspendia os direitos civis
constitucionais e declarava estado de emergência. Tropas de choque, as Sturmabteilung (SA),
entram em ação, efetuando prisões em massa. Em 23 de março, o Reichstag dava
plenos poderes legislativos e executivos a Hitler. Desde os primeiros meses
Hitler tinha a última palavra tanto na legislação nacional quanto na política
externa e sua visão acerca da “Questão Judaica” foi essencial para o
desenvolver dos eventos que culminariam no Holocausto. Para o Führer,
a luta contra os judeus era uma confrontação de dimensões apocalípticas, uma
guerra contra um inimigo que ameaçava a própria sobrevivência da Alemanha. A
vida judaica entra em colapso. A primeira manifestação anti-judaica
organizada ocorreu na Alemanha nazista (também chamada de Terceiro Reich) no
dia 1º de abril. O Führer ordenara o boicote a todas as lojas
e escritórios pertencentes a judeus. Nesse dia, tropas de choque das SA tomaram
posição na frente dos mesmos. Janelas e portas foram pichadas com o Maguen
David (Estrela de David) ao lado de termos pejorativos, caricaturas
grotescas e suásticas. Houve protestos, num primeiro momento. Os judeus pediam
aos nazistas que se lembrassem de sua contribuição e lealdade à Alemanha, mas
seus esforços foram inúteis. Os judeus da Diáspora também protestaram contra os
maus-tratos aos quais seus irmãos estavam sendo submetidos. Quando se espalhou
a notícia de um boicote iminente às lojas judaicas, programou-se uma
manifestação no Madison Garden, em Nova York, em 27 de março. Começava, também,
uma campanha de boicote aos produtos alemães. Para as igrejas cristãs, o
boicote foi o primeiro teste em relação à atitude oficial que adotariam nos 12
anos seguintes em relação à “questão judaica”. Como escreveu o historiador
Klaus Scholder (1930-1985), “Nenhum bispo, nenhum representante da Igreja fez
uma declaração pública contra a perseguição”. Em geral, a atitude das Igrejas
Cristãs foi a de um “antissemitismo moderado”. Eram contra a violência nazista,
mas apoiavam a “luta contra a influência judaica na economia e na vida cultural
na Europa”. E, quando externava preocupação, esta era apenas em relação aos
judeus convertidos. Salvaguardando a “pureza“ ariana. O choque causado
pelo boicote foi suplantado pelo abalo provocado pelas leis antissemitas
introduzidas logo a seguir, quando foi legalmente adotada a definição de
um Nicharier, “um não ariano”. No Terceiro Reich, um Nicharier era
qualquer pessoa que descendesse de um não-ariano, especialmente de pais ou avós
judeus. No deturpado pensamento nazista, um Nicharier era uma
pessoa “racialmente inferior” e a força da nação germânica era baseada na
“pureza do sangue”. O objetivo das novas leis era “limpar” a nação alemã da
presença judaica, e resultaram na exclusão dos judeus de áreas importantes: a
própria estrutura estatal (Lei do Serviço Civil), saúde (Lei dos Médicos), a
estrutura social (a revogação das licenças dos advogados judeus). Durante algum
tempo, os veteranos da 1ª Guerra não foram incluídos, causando, assim, uma
cisão na comunidade judaica. Uma agressiva campanha para disseminar os “ideais”
do regime é iniciada por Joseph Goebbels, ministro da Propaganda. Uma das metas
era “limpar” a vida cultural alemã da influência judaica. O primeiro grande
passo foi dado pelos estudantes das universidades que determinaram “a queima
pública de livros indesejáveis”, em sua maioria de autores judeus. Na noite do
dia 10 de maio, foram acesas fogueiras e, em grandiosas cerimônias mais de 20
mil livros foram queimados em todo o Reich, 10 mil deles em Berlim
apenas. Em um discurso, Hitler reafirmou a necessidade de acelerar o ajuste de
contas com os “criminosos” da cultura alemã. A ofensiva nazista ultrapassava
todos os limites. Tentando manter a vida judaica. As principais figuras
da comunidade judaica procuravam tranquilizar a comunidade, afirmando que “o
futuro da vida judaica na Alemanha não estava irremediavelmente ameaçado”. A
situação causou um despertar espiritual no judaísmo alemão, com um sopro de
vitalidade em sua vida comunitária. A imprensa judaica também teve um papel
preponderante no fortalecimento do espírito dos judeus alemães. Determinados a
manter, de alguma forma, a vida judaica, em setembro de 1933 foi criada a
Representação Nacional dos Judeus Alemães (Reichsvertretung Deutscher Juden).
Sediada em Berlim, a entidade coordena as atividades comunitárias e o Rabino
Leo Baeck (1873-1956) é eleito presidente. As atividades educacionais e
culturais do Reichsvertretung foram o início de um movimento
judaico de resistência moral. A Organização Sionista da Alemanha, que
conquistara uma força extraordinária, levou a metade dos assentos no conselho
comunitário, entre todas as organizações, em 1935. E, entre os movimentos
sionistas juvenis, estava o Habonim Noar Chalutzi, fundado em 1933.
O movimento Hechalutz, o maior de todos, preparava seus membros
para se estabelecerem em Eretz Israel. Entre outros, as novas leis
do Terceiro Reich levaram a comunidade a estabelecer suas próprias escolas, em todos
os níveis, para as crianças judias que haviam sido expulsas das escolas
públicas. E o Kulturbund, um projeto através do qual judeus
organizavam e realizavam atividades culturais para a sua comunidade, absorveu
milhares de artistas judeus, sumariamente excluídos da vida cultural e
artística alemã. Em seu primeiro ano, o projeto apresentou 69 óperas e 117
concertos para plateias exclusivamente judias. Mas, os nazistas queriam que os
judeus perdessem suas esperanças de um futuro no Reich. Em 1934, um memorando
endereçado a Heydrich2 deixa claro a sua intenção: “O objetivo
da política judaica deve ser a total emigração dos judeus (…). Devem ser
restritas as oportunidades de vida, não apenas em termos econômicos. Para os
judeus, a Alemanha tem que se tornar um país sem futuro”. Apesar da crescente
perseguição e segregação, algumas lideranças ainda eram contrárias à emigração
“apressada”. Outros, como Georg Kareski (1878-1947), por exemplo, representante
dos Sionistas Revisionistas, pregavam uma emigração imediata, a qualquer custo.
Kareski, inclusive, não descartava a cooperação, se necessário, com a Gestapo
para ajudar os judeus. Trinta e sete mil dos cerca de 525 mil judeus na
Alemanha deixaram o país em 1933. Os que queriam partir se defrontavam com sérias
dificuldades. Uma era encontrar um país que lhes abrisse as portas, outra era
de origem econômica. O imposto sobre a emigração era proibitivo e os judeus que
emigravam eram obrigados a deixar a Alemanha sem recursos. Os nazistas queriam
se livrar deles, mas estavam determinados a depená-los, antes. Estranhamente,
as autoridades amenizavam as exigências para a emigração judaica quando o
destino era a então Palestina. Em agosto de 1933, foi concluído o Acordo
de Haavará(Acordo de Transferência) entre a Federação Sionista da
Alemanha, o Banco Anglo-Palestino (sob a direção da Agência Judaica) e as
autoridades alemãs. Este acordo permitia aos judeus vender seus bens na
Alemanha e, com os recursos, adquirir produtos alemães enviados em seguida à
Palestina britânica. O acordo permitiu a saída de cerca de 60 mil judeus
alemães para Eretz Israel. As Leis de Nuremberg de 1935. Em
1935, são publicadas as Leis de Nuremberg. São proibidos os casamentos e
relações sexuais entre judeus e alemães, para não “manchar a pureza da raça
ariana”. A lei da Cidadania definia a diferenciação legal entre os “cidadãos
do Reich” – pessoas de sangue ariano, que gozavam de direitos
políticos e civis plenos, e os não-arianos classificados como “sujeitos do
Estado”, sem direitos. O decreto racista de que “nenhum judeu poderia ser
alemão” afetou-os gravemente, pois a grande maioria deles se consideravam
alemães e eram genuinamente assimilados na cultura alemã. O alemão era sua
língua; a literatura alemã, a sua literatura. E a filosofia alemã e seus
valores eram os seus valores. Os judeus alemães começam a funcionar como um
corpo único, pois os eventos externos haviam apagado as diferenças que
costumavam dividi-los. De acordo com a definição nazista, viviam então na
Alemanha cerca de 475 mil “judeus de religião judaica” e 300 mil “judeus
cristãos” (convertidos ao Cristianismo). Perante a lei eram iguais o
“judeu-judeu” ou o “judeu-cristão. Ainda havia 750 mil Mischlinge –
meio-judeus, fruto de casamentos mistos, de primeiro e segundo grau. Apesar de
abalados, ainda havia os que mantinham a esperança de que as novas leis
permitissem uma vida judaica segregada, porém, viável, no Terceiro Reich. A
situação era desesperadora e deixar o país, algo que até então era impensável,
era a única saída para aquele sofrimento. Até 1935, milhares conseguiram
emigrar, mas isso era cada vez mais difícil. As poucas portas abertas a
refugiados judeus estavam-se fechando ainda mais, inclusive para a Palestina
britânica. Em 1936, estourara em Eretz Israel a Grande Revolta
nacionalista árabe, contra o domínio colonial e a imigração judaica. A reação
britânica foi o aumento de restrições impostas à entrada de judeus. Como
afirmou Chaim Weizmann, em 1936: “O mundo parece estar dividido em duas partes
– os lugares onde os judeus não podem viver, e aqueles onde não podem entrar”. Jogos
Olímpicos de 1936. Em 1931, o Comitê Olímpico Internacional escolheu Berlim
para a realização dos Jogos Olímpicos de 1936. Um ano antes da realização dos
Jogos, as Leis de Nuremberg haviam excluído os judeus dos esportes. Os atletas
judeus que se haviam qualificado para os Jogos foram dispensados pelo comitê. A
delegação alemã não queria judeu algum em suas fileiras e seus atletas tinham
como objetivo provar a superioridade da raça ariana. Em protesto a essas
medidas, as associações atléticas norte-americana e inglesa ameaçaram boicotar
os Jogos. O Führer decidiu adotar uma trégua “olímpica”. “É da
maior importância o desenrolar grandioso e sem incidentes dos Jogos Olímpicos
para a imagem da nova Alemanha aos olhos dos estrangeiros”, revela um memorando
da época. Mestres em propaganda, mascaram o racismo, o crescente militarismo e
o antissemitismo retirando as evidências das áreas olímpicas e locais
turísticos. A estratégia foi um sucesso, e praticamente todos os convidados,
inclusive o Presidente Roosevelt, dos Estados Unidos, saíram da Alemanha
tranquilizados. Até alguns judeus foram ludibriados, passando a acreditar que o
pior estava para trás. Mas os eventos sucessivos indicaram que o pior ainda
estava por vir (...). Até então, a estabilização do regime e o crescimento
econômico haviam exigido uma relativa “moderação”, por parte dos nazistas. Mas,
a Alemanha já economicamente forte e a política de apaziguamento adotada pela
França e Grã-Bretanha sinalizavam que não haveria uma retaliação ao
antissemitismo e expansionismo alemão. As deduções de Hitler estavam corretas.
Perante as sucessivas agressões alemãs – em fevereiro de 1936, Hitler reocupara
Renânia e na sequência incorporara, em março, a Áustria e, em setembro, a
Checoslováquia – Neville Chamberlain, primeiro ministro da Grã-Bretanha,
declara, após reunir-se com Hitler em 30 de setembro de 1938: “Volto da
Alemanha trazendo a paz para nossos tempos”. Hitler volta a esbravejar nos
imensos comícios: “O perigo não eram os bolcheviques, eram os judeus (…) uma
conspiração judaica mundial ameaçava destruir a Alemanha e o mundo. É
intensificado o processo de “arianização”, um eufemismo para o sequestro e
roubo de propriedades judaicas. O confisco do capital judaico e a venda forçada
de empresas controladas (Arianisierung) por judeus se torna prática
diária. Enquanto cresciam, em todo o Terceiro Reich, a brutalidade e o
assassinato, o mundo assistia, inerte. A situação tornara-se tão desesperadora
que Franklin D. Roosevelt, presidente dos EUA, convocou uma conferência
internacional, em julho de 1938, em Evian-les-Bains, para tentar encontrar uma
solução para os refugiados que queriam sair da Alemanha e da Europa. Apesar de
manifestarem sua “simpatia”, nenhum dos países presentes abriu suas portas para
abrigá-los. Para Hitler, a conferência em Evian-les-Bains foi uma prova de que
“ninguém queria os judeus” e “ninguém se importava com o seu destino, não
havendo para onde mandá-los”. A expansão militar do território alemão tornava
impossível conseguir um Reich Jüdenrein, pois centenas de milhares
de judeus nas nações a serem conquistadas acabariam sendo incorporados ao
Reich. Para o ditador, era preciso encontrar-se outra “solução”, algo
“definitivo” ao “problema judaico”. Kristallnacht, a Noite dos Cristais. A
noite de 9 de novembro de 1938, Kristallnacht – Noite dos
Cristais, marcou o início da segunda fase da perseguição judaica, mais brutal e
violenta, e mais mortal. Hitler precisava apenas de um pretexto para dar vazão
à violência contra os judeus. O pretexto surgiu em 7 de novembro, quando
Herschel Grynszpan (1921-1942), jovem refugiado judeu que vivia em Paris,
entrou armado na embaixada alemã e atirou em Ernst von Rath (1909-1938),
terceiro-secretário. Hoje sabemos que o jovem tomara aquela atitude
“incentivado” por agentes alemães. Ele estava transtornado pela notícia de que
seus pais e milhares de outros Ostjuden havia sido
sumariamente expulsos da Alemanha e abandonados em terra-de-ninguém, na
fronteira alemã-polonesa. No dia 9, morre von Rath. A violência que se segue
não foi, absolutamente, «uma reação espontânea aos acontecimentos na embaixada
alemã, em Paris”, mas uma violência orquestrada com precisão por Hitler e
outros líderes nazistas. Dentro de poucas horas, irromperam tumultos em todo o
território alemão e austríaco. Turbas enlouquecidas percorriam as ruas das
cidades, atacando os judeus e vandalizando suas propriedades. Oficiais nazistas
deram ordens para incendiar as sinagogas e os rolos da Torá, e os céus ficaram
iluminados pelas labaredas. Um barulho ensurdecedor de milhares de vidraças estilhaçadas
convenceu os judeus de que não havia mais lugar para eles no Terceiro Reich. A
violência matou 91 deles, milhares ficaram feridos e desabrigados. Trinta mil
judeus foram enviados aos campos de concentração de Dachau, Buchenwald e
Sachsenhausen,10 mil dos quais morreram e os demais foram libertados, sob a
condição de deixar a Alemanha. Os danos materiais foram imensos: saquearam
7.500 lojas, destruíram cemitérios judaicos e atacaram mais de mil sinagogas,
das quais 267 foram arrasadas. Os nazistas responsabilizaram os judeus pelos
“distúrbios” e destruição, impondo uma multa exorbitante a ser paga por eles.
Não se ouviu nenhuma voz em seu favor. As igrejas cristãs mantiveram-se em
total silêncio, com exceção do padre católico Bernhard Lichtenberg(1875-1943)
que declarou: ”Os templos que foram destruídos também são a Casa de D’us”. Ele
pagou com a vida por suas manifestações públicas em favor dos judeus. Nos meses
seguintes, a expulsão dos judeus do Reich tornou-se prioridade e novas medidas
foram instituídas para dificultar ainda mais sua vida. Foram banidos de
teatros, cinemas, museus, clubes esportivos, parques, instituições, hospitais e
banheiros públicos. Viram-se obrigados por lei a vender propriedades, empresas,
obras de arte, joias. Não lhes era permitido possuir carro, carteira de
motorista, passaportes. A imprensa judaica também é banida. A comunidade
judaica estava à beira da falência e seus membros procuravam deixar o país.
Algumas rotas de fuga estavam temporariamente abertas. Xangai tornou-se um
asilo para judeus alemães e austríacos; dezenas de milhares encontraram refúgio
nos países europeus vizinhos e, outros, nas Américas. A Grã-Bretanha aceitou 10
mil crianças judias vindas da Alemanha, Áustria e Checoslováquia, os
chamados Kindertransports. E, apesar das restrições impostas pelos
britânicos em 1939, muitos judeus conseguiram chegar à então Palestina por meio
de viagens ilegais organizadas pelos sionistas. Nos primeiros seis anos da
ditadura nazista, segundo estimativas do Alto Comissariado para Refugiados da
Liga das Nações, 315 mil judeus deixaram o país. Os que se refugiaram em países
ocupados pelos nazistas seriam capturados por eles e exterminados. De acordo
com o censo nazista de maio de 1939, viviam no Terceiro Reich (nas fronteiras
de 1937) 213 mil judeus (segundo definição das Leis de Nurenberg). No final do
ano eram 190 mil – 90% deles viviam em 200 cidades. Os que haviam permanecido
eram, em sua maioria, judeus de meia-idade ou idosos. A esperança de conseguir
sair do país era cada vez menor. Ainda havia alguns com posses, mas a grande
maioria havia empobrecido, dependendo das organizações sociais para sobreviver.
Apenas 16% dos chefes de família tinham algum emprego fixo. A 2ª Guerra
Mundial. A Alemanha invadiu a Polônia em 1º de setembro de 1939,
deflagrando a 2ª Guerra Mundial. A partir de abril do ano seguinte a Alemanha
nazista conquistaria rapidamente o resto da Europa: Dinamarca (abril de 1940),
Noruega (abril de 1940), Bélgica (maio de 1940), Holanda (maio de 1940), França
(maio de 1940), Iugoslávia (abril de 1941), Grécia (abril de 1941) e Luxemburgo
(maio de 1940). Em 22 de junho de 1941, as forças alemãs invadiram a União
Soviética, mas encontraram resistência. Milhões de judeus que viviam nos países
tomados pelos alemães caem em mãos nazistas, que, com a maior rapidez e
violência, aplicaram as políticas antissemitas já “elaboradas e testadas” na
Alemanha. Os judeus foram segregados, expropriados, concentrados em guetos,
levados à morte por fome e doenças, deportados e exterminados. Como morriam,
pouco importava; o importante era o resultado final. O tratamento reservado
pelos nazistas aos judeus que haviam permanecido na Alemanha era diferente, mas
a meta final era a mesma. Desde o primeiro dia da guerra foram proibidos de
deixar suas casas depois das 20 horas, sendo-lhes vedada a entrada em
determinadas áreas, em várias cidades. Não foram criados guetos na Alemanha,
mas as severas leis de moradia forçavam os judeus a viver em áreas
determinadas, concentrando-os em “casa judaicas” (“Judenhäuser”). Os
judeus fisicamente aptos eram obrigados a trabalho forçado compulsório. E
tiveram que abrir mão de seus bens considerados “essenciais para o esforço de
guerra”, tais como rádios, câmeras, bicicletas, eletrodomésticos, assim como
casacos de pele, pianos e outros objetos de valor. Uma lei promulgada em julho
de 1939 transformou a Representação Nacional dos Judeus Alemães, a Reichsvertretung,
em Associação do Reich de Judeus na Alemanha (Reichsvereinigung der Juden in
Deutschland). Seu trabalho ficou sujeito às ordens do Ministro do Interior.
A associação absorveu todas as 1.500 organizações e instituições e as 1.600
instituições religiosas da comunidade existentes em 1939. Leo Baeck, que
permanecera à frente das novas organizações, empenhava-se a organizar a saída
de judeus do país e a manter em funcionamento as escolas judaicas e as
instituições beneficentes. Mas, todas as atividades chegam ao fim em 1943, pois
quase todos os seus dirigentes e a maioria dos assistidos haviam sido
“transferidos”, a maioria direto para sua morte nas câmaras de gás. Leo Baeck
foi deportado em janeiro de 1943 para Gueto de Theresienstadt, sobrevivendo
à Shoá. Os bens da Reichsvereinigung (cerca de 170
milhões de marcos), foram confiscados pelos nazistas. Com o início do
racionamento de alimentos, os judeus recebiam rações cada vez menores. Também
foram restringidos os horários em que comprar alimentos e outros suprimentos.
As famílias judias enfrentavam escassez dos produtos mais básicos, mas nada comparado
à “política de inanição” adotada pelos nazistas nos guetos do Leste. Em outubro
de 1940, cerca de sete mil judeus de Baden e Saarpfalz, ao sudoeste do país,
foram deportados para regiões da França ocupada, para ceder lugar aos alemães
que haviam sido repatriados após o início da guerra. As autoridades francesas
prenderam a maioria desses judeus alemães no campo de internação de Gurs, nos
Pireneus. A situação foi-se deteriorando, rapidamente. Em maio de 1941, ainda
havia 169 mil; até outubro desse ano, outros 5 mil haviam conseguido deixar a
Alemanha, Todos os bens de judeus alemães que “deixavam o Reich” em virtude de
imigração, morte ou “deportação para o Leste” eram automaticamente confiscados.
Em setembro de 1941, um decreto proibiu os judeus de usarem transporte público
e tornou-se obrigatório que todos, com mais de 6 anos de idade, que viviam sob
domínio alemão, portassem a Estrela de David amarela (o Maguen David)
preso na roupa. A deportação sistemática de judeus da Alemanha iniciou-se
naquele setembro, após ordens explícitas de Hitler. A princípio, os veteranos
de guerra judeus e os parceiros em casamentos mistos, considerados “casamentos
privilegiados”, foram excluídos da política de deportação. Mais de 50 mil
judeus do chamado Grande Reich Alemão (que incluía a Áustria) foram deportados
para os guetos no Leste Europeu, Lodz, Vinsk, Riga e Kovno, entre o início de
novembro de 1941 e o final de outubro de 1942. Os judeus proeminentes do Grande
Reich Alemão, os veteranos da 1ª Guerra e os judeus de países da Europa
Ocidental eram deportados para o gueto de Theresienstadt (Terezin), próximo a
Praga. Usado pelas SS como “vitrine” do tratamento “humano” dispensado aos
judeus, esse campo era mais uma “estação de trânsito”, “a caminho do Leste”,
para os centros de matança na Polônia. Mais de 30 mil morreram no próprio gueto
de Theresienstadt devido à fome, doenças e maus tratos. No período de outubro
de 1942 a março do ano seguinte, os judeus da Alemanha foram “transferidos”
diretamente para Auschwitz e outros centros de matança sistemática. Foram
exterminados na Shoá 90% dos judeus que viviam na Alemanha, em
1939. Nos primeiros meses de 1943, as autoridades nazistas anunciaram que o
Reich finalmente estava Judenrein, livre de judeus. Em Berlim, a
cidade que vira o ponto alto dos judeus da Alemanha, no final de 1942 restavam
apenas 32 mil judeus. No ano seguinte tinham sido drasticamente reduzidos a 238
pessoas. Eram chamados “U-Boats” ou “submarinos”, viviam escondidos e
conseguiram salvar-se quase sempre com a ajuda de não judeus. Havia também
800 Mischlinge e outros cerca de 5mil que conseguiram escapar
à deportação por serem casados com não-judeus. No dia 2 de maio de 1945, quando
Berlim se rendeu ao Exército Vermelho, restavam apenas 162 judeus da outrora
poderosa e orgulhosa comunidade. 1 Também chamado
de Kaiserlich Deutsches Reich ou Kaiserreich.
Note-se que o termo Deutsches Reich foi o nome
oficial da Alemanha não apenas no período dos Kaisers, mas também
durante a República de Weimar e no regime nazista. 2Reinhard Tristan
Eugen Heydrich (1904-1942), oficial superior nazista durante a 2ª Guerra
Mundial, um dos principais arquitetos do Holocausto. Era Chefe da Segurança.
BIBLIOGRAFIA: Friedlander, Saul, Nazi Germany and the Jews: 1933-1945.
eBook Kindle. Elon, Amos, Pity of It All: A Portrait of Jews in
Germany, 1743-1933. Kindle Edition. www.educabras.com.
Sachar, Howard M, The Course of Modern Jewish History. Kindle
Edition. Friedlander, Saul, Nazi Germany And The Jews: The Years Of
Persecution: 1933-1939. eBook Kindle. www.morasha.com.br. Abraço. Davi.
Cristianismo. www.fecatolica.com.br. "NA CERTEZA DA FÉ DE QUE A VITÓRIA DE JESUS CRISTO É A NOSSA VITÓRIA". Exorta Dom Antônio Tourinho Neto, Bispo Diocesano de Cruz das Almas - BA - Brasil, em carta pastoral. "Embora o nosso Deus não se compraz com o
sofrimento dos seus filhos, Ele permite a dor para que proveitos benéficos bem
maiores sejam alcançados com tal situação", lembra o bispo. O bispo diocesano
de Cruz das Almas, Dom Antônio Tourinho Neto enviou nesta terça-feira (07) uma
carta pastoral intitulada "O amor vence tudo!" ao povo desta Igreja
Particular. No texto, Dom Tourinho dirige-se a todos diocesanos com o desejo de
encoraja-los através do texto, "na certeza da fé de que a vitória de Jesus
Cristo é a nossa vitória (Jo 16,33)".
No texto, o bispo discorre sobre o mundo crucificado pela pandemia; à luz
da Fé; parabeniza a Diocese que se mantém firme na Caridade; e ainda relata as
orientações e recomendações quanto às celebrações das missas e dos demais
sacramentos. Dom Tourinho ainda faz um apelo à situação econômica da Diocese e
das paróquias, e orienta sobre a manutenção dos encontros via meios de
Comunicação Social para evitar um possível contágio com o coronavírus. O bispo ainda recomenda que todos orem pelos
enfermos infectados; "também para que os cientistas agilizem na criação da
vacina contra este vírus; orem pelos profissionais da saúde, que correm grande
risco de infecção; por aqueles que já perderam ou estão receosos de perder o
emprego e pelos trabalhadores informais; bem como por aqueles que estão
reclusos dentro de casa devido à idade avançada ou por serem, devido outros
motivos, componentes do grupo de risco", elenca. Dom Tourinho lembra que "embora o nosso Deus
não se compraz com o sofrimento dos seus filhos, Ele permite a dor para que
proveitos benéficos bem maiores sejam alcançados com tal situação",
ressalta. Por fim, o Bispo recorda que há uma
certeza que traz uma profunda alegria: "Temos uma intercessora junto ao
Senhor Jesus sob o título de “Nossa Senhora do Bom Sucesso!” Confiemos à sua
proteção neste tempo difícil de ser vivido", clama. Confira a carta na íntegra:
O Amor Vence Tudo! A Diocese de Cruz das Almas, presbíteros, diáconos, membros da vida
consagrada, seminaristas, agentes de pastoral, Conselho de leigos, membros das
Irmandades, todos os batizados e pessoas de boa vontade e a quem interessar
esta carta neste tempo de pandemia, paz, saúde e bênçãos de Deus. “Quem
poderá nos separar do amor de Cristo? A tribulação, a angústia, a perseguição.
A fome, a nudez, o perigo ou a espada? Mas, em todas essas coisas, somos mais
que vencedores pela virtude daquele que nos amou.” (Rm 8, 35. 37). 1. Saudação inicial. Essa passagem da Epístola de São Paulo aos Romanos
é o fundamento do meu lema episcopal, “O Amor Vence Tudo.” Com os olhos e o
coração fixos nessa Palavra, eu me dirijo a todos os diocesanos neste tempo
prolongado de pandemia do COVID – 19 e desejo saudá-los e encorajá-los através
desta carta pastoral, na certeza da fé de que a vitória de Jesus Cristo é a
nossa vitória (Jo 16,33). Nós, cristãos, cremos, indubitavelmente, que “o amor
é mais forte que a morte” (Cântico dos Cânticos 8,38) e em vez de nos
lamentarmos ou nos impacientarmos com a situação de impotência diante deste
vírus violento, devemos permanecer firmes na esperança. 2. O mundo crucificado pela pandemia. É fato que, atualmente, o Brasil e o mundo
experimentam uma crucifixão devido ao COVID-19. Assim, independentemente da
nação, raça, gênero, classe social, idade, poder econômico, todos estamos
juntos na mesma realidade. Diante do ataque de um ser invisível, nós, seres
humanos, fomos nivelados ao estado de vulnerabilidade e o pior é que travamos
uma luta desigual, vez que o inimigo não mostra cor, cheiro, formato e pode
estar em toda parte, inclusive nas palmas das mãos daqueles de quem tanto
amamos. Em consequência disso, somos obrigados ao isolamento social. O mundo
não estava preparado para tal combate e o resultado desastroso aponta, até
pouco tempo, uma marca de 10 milhões de infectados no planeta e o número de
mortos passa de 500 mil. Em relação a situação do Recôncavo Baiano, infelizmente,
é constatado que o número de casos confirmados começa a crescer em algumas
cidades da nossa Diocese. Fico a me questionar diante do número
de óbitos já ocorridos no Brasil (mais de sessenta mil confirmados pelo portal
do Ministério da Saúde). Será que o Estado (em geral) errou nas medidas
preventivas e curativas iniciais agindo tardiamente? Há possibilidade de um
diagnóstico precoce seguido de um tratamento mais efetivo no início da infecção
e este tem sido negligenciado ou negado propositalmente à população? Será que
os medicamentos “Hidroxicloroquina”; “Ivermectina”; “Azitromicina”; “Zinco” e
“Vitamina D” seriam, realmente, possíveis soluções e por interesses ideológicos
partidários foram e continuam sendo negados? E o escândalo das compras de respiradores
superfaturados? São questionamentos que pairam no ar e a voz do profetismo em
favor da vida teima em não se silenciar.
Caso seja
comprovado que os cadáveres das vítimas do Coronavírus serviram de palanque
político partidário e ideológico para muitos se promoverem, a pandemia aqui no
Brasil deveria receber um outro nome, “carnificina”. Resta saber se, em um país
no qual a impunidade é regra e não exceção, os poderosos negligentes, omissos e
interesseiros serão punidos com justa pena.
3. À luz da Fé. Nós, cristãos,
fitamos com olhar de fé e de esperança para as situações que o mundo vê com
perplexidade, medo e com sentimento de derrota. Diante de tanto sofrimento
físico e emocional; mortes precoces e unidades hospitalares sobrecarregadas;
iminente perigo do colapso da economia e índice alto de desemprego; crise
política e tantas outras más notícias que ouvimos todos os dias como
consequência do Coronavírus, deixemo-nos ser guiados pela fé e pela esperança e
associemos tudo à Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo. Na Cruz, diante da dor
suprema, o Filho grita: "Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?"
(Mt 27,46). Nesse grito, Deus abre um acesso privilegiado e intenso ao seu
próprio mistério de amor, no qual qualquer sentimento de fracasso e todo sofrimento
humano adquire sentido. Para a espiritualidade cristã, a dor humana, unida ao
supremo sofrimento de Jesus Crucificado, torna-se como uma espécie de
“alquimia”, ou seja, a dor é transformada em amor, pois o abandono de Jesus na
Cruz tornou-se para sempre o remédio (antídoto) contra todos os males físicos e
morais. Em Jesus Crucificado-Ressuscitado, encontramos a resposta para toda dor
e todo sofrimento transformados em amor.
Quando Jesus
morreu, aos pés da cruz estava um centurião romano. Aquele homem, chefe dos
demais soldados, era um pagão e, embora não fosse membro do povo de Israel,
enxergou o divino e afirmou: “Verdadeiramente, este homem era o Filho de Deus!”
(Mt 27, 54). Muitos questionam: “Como se encontrará a humanidade após a
pandemia?” “Diante de tantas dores causadas pelo Coronavírus, o que se espera
após este tempo sombrio?” Com o mesmo olhar do centurião e fé no Filho de Deus,
Crucificado – Ressuscitado, nós, cristãos, esperamos uma humanidade fortalecida
pela dor; vencedora sobre a morte; mais solidária; mais fraterna; em busca da
verdade e da justiça para todos e mais voltada para Deus. 4. A Diocese firme na Caridade. Nossa Diocese presta solidariedade a todos que se
encontram sofridos com a pandemia. Estamos atentos aos mais pobres e excluídos
que padecem do básico para a sobrevivência. De todo o coração, agradeço aos
fiéis católicos que generosamente têm ouvido a solicitação dos párocos em
relação as doações de alimentos, roupas, cobertores, máscaras e outras tantas
necessidades urgentes. A partilha solidária faz com que a caridade cristã não
seja negligenciada num momento tão crítico. Exorto as paróquias a continuarem
atentas ao sofrimento dos que passam privações e permanecerem mobilizando os
fiéis a socorrerem os que estão passando qualquer tipo de aflição. Dirijo meu agradecimento aos agentes da Pastoral da
Comunicação que vêm realizando importante trabalho de evangelização através da
mídia, principalmente as transmissões das Santas Missas. Um agradecimento especial a todos os profissionais
da saúde pela coragem demonstrada em prestar serviço à população. São muitos os
agentes que trabalham nessa área e se doam de forma especial por causa da fé
que professam em Jesus Cristo e, em nome do amor cristão, se lançam diante do
perigo indo além do medo de se contaminarem.
Agradeço também aos
sacerdotes e diáconos da Diocese mobilizados em dar assistência espiritual e
material aos demais fiéis num grande testemunho de solidariedade e acolhimento.
Dentre tantos que os nossos ministros ordenados têm socorrido pelas obras de
caridade estão as famílias dos infectados; os doentes; a encomendação dos
corpos; os trabalhadores desempregados; as famílias desfavorecidas; os idosos
sozinhos que não conseguem sair para fazer compras. São esses os “prediletos de
Deus” e que a crise não pode fazer cair no nosso esquecimento. 5. Quanto às celebrações das missas e
dos demais sacramentos. Foram lançadas por
mim duas notas de recomendações sobre esse assunto. Uma em relação a celebração
da Missa e outra sobre a exposição e adoração ao Santíssimo Sacramento. As
mesmas continuam vigentes e confio no discernimento dos sacerdotes que, sem
violar as instruções das autoridades públicas, podem e devem decidir sobre a
sua missão de santificar o Povo de Deus em particular circunstância. As celebrações dos diversos sacramentos não estão
proibidas na Diocese, pelo contrário, o que não é permitido é promover
aglomerações, pois, infelizmente, não podemos ainda falar em flexibilização já
que em alguns municípios o número de infectados tem crescido. Uma Confissão
pode ser ministrada e até um Batismo de criança e um Matrimônio podem ser
celebrados, contanto que sejam sem aglomerações e festas. O que a Diocese
pede e insiste é que cada pároco aja de acordo com a realidade vigente daquele
município. Os que podem menos, celebrem com o número reduzido de fiéis
presentes no templo, no máximo quinze, trinta ou cinquenta pessoas e
rigorosamente afastadas umas das outras, como é recomendado pelas autoridades
sanitárias. Os que podem mais, celebrem com trinta por cento da capacidade de
fiéis no templo, não mais do que isso, levando em consideração as mesmas
medidas de proteção. Os que se encontram em situação de extremo perigo,
celebrem em privado ou com o número mínimo de fiéis. É terminantemente proibido
o não uso de máscaras nos templos; como também faz-se necessária a
disponibilização do álcool em gel nas Igrejas e a higienização do espaço
sagrado entre as celebrações. É preciso orientar os que frequentam as missas de
como se locomoverem no templo, principalmente na hora da recepção à Eucaristia
e na chegada e na saída para não se aproximarem umas das outras. Todas as
Dioceses no Brasil que estão flexibilizando as celebrações sacramentais têm
agido desta forma. O bom é que tudo isso vai passar e voltaremos ao normal como
antes. Porém, no exato momento, são necessárias paciência, tolerância e
disciplina por parte de todos. 6. Um apelo à situação econômica da
Diocese e das paróquias. Com a pandemia, os fiéis se afastaram do templo,
das missas dominicais, muitos estão reclusos dentro das suas casas há meses.
Graças a Deus, os fiéis leigos são extremamente sensíveis e generosos para com
a manutenção da Igreja onde professam a sua fé. Agradeço a todos os dizimistas
que estão firmes na colaboração do dízimo neste tempo desafiador. Apesar da
fidelidade de alguns, as necessidades reclamam com a deficiente situação
econômica que o País está atravessando. As colaborações diminuíram e as
despesas são as mesmas e em algumas paróquias aumentaram. Todos os meses,
independentemente da colaboração ou não dos fiéis, a Diocese e as paróquias
necessitam cumprir com seus numerosos compromissos em relação às dimensões
missionária – evangelizadora; religiosa; administrativa e caritativa. Faz-se
necessário reinventar, em tempos de pandemia, a devolução do dízimo nas
paróquias. Aconselho os párocos a reorganizarem a arrecadação mensal para
facilitar os dizimistas que desejarem estar em dia com seu compromisso perante
Deus e a sua comunidade; como também incentivem a Pastoral do Dízimo a
desempenhar um trabalho efetivo em favor desta causa. 7. Os encontros via
Meios de Comunicação Social. Negar a situação de perigo e
responder com descaso é sobretudo arriscado, por esse motivo, em nossa Diocese,
quaisquer reuniões presenciais de cunho pastoral continuam suspensas por tempo
indeterminado, exceto em circunstâncias de extrema necessidade. Porém, a
alternativa para que as nossas ações evangelizadoras e pastorais não fiquem
desassistidas é encontrada nas redes sociais. As paróquias precisam abraçar com
urgência o desafio de se adaptarem a essa nova forma de promover encontros
entre os fiéis através dos Meios de Comunicação. Não só a transmissão da
celebração Eucarística, que é muito importante, mas também a catequese para as
crianças; o encontro da Crisma para os jovens e adolescentes; um tema de
espiritualidade oferecido pelo sacerdote para os casais; os círculos Bíblicos
etc. Essa pandemia trouxe a necessidade da Igreja se modernizar, usar da
criatividade para que através dos meios sociais, via internet, possa chegar
diretamente ao coração das famílias. Mudamos a rotina dentro das nossas
paróquias, mas a paróquia deve se tornar presença viva dentro de cada família,
trazendo de volta o aspecto antigo da verdadeira igreja doméstica. Com a
pandemia, cada paróquia é convidada a achar uma dinâmica que possa chegar até o
coração de seus fiéis e mostrar que estamos juntos, ainda que separados
fisicamente. A pandemia nos coloca diante desse desafio e adaptação, o que
torna necessário encontrar novas maneiras de pastorear o rebanho de Cristo. 8. Conclusão. Peço
encarecidamente aos senhores párocos que colaborem para que esta Carta Pastoral
chegue ao conhecimento de um maior número de fiéis. Recomendo, insistentemente,
que todos orem pelos enfermos infectados; também para que os cientistas
agilizem na criação da vacina contra este vírus; orem pelos profissionais da
saúde, que correm grande risco de infecção; por aqueles que já perderam ou
estão receosos de perder o emprego e pelos trabalhadores informais; bem como
por aqueles que estão reclusos dentro de casa devido à idade avançada ou por
serem, devido outros motivos, componentes do grupo de risco. Apesar do momento
dramático que estamos vivenciando, temos escutado muitos testemunhos de amor e
solidariedade ao próximo. A dor, na história da humanidade, sempre foi canal de
beneficência, comiseração, benevolência, complacência... Embora o nosso Deus
não se compraz com o sofrimento dos seus filhos, Ele permite a dor para que
proveitos benéficos bem maiores sejam alcançados com tal situação. Há uma
certeza que nos traz uma profunda alegria: Temos uma intercessora junto ao
Senhor Jesus sob o título de “Nossa Senhora do Bom Sucesso!” Confiemos à sua
proteção neste tempo difícil de ser vivido. Finalizo invocando a bênção do Deus
todo Poderoso sobre as famílias diocesanas". Cruz das Almas, 07 de julho de 2020.
+ Antônio Tourinho Neto. Bispo Diocesano de Cruz das Almas-Ba. www.fecatolica.com.br. Abraço. Davi
Islamismo.
www.ligaislamica.org.br. Alcorão
Sagrado. "HUD". Revelada em Makka; 123 versículos, com exceção dos
versículos 12, 17 e 114, que foram revelados em Madina. 11ª SURATA. Em nome de
Deus, o Clemente, o Misericordioso. 1 Alef, Lam, Ra.(631) Eis o Livro dos
versículos fundamentais(632) , então elucidados por Alguém Onisciente,
Prudentíssimo. 2 Não deveis adorar senão a Deus. Sou o vosso admoestador(633) e
alvissareiro de Sua parte. 3 Implorai o perdão de vosso Senhor e voltai-vos a
Ele, arrependidos, que Ele vos agraciará generosamente até um término
prefixado, e agraciará com o merecido(634) a cada um que tiver mérito. Porém,
se vos recusardes, temo por vós o castigo do Grande Dia. 4 Vosso retorno será a
Deus, porque Ele é Onipotente. 5 Não é, acaso, certo que eles dissimulam(635)
quanto ao que há em seus corações para se ocultarem d’Ele? Que saibam que mesmo
quando se ocultam debaixo de suas roupas, Ele conhece o que ocultam e o que
manifestam, porque Ele é Conhecedor das intimidades dos corações. 6 Não existe
criatura sobre a terra cujo sustento não dependa de Deus; Ele conhece a sua
estância temporal e permanente, porque tudo está registrado num Livro lúcido. 7
Ele foi Quem criou o céus e a terra em seis dias – quando, antes, abaixo de seu
Trono só havia água – para provar(636) quem de vós melhor se comporta. Mas, se
tu lhes dizes: Sereis ressuscitados depois da morte!, os incrédulos dizem: Isto
não é senão pura feitiçaria! 8 Mas, se suspendemos seu castigo por um tempo
determinado, então dizem: Que coisa o retém? Porém, o dia do seu castigo é
inexorável e dele não escaparão, e serão envolvidos por aquilo de que
escarneciam. 9 E se agraciamos o homem com a Nossa misericórdia e logo o
privamos dela, ei-lo, então, desesperado e desagradecido. 10 Mas, se o fazemos
gozar do bem-estar, depois de haver padecido a adversidade, diz: As
vicissitudes desapareceram! E ei-lo, então, exultante, jactancioso. 11 Quanto
aos perseverantes, que praticam o bem, obterão indulgência e uma grande
recompensa. 12 É possível que omitas algo do que te foi revelado e que te
oprima, por isso, o peito, temendo que digam: Por que não lhe foi enviado um
tesouro ou não o acompanha um anjo? Tu és tão-somente um admoestador e Deus é o
Guardião de tudo. 13 Ou dizem: Ele o forjou! Dize: Pois bem, apresentais dez
suratas forjadas, semelhantes às dele, e pedi (auxílio), para tanto, a quem
possais, em vez de Deus, se estiverdes certos. 14 Porém, se não fordes
atendidos, sabei, então, que este (Alcorão) foi revelado com a anuência de Deus
e que não há mais divindade além d’Ele. Sois, acaso, muçulmanos? 15 Quanto
àqueles que preferem a vida terrena e seus encantos, far-lhes-emos desfrutar de
suas obras, durante ela, e sem diminuição.(637) 16 Serão aqueles que não
obterão não vida futura senão o fogo infernal; e tudo quanto tiverem feito aqui
tornar-se-á sem efeito e será vão tudo quanto fizerem. 17 Podem ser iguais
àqueles que têm uma evidência de seu Senhor(638) , confirmada por uma
testemunha enviada por Ele, precedida pelo Livro de Moisés, sendo guia e
misericórdia? Qual! Aqueles crêem nele (o Alcorão); mas aquele dos partidos que
o negar, sua morada será o fogo infernal. Não duvides disso, porque é a verdade
do teu Senhor; porém, a maioria dos humanos não crê. 18 Haverá alguém mais
iníquo do que aqueles que forjam mentiras acerca de Deus? Eles serão
apresentados ao seu Senhor e as testemunhas dirão: Eis os que forjaram mentiras
acerca do seu Senhor. Que a maldição de Deus caia sobre os iníquos, 19 Que
desviam os demais da senda de Deus, tratando de fazê-la tortuosa, e negam a
outra vida. 20 Estes jamais poderão frustrar (Seus desígnios) na terra, nem
terão protetores, em vez de Deus. Ele lhes duplicará o castigo. Eles já tinham
perdido as faculdades da audição e da visão. 21 Estes são os que desmereceram a
si mesmos e, tudo quanto tenham forjado, desvanecer-se-á. 22 É indubitável que
na outra vida serão os mais desventurados. 23 Os fiéis que praticam o bem e se
humilham ante seu Senhor serão os diletos do Paraíso, onde morarão eternamente.
24 O exemplo de ambas as partes equipara-se ao do cego e surdo, em
contraposição ao do vidente e ouvinte. Podem equiparar-se? Qual! Não meditais?
25 Enviamos Noé ao seu povo, ao qual disse: Sou para vós um elucidativo
admoestador. 26 Não deveis adorar mais do que a deus, porque temo por vós o
castigo de um dia doloroso.(639) 27 Porém, os chefes incrédulos, dentre seu
povo, disseram: Não vemos em ti mais do que um homem como nós, e não vemos a te
seguir mais do que a nossa plebe irreflexiva; tampouco consideramos que tendes
(vós e vossos seguidores) algum mérito sobre nós; outrossim, cremos que sois
uns mentirosos. 28 Respondeu-lhes: Ó povo meu, se possuo a evidência de meu Senhor
que me agraciou com a Sua misericórdia – a qual vos foi vedada(640) (por tal
merecerdes) – posso, acaso, obrigar-vos a aceitá-la, uma vez que a aborreceis?
29 Ó povo meu, não vos exijo, por isso, recompensa alguma, porque minha
retribuição só procede de Deus e jamais rechaçarei os fiéis, porquanto eles
comparecerão ante seu Senhor. Porém, vejo que sois um povo de insipientes. 30 Ó
povo meu, quem me defenderá de Deus, se os rechaçar (meus seguidores)? Não
meditais? 31 Não vos digo que possuo os tesouros de Deus, ou que estou de posse
do incognoscível, nem vos digo que eu sou um anjo, nem digo, àqueles que vossos
olhos despreza, que Deus jamais lhes concederá favor algum, pois Deus bem
conhece o que encerram seus íntimos; se tal fizesse, seria um dos iníquos. 32
Disseram-lhe: Ó Noé, tens discutido convosco e prolongado a nossa disputa! Faze
com que nos sobrevenha isso com que nos ameaças, se estiveres certo. 33
Respondeu-lhes: Deus só o infligirá se quiser, e jamais podereis impedi-Lo. 34
Se Deus quisesse, extraviar-vos-ia, e de nada vos valeriam meus conselhos,
ainda que quisesse aconselharvos, porque Ele é o vosso Senhor, e a Ele
retornareis. 35 Ou dizem: Ele forjou isso. Dize: Se forjei isso, que caia sobre
mim o castigo de meu pecado; porém, estou isento dos vossos pecados! 36 E foi
revelado a Noé: Ninguém, dentre seu povo, acreditará, salvo quem já tenha
acreditado. Não te aflijas, pois, pelo que fazem. 37 E constrói a arca sob a
Nossa vigilância e segundo a Nossa inspiração, e não Me peças em favor dos
iníquos, porque serão afogados. 38 E começou a construir a arca. E cada vez que
os chefes, dentre seu povo, passavam por perto, escarneciam dele.(641)
Disse-lhes: Se escarnecerdes de nós, escarneceremos de vós, tal como o fazeis.
39 Porém, logo sabereis a quem açoitará um castigo que o aviltará e quem
merecerá um tormento eterno. 40 Até que, quando se cumpriu o Nosso desígnio e
jorraram as fontes (da terra), dissemos (a Noé): Embarca nela (a arca) um casal
de cada espécie, juntamente com a tua família, exceto aquele sobre quem tenha
sido pronunciada a sentença,(642) e embarca os que creram. Mas não creram com
ele, senão poucos. 41 E (Noé) disse: Embarcai nela; que seu rumo e sua
ancoragem sejam em nome de Deus, porque meu Senhor é Indulgente, Misericordiosíssimo.
42 E nela navegava com eles por entre ondas que eram como montanhas(643) ; e
Noé chamou seu filho, que permanecia afastado, e disse-lhe: Ó filho meu,
embarca conosco e não fiques com os incrédulos! 43 Porém, ele disse:
Refugiar-me-ei em um monte(644) , que me livrará da água. Retrucou-lhe Noé: Não
há salvação para ninguém, hoje, do desígnio de Deus, salvo para aquele de quem
Ele se apiade. E as ondas os separaram, e o filho foi dos afogados. 44 E foi
dito: Ó terra, absorve as tuas águas! Ó céu, detém-te! E as águas foram
absorvidas e o desígnio foi cumprido. E (a arca) se deteve sobre o monte
Al-judi.(645) E foi dito: distância com o povo iníquo! 45 E Noé clamou ao seu
Senhor, dizendo: Ó Senhor meu, meu filho é da minha família; e Tua promessa é
verdadeira, pois Tu és o mais equânime dos juízes! 46 Respondeu-lhe: Ó Noé, em
verdade ele não é da tua família, porque sua conduta é injusta; não Me
perguntes, pois, acerca daquilo que ignoras; exorto-te a que não sejas um do
insipientes! 47 Disse: Ó Senhor meu, refugio-me em Ti por perguntar acerca do
que ignoro e, se não me perdoares e Te compadeceres em mim, serei um dos
desventurados. 48 Foi-lhe dito: Ó Noé, desembarca, com a Nossa saudação e a
Nossa bênção sobre ti e sobre os seres que (advirão do que) estão contigo.
Porém, haverá povos, os quais (por um tempo) agraciaremos; logo, (depois)
atingilos-á o Nosso doloroso castigo. 49 Esses são alguns relatos do
incognoscível que te revelamos, que os não conhecias tu, nem o teu povo, antes
disso. Persevera, pois, porque a recompensa será para os tementes. 50 E
(enviamos) ao povo de Ad seu irmão Hud, o qual lhes disse: ó povo meu, adorai a
Deus, porque noa tereis outra divindade além d’Ele. Sabei que não sois mais do
que forjadores (quanto a outros deuses). 51 Ó povo meu, não vos exijo, por
isso, recompensa alguma, porque minha recompensa só procede de Quem me criou.
Não raciocinais? 52 Ó povo meu, implorai o perdão de vosso Senhor e voltai-vos
arrependidos para Ele, Que vos enviará do céu copiosa chuva e adicionará força
à vossa força(646) . Não vos afasteis, tornando-vos pecadores! 53
Responderam-lhe: Ó Hud, não tens apresentado nenhuma evidência, e jamais
abandonaremos os nossos deuses pela tua palavra, nem em ti creremos; 54 Somente
dizemos que algum dos nossos deuses te transtornou. Disse: Ponho Deus por
testemunha, e testemunhai vós mesmos que estou isento de tudo quanto adorais,
55 Em vez d’Ele. Conspirai, pois, todos contra mim, e não me poupeis. 56 Porque
me encomendo a Deus, meu Senhor e vosso; sabei que não existe criatura que Ele
não possa agarrar pelo topete.(647) Meu Senhor está na senda reta. 57 Porém, se
vos recusais, sabei que vos comuniquei a Mensagem com a qual fui enviado a vós;
e o meu Senhor fará com que vos suceda um outro povo, e em nada podereis
prejudicá-Lo, porque meu Senhor é Guardião de todas as coisas. 58 E quando se
cumpriu o Nosso desígnio, salvamos Hud e com ele os fiéis, por Nossa
misericórdia, e os livramos de um severo castigo. 59 E eis que o povo de Ad
negou os versículos do seu Senhor; rebelaram-se contra os Seus mensageiros e
seguiram as ordens de todo o déspota obstinado. 60 E, neste mundo, forma
perseguidos por uma maldição, e o mesmo acontecerá no Dia da Ressurreição. Não
é certo que o povo de Ad renegou seu Senhor? Distância de Ad, povo de Hud! 61 E
ao povo de Samud enviamos seu irmão Sáleh,(648) que lhes disse: Ó povo meu,
adorai a Deus porque não tereis outra divindade além d’Ele; Ele foi Quem vos
criou a terra e nela vos enraizou. Implorai, pois, Seu perdão; voltai a Ele arrependidos,
porque meu Senhor está próximo e é Exorável. 62 Responderam-lhe: Ó Sáleh, eras
para nós a esperança antes disto. Pretendes impedir-nos de adorar o que nossos
pais adoravam? Estamos em uma inquietante dúvida acerca do que nos predicas. 63
Disse: Ó povo meu, pensai: se eu possuo uma evidência de meu Senhor que me
agraciou com a Sua misericórdia, quem me defenderá de Deus, se Lhe desobedecer?
Não fareis mais do que agravar a minha desventura! 64 Ó povo meu, eis aqui a
camela de Deus, a qual é um sinal para vós! Deixai-a pastar na terra de Deus e
não a maltrateis, porque um castigo, que está próximo, açoitarvos-á. 65 Não
obstante, abateram-na. E ele lhes disse: Diverti-vos durante três dias(649) em
vossas casas; (logo sereis exterminados). Esta é uma ameaça iniludível. 66 Mas
quando se cumpriu o Nosso desígnio, salvamos Sáleh e os fiéis que com ele
estavam, por Nossa misericórdia, do aviltamento daquele dia, porque teu Senhor
é o Poderoso, Fortíssimo. 67 E o estrondo fulminou os iníquos, e a manhã encontrouos
jacentes em seus lares, 68 Como se jamais neles houvessem vivido. Acaso, não é
certo que o povo de Samud renegou seu Senhor? Distância do povo de Samud! 69 E
eis que os Nossos mensageiros trouxeram a Abraão alvíssaras de boas novas,
dizendo: Paz! E ele respondeu: Paz! E não tardou em obsequiá-los com um vitelo
assado.(650) 70 Porém, quando observou que suas mãos hesitavam em tocar o
vitelo, desconfiou deles, sentindo-lhes temor. Disseram: Não temas, porque
somos enviados contra o povo de Lot! 71 E sua mulher, que estava presente,
pôs-se a rir,(651) por alvissaramo-la com o nascimento de Isaac e, depois
deste, com o de Jacó. 72 Ela exclamou: Ai de mim! Conceber, eu, que já sou uma
anciã, deste meu marido, um ancião? Isto é algo assombroso! 73 Disseram:
Assombras-te, acaso, dos desígnios de Deus? Pois sabei que a misericórdia de
Deus e as Suas bênçãos vos amparam, ó descendentes da casa (profética); Ele é
Louvável, Gloriosíssimo. 74 Mas, quando o temor de Abraão se dissipou e lhe
chegaram alvíssaras de boas novas, começou a interceder junto a Nós pelo povo
de Lot. 75 Sabei que Abraão era tolerante, sentimental, contrito. 76 Ó Abraão,
não insistais mais nisso, porque a sentença de teu Senhor foi pronunciada, e em
breve os fustigará um castigo irrevogável. 77 Mas, quando Nossos mensageiros se
apresentaram a Lot, este ficou aflito por eles, sentindo-se impotente para
defendê-los, e disse: Este é um dia sinistro!(652) 78 E seu povo, que desde
antanho havia cometido obscenidades, acudiu precipitadamente a ele; (Lot)
disse: Ó povo meu; eis aqui minhas filhas; elas vos são mais puras.(653) Temei,
pois, a Deus e não me avilteis perante os meus hóspedes. Não haverá entre vós
um homem sensato? 79 Responderam: Tu bem sabes que não temos necessidade de
tuas filhas também sabes o que queremos. 80 Disse: Quem me dera ter forças para
resistir a vós ou encontrar um forte auxílio (contra vós)! 81 Disseram-lhe (os
anjos): Ó Lot, somos os mensageiros do teu Senhor; eles jamais poderão
atingir-te. Sai, pois, com a tua família, no decorrer da noite, e que nenhum de
vós olhe para trás. À tua mulher, porém,(654) acontecerá o mesmo que a eles.
Tal sentença se executará ao amanhecer. Acaso, não está próximo o amanhecer? 82
E quando se cumpriu o Nosso desígnio, reviramos a cidade nefasta e
desencadeamos sobre ela uma ininterrupta chuva de pedras de argila
endurecida,(655) 83 Estigmatizadas por teu Senhor; e isso não está distante dos
iníquos. 84 E enviamos ao povo de Madian(656) seu irmão Xuaib (Jetro), o qual
disse: Ó povo meu, adorai a Deus porque não tereis outra divindade além d’Ele;
e não altereis a medida nem o peso, porque vejo a prosperidade em vós; porém
temo por vós o castigo do dia abrangedor. 85 Ó povo meu, disponde da medida e
do peso com eqüidade;(657) não defraudeis os humanos em seus bens e não
pratiqueis a devassidão na terra, como corruptores. 86 O que Deus vos deixou
ser-vos-á mais vantajoso, se sois fiéis. E não sou vosso guardião. 87
Disseram-lhe: Ó Xuaib, recomendas, porventura, em tuas preces, que renunciemos
ao que os nossos pais adoravam, ou que não façamos de nossos bens o que
quisermos, tu que és tolerante, sensato? 88 Respondeu: Ó povo meu, não vedes
que possuo a evidência do meu Senhor e Ele me agraciou generosamente...? Não
pretendo contrariar-vos, a não ser no que Ele vos vedou; só desejo a vossa
melhoria, de acordo com a minha capacidade; e meu êxito só depende de Deus, a
Quem me encomendo e a Quem retornarei, contrito. 89 Ó povo meu, que a
hostilidade contra mim não vos induza ao pecado e vos não ocorra o que ocorreu
ao povo de Noé, ou ao de Hud, ou ao de Sáleh! Recordai-vos de que o povo de Lot
não está distante de vós (no tempo)! 90 E implorai o perdão de vosso Senhor;
voltai a Ele, arrependidos, porque meu Senhor é Misericordioso, Afetuosíssimo.
91 Disseram: Ó Xuaib, não compreendemos muito do que dizes(658) e, para nós, é
incapaz; se não fosse por tua família, ter-te-íamos apedrejado, porque não
ocupas grande posição entre nós(659) . 92 Retrucou-lhes: Ó povo meu, acaso
minha família vos é mais estimada do que Deus, a Quem deixastes completamente
no esquecimento? Sabei que meu Senhor está inteirado de tudo quanto fazeis. 93
Ó povo meu, agi segundo o vosso critério, que eu agirei segundo o meu. Logo
sabereis a quem açoitará um castigo que o aviltará e quem de nós é impostor.
Esperai, pois, que eu espero convosco! 94 Mas, quando se cumpriu o Nosso
desígnio, salvamos, por Nossa misericórdia, Xuaib, e com ele os fiéis. E o
estrondo fulminou os iníquos e a manhã encontrou-os jacentes em seus lares, 95
Como se jamais neles houvessem vivido. Da mesma maneira que foi extirpado o
povo de Madian, também foi extirpado o povo de Samud! 96 E enviamos Moisés(660)
com os Nossos versículos, e com autoridade evidente, 97 Ao Faraó e seus chefes;
porém, estes obedeceram à ordem do Faraó, embora a ordem do Faraó fosse
insensata. 98 Ele encabeçará o seu povo, no Dia da Ressurreição, e os fará
entrar no fogo infernal. Que infeliz entrada a sua! 99 E foram perseguidos pela
maldição, neste mundo, tal como o serão no Dia da Ressurreição. Que detestável
presente ser-lhes-á outorgado! 100 Eis aqui alguns dos relatos da história das
cidades que te referimos; algumas ainda de pé, outras já arrasadas. 101 E não
os condenamos, senão que se condenaram a si próprios. De nada lhes valeram as deidades
que invocaram, em vez de Deus, quando se cumpriu o desígnio do teu Senhor! Não
fizeram mais do que lhes agravar a perdição. 102 E assim é o extermínio (vindo0
do teu Senhor, que extermina as cidades por sua iniqüidades. O Seu extermínio é
terrível, severíssimo. 103 Nisto há um sinal para quem teme o castigo da outra
vida. Isso acontecerá no dia em que forem congregados os humanos; aquele será
um dia testemunhável,(661) 104 Que só adiamos por um prazo predeterminado. 105
Quando tal dia chegar, ninguém falará,(662) senão com a vênia d’Ele, e entre
eles haverá desventurados e venturosos. 106 Quanto aos desventurados, serão
precipitados no fogo, donde exalarão gemidos e gritos, 107 Onde permanecerão
eternamente, enquanto perdurarem os céus e a terra, a menos que teu Senhor
disponha outra sorte, porque dispõe como Lhe apraz. 108 Os venturosos, porém,
morarão eternamente no Paraíso, enquanto perdurarem os céus e a terra, a menos
que teu Senhor disponha doutra sorte. Esta é uma graça ininterrupta. 109 Não tenhas
dúvidas sobre o que esses (incrédulos) adorarão, porque não adorarão senão o
que anteriormente seus pais haviam adorado. Nós lhes pagaremos o que lhes
corresponde, sem diminuí-lo. 110 Havíamos concedido o Livro a Moisés, acerca do
qual houve discórdias; e, se não houvesse sido por uma palavra predita, por teu
Senhor, Este já os teria julgado. Mas continuam em dúvida inquietante, a tal
respeito.(663) 111 Teu Senhor retribuirá a cada um segundo suas obras, porque
Ele está bem inteirado de tudo quando fazem. 112 Sê firme, pois, tal qual te
foi ordenado, juntamente com os arrependidos, e não vos extravieis, porque Ele
bem vê tudo quanto fazeis. 113 E não vos inclineis para os iníquos, porque o
fogo apoderar-se-á de vós; e não tereis, em vez de Deus, protetores, nem sereis
socorridos. 114 E observa a oração em ambas as extremidades do dia(664) e em
certas horas da noite,(665) porque as boas ações anulam as más. Nisto há
mensagem para os que recordam. 115 E persevera, porque Deus não frustra a
recompensa dos benfeitores. 116 Se ao menos houvesse, entre as gerações que vos
precederam, alguns sensatos que proibissem a corrupção na terra, como o fizeram
uns poucos do que havíamos salvo! Mas os iníquos se entregaram às suas
concupiscências e foram pecadores. 117 É inconcebível que teu Senhor
exterminasse as cidades injustamente, caso seus habitantes fossem
conciliadores! 118 Se teu Senhor quisesse, teria feito dos humanos uma só
nação; porém, jamais cessarão de disputar entre si, 119 Salvo aqueles de quem
teu Senhor Se apiade. Para isso os criou. Assim, cumprir-se-á a palavra do teu
Senhor: Encherei o inferno, tanto de gênios, como de humanos, todos juntos. 120
E tudo o que te relatamos, da história dos mensageiros, é para se firmar o teu
coração. Nesta (surata) chegou-te a verdade, e a exortação e a mensagem para os
fiéis. 121 E dize aos incrédulos: Agi segundo o vosso critério, que nós
agiremos segundo o nosso. 122 E aguardai, que nós aguardaremos. 123 A Deus
pertence o mistério dos céus e da terra, e a Ele retornarão todas as coisas.
Adora-O, pois, e encomenda-te a Ele, porque teu Senhor não está desatento de
tudo quanto fazeis! www.ligaislamica.org.br.
Abraço. Davi
Espiritualidade. www.oshobrasil.com.br. Texto de Rajneesh Chandra Mohan Jain - Osho - (1931-1990). Tradução Sw
Bodhi Champak. VOCÊ É REALMENTE VOCÊ MESMO. Querido Osho, Quando estou só e leio seus
livros ou ouço suas fitas, eu me sinto imensamente feliz, choro e danço
sozinho. Mas eu não consigo expressar meus sentimentos na presença dos outros,
embora eu queira muito fazer isso. Por favor, diga-me o que fazer. “Kishor Bharti, este é um dos
problemas humanos básicos, porque toda a nossa educação cria uma divisão na
nossa própria mente. Você tem que mostrar uma face para a sociedade, para a
multidão, para o mundo – ela não precisa ser a sua face verdadeira; na verdade
ela não deve ser a sua face verdadeira. Você tem que mostrar a
face que as pessoas gostam, que as pessoas apreciam, que seja aceitável para
elas – para suas ideologias e suas tradições – e a sua face original, você tem
que guardá-la para si mesmo. Essa divisão o torna muito desconectado
porque a maior parte do tempo você está na multidão, encontrando pessoas, se
relacionando com pessoas – muito raramente você está só. Naturalmente, as
máscaras se tornam muito mais parte de você do que a sua própria natureza. E a
sociedade cria um medo em todo mundo: o medo da rejeição, o medo de que alguém
possa rir de você, o medo de perder a respeitabilidade, o medo do que as
pessoas dirão. Você tem que se ajustar a todo tipo de pessoas cegas e
inconscientes. Até agora, esta tem sido a nossa tradição básica em todo o
mundo: não se permite a ninguém ser ele próprio. E é por causa disso que o
problema surge – este é um problema de todo mundo. Você está perguntando,
‘Quando estou só e leio seus livros ou ouço suas fitas, eu me sinto
imensamente feliz, choro e danço sozinho. Mas eu não consigo expressar meus
sentimentos na presença dos outros, embora eu queira muito fazer isso. Por
favor, diga-me o que fazer’. No momento em que o outro está na sua frente,
você está pouco preocupado consigo mesmo; você está mais preocupado é com a
opinião que ele terá a seu respeito. Quando você está só no seu banheiro, você
se torna quase igual a uma criança – algumas vezes você faz caretas diante do
espelho. Mas se você de repente percebe que está sendo observado pelo buraco da
fechadura, até mesmo por uma criancinha, imediatamente você muda: você volta
novamente ao seu velho e comum ego – sério, sóbrio, como as pessoas esperam que
você seja. E a coisa mais incrível é que você tem medo daquelas pessoas e
elas têm medo de você – todo mundo tem medo de todo mundo. Não se permite a
ninguém seus sentimentos, sua realidade, sua autenticidade – mas todo mundo
quer isso, porque é um ato muito suicida continuar reprimindo a sua face
original. Você não está vivendo; ao contrário, você está simplesmente
representando. E porque todo mundo está observando, os seus prolongados séculos
de inconsciência o puxam para trás: não se expresse, não saia das máscaras de
sua personalidade. Todo mundo está se escondendo atrás de alguma coisa falsa –
isso machuca. Ser desonesto e hipócrita consigo mesmo é a pior punição
que você pode se dar. E você não vai fazer algo prejudicial a quem quer
que seja – você simplesmente quer chorar e suas lágrimas serão de alegria; você
quer dançar e isto não é pecado, nem é crime. Você simplesmente quer
compartilhar a sua felicidade – você está sendo generoso. Apesar disso, o medo
é de que as pessoas possam não aceitar a sua felicidade. Alguém pode dizer que
ela é falsa, que você está apenas representando, podem dizer que você está
hipnotizado. Uma coisa estranha é que se você está miserável, ninguém lhe
diz coisa alguma, você está perfeitamente encaixado. Mas onde todo mundo é
miserável, você fica fora de sintonia com a multidão se, de repente, começar a
dançar. Você quer expressar a sua alegria, mas não é corajoso o suficiente
para estar só... Mas, na verdade, quem vai se importar? No máximo, talvez as
pessoas pensem que você está um pouco maluco, e uma vez que elas aceitem que
você está um pouco maluco, então não há do que ter medo. O que há de errado em
ser chamado de maluco? O mundo tem conhecido tantas pessoas malucas bonitas...
Na verdade, todas as grandes pessoas no mundo têm sido um pouco malucas –
malucas aos olhos da multidão. Elas expressaram suas maluquices porque
elas não eram miseráveis, eles não estavam na ansiedade, não tinham medo da
morte, não se preocupavam com trivialidades. Elas estavam vivendo cada momento
com totalidade e intensidade, e por causa dessa totalidade e intensidade, suas
vidas se tornaram lindas flores – cheias de fragrância, amor, vida e riso. Mas isto certamente machuca milhões de
pessoas que estão ao seu redor. Elas não podem aceitar a idéia de que você
alcançou alguma coisa que elas perderam. Elas tentarão de toda maneira tornar
você miserável, para destruir a sua dança, para tirar a sua alegria – de modo
que você possa voltar novamente ao rebanho. É preciso reunir coragem. E se as
pessoas disserem que você está maluco, curta a idéia. Diga a elas, ‘Vocês estão
certos; neste mundo somente as pessoas malucas podem ser felizes e alegres. Eu
escolhi a loucura com alegria, com felicidade, com dança; vocês têm escolhido a
sanidade com miséria, angústia e inferno – nossas escolhas são diferentes. Seja
são e permaneça miserável; mas deixe-me só na minha loucura. Não se sintam
ofendidos; eu não estou me sentindo ofendido por vocês – tantas pessoas sãs no
mundo e eu não estou me sentindo ofendido.’ Isto é
apenas uma questão de pouco tempo. Uma vez que eles o aceitem como sendo
maluco, logo deixarão de se preocupar com você; então você poderá entrar na luz
completa com seu ser original – você pode abandonar todas as suas
falsidades. Eu era um estudante da universidade... Eu não escolhi a
universidade por ela em si, mas por causa de um professor que era muito vivo,
muito cheio de amor e sem medo do mundo. Eu escolhi o professor e ele estava
naquela universidade. Ele convidou-me a entrar na universidade em que ele
lecionava... E ele disse que facilitaria tudo que fosse possível para
mim. Ele me amava imensamente porque todos os anos eu costumava ir àquela
universidade para uma competição de debates entre universidades; por quatro
anos consecutivos eu fui o vencedor. No primeiro ano ele era um dos juízes. Ele
chamou-me de lado e disse, ‘Eu não posso dizer isto para as outras pessoas, mas
eu também não consigo guardar só para mim. Eu só posso dizer isto para você: eu
lhe dei a pontuação de noventa e nove por cento no debate, e eu sinto muito
porque eu queria ter-lhe dado cem por cento. Mas, eu não tive coragem, porque
as pessoas poderiam pensar que eu estava comprometido, que eu estava
favorecendo. Eu fiquei com medo. Mas, perdoe-me por ter tirado um por cento da
pontuação que era sua. ’Todo ano ele era um dos juízes e no quarto ano, quando
eu me graduei, ele me convidou para entrar na universidade para minha
pós-graduação. Eu lhe disse. ‘ Eu estou vindo aqui apenas por sua causa.’ No primeiro
dia ele levou-me ao vice-reitor e no caminho me disse, ‘Não entre em qualquer
discussão – porque este homem, o velho vice-reitor, é muito teimoso e é preciso
ser muito diplomático com ele.’ Eu disse, ‘Você pode ser diplomático com ele,
eu simplesmente vou ser eu mesmo.’ Ele disse, ‘O que você quer dizer?’ Eu
disse, ‘Ser diplomático significa ser uma outra pessoa, diplomacia é um outro
nome para hipocrisia. Seja você diplomático – eu simplesmente serei eu mesmo. E
o pior que pode acontecer será, no máximo, ele não me garantir o dinheiro para
os dois anos de estudo, e também pode não me garantir outras facilidades - mas
só por tais facilidades, eu não posso ser desonesto comigo mesmo.’ Ele disse,
‘Pelo menos você pode permanecer em silêncio? Não dizer coisa alguma? Eu
conversarei com ele no seu lugar.’ Eu disse, ‘Eu não posso prometer, pois se
ele disser alguma coisa estúpida, eu não vou resistir à tentação de lhe dizer
que ele é estúpido.’ Ele disse, ‘Eu nunca tinha notado que você é uma pessoa
tão difícil.’ Eu disse, ‘É bom saber desde o início. Este é o primeiro dia;
ainda há tempo: você pode simplesmente me dizer e eu vou embora.’ ‘Não,’ ele
disse, ‘vamos tentar.’ Ele levou-me ao vice-reitor. Eu sempre vivi do meu
próprio jeito, e o vice-reitor tinha sido professor em Oxford, viveu quase toda
a sua vida na Inglaterra e quase se tornou um verdadeiro inglês. Ele disse algo
a respeito da minha barba, que eu estava deixando crescer. ‘Por que você não faz
a sua barba?’ Meu professor ficou com medo de que este fosse o começo do
fim. Eu disse, ‘Você está formulando uma pergunta errada; na verdade eu
deveria lhe perguntar porque você faz a sua barba – porque eu não estou fazendo
a minha crescer; ela cresce por si mesma. A sua pergunta é sem sentido – Você
poderia me perguntar porque eu não cortei os meus dedos, ou perguntar alguma
outra coisa. É natural que um homem deva ter a sua barba, você está sendo
antinatural. Você tem que me responder – por que você faz a sua barba?’ Meu
pobre professor, que estava sentado ao meu lado, começou a me cutucar com o
cotovelo. Eu tive que lhe dizer, ‘Pare de me cutucar. Não me interessam todas
as facilidades para as quais você me trouxe aqui diante do vice-reitor neste
momento. Minha única preocupação é que ele deve aceitar que formulou uma
pergunta errada.’ Por um momento, fez-se um grande silêncio e o velho homem
disse, ‘Na verdade, você está logicamente correto. E neste momento eu não tenho
resposta alguma, porque ninguém jamais questionou isso em minha vida. – eu
nunca pensei a respeito.’ Eu lhe disse, ‘Esta é a sua barba e você a tem
cortado e se barbeado talvez por cinquenta anos, sem mesmo pensar sobre o que
estava fazendo.’ Então eu disse, ‘OK, você pode ter o seu tempo. Eu virei aqui
todos os dias, às onze horas, quando a secretaria abre; você poderá me
encontrar em frente à secretaria. Você tem que encontrar uma resposta.’ Mas meu
professor disse, ‘Nós não viemos aqui para discutir sobre barba! A questão aqui
é o seu estudo complementar, a sua pós-graduação e ele é o homem que pode
decidir’. Eu disse, ‘Eu não estou preocupado com isso. Neste presente
momento, a minha única preocupação é fazê-lo perceber que ele viveu uma vida
inconsciente.’ O velho homem disse, ‘Da barba você chegou a ‘uma vida
inconsciente’? Ele perguntou ao meu professor, ‘Quais são as exigências? Eu vou
lhe garantir uma escolaridade por dois anos.’ Hospedagem gratuita, alimentação
gratuita, ele assinou tudo e disse, ‘Só não fique parado diante da minha porta
todos os dias! Se você precisar de alguma coisa simplesmente venha e me diga,
eu prometo que não vou lhe perguntar nada – foi uma falha minha. ’Então eu
disse, ‘Está decidido? Uma vez que você me formulou uma pergunta, aquilo se
tornou a minha prioridade para aquele momento, qualquer coisa que eu tiver que
sacrificar, eu sacrificarei.’ Ele disse, ‘Eu prometo e o
seu professor é testemunha.’ Mas era difícil para ele – e seria difícil para
qualquer um, porque eu costumava usar um robe sem botão algum, de modo que meu
peito ficava exposto... E na vez seguinte, eu fui até ele porque eu queria
permissão para levar tantos livros quanto eu quisesse da biblioteca para a
minha sala, e a regra que era apenas um livro de cada vez não deveria ser
aplicada a mim. Ele disse, ‘Nós podemos conversar a respeito disso, mas
onde estão os seus botões?’ Eu disse, ‘Você está procurando problemas; você se esqueceu de sua
promessa. Na verdade, eu deveria perguntar novamente, por que num país quente como a
Índia - e nós estamos no verão - você está transpirando e ainda está usando
essa gola fechada e esse sobretudo? Eu não uso botões porque quero que meu
peito receba a brisa fresca. Isto é algo errado?’ Ele disse, ‘Isto não é
errado.’ Eu disse, ‘Algo imoral? Algo contra as regras da universidade?Por que
você deveria se preocupar com isso? O peito é meu e eu quero que ele receba
brisa, o tanto que for possível. Ele disse, ‘Eu esqueci minha promessa. Você
tem a permissão para levar quantos livros queira. Eu nem mesmo vou perguntar
porque você quer tantos livros, pois eu não quero entrar em nenhuma discussão.
Uma coisa está decidida: é melhor não discutir com você.’ A primeira reunião em
que eu compareci, na qual ele iria falar, era no aniversário de Goutama Buda.
Ele era um grande orador e também um bom ator. Quando ele estava falando sobre
Goutama Buda, as lágrimas rolaram de seus olhos e ele disse, ‘Eu sempre senti
que se eu vivesse no tempo de Goutama Buda, eu teria ido sentar-me aos seus pés
para aprender a arte de alcançar mais consciência, de se tornar iluminado.’ Eu
estava sentado no meio e me levantei. Quando me viu de pé, ele disse, ‘Eu disse
algo errado?’ Eu disse, ‘Você não apenas disse algo errado, você está se
comportando muito falsamente. Pelo menos diante de seus alunos você não deveria
faltar com a sinceridade. O que você disse não tem significado para você, as
suas lágrimas são falsas.’ Todos os professores da universidade estavam
presentes assim como toda a comunidade de alunos. Todos ficaram chocados por eu
ter dito ao vice-reitor, ‘Você faltou com a sinceridade.’ Eu disse, ‘Você já
ouviu o nome Ramana Maharshi?’ Ele disse, ‘Sim, eu já ouvi.’ ‘Você foi
alguma vez sentar-se aos seus pés? – porque ele é do mesmo calibre e da mesma
consciência que Goutama Buda. E eu posso dizer com autoridade que mesmo no tempo
de Goutama Buda você não iria até ele. Este século também tem pessoas
iluminadas. Você tem que retirar suas palavras.’ As pessoas costumavam achar
que ele era uma pessoa muito teimosa... Mas talvez ele nunca tenha encontrado
alguém tão autenticamente sincero que pudesse trazer ao público a sua face
original. Ele chorou, suas lágrimas rolaram, e disse, ‘Talvez você esteja certo
– eu não teria ido. Isto foi apenas uma retórica e nada mais; foram palavras
sem significado. Em toda esta reunião talvez você seja a única pessoa que está
ouvindo – não apenas as palavras, mas também o significado por trás
delas. ‘Eu gostaria que você jantasse comigo hoje à noite, porque eu
gostaria de discutir um pouco mais. Eu nunca encontrei alguém em toda a minha vida
que trouxesse a minha face original diante da multidão. E algo é muito estranho
– eu não fiquei bravo com você, eu simplesmente sinto uma tristeza profunda por
mim mesmo. Por que eu não consigo ser verdadeiro? Jamais alguém mostrou isso a
mim.’ Todas as pessoas no mundo querem ser verdadeiras, pois só por serem
verdadeiras, isso já lhes traz muita alegria e uma abundância de felicidade.
Por que alguém deveria ser falso? Você precisa ter coragem para chegar a um
insight um pouco mais profundo: Por que você tem medo? O que o mundo pode fazer
com você? As pessoas podem rir de você; isso fará bem para elas – rir é sempre
medicinal, é saudável. As pessoas podem pensar que você é louco... Você não vai
ficar louco só porque elas pensam que você está louco. E se você é autêntico
quanto à sua alegria, suas lágrimas, sua dança – mais cedo ou mais tarde
aparecerão pessoas que compreenderão você, que poderão começar a se juntar à
sua caravana. Eu mesmo comecei sozinho no caminho, e depois as pessoas foram
chegando e isso se tornou uma caravana do tamanho do mundo. E eu não convidei
ninguém; eu apenas fazia aquilo que sentia que estava vindo de meu
coração. A minha responsabilidade é com o meu coração, não com as outras
pessoas no mundo. Assim, a sua responsabilidade é apenas com o seu próprio ser.
Não vá contra ele, porque ir contra ele é cometer suicídio, é destruir a si
próprio. E qual é o ganho? Mesmo se as pessoas lhe derem respeito e acharem que
você é sóbrio, respeitável, honorável, essas coisas não irão nutrir o seu ser.
Elas não irão lhe dar qualquer insight a mais sobre a vida e sua imensa beleza.
E, além disso, todo mundo está tão preocupado com seus próprios problemas, quem
irá se procupar se você está rindo e dançando? Quem tem tempo para isto? É
apenas a sua mente que está pensando que todo o mundo está pensando a seu
respeito. A minha própria experiência é: todo mundo está muito cheio, muito
preocupado com a correria de pensamentos sobre si mesmo, sua vida, seus
problemas. Você acha que alguém tem tempo até mesmo para olhar para você ou
pensar a seu respeito? Um médico judeu para outro colega: ‘Ao longo de
todo o dia, eu escuto histórias de dor e sofrimento: ‘Doutor, minhas costas (...)
.Doutor, meu estômago (...). Doutor, minha esposa.’ Eu lhe digo que isso é
terrível. Diga-me, Sam, como você consegue aparentar serenidade depois de um
dia escutando os problemas do mundo?’ O segundo médico: ‘Quem escuta? Você não
deve se preocupar, de jeito algum. Todos estão preocupados com seu próprio
mundo, eles não têm tempo nem energia para se preocupar com você. E mesmo se
eles tiverem alguma opinião, isso é problema deles. Você está sozinho no mundo:
sozinho você veio ao mundo, sozinho está aqui e sozinho deixará este mundo.
Todas as opiniões deles ficarão para trás; somente os seus sentimentos
originais, as suas experiências autênticas irão com você, mesmo depois da
morte. Nem mesmo a morte poderá lhe tirar a dança, as suas lágrimas de alegria,
a sua pureza na solitude, o seu silêncio, a sua serenidade, o seu êxtase.
Aquilo que a morte não pode tirar de você é o único tesouro verdadeiro; e
aquilo que pode ser tirado pelas outras pessoas não é um tesouro, é apenas
tolice. Quantos milhões de pessoas viveram antes de você neste planeta? Você
nem mesmo sabe o nome delas; se elas viveram ou não, não faz qualquer
diferença. Existiram santos e pecadores, existiram pessoas muito respeitáveis e
todo tipo de excêntricos e malucos, mas todos eles desapareceram – nem mesmo um
rastro permaneceu sobre a terra. A sua única preocupação deve ser em
cuidar e proteger aquelas qualidades que você pode levar consigo quando a morte
destruir o seu corpo e a sua mente, porque essas qualidades serão as suas
únicas companhias. Elas são os únicos valores verdadeiros e as pessoas que as
alcança – somente elas - vivem; as outras fingem que vivem. Numa noite escura, a KGB bateu
na porta do Yussel Finkelstein. Yussel abriu a porta. O homem da KGB bradou, ‘O
Yussel Finkelstein vive aqui?’ ‘Não,’ respondeu Yussel, de pé com seu pijama
esfarrapado. ‘Não? Então qual é o seu nome?’ ‘Yussel Finkelstein.’ O homem
da KGB jogou-o ao chão e disse, ‘Você não disse que não vivia aqui?’ Yussel
responde, ‘E você chama isso vida?’ Só viver nem sempre é viver. Olhe para a sua vida.
Você pode dizer que ela é uma benção? Você pode dizer que ela é um presente da
existência? Você gostaria que essa vida lhe fosse dada repetidas vezes? Ela
está tão vazia. Por causa de seu vazio, as suas preces são vazias. Você não
consegue preencher suas preces com gratidão. Gratidão, por que? Você nada mais
está fazendo senão representando papéis em uma novela, você não está sendo você
mesmo. Eu me lembro (...).
Uma mulher jovem e muito bonita foi ver o grande pintor Picasso. E lá ela viu
uma fotografia de Picasso pendurada na parede. Ela lhe perguntou, ‘É sua a
fotografia? Aquele é você?’ Pablo Picasso (1881-1973) disse, ‘Não.’A mulher
disse, ‘Estranho. Parece exatamente como você. Você tem um irmão gêmeo? Ele é
totalmente igual.’ Picasso disse, ‘Ele pode ser como eu, mas ele não está vivo.
E se ele fosse eu, já teria saltado da moldura para lhe dar um beijo.
Certamente não sou eu.’ Você é realmente você mesmo? Ou está apenas
fingindo ser alguém que a multidão ao seu redor queria que você fosse? Para
mim, um buscador da verdade deveria começar por abandonar tudo o que é falso
nele, porque o falso não pode buscar a verdade. O falso é a barreira entre você
e a verdade. Se tudo o que é falso for abandonado, você não precisa buscar pela
verdade – a verdade virá até você. Na verdade, quando eu digo, ‘A verdade virá
até você’, isto são apenas palavras. Quando tudo o que é falso é abandonado,
você é a verdade. Nada vem e nada vai. Não existe jornada. OSHO - The Hidden Splendor -
Cap. 15. Tradução: Sw.
Bodhi Champak. www.oshobrasil.com.br.
Abraço. Davi