sexta-feira, 10 de julho de 2020

JUDEUS DA ALEMANHA: DA REPÚBLICA AO TERCEIRO REICH.


Judaísmo. www.morasha.com.br. JUDEUS DA ALEMANHA: DA REPÚBLICA AO TERCEIRO REICH. Nas primeiras décadas do século 20, os judeus alemães eram os mais cultos, ricos e poderosos dentre seus irmãos de outras nacionalidades, exercendo profunda influência no mundo judaico. Em Berlim, eles atingiram seu ponto mais alto. Mas, no início da década de 1930, desabou sobre sua tranquilidade e prosperidade uma sombra que aumentava assustadoramente. O ano de 1933 é o divisor de águas em sua história, o início da guerra que Adolf Hitler (1889-1945) declarou contra os judeus. No início do século 20, viviam 587 mil judeus no Império Alemão (Deutsches Reich1), criado em janeiro de 1871 após a vitória da Prússia na Guerra Franco-Prussiana. O novo Deutsches Reich, que congregava todos os estados alemães, era governado pelo imperador, o Kaiser Wilhelm I. A população judaica havia sido emancipada em 1867, mas a maioria das restrições civis e políticas que ainda restavam somente foram abolidas com o novo império. Eram muitas as portas que ainda permaneciam fechadas, mas o antissemitismo era mais brando que em outros países e eles se consideravam privilegiados por viverem na Alemanha, a nação mais poderosa do continente europeu, econômica e militarmente. Os judeus participavam de seu florescimento; prosperaram e alguns se tornaram muito ricos. Metade dos bancos privados estavam em mãos de judeus, tendo os empreendedores da comunidade fundado indústrias inovadoras e cadeias de lojas de departamentos. O crescente bem-estar judaico e a convicção de que tinham seu lugar no seio da nação alemã os levaram à construção de majestosas sinagogas. Embalados na recém-adquirida segurança, poucos perceberam as mudanças que sofrera o nacionalismo alemão. A unificação do país era fruto da ação das elites militares prussianas autocráticas e antissemitas, e, resultou num nacionalismo com ranço conservador e xenofóbico. Embora variasse a intensidade de sua virulência, as manifestações antissemitas existiram até mesmo nos anos dourados do judaísmo alemão. Mas, como não afetava o status legal, esse antissemitismo era visto pelos judeus como um problema social e cultural e poucos perceberam seu perigo. 1ª Guerra Mundial. A 1ª Guerra eclodiu na Europa em agosto de 1914. Além da Alemanha, o conflito envolveu a França, Inglaterra, o Império Austro-Húngaro, Sérvia, Itália, o Império Russo e Otomano e os Estados Unidos. Havia judeus lutando em todos os exércitos. Na Alemanha era grande o apoio público à guerra, como mostram as fotografias da época. Um judeu, Walther Rathenau (1867-1922), assumiu o Departamento de Suprimentos do Ministério da Guerra. Uma das mentes mais brilhantes de Berlim, nos oito meses em que ficou à frente do cargo ele implantou a primeira economia moderna planificada da Europa. À medida que foi-se arrastando o conflito que os alemães haviam previsto vencer em alguns meses, eles começaram a procurar “culpados”. Surgiram rumores de que a culpa era dos judeus, “pelo fato de ainda não terem acumulado riqueza suficiente”. Em agosto de 1916, Rathenau escreveu: “Quanto mais judeus morrerem neste conflito, mais persistentes serão as queixas de que eles não fizeram nada além de ficar atrás das linhas de frente e de lucrar”. Palavras proféticas. Em outubro, o Ministério da Guerra realizou de um censo nas Forças Armadas para determinar o número de judeus na linha de frente. O levantamento teve um efeito devastador sobre a moral judaica. O censo refutou as acusações: 80% dos soldados judeus estavam na linha de frente, mas, convenientemente, tornaram-se públicas apenas as acusações de “covardia” e não os resultados. Em meados de 1918, a derrota alemã era inevitável. Cinco milhões de seus concidadãos estavam mortos e, dos 100 mil judeus que lutaram nas fileiras do exército alemão, 12 mil morreram. O país estava à beira do colapso e nas ruas o povo clamava por paz. O Kaiser Guilherme II foi forçado pelas elites militares a abdicar e, para facilitar as negociações de paz com os Aliados, o Oberste Heeresleitung (Comando Supremo do Exército) apoiou a constituição de um governo civil. Em 9 de novembro de 1918 foi criada a República de Weimar. A Constituição entrou em vigor no final do ano seguinte, cabendo a um judeu, Hugo Preuss (1860-1925), na época Ministro do Interior, redigir seu anteprojeto. Querendo salvar as forças armadas, as elites militares pressionaram o governo republicano a aceitar um humilhante acordo de paz. O Tratado de Versalhes, assinado em junho de 1919, atingiu a Alemanha moral e economicamente. Os republicanos deveriam ter obrigado os generais a assumir a responsabilidade sobre os acordos, mas não o fizeram, e as consequências foram desastrosas. A República de Weimar. A República começou com uma onda de esperança, principalmente para os judeus, que, finalmente, estavam em pé de igualdade com os outros cidadãos. Eles se engajaram na reconstrução da nação e sua participação na vida econômica, política e cultural alcançou proporções sem precedente. Até então, eles haviam sido excluídos das universidades, dos cargos no governo e dos altos postos no Judiciário e na administração pública. Na nova República havia 24 judeus no Reichstag (Parlamento Alemão)e seis serviam como ministros do governo central. Outros foram eleitos primeiros-ministros da Prússia, Saxônia e Baviera. Walther Rathenau tornou-se Ministro da Reconstrução e, em seguida, das Relações Exteriores. Os judeus se tornaram jornalistas, dramaturgos, poetas, diretores e críticos de teatro; donos de galerias, atores, pianistas, maestros. Não havia quem amasse a arte, o teatro e a música mais do que um judeu alemão, e os mais ricos patronos e colecionadores de arte pertenciam à burguesia judaico-alemã. Eles tiveram um papel de destaque nas ciências. Albert Einstein (1879-1955), por exemplo, mudou radicalmente nossa visão do universo; e Paul Ehrlich (1854-1915) descobriu a quimioterapia. Muito do que é admirado, hoje, como a Era de Ouro da cultura de Weimar foi criado por judeus como Mahler, Zweig, Werfel, Husserl, Hofmannsthal, Ehrlich, Willstättter, Mauthner, Kafka. Os principais nomes da famosa Escola de Frankfurt também eram judeus: Mannheim, Adorno, Fromm, Marcuse, Horkheimer e Walter Benjamin. Berlim, epicentro da cultura de Weimar, foi onde os judeus atingiram seu ponto mais alto. Os antigos preconceitos, porém, estavam vivos, e a estes foram adicionadas acusações do tipo “na guerra, os judeus esfaquearam a Alemanha pelas costas” ou “a República é parte de uma conspiração bolchevique judaica para dominar o mundo”. E, quando a hiperinflação detonou uma grave crise, a direita não precisou de muito esforço para “convencer” um grande número de alemães de que os “culpados” de todos os males – a derrota militar, a crise econômica, o capitalismo, o comunismo, a sífilis e assim por diante, eram os judeus. Nos anos de hiperinflação o antissemitismo era mais feroz do que em 1933. Em Munique, um dos grupos de direita, o então inexpressivo Partido Nacional Socialista do Trabalhadores (NSDAP), elegeu Adolf Hitler para encabeçar o movimento. Sua plataforma política advogava a erradicação dos judeus da Alemanha, por meios legais, se possível; caso contrário, através da violência, deportação e morte. Esses grupos de direita foram responsáveis por um dos assassinatos mais devastadores do pós-guerra: em 24 de junho de 1922, Rathenau foi baleado e morreu. Em Munique, em 8 de novembro do ano seguinte, Hitler tentou um coup d’état, o chamado Putsch da Cervejaria. Preso, é julgado por alta traição e condenado a cinco anos de prisão. Após 8 meses, no entanto, estava em liberdade. Enquanto esteve preso escreveu seu testemunho político, Mein KampfMinha Luta. Seu ódio contra os judeus transborda pelas páginas. Para ele, dois perigos ameaçavam destruir a Alemanha – os judeus e o bolchevismo. Em conversa com o major Josef Hell, em 1922, declarou que, se chegasse ao poder, seu objetivo seria uma Alemanha Jüdenrein – livre de judeus, e sua prioridade, “o extermínio de judeus”.Vida judaica na década de 1920. Em 1925, viviam na Alemanha 564 mil judeus, um terço dos quais em Berlim. O judaísmo reformista ou liberal era dominante. As altas taxas de conversão e casamentos mistos, que, em 1918, atingiam 21% e 30%, respectivamente, haviam resultado num encolhimento da população judaica. Apenas o constante fluxo de imigração de “Ostjuden” (como eram chamados os judeus do Leste, especialmente os de língua iídiche) mantinha os números relativamente estáveis. A maioria da população judaica pertencia à classe média e ganhava a vida no comércio e profissões liberais. Nos centros urbanos, mais de um terço dos advogados e médicos eram judeus. Eles também desempenhavam um papel proeminente em todas as formas de entretenimento. Em final do século 19, fora criada, em Berlim, a Centralverein (União Central dos Cidadãos Alemães da Fé Judaica). O nome foi cuidadosamente escolhido. “Não somos judeus alemães, mas sim cidadãos alemães da fé judaica”. A organização defendia uma síntese do judaísmo e do “do germanismo” e rejeitava o sionismo. Até 1904, o número de sionistas era irrisório, apenas seis mil. Mas o sionismo alemão mudaria com o advento de uma nova geração comprometida em travar uma guerra contra a assimilação e a conversão. Um dos seus porta-vozes, Kurt Blumenfeld (1884-1963), de família rica e bem integrada, chegou a declarar: “A falência da emancipação foi o ‘segredinho escuso’ suprimido pela burguesia judaico-alemã”. A juventude contava com inúmeros movimentos juvenis judaicos e, em 1917, a comunidade judaica estruturou seu programa de assistência social criando a Zentralwohlfahrtstelle. O antissemitismo, porém, continuava vivo e ativo. Até os que defendiam a assimilação reconheciam sua virulência. O dramaturgo Arthur Schnitzler (1862-1931) o definiu como “uma emoção desenfreada, mas sem um papel importante na política ou na sociedade”. No final da década, os eventos favoreceram o crescimento da extrema direita. O desemprego aumenta extraordinariamente, o número de comunistas cresce e o extremismo substitui o ideal democrático de Weimar. Anunciava-se um futuro muito sombrio. O fatídico ano de 1933. No dia 30 de janeiro de 1933, o então presidente Paul von Hindenburg (1847-1934) nomeia Adolf Hitler chanceler. Ele vai rapidamente transformar a frágil democracia alemã em uma ditadura unipartidária baseada em um nacionalismo e autoritarismo e uma ideologia racista e antissemita. O evento não gera pânico entre os judeus, apenas apreensão. A Centralverein exorta a comunidade: “Devemos esperar com calma”. Apesar dessa exortação, logo em seguida houve um êxodo de artistas, intelectuais e cientistas judeus, entre eles Otto Klemperer, Bruno Walter, Max Liebermann e Albert Einstein. Mal chegado ao poder, o Führer, “o líder” em sua tradução, ordena o aprisionamento de comunistas e oponentes. Quando, em 27 de fevereiro, um “oportuno” incêndio destrói o Reichstag, os nazistas acusam os comunistas. Na manhã seguinte, um decreto presidencial dá à Hitler poderes emergenciais. O decreto suspendia os direitos civis constitucionais e declarava estado de emergência. Tropas de choque, as Sturmabteilung (SA), entram em ação, efetuando prisões em massa. Em 23 de março, o Reichstag dava plenos poderes legislativos e executivos a Hitler. Desde os primeiros meses Hitler tinha a última palavra tanto na legislação nacional quanto na política externa e sua visão acerca da “Questão Judaica” foi essencial para o desenvolver dos eventos que culminariam no Holocausto. Para o Führer, a luta contra os judeus era uma confrontação de dimensões apocalípticas, uma guerra contra um inimigo que ameaçava a própria sobrevivência da Alemanha. A vida judaica entra em colapso. A primeira manifestação anti-judaica organizada ocorreu na Alemanha nazista (também chamada de Terceiro Reich) no dia 1º de abril. O Führer ordenara o boicote a todas as lojas e escritórios pertencentes a judeus. Nesse dia, tropas de choque das SA tomaram posição na frente dos mesmos. Janelas e portas foram pichadas com o Maguen David (Estrela de David) ao lado de termos pejorativos, caricaturas grotescas e suásticas. Houve protestos, num primeiro momento. Os judeus pediam aos nazistas que se lembrassem de sua contribuição e lealdade à Alemanha, mas seus esforços foram inúteis. Os judeus da Diáspora também protestaram contra os maus-tratos aos quais seus irmãos estavam sendo submetidos. Quando se espalhou a notícia de um boicote iminente às lojas judaicas, programou-se uma manifestação no Madison Garden, em Nova York, em 27 de março. Começava, também, uma campanha de boicote aos produtos alemães. Para as igrejas cristãs, o boicote foi o primeiro teste em relação à atitude oficial que adotariam nos 12 anos seguintes em relação à “questão judaica”. Como escreveu o historiador Klaus Scholder (1930-1985), “Nenhum bispo, nenhum representante da Igreja fez uma declaração pública contra a perseguição”. Em geral, a atitude das Igrejas Cristãs foi a de um “antissemitismo moderado”. Eram contra a violência nazista, mas apoiavam a “luta contra a influência judaica na economia e na vida cultural na Europa”. E, quando externava preocupação, esta era apenas em relação aos judeus convertidos. Salvaguardando a “pureza“ ariana. O choque causado pelo boicote foi suplantado pelo abalo provocado pelas leis antissemitas introduzidas logo a seguir, quando foi legalmente adotada a definição de um Nicharier, “um não ariano. No Terceiro Reich, um Nicharier era qualquer pessoa que descendesse de um não-ariano, especialmente de pais ou avós judeus. No deturpado pensamento nazista, um Nicharier era uma pessoa “racialmente inferior” e a força da nação germânica era baseada na “pureza do sangue”. O objetivo das novas leis era “limpar” a nação alemã da presença judaica, e resultaram na exclusão dos judeus de áreas importantes: a própria estrutura estatal (Lei do Serviço Civil), saúde (Lei dos Médicos), a estrutura social (a revogação das licenças dos advogados judeus). Durante algum tempo, os veteranos da 1ª Guerra não foram incluídos, causando, assim, uma cisão na comunidade judaica. Uma agressiva campanha para disseminar os “ideais” do regime é iniciada por Joseph Goebbels, ministro da Propaganda. Uma das metas era “limpar” a vida cultural alemã da influência judaica. O primeiro grande passo foi dado pelos estudantes das universidades que determinaram “a queima pública de livros indesejáveis”, em sua maioria de autores judeus. Na noite do dia 10 de maio, foram acesas fogueiras e, em grandiosas cerimônias mais de 20 mil livros foram queimados em todo o Reich, 10 mil deles em Berlim apenas. Em um discurso, Hitler reafirmou a necessidade de acelerar o ajuste de contas com os “criminosos” da cultura alemã. A ofensiva nazista ultrapassava todos os limites. Tentando manter a vida judaica. As principais figuras da comunidade judaica procuravam tranquilizar a comunidade, afirmando que “o futuro da vida judaica na Alemanha não estava irremediavelmente ameaçado”. A situação causou um despertar espiritual no judaísmo alemão, com um sopro de vitalidade em sua vida comunitária. A imprensa judaica também teve um papel preponderante no fortalecimento do espírito dos judeus alemães. Determinados a manter, de alguma forma, a vida judaica, em setembro de 1933 foi criada a Representação Nacional dos Judeus Alemães (Reichsvertretung Deutscher Juden). Sediada em Berlim, a entidade coordena as atividades comunitárias e o Rabino Leo Baeck (1873-1956) é eleito presidente. As atividades educacionais e culturais do Reichsvertretung foram o início de um movimento judaico de resistência moral. A Organização Sionista da Alemanha, que conquistara uma força extraordinária, levou a metade dos assentos no conselho comunitário, entre todas as organizações, em 1935. E, entre os movimentos sionistas juvenis, estava o Habonim Noar Chalutzi, fundado em 1933. O movimento Hechalutz, o maior de todos, preparava seus membros para se estabelecerem em Eretz Israel. Entre outros, as novas leis do Terceiro Reich levaram a comunidade a estabelecer suas próprias escolas, em todos os níveis, para as crianças judias que haviam sido expulsas das escolas públicas. E o Kulturbund, um projeto através do qual judeus organizavam e realizavam atividades culturais para a sua comunidade, absorveu milhares de artistas judeus, sumariamente excluídos da vida cultural e artística alemã. Em seu primeiro ano, o projeto apresentou 69 óperas e 117 concertos para plateias exclusivamente judias. Mas, os nazistas queriam que os judeus perdessem suas esperanças de um futuro no Reich. Em 1934, um memorando endereçado a Heydrich2 deixa claro a sua intenção: “O objetivo da política judaica deve ser a total emigração dos judeus (…). Devem ser restritas as oportunidades de vida, não apenas em termos econômicos. Para os judeus, a Alemanha tem que se tornar um país sem futuro”. Apesar da crescente perseguição e segregação, algumas lideranças ainda eram contrárias à emigração “apressada”. Outros, como Georg Kareski (1878-1947), por exemplo, representante dos Sionistas Revisionistas, pregavam uma emigração imediata, a qualquer custo. Kareski, inclusive, não descartava a cooperação, se necessário, com a Gestapo para ajudar os judeus. Trinta e sete mil dos cerca de 525 mil judeus na Alemanha deixaram o país em 1933. Os que queriam partir se defrontavam com sérias dificuldades. Uma era encontrar um país que lhes abrisse as portas, outra era de origem econômica. O imposto sobre a emigração era proibitivo e os judeus que emigravam eram obrigados a deixar a Alemanha sem recursos. Os nazistas queriam se livrar deles, mas estavam determinados a depená-los, antes. Estranhamente, as autoridades amenizavam as exigências para a emigração judaica quando o destino era a então Palestina. Em agosto de 1933, foi concluído o Acordo de Haavará(Acordo de Transferência) entre a Federação Sionista da Alemanha, o Banco Anglo-Palestino (sob a direção da Agência Judaica) e as autoridades alemãs. Este acordo permitia aos judeus vender seus bens na Alemanha e, com os recursos, adquirir produtos alemães enviados em seguida à Palestina britânica. O acordo permitiu a saída de cerca de 60 mil judeus alemães para Eretz Israel. As Leis de Nuremberg de 1935. Em 1935, são publicadas as Leis de Nuremberg. São proibidos os casamentos e relações sexuais entre judeus e alemães, para não “manchar a pureza da raça ariana”. A lei da Cidadania definia a diferenciação legal entre os “cidadãos do Reich” – pessoas de sangue ariano, que gozavam de direitos políticos e civis plenos, e os não-arianos classificados como “sujeitos do Estado”, sem direitos. O decreto racista de que “nenhum judeu poderia ser alemão” afetou-os gravemente, pois a grande maioria deles se consideravam alemães e eram genuinamente assimilados na cultura alemã. O alemão era sua língua; a literatura alemã, a sua literatura. E a filosofia alemã e seus valores eram os seus valores. Os judeus alemães começam a funcionar como um corpo único, pois os eventos externos haviam apagado as diferenças que costumavam dividi-los. De acordo com a definição nazista, viviam então na Alemanha cerca de 475 mil “judeus de religião judaica” e 300 mil “judeus cristãos” (convertidos ao Cristianismo). Perante a lei eram iguais o “judeu-judeu” ou o “judeu-cristão. Ainda havia 750 mil Mischlinge – meio-judeus, fruto de casamentos mistos, de primeiro e segundo grau. Apesar de abalados, ainda havia os que mantinham a esperança de que as novas leis permitissem uma vida judaica segregada, porém, viável, no Terceiro Reich. A situação era desesperadora e deixar o país, algo que até então era impensável, era a única saída para aquele sofrimento. Até 1935, milhares conseguiram emigrar, mas isso era cada vez mais difícil. As poucas portas abertas a refugiados judeus estavam-se fechando ainda mais, inclusive para a Palestina britânica. Em 1936, estourara em Eretz Israel a Grande Revolta nacionalista árabe, contra o domínio colonial e a imigração judaica. A reação britânica foi o aumento de restrições impostas à entrada de judeus. Como afirmou Chaim Weizmann, em 1936: “O mundo parece estar dividido em duas partes – os lugares onde os judeus não podem viver, e aqueles onde não podem entrar”. Jogos Olímpicos de 1936. Em 1931, o Comitê Olímpico Internacional escolheu Berlim para a realização dos Jogos Olímpicos de 1936. Um ano antes da realização dos Jogos, as Leis de Nuremberg haviam excluído os judeus dos esportes. Os atletas judeus que se haviam qualificado para os Jogos foram dispensados pelo comitê. A delegação alemã não queria judeu algum em suas fileiras e seus atletas tinham como objetivo provar a superioridade da raça ariana. Em protesto a essas medidas, as associações atléticas norte-americana e inglesa ameaçaram boicotar os Jogos. O Führer decidiu adotar uma trégua “olímpica”. “É da maior importância o desenrolar grandioso e sem incidentes dos Jogos Olímpicos para a imagem da nova Alemanha aos olhos dos estrangeiros”, revela um memorando da época. Mestres em propaganda, mascaram o racismo, o crescente militarismo e o antissemitismo retirando as evidências das áreas olímpicas e locais turísticos. A estratégia foi um sucesso, e praticamente todos os convidados, inclusive o Presidente Roosevelt, dos Estados Unidos, saíram da Alemanha tranquilizados. Até alguns judeus foram ludibriados, passando a acreditar que o pior estava para trás. Mas os eventos sucessivos indicaram que o pior ainda estava por vir (...). Até então, a estabilização do regime e o crescimento econômico haviam exigido uma relativa “moderação”, por parte dos nazistas. Mas, a Alemanha já economicamente forte e a política de apaziguamento adotada pela França e Grã-Bretanha sinalizavam que não haveria uma retaliação ao antissemitismo e expansionismo alemão. As deduções de Hitler estavam corretas. Perante as sucessivas agressões alemãs – em fevereiro de 1936, Hitler reocupara Renânia e na sequência incorporara, em março, a Áustria e, em setembro, a Checoslováquia – Neville Chamberlain, primeiro ministro da Grã-Bretanha, declara, após reunir-se com Hitler em 30 de setembro de 1938: “Volto da Alemanha trazendo a paz para nossos tempos”. Hitler volta a esbravejar nos imensos comícios: “O perigo não eram os bolcheviques, eram os judeus (…) uma conspiração judaica mundial ameaçava destruir a Alemanha e o mundo. É intensificado o processo de “arianização”, um eufemismo para o sequestro e roubo de propriedades judaicas. O confisco do capital judaico e a venda forçada de empresas controladas (Arianisierung) por judeus se torna prática diária. Enquanto cresciam, em todo o Terceiro Reich, a brutalidade e o assassinato, o mundo assistia, inerte. A situação tornara-se tão desesperadora que Franklin D. Roosevelt, presidente dos EUA, convocou uma conferência internacional, em julho de 1938, em Evian-les-Bains, para tentar encontrar uma solução para os refugiados que queriam sair da Alemanha e da Europa. Apesar de manifestarem sua “simpatia”, nenhum dos países presentes abriu suas portas para abrigá-los. Para Hitler, a conferência em Evian-les-Bains foi uma prova de que “ninguém queria os judeus” e “ninguém se importava com o seu destino, não havendo para onde mandá-los”. A expansão militar do território alemão tornava impossível conseguir um Reich Jüdenrein, pois centenas de milhares de judeus nas nações a serem conquistadas acabariam sendo incorporados ao Reich. Para o ditador, era preciso encontrar-se outra “solução”, algo “definitivo” ao “problema judaico”. Kristallnacht, a Noite dos Cristais. A noite de 9 de novembro de 1938, Kristallnacht – Noite dos Cristais, marcou o início da segunda fase da perseguição judaica, mais brutal e violenta, e mais mortal. Hitler precisava apenas de um pretexto para dar vazão à violência contra os judeus. O pretexto surgiu em 7 de novembro, quando Herschel Grynszpan (1921-1942), jovem refugiado judeu que vivia em Paris, entrou armado na embaixada alemã e atirou em Ernst von Rath (1909-1938), terceiro-secretário. Hoje sabemos que o jovem tomara aquela atitude “incentivado” por agentes alemães. Ele estava transtornado pela notícia de que seus pais e milhares de outros Ostjuden havia sido sumariamente expulsos da Alemanha e abandonados em terra-de-ninguém, na fronteira alemã-polonesa. No dia 9, morre von Rath. A violência que se segue não foi, absolutamente, «uma reação espontânea aos acontecimentos na embaixada alemã, em Paris”, mas uma violência orquestrada com precisão por Hitler e outros líderes nazistas. Dentro de poucas horas, irromperam tumultos em todo o território alemão e austríaco. Turbas enlouquecidas percorriam as ruas das cidades, atacando os judeus e vandalizando suas propriedades. Oficiais nazistas deram ordens para incendiar as sinagogas e os rolos da Torá, e os céus ficaram iluminados pelas labaredas. Um barulho ensurdecedor de milhares de vidraças estilhaçadas convenceu os judeus de que não havia mais lugar para eles no Terceiro Reich. A violência matou 91 deles, milhares ficaram feridos e desabrigados. Trinta mil judeus foram enviados aos campos de concentração de Dachau, Buchenwald e Sachsenhausen,10 mil dos quais morreram e os demais foram libertados, sob a condição de deixar a Alemanha. Os danos materiais foram imensos: saquearam 7.500 lojas, destruíram cemitérios judaicos e atacaram mais de mil sinagogas, das quais 267 foram arrasadas. Os nazistas responsabilizaram os judeus pelos “distúrbios” e destruição, impondo uma multa exorbitante a ser paga por eles. Não se ouviu nenhuma voz em seu favor. As igrejas cristãs mantiveram-se em total silêncio, com exceção do padre católico Bernhard Lichtenberg(1875-1943) que declarou: ”Os templos que foram destruídos também são a Casa de D’us”. Ele pagou com a vida por suas manifestações públicas em favor dos judeus. Nos meses seguintes, a expulsão dos judeus do Reich tornou-se prioridade e novas medidas foram instituídas para dificultar ainda mais sua vida. Foram banidos de teatros, cinemas, museus, clubes esportivos, parques, instituições, hospitais e banheiros públicos. Viram-se obrigados por lei a vender propriedades, empresas, obras de arte, joias. Não lhes era permitido possuir carro, carteira de motorista, passaportes. A imprensa judaica também é banida. A comunidade judaica estava à beira da falência e seus membros procuravam deixar o país. Algumas rotas de fuga estavam temporariamente abertas. Xangai tornou-se um asilo para judeus alemães e austríacos; dezenas de milhares encontraram refúgio nos países europeus vizinhos e, outros, nas Américas. A Grã-Bretanha aceitou 10 mil crianças judias vindas da Alemanha, Áustria e Checoslováquia, os chamados Kindertransports. E, apesar das restrições impostas pelos britânicos em 1939, muitos judeus conseguiram chegar à então Palestina por meio de viagens ilegais organizadas pelos sionistas. Nos primeiros seis anos da ditadura nazista, segundo estimativas do Alto Comissariado para Refugiados da Liga das Nações, 315 mil judeus deixaram o país. Os que se refugiaram em países ocupados pelos nazistas seriam capturados por eles e exterminados. De acordo com o censo nazista de maio de 1939, viviam no Terceiro Reich (nas fronteiras de 1937) 213 mil judeus (segundo definição das Leis de Nurenberg). No final do ano eram 190 mil – 90% deles viviam em 200 cidades. Os que haviam permanecido eram, em sua maioria, judeus de meia-idade ou idosos. A esperança de conseguir sair do país era cada vez menor. Ainda havia alguns com posses, mas a grande maioria havia empobrecido, dependendo das organizações sociais para sobreviver. Apenas 16% dos chefes de família tinham algum emprego fixo. A 2ª Guerra Mundial. A Alemanha invadiu a Polônia em 1º de setembro de 1939, deflagrando a 2ª Guerra Mundial. A partir de abril do ano seguinte a Alemanha nazista conquistaria rapidamente o resto da Europa: Dinamarca (abril de 1940), Noruega (abril de 1940), Bélgica (maio de 1940), Holanda (maio de 1940), França (maio de 1940), Iugoslávia (abril de 1941), Grécia (abril de 1941) e Luxemburgo (maio de 1940). Em 22 de junho de 1941, as forças alemãs invadiram a União Soviética, mas encontraram resistência. Milhões de judeus que viviam nos países tomados pelos alemães caem em mãos nazistas, que, com a maior rapidez e violência, aplicaram as políticas antissemitas já “elaboradas e testadas” na Alemanha. Os judeus foram segregados, expropriados, concentrados em guetos, levados à morte por fome e doenças, deportados e exterminados. Como morriam, pouco importava; o importante era o resultado final. O tratamento reservado pelos nazistas aos judeus que haviam permanecido na Alemanha era diferente, mas a meta final era a mesma. Desde o primeiro dia da guerra foram proibidos de deixar suas casas depois das 20 horas, sendo-lhes vedada a entrada em determinadas áreas, em várias cidades. Não foram criados guetos na Alemanha, mas as severas leis de moradia forçavam os judeus a viver em áreas determinadas, concentrando-os em “casa judaicas” (“Judenhäuser”). Os judeus fisicamente aptos eram obrigados a trabalho forçado compulsório. E tiveram que abrir mão de seus bens considerados “essenciais para o esforço de guerra”, tais como rádios, câmeras, bicicletas, eletrodomésticos, assim como casacos de pele, pianos e outros objetos de valor. Uma lei promulgada em julho de 1939 transformou a Representação Nacional dos Judeus Alemães, a Reichsvertretung, em Associação do Reich de Judeus na Alemanha (Reichsvereinigung der Juden in Deutschland). Seu trabalho ficou sujeito às ordens do Ministro do Interior. A associação absorveu todas as 1.500 organizações e instituições e as 1.600 instituições religiosas da comunidade existentes em 1939. Leo Baeck, que permanecera à frente das novas organizações, empenhava-se a organizar a saída de judeus do país e a manter em funcionamento as escolas judaicas e as instituições beneficentes. Mas, todas as atividades chegam ao fim em 1943, pois quase todos os seus dirigentes e a maioria dos assistidos haviam sido “transferidos”, a maioria direto para sua morte nas câmaras de gás. Leo Baeck foi deportado em janeiro de 1943 para Gueto de Theresienstadt, sobrevivendo à Shoá. Os bens da Reichsvereinigung (cerca de 170 milhões de marcos), foram confiscados pelos nazistas. Com o início do racionamento de alimentos, os judeus recebiam rações cada vez menores. Também foram restringidos os horários em que comprar alimentos e outros suprimentos. As famílias judias enfrentavam escassez dos produtos mais básicos, mas nada comparado à “política de inanição” adotada pelos nazistas nos guetos do Leste. Em outubro de 1940, cerca de sete mil judeus de Baden e Saarpfalz, ao sudoeste do país, foram deportados para regiões da França ocupada, para ceder lugar aos alemães que haviam sido repatriados após o início da guerra. As autoridades francesas prenderam a maioria desses judeus alemães no campo de internação de Gurs, nos Pireneus. A situação foi-se deteriorando, rapidamente. Em maio de 1941, ainda havia 169 mil; até outubro desse ano, outros 5 mil haviam conseguido deixar a Alemanha, Todos os bens de judeus alemães que “deixavam o Reich” em virtude de imigração, morte ou “deportação para o Leste” eram automaticamente confiscados. Em setembro de 1941, um decreto proibiu os judeus de usarem transporte público e tornou-se obrigatório que todos, com mais de 6 anos de idade, que viviam sob domínio alemão, portassem a Estrela de David amarela (o Maguen David) preso na roupa. A deportação sistemática de judeus da Alemanha iniciou-se naquele setembro, após ordens explícitas de Hitler. A princípio, os veteranos de guerra judeus e os parceiros em casamentos mistos, considerados “casamentos privilegiados”, foram excluídos da política de deportação. Mais de 50 mil judeus do chamado Grande Reich Alemão (que incluía a Áustria) foram deportados para os guetos no Leste Europeu, Lodz, Vinsk, Riga e Kovno, entre o início de novembro de 1941 e o final de outubro de 1942. Os judeus proeminentes do Grande Reich Alemão, os veteranos da 1ª Guerra e os judeus de países da Europa Ocidental eram deportados para o gueto de Theresienstadt (Terezin), próximo a Praga. Usado pelas SS como “vitrine” do tratamento “humano” dispensado aos judeus, esse campo era mais uma “estação de trânsito”, “a caminho do Leste”, para os centros de matança na Polônia. Mais de 30 mil morreram no próprio gueto de Theresienstadt devido à fome, doenças e maus tratos. No período de outubro de 1942 a março do ano seguinte, os judeus da Alemanha foram “transferidos” diretamente para Auschwitz e outros centros de matança sistemática. Foram exterminados na Shoá 90% dos judeus que viviam na Alemanha, em 1939. Nos primeiros meses de 1943, as autoridades nazistas anunciaram que o Reich finalmente estava Judenrein, livre de judeus. Em Berlim, a cidade que vira o ponto alto dos judeus da Alemanha, no final de 1942 restavam apenas 32 mil judeus. No ano seguinte tinham sido drasticamente reduzidos a 238 pessoas. Eram chamados “U-Boats” ou “submarinos”, viviam escondidos e conseguiram salvar-se quase sempre com a ajuda de não judeus. Havia também 800 Mischlinge e outros cerca de 5mil que conseguiram escapar à deportação por serem casados com não-judeus. No dia 2 de maio de 1945, quando Berlim se rendeu ao Exército Vermelho, restavam apenas 162 judeus da outrora poderosa e orgulhosa comunidade. 1  Também chamado de Kaiserlich Deutsches Reich ou Kaiserreich. Note-se que o termo Deutsches Reich foi o nome oficial da Alemanha não apenas no período dos Kaisers, mas também durante a República de Weimar e no regime nazista. 2Reinhard Tristan Eugen Heydrich (1904-1942), oficial superior nazista durante a 2ª Guerra Mundial, um dos principais arquitetos do Holocausto. Era Chefe da Segurança.

BIBLIOGRAFIA: Friedlander, Saul, Nazi Germany and the Jews: 1933-1945. eBook Kindle. Elon, Amos, Pity of It All: A Portrait of Jews in Germany, 1743-1933. Kindle Edition. www.educabras.com. Sachar, Howard M, The Course of Modern Jewish History. Kindle Edition. Friedlander, Saul, Nazi Germany And The Jews: The Years Of Persecution: 1933-1939. eBook Kindle. www.morasha.com.br. Abraço. Davi.


quinta-feira, 9 de julho de 2020

NA CERTEZA DA FÉ DE QUE A VITÓRIA DE JESUS CRISTO É A NOSSA VITÓRIA


Cristianismo. www.fecatolica.com.br. "NA CERTEZA DA FÉ DE QUE A VITÓRIA DE JESUS CRISTO É A NOSSA VITÓRIA". Exorta Dom Antônio Tourinho Neto, Bispo Diocesano de Cruz das Almas - BA - Brasil, em carta pastoral. "Embora o nosso Deus não se compraz com o sofrimento dos seus filhos, Ele permite a dor para que proveitos benéficos bem maiores sejam alcançados com tal situação", lembra o bispo. O bispo diocesano de Cruz das Almas, Dom Antônio Tourinho Neto enviou nesta terça-feira (07) uma carta pastoral intitulada "O amor vence tudo!" ao povo desta Igreja Particular. No texto, Dom Tourinho dirige-se a todos diocesanos com o desejo de encoraja-los através do texto, "na certeza da fé de que a vitória de Jesus Cristo é a nossa vitória (Jo 16,33)". No texto, o bispo discorre sobre o mundo crucificado pela pandemia; à luz da Fé; parabeniza a Diocese que se mantém firme na Caridade; e ainda relata as orientações e recomendações quanto às celebrações das missas e dos demais sacramentos. Dom Tourinho ainda faz um apelo à situação econômica da Diocese e das paróquias, e orienta sobre a manutenção dos encontros via meios de Comunicação Social para evitar um possível contágio com o coronavírus. O bispo ainda recomenda que todos orem pelos enfermos infectados; "também para que os cientistas agilizem na criação da vacina contra este vírus; orem pelos profissionais da saúde, que correm grande risco de infecção; por aqueles que já perderam ou estão receosos de perder o emprego e pelos trabalhadores informais; bem como por aqueles que estão reclusos dentro de casa devido à idade avançada ou por serem, devido outros motivos, componentes do grupo de risco", elenca. Dom Tourinho lembra que "embora o nosso Deus não se compraz com o sofrimento dos seus filhos, Ele permite a dor para que proveitos benéficos bem maiores sejam alcançados com tal situação", ressalta. Por fim, o Bispo recorda que há uma certeza que traz uma profunda alegria: "Temos uma intercessora junto ao Senhor Jesus sob o título de “Nossa Senhora do Bom Sucesso!” Confiemos à sua proteção neste tempo difícil de ser vivido", clama. Confira a carta na íntegra: O Amor Vence Tudo! A Diocese de Cruz das Almas, presbíteros, diáconos, membros da vida consagrada, seminaristas, agentes de pastoral, Conselho de leigos, membros das Irmandades, todos os batizados e pessoas de boa vontade e a quem interessar esta carta neste tempo de pandemia, paz, saúde e bênçãos de Deus.  “Quem poderá nos separar do amor de Cristo? A tribulação, a angústia, a perseguição. A fome, a nudez, o perigo ou a espada? Mas, em todas essas coisas, somos mais que vencedores pela virtude daquele que nos amou.” (Rm 8, 35. 37). 1. Saudação inicial. Essa passagem da Epístola de São Paulo aos Romanos é o fundamento do meu lema episcopal, “O Amor Vence Tudo.” Com os olhos e o coração fixos nessa Palavra, eu me dirijo a todos os diocesanos neste tempo prolongado de pandemia do COVID – 19 e desejo saudá-los e encorajá-los através desta carta pastoral, na certeza da fé de que a vitória de Jesus Cristo é a nossa vitória (Jo 16,33). Nós, cristãos, cremos, indubitavelmente, que “o amor é mais forte que a morte” (Cântico dos Cânticos 8,38) e em vez de nos lamentarmos ou nos impacientarmos com a situação de impotência diante deste vírus violento, devemos permanecer firmes na esperança. 2. O mundo crucificado pela pandemia. É fato que, atualmente, o Brasil e o mundo experimentam uma crucifixão devido ao COVID-19. Assim, independentemente da nação, raça, gênero, classe social, idade, poder econômico, todos estamos juntos na mesma realidade. Diante do ataque de um ser invisível, nós, seres humanos, fomos nivelados ao estado de vulnerabilidade e o pior é que travamos uma luta desigual, vez que o inimigo não mostra cor, cheiro, formato e pode estar em toda parte, inclusive nas palmas das mãos daqueles de quem tanto amamos. Em consequência disso, somos obrigados ao isolamento social. O mundo não estava preparado para tal combate e o resultado desastroso aponta, até pouco tempo, uma marca de 10 milhões de infectados no planeta e o número de mortos passa de 500 mil. Em relação a situação do Recôncavo Baiano, infelizmente, é constatado que o número de casos confirmados começa a crescer em algumas cidades da nossa Diocese. Fico a me questionar diante do número de óbitos já ocorridos no Brasil (mais de sessenta mil confirmados pelo portal do Ministério da Saúde). Será que o Estado (em geral) errou nas medidas preventivas e curativas iniciais agindo tardiamente? Há possibilidade de um diagnóstico precoce seguido de um tratamento mais efetivo no início da infecção e este tem sido negligenciado ou negado propositalmente à população? Será que os medicamentos “Hidroxicloroquina”; “Ivermectina”; “Azitromicina”; “Zinco” e “Vitamina D” seriam, realmente, possíveis soluções e por interesses ideológicos partidários foram e continuam sendo negados? E o escândalo das compras de respiradores superfaturados? São questionamentos que pairam no ar e a voz do profetismo em favor da vida teima em não se silenciar. Caso seja comprovado que os cadáveres das vítimas do Coronavírus serviram de palanque político partidário e ideológico para muitos se promoverem, a pandemia aqui no Brasil deveria receber um outro nome, “carnificina”. Resta saber se, em um país no qual a impunidade é regra e não exceção, os poderosos negligentes, omissos e interesseiros serão punidos com justa pena. 3. À luz da Fé. Nós, cristãos, fitamos com olhar de fé e de esperança para as situações que o mundo vê com perplexidade, medo e com sentimento de derrota. Diante de tanto sofrimento físico e emocional; mortes precoces e unidades hospitalares sobrecarregadas; iminente perigo do colapso da economia e índice alto de desemprego; crise política e tantas outras más notícias que ouvimos todos os dias como consequência do Coronavírus, deixemo-nos ser guiados pela fé e pela esperança e associemos tudo à Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo. Na Cruz, diante da dor suprema, o Filho grita: "Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?" (Mt 27,46). Nesse grito, Deus abre um acesso privilegiado e intenso ao seu próprio mistério de amor, no qual qualquer sentimento de fracasso e todo sofrimento humano adquire sentido. Para a espiritualidade cristã, a dor humana, unida ao supremo sofrimento de Jesus Crucificado, torna-se como uma espécie de “alquimia”, ou seja, a dor é transformada em amor, pois o abandono de Jesus na Cruz tornou-se para sempre o remédio (antídoto) contra todos os males físicos e morais. Em Jesus Crucificado-Ressuscitado, encontramos a resposta para toda dor e todo sofrimento transformados em amor. Quando Jesus morreu, aos pés da cruz estava um centurião romano. Aquele homem, chefe dos demais soldados, era um pagão e, embora não fosse membro do povo de Israel, enxergou o divino e afirmou: “Verdadeiramente, este homem era o Filho de Deus!” (Mt 27, 54). Muitos questionam: “Como se encontrará a humanidade após a pandemia?” “Diante de tantas dores causadas pelo Coronavírus, o que se espera após este tempo sombrio?” Com o mesmo olhar do centurião e fé no Filho de Deus, Crucificado – Ressuscitado, nós, cristãos, esperamos uma humanidade fortalecida pela dor; vencedora sobre a morte; mais solidária; mais fraterna; em busca da verdade e da justiça para todos e mais voltada para Deus. 4. A Diocese firme na Caridade. Nossa Diocese presta solidariedade a todos que se encontram sofridos com a pandemia. Estamos atentos aos mais pobres e excluídos que padecem do básico para a sobrevivência. De todo o coração, agradeço aos fiéis católicos que generosamente têm ouvido a solicitação dos párocos em relação as doações de alimentos, roupas, cobertores, máscaras e outras tantas necessidades urgentes. A partilha solidária faz com que a caridade cristã não seja negligenciada num momento tão crítico. Exorto as paróquias a continuarem atentas ao sofrimento dos que passam privações e permanecerem mobilizando os fiéis a socorrerem os que estão passando qualquer tipo de aflição. Dirijo meu agradecimento aos agentes da Pastoral da Comunicação que vêm realizando importante trabalho de evangelização através da mídia, principalmente as transmissões das Santas Missas. Um agradecimento especial a todos os profissionais da saúde pela coragem demonstrada em prestar serviço à população. São muitos os agentes que trabalham nessa área e se doam de forma especial por causa da fé que professam em Jesus Cristo e, em nome do amor cristão, se lançam diante do perigo indo além do medo de se contaminarem. Agradeço também aos sacerdotes e diáconos da Diocese mobilizados em dar assistência espiritual e material aos demais fiéis num grande testemunho de solidariedade e acolhimento. Dentre tantos que os nossos ministros ordenados têm socorrido pelas obras de caridade estão as famílias dos infectados; os doentes; a encomendação dos corpos; os trabalhadores desempregados; as famílias desfavorecidas; os idosos sozinhos que não conseguem sair para fazer compras. São esses os “prediletos de Deus” e que a crise não pode fazer cair no nosso esquecimento. 5. Quanto às celebrações das missas e dos demais sacramentos. Foram lançadas por mim duas notas de recomendações sobre esse assunto. Uma em relação a celebração da Missa e outra sobre a exposição e adoração ao Santíssimo Sacramento. As mesmas continuam vigentes e confio no discernimento dos sacerdotes que, sem violar as instruções das autoridades públicas, podem e devem decidir sobre a sua missão de santificar o Povo de Deus em particular circunstância. As celebrações dos diversos sacramentos não estão proibidas na Diocese, pelo contrário, o que não é permitido é promover aglomerações, pois, infelizmente, não podemos ainda falar em flexibilização já que em alguns municípios o número de infectados tem crescido. Uma Confissão pode ser ministrada e até um Batismo de criança e um Matrimônio podem ser celebrados, contanto que sejam sem aglomerações e festas. O que a Diocese pede e insiste é que cada pároco aja de acordo com a realidade vigente daquele município. Os que podem menos, celebrem com o número reduzido de fiéis presentes no templo, no máximo quinze, trinta ou cinquenta pessoas e rigorosamente afastadas umas das outras, como é recomendado pelas autoridades sanitárias. Os que podem mais, celebrem com trinta por cento da capacidade de fiéis no templo, não mais do que isso, levando em consideração as mesmas medidas de proteção. Os que se encontram em situação de extremo perigo, celebrem em privado ou com o número mínimo de fiéis. É terminantemente proibido o não uso de máscaras nos templos; como também faz-se necessária a disponibilização do álcool em gel nas Igrejas e a higienização do espaço sagrado entre as celebrações. É preciso orientar os que frequentam as missas de como se locomoverem no templo, principalmente na hora da recepção à Eucaristia e na chegada e na saída para não se aproximarem umas das outras. Todas as Dioceses no Brasil que estão flexibilizando as celebrações sacramentais têm agido desta forma. O bom é que tudo isso vai passar e voltaremos ao normal como antes. Porém, no exato momento, são necessárias paciência, tolerância e disciplina por parte de todos. 6. Um apelo à situação econômica da Diocese e das paróquias. Com a pandemia, os fiéis se afastaram do templo, das missas dominicais, muitos estão reclusos dentro das suas casas há meses. Graças a Deus, os fiéis leigos são extremamente sensíveis e generosos para com a manutenção da Igreja onde professam a sua fé. Agradeço a todos os dizimistas que estão firmes na colaboração do dízimo neste tempo desafiador. Apesar da fidelidade de alguns, as necessidades reclamam com a deficiente situação econômica que o País está atravessando. As colaborações diminuíram e as despesas são as mesmas e em algumas paróquias aumentaram. Todos os meses, independentemente da colaboração ou não dos fiéis, a Diocese e as paróquias necessitam cumprir com seus numerosos compromissos em relação às dimensões missionária – evangelizadora; religiosa; administrativa e caritativa. Faz-se necessário reinventar, em tempos de pandemia, a devolução do dízimo nas paróquias. Aconselho os párocos a reorganizarem a arrecadação mensal para facilitar os dizimistas que desejarem estar em dia com seu compromisso perante Deus e a sua comunidade; como também incentivem a Pastoral do Dízimo a desempenhar um trabalho efetivo em favor desta causa. 7. Os encontros via Meios de Comunicação Social. Negar a situação de perigo e responder com descaso é sobretudo arriscado, por esse motivo, em nossa Diocese, quaisquer reuniões presenciais de cunho pastoral continuam suspensas por tempo indeterminado, exceto em circunstâncias de extrema necessidade. Porém, a alternativa para que as nossas ações evangelizadoras e pastorais não fiquem desassistidas é encontrada nas redes sociais. As paróquias precisam abraçar com urgência o desafio de se adaptarem a essa nova forma de promover encontros entre os fiéis através dos Meios de Comunicação. Não só a transmissão da celebração Eucarística, que é muito importante, mas também a catequese para as crianças; o encontro da Crisma para os jovens e adolescentes; um tema de espiritualidade oferecido pelo sacerdote para os casais; os círculos Bíblicos etc. Essa pandemia trouxe a necessidade da Igreja se modernizar, usar da criatividade para que através dos meios sociais, via internet, possa chegar diretamente ao coração das famílias. Mudamos a rotina dentro das nossas paróquias, mas a paróquia deve se tornar presença viva dentro de cada família, trazendo de volta o aspecto antigo da verdadeira igreja doméstica. Com a pandemia, cada paróquia é convidada a achar uma dinâmica que possa chegar até o coração de seus fiéis e mostrar que estamos juntos, ainda que separados fisicamente. A pandemia nos coloca diante desse desafio e adaptação, o que torna necessário encontrar novas maneiras de pastorear o rebanho de Cristo. 8. Conclusão. Peço encarecidamente aos senhores párocos que colaborem para que esta Carta Pastoral chegue ao conhecimento de um maior número de fiéis. Recomendo, insistentemente, que todos orem pelos enfermos infectados; também para que os cientistas agilizem na criação da vacina contra este vírus; orem pelos profissionais da saúde, que correm grande risco de infecção; por aqueles que já perderam ou estão receosos de perder o emprego e pelos trabalhadores informais; bem como por aqueles que estão reclusos dentro de casa devido à idade avançada ou por serem, devido outros motivos, componentes do grupo de risco. Apesar do momento dramático que estamos vivenciando, temos escutado muitos testemunhos de amor e solidariedade ao próximo. A dor, na história da humanidade, sempre foi canal de beneficência, comiseração, benevolência, complacência... Embora o nosso Deus não se compraz com o sofrimento dos seus filhos, Ele permite a dor para que proveitos benéficos bem maiores sejam alcançados com tal situação. Há uma certeza que nos traz uma profunda alegria: Temos uma intercessora junto ao Senhor Jesus sob o título de “Nossa Senhora do Bom Sucesso!” Confiemos à sua proteção neste tempo difícil de ser vivido. Finalizo invocando a bênção do Deus todo Poderoso sobre as famílias diocesanas". Cruz das Almas, 07 de julho de 2020. + Antônio Tourinho Neto. Bispo Diocesano de Cruz das Almas-Ba. www.fecatolica.com.br. Abraço. Davi


quarta-feira, 8 de julho de 2020

ALCORÃO SAGRADO - "HUD"


Islamismo. www.ligaislamica.org.br. Alcorão Sagrado. "HUD". Revelada em Makka; 123 versículos, com exceção dos versículos 12, 17 e 114, que foram revelados em Madina. 11ª SURATA. Em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso. 1 Alef, Lam, Ra.(631) Eis o Livro dos versículos fundamentais(632) , então elucidados por Alguém Onisciente, Prudentíssimo. 2 Não deveis adorar senão a Deus. Sou o vosso admoestador(633) e alvissareiro de Sua parte. 3 Implorai o perdão de vosso Senhor e voltai-vos a Ele, arrependidos, que Ele vos agraciará generosamente até um término prefixado, e agraciará com o merecido(634) a cada um que tiver mérito. Porém, se vos recusardes, temo por vós o castigo do Grande Dia. 4 Vosso retorno será a Deus, porque Ele é Onipotente. 5 Não é, acaso, certo que eles dissimulam(635) quanto ao que há em seus corações para se ocultarem d’Ele? Que saibam que mesmo quando se ocultam debaixo de suas roupas, Ele conhece o que ocultam e o que manifestam, porque Ele é Conhecedor das intimidades dos corações. 6 Não existe criatura sobre a terra cujo sustento não dependa de Deus; Ele conhece a sua estância temporal e permanente, porque tudo está registrado num Livro lúcido. 7 Ele foi Quem criou o céus e a terra em seis dias – quando, antes, abaixo de seu Trono só havia água – para provar(636) quem de vós melhor se comporta. Mas, se tu lhes dizes: Sereis ressuscitados depois da morte!, os incrédulos dizem: Isto não é senão pura feitiçaria! 8 Mas, se suspendemos seu castigo por um tempo determinado, então dizem: Que coisa o retém? Porém, o dia do seu castigo é inexorável e dele não escaparão, e serão envolvidos por aquilo de que escarneciam. 9 E se agraciamos o homem com a Nossa misericórdia e logo o privamos dela, ei-lo, então, desesperado e desagradecido. 10 Mas, se o fazemos gozar do bem-estar, depois de haver padecido a adversidade, diz: As vicissitudes desapareceram! E ei-lo, então, exultante, jactancioso. 11 Quanto aos perseverantes, que praticam o bem, obterão indulgência e uma grande recompensa. 12 É possível que omitas algo do que te foi revelado e que te oprima, por isso, o peito, temendo que digam: Por que não lhe foi enviado um tesouro ou não o acompanha um anjo? Tu és tão-somente um admoestador e Deus é o Guardião de tudo. 13 Ou dizem: Ele o forjou! Dize: Pois bem, apresentais dez suratas forjadas, semelhantes às dele, e pedi (auxílio), para tanto, a quem possais, em vez de Deus, se estiverdes certos. 14 Porém, se não fordes atendidos, sabei, então, que este (Alcorão) foi revelado com a anuência de Deus e que não há mais divindade além d’Ele. Sois, acaso, muçulmanos? 15 Quanto àqueles que preferem a vida terrena e seus encantos, far-lhes-emos desfrutar de suas obras, durante ela, e sem diminuição.(637) 16 Serão aqueles que não obterão não vida futura senão o fogo infernal; e tudo quanto tiverem feito aqui tornar-se-á sem efeito e será vão tudo quanto fizerem. 17 Podem ser iguais àqueles que têm uma evidência de seu Senhor(638) , confirmada por uma testemunha enviada por Ele, precedida pelo Livro de Moisés, sendo guia e misericórdia? Qual! Aqueles crêem nele (o Alcorão); mas aquele dos partidos que o negar, sua morada será o fogo infernal. Não duvides disso, porque é a verdade do teu Senhor; porém, a maioria dos humanos não crê. 18 Haverá alguém mais iníquo do que aqueles que forjam mentiras acerca de Deus? Eles serão apresentados ao seu Senhor e as testemunhas dirão: Eis os que forjaram mentiras acerca do seu Senhor. Que a maldição de Deus caia sobre os iníquos, 19 Que desviam os demais da senda de Deus, tratando de fazê-la tortuosa, e negam a outra vida. 20 Estes jamais poderão frustrar (Seus desígnios) na terra, nem terão protetores, em vez de Deus. Ele lhes duplicará o castigo. Eles já tinham perdido as faculdades da audição e da visão. 21 Estes são os que desmereceram a si mesmos e, tudo quanto tenham forjado, desvanecer-se-á. 22 É indubitável que na outra vida serão os mais desventurados. 23 Os fiéis que praticam o bem e se humilham ante seu Senhor serão os diletos do Paraíso, onde morarão eternamente. 24 O exemplo de ambas as partes equipara-se ao do cego e surdo, em contraposição ao do vidente e ouvinte. Podem equiparar-se? Qual! Não meditais? 25 Enviamos Noé ao seu povo, ao qual disse: Sou para vós um elucidativo admoestador. 26 Não deveis adorar mais do que a deus, porque temo por vós o castigo de um dia doloroso.(639) 27 Porém, os chefes incrédulos, dentre seu povo, disseram: Não vemos em ti mais do que um homem como nós, e não vemos a te seguir mais do que a nossa plebe irreflexiva; tampouco consideramos que tendes (vós e vossos seguidores) algum mérito sobre nós; outrossim, cremos que sois uns mentirosos. 28 Respondeu-lhes: Ó povo meu, se possuo a evidência de meu Senhor que me agraciou com a Sua misericórdia – a qual vos foi vedada(640) (por tal merecerdes) – posso, acaso, obrigar-vos a aceitá-la, uma vez que a aborreceis? 29 Ó povo meu, não vos exijo, por isso, recompensa alguma, porque minha retribuição só procede de Deus e jamais rechaçarei os fiéis, porquanto eles comparecerão ante seu Senhor. Porém, vejo que sois um povo de insipientes. 30 Ó povo meu, quem me defenderá de Deus, se os rechaçar (meus seguidores)? Não meditais? 31 Não vos digo que possuo os tesouros de Deus, ou que estou de posse do incognoscível, nem vos digo que eu sou um anjo, nem digo, àqueles que vossos olhos despreza, que Deus jamais lhes concederá favor algum, pois Deus bem conhece o que encerram seus íntimos; se tal fizesse, seria um dos iníquos. 32 Disseram-lhe: Ó Noé, tens discutido convosco e prolongado a nossa disputa! Faze com que nos sobrevenha isso com que nos ameaças, se estiveres certo. 33 Respondeu-lhes: Deus só o infligirá se quiser, e jamais podereis impedi-Lo. 34 Se Deus quisesse, extraviar-vos-ia, e de nada vos valeriam meus conselhos, ainda que quisesse aconselharvos, porque Ele é o vosso Senhor, e a Ele retornareis. 35 Ou dizem: Ele forjou isso. Dize: Se forjei isso, que caia sobre mim o castigo de meu pecado; porém, estou isento dos vossos pecados! 36 E foi revelado a Noé: Ninguém, dentre seu povo, acreditará, salvo quem já tenha acreditado. Não te aflijas, pois, pelo que fazem. 37 E constrói a arca sob a Nossa vigilância e segundo a Nossa inspiração, e não Me peças em favor dos iníquos, porque serão afogados. 38 E começou a construir a arca. E cada vez que os chefes, dentre seu povo, passavam por perto, escarneciam dele.(641) Disse-lhes: Se escarnecerdes de nós, escarneceremos de vós, tal como o fazeis. 39 Porém, logo sabereis a quem açoitará um castigo que o aviltará e quem merecerá um tormento eterno. 40 Até que, quando se cumpriu o Nosso desígnio e jorraram as fontes (da terra), dissemos (a Noé): Embarca nela (a arca) um casal de cada espécie, juntamente com a tua família, exceto aquele sobre quem tenha sido pronunciada a sentença,(642) e embarca os que creram. Mas não creram com ele, senão poucos. 41 E (Noé) disse: Embarcai nela; que seu rumo e sua ancoragem sejam em nome de Deus, porque meu Senhor é Indulgente, Misericordiosíssimo. 42 E nela navegava com eles por entre ondas que eram como montanhas(643) ; e Noé chamou seu filho, que permanecia afastado, e disse-lhe: Ó filho meu, embarca conosco e não fiques com os incrédulos! 43 Porém, ele disse: Refugiar-me-ei em um monte(644) , que me livrará da água. Retrucou-lhe Noé: Não há salvação para ninguém, hoje, do desígnio de Deus, salvo para aquele de quem Ele se apiade. E as ondas os separaram, e o filho foi dos afogados. 44 E foi dito: Ó terra, absorve as tuas águas! Ó céu, detém-te! E as águas foram absorvidas e o desígnio foi cumprido. E (a arca) se deteve sobre o monte Al-judi.(645) E foi dito: distância com o povo iníquo! 45 E Noé clamou ao seu Senhor, dizendo: Ó Senhor meu, meu filho é da minha família; e Tua promessa é verdadeira, pois Tu és o mais equânime dos juízes! 46 Respondeu-lhe: Ó Noé, em verdade ele não é da tua família, porque sua conduta é injusta; não Me perguntes, pois, acerca daquilo que ignoras; exorto-te a que não sejas um do insipientes! 47 Disse: Ó Senhor meu, refugio-me em Ti por perguntar acerca do que ignoro e, se não me perdoares e Te compadeceres em mim, serei um dos desventurados. 48 Foi-lhe dito: Ó Noé, desembarca, com a Nossa saudação e a Nossa bênção sobre ti e sobre os seres que (advirão do que) estão contigo. Porém, haverá povos, os quais (por um tempo) agraciaremos; logo, (depois) atingilos-á o Nosso doloroso castigo. 49 Esses são alguns relatos do incognoscível que te revelamos, que os não conhecias tu, nem o teu povo, antes disso. Persevera, pois, porque a recompensa será para os tementes. 50 E (enviamos) ao povo de Ad seu irmão Hud, o qual lhes disse: ó povo meu, adorai a Deus, porque noa tereis outra divindade além d’Ele. Sabei que não sois mais do que forjadores (quanto a outros deuses). 51 Ó povo meu, não vos exijo, por isso, recompensa alguma, porque minha recompensa só procede de Quem me criou. Não raciocinais? 52 Ó povo meu, implorai o perdão de vosso Senhor e voltai-vos arrependidos para Ele, Que vos enviará do céu copiosa chuva e adicionará força à vossa força(646) . Não vos afasteis, tornando-vos pecadores! 53 Responderam-lhe: Ó Hud, não tens apresentado nenhuma evidência, e jamais abandonaremos os nossos deuses pela tua palavra, nem em ti creremos; 54 Somente dizemos que algum dos nossos deuses te transtornou. Disse: Ponho Deus por testemunha, e testemunhai vós mesmos que estou isento de tudo quanto adorais, 55 Em vez d’Ele. Conspirai, pois, todos contra mim, e não me poupeis. 56 Porque me encomendo a Deus, meu Senhor e vosso; sabei que não existe criatura que Ele não possa agarrar pelo topete.(647) Meu Senhor está na senda reta. 57 Porém, se vos recusais, sabei que vos comuniquei a Mensagem com a qual fui enviado a vós; e o meu Senhor fará com que vos suceda um outro povo, e em nada podereis prejudicá-Lo, porque meu Senhor é Guardião de todas as coisas. 58 E quando se cumpriu o Nosso desígnio, salvamos Hud e com ele os fiéis, por Nossa misericórdia, e os livramos de um severo castigo. 59 E eis que o povo de Ad negou os versículos do seu Senhor; rebelaram-se contra os Seus mensageiros e seguiram as ordens de todo o déspota obstinado. 60 E, neste mundo, forma perseguidos por uma maldição, e o mesmo acontecerá no Dia da Ressurreição. Não é certo que o povo de Ad renegou seu Senhor? Distância de Ad, povo de Hud! 61 E ao povo de Samud enviamos seu irmão Sáleh,(648) que lhes disse: Ó povo meu, adorai a Deus porque não tereis outra divindade além d’Ele; Ele foi Quem vos criou a terra e nela vos enraizou. Implorai, pois, Seu perdão; voltai a Ele arrependidos, porque meu Senhor está próximo e é Exorável. 62 Responderam-lhe: Ó Sáleh, eras para nós a esperança antes disto. Pretendes impedir-nos de adorar o que nossos pais adoravam? Estamos em uma inquietante dúvida acerca do que nos predicas. 63 Disse: Ó povo meu, pensai: se eu possuo uma evidência de meu Senhor que me agraciou com a Sua misericórdia, quem me defenderá de Deus, se Lhe desobedecer? Não fareis mais do que agravar a minha desventura! 64 Ó povo meu, eis aqui a camela de Deus, a qual é um sinal para vós! Deixai-a pastar na terra de Deus e não a maltrateis, porque um castigo, que está próximo, açoitarvos-á. 65 Não obstante, abateram-na. E ele lhes disse: Diverti-vos durante três dias(649) em vossas casas; (logo sereis exterminados). Esta é uma ameaça iniludível. 66 Mas quando se cumpriu o Nosso desígnio, salvamos Sáleh e os fiéis que com ele estavam, por Nossa misericórdia, do aviltamento daquele dia, porque teu Senhor é o Poderoso, Fortíssimo. 67 E o estrondo fulminou os iníquos, e a manhã encontrouos jacentes em seus lares, 68 Como se jamais neles houvessem vivido. Acaso, não é certo que o povo de Samud renegou seu Senhor? Distância do povo de Samud! 69 E eis que os Nossos mensageiros trouxeram a Abraão alvíssaras de boas novas, dizendo: Paz! E ele respondeu: Paz! E não tardou em obsequiá-los com um vitelo assado.(650) 70 Porém, quando observou que suas mãos hesitavam em tocar o vitelo, desconfiou deles, sentindo-lhes temor. Disseram: Não temas, porque somos enviados contra o povo de Lot! 71 E sua mulher, que estava presente, pôs-se a rir,(651) por alvissaramo-la com o nascimento de Isaac e, depois deste, com o de Jacó. 72 Ela exclamou: Ai de mim! Conceber, eu, que já sou uma anciã, deste meu marido, um ancião? Isto é algo assombroso! 73 Disseram: Assombras-te, acaso, dos desígnios de Deus? Pois sabei que a misericórdia de Deus e as Suas bênçãos vos amparam, ó descendentes da casa (profética); Ele é Louvável, Gloriosíssimo. 74 Mas, quando o temor de Abraão se dissipou e lhe chegaram alvíssaras de boas novas, começou a interceder junto a Nós pelo povo de Lot. 75 Sabei que Abraão era tolerante, sentimental, contrito. 76 Ó Abraão, não insistais mais nisso, porque a sentença de teu Senhor foi pronunciada, e em breve os fustigará um castigo irrevogável. 77 Mas, quando Nossos mensageiros se apresentaram a Lot, este ficou aflito por eles, sentindo-se impotente para defendê-los, e disse: Este é um dia sinistro!(652) 78 E seu povo, que desde antanho havia cometido obscenidades, acudiu precipitadamente a ele; (Lot) disse: Ó povo meu; eis aqui minhas filhas; elas vos são mais puras.(653) Temei, pois, a Deus e não me avilteis perante os meus hóspedes. Não haverá entre vós um homem sensato? 79 Responderam: Tu bem sabes que não temos necessidade de tuas filhas também sabes o que queremos. 80 Disse: Quem me dera ter forças para resistir a vós ou encontrar um forte auxílio (contra vós)! 81 Disseram-lhe (os anjos): Ó Lot, somos os mensageiros do teu Senhor; eles jamais poderão atingir-te. Sai, pois, com a tua família, no decorrer da noite, e que nenhum de vós olhe para trás. À tua mulher, porém,(654) acontecerá o mesmo que a eles. Tal sentença se executará ao amanhecer. Acaso, não está próximo o amanhecer? 82 E quando se cumpriu o Nosso desígnio, reviramos a cidade nefasta e desencadeamos sobre ela uma ininterrupta chuva de pedras de argila endurecida,(655) 83 Estigmatizadas por teu Senhor; e isso não está distante dos iníquos. 84 E enviamos ao povo de Madian(656) seu irmão Xuaib (Jetro), o qual disse: Ó povo meu, adorai a Deus porque não tereis outra divindade além d’Ele; e não altereis a medida nem o peso, porque vejo a prosperidade em vós; porém temo por vós o castigo do dia abrangedor. 85 Ó povo meu, disponde da medida e do peso com eqüidade;(657) não defraudeis os humanos em seus bens e não pratiqueis a devassidão na terra, como corruptores. 86 O que Deus vos deixou ser-vos-á mais vantajoso, se sois fiéis. E não sou vosso guardião. 87 Disseram-lhe: Ó Xuaib, recomendas, porventura, em tuas preces, que renunciemos ao que os nossos pais adoravam, ou que não façamos de nossos bens o que quisermos, tu que és tolerante, sensato? 88 Respondeu: Ó povo meu, não vedes que possuo a evidência do meu Senhor e Ele me agraciou generosamente...? Não pretendo contrariar-vos, a não ser no que Ele vos vedou; só desejo a vossa melhoria, de acordo com a minha capacidade; e meu êxito só depende de Deus, a Quem me encomendo e a Quem retornarei, contrito. 89 Ó povo meu, que a hostilidade contra mim não vos induza ao pecado e vos não ocorra o que ocorreu ao povo de Noé, ou ao de Hud, ou ao de Sáleh! Recordai-vos de que o povo de Lot não está distante de vós (no tempo)! 90 E implorai o perdão de vosso Senhor; voltai a Ele, arrependidos, porque meu Senhor é Misericordioso, Afetuosíssimo. 91 Disseram: Ó Xuaib, não compreendemos muito do que dizes(658) e, para nós, é incapaz; se não fosse por tua família, ter-te-íamos apedrejado, porque não ocupas grande posição entre nós(659) . 92 Retrucou-lhes: Ó povo meu, acaso minha família vos é mais estimada do que Deus, a Quem deixastes completamente no esquecimento? Sabei que meu Senhor está inteirado de tudo quanto fazeis. 93 Ó povo meu, agi segundo o vosso critério, que eu agirei segundo o meu. Logo sabereis a quem açoitará um castigo que o aviltará e quem de nós é impostor. Esperai, pois, que eu espero convosco! 94 Mas, quando se cumpriu o Nosso desígnio, salvamos, por Nossa misericórdia, Xuaib, e com ele os fiéis. E o estrondo fulminou os iníquos e a manhã encontrou-os jacentes em seus lares, 95 Como se jamais neles houvessem vivido. Da mesma maneira que foi extirpado o povo de Madian, também foi extirpado o povo de Samud! 96 E enviamos Moisés(660) com os Nossos versículos, e com autoridade evidente, 97 Ao Faraó e seus chefes; porém, estes obedeceram à ordem do Faraó, embora a ordem do Faraó fosse insensata. 98 Ele encabeçará o seu povo, no Dia da Ressurreição, e os fará entrar no fogo infernal. Que infeliz entrada a sua! 99 E foram perseguidos pela maldição, neste mundo, tal como o serão no Dia da Ressurreição. Que detestável presente ser-lhes-á outorgado! 100 Eis aqui alguns dos relatos da história das cidades que te referimos; algumas ainda de pé, outras já arrasadas. 101 E não os condenamos, senão que se condenaram a si próprios. De nada lhes valeram as deidades que invocaram, em vez de Deus, quando se cumpriu o desígnio do teu Senhor! Não fizeram mais do que lhes agravar a perdição. 102 E assim é o extermínio (vindo0 do teu Senhor, que extermina as cidades por sua iniqüidades. O Seu extermínio é terrível, severíssimo. 103 Nisto há um sinal para quem teme o castigo da outra vida. Isso acontecerá no dia em que forem congregados os humanos; aquele será um dia testemunhável,(661) 104 Que só adiamos por um prazo predeterminado. 105 Quando tal dia chegar, ninguém falará,(662) senão com a vênia d’Ele, e entre eles haverá desventurados e venturosos. 106 Quanto aos desventurados, serão precipitados no fogo, donde exalarão gemidos e gritos, 107 Onde permanecerão eternamente, enquanto perdurarem os céus e a terra, a menos que teu Senhor disponha outra sorte, porque dispõe como Lhe apraz. 108 Os venturosos, porém, morarão eternamente no Paraíso, enquanto perdurarem os céus e a terra, a menos que teu Senhor disponha doutra sorte. Esta é uma graça ininterrupta. 109 Não tenhas dúvidas sobre o que esses (incrédulos) adorarão, porque não adorarão senão o que anteriormente seus pais haviam adorado. Nós lhes pagaremos o que lhes corresponde, sem diminuí-lo. 110 Havíamos concedido o Livro a Moisés, acerca do qual houve discórdias; e, se não houvesse sido por uma palavra predita, por teu Senhor, Este já os teria julgado. Mas continuam em dúvida inquietante, a tal respeito.(663) 111 Teu Senhor retribuirá a cada um segundo suas obras, porque Ele está bem inteirado de tudo quando fazem. 112 Sê firme, pois, tal qual te foi ordenado, juntamente com os arrependidos, e não vos extravieis, porque Ele bem vê tudo quanto fazeis. 113 E não vos inclineis para os iníquos, porque o fogo apoderar-se-á de vós; e não tereis, em vez de Deus, protetores, nem sereis socorridos. 114 E observa a oração em ambas as extremidades do dia(664) e em certas horas da noite,(665) porque as boas ações anulam as más. Nisto há mensagem para os que recordam. 115 E persevera, porque Deus não frustra a recompensa dos benfeitores. 116 Se ao menos houvesse, entre as gerações que vos precederam, alguns sensatos que proibissem a corrupção na terra, como o fizeram uns poucos do que havíamos salvo! Mas os iníquos se entregaram às suas concupiscências e foram pecadores. 117 É inconcebível que teu Senhor exterminasse as cidades injustamente, caso seus habitantes fossem conciliadores! 118 Se teu Senhor quisesse, teria feito dos humanos uma só nação; porém, jamais cessarão de disputar entre si, 119 Salvo aqueles de quem teu Senhor Se apiade. Para isso os criou. Assim, cumprir-se-á a palavra do teu Senhor: Encherei o inferno, tanto de gênios, como de humanos, todos juntos. 120 E tudo o que te relatamos, da história dos mensageiros, é para se firmar o teu coração. Nesta (surata) chegou-te a verdade, e a exortação e a mensagem para os fiéis. 121 E dize aos incrédulos: Agi segundo o vosso critério, que nós agiremos segundo o nosso. 122 E aguardai, que nós aguardaremos. 123 A Deus pertence o mistério dos céus e da terra, e a Ele retornarão todas as coisas. Adora-O, pois, e encomenda-te a Ele, porque teu Senhor não está desatento de tudo quanto fazeis! www.ligaislamica.org.br. Abraço. Davi

terça-feira, 7 de julho de 2020

VOCÊ É REALMENTE VOCÊ MESMO


Espiritualidade. www.oshobrasil.com.br. Texto de Rajneesh Chandra Mohan Jain - Osho - (1931-1990). Tradução Sw Bodhi Champak. VOCÊ É REALMENTE VOCÊ MESMO. Querido Osho, Quando estou só e leio seus livros ou ouço suas fitas, eu me sinto imensamente feliz, choro e danço sozinho. Mas eu não consigo expressar meus sentimentos na presença dos outros, embora eu queira muito fazer isso. Por favor, diga-me o que fazer. “Kishor Bharti, este é um dos problemas humanos básicos, porque toda a nossa educação cria uma divisão na nossa própria mente. Você tem que mostrar uma face para a sociedade, para a multidão, para o mundo – ela não precisa ser a sua face verdadeira; na verdade ela não deve ser a sua face verdadeira. Você tem que mostrar a face que as pessoas gostam, que as pessoas apreciam, que seja aceitável para elas – para suas ideologias e suas tradições – e a sua face original, você tem que guardá-la para si mesmo.  Essa divisão o torna muito desconectado porque a maior parte do tempo você está na multidão, encontrando pessoas, se relacionando com pessoas – muito raramente você está só. Naturalmente, as máscaras se tornam muito mais parte de você do que a sua própria natureza. E a sociedade cria um medo em todo mundo: o medo da rejeição, o medo de que alguém possa rir de você, o medo de perder a respeitabilidade, o medo do que as pessoas dirão. Você tem que se ajustar a todo tipo de pessoas cegas e inconscientes. Até agora, esta tem sido a nossa tradição básica em todo o mundo: não se permite a ninguém ser ele próprio. E é por causa disso que o problema surge – este é um problema de todo mundo. Você está perguntando, ‘Quando estou só e leio seus livros ou ouço suas fitas, eu me sinto imensamente feliz, choro e danço sozinho. Mas eu não consigo expressar meus sentimentos na presença dos outros, embora eu queira muito fazer isso. Por favor, diga-me o que fazer’. No momento em que o outro está na sua frente, você está pouco preocupado consigo mesmo; você está mais preocupado é com a opinião que ele terá a seu respeito. Quando você está só no seu banheiro, você se torna quase igual a uma criança – algumas vezes você faz caretas diante do espelho. Mas se você de repente percebe que está sendo observado pelo buraco da fechadura, até mesmo por uma criancinha, imediatamente você muda: você volta novamente ao seu velho e comum ego – sério, sóbrio, como as pessoas esperam que você seja. E a coisa mais incrível é que você tem medo daquelas pessoas e elas têm medo de você – todo mundo tem medo de todo mundo. Não se permite a ninguém seus sentimentos, sua realidade, sua autenticidade – mas todo mundo quer isso, porque é um ato muito suicida continuar reprimindo a sua face original. Você não está vivendo; ao contrário, você está simplesmente representando. E porque todo mundo está observando, os seus prolongados séculos de inconsciência o puxam para trás: não se expresse, não saia das máscaras de sua personalidade. Todo mundo está se escondendo atrás de alguma coisa falsa – isso machuca.  Ser desonesto e hipócrita consigo mesmo é a pior punição que você pode se dar. E você não vai fazer algo prejudicial a quem quer que seja – você simplesmente quer chorar e suas lágrimas serão de alegria; você quer dançar e isto não é pecado, nem é crime. Você simplesmente quer compartilhar a sua felicidade – você está sendo generoso. Apesar disso, o medo é de que as pessoas possam não aceitar a sua felicidade. Alguém pode dizer que ela é falsa, que você está apenas representando, podem dizer que você está hipnotizado. Uma coisa estranha é que se você está miserável, ninguém lhe diz coisa alguma, você está perfeitamente encaixado. Mas onde todo mundo é miserável, você fica fora de sintonia com a multidão se, de repente, começar a dançar. Você quer expressar a sua alegria, mas não é corajoso o suficiente para estar só... Mas, na verdade, quem vai se importar? No máximo, talvez as pessoas pensem que você está um pouco maluco, e uma vez que elas aceitem que você está um pouco maluco, então não há do que ter medo. O que há de errado em ser chamado de maluco? O mundo tem conhecido tantas pessoas malucas bonitas... Na verdade, todas as grandes pessoas no mundo têm sido um pouco malucas – malucas aos olhos da multidão. Elas expressaram suas maluquices porque elas não eram miseráveis, eles não estavam na ansiedade, não tinham medo da morte, não se preocupavam com trivialidades. Elas estavam vivendo cada momento com totalidade e intensidade, e por causa dessa totalidade e intensidade, suas vidas se tornaram lindas flores – cheias de fragrância, amor, vida e riso. Mas isto certamente machuca milhões de pessoas que estão ao seu redor. Elas não podem aceitar a idéia de que você alcançou alguma coisa que elas perderam. Elas tentarão de toda maneira tornar você miserável, para destruir a sua dança, para tirar a sua alegria – de modo que você possa voltar novamente ao rebanho. É preciso reunir coragem. E se as pessoas disserem que você está maluco, curta a idéia. Diga a elas, ‘Vocês estão certos; neste mundo somente as pessoas malucas podem ser felizes e alegres. Eu escolhi a loucura com alegria, com felicidade, com dança; vocês têm escolhido a sanidade com miséria, angústia e inferno – nossas escolhas são diferentes. Seja são e permaneça miserável; mas deixe-me só na minha loucura. Não se sintam ofendidos; eu não estou me sentindo ofendido por vocês – tantas pessoas sãs no mundo e eu não estou me sentindo ofendido.’ Isto é apenas uma questão de pouco tempo. Uma vez que eles o aceitem como sendo maluco, logo deixarão de se preocupar com você; então você poderá entrar na luz completa com seu ser original – você pode abandonar todas as suas falsidades. Eu era um estudante da universidade... Eu não escolhi a universidade por ela em si, mas por causa de um professor que era muito vivo, muito cheio de amor e sem medo do mundo. Eu escolhi o professor e ele estava naquela universidade. Ele convidou-me a entrar na universidade em que ele lecionava... E ele disse que facilitaria tudo que fosse possível para mim. Ele me amava imensamente porque todos os anos eu costumava ir àquela universidade para uma competição de debates entre universidades; por quatro anos consecutivos eu fui o vencedor. No primeiro ano ele era um dos juízes. Ele chamou-me de lado e disse, ‘Eu não posso dizer isto para as outras pessoas, mas eu também não consigo guardar só para mim. Eu só posso dizer isto para você: eu lhe dei a pontuação de noventa e nove por cento no debate, e eu sinto muito porque eu queria ter-lhe dado cem por cento. Mas, eu não tive coragem, porque as pessoas poderiam pensar que eu estava comprometido, que eu estava favorecendo. Eu fiquei com medo. Mas, perdoe-me por ter tirado um por cento da pontuação que era sua. ’Todo ano ele era um dos juízes e no quarto ano, quando eu me graduei, ele me convidou para entrar na universidade para minha pós-graduação. Eu lhe disse. ‘ Eu estou vindo aqui apenas por sua causa.’ No primeiro dia ele levou-me ao vice-reitor e no caminho me disse, ‘Não entre em qualquer discussão – porque este homem, o velho vice-reitor, é muito teimoso e é preciso ser muito diplomático com ele.’ Eu disse, ‘Você pode ser diplomático com ele, eu simplesmente vou ser eu mesmo.’ Ele disse, ‘O que você quer dizer?’ Eu disse, ‘Ser diplomático significa ser uma outra pessoa, diplomacia é um outro nome para hipocrisia. Seja você diplomático – eu simplesmente serei eu mesmo. E o pior que pode acontecer será, no máximo, ele não me garantir o dinheiro para os dois anos de estudo, e também pode não me garantir outras facilidades - mas só por tais facilidades, eu não posso ser desonesto comigo mesmo.’ Ele disse, ‘Pelo menos você pode permanecer em silêncio? Não dizer coisa alguma? Eu conversarei com ele no seu lugar.’ Eu disse, ‘Eu não posso prometer, pois se ele disser alguma coisa estúpida, eu não vou resistir à tentação de lhe dizer que ele é estúpido.’ Ele disse, ‘Eu nunca tinha notado que você é uma pessoa tão difícil.’ Eu disse, ‘É bom saber desde o início. Este é o primeiro dia; ainda há tempo: você pode simplesmente me dizer e eu vou embora.’ ‘Não,’ ele disse, ‘vamos tentar.’ Ele levou-me ao vice-reitor. Eu sempre vivi do meu próprio jeito, e o vice-reitor tinha sido professor em Oxford, viveu quase toda a sua vida na Inglaterra e quase se tornou um verdadeiro inglês. Ele disse algo a respeito da minha barba, que eu estava deixando crescer. ‘Por que você não faz a sua barba?’ Meu professor ficou com medo de que este fosse o começo do fim. Eu disse, ‘Você está formulando uma pergunta errada; na verdade eu deveria lhe perguntar porque você faz a sua barba – porque eu não estou fazendo a minha crescer; ela cresce por si mesma. A sua pergunta é sem sentido – Você poderia me perguntar porque eu não cortei os meus dedos, ou perguntar alguma outra coisa. É natural que um homem deva ter a sua barba, você está sendo antinatural. Você tem que me responder – por que você faz a sua barba?’ Meu pobre professor, que estava sentado ao meu lado, começou a me cutucar com o cotovelo. Eu tive que lhe dizer, ‘Pare de me cutucar. Não me interessam todas as facilidades para as quais você me trouxe aqui diante do vice-reitor neste momento. Minha única preocupação é que ele deve aceitar que formulou uma pergunta errada.’ Por um momento, fez-se um grande silêncio e o velho homem disse, ‘Na verdade, você está logicamente correto. E neste momento eu não tenho resposta alguma, porque ninguém jamais questionou isso em minha vida. – eu nunca pensei a respeito.’ Eu lhe disse, ‘Esta é a sua barba e você a tem cortado e se barbeado talvez por cinquenta anos, sem mesmo pensar sobre o que estava fazendo.’ Então eu disse, ‘OK, você pode ter o seu tempo. Eu virei aqui todos os dias, às onze horas, quando a secretaria abre; você poderá me encontrar em frente à secretaria. Você tem que encontrar uma resposta.’ Mas meu professor disse, ‘Nós não viemos aqui para discutir sobre barba! A questão aqui é o seu estudo complementar, a sua pós-graduação e ele é o homem que pode decidir’. Eu disse, ‘Eu não estou preocupado com isso. Neste presente momento, a minha única preocupação é fazê-lo perceber que ele viveu uma vida inconsciente.’ O velho homem disse, ‘Da barba você chegou a ‘uma vida inconsciente’? Ele perguntou ao meu professor, ‘Quais são as exigências? Eu vou lhe garantir uma escolaridade por dois anos.’ Hospedagem gratuita, alimentação gratuita, ele assinou tudo e disse, ‘Só não fique parado diante da minha porta todos os dias! Se você precisar de alguma coisa simplesmente venha e me diga, eu prometo que não vou lhe perguntar nada – foi uma falha minha. ’Então eu disse, ‘Está decidido? Uma vez que você me formulou uma pergunta, aquilo se tornou a minha prioridade para aquele momento, qualquer coisa que eu tiver que sacrificar, eu sacrificarei.’ Ele disse, ‘Eu prometo e o seu professor é testemunha.’ Mas era difícil para ele – e seria difícil para qualquer um, porque eu costumava usar um robe sem botão algum, de modo que meu peito ficava exposto... E na vez seguinte, eu fui até ele porque eu queria permissão para levar tantos livros quanto eu quisesse da biblioteca para a minha sala, e a regra que era apenas um livro de cada vez não deveria ser aplicada a mim.  Ele disse, ‘Nós podemos conversar a respeito disso, mas onde estão os seus botões?’ Eu disse, ‘Você está procurando problemas; você se esqueceu de sua promessa. Na verdade, eu deveria perguntar novamente, por que num país quente como a Índia - e nós estamos no verão - você está transpirando e ainda está usando essa gola fechada e esse sobretudo? Eu não uso botões porque quero que meu peito receba a brisa fresca. Isto é algo errado?’ Ele disse, ‘Isto não é errado.’ Eu disse, ‘Algo imoral? Algo contra as regras da universidade?Por que você deveria se preocupar com isso? O peito é meu e eu quero que ele receba brisa, o tanto que for possível. Ele disse, ‘Eu esqueci minha promessa. Você tem a permissão para levar quantos livros queira. Eu nem mesmo vou perguntar porque você quer tantos livros, pois eu não quero entrar em nenhuma discussão. Uma coisa está decidida: é melhor não discutir com você.’ A primeira reunião em que eu compareci, na qual ele iria falar, era no aniversário de Goutama Buda. Ele era um grande orador e também um bom ator. Quando ele estava falando sobre Goutama Buda, as lágrimas rolaram de seus olhos e ele disse, ‘Eu sempre senti que se eu vivesse no tempo de Goutama Buda, eu teria ido sentar-me aos seus pés para aprender a arte de alcançar mais consciência, de se tornar iluminado.’ Eu estava sentado no meio e me levantei. Quando me viu de pé, ele disse, ‘Eu disse algo errado?’ Eu disse, ‘Você não apenas disse algo errado, você está se comportando muito falsamente. Pelo menos diante de seus alunos você não deveria faltar com a sinceridade. O que você disse não tem significado para você, as suas lágrimas são falsas.’ Todos os professores da universidade estavam presentes assim como toda a comunidade de alunos. Todos ficaram chocados por eu ter dito ao vice-reitor, ‘Você faltou com a sinceridade.’ Eu disse, ‘Você já ouviu o nome Ramana Maharshi?’ Ele disse, ‘Sim, eu já ouvi.’ ‘Você foi alguma vez sentar-se aos seus pés? – porque ele é do mesmo calibre e da mesma consciência que Goutama Buda. E eu posso dizer com autoridade que mesmo no tempo de Goutama Buda você não iria até ele. Este século também tem pessoas iluminadas. Você tem que retirar suas palavras.’ As pessoas costumavam achar que ele era uma pessoa muito teimosa... Mas talvez ele nunca tenha encontrado alguém tão autenticamente sincero que pudesse trazer ao público a sua face original. Ele chorou, suas lágrimas rolaram, e disse, ‘Talvez você esteja certo – eu não teria ido. Isto foi apenas uma retórica e nada mais; foram palavras sem significado. Em toda esta reunião talvez você seja a única pessoa que está ouvindo – não apenas as palavras, mas também o significado por trás delas. ‘Eu gostaria que você jantasse comigo hoje à noite, porque eu gostaria de discutir um pouco mais. Eu nunca encontrei alguém em toda a minha vida que trouxesse a minha face original diante da multidão. E algo é muito estranho – eu não fiquei bravo com você, eu simplesmente sinto uma tristeza profunda por mim mesmo. Por que eu não consigo ser verdadeiro? Jamais alguém mostrou isso a mim.’ Todas as pessoas no mundo querem ser verdadeiras, pois só por serem verdadeiras, isso já lhes traz muita alegria e uma abundância de felicidade. Por que alguém deveria ser falso? Você precisa ter coragem para chegar a um insight um pouco mais profundo: Por que você tem medo? O que o mundo pode fazer com você? As pessoas podem rir de você; isso fará bem para elas – rir é sempre medicinal, é saudável. As pessoas podem pensar que você é louco... Você não vai ficar louco só porque elas pensam que você está louco. E se você é autêntico quanto à sua alegria, suas lágrimas, sua dança – mais cedo ou mais tarde aparecerão pessoas que compreenderão você, que poderão começar a se juntar à sua caravana. Eu mesmo comecei sozinho no caminho, e depois as pessoas foram chegando e isso se tornou uma caravana do tamanho do mundo. E eu não convidei ninguém; eu apenas fazia aquilo que sentia que estava vindo de meu coração. A minha responsabilidade é com o meu coração, não com as outras pessoas no mundo. Assim, a sua responsabilidade é apenas com o seu próprio ser. Não vá contra ele, porque ir contra ele é cometer suicídio, é destruir a si próprio. E qual é o ganho? Mesmo se as pessoas lhe derem respeito e acharem que você é sóbrio, respeitável, honorável, essas coisas não irão nutrir o seu ser. Elas não irão lhe dar qualquer insight a mais sobre a vida e sua imensa beleza. E, além disso, todo mundo está tão preocupado com seus próprios problemas, quem irá se procupar se você está rindo e dançando? Quem tem tempo para isto? É apenas a sua mente que está pensando que todo o mundo está pensando a seu respeito. A minha própria experiência é: todo mundo está muito cheio, muito preocupado com a correria de pensamentos sobre si mesmo, sua vida, seus problemas. Você acha que alguém tem tempo até mesmo para olhar para você ou pensar a seu respeito? Um médico judeu para outro colega: ‘Ao longo de todo o dia, eu escuto histórias de dor e sofrimento: ‘Doutor, minhas costas (...) .Doutor, meu estômago (...). Doutor, minha esposa.’ Eu lhe digo que isso é terrível. Diga-me, Sam, como você consegue aparentar serenidade depois de um dia escutando os problemas do mundo?’ O segundo médico: ‘Quem escuta? Você não deve se preocupar, de jeito algum. Todos estão preocupados com seu próprio mundo, eles não têm tempo nem energia para se preocupar com você. E mesmo se eles tiverem alguma opinião, isso é problema deles. Você está sozinho no mundo: sozinho você veio ao mundo, sozinho está aqui e sozinho deixará este mundo. Todas as opiniões deles ficarão para trás; somente os seus sentimentos originais, as suas experiências autênticas irão com você, mesmo depois da morte. Nem mesmo a morte poderá lhe tirar a dança, as suas lágrimas de alegria, a sua pureza na solitude, o seu silêncio, a sua serenidade, o seu êxtase. Aquilo que a morte não pode tirar de você é o único tesouro verdadeiro; e aquilo que pode ser tirado pelas outras pessoas não é um tesouro, é apenas tolice. Quantos milhões de pessoas viveram antes de você neste planeta? Você nem mesmo sabe o nome delas; se elas viveram ou não, não faz qualquer diferença. Existiram santos e pecadores, existiram pessoas muito respeitáveis e todo tipo de excêntricos e malucos, mas todos eles desapareceram – nem mesmo um rastro permaneceu sobre a terra. A sua única preocupação deve ser em cuidar e proteger aquelas qualidades que você pode levar consigo quando a morte destruir o seu corpo e a sua mente, porque essas qualidades serão as suas únicas companhias. Elas são os únicos valores verdadeiros e as pessoas que as alcança – somente elas - vivem; as outras fingem que vivem. Numa noite escura, a KGB bateu na porta do Yussel Finkelstein. Yussel abriu a porta. O homem da KGB bradou, ‘O Yussel Finkelstein vive aqui?’ ‘Não,’ respondeu Yussel, de pé com seu pijama esfarrapado. ‘Não? Então qual é o seu nome?’ ‘Yussel Finkelstein.’ O homem da KGB jogou-o ao chão e disse, ‘Você não disse que não vivia aqui?’ Yussel responde, ‘E você chama isso vida?’ Só viver nem sempre é viver. Olhe para a sua vida. Você pode dizer que ela é uma benção? Você pode dizer que ela é um presente da existência? Você gostaria que essa vida lhe fosse dada repetidas vezes? Ela está tão vazia. Por causa de seu vazio, as suas preces são vazias. Você não consegue preencher suas preces com gratidão. Gratidão, por que? Você nada mais está fazendo senão representando papéis em uma novela, você não está sendo você mesmo. Eu me lembro (...). Uma mulher jovem e muito bonita foi ver o grande pintor Picasso. E lá ela viu uma fotografia de Picasso pendurada na parede. Ela lhe perguntou, ‘É sua a fotografia? Aquele é você?’ Pablo Picasso (1881-1973) disse, ‘Não.’A mulher disse, ‘Estranho. Parece exatamente como você. Você tem um irmão gêmeo? Ele é totalmente igual.’ Picasso disse, ‘Ele pode ser como eu, mas ele não está vivo. E se ele fosse eu, já teria saltado da moldura para lhe dar um beijo. Certamente não sou eu.’ Você é realmente você mesmo? Ou está apenas fingindo ser alguém que a multidão ao seu redor queria que você fosse? Para mim, um buscador da verdade deveria começar por abandonar tudo o que é falso nele, porque o falso não pode buscar a verdade. O falso é a barreira entre você e a verdade. Se tudo o que é falso for abandonado, você não precisa buscar pela verdade – a verdade virá até você. Na verdade, quando eu digo, ‘A verdade virá até você’, isto são apenas palavras. Quando tudo o que é falso é abandonado, você é a verdade. Nada vem e nada vai. Não existe jornada. OSHO - The Hidden Splendor - Cap. 15. Tradução: Sw. Bodhi Champak. www.oshobrasil.com.br. Abraço. Davi