Islamismo. www.ccib.org.br. O ALCORÃO SAGRADO. A leitura
do Alcorão requer uma iniciação e um preparo indispensáveis para uma melhor
compreensão, especialmente no caso do leitor não-muçulmano. Tentar compreender
o Alcorão baseando-se apenas na informação oral ou em passagens específicas e
não em seu texto como um todo, levará o leitor despreparado a um entendimento
distorcido do mesmo. Quando lemos o Alcorão, percebemos que muitos conceitos
usados em nosso dia-a-dia são citados e enfatizados frequentemente em seus
versículos. É importante lembrar que esses conceitos são decisivos para a boa
compreensão do Alcorão e assim, agirmos de acordo com os seus postulados. Entre
estes conceitos, encontramos sabedoria, paciência, lealdade, descrença, favores
especiais de Allah (swt). O alcorão foi a ultima palavra revelada por Allah
(swt) e a fonte básica para os ensinamentos islâmicos e suas leis. Trata-se de
moralidade, adoração, conhecimento, sabedoria e a relação Allah (swt) - homem e
as suas relações entre os seres humanos. Compreende ensinamentos sobre o
sistema de justiça social, política e relações internacionais, economia,
legislação, jurisprudência, e leis podem ser formadas através de partes
importantes do Alcorão. Apesar do Profeta Muhammad (saws)não haver tido uma
educação formal, o Alcorão assim que lhe revelado foi transcrito por seus
secretários. Desta forma, cada palavra foi escrita e preservada por seus
companheiros. O texto completo e original do Alcorão é em árabe. Tradução em
outros idiomas podem ser encontrados em bibliotecas e livrarias. De acordo com o Alcorão, sabedoria é uma qualidade peculiar aos fiéis, o nível
de sabedoria pode aumentar ou diminuir com relação ao seu comportamento
correto. Sabedoria, o modo de compreensão, é uma orientação divina que capacita
o homem a mostrar o comportamento correto e a atitude com a qual ele espera
agradar a Allah (swt) e alcançar a Sua justa estima. é a capacidade de julgar
entre o certo e o erro, atingir a mais elevada atitude moral, tomar as decisões
certas para cada citação, e agir, tendo sempre em mente, a vida após a morte. INTRODUÇÃO AO ALCORÃO SAGRADO. Louvado seja Allah (swt), Senhor do Universo, e que a paz e a
misericórdia estejam com o Mensageiro e toda a sua estirpe, seus companheiros e
seus seguidores! Alcorão é a palavra de Allah (swt), revelada a Muhammad
(saws), desde a Surata da Abertura até a Surata dos Humanos, constituindo o
derradeiro dos livros revelados à humanidade. Ele encerra, em sua totalidade,
diversificadas nuanças, tais como: a felicidade, a reforma entre os homens, a
concórdia, no presente e no futuro; ele foi revelado, versículo por versículo,
surata por surata, de acordo com as situações e os acontecimentos, no decorrer
dos vinte e três últimos anos da vida do Profeta Muhammad (saws). Uma parte foi
revelada antes da Hégira, em Makka, e outra depois, em Madina. Os versículos e
as suratas revelados em Makka abrangem as normas da crença em Allah (swt), em
Seus anjos, em Seus livros, em Seus mensageiros e no Dia do Juízo Final. Os
versículos e as suratas revelados em Madina dizem respeito aos rituais e à
jurisprudência. Nele há narrativas sobre os nossos antecessores e sobre os
nossos sucessores, e é um árbitro entre nós. Há narrativas de povos anteriores,
de séculos passados; há histórias dos profetas, dos mensageiros, dos povos, dos
grupos, das pessoas, dos acontecimentos e do desenrolar da história da
civilização; nele há explicações e exemplos para aqueles que por ele queiram
pautar suas vidas, e exortação para quem tem coração e está disposto a
aceitá-la, e a prestar testemunho. Ele revela a Lei imutável de Allah (swt),
quer seja na perdição dos extraviados, quer seja na salvação dos encaminhados.
Ele ensina que o mundo dos homens, no decorrer dos séculos, só é benéfico com a
religião de Allah (swt); que a humanidade, o que quer que faça, não alcançará a
almejada felicidade se não se iluminar, guiando-se com a Mensagem Divina. Nele
há revelações do futuro sobre o dia da Ressurreição, sobre a Vida Futura, no
dia em que os homens se congregarão junto ao Senhor do Universo. "Aquele
que fizer um bem, quer seja do peso de um átomo, vê-lo-á; e aquele que fizer um
mal, quer seja do peso de um átomo, vê-lo-á" (99ª Surata, versículos, 7 e
8). Nele há o julgamento dos problemas e das questões onde é premente uma
explicação e uma diretriz do caminho a seguir, no que diz respeito às questões
da crença e do pensamento, do caráter e do comportamento, das relações
econômicas, dos ramos doutrinários, dos julgamentos pessoais ou não: "Ó
humanos, já vos chegou uma prova convincente de vosso Senhor e vos enviamos uma
translúcida Luz" (4ª Surata, versículo, 174). "Recorda-lhes o dia em
que faremos surgir uma testemunha de cada povo para testemunhar contra os seus,
e te apresentaremos por testemunha contra os teus. Temos-te revelado, pois, o
Livro que é uma explanação de tudo, é guia, misericórdia e auspício para os
muçulmanos" (16ª Surata, versículo, 89). Não há uma lei religiosa ou um
problema, no que diz respeito ao mundo e à vida dos homens, que não tenha no
Alcorão uma solução; ele é um auxílio inesgotável, guia, explicação e
orientação para todos, quer seja em partes ou no todo: "Já vos chegou de
Allah (swt) uma Luz e um Livro esclarecedor" (5ª Surata, versículo 15) Sim,
este fabuloso Alcorão é a luz orientadora para a humanidade. Ele arrancou-a das
trevas e transportou-a para a luz, para a verdade e para a verdadeira senda.
Foi o ponto de transformação na sua longa história, tirando-a da vida atroz de
corrupção e levando-a para a vida de liberdade, de religião e de orientação, e
instituiu, no mundo todo, o direito e a compreensão, tirando a humanidade do
mais baixo degrau, e elevando-a aos píncaros da perfeição, de maneira
sobranceira. As evidências e os significados que o Alcorão abrange, já citados,
só podem ser entendidos através de explicações do texto alcorânico e de seus
versículos. Tal explicação é uma pesquisa sobre a vontade de Allah (swt), sobre
o conhecimento dessa vontade através de Suas palavras no Alcorão, de acordo com
a capacidade humana. A ciência da exegese nasceu débil e cresceu
paulatinamente, até alcançar a maturidade e seguir formidavelmente neste
diapasão que conhecemos hoje. Na época da revelação do Alcorão, enquanto o
Profeta vivia, não havia necessidade para a explicação dos versículos, nem a
regulamentação dessa ciência, porque o texto, na sua totalidade, era claro,
compreensível para o Profeta e seus companheiros. Apesar disso, o Profeta
explicava alguns versículos e algumas pronúncias que podiam causar
ambigüidades; também os companheiros do Profeta e alguns adeptos assim o
fizeram. Isto porque poderia haver má interpretação, quaisquer que fossem as
razões que teriam de se desenrolar na alvorada de um povo progressista, em
formação, que iria expandir-se através de conquistas, enriquecendo sua
existência com acontecimentos históricos, discussões doutrinárias e pesquisas,
em jurisprudência e política. O Alcorão era e continua sendo o centro da
cultura islâmica, dos movimentos filosóficos e de todas as suas atividades
intelectuais; seus versículos estimulam a nele pensarmos. Disse o Altíssimo:
"Eis o Livro que te revelamos, para que os sensatos recordem seus
versículos e neles meditem (38ª Surata, versículo 29). Disse mais: "Não
meditam, acaso, no Alcorão? Se fosse de outra origem que não de Allah (swt),
haveria nele muitas discrepâncias" (4º Surata, versículo 82). E disse
ainda: "Não meditam, acaso, no Alcorão, ou é que seus corações são
insensíveis?" (47ª Surata, versículo 24). Sua explicação nada mais é do
que o resultado de meditação e deliberação. O ponto de vista dos doutos na
matéria, bem como seus métodos, são diversificados. Alguns, levados pela
simpatia doutrinária, apegaram-se à explicação dos versículos, nesse sentido.
Outros, levados pela simpatia linguística, eloqüente, estilística e literária,
apegaram-se também a esse particular; o mesmo aconteceu com os simpatizantes da
jurisprudência. Outros, ainda, apegaram-se à explicação das narrativas. Neste
particular, houve aqueles que se prolongaram na explicação, até a prolixidade
estafante, e outros restringiram-na à sucintez chocante, e outros, ainda,
quedaram-se no meio-termo. Deles, houve quem tendesse para a explicação
pessoal; e outros ainda houve que introduziram na explicação muitos outros
conhecimentos. Alguns fizeram-no em estilo esdrúxulo; outros em estilo claro.
De tudo isso resultou uma grande riqueza científica e um movimento intelectual
considerável, que elevam e glorificam um povo que serve ao Livro de seu Senhor,
quer seja em decorá-lo, preservá-lo e explicá-lo, quer seja em examiná-lo,
elevá-lo e consagrá-lo, ao longo de catorze séculos, que serão seguidos por
muitos outros, até que tudo que há no universo compareça perante o Criador:
"Nós revelamos a Mensagem e somos Seu Preservador" (15ª Surata,
versículo 9). "Este é o Livro (o Alcorão) veraz por excelência. A
falsidade não se aproxima dele nem pela frente, nem por trás, porque é a
revelação do Prudente, Laudabilíssimo." (41ª Surata, versículo 41-42). Todas
as importantes religiões do mundo são baseadas nos seus Livros Sagrados, os
quais são frequentemente atribuídos a revelações divinas. Seria patético se,
por algum infortúnio, uma delas viesse a perder o texto original da revelação;
a substituição jamais poderia estar em inteira conformidade com o que fora
perdido. Os brâmanes, os budistas, os judeus, os masdeístas e os cristãos podem
comparar o método empregado para a preservação dos ensinamentos básicos de suas
respectivas religiões com o método dos muçulmanos. Quem lhes escreveu os
livros? Quem lhes transmitiu de geração a geração? Será a transmissão provinda
de textos originais ou apenas tradução? Não haveriam as guerras fratricidas
causado dano às cópias dos textos? Não haverá contradições internas ou lacunas
cujas referências são encontradas em outro lugar? Estas são algumas das
questões que poderão ser aventadas, e isso requer respostas satisfatórias. No
tempo em que emergiram o que nós chamamos de as Grandes Religiões, os homens
não apenas confiaram em suas memórias, mas também inventaram a arte de
escrever, para preservarem seus pensamentos, assentando tudo por escrito, de
modo mais premente do que fariam as memórias individuais dos seres humanos que,
afinal de contas, têm um limitado ciclo de vida. Mesmo assim, nenhum destes
dois meios é infalível quando tomados separadamente. É uma questão de
experiência cotidiana o ato de que, quando se escreve algo e então se o revisa,
encontram-se mais ou menos erros inadvertidos, omissão de letras ou mesmo de
palavras, repetição de relatos, uso de palavras contrárias àquelas pretendidas,
erros gramaticais, etc., sem falar nas mudanças de opinião do escritor, que
também corrige seu estilo, seus pensamentos, seus argumentos e, às vezes,
reescreve todo o documento. O mesmo acontece quanto à faculdade da memória.
Aqueles que têm obrigação de ou habilidade em aprender de cor algum texto, para
recitá-lo mais tarde, especialmente quando isso envolve longuíssimas passagens,
sabem que às vezes suas memórias falham durante a recitação: pulam passagens,
misturam umas com as outras, ou não se lembram de toda a sequência; às vezes o
texto correto permanece na subconsciência e é relembrado no último momento, ou
no rebuscamento da memória por indicação de outrem, ou ao ser consultado o
texto em documento escrito. O Profeta do Islam, Muhammad (saws), de memória
privilegiada, empregava ambos os métodos simultaneamente, um ajudando o outro,
reforçando a integridade do texto e diminuindo ao mínimo as possibilidades de
erro. Os ensinamentos islâmicos são baseados no que o Profeta Muhammad
(saws)disse ou fez. Ele próprio ditou certos textos a seus escribas, o que
chamamos de Alcorão; outros textos foram compilados por seus companheiros, na
maioria das vezes por iniciativa própria; e a esses escritos damos o nome de
Tradição. A palavra Alcorão literalmente significa "leitura por
excelência" ou "recitação". Enquanto o ditava a seus
companheiros, o Profeta lhes assegurava que era a Revelação Divina que ele
havia recebido. Ele não ditou tudo de uma só vez: as revelações chegavam-lhe em
fragmentos, de tempos em tempos. Tão logo ele recebia uma, costumava
comunicá-la a seus companheiros e pedir-lhes não somente que a aprendessem de
cor - para que a recitassem durante a prática das orações -, mas também que a
escrevessem e que multiplicassem as cópias. Em tais ocasiões, ele indicava o
lugar preciso da nova revelação no texto; não era dele a compilação
cronológica. Não é de admirar a precaução e o cuidado tomados para a precisão,
levando-se em consideração o padrão da cultura dos árabes daquele tempo. É
razoável acreditarmos que as primeiríssimas revelações recebidas pelo Profeta não
foram imediatamente submetidas à escrita, pela simples razão de que não havia,
ainda, companheiro algum ou aderentes. Estas primeiras partes não eram nem
longas, nem numerosas. Não havia risco de que o Profeta pudesse esquecê-las,
uma vez que ele as recitava frequentemente em suas orações e em conversas
proselíticas. Alguns fatos da história dão-nos a ideia do que aconteceu. Ômar Ibn al Khattab
(586-644) é considerado a quadragésima pessoa a abraçar o Islam. Isso se refere
ao ano quinto da Missão (oito antes da Hégira). Mesmo em uma data primordial
existiram cópias escritas de certas Suratas do Alcorão e, como Ibn Hicham
relata, foi devido ao profundo efeito produzido pela leitura acurada de alguns
versículos da vigésima Surata que Ômar abraçou o Islam. Não sabemos precisamente
o tempo em que a prática de escrever o Alcorão começou; contudo, há informações
precisas de que durante os remanescentes dezoito anos da vida do Profeta, o
número dos muçulmanos, como também das cópias do texto Sagrado, continuou
aumentando dia a dia. Como o Profeta recebia as revelações em fragmentos, era
natural que o texto revelado se referisse aos problemas do dia. Se acontecesse
o fato de um de seus companheiros morrer, a revelação consistiria em promulgar
a lei da herança; não seria a de lei penal, tratando de roubo, por exemplo, a
ser revelada no momento. As revelações continuaram durante a inteira vida
missionária de Muhammad (saws), treze anos em Makka e dez em Madina. Uma
revelação consistia às vezes de uma inteira Surata, curta ou longa, e às vezes
de apenas uns poucos versículos. A natureza das revelações impunha ao Profeta
repeti-las constantemente em suas recitações, e revisar continuamente a forma
que as coleções dos fragmentos teria que tomar. Todos os doutos afirmam, com
autoridade, que o Profeta recitava todos os anos, no mês de Ramadan, perante o
anjo Gabriel, a parte do Alcorão até então revelada, e que no último ano de sua
vida Gabriel pediu-lhe que o recitasse por inteiro duas vezes. O Profeta
concluiu, desde então, que iria, em breve, despedir-se da vida. O Profeta
costumava revisar, nos meses do jejum, os versículos e as Suratas, e colocá-las
em sua seqüência adequada. Isto era necessário por causa da continuidade das
novas revelações. É também sabido que o Profeta tinha o hábito de celebrar uma
prática adicional de oração durante os meses do jejum, todas as noites, às
vezes mesmo em congregação, na qual ele recitava o Alcorão do princípio ao fim,
tarefa esta que era completada ao cabo de um mês. Esta prática, chamada de tarawih,
continua a ser observada com grande devoção até a estes nossos dias. Quando o
Profeta deu seu último suspiro, uma rebelião estava tomando vulto em certas
partes do país. Tentando debelá-la, várias pessoas que conheciam o Alcorão de
cor tombaram. O Califa Abu Bakr sentiu a urgência da codificação do Alcorão, e
a tarefa foi cumprida um mês depois da morte do Profeta. Durante seus últimos
anos de vida, o Profeta costumava usar Zaid Ibn Sábet como principal amanuense,
para tomar em ditado as revelações recentemente recebidas. Abu Bakr encarregou
a mesma pessoa da tarefa da preparação de uma cópia condizente de todo o texto,
em forma de livro. Havia então em Madina vários Huffaz (aqueles que sabiam todo
o Alcorão de cor), e Zaid era um deles. Sob a direção do Califa, Zaid
transcreveu o texto escrito em pergaminhos ou pedaços de couro, nas omoplatas
das reses, nos ossos, nas pedras polidas e mesmo em pedaços de porcelana. A
cópia condizente, assim preparada, foi chamada de Musshaf (encadernação). Esta
foi conservada sob a própria custódia do Califa Abu Bakr e, depois dele, por
seu sucessor, Ômar Ibn al Khattab. Nesse meio tempo o estudo do Alcorão foi
encorajado em toda parte do Império Muçulmano. O Califa Ômar sentiu a
necessidade de enviar cópias do texto autêntico aos centros provincianos, a fim
de evitar as divergências; mas foi deixado a seu sucessor, Otman, continuar com
a tarefa. Um de seus comandantes, Huzaifa Al Yaman, havendo voltado de uma
viagem pelas vastas terras conquistadas pelos muçulmanos, relatou que havia
encontrado divergentes cópias do Alcorão e que havia, às vezes, desentendimento
entre os diferentes mestres do Livro, concernente a isso. Otman fez
imediatamente com que a cópia preparada para Abu Bakr fosse confiada a uma
comissão presidida pelo acima mencionado Zaid Ibn Sábet para a reprodução de
sete cópias; ele autorizou a revisão da pronúncia, se necessário. Quando a
tarefa foi concluída, o Califa efetuou uma recitação pública da nova edição
perante os doutos presentes na capital, perante os companheiros do Profeta, e
então enviou estas cópias aos diferentes centros do vasto Mundo Islâmico,
ordenando que dali por diante todas as cópias fossem baseadas na edição
autêntica. Ele ordenou a destruição das cópias que, de algum modo, se desviassem
do texto assim oficialmente estabelecido. É concebível que as grandes
conquistas militares dos primeiros muçulmanos induzissem alguns espíritos
hipócritas a proclamarem sua impulsiva conversão ao Islam por motivos
materiais, e para tentar danificá-lo de maneira clandestina. Eles fabricaram
versões do Alcorão com interpolações. As "lágrimas de crocodilo", que
foram derramadas pela destruição das cópias não autenticadas do Alcorão, por
ordem do Califa Otman somente poderiam ter sido de tais hipócritas. É sabido
que o Profeta às vezes ab-rogava certos versículos que haviam sido comunicados
previamente ao povo, e isso era feito para fortificar as novas Revelações
Divinas. Houve Companheiros que aprenderam a primeira versão, sem contudo
estarem cientes das últimas modificações, tanto por causa da morte do Profeta
como por suas residências fora de Madina. Eles devem ter deixado cópias a seus
descendentes, as quais, embora autênticas, estavam ultrapassadas. Ainda, alguns
muçulmanos tinham o hábito de pedir ao Profeta que explicasse certos termos
empregados no texto sagrado e anotar tais explicações nas margens de suas
cópias do Alcorão, a fim de não se esquecerem delas. As cópias feitas mais
tarde, com base nesses textos anotados, iriam causar confusões na questão do
texto e do glossário. A despeito da ordem do Califa Otman, para que se
destruíssem os textos inexatos, existia, nos séculos III e IV da Hégira,
assunto bastante para a compilação de volumosas obras, constituindo as
"variações do Alcorão." Estas chegaram até nós, mas um apurado estudo
mostra-nos que tais variantes eram devidas tanto à aparência falsa, como aos
enganos no decifrar-se a velha escrita arábica, que não possuía vogais, nem se
podia distinguir entre as letras semelhantes, nem davam idéia das mesmas, sendo
meros pontos, como é feito agora. Além disso existiam diferentes dialetos em
diferentes regiões, e o Profeta havia permitido aos muçulmanos de tais regiões
recitarem de acordo com suas algaravias, e mesmo substituir as palavras que
estavam além de sua argúcia, por sinônimos que conhecessem melhor. Esta foi uma
medida imergente de graça e clemência. No tempo do Califa Otman, contudo, a
instrução pública havia-se desenvolvido suficientemente, e fez-se necessário
que aquelas concessões não fossem mais toleradas, pois o Texto Sagrado seria
afetado, e as variantes da leitura se radicariam. As cópias do Alcorão enviadas por Otman aos chefes das províncias gradualmente
desapareceram, nos séculos subsequentes; apenas uma delas, que presentemente se
encontra em Tashkent, chegou até nós. O governo czarista da Rússia havia-a
publicado em uma reprodução fac-símile; constata-se haver uma completa
identidade entre essa cópia e o texto em uso noutras ocasiões. A mesma é cópia
fiel do manuscrito existente do Alcorão, tanto completo como fragmentado,
datando do primeiro século da Hégira. O Alcorão é dirigido a toda a humanidade,
sem distinção de raça, cor, região ou tempo. Ainda mais, ele procura guiar a
humanidade em todas as sendas da vida: espirituais, materiais, individuais e
coletivas. Ele contém diretrizes para a conduta do chefe de Estado, bem como do
homem comum; do rico, bem como do pobre; diretrizes para a paz, bem como para a
guerra; tanto para a cultura espiritual como para o comércio e bem-estar material.
O Alcorão busca principalmente desenvolver a personalidade do indivíduo: Cada
ser será pessoalmente responsável perante seu Criador. Para tal propósito, o
Alcorão não somente fornece ordens, porém tenta ainda convencer. Ele apela para
a razão do homem e relata histórias, parábolas e metáforas. Descreve os
atributos de Allah (swt), que é Um, Criador de tudo, Onisciente, Onipotente,
Ressuscitador dos mortos e Observador de nosso comportamento terreno; é Justo,
Clemente (Vide nota da 7ª Surata, versículo 180). O Alcorão indica ainda o modo
de aprazermos a Allah (swt), apontando quais as melhores orações, quais os
deveres do homem com respeito a Ele, a seus semelhantes e a seu próprio ser;
ele dá destaque ao fato de que não nos pertencemos, outrossim, pertencemos a
Allah (swt). O Alcorão fala das melhores normas relacionadas com a vida social,
comercial, matrimonial, como a heranca, o direito penal, o direito
internacional, e assim por diante. Todavia, o Alcorão não é um livro, no senso
comum; é a coleção das palavras de Allah (swt), reveladas de tempos em tempos,
durante vinte e três anos, a Seu Mensageiro, escolhido entre os seres humanos.
O Soberano dá Suas instruções a Seu vassalo; portanto, há certas nuanças
compreendidas e implícitas; há repetições, e mesmo mudanças nas formas de
expressão. Deste modo, Allah (swt) fala às vezes na primeira pessoa e às vezes
na terceira. Ele diz "Eu", bem como "Nós" e
"Ele", porém, jamais "Eles". É uma coleção de revelações
enviadas de ocasiões em ocasiões; e devemos, por isso, lê-lo mais e mais, a fim
de melhor avaliarmos os seus significados. Ele possui diretrizes para todos, em
todos os lugares e para todos os tempos. O estilo e a dicção do Alcorão são
magníficos e apropriados para a sua qualidade Divina. Sua recitação comove o
espírito até daqueles que apenas o ouvem sem entendê-lo. Com o passar do tempo,
o Alcorão tem, em virtude de sua reivindicação de origem divina, desafiado a
todos a criarem, conjuntamente, mesmo uns poucos versículos iguais aos que ele
contém. Tal desafio porém tem permanecido sem resposta até aos nossos dias. Há
algumas diferenças intrínsecas entre o Alcorão e os livros precedentes. Tais
diferenças podem ser sucintamente estipuladas, como se segue: 1. Os textos
originais da maior parte dos primitivos Livros Divinos foram em sua quase
totalidade perdidos, sendo que somente as suas traduções existem hoje. O
Alcorão, por outro lado, existe hoje exatamente como foi revelado ao Profeta;
nem uma palavra - mais ainda, nem uma letra sequer - foi trocada. Encontra-se à
disposição, em seu texto original, fazendo com que a Palavra de Allah (swt)
seja preservada agora, bem como por todo o porvir. 2. Nos primitivos Livros
Divinos os homens mesclaram suas palavras com as palavras de Allah (swt);
porém, no Alcorão encontram-se apenas as palavras de Allah (swt) - em suas
prístinas purezas. Isto é admitido, mesmo pelos oponentes ao Islam. 3. Não se pode dizer, com base na autêntica evidência histórica, em relação a
nenhum outro Livro Sagrado, possuído por diferentes povos, que ele realmente
pertence ao mesmo profeta a quem é atribuído. No caso de alguns deles, mesmo
isto não é sabido. Em que época e a que profeta eles foram revelados? Quanto ao
Alcorão, as evidências que existem de que foi revelado a Muhammad (saws)são tão
vultosas, tão convincentes, tão sólidas e completivas, que mesmo o mais
ferrenho crítico do Islam não pode lançar dúvidas sobre isso. Tais evidências
são tão vastas e detalhadas, que sobre muitos versículos do Alcorão, mesmo a
ocasião e o local de suas revelações, podem ser conhecidos com exatidão. 4. Os
primitivos Livros Divinos foram revelados em línguas que estão mortas desde há
muito tempo. Na era presente, nação ou comunidade alguma fala tais línguas e há
apenas umas poucas pessoas que se jactam de compreendê-las. Destarte, mesmo que
tais Livros existissem hoje em suas formas originais e inadulteradas, seria
virtualmente impossível, em nossa era, compreendermos e interpretarmos
corretamente suas injunções, bem como pormos em prática em sua forma requerida.
A língua do Alcorão, por outro lado, é uma língua viva; milhões de pessoas
falam-na e outro tanto a compreende. Ela está sendo ensinada e aprendida em
quase todas as universidades do mundo; todas as pessoas podem aprendê-la, e
aquele que não tem tempo para isso pode, em qualquer parte, deparar com quem
conheça a língua, que lhe explique o significado do Alcorão. 5. Cada um dos
Livros Sagrados existentes, encontrados entre as diferentes nações do mundo,
foi dirigido a um povo em particular. Cada um deles contém um número de ditames
que parece ter sido dirigido a um período da história em particular e que
supria apenas as necessidades daquela era. Tais necessidades não são válidas
hoje, nem tampouco podem ser aplainadas e propiciamente vertidas para a
prática. Depreende-se disto que tais livros eram dirigidos àqueles povos em
particular e nenhum deles para o mundo. Ademais, eles não foram revelados para
serem seguidos permanentemente, mesmo pelo povo para o qual foram revelados;
restringiam-se a influenciar somente sobre um certo período. Em contraste a
isso, o Alcorão é dirigido a toda a humanidade; não se pode suspeitar que
injunção alguma tenha sido dirigida a um povo em especial. Do mesmo modo, todos
os ditames e injunções no Alcorão são os mesmos que podem ser aplicados em
todos os lugares e em todas as épocas. Este fato vem provar que o Alcorão é
dirigido ao mundo inteiro, constituindo-se em eterno código para a vida humana.
6. Não há negar o fato de que os precedentes Livros Divinos cultuavam o bem e a
virtude, ensinavam também os princípios da moralidade e da veracidade, e
apresentavam uma maneira de viver consentânea com a vontade de Allah (swt).
Contudo, nenhum deles era suficientemente compreensivo para englobar tudo
quanto fosse necessário para uma vida humana virtuosa, sem nada supérfluo, sem
nada carente. Alguns deles excediam-se em um aspecto, alguns em outros. É o
Alcorão, e apenas o Alcorão, que cultua não apenas tudo o que havia de
magnífico nos livros precedentes, mas, ainda, aperfeiçoa os desígnios de Allah
(swt) e os apresenta em sua totalidade, delineando uma norma de vida que
compreende tudo o que é necessário para o homem, nesta terra. Os pensamentos se renovam e as culturas se proliferam; a vida evolui e a
colheita intelectual da humanidade aumenta a cada dia; e quanto mais a
humanidade evolui, mais unida e mais mesclada fica. Os veículos de comunicação
em muito ajudam nisso, como se quisessem corroborar as palavras do Alcorão: "Ó
humanos, em verdade, Nós vos criamos de macho e fêmea e vos dividimos em povos
e tribos para reconhecerdes uns aos outros." (49ª Surata, versículo 13). Samir
El Hayek. www.ccib.org.br. Abraço. Davi.
sexta-feira, 26 de junho de 2020
quarta-feira, 24 de junho de 2020
A ESTRUTURA DO MUNDO I
Religião
Afro-brasileira. O Candomblé da Bahia – Rito Nago. Tradução de Maria Isaura
Pereira de Queiroz (1918-2018). Capítulo III. A ESTRUTURA DO MUNDO I. Se
existem sacerdotes diferentes desempenhando funções que não coincidem, embora
complementares, e todas inteiramente necessárias, é forçosamente porque o mundo
se divide em certo número de compartimentos, cada espécie de sacerdote
presidindo a um ou outro desses domínios. A conclusão de nosso capítulo precedente
era de que o social nunca era· senão o reflexo do eterno. A sociedade
sacerdotal não faz exceção à regra. Tudo isto nos dita, então, o método a
seguir. Para compreender a concepção do mundo, formulada pelos descendentes de
africanos na Bahia, é preciso partir do estudo do sacerdócio. Infelizmente como
notamos em nosso primeiro capítulo, os diferentes autores só se têm interessado
pela hierarquia que vai do babalorixá, ou da ialorixá, até às yauô, aos ogan e
às ekedy, no que concerne ao sacerdócio do candomblé. Alude-se ainda a outra
espécie de sacerdotes, os babalaô, mas sem insistir no papel que desempenham,
na sua importância, no lugar que ocupam num conjunto estrutural particularmente
coerente. Não há dúvida de que este modo de ver corresponde a fatos históricos
seguros: os babalaô, que na África ocupam o primeiro lugar na classificação
sacerdotal, diante da opinião pública perderam este lugar preponderante. O
brilho das grandes festas anuais, a dramaturgia das possessões extáticas, a
beleza dos ritmos dos tambores cortando as noites com suas músicas
"bárbaras" chamam muito mais a atenção dos indivíduos do que os
gestos, por assim dizer clandestinos, do babalaô trabalhando em salas fechadas,
sem acompanhamento de instrumentos de música, de cânticos ou de danças,
rodeados somente por algumas pessoas. Um Martiniano Eliseu do Bonfim
(1859-1934) pode, em certo momento, desempenhar papel de prestígio devido à sua
viagem à África, devido à sua ciência e cultura, tanto profana quanto africana;
mas depois da morte dele, os babalaô parecem desaparecer do cenário. De fato,
houve verdadeira guerra entre os babalorixá e os babalô, lutando para saber
quem atingiria o mais alto status social, e é evidente que o conflito se
liquidou historicamente com a vitória dos primeiros. Mas, como sempre, a
estrutura é mais forte do que a história. Se existiam babalaô, era porque este
grupo sacerdotal correspondia a uma função determinada, e tal função ainda
continua a ser obrigatoriamente desempenhada, aconteça o que acontecer. Como
veremos, o que se passou na realidade, e por razões que teremos de perscrutar,
não foi tanto o desaparecimento de um grupo de sacerdotes e sim o fato de uma
forma de adivinhação ter sido substituída por outra. Ou tender a ser
substituída. O búzio venceu o colar de Ifa, salvo nova ofensiva e regresso
sempre possíveis. Ao contrário do que se dizia, não foi o babalorixá que venceu
o babalaô. Quando iniciamos nossos estudos sobre o mundo dos candomblés,
orientamos logo de saída a pesquisa para o lado dos babalaô, pois tinham sido
negligenciados pelos etnógrafos que nos tinham precedido. A princípio, foi
simples curiosidade de africanista que não quer refazer, o que já foi feito, e
bem feito, antes dele, mas que deseja desbravar terrenos virgens. Mas a. colheita
de dados ia transformar a própria imagem que formávamos do mundo dos
candomblés. Em primeiro lugar, notamos que a luta entre babalorixá e babalaô
ainda não estava terminada; os babalaô, pelo contrário, tinham o sentimento de
sua superioridade: "O babalorixá não se ocupa senão de um único candomblé,
o babalorixá tem a seu cargo vários candomblés, e em todos eles nada pode ser
feito sem que o babalaô tenha sido consultado". O mesmo informante me
dizia também: "Formamos uma maçonaria, há trinta e três graus de babalaô,
de um a trinta e três; sim, digo-lhe que nossa religião é realmente uma
maçonaria". Nada afirmo sobre este número 33, que nunca pude verificar.
Mas o que descobri mais tarde e que este babalaô era na realidade um colhedor
de ervas. Por outro lado, os artigos de Protásio Frikel (912-1974) ligavam o
culto dos mortos a uma das funções dos babalaô. Não há dúvida de que é preciso
não confiar muito, nem nos informantes de Frikel, nem nas interpretações a que
ele chega, baseado em falsas informações. Mas a respeito tivemos pelo menos
confirmação indireta de tal ligação em velhos artigos de jornal, que contavam
uma busca de polícia na casa dos mortos da ilha de Itaparica e a prisão de seu
proprietário, chamado Alaba. Ora, esta designação é dada na África ao primeiro
babalaô de Ife e "quando Alaba deixou esta vida, foi substituído. Todos os
sucessores tiveram o título de Alaba". Não tínhamos, porém, senão um ponto
de partida. À medida que a pesquisa prosseguia, descobríamos diversos Alaba, um
como divindade (citado por João do Rio); outro como o segundo filho, depois do
nascimento dos Gêmeos (citado por E. Carneiro) e é passível, por conseguinte,
que os termos variem de acordo com a acentuação que tiverem. Por isso não
podíamos confundir numa única "maçonaria" todos os sacerdotes
existentes fora do candomblé. Pierre Verger (1902-1996) nos escreveu a esse
respeito: "Existe Alagba, que significa um velho, termo de respeito muitas
vezes dado ao Babalawo". Desse modo, prosseguindo nas pesquisas, acabamos
achando que a função tríplice: adivinhação, colheita de ervas, culto dos
antepassados, acarretava não apenas um, mas três sacerdócios, que se
acrescentam ao sacerdócio do babalorixá. Falando do ritual de iniciação, dizia
efetivamente um de nossos informantes: "Antes de começar a iniciação, é
preciso consultar Ifa para saber qual o santo a que se pertence, e esta é a
função do babalaô. Então a filha de santo entra no candomblé e é o babalorixá
que a "faz". Mas, para fazê-la, precisa lavar a cabeça com as folhas
da divindade, e é o babalosaim o encarregado da colheita, sendo também
necessária a permissão dos antepassados, que é pedida pelo babaogê". E
ajuntava mais: "O babalorixá necessita ao babalaô, do babalosaim e do
babaogê; nada pode fazer sem eles. O babalorixá não é senão o chefe de um
terreiro e de um grupo de filhas de santo". Tais palavras confirmavam as
primeiras informações recolhidas. Elas traçavam o esquema sacerdotal dos
africanos da Bahia, que ultrapassa os limites dos terreiros enquanto santuários
autônomos. No entanto, nada nos dizem sobre a questão de constituírem as três
espécies de sacerdotes, os que se ocupam da adivinhação, das folhas e dos
Eguns, uma só e mesma sociedade, uma "maçonaria" hierarquizada,
composta de estratos de funções superpostas. Teria o babalosaim que conhecemos
(e que já morreu) sido levado a se inserir na hierarquia dos babalaô impelido
pelo desejo de ficar acima dos babalorixá, procurando assim, na luta dos
sacerdotes pelo status social mais alto, se apoiar no conjunto de todos os
sacerdócios existentes fora dos terreiros, seguindo o ditame de que a união faz
a força? Ou sua afirmação corresponderia a uma realidade sociológica?
Efetivamente, os babalaô da África têm a seu lado assistentes encarregados da
colheita das "folhas" indispensáveis aos sacrifícios de Fa e que
entram, por isso, para o seu grupo sacerdotal. Não estamos atualmente em estado
de responder a esta questão. Mas, formem ou não os outros sacerdotes
existentes, além dos babalorixá, uma única "maçonaria", não deixa de
ser verdade que na Bahia, do ponto de vista funcional, há quatro espécies de
sacerdócios: os babalorixá (ou ialorixá) que presidem ao culto dos Orixá; os
babalaô propriamente ditos, que presidem ao culto de Ifa; os babalosaim que
presidem ao culto de Osaim, a "dona" das folhas; os babaogê que
presidem ao culto dos Eguns. Tal sacerdócio quádruplo corresponde a uma
estrutura quádrupla do mundo, deuses, homens, natureza, mortos. O objeto deste
capítulo é analisar a estrutura em questão, partindo de sua imagem simbólica,
isto é, dos sacerdotes que presidem a cada uma destas quatro secções do cosmos.
1 - OS BABALAÔ. Podem os Orixá de duas maneiras tomar conhecida dos homens sua
vontade, ou pela possessão dos fiéis - e então lhes revelam o futuro no decorrer
de seus transes - ou por meio de nozes, de búzios ou de outros processos de
adivinhação. Poderíamos chamar estas duas maneiras de adivinhação subjetiva e
adivinhação objetiva. A primeira não é possível senão através da celebração de
um ritual especial que tem lugar durante o período de iniciação das yauô, ou
logo em seguida à sua conclusão, e que tem o nome de "ritual de dar a
palavra". Infelizmente, não temos nenhuma indicação sobre o modo pelo qual
o dom de profecia em estado de transe é dado aos "cavalos de santo".
Poderíamos citar muitas historietas em que tal dom se manifesta: ialorixá
prevenida da perseguição da polícia e a quem se recomenda que esconda os
objetos do culto; babalorixá que adivinha que a polícia vai entrar em seu
terreiro e que recebe conselhos sobre o que deverá fazer então; ialorixá que é
posta a par de um futuro movimento revolucionário, que se desencadeará na
região, o que lhe permite guardar provisões para não sofrer fome em tal ocasião
(...), etc. Esta adivinhação subjetiva concerne, bem entendido, aos membros do
candomblé e nada tem que ver com os babalaô, os quais, ao contrário dos
babalorixá e das ialorixá, não podem jamais "cair no santo", isto é,
cair em estado de transe. Mas os Orixá só aparecem pessoalmente em casos muito
graves. A cada instante, no entanto, é necessário saber o que desejam. E não se
pode consultar constantemente o babalaô, principalmente quando se tem urgência
de uma resposta. Existe, pois, um processo de adivinhação no interior dos
candomblé, e nas páginas precedentes já vimos sua utilização pelo babalorixá ou
um de seus assistentes, por exemplo no obori: é o processo que utiliza as nozes
de kola ( obi, oubi ou orôbo), divididas em quatro pedaços. Depois de
consagrada a sala e realizadas orações, jogam-se os quatro pedaços no chão. Se
os quatro pedaços caem com a parte interna dirigida para cima, os deuses
respondem “sim" à pergunta que lhes foi feita (alafia); se não há senão
três fragmentos com a parte interna dirigida para cima, a resposta é "não"
( Etawa); se dois pedaços têm as partes internas voltadas para cima e os dois
outros não, a resposta é favorável (ajiala Ketu). Se um só fragmento tem a
parte interna voltada para cima, a resposta é desfavorável (Okanran).
Finalmente, se todos os pedaços têm as partes internas voltadas para baixo, a
resposta é desastrosa (Oyaku). Em caso de resposta negativa, repete-se o
exercício três vezes. Pode acontecer que, com a promessa de sacrifício
apropriado, o deus se acalme e acabe por aceitar o que primeiramente tinha
recusado. Esta técnica de tirar a sorte é peculiar, pois, aos membros do
candomblé; não interessa ao babalaô; mas também não pode dar grande quantidade
de indicações. Os Orixá respondem somente por um "sim" ou
"não", sem acrescentar nenhuma outra "palavra". O babalaô
que no Brasil é também chamado às vezes "vidente" (Oluô) mas
erradamente, pois Oluô é um título hierárquico de certos babalô e não uma
designação geral, dispõe, entretanto, de dois processos que lhe permitem
conhecer grande número de "palavras": o colar de Ifa ou kpelê (Opelê)
e os búzios de Exu ou Edulogun
(edilogun).Como sacerdote Ifá, o babalaô é o único que tem o direito de tocar
no opelê ou nos cocos de dendê. O mesmo não se dá com o edilogum. Com efeito,
um mito recolhido na Bahia explica como Elegba, que é outro nome de Exú, deu às
filhas de Oxun a possibilidade de, além do babalaô, também tirarem a sorte com
os búzios. Ifa era um pobre pescador que vivia miseravelmente. Fez um dia
contrato com Elegba, comprometendo-se a lhe servir de escravo devotado durante
16 anos. Elegba enviou-o à floresta buscar coquinhos de dendê e ensinou-o a
prepará-los para a adivinhação. Mas chegava tanta gente para consultá-lo, que
lfa teve necessidade de uma mulher que se ocupasse de sua casa; tomou uma apetebi,
que não era outra senão Oxun. As pessoas que não conseguiam chegar a ver o
próprio Ifa, pediam a Oxun que fizesse o favor de tirar a sorte para elas.
Então Oxun se queixou ao marido de que não conhecia a arte de ler o futuro e,
depois de muita insistência, Ifa tomou 16 coquinhos, preparou-os e pediu a
Elegba que respondesse por intermédio deles às perguntas feitas por Oxun.
Elegba aceitou de má vontade; e se hoje realmente responde às questões das
apetebi, em represália persegue os filhos de Oxun com mais furor ainda do que
os filhos dos outros Orixá. Cada babalaô tem, então, perto de si uma mulher que
é filha de Oxun, mas não de qualquer Oxun, pois cada divindade é múltipla; é
preciso que seja da mais velha de todas as Oxun, Yaba Omi, só está é, que pode
ser a apetebi do babalaô. Mas não nos enganemos. Trata-se de uma sacerdotisa,
de uma espécie de babalaô feminino e não da mulher legítima do babalaô.
Dizia-se mesmo antigamente que ela estava votada à castidade. Mas é evidente
que a poligamia, que os negros conservaram no Brasil reinterpretando-a,
naturalmente, em termos ocidentais de mulher legítima e de uma ou várias
concubinas, pode tornar a apetebi uma das mulheres do adivinho. Certas apetebi
e os babalaô de nível inferior utilizam somente quatro búzios, os quais, como
os obi, podem responder apenas sim ou não. As apetebi e os babalaô de grau
superior utilizam de 16 búzios. Finalmente, certos babalaô têm um jogo de 32
búzios. Todavia, as apetebi não têm o direito de ultrapassar as 16 "letras",
como se diz muitas vezes no meio africano. Embora existindo búzios nas praias
do Brasil, não são empregados na adivinhação. Esta só pode ser praticada com
caramujos vindos da África e que no mercado são vendidos a alto preço. Cada
búzio tem uma das faces quebrada, de maneira a apresentar um lado aberto e
outro fechado. O adivinho sacode os entre as duas mãos reunidas em concha e
lança-os; segundo a maneira pela qual caem, lê-se a "palavra"
formada. Página 143. Livro O Candomblé da Bahia. Abraço. Davi.
terça-feira, 23 de junho de 2020
OS ANALECTOS - LIVRO XII
Confucionismo.
www.https//rt.br. OS ANALECTOS – LIVRO
XII. 1. Yen Yüan perguntou sobre a benevolência. O Mestre disse: “Voltar-se à
observância dos ritos sobrepondo-se ao indivíduo constitui a benevolência. Se
por um único dia um homem puder retornar à observância dos ritos ao sobrepor-se
a si mesmo, então todo o Império o considerará benevolente. Entretanto, a
prática da benevolência depende inteiramente da própria pessoa, e não dos
outros”. Yen Yüan disse: “Gostaria que vocês listassem os passos deste
processo”. O Mestre disse: “Não olhe a menos que esteja de acordo com os ritos;
não escute a menos que esteja de acordo com os ritos; não fale a menos que seja
de acordo com os ritos; não se mexa a menos que seja de acordo com os ritos”.
Yen Yüan disse: “Embora eu não seja rápido, hei de dirigir meus esforços para o
que o Mestre falou”. 2. Chung-kung perguntou sobre a benevolência. O Mestre
disse: “Quando em terra estrangeira, comporte-se como se recebesse um convidado
importante. Quando empregar os serviços do povo comum, comporte-se como se
estivesse oficiando um importante sacrifício. Não imponha aos outros aquilo que
você não deseja para si próprio. [130] Desse modo, você estará livre de maus
sentimentos, seja no âmbito do reino ou de uma família nobre”. Chung-kung
disse: “Embora eu não seja rápido, hei de dirigir meus esforços para o que o
Mestre falou”. 3. Ssu-ma perguntou sobre a benevolência. O Mestre disse:
“Amarca distintiva do homem benevolente é que ele reluta em falar”. “Nesse
caso, pode-se dizer que um homem é benevolente simplesmente porque reluta em
falar?” O Mestre disse: “Quando agir é difícil, causa alguma surpresa que
alguém relute em falar?”. [131] 4. Ssu-ma Niu perguntou sobre o cavalheiro. O
Mestre disse: “O cavalheiro é livre de preocupações e medos”. “Nesse caso,
pode-se dizer que um homem é um cavalheiro simplesmente porque está livre de
preocupações e medos?” O Mestre disse: “Se, ao examinar a si próprio, um homem
não encontra nenhuma razão para se repreender, que preocupações e medos pode
ele ter?”. 5. Ssu-ma Niu apareceu preocupado, dizendo: “Todos os homens têm
irmãos. Só eu não tenho nenhum”. Tzu-hsia disse: “Já ouvi dizer: vida e morte
são uma questão de Destino; riqueza e honra dependem do Céu. O cavalheiro é
reverente e não faz nada errado, é respeitoso para com os outros e observa os
ritos, e todos habitantes dos Quatro Mares serão seus irmãos. Qual a
necessidade de o cavalheiro preocupar-se quanto a não ter irmãos?”. 6.
Tzu-chang perguntou sobre a perspicácia. O Mestre disse: “Quando um homem não é
influenciado por difamações continuamente repetidas ou por denúncias pelas
quais ele sente alguma simpatia, ele pode ser chamado de perspicaz. Ao mesmo
tempo, ele pode ser chamado de previdente”. 7. Tzu-kung perguntou sobre
governo. O Mestre disse: “Dê-lhes comida suficiente, dê-lhes armas suficientes,
e as pessoas comuns confiarão em você”. Tzu-kung perguntou: “Se alguém tivesse
de abrir mão de um desses três, de qual deveria abrir mão primeiro?”. “Abra mão
das armas.” Tzu-kung disse: “Se alguém tivesse que abrir mão de um dos dois
restantes, de qual deveria abrir mão primeiro?”. “Abra mão da comida. Amorte
sempre esteve conosco, desde o começo dos tempos, mas quando não há confiança,
as pessoas comuns não terão nada a que se agarrar.” 8. Chi Tzu-ch’eng disse: “O
mais importante a respeito de um cavalheiro é o material do qual ele é feito.
Para que ele precisa de refinamento?”. Tzu-kung comentou: “É uma pena que um
cavalheiro fale desse modo sobre o cavalheiro. ‘Uma parelha de quatro cavalos
não pode ir mais rápido do que a língua de alguém.’O material não difere do
refinamento; o refinamento não difere do material. A pele de um tigre ou de um
leopardo, desprovida de pelos, não é diferente da de um cachorro ou de uma
ovelha”. 9. O duque Ai perguntou a Yu Juo: “A colheita vai mal, e não tenho o
suficiente para cobrir os gastos. Que devo fazer?”. Yu Juo respondeu: “Que tal
taxar as pessoas em uma de dez partes?”. “Já não tenho o suficiente agora que
as taxo em duas partes de dez. Como eu poderia taxá-las em uma parte de dez?”
“Quando as pessoas têm o suficiente, quem sobra na insuficiência? Quando as
pessoas não tem o suficiente, quem resta para gozar da abundância?” 10.
Tzu-chang perguntou sobre a exaltação da virtude e sobre como reconhecer a
incoerência. O Mestre disse: “Faça o seu princípio norteador dar o melhor de si
pelos outros e ser coerente com aquilo que diz, e vá onde há retidão, então
você estará exaltando a virtude. Quando se ama um homem, deseja-se que ele
viva, e quando se odeia um homem, deseja-se que ele morra. Se, tendo uma vez
desejado que ele vivesse, você depois deseja que ele morra, isso é incoerência.
Se você não o fez pelo bem dos ricos, Você deve tê-lo feito pelo bem da
mudança”. [132] 11. O duque Ching de Ch’i perguntou a Confúcio sobre governo.
Confúcio respondeu: “Deixe que o governante seja um governante, o súdito, um
súdito, o pai, um pai, o filho, um filho”. O duque disse: “Esplêndido!
Realmente, se o governante não for um governante, o súdito, um súdito, se o pai
não for um pai e o filho, um filho, então, mesmo que houvesse grãos,
conseguiria eu comê-los?”. 12. O Mestre disse: “Se alguém pode chegar à verdade
de uma disputa legal apenas a partir das evidências de uma das partes, é,
talvez, Yu”. Tzu-lu nunca posterga o cumprimento de uma promessa ao dia
seguinte. 13. O Mestre disse: “Ao julgar uma disputa judicial, sou igual a
qualquer outro homem. Mas, se vocês insistem em uma diferença, é, talvez, que,
em primeiro lugar, tento convencer as partes a não recorrer ao litígio”. 14.
Tzu-chang perguntou sobre governo. O Mestre disse: “Quanto à rotina diária, não
mostre cansaço, e quando houver alguma ação a ser tomada, dê o melhor de si”.
15. O Mestre disse: “O cavalheiro que é muito culto mas que é levado às coisas
essenciais pelos ritos dificilmente vai se voltar contra aquilo que apoiou”.
[133] 16. O Mestre disse: “O cavalheiro ajuda os outros a perceberem o que há
de bom neles; não os ajuda a perceberem o que há de ruim. O homem vulgar faz o
contrário.” 17. Chi K’ang Tzu perguntou a Confúcio sobre governo. Confúcio
respondeu: “Governar (cheng) é corrigir (cheng). [134] Se você der exemplo ao
ser correto, quem ousaria continuar sendo incorreto?”. 18. O grande número de
ladrões na região era uma fonte de preocupação para Chi K’ang Tzu, que pediu
conselho a Confúcio. Confúcio respondeu: “Se você não fosse um homem ganancioso
[135] , ninguém roubaria, nem mesmo se oferecessem recompensas aos ladrões”.
19. Chi K’ang Tzu perguntou a Confúcio sobre o governo, dizendo: “O que o
Mestre pensaria se, para me aproximar daqueles que seguem o Caminho, eu matasse
aqueles que não o seguem?”. Confúcio respondeu: “Qual a necessidade de matar
para administrar um governo? Apenas deseje o bem, e o povo será bom. A virtude
do cavalheiro é como o vento; a virtude do homem comum é como grama. Que o
vento sopre sobre a grama, e ela com certeza se dobrará”. [136] 20. Tzu-chang
perguntou: “Como um cavalheiro deve ser para que digam que ele conseguiu
distinguir-se?”. O Mestre disse: “Que diabos você quer dizer com
‘distinguir-se’?”. Tzu-chang respondeu: “O que tenho em mente é um homem que
tem certeza de ser conhecido, sirva ele em um reino ou em uma família nobre”. O
Mestre disse: “Isso é ser conhecido, não se distinguir. O termo
‘distinguir-se’descreve um homem que é correto por natureza e que gosta do que
é certo, sensível às palavras das outras pessoas e observador da expressão nos
rostos delas e que sempre se preocupa em ser modesto. Tal homem é destinado a
distinguir-se, sirva ele em um reino ou em uma família nobre. Por outro lado, o
termo ‘ser conhecido’descreve um homem que não tem dúvidas de que é benevolente,
quando tudo o que ele está fazendo é mostrar uma fachada de benevolência que
não condiz com suas ações. Tal homem é destinado a ser conhecido, sirva ele em
um reino ou em uma família nobre”. 21. Fan Ch’ih estava com Confúcio durante
uma visita ao Altar da Chuva. Ele disse: “Posso perguntar sobre o acúmulo da
virtude, a reforma dos corrompidos e a admissão do mau julgamento?”. O Mestre
disse: “Que esplêndida pergunta! Colocar o serviço prestado acima da recompensa
que você ganha, não é isso acúmulo da virtude? [137] Atacar o mal como o mal e
não como o mal de um homem em particular, não é isso o caminho para reformar os
corrompidos? Deixar que um repentino ataque de raiva faça com que você esqueça
da segurança da sua própria pessoa ou mesmo da dos seus parentes, não é isso um
mau julgamento?” 22. Fan Ch’ih perguntou sobre benevolência. O Mestre disse:
“Ame seus semelhantes”. Ele perguntou sobre a sabedoria. O Mestre disse:
“Conheça os homens”. Fan Ch’ih não entendeu. O Mestre disse: “Promova os justos
e coloque-os acima dos corrompidos. [138] Isso pode endireitar os corrompidos”.
Fan Ch’ih retirou-se e foi falar com Tzu-hsia, dizendo: “Há pouco fui ver o
Mestre e perguntei sobre a sabedoria. O Mestre disse: ‘Promova os justos e
coloque-os acima dos corrompidos. Isso pode endireitar os corrompidos’. O que
ele quis dizer?”. Tzu-hsia disse: “Rico, de fato, é o significado de tais
palavras. Quando Shun dominava o Império, escolhendo entre a multidão ele
promoveu Kao Yao e, ao fazer isso, afastou aqueles que não eram benevolentes.
Quanto T’ang dominava o Império, escolhendo entre a multidão promoveu Yi Yin e,
ao fazer isso, afastou aqueles que não eram benevolentes”. 23. Tzu-kung
perguntou sobre como os amigos devem ser tratados. O Mestre disse:
“Aconselhe-os o melhor que puder e guie-os corretamente, mas pare quando hão
houver esperança de sucesso. Não peça para ser rejeitado”. [139] 24. Tseng Tzu
disse: “Um cavalheiro faz amigos por meio da sua cultura, mas busca os amigos
para apoio benevolente”. www.https//rt.br.
Abraço. Davi
segunda-feira, 22 de junho de 2020
II. A MULHER NO ISLAM
Islamismo. www.ccib.org.br. II. A MULHER NO ISLAM. O
Islam exaltou generosamente a mulher, honrou-a e tratou-a com civilidade, quer
como criança e adolescente, quer como esposa e mãe. a) - Como Criança e
Adolescente: Antes do advento do Profeta Muhammad (que a Paz e a Bênção de Deus
estejam sobre ele), o mundo degradou a mulher e, praticamente, baniu-a. Ela
tinha sido atirada para tão profundo abismo, que parecia não haver esperança na
sua redenção. O Islam lutou acirradamente contra esta injustiça, sublinhando
que a vida precisava tanto do homem como da mulher. A mulher não foi criada
para ser ridicularizada e banida, como o homem, a mulher tem o seu propósito e
direito à existência, e a Natureza está a alcançar o seu objetivo com a ajuda
de ambos, homem e mulher, conforme reza o Alcorão: "A Deus pertence a
Soberania dos céus e da terra. Ele cria o que deseja. Dá filhas a quem deseja e
dá filhos a quem deseja; ou dá-lhes aos pares machos e fêmeas, e torna estéril
a quem deseja, pois Ele é Sábio e Poderoso.'' (Alcorão Sagrado 42:49-50). Onde
todas as outras religiões privam a mulher de todos os direitos, até ao de
viver, o Islam garante-lhe os mesmos direitos que ao homem. O Islam também
avisa aqueles que pretendem retirar-lhes os seus direitos, serão, seguramente,
responsáveis perante Deus no Dia do Julgamento. ''Quando as almas forem
reunidas, quando a filha, sepultada vida, for interrogada: Por que delito foste
assassinada?'' (Alcorão Sagrado 81:7-9). O Profeta Muhammad (que a Paz e a
Bênção de Deus estejam sobre ele), instituiu numerosas instruções a favor da
mulher. Favores que ela não podia obter mesmo dos auto denominados apoiantes
modernos dos direitos da mulher. O Profeta Muhammad (que a Paz e a Bênção de
Deus estejam sobre ele), disse: ''Deus proibiu-vos a desobediência às vossas
mães, a recusa a sancionar direitos, a acumulação de riqueza de qualquer
maneira (halal e haram = lícito e ilícito) e o enterro de filhas vivas."
(Al Bukhari). Ele disse, igualmente: "Um homem que tem uma filha e não a
despreza, não a enterra viva, nem prefere o seu filho em detrimento da sua
filha, Deus admiti-lo-á no Céu." (Abu Daud). Sobre Fatimah o Profeta
disse: ''A minha filha é a minha carne, qualquer problema com ela causará a
minha dor." (Bukhari e Muslim). Os ensinamentos Islâmicos revolucionaram o
pensamento daqueles homens que enterravam as suas filhas vivas, e que não
sentiam qualquer vergonha ao fazê-lo. Começaram a amar e a alimentar as suas
filhas. Aqueles que no passado tinham recusado a abrigar as suas próprias
filhas, tornaram-se os guardiães das filhas de terceiros. Por ocasião da
Batalha de Uhud, o pai de Jabir, disse-lhe: "Meu filho, eu posso ser
martirizado na batalha que se avizinha; se isso acontecer, aconselho-te a
tomares conta das minhas filhas." Assim aconteceu, Jabir, que ainda era
novo, desposou uma viúva que tinha à sua responsabilidade as sua irmãs. O
Profeta Muhammad (que a Paz e a Bênção de Deus estejam sobre ele),
perguntou-lhe: "Porque é que não casaste com uma mulher jovem?'' Ele
respondeu: "Ó Rassulullah (Mensageiro de Deus)! O meu pai foi morto na
Batalha de Uhud, deixando atrás de si nove filhas, que são minhas irmãs. Por
isso, escolhi tal mulher para o meu casamento que pudesse tomar bem conta
delas." O Profeta disse: "Agiste bem." (Al Bukhari). Estes são
exemplos que a história de outras religiões não podem apresentar, o Islam é a
única religião que honrou a mulher, desde a sua infância até à sua morte. b)- Como Esposa: O casamento é a união
legal entre um homem e uma mulher para toda a vida e, por consequência, não tem
como objetivo ser uma ligação temporária. É por isso que, no Islam, o
"mutah", ou seja casamento temporário, é proibido. Assim, o casamento
no Islam é compartilhado pelas duas metades da sociedade, e os seus objetivos,
para além de perpetuar a vida humana, são o bem-estar emocional e a harmonia
espiritual. A sua base é o amor e a misericórdia. Entre os versículos mais
impressionantes do Alcorão, sobre o casamento, está o seguinte: ''Entre os Seus
sinais está o de haver-vos criado companheiras da vossa mesma espécie, para que
com elas convivais; e colocou amor e piedade entre vós. Por certo que nisto há
sinais para os sensatos.'' (Alcorão Sagrado 30:21). Esta é uma importante
definição da relação existente entre esposo e esposa, através do casamento,
espera-se que encontrem tranquilidade na companhia um do outro, limitados, não
somente pela relação sexual, mas, também, pelo amor e misericórdia. Tal
descrição inclui carinho mútuo, consideração, respeito e afeto. Existem
numerosas tradições, particularmente as narradas por Aicha esposa do Profeta
Muhammad (que a Paz e a Bênção de Deus estejam sobre ele), que fornecem uma
clara visão interna do modo como o Profeta Muhammad (que a Paz e a Bênção de
Deus estejam sobre ele), tratava as suas esposas, e da forma como estas o
tratavam. O aspecto mais relevante, sobre este assunto, é o da evidência do
cuidado e respeito mútuos das relações matrimoniais. Não existe qualquer
servilismo por parte das esposas, existem quase tantas referências ao Profeta
em levar a cabo determinadas ações de modo a agradar às suas esposas, como as
há destas a retribuírem-lhe a atenção. O Alcorão refere-se às esposas de uma
forma geral, num outro capítulo, dizendo: ''Elas são vossas vestimentas e vós o
sois delas.'' (Alcorão Sagrado 2:187). Por outras palavras, assim como o
vestuário fornece calor, proteção, decência e elegância, também o marido e a
esposa oferecem a cada um intimidade, conforto e proteção para não cometer
adultério, ou outro tipo de ofensa. Tudo isto vai de encontro ao que foi
retirado do Alcorão, de que um dos mais importantes objetivos dos regulamentos
que orientam o comportamento e relações humanas, é o de preservar a unidade
familiar, de tal modo que a atmosfera de tranqüilidade, amor, misericórdia e
consciência de Deus, se possa desenvolver e florescer para o benefício do
marido e da esposa, bem como das crianças nascidas do matrimônio. É evidente
que, onde as outras religiões condenaram a mulher, o Islam honrou-a. O Profeta
Muhammad (que a Paz e a Bênção de Deus estejam sobre ele) elevou a posição da
mulher e forneceu-lhe um lugar respeitável no seio da sociedade humana. C)- Como Mãe: O Islam considera
deveras importante a bondade para os pais a seguir à adoração de Deus. O
Alcorão refere: ''O decreto de teu Senhor é que não adoreis senão a Ele; que
sejais indulgentes com vossos pais, mesmo que a velhice alcance um deles ou
ambos, em vossa companhia; não os reproveis, nem os rejeiteis; outrossim,
dirigi-lhes palavras honrosas. '' (Alcorão Sagrado17:23). Mais do que isto, o
Alcorão Sagrado contém recomendações especiais relativas ao correto tratamento
a ter em relação às mães.”E recomendamos ao homem benevolência para com os seus
pais. Sua mãe o suporta, entre dores e dores, e sua desmama é aos dois anos. (E
lhe dizemos): Agradece a Mim e aos teus pais, porque retorno será a Mim.''
(Alcorão Sagrado 31:14). Numa família muçulmana, no que diz respeito à honra, o
Islam ordenou que se honrasse a mãe mais do que o pai, a irmã mais do que o
irmão, e a filha mais do que o filho. Certo homem dirigiu-se ao Profeta
perguntando: "Ó Mensageiro de Deus! Quem, de entre as pessoas, é a mais
merecedora da minha companhia?" O Profeta respondeu: ''A tua mãe". O
homem retorquiu: "Depois, quem mais?" Só então o Profeta Muhammad
disse: "O teu pai". (Bukhari e Muslim). Ainda existe o famoso dito do
Profeta Muhammad (que a Paz e a Bênção de Deus estejam sobre ele): "O
Paraíso encontra-se aos pés das mães" (Nassal Ibn Majah, Ibn Hanbal). Ele
também disse: "É o generoso (em caráter) aquele que é bom para as
mulheres, e é fraco aquele que as insulta". "Deus ordena-nos que
tratemos as mulheres de uma forma nobre, pois que elas são nossas mães, filhas
e tias." Aspecto Social - Direitos Assegurados Pelo Islam à Mulher. 1-. Direito à Vida: O primeiro e
fundamental direito é, o direito à vida. A Lei Islâmica diz: ''Aquele que matar
um ser humano (homem ou mulher) sem que ele tenha cometido homicídio ou semeado
corrupção na terra, será considerado como se tivesse assassinado toda a
humanidade.'' (Alcorão Sagrado 5:32). "E não destruas a vida que Deus
tornou sagrada a não ser em casos de justiça." (Alcorão Sagrado 6:151). Apesar
da aceitação social do infanticídio feminino entre as tribos árabes, o Islam
proibiu este conhecido costume, e considerou-o um crime como qualquer outro
assassinato: ''Quando as almas forem reunidas, quando a filha, sepultada vida,
for interrogada: Por que delito foste assassinada?'' (Alcorão Sagrado 81:7-9). Criticando
a atitude de tais pais que rejeitam crianças do sexo feminino, Deus diz: "Quando
a algum deles é anunciado o nascimento de uma filha, o seu semblante se
entristece e fica angustiado. Oculta-se do seu povo, pela má notícia que lhe
foi anunciada: deixá-la-á viver, envergonhado, ou a enterrará viva? Quem
péssimo é o que julgam! '' (Alcorão Sagrado 16:58-59). Além disso, o Islam
requer, para ela, um tratamento amável e justo. Entre os dizeres do Profeta
Muhammad (que a Paz e a Bênção de Deus estejam sobre ele), citamos o seguinte: "Qualquer
um que tenha uma filha e que não a enterra viva, que não a insulta, nem
favorece o seu filho em detrimento da sua filha, Deus fá-lo-á entrar no
Paraíso." (Ibn Hanbal). 2 – Individualidade. No Islam, a mulher não é produto do
diabo ou a semente do mal. No Islam, o homem não ocupa o lugar de senhor
absoluto da mulher, que, sem outra alternativa, tem que se render ao seu
domínio. No Islam só nos submetemos a Deus e só a Ele nos rendemos e prestamos
contas. No Islam, ao contrário de outras crenças e sistemas religiosos, a
mulher tem alma e é dotada de qualidades espirituais. O Islam não considera Eva
a única responsável pelo pecado original de toda a humanidade e, por
consequência, pelo sacrifício na cruz de Jesus (swas) para redimir a humanidade
do pecado original. O Alcorão esclarece que tanto Adão como Eva erraram, ambos
foram tentados, ambos pecaram e ambos foram perdoados por Deus após ter
manifestado arrependimento. Allah salienta no Alcorão que Adão foi o único responsável
por seu erro. "Havíamos firmado o pacto com Adão, porém, ele esqueceu-se
dele; e não vimos nele firme resolução" (Alcorão 20:115). "E ambos
comeram (os frutos) da árvore, (...) Adão desobedeceu a seu Senhor e foi
seduzido. Mas logo o seu Senhor o elegeu, absolvendo-o e encaminhando-o."
(Alcorão 20:121-122). Portanto, não há nada na doutrina islâmica ou no Alcorão
que considere a mulher como responsável pela expulsão de Adão do Paraíso ou
pela miséria da humanidade. A mulher na lei islâmica é igual ao homem. Ela é
tão responsável por seus atos como o homem o é. Seu testemunho é solicitado e
valido na corte. Suas opiniões são buscadas e seguidas, o Profeta (sas)
consultou sua esposa, (Um Salama) sobre uma das mais importantes questões para
a comunidade muçulmana. O Alcorão menciona, especificamente, que aqueles que
buscavam informação das esposas do Profeta podiam fazê-lo, desde que atendidas
determinadas condições. "(...) E se desejardes perguntar algo a elas (suas
esposas), fazei-o detrás de cortinas." (Alcorão 33:53). Na medida em que
perguntas exigem respostas, as Mães dos crentes ofereciam fatwas àqueles que
perguntavam e narravam ahadiss a todo aquele que desejasse transmiti-los. Além
do mais, as mulheres estavam acostumadas a questionar o Profeta (sas) mesmo na
presença dos homens. Nem elas ficavam constrangidas por se fazerem ouvir nem o
Profeta as impedia de indagar. Mesmo no caso de Omar, quando ele foi desafiado
por uma mulher durante o seu sermão no minbar, ele não retrucou, pelo
contrário, admitiu que ela estava certa e ele errado e disse: "Todo mundo
é mais instruído do que Omar." Um outro exemplo alcorânico de uma mulher
falando em público é o mencionado no versículo 28:23. Além desse, o Alcorão
relata a conversa entre Salomão e a Rainha de Sabá, assim como entre ela e seus
subordinados. Todos esses exemplos demonstram que as mulheres podem expressar
suas opiniões publicamente porque o que quer que tenha sido prescrito a elas
antes de nós está prescrito para nós, a não ser que seja unanimemente rejeitado
pela doutrina Islâmica. Portanto, a única proibição é a mulher se comportar de
modo a se insinuar ou tentar o homem. Isto está expresso no Alcorão, onde Allah
diz: "Ó esposas do Profeta, vós não sois como as outras mulheres; se sois
tementes, não sejais insinuantes na conversação, para evitardes a cobiça
daquele que possui morbidez no coração, e falai o que é justo." (Alcorão
33:32). Assim, o que é proibido é o falar insinuante que induz aqueles que têm
os corações doentes a se comportarem de forma inadequada. Mas, isto não quer
dizer que toda conversa com as mulheres seja proibida, porque Allah completa o
versículo "(...) mas falai o que é justo." (Alcorão 33:32) O homem é
testado mais por suas bênçãos do que por suas tragédias. E Allah diz: "(...)
e vos provaremos com o mal e com o bem." (Alcorão 21:35). Em apoio a este
argumento Allah diz no Alcorão que as duas maiores bênçãos da vida, riqueza e
filhos, são provas. "E sabei que tanto vossos bens como vossos filhos são
para vos pôr à prova" (Alcorão 8:28). Uma mulher, não obstante as bênçãos
que ela espalha em seu ambiente, também pode ser uma prova, posto que ela pode
desviar um homem de sua obrigação para com Allah. Assim, Allah cria a
consciência de como as bênçãos podem ser extraviadas a ponto de se tornarem
maldições. Os homens podem usar suas esposas como uma desculpa para não cumprir
a jihad ou para fugir do sacrifício de produzir riqueza. No Alcorão Allah
avisa: "Ó fiéis, em verdade, tendes adversários entre as vossas mulheres e
os vossos filhos" (Alcorão 64:14). A advertência é a mesma para aqueles
abençoados com riqueza e descendência abundantes (63:9). Além disso, o hadiss
diz: "Por Deus não receio a pobreza para vós, mas sim que o mundo vos seja
abundante como o foi para aqueles antes de vós e assim que luteis pela
abundância da mesma forma que aqueles antes de vós lutaram e assim que sejais
destruídos assim como eles foram destruídos." Este hadiss não quer dizer
que o Profeta encorajasse a pobreza. A pobreza é uma maldição contra a qual o
Profeta buscava refúgio em Allah. Ele não pretendia que sua Ummah se privasse
da riqueza e da abundância- "O melhor da boa riqueza é para o justo."
As mulheres também são um presente para o justo, porque o Alcorão diz que o
muçulmano e a muçulmana, o crente e a crente, são ajuda e conforto um para o
outro, aqui e no além. O Profeta não condenou as bênçãos que Allah propiciou
para a sua Ummah. Antes pelo contrário, ele desejava afastar os muçulmanos e a
sua Ummah dos caminhos escorregadios, cujo fosso insondável é uma lama de
crueldade e desejo. A mulher é reconhecida no Islam como a parceira completa do
homem e igual a ele na procriação da humanidade. Ele é o pai e ela é a mãe e
ambos são essenciais para vida. O papel da mulher não é menos vital do que o do
homem. Nesta parceria as partes são iguais em cada aspecto, têm direitos e
responsabilidades iguais e são dotadas das mesmas qualidades, seja homem ou
mulher. No Islam, a mulher se iguala ao homem ao ser responsável por seus atos.
Ela possui uma personalidade independente, dotada de qualidades humanas e digna
de aspirações espirituais. Sua natureza humana não é nem inferior nem superior
à do homem. Homens e mulheres têm as mesmas obrigações e responsabilidades
sociais, morais e religiosas e devem enfrentar a consequência de seus atos. Aqueles
que praticarem o bem, sejam homens ou mulheres, e forem fiéis, entrarão no
Paraíso e não serão defraudados, no mínimo que seja. (Cap. 4:124). No Islam, a
mulher é independente economicamente, uma vez que ela pode ser proprietária, com
direito a administrar seus bens e ninguém, pai, marido ou irmão, tem ingerência
no trato de questões financeiras. 3. Educação e instrução. Ela se iguala ao
homem na busca pelo conhecimento e educação. Quando o Islam conclama os
muçulmanos para a busca do conhecimento, ele não faz distinção entre os sexos.
A educação não é somente um direito, mas uma responsabilidade de todos os
homens e mulheres porque essa é a melhor forma de se aproximar de Allah (swt).
Ela passa a ter os seus horizontes abertos, e a sua fé passa a ser uma fé
consciente, enraizada na mente e no coração. A mulher é a base da sociedade,
pois ela é a mãe "é a melhor das escolas"; é com ela que aprendemos
tudo o que se refere aos princípios morais e boas maneiras. Logo, se a mãe é
sábia e virtuosa, seus filhos assim crescerão, e a sociedade será consolidada
na verdade e na virtude, Mohammad, há 14 séculos atrás, foi muito claro ao
afirmar que a busca do conhecimento é uma obrigação para todo o muçulmano, seja
homem ou mulher. Durante muito tempo foi negado à mulher o direito de expor
suas opiniões. Em Coríntios I 14:34/35, São Paulo diz: “Como em todas as
congregações de santos, as mulheres devem permanecer caladas nas igrejas. Não é
permitido a elas falar e devem ser submissas, como a lei diz. Se elas quiserem
perguntar sobre alguma coisa que perguntem a seus maridos em casa, porque é
vergonhoso para uma mulher falar nas igrejas.” Em Timóteo I 2:11-14, ele
escreveu: “Eu não permito a uma mulher ensinar ou ter autoridade sobre um
homem; ela deve ser calada, porque Adão foi feito primeiro, e depois Eva. E
Adão não foi o que perdeu, foi a mulher que perdeu e se tornou pecadora”. O
Islam entende que uma mulher não pode se instruir se não lhe é permitido falar.
O Islam entende que uma mulher não pode crescer intelectualmente se ela é
obrigada a um estado de completa submissão. O Islam entende que uma mulher não
tem vida própria se sua única fonte de informação é o marido em casa. 4. Liberdade de
Expressão: Por isso, no Islam ela tem direito à liberdade de expressão, tanto quanto
o homem. Suas opiniões são levadas em consideração e não podem ser
desrespeitadas sob a alegação de serem provenientes de uma mulher. Há diversos
relatos a respeito da participação efetiva das mulheres, não só expressando sua
opinião como também questionando e participando de discussões sérias com o
Profeta. A propósito, o Alcorão tem a seguinte passagem: Em verdade, Deus
escutou a declaração daquela que discutia contigo, acerca do marido, e se
queixava em oração a Deus. Deus ouviu vossa palestra, porque Ele é Oniouvinte. Aqueles,
dentre vós, que repudiam as suas mulheres através do zihar, saibam que elas não
são suas mães. Estas são as que os geraram; certamente, com tal juramento, eles
proferiram algo iníquo e falso; porém, Deus é Absolvedor, Indulgentíssimo.
(Cap. 58:1-2). Este relato se refere Khawlah, esposa de Auss Ibn Assámet, que
havia se divorciado dela, seguindo um costume idólatra, apesar de ele ser
muçulmano. O expediente era conhecido como zihar e consistia em dizer para a
esposa que a partir daquele momento ela era considerada sua mãe. Isto liberava
o marido de qualquer responsabilidade conjugal sem dar, no entanto, liberdade
para ela abandonar o lar ou contrair novo matrimônio. Tendo ouvido estas
palavras de seu marido, a mulher foi ter com o Profeta, na esperança de que ele
resolvesse o seu caso. O Profeta era de opinião que ela deveria ser paciente,
desde que parecesse que não havia outro caminho. No entanto, ela continuou
questionando Mohammad quando veio a revelação que constitui os versículos
acima. Portanto, como vemos, a mulher no Islam tem o direito de argumentar,
mesmo que seja com o Profeta do Islam. Ninguém tem o direito de instruí-la a se
calar. Vida na participação de Direito Em primeiro lugar, deve ser esclarecido
que o Islam entende que o papel da mulher na sociedade como mãe e esposa, é o
mais sagrado de todos. Nenhuma babá ou empregada pode substituir a mãe no seu
papel de educadora de uma criança. A regra geral na vida política e social é a
participação e a colaboração de homens e mulheres nas questões públicas. O
Islam não exige, como algumas pessoas pensam, que a mulher fique confinada em
sua casa até a morte. Em toda a história do Islam há relatos suficientes que
comprovam a participação da muçulmana nas questões públicas, nas funções
administrativas, na erudição e ensinamentos e mesmo nos campos de batalha, ao
lado do Profeta.. Não há no Alcorão, ou nas sunas do Profeta, qualquer texto
que impeça a mulher de exercer qualquer posição de liderança, exceto na
condução da prece, por motivos óbvios que serão vistos mais adiante, e na
liderança do estado. Um chefe de estado não é apenas decorativo. Ele exerce
funções inerentes ao cargo, viaja, negocia com outras autoridades, participa de
encontros confidenciais com tais autoridades. São atividades, muitas das vezes,
não são condizentes com as diretrizes traçadas pelo Islam para a interação
entre os sexos. Registros históricos comprovam que as mulheres participavam da
vida pública em igualdade de condições com os muçulmanos, principalmente em
tempos de emergência. Elas combatiam nas guerras, cuidavam dos feridos,
preparavam suprimentos, ajudavam os guerreiros, consultavam diretamente o
Profeta a respeito de assuntos pessoais e até íntimos, etc. Jamais houve qualquer
barreira que impedisse a integração da mulher na sociedade islâmica. Jamais
foram consideradas criaturas desprovidas de alma ou de qualquer mérito. O
aconselhamento, o ensinamento religioso, a educação espiritual são atividades
exercidas pelas mulheres desde os primórdios do Islam. 5) Direito ao
Emprego: Quanto ao direito da mulher de procurar emprego, deveria tornar-se
claro que o Islam vê o seu papel na sociedade como mulher e mãe, um papel
sagrado e essencial. Nem as empregadas, nem as amas podem substituir a mãe no
seu papel de educadora de uma criança. Tal papel, tão nobre e vital, que afeta
largamente o futuro das nações, não pode ser levado de uma forma tão
"leviana". Não obstante, não existe qualquer regra no Islam que
proíba a mulher de procurar o emprego sempre que para tal haja necessidade,
tendo em conta as normas islâmicas de castidade, e assegurando-se que estas
estão a ser respeitadas e, especialmente, em cargos que se coadunem com a sua
própria natureza, onde a sociedade dela mais necessita. Mesmo então, o Islam
ensina o princípio da divisão do trabalho, destina trabalho algo enérgico e
duro, fora da casa, ao homem, tornando-o responsável pela manutenção da
família. Olha para o lar como a principal preocupação da mulher, delegando-lhe
o cuidado da casa, a responsabilidade da educação e a vigilância das crianças
um encargo que forma o mais importante item na tarefa da construção de uma
nação. E ambos devem trabalhar em espírito de harmonia simpatia e amor. Ao fim
e ao cabo, ambos têm a sua parte a desenvolver na vida, sendo a da mulher mais
relevante tanto em importância como em nobreza. Pois que, se o homem se gaba de
ganhar dinheiro, fabricar computadores, aviões, foguetes e mísseis, a mulher
deverá, logicamente, silenciá-lo ao lembrar-lhe que ela é a parceira
indispensável no criação do próprio Homem. Assim sendo, torna-se evidente que o
aspecto econômico da mulher é mais seguro no Islam do que em qualquer outra
religião. O Seu Dever Sagrado. A mulher, na verdadeira acepção Islâmica, é um
relicário de santidade em contraste com o Cristianismo, onde ela é olhada como
fonte do mal. Com uma só palavra o Profeta Muhammad (que a Paz e a Bênção de
Deus estejam sobre ele) elevou-a ao mais alto pedestal, quando disse: ''A
mulher é a rainha da casa" e decerto "O Céu encontra-se sob os pés da
tua mãe". Sob os ensinamentos do Cristianismo, se a primeira mulher (Eva)
trouxe o Inferno eterno, no Islam ela abriu a porta do Paraíso! Durante os
últimos anos, tem havido luta permanente entre os dois sexos, relativamente aos
seus respectivos direitos e obrigações; mas, poderão os advogados do Movimento
Modernista reivindicar melhor posição para a mulher, do que já lhe foi
concedida pelo Islam? O Mundo deve saber e aceitar a verdade de que nenhuma
outra fé, ou cultura, deu à mulher tantos direitos e preservou a sua honra e
castidade, como o Islam o fez. Pierre Crabbites, no seu artigo sobre
"Coisas que Muhammad fez pela mulher'' observa: 'A mulher muçulmana é uma
força canalizadora, modelada por Muhammad há 13 séculos atrás, que assegurou às
mães, mulheres e filhas do Islam, uma ordem e dignidade que ainda não está
geneticamente assegurada às mulheres, pelas leis do Ocidente.''. 6- Direito de Posse
Independente: De acordo com a Lei islâmica ,o Islam decretou o direito da Mulher ao
seu dinheiro, aos seus bens de raiz, ou às suas outras propriedades. O Islam
garante à mulher direitos iguais para contratar, para assumir empreendimentos,
para ter ganhos e posses independentemente Este direito não é dependente de ela
ser solteira, ou casada. Ela retém todos os direitos para comprar, vender,
amortizar, ou alugar qualquer das suas propriedades. A este respeito, o Alcorão
observa: 'Não ambicioneis aquilo com que Deus agraciou uns, mais do que aquilo
com que (agraciou) outros, porque aos homens lhes corresponderá aquilo que
ganharem; assim, também as mulheres terão aquilo que ganharem. Rogai a Deus que
vos conceda a Sua graça, porque Deus é Onisciente.'' (Alcorão Sagrado 4:32). É
por causa deste direito de posse independente, que ambos os mandamentos de
Zakat e de Hajj se tornaram obrigatórios para as mulheres que possam ter
recursos para esses efeitos. Somente no século passado a Europa reconheceu o direito
da mulher de contrair obrigações. No Islam, vida, propriedade, honra são tão
sagrados para ela quanto para o homem. Se ela cometer qualquer falta sua pena
não é maior ou menor do que para o homem, em casos semelhantes, estabelecida
pela shariah islâmica. Conta a tradição que certa vez alguém veio ter com o
Profeta solicitando a sua intercessão para a filha de uma autoridade que havia
sido apanhada praticando roubo. O Profeta então respondeu que ainda que fosse
Fátima, sua filha muito amada, que estivesse naquela situação, ele não poderia
impedir que a lei fosse aplicada. No Islam, a lei é igual para todos e não
exime ninguém em razão de sua posição social. Estes direitos não estão
estabelecidos de uma forma apenas retórica. O Islam tomou medidas para salvaguardá-los
e colocá-los em prática como artigos de fé. O Islam não tolera o preconceito
contra a mulher ou a discriminação entre os sexos. O Islam reprova todo aquele
que considera a mulher inferior ao homem. 7- Direito à Herança. Além do
reconhecimento da mulher como um ser independente, considerada como essencial
para a sobrevivência da humanidade, o Islam deu à mulher o direito à herança
herança e de dispor dos seus bens como quiser. Diz Allah (swt), o Altíssimo:
*Não ambicioneis aquilo com que Allah (swt) agraciou uns, mais do que aquilo
com que (agraciou) outros, porque aos homens lhes corresponderá aquilo que
ganharem assim, também as mulheres terão aquilo que ganharem. Rogai a Allah
(swt) que vos conceda a Sua graça, porque Allah (swt) é Onisciente.* (4: 32).
Este direito dado a mulher no estatuto muçulmano a 1400 anos atrás, só foi
conquistado pela mulher no Brasil em 1962, quando teve os direitos de assinar
contratos e receber herança se a autorização do marido. Na Inglaterra, só em
1882 lhe foi assegurado o direito de dispor do seu dinheiro. . Antes do Islam,
ela não só era privada desta participação como era considerada propriedade do
homem. Seja ela esposa ou mãe, irmã ou filha, a mulher tem participação na
herança, e esta participação depende do seu grau de relação com o morto e o
número de herdeiros. Esta quota é dela e ninguém tem poder para negar-lhe esta
participação, ainda que o morto quisesse deserdá-la. Qualquer um pode,
legalmente, dispor de 1/3 dos seus bens, não afetando, assim, o direito de
herdeiros, sejam homens ou mulheres. Em alguns casos, o homem recebe 2 quotas
na herança ao passo que a mulher fica com uma. Isto não é sinal de preferência
ou supremacia do homem sobre a mulher. Eis algumas razões que justificam a
medida: No Islam o homem assume as responsabilidades financeiras da completa
manutenção de sua esposa e família. É sua obrigação perante a lei assumir todos
os encargos financeiros e manter seus dependentes adequadamente. Isto significa
que ele herda mais, mas ele é responsável financeiramente por outras mulheres:
filhas, esposas, mãe e irmãs em alguns casos ele é responsável por seus
parentes com certas necessidades, especialmente os do sexo feminino. Esta
responsabilidade não é nem, renunciada, nem reduzida, por causa da saúde da sua
mulher, ou devido ao seu acesso a alguma remuneração proveniente do trabalho,
renda, lucro, ou de outros meios legais. A mulher no Islam está protegida e
segura do ponto de vista material. Se ela é esposa, o marido é o provedor. Se
ela é mãe, cabe ao filho o encargo. Se ela é filha, o pai se reponsabiliza por
sua manutenção, se ela é irmã, o irmão, e assim por diante. Quando ela é
sozinha, não tem ninguém, é evidente que não tem herança a ser recebida e ela
passa a ser responsabilidade da sociedade como um todo, cabendo, portanto, ao
Estado, prover sua mantença através de ajuda, arrumando trabalho para que ela
ganhe seu próprio sustento. O Islam garantiu, o direito à herança de seus pais,
parentes, marido e descendentes. O Alcorão diz: ''Aos filhos varões corresponde
uma parte do que tenham deixado os seus pais e parentes. Às mulheres também
corresponde uma parte do que tenham deixado os pais e parentes, quer seja
exígua ou vasta, uma quantia obrigatória. '' (Alcorão Sagrado 4:7). Aqui, a
partilha é absolutamente dela e ninguém pode reclamar alguma coisa da mesma,
inclusive o seu pai e os seus parentes; nem mesmo o seu marido. A sua parte é,
na maioria dos casos, metade da parte do esposo, sem qualquer implicação de que
ela seja inferior ao homem. Esta variação nos direitos hereditários é apenas
consistente com as variações nas responsabilidades financeiras do homem e da
mulher, de acordo com a Lei Islâmica. A mulher, por outro lado, está muito mais
segura economicamente, e encontra-se muito menos sobrecarregada em relação a
reclamações sobre as suas riquezas. Os seus bens, pré e pós matrimoniais, não
são transferidos para o seu marido, e ela até mantém o seu nome de solteira.
Após o casamento, ela não tem qualquer obrigação de gastar dos seus bens, ou
dos seus rendimentos, seja com ela, seja com sua família. A metade da partilha
dos bens que a mulher herda pode, deste modo, ser considerada generosa, visto
que se destina só para ela. Para elucidar este ponto, tomemos um exemplo: um
pai de dois filhos - um rapaz e uma moça - faleceu e deixou 300 reais. De
acordo com a Lei Islâmica da Herança, na ausência de outros herdeiros legais, a
filha será titular de 100 reais, e o filho de 200 reais. Quando atingirem a
maioridade e pensarem em casar, o jovem rapaz será obrigado a pagar um dote à
sua mulher. Neste caso, ele terá que gastar parte do dinheiro da sua herança, e
fica, ainda, obrigado a manter a sua família e a incorrer em todas as despesas
neste sentido. Em relação à jovem, (irmã do jovem rapaz referido) quando se
casar, será intitulada a receber um dote de seu marido; previamente ela já
tinha herdado 100 reais (da herança do pai falecido) e, agora, receberá mais
algo proveniente do dote do seu marido, perfazendo um total bastante razoável.
E, nunca será obrigada a gastar nada do seu dinheiro, por muito rica que ela
seja, uma vez que o seu marido é responsável por a manter e aos seus filhos,
enquanto ela for sua esposa. Será contraditório afirmar que o seu dinheiro
aumentou, enquanto o do seu irmão diminuiu, ou desapareceu Completamente?
Então, quem realmente beneficiou mais da herança? O filho, ou a filha? Dificilmente
se, poderá negar que, um exame minucioso à Lei Islâmica da herança, dentro do
estudo geral dos princípios da Chari'ah, não só revela justiça mas, também, uma
certa abundância de compaixão pela mulher. Conclusão: Quando o Profeta Muhammad
(que a Paz e a Bênção de Deus estejam sobre ele) tomou posse do Ofício
Profético em 610 (Era Cristã), a maioria das nações Européias debatiam
arduamente a natureza da mulher: "Será que ela era realmente humana? Terá
alma? Poderá Ter fé? Poderá ela adorar? Poderá ela ser recompensada por Deus da
mesma forma que o homem? Poderá ela ser admitida no Paraíso? Poderá ela possuir
bens? Poderá ela ter direito à herança? Em resumo, deverá ela ser tratada como
um ser humano, ou apenas como um boneco nas mãos do homem?" Muhammad (que
a Paz e a Bênção de Deus estejam sobre ele) o Guia da humanidade, que numa
época em que nenhum país, nenhum sistema, e nenhuma religião dava qualquer
direito, ou respeito à Mulher, solteira ou casada, esposa ou mãe; que num país
onde o nascimento de uma filha era considerado uma calamidade, assegurou à
mulher direitos que, à mulher Ocidental, no século XX, são concedidos de uma
forma relutante e sob pressão, pelo Ocidente "civilizado"; e isso
merece a gratidão da humanidade. Se Muhammad (que a Paz e a Bênção de Deus
estejam sobre ele) nada mais tivesse feito do que emancipar a mulher, a sua
reivindicação para ser o maior benfeitor da humanidade teria sido
incontestável. Não será, então, malícia por parte de alguns críticos Ocidentais
para com o salvador da espécie feminina (que devolveu à mulher a sua posição
devida na sociedade), tornando-o como seu inimigo? Dizemos isto porque, mesmo
hoje, no século XX, como no ano 610 quando Muhammad (que a Paz e a Bênção de
Deus estejam sobre ele) tomou a seu cargo o Ofício Profético, as pessoas
desviadas do Ocidente continuam a proferir pensamentos maléficos sobre o Islam.
8-Direito ao "Mahr" (Dote): Para além de todas as precauções para
a sua proteção na altura do casamento, o Islam decretou, especificamente, que a
mulher tem o pleno direito ao seu "mahr" (dote), um presente
matrimonial que lhe é oferecido pelo seu marido, sendo incluído no contrato nupcial,
e que tal posse não se transmite ao seu pai, irmão, ou esposo. O conceito de
"mahr'' no Islam não é nem um preço atual, nem um preço simbólico da
mulher (como, foi o caso em certas culturas), mas será, antes de mais, um
presente simbolizando de amor e afeto. O "mahr" no Islam não é como o
velho dote Europeu, que era ofertado por um pai à filha na altura do casamento,
tornando-se propriedade do futuro marido. Nem o "mahr" Muçulmano é
semelhante ao "preço" da nora Africana, que era pago pelo noivo ao pai
da noiva, como forma de pagamento ou compensação. Pelo contrário, o
"mahr" Muçulmano é um presente matrimonial do noivo à noiva, ficando
este presente como exclusiva propriedade dela. O Alcorão diz: ''Concedei os
dotes que pertencem às mulheres.'' (Alcorão Sagrado 4:4). 9– Privilégios. A mulher no Islam
usufrui de certos privilégios. Durante o período menstrual ela está isenta das
preces e do jejum. Ela está isenta, também, de todas as responsabilidades
financeiras. Ela não precisa trabalhar ou dividir com o marido as despesas
domésticas. Todos os bens de família que ela leva para o casamento são seus e o
marido não tem qualquer direito sobre aqueles pertences. Cabe notar que somente
no século passado a Europa reconheceu o direito de propriedade à mulher casada,
em igualdades de condições com as solteiras, viúvas e divorciadas, com a Lei da
Propriedade da Mulher Casada, de 1879. Nenhuma mulher casada é obrigada a
gastar um tostão de seus bens para manter a casa. Em geral, a muçulmana tem
garantido o sustento em todas as fases de sua vida, seja como filha, esposa,
mãe ou irmã. Como filha e irmã ela tem garantido o sustento pelo pai ou irmão
respectivamente. Ela também é livre para trabalhar, se assim o quiser, e
participar com o seu trabalho das responsabilidades familiares. Não há no
Alcorão ou na Suna qualquer texto explícito que categoricamente proíba a
muçulmana de procurar um emprego lícito. Inclusive, algumas podem ser forçadas
a buscar emprego a fim de sobreviverem, principalmente em países onde inexistam
medidas que assegurem a estabilidade financeira das viúvas ou divorciadas. A
mulher muçulmana foi privilegiada por Allah (swt) em relação aos pais, pois a
posição da mãe é três vezes superior a do pai. O profeta disse: " O
paraíso jaz aos pés das mães ". Portanto, a obediência aos pais é uma
obrigação do muçulmano, principalmente a mãe, pois ela é a base da família e
ela sofreu as dores do nosso parto, de nos educar e sofrer para o nosso bem.
Assim também, o Islam respeita a mulher como filha e ordena que pai e mãe zelem
pela educação das meninas e prometeu o paraíso para o muçulmano que educar uma
filha e a ensinar os bons modos islâmicos após terem difundido na Arábia
pré-islâmica que ter uma filha era motivo de vergonha e desonra. Diz o Alcorão
Sagrado: *E atribuem filhas a Allah (swt)! Glorificado seja! E anseiam , para
si, somente o que desejam. Quando a algum deles é anunciado o nascimento de uma
filha, o seu semblante se entristece e fica angustiado. Oculta-se do seu povo,
pela má notícia que lhe foi anunciada: deixa-la viver, envergonhado, ou a
enterrará viva? Quem péssimo são o que julgam! (16:57-59). 10. Direito Quanto
ao casamento. A mulher tem o direito de escolher com quem irá casar e também manter o
seu nome de solteira após o casamento, pois o nome é parte da identidade e da
personalidade da pessoa e, uma das formas de aprisionar a mulher e colocá-la
sob o domínio do homem, foi fazê-la adotar o nome do marido após o casamento,
como um objeto que é passado de uma pessoa para a outra. A primeira mulher a ir
contra essa agressão foi Lucy Stones, em 1885. De acordo com a Lei Islâmica, a
mulher não pode ser forçada a casar sem o seu consentimento, não é legal que um
tutor force uma moça adulta a casar-se. Ninguém, nem mesmo o pai, ou o
soberano, pode, legalmente, casar uma mulher adulta sem a permissão desta, seja
ela virgem, ou divorciada. Ibn 'Abbas narrou que uma jovem dirigiu-se ao
Profeta Muhammad (que a Paz e a Bênção de Deus estejam sobre ele) e relatou que
o seu pai a tinha forçado a casar-se sem o seu consentimento. O Profeta deu-lhe
a escolher entre aceitar o casamento, ou invalidá-lo. (Ibn Hanbal). Para além
de todas as prevenções relativas à sua proteção durante o tempo do matrimônio,
o Islam decreta, especificadamente, que a mulher tem todo o direito ao seu
"Mahr" (dote). As regras para a vida de casado no Islam são claras e
encontram-se em harmonia com a verdadeira natureza humana. No tocante aos
aspectos psicológico e fisiológico do homem e da mulher, cada um possui iguais
direitos e exigências sobre o outro, à exceção de um tipo de responsabilidade o
do chefe. Este é um assunto natural de qualquer vida em comum, e que é
consistente na natureza do homem. Por isso, o Alcorão declara: "E elas (as
mulheres) têm direitos sobre eles, como eles os têm sobre elas, condignamente;
mas os maridos conservam um grau (de primazia) sobre elas.'' (Alcorão Sagrado
2:228). Tal grau é "Qiwamah" (a manutenção e a proteção), isto
refere-se à diferença natural entre os sexos, que sujeita o sexo fraco à proteção.
Tal não implica qualquer tipo de superioridade, ou de vantagem, perante a lei.
Todavia, o papel masculino de chefe em relação à sua família, não significa a
prepotência do marido sobre a sua esposa. Para além dos seus deveres básicos
como esposa, existe o direito que é, vivamente, recomendado pelo Profeta
Muhammad (que a Paz e a Bênção de Deus estejam sobre ele) e vem sublinhado no
Alcorão, o tratamento amistoso e companheirismo. ''Harmonizai-vos entre elas,
pois se as menosprezardes, podereis estar depreciando seres que Deus dotou de
muitas virtudes.'' (Alcorão Sagrado 4:19). O Profeta Muhammad (que a Paz e a
Bênção de Deus estejam sobre ele) disse: "O Melhor entre vós é aquele que
for melhor para a sua família; e eu sou o melhor entre vós para a minha família."
"Os Crentes mais perfeitos são os melhores em conduta, e os melhores de
entre vós são aqueles que são melhores para as suas esposas." (Ibn
Hanbal). "Quanto mais cívico e amistoso for um Muçulmano para com a sua
esposa mais perfeita é a sua fé. " (Tirmidhi). ''A mulher" - disse
ele - ''É a rainha da sua casa." Para o Profeta Muhammad (que a Paz e a
Bênção de Deus estejam sobre ele) a mulher não é "um instrumento do
Demônio", mas, sim, uma "Muhsanah" (uma fortaleza contra
Satanás). Antes do advento do Islam, a união matrimonial do homem e da mulher
tinha sido vista com desaprovação, tendo sido considerada como depreciativa
para o homem em algumas religiões. Mas o Profeta Muhammad (que a Paz e a Bênção
de Deus estejam sobre ele) deitou abaixo todas estas considerações, de uma vez
por todas: "O casamento está no meu destino, e quem declinar este meu
caminho, não é meu apoiante (ou seja não é meu seguidor).'' (Bukhari e Muslim).
Assim como é reconhecido o direito à mulher de decidir sobre o seu casamento,
também é reconhecido o seu direito a procurar finalizar um matrimônio mal
sucedido. 11-.Direito ao Divórcio. Apesar de, no Islam, o casamento não ser uma
relação temporária, sendo considerado para durar toda a vida, a sua dissolução
será inevitável se ele falhar ao servir os seus propósitos. É nessa altura que
surge o divórcio. Devemos esclarecer que, no Islam, o divórcio é o último
recurso quando todos os esforços conciliatórios falharem. A propósito do
divórcio, o Profeta Muhammad (que a Paz e a Bênção de Deus estejam sobre ele)
avisou com veemência: "De todas as coisas legais, o divórcio é a mais
detestável aos olhos de Deus. "O Islam não confina o direito ao divórcio
só ao homem ou à mulher, se a mulher não se sente segura, ou feliz com o seu
marido, ou se este é cruel para ela, ou se tornou impossível viver a o seu
lado, ela tem o direito de procurar o divórcio através de um Tribunal
Muçulmano, sendo tal tipo de divórcio denominado de "Khul'ah". Em
qualquer dos casos, mesmo que o divórcio seja concedido, ela deve ser tratada
amistosamente. O Alcorão diz: 'O divórcio revogável só poderá ser efetuado duas
vezes. Depois, tereis de conservá-las convosco dignamente ou separar-vos com
benevolência. Está-vos vedado tirar-lhes algo de tudo quanto lhes haveis dotado''
(Alcorão Sagrado2:229). Islam garantiu aos casais o direito ao divórcio. Aqui
cabem algumas explicações a respeito do assunto, uma vez que também o divórcio
é objeto de falsas interpretações. Não é verdade que a qualquer tempo basta um
marido dizer à sua esposa “Eu quero o divórcio” e pronto, ele está divorciado,
largando a mulher (e provavelmente os filhos) à própria sorte, em menos de 1
minuto. O sistema de divórcio no Islam é o mais justo que existe. Se o casal
decide se separar, o marido pede o divórcio dizendo “Eu quero o divórcio”. A
partir de então, começa um tempo de espera que dura 3 períodos menstruais para
que seja certificado que a mulher não está grávida. Este períodoo permite ao
casal ter um tempo para pensar sobre o que estão fazendo e se é isso mesmo que
eles querem. Durante este período, o marido é obrigado a alimentar, vestir e
abrigar a esposa. Não há ninguém, nem mesmo advogado, envolvido nesta questão.
Findo os três meses, e comprovado que a mulher não está grávida, o divórcio se
consuma. Se, por um acaso, a mulher estiver grávida, o marido é obrigado a
prover a ex esposa do necessário até o período do desmame, normalmente 2 anos.
Como podemos observar, não há como comparar as diferentes abordagens, uma vez
que o comum no ocidente, pelo menos no Brasil, é a mulher sair sempre lesada de
uma separação, sem garantia de direitos mínimos para a sua sobrevivência. Pior,
até bem pouco tempo atrás, ela entrava nessa sociedade conjugal com seus
próprios bens, que acabava perdendo pelo instituto da comunhão universal de
bens, no caso de separação. Somente em 1977, com a lei do divórcio é que a
dissolução do casamento favoreceu um pouco mais a mulher, com a introdução do
regime da comunhão parcial de bens. Mas, ainda assim, prevalece o conceito de
que a obrigação alimentar devida pelo ex-marido fica diretamente relacionada à
“conduta moral” da esposa, o que no Brasil, como bem sabemos, quer dizer, essa
mulher não pode se casar de novo. Por outro lado, só a partir de 1962, com a
Lei 4.121, conhecida como o Estatuto da Mulher Casada, é que a mulher
brasileira alcançou sua capacidade jurídica plena. Até então, ela era
considerada relativamente incapaz, do ponto de vista jurídico. O casamento no
Islam é uma bênção santificada, que não deve ser quebrado, exceto por razões
relevantes. Os casais são instruídos a procurar salvar a instituição do
casamento, por todos os meios possíveis. O divórcio não é comum, a não ser que
não haja outra solução. Em outras palavras, o Islam reconhece o divórcio mas não
o encoraja. O Islam dá à mulher muçulmana o direito de pedir o divórcio pois
reconhece que ela não pode ser refém de um mau marido. Finalmente, é bom
lembrar que o divórcio só muito mais tarde foi introduzido na Europa e, no
Brasil, há apenas muito pouco tempo, através da Lei nº 65l5, de 26.12.77, do
Sen. Nelson Carneiro. 12-Vida sexual. O Islam garantiu a mulher o direito ao prazer sexual, direito que a
ocidental só conquistou após a revolução sexual, pois antes a mulher que
demonstrava sentir prazer era considerada prostituta. No Islam é diferente, é
estabelecido o casamento como único entre homem e mulher e, dentro das regras
do casamento o profeta Muhammad (sallallaahu `alayhi wa sallam) disse:
"Não tenhais relações com vossas esposas como os animais. Que haja entre
vós uma ligação! Perguntaram-lhe: Que ligação é essa? Então disse: O beijo e a
conversa. O Islam não nega, em hipótese alguma, a sexualidade do ser humano. O
Islam não advoga a supressão do anseio sexual através do celibato ou do
monasticismo. O homem é dotado por seu Criador de impulsos que o impelem às
várias atividades que garantem a sua sobrevivência. O principal objetivo do
sexo é a própria espécie. O Islam reconhece que o ser humano é tomado por
emoções inexplicáveis que o atraem irresistivelmente para o sexo oposto e, por
isso mesmo, normatiza as relações entre homens e mulheres. O Islam reconhece a
importância do instinto sexual, mas só admite a sua realização através do
casamento lícito, proibindo rigorosamente o sexo fora do casamento e tudo
aquilo que possa conduzir à sua prática de modo ilícito. Há uma tradição do
Profeta onde ele menciona que a relação sexual entre um casal é recompensada
por Deus. Os companheiros ficaram espantados: como era possível ter os desejos
e prazeres completamente satisfeitos e, ainda assim, obter recompensa divina? O
Profeta, então, respondeu que da mesma forma que uma relação extraconjugal era
punida. O Islam se baseia na crença na revelação divina. A sua lei e a sua
moral estão baseadas nos mandamentos divinos. Dentro desse contexto, homens e
mulheres devem obedecer a certas regras de comportamento e disciplina, a fim de
evitar que o ilícito seja praticado. O Islam tem imposto, recomendado e
encorajado certos hábitos com o fim de reduzir as oportunidades para a prática
do ilícito. Além disso, toma as precauções necessárias e possíveis, no tocante
a sanções materiais, tais como, proibição da promiscuidade, dos encontros
reservados entre pessoas do sexo oposto sem a presença de terceiros, etc. O
fato de a mulher ficar atrás do homem durante as orações não indica que ela
seja inferior ao homem. Faz parte da disciplina da oração o muçulmano se
colocar em fila, ombro a ombro com o seu irmão. As preces islâmicas envolvem
atos, movimentos, posturas de prostração, genuflexões que ocasionam contatos
corporais e toque involuntário na pessoa que está ao lado, diminuindo a
concentração daquele que está em prece. Além do mais, seria inapropriado e
desconfortável para uma mulher ficar em tal posição, prostra-se, inclinar-se e
colocar a testa no chão, tendo atrás de si uma fileira de homens. Assim, para
evitar qualquer embaraço de ambas as partes, o Islam ordenou a organização de
filas, homens na frente, e mulheres atrás. O que deve ser ressaltado é que as
proibições são dirigidas a ambos os sexos. O que o Islam proíbe para a mulher,
também o faz para o homem. A modéstia é recomendada tanto para homens como para
mulheres. A castidade até a realização do casamento é imperativo para homens e
mulheres, igualmente. O adultério é proibido tanto para homens como para as
mulheres. Em suma, a forma como Islam encara o sexo é uma linha muito estreita
entre dois extremos. O primeiro é desqualificá-lo ao ponto de sua total
abstenção, através do celibato ou monasticismo, negando a própria natureza
humana, e o segundo é achar que é muito natural fazer sexo com quem quer que
seja, em qualquer lugar, sempre que se quiser. Enquanto no ocidente a
sensualidade, o amor entre um homem e uma mulher, atributos humanos concedidos
por Deus, são reduzidos à sua condição mais baixa e se transformam em
libertinagem, pornografia, o Islam não aceita, em hipótese nenhuma, a
superexposição do sexo, o sexo pelo sexo, com qualquer um, em qualquer lugar. 13-Direito ao Voto. A mulher muçulmana
também pode votar. Enquanto ela teve este direito há 1400 anos, nos Estados
Unidos, a mulher só conseguiu esse direito em 1916, e no Brasil, em 1932. 14- Dignidade
Humana: Como ser humano, a mulher é perfeitamente igual ao homem, o Profeta
Muhammad (que a Paz e a Bênção de Deus estejam sobre ele), declarou:
"Na verdade, as mulheres são as irmãs dos homens." Tal implica que ambos, homem e mulher, provêm dos mesmos pais, ou seja, de Adão e Eva, sendo assim, como pode a mulher ser inferior ao homem, se ela surge dos mesmos pais? Realçando o mesmo, o Alcorão Sagrado observa: ''Ó humanos, em verdade, Nós vos criamos de macho e fêmea. (...) Sabei que o mais honrado, dentre vós, ante Deus, é o mais temente. Sabei que Deus é Sapientíssimo e está bem inteirado. '' (Alcorão Sagrado 49:13). Por outras palavras, a honra perante o Criador nunca será dependente do sexo, mas sim da piedade. 15- Direito à Justiça: Uma igualdade absoluta entre homem e mulher foi estabelecida no Islam, no que diz respeito às leis civis e penais, a Lei Islâmica não reconhece qualquer distinção entre elas no tocante à proteção da vida e da propriedade, da honra e da reputação, Deus diz: E elas (as mulheres) têm mesmos direitos sobre eles, como eles os têm sobre elas.'' (Alcorão Sagrado 2:228). ''Ó fiéis (homens e mulheres), sede firmes em observardes a justiça, atuando de testemunhas, por amor a Deus, ainda que o testemunho seja contra vós mesmos, contra os vossos pais ou contra os vossos parentes, seja contra vós mesmos, contra os vossos pais ou contra os vossos parentes, seja o acusado rico ou pobre, porque a Deus incumbe protegê-los. Portanto, não sigais os vossos caprichos, para não serdes injustos; e se falseardes o vosso testemunho ou vos recusardes a prestá-lo, sabei que Deus está bem inteirado de tudo quanto fazeis.'' (Alcorão Sagrado 4:135). A Lei Islâmica dita a pena de morte ao assassino, tenha ele morto um homem ou uma mulher, uma vez que a vida desta é tão sagrada quanto a daquele. Se uma mulher perdoar o assassino de um parente, os outros familiares não têm autoridade para anular o seu consentimento no perdão. 16- Igualdade Perante a Lei:
"Na verdade, as mulheres são as irmãs dos homens." Tal implica que ambos, homem e mulher, provêm dos mesmos pais, ou seja, de Adão e Eva, sendo assim, como pode a mulher ser inferior ao homem, se ela surge dos mesmos pais? Realçando o mesmo, o Alcorão Sagrado observa: ''Ó humanos, em verdade, Nós vos criamos de macho e fêmea. (...) Sabei que o mais honrado, dentre vós, ante Deus, é o mais temente. Sabei que Deus é Sapientíssimo e está bem inteirado. '' (Alcorão Sagrado 49:13). Por outras palavras, a honra perante o Criador nunca será dependente do sexo, mas sim da piedade. 15- Direito à Justiça: Uma igualdade absoluta entre homem e mulher foi estabelecida no Islam, no que diz respeito às leis civis e penais, a Lei Islâmica não reconhece qualquer distinção entre elas no tocante à proteção da vida e da propriedade, da honra e da reputação, Deus diz: E elas (as mulheres) têm mesmos direitos sobre eles, como eles os têm sobre elas.'' (Alcorão Sagrado 2:228). ''Ó fiéis (homens e mulheres), sede firmes em observardes a justiça, atuando de testemunhas, por amor a Deus, ainda que o testemunho seja contra vós mesmos, contra os vossos pais ou contra os vossos parentes, seja contra vós mesmos, contra os vossos pais ou contra os vossos parentes, seja o acusado rico ou pobre, porque a Deus incumbe protegê-los. Portanto, não sigais os vossos caprichos, para não serdes injustos; e se falseardes o vosso testemunho ou vos recusardes a prestá-lo, sabei que Deus está bem inteirado de tudo quanto fazeis.'' (Alcorão Sagrado 4:135). A Lei Islâmica dita a pena de morte ao assassino, tenha ele morto um homem ou uma mulher, uma vez que a vida desta é tão sagrada quanto a daquele. Se uma mulher perdoar o assassino de um parente, os outros familiares não têm autoridade para anular o seu consentimento no perdão. 16- Igualdade Perante a Lei:
No que diz respeito à
prescrição das penas, o Islam condena da mesma forma, seja homem ou mulher,
tomemos três exemplos: assassinato, roubo e adultério. Vejamos quais as penas
que o Islam aplica ao homem e à mulher. No Alcorão Sagrado podemos ler: ''Ó
fiéis, está-vos preceituado o talião para o homicídio: livre por livre, escravo
por escravo, mulher por mulher. Mas, se o irmão do morto perdoar o assassino,
devereis indenizá-lo espontânea e voluntariamente. Isso é uma mitigação e
misericórdia de vosso Senhor. Mas quem vingar-se, depois disso, sofrerá um
doloroso castigo. '' (Alcorão Sagrado 2:178). ''Quanto ao ladrão e à ladra,
decepai lhes a mão, como castigo de tudo quanto tenham cometido.'' (Alcorão
Sagrado 5:38). ''Quanto à adúltera e ao adúltero, vergastai-os com cem
vergastadas, cada um; que a vossa compaixão não vos demova de cumprir a lei de
Deus, se realmente credes em Deus e no Dia do Juízo Final. Que uma parte dos fiéis
testemunhe o castigo.'' (Alcorão Sagrado 24:2). Assim, a partir dos versículos
acima citados, fica perfeitamente patente que a Lei Islâmica aplica,
indiscriminadamente, os mesmos castigos a ambos os transgressores, homem e
mulher. CONCLUSÃO. A mulher pode exercer qualquer função que não vá contra os princípios
do Islam, que não agrida a sua natureza feminina e que não a ocupe totalmente,
fazendo com que descuide da família, pois isso causa sérios prejuízos a
sociedade, pois acarreta na não educação materna, no abandono dos filhos que
serão entregues as "mães artificiais". No Islam, a mulher tem o
direito de ser sustentada pelo pai, irmão ou marido, visto ser uma injustiça
querer que ela trabalhe dentro e fora de casa. A mulher tem grande importância
dentro do Islam, pois Allah (swt) é justo e distribui os direitos e deveres de
acordo com sua plena justiça. E por incrível que pareça, o Islam cresce mais
entre as mulheres, e as novas muçulmanas alegam ter encontrado no Islam o
respeito que procuravam e os seus direitos garantidos sem segundas intenções. Os
direitos conquistados pela mulher têm custado para a mulher ocidental o que não
custou para a mulher muçulmana. A mulher no ocidente está a cair numa
verdadeira armadilha. Dizem a ela: "Nós vamos te libertar, você vai ser
livre e ter os seus direitos". Porém, estes direitos não garantem o
principal direito: o respeito a mulher como ser humano, como mãe, como esposa ,
como irmã, como filha, como educadora. Em nome da liberdade, a mulher é usada e
manipulada na sociedade. Seu corpo é vendido; é usado como uma estátua para
enfeitar os programas de auditório; a mulher é comparada a objetos em
comerciais, por acaso não lembram dos comerciais de cerveja na TV, em um deles
perguntam: O que o brasileiro mais gosta, mulher, cerveja, praia ou futebol? Em
outra propaganda aparece um senhor ao lado de duas moças com o seguinte slogan:
"troquei" uma de 51 por duas de 21. Comparar a mulher a futebol e
cerveja e trocá-la faz parte dos seus direitos?! Se a mulher tem um corpo
formoso e belo é valorizada e considerada, se não é mais uma! A moda que
difundem na sociedade tende a expor cada vez mais o corpo da mulher, e a
convenceram de que isto é liberdade, está sendo usada e assediada e acredita
que isto lhe trará respeito e dignidade, não percebe que assim ela está sendo
submissa ao homem e está a atender aos seus desejos e impulsos ilimitados. Ao
garantir os direitos da mulher devemos nos preocupar em não prejudicá-la em
nome deste direito, a sobrecarregando e impondo a ela junto com estes direitos
deveres que não fazem parte de sua natureza. A condição da mulher no Islam é
algo ímpar, novo, sem qualquer semelhança com qualquer outro sistema. Se
olharmos para as nações democráticas do ocidente, vamos perceber que a mulher
não desfruta dessa posição. Ela é mais subjugada a padrões e regras de
comportamento do que se supõe que a mulher muçulmana o seja. Ela é o reflexo do
poder masculino, onipresente na sociedade ocidental cristã, que tem por
objetivo delimitar o papel das mulheres, normatizar seus corpos e almas,
esvaziá-las de qualquer saber ou poder ameaçador. A mídia exerce hoje o
monopólio, antes exercido pela Igreja, na construção (desconstrução) dessa
mulher, impondo valores, regulamentando o cotidiano das pessoas, determinando o
uso do corpo de uma perspectiva escatológica. No ocidente, a mulher é compelida
a perseguir noções abstratas de beleza , e, muitas das vezes, não percebe que
está sendo manipulada pelas companhias de cosméticos, indústrias de roupas e
remédios. É um produto tão descartável quanto qualquer mercadoria de
supermercado. O rótulo (a aparência) da mulher ocidental tem que obedecer a
regras impostas de cima e ingenuamente ela supõe que é livre para escolher a
sua roupa, o seu sapato, a cor do seu cabelo. A mulher ocidental, desde
criança, é ensinada que o seu valor é proporcional à sua beleza, aos seus
atrativos. Só consegue um lugar ao sol aquela que se veste assim, que fala
assado, que vai ao lugar tal. No Brasil, por exemplo, só consegue emprego quem
tem “boa aparência”. A mulher, desde cedo é empurrada para um mercado de
trabalho selvagem, deslealmente competitivo, tendo de se submeter a toda sorte
de humilhações para conseguir o seu sustento. Foi através de muita luta que a
mulher ocidental alcançou esse esboço de liberdade. Foram séculos de uma árdua
luta para a mulher conquistar o direito de aprender, de trabalhar, de ganhar o
seu próprio sustento, de ter a sua própria identidade, de ter personalidade e
capacidade jurídica. Esta mulher pagou um alto preço para provar sua condição
de ser humano, provido de alma. A posição que a mulher ocidental de nossos dias
desfruta foi conquistada pela força e não por um processo de mútuo
entendimento. Ela abriu o seu caminho à força, a custa de muitos sacrifícios,
abrindo mão de sonhos e ideais. Muitas vezes as circunstâncias a empurraram
para um campo de batalha até então desconhecido. E apesar disso tudo, de toda
essa guerra, de tão pesados sacrifícios e lutas dolorosas, ela ainda não
conquistou o que o Islam estabeleceu para a mulher muçulmana por decreto
divino. De tudo o que foi dito, podemos inferir que a condição das mulheres nas
sociedades islâmicas atuais é a ideal? É compatível com o que estabelece o
Islam? Não, é claro que não. Mas, rotular a condição da mulher no mundo
muçulmano de hoje como “islâmica” está tão longe da verdade quanto imaginar que
a condição da mulher ocidental é de total liberdade para usufruir direitos.
Sabemos que em muitas partes do mundo muçulmano ainda proliferam as condições
opressivas e injustas. Os erros de alguns muçulmanos na condução dos destinos
de suas respectivas sociedades apenas provam que o ser humano tem suas
limitações. É absurdo tomar como regra geral islâmica o que não passa de
interpretações pessoais, contaminadas por todo um contexto sócio cultural. Os
muçulmanos não podem ser julgados com base nas ações de uns poucos e nem esses
poucos são amostras significativas do verdadeiro significado do Islam. O que
precisa ficar claro é que não é o Alcorão que necessita ser reexaminado, ou a
Suna, e sim a prática humana, que muitas vezes reflete aspectos culturais tão
enraizados que distorcem o que foi decretado por Deus. É preciso confrontar o
passado e rejeitar práticas e costumes que se contraponham aos preceitos do
Islam. Assim, por exemplo, a condição da mulher no Afganistão, que está
condenada a ficar reclusa dentro de casa, não reflete os ensinamentos do
Alcorão nem tão pouco o exemplo de milhares de muçulmanas, que através da
História, tiveram participação efetiva em suas respectivas comunidades. A
mulher na Arábia Saudita está proibida de dirigir? Sim, está, mas esta é uma
lei saudita, humana, que não vigora no Irã, por exemplo. O que devemos
compreender é que existe uma imensa diferença entre a crença propriamente dita,
conforme revelada no Alcorão, e a prática de algumas sociedades supostamente
islâmicas. Tais práticas atendem muito mais a aspectos culturais específicos, a
interesses particulares, e não representam necessariamente o Islam e nem podem
servir de base para se denegrir o verdadeiro sentido do Islam. O Islam ainda
tem muito a oferecer à mulher de hoje, em termos de respeito, dignidade,
reconhecimento. Basta que ela tenha consciência disso e lute para implantar os
ensinamentos islâmicos. Para isso, ela tem todos os instrumentos à sua
disposição. www.ccib.org.br. Abraço. Davi.
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