Cristianismo.
Texto de Watchman Nee (1903-1972). II. O PODER LATENTE DA ALMA. VISTO SOB O ASPECTO RELIGIOSO. TODAVIA ISTO não acontece apenas no cristianismo. Os babilônios, os árabes, os budistas, os
taoístas e os hindus, todos tentam, por seus próprios modos, liberar o poder
que Adão legou à nossa alma. Em qualquer religião, sejam quais forem os meios
ou modos de instrução, jaz um princípio comum por trás de todas as aparentes
diferenças. Este princípio comum visa subjugar a carne exterior, com a
finalidade de libertar o poder da alma de todos os tipos de escravidão, para
uma expressão mais livre. Algumas lições de instrução dadas nessas religiões
visam destruir a obstrução do corpo, outras a união do corpo e da alma e outras
mais o fortalecimento da alma por meio de treinamento, capacitando-a assim, a
vencer o corpo. Sejam quais forem os meios, o princípio por trás de todos eles
é o mesmo. É importante que saibamos isso, caso contrário seremos enganados. Eu
não sei como as pessoas são informadas a respeito desse maravilhoso poder
latente na alma do homem, cuja liberação, atualmente limitada pela carne,
resultará na demonstração de poder miraculoso, alcançando até mesmo a posição
de um "mágico" ou "Budha". Provavelmente elas são
informadas pelo diabo, o espírito maligno. Suas explicações podem variar, mas o
princípio básico é o mesmo, a saber, o uso de meios especiais para liberar o
poder da alma. Elas podem não usar como nós o termo poder da alma, porém, o
fato é evidente. Por exemplo: no budismo e no taoísmo, e igualmente em algumas
seitas do cristianismo, poder especial sobrenatural está disponível a todos
eles, para efetuar milagres na cura de doenças e na predição do futuro. Tome
como exemplo as práticas ascéticas e os exercícios do taoísmo, ou até mesmo a
forma mais simples de meditação abstrata: tudo isso é executado segundo o
princípio de subjugação do corpo sob a alma, visando à liberação do seu poder.
Não é de se admirar que muitas coisas miraculosas têm acontecido, as quais não
podemos rejeitar como superstições. Gautama (Budha) Sidharta foi um ateísta. Este é um
consenso de muitos eruditos e críticos com respeito aos ensinamentos do
budismo. Ele cria na transmigração da alma, bem como no nirvana (esse estado,
segundo o Dicionário Herança Americana da Língua Inglesa, é "de absoluta
ventura, caracterizando pela liberação do ciclo de reencarnações e conquistas,
através da extinção do ego-Tradutor). Não tenho a mínima intenção de dissertar
sobre o budismo; só quero explicar porque e como muitas maravilhas têm sido
realizadas nessa religião. Existe, no budismo, um ensinamento sobre a fuga do
mundo. Aqueles que aceitam o voto budista devem se abster do casamento e da
comida. Não devem matar nenhuma coisa vivente. Devido às práticas ascéticas,
iludem, eventualmente, alcançar a eliminação de todo alimento. Alguns monges de
alto grau podem até mesmo penetrar o passado desconhecido e predizer o futuro.
Eles realizam muitas maravilhas por meio da mágica budista. São capazes de
profetizar coisas vindouras quando o que eles chamam de "coração de
sangue" jorra. O empenho em todos estes tipos de abstinência e práticas
ascéticas flui de um único princípio dominante: o budista está tentando quebrar
todos os laços físicos e materiais, com o fim de liberar o poder da sua alma.
Conheço algumas pessoas mais idosas do que eu, que se ligaram ao Clube da
Unidade. Elas e seus colegas membros do clube praticam a meditação abstrata e
assim por diante. Eles me contam que cada degrau que penetram tem sua própria
dimensão de luz. A luz que eles percebem segue a verdade que penetram. Creio no
que dizem, pois são capazes de serem liberados da repressão do corpo e assim,
libertam o poder que Adão possuía antes da sua queda. Não há nada de
extraordinário nisso. A moderna Igreja da Ciência Cristã foi fundada pela
senhora Mary Baker Eddy (1821-1910). Ela negou a existência das doenças, do
sofrimento, do pecado e da morte (embora ela já tenha morrido). Visto que, segundo
seus ensinamentos, não existe tal coisa como doença, sempre que alguém estiver
doente ele só precisa exercitar sua mente contra qualquer reconhecimento de dor
e estará curado. Isto significa então, que se alguém crê que não existe nenhuma
doença, ele não ficará doente. Do mesmo modo, se alguém não crê no pecado ele
não pecará. Pelo treinamento da mente, emoção e vontade do homem, ao ponto da
negação absoluta da existência destas coisas, considerando-as falsas e
ilusórias, descobrir-se-á que elas realmente não existem. Quando este
ensinamento foi a princípio publicado, muitas pessoas se opuseram a ele. Os
médicos, em especial, fizeram oposição, pois se isso fosse verdade, não haveria
mais nenhuma necessidade deles. Todavia, ao prosseguirem seus exames nas pessoas
que haviam sido curadas pela Ciência Cristã, aqueles médicos não puderam
repudiá-la como falsa. Por conseguinte, mais e mais pessoas creem e mais
médicos e cientistas famosos abraçam este ensino. Isto não é de tudo
surpreendente, porque existe um reservatório de tremendo poder na alma,
esperando apenas ser libertado do confinamento da carne. VISTO CIENTIFICAMENTE. VEJAMOS AGORA este assunto cientificamente. O campo da psicologia tem
empreendido pesquisas sem precedentes na era moderna. O que é psicologia? A
própria palavra em si é uma combinação de duas palavras gregas:
"psiquê", que significa alma, e "logia" que significa
discurso. Portanto, psicologia é a "ciência da alma". A pesquisa
utilizada pelos cientistas modernos é apenas uma sondagem na parte da alma do
nosso ser. Ela se limita a esta parte, não chegando a tocar no espírito. A
parapsicologia moderna começou com Franz Anton Mesmer (1734-1815). Sua primeira
descoberta, feita em 1778, é agora conhecida como Mesmerismo (hipnotismo
conforme praticado pelo próprio Mesmer). Seus discípulos superaram-no através
de suas próprias descobertas, assim como o verde é derivado do azul, mas supera
o azul. Alguns dos seus experimentos são quase incríveis em seus resultados. O
método deles, não de modo imprevisto, visa descarregar aquele poder oculto
dentro da alma humana. Na clarividência, por exemplo, (que é o poder de
perceber coisas que estão fora do alcance natural dos sentidos), ou na
telepatia (comunicação pelo cientificamente desconhecido ou meios inexplicáveis,
como pelo exercício do poder místico), pessoas são capazes de ver, ouvir ou
sentir o cheiro de coisas que estão há milhares de quilômetros. Tem se afirmado
que o Mesmerismo "é a rocha da qual todas as ciências mentais foram
cortadas" (J. Penn Lewis). Antes da época de Mesmer, a pesquisa psíquica
não era uma ramificação independente da ciência; ela ocupava um lugar
insignificante na ciência natural. Mas, devido a estas surpreendentes
descobertas, ela veio a ser um sistema em si mesma. Desejo atrair sua atenção
não ao estudo da psicologia, mas ao fato de que todos aqueles fenômenos
miraculosos são obtidos através da liberação do poder latente da alma do homem,
aquela capacidade que ficou oculta no homem após a queda. Por que isto é
chamado de poder "latente"? Porque na queda de Adão, Deus não havia
removido aquele poder "sobrenatural" que certa vez ele possuíra. Em
vez disso, este poder caiu com ele e ficou aprisionado em seu corpo. O poder
estava lá, só que não podia ser manifestado. Daí o termo poder latente. Os
fenômenos da nossa vida humana tais como falar e pensar, são habilidades
bastante notáveis; porém, o poder latente que está oculto no homem é também
impressionante. Se este poder fosse ativado, muitos outros fenômenos notáveis
seriam manifestados em nossas vidas. As muitas ocorrências miraculosas que a
parapsicologia moderna descobre, de modo algum atestam seu caráter
sobrenatural. Elas simplesmente provam que o poder latente da alma pode ser
liberado pelos meios apropriados. Uma das 'descobertas' que seguiram após
Mesmer ter obtido o conhecimento básico das forças misteriosas latentes na
constituição humana, mostrou como o movimento avançou de modo surpreendente,
uma vez que a chave foi obtida. Em 1784, um aluno de Mesmer descobriu a
clarividência como resultado do sono Mesmérico e acidentalmente tropeçou na
Leitura do Pensamento: Jesse Penn Lewis(1861-1927) “A telepatia é a comunicação
entre mente e mente de forma diferente e não pelos conhecidos canais dos
sentidos. Ela capacita uma pessoa a usar sua própria força psíquica para
determinar o pensamento dos outros, sem a necessidade de ser informada. O
Hipnotismo, a Neurologia e a Psicometria... e outras inumeráveis ‘descobertas’
se seguiram à medida que os anos passaram". A Hipnose é uma condição de
sono artificialmente induzida, na qual um indivíduo fica extremamente
responsivo às sugestões feitas pelo hipnotizador. E a Neurologia e Psicometria
é a descoberta de que a mente pode agir do lado de fora do corpo humano e de
que a Psicometria sensitiva' pode ler o passado como um livro aberto. Depois
veio uma descoberta chamada patetismo, significando uma condição peculiar
produzida pela vontade, em que o sujeito pode 'lançar sua mente' a algum lugar
distante e ver, ouvir, sentir, cheirar e provar o que está acontecendo lá.
Depois ...veio uma descoberta ...chamada Patetismo pela qual a mente poderia
retirar de si mesma a consciência de sofrimento e curar doenças. No início os
homens de ciência apenas seguiram estas 'descobertas' como ramificações da Ciência
Natural" (J. Penn Lewis). Mas, devido à multiplicação desses fenômenos
miraculosos, a parapsicologia logo se tornou uma ciência própria. Para os
praticantes dessa ciência, estes fenômenos são bastante naturais. Para nós são
ainda mais naturais, por sabermos que são simplesmente as consequências da
liberação do poder latente. Os psicólogos afirmam que no interior do homem
existe uma tremenda ordem de poder: o poder do autocontrole, o poder criativo,
o poder reconstrutivo, o poder da fé, o poder de estimular e o poder de
revivificar. Tudo isso pode ser libertado pelos homens. Um livro de psicologia
vai tão longe a ponto de proclamar que todos os homens são deuses, só que este
deus está aprisionado dentro de nós. Sendo ele libertado dentro de nós, nos tornamos
todos deuses. Quão semelhantes são estas palavras àquelas de Satanás! A REGRA
COMUM. SEJA NA China ou nos países ocidentais, todas estas práticas de
respiração, exercício ascético, hipnotismo, predições, reações e comunicações,
são apenas a liberação e manifestação do poder interior. Imagino que todos já
ouvimos algo dos atos miraculosos do hipnotismo. Na China existem adivinhos
cujos atos de predição são bem conhecidos. Todo dia eles entrevistam apenas uns
poucos clientes. Devotaram muito tempo e energia no aperfeiçoamento de sua
arte, e suas predições são maravilhosamente exatas. Os budistas e taoístas têm
suas proezas miraculosas. Embora não faltem evidências de engano, as
manifestações sobrenaturais são aparentemente inegáveis. A explicação para estes
fenômenos é simples: eles, por acaso ou dirigidos pelo espírito maligno,
descobrem algum método ou métodos de práticas ascéticas que os capacitam a
executar proezas extraordinárias. Pessoas comuns não sabem que possuem este
poder nelas. Outras, com algum conhecimento científico, sabem que este poder
está oculto nelas, embora não possam dizer como é isso. Nós que temos sido
ensinados por Deus sabemos que esta capacidade é o poder latente da alma do
homem, o qual está agora confinado pela carne, através da queda de Adão. Este
poder caiu com o homem de tal modo que, de acordo com a vontade de Deus, não
deveria ser mais usado. Mas é o desejo de Satanás desenvolver esta capacidade
latente, a fim de fazer o homem sentir-se tão rico quanto Deus, segundo o que havia
prometido. Assim o homem adorará a si mesmo, embora indiretamente seja uma
adoração a Satanás. Por isso, Satanás está por trás de todas estas pesquisas
para psíquicas. Ele está fazendo o melhor que pode para usar a energia latente
da alma, para alcançar seu alvo. Por esta razão, todos os que desenvolvem seu
poder da alma, não podem evitar a comunicação com o espírito maligno e de serem
usados por ele. George Hawkins Pember (1836-1910), em seu livro "As Eras
Mais Primitivas da Terra"; mencionou este assunto de outro ângulo:
"Dois métodos parecem existir, através dos quais os homens podem alcançar
conhecimento e poder proibidos e obter acesso a uma relação proibida. Aquele
que seguir o primeiro (...) deve colocar seu corpo sob o controle de sua própria
alma, a fim de poder projetá-la (...) o desenvolvimento dessas faculdades é,
sem dúvida, possível somente a poucos, e até mesmo no caso deles, só podem ser
alcançados por meio de um longo e severo curso de treinamento, cujo propósito é
quebrar o corpo levando-o a uma completa sujeição e produzir uma perfeita
apatia com respeito a todos os prazeres, dores e emoções desta vida, a fim de
que nenhum elemento perturbador possa desordenar a tranquilidade da mente do
aspirante e impedir seu progresso (...) o segundo método é por meio de uma
submissão passiva ao controle de inteligências exteriores (...)" Devemos
prestar atenção aqui principalmente no primeiro método, isto é, a ativação do
poder latente da alma de alguém. Seu ponto de vista coincide com o nosso completamente.
As práticas ascéticas dos budistas, a respiração abstrata do taoísmo, a
meditação e concentração mental e a meditação dos hipnotizadores, a sessão
silenciosa dos pertencentes ao Clube da Unidade e todas as variedades de
meditações, contemplações, os pensamentos concentrados em não pensar em
absolutamente nada, e centenas de atos semelhantes que as pessoas praticam,
seguem a mesma regra, não importando quão variados sejam seus conhecimentos e
fé. Todas estas coisas fazem nada mais do que levar os pensamentos externos e
confusos, as emoções instáveis e a vontade fraca do homem a um lugar de
tranquilidade, com sua carne totalmente subjugada, tornando assim possível a
liberação do poder latente da alma. A razão porque tal coisa não se manifesta
em todos, é porque nem todas as pessoas podem romper a barreira da carne e
levar todas as expressões físicas comuns à perfeita tranquilidade. ALGUNS FATOS. HÁ MUITOS anos passados eu travei conhecimento com um indiano. Ele me falou
sobre um amigo no hinduísmo que podia revelar, com precisão, os segredos das
pessoas. Certa vez ele desejou testar a capacidade do seu amigo hindu.
Convidou-o então, à sua casa e com toda certeza o hindu pode revelar tudo o que
tinha sido colocado dentro de uma gaveta na casa. Mais tarde, meu conhecido
indiano solicitou a seu amigo hindu para ficar do lado de fora e aguardar,
enquanto ele embrulhava um valioso objeto em pano e papel antes de colocá-lo
dentro de uma caixa e pô-lo numa gaveta trancada. Seu amigo retornou ao
interior da casa e disse qual era o objeto valioso sem errar. Isto era
inquestionavelmente devido ao exercício do poder da alma, que podia penetrar
através de todas as barreiras físicas. A senhora Jessie Penn-Lewis (1861-1927), a quem citamos
atrás, certa vez escreveu o seguinte: "Uma vez encontrei, no norte da
índia, um homem que tinha acesso aos mais altos círculos da sociedade em Simla,
a residência de verão do governo da índia, o qual me contou certa noite sobre
sua conexão com os Mahatmas da índia e em outros países da Ásia. Ele disse que
conhecia os grandes eventos políticos semanas e meses antes deles ocorrerem.
‘Eu não dependo de notícias em telegramas e jornais. Eles registram
acontecimentos passados, mas nós os conhecemos antes de ocorrerem' disse ele.
Como pode um homem em Londres saber o que acontece na Índia e vice-versa?
Explicaram-me que era devido à ‘força da alma' sendo projetada pelo homem que
conhecia o segredo dos Mahatmas" (Revista O Vencedor de 1921-23, citado em
"Alma e Espírito" por J.P. Lewis). Citando o livro "Dinâmicas
Espirituais" de Wild, G. H. Pember (1836-1910) registrou que um perito "pode
conscientemente ver as mentes dos outros, agir através da sua força da alma
sobre espíritos externos, acelerar o crescimento de plantas, apagar o fogo e,
como Daniel, subjugar animais selvagens e ferozes. Pode também enviar sua alma
a uma distância e de lá, não apenas ler os pensamentos dos outros, mas falar e
tocar naqueles objetos distantes; não apenas isso, pode manifestar a seus
amigos distantes seu corpo espiritual na semelhança exata daquela da carne. O
perito pode, além do mais, criar, da múltipla atmosfera circunstancial, a
semelhança de qualquer objeto físico ou ordenar a eles que nenhuma à sua
presença": (Pember op cit. pag. 252). A ATITUDE DO CRISTÃO. ESTES FENÔMENOS miraculosos na religião e na ciência são apenas a manifestação do
poder latente do homem, o qual, por sua vez, é usado pelo espírito maligno.
Todos eles seguem uma regra comum: romper o cativeiro da carne e liberar o
poder da alma. A diferença entre nós (os cristãos) e eles, encontra-se no fato
de que todos os nossos milagres são realizados por Deus através do Espírito
Santo. Satanás usa a força da alma do homem para manifestar sua força. O poder
da alma do homem é o instrumento de operação de Satanás, através do qual ele realiza
seus fins malignos. Deus, entretanto, nunca opera com o poder da alma, pois é
sem utilidade para Ele. Quando nascemos de novo, nós nascemos do Espírito
Santo. Deus opera pelo Espírito Santo em nosso espírito renovado. Ele não tem
nenhum desejo de usar o poder da alma. Desde a queda Deus proibiu o homem de
usar novamente seu poder original da alma. Por essa razão é que o Senhor Jesus
frequentemente declara como precisamos perder nossa vida da alma, isto é, nosso
poder da alma. Deus deseja que nós, hoje, não usemos este poder de modo algum.
Não podemos dizer que todas as maravilhas realizadas no mundo são falsas; temos
que admitir que muitas delas são reais. Porém, todos estes fenômenos são
produzidos pelo poder latente da alma após a queda de Adão. Como cristãos,
devemos ser cautelosos nesta última era, para não despertarmos a energia
latente da alma, seja proposital ou involuntariamente. Voltemo-nos novamente
para as Escrituras lidas no começo. Notamos que no fim da era a obra particular
de Satanás e dos espíritos malignos sob sua direção será comerciar com o poder
da alma do homem. A intenção é simplesmente encher este mundo com o poder
latente da alma. Um correspondente de uma revista fez a seguinte comparação
"as forças da psique (alma), dispostas contra as forças do pneuma
(espírito)". Todos os que têm discernimento espiritual e sensibilidade,
conhecem a realidade dessa declaração. O poder da alma lança-se sobre nós como
uma torrente. Fazendo uso da ciência (psicologia e parapsicologia), religião e
até mesmo de uma igreja ignorante (em sua busca exagerada de manifestações
sobrenaturais e na ausência de controle quanto a dons sobrenaturais segundo a
direção da Bíblia), Satanás está levando este mundo a se encher do poder das
trevas. Todavia este é apenas o preparo último e final de Satanás para a
manifestação do anticristo. Aqueles que são realmente espirituais (isto é,
aqueles que rejeitam o poder da alma), percebem tudo ao redor deles, a
aceleração da oposição dos espíritos malignos. A atmosfera inteira está tão
escurecida que eles acham difícil avançar. Porém, esta é também a preparação de
Deus para o arrebatamento dos vencedores. Precisamos entender o que é poder da
alma e o que esta força da alma pode fazer. Deixe-me dizer que, antes da volta
do Senhor, coisas semelhantes a estas serão grandemente aumentadas, talvez mais
do que cem vezes. Satanás realizará muitas proezas surpreendentes através do
uso do poder da alma, a fim de enganar os eleitos de Deus. Estamos aproximando
agora do tempo da grande apostasia. "O mover está aumentando
rapidamente", observou a Sra. Penn Lewis. “A mão do arque inimigo de Deus
e do homem está no leme e o mundo se apressa para a hora negra, quando, por um
breve período, Satanás será então o deus desta era', governando através de um
super-homem cuja ‘parousia'(aparecimento) não poderá demorar". O que é o
poder da alma? Indo às Escrituras e sob a iluminação do Espírito Santo, os
crentes devem reconhecer que este poder é tão infernal, ao ponto de se espalhar
sobre todas as nações sobre a terra e transformar o mundo inteiro num caos.
Satanás está utilizando agora este poder da alma para servir como um substituto
para o evangelho de Deus e seu poder. Ele tenta cegar os corações das pessoas
por meio dos prodígios do poder da alma para aceitar uma religião Sem sangue.
Ele usa também as descobertas da ciência psíquica para lançar dúvidas sobre o
valor de ocorrências sobrenaturais no cristianismo, levando pessoas a
considerá-las como sendo de igual modo, nada mais do que o poder latente da
alma. Ele visa substituir a salvação de Cristo pela força psíquica. O esforço
moderno de mudar maus hábitos e temperamentos pela hipnose é um precursor a
este objetivo. Os filhos de Deus só podem ser protegidos pelo conhecimento da
diferença entre espírito e alma. Se a obra profunda da cruz não for aplicada à
nossa vida adâmica, e se pelo Espírito Santo uma união de vida real não for
realizada com o Senhor ressurreto, podemos inconscientemente desenvolver nosso
poder na alma. Aqui pode ser útil citar novamente a Sra. Penn Lewis: "O
Campo de batalha hoje é 'a força da alma' versus 'a força do espírito'. O Corpo
de Cristo está, pela energia do Espírito Santo nele, avançando para o céu. A
atmosfera do mundo está obscurecendo-se com as correntes psíquicas, atrás das
quais estão concentrados os inimigos dos ares. A única segurança para o filho
de Deus é um conhecimento experimental da vida de união com Cristo, onde ele
habita com Cristo em Deus, acima dos ares envenenados, nos quais o príncipe das
potestades do ar realiza seu trabalho. Somente o Sangue de Cristo para
purificação, a Cruz de Cristo para identificação na morte e o poder do Senhor
Ressurreto e Assunto pelo Espírito Santo, continuamente declarado, revestido e
exercido, conduzirá os membros do corpo em vitória para se unirem ao Cabeça que
ascendeu ao céu." Minha esperança para hoje é que você possa ser ajudado a
conhecer a fonte e as operações do poder latente da alma. Que Deus possa nos
impressionar com o fato de que onde a força da alma está, aí está também o
espírito maligno. Não devemos usar o poder que provém de nós, devemos antes,
usar o poder que procede do Espírito Santo. Que nós possamos recusar
principalmente o poder da alma, a fim de que não venhamos a cair nas mãos de
Satanás, pois, o poder da alma devido ao pecado de Adão, já caiu sob o domínio
de Satanás e se tornou seu último instrumento de trabalho. Nós, por essa razão,
precisamos exercer grande cuidado contra o engano de Satanás. Livro O Poder
Latente da Alma. Abraço. Davi.
terça-feira, 6 de junho de 2017
segunda-feira, 5 de junho de 2017
I. O PODER LATENTE DA ALMA.
Cristianismo.
Texto de Watchman Nee (1903-1972). O PODER LATENTE DA ALMA. Comentários dos
Editores (Edição brasileira - Editora dos Clássicos). Muito se fala hoje sobre
guerra espiritual. Há, no entanto, uma ênfase desequilibrada no assunto, pois
nada é dito sobre o poder inato da alma do homem. Nesta preciosa obra, veremos
que uma das grandes estratégias do adversário é levar os homens a liberar o
poder latente da alma. Esse é um dos seus mais fortes e eficazes instrumentos
para falsificar a obra de Deus, enganar os homens, iludir os cristãos e
preparar o mundo para o recebimento do anticristo. O resultado é que não apenas
no mundo, mas também entre os filhos de Deus, vêm-se muitas manifestações da
alma sendo consideradas como obra de Deus. De fato, como alerta o autor, “a
situação hoje é perigosa”. Por essa razão, esta mensagem é uma poderosa
advertência profética sobre os sutis perigos com respeito ao especial
relacionamento, nos últimos dias, entre a alma do homem e Satanás. Ao iniciar a
Série Alimento Sólido, a qual visa atender à necessidade de suprir os santos com
alimento espiritual mais profundo, consideramos um grande privilégio publicar
esta obra singular. Tendo sido publicado pela primeira vez em 1988 por Edições
Parousia, O Poder Latente da Alma é uma das obras mais sérias sobre a batalha
espiritual dos últimos dias e uma das mais procuradas pelo público cristão
brasileiro. Agora, em sua versão revisada e enriquecida com notas de rodapé e
apêndices de A. W. Tozer (1897-1963) –
como Provar os Espíritos) e D. M. Panton (1870-1955) – Testes Para o
Sobrenatural, artigo este acrescido de uma carta de Margaret Barber
(1866-1929), é, com certeza, uma indispensável ferramenta para pastores,
líderes e cristãos que buscam uma vida séria com Deus. Uma vez que “o alimento
sólido é para os maduros” Hebreus 5.14, provavelmente somente aqueles que têm
avançado da superfície da vida espiritual para o estágio da vida cristã mais
profunda poderão tocar na realidade espiritual dessa mensagem. Diante desse
desafio, somos encorajados a ir ao Senhor e humildemente pedir Sua iluminação
enquanto meditamos no que o autor nos apresenta. Com temor e tremor Daquele que
está no trono, Os editores Alfenas – MG, Brasil, outubro de 2000. TRADUZIDO DA
VERSÃO ORIGINAL EM CHINÊS “O Poder Oculto da Mente” (1933) O PODER LATENTE DA
ALMA. Nesta obra o autor chama a atenção para uma pequena frase que se encontra
no Livro de Apocalipse 18, onde se diz que a Babilônia comercializa com
escravos e até almas de homens. “Depois destas coisas vi descer do céu outro
anjo que tinha grande autoridade, e a terra foi iluminada com a sua glória. E
ele clamou com voz forte, dizendo: Caiu, caiu a grande Babilônia, e se tornou
morada de demônios, e guarida de todo espírito imundo, e guarida de toda ave
Imunda e detestável. Porque todas as nações têm bebido do vinho da ira da sua
prostituição, e os reis da terra se prostituíram com ela; e os mercadores da
terra se enriqueceram com a abundância de suas delícias. Ouvi outra voz do céu
dizer: Sai dela, povo meu, para que não sejas participante dos sete pecados, e
para que não incorras nas suas pragas. Porque os seus pecados se acumularam até
o céu, e Deus se lembrou das iniquidades dela. Tornai a dar-lhe como também ela
vos tem dado, e retribuí-lhe em dobro conforme as suas obras; no cálice em que
vos deu de beber dai-lhe a ela em dobro. Quanto ela se glorificou, e em
delícias esteve, tanto lhe dai de tormento e de pranto; pois que ela diz em seu
coração: Estou assentada como rainha, e não sou viúva, e de modo algum verei o
pranto. Por isso, num mesmo dia virão as suas pragas, a morte, e o pranto, e a
fome; e será consumida no fogo; porque forte é o Senhor Deus que a julga. E os
reis da terra, que com ela se prostituíram e viveram em delícias, sobre ela
chorarão e prantearão, quando virem a fumaça do seu incêndio; e, estando de
longe por medo do tormento dela, dirão: Ai! Ai da grande cidade, Babilônia, a
cidade forte! Pois numa só hora veio o teu julgamento. E sobre ela choram e
lamentam os mercadores da terra; porque ninguém compra mais as suas
mercadorias: mercadorias de ouro, de prata, de pedras preciosas, de pérolas, de
linho fino, de púrpura, de seda e de escarlata; e toda espécie de madeira
odorífera, e todo objeto de marfim, de madeira preciosíssima, de bronze, de
ferro e de mármore; e canela, especiarias, perfume, mirra e incenso; e vinho,
azeite, flor de farinha e trigo; e gado, ovelhas, cavalos e carros; e escravos,
e até almas de homens.” Apocalipse 18: 1-13. Após ser criado por Deus, Adão foi
dotado com grandes poderes em sua alma, porem ao cair em desobediência, seus
poderes não foram perdidos; eles apenas passaram a um estado de “sono” ou
“latente” dentro do homem. Desde então, Deus tem rejeitado usar tais
habilidades da alma em sua obra. Satanás ao contrario tem procurado despertar
estes poderes adormecidos no homem. Seu alvo é falsificar as operações do
Espírito Santo, levando o homem a crer que tudo provém da alma humana. Nisso
temos também a explicação para os fenômenos da parapsicologia. O autor adverte
seriamente os filhos de Deus com respeito ao perigo do uso dos poderes da alma
na obra de Deus. O contato com o inimigo, será inevitável. Exemplos são dados
com vistas à identificação das obras que procedem do poder latente da alma e
das que são realizadas pelo poder do Espírito Santo: Sem dúvida, esta é uma mensagem
atual para a igreja de Jesus Cristo. PREFÁCIO. Em 1924, quando eu chamei pela
primeira vez a atenção dos filhos de Deus para a divisão do espírito e alma,
vários irmãos bem relacionados pensaram que era apenas um jogo de palavras sem
grande significado. Eles não puderam ver que o nosso conflito não está
relacionado com a palavra, mas sim com o que está por detrás dela. O espírito e
a alma são dois órgãos totalmente diferentes: um pertence a Deus e o outro ao
homem. Sejam quais forem os nomes que dermos a eles, a distinção dos mesmos em
substância é completa. O perigo do crente está no confundir o espírito com a
alma e a alma com o espírito e ser consequentemente enganado, aceitando as
falsificações dos espíritos malignos, alterando a obra de Deus. Originalmente,
a intenção era escrever esta série de artigos imediatamente após a conclusão em
1928 de "O Homem Espiritual", mas por motivo de fraqueza física e o
pesado encargo de outros serviços, só fui capaz de publicá-los na última edição
da revista Revival (Reavivamento). Em resposta aos pedidos dos seus leitores
público agora está pequena obra. A maior vantagem em conhecer a diferença entre
alma e espírito está na percepção do poder latente da alma e no entendimento da
sua falsificação do poder do Espírito Santo. Tal conhecimento não é teórico,
mas prático, ajudando as pessoas a andarem no caminho de Deus. Na noite passada
eu estava lendo o que E. B. Meyer disse certa vez em uma reunião, logo antes de
sua partida da terra. Aqui está uma parte do que ele disse: "Este é um
fato sublime, que nunca houve tanto espiritualismo fora da Igreja de Cristo
como vemos hoje. Não é um fato que nas áreas inferiores da nossa natureza
humana o estímulo à alma é bastante predominante? Hoje em dia a atmosfera está
tão carregada com a comoção de todos os tipos de imitação, que o Senhor parece
estar chamando a Igreja para um nível mais alto". (Visto que a citação
original não pôde ser encontrada, esta porção tem sido traduzida livremente do
chinês - N.T.). A situação hoje é perigosa. Que nós possamos “provar todas as
coisas e reter o que é bom” (1 Tessalonicenses. 5:21). Amém. Watchman Nee - 8
de março de 1933. O PODER LATENTE DA ALMA "E sobre ela choram e lamentam
os mercadores da terra; porque ninguém mais compra as suas mercadorias (...) e
mercadorias de cavalos, de carros, de corpos e de almas de homens"
(Apocalipse 18:11-13). Por favor, observe que aqui nesta passagem, a lista de
mercadorias começa com ouro e prata, cavalos e carros e todos os artigos
naturais que podem ser comerciados, Escravos sempre puderam ser comerciados ou
trocados, porém, isto é um comércio com corpos humanos. Mas, além disso, existe
um mercado de almas de homens como mercadoria. Assim também está escrito:
"o primeiro homem, Adão, tornou-se alma vivente; o último Adão tornou-se
espírito vivificante. Mas não é primeiro o espiritual senão o animal (natural);
depois o espiritual" (1 Coríntios. 15:45,46). E formou o Senhor Deus o
homem do pó da terra e soprou-lhe nas narinas o fôlego da vida; e o homem tornou-se
alma vivente (Gênesis. 2:7). No decorrer dos dois últimos anos eu tenho sentido
intensamente a necessidade de dar uma mensagem conforme será dada agora. Ela é
tanto complexa quanto profunda. Para aquele que fala não será fácil, nem para
os que ouvem entender. Por esta razão não inseri esta mensagem na terceira
parte de "o Homem Espiritual". Todavia, sempre tive o sentimento de
entregá-la, especialmente após ter lido vários livros e revistas e ter tido
contato até certo ponto com pessoas deste mundo. Eu sinto quão preciosa é a
mensagem que tivemos o privilégio de conhecer. Em vista da situação e tendência
atual da Igreja como também do mundo, somos constrangidos a compartilhar o que
nos é dado. De outro modo estaremos escondendo a lâmpada debaixo do alqueire. O
que vou mencionar na mensagem para nossa consideração hoje, tem relação com o
conflito espiritual e o fim desta era. Por causa dos que não leram O Homem
Espiritual, tocarei brevemente na trilogia do espírito, alma e corpo (O Homem
Espiritual). A TRILOGIA DO ESPÍRITO, ALMA E CORPO. "Então formou o Senhor
Deus o homem do pó da terra..." (Gênesis. 2:7). Esta passagem refere-se ao
corpo do homem. "E lhe soprou nas narinas o fôlego de vida...". Isto
descreve como Deus deu o espírito ao homem; era o espírito de Adão. Dessa forma
o corpo do homem foi formado do pó da terra e o espírito lhe foi dado por Deus.
“... e o homem passou a ser alma vivente: Após o fôlego de vida ter entrado em
suas narinas, o homem tornou-se alma vivente. O espírito, a alma e o corpo são
três entidades separadas.”... E vosso espírito, alma e corpo sejam conservados
íntegros" (I Tessalonicenses. 5:23). O espírito é dado por Deus; a alma é
uma alma vivente e o corpo é formado por Deus. Segundo o entendimento comum, a
alma é a nossa personalidade. Quando o espírito e o corpo foram unidos, o homem
tornou-se alma vivente. A característica dos anjos é espírito e a dos animais
inferiores, tais como as feras, é a carne. Nós humanos, temos ambos: espírito e
corpo. Mas nossa característica não é nem o espírito nem o corpo, mas a alma.
Temos uma alma vivente. Por isso a Bíblia chama o homem de alma. Por exemplo:
quando Jacó desceu ao Egito com sua família, as Escrituras dizem que
"todas as almas da casa de Jacó que entraram no Egito eram trezentas e
dez" (Gênesis. 46:27). Aqueles que receberam a palavra de Pedro no dia de
Pentecostes foram batizados "e naquele dia agregaram-se quase três mil
almas" (Atos 2:41). De modo que, a alma representa a nossa personalidade,
pela qual faz de nós homens. Quais são as várias funções do espírito, alma e
corpo? Tal explicação foi dada na primeira parte do “O HOMEM ESPIRITUAL”,
porém, um dia fiquei sobremodo feliz ao encontrar na estante um volume dos
escritos de Andrew Murray (1828-1917), o qual continha uma explanação para o
espírito, alma e corpo nas notas suplementares, bastante semelhantes à nossa
interpretação. O que se segue é uma citação de uma das notas: "Na história
da criação do homem, lemos que o Senhor Deus formou o homem do pó da terra -
desta maneira seu corpo foi formado; e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida,
ou, espírito de vida - assim seu espírito veio de Deus; e o homem tornou-se
alma vivente. O Espírito, vivificando seu corpo, fez do homem uma alma vivente,
uma pessoa consciente de si mesma. A alma era o ponto de encontro, o lugar de
união entre o corpo e o espírito. Através do corpo, o homem (alma vivente),
mantinha seu relacionamento com o mundo exterior dos sentidos e podia
influenciá-lo, ou ser influenciada por ele. Através do espírito ele mantinha
relacionamento com o mundo espiritual e com o Espírito de Deus, de onde tinha
sua origem e podia ser recipiente e ministro de sua vida e poder. Permanecendo,
portanto, o meio caminho entre dois mundos, e pertencendo a ambos, a alma tinha
o poder de autodeterminação, de escolher ou recusar os objetos que a rodeavam e
com os quais mantinha relacionamento. “Na constituição destas três partes da
natureza do homem, o espírito era o mais elevado, por ligá-lo com o Divino; o
corpo era o inferior pela ligação com o que é sensível e animal; entre eles
permanecia a alma, participante da natureza dos outros, o elo que os ligava e
através dos quais eles poderiam agir um sobre o outro. Seu trabalho, como poder
central, era mantê-los em seu devido relacionamento; conservar o corpo, como
inferior, sujeito ao espírito; a própria alma devia receber do Espírito Divino,
através do espírito, o que lhe faltava para sua perfeição e transmitir assim,
ao corpo, aquilo que poderia fazer deles um corpo espiritual, pela participação
da perfeição do Espírito de Deus." O que é o espírito? Aquilo que nos dá
consciência de Deus e nos relaciona com Ele. O que é a alma? Aquilo que nos
relaciona conosco mesmos e nos dá a autoconsciência. O que é o corpo? Aquilo
que nos leva a estar relacionados com o mundo. Cyros Ingerson Scofield
(1843-1921), em sua Bíblia de referência; explica que o espírito dá a
consciência de Deus, a alma a autoconsciência e o corpo a consciência do mundo.
Um cavalo e um boi não têm consciência de Deus, porque não têm espírito. Eles
só têm consciência dos seus próprios seres. O corpo nos leva a sentir o mundo,
assim como ver as coisas do mundo, o sentimento do frio ou quente e assim por
diante. O que foi mencionado acima se refere às funções do espírito, alma e corpo.
Menciono agora um problema muito importante. Muitos consideram este assunto do
espírito, alma e corpo, como tendo relação apenas com à vida espiritual; mas
precisamos reconhecer sua relevância para nossa obra e batalha espiritual.
Nossa tendência é comparar-nos como sendo quase iguais a Adão antes da queda.
Supomos que, sendo seres humanos da mesma forma que Adão era, não existe muita
diferença entre nós. Achamos que aquilo que não podemos fazer Adão também não
podia. Mas não vemos que existem duas coisas aqui: (a) por um lado é verdade
que não podemos fazer o que Adão podia; e também (b) que aquilo que não podemos
fazer Adão podia. Infelizmente não reconhecemos quão capaz Adão era. Se
estudarmos a Bíblia cuidadosamente, entenderemos que espécie de homem Adão era
realmente, antes da sua queda. A AUTORIDADE E DESTREZA FÍSICA DE ADÃO.
"Criou, pois, Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e
mulher os criou. Então Deus os abençoou e lhes disse: Frutificai e
multiplicai-vos; enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar,
sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se arrastam sobre a
terra" (Gênesis 1:27,28). Tenham domínio sobre a terra, diz Deus. Amigos,
vocês já pensaram na imensidão da terra? Suponhamos que um patrão solicite ao
seu servo para administrar duas casas. Ele faz a designação baseado na
habilidade do servo para cuidar delas. Servo algum é capaz de administrar todas
as casas localizadas numa rua, pois não pode fazer além da sua habilidade. Um
patrão duro pode exigir do seu servo mais do que sua obrigação requer, mas
nunca exigirá que seu servo se comprometa a realizar algo acima da sua
capacidade. Deus pediria então, que Adão fizesse algo fora da sua capacidade?
Portanto podemos concluir que se Adão era capaz de governar a terra, suas
habilidades certamente eram superiores às nossas hoje. Ele tinha poder,
habilidade e perícia. Todas estas habilidades ele recebeu do Criador. Embora
não possamos taxar o poder de Adão como sendo um bilhão de vezes acima do
nosso, podemos, não obstante, e com segurança, supor ser um milhão de vezes
acima do nosso. De outra forma ele não seria capaz de realizar a tarefa a ele
designada por Deus. Quanto a nós hoje, entretanto, se nos fosse exigido varrer
uma alameda três vezes por dia, depois não seríamos capazes de endireitar
nossas costas. Como poderíamos então governar a terra? Todavia, Adão não
somente governou a terra, como também teve domínio sobre os peixes do mar, os
pássaros do ar e sobre todo ser vivente sobre a terra. Governar não é apenas
assentar sem fazer nada. Exige-se chefia e trabalho. Vendo isso, devemos
reconhecer o poder superior que Adão de fato possuía. Ele excede em muito a
nossa situação atual. Mas você pensa que esta compreensão é algo novo? Na
verdade este é o ensinamento da Bíblia. Antes da sua queda, Adão tinha tal
força que nunca se sentia cansado depois de trabalhar. Só depois da queda foi
que Deus lhe disse: "Do suor do teu rosto comerás o teu pão". O PODER
INTELECTUAL E A MEMÓRIA DE ADÃO. "Da terra formou o Senhor Deus todos os
animais do campo e todas as aves do céu, e os trouxe ao homem, para ver como
lhes chamaria; e tudo o que o homem chamou a todo ser vivente, isso foi o seu
nome" (Gênesis 2:19). Meus amigos, não é isto maravilhoso? Suponhamos que
você pegasse um dicionário e lesse os nomes de todos os animais; você não
confessaria não poder reconhecer nem memorizar todos eles? Entretanto Adão deu
nomes a todos os pássaros e animais. Quão inteligente ele deve ter sido!
Aqueles dentre nós que não são tão brilhantes, sem dúvida abandonariam
rapidamente o estudo da zoologia, logo que vissem sua incapacidade para
memorizar todos os detalhes. Mas Adão não foi alguém que memorizou estes nomes
zoológicos; foi ele quem deu nomes a todos eles. Por isso sabemos quão rico e
perfeito era o poder racional de Adão. O PODER ADMINISTRATIVO DE ADÃO.
"Tomou, pois, o Senhor Deus o homem, e o pôs no jardim do Éden, para
lavrá-lo e guardar" (Gênesis 2:15). Examinando como Adão governava a
terra, vamos meditar um pouco nas coisas que Deus lhe encarregou de fazer. Deus
ordenou que ele lavrasse o jardim do Éden. Isto precisava ser feito
sistematicamente. De que tamanho era o jardim? Gênesis 2:10-14 menciona o nome
de quatro rios, a saber: Pison, Gion, Tigre e Eufrates. Todos eles fluíam do
Éden e se dividiam em quatro regiões pluviais. Você pode imaginar quão grande
era o jardim? Quão grande devia ser a força de Adão, para ser encarregado de
lavrar uma terra que era cercada por quatro rios! Ele não devia apenas
lavrá-la, mas também guardá-la; guardar o jardim para não ser invadido pelo
inimigo. Portanto, o poder que Adão tinha naquele tempo deve ter sido tremendo.
Ele deve ter sido um homem com habilidades assombrosas. Todos os seus poderes
estavam inerentes na sua alma vivente. Podemos considerar o poder de Adão como
sendo sobrenatural e miraculoso, mas no tocante a Adão, estas habilidades não
eram miraculosas e sim humanas; não sobrenaturais, mas naturais. Adão usou
todos os seus poderes naquele tempo? Pelo que pode ser visto do nosso estudo de
Gênesis, ele não esgotou seu poder. Pois logo depois de ser criado por Deus, e
mais que pudesse manifestar todas as suas habilidades, ele caiu. Qual foi a
isca que o inimigo usou para seduzir Eva? O que o inimigo prometeu a ela? Foi
isto: "No dia em que comerdes desse fruto, vossos olhos se abrirão, e
sereis como Deus, conhecendo o bem e o mal" (Gn.3:5) "Ser igual a
Deus" foi a promessa do inimigo. Ele disse a Eva que, a despeito do poder
que ela já possuía, ainda havia entre ela e Deus um grande abismo. Mas se
comesse desse fruto, ela teria a autoridade, sabedoria e poder de Deus. E
naquele dia Eva foi tentada e caiu. O PODER QUE DEUS DEU A ADÃO. Investigando
desse modo, não estamos de modo algum sendo desordenadamente curiosos; só
desejamos conhecer o que Deus deu a Adão. "E Deus disse: Façamos o homem à
nossa imagem, conforme a nossa semelhança" (Gênesis 1:26). As palavras
"imagem" e "semelhança" podem parecer iguais no significado
e daí repetitivas. Mas no Hebraico a palavra "imagem" não indica
semelhança física, antes denota semelhança moral ou espiritual. Alguém
expressou assim: "transformado na semelhança"; isto é, "ser
conformado a uma semelhança". O propósito de Deus ao criar o homem é para
que este seja transformado segundo Sua imagem. Deus queria que Adão fosse como
Ele. O diabo disse: "Sereis como Deus:" Mas a intenção original de
Deus era que Adão fosse transformado para se tornar como Ele. Disso concluímos
que antes da queda, Adão tinha nele o poder de tornar-se como Deus. Ele possuía
uma habilidade oculta que lhe tornava possível tornar-se como Deus. Ele já era
como Ele na aparência externa, mas Deus lhe tinha ordenado que fosse como Ele
moralmente (uso a palavra "moralmente" para indicar aquilo que está
acima do material, e não aquilo que aponta para a boa conduta do homem). Assim
nos é mostrado quanta perda sofreu a humanidade através da queda. A extensão do
prejuízo está provavelmente além da nossa imaginação. A QUEDA DO HOMEM. Adão é
uma alma. Seu espírito e corpo estão unidos em sua alma. Aquele poder
extraordinário que mencionamos está presente na alma de Adão. Em outras
palavras, a alma vivente, que é resultante da união do espírito e do corpo,
possui um poder sobrenatural incalculável. Entretanto, na queda, o poder que
diferenciava Adão de nós foi perdido. Agora, isto não significa que não haja
mais tal poder; apenas indica que, embora esta habilidade ainda esteja no
homem, ela está, contudo, "congelada" ou imobilizada. De acordo com
Gênesis 6, após a queda o homem se torna carne. A carne engloba o ser total e o
subjuga. Originalmente o homem era uma alma vivente. Agora; tendo caído, ele se
torna carne. Sua alma fora destinada a se submeter ao controle do espírito;
agora ela está sujeita ao domínio da carne. Por isso o Senhor disse: "Não
contenderá o meu Espírito para sempre com o homem, porque ele também é
carne" (Gênesis 6:3). Ao mencionar o homem aqui, Deus o chamou de carne;
pois aos Seus olhos era isto que o homem era agora. Por conseguinte, está
registrado na Bíblia que "toda carne havia corrompido o seu caminho sobre
a terra" (Gênesis 6:12); e também: "não se unirá com ele a carne do
homem (o óleo santo da unção, representando em tipo o Santo Espírito - Êxodo
30:32), e mais: "pelas obras da lei não será justificada nenhuma carne em
sua presença" (Romanos 3:20). Por que enfatizo isso de forma demorada? Em
Apocalipse 18 são mencionadas coisas que deverão ocorrer nos últimos dias. Eu
mostrei bem no início como a alma do homem se tornará uma mercadoria na
Babilônia algo que pode ser vendido e comprado. Mas, por que a alma do homem é
tratada como uma mercadoria? Porque Satanás. E seu fantoche, o anticristo,
deseja usar a alma humana como um instrumento para suas atividades no fim dessa
era. Quando Adão caiu no jardim do Éden, seu poder foi imobilizado. Ele não
perdeu esse poder totalmente; ele estava apenas enterrado dentro dele. Geração
sucedeu geração e o resultado foi que, está habilidade inicial de Adão
tornou-se uma força "latente" em seus descendentes. Veio a ser um tipo
de poder "oculto". Não está perdido para o homem, mas apenas
confinado pela carne. Hoje, em toda e cada pessoa que vive na terra, repousa
este poder adâmico, embora esteja confinado nela e não seja capaz de se
expressar livremente. Entretanto, tal poder está na alma de todo homem, assim
como estava na alma de Adão no princípio. Visto que a alma de hoje está sob o
cerco da carne, este poder está do mesmo modo confinado pela carne. A obra do
Diabo hoje em dia é despertar a alma do homem e liberar este poder latente em
seu interior, como uma falsificação do poder espiritual. Menciono estas coisas
porque precisamos ser advertidos com respeito ao relacionamento especial entre
a alma do homem e Satanás nos últimos dias. Já vimos como Adão possuía
habilidade especial e sobrenatural, todavia o que ele tinha realmente não era
de todo especial ou sobrenatural, ainda que assim nos pareça hoje. Adão, antes
da queda, podia exercitar com facilidade, de modo completo e natural, esta
habilidade, visto que ela estava contida em sua alma. Mas, após sua queda este
poder ficou confinado por seu corpo. Antes o corpo era uma ajuda para a alma
poderosa de Adão; agora havia caído e seu poder foi limitado pela casca da
carne. Satanás, entretanto, tenta romper esta casca carnal e liberar o poder
latente na alma do homem, a fim de obter o controle sobre ele. Muitos não
entendem esta estratégia e são enganados, aceitando-a como sendo de Deus. Livro
O Poder Latente da Alma. Abraço. Davi.
sexta-feira, 2 de junho de 2017
LIBERDADE E FÉ.
Judaísmo. Texto de Rabbi Yanki Tauber e Rabbi Lazer Gurkow. LIBERDADE E
FÉ. A festa de Pessach ((a pascoa) comemora a transição do Povo Judeu da
escravidão para a liberdade. Ano após ano, contamos no Seder de Pessach a
história relatada pela Hagadá: Os egípcios escravizaram nossos antepassados,
D’us interveio golpeando o Egito com as Dez Pragas e isso forçou o Faraó a
libertar todos os judeus. Isso resume a história do nascimento do Povo Judeu,
de forma bem sucinta. Uma pergunta óbvia levantada pela história de Pessach é
por que foi necessário que D’us punisse o Egito com dez pragas se certamente
bastaria um único golpe vigoroso. Se as pragas serviram de castigo pela
escravidão, a crueldade e o genocídio perpetrado pelos egípcios, por que razão
D’us não acabou com o Egito com uma única praga, duradoura e mortal? Uma
interpretação mais fiel do relato da Torá sobre a história de Pessach revela
que as Dez Pragas serviram a uma função mais básica: desacreditar os deuses
egípcios de modo que “vocês saibam que Eu sou D’us”. Em outras palavras, o
verdadeiro propósito das Dez Pragas não foi punir o Egito e libertar os judeus
– já que uma única praga poderia dar conta disso –, mas ensinar uma lição
fundamental aos Filhos de Israel, que estavam em vias de se tornar uma nação.
Sabemos que os egípcios adoravam a Natureza, e praticamente não há dúvidas de
que os judeus também sofriam a influência dessas crenças. Uma das divindades
mais reverenciadas no Egito era o Rio Nilo, pois era a fonte de subsistência do
país. Os egípcios eram um povo culto e sofisticado e alguns deles eram
poderosos feiticeiros – mas eram todos pagãos, não transcendentalistas. E, como
pagãos, acreditavam que as coisas eram como deviam ser: no mundo apenas havia
causa e efeito, sem lugar para anomalias. Reverenciavam a Natureza. Seus
feiticeiros podiam manipulá-la, de alguma forma: a própria Torá relata que eles
conseguiam fazer as águas virarem sangue. Mas eram politeístas que atribuíam
poderes divinos aos fenômenos naturais, aos animais e aos seres humanos. O Faraó
recusava-se a aceitar o monoteísmo (doutrina religiosa que defende a existência
de uma única divindade) e o conceito de um D’us que transcende o mundo físico.
Em contraste aos pagãos, os transcendentalistas apenas cultuam D’us. O judaísmo
ensina que somente há um D’us Único, e que não há nada, absolutamente, além
d’Ele. D’us é a única Realidade; a existência de cada um de nós e de cada coisa
que existe é completamente dependente d’Ele. Assim sendo, de acordo com o
judaísmo, as leis da Natureza são simples ferramentas nas mãos de D’us. Ele
criou a Natureza e suas leis de modo a que seu funcionamento seja ordenado. Em
uma analogia simplista: D’us emprega as leis da Natureza como um escritor se
utiliza das leis da gramática. Elas são necessárias para manter a ordem, mas às
vezes podem ser quebradas, particularmente quando o autor deseja chamar a
atenção do leitor. D’us age de maneira semelhante: Ele geralmente governa o Seu
mundo segundo as leis da Natureza, mas quando deseja acordar os seres humanos,
propositalmente as quebra. Isso é o que o judaísmo define como milagre. O
judaísmo ensina que o propósito dos milagres é nos fazer lembrar que há Alguém
além do mundo físico e de seus fenômenos naturais. A Cabalá (sistema filosófico
religioso judaico de origem medieval, séculos XII-XIII, integrando elementos
que remontam o início da era cristã. Compreende preceitos práticos,
especulações de natureza mística, esotérica e taumatúrgicas. Afirma que o
Universo é uma emanação divina, tendo grande importância a interpretação e
decifração dos textos bíblicos) nos ensina que D’us tem diferentes Nomes. Cada
um deles representa uma diferente manifestação Divina no mundo. Dois de Seus
Nomes aparecem com frequência na Torá. Um deles é Elo-him. O outro
é o Tetragrama (constituído de quatro consoantes, é o teônimo hebraico
comumente transliterado das letras latinas YHWY – o nome do D”us nacional dos
Israelitas usado na Tanakh Bíblia Hebarica). Nossos Sábios comentam que o
Nome Elo-him tem o mesmo valor numérico que a palavra hebraica HaTeva –
a Natureza. Quando D’us Se manifesta por meio das leis da Natureza – pôr do
Sol, nascer do Sol, por exemplo – Ele Se manifesta como Elo-him.
Quando Ele viola as leis da Natureza – quando ocorre um milagre – Ele está
agindo como o Tetragrama. Os egípcios eram pagãos, mas não eram descrentes:
acreditavam em inúmeras divindades e também em Elo-him – um
D’us iminente, mas não transcendente. Eles não acreditavam em um D’us
transcendental, infinitamente além da Natureza. Considerando o acima exposto,
podemos entender a necessidade das Dez Pragas. Se D’us tivesse pretendido
arrebentar o Egito, Ele, o Onipotente, teria aniquilado instantaneamente todos
os egípcios. Se fosse sua intenção puni-los, Ele poderia tê-lo feito com uma
única praga terrível e duradoura. A razão para as Dez Pragas foi que, enquanto
escravos, os judeus tinham sido muito influenciados pelo Egito e seu povo; e,
portanto, precisavam aprender que a Natureza é um mero pincel nas mãos do
Artista Supremo. D’us virou as leis da Natureza de cabeça para baixo para
mostrar aos judeus – e para ensinar à humanidade – que Ele não está limitado
pelas próprias leis por Ele criadas. O judaísmo admite que D’us geralmente age
segundo as leis da Natureza. De outra forma, o mundo seria caótico. Imaginem se
a lei da gravidade parasse de existir ou fosse aplicada apenas de forma
intermitente. Imaginem um mundo onde a órbita do sol fosse randômica e
irregular. Mas o judaísmo também ensina que as leis da Natureza não são
absolutas e imutáveis, pois são meras ferramentas Divinas, sempre sujeitas à
vontade de D’us. Não é coincidência o fato de as Dez Pragas terem visado àquilo
que os egípcios endeusavam. O Nilo (rio mais extenso do mundo com 6.853 km,
situado no nordeste do continente africano; sua nascente está a sul da linha do
Equador, ocorrendo sua foz no Mar Mediterrâneo) – divindade preferencial – vira
sangue. O solo se reveste de animais peçonhentos. Dos céus cai um dilúvio de
granizo que contém fogo. A luz do dia se transforma em total escuridão. À
medida que as pragas se abatem sobre o Egito, seu povo percebe que a Natureza é
subitamente transformada de uma divindade confiável em vilã caprichosa,
imprevisível e perigosa. De repente, a Natureza, que eles adoravam, se virava
contra eles, e, mais estranho ainda, não contra os judeus. Compreender que a
Natureza nada mais é do que uma ferramenta Divina foi de crucial importância
para o Povo Judeu. Tirar os judeus do Egito não significaria a verdadeira
liberdade se eles tivessem levado o Egito com eles. Eles teriam sido escravos
em fuga, doutrinados por seus senhores e por uma cultura pagã. Remover os
judeus do Egito não teria sido a verdadeira liberdade. Foi necessário também
remover o Egito que havia dentro dos judeus. E para fazê-lo, os judeus tiveram
que testemunhar a destruição dos deuses egípcios: tiveram que ver que o
paganismo egípcio era um blefe e que a verdadeira Divindade no mundo não está
limitada nem pela Natureza nem por nada mais. Somente quando o paganismo do
Egito foi realmente arrancado de seu coração, os Filhos de Israel puderam
seguir para o Monte Sinai e ouvir a Voz de D’us e receber a Torá (a lei mosaica
compreendendo os cinco primeiros livros da Bíblica: Gênesis, Êxodo, Levíticos,
Números e Deuteronômio. Também chamado de Pentateuco pelos cristãos). E somente
então eles entenderam – e puderam ensinar ao mundo – que a Natureza não deve
ser cultuada, e que aquele que o faz está trocando os meios pelos fins. Os
judeus tiveram que entender que o mundo e tudo que ele contém – mesmo as mais
confiáveis leis da Natureza – são apenas a tela, a tinta e o pincel nas mãos de
um Artista Infinito, Onipotente e Onipresente. Uma das lições fundamentais das
Dez Pragas é a que diz que quem adora as leis da Natureza – e não importa,
realmente, se for um egípcio pagão ou cientista ateu – não é uma pessoa
realmente livre, pois não deixa espaço para o inesperado – para uma intervenção
Divina que viole as leis da Natureza. Como mencionamos acima, e isso deve ser
repetido tantas vezes quantas necessário for: o judaísmo não rejeita as leis da
Natureza nem recomenda uma solução celestial para cada problema. Rejeita, sim,
qualquer forma de panteísmo, inclusive a crença de que D’us é a Natureza e a
Natureza é D’us. O judaísmo ensina que é D’us e não a Natureza quem dita de que
maneira o mundo funciona. A Torá ensina que D’us é tanto iminente quanto
transcendental: Ele é encontrando na Natureza, que Ele criou e constantemente
mantém, mas Ele também Se encontra infinitamente além da mesma. A festa
de Pessach celebra a passagem da escravidão para a liberdade.
A formidável história que lemos durante o Seder nos ensina que
o primeiro passo para a liberdade é uma visão e um entendimento mais precisos
do funcionamento do mundo. Todos os que rejeitam o transcendental – que apenas
creem no material e não no espiritual, e que não podem ou não querem reconhecer
a falibilidade das leis da Natureza – ainda não alcançaram a verdadeira
liberdade interna. Independentemente de que religião organizada a pessoa siga,
essa pessoa apenas se torna verdadeiramente livre quando ela descobre que sua
vida – e o mundo, em geral – não é ditada pelas inflexíveis e imperdoáveis leis
da Natureza, mas por um D’us Infinito e transcendental, que, em Sua Infinita
Sabedoria, dobra e flexiona as leis da Natureza segundo a Sua Vontade. A DIVISÃO DO MAR. Lemos na Hagadá (texto utilizado para o serviço da
noite do Pessach, contendo a leitura da história da libertação do povo de
Israel do Egito, conforme descrição no livro do Êxodo) de Pessach que,
apesar das Dez Pragas enviadas sobre o Egito, nosso povo não ficou livre ao
sair desse país. Conta-nos a Torá, no Livro Êxodo, que após a décima e última
praga, o Faraó permitiu que os judeus deixassem aquele país, mas ele mudou de
ideia e ordenou a seu exército que fosse atrás deles e os trouxesse de volta.
Os judeus adquiriram a liberdade física do Egito uma semana após o Êxodo, no
episódio do Mar de Juncos, quando as águas dividiram-se, por milagre –
permitindo que os judeus cruzassem o mar em terra seca, para depois retornar a
seu estado anterior, afogando os egípcios. São claras as diferenças entre as
Dez Pragas que se abateram sobre o Egito e a divisão do Mar. Quando os Filhos
de Israel estavam no Egito, Moshé e seu irmão Aaron, emissários de D’us, confrontaram
o Faraó e seus feiticeiros e soltaram as pragas contra os egípcios, enquanto o
restante dos judeus olhava passivamente o desenrolar dos milagres. No entanto,
no episódio da divisão do Mar, todos os judeus foram colocados diante de um
grande teste de fé. Eles tinham fugido do Egito, mas o exército desse país os
tinha alcançado. Eles tinham sido pegos numa emboscada: diante deles estava o
Mar de Juncos, profundo e intransponível, e atrás dele estavam poderosas forças
armadas, prontas para capturá-los e matá-los. A Torá nos conta que Moshé,
diante de uma situação aparentemente impossível, clamou a D’us por ajuda. Mas
em vez de responder com um milagre, como fizera no Egito, D’us o censura: “Por
que clamas a Mim? Diz aos Filhos de Israel que sigam adiante!”. Mas como
poderiam avançar quando havia aquele mar colossal diante deles? Note-se que
Moshé (Profeta Moises – o libertador do povo de Israel da escravidão no Egito,
de aproximadamente 430 anos - conforme Êxodo 12,40) não faz essa pergunta e D’us tampouco lhe dá
instruções. D’us apenas lhe diz para seguirem adiante, e assim eles o fizeram.
Aqui segue o próximo passo para a verdadeira liberdade: esta é adquirida não
apenas abraçando-se o transcendental, mas também quando se consegue seguir em
frente, apesar dos contratempos aparentemente impossíveis de serem
vencidos. A liberdade é a crença de que se D’us dá uma ordem, Ele dará ao
homem os meios para cumpri-la. Quando D’us diz a Moshé para ordenar que os
judeus sigam em frente, o profeta levanta seu cajado – o mesmo que ele usara no
Egito para desencadear as pragas – mas nada acontece: o mar continuou como estava,
assim como o exército egípcio. Não se viu salvação nem milagre algum.
Finalmente, um homem de nome Nachshon ben Aminadav, líder da Tribo de Judá, se
atira no mar. Foi avançando com dificuldade pela maré alta até que as águas
chegaram à sua cintura, depois ao seu peito e aos seus ombros. Finalmente,
quando as águas chegaram às suas narinas, o Mar de Juncos se dividiu e os
Filhos de Israel o seguiram. O Midrash cita várias razões
pelas quais o Povo Judeu mereceu que o Mar se dividisse. Segundo alguns de nossos
Sábios, isso ocorreu pelo mérito da profunda fé e confiança inabalável de
nossos antepassados em que D’us os protegeria. Em outras palavras, o Mar se
dividiu porque os judeus tinham fé. Qual a conexão entre fé em D’us e a divisão
do Mar? O que foi discutido sobre a Natureza esclarece esse assunto. A Natureza
– como os egípcios descobriram depois de muito sofrimento – está sujeita a
mudanças radicais. É muito mais imprevisível do que pensa a maioria das
pessoas. De fato, todas as coisas criadas, que vivem dentro dos limites do
tempo, estão sujeitas à mudança. Até mesmo as rochas estão sujeitas ao
desgaste. O homem, também, está sujeito a constantes mudanças. Como ensinou
o Maharal de Praga (Seu nome é Judá Loew bem Betzalel
(1512-1609). Foi uma importante referência no estudo do Talmud, Cabalá e
filosofia, servindo como Rabino-Chefe em Praga – atual República Tcheca, a
maior parte da sua vida) a única constante em nosso mundo em constante
transformação é D’us. O homem, no entanto, tem a oportunidade de copiar D’us.
Nossa fé e confiança n’Ele, quando são reais e não meras palavras vazias,
manifestam uma medida de Seu caráter imutável. Em outras palavras, quando
verdadeiramente temos fé em D’us, de certa forma personificamos o Divino.
Quando o Povo Judeu se aproximou das águas com fé em D’us, as águas perceberam
neles uma medida do Divino. Como um ser criado – no caso, o Mar de Juncos – não
pode opor-se ao Criador, esse ser instintiva e espontaneamente recua perante o
povo que personifica o Divino. Ao compor o Salmo 114, o Rei David referia-se a
isso. Vejamos: “Viu-os o Mar e fugiu (...)”. O Midrash (termo hebraico referente:
a história, investigação e estudo. É um método homilético – pregação ou
formação textual da exegese – interpretação crítica bíblica. O termo também
se refere à compilação integral dos ensinamentos da Tanakh – Bíblia hebraica) pergunta:
O que viu o Mar e de quem fugiu? E responde: Viu divindade refletida no braço
estendido de Moshé, e fugiu de sua posição como um obstáculo no caminho de
D’us. Mas isso levanta uma pergunta óbvia: Por que o Mar esperou que Nachshon
ben Aminadav se atirasse n’água, até que esta chegasse às suas narinas, para
retroceder? A resposta é que o Mar estava esperando que o Povo Judeu
expressasse sua fé por meio da ação. Acreditar em D’us – mesmo com fé e
confiança genuínas – não era suficiente. O Mar exigia uma demonstração externa
de sua fé. Era necessário que alguém a pusesse em prática. A fé é uma qualidade
da alma. Nós, judeus, somos chamados de “pessoas de fé, filhos de pessoas de
fé”. A fé em D’us sempre existe dentro de nós, mesmo dentro daqueles que a
neguem e tentem lutar contra ela. Mesmo quando alguém tenta negar sua fé, sua
alma continua a crer. Mas D’us não se satisfaz com a fé interior oculta. A fé
tem que ser exercida. Tem que levar à ação. Não basta crer: é preciso agir de
acordo com suas crenças, especialmente quando estas estão dentro da essência da
pessoa. D’us nos desafia a atiçar as chamas de nossa fé silenciosa para que ela
possa desenvolver-se. A fé que permanece oculta no coração de alguém é
silenciosa. Não tem como impactar o mundo físico a não ser que seja expressa na
prática. Foi por esta razão que as águas do Mar de Juncos aguardaram – aguardaram
até que os judeus dessem expressão física à sua fé. Nachshon ben Aminadav,
líder da tribo de Judá, ancestral do Rei David e do Mashiach,
personificou a liderança: adentrou nas águas do Mar sem esperar por um milagre,
expressando, assim, a fé que o povo tinha dentro de seu coração. Ao assim
fazer, mesmo arriscando a vida, as águas se dividiram. A fé está muito
entrelaçada com a verdadeira liberdade. Chegam mesmo a ser sinônimos na medida
em que dá ao homem a força e a determinação de agir apesar dos obstáculos –
reais ou imaginários. Todo ser humano é capaz de atingir o nível de devoção
expressa por Nachshon ben Aminadav, pois quando o homem decide realizar a
Vontade de D’us – fazer o que é certo neste mundo – D’us lhe fornece a maneira
de vencer os obstáculos. Pessach – festa da liberdade – nos ensina
que se um judeu está seriamente comprometido a andar pelos caminhos de D’us, da
Torá, da justiça e da honradez, o Altíssimo lhe dará a força e a possibilidade
de assim o fazer. Como no Mar de Juncos, os obstáculos recuarão, cedo ou tarde,
permitindo-lhe uma passagem livre e desimpedida. www.morasha.com.br. Abraço. Davi.
quinta-feira, 1 de junho de 2017
VI. CHAMA ETERNA.
Espiritismo.
Texto de Luiz Sérgio. Psicografado por Irene Pacheco Machado. Capítulo 21. AS
LIÇÕES DO RENASCER E MORRER. Ouvindo aquela palestra sobre a mulher, recordei os
últimos acontecimentos terráqueos, quando os Raiozinhos de Sol se defrontaram
com fatos bem tristes da decadência do ser. Nunca se viu tanto desrespeito à
figura feminina! Esta se expõe, como se fosse um artigo de baixa categoria,
esquecendo que o que encanta e deixa extasiado é a beleza da alma, que se despe
das imperfeições à medida que se depura. A mulher, na sua sensibilidade,
deveria perceber o ridículo de seus gestos impensados. Estava tão absorvido em
julgar, que quase perdi a exposição do mesmo médico que agora apresentava uma
aula com slides. Vimos primeiramente a chegada dos encarregados do Departamento
da Reencarnação em uma cidade, ou melhor, colônia. No centro, víamos edifícios
de três andares onde operavam os setores do departamento reencarnacionista,
todos repletos de irmãos trabalhadores. As casas, muito lindas, mais pareciam
chalés todos floridos. Nem é preciso dizer que eu me encontrava quase sem
fôlego, tal a minha curiosidade. Samita segurou-me a mão, carinhosamente;
sorri-lhe, dizendo: - Obrigado por ter-me trazido. Sadu me sorriu. Continuamos
vendo os slides. Um dos médicos foi até o Departamento de Pessoal e pediu a
ficha 2.984. Nome: José Garibaldi de Aquino, 24 anos. Última encarnação:
engenheiro. Voltou à terra como filho de fulano de tal. Aí apareceu um jovem
casal que durante o sono era consultado pelos espíritos encarregados. No
início, eles alegaram falta de dinheiro, mas logo concordaram em receber José.
Quando consentiram foi feita a apresentação. A jovem não aceitou José de
maneira alguma - ele lhe deixou uma sensação de desespero. Foi nos mostrada a
outra encarnação de José: ele e Lilian haviam sido inimigos; sempre brigando
com ela, não deixou que o seu atual marido a desposasse, chegando mesmo a
conseguir a separação dos dois. Mais uma vez os encarregados tudo fizeram para
que Lilian aceitasse José, mostrando-lhe a necessidade dessa união como mãe e
filho. Todo esse trabalho foi realizado em dois anos, até o dia em que José foi
ligado ao útero de Lilian. Esta, no início, passou muito mal; seu organismo
rejeitava a vibração do antigo desafeto. Mas Leocádio, seu marido, mostrava-se
radiante. Nesse mesmo filme, acompanhamos a luta de José, indo todos os dias ao
Departamento para cuidar do seu períspirito que, pouco a pouco, ganhava a
flexibilidade necessária para voltar à condição de criança. Durante os meses de
namoro de José com seus pais, os encontros eram feitos nesses chalés, onde
casais capacitados instruíam-nos. Assistimos não ao crescimento natural da
criança, mas à sua regressão. Ali estava um homem adulto que gradualmente ia
adormecendo a própria consciência, fato bastante delicado e principalmente
digno do nosso respeito. Não é fácil para um espírito voltar à condição de
feto; é algo muito belo, mas que exige também muita coragem. Finalmente
chegamos ao parto. Vimos José chorando no colo de Lilian; e esta, que em dois
anos aprendeu a querer-lhe, abraçava-o com amor, dizendo: - Meu filhinho
querido! Os mensageiros foram-se retirando pouco a pouco. Mas José ainda
pertencia à casa dezoito e notamos que um elo de vibração os colocaria sempre
ligados. O chalé dezoito só cessaria de emitir vibração após José ter
completado sete anos de idade. Até lá, ele receberia as orientações
necessárias. Tivemos quinze minutos de intervalo. Como permaneci calado, Sadu
estranhou. - 0 que aconteceu, Sérgio? Você não é de ficar quieto (...). E que
estou a pensar: e com o bebê de proveta, como se faz? - Da mesma maneira os
pais são consultados. O importante é quem vai ser o responsável pela hospedagem
do viajante. - E esses pais, não há perigo de incorrerem no crime do aborto, não
é mesmo? (...). - Estava demorando a dar uma das suas! Eu já me encontrava
preocupado. Acendeu-se uma luz amarela e nos acomodamos nas respectivas
cadeiras. O mesmo médico da palestra nos apresentou um filme, onde uma senhora
de trinta anos estava sendo levada à Espiritualidade para conhecer o futuro
filho e, triste, constatou que, apesar de ser um espírito muito seu amigo,
teria deformação perispiritual. Essa senhora foi até o chalé quarenta e cinco e
nele encontrou esse espírito cujo perispírito se encontrava bastante deformado.
Chorou ao vê-lo: os dois se reconheceram. Voltando do sono, manteve-se mais
vigilante: tinha horror de engravidar. Seu marido era indiferente, do tipo
"tanto faz como tanto fez". Mas Iolanda vivia intrigada; era só dormir
e lá ia ela para a Colônia Divina e, no chalé, encontrava-se com seu antigo
amor. Sei que, mesmo tomando as devidas precauções, nossa amiga um dia se viu
ligada a Henrique e se desesperou. Julgando-se doente, procurou um clínico e
este lhe revelou a gravidez, que já atingia o terceiro mês. Iolanda não
apresentara nenhuma alteração no ciclo menstrual e, sim, apenas algumas
modificações no corpo. Quando voltou para casa, desejou morrer; algo a
desesperava. 0 marido tentou convencê-la, todavia ela não queria mais filhos.
Alegava: - Já tenho dois! Percebemos a dor não só de Iolanda, mais ainda do
reencarnante que, já vivendo sem os fluidos da mãe, viu-se esmagado pelo
desespero da mesma. Acompanhamos Iolanda sendo violentada por um profissional
sem alma. No instante em que tentava matar o feto, este, alucinado, ia ficando
sem ar; por mais que o chalé quarenta e cinco emitisse a energia do amor, o
ódio o sufocava. Foram terríveis aqueles minutos da separação de dois seres que
precisavam ficar juntos. Ao ser consumado o aborto, a entidade nos pareceu
morta; ela jazia ao lado daquele material usado para o crime. Era como se as
gazes e os algodões tivessem alma, pareciam chorar. Fixei os olhos e mais
tranquilo fiquei quando percebi aquela forma fetal diminuta sendo recolhida em
um aparelho apropriado e cercado do mais rigoroso cuidado. Só que o espírito
não se conformava: gemia, em desespero. Se alguém olhasse aquela bola de sangue
diria: "nem estava formado"; mas nós percebíamos ali um corpo humano
já completo. Víamos o perispírito reduzido quase ao nada na esperança de ser
tudo, através da oportunidade do reencarne. Era uma vida retardada, um trabalho
jogado fora por uma mulher que prometera um dia ser útil a Deus e ao próximo. 0
filme continuou e acompanhamos o feto sendo levado para o chalé e ali esperar o
retorno ao normal ou outro descuido da futura mãe, para reencarnar. Confesso
que nesse instante me indaguei se ela o impediria novamente. "Não, seria
castigo demais para ele", concluí. Voltamos a presenciar a luta dos encarregados
a convencê-la a receber o filho. Novas conversas e o entrosamento de Iolanda
com o espírito. Ela dizia: - Não quero um filho anormal! Mas, por fim, o
aceitou de volta. Respiramos aliviados. Só que durou pouco: logo presenciamos
mais uma vez o espírito ser impedido de nascer e desmoronar o trabalho de toda
uma equipe que tem a responsabilidade de trazer um espírito à terra. Pensei
comigo: se não fosse um filme, eu gostaria de acompanhar a gestação desse
espírito na Espiritualidade. E foi com alegria que o médico nos presenteou com
os fatos do seu crescimento. De volta ao chalé, a forma reduzida recebeu um
tratamento especial. Ficou em uma encubadoura, onde paulatinamente foi voltando
à forma antiga. Nesse processo, o que mais demora é o despertar da consciência.
E muitos sofrem demais nesse período. O médico nos mostrou Iolanda no seu
dia-a-dia: mulher de corpo escultura!, muito vaidosa, relutando em receber o
filho simplesmente porque este vinha com um defeito físico. Era demais para
ela! Só que o espírito que seria seu filho, no passado lhe fora muito querido e
os dois erraram juntos, por isso a volta. Ele teria de sofrer ao seu lado.
Decorrido algum tempo, lolanda foi vítima de um acidente e se tornou deficiente
física. Os seus dias se tornaram muito tristes porque o marido e os filhos não
encontravam tempo para ela. lolanda às vezes chorava, julgando-se castigada,
não sabendo ela que, mesmo com o filho que rejeitara, passaria pelo que passou.
Os dois, juntos, uniriam as dores e estas seriam mais brandas. Você irá me
perguntar: como lolanda cuidaria do filho, ficando também deficiente? Torno a
dizer: um ajudaria o outro e ela não pagaria suas dívidas sozinha. Voltou o
filme a focalizar a Colônia, e Henrique, o filho rejeitado, era agora já
adulto. Já se haviam passado quinze anos, mas continuava ali na Colônia e se
preparava para ser o neto de lolanda. Queira Deus que ele o consiga. O médico
nos esclareceu: - Temos aqui espíritos esperando há vários anos e muitos são
obrigados a reencarnar em famílias estranhas, mas que com o tempo ficarão
amigos dos escolhidos por Deus para reuni-los. Muitas vezes são até adorados,
mesmo não sendo parentes. Pensei: é o caso de adoções; e quantos adotam
excepcionais! O filme terminou e gentilmente fomos convidados a visitar a
Colônia da Vida. Dei um salto na cadeira, de felicidade. São bons, muito bons,
os slides, mas, pelo meu temperamento, gosto mais de assistir ao vivo. É mais
gratificante. Só que tem um porém: será que o Sadu vai me levar? Eu não sou
médico. . . Olhei os amigos suplicante. Eles se entreoIharam e me estenderam as
mãos, dizendo: - Até outro dia, irmão Luiz Sérgio. Foi muito bom tê-lo conosco.
Nós amamos você. Podem imaginar a minha cara de tristeza! Eu gostaria tanto de
ir com eles (...). Mas, deixa prá lá, a gente só tem o que merece; talvez eu
não seja digno de conhecer os mistérios divinos. Fui saindo devagar, olhando os
meus passos e contando-os: - Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito
(...). Da porta, alguém me chamou: - Luiz Sérgio, és esperado no Jardim da
Prece. Ia perguntar onde ficava, mas logo me foi indicado o lugar. Saí sem ao
menos agradecer, tão contente fiquei, voltando ligeiro ao me aperceber disso.
Ele sorriu, sacudindo a cabeça. Falei: - Perdão, amigo, às vezes esqueço os pequenos
gestos. Muito agradecido. Qual é mesmo o seu nome? Ele respondeu: - Najary.
Como vocês devem calcular, meus primeiros passos eram bem ligeiros, mas logo me
certifiquei de que não era necessário correr, e fui caminhando bem devagar até
chegar ao local. O jardim era indescritível. Não encontro no vocabulário
terrestre palavras para descrever tanta beleza. As flores só faltavam falar; as
rosas eram de belíssimos e raros matizes; as folhagens divinas. Pensei: A
Zildinha iria adorar algumas dessas mudas. E anotei no meu caderninho esta
pergunta: por que não temos no mundo físico tanta beleza? Falando do jardim,
esqueci-me até de ver quem estava me esperando e corri o olhar pelo pátio, onde
um espelho d'água o circundava. Os miosótis pareciam mais ainda os olhos de
Maria, de tão azuis. Eram belíssimos e compunham o círculo de água. Dentro
dele, várias flores aquáticas. Nisso, ouvi alguém me chamar: - Sérgio! Virando,
defrontei-me com Eliette, uma senhora de meia-idade, que me sorriu, dizendo:
Seja bem-vindo. Pode acompanhar-me - dali saímos, ou melhor, buscamos um
bangalô que se via mais além. Quando chegamos, já se encontrava lá uma turma de
cinco pessoas. Comigo e Eliette, sete. Muito ternamente cumprimentei-os e
fiquei mais feliz quando vi Sadu, Samita e Carlos. Apertei os lábios, porque
estes tremeram de emoção. Sadu, aproximando-se, disse-me: - Não te convidei
porque não tinha autoridade para fazê-lo. - Deixa prá lá, amigo, eu o
compreendi. E quem foi que acreditou em mim? Respondeu Samita: - Jesus. - Ainda
bem que Ele também meus grandes companheiros. é meu amigo, assim como vocês, -
Continuas o mesmo, não, Sérgio? Ali ficamos ainda alguma horas, e quando nos
retiramos percebi que um dos componentes do grupo ficava sempre isolado. Ele
possuía um braço paralisado e isso me chamou a atenção. Busquei conversar com
ele e gostei muito; era portador de uma educação aprimorada e rara
inteligência. Foi um grande cientista e agora ali estava ao nosso lado. Seu
nome: Sexton. Ele parece ter gostado de mim também, pois logo foi-me ofertando
sábias lições. Disse-me como seremos felizes no dia em que o homem se tornar um
homem verdadeiro: Até aqui estamos buscando ser gente. Quando purificar o seu
corpo espiritual, por processos físicos e mentais, o homem não mais terá por companhia
as suas formas-pensamento negativas. Ele não será dominado pelos prazeres de
alguns dos seus corpos, porque o seu espírito irá reinar, como dono absoluto.
Mesmo encarnado, o homem já vai dando trato novo ao seu próximo corpo, isto é,
ao da próxima encarnação. Se um encarnado esta abusando da liberdade de viver,
os seus corpos é que sofrerão as consequências. Ao aqui chegar nada podem
exigir por terem sido os arquitetos de seus corpos e cada espírito possui o seu
tesouro de lembranças. Sabemos que várias vidas já tivemos e se hoje ainda nos
sentimos pesados, encontrando dificuldade para nos locomovermos, a culpa é
nossa, somente nós podemos livrar-nos dos corpos pesados e defeituosos que a
nossa capa mental foi confeccionando no decorrer de nossas reencarnações. Temos
conhecimento de que ao sermos criados éramos inocentes; nossos corpos eram como
uma placa branca, apenas com algumas tendências, trazidas dos reinos por onde
passamos, mas a nossa inteligência aprimorou-se com a liberdade. Donos dela, inicia-se
o trabalho errado da nossa casa mental; desequilibrada pelo orgulho, pela
vaidade, pelo egoísmo, pela cólera, vai lentamente plasmando formas-pensamento,
que se alojam em nosso corpo etéreo e este vai ficando coberto por sombras
corporais; mas apenas sombras sem vida. São os chamados fantasmas do nosso
espírito. Podemos perceber do quanto somos capazes e, infelizmente, usamos mal
o nosso poder, motivo pelo qual até hoje nos encontramos mal vestidos, enquanto
outros irmãos já ganharam a liberdade - estes permaneceram limpos, ou melhor,
aos seus corpos, simples e inocentes, acrescentaram, em vez de orgulho, a
bondade, o amor, a paciência, a verdade, o perdão, a humildade. Pouco a pouco
foram-se aproximando de Deus. Outros, mesmo os falidos, puderam ficar livres
desses corpos-pensamento, só foi preciso uma luta contínua pela purificação. O
ideal seria ficarmos livres da tirania dos sentidos. Se hoje o meu corpo está
mutilado, a culpa é minha, eu me concentrei por demais nele e o moldei de
maneira errada. Minha inteligência foi usada para decompor corpos ainda
latentes, ou melhor, óvulos fecundados. Enquanto os encarregados do
Departamento da Reencarnação trabalhavam, o meu invento cooperava para o não
nascimento. Tratava-se de um processo brando de matar. Não quero justificar os
meus erros, mas diante de tantos crimes hoje praticados, vejo que o meu foi
primário, já que se assassina fetos ou bebês, muitos com até seis meses de vida
uterina. Quis perguntar ao meu novo amigo o porquê do braço seco. Ele me sorriu
e continuou: - Quando plasmei o meu corpo etéreo para a próxima encarnação -
que será breve - não consegui purificar o local de onde partiram vibrações
contrárias às leis de Deus. E por mais que eu tentasse, através do meu saber,
no momento exato a minha consciência ficava como anestesiada - penso eu que de
vergonha. Apesar de estudar muito e procurar conhecer os segredos dos corpos,
não tenho capacidade para dar movimento a esta parte do meu corpo, onde eu
próprio dispersei os fluidos divinos e nele plasmei a dor e a morte. - Até
quando o irmão ficará assim? - Retornando à terra, terei de, através de uma
vida digna, ir preparando o meu próximo corpo, o que só é possível pela prática
de nobres atos. Deus me ofertou nova oportunidade no campo médico, onde espero
ajudar o homem a se tornar livre dele mesmo e, ainda encarnado, pretendo
desintegrar esta forma escura e vergonhosa do meu corpo perispiritual. Por
baixo deste braço imóvel encontra-se outro: o lindo e útil, que Deus me deu. -
Então, quem tem um defeito físico está somente coberto por uma forma-pensamento
que ele confeccionou através de atos indignos? - Sim, nós a fabricamos. E uma
veste que teremos de vestir e, um dia, desvestir. - E quem. Desculpe mais uma
pergunta: e se, no decorrer das nossas vidas, embora gravada na consciência a
veste deformada, nós lutarmos para sermos bons, caridosos, amigos, enfim,
humildes, esta veste não se desintegra? - Sim, Sérgio. Disse Jesus: Só o amor
cobre a multidão de pecados. Nesses casos, nós já estamos preparando a nossa
próxima veste e, se a velha estiver tomando espaço, ela se desintegrará.
Portanto, amigo, precisamos, e muito, de nós mesmos. Não adianta desejarmos nos
enganar. A vida é contínua e a morte é o remédio da própria vida; ela é que dá
ao espírito o passaporte para novos mundos, onde encontramos oportunidades para
desintegrar os nossos corpos defeituosos e os belos ficarem mais etéreos.
Portanto morrer é viver em qualquer plano. - Espere aí, irmão, não ria da minha
pergunta, mas eu me coloco sempre no lugar dos meus amigos leitores. Se nós não
podemos impedir um nascimento, por que os médicos terráqueos podem impedir o
espírito de voltar ao mundo espiritual, que também é um renascimento? Ele me
sorriu, olhando-me fixamente - não sei se me achando ignorante - mas logo
respondeu: - São situações diferentes. Um, precisa nascer para purificar-se;
outro, precisa voltar para se preparar para nascer de novo e Deus colocou a
Medicina para cuidar do corpo físico. Não nos esqueçamos de que ele é uma veste
que precisa ser escovada, lavada e bem cuidada. Por ser desgastável, precisa de
cuidados especiais. E sabes que mesmo sendo o corpo físico muito bem assistido
por grandes médicos, na hora da morte tudo se torna inútil. E a lei do
regresso. - Mais uma. Posso? Ele sorriu, permitindo-me. - E por que Deus não
faz com que se torne impossível qualquer agressão ao ser que vai nascer? -
Lembra-te, Sérgio, de que o corpo físico pertence ao plano físico, e ao homem
foi dado o direito de conhecê-lo. Portanto, como pode Deus levar o homem de
novo à era primitiva, quando a medicina era precária ou não existia? Se a mãe
não desejar o filho, torna-se impossível atuar a vontade divina. E a lei
democrática de Deus. O Pai é bom, disse Jesus, mesmo sofrendo Ele não nos
maltrata. Sadu, Carlos e Samita, ao meu
lado, participavam da nossa bela conversa sobre renascer e morrer. Contemplei
os meus amigos e me senti o ser mais feliz do Universo, porque Deus é meu Pai e
eu jamais serei órfão. Baixei a cabeça, cerrei os olhos e orei: Pai, sois
bondade infinita e graças ao Vosso perdão estou eu no caminho de mais um
trabalho, onde tenho encontrado grandes almas. Eu Vos amo, Senhor. Capítulo 22.
DE VOLTA AO MEU PASSADO. Com que carinho fitava os meus companheiros! Sadu,
Samita e Carlos recordavam-me o início do meu trabalho junto aos Raiozinhos de
Sol. Rimos muito das minhas ratas. E assim, chegamos ao local esperado: um
prédio enorme, de dois pavimentos. Pensei que iríamos entrar, mas só recebi
permissão para fazê-lo acompanhado do amigo Cinaro. Compreendi que os outros
teriam aulas sobre medicina. Despedimo-nos, para nos reencontrarmos, mais
tarde, na Casa da Vida. Cinaro, que até aqui não havíamos citado, endereçou-me
um sorriso meio desconfiado. Foi o bastante para eu lhe querer bem. - Vamos
primeiro à recepção, disse. E para lá nos dirigimos. Ninguém havia para nos
recepcionar, só um pequeno aparelho, que lembra uma calculadora. Cinaro digitou
os nossos nomes e logo a porta se abriu, surgindo à nossa frente um corredor
bem longo, ladeado de portas numeradas. Diante de uma delas, ele apertou a
campainha e nos atendeu uma bela senhora, que indicou um arquivo cujas fichas
nos eram fornecidas através de botões. Cinaro perguntou-me se eu desejava saber
como se efetuara a reencarnação de famílias conhecidas ou pessoas sem qualquer
vínculo comigo. Pensei, pensei e respondi: - De pessoas estranhas - achei mais
digno. Não me sinto com o direito de abrir cofres alheios. - Vamos, então,
pedir este aqui: Homero Estrada. Quando a ficha nos foi entregue, Cinaro
colocou-a em um computador, que foi, imediatamente, projetando o filme de
Homero. Curioso (...). Sabe, amigo, sempre julguei que nossas vidas fossem
cartas marcadas. - Explique-me. - Por exemplo: Luiz Sérgio, filho de Júlio e
Zilda. Com tantos anos teve sarampo, com tantos dor de dente, com tantos
encontrou a namorada e com tantos morreu. - Irmão, nós somos gente e não
fantoches. O dia-a-dia a nós pertence; poucas horas de nossas vidas são de
pagamento de dívidas. Se na Terra encontramos meios suaves de pagarmos,
imaginemos junto a Deus. Todavia, poucos transformam a moeda pesada da culpa em
atos nobres de renúncia. E assim, fomos vendo porque Homero teve de nascer na
família escolhida. Assistimos a um desenrolar de fatos, todos catalogados, o
que nos levou a compreender o valor de cada encarnação. Para Homero poder
voltar à carne, levou vários espíritos a pesquisas constantes dos fatos de suas
vidas. E um jogo de números onde se soma, divide, multiplica, e ainda se faz a
prova dos nove para ver se tudo está certo. Homero, em uma encarnação antes de
Cristo, esteve na Grécia e lá era pastor de ovelhas. Homem duro, aborreceu-se
com seu vizinho e o matou. Duas encarnações adiante, opôs-se a reencontrar seu
desafeto. Só muitos anos depois voltaram a se encontrar, mas relutaram em ser
amigos. E a outrora vítima de Homero o feriu, matando-o, não para cumprir uma
lei, que muitos chamam de karma. Se a vítima de Homero recebesse essa tarefa,
Deus não seria Deus, Ele só ensina o amor e o perdão. O inimigo de Homero vingou-se,
porque também não era bom. E Homero, mesmo tendo sido assassinado, não se viu
livre do crime cometido. - Pára aí, Cinaro. Minha cabeça deu um nó, nem consigo
mais saber onde me encontro! Ele sorriu gostoso e continuou projetando o filme.
Vimos novamente Homero e Simplício lutando para usar o perdão. Os dois, mais
uma vez, se reencontraram fora dos meios familiares e Homero buscou, através do
casamento com a filha de Simplício, a aproximação do sogro. Simplício
continuava odiando Homero, que também não via com bons olhos o feroz sogro.
Acompanhando a vida de Homero, constatamos o quanto Deus é bom, pois a
paciência é uma das leis de Sua doutrina de amor. E assim, em mais uma
encarnação, os dois se defrontaram, agora como pai e filho. Como sempre, Simplício
e Homero não se entendiam. Mas foi no meio familiar, ora como pai e filho, ora
como irmão, sogro, tio, avô, que Homero e Simplício vieram a ser bons e
inseparáveis amigos. Chorei ao presenciar aqueles dois homens, lutando um pelo
outro. Não só aquelas vidas ficaram acertando as contas; outras, que a elas se
juntaram, também foram peças marcantes e, nesses reajustes, novas faltas esses
espíritos cometeram. O planejamento reencarnatório sempre procurava ajudá-los
da maneira mais branda, entretanto, assim mesmo eles reclamavam das provas.
Quando terminamos de estudar a vida de Simplício e Homero, examinamos outra
ficha e sentimos a grandeza de Deus e dos operários que trabalham no difícil
planejamento familiar. Ao sairmos daquele local, cujos computadores são as
maravilhas do século XX, falei ao meu amigo: - Sempre imaginei que, se eu lhe
mato, amanhã, você ou outro faz-me o mesmo. Somente hoje compreendi melhor. Não
teria sentido vivermos em um círculo vicioso. Explique-me, se for possível:
como então resgatamos a culpa de um crime ou de vários? Há pouco, o irmão
conversou com um culpado e ele lhe mostrou a grandeza dos corpos sobrepostos.
Se lesamos alguém, o ato em si é registrado em nossa casa mental e ela expele
um fluido negro que se sobrepõe a nossos corpos, principalmente ao perispírito.
Esse jugo pesado muito mal nos faz, principalmente quando nos encontramos na
erraticidade - andamos com dificuldade, não conseguimos desprender-nos do mundo
físico. Portanto, é um mal-estar constante. Aí pedimos para nos livrar desses
fluidos pesados e escolhemos a prova. Para que tudo corra de maneira a não
prejudicarmos inocentes, acercamo-nos de criaturas similares, com provas iguais
ou piores que as nossas. Aqui o Departamento tem um trabalho de mestre: busca pessoas
ligadas a nós que também desejam livrar-se da dor dos remorsos. - E quando
alguém atropela uma pessoa ou a mata, quem está pagando? - O causador do
acidente, quando culposo, está contraindo dívidas futuras, principalmente se o
fez embriagado, em excesso de velocidade ou por negligência. - Agora, se eu
pedi para ter uma desencarnação por acidente, não posso jamais me ver livre dos
remorsos ou colocá-los em outra consciência, não é mesmo? - Claro. - Sempre,
amigo, eu relutei em aceitar tudo como pagamento de dívidas. - A lei de causa e
efeito existe, mas ela acontece de várias maneiras. Nem tudo podemos examinar
como pagamento de dívidas pretéritas. Olhando-me firmemente, convidou-me a
consultar outro computador. Quase caí: ali, um nome conhecido. Quis evitar de
examiná-lo, porém, gentilmente, colocou-me à vontade. Orei a Deus e apertei o
botão: surgiu à minha frente a minha vida! Que eu não vou lhes contar...,
somente alguns fatos já narrados em outro livro meu. Uma sensação estranha
foi-se apoderando do meu espírito. Meu companheiro procurava ignorar minha
ansiedade. E fui pouco a pouco vivendo cada momento das minhas vidas passadas.
Numa coisa fiquei feliz: sempre fui homem! Meus amigos, espírito não tem sexo,
pois é uma chama, mas nem por isso deve ficar trocando de veste de uma para
outra encarnação. É um assunto a ser estudado. Eu, o papai aqui, sempre fui
homem; não que eu tenha algo contra as mulheres, adoro várias: minha avó, minha
mãe e muitas outras mulheres são amadas demais por mim. Sempre fui muito
imperfeito, mas o que marcou pro fundamente o meu perispírito foi tirar a
oportunidade de uma vida física. O pior dos crimes é matar. E se hoje eu me
encontro estudando a lei do renascimento, vejo-me diante da minha vida e
pergunto: que teria sido de mim se minha mãe me tivesse negado o direito de
pagar minhas dívidas? E se ela me tivesse abortado por seu bel prazer? Meu
Deus, como eu seria infeliz! Hoje, graças lhe dou, Zildinha, por ter-me dado um
lar onde cresci, vivi e encontrei o direito de viver eternamente livre de um
remorso cruel. Grato sou a todos aqueles que me deram as mãos amigas. Mas o
interessante de tudo isso é que todos nós desejamos conhecer o passado, mas,
diante dele, ficamos petrificados, envergonhados de sermos ainda muito imperfeitos.
Minhas vidas pregressas foram-se descortinando diante de mim. E a certo ponto
eu paro. Apareço em uma abadia onde alguns frades trabalham, ou estão tentando
fugir deles mesmos. Prestava-me a um serviço humilde, por não possuir instrução
suficiente para galgar outros trabalhos. Procedia de família modesta e a abadia
era um refúgio e uma oportunidade. Nela encontrei Pedro que logo me dispensou
atenções, mas ainda que me tratasse bem, abusava da posição que ocupava. Pedro,
muito inteligente e dinâmico, fazia tudo pela abadia. Eu senti por ele muita
admiração, mas também muita inveja. Eu o amava e o odiava ao mesmo tempo, ainda
mais quando ele me fazia de criado. Alguns abusavam igualmente da posição
ocupada, más Pedro, por ser, às vezes, meu amigo, ia mais longe. Um dia, como
contei no livro Novas Mensagens, eu lhe roubei o direito de viver. Quero frisar
aqui, que com isso contraí uma grande dívida, principalmente porque ninguém
chegou a descobrir. No dia em que eu soube de tudo isto, faltou-me coragem para
ir adiante. Ao rever a cena ainda me entristeço, ficando desolado quando me
defronto com a nossa seguinte encarnação: somos irmãos e Pedro não me aceita,
ou melhor, procede da mesma maneira. É um homem de grande inteligência, mas
revoltado consigo mesmo. E nós dois, vivendo como irmãos consanguíneos,
deveríamos nos amar. Contudo, Pedro sofria de ciúme doentio da minha ligação
com nossa mãe, preparando uma jogada para me tirar a vida. Foi pouco a pouco me
envenenando, chegando antes a levar-me a uma cadeira de rodas. Como irmãos,
teríamos o ensejo de pagar uma grande dívida mas, ao contrário, Pedro se
comprometeu e eu, mesmo sofrendo bastante, não quitei a minha. Mais uma vez não
conseguimos ser bons. Minha mãe não perdoou Deus por me ver inválido e sua revolta
era tanta, que Pedro não aguentou o remorso e se suicidou. Com esse gesto, ele
plasmou um corpo deformado para outra encarnação. E não faltou, mais uma vez,
outra oportunidade. Eu e Pedro, novamente juntos, nascemos longe um do outro,
mas as circunstâncias fizeram com que nos reencontrássemos na Itália, ligados
por um passado trágico, não nego, mas que mesmo assim nos aproximou.
Tornamo-nos amigos. Seu nome agora: Romano. Éramos tão unidos que muitos nos
julgavam irmãos, embora brigássemos muito; eu não aceitava a sua maneira de
querer mandar e ele não aceitava as minhas brincadeiras. Um dia Romano
salvou-me a vida, mas pereceu diante de mim. Desesperei-me, pois perdera um
grande amigo. Nessa encarnação Pedro melhorou o corpo futuro, comprometido pelo
assassinato e o suicídio; possuía o corpo perispiritual somente coberto por uma
camada fluídica. Nascera com um defeito em uma perna e sofria de desmaios,
chamados epiléticos. Quem estiver me acompanhando, vai indagar: e você, Luiz
Sérgio, não o assassinou também? Sim, eu lhe tirei a vida física, mas ele
também a tirou e ainda se suicidou. Voltamos posteriormente, nem amigos, nem
irmãos; só bem mais tarde nos reencontramos. Minha mãe era a mesma de quando
fui frade, e, por mais que eu quisesse apresentá-la para Roberto como sendo
bacana demais, eles não chegaram a se relacionar. 0 meu amigo do passado era um
ótimo companheiro, mas ainda carregava consigo as neuroses pretéritas e muitas
vezes chegamos a discutir sobre elas. Chegou o momento dramático das nossas
vidas: a grande operação que veio para nos desligar de uma culpa longínqua. 0
carro corria velozmente, mas não tanto que me projetasse para fora no momento
fatal. Os outros nada sofreram, mas o meu grande amigo e eu sentimos a força da
reencarnação. Ele, que no passado deformara o seu corpo porque, por maldade, me
levara a uma cadeira de rodas, hoje, com o choque do acidente, projetou em sua
casa mental o corpo coberto de remorsos. Ele, que no ontem causou dores
terríveis em alguém, hoje vive horas bem amargas. O meu corpo ficou estirado no
asfalto, mas meu espírito se viu liberto de um violento remorso. Eu e Roberto
pagamos a última prestação. Às vezes me desespero por não conseguir ajudá-lo.
Ele se sente culpado do meu desencarne, por mais que eu tente dizer-lhe que o
culpado sou eu, pois fui o primeiro a lhe causar dor. Gostaria que Roberto
procurasse se ver livre do remorso e se pusesse de pé. Ele tem força e coragem
para ganhar a liberdade. Não existe incapacidade física quando a nossa mente
está perfeita, e Roberto é um dos homens mais inteligentes que conheci.
Briguento, mas digno e bom. Portanto, amigo, peço perdão se hoje abri o nosso
túmulo e dele retirei as últimas reminiscências. Foi preciso. Você tem
necessidade de redescobrir Deus. Ele é justo, nós é que nos distanciamos d'Ele.
Remorsos são bengalas que só servem aos fracos, principalmente quando não
devemos possuí-las. As lágrimas corriam pelo meu rosto e o meu companheiro
Cinaro, carinhosamente, apertou-me o ombro, dizendo: - Por hoje, basta. Você,
Luiz, e o seu amigo, tiveram muitas oportunidades. Se na última encarnação,
vocês dois, desde pequenos, tivessem sido orientados para o trabalho da
caridade, tudo teria sido diferente, pois só a Caridade cobre a multidão dos
pecados. Você e seu amigo devem dar graças a Deus por tudo ter terminado bem.
Recordei-me de vovó e vi que tudo foi muito bem preparado. De fato, eu teria
duas saídas: desde criança ter-me dedicado aos pobres, vivendo uma vida
missionária; ou o desencarne, ainda jovem, e de maneira violenta. Decidi-me
pela segunda, não só eu, mas Roberto também. Foi o caminho mais árduo, todavia
o escolhido. Capítulo 23. A TAREFA DA DIVULGAÇÃO EDUCAÇÃO SEXUAL NA INFÂNCIA.
Muitos sonham em conhecer o pretérito, mas Deus é tão sábio que nos oferece o
esquecimento. Ali, diante do meu passado, compreendi a importância da Doutrina
Espírita: só ela dá ao homem conhecimento do valor do seu espírito; só a
Doutrina nos oferece explicações precisas sobre todas as nossas dúvidas; só a
consciência da vida espiritual dá ao homem a vontade de ser bom. O estudo sério
leva-nos ao desprendimento das coisas terrenas e só convivendo com Jesus
despertaremos para a caridade. Não adianta batermos no peito, rotulando o
templo que frequentamos, o necessário, sim, é ter mais fé e amor no coração.
Despido diante de Deus, dei-Lhe graças por me ter ofertado inúmeras
oportunidades. - Cinaro, não é fácil a gente se deparar com o passado. Sinto-me
até sem fôlego. Parece que o relógio da vida só marcou para mim as horas em que
eu fiz mal ao meu próximo e, por mais que eu peça perdão, vejo-me corroído de
remorsos. - Sérgio, recorde que você só veio até aqui porque já está apto para
saber o passado. - E, mas é muita verdade para ser suportada! Ele me convidou a
nos retirarmos. Olhei as máquinas do tempo e as saudei: - Obrigado, amigas,
espero voltar logo, quero saber mais sobre minhas vidas. Cinaro sorriu,
dizendo-me: - Você não disse há pouco que é muito difícil suportar a verdade? -
E assim mesmo: a gente sofre, mas quer saber. Detive-me e voltei para perto das
máquinas. Cinaro nada fez para me impedir; somente percebi preocupação no seu
olhar. Apertei um certo botão e, com espanto, me vi na época dos primeiros
cristãos. Munido de boa cultura, tinha facilidade no trato com o público, era
portador de um grande carisma. Inteligente, abusava disso; crescia em mim a
vaidade e está, pouco a pouco, tomava conta do meu espírito. Aproveitando-me da
fé do humilde povo de Éfeso, vivia eu pregando uma doutrina diferente, nada de
cristã. Não aceitava a caridade nem a humildade como lema. Meu nome: Alexandre.
Mesmo dizendo o nome de Deus, pregava uma doutrina contrária à dos apóstolos de
Jesus. Habitava casa confortável, usufruindo dos bens materiais. Ali no vídeo a
minha imagem e, ao meu lado, um fiel amigo: Himeneu. Não aceitávamos os
cristãos que, através da pobreza, davam ao mundo grandes exemplos. Tudo fizemos
por uma doutrina segundo a qual os cultos eram servidos pelos pobres
ignorantes. Quando fomos descobertos pelos verdadeiros filhos de Deus, vimo-nos
desmoralizados. Furiosos ficamos, tudo fazendo para que a Doutrina do amor não
fosse seguida. Se descobríamos alguma coisa escrita, tentávamos destruí-la,
dificultando a vida dos cristãos de Éfeso. Revoltados, decidimos ir para outra
cidade, mas em todos os lugares as palavras de Deus eram levadas pelos Seus
verdadeiros apóstolos. Assim vivemos o resto da nossa vida, tentando
contradizer os apóstolos de Jesus. Só bem velhinhos desistimos. Falei a Cinaro:
- Agora compreendo porque tenho hoje a tarefa de apresentar Jesus aos espíritas
ou não espíritas e porque me foi ofertado o trabalho dos livros espíritas. Só
agora eu compreendo! Ontem eu atrapalhei a divulgação da Doutrina do Cristo.
Hoje aqui estou para trazer à terra o remédio da paz. Fui saindo bem devagar.
Meus olhos não lacrimejavam, mas meu coração doía. Cinaro me abraçou, dizendo:
- Graças a Deus nós hoje trabalhamos mais cientes do valor do Pai. No passado
erramos, porque a vida terrena era mais palpável para nós. No presente
conhecemos o tesouro da verdade. Rendi homenagem a Deus por tanta bondade. -
Cinaro, quando eu vivi naquela encarnação, possuía uma outra crença. Esse o
motivo de não aceitar os cristãos. - Sim, Luiz, você e seu grande amigo agiam
julgando certa a religião que professavam. E ela existe até hoje? - Sim, meu
amigo, mas graças a Deus a verdade e Jesus estão brilhando muito mais. -
Cinaro, eu adoro a Doutrina do Cristo. Ela é para mim um universo de amor. Nós
estamos no Seu caminho, que não é fácil, dado os inúmeros trabalhos que nos
surgem a cada passo. Ganhando a rua, despedi-me do meu novo amigo e procurei
meu grupo. Meditando caminhei por um jardim repleto de hortênsias. Admirando
seus diferentes matizes, o roxo bem forte de uma delas chamou-me a atenção e me
senti reconfortado para chegar até meus companheiros. Samita me viu e veio
abraçar-me: - Tudo bem, Sérgio? Penso que nos meus olhos as lágrimas teimavam
em aflorar. - Querido, o que importa é o presente e tu estás aproveitando os
ensinamentos de Deus. Nisso, uma luz acendeu e fui convidado a entrar,
juntamente com a equipe, numa sala em penumbra, o palco semi iluminado. Todos
se alojaram em suas cadeiras, em silêncio. Confesso que a curiosidade era
imensa, mas fiz uma prece e me aquietei. A luz do palco se acendeu e um senhor,
bem simpático, iniciou a preleção, não sem antes ter sido feita uma prece, que
ressoou em todo o ambiente. Era quase um hino de tão bela. "Irmãos, nós,
que estamos acompanhando o crescimento da Chama eterna, não podemos esquecer
que o sopro da vida precisou de um estágio em vários reinos e, quando da
passagem por eles, adquiriu tendências. Portanto, não devemos julgar os outros,
porque ainda desconhecemos o nosso interior. Nos dias atuais a Humanidade está
por demais envolvida sexualmente; nunca se viu tantos apelos sexuais e os
espíritos que estão reencarnando amedrontados se encontram, pois bem sabemos
que poucos já possuem evolução para uma renúncia sexual. O homem, ainda
animalizado, dificilmente terá condição de viver sem sexo, ainda mais se ele
saiu recentemente da sua condição animal. Mas isto não justifica a sua
animalidade; ele precisa burilar as suas energias e isso só se consegue com o
tempo. E condenável certas religiões aprisionarem os seus adeptos através do
medo de serem castigados, ou por levar o jovem a uma abstinência do sexo,
através de exercícios mentais, dizendo que eles libertam o espírito. Em
consequência, o jovem bloqueia os seus canais energéticos e estes, bloqueados,
o levam ao desequilíbrio. Isto está acontecendo muito até na Doutrina Espírita.
Dizem alguns pregadores que o missionário não pode constituir família, quando
bem sabemos que não é a família que atrapalha o trabalho do missionário e sim a
sua própria fraqueza. Não podemos levar a Doutrina ao descrédito científico e
desde o momento em que, desejando satisfazer o homem, nos propusermos a lhe
tirar a liberdade, o medo pode gerar no jovem uma depressão difícil de ser
tratada. Ele lutará contra o seu corpo que, possuidor de forte energia, não
encontrará meios de liberá-la; esta mesma energia leva ao desequilíbrios e
desajustes emocionais. Portanto, há tantos conhecimentos para se transmitir ao
próximo, por que oferecer o que se conhece tão pouco? O que vem ocorrendo é uma
carência de elucidação sobre sexo. De um lado, a liberação; de outro, a
proibição. O certo é obtermos, pouco a pouco, o conhecimento da vida e
encontrarmos o Seu criador: Deus. Conhecendo o Pai, buscar a Sua verdade que
jamais nos criará neuroses. No momento em que Deus entrar em nossas vidas,
vamos compreender que sexo não é castigo, pois se assim fosse o Pai não o
criaria em nós. O sexo é um meio; o mal é julgá-lo princípio e fim. Desde o
instante em que o homem se liberta de si próprio, vai entendendo que o sexo
precisa ser digno. Não se castra por imposição teórica, procura-se viver a
plenitude do amor com o parceiro, ou parceira, escolhido dentro dos padrões
divinos. Existem homens que colocam o sexo na mente e este se vê exposto a
críticas e maledicências. Desde que levemos a vida equilibradamente, ela irá
distanciando-se da procura das emoções mais fortes. O sexo a dois é o encontro
de corpos físicos ou reencontro de almas apaixonadas. Quando isto se dá, o
espírito se vê dono de si próprio e no companheiro ou companheira o
prolongamento de si mesmo, aí não existe separação ou troca, são almas fundidas
em uma vibração de amor. Mas como na Terra ainda o desencontro se dá, deparamos
com homens e mulheres extremamente infelizes, porque buscam um no outro a
satisfação da vida, julgando que ela se limita a uma relação sexual, quando
essa mesma relação sexual traz outras responsabilidades que talvez serão
amargas para parceiros invigilantes. Um ser é extremamente infeliz quando busca
em alguém a sua felicidade, sem saber ele que o outro faz o mesmo. No dia em
que se der a verdadeira permuta de energia, o homem vai compreender porque Deus
criou o sexo. Até esse dia, nos depararemos com todo um desequilíbrio
emocional. O sexo parece maldito, porque o homem ainda se encontra endurecido e
ignorante e, pouco inteligente, quer usar e "Nunca devemos ser radicais,
somente porque nos sentimos mais próximos de Jesus, ou estamos compreendendo o
Mestre através do Seu Evangelho. Cada caso é um caso; não podemos englobá-los,
sem uma análise criteriosa. Ditar regras torna-se perigoso; a própria vida se
encarrega de apagar ou gravar as verdades de cada um. 0 dia-a-dia do homem,
cedo ou tarde, irá levá-lo a uma compreensão maior. Deus foi quem criou o homem
e a mulher, a fêmea e o macho; por que, com o fanatismo, desejamos separá-los?
Enquanto queremos proibir, afastamos o homem de Deus, pois ele indagará sempre:
"se o sexo é sujo, por que Deus o criou?" O que se deve fazer é
orientar, mas quem está preparado para tão difícil tarefa? Difícil sim, em
razão do homem ter adquirido o instinto sexual através de um aprendizado
errado. Muitas vezes somos chamados para esclarecer os pais durante o sono,
porque estes se vêm às voltas com as atitudes estranhas dos filhos, porém,
muitas vezes, os pais é que levam as crianças ao desequilíbrio sexual. Muitos
homens, desejando um filho varão, vivem dele exigindo masculinidade, o que
acarreta na criança marcas profundas de desequilíbrio. Com o tempo procurará
suplantar a mulher e com isso jamais terá uma companheira realizada, mas uma
escrava para servi-lo. Alguns pais, bastante desinformados, levam os filhos a
uma busca precoce do prazer, dizendo que o "homem tem de ser homem".
E o garoto inicia a sua experiência sexual sem nenhum amor, o que o conduzirá a
uma constante procura, porque será um eterno insatisfeito. Ele sofrerá de uma
inibição inconsciente, um simples retraimento sem conhecer a origem do
problema; a sua inibição será tanta que ele procurará no sexo a sua força; e um
órgão é um órgão, não uma alma. Portanto, é antipsicológico pregarmos contra o
sexo, principalmente se somos explanadores do Evangelho. Os que não creem no
espírito não têm tanta culpa ao fazer tal pregação, mas os espíritas
esclarecidos não podem esquecer que o espírito está evoluindo há milênios,
possuindo tendências extremamente resistentes e que não podem ser violentadas
de uma hora para outra, mas sim buriladas através de uma vida equilibrada. As
crianças são muito reprimidas, porém, quem compreende a reencarnação sabe que
em um corpo infantil habita um velho espírito, muitas vezes enfermo
sexualmente. abusar de algo que ainda não conhece. Devemo-nos lembrar de que
lares são arruinados por traição, existem crimes praticados, suicídios, roubos,
tudo partindo de uma relação amorosa doentia. Isso se dá porque nós ainda não
sabemos amar. Deus, pacientemente, espera que cada um conquiste a própria
felicidade. Ele nos ama." Houve uma pausa. Olhei Sadu e apertei a mão de
Samita. O irmão continuou: "Nunca devemos ser radicais, somente porque nos
sentimos mais próximos de Jesus, ou estamos compreendendo o Mestre através do
Seu Evangelho. Cada caso é um caso; não podemos englobá-los, sem uma análise
criteriosa. Ditar regras torna-se perigoso; a própria vida se encarrega de
apagar ou gravar as verdades de cada um. 0 dia-a-dia do homem, cedo ou tarde,
irá levá-lo a uma compreensão maior. Deus foi quem criou o homem e a mulher, a
fêmea e o macho; por que, com o fanatismo, desejamos separá-los? Enquanto
queremos proibir, afastamos o homem de Deus, pois ele indagará sempre: "se
o sexo é sujo, por que Deus o criou?" O que se deve fazer é orientar, mas
quem está preparado para tão difícil tarefa? Difícil sim, em razão do homem ter
adquirido o instinto sexual através de um aprendizado errado. Muitas vezes
somos chamados para esclarecer os pais durante o sono, porque estes se vêm às
voltas com as atitudes estranhas dos filhos, porém, muitas vezes, os pais é que
levam as crianças ao desequilíbrio sexual. Muitos homens, desejando um filho
varão, vivem dele exigindo masculinidade, o que acarreta na criança marcas
profundas de desequilíbrio. Com o tempo procurará suplantar a mulher e com isso
jamais terá uma companheira realizada, mas uma escrava para servi-lo. Alguns
pais, bastante desinformados, levam os filhos a uma busca precoce do prazer, dizendo
que o "homem tem de ser homem". E o garoto inicia a sua experiência
sexual sem nenhum amor, o que o conduzirá a uma constante procura, porque será
um eterno insatisfeito. Ele sofrerá de uma inibição inconsciente, um simples
retraimento sem conhecer a origem do problema; a sua inibição será tanta que
ele procurará no sexo a sua força; e um órgão é um órgão, não uma alma.
Portanto, é anti-psicológico pregarmos contra o sexo, principalmente se somos
explanadores do Evangelho. Os que não creem no espírito não têm tanta culpa ao
fazer tal pregação, mas os espíritas esclarecidos não podem esquecer que o
espírito está evoluindo há milênios, possuindo tendências extremamente
resistentes e que não podem ser violentadas de uma hora para outra, mas sim
buriladas através de uma vida equilibrada. As crianças são muito reprimidas,
porém, quem compreende a reencarnação sabe que em um corpo infantil habita um
velho espírito, muitas vezes enfermo sexualmente. Como devem agir os pais?
Orientar o filho, desde pequeno, e fazê-lo liberar essas energias através dos
esportes, desviando a atenção da criança. Quando percebermos que nela estão
contidas lembranças desequilibradas, nada melhor do que despertar a sua atenção
para algo mais nobre: leitura, esporte, música, teatro, etc. Não deixar essas
crianças brincando sozinhas, elas precisam ter uma vida bem movimentada, sem
lhes dar muito tempo para pensar. Os pensamentos nesses espíritos surgem das
lembranças pretéritas e elas os conduzem às aberrações sexuais. Quem possui um
filho assim, tem de ajudá-lo. Devemos recordar, torno a repetir, que em um
corpo infantil encontra-se uma alma velha e nela se encontra alojado um
aprendizado errôneo em relação ao sexo. Não importa se hoje estamos no século
XX, mas que busquemos em nossas crianças as raízes das suas frustrações e, se
somos reencarnacionistas, sabemos que essas raízes estão na velha alma que ora
retorna à Terra. Como tratá-las? Com carinho e respeito, sem culpá-las, quando
percebermos que algo estranho existe nas suas atitudes. É muito difícil para um
espírito voltar a habitar um corpo infantil. Quando dizemos que a criança,
desde pequena, possui instintos sexuais, é porque ela possui um espírito velho
e este, mesmo semiadormecido, tem relances de lembranças. Reclamar das suas atitudes
ou espancá-las não é correto. 0 certo é buscar curá-las através de uma
disciplinada vida e para isso, nada melhor do que uma programação cultural
aliada à presença digna e equilibrada dos pais. Calou-se e logo percebi que era
a hora das perguntas. -Irmão, a criança deve ser criada livre, isto é, fazendo
o que deseja? - indagou um dos assistentes. - É evidente que se criarmos a
criança sem disciplina, ela se tornará uma selvagem, porque todos nós somos
educados para viver em sociedade, onde nem tudo é permitido. As crianças,
muitas vezes, não gostam de comer na hora certa, negligenciam o banho, enfim,
preferem apenas brincar, e até o colégio não será por elas frequentado. Sendo
espíritos velhos em corpos infantis e livres de qualquer repressão, será travada
uma luta de vida e morte entre os instintos baixos e as lembranças dos valores
que cada um aprende na faculdade da erraticidade. Esse duelo tornará o ser
muito mais infeliz. A sociedade pro cura fazer com que os homens se tornem
civilizados, polimento necessário para o convívio social. Recebem no lar, na
escola, no trabalho, em cada circunstância da vida, as lições para aprenderem a
viver. A criança retorna à terra com a grande oportunidade do esquecimento e os
pais são os primeiros mestres. Infelizmente, muitos pensam que os filhos lhes
pertencem e desejam moldá-los ao seu caráter que, não raro, deixa muito a
desejar. A criança, gradativamente, vai formando a sociedade dentro dela; capta
e grava no seu interior o que a rodeia. Portanto, devemos ter cuidado com as
nossas atitudes, para assegurar à criança um belo futuro. Os espíritas sabem
que já tivemos muitas vidas e várias vezes compelidos a criar dentro de nós um
mundo digno. Em cada reencarnação precisamos de bons professores, seja qual for
o nosso estágio. - Obrigado, irmão. Fiz uma pergunta: - Muitas das nossas
neuroses foram adquiridas por uma educação por demais severa? - Uma criança de
cinco anos, mesmo já sendo um espírito velho, não distingue o que é moral e
imoral; ignora, ainda, as leis da sociedade, mas mesmo assim, a ela pertence.
Pode tornar-se neurótica porque os pais lhe cobram um comportamento ou de
adulto ou de neném. Os pais que vêm nos filhos companheiros, amigos, não os
forçam a nada, mas também não os deixam inteiramente livres, porque a criança
não é um animal. Porém, é muito difícil educar quando não se é educado. As
pessoas que foram mal-educadas, transmitem aos filhos o que a vida lhes deu:
"repressão". Cada ser obedece a uma sinalização chamada censura, pois
nem tudo podemos fazer. Não nos é permitido nos deitar sobre o fogão ou fazer
necessidades fisiológicas no chão da sala ou do quarto. A vida nos ensina a
viver em sociedade. Repressão é uma coisa e educação outra. Reprimir é só
dizer: não faça; educar é explicar porque não o devemos fazer. A criança, se
reprimida, um dia vai fazer tudo o que os pais não lhe explicaram, só
proibiram. Portanto, o certo não é reprimir - volto a dizer - é ensinar, e isto
só se faz com amor e respeito à fragilidade da criança, sempre medindo, analisando
as suas reações, para saber se ela está assimilando bem os ensinamentos. Caso
contrário, uma sobrecarga de esclarecimentos sobre regras de comportamento pode
levá-la a uma saturação. Quando os pais compartilham com os filhos o seu
dia-a-dia, estes vão crescendo, ficando adultos e com poucas neuroses. -
Poucas, irmão? - perguntei. Ele respondeu: Sim, poucas. Um mínimo de criaturas
não carrega dentro de si fracassos e ansiedades. 0 cotidiano leva o homem para
frente, mesmo não ficando inerte ele muitas vezes nada carrega de proveitoso
consigo. Portanto, passa pela vida, mas dela nada aproveitou, é como um aluno
que vai à escola apenas para passar de ano, sem aprender. No dia em que o homem
dormir e acordar procurando a razão da vida e nas suas indagações sentir que é
um ser muito bem preparado para se tornar deus, ele mesmo colocará para fora as
suas frustrações; e estas, em geral, nos acompanham por milhares de anos. -
Irmão, o que devemos fazer quando a criança possui tendência acentuada para o
sexo? - Primeiro, observar o bebê. Se temos conhecimentos espíritas, devemos
compreendê-lo e amá-lo, muito mais do que aqueles que ignoram a ida e vinda dos
espíritos. Em um corpo infantil se encontra prisioneiro um espírito velho e
muitas vezes experiente por demais e quando de volta ao corpo físico, embora
adormecido, possui sensações. E mesmo ainda bebê, ele experimenta prazer ao ser
tocado ou quando as suas roupinhas estão apertadas. Disto, não busquemos
escandalizar-nos: ele não deixa de ser uma criança inocente, mas, por mais que
a vida nos leve a uma condição de aprendiz, não esquecemos totalmente o
passado. O homem se escandaliza, mas também viveu o que hoje estou narrando
aqui: ele se via criança, mas muitas vezes sentindo-se adulto. Os pais devem
ajudar os filhos no seu difícil estágio infantil, dar-lhes educação, levando-os
à prática de esportes e diversões culturais. Do contrário, eles procurarão
buscar nos seus próprios corpos o prazer e serão presas de um sentimento de
culpa que carregarão pela vida afora. E se esses pequenos forem descobertos
praticando atos que os adultos consideram imoral, não os condenem, procurem
elucidá-los; eles precisam muito de forças para chegar ao fim da estrada. O
homem é um animal cujo corpo já atingiu um melhoramento, mas ainda carrega
consigo o instinto dos irracionais e só com a sua própria luta sairá
vencedor." 0 amigo despediu-se e se retirou. A prece foi feita e nós fomos
saindo vagarosamente. Eu pensei: Meu Deus, por que nós somos tão severos com o
próximo? Ninguém pode dizer que conhece alguém sem lhe conhecer a alma. Fui
chamado, era a bela irmã Corina. Cumprimentei-a, respeitosamente, e fui
informado de que teria aula no teatro vivo da Faculdade, e me vi apressando os
passos, mas logo parei, porque Corina não tinha pressa. Ela me sorriu e me
senti feliz por possuir amigos, e não existe nada mais belo que um belo sorriso
de carinho. Livro Chama Eterna. Abraço. Davi.
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