Religião Afro-brasileira. Por Eurico Ramos. Livro Revendo o Candomblé - XVII. QUAL O SIGNIFICADO DOS IBÁS (ASSENTAMENTOS) - XVII? O ibá, o assentamento do orixá, é a base onde aglutinamos determinados elementos ligados a uma divindade específica, que passam a ali representá-los. O ibá seria quase que uma "pilha alcalina". Essa "pilha" quando assentada, é carregada com elementos positivos, de modo que, quando o indivíduo tem necessidade de se fortalecer energeticamente, vai até o seu ibá e ali se alimenta. Observando a energia que está contida ali, naquela "pilha", digamos assim. Isso, em termos científicos. Mas, por favor, não distorçam as palavras do babalorixá - Chefe sacerdotal e espiritual principal de um candomblé. Esse é apenas um exemplo, usado para facilitar o entendimento. O ibá podia ser, no passado, um ibá coletivo. Ou seja, um ibá único, representando uma divindade única para cada tribo ou para cada família. Costume que foi trazido para o Brasil no início da colonização, aproximadamente 1530, no período escravocrata - escravidão negra - 1500 a 1888. Mas, posteriormente, devido ao desmembramento das famílias originais africanas, principalmente as do povo iorubá, surgiu a necessidade de haver ibás individuais. A partir disso, os ibás passaram a ser coletivos em determinadas casas, ou exclusivos (um para cada filho) em outras. O ibá, esse recipiente que tem a forma de um útero, representa a abóbada celeste contém a vida, a tampa, por sua vez, representa a abóbada celeste. Contam as antigas yas da Casa Branca do Engenho Velho que, com o passar do tempo, mais uma vez a mucama foi até a cozinha da casa-grande e roubou a louça francesa, a sopeira da sinhá. Levou a para dentro da senzala e transportou seus orixás de dentro dos alguidares onde estavam assentados para dentro daquelas sopeiras. Desde então, surgiu o costume de assentarem-se os santos dentro das sopeiras, porque foi assim que os negros que trouxeram o candomblé para o Brasil se habituaram a cultuar suas divindades. Ou seja, roubando as sopeiras da casa-grande! Sabemos que, em termos de África, e também nos primeiros tempos da escravidão, os orixás eram assentados em alguidares, gamelas e cabaças. Mas, depois, surgiu o costume de se usarem sopeiras de louças, e isso graças a mucama - escrava doméstica que era amante do senhor de engenho nos tempos da escravidão no Brasil. A mucama, ao mentir para a sinhá contando-lhe que sua sopeira tinha sido quebrada, sabia que seria açoitada. Mas era açoitada e ia para o tronco muito feliz, porque sabia que, quando saísse dali o seu orixá não estaria mais dentro de um simples alguidar. Mas, sim, assentada em uma linda sopeira francesa. É bom lembrar que, desde o tempo da colonização, o africano primava por tentar dar o bom e o melhor ao seu orixá, exatamente como fazemos até os dias de hoje. Abraço. Davi.
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