sábado, 3 de outubro de 2026

A VISÃO DA FORMA DIVINA UNIVERSAL

Hinduísmo. Bhagavad gita - A Mensagem do Mestre. Capítulo XI. A VISÃO DA FORMA DIVINA UNIVERSAL. A forma divina ou personalidade de Deus consiste na soma de todas as formas e atividades, em que se manifesta o seu poder. 


1.Então dirigiu Arjuna ao Senhor Abençoado estas palavras: Os teus ensinos, ó Senhor! Com os quais te dignaste explicar-me o grande mistério do Espírito, destruíram a minha ilusão e ignorância. 2.Tu me revelaste a plena verdade a respeito da criação e destruição de todas as coisas, a respeito da tua grandeza, infinita perfeição e universal imanência. 3.Tu és, em verdade, o Senhor do Universo, como me expuseste e me convenceste. Mas, se é possível, ó meu Senhor e Mestre! Mostra-me a tua majestosa forma. 4.Se julgas que sou capaz de vê-la, faz-me ver a tua própria face e forma. O teu Eterno Eu, ó Adorado! 5.A Divindade responde: Vê, pois, ó filho da Terra, e contempla-me, que sou Um só, em milhares e milhões de diferentes e variadíssimas formas. 6.Imerge o teu olhar no reino dos deuses, anjos e arcanjos, espíritos planetários, diretores dos mundos e muitos outros seres misteriosos, com que não sonha nem a mais indômita especulação e fantasia. 7.Vê e observa o Universo inteiro, com todos os seres animados ou inamados, resumido no meu corpo. Nele encontras tudo o que desejas ver. 8.Mas não é com os teus olhos materiais que me podes ver. Para isto, abriu-te a tua visão espiritual. Olha, pois, e vê agora a minha gloriosa natureza mística! 9.Sanjaya: Tendo o Senhor dos Mundos assim dito, deu-se a conhecer ao Filho da Terra em seu supremo aspecto do Senhor Absoluto, cujo domínio abrange o Universo inteiro. 10.Neste aspecto, viu-se como muitos em um só. Com inúmeras faces e olhos e bocas, inúmeras aparências, consciências e formas. Com todo o esplendor de adornos celestes, com todas as forças de poder divino, divinamente vestido e coroado, exaltando agradabilíssimos perfumes. 11.Luminoso, radiante, maravilhoso, cheio de graça e onividente era o seu semblante. 12.Se mil sóis, ao mesmo tempo, brilhassem no firmamento, a luz deles haveria de empalidecer na presença da glória que aquele semblante irradiava em todas as direções. 13.Arjuna, viu, então, todo o Universo, variadíssimo em suas múltiplas aparências, formando uma unidade no corpo do ser Absoluto. E manifestando-se como muitíssimas partes nos corpos dos deuses. 14.Arrebatado e pasmado, e com os cabelos arrepiados, mirou e admirou essa Visão Maravilhosa. Inclinando a cabeça com reverência e devoção, juntou as mãos e dirigiu-se ao Altíssimo, dizendo: 15.Arjuna: No corpo, teu, ó Deus! Eu vejo todos os , os degraus de seres todos. Noto o Brahma, sentado em flor de loto. A seu redor os santos com os sábios.16.Inúmeros teus braços são e os olhos. Inúmeros teus peitos, tuas bocas. Eu vejo que no teu ser infinito, não há princípio, ou meio, ou fim algum. 17.Sobre a cabeça trazes a coroa, na mão o cetro e o disco segurando. Por toda a parte irradias viva luz. Tão forte que os olhos meus ofuscas. 18.És indivisível, ó Rei dos entes todos. A Lei e o coração de todo o cosmos. Tu és o alvo mais alto do saber. De todo ser que existe, a eterna fonte. 19.Não tens princípio, meio ou fim algum. É eterno o teu poder, a tua ação. Teus olhos são o claro sol e a lua. 20.Com tua luz, tu enches os espaços. O teu amor aquece os mundos todos. Todas as terras, todos os empíreos. De ti, de tua glória cheios são. 21.Porém, vendo a estupenda face tua. Os mundos tremem, fogem-te os demônios. E as multidões dos santos e dos pios. As mãos estendem, dando-te louvores. 22.Com hinos te celebram Grande Deus. Todas as multidões e classes de anjos, arcanjos, querubins e serafins. Todos os mais entes celestiais. 23.Reunindo-se em falanges numerosas. Admiram, ó Senhor a tua forma. Os mundos vendo a tua majestade. Pasmam, e em mim palpita o coração. 24. Com a cabeça tocas o alto céu. Em milhares de cores resplandeces. A tua boca aberta está, horror! E como os grandes olhos teus flamejam! 25.Teus dentes, aí! Se ouriçam e me assustam. A tua boca ao mundo lança incêndio. Que aspecto aterrador é para mim. Já perco os meus sentidos, tem piedade. 26.De Khritarashtra os filhos, e com eles a multidão dos grandes generais. O invencível Bhrishma, Drona, Karna. Dos guerreiros nossos os mais fortes. 27.Desaparecem nessa horrível boca. Da qual os aguçados dentes vejo. Aí. Muitos vejo já com membros triturados. Despedaçados são por esses dentes! 28.Como os rios, correndo ao mar enorme. Com rapidez ao alvo seu encaminham. Irresistivelmente vão lançar-se. Esses heróis em tua garganta ardente. 29.Como as moscas, à luz da vela voando. Vão perecer na chama que procuram. Assim os mundos vão se aproximando. A pessoa apressada, do seu fim. 30.Em teus lábios, Senhor, em tua garganta. Todos os mortais somem-se eu vejo. A tua luz penetra todo o mundo. E teus fogosos olhos queimam tudo. 31.Oh! Dize-me, quem és, que tão terrível aspecto tens? Perante ti me prosto. Oh! Tem piedade! Quero conhecer-te! Mas essa aparição eu não compreendo. 32. O Sublime fala: Eu sou o tempo, destruidor dos mundos. Sob essa, terrível forma aqui. Me empenho na destruição. Desta multidão de príncipes. De todos os guerreiros que aqui vês. Nenhum me escapará. Só tu os sobreviverás. 33. Levanta-te, pois, teu é o poder. Combate, tu serás o vencedor. Meu braço já abateu teus inimigos. Sê instrumento meu. Sê meu executor. 34.Derrota todos: Bhishma, Drôna, Karna. E Vayadratha com os mais heróis. Eu já os destruí, não estremeças! Coragem, e serás o vencedor. 35.Sanjaya: O heroico Arjuna, ouvindo estas palavras do Senhor dos mundos prosternado e humilhado estendeu as mãos e disse com trêmula voz: Arjuna: O mundo com razão, Senhor, se alegre. Em tua luz e tua majestade. Adoram-te com júbilo os anjos. Porém, fogem de ti os maus, os demos. 37.A ti pertence a glória, a ti somente. Ser dos seres, mais alto do que Brahma! Espírito Infinito, único, eterno. Que ao mesmo tempo o ser és e o não ser! Tu és o Deus Supremo, o Criador; Sustentador de tudo este universo. De todos os seres és a origem. Es a Verdade estável e o saber. 39. Tu és o fogo és a água, o vento, a terra. A luz, és o Senhor e o Pai dos homens. Somente a ti pertence a glória vera. A ti somente deve-se adorar. 40.Senhor, louvado sejas nas alturas. E nas profundidades dos abismos. Sem fim é teu poder e tua força. Tu és o Todo, e tudo tu sustentas. 41. Perdoa-me que, confidentemente eu te chamava: Ó Krishna, amigo meu! Perdoa-me esta leviandade. E a falta de respeito a ti devido. 42.Perdoa-me as faltas, cometidas. Talvez no gracejar em companhia, ou quando estava só, em pé, no leito. Parado ou caminhando em ignorância. 43.Ó Senhro do Universo. Pai de tudo. Ó fonte do Saber. Supremo Mestre. Não há ninguém que seja igual a ti. Tu, infinitamente poderoso! 44.Humildemente, prosto-me a teus pés. Imploro, meu Senhor, tua clemência. Oh se-me afável, como o pai ao filho. Como um amigo, ou um amante ao outro. 45.Mirando as tuas maravilhas. Me extasio, porém temor me invade. Desejo em outra forma contemplar-te. Oh! Mostra-te, bondoso, noutro aspecto. 46.Desejo ver-te, como eu antes te vi. Ver-te com a coroa, o cetro e o disco. De novo aparece-me nessa forma. Que me sugere amor, e não me espanta. 47.Disse Krishna: Por meu poder contemplaste Arjuna. Infinita e radiante a minha forma. Que em si contém dos seres o conjunto. Ninguém dos outros inda assim me viu. 48.Nem dos sagrados livros os estudos. Nem esforços mentais, nem sacrifícios. Nem boas obras, nem a penitência. me podem revelar assim aos homens. 49. Não temas, não te assustes, caro. Por teres visto esta minha forma. Liberta-se de todo o medo e vê-me. De novo, agora, em minha forma humana. 50.Sanjaya: Pronunciadas estas palavras, apareceu Krishna ao príncipe Pândava outra vez em sua forma usual, com a expressão de suprema bondade e meiguice, tranquilizando assim o atemorizado Arjina. 51.Arjuna, recuperando a tranquilidade de ânimo, exclamou: Oh! Como se acalma o meu espírito, quando me apareces em tua pacífica forma humana! 52.Respondeu Krishna: A forma em que me viste, ó príncipe! É tal, que a poucos é dada contemplá-la. Os deuses, os arcanjos e os espíritos dos mais altos céus desejam ardentemente vê-la, mas não podem encarar-me como tu me encaraste. 53.A esta visão não se chega pela leitura das Escrituras, em por voluntários martírios, nem pela distribuição de esmolas ou sacrifícios. 54.Só pelo verdadeiro amor e verdadeira devoção se pode chegar ao conhecimento do meu ser, e conhecer e ver e penetrar minha essência. 55.Quem tudo faz em meu nome, quem me reconhece como o alvo de todos os seus mais nobres esforços. Quem me adora, livre de apegos e sem odiar a ninguém, esse chegará a mim. Abraço. Davi

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