Lao Tse (571a.C.531) Tao Te Ching. O livro que Revela Deus
Por Huberto Rhoden (1893-1981)
Cumprimento da Ordem Cósmica
Poema XVI
Quem se ergue as alturas sem desejos
Enche de silêncio o coração
E, ainda que todas as turbas ruidosas
Assaltem o home isento de desejos
Ele habita em profundo silêncio
Contemplando, severo, o louco vai e vem
Porquanto tudo o que existe
É um incessante vir e voltar
Um nascer e um morrer
O que retorna volta ao imperecível
Quem isso compreende é sábio
Quem não o compreende é autor de males
Quem é empolgado pela alma do Universo
Alarga o seu coração
O homem de coração largo
É tolerante
O Tolerante é nobre
O homem nobre cumpre a ordem cósmica
Quem cumpre essa ordem
Se identifica com o Tao, o Infinito
É imortal como Tao
E não subjaz a destino algum
Explicação Filosófica:
Quando o home ego-pensante se torna cosmo-pensado cedo ou tarde acaba por ser cosmo-pensante. O seu pequeno pensar egoico passa a expandir-se no grande pensar cósmico. No princípio parece que o seu ego humano sofre prejuízo, perecendo. Mas, por fim, verifica que, na linguagem do Mestre, o grão de trigo (ego) não morre realmente. Porém, expande a sua natureza na largueza da planta frutífera (Eu). As palavras de Lao Tsé acima reproduzidas são uma perfeita paráfrase dessas palavras do Nazareno, ou ainda das palavras de Paulo de Tarso: "Eu morro todos os dias - e é por isso que eu vivo". Todas as verdades dos grandes Mestres da humanidade aparecem sob a forma de paradoxos. Abraço. Davi.
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