Islamismo. www.iqaraislam.com. AS PRINCIPAIS DIFERENÇAS ENTRE O ALCORÃO E A BÍBLIA. O Alcorão e a Bíblia possuem semelhanças quanto às narrativas dos profetas e outros personagens e até mesmo com relação a alguns mandamentos. No entanto, há algumas diferenças consideráveis que são determinantes para a doutrina de cada religião. Muçulmanos creem que o Alcorão é apenas a palavra de Allah enquanto cristãos creem que a Bíblia tem a palavra de Deus, dos profetas e escribas. A história dos personagens narradas em ambos os livros também são diferentes, especialmente as de Adão e Jesus. O Alcorão e a Bíblia possuem histórias semelhantes, mas que diferem em alguns pontos que acabam constituindo as diferenças entre as religiões islâmica e cristã. Enquanto o livro sagrado do cristianismo foca nos detalhes da história dos profetas e de pessoas que encontraram o favor e a ira de Deus, o dos muçulmanos foca mais nas lições que as histórias transmitem. Para a religião islâmica, essas diferenças podem ser atribuídas a uma correção enviada diretamente por Allah. Isso porque a história dos profetas e de outras pessoas virtuosas foram transmitidas por muitos séculos e algumas acabaram sendo adulteradas e, portanto, o que o Alcorão faz é transmitir a versão correta do que aconteceu. Podemos observar essa diferença de narrativas em quase todos os personagens mencionados em ambas as escrituras. Através deles, podemos observar melhor o que pregam as duas escrituras. Mas, além das narrativas, encontramos também algumas diferenças chaves nas doutrinas propagadas pelos livros sagrados. Os detalhes são variados, mas neste texto iremos destacar alguns dos principais aspectos. Diferenças Chaves Entre as Escrituras. A principal diferença entre as escrituras islâmicas e cristãs que podemos destacar é quanto à autoria de ambas. De acordo com o que cada religião acredita, o Alcorão é um livro que contém apenas as palavras de Allah que foram enviadas ao Profeta Muhammad através do arcanjo Gabriel, enquanto a Bíblia é um livro com as palavras de Deus, profetas, escribas, etc. O Alcorão é um único livro que foi revelado ao longo de 22 anos. A Bíblia, poe sua vez, é um compilado de livros que são divididos entre o antigo e o novo testamento, sendo que o primeiro são escrituras do povo judeu, enquanto o segundo fala sobre as revelações e a vida de Jesus Cristo e os fundamentos da doutrina cristã. Mesmo assim, os cristãos acreditam em ambos os testamentos. O Alcorão não tem uma cronologia bem definida, pois Allah apresenta as histórias de acordo com o ensinamento e as ordens que Ele tem para transmitir. Embora, em alguns casos, a Bíblia apresente a mesma história, porém sob perspectivas diferentes, ela tende a ter uma narrativa de acordo com a ordem que as histórias ocorreram. Hoje, há muitas denominações cristãs que afirmam que a Bíblia não precisa estar escrita no idioma em que os livros foram escritos. O mesmo não ocorre com o Alcorão: o livro sagrado dos muçulmanos deve ser escrito em árabe e, portanto, as traduções não são uma cópia original. Embora também devam ser tratadas com respeito, os rituais que envolvem a recitação ou leitura do Alcorão devem ser feitos no idioma em que ele foi revelado. Diferenças nas Doutrinas das Escrituras. As diferenças principais entre as escrituras cristãs e islâmicas giram em torno da forma de perceber o monoteísmo. Na Bíblia, Jesus e o Espírito Santo também são partes de uma trindade e que formam um Deus único e perfeito. Para o Alcorão, o conceito apresentado é falho, pois esta noção por si só contradiz o que é o monoteísmo. Por isso. Ele afirma que Jesus não é uma divindade, mas sim um profeta, e o Espírito Santo é, na verdade, o anjo Gabriel. Para o Islam, tudo que não é o Criador é criatura e, por mais que os anjos e profetas sejam os mais elevados entre toda a criação, eles são meios para que os humanos possam se conectar com Allah, mas não são Allah em si. A Bíblia também diz que o pecado cometido por Adão e Eva no paraíso deixou uma mácula na espécie humana que só poderia ser paga com com a imolação do Seu filho unigênito, que seria a crucificação de Jesus. Isto seria o pecado original, que só é corrigido através do batismo. Toda essa narrativa é contestada pelo Alcorão pois, na versão islâmica, Adão e Eva erraram, mas Deus perdoou os dois, pois Ele perdoa todos aqueles que se arrependem com sinceridade, já que a misericórdia de Allah é superior à Sua ira. Sendo assim, não há pecado original e os humanos são salvos apenas pela crença em Allah, nos profetas, anjos, livros, no Dia do Juízo e por meio de boas obras. Allah, portanto, não enviou Jesus a este mundo para ser sacrificado, mas sim para admoestar os filhos de Israel do erro que estavam cometendo ao seguirem rabinos que estavam totalmente afastados das leis de Deus. Histórias dos Profetas e de outros Personagens. A maior parte do Alcorão não é focada no estabelecimento de leis, penas, normas, etc, mas sim em relatos da vida dos profetas e de outras pessoas piedosas que encontraram o favor de Allah. Boa parte delas também estão incluídas na Bíblia, mas a maioria das histórias possuem alguma diferença nos dois livros. Abaixo, nós citamos apenas as maiores delas. Adão e Eva. O Alcorão diz que Adão foi criado a partir da argila e que Deus soprou Seu espírito nele. Em seguida, os anjos questionaram a criação do homem, argumentando que eles poderiam fazer tudo o que Allah manda e o homem, por outro lado, derramaria sangue e espalharia a corrupção pelo mundo - uma narrativa que não aparece no livro de Gênesis. Outra diferença está no momento de nomear os animais. Na Bíblia, Adão os nomeia e, no Alcorão, Allah ensina o nome dos outros seres vivos para ele. Deus manda que todos os anjos se prostrem perante a Adão, mas iblis (Satanás) se nega a fazer isso e protesta dizendo que ele era feito de fogo enquanto o homem havia sido criado a partir do barro. No Alcorão, também não há menção sobre a criação de Eva, embora os muçulmanos a reconheçam como a mãe de toda a humanidade. Quando eles comem o fruto da árvore proibida, se arrependem do erro que cometeram e pedem perdão a Allah que, por Sua vez. os perdoa. Noé. A versão da Bíblia sobre a história de Noé possui mais detalhes que a do Alcorão, que não relata nada do que foi dito pelo profeta antes de ele deixar a arca. A diferença de narrativas, no entanto, consiste principalmente na parte em que fala a respeito dos familiares que foram salvos do dilúvio. Enquanto a Bíblia diz que todos foram salvos, o Alcorão menciona um filho que subiu em uma montanha ao invés de refugiar-se na arca, mostrando que as pessoas não podem se salvar por laços familiares, apenas por sua própria fé. Não consta no Alcorão a versão bíblica de que Noé se embriaga, dorme nu e é acordado por seu filho Cam. Além de o álcool ser proibido pela religião islâmica, Allah jamais permitiria tal desonra a seus mensageiros, que são protegidos de cometer pecados. O Alcorão também diz que a esposa de Noé é o exemplo de uma infiel e a sentencia ao fogo do inferno no versículo 66:10. Abraão. Uma das principais diferenças entre as narrativas religiosas se concentra na imolação do filho de Abraão, que a Bíblia diz ser Isaac, enquanto o Alcorão não diz o nome dele, mas na tradição islâmica considera-se que esse filho era, na verdade, Ismael. A Bíblia diz que Abraão esteve no Iraque-Síria, depois em Canaã, Parã e Egito, e viveu seus últimos dias em Canaã e Hebron. Tanto Isaque quanto Ismael assistem ao funeral de Abraão. O Alcorão menciona que Abraão deixou Ismael e a senhora Hagar na terra onde hoje fica Meca e, em seguida, partiu para o que aparentemente era a Palestina. Ló. Ló, assim como Adão, é mencionado como profeta no Alcorão, mas não na Bíblia. Na tradição islâmica, Ló também é mencionado como o sobrinho do Profeta Abraão. Em ambos os livros, Abraão implora a Deus que tenha misericórdia do povo de Sodoma. Também é comum o fato de que a esposa de Ló morre por olhar para trás enquanto a cidade era destruída. A Bíblia narra eventos incestuosos entre Ló e sua filha, no qual eles acreditavam que a raça humana havia sido extinta, o que os levou a cometer tal ato para manter a espécie. Tais eventos não apenas não são narrados no Alcorão como têm sua veracidade contestada pelos estudiosos islâmicos. Moisés. Na Bíblia, Moisés reluta para se tornar profeta e, no Alcorão, pede a Deus para que seu irmão Arão também se torne um profeta junto com ele, pois era um orador melhor e também pelo apoio que teria dele. No Alcorão, os feiticeiros do Faraó se convertem ao Islam depois de verem os sinais que Deus enviou através de Moisés. No livro sagrado dos muçulmanos, também é dito que o Faraó se arrependeu enquanto se afogava, mas o fez enquanto já via os anjos vindo buscar a sua alma e, portanto, atendeu o chamado de Allah tarde demais. Por isso, seu Senhor não aceitou suas desculpas. Na Bíblia, Arão ajuda os filhos de Israel a fazerem um bezerro de ouro. Entretanto, no Alcorão, ele condena que as pessoas construam o ídolo, afirmando que isso despertaria a fúria de Deus. Virgem Maria. O Alcorão menciona que Maria ficou grávida através do espírito de Deus. No entendimento cristão, o Espírito Santo é o próprio Deus, mas para o Islam ele é o anjo Gabriel, que concebe um filho em seu ventre através de um sopro. Na narrativa corânica, Maria nunca se casou com José e foi acusada de ser fornicadora pelo seu povo. Jesus. No Alcorão, quando Maria é acusada de fornicação, o primeiro milagre de Jesus é falar enquanto ainda era um bebê de colo. Testemunhando que sua mãe era uma mulher virgem. Quando ainda era criança, o Messias também dava vida a pássaros de barro através de um sopro. Além disso, Jesus não é considerado Deus ou filho de Deus, e sim um profeta enviado por Ele. O messias nega que seja uma divindade e que seja digno de ser adorado e ainda profetiza a vinda do Profeta Muhammad, o último mensageiro de Deus. Por fim, no livro dos muçulmanos, Jesus não é crucificado. Ele é arrebatado de corpo e alma para o paraíso, local onde permanece até os dias atuais e aguarda a hora de seu retorno a este mundo para concluir a sua missão de guiar toda a humanidade e destruir o anticristo. Conclusão. O Alcorão e a Bíblia possuem semelhanças que podem ser percebidas até mesmo nas doutrinas das religiões que se orientam a partir deles, como: a crença em um Deus Único, nos anjos e nos profetas. No entanto, podemos perceber diferenças que são muito relevantes. As principais diferenças estão na forma de perceber o monoteísmo, pois enquanto o Islam acredita na unicidade divina (tawhid), os cristãos creem na trindade. Isto significa que, no cristianismo, Jesus e o Espírito Santo também são Deus, enquanto para os muçulmanos essa percepção é equivocada e, portanto, Jesus é um profeta e o Espírito Santo é, na verdade, o anjo Gabriel. Outra crença importante que o Islam não partilha com o cristianismo é a ideia do pecado original. Para os muçulmanos, Allah perdoou Adão e Eva, o que significa que Jesus não veio ao mundo para ser sacrificado pelos pecados da humanidade, também, não é necessário o batismo para ser salvo. Esta crença é reforçada pelo fato de que o Alcorão nega que Jesus tenha sido crucificado. Segundo o livro, ele foi arrebatado de corpo e alma para os céus, onde está até hoje aguardando a hora de retornar para guiar a humanidade ao Islam e destruir Satanás. www.iqaraislam.com. Abraços. Davi.
sexta-feira, 29 de novembro de 2024
quinta-feira, 28 de novembro de 2024
OS ANALECTOS - LIVRO VII
Confucionismo. www.https//rt.br. OS ANALECTOS – LIVRO VII. 1. O Mestre disse: “Eu transmito, mas não inovo; sou verdadeiro no que digo e devotado à Antiguidade. Arrisco me comparar ao nosso Velho P’eng”. 2. O Mestre disse: “Silenciosamente depositar conhecimento na minha mente, aprender sem perder a curiosidade, ensinar sem cansar: isso não me apresenta dificuldade alguma”. 3. O Mestre disse: “Estas são as coisas que me causam preocupação: não conseguir cultivar a virtude, não conseguir ir mais fundo naquilo que aprendi, incapacidade de, quando me é dito o que é certo, tomar uma atitude e incapacidade de me reformar quando apresento defeitos”. 4. Durante seus momentos de lazer, o Mestre permanecia altivo, embora relaxado. 5. O Mestre disse: “Como caí montanha abaixo! Faz tanto tempo desde que sonhei com o duque de Chou”. 6. O Mestre disse: “Aplico meu coração no caminho, baseio-me na virtude, confio na benevolência para apoio e encontro entretenimento nas artes”. 7. O Mestre disse: “Nunca neguei instrução para ninguém que, por vontade própria, tenha me dado um pacote de carne seca de presente”. 8. O Mestre disse: “Nunca explico nada para alguém que não esqueça do mundo ao tentar entender um problema ou que não entre em um frenesi ao tentar se expressar por palavras. “Se mostro um dos cantos de um quadrado para alguém e essa pessoa não consegue encontrar os outros três, não mostro uma segunda vez.” 9. Ao fazer uma refeição na presença de alguém que estivesse de luto, o Mestre nunca comia toda sua porção. 10. O Mestre nunca cantava se, naquele dia, tivesse chorado. 11. O Mestre disse para Yen Yüan: “Apenas você e eu temos a habilidade de aparecer quando requisitados e de desaparecer quando deixados de lado”. Tzu-lu disse: “Se você estivesse liderando os Três Exércitos, quem levaria consigo?”. O Mestre disse: “Eu não levaria comigo ninguém que tentasse lutar com um tigre usando apenas as próprias mãos ou cruzar o rio a nado e morrer na tentativa sem mostrar arrependimento. Se eu levasse alguém, teria que ser um homem que, ao se defrontar com uma missão, tivesse medo do fracasso e que, ao mesmo tempo que gostasse de fazer planos, fosse capaz de executá-los com sucesso”. 12. O Mestre disse: “Se a riqueza fosse um objetivo decente, eu, para obtê-la, estaria disposto até mesmo a trabalhar como zelador do lado de fora do mercado, com um chicote na mão. Se não é, devo seguir minhas próprias preferências”. 13. Jejum, guerra e doença eram coisas que o Mestre tratava com cuidado. 14. O Mestre ouviu o shao em Ch’i e por três meses não sentiu o gosto das refeições que comia. Ele disse: “Jamais sonhei que as alegrias da música pudessem chegar a tais alturas”. 15. Jan Yu disse: “O Mestre está do lado do senhor de Wei?”. Tzu-kung disse: “Bem, vou perguntar a ele”. Ele entrou e disse: “Que tipo de homens eram Po Yi e Shu Ch’i?”. “Eram excelentes anciãos.” “Tinham alguma queixa?” “Procuravam a benevolência e a encontraram. Então, por que teriam qualquer queixa?” Quando Tzu-kung saiu, ele disse: “O Mestre não está do lado dele”. 16. O Mestre disse: “Ao comer arroz comum e ao beber água, ao utilizar o próprio cotovelo como apoio, a alegria será encontrada. Riqueza e status conquistados por meios imorais têm tanto a ver comigo quanto as nuvens que passam”. 17. O Mestre disse: “Concedam-me mais alguns anos para que eu possa estudar até os cinquenta, e então estarei livre de maiores erros”. 18. As coisas para as quais o Mestre usava a pronúncia correta: as Odes, o Livro da História e a realização das cerimônias rituais. Em todos esses casos ele usava a pronúncia correta. 19. O governador do She perguntou a Tzu-lu sobre Confúcio. Tzu-lu não respondeu. O Mestre disse: “Por que você não falou simplesmente o seguinte: ele é o tipo de homem que esquece de comer quando está distraído com um problema, que é tão alegre que esquece suas preocupações e que não percebe a aproximação da velhice?”. 20. O Mestre disse: “Não nasci com conhecimento, mas, por gostar do que é antigo, apressei-me em buscá-lo”. 21. Os assuntos sobre os quais o Mestre não discorria eram milagres, violência, desordem e espíritos. 22. O Mestre disse: “Sou fadado a, mesmo enquanto caminho na companhia de dois homens quaisquer, aprender com eles. Imito as qualidades de um; os defeitos do outro, corrijo-os em mim mesmo”. 23. O Mestre disse: “O Céu é o autor da virtude que há em mim. O que pode Huan T’ui fazer comigo?”. 24. O Mestre disse: “Meus amigos, acham que sou misterioso? Não há nada que eu esconda de vocês. Não há nada que eu não compartilhe com vocês, meus amigos. Eis como sou”. 25. O Mestre ensina quatro matérias: cultura, conduta moral, fazer o melhor possível e ser coerente com aquilo que se diz. 26. O Mestre disse: “Não tenho qualquer esperança de encontrar um sábio. Ficaria contente se encontrasse um cavalheiro”. O Mestre disse: “Não tenho qualquer esperança de encontrar um homem bom. Eu ficaria contente se encontrasse alguém constante. É difícil considerar constante um homem que diz ter quando lhe falta, que diz estar cheio quando está vazio e estar confortável quando está em circunstâncias difíceis”. 27. O Mestre usava uma linha de pesca, mas não uma rede; ele sabia usar o arco, mas não atirava em pássaros que cantassem. 28. O Mestre disse: “Existem, presumivelmente, homens que inovam sem possuir conhecimento, mas essa é uma falha que não tenho. Faço amplo uso de meus ouvidos e sigo o que é bom daquilo que ouvi; faço amplo uso dos meus olhos e retenho na minha mente o que vi. Isso constitui o melhor substituto para o conhecimento inato”. 29. Era difícil ensinar algo ao povo de Hu Hsiang. Um menino foi recebido pelo Mestre, e os discípulos ficaram perplexos. O Mestre disse: “Aprovação à vinda dele não significa aprovação quando ele não está aqui. Por que deveríamos ser tão preciosistas? Quando um homem vem a nós após ter se purificado, aprovamos sua purificação, mas não podemos chancelar seu passado”. 30. O Mestre disse: “A benevolência é realmente algo tão distante? Tão logo a desejo e ela está aqui”. 31. Ch’en Ssu-pai perguntou se o duque Chao era versado nos ritos. Confúcio disse: “Sim”. Depois de Confúcio ir embora, Ch’en Ssu-pai, curvando-se para Wu-ma Ch’i, convidou este para se aproximar e disse: “Ouvi dizer que um cavalheiro não demonstra parcialidade. E mesmo assim o seu Mestre é parcial? O senhor tomou como esposa uma filha de Wu, que é do mesmo clã que ele, mas ele permite que ela seja chamada Wu Meng Tzu. Se esse senhor é versado nos ritos, quem não é?”. Quando Wu-ma Ch’i relatou-lhe isso, o Mestre disse: “Sou um homem de sorte. Sempre que cometo um erro, as outras pessoas percebem”. 32. Quando o Mestre estava cantando na companhia de outros homens e gostava da música de um companheiro, ele sempre pedia para ouvi-la mais uma vez antes de tomar parte no coro. 33. O Mestre disse: “Quanto a fazer esforços irrestritos, sou igual aos outros homens, mas quanto a viver de acordo com os preceitos de um cavalheiro, não obtive, ainda, sucesso algum”. 34. O Mestre disse: “Como posso me considerar um sábio ou um homem benevolente? Talvez possa ser dito sobre mim que aprendo sem esmorecer e que ensino sem me cansar”. Jung-hsi Hua disse: “Isso é, precisamente, aquilo que nós, discípulos, somos incapazes de aprender com o seu exemplo”. 35. O Mestre estava gravemente doente. Tzu-lu pediu permissão para fazer uma oração. O Mestre disse: “Isso foi feito alguma vez?”. Tzu-lu disse: “Sim, foi. A oração foi a seguinte: rogo aos espíritos do mundo inferior e do mundo superior”. O Mestre disse: “Nesse caso, há tempos venho oferecendo minhas orações”. 36. O Mestre disse: “Extravagância significa ostentação; frugalidade significa desalinho. Eu preferiria ser um maltrapilho do que um ostentador”. 37. O Mestre disse: “O cavalheiro tem a mente tranquila, enquanto o homem vulgar está sempre tomado de ansiedade”. 38. O Mestre é cordial embora severo, inspira autoridade sem ser bravo e é respeitoso ao mesmo tempo em que é tranquilo. www.https//rt.br. Abraço. Davi
terça-feira, 26 de novembro de 2024
VI. O EVANGELHO DO BUDA
Budismo. Por Yogi Kharishnanda Saraswati (1922-2001). VI. O EVANGELHO DO BUDA. O sermão de Varanasi ou Benares. O Senhor Budha voltou para o lugar onde estavam os cinco eremitas que, ao verem aproximar-se o antigo mestre, resolveram não lhe dar mais esse título, mas chama-lo pelo nome, pois diziam entre si: Ele quebrou o seu voto e fracassou na santidade. Já não é dos nossos, mas apenas Gautama, um homem que vive na abundância e se entrega aos prazeres mundanos. Todavia, quando o Bem-aventurado se aproximou deles, ergueram-se os cinco inconscientemente para recebe-lo e saudá-lo, embora o chamassem pelo nome e o tratassem como amigo. O Bem-aventurado lhes disse: Não chamem aoTathágata pelo seu nome nem dê a ele o trato de amigo, porque já é Buda, o Iluminado, que olha todos os seres com a mesma compaixão, e por isso o devem chamar de pai. É mau faltar com respeito ao pai. É pecado menosprezá-lo. O Tathágata não crê que a austeridade seja o caminho para a salvação. Porém, isso não quer dizer que se entregue aos prazeres mundanos e viva na abundância. O Tathágata encontrou o caminho do meio. A abstenção de carnes ou pescados, raspar a cabeça ou trançar o cabelo, vestir-se com túnica grosseira, cobrir-se de pó e oferecer sacrifício a Ani, nada disso purificará aquele que não se libertou do erro. A leitura dos Vedas, as dádivas aos sacerdotes, a mortificação pelo calor ou pelo frio, e outras penitências semelhantes com intuito de alcançar a imortalidade, não purificam quem não se libertou do erro. A ira, a embriaguez, a teimosia, a hipocrisia, a presunção, a maledicência, a arrogância, as más intenções, são impurezas e certamente não são limpas pelas mortificações corporais. Permitam que eu mostre a vocês o Caminho do meio que é equidistante dos extremos viciosos. O devoto extenuado pela penitência confunde a sua mente, e seus pensamentos são doentios. A austeridade mortificante não constitui meio eficaz para subjugar os sentidos da percepção. Aquele que alimenta sua lâmpada com água em vez de azeite não dissipará as trevas, e nem é possível avivar o fogo com lenha podre. As mortificações são tão penosas quanto inúteis; e mesmo que o homem leve uma vida austera, não poderá emancipar-se da escravidão da personalidade se não extinguir o fogo da concupiscência. Toda mortificação é inútil se a personalidade persiste em desejar os prazeres do mundo e os deleites do céu. Porém, quem subjuga a personalidade está livre de concupiscência, não deseja prazer nenhum, nem mundano nem celeste, e por isso não o contaminará a satisfação de suas necessidades naturais. Que coma e beba para a manutenção do corpo. A água que rodeia a flor de lótus não molha as suas pétalas. Toda sensualidade é enervante. O homem sensual é escravo de suas paixões, e degrada-se de maneira vil ao buscar o prazer. Porém, não é mau satisfazer as necessidades da vida. Ao contrário, é nosso dever manter a saúde do corpo, porque de outra maneira não poderíamos manter acesa a lâmpada da sabedoria, nem dar fortaleza e lucidez à mente. Esse é, Oh! Devotos, o caminho equidistante dos dois extremos. E os cinco devotos tornaram-se os primeiros discípulos do SenhorBudha. O Bem aventurado falou bondosamente aos seus discípulos, mostrando compaixão pelos erros deles e representando-lhes a inutilidade de seus esforços. A pequena desconfiança que existia no coração deles desapareceu ao calor e persuasão das palavras do Mestre. Então o Bem aventurado pôs em movimento a Roda da Lei, e começou a pregar aos cinco discípulos, abrindo-lhes a porta da imortalidade e expondo-lhes as excelências do Nirvana. Quando o Senhor Budha começou o sermão, os mundos estremeceram de júbilo. Os devas (anjos) abandonaram a sua mansão celeste para ouvir as doces palavras da Verdade; os santos que já haviam saído deste mundo congregaram-se em torno do Grande Instrutor para receber as felizes novas; e até os animais gozaram do benefício que fluía de suas sábias palavras. Todas as criaturas, deuses, homens e animais escutaram e compreenderam, cada qual em seu grau de inteligência, a luminosa mensagem de libertação. Assim disse o Senhor Buda: Os raios da Roda são as regras da retidão de conduta. A justiça é a uniformidade de sua circunferência; a sabedoria é a sua faixa; a meditação é o cubo em que se fixa o eixo da verdade inflexível. Aquele que percebe a existência da dor e conhece a sua causa, o seu remédio e a sua extinção, compreende as Quatro Nobres Verdades e está em bom caminho. Seu reto propósito será a luz que iluminará seus passos, e a palavra verdadeira o seu refúgio. Caminhará em linha reta, porque reta é a conduta. O trabalho honroso terá seu consolo; seus esforços serão seus passos, seus bons pensamentos, seu hálito, e a paz será sua companheira inseparável. Tudo quanto teve princípio terá fim. É vão todo cuidado com a personalidade, todas as atribulações que a afetam são passageiras, e se desvanecerão como um pesadelo quando o sonhador acorda. Quem desperta para o conhecimento da verdade, livra-se de todo temor e conhece a futilidade de suas inquietações, ambições e sofrimentos. Acontece que, às vezes, ao sair de um banho, a pessoa pisa numa corda úmida e a confunde com uma serpente; e horrorizada, sofre a agonia idêntica à causada por um picada venenosa. Quão alegre ficará o homem ao reconhecer o seu engano e a não existência de tal serpente! O motivo de seu espanto está no seu erro, na sua ignorância e ilusão. Quando souber que pisou numa corda, reconquistará o sossego e a tranquilidade. Essa é a atitude de quem conhece a ilusão da personalidade, e que a causa de todas as suas dores, sofrimentos, inquietações e vaidades é uma miragem, uma sombra, um sonho. Feliz aquele que vence o egoísmo. Alcança a paz e encontra a Verdade. A Verdade liberta-nos do mal; não há no mundo libertador igual. Confiem na Verdade, mesmo que não sejam capazes de compreendê-la, mesmo que no começo a sua doçura pareça amarga. O erra extravia; a ilusão é a mãe do mal, que embriaga como bebida fermentada; porém muito logo se desvanece, deixando o homem abatido e desgostos. A personalidade é uma febre, uma visão passageira, um sonho; porém, a Verdade é sublime, saudável, eterna. Unicamente a Verdade é imortal, permanece para sempre. Exposto esse ensinamento, o venerável Kaudinya, o discípulo mais idoso, viu a Verdade com os olhos do espírito e exclamou: Certamente, Oh! Senhor Budha, o Senhor encontrou a Verdade! E os devas (anjos), os santos e os espíritos bons das gerações mortas, que ouviram o sermão do Tathágata, receberam alegres a doutrina e exclamaram: Em verdade o bem aventurado comoveu a Terra. Pôs em movimento a Roda da Lei, sem que ninguém no Universo, deuses e homens, possam movê-la em sentido contrário. A mensagem da Verdade será proclamada em todo o mundo, e a justiça, a boa vontade e a paz reinarão na Terra. Capítulo 2. O PAI DO BUDHA. O Budha estava em Radjagriha, quando recebeu um recado de seu pai, Suddhodana, que dizia: Desejo ver meu filho antes de morrer. Todos têm recebido o benefício de sua doutrina, menos seu pai e seus parentes. Oh! Tathágata a que o mundo adora. Seu pai o espera, como o lírio impaciente aguarda a saída do Sol. O Senhor Budha atendeu ao pedido de seu pai, e se pôs a caminho para Kapilavastu. Esse acontecimento foi conhecido por toda a Comarca, cujas pessoas diziam: O príncipe Sidarta, que deixou seu lar para adquirir luz e conhecimento, volta iluminado. Suddhodana saiu para receber o paríncipe, e acompanhado da família real e de seus ministros. Ao vê-lo de longe, admirou-se da majestade de seu porte e da beleza de sua fisionomia, e alegrou-se em seu coração sem que seus lábios conseguissem proferir uma palavra. Realmente aquele era seu filho, outrora o príncipe Sidharta, o herdeiro do trono, porém agora transformado em Budha, o Bem aventurado, o Santo, o Iluminado, o Tathágata, o Senhor da Verdade, o Instrutor do Mundo. O rei Suddhodana desceu do carro e foi ao encontro de seu filho, dizendo-lhe: Faz sete anos que não vejo você, e com que impaciência esperava este momento! O Senhor Budha sentou-se em frente de seu pai, que avidamente o olhava sem atrever-se a chama-lo pelo nome. Depois, ele lhe disse:Sidharta, junte-se ao seu velho pai e seja de novo seu filho. Porém, ao ver a serena firmeza de seu filho, reprimiu seus sentimentos dolorosos. E assim o rei, sentado em frente de seu filho, gozava em sua aflição e sofria em seu gozo. Podia ufanar-se de seu filho, porém sofria ao pensar que não seria ele o seu herdeiro. O rei disse ao Senhor Budha: Queria oferecer a você o meu reino; porém, você faria tanto caso desta oferta com de um punhado de cinzas. O Senhor Budha respondeu-lhe; Sei que o coração do rei transborda de amor e está profundamente triste por causa do seu filho. Porém, os amorosos laços que o ligam ao filho que perdeu hão de liga-lo com igual bondade a todos os seres, ou em lugar deste filho, receberá outro maior do que Sidharta. Receberá o Budha, o Mestre da Verdade, o pregador da Justiça; a paz do Nirvana inundará o seu coração. Suddhodana estremeceu de alegria ao ouvir as palavras suaves de seu filho, e de mãos untas exclamou com os olhos banhados de lágrimas: Que transmutação maravilhosa! Minha dolorosa tristeza se desvaneceu. Antes, eu estava pesaroso e meu coração aflito, porém agora colho o fruto de sua magna renúncia. Movido de profunda compaixão, você fez muito bem em renunciar às mesquinhas manifestações do régio poder, para cumprir seus nobres propósitos de religiosa devoção. Você encontrou o caminho e já pode pregar a verdade ao mundo ansioso por libertação. Segundo relatam as Escrituras Sagradas, no vasto prado às margens do Kohana, o Mestre sentou-se dominando a multidão respeitosa ali congregada para ouvir a sua palavra. Budha estava sentado à direita do rei, seu pai: ao redor se agrupavam os magnatas da corte, e a seus pés estava Yasodhara, que com seu manto prateado cobriu as pregas do pobre manto amarelo do seu esposo. A noite caiu sobre os ouvintes, como celestial donzela extasiada de amor, cujas tranças de cabelo eram como ondulantes nuvens; as belas estrelas, as pérolas e os diamantes de sua coroa: a Lua, seu diadema, e as densas trevas teciam a sua vestimenta. Assim disse o Senhor Budha: Os livros ensinam que as trevas eram o princípio e que Brahma meditava solitário naquela noite. Não busquem ali Brahma nem o Princípio. Olhos mortais não podem vê-lo, nem a mente humana é capaz de conhecer. Erguerá um véu após outro, mas sempre encontrará outro véu atrás. Os astros rodam e não perguntam: Basta que a vida e a morte, a alegria e a dor subsitam, assim como a causa e o efeito o transcurso do tempo e o incessante fluxo e refluxo da existência que é sempre mutável e desliza como um rio, cujas ondas lentas ou rápidas se sucedem umas às outras desde sua longínqua fonte até o mar onde deságuam. O Sol evapora o mar e restitui ondas perdidas em forma de aveludadas nuvens, que gotejarão montanhas abaixo, para refluir de novo, sem paz nem trégua. Isso basta para se saber quão ilusórios são os céus, as terras, os mundos e as mudanças que o alteram em potentes rodas de lutas e violências, cujo giro turbilhonante ninguém pode deter nem inverter. Não supliquem, porque as trevas não iluminarão. Nada peçam ao silêncio, porque ele está mudo. Nada esperem dos deuses implacáveis, oferecendo-lhes hinos e dádivas. Não pretendam suborna-los com sacrifícios de sangue. Devemos buscar a libertação em nós mesmos. Cada qual cria o seu próprio cárcere. Cada qual tem tanto poder quanto os mais potentes. Porque tanto para as potestades que estão em cima, ao redor e embaixo de nós, como para toda a carne e toda a vida, a ação engendra o prazer e a dor. Do que foi provém aquilo que é e o que será, melhor ou pior. Vocês podem elevar o seu destino à maior altura do que o de Indra ou rebaixá-lo mais do que o da larva; o que sobe pode cair; o que cai pode subir. Os raios da roda não param de girar. Oh! Vocês que sofrem. Saibam que sofrem porque querem. Ninguém os excita à vida nem nela os retém condenados à morte, girando sobre a roda e abraçando seus raios de agonia, seu aro de lágrimas, seu cubo de rija madeira. Mais fundo que o inferno, mais alto que o céu, além das mais longínquas estrelas, mais além da morada de Brahma, há um Poder estável e divino, existente antes do princípio e que não terá fim, eterno como o tempo, seguro como a certeza, que impele para o bem e é súdito de suas própria leis. A um toque seu, florescem os rosais e sua mão modela as pétalas de lótus, e no obscuro solo e nas silenciosas sementes, tece o enfeite da primavera. Seu pincel colore as luzentes nuvens, e no pescoço do pavão real engasta suas esmeraldas. As estrelas são o seu porto, e o relâmpago o vento e a chuva seus escravos. Constrói nas trevas o coração do homem, e na obscuridade do ovo o faisão de colo multicor; sempre ativo, transmuta a ira e o ódio em amor. Seus tesouros são os cinzentos ovos no ninho do colibri dourado; as suas hexágonas favas de abelha são suas redomas de mel; a formiga obedece aos seus mandatos e a pomba branca o conhece bem. Solta as asas da águia toda vez que com pressa volta ao seu ninho; conduz a loba para junto aos seus lobinhos; e encontra sustento e amigos para os seres abandonados. Nada o repugna, nada o detém. Tudo ama. Enche os seios maternais de doce leite, bem como de veneno mortífero os dentes da serpente. Concerta (pactuar) no interminável dossel (cobertura ornamental) do firmamento a harmoniosa música das esferas móveis; nos seios abismais da Terra esconde o ouro, o ônix, a safira e as lazulitas (fosfato de alumínio natural). Envolto perpetuamente no mistério, oculta-se na espessura dos bosques e alimenta ao pé dos cedros admiráveis rebentos com novas fibras, ervas e flores. Mata e salva sem outro motivo que o cumprimento do destino. O Amor e a Vida são os fios, e a Morte e a Dor as lançadeiras do seu tear. Faz, desfaz e emenda tudo. Com o que faz, supera o que fez. Cada vida do homem é o resultado de suas vidas precedentes. Os erros passados engendram tristeza e sofrimento. A retidão passada traz felicidade. Eles colhem o que semeiam. Olhem para seus campos. O sésamo (variação do gergelim) foi sésamo, e o trigo, trigo. O silêncio e a sombra o sabem. Assim nasce o destino do homem. Vem a vida e colhe o que semeou: sésamo ou trigo, ou ervas venenosas e daninhas que corrompem tanto a ele mesmo quanto a Terra doentia. Porém, se a Terra for bem lavrada e as ervas más extirpadas, sendo semeada em lugar delas as sãs e puras, o solo será formoso e fértil e a colheita será ótima. Se aprende a causa da dor e pacientemente suporta, esforçando-se por pagar as dívidas contraídas por suas culpas passadas, sempre fiel ao Amor e à Verdade; se limpa seu sangue da mentira e concupiscência, e sem prejuízo de outrem sofre tudo mansamente, perdoando as ofensas, pagando o mal com o bem; se dia a dia é compassivo santo, justo, amável e sincero, e extirpa o desejo de onde quer que penetre com raízes até extinguir o apego à vida; se agir assim, terminará a conta de sua vida liquidando e saldando seus débitos, e acrescentando e vivificando os créditos recentes ou longínquos, que também produzirão créditos frutíferos. Quem age assim não precisa do que vocês chamam vida. Realizou o propósito que o fez homem. Já não o torturará a ansiedade nem o mancharão os pecados, nem os prazeres e dores humanas turvarão a sua perpétua paz, nem voltarão a eles mortes e renascimentos. Entra no Nirvana. Uniu-se a Vida e, no entanto, não vive. É feliz porque deixou de existir, porém não deixou de ser. E o Senhor Budha retirou-se para o bosque próximo da cidade. Livro O Evangelho de Buda. Abraço. Davi.
domingo, 24 de novembro de 2024
I. LIVRO JUDAICO DOS PORQUÊS
Judaísmo. I. LIVRO JUDAICO DOS PORQUÊS. Por Alfred J. Kolatch (1916-2007). 1. Por que os textos judaicos usam a.e.c. e e.c. em vez de A.C. e A.D. ou D.C. no seu sistema de datas? A.C., que significa antes de Cristo, A.D., depois de Cristo, são abreviaturas usadas pelos cristãos. O uso delas implica na aceitação de Jesus Cristo como divino. Um conceito negado pelos judeus. Portanto, adotou-se entre os estudiosos judeus as siglas a.e.c., antes da era comum, e.e.c., para fazer uma distinção entre as crenças cristãs e judaicas. 2. Por que os judeus não usam a designação Novo Testamento? Assim como ocorre com A.C. e D.C., descritos acima , alguns judeus acreditam que falar de um Novo Testamento seria dar crédito à ideia cristã de que o Novo Testamento é o cumprimento das promessas e ensinamentos da Bíblia judaica. Na verdade, os judeus em geral se abstêm de usar o termo “Antigo Testamento”, porque ele implica na existência de um Novo Testamento. 3. Introdução. O pecado original, a mãe virgem de Jesus, a Santíssima Trindade e a expiação vicária, são alguns dos conceitos que a doutrina cristã encerra e que não são aceitos pelo judaísmo. Através dos séculos e particularmente na Idade Média, a Igreja tratou de impor suas crenças aos judeus. Foram Instituídos debates aos quais os judeus deviam enviar seus mais ilustres estudiosos para discutir com estudiosos cristãos questões de teologia e de doutrina cristã. Era frequente que a Igreja fosse representada por Judeus apóstatas, os quais costumavam organizar tais debates com o único propósito de demostrar a superioridade do cristianismo e assim envergonhar a comunidade judaica. Um dos primeiros destes debates públicos foi instigado pelo judeu convertido ao cristianismo Nicolas Donin. Em 1239, denunciou as supostas “blasfêmias” do Talmud ao Papa Gregório IX, acrescentando que os rabinos haviam falseado os ensinamentos de Deus incluídos na Bíblia ao reinterpretá-los no Talmud. Foi ordenado ao Rabino Yechiel ben Iossef, de Paris, que encabeçasse uma delegação de quatro proeminentes estudiosos judeus franceses para debater o tema. Como era de se esperar, os rabinos foram derrotados no debate e, em consequência, os livros do Talmud foram queimados nas ruas de Paris em 1240. Em 1261, foi realizado um debate na presença do rei Jaime de Aragão (1208-1276) e sua corte. O apóstata judeu Pablo Cristiani, junto com outros renegados, fez a apresentação da tese cristã, enquanto Nachmânides era o único representante da parte judaica. Nachmânides foi tão convincente em sua apresentação, que a Igreja, temerosa de que ele pudesse influir sobre os cristãos e debilitar sua fé, resolveu forçá-lo a deixar a Espanha. O último grande debate público conhecido como o Debate de Tortosa – Espanha, prolongou-se durante dois anos (1413-1414). Muitos rabinos e estudiosos proeminentes foram obrigados a assisti-lo por ordem judicial. Esse debate foi organizado e encabeçado pelo apóstata Iehoshua Lorqui, também conhecido como Jerônimo de Santa Fé, e pelo antipapa Benedito XIII. A causa judaica foi apresentada por quatro sábios judeus, sendo o mais proeminente deles o filósofo espanhol Iossef Albo de Castela. Ele resumiu a posição adotada pela parte judaica no debate em sua famosa obra Sefer Haicarim (Livro dos Princípios). A atmosfera de hostilidade criada pelo Debate de Tortosa levou a muitos incidentes de antissemitismo e, nesta época, muitos judeus se submeteram ao batismo. Através destes debates públicos, a Igreja tentava demonstrar a validade de seus princípios teológicos e, como ela detinha o poder temporal em muitos países. Os debates em questão assumiram um caráter quase legal. Contudo, apesar da pressão exercida, a maioria dos judeus continuou apegada a suas próprias crenças. O doutor Otto Piper (1841-1921), professor de Teologia Sistemática do Princeton – Theological Seminary, em sua obra God in History (1939) justificou esta “obstinação dos judeus”, como a Igreja a caracterizava. Argumentou que “se os judeus tivessem reconhecido Jesus como seu Messias e Redentor, então teriam deixado de ser judeus”. Já Ludwig Lewisohn (1822-1955) estava convencido de que esta tenacidade era proveniente de uma “ilha interior”, um cerne de lealdade existente em cada judeu. Que o impele a “ser teimoso” perante aqueles que não lhe permitem a liberdade de tomar suas próprias decisões em questões de religião e consciência. Apesar da longa história de confrontação entre judeus e cristãos, os judeus continuaram procurando s formas de conviver em paz com as comunidades não judaicas. Permanecem sustentando que os homens justos de todos os povos, inclusive os cristãos, têm lugar no mundo vindouro. Os judeus creem na necessidade de manter relações de amizade e cordialidade com aqueles que são fundamentalmente diferentes. A convivência e a boa vontade não significam anular as diferenças, mas, sim, compreendê-las. Foi baseado nesse conceito que o grande crítico e poeta alemão Gotthold Ephraim Lessing (1729-1781) escreveu seu famoso drama filosófico Natan, o Sábio (1779). O cristão Lessing tinha um bom amigo judeu chamado Moises Mendelssohn (1729-1786). Em um esforço para atenuar o ambiente de antissemitismo que prevalecia na Alemanha do século XVIII (1701-1800). Lessing, através de sua obra, fez um chamado ao entendimento e à tolerância. Seu amigo Mendelssohn foi seu arquétipo do judeu e assim, na cena mais significativa e dramática da peça teatral, um encontre entre Natan e um frade. Este último, emocionado ante o belo caráter de Natan, exclama “Natan, Natan. Tu es um cristão! Por Deus que és um cristão! Nunca existiu melhor cristão! E Natan responde: Estamos tão identificados que, aquilo que a teus olhos me torna um bom cristão, te faz a meus olhos, um judeu!”, Neste capítulo são apresentados algumas das maiores discrepâncias entre judeus e cristãos. Mas, no processo, igualmente ficam claros os valores comuns e o entendimento mútuo. Abraço. Davi
sexta-feira, 22 de novembro de 2024
A CONSTITUIÇÃO DO HOMEM
Teosofia. Livro Introdução A Teosofia. Por Charles W. Leadbeat (1854-1943). A CONSTITUIÇÃO DO HOMEM. O surpreendente materialismo prático a que fomos reduzidos neste país, Inglaterra, não poderia ser mostrado de maneira mais clara do que pelas expressões que empregamos na vida diária. De maneira bastante comum, falamos do homem como tendo uma alma, de “salvar” as nossas almas etc. Evidentemente considerando o corpo físico como o homem real e a alma como um mero apanágio, algo vago a ser encarado como propriedade do corpo. Com uma ideia tão pouco definida como essa, não é de surpreender que muitas pessoas se adiantem ainda mais e duvidem de que esse “algo” vazio realmente exista. Desse modo, parece que o homem comum é, geralmente, bastante incerto quanto a ter uma alma ou não. Menos ainda sabe ele que essa alma é imortal. Que ele deva permanecer nessa condição lamentável de ignorância parece estranho, pois muitas evidências podem ser encontradas, mesmo no mundo exterior. Para mostrar que o homem tem uma existência inteiramente à parte do corpo, capaz de ser vivida durante esse corpo enquanto ele ainda vive, e inteiramente sem ele quando o corpo está morto. Até que tenhamos nos desembaraçado dessa extraordinária ilusão de que o corpo é o homem, é absolutamente impossível que, de algum modo, apreciemos os fatos do caso. Uma pequena investigação nos mostra de imediato que o corpo é apenas um veículo. Por meio do qual o homem se manifesta em conexão com esse tipo particular de matéria densa de que o nosso mundo visível é constituído. Ademais, isso mostra que outros tipos de matéria mais sutis existem, não apenas o éter, que antes se supunha interpenetrar todas as substâncias conhecidas. Todavia outros tipos de matérias, que por sua vez interpenetram até o éter, sendo muito mais sutis que o éter, tanto quanto esse o é em relação à matéria sólida. Naturalmente surgirá para o leitor a questão de como será possível para o homem tornar-se consciente da existência de tipos de matéria tão maravilhosamente sutis, subdivididos de maneira tão diminuta. A resposta é que ele pode se tornar consciente das mesmas maneiras como se torna consciente da matéria inferior, recebendo suas vibrações. À medida que ele se torna capaz de receber essas vibrações, pelo fato de possuir matéria desse tipo mais sutil como parte de si mesmo. Do mesmo modo como seu corpo de matéria densa é o veículo para perceber e se comunicar com o mundo de matéria densa. De maneira semelhante a matéria mais sutil em seu interior constitui para ele um veículo por meio do qual pode perceber e se comunicar com o mundo de matéria mais sutil, tornando-se imperceptível aos sentidos físicos mais grosseiros. Isso não é de modo algum uma ideia nova. Deve ser lembrado que o apóstolo Paulo observe “há um corpo natural e há um corpo espiritual”, I Coríntios 15,44. Além disso, ele faz referência tanto a alma quanto ao espírito no homem. Não empregando, de modo algum, os dois simultaneamente, como é impropriamente feito tantas vezes hoje em dia. Está se tornando cada vez mais evidente que o homem é um ser muito mais complexo do que comumente se supõe. Não é apenas um espírito dentro da alma, porém sua alma tem vários veículos de diferentes graus de densidade. Fazendo-se o corpo físico apenas um, e o mais inferior deles. Os vários veículos podem ser todos descritos como corpos em relação aos seus respectivos níveis de matérias. Diz-se que existem ao nosso redor uma série de mundos, um dentro do outro, em interpenetração, e que o homem possui um corpo para cada um desses mundos. Por meio do qual ele pode observá-lo e nele viver. Ele gradativamente aprende como usar esses vários corpos, e dessa maneira obtém uma ideia muito mais completa do grande e complexo mundo em que vive. Já que todos esses outros mundos internos na realidade são ainda parte dele. Desse modo vem o homem a entender muitas coisas que antes lhe pareciam misteriosas. Ele deixa de se identificar com os seus corpos e aprende que eles são apenas vestimentas de que pode se desfazer. Voltar a vestir ou trocar, sem ser em nada afetado por isso. Mais uma vez devemos repetir que tudo isso não é, de modo algum, especulação metafisica ou opinião piedosa. Todavia um fato científico definitivo, muito bem conhecido experimentalmente por aqueles que estudaram a Teosofia. Por mais estranho que possa parecer a muitos encontrar afirmações precisas tomando o lugar de hipóteses sobre questões como essas. Não estou falando aqui de nada que não seja conhecido por observação direta e constantemente repetida. Com certeza “sabemos do que falamos”, não por crença, mas por experiência e falando com confiança. A esses mundos internos, ou níveis diferentes de natureza, geralmente damos o nome de planos. Falamos do mundo visível como “o plano físico”, embora sob esse nome incluamos também os gases e os vários graus de matéria mais sutil. Ao estágio seguinte de materialidade foi dado o nome de “plano astral” pelos alquimistas medievais. Esses estavam bem conscientes de sua existência, assim, adotamos o título. Dentro desse existe um outro mundo de matéria ainda mais sutil, ao qual nós referimos como “plano mental”. Porque sua matéria é composta do que é comumente chamado de mente, no homem. Há outros planos ainda mais elevados, porém não é preciso preocupar o leitor com designações para eles, pois no momento estamos lidando apenas com a manifestação do homem nos mundos inferiores. Deve ser sempre mantido em mente que todos esses mundos não estão de modo algum afastados de nós no espaço. Na verdade, todos eles ocupam exatamente o mesmo espaço estando todos igualmente sempre à nossa volta. No mento, a nossa consciência está focada e trabalhando através do nosso cérebro físico, assim estando conscientes apenas do mundo físico, e nem sequer da totalidade dele. Mas basta aprender a focar essa consciência em um desses planos mais elevados e imediatamente o físico desaparece de nossa vista. No lugar dele, passamos a ver o mundo da matéria que corresponde ao veículo usado. Recordemos que toda matéria é, em essência, a mesma. A matéria astral não difere da matéria física em sua estrutura mais do que o gelo difere do vapor em sua natureza. É simplesmente a mesma coisa, numa condição diferente. A matéria física pode se tornar astral, ou a matéria astral se tornar mental, se for suficientemente subdividida e posta a vibrar com o grau de velocidade apropriado. O Homem Verdadeiro. O que, então, é o homem verdadeiro? Ele é, em verdade, uma emanação do Logos, uma centelha do fogo divino. O espírito em seu interior é da própria essência da Deidade, e esse espírito usa a alma do homem como uma vestimenta que a envolve e individualiza. Nossa visão limitada parece separá-la durante algum tempo do restante da vida divina. A história da formação original da alma do homem, e do envoltório do espírito dentro dela é bela e interessante, contudo, longa para ser incluída num mero tratado elementar como este. A história pode ser encontrada com riqueza de detalhes naqueles nossos livros que lidam com essa parte da doutrina. É bastante dizer, aqui, que todos os três aspectos da vida divina estão contidos nesse começo, e que sua formação é a culminância daquele tremendo sacrifício do Logos em descer à matéria, que tem sido chamado de Encarnação. Assim, nasce a alma bebê, do mesmo modo como é “feita à imagem de Deus”, triplo em aspecto com é, e triplo em manifestação como também é. Desse modo o seu método de evolução é um reflexo de sua descida na matéria. A centelha divina contém em si toda potencialidade. No entanto, é somente através de longas eras de evolução que todas as suas possibilidades podem ser concretizadas. O método designado para a evolução das qualidades latentes do homem parece ser aprender a vibrar em resposta a impactos vindos do exterior. Mas, no nível onde ele se encontra, no plano mental superior, as vibrações são demasiadamente sutis para despertar essa resposta no momento. Ele deve começar, com aquelas que são mais densas e mais fortes, tendo por esses meios despertado sua sensibilidade adormecida. Irá gradualmente se tornando cada vez mais sensitivo, até que seja capaz de responder com perfeição, em todos os níveis, a toda gama possível de vibrações. Esse é o aspecto material do seu progresso, todavia considerado subjetivamente, ser capaz de responder todas as vibrações significa ser perfeito em compreensão e compaixão. É essa exatamente a condição do homem evoluído, do adepto, do instrutor espiritual, do Cristo. Ele precisa desenvolver dentro de si todas as qualidades que o tornarão o homem perfeito. Essa é a verdadeira tarefa de sua longa vida na matéria. Neste capítulo abordamos muitos assuntos de extrema importância. Aqueles que desejam se aprofundar mais encontrarão muitos livros teosóficos pra ajudá-los. Sobre a constituição do homem nós remeteríamos os leitores As obras de Annie Besant (1847-1933), O Homem Seus Corpos, The Self and Its Sheaths, e Os Sete Princípios do Homem. Também O Homem Visível e Invisível, no qual serão encontradas muitas ilustrações dos diferentes veículos do homem segundo a visão clarividente. Sobre o uso das faculdades internas, consulte Clarividência, de minha autoria. Sobre a formação e evolução da alma, Birth and Evolution of the Soul, de Annie Besant. Growth of Soul. Abraço. Davi
quarta-feira, 20 de novembro de 2024
CONSAGRAÇÕES E OFERENDAS
Religião Afro-brasileira. Umbanda. Livro Código de Umbanda. Por Rubens Saraceni (1951-2015). CONSAGRAÇÕES E OFERENDAS. Quando um médium vai consagrar sua coroa ao seu Orixá, deve guardar preceito de sete dias se quiser apresentar-se em equilíbrio vibratório e energético diante de seu Orixá Regente. Nesses sete dias, não deve alimentar com carnes de qualquer espécie. Não deve ingerir bebidas alcoólicas. Não deve manter nenhum contato íntimo com o sexo oposto ou relação sexual e deve acender uma vela de sete dias ao seu anjo da guarda e outra ao seu Orixá. Não deve, ainda, entrar em locais de grande aglomeração de pessoas. Deve dormir sozinho e de preferência sobre uma esteira. Deve dedicar uma hora antes de dormir a preces e mentalização de seu Orixá. Não deve emitir pensamentos ou palavras negativas. Deve mesmo fazer seu banho de ervas rituais todos os dias. Deve incensar seu quarto de dormir antes de se deitar. Deve manter sua “esquerda” iluminada com velas pretas, vermelhas e brancas, de preferência, acesas em triângulo. E outros procedimentos mais que seu pai ou mãe no Santo lhe recomendar. Quando o médium só vai oferendar seu Orixá ou algum dos outros Orixás em algum dos pontos de forças da natureza. Deve se abster de contatos sexuais pelo menos nas últimas setenta e duas horas e nas doze horas posteriores. Só depois desse período de isolamento energético está liberado para retomar a rotina em sua vida particular. Isso é necessário para que, quando se apresentar diante do Orixá, não esteja impregnado com as energias que normalmente absorve do sexo oposto. Quando mais o médium estiver puro energeticamente, mais facilmente sintonizará vibratoriamente as irradiações dos Orixás. Para as incorporações que acontecem durante os trabalhos práticos é recomendado em resguardo durante as vinte e quatro horas anteriores aos mesmos. Esses procedimentos visam a desobstruir os pontos de captação de energias e afinizar a vibração do médium em seu padrão pessoal. Outras recomendações preconizadas pela doutrina de Umbanda já estão bastante difundidas e nos dispensamos de as inserir nestes comentários. Mas o fato é que, em se tratando de doutrina, sempre é bom que se saliente o comportamento do indivíduo e o estimule a se sintonizar vibratoriamente com as divindades. Para que uma intensa permuta energética aconteça, tanto durante os trabalhos práticos como durante as oferendas rituais nos pontos de forças da natureza, que é onde mais facilmente absorvemos as irradiações dos Orixás. Bem, já comentamos acerca das divindades as suas atuações dentro do Ritual de Umbanda Sagrada por intermédio das linhas de trabalhos, onde as encontramos veladas por nomes simbólicos. E analisamos os mistérios, tão desconhecidos dos atuais instrutores religiosos, que normalmente recorrem ao termo, mas que, quando perguntados acerca de sua origem, demonstram ignorância a respeito do assunto. Procuramos comentar os aspectos mais relevantes da doutrina de Umbanda visando a despertar no leitor a consciência de que Umbanda é religião. Devendo ser entendida, respeitada e tida como tal, pois todas as divindades atuam nela visando a auxiliar a evolução espiritual da humanidade e a harmonia religiosa na face da terra. Assim, se um dia virem ou ouvirem um guia espiritual manifestando qualquer tipo de preconceito, refutem-no de imediato. Porque com certeza é só um espírito paralisado nos próprios vícios emocionais. A umbanda surgiu por meio de sincretismo religioso e de uma miscigenação racial, espiritual e religiosa. Coordenada pelos sagrados Orixás e implementada, religiosamente, na mente das pessoas pelos espíritos mensageiros dos mistérios de Deus. Que nos ama a todos em geral e a cada um de nós em particular, independentemente de nossa cor, ração ou religião. Portanto, somos todos seus filhos e suas criações. Um saravá da Umbanda a todas as outras religiões ! Um saravá dos umbandistas a todos os seus outros irmãos !. Abraço. Davi. Página 84 ...
segunda-feira, 18 de novembro de 2024
A RELIGIÃO DO ISLAM. Parte VI
Islamismo. Manual para o Novo Muçulmano. Por Jamaal Zarabozo. A RELIGIÃO DO ISLAM. Parte VI. Uma forte relação entre o Criador e o ser criado As metas e ensinamentos do Islam vão além de qualquer assunto legal deste mundo. O Islam busca criar certo tipo de indivíduo, um indivíduo que tenha uma forte e adequada relação com Allah. Há vários pontos importantes relacionados com esta característica. Primeiro, no islam, o muçulmano tem uma relação direta com Allah. Allah disse: “Quando meus servos te perguntarem de Mim, dize-lhes que estou próximo e ouvirei o rogo do suplicante quando a Mim se dirigir. Que atendam o Meu apelo e que creiam em Mim, a fim de que se encaminhem.” (2:186). “E o vosso Senhor disse: Invocai-Me, que vos atenderei! Em verdade, aqueles que se ensoberbecerem, ao Me invocarem, entrarão, humilhados, no inferno.” (40:60). Portanto, não existe nenhuma classe sacerdotal no Islam. A pessoa ora diretamente a Deus, sem nenhum intermediário. Quando um muçulmano busca o perdão, busca diretamente de Deus, sem que nenhum ser humano lhe diga se seu arrependimento é suficiente ou se será aceito por Deus. Quando um muçulmano necessita algo, recorre diretamente a Deus, sem que tenha que depositar sua confiança em outro que não seja Ele. Quando um muçulmano quer ler a revelação e orientação de Deus, lê o Qur’an e a Sunnah, podendo lê-los ele próprio. Não é necessário recorrer a semideuses ou clero. Tudo ocorre entre a pessoa e seu Senhor. Esta relação direta com Allah dá muita segurança e confiança. Não existe ninguém, afora Allah, a quem a pessoa adore e ninguém que possa interferir nesta adoração a Allah. De qualquer forma, Allah está disponível e o indivíduo pode recorrer a Ele em qualquer momento para pedir-lhe ajuda, orientação ou perdão. Esta relação direta com Allah se estende a todos os atos praticados pela pessoa. O muçulmano sabe que Allah não somente vê suas ações exteriores, como também está totalmente inteirado de todas as intenções e sentimentos que há em seu coração. Por isso, devido a esta relação direta com Allah, o muçulmano tenta realizar todos os atos com o intuito de agradar a Allah. Desta maneira, a atividade mais mundana pode se converter em um ato que agrade a Deus, caso seja feito com as condições corretas do coração. O muçulmano começa seu dia através de sua relação próxima com seu Senhor, assegurando-se de que realiza atos que são permissíveis ante o Senhor. Esse é o objetivo e a intenção do muçulmano, pois este é consciente disto e sabe que compraz a Allah mesmo com a mais simples das ações. Assim, o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) disse: “Tudo o que for gasto em nome de Allah será recompensado, ainda que seja um bocado que ponhas na boca de sua esposa.” (Bukhari). Quando a pessoa entende este conceito da sua proximidade com Deus e a capacidade de transformar as atividades mundanas em atos que agradem a Deus, mudam por completo seu ponto de vista e comportamento. Começa-se a realizar cada ato de forma diferente, consciente de que o faz em nome de Deus. Lamentavelmente muitas pessoas neste mundo se esquecem, por completo desse ponto.
Em seu livro Madaariy as
Saalikin, Ibn Qaiim disse: “O grupo mais seleto de pessoas que se aproximam de
Allah são aquelas que mudam a natureza de seus atos permitidos, convertendo-os
em atos de obediência a Allah... As ações cotidianas daquelas pessoas que
verdadeiramente conhecem a Allah são (para elas) atos de adoração, enquanto que
os atos de adoração são ações cotidianas para as massas.” O que é dito é muito
certo. Desafortunadamente, muitas pessoas encaram as orações, o jejum e outros
atos de adoração como simples ações cotidianas que devem ser feitas apenas por
serem parte da cultura ou da forma de vida. Não têm uma intenção forte em seu
coração ou um sentimento que estão a fazê-lo por Allah. Se a qualidade do ato é
pobre, não lhes interessa muito porque o fazem apenas para se livrarem dele.
Assim, esses importantes rituais de adoração se transformam em costumes sem
nenhum significado ou efeito para estas pessoas. Aquele que verdadeiramente
conhece a Allah está no extremo oposto. Incluindo a mais “mundana” das ações
que realiza está cheia de intenção e vontade. Dessa maneira, converte-se em ato
de adoração que agrada a Allah. Por exemplo, quando uma pessoa vai dormir e o
faz com a intenção de recuperar as energias para continuar trabalhando por
Allah. Assim, seu sono se converte em um ato de adoração a Allah. Na realidade,
pode-se levar este assunto a um passo além. Disse Allah, no Qur’an: “Ele está
sempre atendendo aos assuntos de Sua criação.” (55:29). Em outras palavras, a
todo o momento Allah está criando, distribuindo, provendo, dando vida e morte
etc. sem dúvida, em geral, o indivíduo não vê a Allah por trás dessas ações que
o rodeiam. A pessoa, hoje em dia, perdeu a sensibilidade e crê que todas essas
coisas acontecem por sua causa ou por alguma lei independente da natureza.
Isso, na realidade, não está certo. Essas “leis da natureza” não são mais que a
atividade de Allah em todo lugar ou tempo. Em muitas passagens do Qur’an, Allah
pede aos seres humanos que observem o cosmos que os rodeia. Por exemplo, Allah
menciona a pequena abelha ou o movimento das sombras. Muhammad Qutb sustenta
que o objetivo de Allah não é dar uma lição sobre estes pontos. Estão ali
apenas para despertar o ser humano e fazê-lo entender sobre o que realmente
acontece e unir seu coração e suas atividades cotidianas ao seu Senhor e
Criador. Qutb disse: “a concentração da humanidade na causa aparente distrai as
pessoas de ver a realidade maior por trás: a vontade de Allah que, se diz a
algo “Sê”, assim é. Ignoram esta vontade maior e denominam “leis da natureza”
às leis [de Allah] e dizem que são fixas e inevitáveis. Ficam estupefatos com
essas experiências limitadas e, portanto, Allah se afasta de seus corações. E,
então, é quando trazemos a expressão qu'rânica “trazendo-os novamente a
Allah”... a ciência nos diz, baseada nas causas externas que observamos, que a
existência do sol e a rotação da terra ao seu redor são a causa do “movimento”
das sombras. Mas a expressão qu'rânica nos diz que é a vontade de Allah que
move as sombras, em primeiro lugar e logo o sol é localizado como uma
orientação para a sombra. Assim, a causa aparente não é a fonte original, senão
que vem depois... De fato, vem depois, através da palavra “então”, depois que
Allah já havia decidido sobre aquele assunto, mediante Sua vontade, ordenando a
algo que fosse.” De fato, afirma Qutb, o resultado deste enfoque qu'rânico é
muito claro. Na realidade, o conhecimento que se tem, por exemplo da abelha ou
da sombra, não muda ao se ler os versículos do Qur’an, naqueles trechos que
Allah os menciona. O conhecimento próprio não muda, mas sim, muda a pessoa,
afirma Qutb. Assim ele escreveu: “Acaso a informação que vocês têm sobre as
sombras ou as abelhas muda quando lêem estes versículos? A informação em si não
é nova. Já era conhecida de antemão. Sem dúvidas, era um conhecimento morto,
frio, inerte, uma informação que não comovia. Mas, o Qur’an traz esta
informação e apresenta-a em um entorno emotivo, de forma milagrosa e de tal
maneira que muda a perspectiva da pessoa como se não fosse o que já conhecíamos
anteriormente. A informação não mudou, senão nós fomos os que mudamos...” Para
o novo muçulmano, esta pode ser uma maneira totalmente nova de ver o mundo e
fazer alguns ajustes. Muitos não muçulmanos não vêem a participação de Deus
neste mundo e, portanto, não sentem uma relação direta com Deus. À medida que o
novo muçulmano analisa mais profundamente o Qur’an esse sentimento se
desenvolve mais. Verá a obra de Allah em tudo que o rodeia. Isto o fará
recordar de Allah, então ele não mais ignorará a obrigação que tem para com
Ele. Com a graça de Deus, levará sua vida de forma muito diferente à que levava
antes de sua conversão ao Islam. - Ordenar o bem e erradicar o mal O Islam não
é uma religião onde se purifica a alma ao mesmo tempo em que se ignora ou deixa
de ajudar aos que também possam estar no caminho da purificação. Como se
tratará adiante, o Islam destaca a relação adequada entre os diferentes agentes
da sociedade. Uma das interações mais importantes entre os indivíduos é a de
ordenar ou fomentar o bem e proibir ou evitar o mal. É parte da verdadeira
irmandade, querer ajudar os outros a fazer o correto. Também é definitivamente
parte da irmandade, corrigir ou aconselhar aqueles que fazem algo que não
agrade a Allah. Assim, no Qur’an, Allah relaciona o conceito de irmandade
verdadeira, amizade e ajuda mútua diretamente ao princípio de se ordenar o bem
e proibir o mal. Allah disse: “Os fiéis e as fiéis são protetores uns dos
outros; recomendam o bem, proíbem o ilícito, praticam a oração, pagam o zakat,
e obedecem a Deus e ao Seu Mensageiro. Deus Se compadecerá deles porque Deus é
Poderoso, Prudentíssimo.” (9:71). Mas temei a Deus, porque Deus é severíssimo
no castigo.” (5:2). De fato, Allah deixa claro que fomentar o bem e evitar o
mal deve ser uma das características sobressalentes de toda a comunidade
islâmica no mundo: “Sois a melhor nação que surgiu na humanidade, porque
recomendais o bem, proibis o ilícito e credes em Deus...” (3:110). Não se trata
de uma “forma opcional” de comportamento. É parte necessária da fé e da atitude
da pessoa. É parte fundamental do que implica pertencer a uma comunidade. Um
indivíduo tem direitos sobre os outros como também obrigações para com eles.
Cuidar do próximo e ajudar uns aos outros é essencial, especialmente para
aqueles que estão em posição de autoridade ou cujas vozes são ouvidas. Por isso
o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) informou aos
muçulmanos: “Por Aquele em cujas mãos está minha alma, devem ordenar o bem e
proibir o mal ou Allah vos enviará um castigo imediato, então, supliquem-No e
Ele responderá.” Em uma bela parábola registrada por al Bukhari, o Profeta (que
a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) mostrou a importância desta
prática para a sociedade como um todo: “A semelhança daquele que cumpre o
mandamento de Allah [erradicando mal] e daquele que cai no que Allah proibiu é
como pessoas em um barco. Alguns tomaram os assentos do nível superior e outros
permaneceram na parte inferior. Cada vez que os que estavam embaixo queriam
água tinham que recorrer aos que estavam em cima para buscá-la. Então,
disseram: ‘se fizéssemos um furo no fundo do barco não teríamos que perturbar
os que estão em cima’. Entretanto se os de cima deixassem que fosse feito o que
queriam, todos estariam perdidos. De outra forma, se os impedissem com suas
mãos [de fazer o que planejavam], salvariam a todos e assim se salvaram.”
Muitas vezes as pessoas querem se afastar do mal, mas precisam de ajuda para
fazê-lo. Necessitam verdadeiros amigos que cumpram a função de grupo de apoio.
Algumas pessoas não têm força suficiente para se afastar das atividades as
quais sabem que são más, especialmente se há pressão de seus parceiros para
praticá-las. Com a ajuda de outros que entendam esse tipo de situação e que
realmente queiram fazer o correto, então, é mais fácil reunir a coragem para
apontar as más atividades. Da mesma forma, há quem seja preguiçoso e, por isso,
falte-lhe motivação para fazer o que deve ser feito. Novamente, com a ajuda
sincera ou o alento dos que a rodeiam, a pessoa encontra força para tal. Se as
pessoas fossem individualistas e só se preocupassem consigo mesmas, sem ajudar
os demais, seria um verdadeiro desastre social. Os que fazem mal dominariam e
acossariam os outros. De fato, muitos bairros norte-americanos, por exemplo,
conscientizaram-se que teriam que se unir para proporcionar coisas boas e
eliminar as ruins, do contrário, suas regiões acabariam sendo destruídas por
vândalos. Obviamente, ninguém está livre de pecado e, portanto, este princípio
de fomentar o bem e evitar o mal não significa que a pessoa tenha que ser
perfeita antes de falar aos demais sobre o comportamento deles. com certeza,
fomentar o bem e proibir o mal, logicamente, deveria começar consigo próprio. A
pessoa deve praticar o bem e evitar o mal. Dessa maneira, damos um exemplo aos
demais e aumentamos as possibilidades de que nossos conselhos sejam levados em
conta. Não obstante, mesmo que uma pessoa tenha defeitos, deve incentivar que o
outros pratiquem o bem e desestimular que pratiquem o mal. Cabe destacar que
existem várias condições para colocar em prática o ato de fomentar o bem e
proibir o mal. Por exemplo, uma condição é que se deva conhecer o que é bom e o
que é mal, segundo o Qur’an e a Sunnah. É possível que alguém, por ignorância,
incentive o outro a fazer algo que na realidade não é parte da Sunnah. Para o
novo muçulmano em particular, é possível que em repetidas ocasiões digam-lhe o
que fazer ou não fazer. Página 66. Abraço. Davi.
sexta-feira, 15 de novembro de 2024
A TRANSMISSÃO DA REVELAÇÃO DIVINA Capítulo II Parte II
Cristianismo. Livro Catecismo da Igreja Católica. Capítulo II. Parte II. A TRANSMISSÃO DA REVELAÇÃO DIVINA. Deus “quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade” I Timóteo 2,4, isto é, de Jesus Cristo. É preciso, pois, que Cristo seja anunciado a todos os povos e a todos os homens e que, desta forma, a Revelação chegue até aos confins do mundo. “Deus dispôs amorosamente que permanecesse íntegro e fosse transmitido a todas as gerações tudo quanto tinha revelado para salvação de todos os povos”. 1. A tradição apostólica. “Cristo Senhor, no qual se cumpre toda a Revelação do sumo Deus, ordenou aos Apóstolos, que anunciassem a todos o Evangelho, o qual, antes prometido pelos profetas, ele próprio cumpriu e promulgou por sua palavra, como fonte de toda verdade salvífica e toda regra moral”. A Pregação Apostólica. A transmissão do Evangelho, segundo a ordem do Senhor, fez-se de duas maneiras: Oralmente – pelos apóstolos que, na pregação oral, por exemplos e ações, transmitiram aquelas coisas que ou receberam das palavras, da convivência e das obras de Cristo ou aprenderam das sugestões do Espírito Santo. Por escrito – como também por aqueles apóstolos e varões apostólicos que, sob inspiração do mesmo Espírito Santo, puseram por escrito a mensagem da salvação. Continuação na sucessão apostólica. Para que o Evangelho sempre se conservasse inalterado e vivo na Igreja, os Apóstolos deixaram como sucessores os Bispos, a eles “transmitindo seu próprio encargo de magistério”. Com efeito, a pregação apostólica, expressa de modo especial nos livros inspirados, deve ser conservada por sucessão contínua até a consumação dos tempos. Esta transmissão viva, realizada no Espírito Santo, é chamada de Tradição, porquanto distinta da Sagrada Escritura, embora intimamente ligada a ela. Por meio da Tradição, a Igreja em sua doutrina, vida e culto, perpetua e transmite a todas as gerações tudo o que ela é, tudo em que crê. O ensinamento dos Santos Padres testemunha a presença vivificante desta tradição, cujas riquezas se difundem na prática e na vida da Igreja crente e orante. Assim, a comunicação que o Pai fez de si mesmo por seu Verbo no Espírito Santo permanece presente e atuante na Igreja. “O Deus que outrora falou mantém permanente diálogo com a esposa de seu dileto Filho, e o Espírito Santo. Por meio do qual a voz viva do Evangelho ressoa na Igreja e através dela no mundo, leva os crentes à verdade toda e faz habitar neles abundantemente a palavra de Cristo. 2. A relação entre a tradição e a Sagrada Escritura. Uma fonte comum. A Tradição e a Sagrada Escritura estão entre si estreitamente unidas e em comunicação, pois, provindo ambas da mesma fonte divina, formam, de certo modo, um só todo, tendendo para o mesmo fim. Tanto uma como outra tornam presente e fecundo na Igreja o mistério de Cristo, que prometeu permanecer com os seus “todos os dias, até o fim dos tempos” Mateus 28,20. Duas modalidades distintas de transmissão. A Sagrada Escritura é a Palavra de Deus, por ser redigida sob a moção do Espírito Santo. Quanto à Sagrada Tradição, ela transmite integralmente aos sucessores dos Apóstolos a Palavra de Deus confiada por Cristo Senhor e pelo Espírito Santo aos Apóstolos para que. Sob a luz do Espírito da verdade, eles, por sua pregação, fielmente a conservem, exponham e difundam. Daí resulta que a Igreja, à qual estão confiadas a transmissão e a interpretação da Revelação, não deriva sua certeza a respeito de tudo o que foi revelado somente da Sagrada Escritura. Por isso, ambas devem ser aceitas e veneradas com igual sentimento de piedade e reverência. Tradição Apostólica e Tradições Eclésias. A Tradição da qual aqui falamos é a que vem dos Apóstolos e transmite o que estes receberam do ensinamento e do exemplo de Jesus e o que receberam por meio do Espírito Santo. Com efeito, a primeira geração de cristãos ainda não dispunha de um Novo Testamento escrito, e o próprio Novo Testamento atesta o processo da Tradição viva. Dela é preciso distinguir as “tradições” teológicas, disciplinares, litúrgicas ou devocionais surgidas, ao longo do tempo, nas Igreja locais. Constituem elas formas particulares sob as quais a grande tradição recebe expressões adaptadas aos diversos lugares e as diversas épocas. A luz da grande Tradição, elas podem ser mantidas, modificadas ou mesmo abandonadas, sob a guia do Magistério da Igreja. 3. A interpretação do depósito da fé. O depósito da fé confiado a totalidade da Igreja. O patrimônio sagrado da fé (depositum fidei), contido na Sagrada Tradição e na Sagrada Escritura, foi confiado pelos Apóstolos a totalidade da Igreja. Apegando-se firmemente a ele, o povo santo todo, unido a seus Pastores, persevere continuamente na doutrina dos Apóstolos e na comunhão, na fração do pão e nas orações. De modo que, na conservação, no exercício e na profissão da fé transmitida, se crie singular unidade de espírito entre os Bispos e os fiéis. O magistério da Igreja. O ofício de interpretar autenticamente a Palavra de Deus escrita ou transmitida foi confiado unicamente ao magistério vivo da Igreja. Cuja autoridade é exercida por Jesus Cristo, isto é, foi confiado aos Bispos em comunhão com o sucessor de Pedro, o bispo de Roma. Todavia, tal magistério não está acima da Palavra de Deus, mas a serviço dela. Não ensinando senão o que foi transmitido, no sentido de que, por mandato divino e com a assistência do Espírito Santo, piedosamente ausculta aquela palavra. Santamente a guarda e fielmente a expõe e, deste único depósito de fé, obtém tudo o que nos propõe para ser acreditado como divinamente revelado. Os fiéis, lembrando-se da palavra de Cristo a seus Apóstolos – “Quem vos escuta, a mim escuta” Lucas 10,16 recebem com docilidade os ensinamentos e as diretrizes que seus Pastores lhes dão sob diferentes formas. Os dogmas da fé. O magistério da Igreja empenha plenamente a autoridade que recebeu de Cristo quando define dogmas, isto é, quando, utilizando uma forma que obriga o povo cristão a adesão irrevogável de fé, propõe verdades contidas na revelação divina ou verdades que com estas têm necessária conexão. Há uma conexão orgânica entre nossa vida espiritual e os dogmas. Os dogmas são luzes no caminho de nossa fé que o iluminam e tornam seguro. Na verdade, se nossa vida for reta, nossa inteligência e nosso coração estarão abertos para acolher a luz dos dogmas da fé. Os laços mútuos e a coerência dos dogmas ser encontrados no conjunto da revelação do Mistério de Cristo. Existe uma ordem ou hierarquia das verdades da doutrina católica, já que seu nexo com o fundamento da fé cristã é diferente. Senso sobrenatural da fé. Todos os fiéis participam da compreensão e da transmissão da verdade revelada. Receberam a unção do Espírito Santo, que os instrui e os conduz à verdade em sua totalidade. O conjunto dos fiéis (...) não pode enganar-se no ato de fé. Ele manifesta esta sua peculiar propriedade mediante o senso sobrenatural da fé de todo o povo, quando, desde os Bispos até o último dos fiéis leigos, apresenta consenso universal sobre questões de fé e de costumes. Por este senso da fé, suscitado e sustentado pelo Espírito da verdade, o Povo de Deus, sob a direção do sagrado Magistério (...) adere indefectivelmente a fé uma vez para sempre profundamente e mais plenamente a aplica em sua vida. O crescimento na compreensão da fé. Graças à assistência do Espírito Santo, a compreensão tanto das realidades como das palavras do depósito da fé pode crescer na vida da Igreja. Pela contemplação e pelo estudo dos que creem, os quais as meditam em seu coração, é em especial a pesquisa teológica que aprofunda o conhecimento da verdade revelada. Fica, portanto, claro que, segundo o sapientíssimo plano divino, a Sagrada Tradição, a Sagrada Escritura e o Magistério da Igreja estão de modo entrelaçados e unidos que um não tem consistência sem os outros. E que, juntos, cada qual a seu modo, sob a ação do mesmo Espírito Santo, contribuem eficazmente para a salvação das almas. Resumindo. O que Cristo confiou dos Apóstolos, estes o transmitiram por sua pregação e por escrito, sob inspiração do Espírito Santo, a todas as gerações, até a volta gloriosa de Cristo. A Sagrada Tradição e a Sagrada Escritura constituem um só sagrado depósito da Palavra de Deus, no qual, como em um espelho, a Igreja peregrina contempla a Deus, fonte de todas as suas riquezas. Em sua doutrina, vida e culto, a Igreja perpetua e transmite a todas as gerações tudo o que ela é, tudo o que crê. Graças a seu senso sobrenatural da fé, o Povo de Deus inteiro não cessa de acolher o dom da revelação divina, de penetrá-lo mais profundamente e viver dele com mais plenitude. O encargo de interpretar autenticamente a Palavra de Deus foi confiado exclusivamente ao Magistério da Igreja, ao Papa e aos Bispos em comunhão com ele. Abraço. Davi.
quarta-feira, 13 de novembro de 2024
ENCONTRANDO A MORTE COMO A UM AMIGO. Parte II
Espiritualidade. Livro em Busca da Sabedoria. Por N. Sri Ram (1889-1973). ENCONTRANDO A MORTE COMO A UM AMIGO. Parte II. Alguns estudiosos interpretam as palavras gregas como significando “a Filosofia constitui realmente uma meditação sobre a morte”. O que não se parece estar em consonância com a maneira natural com que Sócrates a compreende. Outra colocação e muito mais compreensível, ou seja, quando a vida for vivida de forma adequada. Direcionada para aquelas finalidades que constituem as da alma, não os desejos do corpo, então a filosofia ou a “vida de um filósofo nada mais é senão um longo ensaio para o processo da morte”. Pode-se viver uma vida feliz, contudo pode também ser um processo de morte, que poderá necessitar de explicações. Sócrates adianta que as multidões, o povoem geral, ignoram o sentido no qual o filósofo recebe a morte. Não significa que ele deseje livrar-se do corpo, todavia que ele tem um sentimento acolhedor em relação a morte. Tem esse sentimento porque não atribui grande valor as gratificações dos apetites físicos. A maioria dos homens estima o valor das coisas através do prazer que proporcionam, porém, o objetivo do filósofo é o de libertar-se tanto quanto possível da dominação do corpo. Esforça-se para cultivar a alma, dando atenção àqueles assuntos que são de interesse da alma como a verdade, a virtude e assim por diante. A proceder desta maneira, já se separou do seu corpo. E como abandonou todo o apego aos prazeres que se apresenta à pessoa através do corpo, a morte nada mais é senão uma saída por uma porta aberta. As coisas que alimentam a alma são aquilo que é direito, bom, verdadeiro, belo e assim por diante. Disse Sócrates: “Aquele que não se preocupa com os prazeres do corpo quase chega à morte”. Pode-se usufruir os prazeres que surgem momentaneamente, mas não se deve desejá-los com ansiedade. Alijando os do campo das preocupações e interesses, quase se chega a morte. É neste sentido que o filósofo deseja a morte, mesmo enquanto está vivo. Isto é semelhante ao ensinamento de Jiddu Krishnamurti (1895-1986), embora ele não fale da morte como uma saída bem-vinda. No entanto, de morrer aqui e agora para o nosso passado e para toda a experiência na medida em que surge. O filósofo, cujo interesse está centralizado na virtude e sabedoria, purifica, assim, a sua inteligência, de maneira que ela está livre de toda a mácula, de todo elemento a ele estranho. É a purificação da natureza integral do ser humano que faz florescer a independência espiritual. Está é a verdadeira liberdade ou Mukti. Mukti não é literalmente uma fusão no Logos. Antes que possa processar-se a fusão do espírito humano no Logos, o homem terá de libertar-se de seus laços ou apegos. Para expressar a mesma verdade de outra forma: é realmente o abandono do passado da pessoa, de todos os apegos que dele surgem, que transforma o homem em um novo ser. A entidade que está atualmente funcionando é uma criatura do passado. Ela vem acompanhando uma linha de continuidade e tem dentro de sua natureza e constituição muitas coisas que derivaram do seu passado e de suas experiências. Transformar-se num novo ser é estar limpo do passado, de modo que ele não mais domina, obscurece ou dirige o presente. Esta forma de morrer torna a vida realmente muito mais vital, menos embaraçada e oprimida, de maneira que todas as percepções são mais exatas. A inteligência passa a ser intensa, concentrada e semelhante a uma chama. É em um estado de pureza interna que a pessoa atinge a mais alta qualidade no funcionamento de todos os aspectos do seu ser. Toda a substância em seu estado puro exibe a sua potência plena. Casualmente foi feita a afirmação de que a filosofia é a música de mais alta qualidade. Sócrates disse que tinha um sonho persistente no qual lhe ordenavam dedicar-se à música, e como ele compreendia ser a filosofia a música, e como ele entendia ser a filosofia a música mais elevada estava dedicando-se a ela. O conceito de ser a filosofia a forma mais elevada de música torna-se mais claro a luz da afirmação feita anteriormente com relação à natureza da alma com sendo uma forma de harmonia. A objeção anteriormente formulada de que ao ser avariado o instrumento não pode mais haver qualquer música. Foi respondida por Sócrates com a observação de que a alma pode existir, embora ela possa ou não ter um instrumento. É bastante interessante que, em uma das palestras feitas pela doutora Annie Besant (1847-1933), em seus dias de ateísta, ela usava precisamente este exemplo. Ela dizia que embora a lira possa estar avariada, a música pode ainda existir. Como razão de estar disposto a morrer, Sócrates comentou que estaríamos muito bem no local para onde iríamos, sob a orientação de bons Mestres e em meio a amigos. As pessoas gostam de encontrar-se em ambientes que lhes são familiares. Se um homem realmente dedicou sua vida a filosofia, ele pode estar certo de que será bem colocado. Estará feliz em proporção à pureza de sua mente, o que também constitui uma verdade importante. A felicidade não deve ser confundida com prazer, ela se origina da pureza da mente e do coração e surge de forma natural. Não precisamos procurá-la de modo algum. Assim, Sócrates disse que, se um homem se dedicou à virtude e à sabedoria, poderá nutrir a esperança bem fundamentada de que estará cercado pela maior benevolência no outro mundo. O que está de acordo com os ensinamentos teosóficos. Foi feita uma outra observação digna de ser mencionada. Se algum dia chegarmos a conhecer a natureza de algo em sua essência, conhecer a sua realidade autêntica e não meramente a forma, a aparência, o invólucro externo. Teremos de estar separados do corpo e contemplar as próprias coisas em si através da alma apenas. É somente a visão da alma, a sabedoria da alma, que pode proporcionar a essência da verdade com relação a qualquer coisa existente. O Bhagavad Gita refere-se aos “conhecedores da essência das coisas”, sendo a qualidade essencial de uma coisa aquilo que a torna diferente de qualquer outra coisa. A essência, o objeto em si mesmo, apenas pode ser conhecido através da alma e jamais através dos sentidos. Quando vivemos, nos aproximamos mais do conhecimento daquela essência ao não mantermos comunicação ou comunhão de espécie alguma com o corpo. Exceto para as necessidades absolutas, isto é, quando deixamos de ser dependentes do corpo, influenciados pelos seus apetites, impulsos e paixões. Em outras palavras, todo o esforço e estudo na filosofia, segundo a acepção antiga da palavra, implica na entrega e separação da alma do corpo. Isso pode ser tentado e logrado até mesmo enquanto a pessoa estiver vivendo neste mundo. Não é algo que precisa realizar-se por um processo da natureza, mas pode ser atingido pela própria inteligência perspicaz da pessoa. Quando há liberdade de dependência do corpo, quando esta mudança se realiza em sua plenitude, então a morte e a vida são a mesma coisa para o homem real. Sendo o homem real a alma, não lhe faz diferença se vive ou se morre. Isso também nos faz lembrar a frase contida no Gita que diz que> “Os sábios não lamentam nem os vivos e nem os mortos”. Isto significa que existe a possibilidade de alcançar uma condição ou estado interior no qual a vida é exatamente a mesma coisa, se vivida no corpo físico, que foi chamado de prisão, ou fora dela. A alma usa o corpo como instrumento, sem ele se apegar. Esse Diálogo específico está repleto de ideias esclarecedoras para todos aqueles que tentam compreender estes assuntos. A natureza da alma, da vida neste mundo, os objetivos mais dignos porque se esforçar, o novo significado que a morte pode adquirir. A possibilidade de enfrentar este acontecimento com frieza e até mesmo de bem acolhê-lo. Abraço. Davi.