Islamismo. www.ibeipr.com.br. ESPECIFICAÇÕES DO ISLAMISMO. O Islã é a mensagem celestial que Deus revelou ao profeta Mohammad ibn Abdallah (S.A.A.S.) (1) através do anjo Gabriel. É o resumo de todas as mensagens celestiais e tem como base o Alcorão Sagrado. O objetivo desta mensagem é ligar Deus ao ser humano e este a Deus, e baseado nisso, ele preenche todos os campos da vida humana. O Islã tem dois aspectos: o espiritual e o jurídico. Por isso, ele está relacionado com todos os campos da vida, tanto materiais quanto espirituais. A dimensão espiritual do Islã consiste em: A) O Monoteísmo. O Islã sempre pregou e confirmou o Monoteísmo e negou qualquer tipo de divindade criada pelo ser humano. Seu principal lema é "O testemunho sobre a divindade de Deus, o único". Ele é único, eterno, absoluto, jamais gerou ou foi gerado e ninguém é comparável a Ele. Por isso, somente Deus é a fonte da jurisprudência e da legislação que envolvem o ser humano, em qualquer lugar e época. A Casa Sagrada de Deus em Meca, no Hijaz (Arábia Saudita). Por meio desta crença, o ser humano faz uma aliança com o seu Senhor e com a Profecia. Por isso, podemos dizer que testemunhar que "não há divindade além de Deus" (La ilaha illa Allah) é uma filosofia de vida e não apenas palavras na língua ou teorias na mente. B) A Justiça. A injustiça é um atributo maléfico e por Deus ser isento deste atributo, representa a justiça em si e nos convida sempre a praticá-la e a pregá-la, bem como a verdade. Com isso, combate qualquer tipo de injustiça e opressão dentro da sociedade. Assim, a Doutrina Islâmica objetiva uma vida cheia de paz e segurança para toda a humanidade. Perante o Islã não há diferença entre as classes sociais, entre o pobre e o rico, o subordinado e o soberano, o negro e o branco. O profeta Mohammad (S.A.A.S.) disse: "Os seres humanos são tal qual o pente, todos os dentes estão nivelados". Por isso, o Islã condena o terrorismo em todas as suas formas, seja na figura de uma pessoa, de grupos ou de um Estado, pois o terrorismo significa a ofensa sobre o direito dos outros, tanto materiais quanto espirituais. C) A Profecia. A Profecia é o meio de comunicação entre o ser humano e Deus. É através dele que são reveladas as jurisprudências divinas para o ser humano. Aceitar o profetismo é uma das crenças mais fortes e importantes da religião Islâmica. Crer no profeta Mohammad (S.A.A.S.) é crer em todos os profetas, já que eles foram enviados com a finalidade de ensinar aos seres humanos o que Deus quer deles, o que Ele proibiu e autorizou, por isso o segundo testamento mais importante no Islam é "Testemunhar que Mohammad é o mensageiro e servo de Deus", já que ele é o último dos profetas e mensageiros e é também o resumo de todos eles. Foi ele quem nos revelou o Alcorão Sagrado, este que não foi redigido por ele, mas dito por Deus e revelado ao seu profeta e mensageiro Mohammad (S.A.A.S.) por intermédio do anjo Gabriel durante 23 anos. Mesquita onde se encontra enterrado o Profeta Mohammad (S.A.A.S.) em Medina, Arábia Saudita. D) O Imanato. Para que a última mensagem divina revelada pelo concludente dos profetas (S.A.A.S.) continue como foi exposta, foram nomeados e escolhidos, por Deus, dozeImames (líderes espirituais) e sucessores para dar continuidade à função do profeta Mohammad (S.A.A.S.) de divulgar, proteger e ensinar os fundamentos do Islã para a humanidade. O profeta Mohammad (S.A.A.S.) anunciou, sob a ordem de Deus, a vinda destes doze Imames (A.S.) para liderar a Nação Islâmica e para serem protetores e conservadores desta grande mensagem. Ele disse: " Os Imames depois de mim serão doze, o mesmo numero dos apóstolos de Jesus”. A nomeação dos sucessores após sua morte é algo muito relevante e lógico pelo tamanho da importância que o Islã representa na vida do ser humano e para que a Nação e a população não entrem em conflito. O Alcorão Sagrado e o profeta Mohammad (S.A.A.S.) os nomeiam como Ahlul Bait (A.S.), que em português significa "Gente da Casa", ou seja, são seus familiares e seus descendentes (A.S.). O Islã crê que o décimo segundo Imam, chamado de "Al-Mahdi", nascido em 868 está vivo entre nós. Entretanto, está oculto de nossos olhares. Ele está vivo por um milagre divino, da mesma forma que o profeta Noé (A.S.), que viveu por mais de mil anos, e o profeta Jesus Cristo (A.S.), que também vive até agora. O Imam (A.S.) observa todos os acontecimentos do mundo e na sua ausência a liderança pertence aos líderes tementes, sábios, que governam sob o conhecimento e as jurisprudências Islâmicas, que se baseiam nos ensinamentos do Alcorão Sagrado e na Tradição do profeta Mohammad (S.A.A.S.). No final dos tempos, é justo que a verdade seja vitoriosa e a integridade tome conta deste mundo. É isto que a humanidade aguarda e deseja. Com a força de Deus e com a Sua proteção, o Imam Al-Mahdi (A.S.) será o salvador que aparecerá com a ordem de Deus. Junto dele virá o profeta Jesus Cristo (A.S.), que rezará atrás dele. Deus disse no seu livro Sagrado: "Temos prescrito, nos Salmos, depois da Mensagem (dada a Moisés), que a terra, herdá-la-ão os Meus servos virtuosos" (Alcorão Sagrado - 21:105). E) O Juízo Final. Crer na Ressurreição após a morte, pois Deus fará com que o espírito volte para o corpo, não para viver novamente na Terra, mas para ser julgado e viver eternamente. Assim, Deus nos julgará por nossos atos e nos compensará ou nos castigará. Recompensará os fieis, crentes, obedientes e aos seus seguidores o Paraíso estará reservado. Castigará os infiéis, desobedientes, os injustos e os punirá com o fogo do Inferno. Isto foi pregado pelos profetas e confirmado por todas as mensagens celestiais. É aconselhável, então, ao ser humano, praticar o desejo de Deus, pois assim seguirá ao Paraíso e não ao Inferno, uma vez que todos seremos julgados por nossos atos e atitudes. Depois da morte, o ser humano não se transforma somente em pó e acaba, mas é julgado no Dia do Juízo Final e recompensado ou castigado por todas as suas obras, sejam elas pequenas ou grandes. Deus disse no Alcorão Sagrado: "Quem tiver feito o bem, quer seja do peso de um átomo, vê-lo-á; e quem tiver feito o mal, quer seja do peso de um átomo, vê-lo-á " (99:7-8). Convidamos a todos a seguir o caminho da verdade, o caminho que Deus quer. Assim, saberemos o que agrada a Deus e o que não O agrada, afastando-nos do mal e, consequentemente da ira divina. As Especificações do Islã. A religião conservada e protegida: A Religião Islâmica esteve conservada e protegida de qualquer tipo de modificação e desvios e continuará assim para toda a eternidade. Seus princípios e regulamentos nunca foram modificados, desde o dia de sua revelação e permanecerá assim até o Dia do Juízo Final. Deus, louvado seja, disse no Alcorão Sagrado: "Nós revelamos a Mensagem e somos o seu Preservador" (15:9). Tudo isto atribui força para o Islã prosseguir sua caminhada na vida terrena. A conservação do Alcorão Sagrado. A conservação desta grandiosa mensagem é resultado da conservação dos versículos do Alcorão Sagrado, que há catorze séculos permanece intacto. Este Livro Sagrado contém 114 capítulos e 6.348 versículos que tratam dos mais diversos assuntos: históricos, jurídicos, educacionais, sociais, econômicos, políticos, relativos à crença e tudo que está relacionado a esta vida também. O Alcorão Sagrado foi revelado pelo arcanjo Gabriel ao profeta Mohammad (S.A.A.S.) que, obedecendo a sua função, repassou o conhecimento a toda a humanidade. O Islã não é religião de um povo eleito e muito menos defende este ponto de vista. Todos somos criados por Deus e a Ele retornaremos. O primeiro sucessor do profeta Mohammad (S.A.A.S.), Imam Ali (A.S.), uniu e registrou, de acordo com a revelação, todo o Alcorão Sagrado revelado por Deus ao Profeta Mohammad (S.A.A.S.). A Casa Sagrada de Deus (Caaba). Os muçulmanos rezavam, primeiramente, na direção da Mesquita de Al-Aqsa, localizada na Palestina, na cidade de Al-Qods (também conhecida por Jerusalém). Ela é a primeira Qiblah (ou seja, "Direção") das orações dos muçulmanos e o terceiro templo sagrado para o Islã. Porém, o Profeta Mohammad (S.A.A.S.) estava sendo pressionado pelos judeus pelo fato de os muçulmanos rezarem na direção desta Mesquita. Por isso, um certo dia, Deus, louvado seja, ordenou que o Profeta se direcionasse à Caaba. Isso foi registrado no Alcorão Sagrado: "Vimos-te (ó Mensageiro) orientar o rosto para o céu; portanto, orientar-te-emos até uma Qiblah que te satisfaça. Orienta teu rosto (ao cumprires a oração) para a Sagrada Mesquita (de Meca)! E vós (crentes), onde quer que vos encontreis, orientai vossos rostos até ela. Aqueles que receberam o Livro, bem sabem que isto é a verdade de seu Senhor; e Allah não está desatento a quanto fazem” (2:144). Entre a Sagrada Mesquita daCaaba e a Mesquita de Al-Aqsa ocorreu a viajem noturna do profeta Mohammad (S.A.A.S.). Deus disse no seu Livro Sagrado: "Glorificado seja Aquele que, durante a noite, transportou o seu servo, tirando-o da Sagrada Mesquita (em Meca) e levando-o à Mesquita de Al-Aqsa, cujo recinto bendizemos, para mostrar alguns dos Nossos sinais. Sabei que Ele é o Oni ouvinte, o Onividente" (17:1). Este acontecimento milagroso também foi registrado no Alcorão Sagrado e é chamado de Al-Isra'. Atualmente, todos os muçulmanos do mundo rezam as cinco orações diárias e obrigatórias em direção à Caaba, localizada em Meca, na Arábia Saudita. Esta Casa Sagrada, que foi construída pelo profeta Abraão (Ibrahim) junto com seu filho Ismael (A.S.), é considerada o Templo Sagrado mais antigo da Terra. Nesta Sagrada Mesquita existe a fonte de água chamadaZam-Zam, que surgiu sob os pés do profeta Ismael (A.S.) e existe até agora. Há também na Mesquita o Maqam Ebrahim. "Recinto de Ibrahim" - que representa o local onde o profeta Abraão (A.S.) orava. Como também existe Hejer Ismail - "O Canto de Ismael" - onde o profeta Abraão (A.S.) residia com a sua família. Este é o destino de milhões de peregrinos muçulmanos de todos os continentes, em todos os anos. Deus disse no Alcorão Sagrado: A primeira Casa (Sagrada), erguida para o gênero humano, é a de Bakka (2), bendita seja, servindo de orientação para a humanidade. Encerra sinais evidentes: lá está a Estância de Abraão, e quem quer que nela entre estará em segurança. A peregrinação à Casa é um dever para com Allah, por parte de todos os seres humanos que estejam em condições de empreendê-la, entretanto, quem se negar a isso saiba queAllah pode prescindir de todas as criaturas" (2:96-97). Em uma das quatro colunas de Caaba está engastada a Pedra do Paraíso, Al-Hajar Al-Assuad - "A Pedra Negra". A Caaba foi reconstruída inúmeras vezes, em diferentes épocas, como na época do avô do profeta Mohammad (S.A.A.S.), Qussai ibn Kilab, e também antes de o Profeta receber a Mensagem Islâmica. As reconstruções continuaram e, atualmente, a Mesquita de Caaba suporta mais de um milhão de fieis. Estas ampliações e reformas que atingiram a Mesquita de Caaba incluíram, dentro do seu território, dois montes: Safa e Marwa. Na cidade de Meca e em diferentes regiões próximas existem outros sítios históricos que são considerados sagrados e religiosos e que recebem a visita, em todos os anos, de milhões de fiéis. A religião do diálogo. Islã é a mensagem da mente, da razão e da ciência, do diálogo e do esclarecimento, uma vez que elucida qualquer coisa. No Islã não existe uma pergunta sem resposta e por isso o Islã não aceita a imposição de uma opinião ou teoria sobre outrem. A religião ampla, que contém tudo. O Islã inclui em si todos os campos da vida. Baseia-se no equilíbrio entre diversos setores tanto materiais quanto espirituais. Assim, a Doutrina Islâmica liga a mesquita à universidade, o trabalho à casa, a devoção à política, infiltra-se em diversas áreas, tais como a medicina, a sociologia, a educação, a devoção, a política, a economia, o esporte, os planejamentos do estado, os direitos e deveres, a legislação. A Religião Islâmica é, também, um código de conduta completo e influi em tudo. O Islã é uma religião completa e preenche o vazio que a sociedade e o ser humano possuem no que tange à sua materialidade e espiritualidade. A religião da virtude e da ética. Um dos atributos mais importantes do Islã é sua amplitude moral e ética, sempre presente em nossa política, governo, trabalho, casa, escritório, arte, criatividade, medicina, família, relacionamentos, escola, rua, e em todos os outros campos da vida. Ao mesmo tempo, o Islã nos convida a nos afastar dos maus atributos. A religião da sabedoria e do conhecimento. Os primeiros versículos revelados ao profeta Mohammad (S.A.A.S.) são: "Lê, em nome do teu Senhor que criou; criou o homem de algo que se agarra (coágulo). Lê, que o teu Senhor é o mais Generoso, que ensinou através da pena; Ensinou ao homem o que este não sabia". (96:1-5). Buscar o conhecimento é obrigatório no Islã. Conhecimentos que trazem benefícios à sociedade, que não sejam maléficos e destrutivos. Estes conhecimentos são proibidos e pecado no Islã. Ele nos convida a não seguir cegamente os costumes e a cultura dos antepassados, mas incentiva a meditação, o pensamento e o equilíbrio mental. Pois somente assim não seremos ignorantes e sempre seguiremos a verdade. Ele nos ordena a evoluir nos nossos pensamentos, incentiva a descoberta e o estudo das ciências para que possamos correlacionar o ser humano ao seu Criador. A religião que ilumina os povos. O Islã tem uma grande contribuição em levantar e ensinar as nações fortes que carregam a bandeira da orientação e da verdade. Isso não se limita somente à época e ao lugar de sua revelação. O Islã despertou, ensinou e levantou as nações e os povos do mundo todo, nunca restringindo sua grande civilização. O Islã desenvolveu enormemente a química, medicina, física, matemática, astrologia e outras ciências, divulgando todo este imenso conhecimento para toda humanidade. Deste modo, a Civilização Islâmica foi seguindo até chegar à Europa, fazendo evoluir os povos, orientando-os para o caminho da felicidade. O Islã teve um grande papel na instrução e civilização dos povos. Por isso, proibiu a destruição da alma, do corpo, do organismo, da mente e do espírito humanos, pois proíbe o consumo de qualquer tipo droga, qualquer alimento impura, que contamine a alma e acabe tendo como resultado um ser humano criminoso e não saudável. A religião da vida. A Religião Islâmica não é uma religião baseada somente na devoção, mas está ligada a toda a vida do ser humano, do estado e do Governo. O Islã está ligado a todos os aspectos do ser humano: seja no plano individual, social e político. A religião praticada pelo seu revelador. O Islã foi ponto de partida de todas as atitudes e práticas do profeta Mohammad (S.A.A.S.). Ele se baseou nas leis e jurisprudências islâmicas para fundar um Estado e um Governo Islâmico, que protegesse os oprimidos, injustiçados, pobres e fracos. O Islã é a única religião que transformou seus lemas e palavras em verdades e em matérias tocáveis, que poderiam ser vividas entre os indivíduos. Então, fundou o primeiro governo "Divino" na face da Terra, na cidade de Medina, em Hijaz, no século VII d.C. A religião universal. O Islã não está limitado em sua geografia, na cor, na nacionalidade, no idioma, na raça, no sexo e na idade. Ele inclui qualquer ser humano. Os ensinamentos islâmicos são uma mensagem universal. O Islã é a religião completa, que se baseia no amor e nos pontos em comum entre os seres humanos, respeitando as diferenças por todos nós sermos da mesma criação.O Islã e o respeito à vida. O Islã considera a vida humana sagrada. A ofensa sobre esta vida é considerada uma ofensa sobre a humanidade. O Islã proibiu matar a inocente alma humana - mesmo um bebê recém-nascido ou dentro do útero da mãe (aborto). Como considerou também ferir a si próprio um insulto sobre toda humanidade, porque o ser humano não tem poder sobre si - este poder é de Deus. Por isso, o Islã crê que o assassino permanecerá eternamente no inferno. Deus disse no seu Livro Sagrado, o Alcorão: "Quem matar uma pessoa, sem que esta tenha cometido homicídio ou semeado a corrupção na Terra, será considerado como se tivesse assassinado toda humanidade" (5:32). O Profeta Mohammad (S.A.A.S.) ensinou: "Para Deus acabar com o universo todo é mais fácil do que testemunhar o derramamento de sangue sem justiça". Todo ser humano deve ser respeitado. Qualquer ofensa sobre cor, raça, sexo, situação física ou financeira e idade é considerado pecado e crime no Islã. A religião contínua e eterna. O Islã, por ser a última mensagem monoteísta divina, foi preservada por Deus, permanecendo intacta para todas as épocas e lugares, até o final dos tempos. Esse é o grande milagre do Profeta Mohammad (S.A.A.S.), o Alcorão Sagrado, ao contrário de mensagens anteriores, que revelavam milagres limitados a determinados lugares e a uma dada época. A promessa divina será cumprida em toda a face da Terra quando oImam Al-Mahdi (A.S.) e o profeta Jesus Cristo (A.S.) voltarem e fundarem o Estado e o Governo justo e verdadeiro no mundo todo. http://www.ibeipr.com.br. Abraço. Davi.
quarta-feira, 12 de fevereiro de 2025
terça-feira, 11 de fevereiro de 2025
PERSONALIDADE EQUILIBRADA E O AUTOCONHECIMENTO
Gnosticismo. www.gnosisonline.org. Texto de Samael Aun Weor (1901-1977). PERSONALIDADE EQUILIBRADA E O AUTOCONHECIMENTO. A fim de alcançar o verdadeiro significado da Alquimia e da Astrologia, é necessário ter uma clara concepção da íntima relação e identidade do microcosmo e do macrocosmo e de sua interação. Todas as forças do universo estão potencialmente presentes no homem e em seu corpo, e todos os órgãos humanos nada mais são do que produtos e representantes dos poderes da natureza.” Paracelso (1493-1541). Todo estudante gnóstico que anela o autoconhecimento, e a consequente auto liberação e auto realização, deve entender que todos nós sofremos inúmeras influências externas. Sejam de nossos semelhantes, sejam do meio ambiente ou mesmo do espaço sideral. De acordo com essas influências, temos diversas reações. É a partir de tais reações que podemos nos conhecer, saber onde estão nossos pontos falhos, nossas debilidades, nossas fraquezas, enfim, nossos calcanhares-de-aquiles. Para o venerável mestre Samael Aun Weor, é por meio da auto-observação de nossas reações cotidianas que se pode tirar um maravilhoso material para o trabalho psicológico. É nossa Essência, nossa Consciência ou nosso Ego que afloram em determinadas situações do dia a dia? Eis aí a verdadeira importância de se estudar séria e detidamente a astrologia sob o ponto de vista gnóstico, ou Astrologia Hermética. A seguir, um resumo das 12 Personalidades Astrológicas que nos ajudam a descobrir por onde afloram os diversos Eus da psicologia interior. Antes de tudo, é importante entendermos o que significa a palavra Personalidade, sua formação, constituição e finalidade. E, a partir daí, estudar as características dos nativos de cada signo zodiacal. A Personalidade é resultante da soma do caráter e da conduta da pessoa. O Caráter é o conjunto de traços e características próprios da pessoa, e está relacionado com a “carga hereditária” depositada nas informações contidas nos genes. Por sua vez, os genes são produtos de compostos moleculares do DNA (ou ácido desoxirribonucleico). Sob a ótica gnóstico esotérica, em última instância as moléculas recebem informações energéticas, ou eletrônicas, provenientes de Dimensões Superiores, ou, mais precisamente, de nosso corpo astral. Já a Conduta nasce das situações que surgem do meio social: família, cidade, país, época, era, raça, religião, diversos valores morais e éticos etc. Devemos recordar sempre que a Personalidade tem um princípio e um fim. Nasce no seu tempo e morre no seu tempo, logo após o desencarne. A personalidade é, segundo o gnosticismo, formada nos primeiros 7anos de vida, ou seja, no início da infância. É de suma importância a atenção educacional da criança nesse primeiro “setenário”. Nesses anos é que é fundamentada a personalidade, a qual com o passar do tempo irá se fortalecendo. Caso a personalidade sofra uma malformação nessa época, será muito difícil modificá-la nos setenários seguintes. Urge educar corretamente as crianças, pois daí para frente, ela será reflexo desses primeiros sete anos. O VM Samael, em suas obras intituladas Psicologia Revolucionária e Educação Fundamental (ou Educação da Consciência) diz o seguinte textualmente: “Disseram-nos muito sabiamente que temos 97% de subconsciência e 3% de consciência. Falando francamente, afirmamos que os 97% da Essência que em nosso interior trazemos encontram-se aprisionados, embutidos, introduzidos dentro de cada um dos Eus que em conjunto constituem o Mim Mesmo. Obviamente, a Essência ou Consciência obstruída em cada Eu assim permanece em virtude de seu próprio condicionamento. Cada Eu desintegrado libera determinada porcentagem de Consciência. Portanto, a emancipação ou liberação da Essência, ou Consciência, seria impossível sem a desintegração de cada um dos Eus. Uma maior quantidade de Eus desintegrados equivale a maior autoconsciência. Uma menor quantidade de Eus desintegrados equivale a menor porcentagem de Consciência desperta. O despertar da Consciência somente é possível dissolvendo-se o Eu, morrendo em nós mesmos aqui e agora. Enquanto a Essência ou Consciência estiver embutida em cada um dos Eus que carregamos em nosso interior, encontrar-se-á adormecida, em estado subconsciente. É urgente transformar o subconsciente em consciente e isso somente é possível aniquilando-se os Eus, morrendo em nós mesmos. Não podemos despertar sem haver morrido previamente em nós mesmos. Aqueles que tentam despertar primeiro, para depois morrer não possuem experiência real do que afirmam, seguem resolutamente o caminho do erro. As crianças recém-nascidas são maravilhosas, gozam de plena consciência, ou seja, autoconsciência, encontram-se totalmente despertas. Dentro do corpo do recém-nascido encontra-se reincorporada a Essência e isso dá à criatura a sua beleza. Não queremos dizer que 100% da Essência esteja reincorporada no recém-nascido, porém, os 3% livres que normalmente não estão envoltos nos Eus psicológicos. No entanto, essa porcentagem de essência livre reincorporada no organismo dos recém-nascidos lhes concede plena autoconsciência, lucidez etc. Os adultos veem o recém-nascido com piedade, pensam que a criaturinha se encontra inconsciente, porém, se equivocam lamentavelmente. O recém-nascido vê o adulto tal como é realmente, inconsciente, cruel, perverso etc. Os Eus do recém-nascido vão e vêm, dão voltas ao redor do berço, querem meter-se no novo corpo, porém, devido a que o recém-nascido ainda não tem fabricada a Personalidade, toda tentativa dos Eus para entrarem no novo corpo torna-se algo mais que impossível. Às vezes, as criaturas espantam-se ao verem esses fantasmas ou Eus que se acercam da sua cama e então gritam, choram, porém, os adultos não entendem isso e supõem que o menino está enfermo, ou que tem fome ou sede (…) tal é a inconsciência dos adultos. À medida que a nova Personalidade vai se formando, os Eus que vieram de existências anteriores vão penetrando pouco a pouco no novo corpo. Quando todos esses Eus se reincorporam, aparecemos no mundo com essa fealdade interior que nos caracteriza. Então, andamos como sonâmbulos por toda parte, sempre inconscientes, sempre perversos. O Que Morre. Quando morremos, três coisas vão para o sepulcro: 1. O corpo físico. 2. O fundo vital orgânico. 3. A personalidade. O fundo vital, qual fantasma, vai se desintegrando pouco a pouco, ante a fossa sepulcral, à medida que o corpo físico vai se consumindo também. A personalidade é subconsciente ou infra consciente, entra e sai do sepulcro todas as vezes que quiser, alegra-se quando lhe levam flores, ama seus familiares e vai se dissolvendo muito lentamente, até se converter em poeira cósmica. O que continua mais além do sepulcro é o Ego, o Eu Pluralizado, o mim mesmo, um montão de diabos dentro dos quais se encontra envolvida a Essência, a Consciência, que, ao seu tempo e hora, retorna, se reincorpora. É lamentável que ao se formar a nova personalidade do menino se reincorporem também os Eus (…)”. Até aqui, as palavras do grande sábio gnóstico, Mestre Samael Aun Weor. A Ciência Gnóstica também ensina que é necessário desenvolver uma Personalidade Equilibrada. Para o desenvolvimento dessa Personalidade Equilibrada é indispensável o Autoconhecimento. Cada pessoa deve procurar se Auto observar em todas as situações da vida cotidiana. Com o sentido da Auto-observação ativado constantemente poderemos registrar e detectar as várias nuances pessoais. Com o “bisturi” da autocrítica investigaremos e analisaremos as ações e reações da nossa personalidade, a qual infelizmente está controlada quase totalmente pelo Ego, e não pela Essência. Através da Reflexão, do Discernimento e, por fim, da Meditação, ensinados pela Psicologia Gnóstica, estudaremos as raízes mais profundas da Personalidade. É importante enfatizar que pelos estudos gnósticos a Personalidade é apenas um instrumento, podendo ser manobrada tanto pelo Ser Divino (ou seja, nossas virtudes, atitudes conscientes, nossa Essência) ou pelo Ego (atitudes, pensamentos e emoções instintivos, negativos, ou defeitos psicológicos). Personalidade Equilibrada. Os aspectos de uma Personalidade Equilibrada são, entre outros: 1. Respeito a si mesmo e a seus semelhantes. 2. Respeito pela estrutura familiar (pais, filhos, cônjuge). 3. Acato às leis do país em que vive. 4. Busca harmoniosa com as Leis Cósmicas. 5. Bons princípios de Higiene pessoal, energética e mental. 6. Estabelecer boas relações de Tolerância, Fraternidade, Compreensão, Altruísmo, Empatia. Etc. A personalidade cumpre as necessidades da vida diária: no lar, nos passeios, no trabalho, nos grupos sociais, na escola etc. De acordo com o Esoterismo Gnóstico, a personalidade tem um limite, pois seria absurdo endeusá-la ou adorá-la. A personalidade nada mais é que um “veículo”, um “instrumento”. Em certa etapa avançada do Caminho Iniciático, até mesmo a Personalidade deverá ser dissolvida. Mas isso é tema para outro texto do GnosisOnline. Vamos agora analisar as Personalidades Astrológicas e suas características, tanto positivas quanto negativas, porém, resumidamente. Áries. Adolf Hitler (1889-1945), que foi nativo de Áries, utilizou este tipo de energia de maneira destrutiva. No entanto, devemos reconhecer que, no princípio, antes de cometer a loucura de lançar a humanidade na Segunda Guerra Mundial (1939-1945), utilizou a energia de Áries de uma maneira construtiva, elevando o nível de vida do povo alemão. Pudemos verificar através da experiência direta que os nativos de Áries brigam muito com o cônjuge. Eles têm uma marcada tendência para a briga, são rixentos por natureza. Os nascidos sob este signo sentem-se capazes de assumir grandes compromissos e levá-los a um bom termo, porém, existe neles o grave defeito de querer utilizar a força da vontade sempre de forma egoísta e destrutiva, ao estilo de Hitler, antissocial. Agrada muito aos arianos a vida independente, apesar de muitos escolherem a milícia, onde não há independência. No caráter dos arianos prevalecem o orgulho, a confiança em si mesmos, a ambição e um valor verdadeiramente louco. Aos nativos de Áries convém o casamento com pessoas do signo de Libra porque o fogo e o ar se compreendem. Mas se os arianos querem ser felizes no matrimônio, devem acabar com o defeito da ira. Áries tem como metal o ferro, sua pedra é o rubi, sua cor é o vermelho e o elemento que lhe corresponde, o fogo. Para saber mais sobre o signo de Áries, Touro. Na prática, pudemos evidenciar que quem nasce sob o signo de Touro não deve se casar com pessoas de Aquário porque fracassam inevitavelmente por causa da incompatibilidade de caráter. O signo de Touro é fixo, da terra, tende à estabilidade, e como o signo de Aquário é aéreo, móvel e revolucionário, logicamente resultam incompatíveis. Os taurinos são como o boi, trabalhadores e mansos, mas quando se enfurecem são terríveis como o touro. Passam por grandes decepções amorosas em suas vidas. São reservados, conservadores, seguem passo a passo pelo caminho traçado, como o boi. Os nativos de Touro são muito sensíveis. A ira neles cresce com lentidão e vem a culminar em violentas explosões vulcânicas. O tipo medíocre de Touro sabe ser muito egoísta, orgulhoso, rixento, passional, iracundo e glutão. O tipo superior deste signo está cheio de amor, ama a música clássica, a sabedoria, trabalha com alegria pela humanidade, sendo um tipo bastante inteligente, compreensivo, fiel, sincero na amizade, bom pai, boa mãe, bom amigo, bom irmão, bom cidadão etc. Para saber mais sobre o signo de Touro. Gêmeos. Gêmeos é um signo de ar, sendo governado pelo planeta Mercúrio. Gêmeos governa pulmões, braços e pernas. O metal deste signo é o próprio Mercúrio, a pedra preciosa, o berilo-ouro, e amarelo é a sua cor. Os nativos de Gêmeos amam muito as viagens. Eles cometem o erro de desprezar a sábia voz do coração e querem resolver tudo com a mente. Irritam-se facilmente, mas são versáteis, dinâmicos, volúveis e inteligentes. Suas vidas estão repletas de êxitos e fracassos. Possuem um valor extremado. Os nascidos sob o signo de Gêmeos são bem problemáticos por causa de seu raro dualismo, por essa dupla personalidade que os caracteriza e que os gregos simbolizaram através dos misteriosos irmãos Cástor e Pólux. Jamais se sabe como o nativo de Gêmeos vai proceder graças exatamente à sua dupla personalidade. A qualquer momento ele pode ser um amigo muito sincero, capaz de sacrificar sua própria vida pela amizade, pela pessoa que lhe ofereceu carinho, porém, em outro instante qualquer, é capaz das piores infâmias contra essa mesma pessoa amada. O tipo inferior do signo de Gêmeos é deveras perigoso e, por isso, não se aconselha a sua amizade. O defeito mais grave dos nativos de Gêmeos é a tendência para julgar falsamente todas as pessoas. Para saber mais sobre o signo de Gêmeos. Câncer. Os nativos de Câncer possuem um caráter tão variável como as fases da Lua. São pacíficos por natureza, mas quando se encolerizam são terríveis. Eles possuem disposição para as artes manuais e para as artes práticas. As pessoas nascidas sob este signo têm uma viva imaginação e devem tomar cuidado com a fantasia. Aconselha-se a Imaginação Consciente, jamais porém a imaginação mecânica; a fantasia é um absurdo. Câncer concede uma natureza suave, retraída e reservada e virtudes caseiras. Neste signo de Câncer encontramos indivíduos demasiado passivos, frouxos e preguiçosos. São muito aficionados de novelas, filmes etc. Seu metal é a prata, sendo a pérola a pedra preciosa. Sua cor é o branco. Câncer, o signo do caranguejo ou do escaravelho sagrado, é casa da Lua. Para saber mais sobre o signo de Câncer. Leão. A constelação de Leão é o trono do Sol, o coração do Zodíaco. Leão governa o coração humano. Nele, as forças de cima misturam-se com as de baixo para que as de baixo se libertem. O metal de Leão é o ouro, o diamante sua pedra preciosa e dourado a sua cor. Na prática, verificamos que os nativos de Leão são como o leão, valentes, furiosos, nobres, dignos, constantes, porém, encontramos entre eles, claro, muitos orgulhosos, gente altiva, infiéis, tiranos (…). Os nascidos sob este signo têm atitudes de organizador, desenvolvem o sentimento e a bravura do leão. As pessoas evoluídas deste signo chegam a ser grandes paladinos. O tipo medíocre de Leão é muito sentimental e iracundo. Sobrestima em demasia suas próprias qualidades. Em todo nativo de Leão existe a mística, ora elevada, ora em estado incipiente, tudo depende do tipo da pessoa. Este signo predispõe as pessoas a sofrerem acidentes nos braços e nas mãos. Para saber mais sobre o signo de Leão. Virgem. Virgem é o signo zodiacal da Virgem Mãe do Mundo, é a casa de Mercúrio e seus minerais são o jaspe e a esmeralda. Na prática, verificamos que os nativos de Virgem são, infelizmente, deveras racionais, além do normal, sendo ainda céticos por natureza. A razão e o intelecto são necessários, mas quando saem de sua órbita resultam prejudiciais. Os virginianos servem para a ciência, para a psiquiatria, medicina, naturismo, laboratório, pedagogia etc. Os nativos de Virgem entendem-se com gentes dos signos de água, porém, não combinam com pessoas do signo de Peixes, pelo que aconselhamos evitar o matrimônio com elas. O mais lamentável, nos tipos nascidos sob este signo vêm a ser a inércia e o ceticismo, que os caracterizam. Interessa saber que a inércia tende a passar do material para o espiritual até onde seja possível por meio da experiência. O talento crítico-analítico de Virgem é formidável e entre os grandes gênios deste signo está Goethe, que conseguiu transcender o material, a inércia e entrar na alta espiritualidade científica. No entanto, nem todos os virginianos são semelhantes a Goethe. Comumente, abundam entre os medíocres deste signo os materialistas ateus, inimigos de tudo o que tenha vestígio de espiritualidade. O egoísmo das pessoas medíocres de Virgem apresenta-se demasiado grotesco e asqueroso, porém, os Goethes são geniais, profundamente desinteressados e altamente altruístas. Os nascidos em Virgem passam por grandes decepções e sofrem no amor porque que o astro do amor, Vênus, está em desterro em Virgem. Para saber mais sobre o signo de Virgem. Libra. Libra está governado por Vênus e Saturno. O metal deste signo é o cobre e a pedra preciosa, a crisólita. Na prática, verificamos que os nativos de Libra sabem, em sua maioria, ter um certo equilíbrio em sua vida, porém desequilibram-se no relacionado com a vida conjugal, no amor. Os nativos de Libra criam muitos problemas para si devido à sua maneira franca e justiceira de ser. Os librianos, bem favorecidos, gostam das coisas retas e justas. As pessoas não entendem muito bem os librianos. Eles parecem ser, às vezes, cruéis e impiedosos. Não gostam ou não querem saber de diplomacia. A hipocrisia os enfastia e as doces palavras dos perversos os aborrecem em vez de suavizá-los. Os librianos têm o defeito de não saberem perdoar o próximo. Em tudo querem ver a lei e nada mais do que a lei, esquecendo muitas vezes a misericórdia. Os nascidos sob este signo gostam muito de viajar e são fiéis cumpridores de seus deveres. Eles são o que são e nada mais do que são, francos e justiceiros. As pessoas incomodam-se com os librianos. Interpretam-nos erradamente por causa da sua maneira de ser e, como é natural, falam mal deles. Assim, enchem-se de inimigos gratuitos. Ao libriano não se pode ir com jogo duplo. Isso ele não tolera e não perdoa. Com os librianos se deve ser sempre amável e carinhoso ou severo, jamais, porém, com esse jogo duplo de doçura e dureza, porque eles não toleram e não perdoam. O tipo superior de Libra prefere sempre a castidade total, enquanto o tipo inferior vem a ser muito fornicário e adúltero. O tipo superior tem certa espiritualidade que os espiritualistas não compreendem e julgam-nos equivocadamente. O tipo inferior de Libra apresenta pessoas deslumbrantes, loquazes e versáteis. Agrada-lhes por natureza ocupar o primeiro plano e chamar a atenção de todo mundo. O tipo superior de Libra quer viver sempre anônimo e desconhecido, não sentindo atração alguma pela fama, pelos louros ou pelo prestígio. Revela mansidão, sentimento de previsão e arrojo. O tipo negativo revela superficialidade e cobiça. No tipo médio, misturam-se muitos desses defeitos e qualidades. Aos nativos de Libra convém o matrimônio com as pessoas sob a regência de Peixes. Os nativos de Libra gostam de fazer obras de caridade sem esperar recompensa e sem alardear o serviço feito. Finalmente, o tipo superior de Libra ama a música seleta, recreia-se nela e deleita-se nela em um grau supremo. Ademais, sentem atração pelo bom teatro e pela boa literatura. Para saber mais sobre o signo de Libra. Escorpião. Escorpião governa os órgãos sexuais. Escorpião é a casa de Marte, o planeta da guerra, e no sexo encontra-se a raiz da Grande Batalha entre os magos brancos e os magos negros, entre as forças solares e lunares. A raça lunar odeia mortalmente tudo o que tenha sabor de Maithuna, magia sexual, tantrismo branco, Vaca Sagrada etc. Os nativos de Escorpião podem cair na mais espantosa fornicação ou regeneram-se totalmente. Na prática, pudemos verificar que sofrem muito na primeira metade da vida e até têm um amor que lhes ocasiona grandes amarguras, mas na segunda metade da vida a sorte melhora notavelmente e tudo muda. Os nascidos sob este signo têm uma certa tendência para a ira e a vingança. Eles dificilmente perdoam alguém. As mulheres de Escorpião estão sempre em perigo de ficar viúvas e passar muitas necessidades econômicas durante a primeira parte da sua vida. Os homens de Escorpião sofrem muita miséria durante a primeira parte da vida, contudo graças à experiência que adquirem, melhoram muito na segunda parte de sua existência. Os nativos de Escorpião são pessoas enérgicas. São ambiciosos, reservados e francos. Como amigos, são amigos de verdade, fiéis, sinceros, capazes de se sacrificar pela amizade. Mas como inimigos, são terríveis, bastante perigosos e vingativos. O mineral de Escorpião é o ímã e a pedra, o topázio. Para saber mais sobre o signo de Escorpião. Sagitário. Algo que não deve ser esquecido é o signo de Sagitário, com seu famoso centauro, metade homem, metade animal. Sagitário, casa de Júpiter, tem por metal o estanho e como pedra preciosa, a safira azul. Na prática, verificamos que os nativos de Sagitário são muito fornicários e passionais. Amam muito as viagens, as explorações, as aventuras e os esportes. Os sagitarianos aborrecem-se facilmente e perdoam em seguida. São muito compreensivos. Amam a bela música e possuem uma inteligência maravilhosa. São tenazes. Quando parecem haver fracassado definitivamente, parecem ressuscitar das próprias cinzas, com a ave Fênix da mitologia, deixando assombrados todos os seus amigos e inimigos. Os nascidos sob este signo são capazes de se lançar em grandes empresas, ainda quando se vejam rodeados de imensos perigos. A vida econômica deles às vezes é muito boa, contudo, também passam por dificuldades econômicas e grandes amarguras. O que mais prejudica os sagitarianos é a luxúria. Para saber mais sobre o signo de Sagitário. Capricórnio. A pedra de Capricórnio é o ônix e toda pedra negra em geral. Chumbo é o seu metal. Os nativos de Capricórnio têm disposição para a pedagogia. Sofrem muito. Têm um grande sentido do dever. São práticos por natureza e passam em sua vida por um grande sofrimento, alguém os atraiçoa. As mulheres de Capricórnio são magnificas esposas, fieis até a morte, trabalhadoras, de muita habilidade, porém, apesar de todas essas virtudes, o marido as atraiçoa, as abandona e muitas vezes contra a própria vontade. Infelizmente, é o Carma delas. Algumas mulheres de Capricórnio metem-se com outros homens, porém, só depois de abandonadas pelo marido e depois de haverem sofrido bastante. São bastante egoístas os homens e mulheres de Capricórnio, ainda que nem todos. Referimo-nos ao tipo inferior. Graças a este egoísmo, contraem muitos compromissos e também se enchem de inimigos. Os capricornianos apegam-se e bastante às coisas, ao dinheiro, onde alguns tornam-se até avarentos. Capricórnio, signo da terra, fixo, estável, não impede que seus nativos façam viagens, ainda que sejam curtas. As dores morais deste tipo astrológico são terríveis, sofrem demais, felizmente seu sentido prático da vida os salva e, ligeiro, se sobrepõem às piores amarguras da vida. Para saber mais sobre o signo de Capricórnio. Aquário. Urano e Saturno são os planetas que governam a constelação de Aquário, sendo Urano um planeta de características totalmente revolucionárias. Os reacionários, conservadores, regressivos e retardatários não o entendem. Entre os minerais de Aquário destacam-se, principalmente, o urânio e o chumbo. Pedra de Aquário, safira. Inclui-se também a pérola negra, difícil de ser achada, mas não impossível. Não podemos aconselhar às mulheres deste signo que se casem com algum homem da constelação de Touro porque serão infelizes toda a vida. Os nativos de Aquário têm grande disposição para as ciências naturais, astrologia, astronomia, medicina, química, botânica, biologia. Os aquarianos são revolucionários em sua vida, em seus costumes, em sua casa, fora dela etc., porém, a seu modo. Destacam-se como paladinos, alguns em alto grau, outros em grau menor, porém, todos têm marcada tendência para ser paladinos. Aquário é o signo do gênio, onde Saturno, o Ancião dos Céus, contribui com a profundidade que os caracteriza, e Urano, o astro revolucionário, lança seus raios sobre a espécie humana. Os aquarianos de tipo superior são fiéis, altruístas, filantrópicos, bondosos, sinceros. Eles sabem selecionar as suas amizades por instinto, por intuição. Conhecem as pessoas e querem sempre fraternidade e humanidade. O tipo inferior é desconfiado por natureza, amante do retiro exagerado. Sua inteligência dedica-se apenas a coisas do mundo físico e seus problemas e assuntos recaem sobre o que é sensível e material. O aquariano de tipo superior é preciso em seus negócios, concentrado, profundo, perseverante, maravilhoso (…). As mulheres deste signo são boas esposas, boas mães, porém, gostam de estar fora de casa e isso incomoda muito os maridos, sobretudo se forem do signo de Touro. Para saber mais sobre o signo de Aquário. Peixes. Peixes está governado por Netuno, o planeta do ocultismo prático, e por Júpiter Tonante, o Pai dos Deuses. O metal deste signo é o estanho, sendo a ametista e os corais suas pedras. Peixes governa os pés. Os nativos de Peixes, comumente, têm duas esposas e vários filhos. São de natureza dual e têm inclinação para duas profissões ou ofícios. São de difícil compreensão, vivem como o peixe em tudo, mas separados de tudo pelo líquido elemento. Adaptam-se a tudo, mas no fundo desprezam todas as coisas do mundo. São delicados, sensitivos, intuitivos, profundos e as pessoas não os compreendem direito. Os nascidos sob esta constelação têm grande disposição para o ocultismo graças a que Peixes está governado por Netuno, o planeta do esoterismo. As mulheres de Peixes são muito nervosas, sensitivas, como uma flor delicada, impressionáveis e intuitivas. Os nativos de Peixes têm bons sentimentos sociais, são alegres, pacíficos e hospitaleiros por natureza. O grande perigo para eles consiste em cair na preguiça, negligência, passividade e indiferença pela vida. Com isso, podem até chegar a uma falta de responsabilidade moral. A mente deles oscila entre a compreensão rápida ou fatal e a preguiça ou desprezo pelas coisas mais necessárias para a vida. São dois extremos e tão ligeiro como caem em um extremo, caem no outro. Sua vontade às vezes é forte, contudo, em outras oportunidades é oscilante. Quando eles caem na extrema indiferença e passividade, deixam-se levar pela corrente do rio da vida, porém, ao verem a gravidade de sua conduta, põem em ação sua vontade de aço, mudando radicalmente o curso de sua existência. Os nativos de Peixes de tipo superior são gnósticos cem por cento. Possuem uma vontade de aço inquebrantável e um elevadíssimo senso de responsabilidade moral. Grandes iluminados, Mestres, Avataras e Reis Iniciados têm saído do tipo superior deste signo. No entanto, o tipo inferior tem uma marcada tendência para a luxúria, alcoolismo, gula, orgulho, preguiça etc. Os piscianos em geral gostam de viagens, apesar de nem todos poderem viajar. Têm uma grande imaginação e uma tremenda sensibilidade. Resulta muito difícil compreendê-los e só os próprios piscianos compreendem a si mesmos. Tudo o que para as pessoas normais tem uma grande importância, para eles nada vale, todavia, é diplomático, adapta-se às pessoas e aparenta que está de acordo com eles. Um dos graves problemas para eles é terem de se definir na questão conjugal, pois quase sempre dois amores básicos e fundamentais colocam-nos em um beco sem saída. O tipo superior de Peixes transcende essas debilidades porque é absolutamente casto. Comumente, sofrem muito com a família nos seus primeiros anos. Difícil encontrar um pisciano que tenha sido feliz com a família durante seus primeiros anos de vida. As mulheres de tipo inferior de Peixes caem na prostituição e no alcoolismo. As mulheres de tipo superior jamais caem assim, são como uma flor muito delicada, são lindas flores de lótus. www.gnosisonline.org. Abraço. Davi
sexta-feira, 7 de fevereiro de 2025
O ALTRUISMO E AS SEIS PERFEIÇÕES. PARTE II
Budismo. Livro Bondade, Amor e Compaixão. Por Tenzin Gyatso – Dalai Lama (1935 - ). O ALTRUISMO E AS SEIS PERFEIÇÕES. Parte II. Esse enfraquecimento da vontade será incapaz de nos proteger de qualquer sofrimento. É importante gerar uma coragem cujas dimensões correspondam as dificuldades. Auxiliar o próximo não significa apenas dar-lhe alimento, abrigo ou coisa que o valha, mas também aliviá-lo das razões que fundamentam o sofrimento, proporcionando-lhe as causas básicas da felicidade. Por exemplo, via de regra, na sociedade não se oferece apenas comida e roupa as pessoas, mas tenta-se educá-las para que se desenvolvam até poderem cuidar de sua própria vida. Da mesma forma, nas práticas de Bodhisattva não damos ao outro somente bens materiais que mitiguem sua pobreza. Todavia também o instruímos, para que possa saber o que fazer na vida e o que deve eliminar do seu comportamento. Para ensinar isso aos outros, é necessário, em primeiro lugar, conhecer-lhes as inclinações e os interesses, bem como as vias benéficas, exatamente como são, sem omissão ou erro. Para ajudá-los, devemos ter certas aptidões. Consequentemente, como uma ramificação do processo de auxiliar nossos semelhante, é necessário que alcancemos a iluminação. Na qual os obstáculos que impedem a percepção de todos os objetos de conhecimento são eliminados por completo. Para um Bodhisattva que procura ajudar o próximo, os impedimentos à onisciência são piores do que os impedimentos a libertação, de modo que, é dos primeiros que o Bodhisattva quer, com mais empenho, se livrar. Na verdade, existe até o caso de um Bodhisattva usar emoções perturbadoras, que são impedimentos à libertação, para oferecer conforto a outras criaturas. Entretanto, como os obstáculos a onisciência são predisposições estabelecidas pela concepção da existência inerente, é preciso suprimir , em primeira instância, a concepção de uma tal existência. Portanto, para que um Bodhisattva realize completamente o bem-estar alheio, deve eliminar os impedimentos à libertação e a Onisciência. A eliminação total dos obstáculos perturbadores é chamada de libertação. Esse é o estado de um “destruidor de inimigos”. Quanto à eliminação dos impedimentos à onisciência, é chamada Estado de Buda, estado de onisciência, e o procuramos para sermos plenamente úteis aos outros. Uma mente que, para o bem dos seres sencientes, busca alcançar tal iluminação superior, é chamada “mente de iluminação, A intenção altruísta de se tornar iluminada. A formação dessa atitude é a última das sete instruções quintessenciais de causa e efeito. Dentro do budismo, essa é a melhor de todas as atitudes abnegadas. Quando tal altruísmo se transforma em ação, passamos a praticar as seis perfeições: generosidade ou doação, ética, paciência, esforço, concentração e sabedoria. A generosidade pode ser praticada de três maneiras: oferecendo-se recurso, doando-se o próprio corpo e dando-se as raízes da virtude. O mais difícil e importante é dar as próprias raízes da virtude. Quando possuímos um forte sendo de generosidade e dedicamos aos outros nossas raízes virtuosas, não mais buscamos recompensas para nós. Embora o simples ato de doação possa ser realizado por aqules que procuram o próprio benefício, a generosidade de um Bodhisattva não está absolutamente envolvida com o egoísmo. Existem muitos tipos de ética. Com relação a do Bodhisattva, porém, a principal prática ética é renunciar ao egoísmo ou refreá-lo. Em sânscrito, a palavra “ética” é shila, que etimologicamente significa “obtenção da serenidade”. Quando as pessoas possuem ética, suas mentes desenvolvem uma tranquilidade ou serenidade livre da aflição de lamentar o que fizeram. Com ralação a paciência, existe aquela de não nos preocuparmos com o dano que um inimigo posso anos causar, ou seja, que é a paciência de proporcionar bem-estar aos eres sencientes. A paciência como admissão voluntária do sofrimento é muito importante, porque se refere a questão de não esmorecer perante as dificuldades. Serve-se de base a intensificação do esforço com a finalidade de combater as raízes do sofrimento. No início, o esforço é fundamental, dessa maneira gera-se uma vontade firme. Todos possuímos a natureza de Buda, e assim sendo já estão em nós as substâncias que, quando nos deparáramos com as condições adequadas, podem nos transformar num ser plenamente iluminado. Dotado de todos os atributos, benéficos e, assim, sem máculas. A própria raiz do fracasso em nossa vida é pensar: “Oh, como sou inútil e incapaz”. É indispensável ter uma atitude mental vigorosa e pensarmos: “Posso fazê-lo”, sem mesclá-la ao orgulho ou a qualquer outra emoção perturbadora. O esforço moderado durante um longo período é importante, independentemente do que estejamos tentando fazer. Fracassamos por trabalhar em excesso no início, ousar demais, e então desistir de tudo depois de algum tempo. É necessário um fluxo constante de esforço moderado. De modo semelhante, quando meditamos, precisamos ser inteligentes, realizando sessões curtas e frequentes. É mais importante que a meditação seja de boa qualidade, do que longa. Quando fazemos tal esforço, passamos a dispor das “substâncias” necessárias para desenvolver a concentração. Esta tem por objetivo canalizar a mente que, no momento, está fragmentada em muitas direções. Uma mente dispersa não tem grande poder. Quando canalizada, ela se torna vigorosa, não importa qual seja o objeto de observação. Não existe uma maneira exterior de canalizar a mente, como por exemplo, através de uma operação cirúrgica. Isso deve ser feito por meio da concentração interior. O recolhimento mental também ocorre no sono profundo, quando o fator vigilância se torna indistinto. Por conseguinte, nesse caso, o recolhimento deve ser acompanhado de uma atenção clara e vigilante. Em resumo, a mente precisa possuir estabilidade, mantendo-se firmemente em seu objeto, com grande lucidez com relação a ele, num agudo e nítido estado de alerta. No que diz respeito a última perfeição, existem vários tipos de sabedoria. Os três principais são: a sabedoria convencional, que percebe os cinco campos do conhecimento, a sabedoria suprema ou final. Que apreende o modo de subsistência dos fenômenos, e a sabedoria que conhece os meios de auxiliar os seres sencientes. A principal delas é a segunda, que percebe a ausência do eu ou não eu. Com relação a ausência do eu, é necessário saber qual é o eu que existe, para podermos identificar o eu que não existe. Assim, tem-se a possibilidade de compreender seu oposto, a ausência do eu. Esta não é algo que existiu no passado e que passou a não existir, trata-se, ao contrário, de algo que nunca existiu. Deve-se identificar como não existente alguma coisa que sempre o foi. Pois, enquanto como não existente alguma coisa que sempre o foi. Pois, enquanto não fizermos esta identificação, seremos atraídos para as emoções perturbadoras do desejo e do ódio. Bem como para todos os problemas que acarretam. A que se refere este eu que não existe? No presente contexto, refere-se não apenas a pessoa ou ao eu, como normalmente designa, mas também a independência, a algo que existe de forma autônoma. Devemos examinar todos os tipos de fenômenos para determinar-se existem de modo soberano, verificando se possuem ou não um modo de subsistência autonomamente, quando investigamos para descobrir um objeto determinado, este deverá tornar-se cada vez mais claro e evidente. Por exemplo, consideremos nossa própria pessoa, o tipo usual de eu ou Eu. O eu, surge de dentro do contexto da mente e do corpo, contudo, se pesquisarmos os lugares de onde ele aflora, não conseguiremos encontrá-lo. Da mesma forma, no que diz respeito aquilo que consideramos uma mesa, se, não satisfeito com sua mera experiência, resolvermos analisar-lhe a natureza. Procurando entre as várias partes, desmembrando todas as suas qualidades, e assim por diante, não subsistirá qualquer mesa para ser considerada como o substrato dessas partes e qualidades. O fato de que as coisas que podem ser encontradas por meio da análise quando procuramos descobrir um objeto determinado, indica que os fenômenos não existem de forma autônoma. As coisas não são instituídas objetivamente nelas e a partir delas. Mas existem de fato, mesmo que, com base na análise, eu tentar encontrar a mesa e não conseguir encontra-la, ao atingi-la com meus punhos, minhas juntas ficarão doloridas. Sua existência é indicada pela minha própria experiência. Contudo, o fato de ela não poder ser encontrada por meio da análise indica-lhe a não existência em seu próprio direito objetivo. Assim, uma vez que ela existe, considera-se que existe através do poder de uma consciência convencional subjetiva. Dizer que os objetos existem em virtudes de uma consciência designativa subjetiva é o mesmo eu afirmar sua existência apenas nominalmente. Em consequência, com relação ao nosso eu ou pessoa, quando procuramos encontra-lo entre sua base de especificação, a mente e o corpo, ele não pode ser encontrado, dessa forma. Há apenas o mero eu, que existe por meio da força da conceituação. O modo como as coisas se apresentam e o modo como efetivamente existem diferem enormemente. Uma pessoa que estiver envolvida na prática da perfeição da sabedoria realiza esse tipo de análise e depois examina, como as coisas se apresentam na experiência costumeira. Alternando a análise e a comparação com o modo usual de apresentação, de forma a perceber a discrepância entre o modo real de subsistência dos fenômenos e sua manifestação. Dessa forma, a existência inerente, que é o corpo da negação, se tornará cada vez mais clara. Quanto mais claro se torna o objeto de negação, mais profunda se torna nossa compreensão do vazio. Finalmente, deparamos com a mera vacuidade que é uma negação da existência inerente. Como o vazio é um fenômeno negativo entre os fenômenos positivos e negativos, é uma negativa não afirmativa, entre as negativas e as não afirmativas. Quando ele aparece a mente, nada emergirá a não ser a ausência de tal existência inerente, uma mera eliminação do objeto da negação. Assim, para a mente de uma pessoa que percebe o vazio, não se verifica a sensação de “estou constatando o vazio” e não há o pensamento – isso é o vazio. Se tivéssemos tal sensação, o vazio se tornaria distante. Contudo, o vazio da existência inerente é constatado e percebido. Depois de tal percepção, apesar de qualquer fenômeno parecer existir autonomamente, passamos a compreender que não é assim que eles existem. Passamos a compreender que não é assim que eles existem. São como o ilusionismo de um mágico em que as ilusões criadas, apesar de aparecerem de certa forma, na realidade existem de outra. A despeito de parecerem existir de forma inerente, entenderemos que eles não possuem uma existência inerente. Quando os fenômenos são encarados dessa maneira, verifica-se uma diminuição das concepções que sobrepõem aos fenômenos uma bondade ou maldade além do que está realmente neles. Dando margem, a partir disso, à formação do desejo. Deve-se isso ao fato de que tais concepções se fundamentam na compreensão errônea de que os fenômenos existem de forma soberana, por direito próprio. Por outro lado, as consciências que possuem um fundamento válido ficam mais fortes, porque o significado do vazio é o da manifestação dependente. Como fenômeno são manifestações dependentes, condições em que ocorrem pode aumentar ou diminuir. Desse modo, a causa e o efeito são viáveis, presumíveis, e uma vez que assim se revelam, podemos afirmar que os maus efeitos, como o sofrimento. Podem ser evitados mediante o abandono das causas más e que os bons efeitos, como a felicidade, podem ser alcançados pela prática das boas causas. Se, por outro lado, os fenômenos existissem de forma autônoma, não dependeriam de outros, desse modo, causa e efeito seriam impossíveis. Uma vez que a dependência é possível, causa e efeito podem ser estabelecidos. Do contrário, se não fosse possível, não poderiam existir. O motivo final que prova que as coisas relativas são vazias de existência inerente é exatamente essa dependência com relação a causas e condições. Quando as pessoas não compreendem bem essa doutrina, pensam erroneamente que, como os fenômenos são vazios, não há nem bem nem mal, nem causa nem efeito. Isso indica falta de compreensão. É tão importante ter a capacidade e a convicção de afirmar a existência da causa e efeito que é comum dizer que entre deixar de acreditar na causalidade e no efeito das ações e deixar de acreditar no vazio, o melhor é abandonar a doutrina do vazio. Devido isso, tanto a Escola Madhyamica quanto a Chittamatra oferecem várias interpretações do vazio. Na maioria dos sistemas doutrinais aceita-se até que os fenômenos existam inerentemente, pois sem uma existência passível de verificação analítica não é possível, de momento, para muitos aceitar causa e efeito. O conhecimento do modo final de subsistência dos fenômenos deve ser inserido num contexto em que não se percam convencionalmente a causa e o efeito das ações. Se, numa tentativa de compreender o modo final de subsistência, perdêssemos de vista a causa e o efeito convencionalmente existentes, o objetivo ficaria frustrado. Assim como as crianças devem frequentar a escola primária, o ginásio e o colegial antes de ingressarem na universidade. Avançando para os níveis superiores a partir dos inferiores, nossos alicerces consistem em termos aprendido os fundamentos da causa e efeito dos atos. Para mais tarde alcançarmos a percepção profunda do vazio da existência inerente, sem abandonar a convicção anterior de causalidade e efeito e das ações resultantes. Se alguém acreditar que, a partir do fato de que os fenômenos são vazios, não pode haver nem o bem nem o mal. Mesmo que essa pessoa repita a palavra “vacuidade” mil vezes, ela estará se afastando cada vez mais do real significado do vazio. Portanto, quem tiver grande interesse pelo vazio deverá ponderar detidamente acerca da causa e do efeito dos atos. Assim é, em resumo, a prática da perfeição da sabedoria. Estas seis perfeições representam o coração da implementação do altruísmo por parte de uma Bodhisattva. Abraço. Davi.
quarta-feira, 5 de fevereiro de 2025
A ARTE DE APRENDER COM AS DIFICULDADES
Texto de Carlos Cardoso Aveline. A ARTE DE APRENDER COM AS DIFICULADES. Uma velha fábula indiana conta que, há milhares de anos, vivia em um templo abandonado uma grande cobra venenosa. Seu nome era Naga. Em geral, Naga tinha bons sentimentos, mas despertava terror nos habitantes da aldeia próxima porque quando incomodada atacava as pessoas. Certo dia, um sábio desconhecido apareceu misteriosamente no local. Sentou-se junto ao templo e chamou Naga para uma conversa. Disse-lhe que a vida é, na verdade, uma grande escola espiritual, e que aprendemos o tempo todo, mesmo quando não temos consciência disso. “Mas o aprendizado é muito mais rápido e muito mais difícil quando fazemos um esforço consciente por iniciativa própria”, acrescentou. A consciência de Naga se expandiu. O animal viu a luz da sabedoria, e disse que desejava trilhar o caminho do esforço consciente. O instrutor mencionou então duas condições básicas para esse tipo de aprendizado. “O primeiro passo é o autocontrole” , disse ele. “O processo sagrado começa à medida que o aprendiz deixa de obedecer aos instintos animais”. E acrescentou, antes de prosseguir viagem: “Ao mesmo tempo, há uma outra condição. É preciso ser fraterno e pacífico em relação a todos os seres”. Impressionada pela força das palavras do mestre, a cobra Naga deixou de lado as preocupações mundanas. Praticou meditação, aproximou-se da sua alma imortal e experimentou a paz do Universo infinito. Ela também tomou uma decisão: “De agora em diante, vou controlar os meus instintos e não morderei mais ninguém”. A lei da evolução estabelece que todo conhecimento deve ser testado na prática, e o caso de Naga não foi uma exceção. Seu novo comportamento chamou atenção das crianças da aldeia. Por que razão ela ficava o dia todo imóvel, em jejum, recitando mantras e meditando sob o calor do sol? Quando todos compreenderam que o animal não atacava, começaram os risos, o desprezo e as agressões à base de paus e pedras. Com o tempo, Naga emagreceu. Adoeceu. Sua pele começou a cair. Mas ela perseverava. Um ano depois, o animal está sem forças e à beira da morte, quando o mestre desconhecido aparece outra vez e senta-se para conversar. A cobra conta ao sábio tudo o que aconteceu e fala – feliz – da sua lealdade ao caminho espiritual. Surpreso, o mestre explica que tamanha dor não era necessária: “Amiga, eu disse para você não atacar. Não disse que não ameaçasse morder. Não disse que não preparasse o bote. Não deixe de impor respeito: não faça mal a ninguém, mas – quando necessário – defenda-se sem violência”. Qual foi, então, o erro de Naga? Ela idealizou o caminho da sabedoria de maneira ingênua e ignorou o fato de que conflitos e contradições fazem parte da vida. Os exemplos são muitos. A cada momento temos de tomar decisões, e antes de cada decisão há uma certa luta entre diferentes tendências em nosso interior. As pessoas vivem conflitos psicológicos dentro de si, e se isso é verdade, é também natural que haja discordâncias nas relações humanas e sociais. Contraste é vida, e vida é movimento. A uniformidade imobilista não é saudável. Quando as pessoas têm medo das discordâncias naturais, elas passam a reprimir as suas diferenças de opinião na esperança de preservar a paz. Assim, a sinceridade é substituída pela cortesia. Gradualmente, a confiança mútua desaparece, abrindo espaço para a má vontade, os sentimentos hipócritas e a deslealdade. Por isso a sinceridade é sempre melhor que a harmonia forçada. Naturalmente, é agradável estar rodeado de pessoas que concordam conosco em todos os aspectos. Mas, se fosse possível viver desse modo o tempo todo, nossa evolução correria grave risco de ser interrompida. Assim como as pedras dos rios ficam redondas após longos anos de atrito, também os seres humanos necessitam de suas dificuldades e contradições para aperfeiçoar-se. É certo que devemos evitar as desarmonias, mas em muitos casos elas são inevitáveis, e então o melhor que podemos fazer é aprender com elas. Para o pensador grego Plutarco (46-120) os inimigos são comparáveis às dificuldades naturais que a vida coloca diante de nós. Um velejador experiente não se desespera com o vento contrário, mas sabe usá-lo para avançar no rumo certo. Do mesmo modo, devemos aproveitar as inimizades e outros desafios para aumentar nosso autoconhecimento. “O fogo queima quem o toca, mas também fornece luz e calor e serve a uma infinidade de usos para aqueles que sabem utilizá-lo”, explica Plutarco. A situação é idêntica com os adversários ou invejosos: “O que é mais prejudicial na inimizade pode tornar-se o mais proveitoso”, diz ele. “É que teu inimigo, continuamente atento, espia tuas ações na expectativa da menor falha, e fica à espreita em torno da tua vida”. Na tarefa de identificar nossos erros, os inimigos são mais úteis que os amigos. Os adversários aumentam o perigo e, com isso, não nos deixam adormecer na rotina. Para Plutarco, necessitamos de amigos sinceros e inimigos ardentes: “uns nos afastam do mal por suas advertências, os outros, por sua censura”. Porém, os amigos geralmente evitam falar com franqueza. Além disso, o amor pode ser cego em relação a aquilo que ele ama. Mas o rancor consegue revelar as manias e os fracassos de qualquer um. Quando o invejoso mente em suas críticas, podemos lembrar que, seja como for, nós ainda estamos longe da perfeição. É verdade que ele vê erros em nós que não existem. Mas talvez haja erros em nós que ele não vê. Devemos aproveitar a oportunidade de uma crítica contra nós para exercer vigilância e aumentar nossa força interior. A confiança no bem e a autoconfiança nos darão tranquilidade para observar os erros do ponto de vista do nosso potencial divino. E, sobretudo, para valorizar nossos acertos. Segundo Plutarco, a melhor maneira de defender-nos dos inimigos é aumentar nossas virtudes. O taoísmo e a filosofia esotérica ensinam a mesma coisa. O escritor Carlos Castaneda (1925-1998) reforça esse ponto ao explicar que “o guerreiro deve ser impecável”. Como se pode, então, tirar proveito das injustiças que sofremos? Castaneda aprendeu com seu mestre Don Juan a técnica do pequeno tirano. O método funciona melhor quando há alguém que não só está situado em uma posição de poder ou de superioridade em relação a nós, mas tem, também, a séria intenção de causar-nos profundo mal-estar. É claro que nenhum tirano externo tem real importância em si mesmo. Nosso único verdadeiro inimigo é nossa própria ignorância diante da vida. Os adversários mais desagradáveis do mundo exterior são apenas projeções e materializações daquelas lições que ainda não aprendemos e, por isso, são todos de pequeno porte. No sistema de ensino de Castaneda, há, portanto, três tipos básicos de pequenos tiranos: 1) Tirano Insignificante. Tem o poder de matar suas vítimas quando quiser. Hoje é difícil de encontrar, mas era relativamente frequente durante a época colonial, quando os feiticeiros da América Central criaram essa técnica. 2) Pequeno Tirano Insignificante. Persegue e inflige danos sem chegar a causar a morte das suas vítimas. 3) Pequeno Tirano Muito Insignificante. Ocasiona incômodos e exasperação sem fim. A função do pequeno tirano é testar a força e a coerência do aprendiz. A vida é como uma grande respiração, e, em todos os seus aspectos, a cada expansão corresponde uma retração igual e contrária. Assim, na mesma medida em que o guerreiro expande no plano subjetivo a sua visão de mundo e se une ao infinito, ele tem de fazer com que, no plano objetivo, as suas ações práticas sejam cada vez mais compactas, mais controladas e mais intensas. Esse paradoxo é inevitável. Se não fizer isso, seu avanço será falso. Há pequenos tiranos insignificantes e muito insignificantes que usam de brutalidade e violência. Outros atormentam criando preocupação, tristeza ou fúria. Em todos os casos, eles são usados pelo guerreiro da sabedoria para identificar e eliminar sua própria vaidade, seu orgulho e sua preocupação consigo mesmo. O aprendiz deve adquirir um controle estratégico da sua própria conduta, com o objetivo de eliminar o desperdício de energia vital e de obter um acesso cada vez maior à energia do Universo infinito. Os jogos do pequeno tirano insignificante só causam sofrimento enquanto houver ignorância, medo e falta de atenção no guerreiro. A estratégia do aprendizado pode ser resumida em seis pontos: 1. Controle. Enquanto o pequeno tirano atormenta o guerreiro, esse aprende a desmontar os seus esquemas de justificação da preguiça, vê destruída a sua ingenuidade infantil, e desperta para níveis superiores de alerta e atenção. Ele aprende a controlar os impulsos inferiores. Se não fizer isso, será derrotado. 2. Disciplina. Como qualquer ser humano, o guerreiro sofre, mas ele sofre sem sentimento de autopiedade. Ele levanta informações objetivas sobre a situação em que está, identifica os perigos reais e define possíveis alternativas, sem perder tempo ou energia com emoções desnecessárias. 3. Paciência. O guerreiro não combate prematuramente. Ele aguarda com serenidade e antecipa com prazer a sua futura libertação. “O guerreiro sabe que espera, e sabe o que espera”, explica Victor Sánchez. 4. Sentido de Oportunidade. No momento certo, o guerreiro aplica toda a energia acumulada em relação aos três pontos anteriores. Sánchez afirma : “É como abrir as comportas de uma represa”. 5. Vontade. Não é a vontade comum, mas um elemento imponderável, reservado para uma situação extrema. Esse é o único ponto da estratégia que pertence ao desconhecido. Não é apenas um resultado da acumulação dos itens anteriores. 6. O Tirano Insignificante. É o elemento externo que, ameaçando o guerreiro, dinamiza e acelera o seu processo de crescimento interior. É muito provável que não haja ninguém situado em uma posição de poder que esteja pensando em atormentar-nos ou em destruir nosso bem-estar. Raramente alguém tem o privilégio espiritual de viver esse desafio. Ainda assim podemos usar essa técnica de Castaneda. Basta adaptar a estratégia acima substituindo o pequeno tirano pelo conjunto de obstáculos que nos rodeiam e dificultam a obtenção da nossa meta, a sabedoria. Se não há um tirano, pode haver uma situação limitadora, uma pequena tirania exercida pela nossa própria ignorância, e que limita nosso processo de aprendizagem. E a estratégia permanecerá válida. Os três primeiros pontos – controle, disciplina e paciência – são estimulados pelo sexto elemento, o tirano, ou a “situação limitadora”. O quarto ponto – a escolha do momento de ação – serve para preparar o salto transformador e o instante criativo que fará toda a diferença. O quinto ponto, a vontade, significa que, tendo aumentado sua eficiência e sendo impecável nessa situação concreta, o guerreiro reúne uma energia ilimitada, a ser usada no momento certo. Desse modo, cada pessoa de má vontade ou que boicota nossos esforços tem algo a nos ensinar. Se formos aprendizes conscientes da arte de viver, seremos beneficiados pelas suas ações agressivas, ainda que isso possa ser frustrante para o agressor. Normalmente, o pequeno tirano é um pobre desorientado. Ele não só ignora que sua má vontade contra nós na verdade nos beneficia, mas sequer suspeita o quanto é gravemente prejudicial para ele próprio querer prejudicar alguém. Para o aprendiz da sabedoria, há três coisas de suprema importância. A primeira é não aceitar o papel de pequeno tirano nem perder tempo ou energia com pensamentos e ações destrutivos em relação a outrem. A segunda é não cair na posição de vítima paralisada ou inconsciente, e não alimentar autopiedade. A terceira é saber atuar como um colaborador da sabedoria universal em todas as situações da vida. www.emporioesoterico.com.br. Abraço. Davi
segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025
O ALTRUÍSMO E AS SEIS PERFEIÇÕES. Parte I
Budismo. Livro Bondade, Amor e Compaixão. Por Tenzin Gyatso – O Dalai Lama (1935 - ). O ALTRUISMO E AS SEIS PERFEIÇÕES. Parte I. O principal tema do budismo é o altruísmo, baseado na compaixão e no amor. O sentimento de compaixão é importante, sejamos ou não crentes, pois todas as pessoas compartilham ou sentem o valor do amor. Quando somos crianças, nós, seres humanos, dependemos muito da bondade dos nossos pais. Sem sua afeição seria difícil sobreviver. Quando chegamos a uma idade avançada, necessitamos, mais uma vez, da bondade alheia – dependemos dela. Entre essas duas fases – a infância e a velhice, nos tornamos bastante independentes. Sentimos que por não depender dos outros, não necessitamos praticar a bondade. Isso é errado. Aqueles que estão envolvidos na prática da compaixão se sentem muito mais felizes interiormente, mais calmos, mais tranquilos, e as outras pessoas retribuem esse sentimento. A verdadeira paz, amizade e confiança são impossíveis de se obter por meio de um sentimento hostil. Entretanto, por meio do amor podemos desenvolver a compreensão, a união, a amizade e a harmonia. Desse modo, a bondade e a compaixão são as coisas mais importantes, preciosas e valiosas. Os seres humanos possuem um cérebro sofisticado e, como resultado, tem desenvolvido um grande progresso material. Contudo, se equilibrarmos o desenvolvimento externo com o interno, poderemos usar as coisas materiais de maneira correta. Como a compaixão e o altruísmo são tão importantes, darei algumas explicações do ensinamento budista a respeito de como praticá-lo. A espécie de boa atitude, à qual estou me referindo é um sentimento que temos quando, defrontados com a escolha entre nossa própria felicidade e a do outro, optamos pela felicidade alheia. Acalentar os interesses do próximo em detrimento dos nossos é algo que não pode ser desenvolvido, imediatamente. Necessário se faz um treinamento. No budismo, existem duas técnicas fundamentais para se alcançar essa atitude altruísta. Uma é a chamada “estabilização e mudança do eu e do outro”. A outra é chamada de “as sete instruções quintessenciais de causa e efeito”. No que diz respeito a primeira, a teoria do renascimento não é necessária, ao passo que na última, o é. Como já expliquei anteriormente a primeira , falarei hoje sobre as sete instruções quintessenciais de causa e efeito. Para desenvolver uma forte consideração pela felicidade e bem-estar alheios, é preciso adotarmos uma especial atitude altruísta, na qual assumimos a responsabilidade de ajudar aos outros. Para gerar uma atitude tão incomum, é necessário ter fuma grande compaixão. Preocupar-se com o sofrimento do próximo, e quere fazer alguma coisa a respeito. Para sentir uma tal compaixão devemos, em primeiro lugar, ter um vigoroso sentimento de amor que, ao perceber o sofrimento dos seres sencientes, venha a fazer com que almejemos sua felicidade. Tal como uma mãe procede com seu único e amado filho. Para que possamos ter um sentimento de proximidade e de apreço pelos outros, devemos primeiramente nos acostumar a sentir a bondade, adotando como modelo. Uma pessoa que tenha sido muito bondosa conosco nesta vida, e depois estendendo essa sensação de gratidão a todas as criaturas. Como, em geral, nossa mãe é o ser mais próximo e aquele que mais nos auxiliou, o processo de meditação começa com o reconhecimento de todos os outros seres sencientes como se fossem nossa mãe. Esse sistema de meditação passa por sete etapas: 1. Reconhecer todos os seres sencientes como mãe. 2. Ficar atentos a bondade deles. 3. Desenvolver a intenção de retribuir essa bondade. 4. O amor. 5. A compaixão. 6. A atitude incomum. 7. A intenção altruísta de se tornar iluminado. Para realizar esta meditação, é preciso conhecer o processo do renascimento. O motivo final que mostra a existência do renascimento é que a nossa consciência, por ser uma entidade de mera luminosidade e conhecimento, deve ser formada a partir de um momento de consciência anterior. Uma entidade luminosa e sábia previamente existente. Não é possível que a consciência seja produzida tendo a matéria como sua causa substancial. Uma vez que ela tem origem num momento anterior da consciência, não se pode estabelecer um começo para o seu continuum. Desse modo, o tipo mais geral e mais sutil de consciência não possui começo nem fim. Com base nisso, fica demonstrado o renascimento. Uma vez que os renascimentos são necessariamente infinitos, todas as pessoas já tiveram conosco um relacionamento como o da nossa mãe na vida presente. Para poder praticar esse reconhecimento, é preciso, inicialmente, ter uma mente equânime. Comecemos por perceber que em nossa mente classificamos as outras pessoas em três categorias básicas: amigos, inimigos e relacionamentos neutros. Assim sendo, adotamos três diferentes atitudes com relação a elas: desejo, ódio e uma indiferença indolente. Com essas atitudes, é impossível gerar uma conduta altruísta, consequentemente, torna-se importante neutralizar o desejo, o ódio e a indiferença. Para isso, devemos refletir a respeito do renascimento. Como nossos nascimentos não tem início, seu número é ilimitado. Assim, não podemos ter certeza de que aqueles que agora são nossos amigos sempre o foram no passado. Os que ora são nossos inimigos sempre o foram em outras épocas. Mesmo em termos de nossa vida atual, existem pessoas que em dado momento forma hostis a nós e mais tarde se transformaram em amigos, e vice-versa. Desse modo, não há sentido em considerarmos alguém unicamente como amigo e alguém mais apenas como inimigo. Quando encaramos as coisas assim, a concepção de que algumas pessoas são amigas e outras inimigas, e o consequente surgimento do desejo e do ódio, começa a tornar-se mais débil. Imaginemos a nossa frente três pessoas: um amigo, um inimigo e uma neutra. Enquanto as observamos, consideremos que não há nenhuma certeza de que qualquer uma delas sempre nos ajudará ou, pelo contrário, sempre nos fará mal. É importante proceder a essa meditação visando pessoas específicas e não apenas seres sencientes em geral. Sendo que a imagem destes últimos é por demais vaga para produzir a mudança de atitude aplicável a pessoas específicas. Gradativamente, uma sensação de equanimidade – imparcialidade, se desenvolve com relação as três pessoas aludidas. Depois disso poderemos, devagar, estender esse sentimento para outras criaturas. Depois de passarmos por essa mudança, temos de considerar que, como todos os nascimentos não tiveram um início, portanto são limitados em número, cada indivíduo já foi nosso melhor amigo. Nosso pai, nossa mãe, ou tivemos com ele outros laços, no decorrer das nossas vidas. Tomando essa constatação como base, poderemos desenvolver uma conduta em que consideramos todos os seres sencientes como nossos amigos. Vamos pensar, então, na bondade que cada um deles nos proporciona quando foram nossos pais. Sendo nossa mãe ou nosso pai, em geral, nossos melhores amigos, protegeram-nos com zelo. Exatamente como nossos pais nesta vida fizeram quando éramos pequenos. Uma vez que não há diferença entre o fato de as pessoas que foram bondosas terem expressado essa bondade há pouco ou muito tempo. Todos os seres já foram bondosos nesta existência ou em vidas passadas, são todos igualmente bondosos. Além disso, mesmo que o próximo não tenha sido nosso pai, demonstrou muita bondade para conosco. Sim, porque devemos a maior parte das boas qualidades que possuímos a outras pessoas. Como explicarei a seguir, a prática das seis perfeições depende quase totalmente de outros seres sencientes. Da mesma forma, a prática inicial da ética, o abandono das dez não virtudes: matar, roubar, o mau procedimento sexual, mentir, criar a discórdia por meio da palavra, dizer palavras rudes, tagarelar sem finalidade, cobiçar, ter intenções nocivas e opiniões falsas. Se faz, em sua maior parte, na relação com outros sencientes. E ainda, em nossa vida atual, o conforto que temos, belos prédios, estradas, e tudo mais, é produzido por outras pessoas. Para que nos tornemos iluminados, precisamos nos engajar na prática da paciência, e para desenvolver a paciência precisamos de um inimigo. Assim sendo, os inimigos são muito valiosos. Se examinarmos o assunto em profundidade e detalhadamente, mesmo os grandes inimigos que durante certo tempo apenas nos prejudicaram, terminaram por nos causar um grande bem. A razão disso é que, com um inimigo, podemos aprender a verdadeira tolerância e a paciência, ao passo que com um mestre religioso ou com nossos pais o poder da nossa tolerância não consegue ser testado. Apenas quando nos defrontamos com a atividade dos inimigos conseguimos aprender o que é a autêntica força interior. Sob este ponto de vista, os adversários são professores de força interior, coragem e determinação. Por possuirmos um inimigo, podemos também nos aproximar mais da realidade, ficando livres da vaidade. Quando praticamos o altruísmo, os adversários não podem ser negligenciados, devemos tê-los em maior conta ainda. Assim, em vez de nos zangarmos com eles, devemos pensar em retribuir-lhes a bondade, pois é preciso recompensar todo o bem que nos tenha sido concedido. Não o retribuir seria ignóbil. Depois de percebermos a bondade alheia, nasce um sentimento que faz com que queiramos retribui-la. Como fazer isso? O passo imediato é gerar uma atmosfera de amor, desejando que todos os seres sencientes seja feliz, e que aqueles desprovidos de ventura venham a atingir um estado de felicidade junto as causas que o geram. Quanto mais contemplarmos tudo e todos com amor, descobrindo uma qualidade agradável em todas as pessoas que encontramos e tratando-as com carinho, mais desenvolveremos a próxima etapa. Essa é a compaixão, que é o desejo de que o outro se liberte do sofrimento e de todas as suas causas. O crescimento progressivo do amor e da compaixão envolve nossa mudança de conduta, desse modo, os seres que são objeto desses sentimentos continuam sofrendo. Assim, após gerar o amor e a compaixão, é preciso fazer com que tais atitudes se estendam para além do seguinte pensamento. Como seria bom se eles se libertassem do sofrimento e de suas causas, e passassem a possuir a felicidade e o que a suscita. O próximo passo é desenvolver um pensamento mais resoluto. Farei com que eles se libertem do sofrimento e de suas causas e passem a ser contemplados com a felicidade e o que a suscita. Desenvolvemos, assim, a forte determinação de não apenas gerar essas boas atitudes mentais, mas de, efetivamente, libertar os seres sencientes da dor, firmando-os na felicidade através do nosso próprio esforço. Tão elevada intenção nos dotará da coragem maior de assumir a grande responsabilidade de elar pelo bem-estar de todas as criaturas sencientes. Ao dispormos dessa força mental, não importa quão grande sejam as adversidades, nosso senso de determinação e de coragem se tornará enorme. As adversidades darão força à nossa determinação. A coragem é importante não apenas para os que praticam a religião, mas também para quaisquer outras pessoas. O ditado que diz que onde existe a vontade existe uma forma de se atingir o que se quer é realmente verdadeiro. Se, quando nos defrontarmos com uma situação difícil, nossa vontade ou nossa coragem minguarem e cairmos na indolência de nos sentirmos inferiores. Pensando que não poderemos de modo algum leva a cabo uma tarefa tão difícil. Abraço. Davi
sábado, 1 de fevereiro de 2025
III. RAJA YOGA
III. RAJA YOGA. Texto de I. K. taimni (1898-1978). SAMADHI PADA. Yoga citta vrtti nirodhah. I-2. YOGA É A INIBIÇÃO DAS MODIFICAÇÕES DA MENTE. Este é um dos mais importantes e conhecidos sutras deste tratado, não por tratar de algum princípio importante ou técnica de valor prático, mas por definir, usando apenas quatro palavras, a natureza essencial do Yoga. Há certos conceitos, em toda ciência, que são de natureza básica e que devem ser entendidos corretamente caso o estudante pretenda ter um domínio satisfatório do tema como um todo. As ideias implícitas nas quatro palavras deste sutra são de natureza fundamental, e, portanto, o estudante deve tentar aprender, através de estudo e reflexões, seu significado real. Sem dúvida, o sentido dessas palavras somente estará suficientemente claro quando o livro tiver sido inteiramente estudado, e os vários aspectos do assunto considerados em sua relação mútua. A expectativa é de que palavras de importância tão fundamental sejam cuidadosamente definidas e tais definições inseridas onde quer que sejam necessário. Mas, no caso do presente sutra, nenhuma dessas definições foi dada e podemos, portanto, concluir que o autor espera que o estudante adquira uma ideia clara da importância das palavras, estudando o livro inteiro. Mas, como é necessário que o estudante não comece seu estudo com ideias errôneas ou confusas, talvez valha a pena considerar-se neste estágio inicial, a relevância das palavras e do sutra de maneira geral. Comecemos pela palavra Yoga. A palavra Yoga, em sânscrito, tem um grande número de significados. Ela é derivada da raiz yuj, que quer dizer unir, e a ideia de união está presente em todos os significados. Quais são duas coisas que se procura unir pela prática do Yoga? De acordo com as mais elevadas concepções da filosofia hindu, da qual a ciência do Yoga é uma parte integrante, a alma humana, ou jivatma, é uma faceta ou expressão parcial da super alma, ou Paramatma, a Divina Realidade, fonte ou substrato do Universo manifestado. Embora, em essência, os dois sejam o mesmo e sejam indivisíveis, ainda assim, Jivatma tornou-se subjetivamente separado de Paramatma e está destinado, depois de atravessar um ciclo evolutivo no Universo manifestado, a unir-se outra vez com Ele, em consciência. Este estado de unificação dos dois, em consciência, bem como o processo mental e a disciplina através da qual esta união é atingida, são ambos chamados Yoga. Esta concepção é formulada de maneira diferente na filosofia samkhya, mas, numa análise mais acurada, verificar-se-á a ideia fundamental essencialmente a mesma. Chegamos, agora, à palavra citta. Esta palavra é derivada de cit ou citi (IV-34), um dos três aspectos do Paramatma, chamado sat cita nanada no Vedanta. Este é o aspecto em que se baseia o lado forma do Universo e através do qual ele é criado. O reflexo deste aspecto na alma individual, que é um microcosmo, é chamado citta. Citta é, assim, aquele instrumento ou meio através do qual jivatma materializa seu mundo individual, nele vive e evolui, até que se torne perfeito e unido como Paramatma. Em termos gerais, por conseguinte, citta corresponde à “mente” da psicologia moderna, mas tem um alcance e um campo de atuação do qual a consciência atua em todos os planos do Universo manifestado, a “mente” da psicologia moderna é confinada tão somente à expressão do pensamento, volição e sentimento. Não devemos, entretanto, cometer o erro de imaginar citta como uma espécie de meio material moldado sob diferentes formas, quando diferentes tipos de imagens mentais são produzidas. Fundamentalmente, sua natureza é a da consciência, que é imaterial, mas afetada pela matéria. De fato, pode-se dizer que citta é um produto de ambos, consciência e matéria, ou purusha e prakrti, sendo ambos necessários para seu funcionamento. É como uma tela intangível, que permite que a luz da consciência seja projetada no mundo manifestado e somente pode ser conhecido quando se atinge a Iluminação ou Nirvana. De fato, a teoria da percepção, analisada na seção IV, dá uma indicação geral em relação à natureza de citta, mas não diz o que citta é essencialmente. A terceira palavra que temos de considerar neste sutra é vrtti. Ela é derivada da raiz vrt, que significa “existir”. Vrtti é, assim, uma maneira de existir. Considerando os modos nos quais alguma coisa existe, podemos levar em conta suas modificações, estados, atividades ou suas funções. Todas estas conotações estão contidas no significado de vrtti, mas no presente contexto este termo é melhor traduzido pelas palavras “modificações” ou “funcionamento”. Às vezes, a palavra é traduzida como “transformações”, o que não parece justificável, porque na transformação a ênfase está na mudança e não na condição. As transformações de citta podem ser interrompidas e, ainda assim, permanecer em uma modificação particular, como acontece em sabija samadhi. Como o objetivo final do Yoga é a inibição de todas as modificações em nirbija samadhi, pode-se constatar que a palavra “transformação” não expressará adequadamente o significado da palavra vrtti. Além do mais, a palavra “transformação” deve ser usada para os três parinamas tratados na primeira parte da seção III. Dado que citta tem uma existência funcional e vem à existência somente quando a consciência é afetada pela matéria, a palavra “funcionamento” talvez expresse ao máximo a importância de vrtti no presente contexto, mas a palavra “modificações” é também usada em geral e compreendida mais facilmente, podendo, portanto, ser utilizada. Ao tentar entender a natureza de citta vrttis, devemo, precaver-nos contra algumas falsas concepções às vezes comuns entre aqueles que não estudaram o assunto profundamente. A primeira coisa a ser notada é que citta vrtti não é uma vibração. Já vimos que citta não é algo material e, portanto, não há nela qualquer vibração. As vibrações somente ocorrem num veículo e podem produzir uma citta vrtti. Os dois são diferentes, embora relacionados. O segundo ponto a ser destacado é que citta vrtti não é uma imagem mental, embora possa ser, e geralmente o é, associada a imagens mentais. A classificação quíntupla da citta vrttis, em I-5 mostra isso claramente. As imagens mentais podem ser de inúmeras espécies, mas o autor classificou citta vrttis em cinco títulos somente. Isso mostra que citta vrttis tem um caráter mais fundamental e abrangente do que as meras imagens mentais com as quais estão associadas. Este não é o lugar para discussões detalhadas sobre a natureza essencial de citta vrttis, já que a questão envolve a natureza essencial de citta. Mas, se o estudante analisar cuidadosamente os seis sutras (I-6-11), que tratam das cinco classes de vrttis, verá que eles representam os estados fundamentais ou tipos de modificações da mente concreta inferior com as quais o homem comum está familiarizado. Mas o número e a natureza desses diferentes tipos destinam-se a ser diferentes nos reinos superiores de citta. A última palavra a ser considerada é nirodha. Derivada da palavra niruddhan, significa “restringido”, “controlado”, “inibido”. Todos estes significados são aplicáveis aos diferentes estágios do Yoga. Restrição está incluída nos estágios iniciais; controle, nos estágios mais avançados; inibição ou total supressão, no último. O tema nirodha foi tratado em III-9, e o estudante deve ler cuidadosamente o que foi escrito a esse respeito. Se o estudante tiver compreendido o significado das quatro palavras neste sutra, verá que define de modo magistral a natureza essencial do yoga. A eficácia da definição está no fato de que ela cobre todos os estágios do progresso pelos quais passa o yogi , assim como todos os estágios de desenvolvimento da consciência resultante desse progresso. É igualmente aplicável ao estágio do Kriya Yoga, no qual ele aprende as lições preliminares, aos estágios de dharana e dhyana, nos quais ele traz a mente sob seu completo controle, para o estágio de subija samadhi, no qual ele tem de suprimir as “sementes” de samprajnata samadhi, e ao último estágio de nirbija samadhi, em que ele inibe todas as modificações de citta e ultrapassa o domínio de prakrti, entrando no mundo da Realidade. O significado integral do sutra somente será compreendido quando o tema Yoga tiver sido estudado por completo, em todos os seus aspectos, sendo, assim inútil dizer algo mais neste estágio. Livro A Ciência do Yoga. Abraço. Davi.