terça-feira, 12 de dezembro de 2023

O EVANGELHO E O REINO - CAPÍTULO I

 

Cristianismo. Livro O Evangelho e o Reino. Por Witness Lee (1905-1997). Leitura bíblica: Mateus 4:17; 24:14. João 3:3,5. Apocalipse 5:9-10 e Romanos 14:17. O EVANGELHO E O REINO – CAPÍTULO I. Neste livro consideraremos a relação entre o reino de Deus e a Igreja. Em primeiro lugar, portanto, desejamos fazer uma pergunta essencialmente relacionada com nosso tema: Qual é o objetivo do evangelho? Em nossa pregação, geralmente contamos a história e raramente a partir do ponto de vista divino. Por um lado, a nós, pregadores, falta uma noção suficientemente elevada do evangelho. Por outro, é mais fácil pregar a partir do ponto de vista humano, pois, assim, podemos fazer um apelo mais pessoal à nossa audiência. Se pregarmos o evangelho do ponto de vista de Deus, nossos ouvintes poderão considerá-lo muito distante e, por não sentirem que é de interesse imediato, será difícil tocar na emoção deles. Portanto, fazemos da salvação do pecado o objetivo do evangelho e, assim, oferecemos alegria e paz a nossa plateia. Ocasionalmente, elevamos um pouco o padrão e apresentamos a vida como o alvo. Nosso ponto de partida é o pecado, a inquietação, a miséria e a condição morta do homem. Nosso alvo é perdão, paz, alegria e vida. Já que enfatizamos a necessidade humana quando pregamos o evangelho, nossos convertidos enfatizam o que ganharam quando aceitaram o evangelho. Eles dizem: “Eu cri no Senhor e obtive perdão de pecados; ganhei paz, alegria e vida”. Mas se examinarmos cuidadosamente a Bíblia, deixando de lado nossos próprios conceitos, veremos que a apresentação bíblica é muito diferente da nossa. Ela é assim: “Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus”. Ela apresenta o reino como o objetivo do evangelho. Deveríamos arrepender-nos não simplesmente para obter perdão, paz e vida, mas por existir um reino celestial que exige nosso arrependimento. Devemos arrepender-nos para que nos tornemos participantes desse reino. Podemos estar satisfeitos por haver obtido perdão, paz e vida, mas Deus não está satisfeito com isso. Não foi somente João Batista que começou sua pregação com as palavras: “Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus”. Essas mesmas palavras também foram faladas pelo Senhor Jesus quando começou seu ministério. Na dispensação do Novo Testamento, ao apresentar o evangelho ao homem, Deus mostra o reino como seu objetivo transcendente. Quando, no Novo Testamento, substitui a lei pela graça, Deus o faz por causa do reino, porque a lei era impotente para introduzir os homens no reino. Uma vez que virmos o reino, perceberemos quão insuficiente era nossa antiga compreensão do evangelho. Quão familiar é o assunto do novo nascimento! Quantos têm pregado sobre esse tema baseados em João 3. Mas quantos têm visto o propósito do novo nascimento? Nosso Senhor disse: “Se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” João 3.3. O objetivo apresentado do novo nascimento é capacitar-nos a entrar no reino! Temo que não muitos tenham este conceito sobre o novo nascimento: que Deus nos deu sua vida a fim de que possamos participar do seu reino. Se quero viver no reino de Deus, devo possuir uma vida diferente da vida que tenho por natureza. Preciso nascer de novo. Preciso receber a vida de Deus, pois se não possuir sua vida, não posso viver em seu reino. O que dissemos torna suficientemente claro que o evangelho sempre tem em vista o reino de Deus, portanto ele é chamado de “evangelho do reino”. Mateus 24:14 diz: “Será pregado este evangelho do reino em toda a terra habitada”. Mas que é o reino? O cristianismo hoje fez do reino uma questão principalmente de profecia, algo relacionado ao futuro. Muitos pensam que “entrar no reino” é o mesmo que “ir para o céu”. Quando criança, ouvi muita pregação desse tipo,, colocando “o reino do céu” ou “o reino de Deus” como um lugar de felicidade eterna reservado para o futuro. Essa apresentação é contrária às Escrituras Sagradas. A Bíblia mostra que o reino de Deus ou o reino dos céus está relacionado a nossa vida no tempo presente. Reconhecemos que há um aspecto do reino que se refere ao futuro, mas a ênfase bíblica está mais no presente que no futuro. O reino influencia efetivamente nossa vida diária. A palavre “reino”, usada no Novo Testamento, é um termo forte na língua grega. Alguns tradutores têm defendido o uso da palavra “soberania” como sinônimo. Trata-se da ideia de um governo soberano, de autoridade real. Você se lembra das palavras de Apocalipse 20:4 e 6? Os dois versículos falam dos santos ressuscitados reinando com Cristo mil anos. A palavra “reinar” usada em ambos os versículos vem da mesma raiz da palavra “reino”. O reino de Deus é o reinar de Deus, o reino dos céus é o reinar dos céus. Mas qual é a implicação disso? Certamente não é difícil entender. Antes de sermos salvos, estávamos sob o domínio de Satanás e exteriormente nossa vida era governada pelos homens. Quando crianças, estávamos sob a autoridade dos nossos pais. Como estudantes estávamos sob a autoridade de nossos professores. Como cidadãos, estávamos sob a autoridade do Estado, mas não havia nenhuma autoridade divina em nossa vida. Veja as cidades modernas. Quanta ordem! Uma linha amarela é traçada no meio da estrada e controla as mãos de direção. Ninguém cruza essa linha. Quando alguém está para entrar em determinada via e vê uma placa indicando contramão, não vai nessa direção. Em outro lugar, ele vê: “Proibido Estacionar” e não estaciona ali. Que ordem! Mas, remova o governo a polícia e os tribunais e veja como as cidades ficam! Haveria um caos total. Por que as pessoas hoje as ordeiras? Porque o governo, a polícia e os tribunais exercem controle sobre elas. Será que elas estão sobre a autoridade de Deus? Não! Tampouco estávamos nós, antes de sermos salvos. Não estávamos sob o governo de Deus, o que significa que não estávamos no reino de Deus. Mas um dia, por meio do evangelho, Deus veio até nós e disse: “Você tem de se arrepender!”. Arrepender-se de que? Não simplesmente arrepender-se de determinados erros, de determinados pecados, mas arrepender-se radicalmente, arrepender-se de não ter estado sob a autoridade do céu. Arrepender-se de não se submeter à soberania de Deus. A razão de nossos erros é primeiramente nossa não aceitação do governo de Deus. Os homens cometem todo tipo de pecado, porque não querem deixar que Deus exerça sua autoridade sobre eles. Mas como é que ele pode trazê-los para debaixo de sua autoridade? Por meio do evangelho! O evangelho que o Novo Testamento revela é um evangelho proclamado a rebeldes, a homens que têm resistido a autoridade de Deus, a homens que não querem estar sob seu reinar. Esse evangelho limpa tais homens e põe a vida de Deus dentro deles de tal forma que eles possam aceitar o governo de Deus, Isso é o evangelho do Novo Testamento! Você ouviu o evangelho, creu e foi salvo, mas será que viu que o evangelho o colocou sob o governo de Deus? Você viu que foi salvo para o propósito específico de ser trazido para o seu controle? Viu que sua salvação não está relacionada meramente a perdão, paz e vida. Mas o verdadeiro objetivo de você ter sido perdoado e da vida lhe ter sido transmitida é levá-lo para estar sob o governo soberano de Deus? Isso é o evangelho! Apocalipse 1:5-6 diz: “Aquele que nos ama, e pelo seu sangue nos libertou dos nossos pecados, e nos constituiu reino”. A razão de Deus nos ter lavado no sangue precioso é para que pudéssemos ser levados a estar sob seu governo. Como tenho pregado o evangelho em diversos lugares, tendo tido contato pessoal com inúmeras pessoas que foram claramente salvas e, após sua salvação, disseram-me algo parecido com isso: “Por que será que, desde que fui salvo, pareço estar sob certo tipo de controle? É como se alguém tivesse tomado o controle da minha vida. De tal maneira que, quando desejo realizar determinada coisa, algo em mim diz: “Você não pode!”. E quando eu quero fazer aquilo diz: Não! Não. Anteriormente eu era senhor de mim mesmo: agora, simplesmente já não posso fazer o que me agrada. Que significa isso? Não é essa também a sua história? Sim, essa é a história de todo aquele que é salvo. Entretanto, no momento da nossa salvação não imaginamos que alguém entraria em nossa vida e assumiria o comando. Muitas pessoas, quando recém-salvas, não entendem isso e me pedem uma explicação. Tenho procurado explicar da seguinte maneira: Como você creu no Senhor? Você não o recebeu em sua vida? Então, não sabe que o Senhor Jesus que você recebeu não é apenas Salvador, como também é Rei? Ele não é apenas o crucificado, mas é também o exaltado ao trono de Deus. Ele recebeu “toda autoridade nos céus e na terra”. “Deus o fez Senhor e Cristo”. Hoje ele não é mais o Salvador na cruz. Ele é o Salvador no trono. É como Rei que ele se tornou seu Salvador. Por isso, a vinda dele trouxe seu trono para a sua vida. Toda pessoa salva está debaixo de um governo interior, e esse é o governo do reino. Até agora você sabia de uma restrição sobre si, mas não havia percebido que há um trono em sua vida. O reino de Deus está no seu interior. Alguns dias atrás encontrei alguém que disse espantado: “Meus colegas podem envolver-se totalmente com todo tipo de diversões, e eu desejo fazer o mesmo. Entretanto, quando quero tomar parte nessas diversões, há uma forte restrição interior. Por que há todo esse transtorno interior? Às vezes dizemos às pessoas que há um transtorno interior porque elas têm interiormente a vida do Senhor Jesus. Isso é verdadeiro, mas não é toda a verdade. A questão não é simplesmente uma vida interior, mas uma autoridade interior. Paulo disse: “O reino de Deus, não é comida e nem bebida, mas, justiça, paz e alegria no Espírito Santo” Romanos 14:17. Que estamos “comendo e bebendo”? Trata-se de questões muito práticas da vida diária. O reino de Deus é igualmente um assunto muito prático na vida diária, tão prático como comer e beber. O reino de Deus é justiça, paz e alegria no Espírito Santo. Quando permitimos que a autoridade do reino de Deus opere em nós, essas três coisas caracterizarão nossa vida diária. Seremos rígidos em nós mesmos em todas as questões relacionadas à justiça, em nosso relacionamento com os outros. A característica será a paz e em nosso andar com Deus teremos alegria no Espírito Santo. Se não tivermos alegria no Espírito Santo algo estará errado conosco. Quando nos livramos da restrição divina, permanecemos em silêncio enquanto os outros estão louvando. Enquanto eles cantam suas aleluias, não conseguimos nem mesmo proferir um amém. Nosso espírito torna-se tão pesado que não conseguimos nos alegrar. Quando a justiça caracteriza nosso andar pessoal, quando temos paz em nosso relacionamento com os outros e quanto temos alegria na presença de Deus. Então o reino está manifestando-se em nossa vida diária. Deixemos de pensar no reino como um assunto meramente de profecia. O Novo Testamento revela que tão logo somos salvos, o trono de Deus é trazido para nosso interior, para que, daí por diante, nossa vida seja vivida em submissão ao seu reino. Livro o Reino e a Igreja. Abraço. Davi.

domingo, 10 de dezembro de 2023

A ESPOSA DE SIDHARTA GAUTAMA

 

Budismo. Por Clarisse Cunha. YASODHARA – A ESPOSA DE SIDHARTA GAUTAMA. De um modo geral, a maioria das pessoas já ouvi falar do Buddha ou conhece algumas das suas frases ou ensinamentos. Yasodhara foi a sua esposa e conheci uma versão da sua história, quando frequentava a Biblioteca do Monastério Amaravati do Budismo Theravada, a 50 Km de Londres, no Reino Unido. Durante a minha última estadia neste Monastério procurei incessantemente informações sobre alguma “lay women” (mulher que não fosse freira) que me inspirasse, no meu retorno à vida lá fora. Estava longe de pensar que o exemplo mais inspirador que iria encontrar seria o da mulher de Siddhartha Gautama, uma mulher lindíssima exteriormente e interiormente, tal como é relatado na sua história. Buddha e Yasodhara foram considerados como dois nascimentos auspiciosos, próspero, esperançoso na sua época. Eles não eram duas crianças normais, mas sim crianças que tinham dentro de si o potencial para serem grandes líderes e sair da roda de Samsara, ou seja, não voltar a nascer na forma humana. Por isso, havia a crença de que seriam duas crianças do sexo masculino. No entanto, numa das famílias nasceu uma menina a quem deram o nome de Yasodhara. Yasodhara era uma mulher muito generosa e justa. Apesar de viver numa família abastada, uma das suas maiores interrogações era por que razão os empregados não podiam comer da mesma comida que os membros do palácio. Ela não conseguia compactuar com o fato de uns viverem com tanto e outros com tão pouco. Siddhartha era o seu primo e por volta dos seus 16 anos chegou a hora dele se casar. Assim, muitas mulheres foram até ao seu palácio para se apresentarem como candidatas. O que atraiu a atenção de Yasodhara para Siddhartha foi um episódio que o seu irmão lhe contou. Ele contou uma história de como Buddha reclamou um cisne como sendo seu, sem o matar. Ele disse: O pássaro pertence aquele que salvar a sua vida e não aquele que a tirar. Estes eram os mesmos valores de Yasodhara e foi a atitude compassiva e a coragem em questionar a tradição de caçar daquela época, que a levou a ir ao palácio apresentar-se como candidata. O palácio estava cheio de mulheres, pois Buddha era conhecido como sendo um homem muito bonito e inteligente. Mas, logo que Buddha vê Yasodhara, ele escolhe-a como sua noiva. Ele sabia que já a tinha amado durante muitas vidas e sentiu esse reconhecimento e um amor profundo por ela. Buddha ajoelhou-se aos pés de Yasodhara e pediu para ela ser a sua mulher. Yasodhara aceitou e tornou-se na esposa de Siddhartha Gautama. O ponto mais interessante desta história é que Yasodhara depois também reconheceu Buddha. Ela não aceitou o seu pedido de forma passiva. Ambos escolheram permanecer um com o outro mais uma vida, pois sabiam que esta seria a sua última vida e queriam fazê-lo juntos. Mesmo tendo sido avisada que Buddha poderia deixá-la no futuro, Yasodhara não recuou. A lealdade, o amor e o apoio que sempre tinham dado um ao outro em outras vidas foi mais forte. Além disso, eles tinham o mesmo sonho para o mundo e partilhavam das mesmas ideias e causas. O amor deles transformou-se numa missão e numa parceria espiritual. Yasodhara fez a vida de Siddhartha muito feliz e trouxe sentido para a vida dele. Nutriu-o, amou-o e fortaleceu-o durante 13 anos. Repartiram alegrias, planos, projetos e fizeram um filho. Na altura em que Buddha sentiu o impulso para um desenvolvimento espiritual maior, ele compartilhou-o com Yasodhara que prontamente o apoiou. Ela encorajou-o a sair do palácio e a começar a sua jornada. Antes da sua partida fizeram amor pela última vez, e depois Buddha foi atrás do objetivo que ambos partilhavam. A história que me contaram, de que Buddha tinha abandonado a sua mulher e o seu filho, e que tinha existido rancor, não ressoou muito comigo. No meu íntimo eu sempre senti que não tinha havido abandono nem rancor. Buddha era um homem sério e amoroso e sempre acreditei que ele fez o que fez pela sua mulher, pelo seu filho, e por um amor universal a todos os seres deste e de outros mundos. Yasodhara era uma mulher muito compreensiva, sabia da missão do seu amor e apesar de ir sentir muito a sua falta, apoiou a sua decisão. Desde o momento que Buddha saiu do palácio Yasodhara seguiu os seus passos. Quando soube que a sua roupa era uma túnica, ela trocou os seus lindos vestidos e vestiu uma túnica também. Quando ele tirou todos os ornamentos que trazia consigo e passou a comer apenas uma refeição por dia, Yasodhara fez o mesmo. Quando Buddha trocou o luxo por uma vida simples, Yasodhara deixou de dormir num local luxuoso, e transformou o seu quarto, de forma a seguir os passos do seu amado. Buddha tornou-se num ascético e Yasodhara também. Recusou todas as propostas de casamento que recebeu posteriormente, rapou o cabelo e tornou-se celibatária. Enquanto Buddha foi atrás da iluminação fora do palácio, Yasodhara ficou no palácio, mas não esqueceu a iluminação nem o filho de ambos. Os dois sabiam que esta seria a sua última vida e estavam dispostos a fazer tudo para isso acontecer. A intenção, a determinação e o foco de ambos estavam alinhada, porque era o amor que os unia. O pai de Yasodhara pediu-lhe para ela governar o seu reino, mas ela respondeu que não, e continuou o seu caminho espiritual. Quando Buddha apareceu de novo no palácio como Desperto, Yasodhara formou a ordem de monjas e o filho de ambos entrou para a ordem dos monges. Yasodhara tornou-se discípula do seu marido, continuou a desenvolver a sua espiritualidade e iluminou bastante rápido. No dia em que soube que ia morrer, Yasodhara chegou ao pé de Buddha e agradeceu-lhe por ele lhe ter mostrado o caminho. Ajoelhou-se aos pés do homem que tinha sido seu marido e seu mestre e disse: Eu sou o meu único refúgio. Depois da despedida deixou o corpo físico e entrou no reino imortal, do Nirvana. Yasodhara faleceu dois anos antes de Buddha, com 78 anos. Esta versão da história de Yasodhara e Buddha é contada na tradição Sarvastivada, a Escola inicial do Budismo. Também há relatos em textos antigos, como o Pali Vinaya, o Mulasarvastivada, o Lokottaravada, o Dharmaguptaka, e o Mahisasaka Vinaya. O livro Buddha Mom: A Journey Through Mindful Mothering” de Jacqueline Kramer (1951-  ) dá dicas preciosas para as mulheres desenvolverem uma prática espiritual enquanto mães e mulheres de família. Apaixonei-me por esta versão da história assim que a li e tal como acontece na maioria das histórias dos salvadores do mundo, o papel da mulher não ganha muito destaque. No entanto, sem a presença do feminino será que o masculino tinha conseguido materializar a sua missão? Será que não foi o amor que impulsionou a determinação e a coragem necessária para que Buddha não desistisse do que sabia que tinha que fazer? Será que todos aqueles anos que Buddha e Yasodhara passaram juntos, não foram imprescindíveis para que Buddha pudesse concretizar o seu objetivo, que não era mais do que o objetivo de ambos? Será que a fidelidade de Yasodhara não foi essencial para que Buddha fosse energizado pela força do amor? Buddha não teve mais nenhuma mulher, Yasodhara não teve mais nenhum homem. Mesmo fisicamente separados, eles sempre estiveram espiritualmente unidos. Será que o amor mundano que ambos viveram com total entrega, dedicação e profundidade não foi fundamental para que o amor Universal pudesse existir? Yasodhara era uma mulher muito poderosa e inteligente, tal como Buddha. Ambos partilharam a mesma missão e os mesmos sinais promissores de que dois líderes iam surgir para ajudar a humanidade. Buddha ficou conhecido como o Desperto, tem todo o seu mérito e valor, mas por trás dele existia uma grande mulher Yasodhara, que mais uma vez foi devota ao seu amor, o apoiou e no final também despertou. No catolicismo também Jesus teve o apoio de uma amiga íntima, Maria Madalena, uma peça chave no seu percurso, mesmo que a Igreja Católica não o queira reconhecer. Em tantas outras histórias existe a presença do feminino. Se não é um grande amor é uma mãe ou uma irmã, mas não tenho dúvidas que sem esta presença o desfecho podia ter sido bem diferente. O masculino precisa do feminino para se desenvolver e se fortalecer. Nenhuma destas mulheres procurou reconhecimento e muito menos sobressair. A oportunidade de poderem ser devotas ao seu amor pela última vez era tudo o que elas desejavam. Talvez tenha sido o seu altruísmo e a sua profundidade no amor, que ensinou o masculino a ser profundo na sua forma de amar. Tal como Buddha disse ao seu pai, quando este elogiou Yasodhara pela devoção que ela demonstrou durante todos os anos em que ele esteve fora: Não só neste último nascimento, mas também em anteriores, Yasodhara era dedicada e fiel a mim. Admito que sinto uma pontinha de inveja de Yasodhara. Para mim esta é uma parceria que vale a pena viver. Tem amor, tem sexo, tem espiritualidade e a mesma causa e no fim tem solicitude, cuidado e iluminação. É original, é única e não é para qualquer um. Que esta versão possa trazer mais dignidade às mulheres no budismo e a lembrança de que o feminino também é um símbolo de devoção e de iluminação.

http://www.clarissecunha.com.br. Abraço. Davi.

 

sexta-feira, 8 de dezembro de 2023

O TABERNÁCULO

 

Judaísmo. www.morasha.com.br. MISHKAN – O TABERNÁCULO. “E Me farão um santuário, e Eu morarei entre eles” (Êxodo 25:8). Uma pergunta intrigante com a qual se debatem teólogos e filósofos é por que D’us teria se dado ao trabalho de criar o Universo. Como um Ser Perfeito é, por definição, completo, sem nada lhe faltar, o que O teria levado à decisão de criar os mundos, físico e espiritual, e todos os seres que os habitam? O Midrash Tanchuma responde, enigmaticamente, que D’us criou o mundo porque Ele desejava ter uma morada nos mundos inferiores. O Rabi Shneur Zalman de Liadi, fundador da dinastia Chabad-Lubavitch e autor de obras cabalistas seminais, explica em seu Likutei Amarim (Sefer HaTanya) que: “É disso que se trata o homem (…). É este o propósito de sua criação e da criação de todos os mundos, o superior e o inferior: para que fosse feito para D’us uma morada nos mundos inferiores”. A primeira dessas moradas a ser erguida – que serve como protótipo para o empenho de construir uma morada para D’us no mundo físico – foi o Mishkan, o Tabernáculo – santuário portátil construído pelos Filhos de Israel no Deserto de Sinai, após o Recebimento da Torá no Monte Sinai. Quinze substâncias físicas – entre as quais ouro, prata, cobre, madeira, lã, linho, peles de animais, óleo, especiarias e pedras preciosas – representando uma amostra representativa dos recursos minerais, vegetais e animais do universo físico, bem como dos recursos humanos investidos em sua manufatura, foram usados para erguer o Mishkan. Esse edifício, construído por seres humanos e dedicado ao serviço de D’us, foi o local físico onde D’us escolheu para se comungar com o homem. Sua descrição na Torá é longa e minuciosa. Uma boa parte do Livro de Êxodo – nada menos que 13 capítulos – são repletos de detalhes sobre a construção do Tabernáculo, desde as dimensões de cada pilar às cores que compõem cada tapeçaria. É intrigante que a descrição do Miskhan na Torá seja tão longa e elaborada, pois quem estuda o Talmud sabe que os Cinco Livros de Moisés são extraordinariamente sucintos. Cada uma de suas letras, tendo sido escritas por D’us e transmitidas a Moshé, tem significado. Como demonstrado no Talmud, a Torá transmite muitas leis complexas por meio de um único versículo ou mesmo uma única palavra ou letra. Por que, então, dedica 13 de seus capítulos a detalhes sobre o Tabernáculo, se apenas dedica um único capítulo a seu relato da criação do Universo, e apenas três à Revelação Divina no Sinai? A resposta é que o próprio propósito da criação do Universo foi incorporado pelo Mishkan. Assim sendo, cada detalhe é importante. Por exemplo, é necessário definir – como faz o Talmud – as 39 formas de trabalho criativo – desde arar até tecer ou escrever – envolvidas na construção do Mishkan. Pois aqui se situa o protótipo para o trabalho de nossa vida de tornar nosso mundo e nossa existência uma morada para D’us. Microcosmo do Universo: Os Três Domínios. Midrash e a Cabalá descrevem o Mishkan como um microcosmo do ser humano, do universo físico e da Criação como um todo. Os utensílios do Mishkan, por exemplo, representavam os vários órgãos e sentidos do homem. A Arca da Aliança, que continha as Tábuas do Testemunho, correspondia à mente e ao dom da fala.  A Menorá – candelabro de sete braços, que era aceso diariamente – representava o sentido da visão. O Shulchan – a Mesa que continha o “pão sagrado” – simbolizava o sentido do paladar. O Altar Interior, sobre o qual era queimado o incenso, Ketoret, correspondia ao sentido do olfato, ao passo que o Altar Exterior, para o qual as oferendas de sacrifícios de animais e de alimentos eram levadas, representava o aparelho digestivo. Em um dos seus cadernos manuscritos (Reshimot) descobertos após seu falecimento, o Lubavitcher Rebe, Rabi Menachem Mendel Schneerson (1902-1994), resume comentários de Rabenu Bechayei, Rabi Moshe Isserlis (o Ramá), Rabi Yeshayahu Horowitz (o Shelá HaKadosh), e de outros Sábios acerca de como os domínios básicos do Mishkan são comparáveis às divisões na criação do Universo, no Tempo e na alma comunitária do Povo Judeu. Maimônides (1135-1204) – o maior filósofo judeu e um dos maiores legisladores em Torá – descreve o Universo como consistindo de três estratos: matéria não refinada – a Terra e todos os seus seres terrestres; matéria refinada – as estrelas e os corpos celestes; e os seres puramente espirituais – entidades que não possuem matéria, como os anjos.  O Tempo também pode ser dividido em três domínios: os seis dias de trabalho (que correspondem à matéria não refinada); o Shabat – Dia Sagrado (matéria refinada), e o Yom Kipur – Shabat dos Shabatot – a data mais sagrada do calendário judaico: um dia no qual os judeus, que se abstêm dos prazeres físicos e se dedicam integralmente ao serviço de D’us, são comparados aos anjos (entidades sem matéria). Entre as almas do Povo Judeu, também encontramos três domínios primários. Onze das Doze Tribos de Israel eram Israelim, cuja vida era dedicada, em geral, aos assuntos da vida material – líderes, empresários, mercadores, fazendeiros e soldados. Houve também a Tribo de Levi, constituída pelos Cohanim e Levi’im, cujo serviço no Miskhan, e, mais tarde, no Templo Sagrado de Jerusalém, envolvia o refinamento e a elevação do mundo material. Finalmente, entre os Cohanim havia o Cohen Gadol, o Sumo Sacerdote, cujo propósito era personificar as maiores alturas espirituais que o ser humano pode alcançar. No Mishkan – a Morada de D’us na Terra – esses três domínios eram representados pelo Pátio, o Lugar Santo (a câmara externa) e o Santo dos Santos (a câmara interna e mais santificada de todas). No Pátio do Tabernáculo eram realizados os elementos mais terrenos e materiais do Serviço Divino. Era nesse domínio que os Cohanim lavavam suas mãos e seus pés para se purificarem de seu contato com o mundo material, antes de iniciar seu serviço. Era no Pátio que os sacrifícios de animais, Korbanot, eram realizados. Era também lá que a gordura dos sacrifícios, simbolizando o excesso de materialidade na vida do ser humano, era queimada sobre o Altar Exterior, e onde as cinzas da Menorá e do Altar Interior – que simbolizavam o desperdício – eram depositadas. O segundo domínio do Mishkan era o Lugar Santo (a câmara externa). Somente os Cohanim tinham permissão de lá entrar. O Lugar Santo abrigava os elementos mais refinados do Serviço do Templo: a Menorá, o Altar Interior (no qual o incenso diário era queimado) e o Shulchan – a Mesa que continha o “pão sagrado”, comido pelos Cohanim no Shabat. O terceiro domínio e o mais sagrado de todos era o “Santo dos Santos”, que abrigava a Arca da Aliança.  O Talmud ensina que a entrada no Santo dos Santos era proibida a todos – mesmo os anjos e demais criaturas celestiais. A única exceção era o Cohen Gadol, que lá podia entrar – mas apenas em Yom Kipur – o dia mais sagrado do calendário judaico. O Santo dos Santos representava a total transcendência de materialidade no serviço do homem a D’us. A Arca e o Altar: o Cabalista e o Legislador. É evidente que o Santo dos Santos era mais sagrado que o Lugar Santo, e que este era mais sagrado do que o Pátio. Mas, qual dos domínios do Mishkan representava sua principal função? De acordo com Nachmânides, Cabalista e um dos maiores comentaristas da Torá e do Talmud, a essência do Mishkan, Morada Divina na Terra, era seu núcleo espiritual: o Santo dos Santos, onde repousava a Arca da Aliança. Como escreveu Nachmânides: “A principal finalidade do Santuário é servir como lugar de repouso para a Presença Divina. Isso ocorre na Arca da Aliança, pois D’us disse a Moshé: ‘Comungarei contigo lá, falando contigo por cima do Kaporet (a cobertura dourada da Arca da Aliança)’. Por essa razão, a Torá inicia sua descrição do Mishkan com a Arca da Aliança e o Kaporet” (Nachmânides, comentário sobre Êxodo 25:1). Segundo Maimônides, no entanto, o ponto focal do Mishkan era o Altar Exterior, onde as oferendas de farinha e de vinho e os sacrifícios de animais eram ofertadas diariamente. Maimônides define o Santuário como “uma casa para D’us destinada à oferenda de sacrifícios...” (Mishnê Torá, Leis do Templo Sagrado 1:1). Contrariamente a Nachmânides, Maimônides defende que o eixo do Tabernáculo, em torno do qual tudo revolvia, era o Pátio, não o Santo dos Santos. A discussão sobre o ponto central do Mishkan não é meramente filosófica e acadêmica. Tem profundas ramificações que podem afetar nossa compreensão do propósito da Criação e dos mandamentos da Torá. Levanta a questão de como definir o conceito de um local e estrutura físicos, que serve de Morada para D’us no mundo físico. Por um lado, a Morada de D’us na Terra pode ser um domínio no qual e através do qual D’us optou por Se revelar ao homem. Por outro, pode também ser um lugar no qual e através do qual o homem sirva a D’us. O Mishkan serviu a ambos os propósitos. Foi o lugar de onde D’us se comunicou com Moshé. Era, pois, um domínio de onde D’us chegava aos seres humanos: onde o homem finito podia testemunhar e vivenciar a Presença do Infinito. Mas o Mishkan foi, também, um local físico onde o homem oferecia suas posses físicas e seu serviço a D’us. Qual dessas duas funções é a principal? Qual das duas serve e facilita a outra? Seria a Morada de D’us na Terra um meio para o Altíssimo se achegar ao homem ou seria um portal de onde o homem poderia aproximar-se de D’us? O Rebe de Lubavitch explica que as diferentes perspectivas expressas por Nachmânides e Maimônides refletem as duas vertentes da Torá que esses dois grandes Sábios representam. Para Nachmânides, místico e Cabalista, o ponto focal do Mishkan está em seu núcleo espiritual: o Santo dos Santos, onde apenas a mais transcendente das almas – o Cohen Gadol – podia entrar, e apenas no dia mais sagrado do ano – Yom Kipur. O Santo dos Santos continha a Arca da Aliança, que abrigava as Tábuas do Testemunho, nas quais estavam inscritos os Asseret HaDibrot (os Dez Mandamentos). O Kaporet, a cobertura da Arca, era uma representação das formas sublimes da Carruagem Celestial. A Voz Divina que se propagava do meio dos Querubins, as figuras angelicais que ficavam no topo da Arca, expressavam a essência de uma Morada Divina: um portal para o mundo material através do qual brilha um raio da Luz Infinita de D’us. Se Nachmânides estiver correto – se o Santo dos Santos é o eixo central do Mishkan –, tudo o mais serve apenas para “preparar o terreno” para essa Revelação  – para elevar o homem e o mundo a um estado de receptividade a essa Luz. Para Maimônides – o mestre da Halachá, possivelmente o maior  de todos os legisladores judeus  – a essência do Mishkan residia no Altar, onde eram oferecidos os sacrifícios, que representavam o empenho humano de oferecer, dia-a-dia, elementos materiais de sua vida a D’us. Todo o restante – a luz da Menorá, a fragrância do Ketoret (incenso), e o pão sagrado no Shulchan (a Mesa) – e mesmo as Revelações Divinas que emanavam do Santo dos Santos – são secundárias: são o meio, e não o fim, e se prestam a permitir e ajudar no serviço do homem a seu Criador. Resumindo, Nachmânides defende que a função da Morada de D’us na Terra é servir como um portal onde o Altíssimo faça brilhar sua Luz sobre nós, seres humanos. Segundo Maimônides, no entanto, essa função é permitir que o homem finito cumpra a Vontade Divina, desta forma, ligando-se a Ele. Onde D’us mora, atualmente. Na ausência do Mishkan e do Templo Sagrado de Jerusalém, onde reside D’us Infinito? Onde é Sua Morada na Terra?  Ensina o Talmud: “Desde o dia  em que o Templo foi destruído, o Santo, Bendito Seu Nome, nada tem neste mundo, exceto os quatro cúbitos da Halachá (a Lei Judaica)” (Talmud BavliBerachot 8a).  Isso significa que D’us reside onde quer que o homem estude a Sua Torá e cumpra os Seus mandamentos. D’us decretou muitos mandamentos, que são caminhos para Sua Essência Impenetrável. Alguns desses mandamentos são físicos, outros são espirituais. Doar aos pobres, colocar Tefilin, comer alimentos casher, habitar numa Sucá em Sucot e comer Matzá durante o Seder de Pessach são exemplos de mandamentos Divinos executáveis por meio de ações e objetos físicos. Mas a Torá também contém mandamentos mais espirituais do que físicos, tais como amar e temer a D’us e orar a Ele; estudar e ensinar a Sua Torá; sentir angústia em Tishá b’Av e alegria em Purim. Esses são mandamentos que cumprimos com nossa alma e não com recursos físicos: com nosso coração e nossa mente – com pensamentos, sentimentos e palavras. Qual o nosso propósito neste mundo? Na ausência do Mishkan e do Templo Sagrado de Jerusalém, como o judeu se torna uma Morada para D’us na Terra? Servindo a Ele com nosso corpo e nossas posses materiais ou com nossa alma, mente e coração? Em outras palavras, o que é mais meritório perante o Altíssimo: doar ao pobre ou estudar a Torá? Comer casher ou orar profusa e sinceramente? Uma pergunta similar: Quem está mais próximo de D’us: o empresário filantropo ou o grande sábio? Em outras palavras, qual a parte mais sagrada em nós: nossos atos físicos, do cotidiano, ou nossas aspirações transcendentais? Poder-se-ia dizer que se D’us fosse um Ser físico, os mandamentos físicos seriam a forma preferencial de servi-Lo. Mas D’us é completamente isento de qualquer fisicalidade. Muitos presumem, erroneamente, que D’us é o Ser espiritual supremo. Acreditam, portanto, que a pessoa religiosa é espiritual: ou seja, que é mais importante colocar as palavras do Shemá Israel em nosso coração do que colocar Tefilin, que fisicamente as contém. No entanto, D’us está tão distante da espiritualidade como está da fisicalidade. D’us nem é espiritual nem físico. Ele apenas É. Portanto, nem os mandamentos físicos nem os espirituais da Torá gozam de qualquer forma de superioridade uns sobre os outros. Tenda do  Encontro com D’us. “Estas e estas são as palavras do D’us Vivo”, afirma o Talmud sobre as disputas entre os Sábios sobre interpretações da Torá. Isso significa que todos os pontos de vista deles são válidos, mesmo se a Lei Judaica dá precedência a um sobre os demais. A visão mística, cabalista, expressa por Nachmânides e a perspectiva legal da Halachá apresentada por Maimônides são, ambas, componentes integrais da “Morada de D’us” construída no Deserto do Sinai, e a “Morada de D’us” que todo judeu tem o dever de construir em sua vida. Essa é a razão pela qual a Torá chama o Mishkan de Ohel Moed: “Tenda do Encontro”. Era nela que D’us – ao projetar Sua Luz Infinita sobre a Terra – e o humano e material, querendo chegar aos  Céus – se encontravam.  Isso nos ensina que cada vez que um judeu cumpre a Vontade de D’us, ele se torna receptivo à Luz Divina Infinita: ele próprio se torna uma Morada Divina nos mundos inferiores, realizando, assim, todo o propósito da Criação. Ao mesmo tempo, cada Revelação Divina que emana das Alturas capacita o homem a revelar a Divindade presente, implicitamente, dentro da finitude e materialidade da existência. O Mishkan incluía três domínios  – o Pátio, o Lugar Santo e o Santo dos Santos – porque a missão de “fazer para D’us uma morada nos mundos inferiores” abarca todas as áreas da nossa vida. Os judeus servem a D’us em seus momentos mais exaltados, tais como Yom Kipur (o Santo dos Santos). Eles também O servem em seus esforços para elevar e santificar o mundo, como no Shabat – um dia basicamente dedicado à espiritualidade (o Lugar Sagrado). Mas também devem empenhar-se em fazer uma Morada Divina em suas mais simples atividades do cotidiano, durante os seis dias da semana (o Pátio). O Povo Judeu construiu o primeiro protótipo da Morada de D’us na Terra seguindo instruções muito detalhadas que o Altíssimo transmitiu a Moshé no Sinai. Quando a construção do Mishkan foi completada – quando o último pilar, tapeçaria e divisória foram colocados em seu lugar – D’us fez com que Sua Infinita Presença habitasse o Tabernáculo. Isso capacitou todas as futuras gerações de judeus, e cada judeu em particular, a replicar seus domínios nos recônditos de sua vida. www.morasha.com.br. Abraço.

 

quarta-feira, 6 de dezembro de 2023

IGUALDADE E FRATERNIDADE

 Espiritismo. www.institutoandreluiz.org. Texto de Allan Kardec (1804-1869). IGUALDADE E FRATERNIDADE.  "A liberdade é filha da fraternidade e da igualdade. Os homens que vivam como irmãos, com direitos iguais, animados do sentimento de benevolência recíproca, praticarão entre si a justiça, não procurarão causar danos uns aos outros e nada, por conseguinte, terão que temer uns dos outros. A liberdade nenhum perigo oferecerá, porque ninguém pensará em abusar dela em prejuízo de seus semelhantes (...)" Allan Kardec. Liberdade, Igualdade, Fraternidade: estas três palavras constituem, por si sós, o programa de toda uma ordem social que realizaria o mais absoluto progresso da Humanidade, se os princípios que elas exprimem pudessem receber integral aplicação. Vejamos quais os obstáculos que, no estado atual da sociedade, se lhes opõem e, ao lado do mal, procuremos o remédio. A fraternidade, na rigorosa acepção do termo, resume todos os deveres dos homens, uns para com os outros. Significa: devotamento, abnegação, tolerância, benevolência, indulgência. Ë, por excelência, a caridade evangélica e a aplicação da máxima: "Proceder para com os outros, como quereríamos que os outros procedessem para conosco." O oposto do egoísmo. A fraternidade diz: "Um por todos e todos por um." O egoísmo diz: "Cada um por si." Sendo estas duas qualidades a negação uma da outra, tão impossível é que um egoísta proceda fraternalmente para com os seus semelhantes, quanto a um avarento ser generoso, quanto a um indivíduo de pequena estatura atingir a de um outro alto. Ora, sendo o egoísmo a chaga dominante da sociedade, enquanto ele reinar soberanamente, impossível será o reinado da fraternidade verdadeira. Cada um a quererá em seu proveito; não quererá, porém, praticá-la em proveito dos outros, ou, se o fizer, será depois de se certificar de que não perderá coisa alguma. Considerada do ponto de vista da sua importância para a realização da felicidade social, a fraternidade está na primeira linha: é a base. Sem ela, não poderiam existir a igualdade, nem a liberdade séria. A igualdade decorre da fraternidade e a liberdade é consequência das duas outras. Com efeito, suponhamos uma sociedade de homens bastante desinteressados, bastante bons e benévolos para viverem fraternalmente, sem haver entre eles nem privilégios, nem direitos excepcionais, pois de outro modo não haveria fraternidade. Tratar a alguém de irmão é tratá-lo de igual para igual; é querer quem assim o trate, para ele, o que para si próprio quereria. Num povo de irmãos, a igualdade será a consequência de seus sentimentos, da maneira de procederem, e se estabelecerá pela força mesma das coisas. Qual, porém, o inimigo da igualdade? O orgulho, que faz queira o homem ter em toda parte a primazia e o domínio, que vive de privilégios e exceções, poderá suportar a igualdade social, mas não a fundará nunca e na primeira ocasião a desmantelará. Ora, sendo também o orgulho uma das chagas da sociedade, enquanto não for banido, oporá obstáculo à verdadeira igualdade. A liberdade, dissemo-lo, é filha da fraternidade e da igualdade. Falamos da liberdade legal e não da liberdade natural, que, de direito, é imprescritível para toda criatura humana, desde o selvagem até o civilizado. Os homens que vivam como irmãos, com direitos iguais, animados do sentimento de benevolência recíproca, praticarão entre si a justiça, não procurarão causar danos uns aos outros e nada, por conseguinte, terão que temer uns dos outros. A liberdade nenhum perigo oferecerá, porque ninguém pensará em abusar dela em prejuízo de seus semelhantes. Mas, como poderiam o egoísmo, que tudo quer para si, e o orgulho, que incessantemente quer dominar, dar a mão à liberdade que os destronaria? O egoísmo e o orgulho são, pois, os inimigos da liberdade, como o são da igualdade e da fraternidade. A liberdade pressupõe confiança mútua. Ora, não pode haver confiança entre pessoas dominadas pelo sentimento exclusivista da personalidade. Não podendo cada uma satisfazer-se a si própria senão à custa de outrem, todas estarão constantemente em guarda umas contra as outras. Sempre receosas de perderem o a que chamam seus direitos, a dominação constitui a condição mesma da existência de todas, pelo que armarão continuamente ciladas à liberdade e a cercearão quanto puderem. Aqueles três princípios são, pois, conforme acima dissemos, solidários entre si e se prestam mútuo apoio; sem a reunião deles o edifício social não estaria completo. O da fraternidade não pode ser praticado em toda a pureza, com exclusão dos dois outros, porquanto, sem a igualdade e a liberdade, não há verdadeira fraternidade. A liberdade sem a fraternidade é rédea solta a todas as más paixões, que desde então ficam sem freio; com a fraternidade, o homem nenhum mau uso faz da sua liberdade: é a ordem; sem a fraternidade, usa da liberdade para dar curso a todas as suas torpezas: é a anarquia, a licença. Por isso é que as nações mais livres se veem obrigadas a criar restrições à liberdade. A igualdade, sem a fraternidade, conduz aos mesmos resultados, visto que a igualdade reclama a liberdade; sob o pretexto de igualdade, o pequeno rebaixa o grande, para lhe tomar o lugar, e se torna tirano por sua vez; tudo se reduz a um deslocamento de despotismo. Seguir-se-á daí que, enquanto os homens não se acharem imbuídos do sentimento de fraternidade, será necessário tê-los em servidão? Dar-se-á sejam inaptas as instituições fundadas sobre os princípios de igualdade e de liberdade? Semelhante opinião fora mais que errônea; seria absurda. Ninguém espera que uma criança se ache com o seu crescimento completo para lhe ensinar a andar. Quem, ao demais, os tem sob tutela? Serão homens de ideias elevadas e generosas, guiados pelo amor do progresso? Serão homens que se aproveitem da submissão dos seus inferiores para lhes desenvolver o senso moral e elevá-los pouco a pouco à condição de homens livres? Não; são, em sua maioria, homens ciosos do seu poder, a cuja ambição e cupidez outros homens servem de instrumentos mais inteligentes do que animais e que, então, em vez de emancipá-los, os conservam, por todo o tempo que for possível, subjugados e na ignorância. Mas, esta ordem de coisas muda de si mesma, pelo poder irresistível do progresso. A reação é não raro violenta e tanto mais terrível, enquanto o sentimento da fraternidade, imprudentemente sufocado, não logra interpor o seu poder moderador; a luta se empenha entre os que querem tomar e os que querem reter; daí um conflito que se prolonga às vezes por séculos. Afinal, um equilíbrio fictício se estabelece; há qualquer coisa de melhor. Sente-se, porém, que as bases sociais não estão sólidas; a cada passo o solo treme, por isso que ainda não reinam a liberdade e a igualdade, sob a égide da fraternidade, porque o orgulho e o egoísmo continuam empenhados em fazer se malogrem os esforços dos homens de bem. Todos vós que sonhais com essa idade de ouro para a Humanidade trabalhai, antes de tudo, na construção da base do edifício, sem pensardes em lhe colocar a cúpula; ponde nas primeiras fiadas a fraternidade na sua mais pura acepção. Mas, para isso, não basta decretá-la e inscrevê-la numa bandeira; faz-se mister que ela esteja no coração dos homens e não se muda o coração dos homens por meio de ordenações. Do mesmo modo que para fazer que um campo frutifique, é necessário se lhe arranquem os pedrouços e os tocos, aqui também é preciso trabalhar sem descanso por extirpar o vírus do orgulho e do egoísmo, pois que aí se encontra a causa de todo o mal, o obstáculo real ao reinado do bem. Eliminai das leis, das instituições, das religiões, da educação até os últimos vestígios dos tempos de barbárie e de privilégios, bem como todas as causas que alimentam e desenvolvem esses eternos obstáculos ao verdadeiro progresso, os quais, por assim dizer, bebemos com o leite e aspiramos por todos os poros na atmosfera social. Somente então os homens compreenderão os deveres e os benefícios da fraternidade e também se firmarão por si mesmos, sem abalos, nem perigos, os princípios complementares, os da igualdade e da liberdade. Será possível a destruição do orgulho e do egoísmo? Responderemos alto e terminantemente: SIM. Do contrário, forçoso seria determinar um ponto de parada ao progresso da Humanidade. Que o homem cresce em inteligência, é fato incontestável; terá ele chegado ao ponto culminante, além do qual não possa ir? Quem ousaria sustentar tão absurda tese? Progride ele em moralidade? Para responder a esta questão, basta se comparem as épocas de um mesmo país. Por que teria ele atingido o limite do progresso moral e não o do progresso intelectual? Sua aspiração por uma melhor ordem de coisas é indício da possibilidade de alcançá-la. Aos que são progressistas cabe acelerar esse movimento por meio do estudo e da utilização dos meios mais eficientes. (Do livro "Obras Póstumas", 38, Allan Kardec). Abraço. Davi

segunda-feira, 4 de dezembro de 2023

O QUE É O ISLÃ

 

Islamismo. www.islareligion.com.br. O QUE É O ISLÃ. Vamos falar francamente.  Os não-muçulmanos quase nunca estudam o Islã até que eles tenham exaurido as religiões à sua disposição.  Apenas após terem ficado insatisfeitos com as religiões que lhes são familiares, como Judaísmo, Cristianismo e todos os “ismos” – Budismo, Taoísmo, Hinduísmo (e, como minha filha mais jovem uma vez acrescentou, “turismo”) - eles consideram o Islã. Talvez outras religiões não respondam as grandes questões da vida, como “Quem nos fez?”. “Por que estamos aqui?” Talvez outras religiões não reconciliem injustiças da vida com um Criador justo. Talvez encontremos hipocrisia no clero, dogmas de fé insustentáveis no cânone, ou corrupção na escritura.  Qualquer que seja a razão, nós percebemos falhas nas religiões à nossa disposição, e procuramos em outro lugar.  E o último “outro lugar” é o Islã. Os muçulmanos não gostam de me ouvir dizer que o Islã é o “último outro lugar”.  Mas é.  Apesar do fato de os muçulmanos consistirem de um quarto a um quinto da população do mundo, a mídia não-muçulmana difama o Islã com calúnias tão horríveis que poucos não-muçulmanos veem a religião de uma perspectiva positiva.   Assim, ele é normalmente a última religião que as pessoas investigam. Um outro problema é que quando os não-muçulmanos chegam a examinar o Islã, outras religiões já aumentaram seu ceticismo: se toda escritura “divina” que já vimos é corrupta, como pode a escritura islâmica ser diferente?  Se charlatães manipularam religiões para adequá-las a seus desejos, como podemos imaginar que o mesmo não aconteceu com o Islã? A reposta pode ser dada em poucas linhas, mas requer livros para explicar.  A resposta curta é essa: existe um Deus.  Ele é justo e Ele quer que alcancemos a recompensa do paraíso.   Entretanto, Deus nos colocou nessa vida terrena como um teste, para identificar os valorosos dos que não têm valor.  E nós estaremos perdidos se formos deixados por nossa própria conta.  Por quê?  Porque nós não sabemos o que Ele quer de nós.  Nós não podemos navegar pelas turbulências dessa vida sem sua orientação e, portanto, Ele nos deu orientação em forma de revelação. Certamente, as religiões anteriores foram corrompidas e é por isso que temos uma cadeia de revelação.  Pergunte a si mesmo: por que Deus enviaria outra revelação se as escrituras anteriores continuassem puras?  Apenas se as escrituras anteriores estivessem corrompidas Deus precisaria enviar outra revelação, para manter a humanidade no caminho reto de Seu desígnio. Então nós devemos esperar que as escrituras anteriores estejam corrompidas, e devemos esperar que a revelação final esteja pura e inalterada.  Se for impura, ela também deve ser substituída, porque nós não podemos imaginar um Deus amoroso nos deixando desencaminhados.  Ou nós podemos imaginar é Deus nos dando uma escritura, e os homens corrompendo-a; Deus nos dando outra escritura e homens corrompendo-a de novo (...) e de novo, e de novo.  Até Deus enviar uma revelação final que Ele promete preservar até o fim dos tempos. Os muçulmanos consideram que essa revelação final é o Alcorão Sagrado.  Considere isso (...) vale a pena.  Então, retornemos ao título desse artigo: Por que Islã?  Por que devemos acreditar que o Islã é a religião da verdade, a religião que possui a revelação final e pura? “Ó, apenas confie em mim.” Quantas vezes você ouviu isso?  Um comediante famoso costumava brincar que as pessoas de cidades diferentes amaldiçoam umas às outras de maneiras diferentes.  Em Chicago, eles amaldiçoam a pessoa de uma forma, em Los Angeles eles amaldiçoam a pessoa de outra forma, mas em Nova Iorque elas apenas dizem, “Confie em mim.” Então, não confie em mim – confie em nosso Criador.  Leia o Alcorão, leia livros e estude bons websites.  Mas o que quer que você faça, comece, leve isso a sério, e ore para o nosso Criador guiar você. A sua vida pode não depender disso, mas a sua alma com certeza depende. I. O âmago do Islã. Entre as bênçãos e favores que Deus concedeu à humanidade está a de Ele ter concedido uma habilidade inata para identificar e reconhecer Sua existência.   Ele colocou essa consciência de forma profunda em seus corações, como uma disposição natural que não foi alterada desde que os primeiros seres humanos foram criados.  Além disso, Ele reforçou essa disposição natural com os sinais que colocou na Criação que testificam Sua existência.  Entretanto, uma vez que não é possível para os seres humanos terem um conhecimento detalhado de Deus exceto através de revelação vinda Dele, Deus enviou Seu Mensageiros para ensinar às pessoas sobre seu Criador, a Quem eles devem adorar.  Esses Mensageiros também trouxeram com eles os detalhes de como adorar Deus, porque tais detalhes não podem ser conhecidos exceto através de revelação.  Esses dois princípios foram as coisas mais importantes que os Mensageiros de todas as revelações divinas trouxeram de Deus.  Com base nisso, todas as revelações divinas têm tido os mesmos objetivos sublimes, que são: 1. Afirmar a unicidade de Deus – o Criador louvado e glorificado – em Sua essência e Seus atributos. 2. Afirmar que Deus somente deve ser adorado e que nenhum outro ser deve ser adorado junto com Ele ou ao invés Dele. 3. Proteger o bem-estar humano e se opor à corrupção e ao mal.  Assim, tudo que protege a fé, a vida, a razão, a fortuna e a linhagem são parte desse bem-estar humano que a religião protege.  Por outro lado, qualquer coisa que coloque em perigo essas cinco necessidades universais é uma forma de corrupção a qual a religião se opõe e proíbe. 4. Convidar as pessoas a esse alto nível de virtude, valores morais e costumes nobres. O objetivo supremo de toda Mensagem Divina tem sido o mesmo: guiar as pessoas a Deus, torná-las conscientes Dele, e fazê-las adorar somente a Ele.  Cada Mensagem Divina veio para fortalecer esse significado, e as palavras que se seguem foram repetidas nos idiomas de todos os Mensageiros: “Adorai a Deus, não existe outro deus exceto Ele.” Essa mensagem foi transmitida à humanidade pelos profetas e mensageiros que Deus enviou a toda nação.  Todos esses mensageiros vieram com essa mesma mensagem, a mensagem do Islã. Todas as Mensagens Divinas vieram para fazer com que a vida das pessoas fosse de submissão voluntária a Deus.  Por essa razão, todas elas compartilham o nome de “Islã”, ou “submissão” derivada da palavra “Salam”, ou “paz”, em árabe.  Islã, nesse sentido, foi a religião de todos os profetas, mas por que vemos variações diferentes da religião de Deus se todas emanaram da mesma fonte? A resposta divide-se em duas partes. A primeira razão é que como resultado da passagem do tempo, e devido ao fato de que as religiões anteriores não estavam sob a proteção divina de Deus, elas sofreram muita mudança e variação.  Como resultado, nós vemos que as verdades fundamentais que foram trazidas por todos os mensageiros agora diferem de uma religião para outra, com a diferença mais aparente sendo o princípio estrito da crença e adoração de Deus e Deus somente. A segunda razão para essa variação é que Deus, em Sua infinita Sabedoria e Vontade eterna, decretou que todas as missões divinas anteriores à mensagem final do Islã trazida por Muhammad, que Deus o exalte, fossem limitadas a um período de tempo específico.  Como resultado, suas leis e metodologias lidavam com as condições específicas das pessoas para as quais tinham sido dirigidas. A humanidade passou por numerosos períodos de orientação, desorientação, integridade e desvio, da era mais primitiva ao auge de civilização.  A orientação divina acompanhou a humanidade ao longo de tudo isso, sempre provendo as soluções e remédios apropriados. Essa foi a essência da disparidade que existiu entre as diferentes religiões.  Esse desacordo nunca foi além das particularidades da Lei Divina. Cada manifestação da Lei era dirigida a problemas particulares do povo para o qual foi enviada.  Entretanto, as áreas de acordo foram significativas e muitas, como os fundamentos da fé; os princípios e objetivos básicos da Lei Divina, como proteger a fé, vida, razão, fortuna e linhagem e estabelecer justiça na terra; e certas proibições fundamentais, algumas das mais importantes sendo cometer idolatria, fornicação, assassinato, roubo e dar falso testemunho.  Além disso, elas também concordavam sobre virtudes morais como honestidade, justiça, caridade, gentileza, castidade, retidão e misericórdia.  Esses princípios e outros são permanentes e eternos; eles são a essência de todas as Mensagens Divinas e interligam todas elas. II. As origens do Islã. Mas onde a mensagem de Muhammad, que Deus o exalte, se encaixa com as mensagens anteriores reveladas por Deus?  Uma breve história dos profetas pode esclarecer esse ponto. O primeiro humano, Adão, seguiu o Islã, no sentido de que ele foi orientado a adorar a Deus somente e a ninguém mais e cumpriu Seus mandamentos.  Mas com a passagem do tempo e a dispersão da humanidade pela terra, as pessoas se desviaram dessa mensagem e começaram a direcionar a adoração a outros ao invés de, ou junto com, Deus.  Alguns passaram a adorar os virtuosos entre eles que morreram, enquanto outros passaram a adorar espíritos e forças da natureza.  Foi então que Deus começou a enviar mensageiros para a humanidade, orientando-a de volta à adoração de Deus somente, algo que estava de acordo com sua verdadeira natureza, e a alertá-la das graves consequências de dirigir qualquer tipo de adoração para outros além Dele. O primeiro desses mensageiros foi Noé, que foi enviado para pregar essa mensagem do Islã ao seu povo, após eles começarem a adorar seus antepassados virtuosos junto com Deus.  Noé conclamou o seu povo a abandonar a adoração de seus ídolos, e lhes ordenou a voltar para a adoração de Deus somente. Alguns deles seguiram os ensinamentos de Noé, enquanto a maioria descreu nele. Aqueles que seguiram Noé foram seguidores do Islã, ou muçulmanos, enquanto aqueles que não o fizeram, permaneceram em sua descrença e foram punidos por fazê-lo. Depois de Noé, Deus enviou mensageiros a toda nação que se desviou da Verdade, para trazê-los de volta à ela. Essa Verdade foi a mesma ao longo do tempo: rejeitar todos os objetos de adoração e direcionar toda a adoração sem exceção para Deus, o Criador e Senhor de tudo e ninguém mais, e cumprir Seus mandamentos. Mas como mencionado antes, como cada nação diferia com relação ao seu estilo de vida, idioma, e cultura, mensageiros específicos foram enviados para nações específicas por um período específico de tempo. Deus enviou mensageiros para todas as nações, e para o Reino da Babilônia Ele enviou Abraão – um dos primeiros e maiores profetas – que conclamou seu povo a rejeitar a adoração dos ídolos aos quais eles eram devotados. Ele os chamou para o Islã, mas eles o rejeitaram e até tentaram matá-lo. Deus submeteu Abraão a muitos testes e ele se saiu bem em todos eles. Por seus muitos sacrifícios, Deus proclamou que Ele faria surgir de sua descendência uma grande nação e que dela escolheria profetas.  Toda vez que pessoas de sua descendência começavam a se desviar da Verdade, que era adorar a ninguém exceto Deus e obedecer a Seus mandamentos, Deus enviava um outro mensageiro para trazê-los de volta à Verdade. Consequentemente, nós vemos que muitos profetas enviados eram da descendência de Abraão, como seus dois filhos Isaque e Ismael, junto com Jacó (Israel), José, Davi, Salomão, Moisés e, claro, Jesus, para mencionar uns poucos, que a Paz e as Bênçãos de Deus estejam sobre todos eles.  Cada profeta foi enviado para os Filhos de Israel (os judeus) quando eles se desviaram da verdadeira religião de Deus, e se tornou obrigatório para eles seguir o mensageiro que lhes era enviado e obedecer a seus mandamentos. Todos os mensageiros vieram com a mesma mensagem, rejeitar a adoração de todos os outros seres exceto Deus e obedecer a Seus mandamentos. Alguns descreram nos profetas, enquanto outros creram. Aqueles que acreditaram foram seguidores do Islã, ou muçulmanos. Dentre esses mensageiros estava Muhammad, que Deus o exalte, da descendência de Ismael, o filho de Abraão, que Deus o exalte, que foi enviado como um mensageiro para suceder Jesus.  Muhammad, que Deus o exalte, pregou a mesma mensagem do Islã como os profetas e mensageiros anteriores – direcionar toda a adoração para Deus somente e ninguém mais e obedecer a Seus mandamentos – nos quais os seguidores dos profetas anteriores se desviaram. Como podemos ver, o Profeta Muhammad, que Deus o exalte, não foi o fundador de uma nova religião, como muitas pessoas equivocadamente pensam, mas ele foi enviado como o Profeta Final do Islã. Ao revelar Sua mensagem final a Muhammad, que é uma mensagem eterna e universal para toda a humanidade, Deus finalmente cumpriu a promessa que fez a Abraão. Assim como era obrigatório para aqueles que estavam vivos seguir a mensagem do último da sucessão de profetas que lhes foi enviado, se torna obrigatório sobre toda a humanidade seguir a mensagem de Muhammad. Deus prometeu que essa mensagem permaneceria inalterada e adequada para todos os tempos e lugares. É suficiente dizer que o caminho do Islã é o mesmo do profeta Abraão, porque tanto a Bíblia quanto o Alcorão retratam Abraão como um exemplo proeminente de alguém que se submeteu completamente a Deus e dirigiu adoração a Ele somente e ninguém mais, e sem quaisquer intermediários. Quando isso é entendido, fica claro que o Islã tem a mensagem mais contínua e universal do que qualquer outra religião, porque todos os profetas e mensageiros foram “muçulmanos”, ou seja, aqueles que se submeteram à vontade de Deus, e eles pregaram o “Islã”, ou seja, a submissão à vontade de Deus Todo-Poderoso ao adorá-Lo exclusivamente e obedecer Seus mandamentos. Assim nós vemos que aqueles que se chamam muçulmanos hoje não seguem uma religião nova; ao contrário, eles seguem a religião e mensagem de todos os profetas e mensageiros que foram enviados à humanidade pelo comando de Deus, também conhecida como Islã. A palavra “Islã” é uma palavra árabe que significa literalmente “submissão a Deus”, e os muçulmanos são aqueles que voluntariamente se submetem e ativamente obedecem a Deus, vivendo de acordo com Sua mensagem. III. As crenças essenciais do Islã. 1 – Crença em Deus. O Islã mantém um monoteísmo estrito e a crença em Deus forma o âmago de sua fé.  O Islã ensina a crença em um Deus que não dá à luz e nem nasceu, e não compartilha a Sua custódia do mundo.  Ele apenas dá a vida, causa a morte, traz o bem, causa aflição, e provê o sustento para a Sua criação.  Deus no Islã é o único Criador, Senhor, Sustentador, Governante, Juiz e Salvador do universo.  Ele não tem iguais em Suas qualidades e habilidades, como conhecimento e poder.  Toda a adoração, veneração e reverência devem ser direcionadas a Deus e ninguém mais.  Qualquer ruptura desses conceitos nega a base do Islã. 2 – Crença em anjos. Os aderentes do Islã devem crer no mundo Invisível como mencionado no Alcorão.  Os anjos são os emissários de Deus desse mundo, cada qual com uma tarefa específica. Eles não têm livre arbítrio ou capacidade de desobedecer; é parte de sua natureza serem servos zelosos de Deus. Os anjos não devem ser tomados como semideuses ou objetos de louvor ou veneração; eles são meros servos de Deus obedecendo todos os Seus comandos. 3 – Crença nos profetas e seus mensageiros. O Islã é uma religião universal e inclusiva.  Os muçulmanos acreditam nos profetas, não apenas no Profeta Muhammad, que Deus o exalte, mas nos profetas hebreus, incluindo Abraão e Moisés, assim como nos profetas do Novo Testamento, Jesus e João Batista. O Islã ensina que Deus não enviou profetas apenas para os judeus e cristãos, ao contrário, Ele enviou profetas para todas as nações no mundo com uma mensagem central: adorar somente a Deus.  Os muçulmanos devem acreditar em todos os profetas enviados por Deus mencionados no Alcorão, sem fazer qualquer distinção entre eles.  Muhammad foi enviado com a mensagem final, e não existe profeta depois dele.  Sua mensagem é final e eterna, e através dele Deus completou Sua Mensagem para a humanidade. 4 – Crença nos textos sagrados. Os muçulmanos acreditam em certos livros que Deus enviou para a humanidade através de Seus profetas.  Esses livros incluem os Livros de Abraão, o Torá de Moisés, os Salmos de Davi, e o Evangelho de Jesus Cristo.  Todos esses livros tinham a mesma fonte (Deus), a mesma mensagem, e todos foram revelados em verdade.  Isso não significa que eles tenham sido preservados em verdade.  Os muçulmanos (e muitos outros eruditos judeus e cristãos e historiadores) acham que os livros em existência hoje não são as escrituras originais, que de fato foram perdidas, mudadas, e/ou traduzidas repetidas vezes, perdendo a mensagem original. Assim como os cristãos veem o Novo Testamento como cumprimento e complemento do Velho Testamento, os muçulmanos acreditam que o Profeta Muhammad recebeu revelações de Deus através do anjo Gabriel para corrigir erros humanos que tinham penetrado nas escrituras e doutrinas do Judaísmo, Cristianismo e todas as outras religiões.  Essa revelação é o Alcorão, revelado na língua árabe, e encontrado hoje em sua forma original.  Ele procura guiar a humanidade em todos os aspectos da vida; espiritual, temporal, individual e coletivo.  Contém orientações para a conduzir a vida, relata estórias e parábolas, descreve os atributos de Deus e fala das melhores regras para governar a vida social.  Tem orientações para todos, em todo lugar e para todos os tempos.  Milhões de pessoas hoje memorizaram o Alcorão, e todas as cópias do Alcorão encontradas hoje e no passado são idênticas.  Deus prometeu que Ele protegeria o Alcorão de mudanças até o final dos tempos, de modo que a Orientação pudesse ser clara para a humanidade e a mensagem de todos os profetas ficasse disponível para aqueles que a buscasse. 5 – Crença na vida após a morte. Os muçulmanos acreditam que chegará um dia quando toda a criação perecerá e ressuscitará para ser julgada por seus atos: o Dia do Juízo.  Nesse dia, todos se reunirão na presença de Deus e cada indivíduo será questionado sobre sua vida no mundo e como ele a viveu.  Aqueles que tiveram crenças corretas sobre Deus e a vida, e acompanharam sua crença com atos virtuosos entrarão no Paraíso, mesmo que tenham que pagar por alguns de seus pecados no Inferno se Deus em Sua Infinita Justiça optar por não os perdoar. Quanto aqueles que caíram no politeísmo em suas muitas faces, entrarão no Inferno, sem nunca saírem dele. 6 – Crença no decreto divino. O Islã afirma que Deus tem pleno poder e conhecimento de todas as coisas, e que nada acontece exceto por Sua Vontade e com Seu conhecimento total.  O que é conhecido como decreto divino, sorte ou “destino” é conhecido em árabe como al-Qadr.  O destino de cada criatura já é conhecido por Deus. Essa crença, entretanto, não contradiz a ideia do livre arbítrio do homem para escolher seu curso de ação.  Deus não nos força a fazer nada; nós podemos escolher se O obedecemos ou desobedecemos.  A nossa escolha é conhecida por Deus mesmo antes de a fazermos.  Nós não sabemos qual é o nosso destino; mas Deus sabe o destino de todas as coisas. Portanto, nós devemos ter fé firme de que o que quer que nos aconteça, está de acordo com a vontade de Deus e com o Seu pleno conhecimento.  Pode haver coisas que acontecem nesse mundo que nós não compreendemos, mas devemos confiar que Deus tem sabedoria em todas as coisas. IV. Adoração Islâmica. 1) A Declaração de fé. Um muçulmano é aquele que testemunha que “ninguém merece adoração exceto Deus e Muhammad é o mensageiro de Deus.”  Essa declaração é conhecida como a “shahada” (testemunho).  Deus é o nome árabe para Deus, assim como Yahweh é o nome hebraico para Deus. Ao fazer essa proclamação simples uma pessoa se torna muçulmana.  A proclamação afirma a crença absoluta do Islã na unicidade de Deus, Seu direito exclusivo a ser adorado, assim como a doutrina de que associar qualquer outra coisa com Deus é um pecado imperdoável, como lemos no Alcorão: “Deus não perdoa quem Lhe associa com outra divindade, mas perdoa a quem quiser por todas as outras coisas.  Aquele que associa parceiros a Deus inventou um terrível pecado.” (Alcorão 4:48). A segunda parte do testemunho de fé afirma que Muhammad, que Deus o exalte, é um profeta de Deus como Abraão, Moisés e Jesus foram antes dele.  Muhammad trouxe a última e final revelação.  Ao aceitar Muhammad como o “selo dos profetas,” os muçulmanos acreditam que sua profecia confirma e cumpre todas as mensagens reveladas, começando com a de Adão.  Além disso, Muhammad serve como modelo através de sua vida exemplar.  O empenho do crente para seguir o exemplo de Muhammad reflete a ênfase do Islã na prática e ação. 2) A Oração (Salah). Os muçulmanos fazem adoração cinco vezes ao dia: ao nascer do dia, ao meio-dia, no meio da tarde, no pôr-do-sol e à noite.  Isso ajuda a manter os crentes conscientes de Deus no estresse de trabalho e família.   Recompõe o foco espiritual, reafirma a dependência total em Deus, e coloca as preocupações mundanas dentro da perspectiva do último julgamento e da vida após a morte. As orações consistem de ficar de pé, se curvar, ajoelhar, colocar a testa no chão e sentar.  A Oração é um meio através do qual é mantida a relação entre Deus e Sua criação.  Inclui recitações do Alcorão, louvores a Deus, orações para perdão e outras súplicas. A oração é uma expressão de submissão, humildade e adoração a Deus.  As orações podem ser oferecidas em qualquer local limpo, individualmente ou em grupo, em uma mesquita ou em casa, no trabalho ou na estrada, em locais fechados ou ao ar livre. É preferível orar com outros como um corpo unido na adoração a Deus, demonstrando disciplina, irmandade, igualdade e solidariedade.  Enquanto se preparam para orar, os muçulmanos se voltam para Meca, a cidade sagrada centrada em torno da Caaba, a casa de Deus construída por Abraão e seu filho Ismael. 3) A Caridade compulsória (Zakah). No Islã, o verdadeiro dono de tudo é Deus, não o homem.  As pessoas recebem fortuna como uma custódia de Deus. O Zakah é adoração e agradecimento a Deus demonstrados pelo apoio aos pobres, e através do qual a fortuna é purificada. Requer uma contribuição anual de 2,5% da fortuna e bens de um indivíduo.  Portanto, o Zakah não é uma mera “caridade”, é uma obrigação sobre aqueles que receberam suas fortunas de Deus atender as necessidades dos membros menos afortunados da comunidade. O Zakah é usado para dar apoio aos pobres, órfãos e viúvas, ajudar os endividados e, nos velhos tempos, para libertar escravos. 4) O Jejum do Ramadã (Sawm). O Ramadã é o nono mês do calendário lunar islâmico, que é passado em jejum.  Os muçulmanos saudáveis, se abstém de comida, bebida e atividade sexual da alvorada ao pôr-do-sol.  O jejum desenvolve a espiritualidade, dependência em Deus, e provoca a identificação com os menos afortunados.  Uma oração especial da noite também é mantida nas mesquitas nas quais são ouvidas recitações do Alcorão.  As famílias se levantam antes do nascer do sol e fazem sua primeira refeição do dia para sustentá-los até o pôr-do-sol.  O mês de Ramadã termina com uma das maiores celebrações islâmicas, a Festa da Quebra do Jejum, chamada Eid al-Fitr, que é marcada por alegria, visitas familiares, e troca de presentes. 5) O Quinto Pilar é a Peregrinação, ou Haji, à Meca na Arábia Saudita. Pelo menos uma vez na vida, todo muçulmano adulto que é física e financeiramente capaz deve sacrificar tempo, fortuna, status, e confortos habituais da vida para fazer a peregrinação, se colocando totalmente a serviço de Deus.  Todo ano mais de dois milhões de crentes de uma diversidade de culturas e línguas viajam de todo o mundo para a cidade sagrada de Meca, para responder ao chamado de Deus. Quem são os muçulmanos? A palavra árabe “muçulmano” significa literalmente “alguém que está em estado de Islã (submissão à vontade e lei de Deus)”.  A mensagem do Islã é para o mundo inteiro, e qualquer um que aceite essa mensagem se torna um muçulmano.  Existem mais de um bilhão de muçulmanos no mundo todo.  Os muçulmanos representam a maioria da população em cinquenta e seis países. Muitas pessoas ficam surpresas em saber que a maioria dos muçulmanos não é árabe. Embora a maioria dos árabes seja muçulmana, existem árabes que são cristãos, judeus e ateus.  Apenas 20% dos 1,2 bilhões de muçulmanos do mundo vêm de países árabes. Existem populações muçulmanas significativas na Índia, China, Repúblicas da Ásia Central, Rússia, Europa e América.  Se alguém der uma olhada nos vários povos que vivem no Mundo Muçulmano - da Nigéria a Bósnia e do Marrocos a Indonésia - é fácil ver que os muçulmanos vêm de raças, grupos étnicos, culturas e nacionalidades diferentes. O Islã sempre foi uma mensagem universal para todos os povos.  O Islã é a segunda maior religião no mundo e em breve será a segunda maior religião na América.  Ainda assim, poucas pessoas sabem o que é o Islã. www.islareligion.com.br.

domingo, 3 de dezembro de 2023

NOSSO INFINITO POTENCIAL

 

Espiritualidade. Livro Onde Existe Luz. Texto de Paramahansa Yogananda (1893-1952). Capítulo I. NOSSO POTENCIAL INFINITO. Quando começamos a entender o ser total que o homem é, compreendemos que ele não é um simples organismo físico. Dentro dele há muitos poderes, cujo potencial ele emprega, em grau maior ou menor, para se adaptar às condições deste mundo. É muito maior esse potencial do que imagina o homem comum.

 

Por trás da luz de cada pequena lâmpada há uma grande corrente dinâmica; sob cada pequena onda existe o vasto oceano, o qual se tornou as muitas ondas. Assim é com os seres humanos. Deus criou todos os homens à sua imagem (1) e deu liberdade a cada um deles. Mas você esquece a fonte de seu ser e o poder sem igual de Deus que é intrínseco a você. As possibilidades deste mundo são ilimitadas; o potencial do homem é ilimitado. (1). Gênesis 1,27 “ E criou Deus o homem a sua imagem: à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou”.

 

Cada ser humano é uma expressão do vasto e grandioso Espírito. Já que você é uma manifestação do Espírito, deve se esforçar para expressar as suas próprias potencialidades infinitas.

 

Você é muito maior do que qualquer coisa ou qualquer pessoa que você ansiou ser. Deus manifesta-se em você de um modo como não se manifesta em nenhum outro ser humano: sua face é diferente da de qualquer outra pessoa; sua alma é diferente da de qualquer outra pessoa. Você basta a si próprio, pois dentro de sua alma está o maior de todos os tesouros: Deus.

 

Todos os grandes mestres afirmam que dentro deste corpo está a alma imortal, uma centelha daquilo que tudo sustenta.

 

De onde provém a nossa verdadeira personalidade? Vem de Deus. Ele é Consciência Absoluta, Existencial Absoluta e Bem-aventurança Absoluta (...). Concentrando-se internamente, você pode sentir, de um modo direto, a divina bem-aventurança de sua alma dentro de você, e fora também. Se puder manter-se nessa consciência, sua personalidade externa vai se desenvolver e vai se tornar atraente a todos os seres. A alma é feita à imagem de Deus, e quando estabelecemos na consciência da alma, nossa personalidade começa a refletir a sua bondade e beleza. Essa é a sua verdadeira personalidade. Quaisquer outras características que você exiba são uma espécie de enxerto – elas não são o verdadeiro “você”.

 

Faça uma autoanálise: alguma coisa dentro de você o está sempre cutucando para buscar aquele “algo mais” que parece faltar em sua vida. No eu interior de todos os seres humanos existe uma arraigada necessidade de realização. Por quê? Porque caímos e nos distanciamos do regaço do Pai. Vagamos para longe de nosso Eterno Lar em Deus e ansiamos por recuperar a perfeição perdida.

 

A alma é absolutamente perfeita, mas quando se identifica com o corpo com ego (3), sua expressão fica distorcida pelas imperfeições humanas (...). A Yoga nos ensina a conhecer a natureza divina em nós mesmos e nos outros. Por meio da meditação iogue podemos ter consciência de que somos deuses (3). (2). Egoísmo. (3). “Eu disse: Vós sois deuses, e filhos do Altíssimo, todos vós” Salmos 82,6. “Não está escrito na vossa lei: Eu disse: Sois deuses” João 10,34.

 

O reflexo da lua não pode ser visto claramente em águas agitadas, mas quando a superfície da água está calma, aparece um reflexo perfeito da lua. O mesmo acontece com a mente: quando está tranquila, vê-se claramente refletida a face enluarada da alma. Como almas, somos reflexos de Deus. Quando, por meio de técnicas de meditação (4) eliminamos os pensamentos inquietos do lago da mente, contemplamos nossa alma – reflexo perfeito do Espírito – e compreendemos que a alma e Deus são Um. (4). “Aquietai-vos, e sabei que eu sou Deus” Salmos 46,10. Técnicas científicas de meditação iogue, que possibilitam aquietar e interiorizar a consciência e perceber interiormente a presença de Deus, são ensinadas por Paramahansa Yogananda nas Lições da SRF, uma série abrangente de lições para estudo em casa, compiladas a partir de suas aulas e conferências. Essas lições estão disponíveis na Sede Central da SRF.

 

A Auto realização (5) é o conhecimento – percebido mediante o corpo, a mente e a alma – de que somos um com a onipresença de Deus, de que não temos de orar para que ela venha a nós, de que não estamos meramente sempre próximos dela, mas de que a onipresença de Deus é nossa própria onipresença, de que somos parte dele agora, tal qual haveremos sempre de ser. Só o que precisamos é aperfeiçoar nosso conhecimento. (5). Eu – Self.

 

Concentre sua atenção no seu interior (6). Você sentirá um novo poder, uma nova força, uma nova paz – em seu corpo, mente e espírito (...). Comungando com Deus, você muda sua condição de ser mortal para ser imortal. Quando fizer isso, todos os liames que o limitam serão rompidos. (6). “Nem dirão: Ei-lo aqui, ou, Ei-lo ali, porque o reino de Deus está dentro de vós” Lucas 17,21.

 

Há minas de poder que jazem inexploradas dentro de você. Em tudo o que faz, você usa esse poder inconscientemente e alcança determinados resultados. Mas, se aprender a controlar e a usar conscientemente os poderes que há em você, poderá realizar muito mais.

 

Poucas pessoas neste mundo tentam conscientemente desenvolver os potenciais do corpo, da mente e da alma. As demais são vítimas de circunstâncias do passado. Caminham penosamente, empurradas por hábitos errôneos do passado, desamparadamente vencidas por sua influência, lembrando apenas: “sou um homem nervoso”, ou “sou fraco”, ou “sou pecador” e assim por diante.

 

Depende de cada um de nós cortar, com a espada da sabedoria, as cordas de nossa servidão, ou continuar atados.

 

Uma das ilusões da vida é continuar a viver desamparadamente. Tão logo você diz que “não adianta”, as coisas se tornam assim. (...). Pensar que você não pode mudar à vontade é um engano.

 

Nossas mentes pequeninas são parte da mente onipotente de Deus. Sob a onda da nossa consciência está o infinito oceano da consciência divina. Por esquecer-se de que faz parte do Oceano, a onda se desliga desse poder oceânico. Em consequência, nossas mentes tornaram-se enfraquecidas por nossas tribulações e limitações materiais. A mente parou de trabalhar. Você ficará surpreso com o quanto ela pode fazer se você jogar fora as limitações que pôs nela.

 

Por que limitar sua capacidade consoante o ditado: “Não morda um pedaço maior do que pode mastigar”? Acho que você deve morder um pedaço maior do que pode mastigar, e então mastiga-lo!

 

A mente é como um elástico. Quanto mais você puxa, mais ela estica. A mente elástica nunca arrebenta. Sempre que você sinta que sofre limitações, feche os olhos e diga a si próprio: “Eu sou o Infinito”, e verá o poder que você tem.

 

Quando você me diz que não pode fazer isso ou aquilo, eu não acredito. O que quer que decida fazer, você é capaz de fazê-lo. Deus é a soma total de todas as coisas e a sua imagem está dentro de você. Ele pode fazer qualquer coisa, e você também pode, se aprender a identificar-se com sua natureza inexaurível.

 

Não se considere um fraco mortal. Quantidades incríveis de energia estão ocultas em seu cérebro. Em um grama de carne há o suficiente para fazer funcionar a cidade de Chicago – Estados Unidos da América, por dois dias (7). E você diz que está cansado? (7). Séculos antes de os físicos modernos provarem a equivalência de matéria e energia, os sábios da Índia declaravam que toda forma de matéria é redutível a alguma espécie de energia – prana.

 

Deus nos fez anjos de energia, encerrados em matéria sólida – correntes de vida fulgurando através de um bulbo material de carne. Mas concentrando-nos nas fraquezas e nas fragilidades do bulbo corpóreo, esquecemo-nos de como sentir as propriedades imortais e indestrutíveis da eterna energia vital que está dentro da carne mutável.

 

Quando você transcende a consciência deste mundo – sabendo que não é o corpo nem a mente e, ainda assim, estando mais consciente do que nunca de que existe – é essa consciência divina o que você é. Você é aquilo em que tudo no universo deita raízes.

 

Todos vocês são deuses; se pelo menos pudessem ter consciência disso (...). Por trás da onda da consciência está o mar da presença de Deus. Vocês precisam olhar para dentro de si. Não se concentrem na pequena onda do corpo e suas fraquezas; espiem mais para o fundo (...). Ao elevarem a consciência acima do corpo e suas experiências, encontrarão essa esfera (da consciência) repleta da grande alegria e da bem-aventurança que ilumina as estrelas e concede poder aos ventos e tempestades. Deus é a fonte de todas as nossas alegrias e de todas as manifestações da natureza (...).

 

Despertem das trevas da ignorância. Vocês fecharam os olhos no sono da ilusão. Acordem! Abram os olhos e contemplarão a glória de Deus – o vasto panorama da luz de Deus se derramando sobre todas as coisas. Eu lhes digo que sejam divinamente realistas, e em Deus vocês encontrarão a resposta para todas as perguntas.

 

Afirmações (8). Estou submerso na luz eterna. Ela permeia cada partícula do meu ser. Vivo nessa luz. O Espírito Divino me preenche por dentro e por fora.

 

Ó Pai, rompe as fronteiras das pequenas ondas de minha vida, para que eu possa me unir ao oceano de tua vastidão. (8). Instruções para o uso de afirmações são dadas na página 42 e seguintes. Livro Onde Existe Luz.

 

sexta-feira, 1 de dezembro de 2023

MARIA SANTÍSSIMA: ÁPICE DOS MILAGRES DE DEUS

 

Cristianismo. Revista Arautos do Evangelho. Maio de 2022. MARIA SANTÍSSIMA: ÁPICE DOS MILAGRES DE DEUS. Na bula em que declara o dogma da Imaculada Conceição, Pio IX (1792-1878) enaltece as incontáveis virtudes e privilégios de Nossa Senhora, ciente de que nada basta para exaltar aquela que é superior a todo louvor humano e angélico. O Deus inefável – cuja conduta é misericordiosa e verdade, cuja vontade é onipotência e cuja sabedoria abarca tudo com fortaleza e dispõe suavemente todas as coisas – previu desde toda a eternidade a lamentabilíssima ruína de todo o gênero humano, proveniente de Adão. Por isso, tendo decretado, com misterioso plano oculto desde toda a eternidade, levar até o fim a primitiva obra de sua misericórdia por meio da Encarnação do Verbo, escolheu e preparou desde o princípio e antes dos tempos, num plano mais secreto ainda, uma Mãe. Nela se encarnando, seu Filho Unigênito nasceria na ditosa plenitude dos tempos, para que não perecesse o homem impelido ao pecado pela astúcia da diabólica maldade e para que aquilo que no primeiro Adão havia de cair fosse restaurado de modo mais esplêndido no segundo. De tal modo Deus a amou acima de Todas as criaturas que só nela se comprouve com assinaladíssima benevolência (...). A criatura mais unida a Deus. A gloriosíssima Virgem Maria, na qual operou grandes coisas o Onipotente, reluziu com tal abundância de todos os dons celestiais. Com tal plenitude de graça e com tal inocência que ela é como um inefável milagre de Deus, mais ainda, como o ápice de todos os milagres, em suma, a digna Mãe de Deus. Unindo-se o mais possível ao seu criador, tanto quanto lhe permitia a condição de criatura, ascendeu a um patamar superior a todo louvor humano e angélico. Em consequência, para atestar a original inocência e a santidade da Mãe de Deus, os Padres da Igreja não só a compararam muito amiúde com Eva ainda virgem, ainda incorrupta e não enganada pelos mortíferos artifícios da astuciosíssima serpente, como também a elevaram acima daquela com maravilhosa variedade de palavras e pensamentos. A Virgem reluz com tal abundância de dons celestiais e tal plenitude de graça. Que ela é como um inefável milagre de Deus. Pois Eva, miseravelmente complacente com a serpente, caiu da inocência original e se tornou sua escrava. Mas a Virgem Maria Santíssima, aumentando incessantemente o dom original e nunca dando ouvidos a serpente, arrasou até aos alicerces, pela virtude divina recebida do alto, sua poderosa força. Por isso eles nunca deixaram de dar à Mãe de Deus o nome de: lírio entre os espinhos, terra absolutamente intacta, virginal, sem mancha, imaculada. Sempre bendita e livre de toda mancha de pecado, da qual se formou o novo Adão. Para isso imaculado, atraentíssimo, ameníssimo, esmeradamente feito de inocência, de imortalidade e de delícias, plantado pelo próprio Deus e protegido de toda intriga da venenosa serpente. Árvore imperecível que jamais foi carcomida pelo verme do pecado, fonte sempre límpida e marcada pela virtude do Espírito Santo. Diviníssimo templo, tesouro de imortalidade, única filha, não da morte, mas da vida. Germe não da ira, mas da graça que, por singular providência de Deus, floresceu sempre viçoso de uma raiz corrompida e deteriorada, fora das leis ordinariamente estabelecidas. Contudo, como se esses títulos, embora muito gloriosos, não fossem suficientes, declararam eles, com expressões adequadas e precisas, que, tratando-se de pecado, não cabia sequer mínima menção à Santíssima Virgem Maria, a quem se concedeu mais graças para vencê-lo totalmente. Professaram, ademais, que a gloriosíssima Virgem foi reparadora de sua raça e fonte de vida para o gênero humano, eleita desde a eternidade, preparada por Deus para si próprio, prenunciada por ele quando disse à serpente: Porei inimizade entre ti a mulher, Gênesis 3,15. Esplendor e baluarte da Santa Igreja. A Santíssima Virgem Imaculada Maria, imaculada e toda formosa, esmagou a cabeça venenosa da cruel serpente e trouxe ao mundo a salvação. Ela é a glória dos profetas e dos apóstolos, honra dos mártires, alegria e coroa dos santos. É refúgio seguro e auxiliadora invencível de todos quantos estão em perigo. Medianeira e conciliadora de todo o orbe terrestre perante seu Filho único. É glória, esplendor e baluarte da Santa Igreja, sempre destruiu as heresias, livrou das maiores calamidades e de toda espécie de males os povos fiéis e as nações. E a nós mesmos livrou de inúmeros perigos que nos assaltavam. Assim, temos firmíssima esperança e absoluta confiança de que esta nossa poderosa protetora fará com que – removidos todos os obstáculos e vencidos todos os erros – a Santa Igreja Católica, nossa Mãe, se fortifique e floresça cada dia mais em todos os povos e todas as nações. Reine de um mar ao outro, desde o grande rio até os confins da terra, Salmos 71,8, que desfrute de toda paz, tranquilidade e liberdade para que possam obter perdão os pecadores. Remédio os doentes, força de alma os fracos, consolação os aflitos, socorros os periclitantes, e para que os transviados, vendo dissiparem-se as trevas de seu espírito, retornem ao caminho da verdade e da justiça. E assim haja um só rebanho e um só pastor. Maria Santíssima, imaculada e toda formosa, esmagou a cabeça venenosa da cruel serpente e trouxe ao mundo a salvação. Sob seu amparo. Ouçam essas nossas palavras nossos amadíssimos filhos da Igreja e, com fervor cada vez mais ardente de piedade, religião e amor, continuem a venerar, invocar, orar à Bem-Aventurada Virgem Maria. Concebida sem pecado original, recorram sempre com inteira confiança a esta doce Mãe de graça e misericórdia, em todos os perigos, angústias, necessidades, em todas as situações obscuras e tremendas da vida. Nada temos a temer, nada de que nos desesperarmos, quando caminhamos sob a guia, a proteção e o amparo daquela que, tendo por nós um coração de Mãe e ocupando-se da obra de nossa salvação, estende a todo o gênero humano sua maternal solicitude. Suas preces maternais têm enorme poder, pois foi constituída pelo Senhor Rainha do Céu e da Terra, exaltada acima de todos os coros dos anjos e de todas as ordens dos santos, entronizada à direita de seu Filho único, Nosso Senhor Jesus Cristo. Ela sempre obtém o que pede, nunca roga em vão. Excertos de Pio IX. Ineffabilis Deus, 08/12/1854. Tradução Arautos do Evangelho. Abraço. Davi