domingo, 14 de maio de 2023

OS TRÊS TIPOS DE FÉ. SHRADDHA

 

Bhagavad Gita. Comentário de Shri Mataji Devi. OS TRÊS TIPOS DE FÉ. SHRADDHA. Nesse 17º capítulo Arjuna pergunta acerca da posição daqueles que adoram Deus com fé. Em resposta a isso, o Senhor Krishna descreve os três tipos de fé baseadas nas três Gunas e afirma que o caráter de um indivíduo é determinado pela sua fé. A fé do ser humano é determinada pela dominância de uma ou de outra das três qualidades da natureza; vale dizer, Sattva, Rajas e Tamas. As suas preferências em relação aos objetos de adoração, aos alimentos, às atividades, etc; dependerão do tipo de sua fé (Shradha). Tudo aquilo que é feito sem orgulho, mas cuja motivação é o bem dos outros e leva em consideração a graça de Deus é algo com as caraterísticas de Sattva, ou seja, pureza e equilíbrio. Tudo aquilo que é buscado ou feito com desejo, com vaidade ou com a busca de recompensas tem as peculiaridades de Rajas, ou seja, paixão e agitação. Tudo aquilo que é realizado com indiferença, com má vontade ou impensadamente é Tamas. Tal conduta é fútil em relação à evolução mais elevada do ser humano. Os versos de 23 a 28 tratam das sílabas sagradas OM, TAT e SAT, que indicam uma mentalidade impregnada de espiritualidade. Seja o que for que um indivíduo oferecer a Deus, proferindo essas sílabas, promoverá o seu progresso espiritual. Todos os rituais, todos os sacrifícios e todas as ações caritativas não produzirão quaisquer efeitos se não forem alicerçadas pela fé. Segue a Escritura Sagrada. “Então dirigiu Arjuna ao Divino Mestre esta pergunta: Qual é a condição e o estado daqueles homens que com fé oferecem sacrifícios, embora menosprezem os preceitos da Lei escrita? É de Sattwa, Rajas ou Tamas? Respondeu Krishna, o Sublime: De três tipos é a fé inata nos encarnados: pura, passional e tenebrosa (Sattwica, Raj´stica e Tamástica). Escuta o que delas passo a dizer-te. A fé de cada um, Oh príncipe! Reflete o caráter ou a natureza do homem. A fé constitui o homem: assim qual seja a sua fé, tal será o homem. Os homens nós quais predomina a Sattwa veneram seres espirituais elevados, dando-lhes os nomes de deuses e santos; os mais adiantados adoram a Mim, o Deus único. Ao homens rajásticos veneram heróis e outros seres espirituais poderosos. Os tamasicos dirigem o seu culto aos espíritos inferiores, demônios e espectros. Atormentado os elementos vivos nos seus corpos, a Mim mesmo Me atormentam, e associam-se aos demônios. De três espécies são os alimentos apreciados pelos homens, e também de três são os sacrifícios, as austeridades e as esmolas. Escuta como se distinguem. O alimento mais agradáveis ao homem puro é aquele que aumenta a vitalidade, o vigor, a saúde. Preserva da doença, e traz o contentamento e a calma de espírito. Tal alimento tem bom sabor, mata a fome, não é nem demasiado amargo, nem demasiado azedo, nem salgado demais, nem muito quente, picante ou adstringente (contrai, aperta). Os homens rajásticos preferem o que é amargo, azedo, ardente, picante, bem salgado e fortemente temperado. Que lhes excite o apetite e estimule o paladar, porém, finalmente lhes acarreta moléstias, dores e enfermidades. Os homens tamásicos apetecem alimento rançoso, estragado, insulso, putrefato, corrompido e ainda as sobras de comida e outras imundícies. Quanto aos sacrifícios e oferendas, eis a distinção: o homem sáttwico oferece o sacrifício conforme as prescrições das Escrituras, sem desejar recompensas firmemente convencidos de que estão cumprindo um dever. O homem rajásico adora e oferece sacrifícios com a esperança de obter uma vantagem, preferência, prêmio ou recompensa, ou por motivos de vaidade e ostentação. O tamasico pratica os atos de adoração e apresenta oferendas com fé, sem devoção, sem pensamento ou reverência, só porque quer seguir o costume. Eis agora as três espécies de penitência, que são: a penitência corporal, lingual e mental. A penitência corporal consiste em respeitar os seres celestes, os homens santos os iluminados. Os Mestres e guias do conhecimento, os sábios e ser honesto, reto, casto e manso. A penitência lingual consiste em prece silenciosa, e em falar com gentileza e mansidão afavelmente, evitando todas as palavras ofensivas, dizendo o que é verdadeiro e justo. A penitência mental consiste no contentamento e na igualdade de ânimo, temperamento moderado, discrição, devotamento, domínio das paixões e pureza da alma. Estas três espécies de penitência, praticadas com boa fé pelos homens amantes de Deus, que não as fazem com motivos egoístas, pertencem a Sattwa. A penitência, praticada pelos hipócritas e com a esperança de obter vantagens pessoais, honra e boa fama, pertence a Rajas. Esta é incerta e inconstante. A penitência motivada pro algum fim insensato, para atormentar-se a si mesmo ou fazer mal aos outros, pertence a Tamas. Quanto à prática de caridade, também é de três modos. Quando se dá esmola ou auxílio a uma pessoa digna, que não pode retribuí-lo, pelo sentimento de dever, em lugar e tempo próprios, é um ato sáttwico. Quando se dá um presente com a esperança de obter, por isso, recompensa ou vantagem, ou quando se dá com repugnância, é um ato rajástico. E quando se dá esmola sem afabilidade, com desprezo, em lugar e tempo impróprios, ou quando se dá um indigno, é um ato tamástico. AUM – TAT – SAT. Este é o tríplice nome de Brahma. A tríplice designação do Absoluto. A esta força devem a sua existência os mestres e iluminados, as Sagradas Escrituras e a Religião. Por isso, aqueles que conhecem Brahma, pronunciam sempre a palavra AUM, que significa o Eterno Poder Supremo; antes de praticarem qualquer ato religioso ou antes de darem esmola. TAT é o símbolo que indica que todos os entes tem o seu ser eternamente em Deus. Pronuncia-se na prática de vários sacrifícios, penitências e obras de caridade, para evocar a ideia de Unidade. SAT significa verdade e bondade, e pronuncia-se quando se pratica uma boa ação ou quando se observa uma boa qualidade. Por isso, designa-se com a palavra SAT a perseverança, em sacrifício de si mesmo, penitência, renúncia, adoração mental e caridade, e tudo relativo a estes fins. Tudo, porém, que se faz sem fé e sem boa vontade, seja sacrifício, mortificação da carne, abstinência ou esmola chama-se ASAT (nulidade) e não tem valor ou mérito, nem neste mundo nem no outro”. Abraço. Davi.

sexta-feira, 12 de maio de 2023

A TEOLOGIA E A IGREJA

 

Cristianismo. www.voltemosaoevangelho.com. Por W. Robert Godfrey. Ligonier Ministries Website. A TEOLOGIA E A IGREJA. A importância da teologia para vida e saúde da igreja. A teologia, a verdade que é de Deus e sobre Deus, é para a vida da Igreja. Jesus está edificando Sua igreja fazendo discípulos que o seguem, confessando a verdade de que Ele é “o Cristo, o Filho do Deus vivo” (Mateus 16:16). Discípulos são aqueles aos quais Jesus dá vida para que possam andar em Seu caminho de acordo com a Sua verdade. Como Jesus disse: “Se vós permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meus discípulos; e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (João 8:31-32). Na Grande Comissão, Jesus envia Seus discípulos para fazer discípulos e estabelecer Sua igreja ao redor do mundo. Como os discípulos deveriam fazer discípulos? Jesus resume essa gigante tarefa em dois breves e memoráveis pontos: Seus discípulos farão discípulos batizando-os e ensinando-os. Se estas palavras de Jesus não fossem tão familiares, muitos de nós poderiam achar esse resumo um tanto surpreendente. Poderíamos muito bem esperar a comissão de ensinar, mas incluir a comissão para batizar em tão breve resumo talvez seja inesperado. Mas surpresas convidam à reflexão e meditação. Ao pensarmos sobre isso, podemos ver quão apropriado e útil isso é. Vemos nessa comissão que fazer discípulos consiste em duas partes: trazê-los e edificá-los. Discípulos são aqueles que foram trazidos pelo batismo e são edificados pelo ensino que transforma vidas. Jesus direciona nossa atenção para o batismo, não no sentido restrito apenas da cerimônia com água, mas no sentido mais abrangente de tudo que o batismo envolve. Podemos ver isso claramente no ministério de João Batista. Seu ministério de batismo inclui sua pregação das boas novas (Lucas 3:18), seu chamado ao arrependimento (v. 3), e sua insistência nos frutos de arrependimento (v. 8). O batismo inclui tanto a pregação das promessas de Deus quanto o chamado para uma resposta adequada a essas promessas. O batismo verdadeiramente introduz os discípulos, chamando-os para começar a vida de fé. O batismo nesse sentido é propriamente fundamental para ser um discípulo, porque o batismo prega as promessas de Deus e chama os que foram batizados à fé e ao compromisso. A promessa central de Deus para pecadores no batismo é que Deus irá lavar seus pecados e perdoá-los. Quando Jesus, na Grande Comissão, especifica que Seus discípulos irão batizar no nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, Ele mostra que a promessa do batismo vem do Deus triúno e é garantida pela Trindade. A liturgia batismal das igrejas reformadas holandesas, escrita no século XVI e usada por séculos nessas igrejas, detalha de forma útil os papéis e promessas distintos que se relacionam com cada pessoa da Trindade. Essa liturgia declara que o batismo significa e o que o batismo promete ao povo de Deus, não o que a água do batismo realiza em cada pessoa batizada. No batismo, Deus Pai promete que Ele “faz uma eterna aliança de graça conosco e nos adota como Seus filhos e herdeiros.” No batismo, Deus Filho promete que Ele “nos lava em seu sangue de todos os nossos pecados, nos incorporando na comunhão de Sua morte e ressurreição, para que sejamos libertos de nossos pecados e contados como justos diante de Deus.” No batismo, Deus Espírito Santo promete que Ele “habitará em nós e nos santificará… até que sejamos finalmente apresentados sem mancha dentre a assembleia dos eleitos na vida eterna.” Essas promessas no batismo declaram o coração e centro da nossa esperança do evangelho. O batismo não é apenas uma cerimônia externa ou simplesmente a ação da igreja ou de um crente. Em primeiro lugar, é “uma Palavra visível” que expressa a Palavra pregada da promessa do evangelho, como lemos, “apareceu João Batista no deserto, pregando batismo de arrependimento para remissão de pecados” (Marcos. 1:4). Nessa liturgia batismal reformada holandesa, a teologia do batismo é apresentada para a Igreja. Ela mostra o significado do batismo dentro da perspectiva divina nas promessas proclamadas, também mostra a perspectiva humana no chamado ao compromisso. Esse chamado é poderosamente expressado: Considerando que em todas as alianças existem duas partes, portanto somos nós por Deus, através do batismo, admoestados e obrigados à nova obediência, a saber, que nos apeguemos a este um Deus, Pai, Filho e Espírito Santo; que confiemos nele, o amemos com todo nosso coração, com toda nossa alma, com toda nossa mente e com toda nossa força; que abandonemos o mundo, crucifiquemos nossa velha natureza e andemos em uma vida piedosa. E se nós às vezes, pela fraqueza, cairmos em pecados, não devemos, por consequência, desesperar da misericórdia de Deus, nem continuarmos em pecado, uma vez que o batismo é um selo e incontestável testemunho de que temos uma aliança eterna com Deus. Ser um discípulo é ouvir as promessas e depois crer e vivê-las. O batismo necessariamente nos conecta à igreja. O batismo nunca é simplesmente individual, porque precisa ser feito por outra pessoa. O batismo é pela igreja e na igreja. A vida cristã não é uma vida solitária, mas é vivida na comunidade da fé. Cristo está edificando Sua igreja e devemos ser membros dela, não apenas como uma conexão formal, mas como uma parte central de nossas vidas como discípulos. Além de ordenar o batismo, Jesus nos direciona a ensinar e edificar as vidas do povo de Deus. Ao longo de Seu ministério terreno, Jesus ensinou a verdade, a qual Seus discípulos deveriam conhecer, e como deveriam viver para Ele. Seus apóstolos continuaram a obra de ensino com Sua total autoridade. Os ensinos de Jesus, tanto do Seu ministério terreno como dos Seus apóstolos, foram reunidos e preservados para Sua Igreja nas Sagradas Escrituras. A Igreja que segue a Cristo fielmente ensina Sua teologia da Bíblia a fim de que os cristãos conheçam a verdade e a vivam. Tal ensino é um grande empreendimento. Jesus não chama Sua igreja a ensinar verdades básicas ou algumas das verdades ou até mesmo muitas das verdades da Palavra de Deus. Ele nos comissiona a ensinar tudo que Ele ordenou. Podemos priorizar verdades, mas não temos direito algum de eliminar qualquer uma delas. Ele nos chama a um conhecimento abrangente dessa vontade e uma vida completa e plena consagrada a Ele. Um dos mais sérios perigos que as igrejas podem criar para si próprias é o de adulterar o ensino da Bíblia. Elas podem fazer isso por meio de rejeição, distorção, ao ignorar ou acrescentar a algum dos ensinos de Jesus. Igrejas liberais eliminam ensinos que não são intelectualmente ou moralmente aceitáveis às suas mentes. Igrejas evangélicas têm muito frequentemente tentado fazer o cristianismo mais atraente para incrédulos ao ensinar apenas um evangelho simples ou que oferece pouca resistência. Em contraste, as igrejas reformadas têm tentado ser compreensivamente bíblicas em seu ensino, o que é refletido em seus padrões confessionais, cheios de doutrina e ética. Na igreja, tanto os ministros quanto as pessoas são responsáveis pelo ensino como um todo. Os ministros devem planejar cuidadosamente o que irão ensinar e como comunicar de uma forma que verdadeiramente edifique as pessoas. A Palavra de Deus é um repositório de verdade para a Igreja e os ministros devem ensiná-la. Devem resistir à pressão de se tornarem performáticos ou psicólogos da cultura pop. O povo de Deus, especialmente em uma cultura democrática, também tem um dever sério. Devem encorajar os ministros a ensinarem todo o conselho de Deus e, com grande interesse, buscar e apoiar tal ensino. Caso contrário, a igreja permanecerá seriamente imatura. Paulo escreveu avisando aos coríntios: “Eu, porém, irmãos, não vos pude falar como a espirituais, e sim como a carnais, como a crianças em Cristo. Leite vos dei a beber, não vos dei alimento sólido; porque ainda não podíeis suportá-lo. Nem ainda agora podeis, porque ainda sois carnais” (1 Coríntios 3:1-3). O mesmo ponto é feito em Hebreus: A esse respeito temos muitas coisas que dizer e difíceis de explicar, porquanto vos tendes tornado tardios em ouvir. Pois, com efeito, quando devíeis ser mestres, atendendo ao tempo decorrido, tendes, novamente, necessidade de alguém que vos ensine, de novo, quais são os princípios elementares dos oráculos de Deus; assim, vos tornastes como necessitados de leite e não de alimento sólido. Ora, todo aquele que se alimenta de leite é inexperiente na palavra da justiça, porque é criança. Mas o alimento sólido é para os adultos, para aqueles que, pela prática, têm as suas faculdades exercitadas para discernir não somente o bem, mas também o mal. (5:11-14) Igrejas imaturas e cristãos imaturos estão ainda presos à carne e, portanto, se tornaram tardios em ouvir. A igreja madura ouve com interesse a Palavra para aprender e ser treinada em discernimento e justiça. A igreja precisa de teologia para fazer discípulos, tanto aqueles que são trazidos à igreja quanto os que são edificados na verdade. Ligonier se dedica a oferecer materiais de ensino fiel para ajudar a edificar discípulos na verdade. A Grande Comissão de Jesus de fazer discípulos não será realizada completamente até que os eleitos de Deus sejam trazidos à Igreja. Temos muito a fazer em circunstâncias difíceis. Mas temos a grande promessa de Jesus de nos sustentar em nosso chamado: “Eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século” (Mateus 28:20). www.voltemosaoevangelho.com. Abraço. Davi.

 

quarta-feira, 10 de maio de 2023

II. A MESA SERVIDA

 

Islamismo. Alcorão Sagrado. (A Mesa Servida). Ó fiéis, não tomeis por confidentes aqueles que receberam o Livro antes de vós, nem os incrédulos, que fizeram de vossa religião objeto de escárnio e passatempo (383). Temei, pois, a Deus, se sois verdadeiramente fiéis. E quando fazeis a convocação para a oração, tomam-na como objeto de escárnio e passatempo. Isso, por serem insensatos. Dize-lhes: Ó adeptos do Livro, pretendeis vingar-vos de nós, somente porque cremos em Deus, em tudo quanto nos é revelado e em tudo quanto foi revelado antes? A maioria de vós é depravada (384). Dize ainda: Poderia anunciar-vos um caso pior do que este, ante os olhos de Deus? São aqueles a quem Deus amaldiçoou, abominou e converteu em símios (385), suínos e adoradores do sedutor; estes, encontram-se em pior situação, e mais desencaminhados da verdadeira senda. Quando se apresentam a vós, dizem: Cremos!, embora cheguem disfarçados com a incredulidade, e com ela saiam. Mas Deus sabe melhor do que ninguém o que ocultam. Verás que muitos deles se precipitam no pecado, na hostilidade e no que é ilícito. Quão detestável é o que fazem! Por que os rabinos e os doutos não lhes proibiram blasfemarem e se fartarem do que é ilícito? Quão detestáveis são as suas obras! Os judeus disseram: A mão de Deus está cerrada (386)! Que suas mãos sejam cerradas e sejam amaldiçoados por tudo quanto disseram! Qual! Suas mãos estão abertas! Ele prodigaliza as Suas graças como Lhe apraz. E, sem dúvida, o que te foi revelado por teu Senhor exacerbará a transgressão e a incredulidade de muitos deles. Porém, infundimos a inimizade e o rancor, até ao Dia da Ressurreição. Toda vez que acenderem o fogo da guerra, Deus os extinguirá. Percorrem a terra, corrompendo-a; porém, Deus não aprecia os corruptores. Mas se os adeptos do Livro tivessem acreditado (em Nós) e temido, tê-los-íamos absolvido dos pecados, tê-los-íamos introduzido nos jardins do prazer. E se tivessem sido observantes da Tora, do Evangelho e de tudo quanto lhes foi revelado por seu Senhor, alimentar-se-iam com o que está acima deles e do que se encontra sob seus pés (387). Entre eles, há alguns moderados; porém, quão péssimo é o que faz a maioria deles! Ó Mensageiro, proclama o que te foi revelado por teu Senhor, porque se não o fizeres, não terás cumprido a Sua Missão. Deus te protegerá dos homens, porque Deus não ilumina os incrédulos. Dize: Ó adeptos do Livro, em nada vos fundamentareis, enquanto não observardes os ensinamentos da Tora, do Evangelho e do que foi revelado por vosso Senhor! Porém, o que te foi revelado por teu Senhor, exacerbará a transgressão e a incredulidade de muitos deles. Que não te penalizem os incrédulos. Os fiéis, os judeus, os sabeus e os cristãos, que creem em Deus, no Dia do Juízo Final e praticam o bem, não serão presas do temor, nem se atribularão. Havíamos aceitado o compromisso dos israelitas, e lhes enviamos os mensageiros. Mas, cada vez que um mensageiro lhes anunciava algo que não satisfazia os seus interesses, desmentiam uns e assassinavam outros. Pressupunham que nenhuma sedição recairia sobre eles; e, então, tornaram-se deliberadamente cegos e surdos. Não obstante Deus tê-los absolvido, muitos deles voltaram à cegueira e à surdez; mas Deus bem vê tudo quanto fazem. São blasfemos aqueles que dizem: Deus é o Messias, filho de Maria, ainda quando o mesmo Messias disse (388): Ó israelitas, adorai a Deus, Que é meu Senhor e vosso. A quem atribuir parceiros a Deus, ser-lhe-á vedada a entrada no Paraíso e sua morada será o fogo infernal! Os iníquos jamais terão socorredores. São blasfemos aqueles que dizem: Deus é um da Trindade!, portanto não existe divindade alguma além do Deus Único. Se não desistirem de tudo quanto afirmam, um doloroso castigo açoitará os incrédulos entre eles. Por que não se voltam para Deus e imploram o Seu perdão, uma vez que Ele é Indulgente, Misericordiosíssimo? O Messias, filho de Maria, não é mais do que um mensageiro, do nível dos mensageiros que o precederam; e sua mãe era sinceríssima (389). Ambos se sustentavam de alimentos terrenos, como todos. Observa como lhes elucidamos os versículos (390) e observa como se desviam. Pergunta-lhes: Adorareis, em vez de Deus, ao que não pode prejudicar-vos nem vos beneficiar, sabendo (vós) que Deus é o Oniouvinte, o Sapientíssimo? Dize-lhes: Ó adeptos do Livro, não exagereis em vossa religião, profanando a verdade, nem sigais o capricho daqueles que se extraviaram anteriormente, desviaram muitos outros e se desviaram da verdadeira senda! Os incrédulos, dentre os israelitas, foram amaldiçoados pela boca de Davi (391) e por Jesus, filho de Maria (392), por causa de sua rebeldia e profanação. Não se reprovavam mutuamente pelo ilícito que cometiam (393). E que detestável é o que cometiam! Vês muitos deles (judeus) em intimidade com idólatras. Que detestável é isso a que os induzem as suas almas! Por isso, suscitaram a indignação de Deus, e sofrerão um castigo eterno. Se tivessem acreditado em Deus, no Profeta e no que lhe foi revelado, não os teriam tomado por confidentes. Porém, muitos deles são depravados. Constatarás que os piores inimigos dos fiéis, entre os humanos, são os idólatras. Constatarás que aqueles que estão mais próximos do afeto dos fiéis são os que dizem: Somos cristãos (394)!, porque possuem sacerdotes e não ensoberbecem de coisa alguma. E, ao escutarem o que foi revelado ao Mensageiro, tu vês lágrimas a lhes brotarem nos olhos; reconhecem naquilo a verdade, dizendo: Ó Senhor nosso, cremos! Inscreve-nos entre os testemunhadores! E por que não haveríamos de crer em Deus e em tudo quanto nos chegou, da verdade, e como não haveríamos de aspirar a que nosso Senhor nos contasse entre os virtuosos? Pelo que disseram, Deus os recompensará com jardins, abaixo dos quais correm os rios, onde morarão eternamente. Isso será a recompensa dos benfeitores. Aqueles que negarem e desmentirem os Nossos versículos serão os réprobos. Ó fiéis, não malverseis o bem que Deus permitiu e não transgridais (395), porque Ele não estima os esbanjadores. Comei de todas as coisas lícitas com que Deus vos agraciou e temei-O, se fordes fiéis. Deus não vos reprova por vossos inintencionais juramentos fúteis; porém, recrimina-vos por vossos deliberados juramentos, cuja expiação consistirá em alimentardes dez necessitados da maneira como alimentais a vossa família, ou em os vestir, ou em libertardes um escravo; contudo, quem carecer de recursos jejuará três dias. Tal será a expiação do vosso perjúrio. Mantende, pois, os vossos juramentos. Assim Deus vos elucida os Seus versículos, a fim de que Lhe agradeçais. Ó fiéis, as bebidas inebriantes, os jogos de azar, a dedicação às pedras (396) e as adivinhações com setas,(397) são manobras abomináveis de Satanás. Evitai-os, pois, para que prospereis. Satanás só ambiciona infundir-vos a inimizade e o rancor, mediante as bebidas inebriantes (embriagar) e os jogos de azar, bem como afastar-vos da recordação de Deus e da oração. Não desistireis, diante disso? Obedecei a Deus, obedecei ao Mensageiro e precavei-vos; mas se vos desviardes, sabei que ao Nosso Mensageiro só cabe a proclamação da mensagem lúcida. Os fiéis que praticam o bem não serão reprovados pelo que comeram (coisas ilícitas), uma vez que delas passem a se abster, continuando a crer e a praticar o bem, a ser tementes a Deus e, crer novamente e praticar a caridade. Deus aprecia os benfeitores (398). Ó fiéis, Deus vos testará com a proibição de certa espécie de caça que está ao alcance das vossas mão e das vossas lanças, para assegurar-Se (399) de quem O teme intimamente. Quem, depois disso, transgredir a norma sofrerá um doloroso castigo. Ó fiéis, não mateis animais de caça quando estiverdes com as vestes da peregrinação.(400) Quem, dentre vós, os matar intencionalmente, terá de pagar a transgressão, o equivalente àquilo que tenha matado, em animais domésticos,(401) com a determinação de duas pessoas idôneas, dentre vós. Que tais animais sejam levados como oferenda à Caaba. Ou, ainda, fará uma expiação, alimentando alguns necessitados ou o equivalente a isto em jejum, para que sofra a consequência da sua falta. Deus perdoa o passado; porém, a quem reincidir Deus castigará, porque é Punidor, Poderosíssimo. Está-vos permitida a caça aquática; (402) e seu produto pode servir de visão, tanto para vós como para os viajantes. Porém, está-vos proibida a caça terrestre, enquanto estiverdes consagrado à peregrinação. Temei a Deus, ante O Qual serei consagrado. Deus designou a Caaba como Casa Sagrada, como local seguro para os humanos. Também estabeleceu o mês sagrado,(403) a oferenda e os animais marcados (404), para que saibais que Deus conhece tudo quanto há nos céus e na terra, e que é Onisciente (405). Sabei que Deus é severíssimo no castigo, assim como também é Indulgente, Misericordiosíssimo. Ao Mensageiro só cabe a proclamação (da mensagem). Deus conhece o que manifestais e o que ocultais. Dize: O mal e o bem jamais poderão equiparar-se, ainda que vos encante a abundância do mal (406). Ó sensatos, temei a Deus, quiçá assim prosperais. Ó fiéis, não interrogueis acerca de coisas que, se vos fossem reveladas, atribular-vos-iam. Mas se perguntardes por elas, quando o Alcorão tiver sido revelado, ser-vos-ão explicadas. Deus perdoa a vossa sofreguidão, porque é Tolerante, Indulgentíssimo. Povos anteriores a vós fizeram as mesmas perguntas. Por isso, tornaram-se incrédulos. Deus nada prescreveu, com referência às superstições (407), tais como a "bahira", ou a "sa’iba", ou a "wacila", ou a "hami"; porém, os blasfemos forjam mentiras acerca de Deus, porque a sua totalidade é insensata. E quando lhes foi dito: Vinde para o que Deus revelou, e para o Mensageiro!, disseram: Basta-nos (408) o que seguiam os nossos pais! Como? Mesmo que seus pais nada compreendessem nem se guiassem? Ó fiéis, resguardai as vossas almas, porque se vos conduzirdes bem, jamais poderão prejudicar-vos aqueles que se desviam; todos vós retornareis a Deus, o Qual vos inteirará de tudo quanto houverdes feito (409). Ó fiéis, quando a morte se aproximar de algum de vós e este se dispuser a fazer um testamento, que apele para o testemunho de dois homens justos, dentre vós, ou de dois estranhos, se se achar viajando pela terra quando isto acontecer. Deverá detê-los, depois da oração, e fazê-los prestar juramento por Deus, deste modo: A nenhum preço venderemos o nosso testemunho, ainda que o interessado seja um dos nossos parentes, nem ocultaremos o testemunho de Deus, porque, se assim fizermos, contar-nos-emos entre os pecadores. Se descobrirdes que aso (colocar asas) perjuros, que sejam substituídos por outros dois parentes mais próximos das pessoas em questão, (410) e ambos jurarão por Deus deste modo: Nosso testemunho é mais verdadeiro do que o dos outros e não perjuramos, porque se assim fizermos, contar-nos-emos entre os iníquos. Este proceder é o mais adequado, para que as testemunhas declarem a verdade. Devem temer que se apresentem outras testemunhas depois delas. Temei, pois, a Deus e escutai, porque Ele não ilumina os depravados. Um dia, Deus convocará os mensageiros e lhes dirá: Que vos tem sido respondido (com respeito à exortação)? Dirão: Nada sabemos, porque só Tu és Conhecedor do incognoscível (411). Então, Deus dirá: Ó Jesus, filho de Maria, recordar-te de Minhas Mercês para contigo e para com tua mãe; de quando te fortaleci com o Espírito da Santidade; de quando falavas aos homens, tanto na infância, como na maturidade; de quando te ensinei o Livro, a sabedoria, a Tora e o Evangelho; de quando, com o Meu beneplácito, plasmaste de barro algo semelhante a um pássaro e, alentando-o, eis que se transformou, com o Meu beneplácito, em um pássaro vivente; de quando, com o Meu beneplácito, curaste o cego de nascença e o leproso; de quando, com o Meu beneplácito, ressuscitaste os mortos; de quando contive os israelitas, (412) pois quando lhes apresentaste as evidências, os incrédulos, dentre eles, disseram: Isto não é mais do que pura magia! E de que, quando inspirei os discípulos, (dizendo-lhes): Crede em Mim e no Meu Mensageiro! Disseram: Cremos! Testemunha que somos muçulmanos. E de quando os discípulos disseram: Ó Jesus, filho de Maria, poderá o teu Senhor fazer-nos descer do céu uma mesa servida? Disseste: Temei a Deus, se sois fiéis (413)! Tornaram a dizer: Desejamos desfrutar dela, para que os nossos corações sosseguem e para que saibamos que nos tens dito a verdade, e para que sejamos testemunhas disso. Jesus, filho de Maria, disse: Ó Deus, Senhor nosso, envia-nos do céu uma mesa servida (414)! Que seja um banquete para o primeiro e último de nós, constituindo-se num sinal Teu; agracia-nos (415), porque Tu és o melhor dos agraciadores. E disse Deus: Fá-la-ei descer; porém, quem de vós, depois disso, continuar descrendo, saiba que o castigarei tão severamente como jamais castiguei ninguém da humanidade. E recordar-te de quando Deus disse: Ó Jesus, filho de Maria! Foste tu quem disseste aos homens: Tomai a mim e a minha mãe por duas divindades, em vez de Deus? Respondeu: Glorificado sejas! É inconcebível que eu tenha dito o que por direito não me corresponde. Se tivesse dito, tê-lo-ias sabido, porque Tu conheces a natureza da minha mente, ao passo que ignoro o que encerra a Tua. Somente Tu és Conhecedor do incognoscível. Não lhes disse, senão o que me ordenaste: Adorai a Deus, meu Senhor e vosso! E enquanto permaneci entre eles, fui testemunha contra eles; e quando quiseste encerrar os meus dias na terra, foste Tu o seu Único observador, porque és Testemunha de tudo (416). Se Tu os castigas é porque são Teus servos; e se os perdoas, é porque Tu és o Poderoso, o Prudentíssimo. Deus dirá: Este é o dia em que a lealdade dos verazes ser-lhes-á profícua. Terão jardins, abaixo dos quais correm rios, onde morarão eternamente. Deus se comprazerá com eles e eles se comprazerão Nele. Tal será o magnífico (417) benefício! A Deus pertence o reino dos céus e da terra, bem como tudo quando encerra, porque é Onipotente. Aláh seja louvado e abençoado seu Profeta Muhammad. http://www.ibeipr.com.br.  Abraço. Davi.

segunda-feira, 8 de maio de 2023

PREFÁCIO

 

Livro Budismo Moderno – O Caminho de Compaixão e Sabedoria. PREFÁCIO. Por Geshe Kelsang Gyatso. Budismo é a prática dos ensinamentos de Buda, também denominados “Dharma”, palavra que significa “proteção”. Praticando os ensinamentos de Buda, os seres vivos ficam permanentemente protegidos do sofrimento. O fundador do Budismo é Buda Shakyamuni, que, em 589 a.C., em Bodh Gaya, na Índia, mostrou como alcançar a meta suprema dos seres vivos, a conquista da iluminação. Por solicitação dos deuses Brahma e Indra, Buda começou, então, a expor seus profundos ensinamentos, ou seja, “girou a Roda do Dharma”. Buda deu 84 mil ensinamentos, e, a partir desses preciosos ensinamentos, o Budismo se desenvolveu neste mundo. Podemos ver, atualmente, muitos tipos diferentes de Budismo, como o Budismo Zen e o Theravada. Esses diferentes aspectos são, todos eles, práticas dos ensinamentos de Buda, e todos são igualmente preciosos: eles são apenas apresentações diferentes. Neste livro, explicarei o Budismo de acordo com a Tradição Kadampa, que eu tenho estudado e praticado. Esta explicação não é dada com o objetivo de um entendimento intelectual, mas para que se obtenham profundas realizações através das quais possamos solucionar os nossos problemas diários das delusões e realizar o verdadeiro sentido de nossa vida humana. Há dois estágios na prática dos ensinamentos de Buda: as práticas de Sutra e as de Tantra, ambas explicadas neste livro. Embora as instruções aqui apresentadas venham de Buda Shakyamuni e de mestres budistas como Atisha, Je Tsongkhapa e de nossos professores atuais, este livro é intitulado Budismo Moderno porque sua apresentação do Dharma foi concebida especialmente para as pessoas do mundo moderno. A minha intenção ao escrever este livro é dar ao leitor um forte encorajamento para que desenvolva e mantenha compaixão e sabedoria. Se cada um praticar sinceramente o caminho da compaixão e da sabedoria, todos os seus problemas serão solucionados e nunca mais voltarão a surgir. Isto, eu posso garantir. Precisamos praticar os ensinamentos de Buda porque não existe nenhum outro método verdadeiro para solucionar os problemas humanos. A tecnologia moderna, por exemplo, não pode ser considerada um método autêntico para solucionar os problemas humanos pelo fato de ela, frequentemente, ocasionar ainda mais sofrimentos e perigos. Embora queiramos ser felizes o tempo todo, não sabemos como conseguir isso e estamos sempre destruindo a nossa própria felicidade gerando raiva, visões negativas e intenções negativas. Até em nossos sonhos, estamos sempre tentando fugir dos problemas, mas não sabemos como nos libertar do sofrimento e dos problemas. Como não compreendemos a verdadeira natureza das coisas, estamos sempre criando o nosso próprio sofrimento e problemas ao executar ações inadequadas ou não virtuosas. A fonte de todos os nossos problemas e sofrimentos do dia a dia é o nosso desejo descontrolado, também conhecido como “apego”. Desde tempos sem início, porque temos tido desejos descontrolados, visando a satisfação dos nossos próprios desejos, executamos diversos tipos de ações não virtuosas – ações que prejudicam os outros. Como resultado, experienciamos continuamente diversos tipos de sofrimento e condições de infelicidade vida após vida, sem-fim. Quando nossos desejos não são satisfeitos, normalmente experienciamos sensações desagradáveis, como infelicidade ou depressão: as sensações desagradáveis são o nosso problema, isto é, o problema que verdadeiramente nos pertence – a razão disso é que somos muito apegados à satisfação dos nossos desejos. Quando perdemos um amigo próximo, experienciamos dor e infelicidade, mas isso somente acontece porque não temos habilidade de controlar nosso desejo. Quando perdemos nossas posses e as coisas de que gostamos, experienciamos infelicidade e ficamos perturbados e com raiva. Isso acontece porque nossos desejos pelas coisas são descontrolados. Se fôssemos capazes de controlar nosso desejo, não haveria base para experienciarmos esses problemas. Muitas pessoas envolvem-se em lutas, ações criminosas e até mesmo em guerras: todas essas ações surgem de seu desejo descontrolado em satisfazer seus próprios desejos. Assim, podemos ver que não há um único problema experienciado pelos seres vivos que não venha de seus desejos descontrolados. Isto prova que, a menos que controlemos nosso desejo, os nossos problemas nunca irão cessar. Portanto, qualquer pessoa – budista ou não budista – que não deseje experienciar problemas e sofrimentos deverão aprender a controlar seu desejo por meio do treino nas meditações específicas que são apresentadas nos ensinamentos de Buda. Precisamos entender que os nossos problemas não existem fora de nós, mas fazem parte da nossa mente, que está experienciando sensações desagradáveis. Por exemplo, quando nosso computador tem um problema, costumamos dizer “eu tenho um problema”, mas na realidade o problema é do computador e não nosso. O problema do computador é um problema exterior, e o problema que verdadeiramente nos pertence – ou seja, a nossa própria sensação desagradável – é um problema interior. Esses dois problemas são totalmente diferentes. Precisamos solucionar o problema do computador consertando-o, e precisamos solucionar o problema que verdadeiramente nos pertence por meio de controlarmos o nosso desejo de que o problema do computador seja solucionado. Mesmo se conseguirmos solucionar o problema do computador, se formos incapazes de controlar nosso desejo pelo computador, continuaremos a experienciar novos problemas relacionados com o computador. O mesmo acontece com a nossa casa, o nosso dinheiro, os nossos relacionamentos, e assim por diante. Como a maioria das pessoas acredita equivocadamente que os problemas exteriores são os seus próprios problemas, elas buscam refúgio em objetos errôneos. Como resultado, o seu sofrimento e os seus problemas nunca acabam. Enquanto formos incapazes de controlar as nossas delusões, como o nosso desejo descontrolado, teremos de experienciar sofrimentos e problemas continuamente nesta vida e vida após vida, sem-fim. Como estamos firmemente atados pela corda do desejo descontrolado que temos pelos prazeres do samsara (o ciclo de vida impura), para nós é impossível ficarmos livres de sofrimentos e problemas a não ser que pratiquemos os ensinamentos de Buda – o Dharma. Entendendo isso, devemos desenvolver e manter o forte desejo de abandonar a raiz do sofrimento – o desejo descontrolado. Esse forte desejo de abandonar a raiz do sofrimento é denominado “renúncia”, e surge da nossa sabedoria. Os ensinamentos de Buda são métodos científicos para solucionar permanentemente os problemas de todos os seres vivos. Colocando os seus ensinamentos em prática, seremos capazes de controlar o nosso desejo e, como consequência disso, ficaremos permanentemente livres de todos os nossos sofrimentos e problemas. Podemos então entender, apenas com esta explicação, como os ensinamentos de Buda – o Dharma – são preciosos e importantes para todos. Como foi mencionado acima, uma vez que todos os nossos problemas vêm do desejo descontrolado, e visto que não existe outro método que não os ensinamentos de Buda – o Dharma – para controlar nosso desejo, fica claro que somente o Dharma é o verdadeiro método para solucionar os nossos problemas do dia a dia. Por praticar os ensinamentos de Buda sobre a visão profunda da vacuidade, apresentados no capítulo Treinar a Bodhichitta Última, podemos solucionar permanentemente nossos problemas diários que surgem do apego, da raiva e da ignorância do agarramento ao em si. A raiz do desejo descontrolado e de todo o nosso sofrimento é a ignorância do agarramento ao em-si, a ignorância sobre o modo como as coisas realmente existe. Sem nos apoiarmos nos ensinamentos de Buda, não conseguiremos identificar essa ignorância; e, sem praticar os ensinamentos de Buda sobre a vacuidade, não poderemos abandoná-la. Consequentemente, não teremos a oportunidade de alcançar a libertação do sofrimento e dos problemas. Por meio desta explicação, podemos compreender que todos os seres vivos precisam praticar o Dharma, uma vez que todos – sejam eles humanos ou não-humanos, budistas ou não- -budistas – desejam ser livres do sofrimento e dos problemas. Não existe outro método para conquistar esse objetivo. Livro Budismo Moderno – Prefácio. Abraço. Davi

sábado, 6 de maio de 2023

O MISTÉRIO DO GÓLGOTA

 

Fraternidade Rosa Cruz. www.fraternidaderosacruz.net. "A Bíblia foi dada ao Mundo Ocidental pelos Anjos do Destino, que dão a cada um e a todos exatamente aquilo que necessitam para o seu desenvolvimento.” MAX HEINDEL (1865-1919). LIÇÃO Nº 16. O MISTÉRIO DO GÓLGOTA. Referências: Mateus 27, 28 "E, despindo-o o cobriram com uma capa de escarlate". Marcos 15, 16 "E os soldados o levaram dentro à sala, que é a da audiência e convocaram toda a corte". Lucas 23, 24 "Então Pilatos julgou que devia fazer o que eles pediam". João 19, 19-22. "E Pilatos escreveu também um título e pô-lo em cima da cruz. E nele estava escrito: JESUS NAZARENO, O REI DOS JUDEUS. E muitos dos judeus leram este título. Porque o lugar onde Jesus estava crucificado era próximo da cidade. E estava escrito em hebraico, grego e latim. Diziam, pois, os principais sacerdotes dos judeus a Pilatos: Não escrevas: O Rei dos Judeus, mas que ele disse: Sou o Rei dos Judeus". Respondeu Pilatos: O que escrevi, escrevi". Durante os últimos 2.000 anos, muito tem sido dito sobre “o sangue purificador”. O sangue de Cristo tem sido enaltecido dos púlpitos como o soberano remédio para o pecado: o único meio de redenção e salvação. Mas, se as leis de Renascimento e de Consequência atuam de tal modo que os seres em evolução colhem aquilo que semearam, e se o impulso evolutivo constantemente eleva a humanidade cada vez mais alto até alcançar a perfeição, onde está então a necessidade de redenção e salvação? Mesmo que existisse essa necessidade, como poderia a morte de um indivíduo ajudar os demais? Não seria mais nobre cada um sofrer as conseqüências dos próprios atos do que esconder-se por trás de um outro? Estas são algumas das objeções à doutrina da expiação e redenção vicárias pelo sangue de Cristo Jesus. Vamos tentar respondê-las antes de demonstrar a harmonia lógica entre a operação da Lei de Consequência e a Expiação de Cristo. Em primeiro lugar, é absolutamente verdadeiro que o impulso evolutivo atua até todos alcançarem a máxima perfeição, mesmo que existam alguns que constantemente se atrasem. No momento presente, acabamos de passar pelo ponto máximo da materialidade e avançamos através das dezesseis raças. Estamos trilhando “os dezesseis caminhos da destruição” e, consequentemente, corremos um perigo maior de cair e ficar para trás como em nenhum outro ponto da jornada evolutiva. No abstrato, o tempo não existe. Um certo número de seres deve se atrasar tanto que deverá ser abandonado, para retornar seu avanço evolutivo num outro esquema onde possa continuar em sua jornada para a perfeição. No entanto, não foi esse o esquema originalmente planejado para esses atrasados; por isso, é razoável supor-se que as exaltadas Inteligências encarregadas de nossa evolução empreguem todos os meios para salvar tantos daqueles a seu cargo quanto for possível. Na evolução comum, as leis de Renascimento e de Consequência são perfeitamente adequadas para levar à perfeição a maior parte da onda de vida, mas não são suficientes no caso dos atrasados das várias raças. Durante a etapa do individualismo, que é o ponto culminante da ilusão e da separatividade, todo o gênero humano precisa de ajuda extra, mas aos atrasados é necessário acrescentar um auxílio especial. Dar esse auxílio especial para redimir os atrasados foi a missão de Cristo. Ele disse que veio para buscar e salvar aqueles que se haviam perdido. E abriu o caminho da Iniciação a todos os que quisessem buscá-lo. Mas nem todos estão precisando de salvação. Cristo sabia que um número muito grande de Egos não precisa de salvação especial, mas, tão certo quanto 99% são conduzidos pelas leis de Renascimento e de Consequência para atingirem a perfeição através delas, assim também há “pecadores” tão “afundados “ na matéria que daí não podem escapar sem o auxílio de uma corda. Cristo veio para salvá-los e trazer a paz e a boa-vontade a todos, elevando-os ao necessário ponto de espiritualidade, e causando uma mudança nos seus corpos de desejos que tornará mais potente a influência do Espírito de Vida nos seus corações. Os irmãos mais novos de Cristo, os Espíritos Solares - os Arcanjos - haviam atuado como espíritos de Raça no corpo de desejos do homem, mas a atuação deles tinha sido de fora. Era simplesmente um reflexo da força espiritual do Sol vinda através da Lua - assim como o luar é luz solar refletida. Cristo, o mais elevado Iniciado dos Espíritos do Sol, entrou diretamente no corpo denso da Terra, trazendo a força direta do Sol, o que o capacitou a influenciar de dentro os nossos corpos de desejos. Assim também acontece com os impulsos espirituais que ajudam o homem a evoluir. A Terra foi expelida do Sol porque a nossa humanidade não podia suportar seus tremendos impulsos físicos e espirituais. Mesmo depois de uma enorme distância ter sido colocada entre a Terra e o Sol, o impulso espiritual ainda seria demasiado forte se não fosse enviado primeiramente à Lua, para ser usado por Jeová (Regente da Lua) em benefício do Homem. Um certo número de Arcanjos veio ajudar Jeová a refletir esses impulsos espirituais do Sol sobre a humanidade terrestre, na forma de Jeovistas Religiões de Raça. O veículo mais inferior dos Arcanjos é o corpo de desejos. Nosso corpo de desejos foi-nos acrescentado no Período Lunar, no qual Jeová era o mais Alto Iniciado. Por conseguinte, Jeová é capaz de lidar com o corpo de desejos do Homem. O veículo mais inferior de Jeová é o Espírito Humano, cuja contraparte é o corpo de desejos. Por isso, eles são habilitados a trabalhar com a humanidade, preparando-a para a época em que ela poderá receber os impulsos espirituais diretamente da Esfera Solar sem a intermediação da Lua. Sobre Cristo, o mais Alto Iniciado do Período Solar, recai a tarefa de enviar esse impulso. O impulso que Jeová refletia era enviado por Cristo, que assim preparava a Terra e a humanidade para o Seu ingresso direto. A expressão “preparou a Terra” significa que toda evolução num planeta é acompanhada pela evolução do próprio planeta. Se algum observador, dotado de visão espiritual e situado em uma estrela distante, tivesse acompanhado a evolução de nossa Terra, teria notado uma mudança gradual no seu corpo de desejos. Sob a velha dispensação, os corpos de desejos das pessoas geralmente eram melhorados mediante a Lei. Este trabalho ainda continua na maioria dos humanos, que se preparam assim para a vida superior. A Vida Superior (Iniciação), contudo, não começa antes de iniciar-se o trabalho no corpo vital. O meio utilizado para acionar-se esse trabalho é o Amor, ou melhor, o Altruísmo. Tem-se abusado tanto da palavra amor, que ela já não transmite o sentido que este assunto requer. Durante a velha dispensação, o caminho iniciático não era livre nem aberto, a não ser para una poucos eleitos. Os Hierofantes dos Mistérios congregavam certas famílias perto do Templo, mantendo-as separadas de todas as outras pessoas. Essas famílias selecionadas eram então rigorosamente vigiadas no que concerne a certos ritos e cerimônias. Seus matrimônios e relações sexuais eram regulados pelos Hierofantes. O efeito disto foi a produção de uma raça com o grau apropriado de afrouxamento entre os corpos denso e vital, e o de despertar o corpo de desejos do seu estado de letargia durante o sono. Desta maneira, uns poucos especiais adequavam-se à Iniciação, sendo-lhes dadas oportunidades que não podiam ser concedidas a todos. A Missão de Cristo, além de salvar os perdidos, era tornar a Iniciação possível a todos; por conseguinte, Jesus veio da gente simples e, embora não pertencesse à classe dos mestres, Seus Ensinamentos foram superiores aos de Moisés. Cristo Jesus não negou Moisés, nem a Lei, nem os profetas. Pelo contrário, reconheceu a todos, demonstrando que eles testemunhavam a Seu respeito quando diziam que Ele era aquele que havia de vir. Dizia ainda ao povo que aquelas coisas já haviam servido ao seu propósito, e que, dali em diante, o Amor devia substituir a Lei. Cristo Jesus foi morto. Relativamente a este fato, chegamos à suprema e fundamental diferença entre Ele e os mestres anteriores, através dos quais os Espíritos de Raça atuavam. Todos eles morreram, devendo renascer repetidas vezes para ajudar seus povos a cumprir seus destinos. O Arcanjo Miguel arrebatou Moisés, que foi levado ao Monte Nebo para morrer. Moisés renasceu como Elias. Elias renasceu como João Batista. Buda morreu e renasceu como Shankaracharya. Shri Krishna disse: “Onde quer que haja decadência do Dharma e exaltação do Adharma, eu próprio venho para proteger os bons e destruir os maus, a fim de estabelecer firmemente o Dharma. Eu nasço de tempos em tempos”. Quando a morte chegou, o rosto de Moisés resplandeceu e o corpo de Buda iluminou-se. Todos eles haviam alcançado o estado em que o Espírito começa a brilhar de dentro, mas então morreram. Cristo Jesus alcançou este estado no Monte da Transfiguração. É muitíssimo significativo que Sua obra real teve lugar logo depois desse acontecimento. Ele sofreu, foi morto e ressuscitou. Ser morto é muito diferente de morrer. O sangue que havia sido veículo do Espírito de Raça devia derramar-se e ser purificado daquela influência contaminadora. O amor ao pai e à mãe com exclusão de todos os outros pais e mães devia passar, pois, de outro modo, a Fraternidade Universal e o multi abrangente Amor altruísta nunca poderiam tornar-se uma realidade. Quando o Salvador Cristo Jesus foi crucificado, seu corpo foi trespassado em cinco pontos, nos cinco centros pelos quais fluem as correntes do corpo vital, e também a pressão da coroa de espinhos produziu um fluxo no sexto centro. Quando o sangue se derramou desses centros, o grande Espírito Solar de Cristo libertou-se do veículo físico de Jesus e se encontrou dentro da Terra, sem veículos individuais. Os já existentes veículos planetários foram interpenetrados pelos Seus próprios veículos, e, num piscar de olhos, Ele difundiu Seu próprio corpo de desejos no planeta, o que lhe possibilitou dali, por diante, trabalhar sobre a Terra e sua humanidade de dentro. Naquele momento, uma tremenda onda de Luz Espiritual Solar inundou a Terra. E, então, rasgou-se o véu que o Espírito de Raça havia anteposto à entrada do Templo, para manter do lado de fora todo aquele que não fosse um dos poucos escolhidos, e isso deixou aberto o caminho da Iniciação a todos os que, dali por diante, quisessem nele entrar. No que concerne aos Mundos Espirituais, essa onda transformou as condições da Terra num relâmpago, mas as condições densas, concretas, são afetadas de modo muito mais lento. Como toda vibração elevada e intensa luz, essa grande onda cegou o povo no seu deslumbrante e ofuscante brilho pelo que se disse que “o Sol escureceu”. O que aconteceu foi exatamente o contrário: o Sol não escureceu, mas brilhou com glorioso esplendor. Foi o excesso de luz que cegou a humanidade, e só quando a Terra inteira absorveu o corpo de desejos do brilhante Espírito Solar pôde a vibração baixar a um nível normal. A expressão “o sangue purificador de Cristo Jesus” significa que, quando o sangue verteu no Calvário, levava consigo o grande Espírito Solar de Cristo, o qual, por esse meio, garantia Sua admissão na própria Terra, sendo o Regente desta desde aquele momento. Ele difundiu Seu próprio corpo de desejos por todo o planeta, purificando-o deste modo de todas as más influências desenvolvidas sob o regime dos Espíritos de Raça. Sob a Lei, todos pecavam e, mais ainda, não podiam ser ajudados. Eles ainda não haviam evoluído até o ponto de poderem praticar o bem por Amor. A natureza de desejos era tão forte que lhes era impossível dominá-la, pelo que suas dívidas, geradas sob a Lei de Consequência, acumulavam-se em proporções monstruosas. A evolução ter-se-ia atrasado terrivelmente, e muitos ficariam perdidos para nossa onda de vida se não fossem ajudados. Portanto, Cristo veio para “buscar e salvar aquele que estava perdido”. Ele tirou os pecados do mundo com o Seu sangue purificador, que lhe permitiu entrar na Terra e na humanidade. Ele purificou as condições da Terra, de modo que lhe devemos a possibilidade de atrair para os nossos corpos de desejos matéria de desejos mais refinada que antes. Cristo continua nos ajudando, trabalhando para que nosso ambiente externo fique cada vez mais puro. Que isto foi e esteja sendo feito à custa de um grande sofrimento para Ele próprio, não se pode duvidar, bastando ao menos conceber as limitações suportadas por esse Grande Espírito ao entrar nas restritivas condições da existência física, mesmo no melhor e mais puro veículo possível. Nem a Sua atual limitação como Regente da Terra é menos dolorosa. Ele é também Regente do Sol, e, portanto, está confinado à Terra só parcialmente; mesmo assim, as limitações estabelecidas pelas restritas ou baixas vibrações do nosso planeta denso devem ser para Ele quase insuportáveis. Se Cristo Jesus tivesse simplesmente morrido, teria sido impossível para Ele executar esta obra. Mas os Cristãos têm um Salvador ressuscitado. Um que está sempre presente para ajudar aqueles que invoquem o Seu nome. Tendo sofrido como nós em todas as coisas e conhecido plenamente as nossas necessidades, Ele é indulgente para com nossos erros e fracassos enquanto continuemos tentando viver para o Bem. Devemos ter sempre em mente o fato de que “o único e verdadeiro fracasso é parar de tentar”. Após a morte do corpo denso de Cristo Jesus, o átomo-semente desse corpo foi devolvido ao seu primeiro dono, Jesus de Nazaré, que, ainda por algum tempo funcionando em corpo vital que havia obtido temporariamente, ensinou o ponto central da nova fé que Cristo havia deixado aqui. Jesus de Nazaré encarregou-se, desde então, de guiar as sociedades esotéricas que se espalhavam por toda a Europa. Em muitos lugares, os Cavaleiros da Távola Redonda eram alto iniciados nos Mistérios da Nova Dispensação. A mesma coisa eram os Cavaleiros do Graal, a quem finalmente foi confiado o cálice do Graal 3 por José de Arimatéia, cálice esse que havia sido usado por Cristo Jesus na Última Ceia. Depois, foi-lhes confiada também a lança que trespassou-Lhe o flanco e o receptáculo que recebeu o sangue dos ferimentos. Os Druidas da Irlanda e os Trottes do norte da Rússia foram escolas esotéricas através das quais o Mestre Jesus trabalhou durante a assim chamada “Idade das Trevas”, porém, mesmo sendo tenebrosa como era, o impulso espiritual espalhava-se de maneira que, sob o ponto de vista da ciência oculta, ela foi uma “Idade Brilhante” comparada ao crescente materialismo dos últimos trezentos anos, nos quais o conhecimento científico aumentou imensamente, mas quase desapareceu a Luz do Espírito.

 

Estude cuidadosamente esta lição e depois responda, de forma clara e concisa, às perguntas formuladas a seguir. Mande-nos suas respostas, não se esquecendo nunca de mencionar seu nome e endereço completos. Elas serão examinadas e devolvidas com a lição seguinte. 1 - O que significam os dezesseis caminhos da destruição? 2 - Para a “salvação” de quem Cristo veio especialmente? 3 - Explique como a vinda de Cristo tornou a Iniciação, ou a vida superior, possível para todos. 4 - Qual a razão para a crucificação de Cristo Jesus? 5 - Explique o que verdadeiramente teve lugar na crucificação. 6 - Qual tem sido o trabalho de Jesus desde a crucificação. 7 - Qual o grande perigo para a humanidade nos últimos trezentos anos? www.fraternidaderosacruz.net. Abraço. Davi

 

quinta-feira, 4 de maio de 2023

I. A MESA SERVIDA

 

Islamismo. Alcorão Sagrado. Almaida (A Mesa Servida). Revelada ao Profeta Muhammad em Medina, Arábia Saudita; 120 versículos, com exceção do versículo 3, que foi revelado em Arafat, durante a Peregrinação de Despedida. 5ª Surata.  Ó fiéis, cumpri com as vossas obrigações (325). Foi-vos permitido alimentar-vos de reses, exceto o que vos é anunciado agora; está-vos vedada a caça, sempre que estiverdes consagrados à peregrinação. Sabei que Deus ordena o que Lhe apraz. Ó fiéis, não profaneis os relicários de Deus (326), o mês sagrado (327), as oferendas, os animais marcados, nem provoqueis aqueles que se encaminham à Casa Sagrada (328), à procura da graça e da complacência do seu Senhor. E quando estiverdes deixados os recintos sagrados (329), caçai, então, se quiserdes. Que o ressentimento contra aqueles que trataram de impedir-vos de irdes à Mesquita Sagrada não vos impulsione a provocá-los (330), outrossim, auxiliai-vos na virtude e na piedade. Não vos auxilieis mutuamente no pecado e na hostilidade, mas temei a Deus, porque Deus é severíssimo no castigo. Estão-vos vedados: a carniça, o sangue, a carne de suíno e tudo o que tenha sido sacrificado com a invocação de outro nome que não seja o de Deus (331); os animais estrangulados, os vitimados a golpes, os mortos por causa de uma queda, ou chifrados, os abatidos por feras, salvo se conseguirdes sacrificá-los ritualmente (332); o (animal) que tenha sido sacrificado nos altares (333). Também vos está vedado (334) fazer adivinhações com setas, porque isso é uma profanação. Hoje, os incrédulos desesperam por fazer-vos renunciar à vossa religião. Não os temais, pois, e temei a Mim! Hoje, completei a religião para vós (335); tenho-vos agraciado generosamente sem intenção de pecar, se vir compelido a (alimentar-se do vedado), saiba que Deus é Indulgente, Misericordiosíssimo. Consultar-te-ão sobre o que lhes foi permitido (336); dize-lhes: Foram-vos permitidas todas as coisas sadias, bem como tudo o que as aves de rapina, os cães por vós adestrados, conforme Deus ensinou, caçarem para vós. Comei do que eles tivessem apanhado para vós (337) e sobre isso invocai Deus, e temei-O, porque Deus é destro em ajustar contas. Hoje, estão-vos permitidas todas as coisas sadias, assim como vos é lícito o alimento dos que receberam o Livro (338), da mesma forma que o vosso é lícito para eles. Está-vos permitido casardes com as castas, dentre as fiéis, e com as castas, dentre aquelas que receberam o Livro (339) antes de vós, contanto que as doteis e passeis a viver com elas licitamente, não desatinadamente, nem as envolvendo em intrigas secretas. Quanto àqueles que renegar a fé (340), sua obra tornar-se-á sem efeito e ele se contará, no outro mundo, entre os desventurados. Ó fiéis, sempre que vos dispuserdes a observar a oração, lavai (341) o rosto, as mãos e os antebraços até aos cotovelos; esfregai a cabeça, com as mãos molhadas e lavai os pés, até os tornozelos. E, quando estiverdes polutos (342), higienizai-vos; porém, se estiverdes enfermos ou em viagem, ou se vierdes de lugar escuso ou tiverdes tocado as mulheres, sem encontrardes água, servi-los do tayamum com terra limpa, e esfregai com ela os vossos rostos e mãos (343). Deus não deseja impor-vos carga alguma; porém, se quer purificar-vos e agraciar-vos, é para que Lhe agradeçais. E recordai-vos das mercês de Deus para convosco e da promessa (344) que recebeu de vós, quando dissestes: Escutamos e obedecemos! Temei, pois, a Deus, porque Ele bem conhece as intimidades dos corações. Ó fiéis, sede perseverantes na causa de Deus e prestai testemunho (345), a bem da justiça; que o ódio aos demais não vos impulsione a serdes injustos para com eles. Sede justos, porque isso está mais próximo da piedade, e temei a Deus, porque Ele está bem inteirado de tudo quanto fazeis. Deus prometeu aos fiéis que praticam o bem uma indulgência e uma magnífica recompensa. Porém, os incrédulos, que desmentem os nossos versículos, serão os companheiros do fogo. Ó fiéis, recordai-vos das mercês de Deus para convosco, pois quando um povo intentou agredir-vos, Ele o conteve (346). Temei a Deus, porquanto a Deus se encomendam os fiéis. Deus cumpriu uma antiga promessa feita aos israelitas (347), e designou-lhes doze chefes, dentre eles, dizendo: Estarei convosco se observardes a oração, pagardes o zakat, credes nos Meus mensageiros, socorrerde-los e emprestardes espontaneamente a Deus; absolverei as vossas faltas e vos introduzirei em jardins, abaixo dos quais correm os rios. Mas quem de vós pecar, depois disto, desviar-se-á da verdadeira senda. Porém, pela violação de sua promessa (348), amaldiçoamo-los e endurecemos os seus corações. Eles deturparam as palavras (do Livro) e se esqueceram de grande parte que lhes foi revelado; não cessas de descobrir a perfídia de todos eles, salvo de uma pequena parte; porém, indulta-os e perdoa-lhes os erros, porque Deus aprecia os benfeitores. E também aceitamos a promessa daqueles que disseram: Somos cristãos! Porém, esqueceram-se de grande parte do que lhes foi recomendado, pelo que disseminamos a inimizade e o ódio entre eles, até ao Dia da Ressurreição. Deus os inteirará, então, do que cometeram. Ó adeptos do Livro, foi-vos apresentado o Nosso Mensageiro para mostrar-vos muito do que ocultáveis do Livro e perdoar-vos em muito. Já vos chegou de Deus uma Luz e um Livro lúcido (349). Pelo qual Deus conduzirá aos caminhos da salvação aqueles que procurarem a Sua complacência e, por Sua vontade, tirá-los-á das trevas e os levará para a luz, encaminhando-os para a senda reta. São blasfemos aqueles que dizem: Deus é o Messias, filho de Maria. Dize-lhes: Quem possuiria o mínimo poder para impedir que Deus, assim querendo, aniquilasse o Messias, filho de Maria, sua mãe e todos os que estão na terra? Só a Deus pertence o reino dos céus e da terra, e tudo quanto há entre ambos. Ele cria (350) o que lhe apraz, porque é Onipotente. Os judeus e os cristãos dizem: Somos os filhos de Deus (351) e os Seus prediletos. Dize-lhes: Por que, então, Ele vos castiga por vossos pecados? Qual! Sois tão-somente seres humanos como os outros! Ele perdoa a quem Lhe apraz e castiga quem quer. Só a Deus pertence (352) o reino dos céus e da terra e tudo quanto há entre ambos, e para Ele será o retorno. Ó adeptos do Livro, foi-vos apresentado o Nosso Mensageiro, para preencher a lacuna (na série) dos mensageiros (353),a fim de que não digais. Não nos chegou alvissareiro nem admoestador algum! Sim, já vos chegou um alvissareiro e admoestador, porque Deus é Onipotente. Recorda-lhes de quando Moisés disse ao seu povo: Ó povo meu, lembrai-vos das misericórdias de Deus para convosco, quando fez surgir, dentre vós (354), profetas, e vos fez reis e vos concedeu o que não havia concedido a nenhum dos vossos contemporâneos (355). Ó povo meu, entrai (356) na terra Sagrada que Deus vos assinalou, e não retrocedais, porque se retrocederdes, sereis desventurados. Disseram-lhe: Ó Moisés, dominam-na homens poderosos (357) e nela não poderemos entrar, a menos que a abandonem. Se a abandonarem, então entraremos. E dois tementes, aos quais Deus havia agraciado (358), disseram: Entrai, de assalto, pelo pórtico; porque quando logrardes transpô-lo, sereis, sem dúvida, vencedores; encomendai-vos a Deus, se sois fiéis. Disseram-lhe: Ó Moisés, jamais nela (cidade) entraremos, enquanto lá permanecerem. Vai tu, com o teu Senhor, e combatei-os, enquanto nós permaneceremos aqui sentados (359). (Moisés) disse: Ó Senhor meu, somente posso ter controle sobre mim e sobre o meu irmão (360). Separa-nos, pois, dos depravados. Então (Deus) lhe disse: Está-lhes proibida a entrada (na terra Sagrada). Durante quarenta anos (361) andarão errantes, pela terra. Não te mortifiques pela gente depravada. E conta-lhes (ó Mensageiro) a história (362) dos dois filhos de Adão (363), quando apresentaram duas oferendas; foi aceita a de um e recusada a do outro. Disse aqueles cuja oferenda foi recusada: Juro que te matarei. Disse-lhe (o outro): Deus só aceita (a oferenda) dos justos. Ainda que levantasses a mão para assassinar-me, jamais levantaria a minha para matar-te, porque temo a Deus, Senhor do Universo. Quero que arques com a minha e com a tua culpa (364), para que sejas um dos condenados ao inferno, que é o castigo dos iníquos.(365) E o egoísmo (do outro) induziu-o a assassinar o irmão; assassinou-o e contou-se entre os desventurados. E Deus enviou um corvo, que se pôs a escavar a terra para ensinar-lhe a ocultar o cadáver (366) do irmão. Disse: Ai de mim! Não é verdade que não fui capaz de ocultar o cadáver do meu irmão, se até este corvo é capaz de fazê-lo? Contou-se, depois, entre os arrependidos. Por isso, prescrevemos aos israelitas que quem matar uma pessoa, sem que esta tenha cometido homicídio ou semeado a corrupção na terra, será considerado como se tivesse assassinado toda a humanidade(367). Apesar dos Nossos mensageiros lhes apresentarem as evidências, a maioria deles comete transgressões na terra. O castigo, para aqueles que lutam contra Deus e contra o Seu Mensageiro e semeiam a corrupção na terra (368), é que sejam mortos, ou crucificados, ou lhes seja decepada a mão e o pé opostos (369), ou banidos. Tal será, para eles, um aviltamento nesse mundo e, no outro, sofrerão um severo castigo. Exceto aqueles que se arrependem, antes de caírem em vosso poder; sabei que Deus é Indulgente, Misericordiosíssimo. Ó fiéis, temei a Deus, tratai de acercar-vos d’Ele e lutai pela Sua causa, quiçá assim prosperareis. Ainda que os incrédulos possuíssem tudo quanto existisse na terra e outro tanto de igual valor, e o oferecessem para redimir-se do suplício do Dia da Ressurreição, não lhes seria aceito; sofrerão, isso sim, um severo castigo. Quererão sair do fogo; porém, nunca dele sairão, pois sofrerão um suplício eterno. Quanto ao ladrão (370) e à ladra, cortai-lhe a mão, como castigo de tudo quanto tenham cometido; é um exemplo, que emana de Deus, porque Deus é Poderoso, Prudentíssimo. Aquele que, depois da sua iniquidade, se arrepender e se emendar, saiba que Deus o absolverá, porque é Indulgente, Misericordiosíssimo. Ignoras, acaso, que a Deus pertence a soberania dos céus e da terra? Ele castiga a quem deseja e perdoa a quem lhe apraz, porque é Onipotente. Ó mensageiro, que não te atribulem aqueles que se digladiam na prática da incredulidade, aqueles que dizem com suas bocas: Cremos!, conquanto seus corações ainda não tenham abraçado a fé. Entre os judeus, há os que escutarão a mentira e escutarão mesmos outros (371), que não tenham vindo a ti. Deturpam as palavras, de acordo com a conveniência (372), e dizem (a seus seguidores): Se vos julgarem, segundo isto (as palavras deturpadas), aceitai-o; se não vos julgarem quanto a isso, precavei-vos! Porém, a quem Deus quiser pôr à prova, nada poderás fazer para livrá-lo de Deus. São aqueles cujos corações Deus não purificará, os quais terão um aviltamento neste mundo, e no outro sofrerão um severo castigo. São os que escutam a mentira, ávidos em devorar o que é ilícito (373). Se se apresentarem a ti, julga-os ou aparta-te deles, porque se te separares deles em nada poderão prejudicar-te; porém, se os julgares, faze-o equitativamente, porque Deus aprecia os justiceiros. Por que recorrem a ti (374) por juiz, quando têm a Tora que encerra o Juízo de Deus? E mesmo depois disso, eles logo viram as costas. Estes em nada são fiéis. Revelamos a Tora, que encerra Orientação e Luz, com a qual os profetas, submetidos a Deus, julgam os judeus, bem como os rabinos (375) e os doutos, aos quais estavam recomendadas a observância e a custódia do Livro de Deus. Não temais, pois, os homens, e temei a Mim, e não negocieis as Minhas leis a vil preço (376). Aqueles que ao julgarem, conforme o que Deus tem revelado, serão incrédulos. Nem (a Tora) temo-lhes prescrito (377): vida por vida, olho por olho, nariz por nariz, orelha por orelha, dente por dente e as retaliações tais e quais; mas quem indultar um culpado, isto lhe servirá de expiação (378). Aqueles que não julgarem conforme o que Deus tem revelado serão iníquos. E depois deles (profetas), enviamos Jesus, filho de Maria, corroborando a Tora que o precedeu; e lhe concedemos o Evangelho, que encerra orientação e luz, corroborante do que foi revelado na Tora e exortação para os tementes. Que os adeptos do Evangelho julguem segundo o que Deus nele revelou, porque aqueles que não julgarem conforme o que Deus revelou serão depravados. Em verdade, revelamos-te o Livro corroborante e preservador dos anteriores. Julga-os, pois, conforme o que Deus revelou e não sigas os seus caprichos, desviando-te da verdade que te chegou. A cada um de vós temos ditado uma lei e uma norma; e se Deus quisesse, teria feito de vós uma só nação (379); porém, fez-vos como sois, para testar-vos quanto àquilo que vos concedeu. Emulai-vos, pois, na benevolência, porque todos vós retornareis a Deus, o Qual vos inteirará das vossas divergências (380). Incitamos-te a que julgues entre eles, conforme o que Deus revelou; e não sigas os seus caprichos e guarda-te de quem te desviem de algo concernente ao que Deus te revelou. Se tu refutarem fica sabendo que Deus os castigará por seus pecados, porque muitos homens são depravados. Anseiam, acaso, o juízo do tempo (381) da insipiência? Quem melhor juiz do que Deus, para os persuadidos? Ó fiéis, não tomeis por confidentes os judeus nem os cristãos; que sejam confidentes entre si. Porém, quem dentre vós os tomar por confidentes, certamente será um deles; e Deus não encaminha os iníquos. Verás aqueles que abrigam a morbidez em seus corações apressarem-se em Ter intimidades com eles, dizendo: Tememos que nos açoite uma vicissitude! Oxalá Deus te apresente a vitória ou algum outro desígnio Seu e, então, arrepender-se-ão de tudo quanto haviam maquinado. Os fiéis, então, dirão: São, acaso, aqueles que juravam solenemente por Deus, que estavam conosco? Suas obras tornar-se-ão sem efeito e será desventurado. Ó fiéis, aqueles dentre vós que renegarem a sua religião, saibam que Deus os suplantará por outras pessoas, às quais amará, as quais O amarão, serão compassivas para com os fiéis e severas para com os incrédulos; combaterão pela causa de Deus e não temerão censura de ninguém (382). Tal é a graça de Deus, que a concede a quem Lhe apraz, porque Deus é Munificente, Sapientíssimo. Vossos reais confidentes são: Deus, Seu Mensageiro e os fiéis que observam a oração e pagam o zakat, genuflectindo-se ante Deus. Quanto àqueles que se voltam (em companheirismo) para Deus, Seu Mensageiro e os fiéis, saibam que os partidos de Deus serão os vencedores. Aláh seja louvado e abençoado o seu Profeta Muhammad. http://www.ibeipr.com.br. Abraço. Davi.

terça-feira, 2 de maio de 2023

LIVRO PORTAL DAS ENCARNAÇÕES. Introdução 8 e 9

 

O judaísmo desde seus primórdios aceita com naturalidade a doutrina da reencarnação. Os estudos sobre esse tema envolvem a Toráh, os cinco primeiros livros da lei, e o Talmud, os registros das discussões rabínicas pertencentes a lei, ética, costumes e história do povo judeus. Também nas Yeshivas, academias rabínicas, o tema se aprofunda no esoterismo da Cabala. As comunidades e sinagogas em Israel e as espalhadas pelo mundo incorporaram essa abordagem em sua sociedade e cultura.  Do Livro O PORTAL DAS REENCARNAÇÕES. Introdução 8 e 9. Escrito pelo famoso rabino Issac Luria, o Ari (1534-1572), páginas 73 a 77. Tradução e comentário rabino Joseph Saltoun. Introdução 8. Nesta introdução o Rabi Isaac Luria, o Ari, explica os motivos para a reencarnação. Além dos diferentes motivos que têm a ver com a retificação dos pecados anteriores, cometidos em vidas passadas, uma alma pode reencarnar por motivos ligados à sua alma gêmea. Saiba, que existem diversos motivos para as almas reencarnarem. O primeiro é porque a pessoa pecou, isto é, cometeu uma transgressão da Toráh e então ela deve voltar para retificação. O segundo é para ela cumprir um preceito, uma Mitsvá, que não tinha sido completado antes. Um terceiro motivo é quando a pessoa volta por causa de outras pessoas, para guiá-las e corrigi-las. No primeiro caso, a pessoa pode facilmente pecar novamente, já que originalmente ela já havia cometido uma transgressão. No segundo caso, ela tem menos probabilidade de pecar. No terceiro, certamente ela não peca. Existem ainda outros motivos. As vezes uma pessoa reencarna para encontrar com sua alma gêmea, já que ela não teve méritos para fazer isso na primeira encarnação. As vezes pode ser que a pessoa já encontrou com sua alma gêmea, mas ela pecou e, portanto, deve reencarnar para correção, como explicado anteriormente. Nesse caso, a pessoa volta sozinha, como o Saba de Mishpatim disse no livro Zohar da Cabala: Êxodo 21:3 “Se entrou só como o seu corpo, só com o seu corpo sairá; se ele era homem casado, sua mulher sairá com ele”. As vezes a pessoa tem mérito e mesmo que a mulher não precise reencarnar, ela volta com ele. Esse é o segredo do versículo “se ele era homem casado, sua mulher sairá com ele”. As vezes a pessoa não tem o mérito de receber sua alma gêmea na primeira vez, mas uma mulher lhe é dada de acordo com seus atos. Assim, dentre as almas de todas as mulheres do mundo, não há nenhuma que lhe seja tão próxima quanto a dessa mulher escolhida, mesmo que ela não seja de fato sua alma gêmea. Quando o home peca e reencarna, ele volta com essa mulher, mesmo que ela não precise reencarnar por si mesma, e mesmo que ela não seja sua verdadeira alma gêmea. Mais do que isso, saiba que existem algumas raízes de almas que caíram nas Klipot, elas junto com suas almas gêmeas femininas. Pode ocorrer de o homem conseguir sair das Klipot para este mundo, sendo que sua consorte feminina não consegue sair de lá até o Messias chegar. Elas estão afundadas e sob influência do aspecto feminino da Klipá. Eu esqueci se o nome do aspecto feminino da Klipá é Igrit, filha de Machlat, ou Naamá, mãe dos demônios. Na verdade, todas as almas femininas de todas a raiz de Hur, hebraico Chur, filho de Miriam, não conseguem sair de lá até que o Messias venha. Eu acredito ter ouvido do meu mestre, que Aarão, hebraico Aharon, o sacerdote, não se casou com sua alma gêmea, já que ele era próximo da raiz de alma de Chur, filho de Miriam, sua irmã, como é sabido entre nós.  Introdução 9. Nesta introdução o Ari discorre sobre o seguinte: A obrigação de reencarnar se aplica aos homens e não as mulheres. Mulheres, ou almas femininas, podem reencarnar por livre-arbítrio para ajudar a sua alma gêmea, ou pode ser que nem seja a alma gêmea do homem. No entanto, ela reencarna por sua causa. O Guehinóm, purgatório, não é um castigo. É um lugar de purificação. O estudo da Toráh isenta as almas masculinas de entrar no Guehinóm. Almas masculinas podem reencarnar em corpos femininos e vice-versa. Isso explica o caso de homossexuais masculinos e femininos. Esta introdução tem a ver com uma das quatrocentas perguntas que Doeg e Achitofel fizeram sobre a Torre flutuando no ar. No Talmud, este conceito tornou-se um símbolo de perguntas ligadas a temas provocativos que podem estar fora de contexto ou que não tem uma base factível. Doeg e Achitofel eram gênios em seus estudos bíblicos, mas nem sempre eles usavam sua sabedoria de forma ética, especialmente quando eles tentaram provar que a descendência do rei David tinha sido contaminada por uma semente estranha e impura, referindo-se Rute, a Moabita. Saiba que as reencarnações, na verdade, se aplicam somente aos homens e não às mulheres. Esse é o significado secreto do versículo em Eclesiastes 1:4 “Uma geração vai, e outra geração vem; mas a terra para sempre permanece”. Uma geração vai, e outra geração vem refere-se aos homens, que reencarnam. No entanto, as mulheres são chamadas de Terra, sendo que elas perduram. Isto é, elas não voltam por meio da encarnação. A razão para isso é que os homens cumprem o preceito do estudo da Toráh e, por conta disso, eles não podem entrar no Guehinóm, já que o fogo do Guehinóm não os afeta é dito sobre Elishá, filho de Abuia. Ele não foi julgado no Guehinóm porque tinha aprendido toráh, mas também não lhe deram o Mundo Vindouro, pois ele tinha pecado. Assim, os homens precisam reencarnar para apagar os seus pecados, em vez de ir ao Guehinóm. As mulheres, por outro lado, que não tem obrigação de se envolver com o estudo da Toráh, podem ir ao Guehinóm para apagar seus pecados, e, portanto, não precisam reencarnar. Qual foi o pecado de Elishá ben Abuia? Alguns dizem que ele viu a língua, do corpo, do justo Chtspit sendo arrastada na rua pelos porcos. Ele lamentou e chorou: A boca que proferiu pérolas da Toráh agora lambe o pó da terra. Depois disso, ele rejeitou a observância da Toráh e se tornou um pecador; isso está dito no Tratado de Kidusin. Ele foi um dos rabinos que entrou no Pardês, Poma; mas tornou-se um herege isso no Tratado de Chaguigá. Apesar de as mulheres não precisarem reencarnar, as vezes elas podem vir por meio do Ibur em uma mulher, junto com centelhas novas de almas femininas. Saiba também que existe ainda outra possibilidade quando elas vem por meio do Ibur em outra mulher. Se essa mulher conceber, engravidar e der à luz uma menina, então a alma feminina que veio como Ibur pode reencarnar agora como uma encarnação de fato na filha que acaba de nascer. Aqui o Ari está antecipando um caso que deve ser explicado posteriormente. Saiba também, que as vezes um homem pode reencarnar no corpo de uma mulher por causa de um pecado, como o fato de ter relações homossexuais ou algo similar. Essa mulher que é uma encarnação de alma de um homem não será capaz de conceber e de engravidar, porque ela não tem a capacidade de elevar as Águas Femininas para receber a gota das Águas Masculinas. Essa mulher, então, precisará de muito mérito para poder engravidar e dar à luz. O único modo de fazer isto é se uma alma feminina entrar nessa mulher pelo segredo do Ibur. E com a força da união dessa alma com ela, ela vai conseguir elevar as Águas Femininas, conceber e dar à luz. No entanto, ela não conseguirá dar à luz a filhos homens, por dois motivos, o primeiro é que existe um versículo que diz em Levíticos 12:2 “Fala aos filhos de Israel dizendo: Se uma mulher conceber e der a luz um menino, será imunda sete dias, assim como nos dias da separação da sua enfermidade, será imunda. Enfermidade aqui lê-se menstruação. Porém, neste caso, a mulher está funcionando como se fosse um homem, como se fosse seu marido, então ela não poderá dar à luz meninos, mas somente meninas. O segundo motivo é que a alma feminina que entrou nela só o fez por meio do Ibur, para ajudá-la a engravidar e dar à luz. Uma vez que esta mulher der à luz, essa alma não precisa mais ficar ali, pois não há mais motivo para isso. No momento em que ela der a luz, aquela alma feminina do Ibur entra no feto como uma encarnação de fato, e não como Ibur, como ocorreu antes. É por isso que a criança que vai nascer será menina e não menino. Em resumo, qualquer mulher que tenha uma alma masculina como explicado anteriormente, não poderá dar à luz meninos, mas apenas meninas. A menina que nascer desta mulher terá a mesma alma feminina que originalmente entrou na mulher por Ibur par ajudá-la. No entanto, se houver um grande mérito, as vezes pode ser possível que no momento do nascimento da criança a alma feminina que estava ali pelo segredo do Ibur vá embora e siga seu caminho e que uma alma masculina entre no feto e a criança seja um menino. Se isso ocorrer, depois será impossível a esta mulher dar à luz de novo, a não ser que a mesma alma feminina volte como Ibur na mulher, como ocorreu de início. Portanto, se a primeira criança que nasceu foi uma menina, essa menina terá que morrer, ela morre, porque ela é a mesma alma que tem que voltar por Ibur na mãe mais uma vez, e talvez a alma feminina consiga voltar como Ibur na mulher, como foi no início. Ela então conceberá, engravidará, e dará a luz a uma filha cuja alma será a alma feminina que estava ali como Ibur. Essa sequência, de Ibur e de reencarnações, pode ocorrer diversas vezes. Essa é a lei que se aplica neste caso sempre, No entanto, se a mulher deu à luz um menino, esta criança não precisa morrer, porque a alma feminina que estava como Ibur na mãe se foi no momento do nascimento, como mencionado anteriormente. Em seguida, essa alma feminina deve voltar uma segunda vez como Ibur na mulher para que ela possa conceber e dar a luz uma menina. Isso também exige grande mérito! As vezes também é possível que, apesar de a primeira criança a nascer ser uma menina, ela não precise morrer, pois é possível que uma alma feminina diferente entre no corpo da mulher como Ibur, e ela conceberá e dará a luz uma menina. E essa alma feminina, reencarnará no corpo dela, da menina, como se fosse uma encarnação de fato. É possível que esses elementos sejam intercambiados desse modo gravidez após gravidez, sempre que esta mulher conceber. No entanto, este fenômeno também requer grande mérito e um poderoso milagre. Isso se dá por causa de uma lição fundamental que nós sabemos no que diz respeito ao segredo do Ibur. Nenhuma alma entra no corpo de um homem ou de uma mulher pelo segredo do Ibur durante sua vida a não ser que haja uma grande afinidade entre ambos. Assim, essa mulher que tem uma raiz de alma masculina precisa de um Ibur de uma alma feminina. Essa alma feminina deve conter todas as qualidades que são necessárias para este Ibur. Além, disso, ela deve ter uma afinidade ou similaridade com a mulher. Consequentemente, isso exige um grande mérito e ainda mais se for preciso que ela venha como Ibur várias vezes, como foi explicado. E é um milagre ainda maior encontrar várias almas femininas com as condições ideais para que possam vir como Ibur, cada uma separadamente e no mesmo período, de vida da pessoa. Isso precisa, de fato, de muitos méritos e grandes milagres! Livro O Portal das Reencarnações. Abraço. Davi.