sábado, 4 de dezembro de 2021

O ALCORÃO SAGRADO

 

Islamismo. www.ccib.org.br. Texto de Samir El Hayek. O ALCORÃO SAGRADO. A leitura do Alcorão requer uma iniciação e um preparo indispensáveis para uma melhor compreensão, especialmente no caso do leitor não-muçulmano. Tentar compreender o Alcorão baseando-se apenas na informação oral ou em passagens específicas e não em seu texto como um todo, levará o leitor despreparado a um entendimento distorcido do mesmo. Quando lemos o Alcorão, percebemos que muitos conceitos usados em nosso dia-a-dia são citados e enfatizados frequentemente em seus versículos. É importante lembrar que esses conceitos são decisivos para a boa compreensão do Alcorão e assim, agirmos de acordo com os seus postulados. Entre estes conceitos, encontramos sabedoria, paciência, lealdade, descrença, favores especiais de Allah (swt). O alcorão foi a última palavra revelada por Allah (swt) e a fonte básica para os ensinamentos islâmicos e suas leis. Trata-se de moralidade, adoração, conhecimento, sabedoria e a relação Allah (swt) - homem e as suas relações entre os seres humanos. Compreende ensinamentos sobre o sistema de justiça social, política e relações internacionais, economia, legislação, jurisprudência, e leis podem ser formadas através de partes importantes do Alcorão. Apesar do Profeta Muhammad (saws) não haver tido uma educação formal, o Alcorão assim que lhe revelado foi transcrito por seus secretários. Desta forma, cada palavra foi escrita e preservada por seus companheiros. O texto completo e original do Alcorão é em árabe. Tradução em outros idiomas podem ser encontrados em bibliotecas e livrarias. De acordo com o Alcorão, sabedoria é uma qualidade peculiar aos fiéis, o nível de sabedoria pode aumentar ou diminuir com relação ao seu comportamento correto. Sabedoria, o modo de compreensão, é uma orientação divina que capacita o homem a mostrar o comportamento correto e a atitude com a qual ele espera agradar a Allah (swt) e alcançar a sua justa estima. É a capacidade de julgar entre o certo e o erro, atingir a mais elevada atitude moral, tomar as decisões certas para cada citação, e agir, tendo sempre em mente, a vida após a morte. INTRODUÇÃO AO ALCORÃO. Louvado seja Allah (swt), Senhor do Universo, e que a paz e a misericórdia estejam com o Mensageiro e toda a sua estirpe, seus companheiros e seus seguidores! Alcorão é a palavra de Allah (swt), revelada a Muhammad (saws), desde a Surata da Abertura até a Surata dos Humanos, constituindo o derradeiro dos livros revelados à humanidade. Ele encerra, em sua totalidade, diversificadas nuanças, tais como: a felicidade, a reforma entre os homens, a concórdia, no presente e no futuro; ele foi revelado, versículo por versículo, surata por surata, de acordo com as situações e os acontecimentos, no decorrer dos vinte e três últimos anos da vida do Profeta Muhammad (saws). Uma parte foi revelada antes da Hégira, em Makka (Meca), e outra depois, em Madina (Medina). Os versículos e as suratas revelados em Makka abrangem as normas da crença em Allah (swt), em Seus anjos, em Seus livros, em Seus mensageiros e no Dia do Juízo Final. Os versículos e as suratas revelados em Madina dizem respeito aos rituais e à jurisprudência. Nele há narrativas sobre os nossos antecessores e sobre os nossos sucessores, e é um árbitro entre nós. Há narrativas de povos anteriores, de séculos passados; há histórias dos profetas, dos mensageiros, dos povos, dos grupos, das pessoas, dos acontecimentos e do desenrolar da história da civilização; nele há explicações e exemplos para aqueles que por ele queiram pautar suas vidas, e exortação para quem tem coração e está disposto a aceitá-la, e a prestar testemunho. Ele revela a Lei imutável de Allah (swt), quer seja na perdição dos extraviados, quer seja na salvação dos encaminhados. Ele ensina que o mundo dos homens, no decorrer dos séculos, só é benéfico com a religião de Allah (swt); que a humanidade, o que quer que faça, não alcançará a almejada felicidade se não se iluminar, guiando-se com a Mensagem Divina. Nele há revelações do futuro sobre o dia da Ressurreição, sobre a Vida Futura, no dia em que os homens se congregarão junto ao Senhor do Universo. "Aquele que fizer um bem, quer seja do peso de um átomo, vê-lo-á; e aquele que fizer um mal, quer seja do peso de um átomo, vê-lo-á" (99ª Surata, versículos, 7 e 8). Nele há o julgamento dos problemas e das questões onde é premente uma explicação e uma diretriz do caminho a seguir, no que diz respeito às questões da crença e do pensamento, do caráter e do comportamento, das relações econômicas, dos ramos doutrinários, dos julgamentos pessoais ou não: "Ó humanos, já vos chegou uma prova convincente de vosso Senhor e vos enviamos uma translúcida Luz" (4ª Surata, versículo, 174). "Recorda-lhes o dia em que faremos surgir uma testemunha de cada povo para testemunhar contra os seus, e te apresentaremos por testemunha contra os teus. Temos-te revelado, pois, o Livro que é uma explanação de tudo, é guia, misericórdia e auspício para os muçulmanos" (16ª Surata, versículo, 89). Não há uma lei religiosa ou um problema, no que diz respeito ao mundo e à vida dos homens, que não tenha no Alcorão uma solução; ele é um auxílio inesgotável, guia, explicação e orientação para todos, quer seja em partes ou no todo: "Já vos chegou de Allah (swt) uma Luz e um Livro esclarecedor" (5ª Surata, versículo 15). Sim, este fabuloso Alcorão é a luz orientadora para a humanidade. Ele arrancou-a das trevas e transportou-a para a luz, para a verdade e para a verdadeira senda. Foi o ponto de transformação na sua longa história, tirando-a da vida atroz de corrupção e levando-a para a vida de liberdade, de religião e de orientação, e instituiu, no mundo todo, o direito e a compreensão, tirando a humanidade do mais baixo degrau, e elevando-a aos píncaros da perfeição, de maneira sobranceira. As evidências e os significados que o Alcorão abrange, já citados, só podem ser entendidos através de explicações do texto alcorânico e de seus versículos. Tal explicação é uma pesquisa sobre a vontade de Allah (swt), sobre o conhecimento dessa vontade através de Suas palavras no Alcorão, de acordo com a capacidade humana. A ciência da exegese nasceu débil e cresceu paulatinamente, até alcançar a maturidade e seguir formidavelmente neste diapasão que conhecemos hoje. Na época da revelação do Alcorão, enquanto o Profeta vivia, não havia necessidade para a explicação dos versículos, nem a regulamentação dessa ciência, porque o texto, na sua totalidade, era claro, compreensível para o Profeta e seus companheiros. Apesar disso, o Profeta explicava alguns versículos e algumas pronúncias que podiam causar ambiguidades; também os companheiros do Profeta e alguns adeptos assim o fizeram. Isto porque poderia haver má interpretação, quaisquer que fossem as razões que teriam de se desenrolar na alvorada de um povo progressista, em formação, que iria expandir-se através de conquistas, enriquecendo sua existência com acontecimentos históricos, discussões doutrinárias e pesquisas, em jurisprudência e política. O Alcorão era e continua sendo o centro da cultura islâmica, dos movimentos filosóficos e de todas as suas atividades intelectuais; seus versículos estimulam a nele pensarmos. Disse o Altíssimo: "Eis o Livro que te revelamos, para que os sensatos recordem seus versículos e neles meditem (38ª Surata, versículo 29). Disse mais: "Não meditam, acaso, no Alcorão? Se fosse de outra origem que não de Allah (swt), haveria nele muitas discrepâncias" (4º Surata, versículo 82). E disse ainda: "Não meditam, acaso, no Alcorão, ou é que seus corações são insensíveis?" (47ª Surata, versículo 24). Sua explicação nada mais é do que o resultado de meditação e deliberação. O ponto de vista dos doutos na matéria, bem como seus métodos, são diversificados. Alguns, levados pela simpatia doutrinária, apegaram-se à explicação dos versículos, nesse sentido. Outros, levados pela simpatia linguística, eloquente, estilística e literária, apegaram-se também a esse particular; o mesmo aconteceu com os simpatizantes da jurisprudência. Outros, ainda, apegaram-se à explicação das narrativas. Neste particular, houve aqueles que se prolongaram na explicação, até a prolixidade estafante, e outros restringiram-na à suscites chocante, e outros, ainda, quedaram-se no meio-termo. Deles, houve quem tendesse para a explicação pessoal; e outros ainda houve que introduziram na explicação muitos outros conhecimentos. Alguns fizeram-no em estilo esdrúxulo; outros em estilo claro. De tudo isso resultou uma grande riqueza científica e um movimento intelectual considerável, que elevam e glorificam um povo que serve ao Livro de seu Senhor, quer seja em decorá-lo, preservá-lo e explicá-lo, quer seja em examiná-lo, elevá-lo e consagrá-lo, ao longo de catorze séculos, que serão seguidos por muitos outros, até que tudo que há no universo compareça perante o Criador: "Nós revelamos a Mensagem e somos Seu Preservador" (15ª Surata, versículo 9). "Este é o Livro (o Alcorão) veraz por excelência. A falsidade não se aproxima dele nem pela frente, nem por trás, porque é a revelação do Prudente, Laudabilíssimo." (41ª Surata, versículo 41-42). Todas as importantes religiões do mundo são baseadas nos seus Livros Sagrados, os quais são frequentemente atribuídos a revelações divinas. Seria patético se, por algum infortúnio, uma delas viesse a perder o texto original da revelação; a substituição jamais poderia estar em inteira conformidade com o que fora perdido. Os brâmanes, os budistas, os judeus, os masdeístas e os cristãos podem comparar o método empregado para a preservação dos ensinamentos básicos de suas respectivas religiões com o método dos muçulmanos. Quem lhes escreveu os livros? Quem lhes transmitiu de geração a geração? Será a transmissão provinda de textos originais ou apenas tradução? Não haveriam as guerras fratricidas danosas às cópias dos textos? Não haverá contradições internas ou lacunas cujas referências são encontradas em outro lugar? Estas são algumas das questões que poderão ser aventadas, e isso requer respostas satisfatórias. No tempo em que emergiram o que nós chamamos de as Grandes Religiões, os homens não apenas confiaram em suas memórias, mas também inventaram a arte de escrever, para preservarem seus pensamentos, assentando tudo por escrito, de modo mais premente do que fariam as memórias individuais dos seres humanos que, afinal de contas, têm um limitado ciclo de vida. Mesmo assim, nenhum destes dois meios é infalível quando tomados separadamente. É uma questão de experiência cotidiana o ato de que, quando se escreve algo e então se o revisa, encontram-se mais ou menos erros inadvertidos, omissão de letras ou mesmo de palavras, repetição de relatos, uso de palavras contrárias àquelas pretendidas, erros gramaticais, etc., sem falar nas mudanças de opinião do escritor, que também corrige seu estilo, seus pensamentos, seus argumentos e, às vezes, reescreve todo o documento. O mesmo acontece quanto à faculdade da memória. Aqueles que têm obrigação de ou habilidade em aprender de cor algum texto, para recitá-lo mais tarde, especialmente quando isso envolve longuíssimas passagens, sabem que às vezes suas memórias falham durante a recitação: pulam passagens, misturam umas com as outras, ou não se lembram de toda a sequência; às vezes o texto correto permanece na subconsciência e é relembrado no último momento, ou no rebuscamento da memória por indicação de outrem, ou ao ser consultado o texto em documento escrito. O Profeta do Islam, Muhammad (saws), de memória privilegiada, empregava ambos os métodos simultaneamente, um ajudando o outro, reforçando a integridade do texto e diminuindo ao mínimo as possibilidades de erro. Os ensinamentos islâmicos são baseados no que o Profeta Muhammad (saws) disse ou fez. Ele próprio ditou certos textos a seus escribas, o que chamamos de Alcorão; outros textos foram compilados por seus companheiros, na maioria das vezes por iniciativa própria; e a esses escritos damos o nome de Tradição. A palavra Alcorão literalmente significa "leitura por excelência" ou "recitação". Enquanto o ditava a seus companheiros, o Profeta lhes assegurava que era a Revelação Divina que ele havia recebido. Ele não ditou tudo de uma só vez: as revelações chegavam-lhe em fragmentos, de tempos em tempos. Tão logo ele recebia uma, costumava comunicá-la a seus companheiros e pedir-lhes não somente que a aprendessem de cor - para que a recitassem durante a prática das orações -, mas também que a escrevessem e que multiplicassem as cópias. Em tais ocasiões, ele indicava o lugar preciso da nova revelação no texto; não era dele a compilação cronológica. Não é de admirar a precaução e o cuidado tomados para a precisão, levando-se em consideração o padrão da cultura dos árabes daquele tempo. É razoável acreditarmos que as primeiríssimas revelações recebidas pelo Profeta não foram imediatamente submetidas à escrita, pela simples razão de que não havia, ainda, companheiro algum ou aderentes. Estas primeiras partes não eram nem longas, nem numerosas. Não havia risco de que o Profeta pudesse esquecê-las, uma vez que ele as recitava frequentemente em suas orações e em conversas proselíticas. Alguns fatos da história dão-nos a ideia do que aconteceu. Ômar Ibn al Khattab (579-644) é considerado a quadragésima pessoa a abraçar o Islam. Isso se refere ao ano quinto da Missão (oito antes da Hégira). Mesmo em uma data primordial existiram cópias escritas de certas Suratas do Alcorão e, como Ibn Hicham, falecido em 833, relata, foi devido ao profundo efeito produzido pela leitura acurada de alguns versículos da vigésima Surata que Ômar abraçou o Islam. Não sabemos precisamente o tempo em que a prática de escrever o Alcorão começou; contudo, há informações precisas de que durante os remanescentes dezoito anos da vida do Profeta, o número dos muçulmanos, como também das cópias do texto Sagrado, continuou aumentando dia a dia. Como o Profeta recebia as revelações em fragmentos, era natural que o texto revelado se referisse aos problemas do dia. Se acontecesse o fato de um de seus companheiros morrer, a revelação consistiria em promulgar a lei da herança; não seria a de lei penal, tratando de roubo, por exemplo, a ser revelada no momento. As revelações continuaram durante a inteira vida missionária de Muhammad (saws), treze anos em Makka e dez em Madina. Uma revelação consistia às vezes de uma inteira Surata, curta ou longa, e às vezes de apenas uns poucos versículos. A natureza das revelações impunha ao Profeta repeti-las constantemente em suas recitações, e revisar continuamente a forma que as coleções dos fragmentos teria que tomar. Todos os doutos afirmam, com autoridade, que o Profeta recitava todos os anos, no mês de Ramadan, perante o anjo Gabriel, a parte do Alcorão até então revelada, e que no último ano de sua vida Gabriel pediu-lhe que o recitasse por inteiro duas vezes. O Profeta concluiu, desde então, que iria, em breve, despedir-se da vida. O Profeta costumava revisar, nos meses do jejum, os versículos e as Suratas, e colocá-las em sua seqüência adequada. Isto era necessário por causa da continuidade das novas revelações. É também sabido que o Profeta tinha o hábito de celebrar uma prática adicional de oração durante os meses do jejum, todas as noites, às vezes mesmo em congregação, na qual ele recitava o Alcorão do princípio ao fim, tarefa esta que era completada ao cabo de um mês. Esta prática, chamada de tarawih, continua a ser observada com grande devoção até a estes nossos dias. Quando o Profeta deu seu último suspiro, uma rebelião estava tomando vulto em certas partes do país. Tentando debelá-la, várias pessoas que conheciam o Alcorão de cor tombaram. O Califa Abu Bakr sentiu a urgência da codificação do Alcorão, e a tarefa foi cumprida um mês depois da morte do Profeta. Durante seus últimos anos de vida, o Profeta costumava usar Zaid Ibn Sábet (615-665) como principal amanuense, para tomar em ditado as revelações recentemente recebidas. Abu Bakr encarregou a mesma pessoa da tarefa da preparação de uma cópia condizente de todo o texto, em forma de livro. Havia então em Madina vários Huffaz (aqueles que sabiam todo o Alcorão de cor), e Zaid era um deles. Sob a direção do Califa, Zaid transcreveu o texto escrito em pergaminhos ou pedaços de couro, nas omoplatas das reses, nos ossos, nas pedras polidas e mesmo em pedaços de porcelana. A cópia condizente, assim preparada, foi chamada de Musshaf (encadernação). Esta foi conservada sob a própria custódia do Califa Abu Bakr e, depois dele, por seu sucessor, Ômar Ibn al Khattab. Nesse meio tempo o estudo do Alcorão foi encorajado em toda parte do Império Muçulmano. O Califa Ômar sentiu a necessidade de enviar cópias do texto autêntico aos centros provincianos, a fim de evitar as divergências; mas foi deixado a seu sucessor, Otman, continuar com a tarefa. Um de seus comandantes, Huzaifa Al Yaman, havendo voltado de uma viagem pelas vastas terras conquistadas pelos muçulmanos, relatou que havia encontrado divergentes cópias do Alcorão e que havia, às vezes, desentendimento entre os diferentes mestres do Livro, concernente a isso. Otman fez imediatamente com que a cópia preparada para Abu Bakr fosse confiada a uma comissão presidida pelo acima mencionado Zaid Ibn Sábet para a reprodução de sete cópias; ele autorizou-lhes a revisão da pronúncia, se necessário. Quando a tarefa foi concluída, o Califa efetuou uma recitação pública da nova edição perante os doutos presentes na capital, perante os companheiros do Profeta, e então enviou estas cópias aos diferentes centros do vasto Mundo Islâmico, ordenando que dali por diante todas as cópias fossem baseadas na edição autêntica. Ele ordenou a destruição das cópias que, de algum modo, se desviassem do texto assim oficialmente estabelecido. É concebível que as grandes conquistas militares dos primeiros muçulmanos induzissem alguns espíritos hipócritas a proclamarem sua impulsiva conversão ao Islam por motivos materiais, e para tentar danificá-lo de maneira clandestina. Eles fabricaram versões do Alcorão com interpolações. As "lágrimas de crocodilo", que foram derramadas pela destruição das cópias não autenticadas do Alcorão, por ordem do Califa Otman somente poderiam ter sido de tais hipócritas. É sabido que o Profeta às vezes ab-rogava certos versículos que haviam sido comunicados previamente ao povo, e isso era feito para fortificar as novas Revelações Divinas. Houve Companheiros que aprenderam a primeira versão, sem contudo estarem cientes das últimas modificações, tanto por causa da morte do Profeta como por suas residências fora de Madina. Eles devem ter deixado cópias a seus descendentes, as quais, embora autênticas, estavam ultrapassadas. Ainda, alguns muçulmanos tinham o hábito de pedir ao Profeta que explicasse certos termos empregados no texto sagrado e anotar tais explicações nas margens de suas cópias do Alcorão, a fim de não se esquecerem delas. As cópias feitas mais tarde, com base nesses textos anotados, iriam causar confusões na questão do texto e do glossário. A despeito da ordem do Califa Otman, para que se destruíssem os textos inexatos, existia, nos séculos III e IV da Hégira, assunto bastante para a compilação de volumosas obras, constituindo as "variações do Alcorão." Estas chegaram até nós, mas um apurado estudo mostra-nos que tais variantes eram devidas tanto à aparência falsa, como aos enganos no decifrar-se a velha escrita arábica, que não possuía vogais, nem se podia distinguir entre as letras semelhantes, nem davam ideia das mesmas, sendo meros pontos, como é feito agora. Além disso existiam diferentes dialetos em diferentes regiões, e o Profeta havia permitido aos muçulmanos de tais regiões recitarem de acordo com suas algaravias, e mesmo substituir as palavras que estavam além de sua argúcia, por sinônimos que conhecessem melhor. Esta foi uma medida imergente de graça e clemência. No tempo do Califa Otman, contudo, a instrução pública havia-se desenvolvido suficientemente, e fez-se necessário que aquelas concessões não fossem mais toleradas, pois o Texto Sagrado seria afetado, e as variantes da leitura se radicariam. As cópias do Alcorão enviadas por Otman aos chefes das províncias gradualmente desapareceram, nos séculos subsequentes; apenas uma delas, que presentemente se encontra em Tashkent, chegou até nós. O governo czarista da Rússia havia-a publicado em uma reprodução fac-símile; constata-se haver uma completa identidade entre essa cópia e o texto em uso noutras ocasiões. A mesma é cópia fiel do manuscrito existente do Alcorão, tanto completo como fragmentado, datando do primeiro século da Hégira. O Alcorão é dirigido a toda a humanidade, sem distinção de raça, cor, região ou tempo. Ainda mais, ele procura guiar a humanidade em todas as sendas da vida: espirituais, materiais, individuais e coletivas. Ele contém diretrizes para a conduta do chefe de Estado, bem como do homem comum; do rico, bem como do pobre; diretrizes para a paz, bem como para a guerra; tanto para a cultura espiritual como para o comércio e bem-estar material. O Alcorão busca principalmente desenvolver a personalidade do indivíduo: Cada ser será pessoalmente responsável perante seu Criador. Para tal propósito, o Alcorão não somente fornece ordens, porém tenta ainda convencer. Ele apela para a razão do homem e relata histórias, parábolas e metáforas. Descreve os atributos de Allah (swt), que é Um, Criador de tudo, Onisciente, Onipotente, Ressuscitador dos mortos e Observador de nosso comportamento terreno; é Justo, Clemente (Vide nota da 7ª Surata, versículo 180). O Alcorão indica ainda o modo de aprazermos a Allah (swt), apontando quais as melhores orações, quais os deveres do homem com respeito a Ele, a seus semelhantes e a seu próprio ser; ele dá destaque ao fato de que não nos pertencemos, outrossim, pertencemos a Allah (swt). O Alcorão fala das melhores normas relacionadas com a vida social, comercial, matrimonial, como a herança, o direito penal, o direito internacional, e assim por diante. Todavia, o Alcorão não é um livro, no senso comum; é a coleção das palavras de Allah (swt), reveladas de tempos em tempos, durante vinte e três anos, a Seu Mensageiro, escolhido entre os seres humanos. O Soberano dá Suas instruções a Seu vassalo; portanto, há certas nuanças compreendidas e implícitas; há repetições, e mesmo mudanças nas formas de expressão. Deste modo, Allah (swt) fala às vezes na primeira pessoa e às vezes na terceira. Ele diz "Eu", bem como "Nós" e "Ele", porém, jamais "Eles". É uma coleção de revelações enviadas de ocasiões em ocasiões; e devemos, por isso, lê-lo mais e mais, a fim de melhor avaliarmos os seus significados. Ele possui diretrizes para todos, em todos os lugares e para todos os tempos. O estilo e a dicção do Alcorão são magníficos e apropriados para a sua qualidade Divina. Sua recitação comove o espírito até daqueles que apenas o ouvem sem entendê-lo. Com o passar do tempo, o Alcorão tem, em virtude de sua reivindicação de origem divina, desafiado a todos a criarem, conjuntamente, mesmo uns poucos versículos iguais aos que ele contém. Tal desafio porém tem permanecido sem resposta até aos nossos dias. Há algumas diferenças intrínsecas entre o Alcorão e os livros precedentes. Tais diferenças podem ser sucintamente estipuladas, como se segue: 1. Os textos originais da maior parte dos primitivos Livros Divinos foram em sua quase totalidade perdidos, sendo que somente as suas traduções existem hoje. O Alcorão, por outro lado, existe hoje exatamente como foi revelado ao Profeta; nem uma palavra - mais ainda, nem uma letra sequer - foi trocada. Encontra-se à disposição, em seu texto original, fazendo com que a Palavra de Allah (swt) seja preservada agora, bem como por todo o porvir. 2. Nos primitivos Livros Divinos os homens mesclaram suas palavras com as palavras de Allah (swt); porém, no Alcorão encontram-se apenas as palavras de Allah (swt) - em suas prístinas purezas. Isto é admitido, mesmo pelos oponentes ao Islam. 3. Não se pode dizer, com base na autêntica evidência histórica, em relação a nenhum outro Livro Sagrado, possuído por diferentes povos, que ele realmente pertence ao mesmo profeta a quem é atribuído. No caso de alguns deles, mesmo isto não é sabido. Em que época e a que profeta eles foram revelados? Quanto ao Alcorão, as evidências que existem de que foi revelado a Muhammad (saws)são tão vultosas, tão convincentes, tão sólidas e completivas, que mesmo o mais ferrenho crítico do Islam não pode lançar dúvidas sobre isso. Tais evidências são tão vastas e detalhadas, que sobre muitos versículos do Alcorão, mesmo a ocasião e o local de suas revelações, podem ser conhecidos com exatidão. 4. Os primitivos Livros Divinos foram revelados em línguas que estão mortas desde há muito tempo. Na era presente, nação ou comunidade alguma fala tais línguas e há apenas umas poucas pessoas que se jactam de compreendê-las. Destarte, mesmo que tais Livros existissem hoje em suas formas originais e não adulteradas, seria virtualmente impossível, em nossa era, compreendermos e interpretarmos corretamente suas injunções, bem como pormos em prática em sua forma requerida. A língua do Alcorão, por outro lado, é uma língua viva; milhões de pessoas falam-na e outro tanto a compreende. Ela está sendo ensinada e aprendida em quase todas as universidades do mundo; todas as pessoas podem aprendê-la, e aquele que não tem tempo para isso pode, em qualquer parte, deparar com quem conheça a língua, que lhe explique o significado do Alcorão. 5. Cada um dos Livros Sagrados existentes, encontrados entre as diferentes nações do mundo, foi dirigido a um povo em particular. Cada um deles contém um número de ditames que parece ter sido dirigido a um período da história em particular e que supria apenas as necessidades daquela era. Tais necessidades não são válidas hoje, nem tampouco podem ser aplainadas e propiciamente vertidas para a prática. Depreende-se disto que tais livros eram dirigidos àqueles povos em particular e nenhum deles para o mundo. Ademais, eles não foram revelados para serem seguidos permanentemente, mesmo pelo povo para o qual foram revelados; restringiam-se a influenciar somente sobre um certo período. Em contraste a isso, o Alcorão é dirigido a toda a humanidade; não se pode suspeitar que injunção alguma tenha sido dirigida a um povo em especial. Do mesmo modo, todos os ditames e injunções no Alcorão são os mesmos que podem ser aplicados em todos os lugares e em todas as épocas. Este fato vem provar que o Alcorão é dirigido ao mundo inteiro, constituindo-se em eterno código para a vida humana. 6. Não há negar o fato de que os precedentes Livros Divinos cultuavam o bem e a virtude, ensinavam também os princípios da moralidade e da veracidade, e apresentavam uma maneira de viver consentânea com a vontade de Allah (swt). Contudo, nenhum deles era suficientemente compreensivo para englobar tudo quanto fosse necessário para uma vida humana virtuosa, sem nada supérfluo, sem nada carente. Alguns deles excediam-se em um aspecto, alguns em outros. É o Alcorão, e apenas o Alcorão, que cultua não apenas tudo o que havia de magnífico nos livros precedentes, mas, ainda, aperfeiçoa os desígnios de Allah (swt) e os apresenta em sua totalidade, delineando uma norma de vida que compreende tudo o que é necessário para o homem, nesta terra. Os pensamentos se renovam e as culturas se proliferam; a vida evolui e a colheita intelectual da humanidade aumenta a cada dia; e quanto mais a humanidade evolui, mais unida e mais mesclada fica. Os veículos de comunicação em muito ajudam nisso, como se quisessem corroborar as palavras do Alcorão: "Ó humanos, em verdade, Nós vos criamos de macho e fêmea e vos dividimos em povos e tribos para reconhecerdes uns aos outros." (49ª Surata, versículo 13). www.ccib.org.br. Abraço. Davi

quinta-feira, 2 de dezembro de 2021

KRISHNA

 

Hinduísmo. www.misticismonatural.blogspot.com. KRISHNA é muitas vezes descrito e retratado como uma criança comendo manteiga, um jovem rapaz tocando uma flauta como no Bhagavata Purana, ou como um ancião que dá direção e orientação como no Bhagavad Gita. As histórias de Krishna aparecem em várias tradições filosóficas e teológicas hindus que o retratam de vários modos: um deus-criança, um brincalhão, um modelo de amante, um herói divino e o Ser Supremo. As escrituras principais que discutem a história de Krishna são o Mahabharata, o Harivamsa, o Bhagavata Purana e o Vishnu Purana. Nomes e Títulos. A palavra em sânscrito kṛṣṇa é essencialmente um adjetivo que significa "negro", "azul" ou "azul-escuro". Como um substantivo feminino, kṛṣṇa é usado no sentido de "noite", "escuridão" no Rigveda. KRISHNA é um nome de Deus que significa "o todo atraente", a Verdade absoluta. O Mahabharata (Udyogaparva 71.4) analisa a palavra Krishna da seguinte maneira: krishir bhu-vacakah sabdo nas ca nirvriti-vacakah tayor aikyam param brahma krishna ity abhidhiyate. A palavra 'krish' é a característica atrativa da existência divina, e 'na' significa 'prazer espiritual.' Quando o verbo 'krish' é adicionado ao 'na', ele se torna 'krishna', que indica a Suprema Verdade Absoluta. Krishna também é conhecido por diversos nomes, epítetos e títulos, que refletem suas múltiplas qualidades e atividades. Entre os mais usados, estão Hari ("Aquele que tira" pecados, ou que afasta samsara, o ciclo de nascimentos e mortes), Govinda ("Aquele que dá prazer às vacas, à Terra e aos sentidos") e Gopala ("Protetor das vacas" ou, mais precisamente, "Protetor da vida"). Iconografia. Krishna é facilmente reconhecido por suas representações artísticas. Sua pele é retratada na cor preta ou azul escura, conforme descrito nas Escrituras, embora em representações pictóricas modernas ele geralmente seja mostrado com pele azul. Ele aparece usando um dhoti de seda amarelo e uma coroa de penas de pavão. Representações comuns mostram-no como um bebê, um menino ou um jovem. Normalmente, está com uma perna dobrada na frente da outra, levando uma flauta aos lábios, esboçando um sorriso misterioso, e acompanhado por vacas. A cena no campo de batalha de Kurukshetra, nomeadamente quando se dirige a Arjuna no Bhagavad Gita, é outro tema comum para sua representação. Nessas cenas, ele é mostrado como um homem de dois braços atuando como cocheiro, ou com as típicas características da arte religiosa hindu (tais como braços ou cabeças múltiplas) e com atributos de Vishnu, como o chakra. Biografia. Este resumo se baseia no Mahabharata, no Harivamsa, no Bhagavata Purana e no Vishnu Purana. Os fatos narrados ocorreram no norte da Índia, a maior parte nos atuais estados de Uttar Pradesh, Bihar, Haryana, Deli e Gujarat. Nascimento e Infância. De acordo com o Bhagavata Purana, Krishna nasceu sem uma união sexual, mas por meio da "transmissão mental" ióguica da mente de Vasudeva no ventre de Devaki. Baseado em dados das escrituras e cálculos astrológicos, a data de nascimento de Krishna, conhecida como Janmastami, é o dia 18 de julho de 3228 AC. Krishna pertencia ao clã Vrishni dos Yadavas, de Mathura, capital dos clãs Vrishni, Andhaka e Bhoja. Foi o oitavo filho da princesa Devaki e seu marido Vasudeva. O rei Kamsa subiu ao trono após mandar prender o próprio pai, Ugrasena (rei da dinastia Bhoja). Kamsa é tido como um grande demônio, que pertencia à classe dos Kshatriyas, mas que, de algum modo, havia se desviado do Dharma universal. No caminho que conduzia os noivos até a nova casa, Kamsa escutou uma voz que dizia que o oitavo filho de Devaki iria levá-lo à morte. Imediatamente fez menção de matar Devaki, mas Vasudeva implorou pela vida da esposa, prometendo que cada filho que nascesse, seria levado à presença de Kamsa. Receoso, mandou prender Vasudeva e a esposa no porão do castelo, sendo vigiados dia e noite por guardas. Cada filho do casal que nascia era morto por Kamsa, que mesmo sabendo que a profecia se cumpriria apenas no oitavo filho, não tinha piedade de nenhum e matava a todos. Kamsa havia sido alertado por Narada Muni que, em breve, Vishnu nasceria na família de Vasudeva. Soube também, através deste sábio, que, em uma encarnação anterior, Kamsa havia sido um demônio chamado Kalanemi que tinha sido morto por Vishnu. Conta a tradição védica que Kamsa, temendo que Vishnu nascesse em qualquer uma das famílias do reino, mandou matar todos os meninos com até dois anos de idade, a fim de evitar o cumprimento da profecia. E foi então que o oitavo filho de Devaki nasceu - Bhagavan Sri Krishna. O local do nascimento é conhecido atualmente como Krishnajanmabhoomi, onde um templo foi erguido em honra. Como sua vida corria risco na prisão, foi tirado da prisão e entregue aos pais adotivos Yashoda e Nanda em Gokula. Juventude. Nanda, pai adotivo de Krishna, era o líder de uma comunidade de pastores de gado. As histórias da infância e juventude contam a vida e relação com as pessoas da região. Uma dessas histórias conta que Kamsa, descobrindo que ele havia sido libertado da prisão, enviou vários demônios para impedir que isso acontecesse. Todos falharam. São muitas as façanhas de Krishna e as aventuras com as Gopis da vila, incluindo Radha, aventuras estas que se tornaram conhecidas como Rasa lila. Krishna, o Príncipe. Krishna, então um jovem homem, retorna para Mathura, acaba com o governo de Kamsa, e institui o pai, Vasudeva, que havia sido aprisionado por Kamsa, como rei de Yadavas. Em seguida declarou a si mesmo príncipe da corte. Neste período, iniciou a amizade com Arjuna e outros príncipes de Pandava do reino de Kuru. Casou-se com Rukmini, filha do rei Bishmaka de Vidarbha. Ele também teve 150 mil esposas, incluindo Satyabhama e Jambavati. A guerra de Kurukshetra. Krishna possuía primos em ambos os lados na guerra entre os Pandavas e os Kauravas, porém ele tomou o lado dos Pandavas e concordou em ser o cocheiro da carruagem de Arjuna - o primo e grande amigo - na batalha decisiva. O Bhagavad Gita consiste nos conselhos dados por Krishna a Arjuna, antes do início do combate. Últimos Dias. Segundo o Mahabharata, a Batalha de Kurukshetra resultou na morte de todos os cem filhos de Gandhari. Na noite antes da morte de Duryodhana, o Senhor Krishna visitou Gandhari para oferecer suas condolências. Pressentindo que Krishna conscientemente não tinha posto fim à guerra, Gandhari teve um acesso de raiva e tristeza, e amaldiçoou Krishna e toda a dinastia dos Yadu a morrerem no prazo de 36 anos. Em um festival, uma briga começou entre os Yadavas, que exterminaram uns aos outros. Balarama, o irmão mais velho de Krishna, entregou conscientemente o corpo usando yoga. Krishna se retirou para a floresta e sentou-se debaixo de uma árvore em meditação. Um caçador chamado Jara confundiu o pé parcialmente visível de Krishna com um veado, e atirou uma flecha ferindo-o mortalmente. De acordo com os eruditos vaishnavas, o corpo de Krishna é completamente espiritual, e não seria corruptível nem sujeito à morte e à deterioração. Mesmo assim, na execução de seus passatempos terrenos, ele "aparenta" nascer e morrer como uma pessoa comum. Ao ver que tinha ferido Krishna, o caçador ficou muito perturbado e pediu perdão. Krishna então respondeu-lhe: "Você era Vali em seu nascimento anterior, e eu era Rama, que o matei secretamente. Você queria se vingar, e, assim, neste meu aparecimento, estou cumprindo seu desejo; tudo isso fazia parte do meu plano". Dizendo isso, Krishna partiu para Goloka, sua morada celestial. Segundo as Escrituras hindus, o desaparecimento de Krishna ocorreu na meia-noite de 17 para 18 de fevereiro de 3102 AC e marca o fim de Dwapara Yuga e o início de Kali Yuga, a era da hipocrisia e das desavenças. Devido à presença de Krishna no planeta, o demônio Kali não se atreveu a manifestar-se com toda a sua força. Mas neste mesmo dia, Kali entra no mundo na forma do delito de ferir uma vaca - justamente o animal preferido de Krishna. Devoção a Krishna. Krishna segundo o Bhagavata Purana. Segundo o Srimad Bhagavatam, Krishna é a forma original de Vishnu, superior a todas as outras expansões divinas, já que todas emanam dele. Krishna é um ser eterno, sem nascimento nem morte, que adotou uma manifestação temporária na terra para poder agraciar seus devotos e aniquilar os demônios - mas que simultaneamente está presente eternamente em seu planeta espiritual. Gita Govinda. Vários trabalhos foram importantes na difusão da devoção a Krishna, especialmente o Gita Govinda, escrito por Jayadeva Goswami (1170-1245) na Índia oriental, no século XII. Trata a respeito da relação íntima de Krishna com uma gopi em particular, Radharani (que no Mahabharata teve papel secundário). Movimentos recentes de Krishna-bhaktiDerivações posteriores das primeiras tradições de devoção a Krishna incluem a que foi promovida pelo santo bengali Caitanya Mahaprabhu (1486-1534), no século XVI. Seus seguidores consideram-no uma encarnação de Krishna e Radharani num só corpo. Vários movimentos pertencem a esta tradição, entre eles o Movimento Hare Krishna. Fundado em nova York pelo guru indiano Bhaktivedanta Swami Prabhupada (1896-1977) em 1966, o Movimento Hare Krishna é o principal responsável pela disseminação contemporânea da figura de Krishna no Ocidente. (Fonte: Wikipédia). www.misticismonatural.blospot.com. Abraço. Davi

terça-feira, 30 de novembro de 2021

O PEQUENO BUDHA

 

Editor do Mosaico. Cinema. O  premiado cineasta italiano Bernardo Bertolucci (1940-   ) é o produtor do filme O PEQUENO BUDHA do qual faremos algumas ponderações. Ele tem formação acadêmica na Universidade de Roma, Itália. Sendo suas principais obras inclusive, que concorreram ao Oscar da Academia de Cinema: O Conformista (1970), O Último Tango em Paris (1972) filme que escandalizou o mundo nos anos 70 e o ambicioso 1900, filme épico do gênero drama produzido em (1976). Todas essas pelicas valem conferir tal a riqueza sócio, histórico e cultural. O filme O Pequeno Budha (1993) nosso texto tema, me parece, devido ao seu conteúdo espiritualista da tradição do Budismo Tibetano, realizado preliminarmente em forma de investigação e pesquisa, levando-se um considerável tempo para esse propósito tal os conceitos religiosos envolvidos. Desse modo, separando-se os temas da doutrina filosófica budista, e organizando-os dentro da linha do roteiro que foi sugerido para ser apresentado ao público. Os leitores do Mosaico que estão estudando o Budismo, perceberão que os pressupostos elaborados estão perfeitamente dentro da filosofia religiosa da tradição do Budismo Tibetano. A temática do enredo introduz reflexões pontuais que analisaremos a partir de agora, enumerando-as para uma melhor ordenação dos fatos narrados na filmagem. 1. A REENCARNAÇÃO. Esse assunto é fundamento das tradições e religiosidades orientais, principalmente no budismo e hinduísmo. Temos visto no Mosaico que o ciclo do Samsara (nascimento, morte e renascimento estão inseridos no processo de sofrimento humano) representando a trajetória pela qual o discípulo na Senda Espiritual, passará para completar sua libertação total, alcançando o Nirvana, que é o estado de gozo e plenitude da sabedoria humana e divina. Budha ensinou em seus Sutras que podemos "apressar" esse processo através da prática das Quatro Nobres Verdades e exercitando O Caminho Octuplo. Também a meditação proporciona avanços consideráveis para chegarmos a Iluminação. Budha disse que um período de meditação, comparado ao percurso que uma formiga faz do alto de nossa testa, a ponta do nariz, repara muitos dos nossos carmas negativos, aumentando nossa possibilidade de entrar na Iluminação. Na reencarnação está implícito que todos os seres têm a semente divina (eterna) implantada em sua substância originária. Nesse processo ao exercitarmos a compaixão à todos os seres, inclusive os não humanos (sencientes), bem como praticarmos atos de justiça, virtudes, méritos e fraternidade, permanecemos num estado   búdhico experimentando por antecipação o Nirvana.  2. A INVASÃO DO TIBETE (1950-1951) por tropas chineses. Esse episódio marcou a intransigência e intolerância do governo chinês a época com os tibetanos, sua cultura, tradição e religiosidade. Essa é uma questão discutível pois envolve o aspecto político que o Governo Central de Pequim acusa os tibetanos de violarem, quando reivindicando para si o território tibetano, auto proclamando sua independência, separaram-se da dominação e tutela administrativa dos chineses. A administração de Pequim não querendo perder essa enorme porção de terra, que eles consideram como região perpetuamente incluída no território chinês; a invadiram destruindo monastérios, templos e muitos monges e milhares de tibetanos perderam suas vidas. O atual Dalai Lama Tenzin Gyatzo (1935-   ), na época com 15 anos conseguiu fugir com milhares de tibetanos.  3. OS TIBETANOS NO EXÍLIO. O exílio dos tibetanos é marcado pela transferência de sua cultura e religiosidade em países que já praticam o budismo a milênios, caso da Índia, Nepal e Butão. Grande parte desses exilados hoje vivem em Dharamsala, no norte da Índia, cidade que o governo indiano permitiu que os tibetanos se instalassem, e também é a residência oficial do Dalai Lama, e sede administrativa e religiosa do suposto Governo Tibetano no exílio, mas é importante dizer que atualmente milhares continuam em sua província, no Tibete, principalmente na capital Lhassa e outras cidades tradicionalmente budistas e hinduístas, sob a tutela dos chineses. Evidentemente os cargos administrativos e sócio políticos são dados aos chineses que moram por lá, enquanto que os tibetanos geralmente, trabalham como subalternos em posição inferiores, sendo camponeses, artesãos e comerciantes.  A querela política entre chineses e tibetanos está centrada também no aspecto de que o governo comunista, não admite a figura política do Dalai Lama, como chefe de Estado e de Governo do Tibete autônomo. Assim países que recebem o Dalai Lama como figura política são "censurados" por Pequim, e perdem privilégios econômicos e incentivos comerciais e industriais de uma das maiores economias do planeta. 4. O BODHISATTIVA, como a encarnação de um lama (líder espiritual) para continuar conduzindo o povo pelo caminho da Iluminação. O Bodhisattiva é um ser iluminado, uma pessoa que movida por grande compaixão gera bodhichitta, que é o desejo espontâneo de atingir o mesmo status de Budha, para benefício de todos os seres senciente (humanos e não humanos). De acordo com o budismo tibetano, Bodhisattiva é um dos quatro estados sublimes que um ser humano pode alcançar em vida; sendo os outros Arhat, Budha e Pratyekabudha. A religiosidade tibetana concebe a ideia da reencarnação dos Lamas; assunto chave na espiritualidade desse povo e explorado de forma precisa e contextualizada no roteiro do filme. Para averiguação da fidedignidade do assunto o atual Dalai Lama Tenzin Gyatso (1935-   ) é considerado a 14ª reencarnação dos Lamas, sendo o primeiro Dalai Lama Gedrum Drub (1391-1474), da dinastia tibetana. Assim no filme Lama Norbu, que está doente e reconhecendo a eminência de sua passagem para o outro mundo, começa a procurar a reencarnação do Lama Dorje, examinando e averiguando evidenciais de candidatos à ser futuro substituto. 5. O PROCESSO DE ESCOLHA desse lama. Kenpo Tenzin e seu mestre Lama Norbu saem do monastério no Butão, e viajam, em direção a cidade americana de Seattle, onde supõem haver indícios que um menino (Jesse) tem as características exigidas para ser a encarnação do Lama Dorje. Como Tenzin é professor de astrologia na escola em que a mãe de Jessé dar aula de matemática, marcam um encontro na casa dela. Estando sentados tradicionalmente ao chão na sala de Susan, o Lama Norbu faz observações quanto ao vazio da sala de visitas. O vazio no budismo se refere a doutrina do Anatta, isto é, a falta de substância em todos os fenômenos. Não é que nada existe, como podemos incorretamente ser levados a pensar. Mas a noção de vazio refere-se a que a realidade última de cada ser ou objeto é destituída de características próprias individuais e definidas. Os objetos existem apenas enquanto realidades convencionais, limitadas, espaço temporais, condicionados e contextualizados; não existem separadamente e independentemente do observador.  6. A VIDA NO MONASTÉRIO budista do Butão. O filme é introduzido pelas crianças, noviços de monges, ouvindo de Lama Norbu, a parábola da cabra e do sacerdote, onde é tematizado a reencarnação e a necessidade da compaixão à todos os seres. Era uma vez numa aldeia na Índia antiga onde havia uma cabra pequena e um sacerdote. Este queria sacrificá-la aos deuses. Ele ergueu o braço para cortar o pescoço da cabra, quando de repente a cabra começou a rir. O sumo sacerdote parou espantado e perguntou à cabra. Por que está rindo, não sabe que estou a ponto de cortar seu pescoço? Sei, disse a cabra. Após ter nascido 499 vezes e renascido como cabra vou finalmente renascer como ser humano. Então, a pequena cabra começou a chorar. O sacerdote disse: por que está chorando? Por você, pobre sacerdote. 500 vidas atrás, eu também era um sumo sacerdote e sacrificava cabra aos deuses. O sacerdote ajoelhou-se dizendo: Suplico que me perdoe, de hoje em diante, serei o guardião de todas as cabras da região. Então, o que está antiga fábula nos ensina? que nenhuma criatura viva deva ser sacrificada e que toda forma de vida deve ser preservada!. 7. O CENTRO DHARMA NA CIDADE de Seattle no USA. O budismo se expandiu à América após a instalação de bases militares no Japão, logo depois da 2ª Guerra mundial (1939-1945). Assim desde a segunda metade do século XX praticamente todas as tradições e escolas budistas estão presentes em solo americano, e muitas delas no Canadá. Inclusive alguns monastérios budistas foram estabelecidos nesses países. Há um expressivo número de monges, monjas, bhikkus e lamas americanos e canadenses atualmente, dessa maneira criando um ambiente de harmonia e mútua compreensão espiritual. Esse intercambio facilita a troca de conhecimento filosófico do oriente para o ocidente. Razão pela qual as tradições e filosofias orientais têm mais acesso a cultura capitalista americana que a Europeia, ainda fechada e isolada em seu ceticismo cristão; dogmas e crenças preconceituosas. Uma exceção a esse contexto é a Alemanha, que desde o final do século XVIII, com o filósofo Arthur Schopenhauer (1788-1860), vem estudando conceitos budistas que foram incorporados em sua filosofia e tradição ocidental. Também os filósofos Immanuel Kant (1724-1804) e Friedrich Nietzchen (1844-1900) continuaram essa tendência. Assim o povo alemão, têm mais aberturas em relação as tradições orientais, e mais facilidade em vivenciar essas experiências psicológicas transcendentes. Há em Berlim, um centro de referência budista O Budha Haus, que pode ser visitado por pessoas de todas as religiões e credos, sendo um valioso contato com essa importante tradição espiritual em solo alemão. O Budismo tem tido também dificuldades de penetrar na América do Sul, isso em parte, herdado do colonialismo europeu e a tradição cristã do catolicismo. Isto desde as capitanias hereditárias portuguesas, e processo similar no resto do continente classificava as filosofias orientais como primitivas e selvagens, desprovidas de elementos divinos. Mas hoje os tempos mudaram e a sociedade ocidental tem percebido o grande valor espiritual e psicológico que as tradições orientais têm passado para o mundo contemporâneo, em crise e carente de um novo modelo de realidade religiosa.  8. O CASAL AMERICANO DEAN E SUSAN e seu filho Jesse. O casal americano pais de Jesse, de classe média, viviam confortavelmente numa recém construída casa. Dean como engenheiro está profissionalmente estabelecido, até que problemas com seu sócio o perturbam tirando seu sono; quase desestabilizando a harmonia do casal. Mas a questão de Jesse ser um candidato à encarnação de um famoso Lama, apesar de a princípio trazer confusão e estranheza, logo depois as coisas se consolidam. Assim de comum acordo o casal, mesmo não acreditando na doutrina da reencarnação decidiram que iriam levar Jesse ao Nepal, para passa um período de avaliação e adaptação em Katmandu a capital desse país. 9. JESSE E AS DUAS CRIANÇAS hindus selecionadas à candidato para indicação de Bodhisattava. Susan não vai ao Nepal. Contudo Dean e Jesse tomam o avião seguindo para esse país. Ao chegarem ficam encantados com a beleza dos templos e monumentos na cidade, bem como a simplicidade do povo. O menino desgarra-se de seu pai começando a passear pela cidade; logo encontrando a outra criança candidata à ser o Bodhisattiva. Nesse ínterim surge uma nova concorrente, uma garota adolescente que segundo sua mãe, recebera a visita em sua casa do Lama Dorje pouco antes de sua morte, segundo ela, ele tocou em sua barriga sabendo que estava grávida.  O lama Norbu e alguns assistente, junto como Dean e as duas crianças seguem para a casa dessa senhora, para se certificar da veracidade dos fatos. Ao final após o examine empírico doutrinário e a consulta ao oráculo, as três crianças foram habilitadas a serem a encarnação do Lama Dorje. Lama Norbu disse que esse fato pode acontecer, mas é raro, como no caso dos três pretendentes. Assim em uma cerimônia simples, eles foram introduzidos como Lamas, onde o lama Norbu os considerou seus mestres. 10. A MANDALA BUDISTA. Ela aparece duas vezes no filme, e seu significado em sânscrito é círculo, Entretanto possui outras representações – círculo mágico, concentração de energia e universalmente ela é o símbolo da integração e da harmonia. Referencialmente são diagramas geométricos ritualísticos; alguns deles correspondem concretamente a determinado atributo divino e outros são a manifestação de certa forma de encantamento. 11. O NASCIMENTO DE SIDDHARTA GAUTAMA. A rainha Maha Maya queria ter um filho e ansiava que fosse um menino. Assim em sonho, viu chegar perto dela um bebe elefante, que com sua tromba tocou lhe o corpo. Esse presságio positivo foi interpretado como uma revelação que ela ganharia uma criança, e meses depois nasce Sidharta. 12. O REI SUDHODANA pai de Siddartha, imaginando que ele o sucederia no trono, o capacita de todos os meios disponíveis em seu reino à prepará-lo para ser o futuro soberano. 13. O PREPARO FÍSICO INTELECTUAL de Sidharta. Gauthama como um arqueiro e jovem lutador. Desde a mocidade estava integrado a comunidade em seu reino, dividindo com os demais jovens os deveres sociais e preparando seu corpo para  as batalhas que teria que enfrentar. 14. O CANTO MÁGICO QUE FASCINOU SAKIAMUNY, mudando sua vida. Em sua mocidade um fato deu novo rumo as suas pretensões com o reino de seu pai. Ao ouvir o canto de um instrumento de corda sintonizada com uma voz feminina, ficou deslumbrado, querendo saber de onde era aquela música, sendo-lhe dito que era de um reino distante do seu. 15. SAKIAMUNY SAI DO PALÁCIO para conhecer o mundo exterior. O episódio da música, o encorajou a conhecer o que estava além dos muros de seu palácio real. Isso a contra gosto de seu pai que o projetara como soberano, insistindo pra que ficasse, pois tinha família e filhos que precisavam dele. Todavia nada desses deveres e apegos familiares e sociais o impediram de seu propósito de conhecer a natureza humana suas fraquezas, dor e sofrimento. Assim Sidharta ou Sakiamuny, encontrou pela primeira vez, a dor da realidade humana. Saindo do palácio deparou-se com uma pessoa doente, um idoso e um cadáver. Essa situação do testemunho da vulnerabilidade da vida humana deixou Sakyamuni triste e decepcionado. Ele, então, determinou-se à encontrar a completa liberdade do sofrimento. A cena onde uma pessoa é incinerada numa pira de madeira, faz o príncipe Gauthama derramar lágrimas. Nós ocidentais estranhamos cenas espontâneas de incineração, pois nossa tradição concebe, que após a morte de uma pessoa devemos preparar seu sepultamento, num cortejo de pranto e lamento. Isso tem relação com o conceito inerte e passivo de morte que foi implantado em nosso consciente. Um processo no qual a antiga pessoa, deve ficar aguardando um veredito de condenação ou salvação, para depois ser levada ao céu - para gozo e desfrute ou inferno – sofrimento e dor. No budismo como temos visto, a morte é o processo que nos introduz no "outro mundo"; onde começamos o outro lado da "vida", passando a viver um novo estágio que pode ser iniciado no Devachan. Uma espécie de céu, ou se não praticamos atos dignos e nobre de fraternidade em nossa vida anterior, iniciamos um processo de disciplina corretiva, que após completada entramos no Devachan. Sendo esse período deduzido de nosso mal carma da vida passada. Após esse intervalo, renasceremos para continuar nosso processo evolutivo até conseguirmos a iluminação e libertação completa; a condição de Budha. Desse modo a filosofia budista vê a morte num aspecto mais racional e lógico; menos sentimental e emocional como os ocidentais, que parece, não ter certeza do que acontecerá no pós morte, e o que enfrentarão nesse novo estágio da existência. 16. SIDHARTA ENTRE OS ASCETAS e sua iluminação. Sidharta queria descobrir uma maneira de eliminar os sofrimento. Como sua vida luxuosa não poderia livrá-lo da doença, velhice e morte, Sidharta trocou a vida palaciana pela vida ascética na floresta. Algum tempo depois, ele encontrou dois monges, que lhe ensinaram avançadas técnicas de meditação. Porém, eles não conseguiram satisfazer as dúvidas de Sidharta quanto a natureza do Eu, nem responder a pergunta como extinguir o sofrimento. Por seis anos Sidharta foi acompanhado por outros cinco ascetas; quando percebeu que o ascetismo não traria o resultado que procurava, ele abandonou este estilo de vida. Assim compreendeu que a vida palaciana e a vida ascética são dois extremos, sendo o ideal seguir o caminho do meio, o do despertar. Uma jovem ofereceu comida para Sidharta se alimentar normalmente. Os cinco asceta pensaram que ele tinha abandonado sua busca pela iluminação e partiram sem ele. Após recuperar a sua saúde, Sidharta foi para uma região chamada de círculo da iluminação, onde os iluminados atingiram o despertar. Próximo a um rio, sentou-se em postura de meditação, jurando para si mesmo que só se levantaria após atingir a iluminação. Com 36 anos de idade Sidharta compreendeu sua própria natureza bhúdica, e consequentemente compreendeu o sofrimento, sua causa, sua extinção e o meio para extingui-lo. Desse modo alcançou a iluminação, passando a ser conhecido como Budha o Desperto, o sábio dos Sakyas ou Sakyamuni. Ele continuou meditando por 49 dias. Nesse período ele sentiu compaixão por todos os seres sencientes (humanos e não humanos), decidindo ensinar o caminho a outras pessoas. 17. O BARQUEIRO DIZ AO SEU PUPILO: não estique a corda do instrumento para não quebras, e não afrouxe-a para que não consiga tocar. Essa foi a lição que Gauthama aprendeu ao viver com os ascetas, pois nenhum extremo é razoável para se ter equilíbrio espiritual e emocional. Precisa-se de autocontrole e harmonia para uma vida pautada pelo conhecimento e a sabedoria. 18. O DEMÔNIO MARA TENTA DESVIÁ-LO de seu nobre propósito. Mara tentou Sidharta com a ilusão (Maya) deste mundo. Essa doutrina de Maya tem significado complexo no budismo pois não pode ser real se considerarmos o Absoluto (Parabrahman), como a única realidade, mas não pode ser irreal pois é a base de todo o universo objetivo. A realidade última envolve assim a compreensão da natureza de Maya sem sua negação, mas distinguindo-a do Absoluto. 19. QUANDO LAMA NORBU MORRE, é incinerado e suas cinzas são entregue aos três garotos considerados a encarnação do Lama Dorje; três corpos com um espírito formando a unidade existencial. Rajul o menino nepalês solta as cinzas pelos ares em três pequenos balões. Gita a menina nepalesa joga as cinzas na raiz da árvore parecida com a que Sidharta recebeu a iluminação de Budha. E Jesse o menino americano, coloca no mar, dentro de uma tigela as cinzas do lama Norbu que é levada pelas ondas sumindo no horizonte. Gênesis 3,19 “No suor do teu rosto comerás o teu pão, até que te tornes à terra; porque dela fostes tomado; porquanto és pó e em pó te tornaras”. Eclesiastes 12,7 “E o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu”. 20. QUASE AO TÉRMINO DO FILME é recitado algumas frases do Sutra do Coração. "Oh! Shariputra, forma não se diferencia do vazio. Vazio não se diferencia da forma. Forma é exatamente vazio, vazio é exatamente forma. O mesmo é para sentido, impulso, percepção e consciência. Oh! Shariputra, todos os Dharmas, são marcados pelo vazio, não aparecem e nem desaparecem, não são puros e nem impuros, sem perda e nem ganhos. Portanto, no vazio não há formas, nem sensações, percepções, impulsos e consciências; não há olho, ouvido, nariz, língua, corpo e mente; não há cor, cheiro, sabor, tato, objeto do pensamento; sem o mundo da visão, sem o mundo da consciência, sem ignorância e o fim da ignorância; sem velhice, sem morte, e sem  fim da velhice e da morte. Sem sofrimento, sem causa de sofrimento, sem a sua extinção e sem objetivo; sem conhecimentos e sem ganhos; sem nada obter o Bodhisattiva em paz pratica o Prajna Paramitta". http://www.sotozencuritiba.org.br. Esse Sutra é muito lindo, e queria ter discernimento para falar um pouco dele. No entanto, minha experiência é superficial para abarcar tão grande conhecimento filosófico. Contudo posso apreciar essa beleza poética, e com o tempo ter experiências de viver esse Sutra. Encorajo a todos os leitores assistirem. O Filme está disponível no youtube, dublado em vários idiomas. Abraço. Davi.

segunda-feira, 29 de novembro de 2021

PARÁBOLA DOS TALENTOS

 

Cristianismo. Editor do Mosaico. Estive num culto à noite chegando na hora da mensagem por circunstâncias justificáveis. A palavra compartilhada nas Escrituras Sagradas, mencionou o evangelho de Mateus 25:14-30, o famoso texto da PARÁBOLA DOS TALENTOS. “Digo também que o Reino será como um senhor que, ao sair da viagem, convocou seus servos e confiou-lhes os seus bens. A um deu cinco talentos, a outro, dois e a outro um talento: a cada um conforme a sua capacidade pessoal. E, em seguida, partiu de viagem. O que havia recebido cinco talentos saiu imediatamente. Investiu-os, e ganhou mais cinco. Da mesma forma, o que recebera dois talentos ganhou outros dois. Entretanto, o que tinha recebido um talento afastou-se, cavou um buraco na terra e escondeu o dinheiro que o seu senhor havia confiado aos seus cuidados. Após um longo tempo, retornou o senhor daqueles servos e foi acertar contas com eles. Então, o servo que recebera cinco talentos, informando: O senhor me confiou cinco talentos; eis aqui mais cinco talentos que ganhei. Respondeu-lhe o senhor: Muito bem, servo bom e fiel! Foste fiel no pouco, muito confiarei em tuas mãos para administrar. Entra e participa da alegria do teu senhor! Assim também, aproximou-se o que recebera dois talentos e relatou: Senhor, dois talentos me confiaste; trago-lhe mais dois talentos que ganhei. O senhor lhe disse: Muito bem, servo bom e fiel! Foste fiel no pouco, muito confiarei em tuas mãos para administrar. Entra e participa da alegria do teu senhor! Assim também, aproximou-se o que recebera dois talentos e relatou: Senhor dois talentos me confiaste; trago-lhe mais dois talentos que ganhei. O senhor lhe disse: Muito bem, servo bom e fiel! Foste fiel no pouco, muito confiarei em tuas mãos para administrar. Entra e participa da alegria do teu senhor! Chegando, finalmente, o que tinha recebido apenas um talento, explicou: Senhor, eu te conheço, sei que és um homem severo, que colhe onde não plantou e ajunta onde não semeou. Por isso, tive receio e escondi no chão o teu talento. Aqui está, toma de volta o que te pertence. Sentenciou-lhe, porém, o senhor: Servo mau e negligente! Sabias que colho onde não plantei e ajunto onde não semeei! Então, por isso, ao menos devíeis ter investido meu talento com os banqueiros, para que quando eu retornasse, o recebesse de volta, mais os juros. Sendo assim, tirai dele o talento que lhe confiei e dai-o ao servo que agora está com dez talentos. Pois a quem tem, mais lhe será confiado, e possuirá em abundância. Mas a quem não tem, até o que tem lhe será tirado. Quanto ao servo inútil, lançai-o para fora, às trevas. Ali haverá muito pranto e ranger de dentes. O juízo final”. Pastor Caio Fábio começou citando o Texto de Colossenses 3:15 “Seja a paz de Cristo o juiz em vossos corações, tendo em vista que fostes convocados para viver em paz, como membros de um só corpo. E sede agradecidos”. A gratidão é um dom que todos os humanos têm, mas que precisa ser exercitado nos momentos e ambientes onde estamos inseridos. Um coração agradecido produz paz a nós e aqueles com os quais mantemos contato, seja direta ou indiretamente. Ao contrário a ingratidão demonstra nossa ignorância e mesquinhez de querer satisfazer nosso desejo pessoal, não se importando com atitudes que elevam nossa alma e produzem bem estar contínuo. O pregador por ter formação psicanalítica abordou o assunto de maneira nova, a margem dum viés teologizado, dando oportunidade ao ouvinte de entender o assunto dentro de sua limitação, sem a conclusão prefixada do credo cristão implantado no inconsciente coletivo. Segue as impressões que tive quanto ao panorama usado na explanação. Enfatizou o ser e o ente (grosso modo na filosofia o ser é o indivíduo e o ente são as coisas e objetos) na perspectiva existencial. O grupo de pessoas na parábola, a qual foi dado os talentos representam nossa experiência vivencial. Falou-se sobre um despertar da vida que todos precisamos em algum momento atingir em nossa passagem pela terra. Como ele é manauara, nascido na cidade de Manaus, contou seu insight revelado quando tinha 7 anos no pátio do colégio onde estudava, brincando com saúvas que carregavam folhas dez vezes maiores que elas. Ele bloqueava a passagem delas com obstáculos, dificultando-lhes o trabalho que tinham de levar as folhas ao formigueiros. Também colocava-as para lutarem; reconhecendo instantes depois sua maldade com seres senscientes (que percebem pelos sentidos através de impressões) tão envolvido em objetivos comuns. De repente, olhando pro céu, viu  um infinito azul que atingia toda abóbada celeste. Sua escola estava numa elevação da capital do estado do Amazonas. Caindo em si, percebeu seu ignóbil ato contra os insetos, e viu que, de alguma forma poderia ajudar a humanidade das pessoas em sua caminha pela vida. Esse insight existencial, segundo abordou, determina os talentos que teremos e como aumentá-lo para o bem daqueles a nossa volta. Os talentos não são uma manufatura em série ou uma especificação de um produto espiritual como geralmente somos induzidos a imaginar. Porém um dom que está latente em nós; exemplificando um desejo de aprender a dançar, escrever poesia, tocar um instrumento musical, praticar o voluntariado dando assistência à alguma casa de criança carente ou de idoso, praticar atos generosos. Além de muitos outros “ofícios” escondidos em nós, esperando que o despertemos. Esse se “descobrir” ou descortinar-se para ocorrer, é antecipado por provas ou eventos marcantes que enfrentamos, alguns dentro duma perspectiva de angústia, tristeza ou sofrimento capazes de mudar a trajetória que estávamos percorrendo, outros, normalmente em nossa caminhada pela vida. Cada um tem esse potencial oculto (dom ou talento) na medida da proporção do desenvolvimento existencial. A quantidade, tamanho ou volume não tem relevância  como projeção individual, já que todos prestaremos contas daquilo que recebemos do Senhor, conforme é claramente ensinado pelo Mestre. Uma coisa é certa devemos duplica-lo como visto na alegoria bíblia. Caso contrário enfrentaremos a consequência da passividade e negligência de nossos atos. O que recebeu cinco multiplicou outros cinco, o que teve dois granjeou outros dois; adquirindo esses o direito de entrar no gozo do Senhor. Aqui está implícito que nada nos é concedido além de nossas possibilidades, pois a justiça divina usa a equanimidade como modelo para medir nossas atitudes, palavras e pensamentos. Devemos interiorizar nosso ser para ter a experiência do eu absoluto, do contrário, desfragmentado pela exteriorização da nossa natureza, fica impossível sermos um todo no meio das partes. Na prática não conhecemos nossa essência divina, pois priorizamos o ter, o prazer, o desejar, o apegar; mas ao constatar num vislumbre quem somos tendemos a fugir da imagem refletida no invisível espelho da vida. A partir de nossa auto aceitação começamos a pluralizar os talentos adquiridos não almejando nenhuma recompensa ou troca, apenas o desejo pelo serviço realizado na virtuosidade. O “entrar no gozo” é a alegria e felicidade de poder ser útil a alguém ou fazer-se agradável a qualquer ser ou ente que necessite da expressão de amor ou compaixão. Aqui não é uma esfera física de conforto ou refrigério, mas uma sensação produzida pelo consciente de paz e harmonia com a natureza em suas variadas manifestações. Essa sensibilidade do “entrar” é a ponte que une o eu inferior (personalidade) terreno; purificada pela beatitude espontânea do Eu superior (individualidade) celestial. O que recebeu um talento com medo de seu senhor, o enterrou na terra. Aqui inferimos que a atitude desse servo é um retrato de seu desinteresse em desenvolver sua espiritualidade, vivendo na timidez e tendo o medo como empecilho para encontrar seu dom. Uma covardia que estereotipava sua compreensão da realidade do seu senhor que não era nada daquilo que ele imaginava ser. Ele tinha uma visão de Deus como um carrasco tirânico, implacável e impiedoso juiz. Não percebia, em sua cegueira e ignorância, que a misericórdia e graça divina são infinitamente maiores que nossas falhas e pecados. Sendo que o Inominável e Incognoscível não tinha e nem tem o desejo de “lançar” nenhuma de suas criaturas viventes “nas trevas exteriores, onde há choro e ranger de dentes”. Somos responsáveis pelo que fazemos à todos os seres, tendo nossas ações consequências no mundo físico e espiritual como é dito em Lucas 6:43 “ Não existe árvore boa produzindo fruto mau, nem inversamente, uma árvore má produzindo bom fruto. Pois cada árvore é conhecida pelo seu próprio fruto”. Gálatas 6:7 “Não vos enganeis: Deus não se permite zombar. Portanto, tudo o que o humano semear, isso também colherá!” Esse ajuste de contas à pagar podemos pensá-lo, para efeito duma melhor compreensão num aspecto metafórico existencial. Suponho não ser baseado no conceito do maniqueísmo do bem e mal, certo ou errado que tendem a manifestar o materialismo e determinismo teológico. Entretanto, de conformidade com o monismo que percebe o sumo bem, sendo o mal uma ausência do bem e não seu oponente confrontador. Encaminhando esse processo (bem) à interação e harmonia do homem com a natureza onde há uma dependência dum em relação ao outro. O acerto vem no tempo e espaço, no aqui e agora sem a futurologia teleológica (finalidade) que o dogma costuma trazer como explicação desse evento bíblico. Se temos dívida à acertar limitadas pelo tempo e espaço em que existimos como quitar esse débito num âmbito eterno? Isso não é justo e nem razoável dentro do entendimento humano. Assim, esse ônus espiritual, ocorre “momentos” antes de temporariamente interrompida nossa existência na terra. Quando damos nosso último suspiro, nossa consciência, mesmo que em fração de segundo, perpassa aquilo que fizemos ou deixamos de fazer (multiplicando ou enterrando o dom ou talento) agradando ou desagradando ao Senhor da vida. Assim, quanto antes despertarmos ou sermos iluminados para a necessidade de desenvolvermos esse carisma, estaremos ganhando tempo e desenvolvendo nossa salvação. O orador disse que esse processo é realizado diferentemente em cada indivíduo. Alguns tem esse despertar ainda criança, outros quando adolescentes, também na fase adulta e ainda na velhice. Acontece que quanto mais o “procedimento” é retardado se perde precioso tempo com futilidades (trivialidades) da vida acentuando-se o maniqueísmo (bem e mal), desviando-se do propósito original pelo qual os viventes foram criados e estão em fase de crescimento e aumento da consciência interior. A demora nos expõe a temeridade abrindo nosso ser a energias negativas que captada pelo inconsciente produz o tédio, ansiedade e abatimento. Uma situação anormal que é revertida com a coragem de assumirmos quem somos, mesmo não sabendo exatamente o que somos. O eu inferior é representado pela personalidade, que transitória vai se desfazendo na medida que a velhice e morte vão se aproximando. Numa leitura mística é como alguém que se veste pela manhã (nascimento) e a noite se despe desse manto quando vai dormir (morte). O Eu Superior é nossa individualidade manifesta em nosso espírito incriado perene e eterno. É nele que os talentos se manifestam ganhando expansão de nossa interioridade, uma auto multiplicação de Deus em nossa natureza humana. Eles (talentos) não podem ter a materialização da recompensa, pois teoricamente são substâncias informes sem uma significação material. A expansão do divino na fragilidade existencial tem, imagino, por objetivo  absolver o humano completamente no divino. Filipenses 2:12-13 “Sendo assim, meus amados, como sempre obedecestes, não somente na minha presença, porém muito mais agora na minha ausência, colocai em prática a vossa salvação com reverência e temor a Deus. Pois é Deus quem produz em vos tanto o querer como o realizar, de acordo com a sua vontade”. Abraço. Davi.

sábado, 27 de novembro de 2021

O KAMA LOKA

 

Teosofia. www.verdademundial.com.br. O OCEANO DA TEOSOFIA – O KAMA LOKA. Tendo passado por todo o campo da evolução das coisas e seres de uma maneira geral, vamos considerar agora os estados do homem após a morte do corpo e antes do nascimento. Isso nos traz de imediato as seguintes questões: Há algum paraíso ou inferno, e onde eles ficam? Eles são lugares ou estados? Há um ponto no espaço onde eles possam ser encontrados e para os quais nós vamos, ou de onde nós viemos? Também devemos retomar o assunto do quarto princípio da constituição humana, aquele princípio chamado Kama em sânscrito, e Paixões ou Desejos nos idiomas ocidentais. Tendo em mente o que foi dito sobre aquele princípio, e também o ensinamento a respeito do corpo astral e da Luz Astral [1] será mais fácil entender o que é ensinado sobre os dois estados, anterior e posterior à morte. Em ordem cronológica, nós vamos para o kama-loka – ou o plano do desejo – logo após a morte do corpo, e mais tarde os princípios mais elevados, que formam o homem real, entram no estado de devachan. Depois de tratar do kama-loka, será mais fácil estudar a questão do devachan. O sopro deixa o corpo e dizemos que o homem está morto, mas isso é apenas o começo da morte; ela prossegue em outros planos. Quando a estrutura física está fria e os olhos fechados, todas as forças do corpo e da mente se lançam através do cérebro, e através de uma série de imagens toda a vida recém-terminada é impressa indelevelmente no homem interior; não apenas em linhas gerais, mas até o mínimo detalhe, e mesmo no caso de impressões minúsculas e passageiras. Nesse momento, embora todas as indicações levem o médico a declarar o óbito, e embora do ponto de vista prático externo a pessoa já esteja morta, o homem real está ocupado em seu cérebro, e só depois do trabalho ali ser concluído é que a pessoa se vai. Quando esse trabalho solene está terminado, o corpo astral se destaca do físico, e a energia vital tendo partido, os quatro princípios remanescentes [2] ficam no plano de kama-loka. A separação natural dos princípios, trazida pela morte, divide o homem total em três partes: Primeiro, o corpo visível com todos os seus elementos deixados para posterior desintegração no plano terrestre, onde tudo que o compõe será a seu tempo dissolvido nos diferentes aspectos da natureza. Segundo, o Kama rupa, constituído do corpo astral e das paixões e desejos, que também começa logo a se desintegrar no plano astral. Terceiro, a tríade superior, Atma-Buddhi-Manas, o homem real. Ele não está morto, mas agora está fora das condições terrestres, desprovido de corpo, e começa a funcionar no devachan apenas como mente. Ele fica então coberto por uma veste muito etérea, que irá abandonar quando tiver chegado a hora de retornar à terra. O kama-loka ou o lugar dos desejos é a região astral que permeia e rodeia a terra. Como lugar, ele está acima, dentro e em volta da terra. Sua extensão vai até uma distância mensurável da terra, mas as leis habituais que agem aqui não agem lá, e as entidades lá não estão sob as mesmas condições de espaço e tempo em que nós estamos.  Como um estado, ele é metafísico, embora esta metafísica se relacione com o plano astral. É chamado de plano do desejo porque se relaciona com o quarto princípio, e nele a força dominante é o desejo destituído de inteligência manásica e divorciado dela. É uma esfera astral intermediária entre a vida terrena e a celeste. Sem sombra de dúvida, esta é a origem da teoria cristã do purgatório, onde a alma passa por punições pelo mal feito, e do qual ela pode ser liberada pela oração e outras cerimônias e oferendas. O fato subjacente a essa superstição é que a alma pode ficar detida em kama-loka pela força de algum enorme desejo insatisfeito, sem poder se livrar das vestimentas astrais e kâmicas até que o desejo seja satisfeito por alguém na terra, ou pela alma em si. Mas se a pessoa tinha a mente pura e altas aspirações, a separação dos princípios naquele plano é completada logo, permitindo que a tríade superior siga para o devachan.  Como este plano é feito apenas de esfera astral, ele partilha da natureza da matéria astral que é essencialmente terrestre e maldosa. Nela todas as forças agem sem a direção da alma ou da consciência no sentido superior.  Este astral é o esgoto, por assim dizer, da grande fornalha da vida, que a natureza provê para lançamento dos elementos que não terão lugar no devachan, e por essa razão deve ter vários estágios, cada um dos quais foi observado pelos antigos. Esses estágios são conhecidos em sânscrito como lokas ou lugares, em um sentido metafísico. A vida humana é muito variada, e para cada uma das suas potencialidades é dado um lugar apropriado após a morte, o que faz de kama-loka uma esfera infinitamente variada. Na vida, algumas das diferenças entre os homens são modificadas e algumas são inibidas por uma similaridade de corpo e de hereditariedade, mas em kama-loka todas as paixões e  desejos ocultos são liberados em consequência da ausência de corpo, e por essa razão o estado é imensamente mais diversificado do que no plano da vida. Não apenas é necessário enfrentar as diferenças e variedades naturais, mas também aquelas causadas pelo tipo de morte, sobre o que algo deve ser dito. E todas essas divisões são apenas o resultado natural dos pensamentos durante a vida e dos últimos pensamentos de cada pessoa que morre na terra. Está além do alcance deste trabalho entrar na descrição de todos esses estágios, já que volumes inteiros seriam necessários para descrevê-los, e, ainda assim, poucos entenderiam. Lidar com o Kama-loka nos obriga a lidar também com o quarto princípio na classificação da constituição do homem, e cria um conflito com as ideias e a educação modernas quanto ao tema de desejos e paixões. Em geral se supõe que os desejos e as paixões são tendências inerentes ao indivíduo. O tema tem uma aparência irreal e nebulosa para o estudante comum. Mas de acordo com esse sistema filosófico, elas não são apenas inerentes ao indivíduo, nem são devidas ao corpo em si.  Enquanto o homem está vivendo no mundo, os desejos e as paixões – o princípio kama – não têm vida separada do homem astral e interior. Eles estão, por assim dizer, distribuídos por todo o seu Ser. Mas como eles se unem ao corpo astral depois da morte, desta maneira formando uma entidade com seu prazo próprio de vida embora sem alma [3], questões muito importantes surgem. Durante a vida mortal, os desejos e paixões são guiados pela mente e pela alma; após a morte eles funcionam sem a direção do antigo mestre. Enquanto vivemos, somos responsáveis por eles e por seus efeitos, e quando deixamos essa vida ainda somos responsáveis, embora eles continuem a trabalhar e a provocar efeitos nos outros enquanto durarem nas condições que descrevi, e sem o nosso comando direto. Nisso é vista a continuidade da responsabilidade. Eles são uma parte dos skandhas [4] – bem conhecidos na filosofia oriental – que são os agregados formadores do homem. O corpo inclui um conjunto de skandhas, o homem astral outro, o princípio kama é outro conjunto, e ainda outros se referem a outras partes. Em kama estão aqueles realmente ativos e importantes, que controlam os renascimentos e levam a todas as variedades de vida e circunstâncias a cada renascimento. Eles são formados no dia-a-dia de acordo com a lei segundo a qual todo pensamento se combina instantaneamente com uma das forças elementais da natureza, tornando-se nesta medida uma entidade que irá durar de acordo com a força do pensamento com que deixa o cérebro, e todos eles estão inseparavelmente conectados com o ser que os produziu. Não há modo de escapar; tudo o que podemos fazer é ter pensamentos de boa qualidade, pois mesmo os maiores Mestres não estão excluídos dessa lei, mas eles “povoam sua corrente no espaço” com entidades potentes apenas para o bem. Em kama-loka, essa massa de desejos e pensamentos existe de modo muito definido até o término de sua desintegração, e então os remanescentes consistem da essência desses skandhas, conectados, é claro, com o ser que os teve e que os produziu. Eles não podem ser apagados, assim como não se pode desmanchar o universo. Então se diz que eles permanecem até que o ser saia do devachan. Quando isso ocorre, eles são levados imediatamente até o ser, pela lei da atração.  Eles servem como base ou germe, e a partir deles o ser constrói um novo conjunto de skandhas para a próxima vida. O kama-loka é, portanto, diferente do plano terreno porque nele a massa de paixões e desejos está descontrolada e sem direção. Mas ao mesmo tempo a vida terrestre é também um kama-loka, já que é largamente governada pelo princípio kama, e assim o será até o dia distante em que no curso da evolução, as raças dos homens terão desenvolvido o quinto e o sexto princípios, limitando desta forma  kama à sua própria esfera e livrando a vida terrestre da sua dominação. Os restos do homem astral em kama-loka são apenas uma casca desprovida de mente e de alma, sem consciência e também incapaz de agir, a menos que seja vivificada por forças externas.  A casca tem algo que se parece com uma consciência animal ou automática, apenas por causa da sua associação muito recente com um Eu humano. Pois de acordo com o princípio exposto em outro capítulo, todo átomo que vai integrar um homem tem uma memória própria, a qual é capaz de durar um período de tempo proporcional à força dada a ele. No caso de uma pessoa muito material e bruta, ou egoísta, a força dura mais do que em qualquer outra, e assim nesse caso a consciência automática será mais definida e desorientadora para alguém que, por não ter conhecimento, se envolve com necromancia.  Sua porção puramente astral contém e carrega o registro de tudo que se passou perante a pessoa enquanto viva, pois uma das funções da substância astral é absorver todas as cenas, quadros e impressões de todos os pensamentos, para retê-los, e lançá-los adiante por reflexo, quando as condições o permitirem. Essa casca astral, deixada para trás por todo homem ao morrer, seria uma ameaça a todos os homens, não fosse desprovida, em todos os casos − exceto em um que deverá ser mencionado − dos princípios superiores, que são os diretores. Mas como os elementos que servem de guia já estão separados da casca, ela tremula e flutua de um lugar ao outro sem qualquer vontade própria, mas governada apenas pelas atrações dos campos astrais e magnéticos. É possível ao homem real – chamado de “espírito” por alguns – comunicar-se conosco imediatamente após a morte, por uns poucos breves instantes; mas, quando estes passaram, a alma nada mais tem a ver com a terra até reencarnar. O que pode influenciar e de fato influencia o médium e o sensitivo a partir dessa esfera são as Cascas que descrevi. Sem alma e sem consciência, elas não são, em sentido algum, os espíritos dos nossos mortos. Elas são os trajes jogados fora pelo homem interior, a porção grosseiramente terrena descartada no voo para o devachan, e sempre foram consideradas pelos antigos como demônios – nossos demônios pessoais – porque são essencialmente astrais, terrenas e passionais. Seria estranho, de fato, se uma tal Casca, depois de ser por tanto tempo o veículo do verdadeiro homem na terra, não retivesse uma memória e consciência automáticas.  Se vemos o corpo decapitado de uma rã ou de um galo se movendo e atuando por um tempo com uma inteligência aparente, por que então não seria possível para a forma astral, mais fina e sutil, agir e mover-se com um grau muito maior de aparente direcionamento mental? Na esfera de kama-loka − como, de fato, também em todas as partes do globo e do sistema solar − estão os elementais, ou forças da natureza. Eles são inumeráveis e seus tipos são quase infinitos, uma vez que são, em certo sentido, os nervos da natureza. Cada classe tem seu próprio trabalho tal como o tem cada coisa ou elemento natural. Assim como o fogo queima e a água rola para baixo e não para cima de acordo com a lei geral, assim também os elementais agem sob a lei, mas como eles estão mais acima na escala do que a água e o fogo brutos, suas ações parecem guiadas por uma mente. Alguns deles têm uma relação especial com as operações mentais e com as ações dos órgãos astrais, quer estejam ligados ou não a um corpo. Quando um médium forma o canal, e também por outros processos, esses elementais fazem uma conexão artificial com a casca da pessoa morta, ajudados pelo fluido nervoso do médium e dos outros que estão por perto. Assim a casca é galvanizada para que tenha uma vida artificial. Através do médium, é feita uma conexão com as forças físicas e psíquicas de todos os presentes.  As impressões antigas do corpo astral projetam suas imagens sobre a mente do médium, e as antigas paixões são atiçadas. Várias mensagens e relatos são então obtidos daí, mas nenhum deles é original, nenhum é do espírito. Por sua estranheza, e em consequência da ignorância daqueles que se envolvem nesse campo, isso é encarado como obra do espírito, mas tudo vem dos vivos, quando não é uma mera coleta, na luz astral, de imagens do que aconteceu no passado. Em certos casos a serem mencionados, há uma inteligência trabalhando que é total e intensamente ruim, à qual todo médium está sujeito, e isso explica por que tantos deles sucumbiram ao mal, como têm confessado. Uma classificação simples dessas cascas que visitam os médiuns será como se segue: (1) As cascas de pessoas recentemente falecidas, cujo local de sepultamento não está muito longe. As cascas desse tipo são bem coesas e correspondem à vida e ao pensamento do antigo dono. Uma pessoa boa, não-materialista e espiritualizada deixa uma casca que logo se desintegrará. A casca de uma pessoa bruta, má, egoísta e materialista será pesada, consistente e duradoura, e isso ocorre com todas as variedades. (2)  As cascas de pessoas que morreram longe do lugar onde o médium está. O lapso de tempo permite que escapem das cercanias de seus antigos corpos, e ao mesmo tempo traz um grau maior de desintegração, que corresponde no plano astral ao que é a putrefação no físico. Estas cascas são vagas, sombrias, incoerentes; respondem apenas brevemente a estímulos psíquicos, e são dispersas por qualquer corrente magnética. Elas são galvanizadas momentaneamente pelas correntes astrais do médium e daquelas pessoas presentes que eram relacionadas com o falecido. (3) Remanescentes puramente sombrios, aos quais mal se pode atribuir um local. Não há uma palavra nos idiomas ocidentais para descrevê-los, embora sejam fatos reais nessa esfera. Pode-se dizer que são o mero molde ou impressão deixada na substância astral pela casca anteriormente coesa e há muito desintegrada. Tais cascas estão, por conseguinte, tão próximas de serem fictícias que quase merecem essa designação. Como fotografias sombrias, elas são ampliadas, embelezadas e lhes é dada uma vida imaginária pelos pensamentos, desejos, esperanças e ideações do médium e dos assistentes da sessão. (4) Entidades definidas, consistentes, almas humanas desprovidas de vínculo espiritual, tendendo agora ao pior estado de todos, avitchi, onde a aniquilação da personalidade é o fim. Tais seres são conhecidos como magos negros. Tendo concentrado a consciência no princípio kama, preservaram o intelecto, divorciaram-se do espírito, e são os únicos seres condenados que conhecemos. Em vida, tiveram corpos humanos e alcançaram seu estado terrível através de vidas em que persistiram na maldade pela maldade. Alguns seres, já condenados a se tornarem o que é descrito aqui, estão hoje entre nós na terra. Estas não são cascas comuns, pois centraram toda a sua força em kama, jogaram fora qualquer fagulha de bom pensamento ou aspiração e têm completo domínio da esfera astral. Eu coloco tais seres na classificação de Cascas porque o são, no sentido de que estão condenados à desintegração consciente, enquanto as outras terão o mesmo fim apenas mecanicamente. Estas cascas podem durar, e duram de fato ao longo de muitos séculos, satisfazendo seus apetites através de qualquer sensitivo de quem possam se apoderar, e onde o mau pensamento lhes abra uma brecha.   Eles presidem quase todas as sessões espíritas, adotando nomes importantes e assumindo o comando de modo a manter o controle e continuar a ilusão do médium, assim se habilitando a ter um canal conveniente para seus próprios objetivos maldosos. De fato, usando as cascas dos suicidas, ou daqueles pobres coitados que morrem sob as penas da lei, ou dos bêbados e dos glutões, esses magos negros que vivem no mundo astral se apoderam do campo da mediunidade e são capazes de invadir a esfera de qualquer médium, por melhor que ele seja. A porta, uma vez aberta, está aberta para todos. Esse tipo de Casca perdeu o manas superior, e não só na luta após a morte, mas também na vida. A porção inferior de manas, que deveria ter sido elevada a uma excelência divina, foi arrancada do seu senhor e agora dá inteligência a essa entidade, que é desprovida de espírito mas tem a possibilidade de sofrer, e o fará quando seu dia final chegar. No estado de kama-loka, os suicidas e aqueles que são subitamente expulsos da vida por acidente ou assassinato, legal ou ilegal, passam um período quase igual à duração da vida que teriam se não tivesse ocorrido a sua interrupção súbita. Estes não estão realmente mortos. Para haver uma morte normal, deve estar presente um fator não reconhecido pela ciência médica. Os princípios do ser, conforme descritos nos capítulos anteriores, têm seus próprios prazos de coesão. Quando chega o seu final natural, eles se separam uns dos outros de acordo com suas próprias leis. Isso envolve o grande tema das forças coesivas no indivíduo humano, o que necessitaria um livro à parte.  Devo me contentar, portanto, com a afirmação de que essa lei de coesão atua nos princípios humanos.  Antes daquele fim natural, os princípios são incapazes de se separar. Obviamente, a destruição normal das forças coesivas não pode ser conseguida por processos mecânicos, exceto no que diz respeito ao corpo físico. Assim, um suicida, ou um indivíduo morto por acidente ou assassinado por outro homem −  ou por imposição da lei humana − não chegou ao término natural das forças de coesão que unem os seus outros elementos constituintes, e é lançado ao estado de kama-loka apenas parcialmente morto. Lá os princípios remanescentes têm que esperar até que o fim natural da vida seja alcançado, seja isso um mês ou sessenta anos. Mas os graus de kama-loka atendem as muitas variedades de cascas mencionadas acima. Algumas passam o período em grande sofrimento; outras, em um tipo de sono com sonhos, cada uma de acordo com a responsabilidade moral. Os criminosos executados são em geral lançados para fora da vida cheios de ódio e vingança, sofrendo uma penalidade na qual eles não reconhecem justiça. Eles ficam sempre reencenando no kama-loka o seu crime, seu julgamento, sua execução e sua vingança. E sempre que podem ter contato com uma pessoa viva sensitiva, médium ou não, tentam injetar pensamentos de assassinato e outros crimes no cérebro do infeliz. O fato de que eles obtêm sucesso em tais tentativas é conhecido pelos estudantes mais sérios de Teosofia. Agora nos aproximamos do tema do devachan. Depois de certo tempo no kama-loka, o indivíduo saudável alcança um estado de inconsciência que precede a mudança para o próximo estado. É como o nascimento para a vida, após um período de escuridão e sono pesado. Ele então acorda para a felicidade do devachan. [5] NOTAS: [1] Veja os capítulos anteriores da presente obra. (NT) [2] “Quatro princípios remanescentes”. Esta é a correção de um erro. No original em inglês, lemos, certamente por um erro de revisão, “cinco princípios remanescentes”. Ocorre que há sete princípios, e o terceiro princípio, linga-sharira, é inseparável do segundo princípio, prana, morrendo junto com ele e com o corpo físico. Nas Cartas dos Mahatmas, lemos: “Quando o homem morre os seus segundo e terceiro princípios morrem com ele; a tríade inferior desaparece, e o quarto, o quinto, o sexto e o sétimo princípios formam o quaternário sobrevivente.” A afirmação está na resposta 5 da Carta 68, em “Cartas dos Mahatmas para Alfred  Percy Sinnett (1840-1921)”, Ed. Teosófica, Brasília, vol. 1, primeiras linhas da p. 302.  Confirmando este fato, nas próximas frases W. Q. Judge não menciona como sobrevivente o terceiro princípio, linga-sharira.  (NT) [3] A “ausência de alma” ocorre porque o foco central de consciência elevou-se em direção ao Devachan. Esta Casca abandonada pode ser chamada de “Elementário”.  Ela vagueia algum tempo antes de desfazer-se. Veja a resposta 5, na Carta 68, de “Cartas dos Mahatmas”, obra citada. (NT) [4] Skandhas – registros cármicos. (NT) [5] O próximo capítulo de “O Oceano da Teosofia” é dedicado ao Devachan – o “plano  sagrado”  em que a alma vive entre uma encarnação e outra. (NT). www.verdademundial.com.br. Abraço. Davi

quinta-feira, 25 de novembro de 2021

DEUS RESPONDE AS NOSSAS ORAÇÕES

 

Cristianismo. www.suaescolha.com. Texto de Marilyn Adamson. DEUS RESPONDE AS NOSSAS ORAÇÕES. Você conhece alguém que realmente confia em Deus? Quando era ateia, uma grande amiga minha costumava me contar toda semana algo específico pelo que ela estava orando, na certeza de que Deus iria tomar providências. E toda semana eu costumava contemplar Deus agindo de maneira incomum para responder suas orações. Você sabe como é difícil para uma ateia observar fatos como esses, semana após semana? Depois de um certo tempo, dizer que não passava de “coincidências” se tornou um argumento muito fraco. Então, por que Deus respondia as orações da minha amiga? A maior razão para isso é porque ela tinha um relacionamento íntimo com Ele, desejava segui-lo e, realmente ouvia o que Ele tinha a dizer. Em sua mente, Deus tinha o direito de dirigir sua vida e ela o fazia se sentir bem-vindo para fazer justamente isso! Quando ela orava por determinada coisa, era porque, de certa forma, se sentia muito confortável ao se achegar a Deus com suas necessidades, suas preocupações, ou qualquer assunto referente a sua vida. Além disso, estava convencida, pelo que lia na Bíblia, que Deus queria mesmo que ela descansasse nele assim. Ela basicamente colocava em prática o que esta frase bíblica diz: “Esta é a confiança que temos ao nos aproximarmos de Deus: se pedirmos alguma coisa de acordo com a sua vontade, ele nos ouve.” (1 João 5,14) “Porque os olhos do Senhor estão sobre os justos e os seus ouvidos estão atentos à sua oração, mas a face do Senhor está contra os que praticam o mal.” (1 Pedro 3,12). Então, por que Deus nem sempre responde às orações de todos? Pode ser porque nem todos tenham um relacionamento com Ele. Eles devem saber que Deus existe, devem até adorar a Deus de vez em quando. Mas esses que nunca parecem ter suas orações respondidas, provavelmente não desenvolveram um relacionamento com Deus. Além disso, eles nunca devem ter recebido de Deus perdão completo de seus pecados. “O que uma coisa tem a ver com a outra?”, você deve estar se perguntando. Aqui está a explicação: “Certamente, o braço do Senhor não está encolhido para salvar, nem seu ouvido fechado para ouvir. Mas suas iniqüidades separaram vocês de Deus. Seus pecados esconderam a face dele de vocês, então ele não os irá ouvir.” (Isaías 59,12). É muito natural sentir essa separação de Deus. Quando as pessoas se voltam para Ele a fim de colocá-lo a par de algo, ou para pedir algo, o que geralmente elas fazem? Começam dizendo: “Deus, eu realmente preciso da tua ajuda neste problema (…)”. E aí há uma pausa, seguida de: “Eu sei que não sou uma pessoa perfeita, que realmente não tenho direito nenhum de te pedir isso (…)”. Existe um conhecimento pessoal de pecados e fracassos. E a pessoa sabe que Deus está ciente disso também. Há uma noção de: “Com quem penso que estou brincando?”. O que eles não devem saber é como podem receber o perdão de Deus por todos os seus pecados e como podem desenvolver um relacionamento pessoal com Deus, para que então Ele possa ouvi-los. Este é o fundamento básico para que Deus responda suas orações. Como Orar: O Fundamento Básico. Primeiro você deve começar um relacionamento com Deus. Imagine que um rapaz chamado Marcos decide pedir ao reitor da Universidade de Federal do Rio de Janeiro (alguém que ele nem ao menos conhece) que autorize o empréstimo de um carro para ele. Marcos teria chance nula de conseguir ser atendido. (Estamos presumindo que o reitor da UFRJ não seja idiota). Por outro lado, se a filha deste mesmo reitor pedisse a seu pai que autorizasse um empréstimo de carro para ela, não haveria problema algum. Um relacionamento pessoal conta muito. Com Deus, quando alguém é verdadeiramente seu filho, quando alguém pertence a Ele, Ele o conhece e ouve suas orações. Jesus disse: “Eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem. As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna, e elas jamais perecerão; ninguém as poderá arrancar da minha mão.” (João 10,14, 27-28). Quando o assunto é Deus, você realmente o conhece? E Ele conhece você? Você tem um relacionamento com Ele que garanta a resposta de suas orações? Ou Deus está bem distante, sendo apenas um conceito em sua vida? Se Deus está distante, ou você não tem certeza de que o conhece, aqui está uma maneira de começar a se relacionar com Ele agora mesmo: Conhecendo Deus pessoalmenteSerá que Deus vai responder sua oração definitivamente? Para aqueles que realmente o conhecem e descansam nele, Jesus parece ser muito generoso em sua oferta: “Se vocês permanecerem em mim, e as minhas palavras permanecerem em vocês, pedirão o que quiserem, e lhes será concedido.” (João 15,7) “Permanecer” em Cristo e ter as palavras dele dentro de nós significa que conduzimos nossas vidas sob o comando dele, descansando nele, ouvindo o que Ele tem a dizer. Assim, estaremos aptos a pedir a Deus qualquer coisa que desejarmos e Ele responderá. Aqui está outra vantagem: “Esta é a confiança que temos ao nos aproximarmos de Deus: se pedirmos alguma coisa de acordo com a sua vontade, ele nos ouve. E se sabemos que ele nos ouve em tudo o que pedimos, sabemos que temos o que dele pedimos.” (1 João 5,14-15) Deus responde nossas orações de acordo com a sua vontade (e de acordo com a sua sabedoria, seu amor por nós, sua santidade (…). Nós erramos ao assumirmos que sabemos qual é a vontade de Deus, quando somente alguma coisa faz sentido para nós! Nós assumimos que há somente uma “resposta” correta para cada oração específica, tendo a certeza de que AQUELA é a vontade de Deus. E é aí que fica mais difícil. Nós vivemos dentro dos limites do tempo e do conhecimento. Temos apenas informações limitadas sobre cada situação e sabemos algumas implicações de ações futuras nessas determinadas situações. O entendimento de Deus é ilimitado. Como um evento ocorre no curso da vida ou da história é apenas algo que Ele já sabe. E Ele deve ter propósitos muito além daqueles que podemos imaginar. Logo, Deus não fará algo simplesmente porque determinamos que essa deveria ser a sua vontade. O que é preciso? O que Deus está inclinado a fazer? Páginas e páginas poderiam ser preenchidas com as intenções de Deus para nós. A Bíblia inteira é uma descrição do tipo de relacionamento que Deus quer que experimentemos com Ele e do tipo de vida que Ele quer nos dar. Aqui estão alguns exemplos: “(…) o Senhor espera o momento de ser bondoso com vocês; ele ainda se levantará para mostrar-lhes compaixão. Pois o Senhor é Deus de justiça. Como são felizes todos os que nele esperam!” (Isaías 30,18 ) Você captou isso? Como alguém que se levanta de sua cadeira para oferecer ajuda, “Ele se levanta para lhe mostrar compaixão”. “Este é o Deus cujo caminho é perfeito; a palavra do Senhor é comprovadamente genuína. Ele é um escudo para todos os que nele se refugiam.” (Salmo 18,30) “O Senhor se deleita naqueles que o temem [reverenciam], que colocam sua esperança em seu leal amor.” (Salmo 147,14).De qualquer maneira, a maior demonstração do amor e da compaixão de Deus por você é expressa pelas seguintes palavras de Jesus: “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida pelos seus amigos” (João 15,13 ), que nada mais é do que o que Cristo fez por nós. Então, “Aquele que não poupou a seu próprio Filho, mas o entregou por todos nós, como não nos dará, juntamente com ele, gratuitamente todas as coisas?” (Romanos 8,32). E o que dizer das orações “não respondidas”?Certamente as pessoas ficam doentes e até morrem; problemas financeiros são reais, e toda sorte de situações difíceis é passível de acontecer na vida de qualquer um. O que fazer então? Deus nos diz para levar todas as nossas preocupações a Ele. Mesmo quando a situação parecer irremediável, “Lancem sobre ele toda ansiedade, porque ele tem cuidado de vocês.” (1 Pedro 5,7) As circunstâncias podem parecer estar fora de controle, mas não estão. Quando o mundo inteiro estiver desabando, Deus ainda pode e sempre poderá segurá-lo em suas mãos. É aí que uma pessoa pode se sentir muito agradecida por ter o privilégio de conhecer a Deus. “Seja a amabilidade de vocês conhecida por todos. Perto está o Senhor. Não andem ansiosos por coisa alguma, mas em tudo, pela oração e súplicas, e com ação de graças, apresentem seus pedidos a Deus. E a paz de Deus, que excede todo entendimento, guardará os seus corações e as suas mentes em Cristo Jesus.” (Filipenses 4,5-7) Deus pode providenciar soluções para os seus problemas além do que você considera ser possível. Provavelmente, qualquer cristão pode listar exemplos como esse em suas próprias vidas. Mas se as circunstâncias não melhorarem, Deus ainda pode nos dar a sua paz em meio a tudo isso. Jesus disse: “Deixo-lhes a paz; a minha paz lhes dou. Não a dou como o mundo a dá. Não se perturbem os seus corações, nem tenham medo.” (João 14,27). É neste ponto (quando as circunstâncias ainda estiverem difíceis) que Deus nos pede para continuar a confiar nele – para “andar pela fé, não pela visão”, diz a Bíblia. Mas não é uma fé cega; é baseada no caráter de Deus. Um carro viajando pela ponte Rio-Niterói é totalmente sustentado pela integridade da ponte. Não importa o que o motorista possa estar sentindo, ou pensando, ou discutindo com o passageiro do outro assento. O que faz o carro chegar seguramente ao outro lado da ponte é a integridade dela, na qual o motorista resolveu confiar. Do mesmo modo, Deus nos pede para confiarmos em sua integridade, seu caráter, sua compaixão, amor, sabedoria, retidão e justiça em nossa defesa. Ele diz: “Eu tenho amado com amor eterno; com amor leal a atraí.” (Jeremias 31:3 ) “Confie nele todo o tempo, ó povo. Coloque diante dele o coração, pois ele é o nosso refúgio.” (Salmo 62,8). Em Resumo (…) Como Orar. Deus se ofereceu para responder as orações de seus filhos (aqueles que receberam Jesus em suas vidas e buscam segui-lo). Ele nos pede para levar qualquer preocupação até Ele em oração, pois Ele agirá por nós de acordo com a sua vontade. Enquanto lidamos com dificuldades, temos de lançar sobre Ele nossas aflições e receber dele a paz que desafia as circunstâncias. A base da nossa esperança e fé é a pessoa de Deus. Quanto mais o conhecermos, mais aptos estaremos a confiar nele. Para saber mais sobre o caráter de Deus, por favor leia o artigo “Quem é Deus?” ou outros artigos neste site. A razão das nossas orações é o caráter de Deus. A primeira oração que Deus responde é a oração em que você expressa o seu desejo de começar um relacionamento com Ele. www.suaescolha.com. Abraço. Davi