terça-feira, 26 de outubro de 2021

A LEI DO CARMA

 

Editor do Mosaico. A LEI DO CARMA. É um dos pilares do pensamento teosófico e religiões orientais como hinduísmo e budismo. Além da ocidental espiritismo. Esse assunto é complementar a reencarnação, sendo importante para entendermos o processo evolutivo humano. É compreendido que as doenças psicossomáticos são manifestações físicas relacionadas diretamente com as emoções e sensações. Quando estudamos a astrologia percebemos a influência que os astros celestes (sol, lua e planetas) exercem em nosso comportamento físico e emocional. Um planeta quase na periferia da via láctea chamado Plutão por estar distante em relação a Terra e ter pouca luminosidade sem perspectiva de vida orgânica, atrai negativamente com suas vibrações de ondas eletromagnéticas em nosso psiquismo. Assim devido a essa interação de movimentos cósmicos doenças como gastrite, úlcera, estomatite e muitas outras acabam por tornarem-se um câncer. Nossos maus hábitos alimentares misturado com o sedentarismo (falta ou grande diminuição de atividades físicas. O conceito não é associado a falta de atividade desportiva. O sedentário é o indivíduo que gasta pouca caloria por semana com atividades ocupacionais. O gasto calórico semanal define se o indivíduo é sedentário ou ativo. Para deixar de fazer parte do grupo dos sedentários, o indivíduo precisará gastar o mínimo de 2.200 calorias por semana em atividades físicas) que cultivamos teimosamente tem peso decisivo nessa situação que extrapolamos para um estado quase de morbidade (doença ligada ao excesso de peso). O astro maior de nossa galáxia o Sol é no estudo da astrologia o positivismo que nos energiza e vitaliza, fazendo a vida orgânica evoluir em seu sentido pleno. Não se conhece câncer no coração a não ser num estado de metástase (migração por via sanguínea ou linfáticas de produtos patológicos - vírus, bactérias, parasitas e espécie cancerosa - proveniente de uma lesão celular) celular e nas enciclopédias médicas especializadas. O Sol é uma representação do coração humano dentro da linguagem onde nos concebemos como um microcosmo introduzidos num macrocosmo. É urgentemente necessário procurarmos cultivar hábitos alimentares saudável e praticarmos exercícios físicos, mesmo que minimamente, mas frequentemente. A lei do carma é entendida a partir do quaternário inferior em suas partes que são: o corpo físico, o corpo energético e o corpo mental e o corpo emocional. Esses quatro aspectos constituem nossa personalidade, a chamada casca que um dia se desintegrará. Aqui temos a ideia de integração de mundos visíveis e invisíveis. O que somos hoje é o resultado do que estamos pensando, falando e praticando. Como mencionamos no início de nosso comentário, o corpo emocional recebe influências internas e externas. Ele é ativado por sensações e percepções dos nossos sentidos físicos e sensoriais, vejamos alguns exemplos: situações de desgosto, ansiedades, momentos agradáveis e desagradáveis, lembranças boas e ruins. As vezes uma música nos remeter a uma situação que vivemos no passado. Ao ouvir um "nome" particular alguns de nós ficamos assustados ou eufóricos. Esses estados emocionais ativam energias positivas ou negativas para o corpo mental que como resultado produzirá reações prazerosas ou perturbadoras no corpo físico. As perturbações se não tratadas adequadamente  resultarão em doenças e patologias. Dependendo do impacto psíquico os entraves emocionais podem levar tempo para se manifestarem, mas nem sempre isso é uma regra pois cada organismo reage diferentemente. A lei do carma ou da retribuição está baseada na seguinte premissa lógica: para toda causa há um efeito e para toda ação há uma reação. Gálatas 6, 7 "Pois o que o homem semear isso também colherá". Como ponderei no início o carma e a reencarnação são irmãs gêmeas, pois um é consequência do outro. Um dos pais da igreja primitiva Orígenes (185-254) de Alexandria pensava desse modo quando em suas apologias citava João 9, 2 "E os seus discípulos lhe perguntaram dizendo: Rabi quem pecou este ou seus pais para que nascesse cego? Aqui percebemos um argumento forte em relação a reencarnação, possivelmente este cego vivenciava seu carma que não fora retificado em sua vida passada. Outro texto que Orígenes usava como pertinente a reencarnação esta em Mateus 11, 13-14 "Porque todos os profetas e a lei profetizaram até João. E se quereis dar crédito, é este o Elias que havia de vir". Ele entendia que João Batista era uma reencarnação do profeta Elias. Orígenes estudou com São Clemente (150-215) de Alexandria um místico conhecedor das tradições espirituais dos Egípcios, Caldeus, Babilônios e Hindus e ambos  praticavam um cristianismo esotérico, onde os irmãos iniciados investigavam os mistérios menores e conheciam muito dos mistérios maiores do cristianismo primitivo. O ensino do carma e da reencarnação postulam que o corpo é um instrumento de transição para a expiação da alma humana. Aqui a redenção é realizada pelo próprio indivíduo através de suas atitudes virtuosas, condizentes com a santidade, pureza, amor, ética e boa vontade para com o próximo. A matéria física conhecido como o corpo é onde o carma se solidifica, havendo no plano físico um aumento da dimensão temporal. Significando que enquanto não for quitado sua dívida - carma negativo - sua futura vida deverá passar pelo processo da disciplina pedagógica do aprendizado. Assim o mental e o emocional vão diminuindo e podemos considerar que tudo o que existe no plano físico tem seu correspondente (guardando-se as devidas proporções) nos outros planos - energético, mental e emocional. A doutrina mística do islã Suffi fala do "desenrolar o tapete". Uma alusão ao carma em movimento onde nosso destino  vai aparecendo. Os orientalista compreendem  a lei do carma como sendo a base da justiça divina onde a existência de Deus pressupõe sua justiça. Isso é o que os antigos gregos conheciam como Teodiceia, os atributos e a justiça divina eram inquestionáveis. Se Deus é amor como alguns indivíduos morrem na miséria e outros na fartura? O processo cármico pode ser acelerado ou retardado. Nessa situação um elemento é acrescentado para agir nesse processo que é o livre arbítrio, sendo o agente condutor da passividade ou dinamismo cármico. Na tradição mística da cabala (zohar) há um outro elemento  que é a possibilidade da retificação ou reparação cármica. Pagaríamos a divida antecipadamente e assim não haveria aquela cobrança ou correção. Tudo o que fazemos um dia iremos prestar contas. Romanos 2, 5- 6 "Manifestação do juízo de Deus. O qual recompensará a cada um segundo as suas obras". Novamente a tradição esotérica do Islã Suffi diz "o mundo é perfeito para atingir os seus fins e, a unidade de Deus se fragmentou". João 14, 20 "Naquele dia conhecereis que eu estou em meu Pai, e vós em mim, e eu em vós". A união do espírito com a matéria faz surgir a evolução. Outra premissa lógica é: reencarnação mais carma mais evolução é igual ao Mahatma, Mestre de Sabedoria. Este se tornará o homem perfeito. Aquilo que o Mestre Jesus disse em Mateus 5, 48 "Sede vós pois perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus". Cada um é seu próprio legislador. Somos os únicos donos de (carma) nosso destinos, e responsáveis pelo sucesso ou insucesso, fracasso ou vitória. Nossos pensamentos e intenções podem influenciar (livre arbítrio) até mudar nosso destino. Há quatro tipos de carmas: maduro, acumulado, em formação e o coletivo. O carma maduro apresenta-se quando os maus pensamentos do passado, formam uma couraça de hábitos maus em volta do homem, a qual o aprisiona e torna sua vida um inferno. O carma acumulado se mostra como caráter, estando sempre sujeito a modificações. Consiste em tendências fortes ou fracas, de acordo com a força pensamento que contribui para sua formação. O carma em formação são nossas intenções, que geradas nas emoções são responsáveis por atitudes virtudes ou viciosas nos sucessivos renascimentos. O carma coletivo ou familiar tem o poder te nos atrair para suas consequências, mas nosso carma individual nos protege  dos danos e cobranças do carma passado. Existe também o carma nacional e um bom exemplo é a escravidão negra no Brasil Colônia e Império. Muitas das maldades que praticamos contra os negros e as antigas populações indígenas ainda nos rendem pesados impostos (pobreza, fome, miséria, desigualdade, imoralidade, injustiça social e corrupção na política e sociedade em geral) e só Deus sabe o montante dessa dívida e quando ela será quitada. Leiam o poema de Castro Alves (1848-1871) chamado O Navio Negreiro e vejam a crueldade e a perversidade praticada contra os negros trazidos da África pelos navios Portugueses e Espanhóis, levados para serem vendidos como escravos (eram considerados como mercadorias) em suas respectivas colônias. Graças a Deus temos a Providencia Divina que nos protege das consequências desses carmas coletivos, pois nossos pouco méritos, beatitudes e fraternidade para com o próximo funcionam como anteparo contra essas descargas cósmicas negativas. Orígenes disse: "A imagem nos foi dada a semelhança deve ser conquistada". Aristóteles (384 AC 322) fala "a potencia deve tornar-se em ato". A lei do carma é como um pedra jogada em um lago que produz  perturbações de ondas concêntricas. Outro exemplo dessa lei é quando arremessamos um bumerangue a uma certa distância, fatalmente ele retorna para a nossa direção. Abraço. Davi.     

domingo, 24 de outubro de 2021

TRATE A TODOS COMO UM BUDA

 

Budismo. www.budavirtual.com.br.  Texto de Yongey Mingyur Rinpoche (1975-  ). Tradução de Marcos Bauch. TRATE A TODOS COMO UM BUDA. “As poucas vezes em que pessoas me perguntam sobre ética são quando ocorrem escândalos ou controvérsias nas comunidades budistas”, diz Mingyur Rinpoche. Mas, como ele observa, a conduta ética sempre foi central para o caminho budista. Aqui, ele explica o que significa viver uma vida virtuosa, o que um aluno deve procurar em um professor, o que fazer quando ocorrerem violações éticas graves e muito mais. Como professor budista, muitas vezes me perguntam sobre meditação e princípios budistas profundos, tais como interdependência e vacuidade. Fico feliz em compartilhar o que sei sobre esses tópicos. Mas tenho notado que as pessoas raramente me perguntam sobre ética e como viver uma vida virtuosa. É verdade que a meditação é importante na tradição budista. Não há dúvida sobre isso. O mesmo pode ser dito sobre estudar ideias e filosofias budistas. Mas, em muitos aspectos, a ética e a virtude são o fundamento do caminho budista. O próprio Buda viveu uma vida de bondade, humildade e compaixão. Ele incorporou completamente os ensinamentos que deu, e a sangha que cresceu ao seu redor seguia seu exemplo. Houve muitas ocasiões em que os alunos começaram a sair dos trilhos e agiram de forma inadequada – algumas vezes de forma hilária -, mas esses incidentes foram utilizados como oportunidades para esclarecer valores importantes e para mostrar à comunidade como viver uma vida de virtude. Desde os primórdios do budismo, a conduta ética foi tão central para o caminho quanto a meditação, o estudo e a contemplação. Hoje em dia, as poucas vezes em que as pessoas me perguntam sobre ética são quando ocorrem escândalos ou controvérsias nas comunidades budistas. Apesar da clara importância da não-violência e da compaixão na tradição budista, muitos estudantes não sabem como lidar com essas situações. Eu consigo entender por que eles ficam confusos. Existem muitas linhagens e escolas budistas diferentes e é difícil acompanhar todos os seus diferentes ensinamentos, práticas e estruturas éticas. Isto é especialmente verdadeiro na tradição tibetana, onde temos TRÊS ABORDAGENS DIFERENTES – QUE CHAMAMOS DE YUNAS OU “VEÍCULOS” – unidas em um único caminho de prática budista. Estes são, o veículo Fundamental da liberação individual, o veículo Mahayana da grande compaixão e o veículo Vajrayana do despertar indestrutível. Essa combinação é um dos aspectos únicos e belos do budismo tibetano, mas que nem sempre torna as coisas mais simples. ÉTICA NO BUDISMO TIBETANO. No budismo tibetano praticamos os três yanas juntos, e isso inclui a prática da ética. Deixe-me esclarecer. O princípio ético mais básico no yana da liberação individual é a não-violência, o compromisso de evitar prejudicar os outros a todo custo. Quando adicionamos o Mahayana, não nos esquecemos da não-violência, mas damos um passo adiante, com a prática de bodhichitta. Este é o compromisso de ajudar todos os seres a se tornarem completamente iluminados. Por fim, o Vajrayana traz a noção de percepção pura. Ao praticar o Vajrayana, permanecemos firmemente fundamentados na não-violência e na motivação altruísta de bodhichitta, mas tomamos a visão da fruição. Nós tratamos tudo e todos como a personificação do despertar. Comprometemo-nos a ver a nós mesmos, aos outros e ao mundo que nos rodeia como fundamentalmente puro, completo e perfeito. Este ideal de percepção pura é incorporado no princípio de samaya, os compromissos formais aos quais um praticante Vajrayana adere. Há muitos detalhes sobre samaya, mas colocando de forma simples, a essência de samaya é praticar a percepção pura da melhor forma, dentro de suas habilidades. Muitas pessoas não compreendem samaya e pensam que se refere apenas a ver o professor como um buda, um ser completamente iluminado. Isso é parte dosamaya, mas falta o ponto chave. Samaya é sobre ver tudo e todos pela da lente da percepção pura. O único propósito de ver o professor como um buda é para que possamos ver essas mesmas qualidades despertas em nós mesmos, nos outros e no mundo que nos rodeia. É uma ferramenta que nos ajuda a ganhar confiança na pureza da nossa verdadeira natureza. A prática Vajrayana está enraizada nos ideais de não-violência e grande compaixão. Não há Vajrayana sem eles. Então como podemos usar esses princípios para nos guiar em questões importantes, como encontrar um professor autêntico e trabalhar com os inevitáveis desafios que surgem na vida em comunidade? O PONTO DA PRÁTICA. O primeiro ponto que eu gostaria de trazer é, provavelmente, óbvio. Nossa prática deveria revelar o melhor em nós enquanto seres humanos. Ela deveria aflorar a nossa sabedoria inata, a nossa sanidade básica e a bússola moral que todos nós temos (mesmo que a gente não saiba disso). A maneira mais básica de medir nossa prática, portanto, é o grau em que nos aproximamos dos ideais simples de bondade, humildade, honestidade e sabedoria. Se – como indivíduos ou como comunidades – nos vemos indo na direção contrária, algo está fora do trilho. Nenhum de nós atuará perfeitamente em todas as situações, mas com o tempo deveria haver um movimento claro em direção a esses valores humanos básicos e universais. Isto é especialmente verdadeiro para professores espirituais. Professores budistas são modelos e guias para as comunidades que lideram, e representam a tradição budista para o mundo não-budista. Se, como estudantes dos ensinamentos do Buda, nos esforçamos em sermos gentis, humildes e dedicados à prática, então faz sentido achar que nossos guias deveriam personificar essas qualidades. Eles deveriam nos inspirar com a sua bondade e devoção. Eles deveriam incutir confiança pelo cuidado e preocupação que eles demonstram com os outros. Claro, não devemos esperar a perfeição, mas nem é preciso dizer que as pessoas que guiam outro deveriam praticar o que pregam. ENCONTRANDO UM PROFESSOR GENUÍNO. Quando se trata de encontrar um professor genuíno, existem quatro coisas que são especialmente importantes. O primeiro é que o professor deveria fazer parte de uma linhagem autêntica. Os professores genuínos não se promovem; eles promovem sua linhagem. Se um professor se gaba de suas qualidades e realização e faz de sua prática um show, isso provavelmente é uma indicação de que algo não está certo. Mas se um professor estudou e praticou sob a orientação de outros professores respeitados e honra sua linhagem ao defender seus valores e tradições, isso é um bom sinal. A linhagem sozinha não faz um professor ser genuíno, mas é importante. A segunda qualidade que devemos procurar é o comprometimento em estudar e praticar. Este é bastante óbvio. Você não tomaria aulas de piano de alguém que não toca bem, não é mesmo? Claro que não. O mesmo se aplica aqui. Se você confia seu bem-estar espiritual à alguém, você deve ter certeza de que essa pessoa conhece o caminho em primeira mão. Para isso, eles devem ter um compromisso claro com sua própria prática e treinamento. A terceira qualidade essencial é a compaixão. Como estudantes, precisamos ter certeza de que nosso professor está do nosso lado – de que eles levem nossos melhores interesses no coração e se preocupem profundamente conosco e com nosso progresso no caminho. A confiança é fundamental aqui. Um professor genuíno é confiável e coloca as necessidades do aluno em primeiro lugar. O sinal de que um professor tem essa qualidade é que os alunos se sentem seguros e protegidos sob seus cuidados. Eles sabem que, não importa o que estiver acontecendo em sua vida, seu professor sempre estará lá para orientá-los e apoiá-los. A quarta e última qualidade é aquela que se relaciona mais diretamente com a ética. Um professor genuíno deveria sustentar seus votos e preceitos. Na tradição tibetana, isso significa que ele mantém todos os votos monásticos ou leigos que tenha tomado, adere aos votos de bodhisattva do Mahayana e mantém os votos de samaya do Vajrayana. Isso não é algo fácil, mas é muito importante. Há muitos detalhes incluídos neste ponto, e, como estudantes, talvez não possamos saber exatamente quais os votos que uma pessoa detém. Mas podemos perguntar e verificar se há alguma dúvida sobre o comportamento ou a conduta de um professor. Esse é uma boa forma de começar. Nestes tempos, não é fácil encontrar um professor perfeito. O tempo do Buda, quando as pessoas pareciam se iluminar simplesmente aparecendo na frente dele, já se foi. Podemos não encontrar um professor que incorpora perfeitamente essas quatro qualidades, mas ele deve ter todas elas até certo ponto. Se uma ou mais dessas qualidades está completamente ausente em um professor, provavelmente é melhor seguir procurando. DEIXANDO UM PROFESSOR. Essas quatro qualidades são uma boa orientação geral a seguir ao procurar um professor. Mas, mesmo quando fazemos o nosso melhor para primeiro investigar um professor, muitas vezes nós só conhecemos o professor realmente depois que nos tornarmos seus alunos. No mundo moderno, a maioria de nós não tem um mosteiro ou um especialista budista por perto. Nós não conhecemos, necessariamente, todos os detalhes sobre um professor, ou nem mesmo temos alguém a quem possamos perguntar. Então, o que fazemos quando descobrimos que um professor não é exatamente o que esperávamos? Muitos estudantes do budismo tibetano pensam, erroneamente, que não podem ou não devem abandonar um professor depois de se comprometerem com ele. Não é bem o caso. O ponto principal da relação professor-aluno é que ela deve beneficiar o aluno. Não deveria visar o ganho ou lucro do professor. Se você tentou o seu melhor e descobriu que não deu certo, você pode procurar outro professor. Isso não é um problema ou falha pessoal. É bom senso. A melhor maneira de sair é fazê-lo sem falar mal do professor ou criar dificuldades para aqueles que podem se beneficiar do professor e da comunidade. Saia de forma amigável, ou pelo menos, não saia em condições ruins. Basta seguir em frente com humildade e não se sinta mal com o fato de que não funcionou. A ressalva que eu gostaria de acrescentar aqui é que é importante ser honesto consigo mesmo. Deixar um professor ou uma comunidade em que você não se ajustou bem é compreensível, mas se você achar todos os professores indignos do seu tempo, então talvez você possa olhar mais fundo, olhar os seus próprios padrões, para ver o que está acontecendo. Pode ser difícil fazer qualquer progresso no caminho se você estiver procurando pela perfeição. VIOLAÇÕES ÉTICAS GRAVES. Contudo, o assunto é totalmente diferente quando um professor está cometendo graves violações éticas. Deixar um professor em condições amigáveis faz sentido quando o caso é apenas uma questão de adequação entre professor e aluno. Quando o caso é que pessoas estão sendo feridas ou leis estão sendo quebradas, a situação é diferente. Nesse caso, a violação das normas éticas precisa ser abordada. Se ocorreu abuso físico ou sexual, ou se há impropriedade financeira ou outras violações éticas, é do melhor interesse dos alunos, da comunidade e, em última instância, do professor, resolver os problemas. Acima de tudo, se alguém está sendo prejudicado, a segurança da vítima vem em primeiro lugar. Este não é um princípio budista. Este é um valor humano básico e nunca deve ser violado. A resposta apropriada depende da situação. Em alguns casos, se um professor atuou de forma inadequada ou prejudicial, mas reconhece o erro e se compromete a evitá-lo no futuro, então, lidar com o assunto internamente pode ser adequado. Mas se existe um padrão recorrente de violações éticas, ou se o abuso é extremo, ou se o professor não está disposto a assumir a responsabilidade, é apropriado trazer o comportamento à público. Nestas circunstâncias, não é uma violação de samaya trazer informações dolorosas à tona. Apontar comportamentos destrutivos é um passo necessário para proteger aqueles que estão sendo prejudicados ou que correm o risco de serem prejudicados no futuro e salvaguardar a saúde da comunidade. LOUCA SABEDORIA. A tradição Vajrayana tem histórias de iogues, ioguines e professores excêntricos que usaram métodos extremos para orientar seus alunos. A história de Marpa pedindo a Milarepa para construir e depois desmantelar uma série de torres de pedra é, talvez, o exemplo mais famoso disso. Esta tradição de “louca sabedoria” pode ser autêntica, mas, infelizmente, muitas vezes é invocada como uma racionalização para comportamentos antiéticos que não tem nada a ver com sabedoria ou compaixão. A coisa mais importante a saber sobre esses estilos de ensino incomuns é que eles são destinados a beneficiar o aluno. Se eles não estão enraizados na compaixão e na sabedoria, eles não são genuínos. Ações que são enraizadas na compaixão e na sabedoria – mesmo quando pareçam ser estranhas, excêntricas ou mesmo iradas – não provocam medo ou ansiedade. Elas fazem florescer a compaixão e sabedoria no aluno. Em outras palavras, os resultados de uma verdadeira “louca sabedoria” são sempre positivos e visíveis. Quando um professor usa uma abordagem extrema, enraizada na compaixão, o resultado é crescimento espiritual e não trauma. Trauma é um sinal claro de que o comportamento de “louca sabedoria” não contava com a sabedoria para ver o que realmente beneficiaria o aluno, ou a compaixão que coloca o interesse do aluno em primeiro lugar, ou ambos. Também vale a pena notar que esses estilos de ensinamentos extremos que vemos na história do Vajrayana ocorreram em um contexto de vínculo espiritual muito maduro entre professor e aluno. Eles não eram tão comuns. Marpa não fez todos os seus alunos construírem torres de pedra. Na verdade, ele tratou seus outros alunos de forma muito diferente de como tratou Milarepa. Mas ele viu o potencial de Milarepa e a abordagem que o beneficiaria mais. O resto é história. Milarepa se iluminou e se tornou um dos maiores sábios do Tibete. Não só esses métodos de ensino extremos são usados apenas com estudantes muito maduros e no contexto de uma relação de confiança e devoção estáveis, eles também são um último recurso. Diz-se que existem quatro tipos de atividades iluminadas: pacíficas, magnetizadoras, enriquecedoras e iradas. A atividade irada é usada apenas para aqueles que não são receptivos a abordagens mais sutis. Então, novamente, esse estilo não é uma norma, mas algo assim só é empregado em certas circunstâncias. Assim, devemos distinguir os professores excêntricos ou provocativos – mas fundamentalmente compassivos e habilidosos – daqueles que realmente estão prejudicando os alunos e causando trauma. Estas são duas coisas muito diferentes, e é importante que não as misturemos. Há muitos professores que forçam e provocam estudantes para ajudá-los a aprender sobre suas próprias mentes, mas isso não é abuso. O abuso físico, sexual e psicológico não são ferramentas para ensinar. O VAJRAYANA NO MUNDO MODERNO. Agora que o mundo está tão interligado, a ética é mais importante do que nunca. Em certo sentido, nós, praticantes budistas, estamos todos representando os ensinamentos do Buda para o mundo. Qualquer um pode aprender sobre este professor ou aquela sangha com alguns cliques do mouse e uma rápida pesquisa no Google. Isso é bom, porque torna toda a tradição mais transparente. O comportamento ético – e as violações éticas – são mais visíveis do que em tempos anteriores. Nem é preciso dizer que, quando se espera que escolas, empresas e outras instituições públicas adotem um código de conduta e as leis da terra, as organizações espirituais deveriam ser modelos de comportamento ético. E os professores ainda mais. Ao longo da história, um dos papéis mais importantes dos professores budistas e da sangha budista foi exatamente esse. Eles serviam como modelos de comportamento ético para suas comunidades. O budismo Vajrayana é considerado um tesouro precioso pelos tibetanos. É nossa herança espiritual e nosso presente para o mundo. Agora que os ensinamentos e práticas dessa tradição estão se espalhando pelo mundo, é importante entendermos a tradição e como trabalhar com seus ensinamentos poderosos. Como eu disse, o cerne da tradição Vajrayana é que nos esforcemos para personificar a visão pura. Olhamos nossos pensamentos e emoções – até os mais difíceis – como manifestações da consciência além do tempo. Vemos cada pessoa como um Buda, e nós as tratamos como tal. Vemos o mundo em que vivemos como uma terra pura, iluminada do jeito que é. Esta tradição, de tratar tudo e todos como se estivéssemos encontrando o Buda face-a-face, é a nossa principal prática no Vajrayana. É o sangue da nossa tradição e o padrão ético mais elevado a que podemos aspirar. Hoje em dia, com confusão e conflito por todos os lados, o mundo precisa disso mais do que nunca. www.budavirtual.com.br. Abraço. Davi

 

sexta-feira, 22 de outubro de 2021

O MUNDO DOS ORIXÁS - IANSÃ

 

Religião Afrodescendente. Candomble. www.ocandomble.com. O MUNDO DOS ORIXÁS – IANSÃ. A missão divina da Mãe Terra (Edan – Onile). Quando a divina e poderosa mãe Edán (Onile Ogboduora) fez sua aparição nesta Terra, ela fez isso com um propósito específico e sagrado. Sua manifestação nesta Terra sinalizou uma nova oportunidade para a humanidade se renovar, progredir e ter uma vida equilibrada. Sua aparição marcou um novo começo para toda a humanidade e não apenas o povo privilegiado dos yorùbá. Seu objetivo e propósito era, e é, de alcance universal. Èdán veio para trazer cura, ordem, harmonia, abrigando preceitos divinos e equilíbrio para as comunidades da Terra em geral e cada ser humano em particular. Você deve se lembrar e ter em mente que Èdán não é um ser humano. Èdán não é yorùbá, chinês, americano, oriental ou ocidental. Èdán é uma personagem divina de habilidades extraordinárias e poderes supra-humanos. Èdán não é deste mundo. Ela vem de um reino glorioso e inconcebível de santidade, beleza e poder. A inteligência, compreensão, força, atratividade e carisma da mãe divina Èdán é extraordinária, penetrante e excepcional. Èdán pode ver a profundidade e a realidade das coisas. Ela não pode ser enganada, manipulada ou subornada, ela não comete erros na administração de sua dispensação (ato de dividir). Ela está além do alcance da influência humana. Ela nunca cairá ou balançará à mesquinhez e a inconstância, que é comum entre a humanidade. Sua visão divina nunca é obstruída e sua atividade não pode ser prejudicada. Sua virtude, caráter, personalidade e carisma são sem igual. Mesmo Ọrúnmìlà reconheceu sua grandeza, eficiência, capacidade e singularidade. Foi, afinal, Ọrúnmìlà quem invocou Èdán, sua amiga e sócia divina para apoio, soluções e alívio! Quando Èdán desceu do reino dos Irunmọlẹ a esta Terra, ela apareceu com a plenitude da autoridade divina, poder e comando. Todos Ajogùn interno, externo e Elénìní fugiram diante dela. Com o poder de sua majestosa personalidade, divinamente atraente, beleza, carisma e àşé ela foi capaz de libertar e entregar os corações e as mentes dos pensamentos negativos, atitudes e energias prejudiciais que oprimiam e dominavam os seres humanos. Èdán foi capaz de desarmar as pessoas de suas preocupações, medos e inseguranças. Para aqueles que faziam, que se deliciavam em fazer o errado, o engano, a opressão e a corrupção ela colocava medo nos seus corações para que talvez eles pudessem mudar suas maneiras sob sua administração do perdão, da ordem, da capacitação e da renovação. Tais era, e é, o poder e a influência da mãe divina Èdán. Juntamente com o inseparável, a importação do ase aos membros sensíveis da humanidade, ela deu preceitos e injunções divinas para seus alunos-discípulos para praticar e implementarem em todos os níveis da sociedade e da vida pessoal. Estes seguidores obedientes e confiáveis ​​de Èdán são os Ogboni porque só existe sabedoria, saúde e longa vida com Èdán se as pessoas obedecerem e praticarem seus preceitos. Do lado de fora uma pessoa constituiria um Ogberi (ignorante) porque aparentemente tinha conhecimento e não praticava a verdade, o que é isso, se não o maior ignorância, infelicidade e loucura. Os princípios divinos de Èdán tornaram-se os veículos de sua divina presença, carisma, poder, apoio e influência-retificando a cura. Ter vivido na época do aparecimento de Èdán sobre esta Terra sagrada foi a experiência mais extraordinária, gratificante e maravilhosa. Isto é, a forma divinamente sancionada, a vida que ela estava revelando à humanidade e continua revelando à humanidade. O teimoso, obstinado e beligerante que não fizer, não vai durar muito tempo sob a administração de Èdán. Èdán é naturalmente amável, justa e compreensiva, como a Sagrada Mãe preciosa e amável que ela é, ela proporcionou a todos o perdão, um novo começo sem referência a erros do passado, uma oportunidade para mudar e a bênção para fazer uso de seu apoio pessoal, garantia, inspiração e poder. Èdán está ciente de nossas fragilidades e fraquezas como seres humanos. Ninguém precisa ter medo por causa de suas fraquezas ou falhas. Èdán não pareceu para fazer-nos ricos e famosos. Èdán apareceu para nos fazer participantes da verdadeira vida, saúde, paz, segurança e prosperidade através da prática de seus ensinamentos claros. Èdán apareceu para nos permitir descobrir a nossa nobre e bela natureza divina. Ela veio para restaurar a dignidade, clareza, transparência, saúde moral e limpeza moral de nossas vidas. Èdán inculca a verdade divina para seus seguidores inteligentes e humildes, quando estamos individual e coletivamente para a direita e para dentro, em seguida, nesta ordem interna, a saúde e a retidão serão reveladas e expressas no mundo. As instruções de Èdán não foram e não são sugestões, mas comandos divinamente concedidos e leis. Eles são vinculativos e obrigatórios para toda a humanidade e especialmente para aqueles que se dedicam a Èdán. Para ser Ogboni significa ser o melhor dos melhores. Significa ser um modelo de impecabilidade, idoneidade e confiabilidade. Para ser Ogboni significa estar pessoalmente convencido a perseguir e fazer o que é certo, correto e adequado independentemente de tempos, lugares e / ou circunstâncias. Para ser Ogboni significa ter auto iniciativa, ser responsável e fazer o que é certo para o bem do amor da verdade e não ser visto, elogiado e aplaudido por outros. Iniciação formal sozinha não faz de você um seguidor de Èdán. O que é importante não é que outras pessoas te chamem de Ogboni, mas que Èdán te reconhece e o aceita como um dos seus verdadeiros, leais e obedientes filhos. O que é importante é que você seja Ogboni 24 horas por dia em seus pensamentos, atitudes, ações e relacionamentos. Ogboni é uma forma global e abrangente de viver. Uma delas é ser Ogboni o tempo todo para que Èdán, ela mesma, possa garantir que você é um Ogboni genuíno, verdadeiro, com honra, humildade, alegria e realização digna. Os ritos de iniciação Ogboni foram desenvolvidos mais tarde por Èdán e seus seguidores, mas, inicialmente, a verdadeira iniciação era uma mudança espiritual de coração, mente e vida como um resultado do encontro com Èdán, sua personalidade, seu caráter, seu carisma, encantamento, inspiração, autoridade e poder, tudo foi expresso e manifestado através de tudo que Èdán fez. Tudo que Èdán fez foi cheio de graciosidade, dignidade e poder. Não foi através de ritos e rituais que Èdán mudou o mundo, mas pela graça divina, pelas maneiras, inteligência e conduta. Èdán por suas maneiras, caráter, personalidade e conduta comandou o respeito, reverência, confiança e obediência de todos aqueles com coração sincero e bom. O verdadeiro símbolo de honra e título de um Ogboni autêntica o caráter, a virtude, a bondade e a imparcialidade que ele pratica. Conformidade exterior e aderência superficial com o protocolo Ogboni para o bem das pessoas não faz de você um Ogboni, não importa o seu título ou o quanto você está velho. Èdán deu seu amor, vida e foco total e dedicação à humanidade. Para ser Ogboni você tem que dar o seu tudo para a missão divina de Èdán e você deve procurar com sua força, habilidade, atividade e meios transferir o conhecimento de Èdán a todos os povos do mundo. Isto é o que é significa ser Ogboni. Ogboni não é uma instituição humana. Ogboni não é um negócio. Ogboni não é um clube. Ogboni é uma vocação divina e sagrada. Èdán era uma revolucionária espiritual, divina, missionária, diplomática e embaixadora da boa vontade e da esperança. Nós também devemos ser isso. Devemos buscar a propagação do Ogbonismo. Não os chamados clubes Ogboni e instituições formais, devemos propagar a verdade e a realidade que Èdán promoveu e instituiu para toda a humanidade. A humildade e o serviço vêm antes da honra, do orgulho, da presunção. Èdán diz que a indiferença precede a queda. Ancestral Pride Temple. Templo Orgulho Ancestral. ORIXÁ IANSÃ. Os orixás são deuses africanos que correspondem a pontos de força da Natureza e os seus arquétipos estão relacionados às manifestações dessas forças. As características de cada Orixá, aproxima-os dos seres humanos, pois eles manifestam-se através de emoções como nós. Sentem raiva, ciúmes, amam em excesso, são passionais. Cada orixá tem ainda o seu sistema simbólico particular, composto de cores, comidas, cantigas, rezas, ambientes, espaços físicos e até horários. Como resultado do sincretismo que se deu durante o período da escravatura, cada orixá foi também associado a um santo católico, devido à imposição do catolicismo aos negros. Para manterem os seus deuses vivos, viram-se obrigados a disfarçá-los na roupagem dos santos católicos, aos quais cultuavam apenas aparentemente. Estes deuses da Natureza são divididos em 4 elementos – Água, Terra, Fogo e Ar. Alguns estudiosos ainda vão mais longe e afirmam que são 400 o número de Orixás básicos divididos em 100 do Fogo, 100 da Terra, 100 do Ar e 100 da Água, enquanto que, na Astrologia, são 3 do Fogo, 3 da Terra, 3 do Ar e 3 da Água. Porém os tipos mais conhecidos entre nós formam um grupo de 16 deuses. Eles também estão associados à corrente energética de alguma força da natureza. Assim, Iansã é a dona dos ventos, Oxum é a mãe da água doce, Xangô domina raios e trovões, e outras analogias. No Candomblé cultuam-se muitos outros orixás, desconhecidos por leigos, por serem menos populares do que Xangô, Iansã, Oxossi e outros, mas com um significado muito forte para os adeptos dos cultos afro-brasileiros. Alguns são necessariamente cultuados, devido à ligação com trabalhos específicos que regem, para a saúde, morte, prosperidade e diversos assuntos que afligem o dia-a-dia das pessoas. Estes deuses africanos são considerados intermediários entre os homens e Deus, e por possuírem emoções tão próximas dos seres humanos, conseguem reconhecer os nossos caprichos, os nossos amores, os nossos desejos. É muito frequente dizer-se que as personalidades dos seus filhos são consequência dos orixás que regem as suas cabeças, desenvolvendo características iguais às destes deuses africanos. Apresento a seguir as descrições dos 16 Orixás mais cultuados. Recordo, no entanto, que existem diversas correntes no Candomblé e por essa razão as informações poderão ser diferentes de acordo com a tradição ou região. ORIXÁ IANSÃ. Dia: Quarta-feira. Cores: Marrom, Vermelho e Rosa. Símbolos: Espada e Eruexin. Elementos: Ar em movimento,qualquer tipo de vento, Fogo. Domínios: Tempestades, Ventanias, Raios, Morte. Saudação: Epahei! O maior e mais importante rio da Nigéria chama-se Níger, é imponente e atravessa todo o país. Rasgado, espalha-se pelas principais cidades através de seus afluentes por esse motivo tornou-se conhecido com o nome Odò Oya, já que ya, em iorubá, significa rasgar, espalhar. Esse rio é a morada da mulher mais poderosa da África negra, a mãe dos nove orum, dos nove filhos, do rio de nove braços, a mãe do nove, Ìyá Mésàn, Iansã (Yánsàn). Embora seja saudada como a deusa do rio Níger, está relacionada com o elemento fogo. Na realidade, indica a união de elementos contraditórios, pois nasce da água e do fogo, da tempestade, de um raio que corta o céu no meio de uma chuva, é a filha do fogo-Omo Iná. A tempestade é o poder manifesto de Iansã, rainha dos raios, das ventanias, do tempo que se fecha sem chover. Iansã é uma guerreira por vocação, sabe ir à luta e defender o que é seu, a batalha do dia-a-dia é a sua felicidade. Ela sabe conquistar, seja no fervor das guerras, seja na arte do amor. Mostra o seu amor e a sua alegria contagiantes, na mesma proporção que exterioriza a sua raiva, o seu ódio. Dessa forma, passou a identificar-se muito mais com todas as atividades relacionadas com o homem, que são desenvolvidas fora do lar; portanto não aprecia os afazeres domésticos, rejeitando o papel feminino tradicional. Iansã é a mulher que acorda de manhã, beija os filhos e sai em busca do sustento. O fato de estar relacionada com funções tipicamente masculinas não afasta Iansã das características próprias de uma mulher sensual, fogosa, ardente; ela é extremamente feminina e o seu número de paixões mostra a forte atracção que sente pelo sexo oposto. Iansã (Oyá) teve muitos homens e verdadeiramente amou todos. Graças aos seus amores, conquistou grandes poderes e tornou-se orixá. Assim, Iansã tornou-se mulher de quase todos os orixás. Ela é arrebatadora, sensual e provocante, mas quando ama um homem só se interessa por ele, portanto é extremamente fiel e possessiva. Todavia, a fidelidade de Iansã não está necessariamente relacionada a um homem, mas às suas convicções e aos seus sentimentos. Algumas passagens da história de Iansã relacionam-na com antigos cultos agrários africanos ligados à fecundidade, e é por isso que a menção aos chifres de novilho ou búfalo, símbolos de virilidade, surgem sempre nas suas histórias. Iansã é a única que pode segurar os chifres de um búfalo, pois essa mulher cheia de encantos foi capaz de transforma-se em búfalo e tornar-se mulher da guerra e da caça. Oyá é a mulher que sai em busca do sustento; ela quer um homem para amá-la e não para sustentá-la. Desperta pronta para a guerra, para a sua lida do dia-a-dia, não tem medo do batente: luta e vence. Características dos filhos de Iansã / Oyá. Para os filhos de Oyá, viver é uma grande aventura. Enfrentar os riscos e desafios da vida são os prazeres dessas pessoas, tudo para elas é festa. Escolhem os seus caminhos mais por paixão do que por reflexão. Em vez de ficar em casa, vão à luta e conquistam o que desejam. São pessoas atiradas, extrovertidas e diretas, que jamais escondem os seus sentimentos, seja de felicidade, seja de tristeza. Entregam-se a súbitas paixões e de repente esquecem, partem para outra, e o antigo parceiro é como se nunca tivesse existido. Isso não é prova de promiscuidade, pelo contrário, são extremamente fiéis à pessoa que amam, mas só enquanto amam. Estas pessoas tendem a ser autoritárias e possessivas; o seu génio muda repentinamente sem que ninguém esteja preparado para essas guinadas. Os relacionamentos longos só acontecem quando controlam os seus impulsos, aí, são capazes de viver para o resto da vida ao lado da mesma pessoa, que deve permitir que se tornem os senhores da situação. Os filhos de Oyá, na condição de amigos, revelam-se pessoas confiáveis, mas cuidado, os mais prudentes, no entanto, não ousariam confiar-lhe um segredo, pois, se mais tarde acontecer uma desavença, um filho de Oyá não pensará antes de usar tudo que lhe foi contado como arma. O seu comportamento pode ser explosivo, como uma tempestade, ou calmo, como uma brisa de fim de tarde. Só uma coisa o tira do sério: mexer com um filho seu é o mesmo que comprar uma briga de morte: batem em qualquer um, crescem no corpo e na raiva, matam se for preciso. Orikí de Oyá. Eèpàrìpàà! Odò ìyá! “ORI O! ORI OYA, MO GBE DE. OYA MESAN, MESAN, MESAN. OYA ORIRI, O, O, O. OYA MESAN, A JI LODA ORISA. ORI O. ORI OL’ OYA, MO GBE DE. ORI MI! ORI OYA , MO GBE DE.” “O ORI do iniciado, O ORI daquele que é iniciado em OYA está aqui. OYA , que se desdobra em nove partes. OYA , a grande mulher, charmosa e elegante. OYA , que se desdobra em nove partes. ORISA que usa a espada ao acordar. O ORI do iniciado, O ORI daquele que é iniciado em OYA está aqui. Meu ORI. O ORI daquele que é iniciado em OYA está aqui”. www.ocandomble.com. Abraço. Davi

quarta-feira, 20 de outubro de 2021

NÓS E A VIDA

 

Islamismo. www.mesquitadobras.org.br. Por: Al Balagh Foundation. Tradução de Armed Ismail. NÓS E A VIDA. Em Nome de Deus O Clemente o Misericordioso. Um Olhar ao Nosso Redor. Desde o momento em que abri meus olhos para o que estava a meu redor e desde que comecei a entender o movimento de todos os seres que existiam, passei a formar impressões, idéias e conceitos em minha mente sobre tudo o que encontrava. Este vasto e extenso mundo consiste do céu e das estrelas, do sol e da lua, da água e do ar, da escuridão e da luz, da terra e das plantas, dos mares e da chuva, das árvores e animais de diferentes espécies e cores, pessoas vivendo em sociedades, falando e compreendendo umas as outras, trocando mercadorias e serviços. Essas cenas separadas, cheias de beleza e ordem, me fizeram pensar mais e até perguntar a mim mesmo: "Por que é que não prolongo meu olhar sobre essas coisas e não medito na grandeza e na beleza dessa admirável e esplêndida existência à minha volta? Ou, por que olho para essas coisas separadamente? Não são uma imagem perfeita em que cada parte se completa? Não são realidades que me ensinam tantas coisas? Em outras palavras, por que olho para todas as coisas como se fossem separadas entre si? De fato, em cada coisa que encontro, há um estado de admiração e contemplação nela. Por exemplo, a luz solar, a chuva que cai, a origem de uma planta e seu crescimento, as cores de uma flor e seus diversos perfumes, o azul do céu, a cor rubra do nascer do sol, etc... Qual é a razão para todas essas formas e variedades de existência e de sua beleza? Quão surpreendente e maravilhoso seria, se eu pudesse compreender isso desde o momento em que nasci e que encontrei tudo isso pela primeira vez! Vim de um outro mundo... do mundo uterino; o mundo da escuridão oculto do mundo presente. Agora, percebo que é preciso entender aquele mundo... o mundo do útero no qual eu não imaginava e não compreendia nada sobre isso. Pois sim, eu vivi ali, desprovido de consciência, vontade e autoconfiança. Na verdade, ali eu era apenas um feto que dependia do sangue materno, protegido pelo cuidado de Deus. Aquele foi um período desconhecido, exceto que agora compreendo o favor daquela Divina assistência, e o esforço materno que me carregou em seu ventre; um período de nove meses em que eu fui nutrido com seu sangue. Ela fez todos seus difíceis esforços para que passasse por aquele período tranquilamente. Na verdade, eu não tive nenhum papel ativo naquele mundo desconhecido. Nenhum papel na origem, na escolha de minha forma e aparência, na provisão de alimento, no ar ou na proteção contra os riscos. Eu fui apenas um feto, como um ovo em sua incubação, ou como uma semente no solo. Eu fui criado sob o zelo divino, enquanto minha mãe me carregava a despeito de seu sofrimento e suas dores. Ela cobriu-me de amor e expectativa e contou os dias para me conhecer. Vivendo naquele mundo desconhecido e escuro, eu recebi dois tipos de amor: o amor de minha mãe e o amor de meu Deus. Eu comecei a vida no seio do amor e da misericórdia...agora percebo a importância daquele amor e do favor daquela misericórdia e cuidado. Agora percebo que estou em débito com aquela que me rodeou de amor e carinho e proveu-me com o sangue de seu coração durante o período de minha estada em suas entranhas, sem que eu tivesse o sentimento de minha existência ou o controle de qualquer assunto sobre minha existência. Certamente que foi um ato de grande bondade e é um dever de minha parte perguntar: "A recompensa da bondade pode ser outra senão a bondade? "Sim, é meu dever dizer: "Ocultar semelhante bondade significa injustiça e desvio e o que cometer tal ato merece castigo." É meu dever ser grato e expressar minha gratidão e amor para aquela que me rodeou de amor e bondade. Evidências da Grandeza e da Organização (da Criação): Saiamos desse mundo (do útero) e entremos no mundo do sol, da luminosidade, do conhecimento, da vontade e da independência. Os sábios nos abriram as portas do conhecimento deste mundo, por meio de suas descobertas. Descobriram os segredos e as ambiguidades da natureza e da biologia; das plantas e dos animais. Abriram para nós as portas do conhecimento respeitante ao mundo do homem e dos conteúdos e características peculiares da organização, dos sistemas, das diferentes atividades físicas e da capacidade de entendimento, da fala e do raciocínio. De fato, a leitura das informações descobertas pelos sábios nos provoca surpresa e admiração. Eles descobriram a grandeza do Criador e a existência de um Organizador deste mundo. Chrisie Morrison, um cientista, escreveu um livro chamado "A Ciência Exige a Fé". Nesse livro, trata sobre a grandeza da Organização Divina deste mundo e prova que todas as coisas existentes indicam a grandeza de seu Criador. E realmente, senti a existência de Deus, e a grandeza de Seu poder, enquanto lia. O autor acrescenta: "a terra gira completamente em torno de si mesma a cada 24 horas numa velocidade média de 1.000 milhas por hora. Então, suponhamos que ela girasse numa velocidade média de 100 milhas por hora. Por que não?... nossos dias e noites seriam dez vezes mais longos. Nesse caso, o sol escaldante do verão queimaria as plantas e a noite as congelaria. O sol, a fonte de toda vida, possui uma superfície em combustão de 12.000.000 graus Fahrenheit. A distância entre a terra e o sol é tão perfeita que proporciona à superfície terrestre o calor suficiente e não mais que isso. Por milhões de anos, a alteração desse equilíbrio foi tão rara que a vida na terra não cessou. Se a temperatura (média) da terra se elevasse para algo em torno de 50 graus durante um ano, o resultado seria a morte inevitável de todas as plantas e animais. O homem também sucumbiria em consequência de tal aumento do calor. A terra gira numa velocidade média de 18 milhas por segundo. Se o fizesse, por exemplo, numa média de 6 ou 40 milhas por segundo, todas as formas de vida desapareceriam." Esse grande cientista continua, dizendo: "A lua dista 240.000 milhas da terra. Se a distância fosse 50.000 milhas, por exemplo, a maré seria tão alta que todas as áreas abaixo do nível do mar seriam cobertas duas vezes por dia, por um fluxo marítimo capaz de arrastar as montanhas. Se assim fosse, talvez nenhum continente poderia ter se elevado do leito marítimo, a terra teria sido destruída e a maré deixaria de existir..." Qualquer pessoa, ao pensar consigo enquanto ler esses fatos científicos, perguntará: Como essa precisão e organização ocorre e quem fez tudo isso? O Sagrado Alcorão, responderá , dizendo: "Tal é a obra de Deus. Que tem disposto prudentemente todas as coisas." (27: 88). "Que criou os sete céus sobrepostos, tu não acharás imperfeição alguma na criação do Clemente..". (67: 3). “E o sol que segue o seu curso até um local determinado. Tal é o decreto do Onisciente, Poderosíssimo. E a lua, cujo curso assinalamos em fases, até que se apresente como um ramo seco de tamareira. Não é dado ao sol alcançar a lua, cada qual gira em sua órbita; nem a noite, ultrapassar o dia." (36: 38 a 40). Se o mundo terrestre e o espaço são desse modo, consideremos pois os mares e os oceanos, e quão belo e interessante é este mundo e tudo o que nele há de animais, peixes, pérolas e corais. Certamente, essas pesquisas e estudos fizeram os sábios especialistas descobrirem realidades surpreendentes com respeito a este mundo. Tais fatos causaram admiração e contemplação acerca da grandeza desses estranhos segredos nas criaturas aquáticas. O famoso cientista Chrisie Morrison, em seu livro "A Ciência Exige a Fé", nos apresenta um fato interessante sobre o salmão e as enguias, dizendo: "Os cientistas, em seus estudos sobre a vida dessa espécie (de salmão), descobriram um fenômeno estranho e assombroso. Os peixes dessa espécie (salmões) nascem nos mares, por anos vivem no oceano e então retornam para o mesmo local marítimo em que nasceram, e mesmo se foram transferidos para um outro mar ligado a esse, começam a nadar no sentido contrário à corrente marítima e retornam ao mar no qual nasceram. Isto é, reconhecem seu local de nascimento e estão ligados a ele, e por isso o procuram até que consigam retornar. O cientista ainda registra outro enigma sobre a vida das enguias, ele diz: "As enguias migram das águas em que nascem depois de completarem seu crescimento e então atravessam milhares de milhas nos oceanos para alcançarem as profundezas no sul da ilha de Bromoda, e ali permanecem e morrem. Quando seus ovos são chocados e a nova geração nasce, depois de completar seu crescimento, os indivíduos iniciam uma migração em sentido oposto e cobrem a mesma distância até chegarem ao lugar de origem de seus pais e então se espalham nas águas da região. Esta é a maneira que esses animais vivem, geração após geração. Decerto que é um fato surpreendente... que nos retrata um enigma espantoso para o qual o Sagrado Alcorão responde: “Disse ele (Moisés): Nosso Senhor que deu a cada coisa sua natureza; e a seguir a encaminhou com retidão!" (20: 50). Ele é Quem nos guia instintivamente e nos inspira o conhecimento inerente. Esses fatos nos fazem conhecer o significado do que Deus Onipotente diz: “Os sábios, dentre os servos de Deus, só a Ele temem...” (35: 28). Sem dúvida, não conhecemos a grandeza de Deus Onipotente senão através da ciência, que o Alcorão nos ordena obter. De modo semelhante, nos ordena refletir e usar a sabedoria e a prova no conhecimento de Deus, conhecendo Suas criaturas, e compreendendo Seu Livro Glorioso: “Não meditam, acaso, no Alcorão, ou que seus corações são insensíveis?" (47: 24). Assim, a barreira que nos separa de Deus Todo-Poderoso e do entendimento de Seu Livro é a ignorância, e quando obtemos uma porção abundante de ciência, os horizontes do conhecimento de Deus se abrem diante de nós e as luzes de Seu Livro brilham em nós. Um Olhar Cuidadoso para Si mesmo. Eu tenho o direito de entender a mim mesmo e conhecer minha responsabilidade e meu valor na vida. Sou um ser humano, e um homem possui um grande valor na existência. Portanto, ele tem uma imensa responsabilidade em sua vida. Eu nasci nesta terra, respeitado e honrado e Deus, o Majestoso, agraciou-me com todos esses direitos e minha porção nesta vida. Ele, o Onipotente, diz: “E enobrecemos os filhos de Adão e os conduzimos pela terra e pelo mar; agraciamo-los com todo o bem, e os preferimos enormemente sobre a maior parte do que criamos."(17: 70).  Ademais, nasci com uma existência de pureza inata, sem o mal e a malícia, e comigo nasceram os instintos, sentimentos, a consciência e a sensibilidade. Assim, cresci com o desenvolvimento de meu corpo e ampliação de meu intelecto. Por conseguinte, comecei a lidar com a vida por meio da sabedoria e dos desejos. É meu direito expressar tudo isso conscientemente e cuidadosamente entender que é minha responsabilidade salvaguardar a minha página branca e pura no registro desta vida. Decerto que, minha personalidade, e o futuro de minha vida é um depósito em minhas mãos. Me comporto em relação a isso segundo meu desejo e conduzo minha vida como me apetece. Na verdade, os caminhos da vida são numerosos e diversos. Neles há o desvio e a perdição, a orientação e a retidão. A maior parte das pessoas se desvia quando estão em seus primeiros anos, antes de alcançarem a idade de dezessete anos. Caem vítimas de seus desejos básicos, em vista de uma má administração de suas motivações instintivas. A ignorância e a arrogância dominam tais pessoas e elas, se submetem a essas falsas impressões desse mundo imaginário, ou são levadas ao abismo pelo prazer e a gratificação. Portanto, suas páginas são maculadas e quando os tribunais e os investigadores (da vida) registram suas ações verificam a estupidez de seus vergonhosos arquivos. As pessoas também percebem nelas o quanto estão degradadas e raramente encontramos quem se solidarize com elas ou se esforce para salvá-las. Como Lidar com Meus Instintos e Capacidades? De fato, a natureza humana comporta nela os sentimentos de amor e de ódio; o contentamento e descontentamento; os instintos de alimentação, de sexo, do amor próprio e da dominação; o amor a propriedade, o desejo de dominação sobre os demais, e todos esses elementos fazem o homem cometer o mal mais do que o fazem agir com bondade e zelar pelos interesses lícitos. Assim, a correta atitude é pensar sobre os resultados antes de empreender qualquer ação, ou seja, conhecer as conseqüências de nossos atos e posições, sejam elas boas ou más. É também proveitoso utilizar as experiências alheias e buscar o conselho daqueles em quem confiamos, nossos pais, irmãos, bons amigos, professores e pessoas de conhecimento. Existem várias motivações emocionais que influenciam o homem, pode ocorrer que a ira, o descontentamento, o egoísmo o façam cometer crimes ou envolver-se em atos dos quais não poderá se livrar dos maus resultados ou que seja obrigado a se desculpar por eles. Ou que as ilusões o dominem e ele comece a alimentar expectativas e projetos irreais de satisfazer seus desejos ou obter ganhos materiais, etc. E com isso, ele dispenda esforço e tempo em demasia, sem alcançar nada e muitas vezes, seus esforços são em vão. Pode ser que a o desejo sexual e por prazer levem o homem a cometer maus atos e comportamentos, como o consumo de álcool, de tabaco, cometer sexo ilícito, etc, que o farão se arrepender e reconhecer seus erros quando for tarde demais. Na verdade, é sábio e maduro que o homem não repita o mesmo erro cometido antes, e também lógico que não cometa os erros cometidos por outros. A experiência é uma escola que ensina o homem sobre o que é certo ou errado. Então, uma pessoa deve utilizar seus próprios erros e os erros alheios. Outrora, se dizia: "Aquele que testa as pessoas experientes, será atingido pelo remorso." O Imam Ali (as) tem um notável dizer sobre o raciocínio e o esforço, ele (as) diz: "Feliz aquele que tira lições das experiências dos outros." Respeitando a Personalidade.  As coisas mais preciosas que o homem possui são sua personalidade e sua identidade, que são consideradas encargos sob sua responsabilidade. Deus, o Majestoso, as concedeu a ele e o proibiu de degradar ou humilhar a si mesmo, ou ainda, desprezar sua própria dignidade. O Imam As Sadiq (as), explicando esse importante princípio, diz: "Em verdade, Deus, o Onipotente, deu total autoridade a um crente fiel com respeito a tudo, exceto para que degrade a si próprio." Entre as responsabilidades do ser humano para consigo mesmo está a de zelar por seu histórico pessoal na sociedade, o qual deve permanecer limpo perante os orgãos competentes. Esse arquivo é formado pela própria pessoa e continua sempre na memória da sociedade, pois um histórico maculado não apenas destrói sua reputação como também leva seu autor a cair em desgraça após certo tempo. As áreas do auto respeito e da dignidade de uma pessoa são numerosas. Os meios para a degradação da personalidade, das capacidades e qualificações se comparam em número. Mentir e transgredir os direitos alheios estão entre as causas que ofendem a própria personalidade. Contravenções morais insultam e degradam a dignidade pessoal. Aceitar a humilhação, a degradação e o menosprezo está entre o que provoca a ruína e a desvalorização pessoal, quer uma pessoa aceite isso em nome dos bens materiais, do sexo, do entretenimento ou pela busca da fama, ou por covardia ou hipocrisia, etc. Por exemplo, o sentimento de impotência, o tornar-se fraco ou incapaz de realizações, de participar nas atividades produtivas e criativas ou de estar a serviço da sociedade são os principais fatores para a destruição da personalidade e do valor de uma pessoa. Na verdade, Deus Onipotente concedeu ao homem diferentes habilidades, qualificações e talentos. Por conseguinte, o homem deve investir nisso e utilizá-las, e não desvalorizar suas habilidades e qualificações. Deus, o Onipotente, jamais vedou os talentos às pessoas. Algumas possuem o talento da medicina, outras a habilidade de aprender idiomas. Algumas têm o talento da produção cultural ou da realização técnica, outras são melhor qualificadas nas atividades comerciais. Algumas possuem o talento para os trabalhos manuais, outras são melhores nas atividades administrativas. Algumas são melhores nas atividades militares e outras no campo da política, etc. Um indivíduo descobre suas aptidões mediante a experiência e nunca despreza suas capacidades e talentos. É provável que muitas pessoas não consigam fazer uso de suas aptidões, capacidades práticas e mentais, tendências psicológicas para o trabalho e a criatividade em vista do pessimismo, do sentimento de incapacidade ou do acanhamento. Desse modo, destroem sua própria capacidade, negam injustamente seu próprio mérito e perdem a oportunidade de progredir e prosperar. Autoconfiança, esperança e otimismo causam o fortalecimento psicológico. Fazem com que as habilidades ocultas e a vocação natural sejam poderosas forças criativas que agem para reviver o espírito da pessoa. Assim sendo, confiar em Deus e ter autoconfiança são as chaves para o trabalho e o progresso. Eu e a Sociedade. Uma sociedade é um grupo de indivíduos e comunidades que estão interligadas por diferentes relações, tais como, a fé, o parentesco, os interesses comuns, a história, etc. Todo indivíduo sente que pertence a sua própria comunidade e sociedade e que faz parte delas. Um indivíduo troca interesses com a comunidade e a sociedade em que vive. De modo idêntico, adquire de sua família não apenas princípios morais, comportamentos, um modo de viver, mas também, parte de seu modo de pensar. Todo indivíduo possui seus próprios interesses e uma personalidade independente, assim ocorre também com a sociedade. Comumente, contradições surgem entre os interesses do indivíduo e os interesses da sociedade. Por isso, todas as leis divinas ou as leis humanas dão maior importância a organização das relações e a resolução de tais contradições. Todos os ensinamentos religiosos são dirigidos à organização da vida do indivíduo e da sociedade para salvaguardar os direitos e as obrigações. Além disso, os estudos da ética e da moral social dedicam sua atenção a organização da vida do indivíduo e da sociedade de modo integral e para estabelecer um equilíbrio com bases morais e bom senso. Algumas pessoas se preocupam somente com a satisfação de seus interesses pessoais sem considerar os interesses alheios. Por exemplo, um negociante monopolista, um vendedor, um produtor que trata com preços, não pensam senão em conseguir seu lucro individual. Tais pessoas nunca se preocupam com o que acontece com o consumidor de baixo poder aquisitivo que sofre com o custo de vida, com os problemas e as crises econômicas. E aquele que está em necessidade pensa somente em suprir suas próprias carências sem considerar a situação daqueles que também estão a sofrer ou que cuja necessidade permanece sem solução. Aquele que tem um objetivo político particular apenas se esforça para atingir suas metas pessoais e adquirir uma determinada posição ou posto. Se este homem realizar sua ambição, nunca se preocupará com o que venha a acontecer aos demais, ou com sua segurança, seu sustento ou os problemas e crises políticas. Ou mesmo um fazendeiro que possua terras cultivadas, não se disporá a cooperar com os outros no fornecimento de água, uma vez que exista disponibilidade dela. De fato, essas pessoas nunca observam as questões e os problemas senão através de seus próprios interesses. O honorável Mensageiro do Islam, Mohammnad (saas), especifica esse perigoso problema social do egoísmo como algo prejudicial aos interesses coletivos. A esse respeito, ele (saas) diz: "Nenhum de vós terá fé até que deseje para seu irmão (muçulmano) o que deseja para si mesmo." O Profeta de Deus (saas) faz uma ligação entre a mediação dos interesses coletivos e o abandono do egoísmo. Um egoísta, que nunca pensa no interesse coletivo não pode ser um crente fiel. Aquele que não considerar os interesses dos outros, ninguém considerará seus interesses também. Com isso, a unidade e as bases de uma sociedade estarão destruídas. E se um puro sentimento educacional e psicológico de ambos, do indivíduo e do grupo, não for efetivado e se não existir nenhuma lei para proteger seus interesses, decerto que a sociedade se transformará num caos (de egoísmo). A maioria da comunidade se tornará destituída, o que abre a possibilidade para que os fortes dominem os fracos e os oprimam ainda mais. O senso moral e consciencioso existe em nós e os princípios divinos nos ordena observar os interesses de grupo, da mesma maneira que nos dedicamos a nossos próprios interesses. Porque na maioria das vezes o interesse individual lesa o interesse da comunidade, devemos pois evitá-lo. Por exemplo, o contrabando de fundos financeiros gera grandes lucros aos que o praticam. Contudo, essa ação causa imenso prejuízo à economia da nação. Assim, a lei islâmica a proíbe e a pune. No comportamento dos piedosos e fiéis, encontramos situações fundamentais e aplicações práticas com o intuito de estabelecer um equilíbrio entre os interesses do indivíduo e da comunidade. Com respeito a essa atitude prática, Mu'attab, um dos companheiros do Imam dos muçulmanos, Ja'far As Sadiq (as), que era responsável pelos assuntos domésticos do Imam, é mencionado que tenha dito: "O Imam (as) perguntou-me quando a carestia estava se intensificando. "Quanto temos de provisão?" Eu disse: "Temos o suficiente para muitos meses." Ele (as) disse: "Retire o que temos e venda." Eu falei: "Em Medina, não há comida." Ele (as) disse de novo: "Venda." Então, depois que eu vendi, ele (as) disse: "Compre como as pessoas, dia a dia." O Imam (as) disse: "Ó Mu'attab! Prepare a comida de minha família, metade de cevada e metade de trigo. Em verdade Deus sabe que eu posso alimentá-los com trigo da melhor maneira, mas, eu gosto que Deus veja que tenho feito bem ao avaliar o sustento." Este episódio expressa uma declaração prática acerca da preocupação do Islam com os assuntos coletivos. O Imam (as) se recusou a prover sua própria família com víveres suficientes para vários meses estocados em casa, num momento em que era difícil para o resto da sociedade conseguir a provisão diária. Ele (as) proibiu que se comprasse grande quantidade de alimentos para que houvesse disponibilidade de víveres nos mercados. De maneira que o estoque aumentasse e o preço diminuísse facilitando para todos a aquisição. O Imam Sadiq (as) tratou dessa questão, partindo do princípio de preocupação com a sociedade do mesmo modo que se preocupava com sua família. Essa situação expressa um verdadeiro retrato da crença. Cabe mencionar que o provocar prejuízo à sociedade, não poupará uma pessoa, quaisquer que sejam seus interesses, de ser igualmente prejudicada, pois o homem é um ser social por natureza, e precisa viver numa sociedade segura e tranquila. O que é Direito e Dever. Toda existência neste globo possui uma relação mútua com as coisas que a rodeia. Ela dá e recebe. Por exemplo, o homem, a planta, os animais e a natureza intercambiam benefícios: oxigênio, carbono, alimento, calor, luz, água, etc. Um homem, como indivíduo, vive com sua família e sociedade e convive com os seus semelhantes, tratando com seus interesses. Ele tem direitos sobre sua família e sociedade e a família e a sociedade têm direitos sobre ele. Todo homem tem direitos e deveres. Este é um equilíbrio e lei social, sem o qual não há justiça e estabilidade a ser alcançada pela sociedade humana. Assim, aquele que exige seu direito sem cumprir seu dever, pratica uma injustiça com os outros e deseja viver como um parasita em sua família e sociedade. E todos o rejeitarão. Um homem tem o direito de viver e receber os recursos necessários para suas necessidades vitais. Ele também tem o direito ao trabalho, a liberdade de ganho, da posse lícita e também de sua justa porção dos recursos da terra em que vive. Deus, o Majestoso, esclarece o direito do homem no seguinte versículo: "Aplainou a terra para as (Suas) criaturas." (55: 10). Portanto, esta terra foi feita para todas as pessoas. Todas elas devem fazer uso de seus recursos e benefícios. A monopolização dos benefícios, dos interesses e das bênçãos para o privilégio de alguns grupos ou facções, com a conseqüente negação de tudo isso aos outros, é injustiça e opressão contrariando as leis da vida e os princípios da verdade e da justiça. O Alcorão enfatiza esse conceito no seguinte versículo: “Deus ordena a justiça e a caridade ..." (16: 90). A esse respeito, o Honorável Mensageiro Mohammad (saas), diz: "As pessoas são iguais como os dentes de um pente." Quando as pessoas silenciam diante da injustiça e da usurpação, o mal disso prevalecerá e consequentemente atingirá um estágio em que alguns opressores não apenas dominarão a sociedade inteira como também as oprimirão. Como um homem tenta por si garantir o seu direito, também deve desejar isso para os outros, e não impedi-las de garantir seu direito. O homem tem o direito de viver em paz e de ter garantia de vida, dignidade, propriedade e do que seja relacionado a ele. Deve estar isento de medo e preocupação, uma vez que a privação de seu direito é opressão e agressão, e quem o fizer deverá ser punido. Como um homem tem direitos, os outros também têm. Quando ele perturba a segurança ou suscita temor nos demais, ou quando espalha o terror e a preocupação entre a sociedade, sua ação não somente agride à sociedade humana, mas também, perturba sua própria segurança pessoal. O Mensageiro de Deus, Mohammmad (saas), fixa as bases da segurança e da paz na sociedade, dizendo: "Um muçulmano é irmão do outro. Não o engana, não trai, não o difama; nem o seu sangue nem os seus bens são lícitos para ele, (nada do que lhe pertence) senão com o seu consentimento." O valor do homem está em sua reputação e dignidade, e por isso, a legislação islâmica proíbe a difamação, a calúnia, a propagação da suspeita, o insulto a dignidade alheia, quer seja por palavras ou atos; e a espionagem sobre a vida de outrem, a propagação de seus segredos ou a desonra. Esta lei, por si própria, obriga um indivíduo a respeitar a dignidade do outro e a não ofender sua santidade pessoal. O Onipotente, diz: “Ó fiéis, que nenhum povo zombe do outro; é possível que (os escarnecidos) sejam melhores do que eles. Tampouco nenhuma mulher zombe de outra, porque é possível que esta seja melhor do que aquela. Não vos difameis nem vos motejeis com apelidos, mutuamente. Muito vil é o nome que denota maldade, depois de ter recebido a fé. E aqueles que não se arrependerem serão os iníquos. Ó fiéis, evitai tanto quanto possível a suspeita, porque algumas suspeitas implicam pecado. Não vos espreiteis nem vos calunieis mutuamente. Quem de vós seria capaz de comer a carne de seu irmão morto? Tal atitude vos causa repulsa! Temei a Deus, porque Ele é remissório, Mui Misericordioso." (49: 11-12). Como o homem tem direitos sobre a sociedade, o estado. Por sua parte, a sociedade deve oferecer os máximos direitos a ele de educação, proteção, segurança, fornecendo todos os serviços municipais e de saúde, etc. E o homem tem deveres para com a sociedade e a nação e no caso de não se empenhar no sentido da proteção dos interesses da comunidade, cumprindo seus deveres especificados pelas normas legais e leis morais, a vida social enfrentará a desordem e a deterioração. Porque o que aflige aos outros também o atingirá. Como Entendemos a Vida? Como entendemos e lidamos com a nossa vida, e como criamos nosso destino? A vida humana é a origem e as atividades espirituais, teológicas e físicas praticadas pelo homem entre o período do nascimento e da morte, em que o homem forma sua existência e seu próprio ser, espírito e personalidade. De fato, o homem forma isso por meio do que possui da vida, da sabedoria, da capacidade de consciência sobre o mundo que o rodeia, percebendo o prazer e o sofrimento, e reconhecendo todas as criaturas. Por exemplo: comemos, bebemos, brincamos, aproveitamos, da beleza e das coisas boas, praticamos sexo, sentimos amor e ódio, tristeza e felicidade, prazer e dor, sorrimos e choramos, nos desesperamos e temos esperança (somos otimistas) quando as expectativas surgem diante de nós. Pensamos e inventamos; imaginamos; descobrimos e desenhamos coisas; expressamos nossos sentimentos pela fala, a pintura, a poesia, a felicidade e a tristeza. Com nossa consciência e contemplação partimos para fora deste mundo, pensamos sobre sua origem e como passou a existir; então conhecemos o princípio da existência e seu criador. Somos compostos de espírito, sabedoria, corpo e sentimento. Tudo isso foi concedido a nós. Fazemos a vida como um pintor a seu quadro. A vida de cada um é uma imagem particular. Assim, quem deseja desfigurar sua própria imagem? A vida não é somente diversão e prazer, mas é uma mistura de tristeza e sofrimento também, Não é um caos, mas uma responsabilidade, uma responsabilidade perante Deus Onipotente, e perante a sociedade e as pessoas com quem vivemos; uma responsabilidade perante a lei e a consciência. Deus, o Magnificente, diz: “Então certamente questionaremos a quem os mensageiros foram enviados, e questionaremos os mensageiros." (7:6). O Santo Profeta (saas) diz: "Todos vós sois líderes e todos vós sois responsáveis pelos que estão sob vossa autoridade." O Criador da existência explica a natureza da vida e nós dá um exemplo que nos esclarece a questão. Ele, o Onipotente, explica que a natureza da vida é o processo de formação, crescimento, integração e prosperidade, e em seguida, de enfraquecimento, desintegração e desaparecimento. Assim é a vida de todo indivíduo no mundo físico. "Expõe-lhes o exemplo da vida terrena, que se assemelha a água, que enviamos do céu, a qual se mescla com as plantas da terra, as quais se convertem em feno que os ventos disseminam. Sabei que Deus prevalece sobre todas as coisas." (18:45). Portanto, a vida, malgrado possua um adorno, uma beleza, o prazer e a diversão, é repleta de fenômenos que ocorrem e se interrompem, como uma planta que nasce, cresce e floresce, e que então perde a cor, murcha e se transforma em talos secos espalhados pelo vento. Quando esse estágio da vida humana termina, outro estágio se inicia. Este estágio é chamado de mundo da Ressurreição. O mundo da eternidade. O mundo em que não muda nem desvanece. Ou é o mundo das bênçãos, da beleza e do paraíso ou o mundo da desgraça, do tormento e do inferno. O que decide o destino do homem naquele mundo é a natureza e o resultado de suas ações e de seu modo de pensar no mundo presente, como o esforço do estudante e seus avanços educacionais decidem o resultado do exame e seu futuro científico nesta vida. Decerto que o homem faz o seu caminho para o outro mundo como trilhou o caminho do mundo do útero para este. O Alcorão indica esse fato e diz: “O descrente sofrerá o peso de sua descrença; aqueles que tiverem praticado o bem, estenderão leitos para si próprios (no Paraíso)." (30: 44). Por isso, todas as legislações divinas foram reveladas com o intuito de organizar as atividades e o comportamento do homem nesta vida. O homem pode se desviar para a direção dos desejos inferiores, a diversão e o prazer ou superar sua própria arrogância, ignorância e agressão, portanto, sua vida será dirigida ou para os processos de auto-satisfação ou para uma senda que o levará ao crime, a corrupção e a adoração de seus próprios prazeres, se ele for controlado pelo egoísmo e o narcisismo. O Criador deu esta vida como um presente ao homem para que ele vivesse tranquilamente e gozasse dos prazeres mundanos e de suas belezas de acordo com os princípios da lei de proteção à vida e de organização do comportamento, de modo que o habilitasse a alcançar o melhor para ele e para a sociedade. E quando o homem comete um erro, no entender da vida, certamente prejudica a si mesmo e se deixa levar para a destruição. Não percebe seu erro exceto quando já é tarde demais. Milhões de seres humanos são desviados por seus desejos inferiores, e a arrogância se transforma em caos, calamidades e remorso, mas, depois disso é muito tarde. A vida da maioria deles tem terminado nas prisões ou no suicídio, ou são acometidos de doenças sexuais ou viciados em drogas, e perambulam em tribulação e infelicidade. Os institutos de estatísticas e os relatórios das instituições privadas, como hospitais e sanatórios, e os departamentos de controle de criminalidade registram números assustadores e são os melhores indicadores de tudo isso. Nossa vida é um presente do Mais Misericordioso, então temos a obrigação de lidar com ela tomando por base a lei da segurança e da proteção. Esta é a lei divina que proíbe o que é prejudicial e permite o que é proveitoso e bom para nós. Existem meios de compreender a vida, devemos, pois, nos referir a eles com confiança. Entre esses meios estão: 1. O Livro de Deus e a senda da profecia. Estes dois, juntos, nos apresentam explicação suficiente com respeito a natureza da vida. Também fornecem uma orientação, uma prova e um método de vida. Temos que lê-los com consciência e com uma contemplação científica e racional para nos familiarizarmos com seus benefícios e sua sabedoria. 2. A segunda fonte principal para a compreensão da vida é a ciência e as descobertas científicas. A ciência nos fornece o conhecimento e a consciência, e também apresenta as informações sobre o que é danoso e o que é proveitoso. Todas suas pesquisas e estudos se apresentam compatíveis com os ensinamentos do Alcorão no que concerne ao que é lícito e o que é ilícito. A ciência foi capaz de descobrir o perigo da bebida alcoólica, das drogas, das práticas sexuais ilegais, da usura, do monopólio, e o benefício da higiene, do amor e da solidariedade familiar e seu impacto sobre a sanidade psicológica do homem. Da mesma maneira, descobriu com respeito ao efeito da fé na formação da felicidade, do comportamento virtuoso, na libertação em relação aos problemas e os crimes...etc. A ciência, ainda, participou ativamente na elevação do nível de consciência do homem e de seu entendimento da vida, no desenvolvimento dos meios de produção, no fornecimento de serviços, na organização da sociedade e no movimento da vida; e também tem um papel na solução dos problemas da vida. A descoberta da eletricidade, do átomo, do petróleo, do rádio, da televisão, e dos meios de imprensa e de transporte, etc, abriu para o homem uma outra consciência da vida. Quanto mais nossa consciência e compreensão da vida se ampliam, mais se amplia nossa consciência e compreensão da religião e do significado da fé, porque a ciência exige a fé e é sua companheira na existência. 3. O intelecto e a experiência: o intelecto é a evidência do homem na vida. Quando o homem o utiliza da maneira correta, é guiado para a bondade e é protegido da ruína, da perda e do remorso. O homem exerce vários métodos em sua vida e assim obtém experiências, Portanto, deve utilizar suas experiências de vida, e também as experiências alheias em todos os campos da vida, o campo pessoal, matrimonial, econômico, político, cultural, etc. Por conseguinte, o Alcorão nos ordena a fazermos uso das experiências das nações anteriores. Porque a experiência humana, os acontecimentos do passado e da história, os resultados do intelecto, do conhecimento, da cultura, da sabedoria, da educação e das artes construtivas do homem são dádivas que fazem parte do enriquecimento da vida e da abertura de novos horizontes a serem compreendidos. Por isso, o Alcorão nos orienta para a utilização das experiências das outras nações e indivíduos, e também da análise aprofundada e do intelecto. Ele nos diz: “Ele foi Quem dilatou a terra, na qual dispôs sólidas montanhas e rios, assim como estabeleceu dois gêneros de todos os frutos. é Ele Quem faz o dia suceder a noite. Nisto há sinais para os que refletem." (13:3). “Antes de ti, não enviamos senão homens que habitavam as cidades, aos quais revelamos a verdade. Acaso, não percorreram a terra para observar qual foi o destino dos seus antecessores? A morada da outra vida é preferível para os tementes. Não raciocinais? Quando os mensageiros se desesperavam e pensavam que seriam desmentidos, chegava-lhes o Nosso socorro; e salvamos quem Nos aprouve, e o Nosso castigo foi inevitável para os pecadores. Em suas histórias há um exemplo para os sensatos. É inconcebível que seja uma narrativa forjada, pois é a corroboração das anteriores, a elucidação de todas as coisas, orientação e misericórdia para os que crêem." (12: 109-111). O Imam Ali (as), se dirigindo a seu filho, o Imam Hassan (as), quando o incentivava a fazer uso das experiências alheias e a considerá-las, disse: "...que estejas pronto a aceitar por meio de teu intelecto os resultados da experiência dos outros e poupar a ti mesmo de passar por aquilo que eles passaram. Dessa maneira, evitarás a agrura de recorrer a eles e as dificuldades por eles experimentadas. Assim, saberás o que eles passaram e mesmo algumas coisas se tornarão mais claras para ti, as quais possivelmente não percebemos..." Quando proporcionamos a nós mesmos um correto entendimento da vida, de acordo com a shari'ah, o intelecto e a ciência, certamente somos capazes de lidar com ela mais conscientemente e com maior chance de êxito. www.mesquitadobras.org.br. Abraço. Davi

segunda-feira, 18 de outubro de 2021

QUEM AMA CORRIGE

 

Cristianismo. www.ofielcatolico.com.br. QUEM AMA CORRIGE. Como deve o cristão católico proceder diante de um familiar, um amigo ou mesmo algum colega de estudos ou do trabalho que erra, que está em pecado ou, melhor seria dizer, um que persista no erro, imaginando que acerta (já que errar todos nós erramos, pecar todos pecamos). Corrigir os erros alheios pode ser muito difícil. Exige coragem, boa vontade, paciência (...) e principalmente verdadeiro amor fraterno, que é a autêntica caridade cristã. Como diz o querido padre Francisco Faus (1931-  ) em um de seus admiráveis livros (Tornar a Vida Amável, Cultor & Cleofas) "corrigir um amigo – com amor e ânimo de ajudar – é uma das melhores maneiras de compreendê-lo". Antes de entrar na análise da questão, entretanto, importa contextualizá-la. Vivemos hoje o pleno apogeu da temível ditadura do relativismo, contra a qual tanto nos advertia o papa Bento XVI (1927-  ) e que já foi também condenada por Francisco como "a pobreza espiritual dos nossos dias". Vivendo num mundo em que tudo é relativo e tudo se questiona, por todos, o tempo todo, fica muito difícil dizer a um irmão: "Cuidado, não vá cair em tal erro", porque o mundo grita intermitentemente aos nossos ouvidos que absolutamente tudo é relativo e que ninguém possui autoridade para dizer o que é certo e o que é errado. Mais além, nossa geração é extremamente orgulhosa e pendente para o pecado da soberba. Nossos pais e avós aceitavam com mansidão a reprimenda dos pais, mestres e superiores hierárquicos, diferente de nós. Eu mesmo não podia reclamar dos meus professores do ensino fundamental ou médio para meus pais (a não ser que se tratasse de algum problema realmente grave), porque, se o fizesse, ganharia apenas uma nova reprimenda. Meu dever era respeitar sempre, e me esforçar ao máximo para aprender e me aperfeiçoar, e não criticar aquele (a) cuja função é justamente me ensinar e disciplinar. Hoje, se um professor adverte uma criança ou adolescente em sala de aula, terá que responder aos pais, que via de regra já têm como premissa que o aluno, em tudo, está certo, e o professor errado (como aconteceu no caso do professor processado em juízo por ter proibido um aluno de usar o celular durante sua aula). Temos assim, por um lado, que em nossos tempos é muito difícil corrigir alguém, mesmo quando o erro é flagrante. Por outro, que é muito importante saber corrigir. Ninguém gosta de ser repreendido, em especial se a reprimenda for feita publicamente. Ninguém gosta de se sentir desrespeitado e, a não ser que você mesmo seja perfeito, como poderia apontar o dedo para as falhas do seu próximo? Com que autoridade o faria? Mesmo assim, é um erro comum pensar que, pelo fato de Nosso Senhor ter nos exortado a "não julgar", isto seria motivo para a omissão, isto é, deixar cada um cuidar da própria vida, sem se importar com o bem do próximo ou com a defesa do bem, da verdade, da justiça. Aliás, as passagens em que o Cristo ensina a "não julgar" estão entre as mais desvirtuadas das Sagradas Escrituras, que também nos mostram claramente como nosso Salvador (e antes d'Ele os profetas, até São João Batista, e depois d'Ele os santos Apóstolos), apontava com clareza todo erro, onde quer que o encontrasse. Assim é que as Epístolas vão insistentemente nos orientar neste sentido: Exortamos-vos, também, irmãos, a que admoesteis os insubmissos. (1Tessalonicenses 5,14) Irmãos, se alguém for surpreendido em alguma falta, vós, que sois espirituais, corrigi-o, com espírito de brandura; e guarda-te para que não sejas também tentado. (Gálatas 6,1). Acautelai-vos! Se teu irmão pecar contra ti, repreende-o; se ele se arrepender, perdoa-lhe. (Lucas 17,3-4) Irmãos, se alguém for surpreendido em alguma falta, vós, que sois animados pelo Espírito, admoestai-o em espírito de mansidão (Gálatas 6,1). Especial atenção requer a exortação de S. Judas Apóstolo, por muito precisa: "Procurai convencer os hesitantes (compadecei-vos deles); procurai salvá-los, arrebatando-os do fogo (do Inferno); dos outros, tende misericórdia (sede compassivos), mas com temor, detestando até as vestes contaminadas pela carne" (Judas 22-23). O resumo de tudo em 4 pontos bem claros. Nosso dever é: 1) proclamar a Verdade do Evangelho; 2) procurar salvar a todos 3); ter misericórdia dos que vagam sem direção, perdidos no erro, sendo compassivos para com eles; 4) mas nada disso exime de manter o temor de Deus, e nem nos desobriga de detestar radicalmente o pecado. Em resumo, devemos ser "imitadores de Deus", amando os pecadores e odiando o pecado. Muitos confundem as duas coisas: uns são caridosos em excesso, entendendo equivocadamente que, por amarmos os pecadores, deveríamos tolerar também o pecado. Alguns vão tão fundo nesta compreensão espúria que caem no erro ainda mais grave de concluir que até o chafurdar no pecado seria "graça de Deus"(...). Outros, seguindo no sentido contrário e igualmente equivocado, por muito odiar o pecado, confundem-no com o próprio pecador, e assim terminam por trocar o Caminho de Cristo por um caminho de ódio e intolerância. Esquecem-se que a Caridade é como que uma das pernas do caminhar do cristão, sendo a outra perna a própria Verdade: se uma das duas falhar, o andar torna-se manco, e em alguns casos o progresso vai se tornar finalmente impossível. Não basta só a Caridade sem a Verdade. Também os hipócritas e os desonestos são capazes de amar. Já o conhecimento da Verdade, sem a Caridade, será estéril. Assim como os "bonzinhos" e "politicamente corretos" de plantão dos nossos tempos entendem que seria mais próprio do bom católico "compreender" e concentrar todos os nossos esforços apenas e tão somente em perdoar, relevar e "não julgar"; considerando sempre exclusivamente o lado bom da pessoa, outros comportam-se como fariseus, assentados em seus tronos de hipocrisia e apontando seus dedos duros para todos os lados, como se tivessem já, eles próprios, atingido a perfeição cristã. A solução para o problema está no caminho reto, que não se desvia nem para a direita e nem para a esquerda (Provérbios 4,11,27). Nosso Modelo máximo e perfeito, evidente, é o Cristo, e Ele resumiu tudo ao dizer: Se o teu irmão pecar, vai ter com ele e corrige-o a sós. Se ele te der ouvidos, terás ganho o teu irmão. (Mateus 18,15) Está tudo dito aí, numa única frase: • Deve o cristão repreender o seu irmão, que caiu ou está em pecado; • Deve corrigi-lo com caridade e misericórdia, a sós, sem a pretensão de humilhá-lo ou fazer-se superior a ele; • "Se ele te der ouvidos (...)": é preciso compreender que aquele irmão pode simplesmente não querer ouvir, não considerar a correção, comportar-se com orgulho e persistir no erro. Nesse caso, não cabe querer forçá-lo e sim, simplesmente, deixá-lo seguir seu próprio caminho, pois quem o julgará é Deus, e não nós, que somos também imperfeitos. Jesus, depois de censurar a pessoa que só enxerga o cisco no olho do irmão, fala mais uma vez do dever de corrigir: "Tira primeiro a trave de teu olho e assim verás para tirar o cisco do olho de teu irmão" (Mateus 7,5); • "(...) terás ganho o teu irmão". O objetivo do que corrige não é impor-se, disputar, mostrar que tem razão ou qualquer outra coisa desse tipo, mas sim o bem do outro. É ganhar a sua alma para Cristo e para a vida eterna. Como vemos, o mesmo Cristo que nos ama e perdoa, sempre de novo e de novo, com infinita Misericórdia (louvado seja, por isto, Nosso Senhor!), manda-nos corrigir, exatamente porque quer sempre o nosso bem. Porque nos ama, não hesita em alertar, em corrigir, em repreender, ainda que isso doa, como fez tantas vezes com seus Apóstolos (cf. Mateus 16,23 e 20,25-26), seus amigos mais caros. Nunca é demais lembrar que identificar e acusar os erros é coisa diferente de julgar. Se eu testemunhasse um assassinato, estupro ou tortura, e dissesse que tudo isso é erro, pecado e crime, estaria "julgando"? Não, por certo. Estaria, isto sim, fazendo uso do discernimento racional mais elementar para identificar um comportamento condenável, e nestes casos extremos seria uma obrigação moral denunciar. Julgar tem mais a ver com condenar pessoas do que os atos cometidos por pessoas. Quem não é capaz de alertar um irmão que se está a perder é o egoísta indiferente, que só pensa em si e prefere não se meter com os problemas alheios, repetindo o mantra maldito dos que não conhecem a caridade: "Cada um com os seus problemas"... E, quando o outro se complica de vez, naufragando em meio a mil dores e dificuldades, amortece a própria consciência repetindo para sim mesmo que não teve culpa, afinal, "cada um (...)". Quem não corrige é porque não ama o suficiente, ou não sabe amar; são os frouxos, os covardes, os "mornos" de quem nos fala o Cristo (Apocalipse 3,15-16). Acham que ser bom é aceitar tudo, porque corrigir pode magoar, provocar alguma dor, algum constrangimento (...) "Passa por cima" de tudo e tudo tolera. Nunca adverte nem corrige, por medo de magoar ou da reação do outro. É a atitude típica dos sentimentais e covardes, e contra estes disse o Espírito Santo no Livro dos Provérbios: "Melhor é a correção manifesta do que uma amizade falsa" (Provérbios 27,5). É muito fácil cair na tentação de olhar só as qualidades, dizer sempre somente as coisas boas, os acertos e as virtudes de um parente, um amigo, um colega, um irmão de fé, e fingir que as falhas não existem. Uma falsa tolerância que mais prejudica do que ajuda. Os tolerantes de araque, que são moles de espírito, acham que corrigir alguém vai "traumatizar" ou "tirar a liberdade" do outro, e assim vão todos ficando igualmente moles. Isto é uma grande tragédia dos nossos tempos. Lembro-me bem da primeira reunião que tive com Felipe Marques, um valoroso jovem que desempenha um belo papel em nosso apostolado. Num momento da conversa, perguntei a ele: "O que você acha de ser repreendido? Como reage quando alguém aponta alguma falha em alguma coisa que você fez? O que acharia de ter os seus textos corrigidos, ou mesmo parte deles reescritos?"; ao que ele prontamente, olhando nos meus olhos, com verdade e numa atitude de cavalheiro, respondeu: "É o que eu espero! Eu quero ser corrigido porque quero aprender, e tenho muito que aprender". Naquele momento entendi que estava diante de um verdadeiro fiel católico, um guerreiro de Cristo, um jovem cruzado verdadeiramente disposto a fazer a diferença nesta Igreja combalida. E eu respondi: "Muito bem. Somos homens! Não tenha medo em também me corrigir, quando eu cometer alguma falha". Já se foram alguns anos desta conversa, e de lá para cá a verdade é que temos aprendido um com o outro, sem falsos orgulhos nem vaidades, mas com o amor fraterno que deve existir entre os membros do Corpo de Cristo. Lembremos, por fim, que para corrigir, antes é preciso dar exemplo, e é preciso cultivar um sincero afeto pela pessoa, além de saber perdoá-la no mais íntimo da alma, conscientes de que nós também erramos. É preciso que a motivação e a razão da correção seja sempre o querer o bem do próximo, como quem estende a mão para ajudar. Pense que não é obstáculo para corrigir com eficácia o fato de sentir dificuldade em fazê-lo. Quase sempre custa falar de um defeito diretamente com o interessado; é natural que soframos com o receio de que – ainda que falemos com carinho – o outro não entenda e possa se melindrar. Rezemos, então, antes de falar, pedindo a Luz e a Fortaleza do Espírito Santo. Coragem! O mundo só terá a ganhar se nós, cristãos, nos corrigirmos fraternalmente, uns aos outros. Lembre-se: por mais difícil que seja, isto é melhor –, infinitamente melhor –, do que calar-se na presença daquela pessoa, para depois criticá-la pelas costas. Referindo-se aos comodistas, que preferem calar do que corrigir quando é preciso, disse S. Josemaria Escrivá (1902-1975):  Talvez poupem desgostos nesta vida, mas põem em risco a Felicidade eterna – a própria e a dos outros – pelas suas omissões, que são verdadeiros pecados. (Forja, n. 577). Nós, Igreja, precisamos de homens e mulheres de verdade, guerreiros da fé valorosos e destemidos, que saibam respeitar, sim e sempre, mas igualmente saibam se posicionar e proclamar quem são, em que creem, pelo que lutam. Rogai por nós, São Miguel, São Jorge, São Sebastião, Santa Joana d'Arc (1412-1431)! www.ofielcatolico.com.br. Abraço. Davi