sexta-feira, 15 de outubro de 2021

SOBRE O ÓDIO AOS JUDEUS

 

Judaísmo. Tradução de L. Waschsmann. SOBRE O ÓDIO AOS JUDEUS. Não há ódio que tenha história tão rica e letal quanto o antissemitismo - "o mais prolongado dos ódios" - como o intitulou o historiador Robert S. Wistrich (1945-2015). Com efeito, encontrar-se uma causa única parece tarefa bastante desalentadora - a incidência do antissemitismo é muito frequente, o espaço de tempo, muito amplo, os lugares, muito numerosos, e as circunstâncias, muito variadas. Certamente, é por isso que alguns estudiosos passaram a ver cada incidente antissemita como essencialmente único, negando o fato de que se pode traçar uma linha reta desde o antissemitismo da Antiguidade até o de nossos dias. Quer falemos do ataque aos judeus de Alexandria, em 38 desta era, ou dos que ocorreram 200 anos antes, na antiga Jerusalém; do caso Dreyfus, na França de 1890, ou da Kristallnacht, na Alemanha do final da década de 1930 - cada um desses incidentes é visto como o resultado de um mix específico de forças políticas, sociais, econômicas, culturais e religiosas que excluem a possibilidade de uma causa mais profunda ou recorrente. Uma versão menos extrema dessa mesma abordagem identifica certos padrões de antissemitismo, mas apenas dentro de "eras" individuais ou diferenciadas. Em particular, é feita uma distinção entre o ódio de fundo religioso da Idade Média e o ódio de fundo racial dos tempos modernos. A responsabilidade pelas ondas antissemitas que engoliram a Europa desde o tempo de Constantino até o alvorecer do Iluminismo é depositada, em grande medida, aos pés da Igreja e suas ramificações, ao passo que as convulsões que irromperam durante o curso dos três séculos seguintes são vistas como um subproduto da ascensão de um virulento nacionalismo. Obviamente, essa separação em incidentes ou eras tem suas vantagens, pois permite que os pesquisadores se concentrem mais intensamente em circunstâncias específicas e examinem irrupções individuais, do começo ao fim. Porém, o que tais análises podem eventualmente ganhar em termos de explicação mais pontual, sacrificam em abrangência. Ademais, se cada um dos incidentes ou eras de antissemitismo diferem bastante entre si, como explicar a ferocidade cumulativa do fenômeno? Como que respondendo a essa questão, alguns estudiosos tentaram oferecer explicações mais amplas, trans históricas. Talvez as duas mais conhecidas sejam a teoria do "bode expiatório", segundo a qual as tensões dentro da sociedade são regulamentadas e liberadas ao se culpar um grupo mais fraco, geralmente os judeus, pelo que quer que esteja incomodando a maioria; e a teoria da "demonização", segundo a qual os judeus foram lançados ao papel de "o outro", em virtude da necessidade, aparentemente perene de rejeitar aqueles que são étnica, religiosa ou racialmente diferentes. Claramente, nessa abordagem sociológica, o antissemitismo emerge como um fenômeno judeu apenas no nome. Ao invés disso, é apenas uma das variantes de uma família de ódios que incluem o racismo e a xenofobia, entre outros. Portanto, a violência especificamente anti judaica da Rússia, na virada do século 20, tem tanto em comum com a limpeza étnica na Bósnia, na virada do século 21, como o tem com os massacres de judeus na Ucrânia, em meados do século 17. Levada à sua conclusão lógica, esta teoria redefiniria o Holocausto - nas mãos de alguns eruditos, de fato redefiniu o Holocausto - como sendo o mais destrutivo ato de racismo da humanidade e não como a campanha mais assassina jamais dirigida contra os judeus. Há meio século, reagindo a essas tendências universalizantes, Hannah Arendt (1906-1975) citou parte de um diálogo de "uma anedota contada após a 1ª.Guerra Mundial": "Um antissemita alegava que os judeus haviam causado a guerra. Ao que um outro, retrucava: 'Sim, os judeus e os ciclistas'. Aí o antissemita perguntava: 'Por que os ciclistas?' Ao que rebatia o outro: 'E por que os judeus?". George Orwell (1903-1950) fez uma observação semelhante, em 1944: "Por mais verdadeira que seja, em termos gerais, a teoria do "bode expiatório", ela não explica por que os judeus e não outro grupo minoritário qualquer são os escolhidos, nem tampouco deixa claro o que eles estariam expiando (...)." Quaisquer que sejam as falhas dessas abordagens, devo admitir que meu próprio histórico, como teórico, não é melhor. Há três décadas, como jovem dissidente na União Soviética, compilei relatórios secretos sobre o antissemitismo para jornalistas estrangeiros e diplomatas do Ocidente. À época, eu acreditava piamente que a causa da "doença" era o totalitarismo e que a democracia era a maneira de a curar. Uma vez substituído o regime soviético pelo democrático, imaginava eu, o antissemitismo estaria fadado a desaparecer. Em seu empenho atrás desse objetivo, o mundo livre, que, na esteira do Holocausto, parecia ter-se vacinado contra a reincidência do ódio assassino anti judaico, era nosso aliado natural, era a única entidade política que tinha os meios e a vontade de combater o grande mal. Hoje, sei um pouco mais sobre o assunto. Este ano, após a publicação de um relatório por um fórum do governo israelense encarregado de tratar da questão do antissemitismo, convidei a vir ao meu escritório os embaixadores dos dois países que tinham superado os demais na frequência e intensidade de ataques anti judaicos dentro de suas fronteiras. Os representantes eram da França e da Bélgica - duas democracias maduras, no coração da Europa Ocidental. Era justamente nesses ostensivos baluartes do esclarecimento e da tolerância que os cemitérios judeus estavam sendo violados; as crianças, atacadas; as sinagogas, devastadas. Que não haja dúvida: o antissemitismo que hoje permeia a Europa Ocidental é muito diferente do antissemitismo com o qual convivi, há uma geração, na União Soviética. Este último era alimentado por uma sistemática discriminação contra os judeus, imposta pelo governo. O atual tem sido amplamente condenado e criticado pelos governos do mundo (apesar de que isto se dê de forma muitíssimo menos vigilante do que deveria). Isto, porém, apenas torna mais perturbador o antissemitismo nas democracias, destruindo a ilusão - que obviamente não era só minha - de que um governo representativo fosse um antídoto infalível para o ódio vivo aos judeus. Há uma outra ilusão despedaçada ainda mais pertinente à nossa busca. Chocado pelo antissemitismo visceral que testemunhara no julgamento Dreyfus, na supostamente esclarecida França, Theodor Herzl (1860-1904), fundador do moderno Sionismo, convenceu-se de que a causa primária do antissemitismo era a condição anômala dos judeus: um povo sem Estado próprio. Em sua obra seminal, O Estado Judeu (1896), publicada dois anos após o julgamento, Herzl tinha a visão da criação de um tal Estado, prevendo que uma maciça leva imigratória de judeus europeus para esse estado significaria o fim do antissemitismo. Apesar de seu tratado político, aparentemente utópico, ter-se tornado um dos livros mais previdentes do século 20, nesse ponto a história não foi amável com Herzl. Nenhuma pessoa séria argumentaria, hoje, que o antissemitismo se viu interrompido com a fundação do Estado de Israel. Pelo contrário, esta ilusão fechou um círculo completo, voltando ao ponto de partida: enquanto Herzl e a maioria dos sionistas que o sucederam acreditavam que o surgimento de um estado judeu poria fim ao antissemitismo, hoje, um número cada vez maior de pessoas, entre as quais alguns judeus, estão convencidos de que o antissemitismo somente acabará com o desaparecimento do Estado judeu. Deparei-me pela primeira vez com essa ideia há bastante tempo, ainda na União Soviética. Durante a Guerra dos 6 Dias, de junho de 1967, bem como no período que a antecedeu e sucedeu - época em que eu e muitos outros vivenciávamos um impetuoso renascer de nossa identidade judaica - a mídia soviética estava tomada por ataques mordazes a Israel e ao Sionismo , tendo-se desencadeado uma deliberada campanha de antissemitismo oficial para sustentá-los. E, para um número considerável de judeus soviéticos que vinham tentando, de todas as formas, diluir-se na vida soviética, eis que, de repente, Israel se torna um desagradável lembrete de seu verdadeiro status no "paraíso dos 'operários'": a condição de presos na armadilha de um mundo onde não eram livres para viver abertamente como judeus nem tampouco para escapar do estigma de serem judeus. Para eles, Israel parecia ser parte do problema e não - como o era para mim e para outros - parte da solução. Expressando o que era, com certeza, um sentimento de muitos, um parente distante gracejou: "Se, ao menos, Israel não existisse, tudo estaria bem (...)". De lá para cá, e especialmente nos últimos três anos, a noção de que Israel é uma das causas primárias do antissemitismo, senão "a" causa primária, ganhou aceitação muito mais ampla. O mundo, dizem-nos os amigos e os inimigos, odeia cada vez mais os judeus pelo fato de odiar, cada vez mais, Israel. Certamente era isso que o embaixador belga tinha em mente quando me informou, durante sua visita, que o antissemitismo em seu país cessaria quando os belgas não mais tivessem que ver, pela televisão, imagens de judeus israelenses oprimindo os árabes palestinos. Obviamente, o Estado de Israel não pode ser a causa de um fenômeno que o antecede em mais de 2.000 anos. Mas, seria apropriado vê-lo como a causa do antissemitismo contemporâneo? O certo é que, em todas as partes, o Estado judeu parece estar no centro da tempestade antissemita - e, mais do que em nenhum outro lugar, isto é válido para o Oriente Médio. O aumento das matérias de vil conteúdo antissemita divulgadas em toda a mídia estatal árabe é assustador e tem sido intensamente documentado. Os marqueteiros, jornalistas e acadêmicos árabes que, hoje, usam regularmente os métodos e o vocabulário em voga durante séculos para "demonizar" os judeus europeus - chamando-os de assassinos de Jesus, culpando-os de envenenar os não-judeus, inventando libelos de sangue e coisas do gênero. Numa região em que a fé cristã tem poucos adeptos, um antissemitismo cristão, sombrio e erodido pelo tempo, alardeia um enorme cortejo de seguidores. Tomemos apenas um único exemplo: em fevereiro de 2003, o governo egípcio, formalmente em paz com Israel, achou por bem transmitir em sua televisão estatal uma série de 41 capítulos baseada na infame armação czarista acerca de uma suposta conspiração mundial judaica que pretendia dominar o mundo, os Protocolos dos Sábios de Sion. Para garantir altos índices, a série primeiro foi ao ar em horário nobre, exatamente na hora em que milhões de famílias árabes quebravam o seu tradicional jejum do Ramadã. Posteriormente, a televisão árabe via satélite retransmitiu o seriado para outras dezenas de milhões de pessoas mais, em todo o Oriente Médio. Na Europa, a ligação entre Israel e o antissemitismo é igualmente evidente. Basta observar que o timing e a natureza dos ataques aos judeus europeus, quer físicos quer verbais, revolveram sempre sobre Israel. A própria onda antissemita, iniciada logo após o lançamento da campanha terrorista palestina contra o Estado judeu, em setembro de 2000, tinha chegado a um pico (até então) quando Israel deslanchou a sua Operação "Escudo da Defesa", no final de março de 2002 - mês em que 125 israelenses tinham sido mortos por terroristas. Apesar de a maioria dos ataques físicos na Europa terem sido perpetrados por muçulmanos, a maioria dos ataques verbais e culturais vieram das elites europeias. Por exemplo, o jornal italiano La Stampa publicou uma charge de um menino Jesus, aos pés de um tanque israelense, a implorar: "Não me venha dizer que eles querem me matar de novo (...)". As frequentes e infelizes comparações - entre Ariel Sharon (1928-2014) e Adolf Hitler (1889-1945), entre israelenses e nazistas e entre palestinos e as vítimas judias do Holocausto - não foram arte de vândalos que grafitaram com tinta spray as paredes de uma sinagoga, mas de professores universitários e sofisticados colunistas. Aí está para todos lerem a declaração do Prêmio Nobel, escritor José Saramago, sobre o tratamento dado por Israel aos palestinos: "Podemos compará-lo ao que ocorreu em Auschwitz". A centralidade de Israel para a revitalização de um antissemitismo mais generalizado faz-se também evidente na arena internacional. Praticamente um ano depois de iniciada a atual rodada de violência palestina e depois de terem sido mortos centenas de israelenses em ônibus, discotecas e pizzarias, foi realizada uma assim-chamada "Conferência Mundial contra o Racismo", em Durban, na África do Sul. Esta foi logo transformada em um circo antissemita, no qual o Estado judeu era acusado de tudo, de racismo e apartheid a crimes contra a humanidade e genocídio. Nesse teatro do absurdo, os próprios judeus foram transformados em perpetradores de antissemitismo, enquanto Israel era denunciado por "suas práticas sionistas contra o semitismo" - ou seja, o semitismo dos árabes palestinos. Naturalmente, ao se buscar, então, a "causa raiz" do antissemitismo, o Estado judeu aparentava ser o principal suspeito. Mas, que fique bem claro, Israel não tem culpa. O Estado judeu não é, nem mais nem menos, a causa do antissemitismo, hoje, do que o era a ausência de um Estado judeu, há um século. Para entender o porquê, primeiro temos que ver que a sempre enganosa linha entre o anti sionismo e o antissemitismo se tornou, agora, totalmente embaçada: Israel, de fato, se transformou no "judeu do mundo", ou seja, no que o judeu representa para o mundo. Das mesquitas do Oriente Médio o grito que se ouve, fazendo gelar o sangue, não é "morte aos israelenses" - mas "morte aos judeus!" Em círculos mais civilizados, um colunista do Observer, de Londres, anunciou, orgulhoso, que ele não lê as cartas em apoio a Israel assinadas por judeus. (O fato de que a comissão que analisa as queixas contra a imprensa britânica não tenha encontrado nada de errado nessa declaração serve, apenas, para mostrar o quanto as coisas mudaram, na Grã-Bretanha, desde que Orwell, em 1945, escreveu que "não existe a possibilidade de, no presente, o anti semitismo se tornar respeitável) Quando, nos elegantes banquetes europeus, o assunto passa para o Oriente Médio - contam-nos fontes confiáveis - o ar chega a ficar azulado de tanto ranço antissemita (...). Não menos revelador é o que poderia ser chamado de 'a mecânica da discussão'. Durante séculos, um sinal claro do impulso antissemita em vigor foi o uso de dois pesos e duas medidas: hábitos sociais que, nos outros, passariam desapercebidos ou mereceriam um simples comentário, tornam-se pretexto para uma denúncia grupal, generalizada, quando exibidos por judeus. E esse mesmo tipo de reação diferenciada é hoje empregado, impunemente, ao Estado judeu. É ao democrático Israel - e não às dezenas de tiranias representadas na Assembleia Geral das Nações Unidas - que esse organismo escolhe para condenar em mais de duas dezenas de resoluções, a cada ano. É contra Israel - e não contra Cuba, Coréia do Norte, China ou Irã - que a comissão de direitos humanos da ONU, recentemente presidida pela "pura e virginal" Líbia, direciona cerca de um terço de sua ira oficial. Foi de Israel o alegado "comportamento inadequado" que provocou a única sessão conjunta jamais realizada pelos signatários da Convenção de Genebra. É Israel, solitário entre as nações, quem tem sido ultimamente alvo das campanhas ocidentais de retirada de investimentos. É apenas ao Maguen David Adom de Israel, solitário entre os serviços de socorro e resgate, no mundo, que tem sido negada a filiação à Cruz Vermelha Internacional. Somente aos acadêmicos israelenses, solitários entre os acadêmicos do mundo, tem sido vetada a concessão de bolsas e a publicação de seus artigos na literatura acadêmica de prestígio. E esta lista continua, indefinidamente... A ideia de que Israel se tornou o que o judeu é para o mundo, ou seja, 'o judeu do mundo", e o anti sionismo um substituto para o antissemitismo, certamente não é novidade. Anos atrás, Norman Podhoretz (1930-  ) observou que o Estado judeu "tinha-se tornado a pedra de toque de atitudes relacionadas ao povo judeu, enquanto que o anti sionismo se tinha tornado a forma mais relevante de antissemitismo". E bem antes disso, o Dr. Martin Luther King Jr. (1929-1968) tinha sido ainda mais inequívoco: "O amigo declara não odiar os judeus, mas apenas ser "antissionista". E eu lhe digo: deixe a verdade ecoar do alto das montanhas, deixe-a ecoar pelos verdes vales desta terra Divina; quando as pessoas criticam o Sionismo, têm em mente os judeus - esta é a verdade de D'us". Mas, se Israel nada mais é do que o judeu do mundo, dizer-se, então, que o mundo, a cada dia, odeia mais os judeus pelo fato de, a cada dia, odiar mais Israel, significa a mesmíssima coisa que dizer que o mundo odeia os judeus pelo fato de odiar os judeus. De qualquer maneira, ainda há que se saber por quê? Este talvez seja o ponto certo para deixar que os antissemitas falem por si sós. Vejamos a razão invocada por Haman, infame vice-rei da Pérsia no livro bíblico de Esther, para convencer seu rei a ordenar a aniquilação dos judeus: "Há um determinado povo espalhado e disperso entre as nações, em todas as províncias de vosso reino, e suas leis são diferentes das dos outros povos, e não seguem os decretos reais, não havendo, portanto, benefício algum para Vossa Majestade em tolerá-los. Se for do vosso agrado, que seja decretada a sua destruição!" Não se pode dizer que esta seja a única fonte antiga que aponta para a incorrigível auto separação dos judeus ou para o seu desprezo pelos costumes e conceitos morais majoritários como razão para a hostilidade contra eles. Séculos após a disseminação geral dos valores helenísticos para além do Mediterrâneo, o historiador romano Tácito dissera: "Para os judeus, é profano tudo o que consideramos sagrado; por outro lado, lhes parece permissível tudo o que, para nós, é imoral (...). Afrontam o resto do mundo com o ódio reservado aos inimigos. Não alimentam nem se casam com os gentios... Introduziram a circuncisão para mostrar que diferem dos demais... Para eles, constitui crime matar qualquer recém-nascido". Filostrato, escritor grego que viveu um século mais tarde, ofereceu análise semelhante: "Pois que, há muito, estão os judeus em luta não apenas contra os romanos, mas contra a humanidade; é uma raça que construiu sua vida de forma separada e irreconciliável; que não pode compartilhar com o restante da humanidade os prazeres da mesa nem se unir em libação ou oração ou sacrifício; tem a separá-la de nós um golfo muito maior do que o que nos separa, seja Sura ou Bactra, das mais distantes Índias". Será que os judeus, de fato, rejeitaram os valores que predominavam na Antiguidade, ou teria sido apenas uma fantasia de seus inimigos? Embora fossem espúrias muitas das alegações contra os judeus - em seus rituais jamais matam não-judeus, como afirmou o escritor grego, Apion - algumas de fato se baseavam em fatos verídicos. Os judeus se opunham ao casamento misto. Negavam-se a oferecer sacrifícios a deuses estranhos. E, com toda a ênfase possível, consideravam crime matar um recém-nascido. Naquele então, alguns ou talvez muitos judeus optaram por engrossar a [sedutora] corrente do helenismo; a maioria não o fez. Ainda mais importante, os judeus foram o único povo a seriamente desafiar o sistema moral dos gregos. Não eram "um outro" no mundo antigo; eram "o outro". Eram ademais, inabaláveis em sua convicção de que o Judaísmo representava não apenas uma forma diferente de vida mas, em uma só palavra, a verdade. A tradição judaica alega que Abraham foi eleito o patriarca do que viria a ser a Nação Judaica somente depois de ter destruído os ídolos da casa de seu pai. Seus descendentes continuariam a se opor ao mundo pagão circundante, defendendo a ideia de um único D´us e, diferentemente de outros povos da Antiguidade, recusando-se a sujeitar sua crença à de seus conquistadores. A percepção (correta, de modo geral) de que os judeus rejeitam o sistema de valores do mundo antigo dificilmente justificaria o antissemitismo que é dirigido contra eles; tira, porém, o anti semitismo do reino da fantasia, transformando-o em um genuíno conflito de ideais e valores. Com a entrada do Cristianismo no palco mundial, esse mesmo conflito - novamente fundamentado na alegação de rejeicionismo judaico - ver-se-ia aumentado em mais de mil vezes. A recusa por parte do povo do "pacto ancestral" em aceitar o "novo pacto" foi, então, considerada uma ameaça à própria legitimidade do Cristianismo - ameaça esta que exigia uma resposta mobilizada. Estigmatizando os judeus como "assassinos de Jesus" e "filhos dos demônios", a Igreja deslanchou uma campanha sistemática para denegrir a religião que dera à luz o Cristianismo, bem como seus seguidores. Ao longo dos anos seriam agregadas acusações de violação da hóstia, assassinato ritual e envenenamento dos poços d'água, aumentando ainda mais o barril de pólvora do ódio. Com o crescente poder da Igreja e a disseminação global da cristandade, tais sentimentos potencialmente explosivos foram levados aos pontos mais longínquos do mundo, fazendo chegar o antissemitismo a lugares onde jamais tocara o solo um pé judeu. Segundo alguns pensadores cristãos, a perseguição aos impotentes judeus era justificada como o "troco" que recebiam dos Céus por terem rejeitado Jesus. Este carimbo celestial de aprovação seria invocado inúmeras vezes ao longo dos séculos, especialmente por aqueles que tinham tentado - em vão - convencer os judeus a admitir a verdade superior do Cristianismo. O caso mais famoso pode ter sido o de Martinho Lutero (1483-1546): de início, extremamente amigo dos judeus - quando jovem ele se queixara do mau tratamento que a Igreja lhes dava - Lutero tornou-se um de seus inimigos mais ferozes assim que percebeu que os seus esforços para atraí-los à sua nova forma de Cristianismo jamais dariam frutos. Nem tampouco era exclusivo da religião cristã tal padrão. Maomé, também, tivera esperanças de atrair as comunidades judaicas da Arábia, tendo, a princípio, incorporado elementos do Judaísmo à sua nova fé (orar em direção a Jerusalém, jejuar no Yom Kipur e outros do gênero). Mas, quando os judeus se recusaram a aceitar seu código de leis, Maomé avançou, vingativo, sobre eles, amaldiçoando-os com palavras que eram uma assombrosa reminiscência dos patriarcas dos primórdios da Igreja: "Humilhação e desgraça estavam estampadas em seu rosto, e foram visitados pela ira de Alá. Isto por terem desacreditado na revelação de Alá e maldosamente destorcido as palavras dos profetas". Nas situações acima, também, poderíamos perguntar se foi acertada a percepção do rejeicionismo judaico. Naturalmente, os judeus nunca drenaram o sangue de criancinhas, nunca envenenaram os poços, não tentaram mutilar o corpo de Jesus, nem cometeram nenhum dos crimes bestiais dos quais a Igreja os acusava. Além disso, como muitos dos ensinamentos do Cristianismo e do Islamismo se originavam diretamente dos do Judaísmo, mal se podia dizer que os judeus os tivessem negado. Mas, se a rejeição ao mundo cristão ou islâmico significava rejeição ao credo cristão ou islâmico, os judeus que se agarravam à sua própria fé e maneira de vida, distintas, eram, com certeza, rejeicionistas. Isto nos leva a um ponto de aparente diferença entre o antissemitismo pré-moderno e o moderno. Para muitos judeus, ao longo de dois milênios, havia, ao menos em teoria, uma maneira de escapar da discriminação e perseguição institucionalizadas: os mundos greco-romano, cristão ou muçulmano ficavam extremamente felizes de receber em seu seio os que se convertiam ao seu modus vivendi. Na era moderna, essa opção sempre se mostrou ilusória. Tanto os judeus assimilados quanto os não assimilados, religiosos e seculares, foram igualmente vítima de pogroms, perseguições e genocídio. De fato, os atos de terror contra os judeus assimilados da Europa Ocidental levaram à conclusão de que longe de acabar com o antissemitismo, a assimilação, em verdade, contribuía para o despertar. O que justificava isso? No mundo pré-moderno, os judeus e gentios estavam quase sempre de acordo quanto ao que definia o rejeicionismo judaico e, portanto, quanto ao que poderia constituir um alívio temporário para o mesmo: era, a bem dizer, uma questão de crenças e conceitos morais e do comportamento social decorrente dos mesmos. No mundo moderno, apesar de continuar sendo relevante a questão de um judeu comer a comida ou adorar o D'us de seus vizinhos, era, sem dúvida, menos relevante do que antes. Em vez disso, o judeu moderno era visto como tendo nascido em uma nação ou raça judaica, cujos valores coletivos estavam profundamente arraigados na própria essência de seu ser. A assimilação, com ou sem conversão à fé majoritária, poderia ter algum sucesso em mascarar seus matizes naturais; jamais, no entanto, obliterá-los, definitivamente. Apesar de tais ideias não serem completamente inexistentes em períodos anteriores, o ônus da prova enfrentado pelo judeu moderno para convencer os outros de que ele poderia transcender sua "judeidade" era muito maior do que o enfrentado por seus antepassados. Apesar do crescente secularismo e abertura da sociedade europeia, que deveriam ter acalmado as perspectivas de assimilação, muitos judeus modernos achariam mais difícil se tornar franceses ou alemães "de verdade" do que, para seus ancestrais, teria sido tornarem-se gregos ou romanos, cristãos ou muçulmanos. A novidade do antissemitismo, portanto, não é o fato de que os judeus eram vistos como inimigos da humanidade. Em verdade, o comentário de Hitler, no Mein Kampf  (Minha Luta), de que "onde quer que eu fosse, começava a ver judeus, e, quanto mais os via, mais nitidamente eles se distinguiam, a meus olhos, do restante da humanidade", não soa em nada diferente do que o registrado por Filostrato, 1.700 anos antes. Não, a novidade do antissemitismo moderno é apenas o fato de que, para o judeu, era muito mais difícil - às vezes, até impossível - deixar de ser inimigo da humanidade. Num exame mais atento, então, o moderno antissemitismo começa a aparecer como uma continuidade do antissemitismo pré-moderno - só que pior. Talvez os judeus modernos não acreditassem estar rejeitando a ordem prevalente em seu redor, mas isso não significava, necessariamente, que seus inimigos estivessem de acordo com eles. Quando se tratava do judeu, o nacionalismo europeu, do tipo sangue-e-território, conseguia apenas adicionar uma outra camada de ódio, ainda mais assassina, aos alicerces sedimentados por um ancestral preconceito religioso. Como no mundo antigo, os judeus do mundo moderno continuavam sendo "o outro" - rejeicionistas inveterados, não importa quão separados ou quão assimilados fossem. Haveria algum núcleo de verdade factual nessa alegação? É degradante ter que assinalar o fato de que sempre que lhes foi dada a oportunidade, a maioria dos judeus modernos esforçaram-se para ser cidadãos-modelo, demonstrando, acima de tudo, um talento exemplar para a aculturação; a ideia de que, por força de seu nascimento, raça ou religião, eram inimigos implacáveis do estado ou da nação lhes era ridiculamente absurda. Isto se aplica, da mesma forma, a outros libelos modernos dirigidos contra os judeus, todos com tanto ou tão pouco de verdade em seu seio quanto os antigos. Os judeus não controlam nem nunca controlaram os bancos. Não controlam nem nunca controlaram as comunicações. Não controlam nem nunca controlaram os governos. E não estão tramando assumir o controle de absolutamente nada! O que, de fato, alguns fizeram, em várias partes e sob circunstâncias específicas, foi demonstrar - com ardor e tenacidade que talvez remetam à sua longa experiência nacional - um apego a grandes causas, de um matiz ou de outro, inclusive, às vezes, até mesmo a causa de seu próprio povo. Isso teve o efeito [obviamente, não em toda parte, mas notadamente em sociedades altamente estratificadas e/ou intolerantes] de colocá-los em posição visivelmente adversária aos valores e ideologias prevalentes, e, desse modo, despertar o sempre alerta dragão do antissemitismo. A esse respeito, é particularmente instrutivo o caso do judaísmo soviético. O que o torna instrutivo é - em grande parte - o fato de que o propósito confesso do comunismo era abolir todas as nações, povos e religiões - todos grandes vetores da exclusão - a caminho da construção de um novo mundo e de um novo ser humano. Como se sabe, um número razoável de judeus, contando emancipar a humanidade e "normalizar" a sua própria condição no decorrer do processo, atrelaram seu destino a essa ideologia e aos movimentos a ela associados. Após a revolução bolchevista, esses judeus mostraram estar entre os servos mais devotos do regime soviético. No entanto, mais uma vez a percepção de um inextirpável sentimento judaico de ser "o outro" mostrou ser letal. Aos olhos de Stalin e seus carrascos, os judeus, a começar pelos fiéis comunistas entre eles, sempre foram suspeitos - "imigrantes ideológicos", expressão que fala por si só. Mas a animosidade foi bem além dos comunistas judeus. O regime soviético declarou guerra contra as mais de cem nacionalidades e religiões que viviam sob sua mão de ferro; povos inteiros foram deportados, classes inteiras destruídas, milhões de pessoas dizimadas pela inanição enquanto outras dezenas de milhões eram mortas. Sofriam todos, não apenas os judeus. No entanto, décadas mais tarde, muito depois de a repressão staliniana ter cedido lugar ao "degelo" de Nikita Krushchev (1894-1971), apenas um idioma nacional - o hebraico - continuava banido na União Soviética; apenas a um único grupo - o dos judeus - era vedada a construção de escolas para seus filhos; apenas no caso de um grupo - o dos judeus - o termo "quinta linha", referindo-se ao espaço reservado para a nacionalidade nos documentos de identificação dos cidadãos soviéticos, tornou-se o código para a discriminação oficialmente permitida. Estava claro, pois, que, na União Soviética, nenhum outro grupo era tão suspeito quanto o dos judeus. Por mais que estes tentassem se igualar aos demais, acabavam percebendo que engrossar as fileiras da humanidade pela via da grande causa socialista do Leste não era mais fácil do que se filiar ao estado-nação do Ocidente. Mas, isto nem mesmo era a história completa. Reduzir o que restava da mesma, não apenas seria cometer uma injustiça com os judeus soviéticos enquanto atores históricos, mas também seria deixar escapar algo essencial sobre o antissemitismo, que, mesmo funcionando segundo suas próprias definições destorcidas e sua própria lógica insana, provém, quase sempre, de alguma qualidade genuína nas vítimas que escolhe. Como sói ocorrer, apesar de os judeus terem representação desproporcional nas fileiras dos primeiros bolchevistas, a maioria dos judeus russos estavam longe de ser bolchevistas - e nem mesmo simpatizantes. Mais importante, ainda, foi o fato de que os judeus, com o tempo, iriam desempenhar um papel fora de proporção no ocaso do comunismo. Em meados da década de 1960, época em que sua participação na população do país havia encolhido drasticamente, os judeus soviéticos constituíam um elemento significativo na "oposição democrática". Um visitante do Gulag, naqueles anos, teria descoberto que os judeus também eram proeminentes entre os dissidentes políticos e aqueles condenados pelos chamados "crimes econômicos". Ainda mais revelador é o fato de que, na década de 1970, os judeus foram os primeiros a desafiar o regime soviético enquanto grupo nacional e a fazê-lo publicamente, em massa; eram dezenas de milhares de pessoas que exigiam abandonar para sempre esse regime totalitário Sob essa óptica, então, não era totalmente infundada a alegação dos antissemitas soviéticos de que "o pensamento judaico" e os "valores judaicos" opunham-se às normas prevalecentes. E, por essa mesma óptica, o antissemitismo soviético professava a mesma característica essencial de qualquer outra forma de antissemitismo. Dificilmente isto serve para atenuar a sua monstruosidade. Novamente, apenas o retira do reino da fantasia. Eis-nos pois, de volta aos dias de hoje e ao ódio que tem por alvo o Estado de Israel. Esse estado - que é o judeu do mundo - tem a distinção de desafiar, simultaneamente, duas ordens político-morais: a ordem do Oriente Médio árabe e muçulmano e a ordem que prevalece na Europa Ocidental. O caso meso oriental é o mais fácil de se perceber; o europeu ocidental talvez seja o mais agourento. Os valores em alta no Oriente Médio de hoje são moldados por duas forças: o fundamentalismo islâmico e o autoritarismo estatal. Aos olhos do primeiro qualquer potência soberana, não muçulmana, na região - a bem dizer, qualquer potência muçulmana secular - é um anátema. Especialmente exasperadora é a soberania judaica numa área delineada como sendo "dar-al-Islam", o local onde o Islamismo está destinado a desfrutar de domínio exclusivo. Uma tal violação não pode ser comprometida; nada bastará a não ser a sua extirpação. Aos olhos dos regimes árabes seculares, os judeus de Israel igualmente são uma afronta, nem tanto no aspecto ideológico quanto no da sociedade que construíram: livre, produtiva, democrática, uma reprovação vívida aos regimes corruptos e autocráticos que a cercam. Em resumo, o Estado judeu é o derradeiro guerreiro da liberdade - a personificação das liberdades subversivas que ameaçam igualmente a civilização islâmica e o domínio autocrático árabe. Por esta razão tanto na mídia árabe, controlada pelo estado, quanto nas mesquitas, os judeus foram transformados em símbolos de tudo o que há de ameaçador no Ocidente, democrático e materialista, como um todo, e são considerados uma força insidiosa que manipula os Estados Unidos para se confrontar com o Islamismo. A dinâmica específica do antissemitismo na órbita do Oriente Médio, hoje, talvez ajude a explicar por que - de modo diferente, como veremos adiante, do que ocorre na Europa - não houve queda no nível de incitação anti judaica na região após o início do processo de paz de Oslo. Muito pelo contrário. E a razão é simples: na medida em que Oslo deveria ter tido êxito em promover uma verdadeira reconciliação com Israel ou em facilitar a disseminação da liberdade política, nessa mesma medida teria frustrado o objetivo supremo de erradicar o "mal" judaico do coração do Oriente Médio e/ou de preservar o poder autocrático dos regimes árabes. Assim sendo, enquanto na década de 1990 o mundo democrático, inclusive a democrática sociedade israelense, celebrava a promessa de um novo amanhecer [ilusoriamente, como se viu a posteriori no Oriente Médio, as escolas em Gaza, os livros-texto em Ramallah, os jornais no Egito e os canais de televisão na Arábia Saudita projetavam um retrato mais verdadeiro do estado de espírito no mundo árabe. Portanto, não devia ser surpresa o fato de que, no Egito, tenham sido impressas cópias-pirata do livro "Um Novo Oriente Médio", de Shimon Peres, que anuncia uma era messiânica de livres mercados e livres ideias, com uma introdução, em árabe, explicando que esta bíblia da paz no Oriente Médio comprovava, na verdade, tudo o que fora escrito em Os Protocolos dos Sábios de Sion sobre um plano judaico de governar o mundo. Já na Europa Ocidental, a reputação de Israel e dos judeus passou por uma infinidade de altos e baixos, com o decorrer das décadas. Antes de 1967, a sombra do Holocausto e a percepção de Israel como um país pequeno em luta por sua existência face à agressão árabe, funcionaram, juntas, para assegurar, senão o favor das classes políticas europeias, pelo menos a dispensa da crítica ferrenha. Mas, tudo isso mudou, em junho de 1967, quando o Estado judeu conseguiu uma vitória aparentemente milagrosa, contra seus inimigos árabes, na Guerra dos 6 Dias, e a vítima por excelência foi transformada, da noite para o dia, em agressor. Uma história, provavelmente apócrifa, sobre Jean-Paul Sartre resume a mudança no mundo europeu. Antes da guerra, enquanto Israel jazia isolado, diplomaticamente, e os líderes árabes já trombeteavam sua morte certa, o famoso filósofo francês assinou uma declaração de apoio ao Estado judeu. Após a guerra, ele teria repreendido o homem que lhe solicitara a assinatura: "Mas você me garantiu que Israel sairia perdedor (...)." Décadas antes de "ocupação" se tornar uma palavra corriqueira, o mundo nas chancelarias europeias e nas fileiras da esquerda se tornara declaradamente hostil. Certamente havia interesses venais em jogo, desde a necessidade percebida de carrear favores junto aos países produtores de petróleo do mundo árabe até, anos mais tarde, a necessidade percebida de se prestar atenção especial às crescentes populações muçulmanas dentro da própria Europa. No entanto, havia também outras correntes em jogo na medida em que sentimento anti "imperialistas", pacifistas e pró-liberacionistas, acalentados e, muitas vezes, subsidiados pela URSS, apossavam-se da avançada cultura política da Europa e da diplomacia internacional. Por trás da nova hostilidade contra Israel jazia a nova ortodoxia ideológica, segundo a qual o Estado judeu emergira no cenário mundial com as credenciais de potência "colonialista" e imperialista", "hegemonizadora" e "opressora". Antes de 1967, as resoluções antissionistas nas Nações Unidas, apadrinhadas pelos árabes e seus patronos soviéticos conquistaram pouco ou nenhum apoio entre as democracias. Após 1967, um número cada vez maior de países ocidentais unia-se ao coro que clamava por punição. Em 1974, Yasser Arafat, cuja organização abertamente abraçava o terrorismo e a destruição de um estado-membro da ONU, foi convidado a falar perante a Assembleia Geral. No ano seguinte, o mesmo organismo aprovou a infame resolução que equiparava o sionismo ao racismo. Em 1981, o ataque israelense ao reator nuclear do Iraque foi condenado pelo mundo inteiro, inclusive os Estados Unidos. E, na década de 1990, as coisas começaram novamente a mudar. A despeito do fluxo constante de resoluções preconceituosas da ONU, a despeito da continuidade prática do sistema de dois pesos e duas medidas, registraram-se, também, algumas ocorrências positivas: a resolução "sionismo é racismo" foi invalidada e mais de 65 estados-membros estabeleceram ou reataram relações diplomáticas com Israel. O que teria acontecido: secara o petróleo árabe? Teriam os muçulmanos subitamente se tornado uma força política menos potente, no continente europeu? Pouco provável. O que mudara tinha sido o fato de, em Madri e Oslo, Israel ter concordado, a princípio com relutância e, a seguir, com otimismo auto induzido a se adaptar ao caráter, em alta, da política internacional. Ao estender a mão a uma organização terrorista ainda comprometida com sua destruição, Israel concordava com a criação de um regime ditatorial e repressivo, bem na porta de casa, para assim sustentar o seu compromisso com o chamado processo de paz, sem levar em conta quantos israelenses inocentes estavam sendo mortos e feridos em nome de sua causa fraudulenta. A recompensa por assim se conformar ao modelo dos moralistas do mundo - cosméticos e temporários como se tinham comprovado - fluiu, como era de se esperar, não apenas para Israel mas para o povo judeu todo. Obviamente, os índices mundiais de antissemitismo na década de 1990 caíram a seu nível mais baixo, desde o Holocausto. Enquanto os judeus do mundo se beneficiavam da crescente tolerância que era estendida ao "judeu do mundo", as organizações ocidentais especializadas em combater o flagelo do antissemitismo puseram-se, cautelosamente, a cantar vitória e a redirecionar o seu enfoque a outras partes da pauta comunal judaica. Mas, naturalmente, tal situação não duraria muito tempo. No verão de 2000, em Camp David, Ehud Barak (1947-  ) ofereceu aos palestinos praticamente tudo o que se supunha sua liderança estivesse exigindo. A oferta foi sumariamente recusada, Arafat iniciou o seu "levante", Israel assumiu a sua própria defesa - e a Europa parou de aplaudir. Para muitos judeus, à época, isso parecia extremamente incompreensível: não teria Israel dado todos os passos que faltavam, em direção à paz? Mas tudo era compreensível até demais. A Europa se mantinha fiel à forma: o judeu do mundo, ao se recusar a aceitar sua parcela de culpa pelo "ciclo de violência", era quem estava fora da linha (...). E assim o estavam, também, os judeus do mundo, que, por definição e quer apoiassem Israel ou não, eram prontamente associados com o Estado judeu em sua audácia e desfaçatez. Para os americanos, o processo que estou descrevendo pode soar assustadoramente familiar. E deveria. Eles, também, tiveram inúmeras oportunidade, em anos recentes, de ver seu país no banco dos réus da opinião mundial pelo crime de rejeitarem os valores da assim-chamada comunidade internacional e, mais do que nunca, durante a histeria generalizada que saudou o anúncio do plano do Presidente George W. Bush (1924-  ) de desmantelar o tirânico regime de Saddam Hussein (1937-2006). Em dezenas de países, os manifestantes enchiam as ruas vocalizando sua fúria por essa recusa dos Estados Unidos de se conformar ao molde que "todos" esperavam que seguisse. A julgar pelos cartazes empunhados nesses protestos, o Presidente Bush, líder do mundo livre, era pior como inimigo da humanidade do que o açougueiro de Bagdá (...). À primeira vista, também isso deve ter parecido incompreensível. Saddam Hussein era um dos ditadores mais brutais do mundo, um homem que levara seus próprios conterrâneos a mortíferas câmaras de gás, invadira o território de seus vizinhos, desafiara as resoluções do Conselho de Segurança e era amplamente tido como possuidor de armas de destruição em massa. Mas nada disso importava: os protestos tinham menos a ver com a virtude iraquiana do que com o vício americano; e as queixas vociferadas por um sortimento de anticapitalistas, antiglobalização, ambientalistas radicais, pretensos anti-imperialistas e muitos outros que se agrupavam para vituperar contra a guerra, tinham muito pouco a ver com as eventuais desvantagens de uma operação militar no Iraque. Tinham, pelo contrário, muito a ver com um genuíno conflito de valores. Na medida em que o conflito era entre os Estados Unidos e a Europa - pois que há, também, um grande contingente de opinião "europeia" dentro dos Estados Unidos - este foi bem diagnosticado por Robert Kagan (1958-  ) em seu best-seller, Of Paradise and Power. Para os propósitos de nossa análise, basta observar o quão rapidamente o debate inicial sobre "por que eles nos odeiam", na esteira dos acontecimentos de 11 de setembro, enfocando o sentimento antiamericano existente no mundo muçulmano, foi suplantado por um outro debate sobre "por que eles nos odeiam", centrado dessa vez no sentimento antiamericano na "Velha Europa". De modo geral, viu-se que os dois ódios emanavam de impulsos divergentes: em um caso, da percepção da ameaça que as democracias ocidentais representavam para a civilização islâmica e, no outro, da percepção da ameaça que uma América confiante e poderosa representava para a ideia europeia pós-moderna de um mundo regulamentado não pela força, mas pela razão, pela concessão e pela ausência de ideias pré concebidas. Na Europa de hoje - declaradamente pacifista, pós-nacionalista, anti hegemônica - uma expressão como "Eixo do Mal" não conquista muitos amigos e a ideia de um confronto real com esse eixo, ainda menos. Contudo, apesar das diferenças entre eles, o antiamericanismo do mundo islâmico e o antiamericanismo da Europa estão, de fato, interligados, tendo, ambos, uma sinistra semelhança com o antissemitismo. Pois, afinal de contas, há certa dose de razão para os Estados Unidos serem detestados e temidos por déspotas e fundamentalistas do mundo islâmico, bem como por muitos europeus. Assim como Israel, mas de forma muito mais poderosa, a América personifica uma idéia diferente - não-conformista - do bem e se recusa terminantemente a abandonar sua transparência moral acerca do valor objetivo dessa ideia ou dos hábitos e instituições livres aos quais deu vida. Pelo contrário: ao empreender sua guerra contra o flagelo do terrorismo, o povo americano demonstrou sua determinação não apenas de lutar para preservar as bênçãos da liberdade para si próprios e seus descendentes, mas para levá-las a regiões do mundo que se mostravam mais resistentes à sua influência benigna. Neste sentido, também positivo, Israel e o povo judeu compartilham algo muito essencial com os Estados Unidos. Afinal de contas, os judeus vêm dizendo, há muito, que foram escolhidos para desempenhar um papel especial na história, o de ser aquilo que seus profetas chamaram de "uma luz entre as nações". O significado preciso da frase tem dado margem a discussão e eu seria a última pessoa a negar a maldade causada, em certas ocasiões, mesmo em nome do mais sincero interesse judaico, por pessoas que usaram este moto como sua bandeira. Mesmo assim, ao longo de quatro milênios, a visão universal e os preceitos morais dos judeus serviram não apenas para assegurar a sobrevivência do próprio povo judeu, mas constituíram uma força poderosa em favor do bem, no mundo, inspirando milhares e milhares a lutar pelo que era certo ainda que em outras pessoas tivessem despertado rivalidade, inimizade e um ressentimento implacável. Ocorre algo semelhante com os Estados Unidos - uma nação que, há muito, se sente incumbida de uma missão de ser aquilo que John Winthrop chamou, no século 17, de uma "cidade numa colina" e que Ronald Reagan, no século 20, interpretou como uma "brilhante cidade numa colina" - ou seja, uma nação exemplar, nas alturas, em direção à qual os olhos das outras se ergueriam, em busca de modelo. O que se depreende, precisamente, dessa frase, também é tema de discussão, mas os americanos que vêm seu país nesses termos, certamente entendem o avanço dos valores americanos como primordial para o propósito americano. E, apesar de os Estados Unidos ainda serem uma nação jovem, não pode haver controvérsia quanto ao fato de que tais valores também constituíram uma imensa força para o bem no mundo - ainda que tenham carreado para a América a inimizade e o ressentimento de muitos. Ao resolver enfrentar a inimizade e o ódio, a lição que se tira contemplando o exemplo de outros constitui importante fonte de força. De Sócrates a Wiston Churchill (1874-1965) a Andrei Sakharov (1921-1989), houve indivíduos cujas vozes e cujo heroísmo pessoal reforçaram nos outros a determinação de não vacilar na defesa do bem. Mas a história, também, foi generosa o bastante de oferecer, nos judeus, o exemplo de um povo ancestral inflamado pela mensagem da liberdade dos homens neste mundo de D'us e, nos americanos, o exemplo de um povo moderno que, apenas no século passado, agindo em lealdade com suas mais íntimas convicções, confrontaram-se e venceram as maiores tiranias jamais vistas pelo homem. Felizmente para a América - e felizmente para o mundo - os Estados Unidos foram abençoados pela Providência com o poder de fazer jus a seus ideais. O Estado judeu, em contraste, é uma ilha minúscula perdida num mar excessivamente perigoso, e seus cidadãos irão necessitar de todas as partículas de força que possam reunir para afrontar as provações que têm pela frente. É a estarrecedora perseverança de seu próprio povo, a despeito de séculos de sofrimento em mãos de diferentes credos, ideologias, povos e indivíduos que os odiavam e se dispunham a liquidá-los, o que nos inspira a confiança de que os judeus irão, uma vez mais, sobreviver a seus inimigos. www.morasha.com.br. Abraço. Davi.

 

quinta-feira, 14 de outubro de 2021

COMO FUNCIONA A ASTROLOGIA

 

Astrologia. IV. COMO FUNCIONA A ASTROLOGIA. A Mecânica do Conhecimento. Para o homem primitivo, os corpos celestes – principalmente o Sol – eram forças a quem prestar contas, pois tinham o poder de intervir em suas vidas. Por outro lado, ele relutava em acreditar que qualquer corpo externo fosse mais importante que a própria Terra, em torno da qual via girar o resto do Universo. UMA VISÃO DO UNIVERSO COM A TERRA NO CENTRO. A esfera celeste demonstra essas duas noções antigas. Hoje todos nós sabemos que na verdade é o Sol, e não a Terra que fica no centro do sistema, mas os astrólogos modernos, como seus ancestrais preocupam-se principalmente com a posição dos planetas vistos da Terra, e, portanto, a mesma convenção pode ser mantida até hoje. A esfera celeste mostra como devemos olhar da Terra o Universo em torno. No céu estão o Sol, a Lua e os planetas, todos movendo-se dentro da faixa do Zodíaco e contra um fundo luminoso. Essa faixa, em Astrologia, é dividida em doze segmentos iguais (os signos), que servem como pontos de referência para traçar as posições assumidas pelos planetas em suas várias órbitas. O Sol do começo ao fim do ano. Embora seja a Terra que complete sua em torno do Sol em um ano, para nós é como se o Sol se movesse. Além do Sol, os signos fixos do Zodíaco – cada um ocupando um segmento de 30º da faixa zodíacal – mudam de mês em mês. O Sol é visto, por exemplo, contra Peixes, durante março, o terceiro mês do ano. Além do Sol, nove outros corpos astrológicos importantes – planetas – ocupam nosso sistema solar. Exceto Plutão, todos os outros permanecem dentro da área do Zodíaco. São mostrados com seus antigos símbolo: da esquerda para a direita temos: Netuno, Saturno, Marte, Vênus, o Sol, Mercúrio, a Lua (depois do Sol, a segunda em importância), Júpiter, Urano e Plutão. A Terra é vista no centro de uma esfera côncavo, circundada pela eclíptica – a trajetória anual aparente do Sol vista da Terra. A eclíptica está contida dentro de uma faixa específica do céu conhecida como o Zodíaco. OS PLANETAS. Escala, Trajetórias Orbitais e Áreas de Influência. Em seu primeiro contato com a Astrologia, muita gente não percebe que o Sol, embora sendo de primeira importância, não é a única força ativa no céu. Na Astrologia, tomada seriamente, o mapa de nascimento de uma pessoa é calculado pela data, hora e lugar de seu nascimento e interpretado conforme a posição de todos os planetas. A propósito, quem quiser saber quais os signos do Zodíaco que cada um dos planetas ocupava por ocasião de seu nascimento, deve consultar uma “efeméride”, ou tábua de posições planetárias, do ano em que nasceu. Tais posições são determinadas por fatores precisos. Apesar dos antigos babilônios costumarem chamar os planetas de “errantes” ou “cabras”, porque pareciam mover-se pelo céu sem direções determinadas – em contraste com as estrelas “fixas”, que, sendo tão remotas, pareciam imóveis – na verdade os planetas são controlados pela gravidade, dentro de uma trajetória bastante regular em torno do Sol. O Sol é o maior corpo do sistema solar em que vivemos. É enorme em tamanho: tem um diâmetro de 1.391.400 Km e seu volume é mais de um milhão de vezes maior do que o da Terra. É claro que a gravidade é exercida mais pela massa do que pelo tamanho: quanto maior a massa, maior é a atração que um corpo exerce sobre outro. Ás vezes isso pode fazer com que um planeta influencie fisicamente outro, gerando “perturbações” ou movimentos irregulares. Foi isso, precisamente, o que levou à descoberta de Plutão, em 1930, com veremos abaixo. A VISÃO DO ASTRÓLOGO. Na Astrologia, o Sol e a Lua são considerados planetas. Além deles, oito outros corpos, no sistema sola, têm importância astrológica. Os planetas mais próximos do Sol – Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno – eram conhecidos em épocas antigas, e a cada um deles, muito cedo, foi atribuído um conjunto de características humanas, além de serem associados a fenômenos terrestres, como um metal específico, uma pedra preciosa, etc. Também, cada um era relacionado diretamente com, pelo menos, um dos signos do Zodíaco. O Sol e a Lua regiam um signo, cada um, e os outros planetas, dois. OS PLANETAS MODERNOS. Quando Urano, o mais próximo dos três planetas modernos, foi descoberto em 1781 por William Herschel (1738-1822), os astrólogos tiveram que proceder a uma nova avaliação dos relacionamentos zodiacais. Depois de muitas considerações – e de não menos controvérsias – concluiu-se que Urano representava a principal mudança súbita e disruptivo (que interrompe) e foi associado a Aquarius (que, anteriormente, era tido como correspondente de certas características de Saturno). Seguiu-se um processo similar quando do aparecimento de Netuno, em 1846, descoberto por John Couche Adams (1819-1892) e Urbain le Varrier (1811-1877). O planeta foi associado a Peixes, depois de se considerar que ambos partilhavam as características de receptividade e difusão. Plutão, o último planeta, é muito novo. Foi descoberto somente em 1930 por Clyde Tombaugh (1906-1997), quando irregularidades ocorridas nos movimentos de Urano e Netuno sugeriram aos cientistas que um terceiro corpo estaria influenciando seus padrões orbitais. Hoje, muitos astrólogos concordam com a associação de Plutão, cuja palavra-chave é “eliminação”, a Escorpião. Ao mesmo tempo, esses astrólogos têm consciência de uma forte influência residual de Marte sobre o mesmo signo. OS SIGNOS E SEUS PLANETAS REGENTES; Sol rege Leão; Lua rege Câncer; Mercúrio rege Gêmeos, Virgem; Vênus rege Touro, Libra; Marte rege Áries; Júpiter rege Sagitário; Saturno rege Capricórnio; Urano rege Aquário; Netuno rege Peixes; Plutão rege Escorpião. OS PLANETAS E AS PESSOAS. Como os Planetas Podem Dominar Nossas Vidas. Você provavelmente conhece seu signo solar; sabe que tem, digamos, o Sol em Câncer (se nasceu entre 21 de junho a 22 de julho); mas, a menos que consulte um astrólogo, ou estude por você mesmo, não saberá quais os signos do Zodíaco que os outros planetas ocupam, com relação ao mapa de seu nascimento. Com muita frequência, os outros planetas marcam fortemente sua presença na personalidade de um indivíduo, atribuindo-lhe características diferentes de seu signo-solar. Eis alguns exemplos de influências muito poderosas dos planetas sobre pessoas – influências que deixaram marca vital sobre suas personalidades. O SOL. Palavra-chave: PODER. Nossos dois exemplos de personalidades influenciadas pelo Sol, no caso, tinham o Sol em Gêmeos. Quanto a Rainha Vitória, essa presença fez dela uma pessoa “muito majestosa” – quase acrescentando um elemento de Leão a sua personalidade (o Sol rege Leão). O segundo exemplo é Richard Wagner: o imenso conjunto de suas óperas e toda sua expressão artística é característico do que os astrólogos chamariam “um Sol proeminente”. Nascido em Gêmeos, era de uma dualidade considerável – escreveu tanto os libretos quanto as músicas de suas óperas. A LUA. Palavra-chave: RESPOSTA, FLUTUAÇÃO. O significado da Lua num mapa de nascimento só perde em importância para o Sol; e quando ela está em seu próprio signo (Câncer), ou em outras posições especiais, suas características podem ser quase irresistivelmente poderosas. Lorde Byron tinha uma Lua muito poderosa em Câncer, o que tornou muito difíceis seus relacionamentos pessoais. O famoso regente Arturo Toscanini (1867-1957) também teve uma Lua proeminente; ela representou para ele o público em geral, sua fama, assim como seu comportamento com a orquestra como um todo. MERCÚRIO. Palavra-chave: COMUNICAÇÃO. Entre as características de Aquário estão a originalidade, excentricidade e inventividade: Júlio Verne (1828-1905) tinha Mercúrio em seu signo, numa área de seu mapa que influenciava sua carreira. Mercúrio representa a mente, literatura e comunicação, e todas as características de originalidade e futurística de Aquário foram combinadas com as de Mercúrio na ficção científica de Verne. VÊNUS. Palavra-chave: HARMONIA. A influência de Vênus no mapa de Isadora Duncan (1877-1927) foi muito poderosa. O planeta estava em Áries, que é um signo muito agressivo; as pessoas nascidas sob esse signo e com planetas importas sob ele são, em geral, altamente sexuais. O lado romântico de Vênus era muito forte em Isadora, e muitas de suas necessidades vitais eram também influenciadas pro Vênus – sua necessidade, por exemplo, de ser amada e de dar não só amor como afeição. SATURNO. Palavra-chave: LIMITAÇÃO. Quando George Gershwin (1898-1937) nasceu, Saturno em seu mapa estava em Sagitário, caindo na área de influência de saúde. Não há dúvidas de que essa posição minou sua energia física: Gershwin morreu relativamente jovem, aos trinta e nove anos, dois anos depois de completar a ópera Porgy and Bess. Saturno é interessante também no mapa de Pablo Picasso (1881-1973) – está em Touro, e sua influência é particularmente forte no trabalho do pintor na época da Guerra Civil Espanhola (julho de 1936 a abril de 1939): sua obra Guernica é um exemplo impressionante, assim como o são algumas de suas esculturas, tão expressivas. JÚPITER. Palavra-chave: EXPANSÃO. A posição de Júpiter no mapa de nascimento de Albert Einstein (1879-1955) era maravilhosa: o planeta estava em Aquário, o signo humanitário. Além disso, influenciava a área do mapa que regia a mente, em sua capacidade mais ampla e avançada. O mesmo planeta funcionou de maneira diferente para a famosa espiã russa Mata Hari (1876-1917). Ela tinha Júpiter nascendo no reticente e emocional signo da água, Escorpião, e o princípio de expansão do planeta só se manifestou quando cumprimentou o comandante no pelotão pelo seu fuzilamento. MARTE. Palavra-chave: ENERGIA, INICIATIVA. Horácio Viscount Nelson (1758-1805)  nasceu, concedendo-lhe fantásticos poderes de resistência, energia e coragem. Vincent Van Gogh (1853-1890) tinha também Marte em posição importante, mas em seu caso, num signo menos intenso, o de Peixes. O sacrifício é uma influência muito característica desse signo, e o fato de Van Gogh ter cortado a orelha foi facilmente relacionado com a influência de Marte, um planeta muito violento. OS PLANETAS MODERNOS. Os três planetas modernos – Urano, Netuno e Plutão – estão tão longe que viajam muito lentamente ao longo da eclíptica. Enquanto o Sol move-se uma vez através do Zodíaco, ou 360º num ano, Urano move-se aproximadamente 4º, Netuno 2º e Plutão 1º. Assim, Urano leva sete anos para passar através de um signo do Zodíaco 30º, enquanto Netuno demora 14 anos, e Plutão – devido à sua órbita excêntrica – leva de 13 a 32 anos. Dessa forma, os planetas modernos podem ocupar posições similares em mapas de nascimento de pessoas nascidas dentro de um período de tempo muito extenso. Por essa razão, acredita-se que sua influência age mais sobre gerações do que sobre indivíduos – a não ser, é claro, que um dos três planetas esteja colocado de maneira muito sensível num mapa. Isso pode acontecer quando um deles está “em aspecto” (tendo um relacionamento angular específico) com outro planeta ou grupo de planetas; nesse caso, o planeta moderno deve ser examinado juntamente com o planeta ou grupo de planetas com o qual esteja “em aspecto”, e seus efeitos combinados pesados meticulosamente. URANO.  Palavra-chave: TRANSFORMAÇÃO REPENTINA. Franklin Delano Roosevelt (1882-1945) tinha Urano em posição acentuada em seu mapa; como o Saturno de Gershwin, o planeta influenciava a área relacionada com a saúde. Urano liga-se à paralisia, que atacou Roosevelt durante a maior parte de sua carreira política. Karl Marx (1818-1883) foi também uma personalidade “uraniana” nele, as características de Urano, de radicalismo e humanitarismo, foram expressivas. NETUNO. Palavra-chave: MELANCOLIA. As influências de Netuno são várias; em seu aspecto mais positivo, o planeta pode criar um verdadeiro ator, poeta ou artista de inspiração, mas sob outras circunstâncias pode causar tendências suicidas. Marilyn Monroe (1926-1962) possuía todos os esplêndidos atributos de Netuno, mas o lado negativo da influência do planeta provou ser tragicamente forte em seu caso. No mapa da atriz, Netuno colocava-se em posição extremamente poderosa, mas era astrológicamente, “atormentado” – o que significa que seu relacionamento com os outros planetas era difícil, fazendo com que Marilyn fosse passível de cometer ações extremas. PLUTÃO. Palavra-chave: ELIMINAÇÃO. A influência de Plutão é normalmente considerada como disruptiva (rompimento) pelos astrólogos; ela pode, de muitas maneiras, acionar a destruição no inconsciente, enquanto que, em seu melhor aspecto, pode ajudar o indivíduo a retomar novos caminhos na vida ou a atravessar períodos drásticos de revolta, saindo-se bem ou mal, conforme a posição do planeta em seu mapa de nascimento e de seus relacionamentos com outros planetas. No mapa de Marlene Dietrich (1901-1992), Plutão aparece na área relacionada com os países estrangeiros, o que, para muitos, determinou a sua fama mundial. Outra personalidade interessante ligada a Plutão é Greta Garbo (1905-1990). Para ela, a influência de Plutão é inversa do casa de Marlene Dietrich, pois age na área de seu mapa ligada à reclusão e retraimento. Garbo desapareceu para o público em 1941, e desde então continuou retirada até sua morte. Muitos afirmam que Plutão desempenhou um papel-chave nessa transformação drástica. Coleção Zodíaco. Bloch Editores. Ótimo dia. Abraço. Davi.

terça-feira, 12 de outubro de 2021

CRISTO E KRISHNA - A SEMELHANÇA ENTRE SEUS ENSINAMENTOS

 

Hare Krishna. www.pt.krishna.comCRISTO E KRISHNA – A SEMELHANÇA ENTRE SEUS ENSINAMENTOS. São muitas as semelhanças entre o Cristianismo em sua essência e a consciência de Krishna (Deus). A razão é bastante óbvia — eles são ambos caminhos para o mesmo objetivo — a consciência de Deus. É impraticável pensar que Deus se restringiria somente a um certo grupo de pessoas baseado na sua origem ou em divisões sectárias. Deus é universal, Ele não pode ser limitado por rituais ou convicções pessoais. Ele se manifesta de modos e formas mais receptivo às pessoas, baseado em: tempo, lugar e circunstância. Sua Divina Graça A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada (1896-1977), o Acharya-Fundador da Sociedade Internacional para a Consciência de Krishna (ISKCON), foi perguntado uma vez por um grupo de ministros Cristãos em Melbourne pela posição dele com respeito a Jesus Cristo, Prabhupada respondeu: "Ele é nosso Guru, Ele está orando a Deus, assim ele é nosso mestre espiritual". Descrevendo Jesus Cristo como representante de Deus, Shrila Prabhupada disse: "Nós adoramos o Senhor Jesus Cristo e oferecemos nossas reverências a ele". Em consciência de Krishna o Senhor Jesus é considerado como o filho perfeito de Deus porque ele executa perfeitamente a vontade de seu Pai. Ele desceu como uma encarnação autorizada (shaktyavesha avatara), para ensinar através das palavras e através do exemplo o caminho para retornar ao lar, de volta ao Supremo. Ele exemplificou tolerância, compaixão e pregou rendição total a Deus. Essa também é a essência de todos os ensinamentos Védicos, assim não é surpreendente que há muitas semelhanças na sua filosofia básica. Com essa perspectiva, é interessante comparar alguns dos pontos chaves definidos, entre o Cristianismo e a consciência de Krishna ou bhakti-yoga. RENDIÇÃO A DEUS. Ambas as religiões enfatizam rendição da mente, corpo e alma a Deus como os únicos meios de liberação. Quando o Senhor Jesus Cristo era interrogado pelos Fariseus sobre qual era o maior de todos os mandamentos, Ele respondeu claramente: "Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda tua alma e de todo o teu entendimento. Esse é o primeiro e o maior dos mandamentos" (Matheus 22,37–38). Semelhantemente todo o conteúdo do Bhagavad-gita é resumido no verso: "Abandona todas as variedades de religião e simplesmente rende-te a Mim. Eu te liberarei de todas as reações pecaminosas. Não temas" (18,66). SERVIÇO DEVOCIONAL. O apóstolo Paulo disse: "Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos como um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional" (Romanos 12,1). No Bhagavad-gita Sri Krishna diz: "Pense em mim e converte-te em Meu devoto. Adora-Me e oferece-Me tuas homenagens. Assim, virás a Mim impreterivelmente. Eu te prometo isso porque és meu amigo muito querido" (18,65). CANTANDO O SANTO NOME.  Deus e o Seu nome não são diferentes. Na Bíblia é dito "Para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor para a Glória de Deus Pai" (Filipenses 2,10–11) e "Porque: Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo" (Romanos 10,13). A principal oração ensinada por Jesus Cristo começa assim: "Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o teu nome" (Matheus 6:9). Podemos ver também: "No princípio era o verbo, o verbo estava com Deus e o verbo era Deus" (João 1,1), "E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo" (Atos 2,21) e "Eu lhes fiz conhecer o Teu nome e ainda o farei conhecer, a fim de que o amor com que me amaste esteja neles e Eu neles esteja" (João 17,26). O Srimad Bhagavatam diz: "Os seres vivos, emaranhados nas complicadas redes de nascimento e morte, podem libertar-se de imediato, cantando, mesmo inconscientemente, o santo nome de Krishna, que é temido pelo medo personificado" (Canto 1, 1-14). VEGETARIANISMO. Jesus Cristo disse: "Não matarás, mas qualquer que matar será réu de juízo" (Matheus 5,21). O verbo matar é aplicado a matança de pessoas e animais, não vegetais. Quando é só dirigido a pessoas, temos o verbo "assassinar". Portanto é claro que Jesus Cristo se referia aqui a matança de animais também. As escrituras Védicas deixam muito claro que a matança de animais é algo extremamente pecaminoso, que impede o nosso avanço espiritual. Sri Krishna diz: "Se uma pessoa Me oferecer com amor e devoção uma folha, uma flor, frutas ou água, Eu aceitarei." (Gita 9,26). Shri Krishna diz também: "Os devotos do Senhor se liberam de toda a classe de pecados porque comem alimentos que são primeiro oferecidos em sacrifício (oferecidos ao Senhor). Os demais, que preparam os alimentos para gozo pessoal dos sentidos, em verdade só comem pecado." (Gita 3,13). Na Bíblia encontramos várias outras referências ao vegetarianismo: "Bom é não comer carne, nem beber vinho, nem fazer outras coisas em que teu irmão tropece, ou se escandalize, ou se enfraqueça" (Romanos 14,21). "E disse Deus: Eis que vos tenho dado todas as ervas que dão semente e se acham na superfície de toda a terra, e todas as árvores em que há fruto que dê semente; isso vos será para mantimento" (Gênesis 1,29). Passaram muitos anos e a humanidade decaiu, então foram escravizados, empreenderam guerras, comeram animais e cometeram vários outros atos violentos. Mas os profetas nos falam que um reino pacífico virá o qual será não violento e vegetariano. Onde, "O lobo habitará com o cordeiro, e o leopardo se deitará junto ao cabrito; o bezerro, o leãozinho e o animal cevado andarão juntos e um menino os guiará. A vaca e a ursa pastarão juntas, e as suas crias juntas se deitarão; o leão comerá palha como o boi" (Isaías 11,6–7). Jesus é o Príncipe da Paz que introduz solenemente esta nova era de não-violência. Quando os cristãos rezam, "Seja feita a Tua vontade, assim na terra como no céu" é uma oração dada a nós por Jesus, que obriga-nos a mudar nossas vidas, fazer escolhas que são misericordiosas e amorosas quanto possível. Não haverá nenhuma fazenda de exploração animal nem matadouros no céu. Deus criou cada animal com a capacidade de sentir dor e sofrimento físico ou mental. Mas, nas fazendas de exploração, animais tem seus chifres arrancados, seus bicos queimados e são castrados sem anestesia. Visando a maximização de lucros eles são confinados em cubículos apertados e são alterados geneticamente, de forma que a maioria sofrem deficiências físicas e deformações ósseas porque suas pernas não podem sustentar os corpos cientificamente aumentados. Finalmente eles são transportados em caminhões sem comida e água, muitas vezes através de temperaturas extremas com destino a uma morte amedrontadora e infernal. Jesus Cristo diz: "Portanto, vós orareis assim: Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o teu nome, venha o teu reino, faça-se a Tua vontade, assim na terra como no céu; o pão nosso de cada dia dá-nos hoje; e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoados aos nossos devedores; e não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal, pois é o reino, o poder e a glória para sempre, Amém." (Matheus 6,9–13). REAÇÕES KÁRMICAS. O apóstolo Paulo disse: "Não vos enganeis; Deus não se deixa escarnecer; pois tudo o que o homem semear, isso também ceifará" (Gálatas 6,7). Moisés escrever: "Não te curvarás diante delas, nem as servirás; porque eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam" (Êxodo 20,5) — "Mas se não fizerdes assim, estareis pecando contra o Senhor; e estais certos de que o vosso pecado vos há de atingir" (Números 23,32) — "Do suor do teu rosto comerás o teu pão, e ao pó tornarás" (Gênesis 3,19). O Bhagavad-gita está baseado na reencarnação e reação kármica, e declara que enquanto o corpo é provisório, a alma nunca morre (Gita, 2,12) e todo o mundo está sofrendo ou desfrutando os resultados das reações kármicas passadas e presentes. SUCESSÃO DISCIPULAR. O apóstolo João disse: "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus" (João 1,1) — "Prosseguiu, pois, Jesus: Quando tiverdes levantado o Filho do Homem, então conhecereis que eu sou, e que nada faço de mim mesmo; mas como o Pai me ensinou, assim falo" (João 8,28) — "Disse-lhes, pois, Jesus: "Em verdade, em verdade vos digo que o Filho de si mesmo nada pode fazer, senão o que vir o Pai fazer; porque tudo quanto Ele faz o Filho faz igualmente" (João 5,19). Semelhantemente, todas as escrituras Védicas declaram que a "sabda" ou "palavra de Deus", ouvida de um Guru ou mestre espiritual autêntico é o único modo para fazer avanços espirituais. No Bhagavad-gita, Sri Krishna ordena: "Tenta aprender a verdade aproximando-te de um mestre espiritual. Faze-lhe perguntas com submissão e presta-lhe serviço. As almas auto-realizadas te podem transmitir conhecimento porque viram a verdade" (4:34). O Mukunda Upanishad (1,2-12) declara que um estudante sincero tem que chegar a um guru ideal para receber conhecimento transcendental e esclarecimento. MORADA ETERNA. No livro do Apocalipse é dito: "E ali não haverá mais noite e não necessitarão de luz de lâmpada nem da luz do sol, porque o Senhor os alumiará; e reinarão pelos séculos dos séculos" (Apocalipse 22,5). Semelhantemente Sri Krishna diz: "Essa Minha morada suprema não é iluminada pelo sol ou pela lua, nem pelo fogo ou pela eletricidade. Aqueles que alcançam jamais retornam a este mundo material" (Bhagavad-gita, 15,6). Assim ambas as escrituras falam sobre a morada eterna, indestrutível morada do Senhor e iluminada pelo Seu esplendor. ENCARNAÇÕES DO SENHOR. O nome de Cristo revela alguma coisa sobre Seu caráter. A palavra Cristo ou "Christos" e a tradução grega do Hebraico "Messias" que quer dizer "o consagrado ou ungido". Nas escrituras Védicas alguém que foi consgrado deste modo ou foi autorizado é chamado um avatara (alquém que desce), mais especificamente um "shaktyavesa avatara" — um que foi autorizado diretamente por Deus para descer para uma missão particular. No Brahma Samhita (Versto 46), é dito "A luz de uma vela que é passada a outras velas, embora queimando separadamente delas, é a mesma em sua qualidade. Eu adoro o Senhor Govinda que se exibe igualmente da mesma maneira nas Suas várias manifestações". MISSÃO. O nome Jesus é derivado do nome Hebraico Joshua ou Jahveh, significando salvação ou libertação. Jesus é chamado assim porque ele salva ou livra os Seus fiéis do pecado. "Ela dará a luz um filho, a quem chamarás Jesus; porque ele salvará o seu povo dos seus pecados" (Matheus 1,21). Semelhantemente, Sri Krishna declara: "Sempre e onde haja um declínio na prática religiosa, ó descendente de Bharata, e um aumento predominante da irreligião — neste momento Eu próprio desço". (B. Gita 4,7–8). Quando Krishna diz que Ele próprio desce as escrituras explicam que isso significa 1) Ele vem pessoalmente, como fez a 5.000 anos na Sua forma original de Krishna ou a 500 anos atrás como o Senhor Caitanya Mahaprabhu ou 2) Ele manda um representante Seu, como o Senhor Jesus Cristo, Muhammad, ou Srila Prabhupada . DUALIDADE DE DEUS E ENTIDADE VIVA. Jesus disse: "Ouvistes que eu vos disse: Vou, e voltarei a vós. Se me amásseis, alegrar-vos-íeis de que vá para o Pai; porque o Pai é maior do que eu" (João 4,28). No Bhagavad-gita está escrito: "As entidades vivas neste mundo condicionado são minhas eternas partes fragmentárias. Por força da vida condicionada, elas empreendem árdua luta com os seis sentidos, entre os quais se inclui a mente" (Gita 15,7). Assim em ambas as filosofias há uma distinção clara feita entre Deus e a entidade viva. IGUALDADE DE TODAS AS ENTIDADES VIVAS. No Gênesis está escrito: "Deus, pois, fez os animais selvagens segundo as suas espécies, e os animais domésticos segundo as suas espécies, e todos os répteis da terra segundo as suas espécies. E viu Deus que isso era Bom" (Gênesis 1,15). Sri Krishna diz: "Ó filho de Kunti, deve-se compreender que é com o nascimento nesta natureza material que todas as entidades vivas, em todas as espécies de vida, tornam-se possíveis, e que Eu sou o pai que dá a semente" (Gita 14,4). Deus é o Pai de todas as entidades vivas, não só os seres humanos. Portanto não temos o direito de matar ou maltratar outras entidades vivas desnecessariamente. PERDÃO. Ambas as filosofias ordenam que aqueles que estão aguentando os resultados das suas atividades, boas ou ruins, mas se rendem imediatamente a Deus são perdoados de todos os pecados. Esta rendição deve ser genuína, pelo coração, não só pela língua. O significado de perdão é que uma vez perdoado, a atividade ofensiva é parada. Por exemplo o senhor Jesus perdoou uma adúltera com a proibição "E disse-lhes Jesus: Nem eu te conheço; Vai e não peques mais" (João 8,11). Vemos também: "Vinde, pois, e arrazoemos, diz o Senhor: ainda que os vossos pecados são como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que são vermelhos como o carmesim, se tornarão como a lã" (Isaías 1,18). Sri Krishna diz: "Mesmo que alguém cometa ações das mais abomináveis se tiver ocupado em serviço devocional deve ser considerado santo porque está devidamente situado em sua determinação. Ele logo se torna virtuoso e alcança paz duradoura. Ó filho de Kunti, declare ousadamente que Meu devoto jamais perece" (Gita 9,30–31). CONCLUSÃO. Assim nós vemos que há muitas semelhanças nas duas filosofias. Religião significa as leis de Deus. Pode haver diferença em práticas — na realidade haverá diferenças em práticas baseado em tempo, lugar e circunstâncias. Sri Krishna diz que de acordo com o modo da sua natureza a pessoa evolui um tipo particular de fé (Gita 17,3). O sábio que entende isso, procura os caminhos da consciência de Deus, conforme as Suas instruções originais, sem qualquer interpretação incentivada. Mas a essência de todas as religiões tem que ser a mesma — cultivar a constante consciência de Krishna, ou de Deus, e assim desenvolver amor puro por Ele. A vantagem das escrituras  védicas, é que nelas nós encontramos descrições detalhadas e científicas desse processo, sem limitações geográficas, culturais ou temporais, que todos podem aplicar em suas vidas, independentemente de sua idade, raça, cor, sexo, nacionalidade, religião, etc. www.pt.krishna.com. Abraço. Davi

 

domingo, 10 de outubro de 2021

A REVOLUÇÃO CIENTÍFICA

 

Astrologia. III. A REVOLUÇÃO CIENTÍFICA. Nicolau Copérnico (1473-1543) Reforma o Universo. Nos séculos XVI e XVII, a influência dos astrólogos atingia seu auge nas cortes de Europa. A Astrologia era considerada intelectualmente estimulante, assim como instrumento útil na administração da guerra e da paz, na política e na vida privada. Alguns dos conselheiros reais eram astrônomos-astrólogos e outros mantinham interesse pelo ocultismo e pela alquimia. Assim, enquanto Elizabeth I (1533-1603), rainha da Inglaterra, convocava o visionário Doutor John Dee (1527-1608) e seguia seus conselhos, Catarina de Médici (1519-1589), na França, era orientada por Nostradamus (1503-1566). Cristiano IV (1577-1648), da Dinamarca, Segismundo III (1566-1605), da Polônia e Suécia, e Frederico da Boêmia (1596-1632) mantinham astrólogos em suas cortes. OS GRANDES ASTRÔNOMOS. Um acontecimento que causou grande tumulto na época foi a publicação em 1543 por Copérnico, o astrônomo polonês, de sua nova teoria do Universo. Com ela, Nicolau Copérnico (1476-1543) arrasou a ideia sagrada, mantida por cientistas desde Ptolomeu (120-180), segundo a qual o Sol, a Lua e todos os planetas giravam em torno da Terra. Copérnico propunha em vez disso, que o Sol ficava no centro. As pessoas se horrorizaram e a igreja excomungou seu trabalho, que permaneceu no Index (lista oficial de livros cuja igreja católica proibia, por considera-la perigosa e nefasta a moral e a fé) Papal até 1835. A teoria astrológica, no entanto, foi pouco afetada por Copérnico, mesmo quando suas descobertas foram confirmadas mais tarde por Johannes Kepler (1571-1630), pois a Astrologia considera as posições dos planetas de acordo com a visão que deles se tem da Terra; para objetivos de cálculo, não houve razões para não manter a Terra com centro do Universo. Os grandes astrônomos da época eram membros das cortes de vários reis europeus e, invariavelmente eram também astrólogos. Ticho Brahne (1546-1601), em seu trabalho De Disciplinus Mathematicus, chega a afirmar: “Os que negam a influência dos planetas violam uma prova evidente que, para pessoas educadas e de bom julgamento, não admite contradições. “Kepler, sucessor de Brahe como matemático imperial na corte do Sacro Imperador Romano, escreveu em De Stella Nova: “Não existe e nem acontece nada no céu visível que não seja sentido em algum momento oculto pelas pelas faculdades da Terra e da Natureza”. Seria exagero, no entanto, pretender que todos os pensadores dessa época acreditavam integralmente na Astrologia como meio de predições exatas. A atitude geral era mais ou menos a de Francis Bacon (1561-1626). “Estou certo”, ele escreveu, “que os corpos celestiais possuem certas influências além do calor e da luz”. Seu ponto de vista prudente sublinha o espírito científico que se desenvolvia entre os homens inteligentes da época. Em alguns mapas estelares desenhados por C, G. Eimmart (1638-1705), as constelações do Zodíaco são agrupadas ao longo da eclíptica, ou órbita do Sol, na base de cada hemisfério. Em torno dos mapas principais, diagramas demonstram as fases da Lua, as estações e as marés; outros descrevem três sistemas universais diferentes. No mapa de Ptolomeu a Terra fica como centro do Universo, enquanto Copérnico colocou o Sol no coração de seu sistema; e Ticho Brahe colocou a Terra no centro, mas os planetas no órbita do Sol. O COSMO MECÂNICO. A Ciência Racional e o Renascimento da Astrologia. Por volta do fim do século XVII a Astrologia decaiu no conceito geral. Algumas pessoas pretendem que a publicação, em 1687, do Principia, de Isaac Newton (1643-1727), deu início a esse processo. Ao contrário, as práticas astrológicas haviam começado a se deteriorar alguns anos antes daquela data. Havia sempre existido praticantes desonestos no fundo da questão, prontos a tirar vantagem dos crédulos. Nessa época, os charlatães se multiplicaram, ao perceberem que a classe média, tornando-se gradualmente mais culta, oferecia um terreno muito rico para especuladores que anunciavam impossíveis poderes de predição. O século XVII foi, antes de tudo, a idade da ciência e do racionalismo. Desde as primeiras observações por telescópios, feitas Thomas Harriot (1560-1621), Galileu Galilei (1564-1642) e Marius, em cerca de 1609-1610, houve uma dedicação geral às verdades científicas. Ocorreu então uma separação entre a Astrologia, que depende não só da matemática, mas também da intuição e sensibilidade, e as áreas de conhecimento nas quais era possível verificar-se novas teorias apenas por métodos empíricos. Mesmo assim, ironicamente, o próprio Isaac Newton, o homem cujo  livro finalmente abriu a fase moderna da Astronomia, nunca perdeu seu profundo respeito pelas verdades obscuras da Astrologia. A ASTROLOGIA DOBRA A ESQUINA. Durante o século XX houve poucos astrólogos que mantiveram sério interesse em sua profissão; e onde floresceu, a Astrologia foi geralmente adulterada pelo ocultismo. Revistas astrológicas, com O Mensageiro Profético, publicavam predições e informações a respeito de talismãs mágicos e “magnetismo animal” e estavam longe de serem publicações astrológicas sérias. Mas, por volta do fim do século, a Astrologia começou a reviver sob a égide de Madame Helena Petrovna Blavatsky (1831-1891) e dos Teosofistas. Mais tarde, William Frederick Allan (1860-1917), sob o pseudônimo de “Alan Deo”, tornou-se o primeiro astrólogo popular importante do século XX, embora os horóscopos de produção em série que publicou  tenham sido, na maioria, de pouco valor, seus livros de Astrologia foram escritos com responsabilidade e são ainda lidos por seu valor instrutivo na década de 1970. Nos Estados Unidos da América, o primeiro astrólogo popular de importância foi Evangeline Adams (1865-1930), cujas notáveis predições trouxeram-lhe fama e seguidores dedicados. Ela é lembrada principalmente  por suas séries no rádio, que fizeram muito para divulgar os benefícios da Astrologia. Em anos mais recentes, Dane Rudhyar (1895-1985) conseguiu levar a Astrologia a um alto nível acadêmico, conferindo-lhe uma linguagem pela qual “o homem pode descobrir o padrão de ordem que revela não só sua individualidade, como seu destino”. Na Europa, enquanto isso, muitas pessoas foram influenciadas pelos ensaios astrológicos de C. G. Jung (1875-1961). Hoje, é claro, a Astrologia vai se tornando uma parte essencial de nossa cultura e cria uma grande contribuição em muitos campos, incluindo os terrenos de negócios, psiquiatria, ciência, educação e lei. A Astrologia tem feito mais que sair de trás da cortina. É hoje uma fonte importante de entusiasmo para milhares de pessoas. O planetário foi um instrumento mecânico  que demonstrava os movimentos relativos dos corpos celestes. Alguns do século XVIII mostravam o Sol no centro: em torno dele giravam Mercúrio, Vênus, a Terra e a Lua. A Nebulosa de Trifido em Sagitário. A pesquisa moderna sugere que os ritmos dos corpos no espaço podem estar ligados com os ciclos de atividade próprios do homem, como nossas batidas de coração e ritmos cerebrais. As curvas de luz de um diagrama mostram como as emissões da estrela dupla Algol variam a cada dois dias e meio. Cientistas estudam agora se tais atividades cósmicas podem afetar nossas vidas. A intensidade cósmica mutável da estrela dupla Algol: sua luminosidade descreve quando a estrela mais fraca oculta a outra; mas quando a mais brilhante está na frente, o corpo conjunto emite mais luz. A NOVA ASTROLOGIA. Explorando as Fronteiras da Energia Cósmica. Hoje, usando as famosas palavras do psicólogo C. G. Jung “a Astrologia bate às portas das universidades, das quais fora banida há uns trezentos anos”. Anualmente, astrólogos do mundo todo encontram-se em conferências internacionais para trocar informações e discutir novos caminhos que ligam a Astrologia a todas as formas de disciplinas científicas. Ela tem sido de utilidade, por exemplo, para a medicina: na República Tcheca (antiga Tchecoslováquia), o médico Eugen Jonas (1928-  ) vem experimentando a Astrologia para a predição do sexo de crianças, além de encontrar evidências impressionantes que demostram que a fertilidade das mulheres varia de acordo com os movimentos do Sol e da Lua. Os meteriologistas estão cada vez mais conscientes do efeito que têm os planetas sobre o clima terrestre – demonstrando, através de estatísticas, a influência da Lua sobre as chuvas, de Mercúrio sobre a temperatura e dos ciclos planetários sobre o quadro geral do clima de cada ano. O diretor do Conselho Geofísico Mundial Rudolf Tomaschek (1895-1966), concluiu que a posição de Urano foi significativo nos casos de 134 terremotos que estudou. Na época da Renascença todo homem culto acreditava em Astrologia – que os planetas, embora não ditassem o que o homem devia fazer, inclinavam-no a certas ações ou atitudes. Depois de trezentos anos em que essa crença quase desapareceu agora um número cada vez maior de pessoas começa a chegar a conclusão de que os astrólogos provavelmente têm razão. E também a ciência, aos poucos, vai apoiando essa noção. Como o astrônomo inglês Bernard Lovell (1912-2013) colocou a questão há alguns anos: “É quase como se atravessássemos uma série de fantasias científicas para provar crenças antigas”. Na Rússia, a Astrologia, como as religiões, é oficialmente desacreditada. Nos países do Ocidente, em geral, a opinião pública volta-se cada vez mais para a crença de que, como escreveu Jung. “Tudo o que nasce ou é feito neste momento, tem as qualidades deste mesmo momento”. Sabemos hoje que poderes extraterrestre, principalmente vindos do Sol e da Lua, afetam todas as formas de comportamento de plantas e animais, das ostras e pássaros ao próprio homem. Um interessante diagrama mostra a descoberta de F. A. Brown Junior, segundo o qual os platelmintos (tipos de vermes) são dirigidos pelas fases lunares. Na Lua nova viram cerca de 10º para a esquerda ao deixar seu cercado. Na Lua cheia viram a mesma distância para a direita. Eugen Jonas escreveu que as mulheres se tornam férteis em épocas ditadas pelo Sol e a Lua, e que, se na concepção a Lua estiver num signo positivo (mais), a criança será um menino; se estiver no negativo, será uma menina. Alguns dos ciclos de atividade humana que podem corresponder a funções cósmicas mais amplas. Os ritmos Beta afetam nosso senso de julgamento; os ritmos Alfa são mais ativos durante o sono. Os outros se relacionam com o coração, os rins e os ovários. Coleção Zodíaco. Bloch Editores. Abraço. Davi.