quinta-feira, 5 de agosto de 2021

PORQUE A VIDA EXISTE ?

 

Espiritualidade. Escrito por Osho (1931-1990). “Osho. Eu nunca fui capaz de encontrar resposta para uma pergunta. É uma pergunta estúpida, mas mesmo assim eu queria muito saber a resposta. Você poderia nos dizer qual é o propósito da criação? PORQUE A VIDA EXISTE ? Por que todas as coisas existem? Eu não acredito em acidentes. Prem Patrick. A pergunta é certamente estúpida (...). Você está absolutamente certo a respeito disso. E a pergunta não é respondível. Qualquer pessoa que respondê-la irá somente criar alguns questionamentos a mais em você. Você não foi capaz de encontrar qualquer resposta porque não existe resposta. A vida é um mistério, por isso essa pergunta não pode ser respondida. Você não pode perguntar o porquê. Se o porquê for respondido, a vida deixa de ser um mistério. Esse é todo o esforço da ciência: destruir o mistério da vida. E a maneira é encontrar respostas para todos os porquês.  E a ciência acredita, naturalmente com arrogância e ignorância, que um dia ela será capaz de responder a todos os porquês. Isso não é possível. Mesmo se nós respondermos a todos os porquês, o último dos porquês permanecerá: por que a vida existe, afinal? Qual o significado da existência? Qual é o propósito de tudo isso? Essa pergunta é a última e ela não pode ser respondida. Se alguém lhe der uma resposta, ela simplesmente irá criar um novo questionamento. E respostas já têm sido dadas (...). Algumas pessoas acreditam que Deus criou o mundo porque queria ajudar a humanidade. Agora, que tipo de resposta é essa? Ele criou a humanidade para ajudar a humanidade. Qual era a necessidade de criar? Alguns outros dizem que Deus criou o mundo porque ele estava se sentindo muito solitário. Se Deus estava se sentindo mal muito só, então não existe qualquer possibilidade de alguém se tornar um Budha. E se Deus de repente começou a se sentir solitário, então o que ele estava fazendo antes de criar o mundo? Por toda a eternidade ele tem estado só (...) então de repente, num dia, numa manhã, ele ficou enlouquecido, ou o que? De repente ele começou a se sentir solitário depois do almoço. E qual era a necessidade de criar todo o mundo? Apenas uma mulher já teria sido o suficiente! E agora, como ele está se sentindo hoje? Muito cheio de gente? Gente em demasia pelas ruas? Deve estar planejando destruir o mundo em breve. Sobre que tipo de Deus você está falando? O seu Deus é uma pessoa que pode se sentir solitário? Todas essas são respostas tolas para perguntas tolas. Então existem pessoas que dirão: isso é um jogo de Deus, a sua brincadeira. Ele não poderia ter ficado sentado em silêncio? Que espécie de jogo é esse? Adolf Hitler (1889-1954) e Benito Mussolini (1883-1945) e Joseph Stalin (1778-1953) e Mao-Tse-Tung (1893-1976), Gengis Khan (1162-1227), Tamurlaine, Nadir Shah (1688-1747) (...). Brincadeira de Deus? Seis milhões de judeus assassinados por Adolf Hitler, e Deus está brincando com um jogo? Por que ele não vai jogar golfe? ou xadrez? Por que torturar pessoas? Tanta miséria no mundo e esses tolos seguem dizendo que isso é brincadeira de Deus? Crianças que nascem paralíticas, cegas, surdas, mudas (...). Brincadeira de Deus? Que espécie de Deus é esse? Ou ele não é Deus, ou pelo menos ele não é divino. Ele deve ser muito mau. Essas perguntas não ajudam. Elas criam mais perguntas. Patrick, o máximo que eu posso dizer é que a vida não tem propósito algum, ela não pode ter qualquer propósito.  Todos os propósitos estão no meio da vida. Sim, um carro tem um propósito: ele pode levá-lo de um lugar ao outro. O alimento tem um propósito: ele pode nutri-lo, ele pode mantê-lo vivo. Uma casa tem um propósito: ela pode lhe dar abrigo quando está chovendo e quando está quente. As roupas têm propósito (...). Todos os propósitos estão dentro da vida, mas a vida em si mesma não pode ter qualquer propósito porque ela não é um meio para algum fim. Um carro é um meio, a casa é um meio. A vida não tem qualquer objetivo, a vida não está indo para lugar algum. A vida está simplesmente aqui! Ela nunca foi criada. Esqueça essa ideia de criação. Isso cria muitas perguntas estúpidas na mente. Ela nunca foi criada, ela sempre esteve aqui e ela sempre estará aqui. Com formas diferentes, de maneiras diferentes, a dança continuará. Ela é eterna. Ais dhammo sanantano – assim é a lei última. Não há qualquer propósito e essa é a beleza da vida. Se houvesse alguns propósitos, então a vida não seria tão bonita, então haveria uma motivação, então ela seria como um negócio, então ela seria muito séria. Olhe para as rosas, para as flores de lótus, para os lírios. Qual o propósito? O lótus de manhã cedo, o sol nascendo, o cuco começando a cantar (...). Qual o propósito? Isso não é intrinsecamente lindo? Todas as coisas precisam de propósitos fora de si mesmas? A vida é intrinsecamente linda. Ela não tem qualquer propósito extrínseco. Ela não é propositada. Ela é exatamente como uma canção de um pássaro na escuridão da noite, ou o som da água, ou o som do vento passando através dos pinheiros (...). O homem é voltado para objetivos. E porque a sua mente é voltada para objetivos, ela cria perguntas como esta: "Qual o objetivo da vida? Deve haver algum objetivo." Mas se alguém disser, "esse é o objetivo da vida", então você irá perguntar: "Qual o objetivo desse objetivo? Por que nós devemos alcançá-lo? A que propósito ele irá servir?" E se alguma outra pessoa disser: "Esse é o objetivo desse objetivo", as mesmas perguntas irão surgir novamente e você vai voltar ao mesmo ponto, ad infinitum. Você me pergunta: "Você poderia nos dizer qual é o propósito da criação?" O mundo nunca foi criado. A palavra "criação" não é correta. O mundo sempre esteve aqui, ele é eterno. Não existe criador. Deus não é o criador do mundo. Deus é a própria energia criativa da existência. É mais criatividade do que um criador. Ele não é o poeta, mas sim a poesia; não o dançarino, mas a dança; não a flor, mas a fragrância. Você me pergunta: "Por que a vida existe?" Essas perguntas parecem muito filosóficas, e podem torturá-lo muito, mas elas são absurdas. É como perguntar "Qual o sabor da cor verde?" Isso é irrelevante. A cor verde não tem qualquer sabor. Cor e sabor não estão relacionados absolutamente. "Por que a vida existe?" Veja que as palavras "vida" e "existência" significam a mesma coisa. Isso é tautologia. Você está perguntando: "Por que a vida é vida?" Assim fica mais claro para você. Mas quando você pergunta "Por que a vida existe?", as palavras enganam você. Você está perguntando "Por que a vida é vida?". Você está perguntando "Por que uma rosa é uma rosa?" Você ficaria satisfeito se uma rosa fosse uma margarida? Então você poderia perguntar "Por que uma margarida é uma margarida?" De que maneira você fica mais satisfeito? Se a vida não existir, você ficará mais satisfeito? Simplesmente imagine você mesmo sem o corpo, sem a mente, um fantasma perguntando "Por que a vida não existe? O que aconteceu com a vida? Por que ela desapareceu?". Essas perguntas sempre irão persistir e perseguir você. A vida é um mistério. Não existe qualquer porquê, qualquer propósito, qualquer razão. Ela está simplesmente aqui. Aproveite-a ou abandone-a, mas ela está simplesmente aqui. E estando ela aqui, por que não aproveitá-la? Por que desperdiçar seu tempo filosofando? Por que não dançar, cantar, amar e meditar? Por que não se aprofundar mais e mais nessa coisa chamada "vida"? Talvez no centro mais profundo você irá saber a resposta. Mas a resposta vem de uma tal maneira que ela não pode ser expressada. É como um homem mudo que experimenta açúcar. É doce, ele sabe que é doce, mas ele não consegue falar. Os Budhas sabem, mas eles não conseguem dizer. E os idiotas não sabem e seguem falando, seguem dando respostas a você. Os idiotas são muito espertos nesse sentido de encontrar, de fabricar, de manufaturar respostas. Faça qualquer pergunta e eles terão uma resposta para você. Quando Gautama Budha costumava viajar por este país de um lugar a outro, alguns poucos discípulos iam à frente e anunciavam na cidade: "Budha está chegando, mas por favor não façam aquelas onze perguntas". E uma daquelas onze perguntas era "Por que a vida existe?". Uma outra era "Quem criou o mundo?" Naquelas onze perguntas, toda a filosofia estava contida. Na verdade, se você abandonar aquelas onze perguntas, nada sobra para ser perguntado. Budha costumava dizer que essas eram perguntas inúteis. Elas não eram respondíveis, não porque ninguém soubesse a resposta. Elas eram irrespondíveis pela própria natureza das coisas. Um grande filósofo, Maulingaputta, veio até Budha e começou a fazer algumas perguntas... Perguntas após perguntas. Budha ouviu silenciosamente por meia hora. Maulingaputta começou a se sentir um pouco embaraçado porque Budha não estava respondendo, ele estava simplesmente sentado ali, sorrindo, como se nada tivesse acontecido, e ele havia formulado perguntas tão importantes, tão significativas. Finalmente Budha disse: "Você realmente quer saber a resposta?" Maulingaputta disse: "Se eu não quisesse, por que eu teria vindo até você? Eu viajei pelo menos mil milhas para vê-lo" (...). "Por que eu teria vindo de tão longe? Foi um longo sofrimento. Parece que eu estive viajando por toda a minha vida! E você está perguntando se eu realmente quero saber a resposta?" Budha disse: "Eu estou perguntando de novo: você realmente quer a resposta? Diga sim ou não, porque irá depender muito disso". Maulingaputta disse "Sim! Então Budha disse: "Por dois anos sente-se silenciosamente ao meu lado, não pergunte, não questione, não converse, simplesmente sente-se silenciosamente por dois anos ao meu lado. E após dois anos você poderá perguntar o que você quiser e eu prometo que irei respondê-lo." Um discípulo, um grande discípulo de Budha, Manjusri, que estava sentado na sombra de uma outra árvore, começou a rir muito alto e começou a rolar pelo chão. Maulingaputta disse: "O que aconteceu com esse homem? Você está falando comigo, você não dirigiu uma simples palavra a ele, ninguém disse nada para ele (...). Estará ele contando piadas para si mesmo?" Budha disse: "Vá lá e pergunte a ele". Ele perguntou a Manjusri. Manjusri disse "Senhor, se você quiser realmente fazer a pergunta, faça-a agora. Essa é a maneira dele enganar as pessoas. Ele me enganou. Eu costumava ser um filósofo tolo, exatamente como você. A resposta dele foi a mesma quando eu cheguei. Você viajou mil milhas e eu havia viajado duas mil milhas." Manjusri era certamente o maior filósofo, o mais conhecido do país. Ele tinha milhares de discípulos. Quando ele chegou, com ele vieram mil discípulos. Um grande filósofo chegando com seus seguidores. E Budha disse, "Sente-se silenciosamente por dois anos." E eu me sentei silenciosamente por dois anos, mas então eu não podia fazer uma pergunta sequer. Aqueles dias de silêncio (...). Devagar, devagar, todas as perguntas foram se desfazendo. E uma coisa eu vou dizer a você: ele manteve sua promessa, ele é um homem de palavra. Após os exatos dois anos, eu tinha me esquecido completamente, eu tinha perdido a noção do tempo, por que quem vai se preocupar em lembrar? Na medida em que o silêncio ficou mais profundo, eu perdi toda a noção de tempo." Quando os dois anos se passaram, eu nem estava me dando conta disso. Eu estava curtindo o silêncio e a presença dele. Eu estava bebendo a presença dele. E isso foi tão incrível. Na verdade, no fundo do meu coração eu não queria nunca que aqueles dois anos fossem concluídos, porque uma vez que eles se concluíssem, ele iria dizer: "Agora ceda o lugar para alguma outra pessoa sentar ao meu lado, e você afaste-se um pouco. Agora você já é capaz de estar só, você não precisa tanto de mim. Exatamente como uma mãe afasta a criança quando ela pode comer e digerir por si mesma e não precisa mais se alimentar do peito materno. Assim, Manjusri disse, eu estava esperando que ele se esquecesse de toda essa história a respeito dos dois anos, mas ele se lembrou. Exatamente após os dois anos, ele me disse: "Manjusri, agora você pode formular as suas perguntas". Eu olhei para dentro de mim e não havia nenhuma pergunta, nem ninguém para formular perguntas, era um silêncio total. Eu ri, ele riu, ele deu um tapinha nas minhas costas e disse, "Agora, afaste-se um pouco." "Assim, Maulingaputta, é por isso que eu comecei a rir, porque agora ele está de novo aplicando o mesmo golpe. E esse pobre Maulingaputta vai se sentar por dois anos silenciosamente e vai se perder para sempre, nunca mais será capaz de formular uma pergunta sequer. Por isso, Maulingaputta, eu insisto: se você quer realmente perguntar, pergunte agora!" Mas, Budha disse: "Minhas condições têm que ser atendidas. Então, Patrick, a minha resposta para você é a mesma: atenda às minhas condições, medite, sente-se silenciosamente, simplesmente esteja aqui e todas as perguntas irão desaparecer. Eu não estou interessado em respondê-lo. Eu estou interessado em dissolver as suas perguntas. E quando todas as perguntas desaparecerem, aquele que pergunta também desaparecerá, ele não pode existir sem as perguntas. Quando nenhuma pergunta mais existir, nem aquele que pergunta (...) quantas bênçãos, quanto êxtase! Neste exato momento, você nem pode imaginar, você nem pode sonhar, você nem pode compreender. Então, todo o mistério da vida se abrirá, mistérios e mais mistérios (...) e isso não tem fim. Abraço. Davi.

quarta-feira, 4 de agosto de 2021

AS RAÍZES DA BÍBLIA SAGRADA

 

Cristianismo. Livro O Mistério da Bíblia – O Lado Oculto do Livro Sagrado. Ciência e Religião Juntas. AS RAÍZES DA BÍBLIA SAGRADA.  Muitos dos seguidores da Bíblia consideram seu conteúdo como metafórico. A Bíblia contém a Palavra de Deus codificada em 66 livros, sendo 39 do Velho Testamento e 27 do Novo Testamento. O guia de vida de milhões de pessoas no mundo todo e seus escritos são levados ao pé da letra por uma boa parcela dos seguidores do cristianismo. A unificação do Antigo com o Novo Testamento passou a ser chamada de Bíblia Sagrada pela primeira vez com São Jerônimo de Stridon (340-420), o padroeiro dos bibliotecários e o tradutor dos textos, que estavam no grego antigo e no hebraico, e passou para o latim. A edição produzida pelo santo é chamada de Vulgata, que ainda é usada pela Igreja Católica.  Essa tradução foi pedida pelo papa Damaso I (305-384), contemporâneo do famoso imperador Constantino, que tornou o cristianismo a religião oficial do Império Romano. Independentemente da língua original em que foi escrito, a Bíblia deve ser estudada em seu contexto original. Os deuterocanônicos (determinados livros, como os de Tobias, Judite, Eclesiástico e Baruque) são considerados pelas religiões que adotam a Bíblia, mas que não são católicas, como obras sem inspiração divina, porém reconhecem o valor histórico de criações como o Livro dos Macabeus (I e II). Calcula-se que, para sua redação, devem ter sido gastos 1600 anos e consumido o trabalho de 40 homens de diversas origens culturais, profissões e posições sociais. Como todo livro sagrado, há quem siga a Bíblia ao pé da letra e leve seus ensinamentos a ferro e fogo. Mas vale lembrar que nem todos os que adotam essa obra como mentora da vida comungam desse ponto de vista. De fato, a grande maioria daqueles que a seguem considera muito de seu conteúdo ou como sendo metafórico ou como registro de hábitos da antiguidade, hoje desatualizados. Uma análise mais profunda dos historiadores revela que o alfabeto fenício, do qual se derivou o hebraico, já existia no século XIII AC, quando os hebreus chegaram a Canaã (há documentos históricos que sugerem que o alfabeto fenício já existia na região no século anterior). Além dos componentes da Bíblia, há textos hebraicos antigos conhecidos que datam de épocas remotas como o Calendário de Gezér, uma espécie de “almanaque” que mostrava as datas em que os agricultores deviam fazer seu plantio. Esse documento datado de 1000 AC, é o mais antigo encontrado na Palestina. Há também inscrições datadas dos séculos XIV ou XV AC, no sarcófago do rei Airam na cidade fenícia de Biblos. Além desses, há textos semelhantes aos conhecidos Salmos datados do mesmo período desse sarcófago em tabuletas encontradas em Ugarit, atual Lataquia – Síria, uma antiga cidade portuária. OS IDIOMAS E AS VERSÕES.  Desde o começo, os idiomas que foram usados para registrar a Bíblia foram três: o hebraico, o grego e o aramaico. O Antigo Testamento foi inteiramente escrito no chamado hebraico consonantal (uma forma da língua que como diz o nome, é desprovida de vogais). A exceção é o grupo dos deuterocanônicos (que possuem alguns textos redigidos em grego) e alguns capítulos do livro de Daniel. Redigidos em aramaico. Já o grego também foi usado para escrever os livros do Novo Testamento, embora haja algumas discrepâncias. A tradição cristã, por exemplo, afirma que o Evangelho de Mateus foi redigido primeiro em hebraico, que seria a escolha mais lógica para alcançar a doutrina dos judeus. TRECHO DO PAI NOSSO DO CONCÍLIO DE NICEIA – aprovado em 19 de junho de 325, dizia: “Cremos em um só Deus, Pai Todo Poderoso, criador de todas as coisas, visíveis e invisíveis. E em um só Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus, unigênito do Pai, da substância do Pai; Deus de Deus. Luz de luz. Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não criado, consubstancial ao Pai. Por quem foram criadas todas as coisas que estão no céu ou na Terra (...)”. O curioso é que mesmo o hebraico usado na Bíblia apresenta diferenças. Em alguns livros, há a predominância do hebraico clássico, como nos livros de Reis (I e II) e Samuel (I e II), enquanto em outros se pode ver um hebraico mais rudimentar e em outros é mais fácil de identificar influências de línguas da vizinha palestina. O grego usado no registro do Novo Testamento é chamado de grego “Koiné”, termo que significa “comum” ou vulgar, e que era o segundo idioma mais falado do Império Romano. Os pergaminhos mais antigos conhecidos como parte da Bíblia Sagrada datam em sua maioria dos séculos III e IV DC. DISCUSSÕES. Essa antiguidade toda leva as pessoas a admirarem a Bíblia também como um documento histórico. Os pergaminhos mais antigos conhecidos como parte da obra datam em sua maioria dos séculos III a IV DC. Isso se deve ao fato de muitos dos manuscritos serem trabalhos de monges copistas que faziam cópias de obras literárias. Esse é mais um aspecto que leva a discussões, visto que, por mais que um copista seja dedicado ao seu trabalho, está sujeito a erros e modificações, quer sejam voluntários ou involuntários. Imaginem só o que tamanha manipulação não produziria nem texto complexo como o das Escrituras. A prova é que os historiadores conseguiram identificar versões dos textos que permitem múltiplas interpretações de um mesmo trecho, o que derruba a tese de que a Bíblia se manteve intocada com o passar dos séculos. Esses especialistas, cujo trabalho é conhecido como Crítica Textual, tem por objetivo comparar as várias versões dos textos e a seleciona-las. Sabe-se, por exemplo, que o texto massorético (é o texto hebraico dá Bíblia utilizado com a versão universal da Tanake para o judaísmo moderno) é a grande fonte hebraica para o Antigo Testamento. Esse texto foi estabelecido como massoretas, que tinham por função realizar cópias do original com extrema fidelidade. Seu trabalho incluía  a vocalização das versões hebraicas e sua posterior cópia. Como o hebraico tornou-se uma língua morta por volta do século VII DC, tornou-se necessário marcar os locais das vogais com certos sinais. Até hoje, esse texto é considerado como a fonte mais confiável para o texto bíblico original. Porém, por mais perfeito que seja, o texto massorético, como é conhecido, possui certas deficiências que os pesquisadores procuraram suprir com o uso de outros textos de referência. Um dos mais conhecidos é o chamado Pentateuco Samaritano, originado entre os samaritanos, uma divisão dos hebreus que possuía comunidades étnicas e religiosas à parte com templos e cultos próprios. Eles só consideravam como sagrados os livros do Pentateuco (Gênesis, Êxodo, Levíticos, Números e Deuteronômio). Outro texto de referência complementar é o chamado septuaginta grega (sigla LXX = 70 em algarismo romano), ou versão dos setenta. É composta pela Bíblia Hebraica e pelos deuterocanônicos (refere-se a um conjunto de sete livros (Judite, Tobias, Sabedoria de Salomão, Eclesiástico, Baruc e I e II Macabeus) que estão presentes na septuaginta, antiga tradução em grego dos livros da Antigo Testamento. Alguns grupos cristãos comumente os Protestantes, não aceitam por acreditarem que não são canônicos ou inspirados). Foi elaborada entre os séculos IV e II AC, e é a tradução grega do Antigo Testamento feita na célebre cidade de Alexandria, no Egito. Tem esse nome graças a uma (lenda) história que afirma que foi o resultado do trabalho de 70 eruditos judeus, cuja inspiração veio diretamente de Deus. Esta é a versão mais antiga do Velho Testamento conhecida e é importante por ter sido adotada pelos cristãos desde o início da religião e citada na maior parte no Novo Testamento. O Novo Testamento apresentou cerca de quatro mil manuscritos em grego. Esses documentos também apresentaram variantes, mas não há neste caso uma versão de referência como no Antigo Testamento. O pesquisador tem que se contentar com alguns manuscritos importantes que são a base da Crítica Textual. O importante é lembrar que, mesmo com todas as suspeitas e versões existentes, a Bíblia Sagrada foi traduzida para 2403 línguas diferentes no total, o que a torna também o livro mais traduzido do mundo. É um panorama bem diferente do que gerou a Reforma Protestante, por exemplo, quando a Igreja se preocupava com as traduções dos textos para outras línguas que não fossem o então adotado latim. PESSOA DIVINA? O Concílio de Nicéia (20 de maio a 19 de junho do ano de 325) ficou famosos por ter sido um ponto de virada, por assim dizer, na história do cristianismo e da própria Bíblia. Esse Concílio, oficialmente conhecido como o primeiro ocorrido naquela cidade (o segundo aconteceria no ano  787), aconteceu durante o reinado do primeiro imperador romano cristão Constantino. É considerado como a primeira conferência de caráter ecumênico (ou seja, mundial) dos bispos da então emergente Igreja Cristão. Nicéia (nome de origem grega) era uma cidade que fazia parte da Anatólia, região do sudoeste da Ásia que corresponde hoje a porção asiática da atual Turquia. Hoje possui o nome de Iznik. Corria então o ano de 325 quando os religiosos se reuniram para discutir algumas das questões que mais preocupavam a fé cristã, como a opinião dos arianos (nome dado a uma corrente de pensamento teológica liderada por Arius, um presbítero cristão oriundo da cidade de Alexandria no Egito), que simplesmente negavam a existência de uma mesma natureza entre Jesus e Deus, que os igualasse. Para os arianos, Cristo era um homem, não uma “pessoa divina” por definição. Outras questões foram motivos de debate, como estabelecer os parâmetros para a celebração da Páscoa, o destino dos prisioneiros feitos durante a perseguição aos cristãos estabelecidas pelo imperador Licínio, cunhado de Constantino e que foi retirado por este do poder; o batismo dos heréticos, que na época começavam a se mostrar em grande número, e, claro, a escolha dos evangelhos inspirados que figurariam com oficiais na Bíblia. ALGUNS LIVROS APÓCRIFOS CONHECIDOS DO NOVO TESTAMENTO: Evangelho Árabe de Infância de Jesus – Atos de André – Atos de Pedro – Atos de Pedro e André – Atos de Pedro e Paulo – Atos de Tadeu – Atos de Tomé – Epístola aos Laodicenses – Epístola de Herodes – À Pôncio Pilatos – Epístola de Jesus ao rei – Epístola de Pedro a Filipe – Evangelho de Nicodemos – Evangelho de Pedro e outros. Além de oferecer as bases para a crença cristão o Concilio de Nicéia também foi importante justamente porque as perseguições, que não foram poucas, haviam recentemente terminado. Tudo parecia caminhar para o estabelecimento de uma Igreja forte e poderosa como ficou conhecida nos anos seguintes. Para muitos historiadores que pesquisam não só a Bíblia, mas também a história da Igreja, este é um momento que leva a muitas desconfianças sobre as verdadeiras intenções do recém convertido imperador. O surgimento do chamado Credo de Nicéia, também chamado de credo Niceno Constantinopolitano, é outro produto daquela reunião. Aceito pelas Igrejas católicas, ortodoxa, anglicana e pelas principais Igrejas protestantes, marca o pensamento que predominava na reunião e o único deste tipo em que ortodoxos e católicos concordaram em todos os pontos que aparecem na oração. A Igreja Católica sofreu vários cismas (divisões); o principal foi o de 1054, colocando em lados oposto da autoridade de Roma, as Igrejas Apostólica Ortodoxa Russa, a Igreja de Constantinopla, A Igreja Copta do Egito e a Igreja Grega todas com seus (papas) patriarcas. A POLÊMICA DOS APÓCRIFOS. Mas o que levou os livros apócrifos a terem toda a fama que possuem hoje? Bem, se analisarmos, friamente os canônicos, veremos que, apesar de serem muito parecidos uns com os outros, há discrepâncias neles, principalmente quando abordam o período entre a infância de Jesus e o início de seu ministério. Além disso, os quatro oficiais (Mateus, Marcos, Lucas e João) não dão muitos detalhes sobre a vida dos demais integrantes da família de Jesus. Muitos dos especialistas acreditam que a mola propulsora que levou os primeiros cristãos, desde eles Orígenes de Alexandria (185-254) a adotarem os apócrifos foi justamente a vontade de deixar o relato mais completo com a adição de vários detalhes biográficos sobre os quais os canônicos simplesmente se calam. Assim, esses textos recusados traziam detalhes como o fato de José ser viúvo e ter vários filhos; a Virgem Maria, quando criança, não tocar o chão ao caminhar; ou ainda o Menino fazer milagres para esconder suas travessuras. Vejamos um dos episódios mais interessante narrado pelos apócrifos. É uma versão bem diferente do nascimento de Jesus, basta reparar nos detalhes da narrativa. Quando o imperador Augusto ordenou a realização de um censo em todo o império romano, José foi de Nazaré a Belém para recensear-se. Levou consigo Maria, que contava com nove meses de gravidez e que ia montada num asno (jumento). Quando já estavam perto de Belém, um anjo apareceu a Maria e disse que a hora do parto havia chegado. José interrompeu a caminhada e, sem ter onde acomodar a esposa, instalou-a numa gruta e partiu em busca de uma parteira. Nesse interim, apareceu na gruta uma luz muito intensa que, quando se foi, deixou Maria com o menino Jesus em seus braços. Quando José voltou com a parteira, de nome Salomé, Maria contou como foi o parto e que ela permanecia virgem. Salomé, descrente, disse que jamais acreditaria se não introduzisse seu dedo e comprovasse. Maria permitiu e ela assim o fez. Mas quando retirou sua mão viu que a mesma estava carbonizada. A parteira chorou desoladamente e Maria a fez acariciar o menino. Foi quando viu que a mão ficara curada. Foi por causa de episódios assim que os textos apócrifos seriam considerados perigosos. Porém, sua utilidade para entender a então nascente religião cristã foi discutida exaustivamente por pesquisadores e religiosos em diversas oportunidades com o passar dos anos, da descoberta dos Manuscritos do Mar Morto, em 1947 e 1956, ao recentemente divulgado Evangelho de Judas, em 2006. Livro O Mistério da Bíblia – O Lado Oculto do Livro Sagrado. Abraço. Davi.

segunda-feira, 2 de agosto de 2021

UM GAROTINHO NO PARAÍSO

 

Espiritualidade. UM GAROTINHO NO PARAÍSO. “Um garotinho bateu a porta do paraíso e quando São Pedro chegou, ele pediu permissão para entrar. São Pedro disse-lhe para esperar um pouco, enquanto ia consultar Deus. Enquanto esperava, o menino olhou em volta, para a ampla paisagem que o rodeava. Como era fim de outono, as árvores estavam cobertas com folhas douradas, avermelhadas, alaranjadas e verdes. Até onde o olhar podia alcançar, havia árvores fulgurantes, umas atrás das outras, colinas e colinas de beleza flamejante. São Pedro então retornou. Eu tenho a resposta de Deus. Você vê todas aquelas árvores? E mostrou com a mão 360 graus no horizonte. O garotinho respondeu: Sim. São Pedro continuou: Deus disse que, quando as folhas tiverem caído dessas árvores tantas vezes quanto há folhas nas árvores, você poderá entrar no paraíso. O garotinho sentou-se sem pressa e, olhando para São Pedro, disse-lhe: Por favor, diga a Deus que a primeira folha já caiu”. Mateus 18:2-4 “E Jesus, chamando uma criança, colocou-a no meio deles. E disse: Com toda a certeza vos afirmo que, se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, de modo algum entrareis no Reino dos Céus. Portanto, todo aquele que se tornar humilde, como esta criança, esse é o maior no Reino dos céus (...)”. A fábula acima mostra a visão simples, ingênua e autentica de uma criança interessada em adentrar ao paraíso. A franqueza e singeleza das crianças conseguem penetrar a realidade do mistério, desse que, atormenta e deixa desacordado os exegetas e hermeneutas estudiosos da bíblia. A belíssima paisagem no fundo da narrativa onde o menino está incluído com árvores, provavelmente de todos os tamanhos, encimadas com folhas douradas, avermelhadas, alaranjadas e verdes. Além do outono, a estação que caem as flores, completam o cenário da vida humana renascente que alcançará prelúdio místico. A menção do outono é um referência a normalidade dos estágios humanos. A primavera é nossa chegada ao mundo como ser, criança. O verão é o desabrochar de nossa adolescência e efervescer da juventude. O outono é nossa maturidade, fase adulta, advinda da fase adulta.  E o inverno é a velhice prenunciando a morte como retorno de onde viemos e para onde vamos. Gênesis 3:19 “Portanto es pó e em pó tornaras”. Editor do Mosaico Espiritual. No contexto da fábula temos duas estações vivenciadas pela criança, onde chegando ao paraíso ela é primavera, uma candura capaz de transcender nossas inquietações e ultrapassar os conflitos expressos no sofrimento. Seu olhar outonal revela um dos requisitos para ultrapassar o portal do gozo e desfrute do Senhor, aquilo que é dito em Mateus 25:21 “entra no gozo do teu Senhor”. Assim não vemos no paraíso a inquietação de opiniões e conflitos de identidade manifestados no verão. Nem a rigidez de conceito inalteráveis, ranzinza e inconveniente no falar no inverno. Característica de muitos idosos desprovidos da sabedoria vinda do alto. Deus nos guarde de envelhecermos com tal feiura expostas em vícios tão horríveis. Que a beleza dos atos virtuosos possam sobressair em nossas atitudes para com o próximo. Marcos 8:24 “E, levantando ele os olhos disse: Vejo os homens, pois os vejo como árvores que andam”. As árvores são a tipologia do homem em evolução espiritual. Na lenda narrada cada árvores tem uma cor específica, tonalizada em níveis de aproximação com a natureza divina dourada. O verde representa a cor primordial, a essência de todas as espécies vegetais, imprescindível ao desenvolvimento da vida. O alaranjado manifesta um progresso rumo ao Divino e o avermelhado, comparado ao fogo, tipifica a centelha divina contida em cada ser existente. O conto é interessante principalmente por não se ater apenas a tradição cristã, mas incluir elementos de outras espiritualidade criando um prisma (diferentes cores), símbolo da verdade na filosofia espiritual. Vejamos, num panorama geral, o céu aqui apresentado não é um estado real ou físico como imaginamos em nossa cultura. Quando o vemos nesse “quadro” pintado pelo autor percebemos que ao mesmo tempo que ele está fora do garotinho, ele também está dentro de sua consciência. A ideia passada é que o paraíso é inerente ao ser humano, todos tendo acesso a esse descanso. Mas a “entrada” se faz em dois aspectos: pelo contar das folhas das árvores e nosso tempo harmonizado pelas “estações” do ano. Desse modo alguns demorarão mais tempo para ser incluídos nesse sossego, tranquilidade e paz que outros. Por dedução, esse tempo terá períodos diferenciados dependendo da coloração de nossas folhas, incorporando o conceito bíblico que somos num certo sentido vegetais. As árvores que se aproximam do dourado, parecem ter preeminência nesse intervalo temporal com mais longevidade. O garotinho imagino como a figura da alma humana, aquela que está a viajar pelo microcosmo, tipificada pela nossa consciência e coração, e pelo macrocosmo o universo infinito e eterno. Nessa viagem ela procura o tempo todo pela sua própria origem que é Deus. Nunca desistindo desse propósito, pois para isso ela foi formada e infalivelmente chegará ao seu destino. Deus é aquele que nos aguarda de braços aberto, esperando pra beijar-nos e colocar-nos em sua morada, que é Ele mesmo. João 6:37 “O que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora”. No conto não se passa a ideia que Deus está trancado num lugar, sentado num trono ou num gabinete luxuoso, cercado dum cerimonial e guardiães a escolta-lo. Pouco se fala Dele, admitindo-se que seu revelar está no oculto e no escondido, e pra penetrar nesse portal da presença divina, só com o esvaziamento do Ego e desapego das coisas mais preciosas que valorizamos. Como diz o Mestre Jesus em Mateus 29:19 “Também todos aqueles que tiverem deixado casas, irmãos, irmãs, pai, mãe, filhos ou terra, por causa do meu nome, receberão cem vezes mais e herdarão a vida eterna”. Um texto de difícil interpretação, e geralmente as que lemos são equivocadas, pois fixam-se mais na literalidade do argumento, dando margem a absurdas explicações. Aqui enuncia a renúncia e abnegação extremas, apenas adquirida por místicos e indivíduos comprometidos com a fraternidade humana e interesse em ajudar na evolução espiritual de todos os seres. A figura de São Pedro como tendo a chave do céu é um arquétipo mitológico encontrado em tradições espiritual dos antigos egípcios, sumérios e babilônios. Evidentemente não nesse contexto específico, mas em condições que acessam ao postulante do paraíso sua entrada nesse reino de consolação e refrigério. Que possamos permitir que o Eterno trabalhe as estações do ano em nossa vida com equilíbrio, aparando os excesso, mudando a tonalidade de nossas folhas, depurando nossa personalidade e temperamento para termos condições de frequentarmos por um milénio ou mais esse tão maravilhoso e indescritível estado mental consciente chamado paraíso ou céu. Há momento em  nossas vidas que, em êxtases ou insight espirituais temos uma amostra dessa realidade imprimida em nosso espírito. Afinal o garotinho entrou no céu ou não? Não tenhamos dúvida. Todo o ambiente em que ele se encontrava era o paraíso. Ele lá estava antes mesmo de chegar; essa ideia é desprendida na narrativa onde não conseguimos mensura o tempo que normalmente imaginamos como passado, presente ou futuro. O menino já vivia uma atemporalidade, transcendera o espaço-tempo. É incrível pensar que o céu ou paraíso, baseado no argumento do conto, é o aqui é agora. Podemos antecipadamente desfrutar parte dessa delícia espiritual desde que assumamos a responsabilidade de pureza, santidade e amor ao próximo, visualizado na frase: “Se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, de modo algum entrareis no Reino dos Céus”. Abraço. Davi.

 

sexta-feira, 30 de julho de 2021

ESPECIFICAÇÕES DO ISLÃ

 

Islamismo. www.ibeipr.com.br. ESPECIFICAÇÕES DO ISLÃ. O Islã é a mensagem celestial que Deus revelou ao profeta Mohammad ibn Abdallah (S.A.A.S.) (1) através do anjo Gabriel. É o resumo de todas as mensagens celestiais e tem como base o Alcorão Sagrado. O objetivo desta mensagem é ligar Deus ao ser humano e este a Deus, e baseado nisso, ele preenche todos os campos da vida humana. O Islã tem dois aspectos: o espiritual e o jurídico. Por isso, ele está relacionado com todos os campos da vida, tanto materiais quanto espirituais. A dimensão espiritual do Islã consiste em: A) O MONOTEÍSMO. O Islã sempre pregou e confirmou o Monoteísmo e negou qualquer tipo de divindade criada pelo ser humano. Seu principal lema é "O testemunho sobre a divindade de Deus, o único". Ele é único, eterno, absoluto, jamais gerou ou foi gerado e ninguém é comparável a Ele. Por isso, somente Deus é a fonte da jurisprudência e da legislação que envolvem o ser humano, em qualquer lugar e época. A Casa Sagrada de Deus em Meca, no Hijaz (Arábia Saudita). Por meio desta crença, o ser humano faz uma aliança com o seu Senhor e com a Profecia. Por isso, podemos dizer que testemunhar que "não há divindade além de Deus" (La ilaha illa Allah) é uma filosofia de vida e não apenas palavras na língua ou teorias na mente. B) A JUSTIÇA. A injustiça é um atributo maléfico e por Deus ser isento deste atributo, representa a justiça em si e nos convida sempre a praticá-la e a pregá-la, bem como a verdade. Com isso, combate qualquer tipo de injustiça e opressão dentro da sociedade. Assim, a Doutrina Islâmica objetiva uma vida cheia de paz e segurança para toda a humanidade. Perante o Islã não há diferença entre as classes sociais, entre o pobre e o rico, o subordinado e o soberano, o negro e o branco. O profeta Mohammad (S.A.A.S.) disse: "Os seres humanos são tal qual o pente, todos os dentes estão nivelados". Por isso, o Islã condena o terrorismo em todas as suas formas, seja na figura de uma pessoa, de grupos ou de um Estado, pois o terrorismo significa a ofensa sobre o direito dos outros, tanto materiais quanto espirituais. C) A PROFECIA.A Profecia é o meio de comunicação entre o ser humano e Deus. É através dele que são reveladas as jurisprudências divinas para o ser humano. Aceitar o profetismo é uma das crenças mais fortes e importantes da religião Islâmica. Crer no profeta Mohammad (S.A.A.S.) é crer em todos os profetas, já que eles foram enviados com a finalidade de ensinar aos seres humanos o que Deus quer deles, o que Ele proibiu e autorizou, por isso o segundo testamento mais importante no Islam é "Testemunhar que Mohammad é o mensageiro e servo de Deus", já que ele é o último dos profetas e mensageiros e é também o resumo de todos eles. Foi ele quem nos revelou o Alcorão Sagrado, este que não foi redigido por ele, mas dito por Deus e revelado ao seu profeta e mensageiro Mohammad (S.A.A.S.) por intermédio do anjo Gabriel durante 23 anos. Mesquita onde se encontra enterrado o Profeta Mohammad (S.A.A.S.) em Medina, Arábia Saudita. D) O IMAMATO. Para que a última mensagem divina revelada pelo concludente dos profetas (S.A.A.S.) continue como foi exposta, foram nomeados e escolhidos, por Deus, dozeImames (líderes espirituais) e sucessores para dar continuidade à função do profeta Mohammad (S.A.A.S.) de divulgar, proteger e ensinar os fundamentos do Islã para a humanidade. O profeta Mohammad (S.A.A.S.) anunciou, sob a ordem de Deus, a vinda destes doze Imames (A.S.) para liderar a Nação Islâmica e para serem protetores e conservadores desta grande mensagem. Ele disse: " Os Imames depois de mim serão doze, o mesmo numero dos apóstolos de Jesus”. A nomeação dos sucessores após sua morte é algo muito relevante e lógico pelo tamanho da importância que o Islã representa na vida do ser humano e para que a Nação e a população não entrem em conflito. O Alcorão Sagrado e o profeta Mohammad (S.A.A.S.) os nomeiam comoAhlul Bait (A.S.), que em português significa "Gente da Casa", ou seja, são seus familiares e seus descendentes (A.S.). O Islã crê que o décimo segundo Imam, chamado de "Al-Mahdi", nascido em 868 está vivo entre nós. Entretanto, está oculto de nossos olhares. Ele está vivo por um milagre divino, da mesma forma que o profeta Noé (A.S.), que viveu por mais de mil anos, e o profeta Jesus Cristo (A.S.), que também vive até agora. O Imam(A.S.) observa todos os acontecimentos do mundo e na sua ausência a liderança pertence aos líderes tementes, sábios, que governam sob o conhecimento e as jurisprudências Islâmicas, que se baseiam nos ensinamentos do Alcorão Sagrado e na Tradição do profeta Mohammad (S.A.A.S.). No final dos tempos, é justo que a verdade seja vitoriosa e a integridade tome conta deste mundo. É isto que a humanidade aguarda e deseja. Com a força de Deus e com a Sua proteção, o Imam Al-Mahdi (A.S.) será o salvador que aparecerá com a ordem de Deus. Junto dele virá o profeta Jesus Cristo (A.S.), que rezará atrás dele. Deus disse no seu livro Sagrado: "Temos prescrito, nos Salmos, depois da Mensagem (dada a Moisés), que a terra, herdá-la-ão os Meus servos virtuosos" (Alcorão Sagrado - 21:105). E) O JUÍZO FINAL. Crer na Ressurreição após a morte, pois Deus fará com que o espírito volte para o corpo, não para viver novamente na Terra, mas para ser julgado e viver eternamente. Assim, Deus nos julgará por nossos atos e nos compensará ou nos castigará. Recompensará os fieis, crentes, obedientes e aos seus seguidores o Paraíso estará reservado. Castigará os infiéis, desobedientes, os injustos e os punirá com o fogo do Inferno. Isto foi pregado pelos profetas e confirmado por todas as mensagens celestiais. É aconselhável, então, ao ser humano, praticar o desejo de Deus, pois assim seguirá ao Paraíso e não ao Inferno, uma vez que todos seremos julgados por nossos atos e atitudes. Depois da morte, o ser humano não se transforma somente em pó e acaba, mas é julgado no Dia do Juízo Final e recompensado ou castigado por todas as suas obras, sejam elas pequenas ou grandes. Deus disse no Alcorão Sagrado: "Quem tiver feito o bem, quer seja do peso de um átomo, vê-lo-á; e quem tiver feito o mal, quer seja do peso de um átomo, vê-lo-á " (99:7-8). Convidamos a todos a seguir o caminho da verdade, o caminho que Deus quer. Assim, saberemos o que agrada a Deus e o que não O agrada, afastando-nos do mal e, consequentemente da ira divina. AS ESPECIFICAÇÕES DO ISLÃ.  A religião conservada e protegida: A Religião Islâmica esteve conservada e protegida de qualquer tipo de modificação e desvios e continuará assim para toda a eternidade. Seus princípios e regulamentos nunca foram modificados, desde o dia de sua revelação e permanecerá assim até o Dia do Juízo Final. Deus, louvado seja, disse no Alcorão Sagrado: "Nós revelamos a Mensagem e somos o seu Preservador" (15:9). Tudo isto atribui força para o Islã prosseguir sua caminhada na vida terrena. A conservação do Alcorão Sagrado. A conservação desta grandiosa mensagem é resultado da conservação dos versículos do Alcorão Sagrado, que há catorze séculos permanece intacto. Este Livro Sagrado contém 114 capítulos e 6.348 versículos que tratam dos mais diversos assuntos: históricos, jurídicos, educacionais, sociais, econômicos, políticos, relativos à crença e tudo que está relacionado a esta vida também. O Alcorão Sagrado foi revelado pelo arcanjo Gabriel ao profeta Mohammad (S.A.A.S.) que, obedecendo a sua função, repassou o conhecimento a toda a humanidade. O Islã não é religião de um povo eleito e muito menos defende este ponto de vista. Todos somos criados por Deus e a Ele retornaremos. O primeiro sucessor do profeta Mohammad (S.A.A.S.), Imam Ali (A.S.), uniu e registrou, de acordo com a revelação, todo o Alcorão Sagrado revelado por Deus ao Profeta Mohammad (S.A.A.S.). A Casa Sagrada de Deus (Caaba). Os muçulmanos rezavam, primeiramente, na direção da Mesquita de Al-Aqsa, localizada na Palestina, na cidade de Al-Qods (também conhecida por Jerusalém). Ela é a primeira Qiblah (ou seja, "Direção") das orações dos muçulmanos e o terceiro templo sagrado para o Islã. Porém, o Profeta Mohammad (S.A.A.S.) estava sendo pressionado pelos judeus pelo fato de os muçulmanos rezarem na direção desta Mesquita. Por isso, um certo dia, Deus, louvado seja, ordenou que o Profeta se direcionasse à Caaba. Isso foi registrado no Alcorão Sagrado: "Vimos-te (ó Mensageiro) orientar o rosto para o céu; portanto, orientar-te-emos até uma Qiblah que te satisfaça. Orienta teu rosto (ao cumprires a oração) para a Sagrada Mesquita (de Meca)! E vós (crentes), onde quer que vos encontreis, orientai vossos rostos até ela. Aqueles que receberam o Livro, bem sabem que isto é a verdade de seu Senhor; e Allah não está desatento a quanto fazem” (2:144). Entre a Sagrada Mesquita daCaaba e a Mesquita de Al-Aqsa ocorreu a viajem noturna do profeta Mohammad (S.A.A.S.). Deus disse no seu Livro Sagrado: "Glorificado seja Aquele que, durante a noite, transportou o seu servo, tirando-o da Sagrada Mesquita (em Meca) e levando-o à Mesquita de Al-Aqsa, cujo recinto bendizemos, para mostrar alguns dos Nossos sinais. Sabei que Ele é o Oni ouvinte, o Onividente" (17:1). Este acontecimento milagroso também foi registrado no Alcorão Sagrado e é chamado de Al-Isra'. Atualmente, todos os muçulmanos do mundo rezam as cinco orações diárias e obrigatórias em direção à Caaba, localizada em Meca, na Arábia Saudita. Esta Casa Sagrada, que foi construída pelo profeta Abraão (Ibrahim) junto com seu filho Ismael (A.S.), é considerada o Templo Sagrado mais antigo da Terra. Nesta Sagrada Mesquita existe a fonte de água chamadaZam-Zam, que surgiu sob os pés do profeta Ismael (A.S.) e existe até agora. Há também na Mesquita o Maqam Ebrahim. "Recinto de Ibrahim" - que representa o local onde o profeta Abraão (A.S.) orava. Como também existe Hejer Ismail - "O Canto de Ismael" - onde o profeta Abraão (A.S.) residia com a sua família. Este é o destino de milhões de peregrinos muçulmanos de todos os continentes, em todos os anos. Deus disse no Alcorão Sagrado: A primeira Casa (Sagrada), erguida para o gênero humano, é a de Bakka (2), bendita seja, servindo de orientação para a humanidade. Encerra sinais evidentes: lá está a Estância de Abraão, e quem quer que nela entre estará em segurança. A peregrinação à Casa é um dever para com Allah, por parte de todos os seres humanos que estejam em condições de empreendê-la, entretanto, quem se negar a isso saiba queAllah pode prescindir de todas as criaturas" (2:96-97). Em uma das quatro colunas de Caaba está engastada a Pedra do Paraíso, Al-Hajar Al-Assuad - "A Pedra Negra". A Caaba foi reconstruída inúmeras vezes, em diferentes épocas, como na época do avô do profeta Mohammad (S.A.A.S.), Qussai ibn Kilab, e também antes de o Profeta receber a Mensagem Islâmica. As reconstruções continuaram e, atualmente, a Mesquita de Caaba suporta mais de um milhão de fieis. Estas ampliações e reformas que atingiram a Mesquita de Caaba incluíram, dentro do seu território, dois montes: Safa e Marwa. Na cidade de Meca e em diferentes regiões próximas existem outros sítios históricos que são considerados sagrados e religiosos e que recebem a visita, em todos os anos, de milhões de fiéis. A religião do diálogo. Islã é a mensagem da mente, da razão e da ciência, do diálogo e do esclarecimento, uma vez que elucida qualquer coisa. No Islã não existe uma pergunta sem resposta e por isso o Islã não aceita a imposição de uma opinião ou teoria sobre outrem. A religião ampla, que contém tudo. O Islã inclui em si todos os campos da vida. Baseia-se no equilíbrio entre diversos setores tanto materiais quanto espirituais. Assim, a Doutrina Islâmica liga a mesquita à universidade, o trabalho à casa, a devoção à política, infiltra-se em diversas áreas, tais como a medicina, a sociologia, a educação, a devoção, a política, a economia, o esporte, os planejamentos do estado, os direitos e deveres, a legislação. A Religião Islâmica é, também, um código de conduta completo e influi em tudo. O Islã é uma religião completa e preenche o vazio que a sociedade e o ser humano possuem no que tange à sua materialidade e espiritualidade. A religião da virtude e da ética. Um dos atributos mais importantes do Islã é sua amplitude moral e ética, sempre presente em nossa política, governo, trabalho, casa, escritório, arte, criatividade, medicina, família, relacionamentos, escola, rua, e em todos os outros campos da vida. Ao mesmo tempo, o Islã nos convida a nos afastar dos maus atributos. A religião da sabedoria e do conhecimento. Os primeiros versículos revelados ao profeta Mohammad (S.A.A.S.) são: "Lê, em nome do teu Senhor que criou; criou o homem de algo que se agarra (coágulo). Lê, que o teu Senhor é o mais Generoso, que ensinou através da pena; Ensinou ao homem o que este não sabia". (96:1-5). Buscar o conhecimento é obrigatório no Islã. Conhecimentos que trazem benefícios à sociedade, que não sejam maléficos e destrutivos. Estes conhecimentos são proibidos e pecado no Islã. Ele nos convida a não seguir cegamente os costumes e a cultura dos antepassados, mas incentiva a meditação, o pensamento e o equilíbrio mental. Pois somente assim não seremos ignorantes e sempre seguiremos a verdade. Ele nos ordena a evoluir nos nossos pensamentos, incentiva a descoberta e o estudo das ciências para que possamos correlacionar o ser humano ao seu Criador. A religião que ilumina os povos. O Islã tem uma grande contribuição em levantar e ensinar as nações fortes que carregam a bandeira da orientação e da verdade. Isso não se limita somente à época e ao lugar de sua revelação. O Islã despertou, ensinou e levantou as nações e os povos do mundo todo, nunca restringindo sua grande civilização. O Islã desenvolveu enormemente a química, medicina, física, matemática, astrologia e outras ciências, divulgando todo este imenso conhecimento para toda humanidade. Deste modo, a Civilização Islâmica foi seguindo até chegar à Europa, fazendo evoluir os povos, orientando-os para o caminho da felicidade. O Islã teve um grande papel na instrução e civilização dos povos. Por isso, proibiu a destruição da alma, do corpo, do organismo, da mente e do espírito humanos, pois proíbe o consumo de qualquer tipo droga, qualquer alimento impura, que contamine a alma e acabe tendo como resultado um ser humano criminoso e não saudável. A religião da vida. A Religião Islâmica não é uma religião baseada somente na devoção, mas está ligada a toda a vida do ser humano, do estado e do Governo. O Islã está ligado a todos os aspectos do ser humano: seja no plano individual, social e político. A religião praticada pelo seu revelador. O Islã foi ponto de partida de todas as atitudes e práticas do profeta Mohammad (S.A.A.S.). Ele se baseou nas leis e jurisprudências islâmicas para fundar um Estado e um Governo Islâmico, que protegesse os oprimidos, injustiçados, pobres e fracos. O Islã é a única religião que transformou seus lemas e palavras em verdades e em matérias tocáveis, que poderiam ser vividas entre os indivíduos. Então, fundou o primeiro governo "Divino" na face da Terra, na cidade de Medina, em Hijaz, no século VII d.C. A religião universal. O Islã não está limitado em sua geografia, na cor, na nacionalidade, no idioma, na raça, no sexo e na idade. Ele inclui qualquer ser humano. Os ensinamentos islâmicos são uma mensagem universal. O Islã é a religião completa, que se baseia no amor e nos pontos em comum entre os seres humanos, respeitando as diferenças por todos nós sermos da mesma criação.O Islã e o respeito à vida. O Islã considera a vida humana sagrada. A ofensa sobre esta vida é considerada uma ofensa sobre a humanidade. O Islã proibiu matar a inocente alma humana - mesmo um bebê recém-nascido ou dentro do útero da mãe (aborto). Como considerou também ferir a si próprio um insulto sobre toda humanidade, porque o ser humano não tem poder sobre si - este poder é de Deus. Por isso, o Islã crê que o assassino permanecerá eternamente no inferno. Deus disse no seu Livro Sagrado, o Alcorão: "Quem matar uma pessoa, sem que esta tenha cometido homicídio ou semeado a corrupção na Terra, será considerado como se tivesse assassinado toda humanidade" (5:32). O Profeta Mohammad (S.A.A.S.) ensinou: "Para Deus acabar com o universo todo é mais fácil do que testemunhar o derramamento de sangue sem justiça". Todo ser humano deve ser respeitado. Qualquer ofensa sobre cor, raça, sexo, situação física ou financeira e idade é considerado pecado e crime no Islã. A religião contínua e eterna. O Islã, por ser a última mensagem monoteísta divina, foi preservada por Deus, permanecendo intacta para todas as épocas e lugares, até o final dos tempos. Esse é o grande milagre do Profeta Mohammad (S.A.A.S.), o Alcorão Sagrado, ao contrário de mensagens anteriores, que revelavam milagres limitados a determinados lugares e a uma dada época. A promessa divina será cumprida em toda a face da Terra quando oImam Al-Mahdi (A.S.) e o profeta Jesus Cristo (A.S.) voltarem e fundarem o Estado e o Governo justo e verdadeiro no mundo todo. http://www.ibeipr.com.br. Abraço. Davi.

 

quarta-feira, 28 de julho de 2021

O PONTO DE VISTA DOS OUTROS

 

Espiritualidade. Texto de N. Sri Ram (1889-1973). O PONTO DE VISTA DOS OUTROS. Esse tema é especialmente pertinente às condições existentes em toda parte atualmente. Podemos ver quanto do problema, entre nação e nação, raça e raça, comunitário, social e pessoal, deve-se à nossa incapacidade de tratar O PONTO DE VISTA DO OUTRO de forma justa. E, frequentemente, quando nos tornamos perceptivos do problema, tratamos com pouca cortesia ou o sujeitamos ao ressentimento e ao desdém. Esta é uma época que se orgulha de direitos e liberdade, mas no exercício da liberdade, tendemos a estabelecer o direito exclusivo e pessoal. Parece pensarmos que o homem tem menos direito a seus PONTO DE VISTA do que a seus pertences mais tangíveis. Não compreendemos que ele não pode deixá-los mesmo se quisesse. Essas observações parecem por demais impetuosas? O espírito a que se referem é por demais comum. A diferença em sua prevalência é apenas de grau. A tolerância não é uma virtude difundida, porque é uma virtude da maturidade, e ainda não deixamos o estágio primitivo muito atrás de nós. A aparência de nossa civilização moderna mal oculta as paixões e instintos que, em outras épocas, tinham livre expressão de maneiras diferentes e talvez menos sofisticadas. O outro homem, cujo PONTO DE VISTA estou discutindo, pode ser um homem ou mulher de outra raça, nacionalidade ou comunidade; pode ser um rival, um empregador ou empregado, um estranho que por acaso entra num compartimento do trem (metro) que você ocupa, alguém que pisa no seu pé na rua, o vizinho barulhento; ou pode até mesmo ser o seu irmão ou amigo. Ele está em toda parte e continua forçando seu PONTO DE VISTA sobre você de todos os lados. A vida em si parece empenhar-se em fazer com que você a entenda. Sendo assim, é uma prática útil nos colocarmos em imaginação na posição do outro e ver como nós próprios sentiríamos em seu lugar. Muitas irritações menores seriam cortadas pela raiz, e muita divergência seria rápida e pacificamente acertada. Se pudéssemos ser um pouco gentis quando buscamos ajustar nossas diferenças, ajudaria muito a lubrificar as engrenagens da vida diária. Devemos lembrar, também, que nosso próprio PONTO DE VISTA não é necessariamente certo. Pode ter raízes no preconceito. Nossa razão, que estamos prontos a afirmar que é infalível, normalmente se move sobre a superfície escorregadia de nossos gestos e aversões, mesmo se evita a ladeira da paixão precipitada. Quando dizemos: Este é o meu PONTO DE VISTA não dissemos a última palavra em sua justificação. Podemos estar meramente assumindo posição no topo da presunção do qual não desejamos ser desalojados, porque, talvez, nos permita desfrutar um senso de superioridade solitária. Nossa inflexibilidade pode de fato não surgir da presunção, mas pode estar baseada num princípio que buscamos defender; isso não assegura que veremos as coisas numa perspectiva correta ou em seu aspecto próprio; vemos os OUTROS através de uma névoa de preconceito, que tem origem em nossas peculiaridades de temperamento, nossa formação ou circunstâncias. Mesmo que nosso princípio esteja certo, a aplicação pode estar errada. O modo como aplicamos o princípio num determinado conjunto de circunstâncias é tanto um teste de retidão quanto o próprio princípio em abstração. É muito raro encontrar uma pessoa que tenha uma visão tão clara que veja cada coisa como ela é, em sua própria objetividade divina. Quando somos feridos, quando sentimos raiva, ou trabalhamos sob condições de estresse emocional é difícil vermos qualquer outro ponto de vista diferente do nosso. Mas, quando as condições normais retornam, geralmente podemos ver que por causa de nossa visão confusa estivemos aquém daquela pessoa em nosso julgamento final ou em nossa ação. Reciprocamente, se pudermos treinar a nós mesmos para considerar cada situação, à medida que surge, do ponto de vista da outra pessoa além do nosso, evitaremos muita emoção desnecessária e as consequências que surgem do julgamento impulsivo. A regra de ouro. "Faz aos OUTROS o que gostarias que fizessem a ti", é para você se pôr no lugar do OUTRO antes de agir. Quando estamos na situação do OUTRO, é bem provável que vejamos como ele vê, e queiramos o que ele queira. UM PONTO DE VISTA pode ser atraente para nós ou repulsivo; mas se é sincero na pessoa com quem temos de lidar, vale a pena nossa consideração. Muitas vezes isso nos torna apreensivos justamente porque é estranho e não estamos acostumados a ele. Mas se nos aproximarmos mais e se o estudarmos, poderemos encontrar por trás dele (tanto quanto do nosso) aquele "toque da Natureza que torna todo o mundo uma família". É tolice implicar com um PONTO DE VISTA sem examiná-lo. Mesmo que ele lance uma sombra sobre nós ou sobre os outros, o único meio eficaz de dissipá-lo é lançar sobre ele a luz de nossa compreensão. Estar entrincheirado no próprio PONTO DE VISTA é ser um prisioneiro. Estamos nesta posição principalmente por causa da falta de imaginação, e não por falta de bondade inata. Ainda somos seres humanos apesar de nossa estupidez, de nossa paixão e do nosso modo errado de pensar. Existe em cada um de nós uma centelha de indelével bondade que, apesar de nossa imersão na vida diária, permanece intocada. A compreensão é algo que pode ser cultivado, e em sua perfeição ela dá o poder de sintonizar, com a mais perfeita exatidão, com as necessidades e circunstâncias dos outros. A experiência de cada um de nós deve ter-nos ensinado que nosso crescimento sempre foi acompanhado pela mudança, que, à medida que galgávamos o lado da montanha, nossas visões mudavam e se alteravam. Sendo assim, não há razão para supor que devamos aferrar-nos aos nossos PONTOS DE VISTAS atuais com uma lealdade que poderia ser dedicada a uma causa melhor. Afinal, para a maioria das questões há dois lados ou mais; vivemos num mundo multidimensional, embora vejamos apenas um pouco de cada vez. Antes que possamos atingir a plenitude de compreensão, parece-me necessário ter experimentado a verdade em princípios aparentemente conflitantes. Socialismo e individualismo, santidade e humanidade, liberdade e disciplina e todos os opostos desse tipo devem encontrar reconciliação numa verdade que transcende, mas que expressa todos eles. O PONTO DE VISTA da OUTRA PESSOA pode desvela-nos profundezas de conhecimento que, de outro modo, estariam ocultas a nós. É desse ponto de vista que ela reage a vida, e suas reações podem expressar qualidades que não possuímos. O PONTO DE VISTA de um gênio pode ser o ponto de concentração de todo um esquema filosófico - o topo, por assim dizer, de um sistema de pensamento abrangente em seu escopo. A verdade pode ser encontrada em muitos desses PONTOS DE VISTA, pois cada um acrescenta  algo à totalidade da verdade, e é suficientemente certo até onde vai. Toda a essência ou semente de uma filosofia jaz, muitas vezes, não tanto em uma ideia que é concreta e limitada, mas em um PONTO DE VISTA que abrange uma perspectiva de pensamento amplo. Às vezes, mesmo um pessoa simplória pode mostrar-nos um valor que em nossa sofisticação elaborada podemos não ter percebido. UM PONTO DE VISTA pode estar baseado numa atitude ou numa opinião. A atitude importa muito mais do que a opinião. Eu me arrisco a pensar que a maioria de nossas opiniões importa comparativamente pouco, porque nelas existe pouco permanência; em qualquer caso, a verdade tem mais valor do que nossas opiniões. Mas a atitude mental com a qual vivemos faz toda a diferença para a felicidade da sociedade e de nós mesmos. Tendo em conta uma atitude de franqueza, podemos ajudar OS OUTROS  e também a NÓS MESMOS. Essa ajuda demanda compreensão, pois sem compreensão nossos melhores esforços para ajudar apenas atrapalharão; eles não podem obter êxito a não ser que estejamos preparados para considerar favoravelmente O PONTO DE VISTA da OUTRA PESSOA. A compreensão da mente dos OUTROS não precisa tornar-nos menos capazes de tomar nossas próprias decisões. Nem uma admissão da verdade do PONTO DE VISTA de OUTRA PESSOA enfraquece a validade do nosso. Tolerância jamais deve significar indiferença ao que é errado, e sim a compreensão de sua causa. O que é preciso é sentir com a pessoa por trás do PONTO DE VISTA; se fizermos isso, poderemos viver plena e alegremente, permitindo que OS OUTROS discordem de nós, não nos importando pelo fato de serem diferentes. Aliviamos a pressão sobre nós mesmos quando deixamos os OUTROS VIVEREM. A era atual tem sido diferentemente descrita segundo o PONTO DE VISTA do qual seu desenvolvimento tem sido visto. Politicamente se acredita que sua característica mais marcante é a evolução da democracia. Embora este princípio tenha esta sujeito, em certos lugares, a graves desafios, ele possui um apelo suficientemente amplo para colorir a perspectiva das pessoas de todas as partes do mundo. Mas a democracia, para que seja bem sucedida, precisa enfrentar certas condições essenciais. Uma delas é que, a cada indivíduo que cumpra seus deveres de cidadania, deve ser garantida a mais plena liberdade compatível com o bem-estar público, viver sua vida segundo suas próprias ideias e fazer sua própria contribuição ao estado. Ele deve não apenas ser respeitado pelo que é em si,mas é necessário que lhe sejam oferecidas oportunidades para desenvolver sua personalidade em todos os estágios; é preciso haver reconhecimento tanto do valor quanto da necessidade de seu estilo de vida e PONTO DE VISTA. Nossa busca deve ser por uma ordem onde o PONTO DE VISTA  de cada pessoa, representando sua experiência, tenha seu lugar na soma total da vida social e nacional. O PONTO DE VISTA de cada pessoa é amplamente o produto de sua experiência, e a vida é tão rica em experiência que ninguém obtém exatamente a mesma porção que seu próximo, seja em qualidade ou quantidade. Se o mundo humano não fosse um mundo de vida, e o problema da harmonia social fosse um problema mecânico, seria impossível encaixar com exatidão as diferentes peças do quebra-cabeça. Mas a vida é composta de seres que reúnem um milhão de células de diferentes tipos em um todo perfeito. A sociologia pode ser uma ciência tão verdadeira quanto a biologia, se começarmos com a admissão dos fatos e fundamentá-la sobre princípios naturais. Para consideração, eu sugiro o axioma de que o sucesso na vida coletiva deve depender da medida da plenitude da vida individual. Temperamento, profissão, relacionamentos, circunstâncias têm relação com o PONTO DE VISTA adotado por um homem ou mulher a qualquer tempo. Todas essas coisas condicionam sua mentalidade. Se tivéssemos o dom de penetrar a mente da outra pessoa e ver como ela vê, estaríamos perceptivos de muitos aspectos da vida ocultos de nós no presente, e assim nos elevaríamos àquele pináculo de onde esses aspectos são percebidos. Infelizmente a maioria de nós se conhece tão pouco, e não conhecemos sequer nossas limitações nem nossas capacidades. Religião e nacionalidade são influências especializantes que criam distinção e também separação. Contudo, os resultados dessa especialização são enriquecimento e diversidade. Deve chegar uma época - na verdade já chegou,  com a derrubada das barreiras materiais - em que haverá a junção dessas diversidades numa unidade. Nos dias de hoje, quando todas as partes do mundo estão unidas, O PONTO DE VISTA DO OUTRO exige mais atenção e respeito do que talvez estivéssemos preparados para dar nos dias menos prementes do passado. A PAZ MUNDIAL em cada um de seus aspectos - físico, mental e moral - e nosso próprio progresso dependem de lhes darmos o lugar que merecem. Livro O Interesse Humano. Abraço. Davi.

terça-feira, 27 de julho de 2021

ENTRE O BEM E O MAL

 

Judaísmo. www.pt.chabad.org. Por Rabi Dov Greenberg. ENTRE O BEM E O MAL. "Vale a pena se apegar a alguns pedaços de terra às custas da paz com nossos vizinhos árabes?" Yaabdol: "Por que os israelenses pensam que são donos do mundo? Ursalam [Jerusalém] é o centro para Alah!" "Desejo fazer algumas doações para as famílias das vítimas israelenses do terrorismo. Para quem posso enviar o cheque?" O premiado Nobel Elie Wiesel (1928-2016) certa vez foi perguntado se o mundo tinha aprendido alguma coisa com o Holocausto. Wiesel respondeu: "Sim – que se pode escapar impune." Se Wiesel estiver certo – e a fúria internacional contra a existência coletiva judaica em Israel nos últimos anos parece confirmar suas palavras – então para os judeus, a lição deve ser exatamente o oposto: jamais permitir que ocorra outro Holocausto. Isso significa antes de mais nada e acima de tudo que Israel deve ser forte no sentido espiritual, moral e militar. Um lar e um poder. Entre 1939 e 1945 o regime nazista, com ajuda de milhões de outros europeus, mataram quase todos os judeus daquele continente. Se na década de 1930 Israel já existisse, um número incontável de judeus poderia ter sido salvo. Eis porquê: A princípio, Adolf Hitler (1889-1945) queria meramente expulsar os judeus; somente mais tarde ele decidiu matá-los. Quando as nações do mundo se reuniram em Evian na França em 1938, plenamente conscientes do perigo que ameaçava os judeus europeus, um país após o outro declarou: Não temos lugar para os judeus. Desde o início da Segunda Guerra, o mundo foi dividido em dois tipos de países: aqueles que expulsaram ou assassinaram judeus, e aqueles que rejeitaram os judeus que tinham sido expulsos ou tinham fugido de algum outro lugar. Se Israel já existisse, teria havido um país disposto a aceitar os refugiados judeus quando os Estados Unidos, Inglaterra e outras nações se recusaram. Um segundo motivo pelo qual a magnitude do Holocausto teria diminuído é que, ao contrário dos Aliados, que com toda a sua potência não conseguiram separar alguns aviões para bombardear os trilhos para Auschwitz e outros campos da morte, Israel o teria feito. Em seu livro Uma Paz Duradoura, Benjamin Netanyahu (1949-  ) colocou isso de maneira simples: "Até que fui a Birkenau, jamais percebi como aquilo tudo era pequeno e mundano. A fábrica da morte poderia ter sido posta fora de ação por uma única bomba. Na verdade os Aliados chegaram a bombardear alvos estratégicos a alguns quilômetros de distância. Se a ordem tivesse sido dada, teria bastado um piloto fazer uma ligeira correção na rota para acabar com a matança. Porém a ordem nunca foi dada." A lição de Entebe. Em 4 de julho de 1946, quarenta e dois sobreviventes do Holocausto que tinham retornado a Kielce, sua aldeia de origem na Polônia, foram assassinados num brutal pogrom pelos seus vizinhos poloneses cristãos. Trinta anos depois, 4 de julho de 1976, mais de cem judeus que estavam para ser mortos em Entebe, Uganda, foram salvos pelo exército israelense numa das missões de resgate mais ousadas da história. Mais que qualquer outra coisa, Entebe demonstrou a importância de uma Força de Defesa Israelense competente. Quando os judeus não têm força militar, são mortos com impunidade. Com forças armadas, pela primeira vez em 2000 anos, judeus que estavam no limiar da morte não precisaram confiar na boa vontade de outros. Quando o Papa Paulo VI (1987-1978) criticou a "violência" de Israel durante uma audiência privada com Golda Meir (1898-1978), ela respondeu: "Você sabe qual é minha lembrança mais antiga? Um pogrom em Kiev. Quando fomos piedosos e quando não tínhamos país e quando éramos fracos, fomos levados para as câmaras de gás."  "Mama!". Ao visitar Israel, um professor amigo meu encontrou um ministro americano que começou a lhe fazer perguntas e comentários hostis sobre Israel, e finalmente perguntou: "O que é que vocês judeus realmente desejam?" Meu amigo respondeu com a seguinte história: Em Stolpce, na Polônia, a 23 de setembro de 1942, o gueto foi cercado por soldados alemães. Fossos haviam sido cavados na aldeia próxima, aonde os judeus seriam levados e fuzilados. Os alemães entraram no gueto, procurando os judeus. Um sobrevivente, Eliezer Melamed, relembrou mais tarde como ele e sua namorada conseguiram entrar num local e se esconder atrás de uns sacos de farinha. Uma mãe com três crianças os seguiram para dentro da casa. A mãe se escondeu num canto e as três crianças no outro. Os alemães entraram e descobriram as crianças. Uma delas, um menino pequeno, começou a gritar: "Mama! Mama!". Enquanto os alemães os arrastavam para fora. Porém outra criança, com apenas quatro anos, gritou para o irmão em yidish: Zog nit Mameh. Men vet ir oich zunemen. ("Não diga Mamãe. Eles a levarão, também."). O menino parou de chorar. A mãe ficou em silêncio. Os filhos foram levados. A mãe foi salva. "Eu sempre escutarei aquilo" – recorda Melamed – "especialmente à noite. 'Zog nit Mameh' – Não diga Mamãe (...). E sempre me lembrarei daquela mãe. Seus filhos foram arrastados pelos alemães. Ela estava batendo a cabeça contra a parede, como se punindo a si mesma por ficar em silêncio, por desejar viver." Após concluir sua história, o professor contou ao ministro: "O que nós judeus queremos realmente? Bem, vou lhe dizer o que eu quero. Tudo que desejo é que nossos netos possam chamar 'Mama' sem medo. Tudo que quero é que o mundo nos deixe em paz." Os judeus detestam guerras. Talvez nenhum outro povo reze tanto e tão fervorosamente pela paz. Mas num mundo impenitente, às vezes precisamos pegar em armas para defendermos a própria vida. Lembre-se! Em seu discurso da posse em janeiro de 1961, o Presidente John F. Kennedy (1917-1963) declarou: "Não ousamos tentá-los [os inimigos dos Estados Unidos] com fraqueza. Pois somente quando nossas armas estiverem além da dúvida, podemos ter certeza de que elas jamais serão usadas." O mesmo se aplica ainda com mais força ao minúsculo Estado Judeu. Israel é a única nação do mundo cuja própria existência é ameaçada por inimigos apoiados por uma maioria nas Nações Unidas. É o único país do mundo que enfrenta tanto ameaças constantes à sua existência quanto críticas por reagir contra estas ameaças. É a única nação no mundo ameaçada por genocídio, cujo propósito não é somente a vitória militar, mas a exterminação. Alguém pode duvidar que haveria um entusiasmo generalizado entre as massas árabes e islâmicas se, o Céu não o permita, o Oriente Médio ficasse livre de judeus? Amos Oz (1939-  ), o novelista israelense, resumiu melhor a realidade da nossa situação atual: "Nos anos 1930, nossos inimigos diziam: 'Os judeus para a Palestina.' Agora eles dizem: Judeus fora da Palestina. Eles não nos querem aqui. Não querem que estejamos lá. Não querem que estejamos em lugar nenhum." O mundo jamais deve se esquecer que um único erro estratégico israelense pode significar não apenas uma derrota militar, mas a aniquilação que o mundo não poderia, mesmo se quisesse, deter. Toda decisão israelense deveria ser considerada contra esta horrenda realidade. Poucos dos críticos de Israel parecem entender a determinação judaica de evitar outro Holocausto, desta vez em seu próprio país. Poucos entendem por que Israel não pode, e não deveria, confiar sua sobrevivência a países que assistiram informalmente enquanto milhões de judeus inocentes foram dizimados. Há nações demais que parecem dispostas a deixar Israel assumir riscos potencialmente fatais em troca de uma paz regional incerta que elas próprias jamais assumiriam. Obviamente, as arenas políticas, militares ou econômicas não são os únicos, ou sequer os mais importantes, fatores a garantir a continuidade judaica. Nossa solene fé em D'us e Sua Torá são o que nos sustentou durante quase quatro milênios. Sem isso, seríamos hoje pouco mais que uma peça de museu, junto com os canaanitas, moabitas e os outros povos do antigo Oriente Próximo que desapareceram. Porém sugerir que não precisamos de forte armamento para garantir a segurança do país é um erro. Um dos dogmas básicos do Judaísmo é que não confiamos em milagres, e que devemos empregar todos os meios naturais para proteger e salvar vidas humanas, ocasionalmente até as nossas. Estamos obrigados pela memória daqueles que morreram simplesmente por serem judeus a aceitar seriamente a perspectiva da vulnerabilidade judaica. Devemos todos tomar parte na defesa de Israel e do povo judeu, seja no campo de batalha físico ou na guerra de palavras e idéias. Honramos as vítimas recordando-as e dizendo: Aquilo pelo qual elas morreram, viveremos para perpetuar – o direito de ser, o direito de os judeus viverem como judeus e serem uma bênção para a humanidade. Para que as crianças judias vivam sem medo, para cultivar o tipo de comunidade que as crianças merecem. Uma comunidade na qual todo judeu, crianças e adultos, tenha a oportunidade de ser exposto à grandeza e majestade da História Judaica, à fascinante percepção e sensibilidade especial do pensamento judaico, à santidade e significado da existência judaica, ao poder e profundidade da Torá e mitsvot. Aqueles que não se lembram, disse Mauro Santayana (1932-  ), estão destinados a repetir. Sem memória, a história humana se torna um CD riscado, repetindo-se interminavelmente. A Bíblia hebraica está repleta de ordens para lembrar. A palavra zachor, lembra-te, ocorre em suas várias formas na Torá, em impressionantes 169 vezes. Consideramos a lembrança como um dever sagrado. Não porque vivemos no passado, mas exatamente porque precisamos aprender com ele se quisermos construir um futuro. Que jamais esqueçamos a Shoah, assegurando que Israel seja forte para sempre. Quem nas futuras gerações nos perdoará se nós, que vivemos no século do Holocausto, não nos erguermos para impedir a morte de judeus inocentes? Vamos invocar o grande imperativo moral da lembrança. E que nosso grito "Nunca Mais" signifique "Nunca Mais". www.pt.chabad.org. Abraço. Davi



domingo, 25 de julho de 2021

O MUNDO DOS ORIXÁS - IBEJI

 

Religião Afrodescendente. Candomble. www.ocandomble.com. O MUNDO DOS ORIXÁS – IBEJI. A missão divina da Mãe Terra (Edan – Onile). Quando a divina e poderosa mãe Edán (Onile Ogboduora) fez sua aparição nesta Terra, ela fez isso com um propósito específico e sagrado. Sua manifestação nesta Terra sinalizou uma nova oportunidade para a humanidade se renovar, progredir e ter uma vida equilibrada. Sua aparição marcou um novo começo para toda a humanidade e não apenas o povo privilegiado dos yorùbá. Seu objetivo e propósito era, e é, de alcance universal. Èdán veio para trazer cura, ordem, harmonia, abrigando preceitos divinos e equilíbrio para as comunidades da Terra em geral e cada ser humano em particular. Você deve se lembrar e ter em mente que Èdán não é um ser humano. Èdán não é yorùbá, chinês, americano, oriental ou ocidental. Èdán é uma personagem divina de habilidades extraordinárias e poderes supra-humanos. Èdán não é deste mundo. Ela vem de um reino glorioso e inconcebível de santidade, beleza e poder. A inteligência, compreensão, força, atratividade e carisma da mãe divina Èdán é extraordinária, penetrante e excepcional. Èdán pode ver a profundidade e a realidade das coisas. Ela não pode ser enganada, manipulada ou subornada, ela não comete erros na administração de sua dispensação (ato de dividir). Ela está além do alcance da influência humana. Ela nunca cairá ou balançará à mesquinhez e a inconstância, que é comum entre a humanidade. Sua visão divina nunca é obstruída e sua atividade não pode ser prejudicada. Sua virtude, caráter, personalidade e carisma são sem igual. Mesmo Ọrúnmìlà reconheceu sua grandeza, eficiência, capacidade e singularidade. Foi, afinal, Ọrúnmìlà quem invocou Èdán, sua amiga e sócia divina para apoio, soluções e alívio! Quando Èdán desceu do reino dos Irunmọlẹ a esta Terra, ela apareceu com a plenitude da autoridade divina, poder e comando. Todos Ajogùn interno, externo e Elénìní fugiram diante dela. Com o poder de sua majestosa personalidade, divinamente atraente, beleza, carisma e àşé ela foi capaz de libertar e entregar os corações e as mentes dos pensamentos negativos, atitudes e energias prejudiciais que oprimiam e dominavam os seres humanos. Èdán foi capaz de desarmar as pessoas de suas preocupações, medos e inseguranças. Para aqueles que faziam, que se deliciavam em fazer o errado, o engano, a opressão e a corrupção ela colocava medo nos seus corações para que talvez eles pudessem mudar suas maneiras sob sua administração do perdão, da ordem, da capacitação e da renovação. Tais era, e é, o poder e a influência da mãe divina Èdán. Juntamente com o inseparável, a importação do ase aos membros sensíveis da humanidade, ela deu preceitos e injunções divinas para seus alunos-discípulos para praticar e implementarem em todos os níveis da sociedade e da vida pessoal. Estes seguidores obedientes e confiáveis ​​de Èdán são os Ogboni porque só existe sabedoria, saúde e longa vida com Èdán se as pessoas obedecerem e praticarem seus preceitos. Do lado de fora uma pessoa constituiria um Ogberi (ignorante) porque aparentemente tinha conhecimento e não praticava a verdade, o que é isso, se não o maior ignorância, infelicidade e loucura. Os princípios divinos de Èdán tornaram-se os veículos de sua divina presença, carisma, poder, apoio e influência-retificando a cura. Ter vivido na época do aparecimento de Èdán sobre esta Terra sagrada foi a experiência mais extraordinária, gratificante e maravilhosa. Isto é, a forma divinamente sancionada, a vida que ela estava revelando à humanidade e continua revelando à humanidade. O teimoso, obstinado e beligerante que não fizer, não vai durar muito tempo sob a administração de Èdán. Èdán é naturalmente amável, justa e compreensiva, como a Sagrada Mãe preciosa e amável que ela é, ela proporcionou a todos o perdão, um novo começo sem referência a erros do passado, uma oportunidade para mudar e a bênção para fazer uso de seu apoio pessoal, garantia, inspiração e poder. Èdán está ciente de nossas fragilidades e fraquezas como seres humanos. Ninguém precisa ter medo por causa de suas fraquezas ou falhas. Èdán não pareceu para fazer-nos ricos e famosos. Èdán apareceu para nos fazer participantes da verdadeira vida, saúde, paz, segurança e prosperidade através da prática de seus ensinamentos claros. Èdán apareceu para nos permitir descobrir a nossa nobre e bela natureza divina. Ela veio para restaurar a dignidade, clareza, transparência, saúde moral e limpeza moral de nossas vidas. Èdán inculca a verdade divina para seus seguidores inteligentes e humildes, quando estamos individual e coletivamente para a direita e para dentro, em seguida, nesta ordem interna, a saúde e a retidão serão reveladas e expressas no mundo. As instruções de Èdán não foram e não são sugestões, mas comandos divinamente concedidos e leis. Eles são vinculativos e obrigatórios para toda a humanidade e especialmente para aqueles que se dedicam a Èdán. Para ser Ogboni significa ser o melhor dos melhores. Significa ser um modelo de impecabilidade, idoneidade e confiabilidade. Para ser Ogboni significa estar pessoalmente convencido a perseguir e fazer o que é certo, correto e adequado independentemente de tempos, lugares e / ou circunstâncias. Para ser Ogboni significa ter auto iniciativa, ser responsável e fazer o que é certo para o bem do amor da verdade e não ser visto, elogiado e aplaudido por outros. Iniciação formal sozinha não faz de você um seguidor de Èdán. O que é importante não é que outras pessoas te chamem de Ogboni, mas que Èdán te reconhece e o aceita como um dos seus verdadeiros, leais e obedientes filhos. O que é importante é que você seja Ogboni 24 horas por dia em seus pensamentos, atitudes, ações e relacionamentos. Ogboni é uma forma global e abrangente de viver. Uma delas é ser Ogboni o tempo todo para que Èdán, ela mesma, possa garantir que você é um Ogboni genuíno, verdadeiro, com honra, humildade, alegria e realização digna. Os ritos de iniciação Ogboni foram desenvolvidos mais tarde por Èdán e seus seguidores, mas, inicialmente, a verdadeira iniciação era uma mudança espiritual de coração, mente e vida como um resultado do encontro com Èdán, sua personalidade, seu caráter, seu carisma, encantamento, inspiração, autoridade e poder, tudo foi expresso e manifestado através de tudo que Èdán fez. Tudo que Èdán fez foi cheio de graciosidade, dignidade e poder. Não foi através de ritos e rituais que Èdán mudou o mundo, mas pela graça divina, pelas maneiras, inteligência e conduta. Èdán por suas maneiras, caráter, personalidade e conduta comandou o respeito, reverência, confiança e obediência de todos aqueles com coração sincero e bom. O verdadeiro símbolo de honra e título de um Ogboni autêntica o caráter, a virtude, a bondade e a imparcialidade que ele pratica. Conformidade exterior e aderência superficial com o protocolo Ogboni para o bem das pessoas não faz de você um Ogboni, não importa o seu título ou o quanto você está velho. Èdán deu seu amor, vida e foco total e dedicação à humanidade. Para ser Ogboni você tem que dar o seu tudo para a missão divina de Èdán e você deve procurar com sua força, habilidade, atividade e meios transferir o conhecimento de Èdán a todos os povos do mundo. Isto é o que é significa ser Ogboni. Ogboni não é uma instituição humana. Ogboni não é um negócio. Ogboni não é um clube. Ogboni é uma vocação divina e sagrada. Èdán era uma revolucionária espiritual, divina, missionária, diplomática e embaixadora da boa vontade e da esperança. Nós também devemos ser isso. Devemos buscar a propagação do Ogbonismo. Não os chamados clubes Ogboni e instituições formais, devemos propagar a verdade e a realidade que Èdán promoveu e instituiu para toda a humanidade. A humildade e o serviço vêm antes da honra, do orgulho, da presunção. Èdán diz que a indiferença precede a queda. Ancestral Pride Temple. Templo Orgulho Ancestral. ORIXÁ IBEJI. Dia: Domingo. Cores: Azul, Rosa e Verde. Elemento: Ar. Domínios: Nascimento e Infância. Símbolos: 2 Bonecos Gémeos, 2 Cabacinhas. Saudação: Bejiróó! Ibeji é o Orixá-Criança, em realidade, duas divindades gémeas infantis, ligadas a todos os orixás e seres humanos. Por serem gémeos, são associados ao princípio da dualidade; por serem crianças, são ligados a tudo que se inicia e nasce: a nascente de um rio, o nascimento dos seres humanos, o germinar das plantas, etc. Ibeji na nação Ketu, ou Vunji nas nações Angola e Congo. É o Orixá Erê, ou seja, o Orixá criança. É a divindade da brincadeira, da alegria; a sua regência está ligada à infância. Ibeji está presente em todos os rituais do Candomblé pois, assim como Exú, se não for bem cuidado pode atrapalhar os trabalhos com as suas brincadeiras infantis, desvirtuando a concentração dos membros de uma Casa de Santo. É o Orixá que rege a alegria, a inocência, a ingenuidade da criança. A sua determinação é tomar conta do bebé até à adolescência, independentemente do Orixá que a criança carrega. Ibeji é tudo o que existe de bom, belo e puro; uma criança pode-nos mostrar o seu sorriso, a sua alegria, a sua felicidade, o seu falar, os seus olhos brilhantes. Na natureza, a beleza do canto dos pássaros, nas evoluções durante o voo das aves, na beleza e perfume das flores. A criança que temos dentro de nós, as recordações da infância. Feche os olhos e lembre-se de um momento feliz, de uma travessura, e você estará a viver ou revivendo uma lenda deste Orixá. Pois tudo aquilo de bom que nos aconteceu na nossa infância, foi regido, gerado e administrado por Ibeji. Portanto, Ibeji já viveu todas as felicidades e travessuras que todos nós, seres humanos, vivemos. A lenda e a história de Ibeji, acontece a cada momento feliz de uma criança. Ao menos para manter vivo este importante Orixá, procure dar felicidade a uma criança. Faça você mesmo o encantamento de Ibeji. É fácil: faça gerar dentro de si a felicidade de estar vivo. Transmita esta felicidade, contagie o seu próximo com ela. Encante Ibeji com a magia do sorriso, com o amor de uma criança. E seja Ibeji, feliz! ORIXA IBEJI. Características dos filhos de Ibeji. Os filhos de Ibeji são pessoas com temperamento infantil, jovialmente inconsequentes; nunca deixam de ter dentro de si a criança que já foram. Costumam ser brincalhões, sorridentes, irrequietos – tudo, enfim, o que se possa associar ao comportamento típico infantil. Muito dependentes nos relacionamentos amorosos e emocionais em geral, podem revelar-se teimosamente obstinados e possessivos. Ao mesmo tempo, a sua leveza perante a vida revela-se no seu eterno rosto de criança e no seu modo ágil de se movimentar, a sua dificuldade em permanecer muito tempo sentado, extravasando energia. Podem apresentar bruscas variações de temperamento, e uma certa tendência a simplificar as coisas, especialmente em termos emocionais, reduzindo, às vezes, o comportamento complexo das pessoas que estão em seu torno a princípios simplistas como “gosta de mim – não gosta de mim”. Isso pode fazer com que se magoem e se decepcionem com alguma facilidade. Ao mesmo tempo, as suas tristezas e sofrimentos tendem a desaparecer com facilidade, sem deixar grandes marcas. Como as crianças, em geral, gostam de estar no meio de muita gente, das atividades desportivas, sociais e das festas. www.ocandomble.com.br. Abraço. Davi