segunda-feira, 7 de junho de 2021

RELACIONAMENTO DO SIGNO DE CAPRICÓRNIO COM OUTROS SIGNOS

 

Astrologia. Zodíaco. www.universa.uol.com.br. Sinastria (1) dos Signos. RELACIONAMENTO DO SIGNO DE CAPRICÓRNIO (22 de dezembro a 20 de janeiro) COM OUTROS SIGNOS.

 

CAPRICÓRNIO E ÁRIES. Há muitos aprendizados em uma relação em que os dois signos são individualistas, autoritários, independentes e até egocêntricos. Áries é impulsivo, espontâneo e enérgico. Já Capricórnio é conservador, estrategista e crítico. Profissionalmente, essa parceria pode ser boa: a capacidade de trabalho, organização e perseverança de Capricórnio combinam à coragem e à energia de Áries, que costuma ser impulsivo. Assim, o pragmático capricorniano irá ajudar o ariano a traçar metas. Sexualmente, há grandes desafios: Áries gosta de inovar e experimentar; Capricórnio é mais fechado, vai aos poucos. Se houver empenho e compromisso, alcançarão o equilíbrio. A personalidade ativa de Áries inspira Capricórnio a não dar margem ao pessimismo, mas o ariano deve demonstrar comprometimento e sinceridade. Áries é um signo de Fogo e seu ritmo é mais rápido; por sua vez, Capricórnio é um signo de Terra, prefere ir devagar. Mas ambos precisam cultivar a tolerância para que a relação seja duradoura. CAPRICÓRNIO E TOURO. São dois signos de Terra, com qualidades e interesses em comum: práticos, conservadores, interessados em conquistas e realizações concretas. Portanto, há potencial para um bom e duradouro relacionamento. Touro e Capricórnio buscam segurança material e econômica. São empreendedores e contam com muita capacidade para o trabalho. Podem também ser sócios em algum empreendimento ou realizarem juntos alguma atividade profissional. No quesito sexual, deve haver investimento e dedicação por parte do capricorniano, porque o taurino tem muita necessidade de carinho. Capricórnio é mais tímido e sério. Mas com a confiança estabelecida e com o passar do tempo, desenvolverão boa cumplicidade sexual. Contudo, Capricórnio é mais crítico, frio, racional, pragmático e exigente. Touro é mais acomodado, sensual, calmo, cauteloso e pacato. É importante lembrar que precisam buscar, além de valores e conquistas materiais, aprendizados mais elevados, filosóficos e espirituais. Caso contrário, ficarão presos à ambição desmedida e ao materialismo, causando insatisfação e vazio interior. CAPRICÓRNIO E GÊMEOS. Temos aqui um encontro de dois signos com qualidades e personalidades díspares. Gêmeos é mental, inquieto, curioso e dispersivo. Capricórnio é pragmático, perseverante, crítico e exigente. Mesmo sexualmente têm gostos diferentes. Capricórnio é mais comprometido e controlado. Gêmeos é mais imediatista. Por isso, é possível que no começo não se entendam muito bem, mas se houver paixão e ambos estiverem abertos, com muita conversa, conseguirão se conectar. O aprendizado é construir a parceria com respeito a essa diversidade. Aliás, com suas diferenças, podem se complementar. Capricórnio com seu senso de estratégia, sua ambição, praticidade e objetividade dará suporte e estabilidade para a criatividade e a originalidade das ideias geminianas. Gêmeos, por sua vez, ensinará ao seu companheiro mais leveza, bom humor e otimismo para que ele não se torne pessimista demais. Em projetos profissionais formam uma boa parceria: são racionais e as trocas intelectuais são muito proveitosas. Juntos podem chegar longe e alcançar o sucesso. CAPRICÓRNIO E CÂNCER. Essa é uma junção entre dois signos opostos e complementares que quase sempre é positiva. Ambos são prudentes, valorizam a segurança e pensam no futuro. A tendência é de um relacionamento duradouro, baseado na confiança e no respeito recíproco. Sexualmente, a intimidade será conquistada aos poucos, pois são reservados e não têm pressa. Contudo, existem forças opostas a serem compreendidas e aceitas: Câncer é instintivo, emotivo, acolhedor, tímido e familiar; Capricórnio é prático, pragmático, racional, realista e determinado. É importante que se aceitem e não entrem em guerra. Capricórnio deve aprender a reservar um pouco mais de tempo para o lar e a família, pois tem tendência para trabalhar demais. Em compensação, Câncer precisa superar seus melindres e suas chantagens emocionais, que são poucos tolerados por Capricórnio, e pode aprender com ele a ser mais ponderado, estratégico e objetivo. De qualquer maneira, Capricórnio encontrará um porto seguro em Câncer, que verá em Capricórnio a segurança, o comprometimento e a proteção que tanto ele valoriza. CAPRICÓRNIO E LEÃO. Uma união que tem tudo para ser muito produtiva, especialmente se, além da vida amorosa, houver colaboração em parcerias de trabalho. A sobriedade, a determinação e a visão estratégica de Capricórnio, combinadas com a confiança, a ambição e energia de Leão podem levar ao sucesso e ao prestígio. Os dois são ambiciosos, almejam projeção e status social. Também possuem qualidades de liderança. Mas há algumas diferenças: Leão (signo do Fogo) é mais exuberante, espontâneo, efusivo, festivo e divertido. Capricórnio (signo de Terra) é mais pragmático, sério, frio e analítico. Leão é orgulhoso, mas o terrestre Capricórnio é ainda mais teimoso e autoritário. Porém, com mais discrição, com menos ostentação. Leão é conquistador; Capricórnio é estruturador e organizador. É importante que ambos cultivem doses de humildade para reconhecerem que não são perfeitos e para não haver competição na relação, nem passem a vida tentando mudar, dominar ou controlar o temperamento do parceiro. A tendência é que o casal cultive admiração mútua. CAPRICÓRNIO E VIRGEM. Essa pode ser uma combinação muito produtiva para os projetos profissionais, os negócios e os investimentos, já que se trata de dois signos de Terra, muito práticos, objetivos, trabalhadores, sérios e compenetrados. Mas a relação afetiva e sexual pode deixar a desejar, a não ser que a dupla conte com outros aspectos favoráveis em seus mapas astrológicos. A união tende a ficar enfadonha e monótona. Além disso, ambos são críticos e exigentes. Porém, é possível que haja uma certa compatibilidade, porque seus desejos são semelhantes, já que não são signos impulsivos, gostam de aprimorar a sintonia aos poucos. É o tipo de união que pode ficar cada vez mais afinada. Virgem estimula o diálogo, o desenvolvimento intelectual os estudos e planejamentos de Capricórnio. Já Capricórnio traz mais estrutura, estratégia, perseverança e determinação para Virgem. Capricórnio costuma ser mais ambicioso, traça metas, planeja cada passo para chegar ao sucesso. Neste sentido, Virgem tende a ser o parceiro ideal, pois é dedicado, trabalhador, mais simples e não cultiva a inveja. CAPRICÓRNIO E LIBRA. Essa união tem potencial para ser longa e duradoura. Libra proporcionando leveza, gentileza e alegria, e Capricórnio contribuindo com estrutura, fidelidade e comprometimento. No início do relacionamento, Libra pode até achar que seu companheiro é antiquado, exigente, formal e cerimonioso. É importante que Capricórnio modere seu pessimismo e seu senso crítico para não cortar as asas do espontâneo libriano. Embora Capricórnio seja teimoso e determinado, tem seu charme, sua elegância, seu senso de humor inteligente e peculiar, além de ser leal, prudente, estratégico e objetivo, qualidades que encantarão o libriano. Ambos compartilham o gosto pelos tratos sociais e ambientes refinados. Libra é um signo de Ar, regido por Vênus, amante dos prazeres, da beleza e da harmonia. Essas características servirão como uma lufada de ar fresco na vida de Capricórnio. Mas conflitos surgirão quando os dois quiserem comandar, cada um à sua maneira. Para superar isso, o diálogo deve prevalecer: Capricórnio respeitando a natureza de Libra, e este valorizando as técnicas pessoais de Capricórnio. CAPRICÓRNIO E ESCORPIÃO. Aqui há um encontro bastante desafiador. Ambos os signos são determinados, estratégicos, leais e dedicados. Escorpião é emotivo, intenso, profundo e impetuoso. Capricórnio é racional, pragmático e objetivo. A compatibilidade sexual tende a ser um problema, já que eles possuem estilos e preferências diferentes. Mas, com tempo e empenho, há chance de encontrem a sintonia e a cumplicidade na relação. Entretanto, é nos projetos profissionais que essa dupla gera mais resultados. São inteligentes, ambiciosos e devem somar sua visão estratégica para conquistar suas metas. É importante que aprendam a ceder, pois os dois são críticos, exigentes e gostam de comandar. A praticidade de Capricórnio ajudará Escorpião a desenvolver seu potencial criativo de forma mais construtiva e estruturada. Por sua vez, Escorpião sentirá confiança para expressar seus sentimentos de forma mais segura. A lealdade é uma característica comum nos dois, por isso podem ser muito felizes juntos, seja nos negócios ou no amor. CAPRICÓRNIO E SAGITÁRIO. Numa união de dois signos com naturezas tão distintas é fundamental que os dois se conheçam e se respeitem para que possam se complementar. Sagitário é extrovertido, alegre, confiante, entusiasmado e aventureiro. Capricórnio é pragmático, objetivo, conservador, tranquilo, sério e reservado, além de valorizar o comprometimento, o que provoca preocupação em Sagitário, isso porque sentirá que sua liberdade corre perigo. O otimismo de Sagitário incomodará o cauteloso capricorniano, enquanto seu pessimismo poderá deprimir o espírito alegre de Sagitário. Mas se houver amor e disposição, é possível que ocorra o contrário: Capricórnio aprendendo grandes lições sobre confiança, fé, bom humor, coragem e expansividade; e Sagitário aprendendo com Capricórnio a ser mais estruturado, determinado, prudente prático e responsável. O sagitariano é, algumas vezes, desorganizado, cômico e engraçado. O capricorniano é sensato e seguro, gosta de saber em que terreno está pisando. Se ambos se comprometerem com os mesmos objetivos é possível que formem uma parceria muito produtiva, inclusive para projetos profissionais, compensando as fraquezas de um com as virtudes do outro. CAPRICÓRNIO E CAPRICÓRNIO. Capricórnio é um signo de Terra: sério, reservado, conservador, objetivo, determinado e pragmático. Um relacionamento entre dois capricornianos tem potencial para se tornar duradouro, pois ambos são fiéis e comprometidos. Sexualmente, podem se mostrar apaixonados. Eles são exigentes, gostam da boa-vida e cultivam o bom gosto. Os encontros tendem a ser marcados em lugares mais requintados. Tudo muito organizado com direto à luz de velas, boa música e um bom vinho. Juntos podem se dedicar a um empreendimento, um projeto profissional, já que são trabalhadores dedicados, estratégicos, ambiciosos e perseverantes. Quando se unem, alcançam grandes objetivos. Os capricornianos são críticos e se for para escolher boa companhia, sem dúvida seria outro capricorniano – eles compreendem suas próprias deficiências e sabem aproveitar suas virtudes. Contudo, a competitividade pode prejudicar a relação, portanto, devem ter cuidado também para não se tornarem céticos, materialistas e frios. De qualquer forma, os capricornianos costumam ser leais e generosos com seus familiares e com seus verdadeiros amigos, que geralmente são poucos. CAPRICÓRNIO E AQUÁRIO. São dois signos com algumas características em comum: são determinados, inteligentes, autênticos, racionais e pensam no futuro. Mas há muitos pontos divergentes: Aquário é inquieto, excêntrico, independente e avesso às regras. Capricórnio é conservador, reservado, pragmático, sério e comprometido. A instabilidade de Aquário pode se chocar com a estabilidade e seriedade do nativo de Capricórnio. O impulso libertário, contestador, inovador e inconformista de Aquário tende a incomodar o capricorniano. Por sua vez, a calma, a frieza, a prudência e o ceticismo de Capricórnio provavelmente bloquearão o espírito revolucionário do aquariano. Na vida sexual essas divergências ficarão mais evidentes: o tom de Capricórnio é mais tradicional; e Aquário gosta de experimentar e ousar. É importante que ambos se conheçam e se respeitem para que possam encontrar um equilíbrio, inclusive em relação ao tempo que dedicam à relação. É possível que o inventivo Aquário traga novas ideias, soluções originais e abra caminho para novas descobertas; e Capricórnio ofereça apoio, estrutura, planejamento e outras qualidades práticas.  CAPRICÓRNIO E PEIXES. Eis dois signos com naturezas muito diferentes, mas que podem se complementar. A combinação do elemento Terra (Capricórnio) com o elemento Água (Peixes) gera bons frutos. Capricórnio fornece apoio, planejamento e estrutura, enquanto Peixes proporciona imaginação, sensibilidade e inspiração. Mas é preciso que conheçam suas qualidades e respeitem seus interesses divergentes. Devem conversar muito para evitar conflitos. Se a parceria se basear apenas na atração física, dificilmente irá durar. O romântico e místico Peixes considera Capricórnio muito frio, cético, sério e pouco comunicativo. Já Capricórnio enxerga em Peixes uma pessoa sentimental, frágil, distraída e sonhadora. Mas há possibilidade de sucesso, se houver comprometimento. Ambos são leais: Peixes, quando se apaixona, é capaz de tudo para agradar a pessoa amada; Capricórnio é sincero, honesto e protetor. Juntos podem fazer com que seus sonhos se tornem realidade. O sensível Peixes sentirá apoio, força e proteção de Capricórnio quando atravessar experiências difíceis. Por sua vez, os capricornianos podem encontrar compaixão, afeto, empatia e fé nos piscianos. www.universa.uol.com.br.

 

Referência: (1). Sinastria – é uma técnica utilizada na astrologia para verificar o grau de compatibilidade numa relação (afetiva, profissional ou familiar) entre duas pessoas. Esse procedimento faz uso do MAPA ASTRAL, recorrendo aos perfis astrológicos de um indivíduo e seu parceiro. Requer encontrar um profissional, caso deseje realizar o método do mapa, recomendado e capacitado na ciência astrológica. Deve ter registro profissional na instituição ou sindicato que regula a prática em sua região ou estado. Abraço.

 

sexta-feira, 4 de junho de 2021

RELACIONAMENTO DO SIGNO DE ÁRIES COM OUTROS SIGNOS

 

Astrologia – Zodíaco. www.universa.uol.com.br. RELACIONAMENTO DO SIGNO DE ÁRIES (21 de março a 19 de abril) COM OUTROS SIGNOS.

 

ÁRIES E ÁRIES. Por serem inquietos, impulsivos, competitivos e exigentes e por gostarem de dar ordens, a relação entre arianos acaba tendo choque de egos. Mas o relacionamento íntimo, recheado de paixão e sexo quente, costuma ser estimulante e desinibido. É uma combinação com uma energia dinâmica e, por serem sinceros, espontâneos e entusiasmados, eles podem, juntos, praticar esportes ou fazer passeios, um incentivando o outro em busca de novas conquistas. Outro desafio desse casal é tomar decisões de forma harmônica. Se conseguirem dialogar, contarão com muita vitalidade e criatividade e terão uma capacidade de liderança forte. A outra face dessa união é que seja puro fogo de palha: muito intensa no início, mas com tendência a esfriar. Ambos precisam ter valores mais elevados para que a relação dure e devem aprender que nem sempre estão com a razão. Precisam estar abertos para ouvir e compreender o outro, além de terem de abrir mão do egoísmo, individualismo, imediatismo e da independência excessiva. ÁRIES E TOURO. Uma relação entre o impulsivo ariano e o conservador taurino, à primeira vista, tem poucas chances de durar. O ariano pode causar ansiedade no taurino; e o taurino tem a capacidade de gerar frustração no ariano. Mas se for amor verdadeiro, há chances. Por ser prático, tranquilo e pacato, o taurino precisa ser motivado e apoiado pelo ariano para sair de sua zona de conforto. Já o ariano tem no taurino um porto seguro para investir em suas conquistas profissionais. É comum que Áries inspire Touro, que, por sua vez, proporciona estabilidade em Áries. Com isso, é possível que a combinação traga bons frutos financeiros e materiais. O desafio é não se tornarem excessivamente materialistas. Sexualmente, a união indica paixão, sensualidade e libido. Porém, Touro costuma ser ciumento, dependente e possessivo e Áries é independente, imprevisível e gosta de autonomia, o que muitas vezes cria conflitos. Mas, se na relação o taurino sentir comprometimento do ariano e o ariano tiver a sensação de ser apoiado, eles poderão atingir a harmonia tão desejada. ÁRIES E GÊMEOS. Uma paixão entre dois signos inquietos e inconstantes tem grandes chances de ser só fogo de palha. Os dois gostam de diversão, novidades e movimento – precisam de estímulos constantes, cumplicidade, lazer e muito diálogo para que a relação não caia na rotina. Gêmeos é espirituoso, comunicativo, curioso e adaptável, o que pode satisfazer as exigências de Áries, que é decidido, impulsivo e espontâneo e que com sua energia desperta a curiosidade de Gêmeos. Essa combinação acaba propiciando conversas interessantes e situações inusitadas. Sexualmente, a parceria é muito criativa e ardente: ambos estão sempre testando novas possibilidades na vida íntima. Mas é provável que haja alterações de humor. O elemento do signo de Áries é o fogo e o de Gêmeos é o ar, ou seja, pura combustão, o que leva a picos de intensidade, mas que depois se apaga. Em função disso, é possível que a relação não se torne tão séria e comprometida. Mas devem cultivar valores mais sólidos e o sincero desejo de constituir uma família, se houver amor verdadeiro. ÁRIES E CÂNCER. Ambos gostam de movimento, novos começos e iniciativas. Mas a natureza do canceriano é emotiva, retraída e intimista. O ariano é mais enérgico, rápido e extrovertido. É comum ter dificuldade na sintonia de ritmo entre os dois. Há alguns cuidados a serem tomados, pois os cancerianos são sensíveis, apegados, com tendência para chantagens emocionais. Os arianos são independentes, não têm muita paciência para discutir a relação. Para uma união mais duradoura, Câncer deve estar aberto para se deixar levar pelo entusiasmo de Áries, que, por sua vez, precisa estar receptivo ao carinho, ao cuidado e ao acolhimento de Câncer. Na vida sexual podem ter um bom entendimento, desde que o canceriano não se torne muito grudento. Nos assuntos profissionais e econômicos, o canceriano deve deixar o ariano tomar as decisões, já que ele gosta de comandar. Por outro lado, o ariano precisa ouvir os conselhos do canceriano, que é mais prudente e comedido. O desafio é encontrar o equilíbrio entre coragem e prudência. ÁRIES E LEÃO. São dois signos de fogo apaixonados, fortes e guerreiros, que gostam de liderar e dominar. A atração física, geralmente, é imediata, e o estímulo despertado na relação pode se dar em vários níveis: físico, emocional, intelectual e espiritual. Mas é comum ter choque de egos, portanto, doses de humildade são necessárias como antídoto. Para que o relacionamento perdure, devem aprender a somar, respeitar, tomar decisões juntos – se conseguirem compartilhar o protagonismo, conseguirão superar as desavenças. Profissionalmente, um tem o poder de incentivar a criatividade do outro: Áries e Leão conseguem se estimular e se apoiar, mas se estiverem dispostos a um complementar as capacidades, talentos e habilidades do outro, superando a competição. Outro cuidado é com a vaidade, pois a franqueza de ambos deve ser adoçada com amor e compaixão para que não ultrapassem os limites. Sexualmente, são grandes as chances de haver química. Uma boa ideia é fazer passeios, aventuras, esportes e tudo o que traga movimento, celebrando a vida juntos. ÁRIES E VIRGEM. Apesar de terem personalidades contrastantes, esses dois signos têm possibilidade de se complementar. Virgem valoriza a praticidade, a utilidade, a segurança material e profissional. Áries gosta de novas iniciativas e fortes emoções. É destemido e confiante. Virgem costuma ser conservador, comprometido, crítico, atento aos detalhes – busca qualidade em todos os níveis. Áries é impulsivo, enérgico e individualista e não gosta de se sentir preso ou entediado. No entanto, se ambos superarem essas diferenças, a parceria poderá ser duradoura. Numa relação profissional, virgem proporciona o raciocínio lógico e o trabalho metódico. Áries contribui com seu instinto para decisões e competitividade. O grande desafio é equilibrar a impulsividade ariana com a capacidade analítica e crítica virginiana. Sexualmente, é importante que busquem se conhecer melhor para que haja compreensão e intimidade. Virgem gosta de se sentir intelectualmente estimulado, enquanto Áries prefere agir de forma impetuosa e apaixonada. ÁRIES E LIBRA. São signos opostos-complementares e isso provoca muita atração. Sexualmente é possível que surja cumplicidade e forte química. Há chances de atração à primeira vista com tendência a se transformar numa grande aventura amorosa. Porém, com a convivência, ambos devem estar dispostos a se adaptar para que a relação seja duradoura. Áries é impulsivo, determinado, individualista e autoritário. Já Libra é ponderado, prudente, gosta de analisar tudo minuciosamente. Na busca de equilíbrio, o libriano não deve se tornar condescendente demais e o ariano não ser mandão e egoísta em excesso. Se superarem isso, as chances de dar certo aumentam. Com um pouco de paciência, Áries pode ver em libra elementos que o fascinam e que trazem equilíbrio para seu temperamento forte, além de aprender a ser mais cordial e diplomático. Libra necessita compreender melhor a natureza impulsiva de Áries e inspirar-se com sua coragem, aprender a ser mais fiel à sua essência, dizer não quando necessário e impor limites quando for preciso. ÁRIES E ESCÓRPIÃO. Ambos são regidos pelo impetuoso planeta Marte, podendo resultar em libido, estímulo e compatibilidade sexual. Escorpião tende a estimular Áries a mergulhar numa relação menos superficial, para que ambos possam ter momentos de mais paixão, intensidade e profundidade. Mas é provável que o relacionamento apresente algumas dificuldades por causa do forte temperamento de cada um. É preciso vontade, comprometimento e amor para que a união funcione sem resultar em competições, conflitos e mágoas. Áries é espontâneo, impulsivo, direto, confiante e extrovertido, mas tem dificuldade para ouvir críticas, além de ser um líder nato. Já Escorpião é misterioso, reticente, introvertido, ciumento e estratégico. Ambos são enérgicos e decididos, portanto, é esperado que aconteçam longas horas de discussões com posteriores trocas tórridas e apaixonadas de afeto. O ritmo de Escorpião é difícil de ser seguido pela maioria dos outros signos, mas Áries possui a energia física e mental necessária para acompanhá-lo. ÁRIES E SAGITÁRIO. São dois signos de fogo: apaixonados, confiantes, amantes de aventuras e da liberdade. Se cultivarem juntos temas mais elevados, filosóficos, espirituais e transcendentais, o relacionamento será frutífero. Devem ter interesses em comum, ao mesmo tempo em que buscam respeitar o espaço e a individualidade do outro. Caso contrário, os conflitos serão inevitáveis. Sexualmente são muito compatíveis. Devem investir na criatividade, cumplicidade e espontaneidade, explorando sempre novas formas de expressar o amor, tanto físico quanto emocional. Mas tem potencial explosivo: Marte e Júpiter, seus planetas regentes, garantem uma energia expansiva para uma relação franca, com boa química e boa comunicação, mas também pode levar a discussões com ataques de ira. Ambos gostam de emoções fortes, neste sentido, foram feitos um para o outro. Sagitário tende a proporcionar a Áries momentos descontraídos e ensiná-lo a ter mais foco; e Áries tem o poder de instigar sagitário a ter mais garra e coragem para suas conquistas. ÁRIES E CAPRICÓRNIO. Há muitos aprendizados em uma relação em que os dois signos são individualistas, autoritários, independentes e até egocêntricos. Áries é impulsivo, espontâneo e enérgico. Já Capricórnio é conservador, estrategista e crítico. Profissionalmente, essa parceria pode ser boa: a capacidade de trabalho, organização e perseverança de Capricórnio combinam à coragem e a energia de áries. Assim, o pragmático capricorniano irá ajudar o ariano a traçar metas. Sexualmente há grandes desafios: Áries gosta de inovar e experimentar; Capricórnio é mais fechado, vai aos poucos. Se houver empenho e compromisso, alcançarão o equilíbrio. A personalidade ativa de Áries inspira Capricórnio, para que ele não dê margem ao pessimismo, mas o ariano deve demonstrar comprometimento e sinceridade. Áries é um signo de fogo e seu ritmo é mais rápido. Capricórnio, por sua vez, é um signo de terra, e prefere ir devagar. Mas ambos precisam cultivar a tolerância para que a relação seja duradoura. ÁRIES E AQUÁRIO. Entre Áries e Aquário a amizade e a cumplicidade predominam. Ambos têm uma característica em comum: o gosto pela independência. O casal tem a possibilidade de desfrutar do presente sem se preocupar muito com o futuro. Aquário tem o potencial de inspirar em Áries seu lado mais humanitário, para que ele se torne menos individualista; já Áries tende a inspirar mais autoestima em Aquário, que por vezes é tímido e coloca os interesses dos outros acima do seu próprio bem-estar. Profissionalmente, Aquário tem mais facilidade para trabalhar em grupo. Já Áries prefere a autonomia. Libido e sensualidade são importantes em um signo regido por Marte, que conta com grande energia e paixão. Aquário aprecia a originalidade, valoriza a troca intelectual, a inteligência e a amizade verdadeira. Sexualmente têm chances de se darem muito bem. Áries é um signo de fogo, Aquário é um signo do ar. Essa química promete combustão, vitalidade e espontaneidade. Podem ser amantes, amigos e aliados. A riqueza de experiências unirá cada vez mais esse casal. ÁRIES E PEIXES. É possível que a atração aconteça à primeira vista entre um ariano e um pisciano. Mas para que a relação seja duradoura, há diferenças marcantes que deverão ser compreendidas e aceitas. Peixes é romântico, sensível e sonhador. Áries é conquistador, espontâneo e impulsivo. Ao se conhecerem, Peixes até acredita que conheceu sua alma gêmea, mas se o ariano for inconsequente e superficial, o pisciano se decepcionará. Peixes representa a área cármica, inconsciente e secreta de Áries. Há tendência para relações proibidas e secretas entre estes signos. Sexualmente, podem se apaixonar e se entender muito bem: os piscianos são sedutores e isso fascina os arianos, que são sensuais e impetuosos. Áries deve ter tato para não ferir a sensibilidade de Peixes com sua sinceridade, ao mesmo tempo em que Peixes precisa demonstrar mais confiança e autoestima, pois o ariano não gosta de demonstrações exageradas de carinho. Por outro lado, o individualista ariano tem a oportunidade de aprender sobre compaixão, tolerância e empatia com o pisciano. www.universa.uol.com.br. Abraço. Davi.

 

quinta-feira, 3 de junho de 2021

A MEDITAÇÃO SOBRE AS REALIDADES DO ALÉM

 

Islamismo. www.arresala.org.br. Por: Ahmed Ismail. A MEDITAÇÃO SOBRE AS REALIDADES DO ALÉM. Em nome de Allah, o Clemente, o Misericordioso. A benção e a paz sobre o Nobre Mensageiro Mohammad e sobre sua purificada linhagem. Diz Allah, O Majestoso, no Alcorão: “É ELE (ALLAH) QUEM VOS DÁ VIDA E ENTÃO VOS FARÁ MORRER E EM SEGUIDA VOS RESTITUIRÁ A VIDA…” (22: 66) Em sua existência o ser humano tem sobre si o decreto de 4 fases: o útero, a vida terrena, a vida no Barzakh (pós-morte) e a vida no akhirah (eternidade). A vida terrena é como um tênue e curtíssimo fio suspenso na eternidade, e nesta limitadíssima extensão de tempo temos a oportunidade preciosa de despertar nossa consciência para a realidade maior, que não conhece limitação de tempo ou espaço, a qual se denomina AKHIRAH (eternidade). ALLAH, Exaltado Seja, dotou o humano das faculdades necessárias para a perfeita compreensão desta realidade. Enviou Profetas e Mensageiros revelando a Ciência Correta (Orientação Divina), para que a humanidade se guiasse sobre a realidade que está além dos sentidos. De fato, sem esta orientação correta, o homem permanece como alguém que esteja confinado num quarto escuro; que não consegue conceber a vastidão e a luz além dos limites das paredes que o cercam. Em tal condição de ignorância, o homem faz do seu quarto “o seu mundo”, concentrando sua atenção e suas expectativas apenas no que está ao alcance dos seus sentidos. Evidencia o Alcorão: “DISTINGUEM SOMENTE A APARENTE VIDA TERRENA; PORÉM ESTÃO ALHEIOS QUANTO A OUTRA VIDA.” (30; 7) Comumente vivemos segundo a interpretação de nossos sentidos e não nos percebemos do quanto isso é superficial. Não obstante, todos sabemos que é inevitável o confronto com uma realidade que transcende toda nossa compreensão: a morte. A perturbadora constatação que o homem é a única criatura que tem consciência de que morrerá cria nele uma constante inquietação. Por mais que se negue a raciocinar sobre sua existência, o homem convive com essa ameaçadora consciência da morte. Assim, desde os tempos mais remotos e em todas as sociedades humanas desenvolveu-se uma filosofia voltada a diversão, ao prazer e a ocupação mental para afastar essa perturbadora realidade. No mundo moderno adotou-se um estilo de vida voltado a satisfação constante dos sentidos e desenvolveu-se todo um conjunto de idéias que visam ocultar ou suavizar a inevitabilidade da morte. Uma curiosa característica que diferencia a sociedade moderna das sociedades tradicionais é que, a reverência e a ritualização da morte que cumpriam um papel de suavizar o sofrimento e estabelecer um laço comunitário, na sociedade moderna e individualista tendem a perder qualquer significado. Em seu dia a dia o homem moderno, ainda que cercado por todos os avanços tecnológicos de sua época confronta-se com a morte à sua volta e então choca-se, atemoriza-se por um instante para logo depois retornar a condição alienante, envolvido em seus planos, negócios, prazeres, viagens, programas de lazer para manhã ou para daqui um ano, como se a possibilidade da morte não existisse até que ele próprio se confronta com o inevitável. Diz o Altíssimo no Alcorão: “NÃO VOS DEMOS UMA VIDA LONGA PARA QUE QUEM DE VÓS QUISESSE REFLETIR PUDESSE FAZÊ-LO?…” (35: 37) Compreendemos que ainda que curta a existência terrena em comparação a eternidade, diante da percepção humana, esta vida constitui tempo perfeitamente hábil para que o homem reflita e busque a orientação divina. Antes que a morte chegue e com ela a trágica constatação da perda das oportunidades proporcionadas pela vida. Consta que o Mensageiro de Allah (saas) tenha dito: “A mais inteligente das pessoas é a que mais recorda sua morte” e também “Recordai a morte! Juro por aquele em cuja mão está minha vida que se soubésseis o que eu sei, certamente teríeis passado menos tempo a rir e mais tempo a chorar”. Diante da realidade maior que se descortina com a morte, o homem lamenta o tempo perdido nas ilusões, rivalidades, no acúmulo de bens e em todas as outras atividades próprias da vida terrena. Evidencia o Alcorão: “(DISSE XAITAN)… JURO QUE OS ALUCINAREI NA TERRA E OS COLOCAREI TODOS NO ERRO; SALVO DENTRE ELES OS TEUS SERVOS SINCEROS.” (15: 39 e 40) Este poder de sedução de Xaitan, abrilhanta para o homem tudo o que o afasta da senda divina, levando-o a se empenhar naquilo que o levará a ruína espiritual no AKHIRA (vida eterna), e a desprezar as ações que resultariam em sua bem-aventurança após a morte física. Entretanto, não há nenhum obstáculo intelectual ou prático entre o homem e a Orientação Divina. Consciência da realidade da morte não significa algum tipo de negação mórbida da vida. É comum ouvirmos o argumento de algumas pessoas carentes de entendimento que, acreditam que “viver” significa somente usufruir sem limites ou restrições e que, qualquer outro modo de pensar seria um cerceamento da liberdade individual. O Islam nos ensina que o usufruir dos benefícios da vida é necessário e que isto não significa transformarmos a existência numa contínua busca de prazer e diversão. A opinião dessas pessoas se baseia num erro fundamental: de que a vida não possui nenhum propósito. O Islam nos orienta a consciência de que a vida possui um alto propósito, e que este propósito pode ser compreendido por aqueles que acatam a Orientação Divina e que em outras palavras, adotam a Mensagem Divina como guia para sua vida. ALLAH promete sua proteção aos que se apegam firmemente a orientação divina e se empenham sinceramente nesta senda, livrando-os das trevas da ignorância e guiando-os para a luz, assim evidencia o ALCORÃO: “ALLAH É O PROTETOR DOS FIÉIS; É QUEM OS RETIRA DAS TREVAS E OS CONDUZ PARA A LUZ; AO CONTRÁRIO, OS INCRÉDULOS, CUJOS PROTETORES SÃO OS SEDUTORES QUE OS ARRASTAM DA LUZ, LEVANDO-OS PARA AS TREVAS, SERÃO CONDENADOS AO INFERNO ONDE PERMANECERÃO ETERNAMENTE.” (2: 257) É esta condição fundamental da vida terrena de oportunidade de escolha que a torna preciosa. A todo momento de nossa vida temos diante de nós a senda correta e os muitos caminhos da perdição espiritual e a despeito de todos os fatores externos a decisão final sobre nossas ações pertence a nós mesmos. Disse o Mensageiro de Allah (saas): “Não há uma só noite em que o anjo da morte não chame os mortos nos túmulos e pergunta-lhes o que lamentam hoje quando vêem vivamente e conhecem o além. Então dizem os mortos: “Nós lamentamos e invejamos os que crêem, que estão nas mesquitas a orar enquanto que nós não, estão a conceder Zakat enquanto nós não, estão a jejuar durante o Ramada enquanto nós não, estão a doar em caridade o que excede as necessidades de suas famílias, enquanto nós não o fazemos”. Este Hadíth demonstra a real escala de valores pela qual nossa vida neste mundo será pesada e é esta escala que se tornará evidente para a pessoa, no momento em que as ilusões materiais chegarem ao fim com a morte física. Imam Ali (as) em um dos seus sermões disse: “Lembrai: vosso hoje pode ser o único tempo que terás para esperar, anelar e trabalhar e depois de hoje pode haver o grande vazio da morte, quem quer que obre durante este período de espera, a morte não lhe causará dano. Lembrai, quem não se beneficia do Din cai presa fácil de Xaitan e quem a orientação não pode conduzi-lo ao caminho reto termina em calamidade e em destruição. Lembrai que está decretado que a vida siga e a vós se aconselha que obreis para o mundo vindouro com pensamentos corretos e obras piedosas”. Portanto, o benefício do Din está ao alcance dos que meditam sobre suas ações, o mundo que o cerca e, sobretudo, quanto as palavras de Allah no Alcorão, luz para a compreensão das questões desse mundo e do além; e esta compreensão é de grande valia para a ação correta e o aperfeiçoamento da fé. Imam Mussa Ibn Jáfar (as) disse: “Quem não se examina e julga a si mesmo a cada dia, não é um dos nossos”. Este princípio moral preserva o homem de muitas das ilusões engendradas por Xaitan e verdadeiramente aquele que JULGA A SI MESMO e que se auto-repreende encontra o caminho para as boas ações. O incremento disso é a compreensão correta da verdadeira escala de valores que devemos adotar em nossa vida. No decorrer de nossa curta passagem neste mundo somos ensinados a adotar os mais diversos padrões e escalas de valores originados das crenças e idéias humanas, alguns dizem-nos que o conforto e a riqueza são os mais elevados valores da vida, outros que a cultura e a erudição representam esses valores, e muitas outras escalas de valores nos são ensinadas. Entretanto poucos de nós questionamos sobre qual seria a escala de valores que ALLAH Exaltado Seja, teria estabelecido quanto a nossa vida e nossas ações. Não obstante a nossa razão nos diga que com a morte nossas escalas de valores também morrem. Mesmo o mais materialista dos homens aceita a verdade de que a morte iguala a todos e anula as distinções forjadas pelo homem. Ainda que a estupidez humana tenha criado diferenças que são carregadas até o túmulo, todos somos forçados a concordar que todas as pretensões e convenções humanas terminam aí. A escala de valores de ALLAH, a qual transcende a morte e vigora na eternidade difere absolutamente de todos os padrões humanos de julgar a vida. Essa escala não exige do homem uma total renúncia da vida material como muitos insensatos preconizam, longe disso, essa escala exige que o homem cumpra suas obrigações mundanas, busque o ganho de vida lícito, que viva neste mundo e que satisfaça suas necessidades lícitas, apenas que não faça de tudo isso o Objetivo último de sua existência, que não tenha o bem estar mundano como uma única e exclusiva meta. O Islam nos ensina que o adotar o bem-estar mundano como objetivo último da existência, negligenciando a Realidade Maior da eternidade é um estado de absoluta ignorância, e aqueles que adotam tal modo de viver e pensar são os que provam o pior destino quando o inevitável os alcança. Evidencia o Alcorão: “AQUELES QUE NÃO CRÊEM NA OUTRA VIDA CONSTITUEM O PIOR EXEMPLO…” (16: 60) “E AQUELES QUE NEGAM O ALÉM TEMOS PREPARADO PARA ELES UM CASTIGO DOLOROSO.” (17:10) O negar a realidade do Akhira não se resume a uma negação formal baseada em descrença, mas sim é a atitude de negligenciar os Preceitos Divinos buscando como meta única da existência o satisfazer nossas próprias paixões, caprichos e desejos, elegendo-os como ídolos para os quais todos os nossos esforços e todo nosso tempo é devotado. Nessa escala divina de valores com a qual nossas vidas e nossas ações serão pesadas, absolutamente nada das pretensões humanas é levada em consideração. Nas fiéis tradições consta que o Mensageiro de ALLAH (saaw) tenha dito: “Quando um homem morre cessam todas suas obras, com exceção de três: a caridade ininterrupta, o conhecimento útil que tenha deixado a outrem ou um bom filho que peça a ALLAH por ele”. Invariavelmente, o ser humano torna-se cativo de suas ações ao fechar os olhos paras este mundo, deixando para trás todas as aparências externas e todas as escalas de valores forjadas pela vaidade humana. Imam Ali (as) disse: “Existem três amigos para um muçulmano. O primeiro amigo é o que diz: estarei contigo, quer você esteja vivo ou morto, este é sua Ação. O segundo amigo é o que diz: eu estarei contigo até a entrada de seu túmulo, então eu o abandonarei, este é seu filho. O terceiro amigo é o que diz: eu estarei com você até a sua morte, e este é a sua riqueza (seus bens), que pertencerão a seus herdeiros quando ele morrer”. Parte Dois. Diz Allah, O Altíssimo, no Alcorão: “SABEI QUE A VIDA TERRENA É SOMENTE JOGO, DIVERSÃO, VAIDADES, MÚTUA VANGLÓRIA E RIVALIDADE REFERENTE A MULTIPLICAÇÃO DOS BENS E DOS FILHOS; É COMO A CHUVA QUE COMPRAZ OS CULTIVADORES POR VIVIFICAR A PLANTAÇÃO, LOGO, COMPLETA-SE SEU CRESCIMENTO E A VERÁS AMARELADA E TRANSFORMADA EM FENO. NA OUTRA VIDA HAVERÁ CASTIGOS SEVEROS, E A INDULGÊNCIA E COMPLACÊNCIA DE ALLAH, QUE É A VIDA TERRENA SENÃO UM PRAZER ILUSÓRIO?” (57: 20) Este versículo sagrado discorre de modo esplêndido e conciso sobre a natureza da vida neste mundo. O versículo se inicia detalhando as atividades nas quais a maioria dos seres humanos gastam seu tempo de vida e sua motivações. Em seguida, declara que tudo isso está incluso em um ciclo efêmero que termina com a morte, e então, apresenta a realidade maior da vida eterna: a punição ou a misericórdia divina. A efemeridade deste ciclo seria por si só um motivo relevante para que o humano meditasse sobre o verdadeiro objetivo de sua existência e revisse sua escala de valores. Um certo número de questões perturbadoras tem sido sistematicamente afastadas da mente do homem: Qual a finalidade de minha existência? Fui criado para trabalhar de sol a sol para juntar coisas que a morte, inevitavelmente tirará de mim? Se o objetivo último de minha vida é comer, beber, dormir, acasalar e procriar porque foi me dada a razão se mesmo um cão não precisa dela para cumprir tudo isso? Estas e outras perguntas do mesmo teor surgem a um homem que tenha desenvolvido alguma sabedoria sobre si mesmo, e a menos que ele as considere seriamente não alcançará nenhum amadurecimento real. Algo que é profundamente perturbador para o homem que tenha sua consciência absorvida neste mundo, é a luta constante pelo acúmulo de bens e a luta ainda maior que segue a primeira pela manutenção do que juntou. A insegurança quanto ao dia de amanhã e o confronto com a realidade de que tudo lhe será tirado pela morte. Imam Assadeq (as) disse: “Aquele que devota seu coração a este mundo estará sujeito a 3 condições: preocupação sem fim, insaciáveis desejos e fútil esperança”. O Din (Religião) a seu turno, dispõe o coração humano ao equilíbrio e ao trato dos assuntos deste e do outro mundo segundo o seu grau de importância. Visa libertar o homem das algemas deste estado de ignorância que o arrasta e o faz viver como um escravo de todas as formas de ilusão até que a morte o alcança. Sobre este estado de inconsciência Imam Ali (as) comentou certa vez: “Quantos miseráveis (dignos de pena) estão com os dias contados, porém, estão laboriosamente buscando os bens (deste mundo)”. O Islam nos alerta quanto à necessidade de reflexão e o esforço no aproveitamento do tempo que temos a nossa disposição. O Mensageiro de Allah (saas) disse: “Aproveitai 5 oportunidades antes de 5 coisas: tua juventude antes de tua velhice, tua saúde antes de tua doença, tua riqueza antes de tua pobreza, teu tempo livre antes de tua ocupação e tua vida antes de tua morte.” De fato, o tempo é o ítem fundamental da existência humana. Lamentavelmente, poucos usam de sabedoria para administrá-lo e terminam por adotar um estilo de vida onde o tempo lhes possui e não o contrário. O Mundo Moderno caracteriza-se por seu mecanismo sutil de arregimentar o tempo. Somos condicionados a sacrificar o nosso tempo em atividades fúteis de tal modo que, a menos que despertemos para a realidade jamais encontraremos o tempo para o esforço espiritual e para a reflexão sobre nós mesmos e sobre o Akhirah (eternidade). O Islam prescreve o caminho do equilíbrio, do bom senso de não negligenciar nem as atividades da vida prática referentes ao ganho da vida e do cuidado com nossos bens e com nossos dependentes, e muito menos negligenciar nossas obrigações com Allah e o esforço pelas recompensas eternas. Imam Assadeq (as) tratou desse ponto dizendo: “O melhor auxílio a outra vida é esta”. E disse também: “Não é um dos nossos aquele que desiste deste mundo em prol do outro e nem o que desiste do outro mundo em prol deste”. Diz Allah no Alcorão: “TODO SER PROVARÁ O SABOR DA MORTE. NÓS VOS EXPERIMENTAMOS COM O MAL E O BEM PARA VOS POR A PROVA E SEREIS TRAZIDOS ATÉ NÓS”. (21: 35) Assim, todas as circunstâncias, alegrias, tristezas, triunfos e fracassos são aspectos desta prova que é sucedida pelo retorno a Allah. O fim de todas as medíocres expectativas desta vida terrena, de todas as rivalidades e vaidades, distinções, ambições e posses é seguido da confrontação consigo mesmo; com a realidade maior que se descortina com a morte, onde todas as máscaras caem e só resta aquilo que somos e fizemos. Ao descrente e ao iníquo esta confrontação é mais dolorosa. Evidencia o Alcorão: “SE PUDESSES VER OS INÍQUOS NA AGONIA DA MORTE QUANDO OS ANJOS COM AS MÃOS ESTENDIDAS LHE DISSEREM: ENTREGAI VOSSAS ALMAS! HOJE, SER-VOS-Á INFLIGIDO O CASTIGO AFRONTOSO POR HAVEREM DITO MENTIRAS ACERCA DE ALLAH E POR HAVERDES SE ENCHIDO DE SOBERBA DIANTE DE SEUS VERSÍCULOS.” (6 : 93) Tanto quanto a vida terrena, no que se refere a sua realidade física é o efeito do que foi concebido na vida intra-uterina, o estado do homem após a morte é o resultado do que tenha realizado na vida terrena. O estado de consciência em que tenha deixado este mundo será o estado em que se encontrará ao adentrar a dimensão do Barzakh (limbo). Diz Allah no Alcorão: “… E ANTE ELES HAVERÁ UMA BARREIRA QUE OS DETERÁ ATÉ O DIA EM QUE FOREM RESSUCITADOS”. (23: 99 e 100) BARZAKH é a denominação desta dimensão intermediária, desta nova realidade que se revela com a morte física. Nesta nova realidade, além dos limites físicos, a natureza e os valores das coisas são inteiramente diversos a este mundo. Nesta dimensão que antecede o Akhirah impera a escuridão e toda luz que pode ser conduzida para lá é a resultante do IMAN (FÉ) e das ações consoantes a ele que o humano realizou neste mundo. Se este Imán (fé) no momento da morte estiver firmemente estabelecido no coração, e se for fundamentado no que Allah revelou (FÉ MONOTEÍSTA) e no conhecimento quanto a profecia (conhecimento do último profeta enviado a humanidade) e baseado em ações dignas e consoantes a Lei Divina, este Imán será a luz de seu portador nas sombras do Barzakh. A intensidade desta luz corresponderá ao grau de consciência e de integridade desta fé. Um sábio dentre os Sufyyah escreveu que existem 5 espécies de escuridão e para cada uma delas há uma luz específica: “A escuridão do amor mundano, a luz para isto é o temor, a PIEDADE (TEMOR A ALLAH), a escuridão do pecado, a luz para isto é o arrependimento, a escuridão do Qabr (túmulo), a luz para isso é o kalima sagrado (axhadu an la iláha illa llah wa axhadu anna Mohammad rasulullah ), o além é escuridão, a luz para ela são as boas ações, o Sirat (ponte sobre o inferno) é escuridão, a luz para ela é o Imán (fé)”. Decerto que um Imán (fé) que não seja forte o bastante para fazer o seu portador estabelecer o Sallah corretamente sem negligenciar o seu tempo correto, cumprir o zakat, consagrar o Jejum de Ramadã, abster-se do ilícito e empenhar-se no bem e na caridade, não será luz suficiente para o momento da morte e a escuridão do além. Mesmo no instante da morte, a força do Imán se manifestará ou não, segundo o modo como foi conduzido no decorrer da vida e certamente uma fé que não tenha sido forte durante a vida neste mundo, não o será também no momento final. De fato, este processo de desenlace depende do grau de consciência adquirido em vida, da qualidade da fé e do estado espiritual da pessoa. A intensidade do sofrimento e da dificuldade no momento da morte é definida por esses fatores. Evidencia o Alcorão: “ELE É O SOBERANO ABSOLUTO SOBRE SEUS SERVOS E ENVIA ANJOS CUSTÓDIOS ATÉ QUE A MORTE CHEGUE A ALGUM DE VÓS, ENTÃO NOSSOS MENSAGEIROS ANGELICAIS RECOLHEM A ALMA, SEM DESCUIDAR-SE DE NADA.” (6: 61) E ainda: “QUANDO ALCANÇA (A ALMA) A GARGANTA E VÓS ENTÃO FICAIS PERPLEXOS A OLHAR E AINDA QUE NÃO NOS VEJAIS, ESTAMOS MAIS PERTO DELE QUE VÓS…” (56: 83 e 84) A alma é retirada pelos anjos e quando o corpo desce ao túmulo inicia-se um interrogatório em que é inquirida sobre ALLAH, O DÍN, O MENSAGEIRO DE ALLAH, O LIVRO (ALCORÃO) E O IMAM DE SUA ÉPOCA. O muçulmano virtuoso que tenha deixado o mundo com uma fé íntegra terá lucidez para responder satisfatoriamente estas questões. O descrente, o que tenha morrido em estado de ignorância, o hipócrita, o muçulmano que tenha cometido pecados graves sem ter se arrependido ou que tenha negligenciado suas obrigações para com ALLAH, se encontrarão em profundo embaraço e não conseguirão responder a estas questões. Deste interrogatório resultará a condição em que a alma se encontrará até o Dia do Juízo, se em paz e bem-aventurança ou em sofrimento, aflição e trevas. QABR (túmulo) é uma denominação genérica, não apenas um lugar físico como em nossa dimensão. Mesmo no caso de um corpo cremado, desaparecido nas águas, despedaçado por feras a alma ocupa um lugar no Barzakh ao qual denominamos Qabr e sua capacidade de compreensão e seus sentidos permanecem. Como uma criança que ao nascer pouco compreende do que está a sua volta, a alma tem um período variável de entorpecimento próprio do processo de transição (o modo como a morte se opera possui considerável influência nesse processo). Nesta dimensão intermediária, o alcance da percepção das almas varia tanto quanto os estados de sono e a natureza dos sonhos do seres humanos nesta vida. Com os sentidos permanecem as sensações de prazer e dor, calma e desespero, calor e frio. Os que deixaram este mundo com um Imán (fé) sincero e correto e deixaram para trás ações condignas, gozarão de serenidade e luz, os que morreram desprovidos de fé ou com uma fé equivocada ou com transgressões graves sofrerão as terríveis aflições do Qabr e serão oprimidos pela escuridão. Estágios de consciência ou estágios de inconsciência espiritual, forte condicionamentos e expectativas na vida física, apegos a idéias ou sensações vividas, elos mentais ou emocionais, presença ou não, no coração espiritual de uma pessoa, de energia espiritual proveniente da oração ou do Dhikr (recordação de Allah), esses e muitos outros elementos determinam o estado em que as almas se encontram nesta dimensão. Evidencia o Alcorão: “ALLAH DARÁ FIRMEZA AOS QUE CRÊEM COM A PALAVRA FIRME, NESTE MUNDO E NA VIDA FUTURA.” (14: 27) Os que crêem e buscam sinceramente obedecer a ALLAH são cobertos pela misericórdia divina e protegidos dos tormentos. Nas tradições atribuídas ao Profeta (saas) consta que o Imán, o Sallah, o Jejum, o Zakat, o Dhikr, a recitação do Alcorão e todas as boas ações do Muçulmano tornam-se seus guardiões no Qabr. Se em linhas gerais, é possível traçar um quadro dessa realidade metafísica, é muito difícil definir com precisão os múltiplos estados possíveis em que os que deixam este mundo se encontram na dimensão do Barzakh. A multiplicidade de fatores que determinam estes estados também não podem ser de todo compreendidos. Tal conhecimento, em muitos de seus aspectos, está além da compreensão comum da grande maioria de nós. O que podemos ter em mente como uma idéia suficientemente adequada é que a realidade metafísica possui uma natureza que foge dos limites que conhecemos do tempo e do espaço, e que as sensações oníricas (os estados de sono e o que conhecemos como sonhos) se assemelham a algo da realidade metafísica existente no Barzakh. Falsas Noções Sobre a Vida após a Morte. As questões até aqui abordadas em todos os tempos suscitaram a inquietação e inumeráveis teorias entre os seres humanos. Muito embora Allah tenha concedido o Conhecimento correto a seus Mensageiros para que orientassem os povos sobre todas as questões da vida humana, a humanidade na maioria das vezes negligenciou a orientação divina e abraçou crenças forjadas e teorias sem fundamento sobre esses temas. Desde o início dos tempos Xaitan e seus seguidores dentre os gênios e os humanos propagaram falsas concepções e crenças que com o decorrer do tempo imprimiram-se fortemente em todas as sociedades, distorcendo mesmo o conhecimento revelado. As principais falsidades propagadas sobre o além foram a teoria da reencarnação e a crença em uma possível comunicação com os mortos; ambas, de origem pagã. A teoria da reencarnação advoga que a alma ao deixar este mundo retorna a ele em outro corpo, tal processo se repetiria sucessivas vezes, o que alguns dos que defendem esta teoria justificam como sendo um processo de evolução da alma. Esta crença tornou-se comum entre os povos antigos à medida que se afastaram do MONOTEÍSMO original e caíram na ignorância espiritual, na idolatria e nas práticas mágicas. Esta teoria se opõe a MENSAGEM DOS PROFETAS (o DÍN), pois todos os mensageiros de Allah e todas as escrituras divinamente reveladas afirmam claramente que: Allah decretou ao homem uma vida terrena, a morte física, a ressurreição no dia do Juízo, o julgamento e o destino eterno (akhirah) seja no paraíso ou no inferno. A teoria da reencarnação por sua vez desmente os profetas de ALLAH, tenta ludibriar o homem quanto a realidade do Akhirah, dando-lhe falsas esperanças e desviando-o da Orientação Divina. Nos últimos 150 anos, os defensores da reencarnação no ocidente têm tentado sem sucesso, provar a veracidade de sua crença se apoiando em pesquisas científicas. O fato, porém, é que nenhum cientista sério jamais corroborou tal teoria, o que alguns tentam justificar como provas de reencarnação é na verdade a constatação de uma outra teoria amplamente aceita pela ciência que é a herança genética. Os avanços das pesquisas sobre herança genética tendem a desmascarar as pretensões dos defensores da reencarnação. Quanto a crença numa possível comunicação com as almas dos mortos, também se originou do ideário pagão nos tempos antigos e incorporou-se a crença popular européia no final do séc. XIX sob o nome de Kardecismo. O fundador deste movimento buscou revestir as antigas práticas pagãs de um caráter cristão, entretanto NEM NAS ESCRITURAS E NEM NOS DIZERES ATRIBUÍDOS A JESUS OU A QUALQUER OUTRO PROFETA É POSSÍVEL ENCONTRAR QUALQUER APOIO A ESSA CRENÇA. Na verdade nenhum dos autênticos mensageiros de ALLAH jamais praticou ou recomendou qualquer prática desse tipo. Mas a questão é: podem os mortos se comunicar com os vivos? No Barzakh, a alma pode ouvir e mesmo ver (se lhe for permitido) tudo o que provém do mundo terreno. Em variados níveis de consciência a alma pode estar ciente do estado em que se encontram seus parentes no mundo físico. Porém, a alma não pode transpor os limites da dimensão em que se encontra. O que explica os inúmeros e corriqueiros fenômenos de suposta comunicação e que tais fenômenos são operados não pelas almas dos mortos, mas sim, pelos gênios a serviço de Xaitan que utilizam este estratagema para ludibriar e manipular os humanos neste mundo. Esses seres fazem uso de seus poderes de mistificação para se fazerem passar por pessoas já falecidas. Nas tradições consta que o Mensageiro de Allah tenha dito: “Todo humano desde o seu nascimento tem a acompanhá-lo um gênio maligno (a serviço de Xaitan) que conhece todos os seus segredos, pois circula nele como o sangue em suas veias”. Com a morte dessa pessoa, Xaitan eventualmente usa desse artifício para iludir e criar falsas esperanças nos demais usando o que conhece acerca do falecido, pois sua missão e objetivo é desviar e forjar falsas crenças sobre o invisível e o Din. Ganhando a confiança dos incautos, ele propaga crenças como a reencarnação, a inexistência do dia do Juízo, do paraíso e do inferno, fazendo com que desmintam Allah e seus profetas. É precisamente esta oposição ao que foi revelado por Allah a seus profetas e mensageiros o objetivo de Xaitan na propagação dessas falsas crenças. Com efeito, ao negar o dia do juízo, a ressurreição e a existência do paraíso e do inferno os que adotam crenças como o espiritismo se tornam descrentes renegando a Verdade revelada trazida por todos os profetas (as). Ademais, a própria razão para uma suposta comunicação entre os vivos e os mortos levanta uma questão: se a verdade e a orientação divina fosse comunicada por esse meio, então afinal, para que Allah teria enviado os profetas e mensageiros para viverem como homens entre os homens, enfrentarem todo o tipo de vicissitudes e perseguições? Decididamente não há como harmonizar a Mensagem revelada aos profetas com a doutrina espírita. Em alguns casos, Xaitan opera curas e previsões para sustentar a autenticidade de tais fenômenos, iludindo multidões. Algumas dessas manifestações nada mais são do que estados alterados da consciência humana (transes) em que o inconsciente individual do médium entra em contato com o inconsciente coletivo (onde estão registradas as impressões mentais e metafísicas). Em nenhum dos dois casos há de fato uma comunicação com as almas dos mortos. Tais fenômenos nada mais são do que a habilidade de Xaitan em iludir o ser humano. Para por fim, induzi-lo a morrer num estado de descrença e ignorância da realidade espiritual. Consequentemente, aquele que deixa este mundo com essas crenças será considerado no mundo vindouro e no dia do juízo como um descrente, um seguidor de Xaitan e como tal, suas obras serão reduzidas a nada e será atirado no inferno. Diz o Altíssimo no Alcorão: “DIZE-LHES: QUEREIS QUE VOS INTEIRE DE QUEM SÃO OS MAIS DESMERECEDORES POR SUAS OBRAS? SÃO AQUELES CUJOS ESFORÇOS SE DESVANECERAM NA VIDA TERRENA, NÃO OBSTANTE CREREM TER PRATICADO O BEM. ESTES SÃO OS QUE RENEGARAM OS VERSÍCULOS DE SEU SENHOR E O COMPARECIMENTO ANTE ELE; ASSIM SUAS OBRAS TORNARAM-SE NULAS E NÃO LHES RECONHECEREMOS MÉRITO ALGUM NO DIA DA RESSURREIÇÃO. SUA MORADA SERÁ O INFERNO POR SUA DESCRENÇA E POR TEREM  ESCARNECIDO MEUS VERSÍCULOS E MEUS MENSAGEIROS”. (18:103 a 106) Palavras Finais. Diz Allah, O Poderoso, no Alcorão: “AQUELES QUE NÃO ESPERAM NOSSO ENCONTRO APRAZEM-SE COM A VIDA TERRENA CONFORMANDO-SE COM ELA E NEGLIGENCIAM NOSSOS VERSÍCULOS”. (10: 7) Dia após dia, convivemos com a morte a nossa volta. Os noticiários, as catástrofes, a perda de nossos parentes, vizinhos e amigos e de fato, pouco ou quase nada meditamos sobre isso. Em nossa escala de valores e prioridades quase sempre a diversão, o trabalho por nossos bens ocupam os primeiros lugares, ainda que o LIVRO DE ALLAH e os exemplos dos profetas (as) e dos Imames (as) sejam evidências de uma realidade que transcende as nossas medíocres expectativas quanto a esta vida. É relatado nos ahadith que o Mensageiro de Allah (saas) tenha dito: “Os sensatos e os nobres são os que mais recordam a morte e estão constantemente a preparar-se para o seu encontro”. Cada novo dia é uma preciosa oportunidade para que nos empenhemos nas boas ações, para que nos examinemos cuidadosamente a fim de rejeitar as más inclinações e nos aproximarmos dos princípios do Din. Queira Allah que este modesto trabalho seja de valia aos muçulmanos e muçulmanas nesse sentido, para que fortaleçam seu din em busca das melhores recompensas nesta vida e na vida futura”. Allahuma Salli Ala Mohammad Wa Ali Mohammad. www.arresala.org.br. Abraço. Davi

quarta-feira, 2 de junho de 2021

COMO FALAR SOBRE RELIGIÃO

 

Espiritualidade. www.oshobrasil.com.br. Texto de Rajneesh Chandra Mohan Jain – Osho (1931-1990). COMO FALAR SOBRE RELIGIÃO. "Eu gostaria de começar com a bela peça de Samuel Beckett, (1906-1989) 'Esperando Godot'. Ela é absurda, como absurda é a vida, mas o verdadeiro absurdo da vida, se compreendido profundamente, torna-se uma indicação para alguma coisa que está além e cheio de significado. E somente o além é cheio de significado: o que está além de você é cheio de significado, o que está além da mente é cheio de significado. 'Esperando Godot' pode ser um grande começo para o Hassidismo, Zen ou Sufismo, uma verdadeira indicação indireta, porque dizer alguma coisa diretamente a respeito de tão íntimo e profundo fenômeno, é violentá-lo. Assim, sejamos cuidadosos, movimentemo-nos devagar, pois o terreno é sagrado. A cortina se levanta: dois vagabundos estão sentados e esperando Godot. Quem é esse Godot? Eles não sabem, ninguém sabe. Mesmo o Samuel Beckett, quando uma vez lhe perguntaram quem era esse Godot, disse, 'Se eu soubesse, teria dito na própria peça'. Ninguém sabe, isso é um gesto Zen. Mas a palavra Godot soa como Deus (God, em inglês), o que é significante. Quem conhece Deus? Quem alguma vez o conheceu? Quem pode dizer, quem pode proclamar: 'Eu conheço'? Toda informação é tolice, e aquele que proclamar que conhece Deus, é simplesmente estúpido. Godot soa como Deus (God), o desconhecido. Ele pode ser tudo, ele pode ser nada. Eles estão esperando Godot.Se eles não conhecem esse Deus, por que eles estão esperando? Porque se você não esperar por alguma coisa, você cairá dentro do vazio mais interno; se você não estiver esperando que alguma coisa aconteça, você terá que encarar o vácuo dentro de você, o nada dentro de você, e isso dá medo, isso é como a morte. Para evitar isso, para escapar disso, a pessoa projeta um sonho no futuro. É assim que o tempo futuro é criado. O futuro não é parte do tempo, ele é parte da mente. O tempo é sempre presente. Ele nunca é passado e nunca é futuro. Ele é sempre agora. A mente cria o futuro, assim a pessoa pode evitar o 'agora', a pessoa pode olhar para frente, para as nuvens, esperar alguma coisa e fingir que alguma coisa está para acontecer e nada acontece. Uma das verdades mais básicas a respeito da vida humana é que jamais coisa alguma acontece. Milhões de coisas parecem acontecer, mas nada jamais acontece. A pessoa segue esperando, esperando, esperando: esperando Godot. Quem é esse Godot? Ninguém sabe. Mas ainda assim, a pessoa tem que projetar um sonho... como evitar o seu próprio vazio interior? No Hassidismo há um ditado: 'O homem é feito de pó e ao pó retornará - do pó para o pó e no meio, uma bebida se acomoda'. Essa bebida é o desejo, a projeção, a ambição, o futuro, a imaginação. De outra maneira, você iria se tornar, de repente, consciente de que você é apenas pó e nada mais. Esperando pelo futuro, aguardando o futuro, o pó tem um sonho ao redor, ele faz parte da glória do sonho, ele ilumina. Através do sonho você sente que você é alguém. E sonhar não custa nada, você pode sonhar. Mendigos podem sonhar que são imperadores, não existe lei alguma contra isso. Para evitar o que é, projeta-se um sonho de tornar-se algo. Aqueles dois vagabundos estão personificando toda a humanidade. O homem é um vagabundo. De onde você veio? Você não é capaz de dizer. Para onde você está indo? Você não é capaz de responder. Onde você está exatamente agora, neste momento? No máximo você pode encolher os ombros. O homem é um vagabundo, um viajante, sem lar no passado, sem lar no futuro, viajante numa viagem contínua, sem fim. Beckett está certo: aqueles dois vagabundos são toda a humanidade. Mas para criar um sonho, um não é suficiente, dois são necessários. Porque um será menos do que é preciso, a ajuda do outro é necessária. Por isso que aqueles que querem se livrar dos sonhos tentam ficar sozinhos, começam a se tornar silenciosos, meditam, vão para o Himalaia. Eles tentam ficar só, porque quando você está só é difícil. Pouco a pouco, de novo e de novo, você vai sendo atirado de volta à sua realidade, não existe apoio, não existe desculpa, por isso o outro é necessário. É por isso que sempre que alguém se apaixona, de repente os sonhos explodem no ser. O outro está ali, agora vocês podem sonhar juntos e vocês podem ajudar um ao outro a evitar a si próprio. É por isso que há tanta necessidade de amor, é uma necessidade de sonho. Só, é muito difícil sonhar. Pouco a pouco o sonho é quebrado e você é atirado à realidade nua, ao vazio. Um amante é necessário, alguém para se agarrar, alguém para olhar, alguém para compartilhar, alguém que vai remendar os furos, que irá trazê-lo para fora de si mesmo, de maneira que você não tenha que encarar a sua realidade nua. A cortina sobe e dois vagabundos estão sentados. Eles estão esperando Godot. Eles não perguntam um ao outro: 'quem afinal é esse Godot?' porque perguntar pode ser perigoso. Eles ambos sabem, lá no fundo, que eles estão esperando ninguém. É perigoso, é arriscado perguntar 'quem é esse Godot?'. O surgimento da própria pergunta será perigoso: o sonho se despedaçará. Eles estão com medo, eles não perguntam. Uma pergunta eles evitam continuamente: 'quem é esse Godot?' e essa é a questão básica, a que deveria ter sido formulada no primeiro momento em que a pessoa se tornasse consciente. Você está esperando Godot. Pergunte: 'quem é esse Godot?' Mas esta questão mexe com eles. Por isso eles conversam sobre muitas outras coisas.  Eles dizem: 'quando ele vai chegar? você tem certeza de que desta vez ele vai cumprir a promessa? Ontem ele nos enganou, anteontem ele não veio e hoje também, a hora prometida já está passando e parece que ele não está vindo'. Eles estão olhando para a estrada repetidas vezes, e a estrada está vazia. Mas eles não formulam a questão básica. Eles nunca perguntam: 'quem é Godot?'. Eles nunca perguntam 'quando ele prometeu a você que viria? Onde você se encontrou com ele? Como você sabe que ele existe?'. Não, eles nunca tocam nessa questões. Essa é a maneira como vivem todas as pessoas no mundo. Elas nunca formulam a questão básica. Ela é arriscada, ela é muito perigosa. A pessoa tem que se esconder, a pessoa tem que fingir que essa questão básica já é conhecida. Lembre-se, a pessoa segue sempre perguntando as perguntas secundárias. Quando vocês vêm a mim, raramente acontece de alguém formular um pergunta primária.... só secundárias. E se eu tentar trazê-los para a pergunta primária, vocês ficam amedrontados. Vocês perguntam coisas fúteis que podem ser respondidas, mas que, mesmo sendo respondidas, não lhes trazem ganho algum, porque elas não são básicas. É como se a sua casa estivesse em chamas e você perguntasse 'quem plantou essas árvores?'. A pergunta pode parecer relevante, ela pode ser respondida, mas qual será o resultado disso? A casa está em chamas, você tem que fazer alguma coisa, e perguntar o que é fundamental. Mas você nunca pergunta. E de novo eles repetem, 'o dia está passando novamente e ele não veio'. E eles ajudam um ao outro, 'ele deve estar chegando, ele talvez esteja atrasado. Existem mil e um imprevistos. Mas ele é um homem em quem você pode confiar, ele é confiável'.  E esse 'ele' é simplesmente vazio. Um dia mais se passou e ele não veio e eles estão furiosos. Eles começam a dizer: 'agora é demais. É demais, e nós vamos embora'. Eles não podem esperar mais, mas eles nunca vão embora. No dia seguinte, de novo eles estão lá, sentados no mesmo lugar, esperando Godot novamente. E ontem eles haviam decidido, eles tinham decidido veementemente que agora eles iriam embora. 'Está acabado. Uma pessoa não pode esperar por alguém por toda a vida. Então, se ele estiver vindo, tudo bem; mas se ele não estiver vindo, também está tudo bem.'Por que eles não vão embora? Eles continuam repetindo que estão indo embora. O problema é: para onde ir? Você pode ir embora, mas, para onde ir? Para qualquer lugar que você for, você estará de novo esperando Godot, a mudança de lugar não irá ajudar. Você pode ir para a Índia, você pode ir para a Inglaterra ou para os Estados Unidos, ou você pode ir para o Japão, mas qual será o resultado? Você estará esperando Godot. Japão, Inglaterra, Índia, dá no mesmo. A mudança de geografia não irá ajudar. É por isso que quando a humanidade está em profundo tumulto, as pessoas se tornam viajantes. Elas vão de um país para outro. Elas estão sempre no movimento de ida, elas estão sempre indo a algum lugar. E elas não estão chegando a lugar algum, mas elas estão sempre indo a algum lugar. Na verdade elas não estão indo a algum lugar, elas estão apenas escapando dos lugares onde elas estão. Se elas estão nos Estados Unidos, elas vão para a Índia, se elas estão na Índia, elas vão para o Japão, se elas estão no Japão, elas vão para o Nepal. Elas não estão indo a lugar algum, elas estão simplesmente tentando escapar do lugar onde elas estão. E em todo lugar elas permanecem as mesmas: nada acontece, porque a geografia nada tem a ver com isso. Aqueles vagabundos, sob certo sentido, são mais verdadeiros e honestos. Eles decidiram com raiva. Eles xingaram e juraram. E disseram: 'Agora é demais! Amanhã cedo nós não estaremos mais aqui esperando Godot. Nós vamos embora! Amanhã novamente o sol nasce e eles estão no mesmo lugar e esperando, e de novo perguntando quando ele chegará. E eles se esqueceram completamente da noite anterior quando eles tinham decidido ir embora (...) mas, para onde ir? Sem lugar para ir. Essa é a segunda verdade básica a respeito da humanidade. A primeira é que nada acontece, jamais. As coisas parecem acontecer, mas você permanece o mesmo. Olhe para o seu ser. Alguma coisa já aconteceu aí? Você era uma criança e sonhava muito, então você se tornou um jovem e você ainda sonhava muito. Então você se tornou um velho e você ainda está sonhando. Você sonhou com riquezas do mundo, agora talvez você esteja sonhando com as riquezas do outro mundo, mas alguma coisa aconteceu com você? E não fique assustado, porque se você ficar assustado, você começará a formular perguntas secundárias. Religião é formular a questão fundamental, a questão verdadeiramente básica. E é muito significante formular a pergunta corajosamente, porque na própria formulação você está chegando próximo ao centro. A segunda verdade: você tem ido, ido e ido de um lugar para outro, de um estado de humor para outro, de um plano para outro, de um nível para outro, mas você não está chegando a lugar algum. Você já chegou a algum lugar? Você pode dizer que você alcançou algum lugar? É sempre uma partida. E nunca acontece uma chegada? Os trens estão sempre partindo, os aviões estão sempre decolando, as pessoas estão prontas na sala de espera. Sempre partindo e nunca chegando a lugar algum. Tudo isso é um absurdo (...) Mas você nunca pergunta. Essas duas perguntas são básicas e a terceira começa então a borbulhar: quem é você? Porque, realmente, não é muito significativo perguntar quem é Godot. Isso é uma criação sua, seus deuses são suas criações.... A verdadeira religião, uma religião autêntica, não pergunta quem é Deus. Ela pergunta 'quem é você?' Eu tenho que descer até a minha fonte básica, somente ali, somente ali está a revelação. Jesus, Buda, ou Baal Shem Tov - eles formulam as perguntas fundamentais. A segunda coisa para compreender a respeito das perguntas fundamentais é que as perguntas fundamentais não têm respostas. A pergunta é a própria resposta. Se você formular a pergunta autenticamente, no próprio perguntar, ela será respondida. Não é que você pergunta 'quem sou eu, quem sou eu, quem sou eu?' e num dia você vem a saber que você é a, b, c, d. Não, você nunca vai chegar a saber a, b, c, d. Pouco a pouco, quanto mais você perguntar, mais fundo chegará. Um dia, de repente, a pergunta desaparece. Você estará de pé, face a face com seu próprio ser, você está aberto para o seu ser. A pergunta terá desaparecido e não haverá resposta. Tenha isso como um critério: se a pergunta puder ser respondida, ela não é fundamental. Se por perguntar, a questão desaparece, ela é fundamental, e nesse próprio desaparecer, você terá chegado. E pela primeira vez, alguma coisa terá acontecido, pela primeira vez, você já não é mais o mesmo. Godot não veio, mas a espera desapareceu. Você não espera, você chegou. E uma vez que você tenha chegado, a qualidade de seu ser será totalmente diferente. Então você pode celebrar (...). Quando uma semente se torna uma flor, existe alegria, existe deleite. Uma vez que você compreenda quem você é, uma vez que você vá fundo em seu vazio, sem medo, uma vez que você aceite a morte interna, e você não tente escapar através de sonhos e projeções, uma vez que você aceite que você é pó e ao pó retornará e que entre esses dois acontecimentos não há nada, só um profundo vazio, você terá chegado ao que Buda chama Nirvana. E isso é o que o Hassidismo chama Deus. Isso não é o seu Godot. (...). Uma vez que você esteja pronto para entrar no vazio, de repente o medo desaparece, a mesma energia se torna celebração. Você pode dançar porque aquilo que parecia ser vazio era uma interpretação da mente, não era vazio. Aquilo era tão cheio que a mente não podia entender aquela imensa dimensão (...). Uma vez que você entre em seu ser mais profundo, a mente não pode entender. Ela é totalmente alheia a essa nova linguagem, ao novo território. Isso é absolutamente desconhecido para ela. A mente não pode ajudar nisso. Ela segue simplesmente vazia. A coisa é demais para ela. A luz é tão brilhante e deslumbrante que a mente segue vazia e em branco. Você fica com medo e escapa, então você cria um falso deus, um Godot (...). Existem religiões de Godots, igrejas, mosteiros, templos. Elas estão organizadas em torno de um credo, organizadas por causa do medo do homem, organizada por causa da mente escapando de seu vazio interior, são doutrinas e dogmas para preencher você. Todas elas são barreiras (...). As religiões comuns são falsos fenômenos. Tenha cuidado com elas. Você pode estudar e, enquanto você estuda, você pode se sentir bem, enquanto você estuda, você pode se esquecer de si mesmo. Você pode entrar em teorias sutis e pode acontecer uma certa curtição intelectual, um deleite intelectual. Você pode participar de rituais e pode haver uma certa intoxicação nisso. Se você repetir um mantra continuamente, você ficará intoxicado, ele está criando um álcool interno através do som. Ou você pode entrar nas drogas. Você mudará a sua química e por poucos momentos você alcançará uma altura que é falsa, que não é uma altura real, porque você não tem alicerces para ela. Foi a química que empurrou você. (...). Eu encontro você na estrada e eu tenho uma lanterna. De repente, você não está mais na escuridão, mas a lanterna é minha. Em breve nós iremos partir, porque o seu caminho é o seu caminho e o meu é o meu. E cada indivíduo tem um caminho individual para alcançar seu destino. Por um momento você esquece toda a escuridão, a minha luz funciona para mim e também para você. Mas em breve o momento chega e nós teremos que partir. Eu sigo o meu caminho e você o seu. Agora, de novo, você terá que ir apalpando na escuridão e a escuridão será ainda mais forte que antes. Assim, não dependa da luz dos outros. É até melhor ir apalpando na escuridão, mas deixe que a escuridão seja sua. A luz de alguma outra pessoa não é boa. Mesmo a própria escuridão de uma pessoa é melhor para ela. Pelo menos é dela mesma, pelo menos ela é a sua realidade. E se você viver em sua própria escuridão, mesmo a escuridão se tornará menos e menos escura. Você será capaz de ir apalpando, você aprenderá a arte de apalpar e não irá cair. Pessoas cegas não caem. Se você tentar andar com os olhos fechados, enfrentará dificuldades. Nem cem passos você conseguirá dar. Mas o homem cego tem andado de toda maneira, a cegueira é dele. Com os olhos fechados você está tomando uma cegueira por empréstimo, ela não é sua. Mesmo a escuridão, sendo da própria pessoa, é boa. Os erros da própria pessoa são melhores que as virtudes de outras pessoas. Lembre-se disso, porque a mente está sempre tentada a imitar, a tomar emprestado. Mas o que é significante não pode ser tomado emprestado. Não, você não pode entrar no reino de Deus com dinheiro emprestado, não tem jeito. Você não pode subornar os guardas, porque não existem guardas, e você não pode entrar pela porta do ladrão, porque não existem portas. Você tem que caminhar e ao caminhar, criar o seu próprio caminho. Caminhos prontos não estão disponíveis. Isso é o que as falsas religiões seguem ensinando as pessoas: 'Venha! Esta é uma superestrada. Seja um cristão e não precisará mais se preocupar. Então nós iremos cuidar de todo o seu fardo. Então nós nos responsabilizaremos.' Jesus disse: 'Seja você mesmo' e o Papa do Vaticano diz: 'Siga o cristianismo'. Todo o cristianismo é contra Cristo, todas as igrejas são contra a religião. Elas são cidadelas de anti-religião e de anti-Cristo, porque aqueles que alcançaram o conhecimento enfatizaram que você deve ser você mesmo. Não existe outra maneira de ser. Tudo o mais é falso, desonesto, não sincero, imitação, feio. A única beleza possível é ser você mesmo, ser você mesmo em tal pureza e inocência que nada de fora, estranho, entre em você. Caminhe em sua própria escuridão, porque caminhando, apalpando, pouco a pouco você irá encontrar a sua própria luz também. Quando você tem a sua própria escuridão, a luz não está muito longe. Quando a noite está escura, a manhã está próxima, quase chegando. Se você se tornar dependente de luz emprestada, você estará perdido. A escuridão nunca é tão perigosa quanto uma luz emprestada. Conhecer é bom, mas o conhecimento não é bom. O conhecer é seu e o conhecimento é dos outros. (...). Para você caminhar não é preciso que o mundo inteiro seja preenchido com luz, basta o seu próprio coração. Uma pequena chama e será o suficiente, porque ela irá iluminar suficientemente o caminho para você caminhar. Ninguém caminha mais do que um passo de cada vez. Uma pequena chama no coração - de consciência, de clareza, de meditação, uma pequena chama e será o bastante. Ela ilumina um pouco seu caminho. Então você dá um passo e então a luz avança mais adiante. Lao Tsé diz: 'caminhando um passo de cada vez, a pessoa pode caminhar dez mil milhas'. E Deus não está lá longe. O Godot está lá longe, você nunca irá alcançá-lo. Você terá que esperar, esperar e esperar. Ele é uma espera. Godot é uma espera infinita, porque ele é simplesmente uma imaginação. Ele não está lá. Ele é como o horizonte, ele aparenta estar (...). Godot é um horizonte, ele é uma espera, ele preenche o seu vazio e engana você. Esse é o único engano. Mas Deus não está longe. Deus está exatamente onde você está, exatamente agora (...). Viver é possível somente neste momento, porque não existe outro momento. E quando eu estou dizendo essas coisas, não comece a pensar a respeito delas, porque pensar é um processo e leva você para o futuro. Ouça-me e entenda - isso não é uma questão de pensar. Eu não estou falando a respeito de alguma hipótese. Eu estou simplesmente falando para vocês um fato. Eu não estou dando a vocês uma doutrina, eu só estou indicando qual é o caso. Você não precisa pensar a respeito disso. Você pode ouvir e se você tiver ouvido bem, atentamente, o entendimento é imediato. Comigo, você irá perder a trilha repetidas vezes, porque essa é a minha luz. Mas, uma vez que você saiba que a luz é possível, você se tornará confiante de que a sua luz também é possível. Se isso acontece com esse homem, por que não com você? Meus ossos são exatamente como os seus, meu sangue, exatamente como o seu, eu sou de carne-e-osso como você. Eu estou tão empoeirado quanto você. Se alguma coisa do além foi possível para esse homem, você pode confiar, não há necessidade de hesitar, você também pode dar o salto. Comigo, nesses dias, enquanto você estiver comigo, eu vou tentar caminhar com você com minha luz. Lembre-se: aproveite isso, mas não dependa disso. Leia o Torah, leia a Bíblia, aproveite pois eles são realmente lindos, mas não dependa. Curta o seu próprio impulso, o seu próprio desejo, dê uma urgência, uma intensidade para chegar, para chegar onde você já está. Isso não irá acontecer em algum outro lugar. Isso está aí, onde você está. A religião não é um objetivo, ela é uma revelação. Religião não é um desejo, ela é realidade. Só um pequeno sintonizar, e eu digo só um pequeno e tudo se torna possível. A vida se torna possível, de outro modo você viverá vazio e esperando. Não seja os vagabundos da peça de Samuel Beckett 'Esperando Godot'. Você já esperou muito. Ponha um fim nisso, agora, e comece a viver. Por que esperar? Quem você está esperando? Quem é afinal esse Godot? Neste momento, toda a existência cruza em você. Neste momento, tudo que está na existência, culmina em você. Neste momento, você é um crescendo. Curta isso. Se você puder entender que você é o objetivo, será muito fácil entender essa história. Ela é pequena, mas muito significante e penetrante. Você é o objetivo, você é o caminho, você é a luz, você é o todo. Esse é o significado quando nós dizemos 'você é sagrado'. Se você veio a mim, lembre-se: deixe-me ser simplesmente um encorajamento, um encorajamento para levar você a si mesmo. Permita-me e ajude-me de tal maneira que eu possa atirá-lo de volta ao seu ser mais profundo. Esse é o significado de um mestre: um mestre ajuda você a ser você mesmo. Eu não tenho qualquer padrão de comportamento para lhe dar, nenhum valor, nenhuma moralidade. Eu tenho apenas liberdade para lhe dar, de modo que você possa florescer, possa se tornar um lotus, uma luz e uma vida eterna." www.oshobrasil.com.br. Abraço. Davi

terça-feira, 1 de junho de 2021

OS QUATRO SELOS DO DHARMA

 

Budismo. www.nossacasa.net. Por Dzongsar Jamyang Khyentse Rinpoche. OS QUATRO SELOS DO DHARMA. O que é o buddhismo em poucas palavras? Muitas vezes já me perguntaram, “O que é o buddhismo em poucas palavras?”, ou “Qual é a visão ou a filosofia que caracteriza o buddhismo?” Infelizmente, no Ocidente, o buddhismo parece ter caído no departamento da religião ou, então, no departamento da autoajuda; claramente no departamento da meditação, um dos modismos do momento. Eu gostaria aqui de contestar a definição de meditação buddhista. Para muitos, meditação é algo que tem a ver com relaxar, assistir ao pôr-do-sol ou acompanhar as ondas do mar. Ideias atraentes como “soltar-se de todos os problemas” e ficar “livre, leve e solto” vêm à mente. Do ponto de vista do buddhismo, meditação é um pouco mais do que isso. Primeiramente, acredito ser necessário falar do contexto clássico em que a meditação aparece no buddhismo, o qual é descrito em termos de visão, meditação e ação. Essa é uma forma bastante hábil de compreender o caminho. Ainda que não empreguemos esses termos em nosso cotidiano, sempre temos alguma visão, meditação e ação. Se pretendermos comprar um carro, escolhemos um que imaginamos será um bom carro. A visão nesse caso é essa ideia ou crença. Meditação, então, seria contemplar essa ideia, admirar suas características e familiarizar-se com ela, ao passo que ação é efetivamente sair e comprar o carro dirigi-lo, usá-lo. Isso não é uma coisa necessariamente buddhista; essa conduta está presente a todo tempo, mesmo quando escolhemos um restaurante para ir jantar. Talvez não chamemos isso de visão, meditação e ação, mas, sim, de “ter uma ideia”, “contemplá-la” e “realizá-la”. Qual seria, então, a visão com a qual os buddhistas buscam se familiarizar? Há quatro selos que distinguem o buddhismo. Na verdade, se encontramos todas essas quatro visões em uma filosofia ou caminho independentemente de ser chamado de buddhista ou não, já que a designação na realidade não tem importância – esse caminho poderá ser considerado o caminho do Buddha. Por isso são chamados Os Quatro Selos do Dharma. Esses Quatro Selos são: Tudo que é composto é impermanente. Todas as emoções são dolorosas. Isso é algo que só os buddhistas dizem. Muitas religiões veneram sentimentos como o amor e o celebram em suas canções. Os buddhistas pensam que “essas coisas são todas sofrimento”. Os fenômenos são desprovidos de uma natureza dotada de existência intrínseca. Aqui temos a visão última do buddhismo. Os outros três selos, na realidade, se assentam neste terceiro. O quarto é o nirvana, ele está além dos extremos. Sem esses quatro selos o caminho buddhista passa a ser teísta, um dogma religioso, e a própria finalidade do buddhismo se perde. Poderia ocorrer uma situação em que uma pessoa louca estivesse dando ensinamentos sobre como ficar sentado numa praia assistindo ao pôr, do sol. Se por acaso esses quatro selos também estivessem presentes, os ensinamentos seriam, necessariamente, buddhistas. Talvez eles desagradem aos tibetanos, chineses ou japoneses, mas não precisam aparecer dentro de um formato tradicional para serem buddhistas. Esses Quatro Selos estão também muito interligados, como veremos. O PRIMEIRO SELO diz que todas as coisas compostas são impermanentes. Não há um único fenômeno que possamos imaginar que não seja composto e, portanto, não esteja sujeito à impermanência. Podemos aceitar facilmente certos aspectos da impermanência, como a mudança do tempo; há, porém outros aspectos, igualmente óbvios, que não aceitamos. Embora nosso corpo seja visivelmente impermanente, envelheça a cada dia, não queremos aceitar isso. Certas revistas populares que vendem a juventude e a beleza exploram essa atitude. Se pensarmos em termos de visão, meditação e ação, a visão de seus leitores poderia ser concebida em termos de não envelhecer, passar adiante do envelhecimento de alguns. Contemplando essa visão de permanência, a ação desses leitores é frequentar academias de ginástica, fazer cirurgia plástica e se meter em todo tipo de complicações. Aos seres sublimes isso pareceria ridículo, baseado em uma visão equivocada. Ao olhar para esses diferentes aspectos da impermanência, como o envelhecimento, a morte, a mudança do tempo, etc., os buddhistas têm uma única coisa a declarar – esse primeiro selo: fenômenos são impermanentes porque são compostos. Tudo que é feito de partes reunidas, cedo ou tarde, irá se dispersar. Quando dizemos “composto”, isso inclui o tempo, o espaço e as dimensões. O tempo é composto e, por isso, impermanente. Sem o passado e o futuro, o presente não existe. Se o momento presente se tornasse permanente, não haveria futuro, pois o presente estaria sempre aqui. Tudo que podemos fazer – por exemplo, plantar uma flor ou cantar uma canção – tem um começo, meio e fim. Se enquanto estivéssemos cantando uma canção faltasse o começo, o meio ou o fim, não haveria como cantar a canção, o que faz desse ato algo composto. Poderíamos, então, nos perguntar, “E daí?” “Por que se preocupar com esse tipo de coisa?” “O que há de tão importante nisso?” “Tem um começo, meio e fim – e daí?” Não é que os buddhistas estejam de fato preocupados com começos, meios e fins. Esse não é o problema aqui. O problema está no fato de que, quando a impermanência está presente, a incerteza e o sofrimento também estão presentes. Algumas pessoas acham que o buddhismo é pessimista, sempre falando de morte, morrer, impermanência, velhice – mas isso não é necessariamente verdade. A impermanência é um alívio! Eu não tenho uma BMW hoje e é graças à impermanência desse fato que eu posso vir a ter uma amanhã. Sem a impermanência eu ficaria preso à não-posse de uma BMW e nunca poderia vir a ter uma. Eu posso estar me sentindo muito deprimido hoje e, graças à impermanência, amanhã eu posso estar me sentindo ótimo. A impermanência não é necessariamente uma má notícia; tudo depende de como a interpretamos e a compreendemos. Mesmo que hoje nossa BMW seja riscada por um vândalo ou que nosso melhor amigo nos deixe na mão, não vamos ficar tão preocupados assim. Quando não reconhecemos que toda coisa composta é impermanente, isso é um engano, uma ilusão. Quando compreendemos isso – e não só intelectualmente – ficamos livres desse engano. É a isso que chamamos de liberação: ficar livre da crença unidirecionada e bitolada de que as coisas são permanentes. Mesmo o caminho, o precioso caminho buddhista, também pertence à esfera do composto, quer gostemos disso ou não. Ele tem um começo, tem um fim, tem um meio. Quando você compreende que todas as coisas compostas são impermanentes e você vive alguma perda, você tem condição de aceitar esse fato. Visto que todas as coisas são impermanentes, esse fato é de se esperar. O SEGUNDO SELO. Todas as emoções são dor. Nós aceitamos que certas emoções, como a raiva ou o ciúme, são dor. Mas o que dizer do amor e do carinho, da bondade e da devoção? O que dizer dessas emoções que são agradáveis, belas, adoráveis? Nós não as encaramos como sendo dor. No entanto, as emoções implicam em dualidade, o que, ao final, cria sofrimento. Emoções como o choro, a dor, a raiva, são na verdade apenas o amadurecimento de emoções mais sutis; surgem no final de um processo. Elas são as menos perigosas e logo se exaurem. A causa é a verdadeira emoção, a mente dualista, e isso inclui quase todos os pensamentos que temos. Por que isso é dor? Porque é equivocado. Toda mente dualista é uma mente equivocada, uma mente que ignora a natureza das coisas. O que é que se entende por dualidade? De um lado, estamos nós; de outro, nossa experiência. Ela é relativa, pois podemos ver que pessoas diferentes percebem o mesmo objeto de diferentes modos. Um homem pode pensar que uma mulher seja bonita, e para ele isso é verdade. Mas se essa verdade fosse independente, então uma outra pessoa também teria que ver essa mesma mulher como bonita. Essa verdade não é independente; depende da mente de cada um, da projeção de cada um. A mente dualista cria muitas expectativas, muito medo, muitas esperanças. Onde quer que a mente dualista exista, existe a esperança, existe o medo. A esperança é uma forma perfeita e sistematizada de sofrimento. Com relação ao medo nenhuma explicação é necessária, mas nossa tendência é pensar que a esperança não é sofrimento. Na verdade, porém, é um grande sofrimento e definitivamente é uma fonte de dor. O Buddha ensinou “conheça o sofrimento”. Essa é a Primeira Nobre Verdade. Muitos de nós tomamos erroneamente o sofrimento pelo prazer. O prazer que tenho hoje é, na verdade, a própria causa da dor que vou estar experimento mais cedo ou mais tarde. Uma outra forma que o buddhismo tem de colocar isso é dizer que, quando uma grande dor fica menor, tomamos isso por prazer. Esse é o período que chamamos de felicidade. Além disso, a emoção é algo que não tem uma existência ntrínseca. Quando uma pessoa que está com sede vê água em uma miragem, tem um sentimento de alívio, “Ah, encontrei água!” Porém, à medida que se aproxima, a qualidade e a percepção desaparecem e, por fim, resta a decepção. Esse é um aspecto bastante importante da definição de emoção, segundo o buddhismo: “Algo que não tem nada em sua essência”. “Algo que não tem existência autônoma” – isso mesmo, existência autônoma. Os buddhistas concluem que todas as emoções são sofrimento porque são dualistas, o que quer dizer que estão envoltas em incerteza e vêm acompanhadas de esperança e medo, não tendo, em última análise, qualquer natureza dotada de existência intrínseca. Então, podemos dizer elas não valem a pena tanto assim. Tudo o que criamos por intermédio das emoções, ao final, é completamente fútil e doloroso. Por essa razão os buddhistas fazem meditação shamatha e vipassana. O benefício que isso nos traz é soltar o laço com o qual as emoções nos prendem, soltar a fixação que temos em relação às emoções. O TERCEIRO SELO. Todos os fenômenos são desprovidos de existência intrínseca. Aqui estamos falando de shunyata, vacuidade. Quando dizemos todos os fenômenos, isso inclui todas as coisas, até mesmo o Buddha, a iluminação ou o caminho. Os buddhistas definem fenômeno como algo que possui características e que seja um objeto percebido por um sujeito. É a ignorância que toma o objeto como algo externo e faz com que ignoremos a verdade daquele fenômeno. A verdade do fenômeno é o que denominamos shunyata, vacuidade, o que dá a entender que ele não possui uma essência que exista verdadeiramente. Quando um sujeito enganado vê um objeto, este é interpretado como algo que existe verdadeiramente. No entanto, a existência que o sujeito imputa ao objeto é uma suposição equivocada que aparece apoiada em diferentes condições. Como no caso de alguém que vê uma miragem, a pessoa não tem diante dos olhos uma miragem dotada de existência verdadeira. Ao falar em vacuidade, o Buddha queria dizer que as coisas de fato não existem como equivocadamente acreditamos que existam, e que as coisas são, em realidade, vazias dessa existência falsamente imputada. Por que acreditam no que é, na realidade, apenas projeções confusas, os seres sencientes sofrem, e para corrigir isso o Buddha ensinou o Dharma. De modo muito simples, podemos nos referir à vacuidade dizendo “a maneira como as coisas aparecem não é como elas realmente são”. Como expliquei ao falar sobre as emoções, quando você olha para um fenômeno como se estivesse olhando para uma miragem, ele desaparece à medida que você se aproxima, ainda que no princípio parecesse real. A vacuidade é, às vezes, denominada dharmakaya e, em um contexto diferente, poderíamos estar descrevendo como o dharmakaya é permanente, imutável, permeia tudo – todas essas palavras poéticas e belas. Essas são palavras místicas que dizem respeito ao caminho. Agora, porém, estamos tratando do terreno, da base, estamos nos esforçando para adquirir uma compreensão intelectual. No caminho é possível retratar o Buddha Vajradhara como um símbolo do dharmakaya ou da vacuidade, mas do ponto de vista acadêmico até mesmo pensar em pintar o dharmakaya é um erro. Pergunta: Se nós próprios somos dualistas, podemos chegar a compreender a vacuidade, que é algo que está além de qualquer descrição? Os buddhistas são muito escorregadios. Você tem razão: não podemos nunca falar da vacuidade absoluta, mas podemos falar de uma “imagem” da vacuidade. Então, você pode avaliá-la, contemplá-la e, por fim, chegar à verdadeira vacuidade. E se você dissesse, “Mas isso é facilitar as coisas demais, isso é uma embromação”, os buddhistas diriam, “Mas é assim que as coisas funcionam”. Se você precisa encontrar alguém com quem nunca tenha estado antes, eu posso descrever essa pessoa para você, mostrar-lhe uma fotografia dela e, com a ajuda dessa imagem, você pode ir e achar a verdadeira pessoa. O caminho, em última instância, é irracional mas, do ponto de vista relativo, é muito racional, pois se casa com as convenções relativas do nosso mundo. Quando estou falando da vacuidade, tudo que estou apresentando é uma “imagem” da vacuidade. Não posso lhe mostrar a verdadeira vacuidade, mas posso lhe contar porque as coisas não são dotadas de existência intrínseca. O Buddha ensinou três caminhos diferentes em três momentos separados, conhecidos como Os Três Giros da Roda. Porém, ele resumiu esses três caminhos em uma única frase: “Mente; não há mente; a mente é luminosa”. Aqui “Mente” se refere ao “primeiro giro da roda”, o primeiro conjunto de ensinamentos. Indica que o Buddha ensinou que há uma “mente”, e isso serve para afastar a visão niilista de nenhum céu, nenhum inferno, nenhuma causa e efeito. Quando ele disse, “Não há mente, isso reflete o ponto de vista de que a mente é apenas um conceito e que não existe algo como uma mente dotada de existência verdadeira. A terceira afirmação, “A mente é luminosa,” aponta para a natureza búddhica, a sabedoria sem equívocos nem ilusões que existe deste o começo. Nagarjuna, um grande comentarista, disse que a finalidade do primeiro giro foi afastar tudo que é não-virtuoso. Quando a não, virtude aparece? Quando você se torna eternalista ou niilista. Portanto, para pôr fim aos atos e pensamentos não virtuosos, o Buddha fez o primeiro sermão. O segundo giro, no qual o Buddha ensinou sobre a vacuidade, foi apresentado para afastar o apego ao eu, bem como o apego aos fenômenos como verdadeiramente existentes. O terceiro giro destinou-se a afastar todos os pontos de vista, todas as visões, até mesmo a visão da ausência do eu. Os três conjuntos de ensinamentos do Buddha não pretendem introduzir algo de novo; sua finalidade é apenas eliminar a confusão. Como buddhistas, praticamos compaixão, mas, se nos falta a compreensão deste terceiro selo, a compaixão pode ser um tiro que sai pela culatra. Se você fica apegado à meta da sua compaixão, ao solucionar um problema é possível que você passe por cima do fato de que a sua idéia de solução está inteiramente baseada na sua interpretação, e você pode acabar vítima da esperança e do medo, vítima da decepção. Você pode se tornar um bom praticante do Mahayana e, uma vez, duas vezes, você tenta ajudar os seres sencientes. Mas, porque lhe falta a compreensão deste terceiro selo, pode ser que você fique cansado de ajudar os seres sencientes. Um outro tipo de problema que também vem da falta de compreensão da vacuidade e que ocorre com buddhistas mais superficiais ou enfastiados, tem a ver com a questão de que, nos círculos buddhistas, se você não aceita a vacuidade, então você não está por dentro. Assim, fingimos que apreciamos a vacuidade e fingimos meditar sobre ela. No entanto, quando não a compreendemos adequadamente, pode surgir um efeito colateral nocivo. Dizemos, “Ah, tudo é vacuidade. Posso fazer tudo o que eu quiser”. Ignoramos e violamos os detalhes do karma, a responsabilidade sobre nossos atos. Você se torna deselegante e também uma fonte que leva os outros a perder inspiração. Sua Santidade o Dalai Lama muitas vezes faz referência a essa falha que é a não-compreensão da vacuidade. A compreensão correta da vacuidade nos leva a ver como as coisas são inter-relacionadas e como temos responsabilidade por nosso mundo. Você pode ler milhões de páginas sobre esse assunto. Só de Nagarjuna você pode ler cinco comentários diferentes que tratam basicamente deste tópico. Há também comentários escritos pelos seguidores de Nagarjuna. Há incontáveis ensinamentos sobre o estabelecimento da visão da vacuidade. Nos templos ou monastérios Mahayana canta-se o Sutra do Coração da Prajnaparamita, que também é um ensinamento sobre o terceiro selo. As filosofias ou religiões podem dizer “as coisas são ilusórias”, “o mundo é maya, ilusão”, mas há sempre uma ou duas coisas que ficam de fora por serem tidas como verdadeiramente existentes – como Deus, a energia cósmica, seja lá o que for. No buddhismo, não é isso que acontece. Tudo no samsara e no nirvana, da cabeça do Buddha até um pedaço de pão, tudo é vacuidade. Não há nada que não esteja incluído na verdade última. Pergunta: No buddhismo há tanta iconografia que parece ser objeto de meditação ou de adoração. No entanto, seu ensinamento parece me conduzir para a compreensão de que tudo isso é inexistente? Quando você vai a um templo, vê muitas belas estátuas, cores e símbolos. Eles são importantes no caminho. Isso é o que chamamos “imagem” da sabedoria, “imagem” da vacuidade. Ainda assim, mesmo enquanto seguimos pelo caminho e aplicamos seus métodos, precisamos saber que o caminho, em última instância, é uma ilusão. O caminho, de modo bastante hábil, coaduna-se com a nossa mente habitual e, ainda assim, tem o potencial de, ao final, despertá-la. O QUARTO SELO. Com a explicação dada sobre a vacuidade acho que de algum modo já descobrimos que o nirvana está além dos extremos. Esse último selo também é um ponto de vista único ao buddhismo. Em muitas filosofias ou religiões a meta final é alguma coisa na qual podemos nos firmar, a qual podemos conservar: “a meta final é a única coisa verdadeira que existe”. No buddhismo, porém, a meta não é fabricada; por isso não pode ser guardada. Por isso dizemos: ela está “além dos extremos”. Talvez imaginemos que, de algum modo, poderíamos ir para um lugar onde houvesse um sofá melhor, um chuveiro melhor, uma rede de esgotos melhor, algum tipo de nirvana onde você não precisa nem mesmo de controle remoto, onde todas as coisas aparecem no momento em que você pensa nelas. No entanto, como disse antes, nós não introduzimos alguma coisa que não estava presente antes. A meta é alcançada quando removemos o que havia de artificial e obscurecedor. Não ficamos apegados a uma verdade última dotada de existência real, a um nirvana que realmente existe. Quer você seja um monge ou monja que tenha renunciado à vida mundana, quer seja um yogi que pratique métodos tântricos profundos, quando você busca abandonar ou transformar o apego às suas próprias experiências, se você não tem familiaridade com esses quatro selos você estará encarando suas experiências como manifestação de alguma coisa má, satânica, ruim. Isso quer dizer que você estará longe da verdade. Todo o buddhismo tem por objetivo levar à compreensão da verdade. Se houvesse alguma permanência verdadeira nas coisas compostas, se houvesse prazer verdadeiro nas emoções, o Buddha teria sido o primeiro a recomendá-las, dizendo: “Por favor, guardem e prezem essas coisas”, porque o que ele queria, em sua grande compaixão, era que tivéssemos o que é verdadeiro, real. Quando você tiver uma clara compreensão desses quatro selos como a base da sua prática, você se sentirá confortável, independentemente das experiências que surgirem. Desde que você mantenha esses quatro selos como a sua visão, nada pode sair errado. A pessoa que mantém esses quatro selos no coração ou na mente, a pessoa que os contempla, é buddhista. Ainda que não ostente o rótulo de buddhista, ela será uma seguidora do Buddha. www.nossacasa.net. Abraço. Davi