quarta-feira, 29 de julho de 2020

SANTA MISSA NA SOLENIDADE DO CORPO SANTO E DO SANGUE DE CRISTO


Catolicismo. www.vantican.va. SANTA MISSA NA SOLENIDADE DO CORPO SANTO E DO SANGUE DE CRISTO. Homilia do Santo Padre Francisco. Basílica de São Pedro – Altar da Presidência. Domingo, 14 de junho de 2020. "Lembra-te de todo o caminho que o Senhor teu Deus te fez seguir" (Deuteronômio 8,2). Lembre - se: com este convite de Moisés, a Palavra de Deus foi aberta hoje, e pouco depois Moisés reiterou: "Não se esqueça do Senhor, seu Deus" (cf. v. 14). As escrituras nos foram dadas para superar o esquecimento de Deus, e quão importante é lembrá-lo quando oramos! Como ensina o Salmo, que diz: "Lembro-me das maravilhas do Senhor, lembro-me das tuas maravilhas" (77,12). Até as maravilhas e maravilhas que o Senhor fez em nossas próprias vidas. É essencial lembrar o bem recebido: sem lembrar, tornamo-nos estranhos para nós mesmos, "transeuntes" da existência; sem memória, arrancamo-nos do solo que nos nutre e nos deixamos levar como folhas pelo vento. Por outro lado, lembrar é voltar aos laços mais fortes, sentir-se parte de uma história, respirar com um povo. A memória não é uma coisa privada, é o caminho que nos une a Deus e aos outros. É por isso que na Bíblia a memória do Senhor deve ser passada de geração em geração, deve ser contada de pai para filho, como uma bela passagem diz: «Quando, no futuro, seu filho lhe perguntar:“ O que essas instruções significam [...] que o Senhor, nosso Deus, ele te deu? ", você responderá a seu filho:" Nós éramos escravos [...] - toda a história da escravidão - e o Senhor operou sinais e maravilhas diante de nossos olhos "» (Deuteronômio 6,20-22). Você vai dar memória ao seu filho. Mas há um problema: se a cadeia de transmissão de memórias é interrompida? E então, como podemos lembrar o que ouvimos apenas sem ter experimentado? Deus sabe o quão difícil é, ele sabe o quão frágil é a nossa memória e, para nós, ele realizou uma coisa inédita: ele nos deixou um memorial . Ele não nos deixou palavras, porque é fácil esquecer o que você ouve. Ele não nos deixou apenas as Escrituras, porque é fácil esquecer o que lemos. Ele não nos deixou apenas sinais, porque também podemos esquecer o que vemos. Ele nos deu uma comida, e é difícil esquecer um sabor. Ele nos deixou um pão no qual ele é, vivo e verdadeiro, com todo o sabor do seu amor. Ao recebê-lo, podemos dizer: "Ele é o Senhor, ele se lembra de mim!". Portanto, Jesus nos perguntou: «Faça isso em memória de mim "( I Coríntios 11:24). Destino : a Eucaristia não é uma lembrança simples, é um fato : é a Páscoa do Senhor que vive para nós. Na missa, a morte e a ressurreição de Jesus estão diante de nós. Faça isso em minha memória: junte-se e como comunidade, como povo, como família, celebre a Eucaristia para lembrar de mim. Não podemos evitar, é o memorial de Deus, pois cura nossa memória ferida. Antes de tudo, cura nossa memória órfã. Vivemos em uma era de grande orfanato. Cura a memória órfã. Muitos têm lembranças marcadas pela falta de afeto e decepções abrasadoras, recebidas por aqueles que deveriam ter dado amor e, em vez disso, tornaram o coração órfão. Gostaríamos de voltar e mudar o passado, mas não podemos. No entanto, Deus pode curar essas feridas colocando um amor maior em sua memória: a dele. A Eucaristia nos traz o amor fiel do Pai, que cura nosso orfanato. Dá-nos o amor de Jesus, que transformou um sepulcro de ponto de chegada em ponto de partida e da mesma maneira pode derrubar nossas vidas. Isso nos dá o amor do Espírito Santo, que consola, porque ele nunca sai sozinho e cura feridas. Com a Eucaristia, o Senhor também cura nossa memória negativa, a negatividade que vem tantas vezes em nosso coração. O Senhor cura essa memória negativa, que sempre traz à tona as coisas erradas e nos deixa com a triste ideia de que não somos bons para nada, de que apenas cometemos erros, de que estamos "errados". Jesus vem nos dizer que não é assim. Ele fica feliz por ter intimidade conosco e, toda vez que o recebemos, ele nos lembra que somos preciosos: somos os convidados esperados em seu banquete, os clientes que ele deseja. E não apenas porque ele é generoso, mas porque ele está realmente apaixonado por nós: ele vê e ama o belo e o bem que somos. O Senhor sabe que o mal e os pecados não são nossa identidade; são doenças, infecções. E ele vem curá-los com a Eucaristia, que contém os anticorpos para a nossa memória doentia da negatividade. Com Jesus podemos nos imunizar da tristeza. Sempre teremos nossas quedas diante de nossos olhos, nossos esforços, os problemas em casa e no trabalho, nossos sonhos não realizados. Mas o peso deles não vai nos esmagar porque, mais profundamente, há Jesus que nos encoraja com seu amor. Aqui está a força da Eucaristia, que nos transforma em portadores de Deus : portadores de alegria, não de negatividade. Podemos ir à missa nos perguntar o que trazemos ao mundo? Nossa tristeza, nossa amargura ou a alegria do Senhor? Tomamos a Comunhão e depois continuamos reclamando, criticando e chorando sobre nós mesmos? Mas isso não melhora nada, enquanto a alegria do Senhor muda vidas. Finalmente, a Eucaristia cura nossa memória fechada. As feridas que mantemos por dentro não criam problemas apenas para nós, mas também para os outros. Eles nos deixam com medo e desconfiados: inicialmente fechados, a longo prazo, cínicos e indiferentes. Eles nos levam a reagir aos outros com desapego e arrogância, iludindo-nos de que dessa maneira podemos controlar as situações. Mas é um engano: apenas o amor cura o medo em sua raiz e o liberta dos fechamentos que aprisionam. O mesmo acontece com Jesus, vindo ao nosso encontro gentilmente, na fragilidade desarmante do Host; Jesus também quebra o pão para quebrar as conchas do nosso egoísmo; o mesmo acontece com Jesus, que se entrega para nos dizer que somente se abrindo podemos nos libertar dos bloqueios internos, da paralisia do coração. O Senhor, oferecendo-se a nós tão simples quanto o pão, também nos convida a não desperdiçar a vida perseguindo milhares de coisas inúteis que criam vícios e deixam o vazio interior. A Eucaristia extingue a fome de coisas e acende o desejo de servir. Isso nos eleva de nosso estilo de vida confortável e sedentário, e nos lembra que não somos apenas bocas para alimentar, mas também somos as mãos dele para alimentar os outros. Agora é urgente cuidar daqueles que têm fome de comida e dignidade, daqueles que não trabalham e lutam para seguir em frente. E faça isso de maneira concreta, como concreto é o Pão que Jesus nos dá. Você precisa de proximidade real, precisa de verdade cadeias de solidariedade. Na Eucaristia, Jesus se aproxima de nós: não deixamos apenas aqueles que estão perto de nós! Queridos irmãos e irmãs, continuemos a celebrar o Memorial que cura nossa memória - lembre-se: curando a memória, a memória é a memória do coração - este memorial é a Missa. É um tesouro colocar em primeiro lugar na Igreja e na vida. E, ao mesmo tempo, redescobrimos a adoração, que continua o trabalho da Missa em nós. É bom para nós, nos cura por dentro. Especialmente agora, realmente precisamos disso. www.vaticano.va. Abraço. Davi


terça-feira, 28 de julho de 2020

III. A MULHER NO ISLAM


Islamismo. www.ccib.org.br. III. A MULHER NO ISLAM. Por Sherif Abdel Azeem Mohammed. Há 5 anos atrás, li no Toronto Star, edição de 3.7.90, um artigo intitulado "O Islam não está sozinho nas doutrinas patriarcais", de Gwyne Dyer. O artigo descrevia as reações furiosas das participantes de uma conferência sobre mulheres e poder, realizada em Montreal, aos comentários da famosa feminista egípcia, doutora Nawal Saadawi.Suas declarações "politicamente incorretas", incluíam: "os elementos mais restritivos em relação às mulheres, podem ser encontrados, primeiro no Judaísmo, Velho Testamento, depois no Cristianismo e, finalmente, no Alcorão"; "todas as religiões são patriarcais porque elas provêm de sociedades patriarcais"; e "o véu das mulheres não é uma prática especificamente islâmica mas, sim, um herança cultural antiga, com analogia nas religiões irmãs". As participantes não puderam ficar sentadas, enquanto suas crenças estavam sendo igualadas ao Islam. Assim, a doutora Saadawi recebeu uma avalanche de críticas. "Os comentários da doutora Saadawi eram inaceitáveis. Suas respostas revelavam uma falta de compreensão acerca da fé das outras pessoas" , declarou Bernice Dubois, do Movimento Mundial de Mães. "Eu tenho que protestar", disse a participante Alice Shalvi, da televisão feminina de Israel, "não existe o conceito do véu no Judaísmo". O artigo atribuía esses furiosos protestos a uma forte tendência no Ocidente de culpar o Islam por práticas que são muito mais uma parte da própria herança cultural do Ocidente. "As feministas cristãs e judias não irão se sentar para discutir, em igualdade de condições, com as más muçulmanas", escreveu Gwyne Dyer. Não me surpreendeu que as participantes da conferência tivessem uma tal visão negativa do Islam, especialmente por envolver questões femininas. Acredita-se, no Ocidente, que o Islam é o símbolo da subordinação das mulheres por excelência. A fim de compreendermos como está enraizada tal crença, basta mencionar que o Ministro da Educação da França, a terra de Voltaire, recentemente ordenou a expulsão das escolas francesas, de todas as jovens muçulmanas que vestissem o Hijab! Na França é negado a uma jovem muçulmana, que usa um lenço, o direito à educação, enquanto que estudantes católicos podem usar uma cruz ou um estudante judeu pode usar o solidéu. A cena de policiais franceses, impedindo jovens muçulmanas com as cabeças cobertas de entrarem no colégio, é inesquecível. Este fato nos traz à memória outra cena igualmente triste, a do Governador George Wallace, do Alabama, em l962, em pé, defronte ao portão da escola, tentando bloquear a entrada de estudantes negros, a fim de impedir a desagregação das escolas do Alabama. A diferença entre as duas cenas é que os estudantes negros tiveram a simpatia de muitas pessoas nos EUA e no mundo inteiro. O presidente Kennedy enviou a Guarda Nacional Americana para forçar a entrada dos estudantes negros. As moças muçulmanas, por outro lado, não receberam a ajuda de ninguém. Sua causa parece ter muito pouca simpatia, tanto dentro da França como fora. A razão é a incompreensão e o medo de tudo que seja islâmico no mundo atual. O que mais me intrigou sobre a conferência de Montreal foi uma questão: As declarações feitas por Saadawi, ou qualquer de suas críticas, são verdadeiras? Em outras palavras, o Judaísmo, o Cristianismo e o Islam têm o mesmo conceito sobre as mulheres? São tais conceitos diferentes? O Judaísmo e o Cristianismo, na verdade, oferecem às mulheres um tratamento melhor do que o Islam? Qual é a verdade? Não é tarefa fácil pesquisar e encontrar respostas para estas questões difíceis. A primeira dificuldade é que a pessoa tem que ser honesta e objetiva ou, pelo menos, fazer o máximo para o ser. Isto é o que o Islam ensina. O Alcorão instruiu os muçulmanos a dizerem a verdade, mesmo que aqueles que estejam próximos a eles não gostem disso: "... e se falardes, sede justo, mesmo que se refira a um parente próximo" (6:152); "Ó aqueles que creram, erijam a justiça na partilha, como testemunhas de Alá, ainda que contra vós mesmos, ou seus pais ou seus parentes, ..." A outra grande dificuldade é o fôlego irresistível do assunto. Por essa razão, durante os últimos anos, passei muitas horas lendo a Bíblia, a Enciclopédia da Religião e a Enciclopédia Judaica, na busca de respostas. Também li muitos livros que discutem a posição das mulheres nas diferentes religiões, escritos por exegetas, apologistas e críticos. O material apresentado nos capítulos seguintes representa as descobertas importantes dessa humilde pesquisa. Eu não sou objetivo, absolutamente. Isto está além da minha limitada capacidade. Tudo que posso dizer é que tentei, através dessa pesquisa, me aproximar do ideal alcorâmico de "falar imparcialmente". Gostaria de enfatizar nesta introdução, que minha proposta para este estudo não é denegrir o Judaísmo ou o Cristianismo. Como muçulmanos, acreditamos nas origens divinas de ambos. Ninguém pode ser muçulmano sem acreditar em Moisés e Jesus como grandes profetas de Deus. Meu intento é somente afirmar o Islam e pagar um tributo para a última mensagem verdadeira de Deus para a raça humana. Também gostaria de enfatizar que me preocupei somente com a Doutrina, isto é, minha preocupação é, principalmente, a posição das mulheres nas três religiões, como aparece em suas fontes originais, e não como é praticada por seus milhões de seguidores no mundo hoje. Por causa disso, a maior parte das evidências citadas vêm do Alcorão, dos ditos do Profeta Mohammad, da Bíblia, do Talmud e dos ditos de alguns dos mais influentes padres da Igreja, cujos pontos de vista contribuíram imensamente para definir e desenhar o Cristianismo. Muitas pessoas confundem cultura com religião, e outras não sabem o que seus livros religiosos dizem, e outras ainda, sequer se preocupam com disso. 1. O ERRO DE EVA? As três religiões concordam com um fato básico: Tanto as mulheres como os homens foram criados por Deus, o Criador de todo o Universo. Contudo, a divergência começa logo após a criação do primeiro homem, Adão, e da primeira mulher, Eva. A concepção judaico-cristã da criação de Adão e Eva está narrada detalhadamente em (Gênesis, 2:4-3:24). Lá está dito que Deus proibiu o homem de comer do fruto da árvore proibida. O Senhor Deus deu ao homem uma ordem, dizendo: "Podes comer de todas as árvores do jardim. 17 Mas, da árvore do conhecimento do bem e do mal não deves comer, porque no dia em que o fizeres serás condenado a morrer". Também deu a mesma ordem à mulher. A serpente seduziu Eva para que o comesse. E a mulher respondeu à serpente: "Do fruto das árvores do jardim, Deus nos disse 'não comais dele nem sequer o toqueis, do contrário morrereis." A serpente replicou à mulher: "De modo algum morrereis 5 É que Deus sabe que no dia em que dele comerdes, vossos olhos se abrirão e sereis como deuses, conhecedores do bem e do mal". E Eva, por sua vez, seduziu Adão para comer com ela. (Gênesis 6) A mulher notou que era tentador comer da árvore, pois era atraente aos olhos e desejável para se alcançar inteligência. Colheu o fruto, comeu-o e deu também ao marido, que estava junto. E ele comeu. E quando Deus repreendeu Adão pelo que ele havia feito, ele colocou a culpa em Eva. (Gênesis 11) Disse-lhe Deus: "E quem te disse que estavas nu? Então, comeste da árvore, de cujo fruto te proibi?"12 E o homem disse: "A mulher que me destes por companheira, foi ela que me fez provar do fruto da árvore e eu o comi". Consequentemente, Deus disse a Eva Gênesis 16: "Multiplicarei os sofrimentos de tua gravidez. Em meio a dores darás à luz os filhos, a paixão arrastar-te-á para o marido e ele te dominará". Para Adão Ele disse (Gênesis 17) "Porque ouviste a voz da mulher e comeste da árvore, cujo fruto te proibi comer, amaldiçoada será a terra por tua causa. Com fadiga tirarás dela o alimento durante toda a vida. 18 Produzirá para ti espinhos e abrolhos e tu comerás das ervas do campo. 19 Comerás o pão com o suor do rosto, até voltares à terra, de onde foste tirado. Pois tu és pó e ao pó hás de voltar". O conceito islâmico da primeira criação é encontrado em muitas passagens do Alcorão, como por exemplo: "E dissemos ó! Adão, mora tu e tua zauj (mistura companheira) no Paraíso e comam dele prosperamente onde lhes aprouver, e não vos aproximeis desta árvore e então sereis dos injustos." (Alcorão 2:35). Então, Satanás sussurrou para eles, a fim de revelar a ambos o que lhes havia sido ocultado de SAUÉTIHIMÉ (suas ambas e outras igualmente presentes, invisíveis, não bons atributos) e, então, disse: "Não vos proibiu a ambos, Vosso Senhor, desta árvore senão de seres ambos convertidos em anjos ou de serem ambos dentre os imortais". E jurou-lhes que era um conselheiro sincero. Assim, a ambos, DALLÉHUMÉ (indicou a ambos em confiança, porém, com enganos, arrancando-os e enviando-os para baixo, no que intencionou). Quando ambos provaram da árvore, divisaram ambos suas SAUÉTIHIMÉ e começaram a cobrir-se com folhas do paraíso. E seu Senhor chamou a ambos: "Eu não vos havia proibido daquela árvore e dito a ambos que Satanás é vosso inimigo declarado?" Eles disseram: "Senhor Nosso. Nós injustiçamos a nós mesmos e se Tu não nos perdoares, Te apiedares de nós, certamente estaremos dentre os perdedores." (7:20:23). Um exame mais cuidadoso dos dois relatos sobre a Criação, revela algumas diferenças essenciais. O Alcorão, ao contrário da Bíblia, coloca a culpa igualmente em Adão e Eva pelo erro de ambos. Não há no Alcorão a mais leve sugestão de que Eva tentou Adão, ou mesmo que ela tenha comido do fruto antes dele. Eva, no Alcorão, não é insinuante, sedutora ou vencida. Além do mais, Eva não pode ser culpada pelas dores do parto. Deus, de acordo com o Alcorão, não pune ninguém pelas faltas do outro. Ambos, Adão e Eva, cometeram um pecado e então pediram a Deus o perdão, e Ele os perdoou. 2. O LEGADO DE EVA. A imagem de Eva na Bíblia, como uma mulher sedutora, teve um impacto extremamente negativo para as mulheres através da tradição judaico-cristã. Acreditava-se que todas as mulheres haviam herdado de sua mãe, a bíblica Eva, tanto a sua culpa como a sua astúcia. Consequentemente, as mulheres não eram dignas de confiança, eram moralmente inferiores e más. Menstruação, gravidez e parto eram considerados punições justas para uma culpa eterna do amaldiçoado sexo feminino. A fim de examinarmos como foi negativo o impacto da Eva bíblica sobre sua descendência feminina, temos que olhar para os escritos de alguns do mais importantes judeus e cristãos de todos os tempos. Comecemos pelo Velho Testamento, e olhemos para alguns excertos da chamada Literatura da Sabedoria, onde encontramos: "Eu acho a mulher um pouco pior do que a morte, porque ela é uma armadilha, cujo coração é um alçapão e cujas mãos são cadeias. O homem que agrada a Deus foge dela, mas ao pecador ela o aprisionará ... enquanto eu estava procurando, e não estava encontrando, achei um homem correto entre mil, mas não encontrei uma só mulher correta entre todas elas" (Eclesiastes 7:26-28). Em outra parte da literatura hebraica, que é encontrada na bíblia católica, nós lemos: "Nenhuma maldade está mais próxima do que a maldade de uma mulher" ... "O pecado começa com a mulher e, graças a ela, todos nós devemos morrer". (Eclesiastes 25:19,24). Os rabinos judeus listaram nove maldições infligidas às mulheres, como resultado da Queda: "Para a mulher Ele deu nove maldições e a morte: o peso do sangue da menstruação e o sangue da virgindade; o peso da gravidez; o peso do parto; o peso de educar crianças; sua cabeça é coberta como no luto; ela fura a orelha como uma escrava permanente, ou escrava que serve ao seu senhor; ela não deve ser tomada por testemunha; e depois de tudo -- a morte". (2) Nos dias atuais, judeus ortodoxos, em suas preces matinais diárias, recitam "Abençoado seja Deus, Rei do universo que não nos fez mulher". As mulheres, por outro lado, agradecem a Deus cada manhã por "me fazer de acordo com Tua vontade". (3) Outra oração encontrada em muitos livros de preces judeus: "Louvado seja Deus que não me criou gentio. Louvado seja Deus que não me criou mulher. Louvado seja Deus que não me criou ignorante". (4) A Eva bíblica desempenhou um papel mais importante no Cristianismo do que no Judaísmo. Seu pecado foi a base de toda a fé cristã, porque a concepção cristã da razão da missão de Jesus Cristo na terra provém da desobediência de Eva. Ela pecou e, então, seduziu Adão para segui-la em seu propósito. Consequentemente, Deus expulsou a ambos do céu para a terra, que foi amaldiçoada por causa deles. Eles herdaram seus pecados, os quais não foram perdoados por Deus e, por isso, todos os humanos nascem em pecado. A fim de purificar os seres humanos do "pecado original", Deus teve que sacrificar, na cruz, Jesus, que é considerado o filho de Deus. Em razão disso, Eva é culpada de seu próprio pecado, do pecado de seu marido, do pecado original de toda a humanidade e da morte do Filho de Deus. Em outras palavras, uma só mulher, agindo por conta própria, causou toda a queda da humanidade (5). O que dizer sobre suas filhas? Elas são pecadoras como Eva e devem ser tratadas como tal. Ouçam o tom severo de São Paulo no Novo Testamento: Uma mulher deve aprender em calma e total submissão. Eu não permito a uma mulher ensinar ou ter autoridade sobre um homem; ela deve ser calada. Porque Adão foi feito primeiro, e depois Eva. E Adão não foi o que perdeu, foi a mulher que perdeu e se tornou pecadora (I Timóteo 2:11-14). São Tertuliano foi mais brando que São Paulo, quando falava "às queridas irmãs" na fé. Ele dizia (6): "Vocês sabem que cada uma de vocês é uma Eva? A sentença de Deus sobre o sexo de vocês subsiste até agora: a culpa necessariamente subsiste também. Vocês são a porta de entrada para o Diabo: Vocês são a marca da árvore proibida: Vocês são as primeiras desertoras da divina lei: Vocês são aquelas que persuadiram o homem de que o diabo não precisava ser atacado. Vocês destruíram tão facilmente a imagem de Deus, o homem. Por causa de sua deserção, o Filho de Deus teve que morrer". Santo Agostinho foi fiel ao legado de seus antecessores. Ele escreveu a um amigo: "Qual é a diferença, seja uma esposa ou uma mãe, ainda assim é da Eva tentadora que devemos nos precaver em qualquer mulher. Eu não consigo ver qual o uso que uma mulher pode ter para um homem, exceto a função de dar à luz crianças". Séculos mais tarde, São Tomás de Aquino ainda considerava a mulher como um defeito: "Com relação à natureza individual, a mulher é defeituosa e mal feita, porque a força ativa na semente masculina tende para a produção de uma perfeita semelhança no sexo masculino; enquanto que a produção da mulher provém de um defeito na força ativa ou de alguma indisposição material, ou mesmo de algumas influências externas". Finalmente, o famoso reformador Martinho Lutero não conseguia ver qualquer benefício em uma mulher, a não ser trazer ao mundo tantas crianças quanto possível, apesar das conseqüências: "Se elas se cansarem ou mesmo morrerem, isto não é problema. Deixe-as morrer no parto, é para isso que estão aqui". Muitas vezes as mulheres foram denegridas por causa da imagem de Eva como a tentadora, graças ao relato em Gênesis. Para resumir, a concepção judaico-cristã sobre as mulheres foi envenenada pela crença na natureza pecaminosa de Eva e de sua descendência feminina. Se agora voltarmos nossa atenção para o que o Alcorão diz sobre as mulheres, logo perceberemos que a concepção islâmica sobre elas é radicalmente diferente daquela encontrada no conceito judaico-cristão. Deixemos que o Alcorão fale por si mesmo: "Quanto aos muçulmanos e muçulmanas, aos fiéis e às fiéis, aos devotados e às devotadas, aos verdadeiros e às verdadeiras, aos homens e mulheres que são perseverantes, aos homens e mulheres que são humildes, para os homens e mulheres que fazem a caridade, para os homens e mulheres que jejuam, aos homens e mulheres que guardam a castidade, e aos homens e mulheres que se comprometem em louvar Alá, para todos eles Alá preparou o perdão e uma grande recompensa" (33:35). "Os crentes, homens e mulheres, são protetores uns dos outros: usufruem do que é justo e proíbem o mal, observam as preces regulares, praticam a caridade regularmente e obedecem a Alá e Seu Mensageiro. Sobre eles Alá despejará Sua Misericórdia: porque Alá é Exaltado em poder e sabedoria" (9:71) "E seu Senhor respondeu a eles: Verdadeiramente, jamais perderei a obra de qualquer um de vós, seja homem ou mulher, porque procedeis uns do outros" (3:195) "Quem cometer uma iniquidade será pago na mesma moeda e aquele que praticar o bem, seja homem ou mulher, e é um crente, entrará no Jardim de felicidade" (40:40) "Quem praticar o bem, seja homem ou mulher, e for fiel, concederemos uma vida agradável e premiaremos com uma recompensa, de acordo com o melhor de suas ações" (16:97). Está claro que a visão do Alcorão a respeito da mulher não difere da do homem. Ambos são criaturas de Deus e têm como sublime meta adorar seu Senhor, fazer boas ações e evitar o mal e por isso serão avaliados harmoniosamente. O Alcorão jamais menciona que a mulher é a porta de entrada para o mal ou que ela é uma enganadora por excelência. O Alcorão também jamais menciona que o homem é a imagem de Deus. Homens e mulheres são suas criaturas e só. De acordo com o Alcorão, o papel da mulher na terra não está limitado somente ao parto. Dela se exige fazer boas ações, tanto quanto é exigido dos homens. O Alcorão nunca diz que jamais existiu uma mulher correta. Pelo contrário, o Alcorão instruiu a todos os crentes, homens e mulheres, a seguir o exemplo daquelas mulheres , tais como a Virgem Maria e a esposa do Faraó: "E Deus dá, como exemplo aos fiéis, o da esposa do Faraó, que disse: Ó Senhor meu, construí, junto a ti, uma morada no Paraíso e livra-me do Faraó e de suas ações, e salva-me dos iníquos! E com Maria, filha de Imram, que conservou seu pudor e a qual alentamos com o Nosso Espírito; e ela testemunhou a verdade das palavras de seu Senhor e de Suas revelações e era uma das devotas" (66:11/13). 3. FILHAS VERGONHOSAS? Realmente, a diferença entre a atitude bíblica e a alcorâmica, em relação ao sexo feminino, começa logo que a mulher nasce. Por exemplo, a Bíblia estabelece que o período do ritual materno da impureza é duas vezes mais longo no caso do nascimento de uma menina do que no de um menino (Levítico 12:2-5) . A Bíblia Católica estabelece explicitamente que: "O nascimento de uma filha é uma prejuízo" (Eclesiastes 22:3). Em contraste com essa absurda declaração, os meninos recebem especial louvor: "Um homem que educa seu filho será invejado por seu inimigo" (Eclesiastes 30:3). Os rabinos judeus tornaram uma obrigação para os homens produzirem uma descendência, a fim de propagar a raça. Ao mesmo tempo, eles não escondiam sua preferência por meninos: "É bom para aqueles cujas crianças são meninos, mas é mau para aqueles cujas crianças são meninas", " no nascimento de um menino tudo é alegria ... no nascimento de uma menina tudo é tristeza", e "Quando um menino chega ao mundo, a paz chega ao mundo ... Quando uma menina chega ao mundo, nada chega". (7) Uma filha é considerada um peso doloroso, uma fonte potencial de vergonha para seu pai: "Sua filha é teimosa? Mantenha um olhar firme para que ela não faça de você um motivo de gargalhada para seus inimigos, de falatório na cidade, objeto de fofocas e coloque você em situação de vergonha pública" (Eclesiastes 42:11). Mantenha uma filha teimosa sob firme controle ou ela abusará de qualquer indulgência que receba. Mantenha vigilância sobre seu olho sem-vergonha, não se surpreenda se ela o desgraçar" (Eclesiastes 26:10-11). Foi esta mesma idéia de tratar as filhas como fonte de vergonha, que levou os árabes pagãos , antes do advento do Islam, a praticar o infanticídio feminino. O Alcorão condena vigorosamente esta prática hedionda: "Quando a algum deles é anunciado o nascimento de uma filha o seu semblante se entristece e fica angustiado. Oculta-se do seu povo, pela má notícia que lhe foi anunciada: deixá-la-á viver, envergonhado, ou a enterrará viva? Que péssimo é o que julgam." (16:58/59). Deve ser dito que, este crime sinistro, jamais teria parado na Arábia, não fora a força dos termos que o Alcorão usou para condenar tal prática (l6:59, 43:17, 8l:8/9). Além disso, o Alcorão não faz distinção entre meninos e meninas. Em contraste com a Bíblia, o Alcorão considera o nascimento de uma mulher como um presente e uma bênção de Deus, da mesma forma que o nascimento de um menino. O Alcorão sempre menciona o presente do nascimento feminino primeiro: "A Alá pertence o domínio dos céus e da terra. Ele cria o que lhe apraz. Concede filhas a quem quer e filhos a quem lhe apraz" (42:49). A fim de apagar qualquer traço do infanticídio feminino na nascente sociedade muçulmana, o Profeta Mohammad prometeu àqueles que fossem abençoados com filhas uma grande recompensa, se eles as tratassem gentilmente: "Aquele que se ocupa da educação das filhas e as trata benevolentemente, estará protegido contra o Inferno" (Bukhari e Muslim). "Aquele que mantém duas meninas, até que elas atinjam a maturidade, ele e eu chegaremos no dia da ressurreição desse modo: e ele juntou seus dedos" (Muslim). www.ccib.org.br. Abraço. Davi.


segunda-feira, 27 de julho de 2020

RELACIONAMENTO DO SIGNO DE VIRGEM COM OUTROS SIGNOS


Astrologia. Zodíaco. www.universa.uol.com.br. Sinastria (1) dos Signos. RELACIONAMENTO DO SIGNO DE VIRGEM (23 de agosto a 22 de setembro) COM OUTROS SIGNOS.

VIRGEM E ÁRIES. Apesar de terem personalidades contrastantes, esses dois signos têm possibilidade de se complementar. Virgem valoriza a praticidade, a utilidade, a segurança material e profissional. Áries aprecia novas iniciativas e fortes emoções. É destemido e confiante. Virgem costuma ser conservador, comprometido, crítico, atento aos detalhes – busca qualidade em todos os níveis. Áries é impulsivo, enérgico e individualista e não gosta de se sentir preso ou entediado. No entanto, se ambos superarem essas diferenças, a parceria poderá ser duradoura. Numa relação profissional, virgem proporciona o raciocínio lógico e o trabalho metódico. Áries contribui com seu instinto para decisões e competitividade. O grande desafio é equilibrar a impulsividade ariana com a capacidade analítica e crítica virginiana. Sexualmente, é importante que busquem se conhecer melhor para que haja compreensão e intimidade. Virgem gosta de se sentir intelectualmente estimulado; Áries prefere agir de forma impetuosa e apaixonada. VIRGEM E TOURO. Esses dois signos possuem o elemento Terra em comum: gostam de cultivar a praticidade, de construir, realizar e manter os pés no chão. Os dois são trabalhadores, tradicionais, caseiros e racionais. Precisam se sentir seguros para gozar de uma rotina organizada, como também pensar no futuro para garantir uma boa velhice. Na questão sexual, a conexão entre eles tende a ganhar sintonia com o tempo e ir melhorando. Mas há algumas diferenças. Touro é mais tranquilo, paciente, carinhoso e romântico. Virgem é mais exigente, expressivo, inteligente e metódico. O virginiano deve tomar cuidado com o excesso de críticas, pois em algum momento o pacato taurino irá perder a paciência e explodir. De qualquer forma, eles têm pontos de vista semelhantes em relação aos assuntos econômicos. Tanto Virgem quanto Touro buscam a segurança material. Com lealdade e firmeza, essa combinação tem potencial para alcançar todas as metas a que se propuserem, caso eles tirem proveito das qualidades e dos pontos fortes um do outro. VIRGEM E GÊMEOS. Apesar de terem o planeta regente (Mercúrio) com algumas qualidades em comum, são dois signos muito diversos, o que pode significar uma união enriquecedora se ambos souberem se respeitar e fazer concessões. Na relação sexual, caso estejam dispostos, a sintonia será aprimorada ao longo do tempo. São signos inteligentes e que têm facilidade para passar horas conversando sobre projetos, experiências, ideias. Mas, no início, é possível que haja desentendimentos. É importante que exista diálogo, estímulo intelectual e sinceridade entre eles. Para que a parceria se torne longa e sólida, Gêmeos deve compreender a necessidade virginiana de qualidade, detalhamento e perfeição. Ao mesmo tempo, Virgem deve aprender com o geminiano a rir e a se divertir mais, não se cobrar tanto nem levar a vida tão a sério. Quando conseguirem apreciar as respectivas qualidades, poderão até se casar: Gêmeos admirando a praticidade e a objetividade de Virgem; e Virgem sentindo-se rejuvenescido pela vivacidade e leveza do geminiano. VIRGEM E CÂNCER. É possível que a atração e o amor entre esses signos apareçam aos poucos, a partir de uma amizade, por exemplo. Depois de certo tempo, é provável que percebam como se completam, já que as qualidades de um cobrem as carências do outro. Câncer é acolhedor, emotivo, ligado ao lar e à família. Virgem é prático, detalhista, racional e dedicado. O carinho, o cuidado, a simplicidade e o estilo atencioso de Câncer fará com que o virginiano se sinta mais tranquilo e relaxado. Já o canceriano vai admirar a inteligência, a honestidade e a objetividade de Virgem. A sensibilidade de Câncer contribui para adoçar a vida prática e organizada de Virgem. Ao mesmo tempo, a boa capacidade de discernimento e o olhar detalhista do virginiano tendem a colocar ordem no caótico mundo dos cancerianos. Ambos têm interesses em comum: valorizam a segurança, a economia, a simplicidade e a fertilidade, além de serem mais tímidos e retraídos. Com diálogo e fidelidade, podem ter uma relação duradoura e uma família numerosa, se assim o quiserem. VIRGEM E LEÃO. Com naturezas muito diferentes, contraditoriamente podem se complementar, principalmente na questão profissional. A praticidade, o foco no detalhe e as habilidades estratégicas de Virgem servirão de grande suporte para os projetos criativos e ambiciosos de Leão. Numa união amorosa, se houver comprometimento e respeito por suas divergências, eles conseguirão ficar juntos. Essa tendência será fortalecida se tiverem outros aspectos favoráveis em seus mapas astrológicos. O desafio é que encontrem um equilíbrio entre o lado exuberante, exibicionista, divertido e extrovertido de Leão, com a natureza tímida, objetiva, retraída, racional e observadora de Virgem. A perspectiva é que Leão dê as ordens e Virgem as execute. É importante que o leonino abaixe a guarda do orgulho, da vaidade e da arrogância para reconhecer seus limites, suas falhas e aceitar as sugestões do virginiano, que provavelmente serão realistas e objetivas. Por sua vez, Virgem absorverá o bom humor e a confiança de Leão, adoçando suas palavras com amor para que suas críticas sejam ouvidas. VIRGEM E VIRGEM. Este casal pode descobrir muito interesses em comum: são práticos, inteligentes, observadores, dedicados e trabalhadores. Sexualmente têm chances de se entender. A desvantagem é que os dois também podem revelar os mesmos defeitos: são críticos, detalhistas, perfeccionistas e exigentes. É fundamental que façam concessões e sejam mais tolerantes com seu parceiro. Se houver amor e se as exigências forem superadas, conseguirão manter uma relação fiel e duradoura. A parceria profissional também tem muitas possibilidades, pois os virginianos gostam de se sentir úteis, de aprimorar técnicas e desenvolver sua habilidade. O risco é o de ficarem presos na rotina, portanto, devem programar juntos atividades de lazer. Ambos são cuidadosos com as finanças. A união será baseada na honestidade e na prudência, sem grandes arrebatamentos emocionais. É provável que a relação não seja muito romântica, pois os virginianos são mais objetivos e têm certa dificuldade de expressar os sentimentos. Sua forma de demonstrar carinho é através de pequenos gestos e atitudes concretas. VIRGEM E LIBRA. Embora tenham afinidades complementares, são signos com naturezas divergentes. Libra é regido por Vênus: cordial, sociável, diplomático, romântico e sedutor. Virgem é regido por Mercúrio: racional, prático, tímido, crítico e exigente. Mas ambos são prudentes, lógicos, inteligentes e ponderados. É possível que o amor surja depois de uma amizade, já que nenhum dos dois traz tendência para atos impulsivos. No que diz respeito à vida sexual, haverá cumplicidade. O libriano é conciliador e gosta de cultivar suas habilidades sociais. Tem apurado senso estético, busca a harmonia e o equilíbrio e está sempre sugerindo novas ideias. O virginiano aprecia essas qualidades e se encantará com a leveza, o otimismo, a alegria e as longas conversas com o ponderado libriano. Ao mesmo tempo, Libra pode ouvir as críticas, sugestões e análises do observador virginiano e levá-las em consideração. Assim, a vida em comum se tornará harmoniosa. Mas têm de encontrar o equilíbrio estre os deveres e as responsabilidades do lar e a vida social. Caso contrário, pode haver discussões. VIRGEM E ESCORPIÃO. Aqui temos o encontro de perfis exigentes, com fortes personalidades e com naturezas muito distintas. Há poucas chances para um relacionamento duradouro, a não ser que haja outros pontos favoráveis nos mapas astrológicos dos dois. Virgem é prático, metódico, racional e independente. Escorpião é emocional, intenso, profundo e apaixonado. Embora as diferenças incomodem no princípio, é provável que sejam compreendidas e superadas. Sexualmente, os dois precisam se sentir seguros para que possam se abrir. O ciúme de Escorpião e as críticas de Virgem podem desgastar o relacionamento. Os escorpianos são mais corajosos e intuitivos do que o prudente virginiano. Para que relação avance, o grande desafio é conquistarem o respeito mútuo e controlarem sua tendência de exigir demais. Esta é uma boa combinação para projetos profissionais, parcerias de negócios e investimentos. Escorpião contribui com sua força e sua capacidade investigativa, e Virgem colabora com seu método, suas técnicas e sua organização. VIRGEM E SAGITÁRIO. A princípio, é possível que Sagitário admire a inteligência, a capacidade de discernimento e o senso crítico de Virgem. Por sua vez, Virgem se interessará pelos conhecimentos e pelo senso de justiça de Sagitário. Mas depois as diferenças tendem a prevalecer. Sagitário busca liberdade, aventuras e conquistas. Virgem procura estabilidade, praticidade e segurança. Sagitário é corajoso, otimista, entusiasmado e bem-humorado. Virgem é prudente, cauteloso, racional, sério e reservado. No quesito sexual, há diferenças de estilo. Virgem é mais tímido e retraído, enquanto Sagitário gosta de experimentar. Ambos cultivam estímulo intelectual, parceria nos estudos, gostam de dialogar e programar atividades culturais. Virgem traz mais organização e incentivos para os talentos e as ambições de Sagitário, que pode trabalhar um pouco mais, cultivando mais objetividade. Sagitário se sentirá, com certeza, mais confortável e seguro, graças à estabilidade proporcionada por Virgem. Ao mesmo tempo, o nativo de Virgem pode se inspirar com o espírito corajoso, confiante e entusiasmado de Sagitário. VIRGEM E CAPRICÓRNIO. Essa pode ser uma combinação muito produtiva para os projetos profissionais, os negócios e os investimentos, já que se trata de dois signos de Terra, muito práticos, objetivos, trabalhadores, sérios e compenetrados. Mas a relação afetiva e sexual pode deixar a desejar, a não ser que a dupla conte com outros aspectos favoráveis em seus mapas astrológicos. A união tende a ficar enfadonha e monótona. Além disso, ambos são críticos e exigentes. Porém, é possível que haja uma certa compatibilidade, porque seus desejos são semelhantes, já que não são signos impulsivos, gostam de aprimorar a sintonia aos poucos. É o tipo de união que pode ficar cada vez mais afinada. Virgem estimula o diálogo, o desenvolvimento intelectual os estudos e planejamentos de Capricórnio. Já Capricórnio traz mais estrutura, estratégia, perseverança e determinação para Virgem. Capricórnio costuma ser mais ambicioso, traça metas, planeja cada passo para chegar ao sucesso. Neste sentido, Virgem tende a ser o parceiro ideal, pois é dedicado, trabalhador, mais simples e não cultiva inveja. VIRGEM E AQUÁRIO. Um relacionamento entre dois signos com naturezas tão adversas pode ser dificultoso. Virgem é um signo de Terra: conservador, prático, crítico e perfeccionista. Aquário é um signo de Ar: contestador, excêntrico, ousado e questionador. Na parte sexual, ambos têm preferências distintas. Aquário costuma ser mais curioso e aberto para novas experiências. Virgem é mais tímido, mas na medida em que ganha confiança e intimidade, acaba se soltando. Enquanto o virginiano é metódico, o aquariano é avesso às regras: Virgem coloca ordem no caos, Aquário coloca o caos na ordem. É preciso que se conheçam bem, respeitem e aceitem suas diferenças. Para que esta combinação tenha sucesso, cada um, com sua inteligência, deve aprender a aproveitar os pontos fortes do parceiro. Virgem tentando ser um pouco menos prudente e mais ousado, para se adaptar à versatilidade de Aquário. Por sua vez, Aquário aprendendo com Virgem a ser mais atento, responsável e dedicado. Se investirem nisso, há chances de surgir uma relação duradoura. VIRGEM E PEIXES. Esta é uma combinação de dois signos opostos e complementares. Justamente por isso, podem se integrar: Peixes trazendo mais romance, fantasia e imaginação para o mundo burocrático e metódico de Virgem, que pode levar um pouco de praticidade, ordem e segurança para o sonhador Peixes. Sexualmente, há chance de haver química e atração. Ambos se entenderão, desde que Virgem deixe um pouco de lado seu conservadorismo e abra seu coração para Peixes, que costuma ser sensível, carinhoso e sedutor. Por causa das diferenças, há alguns riscos: Peixes pode se incomodar com a frieza, a rigidez, o perfeccionismo de Virgem; Virgem tende a ficar desconcertado com a falta de senso prático, o sentimentalismo, a distração e as loucuras de Peixes. Virgem deve aprender com Peixes que um pouco de desordem, de fé e de entrega faz bem à alma. Já o pisciano encontrará no virginiano um ótimo apoio para que possa estruturar seus projetos e transformar seus sonhos em realidade. Com suas qualidades combinadas, o casal pode formar um lar acolhedor e ao mesmo tempo organizado e criativo.


Referência: (1). Sinastria – é uma técnica utilizada na astrologia para verificar o grau de compatibilidade numa relação (afetiva, profissional ou familiar) entre duas pessoas. Esse procedimento faz uso do MAPA ASTRAL, recorrendo aos perfis astrológicos de um indivíduo e seu parceiro. Requer encontrar um profissional, caso deseje realizar o método do mapa, recomendado e capacitado na ciência astrológica. Deve ter registro profissional na instituição ou sindicato que regula a prática em sua região ou estado. Abraço.


domingo, 26 de julho de 2020

NASCIMENTO I


Espiritualidade. Texto de Sri Prem Baba (1951-  ). Capítulo. I. NASCIMENTO I. NASCE UM POTENCIAL. Neste plano físico, para fazermos uma viagem, precisamos de um meio de transporte. No que diz respeito ao trânsito da alma rumo à consciência divina, precisamos passar pela consciência humana. E para vivermos essa experiência aqui na Terra, usufruindo de uma personalidade humana, se faz necessário um veículo, pois o espírito não teria como viver tal experiência sem uma estrutura psíquica projetada para desenvolver um ego. Ego e corpo formam um veículo, um instrumento projetado para que o espírito possa viver essa experiência material. PRINCÍPIO DA IDEIA DE EU. A alma é a porção individual do espírito que se manifesta através desse veículo. Ela é a ponte entre os planos material e espiritual. A alma acompanha o Ser em toda a sua jornada evolutiva, por meio dos ciclos de mortes e renascimentos, e deixa de existir quando a consciência individual se expande e se funde na consciência cósmica. Essa é a forma que a consciência encontra para se expandir através do ser humano no plano material. Assim como uma planta nasce e cresce a partir de uma semente, a consciência cósmica se manifesta e se expande através de uma consciência individual. Nesse sentido, o ego é como uma semente que é plantada na Terra com o objetivo de se desenvolver, amadurecer e gerar frutos. Essa semente traz consigo um potencial divino que irá se expressar de maneira particular por meio de cada um de nós. Existem muitas definições para a palavra ego. Aqui me refiro a ela como o princípio da individualização, ou ainda como o princípio da ideia de eu. Apesar de ter uma função muito importante no projeto divino de expansão da consciência (cuja meta, em última instância, é restabelecer o estado de Unidade), o ego também representa o nascimento de um senso de separação, ou seja, é o princípio da ideia de que somos separados uns dos outros. Por termos um corpo, uma forma, a mente cria essa ilusão de separação. De fato, no nível físico, que é o nível das aparências, nós estamos separados, mas no nível do espírito somos apenas um. Entretanto, essa ilusão faz parte do jogo divino aqui na Terra e está a serviço da expansão da consciência. Ela é o que, na cosmovisão hindu, é chamado de mahamaya, a grande ilusão. Ao mesmo tempo em que encobre nossa visão com o véu da dualidade, mahamaya é também a nossa grande professora. Através dela, aprendemos aquilo que precisamos aprender e aos poucos vamos começando a enxergar além dela. Mahamaya é uma distorção da realidade que pode tomar muitas formas, entre elas o egoísmo – a doença do ego. SEMENTES DE AMOR. Quando nos permitirmos contemplar e nos deixar envolver pela beleza da vida, observando os fenômenos da natureza, percebemos que tudo é fantástico e que, certamente, a vida vai muito além dessa realidade cotidiana que captamos através dos nossos olhos físicos. Você já se perguntou como é possível frutos e flores dos mais diversos tamanhos, cores, fragrâncias e sabores simplesmente brotarem de árvores? Isso é fantástico. Mesmo sabendo como a natureza funciona, se puder observar esses fenômenos com mais profundidade imediatamente você perceberá quão extraordinária ela é. A semente é um exemplo disso. De um pequeno grão nasce uma majestosa árvore. A semente contém em si uma porção mínima, um quantum de uma essência que é impressa em um código genético. Nesse código, estão as informações sobre o seu potencial máximo, que é também aquilo que ela vai realizar quando for plantada na Terra. E o seu potencial máximo são os frutos que ela vai dar. Da mesma maneira, nós, seres humanos, trazemos uma porção da consciência divina que deseja se expandir e se expressar através de nós. Também trazemos um código, um programa, algo a ser realizado. Esse programa é o propósito da alma. Nós viemos para este mundo justamente para realizar esse propósito, que também costumo chamar de visão – uma visão a ser compartilhada com o mundo. O propósito se manifesta de forma muito particular em cada um de nós. Cada alma individual chega aqui com um programa específico a ser realizado, e esse programa ou propósito individual está alinhado com o propósito maior da vida. Estou me referindo ao que, na sabedoria milenar do Yoga, é conhecido como dharma – a lei Universal que rega a vida e une todos os seres em torno do mesmo propósito. Em última instância, o dharma, ou propósito maior da humanidade, é a expansão da consciência, mas costumo dizer que é o despertar do amor, pois a consciência se expande através dele. Saber qual é o propósito é saber o que viemos fazer aqui. E o que viemos fazer aqui está intimamente relacionado àquilo que somos em essência, ou seja, o programa individual da alma está relacionado à consciência do Ser. Assim como a laranjeira só pode das laranjas, o ser humano só pode dar um tipo de fruto: o amor, pois o amor é a sua essência. Entretanto, o amor é um fruto que pode se manifestar de infinitas formas. Cada alma traz consigo dons e talentos que são a maneira única por meio da qual o amor se expressa através de nós. DESAFIOS DE CRESCIMENTO. Ao mesmo tempo em que cada alma traz consigo dons e talentos, que são suas virtudes e potencialidades a serem desenvolvidas, ela traz também desafios que servirão para o seu crescimento. Certos desafios são parte do próprio programa da alma e encontram-se impressos no DNA, como as doenças genéticas e determinadas limitações físicas. Outros serão gerados a partir das escolhas que a alma fizer no decorrer da encarnação. Mas, independentemente de sua natureza, os desafios são instrumentos de aprendizado. Também comparo esses desafios ou obstáculos a lugares de parada na jornada da alma em evolução. A viagem é longa e muitas vezes nos sentimos cansados. Às vezes parar para abastecer e nos alimentar, às vezes para cumprir acordos em lugares específicos. Mas toda parada serve para, de alguma maneira, nos recuperarmos e absorvermos aprendizados. As pausas servem para revermos o mapa da vida e nos situarmos na jornada. Nesses momentos, também podemos rever os lugares por onde andamos e os buracos pelos quais passamos, a fim de evitar novas quedas. Mas paramos, principalmente, para resgatar partes nossas que ficaram presas no passado e para absorver determinadas lições. E, dessa forma, vamos nos fortalecendo para seguir rumo ao destino final. Esses lugares de parada, onde a alma estaciona temporariamente para absorver determinados aprendizados e se libertar da cadeia de reações geradas pelas ações equivocadas do passado, são o que chamamos de Karma. Essa palavra em sânscrito significa literalmente “ação”, mas se refere a uma lei cósmica – a lei de causa e efeito (ação e reação), que determina que todo efeito tem uma causa: tudo que se manifesta agora em nossas vidas é um produto das nossas ações do passado. Para toda ação, existe uma reação. Assim, o Karma envolve não somente a ação, mas também a reação inerente a ela. Uma via do Yoga, chamada de Karma Yoga (o yoga da ação), fala sobre a prática da “não ação”, que é uma ação que não gera reação – uma causa sem efeito. Entretanto, para uma ação não gerar reação, ela precisa ser desprovida de interesses egoístas. Esse é o fundamento básico do Karma Yoga (yoga da ação), cujo principal instrumento é a ação ou o serviço desinteressado. Muito se fala em Yoga hoje em dia, mas pouco se sabe de verdade sobre ele. Yoga não é simplesmente um sistema de posturas físicas e meditação. Yoga é um grande conjunto de técnicas e ferramentas capazes de atuar em todos os níveis do nosso sistema (físico, mental, psicoemocional, energético e espiritual) que tem a função de nos ajudar a reconectar com a realidade maior, com a nossa essência, ou ainda com a nossa verdadeira identidade. Por isso Yoga é um caminho de auto realização ou de libertação. Ao reconhecermos nossa verdadeira identidade, nos tornamos livres para ser quem somos. Karma Yoga é o caminho da liberdade através da ação, é a via do Yoga que conduz à auto realização por meio do serviço desinteressado. A ação desinteressada nos liberta, pois ela possibilita que deixemos de produzir reações e, consequentemente, que nos libertemos da teia do Karma. Mas isso é possível somente quando Karma (ação) e dharma (propósito) estão alinhados, o que significa que nossas ações correspondem ao que de fato viemos fazer aqui. Quanto mais alinhadas estiverem com o propósito maior, menos efeitos nossas ações causarão e mais consciência elas trarão ao Planeta, pois o propósito da alma individual está diretamente ligado ao dharma e ao Karma coletivo. INFLUÊNCIAS EXTERNAS. Vimos que existe um propósito interno (da alma), um programa que nasce com a pessoa. Mas também existe um outro propósito, que é externo – um programa que é formado no decorrer da vida, juntamente com o desenvolvimento do ego e através do contato com a sociedade. Esse programa que é elaborado com base em influências externas é o que chamarei aqui de “programa do ego”. O programa do ego, além de depender de fatores externos, também vai depender do Karma, pois é ele que determina as condições nas quais a criança chega neste plano. Dependendo das condições sociais, do nível de conhecimento do desenvolvimento espiritual da família, a criança poderá aprender determinadas lições, desenvolver determinadas habilidades e consolidar valores e virtudes da alma.  Ao mesmo tempo, ela poderá sofrer traumas e criar imagens (cenários psicológicos fixos ou congelados) e crenças limitantes que farão parte dessa programação. O propósito do ego, o propósito externo, é como a casca de uma fruta, é uma camada superficial que encobre o verdadeiro programa da alma. A casca, no entanto, também tem uma função. Ela serve como uma proteção para que o ego possa se desenvolver e construir o que for necessário para a sua experiência. Mas chega um momento em que essa camada externa precisa ser retirada para que o verdadeiro propósito possa se manifestar plenamente. Da mesma forma que precisamos retirar a casca da fruta para saboreá-la, esse programa externo precisa ser removido para que o programa interno se revele. A entidade humana chega a este plano livre, amando e confiando. Ao nascer, a criança ainda tem uma lembrança de quem ela é e do que veio fazer aqui. Mas com o passar do tempo, através do contato com o mundo, ela vai cedendo a influências externas, adquirindo crenças e reprimindo sua expressão natural. Como sabemos, a fundação da personalidade acontece depois, nos próximos sete anos, mas a fundação é feita nos sete primeiros anos. E as crenças instaladas nesse período irão permear toda a vida da pessoa. Então logo cedo a criança começa a sentir-se carente e insegura: ela começa a sentir ciúme, raiva e inveja (...). E isso não acontece por acaso. Ela aprende isso com aqueles que estão ao seu redor, prioritariamente com os pais, mas também com os educadores e demais familiares próximos. Essas pessoas participam do processo de desenvolvimento da personalidade daquela alma. E, por ignorância, acabam transferindo para a criança as suas misérias e carências. Com isso é estabelecido um círculo vicioso no qual ignorância procria ignorância. Quando a criança começa a frequentar a escola e inicia uma vida social, ela recebe novos inputs, entrada (além dos que chegam através dos pais e familiares) sobre aquilo que, supostamente, é certo ou errado; sobre aquilo que ela deveria ser e fazer na vida (o que em geral não é o que ela gostaria de ser e fazer). Novos limites e regras são impostos, novas ideias (preconceitos, opiniões, crenças) são transmitidas. É verdade que, para o seu próprio bem, o jovem precisa de limites e regras, mas ninguém ensina que determinadas regras precisarão ser abandonadas, pois elas devem estar a serviço do desenvolvimento da consciência, e não o contrário. Todo ser humano traz consigo uma visão em prol do desenvolvimento sustentável do Planeta. Ele traz uma sabedoria, um poder. Mas, normalmente, devido a essas influências externas, sua visão vai sendo esquecida, e seu poder vai sendo contido. E na medida em que seu poder é contido, isso se volta contra ele. Forças contrárias ao seu propósito são criadas. O programa da alma impele a pessoa a se mover numa direção, mas a mente condicionada por fatores externos faz com que ela siga em outra. Essa contradição gera sofrimento. ESQUECIMENTO DA VISÃO. Podemos, de forma sintética, dizer que estamos aqui para realizar um trânsito do estado de esquecimento para o estado de lembrança – lembrança de quem somos e do que viemos fazer aqui, pois, como já vimos, ao chegarmos nesta Terra, somos envoltos por um véu de ilusão que atua através do esquecimento. Normalmente, até o início da juventude, uma pessoa ainda tem a visão clara daquilo que veio fazer: carrega um forte anseio, traz consigo sonhos que são expressões do seu propósito, mas aos poucos vai se esquecendo e acreditando nas vozes externas que insistem em dizer que esse sonho é impossível de ser realizado, que esse caminho não é bom, ou, ainda que a pessoa não tem capacidade para isso. Aos poucos, ela vai cedendo a essas vozes até que desiste e se esquece completamente dos seus sonhos e passa a sonhar o sonho dos outros. Se já teve a oportunidade de acompanhar o crescimento de uma criança, você sabe que ela nasce confiando e amando com toda a sua pureza. A criança que ainda não foi corrompida e contaminada pelas crenças e misérias dos adultos à sua volta simplesmente segura na mão do pai e da mãe e vai com eles, sem saber par onde a estão levando. Contudo, aos poucos, ela deixa de confiar. Começa a ser atingida pelo medo na forma da desconfiança e da insegurança, e pelo ódio na forma da raiva e da vingança. Mas por que isso acontece? Porque ensinam isso para ela. Desde cedo, a criança aprende que é uma vítima das circunstâncias externas e com isso também aprende que precisa se defender. Aos poucos, vai criando os mais variados mecanismos de defesa e adquirindo crenças e condicionamentos limitantes. Tais mecanismos são limitantes, porque, ao mesmo tempo em que servem para proteção, geram separação e esquecimento. Os muros que você constrói ao seu redor para se proteger são os mesmos que o mantêm isolado no mundo. Esse conjunto de mecanismos de proteção e esquecimento constitui o que costumo chamar de “natureza inferior” ou “eu inferior” ou ainda “maldade”. Isso que conhecemos como maldade nada mais é do que um conjunto de mecanismos de defesa que o humano desenvolve desde cedo na vida para se proteger da dor dos choques de humilhação, rejeição e exclusão. Ao falar de maldade, não estou me referindo ao comportamento exclusivo dos criminosos e corruptos, pois todos nós sofremos choques dessa natureza. Portanto, todos nós carregamos um tanto de maldade. E quanto mais maldade uma pessoa manifesta, mais dor ela carrega no seu sistema. Livro: Propósito – A Coragem de Ser Quem Somos. Abraço. Davi.

sexta-feira, 24 de julho de 2020

O SACRIFÍCIO DE ABRAÃO


Islamismo. www.ligaislamica.org.br. Texto de Sheikeh Mohamad Al Bukaí. O SACRIFÍCIO DE ABRAÃO. Irmãos e irmãs na fé, espero que a cada ano que se passa todos estejam em paz e peço a Allah para que os abençoe e que essas bênçãos alcancem a nossa nação islâmica, nos agraciando com a vitória, a dignidade e a ascensão em todos os aspectos da vida. Esta data nos leva a essa celebração e uma das mais belas da história da humanidade e que nos ensina uma profunda lição, especialmente para os crentes e para os que buscam o bem para a sua comunidade. Fazemos menção a essa história ano após ano, neste mesmo dia, de forma incansável. A data de hoje foi instituída com o nome de "festejos ou celebração do sacrifício" simbolizando o próprio ato de sacrifício e a total submissão e entrega a um propósito, nos remetendo à história de uma família muçulmana que entregou o seu destino incondicionalmente e diretamente nas mãos de Deus. As palavras de ordem que levaram essa família a essa submissão foram: 1 – Deus é o procurador de todos. 2 – a aceitação do destino que Deus reserva para cada um. 3 – ter a paciência necessária para suportar o martírio sem questionar os propósitos de Deus. Os fatos referentes a essa história começaram com o profeta de Deus, Ibrahim al Khalil – que quer dizer “Abraão, o companheiro de Deus – que a paz esteja com ele. Deus o escolheu para ser o Iman de toda a humanidade, vem outras palavras, o nosso condutor para a senda reta. Disse o Altíssimo: “Designar-te-ei Iman dos homens”. (Alcorão, 2:124). Logo no início de sua juventude, Abraão destruiu as estátuas que eram idolatradas no lugar de Deus, o Único. Por esta atitude, os líderes da comunidade o julgaram e o condenaram a morrer queimado na fogueira; começa aqui o primeiro sacrifício de Abraão, que arriscou sua própria vida para defender sua religião e sua crença. Deus o salvou desta calamidade ordenando para que a fogueira o tocasse dando-lhe a sensação de frescor e paz. Muito tempo depois, ao atingir a velhice, Deus lhe proporcionou a dádiva de uma esposa que logo gerou seu primeiro filho. Logo em seguida, Abraão recebeu a ordem de Deus para deixar a sua esposa Hejar (Hagar) e seu único filho na época, ainda lactante, em um local inóspito e desértico da nobre cidade de Meca. Abraão cumpriu a ordem sem questionar e sem se preocupar e temer pelo destino dos dois, fazendo desse ato o seu segundo sacrifício. Após alguns anos, Abraão recebeu a terceira e maior de todas as suas provações, não a ordem de sacrificar a si próprio, de sacrificar seu filho. Mais uma vez, Abraão superou a provação ao se apressar em cumprir a ordem de Deus, o Louvado, o Altíssimo. Abraão não estava só ao cumprir as ordens de Deus, sua esposa Hagar estava ao seu lado passando pelas mesmas provações e se dispondo de igual forma a fazer os sacrifícios solicitados por Deus, como na ocasião em que Abraão a levou junto de seu filho, Ismael, para Meca, Hagar pediu a Abraão que os deixassem lá e, dessa forma, declarou sua certeza de que Deus não os desampararia. Hagar deixou um exemplo para todas as mulheres crentes no que se referente à paciência, fé, coragem e sacrifício. Ismael, educado em ambiente onde os conceitos de fé e sacrifício eram bem claros, não se esquivou diante da ordem de Deus para que ele fosse imolado por seu pai e disse a Abraão: “cumpra a ordem de Deus, eu estarei entre os pacientes”. Irmãos e irmãs da nação islâmica, se observarmos todos os passos e rituais dos milhões de peregrinos, durante a peregrinação a Meca, todos os anos, o HAJJ, constataremos que quase tudo está relacionado a diversos momentos da vida de Abraão e sua família. A peregrinação é a perpetuação da memória de vida dessa família que jamais se esquivou diante de uma ordem de Deus, sempre disposta ao sacrifício com todos os meios ao seu alcance, almejando somente a proximidade de Deus, o Altíssimo, e, assim, alcançar as Suas bênçãos. Devido aos fatos narrados aqui, realizamos essa celebração que simboliza a vitória sobre o demônio por meio do cumprimento fiel das ordens de Deus; expressamos neste dia nossa imensa alegria por essa vitória. E nós, irmãos e irmãs? Com o que temos nos sacrificamos por nossa religião e por nossa fé para que sintamos essa mesma alegria em nossas vidas de forma particular? O sacrifício é o caminho e a trilha para todos aqueles que querem alcançar uma distinta posição aos olhos de Deus nesta vida terrena e na outra, depois da morte carnal. Foi esse o caminho seguido pelos profetas durante suas missões na Terra, pelos mártires, ascetas, os heróis magnânimos, sábios e todas as pessoas comuns que buscaram o conhecimento que nos leva a Deus. Assim, todos eles alcançaram a coragem que os levou à glória. Não existe na Terra um homem ou uma mulher que tenha alcançado uma distinta posição sem que tenha feito um grande sacrifício. Enquanto a maioria das pessoas está entretida com questões mundanas, buscando apenas por prazeres, encontramos poucas delas envolvidas e dedicadas aos livros, aos estudos, pesquisas e ao desenvolvimento da sua sociedade em geral. Essas poucas pessoas estão dedicando o tempo de suas vidas para atingir suas nobres metas e propósitos. Irmãos e irmãs crentes, há diversas maneiras para concretizarmos o sacrifício; podemos fazê-lo com o uso do dinheiro, despendendo-o em causas justas e caridades; por meio de trabalhos voluntários e dedicando o máximo de tempo possível a esta nobre causa; com o desapego às coisas supérfluas; e por meio do nosso desapego às questões mundanas, renunciando aos nossos prazeres e ao bem-estar quando necessário ou quando solicitado por Deus. Neste dia abençoado, dia da celebração do sacrifício, vamos pensar nos sacrifícios que poderemos fazer em beneficio e ascensão de nossa religião e nossa nação. Nossa religião cresceu e se desenvolveu às custas dos sacrifícios de homens e mulheres que não pouparam seus bens e patrimônios, valiosos ou não, suas vidas e o que lhes poderia ser mais valiosos. Esses atos têm de continuar se repetindo entre nós e com tudo o que possuímos, sejam bens materiais ou não. Peço a Deus, o Altíssimo, que nos recompense neste dia com a paz, a tranquilidade e as bênçãos. KOL 3AM WA ANTOM BIKHAIR (que todos os anos a paz os acompanhem). 06/11/11. Sheikh Mohamad Al Bukaí. www.ligaislamica.org.br. Abraço. Davi.

quarta-feira, 22 de julho de 2020

A ESTRUTURA DO MUNDO III


Religião Afro-brasileira. O Candomblé da Bahia – Rito Nagô. Tradução de Maria Isaura Pereira de Queiroz (1918-2018). Capítulo III. A ESTRUTURA DO MUNDO III.  O babalaô trabalha ou para os indivíduos, em caso de doença, de casamento, de viagens, etc., ou para a coletividade: os búzios são lançados a cada dia que começa, e a vida do candomblé, no transcurso das 24 horas que se seguem, será inteiramente determinada pelo odu que saiu. Assim é ele muitas vezes levado a aconselhar ou, melhor ainda, a ordenar aos assistentes banhos de folhas, remédios vegetais, isto é, passa do culto de Ifa para o culto de Ossaim. Como diz Lydia Cabrera (1899-1991), o babalaô "não está seguro" sem seu Exú e sem seu Ossaim. Aliás, uma das lendas africanas que acompanham os odu ensina que o axé se fez conhecer a Ifa e lhe explicou como proceder com as ervas para tornar seus atos eficazes. No entanto, babalorixá e ialorixá, por sua vez, não podem dispensar as ervas sagradas. Vimos já a importância dos banhos de folhas no ritual de iniciação. Estes, conforme o Orixá a que se pertence, são tomados dentro ou fora de casa, uma vez que existem Orixás do "ar livre" e Orixás que vivem no pegi interior do santuário. O batismo dos tambores, a oferenda de alimentos que lhes é feita uma vez por ano, requerem igualmente o preparo de um banho ou lavagem especial de folhas maceradas. E até as yauô, em sua existência cotidiana, são obrigadas a recorrer à virtude das ervas; uma vez por semana, no dia consagrado ao "dono da cabeça", tomam um banho em cuja composição entram folhas especiais pertencentes ao respectivo Orixá, o banho de amasin, isto é, de purificação. Tudo nos leva, pois, à mesma conclusão: de que é primordial a importância das "ervas" na vida dos africanos do Brasil. E poderíamos repetir, para a Bahia, o que Frobenius diz dos Yoruba da África: “É unicamente de Osseni (o nosso Ossaim) que emana a força mágica que vivifica os homens e os deuses". Leo Frobenius (1873-1938), todavia, interpreta o sacerdote de Ossaim como um feiticeiro e é exato que também na América o conhecimento das ervas - aquelas que envenenam, aquelas que despertam o amor nos corações rebeldes - teve como resultado a ligação do culto de Ossaim com a feitiçaria. Tanto mais que na luta dos escravos contra os senhores brancos o veneno era instrumento facilmente empregado; além disso, as negras, querendo melhorar seu status social tornando-se concubinas dos brancos, utilizavam também filtros de amor. Os próprios senhores de engenho e fazendeiros, no declinar da existência, esgotados pelos excessos amorosos de sua desenfreada poligamia, pediam muitas vezes aos negros de suas roças, que conheciam o segredo das ervas, afrodisíacos que lhes despertassem os sentidos. Isto posto, não deixa de ser verdade que a virtude das ervas não é virtude mágica e sim força de natureza religiosa e que o babalosaim, mesmo se nalgumas circunstancias tende para a feitiçaria, não é feiticeiro, é sacerdote, e é como sacerdote que vamos estudá-lo. Todos os autores que, pouco ou muito, se ocuparam com o culto de Ossaim, estão de acordo em reconhecer sua importância. Artur Ramos (1903-1949) observa, por exemplo, que na África os sacerdotes desta divindade fazem parte da primeira categoria sacerdotal ao lado dos babalaô, bem acima dos sacerdotes dos outros Orixá. Manoel Victorino dos Santos, na conferência que fez" no Congresso Afro-Brasileiro da Bahia, onde falou em nome dos membros dos candomblé, declarou: "todas as ervas são mágicas", querendo dizer com isto que todas elas têm uma virtude cujo conhecimento é indispensável na conduta dos candomblé. Quando Henri Georges Clouzot (1907-1977) firma um pacto com um babalorixá a fim de poder assistir às cerimônias de iniciação, deve em contraposição "não procurar desvendar o segredo das ervas". E já citei várias vezes a frase de um de meus informantes: "Todo o segredo do candomblé reside em suas ervas". Se algumas divindades, como Xangô de Ouro, não descem mais hoje, é porque as ervas que lhes permitiam se encarnar na cabeça dos fiéis não são mais encontradas. Dispomos, infelizmente, de poucas informações a respeito, justamente porque estamos tocando no "segredo" do candomblé; os sacerdotes se calam quando a questão é abordada. Faltam-nos informações circunstanciadas até sobre o que é "público" no culto de Ossaim, pois os africanistas, não sei porque razão, nunca mostraram muito interesse pela curiosa figura desse deus. E quando falam a seu respeito, os textos, além de muito curtos, contêm erros que os tornam inteiramente inutilizáveis. Artur Ramos, por exemplo, apresenta numa das fotografias a insígnia de Ossaim (um ferro com um dos lados pontudo para poder ser fincado na terra, e que traz na outra ponta um passarinho cercado de sete ramos) como sendo a de Exú, levado a esse engano sem dúvida pela designação de Exú como "Exú dos sete caminhos". Manuel Querino (1851-1923) aproxima Ossaim, que escreve "Ossonhe", de um espírito ameríndio, o Caipora, porque tanto um como o outro não têm senão uma perna. Nada há a reparar se se trata apenas de simples comparação entre duas mitologias; mas se Manuel Querino quer dar a entender que os negros adotaram o mito do Caipora, então o erro é manifesto. Ou mais exa-tamente, a identificação das duas divindades pernetas não tem lugar senão nos candomblés bantos, é desconhecida nos candomblés yoruba. Compreende-se certamente que os não iniciados possam confundir duas divindades que apresentam certo número de caracteres comuns. Mas se Ossaim não tem senão uma perna, não é devido a uma corrupção e assimilação com o Caipora; é simplesmente porque incorreu um dia na cólera de Xangô e, no decorrer da luta, perdeu uma perna (em Cuba, além disso, perdeu também um olho e um braço). Os autores que citam Ossaim interpretam-no como o deus da medicina; não é errado, mas a medicina não constitui senão um dos atributos desta divindade. Como já dissemos, ele preside a todos os rituais em que o emprego das ervas é indispensável - iniciação, banhos de purificação, etc. - e portanto seria melhor encará-lo como o dono das ervas e das plantas, a divindade da vegetação, antes do que da medicina. Como lfa, Ossaim também não se encarna. Seu sacerdote, babalosaim ou olosaim, da mesma forma que o babalaô, não conhece o transe; é antes de tudo aquele que se encarrega da colheita das ervas. Mas as ervas não são colhidas em qualquer lugar e de qualquer jeito, e este é ainda um dos elementos que distingue o babalosaim do simples curandeiro. Manuel Querino faz rápida referência a este ritual da colheita quando fala nas cerimônias de iniciação: "Uma pessoa entendida e de confiança", escreve ele (na realidade, trata-se do nosso babalosaim), "que esteja limpa de corpo", (isto é, que não entreteve relações sexuais na noite anterior), ''se dirige ao local levando oubi e pimenta da Costa na boca, mastiga-os e assim triturados, atira-os sobre a vegetação do campo; depois, dança, canta e coloca no chão qualquer quantia em dinheiro". A descrição permanece válida, mas precisa ser completada. Em primeiro lugar, as plantas encontradas no mato podem existir no quintal da casa, ou no jardim, mas assim domesticadas não apresentam valor algum. É preciso ir buscá-las no mato mesmo. Há oposição entre o mundo da cultura, de um lado, e o mundo selvagem, do outro. Ossaim não se aventura nos lugares em que o homem cultivou a terra e construiu casas, nos lugares em que disciplinou a natureza. É o deus do mato, e não das plantas cultivadas. Em segundo lugar, o babalosaim penetra no reino de Ossaim mastigando um obi (e talvez também pimenta); chegando ao seu domínio, volta-se sucessivamente para cada um dos quatro pontos cardeais e cospe nestas quatro direções o obi mastigado. Delimita assim, de certo modo, o espaço sagrado em que vai evoluir. Penetrando no mato, começa a cantar e não deixará de cantar enquanto não tiver saído; mesmo ao cortar um ramo de árvore, um cipó, ao arrancar ervas ou desenterrar uma planta, não pode interromper o canto. Pois, como veremos, embora Ossaim reine sobre todas as ervas, isto não impede que estas se classifiquem em categorias e que as diversas categorias estejam ligadas aos dife- . rentes Orixá. Conseguimos recolher num terreiro do Recife alguns desses cantos especiais, chamados "cantos , para tirar os axé da floresta". Todos obedecem a uma forma simples e monótona; são compostos de dois versos que indicam a divindade ligada à planta que se vai colher, seguidos de um terceiro verso sempre idêntico: tratarei (ou tirarei) o meu axé. Para as plantas de Ogun, por exemplo: Axé di Ogum niká di Ogun panà eu arei meu axé. E para as de Omolú: Axé di Omulú ornam di Omulú obetam eu arei meu axé ... etc. Não é somente num lugar determinado, consagrado - o mato selvagem - que as ervas devem ser colhidas. É preciso ainda colhê-las em horas determinadas: Com efeito, cada uma delas só pode ser colhida em certos dias ou certas noites, em certas horas do dia ou da noite. Algumas devem ser colhidas de madrugada, quando o sol começa a branquear o horizonte; outras devem ser arrancadas à meia-noite. Muitas devem ser colhidas na lua nova, enquanto outras só têm virtude se procuradas na lua cheia, e algumas delas em noites sem lua. E, do mesmo modo que os Orixá têm, cada um, um dia da semana, parece que há igualmente dias determinados para a colheita desta ou daquela planta; mas esse ponto não ficou bem esclarecido em minhas palestras com os babalosaim.  Finalmente, é preciso pedir a permissão de Ossaim para a colheita, e pagá-lo. Eis porque são deixadas junto à planta cortada algumas moedinhas ou um pedaço de fumo de corda. Para cortar o ramo, o cipó, o galho enfolhado, é utilizada uma faca especial, o obé. Ainda aqui encontramos certos enganos nas informações publicadas. Barbosa Rodrigues designa a faca de Ossaim com o nome de abébé, em lugar de obé. O abébé é um leque com o qual as divindades da água - Yemanjá ou Oxun - gostam de se divertir, e nunca uma faca. O babalosaim não se limita a colher as ervas, encarrega-se ainda de seu preparo. No entanto, enquanto dispomos para Cuba ou Haiti de boas descrições de como são confeccionados os "pacotes”, no Brasil nada sabemos a respeito. A única informação que possuímos é de que os cânticos dos axé também são entoados no interior dos santuários, que as filhas de santo entoam o cântico da planta e da divindade correspondentes, à qual pertencem; por exemplo, as filhas de Ogun cantam o cântico do axe de Ogun, as de Yemanjá o do axé de Yemanjá, etc.; e o coro de todas as filhas de santo reunidas responde em uníssono: Axé biu axé meu axé mio. Estas informações parecem indicar que o preparo das plantas dá lugar no Brasil, como nas outras partes da América negra, a cerimônias especiais. Mas não sabemos nem mesmo se esta preparação se faz ou não no pegi especial de Ossaim, pois Ossaim é "santo do ar livre". A planta de candomblé que apresentamos mostra bem para a Bahia este pegi separado dos outros, em pleno campo. No Recife e em Porto Alegre, Ossaim (ou Ossanhe) me foi sempre indicado como uma das três principais divindades obrigatoriamente adoradas fora da casa principal; as outras duas são Exú (ou Bara) e Oxossi (ou Ode). Um de nossos informantes sublinhava que, para preparar os banhos e as lavagens, é preciso quede a erva esteja viva. Eis porque, ajuntava, a dos ervanários não pode servir, ela perdeu a força ... vendem-na "seca". É preciso também esfregá-la, espremê-la, triturá-la com as mãos, e não com um pilão ou outro instrumento; é preciso quebrá-la viva entre os dedos. Página 161. Livro O Candomblé da Bahia Rito Nagô. Abraço. Davi

terça-feira, 21 de julho de 2020

A ARTE DE VIVER


Espiritualidade. www.oshobrasil.com.br. Texto de Rajnessh Chandra Mohan Jain - Osho (1931-1990). A ARTE DE VIVER. O homem nasce para atingir a vida, mas tudo depende dele. Ele pode perdê-la. Ele pode seguir respirando, ele pode seguir comendo, ele pode seguir envelhecendo, ele pode seguir se movendo em direção ao túmulo - mas isso não é vida. Isso é morte gradual, do berço ao túmulo, uma morte gradual com a duração de setenta anos. E porque milhões de pessoas ao redor de você estão morrendo essa morte lenta e gradual, você também começa a imitá-los.  As crianças aprendem tudo daqueles que estão em volta delas e nós estamos rodeados pelos mortos. Então temos que entender primeiro o que eu entendo por 'vida'. Ela não deve ser simplesmente envelhecer. Ela deve ser desenvolver-se. E isso são duas coisas diferentes. Envelhecer, qualquer animal é capaz. Desenvolver-se é prerrogativa dos seres humanos. Somente uns poucos reivindicam esse direito. Desenvolver-se significa mover-se a cada momento mais profundamente no princípio da vida; significa afastar-se da morte - não ir na direção da morte. Quanto mais profundo você vai para dentro da vida, mais entende a imortalidade dentro de você. Você está se afastando da morte: chega a um momento em que você pode ver que a morte não é nada, apenas um trocar de roupas ou trocar de casas, trocar de formas - nada morre, nada pode morrer. A morte é a maior ilusão que existe. Como desenvolver-se? Simplesmente observe uma árvore. Enquanto a árvore cresce, suas raízes crescem para baixo, tornam-se mais profundas. Existe um equilíbrio; quanto mais alto a árvore vai, mais fundo as raízes vão. Na vida, desenvolver-se significa crescer profundamente para dentro de si mesmo - que é onde suas raízes estão. Para mim o primeiro princípio da vida é meditação. Tudo o mais vem em segundo lugar. E a infância é o melhor momento. À medida que você envelhece, significa que você está chegando mais perto da morte, e se torna mais e mais difícil entrar em meditação. Meditação significa entrar na sua imortalidade, entrar na sua eternidade, entrar na sua divindade. E a criança é a pessoa mais qualificada porque ela ainda está sem a carga da educação, sem a carga de todo o tipo de lixo. Ela é inocente.  Mas infelizmente a sua inocência está sendo considerada como ignorância. Ignorância e inocência tem uma similaridade, mas elas não são a mesma coisa. Ignorância também é um estado de não conhecimento, tanto quanto a inocência é. Mas também existe uma grande diferença que passou despercebida por toda a humanidade até agora. A inocência não é instruída - mas também não é desejosa de ser instruída. Ela é totalmente contente, preenchida (...). O primeiro passo na arte de viver será criar uma linha de demarcação entre ignorância e inocência. Inocência tem que ser apoiada, protegida - porque a criança trouxe com ela o maior tesouro, o tesouro que os sábios encontram depois de esforços árduos. Os sábios têm dito que se tornaram crianças novamente, que eles renasceram (...). Sempre que você perceber que perdeu a oportunidade da vida, o primeiro princípio a ser trazido de volta é a inocência. Abandone o seu conhecimento, esqueça as suas escrituras, esqueça as suas religiões, suas teologias, suas filosofias. Nasça novamente, torne-se inocente - e a possibilidade está em suas mãos. Limpe a sua mente de todo conhecimento que não foi descoberto por você mesmo, de todo conhecimento que foi tomado emprestado dos outros, tudo o que veio pela tradição, convenção, tudo o que lhe foi dado pelos outros - pais, professores, universidades. Simplesmente desfaça-se disso. Novamente seja simples, mais uma vez seja uma criança. E esse milagre é possível pela meditação. Meditação é apenas um método cirúrgico não convencional que corta tudo aquilo que não é seu e só preserva aquilo que é o seu autêntico ser. Ela queima tudo o mais e o deixa nu, sozinho embaixo do sol, no vento. É como se você fosse o primeiro homem que tivesse descido na Terra - que nada sabe e que tem que descobrir tudo, que tem que ser um buscador, que tem que ir em peregrinação. O segundo princípio é a peregrinação. A vida deve ser uma busca - não um desejo, mas uma pesquisa: não uma ambição para tornar-se isso, para tornar-se aquilo, um presidente de um país, ou um primeiro-ministro, mas uma pesquisa para encontrar 'Quem sou eu?'. É muito estranho que as pessoas que não sabem quem elas são, estão tentando se tornar alguém. Elas nem mesmo sabem quem elas são neste momento! Elas não conhecem os seus seres - mas elas têm um objetivo de vir a ser. Vir a ser é a doença da alma. O ser é você e descobrir o seu ser é o começo da vida. Então cada momento é uma nova descoberta, cada momento traz uma alegria. Um novo mistério abre as suas portas, um novo amor começa a crescer em você, uma nova compaixão que você nunca sentiu antes, uma nova sensibilidade a respeito da beleza, a respeito da bondade. Você se torna tão sensível que até a menor folha de grama passa a ter uma importância imensa para você. Sua sensibilidade torna claro para você que essa pequena folha de grama é tão importante para a existência quanto a maior estrela; sem esse folha de grama, a existência seria menos do que é. E essa pequena folha de grama é única, ela é insubstituível, ela tem a sua própria individualidade. E essa sensibilidade criará novas amizades para você - amizades com árvores, com pássaros, com animais, com montanhas, com rios, com oceanos, com as estrelas. A vida se torna mais rica enquanto o amor cresce, enquanto a amizade cresce (...). Quando você se torna mais sensível, a vida se torna maior. Ela não é um pequeno poço, ela se torna oceânica. Ela não está confinada a você, sua esposa e seus filhos - ela não é confinada de jeito algum. Toda essa existência se torna a sua família e a não ser que toda essa existência seja a sua família, você não conheceu o que é a vida. - porque homem algum é uma ilha, nós estamos todos conectados. Nós somos um vasto continente, unidos de mil maneiras. E se o nosso coração não está cheio de amor pelo todo, na mesma proporção a nossa vida é diminuída. A meditação lhe traz sensibilidade, uma grande sensação de pertencer ao mundo. Este é o nosso mundo - as estrelas são nossas e nós não somos estrangeiros aqui. Nós pertencemos intrinsecamente à existência. Nós somos parte dela, nós somos o coração dela. Em segundo lugar, a meditação irá lhe trazer um grande silêncio - porque todo o lixo do conhecimento foi embora, pensamentos que são partes do conhecimento foram embora também (...). Um imenso silêncio e você é surpreendido - esse silêncio é a única música que existe. Toda música é um esforço para manifestar esse silêncio de algum modo. Os videntes do antigo oriente foram muito enfáticos a respeito da questão de que todas as grandes artes - música, poesia, dança, pintura, escultura - são todas nascidas da meditação. Elas são um esforço para, de algum modo, trazer o incompreensível para o mundo do conhecimento, para aqueles que não estão prontos para a peregrinação - presentes para aqueles que ainda não estão prontos para partirem na peregrinação. Talvez uma canção possa despertar um desejo de ir em busca da fonte, talvez uma estátua. Na próxima vez que em você entrar em um templo de Gautama Buda ou de Mahavira, sente-se silenciosamente e olhe a estátua (...) porque a estátua foi feita de tal forma, em tal proporção que se você olhá-la, você cairá em silêncio. É uma estátua de meditação; não é a respeito de Gautama Buda ou de Mahavira (...). Naquele estado oceânico, o corpo toma uma certa postura. Você próprio já observou isso, mas não estava alerta. Quando você está com raiva, você observou? seu corpo tomou uma certa postura. Na raiva você não pode manter as suas mãos abertas: na raiva, a mão se fecha. Na raiva você não pode sorrir - ou você pode? Com uma certa emoção, o corpo tem que seguir uma certa postura. Pequenas coisas estão profundamente relacionadas no interior (...). Uma certa ciência secreta foi usada por séculos, de modo que as gerações futuras pudessem entrar em contato com as experiências das gerações mais velhas - não através de livros, não através de palavras, mas através de algo que vai mais profundo - através do silêncio, através da meditação, através da paz. À medida que seu silêncio cresce, sua amizade cresce, seu amor cresce; sua vida se torna uma dança, momento a momento, uma alegria, uma celebração. Você já pensou sobre o porquê, em todo o mundo, em toda cultura, em toda sociedade, existem uns poucos dias no ano para a celebração? Esses poucos dias para a celebração são apenas uma compensação - porque essas sociedades tiraram toda a celebração de sua vida e se nada é dado para você em compensação, sua vida pode tornar-se um perigo para a cultura. Toda cultura criou alguma compensação e assim você não se sentirá completamente perdido na miséria, na tristeza... Mas essas compensações são falsas. Mas no seu mundo interior pode existir uma continuidade de luz, canções, alegria. Sempre lembre-se que a sociedade o compensa quando ela sente que a repressão pode explodir em uma situação perigosa se não for compensada. A sociedade encontra algum jeito de lhe permitir soltar a repressão. Mas isso não é a verdadeira celebração, e não pode ser verdadeira. A verdadeira celebração deveria vir de sua vida, na sua vida. E a celebração não pode estar de acordo com o calendário, que no primeiro dia de novembro você irá celebrar. Estranho, o ano todo você é miserável e no primeiro dia de novembro, de repente, você sai da miséria, dançando. Ou a miséria era falsa ou o primeiro de novembro é falso; ambos não podem ser verdadeiros. E uma vez que o primeiro de novembro se vai, você está de volta em seu buraco negro, todo mundo em sua miséria, todo mundo em sua ansiedade. A vida deveria ser uma celebração contínua, um festival de luzes por todo o ano. Somente então você pode se desenvolver, você pode florir. Transforme pequenas coisas em celebração (...). Tudo o que você faz deveria expressar a si próprio; deveria ter a sua assinatura. Então a vida se torna uma celebração contínua. Inclusive se você adoece e você está deitado na cama, você fará daqueles momentos de repouso, momentos de beleza e alegria, momentos de relaxamento e descanso, momentos de meditação, momentos para ouvir música ou poesia. Não há necessidade de ficar triste porque você está doente. Você deveria estar feliz porque todo mundo está no escritório e você está na cama como um rei, relaxando - alguém está preparando chá para você, o samovar está cantando uma canção, um amigo se oferece para vir e tocar flauta para você. Essas coisas são mais importantes do que qualquer remédio. Quando você está doente, chame um médico. Mas, mais importante, chame aqueles que o amam porque não existe remédio mais importante que o amor. Chame aqueles que podem criar beleza, música, poesia à sua volta, porque não existe nada que cure como uma atmosfera de celebração. O medicamento é o mais baixo tipo de tratamento. Mas parece que nós esquecemos tudo, assim nós temos que depender dos medicamentos e ficar rabugentos e tristes - como se você estivesse perdendo uma grande alegria que havia quando você estava no escritório! No escritório você era miserável - simplesmente um dia de folga, mas você também se agarra à miséria, você não a deixa ir. Faça todas as coisas criativas, faça o melhor a partir do pior - isso é o que eu chamo de arte. E se um homem viveu toda a vida fazendo a todo momento uma beleza, um amor, um desfrute, naturalmente a sua morte será o supremo pico no empenho de toda a sua vida. Os últimos toques (...) sua morte não será feia como ordinariamente acontece todo dia com todo mundo. Se a morte é feia, isso significa que toda a sua vida foi um desperdício. A morte deveria ser uma aceitação pacífica, uma entrada amorosa no desconhecido, um alegre despedir-se dos velhos amigos, do velho mundo (...). Comece com a meditação e muitas coisas crescerão em você - silêncio, serenidade, êxtase, sensibilidade. E o que quer que venha com a meditação, tente trazer para a sua vida. Compartilhe isso, porque tudo o que é compartilhado cresce mais rápido. E quando você atingir o momento da morte, você saberá que não existe morte. Você pode dizer adeus, não existe nenhuma necessidade de lágrima de tristeza - talvez lágrimas de felicidade, mas não de tristeza." www.oshobrasil.com.br. Abraço. Davi