Catolicismo. www.vantican.va.
SANTA MISSA NA SOLENIDADE DO CORPO SANTO E DO SANGUE DE CRISTO. Homilia do
Santo Padre Francisco. Basílica de São Pedro – Altar da Presidência. Domingo,
14 de junho de 2020. "Lembra-te de todo o caminho que o Senhor teu Deus te
fez seguir" (Deuteronômio 8,2). Lembre - se:
com este convite de Moisés, a Palavra de Deus foi aberta hoje, e pouco depois
Moisés reiterou: "Não se esqueça do Senhor, seu Deus" (cf. v.
14). As escrituras nos foram dadas para superar o esquecimento de Deus, e
quão importante é lembrá-lo quando oramos! Como ensina o Salmo, que diz:
"Lembro-me das maravilhas do Senhor, lembro-me das tuas maravilhas"
(77,12). Até as maravilhas e maravilhas que o Senhor fez em nossas
próprias vidas. É essencial lembrar o
bem recebido: sem lembrar, tornamo-nos estranhos para nós mesmos,
"transeuntes" da existência; sem memória, arrancamo-nos do solo
que nos nutre e nos deixamos levar como folhas pelo vento. Por outro lado,
lembrar é voltar aos laços mais fortes, sentir-se parte de uma história,
respirar com um povo. A memória não é uma coisa privada, é o caminho que
nos une a Deus e aos outros. É por isso que na Bíblia a memória do Senhor
deve ser passada de geração em geração, deve ser contada de pai para filho,
como uma bela passagem diz: «Quando, no futuro, seu filho lhe perguntar:“ O que
essas instruções significam [...] que o Senhor, nosso Deus, ele te deu? ",
você responderá a seu filho:" Nós éramos escravos [...] - toda a história
da escravidão - e o Senhor operou sinais e maravilhas diante de nossos olhos
"» (Deuteronômio 6,20-22). Você vai dar memória ao seu filho. Mas
há um problema: se a cadeia de transmissão de memórias é interrompida? E
então, como podemos lembrar o que ouvimos apenas sem ter
experimentado? Deus sabe o quão difícil é, ele sabe o quão frágil é a
nossa memória e, para nós, ele realizou uma coisa inédita: ele nos deixou um
memorial . Ele não nos deixou palavras, porque é fácil esquecer o
que você ouve. Ele não nos deixou apenas as Escrituras, porque é fácil
esquecer o que lemos. Ele não nos deixou apenas sinais, porque também
podemos esquecer o que vemos. Ele nos deu uma comida, e é difícil esquecer
um sabor. Ele nos deixou um pão no qual ele é, vivo e verdadeiro, com todo
o sabor do seu amor. Ao recebê-lo, podemos dizer: "Ele é o Senhor,
ele se lembra de mim!". Portanto, Jesus nos perguntou: «Faça isso em
memória de mim "( I Coríntios 11:24). Destino :
a Eucaristia não é uma lembrança simples, é um fato : é a
Páscoa do Senhor que vive para nós. Na missa, a morte e a ressurreição de
Jesus estão diante de nós. Faça isso em minha memória: junte-se
e como comunidade, como povo, como família, celebre a Eucaristia para lembrar
de mim. Não podemos evitar, é o memorial de Deus, pois cura nossa memória
ferida. Antes de tudo, cura nossa memória órfã. Vivemos
em uma era de grande orfanato. Cura a memória órfã. Muitos
têm lembranças marcadas pela falta de afeto e decepções abrasadoras, recebidas
por aqueles que deveriam ter dado amor e, em vez disso, tornaram o coração
órfão. Gostaríamos de voltar e mudar o passado, mas não podemos. No
entanto, Deus pode curar essas feridas colocando um amor maior em sua memória:
a dele. A Eucaristia nos traz o amor fiel do Pai, que cura nosso
orfanato. Dá-nos o amor de Jesus, que transformou um sepulcro de ponto de
chegada em ponto de partida e da mesma maneira pode derrubar nossas
vidas. Isso nos dá o amor do Espírito Santo, que consola, porque ele nunca
sai sozinho e cura feridas. Com a Eucaristia, o Senhor também cura nossa memória
negativa, a negatividade que vem tantas vezes em nosso coração. O
Senhor cura essa memória negativa, que sempre traz à tona as coisas erradas e
nos deixa com a triste ideia de que não somos bons para nada, de que apenas
cometemos erros, de que estamos "errados". Jesus vem nos dizer
que não é assim. Ele fica feliz por ter intimidade conosco e, toda vez que
o recebemos, ele nos lembra que somos preciosos: somos os convidados esperados
em seu banquete, os clientes que ele deseja. E não apenas porque ele é
generoso, mas porque ele está realmente apaixonado por nós: ele vê e ama o belo
e o bem que somos. O Senhor sabe que o mal e os pecados não são nossa
identidade; são doenças, infecções. E ele vem curá-los com a
Eucaristia, que contém os anticorpos para a nossa memória doentia da
negatividade. Com Jesus podemos nos imunizar da tristeza. Sempre
teremos nossas quedas diante de nossos olhos, nossos esforços, os problemas em
casa e no trabalho, nossos sonhos não realizados. Mas o peso deles não vai
nos esmagar porque, mais profundamente, há Jesus que nos encoraja com seu
amor. Aqui está a força da Eucaristia, que nos transforma em portadores
de Deus : portadores de alegria, não de negatividade. Podemos ir
à missa nos perguntar o que trazemos ao mundo? Nossa tristeza, nossa
amargura ou a alegria do Senhor? Tomamos a Comunhão e depois continuamos
reclamando, criticando e chorando sobre nós mesmos? Mas isso não melhora
nada, enquanto a alegria do Senhor muda vidas. Finalmente, a Eucaristia cura
nossa memória fechada. As feridas que mantemos por dentro não
criam problemas apenas para nós, mas também para os outros. Eles nos
deixam com medo e desconfiados: inicialmente fechados, a longo prazo, cínicos e
indiferentes. Eles nos levam a reagir aos outros com desapego e
arrogância, iludindo-nos de que dessa maneira podemos controlar as situações. Mas
é um engano: apenas o amor cura o medo em sua raiz e o liberta dos fechamentos
que aprisionam. O mesmo acontece com Jesus, vindo ao nosso encontro
gentilmente, na fragilidade desarmante do Host; Jesus também quebra o pão
para quebrar as conchas do nosso egoísmo; o mesmo acontece com Jesus, que
se entrega para nos dizer que somente se abrindo podemos nos libertar dos
bloqueios internos, da paralisia do coração. O Senhor, oferecendo-se a nós
tão simples quanto o pão, também nos convida a não desperdiçar a vida perseguindo
milhares de coisas inúteis que criam vícios e deixam o vazio interior. A
Eucaristia extingue a fome de coisas e acende o desejo de servir. Isso nos
eleva de nosso estilo de vida confortável e sedentário, e nos lembra que não
somos apenas bocas para alimentar, mas também somos as mãos dele para alimentar
os outros. Agora é urgente cuidar daqueles que têm fome de comida e
dignidade, daqueles que não trabalham e lutam para seguir em frente. E
faça isso de maneira concreta, como concreto é o Pão que Jesus nos
dá. Você precisa de proximidade real, precisa de verdade cadeias de
solidariedade. Na Eucaristia, Jesus se aproxima de nós: não
deixamos apenas aqueles que estão perto de nós! Queridos irmãos e irmãs,
continuemos a celebrar o Memorial que cura nossa memória - lembre-se: curando a
memória, a memória é a memória do coração - este memorial é a Missa. É um
tesouro colocar em primeiro lugar na Igreja e na vida. E, ao mesmo tempo,
redescobrimos a adoração, que continua o trabalho da Missa em nós. É bom
para nós, nos cura por dentro. Especialmente agora, realmente precisamos
disso. www.vaticano.va. Abraço. Davi
quarta-feira, 29 de julho de 2020
terça-feira, 28 de julho de 2020
III. A MULHER NO ISLAM
Islamismo. www.ccib.org.br. III. A MULHER NO ISLAM. Por Sherif
Abdel Azeem Mohammed. Há 5 anos atrás, li no Toronto Star, edição de 3.7.90, um
artigo intitulado "O Islam não está sozinho nas doutrinas
patriarcais", de Gwyne Dyer. O artigo descrevia as reações furiosas das
participantes de uma conferência sobre mulheres e poder, realizada em Montreal,
aos comentários da famosa feminista egípcia, doutora Nawal Saadawi.Suas
declarações "politicamente incorretas", incluíam: "os elementos
mais restritivos em relação às mulheres, podem ser encontrados, primeiro no
Judaísmo, Velho Testamento, depois no Cristianismo e, finalmente, no
Alcorão"; "todas as religiões são patriarcais porque elas provêm de
sociedades patriarcais"; e "o véu das mulheres não é uma prática
especificamente islâmica mas, sim, um herança cultural antiga, com analogia nas
religiões irmãs". As participantes não puderam ficar sentadas, enquanto
suas crenças estavam sendo igualadas ao Islam. Assim, a doutora Saadawi recebeu
uma avalanche de críticas. "Os comentários da doutora Saadawi eram
inaceitáveis. Suas respostas revelavam uma falta de compreensão acerca da fé
das outras pessoas" , declarou Bernice Dubois, do Movimento Mundial de
Mães. "Eu tenho que protestar", disse a participante Alice Shalvi, da
televisão feminina de Israel, "não existe o conceito do véu no
Judaísmo". O artigo atribuía esses furiosos protestos a uma forte
tendência no Ocidente de culpar o Islam por práticas que são muito mais uma
parte da própria herança cultural do Ocidente. "As feministas cristãs e
judias não irão se sentar para discutir, em igualdade de condições, com as más
muçulmanas", escreveu Gwyne Dyer. Não me surpreendeu que as participantes
da conferência tivessem uma tal visão negativa do Islam, especialmente por
envolver questões femininas. Acredita-se, no Ocidente, que o Islam é o símbolo
da subordinação das mulheres por excelência. A fim de compreendermos como está
enraizada tal crença, basta mencionar que o Ministro da Educação da França, a
terra de Voltaire, recentemente ordenou a expulsão das escolas francesas, de
todas as jovens muçulmanas que vestissem o Hijab! Na França é negado a uma
jovem muçulmana, que usa um lenço, o direito à educação, enquanto que
estudantes católicos podem usar uma cruz ou um estudante judeu pode usar o
solidéu. A cena de policiais franceses, impedindo jovens muçulmanas com as
cabeças cobertas de entrarem no colégio, é inesquecível. Este fato nos traz à
memória outra cena igualmente triste, a do Governador George Wallace, do
Alabama, em l962, em pé, defronte ao portão da escola, tentando bloquear a
entrada de estudantes negros, a fim de impedir a desagregação das escolas do
Alabama. A diferença entre as duas cenas é que os estudantes negros tiveram a
simpatia de muitas pessoas nos EUA e no mundo inteiro. O presidente Kennedy
enviou a Guarda Nacional Americana para forçar a entrada dos estudantes negros.
As moças muçulmanas, por outro lado, não receberam a ajuda de ninguém. Sua
causa parece ter muito pouca simpatia, tanto dentro da França como fora. A
razão é a incompreensão e o medo de tudo que seja islâmico no mundo atual. O
que mais me intrigou sobre a conferência de Montreal foi uma questão: As
declarações feitas por Saadawi, ou qualquer de suas críticas, são verdadeiras?
Em outras palavras, o Judaísmo, o Cristianismo e o Islam têm o mesmo conceito
sobre as mulheres? São tais conceitos diferentes? O Judaísmo e o Cristianismo,
na verdade, oferecem às mulheres um tratamento melhor do que o Islam? Qual é a
verdade? Não é tarefa fácil pesquisar e encontrar respostas para estas questões
difíceis. A primeira dificuldade é que a pessoa tem que ser honesta e objetiva
ou, pelo menos, fazer o máximo para o ser. Isto é o que o Islam ensina. O
Alcorão instruiu os muçulmanos a dizerem a verdade, mesmo que aqueles que
estejam próximos a eles não gostem disso: "... e se falardes, sede justo,
mesmo que se refira a um parente próximo" (6:152); "Ó aqueles que
creram, erijam a justiça na partilha, como testemunhas de Alá, ainda que contra
vós mesmos, ou seus pais ou seus parentes, ..." A outra grande dificuldade
é o fôlego irresistível do assunto. Por essa razão, durante os últimos anos,
passei muitas horas lendo a Bíblia, a Enciclopédia da Religião e a Enciclopédia
Judaica, na busca de respostas. Também li muitos livros que discutem a posição
das mulheres nas diferentes religiões, escritos por exegetas, apologistas e
críticos. O material apresentado nos capítulos seguintes representa as
descobertas importantes dessa humilde pesquisa. Eu não sou objetivo,
absolutamente. Isto está além da minha limitada capacidade. Tudo que posso
dizer é que tentei, através dessa pesquisa, me aproximar do ideal alcorâmico de
"falar imparcialmente". Gostaria de enfatizar nesta introdução, que
minha proposta para este estudo não é denegrir o Judaísmo ou o Cristianismo.
Como muçulmanos, acreditamos nas origens divinas de ambos. Ninguém pode ser
muçulmano sem acreditar em Moisés e Jesus como grandes profetas de Deus. Meu
intento é somente afirmar o Islam e pagar um tributo para a última mensagem
verdadeira de Deus para a raça humana. Também gostaria de enfatizar que me
preocupei somente com a Doutrina, isto é, minha preocupação é, principalmente,
a posição das mulheres nas três religiões, como aparece em suas fontes
originais, e não como é praticada por seus milhões de seguidores no mundo hoje.
Por causa disso, a maior parte das evidências citadas vêm do Alcorão, dos ditos
do Profeta Mohammad, da Bíblia, do Talmud e dos ditos de alguns dos mais
influentes padres da Igreja, cujos pontos de vista contribuíram imensamente
para definir e desenhar o Cristianismo. Muitas pessoas confundem cultura com
religião, e outras não sabem o que seus livros religiosos dizem, e outras
ainda, sequer se preocupam com disso. 1. O ERRO DE EVA? As três religiões
concordam com um fato básico: Tanto as mulheres como os homens foram criados
por Deus, o Criador de todo o Universo. Contudo, a divergência começa logo após
a criação do primeiro homem, Adão, e da primeira mulher, Eva. A concepção
judaico-cristã da criação de Adão e Eva está narrada detalhadamente em
(Gênesis, 2:4-3:24). Lá está dito que Deus proibiu o homem de comer do fruto da
árvore proibida. O Senhor Deus deu ao homem uma ordem, dizendo: "Podes
comer de todas as árvores do jardim. 17 Mas, da árvore do conhecimento do bem e
do mal não deves comer, porque no dia em que o fizeres serás condenado a
morrer". Também deu a mesma ordem à mulher. A serpente seduziu Eva para
que o comesse. E a mulher respondeu à serpente: "Do fruto das árvores do
jardim, Deus nos disse 'não comais dele nem sequer o toqueis, do contrário
morrereis." A serpente replicou à mulher: "De modo algum morrereis 5
É que Deus sabe que no dia em que dele comerdes, vossos olhos se abrirão e
sereis como deuses, conhecedores do bem e do mal". E Eva, por sua vez,
seduziu Adão para comer com ela. (Gênesis 6) A mulher notou que era tentador
comer da árvore, pois era atraente aos olhos e desejável para se alcançar
inteligência. Colheu o fruto, comeu-o e deu também ao marido, que estava junto.
E ele comeu. E quando Deus repreendeu Adão pelo que ele havia feito, ele
colocou a culpa em Eva. (Gênesis 11) Disse-lhe Deus: "E quem te disse que
estavas nu? Então, comeste da árvore, de cujo fruto te proibi?"12 E o
homem disse: "A mulher que me destes por companheira, foi ela que me fez
provar do fruto da árvore e eu o comi". Consequentemente, Deus disse a Eva
Gênesis 16: "Multiplicarei os sofrimentos de tua gravidez. Em meio a dores
darás à luz os filhos, a paixão arrastar-te-á para o marido e ele te
dominará". Para Adão Ele disse (Gênesis 17) "Porque ouviste a voz da
mulher e comeste da árvore, cujo fruto te proibi comer, amaldiçoada será a terra
por tua causa. Com fadiga tirarás dela o alimento durante toda a vida. 18
Produzirá para ti espinhos e abrolhos e tu comerás das ervas do campo. 19
Comerás o pão com o suor do rosto, até voltares à terra, de onde foste tirado.
Pois tu és pó e ao pó hás de voltar". O conceito islâmico da primeira
criação é encontrado em muitas passagens do Alcorão, como por exemplo: "E
dissemos ó! Adão, mora tu e tua zauj (mistura companheira) no Paraíso e comam
dele prosperamente onde lhes aprouver, e não vos aproximeis desta árvore e
então sereis dos injustos." (Alcorão 2:35). Então, Satanás sussurrou para
eles, a fim de revelar a ambos o que lhes havia sido ocultado de SAUÉTIHIMÉ
(suas ambas e outras igualmente presentes, invisíveis, não bons atributos) e,
então, disse: "Não vos proibiu a ambos, Vosso Senhor, desta árvore senão
de seres ambos convertidos em anjos ou de serem ambos dentre os imortais".
E jurou-lhes que era um conselheiro sincero. Assim, a ambos, DALLÉHUMÉ (indicou
a ambos em confiança, porém, com enganos, arrancando-os e enviando-os para
baixo, no que intencionou). Quando ambos provaram da árvore, divisaram ambos
suas SAUÉTIHIMÉ e começaram a cobrir-se com folhas do paraíso. E seu Senhor
chamou a ambos: "Eu não vos havia proibido daquela árvore e dito a ambos
que Satanás é vosso inimigo declarado?" Eles disseram: "Senhor Nosso.
Nós injustiçamos a nós mesmos e se Tu não nos perdoares, Te apiedares de nós,
certamente estaremos dentre os perdedores." (7:20:23). Um exame mais
cuidadoso dos dois relatos sobre a Criação, revela algumas diferenças
essenciais. O Alcorão, ao contrário da Bíblia, coloca a culpa igualmente em
Adão e Eva pelo erro de ambos. Não há no Alcorão a mais leve sugestão de que
Eva tentou Adão, ou mesmo que ela tenha comido do fruto antes dele. Eva, no Alcorão,
não é insinuante, sedutora ou vencida. Além do mais, Eva não pode ser culpada
pelas dores do parto. Deus, de acordo com o Alcorão, não pune ninguém pelas
faltas do outro. Ambos, Adão e Eva, cometeram um pecado e então pediram a Deus
o perdão, e Ele os perdoou. 2. O LEGADO DE EVA. A imagem de Eva na Bíblia, como uma
mulher sedutora, teve um impacto extremamente negativo para as mulheres através
da tradição judaico-cristã. Acreditava-se que todas as mulheres haviam herdado
de sua mãe, a bíblica Eva, tanto a sua culpa como a sua astúcia.
Consequentemente, as mulheres não eram dignas de confiança, eram moralmente
inferiores e más. Menstruação, gravidez e parto eram considerados punições
justas para uma culpa eterna do amaldiçoado sexo feminino. A fim de examinarmos
como foi negativo o impacto da Eva bíblica sobre sua descendência feminina,
temos que olhar para os escritos de alguns do mais importantes judeus e
cristãos de todos os tempos. Comecemos pelo Velho Testamento, e olhemos para
alguns excertos da chamada Literatura da Sabedoria, onde encontramos: "Eu
acho a mulher um pouco pior do que a morte, porque ela é uma armadilha, cujo
coração é um alçapão e cujas mãos são cadeias. O homem que agrada a Deus foge
dela, mas ao pecador ela o aprisionará ... enquanto eu estava procurando, e não
estava encontrando, achei um homem correto entre mil, mas não encontrei uma só
mulher correta entre todas elas" (Eclesiastes 7:26-28). Em outra parte da
literatura hebraica, que é encontrada na bíblia católica, nós lemos: "Nenhuma
maldade está mais próxima do que a maldade de uma mulher" ... "O
pecado começa com a mulher e, graças a ela, todos nós devemos morrer".
(Eclesiastes 25:19,24). Os rabinos judeus listaram nove maldições infligidas às
mulheres, como resultado da Queda: "Para a mulher Ele deu nove maldições e
a morte: o peso do sangue da menstruação e o sangue da virgindade; o peso da
gravidez; o peso do parto; o peso de educar crianças; sua cabeça é coberta como
no luto; ela fura a orelha como uma escrava permanente, ou escrava que serve ao
seu senhor; ela não deve ser tomada por testemunha; e depois de tudo -- a
morte". (2) Nos dias atuais, judeus ortodoxos, em suas preces matinais
diárias, recitam "Abençoado seja Deus, Rei do universo que não nos fez
mulher". As mulheres, por outro lado, agradecem a Deus cada manhã por
"me fazer de acordo com Tua vontade". (3) Outra oração encontrada em
muitos livros de preces judeus: "Louvado seja Deus que não me criou
gentio. Louvado seja Deus que não me criou mulher. Louvado seja Deus que não me
criou ignorante". (4) A Eva bíblica desempenhou um papel mais importante
no Cristianismo do que no Judaísmo. Seu pecado foi a base de toda a fé cristã,
porque a concepção cristã da razão da missão de Jesus Cristo na terra provém da
desobediência de Eva. Ela pecou e, então, seduziu Adão para segui-la em seu
propósito. Consequentemente, Deus expulsou a ambos do céu para a terra, que foi
amaldiçoada por causa deles. Eles herdaram seus pecados, os quais não foram
perdoados por Deus e, por isso, todos os humanos nascem em pecado. A fim de
purificar os seres humanos do "pecado original", Deus teve que
sacrificar, na cruz, Jesus, que é considerado o filho de Deus. Em razão disso,
Eva é culpada de seu próprio pecado, do pecado de seu marido, do pecado original
de toda a humanidade e da morte do Filho de Deus. Em outras palavras, uma só
mulher, agindo por conta própria, causou toda a queda da humanidade (5). O que
dizer sobre suas filhas? Elas são pecadoras como Eva e devem ser tratadas como
tal. Ouçam o tom severo de São Paulo no Novo Testamento: Uma mulher deve
aprender em calma e total submissão. Eu não permito a uma mulher ensinar ou ter
autoridade sobre um homem; ela deve ser calada. Porque Adão foi feito primeiro,
e depois Eva. E Adão não foi o que perdeu, foi a mulher que perdeu e se tornou
pecadora (I Timóteo 2:11-14). São Tertuliano foi mais brando que São Paulo,
quando falava "às queridas irmãs" na fé. Ele dizia (6): "Vocês
sabem que cada uma de vocês é uma Eva? A sentença de Deus sobre o sexo de vocês
subsiste até agora: a culpa necessariamente subsiste também. Vocês são a porta
de entrada para o Diabo: Vocês são a marca da árvore proibida: Vocês são as
primeiras desertoras da divina lei: Vocês são aquelas que persuadiram o homem
de que o diabo não precisava ser atacado. Vocês destruíram tão facilmente a
imagem de Deus, o homem. Por causa de sua deserção, o Filho de Deus teve que
morrer". Santo Agostinho foi fiel ao legado de seus antecessores. Ele
escreveu a um amigo: "Qual é a diferença, seja uma esposa ou uma mãe,
ainda assim é da Eva tentadora que devemos nos precaver em qualquer mulher. Eu
não consigo ver qual o uso que uma mulher pode ter para um homem, exceto a
função de dar à luz crianças". Séculos mais tarde, São Tomás de Aquino
ainda considerava a mulher como um defeito: "Com relação à natureza
individual, a mulher é defeituosa e mal feita, porque a força ativa na semente
masculina tende para a produção de uma perfeita semelhança no sexo masculino;
enquanto que a produção da mulher provém de um defeito na força ativa ou de
alguma indisposição material, ou mesmo de algumas influências externas". Finalmente,
o famoso reformador Martinho Lutero não conseguia ver qualquer benefício em uma
mulher, a não ser trazer ao mundo tantas crianças quanto possível, apesar das
conseqüências: "Se elas se cansarem ou mesmo morrerem, isto não é
problema. Deixe-as morrer no parto, é para isso que estão aqui". Muitas
vezes as mulheres foram denegridas por causa da imagem de Eva como a tentadora,
graças ao relato em Gênesis. Para resumir, a concepção judaico-cristã sobre as
mulheres foi envenenada pela crença na natureza pecaminosa de Eva e de sua
descendência feminina. Se agora voltarmos nossa atenção para o que o Alcorão
diz sobre as mulheres, logo perceberemos que a concepção islâmica sobre elas é
radicalmente diferente daquela encontrada no conceito judaico-cristão. Deixemos
que o Alcorão fale por si mesmo: "Quanto aos muçulmanos e muçulmanas, aos
fiéis e às fiéis, aos devotados e às devotadas, aos verdadeiros e às
verdadeiras, aos homens e mulheres que são perseverantes, aos homens e mulheres
que são humildes, para os homens e mulheres que fazem a caridade, para os
homens e mulheres que jejuam, aos homens e mulheres que guardam a castidade, e
aos homens e mulheres que se comprometem em louvar Alá, para todos eles Alá
preparou o perdão e uma grande recompensa" (33:35). "Os crentes,
homens e mulheres, são protetores uns dos outros: usufruem do que é justo e
proíbem o mal, observam as preces regulares, praticam a caridade regularmente e
obedecem a Alá e Seu Mensageiro. Sobre eles Alá despejará Sua Misericórdia:
porque Alá é Exaltado em poder e sabedoria" (9:71) "E seu Senhor
respondeu a eles: Verdadeiramente, jamais perderei a obra de qualquer um de
vós, seja homem ou mulher, porque procedeis uns do outros" (3:195) "Quem
cometer uma iniquidade será pago na mesma moeda e aquele que praticar o bem,
seja homem ou mulher, e é um crente, entrará no Jardim de felicidade"
(40:40) "Quem praticar o bem, seja homem ou mulher, e for fiel,
concederemos uma vida agradável e premiaremos com uma recompensa, de acordo com
o melhor de suas ações" (16:97). Está claro que a visão do Alcorão a
respeito da mulher não difere da do homem. Ambos são criaturas de Deus e têm
como sublime meta adorar seu Senhor, fazer boas ações e evitar o mal e por isso
serão avaliados harmoniosamente. O Alcorão jamais menciona que a mulher é a
porta de entrada para o mal ou que ela é uma enganadora por excelência. O
Alcorão também jamais menciona que o homem é a imagem de Deus. Homens e
mulheres são suas criaturas e só. De acordo com o Alcorão, o papel da mulher na
terra não está limitado somente ao parto. Dela se exige fazer boas ações, tanto
quanto é exigido dos homens. O Alcorão nunca diz que jamais existiu uma mulher
correta. Pelo contrário, o Alcorão instruiu a todos os crentes, homens e
mulheres, a seguir o exemplo daquelas mulheres , tais como a Virgem Maria e a
esposa do Faraó: "E Deus dá, como exemplo aos fiéis, o da esposa do Faraó,
que disse: Ó Senhor meu, construí, junto a ti, uma morada no Paraíso e livra-me
do Faraó e de suas ações, e salva-me dos iníquos! E com Maria, filha de Imram,
que conservou seu pudor e a qual alentamos com o Nosso Espírito; e ela
testemunhou a verdade das palavras de seu Senhor e de Suas revelações e era uma
das devotas" (66:11/13). 3. FILHAS VERGONHOSAS? Realmente, a
diferença entre a atitude bíblica e a alcorâmica, em relação ao sexo feminino,
começa logo que a mulher nasce. Por exemplo, a Bíblia estabelece que o período
do ritual materno da impureza é duas vezes mais longo no caso do nascimento de
uma menina do que no de um menino (Levítico 12:2-5) . A Bíblia Católica
estabelece explicitamente que: "O nascimento de uma filha é uma
prejuízo" (Eclesiastes 22:3). Em contraste com essa absurda declaração, os
meninos recebem especial louvor: "Um homem que educa seu filho será
invejado por seu inimigo" (Eclesiastes 30:3). Os rabinos judeus tornaram
uma obrigação para os homens produzirem uma descendência, a fim de propagar a
raça. Ao mesmo tempo, eles não escondiam sua preferência por meninos: "É
bom para aqueles cujas crianças são meninos, mas é mau para aqueles cujas
crianças são meninas", " no nascimento de um menino tudo é alegria
... no nascimento de uma menina tudo é tristeza", e "Quando um menino
chega ao mundo, a paz chega ao mundo ... Quando uma menina chega ao mundo, nada
chega". (7) Uma filha é considerada um peso doloroso, uma fonte potencial
de vergonha para seu pai: "Sua filha é teimosa? Mantenha um olhar firme
para que ela não faça de você um motivo de gargalhada para seus inimigos, de
falatório na cidade, objeto de fofocas e coloque você em situação de vergonha
pública" (Eclesiastes 42:11). Mantenha uma filha teimosa sob firme
controle ou ela abusará de qualquer indulgência que receba. Mantenha vigilância
sobre seu olho sem-vergonha, não se surpreenda se ela o desgraçar"
(Eclesiastes 26:10-11). Foi esta mesma idéia de tratar as filhas como fonte de
vergonha, que levou os árabes pagãos , antes do advento do Islam, a praticar o
infanticídio feminino. O Alcorão condena vigorosamente esta prática hedionda: "Quando
a algum deles é anunciado o nascimento de uma filha o seu semblante se
entristece e fica angustiado. Oculta-se do seu povo, pela má notícia que lhe
foi anunciada: deixá-la-á viver, envergonhado, ou a enterrará viva? Que péssimo
é o que julgam." (16:58/59). Deve ser dito que, este crime sinistro,
jamais teria parado na Arábia, não fora a força dos termos que o Alcorão usou
para condenar tal prática (l6:59, 43:17, 8l:8/9). Além disso, o Alcorão não faz
distinção entre meninos e meninas. Em contraste com a Bíblia, o Alcorão
considera o nascimento de uma mulher como um presente e uma bênção de Deus, da
mesma forma que o nascimento de um menino. O Alcorão sempre menciona o presente
do nascimento feminino primeiro: "A Alá pertence o domínio dos céus e da
terra. Ele cria o que lhe apraz. Concede filhas a quem quer e filhos a quem lhe
apraz" (42:49). A fim de apagar qualquer traço do infanticídio feminino na
nascente sociedade muçulmana, o Profeta Mohammad prometeu àqueles que fossem
abençoados com filhas uma grande recompensa, se eles as tratassem gentilmente:
"Aquele que se ocupa da educação das filhas e as trata benevolentemente,
estará protegido contra o Inferno" (Bukhari e Muslim). "Aquele que
mantém duas meninas, até que elas atinjam a maturidade, ele e eu chegaremos no
dia da ressurreição desse modo: e ele juntou seus dedos" (Muslim). www.ccib.org.br. Abraço. Davi.
segunda-feira, 27 de julho de 2020
RELACIONAMENTO DO SIGNO DE VIRGEM COM OUTROS SIGNOS
Astrologia. Zodíaco. www.universa.uol.com.br. Sinastria (1) dos
Signos. RELACIONAMENTO DO SIGNO DE VIRGEM (23 de agosto a 22 de setembro) COM
OUTROS SIGNOS.
VIRGEM E ÁRIES. Apesar de terem personalidades
contrastantes, esses dois signos têm possibilidade de se complementar. Virgem
valoriza a praticidade, a utilidade, a segurança material e profissional. Áries
aprecia novas iniciativas e fortes emoções. É destemido e confiante. Virgem
costuma ser conservador, comprometido, crítico, atento aos detalhes – busca
qualidade em todos os níveis. Áries é impulsivo, enérgico e individualista e
não gosta de se sentir preso ou entediado. No entanto, se ambos superarem essas
diferenças, a parceria poderá ser duradoura. Numa relação profissional, virgem
proporciona o raciocínio lógico e o trabalho metódico. Áries contribui com seu
instinto para decisões e competitividade. O grande desafio é equilibrar a
impulsividade ariana com a capacidade analítica e crítica virginiana.
Sexualmente, é importante que busquem se conhecer melhor para que haja
compreensão e intimidade. Virgem gosta de se sentir intelectualmente
estimulado; Áries prefere agir de forma impetuosa e apaixonada. VIRGEM E
TOURO. Esses dois signos possuem o elemento
Terra em comum: gostam de cultivar a praticidade, de construir, realizar e
manter os pés no chão. Os dois são trabalhadores, tradicionais, caseiros e
racionais. Precisam se sentir seguros para gozar de uma rotina organizada, como
também pensar no futuro para garantir uma boa velhice. Na questão sexual, a
conexão entre eles tende a ganhar sintonia com o tempo e ir melhorando. Mas há
algumas diferenças. Touro é mais tranquilo, paciente, carinhoso e romântico.
Virgem é mais exigente, expressivo, inteligente e metódico. O virginiano deve
tomar cuidado com o excesso de críticas, pois em algum momento o pacato taurino
irá perder a paciência e explodir. De qualquer forma, eles têm pontos de vista
semelhantes em relação aos assuntos econômicos. Tanto Virgem quanto Touro
buscam a segurança material. Com lealdade e firmeza, essa combinação tem
potencial para alcançar todas as metas a que se propuserem, caso eles tirem
proveito das qualidades e dos pontos fortes um do outro. VIRGEM E
GÊMEOS. Apesar de terem o planeta regente
(Mercúrio) com algumas qualidades em comum, são dois signos muito diversos, o
que pode significar uma união enriquecedora se ambos souberem se respeitar e
fazer concessões. Na relação sexual, caso estejam dispostos, a sintonia será
aprimorada ao longo do tempo. São signos inteligentes e que têm facilidade para
passar horas conversando sobre projetos, experiências, ideias. Mas, no início,
é possível que haja desentendimentos. É importante que exista diálogo, estímulo
intelectual e sinceridade entre eles. Para que a parceria se torne longa e
sólida, Gêmeos deve compreender a necessidade virginiana de qualidade,
detalhamento e perfeição. Ao mesmo tempo, Virgem deve aprender com o geminiano
a rir e a se divertir mais, não se cobrar tanto nem levar a vida tão a sério.
Quando conseguirem apreciar as respectivas qualidades, poderão até se casar: Gêmeos
admirando a praticidade e a objetividade de Virgem; e Virgem sentindo-se
rejuvenescido pela vivacidade e leveza do geminiano. VIRGEM E
CÂNCER. É possível que a atração e o amor
entre esses signos apareçam aos poucos, a partir de uma amizade, por exemplo.
Depois de certo tempo, é provável que percebam como se completam, já que as
qualidades de um cobrem as carências do outro. Câncer é acolhedor, emotivo,
ligado ao lar e à família. Virgem é prático, detalhista, racional e dedicado. O
carinho, o cuidado, a simplicidade e o estilo atencioso de Câncer fará com que
o virginiano se sinta mais tranquilo e relaxado. Já o canceriano vai admirar a
inteligência, a honestidade e a objetividade de Virgem. A sensibilidade de
Câncer contribui para adoçar a vida prática e organizada de Virgem. Ao mesmo
tempo, a boa capacidade de discernimento e o olhar detalhista do virginiano
tendem a colocar ordem no caótico mundo dos cancerianos. Ambos têm interesses
em comum: valorizam a segurança, a economia, a simplicidade e a fertilidade,
além de serem mais tímidos e retraídos. Com diálogo e fidelidade, podem ter uma
relação duradoura e uma família numerosa, se assim o quiserem. VIRGEM E
LEÃO. Com naturezas muito diferentes,
contraditoriamente podem se complementar, principalmente na questão
profissional. A praticidade, o foco no detalhe e as habilidades estratégicas de
Virgem servirão de grande suporte para os projetos criativos e ambiciosos de
Leão. Numa união amorosa, se houver comprometimento e respeito por suas
divergências, eles conseguirão ficar juntos. Essa tendência será fortalecida se
tiverem outros aspectos favoráveis em seus mapas astrológicos. O desafio é que
encontrem um equilíbrio entre o lado exuberante, exibicionista, divertido e
extrovertido de Leão, com a natureza tímida, objetiva, retraída, racional e
observadora de Virgem. A perspectiva é que Leão dê as ordens e Virgem as
execute. É importante que o leonino abaixe a guarda do orgulho, da vaidade e da
arrogância para reconhecer seus limites, suas falhas e aceitar as sugestões do
virginiano, que provavelmente serão realistas e objetivas. Por sua vez, Virgem
absorverá o bom humor e a confiança de Leão, adoçando suas palavras com amor
para que suas críticas sejam ouvidas. VIRGEM E VIRGEM. Este casal pode descobrir muito interesses em comum: são práticos,
inteligentes, observadores, dedicados e trabalhadores. Sexualmente têm chances
de se entender. A desvantagem é que os dois também podem revelar os mesmos
defeitos: são críticos, detalhistas, perfeccionistas e exigentes. É fundamental
que façam concessões e sejam mais tolerantes com seu parceiro. Se houver amor e
se as exigências forem superadas, conseguirão manter uma relação fiel e
duradoura. A parceria profissional também tem muitas possibilidades, pois os
virginianos gostam de se sentir úteis, de aprimorar técnicas e desenvolver sua
habilidade. O risco é o de ficarem presos na rotina, portanto, devem programar juntos
atividades de lazer. Ambos são cuidadosos com as finanças. A união será baseada
na honestidade e na prudência, sem grandes arrebatamentos emocionais. É
provável que a relação não seja muito romântica, pois os virginianos são mais
objetivos e têm certa dificuldade de expressar os sentimentos. Sua forma de
demonstrar carinho é através de pequenos gestos e atitudes concretas. VIRGEM E
LIBRA. Embora tenham afinidades
complementares, são signos com naturezas divergentes. Libra é regido por Vênus:
cordial, sociável, diplomático, romântico e sedutor. Virgem é regido por
Mercúrio: racional, prático, tímido, crítico e exigente. Mas ambos são
prudentes, lógicos, inteligentes e ponderados. É possível que o amor surja
depois de uma amizade, já que nenhum dos dois traz tendência para atos
impulsivos. No que diz respeito à vida sexual, haverá cumplicidade. O libriano
é conciliador e gosta de cultivar suas habilidades sociais. Tem apurado senso
estético, busca a harmonia e o equilíbrio e está sempre sugerindo novas ideias.
O virginiano aprecia essas qualidades e se encantará com a leveza, o otimismo,
a alegria e as longas conversas com o ponderado libriano. Ao mesmo tempo, Libra
pode ouvir as críticas, sugestões e análises do observador virginiano e
levá-las em consideração. Assim, a vida em comum se tornará harmoniosa. Mas têm
de encontrar o equilíbrio estre os deveres e as responsabilidades do lar e a
vida social. Caso contrário, pode haver discussões. VIRGEM E
ESCORPIÃO. Aqui temos o encontro de perfis
exigentes, com fortes personalidades e com naturezas muito distintas. Há poucas
chances para um relacionamento duradouro, a não ser que haja outros pontos
favoráveis nos mapas astrológicos dos dois. Virgem é prático, metódico,
racional e independente. Escorpião é emocional, intenso, profundo e apaixonado.
Embora as diferenças incomodem no princípio, é provável que sejam compreendidas
e superadas. Sexualmente, os dois precisam se sentir seguros para que possam se
abrir. O ciúme de Escorpião e as críticas de Virgem podem desgastar o
relacionamento. Os escorpianos são mais corajosos e intuitivos do que o
prudente virginiano. Para que relação avance, o grande desafio é conquistarem o
respeito mútuo e controlarem sua tendência de exigir demais. Esta é uma boa
combinação para projetos profissionais, parcerias de negócios e investimentos.
Escorpião contribui com sua força e sua capacidade investigativa, e Virgem
colabora com seu método, suas técnicas e sua organização. VIRGEM E
SAGITÁRIO. A princípio, é possível que Sagitário
admire a inteligência, a capacidade de discernimento e o senso crítico de
Virgem. Por sua vez, Virgem se interessará pelos conhecimentos e pelo senso de
justiça de Sagitário. Mas depois as diferenças tendem a prevalecer. Sagitário
busca liberdade, aventuras e conquistas. Virgem procura estabilidade,
praticidade e segurança. Sagitário é corajoso, otimista, entusiasmado e
bem-humorado. Virgem é prudente, cauteloso, racional, sério e reservado. No
quesito sexual, há diferenças de estilo. Virgem é mais tímido e retraído,
enquanto Sagitário gosta de experimentar. Ambos cultivam estímulo intelectual,
parceria nos estudos, gostam de dialogar e programar atividades culturais.
Virgem traz mais organização e incentivos para os talentos e as ambições de
Sagitário, que pode trabalhar um pouco mais, cultivando mais objetividade.
Sagitário se sentirá, com certeza, mais confortável e seguro, graças à
estabilidade proporcionada por Virgem. Ao mesmo tempo, o nativo de Virgem pode
se inspirar com o espírito corajoso, confiante e entusiasmado de Sagitário. VIRGEM E
CAPRICÓRNIO. Essa pode ser uma combinação muito
produtiva para os projetos profissionais, os negócios e os investimentos, já
que se trata de dois signos de Terra, muito práticos, objetivos, trabalhadores,
sérios e compenetrados. Mas a relação afetiva e sexual pode deixar a desejar, a
não ser que a dupla conte com outros aspectos favoráveis em seus mapas
astrológicos. A união tende a ficar enfadonha e monótona. Além disso, ambos são
críticos e exigentes. Porém, é possível que haja uma certa compatibilidade,
porque seus desejos são semelhantes, já que não são signos impulsivos, gostam
de aprimorar a sintonia aos poucos. É o tipo de união que pode ficar cada vez
mais afinada. Virgem estimula o diálogo, o desenvolvimento intelectual os
estudos e planejamentos de Capricórnio. Já Capricórnio traz mais estrutura,
estratégia, perseverança e determinação para Virgem. Capricórnio costuma ser
mais ambicioso, traça metas, planeja cada passo para chegar ao sucesso. Neste
sentido, Virgem tende a ser o parceiro ideal, pois é dedicado, trabalhador,
mais simples e não cultiva inveja. VIRGEM E AQUÁRIO. Um relacionamento entre dois signos com naturezas tão adversas pode ser
dificultoso. Virgem é um signo de Terra: conservador, prático, crítico e
perfeccionista. Aquário é um signo de Ar: contestador, excêntrico, ousado e
questionador. Na parte sexual, ambos têm preferências distintas. Aquário
costuma ser mais curioso e aberto para novas experiências. Virgem é mais
tímido, mas na medida em que ganha confiança e intimidade, acaba se soltando.
Enquanto o virginiano é metódico, o aquariano é avesso às regras: Virgem coloca
ordem no caos, Aquário coloca o caos na ordem. É preciso que se conheçam bem,
respeitem e aceitem suas diferenças. Para que esta combinação tenha sucesso,
cada um, com sua inteligência, deve aprender a aproveitar os pontos fortes do
parceiro. Virgem tentando ser um pouco menos prudente e mais ousado, para se
adaptar à versatilidade de Aquário. Por sua vez, Aquário aprendendo com Virgem
a ser mais atento, responsável e dedicado. Se investirem nisso, há chances de
surgir uma relação duradoura. VIRGEM E PEIXES. Esta é uma combinação de dois signos opostos e complementares.
Justamente por isso, podem se integrar: Peixes trazendo mais romance, fantasia
e imaginação para o mundo burocrático e metódico de Virgem, que pode levar um
pouco de praticidade, ordem e segurança para o sonhador Peixes. Sexualmente, há
chance de haver química e atração. Ambos se entenderão, desde que Virgem deixe
um pouco de lado seu conservadorismo e abra seu coração para Peixes, que
costuma ser sensível, carinhoso e sedutor. Por causa das diferenças, há alguns
riscos: Peixes pode se incomodar com a frieza, a rigidez, o perfeccionismo de
Virgem; Virgem tende a ficar desconcertado com a falta de senso prático, o
sentimentalismo, a distração e as loucuras de Peixes. Virgem deve aprender com
Peixes que um pouco de desordem, de fé e de entrega faz bem à alma. Já o
pisciano encontrará no virginiano um ótimo apoio para que possa estruturar seus
projetos e transformar seus sonhos em realidade. Com suas qualidades
combinadas, o casal pode formar um lar acolhedor e ao mesmo tempo organizado e
criativo.
Referência: (1). Sinastria – é uma técnica
utilizada na astrologia para verificar o grau de compatibilidade numa relação
(afetiva, profissional ou familiar) entre duas pessoas. Esse procedimento faz
uso do MAPA ASTRAL, recorrendo aos perfis astrológicos de um indivíduo e seu
parceiro. Requer encontrar um profissional, caso deseje realizar o método do
mapa, recomendado e capacitado na ciência astrológica. Deve ter registro
profissional na instituição ou sindicato que regula a prática em sua região ou
estado. Abraço.
domingo, 26 de julho de 2020
NASCIMENTO I
Espiritualidade.
Texto de Sri Prem Baba (1951- ). Capítulo. I. NASCIMENTO I. NASCE UM
POTENCIAL. Neste plano físico, para fazermos uma viagem, precisamos de um meio
de transporte. No que diz respeito ao trânsito da alma rumo à consciência
divina, precisamos passar pela consciência humana. E para vivermos essa
experiência aqui na Terra, usufruindo de uma personalidade humana, se faz
necessário um veículo, pois o espírito não teria como viver tal experiência sem
uma estrutura psíquica projetada para desenvolver um ego. Ego e corpo formam um
veículo, um instrumento projetado para que o espírito possa viver essa
experiência material. PRINCÍPIO DA IDEIA DE EU. A alma é a porção individual do
espírito que se manifesta através desse veículo. Ela é a ponte entre os planos
material e espiritual. A alma acompanha o Ser em toda a sua jornada evolutiva,
por meio dos ciclos de mortes e renascimentos, e deixa de existir quando a
consciência individual se expande e se funde na consciência cósmica. Essa é a
forma que a consciência encontra para se expandir através do ser humano no
plano material. Assim como uma planta nasce e cresce a partir de uma semente, a
consciência cósmica se manifesta e se expande através de uma consciência
individual. Nesse sentido, o ego é como uma semente que é plantada na Terra com
o objetivo de se desenvolver, amadurecer e gerar frutos. Essa semente traz
consigo um potencial divino que irá se expressar de maneira particular por meio
de cada um de nós. Existem muitas definições para a palavra ego. Aqui me refiro
a ela como o princípio da individualização, ou ainda como o princípio da ideia
de eu. Apesar de ter uma função muito importante no projeto divino de expansão
da consciência (cuja meta, em última instância, é restabelecer o estado de
Unidade), o ego também representa o nascimento de um senso de separação, ou
seja, é o princípio da ideia de que somos separados uns dos outros. Por termos
um corpo, uma forma, a mente cria essa ilusão de separação. De fato, no nível
físico, que é o nível das aparências, nós estamos separados, mas no nível do espírito
somos apenas um. Entretanto, essa ilusão faz parte do jogo divino aqui na Terra
e está a serviço da expansão da consciência. Ela é o que, na cosmovisão hindu,
é chamado de mahamaya, a grande ilusão. Ao mesmo tempo em que encobre nossa
visão com o véu da dualidade, mahamaya é também a nossa grande professora.
Através dela, aprendemos aquilo que precisamos aprender e aos poucos vamos
começando a enxergar além dela. Mahamaya é uma distorção da realidade que pode
tomar muitas formas, entre elas o egoísmo – a doença do ego. SEMENTES DE AMOR.
Quando nos permitirmos contemplar e nos deixar envolver pela beleza da vida,
observando os fenômenos da natureza, percebemos que tudo é fantástico e que,
certamente, a vida vai muito além dessa realidade cotidiana que captamos
através dos nossos olhos físicos. Você já se perguntou como é possível frutos e
flores dos mais diversos tamanhos, cores, fragrâncias e sabores simplesmente
brotarem de árvores? Isso é fantástico. Mesmo sabendo como a natureza funciona,
se puder observar esses fenômenos com mais profundidade imediatamente você
perceberá quão extraordinária ela é. A semente é um exemplo disso. De um
pequeno grão nasce uma majestosa árvore. A semente contém em si uma porção
mínima, um quantum de uma essência que é impressa em um código genético. Nesse
código, estão as informações sobre o seu potencial máximo, que é também aquilo
que ela vai realizar quando for plantada na Terra. E o seu potencial máximo são
os frutos que ela vai dar. Da mesma maneira, nós, seres humanos, trazemos uma
porção da consciência divina que deseja se expandir e se expressar através de
nós. Também trazemos um código, um programa, algo a ser realizado. Esse
programa é o propósito da alma. Nós viemos para este mundo justamente para
realizar esse propósito, que também costumo chamar de visão – uma visão a ser
compartilhada com o mundo. O propósito se manifesta de forma muito particular
em cada um de nós. Cada alma individual chega aqui com um programa específico a
ser realizado, e esse programa ou propósito individual está alinhado com o
propósito maior da vida. Estou me referindo ao que, na sabedoria milenar do
Yoga, é conhecido como dharma – a lei Universal que rega a vida e une todos os
seres em torno do mesmo propósito. Em última instância, o dharma, ou propósito
maior da humanidade, é a expansão da consciência, mas costumo dizer que é o
despertar do amor, pois a consciência se expande através dele. Saber qual é o
propósito é saber o que viemos fazer aqui. E o que viemos fazer aqui está
intimamente relacionado àquilo que somos em essência, ou seja, o programa
individual da alma está relacionado à consciência do Ser. Assim como a
laranjeira só pode das laranjas, o ser humano só pode dar um tipo de fruto: o
amor, pois o amor é a sua essência. Entretanto, o amor é um fruto que pode se
manifestar de infinitas formas. Cada alma traz consigo dons e talentos que são
a maneira única por meio da qual o amor se expressa através de nós. DESAFIOS DE
CRESCIMENTO. Ao mesmo tempo em que cada alma traz consigo dons e talentos, que
são suas virtudes e potencialidades a serem desenvolvidas, ela traz também
desafios que servirão para o seu crescimento. Certos desafios são parte do
próprio programa da alma e encontram-se impressos no DNA, como as doenças
genéticas e determinadas limitações físicas. Outros serão gerados a partir das
escolhas que a alma fizer no decorrer da encarnação. Mas, independentemente de
sua natureza, os desafios são instrumentos de aprendizado. Também comparo esses
desafios ou obstáculos a lugares de parada na jornada da alma em evolução. A
viagem é longa e muitas vezes nos sentimos cansados. Às vezes parar para
abastecer e nos alimentar, às vezes para cumprir acordos em lugares
específicos. Mas toda parada serve para, de alguma maneira, nos recuperarmos e
absorvermos aprendizados. As pausas servem para revermos o mapa da vida e nos
situarmos na jornada. Nesses momentos, também podemos rever os lugares por onde
andamos e os buracos pelos quais passamos, a fim de evitar novas quedas. Mas
paramos, principalmente, para resgatar partes nossas que ficaram presas no
passado e para absorver determinadas lições. E, dessa forma, vamos nos
fortalecendo para seguir rumo ao destino final. Esses lugares de parada, onde a
alma estaciona temporariamente para absorver determinados aprendizados e se
libertar da cadeia de reações geradas pelas ações equivocadas do passado, são o
que chamamos de Karma. Essa palavra em sânscrito significa literalmente “ação”,
mas se refere a uma lei cósmica – a lei de causa e efeito (ação e reação), que
determina que todo efeito tem uma causa: tudo que se manifesta agora em nossas
vidas é um produto das nossas ações do passado. Para toda ação, existe uma
reação. Assim, o Karma envolve não somente a ação, mas também a reação inerente
a ela. Uma via do Yoga, chamada de Karma Yoga (o yoga da ação), fala sobre a
prática da “não ação”, que é uma ação que não gera reação – uma causa sem
efeito. Entretanto, para uma ação não gerar reação, ela precisa ser desprovida
de interesses egoístas. Esse é o fundamento básico do Karma Yoga (yoga da
ação), cujo principal instrumento é a ação ou o serviço desinteressado. Muito
se fala em Yoga hoje em dia, mas pouco se sabe de verdade sobre ele. Yoga não é
simplesmente um sistema de posturas físicas e meditação. Yoga é um grande
conjunto de técnicas e ferramentas capazes de atuar em todos os níveis do nosso
sistema (físico, mental, psicoemocional, energético e espiritual) que tem a
função de nos ajudar a reconectar com a realidade maior, com a nossa essência, ou
ainda com a nossa verdadeira identidade. Por isso Yoga é um caminho de auto
realização ou de libertação. Ao reconhecermos nossa verdadeira identidade, nos
tornamos livres para ser quem somos. Karma Yoga é o caminho da liberdade
através da ação, é a via do Yoga que conduz à auto realização por meio do
serviço desinteressado. A ação desinteressada nos liberta, pois ela possibilita
que deixemos de produzir reações e, consequentemente, que nos libertemos da
teia do Karma. Mas isso é possível somente quando Karma (ação) e dharma
(propósito) estão alinhados, o que significa que nossas ações correspondem ao
que de fato viemos fazer aqui. Quanto mais alinhadas estiverem com o propósito
maior, menos efeitos nossas ações causarão e mais consciência elas trarão ao Planeta,
pois o propósito da alma individual está diretamente ligado ao dharma e ao
Karma coletivo. INFLUÊNCIAS EXTERNAS. Vimos que existe um propósito interno (da
alma), um programa que nasce com a pessoa. Mas também existe um outro
propósito, que é externo – um programa que é formado no decorrer da vida,
juntamente com o desenvolvimento do ego e através do contato com a sociedade.
Esse programa que é elaborado com base em influências externas é o que chamarei
aqui de “programa do ego”. O programa do ego, além de depender de fatores
externos, também vai depender do Karma, pois é ele que determina as condições
nas quais a criança chega neste plano. Dependendo das condições sociais, do
nível de conhecimento do desenvolvimento espiritual da família, a criança poderá
aprender determinadas lições, desenvolver determinadas habilidades e consolidar
valores e virtudes da alma. Ao mesmo tempo, ela poderá sofrer
traumas e criar imagens (cenários psicológicos fixos ou congelados) e crenças
limitantes que farão parte dessa programação. O propósito do ego, o propósito
externo, é como a casca de uma fruta, é uma camada superficial que encobre o
verdadeiro programa da alma. A casca, no entanto, também tem uma função. Ela
serve como uma proteção para que o ego possa se desenvolver e construir o que
for necessário para a sua experiência. Mas chega um momento em que essa camada
externa precisa ser retirada para que o verdadeiro propósito possa se
manifestar plenamente. Da mesma forma que precisamos retirar a casca da fruta
para saboreá-la, esse programa externo precisa ser removido para que o programa
interno se revele. A entidade humana chega a este plano livre, amando e
confiando. Ao nascer, a criança ainda tem uma lembrança de quem ela é e do que
veio fazer aqui. Mas com o passar do tempo, através do contato com o mundo, ela
vai cedendo a influências externas, adquirindo crenças e reprimindo sua
expressão natural. Como sabemos, a fundação da personalidade acontece depois,
nos próximos sete anos, mas a fundação é feita nos sete primeiros anos. E as
crenças instaladas nesse período irão permear toda a vida da pessoa. Então logo
cedo a criança começa a sentir-se carente e insegura: ela começa a sentir
ciúme, raiva e inveja (...). E isso não acontece por acaso. Ela aprende isso
com aqueles que estão ao seu redor, prioritariamente com os pais, mas também
com os educadores e demais familiares próximos. Essas pessoas participam do
processo de desenvolvimento da personalidade daquela alma. E, por ignorância,
acabam transferindo para a criança as suas misérias e carências. Com isso é
estabelecido um círculo vicioso no qual ignorância procria ignorância. Quando a
criança começa a frequentar a escola e inicia uma vida social, ela recebe novos
inputs, entrada (além dos que chegam através dos pais e familiares) sobre
aquilo que, supostamente, é certo ou errado; sobre aquilo que ela deveria ser e
fazer na vida (o que em geral não é o que ela gostaria de ser e fazer). Novos
limites e regras são impostos, novas ideias (preconceitos, opiniões, crenças)
são transmitidas. É verdade que, para o seu próprio bem, o jovem precisa de
limites e regras, mas ninguém ensina que determinadas regras precisarão ser
abandonadas, pois elas devem estar a serviço do desenvolvimento da consciência,
e não o contrário. Todo ser humano traz consigo uma visão em prol do
desenvolvimento sustentável do Planeta. Ele traz uma sabedoria, um poder. Mas,
normalmente, devido a essas influências externas, sua visão vai sendo
esquecida, e seu poder vai sendo contido. E na medida em que seu poder é
contido, isso se volta contra ele. Forças contrárias ao seu propósito são
criadas. O programa da alma impele a pessoa a se mover numa direção, mas a
mente condicionada por fatores externos faz com que ela siga em outra. Essa
contradição gera sofrimento. ESQUECIMENTO DA VISÃO. Podemos, de forma
sintética, dizer que estamos aqui para realizar um trânsito do estado de
esquecimento para o estado de lembrança – lembrança de quem somos e do que
viemos fazer aqui, pois, como já vimos, ao chegarmos nesta Terra, somos
envoltos por um véu de ilusão que atua através do esquecimento. Normalmente,
até o início da juventude, uma pessoa ainda tem a visão clara daquilo que veio
fazer: carrega um forte anseio, traz consigo sonhos que são expressões do seu
propósito, mas aos poucos vai se esquecendo e acreditando nas vozes externas
que insistem em dizer que esse sonho é impossível de ser realizado, que esse
caminho não é bom, ou, ainda que a pessoa não tem capacidade para isso. Aos
poucos, ela vai cedendo a essas vozes até que desiste e se esquece
completamente dos seus sonhos e passa a sonhar o sonho dos outros. Se já teve a
oportunidade de acompanhar o crescimento de uma criança, você sabe que ela
nasce confiando e amando com toda a sua pureza. A criança que ainda não foi
corrompida e contaminada pelas crenças e misérias dos adultos à sua volta
simplesmente segura na mão do pai e da mãe e vai com eles, sem saber par onde a
estão levando. Contudo, aos poucos, ela deixa de confiar. Começa a ser atingida
pelo medo na forma da desconfiança e da insegurança, e pelo ódio na forma da
raiva e da vingança. Mas por que isso acontece? Porque ensinam isso para ela.
Desde cedo, a criança aprende que é uma vítima das circunstâncias externas e
com isso também aprende que precisa se defender. Aos poucos, vai criando os
mais variados mecanismos de defesa e adquirindo crenças e condicionamentos
limitantes. Tais mecanismos são limitantes, porque, ao mesmo tempo em que
servem para proteção, geram separação e esquecimento. Os muros que você
constrói ao seu redor para se proteger são os mesmos que o mantêm isolado no
mundo. Esse conjunto de mecanismos de proteção e esquecimento constitui o que
costumo chamar de “natureza inferior” ou “eu inferior” ou ainda “maldade”. Isso
que conhecemos como maldade nada mais é do que um conjunto de mecanismos de
defesa que o humano desenvolve desde cedo na vida para se proteger da dor dos
choques de humilhação, rejeição e exclusão. Ao falar de maldade, não estou me
referindo ao comportamento exclusivo dos criminosos e corruptos, pois todos nós
sofremos choques dessa natureza. Portanto, todos nós carregamos um tanto de
maldade. E quanto mais maldade uma pessoa manifesta, mais dor ela carrega no
seu sistema. Livro: Propósito – A Coragem de Ser Quem Somos. Abraço. Davi.
sexta-feira, 24 de julho de 2020
O SACRIFÍCIO DE ABRAÃO
Islamismo.
www.ligaislamica.org.br. Texto de
Sheikeh Mohamad Al Bukaí. O SACRIFÍCIO DE ABRAÃO. Irmãos e irmãs na fé, espero
que a cada ano que se passa todos estejam em paz e peço a Allah para que os
abençoe e que essas bênçãos alcancem a nossa nação islâmica, nos agraciando com
a vitória, a dignidade e a ascensão em todos os aspectos da vida. Esta data nos leva a essa celebração e uma das mais belas da história da
humanidade e que nos ensina uma profunda lição, especialmente para os crentes e
para os que buscam o bem para a sua comunidade. Fazemos menção a essa história ano após ano, neste mesmo dia, de forma
incansável. A data de hoje foi instituída com o nome de "festejos ou
celebração do sacrifício" simbolizando o próprio ato de sacrifício e a
total submissão e entrega a um propósito, nos remetendo à história de uma
família muçulmana que entregou o seu destino incondicionalmente e diretamente
nas mãos de Deus. As palavras de ordem que levaram essa família a essa submissão foram: 1 – Deus é o procurador de todos. 2 – a aceitação do destino que Deus reserva para cada um. 3 – ter a paciência necessária para suportar o martírio sem questionar os
propósitos de Deus. Os fatos referentes a essa história começaram com o profeta de Deus, Ibrahim al
Khalil – que quer dizer “Abraão, o companheiro de Deus – que a paz esteja com
ele. Deus o escolheu para ser o Iman de toda a humanidade, vem outras palavras, o
nosso condutor para a senda reta. Disse o Altíssimo: “Designar-te-ei Iman dos
homens”. (Alcorão, 2:124). Logo no início de sua juventude, Abraão destruiu as estátuas que eram
idolatradas no lugar de Deus, o Único. Por esta atitude, os líderes da
comunidade o julgaram e o condenaram a morrer queimado na fogueira; começa aqui
o primeiro sacrifício de Abraão, que arriscou sua própria vida para defender
sua religião e sua crença. Deus o salvou desta calamidade ordenando para que a fogueira o tocasse
dando-lhe a sensação de frescor e paz. Muito tempo depois, ao atingir a
velhice, Deus lhe proporcionou a dádiva de uma esposa que logo gerou seu
primeiro filho. Logo em seguida, Abraão recebeu a ordem de Deus para deixar a
sua esposa Hejar (Hagar) e seu único filho na época, ainda lactante, em um
local inóspito e desértico da nobre cidade de Meca. Abraão cumpriu a ordem sem
questionar e sem se preocupar e temer pelo destino dos dois, fazendo desse ato
o seu segundo sacrifício. Após alguns anos, Abraão recebeu a terceira e maior
de todas as suas provações, não a ordem de sacrificar a si próprio, de
sacrificar seu filho. Mais uma vez, Abraão superou a provação ao se apressar em
cumprir a ordem de Deus, o Louvado, o Altíssimo. Abraão não estava só ao cumprir as ordens de Deus, sua esposa Hagar estava ao
seu lado passando pelas mesmas provações e se dispondo de igual forma a fazer
os sacrifícios solicitados por Deus, como na ocasião em que Abraão a levou
junto de seu filho, Ismael, para Meca, Hagar pediu a Abraão que os deixassem lá
e, dessa forma, declarou sua certeza de que Deus não os desampararia. Hagar
deixou um exemplo para todas as mulheres crentes no que se referente à
paciência, fé, coragem e sacrifício. Ismael, educado em ambiente onde os
conceitos de fé e sacrifício eram bem claros, não se esquivou diante da ordem
de Deus para que ele fosse imolado por seu pai e disse a Abraão: “cumpra a
ordem de Deus, eu estarei entre os pacientes”. Irmãos e irmãs da nação islâmica, se observarmos todos os passos e rituais dos
milhões de peregrinos, durante a peregrinação a Meca, todos os anos, o HAJJ,
constataremos que quase tudo está relacionado a diversos momentos da vida de
Abraão e sua família. A peregrinação é a perpetuação da memória de vida dessa
família que jamais se esquivou diante de uma ordem de Deus, sempre disposta ao
sacrifício com todos os meios ao seu alcance, almejando somente a proximidade
de Deus, o Altíssimo, e, assim, alcançar as Suas bênçãos. Devido aos fatos narrados aqui, realizamos essa celebração que simboliza a
vitória sobre o demônio por meio do cumprimento fiel das ordens de Deus;
expressamos neste dia nossa imensa alegria por essa vitória. E nós, irmãos e
irmãs? Com o que temos nos sacrificamos por nossa religião e por nossa fé para
que sintamos essa mesma alegria em nossas vidas de forma particular? O sacrifício é o caminho e a trilha para todos aqueles que querem alcançar uma
distinta posição aos olhos de Deus nesta vida terrena e na outra, depois da
morte carnal. Foi esse o caminho seguido pelos profetas durante suas missões na
Terra, pelos mártires, ascetas, os heróis magnânimos, sábios e todas as pessoas
comuns que buscaram o conhecimento que nos leva a Deus. Assim, todos eles
alcançaram a coragem que os levou à glória. Não existe na Terra um homem ou uma mulher que tenha alcançado uma distinta
posição sem que tenha feito um grande sacrifício. Enquanto a maioria das
pessoas está entretida com questões mundanas, buscando apenas por prazeres,
encontramos poucas delas envolvidas e dedicadas aos livros, aos estudos,
pesquisas e ao desenvolvimento da sua sociedade em geral. Essas poucas pessoas
estão dedicando o tempo de suas vidas para atingir suas nobres metas e
propósitos. Irmãos e irmãs crentes, há diversas maneiras para concretizarmos o sacrifício;
podemos fazê-lo com o uso do dinheiro, despendendo-o em causas justas e
caridades; por meio de trabalhos voluntários e dedicando o máximo de tempo
possível a esta nobre causa; com o desapego às coisas supérfluas; e por meio do
nosso desapego às questões mundanas, renunciando aos nossos prazeres e ao
bem-estar quando necessário ou quando solicitado por Deus. Neste dia abençoado, dia da celebração do sacrifício, vamos pensar nos
sacrifícios que poderemos fazer em beneficio e ascensão de nossa religião e
nossa nação. Nossa religião cresceu e se desenvolveu às custas dos sacrifícios de homens e
mulheres que não pouparam seus bens e patrimônios, valiosos ou não, suas vidas
e o que lhes poderia ser mais valiosos. Esses atos têm de continuar se
repetindo entre nós e com tudo o que possuímos, sejam bens materiais ou não. Peço a Deus, o Altíssimo, que nos recompense neste dia com a paz, a
tranquilidade e as bênçãos. KOL 3AM WA ANTOM BIKHAIR (que todos os anos a paz
os acompanhem). 06/11/11. Sheikh Mohamad Al Bukaí. www.ligaislamica.org.br. Abraço.
Davi.
quarta-feira, 22 de julho de 2020
A ESTRUTURA DO MUNDO III
Religião
Afro-brasileira. O Candomblé da Bahia – Rito Nagô. Tradução de Maria Isaura
Pereira de Queiroz (1918-2018). Capítulo III. A ESTRUTURA DO MUNDO III. O babalaô trabalha ou para os indivíduos, em
caso de doença, de casamento, de viagens, etc., ou para a coletividade: os
búzios são lançados a cada dia que começa, e a vida do candomblé, no transcurso
das 24 horas que se seguem, será inteiramente determinada pelo odu que saiu.
Assim é ele muitas vezes levado a aconselhar ou, melhor ainda, a ordenar aos
assistentes banhos de folhas, remédios vegetais, isto é, passa do culto de Ifa
para o culto de Ossaim. Como diz Lydia Cabrera (1899-1991), o babalaô "não
está seguro" sem seu Exú e sem seu Ossaim. Aliás, uma das lendas africanas
que acompanham os odu ensina que o axé se fez conhecer a Ifa e lhe explicou
como proceder com as ervas para tornar seus atos eficazes. No entanto,
babalorixá e ialorixá, por sua vez, não podem dispensar as ervas sagradas.
Vimos já a importância dos banhos de folhas no ritual de iniciação. Estes,
conforme o Orixá a que se pertence, são tomados dentro ou fora de casa, uma vez
que existem Orixás do "ar livre" e Orixás que vivem no pegi interior
do santuário. O batismo dos tambores, a oferenda de alimentos que lhes é feita
uma vez por ano, requerem igualmente o preparo de um banho ou lavagem especial
de folhas maceradas. E até as yauô, em sua existência cotidiana, são obrigadas
a recorrer à virtude das ervas; uma vez por semana, no dia consagrado ao
"dono da cabeça", tomam um banho em cuja composição entram folhas
especiais pertencentes ao respectivo Orixá, o banho de amasin, isto é, de
purificação. Tudo nos leva, pois, à mesma conclusão: de que é primordial a
importância das "ervas" na vida dos africanos do Brasil. E poderíamos
repetir, para a Bahia, o que Frobenius diz dos Yoruba da África: “É unicamente
de Osseni (o nosso Ossaim) que emana a força mágica que vivifica os homens e os
deuses". Leo Frobenius (1873-1938), todavia, interpreta o sacerdote de
Ossaim como um feiticeiro e é exato que também na América o conhecimento das
ervas - aquelas que envenenam, aquelas que despertam o amor nos corações
rebeldes - teve como resultado a ligação do culto de Ossaim com a feitiçaria.
Tanto mais que na luta dos escravos contra os senhores brancos o veneno era
instrumento facilmente empregado; além disso, as negras, querendo melhorar seu
status social tornando-se concubinas dos brancos, utilizavam também filtros de
amor. Os próprios senhores de engenho e fazendeiros, no declinar da existência,
esgotados pelos excessos amorosos de sua desenfreada poligamia, pediam muitas
vezes aos negros de suas roças, que conheciam o segredo das ervas, afrodisíacos
que lhes despertassem os sentidos. Isto posto, não deixa de ser verdade que a
virtude das ervas não é virtude mágica e sim força de natureza religiosa e que
o babalosaim, mesmo se nalgumas circunstancias tende para a feitiçaria, não é
feiticeiro, é sacerdote, e é como sacerdote que vamos estudá-lo. Todos os autores
que, pouco ou muito, se ocuparam com o culto de Ossaim, estão de acordo em
reconhecer sua importância. Artur Ramos (1903-1949) observa, por exemplo, que
na África os sacerdotes desta divindade fazem parte da primeira categoria
sacerdotal ao lado dos babalaô, bem acima dos sacerdotes dos outros Orixá.
Manoel Victorino dos Santos, na conferência que fez" no Congresso
Afro-Brasileiro da Bahia, onde falou em nome dos membros dos candomblé,
declarou: "todas as ervas são mágicas", querendo dizer com isto que todas
elas têm uma virtude cujo conhecimento é indispensável na conduta dos
candomblé. Quando Henri Georges Clouzot (1907-1977) firma um pacto com um
babalorixá a fim de poder assistir às cerimônias de iniciação, deve em
contraposição "não procurar desvendar o segredo das ervas". E já
citei várias vezes a frase de um de meus informantes: "Todo o segredo do
candomblé reside em suas ervas". Se algumas divindades, como Xangô de
Ouro, não descem mais hoje, é porque as ervas que lhes permitiam se encarnar na
cabeça dos fiéis não são mais encontradas. Dispomos, infelizmente, de poucas
informações a respeito, justamente porque estamos tocando no
"segredo" do candomblé; os sacerdotes se calam quando a questão é
abordada. Faltam-nos informações circunstanciadas até sobre o que é
"público" no culto de Ossaim, pois os africanistas, não sei porque
razão, nunca mostraram muito interesse pela curiosa figura desse deus. E quando
falam a seu respeito, os textos, além de muito curtos, contêm erros que os
tornam inteiramente inutilizáveis. Artur Ramos, por exemplo, apresenta numa das
fotografias a insígnia de Ossaim (um ferro com um dos lados pontudo para poder
ser fincado na terra, e que traz na outra ponta um passarinho cercado de sete
ramos) como sendo a de Exú, levado a esse engano sem dúvida pela designação de
Exú como "Exú dos sete caminhos". Manuel Querino (1851-1923) aproxima
Ossaim, que escreve "Ossonhe", de um espírito ameríndio, o Caipora,
porque tanto um como o outro não têm senão uma perna. Nada há a reparar se se trata
apenas de simples comparação entre duas mitologias; mas se Manuel Querino quer
dar a entender que os negros adotaram o mito do Caipora, então o erro é
manifesto. Ou mais exa-tamente, a identificação das duas divindades pernetas
não tem lugar senão nos candomblés bantos, é desconhecida nos candomblés
yoruba. Compreende-se certamente que os não iniciados possam confundir duas
divindades que apresentam certo número de caracteres comuns. Mas se Ossaim não
tem senão uma perna, não é devido a uma corrupção e assimilação com o Caipora;
é simplesmente porque incorreu um dia na cólera de Xangô e, no decorrer da
luta, perdeu uma perna (em Cuba, além disso, perdeu também um olho e um braço).
Os autores que citam Ossaim interpretam-no como o deus da medicina; não é
errado, mas a medicina não constitui senão um dos atributos desta divindade.
Como já dissemos, ele preside a todos os rituais em que o emprego das ervas é
indispensável - iniciação, banhos de purificação, etc. - e portanto seria
melhor encará-lo como o dono das ervas e das plantas, a divindade da vegetação,
antes do que da medicina. Como lfa, Ossaim também não se encarna. Seu
sacerdote, babalosaim ou olosaim, da mesma forma que o babalaô, não conhece o
transe; é antes de tudo aquele que se encarrega da colheita das ervas. Mas as
ervas não são colhidas em qualquer lugar e de qualquer jeito, e este é ainda um
dos elementos que distingue o babalosaim do simples curandeiro. Manuel Querino
faz rápida referência a este ritual da colheita quando fala nas cerimônias de
iniciação: "Uma pessoa entendida e de confiança", escreve ele (na
realidade, trata-se do nosso babalosaim), "que esteja limpa de
corpo", (isto é, que não entreteve relações sexuais na noite anterior),
''se dirige ao local levando oubi e pimenta da Costa na boca, mastiga-os e
assim triturados, atira-os sobre a vegetação do campo; depois, dança, canta e
coloca no chão qualquer quantia em dinheiro". A descrição permanece
válida, mas precisa ser completada. Em primeiro lugar, as plantas encontradas
no mato podem existir no quintal da casa, ou no jardim, mas assim domesticadas
não apresentam valor algum. É preciso ir buscá-las no mato mesmo. Há oposição
entre o mundo da cultura, de um lado, e o mundo selvagem, do outro. Ossaim não
se aventura nos lugares em que o homem cultivou a terra e construiu casas, nos
lugares em que disciplinou a natureza. É o deus do mato, e não das plantas
cultivadas. Em segundo lugar, o babalosaim penetra no reino de Ossaim
mastigando um obi (e talvez também pimenta); chegando ao seu domínio, volta-se
sucessivamente para cada um dos quatro pontos cardeais e cospe nestas quatro
direções o obi mastigado. Delimita assim, de certo modo, o espaço sagrado em
que vai evoluir. Penetrando no mato, começa a cantar e não deixará de cantar enquanto
não tiver saído; mesmo ao cortar um ramo de árvore, um cipó, ao arrancar ervas
ou desenterrar uma planta, não pode interromper o canto. Pois, como veremos,
embora Ossaim reine sobre todas as ervas, isto não impede que estas se
classifiquem em categorias e que as diversas categorias estejam ligadas aos
dife- . rentes Orixá. Conseguimos recolher num terreiro do Recife alguns desses
cantos especiais, chamados "cantos , para tirar os axé da floresta".
Todos obedecem a uma forma simples e monótona; são compostos de dois versos que
indicam a divindade ligada à planta que se vai colher, seguidos de um terceiro
verso sempre idêntico: tratarei (ou tirarei) o meu axé. Para as plantas de
Ogun, por exemplo: Axé di Ogum niká di Ogun panà eu arei meu axé. E para as de
Omolú: Axé di Omulú ornam di Omulú obetam eu arei meu axé ... etc. Não é
somente num lugar determinado, consagrado - o mato selvagem - que as ervas
devem ser colhidas. É preciso ainda colhê-las em horas determinadas: Com
efeito, cada uma delas só pode ser colhida em certos dias ou certas noites, em
certas horas do dia ou da noite. Algumas devem ser colhidas de madrugada,
quando o sol começa a branquear o horizonte; outras devem ser arrancadas à
meia-noite. Muitas devem ser colhidas na lua nova, enquanto outras só têm
virtude se procuradas na lua cheia, e algumas delas em noites sem lua. E, do
mesmo modo que os Orixá têm, cada um, um dia da semana, parece que há
igualmente dias determinados para a colheita desta ou daquela planta; mas esse
ponto não ficou bem esclarecido em minhas palestras com os babalosaim. Finalmente, é preciso pedir a permissão de
Ossaim para a colheita, e pagá-lo. Eis porque são deixadas junto à planta
cortada algumas moedinhas ou um pedaço de fumo de corda. Para cortar o ramo, o
cipó, o galho enfolhado, é utilizada uma faca especial, o obé. Ainda aqui
encontramos certos enganos nas informações publicadas. Barbosa Rodrigues
designa a faca de Ossaim com o nome de abébé, em lugar de obé. O abébé é um
leque com o qual as divindades da água - Yemanjá ou Oxun - gostam de se
divertir, e nunca uma faca. O babalosaim não se limita a colher as ervas,
encarrega-se ainda de seu preparo. No entanto, enquanto dispomos para Cuba ou
Haiti de boas descrições de como são confeccionados os "pacotes”, no Brasil
nada sabemos a respeito. A única informação que possuímos é de que os cânticos
dos axé também são entoados no interior dos santuários, que as filhas de santo
entoam o cântico da planta e da divindade correspondentes, à qual pertencem;
por exemplo, as filhas de Ogun cantam o cântico do axe de Ogun, as de Yemanjá o
do axé de Yemanjá, etc.; e o coro de todas as filhas de santo reunidas responde
em uníssono: Axé biu axé meu axé mio. Estas informações parecem indicar que o
preparo das plantas dá lugar no Brasil, como nas outras partes da América
negra, a cerimônias especiais. Mas não sabemos nem mesmo se esta preparação se
faz ou não no pegi especial de Ossaim, pois Ossaim é "santo do ar
livre". A planta de candomblé que apresentamos mostra bem para a Bahia
este pegi separado dos outros, em pleno campo. No Recife e em Porto Alegre,
Ossaim (ou Ossanhe) me foi sempre indicado como uma das três principais
divindades obrigatoriamente adoradas fora da casa principal; as outras duas são
Exú (ou Bara) e Oxossi (ou Ode). Um de nossos informantes sublinhava que, para
preparar os banhos e as lavagens, é preciso quede a erva esteja viva. Eis
porque, ajuntava, a dos ervanários não pode servir, ela perdeu a força ...
vendem-na "seca". É preciso também esfregá-la, espremê-la, triturá-la
com as mãos, e não com um pilão ou outro instrumento; é preciso quebrá-la viva
entre os dedos. Página 161. Livro O Candomblé da Bahia Rito Nagô. Abraço. Davi
terça-feira, 21 de julho de 2020
A ARTE DE VIVER
Espiritualidade.
www.oshobrasil.com.br. Texto de
Rajnessh Chandra Mohan Jain - Osho (1931-1990). A ARTE DE VIVER. O homem nasce
para atingir a vida, mas tudo depende dele. Ele pode perdê-la. Ele pode seguir
respirando, ele pode seguir comendo, ele pode seguir envelhecendo, ele pode
seguir se movendo em direção ao túmulo - mas isso não é vida. Isso é morte
gradual, do berço ao túmulo, uma morte gradual com a duração de setenta anos. E
porque milhões de pessoas ao redor de você estão morrendo essa morte lenta e
gradual, você também começa a imitá-los. As crianças aprendem tudo daqueles
que estão em volta delas e nós estamos rodeados pelos mortos. Então temos que
entender primeiro o que eu entendo por 'vida'. Ela não deve ser simplesmente
envelhecer. Ela deve ser desenvolver-se. E isso são duas coisas diferentes.
Envelhecer, qualquer animal é capaz. Desenvolver-se é prerrogativa dos seres
humanos. Somente uns poucos reivindicam esse direito. Desenvolver-se
significa mover-se a cada momento mais profundamente no princípio da vida;
significa afastar-se da morte - não ir na direção da morte. Quanto mais
profundo você vai para dentro da vida, mais entende a imortalidade dentro de
você. Você está se afastando da morte: chega a um momento em que você pode ver
que a morte não é nada, apenas um trocar de roupas ou trocar de casas, trocar
de formas - nada morre, nada pode morrer. A morte é a maior ilusão que
existe. Como desenvolver-se? Simplesmente observe uma árvore. Enquanto a
árvore cresce, suas raízes crescem para baixo, tornam-se mais profundas. Existe
um equilíbrio; quanto mais alto a árvore vai, mais fundo as raízes vão. Na
vida, desenvolver-se significa crescer profundamente para dentro de si mesmo -
que é onde suas raízes estão. Para mim o primeiro princípio da vida é
meditação. Tudo o mais vem em segundo lugar. E a infância é o melhor momento. À
medida que você envelhece, significa que você está chegando mais perto da
morte, e se torna mais e mais difícil entrar em meditação. Meditação significa
entrar na sua imortalidade, entrar na sua eternidade, entrar na sua divindade.
E a criança é a pessoa mais qualificada porque ela ainda está sem a carga da
educação, sem a carga de todo o tipo de lixo. Ela é inocente. Mas
infelizmente a sua inocência está sendo considerada como ignorância. Ignorância
e inocência tem uma similaridade, mas elas não são a mesma coisa. Ignorância
também é um estado de não conhecimento, tanto quanto a inocência é. Mas também
existe uma grande diferença que passou despercebida por toda a humanidade até
agora. A inocência não é instruída - mas também não é desejosa de ser instruída.
Ela é totalmente contente, preenchida (...). O
primeiro passo na arte de viver será criar uma linha de demarcação entre
ignorância e inocência. Inocência tem que ser apoiada, protegida - porque a
criança trouxe com ela o maior tesouro, o tesouro que os sábios encontram
depois de esforços árduos. Os sábios têm dito que se tornaram crianças
novamente, que eles renasceram (...). Sempre que você perceber que perdeu a
oportunidade da vida, o primeiro princípio a ser trazido de volta é a
inocência. Abandone o seu conhecimento, esqueça as suas escrituras, esqueça as
suas religiões, suas teologias, suas filosofias. Nasça novamente, torne-se
inocente - e a possibilidade está em suas mãos. Limpe a sua mente de todo
conhecimento que não foi descoberto por você mesmo, de todo conhecimento que
foi tomado emprestado dos outros, tudo o que veio pela tradição, convenção,
tudo o que lhe foi dado pelos outros - pais, professores, universidades.
Simplesmente desfaça-se disso. Novamente seja simples, mais uma vez seja uma criança.
E esse milagre é possível pela meditação. Meditação
é apenas um método cirúrgico não convencional que corta tudo aquilo que não é
seu e só preserva aquilo que é o seu autêntico ser. Ela queima tudo o mais e o
deixa nu, sozinho embaixo do sol, no vento. É como se você fosse o primeiro
homem que tivesse descido na Terra - que nada sabe e que tem que descobrir
tudo, que tem que ser um buscador, que tem que ir em peregrinação. O segundo princípio é a peregrinação. A vida deve
ser uma busca - não um desejo, mas uma pesquisa: não uma ambição para tornar-se
isso, para tornar-se aquilo, um presidente de um país, ou um primeiro-ministro,
mas uma pesquisa para encontrar 'Quem sou eu?'. É muito estranho que as pessoas
que não sabem quem elas são, estão tentando se tornar alguém. Elas nem mesmo
sabem quem elas são neste momento! Elas não conhecem os seus seres - mas elas
têm um objetivo de vir a ser. Vir a ser é a doença da alma. O ser é você e
descobrir o seu ser é o começo da vida. Então cada momento é uma nova
descoberta, cada momento traz uma alegria. Um novo mistério abre as suas
portas, um novo amor começa a crescer em você, uma nova compaixão que você
nunca sentiu antes, uma nova sensibilidade a respeito da beleza, a respeito da
bondade. Você se torna tão sensível que
até a menor folha de grama passa a ter uma importância imensa para você. Sua
sensibilidade torna claro para você que essa pequena folha de grama é tão
importante para a existência quanto a maior estrela; sem esse folha de grama, a
existência seria menos do que é. E essa pequena folha de grama é única, ela é
insubstituível, ela tem a sua própria individualidade. E essa sensibilidade criará novas amizades para você
- amizades com árvores, com pássaros, com animais, com montanhas, com rios, com
oceanos, com as estrelas. A vida se torna mais rica enquanto o amor cresce,
enquanto a amizade cresce (...). Quando você se torna mais sensível, a vida se
torna maior. Ela não é um pequeno poço, ela se torna oceânica. Ela não está
confinada a você, sua esposa e seus filhos - ela não é confinada de jeito
algum. Toda essa existência se torna a sua família e a não ser que toda essa
existência seja a sua família, você não conheceu o que é a vida. - porque homem
algum é uma ilha, nós estamos todos conectados. Nós somos um vasto continente,
unidos de mil maneiras. E se o nosso coração não está cheio de amor pelo todo,
na mesma proporção a nossa vida é diminuída. A meditação lhe traz
sensibilidade, uma grande sensação de pertencer ao mundo. Este é o nosso mundo
- as estrelas são nossas e nós não somos estrangeiros aqui. Nós pertencemos
intrinsecamente à existência. Nós somos parte dela, nós somos o coração
dela. Em segundo lugar, a meditação irá lhe trazer um grande silêncio -
porque todo o lixo do conhecimento foi embora, pensamentos que são partes do
conhecimento foram embora também (...). Um imenso silêncio e você é
surpreendido - esse silêncio é a única música que existe. Toda música é um
esforço para manifestar esse silêncio de algum modo. Os videntes do antigo
oriente foram muito enfáticos a respeito da questão de que todas as grandes
artes - música, poesia, dança, pintura, escultura - são todas nascidas da
meditação. Elas são um esforço para, de algum modo, trazer o incompreensível
para o mundo do conhecimento, para aqueles que não estão prontos para a
peregrinação - presentes para aqueles que ainda não estão prontos para partirem
na peregrinação. Talvez uma canção possa despertar um desejo de ir em busca da
fonte, talvez uma estátua. Na próxima vez que em você entrar em um templo
de Gautama Buda ou de Mahavira, sente-se silenciosamente e olhe a estátua (...)
porque a estátua foi feita de tal forma, em tal proporção que se você olhá-la,
você cairá em silêncio. É uma estátua de meditação; não é a respeito de Gautama
Buda ou de Mahavira (...). Naquele
estado oceânico, o corpo toma uma certa postura. Você próprio já observou isso,
mas não estava alerta. Quando você está com raiva, você observou? seu corpo
tomou uma certa postura. Na raiva você não pode manter as suas mãos abertas: na
raiva, a mão se fecha. Na raiva você não pode sorrir - ou você pode? Com uma
certa emoção, o corpo tem que seguir uma certa postura. Pequenas coisas estão
profundamente relacionadas no interior (...). Uma certa ciência secreta foi
usada por séculos, de modo que as gerações futuras pudessem entrar em contato
com as experiências das gerações mais velhas - não através de livros, não
através de palavras, mas através de algo que vai mais profundo - através do
silêncio, através da meditação, através da paz. À medida que seu silêncio
cresce, sua amizade cresce, seu amor cresce; sua vida se torna uma dança,
momento a momento, uma alegria, uma celebração. Você já pensou sobre o porquê, em todo o mundo, em toda cultura, em
toda sociedade, existem uns poucos dias no ano para a celebração? Esses poucos
dias para a celebração são apenas uma compensação - porque essas sociedades
tiraram toda a celebração de sua vida e se nada é dado para você em
compensação, sua vida pode tornar-se um perigo para a cultura. Toda cultura
criou alguma compensação e assim você não se sentirá completamente perdido na
miséria, na tristeza... Mas essas compensações são falsas. Mas no seu mundo
interior pode existir uma continuidade de luz, canções, alegria. Sempre lembre-se que a sociedade o compensa quando
ela sente que a repressão pode explodir em uma situação perigosa se não for
compensada. A sociedade encontra algum jeito de lhe permitir soltar a
repressão. Mas isso não é a verdadeira celebração, e não pode ser verdadeira. A
verdadeira celebração deveria vir de sua vida, na sua vida. E a celebração não pode estar de acordo com o
calendário, que no primeiro dia de novembro você irá celebrar. Estranho, o ano
todo você é miserável e no primeiro dia de novembro, de repente, você sai da
miséria, dançando. Ou a miséria era falsa ou o primeiro de novembro é falso;
ambos não podem ser verdadeiros. E uma vez que o primeiro de novembro se vai,
você está de volta em seu buraco negro, todo mundo em sua miséria, todo mundo
em sua ansiedade. A vida deveria ser uma celebração contínua, um festival
de luzes por todo o ano. Somente então você pode se desenvolver, você pode
florir. Transforme pequenas coisas em celebração (...). Tudo o que você faz
deveria expressar a si próprio; deveria ter a sua assinatura. Então a vida se
torna uma celebração contínua. Inclusive se você adoece e você está
deitado na cama, você fará daqueles momentos de repouso, momentos de beleza e
alegria, momentos de relaxamento e descanso, momentos de meditação, momentos
para ouvir música ou poesia. Não há necessidade de ficar triste porque você
está doente. Você deveria estar feliz porque todo mundo está no escritório e
você está na cama como um rei, relaxando - alguém está preparando chá para
você, o samovar está cantando uma canção, um amigo se oferece para vir e tocar
flauta para você. Essas coisas são mais importantes do que qualquer remédio.
Quando você está doente, chame um médico. Mas, mais importante, chame aqueles
que o amam porque não existe remédio mais importante que o amor. Chame aqueles
que podem criar beleza, música, poesia à sua volta, porque não existe nada que
cure como uma atmosfera de celebração. O
medicamento é o mais baixo tipo de tratamento. Mas parece que nós esquecemos
tudo, assim nós temos que depender dos medicamentos e ficar rabugentos e
tristes - como se você estivesse perdendo uma grande alegria que havia quando
você estava no escritório! No escritório você era miserável - simplesmente um
dia de folga, mas você também se agarra à miséria, você não a deixa
ir. Faça todas as coisas criativas, faça o melhor a partir do pior - isso
é o que eu chamo de arte. E se um homem viveu toda a vida fazendo a todo
momento uma beleza, um amor, um desfrute, naturalmente a sua morte será o
supremo pico no empenho de toda a sua vida. Os últimos toques (...) sua morte não será feia como ordinariamente
acontece todo dia com todo mundo. Se a morte é feia, isso significa que toda a
sua vida foi um desperdício. A morte deveria ser uma aceitação pacífica, uma
entrada amorosa no desconhecido, um alegre despedir-se dos velhos amigos, do
velho mundo (...). Comece com a meditação e muitas coisas crescerão em você -
silêncio, serenidade, êxtase, sensibilidade. E o que quer que venha com a
meditação, tente trazer para a sua vida. Compartilhe isso, porque tudo o que é
compartilhado cresce mais rápido. E quando você atingir o momento da morte,
você saberá que não existe morte. Você pode dizer adeus, não existe nenhuma
necessidade de lágrima de tristeza - talvez lágrimas de felicidade, mas não de
tristeza." www.oshobrasil.com.br.
Abraço. Davi
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