Budismo. www.nossacasa.net/shunya/. Por Lama
Tubten Yeshe (1935- ). 19 a 21 de setembro de 1980. Caldas de
Montbuy, Barcelona – Espanha. O ENSINAMENTO SOBRE TARA. O Tantra enfatiza
a prática da transformação. Os problemas surgem quando pensamos que beiramos a
perfeição e que nosso valor é inestimável. Ou, ao contrário, quando pensamos
que somos egoístas e segue-se crítica e depressão. O ego que passa julgamentos
é o mesmo que gera confusão e insatisfação, o que rejeita a ideia de que temos
méritos, o ego que permeia toda a nossa existência. Se me considero uma pessoa
mau humorada e belicosa minhas relações tenderão a ser conflituosas, um
preconceito do ego sobre o qual preciso agir para transformar. O Tantra também
enfatiza que todos temos a qualidade bhúdica, a qualidade divina.
Podemos aludir à qualidade nuclear de Deus, a qualidade bhúdica,
existente em nós todos, um conceito fundamental. Vejamos o que acontece em
nossos relacionamentos. Quando perdemos o respeito por alguém procuramos o
motivo porque a mente negativa pensa que o outro deixou de ser quem era e que,
por conseguinte, não temos mais nada em comum. Pelo ponto de vista psicológico,
contudo, fui eu quem deixou de ser quem era, o meu ego produziu a mudança, que
constatada, fez com que este mesmo ego reagisse perdendo a consideração pelo
outro. Segundo o budismo, quando passo por uma transformação, o que me rodeia
já não atrai do mesmo modo e, por conseguinte, o outro deixa de me interessar.
Assim, (para não nos incompatibilizar com a vida enquanto passamos por todo
tipo de transformação) na medida das nossas possibilidades, reconheçamos a
qualidade divina de Tara em todos os seres. Este yoga
tântrico é a prática de ver todos os seres humanos, e nós mesmos,
como Tara. O que é Tara? Tara é a
qualidade divina dos seres supremos. Manifesta-se com o aspecto feminino porque
este tipo de energia é apanágio (atributo) do feminino. Tara não
é mulher e todos, homens e mulheres, têm o potencial para se manifestar
como Tara. Tara é um estado de consciência, um
estado de realização, é a ação divina diligente; em outras palavras, quando
desenvolvemos a qualidade de Tara eliminamos a preguiça e
ativamos uma poderosa fonte de energia. Quando um homem busca a completa
realização ou de alguma forma, para o bem ou para o mal, ser bem sucedido,
precisa de uma mulher. Não se trata só de sucesso mundano porque os Yogues e
os Mahapanditas nas tradições tibetana e hinduísta
adotaram Tara como deidade pessoal na realização do caminho da
iluminação. Meditantes, homens e mulheres, desde o início da prática e até
alcançarem a iluminação aperfeiçoam a energia de Tara. Por outro
lado, do ponto de vista da verdade relativa, as mulheres são sensíveis àquilo
que os homens não são. A mulher, pela constituição física, sentimentos,
sensibilidade, desenvolve a nível relativo, aspectos que não estão ao alcance
do homem. Neste nível, não se pode dizer que esta flor e aquela são iguais.
Porém, considerando a verdade absoluta, mas só em termos absolutos, não existe
diferença entre o homem e a mulher. Contudo, enquanto perambulamos pelo Samsara com
um ego dualista, então sim, são diferentes. Quando rejeitamos a qualidade
feminina rejeitamos a própria vida. O Tantra, que não é filosofia
nem conhecimento filosófico, nos ensina que não se pode rejeitar ou menosprezar
a qualidade feminina. Na busca do estado de felicidade, precisamos da energia
feminina. Homens e mulheres têm o potencial de alcançar a divina ação rápida a
que chamamos Tara, difícil de alcançar. Temos um corpo físico e um
corpo de consciência que coexistem e é possível transformá-los e dar-lhes
identidade através da irradiação da luz verde. Este ponto é muito importante e
nem sempre de fácil assimilação por um ocidental cuja mente peca pela
racionalidade de uma abordagem científica. A realidade da consciência ou da
mente é essencialmente humana e independe de crenças. Mesmo para quem não
acredita no coração, ele continua batendo (...). Ninguém viu seu próprio
coração, mas sabe que faz parte do corpo e não o rejeita. Assim se passa com a
consciência; é parte de nossa vida e pode manifestar-se de formas muito
diferentes. Agora mesmo, como vejo vocês diante de mim, manifestam-se de certo
modo; vejo-os tranquilos, não estão nem mal humorados nem sonolentos. A chave
do que observo em vocês vem da mente de cada um. A mente causa vibrações no
corpo, de paz, de mal humor ou de outros sentimentos. É fácil observar, é um
bom exemplo da ação da mente sobre o corpo. Muito especialmente, a irradiação
da luz verde tem um tipo de energia magnética que harmoniza o entorno. Quando
digo que nos convertemos em Tara não quer dizer que adotamos
as feições de Tara, mas que a consciência que é energia física
insubsistente se transforma em corpo de energia irradiante, verde, de Tara.
Antes de receber uma iniciação nos purificamos externamente e tratamos de
eliminar obstáculos externos, internos ou secretos. Visualizamos nosso mestre,
não como um monge tibetano, mas como tendo um corpo de luz, não é preciso
acreditar ou deixar de acreditar, simplesmente o visualizamos, de um verde
brilhante que afasta todos os obstáculos. O essencial da meditação é unir o
cotidiano à prática de Arya Tara. A mãe da sabedoria divina, Tara,
é a causa fundamental da felicidade. Consta dos textos que todos os seres
supremos, os bodhisattvas e os budas surgiram
a partir da sabedoria da Mãe Tara. Ela é genitora dos seres
supremos do passado do presente e do futuro, todos nasceram dela e por isso é
chamada de Mãe Tara. Nosso conhecimento espiritual é fruto da
sabedoria inerente à energia feminina. O motivo porque chamamos Mãe Tara tem
uma explicação científica, não é mitológico. Tara é a
sabedoria que rompe as aparências, com o poder de manifestar-se de muitas
formas e cores distintas, umas pacíficas e outras iradas, para beneficiar todos
os seres humanos e não humanos. Se por vezes sentimos que falta algo em nossas
vidas e é precisamente o que a sabedoria divina de Tara provê
e unifica. A vida não pode ser vivida apenas racionalmente, a vida é esotérica
,é tantra; creio que a vida seja oculta e portanto não podemos
vivê-la dizendo: "quero ser feliz, quero atingir um objetivo e farei tudo
para alcançá-lo para, então, ser feliz." Não pensem que a felicidade possa
surgir a partir do racional; a vida é um ir e vir, um movimento perpétuo ao
encontro de novas situações. Temos um bom exemplo nos discípulos de Lama Tsong
Khapa (1357-1419) que muito valorizavam a compreensão e a sabedoria do mestre e
buscavam igualá-las; portanto, as experiências de uns e de outros nunca se
assemelharam às do mestre. No ocidente encontramos tais exemplos. Carl Gustav
Jung (1875-1961), discípulo de Sigmund Freud (1856-1939), queria seguir o
mestre e descobriu que não era possível. Tinha seu próprio estilo e seu jeito
de lidar com os pacientes. Acontece o mesmo com os mestres tibetanos que trazem
o Dharma para o ocidente; passaram por certas experiências
enquanto que vocês vivem outras. Estas diferenças são reais até certo ponto do
caminho, mas quando se realiza a totalidade, não existem mais diferenças. Um
dia uma italiana veio visitar-me dizendo que queria encontrar um marido. Gostava
de um rapaz, mas encontrava obstáculos. Dei-lhe uma meditação e uma prática
de Tara, em que ela visualizava-se com raios de luz vermelha que,
saindo de Tara (ela mesma), iam ao coração do homem de seu
agrado e o enlaçavam. No ano seguinte ela veio com o marido e toda a família
agradecer-me. O êxito não teve nada a ver com meus poderes, mas com os da mãe
da sabedoria divina, Tara. Quando estou no ocidente, um turista
curioso, costumo visitar igrejas. Vejo gente rezando e fazendo oferecimentos
diante da imagem da Virgem, medito por um tempo e sou invadido por uma sensação
muito agradável. Observo que a maioria dos fieis está diante da imagem da
Virgem Maria o que parece indicar que a energia de Tara e a
energia da Virgem Maria Santíssima são a mesma. Todos temos a qualidade
de Tara e nas mulheres ela é acentuada. As 21 manifestações
de Tara são aspetos distintos desta poderosa energia que vai
ao encontro de muitas circunstâncias. Se não for possível transformarem-se por
completo em Tara, sugiro que visualizem o interior de seus corpos
de cor verde transparente e brilhante, é um método precioso e talvez mais fácil
do que a transformação em Tara. Nosso ego e suas crenças nos
limitam, mas transformando-nos em corpo de luz verde brilhante rompemos este
conceito, criamos espaço e tempo onde possam manifestar-se energias positivas,
como a compaixão, a sabedoria, o amor, a compaixão, a inteligência (...). Por
isso desde que nos levantamos até hora de deitar, durante qualquer atividade,
nos identificamos com este corpo de luz verde brilhante, sempre conscientes
dele. Esta prática é muito poderosa e nos fortalece. Para dormir
visualizamo-nos como Tara, com um corpo de luz verde brilhante que se absorve
lentamente na sílaba TAM no nosso coração; de baixo para cima até desaparecer
no vazio. Adormecemos com a mente em Shunyata. Adormecer de forma adequada é,
segundo o Tantra, uma prática importante; colocamos de parte a mente obsessiva.
Na psicologia budista dia e noite, vigília e sono, são a mesma realidade.
Cremos na realidade do que observamos no estado de vigília enquanto que o que
observamos durante o sono é onírica, mas são a mesma realidade cármica. Se
pensarmos que os sonhos não são reais, o que constatamos em estado de vigília
também não é. Segundo o Paramitayana, dormir é prejudicial; mas o Budha disse
que dormir com o método adequado se converte no caminho da iluminação. Esta é a
essência, a beleza e a característica do Tantra, converter e transformar tudo
no caminho da libertação, tornarmo-nos mais conscientes e com mais domínio
sobre a mente. Este é o poder do Tantra, o caminho mais rápido. Utilizando a
meditação da vacuidade, dormimos cultivando a sabedoria. Há duas maneiras de
adormecer e de despertar. Quando abrimos os olhos pela manhã, talvez ouçamos um
ruído, o canto dos pássaros, ou alguém batendo à porta. Então, transformamos
estes sons no mantra OM TARE TUTTARE TURE SOHA visualizando-o no espaço.
Utilizando o método de adormecer em Shunyata, ao despertar convertemo-nos em
Tara. Fazemos a higiene matinal recitando o mantra e oferecendo-o a Tara. No
café da manhã abençoamos o que vamos comer com o mantra OH AH
HUNG três vezes. A comida se transforma em energia gozosa, em ambrósia, uma
prática muito proveitosa. Durante a refeição, se possível, visualizem-se sendo
invadidos pela energia gozosa que se instala no coração transformando nela
qualquer estado de insatisfação. Reconheçamos em todos os seres, em tudo o que
nos rodeia, a mente e a qualidade divina de Tara, reflexos da
sabedoria e da felicidade transcendentais. Qualquer som é reconhecido como
o mantra, assim mantendo continuamente no estado de plena atenção,
tudo será transformado numa experiência preciosa. Sempre que praticamos a Sadhana devemos
recitar o mantra que é o poder de transformar a palavra. É um
fogo que queima todos os pensamentos mundanos e tem um poder nuclear. Recitamos
com concentração o mantra tanto tempo quanto possível para
aguçar a mente, para torná-la poderosa. Não é possível enumerar os benefícios
que recebemos ao recitar o mantra; porque seria injusto limitá-los
já que vão muitos além de qualquer limite, como se fossem milagres. Recitando
o mantra podemos passar por experiências inusitadas. A récita
também outorga poderes telepáticos, é curativa, é uma forma de superar a
energia negativa, alivia o sofrimento físico. Segue-se a Sadhana passo
a passo. Chegando ao mantra, transformem-se em Tara, e
da sílaba semente TAM no coração uma luz verde brilhante se irradia nas dez
direções purificando tudo que nos rodeia e todos os seres viventes. Há que
purificar tudo, pensamentos, doenças, sofrimentos, tudo (...). Todos os seres
se transformam em Tara, amigos e inimigos que a seguir se dissolvem
em luz e são absorvidos no nosso coração. Podem também, alternadamente, apenas
contemplar com atenção. A Sadhana começa com a tomada de
Refúgio. Imaginem as Vinte e Uma Taras no espaço diante de
nós, não é preciso vê-las, simplesmente pensar que estão ali. Segundo o tantra,
o que vemos, o que projetamos, é a nossa realidade. O que não vemos, não projetamos,
não é real para nós. Por isso, quando olhamos para um ser vivente, podemos
reconhecer nele a qualidade divina, a da Mãe Tara. Tudo o que
ouvimos por exemplo, o ronco de um motor de avião, o canto de um pássaro,
reconhecemos como o som do mantra. Em qualquer pensamento positivo
ou negativo, reconhecemos a sabedoria não dual da Mãe Tara; em vez
de seguir um diálogo dualista transformamos o pensamento. Tendo em mente a
qualidade da sabedoria divina não dual de Tara, interpretando o
manifesto como o mantra ou como a sua forma, não nos surgirão
atitudes mentais negativas. Ao surgir um pensamento de apego ou de ódio,
teremos uma relação diferente com a sua essência. O que antes era uma situação
neurótica e desanimadora passa a ser a clareza não dual da mente do ódio e do
desejo. Tudo dependerá da forma como é observado. O ódio, o ressentimento, o
desejo, a raiva parecem concretos, parecem ter existência própria, porque esta
é a natureza destes fortes sentimentos. É como o oceano, o oceano da mente: vem
o vento, e do próprio oceano, surge a onda com seus efeitos potencialmente
desastrosos. O ódio, o desejo, o ressentimento parecem ser mais portentosos
ainda que o Everest, mas à luz do Dharma isto é pura fantasia.
Precisamos apreciar e recorrer à sabedoria do Dharma que, sem
estas situações, não seria necessária. Se não houvesse desejo e ódio não
teríamos necessidade de coisa nenhuma, nem de religião, nem de alternativas,
nem sequer de iluminação. O ressentimento e o desejo são parte da vida, assim
como as ondas são parte do oceano; reconhecendo as características da sua
natureza vemos que são também sabedoria não dual, sabedoria onisciente,
sabedoria onipresente. Observo meus amigos que levam uma vida "super Samsárica",
super louca, super hippie. Matam, roubam, fazem o pior que se possa fazer; são
explosivos e dominadores. Outros são tranquilos, não reagem indevidamente, mas
quando um destes super loucos encontra o Dharma, passa a ser um
excelente praticante; aprende com a força da mente louca e Samsárica,
e se transforma. Muitos dos meus discípulos pertenceram ao movimento hippie,
eram marginais, viciados em drogas e estavam conscientes disto. Depois,
passaram por uma transformação profunda. Muitos hippies são criativos,
extremistas, eficientes, possuem uma energia nuclear poderosa; quando têm
convicção, também são praticantes convictos. Podemos observar como as pessoas
poderosas e cruéis, quando se transformam, continuam poderosas, mas podem
também ser bondosas. Outros amigos são mais tranquilos, pacíficos e
conservadores, têm uma prática menos intensa, mais branda, é assim mesmo.
Quanto mais desejo, ressentimento e ódio temos, mais infla o nosso ego. É
preciso observar estes pensamentos e constatar a sua natureza clara e
transparente, reconhecer neles a característica da sabedoria não dual cuja
essência é o estado de felicidade. Pelo ponto de vista filosófico a natureza da
mente é clara, com a transparência de cristal. O desejo é o movimento produzido
quando colocamos o pensamento nisto ou naquilo, então surge o apego e daí a
raiva. Se nos deixamos levar pelo pensamento, se nos apegamos a conceitos,
explicando, "é por isso ou por aquilo, é assim ou assado, porque é tal ou
qual", tudo se complica. Temos duas formas de dar um basta aos pensamentos
negativos. A primeira é ter consciência do surgimento da mente negativa, como
temos da aurora antes do sol raiar. Se estivermos presentes, antes que apareça
a raiva notaremos a sua vibração no corpo e tratamos de detê-la ainda ali,
antes que nos invada e se manifeste. A segunda forma de deter a raiva é não
reagindo quando ela já se manifestou. Temos consciência de que estamos com
raiva, invocamos a luz verde, e recorrendo à força da própria raiva,
transformamos nosso corpo num vulcão em erupção que cobre todo o mundo de luz
verde irradiante. Podemos transformar a forte energia da raiva ou do que quer
que se manifeste em luz verde irradiante. Reconhecemos a pureza de tudo o que
nos rodeia, o mundo, os sentidos, todos os objetos sob seu aspecto gozoso.
Assim, tudo o que surge se transforma em energia gozosa. Devemos reconhecer
ainda a natureza não dual desta energia, a ausência de existência intrínseca.
Podemos visualizar tudo como se fosse um passe de mágica que nos permite ver o
que não é evidente. Tudo o que surge tem a característica da não dualidade,
observando assim os fenômenos desenvolvemos sabedoria e adquirimos uma
compreensão cada vez maior da vacuidade. Se ao nos deparar com um objeto de
prazer perscrutarmos a sua natureza não dual, o prazer não nos prejudicará. O
conflito surge quando não podemos perscrutar o prazer e a sua verdadeira
natureza simultaneamente. Quando nos envolvemos com o prazer perdemos de certo
moto o sentido, já que a ideia do prazer surge da ignorância e é pura fantasia,
nunca vemos o prazer na não dualidade, tal como é. Não existe nada de errado em
ter prazer, o problema é que a mente se converte em mente equivocada, egoísta e
então surge o engano e não nos é possível reconhecer a verdadeira natureza do prazer.
Assim, quando sentimos prazer deixamos de ser conscientes e perdemos a
sabedoria. No budismo não existe diferença entre buscar a verdadeira realidade
nos objetos Samsáricos ou em buscar a verdade no Buhda.
Não pensem que o Budha detém a verdade e eu não. A verdade
do Budha e a minha é a mesma; isto é muito importante. Todos
nossos problemas são causados pela mente dualista que separa as coisas,
enquanto que o Samsara e a libertação coexistem no mesmo
espaço da não dualidade, no espaço da auto existência, esta é a natureza de
todas as coisas, não é um conceito filosófico. O mais importante é reconhecer
nas aparências sua natureza não dual, não nascida. Esta natureza, de si mesmo,
é o gozo, o estado de felicidade. Temos o hábito de dizer: "gosto disto, aquilo
me desagrada; não gosto daquilo, isto é bonito (...)." Desde que nascemos
estamos sempre envolvidos nestas considerações e não vemos jamais a verdadeira
natureza do que nos rodeia. Há quem nunca tenha pensado que esta flor seja
linda. Quem nunca tenha visto a realidade e a beleza desta flor devido à mente
obsessiva. A beleza se encontra em todas as partes, mas se não a vemos e se
estamos fechados a ela é devido às nossas limitações. Qualquer ambiente tem
beleza própria. O tantra nos ensina a reconhecer o caráter
gozoso de qualquer aparência e em tudo o que vemos reconhecer a união do gozo e
da ausência de existência inerente. Aqui está algo que devemos procurar
compreender, uma realidade científica: parte da natureza do outro é a minha
natureza. Parte da natureza desta montanha é o oceano, que é também a minha
natureza. Temos uma realidade comum e por isto definimos Shunyata como
absoluto já que a essência de tudo o que existe é a unidade. Com esta sabedoria
não existe possibilidade de que surjam negatividades porque podemos reconhecer
a sabedoria gozosa de tudo o que vemos como imantado por ela, de onde surge a
energia gozosa que aumenta a sabedoria não dual. Vivemos uma realidade
incontornável e, como não podemos evitar a cidade, recorramos à sabedoria em
vez de queixarmo-nos da turbulência da cidade. No Samsara, desde um
tempo sem começo sempre houve desastres, mortes e problemas que não precisam
ser motivo de preocupação indevida já que, o que está acontecendo agora, sempre
aconteceu. Para a mente ocidental, o Tantra é muito válido.
Com esta compreensão, este gozo energizante, esta sabedoria sem confusão, sem
insatisfação, tudo é possível. Certas coisas são impuras na visão Sútrica, mas
tornam-se puras pelo ponto de vista tântrico. Tudo depende da atitude
da mente. Nada existe apenas negativamente. Tudo o que pensamos ser negativo ou
condenável é apenas relativo. Conta-se que certa vez dois monges que
regressavam ao mosteiro encontraram uma leprosa que pedia ajuda para atravessar
o rio. Um deles pensou: "impossível, como monge, não posso tocar numa
mulher, é como por a mão no fogo." O outro pensou: "já é tarde e se
não ajudo esta mulher a atravessar, passará aqui o resto da noite."
Pensando assim carregou-a para a outra margem. O primeiro monge observou que o
amigo rompera os votos e de regresso ao mosteiro procurou o abade relatando-lhe
o sucedido. O abade respondeu: "Quem julga como você tem uma mente
negativa". O outro monge ao ser questionado respondeu: "sim,
carreguei a mulher de uma margem para a outra, mais nada." Ele a teria
deixado lá, nada mais. Quando nos relacionamos com o mundo não temos os meios
hábeis para constatar a não dualidade. Precisamos do forte propósito de
realizar a experiência direta da não dualidade; desenvolver a visão que reconhece
que tudo é mera aparência, uma visão ilusória. Ainda que possa agradar, o canto
dos pássaros não nos causa uma sensação negativa ou positiva. Em geral a
sensação é neutra, mas reconhecendo o som do mantra em todos
os sons, o convertemos no caminho para a iluminação. Reconhecendo a qualidade
do mantra nestes sons, uma ação neutra se transforma em
positiva. Já que passamos metade da vida dormindo, podemos fazer o mesmo com os
sonhos. Passamos ainda um quarto da vida comendo e talvez o quarto restante praticando
o Dharma o que faz com que o caminho para a iluminação seja
lento e longo. Também quando comemos ou bebemos devemos reconhecer a energia
gozosa. Com esta mente, comer se torna um ato positivo em vez de negativo.
Gostaria que tivessem uma sólida compreensão do que acabamos de tratar e cuja
maior parte se refere à forma de atuar fora da meditação formal. Primeira
versão. O objeto central de refúgio pode ser Tara visualizando
ao redor as demais Taras. À direita nosso pai, à esquerda nossa
mãe, à frente os que nos incomodam e atrás parentes e amigos; ao redor, num
vasto círculo, todos os demais seres viventes. Todos tomamos refúgio e fazemos
surgir muita compaixão e equanimidade para com todos os seres viventes,
aspiramos unificá-los na natureza da iluminação. Dos objetos de refúgio surgem
luzes de três cores, branco, vermelho e azul que purificam nosso corpo, palavra
e todas as concepções errôneas. Reconhecemos os obstáculos e sofrimentos
causados pelo ego que afligem todos os seres viventes e que podem cessar com a
tomada de refúgio. Atualizar a Bodhicitta quer dizer assumir a
responsabilidade de gerar enorme desejo de retribuir a bondade que recebemos de
todos os seres, o que de melhor podemos fazer. Assim, dediquemos nossa prática
aos demais no tempo que nos resta de vida. Em qualquer tipo de organização
fala-se muito, o que denota uma conduta irresponsável. Por exemplo, se a nossa
empresa produz papel e em vez de nos dedicarmos à produção de papel, agimos
através do ego arquitetando uma ou outra ideia que nada tenha a ver com o
objetivo de empresa, estamos sendo irresponsáveis. Acontece o mesmo com os
casais que se desentendem. Pensam que são especiais e não são, são apenas
irresponsáveis. Por ignorância, destroem a harmonia em vez de fomentá-la, não vêm
a totalidade da realidade e não sabem criar harmonia. Quando agimos movidos
pela Bodhicitta assumimos a responsabilidade. Ainda que
possamos ser alvo das más vibrações das energias negativas, temos algum
controle e podemos prosseguir o caminho certo à vontade. Sempre que temos um
revés tratamos de criar espaço em nossa mente. Quando nos criticam ou mesmo nos
ameaçam de morte, pensamos que pode não ser assim e criamos um espaço em nossas
mentes para estas e outras realidades. Quem sabe? O inimigo de hoje pode ser o
amigo de amanhã, quem sabe nos trará uma grande alegria. Pode também acontecer
que o amigo de hoje seja o inimigo de amanhã. A Bodhicitta é
assim, ela cria espaço, não discrimina. Não distingue entre etnias ou
religiões, a natureza de todas as coisas é a mesma, e esta é a maravilha do
budismo. Segundo o budismo, quando todos os seres estiverem totalmente
libertados do sofrimento, de ideias, de filosofias, de doutrinas e fanatismo
religioso; uma vez libertados de tudo, passam a ser uma unidade, uma mesma
família. Nossa mente é saudável. Não sentimos inveja dos árabes por serem donos
de muito petróleo. Observando objetivamente os seres, analisando nossos
sentimentos, vemos como são ilusórios e realizamos que somos todos iguais. Aqui
na Espanha tem um grupo terrorista, quem sabe nos estão apontando uma realidade
positiva? Quem sabe podemos aprender alguma coisa com eles? Mao Tse Tung
(1893-1976) também é um bom exemplo. Ele me obrigou a sair do Tibete, sem
roupa, sem nada, e estou pessoalmente muito agradecido a ele. Despejou-me do
meu ninho Samsárico. No Tibete tinha meus parentes, centenas deles
e vocês sabem o que são parentes: bla, bla, bla, bla (...). Desde que fui
expulso do Tibete sinto melhor em mim o Dharma. Já praticava então,
mas agora a prática é autêntica, deixou de ser uma aquisição intelectual em que
apenas repetia palavras, agora, aprendi alguma coisa. A realidade vai além das
palavras, é o que é e será através da tensão entre o que é e o que gostaríamos
que fosse, que permitimos a abertura de espaços em que, então, aprendemos. Tudo
o que nos rodeia no ocidente é muito precipitado, acontece rápido, as delusões
(enganos) são muito mais fortes, o desejo, o ódio são fortíssimos e assim o
ocidente é ideal para a prática do Dharma. Nos Himalaias nada
acontece, as pedras não saem do lugar, a água corre infalivelmente, as mudanças
são poucas, a vida é fácil. No ocidente a coisa é outra. O desafio dos meus
discípulos ocidentais é enorme. Praticam com muito mais empenho que os monges
dos Himalaias. Precisam se relacionar com a vida, com a sociedade, com tudo o
que se passa e tudo é muito difícil. A prática de vocês é o que vão vivendo.
O Dharma é uma ideia colocada em prática e que se converte
numa vivência e torna-se então indestrutível. Se não for assim, não passa de
uma filosofia. A Bodhicitta é parte essencial do Dharma e
com esta atitude superamos os problemas. Se formos prejudicados temos espaço,
se alguém nos crítica ou nos odeia, também temos espaço para isto. Assim, não
nos perturbamos e, ainda que sentidos, aceitamos a situação. Fonte: Shunya.
Grupo de Estudo e Prática Budista. http://www.nossacasa.net/shunya/. Abraço. Davi.
sexta-feira, 10 de janeiro de 2020
quinta-feira, 9 de janeiro de 2020
ALCORÃO SAGRADO - ALL "IMRAM" (A FAMÍLIA DE IMRAN) II
Islamismo.
www.ligaislamica.org.br. Alcorão
Sagrado. AAL “IMRAM” (A FAMÍLIA DE IMRAM) II. Revelada em Madina, 200
versículos. 3ª SURATA. Em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso. 101 E
como podeis descrer, já que vos são recitados os versículos de Deus, e entre
vós está o Seu Mensageiro? Quem se apegar a Deus encaminhar-se-á à senda reta.
102 Ó fiéis, temei a Deus, tal como deve ser temido(169), e não morrais, senão
como muçulmanos.(170) 103 E apegai-vos, todos, ao vínculo com Deus(171) e não
vos dividais; recorda-vos das mercês de Deus para convosco, porquanto éreis
adversários mútuos e Ele conciliou os vossos corações e, mercê de Sua graça,
vos convertestes em verdadeiros irmãos; e quando estivestes à beira do abismo
infernal, (Deus) dele vos salvou. Assim, Deus vos elucida os Seus versículos,
para que vos ilumineis. 104 E que surja de vós uma nação que recomende o bem,
dite a retidão e proíba o ilícito. Esta será (uma nação) bem-aventurada. 105
Não sejais como aqueles que se dividiram e discordaram, depois de lhes terem
chegado as evidências, porque esses sofrerão um severo castigo. 106 Chegará o
dia em que uns rostos resplandecerão e outros se ensombrecerão(172). Quanto a
estes, ser-lhes-á dito: Então, renegastes depois de terdes acreditado? Sofrei,
pois, o castigo da vossa perfídia! 107 Quanto àqueles, cujos rostos
resplandecerão, terão a misericórdia de Deus, da qual gozarão eternamente. 108
Estes são os versículos de Deus, que em verdade te recitamos. Deus jamais
deseja a injustiça para a humanidade. 109 A Deus pertence tudo quanto há nos
céus e na terra, e todos os assuntos retornarão a Deus. 110 Sois a melhor nação
que surgiu na humanidade, porque recomendais o bem, proibis o ilícito e credes
em Deus(173). Se os adeptos do Livro cressem, melhor seria para eles. Entre
eles há fiéis; porém, a sua maioria é depravada. 111 Porém, não poderão vos
causar nenhum mal; e caso viessem a vos combater, bateriam em retirada e jamais
seriam socorridos. 112 Estarão na ignomínia onde se encontrarem, a menos que se
apeguem ao vínculo com Deus e ao vínculo com o homem. E incorreram na
abominação de Deus e foram vilipendiados, por terem negado os Seus versículos,
morto iniquamente os profetas, bem como por terem desobedecido e transgredido
os limites. 113 Os adeptos do Livros não são todos iguais: entre eles há uma
comunidade justiceira, cujos membros recitam os versículos de Deus, durante a
noite, e se prostram ante o seu Senhor. 114 Crêem em Deus e no Dia do Juízo
Final, aconselham o bem e proíbem o ilícito, e se emulam nas boas ações. Estes
contar-se-ão entre os virtuosos. 115 Todo o bem que façam jamais lhes será
desmerecido, porque Deus bem conhecem os que o Temem. 116 Aos incrédulos de
nada valerão a fortuna e os filhos, ante Deus, porque serão condenados ao
inferno, onde permanecerão eternamente. 117 O exemplo deles, ao
despenderem(174) neste mundo, é como o exemplo de um povo condenado, cujas
semeaduras são açoitadas e arrasadas por um vento glacial. Mas não é Deus que
os condena, mas sim eles próprios. 118 Ó fiéis, não tomeis por confidentes a
outros que não sejam vossos, porque eles tratarão de vos arruinar e de vos
corromper, posto que só ambicionam a vossa perdição. O ódio já se tem
manifestado por suas bocas; porém, o que ocultam em seus corações é ainda pior.
Já vos elucidamos os sinais, e sois sensatos. 119 E eis que vós os amais;
porém, eles não vos amam, apesar de crerdes em todo o Livro(175); porém, eles,
quando vos encontram, dizem: Cremos! Mas quando estão a sós mordem os dedos de
raiva. Dize-lhes: Morrei, com a vossa raiva! Sabei que Deus bem conhece o íntimo
dos corações. 120 Quando sois agraciados com um bem, eles ficam aflitos; porém,
se vos açoita uma desgraça, regozijam-se. Mas se perseverardes e temerdes a
Deus, em nada vos prejudicarão as suas conspirações. Deus está inteirado de
tudo quanto fazem. 121 Recordar-te (ó Mensageiro) de quando saíste do teu lar,
ao amanhecer, para assinalar aos fiéis a sua posição no campo de batalha(176).
Sabe que Deus é Oniouvinte, Sapientíssimo. 122 E de quando dois grupos dos teus
pensaram em acovardar-se, apesar de ser Deus o seu Protetor. Que a Deus se
encomendem os fiéis. 123 Sem dúvida que Deus vos socorreu, em Badr(177) ,
quando estáveis em inferioridade de condições. Temei, pois, a Deus e
agradecei-Lhe. 124 E de quando disseste aos fiéis: Não vos basta que vosso Senhor
vos socorra com o envio celestial de três mil anjos? 125 Sim! Se fordes
perseverantes, temerdes a Deus, e se vos atacarem imediatamente, vosso Senhor
vos socorrerá, com cinco mil anjos bem treinados. 126 Deus não o fez como
anúncio para vós, a fim de sossegar os vossos corações. Sabei que o socorro só
emana de Deus, o Poderoso, o Prudentíssimo. 127 Assim o fez para aniquilar um
falange de incrédulos(178) e afrontá-los, fazendo com que fugissem frustrados.
128 Não é da tua alçada, mas de Deus, absolvê-los ou castigá-los, porque são
iníquos. 129 A Deus pertence tudo quando há nos céus e na terra. Perdoa a quem
Lhe apraz e castiga a quem deseja, porque Deus é Indulgente,
Misericordiosíssimo. 130 Ó fiéis, não exerçais a usura, multiplicando (o
emprestado) e temei a Deus para que prospereis,(179) 131 E precavei-vos do fogo
infernal, que está preparado para os incrédulos. 132 Obedecei a Deus e ao
Mensageiro, a fim de que sejais compadecidos. 133 Emulai-vos em obter a
indulgência do vosso Senhor e um Paraíso, cuja amplitude é igual à dos céus e
da terra, preparado para os tementes,(180) 134 Que fazem caridade, tanto na
prosperidade, como na adversidade; que reprimem a cólera; que indultam o
próximo. Sabei que Deus aprecia os benfeitores. 135 Que, quando cometem uma
obscenidade ou se condenam, mencionam a Deus e imploram o perdão por seus
pecados – mas quem, senão Deus perdoa os pecados? – e não reincidem, com
conhecimento, no que cometeram. 136 Para estes a recompensa será uma
indulgência do seu Senhor, terão jardins, abaixo dos quais correm os rios, onde
morarão eternamente. Quão excelente é a recompensa dos diligentes! 137 Já houve
exemplos, antes de vós(181) ; percorrei, pois, a terra e observai qual foi a
sorte dos desmentidores. 138 Este (Alcorão) é uma declaração aos humanos,
orientação e exortação para os tementes. 139 Não desanimeis, nem vos aflijais,
porque sempre saireis vitoriosos, se fordes fiéis. 140 Quando receberdes algum
ferimento(182), sabei que os outros já sofreram ferimento semelhante. E tais dias
( de infortúnio) são alternados, entre os humanos, para que Deus Se assegure
dos fiéis e escolha, dentre vós, os mártires; sabei que Deus não aprecia os
iníquos. 141 E (assim faz) Deus para purificar os fiéis e aniquilar os
incrédulos. 142 Pretendeis, acaso, entrar no Paraíso, sem que Deus Se assegure
daqueles, dentre vós, que combatem e são perseverantes? 143 Aneláveis a morte
antes de vos terdes deparado com ela. Viste-la, então, como os vossos próprios
olhos(183)! 144 Mohammad não é senão um Mensageiro, a quem outros mensageiros
precederam. Porventura, se morresse ou fosse morto, voltaríeis à
incredulidade?(184) Mas quem voltar a ela em nada prejudicará Deus; e Deus
recompensará os agradecidos. 145 Não é dado a nenhum ser morrer, sem a vontade
de Deus; é um destino prefixado. E a quem desejar a recompensa terrena,
concederemos(185); e a quem desejar a recompensa da outra vida,
conceder-lhe-emos, igualmente; também recompensaremos os agradecidos. 146
Quantos profetas e, com eles, quantos grupos lutaram pela causa de Deus, sem
desanimarem com o que lhes aconteceu; não se acovardaram, nem se renderam! Deus
aprecia os perseverantes. 147 Eles nada disseram, além de: Ó Senhor nosso,
perdoa-nos por nosso pecados e por nossos excessos; firma os nossos passos e
concede-nos a vitória sobre os incrédulos! 148 Deus lhes concedeu a recompensa
terrena e a bem-aventurança na outra vida, porque Deus aprecia os benfeitores.
149 Ó fiéis, se obedecerdes aos incrédulos, eles vos farão voltar ao que éreis
antes, e sereis desventurados. 150 Mas Deus é vosso Protetor, e é o melhor dos
socorredores. 151 Infundiremos terror nos corações dos incrédulos, por terem
atribuído parceiros a Deus, sem que Ele lhes tivesse conferido autoridade
alguma para isso. Sua morada será o fogo infernal. Quão funesta é a morada dos
iníquos! 152 Deus cumpriu a Sua promessa quanto, com a Sua anuência,
aniquilastes os incrédulos, até que começastes a vacilar e disputar acerca da
ordem(186) e a desobedecestes, apesar de Deus vos Ter mostrado tudo o que
aneláveis(187). Uma parte de vós ambicionava a vida terrena, enquanto a outra
aspirava à futura. Então, Deus vos desviou dos vossos inimigos, para
provar-vos; porém, Ele vos indultou, porque é Agraciante para com os fiéis. 153
Recordai-vos de quando subistes a colina às cegas, enquanto o Mensageiro ia
pela retaguarda, incitando-vos ao combate. Foi então que Deus vos infligiu
angústia após angústia, para ensinar-vos a não lamentardes pelo que haveis
perdido(188) , nem pelo que vos havia acontecido, porque está bem inteirado de
tudo quanto fazeis. 154 Logo depois da angústia, infundiu-vos uma calma
sonorífera(189), que envolveu alguns de vós, enquanto outros, preocupados
consigo próprios, puseram-se a conjecturar ignomínias acerca de Deus, como na era
da idolatria, dizendo: Tivemos, acaso, alguma escolha(190)? Responde-lhes: A
escolha pertence inteiramente a Deus! E eis que eles guardam para si o que não
te manifestam, dizendo (mais): Se houvéssemos tido escolha, não teríamos sido
chacinados. Dize-lhes: Sabei que, mesmo que tivésseis permanecido nas vossas
casas, certamente, àqueles dentre vós, aos quais estava decretada a morte, esta
apareceria, no local de sua morte. Isso, para que Deus comprovasse o que
ensejáveis e purificasse o que havia em vossos corações; sabei que Deus conhece
dos peitos as intimidades. 155 Aqueles que desertaram(191) , no dia do encontro
dos dois grupos, foram seduzidos por Satanás pelo que haviam perpetrado; porém
Deus os indultou porque é Tolerante, Indulgentíssimo. 156 Ó fiéis, não sejais
como os incrédulos, que dizem de seus irmãos, quando estes viajam pela terra ou
quando estão em combate: Se tivessem ficado conosco, não teriam morrido, nem
sido assassinados! Com isso, Deus infunde-lhes a angústia nos corações, pois
Deus concede a vida e a morte(192), e Deus bem vê tudo quando fazeis. 157 Mas,
se morrerdes ou fordes assassinados pela causa de Deus, sabei que a Sua
indulgência e a Sua clemência são preferíveis a tudo quando possam
acumular(193). 158 E sabei que, tanto se morrerdes, como ser fordes
assassinados, sereis congregados ante Deus. 159 Pela misericórdia de Deus,
foste gentil para com eles(194); porém, tivesses tu sido insociável ou de
coração insensível, eles se teriam afastado de ti. Portanto, indultados implora
o perdão para eles e consulta-os nos assuntos (do momento). E quando te
decidires, encomenda-te a Deus, porque Deus aprecia aqueles que (a Ele) se
encomendam. 160 Se Deus vos secundar, ninguém poderá vencer-vos; por outra, se
Ele vos esquecer, quem, em vez d’Ele, vos ajudará? Que os fiéis se encomendem a
Deus! 161 É inadmissível que o profeta fraude(195); mas, o que assim fizer,
comparecerá com o que tiver fraudado, no Dia da Ressurreição, quando cada alma
será recompensada segundo o que tiver feito, e não será injustiçada. 162
Equiparar-se-á quem tiver seguido o que apraz Deus com quem tiver suscitado a
Sua indignação, cuja morada será o inferno? Que funesto destino! 163 Há
distintos graus (de graça e de condenação), aos olhos de Deus, porque Deus, bem
vê tudo quanto fazem. 164 Deus agraciou os fiéis, ao fazer surgir um Mensageiro
da sua estirpe, que lhes ditou os Seus versículos, redimiu-os, e lhes ensinou o
Livro e a Prudência, embora antes estivessem em evidente erro. 165 Qual! Ando
sofreis um revés do adversário, embora inflijais outro duas vezes maior(196),
dizeis: Donde nos provém isto? Responde-lhes: De vós mesmos. Sabei que Deus é
Onipotente. 166 O que vos aconteceu, no dia do encontro das duas hostes,
aconteceu com o beneplácito de Deus, para que se distinguissem os verdadeiros
fiéis; 167 E também se distinguissem os hipócritas, aos quais foi dito: Vinde
lutar pela causa de Deus, ou defender-vos. Disseram: Se soubéssemos combater,
seguir-vos-íamos! Naquele dia, estavam mais perto da incredulidade do que da
fé, porque diziam, com as suas bocas, o que não sentiam os seus corações.
Porém, Deus bem sabe tudo quanto ocultam. 168 São os que, ficando para trás,
dizem de seus irmãos: Se nos tivessem obedecido, não teriam sido mortos!
Dize-lhes: Defendei-vos da morte, se estiverdes certos. 169 E não creiais que
aqueles que sucumbiram pela causa de Deus estejam mortos; ao contrário, vivem,
agraciados, ao lado do seu Senhor(197). 170 Estão jubilosos por tudo quanto
Deus lhes concedeu da Sua graça, e se regozijam por aqueles que ainda não
sucumbiram, porque estes não serão presas do temor, nem se atribularão. 171
Regozijam-se com a mercê e com a graça de Deus, e Deus jamais frustra a
recompensa dos fiéis, 172 Que, mesmo feridos(198), atendem a Deus e ao Mensageiro.
Para os benfeitores e tementes, dentre eles, haverá uma magnífica recompensa.
173 São aqueles aos quais foi dito: Os inimigos concentraram-se contra vós;
temei-os! Isso aumentou-lhes a fé e disseram: Deus nos é suficiente. Que
excelente Guardião! 174 Pela mercê e pela graça de Deus, retornaram ilesos.
Seguiram o que apraz a Deus; sabei que Deus é Agraciante por excelência. 175
Eis que Satanás induz os seus sequazes. Não os temais; temei a Mim, se sois
fiéis. 176 Que não te atribulem aqueles que se precipitam na incredulidade,
porquanto em nada prejudicam Deus. Deus não os fará compartilhar da
bem-aventurança da vida futura, e assim, sofrerão um severo castigo. 177
Aqueles que trocam a fé pela incredulidade, em nada prejudicam a Deus, e
sofrerão um doloroso castigo. 178 Que os incrédulos não pensem que os
toleramos, para o seu bem; ao contrário, toleramo-los para que suas faltas
sejam aumentadas. Eles terão um castigo afrontoso. 179 Não é do propósito de
Deus abandonar os fiéis no estado em que vos encontrais, até que Ele separe o
corrupto do benigno, nem tampouco de seu propósito é inteirar-vos do
incognoscível(199); Deus escolhe, para isso, dentre os Seus mensageiros, quem
Lhe apraz. Crede em Deus e em Seus mensageiros; se crerdes em temerdes,
obtereis magnífica recompensa. 180 Que os avarentos, que negam fazer caridade
daquilo que com que Deus os agraciou(200), não pensem que isso é um bem para
eles; ao contrário, é prejudicial, porque no Dia da Ressurreição, irão,
acorrentados(201) , com aquilo com que mesquinharam. A Deus pertence a herança
dos céus e da terra, porque Deus está bem inteirado de tudo quanto fazeis. 181
Deus, sem dúvida, ouviu as palavras daqueles que disseram: Deus é pobre e nós
somos ricos.(202) Registramos o que disseram, assim como a iníquo matança dos
profetas, e lhes diremos: Sofrei o tormento da fogueira. 182 Isso vos ocorrerá,
por obra das vossas próprias mãos. Deus não é injusto para com Seus servos. 183
São aqueles que disseram: Deus nos comprometeu a não crermos em nenhum mensageiro,
até este nos apresente uma oferenda, que o fogo celestial consumirá. Dize-lhes:
Antes de mim, os mensageiros vos apresentaram as evidências e também o que
descreveis. Por que os matastes, então? Respondei, se estiverdes certos. 184 E
se te desmentem, recorda-te de que também foram desmentidos os mensageiros que,
antes de ti, apresentaram as evidências, os Salmos e o Livro Luminoso(203).
185 Toda a alma provará o sabor da morte(204) e, no Dia da Ressurreição, sereis
recompensado integralmente pelos vossos atos; quem for afastado do fogo
infernal e introduzido no Paraíso, triunfará. Que é a vida terrena, senão um
prazer ilusório(205)? 186 Sem dúvida que sereis testados quanto aos vossos bens
e pessoas(206), e também ouvireis muitas blasfêmias daqueles que recebem o
Livro antes de vós, e dos idólatras; porém, se perseverardes pacientemente e
temerdes a Deus, sabei que isso é um fator determinante, em todos os assuntos.
187 Recorda-te de quando Deus obteve a promessa dos adeptos do Livro(207),
(comprometendo-se a) evidenciá-lo (o Livro) aos homens, e a não ocultá-lo. Mas
eles jogaram às costas, negociando-o a vil preço. Que detestável transação a
deles! 188 Não creias que aqueles que se regozijam pelo que causaram, e aspiram
ser louvados pelo que não fizeram(208) , não os creias a salvo do castigo, pois
sofrerão doloroso castigo. 189 A Deus pertence o reino dos céus e da terra, e
Deus é Onipotente. 190 Na criação dos céus e da terra e na alternância do dia e
da noite há sinais para os sensatos, 191 Que mencionam Deus, estando em pé,
sentados ou deitados(209), e meditam na criação dos céus e da terra, dizendo:
Ó Senhor nosso, não criaste isto em vão. Glorificado sejas! Preserva-nos do
tormento infernal! 192 Ó Senhor nosso, quanto àqueles a quem introduzirás no
fogo, Tu o aviltarás! Os iníquos não terão socorredores! 193 Ó Senhor nosso,
ouvimos um pregoeiro que nos convoca à fé dizendo: Crede em vosso Senhor! E
cremos. Ó Senhor nosso, perdoa as nossas faltas, redime-nos das nossas más
ações e acolhe-nos entre os virtuosos. 194 Ó Senhor nosso, concede-nos o que
prometeste, por intermédio dos Teus mensageiros, e não aviltes no Dia da
Ressurreição. Tu jamais quebras a promessa. 195 Seu Senhor nos atendeu,
dizendo: Jamais desmerecerei a obra de qualquer um de vós, seja homem ou
mulher(210), porque procedeis uns dos outros. Quanto àqueles que foram
expulsos dos seus lares e migraram, e sofreram pela Minha causa, combateram e
foram mortos, absorvê-los-ei dos seus pecados e os introduzirei em jardins,
abaixo dos quais corres os rios, como recompensa de Deus (211). Sabei que Deus
possui a melhor das recompensas. 196 Que não te enganem, pois (ó Mohammad), as
andanças (mercantilistas) dos incrédulos, na terra. 197 Porque é um gozo
transitório e sua morada será o inferno. Que funesta morada! 198 Entretanto,
aqueles que temem a seu Senhor terão jardins, abaixo dos quais correr os rios,
onde morarão eternamente, como dádiva de Deus. Sabei que o que está ao lado de
Deus é o melhor para os virtuosos. 199 Entre os adeptos do Livro há aqueles que
creem em Deus, no que vos foi revelado, assim como no que lhes foi revelado,
humilhando-se perante Deus; não negociam os versículos de Deus a vil preço.
Terão sua recompensa ante o seu Senhor, porque Deus é Destro em ajustar contas.
200 Ó fiéis, perseverai, sede pacientes, estai sempre vigilantes e temei a
Deus, para que prospereis(212). www.ligaislamica.org.br.
Abraço. Davi
quarta-feira, 8 de janeiro de 2020
ALCORÃO SAGRADO - AAL "IMRAN" (A FAMÍLIA DE IMRAN) I
Islamismo.
www.ligaislamica.org.br. Alcorão
Sagrado. AAL “IMRAN" (A FAMÍLIA DE IMRAN) I. Revelada em Madina; 200
versículos. 3ª SURATA. Em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso. 1 Alef,
Lam, Mim.(134) 2 Deus! Não há mais divindade além d’Ele, o Vivente, o
Subsistente. 3 Ele te revelou (ó Mohammad) o Livro (paulatinamente) com a
verdade corroborante dos anteriores, assim como havia revelado a Tora e os
Evangelhos(135). 4 Anteriormente, para servir de orientação aos humanos, e
relevou ainda o discernimento. Aqueles que negarem os versículos de Deus,
sofrerão um severo castigo, e Deus é Punidor, Poderosíssimo. 5 De Deus nada se
oculta, tanto na terra como nos céus. 6 Ele é Quem vos configura nas entranhas,
como Lhe apraz. Não há mais divindades além d’Ele, o Poderoso, o Prudentíssimo.
7 Ele foi Quem te revelou o Livro; nele há versículos fundamentais, que são a
base do Livro(136), havendo outros alegóricos. Aqueles cujos abrigam a dúvida,
seguem os alegóricos, a fim de causarem dissensões, interpretando os
capciosamente. Porém, ninguém, senão Deus, conhece a sua verdadeira
interpretação. Os sábios dizem: Cremos nele (o Alcorão); tudo emana do nosso Senhor.
Mas ninguém o admite, salvo os sensatos. 8 (Que dizem:) Ó Senhor nosso, não
desvies os nossos corações, depois de nos teres iluminados, e agracia-nos com a
Tua Misericórdia, porque Tu és o Munificiente por excelência. 9 Ó Senhor nosso,
Tu consagrarás os humanos para um dia indubitável. E Deus não faltará com a
promessa. 10 Quanto aos incrédulos, nem as suas riquezas, nem os seus filhos,
de nada lhes servirão ante Deus, e serão combustível do inferno. 11 Terão a
mesma sorte do povo do Faraó e dos seus antecessores, que desmentiram os Nossos
versículos; porém, Deus os castigou por seus pecados, porque Deus é Severíssimo
na punição. 12 Dize (ó Profeta) aos incrédulos: Sereis vencidos e congregados
para o inferno. Que funesto leito!(137) 13 Tivestes um exemplo nos dois
grupos(138) que se enfrentaram: um combatia pela causa de Deus e outro,
incrédulo, via com os seus próprios olhos o (grupo) fiel, duas vezes mais
numeroso do que na realidade o era; Deus reforça, com Seu socorro, quem Lhe
apraz. Nisso há uma lição para os que têm olhos para ver. 14 Aos homens foi
abrilhantado o amor à concupiscência(139) relacionada às mulheres, aos filhos,
ao entesouramento do ouro e da prata, aos cavalos de raça, ao gado e às
sementeiras. Tal é o gozo da vida terrena; porém, a bem-aventurança está ao
lado de Deus. 15 Dize (ó Profeta): Poderia anunciar-vos algo melhor do que
isto? Para os que temem a Deus haverá, ao lado do seu Senhor, jardins, abaixo
dos quais correm rios, onde morarão eternamente, junto a companheiros puros, e
obterão a complacência de Deus, porque Deus é observador dos Seus servos, 16
Que dizem: ó Senhor nosso, cremos! Perdoa os nossos pecados e preserva-nos do
tormento infernal. 17 São perseverantes, verazes, consagrados (a Deus),
caritativos, e nas horas de vigília imploram o perdão a Deus. 18 Deus dá
testemunho de que não há mais divindade além d’Ele; os anjos e os sábios O
confirmam Justiceiro; não há mais divindades além d’Ele, o Poderoso, o
Prudentíssimo. 19 Para Deus a religião é o Islam. E os adeptos do Livro só
discordaram por inveja, depois que a verdade lhes foi revelada. Porém, quem
nega os versículos de Deus, saiba que Deus é Destro em ajustar contas. 20 E se
eles discutirem contigo (ó Mohammad), dize-lhes: Submeto-me a Deus, assim como
aqueles que me seguem! Pergunta aos adeptos do Livro e aos iletrados(140):
Tornai-vos muçulmanos? Se se tornarem encaminhar-se-ão; se negarem, sabe que a
ti só compete a proclamação da Mensagem. E Deus é observador dos Seus servos.
21 Alerta aqueles que negam os versículos de Deus, assassinam iniquamente os
profetas e matam os justiceiros, dentre os homens(141), de que terão um
doloroso castigo. 22 São aqueles cujas obras tornar-se-ão sem efeito, neste
mundo e no outro, e não terão socorredores. 23 Não reparaste nos que foram
agraciados com uma parte do Livro, e mesmo quando foram convocados para o Livro
de Deus, para servir-lhes de juiz, alguns deles o negaram desdenhosamente?(142)
24 E ainda disseram: O fogo infernal não nos atingirá, senão por alguns dias.
Suas próprias invenções os enganaram, em sua religião. 25 Que será deles,
quando os congregarmos, no Dia Indubitável, em que cada alma será recompensada
segundo o seu mérito, e não será defraudada? 26 Dize: Ó Deus, Soberano do
poder! Tu concedes a soberania a quem Te apraz e a retiras de quem desejas;
exaltas quem queres e humilhas a Teu bel-prazer. Em Tuas mãos está todo o
Bem(143) , porque só Tu és Onipotente. 27 Tu inseres a noite no dia e inseres o
dia na noite(144) ; extrais o vivo do morto e o morto do vivo(145) , e agracias
imensuravelmente a quem Te apraz. 28 Que os fiéis não tomem por confidentes os
incrédulos, em detrimento de outros fiéis. Aqueles que assim procedem, de
maneira alguma terão o auxílio de Deus, salvo se for para vos precaverdes e vos
resguardardes. Deus vos exorta a d’Ele vos lembrardes, porque para Ele será o
retorno. 29 Dize: Quer oculteis o que encerram os vossos corações, quer o
manifesteis, Deus bem o sabe, como também conhece tudo quanto existe nos céus e
na terra, porque é Onipotente. 30 No dia em que cada alma se confrontar com
todo o bem que tiver feito e com todo o mal que tiver cometido, ansiará para
que haja uma grande distância entre ela e ele (o mal). Deus vos exorta a d’Ele
vos lembrardes, porque Deus é Compassivo para com os Seus servos. 31 Dize: Se
verdadeiramente amais a Deus, segui-me; Deus vos amará e perdoará as vossas
faltas, porque Deus é Indulgente, Misericordiosíssimo. 32 Dize: Obedecei a Deus
e ao Mensageiro! Mas, se se recusarem, saibam que Deus não aprecia os incrédulos.
33 Sem dúvida que Deus preferiu Adão, Noé, a família de Abraão e a de Imran,
aos seus contemporâneos, 34 Famílias descendentes umas das outras, porque Deus
é Oniouvinte, Sapientíssimo. 35 Recorda-te de quando a mulher de Imran disse: Ó
Senhor meu, é certo que consagrei a ti, integralmente, o fruto do meu ventre;
aceita-o, porque és o Oniouvinte, o Sapientíssimo. 36 E quando concebeu, disse:
Ó Senhor meu, concebi uma menina. Mas Deus bem sabia o que eu tinha concebido,
e um macho não é o mesmo que uma fêmea. Eis que a chamo Maria; ponho-a, bem
como à sua descendência, sob a Tua proteção, contra o maldito Satanás. 37 Seu
Senhor a aceitou benevolentemente e a educou esmeradamente, confiando-a a
Zacarias. Cada vem que Zacarias a visitava, no oratório, encontrava-a provida
de alimentos, e lhe perguntava: Ó Maria, de onde te vem isso? Ela respondia: De
Deus!, porque Deus agracia imensuravelmente quem Lhe apraz. 38 Então, Zacarias
rogou ao seu Senhor, dizendo: Ó Senhor meu, concede-me uma ditosa descendência,
porque és Exorável, por excelência(146). 39 Os anjos o chamaram, enquanto
rezava no oratório, dizendo-lhe: Deus te anuncia o nascimento de João, que
corroborará o Verbo de Deus, será nobre, casto e um dos profetas virtuosos. 40
Disse: Ó Senhor meu, como poderei ter um filho, se a velhice me alcançou a
minha mulher é estéril? Disse-lhe (o anjo): Assim será. Deus faz o que Lhe
apraz. 41 Disse: Ó Senhor meu, dá-me um sinal. Asseverou-lhe (o anjo): Teu
sinal consistirá em que não fales com ninguém durante três dias, a não ser por
sinais. Recorda-te muito do teu Senhor e glorifica-O à noite e durante as horas
da manhã. 42 Recorda-te de quando os anjos disseram: Ó Maria(147) , é certo que
Deus te elegeu e te purificou, e te preferiu a todas as mulheres da humanidade!
43 Ó Maria, consagra-te ao Senhor! Prostra-te e genuflecte, com os genuflexos!
44 Estes são alguns relatos do incognoscível, que te revelamos (ó Mensageiro).
Tu não estavas presente com eles (os judeus) quando, com setas, tiravam a sorte
para decidir quem se encarregaria de Maria; tampouco estavam presentes quando
rivalizavam entre si. 45 E quando os anjos disseram: Ó Maria, por certo que
Deus te anuncia o Seu Verbo, cujo nome será o Messias(148) , Jesus, filho de
Maria, nobre neste mundo e no outro, e que se contará entre os diletos de Deus.
46 Falará aos homens, ainda no berço, bem como na maturidade, e se contará
entre os virtuosos(149) . 47 Perguntou: Ó Senhor meu, como poderei ter um
filho, se mortal algum jamais me tocou? Disse-lhe o anjo: Assim será. Deus cria
o que deseja, posto que quando decreta algo, diz: Seja! e é. 48 Ele lhe
ensinará o Livro, a sabedoria, a Tora e o Evangelho. 49 E ele será um
Mensageiro para os israelitas, (e lhes dirá): Apresento-vos um sinal d vosso
Senhor: plasmarei de barro a figura de um pássaro(150), à qual darei vida, e a
figura será um pássaro, com beneplácito de Deus, curarei o cego de nascença e o
leproso; ressuscitarei os mortos, com a anuência de Deus, e vos revelarei o que
consumis o que entesourais em vossas casas. Nisso há um sinal para vós, se sois
fiéis. 50 (Eu vim) para confirmar-vos a Tora, que vos chegou antes de mim, e
para liberar-vos algo que vos está vedado. Eu vim com um sinal do vosso Senhor.
Temei a Deus, pois, e obedecei-me. 51 Sabei que Deus é meu Senhor e vosso.
Adorai-O, pois. Essa é a senda reta. 52 E quando Jesus lhes sentiu a
incredulidade, disse: Quem serão os meus colaboradores na causa de Deus? Os
discípulos disseram: Nós seremos os colaboradores, porque cremos em Deus; e
testemunhamos que somos muçulmanos(151) . 53 Ó Senhor nosso, cremos no que tens
revelado e seguimos o Mensageiro; inscreve-nos, pois, entre os testemunhadores.
54 Porém, (os judeus) conspiraram(152) (contra Jesus); e Deus, por Sua parte,
planejou, porque é o melhor dos planejadores. 55 E quando Deus disse: Ó Jesus,
por certo que porei termo à tua estada na terra; ascender-te-ei até Mim e
salvar-te-ei dos incrédulos, fazendo prevalecer sobre eles os teus prosélitos,
até ao Dia da Ressurreição. Então, a Mim será o vosso retorno e julgarei as
questões pelas quais divergis. 56 Quanto aos incrédulos, castigá-los-ei
severamente, neste mundo e no outro, e jamais terão protetores. 57 Em troca,
aos fiéis, que praticam o bem, Deus os recompensará; sabei que Deus não aprecia
os iníquos. 58 Estes são os versículos que te ditamos, acompanhados de prudente
Mensagem. 59 O exemplo de Jesus, ante Deus, é idêntico ao de Adão, que Ele
criou do pó, então lhe disse: Seja! e foi. 60 Esta é a verdade emanada do teu
Senhor. Não sejas, pois, dos que (dela) duvidam. 61 Porém, àqueles que discutem
contigo a respeito dele, depois de te haver chegado o conhecimento, dize-lhes:
Vinde! Convoquemos os nossos filhos e os vossos, e as nossas mulheres e as
vossas, e nós mesmos; então, deprecaremos para que a maldição de Deus caia
sobre os mentirosos.(153) 62 Esta é a puríssima verdade(154): não há mais
divindade além de Deus e Deus é o Poderoso, o Prudentíssimo. 63 Porém, se
desdenharem, saibam que Deus bem conhece os corruptores. 64 Dize-lhes: Ó
adeptos do Livro, vinde, para chegarmos a um termo comum, entre nós e vós:
Comprometamos, formalmente, a não adorar senão a Deus, a não Lhe atribuir
parceiros e a não nos tomarmos uns aos outros por senhores, em vez de
Deus(155). Porém, caso se recusem, dize-lhes: Testemunhais que somos
muçulmanos. 65 Ó adeptos do Livro, por que discutis acerca de Abraão, se a Tora
e o Evangelho não foram revelados senão depois dele? Não raciocinais? 66 Vá lá
que discutais sobre o que conheceis. Por que discutis, então, sobre coisas das
quais não tendes conhecimento algum? Deus sabe e vós ignorais. 67 Abraão jamais
foi judeu ou cristão; foi, outrossim, monoteísta, muçulmano, e nunca se contou
entre os idólatras.(156) 68 Os mais chegados a Abraão foram aqueles que o
seguiram, assim como (o são) este Profeta e os que creram; e Deus é Protetor
dos fiéis. 69 Uma parte dos adeptos do Livro tentou desviar-vos; porém, sem o
perceber, não fez mais do que desviar a si mesma. 70 Ó adeptos do Livro, por
que negais os versículos de Deus, conhecendo-os? 71 Ó adeptos do Livro, por que
disfarçais a verdade com a falsidade, e ocultais a verdade com pleno
conhecimento? 72 E há uma parte dos adeptos do Livro que diz: Crede, ao
amanhecer, no que foi relevado aos fiéis, e negai-o ao anoitecer! Talvez assim
renunciem à sua religião. 73 E não confieis senão naqueles que professam a
vossa religião. Dize-lhes (ó Profeta): A verdadeira orientação é a de Deus.
(Temeis, acaso), que alguém seja agraciado com o mesmo com que fostes
agraciados, ou com que vos refutem perante o vosso Senhor(157) ? Dize-lhes
(ainda): A graça está na Mão de Deus, que a concede a Seu critério, porque Deus
é Munificente, Sapientíssimo. 74 Ele agracia, com a Sua misericórdia,
exclusivamente a quem Lhe apraz, porque Deus é Agraciante por excelência. 75
Entre os adeptos do Livro há alguns a quem podes confiar um quintal(158) de
ouro, que te devolverão intacto; também há os que, se lhes confiares um só
dinar(159) , não te restituirão, a menos que a isso os obrigues. Isto, porque
dizem: Nada devemos aos iletrados. E forjam mentiras acerca de Deus,
conscientemente. 76 Qual! No entanto, quem cumpre o seu pacto e teme, saiba que
Deus aprecia os tementes. 77 Aqueles que negociam o pacto com Deus, e sua
palavra empenhada, a vil preço, não participarão da bem-aventurança da vida
futura; Deus não lhes falará, nem olhará para eles, no Dia da Ressurreição, nem
tampouco os purificará, e sofrerão um doloroso castigo(160). 78 E também há
aqueles que, com suas línguas, deturpam os versículos do Livro, para que peneis
que ao Livro pertencem, quando isso não é verdade. E dizem: Estes (versículos)
emanam de Deus, quando não emanam de Deus. Dizem mentiras a respeito de Deus,
conscientemente. 79 É inadmissível que um homem a quem Deus concedeu o Livro, a
sabedoria e a profecia, diga aos humanos: Sede meus servos, em vez de o serdes
de Deus! Outrossim, o que diz, é: Sede servos do Senhor, uma vez que sois
aqueles que estudam e ensinam o Livro. 80 Tampouco é admissível que ele vos
ordene tomar os anjos e os profetas por senhores. Poderia ele induzir-vos à
incredulidade, depois de vos terdes tornado muçulmanos? 81 Quando Deus aceitou
a promessa dos profetas(161), disse-lhes: Eis o Livro e a sabedoria que ora
vos entrego. Depois vos chegou um Mensageiro que corroborou o que já tendes.
Crede nele e socorrei-o. Então, perguntou-lhes: Comprometer-vos-eis a fazê-lo?
Responderam: Comprometemo-nos. Disse-lhes, então: Testemunharei, que também
serei, convosco, Testemunha disso. 82 E aqueles que, depois disto, renegarem,
serão depravados. 83 Anseiem, acaso, por outra religião, que não a de Deus?
Todas as coisas que há nos céus e na terra, quer queiram, quer não(162),
estão-Lhe submetidas, e a Ele retornarão. 84 Dize: Cremos em Deus, no que nos
foi revelado, no que foi revelado a Abraão, a Ismael, a Isaac, a Jacó e às
tribos, e no que, de seu Senhor, foi concedido a Moisés, a Jesus e aos
profetas; não fazemos distinção alguma entre eles, porque somos, para Ele,
muçulmanos(163). 85 E quem quer que almeje (impingir) outra religião, que noa
seja o Islam(164) , (aquela) jamais será aceita e, no outro mundo, essa pessoa
contar-se-á entre os desventurados. 86 Como poderá Deus iluminar aqueles que
renunciaram à fé, depois de terem acreditado e testemunhado que o Mensageiro é
autêntico e terem recebido as evidência? Deus não encaminha os iníquos. 87 A
retribuição desses será a maldição de Deus, dos anjos e de toda a humanidade.
88 A qual (maldição) pesará sobre eles eternamente; o suplício não lhes será
mitigado, nem serão tolerados. 89 Salvo aqueles que, depois disso,
arrependem-se e se emendarem, pois que Deus é Indulgente, Misericordiosíssimo.
90 Quando àqueles que descrerem, após terem acreditado, imbuindo-se de
incredulidade, jamais será aceito o arrependimento e serão os desviados. 91 Os
incrédulos que morrerem na incredulidade jamais serão redimidos, ainda que
ofereçam, em resgate, todo o ouro que possa caber na terra. Estes sofrerão um
doloroso castigo e não terão socorredores. 92 Jamais alcançareis a virtude, até
que façais caridade com aquilo que mais apreciardes. E sabei que, de toda
caridade que fazeis, Deus bem o sabe. 93 Aos israelitas, todo o alimento era
lícito(165), salvo aquilo que Israel se havia privado antes de a Tora ter sido
revelada. Dize-lhes: Trazei a Tora e lede-a, se estiverdes certos. 94 E aqueles
que forjarem mentiras acerca de Deus, depois disso, serão iníquos. 95 Dize:
Deus diz a verdade. Segui, pois, a religião de Abraão, o monoteísta, que jamais
se contou entre os idólatras(166) . 96 A primeira Casa (Sagrada), erigida para
o gênero humano, é a de Bakka(167) , onde reside a bênção servindo de
orientação à humanidade(168) . 97 Encerra sinais evidentes; lá está a Estância
de Abraão, e quem quer que nela se refugie estará em segurança. A peregrinação
à Casa é um dever para com Deus, por parte de todos os seres humanos, que estão
em condições de empreendê-la; entretanto, quem se negar a isso saiba que Deus
pode prescindir de toda a humanidade. 98 Dize: Ó adeptos do Livro, por que
negais os versículos de Deus, sabendo que Deus é Testemunha de tudo quanto
fazeis? 99 Dize (ainda): Ó adeptos do Livro, por que desviais os crentes da
senda de Deus, esforçando-vos por fazê-la tortuosa, quando sois testemunhas (do
pacto de Deus)? Sabei que Deus não está desatento a tudo quando fazeis. 100 Ó
fiéis, se escutásseis alguns daqueles que receberam o Livro (o judeus),
converter-vos-íeis em incrédulos, depois de terdes acreditado! www.ligaislamica.org.br. Abraço. Davi
terça-feira, 7 de janeiro de 2020
ENVELHECIMENTO SOB A PERSPECTIVA JUDAICA
ENVELHECIMENTO SOB
A PERSPECTIVA JUDAICA. Judaísmo.
Por Tzvi Freeman. ENVELHECIMENTO – SOB A PERSPECTIVA JUDAICA. Uma abordagem
judaica ao envelhecimento e aposentadoria. Baseado nos ensinamentos do
Rebe. A Torá considera a idade avançada uma virtude e uma
bênção. Em toda a Torá, "velho" (zaken) é sinônimo de
"sábio"; a Torá nos ordena respeitar todos os idosos,
independentemente de sua erudição ou religiosidade, porque as muitas provações
e experiências que cada ano adicional de vida traz proporciona uma sabedoria
que o mais fenomenal jovem prodígio não consegue igualar. Descreve Avraham como
alguém que "era velho, e entrado em dias" (Bereshit 24:1) - seus dias
acumulados, cada qual repleto de aprendizado e realizações, significando que a
cada dia que passava seu valor aumentava. Assim, uma idade avançada é
considerada como uma das maiores bênçãos que podem ser concedidas ao ser
humano. Este é um flagrante contraste à
atitude prevalecente nos países "desenvolvidos" do mundo atual. No
mundo ocidental do Século XXI, a idade é um risco. A juventude é vista como a
melhor credencial em todos os campos, dos negócios ao governo, onde uma geração
mais jovem insiste em "aprender com os próprios erros" em vez de
construir sobre a experiência de vida dos mais velhos. Aos 50 a pessoa é
considerada "ultrapassada", e começa a receber dicas de que seu cargo
estaria mais bem preenchido por alguém com vinte anos a menos; em muitas
empresas e instituições, a aposentadoria é obrigatória aos 65 anos ou até
antes. Assim a sociedade decreta que
a fase da maturidade seja marcada por inatividade e declínio. Os idosos são
forçados a se sentirem inúteis ou então um fardo, e que fariam melhor em se
confinar em aldeias de aposentados ou lares para idosos. Após décadas de
realizações, seu conhecimento e talento subitamente se tornam sem valor; após
décadas de contribuições à sociedade, eles de repente se transformam em
recipientes indignos, gratos por qualquer tempo que a geração mais jovem tira
do trabalho e da diversão para uma visitinha de meia hora, na data obrigatória
do Dia das Mães ou dos Pais. Na
superfície, a atitude moderna parece justificada em parte. Não é verdade que a
pessoa enfraquece fisicamente à medida que avança na idade? Sim, a inatividade
da aposentadoria tem sido mostrada como sendo um fator chave na deterioração
dos idosos; porém ainda não é um fato inescapável da natureza que o corpo de 70
anos não é o mesmo corpo de 30? Este,
exatamente, é o ponto: o valor de uma pessoa deve ser medido por sua aptidão
física? Pelo número de homens-hora e voos intercontinentais que podem ser
extraídos dele por semana? O que está em discussão aqui é mais que a
"desfranquia" de todo um segmento da população cujo único crime é ter
nascido uma ou duas décadas antes dos outros; nossa atitude para com os idosos
reflete nosso próprio conceito de "valor". Se a força física de uma
pessoa diminuiu e sua sagacidade e percepção cresceram, nós enxergamos isso
como uma melhora ou um declínio? Se o trabalho da pessoa diminuiu em quantidade
mas aumentou em qualidade, seu valor subiu ou desceu? Na verdade, uma pessoa de vinte anos pode dançar a
noite inteira, ao passo que sua avó se cansa após alguns minutos. Porém o ser
humano não foi criado para dançar horas a fio. Foi criado para tornar a vida na
terra mais pura, mais brilhante e mais sagrada do que era antes que ele
entrasse em cena. Vista sob essa luz, a maturidade espiritual dos idosos mais
que compensa sua força física diminuída; na verdade, a diminuição dos anseios
físicos pode até ser utilizada como um bem espiritual, pois permite uma
reorganização de prioridades que é muito mais difícil nos jovens, quando a
busca pelos ganhos materiais está no auge. Certamente, a saúde física do corpo afeta a produtividade da pessoa. A
vida é um casamento de corpo e alma, e é mais produtivo quando nutrido por um
físico são, bem como por um espírito saudável. Porém os efeitos do processo de
envelhecimento sobre a produtividade de uma pessoa em grande parte são
determinados pela maneira que ela considera este casamento e parceria. Quais
são os meios e qual é o fim? Se a alma nada mais é que um motor para
impulsionar o corpo na busca de suas necessidades e metas, então o
enfraquecimento físico do corpo com a idade traz consigo a deterioração
espiritual também - uma descida ao tédio, à futilidade e ao desespero. Porém
quando alguém considera o corpo como um acessório da alma, ocorre o oposto; o
crescimento espiritual da idade revigora o corpo, permitindo que a pessoa leve
uma existência produtiva pelo tempo que o Todo Poderoso concede-lhe o presente
da vida. VIDA – UMA
DEFINIÇÃO. Porém não é só isso.
Há mais na diferença entre a perspectiva da Torá sobre a idade e aquela do
mundo moderno que a clássica dicotomia entre corpo e alma, mais que a questão
da prioridade material versus a espiritual. Na base da instituição da aposentadoria está a noção de que a vida é
composta de períodos produtivos e períodos não produtivos. Os primeiros 20-30
anos de vida são vistos como um tempo de pouca ou nenhuma realização, à medida
que a pessoa adquire conhecimento e treino em preparação para o período
produtivo da vida. Os próximos 30-40 anos são o tempo no qual suas energias
criativas se concretizam; ele agora devolve aquilo que foi investido nele por
seus agora passivos pais idosos, e por sua vez, investe na ainda passiva
geração mais jovem. Finalmente, quando entra em seus "anos de
crepúsculo", deixa para trás seu período de realizações "reais";
ele trabalhou duro "toda a vida", portanto ele agora deveria acomodar-se
e colher os frutos de seu trabalho. Se o anseio criativo ainda agitar seu corpo
que está envelhecendo, ele é aconselhado a encontrar algum passatempo
inofensivo para preencher seu tempo. Na verdade, tempo é agora algo a ser
"preenchido" e gasto, enquanto passa os dias à margem da vida, seu
conhecimento e habilidades arquivados no sótao da velhice. Ele retorna agora à
infância; mais uma vez é o recipiente passivo de um mundo moldado e dirigido
pela iniciativa de outros. A Torá,
no entanto, não reconhece tais distinções entre as fases da vida, pois vê a
produtividade como a própria essência da vida: as palavras "um período
não-produtivo da vida" são uma contradição. Há diferenças marcantes entre
a infância, idade adulta, etc., mas estas diferem na maneira, não no fato, da
produtividade de uma pessoa. A aposentadoria e a colheita passiva dos frutos do
próprio trabalho têm seu tempo e lugar - no Mundo Vindouro. Nas palavras do
Talmud, "Hoje, é o tempo de fazer; amanhã, de colher a recompensa." O
próprio fato de D'us ter concedido à pessoa um único dia adicional de vida
corpórea significa que ele ainda não concluiu sua missão na vida, que ainda há
algo para ele realizar neste mundo. Assim,
o aforismo "O homem nasceu para labutar" (Job 5:7) expressa um fato
básico da natureza humana. Uma pessoa experimenta satisfação verdadeira somente
com algo que adquiriu com o próprio esforço e iniciativa; presentes não
merecidos e doações ("o pão da vergonha" na terminologia cabalista)
não deixam a pessoa realizada e a desumanizam. Como observa o Talmud, "Uma
pessoa preferiria uma única medida do próprio grão a nove medidas dadas por
outros. "Um adulto que trabalha, sobrecarregado pelas exigências da vida,
pode lembrar-se com nostalgia do "paraíso" da infância como uma época
livre de responsabilidade e trabalho. Quando criança, no entanto, ele
desdenhava este paraíso, desejando apenas fazer algo real e criativo. Desafie
uma criança com responsabilidade, e ela floresce; mantenha-a como um recipiente
passivo e não produtivo de "educação", e ela crescerá irresponsável e
rebelde. Pois a criança, também, está viva, e como tal anseia por realização; a
partir do instante do nascimento ela já estava influenciando ativamente aquilo
que a cerca, mesmo que seja apenas ao estimular os pais com sua sede de conhecimento
e afeição. O mesmo se aplica a
adultos de todas as idades. A promessa de uma "aposentadoria feliz" é
um mito cruel: a própria natureza da vida humana é que o homem conhece a
verdadeira felicidade apenas quando contribui criativamente ao mundo que habita.
O estado enfraquecido da idade avançada (ou doença, D'us não o permita) não é
uma sentença de inatividade, mas um desafio para encontrar novas - e superiores
- maneiras de se realizar. POR
QUE. De fato, assim é a natureza
humana: a vida tem significado apenas quando é produtiva. Mas por quê? Por que
o ser humano foi construído assim? Porque
D'us criou o homem para ser Seu parceiro na Criação. O MIDRASH nos diz que "D'us diz aos justos: Assim
como Eu sou um criador de mundos, você também deverá ser." O Midrash
também relata uma conversa ocorrida entre um filósofo grego e o sábio talmúdico
Rabi Hoshiah: "Se a circuncisão é desejável a D'us," perguntou o
pensador, "por que então Ele não criou Adam circuncidado?" Respondeu
Rabi Hoshiah: "Tudo que foi criado nos seis dias da Criação exige ajuste e
aperfeiçoamento pelo homem: o grão de mostarda deve ser adoçado, o trigo
precisa ser moído." D'us especificamente criou um mundo inacabado para que
o homem o desenvolvesse e aperfeiçoasse. D'us é o supremo iniciador e doador, concedendo-nos existência e vida e
equipando-nos com faculdades e recursos. Porém D'us queria mais que recipientes
passivos de Seus presentes. Ele desejava uma parceria conosco, na qual
pudéssemos criar e dar como Ele cria e dá, e Ele receberia de nós assim como
recebemos d'Ele. Portanto Ele tornou o impulso de realização a própria essência
da vida humana. UM CURSO DE AÇÃO. A triste verdade, porém, permanece; a aposentadoria,
seja ou não obrigatória, é um fato da vida moderna. Ano após ano, destrói
milhões de vidas e condena recursos humanos inestimáveis (na verdade, os mais
valiosos recursos humanos que possuímos) ao completo, ou quase completo,
desperdício. O que se pode fazer face a esta tragédia humana e social? A pessoa
deveria embarcar numa campanha para mudar esta prática e o sistema de valores
que está por trás dela? Deveria procurar o lado positivo da aposentadoria e
tentar utilizar seus aspectos positivos? Na verdade, devemos fazer as duas coisas. Devemos mudar a atitude dos
líderes dos negócios e do mundo profissional, e da sociedade em geral. E acima
de tudo, devemos mudar a auto percepção dos idosos (e dos quase idosos, e dos
quase quase idosos). Devemos dizer a eles: vocês não são inúteis; pelo
contrário, são um bem valioso para a sociedade, mais ainda que antes, e a cada
dia que passa seu valor aumenta. As mudanças de vida que você está vivenciando
como resultado do avanço dos anos não são motivo para aposentadoria da vida
produtiva, mas a oportunidade para descobrir maneiras novas e mais
significativas para desenvolver a si mesmo e o ambiente ao seu redor. A vida
longa é um presente Divino, e o Todo Poderoso certamente dotou você com as
ferramentas que precisa para vivê-la bem. Ao mesmo tempo, devemos explorar as oportunidades que a instituição da
aposentadoria nos apresenta. Se existem incontáveis homens e mulheres
aposentados procurando desesperadamente maneiras de preencher o tempo, vamos
estabelecer para eles centros de estudo de Torá, onde possam passar várias
horas por dia e aumentar seu conhecimento e produtividade. Vamos abrir estes
centros em toda comunidade, criar classes e oficinas em todo lar de idosos. Se
as lutas travadas nos locais de trabalho impediram que adquirissem a
perspectiva iluminada da Torá sobre a vida quando eram mais jovens, a
aposentadoria proporciona uma oportunidade de ouro para aprender e crescer;
educação, como a produtividade, é um esforço a longo prazo. A Torá dará a eles
novas esperanças na vida. Ficarão conscientes do próprio valor e potencial e os
transformará de fúteis "já eram" em faróis de luz para suas famílias
e comunidades. A aposentadoria, quando bem utilizada, pode ser dirigida como a
força mais potente no sentido de erradicá-la da mente e da vida do homem. NOTA: Este ensaio é baseado nas palestras feitas pelo Rebe
em seu 70º aniversário, 11 de Nissan de 5732 (26 de março de 1972), e dez anos
depois em seu 80º aniversário. Nestas duas ocasiões, o Rebe recebeu dezenas de
milhares de cartas vindas do mundo inteiro; dentre essas havia diversas sugerindo
que talvez fosse a hora de pensar em "diminuir o ritmo" e "ir
mais devagar", após seus muitos anos frutíferos como líder e ativista. A
resposta do Rebe foi este ardente ataque ao próprio conceito de
"aposentadoria" aqui articulado. O Rebe também abordou o assunto em
diversas outras ocasiões, incluindo uma série de reuniões de Shabat no verão de
1980. Ele então sugeriu o estabelecimento de centros de estudo de Torá para os
idosos. Centenas desses centros de estudo - chamados, segundo a sugestão do Rebe,
Tiferet Zkeinim ("a glória dos idosos") - desde então foram fundados
em todos os cantos do globo pelos emissários do Rebe. Elementos dessas
palestras, bem como de diversas outras nas quais o Rebe discutiu o conceito de
"vida com produtividade", também foram incorporados neste ensaio. O
próprio Rebe era um exemplo vivo da perspectiva da Torá sobre
"aposentadoria" que ele expôs. Ele celebrou seu 70º aniversário
iniciando o estabelecimento de 71 novas instituições sociais e educacionais,
praticamente dobrando a rede mundial de estabelecimentos Chabad-Lubavitch. Em
seu 80º aniversário, ele novamente conclamou a uma maciça expansão das
atividades de Chabad, num discurso de seis horas que terminou após as 3 horas
da madrugada, após o qual o Rebe distribuiu pessoalmente um presente - uma
edição especial do clássico chassídico, o Tanya - a cada um dos 10.000 homens,
mulheres e crianças presentes, sendo que o último participante recebeu seu
Tanya às 6h15 da manhã. Embora o Rebe tivesse uma impressionante lista de realizações
quando foi aconselhado a "apreciar os frutos de seu trabalho" ao
completar 70 anos em 1972, estas empalidecem em comparação com aquilo que ele
realizou após completar 80 e que, por sua vez, são uma fração da abrangência de
suas atividades aos 90 anos. Cada ano trouxe a revelação de novas dimensões à
sua filosofia e visão do mundo, novas campanhas e iniciativas, novos centros de
Chabad, escolas e comunidades em todo o mundo. Também de 1992 a 1994, quando
estava fisicamente debilitado pelo forte AVC que sofreu em março de 1992, ele
continuou a liderar o Movimento Chabad, emitindo diretrizes para seus 3.000
emissários em seis continentes, e os muitos milhares que o procuravam em busca
de orientação e conselhos. www.ptchabad.org.br. Abraço. Davi.
segunda-feira, 6 de janeiro de 2020
APRESENTAÇÃO V
Religião
Afro-brasileira. Candomblé. Livro O Candomblé da Bahia – Rito Nagô. Tradução de
Maria Isaura Pereira de Queiroz (1918-2018). Capítulo I. APRESENTAÇÃO V. É
evidente que não se pode voltar bruscamente ao mundo profano após estas núpcias
místicas. No decorrer da iniciação, a personalidade antiga foi quebrada,
destruída, aniquilada, para ser substituída por outra. O novo eu, nada conhece
do mundo em que deve daí por diante viver; é preciso reaprender tudo. Por outro
lado, a personalidade nova pertence àquele que a fabricou, babalorixá ou
ialorixá, tornando-se, pois, necessário que se reintegre na sociedade
ordinária, que retome seu lugar numa famlía carnal. Finalmente, a iniciação
custa caro, dezenas de contos de réis que é preciso pagar. Daí a cerimônia do
panan, que tem lugar no domingo seguinte à cerimônia de dar o nome, e que
corresponde a uma tripla finalidade: reaprendizagem da vida cotidiana, passagem
da sociedade religiosa para a sociedade doméstica, e finalmente venda de
objetos como uma contribuição da coletividade para as despesas e custo do
ritual. A nova cerimônia que encerra o período de iniciação, faz-nos de certa
maneira passar da tragédia para a comédia. Embora tudo seja a sério - a
transição de um setor da realidade para outro é, efetivamente, algo de sério
que deve ser efetuado segundo todas as normas para que seja eficaz - permite
está yauô manifestar publicamente o delicioso senso de "humor"
africano, que não foi ainda suficientemente estudado. Dada esta multiplicidade
funcional, pode-se distinguir uma série de ritos no panan. Antes mesmo de
reintroduzir a filha de santo no mundo, é preciso primeiramente fazer-lhe
compreender que, mesmo saindo, ela não deixa de pertencer ainda ao candomblé, e
que os sacerdotes, não como sacerdotes, mas como representantes da divindade,
devem ser sempre respeitados e obedecidos. É o ritual do açoite. Os diversos
dignitários do terreiro açoitam sucessiva e simbolicamente a yauô. A este,
primeiro momento, sucede a reaprendizagem das atividades cotidianas: a yauô
executa gestos representativos: cozinhar, lavar roupa, usar o pilão, limpar
peixe, fazer compras na feira, cuidar de sua "toilette", simular o
ato sexual, o parto, ninar uma boneca, passear pela cidade ao braço do marido,
escovar as roupas deste ao voltar para casa (...) e até mesmo fumar, ouvir
rádio, ir à missa. A terceira parte do panan é a "compra" da filha de
santo pela família; sem dúvida para manifestar o caráter guerreiro do ritual,
que é uma espécie de perseguição ou de razia, Melville Jean Herskovits
(1895-1963) descreve-a como uma espécie de caça pelo pai, pelo marido, ou por
um ogan do terreiro denominado "escravo de Ogun". Mas pai ou marido,
que assim tomam posse da yauô, devem resgatá-la dando ao sacerdote em chefe do
candomblé uma soma combinada de antemão. Esta compra pode também tomar a forma
de leilão fictício. Ou enfim, nos santuários Gêge, processa-se ao mesmo tempo
que a venda destilada a recolher fundos e assim foi descrita por Manuel
Raimundo Querino (1851-1923): " (...) arma-se uma quitanda bem sortida de
frutas, carne, peixe, hortaliças, utensílios de uso doméstico, como ferro de
engomar, gamela, lenha, carvão, etc.", a que se acrescentam objetos
fabricados pela yauô durante o período de reclusão; ao comprar estes objetos, compra-se
ao mesmo tempo a filha de santo, ou então - se a venda desta se faz à parte - o
que é obtido com a venda destes objetos serve para pagar uma parte das despesas
da iniciação. Naturalmente, só o pai, o marido se é casada, o noivo se deve
contrair casamento pouco depois, têm o direito de comprar a nova filha de
santo; somente no caso de ela ser órfã e muito criança para se casar é que
outra pessoa pode pagar o preço e adquirir o direito de a levar. Neste último
caso, o comprador é conhecido de antemão pelo babalorixá e foi aceito para
desempenhar tal papel tanto devido às qualidades morais, quanto também devido à
sua situação financeira. Há outro aspecto do panan que caracteriza muito bem
seu papel de rito de transição e que me parece por todos os modos essencial:
enquanto nas outras cerimônias públicas de iniciação a filha de santo estava em
estado de transe, aqui aparece em estado de éré, que é uma espécie de êxtase
calmo e infantil; ora, o éré é considerado como forma intermediária entre a
possessão pelo Orixá e o estado normal. É que o santo está abandonando
progressivamente seu cavalo. Terminada a cerimônia, a filha de santo também
terá readquirido plena consciência, mas dormirá ainda uma noite no candomblé. E
em seguida a conduzem, em grande pompa, à casa daquele que a comprou. Durante
um ano, porém, permanece ela como um ser "marginal", pertencendo ao
mesmo tempo a quem a comprou, isto é, à sua família legal, e ao sacerdote que a
fez. A submissão ao babalorixá fica simbolicamente marcada pelo uso de um colar
especial, o kêlé vulgarmente designado pelo nome de "gravata do
Orixá". Um ano depois ou, nos terreiros mais tolerantes, três meses apenas
depois, vai ela depositá-lo aos pés da pedra de seu santo, durante uma
cerimônia que pode ser pública. Isto não quer dizer que deixe de obedecer aos
sacerdotes do candomblé; mas a obediência se restringe unicamente ao domínio
das obrigações religiosas, a filha de santo está daí por diante inteiramente
"livre" na vida "civil". Com efeito, vimos atrás que,
durante sua estada no aliaché, a yauô não era mais dona de si mesma, o xaôrô
sonoro de seu tornozelo constituindo sinal de inteira sujeição, física e
espiritual, àquele que a fabricava. A sujeição é forte demais para poder
desaparecer de uma só vez; eis porque, assim como o transe vai se tornando éré
antes da volta ao estado normal, a posse da filha de santo pelo seu novo
criador se desfaz pouco a pouco. O abandono do kêlé nada mais constitui do que
a última etapa desta libertação progressiva. Todo candomblé tem uma reserva de
filhas e filhos de santo que podem um dia ser iniciados, ou que podem
desempenhar funções importantes na seita, sem por isso receber as divindades;
são os abiã. Os abiã praticaram os ritos de lavagem das contas e o bori, fazem
parte do candomblé. Nós os consideramos, pois, como formando a parte inferior
da hierarquia sacerdotal Uma vez praticada a cerimônia de iniciação, o
indivíduo se torna yauô ou espôsa da divindade. Trata-se, naturalmente, de um
grau superior ao do abiã, mas não do mais elevado. No decorrer de sua vida,
esta yauô passará efetivamente por toda uma série de metamorfoses, cada qual
marcada por um conhecimento mais amplo dos "segredos" da seita. Se
fizer parte de uma seita gêgê (dahomeana), sete anos depois tonar-se-á vodunsi,
promoção que se tornará pública pelo uso do colar especial, o rungéfé, composto
de pérolas vermelhas e de contas de coral. Ou então será obômin, se fizer parte
de uma nação nagô. Somente depois de se tomar ebômin é que a filha de santo
pode ser escolhida para desempenhar no santuário uma função especializada, além
da de receber o santo, a qual lhe dá autoridade superior à das simples yauô.
Pode por exemplo se tornar dagã ou se é de grau mais recente, sidagã,
especializada na celebração do pade de Exú; pode auxiliar os sacerdotes durante
o serviço religioso, como iyá mêrê; pode caber-lhe a cozinha, devendo preparar
os alimentos especiais das diversas divindades, tornando-se assim iyá bassé; se
tem boa voz e boa memória, será uma iya têbêsê encarregada, nas festas públicas
e privadas, e tomar a iniciativa dos cânticos, escolhendo-os e lançando-os aos
músicos e aos dançarinos. A iyalaxé me parece ter importância ainda maior, pois
é ela, como o nome indica, que toma conta do axé, isto é, das pedras sagradas
do pegi, dos alimentos oferecidos a estas (alimentos que só são mudados cada
semana), da limpeza do santuário. Nesse trabalho, pode sem dúvida se fazer
ajudar e servir pelas yauô, mas toda a responsabilidade é sua. E também, se a
ialorixá ou o babalorixá não habitam o candomblé, é ela que vai morar nele,
como uma espécie de administradora. Mas acima de todas estas funções está a da
"mãe pequena", ou segunda sacerdotisa, chamada em língua africana iya
kêkêrê ou jibonam, a qual substitui a mãe de santo em caso de impedimento e
muitas vezes, mas não obrigatoriamente, toma-lhe o lugar quando morre. Se o
candomblé for dirigido por um homem em lugar de uma mulher, por um
"pai" em lugar de "mãe", seu papel é ainda mais importante.
É a iyá kêkêrê que se ocupa das candidatas à iniciação, que as acompanha ao
banho matinal, lava-as com sabão africano, corta seu cabelo à tesoura, depila
seu corpo, traça o efun, etc. Como se vê, não falei senão das filhas de santo;
são muito mais numerosas do que os homens; todavia, existem também alguns
"filhos de santo". Estes são em geral crianças que se encontravam no
ventre materno no momento em que a mulher se iniciou, considerando-se então que
o filho, por "participação" ao corpo da genitora, é iniciado. Em todo
o caso, do mesmo modo que o posto de "mãe pequena" fica mais
importante quando o terreiro é dirigido por um homem, nos que são dirigidos por
mulher há necessidade de um homem para ajudá-la, e este é o encarregado do
altar, ou pegi-gã. Todavia, o papel pode ser desempenhado por alguém que não
tenha passado pelos ritos de iniciação, que seja simples ogan. Há duas espécies
de ogan. Alguns são escolhidos devido apenas à situação social e financeira,
servindo de protetores à seita com relação às autoridades constituídas;
defendem na contra as possíveis arbitrariedades da polícia; auxiliam-na em caso
de necessidade, lançando mão de seus próprios recursos. Outros, porém,
conservando algo da origem sacerdotal do termo, ougangas (ou sacerdotes, no
Gabon), formam uma espécie de sacerdócio secundário. Há por exemplo o pegi-gã,
de que acabei de falar e que é o presidente do conselho administrativo do
candomblé, o responsável pelo seu pegi; o oxôgun que é o sacrificador; o alabê
que toca o rum e dirige a música. O que define o ogan em oposição aos filhos de
santo não é o fato de deixar de possuir um Orixá (cada um de nós tem sempre o
seu), e sim não poder ser possuído por ele. Todo candomblé compreende
obrigatoriamente um conjunto de pessoas que não podem, de modo nenhum, cair em
transe: os ogan do lado masculino, as ekedy do lado feminino, da mesma forma
que também compreende obrigatoriamente uma confraria das filhas de santo que
entram em êxtase. As ekedy, como vimos, estão encarregadas de auxiliar as
filhas de santo quando caem em transe, ao decorrer das cerimônias públicas. Com
efeito, como poderia o ritual transcorrer em ordem e de acordo com todas as
normas necessárias, se bruscamente uma ekedy, em lugar de cuidar do cavalo de
que é responsável, caísse por terra ao lado dele, sacudida por movimentos
convulsivos, ou se o alabê abandonasse por momentos a música para dançar no
meio da multidão? Mas se nem ogan, nem ekedy podem entrar em transe, existe
mais, além da diferença de sexo, uma relação antitética para com as yauô que os
opõem um ao outro. De fato, cada ogan está ligado a uma filha do mesmo santo
que ele, que é a "sua" filha, que por conseguinte auxilia e protege,
mas que, por sua vez, lhe deve respeito e submissão. A ekedy, ao contrário, é
de certo modo a empregada, a serva piedosa e paciente de sua yauô. Manuel
Querino e eu mesmo já descrevemos detalhadamente o modo pelo qual o ogan é
incorporado à seita. Note-se que não é o sacerdote que o escolhe e sim a
divindade, no decorrer de uma cerimônia pública, por intermédio da yalorixá ou
de uma filha de santo em estado de transe. O futuro ogan é então festejado pelo
público, carregado em triunfo; mas pode ainda recusar, se teme não estar à
altura de seu futuro posto. Aceitando, deve ficar três dias no candomblé para
receber iniciação especial (antigamente, permanecia ali três dias inteiros;
atualmente, permite-se descer à cidade durante o dia, quando tem ocupações
profissionais, mas deve passar as três noites no santuário). A festa de
entronização tem lugar mais tarde, até mesmo seis meses depois, e compreende
obrigatoriamente a fabricação de uma cadeira na qual ele se sentará com toda a
pompa, festa cuja importância se relaciona ao mesmo tempo com a entronização
das yauô, que também devem se sentar num banco novo quando entram no candomblé,
e com o culto dos tronos reais ou sacerdotais encontrados na Africa. Acima dos
ogan, existem ainda, doze obas ou ministros de Xangô, no candomblé de Axê de
Opo Afonjá. Tais ministros, escolhidos entre os ogan mais antigos e mais
estimados do terreiro, constituem, todavia, criação bastante recente de
Martiniano do Bonfim, depois de seu regresso da África onde fora se iniciar no
cargo de babalaô. Ele mesmo conta como efetuou a criação depois de lembrar toda
a sequência dos reis de Oyo; a rivalidade entre Xangô de um lado, o Timin e
Gbonká, de outro; de que maneira Xangô se tornara uma divindade, prossegue: Os
dois guerreiros (Timin e Gbonká) que tinham provocado o desaparecimento de
Xangô, voltaram à sua terra de origem. Os ministros de Xangô, os mangbá,
instituíram então o culto do orixá. (...). Algum tempo depois, formou-se um
conselho de ministros encarregado de manter vivo o culto, que foi organizado
com os doze ministros que o tinham acompanhado à terra, seis à direita e seis à
esquerda. Os da direita eram Abiódún (descendente do rei Abiodun, príncipe),
Onikôyi, Aréssa, Onanxókún, Obá Télá e Olugban. Os da esquerda, Aré, Otun
Onikôyi, Otun Onanxókún, Ekô, Kábá Nnfô e Ossi Onikôvi. Estes ministros -
antigos reis, príncipes ou governadores de territórios conquistados pela
bravura de Xangô - não quiseram deixar se extinguir a lembrança do herói na
memória das gerações. Eis porque, no Centro Santa Cruz do Aché de Opô Monjá, de
São Gonçalo do Retiro, celebrou-se neste ano a festa da entronização dos doze
ministros de Xangô, escolhidos entre os ogans mais velhos e mais prestigiosos
do candomblé. Os ritos de entronização constituem de certa maneira ritos de
iniciação do ogan num grau mais elevado. Sua iniciação é, portanto, mais longa.
Quanto as suas funções não são muito claras. Mas, de luta sem tréguas que
contra eles dirigiu a ialorixá atual, filha de Oxun, até conseguir finalmente
impor, embora com dificuldade, suas ordens, pode-se induzir sem grande risco de
erro que a finalidade principal era, do ponto de vista espiritual, velar pela
importância do culto de Xangô - o que justamente uma esposa de Oxun não podia
suportar sem mágoa, Oxun sendo para ela mais importante do que Xangô.
Acrescentemos que, além desta função espiritual que os torna sucessores
brasileiros dos mangbá ou sacerdotes de Xangô, formam os oba, do ponto de vista
material e civil, o conselho administrativo do Axé de Opo Afonjá. Um informante
designou como "chefes de harém". Mas é preciso atentar para o sentido
desta expressão, ela não significa de modo nenhum direito sexual sobre as
filhas de santo. Quer dizer apenas que, assim como um ogan tem sob suas ordens
uma filha do mesmo Orixá que ele, também os oba tem sob sua autoridade o
conjunto de filhas de santo que pertencem a mesma divindade dele. Livro O Candomblé da Bahia – Rito Nagô. Abraço. Davi.
quinta-feira, 2 de janeiro de 2020
OS ANALECTOS - LIVRO I
Confucionismo.
www.https//rt.br. OS ANALECTOS – LIVRO I.
1. O Mestre disse: “Não é um prazer, uma vez que se aprendeu algo, colocá-lo em
prática nas horas certas? Não é uma alegria ter amigos que vêm de longe? Não é
cavalheiresco não se ofender quando os outros falham em apreciar suas
habilidades”? 2. Yu Tzu [22] disse: “É raro um homem que é bom como filho e
obediente como jovem ter a inclinação de transgredir contra seus superiores;
não se sabe de alguém que, não tendo tal tendência, tenha iniciado uma
rebelião. O cavalheiro dedica seus esforços às raízes, pois, uma vez que as raízes
estão estabelecidas, o Caminho daí brotará. Ser um filho bom e um jovem
obediente é, talvez, a raiz do caráter de um homem”. 3. O Mestre disse: “É
raro, de fato, que um homem com palavras ardilosas e um rosto bajulador seja
benevolente”. 4. Tseng Tzu disse: “Todos os dias, examino a mim mesmo sob três
aspectos. Naquilo que fiz pelo bem-estar do outro, falhei em fazer o meu
melhor? Ao tratar com meus amigos, falhei em ser fiel às minhas palavras?
Ensinei aos outros algo que eu próprio não tenha experimentado?”. 5. O Mestre
disse: “Ao governar um reino com mil carruagens, trate dos negócios com
reverência e seja coerente com aquilo que fala; evite gastos excessivos e ame
os seus semelhantes; empregue o trabalho do povo apenas nas épocas certas”. 6.
O Mestre disse: “Um rapaz deveria ser um bom filho em casa e um jovem obediente
fora de casa, parcimonioso com a fala, mas coerente com o que diz, e deveria
amar todo o povo, mas cultivar a amizade dos seus semelhantes. [23] Se lhe
sobrar alguma energia dessas ações, que ele a dedique a tornar-se um homem
culto”. 7. Tzu-hsia disse: “Eu diria que recebeu instrução aquele que aprecia
homens de excelência enquanto outros homens apreciam belas mulheres; que se
dedica ao máximo servir os seus pais e oferece a sua pessoa a serviço do seu
senhor: e que, nas relações com seus amigos, é coerente àquilo que diz, mesmo
que afirme que nunca recebeu educação”. 8. O Mestre disse: “Um homem a quem
falta seriedade não inspira admiração. Um cavalheiro que estuda não costuma ser
inflexível. “Estabeleça [24] como princípio fazer o melhor pelos outros e ser
coerente com o que diz. Não aceite como amigo ninguém que não seja tão bom
quanto você. “Quando cometer um erro, não tenha medo de corrigi-lo.” 9. Tseng
Tzu disse: “Conduza os funerais dos seus pais com esmero e não deixe que
sacrifícios aos seus remotos ancestrais sejam esquecidos, e a virtude do povo
penderá para a perfeição”. 10. Tzu-ch’in perguntou a Tzu-kung: “Quando o Mestre
chega em um reino, ele invariavelmente fica sabendo sobre o governo do lugar.
Ele busca tais informações? Ou elas lhe são fornecidas?”. Tzu-kung disse: “O
Mestre conquista-as sendo cordial, bom, respeitador, moderado e deferente. O
modo com que o Mestre busca informação é, talvez, diferente do modo com que outros
homens as buscam”. 11. O Mestre disse: “Observe o que um homem, enquanto seu
pai está vivo, planeja fazer e então observe o que ele faz quando seu pai
falece. Se, durante três anos, ele não se desviar do caminho do pai, ele pode
ser chamado de um bom filho”. [25] 12. Yu Tzu disse: “Das coisas proporcionadas
pelos ritos, a harmonia é a mais valiosa. Dos Caminhos dos antigos reis, este é
o mais belo e é seguido igualmente em questões grandes ou pequenas, embora nem
sempre funcione: buscar sempre a harmonia sem regulá-la pelos ritos,
simplesmente pela harmonia, na verdade não funcionará”. 13. Yu Tzu disse: “Ser
coerente com as próprias palavras é ter moral, no sentido de que isso faz com
que as palavras dessa pessoa possam ser repetidas. [26]. Ser respeitoso,
significa ser observador dos ritos, no sentido de que isso possibilita que se
fique longe da desgraça e do insulto. Se, ao promover as boas relações com
parentes da sua esposa, um homem consegue não perder a boa vontade de seus
próprios parentes, então ele merece ser considerado o chefe do clã”. [27] 14. O
Mestre disse: “O cavalheiro não almeja nem uma barriga cheia nem uma casa
confortável. Ele é rápido na ação, mas, cauteloso com o que diz. [28] Ele se
dirige a homens virtuosos para receber orientação. Tal homem pode ser descrito
como alguém ávido por aprender”. 15. Tzu-kung disse: “‘Pobre sem ser servil,
rico sem ser arrogante’. O que o senhor pensa desse provérbio”? O Mestre disse:
“É bom, mas melhor ainda é: ‘Pobre, mas alegre no Caminho; rico, porém
observador dos ritos’”. Tzu-kung disse: “As Odes dizem cortado como osso,
polido como chifre Esculpido como jade, moído como pedra. O que o senhor disse
não é um caso semelhante”? 16. O Mestre disse: “Ssu, apenas com um homem como
você pode outro homem discutir as Odes. Diga algo a este homem, e ele poderá
ver sua relevância em relação ao que não foi dito”. Não é quando os outros
falham em apreciar as suas habilidades que você deveria ficar incomodado, mas,
antes, quando você falha em apreciar as habilidades dos outros. www.https//rt.br. Abraço. Davi
quarta-feira, 1 de janeiro de 2020
RELACIONAMENTO DO SIGNO DE GÊMEOS COM OUTROS SIGNOS
Zodíaco. www.universa.uol.com.br.
Sinastria (1). RELACIONAMENTO DO SIGNO DE GÊMEOS (21 de maio à 20 de junho) COM
OUTROS SIGNOS.
GÊMEOS E ÁRIES. Uma paixão entre dois signos
inquietos e inconstantes tem grandes chances de ser só fogo de palha. Os dois
gostam de diversão, novidades e movimento – precisam de estímulos constantes,
cumplicidade, lazer e muito diálogo para que a relação não caia na rotina.
Gêmeos é espirituoso, comunicativo, curioso e adaptável, o que pode satisfazer
as exigências de Áries, que é decidido, impulsivo e espontâneo e que com sua
energia desperta a curiosidade de Gêmeos. Essa combinação acaba propiciando
conversas interessantes e situações inusitadas. Sexualmente, a parceria é muito
criativa e ardente: ambos estão sempre testando novas possibilidades na vida
íntima. Mas é provável que haja alterações de humor. O elemento do signo de
Áries é o fogo e o de Gêmeos é o ar, ou seja, pura combustão, o que leva a
picos de intensidade, mas que depois se apaga. Em função disso, é possível que
a relação não se torne tão séria e comprometida. Mas devem cultivar valores
mais sólidos e o sincero desejo de constituir uma família, se houver amor
verdadeiro. Gêmeos e Touro. Para esta relação se concretizar é
necessário que os dois superem alguns desafios, pois a compatibilidade e os
interesses em comum não são muitos: Gêmeos privilegia a liberdade e não gosta
de se sentir amarrado, e o ciúme e a possessividade de Touro tendem a sufocar o
geminiano. É preciso que exista diálogo. Mas ambos apreciam o prazer e gostam
de programas culturais. Touro se sentirá atraído pela inteligência, eloquência,
adaptabilidade, pela natureza espirituosa e pelo bom humor de Gêmeos, que, por
sua vez, respeitará a força, o charme e a determinação de Touro. Os dois terão
sempre muito do que conversar e passarão horas desfrutando da companhia um do
outro. No quesito vida sexual, Gêmeos vai estimular Touro com convites
divertidos e propostas bem-humoradas e, apesar de Touro ser mais lento, com
disposição, conseguirão viver juntos momentos de prazer intenso. O taurino
ensinará o geminiano a ter mais tranquilidade e coerência em suas decisões; e o
geminiano passará leveza, atitude questionadora, flexibilidade e sentido de
liberdade para o taurino. Gêmeos e Gêmeos. Como
se trata de dois nativos do mesmo signo, pode haver amizade, entrosamento e
muitas afinidades, mas, a longo prazo, o relacionamento tende a se esfriar.
Isso porque Gêmeos é inquieto, com tendência a ser inconstante. Na vida sexual,
é muito provável que haja química, sintonia e compatibilidade – geminianos
estão sempre em busca de novas experiências. São curiosos, dinâmicos,
expressivos, bem-humorados e esta união tem tudo para gerar bons momentos de
cumplicidade em viagens e aventuras. Também adoram a vida social e as amizades
são fundamentais. A principal dificuldade está na personalidade mutável e
instável de Gêmeos. Portanto, é fundamental que controlem um pouco o desejo de
mudanças e de novidades frequentes, já que isso acarreta uma vida sem
estabilidade e pouco saudável. É preciso cuidado para não exagerarem na
abertura e na falta de foco. Com leveza e adaptabilidade, podem superar
complicações do cotidiano. A admiração mútua será um ponto forte, o que
aumentará o vínculo entre eles. Gêmeos e Câncer. Este é um encontro de duas pessoas com qualidades
muito diferentes. Câncer é sensível, emotivo, ligado à família, gosta de cuidar
das pessoas queridas e necessita de um clima harmonioso para prosperar. Gêmeos
é independente, inquieto, mental, está sempre em busca de novidades.
Sexualmente, Gêmeos proporcionará ao seu parceiro novas experiências, sensações
e emoções; o nativo de Câncer, por sua vez, oferecerá calor, acolhimento e
proteção. De qualquer forma, é preciso um real compromisso entre eles para que
o relacionamento dure. Nos assuntos econômicos podem surgir alguns conflitos:
para os cancerianos, segurança e estabilidade econômica são fundamentais; e os
geminianos são mais imediatistas e menos preocupados em garantir estabilidade.
O nativo de Gêmeos gosta de estímulos intelectuais e age motivado pela razão,
já o de Câncer segue o lado mais emocional. Os geminianos devem compreender
essa natureza temperamental dos cancerianos para cultivar uma relação mais
profunda. E o desafio de Câncer é atravessar a superficialidade de Gêmeos para
alcançar um comprometimento maior. Gêmeos e Leão. Esta é uma união com potencial estimulante, pois
se trata de signos alegres, joviais, criativos e festivos. Ambos gostam de
novidades, aventuras, diversão, atividades culturais e de lazer – pontos que
fazem muito bem ao casal. Leão é um signo do elemento Fogo, confiante e
ambicioso. Gêmeos é um signo do Ar, inteligente, adaptável e inquieto. O
resultado desta combinação é explosivo. Sexualmente, eles têm chances de viver
momentos de muita química, paixão, brincadeiras e carinho, além de uma bela
cumplicidade. Se trabalharem juntos, haverá possibilidade de sucesso em
atividades criativas: Gêmeos com seu potencial intelectual e Leão com seu toque
ambicioso e glamoroso. Mas é importante que fiquem atentos às armadilhas do ego
quando estiverem em ambientes sociais. Se o orgulho de Leão vier à tona, Gêmeos
deve evitar enfrentá-lo e relevar. Por vezes, a língua afiada de Gêmeos pode
ferir o ego de Leão. Se conseguirem respeitar suas diferenças e relaxar, a
relação certamente se tornará interessante, divertida e duradoura. Gêmeos e Virgem. Apesar de terem o mesmo planeta regente (Mercúrio),
o que significa algumas qualidades em comum, esses são signos muito diversos, o
que pode se traduzir em uma relação enriquecedora se os dois souberem se
respeitar, ceder e fazer concessões. Na questão sexual, se estiverem dispostos,
a sintonia será aprimorada ao longo do tempo. São signos inteligentes e com
facilidade para passar horas conversando sobre projetos, experiências e ideias.
Mas, no início, é possível que aconteça desentendimentos. É essencial que haja
diálogo, estímulo intelectual e sinceridade entre eles. Para que a parceria se
torne longa e sólida, Gêmeos deve compreender a necessidade virginiana de
qualidade, detalhamento e perfeição. Ao mesmo tempo, Virgem precisa aprender
com o geminiano a rir e a se divertir mais, não se cobrar tanto nem levar a
vida tão a sério. Quando conseguirem apreciar as respectivas qualidades,
poderão até se casar: Gêmeos admirando a praticidade, a objetividade e a
tendência metódica de Virgem, que se sentirá rejuvenescido pela vivacidade,
leveza e senso de humor do geminiano. Gêmeos e Libra. São dois signos com grandes afinidades: ambos são
do elemento Ar. São mentais, intelectuais, buscam conhecimento, cultura,
apreciam os estudos e as artes. É possível que surja cumplicidade e afinidade
na vida sexual. Libra contribui com sua sensualidade e compreensão, enquanto
Gêmeos faz seu companheiro rir e se divertir. O diálogo e as trocas estão
garantidos por seus planetas regentes: Vênus (Libra) e Mercúrio (Gêmeos). O
grau de entendimento e sintonia tende a superar as palavras – muitas vezes
basta um olhar para cada um captar o que se passa na mente do outro. E mais: a
parceria de negócios, estudos e projetos criativos tem grandes chances de
prosperar. Mas há diferenças a serem superadas para uma relação duradoura.
Libra tem mais facilidade para assumir compromissos e gosta de fazer tudo a
dois. Os geminianos são mais independentes e não apreciam as cobranças. É
essencial que exista amor verdadeiro, sinceridade e confiança, além da certeza
de que desejam se comprometer antes do casamento e dos filhos. Gêmeos e Escorpião.
Eis um encontro de dois signos com temperamentos e
personalidades diferentes. Escorpião é do elemento Água: profundo, intenso,
apaixonado, instintivo, magnético e misterioso. Gêmeos é do elemento Ar:
eclético, mental, inquieto, adaptável, inconstante e algumas vezes até
superficial. No campo sexual, é provável que Escorpião desperte o interesse de
Gêmeos, que deve aprender a se entregar com mais profundidade. Já Escorpião
precisa cultivar mais leveza e paciência para que exista mais química e
intimidade. Se houver fidelidade e respeito, ao longo do tempo viverão ricas e
variadas experiências. São signos muito inteligentes e essa parceria tem chance
de ser proveitosa profissionalmente, quando cada um preenche as carências e
necessidades do outro. Mas atenção: o geminiano tende a se aborrecer com as
reflexões escorpianas tão profundas. Ao mesmo tempo, Escorpião pode considerar
seu companheiro imaturo e infantil com suas abordagens mais supérfluas. Se
quiserem uma união duradoura, devem estar abertos para o crescimento mútuo, o
aprendizado constante. Gêmeos e Sagitário. Esta é uma
combinação entre signos opostos, porém, curiosamente, complementares. Pode
haver muita química e paixão no início, mas, simultaneamente, existem
diferenças a serem trabalhadas. Ambos precisam estar predispostos a agir com
inteligência e comprometimento para que a relação perdure. Se conseguirem se
complementar, ao invés de competirem entre si, o relacionamento tem potencial
para funcionar a longo prazo. Sexualmente, é provável uma atração logo à
primeira vista. Os dois também gostam de aventuras, liberdade, viagens,
conhecimento e sociabilidade. Gêmeos tem a possibilidade de aprender muito com
a franqueza, o entusiasmo e a generosidade de Sagitário, que se sentirá atraído
pela leveza, adaptabilidade, inteligência, atrevimento e alegria do geminiano.
O ponto forte é que sabem respeitar suas individualidades. O perigo, contudo, é
valorizarem tanto a liberdade que a relação correrá o risco de esfriar com o
passar do tempo. Mas, para evitar isso, eles deverão se apoiar, se compreender
e se motivar diante da variedade de desafios que surgirão em suas vidas. Gêmeos e
Capricórnio. Temos aqui a união de dois signos com
qualidades e personalidades díspares. Gêmeos é mental, inquieto, curioso e
dispersivo. Capricórnio é pragmático, perseverante, crítico e exigente. Mesmo
sexualmente eles têm gostos diferentes. Capricórnio é mais comprometido e
controlado. Gêmeos é mais imediatista. Por isso, é possível que no começo não
se entendam muito bem, todavia, se houver paixão e ambos estiverem abertos, com
muita conversa conseguirão se conectar. O aprendizado é construir a parceria
com respeito a essa diversidade. Aliás, com suas diferenças podem se
complementar. Capricórnio com seu senso de estratégia, sua ambição, praticidade
e objetividade dará suporte e estabilidade para a criatividade e a
originalidade das ideias geminianas. Gêmeos, por sua vez, ensinará ao seu
companheiro mais leveza, bom humor e otimismo para que ele não se torne
pessimista demais. Em projetos profissionais formam uma boa parceria: são
racionais e as trocas intelectuais são muito proveitosas. Juntos têm a chance
de chegar longe e alcançar o sucesso. Gêmeos e Aquário. É uma combinação com potencial positivo, já que
são signos do elemento Ar: gostam de cultura, viagens e novidades constantes.
Juntos, é possível que tenham objetivos similares. Na questão sexual, são mais
racionais do que passionais. Portanto, a sintonia se dá mais pelo viés
intelectual, pela compreensão e pelo carinho do que por mera atração física.
Devem cultivar romantismo, sinceridade e comprometimento para que a união não
esfrie e se transforme em amizade. No trabalho, a parceria tende a ser
produtiva: Aquário com humanitarismo, originalidade e transparência, e Gêmeos
com sua inventividade, capacidade analítica e inteligência. São excelentes
comunicadores e apreciam a vida social, mas também necessitam de espaço, de
momentos de independência – para eles é fácil respeitar isso. As experiências
que viverem separadamente até contribuirão para enriquecer a relação. Tédio e
monotonia não são um problema, pois eles estarão sempre prontos para propostas
surpreendentes, atividades inovadoras e lugares e pessoas diferentes. Gêmeos e Peixes. Aqui, há mais diferenças do que qualidades em
comum. Peixes é um signo de Água: sensível, imaginativo, intuitivo e romântico.
Gêmeos é um signo de Ar: independente, mental, inquieto e inconstante. Depois
de uma atração inicial, essas diferenças saltam aos olhos. Sexualmente também
há tendência para baixa compatibilidade. Peixes, apesar de ser sedutor, se
mostrará carente, frágil ou insistente. Por sua vez, Gêmeos se apresentará frio,
distante e autossuficiente. Encontrar química na vida íntima será uma tarefa
difícil. Mas há alguns pontos em comum: são curiosos, flexíveis, apreciam a
cultura, as artes e o conhecimento. Estão sempre abertos para novas ideias e
dispostos a mudar de opinião se perceberem que estão equivocados. Tanto um
quanto o outro não são signos dominadores, não tentarão moldar o outro ou impor
sua forma de ver as coisas. Isso é uma vantagem e pode trazer uma garantia para
a construção de uma vida a dois, com base na igualdade de opiniões e de
direitos para ambas as partes.
Referência: (1).
Sinastria – é uma técnica utilizada na astrologia para verificar o grau de
compatibilidade numa relação (afetiva, profissional ou familiar) entre duas
pessoas. Esse procedimento faz uso do MAPA ASTRAL, recorrendo aos perfis
astrológicos de um indivíduo e seu parceiro. Requer encontrar um profissional,
caso deseje realizar o método do mapa, recomendado e capacitado na ciência
astrológica. Deve ter registro profissional na instituição ou sindicato que
regula a prática em sua região ou estado. www.universa.uol.com.br. Abraço.
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