sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

O ENSINAMENTO SOBRE TARA


Budismo. www.nossacasa.net/shunya/. Por Lama Tubten Yeshe (1935-   ). 19 a 21 de setembro de 1980. Caldas de Montbuy, Barcelona – Espanha. O ENSINAMENTO SOBRE TARA. O Tantra enfatiza a prática da transformação. Os problemas surgem quando pensamos que beiramos a perfeição e que nosso valor é inestimável. Ou, ao contrário, quando pensamos que somos egoístas e segue-se crítica e depressão. O ego que passa julgamentos é o mesmo que gera confusão e insatisfação, o que rejeita a ideia de que temos méritos, o ego que permeia toda a nossa existência. Se me considero uma pessoa mau humorada e belicosa minhas relações tenderão a ser conflituosas, um preconceito do ego sobre o qual preciso agir para transformar. O Tantra também enfatiza que todos temos a qualidade bhúdica, a qualidade divina. Podemos aludir à qualidade nuclear de Deus, a qualidade bhúdica, existente em nós todos, um conceito fundamental. Vejamos o que acontece em nossos relacionamentos. Quando perdemos o respeito por alguém procuramos o motivo porque a mente negativa pensa que o outro deixou de ser quem era e que, por conseguinte, não temos mais nada em comum. Pelo ponto de vista psicológico, contudo, fui eu quem deixou de ser quem era, o meu ego produziu a mudança, que constatada, fez com que este mesmo ego reagisse perdendo a consideração pelo outro. Segundo o budismo, quando passo por uma transformação, o que me rodeia já não atrai do mesmo modo e, por conseguinte, o outro deixa de me interessar. Assim, (para não nos incompatibilizar com a vida enquanto passamos por todo tipo de transformação) na medida das nossas possibilidades, reconheçamos a qualidade divina de Tara em todos os seres. Este yoga tântrico é a prática de ver todos os seres humanos, e nós mesmos, como Tara. O que é TaraTara é a qualidade divina dos seres supremos. Manifesta-se com o aspecto feminino porque este tipo de energia é apanágio (atributo) do feminino. Tara não é mulher e todos, homens e mulheres, têm o potencial para se manifestar como TaraTara é um estado de consciência, um estado de realização, é a ação divina diligente; em outras palavras, quando desenvolvemos a qualidade de Tara eliminamos a preguiça e ativamos uma poderosa fonte de energia. Quando um homem busca a completa realização ou de alguma forma, para o bem ou para o mal, ser bem sucedido, precisa de uma mulher. Não se trata só de sucesso mundano porque os Yogues e os Mahapanditas nas tradições tibetana e hinduísta adotaram Tara como deidade pessoal na realização do caminho da iluminação. Meditantes, homens e mulheres, desde o início da prática e até alcançarem a iluminação aperfeiçoam a energia de Tara. Por outro lado, do ponto de vista da verdade relativa, as mulheres são sensíveis àquilo que os homens não são. A mulher, pela constituição física, sentimentos, sensibilidade, desenvolve a nível relativo, aspectos que não estão ao alcance do homem. Neste nível, não se pode dizer que esta flor e aquela são iguais. Porém, considerando a verdade absoluta, mas só em termos absolutos, não existe diferença entre o homem e a mulher. Contudo, enquanto perambulamos pelo Samsara com um ego dualista, então sim, são diferentes. Quando rejeitamos a qualidade feminina rejeitamos a própria vida. O Tantra, que não é filosofia nem conhecimento filosófico, nos ensina que não se pode rejeitar ou menosprezar a qualidade feminina. Na busca do estado de felicidade, precisamos da energia feminina. Homens e mulheres têm o potencial de alcançar a divina ação rápida a que chamamos Tara, difícil de alcançar. Temos um corpo físico e um corpo de consciência que coexistem e é possível transformá-los e dar-lhes identidade através da irradiação da luz verde. Este ponto é muito importante e nem sempre de fácil assimilação por um ocidental cuja mente peca pela racionalidade de uma abordagem científica. A realidade da consciência ou da mente é essencialmente humana e independe de crenças. Mesmo para quem não acredita no coração, ele continua batendo (...). Ninguém viu seu próprio coração, mas sabe que faz parte do corpo e não o rejeita. Assim se passa com a consciência; é parte de nossa vida e pode manifestar-se de formas muito diferentes. Agora mesmo, como vejo vocês diante de mim, manifestam-se de certo modo; vejo-os tranquilos, não estão nem mal humorados nem sonolentos. A chave do que observo em vocês vem da mente de cada um. A mente causa vibrações no corpo, de paz, de mal humor ou de outros sentimentos. É fácil observar, é um bom exemplo da ação da mente sobre o corpo. Muito especialmente, a irradiação da luz verde tem um tipo de energia magnética que harmoniza o entorno. Quando digo que nos convertemos em Tara não quer dizer que adotamos as feições de Tara, mas que a consciência que é energia física insubsistente se transforma em corpo de energia irradiante, verde, de Tara. Antes de receber uma iniciação nos purificamos externamente e tratamos de eliminar obstáculos externos, internos ou secretos. Visualizamos nosso mestre, não como um monge tibetano, mas como tendo um corpo de luz, não é preciso acreditar ou deixar de acreditar, simplesmente o visualizamos, de um verde brilhante que afasta todos os obstáculos. O essencial da meditação é unir o cotidiano à prática de Arya Tara. A mãe da sabedoria divina, Tara, é a causa fundamental da felicidade. Consta dos textos que todos os seres supremos, os bodhisattvas e os budas surgiram a partir da sabedoria da Mãe Tara. Ela é genitora dos seres supremos do passado do presente e do futuro, todos nasceram dela e por isso é chamada de Mãe Tara. Nosso conhecimento espiritual é fruto da sabedoria inerente à energia feminina. O motivo porque chamamos Mãe Tara tem uma explicação científica, não é mitológico. Tara é a sabedoria que rompe as aparências, com o poder de manifestar-se de muitas formas e cores distintas, umas pacíficas e outras iradas, para beneficiar todos os seres humanos e não humanos. Se por vezes sentimos que falta algo em nossas vidas e é precisamente o que a sabedoria divina de Tara provê e unifica. A vida não pode ser vivida apenas racionalmente, a vida é esotérica ,é tantra; creio que a vida seja oculta e portanto não podemos vivê-la dizendo: "quero ser feliz, quero atingir um objetivo e farei tudo para alcançá-lo para, então, ser feliz." Não pensem que a felicidade possa surgir a partir do racional; a vida é um ir e vir, um movimento perpétuo ao encontro de novas situações. Temos um bom exemplo nos discípulos de Lama Tsong Khapa (1357-1419) que muito valorizavam a compreensão e a sabedoria do mestre e buscavam igualá-las; portanto, as experiências de uns e de outros nunca se assemelharam às do mestre. No ocidente encontramos tais exemplos. Carl Gustav Jung (1875-1961), discípulo de Sigmund Freud (1856-1939), queria seguir o mestre e descobriu que não era possível. Tinha seu próprio estilo e seu jeito de lidar com os pacientes. Acontece o mesmo com os mestres tibetanos que trazem o Dharma para o ocidente; passaram por certas experiências enquanto que vocês vivem outras. Estas diferenças são reais até certo ponto do caminho, mas quando se realiza a totalidade, não existem mais diferenças. Um dia uma italiana veio visitar-me dizendo que queria encontrar um marido. Gostava de um rapaz, mas encontrava obstáculos. Dei-lhe uma meditação e uma prática de Tara, em que ela visualizava-se com raios de luz vermelha que, saindo de Tara (ela mesma), iam ao coração do homem de seu agrado e o enlaçavam. No ano seguinte ela veio com o marido e toda a família agradecer-me. O êxito não teve nada a ver com meus poderes, mas com os da mãe da sabedoria divina, Tara. Quando estou no ocidente, um turista curioso, costumo visitar igrejas. Vejo gente rezando e fazendo oferecimentos diante da imagem da Virgem, medito por um tempo e sou invadido por uma sensação muito agradável. Observo que a maioria dos fieis está diante da imagem da Virgem Maria o que parece indicar que a energia de Tara e a energia da Virgem Maria Santíssima são a mesma. Todos temos a qualidade de Tara e nas mulheres ela é acentuada. As 21 manifestações de Tara são aspetos distintos desta poderosa energia que vai ao encontro de muitas circunstâncias. Se não for possível transformarem-se por completo em Tara, sugiro que visualizem o interior de seus corpos de cor verde transparente e brilhante, é um método precioso e talvez mais fácil do que a transformação em Tara. Nosso ego e suas crenças nos limitam, mas transformando-nos em corpo de luz verde brilhante rompemos este conceito, criamos espaço e tempo onde possam manifestar-se energias positivas, como a compaixão, a sabedoria, o amor, a compaixão, a inteligência (...). Por isso desde que nos levantamos até hora de deitar, durante qualquer atividade, nos identificamos com este corpo de luz verde brilhante, sempre conscientes dele. Esta prática é muito poderosa e nos fortalece. Para dormir visualizamo-nos como Tara, com um corpo de luz verde brilhante que se absorve lentamente na sílaba TAM no nosso coração; de baixo para cima até desaparecer no vazio. Adormecemos com a mente em Shunyata. Adormecer de forma adequada é, segundo o Tantra, uma prática importante; colocamos de parte a mente obsessiva. Na psicologia budista dia e noite, vigília e sono, são a mesma realidade. Cremos na realidade do que observamos no estado de vigília enquanto que o que observamos durante o sono é onírica, mas são a mesma realidade cármica. Se pensarmos que os sonhos não são reais, o que constatamos em estado de vigília também não é. Segundo o Paramitayana, dormir é prejudicial; mas o Budha disse que dormir com o método adequado se converte no caminho da iluminação. Esta é a essência, a beleza e a característica do Tantra, converter e transformar tudo no caminho da libertação, tornarmo-nos mais conscientes e com mais domínio sobre a mente. Este é o poder do Tantra, o caminho mais rápido. Utilizando a meditação da vacuidade, dormimos cultivando a sabedoria. Há duas maneiras de adormecer e de despertar. Quando abrimos os olhos pela manhã, talvez ouçamos um ruído, o canto dos pássaros, ou alguém batendo à porta. Então, transformamos estes sons no mantra OM TARE TUTTARE TURE SOHA visualizando-o no espaço. Utilizando o método de adormecer em Shunyata, ao despertar convertemo-nos em Tara. Fazemos a higiene matinal recitando o mantra e oferecendo-o a Tara. No café da manhã abençoamos o que vamos comer com o mantra OH AH HUNG três vezes. A comida se transforma em energia gozosa, em ambrósia, uma prática muito proveitosa. Durante a refeição, se possível, visualizem-se sendo invadidos pela energia gozosa que se instala no coração transformando nela qualquer estado de insatisfação. Reconheçamos em todos os seres, em tudo o que nos rodeia, a mente e a qualidade divina de Tara, reflexos da sabedoria e da felicidade transcendentais. Qualquer som é reconhecido como o mantra, assim mantendo continuamente no estado de plena atenção, tudo será transformado numa experiência preciosa. Sempre que praticamos a Sadhana devemos recitar o mantra que é o poder de transformar a palavra. É um fogo que queima todos os pensamentos mundanos e tem um poder nuclear. Recitamos com concentração o mantra tanto tempo quanto possível para aguçar a mente, para torná-la poderosa. Não é possível enumerar os benefícios que recebemos ao recitar o mantra; porque seria injusto limitá-los já que vão muitos além de qualquer limite, como se fossem milagres. Recitando o mantra podemos passar por experiências inusitadas. A récita também outorga poderes telepáticos, é curativa, é uma forma de superar a energia negativa, alivia o sofrimento físico. Segue-se a Sadhana passo a passo. Chegando ao mantra, transformem-se em Tara, e da sílaba semente TAM no coração uma luz verde brilhante se irradia nas dez direções purificando tudo que nos rodeia e todos os seres viventes. Há que purificar tudo, pensamentos, doenças, sofrimentos, tudo (...). Todos os seres se transformam em Tara, amigos e inimigos que a seguir se dissolvem em luz e são absorvidos no nosso coração. Podem também, alternadamente, apenas contemplar com atenção. A Sadhana começa com a tomada de Refúgio. Imaginem as Vinte e Uma Taras no espaço diante de nós, não é preciso vê-las, simplesmente pensar que estão ali. Segundo o tantra, o que vemos, o que projetamos, é a nossa realidade. O que não vemos, não projetamos, não é real para nós. Por isso, quando olhamos para um ser vivente, podemos reconhecer nele a qualidade divina, a da Mãe Tara. Tudo o que ouvimos por exemplo, o ronco de um motor de avião, o canto de um pássaro, reconhecemos como o som do mantra. Em qualquer pensamento positivo ou negativo, reconhecemos a sabedoria não dual da Mãe Tara; em vez de seguir um diálogo dualista transformamos o pensamento. Tendo em mente a qualidade da sabedoria divina não dual de Tara, interpretando o manifesto como o mantra ou como a sua forma, não nos surgirão atitudes mentais negativas. Ao surgir um pensamento de apego ou de ódio, teremos uma relação diferente com a sua essência. O que antes era uma situação neurótica e desanimadora passa a ser a clareza não dual da mente do ódio e do desejo. Tudo dependerá da forma como é observado. O ódio, o ressentimento, o desejo, a raiva parecem concretos, parecem ter existência própria, porque esta é a natureza destes fortes sentimentos. É como o oceano, o oceano da mente: vem o vento, e do próprio oceano, surge a onda com seus efeitos potencialmente desastrosos. O ódio, o desejo, o ressentimento parecem ser mais portentosos ainda que o Everest, mas à luz do Dharma isto é pura fantasia. Precisamos apreciar e recorrer à sabedoria do Dharma que, sem estas situações, não seria necessária. Se não houvesse desejo e ódio não teríamos necessidade de coisa nenhuma, nem de religião, nem de alternativas, nem sequer de iluminação. O ressentimento e o desejo são parte da vida, assim como as ondas são parte do oceano; reconhecendo as características da sua natureza vemos que são também sabedoria não dual, sabedoria onisciente, sabedoria onipresente. Observo meus amigos que levam uma vida "super Samsárica", super louca, super hippie. Matam, roubam, fazem o pior que se possa fazer; são explosivos e dominadores. Outros são tranquilos, não reagem indevidamente, mas quando um destes super loucos encontra o Dharma, passa a ser um excelente praticante; aprende com a força da mente louca e Samsárica, e se transforma. Muitos dos meus discípulos pertenceram ao movimento hippie, eram marginais, viciados em drogas e estavam conscientes disto. Depois, passaram por uma transformação profunda. Muitos hippies são criativos, extremistas, eficientes, possuem uma energia nuclear poderosa; quando têm convicção, também são praticantes convictos. Podemos observar como as pessoas poderosas e cruéis, quando se transformam, continuam poderosas, mas podem também ser bondosas. Outros amigos são mais tranquilos, pacíficos e conservadores, têm uma prática menos intensa, mais branda, é assim mesmo. Quanto mais desejo, ressentimento e ódio temos, mais infla o nosso ego. É preciso observar estes pensamentos e constatar a sua natureza clara e transparente, reconhecer neles a característica da sabedoria não dual cuja essência é o estado de felicidade. Pelo ponto de vista filosófico a natureza da mente é clara, com a transparência de cristal. O desejo é o movimento produzido quando colocamos o pensamento nisto ou naquilo, então surge o apego e daí a raiva. Se nos deixamos levar pelo pensamento, se nos apegamos a conceitos, explicando, "é por isso ou por aquilo, é assim ou assado, porque é tal ou qual", tudo se complica. Temos duas formas de dar um basta aos pensamentos negativos. A primeira é ter consciência do surgimento da mente negativa, como temos da aurora antes do sol raiar. Se estivermos presentes, antes que apareça a raiva notaremos a sua vibração no corpo e tratamos de detê-la ainda ali, antes que nos invada e se manifeste. A segunda forma de deter a raiva é não reagindo quando ela já se manifestou. Temos consciência de que estamos com raiva, invocamos a luz verde, e recorrendo à força da própria raiva, transformamos nosso corpo num vulcão em erupção que cobre todo o mundo de luz verde irradiante. Podemos transformar a forte energia da raiva ou do que quer que se manifeste em luz verde irradiante. Reconhecemos a pureza de tudo o que nos rodeia, o mundo, os sentidos, todos os objetos sob seu aspecto gozoso. Assim, tudo o que surge se transforma em energia gozosa. Devemos reconhecer ainda a natureza não dual desta energia, a ausência de existência intrínseca. Podemos visualizar tudo como se fosse um passe de mágica que nos permite ver o que não é evidente. Tudo o que surge tem a característica da não dualidade, observando assim os fenômenos desenvolvemos sabedoria e adquirimos uma compreensão cada vez maior da vacuidade. Se ao nos deparar com um objeto de prazer perscrutarmos a sua natureza não dual, o prazer não nos prejudicará. O conflito surge quando não podemos perscrutar o prazer e a sua verdadeira natureza simultaneamente. Quando nos envolvemos com o prazer perdemos de certo moto o sentido, já que a ideia do prazer surge da ignorância e é pura fantasia, nunca vemos o prazer na não dualidade, tal como é. Não existe nada de errado em ter prazer, o problema é que a mente se converte em mente equivocada, egoísta e então surge o engano e não nos é possível reconhecer a verdadeira natureza do prazer. Assim, quando sentimos prazer deixamos de ser conscientes e perdemos a sabedoria. No budismo não existe diferença entre buscar a verdadeira realidade nos objetos Samsáricos ou em buscar a verdade no Buhda. Não pensem que o Budha detém a verdade e eu não. A verdade do Budha e a minha é a mesma; isto é muito importante. Todos nossos problemas são causados pela mente dualista que separa as coisas, enquanto que o Samsara e a libertação coexistem no mesmo espaço da não dualidade, no espaço da auto existência, esta é a natureza de todas as coisas, não é um conceito filosófico. O mais importante é reconhecer nas aparências sua natureza não dual, não nascida. Esta natureza, de si mesmo, é o gozo, o estado de felicidade. Temos o hábito de dizer: "gosto disto, aquilo me desagrada; não gosto daquilo, isto é bonito (...)." Desde que nascemos estamos sempre envolvidos nestas considerações e não vemos jamais a verdadeira natureza do que nos rodeia. Há quem nunca tenha pensado que esta flor seja linda. Quem nunca tenha visto a realidade e a beleza desta flor devido à mente obsessiva. A beleza se encontra em todas as partes, mas se não a vemos e se estamos fechados a ela é devido às nossas limitações. Qualquer ambiente tem beleza própria. O tantra nos ensina a reconhecer o caráter gozoso de qualquer aparência e em tudo o que vemos reconhecer a união do gozo e da ausência de existência inerente. Aqui está algo que devemos procurar compreender, uma realidade científica: parte da natureza do outro é a minha natureza. Parte da natureza desta montanha é o oceano, que é também a minha natureza. Temos uma realidade comum e por isto definimos Shunyata como absoluto já que a essência de tudo o que existe é a unidade. Com esta sabedoria não existe possibilidade de que surjam negatividades porque podemos reconhecer a sabedoria gozosa de tudo o que vemos como imantado por ela, de onde surge a energia gozosa que aumenta a sabedoria não dual. Vivemos uma realidade incontornável e, como não podemos evitar a cidade, recorramos à sabedoria em vez de queixarmo-nos da turbulência da cidade. No Samsara, desde um tempo sem começo sempre houve desastres, mortes e problemas que não precisam ser motivo de preocupação indevida já que, o que está acontecendo agora, sempre aconteceu. Para a mente ocidental, o Tantra é muito válido. Com esta compreensão, este gozo energizante, esta sabedoria sem confusão, sem insatisfação, tudo é possível. Certas coisas são impuras na visão Sútrica, mas tornam-se puras pelo ponto de vista tântrico. Tudo depende da atitude da mente. Nada existe apenas negativamente. Tudo o que pensamos ser negativo ou condenável é apenas relativo. Conta-se que certa vez dois monges que regressavam ao mosteiro encontraram uma leprosa que pedia ajuda para atravessar o rio. Um deles pensou: "impossível, como monge, não posso tocar numa mulher, é como por a mão no fogo." O outro pensou: "já é tarde e se não ajudo esta mulher a atravessar, passará aqui o resto da noite." Pensando assim carregou-a para a outra margem. O primeiro monge observou que o amigo rompera os votos e de regresso ao mosteiro procurou o abade relatando-lhe o sucedido. O abade respondeu: "Quem julga como você tem uma mente negativa". O outro monge ao ser questionado respondeu: "sim, carreguei a mulher de uma margem para a outra, mais nada." Ele a teria deixado lá, nada mais. Quando nos relacionamos com o mundo não temos os meios hábeis para constatar a não dualidade. Precisamos do forte propósito de realizar a experiência direta da não dualidade; desenvolver a visão que reconhece que tudo é mera aparência, uma visão ilusória. Ainda que possa agradar, o canto dos pássaros não nos causa uma sensação negativa ou positiva. Em geral a sensação é neutra, mas reconhecendo o som do mantra em todos os sons, o convertemos no caminho para a iluminação. Reconhecendo a qualidade do mantra nestes sons, uma ação neutra se transforma em positiva. Já que passamos metade da vida dormindo, podemos fazer o mesmo com os sonhos. Passamos ainda um quarto da vida comendo e talvez o quarto restante praticando o Dharma o que faz com que o caminho para a iluminação seja lento e longo. Também quando comemos ou bebemos devemos reconhecer a energia gozosa. Com esta mente, comer se torna um ato positivo em vez de negativo. Gostaria que tivessem uma sólida compreensão do que acabamos de tratar e cuja maior parte se refere à forma de atuar fora da meditação formal. Primeira versão. O objeto central de refúgio pode ser Tara visualizando ao redor as demais Taras. À direita nosso pai, à esquerda nossa mãe, à frente os que nos incomodam e atrás parentes e amigos; ao redor, num vasto círculo, todos os demais seres viventes. Todos tomamos refúgio e fazemos surgir muita compaixão e equanimidade para com todos os seres viventes, aspiramos unificá-los na natureza da iluminação. Dos objetos de refúgio surgem luzes de três cores, branco, vermelho e azul que purificam nosso corpo, palavra e todas as concepções errôneas. Reconhecemos os obstáculos e sofrimentos causados pelo ego que afligem todos os seres viventes e que podem cessar com a tomada de refúgio. Atualizar a Bodhicitta quer dizer assumir a responsabilidade de gerar enorme desejo de retribuir a bondade que recebemos de todos os seres, o que de melhor podemos fazer. Assim, dediquemos nossa prática aos demais no tempo que nos resta de vida. Em qualquer tipo de organização fala-se muito, o que denota uma conduta irresponsável. Por exemplo, se a nossa empresa produz papel e em vez de nos dedicarmos à produção de papel, agimos através do ego arquitetando uma ou outra ideia que nada tenha a ver com o objetivo de empresa, estamos sendo irresponsáveis. Acontece o mesmo com os casais que se desentendem. Pensam que são especiais e não são, são apenas irresponsáveis. Por ignorância, destroem a harmonia em vez de fomentá-la, não vêm a totalidade da realidade e não sabem criar harmonia. Quando agimos movidos pela Bodhicitta assumimos a responsabilidade. Ainda que possamos ser alvo das más vibrações das energias negativas, temos algum controle e podemos prosseguir o caminho certo à vontade. Sempre que temos um revés tratamos de criar espaço em nossa mente. Quando nos criticam ou mesmo nos ameaçam de morte, pensamos que pode não ser assim e criamos um espaço em nossas mentes para estas e outras realidades. Quem sabe? O inimigo de hoje pode ser o amigo de amanhã, quem sabe nos trará uma grande alegria. Pode também acontecer que o amigo de hoje seja o inimigo de amanhã. A Bodhicitta é assim, ela cria espaço, não discrimina. Não distingue entre etnias ou religiões, a natureza de todas as coisas é a mesma, e esta é a maravilha do budismo. Segundo o budismo, quando todos os seres estiverem totalmente libertados do sofrimento, de ideias, de filosofias, de doutrinas e fanatismo religioso; uma vez libertados de tudo, passam a ser uma unidade, uma mesma família. Nossa mente é saudável. Não sentimos inveja dos árabes por serem donos de muito petróleo. Observando objetivamente os seres, analisando nossos sentimentos, vemos como são ilusórios e realizamos que somos todos iguais. Aqui na Espanha tem um grupo terrorista, quem sabe nos estão apontando uma realidade positiva? Quem sabe podemos aprender alguma coisa com eles? Mao Tse Tung (1893-1976) também é um bom exemplo. Ele me obrigou a sair do Tibete, sem roupa, sem nada, e estou pessoalmente muito agradecido a ele. Despejou-me do meu ninho Samsárico. No Tibete tinha meus parentes, centenas deles e vocês sabem o que são parentes: bla, bla, bla, bla (...). Desde que fui expulso do Tibete sinto melhor em mim o Dharma. Já praticava então, mas agora a prática é autêntica, deixou de ser uma aquisição intelectual em que apenas repetia palavras, agora, aprendi alguma coisa. A realidade vai além das palavras, é o que é e será através da tensão entre o que é e o que gostaríamos que fosse, que permitimos a abertura de espaços em que, então, aprendemos. Tudo o que nos rodeia no ocidente é muito precipitado, acontece rápido, as delusões (enganos) são muito mais fortes, o desejo, o ódio são fortíssimos e assim o ocidente é ideal para a prática do Dharma. Nos Himalaias nada acontece, as pedras não saem do lugar, a água corre infalivelmente, as mudanças são poucas, a vida é fácil. No ocidente a coisa é outra. O desafio dos meus discípulos ocidentais é enorme. Praticam com muito mais empenho que os monges dos Himalaias. Precisam se relacionar com a vida, com a sociedade, com tudo o que se passa e tudo é muito difícil. A prática de vocês é o que vão vivendo. O Dharma é uma ideia colocada em prática e que se converte numa vivência e torna-se então indestrutível. Se não for assim, não passa de uma filosofia. A Bodhicitta é parte essencial do Dharma e com esta atitude superamos os problemas. Se formos prejudicados temos espaço, se alguém nos crítica ou nos odeia, também temos espaço para isto. Assim, não nos perturbamos e, ainda que sentidos, aceitamos a situação. Fonte: Shunya. Grupo de Estudo e Prática Budista. http://www.nossacasa.net/shunya/. Abraço. Davi.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

ALCORÃO SAGRADO - ALL "IMRAM" (A FAMÍLIA DE IMRAN) II


Islamismo. www.ligaislamica.org.br. Alcorão Sagrado. AAL “IMRAM” (A FAMÍLIA DE IMRAM) II. Revelada em Madina, 200 versículos. 3ª SURATA. Em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso. 101 E como podeis descrer, já que vos são recitados os versículos de Deus, e entre vós está o Seu Mensageiro? Quem se apegar a Deus encaminhar-se-á à senda reta. 102 Ó fiéis, temei a Deus, tal como deve ser temido(169), e não morrais, senão como muçulmanos.(170) 103 E apegai-vos, todos, ao vínculo com Deus(171) e não vos dividais; recorda-vos das mercês de Deus para convosco, porquanto éreis adversários mútuos e Ele conciliou os vossos corações e, mercê de Sua graça, vos convertestes em verdadeiros irmãos; e quando estivestes à beira do abismo infernal, (Deus) dele vos salvou. Assim, Deus vos elucida os Seus versículos, para que vos ilumineis. 104 E que surja de vós uma nação que recomende o bem, dite a retidão e proíba o ilícito. Esta será (uma nação) bem-aventurada. 105 Não sejais como aqueles que se dividiram e discordaram, depois de lhes terem chegado as evidências, porque esses sofrerão um severo castigo. 106 Chegará o dia em que uns rostos resplandecerão e outros se ensombrecerão(172). Quanto a estes, ser-lhes-á dito: Então, renegastes depois de terdes acreditado? Sofrei, pois, o castigo da vossa perfídia! 107 Quanto àqueles, cujos rostos resplandecerão, terão a misericórdia de Deus, da qual gozarão eternamente. 108 Estes são os versículos de Deus, que em verdade te recitamos. Deus jamais deseja a injustiça para a humanidade. 109 A Deus pertence tudo quanto há nos céus e na terra, e todos os assuntos retornarão a Deus. 110 Sois a melhor nação que surgiu na humanidade, porque recomendais o bem, proibis o ilícito e credes em Deus(173). Se os adeptos do Livro cressem, melhor seria para eles. Entre eles há fiéis; porém, a sua maioria é depravada. 111 Porém, não poderão vos causar nenhum mal; e caso viessem a vos combater, bateriam em retirada e jamais seriam socorridos. 112 Estarão na ignomínia onde se encontrarem, a menos que se apeguem ao vínculo com Deus e ao vínculo com o homem. E incorreram na abominação de Deus e foram vilipendiados, por terem negado os Seus versículos, morto iniquamente os profetas, bem como por terem desobedecido e transgredido os limites. 113 Os adeptos do Livros não são todos iguais: entre eles há uma comunidade justiceira, cujos membros recitam os versículos de Deus, durante a noite, e se prostram ante o seu Senhor. 114 Crêem em Deus e no Dia do Juízo Final, aconselham o bem e proíbem o ilícito, e se emulam nas boas ações. Estes contar-se-ão entre os virtuosos. 115 Todo o bem que façam jamais lhes será desmerecido, porque Deus bem conhecem os que o Temem. 116 Aos incrédulos de nada valerão a fortuna e os filhos, ante Deus, porque serão condenados ao inferno, onde permanecerão eternamente. 117 O exemplo deles, ao despenderem(174) neste mundo, é como o exemplo de um povo condenado, cujas semeaduras são açoitadas e arrasadas por um vento glacial. Mas não é Deus que os condena, mas sim eles próprios. 118 Ó fiéis, não tomeis por confidentes a outros que não sejam vossos, porque eles tratarão de vos arruinar e de vos corromper, posto que só ambicionam a vossa perdição. O ódio já se tem manifestado por suas bocas; porém, o que ocultam em seus corações é ainda pior. Já vos elucidamos os sinais, e sois sensatos. 119 E eis que vós os amais; porém, eles não vos amam, apesar de crerdes em todo o Livro(175); porém, eles, quando vos encontram, dizem: Cremos! Mas quando estão a sós mordem os dedos de raiva. Dize-lhes: Morrei, com a vossa raiva! Sabei que Deus bem conhece o íntimo dos corações. 120 Quando sois agraciados com um bem, eles ficam aflitos; porém, se vos açoita uma desgraça, regozijam-se. Mas se perseverardes e temerdes a Deus, em nada vos prejudicarão as suas conspirações. Deus está inteirado de tudo quanto fazem. 121 Recordar-te (ó Mensageiro) de quando saíste do teu lar, ao amanhecer, para assinalar aos fiéis a sua posição no campo de batalha(176). Sabe que Deus é Oniouvinte, Sapientíssimo. 122 E de quando dois grupos dos teus pensaram em acovardar-se, apesar de ser Deus o seu Protetor. Que a Deus se encomendem os fiéis. 123 Sem dúvida que Deus vos socorreu, em Badr(177) , quando estáveis em inferioridade de condições. Temei, pois, a Deus e agradecei-Lhe. 124 E de quando disseste aos fiéis: Não vos basta que vosso Senhor vos socorra com o envio celestial de três mil anjos? 125 Sim! Se fordes perseverantes, temerdes a Deus, e se vos atacarem imediatamente, vosso Senhor vos socorrerá, com cinco mil anjos bem treinados. 126 Deus não o fez como anúncio para vós, a fim de sossegar os vossos corações. Sabei que o socorro só emana de Deus, o Poderoso, o Prudentíssimo. 127 Assim o fez para aniquilar um falange de incrédulos(178) e afrontá-los, fazendo com que fugissem frustrados. 128 Não é da tua alçada, mas de Deus, absolvê-los ou castigá-los, porque são iníquos. 129 A Deus pertence tudo quando há nos céus e na terra. Perdoa a quem Lhe apraz e castiga a quem deseja, porque Deus é Indulgente, Misericordiosíssimo. 130 Ó fiéis, não exerçais a usura, multiplicando (o emprestado) e temei a Deus para que prospereis,(179) 131 E precavei-vos do fogo infernal, que está preparado para os incrédulos. 132 Obedecei a Deus e ao Mensageiro, a fim de que sejais compadecidos. 133 Emulai-vos em obter a indulgência do vosso Senhor e um Paraíso, cuja amplitude é igual à dos céus e da terra, preparado para os tementes,(180) 134 Que fazem caridade, tanto na prosperidade, como na adversidade; que reprimem a cólera; que indultam o próximo. Sabei que Deus aprecia os benfeitores. 135 Que, quando cometem uma obscenidade ou se condenam, mencionam a Deus e imploram o perdão por seus pecados – mas quem, senão Deus perdoa os pecados? – e não reincidem, com conhecimento, no que cometeram. 136 Para estes a recompensa será uma indulgência do seu Senhor, terão jardins, abaixo dos quais correm os rios, onde morarão eternamente. Quão excelente é a recompensa dos diligentes! 137 Já houve exemplos, antes de vós(181) ; percorrei, pois, a terra e observai qual foi a sorte dos desmentidores. 138 Este (Alcorão) é uma declaração aos humanos, orientação e exortação para os tementes. 139 Não desanimeis, nem vos aflijais, porque sempre saireis vitoriosos, se fordes fiéis. 140 Quando receberdes algum ferimento(182), sabei que os outros já sofreram ferimento semelhante. E tais dias ( de infortúnio) são alternados, entre os humanos, para que Deus Se assegure dos fiéis e escolha, dentre vós, os mártires; sabei que Deus não aprecia os iníquos. 141 E (assim faz) Deus para purificar os fiéis e aniquilar os incrédulos. 142 Pretendeis, acaso, entrar no Paraíso, sem que Deus Se assegure daqueles, dentre vós, que combatem e são perseverantes? 143 Aneláveis a morte antes de vos terdes deparado com ela. Viste-la, então, como os vossos próprios olhos(183)! 144 Mohammad não é senão um Mensageiro, a quem outros mensageiros precederam. Porventura, se morresse ou fosse morto, voltaríeis à incredulidade?(184) Mas quem voltar a ela em nada prejudicará Deus; e Deus recompensará os agradecidos. 145 Não é dado a nenhum ser morrer, sem a vontade de Deus; é um destino prefixado. E a quem desejar a recompensa terrena, concederemos(185); e a quem desejar a recompensa da outra vida, conceder-lhe-emos, igualmente; também recompensaremos os agradecidos. 146 Quantos profetas e, com eles, quantos grupos lutaram pela causa de Deus, sem desanimarem com o que lhes aconteceu; não se acovardaram, nem se renderam! Deus aprecia os perseverantes. 147 Eles nada disseram, além de: Ó Senhor nosso, perdoa-nos por nosso pecados e por nossos excessos; firma os nossos passos e concede-nos a vitória sobre os incrédulos! 148 Deus lhes concedeu a recompensa terrena e a bem-aventurança na outra vida, porque Deus aprecia os benfeitores. 149 Ó fiéis, se obedecerdes aos incrédulos, eles vos farão voltar ao que éreis antes, e sereis desventurados. 150 Mas Deus é vosso Protetor, e é o melhor dos socorredores. 151 Infundiremos terror nos corações dos incrédulos, por terem atribuído parceiros a Deus, sem que Ele lhes tivesse conferido autoridade alguma para isso. Sua morada será o fogo infernal. Quão funesta é a morada dos iníquos! 152 Deus cumpriu a Sua promessa quanto, com a Sua anuência, aniquilastes os incrédulos, até que começastes a vacilar e disputar acerca da ordem(186) e a desobedecestes, apesar de Deus vos Ter mostrado tudo o que aneláveis(187). Uma parte de vós ambicionava a vida terrena, enquanto a outra aspirava à futura. Então, Deus vos desviou dos vossos inimigos, para provar-vos; porém, Ele vos indultou, porque é Agraciante para com os fiéis. 153 Recordai-vos de quando subistes a colina às cegas, enquanto o Mensageiro ia pela retaguarda, incitando-vos ao combate. Foi então que Deus vos infligiu angústia após angústia, para ensinar-vos a não lamentardes pelo que haveis perdido(188) , nem pelo que vos havia acontecido, porque está bem inteirado de tudo quanto fazeis. 154 Logo depois da angústia, infundiu-vos uma calma sonorífera(189), que envolveu alguns de vós, enquanto outros, preocupados consigo próprios, puseram-se a conjecturar ignomínias acerca de Deus, como na era da idolatria, dizendo: Tivemos, acaso, alguma escolha(190)? Responde-lhes: A escolha pertence inteiramente a Deus! E eis que eles guardam para si o que não te manifestam, dizendo (mais): Se houvéssemos tido escolha, não teríamos sido chacinados. Dize-lhes: Sabei que, mesmo que tivésseis permanecido nas vossas casas, certamente, àqueles dentre vós, aos quais estava decretada a morte, esta apareceria, no local de sua morte. Isso, para que Deus comprovasse o que ensejáveis e purificasse o que havia em vossos corações; sabei que Deus conhece dos peitos as intimidades. 155 Aqueles que desertaram(191) , no dia do encontro dos dois grupos, foram seduzidos por Satanás pelo que haviam perpetrado; porém Deus os indultou porque é Tolerante, Indulgentíssimo. 156 Ó fiéis, não sejais como os incrédulos, que dizem de seus irmãos, quando estes viajam pela terra ou quando estão em combate: Se tivessem ficado conosco, não teriam morrido, nem sido assassinados! Com isso, Deus infunde-lhes a angústia nos corações, pois Deus concede a vida e a morte(192), e Deus bem vê tudo quando fazeis. 157 Mas, se morrerdes ou fordes assassinados pela causa de Deus, sabei que a Sua indulgência e a Sua clemência são preferíveis a tudo quando possam acumular(193). 158 E sabei que, tanto se morrerdes, como ser fordes assassinados, sereis congregados ante Deus. 159 Pela misericórdia de Deus, foste gentil para com eles(194); porém, tivesses tu sido insociável ou de coração insensível, eles se teriam afastado de ti. Portanto, indultados implora o perdão para eles e consulta-os nos assuntos (do momento). E quando te decidires, encomenda-te a Deus, porque Deus aprecia aqueles que (a Ele) se encomendam. 160 Se Deus vos secundar, ninguém poderá vencer-vos; por outra, se Ele vos esquecer, quem, em vez d’Ele, vos ajudará? Que os fiéis se encomendem a Deus! 161 É inadmissível que o profeta fraude(195); mas, o que assim fizer, comparecerá com o que tiver fraudado, no Dia da Ressurreição, quando cada alma será recompensada segundo o que tiver feito, e não será injustiçada. 162 Equiparar-se-á quem tiver seguido o que apraz Deus com quem tiver suscitado a Sua indignação, cuja morada será o inferno? Que funesto destino! 163 Há distintos graus (de graça e de condenação), aos olhos de Deus, porque Deus, bem vê tudo quanto fazem. 164 Deus agraciou os fiéis, ao fazer surgir um Mensageiro da sua estirpe, que lhes ditou os Seus versículos, redimiu-os, e lhes ensinou o Livro e a Prudência, embora antes estivessem em evidente erro. 165 Qual! Ando sofreis um revés do adversário, embora inflijais outro duas vezes maior(196), dizeis: Donde nos provém isto? Responde-lhes: De vós mesmos. Sabei que Deus é Onipotente. 166 O que vos aconteceu, no dia do encontro das duas hostes, aconteceu com o beneplácito de Deus, para que se distinguissem os verdadeiros fiéis; 167 E também se distinguissem os hipócritas, aos quais foi dito: Vinde lutar pela causa de Deus, ou defender-vos. Disseram: Se soubéssemos combater, seguir-vos-íamos! Naquele dia, estavam mais perto da incredulidade do que da fé, porque diziam, com as suas bocas, o que não sentiam os seus corações. Porém, Deus bem sabe tudo quanto ocultam. 168 São os que, ficando para trás, dizem de seus irmãos: Se nos tivessem obedecido, não teriam sido mortos! Dize-lhes: Defendei-vos da morte, se estiverdes certos. 169 E não creiais que aqueles que sucumbiram pela causa de Deus estejam mortos; ao contrário, vivem, agraciados, ao lado do seu Senhor(197). 170 Estão jubilosos por tudo quanto Deus lhes concedeu da Sua graça, e se regozijam por aqueles que ainda não sucumbiram, porque estes não serão presas do temor, nem se atribularão. 171 Regozijam-se com a mercê e com a graça de Deus, e Deus jamais frustra a recompensa dos fiéis, 172 Que, mesmo feridos(198), atendem a Deus e ao Mensageiro. Para os benfeitores e tementes, dentre eles, haverá uma magnífica recompensa. 173 São aqueles aos quais foi dito: Os inimigos concentraram-se contra vós; temei-os! Isso aumentou-lhes a fé e disseram: Deus nos é suficiente. Que excelente Guardião! 174 Pela mercê e pela graça de Deus, retornaram ilesos. Seguiram o que apraz a Deus; sabei que Deus é Agraciante por excelência. 175 Eis que Satanás induz os seus sequazes. Não os temais; temei a Mim, se sois fiéis. 176 Que não te atribulem aqueles que se precipitam na incredulidade, porquanto em nada prejudicam Deus. Deus não os fará compartilhar da bem-aventurança da vida futura, e assim, sofrerão um severo castigo. 177 Aqueles que trocam a fé pela incredulidade, em nada prejudicam a Deus, e sofrerão um doloroso castigo. 178 Que os incrédulos não pensem que os toleramos, para o seu bem; ao contrário, toleramo-los para que suas faltas sejam aumentadas. Eles terão um castigo afrontoso. 179 Não é do propósito de Deus abandonar os fiéis no estado em que vos encontrais, até que Ele separe o corrupto do benigno, nem tampouco de seu propósito é inteirar-vos do incognoscível(199); Deus escolhe, para isso, dentre os Seus mensageiros, quem Lhe apraz. Crede em Deus e em Seus mensageiros; se crerdes em temerdes, obtereis magnífica recompensa. 180 Que os avarentos, que negam fazer caridade daquilo que com que Deus os agraciou(200), não pensem que isso é um bem para eles; ao contrário, é prejudicial, porque no Dia da Ressurreição, irão, acorrentados(201) , com aquilo com que mesquinharam. A Deus pertence a herança dos céus e da terra, porque Deus está bem inteirado de tudo quanto fazeis. 181 Deus, sem dúvida, ouviu as palavras daqueles que disseram: Deus é pobre e nós somos ricos.(202) Registramos o que disseram, assim como a iníquo matança dos profetas, e lhes diremos: Sofrei o tormento da fogueira. 182 Isso vos ocorrerá, por obra das vossas próprias mãos. Deus não é injusto para com Seus servos. 183 São aqueles que disseram: Deus nos comprometeu a não crermos em nenhum mensageiro, até este nos apresente uma oferenda, que o fogo celestial consumirá. Dize-lhes: Antes de mim, os mensageiros vos apresentaram as evidências e também o que descreveis. Por que os matastes, então? Respondei, se estiverdes certos. 184 E se te desmentem, recorda-te de que também foram desmentidos os mensageiros que, antes de ti, apresentaram as evidências, os Salmos e o Livro Luminoso(203). 185 Toda a alma provará o sabor da morte(204) e, no Dia da Ressurreição, sereis recompensado integralmente pelos vossos atos; quem for afastado do fogo infernal e introduzido no Paraíso, triunfará. Que é a vida terrena, senão um prazer ilusório(205)? 186 Sem dúvida que sereis testados quanto aos vossos bens e pessoas(206), e também ouvireis muitas blasfêmias daqueles que recebem o Livro antes de vós, e dos idólatras; porém, se perseverardes pacientemente e temerdes a Deus, sabei que isso é um fator determinante, em todos os assuntos. 187 Recorda-te de quando Deus obteve a promessa dos adeptos do Livro(207), (comprometendo-se a) evidenciá-lo (o Livro) aos homens, e a não ocultá-lo. Mas eles jogaram às costas, negociando-o a vil preço. Que detestável transação a deles! 188 Não creias que aqueles que se regozijam pelo que causaram, e aspiram ser louvados pelo que não fizeram(208) , não os creias a salvo do castigo, pois sofrerão doloroso castigo. 189 A Deus pertence o reino dos céus e da terra, e Deus é Onipotente. 190 Na criação dos céus e da terra e na alternância do dia e da noite há sinais para os sensatos, 191 Que mencionam Deus, estando em pé, sentados ou deitados(209), e meditam na criação dos céus e da terra, dizendo: Ó Senhor nosso, não criaste isto em vão. Glorificado sejas! Preserva-nos do tormento infernal! 192 Ó Senhor nosso, quanto àqueles a quem introduzirás no fogo, Tu o aviltarás! Os iníquos não terão socorredores! 193 Ó Senhor nosso, ouvimos um pregoeiro que nos convoca à fé dizendo: Crede em vosso Senhor! E cremos. Ó Senhor nosso, perdoa as nossas faltas, redime-nos das nossas más ações e acolhe-nos entre os virtuosos. 194 Ó Senhor nosso, concede-nos o que prometeste, por intermédio dos Teus mensageiros, e não aviltes no Dia da Ressurreição. Tu jamais quebras a promessa. 195 Seu Senhor nos atendeu, dizendo: Jamais desmerecerei a obra de qualquer um de vós, seja homem ou mulher(210), porque procedeis uns dos outros. Quanto àqueles que foram expulsos dos seus lares e migraram, e sofreram pela Minha causa, combateram e foram mortos, absorvê-los-ei dos seus pecados e os introduzirei em jardins, abaixo dos quais corres os rios, como recompensa de Deus (211). Sabei que Deus possui a melhor das recompensas. 196 Que não te enganem, pois (ó Mohammad), as andanças (mercantilistas) dos incrédulos, na terra. 197 Porque é um gozo transitório e sua morada será o inferno. Que funesta morada! 198 Entretanto, aqueles que temem a seu Senhor terão jardins, abaixo dos quais correr os rios, onde morarão eternamente, como dádiva de Deus. Sabei que o que está ao lado de Deus é o melhor para os virtuosos. 199 Entre os adeptos do Livro há aqueles que creem em Deus, no que vos foi revelado, assim como no que lhes foi revelado, humilhando-se perante Deus; não negociam os versículos de Deus a vil preço. Terão sua recompensa ante o seu Senhor, porque Deus é Destro em ajustar contas. 200 Ó fiéis, perseverai, sede pacientes, estai sempre vigilantes e temei a Deus, para que prospereis(212). www.ligaislamica.org.br. Abraço. Davi

quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

ALCORÃO SAGRADO - AAL "IMRAN" (A FAMÍLIA DE IMRAN) I


Islamismo. www.ligaislamica.org.br. Alcorão Sagrado. AAL “IMRAN" (A FAMÍLIA DE IMRAN) I. Revelada em Madina; 200 versículos. 3ª SURATA. Em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso. 1 Alef, Lam, Mim.(134) 2 Deus! Não há mais divindade além d’Ele, o Vivente, o Subsistente. 3 Ele te revelou (ó Mohammad) o Livro (paulatinamente) com a verdade corroborante dos anteriores, assim como havia revelado a Tora e os Evangelhos(135). 4 Anteriormente, para servir de orientação aos humanos, e relevou ainda o discernimento. Aqueles que negarem os versículos de Deus, sofrerão um severo castigo, e Deus é Punidor, Poderosíssimo. 5 De Deus nada se oculta, tanto na terra como nos céus. 6 Ele é Quem vos configura nas entranhas, como Lhe apraz. Não há mais divindades além d’Ele, o Poderoso, o Prudentíssimo. 7 Ele foi Quem te revelou o Livro; nele há versículos fundamentais, que são a base do Livro(136), havendo outros alegóricos. Aqueles cujos abrigam a dúvida, seguem os alegóricos, a fim de causarem dissensões, interpretando os capciosamente. Porém, ninguém, senão Deus, conhece a sua verdadeira interpretação. Os sábios dizem: Cremos nele (o Alcorão); tudo emana do nosso Senhor. Mas ninguém o admite, salvo os sensatos. 8 (Que dizem:) Ó Senhor nosso, não desvies os nossos corações, depois de nos teres iluminados, e agracia-nos com a Tua Misericórdia, porque Tu és o Munificiente por excelência. 9 Ó Senhor nosso, Tu consagrarás os humanos para um dia indubitável. E Deus não faltará com a promessa. 10 Quanto aos incrédulos, nem as suas riquezas, nem os seus filhos, de nada lhes servirão ante Deus, e serão combustível do inferno. 11 Terão a mesma sorte do povo do Faraó e dos seus antecessores, que desmentiram os Nossos versículos; porém, Deus os castigou por seus pecados, porque Deus é Severíssimo na punição. 12 Dize (ó Profeta) aos incrédulos: Sereis vencidos e congregados para o inferno. Que funesto leito!(137) 13 Tivestes um exemplo nos dois grupos(138) que se enfrentaram: um combatia pela causa de Deus e outro, incrédulo, via com os seus próprios olhos o (grupo) fiel, duas vezes mais numeroso do que na realidade o era; Deus reforça, com Seu socorro, quem Lhe apraz. Nisso há uma lição para os que têm olhos para ver. 14 Aos homens foi abrilhantado o amor à concupiscência(139) relacionada às mulheres, aos filhos, ao entesouramento do ouro e da prata, aos cavalos de raça, ao gado e às sementeiras. Tal é o gozo da vida terrena; porém, a bem-aventurança está ao lado de Deus. 15 Dize (ó Profeta): Poderia anunciar-vos algo melhor do que isto? Para os que temem a Deus haverá, ao lado do seu Senhor, jardins, abaixo dos quais correm rios, onde morarão eternamente, junto a companheiros puros, e obterão a complacência de Deus, porque Deus é observador dos Seus servos, 16 Que dizem: ó Senhor nosso, cremos! Perdoa os nossos pecados e preserva-nos do tormento infernal. 17 São perseverantes, verazes, consagrados (a Deus), caritativos, e nas horas de vigília imploram o perdão a Deus. 18 Deus dá testemunho de que não há mais divindade além d’Ele; os anjos e os sábios O confirmam Justiceiro; não há mais divindades além d’Ele, o Poderoso, o Prudentíssimo. 19 Para Deus a religião é o Islam. E os adeptos do Livro só discordaram por inveja, depois que a verdade lhes foi revelada. Porém, quem nega os versículos de Deus, saiba que Deus é Destro em ajustar contas. 20 E se eles discutirem contigo (ó Mohammad), dize-lhes: Submeto-me a Deus, assim como aqueles que me seguem! Pergunta aos adeptos do Livro e aos iletrados(140): Tornai-vos muçulmanos? Se se tornarem encaminhar-se-ão; se negarem, sabe que a ti só compete a proclamação da Mensagem. E Deus é observador dos Seus servos. 21 Alerta aqueles que negam os versículos de Deus, assassinam iniquamente os profetas e matam os justiceiros, dentre os homens(141), de que terão um doloroso castigo. 22 São aqueles cujas obras tornar-se-ão sem efeito, neste mundo e no outro, e não terão socorredores. 23 Não reparaste nos que foram agraciados com uma parte do Livro, e mesmo quando foram convocados para o Livro de Deus, para servir-lhes de juiz, alguns deles o negaram desdenhosamente?(142) 24 E ainda disseram: O fogo infernal não nos atingirá, senão por alguns dias. Suas próprias invenções os enganaram, em sua religião. 25 Que será deles, quando os congregarmos, no Dia Indubitável, em que cada alma será recompensada segundo o seu mérito, e não será defraudada? 26 Dize: Ó Deus, Soberano do poder! Tu concedes a soberania a quem Te apraz e a retiras de quem desejas; exaltas quem queres e humilhas a Teu bel-prazer. Em Tuas mãos está todo o Bem(143) , porque só Tu és Onipotente. 27 Tu inseres a noite no dia e inseres o dia na noite(144) ; extrais o vivo do morto e o morto do vivo(145) , e agracias imensuravelmente a quem Te apraz. 28 Que os fiéis não tomem por confidentes os incrédulos, em detrimento de outros fiéis. Aqueles que assim procedem, de maneira alguma terão o auxílio de Deus, salvo se for para vos precaverdes e vos resguardardes. Deus vos exorta a d’Ele vos lembrardes, porque para Ele será o retorno. 29 Dize: Quer oculteis o que encerram os vossos corações, quer o manifesteis, Deus bem o sabe, como também conhece tudo quanto existe nos céus e na terra, porque é Onipotente. 30 No dia em que cada alma se confrontar com todo o bem que tiver feito e com todo o mal que tiver cometido, ansiará para que haja uma grande distância entre ela e ele (o mal). Deus vos exorta a d’Ele vos lembrardes, porque Deus é Compassivo para com os Seus servos. 31 Dize: Se verdadeiramente amais a Deus, segui-me; Deus vos amará e perdoará as vossas faltas, porque Deus é Indulgente, Misericordiosíssimo. 32 Dize: Obedecei a Deus e ao Mensageiro! Mas, se se recusarem, saibam que Deus não aprecia os incrédulos. 33 Sem dúvida que Deus preferiu Adão, Noé, a família de Abraão e a de Imran, aos seus contemporâneos, 34 Famílias descendentes umas das outras, porque Deus é Oniouvinte, Sapientíssimo. 35 Recorda-te de quando a mulher de Imran disse: Ó Senhor meu, é certo que consagrei a ti, integralmente, o fruto do meu ventre; aceita-o, porque és o Oniouvinte, o Sapientíssimo. 36 E quando concebeu, disse: Ó Senhor meu, concebi uma menina. Mas Deus bem sabia o que eu tinha concebido, e um macho não é o mesmo que uma fêmea. Eis que a chamo Maria; ponho-a, bem como à sua descendência, sob a Tua proteção, contra o maldito Satanás. 37 Seu Senhor a aceitou benevolentemente e a educou esmeradamente, confiando-a a Zacarias. Cada vem que Zacarias a visitava, no oratório, encontrava-a provida de alimentos, e lhe perguntava: Ó Maria, de onde te vem isso? Ela respondia: De Deus!, porque Deus agracia imensuravelmente quem Lhe apraz. 38 Então, Zacarias rogou ao seu Senhor, dizendo: Ó Senhor meu, concede-me uma ditosa descendência, porque és Exorável, por excelência(146). 39 Os anjos o chamaram, enquanto rezava no oratório, dizendo-lhe: Deus te anuncia o nascimento de João, que corroborará o Verbo de Deus, será nobre, casto e um dos profetas virtuosos. 40 Disse: Ó Senhor meu, como poderei ter um filho, se a velhice me alcançou a minha mulher é estéril? Disse-lhe (o anjo): Assim será. Deus faz o que Lhe apraz. 41 Disse: Ó Senhor meu, dá-me um sinal. Asseverou-lhe (o anjo): Teu sinal consistirá em que não fales com ninguém durante três dias, a não ser por sinais. Recorda-te muito do teu Senhor e glorifica-O à noite e durante as horas da manhã. 42 Recorda-te de quando os anjos disseram: Ó Maria(147) , é certo que Deus te elegeu e te purificou, e te preferiu a todas as mulheres da humanidade! 43 Ó Maria, consagra-te ao Senhor! Prostra-te e genuflecte, com os genuflexos! 44 Estes são alguns relatos do incognoscível, que te revelamos (ó Mensageiro). Tu não estavas presente com eles (os judeus) quando, com setas, tiravam a sorte para decidir quem se encarregaria de Maria; tampouco estavam presentes quando rivalizavam entre si. 45 E quando os anjos disseram: Ó Maria, por certo que Deus te anuncia o Seu Verbo, cujo nome será o Messias(148) , Jesus, filho de Maria, nobre neste mundo e no outro, e que se contará entre os diletos de Deus. 46 Falará aos homens, ainda no berço, bem como na maturidade, e se contará entre os virtuosos(149) . 47 Perguntou: Ó Senhor meu, como poderei ter um filho, se mortal algum jamais me tocou? Disse-lhe o anjo: Assim será. Deus cria o que deseja, posto que quando decreta algo, diz: Seja! e é. 48 Ele lhe ensinará o Livro, a sabedoria, a Tora e o Evangelho. 49 E ele será um Mensageiro para os israelitas, (e lhes dirá): Apresento-vos um sinal d vosso Senhor: plasmarei de barro a figura de um pássaro(150), à qual darei vida, e a figura será um pássaro, com beneplácito de Deus, curarei o cego de nascença e o leproso; ressuscitarei os mortos, com a anuência de Deus, e vos revelarei o que consumis o que entesourais em vossas casas. Nisso há um sinal para vós, se sois fiéis. 50 (Eu vim) para confirmar-vos a Tora, que vos chegou antes de mim, e para liberar-vos algo que vos está vedado. Eu vim com um sinal do vosso Senhor. Temei a Deus, pois, e obedecei-me. 51 Sabei que Deus é meu Senhor e vosso. Adorai-O, pois. Essa é a senda reta. 52 E quando Jesus lhes sentiu a incredulidade, disse: Quem serão os meus colaboradores na causa de Deus? Os discípulos disseram: Nós seremos os colaboradores, porque cremos em Deus; e testemunhamos que somos muçulmanos(151) . 53 Ó Senhor nosso, cremos no que tens revelado e seguimos o Mensageiro; inscreve-nos, pois, entre os testemunhadores. 54 Porém, (os judeus) conspiraram(152) (contra Jesus); e Deus, por Sua parte, planejou, porque é o melhor dos planejadores. 55 E quando Deus disse: Ó Jesus, por certo que porei termo à tua estada na terra; ascender-te-ei até Mim e salvar-te-ei dos incrédulos, fazendo prevalecer sobre eles os teus prosélitos, até ao Dia da Ressurreição. Então, a Mim será o vosso retorno e julgarei as questões pelas quais divergis. 56 Quanto aos incrédulos, castigá-los-ei severamente, neste mundo e no outro, e jamais terão protetores. 57 Em troca, aos fiéis, que praticam o bem, Deus os recompensará; sabei que Deus não aprecia os iníquos. 58 Estes são os versículos que te ditamos, acompanhados de prudente Mensagem. 59 O exemplo de Jesus, ante Deus, é idêntico ao de Adão, que Ele criou do pó, então lhe disse: Seja! e foi. 60 Esta é a verdade emanada do teu Senhor. Não sejas, pois, dos que (dela) duvidam. 61 Porém, àqueles que discutem contigo a respeito dele, depois de te haver chegado o conhecimento, dize-lhes: Vinde! Convoquemos os nossos filhos e os vossos, e as nossas mulheres e as vossas, e nós mesmos; então, deprecaremos para que a maldição de Deus caia sobre os mentirosos.(153) 62 Esta é a puríssima verdade(154): não há mais divindade além de Deus e Deus é o Poderoso, o Prudentíssimo. 63 Porém, se desdenharem, saibam que Deus bem conhece os corruptores. 64 Dize-lhes: Ó adeptos do Livro, vinde, para chegarmos a um termo comum, entre nós e vós: Comprometamos, formalmente, a não adorar senão a Deus, a não Lhe atribuir parceiros e a não nos tomarmos uns aos outros por senhores, em vez de Deus(155). Porém, caso se recusem, dize-lhes: Testemunhais que somos muçulmanos. 65 Ó adeptos do Livro, por que discutis acerca de Abraão, se a Tora e o Evangelho não foram revelados senão depois dele? Não raciocinais? 66 Vá lá que discutais sobre o que conheceis. Por que discutis, então, sobre coisas das quais não tendes conhecimento algum? Deus sabe e vós ignorais. 67 Abraão jamais foi judeu ou cristão; foi, outrossim, monoteísta, muçulmano, e nunca se contou entre os idólatras.(156) 68 Os mais chegados a Abraão foram aqueles que o seguiram, assim como (o são) este Profeta e os que creram; e Deus é Protetor dos fiéis. 69 Uma parte dos adeptos do Livro tentou desviar-vos; porém, sem o perceber, não fez mais do que desviar a si mesma. 70 Ó adeptos do Livro, por que negais os versículos de Deus, conhecendo-os? 71 Ó adeptos do Livro, por que disfarçais a verdade com a falsidade, e ocultais a verdade com pleno conhecimento? 72 E há uma parte dos adeptos do Livro que diz: Crede, ao amanhecer, no que foi relevado aos fiéis, e negai-o ao anoitecer! Talvez assim renunciem à sua religião. 73 E não confieis senão naqueles que professam a vossa religião. Dize-lhes (ó Profeta): A verdadeira orientação é a de Deus. (Temeis, acaso), que alguém seja agraciado com o mesmo com que fostes agraciados, ou com que vos refutem perante o vosso Senhor(157) ? Dize-lhes (ainda): A graça está na Mão de Deus, que a concede a Seu critério, porque Deus é Munificente, Sapientíssimo. 74 Ele agracia, com a Sua misericórdia, exclusivamente a quem Lhe apraz, porque Deus é Agraciante por excelência. 75 Entre os adeptos do Livro há alguns a quem podes confiar um quintal(158) de ouro, que te devolverão intacto; também há os que, se lhes confiares um só dinar(159) , não te restituirão, a menos que a isso os obrigues. Isto, porque dizem: Nada devemos aos iletrados. E forjam mentiras acerca de Deus, conscientemente. 76 Qual! No entanto, quem cumpre o seu pacto e teme, saiba que Deus aprecia os tementes. 77 Aqueles que negociam o pacto com Deus, e sua palavra empenhada, a vil preço, não participarão da bem-aventurança da vida futura; Deus não lhes falará, nem olhará para eles, no Dia da Ressurreição, nem tampouco os purificará, e sofrerão um doloroso castigo(160). 78 E também há aqueles que, com suas línguas, deturpam os versículos do Livro, para que peneis que ao Livro pertencem, quando isso não é verdade. E dizem: Estes (versículos) emanam de Deus, quando não emanam de Deus. Dizem mentiras a respeito de Deus, conscientemente. 79 É inadmissível que um homem a quem Deus concedeu o Livro, a sabedoria e a profecia, diga aos humanos: Sede meus servos, em vez de o serdes de Deus! Outrossim, o que diz, é: Sede servos do Senhor, uma vez que sois aqueles que estudam e ensinam o Livro. 80 Tampouco é admissível que ele vos ordene tomar os anjos e os profetas por senhores. Poderia ele induzir-vos à incredulidade, depois de vos terdes tornado muçulmanos? 81 Quando Deus aceitou a promessa dos profetas(161), disse-lhes: Eis o Livro e a sabedoria que ora vos entrego. Depois vos chegou um Mensageiro que corroborou o que já tendes. Crede nele e socorrei-o. Então, perguntou-lhes: Comprometer-vos-eis a fazê-lo? Responderam: Comprometemo-nos. Disse-lhes, então: Testemunharei, que também serei, convosco, Testemunha disso. 82 E aqueles que, depois disto, renegarem, serão depravados. 83 Anseiem, acaso, por outra religião, que não a de Deus? Todas as coisas que há nos céus e na terra, quer queiram, quer não(162), estão-Lhe submetidas, e a Ele retornarão. 84 Dize: Cremos em Deus, no que nos foi revelado, no que foi revelado a Abraão, a Ismael, a Isaac, a Jacó e às tribos, e no que, de seu Senhor, foi concedido a Moisés, a Jesus e aos profetas; não fazemos distinção alguma entre eles, porque somos, para Ele, muçulmanos(163). 85 E quem quer que almeje (impingir) outra religião, que noa seja o Islam(164) , (aquela) jamais será aceita e, no outro mundo, essa pessoa contar-se-á entre os desventurados. 86 Como poderá Deus iluminar aqueles que renunciaram à fé, depois de terem acreditado e testemunhado que o Mensageiro é autêntico e terem recebido as evidência? Deus não encaminha os iníquos. 87 A retribuição desses será a maldição de Deus, dos anjos e de toda a humanidade. 88 A qual (maldição) pesará sobre eles eternamente; o suplício não lhes será mitigado, nem serão tolerados. 89 Salvo aqueles que, depois disso, arrependem-se e se emendarem, pois que Deus é Indulgente, Misericordiosíssimo. 90 Quando àqueles que descrerem, após terem acreditado, imbuindo-se de incredulidade, jamais será aceito o arrependimento e serão os desviados. 91 Os incrédulos que morrerem na incredulidade jamais serão redimidos, ainda que ofereçam, em resgate, todo o ouro que possa caber na terra. Estes sofrerão um doloroso castigo e não terão socorredores. 92 Jamais alcançareis a virtude, até que façais caridade com aquilo que mais apreciardes. E sabei que, de toda caridade que fazeis, Deus bem o sabe. 93 Aos israelitas, todo o alimento era lícito(165), salvo aquilo que Israel se havia privado antes de a Tora ter sido revelada. Dize-lhes: Trazei a Tora e lede-a, se estiverdes certos. 94 E aqueles que forjarem mentiras acerca de Deus, depois disso, serão iníquos. 95 Dize: Deus diz a verdade. Segui, pois, a religião de Abraão, o monoteísta, que jamais se contou entre os idólatras(166) . 96 A primeira Casa (Sagrada), erigida para o gênero humano, é a de Bakka(167) , onde reside a bênção servindo de orientação à humanidade(168) . 97 Encerra sinais evidentes; lá está a Estância de Abraão, e quem quer que nela se refugie estará em segurança. A peregrinação à Casa é um dever para com Deus, por parte de todos os seres humanos, que estão em condições de empreendê-la; entretanto, quem se negar a isso saiba que Deus pode prescindir de toda a humanidade. 98 Dize: Ó adeptos do Livro, por que negais os versículos de Deus, sabendo que Deus é Testemunha de tudo quanto fazeis? 99 Dize (ainda): Ó adeptos do Livro, por que desviais os crentes da senda de Deus, esforçando-vos por fazê-la tortuosa, quando sois testemunhas (do pacto de Deus)? Sabei que Deus não está desatento a tudo quando fazeis. 100 Ó fiéis, se escutásseis alguns daqueles que receberam o Livro (o judeus), converter-vos-íeis em incrédulos, depois de terdes acreditado! www.ligaislamica.org.br. Abraço. Davi

terça-feira, 7 de janeiro de 2020

ENVELHECIMENTO SOB A PERSPECTIVA JUDAICA


ENVELHECIMENTO SOB A PERSPECTIVA JUDAICA. Judaísmo. Por Tzvi Freeman. ENVELHECIMENTO – SOB A PERSPECTIVA JUDAICA. Uma abordagem judaica ao envelhecimento e aposentadoria. Baseado nos ensinamentos do Rebe. A Torá considera a idade avançada uma virtude e uma bênção. Em toda a Torá, "velho" (zaken) é sinônimo de "sábio"; a Torá nos ordena respeitar todos os idosos, independentemente de sua erudição ou religiosidade, porque as muitas provações e experiências que cada ano adicional de vida traz proporciona uma sabedoria que o mais fenomenal jovem prodígio não consegue igualar. Descreve Avraham como alguém que "era velho, e entrado em dias" (Bereshit 24:1) - seus dias acumulados, cada qual repleto de aprendizado e realizações, significando que a cada dia que passava seu valor aumentava. Assim, uma idade avançada é considerada como uma das maiores bênçãos que podem ser concedidas ao ser humano. Este é um flagrante contraste à atitude prevalecente nos países "desenvolvidos" do mundo atual. No mundo ocidental do Século XXI, a idade é um risco. A juventude é vista como a melhor credencial em todos os campos, dos negócios ao governo, onde uma geração mais jovem insiste em "aprender com os próprios erros" em vez de construir sobre a experiência de vida dos mais velhos. Aos 50 a pessoa é considerada "ultrapassada", e começa a receber dicas de que seu cargo estaria mais bem preenchido por alguém com vinte anos a menos; em muitas empresas e instituições, a aposentadoria é obrigatória aos 65 anos ou até antes. Assim a sociedade decreta que a fase da maturidade seja marcada por inatividade e declínio. Os idosos são forçados a se sentirem inúteis ou então um fardo, e que fariam melhor em se confinar em aldeias de aposentados ou lares para idosos. Após décadas de realizações, seu conhecimento e talento subitamente se tornam sem valor; após décadas de contribuições à sociedade, eles de repente se transformam em recipientes indignos, gratos por qualquer tempo que a geração mais jovem tira do trabalho e da diversão para uma visitinha de meia hora, na data obrigatória do Dia das Mães ou dos Pais. Na superfície, a atitude moderna parece justificada em parte. Não é verdade que a pessoa enfraquece fisicamente à medida que avança na idade? Sim, a inatividade da aposentadoria tem sido mostrada como sendo um fator chave na deterioração dos idosos; porém ainda não é um fato inescapável da natureza que o corpo de 70 anos não é o mesmo corpo de 30? Este, exatamente, é o ponto: o valor de uma pessoa deve ser medido por sua aptidão física? Pelo número de homens-hora e voos intercontinentais que podem ser extraídos dele por semana? O que está em discussão aqui é mais que a "desfranquia" de todo um segmento da população cujo único crime é ter nascido uma ou duas décadas antes dos outros; nossa atitude para com os idosos reflete nosso próprio conceito de "valor". Se a força física de uma pessoa diminuiu e sua sagacidade e percepção cresceram, nós enxergamos isso como uma melhora ou um declínio? Se o trabalho da pessoa diminuiu em quantidade mas aumentou em qualidade, seu valor subiu ou desceu? Na verdade, uma pessoa de vinte anos pode dançar a noite inteira, ao passo que sua avó se cansa após alguns minutos. Porém o ser humano não foi criado para dançar horas a fio. Foi criado para tornar a vida na terra mais pura, mais brilhante e mais sagrada do que era antes que ele entrasse em cena. Vista sob essa luz, a maturidade espiritual dos idosos mais que compensa sua força física diminuída; na verdade, a diminuição dos anseios físicos pode até ser utilizada como um bem espiritual, pois permite uma reorganização de prioridades que é muito mais difícil nos jovens, quando a busca pelos ganhos materiais está no auge. Certamente, a saúde física do corpo afeta a produtividade da pessoa. A vida é um casamento de corpo e alma, e é mais produtivo quando nutrido por um físico são, bem como por um espírito saudável. Porém os efeitos do processo de envelhecimento sobre a produtividade de uma pessoa em grande parte são determinados pela maneira que ela considera este casamento e parceria. Quais são os meios e qual é o fim? Se a alma nada mais é que um motor para impulsionar o corpo na busca de suas necessidades e metas, então o enfraquecimento físico do corpo com a idade traz consigo a deterioração espiritual também - uma descida ao tédio, à futilidade e ao desespero. Porém quando alguém considera o corpo como um acessório da alma, ocorre o oposto; o crescimento espiritual da idade revigora o corpo, permitindo que a pessoa leve uma existência produtiva pelo tempo que o Todo Poderoso concede-lhe o presente da vida. VIDA – UMA DEFINIÇÃO. Porém não é só isso. Há mais na diferença entre a perspectiva da Torá sobre a idade e aquela do mundo moderno que a clássica dicotomia entre corpo e alma, mais que a questão da prioridade material versus a espiritual. Na base da instituição da aposentadoria está a noção de que a vida é composta de períodos produtivos e períodos não produtivos. Os primeiros 20-30 anos de vida são vistos como um tempo de pouca ou nenhuma realização, à medida que a pessoa adquire conhecimento e treino em preparação para o período produtivo da vida. Os próximos 30-40 anos são o tempo no qual suas energias criativas se concretizam; ele agora devolve aquilo que foi investido nele por seus agora passivos pais idosos, e por sua vez, investe na ainda passiva geração mais jovem. Finalmente, quando entra em seus "anos de crepúsculo", deixa para trás seu período de realizações "reais"; ele trabalhou duro "toda a vida", portanto ele agora deveria acomodar-se e colher os frutos de seu trabalho. Se o anseio criativo ainda agitar seu corpo que está envelhecendo, ele é aconselhado a encontrar algum passatempo inofensivo para preencher seu tempo. Na verdade, tempo é agora algo a ser "preenchido" e gasto, enquanto passa os dias à margem da vida, seu conhecimento e habilidades arquivados no sótao da velhice. Ele retorna agora à infância; mais uma vez é o recipiente passivo de um mundo moldado e dirigido pela iniciativa de outros. A Torá, no entanto, não reconhece tais distinções entre as fases da vida, pois vê a produtividade como a própria essência da vida: as palavras "um período não-produtivo da vida" são uma contradição. Há diferenças marcantes entre a infância, idade adulta, etc., mas estas diferem na maneira, não no fato, da produtividade de uma pessoa. A aposentadoria e a colheita passiva dos frutos do próprio trabalho têm seu tempo e lugar - no Mundo Vindouro. Nas palavras do Talmud, "Hoje, é o tempo de fazer; amanhã, de colher a recompensa." O próprio fato de D'us ter concedido à pessoa um único dia adicional de vida corpórea significa que ele ainda não concluiu sua missão na vida, que ainda há algo para ele realizar neste mundo. Assim, o aforismo "O homem nasceu para labutar" (Job 5:7) expressa um fato básico da natureza humana. Uma pessoa experimenta satisfação verdadeira somente com algo que adquiriu com o próprio esforço e iniciativa; presentes não merecidos e doações ("o pão da vergonha" na terminologia cabalista) não deixam a pessoa realizada e a desumanizam. Como observa o Talmud, "Uma pessoa preferiria uma única medida do próprio grão a nove medidas dadas por outros. "Um adulto que trabalha, sobrecarregado pelas exigências da vida, pode lembrar-se com nostalgia do "paraíso" da infância como uma época livre de responsabilidade e trabalho. Quando criança, no entanto, ele desdenhava este paraíso, desejando apenas fazer algo real e criativo. Desafie uma criança com responsabilidade, e ela floresce; mantenha-a como um recipiente passivo e não produtivo de "educação", e ela crescerá irresponsável e rebelde. Pois a criança, também, está viva, e como tal anseia por realização; a partir do instante do nascimento ela já estava influenciando ativamente aquilo que a cerca, mesmo que seja apenas ao estimular os pais com sua sede de conhecimento e afeição. O mesmo se aplica a adultos de todas as idades. A promessa de uma "aposentadoria feliz" é um mito cruel: a própria natureza da vida humana é que o homem conhece a verdadeira felicidade apenas quando contribui criativamente ao mundo que habita. O estado enfraquecido da idade avançada (ou doença, D'us não o permita) não é uma sentença de inatividade, mas um desafio para encontrar novas - e superiores - maneiras de se realizar. POR QUE. De fato, assim é a natureza humana: a vida tem significado apenas quando é produtiva. Mas por quê? Por que o ser humano foi construído assim? Porque D'us criou o homem para ser Seu parceiro na Criação. O MIDRASH nos diz que "D'us diz aos justos: Assim como Eu sou um criador de mundos, você também deverá ser." O Midrash também relata uma conversa ocorrida entre um filósofo grego e o sábio talmúdico Rabi Hoshiah: "Se a circuncisão é desejável a D'us," perguntou o pensador, "por que então Ele não criou Adam circuncidado?" Respondeu Rabi Hoshiah: "Tudo que foi criado nos seis dias da Criação exige ajuste e aperfeiçoamento pelo homem: o grão de mostarda deve ser adoçado, o trigo precisa ser moído." D'us especificamente criou um mundo inacabado para que o homem o desenvolvesse e aperfeiçoasse. D'us é o supremo iniciador e doador, concedendo-nos existência e vida e equipando-nos com faculdades e recursos. Porém D'us queria mais que recipientes passivos de Seus presentes. Ele desejava uma parceria conosco, na qual pudéssemos criar e dar como Ele cria e dá, e Ele receberia de nós assim como recebemos d'Ele. Portanto Ele tornou o impulso de realização a própria essência da vida humana. UM CURSO DE AÇÃO. A triste verdade, porém, permanece; a aposentadoria, seja ou não obrigatória, é um fato da vida moderna. Ano após ano, destrói milhões de vidas e condena recursos humanos inestimáveis (na verdade, os mais valiosos recursos humanos que possuímos) ao completo, ou quase completo, desperdício. O que se pode fazer face a esta tragédia humana e social? A pessoa deveria embarcar numa campanha para mudar esta prática e o sistema de valores que está por trás dela? Deveria procurar o lado positivo da aposentadoria e tentar utilizar seus aspectos positivos? Na verdade, devemos fazer as duas coisas. Devemos mudar a atitude dos líderes dos negócios e do mundo profissional, e da sociedade em geral. E acima de tudo, devemos mudar a auto percepção dos idosos (e dos quase idosos, e dos quase quase idosos). Devemos dizer a eles: vocês não são inúteis; pelo contrário, são um bem valioso para a sociedade, mais ainda que antes, e a cada dia que passa seu valor aumenta. As mudanças de vida que você está vivenciando como resultado do avanço dos anos não são motivo para aposentadoria da vida produtiva, mas a oportunidade para descobrir maneiras novas e mais significativas para desenvolver a si mesmo e o ambiente ao seu redor. A vida longa é um presente Divino, e o Todo Poderoso certamente dotou você com as ferramentas que precisa para vivê-la bem. Ao mesmo tempo, devemos explorar as oportunidades que a instituição da aposentadoria nos apresenta. Se existem incontáveis homens e mulheres aposentados procurando desesperadamente maneiras de preencher o tempo, vamos estabelecer para eles centros de estudo de Torá, onde possam passar várias horas por dia e aumentar seu conhecimento e produtividade. Vamos abrir estes centros em toda comunidade, criar classes e oficinas em todo lar de idosos. Se as lutas travadas nos locais de trabalho impediram que adquirissem a perspectiva iluminada da Torá sobre a vida quando eram mais jovens, a aposentadoria proporciona uma oportunidade de ouro para aprender e crescer; educação, como a produtividade, é um esforço a longo prazo. A Torá dará a eles novas esperanças na vida. Ficarão conscientes do próprio valor e potencial e os transformará de fúteis "já eram" em faróis de luz para suas famílias e comunidades. A aposentadoria, quando bem utilizada, pode ser dirigida como a força mais potente no sentido de erradicá-la da mente e da vida do homem. NOTA: Este ensaio é baseado nas palestras feitas pelo Rebe em seu 70º aniversário, 11 de Nissan de 5732 (26 de março de 1972), e dez anos depois em seu 80º aniversário. Nestas duas ocasiões, o Rebe recebeu dezenas de milhares de cartas vindas do mundo inteiro; dentre essas havia diversas sugerindo que talvez fosse a hora de pensar em "diminuir o ritmo" e "ir mais devagar", após seus muitos anos frutíferos como líder e ativista. A resposta do Rebe foi este ardente ataque ao próprio conceito de "aposentadoria" aqui articulado. O Rebe também abordou o assunto em diversas outras ocasiões, incluindo uma série de reuniões de Shabat no verão de 1980. Ele então sugeriu o estabelecimento de centros de estudo de Torá para os idosos. Centenas desses centros de estudo - chamados, segundo a sugestão do Rebe, Tiferet Zkeinim ("a glória dos idosos") - desde então foram fundados em todos os cantos do globo pelos emissários do Rebe. Elementos dessas palestras, bem como de diversas outras nas quais o Rebe discutiu o conceito de "vida com produtividade", também foram incorporados neste ensaio. O próprio Rebe era um exemplo vivo da perspectiva da Torá sobre "aposentadoria" que ele expôs. Ele celebrou seu 70º aniversário iniciando o estabelecimento de 71 novas instituições sociais e educacionais, praticamente dobrando a rede mundial de estabelecimentos Chabad-Lubavitch. Em seu 80º aniversário, ele novamente conclamou a uma maciça expansão das atividades de Chabad, num discurso de seis horas que terminou após as 3 horas da madrugada, após o qual o Rebe distribuiu pessoalmente um presente - uma edição especial do clássico chassídico, o Tanya - a cada um dos 10.000 homens, mulheres e crianças presentes, sendo que o último participante recebeu seu Tanya às 6h15 da manhã. Embora o Rebe tivesse uma impressionante lista de realizações quando foi aconselhado a "apreciar os frutos de seu trabalho" ao completar 70 anos em 1972, estas empalidecem em comparação com aquilo que ele realizou após completar 80 e que, por sua vez, são uma fração da abrangência de suas atividades aos 90 anos. Cada ano trouxe a revelação de novas dimensões à sua filosofia e visão do mundo, novas campanhas e iniciativas, novos centros de Chabad, escolas e comunidades em todo o mundo. Também de 1992 a 1994, quando estava fisicamente debilitado pelo forte AVC que sofreu em março de 1992, ele continuou a liderar o Movimento Chabad, emitindo diretrizes para seus 3.000 emissários em seis continentes, e os muitos milhares que o procuravam em busca de orientação e conselhos. www.ptchabad.org.br. Abraço. Davi.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

APRESENTAÇÃO V


Religião Afro-brasileira. Candomblé. Livro O Candomblé da Bahia – Rito Nagô. Tradução de Maria Isaura Pereira de Queiroz (1918-2018). Capítulo I. APRESENTAÇÃO V. É evidente que não se pode voltar bruscamente ao mundo profano após estas núpcias místicas. No decorrer da iniciação, a personalidade antiga foi quebrada, destruída, aniquilada, para ser substituída por outra. O novo eu, nada conhece do mundo em que deve daí por diante viver; é preciso reaprender tudo. Por outro lado, a personalidade nova pertence àquele que a fabricou, babalorixá ou ialorixá, tornando-se, pois, necessário que se reintegre na sociedade ordinária, que retome seu lugar numa famlía carnal. Finalmente, a iniciação custa caro, dezenas de contos de réis que é preciso pagar. Daí a cerimônia do panan, que tem lugar no domingo seguinte à cerimônia de dar o nome, e que corresponde a uma tripla finalidade: reaprendizagem da vida cotidiana, passagem da sociedade religiosa para a sociedade doméstica, e finalmente venda de objetos como uma contribuição da coletividade para as despesas e custo do ritual. A nova cerimônia que encerra o período de iniciação, faz-nos de certa maneira passar da tragédia para a comédia. Embora tudo seja a sério - a transição de um setor da realidade para outro é, efetivamente, algo de sério que deve ser efetuado segundo todas as normas para que seja eficaz - permite está yauô manifestar publicamente o delicioso senso de "humor" africano, que não foi ainda suficientemente estudado. Dada esta multiplicidade funcional, pode-se distinguir uma série de ritos no panan. Antes mesmo de reintroduzir a filha de santo no mundo, é preciso primeiramente fazer-lhe compreender que, mesmo saindo, ela não deixa de pertencer ainda ao candomblé, e que os sacerdotes, não como sacerdotes, mas como representantes da divindade, devem ser sempre respeitados e obedecidos. É o ritual do açoite. Os diversos dignitários do terreiro açoitam sucessiva e simbolicamente a yauô. A este, primeiro momento, sucede a reaprendizagem das atividades cotidianas: a yauô executa gestos representativos: cozinhar, lavar roupa, usar o pilão, limpar peixe, fazer compras na feira, cuidar de sua "toilette", simular o ato sexual, o parto, ninar uma boneca, passear pela cidade ao braço do marido, escovar as roupas deste ao voltar para casa (...) e até mesmo fumar, ouvir rádio, ir à missa. A terceira parte do panan é a "compra" da filha de santo pela família; sem dúvida para manifestar o caráter guerreiro do ritual, que é uma espécie de perseguição ou de razia, Melville Jean Herskovits (1895-1963) descreve-a como uma espécie de caça pelo pai, pelo marido, ou por um ogan do terreiro denominado "escravo de Ogun". Mas pai ou marido, que assim tomam posse da yauô, devem resgatá-la dando ao sacerdote em chefe do candomblé uma soma combinada de antemão. Esta compra pode também tomar a forma de leilão fictício. Ou enfim, nos santuários Gêge, processa-se ao mesmo tempo que a venda destilada a recolher fundos e assim foi descrita por Manuel Raimundo Querino (1851-1923): " (...) arma-se uma quitanda bem sortida de frutas, carne, peixe, hortaliças, utensílios de uso doméstico, como ferro de engomar, gamela, lenha, carvão, etc.", a que se acrescentam objetos fabricados pela yauô durante o período de reclusão; ao comprar estes objetos, compra-se ao mesmo tempo a filha de santo, ou então - se a venda desta se faz à parte - o que é obtido com a venda destes objetos serve para pagar uma parte das despesas da iniciação. Naturalmente, só o pai, o marido se é casada, o noivo se deve contrair casamento pouco depois, têm o direito de comprar a nova filha de santo; somente no caso de ela ser órfã e muito criança para se casar é que outra pessoa pode pagar o preço e adquirir o direito de a levar. Neste último caso, o comprador é conhecido de antemão pelo babalorixá e foi aceito para desempenhar tal papel tanto devido às qualidades morais, quanto também devido à sua situação financeira. Há outro aspecto do panan que caracteriza muito bem seu papel de rito de transição e que me parece por todos os modos essencial: enquanto nas outras cerimônias públicas de iniciação a filha de santo estava em estado de transe, aqui aparece em estado de éré, que é uma espécie de êxtase calmo e infantil; ora, o éré é considerado como forma intermediária entre a possessão pelo Orixá e o estado normal. É que o santo está abandonando progressivamente seu cavalo. Terminada a cerimônia, a filha de santo também terá readquirido plena consciência, mas dormirá ainda uma noite no candomblé. E em seguida a conduzem, em grande pompa, à casa daquele que a comprou. Durante um ano, porém, permanece ela como um ser "marginal", pertencendo ao mesmo tempo a quem a comprou, isto é, à sua família legal, e ao sacerdote que a fez. A submissão ao babalorixá fica simbolicamente marcada pelo uso de um colar especial, o kêlé vulgarmente designado pelo nome de "gravata do Orixá". Um ano depois ou, nos terreiros mais tolerantes, três meses apenas depois, vai ela depositá-lo aos pés da pedra de seu santo, durante uma cerimônia que pode ser pública. Isto não quer dizer que deixe de obedecer aos sacerdotes do candomblé; mas a obediência se restringe unicamente ao domínio das obrigações religiosas, a filha de santo está daí por diante inteiramente "livre" na vida "civil". Com efeito, vimos atrás que, durante sua estada no aliaché, a yauô não era mais dona de si mesma, o xaôrô sonoro de seu tornozelo constituindo sinal de inteira sujeição, física e espiritual, àquele que a fabricava. A sujeição é forte demais para poder desaparecer de uma só vez; eis porque, assim como o transe vai se tornando éré antes da volta ao estado normal, a posse da filha de santo pelo seu novo criador se desfaz pouco a pouco. O abandono do kêlé nada mais constitui do que a última etapa desta libertação progressiva. Todo candomblé tem uma reserva de filhas e filhos de santo que podem um dia ser iniciados, ou que podem desempenhar funções importantes na seita, sem por isso receber as divindades; são os abiã. Os abiã praticaram os ritos de lavagem das contas e o bori, fazem parte do candomblé. Nós os consideramos, pois, como formando a parte inferior da hierarquia sacerdotal Uma vez praticada a cerimônia de iniciação, o indivíduo se torna yauô ou espôsa da divindade. Trata-se, naturalmente, de um grau superior ao do abiã, mas não do mais elevado. No decorrer de sua vida, esta yauô passará efetivamente por toda uma série de metamorfoses, cada qual marcada por um conhecimento mais amplo dos "segredos" da seita. Se fizer parte de uma seita gêgê (dahomeana), sete anos depois tonar-se-á vodunsi, promoção que se tornará pública pelo uso do colar especial, o rungéfé, composto de pérolas vermelhas e de contas de coral. Ou então será obômin, se fizer parte de uma nação nagô. Somente depois de se tomar ebômin é que a filha de santo pode ser escolhida para desempenhar no santuário uma função especializada, além da de receber o santo, a qual lhe dá autoridade superior à das simples yauô. Pode por exemplo se tornar dagã ou se é de grau mais recente, sidagã, especializada na celebração do pade de Exú; pode auxiliar os sacerdotes durante o serviço religioso, como iyá mêrê; pode caber-lhe a cozinha, devendo preparar os alimentos especiais das diversas divindades, tornando-se assim iyá bassé; se tem boa voz e boa memória, será uma iya têbêsê encarregada, nas festas públicas e privadas, e tomar a iniciativa dos cânticos, escolhendo-os e lançando-os aos músicos e aos dançarinos. A iyalaxé me parece ter importância ainda maior, pois é ela, como o nome indica, que toma conta do axé, isto é, das pedras sagradas do pegi, dos alimentos oferecidos a estas (alimentos que só são mudados cada semana), da limpeza do santuário. Nesse trabalho, pode sem dúvida se fazer ajudar e servir pelas yauô, mas toda a responsabilidade é sua. E também, se a ialorixá ou o babalorixá não habitam o candomblé, é ela que vai morar nele, como uma espécie de administradora. Mas acima de todas estas funções está a da "mãe pequena", ou segunda sacerdotisa, chamada em língua africana iya kêkêrê ou jibonam, a qual substitui a mãe de santo em caso de impedimento e muitas vezes, mas não obrigatoriamente, toma-lhe o lugar quando morre. Se o candomblé for dirigido por um homem em lugar de uma mulher, por um "pai" em lugar de "mãe", seu papel é ainda mais importante. É a iyá kêkêrê que se ocupa das candidatas à iniciação, que as acompanha ao banho matinal, lava-as com sabão africano, corta seu cabelo à tesoura, depila seu corpo, traça o efun, etc. Como se vê, não falei senão das filhas de santo; são muito mais numerosas do que os homens; todavia, existem também alguns "filhos de santo". Estes são em geral crianças que se encontravam no ventre materno no momento em que a mulher se iniciou, considerando-se então que o filho, por "participação" ao corpo da genitora, é iniciado. Em todo o caso, do mesmo modo que o posto de "mãe pequena" fica mais importante quando o terreiro é dirigido por um homem, nos que são dirigidos por mulher há necessidade de um homem para ajudá-la, e este é o encarregado do altar, ou pegi-gã. Todavia, o papel pode ser desempenhado por alguém que não tenha passado pelos ritos de iniciação, que seja simples ogan. Há duas espécies de ogan. Alguns são escolhidos devido apenas à situação social e financeira, servindo de protetores à seita com relação às autoridades constituídas; defendem na contra as possíveis arbitrariedades da polícia; auxiliam-na em caso de necessidade, lançando mão de seus próprios recursos. Outros, porém, conservando algo da origem sacerdotal do termo, ougangas (ou sacerdotes, no Gabon), formam uma espécie de sacerdócio secundário. Há por exemplo o pegi-gã, de que acabei de falar e que é o presidente do conselho administrativo do candomblé, o responsável pelo seu pegi; o oxôgun que é o sacrificador; o alabê que toca o rum e dirige a música. O que define o ogan em oposição aos filhos de santo não é o fato de deixar de possuir um Orixá (cada um de nós tem sempre o seu), e sim não poder ser possuído por ele. Todo candomblé compreende obrigatoriamente um conjunto de pessoas que não podem, de modo nenhum, cair em transe: os ogan do lado masculino, as ekedy do lado feminino, da mesma forma que também compreende obrigatoriamente uma confraria das filhas de santo que entram em êxtase. As ekedy, como vimos, estão encarregadas de auxiliar as filhas de santo quando caem em transe, ao decorrer das cerimônias públicas. Com efeito, como poderia o ritual transcorrer em ordem e de acordo com todas as normas necessárias, se bruscamente uma ekedy, em lugar de cuidar do cavalo de que é responsável, caísse por terra ao lado dele, sacudida por movimentos convulsivos, ou se o alabê abandonasse por momentos a música para dançar no meio da multidão? Mas se nem ogan, nem ekedy podem entrar em transe, existe mais, além da diferença de sexo, uma relação antitética para com as yauô que os opõem um ao outro. De fato, cada ogan está ligado a uma filha do mesmo santo que ele, que é a "sua" filha, que por conseguinte auxilia e protege, mas que, por sua vez, lhe deve respeito e submissão. A ekedy, ao contrário, é de certo modo a empregada, a serva piedosa e paciente de sua yauô. Manuel Querino e eu mesmo já descrevemos detalhadamente o modo pelo qual o ogan é incorporado à seita. Note-se que não é o sacerdote que o escolhe e sim a divindade, no decorrer de uma cerimônia pública, por intermédio da yalorixá ou de uma filha de santo em estado de transe. O futuro ogan é então festejado pelo público, carregado em triunfo; mas pode ainda recusar, se teme não estar à altura de seu futuro posto. Aceitando, deve ficar três dias no candomblé para receber iniciação especial (antigamente, permanecia ali três dias inteiros; atualmente, permite-se descer à cidade durante o dia, quando tem ocupações profissionais, mas deve passar as três noites no santuário). A festa de entronização tem lugar mais tarde, até mesmo seis meses depois, e compreende obrigatoriamente a fabricação de uma cadeira na qual ele se sentará com toda a pompa, festa cuja importância se relaciona ao mesmo tempo com a entronização das yauô, que também devem se sentar num banco novo quando entram no candomblé, e com o culto dos tronos reais ou sacerdotais encontrados na Africa. Acima dos ogan, existem ainda, doze obas ou ministros de Xangô, no candomblé de Axê de Opo Afonjá. Tais ministros, escolhidos entre os ogan mais antigos e mais estimados do terreiro, constituem, todavia, criação bastante recente de Martiniano do Bonfim, depois de seu regresso da África onde fora se iniciar no cargo de babalaô. Ele mesmo conta como efetuou a criação depois de lembrar toda a sequência dos reis de Oyo; a rivalidade entre Xangô de um lado, o Timin e Gbonká, de outro; de que maneira Xangô se tornara uma divindade, prossegue: Os dois guerreiros (Timin e Gbonká) que tinham provocado o desaparecimento de Xangô, voltaram à sua terra de origem. Os ministros de Xangô, os mangbá, instituíram então o culto do orixá. (...). Algum tempo depois, formou-se um conselho de ministros encarregado de manter vivo o culto, que foi organizado com os doze ministros que o tinham acompanhado à terra, seis à direita e seis à esquerda. Os da direita eram Abiódún (descendente do rei Abiodun, príncipe), Onikôyi, Aréssa, Onanxókún, Obá Télá e Olugban. Os da esquerda, Aré, Otun Onikôyi, Otun Onanxókún, Ekô, Kábá Nnfô e Ossi Onikôvi. Estes ministros - antigos reis, príncipes ou governadores de territórios conquistados pela bravura de Xangô - não quiseram deixar se extinguir a lembrança do herói na memória das gerações. Eis porque, no Centro Santa Cruz do Aché de Opô Monjá, de São Gonçalo do Retiro, celebrou-se neste ano a festa da entronização dos doze ministros de Xangô, escolhidos entre os ogans mais velhos e mais prestigiosos do candomblé. Os ritos de entronização constituem de certa maneira ritos de iniciação do ogan num grau mais elevado. Sua iniciação é, portanto, mais longa. Quanto as suas funções não são muito claras. Mas, de luta sem tréguas que contra eles dirigiu a ialorixá atual, filha de Oxun, até conseguir finalmente impor, embora com dificuldade, suas ordens, pode-se induzir sem grande risco de erro que a finalidade principal era, do ponto de vista espiritual, velar pela importância do culto de Xangô - o que justamente uma esposa de Oxun não podia suportar sem mágoa, Oxun sendo para ela mais importante do que Xangô. Acrescentemos que, além desta função espiritual que os torna sucessores brasileiros dos mangbá ou sacerdotes de Xangô, formam os oba, do ponto de vista material e civil, o conselho administrativo do Axé de Opo Afonjá. Um informante designou como "chefes de harém". Mas é preciso atentar para o sentido desta expressão, ela não significa de modo nenhum direito sexual sobre as filhas de santo. Quer dizer apenas que, assim como um ogan tem sob suas ordens uma filha do mesmo Orixá que ele, também os oba tem sob sua autoridade o conjunto de filhas de santo que pertencem a mesma divindade dele. Livro O Candomblé da Bahia – Rito Nagô. Abraço. Davi.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

OS ANALECTOS - LIVRO I


Confucionismo. www.https//rt.br. OS ANALECTOS – LIVRO I. 1. O Mestre disse: “Não é um prazer, uma vez que se aprendeu algo, colocá-lo em prática nas horas certas? Não é uma alegria ter amigos que vêm de longe? Não é cavalheiresco não se ofender quando os outros falham em apreciar suas habilidades”? 2. Yu Tzu [22] disse: “É raro um homem que é bom como filho e obediente como jovem ter a inclinação de transgredir contra seus superiores; não se sabe de alguém que, não tendo tal tendência, tenha iniciado uma rebelião. O cavalheiro dedica seus esforços às raízes, pois, uma vez que as raízes estão estabelecidas, o Caminho daí brotará. Ser um filho bom e um jovem obediente é, talvez, a raiz do caráter de um homem”. 3. O Mestre disse: “É raro, de fato, que um homem com palavras ardilosas e um rosto bajulador seja benevolente”. 4. Tseng Tzu disse: “Todos os dias, examino a mim mesmo sob três aspectos. Naquilo que fiz pelo bem-estar do outro, falhei em fazer o meu melhor? Ao tratar com meus amigos, falhei em ser fiel às minhas palavras? Ensinei aos outros algo que eu próprio não tenha experimentado?”. 5. O Mestre disse: “Ao governar um reino com mil carruagens, trate dos negócios com reverência e seja coerente com aquilo que fala; evite gastos excessivos e ame os seus semelhantes; empregue o trabalho do povo apenas nas épocas certas”. 6. O Mestre disse: “Um rapaz deveria ser um bom filho em casa e um jovem obediente fora de casa, parcimonioso com a fala, mas coerente com o que diz, e deveria amar todo o povo, mas cultivar a amizade dos seus semelhantes. [23] Se lhe sobrar alguma energia dessas ações, que ele a dedique a tornar-se um homem culto”. 7. Tzu-hsia disse: “Eu diria que recebeu instrução aquele que aprecia homens de excelência enquanto outros homens apreciam belas mulheres; que se dedica ao máximo servir os seus pais e oferece a sua pessoa a serviço do seu senhor: e que, nas relações com seus amigos, é coerente àquilo que diz, mesmo que afirme que nunca recebeu educação”. 8. O Mestre disse: “Um homem a quem falta seriedade não inspira admiração. Um cavalheiro que estuda não costuma ser inflexível. “Estabeleça [24] como princípio fazer o melhor pelos outros e ser coerente com o que diz. Não aceite como amigo ninguém que não seja tão bom quanto você. “Quando cometer um erro, não tenha medo de corrigi-lo.” 9. Tseng Tzu disse: “Conduza os funerais dos seus pais com esmero e não deixe que sacrifícios aos seus remotos ancestrais sejam esquecidos, e a virtude do povo penderá para a perfeição”. 10. Tzu-ch’in perguntou a Tzu-kung: “Quando o Mestre chega em um reino, ele invariavelmente fica sabendo sobre o governo do lugar. Ele busca tais informações? Ou elas lhe são fornecidas?”. Tzu-kung disse: “O Mestre conquista-as sendo cordial, bom, respeitador, moderado e deferente. O modo com que o Mestre busca informação é, talvez, diferente do modo com que outros homens as buscam”. 11. O Mestre disse: “Observe o que um homem, enquanto seu pai está vivo, planeja fazer e então observe o que ele faz quando seu pai falece. Se, durante três anos, ele não se desviar do caminho do pai, ele pode ser chamado de um bom filho”. [25] 12. Yu Tzu disse: “Das coisas proporcionadas pelos ritos, a harmonia é a mais valiosa. Dos Caminhos dos antigos reis, este é o mais belo e é seguido igualmente em questões grandes ou pequenas, embora nem sempre funcione: buscar sempre a harmonia sem regulá-la pelos ritos, simplesmente pela harmonia, na verdade não funcionará”. 13. Yu Tzu disse: “Ser coerente com as próprias palavras é ter moral, no sentido de que isso faz com que as palavras dessa pessoa possam ser repetidas. [26]. Ser respeitoso, significa ser observador dos ritos, no sentido de que isso possibilita que se fique longe da desgraça e do insulto. Se, ao promover as boas relações com parentes da sua esposa, um homem consegue não perder a boa vontade de seus próprios parentes, então ele merece ser considerado o chefe do clã”. [27] 14. O Mestre disse: “O cavalheiro não almeja nem uma barriga cheia nem uma casa confortável. Ele é rápido na ação, mas, cauteloso com o que diz. [28] Ele se dirige a homens virtuosos para receber orientação. Tal homem pode ser descrito como alguém ávido por aprender”. 15. Tzu-kung disse: “‘Pobre sem ser servil, rico sem ser arrogante’. O que o senhor pensa desse provérbio”? O Mestre disse: “É bom, mas melhor ainda é: ‘Pobre, mas alegre no Caminho; rico, porém observador dos ritos’”. Tzu-kung disse: “As Odes dizem cortado como osso, polido como chifre Esculpido como jade, moído como pedra. O que o senhor disse não é um caso semelhante”? 16. O Mestre disse: “Ssu, apenas com um homem como você pode outro homem discutir as Odes. Diga algo a este homem, e ele poderá ver sua relevância em relação ao que não foi dito”. Não é quando os outros falham em apreciar as suas habilidades que você deveria ficar incomodado, mas, antes, quando você falha em apreciar as habilidades dos outros. www.https//rt.br. Abraço. Davi

quarta-feira, 1 de janeiro de 2020

RELACIONAMENTO DO SIGNO DE GÊMEOS COM OUTROS SIGNOS


Zodíaco. www.universa.uol.com.br. Sinastria (1). RELACIONAMENTO DO SIGNO DE GÊMEOS (21 de maio à 20 de junho) COM OUTROS SIGNOS.
GÊMEOS E ÁRIES. Uma paixão entre dois signos inquietos e inconstantes tem grandes chances de ser só fogo de palha. Os dois gostam de diversão, novidades e movimento – precisam de estímulos constantes, cumplicidade, lazer e muito diálogo para que a relação não caia na rotina. Gêmeos é espirituoso, comunicativo, curioso e adaptável, o que pode satisfazer as exigências de Áries, que é decidido, impulsivo e espontâneo e que com sua energia desperta a curiosidade de Gêmeos. Essa combinação acaba propiciando conversas interessantes e situações inusitadas. Sexualmente, a parceria é muito criativa e ardente: ambos estão sempre testando novas possibilidades na vida íntima. Mas é provável que haja alterações de humor. O elemento do signo de Áries é o fogo e o de Gêmeos é o ar, ou seja, pura combustão, o que leva a picos de intensidade, mas que depois se apaga. Em função disso, é possível que a relação não se torne tão séria e comprometida. Mas devem cultivar valores mais sólidos e o sincero desejo de constituir uma família, se houver amor verdadeiro. Gêmeos e Touro. Para esta relação se concretizar é necessário que os dois superem alguns desafios, pois a compatibilidade e os interesses em comum não são muitos: Gêmeos privilegia a liberdade e não gosta de se sentir amarrado, e o ciúme e a possessividade de Touro tendem a sufocar o geminiano. É preciso que exista diálogo. Mas ambos apreciam o prazer e gostam de programas culturais. Touro se sentirá atraído pela inteligência, eloquência, adaptabilidade, pela natureza espirituosa e pelo bom humor de Gêmeos, que, por sua vez, respeitará a força, o charme e a determinação de Touro. Os dois terão sempre muito do que conversar e passarão horas desfrutando da companhia um do outro. No quesito vida sexual, Gêmeos vai estimular Touro com convites divertidos e propostas bem-humoradas e, apesar de Touro ser mais lento, com disposição, conseguirão viver juntos momentos de prazer intenso. O taurino ensinará o geminiano a ter mais tranquilidade e coerência em suas decisões; e o geminiano passará leveza, atitude questionadora, flexibilidade e sentido de liberdade para o taurino. Gêmeos e Gêmeos. Como se trata de dois nativos do mesmo signo, pode haver amizade, entrosamento e muitas afinidades, mas, a longo prazo, o relacionamento tende a se esfriar. Isso porque Gêmeos é inquieto, com tendência a ser inconstante. Na vida sexual, é muito provável que haja química, sintonia e compatibilidade – geminianos estão sempre em busca de novas experiências. São curiosos, dinâmicos, expressivos, bem-humorados e esta união tem tudo para gerar bons momentos de cumplicidade em viagens e aventuras. Também adoram a vida social e as amizades são fundamentais. A principal dificuldade está na personalidade mutável e instável de Gêmeos. Portanto, é fundamental que controlem um pouco o desejo de mudanças e de novidades frequentes, já que isso acarreta uma vida sem estabilidade e pouco saudável. É preciso cuidado para não exagerarem na abertura e na falta de foco. Com leveza e adaptabilidade, podem superar complicações do cotidiano. A admiração mútua será um ponto forte, o que aumentará o vínculo entre eles. Gêmeos e Câncer. Este é um encontro de duas pessoas com qualidades muito diferentes. Câncer é sensível, emotivo, ligado à família, gosta de cuidar das pessoas queridas e necessita de um clima harmonioso para prosperar. Gêmeos é independente, inquieto, mental, está sempre em busca de novidades. Sexualmente, Gêmeos proporcionará ao seu parceiro novas experiências, sensações e emoções; o nativo de Câncer, por sua vez, oferecerá calor, acolhimento e proteção. De qualquer forma, é preciso um real compromisso entre eles para que o relacionamento dure. Nos assuntos econômicos podem surgir alguns conflitos: para os cancerianos, segurança e estabilidade econômica são fundamentais; e os geminianos são mais imediatistas e menos preocupados em garantir estabilidade. O nativo de Gêmeos gosta de estímulos intelectuais e age motivado pela razão, já o de Câncer segue o lado mais emocional. Os geminianos devem compreender essa natureza temperamental dos cancerianos para cultivar uma relação mais profunda. E o desafio de Câncer é atravessar a superficialidade de Gêmeos para alcançar um comprometimento maior. Gêmeos e Leão. Esta é uma união com potencial estimulante, pois se trata de signos alegres, joviais, criativos e festivos. Ambos gostam de novidades, aventuras, diversão, atividades culturais e de lazer – pontos que fazem muito bem ao casal. Leão é um signo do elemento Fogo, confiante e ambicioso. Gêmeos é um signo do Ar, inteligente, adaptável e inquieto. O resultado desta combinação é explosivo. Sexualmente, eles têm chances de viver momentos de muita química, paixão, brincadeiras e carinho, além de uma bela cumplicidade. Se trabalharem juntos, haverá possibilidade de sucesso em atividades criativas: Gêmeos com seu potencial intelectual e Leão com seu toque ambicioso e glamoroso. Mas é importante que fiquem atentos às armadilhas do ego quando estiverem em ambientes sociais. Se o orgulho de Leão vier à tona, Gêmeos deve evitar enfrentá-lo e relevar. Por vezes, a língua afiada de Gêmeos pode ferir o ego de Leão. Se conseguirem respeitar suas diferenças e relaxar, a relação certamente se tornará interessante, divertida e duradoura. Gêmeos e Virgem. Apesar de terem o mesmo planeta regente (Mercúrio), o que significa algumas qualidades em comum, esses são signos muito diversos, o que pode se traduzir em uma relação enriquecedora se os dois souberem se respeitar, ceder e fazer concessões. Na questão sexual, se estiverem dispostos, a sintonia será aprimorada ao longo do tempo. São signos inteligentes e com facilidade para passar horas conversando sobre projetos, experiências e ideias. Mas, no início, é possível que aconteça desentendimentos. É essencial que haja diálogo, estímulo intelectual e sinceridade entre eles. Para que a parceria se torne longa e sólida, Gêmeos deve compreender a necessidade virginiana de qualidade, detalhamento e perfeição. Ao mesmo tempo, Virgem precisa aprender com o geminiano a rir e a se divertir mais, não se cobrar tanto nem levar a vida tão a sério. Quando conseguirem apreciar as respectivas qualidades, poderão até se casar: Gêmeos admirando a praticidade, a objetividade e a tendência metódica de Virgem, que se sentirá rejuvenescido pela vivacidade, leveza e senso de humor do geminiano. Gêmeos e Libra. São dois signos com grandes afinidades: ambos são do elemento Ar. São mentais, intelectuais, buscam conhecimento, cultura, apreciam os estudos e as artes. É possível que surja cumplicidade e afinidade na vida sexual. Libra contribui com sua sensualidade e compreensão, enquanto Gêmeos faz seu companheiro rir e se divertir. O diálogo e as trocas estão garantidos por seus planetas regentes: Vênus (Libra) e Mercúrio (Gêmeos). O grau de entendimento e sintonia tende a superar as palavras – muitas vezes basta um olhar para cada um captar o que se passa na mente do outro. E mais: a parceria de negócios, estudos e projetos criativos tem grandes chances de prosperar. Mas há diferenças a serem superadas para uma relação duradoura. Libra tem mais facilidade para assumir compromissos e gosta de fazer tudo a dois. Os geminianos são mais independentes e não apreciam as cobranças. É essencial que exista amor verdadeiro, sinceridade e confiança, além da certeza de que desejam se comprometer antes do casamento e dos filhos. Gêmeos e Escorpião. Eis um encontro de dois signos com temperamentos e personalidades diferentes. Escorpião é do elemento Água: profundo, intenso, apaixonado, instintivo, magnético e misterioso. Gêmeos é do elemento Ar: eclético, mental, inquieto, adaptável, inconstante e algumas vezes até superficial. No campo sexual, é provável que Escorpião desperte o interesse de Gêmeos, que deve aprender a se entregar com mais profundidade. Já Escorpião precisa cultivar mais leveza e paciência para que exista mais química e intimidade. Se houver fidelidade e respeito, ao longo do tempo viverão ricas e variadas experiências. São signos muito inteligentes e essa parceria tem chance de ser proveitosa profissionalmente, quando cada um preenche as carências e necessidades do outro. Mas atenção: o geminiano tende a se aborrecer com as reflexões escorpianas tão profundas. Ao mesmo tempo, Escorpião pode considerar seu companheiro imaturo e infantil com suas abordagens mais supérfluas. Se quiserem uma união duradoura, devem estar abertos para o crescimento mútuo, o aprendizado constante. Gêmeos e Sagitário. Esta é uma combinação entre signos opostos, porém, curiosamente, complementares. Pode haver muita química e paixão no início, mas, simultaneamente, existem diferenças a serem trabalhadas. Ambos precisam estar predispostos a agir com inteligência e comprometimento para que a relação perdure. Se conseguirem se complementar, ao invés de competirem entre si, o relacionamento tem potencial para funcionar a longo prazo. Sexualmente, é provável uma atração logo à primeira vista. Os dois também gostam de aventuras, liberdade, viagens, conhecimento e sociabilidade. Gêmeos tem a possibilidade de aprender muito com a franqueza, o entusiasmo e a generosidade de Sagitário, que se sentirá atraído pela leveza, adaptabilidade, inteligência, atrevimento e alegria do geminiano. O ponto forte é que sabem respeitar suas individualidades. O perigo, contudo, é valorizarem tanto a liberdade que a relação correrá o risco de esfriar com o passar do tempo. Mas, para evitar isso, eles deverão se apoiar, se compreender e se motivar diante da variedade de desafios que surgirão em suas vidas. Gêmeos e Capricórnio. Temos aqui a união de dois signos com qualidades e personalidades díspares. Gêmeos é mental, inquieto, curioso e dispersivo. Capricórnio é pragmático, perseverante, crítico e exigente. Mesmo sexualmente eles têm gostos diferentes. Capricórnio é mais comprometido e controlado. Gêmeos é mais imediatista. Por isso, é possível que no começo não se entendam muito bem, todavia, se houver paixão e ambos estiverem abertos, com muita conversa conseguirão se conectar. O aprendizado é construir a parceria com respeito a essa diversidade. Aliás, com suas diferenças podem se complementar. Capricórnio com seu senso de estratégia, sua ambição, praticidade e objetividade dará suporte e estabilidade para a criatividade e a originalidade das ideias geminianas. Gêmeos, por sua vez, ensinará ao seu companheiro mais leveza, bom humor e otimismo para que ele não se torne pessimista demais. Em projetos profissionais formam uma boa parceria: são racionais e as trocas intelectuais são muito proveitosas. Juntos têm a chance de chegar longe e alcançar o sucesso. Gêmeos e Aquário. É uma combinação com potencial positivo, já que são signos do elemento Ar: gostam de cultura, viagens e novidades constantes. Juntos, é possível que tenham objetivos similares. Na questão sexual, são mais racionais do que passionais. Portanto, a sintonia se dá mais pelo viés intelectual, pela compreensão e pelo carinho do que por mera atração física. Devem cultivar romantismo, sinceridade e comprometimento para que a união não esfrie e se transforme em amizade. No trabalho, a parceria tende a ser produtiva: Aquário com humanitarismo, originalidade e transparência, e Gêmeos com sua inventividade, capacidade analítica e inteligência. São excelentes comunicadores e apreciam a vida social, mas também necessitam de espaço, de momentos de independência – para eles é fácil respeitar isso. As experiências que viverem separadamente até contribuirão para enriquecer a relação. Tédio e monotonia não são um problema, pois eles estarão sempre prontos para propostas surpreendentes, atividades inovadoras e lugares e pessoas diferentes. Gêmeos e Peixes. Aqui, há mais diferenças do que qualidades em comum. Peixes é um signo de Água: sensível, imaginativo, intuitivo e romântico. Gêmeos é um signo de Ar: independente, mental, inquieto e inconstante. Depois de uma atração inicial, essas diferenças saltam aos olhos. Sexualmente também há tendência para baixa compatibilidade. Peixes, apesar de ser sedutor, se mostrará carente, frágil ou insistente. Por sua vez, Gêmeos se apresentará frio, distante e autossuficiente. Encontrar química na vida íntima será uma tarefa difícil. Mas há alguns pontos em comum: são curiosos, flexíveis, apreciam a cultura, as artes e o conhecimento. Estão sempre abertos para novas ideias e dispostos a mudar de opinião se perceberem que estão equivocados. Tanto um quanto o outro não são signos dominadores, não tentarão moldar o outro ou impor sua forma de ver as coisas. Isso é uma vantagem e pode trazer uma garantia para a construção de uma vida a dois, com base na igualdade de opiniões e de direitos para ambas as partes.
Referência: (1). Sinastria – é uma técnica utilizada na astrologia para verificar o grau de compatibilidade numa relação (afetiva, profissional ou familiar) entre duas pessoas. Esse procedimento faz uso do MAPA ASTRAL, recorrendo aos perfis astrológicos de um indivíduo e seu parceiro. Requer encontrar um profissional, caso deseje realizar o método do mapa, recomendado e capacitado na ciência astrológica. Deve ter registro profissional na instituição ou sindicato que regula a prática em sua região ou estado. www.universa.uol.com.br. Abraço.