quarta-feira, 11 de novembro de 2015

O Amor Liberta. Não Encarcera.

Budismo Nitiren Daishonin. Por Daisaku Ikeda (1928-  ). Para qualquer pessoa saudável, é muito natural apaixonar-se assim como é para as plantas florescer na primavera. Mesmo sendo livres para nos apaixonar ou para nos sentirmos atraídos por alguém e, embora a ninguém seja correto invadir os assuntos alheios, eu gostaria de explicar o quanto é importante não perder de vista o esforço pelo nosso desenvolvimento pessoal. Claro que no amor não há regras, assim como no matrimônio e ninguém tem o direito de restringir o outro de maneira alguma. Mas causa muita pena ver uma mulher envolvida em relações frívolas, vulgares, causadoras de sofrimentos e angústia, quando deveria ser plenamente satisfeita e feliz.  Meu mestre dizia que quando uma mulher estabelece relações partindo de sua própria dignidade, todos os problemas se resolvem. Ao contrário, quando uma mulher adota uma atitude impensada, e toma o amor de maneira apressada, invariavelmente termina por lamentar-se e sofrer. Por suposto, isto não se aplica apenas às mulheres.  Para mim, o amor deveria ser uma força para nos ajudar a expandir nossa vida e fazer emergir nosso potencial com nova vitalidade. Mas, ainda que isto seja o ideal, muito frequentemente perdemos a objetividade ao nos apaixonar. No entanto, há perguntas que vale a pena fazer: "Essa pessoa me inspira desejos de trabalhar mais e melhor ou me distrai do que tenho que fazer? Sua presença me estimula a redobrar a dedicação a minhas atividades, a ser uma pessoa melhor? Ou esta pessoa se converteu no centro de minha vida e tende a obscurecer todo o resto?" Se estão descuidando de sua missão na vida, se devido a uma relação sentimental esquecem o propósito de sua existência como sujeitos autônomos, temo que tenham tomado um caminho equivocado. Em uma relação saudável, cada membro do casal anima o outro a alcançar suas metas pessoais e ao mesmo tempo compartilham os mesmos sonhos e aspirações. Uma relação de amor deve ser motivo de inspiração, vitalidade e esperança. Em vez de construir um relacionamento fechado, um mundo onde só há um lugar para dois, é muito mais saudável que cada um aprenda com as virtudes e qualidades do outro e mantenha o esforço de aprimorar-se e desenvolver-se a si mesmo. Antoine de Saint-Exupéry (1900-1944), autor de O Pequeno Príncipe, escreveu:" O amor não consiste em duas pessoas que olham uma para outra, mas sim em duas pessoas que olham juntas para a mesma direção." Mesmo que alguém use o amor como fuga, a euforia não durará por muito tempo. O choque com a realidade trará dores e tristezas. Dito de outra forma, não há como fugir de si mesmo. Quando uma mulher persiste em sua própria fragilidade interior, o sofrimento a perseguirá por onde quer que ela vá. É duro reconhecer, mas nenhum ser humano pode encontrar a felicidade se não começar por transformar o seu interior. Além disso, a felicidade não é algo que alguém possa dar aos outros; não é algo que o ser querido venha a nos outorgar. Cada um tem que construí-la por seus próprios meios. E a única maneira de fazê-lo é desenvolvendo nossa personalidade e nossos valores como seres humanos, desdobrando-nos ao máximo em nosso potencial interior. Muitas vezes, em nome do amor, sacrificamos nosso próprio crescimento e nossas capacidades, porém, dessa forma, jamais haverá uma felicidade que resulte convincente e satisfatória. Ainda que minhas palavras pareçam estritamente paternais, gostaria de dizer algo sobre as mulheres jovens que têm a tendência a ser vulneráveis à sedução de seu parceiro. Quando isso acontece, a mulher exibe um aturdimento, uma percepção distorcida das coisas, que a leva a se comportar como se houvesse perdido a faculdade de tomar decisões equilibradas e serenas. Como geralmente são as mulheres que saem mais feridas, creio que têm todo o direito do mundo de valorizar ainda mais sua dignidade e a buscar seu bem-estar de forma irrenunciável. Por essa razão, penso ser fundamental às mulheres jovens fortalecerem o respeito em direção a si mesmas e adquirirem uma sólida força interior. Quando uma mulher busca aprovação, constantemente, não faz nada mais do que degradar-se frente a si mesma e às demais pessoas. Se num contexto amoroso, não se sentem tratadas como pede seu coração, espero que atuem com coragem e dignidade: é melhor correr o risco de estar só por um tempo, antes de aceitar uma relação que as façam infelizes. O amor verdadeiro não nos torna dependentes das pessoas. Ele só pode ter lugar entre dois seres humanos fortes e seguros de sua individualidade. Quem possui uma visão egoísta e uma visão superficial da vida só poderá construir relações superficiais. Se querem experimentar o amor verdadeiro, não têm por que submeter-se ao que o outro deseja que façam ou fingir ser quem não são. O amor ideal só é possível entre duas pessoas sinceras, maduras e independentes.
Gratidão e objetivos comuns: os ingredientes para uma convivência feliz.
Como deve comportar-se marido e mulher? Não é uma pergunta fácil de responder. Às vezes, as circunstâncias conspiram de um modo estranho. Vê-se casais que terminaram-se divorciando por causa da riqueza ou de uma vida fácil. Ou ocorre também que um período assinalado por todo tipo de problemas, ao mesmo para quem vê de fora, resulta ser a época de maior felicidade para um casal e motivo do fortalecimento de sua união. Mas a diferença da atração, que muda com o vaivém das situações, do verdadeiro amor, concebido como um vínculo mais profundo que pode unir dois seres humanos, é algo que desenvolve a força de enfrentar tormentas. É claro que isto não significa que uma das partes deva ceder sempre às exigências do outro, ou que a felicidade de um possa construir-se às custas do companheiro. Nem o marido deve ser o centro da relação nem tampouco deva ser a mulher. Em um matrimônio sólido não interessa se alguém ocupa o lugar de liderança, nem quem se sacrifica para que o outro logre o êxito ou a felicidade. Assim como uma bela canção é a fusão harmoniosa entre música e poesia, do mesmo modo a vida em comum requer igualdade entre marido e mulher para que ambos, juntos, possam interpretar a magnífica melodia da vida. Qual é a linda melodia que resulta na união entre dois companheiros de vida? Essa é a pergunta (...). Perguntam-me quais são os principais ingredientes de uma convivência profunda e harmoniosa. Pois bem, remeto-me a minha experiência de vida: as coisas mais importantes são o agradecimento e a existência de um objetivo em comum. Se me permitem uma comparação, as famílias de hoje em dia são como um avião em voo, chacoalhando por causa dos ventos que mudam constantemente: os copilotos têm a responsabilidade de levar o avião ao destino, sem acidentes, para deixar a salvo sua perigosa carga. A estabilidade de um avião em voo exige uma firme direção, uma propulsão potente e um esforço constante. E, como é evidente, para que um avião pouse a salvo é indispensável que ambos copilotos mantenham a vista na mesma direção. Este é um bom momento para contar uma história. Havia uma mulher que levava muito tempo prostrada na cama, com uma profunda depressão. Um médico conhecido da família, bom conhecedor da situação, aviou uma receita e entregou-a ao marido. Quando o homem leu as indicações, surpreendeu-se muitíssimo pois o doutor havia escrito: "Quando seu esposo lhe der o remédio, beba-o depois de dizer-lhe Obrigada, três vezes". Pareceu-lhe uma prescrição meio estranha, mas como estava sublinhada, antes de tomar o remédio agradeceu o marido, de forma especial, três vezes. Então ela se deu conta de que há muito tempo não usava essa palavra para seu companheiro. À medida que começou a pôr em prática esta "terapia do agradecimento", sua saúde e felicidade foram retornando pouco a pouco. Uma humilde expressão de gratidão torna uma pessoa bela, não só de coração mas também o seu aspecto físico. Nem há necessidade de esclarecer que esta lição também se aplica aos esposos!  Os ingleses têm um provérbio que encerra uma certa cota de sabedoria: "Abrir os olhos antes do matrimônio e semicerrá-los depois de casar-se." Tanto o marido como a mulher devem esforçar-se para serem tolerantes, e para terem um coração magnânimo na hora de perdoar as faltas e erros menores que comete o companheiro. Quando alguém é julgado e criticado o tempo todo, custa muito ter desejos de mudança, mesmo sabendo que a crítica é pertinente. Há uma outra história que diz muito sobre o amor entre marido e mulher. Recomendo que leiam o conto "O Presente de Natal", de O. Henry, pseudônimo de William Sidney Porter (1862-1910). Nele o autor conta a história de Della e Jim, um casa jovem e pobre, que vivia em um quarto alugado, quase sem móveis. Era véspera de Natal, e ambos estavam pensando que presentes iam dar um ao outro, como mostra de seu amor. Ela queria presentear seu marido com uma corrente para prender ao relógio de ouro que herdou de seu avô e que lhe causava tanto orgulho. A corrente custava vinte e um dólares mas ela só tinha oitenta e sete centavos. A única coisa que podia vender eram seus cabelos castanhos, de brilho intenso e tão compridos que chegavam até os joelhos. Para Della, como para quase toda mulher, os cabelos são um atributo feminino muito apreciado. Mas fez o sacrifício de vendê-los a um fabricante de perucas e com o dinheiro comprou uma magnífica corrente de prata. Chegou em casa com o coração na boca e aguardou, ansiosamente, o regresso do marido. Quando ele a viu, com uma expressão muito séria, lhe entregou o presente que lhe havia comprado: um par de lindos enfeites de tartarugas marinhas para adornar seus cabelos. Della, então, tratou de consolá-lo assegurando-lhe que eles cresceriam depressa enquanto lhe dava a corrente prateada. Jim desmanchou-se no sofá e lhe disse, com uma risada: "Della, guardemos nossos presentes de Natal por um tempo. São belos demais para que o usemos agora. Vendi meu relógio para comprar-lhe os enfeites". Nesta história, cômica e patética, os presentes são um símbolo do amor profundo que existe entre os dois. Cada um sacrificou algo muito querido para comprar para seu companheiro um presente apropriado. Mas ao trocar os pacotes, veem que não há mais relógio ao qual pendurar a corrente, nem há mais cabelos castanhos para adorná-los com os enfeites. Ambos os presente tornaram-se inúteis para eles. Um casal jovem e moderno diria que se houvessem tomado a precaução de conversar de antemão sobre os presentes, haveriam se prevenido de um gasto inútil. Mas a história põe em relevo algo que transcende esse tipo de lógica calculista: ilustra a beleza do amor profundo entre dois seres que compartilham a vida.
O amor indestrutível irradia a beleza de um destino compartilhado.
O amor pode adotar um milhão de formas distintas. Às vezes, para quem olha de fora, o marido parece ser insuportavelmente autoritário e, no entanto, o casal se mantém unido com um grau de harmonia surpreendente. Em outros casamentos, a mulher sempre parece impor sua vontade, e não obstante, a convivência transcorre fluindo em clima de paz. Na realidade, as aparências externas não são importantes. Tenho sentido, sempre, que quando um casal compartilha durante um longo tempo as alegrias e os dissabores da vida, entre ambos se forma um vínculo muito profundo, que não pode ser cortado por forças externas. Não estou falando do amor direto e aberto que circula num casal jovem, mas de um sentimento muito vasto e profundo, arraigado em um destino compartilhado e construído a dois. Tenho visto este tipo de amor em uns vinte ou trinta casais mais velhos, e tenho sentido a atmosfera de indescritível plenitude e maturidade que estas pessoas irradiam ao seu redor. Nestes casais, não encontraremos as lamentações de certas pessoas idosas. E ainda que tenham tido uma vida difícil, em seu rosto não há indício, nem um tom de tristeza. O que transmitem é uma poderosa sensação de segurança de si mesmas e independência: a que colheram duas pessoas que conseguem atravessar juntas as horas mais difíceis da vida, agradecidas e conscientes do tempo que lhes resta para seguir caminhando juntas. Em uma boa convivência, o apoio do companheiro se baseia na valorização, na confiança e no agradecimento ao invés dos inimigos maiores que atentam contra o desenvolvimento do ser querido: a queixa, o capricho, a crítica e o menosprezo. Qualquer mulher que se baseie numa fé firme e comprometida poderá desenvolver sua sabedoria inata e a manifestará com palavras positivas e calorosas. Se me permitem uma observação, os benefícios de um coração caloroso e encorajador só se têm a longo prazo, mas as consequências de uma atitude fria, ingrata ou queixosa sente-se imediatamente. Nitiren Daishonin (1222-1282) disse que quando somos encorajados e elogiados, desejamos nos sacrificar ilimitadamente e não economizamos esforços para isso. Mas quando somos censurados, o ressentimento nos leva a causar a nossa própria ruína. Tal, disse Budha, é o valor das palavras de encorajamento. A fé se traduz em um coração profundo e sábio, propenso a valorizar o esforço alheio e gerar boa vontade no ambiente ao seu redor. Esta sabedoria encontra expressão de maneiras concretas, e é a que nos conduz a mudar nosso enfoque quando estamos equivocados. Em suma, é o que determina uma diferença crucial para a convivência: a que há entre oferecer soluções e acrescentar problemas. Isso, falo como homem: quando o marido ou mulher chega em casa extenuado e carregado de tensões, ao fim desta "guerra" que é lutar pelo sustento, lhe asseguro que o que mais necessita é atenção, diálogo e encorajamento: estas são as coisas que permitem, no dia seguinte, seguir desdobrando-se em seu esforço e sua capacidade. Ao mesmo tempo, quando os filhos retornam da escola, o que desejam receber é a ternura e a harmonia de sua mãe. Ao escutá-los e abraçá-los com paciência, ela consegue fazer com que sintam que "está tudo bem", ainda que o dia de aula tenha sido povoado de maus momentos e das dores do crescimento. As vezes não saber detectar estas duas funções leva as mulheres a descuidos, assoberbadas que estão pelos atropelos da vida cotidiana. Eu entendo bem a situação: chegam extenuadas pelo dia de trabalho e apenas têm forças para lutar contra o seu próprio cansaço. Não lhes parece justo ter que atender, em primeiro lugar, os outros. O coração de esposa e de mãe se fecha, e isso produz um dano para toda a família, como uma instalação que fica sem um fio ligado à terra. Mas o amor é uma força muito poderosa que a mulher leva consigo. Quando as mulheres saem em busca desse coração e superam as tendências negativas, são elas mesmas as primeiras a se sentirem melhor e, quase de forma instantânea, a família parece voltar a resplandecer e a crescer em equilíbrio. A mulher é, por natureza, protetora da vida e criadora de valores. Por isso protege e defende a paz e a harmonia, consciente do muito que está em jogo. Essa função harmonizadora é um fator primordial para edificar uma convivência frutífera e duradoura. É a chave do casamento e do lar.
A harmonia é felicidade em si mesma.
Se a felicidade é o sentimento a que todos aspiramos em nossa vida individual, então a harmonia é a forma que as pessoas têm de serem felizes quando estão juntas, sejam apenas duas ou uma grande multidão. É a capacidade de harmonizar os quatro estados baixos: Inferno, Fome, Animalidade e Ira. Quando nossa vida joga âncoras em qualquer uma dessas condições subjetivas, não só é impossível harmonizar, como também encontramos um certo gozo perverso no conflito e na desarmonia. Nossa consciência moral nos diz que deveríamos harmonizar, nosso coração nos adverte que estamos sofrendo, mas assim como em todo resto, nos estados baixos sentimos apego pela confrontação e pela discórdia. Quando vivemos sem quebrar os limites que nos impõe nossa debilidade, atuamos e reproduzimos padrões de desarmonia., que não só se referem à conduta, como também às palavras que saem de nossa boca e aos pensamentos que povoam nossa mente. Para criar harmonia não basta fazer uma declaração de vontade nem empreender um esforço intelectual. O desejo espontâneo e genuíno de harmonizar, de ser feliz com os outros, só é possível quando elevamos o estado de Vida. Neste desafio permanente, cada mulher faz emergir os recursos da Budhicidade que leva consigo. Na realidade, a harmonia entre os seres humanos não é um estado exterior nem é uma função das circunstâncias, senão o esforço que nasce em cada um de nós. Por isso, mais que a harmonia, o que conta é a capacidade de sua conquista que exige um trabalho permanente de autodisciplina e de estrita observação interior. A ausência de harmonia produz angústia e incerteza no coração da mulher. E sua causa fundamental é a ruptura entre o "eu" e o resto do mundo. Quando estes laços se quebram, o espírito cai até os estados mais baixos. As situações cotidianas se enchem de sofrimento e as relações se contaminam de inimizade. A harmonia, pelo contrário, produz uma alegria indescritível. O Sutra de Lótus elege uma imagem perfeita para descrever a harmonia, quando mencionamos a sincronia entre a dança e a música. Nenhum de nós existe só; todas as pessoas que nos rodeiam são parte de nós mesmos. Já que somos nós mesmos quem geramos e definimos nosso meio ambiente circundante, nosso coração "salta de júbilo", "nos colocamos de pé e nos lançamos a dançar", e assim "brincamos de felicidade". A verdadeira harmonia jaz dentro da mulher. Não é algo que devemos esperar dos outros nem que possa mandar que os outros a tenham. Por isso, o presidente Josei Todda dizia: "A chave da união harmoniosa jaz no espírito de levantar-se por decisão própria, sem depender de nada e nem de ninguém." Extraído do livro A Arte de Ser Humano, 1998. Abraço. Davi.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Conceito Teosófico de Antakaran.



O conceito de antakarana coletivo não pode ser encontrado com facilidade na literatura teosófica.  No entanto, a existência de fato de ligações coletivas dos seres humanos com os níveis superiores de consciência é relativamente fácil de perceber.  De acordo com a edição original do Glossário Teosófico, a palavra sânscrita Antahkarana ou Antaskarana significa “o caminho ou ponte entre o Eu Superior e a Mente inferior; ou entre o Eu divino e a alma pessoal do homem”. Visto em si mesmo, o conceito se refere à vida individual; mas não existe uma verdadeira  separação entre os seres. As linhas de evolução individual e coletiva interagem entre si o tempo todo, e fazem isso em vários níveis e sub níveis de consciência. Os indivíduos humanos influenciam uns aos outros, estimulando ou dificultando  mutuamente a conexão de cada um com seu Eu Superior. Em cada sociedade há características culturais, atividades coletivas e mesmo instituições que estimulam, ou colocam em perigo, o funcionamento dos Antahkaranas individuais. Existem outros fatos. Há também o impacto coletivo causado pelo trabalho de cada buscador da verdade cuja alma imortal é experiente. A História antiga e moderna mostra que as vidas de seres espiritualmente adiantados têm um impacto definido sobre o carma coletivo, às vezes durante longos períodos de tempo. Os grandes sábios criam pontes que ligam-se a fluxos ou correntes superiores de consciência. Deste modo eles mudam para melhor, de dentro para fora, as vidas de milhões de pessoas; e estas pessoas,  por sua vez, melhoram a vida mental e emocional da humanidade inteira. Quando pensamos com calma sobre isso, podemos ver que um conceito amplo, flexível e abstrato de “Antahkarana Coletivo” faz sentido. A vida de Helena P. Blavatsky no século 19 é um bom exemplo. O impacto causado por ela na história humana foi rigorosamente documentado por Sylvia Cranston (1915-2000). Os ensinamentos de Helena P. Blavatsky (1831-1891). e a Escola de Pensamento que ela deixou ao morrer em 1891 estão permeados de um magnetismo que vem de fontes superiores e pertence a níveis universais de consciência. A qualidade e a importância do magnetismo que emana através das obras de H. P. Blavatsky resulta do fato de que ela era uma representante direta daqueles sábios que são chamados de Imortais no Taoísmo, Rishis ou Jivanmuktas no Hinduísmo, Arhats  no Budismo, e Raja-iogues, Mahatmas, ou Adeptos, em filosofia esotérica. No século 21, a presença e a influência dos escritos de Blavatsky. são uma parte central da ponte coletiva entre consciência material e consciência superior. O trabalho dela também constitui uma “ponte”  para  estágios futuros do desenvolvimento humano. É claro que a corrente mais profunda do Oceano da vida  não inclui todo o Movimento Teosófico ou esotérico. Grande parte do Movimento é Teosófico apenas no nome; e a vida mostra que nenhum rótulo externo pode garantir a autenticidade de alguma coisa. A literatura teosófica deixa este ponto muito claro. São os poucos que fazem a diferença, e o seu exemplo pode ser seguido por números maiores de pessoas, em certas circunstâncias. A maré do Carma é sempre oscilante. Enquanto Blavatsky, trabalhava pela humanidade, ela era rodeada por um vasto campo magnético. As energias superiores que havia em torno dela ficavam impressas em quase tudo que ela dizia ou escrevia. A aura de Blavatsky. transmitia um pouco da sabedoria eterna a cada situação em que ela se envolvia. Alice Cleather,  sua discípula direta,  descreveu o impacto que Blavatsky, causava nas pessoas e na sociedade: “A verdadeira Blavatsky. era como uma Luz trazida para um lugar escuro cheio de criaturas que gostam mais da escuridão que da claridade. Instantaneamente, como insetos atraídos por uma lâmpada, todos os habitantes deste local escuro que é a nossa Terra, o reino da ilusão (....), eram irresistivelmente atraídos para perto dela. Eles não só escureciam a Luz, e fizeram isso intensamente, mas também, em 1891, finalmente  destruíram a lâmpada, isto é, a lâmpada foi retirada do nosso meio, retornando ao reino de onde tinha vindo.” Alice Cleather narrou da seguinte maneira o momento em que viu Blavatsky. pela primeira vez, em Lansdowne Road, Londres, em 1887: “Quando fomos recebidos na famosa sala de visitas dupla, no andar térreo, a minha atenção imediatamente ficou fixada na figura de uma mulher corpulenta de meia idade, sentada com as suas costas junto à parede, diante de uma mesa de cartas, aparentemente jogando Paciência. Eu nunca tinha visto uma cabeça e um rosto tão impressionantes. Quando ela levantou os seus olhos e seu olhar cruzou com o meu, enquanto o Sr. Keightley nos apresentava, eu senti um nítido choque. Extraordinariamente penetrante, o seu olhar literalmente abriu um "buraco" através do meu cérebro. Ela olhou firmemente para mim durante alguns segundos (durante os quais senti grande desconforto), e depois, voltando-se para o Sr. Keightley, disse com um jeito indignado: "Você nunca me disse que ela era assim!", enquanto ignorava absolutamente as afirmativas dele de que ele havia informado a ela. O que significava, exatamente, a palavra assim é algo que eu nunca vim a saber. É deste modo que fui apresentada à maior alma encarnada dos nossos tempos. Mas naquele momento inicial eu só percebi que ela fazia as pessoas prenderem a respiração, e que "a vida nunca mais seria a mesma outra vez". A partir daquele momento eu me tornei sua discípula devotada....”. O impacto esclarecedor do trabalho de Blavatsky. pela humanidade fragiliza e destrói vários níveis de rotina, e a reação contra elea tem sido forte. Em consequência disso, desde a década de 1880, os Teosofistas têm tido que defender Blavatsky, e os ensinamentos dela contra numerosos ataques vindos de religiões dogmáticas, e também de dentro do próprio Movimento Teosófico. A vida é um processo probatório. Todo estudante de Teosofia deve enfrentar testes. A ignorância organizada se sente em perigo diante da sabedoria,  e toma providências no sentido de neutralizar os que vivem e transmitem o conhecimento elevado.  O lendário Evangelho cristão narra este processo. De Pitágoras de Samos (571 AC 495) a Apolônio de Tiana (15-100), de Alessandro Cagliostro (1743-1795) a Blavatsky (1831-1891), os ataques contra os Mensageiros da verdade visam prejudicar as fontes de inspiração divina. A ideia de um Antahkarana Coletivo aparece na Bíblia judaica, que depois os cristãos adotaram como se fosse sua. Podemos vê-la na imagem simbólica da Escada de Jacó. Gênesis, 28:11-13, narra a história de como Jacó vê uma escada para o céu: “Tendo chegado a um certo lugar, ali passou a noite, pois o sol havia se posto. Tomou uma das pedras do lugar como seu travesseiro e se deitou ali mesmo para dormir. E sonhou, e no sonho viu que estava colocada na terra uma escada cujo topo atingia o céu, e que os anjos de Deus subiam e desciam por ela”. Os Anjos são os Mensageiros dos deuses entre os seres humanos. Eles habitam a Escada Divina, o elo vivo é inquebrantável entre os Mestres e os seres humanos. Há uma outra metáfora, na literatura Teosófica, que serve para descrever este mesmo fato oculto. Na obra A Voz do Silêncio da autoria Teosofista que temos citado, um aspecto mais elevado do Antahkarana Coletivo é  descrito como um “Muro de Proteção”.  Ali vemos estas palavras sobre o caminho do sacrifício trilhado pelas grandes almas: “Condenado por ti mesmo a viver durante futuros Kalpas, sem agradecimento e sem ser percebido pelos homens, encaixado como uma pedra entre as outras incontáveis pedras que formam o "Muro de Proteção", este será o teu futuro, se passares pelo Sétimo Portão. Construído pelas mãos de muitos Mestres da Compaixão, erguido pelas suas agonias, cimentado com o seu sangue, este muro defende a humanidade desde que o homem é homem, protegendo-a de misérias e sofrimentos muito maiores. E no entanto o homem não o vê …”. Em uma nota explicativa,  Blavatsky escreve o seguinte sobre o Muro de Proteção: “O ensinamento afirma que os esforços acumulados de grande número de gerações de Iogues, Santos e Adeptos, e especialmente de Nirmanakayas, criaram de certo modo um muro de defesa ao redor da humanidade, que a protege invisivelmente de males ainda maiores do que aqueles que são percebidos".  A ideia é complexa e transcende todas as metáforas usadas para descrevê-la. A imagem de um Muro de Defesa, assim como a ideia de uma escada para o céu ou o conceito de Antahkarana coletivo, são símbolos do processo multidimensional que faz a ligação prática da humanidade com a consciência planetária superior. No clássico Teosófico “Luz no Caminho” encontramos uma referência a este fato básico da vida: “Quando tiveres encontrado o começo do caminho, a estrela da tua alma mostrará sua luz; e por esta luz perceberás como é grande a escuridão em que ela brilha. Tanto a mente como o coração e o cérebro são escuros até que a primeira grande batalha tenha sido vencida. Não fiques assustado nem aterrorizado por esta visão; mantém os teus olhos fixos na pequena luz e ela crescerá. Mas permite que a escuridão em teu interior te ajude a compreender o desamparo daqueles que não viram a luz, e cujas almas estão em escuridão profunda. Não os acuses, não te afastes deles, mas tenta erguer um pouco do pesado Carma do Mundo; dá a tua ajuda às poucas mãos fortes que impedem a vitória completa das forças da escuridão".  De fato, algumas mãos fortes de Sábios, Mensageiros e Discípulos mantêm uma ligação aberta entre a Sabedoria Eterna e o carma comum da humanidade. A vida de Blavatsky. foi dedicada a ampliar esta conexão viva. Em maio de 1891, as palavras que ela disse imediatamente antes de morrer revelam que ela considerava a “escada oculta” entre Mestres e Seres Humanos como algo que, em parte, dependia dela. As últimas palavras de Blavatsky. estão registradas em um texto publicado três anos após a sua morte: “Em 1890 a Sede Central foi transferida para Avenue Road, 19 em Londres; no ano seguinte Blavatsky. nos deixou, e a sua última mensagem (....)  foi dada à Sra. Isabel Cooper-Oakley (1853-1914) na penúltima noite antes dela morrer. Às três da manhã ela abriu os olhos e disse: "Isabel, Isabel, mantenha o elo vivo; não deixe que minha última encarnação seja um fracasso". O elo que devia ser mantido vivo é a ligação global entre as consciências humanas e as inteligências divinas, no Movimento Teosófico.  Em sua extraordinária biografia de Helena Petrovina Blavatsky, Sylvia Cranston (1915-2000) comenta outro aspecto destas palavras: “Com última, ela, aparentemente, não queria dizer a sua encarnação final, o que seria contrário a um dos ensinamentos básicos de A Voz do Silêncio, resumido no voto de Kwan Yin, a deusa Budista da Compaixão, que diz: "Nunca buscarei nem aceitarei uma salvação individual e particular; nunca entrarei sozinha na paz final; mas sempre e em todo lugar viverei e lutarei pela redenção de cada criatura em todo o mundo".  As palavras de Cranston expressam algo que é quase consenso entre estudantes experientes de Teosofia original: a  individualidade conhecida no século 19 como Blavatsky não deixará de ajudar a humanidade. A “última encarnação” a que ela se referia não era a encarnação que ela estava encerrando em 1891, mas a encarnação seguinte. E a palavra “última”  pode significar, mais precisamente, “última antes de atingir o Nirvana, o estado que liberta a alma da reencarnação inconsciente”. O conteúdo do Compromisso de Kwan Yin é muito similar à descrição do Muro de Proteção em “A Voz do Silêncio”, mencionada alguns parágrafos acima: “Condenado por ti mesmo a viver durante futuros Kalpas, sem agradecimento e sem ser percebido pelos homens, encaixado como uma pedra entre as outras incontáveis pedras….”. A literatura teosófica contém outras referencias à ponte coletiva que liga o reino humano ao reino divino.  Em seu livro “A Chave da Teosofia”, Blavatsky  escreveu sobre a Escola Esotérica que ela fundara em 1888. Quando Blavatsky morava em Londres, esta Escola tinha um “grupo interno”, e eram tomadas notas durante suas reuniões. No relatório da reunião do Grupo Interno de 12 de novembro de 1890, podemos ver esta afirmativa aparentemente enigmática: Blavatsky disse que o Grupo Interno é o Manas Superior da Sociedade Teosófica, a Escola Esotérica. é o Manas Inferior, e a Sociedade Teosófica, o quaternário". Vale a pena observar esta frase com calma. Manas (o nível mais filosófico e abstrato da mente) e Manas Inferior (a Mente voltada para coisas concretas) contêm o centro de  Antahkarana.  Portanto, Blavatsky estava dizendo  implicitamente que o Movimento Teosófico, a Escola Esotérica e o Grupo Interno formavam, naquele momento, algo similar a um Antahkarana coletivo. Vejamos mais um exemplo. Nas Cartas dos Mahatmas,  há estas palavras de um Mestre: “Embora separados do seu mundo de ação, nós não estaremos inteiramente afastados dele enquanto a Sociedade Teosófica [isto é, o Movimento Teosófico] existir". Aqui, o Movimento Teosófico é visto como uma ponte.  E há uma referência em uma carta de H. P. Blavatsky, em que ela escreveu: “Willam Quan Judge (1851-1896) é o antaskarana entre os dois Manas, o pensamento norte-americano e o pensamento indiano ou, mais precisamente, o conhecimento esotérico de além dos Himalayas". Blavatsky via com clareza o papel que William Judge estava cumprindo na construção de um vínculo espiritual permanente entre as Américas e a filosofia esotérica oriental.  E tal construção não terminou. Em todas as épocas, a  ligação vertical  entre céu e terra necessita constante atenção das pessoas de boa vontade que percebem a sua importância. A sua construção, sua preservação e expansão são realizadas por uma corrente ininterrupta de “mensageiros” de vários graus de desenvolvimento, que nascem no mundo geração após geração, século após século. Discípulos avançados podem nascer repetidamente com intervalos curtos entre uma encarnação e outra, e Blavatsky sugeriu em “A Doutrina Secreta”: “No século vinte, algum discípulo melhor informado, e muito mais adequado, pode ser mandado pelos Mestres de Sabedoria para dar provas finais e irrefutáveis de que existe uma ciência chamada Gupta Vidya; e de que, assim como as nascentes antigamente desconhecidas do rio Nilo, a fonte de todas as religiões e filosofias hoje conhecidas no mundo ficou esquecida e perdida para a humanidade, mas agora é, finalmente, reencontrada.  “No final do século XX”, ela escreveu, O Mensageiro, aparentemente, não veio. Mas os Mestres não têm necessidade de revelar de público o ritmo exato em que flui o esforço deles pela humanidade. Podemos ficar contentes com os pequenos elementos de informação que conseguimos reunir sobre este trabalho.  Na citação acima, temos a palavra de Blavatsky de que outro Mensageiro pode ser mandado. Ela não dá certeza. Não temos direito de reclamar, se tivermos de esperar outros cem ou duzentos anos. Devemos ver como um privilégio o cumprimento das tarefas que estão diante de nós,  enquanto compreendemos que a nossa vida individual é parte de um esforço muito maior, situado num horizonte imenso de tempo. William Judge (1850-1899) escreveu em um artigo: “H.P. Blavatsky assinalou claramente na conclusão de "A Chave" que o plano é manter a Sociedade Teosófica [isto é, o movimento]  como um corpo ativo, livre, não sectário, durante todo o tempo de espera do novo grande mensageiro, que será ela própria, sem a menor dúvida". Todo estudante sincero pode ajudar neste projeto.  Se as palavras de Judge estão corretas, a mesma Mônada ou Eu Superior que animou Blavatsky pode vir novamente ao mundo mais cedo ou mais tarde para completar a tarefa,  e terá que usar pelo menos parte do conjunto de Skandhas ou patrimônio cármico deixado para trás quando Blavatsky  morreu em 1891.  E, de fato, referindo-se ao Movimento Teosófico, H. P. Blavatsky. escreveu: “Ele tem o meu fluido magnético". De fato, a Teosofia ensina que o Carma gira em torno de afinidades.  A Sabedoria Universal surge do auto-esquecimento no trabalho altruísta. Qual é, então, a nossa responsabilidade prática como estudantes? Os Teosofistas estão a cargo da tarefa humilde de preservar e expandir o trabalho comum como um processo vivo. E isso é mais do que suficiente.  Cada estudante é um Mensageiro, dentro das suas possibilidades. Pode ser uma tarefa extremamente estimulante o desafio de preservar aqueles ensinamentos e padrões de vibração que um Mensageiro maior, ao reencarnar algum dia, terá de enfrentar, selecionar, adaptar e usar outra vez, em seu trabalho pelo bem da humanidade.  Mas a verdade é que este patrimônio cármico ajuda, agora mesmo, todos os dias, cada novo e pequeno mensageiro que se soma à busca solidária em qualquer país do mundo. Todo estudante é beneficiado por ele. Desta forma,  a escada de Jacó ou muro de proteção se expande num ritmo natural, sem que a tarefa comum fique prejudicada pela espera paralisante de um personagem extraordinário. Minha opinião. Essa ideia final do texto, compreendida nesse caso, como uma futura reencarnação para a continuação da obra da senhora Blavatsky, é desenvolvida na maioria dos arquétipos do inconsciente religioso, observado nas tradições espirituais de muitos povos. Exemplificando temos os cristãos que aguardam a volta de Cristo para estabelecer seu reino de justiça e paz aqui na terra, onde eles, como salvos e representantes da igreja, reinarão no plano espiritual sobre as nações do mundo. Em Atos 1;9 é dito: "E, quanto dizia isso, vendo ele, foi elevado as alturas, e uma nuvem o recebeu, ocultando-o a seus olhos. E, estando com os olhos fitos no céu, enquanto ele subia, eis que junto dele se puseram dois homens vestidos de branco. Os quais lhes disseram: Homens galileus, por que estais olhando para o céus? Esse Jesus, que dentre vós foi recebido em cima no céu, há de vir assim como para o céu o viste ir. Então voltaram para Jerusalém, do monte chamado das Oliveiras, o qual está perto de Jerusalém, a distância do caminho de um sábado". Os muçulmanos acreditam que Muhammad (Maomé), retornará no espírito de um profeta que se levantará entre seus proeminentes Imã, Mulláh, Ayatoláh ou Mensageiro, num tempo ainda não determinado para estabelecer a paz e fraternidade mundial. A crença de que assim como Muhammad ascendeu aos céu na planície (num monte) de Medina, Arábia Saudita ele voltará corporificado, ressurreto para continuar seu ministério pastoral e espiritual; esse evento religioso e místico é chamado na tradição Islã de Mi'raj; o impressionante é que Medina e Meca as duas cidades sagradas do Islã estão praticamente juntas. Em Meca Maomé teve várias visões de Alláh, recebendo sua revelado numinosa, desse modo, escrevendo o Alcorão. Os judeus antes de Cristo já pensavam que o Messias, Massiach, viria a terra para cumprir a promessa de Yave de implantar seu reino de paz e prosperidade no mundo, onde o povo de Israel seria a nação que conduziria todos à plena adoração á Yavé ou D' us. Esse sentimento messiânico move os judeus atuais com muito fervor e ardorosa esperança; uma crença trazida desde os primórdios de sua história. No budismo se fala da encarnação de um novo Budha; evidentemente uma possibilidade latente, mas que não se pode precisar o tempo. O hinduísmo traz também forte este sentimento da encarnação de Krishna; até se conceitua que Budha é uma encarnação de Krishna, havendo concordância nessa premissa entre as duas religiões. Os tibetanos na sua religião chamada Lamaísmo ou Budismo tibetano são os que mais praticam e promovem esse conceito ancestral arquetípico, onde os Dalai Lamas das atuais encarnações são a continuação, do Budhado segundo eles, dos Iluminados que os antecederam. Assim Tenzin Gyatso (1935-   ) é o 14º Dalai Lama, sendo o atual líder espiritual e religioso dos tibetanos, de uma linhagem que começou com Gedun Truppa (1391-1474). Os aspectos acima são para comprovar que as religiões e filosofias espirituais universais têm em sua essência, a mesma procedência e convergem para pressuposto e enunciados comuns. http://www.filosofiaesoterica.com.br. Abraço. Davi. 

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Bhagavad Gita. Os Três Tipos de Fé. Shraddha.



Comentário de Shri Mataji Devi. Nesse 17º capítulo Arjuna pergunta acerca da posição daqueles que adoram Deus com fé. Em resposta a isso, o Senhor Krishna descreve os três tipos de fé baseadas nas três Gunas e afirma que o caráter de um indivíduo é determinado pela sua fé. A fé do ser humano é determinada pela dominância de uma ou de outra das três qualidades da natureza; vale dizer, Sattva, Rajas e Tamas. As suas preferências em relação aos objetos de adoração, aos alimentos, às atividades, etc; dependerão do tipo de sua fé (Shradha). Tudo aquilo que é feito sem orgulho, mas cuja motivação é o bem dos outros e leva em consideração a graça de Deus é algo com as caraterísticas de Sattva, ou seja, pureza e equilíbrio. Tudo aquilo que é buscado ou feito com desejo, com vaidade ou com a busca de recompensas tem as peculiaridades de Rajas, ou seja, paixão e agitação. Tudo aquilo que é realizado com indiferença, com má vontade ou impensadamente é Tamas. Tal conduta é fútil em relação à evolução mais elevada do ser humano. Os versos de 23 a 28 tratam das sílabas sagradas OM, TAT e SAT, que indicam uma mentalidade impregnada de espiritualidade. Seja o que for que um indivíduo oferecer a Deus, proferindo essas sílabas, promoverá o seu progresso espiritual. Todos os rituais, todos os sacrifícios e todas as ações caritativas não produzirão quaisquer efeitos se não forem alicerçadas pela fé. Segue a Escritura Sagrada. “Então dirigiu Arjuna ao Divino Mestre esta pergunta: Qual é a condição e o estado daqueles homens que com fé oferecem sacrifícios, embora menosprezem os preceitos da Lei escrita? É de Sattwa, Rajas ou Tamas? Respondeu Krishna, o Sublime: De três tipos é a fé inata nos encarnados: pura, passional e tenebrosa (Sattwica, Raj´stica e Tamástica). Escuta o que delas passo a dizer-te. A fé de cada um, Oh príncipe! Reflete o caráter ou a natureza do homem. A fé constitui o homem: assim qual seja a sua fé, tal será o homem. Os homens nós quais predomina a Sattwa veneram seres espirituais elevados, dando-lhes os nomes de deuses e santos; os mais adiantados adoram a Mim, o Deus único. Ao homens rajásticos veneram heróis e outros seres espirituais poderosos. Os tamasicos dirigem o seu culto aos espíritos inferiores, demônios e espectros. Atormentado os elementos vivos nos seus corpos, a Mim mesmo Me atormentam, e associam-se aos demônios. De três espécies são os alimentos apreciados pelos homens, e também de três são os sacrifícios, as austeridades e as esmolas. Escuta como se distinguem. O alimento mais agradáveis ao homem puro é aquele que aumenta a vitalidade, o vigor, a saúde. Preserva da doença, e traz o contentamento e a calma de espírito. Tal alimento tem bom sabor, mata a fome, não é nem demasiado amargo, nem demasiado azedo, nem salgado demais, nem muito quente, picante ou adstringente (contrai, aperta). Os homens rajásticos preferem o que é amargo, azedo, ardente, picante, bem salgado e fortemente temperado. Que lhes excite o apetite e estimule o paladar, porém, finalmente lhes acarreta moléstias, dores e enfermidades. Os homens tamásicos apetecem alimento rançoso, estragado, insulso, putrefato, corrompido e ainda as sobras de comida e outras imundícies. Quanto aos sacrifícios e oferendas, eis a distinção: o homem sáttwico oferece o sacrifício conforme as prescrições das Escrituras, sem desejar recompensas firmemente convencidos de que estão cumprindo um dever. O homem rajásico adora e oferece sacrifícios com a esperança de obter uma vantagem, preferência, prêmio ou recompensa, ou por motivos de vaidade e ostentação. O tamasico pratica os atos de adoração e apresenta oferendas com fé, sem devoção, sem pensamento ou reverência, só porque quer seguir o costume. Eis agora as três espécies de penitência, que são: a penitência corporal, lingual e mental. A penitência corporal consiste em respeitar os seres celestes, os homens santos os iluminados. Os Mestres e guias do conhecimento, os sábios e ser honesto, reto, casto e manso. A penitência lingual consiste em prece silenciosa, e em falar com gentileza e mansidão afavelmente, evitando todas as palavras ofensivas, dizendo o que é verdadeiro e justo. A penitência mental consiste no contentamento e na igualdade de ânimo, temperamento moderado, discrição, devotamento, domínio das paixões e pureza da alma. Estas três espécies de penitência, praticadas com boa fé pelos homens amantes de Deus, que não as fazem com motivos egoístas, pertencem a Sattwa. A penitência, praticada pelos hipócritas e com a esperança de obter vantagens pessoais, honra e boa fama, pertence a Rajas. Esta é incerta e inconstante. A penitência motivada pro algum fim insensato, para atormentar-se a si mesmo ou fazer mal aos outros, pertence a Tamas. Quanto à prática de caridade, também é de três modos. Quando se dá esmola ou auxílio a uma pessoa digna, que não pode retribuí-lo, pelo sentimento de dever, em lugar e tempo próprios, é um ato sáttwico. Quando se dá um presente com a esperança de obter, por isso, recompensa ou vantagem, ou quando se dá com repugnância, é um ato rajástico. E quando se dá esmola sem afabilidade, com desprezo, em lugar e tempo impróprios, ou quando se dá um indigno, é um ato tamástico. AUM – TAT – SAT. Este é o tríplice nome de Brahma. A tríplice designação do Absoluto. A esta força devem a sua existência os mestres e iluminados, as Sagradas Escrituras e a Religião. Por isso, aqueles que conhecem Brahma, pronunciam sempre a palavra AUM, que significa o Eterno Poder Supremo; antes de praticarem qualquer ato religioso ou antes de darem esmola. TAT é o símbolo que indica que todos os entes tem o seu ser eternamente em Deus. Pronuncia-se na prática de vários sacrifícios, penitências e obras de caridade, para evocar a ideia de Unidade. SAT significa verdade e bondade, e pronuncia-se quando se pratica uma boa ação ou quando se observa uma boa qualidade. Por isso, designa-se com a palavra SAT a perseverança, em sacrifício de si mesmo, penitência, renúncia, adoração mental e caridade, e tudo relativo a estes fins. Tudo, porém, que se faz sem fé e sem boa vontade, seja sacrifício, mortificação da carne, abstinência ou esmola chama-se ASAT (nulidade) e não tem valor ou mérito, nem neste mundo nem no outro”. Abraço. Davi.

sábado, 7 de novembro de 2015

Os Mestres de Sabedoria.



Abordarei nesse tópico um assunto que desde os primeiros anos de criação da Sociedade Teosófica (1875) vem sendo discutido e investigado pelos interessados na ciência oculta. Na verdade a Senhora Helena Petrovna Blavatsky (1831-1891) tinha contato permanente com esses Mestre, Mahatmas ou Avatares trocando com eles correspondências ou participando de fenômenos para normais em situações que se exigiam a afirmação categórica do ocultismo como ciência esotérica. A doutrina Teosófica em seus primórdios não foi bem entendida pelos lideres espíritas da época como Emanuel Swedenberg (1688-1772) com as obras publicadas Do Inferno, Do Céu e dos Anjos,  e Quatro Doutrinas. Vindo a seguir o expoente desse pensamento Hippolyte Leon D. Rivail mais conhecido com o pseudônimo de Allan Kardec (1804-1869) com seus títulos O Livro dos Médiuns, O Livro dos Espíritos, O Evangelho Segundo o Espiritismo, A Gênese, O Céu e o Inferno. Um de seus principais colaboradores o Italiano Afonso Angelli Torterolli (1849-1928) tradutor de várias obras de Allan Kardec para o português e outras línguas, foi um dos pioneiro na pesquisa científica dos fenômenos para normais mais notoriamente a mediunidade. Assunto que antes costumava ser considerado inadequado para uma investigação desse tipo pois esses autores colocavam a mediunidade como produtora dos fenômenos extra mundo e os guias (espíritos desencarnados) de pessoas já falecida, eram as que realizaram os feitos de telepatia, telecinese, projeção de consciência, para psicologia e outros. A Teosofia não entende que a mediunidade é prerrogativa de espíritos desencarnados que  invocados em sessão espíritas, voltam em corpos físicos ou fantasmagóricos para atuarem em certas atividades para normais expressando poderes do mundo oculto aos espectadores humanos do mundo relevado. Um dos revezes desse fenômeno é que o espírito controla a mente e emoção do recebedor da entidade, ficando este a mercê do êxtase e sem condições de exercer sua autonomia individual, supostamente subordinado ao espírito possuidor. Registramos com louvor a meritória (fraternidade e humanismo) obra desenvolvida pelo Espiritismo principalmente nos países do ocidente. Trabalhando com voluntariado aos necessitados e menos favorecidos da sociedade em creches infantil, hospitais públicos, privados e santas casas (hospitais mantidos pelo poder público com ajuda de particulares). Além de assistência a presidiários e drogados nas ruas dos grandes centros urbanos. A mediunidade espírita tem alguns princípios no incidente bíblico em que o rei de Israel Saul vai consultar um vidente na cidade de En-Dor mostrado em Gênesis 28: 7-12 "Então disse Saul aos seus criados: buscai-me uma mulher que tenha o espírito de feiticeira, para que vá a ela e a consulte. E os seus criados lhe disseram: eis que em En-Dor há uma mulher que tem o espírito de adivinhar. E Saul se disfarçou e vestiu outras roupas e foi ele com dois homens e de noite chegaram a mulher e disse: peço-te que me adivinhes pelo espírito de feitiçaria, e me faças subir a quem eu te disser. A mulher então lhe disse: a quem te farei subir? E ele disse: faz-me subir a Samuel. Vendo pois a mulher a Saul gritou em alta voz e falou a Saul dizendo: Porque me tens enganado pois tu mesmo eis Saul?". Esse trecho bíblico traz alguns esclarecimentos, penso, com relação a mediunidade pois Saul perturbado, foi procurar auxílio naqueles que ele havia banido da Terra de Israel os videntes e magos ocultistas sendo motivado pela perde de contato com Deus que lhe falava anteriormente pelos profetas e através de sonhos. O disfarce do rei Saul descoberto pela vidente mostra que seu coração não estava puro, pois usando um artifícios para dissimular a real situação depreciava sua condição de autoridade como soberano. Não há quanto a esse texto nenhum consenso entre os teólogos bíblicos se aquele que aparece a Saul (1049 AC 1004) é realmente o profeta Samuel ou não. Mas podemos conjecturar que dentro de um ambiente de impureza e mascaramento onde se vê o egoísmo da personalidade humana querendo satisfazer seu interesse particular, não tem como um corpo astral em seu magnetismo superior de individualidade atuar de uma maneira sóbria e imparcial num contexto de negativismo moral e ante ético como o que Saul expressava. Assim opino que esse espírito não era uma encarnação do profeta Samuel (1103 AC 1014) tanto que os renascimentos futuros são um período longo já que esse santo místico procurou a pureza e santidade para com seu Deus. Sua aparição é inverossímil nesse contexto de satisfazer um capricho de alguém que estava afastado de Deus, envolto em seu egoísmo e pensando apenas em seus interesses, desprezando o povo que estava sob seu governo. Samuel tinha morrido a poucos anos, então, considero que a teoria da mediunidade onde espíritos desencarnados voltam recentemente parece não ter base esotérica científica. Entendo que a Teosofia caminha pela vertente dos fenômenos psíquicos baseado em nossa individualidade manifestada em aspecto superior  pelo corpo astral e mental,  onde a alma humana e a alma divina se misturam realizando as aparições sobre humanas. Sendo essas situações explicadas pela ciência esotérica como uma construção feita no mundo invisível com um correspondente no mundo visível. No caso específico citado acima não havia uma relação entre o espírito que se mostrou e o profeta falecido. São aprendizagem de técnicas ocultas daqueles que como iniciados dos mistérios esotéricos trazem para o mundo das aparências objetos, realizam transcrições de cartas ocultas, fazem criptografias de mensagens e materializam pequenas coisas do cotidiano das pessoas. Assim podemos pensar num misticismo científico que a evolução proporciona a partir do desenvolvimento da consciência humana com seu infinito poder de investigação e pesquisa para o bem da humanidade e da coletividade fraternal. Não estou dizendo que os espíritas estão errados, apenas trazendo evidencias argumentativas para um possível posicionamento do leitor quanto a essa questão. Mas pondero que cada um deve procurar sua linha de raciocínio naquilo que achar mais conveniente e dentro da tradição espiritual que já pratica, percebendo se essa situação tem levado sua vida interior a uma evolução no aspecto emocional e individual rumo ao Logos Divino. Se contrariando as evidencias  há dúvidas e desconforto quanto a esse posicionamento, sugiro que está na hora de rever a situação e procurar um terreno mais sólido e firme para dar seus passos dirigindo-se a senda espiritual mais adequada. Agora falemos dos Mestres ou Mahatmas especificamente e iniciarei com um trecho do livro O Mundo Oculto de Alfred P. Sinnett (1840-1921). "Com isso eu registrei todos os fatos externos relacionados às revelações que tive o privilégio de fazer. A porta que dá para o conhecimento oculto continua entreaberta e ainda é permitido que peregrinos do mundo externo possam ultrapassar seu umbral. Esta possibilidade se deve a circunstâncias excepcionais e pode não continuar por muito tempo. ( ... ) Alguns leitores que estão interessados, mas que tardam a perceber quais medidas práticas podem adotar, podem também perguntar o que lhes é possível fazer para aproveitar essa oportunidade. Minha resposta guia-se pela famosa afirmação feita por Sir Robert Peel (1788-1850): Participe, participe, participe! Dê o primeiro passo na direção de apresenta uma resposta à oferta que emana no mundo oculto". Alfred Percy Sinnet (1840-1921) foi um dos primeiros presidentes da Sociedade Teosófica em Simla na Índia que se correspondia com um Mahatma ou Mestre da Sabedoria de nome Koot Hoomi.  Esses eventos são relatados no livro supra citado. Sinnet no final de seu livro, após inúmeras experiências fenomênicas relacionadas ao poder do psiquismo humano superior, convida os leitores a adentrarem pelo portal do ocultismo para reconhecerem com seus próprios olhos que a filosofia esotérica é uma realidade que a ciência e a técnica humana um dia poderão comprovar através de experimentos lógicos e matemáticos. Pois seus fundamentos vieram dos antigos sábios egípcios, caldeus, babilônios e gregos que iniciados da Sabedoria Divina preservaram esses conhecimentos nas escolas de adeptos. Esses mistérios profundos foram passados praticamente ao pé do ouvido daqueles que se comprometiam por juramento pessoal a não revelar os ensinos esotéricos. Isso tinha um motivo plausível pois se fossem acessados por mentes de iniciados orgulhos e egoístas, que sem responsabilidade e comprometimento com a fraternidade universal para o bem da humanidade poderiam usá-los para seus intentos malignos e profanos. Algo que resultaria em grande perigo para a coletividade onde esses seres tem influência. Assim em todas as épocas esses Mestre de Sabedoria tem guardado esses conhecimentos. E apenas quando encontram mentes receptivas e abertas pela evolução da vida em indivíduos que com sede de um saber mais intrínseco e íntimo vindo da gnose esotérica manifestado nos mistérios da natureza no micro e macro cosmo e no psiquismo humano. Eles liberam essa emanação magnética em forma de ondas que segundo a física moderna são “perturbações” que se propagam no espaço ou em meios materiais transportando energia. De acordo com sua natureza as ondas podem ser classificadas em dois tipos: (1). Ondas Mecânicas são as que se propagam em meios materiais, ondas sonoras, ondas sísmicas etc. A descrição do comportamento desses tipos de ondas é feito pelas Leis de Newton (1643-1727). (2). Ondas Eletromagnéticas são o resultados da combinação de campo elétrico com campo magnético. Sua principal característica é que não precisam de um meio material para propagarem-se. São exemplos desses tipos de ondas a luz, o raio x, as micro ondas, ondas de transmissão de sinais dentre outras. Essas leis são descritas pela equação de Maxwell (1831-1879). Com esses e outros fenômenos físicos relacionados a materialização de objetos que é o momento em que partículas de átomos que estão na atmosfera são interligadas pelo processo de transmigração de polos contrários onde as eletronegatividades são atraídas pela eletropositividade formando a substância heterogenia onde íons covalentes são multiplicados aos milhões na eletrosfera. As partículas de polos similares formam campos magnéticos de interação atômica onde a energia concentrada é potencialmente ilimitada mas de um modo inexplicável cabe no núcleo do átomo que circunscrita a essa região pode ser usada para fins de fissão e fusão nuclear. Assim esses Mestres de Sabedoria, penso, conhecem essas leis da física e as adotam (usam) em seus relacionamentos com os seus "afilhados" ou protegidos que cooperam com a fraternidade universal de alguma maneira. As desmaterializações de objetos que também são outro processo que os Mahatmas usam é o inverso do que foi conceituado acima só que nesse estágios as partículas atômicas recebem uma carga de valência negativa em sua polaridade positiva. Esse fato faz com que o núcleo atômico seja desacelerado pelas vibrações menores de energia acumulada no eletromagnético de ondas transversais e longitudinais. Assim as partículas podem ser movimentadas e transportadas para uma outra situação ou ambiente de condições, pressão e temperatura semelhantes ao originalmente que estavam percebendo-se. Claramente não existe nenhuma mágica envolvida, apenas  os conceitos que a física moderna tem usado em pesquisas de laboratório com sucesso pelo mundo acadêmico. Mas ainda sem uma segurança para caracterizá-los como um experimento fidedigno mesmo com as evidências estatísticas corroborando o fato. Talvez o temor científico quanto a isso se justifique pois as pesquisas são mostradas a nível de partículas atômicas e subatômicas.  Não se conseguiu criar ainda um ambiente para materialização ou desmaterialização duma substância proporcional a volume, peso ou densidade significativos. Esses Mestres de Sabedoria são seres do mundo oculto e espiritual que pelo processo da evolução chegaram a um estágio de elevação de suas consciências. Isso é mostrado por suas aptidões em se envolveram com questões de fraternidade universal onde esse princípios de Mateus 19: 19 "Honra a teu pai e a tua mãe e amarás ao teu próximo como a ti mesmo" é empregado como alicerce no relacionamento e convivência em filantropia. Dizem que a maioria desses Mahatmas vivem na belíssima  região do Tibete localizado no chamado Planalto Tibetano. A região mais alta do mundo onde a maior parte da cadeia de montanhas do Himalaia está situada. Seu pico mais conhecido o Monte Everest com seus 8.848 metros se encontra na fronteira do Nepal com o Tibete, sendo a altitude média de 3.000 metros no sul e de 4.500 metros no norte. A atmosfera é serenamente seca por nove meses no ano. O índice de queda de neve é extremamente baixo devido as massas de ar seco que chegam a região. Penso também que alguns desses Mestres estejam na América. Alguns habitando as Montanhas Rochosas localizada a oeste do Canadá até o Novo México nos USA, sendo seu pico mais alto o Monte Elbert com 4.401 metros no Estado do Colorado. Outros três lugares que suponho exista comunidade de fraternidade dos Mestres de Sabedoria são a região do Monte Roraima. Sua exuberante paisagem localizado na tríplice fronteira entre Brasil, Venezuela e Guiana tem seu ponto culminante elevando-se ao extremo sul no Estado Venezuelano de Bolivar com 2.810 metros. O Arquipélago de Galápagos formado por um grupo de 13 ilhas das quais apenas 4 são habitadas. São situadas no Oceano Pacífico a aproximadamente 1.000 quilômetros  a oeste da costa do Equador, país a que pertencem presumo que seja morada desses Avatares. O evolucionista inglês Charles Darwin (1809-1882) visitou Galápagos em 1835 quando tinha 26 anos em sua famosa expedição a bordo do navio Beagle observando grande parte das espécies que inspiraram sua revolucionária teoria da evolução. Sua obra prima A Origem das Espécies, fruto dessa viajem, esclarece importantes pontos quanto a ancestralidade humana e o suposto paradigma da unicidade dos gêneros e espécies existentes no planeta terra. E finalmente a chamada Terra do Fogo situada no extremo sul da Argentina estando separada pelo Estreito de Magalhães e banhada pelos Oceanos Pacífico, Atlântico Sul e Antártico. Nessas ilhas está localizado o Cabo Horn o ponto mais meridional da América do Sul, o clima é úmido com ventos moderados e fortes e temperaturas que variam em média entre -15 graus no inverno e os 20 graus no verão. Nesses exuberantes cenários acima que a natureza criou com tanto carinho e amor, imagino que também existam colônias de Mestres da Sabedoria organizados em Fraternidade Branca para o bem da humanidade. Os quatro últimos lugares que acabo de fazer referência é por minha conta e risco, não li em nenhuma literatura esotérica essa possibilidade apenas conjecturei imaginando ocultamente. Prosseguindo na hipótese, esses lugares seriam passagens desses Mestres de Sabedoria Antiga para descanso e aperfeiçoamento dos seus conhecimentos. Eles praticariam em "sítios" privativos os mistérios relacionados a natureza, investigando mais atentamente o poder da mente humana. Cogito que ainda existam outros lugares no mundo onde esses Mahatmas, Avatares ou Mestres costumam usar como transito para descanso e pesquisas científicas. Aos que desejarem uma análise mais detalhada desse assunto sugiro leiam os livros O Mundo Oculto e O Budismo Esotérico de Alfred  Percy Sinnett. As obras Cartas dos Mahatmas para A. P. Sinnett volumes I e II e Cartas dos Mestres de Sabedoria de C. Jinarajadasa também abordam o tema. Abraço. Davi.