O
tema dessa reflexão é para suscitar questionamentos e esclarecimentos em
relação ao Inferno ou Danação Eterna. Ele foi extraído do livro Ísis Sem Véu,
volume III, da senhora Helena Petrovna Blavatsky (1831-1899), fundadora da Sociedade Teosófica juntamente com Henry Steel Olcott (1832-1909) em New York - USA no ano de 1875. Com alguns comentários e inferências tentei aproximar o leitor da discussão proposta. Confio no juízo ponderado e imparcial dos investigadores da sabedoria divina
que poderão opinar se fui coerente ou incoerente em meus silogismos. Que cada
um tome seu caminho pela Senda Espiritual, recorrendo para o bom senso,
harmonia e interação com todos os mundos e seres (micros e macros cosmos)
visíveis e invisíveis, tendo a bênção da Mãe Natureza e da Santíssima e
Imaculada Virgem Maria. Segue a transcrição. Podemos assim inferir que a única
diferença característica entre o Cristianismo moderno e as antigas fés pagãs é
a crença do primeiro num demônio pessoal e no inferno. As nações Arianas não
tinham nenhum demônio, diz Max Muller (1849-1874). Plutão deus dos mortos e das
riquezas na mitologia romana, embora de caráter sombrio, era um personagem
respeitabilíssimo; e Loki o escandinavo era o deus do fogo, da trapaça e da
travessura. estando relacionado a magia, podendo assumir a forma que quisesse,
embora uma pessoa maligna, não era um diabo. A deusa alemã Hel, Helheim, como
Proserpina, correspondente na mitologia grega a Perséfones, sendo filha de
Júpiter com Ceres; uma das mais belas deusas de Roma. Enquanto colhia flores,
foi raptada por Plutão, que fê-la sua esposa. Também havia conhecido dias
melhores. Assim, quando aos alemães se falava na ideia de um semítico Seth,
Satã ou diabolus semita, não se lhes infundia temor algum. Pode-se dizer o
mesmo do inferno. O Hades era um lugar muito diferente de nossa região de
Danação Eterna, e poderíamos qualificá-lo antes como um estágio intermediário
de purificação”. Algumas das ponderações de Orígenes (182-254), conhecido como
o cristão, que em sua doutrina da Apocatástase dizia que todos os seres
inclusive os que estão no inferno estavam passando por um processo de salvação
e redenção final, pós apocalipse, para se encontrarem perfeitos com o Logos
Divino). “Tampouco Hel ou Hela escandinavo implica um período preparatório ou
um lugar de punição; pois quando Frígga, a deusa mãe da dinastia de Aesir.
Esposa de Odin, o deus supremo dos nórdico, e madrasta de Thor. Frigga a deusa
da fertilidade, do amor e da união; é também a protetora da família, das mães e
das donas de casa, símbolo de doçura, a mãe de Balder, o deus branco que morreu
e se viu na morada tenebrosa das sombras, Hades, caída em desgraça, enviou
Hermond, um dos filhos de Thor que era o deus do trovão e protetor dos
agricultores. Ele controlava o clima e as colheitas, sendo um dos deuses mais
conhecidos devido aos seus longos cabelos ruivos e seu poderoso martelo chamado
Mjolnir, com o qual protegia os mortais do mal. A amada criança foi encontrada
pelo mensageiro na região inexorável, sentada confortavelmente numa rocha lendo
um livro. O Reino Nórdico da morte situa-se, ademais, nas latitudes mais altas
das regiões polares. É uma morada fria e desolada, e nem os gélidos
átrios do Hela, nem a ocupação de Balder apresentam a menor semelhança
com o inferno flamejante de fogo eterno e os miseráveis pecadores, danados, com
que a Igreja tão generosamente o povoa. Também não o é o Amenti Egípcio. Amenti
era o nome que os egípcios davam ao templo onde as almas dos mortos eram
reunidas, depois da morte, para serem julgadas por Osíris. Segundo os egípcios
as almas eram julgadas num tribunal. Osíris colocava as ações boas ou ruins num
prato de uma balança, e no outro, uma pena. Se os pratos se equilibrassem a
alma da pessoa estaria salva. Caso contrário, era enviada para uma região das
Moradas dos Deuses, segundo a Teogonia, genealogia e filiação dos deuses,
Egípcia). Nem o Andhera, o abismo de trevas dos hindus, pois mesmo os anjos
caídos que nele foram precipitados por Shiva são autorizados por Para Brahman a
considerá-lo como um estágio intermediário, no qual uma oportunidade lhes é
concedida para se preparem para graus mais elevados de purificação e redenção
de seu miserável estado. O Gehena do Novo Testamento da Bíblia Cristã era uma
localidade situada fora dos muros de Jerusalém, e, ao mencioná-lo, Jesus
empregava apenas uma metáfora comum. Marcos 9;43-49 "E, se a tua mão te
escandalizar, corta-a; melhor é para ti entrares na vida aleijado do que, tendo
duas mãos, ires para o inferno (gehena), para o fogo que nunca se apaga. Onde o
seu bicho não morre, e o fogo nunca se apaga. E, se o teu pé te escandalizar,
corta-o, melhor é para ti entrares coxo na vida, do que, tendo dois pés, seres
lançado no inferno (gehena), no fogo que nunca se apaga. Onde seu bicho não
morre, e o fogo nunca se apaga. E, se o teu olho te escandalizar, lança-o fora;
melhor é para ti entrares no reino de Deus com um só olho do que, tendo dois,
seres lançado no fogo do inferno (gehena). Onde o seu bicho não morre, e o fogo
não se apaga". (É impossível e ilógico pensar esse texto em sua
literalidade. Na mente do Mestre Jesus imagino que nunca se passou esse ensino
exotérico, exterior e parabólico, de decepar a mão, arrancar o pé ou extrair o
olho para ganhar a Vida Eterna. Mesmo que esses membros estivessem sendo pedra
de tropeço para a evolução da alma do discípulo. Aqui é claramente um ensino
esotérico, interno, profundo e místico, onde altruísmo e abnegação devem ser
requisitos indispensáveis para entrar na Vida Eterna. A superficialidade da
literalidade na interpretação dessa passagem bíblica, desvirtua e corroí tudo
que o Mestre Jesus pregou de amor, fé e esperança). Donde então provêm o triste
dogma (verdade supostamente absoluta e inquestionável) do inferno, essa
alavanca de Arquimedes (287-212) da Teologia Cristã, com a qual se conseguiu
sub julgar milhões e milhões de cristãos por dezenove séculos? Seguramente não
das Escrituras Judaicas, e aqui chamamos em testemunho qualquer erudito hebreu
bem informado. Muitas pessoas tem duvidado da existência de Deus, quando ouvem
o ensino errôneo de que Deus criou um lugar de tormenta eterna para castigo dos
maus. Vejamos dois aspectos: quais as palavras hebraicas e gregas traduzidas
por inferno. Que significam no original e a dificuldade em bem traduzi-las. A
doutrina do inferno para um tormento, é de origem pagã, foi aceita pela igreja
dominante, nos séculos escuros da Idade Média, para intimidar os
"pagãos" a aceitarem a crença da Igreja Católica. O que levou o jovem
Lutero (1483-1546) para dentro do convento, a fim de tornar-se sacerdote foi o
medo do inferno. Pensava ele que aderindo as crenças e práticas da Igreja
Católica Romana, encontraria o único meio de escapar à morte eterna. Na
mitologia Grego Romana o inferno era o reino de Plutão. A ideia de um lugar
debaixo da terra para tormento dos maus nasceu da mitologia romana, basta ler a
Eneida de Virgílio (70 AC 19) para nos certificarmos desta realidade. Daí a
origem da palavra inferno, do latim inferi, inferior que vai para baixo. Esta
palavra normalmente foi usado pelos tradutores, para expressar o sentido do
termo hebraico Sheol e dos Gregos: Hades, Gehena e Tártaro. 1. Sheol é um
vocábulo que aparece 62 vezes no Antigo Testamento. Era um lugar para onde iam
os mortos, por isso é sinônimo de sepultura, ou lugar de silêncio dos morte.
Sheol nunca teve em hebraico a ideia de suplício (castigos corporais, tortura e
sevícia. Tudo o que provoca grande sofrimento moral, aflição intensa e
prolongada) para os mortos. Sendo difícil traduzi-lo porque nenhuma palavra em
português dá ideia exata do significado do original, desse modo é melhor
mantê-la transliterada como fazem muitas traduções. A tradução brasileira não a
traduz nenhuma vez. Experimente traduzir Sheol por inferno nessas duas
passagens bíblicas: Gênesis 42:38 "Ele, porém, disse: Meu filho não
descerá convosco; seu irmão é morto, e ele ficou só; se lhe sucede algum
desastre no caminho por onde fordes, fareis descer minhas cãs com tristeza a
sepultura". (Impossível traduzir sepultura nesse versículo por inferno) e
Jonas 2:1,2 "Então, Jonas, do ventre do peixe, orou ao Senhor, seu Deus, e
disse: Na minha angústia, clamei ao Senhor, e ele me respondeu; do ventre do
abismo, gritei, e tu me ouviste a voz". (Ilógico e irracional traduzir a
palavra abismo por inferno aqui. 2. Hades é usado apenas 10 vezes no Novo
Testamento Mateus 11;23; Mateus 16:18; Lucas 16:23; Apocalipse 1:18; Apocalipse
6:8; etc. O emprego de Hades em I Coríntios 15:56 segundo Edilson Vallente numa
monografia sobre esse vocábulo página 27 (1978) declarou: "A passagem de
Paulo em I Coríntios 15:56 apresenta um problema de crítica textual. Na leitura
feita da Septuaginta, encontramos também nesse versículo a palavra Hades no
vocativo. As traduções mais antigas da Bíblia, antes das descobertas do século
XIX para cá, traziam a palavra "inferno" como sendo a tradução de
Hades. Com estudos feitos na área da crítica textual, valendo-se das
importantíssimas descobertas de Constantin Von Tischendorf (1815-1874), verificou-se
que a palavra usada não era Hades, mas a palavra Yanate (morte). Esse estudo
foi baseado nos mais fidedignos manuscritos descobertos até hoje. Com tudo isso
ficou claro que o apóstolo Paulo não usou nenhuma vez a palavra Hades em seus
escritos, provavelmente para não confundir com os conceitos deturpados do Hades
que existiam em sua época. Outra razão é dada por Edwards, dizendo que Paulo,
escrevendo em grego, procurava fugir do presságio negativo que acompanhava a
palavra causando terror ao povo. Cita Platão (428-347) para afirmar sua ideia:
"O povo em geral usa a palavra Pluto como eufemismo de Hades, com seus
temores de levá-los para as partes errôneas do invisível". É certo, que
Paulo não usou nenhuma vez a palavra Pluto, mas subentendendo o conceitualismo
bíblico, em Romanos 10:7 "Ou: Quem descerá ao abismo? isto é, para
levantar Cristo dentre os mortos", usa o termo abismo. Nas melhores
traduções da Bíblia, o termo INFERNO já foi substituído por morte. (Isso é
maravilhoso e fantástico). A palavra Hades no Novo Testamento corresponde
exatamente a palavra Sheol no Antigo Testamento. No Salmo 16:10 Davi disse:
"Pois não deixarás a minha alma na sepultura". O apóstolo Pedro
usando esta passagem profética do Antigo Testamento afirmou em Atos 2;27
"Porque não deixarás a minha alma no Hades". Nenhuma alma, de nenhum
ser dos mundos visível, ou invisível; hierarquias superiores ou inferior
(anjos, demônios, serafins, querubins, arcanjos ou almas humanas) ficarão
retidas, presas, no INFERNO. Esse lugar é provisório (uma disciplina pedagógica
para aperfeiçoamento da completude da centelha eterna individualizada) quando o
processo for concluído todos serão inseridos no Logos Divino. Outra prova da
exata correspondência (Hades sendo igual a Morte) se encontra na Septuaginta,
pois das 62 vezes que Sheol é usado no Antigo Testamento, 61 vezes ela foi
traduzida por Hades. 3. Gehena é uma palavra hebraica transliterada para o
grego Geena, encontrando-se nas seguintes passagens bíblicas: Mateus
5:22,29,30; Mateus 10:28; Mateus 18:9; Mateus 23:15,33; Marcos 9:43,45,47;
Lucas 12;35; Tiago 3:6. Gehena vem da referência ao vale de Hinon. Nesse vale
havia uma elevação onde ímpios queimavam seus próprios filhos. Este vale se
situava a sudeste de Jerusalém; neste local antes da conquista de Canaã pelos
filhos de Israel, Cananitas ofereciam sacrifícios humanos. Posteriormente,
judeus apóstatas continuaram com esta prática nefanda e abominável, como nos
relata II Crônicas 28:3 "Também queimou incenso no vale de Hinon,
queimando a seus próprios filhos no fogo, segundo as abominações dos gentios
que o Senhor lançara fora de diante dos filhos de Israel". Por estas
circunstância, este vale se tornou desprezível e amaldiçoado pelos judeus e
símbolo do terror, da abominação e do asco (repugnância natural direcionada ao
que é excessivamente hediondo) e mencionado por Jesus com essas
características. Ser atirado à Gehena após a morte, era sinônimo de desprezo ao
morto, abandonado pelos familiares, não merecendo ao menos uma cova rasa, estando
condenado a destruição eterna do fogo. O vale de Hinon era um crematório das
sujidades das cidades de Jerusalém. O fogo ardia constantemente nesse sítio e
com o objetivo de avivar as chamas e tornar mais eficaz a sua força lançava ali
enxofre. A ideia de que o fogo queima constantemente em Hinon, não é razoável e
nem admissível logicamente. 4. Tártaro palavra grega que ocorre uma vez no Novo
Testamento, encontrando-se em II Pedro 2:4 "Ora, se Deus não poupou a
anjos quando pecaram, antes precipitando-os no inferno (Tártaro no original) os
entregou a abismos de trevas, reservando-os para juízo". A palavra Tártaro
usada por Pedro se assemelha muito a palavra "Tartarus", usada na
mitologia grega, com nome de um escuro abismo ou prisão; porém, a palavra
Tártaro, parece referir-se melhor a um ato do que a um lugar. A queda dos anjos
que pecaram foi do ponto de honra e dignidade a desonra e condenação. Portanto,
a ideia parece ser: Deus não poupou aos anjos que pecaram, mas os rebaixou e os
entregou as cadeias de trevas. O argumento aqui logicamente é verossímil não
existindo nenhuma ideia de fogo ou tormento eterno nessa palavra. Este
vocábulo, Tártaro, simplesmente declara que esses anjos estão reservados para
um julgamento futuro. Também se reserva as trevas espirituais dos anjos caídos
já que eles foram expulsos para a terra e não para um abismo literal. Apocalipse
12:9 "E foi expulso o grande dragão, a antiga serpente, que se chama o
diabo e Satanás, o sedutor de todo o mundo, sim, foi atirado para a terra, e,
com ele, os seus anjos". A única menção, na Bíblia, a algo que se aproxima
do INFERNO é o Gehena ou Hinon, um vale próximo a Jerusalém, onde se situava
Tophet, local em que se mantinha perpetuamente acesa uma fogueira queimando os
detritos para fins de higiene. O profeta Jeremias informa-nos que os
Israelitas renegados fazia sacrifícios humanos a Moloch Hércules nessa região.
E mais tarde descobrimos os cristão substituindo calmamente essa divindade por
seu Deus do perdão, cuja ira não pode ser aplacada, a não ser que a igreja lhe
sacrifique suas crianças não batizadas e os seus filhos mortos em pecado no
altar da "danação eterna. (Aqui é uma alusão a mortandade realizada pelo
conquistador europeu em cooperação com a Igreja (jesuítas) na colonização das
Américas portuguesas e espanholas nos séculos XIV e XV. Crianças, mulheres,
jovens, adultos indígenas eram mortos, pois naquela época eles juntamente
com os negros, não tinham o reconhecimento de suas almas, assim supostamente
"legitimando" os sacrificados (morte) daqueles que não aceitassem a
fé cristã. Como aceitar uma coisa que não entendiam nem imaginavam a
possibilidade disso em suas culturas. Mais de 30 milhões de indígenas foram
exterminados em nome de Deus e da evangelização dos povos selvagens bárbaros e
primitivos). E aqui está o que Santo Agostinho (354-430) escreveu em sua famosa
obra Confissões depois de sua conversão: "Oh! meu Deus! Maravilhosa é a
profundidade dessas tuas palavras com que convidas os humildes.
Amedronta-me tanta honra e me estremeço de amor ante profundidade tão
maravilhosa. A teus inimigos (os pagãos) eu os odeio veementemente. Digna-te
atravessá-los com tua espada de dois gumes para que deixem de ser teus
inimigos, porque me comprazeria vê-los mortos". (São palavras que
envergonham e entristecem qualquer cristão, e quando pensamos que tipos de
argumentos como esse fomentaram tanto ódio, “orgulho” e mortandade de pessoas
inocentes, caímos em si, pedindo a misericórdia divina). Maravilhoso espírito
do Cristianismo; e isso oriundo de um maniqueu (O Maniqueísmo era uma doutrina
religiosa Persa que, difundida no Império Romano, afirmava existir um conflito
entre o Bem, designado como reino de luz, e o Mal, o reino das trevas. Assim, o
homem deveria auxiliar no êxito do Bem através de práticas espirituais,
esquivando-se da procriação e dos alimentos de proveniência animal. De acordo
com esse ensino o mundo teria sido criado e tem sido dominado, basicamente, por
dois princípios: o Bem, Deus e o Mal, diabo. Não é difícil imaginar quem eram os inimigos
do Senhor, de acordo com os cristãos; as raras ovelhas no rebanho de Santo Agostinho
eram seus novos filhos e favoritos, que suplantaram em sua afeição os filhos de
Israel (Judeus), seu povo eleito. O resto da humanidade eram seus inimigos
naturais. As inumeráveis multidões de gentios consistiam em bom alimento para
as chamas do inferno; só os poucos da comunhão cristã eram os herdeiros da
salvação; inacredritável. Como chegaram os padres a conhecer tão bem as
condições do inferno, a ponto de dividir as suas tormentas em duas categorias,
a poena Damni (a dor da perda) e a poena sensu (sensação da dor), sendo a
primeira a privação da visão beatífica; e a segunda, as penas eternas num lago
de fogo e enxofre? Se eles responderem que foi através de Apocalipse 20;10
"E o diabo, que os enganava, foi lançado no lago de fogo e enxofre, onde
estão a besta e o falso profeta; e de dia e de noite serão atormentados para
todo o sempre", estamos preparados para demonstrar de onde o próprio
teólogo (apóstolo João) retirou a ideia. Deixando de lado a interpretação
esotérica de que o diabo ou o demônio tentador significa o nosso próprio corpo
terrestre, que depois da morte certamente se dissolverá nos elementos ígneios
(que tem as qualidades do fogo) ou etéreos (que tende a ser volátil, fluido), a
palavra "eterna" pela qual os nossos teólogos interpretam as palavras
"para todo o sempre" não existe na língua hebraica, nem como palavra
nem como sentido. Não há nenhuma palavra hebraica que expresse exatamente
a eternidade; segundo Le Clerc de La Bruere (1714-1754), significa apenas um
tempo cujo começo e cujo fim não são conhecidos. Embora demonstre
que essa palavra não significa duração infinita, e que no Antigo Testamento a
expressão para sempre significa apenas um longo espaço de tempo. O
arcebispo John Tollotson (1630-1694) deturpou completamente o sentido, no que
toca a ideia das tormentas do inferno. De acordo com a sua doutrina, quando se
diz que Sodoma e Gomorra pereceram no "fogo eterno", devemos entender
a expressão apenas no sentido de que o fogo não se extinguiu até as duas
cidades terem sido inteiramente consumidas. Quanto ao fogo do inferno, deve-se
entender as palavras no sentido estrito da duração infinita. Tal é a sentença
do sábio teólogo Tollotson. Pois a duração da punição dos depravados deve ser
proporcional a beatitude eterna dos justos. Diz ele que, esses (depravados)
terão punição eterna; mas os justos a vida eterna. O reverendo T. Swinden
(1793-1881), comentando as especulações de seus predecessores, preenche todo um
volume com argumentos, segundo ele incontestáveis, visando mostrar que o inferno
se localiza no Sol. Suspeitamos que o reverendo comentador leu o Apocalipse na
cama e teve em consequência um pesadelo. Há dois versículos do Apocalipse de
São João que dizem o seguinte: "E o quarto anjo derramou sua taça sobre o
Sol, e concedeu-lhe o poder de abrasar os homens pelo fogo. E os homens então
abrasados por um calor intenso puseram-se a blasfemar contra o nome de
Deus". Isto é simplesmente uma alegoria Pitagórica e Cabalística. A ideia
não é nova nem para Pitágoras (571 AC 495) nem para São João. Pitágoras
colocava a "esfera de purificação no Sol", Sol esse que, com a sua
esfera, ele localizava, ademais, no centro do universo, tendo a alegoria um
duplo sentido. 1. Simbolicamente, o Sol físico representa a Divindade Suprema,
o Sol Espiritual Central. Chegando a essa região, todas as almas purificam-se
dos seus pecados, e unem-se para sempre com seu espírito, depois de sofrerem
anteriormente em todas as esferas inferiores. 2. Colocando a esfera do fogo
visível no centro do universo, Pitágoras insinuou o sistema heliocêntrico (os
corpos celeste, inclusive a terra girava em torno do Sol. Comprovado
posteriormente por Galileu Galilei 1564-1642), que fazia parte dos mistérios,
sendo comunicado apenas no grau elevado de iniciação. São João dá a seu Verbo
(Logos) um significado puramente Cabalístico, que nenhum "padre",
exceto aqueles que pertenceram à Escola Neo Platônica, foi capaz de
compreender. Por ter sido um discípulo de Amônio Saccas (175-242), Orígenes
(182-254) o entendeu, devido a essa razão o vemos negar corajosamente a
perpetuidade das tormentas do inferno. Ele sustenta que não apenas os homens,
mas inclusive os demônios (e por esse termo ele entendia os pecadores humanos
desencarnados), após um período mais ou menos longo de punição, serão perdoados
e finalmente reconduzidos ao céu. Em consequência dessas e de outras supostas
heresias, Orígenes foi, naturalmente exilado e posteriormente morte,
tornando-se um dos primeiros mártires da Igreja Primitiva. Numerosas foram as
especulações eruditas e verdadeiramente inspiradas sobre a localização do
inferno. As mais populares foram as que o colocaram no centro da Terra.
Entretanto, numa certa época, algumas dúvidas céticas que perturbaram a
placidez da fé nessa doutrina altamente consoladora surgiram como consequência
da intromissão dos cientistas daqueles dias. Como observa o Senhor Swinden
(1866) em nosso próprio século, a teoria é inadmissível por duas
objeções: 1. É impossível supor que possa existir uma reserva suficiente de
combustível ou enxofre para manter um fogo tão furioso e constante. 2. Faltam
as partículas nitrosas do ar necessárias para mantê-lo em combustão. E como ele
diz: "pode um fogo ser eterno, quando toda a substância da Terra seria
desse modo gradualmente consumida". O cavaleiro cético esqueceu-se
evidentemente de que Santo Agostinho (354-430) solucionou há séculos a
dificuldade. Temos a palavra desse sábio doutor da Igreja de que o inferno, não
obstante estas dificuldades, está no centro da Terra, pois "Deus fornece
ar ao fogo central por mercê de um milagre". O argumento do pai da Igreja
é irresponsável e ilógico, de sorte que não procuraremos refutá-lo. É
isso ai amigos. Abraço. Davi.
quinta-feira, 5 de novembro de 2015
quarta-feira, 4 de novembro de 2015
O Budha e o Conceito de Verdade.
Este texto é do Sutta Pitaka, a coleção dos discursos que são atribuídos ao Budha e alguns dos seus discípulos mais próximos. Ele contem todos os ensinamentos centrais do Budismo Theravada. "Discípulo:
Cada pregador, ao expor seu tema predileto, costuma afirmar, que se aderirmos
firmemente ao exposto, seremos salvos, se o rejeitarmos, seremos perdidos e
condenados. Disputam os pregadores entre si, chamando-se uns aos outros de
"ignorantes" e até mesmo de idiotas. Quem nos há de apontar qual
deles seja o certo? Não é possível que todos sejam autoridades conforme alegam.
Budha: Se pelo simples fato de discordar de outro, alguém é qualificado de
"idiota", nesse caso todas as "autoridades", cheias de
teorias, seriam idiotas. Se cada teoria revelasse a verdade e qualificasse o
seu expositor como "autoridade", então todos eles seriam autoridades.
Não espereis ouvir a verdade daquele que chama os outros de "idiota".
Cada um considera a sua própria opinião como "verdadeira" e quem quer
que dela discorde é, então, chamado de tolo. Discípulo: O que um deles
classifica como "verdade" diz um outro ser "falso", e assim
por diante. Como pode ser que estejam sempre a discordar e por que razão não
dizem todos eles a mesma coisa? Budha: A verdade é uma só, e por esse motivo,
os sábios nada têm que debater. Mas como cada um desses disputantes tem a sua
versão pessoal da verdade, as suas contendas são intermináveis. Discípulo: Mas
como pode ser que cada uma destas autoridades considere a sua versão pessoal
como sendo a própria verdade? Poderá se confiar, nesse caso, que a verdade por
ele anunciada tenha realmente sido a verdade? Ou será que inventam, pura e
simplesmente, suas teorias? Budha: Não existe verdade alguma além da que é
fornecida pela percepção sensorial. No exato momento em que te aferras ao
conceito de que algo é "verdadeiro", surge o atrito, porque o
conceito oposto terá, então, que ser rotulado de falso. Aquele que se deixa
iludir pelo que se vê e pelo que ouve, pela virtude, por suas vitórias e
sucessos fixa-se em suas ideias e critica os demais. Ao criticar os outros seu
egoísmo se expande, e por se considerar autoridade sem prender-se à crítica,
torna-se cada vez mais exagerado. É aí, então, que num transbordamento de auto
conceito que de si mesmo faz, vangloria-se de ser "um sábio" e
acredita serem os seus conceitos irrefutáveis. Se alguém o chama de confuso,
logo replica "confuso é você", embora cada qual, a seu tempo, se
considere um "sábio". De cada autoridade, se há de ouvir, a afirmação
de que aqueles que seguem uma filosofia diferente da sua não conseguirão jamais
atingir a pureza e a perfeição. “Meu método é infalível. É o único que conduz à
perfeição". Alardeiam em autopromoção todos esses pseudo sábios. Tais
comentários os expõem a ataques por parte das outras autoridade, e
consequentemente, há cada vez mais disputas. Desta forma, essas pessoas (cada
qual ancorada a sua teoria predileta) prosseguem em suas altercações a vida
toda. Abstraí- vos, portanto, de toda e qualquer teorização, com suas
inevitáveis disputas. Discípulo: Será que esses dogmatizadores, que afirmam
ensinar a única verdade, o que fazem é só acarretar para si a censura, ou será
que por vezes eles também mereçam louvores? Budha: O pouco louvor, que
porventura consigam é insignificante e não lhes confere paz. Não é com disputas
que se atinge a meta. O sábio não dá crédito às teorias passageiras. Por que
iria ele se prender? Ele já transcendeu, já ultrapassou a fase de acreditar em
tudo o que vê e que ouve. Alguns sábios há que sustentam ser a meta atingível
pela prática da virtude e pela execução de atos meritórios. Ao
afirmarem "ser este o caminho", intitulam-se como único mestre.
Alguns se tornam obcecados pela importância dos princípios, e se porventura
chegam a transgredir uma só regra, por mais insignificante que seja,
amofinam-se (aborrecimento), e se preocupam como alguém que houvesse perdido a
caravana. Assim sendo, não vos agarreis a código algum que distribua méritos e deméritos,
mas sim, ficai independentes. Alguns fazem penosas penitências, outros confiam
no que vêm e no que ouvem falar da conquista da pureza nesta vida, e, no
entanto, desejam ainda conseguir um renascimento feliz. O desejo acarreta mais
desejo. O medo mais medo ainda. Aquele, porém, que não nutre mais o desejo de
viver, seja agora ou em outras vidas, não mais teme a morte, nem o
renascimento. Discípulo: A filosofia que alguns rotulam de mais elevada, outros
consideram desprovida de valor. Todos, porém, consideram-se autoridades. Com
qual deles está a razão e a verdade? Budha: É só a sua própria filosofia que
cada qual considera como a mais elevada, ao passo que aos demais métodos não
empresta valor algum. Deste modo é que surgem as disputas. Se o mero criticar
destitui os conceitos filosóficos de qualquer valor, então, todas as suas
filosofias não tem valor algum, pois todos vivem a criticar conceitos alheios.
Extravagantes se mostram na prática de sua própria filosofia, tal como quando a
expõem, porém, todos os seus conceitos levam à mesma coisa. O verdadeiro
brâmane, contudo, não copia os demais, tendo transcendido o hábito de disputar,
a nenhuma filosofia em particular chama ele de "melhor". Afirmam
alguns devotadamente: "A verdade é assim e assim. Eu sei! Eu vejo!".
E sustentam que tudo depende de se ter a religião correta. Se, porém, eles
realmente "soubessem", não teriam necessidade de religião alguma. O
homem vê como nome e forma, mas dizem os sábios, por pouco ou muito que consiga
ver, não verá a pureza. Nenhum filósofo querelante (discussão, disputa) poderá
alcançar a pureza por meio de sua doutrina pessoal, ele segue uma luz que ele
próprio fabricou, por ele autoprojetada, e daí fala que a "vê". O
verdadeiro brâmane está além do tempo, não se baseia em conceito algum, nem se
submete a qualquer seita (movimento filosófico ou religioso), compreende todas
as teorias correntes, mantendo-se, porém, desapegado de qualquer delas. Liberto
dos laços do mundo, embora viva ainda no mundo, o sábio segue, tranquilamente,
o seu caminho, livre das seitas, em meio aos sectários, livre de agitações, em
meio aos agitados, admitindo o que o mundo comete. Tendo transcendido, por
compreensão, suas antigas imperfeições, sem adquirir outras novas pela correta
vigilância, tendo abandonado o desejo e se libertado de dogmas, e não se
deixando mais influenciar por opiniões filosóficas, segue ele seu próprio
caminho, sem se deixar impressionar pelo mundo, não se entregando jamais à
censura (crítica, condenação). Liberto de todos os conceitos baseados nas
coisas vistas e ouvidas, aliviado, pois, de sua carga, não mais está o sábio
tranquilo sujeito ao tempo, transcendendo tanto o desejo, quanto a abstinência
(ação de privar-se de determinada coisa)”. Retirado do Tripitaka, o livro sagrado
do budismo na língua pali, uma língua hindu. Tripitaka significa três cestas,
numa referência às três partes do livro o Vinaya, com as regras de conduta, o
Sutta, que reúne os discursos do Budha, e o Abhidhamma, que é mais
filosófico. A história desse livro sagrado e do Budismo remonta à trajetória de
Sidharta Gauthama (560 AC 480), que abandonou uma vida de fortuna para buscar a
sabedoria. Depois de meditar e refletir em contemplação, ele concluiu que o
sofrimento era causado pelos desejos que atormentavam a mente dos homens, como
a corrupção, o ódio e a ilusão. Para Sidharta, se o homem aniquilasse esses
desejos, atingiria o Nirvana, um estado de paz longe de todo o sofrimento. Por
causa dessa descoberta, ele tornou-se o Budha, que em sânscrito significa o
Iluminado ou Desperto. Ao longo de sua vida, os 84 mil ensinamentos de Budha
foram transformados em Sutras ou Suttas, espécie de regras para a vida cotidiana. São
elas que compõem o Tripitaka, diz o lama Padma Norbu (1948- ),
do templo Odsai Ling, em São Paulo, - - Brasil. http://www.oiluminador.blogspot.com.br. Abraço. Davi.
terça-feira, 3 de novembro de 2015
Bhagavad Gita. Os Atributos Divinos e Demoníacos.
Comentários
de Shri Mataji Devi. Nesse 16º capítulo, o Senhor Krishna classifica,
claramente, a humanidade de todas as eras e épocas em duas categorias: os
divinamente bons, Devas e os maus, Asuras. Ele descreve as ações desempenhadas
por ambos, bem como as consequências que advêm delas. Diferentemente do tipo
divino, o tipo maléfico, dos Asuras, é contrário a todos os valores
espirituais. Ele não sabe distinguir o que é certo e o que é errado, nem o que
é puro e impuro, e nem o verdadeiro do falso. Segundo esse tipo não há lugar
para Deus no mundo e ele acha que é o mais poderoso. Esse tipo pretende somente
acumular riquezas, destruir seus inimigos, satisfazer a sua luxúria e ganhar
fama e prestígio custe o que custar. Esse tipo tenta explorar e torturar os
seus semelhantes e não tem nenhum respeito por Deus. O tipo divino é puro,
destemido, controlado, generoso, amoroso, paciente e não tem vaidade e nem
orgulho. Quais são os efeitos das ações desses dois tipos? A natureza divina
conduz a liberação, enquanto que a natureza demoníaca leva à escravidão. O
Senhor Krishna, assegura a Arjuna que ele nasceu com qualidades divinas. Para o
tipo demoníaco, o ego é a coisa suprema e ele acha que é capaz de fazer e de
executar qualquer coisa. Esse tipo torna-se habituado aos prazeres dos sentidos
e vive num inferno. Soberbo, obstinado, cheio de orgulho e intoxicado pela
riqueza, ele realiza os rituais de sacrifício em nome da ostentação,
contrariamente ao que decretam as regras das Escrituras. Além disso, iludidas
pelo falso ego, pela luxúria, pelo orgulho, pela raiva e pela sensação de poder
e de força, essas pessoas maliciosas tornam-se invejosas em relação ao Senhor
que está presente em seus próprios corpos e nos dos outros. O Senhor Krishna
assevera que os seres humanos perversos e invejosos decaem cada vez mais, a
cada dia, e nascem, repetidas vezes, no mundo material através de vários tipos
demoníacos. Eles não conseguem aproximar-se de Deus e entregam-se ao tipo de
existência mais abominável. Como é que se pode evitar cair nesse inferno? Isso
pode ser feitos se evitarem três coisas: Kama, luxúria, Krodha, raiva, e Lodha,
ganância. Todos os seres humanos sadios deveriam evitar esses três obstáculos.
Quando isso é evitado, então o indivíduo executa ações que conduzem a
Realização Divina e alcança, gradativamente, a meta suprema. No entanto, se o
indivíduo optar por abandonar as regras do bom comportamento e fizer o que lhe
der na cabeça, então ele não alcançará a perfeição, a felicidade ou a
Realização de Deus. O Senhor krishna diz que deveríamos compreender o que é o
Dharma, dever, e o Adharma, conforme rezam as Escrituras, antes de começarmos a
trabalhar, de modo que as nossas atividades possam nos conduzir à Realização de
Deus. Segue a Escritura Sagrada. “Prossegue Krishna, o Verbo Interno: Vou
dar-te os sinais característicos dos homens que andam pelo caminho que conduz à
Vida Divina. Ei-los: Intrepidez, pureza de coração, perseverança em busca da
sabedoria, caridade, abnegação, domínio de si mesmo, devoção, religiosidade,
austeridade, retidão. Abstenção de más ações, veracidade, mansidão, renúncia,
equanimidade, boa vontade, amor e compaixão para com todos os seres. Ausência
do desejo de matar, ânimo tranquilo, modéstia, discrição, firmeza. Fortaleza,
paciência, constância, castidade, humildade, indulgência. Agora ouve os
característicos dos homens que andam pelo caminho que conduz aos demônios:
Hipocrisia, orgulho, arrogância, presunção, cólera, rudeza e ignorância. O bom
caráter liberta da imortalidade e conduz a Divindade. O mau caráter causa
repetidos renascimentos mortais. O primeiro dá liberdade, o segundo escravidão.
Mas não temas, Oh herói! Tu tens bom caráter e destino divino. Duas espécies de
natureza pode-se observar neste mundo humano, a divina ou boa, e a diabólica ou
má. As características da natureza boa ou divina já te descrevi
suficientemente. Escuta agora, Oh filho da Terra! Quais são as características
da natureza má. Os seres que são iguais aos Asuras (demônios, espíritos maus),
não conhecem nem o seu princípio nem o fim. Não sabem o que é praticar reta
ação e não sabem abster-se de ação má. Neles não há pureza, nem moralidade, nem
veracidade. Eles dizem que no mundo não há verdade, nem justiça, negam a
existência do Espírito Divino. Acreditam que o mundo é produto do acaso, e que
o fim da vida é o gozo material. Vivendo conforme estas ideias errôneas, são
gente de intelecto mesquinho, ações desregradas, inimigos da Humanidade e praga
do mundo. Entregam-se aos prazeres carnais e dizem que esse é o mais alto bem.
Mas nunca os prazeres sensuais os satisfazem, porque, mal um apetite obteve
satisfação, já emerge um outro, cada vez mais imperioso. Esses homens são
hipócritas, vaidosos e ilusos (enganados). É impura a sua vida, porque,
pensando que com a morte tudo se acaba, creem que o supremo bem consiste na
satisfação de seus desejos. Confundidos nas teias do desejo, entregam-se à
volúpia, à ira e a avareza. Prostituem as suas mentes e o seu sentimento de
justiça, procurando acumular riquezas por meios ilegais, com o fim de terem com
que satisfazer os desejos materiais. Dizem eles: Hoje obtive isto, e amanhã hei
de obter aquilo, conforme o desejo do meu coração. Isto me pertence, e aquilo
me pertencerá. A este inimigo derrotei, e aquele derrotarei. Eu Sou o Senhor!
Eu Sou meu próprio deus, e tudo no mundo há de me servir para o meu gozo. Eu
Sou feliz, forte, poderoso! Eu Sou rico e nobre. Onde está outro que me iguale?
Distribuirei esmolas entre a população, para que se conheça a minha
liberalidade, e se espalhe a minha fama! Assim os engana a ignorância. E
confundidos pelos seus pensamentos e enleados na rede da ilusão, procurando
sempre só a satisfação dos seus desejos, precipitam-se no horrendo inferno,
Naraka. Alguns deles, em sua hipocrisia, desejam aparecer como bons perante o
mundo e, por isso, praticam atos de piedade e ritos da religião. Segundo,
entretanto, apenas a letra, e repelindo o espírito das doutrinas religiosas, e
dando as esmolas com ostentação e com coração frio. Estes blasfemadores,
egoístas e violentos, cheios de orgulho, voluptuosidade e ira, odeiam-me e a
tudo o que é bom, tanto em si mesmos, como nos outros seres. Estes ímpios,
malvados e aborrecedores, os mais vis entre os homens do mundo, são por Mim
arrojados em demoníacas matrizes. E caídos em demoníacos seios, alucinando-se
de nascimento em nascimento, em vez de Me alcançarem, submergem-se nos mais
profundos abismo. A bíblia diz nos Salmos 42:7 “Um abismo chama outro abismo”.
Três são as portas deste inferno destruidor do ser: luxúria, ira e avareza.
Essas estão incluídas nos sete pecados capitais descritos no catolicismo além
da gula, vaidade, soberba e preguiça. Delas se aparte pois o homem. Quem se
salva destas três portas tenebrosas, realiza a sua própria felicidade e assim
atinge a Meta Suprema. Mas quem despreza os mandamentos da Lei e se entrega aos
impulsos do desejo, não consegue a perfeição, nem a felicidade, nem a Meta
Suprema. Portanto, sejam as Escrituras a tua norma na determinação do que deves
e não deves fazer. Neste mundo, age sempre de conformidade com as Escrituras
cujos preceitos conheces”. Abraço. Davi.
segunda-feira, 2 de novembro de 2015
Os Dez Estados da Vida.
Amigos leitores russos do Mosaico, meus sentimentos profundos a todos os familiares, parentes e amigos daqueles que foram vitimados na tragédia (sábado, 31/10) do airbus A321-200 da Empresa Aérea Russa Metrojet. Eles estavam em viagem de férias ao Balneário de Sham el Sheik na Península do Sinai - Egito, quando regressando a São Petersburgo - Rússia, minutos após a decolagem o avião explodiu. As causas estão sendo investigadas pelas autoridades russas, mas nenhum dos 224 passageiros e tripulantes incluindo 25 crianças sobreviveram na fatalidade. Especula-se que o avião tenha sido atingido por um míssil dos separatista egípcios pro Estado Islâmico, mas segundo as autoridades isso é pouco provável, principalmente, sabendo-se que a altitude do Airbus era de mais de 9.000 metros. As duas caixas pretas foram recuperadas e seu conteúdo já está sendo analisado pelos peritos, esperando-se um laudo conclusivo para os próximos meses do que provocou a queda da Aeronave. Mas conforme averiguações dessas caixas, segundo auditores franceses (06/11) ouviu-se uma explosão no compartimento de carga em pleno voo. Supostamente comprovando que uma bomba foi colocada na aeronave propositadamente para causar a queda da aeronave, sendo assim um ato terrorista. Isso ainda precisa ser definitivamente confirmado pelos técnicos. Todos esses que faleceram adentraram ao portal do mundo sutil e plasmado. O outro lado da vida, onde por um período estaremos numa transição astral até chegarmos no devachan (céu), lugar de descanso e gozo, aguardando nossa futura reencarnação. A bíblia diz em Romanos 14:8 "Por que se vivemos para o Senhor vivemos. Se morremos para o Senhor morremos. De sorte que ou vivamos ou morramos, somos do Senhor". Essa é nossa paz e grande esperança, pois na vida ou na morte somos do Senhor. Presto esta homenagem a esses queridos que partiram, com certeza deixando muitas saudades e lembranças inesquecíveis. Um beijo e afetuoso abraço a todos os familiares dessa calamidade. (...). Budismo
Nitiren Daishonin.
"Os Dez Estados da Vida, também conhecidos por Dez Mundos, compõem a
base da filosofia de vida elucidada pelo budismo. É uma teoria profunda e
prática que esclarece, com simplicidade,
as complicadas questões da vida.
Os diversos estados da vida, ou reações
da vida que se manifestam em resposta às ações externas, foram
escalonados em dez categorias básicas: Inferno, Fome, Animalidade, Ira,
Tranquilidade, Alegria, Erudição, Absorção,
Bodhisattva e Budha.
Estes estados não são condições fixas em que uma pessoa terá de viver
por toda a sua existência, mas condições fundamentais que existem em
forma latente na vida de todas as pessoas,
sejam budistas ou não. O
conhecimento desta teoria pode ajudar as pessoas a adquirirem perfeita
compreensão e domínio sobre as diversificadas questões da vida, além de
fazer com que reconheçam o estado de
Budha como a mais suprema condição de vida que as conduz para a felicidade absoluta.
Por outro lado, com a compreensão dos Dez
Estados da Vida, pode-se aprender um modo correto de viver como também
criar um destino melhor. De uma forma mais ampla, é uma filosofia que
ajudará os homens a estabelecer um mundo de
humanismo. A vida de uma pessoa
tem ambos os aspectos, positivo e negativo, e está constantemente se
transformando de momento a momento. Quando as pessoas tomarem
consciência dos potenciais inerentes em sua vida, terão
melhores chances de controlar a si mesmos, ainda que sua vida esteja
submetida a constantes mudanças. Além disso, com a prática do Verdadeiro
Budismo, as pessoas podem obter força e sabedoria necessárias para
elevar sua condição de vida nos estados mais baixos,
libertando a si próprios de futuros sofrimentos.
Os Dez Estados da Vida não são sentimentos meramente emocionais,
espirituais ou físicos. Esses estados estão latentes na vida e
manifestam-se do interior de uma pessoa como uma reação imediata e
diretamente proporcional às influências externas, negativas ou
positivas. Com a prática do budismo, uma pessoa pode elevar, cada vez mais, o potencial do estado de
Budha a ponto de conseguir manter um domínio
maior deste sobre os demais estados da vida, não sendo facilmente
arrastada à mercê das condições externas da vida. O potencial do estado
de
Budha possibilita também a manifestação da
sabedoria inata que ajuda as pessoas a ultrapassarem as mais duras
realidades da vida. Por essas razões, o ato de praticar o budismo é a
mais elevada causa que gera os mais elevados benefícios.
Este é o motivo básico da recitação do Nam myoho
rengue kyo e o motivo de encorajar outras pessoas a fazerem o mesmo.
Coexistência dos Dez Estados da Vida.
Este princípio filosófico, também conhecido por possessão mútua,
esclarece a inter-relação entre os Dez Estados da Vida. Significa que
numa determinada condição de vida coexistem os demais estados na forma
latente. Esta teoria confirma o fato de que os estados
da vida não são condições fixas, mas que um estado torna-se mais
evidente do que outro de acordo com as causas externas que o motivaram,
deixando os demais estados na condição não manifesta.
A importância maior desse princípio é
esclarecer que todas as pessoas, mesmo aquelas que se encontram
predominantemente nos estados mais baixos, estão dotadas com a suprema
condição de vida chamada estado de
Budha. Em outras palavras, significa que uma
pessoa que se encontra na mais terrível condição de vida possui
inerentemente a possibilidade de manifestar o potencial do estado de
Buda e alcançar a felicidade absoluta.
Os Estados de Vida. 1-
Estado de Inferno: É a condição de vida mais baixa entre os demais
estados. É um estado de sofrimento constante em que as pessoas não têm
forças
para influenciar suas circunstâncias de vida, nem esperança com relação
ao futuro, não podem fazer nada de que gostariam de fazer, nem mesmo
gritar para desabafar suas angústias. Esse incontrolável e inextinguível
sofrimento caracteriza o estado de Inferno.
2- Estado de Fome: É caracterizado pela
obsessão de realizar os desejos e pela incapacidade de satisfazê-los.
Neste baixo estado de vida, as pessoas são completamente controladas e
dominadas por seus desejos insaciáveis e por
terríveis insatisfações, são infelizes e impedidas de se desenvolverem e
prosperarem.
3- Estado de Animalidade: É também um
estado baixo de vida em que as pessoas são conduzidas unicamente por
seus instintos, agem impulsivamente com irracionalidade e sem
moralidade. O critério de suas ações é aproveitar-se dos
mais fracos e bajular os mais fortes. As pessoas no estado de
Animalidade perdem o sentido da razão, e suas emoções são facilmente
dominadas pelo medo e pela covardia. Além disso, não conseguem encontrar
soluções nem esperanças e resignam-se diante do destino.
Os estados de Inferno, Fome e Animalidade formam os Três Maus Caminhos porque são estados de sofrimento.
4- Estado de Ira: É o quarto mais baixo
estado de vida que, associado aos Três Maus Caminhos, formam as Quatro
Tendências Maléficas. Neste estado, as pessoas possuem consciência de
seus atos embora baseados em pontos de vista
distorcidos do que é certo ou errado, enquanto nos três anteriores não
têm controle sobre sua vida pois são dominadas completamente pelos
desejos. No estado de Ira, as pessoas preocupam-se única e
exclusivamente consigo mesmas, com seus próprios benefícios,
pouco se importando com os demais ou com seu ponto de vista. São
conduzidas pelo egoísmo e pela ambição de ser superior derrubando outras
pessoas.
5- Estado de Tranquilidade: Esta é uma
condição em que a pessoa pode controlar temporariamente seus impulsos e
desejos através da razão. Assim, uma pessoa passa a ter uma vida
tranquila e em harmonia com seu meio, que inclui as
pessoas e o ambiente. Nesse estado, as energias da vida estão sob
considerável controle. Porém, pode cair instantaneamente para os Três ou
Quatro Maus Caminhos pelo mais leve desvio ocorrido em suas
circunstâncias de vida.
6- Estado de Alegria: É uma condição de
vida de contentamento que se origina na concretização dos desejos e na
solução dos problemas. A alegria nesse estado de vida é efêmera e
desaparece com o passar do tempo ou com a transformação
das circunstâncias. Estes seis
primeiros estados de vida compõem os Seis Maus Caminhos. São estados em
que as pessoas são arrastadas exclusivamente pelas influências externas,
ficando privadas da liberdade de manter autocontrole
sobre as circunstâncias de sua vida. Os
próximos quatro estados de vida formam os Quatro Nobres Caminhos, pois
são condições alcançadas pelos esforços desenvolvidos pelas próprias
pessoas.
7- Estado de Erudição: É a condição
experimentada por uma pessoa quando luta por um estado duradouro de
contentamento e estabilidade através da auto reforma e do
desenvolvimento próprio. É o estado em que o indivíduo dedica-se
à criação de uma vida melhor através da aquisição de ideias,
conhecimentos e experiências de seus predecessores.
8- Estado de Absorção: As pessoas neste
estado podem alcançar a percepção parcial de algumas verdades por si
mesmas através da observação direta dos fenômenos da natureza.
A Erudição e Absorção compõem os Dois
Veículos pois conduzem as pessoas para uma certa independência na vida
pela percepção obtida da verdade parcial. Contudo, na condição de Dois
Veículos, as pessoas ficam apegadas à percepção
para o bem de si mesma e não lutam para beneficiar os outros.
9- Estado de Bodhisattva: Uma pessoa neste
estado manifesta uma vida plena de benevolência e sua característica é
dedicar-se à felicidade de outras pessoas promovendo ações de altruísmo.
Esta benevolência difere essencialmente do
conceito de caridade ou compaixão, e sua definição exata é retirar o
sofrimento e dar felicidade. A caridade e a compaixão podem aliviar o
sofrimento, mas não conseguem retirá-lo nem oferecer a felicidade. A
característica maior do estado de
Bodhisattva é a busca constante do estado de
Budha, ao mesmo tempo em que procura ensinar esse caminho para
que as pessoas tornem-se capazes de manifestar a força inerente da vida
para conquistarem a felicidade absoluta.
10- Estado de Budha:
Constitui-se numa condição de vida em que a pessoa adquire a sabedoria
que lhe permite compreender a verdadeira essência da sua vida,
manifestar a profunda benevolência para com
todas as pessoas e ter a percepção sobre as três existências da vida e
sobre a Lei básica do universo. É uma condição de vida no estado de
felicidade absoluta que nada pode corromper. Da mesma forma como nenhum
estado de vida é estático, o estado de Budha é
experimentado no decurso das contínuas atividades de altruísmos cotidianas.
Portanto, não se deve considerar o estado de Budha como objetivo máximo a
ser alcançado no final da vida.
Preciosa Colaboração de Marcio Rangel e-mail ongakutai@ig.com.br.
http://www.belasbistoriasbudistas.blogspot.com.br. Abraço. Davi.
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