quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Questionamentos em Relação ao Inferno Eterno.



O tema dessa reflexão é para suscitar questionamentos e esclarecimentos em relação ao Inferno ou Danação Eterna. Ele foi extraído do livro Ísis Sem Véu, volume III, da senhora Helena Petrovna Blavatsky (1831-1899), fundadora da Sociedade Teosófica juntamente com Henry Steel Olcott (1832-1909) em New York - USA no ano de 1875. Com alguns comentários e inferências tentei aproximar o leitor da discussão proposta. Confio no juízo ponderado e imparcial dos investigadores da sabedoria divina que poderão opinar se fui coerente ou incoerente em meus silogismos. Que cada um tome seu caminho pela Senda Espiritual, recorrendo para o bom senso, harmonia e interação com todos os mundos e seres (micros e macros cosmos) visíveis e invisíveis, tendo a bênção da Mãe Natureza e da Santíssima e Imaculada Virgem Maria. Segue a transcrição. Podemos assim inferir que a única diferença característica entre o Cristianismo moderno e as antigas fés pagãs é a crença do primeiro num demônio pessoal e no inferno. As nações Arianas não tinham nenhum demônio, diz Max Muller (1849-1874). Plutão deus dos mortos e das riquezas na mitologia romana, embora de caráter sombrio, era um personagem respeitabilíssimo; e Loki o escandinavo era o deus do fogo, da trapaça e da travessura. estando relacionado a magia, podendo assumir a forma que quisesse, embora uma pessoa maligna, não era um diabo. A deusa alemã Hel, Helheim, como Proserpina, correspondente na mitologia grega a Perséfones, sendo filha de Júpiter com Ceres; uma das mais belas deusas de Roma. Enquanto colhia flores, foi raptada por Plutão, que fê-la sua esposa. Também havia conhecido dias melhores. Assim, quando aos alemães se falava na ideia de um semítico Seth, Satã ou diabolus semita, não se lhes infundia temor algum. Pode-se dizer o mesmo do inferno. O Hades era um lugar muito diferente de nossa região de Danação Eterna, e poderíamos qualificá-lo antes como um estágio intermediário de purificação”. Algumas das ponderações de Orígenes (182-254), conhecido como o cristão, que em sua doutrina da Apocatástase dizia que todos os seres inclusive os que estão no inferno estavam passando por um processo de salvação e redenção final, pós apocalipse, para se encontrarem perfeitos com o Logos Divino). “Tampouco Hel ou Hela escandinavo implica um período preparatório ou um lugar de punição; pois quando Frígga, a deusa mãe da dinastia de Aesir. Esposa de Odin, o deus supremo dos nórdico, e madrasta de Thor. Frigga a deusa da fertilidade, do amor e da união; é também a protetora da família, das mães e das donas de casa, símbolo de doçura, a mãe de Balder, o deus branco que morreu e se viu na morada tenebrosa das sombras, Hades, caída em desgraça, enviou Hermond, um dos filhos de Thor que era o deus do trovão e protetor dos agricultores. Ele controlava o clima e as colheitas, sendo um dos deuses mais conhecidos devido aos seus longos cabelos ruivos e seu poderoso martelo chamado Mjolnir, com o qual protegia os mortais do mal. A amada criança foi encontrada pelo mensageiro na região inexorável, sentada confortavelmente numa rocha lendo um livro. O Reino Nórdico da morte situa-se, ademais, nas latitudes mais altas das regiões polares. É uma morada fria e desolada, e nem os gélidos átrios  do Hela, nem a ocupação de Balder apresentam a menor semelhança com o inferno flamejante de fogo eterno e os miseráveis pecadores, danados, com que a Igreja tão generosamente o povoa. Também não o é o Amenti Egípcio. Amenti era o nome que os egípcios davam ao templo onde as almas dos mortos eram reunidas, depois da morte, para serem julgadas por Osíris. Segundo os egípcios as almas eram julgadas num tribunal. Osíris colocava as ações boas ou ruins num prato de uma balança, e no outro, uma pena. Se os pratos se equilibrassem a alma da pessoa estaria salva. Caso contrário, era enviada para uma região das Moradas dos Deuses, segundo a Teogonia, genealogia e filiação dos deuses, Egípcia). Nem o Andhera, o abismo de trevas dos hindus, pois mesmo os anjos caídos que nele foram precipitados por Shiva são autorizados por Para Brahman a considerá-lo como um estágio intermediário, no qual uma oportunidade lhes é concedida para se preparem para graus mais elevados de purificação e redenção de seu miserável estado. O Gehena do Novo Testamento da Bíblia Cristã era uma localidade situada fora dos muros de Jerusalém, e, ao mencioná-lo, Jesus empregava apenas uma metáfora comum. Marcos 9;43-49 "E, se a tua mão te escandalizar, corta-a; melhor é para ti entrares na vida aleijado do que, tendo duas mãos, ires para o inferno (gehena), para o fogo que nunca se apaga. Onde o seu bicho não morre, e o fogo nunca se apaga. E, se o teu pé te escandalizar, corta-o, melhor é para ti entrares coxo na vida, do que, tendo dois pés, seres lançado no inferno (gehena), no fogo que nunca se apaga. Onde seu bicho não morre, e o fogo nunca se apaga. E, se o teu olho te escandalizar, lança-o fora; melhor é para ti entrares no reino de Deus com um só olho do que, tendo dois, seres lançado no fogo do inferno (gehena). Onde o seu bicho não morre, e o fogo não se apaga". (É impossível e ilógico pensar esse texto em sua literalidade. Na mente do Mestre Jesus imagino que nunca se passou esse ensino exotérico, exterior e parabólico, de decepar a mão, arrancar o pé ou extrair o olho para ganhar a Vida Eterna. Mesmo que esses membros estivessem sendo pedra de tropeço para a evolução da alma do discípulo. Aqui é claramente um ensino esotérico, interno, profundo e místico, onde altruísmo e abnegação devem ser requisitos indispensáveis para entrar na Vida Eterna. A superficialidade da literalidade na interpretação dessa passagem bíblica, desvirtua e corroí tudo que o Mestre Jesus pregou de amor, fé e esperança). Donde então provêm o triste dogma (verdade supostamente absoluta e inquestionável) do inferno, essa alavanca de Arquimedes (287-212) da Teologia Cristã, com a qual se conseguiu sub julgar milhões e milhões de cristãos por dezenove séculos? Seguramente não das Escrituras Judaicas, e aqui chamamos em testemunho qualquer erudito hebreu bem informado. Muitas pessoas tem duvidado da existência de Deus, quando ouvem o ensino errôneo de que Deus criou um lugar de tormenta eterna para castigo dos maus. Vejamos dois aspectos: quais as palavras hebraicas e gregas traduzidas por inferno. Que significam no original e a dificuldade em bem traduzi-las. A doutrina do inferno para um tormento, é de origem pagã, foi aceita pela igreja dominante, nos séculos escuros da Idade Média, para intimidar os "pagãos" a aceitarem a crença da Igreja Católica. O que levou o jovem Lutero (1483-1546) para dentro do convento, a fim de tornar-se sacerdote foi o medo do inferno. Pensava ele que aderindo as crenças e práticas da Igreja Católica Romana, encontraria o único meio de escapar à morte eterna. Na mitologia Grego Romana o inferno era o reino de Plutão. A ideia de um lugar debaixo da terra para tormento dos maus nasceu da mitologia romana, basta ler a Eneida de Virgílio (70 AC 19) para nos certificarmos desta realidade. Daí a origem da palavra inferno, do latim inferi, inferior que vai para baixo. Esta palavra normalmente foi usado pelos tradutores, para expressar o sentido do termo hebraico Sheol e dos Gregos: Hades, Gehena e Tártaro. 1. Sheol é um vocábulo que aparece 62 vezes no Antigo Testamento. Era um lugar para onde iam os mortos, por isso é sinônimo de sepultura, ou lugar de silêncio dos morte. Sheol nunca teve em hebraico a ideia de suplício (castigos corporais, tortura e sevícia. Tudo o que provoca grande sofrimento moral, aflição intensa e prolongada) para os mortos. Sendo difícil traduzi-lo porque nenhuma palavra em português dá ideia exata do significado do original, desse modo é melhor mantê-la transliterada como fazem muitas traduções. A tradução brasileira não a traduz nenhuma vez. Experimente traduzir Sheol por inferno nessas duas passagens bíblicas: Gênesis 42:38 "Ele, porém, disse: Meu filho não descerá convosco; seu irmão é morto, e ele ficou só; se lhe sucede algum desastre no caminho por onde fordes, fareis descer minhas cãs com tristeza a sepultura". (Impossível traduzir sepultura nesse versículo por inferno) e Jonas 2:1,2 "Então, Jonas, do ventre do peixe, orou ao Senhor, seu Deus, e disse: Na minha angústia, clamei ao Senhor, e ele me respondeu; do ventre do abismo, gritei, e tu me ouviste a voz". (Ilógico e irracional traduzir a palavra abismo por inferno aqui. 2. Hades é usado apenas 10 vezes no Novo Testamento Mateus 11;23; Mateus 16:18; Lucas 16:23; Apocalipse 1:18; Apocalipse 6:8; etc. O emprego de Hades em I Coríntios 15:56 segundo Edilson Vallente numa monografia sobre esse vocábulo página 27 (1978) declarou: "A passagem de Paulo em I Coríntios 15:56 apresenta um problema de crítica textual. Na leitura feita da Septuaginta, encontramos também nesse versículo a palavra Hades no vocativo. As traduções mais antigas da Bíblia, antes das descobertas do século XIX para cá, traziam a palavra "inferno" como sendo a tradução de Hades. Com estudos feitos na área da crítica textual, valendo-se das importantíssimas descobertas de Constantin Von Tischendorf (1815-1874), verificou-se que a palavra usada não era Hades, mas a palavra Yanate (morte). Esse estudo foi baseado nos mais fidedignos manuscritos descobertos até hoje. Com tudo isso ficou claro que o apóstolo Paulo não usou nenhuma vez a palavra Hades em seus escritos, provavelmente para não confundir com os conceitos deturpados do Hades que existiam em sua época. Outra razão é dada por Edwards, dizendo que Paulo, escrevendo em grego, procurava fugir do presságio negativo que acompanhava a palavra causando terror ao povo. Cita Platão (428-347) para afirmar sua ideia: "O povo em geral usa a palavra Pluto como eufemismo de Hades, com seus temores de levá-los para as partes errôneas do invisível". É certo, que Paulo não usou nenhuma vez a palavra Pluto, mas subentendendo o conceitualismo bíblico, em Romanos 10:7 "Ou: Quem descerá ao abismo? isto é, para levantar Cristo dentre os mortos", usa o termo abismo. Nas melhores traduções da Bíblia, o termo INFERNO já foi substituído por morte. (Isso é maravilhoso e fantástico). A palavra Hades no Novo Testamento corresponde exatamente a palavra Sheol no Antigo Testamento. No Salmo 16:10 Davi disse: "Pois não deixarás a minha alma na sepultura". O apóstolo Pedro usando esta passagem profética do Antigo Testamento afirmou em Atos 2;27 "Porque não deixarás a minha alma no Hades". Nenhuma alma, de nenhum ser dos mundos visível, ou invisível; hierarquias superiores ou inferior (anjos, demônios, serafins, querubins, arcanjos ou almas humanas) ficarão retidas, presas, no INFERNO. Esse lugar é provisório (uma disciplina pedagógica para aperfeiçoamento da completude da centelha eterna individualizada) quando o processo for concluído todos serão inseridos no Logos Divino. Outra prova da exata correspondência (Hades sendo igual a Morte) se encontra na Septuaginta, pois das 62 vezes que Sheol é usado no Antigo Testamento, 61 vezes ela foi traduzida por Hades. 3. Gehena é uma palavra hebraica transliterada para o grego Geena, encontrando-se nas seguintes passagens bíblicas: Mateus 5:22,29,30; Mateus 10:28; Mateus 18:9; Mateus 23:15,33; Marcos 9:43,45,47; Lucas 12;35; Tiago 3:6. Gehena vem da referência ao vale de Hinon. Nesse vale havia uma elevação onde ímpios queimavam seus próprios filhos. Este vale se situava a sudeste de Jerusalém; neste local antes da conquista de Canaã pelos filhos de Israel, Cananitas ofereciam sacrifícios humanos. Posteriormente, judeus apóstatas continuaram com esta prática nefanda e abominável, como nos relata II Crônicas 28:3 "Também queimou incenso no vale de Hinon, queimando a seus próprios filhos no fogo, segundo as abominações dos gentios que o Senhor lançara fora de diante dos filhos de Israel". Por estas circunstância, este vale se tornou desprezível e amaldiçoado pelos judeus e símbolo do terror, da abominação e do asco (repugnância natural direcionada ao que é excessivamente hediondo) e mencionado por Jesus com essas características. Ser atirado à Gehena após a morte, era sinônimo de desprezo ao morto, abandonado pelos familiares, não merecendo ao menos uma cova rasa, estando condenado a destruição eterna do fogo. O vale de Hinon era um crematório das sujidades das cidades de Jerusalém. O fogo ardia constantemente nesse sítio e com o objetivo de avivar as chamas e tornar mais eficaz a sua força lançava ali enxofre. A ideia de que o fogo queima constantemente em Hinon, não é razoável e nem admissível logicamente. 4. Tártaro palavra grega que ocorre uma vez no Novo Testamento, encontrando-se em II Pedro 2:4 "Ora, se Deus não poupou a anjos quando pecaram, antes precipitando-os no inferno (Tártaro no original) os entregou a abismos de trevas, reservando-os para juízo". A palavra Tártaro usada por Pedro se assemelha muito a palavra "Tartarus", usada na mitologia grega, com nome de um escuro abismo ou prisão; porém, a palavra Tártaro, parece referir-se melhor a um ato do que a um lugar. A queda dos anjos que pecaram foi do ponto de honra e dignidade a desonra e condenação. Portanto, a ideia parece ser: Deus não poupou aos anjos que pecaram, mas os rebaixou e os entregou as cadeias de trevas. O argumento aqui logicamente é verossímil não existindo nenhuma ideia de fogo ou tormento eterno nessa palavra. Este vocábulo, Tártaro, simplesmente declara que esses anjos estão reservados para um julgamento futuro. Também se reserva as trevas espirituais dos anjos caídos já que eles foram expulsos para a terra e não para um abismo literal. Apocalipse 12:9 "E foi expulso o grande dragão, a antiga serpente, que se chama o diabo e Satanás, o sedutor de todo o mundo, sim, foi atirado para a terra, e, com ele, os seus anjos". A única menção, na Bíblia, a algo que se aproxima do INFERNO é o Gehena ou Hinon, um vale próximo a Jerusalém, onde se situava Tophet, local em que se mantinha perpetuamente acesa uma fogueira queimando os detritos  para fins de higiene. O profeta Jeremias informa-nos que os Israelitas renegados fazia sacrifícios humanos a Moloch Hércules nessa região. E mais tarde descobrimos os cristão substituindo calmamente essa divindade por seu Deus do perdão, cuja ira não pode ser aplacada, a não ser que a igreja lhe sacrifique suas crianças não batizadas e os seus filhos mortos em pecado no altar da "danação eterna. (Aqui é uma alusão a mortandade realizada pelo conquistador europeu em cooperação com a Igreja (jesuítas) na colonização das Américas portuguesas e espanholas nos séculos XIV e XV. Crianças, mulheres, jovens, adultos indígenas eram mortos, pois naquela época eles juntamente  com os negros, não tinham o reconhecimento de suas almas, assim supostamente "legitimando" os sacrificados (morte) daqueles que não aceitassem a fé cristã. Como aceitar uma coisa que não entendiam nem imaginavam a possibilidade disso em suas culturas. Mais de 30 milhões de indígenas foram exterminados em nome de Deus e da evangelização dos povos selvagens bárbaros e primitivos). E aqui está o que Santo Agostinho (354-430) escreveu em sua famosa obra Confissões depois de sua conversão: "Oh! meu Deus! Maravilhosa é a profundidade dessas tuas palavras com  que convidas os humildes. Amedronta-me tanta honra e me estremeço de amor ante profundidade tão maravilhosa. A teus inimigos (os pagãos) eu os odeio veementemente. Digna-te atravessá-los com tua espada de dois gumes para que deixem de ser teus inimigos, porque me comprazeria vê-los mortos". (São palavras que envergonham e entristecem qualquer cristão, e quando pensamos que tipos de argumentos como esse fomentaram tanto ódio, “orgulho” e mortandade de pessoas inocentes, caímos em si, pedindo a misericórdia divina). Maravilhoso espírito do Cristianismo; e isso oriundo de um maniqueu (O Maniqueísmo era uma doutrina religiosa Persa que, difundida no Império Romano, afirmava existir um conflito entre o Bem, designado como reino de luz, e o Mal, o reino das trevas. Assim, o homem deveria auxiliar no êxito do Bem através de práticas espirituais, esquivando-se da procriação e dos alimentos de proveniência animal. De acordo com esse ensino o mundo teria sido criado e tem sido dominado, basicamente, por dois princípios: o Bem, Deus e o Mal, diabo.  Não é difícil imaginar quem eram os inimigos do Senhor, de acordo com os cristãos; as raras ovelhas no rebanho de Santo Agostinho eram seus novos filhos e favoritos, que suplantaram em sua afeição os filhos de Israel (Judeus), seu povo eleito. O resto da humanidade eram seus inimigos naturais. As inumeráveis multidões de gentios consistiam em bom alimento para as chamas do inferno; só os poucos da comunhão cristã eram os herdeiros da salvação; inacredritável. Como chegaram os padres a conhecer tão bem as condições do inferno, a ponto de dividir as suas tormentas em duas categorias, a poena Damni (a dor da perda) e a poena sensu (sensação da dor), sendo a primeira a privação da visão beatífica; e a segunda, as penas eternas num lago de fogo e enxofre? Se eles responderem que foi através de Apocalipse 20;10 "E o diabo, que os enganava, foi lançado no lago de fogo e enxofre, onde estão a besta e o falso profeta; e de dia e de noite serão atormentados para todo o sempre", estamos preparados para demonstrar de onde o próprio teólogo (apóstolo João) retirou a ideia. Deixando de lado a interpretação esotérica de que o diabo ou o demônio tentador significa o nosso próprio corpo terrestre, que depois da morte certamente se dissolverá nos elementos ígneios (que tem as qualidades do fogo) ou etéreos (que tende a ser volátil, fluido), a palavra "eterna" pela qual os nossos teólogos interpretam as palavras "para todo o sempre" não existe na língua hebraica, nem como palavra nem como sentido. Não há nenhuma palavra hebraica que expresse exatamente  a eternidade; segundo Le Clerc de La Bruere (1714-1754), significa apenas um tempo cujo começo e cujo fim não são  conhecidos. Embora  demonstre que essa palavra não significa duração infinita, e que no Antigo Testamento a expressão  para sempre significa apenas um longo espaço de tempo. O arcebispo John Tollotson (1630-1694) deturpou completamente o sentido, no que toca a ideia das tormentas do inferno. De acordo com a sua doutrina, quando se diz que Sodoma e Gomorra pereceram no "fogo eterno", devemos entender a expressão apenas no sentido de que o fogo não se extinguiu até as duas cidades terem sido inteiramente consumidas. Quanto ao fogo do inferno, deve-se entender as palavras no sentido estrito da duração infinita. Tal é a sentença do sábio teólogo Tollotson. Pois a duração da punição dos depravados deve ser proporcional a beatitude eterna dos justos. Diz ele que, esses (depravados) terão punição eterna; mas os justos a vida eterna. O reverendo T. Swinden (1793-1881), comentando as especulações de seus predecessores, preenche todo um volume com argumentos, segundo ele incontestáveis, visando mostrar que o inferno se localiza no Sol. Suspeitamos que o reverendo comentador leu o Apocalipse na cama e teve em consequência um pesadelo. Há dois versículos do Apocalipse de São João que dizem o seguinte: "E o quarto anjo derramou sua taça sobre o Sol, e concedeu-lhe o poder de abrasar os homens pelo fogo. E os homens então abrasados por um calor intenso puseram-se a blasfemar contra o nome de Deus". Isto é simplesmente uma alegoria Pitagórica e Cabalística. A ideia não é nova nem para Pitágoras (571 AC 495) nem para São João. Pitágoras colocava a "esfera de purificação no Sol", Sol esse que, com a sua esfera, ele localizava, ademais, no centro do universo, tendo a alegoria um duplo sentido. 1. Simbolicamente, o Sol físico representa a Divindade Suprema, o Sol Espiritual Central. Chegando a essa região, todas as almas purificam-se dos seus pecados, e unem-se para sempre com seu espírito, depois de sofrerem anteriormente em todas as esferas inferiores. 2. Colocando a esfera do fogo visível no centro do universo, Pitágoras insinuou o sistema heliocêntrico (os corpos celeste, inclusive a terra girava em torno do Sol. Comprovado posteriormente por Galileu Galilei 1564-1642), que fazia parte dos mistérios, sendo comunicado apenas no grau elevado de iniciação. São João dá a seu Verbo (Logos) um significado puramente Cabalístico, que nenhum "padre", exceto aqueles  que pertenceram à Escola Neo Platônica, foi capaz de compreender. Por ter sido um discípulo de Amônio Saccas (175-242), Orígenes (182-254) o entendeu, devido a essa razão o vemos negar corajosamente a perpetuidade das tormentas do inferno. Ele sustenta que não apenas os homens, mas inclusive os demônios (e por esse termo ele entendia os pecadores humanos desencarnados), após um período mais ou menos longo de punição, serão perdoados e finalmente reconduzidos ao céu. Em consequência dessas e de outras supostas heresias, Orígenes foi, naturalmente exilado e posteriormente morte, tornando-se um dos primeiros mártires da Igreja Primitiva. Numerosas foram as especulações eruditas e verdadeiramente inspiradas sobre a localização do inferno. As mais populares foram as que o colocaram no centro da Terra. Entretanto, numa certa época, algumas dúvidas céticas que perturbaram a placidez da fé nessa doutrina altamente consoladora surgiram como consequência da intromissão dos cientistas daqueles dias. Como observa o Senhor Swinden (1866) em nosso próprio século, a teoria é inadmissível  por duas objeções: 1. É impossível supor que possa existir uma reserva suficiente de combustível ou enxofre para manter um fogo tão furioso e constante. 2. Faltam as partículas nitrosas do ar necessárias para mantê-lo em combustão. E como ele diz: "pode um fogo ser eterno, quando toda a substância da Terra seria desse modo gradualmente consumida". O cavaleiro cético esqueceu-se evidentemente de que Santo Agostinho (354-430) solucionou há séculos a dificuldade. Temos a palavra desse sábio doutor da Igreja de que o inferno, não obstante estas dificuldades, está no centro da Terra, pois "Deus fornece ar ao fogo central por mercê de um milagre". O argumento do pai da Igreja é irresponsável e ilógico, de sorte que não procuraremos refutá-lo. É isso ai amigos. Abraço. Davi.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

O Budha e o Conceito de Verdade.



Este texto é do Sutta Pitaka, a coleção dos discursos que são atribuídos ao Budha e alguns dos seus discípulos mais próximos. Ele contem todos os ensinamentos centrais do Budismo Theravada. "Discípulo: Cada pregador, ao expor seu tema predileto, costuma afirmar, que se aderirmos firmemente ao exposto, seremos salvos, se o rejeitarmos, seremos perdidos e condenados. Disputam os pregadores entre si, chamando-se uns aos outros de "ignorantes" e até mesmo de idiotas. Quem nos há de apontar qual deles seja o certo? Não é possível que todos sejam autoridades conforme alegam. Budha: Se pelo simples fato de discordar de outro, alguém é qualificado de "idiota", nesse caso todas as "autoridades", cheias de teorias, seriam idiotas. Se cada teoria revelasse a verdade e qualificasse o seu expositor como "autoridade", então todos eles seriam autoridades. Não espereis ouvir a verdade daquele que chama os outros de "idiota". Cada um considera a sua própria opinião como "verdadeira" e quem quer que dela discorde é, então, chamado de tolo. Discípulo: O que um deles classifica como "verdade" diz um outro ser "falso", e assim por diante. Como pode ser que estejam sempre a discordar e por que razão não dizem todos eles a mesma coisa? Budha: A verdade é uma só, e por esse motivo, os sábios nada têm que debater. Mas como cada um desses disputantes tem a sua versão pessoal da verdade, as suas contendas são intermináveis. Discípulo: Mas como pode ser que cada uma destas autoridades considere a sua versão pessoal como sendo a própria verdade? Poderá se confiar, nesse caso, que a verdade por ele anunciada tenha realmente sido a verdade? Ou será que inventam, pura e simplesmente, suas teorias? Budha: Não existe verdade alguma além da que é fornecida pela percepção sensorial. No exato momento em que te aferras ao conceito de que algo é "verdadeiro", surge o atrito, porque o conceito oposto terá, então, que ser rotulado de falso. Aquele que se deixa iludir pelo que se vê e pelo que ouve, pela virtude, por suas vitórias e sucessos fixa-se em suas ideias e critica os demais. Ao criticar os outros seu egoísmo se expande, e por se considerar autoridade sem prender-se à crítica, torna-se cada vez mais exagerado. É aí, então, que num transbordamento de auto conceito que de si mesmo faz, vangloria-se de ser "um sábio" e acredita serem os seus conceitos irrefutáveis. Se alguém o chama de confuso, logo replica "confuso é você", embora cada qual, a seu tempo, se considere um "sábio". De cada autoridade, se há de ouvir, a afirmação de que aqueles que seguem uma filosofia diferente da sua não conseguirão jamais atingir a pureza e a perfeição. “Meu método é infalível. É o único que conduz à perfeição". Alardeiam em autopromoção todos esses pseudo sábios. Tais comentários os expõem a ataques por parte das outras autoridade, e consequentemente, há cada vez mais disputas. Desta forma, essas pessoas (cada qual ancorada a sua teoria predileta) prosseguem em suas altercações a vida toda. Abstraí- vos, portanto, de toda e qualquer teorização, com suas inevitáveis disputas. Discípulo: Será que esses dogmatizadores, que afirmam ensinar a única verdade, o que fazem é só acarretar para si a censura, ou será que por vezes eles também mereçam louvores? Budha: O pouco louvor, que porventura consigam é insignificante e não lhes confere paz. Não é com disputas que se atinge a meta. O sábio não dá crédito às teorias passageiras. Por que iria ele se prender? Ele já transcendeu, já ultrapassou a fase de acreditar em tudo o que vê e que ouve. Alguns sábios há que sustentam ser a meta atingível pela prática da virtude e pela execução de  atos meritórios. Ao afirmarem "ser este o caminho", intitulam-se como único mestre. Alguns se tornam obcecados pela importância dos princípios, e se porventura chegam a transgredir uma só regra, por mais insignificante que seja, amofinam-se (aborrecimento), e se preocupam como alguém que houvesse perdido a caravana. Assim sendo, não vos agarreis a código algum que distribua méritos e deméritos, mas sim, ficai independentes. Alguns fazem penosas penitências, outros confiam no que vêm e no que ouvem falar da conquista da pureza nesta vida, e, no entanto, desejam ainda conseguir um renascimento feliz. O desejo acarreta mais desejo. O medo mais medo ainda. Aquele, porém, que não nutre mais o desejo de viver, seja agora ou em outras vidas, não mais teme a morte, nem o renascimento. Discípulo: A filosofia que alguns rotulam de mais elevada, outros consideram desprovida de valor. Todos, porém, consideram-se autoridades. Com qual deles está a razão e a verdade? Budha: É só a sua própria filosofia que cada qual considera como a mais elevada, ao passo que aos demais métodos não empresta valor algum. Deste modo é que surgem as disputas. Se o mero criticar destitui os conceitos filosóficos de qualquer valor, então, todas as suas filosofias não tem valor algum, pois todos vivem a criticar conceitos alheios. Extravagantes se mostram na prática de sua própria filosofia, tal como quando a expõem, porém, todos os seus conceitos levam à mesma coisa. O verdadeiro brâmane, contudo, não copia os demais, tendo transcendido o hábito de disputar, a nenhuma filosofia em particular chama ele de "melhor". Afirmam alguns devotadamente: "A verdade é assim e assim. Eu sei! Eu vejo!". E sustentam que tudo depende de se ter a religião correta. Se, porém, eles realmente "soubessem", não teriam necessidade de religião alguma. O homem vê como nome e forma, mas dizem os sábios, por pouco ou muito que consiga ver, não verá a pureza. Nenhum filósofo querelante (discussão, disputa) poderá alcançar a pureza por meio de sua doutrina pessoal, ele segue uma luz que ele próprio fabricou, por ele autoprojetada, e daí fala que a "vê". O verdadeiro brâmane está além do tempo, não se baseia em conceito algum, nem se submete a qualquer seita (movimento filosófico ou religioso), compreende todas as teorias correntes, mantendo-se, porém, desapegado de qualquer delas. Liberto dos laços do mundo, embora viva ainda no mundo, o sábio segue, tranquilamente, o seu caminho, livre das seitas, em meio aos sectários, livre de agitações, em meio aos agitados, admitindo o que o mundo comete. Tendo transcendido, por compreensão, suas antigas imperfeições, sem adquirir outras novas pela correta vigilância, tendo abandonado o desejo e se libertado de dogmas, e não se deixando mais influenciar por opiniões filosóficas, segue ele seu próprio caminho, sem se deixar impressionar pelo mundo, não se entregando jamais à censura (crítica, condenação). Liberto de todos os conceitos baseados nas coisas vistas e ouvidas, aliviado, pois, de sua carga, não mais está o sábio tranquilo sujeito ao tempo, transcendendo tanto o desejo, quanto a abstinência (ação de privar-se de determinada coisa)”. Retirado do Tripitaka, o livro sagrado do budismo na língua pali, uma língua hindu. Tripitaka significa três cestas, numa referência às três partes do livro o Vinaya, com as regras de conduta, o Sutta, que reúne os discursos do Budha, e o Abhidhamma, que é mais filosófico. A história desse livro sagrado e do Budismo remonta à trajetória de Sidharta Gauthama (560 AC 480), que abandonou uma vida de fortuna para buscar a sabedoria. Depois de meditar e refletir em contemplação, ele concluiu que o sofrimento era causado pelos desejos que atormentavam a mente dos homens, como a corrupção, o ódio e a ilusão. Para Sidharta, se o homem aniquilasse esses desejos, atingiria o Nirvana, um estado de paz longe de todo o sofrimento. Por causa dessa descoberta, ele tornou-se o Budha, que em sânscrito significa o Iluminado ou Desperto. Ao longo de sua vida, os 84 mil ensinamentos de Budha foram transformados em Sutras ou Suttas, espécie de regras para a vida cotidiana. São elas que compõem o Tripitaka, diz o lama Padma Norbu (1948-   ), do templo Odsai Ling, em São Paulo, - - Brasil. http://www.oiluminador.blogspot.com.br. Abraço. Davi.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Bhagavad Gita. Os Atributos Divinos e Demoníacos.



Comentários de Shri Mataji Devi. Nesse 16º capítulo, o Senhor Krishna classifica, claramente, a humanidade de todas as eras e épocas em duas categorias: os divinamente bons, Devas e os maus, Asuras. Ele descreve as ações desempenhadas por ambos, bem como as consequências que advêm delas. Diferentemente do tipo divino, o tipo maléfico, dos Asuras, é contrário a todos os valores espirituais. Ele não sabe distinguir o que é certo e o que é errado, nem o que é puro e impuro, e nem o verdadeiro do falso. Segundo esse tipo não há lugar para Deus no mundo e ele acha que é o mais poderoso. Esse tipo pretende somente acumular riquezas, destruir seus inimigos, satisfazer a sua luxúria e ganhar fama e prestígio custe o que custar. Esse tipo tenta explorar e torturar os seus semelhantes e não tem nenhum respeito por Deus. O tipo divino é puro, destemido, controlado, generoso, amoroso, paciente e não tem vaidade e nem orgulho. Quais são os efeitos das ações desses dois tipos? A natureza divina conduz a liberação, enquanto que a natureza demoníaca leva à escravidão. O Senhor Krishna, assegura a Arjuna que ele nasceu com qualidades divinas. Para o tipo demoníaco, o ego é a coisa suprema e ele acha que é capaz de fazer e de executar qualquer coisa. Esse tipo torna-se habituado aos prazeres dos sentidos e vive num inferno. Soberbo, obstinado, cheio de orgulho e intoxicado pela riqueza, ele realiza os rituais de sacrifício em nome da ostentação, contrariamente ao que decretam as regras das Escrituras. Além disso, iludidas pelo falso ego, pela luxúria, pelo orgulho, pela raiva e pela sensação de poder e de força, essas pessoas maliciosas tornam-se invejosas em relação ao Senhor que está presente em seus próprios corpos e nos dos outros. O Senhor Krishna assevera que os seres humanos perversos e invejosos decaem cada vez mais, a cada dia, e nascem, repetidas vezes, no mundo material através de vários tipos demoníacos. Eles não conseguem aproximar-se de Deus e entregam-se ao tipo de existência mais abominável. Como é que se pode evitar cair nesse inferno? Isso pode ser feitos se evitarem três coisas: Kama, luxúria, Krodha, raiva, e Lodha, ganância. Todos os seres humanos sadios deveriam evitar esses três obstáculos. Quando isso é evitado, então o indivíduo executa ações que conduzem a Realização Divina e alcança, gradativamente, a meta suprema. No entanto, se o indivíduo optar por abandonar as regras do bom comportamento e fizer o que lhe der na cabeça, então ele não alcançará a perfeição, a felicidade ou a Realização de Deus. O Senhor krishna diz que deveríamos compreender o que é o Dharma, dever, e o Adharma, conforme rezam as Escrituras, antes de começarmos a trabalhar, de modo que as nossas atividades possam nos conduzir à Realização de Deus. Segue a Escritura Sagrada. “Prossegue Krishna, o Verbo Interno: Vou dar-te os sinais característicos dos homens que andam pelo caminho que conduz à Vida Divina. Ei-los: Intrepidez, pureza de coração, perseverança em busca da sabedoria, caridade, abnegação, domínio de si mesmo, devoção, religiosidade, austeridade, retidão. Abstenção de más ações, veracidade, mansidão, renúncia, equanimidade, boa vontade, amor e compaixão para com todos os seres. Ausência do desejo de matar, ânimo tranquilo, modéstia, discrição, firmeza. Fortaleza, paciência, constância, castidade, humildade, indulgência. Agora ouve os característicos dos homens que andam pelo caminho que conduz aos demônios: Hipocrisia, orgulho, arrogância, presunção, cólera, rudeza e ignorância. O bom caráter liberta da imortalidade e conduz a Divindade. O mau caráter causa repetidos renascimentos mortais. O primeiro dá liberdade, o segundo escravidão. Mas não temas, Oh herói! Tu tens bom caráter e destino divino. Duas espécies de natureza pode-se observar neste mundo humano, a divina ou boa, e a diabólica ou má. As características da natureza boa ou divina já te descrevi suficientemente. Escuta agora, Oh filho da Terra! Quais são as características da natureza má. Os seres que são iguais aos Asuras (demônios, espíritos maus), não conhecem nem o seu princípio nem o fim. Não sabem o que é praticar reta ação e não sabem abster-se de ação má. Neles não há pureza, nem moralidade, nem veracidade. Eles dizem que no mundo não há verdade, nem justiça, negam a existência do Espírito Divino. Acreditam que o mundo é produto do acaso, e que o fim da vida é o gozo material. Vivendo conforme estas ideias errôneas, são gente de intelecto mesquinho, ações desregradas, inimigos da Humanidade e praga do mundo. Entregam-se aos prazeres carnais e dizem que esse é o mais alto bem. Mas nunca os prazeres sensuais os satisfazem, porque, mal um apetite obteve satisfação, já emerge um outro, cada vez mais imperioso. Esses homens são hipócritas, vaidosos e ilusos (enganados). É impura a sua vida, porque, pensando que com a morte tudo se acaba, creem que o supremo bem consiste na satisfação de seus desejos. Confundidos nas teias do desejo, entregam-se à volúpia, à ira e a avareza. Prostituem as suas mentes e o seu sentimento de justiça, procurando acumular riquezas por meios ilegais, com o fim de terem com que satisfazer os desejos materiais. Dizem eles: Hoje obtive isto, e amanhã hei de obter aquilo, conforme o desejo do meu coração. Isto me pertence, e aquilo me pertencerá. A este inimigo derrotei, e aquele derrotarei. Eu Sou o Senhor! Eu Sou meu próprio deus, e tudo no mundo há de me servir para o meu gozo. Eu Sou feliz, forte, poderoso! Eu Sou rico e nobre. Onde está outro que me iguale? Distribuirei esmolas entre a população, para que se conheça a minha liberalidade, e se espalhe a minha fama! Assim os engana a ignorância. E confundidos pelos seus pensamentos e enleados na rede da ilusão, procurando sempre só a satisfação dos seus desejos, precipitam-se no horrendo inferno, Naraka. Alguns deles, em sua hipocrisia, desejam aparecer como bons perante o mundo e, por isso, praticam atos de piedade e ritos da religião. Segundo, entretanto, apenas a letra, e repelindo o espírito das doutrinas religiosas, e dando as esmolas com ostentação e com coração frio. Estes blasfemadores, egoístas e violentos, cheios de orgulho, voluptuosidade e ira, odeiam-me e a tudo o que é bom, tanto em si mesmos, como nos outros seres. Estes ímpios, malvados e aborrecedores, os mais vis entre os homens do mundo, são por Mim arrojados em demoníacas matrizes. E caídos em demoníacos seios, alucinando-se de nascimento em nascimento, em vez de Me alcançarem, submergem-se nos mais profundos abismo. A bíblia diz nos Salmos 42:7 “Um abismo chama outro abismo”. Três são as portas deste inferno destruidor do ser: luxúria, ira e avareza. Essas estão incluídas nos sete pecados capitais descritos no catolicismo além da gula, vaidade, soberba e preguiça. Delas se aparte pois o homem. Quem se salva destas três portas tenebrosas, realiza a sua própria felicidade e assim atinge a Meta Suprema. Mas quem despreza os mandamentos da Lei e se entrega aos impulsos do desejo, não consegue a perfeição, nem a felicidade, nem a Meta Suprema. Portanto, sejam as Escrituras a tua norma na determinação do que deves e não deves fazer. Neste mundo, age sempre de conformidade com as Escrituras cujos preceitos conheces”. Abraço. Davi.

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Os Dez Estados da Vida.

Amigos leitores russos do Mosaico, meus sentimentos profundos a todos os familiares, parentes e amigos daqueles que foram vitimados na tragédia (sábado, 31/10) do airbus A321-200 da Empresa Aérea Russa Metrojet. Eles estavam em viagem de férias ao Balneário de Sham el Sheik na Península do Sinai - Egito, quando regressando a São Petersburgo - Rússia, minutos após a decolagem o avião explodiu. As causas estão sendo investigadas pelas autoridades russas, mas nenhum dos 224 passageiros e tripulantes incluindo 25 crianças sobreviveram na fatalidade. Especula-se que o avião tenha sido atingido por um míssil dos separatista egípcios pro Estado Islâmico, mas segundo as autoridades isso é pouco provável, principalmente, sabendo-se que a altitude do Airbus era de mais de 9.000 metros. As duas caixas pretas foram recuperadas e seu conteúdo já está sendo analisado pelos peritos, esperando-se um laudo conclusivo para os próximos meses do que provocou a queda da Aeronave. Mas conforme averiguações dessas caixas, segundo auditores franceses (06/11) ouviu-se uma explosão no compartimento de carga em pleno voo. Supostamente comprovando que uma bomba foi colocada na aeronave propositadamente para causar a queda da aeronave, sendo assim um ato terrorista. Isso ainda precisa ser definitivamente confirmado pelos técnicos. Todos esses que faleceram adentraram ao portal do mundo sutil e plasmado. O outro lado da vida, onde por um período estaremos numa transição astral até chegarmos no devachan (céu), lugar de descanso e gozo, aguardando nossa futura reencarnação. A bíblia diz em Romanos 14:8 "Por que se vivemos para o Senhor vivemos. Se morremos para o Senhor morremos. De sorte que ou vivamos ou morramos, somos do Senhor". Essa é nossa paz e grande esperança, pois na vida ou na morte somos do Senhor. Presto esta homenagem a esses queridos que partiram, com certeza deixando muitas saudades e lembranças inesquecíveis. Um beijo e afetuoso abraço a todos os familiares dessa calamidade. (...). Budismo Nitiren Daishonin. "Os Dez Estados da Vida, também conhecidos por Dez Mundos, compõem a base da filosofia de vida elucidada pelo budismo. É uma teoria profunda e prática que esclarece, com simplicidade, as complicadas questões da vida. Os diversos estados da vida, ou reações da vida que se manifestam em resposta às ações externas, foram escalonados em dez categorias básicas: Inferno, Fome, Animalidade, Ira, Tranquilidade, Alegria, Erudição, Absorção, Bodhisattva e Budha. Estes estados não são condições fixas em que uma pessoa terá de viver por toda a sua existência, mas condições fundamentais que existem em forma latente na vida de todas as pessoas, sejam budistas ou não. O conhecimento desta teoria pode ajudar as pessoas a adquirirem perfeita compreensão e domínio sobre as diversificadas questões da vida, além de fazer com que reconheçam o estado de Budha como a mais suprema condição de vida que as conduz para a felicidade absoluta. Por outro lado, com a compreensão dos Dez Estados da Vida, pode-se aprender um modo correto de viver como também criar um destino melhor. De uma forma mais ampla, é uma filosofia que ajudará os homens a estabelecer um mundo de humanismo. A vida de uma pessoa tem ambos os aspectos, positivo e negativo, e está constantemente se transformando de momento a momento. Quando as pessoas tomarem consciência dos potenciais inerentes em sua vida, terão melhores chances de controlar a si mesmos, ainda que sua vida esteja submetida a constantes mudanças. Além disso, com a prática do Verdadeiro Budismo, as pessoas podem obter força e sabedoria necessárias para elevar sua condição de vida nos estados mais baixos, libertando a si próprios de futuros sofrimentos. Os Dez Estados da Vida não são sentimentos meramente emocionais, espirituais ou físicos. Esses estados estão latentes na vida e manifestam-se do interior de uma pessoa como uma reação imediata e diretamente proporcional às influências externas, negativas ou positivas. Com a prática do budismo, uma pessoa pode elevar, cada vez mais, o potencial do estado de Budha a ponto de conseguir manter um domínio maior deste sobre os demais estados da vida, não sendo facilmente arrastada à mercê das condições externas da vida. O potencial do estado de Budha possibilita também a manifestação da sabedoria inata que ajuda as pessoas a ultrapassarem as mais duras realidades da vida. Por essas razões, o ato de praticar o budismo é a mais elevada causa que gera os mais elevados benefícios. Este é o motivo básico da recitação do Nam myoho rengue kyo e o motivo de encorajar outras pessoas a fazerem o mesmo. Coexistência dos Dez Estados da Vida. Este princípio filosófico, também conhecido por possessão mútua, esclarece a inter-relação entre os Dez Estados da Vida. Significa que numa determinada condição de vida coexistem os demais estados na forma latente. Esta teoria confirma o fato de que os estados da vida não são condições fixas, mas que um estado torna-se mais evidente do que outro de acordo com as causas externas que o motivaram, deixando os demais estados na condição não manifesta. A importância maior desse princípio é esclarecer que todas as pessoas, mesmo aquelas que se encontram predominantemente nos estados mais baixos, estão dotadas com a suprema condição de vida chamada estado de Budha. Em outras palavras, significa que uma pessoa que se encontra na mais terrível condição de vida possui inerentemente a possibilidade de manifestar o potencial do estado de Buda e alcançar a felicidade absoluta. Os Estados de Vida.  1- Estado de Inferno: É a condição de vida mais baixa entre os demais estados. É um estado de sofrimento constante em que as pessoas não têm forças para influenciar suas circunstâncias de vida, nem esperança com relação ao futuro, não podem fazer nada de que gostariam de fazer, nem mesmo gritar para desabafar suas angústias. Esse incontrolável e inextinguível sofrimento caracteriza o estado de Inferno. 2- Estado de Fome: É caracterizado pela obsessão de realizar os desejos e pela incapacidade de satisfazê-los. Neste baixo estado de vida, as pessoas são completamente controladas e dominadas por seus desejos insaciáveis e por terríveis insatisfações, são infelizes e impedidas de se desenvolverem e prosperarem. 3- Estado de Animalidade: É também um estado baixo de vida em que as pessoas são conduzidas unicamente por seus instintos, agem impulsivamente com irracionalidade e sem moralidade. O critério de suas ações é aproveitar-se dos mais fracos e bajular os mais fortes. As pessoas no estado de Animalidade perdem o sentido da razão, e suas emoções são facilmente dominadas pelo medo e pela covardia. Além disso, não conseguem encontrar soluções nem esperanças e resignam-se diante do destino. Os estados de Inferno, Fome e Animalidade formam os Três Maus Caminhos porque são estados de sofrimento. 4- Estado de Ira: É o quarto mais baixo estado de vida que, associado aos Três Maus Caminhos, formam as Quatro Tendências Maléficas. Neste estado, as pessoas possuem consciência de seus atos embora baseados em pontos de vista distorcidos do que é certo ou errado, enquanto nos três anteriores não têm controle sobre sua vida pois são dominadas completamente pelos desejos. No estado de Ira, as pessoas preocupam-se única e exclusivamente consigo mesmas, com seus próprios benefícios, pouco se importando com os demais ou com seu ponto de vista. São conduzidas pelo egoísmo e pela ambição de ser superior derrubando outras pessoas. 5- Estado de Tranquilidade: Esta é uma condição em que a pessoa pode controlar temporariamente seus impulsos e desejos através da razão. Assim, uma pessoa passa a ter uma vida tranquila e em harmonia com seu meio, que inclui as pessoas e o ambiente. Nesse estado, as energias da vida estão sob considerável controle. Porém, pode cair instantaneamente para os Três ou Quatro Maus Caminhos pelo mais leve desvio ocorrido em suas circunstâncias de vida. 6- Estado de Alegria: É uma condição de vida de contentamento que se origina na concretização dos desejos e na solução dos problemas. A alegria nesse estado de vida é efêmera e desaparece com o passar do tempo ou com a transformação das circunstâncias. Estes seis primeiros estados de vida compõem os Seis Maus Caminhos. São estados em que as pessoas são arrastadas exclusivamente pelas influências externas, ficando privadas da liberdade de manter autocontrole sobre as circunstâncias de sua vida. Os próximos quatro estados de vida formam os Quatro Nobres Caminhos, pois são condições alcançadas pelos esforços desenvolvidos pelas próprias pessoas. 7- Estado de Erudição: É a condição experimentada por uma pessoa quando luta por um estado duradouro de contentamento e estabilidade através da auto reforma e do desenvolvimento próprio. É o estado em que o indivíduo dedica-se à criação de uma vida melhor através da aquisição de ideias, conhecimentos e experiências de seus predecessores. 8- Estado de Absorção: As pessoas neste estado podem alcançar a percepção parcial de algumas verdades por si mesmas através da observação direta dos fenômenos da natureza. A Erudição e Absorção compõem os Dois Veículos pois conduzem as pessoas para uma certa independência na vida pela percepção obtida da verdade parcial. Contudo, na condição de Dois Veículos, as pessoas ficam apegadas à percepção para o bem de si mesma e não lutam para beneficiar os outros. 9- Estado de Bodhisattva: Uma pessoa neste estado manifesta uma vida plena de benevolência e sua característica é dedicar-se à felicidade de outras pessoas promovendo ações de altruísmo. Esta benevolência difere essencialmente do conceito de caridade ou compaixão, e sua definição exata é retirar o sofrimento e dar felicidade. A caridade e a compaixão podem aliviar o sofrimento, mas não conseguem retirá-lo nem oferecer a felicidade. A característica maior do estado de Bodhisattva é a busca constante do estado de Budha, ao mesmo tempo em que procura ensinar esse caminho para que as pessoas tornem-se capazes de manifestar a força inerente da vida para conquistarem a felicidade absoluta. 10- Estado de Budha: Constitui-se numa condição de vida em que a pessoa adquire a sabedoria que lhe permite compreender a verdadeira essência da sua vida, manifestar a profunda benevolência para com todas as pessoas e ter a percepção sobre as três existências da vida e sobre a Lei básica do universo. É uma condição de vida no estado de felicidade absoluta que nada pode corromper. Da mesma forma como nenhum estado de vida é estático, o estado de Budha é experimentado no decurso das contínuas atividades de altruísmos cotidianas. Portanto, não se deve considerar o estado de Budha como objetivo máximo a ser alcançado no final da vida. Preciosa Colaboração de Marcio Rangel e-mail ongakutai@ig.com.br. http://www.belasbistoriasbudistas.blogspot.com.br. Abraço. Davi.