segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

A RELIGIÃO DO ISLAM. CONCLUSÃO III

Islamismo. IslamHouse.com. Manual para o Novo Muçulmano. Por Jamall Zarabozo (1961  -). RELIGIÃO DO ISLAM. CONCLUSÃO III. Que sua esposa responda a seus chamados para satisfação de suas necessidades sexuais. O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Se um homem chama sua esposa à cama e ela se recusa ir [sem motivo válido], os anjos a maldirão até a manhã”. (Bukhari).  A esposa não permitirá que ninguém entre em sua casa sem a permissão de seu marido. Em um hadith registrado por Bukhari e Muslim, o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) disse: “Não permitam que ninguém entre em sua casa sem a minha permissão.” Se os cônjuges contraem matrimônio com a intenção correta de satisfazer a Allah e ao seu companheiro(a), aceitando os requisitos e responsabilidades no matrimônio e tratando-se de acordo com o comportamento islâmico adequado, sua união será abençoada e se estenderá até a próxima vida. A dissolução do matrimônio Após repassar as bases fundamentais do matrimônio, devemos dizer que o Islam é também uma religião prática. Uma religião que considera todas as situações possíveis. É possível que um homem e uma mulher realizem uma união com boas intenções e que suas personalidades e gostos simplesmente não coincidam. Existem situações nas quais um bom matrimônio não pode se concretizar e nas que os cônjuges vivem em um estado miserável. Sob estas circunstâncias a lei islâmica permite a dissolução do casamento e do sofrimento. O objetivo seria de continuar juntos amistosamente ou separar-se de uma forma tranquila. Por isso, Allah disse: “Quando vos divorciardes das mulheres, ao terem elas cumprido o seu período prefixado, tomai-as de volta equitativamente, ou liberta-as equitativamente. Não as tomeis de volta com o intuito de injuriá-las injustamente, porque quem tal fizer condenar-se-á...” (2:231). Todavia, quando tiverem cumprido o seu término prefixado, tomai-as em termos equitativos ou separai-vos delas, em termos equitativos...” (65:2). Existem três maneiras de dissolver o matrimônio segundo a lei islâmica. A primeira é o talaaq, comumente traduzido como divórcio. Este é o pedido de divórcio realizado pelo marido. Logo após este pedido a esposa entra em um período de “espera” de aproximadamente três meses, durante os quais podem se reconciliar novamente como marido e mulher. Entretanto, após o terceiro talaaq a reconciliação durante o período de espera já não é mais permitida e os dois devem separar-se completamente. O segundo tipo é conhecido como khula’. Este é quando a esposa não se encontra satisfeita com o matrimônio e solicita ao marido que a libere do casamento. Ela deve oferecer a devolução do dote em troca da finalização do casamento. A terceira forma é quando os direitos da esposa não estão sendo cumpridos pelo marido e ela recorre a um juiz para que este dissolva o compromisso do matrimônio. Obviamente, o divórcio não é um objetivo desejado, nem algo decidido às pressas. Em um mundo perfeito todos os matrimônios seriam abençoados. Porém, como não vivemos neste caso, muitas vezes, esta é a melhor opção para as partes envolvidas. A relação do muçulmano com seus filhos Ter um filho é uma grande bênção, assim como uma grande responsabilidade. Allah disse: “Em verdade os vossos bens e os vossos filhos são uma mera tentação. Mas sabei que Deus vos reserva uma magnífica recompensa.” (64:15). “Ó fiéis, precavei-vos, juntamente com as vossas famílias, do fogo, cujo alimento serão os homens e as pedras, o qual é guardado por anjos inflexíveis e severos, que jamais desobedecem às ordens que recebem de Deus, mas executam tudo quanto lhes é imposto.” (66:6). O significado deste versículo foi reiterado pelo Profeta Muhammad (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) quando disse: “Todos vós são pastores e deverão prestar contas por aqueles que estão sob vossa responsabilidade... O homem é responsável por seu lar e deverá prestar contas por estas responsabilidades. A esposa deverá prestar contas pela casa do marido e por suas responsabilidades.” (Bukhari e Muslim). Os sábios muçulmanos consideram que os direitos das crianças começam muito antes que sejam sequer concebidos, ou seja, quando da eleição de um cônjuge honesto e devoto. Este é o primeiro passo para proporcionar um bom ambiente e um lar saudável para a criança. Além disso, os direitos mais importantes da criança incluem os seguintes: (1) serem mantidos e alimentados de uma maneira saudável; (2) serem educados quanto aos princípios religiosos; (3) serem tratados com compaixão e misericórdia; (4) que os irmãos sejam tratados imparcialmente; (5) que os pais sejam um bom exemplo a seguir. A relação do muçulmano com seus vizinhos Allah disse no Qur’an: “Adorai a Deus e não Lhe atribuais parceiros. Tratai com benevolência vossos pais e parentes, os órfãos, os necessitados, o vizinho próximo, o vizinho estranho, o companheiro, o viajante e os vossos servos, porque Deus não estima arrogante e jactancioso algum.” (4:36). Afora isso, o Profeta Muhammad (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) disse: “Todo aquele que crê em Allah e no Último Dia, que fale o bem o mantenha-se em silêncio. Todo aquele que crê em Allah e no Último Dia, que seja amável e generoso com seus vizinhos.” (Bukhari e Muslim). O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) também disse: “Jibril continuou dando-me conselhos acerca do vizinho, ao ponto de me fazer pensar que deveria incluí-lo na herança.” (Bukhari e Muslim). Em outro hadith, o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) disse: “’Por Allah, ele não é um crente. Por Allah, ele não é um crente. Por Allah, ele não é um crente.’ Perguntaram: ‘Quem é ele, ó Mensageiro de Allah?’ Respondeu: ‘Todo aquele cujo vizinho não esteja à salvo de sua maldade’.” (Bukhari e Muslim). Uma vez, foi perguntado ao Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) sobre uma senhora que oferecia muitas orações, jejuns e dava muito em caridade, mas prejudicava seus vizinhos com suas palavras. O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) disse que ela estaria no Fogo do Inferno. Logo, perguntaram ao Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) a respeito de uma mulher que não realizava muitos jejuns, orações e nem dava muito em caridade [não mais do que era obrigatório], mas que não prejudicava seus vizinhos. O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) disse que ela estaria no Paraíso. O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) também ensinou algumas formas específicas, nas quais se pode ser generoso e amável com os vizinhos. O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) disse a Abu Dharr:  “Ó Abu Dharr, quando estiveres preparando uma sopa, agregue um pouco mais de água e ofereças um pouco a teus vizinhos.” (Muslim). Ser amável e generoso com o vizinho inclui ajudá-lo quando necessário, visitá-lo quando estiver doente e proporcioná-lo bem-estar, de um modo geral. O Shaikh Abu Bakr al-Jaza’iri escreveu: “Todos devemos ser bondosos com nossos vizinhos através das seguintes ações: ajudá-los quando busquem ajuda, assisti-los quando busquem assistência, visitá-los quando estiverem doentes, felicitá-los quando algo bom ocorrer para eles; consolá-los em suas aflições, auxiliá-los quando tenham uma necessidade, ser os primeiros a saudá-los, falar apenas boas palavras, tratar bem os seus filhos, guiá-los para que façam o melhor para vossa religião e vida mundana; relevar seus erros, tentar não se intrometer em assuntos privados, não prejudicá-los com nossas construções ou reformas nas nossas propriedades e não jogar o lixo na frente de sua casa ou em sua propriedade. Todas estas ações formam parte da bondade que Allah nos indica a realizar.” É muito importante que as pessoas que vivem em lugares não muçulmanos reconheçam que os sábios determinaram três tipos de vizinhos: (a) aquele que além de vizinho é parente e muçulmano. Esta classe de vizinho possui três tipos de direitos: o de ser vizinho, o de ser parente e o de ser irmão muçulmano. (b) O vizinho que não é parente, mas é muçulmano; e este possui dois daqueles direitos. (c) O vizinho que não é nem parente e nem muçulmano; e este possui apenas os direitos de vizinho. Quer dizer, mesmo que um vizinho não seja muçulmano possui o direito de ter uma relação especial só pelo fato de ser vizinho. Foi perguntado ao comitê permanente de pesquisa científica na Arábia Saudita sobre os vizinhos não muçulmanos (aceitar os presentes deles, etc.), a resposta foi: “Deve-se tratar bem a todas as pessoas que os tratem bem, inclusive se não são muçulmanas. Se lhes oferecem um presente aceitável, devem responder com amabilidade. O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) aceitou um presente do líder dos romanos, que era cristão. Também aceitou o presente de um judeu. Allah diz no Qur’an: ‘Deus nada vos proíbe, quanto àquelas que não nos combateram pela causa da religião e não vos expulsaram dos vossos lares, nem que lideis com eles com gentileza e equidade, porque Deus aprecia os equitativos. Deus vos proíbe tão-somente entrar em privacidade com aqueles que vos combateram na religião, vos expulsaram de vossos lares ou que cooperaram na vossa expulsão. Em verdade, aqueles que os tomarem como aliados serão iníquos.’ (60:8-9).” O Shaikh Ibn Uthaimin também afirmou: “Não é algo mal satisfazer as necessidades de um não muçulmano se a ação não implica em nada que seja proibido, já que os vizinhos possuem direitos e esta boa ação pode até fazê-los aceitar o Islam.” O shaikh Ibn Baaz disse: “O muçulmano deve ser sociável com seu vizinho não muçulmano. Se seus vizinhos são bons, não os incomodem; e mais, se são pobres, sejam caridosos, se são ricos, presenteie-lhes. Também podem aconselhá-los sobre o que é melhor para eles. Tudo isso pode levá-los a se interessarem pelo Islam e, talvez, converterem-se muçulmanos; os vizinhos possuem direitos muito importantes.” O espírito da amizade entre os vizinhos é algo que foi perdido em muitas culturas, sobretudo na civilização contemporânea. Seria excelente se os muçulmanos, tanto os novos convertidos quanto os mais experientes, pudessem reviver este espírito e, assim, mostrar esta bondade do Islam. A relação do muçulmano com os outros muçulmanos Caso fosse perguntado, hoje em dia, qual o laço mais forte que pode haver entre as pessoas, a maioria responderia os laços familiares, étnicos, nacionalistas, etc. Mas, na realidade, o Qur’an mostra que estes laços não são tão fortes se suas raízes são fracas. No Qur’an, Allah nos dá o exemplo de Caim e Abel que, apesar de serem irmãos, um matou o outro e os irmãos de José do Egito que o jogaram em um poço. Eles eram irmãos de sangue e sem dúvida deram prioridade ao materialismo em detrimento dos laços familiares. Nos dias de hoje isso é algo muito comum. Os laços entre as pessoas estão enfraquecidos por suas paixões, objetivos e metas mundanas. Muitos indivíduos estão dispostos a vender seus parentes e amigos a fim de prosperar neste mundo para obter algo material que desejam. Tudo isso revela uma coisa: quando os laços entre as pessoas estão baseados na amizade, inclusive se forem originários de graus de parentesco, estes serão deixados de lado quando os interesses materiais predominarem. Então, estes não são os laços mais fortes que podem ser construídos entre as pessoas, mas os realmente fortes são os laços do Islam e da verdadeira fé. Estes são vínculos permanentes entre as pessoas, já que são resultado da crença em Allah e o amor por Ele. Isso foi claramente dito por Allah no Qur’an: “E foi Quem conciliou os seus corações. E ainda que tivesses despendido tudo quanto há na terra, não terias conseguido conciliar os seus corações; porém, Deus o conseguiu, porque é Poderoso, Prudentíssimo.” (8: 63). “E apegai-vos, todos, ao vínculo com Deus e não vos dividais; recorda-vos das mercês de Deus para convosco, porquanto éreis adversários mútuos e Ele conciliou os vossos corações e, mercê de Sua graça, vos convertestes em verdadeiros irmãos; e quando estivestes à beira do abismo infernal, (Deus) dele vos salvou. Assim, Deus vos elucida os Seus versículos, para que vos ilumineis.” (3: 103). O Qur’an e a Sunnah nos mostram que os vínculos da fé são os mais fortes. Representam a união entre seres humanos em todo o mundo que congregam sob um mesmo motivo: adorar unicamente a Allah. Para alcançar esta meta, os muçulmanos devem trabalhar juntos e ajudar-se mutuamente com compaixão, misericórdia e amor. De fato, existem muitos relatos do Qur’an e dos ahaadith que demonstram que os muçulmanos devem formar uma irmandade universal. Para ser breve apresentarei apenas alguns exemplos destes textos: “Os fiéis e as fiéis são protetores uns dos outros; recomendam o bem, proíbem o ilícito, praticam a oração, pagam o zakat, e obedecem a Deus e ao Seu Mensageiro. Deus Se compadecerá deles, porque Deus é Poderoso, Prudentíssimo.” (9: 71). “Certamente os crentes são irmãos entre si...” (49: 10). “Muhammad é o Mensageiro de Deus, e aqueles que estão com ele são severos para com os incrédulos, porém compassivos entre si...” (48: 29). O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) disse: “A relação entre um crente e outro se assemelha a um edifício, cujas partes se sustentam” (Bukhari e Muslim). Outro hadith diz: “A parábola dos crentes sobre o amor, misericórdia e compaixão pelos demais é como a do corpo: se um de seus membros está doente, todo o corpo padece e se vê afetado pela insônia e febre.” (Muslim). Certamente está irmandade islâmica não é algo apenas teórico. Possui certos componentes fundamentais, direitos e obrigações específicas que são explicados no Qur'an e na Sunnah. Página 211. Abraço. Davi

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