quinta-feira, 12 de setembro de 2024

I. O EVANGELHO DE BUDA

 

Budismo. Livro o Evangelho de Buda. Vida e doutrina de Sidharta Gautama – o Inspirador do Budismo. Escrito por Yogi Kharishnanda Saraswati (1922-2001). I. O EVANGELHO DE BUDA. Da Lua cheia de maio de 1954 à Lua cheia do mesmo mês de 1956, realizou-se na República da União de Burma ou Myanmar o Sexto Grande Congresso Budista, que foi o 60º dos congressos desde a fundação do Budismo. Tratou-se de um acontecimento histórico notável. A ele compareceram dois mil representantes de povos budistas, dos mais eruditos, com a finalidade principal de estudar, comparar, corrigir ou aprovar textos doutrinários. O primeiro congresso foi realizado pouco depois da morte de Buda, sob os auspícios do Rei Ajatasattu, do norte da Índia. O segundo Grande Concílio teve lugar no ano 443 a.C., apoiado pelo Rei Kalasoka. O terceiro, sob o patrocínio do Imperador Asoka, foi celebrado no ano 308 a.C., o quarto, em Ceilão ou Sri Lanka entre os anos 29 e 13 a.C., quando pela primeira vez foram escritos os textos que antes eram preparados de memória. O quinto Grande Concílio foi efetuado em Mandalay – Myanmar, no ano de 1871, sob o Rei Mindon, quando então os textos foram escritos em 729 em lousas de mármores. Com a técnica moderna de impressão e vulgarização, e o substancial auxílio prestado pelo Parlamento da União República de Burma (Myanmar), o Sexto Grande Congresso foi de inigualada eficiência, e a sua difusão teve uma amplitude jamais alcançada no passado. Manifestando sua descrença nos processos simplesmente materiais adotados pelos povos e governos para solucionar os problemas que afligem a humanidade, e justificando sua assistência ao referido Congresso, o Parlamento Burmense proclamou sua firma crença de que esses processos proporcionam aos povos uma solução meramente parcial de seus problemas, e que era necessário planejar e levar a cabo outras medidas, que visassem ao bem estar moral e espiritual do homem e o ajudassem a vencer a avareza, o ódio e o engano, as inveteradas raízes de toda violência, destruição e conflagração que consomem o mundo (...). Essas raízes foram assinaladas por Buda em sua época. Outra não é ainda hoje a opinião de todos os que, como nós, sentem que a ausência de princípios espirituais sadios na conduta dos indivíduos tem sido a maior fonte proliferadora de seus desatinos e sofrimentos. Esse foi o sentimento que nos levou a promover a publicação deste pequeno Evangelho dos ensinos fundamentais de Gautama Buda. Figura ímpar entre os mais aureolados instrutores espirituais que a humanidade conheceu. Sua Majestade tem se agigantado e projetado ao compasso de marcha dos séculos tormentosos, qual rutilante Sol sobre densas e encapeladas nuvens. Somente esse fato bastaria para comprovar a veracidade e segurança de sua doutrina, pois só a verdade pode resistir ao embate destruidor do tempo. A essência dos ensinamentos de Buda se acha condensada em três livros ou coleções, chamados os cânones budistas (Tripitakas), cuja idade se pode fixar, de maneira geral, no século IV a.C, e possivelmente na época do grande Instrutor. O primeiro (Vinaya Pitaka), atribuído aos primeiros budistas, trata da Disciplina da Ordem (Sangha); o segundo (Sutta Pitaka) se refere às Pregações Leigas, ou às regras para os sacerdotes e ascetas, e o terceiro (Abidharma), condensa dissertações filosóficas e metafísicas, e instruções a respeito da meditação (Dhyana). Foi dessa fonte, sobre a qual têm se debruçado e abeberado tantos e tão notáveis sábios e orientalistas, que o autor desta obra colheu os preciosos ensinamentos e informações que ele denominou: “O Evangelho de Buda” e que com feliz maestria procurou amoldar à mentalidade ocidental num estilo simples e elegante. O fato de ter sido também um oriental, e acima de tudo, de ter podido aprender, assimilar e viver a cultura oriental em sua mais pura nascente, o capacitou, naturalmente, para penetrar até o âmago dos ensinamentos budistas, e assim sentir todo o seu calor, luz e dinamismo, para formar uma verdadeira antologia do que há de mais magnífico, essencial e inspirador na vida do venerando sábio que um terço da humanidade adora. Neste formoso livro existem, por certo, frases que pertencem totalmente ao seu autor, mas é inegável que elas exalam o mesmo perfume da fonte que as inspirou e visam acomodar alguns ensinos por demais metafísicos à inteligência ocidental, não raro objetiva e prática em excesso. Mas o fundamento e o espírito das ideias expostas em toda a obra são nitidamente budistas, ou seja, práticos, lógicos e enquadrados num impecável bom senso, que é a sua característica dominante. Para muitos, poderá ser um poderoso foco de inspiração em sua vida moralmente atribulada, e para outros constituirá um pequeno, mas bem-acabado vestíbulo que os poderá conduzir ao interior da nave de uma das mais esplêndidas e antigas filosofias do mundo. Esse livro foi escrito tendo em vista esse objetivo, e tem sido traduzido para várias línguas das mais cultas, tendo encaminhado muitas almas para o caminho da retidão, do dever e do amor a todas as criaturas vivente. Eis o motivo de sua publicação, agora; em nosso idioma. Capítulo Um. Alegria. Regozijem-se com a boa nova. Nosso Senhor descobriu a raiz do mal. Ele nos mostra o caminho da salvação. O Buda dissipa as ilusões da nossa mente e nos livra dos terrores da morte. O Buda, nosso Senhor, traz descanso ao fatigado, ao desanimado e ao descontente; proporciona paz aos acabrunhados sob o pesa da vida. Dá valor aos fracos, que estão prestes a perder a esperança e a confiança em si mesmos. Todos os que sofrem as tribulações da vida, que lutam e padecem, que aspiram à vida verdadeira, regozijem-se com a boa nova. Eis aqui um bálsamo para os feridos, bem como o pão para os famintos. Eis aqui a água para os sedentos, e a esperança para os desesperados. Eis aqui a luz pra os que estão nas trevas, e a inesgotável ventura para os justos. Os feridos serão curados de suas feridas; os famintos terão pão para se fartarem; os sedentos serão saciados. Ergam os olhos para a luz, vocês que estão nas trevas e recobrem ânimo, vocês que estão abatidos. Tenham confiança na verdade os que amam, porque o reinado da Verdade está fundado na Terra. A luz da Verdade já dissipou as trevas do erro. Podemos ver o nosso caminho e andar com passos firmes e seguros. O Buda, nosso Senhor, revelou a Verdade. A verdade cura as nossas enfermidades e nos salva da perdição. A Verdade fortalece-nos na vida e na morte. Só a Verdade pode destruir os males do erro. Regozijem-se com a boa nova. Capítulo dois. Samsara e Nirvana. Olhem ao redor e contemplem a vida. Tudo é passageiro, nada dura para sempre. Só nascimento e morte, crescimento e decadência, combinação e dissolução. A glória do mundo é como uma flor esplêndida pela manhã que murcha à tarde. Para onde quer que olhemos, ali está o receio e o impulso, a corrida ávida aos prazeres, o medo da dor e da morte, a vaidade e o desejo de mudanças e transformações. Tudo é Samsara. Não há nada permanente no mundo? Na inquietude universal não há um lugar de repouso onde o nosso coração encontre a paz? Nada, há de eterno? Nunca cessará a angústia? Não se extinguirão os desejos ardentes? Quando o espírito poderá estar sossegado e tranquilo? O Buda, nosso Senhor, sentiu os males da vida. Viu a vaidade na infelicidade do mundo, e procurou a salvação em algo que não se deteriora, que é imperecível e permanente. Aqueles que aspiram à vida saibam que a imortalidade se oculta no ser perecível. Aqueles que desejam a felicidade sem os germes da inquietude ou do desgosto sigam os conselhos do Grande Mestre e conduzam-se retamente. Aqueles que desejam avidamente riquezas venham para receber os tesouros eternos. A Verdade é eterna; não conhece nascimento nem morte; não tem começo nem fim. Chamem a Verdade, ó mortais. Que a Verdade se aposse de suas almas. A Verdade é o dom imortal do espírito. A posse da Verdade é grandeza, e uma vida de Verdade é felicidade. Estabeleçam a Verdade no espírito, porque a Verdade é a imagem do eterno. O seu retrato é imutável; revela o perdurável; imortaliza os homens. O termo sânscrito Samsara significa literalmente ação de vagar, constante mutação ou transição. É a passagem alternativa da alma pelos três mundos: físico, astral e mental; os sucessivos renascimentos e mortes. Nirvana, o oposto de Samsara; é um estado permanente e eterno de consciência desperta e liberta. Esse termo significa, literalmente, sem combustível, extinto, e foi definido primitivamente por alguns orientalistas ocidentais como um estado de aniquilamento do ser. A semelhança de uma gota d’água diluída no oceano, o que é totalmente incorreto. Representa, ao contrário, um estado de plena consciência, cuja beleza, intensidade e poder excedem toda capacidade descritiva da linguagem humana. É a vida do Espírito, que se desabrochou e expandiu em seu próprio mundo ou lar, liberto de qualquer limitação de espaço e tempo a que se condicionam as formas transitórias. Quem tem a ventura de atingi-los, longe de se aniquilar, converte-se numa tremenda força liberadora, que perpetuamente projeta poderosas torrentes de espiritualidade e vida sobre a humanidade sofredora. Abraço. Davi.

 

terça-feira, 10 de setembro de 2024

OS MISTÉRIOS. Parte III

 

Religião Afrobrasileira. Umbanda. Livro Código de Umbanda. Por Rubens Saraceni (1951-2015). OS MISTÉRIOS. Parte III. Os Orixás são mistérios de Deus e nunca os conheceremos em sua totalidade. Mas os estudos dos mistérios vão nos mostrando onde e como eles atuam. Muitos se tem escrito acerca dos mistérios de “Elêusis” dos mistérios “Egípcios”, dos “mistérios da Tábua de Esmeraldo” etc. Mas a nenhum estudioso ocorreu que os Orixás são todos esses mistérios naturais, ocultados por rituais religiosos, normalmente fechados aos não iniciados. As castas religiosas guardavam a sete chaves os modos de ativar estes mistérios ou suas chaves rituais. Assim conservavam em suas mãos o poder e controlavam a mente e os corações dos seus fiéis. Toda uma pompa religiosa ocultava das massas a forma simples de se entrar em contato com as divindades. Os fiéis só obtinham os favores delas caso se curvassem diante dos mystas, dos magos, dos hierofantes e dos sacerdotes de então. E hoje, apesar de toda a evolução espiritual e de todo o progresso material, ainda assistimos a ostentação ridícula de alguns sacerdotes dos Orixás, que se paramentam espalhafatosamente. Denotando uma superioridade sem substância alguma e que não resiste a um exame acurado de sua capacidade intelectual ou de seus supostos dons ou pendores naturais. Mas, com relação a religião e comportamento humano, nada de novo surgiu na face da terra desde o desaparecimento dos antigos mystas, magos e hierofantes. Assim aqueles que aprendem um pouco mais a respeito dos mistérios, logo se cobrem de forma a impressionar as massas de fiéis. Achando-se superiores aos comuns mortais. Mas a verdade é que os tão procurados mistérios de Elêusis, da Tábua de esmeralda e o dos Egípcios estão ocultos por trás dos nomes simbólicos usados pelos espíritos guias de Umbanda. Sendo conservados em suas essências pelos Orixás. São as mesmas divindades invocadas pelos mystas, pelos magos, pelos hierofantes, pelos cabalistas, só que com outros nomes. Dado que, eles falavam em outras línguas e os mostravam com outras aparências em razão de outras culturas e etnias os humanizarem para serem mais bem cultuados ... e ocultados. Simples, não? Muito simples sim, senhor. Afinal, seria um contrassenso Deus criar a todo instante uma divindade e um novo mistério só para atender às nossas necessidades imediatistas acerca do mundo sobrenatural. A verdade é que as divindades maiores ou planetárias são só umas poucas e sempre foram as mesmas. Todavia possuem inúmeras hierarquias e recorrem a elas quando precisam atender a um povo ou mesmo, a um numeroso grupo de espíritos afins e igualmente no nível evolutivo. Aí, a hierarquia intermediária escolhida acerca-se de espíritos intermediários afins. Coma as necessidades dos espíritos confiados a ela, e abre ao plano material o seu mistério intermediário. O qual atrairá todos os espíritos afins nos dois planos da vida. Assim, surge na fase da terra uma nova religião ou uma seita dissidente de uma religião já existente e muito antiga. Afinal Deus cria a todo instante novas divindades e novos mistérios só para nossa satisfação pessoal. Mas Ele, em sua infinita bondade, renova antigas divindades e antigos mistérios, adaptando-os as nossas necessidades atuais. Assim, nunca nos deixa desamparados em nossa contínua renovação íntima, que acontece toda vez que reencarnamos. Atentem para isso e entenderão que os antigos mistérios, famosos, mas desconhecidos de todos, na verdade, estão renovados, e dentro do Ritual de Umbanda Sagrada. Eles não são outros senão os nossos sagrados Orixás, tão cantados, mas pouco conhecidos. Porque ninguém e nenhum dos seus estudiosos se dispôs a analisá-los segundo o modelo preconizado pela doutrina de Umbanda Sagrada. Que, inicialmente, estudo o humano por meio do divino e vice-versa. Só assim, cruzando os mistérios humanos com os divinos, descobrimos que macro e micro se correlacionam e que realmente fomos feitos à imagem e semelhança de Deus! Tentar estudar os mistérios por intermédio das lendas é uma tarefa árdua e, às vezes, Inócua. Mas estudá-los a partir das qualidades divinas dos Orixás e das qualidades “humanas” dos espíritos. Aí sim, sempre chegamos a bom termo pois descobrimos que a pedra que forma o ápice de uma pirâmide e as que formam sua base são feitas da mesma substância. Então, se quisermos saber da consciência da pedra localizada no ápice inalcançável, o melhor meio é estudarmos a pedra da base, que está ao nosso alcance e sustenta toda a construção erigida sobre ela. Uma das dificuldades de se estudar uma divindade ou um mistério reside na facilidade com que ambos se adaptam a todos os povos e níveis evolutivos. Assim, o mito hebraico do dilúvio, que já é uma “versão”, sendo que ocorreu muito antes do surgimento dos hebreus, foi adaptado posteriormente aos povos vizinhos sob a forma mítica. Por isso, nem sempre uma lenda reflete as reais qualidades, atributos e atribuições de um Orixá, ainda que as verdadeiras sejam identificadas no micro, ou nos espíritos – seus manifestadores humanos – regidos por eles. E todos os estudos acerca dos Orixás têm se fundamentado em alguns poucos estudos antropológicos. Realizados desde o final do século XIX (1801-1900), e em deficientes estudos da cabala, que se entrecruzaram de forma aleatória ou incorreta. Dando à Umbanda prática uma aparência não muito afim com os mistérios ocultados pelos nomes simbólicos reveladores das divindades manifestadoras deles. Classificações espúrias das hierarquias surgiram e tornaram mais difícil a compreensão do Ritual de Umbanda Sagrada. Simbólico por sua natureza iniciática e sagrado por ser manifestador dos mistérios divinos trazidos ao nível vibratório e consciencial por meio dos médiuns de Umbanda. Abraço. Davi

domingo, 8 de setembro de 2024

INTRODUÇÃO

 

Cristianismo. Livro Catecismo da Igreja Católica. Constituição Apostólica ”Fidei Depositum”. Para a publicação do Catecismo da Igreja Católica redigido depois do Concilio Vaticano II (1962-1965). João Paulo II (1920-2005), Bispo Servo dos Servos de Deus Para Perpétua Memória. Aos veneráveis irmãos, cardeais, arcebispos, bispos, presbíteros, diáconos e restantes membros do povo de Deus. INTRODUÇÃO. 1. Guardar o depósito da fé. É a missão que o Senhor confiou à sua Igreja e que ela cumpre em todos os tempos. O Concílio Ecumênico Vaticano II, aberto há trinta anos por meu predecessor João XXIII (1881-1963), de feliz memória, tinha como intenção e como finalidade pôr em evidência a missão apostólica e pastoral da Igreja e, fazendo resplandecer a verdade do Evangelho, levar todos os homens a procurar e acolher o amor de Cristo, que excede toda a ciência (cf. Efésios 3,19). Ao Concílio, o Papa João XXIII tinha confiado como tarefa principal guardar e apresentar melhor o precioso depósito da doutrina cristã, para o tomar mais acessível aos fiéis de Cristo e a todos os homens de boa vontade. Portanto, o Concílio não devia, em primeiro lugar, condenar os erros da época, mas sobretudo empenhar-se por mostrar serenamente a força e a beleza da doutrina da fé. "Iluminada pela luz deste Concílio dizia o Papa a Igreja ... crescerá em riquezas espirituais...e, recebendo a força de novas energias, olhar intrépida para o futuro... E nosso dever ... dedicar-nos, com vontade pronta e sem temor, àquele trabalho que o nosso tempo exige, prosseguindo assim o caminho que a Igreja percorre há vinte séculos."' Com a ajuda de Deus, os Padres conciliares puderam elaborar, em quatro anos de trabalho, um conjunto considerável de exposições doutrinais e de diretrizes pastorais oferecidas a toda a Igreja. Pastores e fiéis encontram ali orientações para aquela "renovação de pensamentos, de atividades, de costumes e de força moral, de alegria e de esperança, que foi o objetivo do Concílio" Depois de sua conclusão, o Concílio não deixou de inspirar a vida da Igreja. Em 1985 pude afirmar: "Para mim que tive a graça especial de nele participar e colaborar ativamente em seu desenvolvimento o Vaticano II foi sempre, e é de modo particular nestes anos de meu Pontificado, o constante ponto de referência de toda a minha ação pastoral, no consciente empenho de traduzir suas diretrizes em aplicação concreta e fiel, no âmbito de cada Igreja e da Igreja inteira. E preciso incessantemente recomeçar daquela fonte". Neste espírito, em 25 de janeiro de 1985, convoquei uma Assembleia Extraordinária do Sínodo dos Bispos, por ocasião do vigésimo aniversário do encerramento do Concílio. A finalidade dessa Assembleia era celebrar as graças e os frutos espirituais do Concílio Vaticano II (1962-1965), aprofundar seu ensinamento para aderir melhor a ele e promover seu conhecimento e sua aplicação. Nessa ocasião, os Padres sinodais manifestaram o desejo "de que seja composto um Catecismo ou compêndio de toda a doutrina católica, tanto em matéria de fé como de moral, para que seja como um texto de referência para os catecismos ou compêndios que venham a ser preparados nas diversas regiões. A apresentação da doutrina deve ser bíblica e litúrgica, oferecendo ao mesmo tempo uma doutrina sã e adaptada à vida atual dos cristãos". Depois do encerramento do Sínodo, fiz meu este desejo, considerando que ele "corresponde à verdadeira necessidade da Igreja universal e das Igrejas particulares". Como não havemos de agradecer de todo o coração ao Senhor, neste dia em que podemos oferecer a toda a Igreja, com o título de Catecismo da Igreja Católica, este "texto de referência" para uma catequese renovada nas fontes vivas da fé? Depois da renovação da Liturgia e da nova codificação do Direito Canônico da Igreja Latina e dos cânones das Igrejas Orientais Católicas, este Catecismo trará um contributo muito importante àquela obra de renovação da vida eclesial inteira, querida e iniciada pelo Concílio Vaticano II. 2. Itinerário e Espírito da redação do texto. O Catecismo da Igreja Católica é fruto de uma vastíssima colaboração: foi elaborado em seis anos de intenso trabalho, conduzido num espírito de atenta abertura e com apaixonado ardor. Em 1986, confiei a uma Comissão de doze Cardeais e Bispos, presidida pelo senhor Cardeal Joseph Ratzinger (1927-2022), o encargo de preparar um projeto para o Catecismo requerido pelos Padres do Sínodo. Uma Comissão de redação, composta por sete Bispos diocesanos, peritos em teologia e em catequese, coadjuvou a Comissão em seu trabalho. A Comissão, encarregada de dar as diretrizes e de vigiar o desenvolvimento dos trabalhos, seguiu atentamente todas as etapas da redação das nove sucessivas composições. A Comissão de redação, por seu lado, assumiu a responsabilidade de escrever o texto e inserir nele as modificações pedidas pela Comissão e de examinar as observações de numerosos teólogos, exegetas e catequistas, e sobretudo dos Bispos do mundo inteiro, a fim de melhorar o texto. A Comissão foi sede de intercâmbios frutuosos e enriquecedores para assegurar a unidade e a homogeneidade do texto. O projeto tornou-se objeto de vasta consulta de todos os Bispos católicos, de suas Conferências Episcopais ou de seus Sínodos, dos Institutos de teologia e de catequética. Em seu conjunto, ele teve um acolhimento amplamente favorável da parte do Episcopado. E justo afirmar que este Catecismo é fruto de uma colaboração de todo o Episcopado da Igreja Católica, o qual acolheu com generosidade meu convite a assumir a própria parte de responsabilidade numa iniciativa que diz respeito, intimamente, à vida eclesial. Tal resposta suscita em mim um profundo sentimento de alegria, porque o concurso de tantas vozes exprime verdadeiramente aquela a que se pode chamar a "sinfonia" da fé. A realização deste Catecismo reflete, deste modo, a natureza colegial do Episcopado: testemunha a catolicidade da Igreja. 3. Distribuição da matéria. Um catecismo deve apresentar, com fidelidade e de modo orgânico, o ensinamento da Sagrada Escritura, da Tradição viva na Igreja e do Magistério autêntico, bem como a herança espiritual dos Padres, dos Santos e das Santas da Igreja, para permitir conhecer melhor o mistério cristão e reavivar a fé do povo de Deus. Deve ter em conta as explicitações da doutrina que, no decurso dos tempos, o Espírito Santo sugeriu à Igreja. E necessário que ajude a iluminar, com a luz da fé, as novas situações e os problemas que ainda não tinham surgido no passado. O Catecismo incluirá, portanto, coisas novas e velhas (cf. Mateus 13,52), porque a fé é sempre a mesma e simultaneamente é fonte de luzes sempre novas. Para responder a esta dupla exigência, o Catecismo da Igreja Católica por um lado retoma a "antiga" ordem, a tradicional, já seguida pelo Catecismo de São Pio V (1504-1572), articulando o conteúdo em quatro partes: o Credo; a sagrada Liturgia, com os sacramentos em primeiro plano; o agir cristão, exposto a partir dos mandamentos; e, por fim, a oração cristã. Mas, ao mesmo tempo, o conteúdo é com frequência expresso de modo "novo", para responder às interrogações de nossa época. As quatro partes estão ligadas entre si: o mistério cristão é o objeto da fé (primeira parte); é celebrado e comunicado nos atos litúrgicos (segunda parte); está presente para iluminar e amparar os filhos de Deus em seu agir (terceira parte); fundamenta nossa oração, cuja expressão privilegiada é o "Pai-Nosso", e constitui o objeto de nossa súplica, de nosso louvor e de nossa intercessão (quarta parte). A Liturgia é ela própria oração; a confissão da fé encontra seu justo lugar na celebração do culto. A graça, fruto dos sacramentos, é a condição insubstituível do agir cristão, tal como a participação na liturgia da Igreja requer a fé. Se a fé não se desenvolve nas obras, está morta (cf. Tiago 2,14-16) e não pode dar frutos de vida eterna. Lendo o Catecismo da Igreja Católica, pode-se captar a maravilhosa unidade do mistério de Deus, de seu desígnio de salvação, bem como a centralidade de Jesus Cristo, o Filho Unigénito de Deus, enviado pelo Pai, feito homem no seio da Santíssima Virgem Maria por obra do Espírito Santo, para ser nosso Salvador. Morto e ressuscitado, ele está sempre presente em sua Igreja, particularmente nos sacramentos; ele é a fonte da fé, o modelo do agir cristão e o Mestre de nossa oração. 4. Valor doutrinal do texto. O Catecismo da Igreja Católica, que aprovei no passado dia 25 de o Junho e cuja publicação hoje ordeno em virtude da autoridade apostólica, é uma exposição da fé da Igreja e da doutrina católica, testemunhadas ou iluminadas pela Sagrada Escritura, pela Tradição apostólica e pelo Magistério da Igreja. Vejo-o como um instrumento válido e legítimo a serviço da comunhão eclesial e como uma norma segura para o ensino da fé. Sirva ele para a renovação, à qual o Espírito Santo chama incessantemente a Igreja de Deus, Corpo de Cristo, peregrina rumo à luz sem sombras do Reino! A aprovação e a publicação do Catecismo da Igreja Católica constituem um serviço que o Sucessor de Pedro quer prestar à Santa Igreja Católica, a todas as Igrejas particulares em paz e em comunhão com a Sé a Apostólica de Roma: o serviço de sustentar e confirmar a fé de todos os, discípulos do Senhor Jesus (cf. Lucas 22,32), como também de reforçar os laços da unidade na mesma fé apostólica. Peço, portanto, aos Pastores da Igreja e aos fiéis que acolham este Catecismo em espírito de comunhão e que o usem assiduamente ao cumprir sua missão de anunciar a fé e de convocar para a vida evangélica. Este Catecismo lhes é dado a fim de que sirva de texto de referência, seguro e autêntico, para o ensino da doutrina católica e, de modo muito particular, para a elaboração dos catecismos locais. É oferecido a todos os fiéis que desejam aprofundar o conhecimento das riquezas inexauríveis da salvação (cf. João 8,32). Pretende dar um apoio aos esforços ecuménicos animados pelo santo desejo da unidade de todos os cristãos, mostrando com exatidão o conteúdo e a harmoniosa coerência da fé católica. O Catecismo da Igreja Católica, por fim, é oferecido a todo o homem que nos pergunte a razão de nossa esperança (cf. l Pedro 3,15) e queira conhecer aquilo em que a Igreja Católica crê. Este Catecismo não se destina a substituir os Catecismos locais devidamente aprovados pelas autoridades eclesiásticas, os Bispos diocesanos e as Conferências Episcopais, sobretudo se receberam a aprovação da Sé Apostólica. Destina-se a encorajar e ajudar a redacção de novos catecismos locais, que tenham em conta as diversas situações e culturas,  as que conservem cuidadosamente a unidade da fé e a fidelidade à doutrina católica. 5. Conclusão. No final deste documento que apresenta o Catecismo da Igreja Católica, peço à Santíssima Virgem Maria, Mãe do Verbo Encarnado e Mãe da Igreja, que ampare com sua poderosa intercessão o empenho catequético da Igreja inteira em todos os níveis, nestes tempos em que ela é chamada a um novo esforço de evangelização. Possa a luz da verdadeira fé libertar a humanidade da ignorância e da escravidão do pecado, para conduzi-la à única liberdade digna deste nome (cf. João 8,32): a da vida em Jesus Cristo sob a guia do Espírito Santo, na terra e no Reino dos Céus, na plenitude da bem-aventurança da visão de Deus face a face (cf. 1 Coríntios 13,12; 2 Coríntios 5,6-8)! Dado no dia 11 de Outubro de 1992, trigésimo aniversário da abertura do Concílio Ecuménico Vaticano II, décimo quarto ano de meu pontificado. Joannes Paulus II (1920-2005). Abraço. Davi

sexta-feira, 6 de setembro de 2024

A RELIGIÃO DO ISLAM - PARTE III

 

Islamismo. Livro Manual para o Novo Muçulmano. Por Jamaal Zarabozo. A RELIGIÃO DO ISLAM. PARTE III. ”Dize: Se verdadeiramente amais a Deus, segui-me; Deus vos amará e perdoará as vossas faltas, porque Deus é Indulgente, Misericordiosíssimo.” (3:31). O Qur’an diz, sobre o Profeta: “Realmente, tendes no Mensageiro de Deus um excelente exemplo para aqueles que esperam contemplar Deus, deparar-se com o Dia do Juízo Final, e invocam Deus frequentemente.” (33:21). De certa forma o Profeta foi um “Qur’an vivo”. Quando perguntaram a Aisha, a esposa do Profeta, como era o caráter e comportamento de seu marido, ela respondeu: “Seu caráter era o Qur’an.” (Muslim). A relação entre o Qur’an e a Sunnah é muito importante. A Sunnah demonstra como se implementar o Qur’an. É uma explicação prática do que o Qur’an ensina. Define a moral, o comportamento e as leis do Qur’an de tal maneira que se torna claro seu significado. Está completa representação humana dos ensinamentos do Qur’an é uma grande bênção para todos os muçulmanos. Indica que a orientação de Deus é completa e acessível a todos. Assim, o Qur’an e a Sunnah formam uma unidade que oferece todos os princípios retos que a humanidade necessitará até o Dia do juízo Final. Desde então, o Qur’an é um livro que pode ser compilado em umas duzentas páginas. A Sunnah, ao contrário, é bastante diferente, já que cobre todas as ações e ditos do Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele). A Sunnah está compilada no que conhecemos como literatura do Hadith. Um hadith é um relato sobre o que o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) fez ou disse. Os sábios muçulmanos reconheceram que a religião de Allah deve ser conservada adequadamente. Também reconheceram que nem tudo que é atribuído ao Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) está correto, já que até as pessoas honestas podem cometer erros. Dessa maneira, estudaram meticulosamente os diversos ahaadith e ditos atribuídos ao Profeta (que a paz e as 26 bênçãos de Allah estejam com ele), separando os que poderiam ser autenticados dos que não poderiam. Na Lei Islâmica nem toda hadith é considerado palavra autorizada. Só se consideram como autoridade aqueles que cumprem com os requisitos estritos da autenticidade. Os estudiosos chamam a estes ahaadith, hadith sahih (autêntico) ou hasan (bom). Os ahaadith inaceitáveis são classificados como daif (fraco), ou muito fraco ou falso. Apesar de estarem disponíveis os textos em árabe originais do Qur’an e os ditos do profeta, devemos recorrer a modestas traduções para levar, aos que não falam árabe, o seu significado. Com respeito ao Qur’an, pode-se recomendar dua traduções, em particular, no idioma espanhol. Elas são El Sagrado Qur’an: Traducción de su contenido al idioma español e El Corán, traduzido pelo Shaikh Isa García. Recomendasse esses dois títulos já que suas traduções se baseiam na compreensão do Qur’an que remonta à época do Profeta e seus companheiros mais próximos. Para apreciar a profundidade do Qur’an, há que se ler também um comentário do Livro. Lamentavelmente, não são muitos os bons comentários disponíveis em espanhol – entretanto, há um gama deles em muitos outros idiomas. Uma obra muito importante disponível em espanhol são os dez volumes do Tafsir Ibn Kathir (resumido). Trata-se da tradução de um compêndio de uma obra clássica de comentários corânicos escrita por Ibn Kathir (1301-1372 AD). Em seu estudo de comentários corânicos, Muhammad Hussein al Dhahabi afirma que este comentário é um dos melhores em sua categoria. Nesta obra, Ibn Kathir segue os princípios do comentário corânico tal como foi estabelecido por seu mestre, o reconhecido Ibn Taymiya. Talvez o único contra desta obra é que se trata de uma tradução de um livro clássico e, portanto, não foi escrito em um estilo cômodo de ler para muitas pessoas da atualidade. Quanto às coleções de hadith, ditos e ações do Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele), existem duas importantes em espanhol. São conhecidas como sahih al Bukhari e sahih Muslim. Como disse anteriormente, a Lei Islâmica deve ser suficientemente flexível para satisfazer as necessidades de todos os povos até o dia do Juízo Final. Assim, nem todos os detalhes da lei foram escritos no Qur’an e na Sunnah. Allah deixou alguns temas para que os muçulmanos descubram por si mesmos, obrigando-os, assim, a aprender e estudar o Qur’an e a Sunnah detalhadamente. As conclusões derivadas do Qur’an e da Sunnah, e que não estejam explicitamente escritas nestes livros, são conhecidas como “analogia, racionalização pessoal”, ou ijtihad (o que implica um esforço extremo para chegar a uma conclusão). Obviamente, esta fonte de jurisprudência não é infalível. De fato, é possível que os sábios cheguem a diferentes conclusões – ainda que a verdade ante Allah seja única. O trabalho de cada sábio, caso seja sincero, será admirado por Allah, como diz no hadith: “Se um juiz se esforça e chega a uma conclusão correta, receberá duas recompensas. Se se esforça e chega a uma conclusão equivocada, receberá somente uma recompensa.” (Bukhari e Muslim). Sem dúvidas, isso não significa que suas conclusões são a autoridade máxima. Os juízos pessoais devem ser avaliados à luz do Qur’an e da Sunnah e deve-se apegar a tudo o que pareça ser mais correto segundo o Qur’an e a Sunnah. É importante para o muçulmano recordar sempre que seu principal objetivo é chegar à verdade, o que equivale àquele que é consistente com o Qur’an e a Sunnah. Ocorreu um desenvolvimento histórico em que alguns estudiosos específicos trabalharam arduamente para codificar as leis do Qur’an e da Sunnah, estendendo aquelas leis através do razoamento pessoal, pois algumas situações não estavam explicitamente acobertadas nos ditos textos. O trabalho desses estudiosos continuou até que se desenvolveram as escolas de legislação baseadas em seus ensinamentos. Entretanto essas diferentes escolas de legislação não são fontes da lei islâmica, nem devemos considerá-las infalíveis, absolutamente. É importante que cada novo muçulmano esteja familiarizado com elas, pois é provável que aqui façamos referência a elas, com certa freqüência. São quatro as mais dominantes dessas escolas de jurisprudência, batizadas em honra aos seus fundadores da seguinte maneira. Abu Hanifah (80-150) e a escola Hanifa: Abu Hanifah foi um dos primeiros estudiosos e vivia no Iraque. Hoje em dia, sua escola é a mais predominante na Turquia, Paquistão, Índia, Afeganistão, nos ex estados soviéticos muçulmanos e partes do Oriente Médio, Maalik Ibn Anas (95-179 H) e a escola Maliki: Maalis Ibn Anas viveu em Medina, a cidade do Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele), toda sua vida. Na atualidade, sua escola é a mais popular no norte da África e África subsaariana. Durante séculos foi a escola predominante de Andaluz, ou a Espanha muçulmana. . Muhammad Ibn Idris ash Shafi’i (150-204 H) e a escola Shafi’i: Ash Shafi’i veio da tribo. . Quraish, a mesma tribo do Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele). Estudou e viveu em diversos lugares, até instalar-se, definitivamente, no Egito. Hoje, sua escola é a maior influência na Malásia, Indonésia e algumas partes do Oriente Médio. . Ahmad Ibn Hanbal (164-241 H) e a escola Hanbali: Ahmad Ibn Hanbal viveu em Bagdá e era conhecido por ser um grande estudioso do hadith. Atualmente, sua escola é predominante na Arábia Saudita e outras partes da Península Arábica. Estes grandes sábios, igualmente aos outros, em algumas ocasiões chegaram a diferentes conclusões. É importante entender que existem muitas causas para as diferenças de opinião entre os juristas. Também há alguns pontos importantes a se levar em conta no que diz respeito a tais diferenças de opinião entre os sábios. É provável que nos deparemos com tais situações dentro do Islam. Em primeiro lugar, como foi dito anteriormente, o principal objetivo dos muçulmanos é “a verdade”. Portanto, o muçulmano deve se esforçar para descobrir a verdade e segui-la, em quaisquer circunstâncias. A maneira que chegou a revelação proporciona à pessoa a capacidade de adorar a Allah buscando a verdade, através de uma análise da revelação, tal como está no Qur’an e nos ahaadith. Também põe o homem à prova, verificando se segue a verdade e fazendo-o analisar seu comportamento. Em segundo lugar, essas diferenças de interpretação estão destinadas a continuar. Uma pessoa pode buscar com sinceridade agradar a Allah, mas chega a uma conclusão que a outro parece falha ou inaceitável. Contanto que a opinião de uma pessoa não contradiga claramente o Qur’an e a Sunnah e tenha certa base através de uma prova aceitável, a pessoa deve ser respeitada. De fato, a pessoa que se equivoca será recompensada por Allah por seu esforço, caso tenha sido feito com sinceridade, como é dito no hadith citado acima. Dessa maneira, alguém pode não estar de acordo com sua opinião e até sentir necessidade de refutá-la, ditas diferenças de opinião não devem jamais prejudicar as raízes da irmandade do Islam e entrar nos corações dos muçulmanos, destruindo-os dessa forma. Por último, é importante destacar que o Qur’an, a Sunnah e o razoamento pessoal não são simplesmente as fontes do que normalmente se considera como “lei” na atualidade. Há também muitos outros aspectos, como a moral, ética e comportamento que devem estar sujeitos a essas mesmas fontes. Em outras palavras, estas fontes são, na realidade, as fontes da lei, mas também são a orientação das ações que um muçulmano realiza em cada aspecto de sua vida. Por exemplo, como se comportar com os pais, vizinhos e outras pessoas está descrito no Qur’an e na Sunnah, como abordaremos mais adiante, ainda que a lei tradicional de hoje não se preocupe com tais temas. Portanto, quando os sábios muçulmanos falam das fontes da “lei” no Islam, na realidade, referem-se às fontes da orientação completa para o comportamento humano em todos os aspectos da vida. Abraço. Davi

quarta-feira, 4 de setembro de 2024

JESUS. PARTE III

 

Judaísmo. Livro Judaísmo e Cristianismo – As Diferenças. Por Trude Weiss (1908-1989). Capítulo 8. JESUS. Parte III. Que essas passagens dos quatro Evangelho representam o ipissimus spiritus – o próprio espírito – de Jesus é amplamente atestada pelos registros de algumas curas miraculosas nos outros Evangelhos. Portanto, por exemplo, quando o leproso pediu a ele: “Se você escolhe, senhor, podes me curar”. Jesus respondeu; “Eu sim escolho, Esteja curado”. Mateus 8,1-3. Marcos 1,40. Lucas 5,12 e seguintes. Neste caso, como em outros casos de milagres, Jesus representa quem promove a cura, ressuscita os mortos ou opera milagres. A Bíblia Hebraica também registra milagres operados pelos profetas, mas nenhum deles alguma vez operou um milagre por conta própria ou fez crer que fosse produto de sua própria força ou poder. Os profetas hebreus invariavelmente deixavam claro que eram meros instrumentos de Deus na realização do milagre e que o crédito disso devia ser atribuído a Deus, e não a eles. Assim, quando o Faraó elogiou José por sua habilidade de interpretar sonhos, ele respondeu: “Não está em mim, Deus dará ao Faraó uma resposta de paz” Gênesis 41,16. Todos os milagres operados por Moisés foram executados por ordem divina e quando certa vez se desviou das instruções divinas e golpeou a rocha, em vez de simplesmente falar com ela, ele foi considerado culpado e severamente punido. De acordo com a crença  judaica, o ser humano é simplesmente um instrumento de Deus no desempenho de milagres e portanto não é livre para se afastar sequer um “pingo no i” dos comandos e instruções divinas. Quando Elias fez a vasilha de farinha e a jarra de óleo da viúva durar por todo o período da seca. Ele deixou bem claro que não havia sido ele quem fizera o milagre. “Pois assim fala o Senhor, Deus de Israel: a vasilha de farinha não se esvaziará e a jarra de azeite não acabará, até o dia em que o Senhor enviar a chuva sobre a face da terra” I Reis 17,14. E quando Elias ressuscitou o filho da viúva, ele não transmitiu a impressão que havia operado aquele milagre, como Jesus procedeu numa circunstância similar, ver Mateus 9,23-26. Contudo “Estendeu-se três vezes sobre o menino e invocou o Senhor: “Senhor meu Deus, eu te peço, faze voltar a ele a alma deste menino. O Senhor atendeu a súplica de Elias e a alma do menino voltou a ele e ele reviveu” I Reis 17,21 e seguinte. De modo semelhante, lemos na história de Eliseu que, quando ele ressuscitou o filho de Sunamita, “ele orou a Deus” e a criança foi reavivada em resposta à sua prece, II Reis 4,33. Deus é então entronizado como o ressuscitador dos mortos. O profeta é meramente seu instrumento. Os Evangelhos registram que Jesus certa vez transformou cinco filões de pão e dois peixes em alimento suficiente para cinco mil pessoas. Com o restante, encheu doze cestas Lucas 9,13-17. Comparar com João 6,10-13. Ao operar este milagre, Jesus não fez referência a Deus, apresentando-o como prova de seus próprios poderes. É instrutivo comparar a história de Jesus alimentando as multidões com um relato semelhante da Bíblia Hebraica. Certa vez, Elizeu se confrontou com a necessidade de alimentar uma centena de pessoas com vinte pães de cevada e trigo novo em espigas. Quando seu servo se desesperou em suas tentativas, Eliseu disse: “Ofereça ao povo para que coma, pois assim falou o Senhor: Comerão e ainda sobrará. Serviu-lhes, eles comeram e ainda sobrou, segundo a palavra do Senhor” II Reis 4,42-44. Eliseu creditou a Deus este milagre, enquanto Jesus, numa situação idêntica, operou este milagre de sua própria autoria sem qualquer apelo a Deus e sem aludir a ele o crédito pelo feito. Jesus operou milagres para fazer o povo acreditar nele. Os profetas hebreus operaram milagres para fortalecer a fé em Deus. Quando Moises desejou curar Miriam de lepra, ele “orou a Deus, dizendo: “Cure-a agora. Ó Deus, eu lhe imploro” Números 12,13. E quando Eliseu curou o general arameu Naama de lepra, ele deixou tão inequivocamente claro que Deus o havia curado que Naama fez um voto: “não oferecerá holocausto nem sacrifício a outros deuses, mas só a Deus” II Reis 5,17. O operar milagres, os profetas de Israel invariavelmente deixavam claro que não eram eles que produziam os resultados desejados. Mas Deus, que os empregava como instrumentos de sua vontade. Por isso, os judeus contemporâneos de Jesus, impregnados pela tradição de sua fé, ficaram repugnados, em vez de atraídos ou convencidos, pelos milagres que ele, Jesus, operava por sua conta. A antiga crença cristã em Jesus foi quase integralmente justificada pelos milagres que ele operava. Nos últimos séculos Também, o cristianismo baseou suas reivindicações de possuir a verdade nas maravilhas e sinais realizados por Jesus e pelos apóstolos. E mesmo hoje em dia, a Igreja ainda reconhece os milagres como a prova da verdade. De acordo com a crença judaica, por outro lado, os milagres não provam qualquer coisa. Mestres judeus, através dos tempos, enfatizaram que a verdade não pode ser estabelecida por mágica ou feitiçaria. Para o judeu, os milagres são no máximo uma afirmação adicional da verdade. Porém ele se recusa a aceitá-los como único critério da retidão de um ensinamento ou crença. Na carreira dos profetas hebreus, os milagres desempenharam um papel insignificante. Os profetas se voltavam aos milagres somente em situações extremas. Mesmo então, não para provar a verdade, contudo para imprimir sua validade sobre certos tipos de pessoas. É característico da avaliação que o povo judeu faz a respeito do valor dos milagres que o Pentateuco relaciona. Que algumas das pragas que Moisés fez cair sobre o Egito também foram produzidas pelos mágicos do Faraó: “Os magos do Egito, porém, com suas ciências ocultas, fizeram o mesmo” Êxodo 7,27. Então os mágicos transformaram água em sangue e fizeram os sapos virem à terra do Egito. O judaísmo, por esse motivo, rejeita o milagre como prova conclusiva para estabelecer a verdade. Entretanto sempre haverá perigo latente de magia e bruxaria darem a sua contribuição. Assim, também os ensinamentos de Jesus não se enquadram nos padrões proféticos. Apesar de ter repetido várias das máximas e lições éticas dos profetas. Sua rejeição arbitrária de pontos importantes da lei judaica o colocara na classe daqueles que “acrescentam ou diminuem algo da torá”. Um importante lapso do ponto de vista judaico tradicional. Abraço. Davi.

segunda-feira, 2 de setembro de 2024

A RELAÇÃO CONJUGAL E A CONSCIÊNCIA DE KRISHNA

 

Hare Krishna. A RELAÇÃO CONJUGAL E A CONSCIÊNCIA DE KRISHNA. Palestra de A. C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada (1896 – 1977) proferida na cidade de Montreal – Canadá, em julho de 1968. Pela ocasião do casamento de Paramananda Dasa e Satyabhama Devi Dasa. O amor conjugal existe primeiro na pessoa suprema.  Govinda [Krishna] não é impessoal. E é distintamente declarado na Brahman-Samhita 5.31, alola-chandraka-lasad-vanamalya-vamshi: “O Senhor é decorado por guirlanda de flores, e Ele tem uma flauta em Suas mãos”. Diz também, pranaya-keli-kala-vilasam: “E Ele está ocupado no amor conjugal transcendente, Radha e Krishna”. Assim, este amor que está na nossa experiência dentro deste mundo material, homem e mulher, não é artificial, pois existe em Deus também. O Vedanta-sutra, no começo, diz: “Quem é o Brahman, a Pessoa Suprema ou a Verdade Absoluta?”. Há este questionamento, athato brahma jijnasa: “O que é essa Verdade Absoluta?”. A resposta é janmady asya yatah: “A Verdade Absoluta é aquilo a partir de quem tudo emana”. Uma definição muito simples. É o manancial de tudo, a fonte de tudo. Portanto, aqui neste mundo material, vemos que a atração mútua entre homem e mulher é muito proeminente. Isso não se dá apenas na sociedade, mas também na sociedade animal, entre macho e fêmea. Por quê? A resposta está no Vedanta-sutrajanmady asya yatah, isto é, porque existe na Verdade Absoluta. Sem estar presente na Verdade Absoluta, como pode se manifestar na verdade relativa? Este mundo é chamado de “mundo relativo”. Ele não é Absoluto. Não podemos compreender um homem sem conhecer uma mulher. Não podemos compreender pai sem compreender um filho ou uma mãe. Isso é relatividade. De acordo com o sistema védico, todos têm que seguir o Vedanta-sutra. Há duas seções de filósofos aprovados na Índia. Não me refiro a filósofo manufaturado, especuladores mentais, mas àqueles que são considerados de valor. São eles os filósofos impersonalistas e os personalistas. Nós vaishnavas aceitamos a Verdade Absoluta em pessoa, e os filósofos mayavadis dizem que a Verdade Absoluta é impessoal. Essa é a diferença. Excetuando isso, o processo deles é quase o mesmo. Agora, o argumento do vaishnavismo é: como a Verdade Absoluta pode ser impessoal, já que aqui neste mundo, na nossa experiência, vemos que tudo é pessoal? Então, a não ser que a personalidade, a individualidade ou a atração individual estejam presentes na Verdade Absoluta, como podem ser representadas aqui, na verdade relativa? Transformando luxúria em amor. Então, fora esse ponto de vista argumentativo, a nossa apresentação é que este amor conjugal entre homem e mulher não é artificial, senão que é bastante natural por existir na Verdade Absoluta, como encontramos na descrição védica, de que a Verdade Absoluta, a Personalidade de Deus, está ocupada em casos amorosos conjugais, Radha-Krishna. Contudo, o mesmo tópico amoroso de Radha-Krishna permeia a matéria. Trata-se de reflexo pervertido. Aqui neste mundo material, o assim chamado amor não é amor de verdade. É luxúria. Aqui, o masculino e o feminino não se atraem por amor, mas por luxúria. Assim, nesta sociedade da consciência de Krishna, porque estamos tentando nos aproximar da Verdade Absoluta, a propensão à luxúria tem que ser convertida em amor puro. Eis a proposta. Então, ainda na Índia, entre os seguidores estritos dos princípios védicos, esse assunto da luxúria é ajustado espiritualmente. Como isso é feito? Os rapazes e as moças não são autorizados a se misturarem livremente antes do casamento. Um de nossos alunos daqui foi à Índia e tentou falar com uma moça jovem na rua, e ele foi insultado. Ele ficou surpreso, mas está em vigor a prática de que nenhum rapaz jovem e nenhuma moça jovem devem falar entre si. É claro que agora está diferente. Mas mesmo até a nossa juventude, vimos que, sem serem casados, nenhuma moça e nenhum rapaz podiam se misturar. Essa questão da atração luxuriosa, então, era um pouco controlada. Os pais da moça e os pais do rapaz selecionavam com quem se casariam, e essa seleção era feita muito cientificamente, pegando o horóscopo da moça e do rapaz e calculando: “Como este rapaz e está moça se combinarão? O quanto a vida deles será feliz?”. Muitíssimas coisas eram consideradas, e, quando tudo estava estabelecido, o casamento ocorria. Esse é o sistema da antiga Índia, o princípio védico. No que diz respeito ao amor livre, até onde entendemos, isso era permitido apenas nos círculos muito elevados da ordem principesca. Porque as moças eram instruídas e crescidas, dava-se a elas a oportunidade de selecionar seu esposo, mas não diretamente. Encontramos muitíssimas evidências históricas a partir da literatura védica de que a moça costumava expressar seu desejo: “Quero me casar com aquele rapaz”, e o pai apresentava um desafio, um jogo. Se alguém comparecesse e saísse vitorioso, a moça era oferecida. Isso era em casos especiais. Isso acontecia entre os kshatriyas, a ordem principesca, e não com outros. De qualquer forma, nesta era, o casamento, de acordo com os nossos princípios vaishnavas, é permitido porque existe masculino e existe feminino. Por que não deveriam se unir? Mas não o devem fazer ilegalmente. Quando vim a este país, em Nova Iorque – Estados Unidos, alguns dos rapazes e das moças que estavam comparecendo ao nosso programa se ofereceram a mim como discípulos. Então, vi que a maioria dos rapazes e das moças estava ficando juntos como namorados. Diante disso, disse-lhes que, se queriam progredir na vida espiritual, tinham que se abster de quatro tipos de atividades pecaminosas, e esses quatro tipos de atividades pecaminosas são: a vida sexual ilícita, a dieta não vegetariana, a intoxicação e os jogos de azar. A não ser que o indivíduo esteja livre dessas quatro atividades, não será capaz de progredir na vida espiritual. Uma vez que Deus é puro, pavitram paramam bhavan, nenhuma alma impura pode aproximar-se dele. Este corpo é o sinal da impureza, porque a alma não tem corpo material. Então, qualquer um que tem este corpo material deve ser considerado pecaminoso. Todavia, como sair disso? É preciso aderir à vida espiritual. É como o leite: se você ingere muito leite, haverá desordem nos intestinos, e você terá que defecar muitas vezes. Contudo, quando você busca um médico aiurvédico por estar sofrendo de diarreia ou intestino solto, o médico prescreve coalho ou iogurte com algum medicamento. Assim, o homem que tem a doença decorrente de beber leite também é curado por beber a mesma preparação láctea sob a direção do médico. O paciente não pode questionar o médico dizendo: “Eu fiquei doente por beber leite, e você está prescrevendo outra preparação de leite?”. Sim, porque está tratado. Similarmente, esta propensão à luxúria entre homem e mulher, se ela é apropriadamente tratada, pode se tornar amor a Deus. Casais regulados e filhos conscientes de Deus são benéficos a sociedade. Eu sou um sannyasi. Eu renunciei minha vida familiar. Embora eu tenha meus filhos e meus netos, e minha esposa ainda esteja viva, me separei deles. Isso se chama sannyasa. Por que estou me interessando novamente na vida familiar de meus alunos? Porque quero vê-los progredir apropriadamente em direção à vida espiritual. Então, embora não seja o afazer de um sannyasi participar de cerimônias de casamento; neste país, apenas para salvar meus alunos, tanto os rapazes quanto as moças, das atividades pecaminosas, estou pessoalmente me interessando em torná-los bons cavalheiros e boas damas através do casamento. Estou muito feliz com estes rapazes e estas moças que concordaram em se casar, e eles estão se sentindo muito felizes. Muitos deles estão presentes neste encontro. A partir do semblante e das atividades deles, parece que estão muito felizes. Assim, nesta Sociedade para a Consciência de Krishna, temos este programa de que, se algum rapaz ou alguma moça quer se casar, eu ajudo. Esta cerimônia matrimonial é feita hoje neste princípio. Os presentes noivo e noiva devem saber com toda certeza que este casamento não se destina à gratificação sensorial, mas, sim, à purificação da vida. Assim, não há questão de divórcio. Não há questão de separação. Então, não entrem na vida marital se vocês têm essa propensão. O nosso primeiro princípio é nos tornarmos conscientes de Krishna. As outras coisas são secundárias. Putrarthe kriyate bharya. Se vocês podem produzir bons filhos, filhos conscientes de KRISHNA, isso será o maior serviço à sociedade humana. Porque a sociedade humana está produzindo filhos como gatos e cães, toda a sociedade humana está transtornada. Como vocês podem esperar paz e prosperidade na sociedade de gatos e cães? Portanto, há necessidade de que se produzam filhos na consciência de Krishna, para treiná-los desde o começo. Todos vocês ficarão contentes em saber que alguns de nossos estudantes, garotos muito pequenos de San Francisco, estão sendo treinados e estão fazendo maravilhoso progresso. Não apenas aqui, mas em toda parte do mundo, o sistema educacional não é muito satisfatório. Desde o começo da vida, são autorizados a se misturar livremente, e eles são autorizados a desfrutar da vida sexual irrestrita. Isso não é bom nem para a sua saúde nem para a educação. Estamos obtendo agora o resultado da educação: comunistas e hippies. Então, aqueles que são guardiões da sociedade devem observar isso seriamente e tornar a vida muito regulada. Visto que temos este corpo material, precisamos comer, dormir, nos defender e casar – essas são as demandas deste corpo. Porém, elas têm que ser muito reguladas na consciência de Krishna, de modo que não sejam um elemento perturbador. Devemos progrediremos mais e mais rumo à realização espiritual da consciência de Krishna. A meta da vida marital é produzir bons filhos – filhos conscientes de Krishna. Este é o melhor serviço à sociedade humana: produzir bons filhos. Não produzam gatos e cães. Este é o meu pedido. Do contrário, não tenham filhos. Permaneçam separados. Separado não significa que há divórcio, mas não produzam filhos. Este é o meu pedido. Pita na sa syaj janani sa syat. O Srimad-Bhagavatam diz: “O indivíduo não deve se tornar pai, não deve se tornar mãe, a não ser que seja capaz de proteger os filhos do iminente perigo da morte”. A que isso se refere? Ao ciclo de nascimentos e mortes. Se vocês podem treinar seus filhos para a consciência de Krishna, os filhos de vocês voltarão ao Supremo nesta vida. Essa deve ser a meta. Da mesma forma que vocês tentarão voltar ao Supremo nesta vida, vocês devem cuidar de seus filhos de maneira que eles também possam, nesta vida, voltar ao Supremo. O dever da mãe e do pai deve ser: “Esta criança nasceu do meu ventre, mas esta sua vida deve ser a última – basta de corpos materiais”. Essa deve ser a responsabilidade do pai e da mãe. Essa é a direção dada pelo Srimad-Bhagavatam. Então, meus queridos filhos, rapazes e moças, peço a vocês que vivam felizes. Não há restrição alguma. Não restringimos os atos de comer, dormir, acasalar ou defender-se. Mas façam isso em relação a Krishna, tendo uma vida pura, e sejam felizes nesta vida e na próxima. Muito obrigado. www.voltaosupremo.com.br. Abraço. Davi.

domingo, 1 de setembro de 2024

CRISTO E KRISHNA - A SEMELHANÇA ENTRE SEUS ENSINAMENTOS

 

Hare Krishna. www.pt.krishna.comCRISTO E KRISHNA – A SEMELHANÇA ENTRE SEUS ENSINAMENTOS. São muitas as semelhanças entre o Cristianismo em sua essência e a consciência de Krishna (Deus). A razão é bastante óbvia — eles são ambos caminhos para o mesmo objetivo — a consciência de Deus. É impraticável pensar que Deus se restringiria somente a um certo grupo de pessoas baseado na sua origem ou em divisões sectárias. Deus é universal, Ele não pode ser limitado por rituais ou convicções pessoais. Ele se manifesta de modos e formas mais receptivos às pessoas, baseado em: tempo, lugar e circunstância. Sua Divina Graça A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada (1896-1977), o Acharya-Fundador da Sociedade Internacional para a Consciência de Krishna (ISKCON), foi perguntado uma vez por um grupo de ministros Cristãos em Melbourne pela posição dele com respeito a Jesus Cristo, Prabhupada respondeu: "Ele é nosso Guru, Ele está orando a Deus, assim ele é nosso mestre espiritual". Descrevendo Jesus Cristo como representante de Deus, Shrila Prabhupada disse: "Nós adoramos o Senhor Jesus Cristo e oferecemos nossas reverências a ele". Em consciência de Krishna o Senhor Jesus é considerado como o filho perfeito de Deus porque ele executa perfeitamente a vontade de seu Pai. Ele desceu como uma encarnação autorizada (shaktyavesha avatara), para ensinar através das palavras e através do exemplo o caminho para retornar ao lar, de volta ao Supremo. Ele exemplificou tolerância, compaixão e pregou rendição total a Deus. Essa também é a essência de todos os ensinamentos Védicos, assim não é surpreendente que há muitas semelhanças na sua filosofia básica. Com essa perspectiva, é interessante comparar alguns dos pontos chaves definidos, entre o Cristianismo e a consciência de Krishna ou bhakti-yoga. Rendição a Deus. Ambas as religiões enfatizam rendição da mente, corpo e alma a Deus como os únicos meios de liberação. Quando o Senhor Jesus Cristo era interrogado pelos Fariseus sobre qual era o maior de todos os mandamentos, Ele respondeu claramente: "Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda tua alma e de todo o teu entendimento. Esse é o primeiro e o maior dos mandamentos" (Matheus 22,37–38). Semelhantemente todo o conteúdo do Bhagavad-gita é resumido no verso: "Abandona todas as variedades de religião e simplesmente rende-te a Mim. Eu te liberarei de todas as reações pecaminosas. Não temas" (18,66). Serviço devocional. O apóstolo Paulo disse: "Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos como um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional" (Romanos 12,1). No Bhagavad-gita Sri Krishna diz: "Pense em mim e converte-te em Meu devoto. Adora-Me e oferece-Me tuas homenagens. Assim, virás a Mim impreterivelmente. Eu te prometo isso porque és meu amigo muito querido" (18,65). Cantando o santo nome.  Deus e o Seu nome não são diferentes. Na Bíblia é dito "Para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor para a Glória de Deus Pai" (Filipenses 2,10–11) e "Porque: Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo" (Romanos 10,13). A principal oração ensinada por Jesus Cristo começa assim: "Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o teu nome" (Matheus 6:9). Podemos ver também: "No princípio era o verbo, o verbo estava com Deus e o verbo era Deus" (João 1,1), "E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo" (Atos 2,21) e "Eu lhes fiz conhecer o Teu nome e ainda o farei conhecer, a fim de que o amor com que me amaste esteja neles e Eu neles esteja" (João 17,26). O Srimad Bhagavatam diz: "Os seres vivos, emaranhados nas complicadas redes de nascimento e morte, podem libertar-se de imediato, cantando, mesmo inconscientemente, o santo nome de Krishna, que é temido pelo medo personificado" (Canto 1, 1-14). Vegetarianismo. Jesus Cristo disse: "Não matarás, mas qualquer que matar será réu de juízo" (Matheus 5,21). O verbo matar é aplicado a matança de pessoas e animais, não vegetais. Quando é só dirigido a pessoas, temos o verbo "assassinar". Portanto é claro que Jesus Cristo se referia aqui a matança de animais também. As escrituras Védicas deixam muito claro que a matança de animais é algo extremamente pecaminoso, que impede o nosso avanço espiritual. Sri Krishna diz: "Se uma pessoa Me oferecer com amor e devoção uma folha, uma flor, frutas ou água, Eu aceitarei." (Gita 9,26). Shri Krishna diz também: "Os devotos do Senhor se liberam de toda a classe de pecados porque comem alimentos que são primeiro oferecidos em sacrifício (oferecidos ao Senhor). Os demais, que preparam os alimentos para gozo pessoal dos sentidos, em verdade só comem pecado." (Gita 3,13). Na Bíblia encontramos várias outras referências ao vegetarianismo: "Bom é não comer carne, nem beber vinho, nem fazer outras coisas em que teu irmão tropece, ou se escandalize, ou se enfraqueça" (Romanos 14,21). "E disse Deus: Eis que vos tenho dado todas as ervas que dão semente e se acham na superfície de toda a terra, e todas as árvores em que há fruto que dê semente; isso vos será para mantimento" (Gênesis 1,29). Passaram muitos anos e a humanidade decaiu, então foram escravizados, empreenderam guerras, comeram animais e cometeram vários outros atos violentos. Mas os profetas nos falam que um reino pacífico virá o qual será não violento e vegetariano. Onde, "O lobo habitará com o cordeiro, e o leopardo se deitará junto ao cabrito; o bezerro, o leãozinho e o animal cevado andarão juntos e um menino os guiará. A vaca e a ursa pastarão juntas, e as suas crias juntas se deitarão; o leão comerá palha como o boi" (Isaías 11,6–7). Jesus é o Príncipe da Paz que introduz solenemente esta nova era de não-violência. Quando os cristãos rezam, "Seja feita a Tua vontade, assim na terra como no céu" é uma oração dada a nós por Jesus, que nos obriga a mudar nossas vidas, fazer escolhas que são misericordiosas e amorosas quanto possível. Não haverá nenhuma fazenda de exploração animal nem matadouros no céu. Deus criou cada animal com a capacidade de sentir dor e sofrimento físico ou mental. Mas, nas fazendas de exploração, animais tem seus chifres arrancados, seus bicos queimados e são castrados sem anestesia. Visando a maximização de lucros eles são confinados em cubículos apertados e são alterados geneticamente, de forma que a maioria sofrem deficiências físicas e deformações ósseas porque suas pernas não podem sustentar os corpos cientificamente aumentados. Finalmente eles são transportados em caminhões sem comida e água, muitas vezes através de temperaturas extremas com destino a uma morte amedrontadora e infernal. Jesus Cristo diz: "Portanto, vós orareis assim: Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o teu nome, venha o teu reino, faça-se a Tua vontade, assim na terra como no céu; o pão nosso de cada dia dá-nos hoje; e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoados aos nossos devedores; e não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal, pois é o reino, o poder e a glória para sempre, Amém." (Matheus 6,9–13). Reações kármicas. O apóstolo Paulo disse: "Não vos enganeis; Deus não se deixa escarnecer; pois tudo o que o homem semear, isso também ceifará" (Gálatas 6,7). Moisés escrever: "Não te curvarás diante delas, nem as servirás; porque eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam" (Êxodo 20,5) — "Mas se não fizerdes assim, estareis pecando contra o Senhor; e estais certos de que o vosso pecado vos há de atingir" (Números 23,32) — "Do suor do teu rosto comerás o teu pão, e ao pó tornarás" (Gênesis 3,19). O Bhagavad-gita está baseado na reencarnação e reação kármica, e declara que enquanto o corpo é provisório, a alma nunca morre (Gita, 2,12) e todo o mundo está sofrendo ou desfrutando os resultados das reações kármicas passadas e presentes. Sucessão discipular. O apóstolo João disse: "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus" (João 1,1) — "Prosseguiu, pois, Jesus: Quando tiverdes levantado o Filho do Homem, então conhecereis que eu sou, e que nada faço de mim mesmo; mas como o Pai me ensinou, assim falo" (João 8,28) — "Disse-lhes, pois, Jesus: "Em verdade, em verdade vos digo que o Filho de si mesmo nada pode fazer, senão o que vir o Pai fazer; porque tudo quanto Ele faz o Filho faz igualmente" (João 5,19). Semelhantemente, todas as escrituras Védicas declaram que a "sabda" ou "palavra de Deus", ouvida de um Guru ou mestre espiritual autêntico é o único modo para fazer avanços espirituais. No Bhagavad-gita, Sri Krishna ordena: "Tenta aprender a verdade aproximando-te de um mestre espiritual. Faze-lhe perguntas com submissão e presta-lhe serviço. As almas autorrealizadas te podem transmitir conhecimento porque viram a verdade" (4:34). O Mukunda Upanishad (1,2-12) declara que um estudante sincero tem que chegar a um guru ideal para receber conhecimento transcendental e esclarecimento. Morada eterna. No livro do Apocalipse é dito: "E ali não haverá mais noite e não necessitarão de luz de lâmpada nem da luz do sol, porque o Senhor os alumiará; e reinarão pelos séculos dos séculos" (Apocalipse 22,5). Semelhantemente Sri Krishna diz: "Essa Minha morada suprema não é iluminada pelo sol ou pela lua, nem pelo fogo ou pela eletricidade. Aqueles que alcançam jamais retornam a este mundo material" (Bhagavad-gita, 15,6). Assim ambas as escrituras falam sobre a morada eterna, indestrutível morada do Senhor e iluminada pelo Seu esplendor. Encarnações do Senhor. O nome de Cristo revela alguma coisa sobre Seu caráter. A palavra Cristo ou "Christos" e a tradução grega do Hebraico "Messias" que quer dizer "o consagrado ou ungido". Nas escrituras Védicas alguém que foi consagrado deste modo ou foi autorizado é chamado um avatar (alguém que desce), mais especificamente um "shaktyavesa avatara" — um que foi autorizado diretamente por Deus para descer para uma missão particular. No Brahma Samhita (Versto 46), é dito "A luz de uma vela que é passada a outras velas, embora queimando separadamente delas, é a mesma em sua qualidade. Eu adoro o Senhor Govinda que se exibe igualmente da mesma maneira nas Suas várias manifestações". Missão. O nome Jesus é derivado do nome Hebraico Joshua ou Jahveh, significando salvação ou libertação. Jesus é chamado assim porque ele salva ou livra os Seus fiéis do pecado. "Ela dará a luz um filho, a quem chamarás Jesus; porque ele salvará o seu povo dos seus pecados" (Matheus 1,21). Semelhantemente, Sri Krishna declara: "Sempre e onde haja um declínio na prática religiosa, ó descendente de Bharata, e um aumento predominante da irreligião — neste momento Eu próprio desço". (B. Gita 4,7–8). Quando Krishna diz que Ele próprio desce as escrituras explicam que isso significa 1) Ele vem pessoalmente, como fez a 5.000 anos na Sua forma original de Krishna ou a 500 anos atrás como o Senhor Caitanya Mahaprabhu ou 2) Ele manda um representante Seu, como o Senhor Jesus Cristo, Muhammad, ou Srila Prabhupada. Dualidade de Deus e entidade viva. Jesus disse: "Ouvistes que eu vos disse: Vou, e voltarei a vós. Se me amásseis, alegrar-vos-íeis de que vá para o Pai; porque o Pai é maior do que eu" (João 4,28). No Bhagavad-gita está escrito: "As entidades vivas neste mundo condicionado são minhas eternas partes fragmentárias. Por força da vida condicionada, elas empreendem árdua luta com os seis sentidos, entre os quais se inclui a mente" (Gita 15,7). Assim em ambas as filosofias há uma distinção clara feita entre Deus e a entidade viva. Igualdade de todas as entidades vidas. No Gênesis está escrito: "Deus, pois, fez os animais selvagens segundo as suas espécies, e os animais domésticos segundo as suas espécies, e todos os répteis da terra segundo as suas espécies. E viu Deus que isso era Bom" (Gênesis 1,15). Sri Krishna diz: "Ó filho de Kunti, deve-se compreender que é com o nascimento nesta natureza material que todas as entidades vivas, em todas as espécies de vida, tornam-se possíveis, e que Eu sou o pai que dá a semente" (Gita 14,4). Deus é o Pai de todas as entidades vivas, não só os seres humanos. Portanto não temos o direito de matar ou maltratar outras entidades  vivas desnecessariamente. Perdão. Ambas as filosofias ordenam que aqueles que estão aguentando os resultados das suas atividades, boas ou ruins, mas se rendem imediatamente a Deus são perdoados de todos os pecados. Esta rendição deve ser genuína, pelo coração, não só pela língua. O significado de perdão é que uma vez perdoado, a atividade ofensiva é parada. Por exemplo o senhor Jesus perdoou uma adúltera com a proibição "E disse-lhes Jesus: Nem eu te conheço; Vai e não peques mais" (João 8,11). Vemos também: "Vinde, pois, e arrazoemos, diz o Senhor: ainda que os vossos pecados são como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que são vermelhos como o carmesim, se tornarão como a lã" (Isaías 1,18). Sri Krishna diz: "Mesmo que alguém cometa ações das mais abomináveis se tiver ocupado em serviço devocional deve ser considerado santo porque está devidamente situado em sua determinação. Ele logo se torna virtuoso e alcança paz duradoura. Ó filho,  de Kunti, declare ousadamente que Meu devoto jamais perece" (Gita 9,30–31). Conclusão. Assim nós vemos que há muitas semelhanças nas duas filosofias. Religião significa as leis de Deus. Pode haver diferença em práticas — na realidade haverá diferenças em práticas baseado em tempo, lugar e circunstâncias. Sri Krishna diz que de acordo com o modo da sua natureza a pessoa evolui um tipo particular de fé (Gita 17,3). O sábio que entende isso, procura os caminhos da consciência de Deus, conforme as Suas instruções originais, sem qualquer interpretação incentivada. Mas a essência de todas as religiões tem que ser a mesma — cultivar a constante consciência de Krishna, ou de Deus, e assim desenvolver amor puro por Ele. A vantagem das escrituras védicas, é que nelas nós encontramos descrições detalhadas e científicas desse processo, sem limitações geográficas, culturais ou temporais, que todos podem aplicar em suas vidas, independentemente de sua idade, raça, cor, sexo, nacionalidade, religião etc. www.pt.krishna.com. Abraço. Davi