sábado, 3 de agosto de 2024

OS ANALECTOS - LIVRO III

 

Confucionismo. www.https//rt.br. OS ANALECTOS – LIVRO III. 1. Confúcio disse da família Chi: “Eles usam oito fileiras de dançarinas cada um [35] para performances no jardim. Se isso pode ser tolerado, o que não pode ser tolerado?”. 2. As Três Famílias [36] recitavam o yung [37] quando as oferendas sacrificiais estavam sendo retiradas. O Mestre disse: Como plateia figuravam os grandes senhores, em dignidade solene estava o imperador. Que aplicação isso pode ter nos salões das Três Famílias?” 3. O Mestre disse: “O que pode um homem fazer com os ritos se ele não é benevolente? O que pode um homem fazer com a música se ele não é benevolente”? 4. Lin Fang perguntou sobre o fundamento dos ritos. O Mestre disse: “Uma nobre pergunta, de fato! Com os ritos, é melhor pecar pela simplicidade do que pela extravagância; em matéria de luto, é melhor pecar pela tristeza do que pela formalidade”. 5. O Mestre disse: “Tribos bárbaras com seus líderes são inferiores aos reinos chineses sem líderes”. 6. A família Chi estava indo fazer sacrifícios para o monte T’ai [38]. O Mestre disse para Jan Ch’iu [39]: “Você não pode impedi-los?”. “Não, não posso”. O Mestre disse: “Oh! Mas quem pode imaginar que o monte T’ai desconhece os ritos assim como Lin Fang?”. [40] 7. O Mestre disse: “Não há competição entre cavalheiros. O mais próximo disso é, talvez, no tiro com arco. No tiro com arco eles se curvam e dão lugar um para o outro quando iniciam e, ao terminarem, bebem juntos. Até mesmo a maneira com que competem é cavalheiresca”. 8. Tzu-hsia perguntou: “Seu encantador sorriso com covinhas, Seus belos olhos esgazeando, Padrões de cores em seda lisa. [41] Qual o significado de tais linhas?”. O Mestre disse: “As cores são acrescentadas após o branco”. “E a prática dos ritos, também vem depois?” O Mestre disse: “É você, Shang, quem iluminou o texto para mim. Apenas com um homem como você é possível discutir as Odes”. 9. O Mestre disse: “Posso falar sobre os ritos de Hsia, mas o reino de Ch’i [42] não preservou evidências suficientes; posso falar sobre os ritos de Yin, mas o reino de Sung não preservou evidências suficientes. Isso é porque não há registros suficientes nem homens de erudição. Não fosse assim, eu poderia sustentar o que digo em evidências”. 10. O Mestre disse: “Não quero assistir à parte do sacrifício ti [43] que vem depois da libação de abertura ao personificador”. [44] 11. Alguém perguntou sobre o significado do sacrifício ti. O Mestre disse: “Não é algo que eu entenda, pois quem entender terá capacidade para gerenciar o império com tanta facilidade quanto se o tivesse aqui”, apontando para a palma da mão. 12. “Sacrifício presente” diz-se que significa “sacrifique aos deuses como se os deuses estivessem presentes.” O Mestre, entretanto, disse: “Amenos que eu participe do sacrifício, é como se eu nada tivesse sacrificado”. 13. Wang-sun Chia disse: “Melhor homenagear o fogão da cozinha Do que o canto sudoeste da casa. [45] O que isso significa?”. O Mestre disse: “O ditado está errado. Quando você ofende o Céu, não adianta voltar suas preces para nenhum outro lugar”. 14. O Mestre disse: “A cultura de Chou resplandece, tendo o exemplo de duas dinastias anteriores [46]. Sou a favor dos Chou”. 15. Quando o Mestre entrou no Grande Templo [47] , ele fez perguntas sobre tudo. Alguém observou: “Quem disse que o filho do homem de Tsou [48] entendia os ritos? Quando ele entrou no Grande Templo, ele fez perguntas sobre tudo”. O Mestre, ao ouvir isso, disse: “Fazer perguntas é, em si, o ritual correto”. 16. O Mestre disse: “No tiro com arco, o objetivo não reside em perfurar o alvo Pela razão de que a força varia de homem para homem. Essa era a ideia na Antiguidade”. 17. Tzu-kung queria libertar a ovelha sacrificial no anúncio da lua nova. O Mestre disse: “Ssu, você está relutando em se desfazer do valor da ovelha, mas eu reluto em ver o fracasso do ritual”. 18. O Mestre disse: “Você será visto pelos outros como alguém bajulador se observar cada detalhe dos ritos ao servir o seu senhor”. 19. O duque Ting perguntou: “De que modo o governante deveria empregar o serviço dos seus ministros? Qual o modo com que um ministro deveria servir ao seu governante?”. Confúcio respondeu: “O governante deveria empregar o serviço dos seus ministros de acordo com os ritos. Um ministro deveria servir o seu governante dando o melhor de si”. 20. O Mestre disse: “No kuan chü [49] há alegria sem futilidade, e tristeza sem amargura”. 21. O duque Ai perguntou a Tsai Wo sobre o altar de sacrifício ao deus da terra. Tsai Wo respondeu: “Os Hsia usavam o pinho, os Yin usavam o cedro, e os homens de Chou usavam castanheira (li), dizendo que fazia o povo tremer (li)”. O Mestre, ouvindo a resposta, comentou: “Não se explica o que já está feito, não se discute sobre o que já foi realizado, e não se condena o que já passou”. 22. O Mestre disse: “Kuan Chung era, de fato, um vassalo de pouca capacidade”. Alguém observou: “Kuan Chung era frugal, então?”. “Kuan Chung mantinha três estabelecimentos independentes, cada um com uma equipe própria. Como poderia ele ser chamado de frugal?” “Nesse caso, Kuan Chung entendia os ritos?” “Governantes de reinos erigem anteparos de tela para seus portões; Kuan Chung também erigia tal anteparo. O governante de um reino, quando recebe o governante de outro reino, tem um suporte especial para descansar sua xícara; Kuan Chung igualmente tinha tal suporte. Se até Kuan Chung entendia os ritos, quem não os entende?” 23. O Mestre conversou sobre música com o grande musicista de Lu, dizendo: “Isso é o que se pode saber sobre música. Começa sendo tocada em uníssono. Quando flui totalmente, é harmoniosa, límpida e contínua. Desse modo chega à conclusão”. 24. O fiscal de fronteira de Yi requereu uma audiência [com Confúcio], dizendo: “Nunca me foi negada nenhuma audiência por um cavalheiro que tenha vindo aqui”. Os acompanhantes o apresentaram [a Confúcio]. Quando saiu, o oficial disse: “Estão preocupados, cavalheiros, com a perda do cargo? O Império há muito não segue o Caminho. O Céu vai usar o Mestre de vocês como o badalo de um sino”. [50] 25. O Mestre disse, sobre shao [51] , que era perfeitamente linda e perfeitamente boa e, sobre wu [52] , que era perfeitamente linda, mas não perfeitamente boa. 26. O Mestre disse: “O que posso achar digno de nota em um homem a quem falta tolerância quando em uma alta posição, a quem falta reverência quando realiza os ritos e a quem falta tristeza quando em luto?”. www.https//rt.br. Abraço. Davi.

quinta-feira, 1 de agosto de 2024

XINTOÍSMO MITOLOGIA E INFLUÊNCIA. Parte I

 

Xintoísmo. bushidobr.com. XINTOÍSMO MITOLOGIA E INFLUÊNCIA na formação da cultura e do carácter do povo japonês. Parte I. Introdução. A concepção do xintoísmo para o japonês era de si tão natural, genérica e vasta, que até a chegada do budismo no século VI (501-600), não tinha nome especificado. Quando se acharam diante de uma religião estrangeira, denominaram a nativa de Kannagara no michi ou Xintô, que significa caminho dos deuses. É difícil saber exatamente o que era o xintoísmo antes da chegada do budismo. Não era apenas a única religião; era o único modo como os antigos japoneses se relacionavam com o mundo, pois acreditavam profundamente que os deuses, os homens e a Natureza são nascidos dos mesmos ancestrais: não havia separação conceitual entre a Natureza e o homem. "Não havia denominação para a Natureza, como algo apartado e distinto do homem, algo que pudesse ser contemplado pelo homem" (Sakamaki Shunzo in MOORE, 1975, p. 24). Ou seja, não havia distinção entre sujeito e objeto, observador e observado. O homem era apenas parte de um todo, "intimamente associado e identificado com os elementos e as forças do mundo em seu redor" (idem). Fato que se nota pela importância das principais divindades, entre milhares, associadas aos principais fenômenos da natureza: o nascimento, o crescimento, as transformações e a morte (ibidem p. 25). Essa estreita proximidade com a Natureza e elementos de seu entorno constitui-se na principal característica do Xintô (HERBERT, 1964, p. 17). Supõe-se que o modo como viam o mundo “era uma forte concepção intuitiva de uma profunda unidade subjacente, biológica e física ao mesmo tempo, entre todos os homens (mortos, vivos e não-nascidos), a Natureza e todas as entidades invisíveis ao homem, porém dignas de veneração” (HERBERT, 1977, p. 10). É, no dizer do professor Ono, "para os que veneram o kami, xintô é o nome coletivo de todas as crenças que compreendem a ideia do kami" (ONO, 1990, p. 3). Relacionando as três mais antigas correntes de pensamento que estão na gênese do pensamento japonês, teria dito o príncipe Shotoku , que difundiu o budismo no Japão: “O Xintoísmo é a raiz e o tronco de uma grande árvore robusta e transbordante em inesgotável energia; o Confucionismo são os galhos e as folhas e o Budismo são as flores e frutos” (HERBERT, 1977, p. 11). Por dois ou mais milênios, junto com o budismo e o confucionismo, essa religião autóctone moldou o caráter desse povo. Origem. Perde-se nas brumas do tempo a origem do xintoísmo. Supõe-se que o local onde os aldeões se reuniam, no centro ou na entrada da aldeia, foi considerado sagrado e marcou-se por um ponto característico, como um rochedo, uma caverna, uma montanha ou uma grande árvore (ROCHEDIEU, 1982, p. 67). Aí se debatiam os assuntos da aldeia e era também o local das festas. O marco passou então a ser venerado como sagrado, como um kami da aldeia (idem). Às vezes o local escolhido se dava em torno de alguma antiga família, talvez a pioneira da comunidade (ONO, op. cit., p. 27). Os santuários primitivos eram simples "altares ao ar livre, frequentemente esculpidos na rocha, sobre os quais se depositavam oferendas" (LITTLETON, 2002, p. 68). Não raro, em comunidades rurais, os santuários eram erigidos no interior de densas florestas, localização acessível apenas por gente da comunidade (ONO, op. cit., idem). É seguro então, afirmar-se que a adoração à Natureza se constituiu na fé primitiva do povo japonês, evidenciado pelos deuses de estreita relação a ela: deusa do sol, deus da lua, deus da montanha, deus do mar, deus do vento entre outros (HARADA, 1914, p. 30). Em tempos primevos, quando ainda não se construíam santuários, acreditava-se que as divindades moravam longe e faziam visitas em ocasiões especiais. Era então preparado um pequeno abrigo de nome himorogi, cercado por corda de palha e ao centro, um ramo de árvore. Cercava-se o espaço também com rochas (iwasaka) (Ueda Kenji in TAMARU et alii, 1996, p. 31). Por acreditar que as divindades aí passaram a habitar, os abrigos tomaram a forma de casas. Não apenas a morada, mas também o espaço no entorno foi então considerado sagrado. Por serem construídos em meio à Natureza, nas montanhas, perto de cachoeiras ou em ilhas isoladas, a própria Natureza era vista como símbolo da divindade. Como local sagrado na construção de santuários, são seguidos os princípios da simplicidade, pureza e harmonia com a Natureza (idem). Fontes do Xintoísmo. São os principais textos do xintoísmo: a) o Kojiki – escrito em 712, traz um relato das tradições conservadas oralmente até o ano 628; b) o Nihongi – escrito em 720, é cerca de duas vezes mais longo do que o Kojiki; é a continuação dos seus relatos até o ano 700; c) o Kogoshui, escrito em 807, fornece alguns detalhes ausentes nos dois escritos anteriores; d) o Sendai Kuji Hongi – escrito em dez volumes no final do IX século, relata a história do Japão da era dos deuses até o VII século; e) o Engi-shiki – promulgado em 967, embora um texto de administração governamental, contém os três textos do Norito, liturgia que se oferece aos Kami. Teogonia – surgimento dos principais deuses do panteão xintoísta Lê-se na primeira seção do Kojiki: “os nomes dos Kami que se tornaram no Alto Plano dos Céus (Takama-no-hara) no início do Céu e da Terra são Ame-nominaka-nushi-no-kami (Augusto mestre do Centro do Céu), em seguida Takamimusubi-no-kami (Augusto elevado Kami que produz), e depois Kami-musubi-no-kami (Divino Kami maravilhoso que produz)” (ibidem p. 18). Na última geração nascem Izanagi (Varão que convida) e Izanami (Varoa que convida) (ibidem p. 28). A estes, os deuses ordenam consolidar e fazer nascer a Terra, entregando-lhes uma lança celeste ornada de joias (ibidem p. 37-38). De sobre a Ponte Flutuante Celestial (Ame-no-uki-hashi), agitam com sua lança flamejante as águas do oceano e de seus pingos se forma a ilha Onogoro, a primeira terra do Japão, que muitos autores relacionam à Ilha de Awaji (ibidem p. 38). Seu nome significa autocondenado e é a única entidade que não provém da união sexual dos deuses (ibidem p. 40). Após construírem nesta ilha o Augusto Mastro Celestial e uma sala (ou palácio) de oito braças, ambos contornando o mastro, o homem pelo lado esquerdo e a mulher pelo direito, unem-se como homem e mulher. Porém, tendo Izanami tomado a iniciativa, a união não resultou em boas crias e refizeram a união, cabendo desta vez a iniciativa ao homem (HERBERT, 1965, p. 50-51). No Nihongi consta versão na qual a mulher toma a iniciativa e faz o contorno pelo lado esquerdo, atendendo ao que lhe diz o homem, e este contorna o pilar pelo lado direito (ibidem p. 51). A união fracassou pelo resultado e a refizeram, invertendo os lados e cabendo a iniciativa da palavra desta vez ao homem. Abraço. Davi

terça-feira, 30 de julho de 2024

AVISO ÚTEIS PARA A VIDA PESSOAL. Parte IV

 

Cristianismo. Livro Imitação de Cristo. Por Tomás de Kempis (1380-1471). AVISOS ÚTEIS PARA A VIDA ESPIRITUAL. Parte IV. 12. A utilidade das adversidades. Bom é passarmos algumas vezes por aflições e contrariedades, porque frequentemente fazem o homem refletir. Lembrando-lhe que vive no desterro, e, portanto, não deve por sua esperança em coisa alguma do mundo. Bom é encontrarmos às vezes contradições, e que de nós façam conceito mau ou pouco favorável, ainda quando nossas obras e intenções sejam boas. Isso ordinariamente nos conduz â humildade e nos preserva da vanglória. Porque, então, mais depressa recorremos ao testemunho interior de Deus, quando de fora somos vilipendiados e desacreditados pelos homens. Por isso, devia o homem firmar-se de tal modo em Deus, que lhe não fosse mais necessário mendigar consolações às criaturas. Estando o homem de boa vontade ou tentado, ou molestado por maus pensamentos, sente logo melhor a necessidade que tem de Deus, sem o qual não pode fazer bem algum. Entristece-se então, geme e chora pelas misérias que padece. Pesa-lhe, também, o vier mais tempo, e deseja que venha a morte levá-lo do corpo e uni-lo a Cristo. Então compreende ainda que neste mundo não pode haver perfeita segurança nem paz completa. 13. A resistência às tentações. Enquanto vivemos neste mundo, não podemos estar sem trabalho e tentações. Por isso está escrito no livro de Jó “Não tem o homem uma tarefa sobre a terra, não são os seus dias como os de um mercenário? Jó 7,1”. Deve, pois, cada qual estar sempre alerta sobre as tentações que o assaltam e vigiar e orar para que o não surpreenda o demônio, que não dorme e “rodeia-vos como leão que ruge, a procura de quem devorar I Pedro 5,8”. Ninguém há tão perfeito e santo que, de quando em quando, não tenha tentação, e não podemos ser delas totalmente isentos. As tentações, porém, ainda que molestas e graves, são muitas vezes de grande utilidade para o homem, porque nelas se adquire humildade, pureza e experiência. Todos os santos passaram por muitas tentações e tribulações com elas aproveitaram. Os que não puderam resistir-lhes foram reprovados e perderam-se. Não há ordem religiosa tão santa nem lugar tão retirado onde não haja tentações e adversidades. Enquanto viver nenhum homem estará inteiramente ao abrigo das tentações. Porque, nascidos da concupiscência, em nós está a causa pela qual somos tentados. Mal acaba uma tentação ou tribulação, outra sobrevêm e sempre teremos de sofrer, porque perdemos o dom da primitiva felicidade. Muitos procuram fugir das tentações e nelas caem mais gravemente. Não basta a fuga para vencê-la. É pela paciência e verdadeira humildade que nos tornamos mais fortes que todos os nossos inimigos. Pouco adianta quem somente evita as ocasiões exteriores, sem arrancar as raízes. Antes lhe voltarão mais depressa as tentações e se achará pior. Vencê-las á melhor com o auxílio de Deus. Pouco a pouco com paciência e resignação, que com importuna violência e esforço próprio. Toma amiúde conselho na tentação e não sejas desabrido e áspero para o que é tentado. Trata antes de o consolar, como desejas ser consolado. A causa de todas as tentações perigosas é a inconstância e a falta de confiança em Deus. Assim como o navio sem leme é joguete das ondas. Assim o homem remisso e pouco firme nos seus propósitos é agitado por toda sorte de tentações. O ferro é provado pelo fogo, e o justo, pela tentação. Ignoramos muitas vezes o que valemos e a tentação faz-nos ver o que somos. Todavia, devemos vigiar, principalmente no princípio da tentação. Porque mais fácil nos será vencer o inimigo, quando não o deixamos entrar na alma, enfrentando o logo que bater no limiar. Por isso disse alguém: “Atalha no princípio, tarde chega o remédio se o mal, por longo tempo, fundas raízes lançou”, Ovídio – De Remediis 2,9. Porque primeiro ocorre a mente um simples pensamento, donde nasce a importuna imaginação, depois o deleite, o movimento. E assim, pouco a pouco, entra de todo na alma o malvado inimigo, porque se não resistiu a princípio. E quanto mais alguém for indolente em lhe resistir, tanto mais fraco se tornará a cada dia, e mais forte o seu adversário. Uns padecem tentações mais violentas no início de sua conversão, outros, no fim. Alguns, porém, são atormentados quase toda a vida. Alguns são tentados brandamente, segundo a sabedoria da divina Providência, que pondera as circunstâncias e o merecimento dos homens e tudo predispõe para a salvação de seus eleitos. Por isso, não devemos perder a confiança quando somos tentados, antes pedir a Deus com mais fervor que se digne a ajudar-nos na tribulação. Ele quer, segundo a palavra de São Paulo, “com a tentação vos há de também providenciar o meio de sair-vos bem dela, dando-vos o poder para suportá-la” I Coríntios 10,13. Humilhemos, portanto, nossas almas, debaixo da mão de Deus,  em qualquer tentação e tribulação, porque ele há de salvar e engrandecer os que são humildes de coração. Nas tentações e adversidades se vê o quanto cada um tem aproveitado. Nelas consiste no maior merecimento e se patenteia melhor a virtude. Não é lá grande coisa ser o homem devoto e fervoroso quando tudo lhe corre bem. Mas, se no tempo da adversidade conserva a paciência, pode-se esperar grande progresso. Algumas há que vence nas grandes tentações e, nas pequenas caem frequentemente, para que, humilhados, não presumam de si grandes coisas, visto que com tão pequenas sucumbem. 14. Deve-se evitar o juízo temerário. Volta os olhos para ti mesmo e guarda-te de julgar as ações alheias. Quem julga os outros trabalha em vão, erra o mais das vezes e facilmente peca. Mas, examinando-se e julgando-se a si mesmo, trabalha sempre com proveito. De ordinário, julgamos as coisas segundo a inclinação do nosso coração, pois o amor-próprio facilmente nos altera a retidão do juízo. Se Deus fosse sempre o único objeto de nossos desejos, não nos perturbaríamos tão depressa quando contrariam a nossa vontade. Muitas vezes existe, dentro ou fora de nós, alguma coisa que nos atrai e em nós influi. Muitos buscam secretamente a si mesmos em suas ações e não o percebem. Parecem até gozar de boa paz, enquanto as coisas correm a medida de seus desejos, mas, se de outra sorte sucede, logo se inquietam e entristecem. Da discrepância de pareceres e opiniões frequentemente nascem discórdias entre amigos e vizinhos, entre religiosos e pessoas piedosas. É custoso perder um costume inveterado, e ninguém renúncia, de boa mente, a seu modo de ver. Se mais confias em tua razão e talento que na graça de Jesus Cristo, só raras vezes e tarde serás iluminado. Pois Deus quer que nos sujeitemos perfeitamente a Ele e que nos elevemos acima de toda razão humana, inflamados do seu amor. Abraço. Davi

sábado, 27 de julho de 2024

RABI YEHUDA LOEW - O MAHARAL DE PRAGA. Parte II

 

Judaísmo. www.morasha.com.br. RABI YEHUDA LOEW – O MAHARAL DE PRAGA. Parte II. O Maharal, falecido em 1609, também influenciou a educação judaica. Enfatizava a necessidade de se entender a interpretação pura e literal das passagens da Torá. Insistia em que as crianças primeiro dominassem o Tanach – os 24 livros que compõem a Torá Escrita – e a Mishná – compilação fundamental da Torá Oral – antes de estudarem a Guemará – a análise rabínica, discussão e comentários sobre a Mishná – em conjunto com a própria Mishná, que constituem o Talmud. Ele priorizava o estudo dos textos-base sagrados no Judaísmo enquanto era, também, profundo místico e cabalista. Conseguia articular profundos conceitos da Cabalá em uma linguagem mais convencional, tornando esses ensinamentos acessíveis até a estudiosos não versados no misticismo judaico. Sua abordagem multifacetada e penetrante ao estudo da Torá teve grande influência em dois importantes movimentos religiosos no século XVIII. Como comentou o Rabi Avraham Yitzhak Kook (1865-1935), primeiro Rabino-Chefe do Estado de Israel, a influência do Maharal deu origem ao Movimento Chassídico e ao movimento que se contrapôs a este, os Mitnagdim (os oponentes do Chassidismo), que se originou com predominância nos círculos judaicos da Lituânia. Figuras importantes nesses dois grupos, como o Gaon de Vilna, líder dos Mitnagdim, e o Rabi Shneur Zalman de Liadi, (1745-1812) fundador da dinastia chassídica Chabad-Lubavitch, inspiravam-se nos ensinamentos do Maharal. Notadamente, o Rabi Shneur Zalman, descendente direto do Maharal, baseou muitos de seus trabalhos cabalísticos, especialmente o Likutei Amarim (conhecido como a obra Tanya), nos ensinamentos do Maharal. Uma das obras mais estudadas e influentes do Maharal de Praga é Gur Aryeh – um comentário acerca do clássico comentário de Rashi sobre o Chumash – os Cinco Livros da Torá. Gur Aryeh é singular entre as centenas de obras que elucidam o comentário de Rashi sobre o Chumash. Nessa obra, que mergulha profundamente nas interpretações de Rashi, o Maharal consegue mesclar ensinamentos cabalísticos, filosóficos e éticos em suas argumentações, conectando, com grande habilidade, explicações textuais objetivas com interpretações mais esotéricas.  O Golem de Praga. Além de ser um dos Sábios mais influentes na História Judaica, o Maharal de Praga foi um mestre da Cabalá prática. Ele é famoso pelo Golem, que ele criou do barro e trouxe à vida utilizando o conhecimento disponível apenas para aqueles que sabem como empregar os poderes do misticismo judaico. Golem de Praga era um humanoide – uma criatura sem alma com a aparência de um ser humano. Criado pelo Maharal que usava rituais cabalísticos e Nomes de D’us para dar-lhe vida, tinha por propósito proteger a comunidade judaica das ameaças e violência antissemitas fomentadas por falsas acusações de libelo de sangue. Ao criar o Golem, o Maharal conseguiu evitar inúmeras tragédias potenciais que tinham por alvo os judeus. Mesmo assim, ele acabou desativando o humanoide e o deixou no sótão da Sinagoga Altneuschul (Velha-Nova Sinagoga). A história do Golem tem sido recontada e reimaginada de inúmeras formas, ao longo dos séculos, através da literatura e peças, filmes e programas de televisão. Pode-se dizer que tenha sido precursora de modernas narrativas, tais como o Frankenstein, de Mary Shelley (1797-1851), que lida com as consequências de tentar criar vida.  Como a história do Golem deu origem a tantos relatos ficcionais, muitos acreditam que não tenha passado de uma lenda judaica. É importante enfatizar que ainda que a história do Golem seja responsável pela mística que envolve o Maharal de Praga, sua principal contribuição ao Judaísmo, e que prevalece, é a sabedoria e conhecimentos sobre a Torá que nos legou. Mais de quatro séculos desde seu falecimento, o Maharal continua sendo um dos mais citados e mais influentes Sábios em nossa história. As pessoas se fascinam com histórias sobrenaturais, como a do Golem, por razões óbvias. Mas o Judaísmo valoriza o conhecimento da Torá – que, como ensinava o Maharal, constitui a Vontade e a Sabedoria de D’us – infinitamente mais do que a capacidade de realizar feitos sobrenaturais. Na verdade, o Maharal apenas conseguiu criar o Golem por ser profundo conhecedor da Torá e especialmente da Cabalá prática. Antes de mergulharmos na autenticidade histórica do Golem de Praga, é essencial entendermos o que é um Golem. O Talmud nos dá um vislumbre, explicando que o primeiro ser humano, Adão, foi criado, inicialmente, como um Golem, palavra que pode ser traduzida como “uma forma”.  Segundo o Talmud, a formação de Adão se deu em quatro estágios. Primeiro, a coleta de sua poeira; posteriormente, a modelagem de sua poeira na forma de um Golem – uma figura indefinida; depois, a formação de seus membros; e, por fim, a fase de lhe incutir uma alma (Talmud BavliSanhedrin 38b). Sendo assim, o Golem é essencialmente uma entidade com uma forma humana, mas que não dispõe de uma alma humana. Nossos Sábios nos ensinam que a capacidade de falar após a concretização de um pensamento, e não apenas com o intuito de comunicar, é o que diferencia o ser humano das demais criaturas. Essa característica é arraigada na alma humana. E, como o Golem não possui uma alma humana, ele não tem o poder da fala. O Maharal de Praga não foi o primeiro Sábio judeu a criar um Golem. O Talmud nos ensina que Rava – um dos Sábios mencionados com mais frequência no Talmud – criou um homem desprovido de alma – um Golem – por meio das forças da santidade. Rava enviou o Golem a outro Sábio, o Rabi Zeira. Quando este falou com o humanoide e não recebeu resposta alguma, ele deduziu sua origem e declarou: “Foste criado pelos Sábios; retorna então à tua poeira” (Talmud BavliSanhedrin 65b). É importante constatar que esse relato faz parte do Talmud – a obra enciclopédica que serve de base à Lei e Teologia judaicas – e não de algum obscuro trabalho cabalístico, fato que nos indica que a ideia de um Golem é um conceito bem estabelecido no Judaísmo. O Rabi Menachem Mendel Schneerson, (1902-1994) o Lubavitcher Rebe, confirmou a veracidade da história do Golem de Praga, baseando-se num relato de seu sogro, o Rabi Yosef Yitzhak Schneerson, conhecido como o Rebe Anterior. Durante uma visita à Altneuschul, em Praga – a mais antiga sinagoga da Europa ainda em funcionamento – o Rabi Yosef Yitzhak viu os despojos do Golem no sótão. Uma de suas filhas, a Rebetzin Chana Gurary, recontou a conversa que teve com o pai sobre esse fato: “Pedi, então, a meu pai que me contasse o que vira. Ele, pausando por um momento, me disse: ‘Quando cheguei ao sótão, o lugar estava cheio de poeira e Sheimos (Nomes de D’us). No centro desse cômodo, vi a forma de um homem embrulhado e coberto. O corpo jazia, de lado, uma visão que muito me impressionou. Prestei atenção a alguns dos Sheimos que havia, lá, e saí, assustado com o que vi’ ”. Rogatchover Gaon, Rabi Joseph Rosen (1858-1936) – um dos mais importantes comentaristas do Talmud do século 20, conhecido por sua mente singular, de enorme brilho e agudez – esclareceu em um de seus principais trabalhos, Tzafnas Paneach, a sua opinião sobre a existência do Golem de Praga. Esse Gaon  escreveu que a ideia de que ele não aceitava a existência do Golem era incorreta: “Quem me ouvia não entendeu o que lhe dizia. Eu simplesmente falei da pergunta que ele fizera acerca da possibilidade ou não do Golem fazer parte de um Minyan1e coisas do tipo, dizendo que o Golem não era uma pessoa, pela Lei Judaica. Isto posto, certamente não estou negando a realidade histórica do Golem, mas apenas mostrando que ele não era, absolutamente, uma ‘pessoa’ para os propósitos de fazer parte de um Minyan…”. O Legado do Maharal de Praga. Rabi Yehuda Loew, o Maharal de Praga, deixou este mundo em 18 do mês judaico de Elul do ano de 5369 (1609). Digno de nota, sete gerações mais tarde, nessa mesma data, no ano de 5505 (1745), nasceu um de seus descendentes diretos – o Rabi Shneur Zalman de Liadi, fundador do movimento chassídico Chabad-Lubavitch. Essa data, 18 de Elul, marca, também, o nascimento do Rabi Israel ben Eliezer (1698-1760), o Baal Shem Tov, fundador do Movimento Chassídico, em 5458 (1698). Na página de abertura de seu trabalho cabalístico, Likutei Amarim (o Tanya), o Rabi Shneur Zalman de Liadi, primeiro Rebe da dinastia Chabad-Lubavitch, informa que seu trabalho se baseou em “livros e autores”. Ele aludia aos trabalhos de seu ancestral, o Maharal de Praga, e à obra Shnei Luchot Habrit, de autoria do Rabi Yeshaya Halevi Horowitz, o Shelá HaKadosh. À medida que o alcance do movimento chassídico Chabad-Lubavitch se expandiu globalmente e o Tanya se estabeleceu como uma pedra fundamental do estudo da Cabalá, os ensinamentos do Maharal de Praga, por extensão, impactaram inúmeros judeus. Quatrocentos anos após seu falecimento, o Maharal de Praga continua sendo uma figura maior que a vida, assim como o é sua estátua diante da Prefeitura de Praga - República Tcheca. Suas obras enfocam as dimensões mais profundas dos conceitos judaicos, revelando sua profundidade espiritual e filosófica. Seus escritos se tornaram textos básicos para quem estuda o pensamento judaico. Sua singular abordagem ao estudo e interpretação da Torá influenciaram incontáveis estudiosos e pensadores em todas as gerações que se seguiram. Muitos reverenciam e falam com grande admiração sobre o Maharal de Praga graças às suas habilidades sobrenaturais. Durante um dos mais difíceis períodos na História Judaica, ele foi o líder espiritual e porta-voz dos judeus. Fez tudo a seu poder – inclusive a utilização de seus conhecimentos da Cabalá prática – para protegê-los. Muito compreensivelmente, grande parte de sua fama advém da história do Golem e, mesmo aqueles que questionam a autenticidade histórica do Golem, sentem-se fascinados pelo homem a quem tal história é atribuída. Mas o legado do Maharal em muito supera o misticismo que o rodeia. Poucos Sábios lançaram uma sombra tão grande e influente quanto o Maharal de Praga. De igual maneira para eruditos e principiantes, Rabi Yehuda Loewé um guia iluminado em sua jornada pela Torá. Sua mistura única de profunda intelectualidade e misticismo desenharam um caminho para futuros pensadores e místicos judeus. Suas contribuições se tornaram pedras fundamentais para subsequentes movimentos judaicos, em especial para o Movimento Chassídico. De fato, várias dinastias chassídicas integraram suas obras aos seus ensinamentos como testemunho de sua vasta e profunda influência. Zohar, a obra fundamental da Cabalá escrita por Rabi Shimon Bar Yochai, ensina que a influência de um Tzadik persiste além de sua vida física. Ao longo de maisde 400 anos desde seu falecimento, a influência do Maharal de Praga não diminuiu. Na verdade, apenas aumentou. Aqueles que estudam o clássico comentário de Rashi sobre a Torá recorrem ao Gur Aryeh do Maharal para obter percepções mais profundas. Os estudiosos do Talmud e do Midrash costumam se apoiar nas explicações do Maharal para entender o significado de passagens esotéricas. Qualquer pessoa que se aprofunde no Tanya, do Rabi Shneur Zalman de Liadi, particularmente os inúmeros frequentadores das sinagogas Chabad-Lubavitch em todo o mundo, está, em essência, imergindo nos ensinamentos cabalísticos do Maharal. Assim sendo, Rabi Yehuda Loew, o Maharal de Praga, continua sendo um mestre para todos nós. Suas obras defendem, com ardor, o Povo de Israel e seu vínculo eterno com a Terra de Israel. Ao longo de sua vida, ele usou a Cabalá prática para proteger nosso povo daqueles que nos queriam mal. Que seu legado permanente e seus méritos abençoem e protejam os Filhos de Israel, em sua terra, a Terra de Israel, e em toda a parte. Abraço. Davi.

Bibliografia: 10 Facts About the Maharal Every Jew Should Know, artigo de Yehuda Shurpin publicado no site https://www.chabad.org

Rabbi Judah Loew - “The Maharal of Prague”, artigo de Nissan Mindel no publicado no site https://www.chabad.org/

The Maharal: Savior of the Jews, artigo do Rabbi Dr. Benji Levy publicado no site https://www.aish.com

Por: Tev Djmal

quarta-feira, 24 de julho de 2024

O ÚLTIMO SERMÃO DO BUDA

Budismo. www.misticismonatural.blogspot.com. O ÚLTIMO SERMÃO DO BUDA. Poucos meses antes de sua morte – Parinirvana – Gautama Buda habitava uma aldeia chamada Beluva. Tinha, nessa época, cerca de 80 anos e estava gravemente enfermo, porém, sentindo ainda necessidade de esclarecer seus discípulos mais próximos, com coragem e determinação superou seus sofrimentos temporariamente. Nessa ocasião, Ananda, discípulo devoto e sempre solícito que acompanhava de perto a evolução da doença, sentando-se ao lado do Mestre, perguntou: Senhor, fiquei preocupado com a saúde do Sublime e, acompanhando vossa enfermidade, o horizonte tomou-se sombrio para mim; o entanto, tive o pressentimento de que o Bem-Aventurado não partiria sem dar instruções sobre quem iria recair a responsabilidade da direção da ordem da Sangha (Comunidade dos discípulos). Buda, cheio de compaixão falou com bondade a seu discípulo bem-amado: Ananda, que espera de mim a Ordem do Sangha? Ensinei o Dhamma (Verdade) sem fazer nenhuma distinção entre o exotérico (externo) e o esotérico (interno). No que concerne à verdade, o Tathagata nada ocultou – acariya mutthi. Certamente, Ananda, se há alguém que pensa poder dirigir a Sangha, que a Sangha lhe fique subordinado, que ele dê suas instruções. Mas o Tathagata nunca pensou tal coisa, por que, então, haveria de deixar instruções a respeito da Sangha? Portanto, Ananda. Faz de ti mesmo a tua própria ilha, teu próprio suporte, faz de ti mesmo e de ninguém mais teu próprio refúgio. Não procures nenhum auxílio fora de ti mesmo, fazendo do Dhamma tua ilha (suporte). Do Dhamma teu único refúgio e de nada mais. E, para os monges, continuou: Ó monges, não vos entristeçais. Ainda que eu permanecesse no mundo durante milhares de anos, isso não me livraria da morte. Tudo o que se reúne, não escapa à separação. Já foram ensinados todos os Dhamma que trazem proveito a quem os pratica, e que trazem proveito a outrem. Ainda que eu permanecesse vivo, nada mais teria a fazer. Todas as pessoas a quem eu devia ensinar, já foram ensinadas. Quanto àquelas a quem eu ainda não ensinei, já criei condições para que sejam ensinadas. Se vós, meus discípulos, persistirdes na prática da Lei após minha morte, meu corpo de Lei continuará eternamente vivo. Esforçai-vos sem cessar na prática que leva à Libertação. Permanecei em silêncio. O tempo passa e é chegada a hora de eu me extinguir. E terminou: Tudo o que aparece, desaparece. Firmai-vos na Plena Atenção. Buda foi o primeiro ser humano que ultrapassou a morte, embora os maiores pensadores deste mundo tenham querido saber como isto pode ser feito. O Buda não ultrapassou a morte da maneira como todo mundo poderia imaginar que isto pudesse ser feito, isto é, vivendo para sempre. Ele o fez removendo aquilo sobre o qual a morte, da mesma forma que o nascimento e decadência, se aplica, isto é, todo subjetivismo: pessoa ou "ego, eu e meu". "A experiência do Iluminado vivo é: não-nascido, não-decadente e imortal (...), pois não sobra nada no Iluminado para dizer: “Eu nasci”; não tendo nascido, como, ó monges, pode ele envelhecer? Não envelhecendo, como pode ele morrer?" (Majjhima Nikaya, 140). Ele diz que todas estas perguntas não se aplicam, porque, em relação ao Buda, não há uma "pessoa", um "ser", ou "alguém" para dizer "eu" e "meu", a respeito dos quais estas perguntas se apliquem. Então, não há morte aplicável ao Buda. Por conseguinte, questões pertencentes ao "após morte" não se aplicam. Os Cinco Agregados da existência, que foram extintos pela raiz para nunca surgir novamente, são os Cinco Agregados da existência como objetos de apego, isto e, como "meu" e "eu". Nascimento, decadência e morte aplicam-se apenas aos Cinco Agregados da existência como objetos de apego, porque um eu ou "pessoa" para o qual apenas nascimento, decadência e morte são aplicáveis, está presente se houver apego, isto é, subjetivismo. Quando o apego for extinto, todo o subjetivismo será extinto. o que, então, permanece é o residual: Cinco Agregados da existência para os quais nascimento, decadência e morte não se aplicam. Com relação a todas as pessoas que não sejam iluminadas, questões e indagações a respeito o após morte são relevantes. O que acontece com o ser quando se dá a morte física? Mas, para o Iluminado, não existem questões a respeito da morte; por conseguinte, também não surgirá nele questões a respeito do após morte. Para o Iluminado há apenas o quebrar do corpo, que acontece quando a vida chega a seu fim. Isto é tudo, como já sabemos, com o Iluminado não existe uma "pessoa" ou "eu" existindo. Há apenas uma experiência em fluxo. O Buda disse de si próprio: O Tathagata é profundo, incomensurável, insondável como o grande oceano. Dizer: O Tathagata existe após a morte não se aplica. Dizer: "O Tathagata não existe após a morte" não se aplica. Dizer: "O Tathagata existe e não existe após a morte, não se aplica." Dizer: "O Tathagata nem existe, e nem não existe após a morte", também não se aplica. (Samyutta Nikaya). Portanto, a imortalidade era algo que já havia acontecido, que já havia sido atingida. Quando Ananda, famoso discípulo do Buda, atingiu a Iluminação, ele disse, para si próprio: "Foi posto um fim ao nascimento e morte; eu carrego a última carcaça." Isto é a imortalidade, quer dizer, a libertação de todo apego, pela mente. O presente se renova em cada momento de consciência; portanto, só tem intensidade, não extensão, por isso é que é eterno. Assim, o eterno presente, na realidade, é o momento limítrofe, ou linha limite irracional, entre duas direções do tempo, o passado e o futuro. Os ensinamentos do Buda são para ser compreendidos aqui e agora, todos eles, nesta própria vida. A não-decadência, o não-nascimento e a imortalidade são também para ser compreendidos aqui e agora. Assim, o Nirvana é para ser atingido aqui e agora, e não numa futura existência. Esta Realidade última, indescritível por palavras, exceto por símbolos como Nirvana, Samyak, Sambodhi ou Prajnaparamita, etc., e que o próprio Buda recusava definir, insistindo na experiência própria de cada um, é que o significado desta nossa vida e do Universo revelado está contido no fato da nossa própria consciência, e não fora de nós mesmos. De acordo com as próprias palavras do Buda, sua consciência penetrou inúmeros períodos de tempo no passado; do mesmo modo penetrou inúmeros períodos de tempo no futuro; em outras palavras, penetrou a eternidade, independentemente do que chamamos passado ou futuro, que tomou-se para ele o presente imediato. Dito na linguagem da nossa consciência mundana, a universalidade da Mente Búdica criou um efeito tão longínquo, que a sua presença pode ser sentida até nossos dias, e a luz da sabedoria libertadora que ele deixou há dois e meio milénios ainda irradia e continuará a irradiar, até quando existirem seres à procura da luz. A natureza da Iluminação não tem exclusividades; tanto no caminho para a sua realização, como depois de realizada, é uma luz que irradia sem limites e sem esgotar-se, que ilumina sem restrição. Buda morreu aos oitenta anos de idade, na cidade de Kushinagar, no atual estado de Uttar Pradesh, na Índia. Seu corpo foi cremado por seus amigos, sob a orientação de Ananda, seu assistente pessoal. As suas cinzas foram repartidas entre vários governantes, para serem veneradas como relíquias sagradas. Psicologia do Autoconhecimento. Doutor George da Silva e Rita Homenko. www.misticismonatural.blogspot.com. Abraço. Davi

segunda-feira, 22 de julho de 2024

PREFÁCIO - FELICITAÇÕES AO NOVO MUÇULMANO - INTRODUÇÃO

 

Islamismo. Livro Manual para o Novo Muçulmano. Por Jamaal Zarabozo (1960 - ). PREFÁCIO. Em nome de Allah, o Clemente, o Misericordioso. Todos os louvores são para Allah, a Ele louvamos, a Ele imploramos ajuda, n’Ele buscamos o perdão e a Ele pedimos a guia. Refugiamo-nos em Allah do mal de nossas almas e da maldade de nossas ações. Pois, todo aquele que é guiado por Allah, ninguém poderá desviá-lo. E aquele que Allah permite que se extravie, ninguém poderá guiá-lo. Testemunho que não existe nada digno de ser adorado, exceto Allah, que não tem sócios na divindade. E testemunho que Muhammad é Seu servo e Mensageiro. Queria aproveitar esta oportunidade para expressar meus louvores e agradecimentos a Allah por me dar a oportunidade de escrever uma obra tão importante como esta. Que Allah me perdoe por qualquer erro que pudesse ter cometido na apresentação de Sua religião. Igualmente, com “Que é o Islam” (um irmão deste livro), devo expressar meus agradecimentos ao Shaikh Muhammad Turki, do Ministério de Assuntos Islâmicos, por seu apoio. Também quero agradecer a Ahmad Ba Rashid por seu contínuo apoio. Ambos têm sido o motor por trás deste projeto. Há muitas pessoas a quem queria agradecer pela ajuda com esta obra, em particular. Primeiro, quero agradecer à minha amada esposa que é sempre uma fonte de apoio e ajuda. Também um agradecimento especial ao Dr. Abdulkarim al Said, Nahar al rashid, Dr. Muhammad al Omisi, Dr. Ahmad al Teraiqi e ao irmão Jalaal Abdullah. Não posso além de orar para que Allah os recompense e abençoe nesta e na próxima vidas. Devo assinalar que já foi tocado, anteriormente, muitos dos temas incluídos neste livro. Tomei a liberdade de adaptar ou recorrer a passagens de minhas obras anteriores He came to teach you your religion e Purification of the soul: Concept, Process and Means. Em menor medida, também adaptei o material de What is Islam Commentary on the forth hadith of al Nawawi. Rogo a Allah que aceite esta obra escrita somente por Sua causa. Como sempre, a responsabilidade de qualquer erro recairá sobre o autor. Peço a Allah que me perdoe por qualquer falha e me guie à Senda reta. FELICITAÇÕES AO NOVO MUÇULMANO. Especialmente nestes tempos em que se colocam no Islam tantas barreiras e dizem tantas mentiras sobre ele, é uma grande bênção de Allah dar a determinadas pessoas a capacidade de ver a verdade e a luz do Islam. Um novo muçulmano – e de fato, todo muçulmano – deve estar sempre agradecido com Allah pôr o haver abençoado com este conhecimento tão importante e com a compreensão de Sua religião. Ao converter-se ao Islam, um novo muçulmano entra em um novo âmbito, com uma visão, sobre sua vida, muito diferente da que tinha anteriormente. Talvez, ainda mais importante, é que através do Islam a pessoa encontra o meio pelo qual o Senhor ficará satisfeito com ele e, por sua vez, ele também fica agradecido com seu Senhor. À medida que a pessoa cresce no Islam e aumenta seu conhecimento e sua fé pode apreciar mais e mais a sua beleza. Por sua vez, o amor da pessoa por Allah, o Islam e o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) seguirá aumentando. O resultado é uma vida espiritual em um plano muito especial que só podem viver e desfrutar aqueles que experimentam esta fé. Há muito que anelar. Adotar o Islam é o primeiro passo e o resto, com a graça de Allah, chegará com o conhecimento, à fé e o apego ao Islam. INTRODUÇÃO. Objetivo e motivação para escrever este livro. O objetivo deste livro é oferecer ao novo muçulmano um guia básico que o ajudará a entender e implementar o Islam. Como disse anteriormente, o muçulmano recém-convertido empreende um novo caminho que, muito provavelmente, difere bastante do caminho que transitava antes. O convertido entende o suficiente sobre o Islam para reconhecer que é a verdade, mas normalmente não tem informação suficientemente detalhada sobre a religião de Allah que o possa guiar no dia a dia. Este é o desejo sincero do autor, ou seja, que a pessoa tenha uma experiência com o Islam, compreendendo corretamente desde o começo e aplicando-o apropriadamente em sua vida. São muitos os convertidos ao Islam que se confundem após a reversão. Lamentavelmente, nem todos os muçulmanos hoje em dia são bons embaixadores do Islam e nem todos compreendem os aspectos básicos da religião. Isso pode trazer muita confusão, pois alguns muçulmanos convertidos nem sequer podem reconhecer o Islam que vêem comparado com o Islam que leem. Este livro é um modesto intento de ajudar o novo muçulmano a marcar o caminho correto segundo o Qur’an e a Sunnah. O que distingue este livro.  Há muitos livros disponíveis de introdução ao Islam. Sem dúvidas, é meu desejo que esta obra se distinga das demais por várias razões. Em primeiro lugar, é um dos poucos livros, disponíveis atualmente, dirigido aos muçulmanos recém-convertidos. Em outras palavras, está dirigido a quem já se convenceu da verdade do Islam e, portanto, não se apresentam aqui argumentos para tentar convencer o leitor sobre esta verdade. Por outro lado, uma vez que a pessoa adota o Islam, é apresentada uma vasta riqueza de informações que necessitará conhecer. Então, há que se compreender corretamente os fundamentos da sua nova fé. Também é necessário que se guie no que diz respeito às práticas mais importantes de sua nova fé, incluindo uma boa consciência das ações que, como muçulmano, deve evitar. Em segundo lugar, o autor é um convertido ao Islam. Assim, o autor pode basear-se em sua própria experiência como convertido e, refletindo sobre o que foi vivido em tantos anos, poderá brindar sua visão a respeito do que o convertido necessita saber e quais as armadilhas que deve evitar. Deve-se considerar este livro como o que o autor gostaria de ter recebido quando se converteu ao Islam. Ademais, o autor estabeleceu conversas, ao longo dos anos, ficando a par de muitos temas conceituais e práticos que os outros convertidos têm que enfrentar. Em terceiro lugar, o autor deu tudo de si para assegurar de que toda a informação contida aqui fosse autêntica e passasse por uma verificação. Isto foi particularmente para qualquer das palavras atribuídas ao Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele). Desafortunadamente, nem todos os que escrevem sobre o Islam prestam a devida atenção a este tema e incluem informação falsa em seus livros introdutórios. Na realidade, uma das principais razoes pelas quais o autor adotou o Islam como modo de vida é porque os ensinamentos originais se mantiveram puros: pode-se dizer, com toda certeza, que o Qur’an é a palavra de Deus e que o hadith é a palavra do Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele). Esta religião chegou até nossa geração conservada em sua forma e é imperativo que não se distorça nenhuma informação de qualquer maneira. Portanto, é responsabilidade de todo aquele que escreva ou fale do Islam continuar assegurando de que o que diz é a verdade de Allah e do Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele). Fontes e enfoque deste livro. A fonte mais importante para qualquer livro sobre o islam deve ser o Qur’an, O Qur’an assenta as bases para a totalidade dos ensinamentos islâmicos e, portanto, dar-se-á a devida ênfase na evidência corânica para as opiniões expressas neste livro. Não obstante, o Qur’an não foi revelado simplesmente na subida de uma montanha para que qualquer um que o leia entenda por si mesmo. Allah revelou o Qur’an ao profeta Muhammad (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) e o mesmo Qur’an ordenou aos muçulmanos seguir seu exemplo e obedecer às suas ordens. Sua forma de vida é conhecida como a Sunnah e foi compilada no que hoje se conhece como literatura do Hadith. Portanto, a guia do Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele), tal como se fala na autêntica literatura do Hadith, também será utilizada em profusão nesta obra. O Qur’an e a Sunnah, então, formam as fontes máximas da compreensão do Islam. Toda outra fonte deve ser secundária a elas e estar sujeita a sua aprovação em geral. Em outras palavras, se algo contradiz o Qur’an ou a Sunnah, não pode ser considerado como parte do Islam. Ademais, o profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) levou toda uma geração sob sua guia e direcionamento. Obviamente, seus companheiros eram simples seres humanos e, como tais, cometiam erros – seu entendimento geral e aplicação do Islam eram aprovados pelo Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele). Assim, tratar-se-á neste livro sobre a maneira geral, correta e apropriada de se entender o Islam. Por último, o autor aproveitou as obras de muitos outros que escreveram sobre o Islam, entre ele os mais proeminentes estudiosos ao longo da história do Islam, como também outros tantos que fizeram obras de introdução à religião. No decorrer do livro, far-se-á uma referência a estes autores e suas obras. Abraço. Davi.

 

sábado, 20 de julho de 2024

DIVINDADES. Parte II

 

Religião Afro-brasileira. Umbanda. Livro Código de Umbanda. Por Rubens Saraceni (1951-2015). Capítulo VII. DIVINDADES. Parte II. Esse temor só se justifica pela ignorância, pois, se eles acreditavam na divindade de Jesus Cristo, não precisavam temer o poder das divindades alheias. Porém, não só desconheciam as divindades alheias e suas atribuições divinas, mas também lhes interessava dominar a mente das pessoas. Assim, nada melhor do que negar qualquer divindade ou ícone de outras religiões e lançar lhes a pecha de “deuses pagãos”. Isso se repete periodicamente na história religiosa da humanidade, e toda doutrina nascente se escuda na negação da divindade da religião que está chegando ao seu ocaso. Esse obscurantismo religioso se instala porque só assim a nova doutrina alcança seu objetivo: dominar pela fé a mente das pessoas. Por conseguinte, a doutrina de Umbanda não proíbe os seus adeptos de estudar doutrinas alheias. Ele entende que as pessoas precisam comparar os conhecimentos colocados a disposição de tantos quantos se interessarem pelo assunto. Hoje, temos umbandistas que estudam Teosofia, Gnose, Maçonaria, Budismo, Hinduísmo, Lamaísmo, Cristianismo, Islamismo, Espiritismo, Xintoísmo, Confucionismo, Xamanismo etc. Com isso, enriquecem ainda mais o Ritual de Umbanda Sagrada, dessa maneira, estão dotando-o com o que de melhor possuem estas outras doutrinas religiosas. Uma Umbanda esclarecida e escudada em conceitos universais é a melhor garantia de que um líder obscurantista não empolgará esta religião nascente ou que um “papa” não criará seu trono particular. Do qual ditará dogmas que assegurarão o domínio da fé e da mente de muitas pessoas. Afinal, ou uma divindade conquista seus fiéis pelas afinidades, ou não os auxiliará de fato, porque o tempo se encarregará de lançá-la no esquecimento religioso. O Ritual de Umbanda Sagrada é pródigo em divindades naturais. No seu panteão estão assentadas todas as divindades existentes, ainda que não se manifestem com os nomes pelos quais ficaram conhecidas no passado. Já que seus mistérios se manifestam ocultados nos nomes simbólicos das linhas de trabalho de Umbanda. A linha de Fé, por exemplo, constituiu tantas sublinhas quantas lhes foram solicitadas pelas divindades. E se sob a regência de Oxalá todos os mistérios da Fé se manifestam, no entanto, eles assumem características próprias e realizam suas missões por meio das linhas de ação e dos trabalhos pontificadas por espíritos já ascensionados. Formando as há séculos ou milênios sob a irradiação das divindades regentes dos mistérios da Fé. Citemos só um exemplo de antiguidade das divindades que manifestam seus mistérios de Fé por intermédio de uma linha de ação e trabalhos de Umbanda Sagrada: a linha de caboclos Arco-Íris. O Arco-íris divino é um símbolo religioso cultuado pelos antigos magos caldeus, que o receberam como herança religiosa da antiga civilização veda. Que os receberam de outra civilização ainda mais antiga e que remonta à era da mitologia Atlântida. Civilização esta que deixou seus símbolos religiosos espalhados por toda a face da Terra. Até o famoso castiçal de sete braços foi-nos legado por ela, que colocava nele sete velas coloridas, cada uma de uma cor. Como o tempo a tudo renova, eis que entre os Orixás encontramos o símbolo arco-íris Sagrado guardado pelo mito do Orixá Oxumaré, e que é representado pela Serpente do Arco-íris. Mas uma ordem religiosa astral conservou todos os fundamentos e conhecimentos da religião que tinha como símbolo máximo o arco-íris e que cultuava uma divindade planetária que se renovou em solo africano como Oxumaré. Renovando-se no Ritual de Umbanda Sagrada, deslocando para o ritual nascente uma de suas hierarquias, assumindo o expressivo nome de “linha de caboclos Arco-íris”, presentes já nas primeiras manifestações umbandistas. O Orixá Oxumaré possui as mesmas qualidades, atributos e atribuições do divino “lá-ór-me-ri-iim-de-re-yê, cujo nome é um mantra invocador da divindade regente de Fé durante a era Atlântida, quando era simbolizada por um arco-íris que se projetava para o alto e para o infinito. A divindade da Atlântida é o mesmo Oxumaré africano, que se renovou na linha de caboclos Arco-íris, estando recolhendo seus afins remanescentes por meio do Ritual de Umbanda e reconduzindo-os as esferas luminosas. Integrando-se as hierarquias naturais regidas pela divindade da fé, regente de um mistério que até os velhos babalaôs africanos desconheciam. Por isso não os ensinavam aos seus herdeiros religiosos. O divino Oxumaré é uma divindade tripolar, pois atua no alto, no meio e no embaixo, ou seja, tem hierarquias que atuam na Luz, tem as que atuam junto aos encarnados e tem as que atuam nas Trevas. Suas hierarquias são tão numerosas, que se espalham por todas as religiões atualmente existentes. E não há sequer uma que não manifeste o mistério da Fé regido pelo divino “lá-ór-me-ri-iim-de-re-ye, ou nosso amado pai Oxumaré, renovado na Serpente do Arco-íris. Todo Caboclo Arco-íris é um semeador da fé e saúda o divino Oxalá, sendo por meio do mistério da Fé que ele se manifesta dentro do Ritual de Umbanda Sagrada. Oxumaré é um Oxalá? Não. Oxumaré é o quê? É um mistério divino que rege a renovação dos seres por intermédio do amor divino, simbolizado por um coração, que por sua vez simboliza uma das Oxuns intermediárias harmonizando-se com “Ísis”, a deusa egípcia ainda muito conhecida, igual a toda Oxum, é uma divindade maternal e amorosa. Viram como o conhecimento religioso abstrato desconhece completamente as hierarquias divinas, como Deus procede e quem são realmente as divindades naturais? O mentalismo abstrato acerca das  coisas divinas foi o único meio de o obscurantismo religioso impor-se e dominar, precisando aprisionar os espíritos rebelados contra a rigidez das hierarquias espirituais estabelecidas no astral desde eras remotas e desconhecidas da atual civilização. O Cristianismo apagou o conhecimento guardado pelos mystas e o Islamismo apagou o conhecimento que os magos guardavam com muito zelo. Por isso, as culturas religiosas cristã, judaica e islâmica negam as divindades naturais e canalizam a fé unicamente para Deus. Os espíritos rebelados contra a rigidez das divindades naturais só deixariam conduzir se fosse  por meio de doutrinas adaptadas as suas necessidades mais imediatas, que é o retorno ao rebando divino, do qual se haviam afastado e relutavam em retornar. Deus Pai, em sua infinita bondade e misericórdia, criou novas religiões e dotou-as com doutrinas obscurantistas que tem acolhido milhões de espíritos rebelados contra a rigidez das hierarquias espirituais pelas divindades naturais. Se duvidam do que aqui afirmamos, deem uma rápida olhada no que acontece atualmente dentro da recente Umbanda. Espíritos encarnados chamados para religarem-se com os Orixás, que são as divindades naturais, não aceitando submissamente a rigidez das hierarquias. Simplesmente viraram-lhe as costas e abrigaram-se no espaço religioso da mais obscurantista das seitas cristãs. Escudados em uma religiosidade que beira ao fanatismo, chafurdam a Umbanda e os Orixás com epítetos próprios de suas consciências maculadas pelo desrespeito aos mistérios de Deus. Mas Deus, generoso como sempre, está dando a eles uma doutrina obscurantista. Assim, não confundirão nem a si nem aos seus semelhantes, pois não aceitaram a rigidez das hierarquias espirituais regidas pelos sagrados Orixás. Muitos daqueles que hoje ocupam púlpitos e esbravejam contra a Umbanda, ontem frequentaram os terreiros, onde só sabiam pedir por bens materiais, tais como: carro novo, nova namorada, afastar do caminho um concorrente etc. Mas como viram neles meros mercadores da fé, as hierarquias os afastaram e só restou a eles a desinformação das seitas neo cristãs. Sendo que, nem o Catolicismo de antes não atendia aos seus anseios imediatistas e materialistas. Deus Pai, em sua infinita bondade e tolerância, os encaminhou e encaminhará sempre a outra doutrina, que, além de ser obscurantista, é muito mais rígida que a Umbanda. Por isso, o Ritual de Umbanda Sagrada respeita todas as doutrinas religiosas, e a doutrina de Umbanda respeita e aceita todas as divindades. Afinal, o aguerrido Orixá Ogum, divindade aplicadora da Lei Maior, concede muito mais liberdade de pensamento aos seus fiéis que o sereno Jesus Cristo, quando comparamos um fiel da Umbanda com um fiel evangélico, já que a este último muitas coisas são proibidas. A doutrina de Umbanda estimula os umbandistas a estudarem as religiões e as divindades, mas sob a ótica comparativa. Com certeza, encontrarão respostas a muitos problemas sociais da atualidade se estudarem as recomendações das divindades aos seus fiéis. A postura dos religiosos enquanto intermediadores dos fiéis junto à divindades e os procedimentos dos fiéis diante da divindade e da doutrina que fundamenta sua religião. 1º Descobrirão que as divindades exigem dos seus fiéis que sejam generosos, amorosos, humildes, obedientes, submissos, caridosos etc. 2º Descobrirão que os religiosos ensinam estas virtudes aos fiéis. 3º Descobrirão que, apesar de todo esse esforço, os fiéis têm muita dificuldade em proceder como exige a divindade e coo recomendam os religiosos. Nó nunca devemos julgar uma divindade pelo comportamento dos seus fiéis, pois estes não são um espelho vivo refletindo as qualidades excelsas de seu regente divino. Em Jesus Cristo, temos tudo o que um ser precisa para ascender aos céus, e, no entanto, o inferno está coalhado de cristãos. Em Oxum, temos amor suficiente para conquistar o coração divino, ainda assim, as trevas estão coalhadas de filhos e filhas da Mãe do Amor. Por que isso? Porque as divindades, que são mistérios de Deus, semeiam doutrinas virtuosas e os religiosos apregoam que só os virtuosos ascendem aos céus. Mas o espírito encarnado, avessos a hierarquias, sendo que, esta implica obediência e renúncia pessoal. Preferem a autossatisfação e uma liberdade religiosa que beira a libertinagem consciencial. A doutrina de Umbanda recomenda aos seus adeptos o respeito e a reverência a todas as divindades. Assim como aos seus hierarcas humanos, encarnados ou não, mas que externem as qualidades ordenadoras e excelsas de seu regente divino. Mesmo tendo tantas divindades e tantos instrutores encarnados, ainda assim as pessoas continuam desencarnando ... e indo estacionar nas faixas vibratórias negativas. Logo, a existência do inferno ou trevas não se deve a esta ou aquela divindade, porém à rebeldia natural dos espíritos e à pouca atenção que dão ao que deles esperam as divindades. Abraço. Davi