Espiritualidade.
Texto de Sri Prem Baba (1965- ).
Capítulo Sete. III. CHAVES PRÁTICAS. PREM BABA – EM ALGUM MOMENTO, VOCÊ E MUITO
provavelmente você acredita nisso. Porém agora você descobriu que, no mais
profundo, você acha que Deus está fora de você e que Ele é um controlador
punitivo, um tirano cruel que não hesita em castiga-lo e lança-lo ao
sofrimento. A grande maioria das pessoas neste mundo carrega esse sentimento,
que é reforçado por diferentes tradições religiosas, pois elas nos ensinam a
temer a Deus. E esse sentimento está relacionado a uma crença ainda mais
profunda. Ele é o desdobramento de uma imagem congelada no seu sistema. Essa
imagem se relaciona à figura de autoridade. Para uma criança que começa a
descobrir a aventura da vida, as primeiras impressões sobre autoridade vêm dos
pais, e são essas impressões que ela acaba projetando na imagem de Deus. Esse
tema é muito profundo, porque está relacionado inclusive, a um dos maiores
poderes do Ser, que é a fé. Se você tem uma visão distorcida de Deus, a sua fé
também é distorcida. Você, durante muito tempo, acredita saber o que é Deus e
acredita ter fé Nele – o que lhe dá uma relativa segurança, um relativo
conforto. Porque, mesmo sendo uma crença e uma fé numa crença, você não se
sente só; mesmo que a sua companhia seja uma ilusão criada pela mente, uma
fantasia criada pela mente. Com isso você se sente acompanhado. Mas em algum
momento, devido ao processo natural da evolução, você é levado a questionar
essa crença e essa fé – o que é extremamente necessário para você continuar sua
jornada evolutiva. Estamos falando das fases da relação com esse Mistério que
chamamos de Deus. Até determinado estágio do processo de evolução de
consciência, o ser não pensa a respeito disso. Ele simplesmente vive sem
questionar os fenômenos da natureza e os propósito da vida. Mas naturalmente, a
consciência evolui e chega um momento em que ele começa a questionar. Como isso
tudo é possível? Quem criou essa realidade? Por que estamos vivendo essa
experiência? E, até determinado momento, é muito difícil não acreditar em um
criador. Então você passa a acreditar na existência de um Deus. Mas como não
tem contato com esse criador, você começa a imaginar como ele é. Cria uma
imagem e projeta nela a imagem dos seus pais, pois eles representam as figuras
de autoridade da sua vida. Você constrói uma imagem de Deus com base nos seus
registros de memória do passado. Se você teve pais bons, carinhosos e
acolhedores, é assim que vai visualizar Deus. Mas se teve pais punitivos, duros
e cruéis, é assim que vai visualizar Deus. Como a nossa sociedade é governada,
há mais de 10 mil anos, pelo masculino distorcido, que tem como principal
característica a violência e a dominação pelo abuso do poder, é claro que
tendemos a projetar em Deus esse masculino distorcido. O que sustenta essa
imagem distorcida de Deus é a falsa fé. Por que falsa fé? Porque esse Deus no
qual você acredita não existe. Foi criado por sua mente para atender a uma
necessidade em um momento de angústia, mas você aprendeu a viver com isso.
Nossa sociedade vive assim há milênios. Mas chega o momento em que você é
tomado pelo sofrimento e é levado a questionar até mesmo a existência de Deus.
Você descobre que não tem fé. Você achava que tinha fé até o momento em que a
vida te convida a atravessar determinados desafios, como doenças, perdas,
fracassos, depressão (...). Nessa hora você descobre que talvez não tenha tanta
fé em Deus. Então a contradição vem para superfície. Quem é Deus para você? O
Prem Baba disse que Deus é amor, que Deus é a vida única por trás de todos os
nomes, de todos os corpos. Mas cadê essa criatura que não me tira desta “peia –
luta” em que estou? Quem é essa criatura que inventou essas leis tão duras que
me fazem sofrer tanto para poder visualizar a possibilidade da felicidade, para
ter um vislumbre de que é possível ser feliz neste mundo? Assim, a energia que
estava sendo utilizada para uma criação mental de Deus passa a ser direcionada
para criar uma armadura de proteção. Essa armadura é feita de racionalização.
Você tenta explicar tudo através da razão e da ciência. Você se torna um
cético. Mas o ceticismo é um estágio bastante elevado de consciência, porque,
estando no vale da solidão do ceticismo, inevitavelmente você busca por
respostas: “Se não foi Deus quem me colocou nessa situação, quem me colocou
aqui?” Se não Deus, foi meu pai, foi minha mãe, esse ou aquele (...). Você
coloca a culpa em alguém até que começa a compreender que é você mesmo quem
está se colocando nesse lugar. Você descobre que as suas mágoas e os seus
ressentimentos geraram uma grande revolta que chegou ao ponto de bloquear a
expressão dos seus dons e talentos, através dos quais o amor flui de você. Essa
foi a forma que você encontrou para protestar pelos maus tratos recebidos na
sua infância, foi a forma que você escolheu para se vingar por ter sido
humilhado, machucado desrespeitado. Assim você começa a se responsabilizar, e é
nesse momento que se inicia um processo de cura, porque você se permite entrar
em contato com sentimentos guardados e tem a chance de coloca-los para fora.
Com isso você abre espaço para ter uma experiência real de Deus. Começa a
perceber que Deus age em você e através de você. Descobre que é você quem
escolhe passar por tudo que está passando. Em outras palavras, você descobre
que não é Deus que está te punindo, mas você mesmo. Existe uma autopunição, um
auto ódio que você projeta em Deus. Deus não pune nem castiga – Deus é amor.
Você se castiga e se pune. Você está, simplesmente, colhendo o que plantou. Eu
sugiro que você vá atrás da voz dentro de você que diz: Eu não quero dar nada
para ninguém. Não se preocupe tanto com Deus, apenas cante, dance, medite, mas
sem se preocupar tanto com questões filosóficas. Vá atrás dessa voz interna que
diz: Daqui eu não saio, daqui ninguém me tira. Dessa forma você estará se
movendo em direção à experiência direta e real de Deus. QUERIDO PREM BABA,
GOSTARIA que falasse algo para os que já passaram dos 50 anos e ainda não
encontraram seu caminho. PREM BABA – ESSA É UMA QUESTÃO SIGNIFICATIVA para
pessoas de todas as idades, mas obviamente quanto mais idade se acumula sem que
se tenha consciência do propósito, mais amarga a vida se torna. Às vezes a
ponto até mesmo de a pessoa não ver nenhum sentido em estar viva. Porque quando
não tem consciência do propósito e é jovem, a pessoa ainda tem muita energia e consegue
ocupar o tempo e se distrair mais facilmente. Mas conforme o tempo vai
passando, algumas distrações deixam de ter graça, e, se ainda não tem
consciência do propósito, a pessoa começa a ficar muito difícil de despertar.
Muitos que estão nessa situação acabam se entregando para os amortecedores e
vivem a vida esperando a morte chegar. Cada um faz isso do seu jeito, mas esses
indivíduos estão sempre se ocupando de atividades fúteis. Cada ser vivo tem o
seu lugar no mundo, mesmo que não tenha consciência disso. Mas se você não se
sente realmente encaixado no seu lugar, é possível que você seja tomado pela
inveja, pela insegurança, pelo ciúme e por todos os sentimentos que geram
guerra e desunião na sua vida. Você briga sem nem mesmo saber por que está brigando.
Você utiliza a briga como uma distração. Distrai-se com o que está na
superfície para não precisar olhar para o que está acontecendo dentro de você.
Então, se você estiver disposto a recomeçar, o que significa renovar-se por
dentro, eu sugiro que comece perguntando para sua interioridade qual é o meu
lugar no mundo? Para que eu encarnei aqui? O que vim fazer neste mundo? Eu
quero ver. Eu me comprometo a ver, por mais que isso fira a minha vaidade. A
VIDA VEM ME ESPREMENDO PROFISSIONALMENTE. MUITAS VEZES ME sinto isolada,
insegura, pouco criativa ou produtiva. A crise e as mudanças trouxeram isso
para minha relação de trabalho. Penso em mudar de rumo. Sair do design para o
yoga. Como ser mais focada e produtiva? Como vencer a angústia? PREM BABA – ESTEJA
ATENTA A ESSA QUESTÃO, porque eu tenho visto muitas pessoas em crise com a
profissão que resolvem ser terapeutas ou professoras de yoga, como se ser
professor de yoga ou terapeutas resolvesse todos os seus problemas. Não sinto
que seja isso também. Se você veio para ser professora de yoga, então você vai
realmente se sentir pertencendo, vai se sentir encaixada. Mas se não veio para
isso, você vai transferir a angústia. No entanto, é claro que aqui há uma
pista: porque ao se visualizar trabalhando com yoga, você se sente mais livre,
mais leve. Talvez seja uma passagem, ou não. Talvez você se realize dando aulas
de yoga, mas é importante não alimentar falsas esperanças na intenção de evitar
novas frustrações. É muito bom que você esteja aberta para novas experiências.
É muito bom que esteja aberta para se aventurar, mas sugiro que não feche a sua
visão em torno de um ponto. Você está em busca de uma visão, da visão do
propósito da sua alma. Esse propósito foi revelado a você quando ainda era uma
criança. Toda criança chega com clareza do propósito, mas com o tempo ela é
levada a se esquecer. Especialmente quando os adultos não alimentam essa visão,
por não acreditarem nisso que a criança está trazendo, porque projetam na
criança as suas frustrações, suas inseguranças e seus bloqueios. Isso acaba
muitas vezes condicionando a mente da criança, e ela passa a não acreditar
nessa mensagem ou nesse comando que está trazendo. E se desvia do caminho. Às
vezes se faz necessário muito tempo para encontra-lo novamente. Em algum
momento, a pessoa acaba perdendo a confiança para a possibilidade de realizar
seus sonhos e passa a vida esperando a morte chegar. É importante resgatar essa
memória divina, é importante lembrar-se desses comandos que já se manifestavam
quando você era uma criança e que com o tempo foram ficando esquecidos. O
esquecimento alimenta o esquecimento. E muitas outras coisas vão surgindo no
caminho. QUERIDO BABA, SOU SEU ALUNO HÁ ANOS E MINHA CONFIANÇA EM VOCÊ É TOTAL,
mas ultimamente, uma semente de dúvida foi colocada em meu sistema: por que os
seus cursos são tão caros? Por favor, esclareça essa dúvida para que a energia
possa fluir livre novamente. PREM BABA – ESSA É UMA QUESTÃO QUE NOS CONDUZ a
diferentes dimensões. Vamos focar em algumas delas. A primeira é que talvez a
sua confiança não seja tão total assim. Talvez seja melhor dizer que você tem
um quantum de confiança, mas não ainda confiança total. Porque quando você tem
confiança total, a dúvida não te perturba. Mas para que você possa ser preenchido
pela confiança, se faz necessária uma experiência espiritual, ou seja, que você
de fato me veja e me sinta; que você me perceba e, consequentemente, entenda o
meu jogo. Se puder me ver de verdade, você compreenderá. E ao compreender, você
será iluminado pela confiança. Essa confiança remove toda e qualquer semente de
dúvida e providencia para que todas as suas necessidades sejam atendidas. Ela
liberta o seu sistema de todo o medo, em especial o medo da escassez. Talvez um
dos aspectos que o esteja impedindo de entrar nesse campo de experiência, um
dos obstáculos para que me veja, me sinta e entenda o meu jogo, esteja ligado a
crenças a respeito do significado do dinheiro. Distorções a respeito do
significado e até mesmo do poder do dinheiro. Embora a percepção desse jogo só
possa acontecer no nível da alma, eu posso lhe dizer algumas coisas. O outro
ponto a ser esclarecido é que eu não estou aqui por dinheiro e acredito que
ninguém esteja aqui por essa razão. Ao mesmo tempo, não podemos negar que o
dinheiro é uma realidade neste plano da existência. Embora para mim o dinheiro
seja uma consequência da realização do propósito, preciso ter comigo pessoas
cujo propósito seja lidar com o dinheiro. Preciso ter bons administradores,
porque se não os tiver, inevitavelmente, vamos cair na sombra do dinheiro. E
uma das manifestações dessa sombra é o medo da escassez e todos os seus
desdobramentos. De qualquer maneira, posso dizer que 80% ou 90% do meu tempo é
doado de modo gratuito. As transmissões que ofereço diariamente nas temporadas
da Índia e de Alto Paraiso – cidade no estado de Goiás – Brasil, são todas
gratuitas. Mas, de alguma maneira, para que eu possa estar nesses lugares
durante todo esse tempo, para receber todas essas pessoas, precisamos de
dinheiro. A dimensão material desse trabalho precisa ser sustentada. Isso é
feito através de doações que aqui chamamos de dakshina, uma prática védica
antiga na qual o discípulo oferece ao mestre uma doação voluntária a título de
retribuição e de respeito à lei do pagamento por aquilo que está sendo
recebido. Por trás dessa prática, existe uma ciência espiritual que faz a
energia da prosperidade ser ativada. Mas isso só funciona quando a pessoa
verdadeiramente entra nesse canal e este se abre para ela. Chega um momento em
que você é convidado a entender esse aspecto da existência. Você é convidado a
conhecer o Mistério que, na cosmovisão hindu, é chamado de Maha Lakshmi, o
aspecto ou forma da Mãe que supre todas as suas necessidades, que proporciona
tudo de que você necessita para viver sua experiência com conforto e
tranquilidade. Mas essa experiência não pode ser forçada. Chega um momento em
que esse estudo chega para você, mas isso é algo que ocorre na intimidade da
relação mestre-discípulo. O dinheiro é uma energia muito poderosa. Ela pode te
ajudar a fazer a travessia ou pode te destruir. Por isso lidar com essa energia
requer sabedoria. Mas faz parte do curso da encarnação aprender a lidar com
ela. Nós projetamos nessa energia uma série de conteúdos psicoemocionais que
estão intimamente relacionados ao processo de educação vivido na infância. Por
exemplo, uma criança que não recebeu afeto, mas recebeu coisas, presentes,
matéria, irá atrelar o dinheiro a conteúdos afetivos. É como se uma lente
colorida fosse colocada diante da realidade, e ela passasse a perceber o
dinheiro de forma distorcida. E essa imagem distorcida impede que ela lide com
o dinheiro de forma objetiva. A ativação da energia ocorre através da dakshina
flui por si só. Eu não controlo nada. Uns dão mais, outros menos; outros não
dão. E como são muitas pessoas, as coisas acabam sempre se equilibrando, mas às
vezes acontece de o dinheiro não ser suficiente para cobrir tudo de que
precisamos para realizar um evento como esse. Então, nos outros 10% ou 20% do
tempo, eu também ofereço retiros que têm um valor predeterminado. Também
estamos começando a oferecer workshops baseando as despesas na economia
colaborativa, que é uma prática parecida com a dakshina. Nela nós sugerimos o
valor mínimo, que é o valor de custo daquele evento, e a pessoa fica livre para
contribuir com quanto ela quiser dar, ou seja, com quanto achar que o trabalho
vale. Dessa forma, o dinheiro supre a operação daquilo que precisamos fazer
para que esses eventos aconteçam. Mas como temos escolhido fazer muitas coisas
(por causa da demanda espiritual e da necessidade das pessoas), às vezes o
dinheiro ainda não é suficiente. Nesse caso vamos pedindo para que Maha Lakshmi
faça o dinheiro aparecer de outra maneira. É importante que você saiba que esse
processo da operação é transparente. Tudo está em relatórios disponíveis para
quem quiser. E estamos com a ideia de fazer, assim que tivermos dinheiro para
tal, o “portal da transparência”, um site no qual toda a movimentação
financeira da organização estará registrada para quem tiver o interesse de
compreender melhor como funciona. Estamos caminhando nessa direção. Além disso,
existem os cursos e as terapias do Caminho do Coração, um método
psicoespiritual criado por mim para oferecer apoio àqueles que estão
comprometidos com o autoconhecimento e com a
expansão da consciência. Trata-se de um conjunto de ferramentas
terapêuticas que te ajudam a precipitar e atravessar processos de cura,
facilitando e adiantando a caminhada. E, no caso desse trabalho, não tenho como
fazer doações – é preciso que você pague pela sua própria terapia. Eu tento
abrir o caminho e facilitar a caminhada, mas não posso caminhar por você. Estou
treinando os terapeutas do Caminho do Coração, mas eles não podem fazer serviço
voluntário. Assim como você recebe pelo seu trabalho, os terapeutas também
precisam receber para sustentar suas vidas. O processo de autodesenvolvimento
precisa ser sustentável e para isso precisa haver equilíbrio entre espírito e
matéria. E esse ponto de equilíbrio só é encontrado quando você se liberta das
crenças sobre o dinheiro e se afina com os códigos divinos da prosperidade.
Saber qual é o seu propósito não é suficiente. É necessário que esse propósito
seja autossustentável, porque você está encarnado num corpo que está submetido
às leis da matéria. Algumas pessoas tentam negar a dimensão material, tentam
separar a espiritualidade da matéria, mas isso não é possível. A negação é um
dos principais venenos para a consciência. Ela nos leva à impossibilidade de
despertar do sonho do sofrimento. De qualquer maneira, nós estamos atentos.
Estamos estudando novas maneiras de trabalhar, novas formas de subsidiar as
atividades terapêuticas. Aos poucos, vamos encontrando uma forma de receber a
todos. Porém, sendo o dinheiro a moeda de troca neste plano, alguém precisa
pagar a conta. Mesmo que grande parte do serviço seja voluntário, algumas
coisas precisam ser pagas. Para que tudo seja gratuito, alguém precisa pagar a
conta. Estamos estudando as possibilidades, e sugestões são bem-vindas. Há
algum tempo, eu apoiei um projeto chamado “Psicologia para Todos”, que tinha
esse intuito de oferecer as ferramentas terapêuticas a preços acessíveis ou
gratuitamente. Com o passar do tempo, não recebi mais informações e não sei se o
projeto prosperou, mas foi uma boa ideia. Mas para que essas boas ideias se
tornem realidade, tornem-se projetos autossustentáveis e prósperos, alguém
precisa colocar energia. Alguém precisa dar alguma coisa. Essa questão evoca
uma profunda reflexão em relação ao significado do dinheiro. Como você está
lidando com essa energia? Uma das dimensões do meu trabalho é erradicar o medo
da escassez do seu sistema, para que a prosperidade possa se manifestar através
de você. Estamos trabalhando para criar uma cultura de paz e prosperidade. Mas,
para que haja paz na nossa sociedade, é fundamental que as necessidades das
pessoas sejam atendidas. Não há como haver paz quando há fome. Nós, enquanto
raça humana, precisamos nos harmonizar com a energia do dinheiro, sem hiperdimensionar
ou subdimensionar o seu valor. Livro Propósito – A Coragem de Ser Quem Somos.
Abraço. Davi.
segunda-feira, 24 de julho de 2017
sexta-feira, 21 de julho de 2017
IV. O PODER LATENTE DA ALMA.
Cristianismo. Texto de Watchman Nee (1903-1972). FORÇA DO ESPÍRITO
VERSUS FORÇA PSÍQUICA. Prosseguiremos com este tópico importante do poder
latente da alma. Já vimos o que a força psíquica pode fazer e como podemos
distinguir entre as coisas que são e as que não são de Deus. No fim dessa era
haverão muitos prodígios, milagres e feitos sobrenaturais. São eles realizados
por Deus mesmo ou pela operação de outra espécie de poder? Precisamos saber
como separar o que é espiritual daquilo que vem da alma. Agora vamos relatar
ainda mais como o poder da alma opera, isto é, quais são seus métodos
operacionais. Tal conhecimento nos ajudará ainda mais no conhecimento do que é
de Deus e do que não é. PROFECIAS NA BÍBLIA. Mas primeiro, examinemos as
Escrituras para descobrimos quais são os sinais do fim desta era e anteriores à
eminente volta do Senhor. Porque hão de surgir falsos cristos e falsos
profetas, e farão grandes sinais e prodígios; de modo que, se possível fora,
enganariam até os escolhidos - Mateus 24:24. E a besta que vi era semelhante ao
leopardo, e os seus pés como os de urso, e a sua boca como a de cão; e o dragão
deu-lhe o seu poder e o seu trono e grande autoridade. Também vi uma de suas
cabeças como se fora curada ferida de morte, mas a sua ferida mortal foi
curada. Toda a terra se maravilhou, seguindo a besta; e adoraram o dragão,
porque deu à besta a sua autoridade; e adoraram a besta dizendo Quem é
semelhante à besta? Quem poderá batalhar contra ela? Foi-lhe dada uma boca que
proferia arrogância e blasfêmias; e deu-se-lhe autoridade para atuar por
quarenta e dois meses - Apocalipse 13:2-5. E então será revelado esse iníquo, a quem o
Senhor Jesus matará com o sopro da sua boca e destruirá com a manifestação da
sua vinda; a esse iníquo cuja vinda é segundo a eficácia de Satanás com todo o
poder e sinais e prodígios de mentira, e com todo o engano da injustiça paro os
que perecem, porque não receberam o amor da verdade para serem salvos II Tessalonicenses 1:8-10. Antes de explicarmos estas passagens, observe por favor, que no versículo 9 está escrito "prodígios de mentira"; os prodígios
são realmente realizados, mas com o objetivo de enganar as pessoas. Estes
fenômenos não são imaginários mas reais, só que o fim deles é enganar. Todas as
passagens que lemos apontam para um só assunto: existem coisas que se tornarão
conhecidas na grande tribulação. Entretanto, sem sombra de dúvida, alguns
desses acontecimentos se darão antes do tempo da grande tribulação. Isso está
de acordo com uma regra mais do que óbvia na Bíblia, de que antes do
cumprimento de uma profecia algo semelhante geralmente acontece como um
prenúncio da sua realização final. Por essa razão muitos eruditos em profecia
concordam que as coisas que acontecerão na grande tribulação estão acontecendo
agora uma após a outra, embora a intensidade não seja como nos dias futuros.
Ora, as passagens bíblicas que citamos acima mostram a característica do
período da grande tribulação. Durante aquele tempo haverão grandes sinais e
prodígios. Antes da vinda do Senhor, o anticristo estará interessado principalmente
em realizar sinais e prodígios. É conhecimento comum que antes de uma pessoa
chegar sua sombra é vista primeiro e sua voz ouvida antes dele. Assim também,
antes da chegada da grande tribulação, sua sombra e o som dos seus sinais e
prodígios já estarão presentes. Visto que os sinais e prodígios se tornarão
muito comuns na grande tribulação, com certeza em nosso tempo atual eles
aumentarão. UMA OBSERVAÇÃO PESSOAL. Antes de avançarmos mais, eu gostaria de
fazer uma observação. Pessoalmente não sou contra os milagres. Existem muitos
registrados na Bíblia os quais são mui preciosos e extremamente importantes.
Tenho enfatizado no passado como um crente precisa crescer em vários aspectos.
Permita-me repeti-los mais uma vez. (1) Depois que alguém é salvo deve buscar o
conhecimento adequado da Bíblia. (2) Deve desejar fazer progresso na vida
espiritual: vitória, santidade, amor perfeito e assim por diante. Isto é muito
importante. (3) Devemos ser ardentes no ganhar almas. (4) Devemos confiar em
Deus com singeleza de fé para que possamos ver Deus operando milagres. Existem
muitos defeitos na igreja de hoje. Muitos crentes não têm outro interesse senão
na explanação das Escrituras. O conhecimento deles é excelente, todavia não se
preocupam nem tampouco buscam o crescimento na vida espiritual. Ou alguns podem
ir um passo além e buscar a vida superior e as coisas profundas de Deus, mas
negligenciam os outros três aspectos. Outros ainda têm zelo mas não têm
conhecimento. Todos estes esforços desequilibrados são doentios. Não é
surpreendente que na igreja hoje aqueles que buscam expor a Bíblia literal ou
espiritualmente, ou a vida mais profunda e mais rica, ou que são zelosos em
ganhar almas existem em grandes quantidades, mas poucos são aqueles que confiam
em Deus com uma fé viva com o fim de obterem algo dele? Todos os cristãos devem
se esforçar para desenvolverem igualmente estes quatro aspectos de crescimento,
a fim de que não haja uma situação desequilibrada. Portanto, não sou contra os
milagres, pelo contrário, eu os valorizo altamente. Entretanto, busco
discernimento devido aos falsos milagres e prodígios de mentira. Por isso, ao
falar sobre estas imitações não tenho a menor intenção de me opor aos milagres
em si. Por favor, lembre-se que todos os milagres operados por Deus são
realizados pelo Espírito Santo com a cooperação do nosso espírito. Eles nunca
são realizados pela alma do homem. Satanás é quem faz uso do poder da alma do
homem--aquela força psíquica que devido à queda está agora oculta na carne do
homem. E portanto, é inevitável que nos últimos dias Satanás levantará um
anticristo a quem será dado seu próprio poder e autoridade, pois ele terá que
confiar no poder latente da alma do homem. Vou dar alguns exemplos que nos
ajudarão a entender como certos fenômenos não são demonstrações de poder
espiritual e sim as manifestações da força latente da alma. Visto já termos
tratado com o lado miraculoso do poder da alma, focalizaremos aqui o seu lado
não miraculoso. Exemplo 1 - Evangelismo Pessoal Assim como nossas condições
psicológicas variam de uma pessoa para outra, assim acontece com nossos poderes
da alma também. Algumas pessoas têm mentes mais fortes e às vezes podem ler os
pensamentos dos outros. Alguém pode pensar que a fim de encontrar palavras
adequadas para conversar com os outros, ele deva conhecer o pensamento dela.
Esta é a maneira natural de conhecer e dele ser rejeitada. Perdoe-me por
ilustrar este ponto com a minha própria experiência. Nos meus contatos com as
pessoas eu posso facilmente determinar seus pensamentos após uma curta troca de
palavras. Eu simplesmente sei, sem qualquer razão especial. Quando comecei a
servir ao Senhor no princípio, pensei que tal percepção natural da mente dos
outros seria muito útil na obra do Senhor. Mas depois de compreender melhor não
ousei usar mais minha capacidade natural. Toda vez que tal situação se levanta
agora, eu imediatamente a resisto com oração. Ao conversar com as pessoas, não
é necessário que você saiba o que elas estão pensando em suas mentes. Além
disso é inútil, pois tudo o que é da alma e é feito por seu poder findará em
vaidade. Se uma obra é feita pela força psíquica, ela não edificará a vida da
outra pessoa embora professe ter sido ajudada, pois nenhum proveito real foi
depositado no fundo do seu ser. Por isso, quando um indivíduo vem a você, a
coisa mais importante a fazer é pedir a Deus para mostrar como você pode
ajudá-lo. Você deve dizer ao Senhor que, por não conhecer o que aquele homem
está pensando nem está certo da sua condição psíquica e espiritual; você vem a
Ele em total dependência dele a fim de receber as palavras apropriadas. O que
você precisa é renunciar a si mesmo a fim de receber ajuda de Deus. Exemplo 2 -
Reunião de Avivamento. É bastante espantoso como muitos irmãos que pregam muito
mencionam a questão de reuniões a mim. Eles afirmam que se vão a um salão de
cultos e encontram as luzes fracas, assistência baixa e abundância de cadeiras
vazias, eles parecem perder seu poder após se levantarem para pregar. Mas se as
luzes estiverem brilhando e o auditório cheio e animado, eles parecem crescer
em poder. Mas que tipo de poder é este? Posso dizer francamente que este não é
outro senão o poder da sua própria força da alma. O poder que vem do Espírito
Santo nunca é afetado pela circunstância exterior. Qualquer que quiser saber o
que é pregar no poder da alma só precisa assistir uma grande reunião lotada de
pessoas e suprida com os mais finos equipamentos, ouvir os cânticos e observar
os movimentos do auditório. Você poderá sentir que há um poder especial num
lugar cheio. Que poder é este? Você sente uma força que pressiona sobre você?
Não pode ser o poder do Espírito Santo. É o poder da alma. Por que é
considerado poder da alma? Apenas observe o que estas pessoas estão fazendo. Ao
cantar elas cantam em uníssono numa direção, resultando na concentração de
todos os poderes da alma gerados pela multidão. Quão grande é este poder! Você
pode ir pensando em ajudá-los, mas em tal atmosfera você é quem será
influenciado por eles. Quão perigoso é isto! Muitos servos do Senhor me dizem a
mesma estória de como os números no auditório ou a atmosfera da reunião e
outras coisas ajudam ou estorvam seu trabalho. Eu sempre respondo que eles são
controlados pela circunstância porque pregam em sua própria força. Exemplo 3 –
Cânticos. Muitas vezes o cântico é de grande ajuda na obra de Deus. Outras
vezes entretanto, ele não pode deixar de ser apenas uma atividade da alma. Um
grande número de pessoas gosta de visitar certos grupos de crentes porque a
música lá é excelente. Alguns grupos gastam acima de um milhão de dólares
simplesmente para instalar um órgão de tubos. Ouvimos pessoas dizerem que
quando vão a tais lugares e ouvem o som do órgão e as vozes cantando, seus
espíritos imediatamente são liberados na presença de Deus. Realmente tal coisa
acontece. Mas são estas pessoas levadas em verdade à presença de Deus? Os
espíritos das pessoas podem ser liberados e aproximados de Deus por uma pequena
atração como essa? É este o método de Deus? Infelizmente muitos dos arranjos
nestes lugares são carnais. Eles tentam despertar a emoção do homem e estimular
seu instinto religioso por meio dos sons do órgão e cânticos. Tal poder não é
de Deus, mas dos hinos e da música. Nós também cantamos hinos, mas não
colocamos nossa confiança neles. Somente o que é feito pelo Espírito Santo é
útil; nada mais pode alcançar nosso espírito. Você já esteve num lugar remoto
no interior? Graças a Deus, Ele me deu a oportunidade de visitar um lugar
assim. Uma vez fui a uma vila perto do mar. Todos os habitantes eram
pescadores. Havia crentes espalhados por toda a vizinhança dessa vila. Eles
tinham reuniões com vinte, trinta e até mesmo com cinqüenta ou sessenta
pessoas. Sempre que se retinem juntos e cantam que melodia irregular penetra
seus ouvidos! Uns cantam depressa e outros devagar, resultando num lapso de
alguns minutos, porque os mais rápidos já terminaram a última linha mas devem
esperar até que os mais lentos os alcancem. Você pode reunir sob este tipo de
circunstância? Provavelmente você morrerá de impaciência e seu poder se
dissipará completamente. Um irmão me disse que após ouvir tais irmãos cantando
ele não podia mais pregar. Eu respondi dizendo que havia uma razão para isso: O
poder vinha dele ou de Deus? Você e eu geralmente consideremos as
circunstâncias e somos influenciados por ela. Mas se for do Espírito Santo, nós
controlaremos a circunstância. Este é um princípio profundo ao qual cada um de
nós deve se apegar. Não usemos nossa própria força psíquica a fim de que não
sejamos controlados pela circunstância. Algumas vezes num ambiente oprimido o
cântico pode ser usado por Deus para libertar as pessoas. A oração também às
vezes pode ser de ajuda. Mas se fizermos do cântico ou da oração o centro,
enfrentamos o perigo de liberar o poder da alma. Muitas pessoas vivem
descuidadamente durante seis dias e depois assistem uma reunião da igreja no
domingo. Elas ouvem o cântico de muitos hinos e se sentem aquecidas e alegres.
Mas perguntemos de onde vem este tipo de calor e alegria? Posso provar que algo
está deficiente aqui. Se uma pessoa vive descuidadamente durante seis dias e
depois vem a Deus um dia, ela deveria sentir-se culpada e reprovar a si mesma.
Como é então que o cântico faz com que ela se sinta aquecida e alegre? Isto não
pode ser poder espiritual. Não desejo ser um crítico bitolado mas deve se
salientar que o cântico excessivo excita o poder da alma. Exemplo 4 - Exposição
da Bíblia. Existe o perigo de se expressar o poder latente da alma até mesmo no
estudo da Bíblia. Por exemplo: alguém está confuso sobre certa passagem da
Escritura. Ele não entende seu significado. Assim ele pensa nele o tempo todo,
seja andando na rua, dormindo em sua cama, em seu gabinete ou andando de trem.
De repente um jato de luz brilha sobre ele; agora parece que ele pode expor
aquela passagem para si mesmo de forma lógica. Se tem boa memória ele sem
dúvida, a estocará em sua mente; se sua memória não é tão aguda ele escreverá
numa caderneta. Tal interpretação repentina não é maravilhosa? Todavia a
pergunta deve ser feita: Isto é digno de confiança? Porque às vezes ela pode
vir do poder da alma. Considerando seu resultado, a interpretação pode ser
razoavelmente julgada, pois tal exposição nova, especial e aparentemente
espiritual pode não produzir fruto espiritual. Não apenas ele pode não extrair
vida espiritual dela, mas também pode não ter como comunicar vida aos outros
fornecendo tal interpretação. Tudo o que pode fazer é ajudar a mente das
pessoas um pouco. Exemplo 5 – Alegria. Grande número de pessoas deseja ter
alegria em seu sentimento. O chamado riso santo é um caso extremo do assunto. É
ensinado que se uma pessoa for cheia do Espírito Santo, ela invariavelmente
terá este riso santo. Aquele que declara possuir esta espécie de riso não pode
controlar a si mesmo. Sem qualquer razão ele rirá, rirá e rirá como que
infectado por certa doença e parecerá estar parcialmente insano. Numa certa
reunião, depois do sermão ser concluído, foi anunciado que todos deveriam
buscar este riso santo. Todos começaram a bater nas mesas ou cadeiras, pulando
e saltando por toda parte, até que depois de certo tempo este chamado riso
santo apareceu. As pessoas simplesmente olhavam um para a outra e caiam na
gargalhada. Quanto mais pensavam nisso mais engraçado se tornava. Por isso não
podiam se conter e continuavam rindo. O que é isso? Há possibilidade de tal
coisa ser a plenitude do Espírito Santo? Pode isso ser Sua obra? Não, isto é
certamente uma das obras da alma. Menciono este caso extremo a fim de ilustrar
por meio de um "extremo" como podemos escapar pela tangente por
apenas dois ou três graus de inexatidão. Quando o senhor Barlow (um amado
companheiro cristão) esteve aqui reunindo conosco, uma ajuda particular que
recebi dele foi essa observação: a fim de ver se uma coisa é certa ou errada
temos apenas que aumentá-la uns cem graus, isto é, não importa o que seja,
leve-a ao extremo. O princípio orientador é que se estiver errado nos cem
graus, a pessoa sabe que também está errado no primeiro ou segundo grau. É
muito difícil julgar apenas pelo primeiro ou segundo grau; caso haja algum
erro, com certeza será pequeno demais para ser identificado. Mas pelo
prolongamento ou aumento da situação ou circunstância, tudo se tornará bastante
distinto. Existe um provérbio chinês que diz assim: "O desvio de um
centésimo ou milésimo de uma polegada terminará numa distância de mil
quilômetros:" Você pode começar com um erro de apenas um centésimo ou
milésimo de uma polegada, porém, mais tarde se deparará com uma discrepância de
mil quilômetros. A afirmação inversa seria: se examinarmos a discrepância de
mil quilômetros poderemos ver o erro de um centésimo ou milésimo de uma
polegada. Suponhamos que hajam duas linhas que não são exatamente paralelas mas
estão fora num pequeno ângulo de um ou dois graus, dificilmente notável a olho
nu. Se você prolonga estas linhas uma polegada a mais a distância entre elas
torna-se obviamente maior. Quem poderá dizer quantas centenas de quilômetros
elas estarão separadas uma da outra, se forem prolongadas até os confins da
terra? A distância aos dez milhares de quilômetros da sua origem prova a
existência de erro formado no ponto inicial. Apliquemos agora esta norma ao
chamado riso santo. Como as pessoas conseguem este riso santo? Que método elas
seguem ou que condições devem preencher? Não é outra coisa senão o pedir para
rir. Existe apenas um pensamento que é rir. Estão buscando serem cheias do
Espírito? Seus lábios podem realmente proferir palavras como: "Ó Deus,
encha-me com Teu Espírito." Todavia isso é apenas um método; o alvo da
petição para serem cheias com o Espírito é algo mais do que serem cheias.
Embora possam dizer com suas bocas, o desejo dos seus corações está em outro
lugar. Qual é seu alvo? Elas querem rir e ficar alegres. Elas não oram: "Ó
Deus, peço que me enchas com Teu Espírito, ficarei satisfeito tendo ou não
sentimento." Qualquer que deseje ser cheio com o Espírito de Deus deve
assumir tal atitude. Permita-me relatar uma estória verdadeira. Um estudante
havia se arrependido e crido no Senhor. Ele tinha um colega que professava
possuir este riso santo dava impressão de ser excessivamente alegre. Este
colega instou com ele para que buscasse ser cheio com o Espírito Santo, dizendo
como ele era feliz de manhã ao anoitecer sem qualquer tristeza e afirmando quão
útil tal experiência seria para o crescimento espiritual. Considerando que este
colega era um crente e possuidor dessa experiência, o recém salvo pensou que
podia tê-la também. Consequentemente começou a orar ansiosamente a Deus.
Continuou em oração pedindo a Deus a experiência; pediu tanto que chegou a
ponto de perder o apetite e negligenciar seus estudos. Mais tarde foi ver um
professor e pediu que ele orasse por ele. O estudante mesmo orou ardentemente a
Deus e fez um voto de que não se levantaria da oração aquela noite se Deus não
a desse a ele. Continuou orando até que repentinamente saltou e deu um grito
dizendo quão alegre se sentia. Ele riu e riu. Quanto mais ria mais alegre
sentia. Ele riu e dançou e gritou. Seu professor pensou que ele estava fora de
si. Agindo como se fosse um médico, seu professor o segurou e disse:
"Irmão, acalme-se, não haja desordenadamente:" Mas quanto mais era
advertido, mais violentamente reagia. Seu professor não ousou dizer mais nada
temendo ofender ao Espírito Santo, caso isso fosse realmente de Deus.
Finalmente o estudante foi para casa e estava melhor no dia seguinte. Ora, isso
não foi nada mais do que uma grande liberação do poder da alma, pois ele havia
preenchido a condição para sua liberação. Exemplo 6 - Visões e Sonhos
Atualmente muitas pessoas nas igrejas estão buscando ter visões e sonhos. Se
alguém me perguntar se creio nisso, respondo que não me oponho a nenhum deles.
Eu mesmo tenho tido algumas experiências e às vezes podem ser úteis. Todavia
quero chamar sua atenção para a fonte deles. De onde vêm: são de Deus ou não?
Quão freqüentemente numa reunião alguém começa a contar ter tido uma visão e
isso dá origem a uma avalanche de visões, até que todos na congregação chegam a
testificar terem tido visões e sonhado sonhos. Ouvindo sobre visões as pessoas
começam a orar pedindo a Deus para lhes dar a mesma experiência. Elas jejuarão
e orarão por muitas noites se uma visão não for concedida. Gradativamente seus
corpos enfraquecerão, suas mentes se tornarão vagas e suas vontades' perderão
todo o poder de resistência. Aí elas recebem o que é chamado de visão e sonho.
Não há dúvida de que elas recebem algo, mas como recebem estes sonhos e visões?
Eles vêm de Deus? Tolerâncias tais como deixar a mente ficar vaga e a vontade
passiva é definitivamente contra o ensino da Bíblia. Estas pessoas simplesmente
se hipnotizam. Algumas pessoas são propensas a sonhar e parecem ter condições
de interpretar seus sonhos, embora freqüentemente seja de modo absurdo. Eu tive
um médico amigo que parecia ter facilidade para sonhar. Cada vez que eu o via,
ele me contava novos sonhos e interpretações. Ele sonhava quase toda noite e
frequentemente tinha três ou quatro sonhos numa só noite. Por que acontecia
isso? Era porque Deus queria tanto dar a ele sonhos? Eu sei a razão. Ele era
alguém que vivia a sonhar durante o dia e por isso sonhava à noite também. Era
bem interessante encontrar um médico tão inteligente com pensamentos tão
confusos. Sua mente desenhava quadros continuamente de manhã ao anoitecer, e
não tinha como controlar seu pensamento. O que ele sonhava à noite era o que
ele tinha pensado durante o dia. Por causa disso roguei a ele de modo bem
direto dizendo que se não resistisse a estes sonhos ele seria finalmente
enganado e sua vida espiritual não poderia crescer. Graças a Deus, ele melhorou
mais tarde. Disso conhecemos que muitos dos sonhos não são de Deus; são
simplesmente os resultados de uma mente dispersa. Examine a Fonte Alguns buscam
visões, outros professam ter visto uma luz ou chama e outros mais declaram que
tiveram sonhos. Seguindo seus testemunhos, muitos outros começam a afirmar que
tiveram experiências semelhantes. Não me oponho a tais coisas, mas examino a
origem delas. Elas vêm da alma ou do espírito? É bom lembrar que qualquer coisa
feita no espírito pode ser duplicada pela alma; mas qualquer coisa que é
copiada pela alma serve apenas para imitar o espírito. Se não examinarmos a
fonte desses fenômenos seremos facilmente enganados. O ponto mais importante
aqui não é negar estas coisas, mas sim examiná-las para ver se emergem da alma
ou do espírito. Diferenças nos Resultados Qual é a diferença nos resultados
entre a operação do espírito e a da alma? Isto nos fornecerá um indício
principal entre aquilo que é do espírito e aquilo que é da alma. "O
primeiro homem, Adão, tornou-se alma vivente; o último Adão, espírito
vivificante"- I Coríntios 15:45. Paulo diz aqui que o primeiro Adão tornou-se
uma alma vivente. A alma está viva. Ela tem sua vida e portanto capacita o
homem a fazer toda sorte de coisas. Isto se refere à posição que Adão tinha.
Depois o apóstolo continua: "o último Adão tornou-se espírito
vivificante:" Esta palavra é digna de maior atenção; ela é bastante
preciosa e significativa. A diferença nos resultados entre as operações do
espírito e da alma é claramente dada aqui. A alma está viva e tem vida em si
mesma. O espírito, entretanto, é capaz de dar vida aos outros. O espírito
porém, não apenas tem vida em si mesmo, como também pode fazer outros viverem.
Somente o espírito é capaz de vivificar pessoas para vida. A alma, a despeito
de quão forte ela seja, não pode comunicar vida aos outros. "É o
espírito;" diz o Senhor, "quem dá vida; a carne nada aproveita" - João. 6:63. Devemos distinguir estas duas operações muito claramente, porque é
da maior importância. Ninguém pode trabalhar satisfatoriamente se estiver
confuso neste ponto. Deixe-me repetir: a alma está verdadeiramente viva mas não
pode fazer outros viverem. O espírito, por outro lado, não apenas está vivo mas
além disso dá vida aos outros. É por isso que declaro com tanta ênfase que
precisamos dar de mão do nosso poder da alma. Tudo o que é da alma não tem
valor. Não estamos discutindo sobre terminologias, porque isso é um grande
princípio. Embora a alma esteja viva, ela não tem como fazer os outros viverem.
Por isso, ao ajudar alguém devemos desejar do mais profundo do nosso ser e não
ajudar simplesmente suas mentes. Não devemos trabalhar segundo a força psíquica
visto que ela não pode salvar nem ser útil a ninguém. Quão cuidadosos devemos
ser. Como devemos recusar qualquer coisa que venha da nossa alma. Pois ela não
apenas não pode ajudar os outros como também é empecilho para a obra de Deus.
Ela ofende a Deus como também O priva da Sua glória. O Perigo Das Operações No
Poder da Alma Deixe-me usar algumas ilustrações comuns para mostrar a diferença
entre as operações do espírito e da alma. Todavia não vou mencionar aqueles
casos miraculosos porque já fiz isso atrás. Podemos dizer que é bastante comum
na igreja hoje trabalhar pelos meios psíquicos. Quão frequentemente os métodos
psicológicos são usados nas reuniões de ministério para atrair as pessoas! Como
os métodos psíquicos são em pregados nas reuniões dos crentes para estimular os
ouvintes. Observando os métodos usados podemos julgar que tipo de trabalho está
sendo realizado. Deixe-me dizer francamente que muitos sermões só podem ajudar
as almas das pessoas mas não seus espíritos. Tais mensagens são dadas a partir
da alma e por isso só podem alcançar a alma do homem e fornece-lhe um pouco
mais de conhecimento mental. Não devemos operar desse modo, porque tal obra
nunca penetra no espírito do homem. Como muitas reuniões de avivamento são
conduzidas? (Não sou contra o reavivamento dos crentes, isto eu devo tornar bem
claro. Só estou perguntando se o modo de conduzir tais reuniões hoje é do
espírito.) Não é verdade que em muitos encontros de reavivamento uma espécie de
atmosfera é primeiro criada a fim de fazer com que as pessoas se sintam
aquecidas e entusiasmadas? Um cântico é repetido uma e outra vez para aquecer o
auditório. Algumas estórias emocionantes são contadas para provocar a entrega
de testemunhos. Estes são métodos e táticas mas não o poder do Espírito Santo.
Quando a atmosfera está quase aquecida plenamente, o pregador então se levanta
e prega. Enquanto prega ele já está ciente do tipo de resultado que alcançará
naquele dia. Ele tem várias estratégias preparadas. Pela manipulação
inteligente ele pode saber de antemão que uma certa classe de pessoas sentirá
calafrios, outra chorará e haverá confissão e tomada de decisões. Tal espécie
de reavivamento precisa ser renovado de um em um ou de dois em dois anos,
porque o efeito do remédio dado anteriormente passará e antiga situação
retornará. Para alguns, o efeito de um avivamento anterior se desfará dentro de
apenas umas poucas semanas ou meses. Grande zelo e disposição são realmente
exibidos no início do avivamento, mas depois de pouco tempo acaba e desaparece.
Isto não tem outra explicação a não ser a ausência da vida. Se as estórias de
muitos crentes fossem registradas, elas conteriam a história dos avivamentos:
avivamentos após quedas, e quedas após avivamentos. O estimulante usado no
primeiro avivamento tem que ser aumentado para dosagem maior no segundo. A fim
de ser eficaz o método empregado no segundo deve ser mais emotivo e
emocionante. Eu sugeriria que este tipo de método poderia ser melhor descrito
como uma injeção de "morfina espiritual'." Ela precisa ser injetada
uma e outra vez. É evidente que a alma só pode viver por si mesma mas não tem
poder para fazer outros viverem. Operar pelo poder da alma--ainda que as
pessoas chorem, tomem resoluções e se tornem zelosas, praticamente falando,
igual a nada. O Espírito Dá Vida O que é regeneração? É o recebimento da vida
ressurreta do Senhor Jesus. Por que a Bíblia diz que somos regenerados por meio
da ressurreição do Senhor ao invés de ser pelo nascimento do Senhor? Porque a
nova vida recebida é mais do que a vida de Belém. Aquela vida que é nascida em
Belém estava para morrer, mas a vida de ressurreição não morre nunca. "Eu
sou (...) o que vivo; fui morto, mas eis aqui estou vivo pelos séculos dos
séculos" - Apocalipse 1:17,18. A vida de ressurreição nunca morre mas vive para
sempre. A vida que é nascida está na carne e portanto, pode morrer. O que
recebemos na regeneração é a vida que vive para sempre e nunca morre. O que é
ressurreição? Suponhamos que haja um cadáver aqui. É absolutamente impossível
ressuscitar um morto pelos meios humanos. Não importa quanta energia é exercida
e quanto calor usado, o morto não voltará à vida. A única forma de fazê- lo
viver é colocar a vida de Deus nele. Esta vida que vivifica o morto é a vida de
ressurreição, e isto é ressurreição. Que situação é pior do que a morte? O que
é mais frio do que a morte? Um cadáver se deteriorará e apodrecerá mais e mais,
mas quando a vida de ressurreição é comunicada, a morte é tragada pela vida.
Consequentemente, uma pessoa regenerada é capaz de resistir a qualquer coisa
que pertença à morte e resistir todas as coisas mortas. O que se segue é uma
ilustração que tem sido usada para explicar a ressurreição. Havia um certo
homem que não acreditava na ressurreição, Ele era importante entre um círculo
de ateus. Depois que ele morreu, o epitáfio sobre sua sepultura dizia:
"Sepulcro Inquebrável". O túmulo havia sido construído com mármore.
Surpreendentemente, aquele grande sarcófago de mármore partiu-se um dia.
Aconteceu que uma bolota caiu na fenda das pedras durante a construção.
Gradativamente ela cresceu num grande carvalho e eventualmente rompeu
amplamente o túmulo. Uma árvore tem vida e por isso pode arrombar um lugar de
morte. Somente a vida pode conquistar a morte. Isso é regeneração, isso é
ressurreição. O espírito vivifica; somente ele pode comunicar vida. É isto que
precisamos observar. Mas infelizmente existem muitos substitutos para o
espírito em nossos dias. A Alma Deve Ser Tratada Deus só trabalha com Sua
própria força; consequentemente devemos pedir nEle para amarrar nossa vida da
alma. Cada vez que trabalhamos para Deus precisamos primeiro tratar conosco
mesmos, nos colocando à parte. Devemos por de lado nossos talentos e pontos
fortes, e pedir a Deus para amarrar estas coisas. Devemos dizer a Ele: "Ó
Deus, quero que Tu operes; não quero depender do meu talento e poder. Peço-Te
que operes, porque de mim mesmo nada posso fazer:" Muitos obreiros hoje
consideram o poder de Deus insuficiente e por isso acrescentam o deles
próprios. Trabalhar sobre tal base não somente é inútil como também prejudicial.
Lembre-se que a obra do Espírito Santo nunca tolera a intromissão da mão do
homem. Frequentemente digo que na obra de Deus o homem deve ser como uma figura
num papel, a qual não tem vida e nada pode fazer. Ele precisa de um influxo de
vida para capacitá-lo a trabalhar. Neguemos a nós mesmos até ao ponto de nos
tornarmos como figuras num papel, não tendo poder algum em nós mesmos. Todo o
poder deve vir de cima; todos os métodos usados também devem vir de cima.
Sabemos que somente o Espírito é quem vivifica. Deus opera pelo Espírito. Se
desejarmos que Deus opere, devemos pedir a Ele para amarrar nossa vida da alma;
caso contrário Ele não tem liberdade para operar. "Em verdade, em verdade
vos digo: Se o grão de trigo caindo na terra não morrer, fica ele só, mas se
morrer, da muito fruto. Quem ama a sua vida, perdê-la-á; e quem neste mundo
odeia a sua vida, guardá-la-á para a vida eterna" - João 12:24,25. A
palavra "vida" aqui no Grego indica a "alma". Significa que
qualquer que quiser preservar sua vida da alma perderá sua vida da alma; mas
aquele que perder sua vida da alma guardá-la-á para a vida eterna. Esta é uma
ordem singular do Senhor. Ele fala em tais termos a fim de explicar o
significado das palavras anteriores: "Se o grão de trigo caindo na terra
não morrer, fica ele só; mas se morrer, dá muito fruto:" Primeiro ele
morre, depois algo acontece. Se um crente não põe de lado sua própria vida da
alma, o espírito nunca poderá operar e desse modo beneficiar outros. A fim de
realizarmos uma obra mais profunda para o Senhor, precisamos tratar de forma
prática com nossa alma. A vida da alma precisa ser perdida. Um grão de trigo é
bom e sua cor dourada é muito bonita. Mas se for colocado sobre a mesa ele
permanecerá um grão mesmo depois de cem anos. Ele nunca acrescentará mais
nenhum grão. Todos os nossos poderes da alma são como aquele grão de trigo que
não caiu na terra. Ele nunca pode produzir fruto. Podemos considerar este
problema com toda a seriedade? Aquela vida de ressurreição, que é santa e sem
mácula e que possuímos agora, pode produzir muito fruto? Alguns perguntam por
que não podem ajudar ou salvar as pessoas; outros indagam por que carecem de
poder na obra. Muito confessam que não têm poder. Eu respondo que a razão deles
não terem poder para operar está no grande poder que possuem em si mesmos.
Visto que já possuem grande força neles mesmos, onde está a oportunidade para
Deus operar? Usando a própria sabedoria, método, força ou habilidade natural,
os crentes bloqueiam a manifestação do poder de Deus. Muitos fenômenos
miraculosos são realizados pela força da alma e não por Deus. Como esperar
resultados bons e duradouros se substituem o poder de Deus por suas próprias
habilidades naturais? Muitas reuniões de avivamento parecem ser bem sucedidos
no momento, mas depois, voltam a zero nos resultados. Não há dúvida de que
alguns avivamentos ajudam as pessoas. Mas estou me referindo aqui às obras
feita por meio de métodos humanos. Posso declarar solenemente que qualquer que
almeja uma obra melhor e mais profunda não deve falar sobre poder? Nossa
responsabilidade é cair na terra e morrer. Se morrermos, então o produzir fruto
será bastante natural. O que o Senhor diz a respeito daquele que perde sua
vida, isto é, aquele que odeia sua vida neste mundo? Ele a guardará para a vida
eterna. É como se eu tivesse eloquência e ainda assim não quisesse usá-la. Meu
coração não está colocado na eloquência; eu não a usarei como meu instrumento
de trabalho. Eu perco minha eloqüência e recuso depender dela. Qual é o
resultado? Eu ganho vida; isto é, sou capacitado a ajudar os outros em vida. A
mesma coisa acontece com minha capacidade de gerenciar ou qualquer outra
habilidade: eu me recuso a usá-la. Ao invés disso, aguardo diante de Deus.
Assim eu realmente farei bem às pessoas. Aprendamos portanto, a não usar nosso
próprio poder a fim de que possamos dar muito fruto. O poder deve ser obtido na
base da ressurreição. Ressurreição é viver além da morte. O que precisamos é
não de maior poder mas de morte mais profunda. Precisamos resistir a todo poder
natural. Aquele que não perdeu sua vida da alma, não conhece nada de poder.
Porém aquele que passou pela morte está de posse da vida. Qualquer que perde
sua vida da alma, à semelhança do grão de trigo que cai na terra e morre,
crescerá na vida de Deus e produzirá muito fruto. Creio que muitas pessoas são
tão ricas e fortes que não dão chance de Deus operar. Frequentemente me lembro
das palavras "desamparado e desesperançado." Devo dizer a Deus:
"Tudo o que tenho é Teu; eu mesmo nada tenho. Fora de Ti eu estou
verdadeiramente desamparado e desesperançado:" Devemos ter uma atitude de
dependência para com o Senhor, como se não pudéssemos inalar e exalar sem Ele.
Qualquer coisa que temos vem dele. Oh como Deus Se deleita em nos ver chegando
a Ele desamparados e desesperançados. Certa vez um irmão me perguntou:
"Qual é a condição para a operação do Espírito Santo?” Ao que respondi:
"O Espírito Santo nunca Se envolve em ajudar o poder da alma. O Espírito
Santo precisa nos levar primeiro ao lugar onde não podemos fazer nada por nós
mesmos." Aprendamos a recusar tudo aquilo que vem dos nossos egos
naturais. Seja miraculoso ou comum, devemos recusar tudo aquilo que não vem de
Deus. Ele então demonstrará Seu poder para realizar aquilo que pretendeu fazer.
O Exemplo do Senhor "Disse-lhes, pois, Jesus: Em verdade, em verdade vos
digo que o Filho de si mesmo nada pode fazer, senão o que vir o Pai fazer; por
que tudo quanto ele faz, o Filho o faz igualmente" - João. 5:19. O Filho não
pode fazer nada de Si mesmo. Em outras palavras, de todas as coisas que o
Senhor realizou, nenhuma delas Ele fez por Si mesmo. Esta é a atitude contínua
do Senhor. Ele nada faz por Seu próprio poder ou segundo Sua própria ideia. Ele
recusa qualquer coisa que possa vir dEle mesmo. Entretanto, existe alguma coisa
errada com Sua alma? Seu poder da alma não é bastante utilizável? Visto que Ele
não tem o menor indício de pecado, para Ele não seria pecaminoso usar Seu poder
da alma. Todavia, Ele afirma que o Filho nada pode fazer de Si mesmo. Se um
Senhor tão santo e perfeito como Ele Se recusa a usar Seu próprio poder, e
quanto a nós? O Senhor é tão perfeito, todavia em toda a Sua vida Ele
demonstrou ser desamparado e desesperançado em Si mesmo, dependendo somente de
Deus. Ele veio ao mundo para fazer a vontade do Pai em todas as coisas. Nós que
somos apenas uma partícula de pó, na verdade não somos nada. Devemos por de
lado a força psíquica e recusar qualquer coisa que venha do poder da alma,
antes que possamos trabalhar com força espiritual e produzir muito fruto. Que
Deus nos abençoe. Livro O Poder Latente da Alma. Abraço. Davi.
quinta-feira, 20 de julho de 2017
II. CHAVES PRÁTICAS.
Espiritualidade.
Texto de Sri Prem Baba (1965- ).
Capítulo Sete. II. CHAVES PRÁTICAS. ORANDO PARA TORNAR-SE UM CANAL PURO DO AMOR
– A ORAÇÃO, ALÉM DE SER um poderoso instrumento de cura, é uma forma de
exercitar a entrega. A entrega, porém, não é algo que possa ser feito, é algo
que simplesmente acontece. Você não pode “se entregar”, você pode apenas
preparar o terreno para que a entrega aconteça. Entrega é sinônimo de confiança
plena. Em outras palavras, não é possível haver entrega sem confiança. Estando
entregue, você não se abala com as circunstâncias externas. Por mais difícil
que a situação seja, você confia pois sabe que essa foi a maneira que o
Mistério encontrou para realizar o propósito maior. Quando a confiança se
manifesta nesse nível, você se liberta do medo, do ódio e de toda maldade; você
se torna um canal puro do amor e o serviço desinteressado acontece
espontaneamente. Mas, enquanto não chega a esse nível de entrega, o que você
pode fazer é plantar sementes de confiança. Além de dedicar-se ao
autoconhecimento, você também pode fazer uso da oração, como forma de cultivar
a confiança e preparar o terreno para a entrega. Uma das mais antigas orações
cristãs diz: “Que seja feita a Vossa vontade”. Se pararmos para pensar nessa
sentença, veremos que ela carrega a essência da entrega. Isso é o mesmo que
dizer: Que eu me torne um canal da tua vontade”. EXERCÍCIO E ORAÇÃO – FECHE OS
OLHOS e silencie por um minuto. FAÇA
ALGUMAS RESPIRAÇÕES PROFUNDAS e comece a orar espontaneamente, estabelecendo um
diálogo com o Mistério através de algumas perguntas: O que você quer de mim? O
que você quer que eu faça? Onde você quer que eu esteja? REFLITA POR ALGUNS
INSTANTES E, se possível, ponha-se a meditar por alguns minutos. A resposta
para essas questões está dentro de você, mas nem sempre você está pronto pra
ouvi-las, justamente por que não está pronto para a entrega. Continue
refletindo: O que me impede de ser um canal do amor? Do que eu tenho medo? Por
que não consigo confiar? EM SEGUIDA, FAÇA UMA ORAÇÃO ESPONTÂNEA. Continue
conversando com a divindade, pedindo para ser iluminado pela compreensão e para
tornar-se um canal do seu amor. SUGESTÃO DE ORAÇÃO – ‘QUE EU SEJA UM CONTIGO.
Que cada palavra que saia da minha boca seja a expressão do teu santo verbo.
Que cada ato por mim praticado seja a expressão da tua santa vontade. Que a
nossa ligação nunca seja quebrada e que eu possa ser um canal do teu amor”.
DIALOGO – PREM BABÁ, COM O TÉRMINO DA TEMPORADA de encontros com você, está
chegando a hora de voltar para casa, para a vida real do dia a dia, e eu estou
um pouco preocupada. Aqui nós temos práticas diárias de oração, de yoga, de
encontros com você, e isso é maravilhoso. Mas não sei como manter a mesma
sintonia em casa, no meu dia a dia. PREM BABA. CONSIDERO QUE ESTE SEJA um tema
bastante significativo que evoca alguns insights. Em primeiro lugar, isso que
você está chamando de “vida real” é uma situação de vida criada por você e que
você passou a considerar o seu mundo real. Você desenhou esse cenário, você
escreveu esse script no qual você está atuando e agora você se sente
prisioneira dessa história, pois não consegue enxergar a vida de outra maneira.
Mas se você é o autor da peça, você pode modificar o texto. É você quem escreve
a sua história e dá sentido para ela. Talvez você não saiba que tem esse poder
e por isso acredite ser uma vítima das circunstâncias, mas isso acontece porque
você está sendo guiado pelo inconsciente. E essa guiança do inconsciente é o que você tem chamado de
“destino”. O seu veículo está sendo conduzido por impulsos inconscientes, te
levando para um lado e para outro, e você se sente impotente para mudar isso.
Apesar de sermos regidos por uma lei inexorável de ação e reação, que determina
que paremos em determinados pontos da jornada para resolvermos pendências do
passado, isso não ocorre por uma questão moral, mas sim por uma questão
mecânica. Segundo Isaac Newton (1643-1727), toda força da ação provoca uma
força de reação, e elas são iguais em sentidos contrários. Nossos pensamentos,
palavras e ações constroem isso que chamamos de realidade. Portanto, nós mesmos
criamos as situações de vida, sejam elas confortáveis ou desagradáveis, felizes
ou indesejáveis. E estando conscientes de que nós mesmos construímos cenários
infelizes para as nossas vidas, podemos começar a transformação a situação.
Talvez o primeiro passo para realizar essa transformação seja aprender a ter
paciência onde estamos no momento, porque às vezes o karma ainda não permite
que seja diferente. Se plantou uma semente e cultivou-a até que ela se transformasse
numa muda ou numa árvore, antes de mais nada você precisa dar conta do que
plantou. Por exemplo, se você trouxe um filho para o mundo, é preciso dar conta
dele. Você precisa honrar seu compromisso. Se você tem uma família e se sente
responsável por ela, então é preciso chegar num acordo com isso. Se você tem um
trabalho, tem contas a pagar, não é possível, simplesmente, abandonar tudo. Ao
mesmo tempo, isso não quer dizer que você não poderá realizar aquilo que
deseja. Tudo é passível de mudança. Até mesmo quando o karma é muito rígido,
estando consciente do que precisa aprender, você consegue adquirir
flexibilidade, nem que seja na forma de encarar a situação. Portanto, o mais
importante de tudo é estar consciente de onde você quer estar e de por que está
em determinada situação. Porque às vezes você está presa por força do karma.
Nesse caso, para transformar essa situação, é necessário fazer uso da
criatividade e da inteligência. Mas essa criatividade e essa inteligência só
chegam se você se abre para compreender o sentido que quer dar para a sua vida.
Qual é o sentido da sua vida? Você está aqui para realizar algo. Você tem um
programa a ser cumprido nesta encarnação. Ao tornar-se consciente do seu
programa, você se move nessa direção. E somente quando pode realizar o programa
da sua alma. Através dos seus dons e talentos, você fica em paz,
independentemente de onde esteja. Algumas pessoas têm clareza e certeza de que
precisam estar no núcleo da matrix, nos grandes centros urbanos, porque o seu
programa interno determina que elas estejam lá para executar determinados
serviços. Mas o seu programa pode ser mais flexível e talvez você possa exercer
o propósito em diferentes lugares. A questão é: por que você está onde está?
Você quer estar onde está se colocando? Lembre-se de que é você quem está se
colocando nesse lugar. Não estando satisfeita nesse lugar, você tem três
possibilidades de escolha: ir embora; ficar e transformar a situação; ou
aceitar e sofrer com paciência. Essa última opção envolve o fim da reclamação,
pois você está escolhendo aceitar. Outro insight que precisa ser focalizado
nessa questão que você trouxe é o sentimento de impotência diante disso que
você está chamando de destino. Não estando no comando do seu próprio veículo,
você é guiado por forças inconscientes e não tem noção de aonde elas estão te
levando. Se o seu coração está te
levando, você também não sabe para onde, mas você vai feliz. Essa é a
diferença. Quando o pequeno eu está te levando, você vai sempre com medo,
inseguro, sempre achando que tem uma coisa errada. Não estando presente, total
na ação, você é tomada por forças desconhecidas – forças internas e forças
externas. Você é guiada pelos astros, pelo inconsciente coletivo ou até mesmo
pela mandinga do vizinho. Na verdade, você é guiada pela sua própria mandinga,
porque é você quem está fazendo isso. E você faz isso porque saiu do assento do
seu veículo e deixou ele ser usado por qualquer um. O que te leva a estar nesse
lugar que você está hoje! Você está ali porque o seu coração está te guiando!
Você sabe que existe uma razão maior para estar ali? Ou você está nesse lugar
porque tem medo de fazer diferente? Você está nesse lugar porque tem medo de
fazer diferente? Você está ali por vingança, raiva, obstinação? Qual é a razão
de você estar onde está? Independentemente de onde você esteja, quer seja num
ashram ou no olho da matrix, a forma de manter a conexão é a mesma: se
colocando presente, fazendo de cada conjunto de ações uma prece, Transformando
sua vida em uma oração. Mas isso só é possível se você tem consciência do
propósito das suas ações. Tendo consciência de que está na matrix com o
propósito de servir, você vive com alegria. Mesmo que haja momentos difíceis,
nos quais a crueldade coletiva acaba influenciando seu campo energético, se
você tiver consciência do propósito de estar ali; se tiver consciência de estar
nesse lugar justamente para ajudar a purificar e transformar essa sombra
coletiva, você não cairá. Em momentos como esse, eu sugiro que você faça uso de
algumas ferramentas: entre em contato com a natureza, nem que seja numa praça
pública; reserve um tempo para ficar em silêncio e orar: ouça e cante mantras;
realize práticas físicas; e mantenha o bom humor. Através da ressonância, o
mantra age nos níveis físico, emocional e mental. Seus fonemas atuam em
determinados núcleos de sistema nervoso, mesmo que você não conheça o
significado literal das palavras. Se você
recebeu uma iniciação espiritual e um mantra, eu sugiro que você utilize
o Gayatri ou o Prabhu ap jago, pois, apesar de terem nascido do berço da
traição hindu, são preces universais. Gayatri: OM BHUR BHUVAH SWAHA – TAT
SAVITUR VARENYAM – BHARGO DEVASYA DHIMAHI – DHIYO YONAH PRACHODAYAT. PRABHU AP
JAGO: PRABHU AP JAGO – PARAMATMA JAGO – MERE SARVE JAGO – SARVATRA JAGO. Esses
são alguns instrumentos que podem te ajudar, mas o mais importante é a
consciência do propósito, a consciência do serviço. Você tem consciência de
estar servindo? Se tem, seus dons e talentos vão ser utilizados pelo grande
Mistério. Ao colocar-se a serviço da verdade, você entra na corrente de
felicidade. O amor passa por você para chegar ao outro. Isso te segura, não
importa onde você esteja. Às vezes o grande Mistério pode ser exigente com você
e pedir que você esteja em lugares desafiadores. Pede que você dê mais do que
acredita ter para dar. Isso faz parte de um jogo divino para tirar você da
mente. E quando está além da mente, você se torna um canal de poder no qual
tudo se torna possível. Onde o Mistério quer que você esteja? No momento
presente. E muitas vezes esse momento presente significa estar em algum lugar,
fazendo alguma coisa. E se você está consciente de estar nesse lugar por uma
razão maior, você está feliz. Mas se você está sendo conduzido por forças inconscientes, talvez seja levado para
lugares aos quais não queira ir, e lugares diferentes daquele aonde o propósito
o levaria. Isso então gera uma divisão interna, que se traduz em angústia,
confusão, tristeza, depressão – uma série de dificuldades. A depressão se deve
justamente a essa divisão. Sua alma quer te levar para um lugar, mas a sua
mente condicionada está indo para outro
lugar porque quer agradar; porque quer reconhecimento, quer e quer. A natureza
da mente é o desejar. O desejar é compulsivo. Essa compulsão e o desejar
consomem sua vitalidade, consomem sua saúde, consomem seu tempo. E no mais
profundo, tudo o que a sua mente quer é ser amada. Só que ela só se sente
realmente amada quando está amando. Em algum momento, você precisará ter a
coragem de romper com esse círculo vicioso. Há muitos anos, eu procuro meus
dons, talentos e missão, sem obter sucesso. Ontem eu me deparei com uma raiva
profunda que tenho de Deus, uma raiva Por Ele, que é “o Todo Poderosos”, por
ter escolhido criar leis tão duras que fazem com que as criaturas sofram tanto
para aprenderem a ser felizes. Essa experiência me assustou. Raiva de Deus é um
pecado horrível para todas as tradições religiosas, que sujeita a criatura a
terríveis punições. No entanto essa é a verdade que percebi em mim. Como sair
disso? Livro Propósito – A Coragem de Ser Quem Somos. Abraço. Davi.
quarta-feira, 19 de julho de 2017
I. CHAVES PRÁTICAS.
Espiritualidade.
Texto Sri Prem Baba (1965- ). Capítulo
Sete. I. CHAVES PRÁTICAS. PARA AJUDAR NO APROFUNDAMENTO DOS CONCEITOS tratados
neste livro (Propósito – A Coragem de Ser Quem Somos), quero sugerir algumas
práticas que servirão para que o conhecimento possa ser realmente integrado ao
seu sistema, de forma que os conteúdos presentes nesta obra não se tornem
apenas um acúmulo de informações, mas sim uma sabedoria. Quando o conhecimento
se transforma em sabedoria, ele deixa de ser um saber da mente e passa a ser um
saber da alma, o que significa que ele se transforma numa virtude. De nada
serve o conhecimento se não for colocado em prática. Obviamente, a vida
proporciona as melhores oportunidades de aplicarmos esses conhecimentos, mas
determinadas práticas podem funcionar como verdadeiras chaves que abrem portais
para novas compreensões e insights sobre o seu processo evolutivo. A prática
permite que você esteja mais preparado para atravessar os desafios da vida,
além de acelerar o processo de purificação da personalidade e,
consequentemente, de expansão da consciência. CHAVE PRÁTICA UM – IDENTIFICANDO
INSATISFAÇÕES, CONTRADIÇÕES E CRENÇAS. COMO VIMOS, A IDENTIFICAÇÃO ou o
reconhecimento das nossas insatisfações – e, em consequência, das nossas
contradições internas – é o primeiro passo para a transformação daquilo que não
queremos ou não gostamos em nossas vidas. Afinal, somente a partir da
identificação da doença é que ela pode ser curada. Esse reconhecimento parece
muito simples, porém nem sempre temos clareza em relação às nossas
insatisfações, muito menos a respeito de nossas contradições, até porque
acabamos nos acostumando com determinadas situações negativas. O objetivo deste
exercício é justamente nos ajudar a ter uma maior clareza sobre aquilo que
gostaríamos que fosse diferente nas nossas vidas, mas por alguma razão, não
conseguimos mudar. Essa clareza nos leva ao reconhecimento das nossas
contradições e, consequentemente, das crenças que dão sustentação a elas.
EXERCÍCIO. PEGUE UMA FOLHA ou, de preferência, um caderno de anotações e um
lápis. Recolha-se em um lugar tranquilo e silencioso. Se isso não for possível,
pode ser em qualquer local, desde que você possa estar concentrado. SENTE-SE,
FECHE os olhos e silencie por alguns instantes. QUANDO SENTIR-SE PRONTO, abra os
olhos e comece a fazer uma lista das suas insatisfações, separando-as de acordo
com as principais áreas da vida: relacionamento amoroso, amizade, família,
profissão, dinheiro, saúde e espiritualidade. TORNE-SE CONSCIENTE dos
sentimentos, emoções e pensamentos. Anote-os ao lado de cada insatisfação,
usando apenas uma ou duas palavras. PROCURE LEMBRAR E anotar frases que seus
pais ou familiares em geral costumavam dizer quando você era criança e que, por
alguma razão, ficaram marcadas. Refiro-me a sentenças rígidas e generalizante
sobre como a vida funciona, sobre você ou sobre como as pessoas são. Por
exemplo: Você não vai dar certo na vida. Fazer o que gosta não dá dinheiro.
Isso é coisa de vagabundo. Tais frases – que, normalmente, são reflexos dos comportamos
e das atitudes dos adultos em questão – muitas vezes se transformam em crenças
e condicionamentos na mente infantil e, na idade adulta, podem ainda funcionar
como vozes internas que influenciam na forma como você age em relação ao mundo
e a si mesmo. AO LEMBRAR-SE DE ALGUMAS dessas frases, procure identificar se
existe ligação entre elas e as contradições que você pode reconhecer. Procure
fazer uma relação de causa e efeito para perceber as crenças que podem gerar
essas contradições. Se você conseguiu ter acesso a alguma crença limitante
agindo no seu sistema, com base nessa identificação, aprofunde-se mais na
observação dos sentimentos, das sensações e dos pensamentos que passam por você
ao entrar em contato com isso. FECHE OS OLHOS E OBSERVE as sensações físicas
que passam por você ao acessar essas memórias. O que você sente no corpo
físico? Pode ser um amortecimento nos braços, um calor, uma aceleração nos
batimentos cardíacos (...). Permita-se sentir e observar essa alteração. FAÇA O
MESMO EM RELAÇÃO aos sentimentos e pensamentos. O que você sente no corpo
emocional? Por exemplo, raiva, vergonha ou impotência (...). Permita-se sentir.
O que você pensa nesse momento? Podem ser frases como: Eu não sou amado (a).
Não sou bom o suficiente para realizar isso. Você pode apenas observar, mas se
for possível continue tomando nota de
tudo e fazendo a relação disso com a insatisfação ou a crença em questão. Nesse
ponto, podemos aprofundar mais um pouco: PROCURE SE LEMBRAR DO QUE VOCÊ tem feito para mudar determinada situação que
não lhe agrada. Observe se você está tentando fazer diferente. E se está,
quanto esforço tem feito. OBSERVE TAMBÉM QUAIS são os amortecedores que você
tem utilizado para manter –se afastado do contato com esses sentimentos. Se
precisar, releia o capítulo que fala sobre os mecanismos de amortecimento. Tome
nota. CHAVE PRÁTICA DOIS – LIBERANDO SENTIMENTOS GUARDADOS E PACTOS DE
VINGANÇA. Conforme estudamos anteriormente, quando você percebe que existem
contradições se manifestando através de um padrão negativo que se repete,
gerando desconforto e sofrimento na sua vida, isso quer dizer que existe algum
pacto de vingança inconsciente atuando no seu sistema. E o que dá sustentação a
esse aspecto da natureza inferior são mágoas e ressentimentos – dores que foram
anestesiadas e negadas. Cada sentimento suprimido, cada protesto não enunciado
e cada lágrima não derramada é um obstáculo para a expansão da consciência, por
isso precisamos nos permitir sentir e liberar esses conteúdos guardados. O melhor
caminho para chegar a esse vale de sentimentos negados é aprofundar a prática
da auto-observação focalizada. Inicie essa prática através de perguntas para si
mesmo, como: Até que ponto eu quero me desenvolver? Até que ponto eu quero
prosperar e ser feliz? Eu quero de verdade? As perguntas podem variar
dependendo da situação e da área da vida em questão, mas a essência desse
exercício é permitir-se ouvir as vozes internas (até então inconscientes) que
estão o tempo todo dizendo não para aquilo que você conscientemente deseja. Se
puder perguntar com honestidade e real disposição para saber a verdade, você
verá o não atuando de forma muito concreta. EXERCÍCIO – COLOQUE-SE EM FRENTE A
um espelho e olhe bem no fundo dos seus olhos. Permita-se ficar assim por
alguns instantes e, em seguida, comece a falar consigo mesmo, dizendo tudo
aquilo de bom que você quer para sua vida. Por exemplo: Quero ter um namorado.
Quero ter um carro. Quero ter um ótimo cargo na minha empresa. Quero ter uma
empresa. OBSERVE OS SENTIMENTOS que vão emergindo ao fazer essas afirmações.
Você sente ânimo? Sente vontade de sair logo para realizar essa meta? Ou sente
culpa, vergonha, impotência? CONVERSE CONSIGO MESMO dessa maneira por cinco
minutos e em seguida feche os olhos e fique em silêncio por um minuto. REPITA
ESSE EXERCÍCIO POR alguns dias, de preferência no mesmo horário, talvez pela
manhã ou antes de dormir. Quando se aprofunda na prática da auto-observação,
você tem a chance de conhecer e dialogar com o general comandante desse projeto
de autodestruição, para então compreender o seu plano de vingança. Esse general
pode ser o medo, o orgulho, a luxúria ou qualquer outra matriz do eu inferior.
E ao identificar quem é esse general, que é um eu sabotador da felicidade em
você, procure ouvir o que ele tem a dizer. Dialogue com ele, deixe-o contar por
que não quer a felicidade. Ele tem suas razões. No momento em que você consegue
ouvir essas vozes inconscientes, é possível que também entre em contato com os
sentimentos que estão dando sustentação a elas. Então, um outro exercício
poderá te ajudar a liberar os sentimentos que emergem dessa prática: ESCREVA
UMA CARTA – em geral, esses sentimentos acabam sendo direcionados a alguma
pessoa, seja ela do seu passado ou do seu presente. E, independentemente do que
ela representa para você, tudo que sente e pensa – tudo que não disse no
passado, tudo que não foi possível expressar naquela época. NÃO ENTREGUE A
CARTA – isso poderá piorar a situação energética em questão, e esse não é o
objetivo deste exercício. Ao termina-la, guarde-a por alguns dias até que você
possa elaborar melhor os conteúdos que vieram à tona. Quando sentir-se pronto,
ou seja, quando sentir que os sentimentos já foram liberados, você queima a
carta. Esse exercício tem o objetivo de abrir os caminhos para um processo de
cura, de forma que você possa ter um vislumbre do que está por trás de
determinada situação negativa na sua vida. Trata-se de um exercício de
fortalecimento do observador, aquele que vê as nuvens e as deixa passar, sem se
identificar com elas. O foco é o momento presente. Você observa e não reage
(não associa com o passado nem imagina como seria o futuro). Não importa-se o
pensamento é negativo ou positivo. Você deixa ir. Você só assiste e se mantém
atento e de coração aberto. CHAVE PRÁTICA TRÊS. TOTALIDADE NA AÇÃO: ASSUMINDO O
COMANDO DO SEU VEÍCULO – A fase zero do processo do despertar da consciência
diz respeito ao desenvolvimento do que chamo de totalidade na ação, que é a
capacidade de estar presente a cada mínimo movimento – a cada pensamento,
palavra e ação. É quando nos dedicamos ao desenvolvimento de habilidades como
auto-observação e atenção plena, pois, através dessas habilidades, podemos
ocupar o nosso veículo (corpo físico, mental e psicoemocional). Quando
desenvolvemos a totalidade na ação, começamos a tomar as rédeas da nossa
própria vida, pois é a ausência de nós mesmos na condução do nosso veículo que
nos leva a agir de forma inconsciente e, por consequência, a cair em círculos
viciosos de sofrimento. Somente quando ocupamos o nosso veículo podemos
conduzi-lo de forma adequada. Caso contrário, somos levados por impulsos
inconscientes. Tais impulsos são majoritariamente destrutivos, pois resultam de
traumas e de sentimentos que foram negados e encontram-se congelados no nosso
sistema. Portanto, eles refletem aspectos negativos da personalidade, o que
também podemos chamar de maldade. Essa maldade ou negatividade, apesar de se
manifestar na relação com as outras pessoas, acaba sempre se voltando contra
nós mesmos. Isso acontece por causa da lei de ação e reação. Por isso, ao
sermos conduzidos por impulsos inconscientes, somos levados a lugares
desagradáveis – repetimos padrões negativos que se manifestam por meio de
fracassos, perdas, conflitos e diversos tipos de perturbações. Trata-se de um
auto sabotagem: traímos a nós mesmos justamente por nossos recursos e
habilidades estarem sendo usados por tais impulsos destrutivos. E por não
termos consciência de que nós mesmos nos colocamos em situações negativas, nos sentimos indefesos e fragilizados e
passamos a acreditar que somos vítimas e a procurar culpados para os nossos
problemas. Assim se inicia o jogo de acusações, que é um dos aspectos que
constituem a raiz do sofrimento humano. Isso é o que estamos chamando de
círculo vicioso. Quando perceber-se enredado nesse círculo vicioso: ausência –
ação inconsciente – negatividade – auto sabotagem – vitimismo – jogo de
acusações – sofrimento – ausência – procure cessar qualquer atividade que
esteja fazendo, mesmo que seja por apenas alguns instantes. Volte sua atenção
para dentro, restabeleça a presença e retome o comando do seu veículo. Nesse
caso, você pode fazer uso do anto questionamento: Quem está conduzindo o meu
veículo? Quem está usando os meus recursos? Quem está pensando e agindo através
de mim? Quem habita este corpo? Quem sou eu? EXERCÍCIO – À NOITE, ANTES DE
DORMIR, faça uma revisão do seu dia, desde o momento em que você acordou até o
momento em que você está novamente deitado na cama. Observe cada ação até que
possa identificar o momento no qual você perdeu a presença, ou seja, o momento
no qual você deixou de ocupar o próprio veículo e foi levado por impulsos
inconscientes. REPITA ESSE EXERCÍCIO SEMPRE que se perceber ausente, tomado por
impulsos. Assim, aos poucos, você vai trazendo para a consciência e
identificando o que rouba a sua presença. Pode ser uma situação que te ameaça,
um apessoa que te incomoda, uma cena que causa mal-estar, ou qualquer outra
coisa. Tome consciência disso e procure identificar qual parte a sua
personalidade se identifica e reage a determinado estímulo externo, pois é essa
parte que está precisando de cuidado. Você verá que não é difícil discernir
quem está no comando do seu veículo. A questão é querer ocupar o corpo e retomar
a direção, mas isso envolve desapego. Para haver desapego, é preciso haver
escolha consciente, ou seja, é preciso querer e decidir abrir mão do círculo
vicioso. Para isso, antes de mais nada, precisamos conhecer os nossos pactos de
vingança. O desapego é o que possibilita a escolha, e a escolha possibilita a
liberdade. Só podemos ser livres quando temos a chance de escolher
conscientemente. E só podemos escolher dessa forma quando estamos no comando do
nosso veículo. Ao escolhermos abrir mão de círculo vicioso que se perpetua
através da ausência de nós mesmos, invertemos o sentido da energia que estava
voltada para a negatividade e criamos um novo círculo, um círculo benigno.
Espiritualidade é sinônimo de desapego. Você se torna uma pessoa espiritual
quando pode desapegar da história que criou para si mesmo; quando pode abrir
mão dos pactos de vingança, da necessidade de fazer justiça com as próprias
mãos e das crenças que criou sobre o que é a verdade. No mais profundo,
espiritualidade é desapegar do sofrimento. O sofrimento é uma coisa que ninguém
quer, mas da qual ninguém abre mão, porque ele gera um senso de identidade. O
apego te envelhece, pois você fica preso no passado. A vida se torna muito
previsível e sem graça, porque você se apega aos caminhos e às paisagens
familiares. E, mesmo estando cansado de determinadas situações, você prefere
deixar assim mesmo, porque isso te dá um senso de segurança. O desapego
rejuvenesce, porque ele abre novos caminhos que geram a possibilidade de
crescimento. Através do desapego, você se renova e expande. Quando perceber-se
apegado a uma situação negativa, pergunte-se: Q uem sou eu sem esse impulso de
brigar? Quem sou eu sem o ciúme e a insegurança? Quem sou eu sem esse nome e
essa história? CHAVE PRÁTICA QUATRO – IDENTIFICANDO E REMOVENDO AMORTECEDORES.
Os amortecedores são mecanismos que criamos para fugir do contato com a dor dos
sentimentos negados no passado, porém esse é o aspecto mais direto da sua
atuação. No mais profundo, os amortecedores são mecanismos de fuga de nós
mesmos. Isso significa que através deles perdemos a presença e,
consequentemente, o comando do nosso veículo. Por isso a retirada dos
amortecedores também é fundamental no processo de retomada da presença. Vimos
anteriormente que os vícios e as compulsões são os amortecedores mais óbvios,
mas que qualquer coisa pode ser utilizada como amortecedores. Muitas vezes,
você não percebe que está usando determinada coisa ou situação como
amortecedor. Identificar os amortecedores não é difícil, basta querer. E ao
optar por esse reconhecimento, você pode voltar a fazer uso da sua capacidade
de auto observação. EXERCÍCIO – LISTA DE AMORTECEDORES: LISTE OS ELEMENTOS
(objetos, situações, sentimentos ou emoções) que, no seu dia a dia, funcionam
como distrações e roubam sua energia. Exemplos: conversar no WhatsApp, navegar
nas redes sociais, falar ou comer demais, encontrar determinada pessoa, ter
determinada mania, sentir ciúme de alguém (...). AUSTERIDADE INTELIGENTE: AO
IDENTIFICAR ESSES elementos amortecedores, faça uso da austeridade para
removê-los. Exemplos: experimente ficar duas ou três semanas sem comer açúcar
ou sem tomar café. Caso você se sinta maduro o suficiente, experimente ficar
sem nenhum amortecedor. Eu sei que nem sempre é fácil abrir mão de um vício ou
hábito, ainda mais quando ele está mantendo uma dor escondida, por isso sugiro
que você vá devagar. A remoção dos amortecedores precisa ser cuidadosa, porque
muitos entram em desespero sem eles. Procure não impor a si mesmo metas
impossíveis. Escolha um deles e remova-o da sua lista por um curto espaço de
tempo. CHAVE PRÁTICA CINCO – RECONHECENDO POTENCIAIS. EXERCÍCIO UM: SONHOS
INFANTIS – RECOLHA-SE EM um lugar silenciosos com seu caderno de anotações.
Sente-se, feche os olhos e faça algumas respirações profundas. VISUALIZE A SI
MESMO, quando era criança e procure se lembrar de como você era. SE TIVER
VONTADE, coloque uma música que abra seu coração e remeta à sua infância, pois
isso pode ajudá-lo a conectar-se com essa lembrança. Aos poucos procure trazer
para a memória aquelas coisas que você gostava de fazer. Brincadeiras, jogos,
diversões, amigos (...). Lembre-se dos sonhos e desejos que tinha quando era
criança. O foco neste exercício são as coisas boas. COM BASE NESSA LEMBRANÇA,
faça uma lista dos seus principais sonhos. O que você queria ser quando
crescesse? O que você deseja realizar? Essa lista te dá pistas sobre os seus
dons e talentos. Procure ver se os seus sonhos enquanto criança têm a ver com a
atividade que você escolheu como profissão. Você ainda gosta de fazer
determinadas coisas de que gostava antigamente? Você tem dedicado tempo às
coisas que gosta de fazer? EXERCÍCIO DOIS – REALIZAÇÕES. LISTE TRÊS REALIZAÇÕES que você considera sucessos na
sua vida. LISTE AS VIRTUDES que você
utilizou para realizar isso. Exemplo: coragem, confiança, entrega, força de
vontade, entusiasmo, alegria. LISTE SUAS HABILIDADES e conhecimentos, ou seja,
tudo que você aprendeu e estudou. LISTE SEUS DONS E TALENTOS. O dom é o que
você fa naturalmente, sem esforço, e o talento é um dom lapidado. CHAVE PRÁTICA
SEIS – ORANDO PELO DESPERTAR DO AMOR. A ORAÇÃO É UM INSTRUMENTO muito poderosos
que pode e deve ser utilizado por aqueles que estão em busca de cura e expansão
da consciência. A oração de uma alma sincera tem um grande poder de cura, tanto
individual quanto coletiva. Ao orar com verdade e pureza, você emana ondas de
luz eletromagnética que podem ultrapassar os limites de espaço-tempo. Uma das
práticas realizadas nos ashrams da linhagem espiritual à qual pertenço, a
linhagem Sachcha, é o arati, uma prática de oração através da qual pedimos à
divindade que desperte em todas as pessoas e em todos os lugares. Rezamos para
que a luz da Verdade alcance o coração de todos aqueles que estão prontos.
Estar pronto significa estar aberto e receptivo, ou seja, querendo receber,
pois somente assim é possível ouvir o chamado do coração. Nos ashrams
(comunidades espirituais) é realizada todos os dias, no início da manhã e no
final da tarde, mas também pode ser feita dentro de casa, uma vez por dia ou
quando você achar adequado. A principal oração utilizada nesses encontros
diários é o seguinte mantra: PRABHU AP JAGO. PARAMITMA JAGO. MERE SARVE JAGO.
SARVATRA JAGO. “Deus desperte! Deus desperte em mim. Deus desperte em todos e
em todos os lugares”. EXERCÍCIO – REPITA O MANTRA DIARIAMENTE, por alguns
minutos. Você pode cantá-lo, fazendo uso de algum instrumento musical, ou
apenas usando a voz. Ou ainda pode repeti-lo internamente, em silêncio,
enquanto realiza as atividades do seu dia. Ele também pode ser utilizado no
início da sua meditação diária, para preparar o campo energético. REALIZE ESSA
PRÁTICA por um período de tempo preestabelecido (no mínimo 21 dias) e veja o
que acontece. O seu corpo é o seu laboratório. Faça suas experiência. Essas
palavras em sânscrito têm um tremendo poder – um poder que não se pode
descrever, pois é algo a ser experienciado. Não basta você acreditar – é preciso experienciar esse
poder. Algumas combinações fonéticas sons que ativam determinados núcleos
energéticos do nosso sistema. Muitas pesquisas foram feitas nessa área,
especialmente no que diz respeito aos antigos idiomas, como o sânscrito.
Através da ressonância, esses sons agem sobre os nossos sistemas nervoso,
endócrino e psicofísico. Assim como um som que, quando chega a determinada
frequência, é capaz de quebrar um vidro, esses sons são capazes de dissolver
bloqueios energéticos. Mesmo que não conheçamos o significado dessas palavras,
elas agem no nosso sistema e nos levam a viver experiências que a mente não
explica. Mas quando conhecemos o significado das palavras, além de ativar e
transformar aspectos energéticos, o mantra também se torna uma oração, capaz de
ativar e transformar aspectos emocionais. E para fazer essa oração, você não
precisa acreditar em nada, nem mesmo em Deus, porque Deus é também uma palavra
– uma palavra que procura explicar o Mistério cuja essência é o amor, o
Mistério do amor. E talvez você não acredite nem mesmo no amor. Talvez você
numa tenha amado. Talvez já tenha sentido uma brisa, algumas notas do perfume
do amor, que se manifestou em relação a uma pessoa, alguém que despertou em
você um sentimento que não se pode traduzir em palavras, mas que o eleva, lhe
proporciona uma abertura e o faz viver coisas que até então não acreditava que
pudessem existir. Ao sentir essa brisa, você fica feliz sem razão, você confia
sem razão. Você quer ver o bem do outro e torce por ele, muitas vezes sem nem
mesmo ter motivo para isso. É algo que desafia a lógica. Ao repetirmos esse
mantra, estamos invocando o despertar do amor. No fundo estamos dizendo
“acorde, amor”, pois sabemos que ele está adormecido. Quando nos permitimos
viver essa experiência na qual entramos em comunhão com o Ser , o nosso coração
se abre, e o amor flui generosamente, sem querer nada em troca. Essa
experiência se dá num campo que está além da mente e que eu chamo de “Graça”.
Sem que possa explicar, de repente você está amando. De repente você está
feliz, saboreando a doçura de uma fruta que antes não conhecia. A paz nasce do
amor. Ela é um fruto maduro da árvore da consciência. Mas essa árvore precisa
ser plantada e cultivada. O silêncio e a repetição de mantras são instrumentos
que podem ser utilizados para esse cultivo, porém a experiência da paz, que é o
sabor da fruta, não é algo que se pode controlar. A mente não é capaz de
controlar essa experiência – ela é um florescimento. Você prepara o campo,
planta as sementes e segue cultivando, mesmo sem saber quando a árvores dará
frutos. Livro Propósito – A Coragem de Ser Quem Somos. Abraço. Davi.
terça-feira, 18 de julho de 2017
O GÊNERO MENTAL.
Filosofia Hermética. Texto do filósofo e
místico Hermes Trimegisto.Três Iniciados - Estudo da Filosofia Hermética do
antigo Egito e da Grécia. Tradução Rosabis Camaysar. Capítulo Catorze. O GÊNERO
MENTAL. OS ESTUDANTES DE PSICOLOGIA que seguiram o modo moderno de pensar a respeito
dos fenômenos mentais ficaram surpreendidos pela persistência da dupla ideia
mental que se tem manifestado tão fortemente durante os dez anos passados do
último meio século, e que deu origem, a um grande número de teorias plausíveis
a respeito da natureza e constituição destas duas mentes. Recentemente Thompson
J. Hudson (1834-1903) atingiu grande popularidade em 1893, avançando a sua bem
conhecida teoria das "mentes objetiva e subjetiva", que ele afirmou
existir, em cada indivíduo. Outros escritores atraíram também a atenção pelas
teorias sobre as "mentes consciente e passiva", "mentes
voluntárias e involuntárias", "mentes ativa e passiva", etc. As
teorias dos diversos escritores diferem entre si, mas permanece o princípio
oculto da dualidade da mente. O estudante de Filosofia hermética tem provocação
de riso quando lê e ouve qualquer coisa destas novas teorias a respeito da
dualidade da mente, cada escola aderindo tenazmente à sua própria teoria
favorita e clamando ter descoberto a verdade. O estudante volta para trás as
páginas da história oculta e, nos primeiros elementos dos preceitos ocultos,
encontra referência à antiga doutrina hermética do Princípio de Gênero no Plano
Mental. E examinando mais ele conclui que a antiga filosofia tinha conhecimento
dos fenômenos da mente dual e deu conta disto pela teoria do GÊNERO MENTAL.
Esta ideia de GÊNERO MENTAL pode ser explicada em poucas palavras aos
estudantes que estão familiarizados com as modernas teorias há pouco aludidos.
O PRINCÍPIO MASCULINO DA MENTE corresponde à chamada Mente Objetiva, Mente
Consciente, Mente Voluntária, Mente Ativa, etc. E O PRINCÍPIO FEMININO DA MENTE
corresponde à chamada Mente Subjetiva, Mente Subconsciente, Mente Involuntária,
Mente Passiva, etc. Certamente que os Preceitos herméticos não concordam com as
diversas teorias modernas sobre a natureza das duas fases da mente, nem admitem
muitos fatos considerados como sendo respectivamente dos dois aspectos, porque
muitas teorias e afirmações são alambicadas e incapazes de resistir ao toque da
experiência e da demonstração. Apontamos as fases de concordância simplesmente
para o fim de ajudar o estudante a assimilar os seus conhecimentos já
adquiridos com os Preceitos da Filosofia hermética. Os estudantes de Hudson
encontrão no princípio do seu segundo capítulo de A Lei dos Pensamentos
Psíquicos, a proposição que "A mística algaravia dos filósofos herméticos
desenvolve a mesma ideia", isto é, a dualidade da mente. Se o doutor
Hudson empregasse o tempo em decifrar um pouco da "mística algaravia da
Filosofia hermética", ele teria obtido grande esclarecimento sobre a
função da "mente dual", porém, naquele tempo, as suas obras mais
interessantes ainda não tinham sido escritas. Vamos agora considerar os
Preceitos herméticos sobre o GÊNERO MENTAL. Os Instrutores herméticos dão as
suas instruções a respeito deste assunto fazendo os seus estudantes examinarem
a relação da sua consciência a respeito do seu Ego. Os estudantes aprendem a
pôr a sua atenção no Ego que habita em cada um de nós. Cada estudante aprende a
ver que sua consciência lhe dá uma primeira relação da existência do seu Ego: à
relação é "Eu sou". A princípio isto parece ser a última palavra de
consciência, mas um exame um pouco mais profundo descobre que este "Eu
sou" pode ser separado ou dividido em duas partes distintas, dois
aspectos, os quais, apesar de agirem em uníssono e em conjunto, podem ser
separados na consciência. Apesar de a princípio parecer existir um só Ego, um
exame mais cuidadoso e mais profundo mostra que existe um Ego e um Eu. Estes
gêmeos mentais diferem em característicos e natureza, e um exame das suas
naturezas e dos fenômenos que procedem da mesma dará muita luz sobre muitos
problemas da influência mental. Permitir-nos começar com uma consideração sobre
o Eu ,que é usualmente tomado pelo Ego pelo estudante, até que ele investigue
nos acessos da consciência. Um homem pensa do seu Ego (no seu aspecto de Eu)
como sendo composto de certos estados, modos, hábitos, característicos, etc,
tudo o que faz sobressair a sua personalidade, ou a Seidade conhecida a si e
aos outros. Conhece que estas emoções e sensações mudam, nascem e morrem, estão
sujeitas aos PRINCÍPIOS DE RITMO E DE POLARIDADE, que as levam de um extremo ao
outro. Pensam também que o Eu é formado de certos conhecimentos reunidos nas
suas mentes e formando então uma parte deles mesmos. Tal é o Eu de um homem.
Porém, falamos muito apressadamente. O Eu de muitos homens pode ser considerado
com consistindo da sua consciência corpórea e dos seus apetites físicos, etc. A
sua consciência sendo presa à sua natureza corpórea, eles praticamente vivem
nela. Muitos homens ainda consideram o seu vestuário como parte do seu Eu e
atualmente parecem considerá-lo como uma parte de si mesmos. Um escritor disse
humoristicamente que os "homens se compõem de três partes: o espírito, o
corpo e a roupa". Estas pessoas ou roupas conscientes perderiam a sua
personalidade se fossem despidas da sua roupa, por selvagens, na ocasião de um
naufrágio. Porém, mesmo muitos dos que estão presos à ideia do vestuário
pessoal afirmam fortemente que a consciência do seu corpo é o seu Eu. Eles não
podem ter a ideia de uma Seidade (para entender esse conceito a palavra
aseidade é o atributo divino essencial que consiste em existir por si mesmo)
independente do corpo. A sua mente parece-lhes ser praticamente uma coisa
pertencente ao seu corpo: o que é sempre o contrário. Mas, conforme o homem sob
na escala de consciência, ele se torna capaz de distinguir o seu Eu da sua
ideia do corpo e de pensar que este é uma coisa pertencente à sua parte mental.
Mas, só então poderá identificar inteiramente o Eu com os estados mentais, as
emoções, etc., que ele sente existir dentro de si. É capaz de considerar estes
estados internos como idênticos a ele mesmo, em vez deles serem simplesmente
coisas produzidas por uma parte da sua mentalidade e existindo dentro ele:
sendo suas, estando nele, mas não sendo ele mesmo. Compreende que pode mudar
estes estados mentais de emoções por um esforço da vontade e que pode do mesmo
modo produzir uma emoção ou um estado de uma natureza exatamente oposta, e,
contudo, existe o mesmo Eu. E assim até que seja capaz de pôr de parte estes
vários estados mentais, as emoções, os hábitos, as qualidades, os
característicos e outras faculdades mentais: é capaz de pô-las no não eu,
coleção de curiosidade e embaraços, como uma posse de valor. Isto requer muita
concentração mental e poderes de análise mental da parte do estudante. Porém,
mesmo assim a tarefa é possível para os estudantes avançados, e mesmo os não
muito adiantados podem ver, na imaginação, como pode ser realizado o processo.
Depois que o processo foi executado, o estudante pôr-se-á em posse consciente
de uma Seidade que pode ser considerado nos seus dois aspectos de Eu e Ego. O
Eu será considerado como sendo uma coisa mental em que os pensamentos, as
ideias, as emoções, as sensações, e outras condições mentais são produzidas.
Pode ser considerado como a matriz mental, como disseram os antigos, capaz de
fazer a geração mental. Manifesta-se à consciência como um Ego Feminino com
poderes latentes de criação e geração das progênies mentais de todas as
espécies e reinos. Contudo, parece ser consciente que ele recebe muitas formas
de energias do seu Ego companheiro, ou de outro Ego, quando é capaz de dar
existência às criações mentais. Esta consciência traz consigo a realização de
uma enorme capacidade para a operação mental e a habilidade criativa. Porém, o
estudante descobre logo que isto não é tudo o que percebe dentro da sua consciência
interior. Percebe que existe uma Coisa mental que é capaz de querer que o Ego
Feminino acione na direção de certa linha criativa, e que também é capaz de
sustentar e provar a criação mental. Esta parte deles mesmos, dizem ser chamada
Ego. É capaz de ficar na sua consciência à vontade. Não tem uma consciência de
habilitações para gerar e criar ativamente, no sentido do processo que
acompanha as operações mentais, mas sim no sentimento e consciência de uma
facilidade par projetar uma energia do Ego Masculino é capaz de sustentar e
abrigar as operações da criação mental do Ego Feminino. Na mente de cada pessoa
existe estes dois aspectos. O Eu representa o PRINCÍPIO MASCULINO DE GÊNERO e o
Ego representa O PRINCÍPIO FEMININO DE GÊNERO. O ego representa o aspecto de
Existência; o Eu o aspecto de Estado. Deveis saber que o PRINCÍPIO DE
CORRESPONDÊNCIA opera neste plano do mesmo modo que o faz no grande plano em
que é feita a criação dos Universos. Ambos são semelhantes, porém muito
diferentes em grau. "O que está em cima é como o que está em baixo, e o
que está em baixo é como o que está em cima". Estes aspectos da mente - os
PRINCÍPIOS MASCULINO E FEMININO - o Ego e o Eu - considerados em relação com os
conhecimentos destas poucos conhecidas regiões da operação e manifestação
mental. O PRINCÍPIO DE GÊNERO MENTAL manifesta a verdade que se oculta debaixo
do campo total dos fenômenos de influência mental, etc. A tendência do
PRINCÍPIO FEMININO é sempre em receber impressões, ao passo que a tendência do
PRINCÍPIO MASCULINO é sempre em dá-las ou exprimi-las. O PRINCÍPIO FEMININO tem
um campo de operação mais variado que o PRINCÍPIO FEMININO tem um campo de
operação mais variado que o PRINCÍPIO MASCULINO. O PRINCÍPIO FEMININO dirige a
obra da geração de novos pensamentos, conceitos, ideias, incluindo a obra
da imaginação. O PRINCÍPIO MASCULINO contenta-se com a obra da Vontade, nas
suas várias fases. E assim, sem o auxílio ativo da vontade do PRINCÍPIO
MASCULINO, o PRINCÍPIO FEMININO pode contentar-se com a geração de imagens
mentais que são o resultado de impressões recebidas de fora, em vez de produzir
criações mentais originais. As pessoas que prestam uma contínua atenção a um
assunto empregam ativamente ambos os PRINCÍPIOS MENTAIS: o FEMININO na
obra da ativa geração mental, e a Vontade Masculina na estimulação e
fortificação da porção criativa da mente. A maioria das pessoas empregam
realmente o PRINCÍPIO MASCULINO mas pouco, e contentam-se com viver de acordo
como os pensamentos e as ideias insinuadas no Eu pelo Ego das outras mentes.
Porém, o nosso propósito não é demorarmo-nos na consideração desta fase do
assunto, que pode ser estudada num bom livro de psicologia, com a chave que nós
vos demos sabre o GÊNERO mental. O estudante dos Fenômenos Psíquicos está ciente
dos admiráveis fenômenos classificados sob o título de Telepatia, Transmissão
de Pensamento, Influência Mental. Sugestão, hipnotismo, etc. Muitos procuraram
para uma explicação destas várias fases de fenômenos, as teorias dos diversos
instrutores da mente dupla. Em certa medida estão certos, porque há claramente
uma manifestação de duas fases distintas da atividade mental. Porém, se esses
estudantes considerarem estas mentes duplas à luz dos Preceitos herméticos a
respeito das VIBRAÇÕES e do GÊNERO MENTAL, compreenderão que têm na mão a chave
com que tanto esforço procuravam. Nos fenômenos de Telepatia vê-se como a
Energia Vibratória do PRINCÍPIO MASCULINO é projetada para o PRINCÍPIO FEMININO
de outra pessoa e este toma o pensamento semente e o desenvolve até a
madureza. Pela mesma forma operam a Sugestão e o Hipnotismo. O PRINCÍPIO
MASCULINO da pessoa dando as sugestões dirige uma exalação da Energia
Vibratória ou Força Vontade para o PRINCÍPIO FEMININO da outra pessoa, e esta
última aceitando-a, recebe-a em si mesma e age e pensa de conformidade com ela.
Uma ideia assim recolhida na mente de uma pessoa, cresce e se desenvolve, e com
o tempo é considerada como a melhor produção mental do indivíduo, porquanto, em
realidade, é como o ovo do cuco colocado no ninho do pardal, quando este
destrói a produção direta, e se põe no ninho. O método normal é para os
PRINCÍPIOS MASCULINO e FEMININO na mente de uma pessoa coordenar e agir
harmoniosamente em conjunção com a de outra. Mas, infelizmente, o PRINCÍPIO MASCULINO
nas pessoas médias é muito lento em agir - o entendimento da Força Vontade é
muito vagaroso - e a consequência é que tais pessoas são quase inteiramente
dirigidas pelas mentes que façam as suas ideias e outras pessoas, às quais ela
permite que façam as suas ideias e os seus desejos. Quão poucas ações ou
pensamentos originais são realizados pelas pessoas médias? Não são a maioria
das pessoas simples sombras e ecos de outras que têm vontades ou mentes
mais fortes que elas? Isto acontece porque a pessoa média vive mais na
consciência do seu Eu do que na do Ego. Está polarizada no seu PRINCÍPIO
FEMININO da mente, e o PRINCÍPIO MASCULINO, em que se acha a Vontade, é
obrigado a ficar inativo e sem emprego. O homem e a mulher fortes do mundo
manifestam invariavelmente o PRINCÍPIO MASCULINO da Vontade, e a sua força
materialmente deste fato. Em vez de viver das impressões dadas às suas mentes
pelos outros, dominam a sua própria mente pela sua Vontade, obtendo a espécie
desejada de imagens mentais, e ainda mais dominam do mesmo modo as mentes dos
outros. Vede as pessoas fortes, como implantam os seus pensamentos sementes nas
mentes das massas do povo, fazendo indivíduos fortes. Isto é porque as massas
do povo são como que criaturas carneiros, não dando origem a uma ideia própria
e não empregando as suas próprias forças de atividade mental. A manifestação do
GÊNERO MENTAL pode ser observada ao redor de nós todos os dias da vida. As
pessoas magnéticas são as que podem empregar o PRINCÍPIO MASCULINO com o fim de
imprimir as suas ideias nos outros. O ator que faz o povo chorar ou rir como
quer, o faz empregando este princípio. E assim é sucessivamente o orador, o
político, o pregador, o escritor ou qualquer pessoa que tenha a atenção do
público. A influência particular exercida por algumas pessoas sobre outras é
devida à manifestação do GÊNERO MENTAL, na direção da linha vibratória acima
indicada. Neste princípio acha-se oculto o segredo do magnetismo pessoal, da
influência pessoal, da fascinação, etc., assim como os fenômenos geralmente
agrupados sob o nome de Hipnotismo. O estudante que familiarizou-se com os
fenômenos geralmente chamados psíquicos, poderá descobrir a importante parte
tomada nos ditos fenômenos por esta força que a ciência denominou Sugestão,
termo pelo qual se quer significar o processo ou método pelo qual uma ideia é
transmitida à mente de outro, fazendo a segunda mente agir de acordo com ela.
Uma exata compreensão da Sugestão é necessária para se compreender com
inteligência os variados fenômenos psíquicos que a Sugestão encobre. Porém, o
conhecimento da Vibração e do GÊNERO MENTAL é ainda mais necessário para o
estudante da Sugestão. Porque todo o princípio da Sugestão depende do PRINCÍPIO
DE GÊNERO MENTAL e de Vibração. É costume dos escritores e instrutores da
Sugestão explicar que é a mente objetiva ou voluntária que faz a impressão
mental, ou Sugestão na mente subjetiva ou involuntária. Porém, não descrevem o
processo ou não nos dão uma analogia na natureza pela qual possamos compreender
melhor a ideia. Mas, se quiserdes raciocinar sobre o assunto à luz dos
Preceitos Herméticos, sereis capaz de ver que o fortalecimento do PRINCÍPIO
FEMININO pela Energia Vibratória do PRINCÍPIO MASCULINO está em concordância
com as leis universais da natureza, e que o Universo natural oferece inúmeras
analogias pelas quais o princípio pode ser compreendido. Com efeito, os
PRECEITOS HERMÉTICOS mostram que a verdadeira criação do Universo segue a mesma
lei, e que em todas as manifestações criativas, nos planos espiritual, mental e
psíquico, está sempre em operação o PRINCÍPIO DE GÊNERO: manifestação dos
PRINCÍPIOS MASCULINO E FEMININO. "O que está em cima é como o que está em
baixo, e o que está em baixo é como o que está em cima". E mais ainda,
quando se compreende o PRINCÍPIO DE GÊNERO MENTAL, os variados fenômenos de
psicologia tornam-se imediatamente adaptáveis a uma classificação e estudo
inteligente, em vez de serem muito obscuros. O princípio se realiza na prática,
porque é baseado nas imutáveis LEIS UNIVERSAIS DA VIDA. Não entraremos em
extensa discussão ou descrição dos variados fenômenos da influência mental ou
atividade psíquica. Existem muitos livros bons, escritos e publicados sobre
este assunto nos últimos anos. Os principais fatos dados nesses vários livros
são corretos, apesar dos escritores intentarem explicar os fenômenos por
diversas teorias que lhe são favoritas. O estudante pode instruir a si próprio
nestas matérias, e empregando a teoria do GÊNERO MENTAL será capaz de pôr em
ordem no caos das teorias e doutrinas contrárias, e poderá tornar-se mestre no
assunto se for inclinado à ele. O fim desta obra não é dar uma extensa relação
dos fenômenos psíquicos, mas sim dar ao estudante uma chave mestra com a qual
possa abrir as diversas portas que conduzem às partes do TEMPLO DO CONHECIMENTO
que ele quiser explorar. Julgamos que nesta consideração dos PRECEITOS DO
CAIBALION, encontrar-se-á uma explicação que servirá para esclarecer muitas
dificuldades embaraçosa: ela será uma chave que abrirá muitas portas. Qualquer
que seja o costume de fazer detalhes a respeito das muitas formas de fenômenos
psíquicos e da ciência mental, colocamos providencialmente na mão do estudante
as ideias pelas quais ele pode instruir-se muito a respeito de cada faze do
assunto que o interessar. Com o auxílio do CAIBALION pode-se fazer uma livraria
oculta, a velha Luz do Egito iluminando as páginas e os assuntos obscuros. Este
é o fim deste livro. Não queremos expor uma nova filosofia, mas sim fornecer o
bosquejo de um grande preceito do mundo antigo, que poderá esclarecer as
doutrinas de outros, que servirá de Grande Reconciliador das diferentes teorias
e doutrinas opostas. Livro Três Iniciados - O CAIBALION - Estudo de Filosofia
Hermética do Antigo Egito e da Grécia. Abraço. Davi.
Assinar:
Postagens (Atom)