segunda-feira, 24 de julho de 2017

III. CHAVES PRÁTICAS.

Espiritualidade. Texto de Sri Prem Baba (1965-  ). Capítulo Sete. III. CHAVES PRÁTICAS. PREM BABA – EM ALGUM MOMENTO, VOCÊ E MUITO provavelmente você acredita nisso. Porém agora você descobriu que, no mais profundo, você acha que Deus está fora de você e que Ele é um controlador punitivo, um tirano cruel que não hesita em castiga-lo e lança-lo ao sofrimento. A grande maioria das pessoas neste mundo carrega esse sentimento, que é reforçado por diferentes tradições religiosas, pois elas nos ensinam a temer a Deus. E esse sentimento está relacionado a uma crença ainda mais profunda. Ele é o desdobramento de uma imagem congelada no seu sistema. Essa imagem se relaciona à figura de autoridade. Para uma criança que começa a descobrir a aventura da vida, as primeiras impressões sobre autoridade vêm dos pais, e são essas impressões que ela acaba projetando na imagem de Deus. Esse tema é muito profundo, porque está relacionado inclusive, a um dos maiores poderes do Ser, que é a fé. Se você tem uma visão distorcida de Deus, a sua fé também é distorcida. Você, durante muito tempo, acredita saber o que é Deus e acredita ter fé Nele – o que lhe dá uma relativa segurança, um relativo conforto. Porque, mesmo sendo uma crença e uma fé numa crença, você não se sente só; mesmo que a sua companhia seja uma ilusão criada pela mente, uma fantasia criada pela mente. Com isso você se sente acompanhado. Mas em algum momento, devido ao processo natural da evolução, você é levado a questionar essa crença e essa fé – o que é extremamente necessário para você continuar sua jornada evolutiva. Estamos falando das fases da relação com esse Mistério que chamamos de Deus. Até determinado estágio do processo de evolução de consciência, o ser não pensa a respeito disso. Ele simplesmente vive sem questionar os fenômenos da natureza e os propósito da vida. Mas naturalmente, a consciência evolui e chega um momento em que ele começa a questionar. Como isso tudo é possível? Quem criou essa realidade? Por que estamos vivendo essa experiência? E, até determinado momento, é muito difícil não acreditar em um criador. Então você passa a acreditar na existência de um Deus. Mas como não tem contato com esse criador, você começa a imaginar como ele é. Cria uma imagem e projeta nela a imagem dos seus pais, pois eles representam as figuras de autoridade da sua vida. Você constrói uma imagem de Deus com base nos seus registros de memória do passado. Se você teve pais bons, carinhosos e acolhedores, é assim que vai visualizar Deus. Mas se teve pais punitivos, duros e cruéis, é assim que vai visualizar Deus. Como a nossa sociedade é governada, há mais de 10 mil anos, pelo masculino distorcido, que tem como principal característica a violência e a dominação pelo abuso do poder, é claro que tendemos a projetar em Deus esse masculino distorcido. O que sustenta essa imagem distorcida de Deus é a falsa fé. Por que falsa fé? Porque esse Deus no qual você acredita não existe. Foi criado por sua mente para atender a uma necessidade em um momento de angústia, mas você aprendeu a viver com isso. Nossa sociedade vive assim há milênios. Mas chega o momento em que você é tomado pelo sofrimento e é levado a questionar até mesmo a existência de Deus. Você descobre que não tem fé. Você achava que tinha fé até o momento em que a vida te convida a atravessar determinados desafios, como doenças, perdas, fracassos, depressão (...). Nessa hora você descobre que talvez não tenha tanta fé em Deus. Então a contradição vem para superfície. Quem é Deus para você? O Prem Baba disse que Deus é amor, que Deus é a vida única por trás de todos os nomes, de todos os corpos. Mas cadê essa criatura que não me tira desta “peia – luta” em que estou? Quem é essa criatura que inventou essas leis tão duras que me fazem sofrer tanto para poder visualizar a possibilidade da felicidade, para ter um vislumbre de que é possível ser feliz neste mundo? Assim, a energia que estava sendo utilizada para uma criação mental de Deus passa a ser direcionada para criar uma armadura de proteção. Essa armadura é feita de racionalização. Você tenta explicar tudo através da razão e da ciência. Você se torna um cético. Mas o ceticismo é um estágio bastante elevado de consciência, porque, estando no vale da solidão do ceticismo, inevitavelmente você busca por respostas: “Se não foi Deus quem me colocou nessa situação, quem me colocou aqui?” Se não Deus, foi meu pai, foi minha mãe, esse ou aquele (...). Você coloca a culpa em alguém até que começa a compreender que é você mesmo quem está se colocando nesse lugar. Você descobre que as suas mágoas e os seus ressentimentos geraram uma grande revolta que chegou ao ponto de bloquear a expressão dos seus dons e talentos, através dos quais o amor flui de você. Essa foi a forma que você encontrou para protestar pelos maus tratos recebidos na sua infância, foi a forma que você escolheu para se vingar por ter sido humilhado, machucado desrespeitado. Assim você começa a se responsabilizar, e é nesse momento que se inicia um processo de cura, porque você se permite entrar em contato com sentimentos guardados e tem a chance de coloca-los para fora. Com isso você abre espaço para ter uma experiência real de Deus. Começa a perceber que Deus age em você e através de você. Descobre que é você quem escolhe passar por tudo que está passando. Em outras palavras, você descobre que não é Deus que está te punindo, mas você mesmo. Existe uma autopunição, um auto ódio que você projeta em Deus. Deus não pune nem castiga – Deus é amor. Você se castiga e se pune. Você está, simplesmente, colhendo o que plantou. Eu sugiro que você vá atrás da voz dentro de você que diz: Eu não quero dar nada para ninguém. Não se preocupe tanto com Deus, apenas cante, dance, medite, mas sem se preocupar tanto com questões filosóficas. Vá atrás dessa voz interna que diz: Daqui eu não saio, daqui ninguém me tira. Dessa forma você estará se movendo em direção à experiência direta e real de Deus. QUERIDO PREM BABA, GOSTARIA que falasse algo para os que já passaram dos 50 anos e ainda não encontraram seu caminho. PREM BABA – ESSA É UMA QUESTÃO SIGNIFICATIVA para pessoas de todas as idades, mas obviamente quanto mais idade se acumula sem que se tenha consciência do propósito, mais amarga a vida se torna. Às vezes a ponto até mesmo de a pessoa não ver nenhum sentido em estar viva. Porque quando não tem consciência do propósito e é jovem, a pessoa ainda tem muita energia e consegue ocupar o tempo e se distrair mais facilmente. Mas conforme o tempo vai passando, algumas distrações deixam de ter graça, e, se ainda não tem consciência do propósito, a pessoa começa a ficar muito difícil de despertar. Muitos que estão nessa situação acabam se entregando para os amortecedores e vivem a vida esperando a morte chegar. Cada um faz isso do seu jeito, mas esses indivíduos estão sempre se ocupando de atividades fúteis. Cada ser vivo tem o seu lugar no mundo, mesmo que não tenha consciência disso. Mas se você não se sente realmente encaixado no seu lugar, é possível que você seja tomado pela inveja, pela insegurança, pelo ciúme e por todos os sentimentos que geram guerra e desunião na sua vida. Você briga sem nem mesmo saber por que está brigando. Você utiliza a briga como uma distração. Distrai-se com o que está na superfície para não precisar olhar para o que está acontecendo dentro de você. Então, se você estiver disposto a recomeçar, o que significa renovar-se por dentro, eu sugiro que comece perguntando para sua interioridade qual é o meu lugar no mundo? Para que eu encarnei aqui? O que vim fazer neste mundo? Eu quero ver. Eu me comprometo a ver, por mais que isso fira a minha vaidade. A VIDA VEM ME ESPREMENDO PROFISSIONALMENTE. MUITAS VEZES ME sinto isolada, insegura, pouco criativa ou produtiva. A crise e as mudanças trouxeram isso para minha relação de trabalho. Penso em mudar de rumo. Sair do design para o yoga. Como ser mais focada e produtiva? Como vencer a angústia? PREM BABA – ESTEJA ATENTA A ESSA QUESTÃO, porque eu tenho visto muitas pessoas em crise com a profissão que resolvem ser terapeutas ou professoras de yoga, como se ser professor de yoga ou terapeutas resolvesse todos os seus problemas. Não sinto que seja isso também. Se você veio para ser professora de yoga, então você vai realmente se sentir pertencendo, vai se sentir encaixada. Mas se não veio para isso, você vai transferir a angústia. No entanto, é claro que aqui há uma pista: porque ao se visualizar trabalhando com yoga, você se sente mais livre, mais leve. Talvez seja uma passagem, ou não. Talvez você se realize dando aulas de yoga, mas é importante não alimentar falsas esperanças na intenção de evitar novas frustrações. É muito bom que você esteja aberta para novas experiências. É muito bom que esteja aberta para se aventurar, mas sugiro que não feche a sua visão em torno de um ponto. Você está em busca de uma visão, da visão do propósito da sua alma. Esse propósito foi revelado a você quando ainda era uma criança. Toda criança chega com clareza do propósito, mas com o tempo ela é levada a se esquecer. Especialmente quando os adultos não alimentam essa visão, por não acreditarem nisso que a criança está trazendo, porque projetam na criança as suas frustrações, suas inseguranças e seus bloqueios. Isso acaba muitas vezes condicionando a mente da criança, e ela passa a não acreditar nessa mensagem ou nesse comando que está trazendo. E se desvia do caminho. Às vezes se faz necessário muito tempo para encontra-lo novamente. Em algum momento, a pessoa acaba perdendo a confiança para a possibilidade de realizar seus sonhos e passa a vida esperando a morte chegar. É importante resgatar essa memória divina, é importante lembrar-se desses comandos que já se manifestavam quando você era uma criança e que com o tempo foram ficando esquecidos. O esquecimento alimenta o esquecimento. E muitas outras coisas vão surgindo no caminho. QUERIDO BABA, SOU SEU ALUNO HÁ ANOS E MINHA CONFIANÇA EM VOCÊ É TOTAL, mas ultimamente, uma semente de dúvida foi colocada em meu sistema: por que os seus cursos são tão caros? Por favor, esclareça essa dúvida para que a energia possa fluir livre novamente. PREM BABA – ESSA É UMA QUESTÃO QUE NOS CONDUZ a diferentes dimensões. Vamos focar em algumas delas. A primeira é que talvez a sua confiança não seja tão total assim. Talvez seja melhor dizer que você tem um quantum de confiança, mas não ainda confiança total. Porque quando você tem confiança total, a dúvida não te perturba. Mas para que você possa ser preenchido pela confiança, se faz necessária uma experiência espiritual, ou seja, que você de fato me veja e me sinta; que você me perceba e, consequentemente, entenda o meu jogo. Se puder me ver de verdade, você compreenderá. E ao compreender, você será iluminado pela confiança. Essa confiança remove toda e qualquer semente de dúvida e providencia para que todas as suas necessidades sejam atendidas. Ela liberta o seu sistema de todo o medo, em especial o medo da escassez. Talvez um dos aspectos que o esteja impedindo de entrar nesse campo de experiência, um dos obstáculos para que me veja, me sinta e entenda o meu jogo, esteja ligado a crenças a respeito do significado do dinheiro. Distorções a respeito do significado e até mesmo do poder do dinheiro. Embora a percepção desse jogo só possa acontecer no nível da alma, eu posso lhe dizer algumas coisas. O outro ponto a ser esclarecido é que eu não estou aqui por dinheiro e acredito que ninguém esteja aqui por essa razão. Ao mesmo tempo, não podemos negar que o dinheiro é uma realidade neste plano da existência. Embora para mim o dinheiro seja uma consequência da realização do propósito, preciso ter comigo pessoas cujo propósito seja lidar com o dinheiro. Preciso ter bons administradores, porque se não os tiver, inevitavelmente, vamos cair na sombra do dinheiro. E uma das manifestações dessa sombra é o medo da escassez e todos os seus desdobramentos. De qualquer maneira, posso dizer que 80% ou 90% do meu tempo é doado de modo gratuito. As transmissões que ofereço diariamente nas temporadas da Índia e de Alto Paraiso – cidade no estado de Goiás – Brasil, são todas gratuitas. Mas, de alguma maneira, para que eu possa estar nesses lugares durante todo esse tempo, para receber todas essas pessoas, precisamos de dinheiro. A dimensão material desse trabalho precisa ser sustentada. Isso é feito através de doações que aqui chamamos de dakshina, uma prática védica antiga na qual o discípulo oferece ao mestre uma doação voluntária a título de retribuição e de respeito à lei do pagamento por aquilo que está sendo recebido. Por trás dessa prática, existe uma ciência espiritual que faz a energia da prosperidade ser ativada. Mas isso só funciona quando a pessoa verdadeiramente entra nesse canal e este se abre para ela. Chega um momento em que você é convidado a entender esse aspecto da existência. Você é convidado a conhecer o Mistério que, na cosmovisão hindu, é chamado de Maha Lakshmi, o aspecto ou forma da Mãe que supre todas as suas necessidades, que proporciona tudo de que você necessita para viver sua experiência com conforto e tranquilidade. Mas essa experiência não pode ser forçada. Chega um momento em que esse estudo chega para você, mas isso é algo que ocorre na intimidade da relação mestre-discípulo. O dinheiro é uma energia muito poderosa. Ela pode te ajudar a fazer a travessia ou pode te destruir. Por isso lidar com essa energia requer sabedoria. Mas faz parte do curso da encarnação aprender a lidar com ela. Nós projetamos nessa energia uma série de conteúdos psicoemocionais que estão intimamente relacionados ao processo de educação vivido na infância. Por exemplo, uma criança que não recebeu afeto, mas recebeu coisas, presentes, matéria, irá atrelar o dinheiro a conteúdos afetivos. É como se uma lente colorida fosse colocada diante da realidade, e ela passasse a perceber o dinheiro de forma distorcida. E essa imagem distorcida impede que ela lide com o dinheiro de forma objetiva. A ativação da energia ocorre através da dakshina flui por si só. Eu não controlo nada. Uns dão mais, outros menos; outros não dão. E como são muitas pessoas, as coisas acabam sempre se equilibrando, mas às vezes acontece de o dinheiro não ser suficiente para cobrir tudo de que precisamos para realizar um evento como esse. Então, nos outros 10% ou 20% do tempo, eu também ofereço retiros que têm um valor predeterminado. Também estamos começando a oferecer workshops baseando as despesas na economia colaborativa, que é uma prática parecida com a dakshina. Nela nós sugerimos o valor mínimo, que é o valor de custo daquele evento, e a pessoa fica livre para contribuir com quanto ela quiser dar, ou seja, com quanto achar que o trabalho vale. Dessa forma, o dinheiro supre a operação daquilo que precisamos fazer para que esses eventos aconteçam. Mas como temos escolhido fazer muitas coisas (por causa da demanda espiritual e da necessidade das pessoas), às vezes o dinheiro ainda não é suficiente. Nesse caso vamos pedindo para que Maha Lakshmi faça o dinheiro aparecer de outra maneira. É importante que você saiba que esse processo da operação é transparente. Tudo está em relatórios disponíveis para quem quiser. E estamos com a ideia de fazer, assim que tivermos dinheiro para tal, o “portal da transparência”, um site no qual toda a movimentação financeira da organização estará registrada para quem tiver o interesse de compreender melhor como funciona. Estamos caminhando nessa direção. Além disso, existem os cursos e as terapias do Caminho do Coração, um método psicoespiritual criado por mim para oferecer apoio àqueles que estão comprometidos com o autoconhecimento e com a  expansão da consciência. Trata-se de um conjunto de ferramentas terapêuticas que te ajudam a precipitar e atravessar processos de cura, facilitando e adiantando a caminhada. E, no caso desse trabalho, não tenho como fazer doações – é preciso que você pague pela sua própria terapia. Eu tento abrir o caminho e facilitar a caminhada, mas não posso caminhar por você. Estou treinando os terapeutas do Caminho do Coração, mas eles não podem fazer serviço voluntário. Assim como você recebe pelo seu trabalho, os terapeutas também precisam receber para sustentar suas vidas. O processo de autodesenvolvimento precisa ser sustentável e para isso precisa haver equilíbrio entre espírito e matéria. E esse ponto de equilíbrio só é encontrado quando você se liberta das crenças sobre o dinheiro e se afina com os códigos divinos da prosperidade. Saber qual é o seu propósito não é suficiente. É necessário que esse propósito seja autossustentável, porque você está encarnado num corpo que está submetido às leis da matéria. Algumas pessoas tentam negar a dimensão material, tentam separar a espiritualidade da matéria, mas isso não é possível. A negação é um dos principais venenos para a consciência. Ela nos leva à impossibilidade de despertar do sonho do sofrimento. De qualquer maneira, nós estamos atentos. Estamos estudando novas maneiras de trabalhar, novas formas de subsidiar as atividades terapêuticas. Aos poucos, vamos encontrando uma forma de receber a todos. Porém, sendo o dinheiro a moeda de troca neste plano, alguém precisa pagar a conta. Mesmo que grande parte do serviço seja voluntário, algumas coisas precisam ser pagas. Para que tudo seja gratuito, alguém precisa pagar a conta. Estamos estudando as possibilidades, e sugestões são bem-vindas. Há algum tempo, eu apoiei um projeto chamado “Psicologia para Todos”, que tinha esse intuito de oferecer as ferramentas terapêuticas a preços acessíveis ou gratuitamente. Com o passar do tempo, não recebi mais informações e não sei se o projeto prosperou, mas foi uma boa ideia. Mas para que essas boas ideias se tornem realidade, tornem-se projetos autossustentáveis e prósperos, alguém precisa colocar energia. Alguém precisa dar alguma coisa. Essa questão evoca uma profunda reflexão em relação ao significado do dinheiro. Como você está lidando com essa energia? Uma das dimensões do meu trabalho é erradicar o medo da escassez do seu sistema, para que a prosperidade possa se manifestar através de você. Estamos trabalhando para criar uma cultura de paz e prosperidade. Mas, para que haja paz na nossa sociedade, é fundamental que as necessidades das pessoas sejam atendidas. Não há como haver paz quando há fome. Nós, enquanto raça humana, precisamos nos harmonizar com a energia do dinheiro, sem hiperdimensionar ou subdimensionar o seu valor. Livro Propósito – A Coragem de Ser Quem Somos. Abraço. Davi.  

sexta-feira, 21 de julho de 2017

IV. O PODER LATENTE DA ALMA.

Cristianismo. Texto de Watchman Nee (1903-1972). FORÇA DO ESPÍRITO VERSUS FORÇA PSÍQUICA. Prosseguiremos com este tópico importante do poder latente da alma. Já vimos o que a força psíquica pode fazer e como podemos distinguir entre as coisas que são e as que não são de Deus. No fim dessa era haverão muitos prodígios, milagres e feitos sobrenaturais. São eles realizados por Deus mesmo ou pela operação de outra espécie de poder? Precisamos saber como separar o que é espiritual daquilo que vem da alma. Agora vamos relatar ainda mais como o poder da alma opera, isto é, quais são seus métodos operacionais. Tal conhecimento nos ajudará ainda mais no conhecimento do que é de Deus e do que não é. PROFECIAS NA BÍBLIA. Mas primeiro, examinemos as Escrituras para descobrimos quais são os sinais do fim desta era e anteriores à eminente volta do Senhor. Porque hão de surgir falsos cristos e falsos profetas, e farão grandes sinais e prodígios; de modo que, se possível fora, enganariam até os escolhidos - Mateus 24:24. E a besta que vi era semelhante ao leopardo, e os seus pés como os de urso, e a sua boca como a de cão; e o dragão deu-lhe o seu poder e o seu trono e grande autoridade. Também vi uma de suas cabeças como se fora curada ferida de morte, mas a sua ferida mortal foi curada. Toda a terra se maravilhou, seguindo a besta; e adoraram o dragão, porque deu à besta a sua autoridade; e adoraram a besta dizendo Quem é semelhante à besta? Quem poderá batalhar contra ela? Foi-lhe dada uma boca que proferia arrogância e blasfêmias; e deu-se-lhe autoridade para atuar por quarenta e dois meses - Apocalipse 13:2-5. E então será revelado esse iníquo, a quem o Senhor Jesus matará com o sopro da sua boca e destruirá com a manifestação da sua vinda; a esse iníquo cuja vinda é segundo a eficácia de Satanás com todo o poder e sinais e prodígios de mentira, e com todo o engano da injustiça paro os que perecem, porque não receberam o amor da verdade para serem salvos II Tessalonicenses 1:8-10. Antes de explicarmos estas passagens, observe por favor, que no versículo 9 está escrito "prodígios de mentira"; os prodígios são realmente realizados, mas com o objetivo de enganar as pessoas. Estes fenômenos não são imaginários mas reais, só que o fim deles é enganar. Todas as passagens que lemos apontam para um só assunto: existem coisas que se tornarão conhecidas na grande tribulação. Entretanto, sem sombra de dúvida, alguns desses acontecimentos se darão antes do tempo da grande tribulação. Isso está de acordo com uma regra mais do que óbvia na Bíblia, de que antes do cumprimento de uma profecia algo semelhante geralmente acontece como um prenúncio da sua realização final. Por essa razão muitos eruditos em profecia concordam que as coisas que acontecerão na grande tribulação estão acontecendo agora uma após a outra, embora a intensidade não seja como nos dias futuros. Ora, as passagens bíblicas que citamos acima mostram a característica do período da grande tribulação. Durante aquele tempo haverão grandes sinais e prodígios. Antes da vinda do Senhor, o anticristo estará interessado principalmente em realizar sinais e prodígios. É conhecimento comum que antes de uma pessoa chegar sua sombra é vista primeiro e sua voz ouvida antes dele. Assim também, antes da chegada da grande tribulação, sua sombra e o som dos seus sinais e prodígios já estarão presentes. Visto que os sinais e prodígios se tornarão muito comuns na grande tribulação, com certeza em nosso tempo atual eles aumentarão. UMA OBSERVAÇÃO PESSOAL. Antes de avançarmos mais, eu gostaria de fazer uma observação. Pessoalmente não sou contra os milagres. Existem muitos registrados na Bíblia os quais são mui preciosos e extremamente importantes. Tenho enfatizado no passado como um crente precisa crescer em vários aspectos. Permita-me repeti-los mais uma vez. (1) Depois que alguém é salvo deve buscar o conhecimento adequado da Bíblia. (2) Deve desejar fazer progresso na vida espiritual: vitória, santidade, amor perfeito e assim por diante. Isto é muito importante. (3) Devemos ser ardentes no ganhar almas. (4) Devemos confiar em Deus com singeleza de fé para que possamos ver Deus operando milagres. Existem muitos defeitos na igreja de hoje. Muitos crentes não têm outro interesse senão na explanação das Escrituras. O conhecimento deles é excelente, todavia não se preocupam nem tampouco buscam o crescimento na vida espiritual. Ou alguns podem ir um passo além e buscar a vida superior e as coisas profundas de Deus, mas negligenciam os outros três aspectos. Outros ainda têm zelo mas não têm conhecimento. Todos estes esforços desequilibrados são doentios. Não é surpreendente que na igreja hoje aqueles que buscam expor a Bíblia literal ou espiritualmente, ou a vida mais profunda e mais rica, ou que são zelosos em ganhar almas existem em grandes quantidades, mas poucos são aqueles que confiam em Deus com uma fé viva com o fim de obterem algo dele? Todos os cristãos devem se esforçar para desenvolverem igualmente estes quatro aspectos de crescimento, a fim de que não haja uma situação desequilibrada. Portanto, não sou contra os milagres, pelo contrário, eu os valorizo altamente. Entretanto, busco discernimento devido aos falsos milagres e prodígios de mentira. Por isso, ao falar sobre estas imitações não tenho a menor intenção de me opor aos milagres em si. Por favor, lembre-se que todos os milagres operados por Deus são realizados pelo Espírito Santo com a cooperação do nosso espírito. Eles nunca são realizados pela alma do homem. Satanás é quem faz uso do poder da alma do homem--aquela força psíquica que devido à queda está agora oculta na carne do homem. E portanto, é inevitável que nos últimos dias Satanás levantará um anticristo a quem será dado seu próprio poder e autoridade, pois ele terá que confiar no poder latente da alma do homem. Vou dar alguns exemplos que nos ajudarão a entender como certos fenômenos não são demonstrações de poder espiritual e sim as manifestações da força latente da alma. Visto já termos tratado com o lado miraculoso do poder da alma, focalizaremos aqui o seu lado não miraculoso. Exemplo 1 - Evangelismo Pessoal Assim como nossas condições psicológicas variam de uma pessoa para outra, assim acontece com nossos poderes da alma também. Algumas pessoas têm mentes mais fortes e às vezes podem ler os pensamentos dos outros. Alguém pode pensar que a fim de encontrar palavras adequadas para conversar com os outros, ele deva conhecer o pensamento dela. Esta é a maneira natural de conhecer e dele ser rejeitada. Perdoe-me por ilustrar este ponto com a minha própria experiência. Nos meus contatos com as pessoas eu posso facilmente determinar seus pensamentos após uma curta troca de palavras. Eu simplesmente sei, sem qualquer razão especial. Quando comecei a servir ao Senhor no princípio, pensei que tal percepção natural da mente dos outros seria muito útil na obra do Senhor. Mas depois de compreender melhor não ousei usar mais minha capacidade natural. Toda vez que tal situação se levanta agora, eu imediatamente a resisto com oração. Ao conversar com as pessoas, não é necessário que você saiba o que elas estão pensando em suas mentes. Além disso é inútil, pois tudo o que é da alma e é feito por seu poder findará em vaidade. Se uma obra é feita pela força psíquica, ela não edificará a vida da outra pessoa embora professe ter sido ajudada, pois nenhum proveito real foi depositado no fundo do seu ser. Por isso, quando um indivíduo vem a você, a coisa mais importante a fazer é pedir a Deus para mostrar como você pode ajudá-lo. Você deve dizer ao Senhor que, por não conhecer o que aquele homem está pensando nem está certo da sua condição psíquica e espiritual; você vem a Ele em total dependência dele a fim de receber as palavras apropriadas. O que você precisa é renunciar a si mesmo a fim de receber ajuda de Deus. Exemplo 2 - Reunião de Avivamento. É bastante espantoso como muitos irmãos que pregam muito mencionam a questão de reuniões a mim. Eles afirmam que se vão a um salão de cultos e encontram as luzes fracas, assistência baixa e abundância de cadeiras vazias, eles parecem perder seu poder após se levantarem para pregar. Mas se as luzes estiverem brilhando e o auditório cheio e animado, eles parecem crescer em poder. Mas que tipo de poder é este? Posso dizer francamente que este não é outro senão o poder da sua própria força da alma. O poder que vem do Espírito Santo nunca é afetado pela circunstância exterior. Qualquer que quiser saber o que é pregar no poder da alma só precisa assistir uma grande reunião lotada de pessoas e suprida com os mais finos equipamentos, ouvir os cânticos e observar os movimentos do auditório. Você poderá sentir que há um poder especial num lugar cheio. Que poder é este? Você sente uma força que pressiona sobre você? Não pode ser o poder do Espírito Santo. É o poder da alma. Por que é considerado poder da alma? Apenas observe o que estas pessoas estão fazendo. Ao cantar elas cantam em uníssono numa direção, resultando na concentração de todos os poderes da alma gerados pela multidão. Quão grande é este poder! Você pode ir pensando em ajudá-los, mas em tal atmosfera você é quem será influenciado por eles. Quão perigoso é isto! Muitos servos do Senhor me dizem a mesma estória de como os números no auditório ou a atmosfera da reunião e outras coisas ajudam ou estorvam seu trabalho. Eu sempre respondo que eles são controlados pela circunstância porque pregam em sua própria força. Exemplo 3 – Cânticos. Muitas vezes o cântico é de grande ajuda na obra de Deus. Outras vezes entretanto, ele não pode deixar de ser apenas uma atividade da alma. Um grande número de pessoas gosta de visitar certos grupos de crentes porque a música lá é excelente. Alguns grupos gastam acima de um milhão de dólares simplesmente para instalar um órgão de tubos. Ouvimos pessoas dizerem que quando vão a tais lugares e ouvem o som do órgão e as vozes cantando, seus espíritos imediatamente são liberados na presença de Deus. Realmente tal coisa acontece. Mas são estas pessoas levadas em verdade à presença de Deus? Os espíritos das pessoas podem ser liberados e aproximados de Deus por uma pequena atração como essa? É este o método de Deus? Infelizmente muitos dos arranjos nestes lugares são carnais. Eles tentam despertar a emoção do homem e estimular seu instinto religioso por meio dos sons do órgão e cânticos. Tal poder não é de Deus, mas dos hinos e da música. Nós também cantamos hinos, mas não colocamos nossa confiança neles. Somente o que é feito pelo Espírito Santo é útil; nada mais pode alcançar nosso espírito. Você já esteve num lugar remoto no interior? Graças a Deus, Ele me deu a oportunidade de visitar um lugar assim. Uma vez fui a uma vila perto do mar. Todos os habitantes eram pescadores. Havia crentes espalhados por toda a vizinhança dessa vila. Eles tinham reuniões com vinte, trinta e até mesmo com cinqüenta ou sessenta pessoas. Sempre que se retinem juntos e cantam que melodia irregular penetra seus ouvidos! Uns cantam depressa e outros devagar, resultando num lapso de alguns minutos, porque os mais rápidos já terminaram a última linha mas devem esperar até que os mais lentos os alcancem. Você pode reunir sob este tipo de circunstância? Provavelmente você morrerá de impaciência e seu poder se dissipará completamente. Um irmão me disse que após ouvir tais irmãos cantando ele não podia mais pregar. Eu respondi dizendo que havia uma razão para isso: O poder vinha dele ou de Deus? Você e eu geralmente consideremos as circunstâncias e somos influenciados por ela. Mas se for do Espírito Santo, nós controlaremos a circunstância. Este é um princípio profundo ao qual cada um de nós deve se apegar. Não usemos nossa própria força psíquica a fim de que não sejamos controlados pela circunstância. Algumas vezes num ambiente oprimido o cântico pode ser usado por Deus para libertar as pessoas. A oração também às vezes pode ser de ajuda. Mas se fizermos do cântico ou da oração o centro, enfrentamos o perigo de liberar o poder da alma. Muitas pessoas vivem descuidadamente durante seis dias e depois assistem uma reunião da igreja no domingo. Elas ouvem o cântico de muitos hinos e se sentem aquecidas e alegres. Mas perguntemos de onde vem este tipo de calor e alegria? Posso provar que algo está deficiente aqui. Se uma pessoa vive descuidadamente durante seis dias e depois vem a Deus um dia, ela deveria sentir-se culpada e reprovar a si mesma. Como é então que o cântico faz com que ela se sinta aquecida e alegre? Isto não pode ser poder espiritual. Não desejo ser um crítico bitolado mas deve se salientar que o cântico excessivo excita o poder da alma. Exemplo 4 - Exposição da Bíblia. Existe o perigo de se expressar o poder latente da alma até mesmo no estudo da Bíblia. Por exemplo: alguém está confuso sobre certa passagem da Escritura. Ele não entende seu significado. Assim ele pensa nele o tempo todo, seja andando na rua, dormindo em sua cama, em seu gabinete ou andando de trem. De repente um jato de luz brilha sobre ele; agora parece que ele pode expor aquela passagem para si mesmo de forma lógica. Se tem boa memória ele sem dúvida, a estocará em sua mente; se sua memória não é tão aguda ele escreverá numa caderneta. Tal interpretação repentina não é maravilhosa? Todavia a pergunta deve ser feita: Isto é digno de confiança? Porque às vezes ela pode vir do poder da alma. Considerando seu resultado, a interpretação pode ser razoavelmente julgada, pois tal exposição nova, especial e aparentemente espiritual pode não produzir fruto espiritual. Não apenas ele pode não extrair vida espiritual dela, mas também pode não ter como comunicar vida aos outros fornecendo tal interpretação. Tudo o que pode fazer é ajudar a mente das pessoas um pouco. Exemplo 5 – Alegria. Grande número de pessoas deseja ter alegria em seu sentimento. O chamado riso santo é um caso extremo do assunto. É ensinado que se uma pessoa for cheia do Espírito Santo, ela invariavelmente terá este riso santo. Aquele que declara possuir esta espécie de riso não pode controlar a si mesmo. Sem qualquer razão ele rirá, rirá e rirá como que infectado por certa doença e parecerá estar parcialmente insano. Numa certa reunião, depois do sermão ser concluído, foi anunciado que todos deveriam buscar este riso santo. Todos começaram a bater nas mesas ou cadeiras, pulando e saltando por toda parte, até que depois de certo tempo este chamado riso santo apareceu. As pessoas simplesmente olhavam um para a outra e caiam na gargalhada. Quanto mais pensavam nisso mais engraçado se tornava. Por isso não podiam se conter e continuavam rindo. O que é isso? Há possibilidade de tal coisa ser a plenitude do Espírito Santo? Pode isso ser Sua obra? Não, isto é certamente uma das obras da alma. Menciono este caso extremo a fim de ilustrar por meio de um "extremo" como podemos escapar pela tangente por apenas dois ou três graus de inexatidão. Quando o senhor Barlow (um amado companheiro cristão) esteve aqui reunindo conosco, uma ajuda particular que recebi dele foi essa observação: a fim de ver se uma coisa é certa ou errada temos apenas que aumentá-la uns cem graus, isto é, não importa o que seja, leve-a ao extremo. O princípio orientador é que se estiver errado nos cem graus, a pessoa sabe que também está errado no primeiro ou segundo grau. É muito difícil julgar apenas pelo primeiro ou segundo grau; caso haja algum erro, com certeza será pequeno demais para ser identificado. Mas pelo prolongamento ou aumento da situação ou circunstância, tudo se tornará bastante distinto. Existe um provérbio chinês que diz assim: "O desvio de um centésimo ou milésimo de uma polegada terminará numa distância de mil quilômetros:" Você pode começar com um erro de apenas um centésimo ou milésimo de uma polegada, porém, mais tarde se deparará com uma discrepância de mil quilômetros. A afirmação inversa seria: se examinarmos a discrepância de mil quilômetros poderemos ver o erro de um centésimo ou milésimo de uma polegada. Suponhamos que hajam duas linhas que não são exatamente paralelas mas estão fora num pequeno ângulo de um ou dois graus, dificilmente notável a olho nu. Se você prolonga estas linhas uma polegada a mais a distância entre elas torna-se obviamente maior. Quem poderá dizer quantas centenas de quilômetros elas estarão separadas uma da outra, se forem prolongadas até os confins da terra? A distância aos dez milhares de quilômetros da sua origem prova a existência de erro formado no ponto inicial. Apliquemos agora esta norma ao chamado riso santo. Como as pessoas conseguem este riso santo? Que método elas seguem ou que condições devem preencher? Não é outra coisa senão o pedir para rir. Existe apenas um pensamento que é rir. Estão buscando serem cheias do Espírito? Seus lábios podem realmente proferir palavras como: "Ó Deus, encha-me com Teu Espírito." Todavia isso é apenas um método; o alvo da petição para serem cheias com o Espírito é algo mais do que serem cheias. Embora possam dizer com suas bocas, o desejo dos seus corações está em outro lugar. Qual é seu alvo? Elas querem rir e ficar alegres. Elas não oram: "Ó Deus, peço que me enchas com Teu Espírito, ficarei satisfeito tendo ou não sentimento." Qualquer que deseje ser cheio com o Espírito de Deus deve assumir tal atitude. Permita-me relatar uma estória verdadeira. Um estudante havia se arrependido e crido no Senhor. Ele tinha um colega que professava possuir este riso santo dava impressão de ser excessivamente alegre. Este colega instou com ele para que buscasse ser cheio com o Espírito Santo, dizendo como ele era feliz de manhã ao anoitecer sem qualquer tristeza e afirmando quão útil tal experiência seria para o crescimento espiritual. Considerando que este colega era um crente e possuidor dessa experiência, o recém salvo pensou que podia tê-la também. Consequentemente começou a orar ansiosamente a Deus. Continuou em oração pedindo a Deus a experiência; pediu tanto que chegou a ponto de perder o apetite e negligenciar seus estudos. Mais tarde foi ver um professor e pediu que ele orasse por ele. O estudante mesmo orou ardentemente a Deus e fez um voto de que não se levantaria da oração aquela noite se Deus não a desse a ele. Continuou orando até que repentinamente saltou e deu um grito dizendo quão alegre se sentia. Ele riu e riu. Quanto mais ria mais alegre sentia. Ele riu e dançou e gritou. Seu professor pensou que ele estava fora de si. Agindo como se fosse um médico, seu professor o segurou e disse: "Irmão, acalme-se, não haja desordenadamente:" Mas quanto mais era advertido, mais violentamente reagia. Seu professor não ousou dizer mais nada temendo ofender ao Espírito Santo, caso isso fosse realmente de Deus. Finalmente o estudante foi para casa e estava melhor no dia seguinte. Ora, isso não foi nada mais do que uma grande liberação do poder da alma, pois ele havia preenchido a condição para sua liberação. Exemplo 6 - Visões e Sonhos Atualmente muitas pessoas nas igrejas estão buscando ter visões e sonhos. Se alguém me perguntar se creio nisso, respondo que não me oponho a nenhum deles. Eu mesmo tenho tido algumas experiências e às vezes podem ser úteis. Todavia quero chamar sua atenção para a fonte deles. De onde vêm: são de Deus ou não? Quão freqüentemente numa reunião alguém começa a contar ter tido uma visão e isso dá origem a uma avalanche de visões, até que todos na congregação chegam a testificar terem tido visões e sonhado sonhos. Ouvindo sobre visões as pessoas começam a orar pedindo a Deus para lhes dar a mesma experiência. Elas jejuarão e orarão por muitas noites se uma visão não for concedida. Gradativamente seus corpos enfraquecerão, suas mentes se tornarão vagas e suas vontades' perderão todo o poder de resistência. Aí elas recebem o que é chamado de visão e sonho. Não há dúvida de que elas recebem algo, mas como recebem estes sonhos e visões? Eles vêm de Deus? Tolerâncias tais como deixar a mente ficar vaga e a vontade passiva é definitivamente contra o ensino da Bíblia. Estas pessoas simplesmente se hipnotizam. Algumas pessoas são propensas a sonhar e parecem ter condições de interpretar seus sonhos, embora freqüentemente seja de modo absurdo. Eu tive um médico amigo que parecia ter facilidade para sonhar. Cada vez que eu o via, ele me contava novos sonhos e interpretações. Ele sonhava quase toda noite e frequentemente tinha três ou quatro sonhos numa só noite. Por que acontecia isso? Era porque Deus queria tanto dar a ele sonhos? Eu sei a razão. Ele era alguém que vivia a sonhar durante o dia e por isso sonhava à noite também. Era bem interessante encontrar um médico tão inteligente com pensamentos tão confusos. Sua mente desenhava quadros continuamente de manhã ao anoitecer, e não tinha como controlar seu pensamento. O que ele sonhava à noite era o que ele tinha pensado durante o dia. Por causa disso roguei a ele de modo bem direto dizendo que se não resistisse a estes sonhos ele seria finalmente enganado e sua vida espiritual não poderia crescer. Graças a Deus, ele melhorou mais tarde. Disso conhecemos que muitos dos sonhos não são de Deus; são simplesmente os resultados de uma mente dispersa. Examine a Fonte Alguns buscam visões, outros professam ter visto uma luz ou chama e outros mais declaram que tiveram sonhos. Seguindo seus testemunhos, muitos outros começam a afirmar que tiveram experiências semelhantes. Não me oponho a tais coisas, mas examino a origem delas. Elas vêm da alma ou do espírito? É bom lembrar que qualquer coisa feita no espírito pode ser duplicada pela alma; mas qualquer coisa que é copiada pela alma serve apenas para imitar o espírito. Se não examinarmos a fonte desses fenômenos seremos facilmente enganados. O ponto mais importante aqui não é negar estas coisas, mas sim examiná-las para ver se emergem da alma ou do espírito. Diferenças nos Resultados Qual é a diferença nos resultados entre a operação do espírito e a da alma? Isto nos fornecerá um indício principal entre aquilo que é do espírito e aquilo que é da alma. "O primeiro homem, Adão, tornou-se alma vivente; o último Adão, espírito vivificante"- I Coríntios 15:45. Paulo diz aqui que o primeiro Adão tornou-se uma alma vivente. A alma está viva. Ela tem sua vida e portanto capacita o homem a fazer toda sorte de coisas. Isto se refere à posição que Adão tinha. Depois o apóstolo continua: "o último Adão tornou-se espírito vivificante:" Esta palavra é digna de maior atenção; ela é bastante preciosa e significativa. A diferença nos resultados entre as operações do espírito e da alma é claramente dada aqui. A alma está viva e tem vida em si mesma. O espírito, entretanto, é capaz de dar vida aos outros. O espírito porém, não apenas tem vida em si mesmo, como também pode fazer outros viverem. Somente o espírito é capaz de vivificar pessoas para vida. A alma, a despeito de quão forte ela seja, não pode comunicar vida aos outros. "É o espírito;" diz o Senhor, "quem dá vida; a carne nada aproveita" - João. 6:63. Devemos distinguir estas duas operações muito claramente, porque é da maior importância. Ninguém pode trabalhar satisfatoriamente se estiver confuso neste ponto. Deixe-me repetir: a alma está verdadeiramente viva mas não pode fazer outros viverem. O espírito, por outro lado, não apenas está vivo mas além disso dá vida aos outros. É por isso que declaro com tanta ênfase que precisamos dar de mão do nosso poder da alma. Tudo o que é da alma não tem valor. Não estamos discutindo sobre terminologias, porque isso é um grande princípio. Embora a alma esteja viva, ela não tem como fazer os outros viverem. Por isso, ao ajudar alguém devemos desejar do mais profundo do nosso ser e não ajudar simplesmente suas mentes. Não devemos trabalhar segundo a força psíquica visto que ela não pode salvar nem ser útil a ninguém. Quão cuidadosos devemos ser. Como devemos recusar qualquer coisa que venha da nossa alma. Pois ela não apenas não pode ajudar os outros como também é empecilho para a obra de Deus. Ela ofende a Deus como também O priva da Sua glória. O Perigo Das Operações No Poder da Alma Deixe-me usar algumas ilustrações comuns para mostrar a diferença entre as operações do espírito e da alma. Todavia não vou mencionar aqueles casos miraculosos porque já fiz isso atrás. Podemos dizer que é bastante comum na igreja hoje trabalhar pelos meios psíquicos. Quão frequentemente os métodos psicológicos são usados nas reuniões de ministério para atrair as pessoas! Como os métodos psíquicos são em pregados nas reuniões dos crentes para estimular os ouvintes. Observando os métodos usados podemos julgar que tipo de trabalho está sendo realizado. Deixe-me dizer francamente que muitos sermões só podem ajudar as almas das pessoas mas não seus espíritos. Tais mensagens são dadas a partir da alma e por isso só podem alcançar a alma do homem e fornece-lhe um pouco mais de conhecimento mental. Não devemos operar desse modo, porque tal obra nunca penetra no espírito do homem. Como muitas reuniões de avivamento são conduzidas? (Não sou contra o reavivamento dos crentes, isto eu devo tornar bem claro. Só estou perguntando se o modo de conduzir tais reuniões hoje é do espírito.) Não é verdade que em muitos encontros de reavivamento uma espécie de atmosfera é primeiro criada a fim de fazer com que as pessoas se sintam aquecidas e entusiasmadas? Um cântico é repetido uma e outra vez para aquecer o auditório. Algumas estórias emocionantes são contadas para provocar a entrega de testemunhos. Estes são métodos e táticas mas não o poder do Espírito Santo. Quando a atmosfera está quase aquecida plenamente, o pregador então se levanta e prega. Enquanto prega ele já está ciente do tipo de resultado que alcançará naquele dia. Ele tem várias estratégias preparadas. Pela manipulação inteligente ele pode saber de antemão que uma certa classe de pessoas sentirá calafrios, outra chorará e haverá confissão e tomada de decisões. Tal espécie de reavivamento precisa ser renovado de um em um ou de dois em dois anos, porque o efeito do remédio dado anteriormente passará e antiga situação retornará. Para alguns, o efeito de um avivamento anterior se desfará dentro de apenas umas poucas semanas ou meses. Grande zelo e disposição são realmente exibidos no início do avivamento, mas depois de pouco tempo acaba e desaparece. Isto não tem outra explicação a não ser a ausência da vida. Se as estórias de muitos crentes fossem registradas, elas conteriam a história dos avivamentos: avivamentos após quedas, e quedas após avivamentos. O estimulante usado no primeiro avivamento tem que ser aumentado para dosagem maior no segundo. A fim de ser eficaz o método empregado no segundo deve ser mais emotivo e emocionante. Eu sugeriria que este tipo de método poderia ser melhor descrito como uma injeção de "morfina espiritual'." Ela precisa ser injetada uma e outra vez. É evidente que a alma só pode viver por si mesma mas não tem poder para fazer outros viverem. Operar pelo poder da alma--ainda que as pessoas chorem, tomem resoluções e se tornem zelosas, praticamente falando, igual a nada. O Espírito Dá Vida O que é regeneração? É o recebimento da vida ressurreta do Senhor Jesus. Por que a Bíblia diz que somos regenerados por meio da ressurreição do Senhor ao invés de ser pelo nascimento do Senhor? Porque a nova vida recebida é mais do que a vida de Belém. Aquela vida que é nascida em Belém estava para morrer, mas a vida de ressurreição não morre nunca. "Eu sou (...) o que vivo; fui morto, mas eis aqui estou vivo pelos séculos dos séculos" - Apocalipse 1:17,18. A vida de ressurreição nunca morre mas vive para sempre. A vida que é nascida está na carne e portanto, pode morrer. O que recebemos na regeneração é a vida que vive para sempre e nunca morre. O que é ressurreição? Suponhamos que haja um cadáver aqui. É absolutamente impossível ressuscitar um morto pelos meios humanos. Não importa quanta energia é exercida e quanto calor usado, o morto não voltará à vida. A única forma de fazê- lo viver é colocar a vida de Deus nele. Esta vida que vivifica o morto é a vida de ressurreição, e isto é ressurreição. Que situação é pior do que a morte? O que é mais frio do que a morte? Um cadáver se deteriorará e apodrecerá mais e mais, mas quando a vida de ressurreição é comunicada, a morte é tragada pela vida. Consequentemente, uma pessoa regenerada é capaz de resistir a qualquer coisa que pertença à morte e resistir todas as coisas mortas. O que se segue é uma ilustração que tem sido usada para explicar a ressurreição. Havia um certo homem que não acreditava na ressurreição, Ele era importante entre um círculo de ateus. Depois que ele morreu, o epitáfio sobre sua sepultura dizia: "Sepulcro Inquebrável". O túmulo havia sido construído com mármore. Surpreendentemente, aquele grande sarcófago de mármore partiu-se um dia. Aconteceu que uma bolota caiu na fenda das pedras durante a construção. Gradativamente ela cresceu num grande carvalho e eventualmente rompeu amplamente o túmulo. Uma árvore tem vida e por isso pode arrombar um lugar de morte. Somente a vida pode conquistar a morte. Isso é regeneração, isso é ressurreição. O espírito vivifica; somente ele pode comunicar vida. É isto que precisamos observar. Mas infelizmente existem muitos substitutos para o espírito em nossos dias. A Alma Deve Ser Tratada Deus só trabalha com Sua própria força; consequentemente devemos pedir nEle para amarrar nossa vida da alma. Cada vez que trabalhamos para Deus precisamos primeiro tratar conosco mesmos, nos colocando à parte. Devemos por de lado nossos talentos e pontos fortes, e pedir a Deus para amarrar estas coisas. Devemos dizer a Ele: "Ó Deus, quero que Tu operes; não quero depender do meu talento e poder. Peço-Te que operes, porque de mim mesmo nada posso fazer:" Muitos obreiros hoje consideram o poder de Deus insuficiente e por isso acrescentam o deles próprios. Trabalhar sobre tal base não somente é inútil como também prejudicial. Lembre-se que a obra do Espírito Santo nunca tolera a intromissão da mão do homem. Frequentemente digo que na obra de Deus o homem deve ser como uma figura num papel, a qual não tem vida e nada pode fazer. Ele precisa de um influxo de vida para capacitá-lo a trabalhar. Neguemos a nós mesmos até ao ponto de nos tornarmos como figuras num papel, não tendo poder algum em nós mesmos. Todo o poder deve vir de cima; todos os métodos usados também devem vir de cima. Sabemos que somente o Espírito é quem vivifica. Deus opera pelo Espírito. Se desejarmos que Deus opere, devemos pedir a Ele para amarrar nossa vida da alma; caso contrário Ele não tem liberdade para operar. "Em verdade, em verdade vos digo: Se o grão de trigo caindo na terra não morrer, fica ele só, mas se morrer, da muito fruto. Quem ama a sua vida, perdê-la-á; e quem neste mundo odeia a sua vida, guardá-la-á para a vida eterna" - João 12:24,25. A palavra "vida" aqui no Grego indica a "alma". Significa que qualquer que quiser preservar sua vida da alma perderá sua vida da alma; mas aquele que perder sua vida da alma guardá-la-á para a vida eterna. Esta é uma ordem singular do Senhor. Ele fala em tais termos a fim de explicar o significado das palavras anteriores: "Se o grão de trigo caindo na terra não morrer, fica ele só; mas se morrer, dá muito fruto:" Primeiro ele morre, depois algo acontece. Se um crente não põe de lado sua própria vida da alma, o espírito nunca poderá operar e desse modo beneficiar outros. A fim de realizarmos uma obra mais profunda para o Senhor, precisamos tratar de forma prática com nossa alma. A vida da alma precisa ser perdida. Um grão de trigo é bom e sua cor dourada é muito bonita. Mas se for colocado sobre a mesa ele permanecerá um grão mesmo depois de cem anos. Ele nunca acrescentará mais nenhum grão. Todos os nossos poderes da alma são como aquele grão de trigo que não caiu na terra. Ele nunca pode produzir fruto. Podemos considerar este problema com toda a seriedade? Aquela vida de ressurreição, que é santa e sem mácula e que possuímos agora, pode produzir muito fruto? Alguns perguntam por que não podem ajudar ou salvar as pessoas; outros indagam por que carecem de poder na obra. Muito confessam que não têm poder. Eu respondo que a razão deles não terem poder para operar está no grande poder que possuem em si mesmos. Visto que já possuem grande força neles mesmos, onde está a oportunidade para Deus operar? Usando a própria sabedoria, método, força ou habilidade natural, os crentes bloqueiam a manifestação do poder de Deus. Muitos fenômenos miraculosos são realizados pela força da alma e não por Deus. Como esperar resultados bons e duradouros se substituem o poder de Deus por suas próprias habilidades naturais? Muitas reuniões de avivamento parecem ser bem sucedidos no momento, mas depois, voltam a zero nos resultados. Não há dúvida de que alguns avivamentos ajudam as pessoas. Mas estou me referindo aqui às obras feita por meio de métodos humanos. Posso declarar solenemente que qualquer que almeja uma obra melhor e mais profunda não deve falar sobre poder? Nossa responsabilidade é cair na terra e morrer. Se morrermos, então o produzir fruto será bastante natural. O que o Senhor diz a respeito daquele que perde sua vida, isto é, aquele que odeia sua vida neste mundo? Ele a guardará para a vida eterna. É como se eu tivesse eloquência e ainda assim não quisesse usá-la. Meu coração não está colocado na eloquência; eu não a usarei como meu instrumento de trabalho. Eu perco minha eloqüência e recuso depender dela. Qual é o resultado? Eu ganho vida; isto é, sou capacitado a ajudar os outros em vida. A mesma coisa acontece com minha capacidade de gerenciar ou qualquer outra habilidade: eu me recuso a usá-la. Ao invés disso, aguardo diante de Deus. Assim eu realmente farei bem às pessoas. Aprendamos portanto, a não usar nosso próprio poder a fim de que possamos dar muito fruto. O poder deve ser obtido na base da ressurreição. Ressurreição é viver além da morte. O que precisamos é não de maior poder mas de morte mais profunda. Precisamos resistir a todo poder natural. Aquele que não perdeu sua vida da alma, não conhece nada de poder. Porém aquele que passou pela morte está de posse da vida. Qualquer que perde sua vida da alma, à semelhança do grão de trigo que cai na terra e morre, crescerá na vida de Deus e produzirá muito fruto. Creio que muitas pessoas são tão ricas e fortes que não dão chance de Deus operar. Frequentemente me lembro das palavras "desamparado e desesperançado." Devo dizer a Deus: "Tudo o que tenho é Teu; eu mesmo nada tenho. Fora de Ti eu estou verdadeiramente desamparado e desesperançado:" Devemos ter uma atitude de dependência para com o Senhor, como se não pudéssemos inalar e exalar sem Ele. Qualquer coisa que temos vem dele. Oh como Deus Se deleita em nos ver chegando a Ele desamparados e desesperançados. Certa vez um irmão me perguntou: "Qual é a condição para a operação do Espírito Santo?” Ao que respondi: "O Espírito Santo nunca Se envolve em ajudar o poder da alma. O Espírito Santo precisa nos levar primeiro ao lugar onde não podemos fazer nada por nós mesmos." Aprendamos a recusar tudo aquilo que vem dos nossos egos naturais. Seja miraculoso ou comum, devemos recusar tudo aquilo que não vem de Deus. Ele então demonstrará Seu poder para realizar aquilo que pretendeu fazer. O Exemplo do Senhor "Disse-lhes, pois, Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que o Filho de si mesmo nada pode fazer, senão o que vir o Pai fazer; por que tudo quanto ele faz, o Filho o faz igualmente" - João. 5:19. O Filho não pode fazer nada de Si mesmo. Em outras palavras, de todas as coisas que o Senhor realizou, nenhuma delas Ele fez por Si mesmo. Esta é a atitude contínua do Senhor. Ele nada faz por Seu próprio poder ou segundo Sua própria ideia. Ele recusa qualquer coisa que possa vir dEle mesmo. Entretanto, existe alguma coisa errada com Sua alma? Seu poder da alma não é bastante utilizável? Visto que Ele não tem o menor indício de pecado, para Ele não seria pecaminoso usar Seu poder da alma. Todavia, Ele afirma que o Filho nada pode fazer de Si mesmo. Se um Senhor tão santo e perfeito como Ele Se recusa a usar Seu próprio poder, e quanto a nós? O Senhor é tão perfeito, todavia em toda a Sua vida Ele demonstrou ser desamparado e desesperançado em Si mesmo, dependendo somente de Deus. Ele veio ao mundo para fazer a vontade do Pai em todas as coisas. Nós que somos apenas uma partícula de pó, na verdade não somos nada. Devemos por de lado a força psíquica e recusar qualquer coisa que venha do poder da alma, antes que possamos trabalhar com força espiritual e produzir muito fruto. Que Deus nos abençoe. Livro O Poder Latente da Alma. Abraço. Davi.

quinta-feira, 20 de julho de 2017

II. CHAVES PRÁTICAS.

Espiritualidade. Texto de Sri Prem Baba (1965-  ). Capítulo Sete. II. CHAVES PRÁTICAS. ORANDO PARA TORNAR-SE UM CANAL PURO DO AMOR – A ORAÇÃO, ALÉM DE SER um poderoso instrumento de cura, é uma forma de exercitar a entrega. A entrega, porém, não é algo que possa ser feito, é algo que simplesmente acontece. Você não pode “se entregar”, você pode apenas preparar o terreno para que a entrega aconteça. Entrega é sinônimo de confiança plena. Em outras palavras, não é possível haver entrega sem confiança. Estando entregue, você não se abala com as circunstâncias externas. Por mais difícil que a situação seja, você confia pois sabe que essa foi a maneira que o Mistério encontrou para realizar o propósito maior. Quando a confiança se manifesta nesse nível, você se liberta do medo, do ódio e de toda maldade; você se torna um canal puro do amor e o serviço desinteressado acontece espontaneamente. Mas, enquanto não chega a esse nível de entrega, o que você pode fazer é plantar sementes de confiança. Além de dedicar-se ao autoconhecimento, você também pode fazer uso da oração, como forma de cultivar a confiança e preparar o terreno para a entrega. Uma das mais antigas orações cristãs diz: “Que seja feita a Vossa vontade”. Se pararmos para pensar nessa sentença, veremos que ela carrega a essência da entrega. Isso é o mesmo que dizer: Que eu me torne um canal da tua vontade”. EXERCÍCIO E ORAÇÃO – FECHE OS OLHOS  e silencie por um minuto. FAÇA ALGUMAS RESPIRAÇÕES PROFUNDAS e comece a orar espontaneamente, estabelecendo um diálogo com o Mistério através de algumas perguntas: O que você quer de mim? O que você quer que eu faça? Onde você quer que eu esteja? REFLITA POR ALGUNS INSTANTES E, se possível, ponha-se a meditar por alguns minutos. A resposta para essas questões está dentro de você, mas nem sempre você está pronto pra ouvi-las, justamente por que não está pronto para a entrega. Continue refletindo: O que me impede de ser um canal do amor? Do que eu tenho medo? Por que não consigo confiar? EM SEGUIDA, FAÇA UMA ORAÇÃO ESPONTÂNEA. Continue conversando com a divindade, pedindo para ser iluminado pela compreensão e para tornar-se um canal do seu amor. SUGESTÃO DE ORAÇÃO – ‘QUE EU SEJA UM CONTIGO. Que cada palavra que saia da minha boca seja a expressão do teu santo verbo. Que cada ato por mim praticado seja a expressão da tua santa vontade. Que a nossa ligação nunca seja quebrada e que eu possa ser um canal do teu amor”. DIALOGO – PREM BABÁ, COM O TÉRMINO DA TEMPORADA de encontros com você, está chegando a hora de voltar para casa, para a vida real do dia a dia, e eu estou um pouco preocupada. Aqui nós temos práticas diárias de oração, de yoga, de encontros com você, e isso é maravilhoso. Mas não sei como manter a mesma sintonia em casa, no meu dia a dia. PREM BABA. CONSIDERO QUE ESTE SEJA um tema bastante significativo que evoca alguns insights. Em primeiro lugar, isso que você está chamando de “vida real” é uma situação de vida criada por você e que você passou a considerar o seu mundo real. Você desenhou esse cenário, você escreveu esse script no qual você está atuando e agora você se sente prisioneira dessa história, pois não consegue enxergar a vida de outra maneira. Mas se você é o autor da peça, você pode modificar o texto. É você quem escreve a sua história e dá sentido para ela. Talvez você não saiba que tem esse poder e por isso acredite ser uma vítima das circunstâncias, mas isso acontece porque você está sendo guiado pelo inconsciente. E essa guiança  do inconsciente é o que você tem chamado de “destino”. O seu veículo está sendo conduzido por impulsos inconscientes, te levando para um lado e para outro, e você se sente impotente para mudar isso. Apesar de sermos regidos por uma lei inexorável de ação e reação, que determina que paremos em determinados pontos da jornada para resolvermos pendências do passado, isso não ocorre por uma questão moral, mas sim por uma questão mecânica. Segundo Isaac Newton (1643-1727), toda força da ação provoca uma força de reação, e elas são iguais em sentidos contrários. Nossos pensamentos, palavras e ações constroem isso que chamamos de realidade. Portanto, nós mesmos criamos as situações de vida, sejam elas confortáveis ou desagradáveis, felizes ou indesejáveis. E estando conscientes de que nós mesmos construímos cenários infelizes para as nossas vidas, podemos começar a transformação a situação. Talvez o primeiro passo para realizar essa transformação seja aprender a ter paciência onde estamos no momento, porque às vezes o karma ainda não permite que seja diferente. Se plantou uma semente e cultivou-a até que ela se transformasse numa muda ou numa árvore, antes de mais nada você precisa dar conta do que plantou. Por exemplo, se você trouxe um filho para o mundo, é preciso dar conta dele. Você precisa honrar seu compromisso. Se você tem uma família e se sente responsável por ela, então é preciso chegar num acordo com isso. Se você tem um trabalho, tem contas a pagar, não é possível, simplesmente, abandonar tudo. Ao mesmo tempo, isso não quer dizer que você não poderá realizar aquilo que deseja. Tudo é passível de mudança. Até mesmo quando o karma é muito rígido, estando consciente do que precisa aprender, você consegue adquirir flexibilidade, nem que seja na forma de encarar a situação. Portanto, o mais importante de tudo é estar consciente de onde você quer estar e de por que está em determinada situação. Porque às vezes você está presa por força do karma. Nesse caso, para transformar essa situação, é necessário fazer uso da criatividade e da inteligência. Mas essa criatividade e essa inteligência só chegam se você se abre para compreender o sentido que quer dar para a sua vida. Qual é o sentido da sua vida? Você está aqui para realizar algo. Você tem um programa a ser cumprido nesta encarnação. Ao tornar-se consciente do seu programa, você se move nessa direção. E somente quando pode realizar o programa da sua alma. Através dos seus dons e talentos, você fica em paz, independentemente de onde esteja. Algumas pessoas têm clareza e certeza de que precisam estar no núcleo da matrix, nos grandes centros urbanos, porque o seu programa interno determina que elas estejam lá para executar determinados serviços. Mas o seu programa pode ser mais flexível e talvez você possa exercer o propósito em diferentes lugares. A questão é: por que você está onde está? Você quer estar onde está se colocando? Lembre-se de que é você quem está se colocando nesse lugar. Não estando satisfeita nesse lugar, você tem três possibilidades de escolha: ir embora; ficar e transformar a situação; ou aceitar e sofrer com paciência. Essa última opção envolve o fim da reclamação, pois você está escolhendo aceitar. Outro insight que precisa ser focalizado nessa questão que você trouxe é o sentimento de impotência diante disso que você está chamando de destino. Não estando no comando do seu próprio veículo, você é guiado por forças inconscientes e não tem noção de aonde elas estão te levando. Se  o seu coração está te levando, você também não sabe para onde, mas você vai feliz. Essa é a diferença. Quando o pequeno eu está te levando, você vai sempre com medo, inseguro, sempre achando que tem uma coisa errada. Não estando presente, total na ação, você é tomada por forças desconhecidas – forças internas e forças externas. Você é guiada pelos astros, pelo inconsciente coletivo ou até mesmo pela mandinga do vizinho. Na verdade, você é guiada pela sua própria mandinga, porque é você quem está fazendo isso. E você faz isso porque saiu do assento do seu veículo e deixou ele ser usado por qualquer um. O que te leva a estar nesse lugar que você está hoje! Você está ali porque o seu coração está te guiando! Você sabe que existe uma razão maior para estar ali? Ou você está nesse lugar porque tem medo de fazer diferente? Você está nesse lugar porque tem medo de fazer diferente? Você está ali por vingança, raiva, obstinação? Qual é a razão de você estar onde está? Independentemente de onde você esteja, quer seja num ashram ou no olho da matrix, a forma de manter a conexão é a mesma: se colocando presente, fazendo de cada conjunto de ações uma prece, Transformando sua vida em uma oração. Mas isso só é possível se você tem consciência do propósito das suas ações. Tendo consciência de que está na matrix com o propósito de servir, você vive com alegria. Mesmo que haja momentos difíceis, nos quais a crueldade coletiva acaba influenciando seu campo energético, se você tiver consciência do propósito de estar ali; se tiver consciência de estar nesse lugar justamente para ajudar a purificar e transformar essa sombra coletiva, você não cairá. Em momentos como esse, eu sugiro que você faça uso de algumas ferramentas: entre em contato com a natureza, nem que seja numa praça pública; reserve um tempo para ficar em silêncio e orar: ouça e cante mantras; realize práticas físicas; e mantenha o bom humor. Através da ressonância, o mantra age nos níveis físico, emocional e mental. Seus fonemas atuam em determinados núcleos de sistema nervoso, mesmo que você não conheça o significado literal das palavras. Se você  recebeu uma iniciação espiritual e um mantra, eu sugiro que você utilize o Gayatri ou o Prabhu ap jago, pois, apesar de terem nascido do berço da traição hindu, são preces universais. Gayatri: OM BHUR BHUVAH SWAHA – TAT SAVITUR VARENYAM – BHARGO DEVASYA DHIMAHI – DHIYO YONAH PRACHODAYAT. PRABHU AP JAGO: PRABHU AP JAGO – PARAMATMA JAGO – MERE SARVE JAGO – SARVATRA JAGO. Esses são alguns instrumentos que podem te ajudar, mas o mais importante é a consciência do propósito, a consciência do serviço. Você tem consciência de estar servindo? Se tem, seus dons e talentos vão ser utilizados pelo grande Mistério. Ao colocar-se a serviço da verdade, você entra na corrente de felicidade. O amor passa por você para chegar ao outro. Isso te segura, não importa onde você esteja. Às vezes o grande Mistério pode ser exigente com você e pedir que você esteja em lugares desafiadores. Pede que você dê mais do que acredita ter para dar. Isso faz parte de um jogo divino para tirar você da mente. E quando está além da mente, você se torna um canal de poder no qual tudo se torna possível. Onde o Mistério quer que você esteja? No momento presente. E muitas vezes esse momento presente significa estar em algum lugar, fazendo alguma coisa. E se você está consciente de estar nesse lugar por uma razão maior, você está feliz. Mas se você está sendo conduzido por forças  inconscientes, talvez seja levado para lugares aos quais não queira ir, e lugares diferentes daquele aonde o propósito o levaria. Isso então gera uma divisão interna, que se traduz em angústia, confusão, tristeza, depressão – uma série de dificuldades. A depressão se deve justamente a essa divisão. Sua alma quer te levar para um lugar, mas a sua mente condicionada está indo  para outro lugar porque quer agradar; porque quer reconhecimento, quer e quer. A natureza da mente é o desejar. O desejar é compulsivo. Essa compulsão e o desejar consomem sua vitalidade, consomem sua saúde, consomem seu tempo. E no mais profundo, tudo o que a sua mente quer é ser amada. Só que ela só se sente realmente amada quando está amando. Em algum momento, você precisará ter a coragem de romper com esse círculo vicioso. Há muitos anos, eu procuro meus dons, talentos e missão, sem obter sucesso. Ontem eu me deparei com uma raiva profunda que tenho de Deus, uma raiva Por Ele, que é “o Todo Poderosos”, por ter escolhido criar leis tão duras que fazem com que as criaturas sofram tanto para aprenderem a ser felizes. Essa experiência me assustou. Raiva de Deus é um pecado horrível para todas as tradições religiosas, que sujeita a criatura a terríveis punições. No entanto essa é a verdade que percebi em mim. Como sair disso? Livro Propósito – A Coragem de Ser Quem Somos. Abraço. Davi.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

I. CHAVES PRÁTICAS.

Espiritualidade. Texto Sri Prem Baba (1965-  ). Capítulo Sete. I. CHAVES PRÁTICAS. PARA AJUDAR NO APROFUNDAMENTO DOS CONCEITOS tratados neste livro (Propósito – A Coragem de Ser Quem Somos), quero sugerir algumas práticas que servirão para que o conhecimento possa ser realmente integrado ao seu sistema, de forma que os conteúdos presentes nesta obra não se tornem apenas um acúmulo de informações, mas sim uma sabedoria. Quando o conhecimento se transforma em sabedoria, ele deixa de ser um saber da mente e passa a ser um saber da alma, o que significa que ele se transforma numa virtude. De nada serve o conhecimento se não for colocado em prática. Obviamente, a vida proporciona as melhores oportunidades de aplicarmos esses conhecimentos, mas determinadas práticas podem funcionar como verdadeiras chaves que abrem portais para novas compreensões e insights sobre o seu processo evolutivo. A prática permite que você esteja mais preparado para atravessar os desafios da vida, além de acelerar o processo de purificação da personalidade e, consequentemente, de expansão da consciência. CHAVE PRÁTICA UM – IDENTIFICANDO INSATISFAÇÕES, CONTRADIÇÕES E CRENÇAS. COMO VIMOS, A IDENTIFICAÇÃO ou o reconhecimento das nossas insatisfações – e, em consequência, das nossas contradições internas – é o primeiro passo para a transformação daquilo que não queremos ou não gostamos em nossas vidas. Afinal, somente a partir da identificação da doença é que ela pode ser curada. Esse reconhecimento parece muito simples, porém nem sempre temos clareza em relação às nossas insatisfações, muito menos a respeito de nossas contradições, até porque acabamos nos acostumando com determinadas situações negativas. O objetivo deste exercício é justamente nos ajudar a ter uma maior clareza sobre aquilo que gostaríamos que fosse diferente nas nossas vidas, mas por alguma razão, não conseguimos mudar. Essa clareza nos leva ao reconhecimento das nossas contradições e, consequentemente, das crenças que dão sustentação a elas. EXERCÍCIO. PEGUE UMA FOLHA ou, de preferência, um caderno de anotações e um lápis. Recolha-se em um lugar tranquilo e silencioso. Se isso não for possível, pode ser em qualquer local, desde que você possa estar concentrado. SENTE-SE, FECHE os olhos e silencie por alguns instantes. QUANDO SENTIR-SE PRONTO, abra os olhos e comece a fazer uma lista das suas insatisfações, separando-as de acordo com as principais áreas da vida: relacionamento amoroso, amizade, família, profissão, dinheiro, saúde e espiritualidade. TORNE-SE CONSCIENTE dos sentimentos, emoções e pensamentos. Anote-os ao lado de cada insatisfação, usando apenas uma ou duas palavras. PROCURE LEMBRAR E anotar frases que seus pais ou familiares em geral costumavam dizer quando você era criança e que, por alguma razão, ficaram marcadas. Refiro-me a sentenças rígidas e generalizante sobre como a vida funciona, sobre você ou sobre como as pessoas são. Por exemplo: Você não vai dar certo na vida. Fazer o que gosta não dá dinheiro. Isso é coisa de vagabundo. Tais frases – que, normalmente, são reflexos dos comportamos e das atitudes dos adultos em questão – muitas vezes se transformam em crenças e condicionamentos na mente infantil e, na idade adulta, podem ainda funcionar como vozes internas que influenciam na forma como você age em relação ao mundo e a si mesmo. AO LEMBRAR-SE DE ALGUMAS dessas frases, procure identificar se existe ligação entre elas e as contradições que você pode reconhecer. Procure fazer uma relação de causa e efeito para perceber as crenças que podem gerar essas contradições. Se você conseguiu ter acesso a alguma crença limitante agindo no seu sistema, com base nessa identificação, aprofunde-se mais na observação dos sentimentos, das sensações e dos pensamentos que passam por você ao entrar em contato com isso. FECHE OS OLHOS E OBSERVE as sensações físicas que passam por você ao acessar essas memórias. O que você sente no corpo físico? Pode ser um amortecimento nos braços, um calor, uma aceleração nos batimentos cardíacos (...). Permita-se sentir e observar essa alteração. FAÇA O MESMO EM RELAÇÃO aos sentimentos e pensamentos. O que você sente no corpo emocional? Por exemplo, raiva, vergonha ou impotência (...). Permita-se sentir. O que você pensa nesse momento? Podem ser frases como: Eu não sou amado (a). Não sou bom o suficiente para realizar isso. Você pode apenas observar, mas se for possível  continue tomando nota de tudo e fazendo a relação disso com a insatisfação ou a crença em questão. Nesse ponto, podemos aprofundar mais um pouco: PROCURE SE LEMBRAR DO QUE VOCÊ  tem feito para mudar determinada situação que não lhe agrada. Observe se você está tentando fazer diferente. E se está, quanto esforço tem feito. OBSERVE TAMBÉM QUAIS são os amortecedores que você tem utilizado para manter –se afastado do contato com esses sentimentos. Se precisar, releia o capítulo que fala sobre os mecanismos de amortecimento. Tome nota. CHAVE PRÁTICA DOIS – LIBERANDO SENTIMENTOS GUARDADOS E PACTOS DE VINGANÇA. Conforme estudamos anteriormente, quando você percebe que existem contradições se manifestando através de um padrão negativo que se repete, gerando desconforto e sofrimento na sua vida, isso quer dizer que existe algum pacto de vingança inconsciente atuando no seu sistema. E o que dá sustentação a esse aspecto da natureza inferior são mágoas e ressentimentos – dores que foram anestesiadas e negadas. Cada sentimento suprimido, cada protesto não enunciado e cada lágrima não derramada é um obstáculo para a expansão da consciência, por isso precisamos nos permitir sentir e liberar esses conteúdos guardados. O melhor caminho para chegar a esse vale de sentimentos negados é aprofundar a prática da auto-observação focalizada. Inicie essa prática através de perguntas para si mesmo, como: Até que ponto eu quero me desenvolver? Até que ponto eu quero prosperar e ser feliz? Eu quero de verdade? As perguntas podem variar dependendo da situação e da área da vida em questão, mas a essência desse exercício é permitir-se ouvir as vozes internas (até então inconscientes) que estão o tempo todo dizendo não para aquilo que você conscientemente deseja. Se puder perguntar com honestidade e real disposição para saber a verdade, você verá o não atuando de forma muito concreta. EXERCÍCIO – COLOQUE-SE EM FRENTE A um espelho e olhe bem no fundo dos seus olhos. Permita-se ficar assim por alguns instantes e, em seguida, comece a falar consigo mesmo, dizendo tudo aquilo de bom que você quer para sua vida. Por exemplo: Quero ter um namorado. Quero ter um carro. Quero ter um ótimo cargo na minha empresa. Quero ter uma empresa. OBSERVE OS SENTIMENTOS que vão emergindo ao fazer essas afirmações. Você sente ânimo? Sente vontade de sair logo para realizar essa meta? Ou sente culpa, vergonha, impotência? CONVERSE CONSIGO MESMO dessa maneira por cinco minutos e em seguida feche os olhos e fique em silêncio por um minuto. REPITA ESSE EXERCÍCIO POR alguns dias, de preferência no mesmo horário, talvez pela manhã ou antes de dormir. Quando se aprofunda na prática da auto-observação, você tem a chance de conhecer e dialogar com o general comandante desse projeto de autodestruição, para então compreender o seu plano de vingança. Esse general pode ser o medo, o orgulho, a luxúria ou qualquer outra matriz do eu inferior. E ao identificar quem é esse general, que é um eu sabotador da felicidade em você, procure ouvir o que ele tem a dizer. Dialogue com ele, deixe-o contar por que não quer a felicidade. Ele tem suas razões. No momento em que você consegue ouvir essas vozes inconscientes, é possível que também entre em contato com os sentimentos que estão dando sustentação a elas. Então, um outro exercício poderá te ajudar a liberar os sentimentos que emergem dessa prática: ESCREVA UMA CARTA – em geral, esses sentimentos acabam sendo direcionados a alguma pessoa, seja ela do seu passado ou do seu presente. E, independentemente do que ela representa para você, tudo que sente e pensa – tudo que não disse no passado, tudo que não foi possível expressar naquela época. NÃO ENTREGUE A CARTA – isso poderá piorar a situação energética em questão, e esse não é o objetivo deste exercício. Ao termina-la, guarde-a por alguns dias até que você possa elaborar melhor os conteúdos que vieram à tona. Quando sentir-se pronto, ou seja, quando sentir que os sentimentos já foram liberados, você queima a carta. Esse exercício tem o objetivo de abrir os caminhos para um processo de cura, de forma que você possa ter um vislumbre do que está por trás de determinada situação negativa na sua vida. Trata-se de um exercício de fortalecimento do observador, aquele que vê as nuvens e as deixa passar, sem se identificar com elas. O foco é o momento presente. Você observa e não reage (não associa com o passado nem imagina como seria o futuro). Não importa-se o pensamento é negativo ou positivo. Você deixa ir. Você só assiste e se mantém atento e de coração aberto. CHAVE PRÁTICA TRÊS. TOTALIDADE NA AÇÃO: ASSUMINDO O COMANDO DO SEU VEÍCULO – A fase zero do processo do despertar da consciência diz respeito ao desenvolvimento do que chamo de totalidade na ação, que é a capacidade de estar presente a cada mínimo movimento – a cada pensamento, palavra e ação. É quando nos dedicamos ao desenvolvimento de habilidades como auto-observação e atenção plena, pois, através dessas habilidades, podemos ocupar o nosso veículo (corpo físico, mental e psicoemocional). Quando desenvolvemos a totalidade na ação, começamos a tomar as rédeas da nossa própria vida, pois é a ausência de nós mesmos na condução do nosso veículo que nos leva a agir de forma inconsciente e, por consequência, a cair em círculos viciosos de sofrimento. Somente quando ocupamos o nosso veículo podemos conduzi-lo de forma adequada. Caso contrário, somos levados por impulsos inconscientes. Tais impulsos são majoritariamente destrutivos, pois resultam de traumas e de sentimentos que foram negados e encontram-se congelados no nosso sistema. Portanto, eles refletem aspectos negativos da personalidade, o que também podemos chamar de maldade. Essa maldade ou negatividade, apesar de se manifestar na relação com as outras pessoas, acaba sempre se voltando contra nós mesmos. Isso acontece por causa da lei de ação e reação. Por isso, ao sermos conduzidos por impulsos inconscientes, somos levados a lugares desagradáveis – repetimos padrões negativos que se manifestam por meio de fracassos, perdas, conflitos e diversos tipos de perturbações. Trata-se de um auto sabotagem: traímos a nós mesmos justamente por nossos recursos e habilidades estarem sendo usados por tais impulsos destrutivos. E por não termos consciência de que nós mesmos nos colocamos em situações negativas,  nos sentimos indefesos e fragilizados e passamos a acreditar que somos vítimas e a procurar culpados para os nossos problemas. Assim se inicia o jogo de acusações, que é um dos aspectos que constituem a raiz do sofrimento humano. Isso é o que estamos chamando de círculo vicioso. Quando perceber-se enredado nesse círculo vicioso: ausência – ação inconsciente – negatividade – auto sabotagem – vitimismo – jogo de acusações – sofrimento – ausência – procure cessar qualquer atividade que esteja fazendo, mesmo que seja por apenas alguns instantes. Volte sua atenção para dentro, restabeleça a presença e retome o comando do seu veículo. Nesse caso, você pode fazer uso do anto questionamento: Quem está conduzindo o meu veículo? Quem está usando os meus recursos? Quem está pensando e agindo através de mim? Quem habita este corpo? Quem sou eu? EXERCÍCIO – À NOITE, ANTES DE DORMIR, faça uma revisão do seu dia, desde o momento em que você acordou até o momento em que você está novamente deitado na cama. Observe cada ação até que possa identificar o momento no qual você perdeu a presença, ou seja, o momento no qual você deixou de ocupar o próprio veículo e foi levado por impulsos inconscientes. REPITA ESSE EXERCÍCIO SEMPRE que se perceber ausente, tomado por impulsos. Assim, aos poucos, você vai trazendo para a consciência e identificando o que rouba a sua presença. Pode ser uma situação que te ameaça, um apessoa que te incomoda, uma cena que causa mal-estar, ou qualquer outra coisa. Tome consciência disso e procure identificar qual parte a sua personalidade se identifica e reage a determinado estímulo externo, pois é essa parte que está precisando de cuidado. Você verá que não é difícil discernir quem está no comando do seu veículo. A questão é querer ocupar o corpo e retomar a direção, mas isso envolve desapego. Para haver desapego, é preciso haver escolha consciente, ou seja, é preciso querer e decidir abrir mão do círculo vicioso. Para isso, antes de mais nada, precisamos conhecer os nossos pactos de vingança. O desapego é o que possibilita a escolha, e a escolha possibilita a liberdade. Só podemos ser livres quando temos a chance de escolher conscientemente. E só podemos escolher dessa forma quando estamos no comando do nosso veículo. Ao escolhermos abrir mão de círculo vicioso que se perpetua através da ausência de nós mesmos, invertemos o sentido da energia que estava voltada para a negatividade e criamos um novo círculo, um círculo benigno. Espiritualidade é sinônimo de desapego. Você se torna uma pessoa espiritual quando pode desapegar da história que criou para si mesmo; quando pode abrir mão dos pactos de vingança, da necessidade de fazer justiça com as próprias mãos e das crenças que criou sobre o que é a verdade. No mais profundo, espiritualidade é desapegar do sofrimento. O sofrimento é uma coisa que ninguém quer, mas da qual ninguém abre mão, porque ele gera um senso de identidade. O apego te envelhece, pois você fica preso no passado. A vida se torna muito previsível e sem graça, porque você se apega aos caminhos e às paisagens familiares. E, mesmo estando cansado de determinadas situações, você prefere deixar assim mesmo, porque isso te dá um senso de segurança. O desapego rejuvenesce, porque ele abre novos caminhos que geram a possibilidade de crescimento. Através do desapego, você se renova e expande. Quando perceber-se apegado a uma situação negativa, pergunte-se: Q uem sou eu sem esse impulso de brigar? Quem sou eu sem o ciúme e a insegurança? Quem sou eu sem esse nome e essa história? CHAVE PRÁTICA QUATRO – IDENTIFICANDO E REMOVENDO AMORTECEDORES. Os amortecedores são mecanismos que criamos para fugir do contato com a dor dos sentimentos negados no passado, porém esse é o aspecto mais direto da sua atuação. No mais profundo, os amortecedores são mecanismos de fuga de nós mesmos. Isso significa que através deles perdemos a presença e, consequentemente, o comando do nosso veículo. Por isso a retirada dos amortecedores também é fundamental no processo de retomada da presença. Vimos anteriormente que os vícios e as compulsões são os amortecedores mais óbvios, mas que qualquer coisa pode ser utilizada como amortecedores. Muitas vezes, você não percebe que está usando determinada coisa ou situação como amortecedor. Identificar os amortecedores não é difícil, basta querer. E ao optar por esse reconhecimento, você pode voltar a fazer uso da sua capacidade de auto observação. EXERCÍCIO – LISTA DE AMORTECEDORES: LISTE OS ELEMENTOS (objetos, situações, sentimentos ou emoções) que, no seu dia a dia, funcionam como distrações e roubam sua energia. Exemplos: conversar no WhatsApp, navegar nas redes sociais, falar ou comer demais, encontrar determinada pessoa, ter determinada mania, sentir ciúme de alguém (...). AUSTERIDADE INTELIGENTE: AO IDENTIFICAR ESSES elementos amortecedores, faça uso da austeridade para removê-los. Exemplos: experimente ficar duas ou três semanas sem comer açúcar ou sem tomar café. Caso você se sinta maduro o suficiente, experimente ficar sem nenhum amortecedor. Eu sei que nem sempre é fácil abrir mão de um vício ou hábito, ainda mais quando ele está mantendo uma dor escondida, por isso sugiro que você vá devagar. A remoção dos amortecedores precisa ser cuidadosa, porque muitos entram em desespero sem eles. Procure não impor a si mesmo metas impossíveis. Escolha um deles e remova-o da sua lista por um curto espaço de tempo. CHAVE PRÁTICA CINCO – RECONHECENDO POTENCIAIS. EXERCÍCIO UM: SONHOS INFANTIS – RECOLHA-SE EM um lugar silenciosos com seu caderno de anotações. Sente-se, feche os olhos e faça algumas respirações profundas. VISUALIZE A SI MESMO, quando era criança e procure se lembrar de como você era. SE TIVER VONTADE, coloque uma música que abra seu coração e remeta à sua infância, pois isso pode ajudá-lo a conectar-se com essa lembrança. Aos poucos procure trazer para a memória aquelas coisas que você gostava de fazer. Brincadeiras, jogos, diversões, amigos (...). Lembre-se dos sonhos e desejos que tinha quando era criança. O foco neste exercício são as coisas boas. COM BASE NESSA LEMBRANÇA, faça uma lista dos seus principais sonhos. O que você queria ser quando crescesse? O que você deseja realizar? Essa lista te dá pistas sobre os seus dons e talentos. Procure ver se os seus sonhos enquanto criança têm a ver com a atividade que você escolheu como profissão. Você ainda gosta de fazer determinadas coisas de que gostava antigamente? Você tem dedicado tempo às coisas que gosta de fazer? EXERCÍCIO DOIS – REALIZAÇÕES. LISTE TRÊS  REALIZAÇÕES que você considera sucessos na sua vida. LISTE AS VIRTUDES  que você utilizou para realizar isso. Exemplo: coragem, confiança, entrega, força de vontade, entusiasmo, alegria. LISTE SUAS HABILIDADES e conhecimentos, ou seja, tudo que você aprendeu e estudou. LISTE SEUS DONS E TALENTOS. O dom é o que você fa naturalmente, sem esforço, e o talento é um dom lapidado. CHAVE PRÁTICA SEIS – ORANDO PELO DESPERTAR DO AMOR. A ORAÇÃO É UM INSTRUMENTO muito poderosos que pode e deve ser utilizado por aqueles que estão em busca de cura e expansão da consciência. A oração de uma alma sincera tem um grande poder de cura, tanto individual quanto coletiva. Ao orar com verdade e pureza, você emana ondas de luz eletromagnética que podem ultrapassar os limites de espaço-tempo. Uma das práticas realizadas nos ashrams da linhagem espiritual à qual pertenço, a linhagem Sachcha, é o arati, uma prática de oração através da qual pedimos à divindade que desperte em todas as pessoas e em todos os lugares. Rezamos para que a luz da Verdade alcance o coração de todos aqueles que estão prontos. Estar pronto significa estar aberto e receptivo, ou seja, querendo receber, pois somente assim é possível ouvir o chamado do coração. Nos ashrams (comunidades espirituais) é realizada todos os dias, no início da manhã e no final da tarde, mas também pode ser feita dentro de casa, uma vez por dia ou quando você achar adequado. A principal oração utilizada nesses encontros diários é o seguinte mantra: PRABHU AP JAGO. PARAMITMA JAGO. MERE SARVE JAGO. SARVATRA JAGO. “Deus desperte! Deus desperte em mim. Deus desperte em todos e em todos os lugares”. EXERCÍCIO – REPITA O MANTRA DIARIAMENTE, por alguns minutos. Você pode cantá-lo, fazendo uso de algum instrumento musical, ou apenas usando a voz. Ou ainda pode repeti-lo internamente, em silêncio, enquanto realiza as atividades do seu dia. Ele também pode ser utilizado no início da sua meditação diária, para preparar o campo energético. REALIZE ESSA PRÁTICA por um período de tempo preestabelecido (no mínimo 21 dias) e veja o que acontece. O seu corpo é o seu laboratório. Faça suas experiência. Essas palavras em sânscrito têm um tremendo poder – um poder que não se pode descrever, pois é algo a ser experienciado. Não basta você  acreditar – é preciso experienciar esse poder. Algumas combinações fonéticas sons que ativam determinados núcleos energéticos do nosso sistema. Muitas pesquisas foram feitas nessa área, especialmente no que diz respeito aos antigos idiomas, como o sânscrito. Através da ressonância, esses sons agem sobre os nossos sistemas nervoso, endócrino e psicofísico. Assim como um som que, quando chega a determinada frequência, é capaz de quebrar um vidro, esses sons são capazes de dissolver bloqueios energéticos. Mesmo que não conheçamos o significado dessas palavras, elas agem no nosso sistema e nos levam a viver experiências que a mente não explica. Mas quando conhecemos o significado das palavras, além de ativar e transformar aspectos energéticos, o mantra também se torna uma oração, capaz de ativar e transformar aspectos emocionais. E para fazer essa oração, você não precisa acreditar em nada, nem mesmo em Deus, porque Deus é também uma palavra – uma palavra que procura explicar o Mistério cuja essência é o amor, o Mistério do amor. E talvez você não acredite nem mesmo no amor. Talvez você numa tenha amado. Talvez já tenha sentido uma brisa, algumas notas do perfume do amor, que se manifestou em relação a uma pessoa, alguém que despertou em você um sentimento que não se pode traduzir em palavras, mas que o eleva, lhe proporciona uma abertura e o faz viver coisas que até então não acreditava que pudessem existir. Ao sentir essa brisa, você fica feliz sem razão, você confia sem razão. Você quer ver o bem do outro e torce por ele, muitas vezes sem nem mesmo ter motivo para isso. É algo que desafia a lógica. Ao repetirmos esse mantra, estamos invocando o despertar do amor. No fundo estamos dizendo “acorde, amor”, pois sabemos que ele está adormecido. Quando nos permitimos viver essa experiência na qual entramos em comunhão com o Ser , o nosso coração se abre, e o amor flui generosamente, sem querer nada em troca. Essa experiência se dá num campo que está além da mente e que eu chamo de “Graça”. Sem que possa explicar, de repente você está amando. De repente você está feliz, saboreando a doçura de uma fruta que antes não conhecia. A paz nasce do amor. Ela é um fruto maduro da árvore da consciência. Mas essa árvore precisa ser plantada e cultivada. O silêncio e a repetição de mantras são instrumentos que podem ser utilizados para esse cultivo, porém a experiência da paz, que é o sabor da fruta, não é algo que se pode controlar. A mente não é capaz de controlar essa experiência – ela é um florescimento. Você prepara o campo, planta as sementes e segue cultivando, mesmo sem saber quando a árvores dará frutos. Livro Propósito – A Coragem de Ser Quem Somos. Abraço. Davi.

terça-feira, 18 de julho de 2017

O GÊNERO MENTAL.

Filosofia Hermética. Texto do filósofo e místico Hermes Trimegisto.Três Iniciados - Estudo da Filosofia Hermética do antigo Egito e da Grécia. Tradução Rosabis Camaysar. Capítulo Catorze. O GÊNERO MENTAL. OS ESTUDANTES DE PSICOLOGIA que seguiram o modo moderno de pensar a respeito dos fenômenos mentais ficaram surpreendidos pela persistência da dupla ideia mental que se tem manifestado tão fortemente durante os dez anos passados do último meio século, e que deu origem, a um grande número de teorias plausíveis a respeito da natureza e constituição destas duas mentes. Recentemente Thompson J. Hudson (1834-1903) atingiu grande popularidade em 1893, avançando a sua bem conhecida teoria das "mentes objetiva e subjetiva", que ele afirmou existir, em cada indivíduo. Outros escritores atraíram também a atenção pelas teorias sobre as "mentes consciente e passiva", "mentes voluntárias e involuntárias", "mentes ativa e passiva", etc. As teorias dos diversos escritores diferem entre si, mas permanece o princípio oculto da dualidade da mente. O estudante de Filosofia hermética tem provocação de riso quando lê e ouve qualquer coisa destas novas teorias a respeito da dualidade da mente, cada escola aderindo tenazmente à sua própria teoria favorita e clamando ter descoberto a verdade. O estudante volta para trás as páginas da história oculta e, nos primeiros elementos dos preceitos ocultos, encontra referência à antiga doutrina hermética do Princípio de Gênero no Plano Mental.  E examinando mais ele conclui que a antiga filosofia tinha conhecimento dos fenômenos da mente dual e deu conta disto pela teoria do GÊNERO MENTAL. Esta ideia de GÊNERO MENTAL pode ser explicada em poucas palavras aos estudantes que estão familiarizados com as modernas teorias há pouco aludidos. O PRINCÍPIO MASCULINO DA MENTE corresponde à chamada Mente Objetiva, Mente Consciente, Mente Voluntária, Mente Ativa, etc. E O PRINCÍPIO FEMININO DA MENTE corresponde à chamada Mente Subjetiva, Mente Subconsciente, Mente Involuntária, Mente Passiva, etc. Certamente que os Preceitos herméticos não concordam com as diversas teorias modernas sobre a natureza das duas fases da mente, nem admitem muitos fatos considerados como sendo respectivamente dos dois aspectos, porque muitas teorias e afirmações são alambicadas e incapazes de resistir ao toque da experiência e da demonstração. Apontamos as fases de concordância simplesmente para o fim de ajudar o estudante a assimilar os seus conhecimentos já adquiridos com os Preceitos da Filosofia hermética. Os estudantes de Hudson encontrão no princípio do seu segundo capítulo de A Lei dos Pensamentos Psíquicos, a proposição que "A mística algaravia dos filósofos herméticos desenvolve a mesma ideia",  isto é, a dualidade da mente. Se o doutor Hudson empregasse o tempo em decifrar um pouco da "mística algaravia da Filosofia hermética", ele teria obtido grande esclarecimento sobre a função da "mente dual", porém, naquele tempo, as suas obras mais interessantes ainda não tinham sido escritas. Vamos agora considerar os Preceitos herméticos sobre o GÊNERO MENTAL. Os Instrutores herméticos dão as suas instruções a respeito deste assunto fazendo os seus estudantes examinarem a relação da sua consciência a respeito do seu Ego. Os estudantes aprendem a pôr a sua atenção no Ego que habita em cada um de nós. Cada estudante aprende a ver que sua consciência lhe dá uma primeira relação da existência do seu Ego: à relação é "Eu sou". A princípio isto parece ser a última palavra de consciência, mas um exame um pouco mais profundo descobre que este "Eu sou" pode ser separado ou dividido em duas partes distintas, dois aspectos, os quais, apesar de agirem em uníssono e em conjunto, podem ser separados na consciência. Apesar de a princípio parecer existir um só Ego, um exame mais cuidadoso e mais profundo mostra que existe um Ego e um Eu. Estes gêmeos mentais diferem em característicos e natureza, e um exame das suas naturezas e dos fenômenos que procedem da mesma dará muita luz sobre muitos problemas da influência mental. Permitir-nos começar com uma consideração sobre o Eu ,que é usualmente tomado pelo Ego pelo estudante, até que ele investigue nos acessos da consciência. Um homem pensa do seu Ego (no seu aspecto de Eu) como sendo composto de certos estados, modos, hábitos, característicos, etc, tudo o que faz sobressair a sua personalidade, ou a Seidade conhecida a si e aos outros. Conhece que estas emoções e sensações mudam, nascem e morrem, estão sujeitas aos PRINCÍPIOS DE RITMO E DE POLARIDADE, que as levam de um extremo ao outro. Pensam também que o Eu é formado de certos conhecimentos reunidos nas suas mentes e formando então uma parte deles mesmos. Tal é o Eu de um homem. Porém, falamos muito apressadamente. O Eu de muitos homens pode ser considerado com consistindo da sua consciência corpórea e dos seus apetites físicos, etc. A sua consciência sendo presa à sua natureza corpórea, eles praticamente vivem nela. Muitos homens ainda consideram o seu vestuário como parte do seu Eu e atualmente parecem considerá-lo como uma parte de si mesmos. Um escritor disse humoristicamente que os "homens se compõem de três partes: o espírito, o corpo e a roupa". Estas pessoas ou roupas conscientes perderiam a sua personalidade se fossem despidas da sua roupa, por selvagens, na ocasião de um naufrágio. Porém, mesmo muitos dos que estão presos à ideia do vestuário pessoal afirmam fortemente que a consciência do seu corpo é o seu Eu. Eles não podem ter a ideia de uma Seidade (para entender esse conceito a palavra aseidade é o atributo divino essencial que consiste em existir por si mesmo) independente do corpo. A sua mente parece-lhes ser praticamente uma coisa pertencente ao seu corpo: o que é sempre o contrário. Mas, conforme o homem sob na escala de consciência, ele se torna capaz de distinguir o seu Eu da sua ideia do corpo e de pensar que este é uma coisa pertencente à sua parte mental. Mas, só então poderá identificar inteiramente o Eu com os estados mentais, as emoções, etc., que ele sente existir dentro de si. É capaz de considerar estes estados internos como idênticos a ele mesmo, em vez deles serem simplesmente coisas produzidas por uma parte da sua mentalidade e existindo dentro ele: sendo suas, estando nele, mas não sendo ele mesmo. Compreende que pode mudar estes estados mentais de emoções por um esforço da vontade e que pode do mesmo modo produzir uma emoção ou um estado de uma natureza exatamente oposta, e, contudo, existe o mesmo Eu. E assim até que seja capaz de pôr de parte estes vários estados mentais, as emoções, os hábitos, as qualidades, os característicos e outras faculdades mentais: é capaz de pô-las no não eu, coleção de curiosidade e embaraços, como uma posse de valor. Isto requer muita concentração mental e poderes de análise mental da parte do estudante. Porém, mesmo assim a tarefa é possível para os estudantes avançados, e mesmo os não muito adiantados podem ver, na imaginação, como pode ser realizado o processo. Depois que o processo foi executado, o estudante pôr-se-á em posse consciente de uma Seidade que pode ser considerado nos seus dois aspectos de Eu e Ego. O Eu será considerado como sendo uma coisa mental em que os pensamentos, as ideias, as emoções, as sensações, e outras condições mentais são produzidas. Pode ser considerado como a matriz mental, como disseram os antigos, capaz de fazer a geração mental. Manifesta-se à consciência como um Ego Feminino com poderes latentes de criação e geração das progênies mentais de todas as espécies e reinos. Contudo, parece ser consciente que ele recebe muitas formas de energias do seu Ego companheiro, ou de outro Ego, quando é capaz de dar existência às criações mentais. Esta consciência traz consigo a realização de uma enorme capacidade para a operação mental e a habilidade criativa. Porém, o estudante descobre logo que isto não é tudo o que percebe dentro da sua consciência interior. Percebe que existe uma Coisa mental que é capaz de querer que o Ego Feminino acione na direção de certa linha criativa, e que também é capaz de sustentar e provar a criação mental. Esta parte deles mesmos, dizem ser chamada Ego. É capaz de ficar na sua consciência à vontade. Não tem uma consciência de habilitações para gerar e criar ativamente, no sentido do processo que acompanha as operações mentais, mas sim no sentimento e consciência de uma facilidade par projetar uma energia do Ego Masculino é capaz de sustentar e abrigar as operações da criação mental do Ego Feminino. Na mente de cada pessoa existe estes dois aspectos. O Eu representa o PRINCÍPIO MASCULINO DE GÊNERO e o Ego representa O PRINCÍPIO FEMININO DE GÊNERO. O ego representa o aspecto de Existência; o Eu o aspecto de Estado. Deveis saber que o PRINCÍPIO DE CORRESPONDÊNCIA opera neste plano do mesmo modo que o faz no grande plano em que é feita a criação dos Universos. Ambos são semelhantes, porém muito diferentes em grau. "O que está em cima é como o que está em baixo, e o que está em baixo é como o que está em cima". Estes aspectos da mente - os PRINCÍPIOS MASCULINO E FEMININO - o Ego e o Eu - considerados em relação com os conhecimentos destas poucos conhecidas regiões da operação e manifestação mental. O PRINCÍPIO DE GÊNERO MENTAL manifesta a verdade que se oculta debaixo do campo total dos fenômenos de influência mental, etc. A tendência do PRINCÍPIO FEMININO é sempre em receber impressões, ao passo que a tendência do PRINCÍPIO MASCULINO é sempre em dá-las ou exprimi-las. O PRINCÍPIO FEMININO tem um campo de operação mais variado que o PRINCÍPIO FEMININO tem um campo de operação mais variado que o PRINCÍPIO MASCULINO. O PRINCÍPIO FEMININO dirige a obra da geração de novos pensamentos, conceitos,  ideias, incluindo a obra da imaginação. O PRINCÍPIO MASCULINO contenta-se com a obra da Vontade, nas suas várias fases. E assim, sem o auxílio ativo da vontade do PRINCÍPIO MASCULINO, o PRINCÍPIO FEMININO pode contentar-se com a geração de imagens mentais que são o resultado de impressões recebidas de fora, em vez de produzir criações mentais originais. As pessoas que prestam uma contínua atenção a um assunto empregam ativamente ambos os PRINCÍPIOS MENTAIS: o FEMININO  na obra da ativa geração mental, e a Vontade Masculina na estimulação e fortificação da porção criativa da mente. A maioria das pessoas empregam realmente o PRINCÍPIO MASCULINO mas pouco, e contentam-se com viver de acordo como os pensamentos e as ideias insinuadas no Eu pelo Ego das outras mentes. Porém, o nosso propósito não é demorarmo-nos na consideração desta fase do assunto, que pode ser estudada num bom livro de psicologia, com a chave que nós vos demos sabre o GÊNERO mental. O estudante dos Fenômenos Psíquicos está ciente dos admiráveis fenômenos classificados sob o título de Telepatia, Transmissão de Pensamento, Influência Mental. Sugestão, hipnotismo, etc. Muitos procuraram para uma explicação destas várias fases de fenômenos, as teorias dos diversos instrutores da mente dupla. Em certa medida estão certos, porque há claramente uma manifestação de duas fases distintas da atividade mental. Porém, se esses estudantes considerarem estas mentes duplas à luz dos Preceitos herméticos a respeito das VIBRAÇÕES e do GÊNERO MENTAL, compreenderão que têm na mão a chave com que tanto esforço procuravam. Nos fenômenos de Telepatia vê-se como a Energia Vibratória do PRINCÍPIO MASCULINO é projetada para o PRINCÍPIO FEMININO  de outra pessoa e este toma o pensamento semente e o desenvolve até a madureza. Pela mesma forma operam a Sugestão e o Hipnotismo. O PRINCÍPIO MASCULINO da pessoa dando as sugestões dirige uma exalação da Energia Vibratória ou Força Vontade para o PRINCÍPIO FEMININO da outra pessoa, e esta última aceitando-a, recebe-a em si mesma e age e pensa de conformidade com ela. Uma ideia assim recolhida na mente de uma pessoa, cresce e se desenvolve, e com o tempo é considerada como a melhor produção mental do indivíduo, porquanto, em realidade, é como o ovo do cuco colocado no ninho do pardal, quando este destrói a produção direta, e se põe no ninho. O método normal é para os PRINCÍPIOS MASCULINO e FEMININO na mente de uma pessoa coordenar e agir harmoniosamente em conjunção com a de outra. Mas, infelizmente, o PRINCÍPIO MASCULINO nas pessoas médias é muito lento em agir - o entendimento da Força Vontade é muito vagaroso - e a consequência é que tais pessoas são quase inteiramente dirigidas pelas mentes que façam as suas ideias e outras pessoas, às quais ela permite que façam as suas ideias e os seus desejos. Quão poucas ações  ou pensamentos originais são realizados pelas pessoas médias? Não são a maioria das pessoas simples sombras e ecos  de outras que têm vontades ou mentes mais fortes que elas? Isto acontece porque a pessoa média vive mais na consciência do seu Eu do que na do Ego. Está polarizada no seu PRINCÍPIO FEMININO da mente, e o PRINCÍPIO MASCULINO, em que se acha a Vontade, é obrigado a ficar inativo e sem emprego. O homem e a mulher fortes do mundo manifestam invariavelmente o PRINCÍPIO MASCULINO da Vontade, e a sua força materialmente deste fato. Em vez de viver das impressões dadas às suas mentes pelos outros, dominam a sua própria mente pela sua Vontade, obtendo a espécie desejada de imagens mentais, e ainda mais dominam do mesmo modo as mentes dos outros. Vede as pessoas fortes, como implantam os seus pensamentos sementes nas mentes das massas do povo, fazendo indivíduos fortes. Isto é porque as massas do povo são como que criaturas carneiros, não dando origem a uma ideia própria e não empregando as suas próprias forças de atividade mental. A manifestação do GÊNERO MENTAL pode ser observada ao redor de nós todos os dias da vida. As pessoas magnéticas são as que podem empregar o PRINCÍPIO MASCULINO com o fim de imprimir as suas ideias nos outros. O ator que faz o povo chorar ou rir como quer, o faz empregando este princípio. E assim é sucessivamente o orador, o político, o pregador, o escritor ou qualquer pessoa que tenha a atenção do público. A influência particular exercida por algumas pessoas sobre outras é devida à manifestação do GÊNERO MENTAL, na direção da linha vibratória acima indicada. Neste princípio acha-se oculto o segredo do magnetismo pessoal, da influência pessoal, da fascinação, etc., assim como os fenômenos geralmente agrupados sob o nome de Hipnotismo. O estudante que familiarizou-se com os fenômenos geralmente chamados psíquicos, poderá descobrir a importante parte tomada nos ditos fenômenos por esta força que a ciência denominou Sugestão, termo pelo qual se quer significar o processo ou método pelo qual uma ideia é transmitida à mente de outro, fazendo a segunda mente agir de acordo com ela. Uma exata compreensão da Sugestão é necessária para se compreender com inteligência os variados fenômenos psíquicos que a Sugestão encobre. Porém, o conhecimento da Vibração e do GÊNERO MENTAL é ainda mais necessário para o estudante da Sugestão. Porque todo o princípio da Sugestão depende do PRINCÍPIO DE GÊNERO MENTAL e de Vibração. É costume dos escritores e instrutores da Sugestão explicar que é a mente objetiva ou voluntária que faz a impressão mental, ou Sugestão na mente subjetiva ou involuntária. Porém, não descrevem o processo ou não nos dão uma analogia na natureza pela qual possamos compreender melhor a ideia. Mas, se quiserdes raciocinar sobre o assunto à luz dos Preceitos Herméticos, sereis capaz de ver que o fortalecimento do PRINCÍPIO FEMININO pela Energia Vibratória do PRINCÍPIO MASCULINO está em concordância com as leis universais da natureza, e que o Universo natural oferece inúmeras analogias pelas quais o princípio pode ser compreendido. Com efeito, os PRECEITOS HERMÉTICOS mostram que a verdadeira criação do Universo segue a mesma lei, e que em todas as manifestações criativas, nos planos espiritual, mental e psíquico, está sempre em operação o PRINCÍPIO DE GÊNERO: manifestação dos PRINCÍPIOS MASCULINO E FEMININO. "O que está em cima é como o que está em baixo, e o que está em baixo é como o que está em cima". E mais ainda, quando se compreende o PRINCÍPIO DE GÊNERO MENTAL, os variados fenômenos de psicologia tornam-se imediatamente adaptáveis a uma classificação e estudo inteligente, em vez de serem muito obscuros. O princípio se realiza na prática, porque é baseado nas imutáveis LEIS UNIVERSAIS DA VIDA. Não entraremos em extensa discussão ou descrição dos variados fenômenos da influência mental ou atividade psíquica. Existem muitos livros bons, escritos e publicados sobre este assunto nos últimos anos. Os principais fatos dados nesses vários livros são corretos, apesar dos escritores intentarem explicar os fenômenos por diversas teorias que lhe são favoritas. O estudante pode instruir a si próprio nestas matérias, e empregando a teoria do GÊNERO MENTAL será capaz de pôr em ordem no caos das teorias e doutrinas contrárias, e poderá tornar-se mestre no assunto se for inclinado à ele. O fim desta obra não é dar uma extensa relação dos fenômenos psíquicos, mas sim dar ao estudante uma chave mestra com a qual possa abrir as diversas portas que conduzem às partes do TEMPLO DO CONHECIMENTO que ele quiser explorar. Julgamos que nesta consideração dos PRECEITOS DO CAIBALION, encontrar-se-á uma explicação que servirá para esclarecer muitas dificuldades embaraçosa: ela será uma chave que abrirá muitas portas. Qualquer que seja o costume de fazer detalhes a respeito das muitas formas de fenômenos psíquicos e da ciência mental, colocamos providencialmente na mão do estudante as ideias pelas quais ele pode instruir-se muito a respeito de cada faze do assunto que o interessar. Com o auxílio do CAIBALION pode-se fazer uma livraria oculta, a velha Luz do Egito iluminando as páginas e os assuntos obscuros. Este é o fim deste livro. Não queremos expor uma nova filosofia, mas sim fornecer o bosquejo de um grande preceito do mundo antigo, que poderá esclarecer as doutrinas de outros, que servirá de Grande Reconciliador das diferentes teorias e doutrinas opostas. Livro Três Iniciados - O CAIBALION - Estudo de Filosofia Hermética do Antigo Egito e da Grécia. Abraço. Davi.